You are on page 1of 14

Suplementação animal a pasto para aumento da rentabilidade

da pecuária de corte
Gustavo Rezende Siqueira1
Matheus Henrique Moretti2
Rodolfo Maciel Fernandes2
Flávio Dutra de Resende1
Pesquisador da Apta, Colina/SP; Prof. do Programa de Pós Graduação da FCAV, Unesp – campus de
Jaboticabal. Bolsista de Produtividade do CNPq. sigueiragr@apta.sp.gov.br
2
Aluno de Pós Graduação da FCAV, Unesp – campus de Jaboticabal
1

Introdução
O sucesso de qualquer atividade pecuária está condicionado ao gerenciamento e
controle dos processos envolvidos no sistema produtivo, cujo objetivo final deve ser a
maximização do lucro, sendo este definido pela receita obtida com a venda dos animais (vivo
ou para o abate) menos os custos envolvidos no processo de produção. A grade dificuldade
em definir a rentabilidade da atividade pecuária de corte, reside sobre a falta de informações
do sistema produtivo, poucos sabem o quanto produzem de arroba por hectare/ano, ou ainda,
qual é o custo de produção da arroba engordada.
A redução nas margens que acompanham a atividade ano a ano, tem forçado uma
mudança de paradigmas da atividade, em que, o pecuarista deve passar a gerenciar a
propriedade como uma empresa rural e não mais como uma atividade familiar. Dados da
Agroconsult (2013) tem apontado que o lucro líquido da atividade obtido nos dias atuais é 7,5
vezes menor do que os obtidos durante a década de 70, sendo assim, para permanecer na
atividade o produtor deveria elevar sua produtividade.
De certo modo existe um lado positivo em tudo isso. A atividade pecuária sempre foi
tida como de baixos índices produtivos e “poluidora” do meio ambiente, resultando em uma
imagem errônea sobre a atividade. A pressão exercida por outras atividades tem forçado o
pecuarista a buscar tecnologias que permitam incrementos de produção, mostrando que é
possível a produção de bovinos de maneira ambientalmente correta, sustentável e lucrativa.
O sistema de produção de bovinos no Brasil tem como base a produção animal a pasto,
uma vez que o clima tropical favorece a produção de forrageiras, que por sua vez apresentam
alto potencial de crescimento e acúmulo de massa. Porém, um limitante desse sistema é a
sazonalidade climática que afeta principalmente a região central do país, impondo restrições
em determinados meses do ano. Via de regra, existem determinados períodos em que o
crescimento da planta é favorecido, primavera e verão, e os animais apresentam boas taxas de

Para isso.. O objetivo deste capítulo será pontuar alguns indicadores para a avaliação do resultados obtidos com o planejamento nutricional e mostrar alguns resultados obtidos com experimentos realizados nos últimos anos na Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio. O diferimento consiste na retirada dos animais de determinada área da fazenda para que a planta possa crescer e acumular massa de forragem. Dados de pesquisa (Santos et al. tem mostrado que o alto acúmulo de forragem resulta em acúmulo de material de baixa qualidade e altas perdas em eficiência de pastejo. 2000). O grande desafio no manejo do diferimento é o ponto de retirada dos animais dos piquetes. Bueno et al. períodos negativos na curva de crescimento animal devem ser evitados. Erroneamente podemos ter a falsa impressão de que quanto mais forragem acumularmos para ser utilizada no período seco melhor será o desempenho dos animais. não deve pode ser aplicado. Sendo assim. em que metas de ganho de peso devem ser definidas para cada fase.. o que impacta na redução da idade de abate dos animais. O sucesso de uma desmama eficiente com manutenção do crescimento animal. O diferimento da pastagem é uma ação de manejo que permite conservar forragem durante o período favorável ao crescimento e acumulo de massa (primavera. verão).ganho de peso. principalmente devido ao acamamento da forragem e pisoteio dos animais. no município de Colina – SP. durante o outono e inverno. Euclides et al. Em contrapartida.. Do bezerro ao boi magro Período de seca O estresse gerado pelo desmame e o cenário forrageiro (pasto de baixa qualidade). com aumento no giro do capital investido e da taxa de desfrute. para então ser ofertada aos animais no momento em que a produção forrageira encontra-se deprimida (outono. Aqui o conceito de que “quanto mais melhor”. talvez seja um dos maiores desafios na vida de um bezerro. o correto planejamento nutricional ao longo de toda vida do animal se faz necessário. inverno). 2007. . e reflete em menor tempo de permanência do animal na fazenda. 2009. a baixa qualidade e disponibilidade das forrageiras resultam muitas vezes em manutenção ou perda de peso pelos animais. está atrelado ao fornecimento de uma massa de forragem pastejável e a correção da mesma via suplementação.

% idade de até 24 meses. não libera “espaço” para que novo alimento seja consumindo. os microrganismos ruminais. Com a ingestão dessa forragem. responsáveis pela degradação da fibra (parede celular) tem sua atividade deprimida em função da falta de nitrogênio no ambiente ruminal (Minson. principalmente o grupo das bactérias celulolíticas. desse modo o animal não consome o que precisa e não consegue atingir a ingestão necessária de nutrientes para se desenvolver. Um estudo desenvolvido por Oliveira et al. assim como da taxa de passagem. Assim. Fica claro que a suplementação com fontes proteicas durante o período da seca é obrigatória e não uma opção. a suplementação nessa fase tem como foco a correção dos níveis de nitrogênio disponíveis no ambiente ruminal e aumento da atividade das bactérias celulolíticas. De forma geral. uma vez que ocorre diminuição na quantidade de proteína bruta e aumento da parede celular na planta.A análise do momento correto de diferimento deve levar em consideração o histórico de manejo da área e o de precipitação. % Degestibilidade FDN. 30 25 20 15 10 50 45 40 35 30 25 20 SM SP SM SP .. Mesmo com massa de forragem abundante para os animais. o que refletiu no aumento de consumo de MS pelo animal. 2009). as taxas de crescimento corporal obtidas são baixas. (2009) ilustra muito bem o efeito da suplementação proteica em dietas de baixa qualidade (Figura 1). Esta permanecendo mais tempo no ambiente ruminal. Estes autores adicionaram uma fonte proteica a dietas pobres e observaram o aumento na digestibilidade da FDN e da MS. o que resulta na diminuição da degradação da forragem consumida pelo animal. principalmente quando o objetivo é o abate de animais com 35 Digestibilidade MS. 1990). Isso acontece devido à senescência do material que foi acumulado. encontra-se na literatura a recomendação de períodos de aproximadamente 60 a 70 dias de diferimento (Santos et al.

kg/dia Taxa de passagem 3. (dados não publicados) . 0.5 0. Efeito da dose de suplemento sobre o desempenho de bovinos em recria durante o período da seca Adaptado de Sampaio et al.3 0. Siqueira et al. Roth et al. g/ kg PC 4 5 Figura 2. (2009). Vale ressaltar que nos níveis de fornecimento 3 e 5 g/ kg PC foram utilizados suplementos GMD. 2009 Figura 1. (2009) e Moretti et al.Consumo. Siqueira et al.2 y = 0.6 2.0523x + 0.4536 0. Efeito da suplementação proteica sobre parâmetros animais.2853 R² = 0.2 4 2. (2009). O conceito aqui reside sobre o aumento no fornecimento de nutrientes para o animal a fim de explorar o momento favorável para o crescimento. Existe ainda a opção de utilização de suplementos alimentares que forneçam proteína e energia para os animais (suplementos com fornecimento de 3 a 5 g kg-1 PC). (2009). (2009) e Moretti et al.8 2. kg proteicos e energéticos (Figura 2).4 9 8 7 6 5 2.1 0 0 1 2 3 Dose de suplemento. A análise de uma série de estudos (Sampaio et al.0 SM SP SM SP Fonte: Adaptado de Oliveira et al.0 2. Roth et a. (dados não publicados)) realizadas na APTA tem mostrado que a partir da utilização de um suplemento proteico com fornecimento de 1g kg-1 de peso corporal (PC) para cada aumento de 1g de suplemento fornecido ocorreria aumento de 52 gramas no ganho de peso médio dos animais.6 0. (2009)..4 0.7 0.

80 -1 1 g kg 0.00 260 75 0. R$ @ colocada. porem.00.500 2.60/ dia para uma animal de 400kg (variando de R$0.40 -1 5 g kg 0. ao fazer o custo alimentar para a arroba depositada no período.09 52. R$ SM* 0. R$ 298.00 e o período de seca com duração de 150 dias (Tabela 1). ou seja. kg Peso. vemos que a arroba depositada com a utilização do sal mineral é uma arroba cara.00) A conta se mostra mais claro quando inserimos os gastos com o operacional.400 2. Parâmetros produtivos e econômicos para o período de seca em função do nível de suplementação utilizado. Se a seca continuasse.Após apresentação destes dados a primeira pergunta que surge é: Mas é viável? Vale a pena suplementar? Para efeito de cálculos e para tentar responder a essas perguntas. notamos que o desembolso é maior.15 69. pois os ganhos observados no período são muito baixos. ad libtum Valores médios de resultados de campo (Valor da arroba R$100. mesmo sendo baixo o valor gasto com o sal mineral. @ p/ 1@ Dia./ Lucro GMD. Os dados utilizados para o GMD dos animais foram valores médios observados em nossos experimentos e no dia a dia de fazendas parceiras. Tabela 1.67 50. o ganho de peso é muito baixo o que impacta no custo da arroba produzida. precisaríamos de 600 dias para que o animal ganhasse uma arroba e considerando o custo operacional diário.86 *SM: Sal mineral.25 208 600 0. Ao analisar os valores obtidos com a suplementação proteica ou proteica energética.050 0.50 275 60 1./ Custo Alim.17 -1 3 g kg 0. simulamos alguns cenários possíveis para que possamos discutir opções possíveis para essa fase.26 31.42 para um animal de 200kg até R$ 0. Quando fazemos o custo alimentar. o gasto com alimentação.25 238 120 0. No entanto. Isso acontece porque.050 kg/dia.1 86. kg Supl.69 para um animal de 500kg) e analisarmos o custo da arroba produzida durante o período da seca.3 99. como os animais respondem melhor em ganho de peso o lucro alimentar é maior.. R$ Alim. a comercialização da arroba foi fixada em R$ 100. podemos notar que os menores valores são obtidos para animais jovens em crescimento (200 e 300kg) e com a utilização suplementos proteicos ou proteicos energéticos (Tabela 2). a arroba depositada se torna elevada.250 1. . Tipo Ganho Dias Custo Alim. 0.8 11. Se considerarmos um custo operacional de R$0. concluímos que a utilização de sal mineral seria a estratégia com menor desembolso frente às demais opções.3 76. O alto custo para a produção de uma arroba com sal mineral é alto. peso.

podem apresentar valores nutricionais que suportam um bom desempenho animal.72 R$ 75.14 R$ 116.80 R$ 77.Tabela 2. Nesse contexto.76 500 R$ 190. pois. 3 g kg-1 PC 200 R$ 298. Peso. A conta piora um pouco se considerarmos o custo de oportunidade que deixamos de explorar durante o período das águas para diferir os piquetes e os animais não desempenharem nas áreas diferidas durante a seca.68 R$ 144.02 R$ 92. principalmente quando o abate de animais de até 24 meses é uma das metas produtivas. e desde que manejadas corretamente. BPE: Suplemento proteico energético O que acontece é que muitos produtores aceitam o baixo desempenho apresentado pelos animais durante o período da seca.84 R$ 105. acreditando que por não haver desembolso. Isso acontece porque quando fazem à conta eles não computam os gastos com depreciação do patrimônio. Assim o uso de suplementos durante o período da seca tem se mostrado uma ferramenta nutricionalmente e economicamente inquestionável. podemos concluir que quanto maior o ganho de peso dos animais (pasto de melhor qualidade) menor é o incremento no ganho de peso (em porcentagem) com o uso de suplementos proteicos (1g kg-1 PC). kg Sal Mineral Sal Uréia PRA. que mascaram e confundem o valor de custo operacional com custo alimentar. será que o uso de suplementos pode trazer efeitos positivos e econômicos para esta fase tendo como base uma pastagem com boa qualidade e bem manejada? Ao analisar a Figura 4A. As forrageiras nesse período apresentam alta taxa de crescimento em função das condições climáticas.23 R$ 135. Normalmente durante o período das águas são observados teores de proteína bruta da forragem mais elevados. deixamos de produzir arrobas baratas no momento mais favorável na produção animal em pastejo (águas) e deixamos essa forragem para ser utilizada em um cenário (seca) que o custo produtivo pode ser muito alto.24 300 R$ 237.20 R$ 160. Período de águas Indiscutivelmente o período das águas é a fase do ciclo de produção mais favorável à produção de uma arroba barata.75 400 R$ 206.89 R$ 97.66 A PR: Suplemento proteico.40 R$ 147.00 R$ 153. eles não estão perdendo dinheiro. Custo da arroba produzida durante a época seca para diferentes categorias de peso animal. 1 g kg-1 PC PEB.53 R$ 117. com .

10 0. o animal diariamente vai ao cocho e tem uma ingestão diária de vitaminas.valores superiores aos que limitariam a atividade dos microrganismos ruminais como os observados durante a fase seca.500 0.0262x + 0. (A) Ganho adicional em porcentagem.700 GMD. Outro ponto que contribui para o sucesso da suplementação proteica durante o período das águas é o pacote tecnológico embutido com esse tipo de tecnologia. a suplementação com suplementos proteicos seria uma opção interessante para essa fase. ou seja.15 0. kg Figura 4.0117 (B) 0.1283 R² = 0. kg/dia % do Ganho Adicional dos animais que receberam apenas sal mineral.18 0.08 0. o ganho adicional em kg/dia é constante. 0. (B) Ganho adicional em kg/ dia. Sendo assim.300 0.6119 0. Quando o animal recebe estes produtos em associação ao suplemento proteico ocorre maior regularidade de consumo. minerais e aditivos. kg Ganho Adicional. Normalmente os suplementos encontrados no mercado são compostos por núcleo (minerais e vitaminas) e aditivos manipuladores da fermentação ruminal. ou seja.229 R² = 0.600 0. Na figura 4B. mesmo sendo alta a proteína das forrageiras. 2010.400 0.405x + 57. Efeito da suplementação proteica em função da taxa de ganho de peso durante o período das águas. grande parte é de rápida degradação ruminal e outra parte não degradável. o que pode resultar em um desbalanço quanto a disponibilidade de nitrogênio no ambiente ruminal. Com base nesse conceito.600 GMD. o que não é observado quando os animais consomem sal mineral. pode ser observado que independente da taxa de ganho de peso.20 0. não apresentando correlação com o ganho em peso 40 35 30 25 20 15 0. Ganhos calculados usando como base ganhos obtidos com animais recebendo sal mineral.700 y = 0.05 0..500 0.300 (A) y = -55.400 0. 2011. ao analisar o perfil que compõe a proteína da planta percebe-se que grande parte é formada por compostos da fração A (nitrogênio não proteico) ou fração C (nitrogênio associado à lignina) (Sá et al. 2013).13 0. Moretti et al. . a utilização de suplementos proteicos nesse período não seria aplicável. Porém. Valente.

R$/dia 1.25 0. kg Figura 5.1 GMD.050 0.7 0.4 0. a relação custo: beneficio é muito favorável à adoção desta tecnologia.5 0. .190 - - 1.1 GMD.3 0.05 0.25/ dia e o aumento da receita seria de R$ 0. para cada real investido o retorno seria de quase dois reais.Além do efeito nutricional positivo obtido com a suplementação proteica. uma vez que o nível de fornecimento diário para os animais é baixo.0 1.40 0.6 R² = 0.4637 R² = 0.8 Variável Benefício: Custo Outra opção para o período das águas seria a utilização de suplementos proteicos energéticos em doses que variam de 3 a 5 g kg-1 PC.35 0. uma relação benefício custo de 1. Efeito da suplementação proteica energética em função da taxa de ganho de peso durante o período das águas.3 0.30 0.00 y = -0.9 1.490 1.8 0.20 0. Quando calculado o lucro adicional obtido com a suplementação proteica (Tabela 3).7 0. Lucro adicional obtido com a suplementação proteica em relação ao uso de sal mineral durante o período das águas.8 0. R$/ dia 1.1x + 114. R$/ dia 0. 0 (A) 0. 1 g kg-1 PC Adicional Custo.44/ dia.0 1.610 2.3802x + 0.6 0. (B) Ganho adicional em kg/ dia.6 0.370 0.9 1.4 0. Isto não significa que este tipo de suplemento não seja uma opção a ser 100 80 y = -105.680 0. Aqui o conceito de utilização e a resposta animal diferem um pouco do suplemento proteico. Sal Mineral Proteico.440 Lucro Alimentar. Tabela 3.10 0.8. O incremento sobre o ganho de peso dos animais (em porcentagem ou em kg) diminui à medida que a taxa de ganho de peso aumenta (Figura 5).5 0. kg/dia % do Ganho Adicional considerada. Ganhos calculados usando como base ganhos obtidos com animais recebendo sal mineral. somente liga uma luz de alerta quanto ao seu uso. principalmente pelo baixo custo de sua adoção. ou seja.117 0.253 Receita. (A) Ganho adicional em porcentagem.9156 60 40 20 Ganho Adicional. kg (B) 0.15 0.9884 0. podemos notar que o custo adicional com o fornecimento de suplementos proteicos em relação ao sal mineral é de R$ 0.

. e aumentamos a quantidade de suplemento fornecido. cm 40 Figura 6. g (Figura 6). recebendo suplemento proteico energético e manejada em três alturas de pastejo. Nesse cenário. Se considerarmos que o animal substitui pasto por suplemento é possível aumentar a lotação por unidade de área e manter o desempenho dos animais com a utilização do suplemento. kg/ ha GMD. podemos começar a induzir o animal a ter o efeito substitutivo em sua dieta. Comparado com a utilização de sal mineral o custo do proteico energético é muito mais elevado. porém o retorno financeiro também é maior visto que os animais ganham mais peso. o lucro adicional é praticamente nulo resultando em uma relação benefício custo de 1:1. 2009 Ao analisar de maneira simplista uma simulação do que seria a resposta econômica obtida com a suplementação proteica energética. Nesse contexto. 10 (A) 15 20 25 30 35 Altura do dossel. e este subsidia o desempenho animal.. com base em uma dieta composta por sal mineral e pasto. ou seja. No entanto. fica claro a sua utilização como ferramenta estratégica no sistema produtivo (Tabela 4).O primeiro passo para a utilização de forma correta da suplementação proteica energética é entender o porquê o incremento na taxa de ganho de peso diminui. o animal consume suplemento e reduz a ingestão de forragem. cm 800 700 600 500 400 300 200 40 10 (B) 15 20 25 30 35 Altura do dossel. buscando um ponto ótimo em ganho por animal e ganho por área 800 700 600 500 400 300 200 Ganho/ área. a utilização da suplementação deve ser encarada como uma ferramenta de manejo da pastagem. Fonte: Casagrande et al. Em situações em que o ganho de peso dos animais está na casa do 1 kg/dia. Desempenho de novilhas durante o período das águas. significa que o aporte nutricional oriundo da forrageira é bom. quando fornecemos suplementos cujo objetivo é aumentar o aporte de nutrientes para o animal.

o aumento da exigência de energia e diminuição do consumo alimentar (Figura 7B). . sendo a deposição de gordura mais custosa para o animal (Lanna. na fase de terminação o animal precisa ingerir mais energia para depositar um quilo de peso corporal do que precisaria durante a recria.8g) que adiposo (0. com o avançar do peso dos animais durante a terminação.840 Receita.957 0. o que promove maior aumento em unidade de massa do que para a deposição de tecido adiposo. e sim que deve ser utilizado com cautela e de forma estratégica. Lucro adicional obtido com a suplementação proteica energética em relação ao uso de sal mineral durante o período das águas. Para a mesma quantidade de energia disponível (10 kcal) há a deposição de quatro vezes mais tecido muscular (2.05 - - 1.117 0.360 0.890 Lucro Alimentar.350 1. Nutricionalmente a eficiência de utilização da energia da dieta em proteína no corpo do animal é menor do que para a deposição de gordura em termos de Mcal consumida/ Mcal depositada. c) exploração do ganho por área. R$/ dia 0. 1997).Tabela 4. Assim. No entanto a síntese de tecido muscular carreia consigo água (tecido muscular é composto por 75% de água). R$/dia 1.1 Benefício: Custo Isto não significa que a suplementação proteica energética não apresenta resultado.470 2. pois nesse momento há maior proporção de tecido adiposo no ganho. músculo e gordura) que acontecem no corpo dos animais e como estas afetam a exigência de energia para ganho (Figura 7A). Tem-se então o problema. R$/ dia 1. o consumo em porcentagem do peso corporal diminui. visto que o ganho de peso dos animais tendem a diminuir (transição águas-seca).7g). Exemplos de um bom uso seriam: a) acelerar a idade de abate b) utilização nos meses que antecedem o confinamento.400 0. quer seja em sistemas de confinamento ou em sistemas de confinamento no pasto. Em contrapartida. Nesse ponto a utilização de dietas mais adensadas energeticamente se faz necessária. Adicional -1 3 g kg PC Custo. Do boi magro ao abate O ponto chave na fase de terminação de bovinos de corte é entender as mudanças na deposição de tecidos (osso. Variável Sal Mineral Proteico energético. entre outras.

e seriam essas arrobas produzidas a mais que teria que “pagar“ a conta do gasto excedente com o concentrado. musculo e gordura) ao longo das fases da vida do animal. É sabido que esta operação demanda muito desembolso e envolve grandes tomadas de decisões. 1. Comparando as diferenças reais de carcaça produzidas temos 5. dados não publicados).5% (padrão) ou 2. Fonte: (A) Siqueira et al.. não castrados.0% (adensada) do peso corporal do animal durante a fase de terminação.4 5. Porém os rendimentos de carcaça são muito diferentes em função da suplementação utilizada (Figura 8). as quais devem ser analisadas e exploradas de acordo com cada sistema produtivo.2 5. seja ele convencional ou no pasto. Em um experimento realizado na Apta de Colina.8 80 Osso Consumo 5. concluiríamos que agregamos 2. com animais Nelore. Com base nos conceitos apresentados sobre mudanças na composição do ganho dos animais na fase de terminação e a premissa de abate de animais até os 24 meses.8 arrobas com aumento o nível de suplementação. considerando um rendimento de 50%. Como o esperado os animais que receberam uma dieta mais adensada apresentaram ganhos de peso corporal muito superior àqueles animais que receberam suplementação moderada.505 contra 0.1 arrobas produzidas a mais com o uso de uma dieta mais adensada. . Se compararmos os dados com base no peso final.0 380 Recria II Terminação Fase (B) 415 450 485 520 Peso corporal. kg Figura 7. (B) Deposição de tecidos (osso. 2013 (B) Moretti (dados não publicados) Neste texto não será abordado aspectos econômicos relacionados ao confinamento. com peso inicial de 480 kg.6 6.534 kg dia-1. (A) Exigência e consumo de energia de animais mantidos em pastejo durante a fase de terminação. O interessante de se discutir nesse caso são as diferenças observadas em relação ao peso corporal e de carcaça.0 40 Recria I (A) 7.Músculo 160 Gordura 120 kg de NDT g kg-1 Carcaça 200 Exigência 6. testou-se por 89 dias a suplementação na quantidade de 0. SP (Alvez Neto. o que vamos demostrar é o efeito da manutenção desse animal em sistema de pastejo recebendo suplementação moderada ou recebendo uma dieta mais adensada.

63 Custo alimentar da @ produzida (R$/@) R$ 117.25 R$ 197.5 10. Com base nas carcaças produzidas realizou-se então o calculo do lucro alimentar (gasto com alimentação – receita com a venda da arroba produzida).50% 2. para avaliar qual dos dois sistemas seria mais interessante (Tabela 5).8 Preço da arroba R$ 97.7 361 284 Peso final (kg) Peso carcaça (kg) Rendimento carcaça (%) Figura 8.58 Custo operacional/ dia R$ 0. Variável 0.37/ animal.00 Receita Bruta (R$/boi) R$ 162.38 R$ 80.7 6.37 Custo Total Arrobas produzidas . Tabela 5.5% foi muito inferior ao de 2.0. a utilização do menor nível de suplementação gerou um prejuízo de R$ 34. ao passo que a “terminação no piquete” teve um retorno positivo de R$ 109. Valores utilizados no cálculo do lucro alimentar obtido em função dos diferentes níveis de suplementação na terminação.5 ou 2.0% do PC Consumo de suplemento (kg/ dia) 2.5% do PC 2. O custo total para a dieta de 0.2 Preço do suplemento (R$/ kg produto) R$ 0.00% 615 53.0% do peso corporal durante a fase de terminação.24/ animal. Desse modo ao fazer a conta do lucro alimentar. porém a quantidade de arrobas produzidas foi menor o que resultou em uma receita bruta inferior.0.24 R$ 109.96 R$ 658.20 R$ 549.10 R$ 0. Desempenho animal de animais recebendo 0.26 1.R$ 34.89 Lucro Alimentar (R$/boi) .85 R$ 0.00 R$ 97.8 528 58.

46.M.3. 2009. MORETTI.T. n.. Forage in ruminant nutrition. FIALHO. et al. EUCLIDES. Pesquisa Agropecuária Brasileira. M.. MORETTI. E. em que pode-se optar pelo confinamento convencional ou no pasto como ferramenta para terminar os animais. 483p. SILVA. M.F.. Maringá. ANDREDE. Academic Press: New York. R.438-446. Época de vedação e de uso do capim Marandu.. FARIA. MORETTI.. SIQUEIRA. J.. GONÇALVES. I.. M.O. MEDEIROS. Anais.1-9. M.M. 2009. et al. ROTH.P. Performance of Nellore young bulls on Marandu grass pasture with protein supplementation.. E.O.62. 41-78. A. RESENDE. n.. CD ROM SÁ.F. G. D. 2000..B. Produção do Novilho de Corte. Anais. et al.. v. M.6. MINSON.38.P. 1990. F. 2010.D. L. PAZDIORA. Parâmetros ruminais e síntese de proteína metabolizável em bovinos de corte sob suplementação com proteinados contendo diversos níveis de proteína bruta. G.H.42.667-676. MIRANDA.A. M. Revista Brasileira de Zootecnia.. RESENDE. Fracionamento de carboidratos e proteínas de gramíneas tropicais cortadas em três idades.. SALIBA. v. 2009.. 46. R.1. R. na região do Cerrado. . In: PEIXOTO. V. J. In: REUNIÃO ANUAL DA SBZ. No período de terminação a mudança na composição da deposição de tecidos no animal obriga a utilização de dietas mais adensadas energeticamente.H.C.Considerações finais Fica clara a ideia de que a suplementação é uma ferramenta que auxilia o aumento da lucratividade da pecuária de corte... A.P. Maringá.S. A..).H. R.X. Diferimento de pastos de braquiária cultivares Basilisk e Marandu. CASAGRANDE. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. p.. Maringá: SBZ. A. ANDRADE. M. D. Piracicaba: FEALQ. p. 2007. 2009. Maringá: SBZ. p. Lanna.N. FLORES. n. Referências bibliográficas BUENO.S. Revista Brasileira de Zootecnia.R..D. Boletim de indústria Animal. PEDREIRA. COSTA. 2009. MATTTOS. CD ROM.P. L. M. D.2506-2515.. FEDERICCI FILHO..A. F. In: REUNIÃO ANUAL DA SBZ.B.L. v. BORGES. MOURA. P. (coord. et al.. VALENTE.T.. SIQUEIRA. M. ROTH.C. n.F.P.F. J.D.F. Fatores condicionantes e predisponentes da puberdade e da idade de abate.R.P. Estratégias de suplementação na recria de bovinos de corte da raça Nelore durante a estação seca.. desde que a mesma seja utilizada de maneira adequada e com o objetivo de complementar a dieta de animais em pastejo.42. Produção de matéria seca e valor nutritivo.2.57.N.H.B. H. (1997). F.P.S. Qualidade de carcaça de novilhas Nelore submetidas à diferentes estratégias de recria e terminação. 2013. FARIA. p.. R.N. v.. v. V.273-280. p. .. REIS. OLIVEIRA.R.

R. Anais. 2009. L. 46. T. 2009. G.R.. M. Inter-relação entre a suplementação na época da seca e das águas subseqüentes no desempenho de bovinos mantidos em pastagens. ANDRADE.H. Anais.M. A. RODRIGUES..L. Desempenho durante as estações de seca e de água. .4.38. 2011. Uso de fontes lipídicas da recria de bovinos mantidos em pasto de Brachiaria brizantha cv. Estratégias de suplementação na recria de bovinos de corte. D. F. 2009. 86f.R.. FERREIRA.. T. E. 2009.H. 2009. Maringá. M.A.SAMPAIO.. SIQUEIRA. CD ROM VALENTE. CUSTÓDIO. Xaraés: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita filho”. v.. Tese (Mestrado em produção Animal): Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita filho”.. SIQUEIRA. SALOMÃO. p. A. R... Produção de bovinos em pastagens de capim-braquiária diferidas.. In: REUNIÃO ANUAL DA SBZ. CD ROM.. Maringá. R.. FARIA. EUCLIDES. FONSECA.L. REIS. SANTOS.B. 2011. Maringá: SBZ. n. V.D.. In: REUNIÃO ANUAL DA SBZ. Revista Brasileira de Zootecnia. . F. Maringá: SBZ.D.C. DA SILVA.635642. et al. RESENDE. L... A. G.P.M.. RESENDE. 46. R. . SALOMÃO.