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Resenhas

PSICOLOGIA PARA A (TRANS)FORMAÇÃO DOCENTE
Sisto, F.F.; Oliveira, G. De C.; Fini, L.D.T. (Orgs.)
Leituras de Psicologia para Formação de Professores. Petrópolis:
Vozes, Bragança Paulista: Universidade São Francisco, 2000.

C

omo a Psicologia pode auxiliar o processo de
ensino-aprendizagem? Quais os aspectos presentes no
cotidiano escolar que não são contemplados pelos currículos formais? A que aspectos o professor deve estar atento na relação com seus alunos?
O cotidiano escolar é constantemente permeado por
situações que levam o professor a deparar-se com estas questões. Tendo isto em vista, os autores da obra
aqui resenhada tiveram como preocupação fundamental apresentar conteúdos relativos ao campo da Psicologia pertinentes e interessantes, de modo a contribuir
com a formação docente. Com isso não se pretende
solucionar tais problemas, mas abrir horizontes como
ponto de partida ou de complementação para outras
leituras e discussões.
A leitura do livro vai desvelando aspectos da atual
realidade educacional, abrindo um panorama das questões já detectadas e das soluções construídas historicamente, desafiando o leitor a buscar novos caminhos,
inspirados nas alternativas e contribuições traçadas
pelos autores.
Além da apresentação, a cargo dos organizadores
do livro, fazem parte de sua composição outros 15
capítulos, escritos por diferentes autores que, de forma geral, vêm investindo na carreira acadêmica,
atuando em diversas Universidades.
Na apresentação consta a proposta do livro, que
consiste em oferecer leituras que contribuam para a
análise e compreensão da realidade escolar e dos diversos fatores envolvidos, sem pretender esgotar o
assunto que deve ser compreendido em toda sua amplitude. A breve exposição dos capítulos, também presente nesta apresentação, permite ao leitor ter uma
visão geral da obra que, por não se tratar de um conjunto que exija uma continuidade de leitura, pode ser
lida de acordo com a necessidade e interesse do leitor.
Sebastián Urquijo e Fermino F. Sisto respondem
pelo primeiro capítulo, que busca relacionar a problemática da afetividade com a aprendizagem, baseando-se na abordagem psicanalítica para fundamentar

sua análise. Para isso, são revistos conceitos básicos
desta teoria, descrevendo o desenvolvimento da personalidade e seus mecanismos de defesa. Em seguida, buscam traçar um paralelo entre estes aspectos e o
desempenho escolar, com base em uma série de estudos já realizados.
No segundo capítulo, Maria Tereza C. C. Souza descreve, segundo diferentes autores, mas com base
em uma abordagem psicanalítica comum, as características da adolescência e o contexto no qual ocorrem
as transformações típicas desta etapa. Aponta para o
fato de que não deve-se encarar este processo como
algo homogêneo e universal, mas como algo individual, atentando para o contexto sociocultural em que
o adolescente está inserido.
Em seguida, Acácia Aparecida A. Santos, Isabel
Cristina D. Bariani e Tereza Cristina S. Cerqueira percorrem a literatura atualizada a respeito dos conceitos de
Estilos Cognitivos e Estilos de Aprendizagem, definindo-os e diferenciando-os. As autoras acenam para a importância destes dois aspectos, trazendo importantes contribuições que o estudo do tema pode trazer no sentido
de viabilizar práticas educacionais mais eficazes.
Diferentes constructos que caracterizam aspectos
do desenvolvimento humano e a forma como o indivíduo se percebe e se relaciona, são descritos no quarto capítulo por Gisele C. Oliveira. A influência da família e da escola também é destacada como parte deste processo de formação e desenvolvimento, servindo
como um alerta para os professores da importância de
seu papel e da conseqüência de suas ações.
O capítulo 5, escrito por Fermino F. Sisto, caracteriza o desenvolvimento mental da criança, segundo a
teoria J. Piaget, explicando os principais conceitos e
etapas propostas por esta teoria. Apresenta os três primeiros estágios do desenvolvimento, fornecendo subsídios para que o professor reconheça aquele em que
seus alunos se encontram, podendo então contribuir
com o processo de desenvolvimento e aprendizagem.
O mesmo autor prossegue, no capítulo seguinte,

esclarecendo que ambos são indissociados. com base em diversos estudos a respeito do tema e ressalta a importância de trabalhos conjuntos entre universidade e escola. Lima a pensar exemplos práticos da realidade da sala de aula tendo como pano de fundo a temática da motivação. considerada pela autora a mola propulsora do processo de ensino-aprendizagem. no capítulo seguinte. oferecendo um material rico para que se conheça e se analise melhor esta situação. Enfatiza que o desenvolvimento humano é resultante das contínuas interações do indivíduo com o meio e traz à tona a importância da dimensão afetiva. Marques inicialmente descreve e conceitua este termo de acordo com diversos pesquisadores. por serem estes aspectos de grande importância nesta fase e por Resenhas trazerem indiscutíveis conseqüências para o desempenho escolar. enfocando a prática pedagógica a partir da relação professor-aluno. Bzuneck. resultantes de uma construção ativa. Atentam para a necessidade de formar professores pesquisadores que se reconheçam como sujeitos ativos e capazes de transformar a realidade em que estão inseridos. A obra propõem. técnica baseada na teoria comportamental.78 atendo-se ao quarto estágio do desenvolvimento descrito por Piaget. no capítulo seguinte. portanto. Neste contexto. Partindo de uma indagação central . Caracteriza este período de forma detalhada e justifica sua importância ao apontar que as operações formais são a estrutura mais elaborada atingida pelo homem e permite explicar as formas de raciocínio abstrato. descreve as crenças de auto eficácia dos professores. um diálogo entre Psicologia e Educação. no último capítulo do livro. busca identificar as questões sociais e os padrões motivacionais que levam o adolescente à drogadiccção. Mariana Wisnivesky PUC-Campinas . desenvolvendo o sentimento de responsabilidade. Maria Aparecida B. explicando seu desenvolvimento e traçando um paralelo com o aspecto intelectual. destacando o papel da escola na prevenção desses problemas. indicando suas particularidades e fundamentos como uma forma de trabalho pedagógico para lidar com os chamados “distúrbios de aprendizagem”. baseando-se na teoria de Bandura. para que essas concepções possam ser discutidas. T. As relações entre pais e filhos e a estrutura familiar são analisadas a partir de estudos já realizados.Lucila D. A mesma autora faz. três diferentes teorias são consultadas. Roberta G. Por fim. A teoria piagetiana continua a ser discutida por Rosely P. Fini enumera uma série de aspectos envolvidos. Descreve também os diferentes tipos de drogas e seus efeitos como um meio de instrumentalizar o professor para lidar com esta realidade. Os diferentes olhares debruçam-se sobre um objeto comum – as contribuições da psicologia na formação docente – auxiliando de forma significativa a construção e desenvolvimento das competências para ensinar. por sua vez. o leitor é convidado por Luzia Maria S. Azzi e Sylvia Helena S. que deve trabalhar estas questões de modo a ajudar seus alunos a aceitar e compreender esta nova fase da vida. Silva. contribuindo consideravelmente para que se repense os caminhos que a formação docente em geral vem percorrendo. A autora caracteriza as ações típicas de uma situação de abuso e suas conseqüências no desenvolvimento psicológico destas crianças e adolescentes. propõem um novo olhar sobre o professor. Brenelli. como forma de auxiliar o professor a incentivar seus alunos. A autora chama a atenção do leitor para o papel e responsabilidade da escola. Evely Burochovich. as expectativas sociais e as experiências de vida. Preocupa-se em destacar os fatores que influenciam a elaboração dessas crenças. destacando as relações interpessoais estabelecidas. que analisa a afetividade dentro desse sistema teórico. no 12º capítulo. destinado a professores e estudiosos e todos aqueles cujas preocupações estiverem voltadas para a realidade escolar. Fala de forma acessível de questões atuais. muito comuns na adolescência. A seguir. José A. irredutíveis e complementares. Sérgio Goldenberg apresenta a Análise Funcional do Comportamento. de modo a viabilizar a tomada de consciência por parte dos professores para que suas ações possam ser revistas. Para isso. faz algumas considerações acerca do desenvolvimento e aceitação da sexualidade em diferentes estruturas sociais e enfoca as atitudes de auto-risco relacionadas à sexualidade. O 14º capítulo trata do abuso psicológico de crianças e adolescentes e para isso.Que fatores contribuem para que a adolescência seja vivenciada de forma mais tranqüila ou mais conturbada? . uma revisão da literatura para oferecer ao leitor uma compreensão maior dos fatores associados ao uso de drogas na adolescência. analisando-se assim as possíveis variáveis que interferem na motivação.