UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations

ISSN: 2318-3195 | v.2, 2014| p. 479-529

A PRESENÇA DE POTÊNCIAS
EXTRARREGIONAIS COMO
AMEAÇA À MANUTENÇÃO DA
ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO
Jéssica da Silva Höring1
Leonardo Weber2
Marília Bernardes Closs3

RESUMO
A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, criada em 1986, tem o
objetivo de garantir a manutenção da paz e cooperação nesta região. No tópico
A será discutida a presença de potências extrarregionais no Atlântico Sul e as
consequências disso para a Zona de Paz e Cooperação. Mais especificamente,
será debatida a presença da Inglaterra, da França e dos Estados Unidos no
Atlântico Sul. Em especial, serão discutidas as implicações disso para o exercício
da soberania pelos países costeiros, tendo em vista a importância estratégica
dessa região para os interesses de diversos Estados, seja por seus recursos energéticos e minerais, pelas rotas marítimas, ou pelos arranjos de cooperação que
vem surgindo nesse espaço sul-atlântico. Frente à nova dimensão estratégica
que o Atlântico Sul tem tido nos últimos anos, cabe ao Encontro Ministerial da
ZOPACAS discutir quais medidas devem ser tomadas pelos Estados membros
para fortalecer os mecanismos de cooperação regional.
1 Aluna do oitavo semestre do curso de Relações Internacionais da UFRGS.
E-mail: jessica.horing@gmail.com
2 Aluno do oitavo semestre do curso de Relações Internacionais da UFRGS.
E-mail: leonardoaweber@gmail.com
3 Aluna do oitavo semestre do curso de Relações Internacionais da UFRGS.
E-mail: mariliacloss@gmail.com

Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul

1 ANTECEDENTES HISTÓRICOS
1.1 A EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA E O TRÁFICO NEGREIRO
O Atlântico Sul, e os oceanos de modo geral, tiveram sua importância geopolítica gradualmente potencializada a partir da expansão ultramarina europeia
no século XV. A formação precoce do Estado português, em comparação com
os outros países do continente, colocá-lo-ia na dianteira das rotas marítimas
mundiais. Inicialmente motivado pelo objetivo de contornar a África e estabelecer uma comunicação anual entre Lisboa e Goa, na Índia, Portugal criou
entrepostos para fins comerciais e de defesa na costa ocidental do continente
africano. A vitória portuguesa sobre os Otomanos na Batalha de Diu, em 1509,
assegurou o domínio luso sobre essa rota. Ao longo do século XVI, a projeção
naval portuguesa foi expandida até o Extremo Oriente, passando pelos estreitos
de Málaca e chegando a Pequim (Penha 2011, 29).
As ilhas meso-oceânicas do Atlântico Sul tiveram importante papel logístico
na manutenção da chamada “Rota das Índias” controlada por Portugal. Usando
inicialmente os arquipélagos de Madeira e Açores, Portugal avançaria também
para as ilhas de Tristão da Cunha, Ascensão, Santa Helena, e para o arquipélago de
Cabo Verde. Esses pontos eram usados como plataformas dos descobrimentos e
tinham a função de parada e abastecimento dos navios (Penha 2011, 29).
Após a descoberta do Brasil, o controle luso do Atlântico Sul seria sedimentado através do tráfico de escravos entre os dois lados do oceano. O uso de
mão de obra africana na colonização do Brasil iniciou-se em 1554, seguido pelo
estabelecimento do exclusivo comercial de 1580, que garantiu o monopólio do
comércio colonial a Portugal, principalmente do tráfico de escravos. Protestando
contra as leis portuguesas, a Holanda criou a Companhia das Índias Ocidentais
e a tese do mare liberum, a qual defendia a livre navegação dos mares (Moraes
2014, 241). Além disso, os batavos invadiram o Nordeste brasileiro em 1624,
as ilhas sul atlânticas em 1633 e Angola em 1641. A gradual ascensão naval holandesa teria forte impacto na supremacia marítima de Portugal, pois lhe tomou
também suas posições nas bases de Java, Sumatra e Málaca. Após a retomada
do Nordeste e de Angola em 1648 e 1654, respectivamente, Portugal teria de
restringir sua presença ao Atlântico Sul (Penha 2011, 30-32).
Ciente de seu declínio na segunda metade do século XVII, o governo
português buscaria evitar sua derrocada completa através da associação com
outra potência, a ascendente Inglaterra. A aliança luso-britânica foi motivada
pela necessidade de Portugal assegurar sua independência frente à Espanha, que
dominou toda a península durante a União Ibérica (1580-1640). Além disso, é
possível relacionar o domínio espanhol com o fim da supremacia naval portu480

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guesa. A Espanha não soube utilizar a engenhosidade da marinha de Portugal
demonstrada desde a Batalha de Diu, e acabou derrotada pela Inglaterra em
1588, na campanha da Invencível Armada. Separado novamente da Espanha,
Portugal fez acordos comerciais com os ingleses e cedeu enclaves na Índia e na
África em troca de proteção. O eixo central dessa aliança girava em torno do
comércio de escravos africanos, por um lado, e das manufaturas inglesas, de
outro (Penha 2011, 34).
Conquanto a associação com a Inglaterra tenha retardado a decadência
portuguesa, transformações partindo das colônias ao longo do século XVIII perturbariam a estabilidade do comércio atlântico. Embora a demanda brasileira por
escravos estivesse normalmente concentrada nas regiões produtoras de açúcar, o
início das atividades mineradoras, seguido por movimentos de contestação na
Costa da Mina4 africana, somariam as condições para gerar interesses contrários
ao domínio português nos dois lados do Atlântico. No Brasil, os grupos ligados ao tráfico negreiro passavam a controlar tal atividade usando seus próprios
navios, sem a necessidade de recorrer à marinha portuguesa. Apesar de Portugal
ter respondido a isso com a criação de companhias destinadas a redirecionarem
os fluxos comerciais, o país não obteve sucesso. Assim, fortaleceram-se os laços
diretos entre as colônias portuguesas, notadamente entre a Bahia e o Golfo da
Guiné, e entre o Rio de Janeiro e Angola (Penha, 2011 37-38).
O estreitamento econômico e político entre a África e o Brasil foi potencializado com a transposição da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808,
resultado da invasão napoleônica a Portugal. Se as relações atlânticas já estavam
se tornando autônomas, elas ganharam status político e jurídico quando o Brasil
foi declarado Reino Unido a Portugal e Algarves, tornando-se o centro de todo
o império. A breve, mas definidora, experiência do Brasil como metrópole de
todas as colônias portuguesas daria estatuto de realidade ao projeto de D. Pedro
I de, após a independência, construir um império que unisse as duas margens do
Atlântico, assentado em uma monarquia escravagista, sediada no Rio de Janeiro
(Penha 2011, 52). Entretanto, como o Brasil independente priorizou o reconhecimento internacional do governo, teve de abdicar dessa possibilidade. Portugal
obviamente desejava manter suas antigas colônias africanas, enquanto a Inglaterra
trataria de forçar a ruptura dos laços entre Brasil e África ao longo do século XIX.
Por isso, o acordo de independência com Portugal, mediado pela Inglaterra, continha uma cláusula na qual o Brasil comprometia-se a negar as propostas de união
política vindas das colônias africanas, notadamente Angola, onde as elites tinham
profunda identificação com seus pares brasileiros (Penha 2011, 56).
4 A Costa da Mina corresponde à região do Golfo da Guiné, o qual forneceu grande parte dos
escravos destinados ao continente americano. Atualmente, os países que ocupam a região são
Gana, Togo, Benim e Nigéria.

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Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul

Paralelamente às independências latino-americanas, os Estados Unidos
iniciavam sua projeção política sobre o hemisfério ocidental, anunciando unilateralmente a Doutrina Monroe, em 1823. Embora contivesse, inicialmente, um
conteúdo ético em defesa da autodeterminação dos povos e da não intervenção
nos novos Estados, a Doutrina ganharia contorno diferente no fim do século.
Em adição às intervenções que já vinham sendo feitas pelos Estados Unidos na
América Central e no Caribe, o Corolário Roosevelt, de 1904, imprimiu novo
tom à Política Externa Estadunidense, visando a legitimar a ingerência em tais
países quando julgasse necessário (Bandeira 2008, 2-4).
1.2 O IMPERIALISMO NA ÁFRICA E A MARGINALIZAÇÃO DO ATLÂNTICO SUL
Ao reordenamento das relações internacionais europeias após o fim das
Guerras Napoleônicas seguiu-se a construção e a consolidação do império global
britânico. O desenvolvimento da indústria naval e a invenção da energia a vapor
requereram bases para o abastecimento de carvão da marinha britânica. Para
isso, a Inglaterra empreendeu a tomada das ilhas mesoatlânticas que haviam
pertencido a Portugal e estavam nas mãos dos holandeses, assim como as ilhas
Malvinas, em 1833, embora a Argentina já houvesse declarado soberania sobre
elas após a independência da Espanha (Penha 2011, 45). A outra forma de estabelecer sua supremacia naval foi através do desmantelamento do tráfego comercial entre os dois lados do Atlântico Sul. Via pressão diplomática e gradual
endurecimento das políticas contra o tráfico de escravos, a Inglaterra conseguiu
fazer com que o Império Brasileiro extinguisse tal comércio em 1850 com a
lei Eusébio de Queiroz. Esse ato marcou a ruptura das relações do Brasil com
a África, que só seriam retomadas mais de um século depois, com a Política
Externa Independente de Jânio Quadros, em 1961.
O avanço europeu sobre o interior do continente africano nas últimas
décadas do século XIX marcaria o domínio das potências imperialistas sobre o
território, especialmente França e Inglaterra. Até meados do século, a presença
europeia havia se limitado a pontos estratégicos do litoral. Além disso, com
a construção do Canal de Suez em 1869, e do Panamá em 1914, o Atlântico
Sul sofreria uma forte marginalização, visto que ambos provocaram um desvio
volumoso do fluxo de comércio que antes passava pela parte austral do Atlântico
(Penha 2011, 63-64).
Parte deste esvaziamento estratégico seria revertida, quando, durante a
Segunda Guerra Mundial, o Atlântico Sul desempenharia papel importante no
esforço de guerra e na logística dos Aliados. O saliente nordestino do Brasil e a
formação da ponte aérea Natal-Dacar para o envio de suprimentos aos princi482

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pais teatros de guerra deram ao governo brasileiro poder de barganha durante
o conflito, devido à sua importância estratégica (Moura 1980, 93). Ainda no
contexto de guerra, foi criada a IV Frota da Marinha dos Estados Unidos, em
1943, para operações específicas na parte sul do oceano. Os aviões da IV Frota,
fundeada em Recife, patrulhavam a região compreendida entre o Nordeste
Brasileiro e a África de modo a identificar submarinos inimigos ou navios furadores do bloqueio contra o Eixo (Bandeira 2008, 4). Entretanto, essa revalorização do Atlântico Sul foi bastante fugaz e esgotou-se junto com a guerra. Parte
disso se mostra na desmobilização da IV Frota, em 1950, e sua absorção pela II
Frota, que opera no Atlântico Norte. De todo modo, o conflito abalaria irreversivelmente os impérios europeus no continente africano.
1.3 A GUERRA FRIA E O SURGIMENTO DE POLÍTICAS DE PODER REGIONAL
A relativa decadência europeia, diante da ascensão de EUA e URSS, ambos
anticolonialistas, seria o palco da reordenação das relações sul atlânticas. Nesse
contexto pós-conflito é que foi processada a descolonização africana, sendo que a
maior parte das independências ocorreu entre o fim da década de 1950 e o início
da década de 1960. Enquanto a Inglaterra manteve um perfil mais baixo durante
e após a perda de suas possessões coloniais, a França reagiu intervindo nas lutas
de libertação nacional. Ambas as nações continuariam influenciando os rumos do
continente através de um sistema de dependência neocolonial (Visentini 2013,
124-125). A França foi mais bem-sucedida em fazer da África uma fonte de recursos, sendo que os laços entre o país e o continente vêm permanecendo independente do governo, num esquema que pode ser chamado de Françafrique, como
sugerido por Verschave (2004). A relativa facilidade com que a França conseguiu
renovar tais laços decorreu, em parte, do baixo interesse das duas superpotências
no continente africano durante a Guerra Fria. Entretanto, especialmente ao longo
da década de 1970, haveria espaço para que se desenvolvessem concepções estratégicas autônomas por parte dos países costeiros.
A África do Sul, por sua vez, mantinha-se como aliado principal do ocidente
na África Austral e no controle da Rota do Cabo, dividindo os oceanos Atlântico
e Índico. O Partido Nacional Africânder, que tomou o poder em 1948, desejava
maior autonomia para a marinha sul-africana e a devolução da base naval de
Simonstown, sob controle inglês. Como a Inglaterra não cedeu livremente às
intenções da África do Sul, o resultado das negociações foi a expansão e modernização da marinha sob forte dependência de equipamentos britânicos. Além
disso, foi assinado o Acordo de Simonstown, em 1955, que criou um comando
unificado, o South Atlantic Command, liderado por uma autoridade britânica e
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Quanto ao Brasil. Embora a diplomacia e a estratégia brasileiras não dessem atenção maior às questões marítimas do país. a África do Sul passou a defender a criação de uma organização mais ampla que a de Simonstown e que englobasse os Estados Unidos e os vizinhos sul-americanos na contenção ao comunismo. Ao final da década de 1970. 185). Entretanto. Nigéria e Angola (Penha 2011. o regime militar brasileiro estava gradualmente construindo. Vitoriosa no conflito e cercada de ex-colônias francesas. a qual seria absorvida pela diplomacia brasileira. Foi também de iniciativa nigeriana a contraposição ao projeto da OTAS e a sugestão de uma organização de caráter regional para o Atlântico Sul. a Nigéria logrou construir uma política externa bastante ativa e de liderança no mundo negro. Foi nesse sentido que iniciou visitas aos governos militares da América do Sul em 1967. Em busca de capitalizar maior legitimidade para seu governo. por isso. o Atlântico Sul foi sempre considerado importante. Além de capitanear a integração de sua região através da criação da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). nunca demonstrou grande interesse pela ideia da OTAS. a opção de integrar uma organização junto à África do Sul do apartheid mostrava-se com um custo estratégico e político muito alto. 206). desde a Segunda Guerra Mundial. como exemplifica a chamada “Guerra da Lagosta”. mesmo aos olhos ocidentais. apontando para o racismo sul-africano como mal maior do continente. O país também defendia que o único eixo possível de uma organização para o Atlântico Sul era aquele que passava por Brasil. a Nigéria teve papel importante no isolamento diplomático da África do Sul do apartheid (Oliveira 2012. Esta foi um conflito diplomático entre Brasil e França envolvendo a pesca do crustáceo na costa nor484 . uma ameaça soviética nessa região parecia alarmista nesse momento. Entretanto. desde fins da década de 1960. Por isso. 153). a Nigéria obteve sua independência da Inglaterra em 1960 e enfrentou a tentativa de secessão da região de Biafra em uma guerra civil que durou de 1967 a 1970. Outro país de importância continental. e só ganharia força com as independências das colônias portuguesas.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul destinado a proteger a África Austral (Fiori 2012. o Brasil foi sempre cauteloso quanto à possibilidade de acordos militares fora do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) e. um pensamento naval subordinado à estratégia global dos Estados Unidos e ao papel que tinha na defesa contra os submarinos soviéticos no Atlântico Sul (Silva 2014. por parte do presidente Ernesto Geisel em 1975. uma política externa voltada para a África. o ativismo externo da Nigéria tinha um discurso que minimizava a ameaça soviética. cujo símbolo maior foi o reconhecimento dos regimes marxistas independentes em Angola e Moçambique. este construíra. para articulação da proposta da Organização do Tratado do Atlântico Sul (OTAS). 93). Ademais.

dentro do contexto de retomada da rivalidade da Guerra Fria. em 1979. Como o Brasil manteve uma postura moderada quanto à OTAS. o governo de Ronald Reagan. Angola e Moçambique (Penha 2011. seguida de apresamentos feitos pela Marinha de Guerra do Brasil. A organização seria uma forma de fundir o TIAR com o Acordo de Simonstown. o fechamento do Canal de Suez pelos países árabes durante a Guerra dos Seis Dias havia relembrado aos países ocidentais da importância da Rota do Cabo para o comércio de petróleo.4 A GUERRA DAS MALVINAS E A CRIAÇÃO DA ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO ATLÂNTICO SUL (ZOPACAS) 485 . a OTAS passou a ser vista menos como uma iniciativa para neutralizar o Brasil. Essa sucessão de eventos deu credibilidade à ideia defendida pela África do Sul de uso do oceano como forma de contenção ao comunismo. Além disso. Após o fim do governo de Juan Perón. As preocupações estavam centradas na divergência com o Brasil sobre a construção da hidrelétrica de Itaipu. a modernização das marinhas regionais e venda de armas aos países aliados (Penha 2011. era a Argentina o principal defensor sul-americano de uma cooperação militar naval nos moldes propostos pela África do Sul. Embora tenha sido resolvida sem conflito real. 136-137). e mais como uma forma de projeção dos interesses argentinos sob um esquema securitário mais amplo (Penha 2011. o impulso dado à criação da OTAS seria neutralizado pelo ponto de inflexão representado pela Guerra das Malvinas. alguns anos antes. 116). 2011. visto que a URSS passou a ter bases permanentes na Guiné Bissau. 85-86). na disputa com o Chile sobre o Canal de Beagle e na reivindicação frente à Inglaterra pelas ilhas Malvinas. Entretanto. Cabo Verde. em 1974. De todo modo. levaram ao envio de belonaves francesas à costa brasileira (Lessa 1999. especialmente no governo de João Goulart. mantendo-se como potência na bacia platina. empossado em 1981. a Guerra da Lagosta demonstra uma antiga prerrogativa brasileira de não aceitar a livre presença estrangeira em sua plataforma continental. houve aumento das preocupações geopolíticas argentinas em sua pauta de política externa. Com a relativa aproximação entre Brasil e Argentina. 181). em 1967. decorrente do Acordo Tripartite Itaipu-Corpus. 136). foi a aproximação União Soviética com as colônias portuguesas independentes que reacendeu as preocupações ocidentais sobre o Atlântico Sul. reafirmaria a importância do Atlântico Sul e defenderia a criação da OTAS. em 1982.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations deste do país na primeira metade da década de 1960. assim como controlar a rota do Cabo Horn e consolidar sua projeção sobre a Antártida (Penha. A negativa brasileira em aceitar a presença de navios franceses na região. Ademais. Estes três temas recolocaram a importância estratégica do Atlântico Sul para a Argentina. 1. que desejava constituir um triângulo de ação Prata-Malvinas-Beagle.

Centrada nos objetivos de afastar a confrontação militar. em decorrência de uma série de crises entre os EUA e a Argentina. e iniciou a colonização britânica nas ilhas. Após negociações entre Espanha e Inglaterra. em nome do Rei da Inglaterra. que contou com oposição estadunidense e sul-africana. um ano após a chegada dos franceses. declarou soberania sobre esses territórios. A ideia materializou-se na resolução n. acordou-se que os britânicos poderiam permanecer em Port Egmond. julgou-se que a retomada das ilhas revitalizaria o apoio popular ao governo. em 1764 mas. soberania e 486 .Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul O curto. Com a posterior derrota na guerra e a desilusão com os EUA e com a África do Sul. sob esta conjuntura. Os franceses foram os primeiros a estabelecer um assentamento no arquipélago. a Argentina cometeu os erros de supor que a Inglaterra não responderia militarmente à invasão e de que os EUA priorizariam o TIAR e dariam suporte à Argentina (Penha 2011. o Brasil encaminhou à Assembleia Geral das Nações Unidas a proposta de criação de uma Zona de Paz e Cooperação no Atlântico Sul. Coube à Nigéria a articulação política em torno da proposta do lado africano. a resolução também pedia aos países costeiros o respeito aos princípios de não intervenção. A disputa entre os dois países permaneceu no âmbito diplomático até a década de 1980. Desde então. repassaram o direito sobre as ilhas à Espanha em 1767. O arquipélago das Malvinas é constituído por duas ilhas principais. e esta teve sucesso em sua aprovação. expulsou os poucos colonos argentinos que ainda se faziam presentes na região. em 1833 o comandante britânico James Onslow chegou a Puerto Soledad. Sandwich do Sul. ao mesmo tempo em que esta restituição não afetaria o direito de soberania da Espanha sobre o arquipélago. a Argentina reivindica seu direito sobre as ilhas Malvinas. e impulsionou a aproximação entre Brasil e Argentina (Penha 2011. 140). Soledad e Gran Malvina. a presença de armas nucleares e a construção de bases estrangeiras na região. também pelo apoio dos aliados sul-americanos. além de uma série de outros territórios: a Antártica. a Argentina abandonou a ideia da OTAS. mas definidor conflito envolvendo a Argentina e a Inglaterra pela posse das ilhas Malvinas remete a uma longa disputa militar e diplomática de mais de um século entre os dois países. Ilhas Orcadas do Sul. o inglês John Byron chegou às ilhas e. e. em 1986. Em 1765. a qual disponibilizou a base naval de Simonstown à Inglaterra. Contudo. e aproximadamente outras 700 ilhas menores e rochedos. inclusive da Argentina. 41/11 da ONU. O conflito expôs as insuficiências das capacidades militares dos países da região. em 1985. e as Ilhas Shetland do Sul (Hope 1983. Dessa forma. as ilhas Geórgia do Sul. Com a decadência do regime militar argentino. 140-141). A Espanha repassou o domínio do arquipélago a Buenos Aires. em 1820. Além disso. por contestação espanhola. especialmente as aeronavais. sob o governo do general Galtieri. Coconi 2007). em dezembro de 1831 os Estados Unidos atacaram as ilhas.

tal seja o de um Atlântico Sul enquanto construção histórica. ainda em guerra civil. onde. historicamente. Desde o fim da década de 1990. Parte disso resultou do fim da Guerra Fria e da amenização do motivo que levara à sua criação. desde uma linha 487 . a ZOPACAS assistiu a certo esvaziamento. uma série de colóquios sobre questões de interesse comum lançada por Angola no ano de 2007. Ao longo da década de 1990. tanto como forma de auxiliar a pacificação de Angola. econômica e estratégica que serão explicitados ao longo deste artigo. em 1986. ocorreram importantes fluxos econômicos e culturais e cujos contornos políticos dependem sempre do relacionamento entre os países que compõem suas margens africana e sul-americana. O Atlântico Sul é assim compreendido como um espaço marítimo geográfico que abarca três frentes continentais – América. totalizando 24 membros. 19). Angola desejava dar ao grupo um contorno mais securitário (José 2011. em Abuja (1990). em razão de uma série de motivos de ordem política. em Luanda (2007) e em Montevidéu (2013). A Reunião de 1990 contou com a entrada da Namíbia. A revitalização recente da organização deu-se através da Iniciativa de Luanda. Angola defendeu a conciliação do caráter biológicogeográfico do Atlântico Sul com sua face geoestratégica. O governo de Itamar Franco. a zona Natal-Dakar. e a demarcação geográfica proposta por Therezinha de Castro (1999. Das diversas formulações existentes para a delimitação da Bacia do Atlântico Sul. embora tenham ocorrido várias reuniões. Pinheiro 1995. seguiram-se sete Reuniões Ministeriais da ZOPACAS: no Rio de Janeiro (1988). com a da África do Sul redemocratizada. 187). em seu limite norte. África e Antártida – e três corredores estratégicos – ao norte. 19). a Rota do Cabo. esta bacia é compreendida. e entre a Antártida e a América do Sul. ou seja. entre a Antártida e o continente africano. 2 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA 2.1 A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DO ATLÂNTICO SUL O Atlântico Sul vem ganhando espaço no cenário político internacional. buscou relançar a ZOPACAS. conjugou-se aqui o conceito aplicado por Penha (2011. culminando na VI Reunião. Neste sentido. ao sul.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations integridade territorial (Penha 2011. como para direcionar a cooperação num sentido voltado também ao desenvolvimento socioeconômico (Hirst. em Buenos Aires (1998). em sua capital. 242). e. a Passagem de Drake –. 17). Desde sua criação. em Brasília (1994). Assumindo a presidência. no Brasil. a ZOPACAS ficou cerca de dez anos sem Reuniões Ministeriais. em Somerset West (1996). a militarização externa. e a de 1994.

há de se considerar também os avanços chineses e indianos na região.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul que tem início no Amapá. República Democrática do Congo e Nigéria6. a China passou a investir em novos parceiros. ou através do Oceano Pacífico. envolvendo as antigas colônias portuguesas. A partir de então. ao mesmo tempo em 488 . convém destacar o processo de independência de Angola. A presença chinesa na África se intensificou a partir de 1993. a descoberta de importantes recursos minerais e energéticos nas duas margens do Atlântico Sul e a importância potencializada das rotas comerciais e estratégicas. Os interesses indianos assemelham-se aos 5 A criação da ZOPACAS relaciona-se. a China intensifica sua relação com a África – que já era vista como a “nova fronteira” para investimentos e obtenção de recursos minerais e energéticos – principalmente nos seguintes países: Sudão. esse movimento de forças no Sistema Internacional requer uma investigação dos aspectos geopolíticos. além de ser o elo entre a África e a América do Sul. O Atlântico Sul. 6 Após a repressão dos Protestos na Praça da Paz Celestial pelo Governo Chinês. através do Oceano Índico. até a Mauritânia. Destarte. este decurso simboliza o “mediterranismo” Sul-Atlântico. que era controlada pela África do Sul (Penha 2011). envolvendo a participação de países como a África do Sul do apartheid e o Zaire (atual República Democrática do Congo) e potências extrarregionais como a União Soviética. via Passagem de Drake. principalmente na região da África Austral. estes baseados em estruturas de cooperação alavancadas pela igualdade e fomento ao desenvolvimento com responsabilidade social (Pereira e Barbosa 2012). isto é. Ao contrário da relação com os Estados Unidos e com a União Europeia. em 1989. Estados Unidos. No início do século XXI fica claro um processo de alargamento nas relações entre os países que compõem o Atlântico Sul. também facilita o contato entre estes países e o continente asiático. Para além da projeção de interesses sul-americanos e africanos nesta bacia. a fim de alavancar seu crescimento. e o embargo sobre a venda de armas que foi imposto pelos Estados Unidos e pela União Europeia diante disso. e que se estende ao sul até o paralelo 60°. Cuba. em alternativa às passagens oceânicas convencionais. para as trocas econômicas. Angola. De acordo com Saraiva (2012. no continente africano contornando o arquipélago de Cabo Verde. o processo de democratização no continente africano. geoeconômicos e geoestratégicos da Bacia do Atlântico Sul. especialmente na África. a China não impõe condicionamentos políticos. 13). que se desdobrou em uma Guerra Civil com contornos regionais. foram fatores que marcaram a reinserção do Atlântico Sul no cálculo estratégico das relações internacionais5. como a proteção aos direitos humanos. Neste sentido. o encurtamento das distâncias que lhe é conferido pela dinâmica de solidariedade e cooperação sulsul. e diretamente relacionada com a libertação da Namíbia. no Brasil. especialmente. de acordo com o Tratado da Antártida. com a última onda de descolonização no continente africano. que se desdobram em novos arranjos estratégicos. quando aumenta a demanda de petróleo pela China. mediante a passagem do Cabo da Boa Esperança. A emergência de novos polos de poder no Sistema Internacional. Inglaterra e França.

os nódulos polimetálicos (contendo níquel. particularmente após os atentados do 11 de Setembro de 2001.4% das reservas de gás. Além da atividade pesqueira. cobre e manganês). Guiné Equatorial. como. As reservas de gás natural da África do Sul vêm sofrendo um esgotamento progressivo. o leito oceânico do Atlântico Sul é também fonte de importantes minerais estratégicos. Fiori 2012. Costa do Marfim. especialmente China e Índia – via articulação Atlântico-Índico e Atlântico-Pacífico –. Há décadas os Estados Unidos vêm buscando fontes mais seguras para suprir sua demanda energética. cada um possui 0. Angola e Nigéria são os maiores produtores da região. por exemplo. São Tomé e Príncipe. cobalto. os sulfetos polimetálicos (contendo zinco. há grandes quantidades de gás de xisto a serem explorados futuramente. e permite intervenções mais rápidas e eficazes (Fiori 2012). Este novo panorama político tem criado um impasse para a estratégia norte-americana e europeia na região. 0. O Golfo da Guiné detém 3. Com importância também significativa temos a República Democrática do Congo. mais da metade de toda a produção de petróleo do continente africano. as crostas cobaltíferas.2% das reservas globais de gás natural. perfazendo cerca de 4 milhões de barris diariamente. 489 . em razão do ganho em importância que a Índia tem tido no cenário internacional (Penha 2011). apresenta-se como uma opção viável e. Mali e Gana. contudo. Se somados os demais países sul-americanos. investimento no setor de serviços. facilita o controle dos fluxos de petróleo. estratégica. 7 Nesta dimensão. Gabão. particularmente infraestrutura (Penha 2011). O fornecimento de petróleo a partir do Atlântico Sul. a segunda maior concentração de hidrocarbonetos do mundo. além de que investe em setores primordiais. e de outros centros. prata.5% sobre as reservas de gás natural (Brozoski 2013).9% dos recursos petrolíferos estão em território brasileiro – sendo que destes.2% em território argentino. a proximidade da bacia com os principais centros de consumo. Isso advém das constantes tensões nesta região. As reservas dispostas na costa sul-americana totalizam aproximadamente 1. e uma maior preocupação em obter apoio político.5% das reservas mundiais de petróleo. e o país contribui com 4% das reservas mundiais de carvão (Brozoski 2013.1% das reservas mundiais de petróleo e 0. Mauritânia. Estados Unidos e Europa. A África dispõe de 8% das reservas mundiais de petróleo e 7% das reservas de gás natural. acima de tudo. em alternativa ao Golfo Pérsico. isto é. para além do potencial ainda inexplorado nas plataformas continentais argentina e brasileira7. 95% do petróleo e 85% do gás estão localizados na plataforma continental brasileira – e 0. a proporção é de 18% do domínio sobre as reservas de petróleo mundiais e 3. Penha 2011).UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations da China: aquisição de recursos minerais e energéticos por um lado. A Bacia do Atlântico Sul apresenta vasta gama de recursos minerais estratégicos. de outro. os principais atores extrarregionais sob uma perspectiva histórica. cobre e ouro).

Ora. 28% para a Europa. 490 . que já supera o Golfo Pérsico como o maior provedor de recursos energéticos para os Estados Unidos. De acordo com Richardson et al (2012). havendo estimativas de que esse número cresça para 25% até 2015 (Fiori 2012. Para a África do Sul as exportações foram de 3% do total e para o Sudeste da Ásia (incluindo China) 5% do total exportado. destinando 30% de suas exportações para os EUA. 12% para a Índia e 8% para o Brasil. especialmente urânio. O desenvolvimento portuário é evidente em Luanda e Lobito. cerca de 75 mil barris diários. 10% para o Canadá e 7% para a China (ainda 6% para o Brasil). O Congo (Brazzaville) exporta 90% de sua produção. cobre e chumbo (Brozoski 2013). a Nigéria exportou mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia. Pereira 2013). Suape e Açu. 139-140). representa 15% das importações estadunidenses. 23% para os EUA e 9% para a Índia. ouro e fósforo (Fiori 2012. contenha importantes reservas minerais e energéticas. em razão do aumento nos custos em combustível e no melhoramento das tecnologias. a região entre o Atlântico e o Pacífico foi a que demonstrou o maior crescimento em comércio marítimo depois da Guerra Fria. sendo 49% de suas exportações para os EUA. contendo quantidades significativas de urânio. 147). O Gabão exporta 90% de sua produção e tem como principais destinos EUA e Europa (Fiori 2012. em um horizonte de diminuição da capacidade do Canal de Suez e do Canal do Panamá – embora o acordo entre China e Nicarágua referente à construção de um canal interoceânico na Nicarágua possa demonstrar o contrário (Saiki 2013) –. na Namíbia. e Santos. Essa guinada em direção ao Atlântico Sul gera importantes desdobramentos para os países costeiros. sendo 45% de suas exportações para a China. Nas últimas décadas a África tem sido apresentada como a nova fronteira energética mundial. Os Estados Unidos importam cerca de 60% do petróleo que consomem. 31% para a China e 10% para a França. A Guiné Equatorial exporta quase toda sua produção petroleira. A exploração destes recursos pelos países costeiros e a produção de componentes de alto valor agregado pelos mesmos estimula o processo de transição tecnológica. e depósitos de diamante. as rotas do Atlântico Sul ganham premência como via de comunicação interoceânica (Richardson et al 2012). sendo 33% para os EUA (9% das importações estadunidenses). Em 2011. em Walvis Bay. Do mesmo modo.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul areia monazítica. no Brasil (Richardson et al 2012. Angola exporta quase toda sua produção. 41% para a Europa (sendo os principais destinos 14% para Espanha e 13% para Itália). O aperfeiçoamento das estruturas portuárias torna-se ainda mais relevante em uma conjuntura em que o tamanho dos navios tende a aumentar. importante motor para o desenvolvimento econômico e social nacional. em Angola. calcula-se que a Antártida. Pereira e Barbosa 2012). assim como as Malvinas. O Golfo da Guiné.

como veremos a seguir9. a América do Sul e a Antártica. O Atlântico Sul também dispõe de uma diversidade de ilhas que lhe imprimem caráter estratégico para projeções sobre a África. além de permitir o controle de fluxos nas direções Atlântico-Pacífico. interferir no resultado de uma guerra (Lindsey 1988). Por fim. De acordo com Penha (2011). 140). Sua centralidade está na projeção de forças para a América do Sul e Antártica. Excluindo a rota sul-americana. São Pedro. temos a Rota do Cabo da Boa Esperança. São Tomé e Príncipe. Santa Helena. Tristão da Cunha. temos a Rota Africana. que perpassa o Rio da Prata até Trinidad. Geórgias do Sul. conectando África e América do Sul. Sandwich do Sul. Sua relevância enquanto linha de comunicação marítima comercial não é tão acentuada como a Rota do Cabo. entre o Nordeste Brasileiro e Cabo Verde. é outra importante rota do Atlântico Sul. Este corredor é essencial para todos os Estados localizados ao norte da linha do Equador. através do estrangulamento do Atlântico. atribuindo aos países facilidades de apoio aeronaval. A Passagem de Drake. 9 Das ilhas que compõem a bacia sul-atlântica. 20). as outras três rotas são aplicáveis aos contornos geopolíticos de toda a região. Martim Vaz. A Rota Europeia é compreendida pela conexão entre o continente europeu e a América do Sul e África. Trindade. mas ainda assim importa para a passagem de embarcações maiores. existem três triângulos estratégicos na bacia sul 8 A Rota do Cabo é via de passagem de 66% do petróleo europeu e 26% do petróleo norteamericano (Fiori 2012. o controle do mar e pode. logísticas e militares entre diferentes pontos oceânicos.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations As rotas marítimas do Atlântico Sul enquadram-se dentro do conceito de Sea Lines of Communication – SLOC –. os eixos desta relação são as zonas marítimas do Nordeste ao Sudeste brasileiro (Salvador-Rio de Janeiro) e Angola-Nigéria (Luanda-Lagos). isto é. A geógrafa brasileira Therezinha de Castro apontou quatro rotas no Atlântico Sul. a Rota do Cabo congrega três continentes. 20). as linhas de comunicação entre dois oceanos que permitem as relações comerciais. Sua centralidade está assente no fato de que o Estado que controlar as SLOCs detém. Shetlands do Sul. Gough. No sentido leste-oeste. e Fernando de Noronha. e adicionando a Passagem de Drake. 491 . De acordo com esta formulação da geógrafa Therezinha de Castro. Bouvet. Enquadrada na conexão interoceânica da África do Sul. as de maior significado estratégico são as ilhas de Ascensão. São Paulo. A existência de porções continentais sobre os oceanos permite o estabelecimento de bases militares. principalmente. Malvinas. entre a América do Sul e a Antártica. Fernando Pó. consequentemente. as quais seriam indispensáveis ao desenvolvimento e projeção do Brasil (Castro 1999 in Neves 2013. portanto. Inserido neste recorte estratégico enquadra-se a tese dos três triângulos geoestratégicos do Atlântico Sul. afora ser passagem de recursos do Oriente Médio para a Europa e Estados Unidos8 (Neves 2013.

por um lado. 492 . muitas das quais apresentando reservas minerais e energéticas. a soberania sobre estas ilhas implica o direito à exploração de suas respectivas zonas econômicas exclusivas. no Chile. ainda assim. Sob esta localização. Orcadas do Sul e as Malvinas (Fiori 2012). somente o arquipélago das Malvinas é controlado por uma potência extrarregional e. Ascensão e Santa Helena – e ilhas periantárticas – Shetlands. Therezinha de Castro aponta que esta formação costuma não ser bem guarnecida. De grande dimensão. O segundo triângulo tem seus vértices no arquipélago de Fernando de Noronha. na Argentina. cujo relevo está na vigilância e segurança do Atlântico Sul. neste triângulo. Santa Helena e Tristão da Cunha – todas sob controle britânico – e serve de base para projeções sobre a América do Sul. não havendo também nenhuma instalação portuária. além de permitir o controle da passagem Atlântico-Pacífico. sendo rota alternativa para projeções sobre a América e a África (Castro 1999 in Neves 2013. Atualmente. Geórgias do Sul e Sanduíches do Sul. pois constituem vértices dos triângulos geoestratégicos de Therezinha de Castro. Orcadas do Sul e Gough. As possessões britânicas dividem-se em dois grupos: ilhas meso-oceânicas – Tristão da Cunha. cujos vértices estão dispostos de acordo com as ilhas aí presentes. Geórgia do Sul. na ilha de Trindade – ambos possessões brasileiras – e no arquipélago das Malvinas. O Reino Unido apresenta um cinturão de ilhas no Atlântico Sul. não abarca a totalidade do controle interoceânico. como é o caso das Malvinas. além de permitir reivindicações territoriais sobre a Antártica (Neves 2013. seu aeroporto apresenta uma pista de 1500 metros. Gough. Sandwich do Sul. Por fim. muitas delas conquistadas ainda na época dos descobrimentos. Outrossim. Destas ilhas. visto que o controle sobre a passagem de Drake é melhor administrado a partir de Punta Arenas.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul atlântica. Geórgia do Sul e Sanduíche do Sul. entretanto. não é muito favorável à instalação de bases militares. o arquipélago das Malvinas permite a projeção de forças sobre a Passagem de Drake e o Estreito de Magalhães. enquanto outras são contestadas até os dias de hoje. A ilha de Ascensão é umas das mais importantes no Atlântico Sul. e apoio para o controle da Rota do Cabo. Apesar de pequenas e com difícil condição de habitabilidade. A maior parte destas ilhas tem alto valor estratégico. por outro. argentina e uruguaia. algumas merecem apreciação especial. mas montanhosa. Reis 2011). é possível projetar forças sobre a costa americana brasileira. e Ushuaia. fator premente para projeção de forças. O terceiro triângulo é formado pelos arquipélagos subantárticos de Shetlands do Sul. esta ilha é compartilhada com os Estados Unidos. Importante destacar que. 22). o progresso tecnológico permite que as ilhas de Santa Helena e Tristão da Cunha sejam utilizadas como base de apoio para as aeronaves não tripuladas. O primeiro triângulo é formado pela conjunção das Ilhas Ascensão.

as riquezas dos países costeiros.). 24 ideias centrais. ao ponto de se estabelecer uma clara disputa estratégica pelo controle das rotas de passagem ou escoamento destes recursos através de oleodutos ou gasodutos (Kerr de Oliveira 2010).UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations Imagem 1 . A instabilidade política tornou-se crescente no mundo. inseridas em um contexto de progressivo esgotamento das fontes de recursos energéticos internacionais. é evidente o renascimento desta região no contexto político e estratégico internacional e sua centralidade no fomento de arranjos de cooperação sul-sul. por meio da força contra os mais fracos. com ênfase na cooperação para o desenvolvimento socioeconômico dos países..Os Triângulos Geoestratégicos A análise dos atributos geoestratégicos. na medida em que as grandes potências continuam dispostas a defender seus interesses. O Sistema Internacional mais uma vez tem se mostrado progressivamente instável. se necessário.. Tornaram-se ainda mais claras as novas disputas internacionais pelo controle de reservas de recursos petrolíferos ou gasíferos. Em segundo lugar. EmNeves primeiro lugar. potencializam a tendência para o recrudescimento de intervenções extrarregionais. especialmente em regiões disputadas entre as grandes potências. (. 493 . geoeconômicos e geopolíticos da Bacia do Atlântico Sul exige a colocação de conclusões prévias e retomada de Fonte: 2013.

na zona contígua ou na Zona Econômica Exclusiva10. Os três países o fazem. Afinal. 494 . Assim. Como será tratado abaixo. a quase totalidade do controle sobre o Atlântico Sul é historicamente exercido pela(s) grande potência(s). além da impossibilidade de os países costeiros exercerem a soberania sobre o mar territorial.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul A debilidade dos países costeiros em prover sua própria segurança. francesas e estadunidenses. há constrangimentos decorrentes da grande capacidade dissuasória e da ameaça exercida pelas Forças Armadas britânicas. majoritariamente. somada ao extenso controle de áreas estratégicas por potências extrarregionais. assegurar sua presença no Atlântico Sul: os Estados Unidos. os esforços dos países costeiros em incrementar suas capacidades e sua integração regional. a presença das três potências no Atlântico Sul fere um dos princípios norteadores da ZOPACAS: o da não-militarização. hoje em dia três países conseguem. Neste sentido. os países costeiros. que fique claramente entendido que o conceito de nãomilitarização da área por países a ela estranhos não pode ser confundido com 10 Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). Entretanto. o país tem soberania no mar territorial. Uma das maiores consequências disso é a ameaça à soberania dos países costeiros. a Grã-Bretanha. é essencial avaliar o equilíbrio de forças no recorte sul-atlântico e. direito de exercer jurisdição na zona contígua e direito de soberania no que diz respeito à exploração dos recursos naturais na água. A questão da não-militarização do Atlântico Sul refere-se especificamente às atividades relacionadas às questões e interesses internacionais alheios à região. como será tratado adiante. com base nas suas grandes capacidades militares e influência política e econômica. deve servir como ponto de partida para o desenvolvimento de suas capacidades militares e criação de estruturas de cooperação regional em segurança e defesa. de maneira a não afetar de modo algum o programa de modernização e desenvolvimento tecnológico das Forças Armadas dos países das áreas. A PRESENÇA MILITAR EXTRARREGIONAL Como apresentado anteriormente. no leito do mar e no subsolo na Zona Econômica Exclusiva (UNCLOS 1982). assegurar seus interesses ou possuir autoridade sobre o Oceano.2. É importante. é preciso diferenciar dois conceitos aqui discutidos: o de não-militarização e o de desmilitarização. sejam da América do Sul ou da África. 2. nenhum dos países do grupo tem capacidades militares à altura destas potências extrarregionais. pois. e em menor medida a França. não logram estabelecer sua presença efetiva. particularmente. ao menos parcialmente. Consequentemente. Assim.

que a militarização do Atlântico Sul por parte de potências extrarregionais pode constituir-se como uma ameaça à Zona de Paz e Cooperação no Atlântico Sul. com a vitória na guerra contra a Espanha. Por outro lado. entendida enquanto presença de interesses e capacidades extrarregionais. uma função contrária à da desmilitarização. e o domínio de Porto Rico e das Ilhas Virgens. enfraquece a arquitetura institucional buscada pelos países costeiros e. pois promove a cooperação entre as Forças Armadas dos países-membros. já era clara a intenção dos Estados Unidos em dominar as rotas do Golfo do México e as aspirações de construção do que viria a ser o canal do Panamá (Bandeira 2008). na maioria das vezes. entretanto. A partir de então. investigar mais especificamente a presença das três potências extrarregionais no Atlântico Sul. firmando-se como uma potência marítima em dois oceanos. por parte dos EUA. 2.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations o desmilitarização no sentido de redução da capacidade de atuação de militares dos países da região (Penha 2011. Entretanto. Posteriormente. Ou seja. é a partir do final da década de 1990 e início da década de 2000 que os Estados Unidos passam a desenvolver para o Atlântico Sul uma estratégia substancialmente diferente do que fez durante toda sua história. os EUA estabeleceram-se como um grande poder no Oceano Atlântico. tanto ao Norte quanto ao Sul. 187). consequentemente. A conjuntura internacional. consequentemente. a ZOPACAS exerce. em 1898. 187). especialmente entre as marinhas.2. fato que. Cabe. mas não no sentido de desmilitarização. então. Percebe-se. mudou significativamente a doutrina dos Estados Unidos para todo o globo e. a ZOPACAS atua no sentido de buscar a “não-militarização” da região. sua estratégia para o Atlântico Sul a partir dos atentados terroristas contra as embaixadas estadunidenses em Nairobi (Quênia) e Dar el Salaam (Tanzânia) em 495 . A aparente falta de ameaças globais frente à hegemonia estadunidense fez com que o país reduzisse seu orçamento e seu pessoal militar em cerca de 30% e se desengajasse de áreas que teriam perdido sua importância estratégica (Battaglino 2009). a extensão das forças estadunidenses às Filipinas os consolidaria como detentores de importante poderio naval. portanto.1 A presença militar extrarregional: os Estados Unidos no Atlântico Sul Após domínio de Cuba. ameaça à soberania destes. então potência colonial. Ainda segundo Penha (2011. houve um desinteresse dos Estados Unidos pelo Atlântico Sul e pelos países costeiros em função da perda de importância estratégica destes. a presença de potências extrarregionais tem crescido paulatinamente no Atlântico Sul. já que promove a modernização militar dos seus países constituintes. inclusive. Após a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria.

responsável pela Europa e Pacom. responsável pela Ásia-Pacífico (U. os Estados Unidos passaram a identificar o terrorismo como a principal ameaça a sua liderança global. auxílio a desastres. para tal. Bush. em julho de 2008. et al. submarinos e aeronaves que fazem a defesa da área sob responsabilidade do Southcom (Maclay. Entretanto. os EUA possuem uma estrutura militar que conta com seis Comandos Unificados Combatentes e seis frotas no globo. Concomitantemente à ameaça terrorista. responsável pela América Latina. responsável pela América do Norte. Os seis Comandos Unificados Combatentes mencionados acima são Northcom. é consequência disto a definição do mundo como um cenário unificado para executar operações militares. Department of Defense 2011). o Africom.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul 1998 e do ataque de 11 de Setembro de 2001 (Ploch 2011). De acordo com as ações mencionadas acima. A partir de então. em outubro de 2008. Consequentemente. a ascensão de novos polos globais ou regionais de poder e a existência de Estados falidos como ameaça a sua liderança global. a qual já ocorria desde a Guerra Fria11 (Battaglino 2009). comportando os navios. exercícios marítimos tradicionais e apoio a operações antidroga. responsável pelo Oriente Médio e Ásia Central. 12 Os Comandos Unificados Combatentes são estruturas militares estadunidenses que se responsabilizam por regiões específicas do globo. A IV Frota é responsável pela segurança do Atlântico Sul. há a manutenção e a acentuação da expansão da infraestrutura militar dos EUA para o globo. 37). sem Estado soberano responsável por este. os Estados Unidos também identificam em seus documentos de defesa. o objetivo oficial declarado da IV Frota é estreitar a cooperação e a parceria dos países da região por meio de cinco missões: apoio a operações de manutenção de paz. 496 . a 11 É consequência disso a ampliação dos orçamentos militares estadunidenses a partir do governo de George W. o fortalecimento do United States Southern Command (Southcom) e a criação do Africom. Segundo Maclay et al (2009). 2009). o Southcom. percebe-se que os EUA completaram o estabelecimento de sua capacidade global de projeção de forças (Battaglino 2009. inicia-se a busca estadunidense pela Integrated Global Presence. a IV Frota trabalha conjuntamente com o Southcom e é responsável pela região da América Latina. assistência humanitária. Eucom. Frente a tal cenário. Sendo o terrorismo uma ameaça transnacional. responsável pela África. Para Battaglino (2009). como expressado em documentos como a Estratégia Nacional de Segurança de 2002 e 2006. Centcom. a qual é baseada em um crescente número de bases estadunidenses no exterior por meio da expansão dos Comandos Unificados Combatentes12. a materialização da mudança de doutrina estadunidense para o Atlântico Sul se dá em três ações: o restabelecimento da IV Frota dos EUA. totalizando um aumento de 70% entre 2001 e 2007 (Battaglino 2009).S. Pela primeira vez. como na Revisão Quadrienal de Defesa (2001).

assim. sempre tivera menos recursos (Maclay. em 1997. expandiu-se 13 Em 2002 o Congresso dos EUA aprovou a ampliação de seu escopo. os Estados Unidos alteraram. Segundo Tokatlián (2009). a partir de então. 2009). Battaglino (2009) também destaca que o conceito de Posen trata principalmente das áreas do mar e do espaço aéreo. como a emergência de governos de esquerda na América do Sul. a reativação da IV Frota insere-se na estratégia dos EUA de efetuar a ocupação e o controle dos denominados espaços comuns. especificada na Estratégia Nacional de Controle às Drogas (National Drug Control Strategy) de George W. além do restabelecimento da IV Frota. Sua forma oficial e contemporânea foi lançada em 1963. utilizadas para combater o terrorismo e a narcoguerrilha (Battaglino 2009). as reações de grande parte dos países latino-americanos foram contrárias à atitude dos EUA. a país algum.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations leitura mais detalhada dos documentos oficiais dos EUA sobre a Frota mostra interesses adicionais além dos supracitados: primeiramente. afinal. et al. o alvo no tráfico de drogas/narcoguerrilha. Se. a princípio. à medida que autorizava que as capacidades antes utilizadas para o combate à droga fossem. militares para controlar de maneira eficaz. Ademais. espaços para os quais a extensa maioria dos países não tem instrumentos econômicos e. Frente à reativação da IV Frota. a emergência dos interesses da China no hemisfério ocidental é considerada pelos Estados Unidos como uma ameaça à sua hegemonia na região. seu “inimigo” na América Latina: com a queda da URSS. mas que dão acesso a todo resto do globo. A materialização de tais mudanças 497 . Conforme Battaglino (2009). A lógica da ampliação e fortalecimento do Southcom é semelhante. 2009. o Southcom estabeleceu como objetivo o combate às ameaças “emergentes” e “não tradicionais”. com o fim da Guerra Fria. principalmente. Department of Defense of United States of America 2008). os EUA afirmam em seus documentos que a ascensão social e econômica brasileira nos últimos anos também pode vir a apresentar um desafio aos interesses estadunidenses. Finalmente. diz respeito às áreas que não pertencem. nenhum outro país conta com a infraestrutura militar necessária para exercer o controle sobre aqueles e. entretanto. desenvolvido por Barry Posen (2003). a ascensão daquilo que é chamado pelos Estados Unidos de “neopopulismo radical”. Adicionalmente. et al. Em 1990. dentre os Comandos Unificados Combatentes. Tal conceito. dentre as quais destacava-se o tráfico de drogas. Bush. os EUA arrendam a ilha de Ascensão – de posse inglesa. Posen (2003) salienta que o comando sobre tais espaços é o centro da hegemonia dos EUA. e a guerra às drogas se tornou um dos principais pilares da política dos EUA para a América Latina. Foi com base na cunhagem do conceito de “narcoguerrilha” que o Southcom ampliou suas funções na região13. também é considerada uma afronta à hegemonia estadunidense (Maclay. somente os EUA têm a capacidade de projeção de forças para eventuais conflitos em praticamente qualquer lugar do globo.

quando necessário. três Espaços de Segurança Cooperativa (CSLs Aruba. 15 A sede oficial do Comando fica numa localização próxima à cidade de Stuttgart. Se. percebe-se que há concomitantemente um esforço progressivo para que a região do Atlântico Sul se funda com a região do Atlântico Norte. 37). a cooperação entre o Comando e a Frota é fundamental. (Bandeira 2008. e que fizeram com que a política destes foi a aplicação do Plano Colômbia. como ferramenta para assegurar os interesses estadunidenses na África (Ploch 2011). pois ganhou novas proporções à medida que o país passou a identificar uma série de interesses estratégicos no continente. 498 . temendo as consequências para as balanças de poder regionais africanas (Nathan 2009). de onde deverá ser transferida para a Colômbia. após os atentados terroristas supracitados. a África encaixava-se unicamente nos interesses estratégicos dos EUA de contenção do comunismo soviético. em Cuba. no Equador. Guantánamo. tal fato decorre da recusa por parte de todos os países africanos em sediar o Comando. A África passou a constar como região de prioridade nas Estratégias de Segurança Nacional de 2002 e 2006. Com as operações navais da IV Frota. no Suriname e na Guiana (Bandeira 2008). e Manta. ar e ciberespaço comuns mundiais e a partir deles. representando a presença militar estadunidense na Amazônia. Comayuga. a política externa estadunidense para a África alterou-se profundamente. Entretanto. o Africom realiza operações de cooperação com as Forças Armadas dos países africanos e. em Curaçao. 36). Dentro dos objetivos estabelecidos pelo Southcom. Na outra margem do Atlântico. de manter a capacidade de operar nos espaços. Para atingir tais objetivos. manter o comando dos espaços comuns (Bataglino 2009. durante a Guerra Fria. em El Salvador. e Soto Cano. em outras palavras. Aruba. o Africom foi criado. A criação do Africom. Segundo o Departamento de Defesa. atualmente o Comando trabalha conjuntamente com a IV Frota14. segundo o próprio Comando. em Honduras. Desta maneira. e a manutenção de grande presença militar no Peru. os EUA têm atuado de maneira relativamente semelhante.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul para incluir o Mar do Caribe e o Golfo do México. e em direção a um processo de militarização das relações dos EUA com a costa ocidental do Atlântico Sul. 14 O comando conta atualmente com 17 instalações de radar (principalmente na Colômbia e no Peru). na Alemanha. empreende ações militares para a defesa de seus interesses (Deen 2013). os Estados Unidos complementam o anel de bases militares. em Honduras) (Battaglino 2009. e Comalapa) e duas Bases Militares (Guantánamo. em outubro de 2008. águas internacionais. 16). que envolve Comapala. representa o esforço pelo controle da costa oriental do Atlântico Sul. os principais temas que interessam aos EUA na África. Destarte. com a queda da URSS o continente passou por uma fase de esquecimento por parte da superpotência americana15. em Cuba.

considerada a “nova fronteira de exploração e investimentos” – ou seja. expansão do terrorismo16. conflitos armados. muitas críticas têm sido levantadas quanto às reais intenções e consequências do Africom. dos dois lados do Atlântico Sul. 2. poucos atores políticos africanos realmente creem que os objetivos do Comando são estabilizar o continente africano. e no Mali. choca-se com as perspectivas dos países costeiros. os EUA têm um crescente interesse no petróleo africano. grande parte do Norte e do Leste africanos eram cobertos pelo Eurocom ou pelo Centcom.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations para o continente mudasse. sem qualquer tipo de diálogo ou transparência com os Estados africanos (Nathan 2009). Ainda. como será tratado na seção “Ações Internacionais Prévias”. os países africanos ficarem marginalizados nos processos decisórios acerca do próprio continente. há a possibilidade de o Africom tornar-se o centro dinâmico-securitário africano e. anteriormente à criação do Africom. é importante destacar que. em assegurar o fornecimento seguro de petróleo à potência. os EUA vem fortalecendo sua presença militar na última década. Contudo. o Al-Shabab e o Boko Haram. em casos como nos conflitos na Líbia.2 A Presença Britânica no Atlântico Sul O Atlântico Sul exerceu papel central para o estabelecimento do império 16 Dentre estes os grupos terroristas mais importantes na África. Desde o anúncio da fundação do Comando. uma forma de neocolonialismo (Nathan 2009). e grande parte dos países o vê como uma forma de os EUA assegurarem o controle do futuro da África. entre outros (Ploch 2011). Nota-se que.2. por parte do Comando. estão a Al-Qaeda. frente à ascensão dos países do Golfo da Guiné como fornecedores de petróleo aos EUA. teme-se que a criação do Africom e a presença militar estadunidense no continente esvaziem as instituições decisórias e de diálogo dos Estados africanos. Primeiramente. O crescimento da importância estratégica do Oceano para a potência norte-americana fez com que este adotasse uma abordagem que. consequentemente. em 2012 e 2013. Entretanto. Destacam-se também as críticas emitidas pelos africanos à maneira da criação do Comando – uma declaração unilateral do governo dos EUA. 499 . houve uma série de declarações por parte dos países e de organizações. Afinal. Desta forma. Além disso. o Al-Qaeda in Islamic Maghreb (AQIM). estes prontamente esforçaram-se para institucionalizar a militarização no continente. em 2011. são: petróleo. o Comando estadunidense e os EUA ignoraram as decisões de organismos como a União Africana (Nathan 2009). Pelos motivos já comentados. muitas vezes. baseando-se no Africom: percebe-se que há o interesse vital.

Faria 2011).Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul ultramarino britânico. o mapeamento dos constrangimentos conferidos ao concerto sul-atlântico. A invasão das ilhas Malvinas pela Argentina. O governo militar que tomou o poder nos anos 1970 deu centralidade aos assuntos geopolíticos. Os objetivos argentinos estavam. Da mesma forma. entretanto. aos próprios países costeiros. 16 navios destinados a guerra de minas. que foi o descontentamento com o regime militar do então presidente. o 17 Os geopolíticos argentinos defendiam a ideia da Atlantártida. Leopoldo Galtieri. o que lhe confere capacidade estratégica singular atualmente. 187-188). 2. que controlava as ilhas Malvinas. treze fragatas. De acordo com o IISS (2013. permitindo à mesma manter influência sobre a bacia do Prata e controlar a rota do Cabo Horn – a partir das Malvinas e das ilhas periantártidas – e a Antártica. As disputas territoriais entre a Argentina e a Inglaterra foram sendo exacerbadas à medida que se agravava a crise nacional nos dois países. em 02 de abril de 1982. bloqueados pela Grã-Bretanha. mostra-se necessária uma investigação deste cenário estratégico e. a projeção de poder nacional se daria através do triângulo Prata-Malvinas-Beagle. a Marinha Britânica dispõe de um ativo de 32 mil homens. dentre eles a disputa com a Grã-Bretanha pelas ilhas Malvinas17. O Reino Unido possui também forças atuando no Atlântico Sul.2. é necessário investigar as mudanças que se perpetraram dentro do governo argentino. inclusive. Além disso. um navio patrulha e um navio escolta. e 10 navios para logística e suporte. e eventualmente um submarino em Ascensão e Serra Leoa. Em razão disso. 22 navios de patrulha e defesa costeira. onde há cerca de 1500 soldados permanentes. 41 navios anfíbios. no sentido que a reconquista de territórios historicamente contestados possibilitaria a reaproximação do governo com a sociedade. sendo quatro deles nucleares. o Reino Unido estabeleceu uma presença territorial destacada na Bacia do Atlântico Sul. Dois porta-aviões estão em fase de construção e devem ser comissionados a partir de 2017. o que tende a exacerbar a presença britânica na bacia sul atlântica. especialmente nas ilhas Malvinas. De acordo com esta ideia. Deste modo. cinco destróieres. teve um fator relevante. Shetlands e Geórgia do Sul (Penha 2011. Para a consecução deste objetivo. 136-137). ao longo de sua história. O Reino Unido possui uma das marinhas mais bem equipadas do mundo. com aproximadamente 20 soldados em cada. há também um destróier em estado de patrulha permanente no Atlântico Sul (Guimarães 2014. 500 . superior.3 A guerra das Malvinas Para compreender os fatores que desencadearam a Guerra das Malvinas. à luz de um estudo de caso da Guerra das Malvinas. é dotada de onze submarinos. os estrategistas da Marinha Inglesa acreditavam que o Reino Unido deveria controlar rotas marítimas estratégicas (Penha 2011).

decidiram executar a “Operação Azul”. em 29 de abril. que consistia no desembarque de militares nas ilhas Malvinas. Ademais. Em 29 de maio. sem dificuldade. as perspectivas de exploração petrolífera no arquipélago sulatlântico tornava seu controle ainda mais importante (Kerr de Oliveira 2014). sem exercer violência. em 1980. começou com um escândalo envolvendo a expulsão de um grupo de trabalhadores argentinos nas ilhas Geórgia do Sul. e em 10 de abril a Comunidade Econômica Europeia anunciou embargo sobre os produtos argentinos. a Grã-Bretanha anunciou o bloqueio naval de 200 milhas em volta da Argentina. dominaram a ilha (Coconi 2007). e da Guerra Irã-Iraque. em 19 de março de 1982. o conflito evidenciou a importância da interdependência entre 501 . exigindo a retirada imediata das forças argentinas e o cessar das hostilidades. dentre elas os Estados Unidos (Coconi 2007). No dia seguinte. danificando seriamente o submarino argentino Santa Fé. foi afundado o cruzador argentino General Belgrano. teve início a ofensiva britânica em direção à capital Port Stanley. os militares argentinos. Em 07 de abril.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations governo neoliberal de Margaret Thatcher encontrava-se em uma situação de marginalidade internacional – por conta da fracassada intervenção militar no Canal de Suez e da ida ao Fundo Monetário Internacional (FMI) – e descontentamento interno – em virtude da crise econômica e social que se desenrolava no país (Penha 2011. em 1979. Nackle Urt 2009). Em 26 de abril. atingiu as Malvinas. O estopim para o conflito armado. As forças argentinas se renderam no dia seguinte (Coconi 2007. exigia-se o fim das hostilidades pelo Reino Unido e o fim do conflito. A Guerra das Malvinas foi um dos momentos mais importantes na história sulamericana e atesta a fragilidade dos países do Atlântico Sul em lidar com ingerências externas. Em virtude da ofensa britânica. com cinco mil soldados. a Grã Bretanha retomou a soberania sobre as ilhas Geórgia do Sul. o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução número 502. Espósito Neto 2005). Neste momento do conflito. a fim de expulsar os militares e oficiais britânicos e retomar seu direito sobre o arquipélago. desestruturando o arranjo solidário proposto pelo TIAR. os EUA abandonaram a neutralidade e suspenderam a ajuda militar e econômica à Argentina. que já vinha sendo orquestrado. Em 25 de abril. desembocada a partir da Revolução no Irã. A ofensiva britânica sobre as ilhas Malvinas teve início em 01 de maio. Mario Benjamín Menéndez. em um quadro de novo aumento nos preços do petróleo. e. evento de desestabilização da frota argentina. Essa resolução teve 17 votos a favor e 4 abstenções. Em 30 de abril. sendo a União Soviética o único país a dar apoio à Argentina. juntamente com o Chefe de Operações do Estado Maior. a Comissão de Trabalho da Conferência de Ministros de Relações Exteriores do TIAR adotou uma resolução em que se respaldava a reivindicação de soberania argentina sobre as ilhas. por sua vez. que foi retomada em 14 de junho. Em termos estratégicos. impondo bloqueio naval total. O desembarque argentino aconteceu ao sul das ilhas. que.

que ficam claros os interesses franceses pelo Oceano. segundo o próprio autor do termo. muitos dos interesses e instrumentos franceses na região 18 “Ficou demonstrado que navios de guerra e aviões de ataque têm vantagens e desvantagens no cumprimento de suas missões: navios se deslocam a 500 milhas por dia e aeronaves de ataque a jato a 500 milhas por hora. pois garantiram a zona de exclusão em torno das ilhas Malvinas.br/ blog/2010/02/19/malvinas-a-questao-esta-de-volta/. iniciada em 1961. Concomitantemente. esta busca assegurar sua influência por diversos meios e instrumentos sobre os países nascentes. Ainda que. a materialização disto se deu na Guerra da Lagosta. a Guiana Francesa. particularmente porque seu equipamento era mais moderno e eficaz19. comprovou a eficácia da combinação REVO (arranjo entre aeronaves de patrulha marítima. 19 Para maiores detalhes a respeito do balanço das forças. ao analisarmos os meios de combate dos oponentes. consultar: http://www. O míssil antinavio AM39 Exocet. Ainda segundo Verschave (2004). quando comparada aos EUA e à GrãBretanha.2. que adota o Franco CFA como moeda.naval. os principais objetivos da atuação francesa no continente africano eram a obtenção de Estados-clientes e a aquisição de matérias-primas. ou Zona do Franco. de diversão e de ataque) e sua capacidade em causar baixas em veículos de superfície. grande parte da dependência dos países africanos em relação à França permanece até hoje. e na posse até hoje de um território ultramarino no Oceano. É na costa africana. Os submarinos nucleares da Marinha Britânica também foram essenciais. houve a formação daquilo que Verschave (2004) denominou de Françafrique.com. entretanto. Desde então. Por fim. navios e submarinos permaneceram na área de conflito durante semanas” (Poder Naval. a potência europeia mostra interesse nos dois lados do Atlântico: na costa sul-americana. a Françafrique tenha se desmontado de maneira consistente ao final da Guerra Fria. com o objetivo de manter a dependência dos países africanos em relação à antiga metrópole” (Oliveira. a presença francesa no Atlântico Sul é bastante significativa. Uma das principais materializações da dependência das ex-colônias em relação à França é a criação da Comunidade Financeira Africana. 2014). utilizado pela Argentina. 2. Silva e Paludo 2013. Como demonstrado. 502 . percebe-se que a Grã-Bretanha tinha superioridade na comparação dos poderes combatentes navais e aéreos. uma “rede através da qual foram estabelecidos diversos sistemas de dominação. Desde que foram concedidas as independências aos Estados africanos que tinham a França como metrópole. mas enquanto as aeronaves só podiam cumprir suas missões num período de horas.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul o poder aéreo e o poder naval e a centralidade do navio aeródromo para a vitória britânica18.4 A presença militar extrarregional e a militarização: a França no Atlântico Sul Ainda que em menor proporção. 164).

no Mali. bem como na República Centro Africana. o que lhe dá o direito dá exploração dos recursos marítimos da região. a importância da Guiana Francesa é destacada em função da ratificação francesa da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). a Marinha francesas fazem com que o país seja considerado uma potência relevante. a França se faz presente no Atlântico Sul em função da posse da Guiana Francesa. Além dos interesses e da influência francesa na África. O território foi colônia francesa até 1946. no qual a busca pelo desenvolvimento tecnológico é priorizada. Além disso. em 2011. Ainda. no Chade. o porta-aviões Charles De Gaulle. o centro de lançamentos da Agência Espacial Europeia21. mais recentemente. de 2008. assim. A partir de 2002. a Força Aérea e. país no qual ao qual a potência europeia tornou a intervir militarmente em 2013. A manutenção de relações comerciais assimétricas e dos vínculos de dependência econômica são exemplos disto. Ademais. sendo a estabilidade de diversos países sob influência francesa fundamental para a manutenção do status da França como grande potência. é de extrema importância para a Agência Espacial em função da sua latitude – extremamente próxima à linha do Equador –. operacional desde 1968. 2013). desde a intervenção feita no início de 2013 por meio da Operação Sérval. principalmente. destaca-se o interesse francês em petróleo e em metais. já que dele advém um quarto da energia elétrica do país (Melly e Darracq 2013). principalmente no urânio do Níger. diversas intervenções na República Centro Africana. enquanto a França tem forças terrestres pouco significativas. Ainda. a França possui uma base militar permanente no Gabão e uma base no Senegal – as chamadas Les Forces Française du Cap Vert. 134). à queda do ex-presidente Laurent Gbagbo. Nota-se. segundo Borba et al (2013. que a África continua fundamental para a estratégia global francesa.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations permanecem vivos20.é enfatizado como zona de interesse francês. quando tornou-se um departamento ultramarino francês. quase metade das tropas francesas fora do continente europeu encontra-se na África (Borba. o qual tem grande relevância para a segurança energética da França. Finalmente. destacase a manutenção das intervenções militares. assim. o país realizou intervenções na Costa do Marfim. o que faz do manuseio dos satélites mais simples e menos custoso. do norte da África e da Ásia Central . Esta última passa atualmente por um processo de modernização. No Livro Branco de Defesa da França. importante instrumento para projeção de forças. Atualmente. o chamado Arco das Crises – que comporta as regiões do Oriente Médio. é capaz de carregar 20 Dentre estes. 503 . 21 O centro. A principal e a mais dinâmica atividade no departamento é a presença do Centro Espacial de Kourou. a França até hoje atua em missões de paz lideradas pela ONU na Costa do Marfim e na República Democrática do Congo. na Líbia (em cooperação com a OTAN e com o Africom) e. et al. Além disso. a França mantém suas tropas no último país mencionado. que levaram.

3. mesmo que declarações legais de instituições como a ZOPACAS demandem o contrário. O desenvolvimento de uma sólida base industrial de defesa.. de desenvolvimento sócioeconômico e de inovação tecnológica. Assim. intervenção contra países emergentes. visa à coordenação das forças armadas de ambos os países nos seus diversos níveis de atuação [. diminuição – da presença de potências extrarregionais no Atlântico Sul. Jacques Chirac. especialmente dos 504 . é necessária uma capacidade dissuasória dos países costeiros. trazendo a dissuasão e a retaliação nuclear para primeiro plano na estratégia nacional. Ao mesmo tempo.]. 2013. os países costeiros do Atlântico Sul vêm somando esforços para a consolidação de uma arquitetura institucional que resulte na retirada – ou. Busca-se um processo de modernização das Forças Armadas concomitantemente à utilização destas como um instrumento de inclusão social. as grandes potências mencionadas acima sentemse capazes de ocupar o “vazio. Em 2006. mas. configuram os eixos norteadores da aproximação franco-britânica (Borba. pactuam com o terrorismo (Yost 2006). Afinal. 2. segundo a perspectiva francesa. para que as potências extrarregionais de fato se retirem do oceano.. ATUAÇÃO DOS PAÍSES COSTEIROS DO ATLÂNTICO SUL FRENTE À PRESENÇA DE POTÊNCIAS EXTRARREGIONAIS Desde a criação da ZOPACAS. se necessário.. O Brasil é um dos exemplos: desde o início do primeiro governo de Lula da Silva. o governo brasileiro vem publicando uma série de legislações que mudaram consideravelmente a política de defesa brasileira. fez mudanças significativas na doutrina francesa. bem como a consolidação de uma doutrina militar conjunta. cabe averiguar quais medidas estão sendo tomadas pelos países para que haja a alteração do status quo. Assim.. se as Forças Armadas dos países costeiros não têm capacidades mínimas para evitar ingerências externas. especialmente contra aqueles Estados que. objetiva-se a superação nas Forças Armadas da dependência tecnológica. muitos países costeiros do Atlântico Sul vêm buscando um processo de modernização de suas Forças Armadas.) um acordo militar foi firmado entre França e Grã-Bretanha. Concomitantemente a isso. et al.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul até 40 aviões de combate. após a descoberta dos recursos naturais na camada do pré-sal. principalmente. (. Entretanto. declarava uma estratégia de prevenção e. o então presidente francês. Nos últimos 15 anos. Conhecido como Entente Frugale. 133). ao menos.

em termos proporcionais ao PIB. o Brasil tradicionalmente importa produtos já não mais utilizados pelos EUA a baixo preço. e. Outro país que tem aumentado paulatinamente sua atenção às Forças Armadas é Angola. em 2022. Angola tem atualmente o segundo maior exército dentre os países da África subsaariana. dos quais se destacam os esforços brasileiros pelo aumento da frota de submarinos convencionais e pela criação de um submarino nuclear. a Marinha do Brasil vem desenvolvendo uma série de projetos. 2012). apesar de RDC ter o maior exército dentre os países africanos. um submarino nuclear (BRASIL. além de ter o maior número de forças de segurança por habitante (Silva 2012). 23 Segundo Silva (2012). área sobre a qual busca manter sob sua soberania. Apesar disso. O país saiu de sua guerra civil em 2002. 24 Em 2010. se as FAA foram modeladas para o combate durante a guerra civil. anteriormente rebeldes. Na Força 22 Afinal. o Brasil desenvolveu o conceito de Amazônia Azul. evitando as tradicionais compras de material sucateado de potências como Estados Unidos. 505 . as Forças Armadas angolanas atualmente são bastante experientes em função da longa guerra civil pela qual o país passou. iniciada em 2008. segundo o autor. Para tal. o exército da República Democrática do Congo. esta não se estendeu a cenários marítimos de guerra. que objetiva lançar ao mar em 2016 quatro submarinos convencionais Scorpène de tecnologia francesa a ser transferida ao Brasil.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations EUA22. baseada na construção nacional como prioridade e na busca de compras internacionais com transferência de tecnologia. o país tem o maior gasto da África austral (Silva 2012). aumentando grandemente o número de efetivos. e. do número de efetivos do exército. com a vitória do MPLA sobre a UNITA. em função da falta de navios e vetores confiáveis na sua Marinha (Silva 2012). Contudo. À vista disso. Assim. é bastante inefetivo para a segurança do país. da Unita integraram-se às Forças Armadas angolanas. especialmente do exército. porém sem transferência de tecnologia. Finalmente. sublinha-se o Programa de Desenvolvimento de Submarinos. Ainda. As forças. Afinal. Para isto. importa ressaltar a busca brasileira pela duplicação de sua frota naval a partir da criação de uma Segunda Esquadra e de uma Segunda força de Fuzileiros a ser sediada no Norte/Nordeste do país. superou a África do Sul no quesito em termos de valores absolutos. Angola aumentou consideravelmente seus gastos com investimentos militares24. uma das maiores fragilidades das FAA é a Marinha. perdendo apenas para a República Democrática do Congo (RDC)23. Ainda segundo Silva (2012). Angola tem de contar com uma defesa antinavio com patrulha aérea controlada pela Força Aérea. segundo o autor. Tais fatos fizeram com que o país aumentasse recentemente os gastos na Força e desenvolvesse importantes parcerias no setor. com vistas à criação de uma indústria de defesa autônoma. este fato se dá em função de uma ampliação recente. destaca-se a nova política da Marinha do Brasil de reaparelhagem. como a Namíbia e o Brasil. No que tange ao Atlântico Sul.

Exemplos disso são o exercício Unitas. Importa notar que o estabelecimento da SADCBRIG se deu em um momento em que os EUA já discutiam internamente e planejavam o lançamento do Africom. destacam-se as contemporâneas relações entre o Brasil e diversos países africanos. em 2008. O país é um poder econômico e militar crescente no Golfo da Guiné e capitaneia o processo de integração regional. o Brasil tem atuado fortemente em ações de cooperação militar. as capacidades da Marinha sul-africana são divididas entre o Oceano Índico e o Oceano Atlântico. 506 . os acordos de cooperação bilaterais firmados entre Brasil e Angola. as capacidades militares da Nigéria. o principal é a África do Sul. da South African Development Community Standby Brigade (SADCBRIG). o apoio do Brasil na estruturação de grande parte da Marinha da Namíbia. Dentre eles. o qual tem as Forças Armadas mais bem equipadas em termos tecnológicos.000 soldados advindos dos países da instituição (Silva 2012). que atualmente tem focado em combate a problemas como terrorismo. serão melhor trabalhados no tópico B deste guia. o desenvolvimento conjunto entre Brasil e África do Sul do míssil ar-ar. ainda que muitos dos equipamentos requeiram um processo de modernização em função do estado de deterioração (IISS 2013). mais especificamente. Nigéria. denominado Projeto A-DARTER. a Marinha sul-africana conta com números significativos. por sua vez. entre outros (MRE. Dentre os casos de cooperação sul-sul. existem outros países que se destacam em termos de Forças Armadas. tem atualmente a Marinha mais forte dentre as africanas. Outras iniciativas bastante significativas empreendidas pelos paísesmembros são os exercícios militares conjuntos ocorridos nos últimos anos. especialmente para as áreas de infraestrutura e para setores das Forças Armadas. Há mais de uma década. 2011). o Brasil ampliou consideravelmente as relações com o continente africano. Tradicionalmente. materializado atualmente na ECOWAS25. os exercícios navais que têm o Atlântico Sul como palco são comandados pelos EUA. Senegal e Guiné Equatorial. passando a cooperar com a África direcionando seus investimentos para setores de longo prazo. Entretanto. como o Sukhoi Su-27 Flanker. Angola tem capacidades mais avançadas. Namíbia. Na África. Outro fator que deve ser levado em consideração é a cooperação sul-sul entre os países da ZOPACAS. especialmente de fragatas e submarinos.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul Aérea. Já a Nigéria. Outro fator fundamental de se destacar comentar acerca da África austral é o estabelecimento. força que opera sob responsabilidade da SADC e da União Africana e é composta por 6. Além da indução do Estado brasileiro. a partir de suas empresas estatais. imigração ilegal e o tráfico 25 A região do Golfo da Guiné e. o que faz com que o país fique relativamente mais frágil no Atlântico Sul. dentre as quais se destacam a venda de aviões Super Tucano para Angola. Diferentemente de Angola. principalmente em função da posse de aeronaves de quarta geração. entretanto.

mais propícias para seu desenvolvimento. África do Sul. são extremamente dependentes do recurso natural. desenvolvido por Brasil. Por outro lado. estes representam uma porcentagem pequena frente ao restante dos países-membros da ZOPACAS: grande parte dos países da instituição ainda tem Estados fracos. fato que faz com que tais Estados sejam muito dependentes das demandas externas pelo hidrocarboneto. nos últimos anos. As consequências disso 507 . Nota-se. ainda que alguns países. especialmente capitaneadas por países chaves como Brasil. entre 2005 e 2007. social ou tecnológico. seja este econômico. os países costeiros do Atlântico Sul têm empreendido alguns exercícios conjuntos de maneira mais autônoma. Brasil e África do Sul. Nigéria e Angola. e o Fraterno. Contudo. um fórum de cooperação marítima. Um dos principais instrumentos para isto é a cooperação sul-sul. principalmente no que tange a temas militares e econômicos. Argentina. em função das gigantes reservas de petróleo. os países-membros da ZOPACAS têm desenvolvido relações menos assimétricas e. Exemplo disso é a economia angolana. a qual. enfrentou uma desaceleração que levou a uma queda para o crescimento de aproximadamente 0. o exercício Obangame Express. após o “triunfo” e a propagação neoliberal da década de 1990. diminuíram-na.1% ao ano (Silva 2012). os países costeiros ainda se encontram em situação de grande vulnerabilidade frente às grandes potências. Consequentemente. alguma capacidade estatal. teve um crescimento do PIB próximo a 20% e. muitas das economias africanas dos países membros da ZOPACAS. destacam-se o Atlasur. África do Sul. Uruguai e África do Sul. Destes. criado sob escopo do TIAR (Penha 2011). ainda que as diversas manifestações e ações em prol da desocupação do Atlântico Sul por parte de potências extrarregionais e as atitudes mencionadas acima tenham sido tomadas. como Brasil. em 2008. que nos dois lados do Atlântico Sul há movimentações em prol da modernização de suas Forças Armadas. desenvolvidos sobre o escopo do IBAS e. com o objetivo de estreitar as relações entre as duas marinhas (Penha 2011). que não conseguem dar condições básicas de saúde. Além da já mencionada dependência às grandes potências em relação à tecnologia. de maneira mais consistente. além do exercício. envolvendo Índia. com a crise internacional. e o Plano de Coordenação da Defesa do Tráfego Marítimo. tenham capacidades militares significativas. Afinal. são países com economias frágeis e cujas Forças Armadas são vulneráveis. educação. o qual tem expandido o número de países membros. os poucos Estados africanos que tinham. Outra iniciativa de importância são os exercícios Ibsamar. que reúne Brasil e Argentina. Por outro lado. fica evidente que há a tentativa da superação da dependência tecnológica das potências tradicionais. alimentação e infraestrutura às suas populações. consequentemente. Além disso. especialmente europeus (Lopes 2014).UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations de drogas internacional. que destacam-se por comportar. e Argentina. portanto. Com esta. assim. como os países europeus e os EUA.

como também começou a dar um formato mais securitário aos seus objetivos. os países que pertencem geograficamente ao Atlântico Sul tem reiterado o interesse em protagonizar e resolver os problemas da região por si sós. que deveria servir como guia até a r eunião seguinte. (ii) combate a atividades ilícitas e crime organizado. em 1986. quando foi elaborado o Plano de Ação de Luanda.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul são sentidas até hoje. A Reunião Ministerial de 2007 também criou 4 grupos de trabalho da ZOPACAS: (i) cooperação econômica. cada uma dessas esferas regionais tem tratado da militarização exógena no Atlântico Sul de uma forma distinta. especialmente os pertencentes à região. ou do caso do Africom. como a melhor forma de resolução de problemas no Atlântico Sul (UN 2007). a criação da ZOPACAS por meio da resolução n. e as duas costas do Atlântico Sul: a América do Sul e a África. uma reação indireta à ingerência extrarregional na área. deu um primeiro passo no sentido de declarar oposição à presença de armas nucleares e construção de bases estrangeiras na região. Depois de anos de baixa articulação entre os países do grupo. como as Ilhas Malvinas. com as ainda presentes e constantes guerras civis e conflitos armados (Kerr de Oliveira 2010). embora estejam unidas pela ZOPACAS. Assim. é esse tipo de ação internacional prévia que tem sido construída no que tange à militarização do oceano.1 ZONA DE PAZ E COOPERAÇÃO DO ATLÂNTICO SUL Como mencionado anteriormente. 3 AÇÕES INTERNACIONAIS PRÉVIAS A militarização de origem externa ao Atlântico Sul ainda não produziu declarações ou resoluções especificamente contrárias à presença estrangeira na região. a já citada Iniciativa de Luanda convergiu na VI Reunião Ministerial da ZOPACAS. Foi igualmente reforçada a inter-relação e inseparabilidade das questões de paz e segurança com as de desenvolvimento. 61/294 da Assembleia Geral das Nações Unidas e reafirma a cooperação entre Estados. Como ficará claro. sobre o qual os países africanos sofreram maior constrangimento e acabaram tendo de se pronunciar. ou mais direta e específica como nos casos citados. em 2007. O Plano foi incorporado pela resolução n. 3. e (iv) pesquisa 508 . (iii) manutenção da paz e operações de apoio à paz. Entretanto. a ZOPACAS não foi apenas revitalizada em seu sentido político. As ações estão subdivididas de acordo com suas respectivas regiões e organizações: a própria ZOPACAS. Ou seja. através da cooperação. 41/11 da AGNU. exceto quando se trata de zonas disputadas.

de 1976. também indicando o interesse dos países membros em terem maior protagonismo no manejo dos problemas do Atlântico Sul. Estratégia Nacional. assim como o aumento da presença militar britânica na região. tem se posicionado historicamente a favor da Argentina nesta mesma disputa. Entretanto. 154).UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations científica. combate a atividades ilícitas e crime transnacional. os membros concordaram em: incrementar a interação entre suas Forças Armadas. A Declaração de Montevidéu também reafirmou a resolução n. instituição que inclui os 12 países da América do Sul.2 ORGANIZAÇÕES REGIONAIS SUL-AMERICANAS A União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Em 2012. Da mesma forma. controle e vigilância de embarcações. assim como enfatizaram a chamada cooperação Sul-Sul (Brasil 2013a). conservação e aproveitamento soberano dos recursos e riquezas Naturais”. assinados na VII Reunião. que justamente pede que se evitem ações unilaterais da Argentina e do Reino Unido. como Livro Branco. o grupo emitiu a “Declaração de Mendoza sobre uso. 3. Em seguida. promover exercícios militares conjuntos no Atlântico Sul e estabelecer um Grupo de Trabalho dentro das operações de paz da ONU para explorar futuras oportunidades de cooperação entre os membros (Brasil 2013b). O Mercado Comum do Sul (Mercosul). 31/49 da Assembleia Geral das Nações Unidas. deram maior especificidade às intenções declaradas de cooperação em matéria de segurança marítima. a organização vem reiterando seu apoio à Argentina na questão das Ilhas Malvinas e o fez novamente em sua última reunião. na Declaração de Paramaribo (Unasul 2013). referente à soberania das Ilhas Malvinas (Brasil 2013a). a declaração sobre “Intercâmbio de informação sobre navios e artefatos navais vinculados à questão das Ilhas Malvinas” comprometeu os países a compartilharem informa509 . A Declaração foi motivada pelo anúncio de que a negociação britânica com empresas internacionais para prospecção de petróleo na região das ilhas estaria em estágio avançado (Banco 2012). Quanto à cooperação específica em defesa. viabilizar transparência quanto às políticas de defesa e a troca de informações. não possui uma política declarada referindo-se ao Atlântico Sul. incluindo troca de dados e treinamento na operação de Identificação de Longo Alcance e Rastreamento de Navios (Brasil 2013b). O Plano prevê cooperação em monitoramento. embora seja um bloco comercial. A Declaração expressa preocupação sobre o desenvolvimento de exploração ilícita de hidrocarbonetos na área. meio ambiente e questões marítimas (Fiori 2012. o que seria uma violação da resolução citada. Doutrina etc. em 2013. buscar meios para reforçar suas capacidades navais e aéreas. a Declaração e o Plano de Ação de Montevidéu. em 2013.

através da militarização do Atlântico Sul. Através de sua política latino-americanista.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul ções potencialmente relacionadas à exploração petrolífera ou mineral ilegal na área ou que incluam as Ilhas Malvinas como parte da rota de navios. por sua vez. 3. O governo de Cristina Kirchner tem buscado aproximarse do Brasil no âmbito regional. De acordo com a Secretaria de Assuntos Relativos às Ilhas Malvinas. principalmente com o Reino Unido. houve uma série de contestações por parte dos países e das organizações interestatais africanas. de 2010. A Southern African Development Community (SADC. sem presença física no continente. a qual resultou na aprovação. em 2012. é importante pilar de sua política externa. Sandwich do Sul e Espaços Marítimos Circundantes da Argentina. Primeiramente. através de seu Parlamento. A Economic Community of West African States (ECOWAS). Invocando a nova Revisão de Segurança e Defesa Estratégica britânica. O intercâmbio de informações também visará a impedir que navios com a bandeira dos territórios ultramarinos entrem nos portos dos países signatários (Banco 2012). a Argentina defende que o objetivo do Reino Unido é. da Declaração de Ushuaia – documento aprovado pelo Congresso da Nação e que legitima a soberania argentina sobre as Malvinas. o Reino Unido continua adotando uma postura belicista. A disputa pelo arquipélago das Malvinas. ter apoio para o estabelecimento de uma presença militar em escala global (Télam 2014).3 ORGANIZAÇÕES REGIONAIS AFRICANAS Desde o anúncio da criação do Africom. a União Africana. havendo concordância em diversos temas. enquanto a Community of Sahel-Saharan States (Cen-Sad) declarou-se veementemente contrária à instalação de qualquer comando militar estrangeiro. Cristina Kirchner vem buscando fortalecer a Unasul e a Comunidade de Estados 510 . A condenação ao militarismo britânico é uma política de Estado argentina. aprovou uma recomendação a todos os governos da instituição de não aceitarem os pedidos do governo dos EUA de implementar o Africom no continente (Ploch 2011). Geórgias do Sul. através de uma base nas ilhas Malvinas. como cooperação via Mercosul e Unasul e a desvinculação dos Estados Unidos das questões regionais sul americanas. a Argentina é um dos países com maior interesse no assunto. também se opôs fortemente à criação do Africom (Nathan 2009). na sigla em inglês) emitiu declaração afirmando preferir o auxílio estadunidense “à distância”. 4 POSICIONAMENTO DOS PAÍSES No que diz respeito à questão da presença extrarregional no Atlântico Sul.

Detentor de uma das economias mais ricas da África. Possui também boas relações com os Estados Unidos. havendo inclusive uma base militar francesa em Libreville. no sentido de manter sua influência nas antigas colônias e obter benefícios disso. multilateralismo e respeito pela soberania dos Estados. reconhece a presença de potências estrangeiras no Atlântico Sul como uma ameaça à manutenção desta região como zona de paz. o atual governo do Camarões busca manter boas relações com os países africanos. o Gabão possui relações importantes com a França. A política externa do Gabão é focada na promoção de seu desenvolvimento e na cooperação com outros países. Antiga colônia francesa. o Gabão foi um dos países mais importantes para a política francesa na África pós-colonial.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations Latino Americanos e Caribenhos como instituições legítimas para a resolução de problemas regionais (Merke 2014). a China vem se inserindo progressivamente em território gabonês. No que diz respeito ao Atlântico Sul. vem aproximando-se da China. União Europeia – seu principal parceiro comercial – e. o país tem diversificado suas relações e sua participação em organizações internacionais. O Uruguai tem uma política externa baseada nos princípios de não intervenção. O governo de Pepe Mujica. sendo o petróleo responsável por 50% do PIB e 80% das exportações gabonesas (Visentini 2012). Além disso. e é uma preocupação para todos os países da região (El Día 2014). Ainda hoje. como a Comunidade Econômica dos Estados da África Central. envolvendo-se em uma série de organizações. Mbonjo 2013. capital do país. como um importante passo para a manutenção da paz e desenvolvimento local. Historicamente. Isto afeta a zona oceânica responsável pelas comunicações e atividade econômica marítima do país. principalmente em busca de recursos naturais. de 2014. a Comissão do Golfo da Guiné e a ECCAS – Economic Community of West African States – para tratar do tema (Kendemeh 2014). progressivamente. o país tem uma unidade militar especializada em segurança marítima e combate à pirataria e tem tido importante papel na segurança no Golfo da Guiné. observador da Aliança para o Pacífico. que investe em projetos de infraestrutura no país (Foreign Affairs 2014. portando. o Camarões ainda mantém importantes vínculos com a França. A nova Política de Defesa Nacional do Uruguai. bastante voltado para a questão das liberdades individuais e o desenvolvimento social de seu povo. e fomentando a integração na região centro-africana. Apesar da importante influência dos vizinhos Brasil e Argentina. havendo promovido o primeiro encontro entre a ECOWAS. de modo a contribuir para a paz e segurança em sua região e no Sistema Internacional (República 511 . Visentini 2012). entende a presença britânica nas Ilhas Malvinas como uma ameaça latente à paz na região. organização vista com relutância pelos vizinhos sul-americanos (Princeton University 2014c). inclusive acordos militares. sendo.

O país tem importantes vínculos políticos e econômicos com a União Europeia. além das diversas divisões étnicas e dos problemas decorrentes do tráfico de droga internacional entre América do Sul e Europa. com enfoque no multilateralismo e na integração regional. Portugal e o Brasil (Krieger 2014. Depois do período socialista. tem buscado a reconstrução do país. Juntamente com Cabo Verde. O governo atual de Ernest Koroma. A instabilidade política neste país. além da Zona de Desenvolvimento Conjunto – área marítima dividida com a Nigéria – onde já atuam diversas empresas petrolíferas (Visentini 2012). Além da cooperação com os Estados Unidos. Senegal e Serra Leoa. Com o início da estabilização política. A Guiné Bissau tem sua política externa pautada na questão do desenvolvimento econômico e social. principalmente se levarmos em consideração o potencial petrolífero nesta região (Visentini 2012). tem uma posição geopolítica estratégica no Atlântico Sul. principalmente Estados Unidos e Europa Ocidental e. O arquipélago de São Tomé e Príncipe. principalmente. Mauritânia. São Tomé e Príncipe realiza exercícios navais conjuntos com os Estados Unidos no Golfo da Guiné. que ainda sofre com os resultados da guerra civil. O país dispõe de importantes recursos naturais. em busca de recursos naturais. a Guiné Bissau tem desafios internos a superar. cuja economia ainda se apresenta deficitária e dependente de assistência externa (Jornal ST 2014). um dos PALOP – Países Africanos de Língua Portuguesa – e membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPLP –. A adoção de uma política multilateral e a aproximação com os países emergentes. além do potencial hidrelétrico. havendo negociações para o desenvolvimento de instalações militares navais na região (Visentini 2012). Com uma posição estratégica no Atlântico Sul. a Guiné Bissau passou a privilegiar a cooperação com os países europeus e. são pontos que favorecem a interferência de outros Estados na política guineense. principalmente com o Reino Unido. mantém até hoje relações com Taiwan. Serra Leoa tem buscado se aproximar dos viz512 . requer a extensão em 200 milhas de sua plataforma continental (MacauHub 2014). Guiné. como petróleo. o combate à corrupção e ao narcotráfico. é vista como uma estratégia para fomentar seu próprio desenvolvimento. Desde o início dos anos 1990 sua política externa está voltada para os países do Ocidente. ao invés da China. em razão das constantes instabilidades políticas e das diversas tentativas de golpes de Estados pelos quais o país passou nos últimos anos. além disso. através das reuniões União Europeia-África.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul Gabonesa 2011). Gana. Há potencial para exploração do petróleo na Zona Econômica Exclusiva de São Tomé e Príncipe. o relacionamento com a União Europeia. e com os membros da CPLP constitui prioridade para sua política externa. em Serra Leoa. por ser passagem de rotas marítimas. Visentini 2012).

UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations inhos Libéria e Guiné. evento em que os franceses destruíram a Força Aérea Marfinense. uma ação de manutenção de paz. A Costa do Marfim é um país cuja política externa é bastante voltada para os países ocidentais. Atualmente a China vem tendo uma presença crescente neste país. sobretudo pela relação do Estado com as forças armadas. 513 . Líbia. o qual adota uma postura mais anticolonialista. quando iniciou um processo de legitimação política e combate à corrupção. a França enviou cerca de 3. o governo tem buscado se aproximar dos seus vizinhos regionais e se esforçado para o progresso democrático. Apesar de ser membro da Commonwealth. Sylvanus Olympius. Costa do Marfim e Brasil (Visentini 2012. A Costa do Marfim é um país que 26 Étienne Eyadema foi um general togolês que comandou o golpe de Estado contra o primeiro Presidente do Togo após a independência da França. Irã. em 1994. as relações da Costa do Marfim com a antiga metrópole. O ponto mais importante é que o Togo de Eyadema esteve ligado à política pós-colonial francesa da Françafrique. Após a ascensão do Partido FPI (Frente Popular Marfinense) ao poder. houve forte centralização do poder. O país tem buscado diversificar o destino de suas exportações. dirigindoas não só à União Europeia. Gana. sejam elas políticas ou econômicas (Whiteman 2005). havendo forte influência francesa no processo de tomada de decisões no Togo. Apesar dos problemas territoriais existentes com Gana e Benin. Iraque. sofreram uma grande mudança. Sobretudo. Cuba e Taiwan. Durante sua gestão. devido ao golpe de 1994. de doações da ONU e investimentos na área de mineração (European Union 2014a. havendo sido uma das mais controvérsias intervenções francesas na África. até 2003. diversos países ocidentais impuseram sanções econômicas. O Togo é um país ainda muito dependente de doações internacionais e assistência externa. Holanda. ficou suspensa de alguns de seus órgãos até 2001. Visentini 2012). a intervenção francesa no conflito civil que começou em 2002. além de maior doador ao país. permanecendo no poder até sua morte. O crescimento econômico apresentado decorre da exploração de diamantes. a França. Sob o nome de Operação Unicórnio. como Nigéria. mas também para a África e a Ásia. Eyadema se tornaria o próprio presidente do Togo. fazendo com que a Gâmbia se aproximasse de países considerados párias naquela época. foi também apoiador do Governo do general Eyadema26. Nigéria e Senegal. Devido às ações violentas que se seguiram ao golpe militar. em 1967. com apoio da União Europeia. John 2012). Visentini 2012). Mantém relações estreitas com a França que.000 soldados para auxiliar a Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim. através de um projeto de integração envolvendo o Rio Mano. Posteriormente. em 2005. Os principais parceiros externos de Gâmbia são Taiwan. da União Africana e da CEDEAO – Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (European Union 2014b. ao lado de Senegal. prejudicou as relações entre estes países. Reino Unido.

A segurança no Atlântico Sul é uma questão essencial para Angola. O país é bastante dependente do setor da mineração. Apesar de sua base socialista. a política externa 514 . econômicas e securitárias. principalmente em relação à República Democrática do Congo. como o G-77 e em todos os programas destinados ao fomento da cooperação sul-sul e do diálogo NorteSul (República da Namíbia 2014). continua sendo a força política mais importante no país. e tem buscado reinserir-se regionalmente. Segunda maior produtora de petróleo do continente africano e o maior fornecedor de petróleo e maior parceira comercial da China no continente. Visentini 2012). ao lado de China. tendo como prioridade o desenvolvimento da infraestrutura do país. havendo cooperação desde os anos 1990 entre as duas Marinhas para o fortalecimento das capacidades defensivas da Namíbia. 06). como a União Africana e a SADC (Southern African Development Community). particularmente no que diz respeito à segurança marítima no Golfo da Guiné (Malaquias 2011. Com o fim da guerra civil. Visentini 2012). além do movimento dos Não Alinhados. Sobretudo. Sua política externa foca nas organizações de países em desenvolvimento. para Angola importa que os países cooperem em segurança e na estruturação de suas capacidades de defesa. com destaque para a produção de urânio (Visentini 2012). que surgiu como o movimento de libertação nacional da Namíbia. sendo o Brasil um dos parceiros prioritários de Angola. O Brasil é um importante parceiro na área naval. Desde o fim do regime segregacionista do apartheid. o partido vem abrindo espaço para uma economia mista e com investimentos externos. Angola tem uma política bastante semelhante à do Brasil no que diz respeito ao Atlântico Sul.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul se destaca regionalmente como detentora da segunda maior força econômicomilitar da CEDEAO (Africa in World Politics 2013. aproximandose dos Estados Unidos e da Europa. A SWAPO (South-West Africa People’s Organisation). Angola tem um papel chave na dinâmica do Atlântico Sul. A política externa de Angola sempre esteve voltada ao fortalecimento do país e superação das mazelas causadas pela guerra civil. além de ter realizado o levantamento da plataforma continental do país (Reis 2011). tendo em vista que a produção de petróleo e suas atividades contribuem com aproximadamente 85% do PIB angolano (Visentini 2012). Angola investe na consolidação de uma instituição de cooperação no Atlântico Sul e não é do seu interesse a presença de potências externas na região. Angola tem concentrado sua atenção na política de segurança regional na África Austral. Estados Unidos e Portugal (Kiala e Ngwenya 2011. sendo o quinto maior exportador de minérios do continente africano. A cooperação com os Estados Unidos é importante para Angola por razões políticas. A Namíbia dá bastante importância à organizações regionais. o país diversificou seus parceiros. sempre mantendo uma importante relação com o Brasil.

principalmente. Para tal. o Brasil entende que a militarização do Atlântico Sul por parte de potências extrarregionais prejudica a governança baseada nos princípios da ZOPACAS que os países costeiros têm buscado desenvolver e acredita que os mecanismos para a resolução dos problemas securitários sul-americanos e africanos devem ser regionais. o Brasil. Dentro das diretrizes da chamada “Nova Diplomacia”. e. a Marinha do Brasil. coordenou uma missão da UA no Burundi. sob o âmbito da UNASUL e da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC). em 1998. com os EUA. os BRICS e o IBAS. 2013). como SADC e SACU. Assim. lançando uma série de declarações contrárias (Ploch. declarou o apoio à Argentina no que tange à soberania das Malvinas. A Nigéria é atualmente a maior economia africana. 2008). Além disso. e um dos seus principais portos. Assim. é bastante utilizado para operações estadunidenses. o país é hoje um líder regional e coordena importantes instituições da África Austral. o Estado busca evitar a presença de potências extrarregionais no continente africano e no Atlântico Sul. mostra que o país estabeleceu o Atlântico Sul e os recursos nele inseridos como estratégicos para a consolidação plena de sua soberania (Brasil. o Estado – uma potência econômica e militar regional – é um dos líderes da integração da África Austral. 2011. com a delimitação da Zona Econômica Exclusiva brasileira e sua Plataforma Continental. Finalmente. O Brasil posicionou-se contrariamente ao restabelecimento da IV Frota desde o seu anúncio. tem atualmente como objetivo a negação do uso do mar para inimigos. a África do Sul hoje busca a resolução dos problemas africanos por parte dos próprios africanos (Visentini e Pereira 2010). o país coordenou a intervenção da SADC no Lesoto. após a instalação do Comando. um dos mais importantes atores na União Africana e na SADCBRIG. o Brasil vem tomando uma série de medidas bastante significativas para o Atlântico Sul. Na última década. o de Simon’s Town. A aprovação de legislações de defesa tornou clara a intenção brasileira de tornar o Atlântico Sul uma zona livre da presença de potências extrarregionais e cuja soberania seja dos países costeiros. em 2003. ainda que a África do Sul mantenha atualmente importantes relações com as potências europeias e. Além da entrada em blocos como o Movimento de Países Não Alinhados. a África do Sul passou a colaborar com o Africom. Quando da criação do Africom. Por se tratar de uma potência regional e liderança que busca fomentar a integração sul-americana. Por outro lado. bem como emitiu declarações contrárias ao fortalecimento do Southcom. a África do Sul foi um dos Estados africanos mais críticos ao comando. Deen. tendo superado a 515 . segundo a Estratégia Nacional de Defesa (2008). A já mencionada criação do conceito de Amazônia Azul. o controle de áreas marítimas e a projeção de poder.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations da África do Sul introduziu a Cooperação Sul-Sul como um de seus mais significativos pilares.

A partir da atualização da fórmula e do recálculo que seguiu a atualização. principalmente. tem a base dinâmica centrada no petróleo e. Um fato que torna ainda mais complexa a situação foram as informações vazadas pelo Wikileaks. e a incapacidade do governo central nigeriano de controlar e exercer a segurança na plenitude de seu território fizeram com que o princípio de responsabilidade de proteger (responsability to protect. além das sabidas Arábia Saudita e al-Qaeda estariam treinando e financiando os guerrilheiros do Boko Haram (Bowie 2012). 2013). em alguma medida. a República Democrática do Congo é ainda muito dependente de seus parceiros internacionais. o Reino Unido. Frente a isto. ou R2P) fosse discutido pela comunidade internacional. A presença de potências extrarregionais – principalmente dos dois mencionados acima – nos assuntos securitários da região do Golfo da Guiné e do Saara-Sahel ameaça. dos EUA. consequentemente. na tentativa de estabilização da RDC. Na Nigéria. O país viveu nas últimas décadas duas grandes guerras. o país recebe crescentes atenções da comunidade internacional e. além de esvaziar os mecanismos securitários de instituições como o ECOWAS. Por outro lado. A República Democrática do Congo (RDC) ainda hoje vive situação de grande instabilidade. Sua economia. Alguns dos ataques do grupo nos últimos tempos. a Nigéria foi uma de suas maiores críticas (Deen. Desde o primeiro anúncio da criação do Africom. a Nigéria foi reconhecida como tal. o país posiciona-se geograficamente cercada de países que foram colônias francesas. a presença de potências extrarregionais no 27 O reconhecimento da Nigéria como detentora do maior PIB africano em 2014 se deu porque o Estado não atualizava a fórmula do cálculo do seu Produto Interno Bruto desde a década de 1990. dentre os quais se destaca o sequestro de 230 meninas no nordeste do país. a liderança que a Nigéria tem buscado promover na região. a RDC posiciona-se de maneira a preferir uma arquitetura institucional e securitária formada pelos atores regionais.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul África do Sul no primeiro semestre de 201427 (The Economist 2014). nas quais estavam envolvidos diversos países e grupos militares não estatais. Além disso. é grandemente dependente do setor de exportação. no século XXI tem crescido a atuação do grupo extremista Boko Haram28. a qual foi renovada em março de 2014. Atualmente. Assim. dentre os quais muitos ainda sofrem grande influência da França. 28 O Boko Haram é um grupo jihadista que emergiu na década de 2000. que afirmavam que a Central Intelligence Agency (CIA). O Estado congolês possui uma série de debilidades institucionais. no primeiro semestre de 2014. a ONU está presente no país por meio da sua missão MONUSCO. Por deter a maior reserva e produtora de petróleo na África e por ser atualmente uma das principais fornecedoras do recurso para os Estados Unidos. 516 . entretanto. Deste modo. a questão da presença de potências extrarregionais é de grande importância à Nigéria. incluindo a falta de monopólio da coerção interna ao país (Silva 2011).

recebeu uma missão observadora da ONU durante a década de 1990. A Guiné Equatorial tem se destacado nos últimos anos no cenário internacional. pois o país recebe uma quantidade significativa de ajuda em capacidades militares e treinamento do Comando. principalmente da Costa do Marfim e da Guiné. o país mantém boas relações com Estados europeus e com os EUA. apesar de viver situação de relativa estabilidade desde 2003. a Libéria é atualmente uma das grandes defensoras do Africom e da instalação de bases estadunidenses no continente africano (Pajibo e Woods s. porém. a presença de outros países ou intervenções externas dentro do seu território tem sido relativamente recorrente na história recente da Libéria. sendo a ExxonMobil e a Chevron as mais relevantes. Atualmente. Historicamente.). Bush. os EUA são o principal parceiro econômico da Guiné Equatorial. Exemplo disso é a relação entre a Guiné Equatorial e o Africom. Já o Benim tem postura pare517 .). o país se tornou o terceiro maior exportador de petróleo na África. sofre com diversos conflitos internos e com o transbordamento de conflitos regionais. Doe. mais especificamente. após a eleição de Ellen Johnson Sirleaf. o atual presidente do país. da Espanha e da Itália (Emerging Equatorial Guinea 2014). O país passou por uma intervenção da ECOWAS e. aos Estados Unidos. os quais representam grande parte das receitas do Estado. As relações do país com os EUA são bastante profundas. O governo acredita que o Comando pode unir os interesses dos EUA e dos países africanos ao tentar montar uma estrutura de segurança para o continente (Sirleaf 2007). Além disso. O país tem um histórico complicado com potências extrarregionais desde sua independência em relação à Espanha. e o maior destino do recurso são os Estados Unidos (Visentini 2012). Assim. No governo de Ronald Reagan. Por outro lado. Durante a última década. O Estado africano. Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. pois os EUA passaram a cooperar para a reestruturação do exército liberiano. As relações ganharam nova força na administração de George W. houve um significativo aprofundamento destas quando os EUA passaram a treinar e financiar as Forças Armadas do então chefe de Estado. Além disso. principalmente na área de infraestrutura. posteriormente. seguido da China. além de grande parte das empresas petrolíferas que atuam no país serem estadunidenses. Com os recursos econômicos obtidos com o petróleo. a Libéria tem sua política externa alinhada ao Ocidente e. o país africano tem buscado se modernizar. principalmente a partir da empresa militar privada DYNCORP – a qual não tem tido grande sucesso na função (Pajibo e Woods s.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations Atlântico Sul é vista com receios por parte do Congo.d.d. principalmente no que tange às relações militares. pois esta foi obtida com uma série de controvérsias. bem como condenou a presença de potências extrarregionais no país (Lewis 2011). já lançou uma série de declarações criticando a presença e a interferência externa nos assuntos internos à Guiné Equatorial. Samuel K.

O Estado também lidera um grupo com seis outros países – Guiné Bissau. e o pedido já recebeu apoio de países como Portugal e Noruega (MacauHub 2008).fato materializado. O estudo para o requerimento foi feito em parceria com o governo da Noruega. O Senegal tem hoje uma política externa voltada para as potências ocidentais . O Comando estadunidense também tem tido atuação relevante com a execução de exercícios para a defesa dos recursos minerais offshore ganenses (Brown 2013). o país tem se mostrado um grande parceiro dos EUA na Guerra ao Terror. Guiné. principalmente na área de construção de capacidade operacional para o país (Brown 2013). Mauritânia. A França e o Senegal mantêm relações bastante íntimas e complexas. num significativo aprofundamento das suas relações com a ex-metrópole. o país. mas atualmente é um importante parceiro dos Estados Unidos no continente e tem se beneficiado dos programas de ajuda do Africom. França (Sall 2013) e com os Estados Unidos. John Koufur (Visentini 2012). O país é um grande receptor de ajuda do Africom.Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul cida. com diversas tentativas do país para ingressar na OTAN e na União Europeia. A política externa de Cabo Verde. A presidência pró-tempore da ZOPACAS é atualmente exercida por Cabo Verde. Apesar da tradição histórica de não alinhamento de Gana. Visentini 2012) e um Cooperative Security Location do Africom. entretanto. como na ZOPACAS (InfoPress: Agência Cabo-Verdiana de Notícias 2012). Senegal e Serra Leoa – que atualmente requer a extensão em 200 milhas de sua plataforma continental (MacauHub 2014). principalmente em organismos internacionais. além de comportar o principal centro de treinamento de tropas de paz nas proximidades da capital. a qual fora fechada em 2010 por questões econômicas do país europeu (Brown 2013). sob a justificativa de não ter capacidades para defesa própria (Visentini 2012). especialmente no governo do ex-presidente. iniciada com o líder nacional Kwane Nkrumah. Acra (P. tendo a França mantido uma de suas mais importantes bases na África no país por 50 anos. F. Além disso. Exemplos disso são o fato de o Senegal ter assinado Bilateral Immunity Agreement de proteção para militares dos EUA. a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a União Africana (A Nação 2014). com ênfase no contraterrorismo. Ademais. desde 1990. sendo sede da terceira maior embaixada estadunidense no continente africano. O país é um dos mais influentes na região e um dos grandes apoiadores da ECOWAS. ter sediado a conferência na qual foi assinado o Pacto 518 . aproximou-se significativamente da Inglaterra e dos Estados Unidos. Gana. esteve historicamente voltada para a Europa. O país tem aumentado sua atuação no Atlântico Sul nos últimos anos e tem formulado uma política externa mais ativa. o país tem recebido ajuda do comando para a formulação da sua estratégia marítima (Brown 2013). principalmente.

a maior reserva mundial de bauxita e é responsável pelo fornecimento de 24% das importações estadunidenses do recurso (Arieff 2011). do Sahel e do Magreb. De que forma os países membros podem fortalecer sua soberania e autonomia via projetos de cooperação e desenvolvimento da região do Atlântico Sul? 2. No final da década passada. em 2001. Além disso. atualmente. os EUA serem o maior contribuinte em recursos econômicos do país e. segue uma linha de maior cooperação com as grandes potências. 5 QUESTÕES A PONDERAR 1. finalmente. o país é membro do TransSaharan Counterterrorism Partnetship. A Guiné detém. programa desenvolvido pelos Estados Unidos com o objetivo de combater o terrorismo na região do Saara. Seu atual presidente. entretanto. ou da manutenção da área livre de ingerências extrarregionais? 3. afinal. declarou que entenderia a presença de tropas extrarregionais no país como uma declaração de guerra (Sidiqque 2009) e que entraria em combate com as forças internacionais que interviessem no Estado (Jean-Matthew 2009). os Peace Corps estadunidenses estão presentes no país desde 1962 e o país assinou. A Guiné.UFRGSMUN | UFRGS Model United Nations Africano contra o Terrorismo. o Estado viveu um momento conturbado. em 2002. Já a Guiné tem uma relação complexa frente a intervenções externas no país. os EUA têm atuado fortemente na reforma das Forças Armadas que tem ocorrido na Guiné (Arieff 2011). Alpha Condé. na então administração do militar Moussa Daddis Camara. Que tipo de medidas podem ser adotadas pela ZOPACAS de modo a fortalecer sua capacidade de resposta conjunta em uma situação de ameaça à soberania de algum dos membros. durante o qual fora cogitado pela comunidade internacional o envio de tropas de potências extrarregionais para a estabilização do país. milhares de soldados senegaleses terem recebido treinamento pelo State Department’s Africa Contingency Operations Training and Assistance. um acordo com os Estados Unidos para aprovar a presença de pessoal militar e civil para o treinamento das Forças Armadas guineenses (United States Department of State 2013). pois entende que estas exercem um papel fundamental para o desenvolvimento da Guiné. Até que ponto a presença de potências extrarregionais pode ser aceita de modo a contribuir para a manutenção da segurança no Atlântico Sul? 519 . Ademais.

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