O que é a tal Democracia

Quanto mais estudo a História da Grécia, mais me espanto com o seu progresso e com sua
Evolução em termos de civilização.

Uma civilização sem par
A medida do Grau de Evolução de uma Civilização é o Volume de Conquistas SóciopolíticoTecnológicas em relação ao Conhecimento disponível. Com o pouco de tecnologia que tinham ao
seu dispor, os Gregos fizeram até mais que os romanos. E fizeram tal coisa devido aos expoentes
intelectuais que dispunham, como:

• Aristóteles
• Arquimedes
• Ctesíbio
• Demóstenes
• Heron de Alexandria
• Pitágoras
• Platão
• Sócrates
• Tales de Mileto

Apenas 3 invenções deste povo atestam a sua capacidade técnica:
• Máquina a vapor de Heron de Alexandria
• Pistão de ação dupla de Ctesíbio
• Máquina de Anticítera, cujo inventor é desconhecido

Vejam que sem os nossos modernos tornos eletrônicos de precisão, estes gregos puderam
construir estes dispositivos complexos.
No entanto, máquinas apenas ajudam uma civilização a crescer econômica e intelectualmente
para o lado técnico. E o lado filosófico ?

Aristóteles e Platão
Aristóteles e Platão se preocuparam, dentre outros temas, com os problemas políticos. Os gregos
tratavam a política como também uma arte, e não como uma obrigação maçante.

um ser de alta periculosidade para a Cidade. Foram precisos 24 séculos para que a mulher parasse de ser tratada como escrava da casa. ele já criticava a igualdade de tratamento para com o escravo e a mulher. onde ele analisa o Estado e o seu Governo." Portanto. estaria sempre pronto para cair sobre os outros. no século IV a. É de se surpreender que a Europa tenha passado... . Complementamos esta afirmativa com este pensamento de Homero sobre o homem sozinho: "Um ser sem lar. se interessar novamente por este regime político. para a Sociedade e finalmente para a Democracia. Ambos lançaram as bases para que se pensasse. para somente sob a influência da Revolução francesa. não sendo detido por nenhum freio e. foi escrita no século IV a.C. sem família e sem leis" E a opinião de Aristóteles a respeito deste ser: "Aquele que fosse assim por natureza só respiraria a guerra. como uma ave de rapina. Então devemos nos lembrar destes dois princípios. pelo menos nas nossas modernas sociedades. sendo organizada não apenas para conservar a existência. depois disto. A Política de Aristóteles Vejam o que diz Aristóteles em sua obra "A Política". mais tarde. além de sanguinários. mas também para buscar o bem-estar". numa visão bem teórica. no século XVI d. Aristóteles escreveu o livro "Política".C.C. na DEMOCRACIA. como solução para a vida em sociedade. a respeito da Cidade e da Sociedade: Sobre a finalidade da Cidade: "reunir as pessoas que não podem passar umas sem as outras" e da Sociedade "A sociedade que se formou da reunião de várias aldeias constitui a Cidade. que tem a faculdade de se bastar a si mesma. em nossa discussão. Esta segunda afirmativa Aristóteles faz para dizer que o homem é um "Animal Cívico". Vejam bem. por tantos sistemas de governo centralizados e arbitrários. vejam bem.Platão escreveu o famoso livro "A República".

de mais intolerável do que a injustiça armada.E acrescenta: "Mas. Onde se diz que algo fere a lei. A própria vida é uma espécie de dever para aqueles a quem a natureza a deu e. Aristóteles acrescenta um valor humano à esta convivência: "Aqueles. como dissemos desde o começo ao falarmos do governo doméstico e do dos escravos. Reunimo-nos. pelo contrário. mesmo que não tivéssemos necessidade uns dos outros. A Lei. Assim. assim como o homem civilizado é o melhor de todos os animais. comum a todos e a cada um em particular. um animal feito para a sociedade civil. é um motivo suficiente para permanecer em sociedade. o nosso fim principal. Seu uso só élícito para a justiça. Algumas leis aplicáveis à sociedade Romana. como reguladora da Sociedade de uma Cidade. de um país. Servir-se delas sem nenhum direito e unicamente para saciar suas paixões rapaces ou lúbricas é atrocidade e perfídia. Não há nada. que se propõem dar aos Estados uma boa constituição prestam atenção principalmente nas virtudes e nos vícios que interessam à sociedade civil. "friamente". aquele que não conhece nem justiça nem leis é o pior de todos. distorce e confunde o sentido da letra da lei ao seu favor. A finalidade do Estado. no tempo do Império Romano. e por extensão. Por si mesmas. como a adoração ao Imperador. por sua natureza. as armas e a força são indiferentes ao bem e ao mal: é o princípio motor que qualifica seu uso. portanto. não deixaríamos de desejar viver juntos. sobretudo. pois o nosso tempo. quando não é excessivamente cumulada de misérias. no entanto os governantes Romanos fizeram algumas concessões à Judéia. o interesse comum também nos une. Um bom exemplo foi o que aconteceu na Judéia. Na verdade. segundo Aristóteles Segundo o próprio Aristóteles: "O homem é. os oportunistas misturam Fatos e Conceitos exógenos ao que diz a lei. A Lei do Império deveria valer para toda a região geográfica que ele ocupava. E o principal motivo foi a falta de reconhecimento da Liberdade Religiosa. pois cada um aí encontra meios de viver melhor." Temos que frisar o DISCERNIMENTO. O discernimento e o respeito ao direito formam a base da vida social e os juízes são seus primeiros órgãos. com seus políticos que não tem em si a base filosófica necessária." Mesmo com a finalidade de viver em comum. só é aplicável aquela Sociedade em particular. não se coadunavam com a sociedade dos hebreus que ali residiam. e não há nenhuma . Eis. mesmo que seja só para pôr a vida em segurança.

. A tirania não é. membro da elite Grega. não imaginamos que um dia alguém possa ter citado que a Democracia podia ser uma forma "degenerada" de alguma forma de governo. eles não viam este conceito com justos olhos. Esta falta de visão é tanta. pois nem uma Cidade e nem um País se mantém sem a Economia. para a utilidade dos ricos. porém. fazem a riqueza circular. não pensamos. A primeira citação de Democracia Na primeira vez em que Aristóteles fala de Democracia. para que na Democracia. pode ver a coisa desta forma. conselheiro dos poderosos. ademocracia. Seu ponto de vista é descrever o ajuste do Estado como uma máquina que funcione da melhor forma POLÍTICA possível. ao contrário dos que tem uma visão romântica e de perfeccionismo dos filósofos gregos sobre Política e Democracia. de fato. que tem ao seu dispor o Capital e os Meios de Produção. Somente após a Revolução Industrial é que os teóricos da Política e Economia passaram a se preocupar com os aspectos Econômicos na Política. senão a monarquiavoltada para a utilidade do monarca. mas tão somente os meios da organização Política. vejam o que ele diz: "Estas três formas podem degenerar: a monarquia em tirania. que no tópíco "Partilha de Bens" ele afirma: "Se o país deve pertencer aos homens de guerra e aos que governam o Estado. Os ricos. A falta de visão empresarial de Aristóteles No tópico "Os Elementos Necessários à Existência da Cidade" deste livro." Isto mesmo. Aristóteles. a Sociedade Civil." O leitor se surpreendeu ? De tão acostumados a achar que a Democracia é um verdadeiro remédio político milagroso.dúvida de que a verdadeira Cidade (a que não o é somente de nome) deve estimar acima de tudo a VIRTUDE. a república em democracia. para a utilidade dos pobres. que todas as riquezas devam ser comuns. os pobres se beneficiem. Mas ele confessa o porquê: a Democracia tem utilidade para os pobres. como alguns." Portanto. unida e regulada pelas Leis deve "estimar acima de tudo a VIRTUDE". a oligarquia. Mas não podemos dizer que ele está errado. Aristóteles não menciona os Recursos Financeiros e nem Meios Produtivos em seus 6 elementos para que uma Cidade possa existir. Havia a convicção comum de que uma elite sempre deveria ficar com a maior parte dos bens. a aristocracia em oligarquia.

Democracia é o governo dos pobres. Ao longo do tempo a ênfase quantitativa deturpou a qualitativa. se são os pobres. Mais uma vez. e de sua ótica em relação ao Estado e à Democracia. sem informação. sujeitos aos "toma lá. é impossível colher a opinião de qualquer assunto Político a ser decidido de cada um dos membros do povo. pois uma coisa sempre será verdade: OS POBRES SEMPRE SERÃO CONTADOS EM MAIOR NÚMERO EM QUALQUER ESTADO Da leitura cuidadosa de Aristóteles. constatamos que ele se preocupa apenas com o número para escolha de governo. quer formem a minoria ou a maioria. . dá cá". A Democracia de Sartori Podemos resumir o pensamento de Sartori a respeito de Democracia da seguinte forma: Dada a complexidade da categoria tomada de decisões. nem ele nem seus contemporâneos experimentaram a Democracia com representatividade da maioria de menos abastados. Ora. será sempre a oligarquia. constatamos o resultado da prevalência da quantidade sobre a qualidade. Assim. Por isto o instituto da Representatividade. Mas todos podem ser livres. Ou seja. Para Aristóteles. diz Sartori. a fim de diminuir o peso exclusivo dos números no processo seletivo. A isto somamos uma pressão de valores. Aristóteles viveu em uma época em que uma elite controlava a Política que servia a muitos. muitos Senadores e Deputados sem cultura. no Senado e na câmara. se são os ricos que comandam. a administração da coisa pública é disputada pela liberdade e pela opulência.Ele aponta as diferenças quanto ao tipo de composição da população de um Estado: "Assim. é um acaso muito raro que haja poucos pobres e muitos ricos. sem trato. tornando a democracia um regime cuja má seleção parece inevitável." Observem bem como chegou até nós o conceito de Democracia como governo da maioria. a maioria decide apenas “quem vai decidir” e não possui poder deliberativo para questões políticas concretas. vendendo os seus votos por milhões de reais aos interessados. Em termos práticos. A sociedade concebeu uma democracia representativa sem a manifestação do valor e ainda tornou os ideais hostis – sobretudo na década de sessenta – ao modelo de representação. a democracia. sem articulação e sem opinião. E. o procedimento da maioria deve ser reservado apenas ao contexto eleitoral.

já ocorre com as nossas leis à medida em que se acrescentam os Estatutos da Criança e do Adolescente. meteram os pés pelas mãos. 30). Isto. a Democracia brasileira tem. como forma de governo: "Afirmo preliminarmente que o único modo de se chegar a um acordo quando se fala de democracia. a regra da maioria vale apenas para o cálculo dos votos em uma democracia prática. Isto fica claro em nosso sistema partidário. De certa forma. na Constituição. 2009. tanto interna como externamente. as regras para que possa estar enquadrada no conceito deste filósofo Italiano. Estatuto do Idoso e outros que contemplam grupos da população. pois os representantes eleitos ficam sujeitos aos interesses das agremiações partidárias às quais são filiados. de certa forma. pois estipula um conjunto de regras para estabelecer quem pode tomar decisões coletivas. A Democracia de Bobbio Segundo sua própria citação. Na concepção de Bobbio. coisa impossível na prática. Os Democratas Socialistas e Comunistas do início do Século XX Não se espantem. e ai está a operação Lavajato para o corroborar. mas achando que o proletariado era a maioria a ser abordada. isto é. . eis como Bobbio coloca sua visão sobre Democracia. entendida como contraposta a todas as formas de governo autocrático. não podem estar ligados a interesses particulares. Trotsky e Kautsky eram democratas. Como é impossível instalar uma democracia direta nos Estados modernos devido à complexidade da sociedade. estabeleceu-se a representatividade do poder.A Democracia de Dahl Robert Dahl prefere o conceito de Poliarquia (governo de muitos) ao de Democracia." (BOBBIO. Esta Poliarquia se realiza no aumento dos direitos individuais. mas Lenin. p. sejam maiorias ou minorias. que vão garantindo aos poucos os interesses de grupos da população. Todo grupo social está obrigado a tomar decisões vinculatórias para todos os seus membros com o objetivo de prover a própria sobrevivência. Bobbio é o único que evoluiu do pensamento de Aristóteles para algo que tivesse chances de funcionar. é o de considerá-la caracterizada por um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar decisões coletivas e com quais procedimentos. mas eles estão voltados à ideia de Revolução do Proletariado. Ele sustenta que os representantes eleitos não podem exercer mandatos imperativos. e os efeitos puderam ser claramente percebidos ao longo do século XX. Pode-se identificar conceitos Democráticos na obra de Karl Marx.

Mas a realidade impõe uma mudança ao se encarar a liberdade. Sartori e Kelsen reconhecem uma Democracia "de minuto". ele teria uma ideia mais elaborada para Democracia. No entanto. Sua ideia foi testada e reprovada pelos tempos. por ter vivido numa sociedade elitista e escravocrata. bem como o reconhecimento do estabelecimento de uma coisa chamada "Estado" como algo muito adequado. apesar da pujança intelectual de sua civilização. confundiram Democracia com Ditadura do Proletariado. Os "democratas" do início do século XX. Comparando as visões Consideremos a visão de Aristóteles como sendo inadequada no seu todo. Daí ser o parlamentarismo a forma mais adequada sugerida por este filósofo político. algo possível se cada grupo de iguais puder ter a mesma representatividade partidária. Durante o período em que os representantes exercem o cargo representativo. Fiquemos com a sua visão sobre os motivos que levaram os homens ao estabelecimento de uma sociedade em que se reconhece a utilidade do "viver juntos". A liberdade natural se transforma em liberdade social ou política. por sermos iguais. gerando a morte de muitos milhares de pessoas. que significa sujeitar-se a uma ordem normativa da qual o sujeito participe. mesmo na democracia direta. se tivesse vivido após os anos 1880.A Democracia de Kelsen Kelsen afirma que a ideia de democracia exige duas abordagens de nossa razão: (1) as exigências de liberdade e igualdade e (2) a aversão a se submeter ao seu igual. ela existe como algo fugaz num tempo determinado: a hora do VOTO. ou seja. a liberdade do cidadão dura apenas o momento do voto. A melhor ideia parece ser a do italiano Norberto Bobbio. parece que a maioria não consegue mudar as coisas pela exigência dos novos tempos. que ninguém deveria mandar em ninguém. apesar de ter sido exarada da maioria qualificada por sentir o problema na carne. Assim. segundo Kelsen. passa para a autodeterminação política do cidadão. Assim. Robert Dahl prefere a Poliarquia à Democracia. notadamente na Rússia. pois a decisão acaba nas mãos de uma minoria. sendo a dominação inevitável. que da ausência absoluta de domínio. e isso se votou com a maioria. ainda que através da representatividade política. na qual o sistema constitucional estabelece um conjunto normativo para determinar os limites dentro dos quais cada um pode . o homem quer ser dominado por ele mesmo. Talvez. O princípio democrático da liberdade parece não ter sido atendido.

e os números da balança comercial brasileira o corroboram: os empresários. o mecanismo da representatividade deve regular esta desproporção para impedir que os interesses destes grupos prevaleçam. • Os eleitores. com uma Democracia Constitucional. portanto vamos restringir nossas conclusões a . ou o desempregado. ou os atletas. podemos estabelecer a Democracia dos Sonhos. Esta falha pode ser resolvida pelos itens (2) e (5) de nossa lista da Democracia dos Sonhos. • Um grupo de minoria numérica tem sido prejudicado. Se a maioria corresponder a um grupo bem identificado (como o trabalhador. todos os teóricos da Democracia falham por serem excessivamente focados no Social e no Político. vem representando o interesse de um grupo numeroso. Conclusão para os anos 2012-2016 Muito se pode concluir do que aqui foi colocado. Novamente. por exemplos). 5. Como bem diz Bobbio. O Sistema Partidário A "Democracia" brasileira tem funcionado como um laboratório para a Democracia Constitucional. mas que tem um interesse: os trabalhadores. 2. propositalmente fragmentados. A intervenção do cidadão não deve se restringir unicamente ao momento do voto. Daí a titular do executivo brada aos quatro ventos que foi eleita com 54 milhões de votos. O caso Brasil Segundo as visões aqui apresentadas. A ideologia do Partido também pode falsear as aspirações dos seus representados.exercer o seu direito. 4. são restritos ao momento do voto. o detentor do mandato não pode estar vinculado a interesses de grupos. no entanto. parece que a melhor Democracia repousa nas ideias de Bobbio. bem como seus membros expoentes. a "Democracia" brasileira tem pecado por: • Alguns partidos. Seu ponto fraco reside. Os representantes do povo devem poder ser removidos. Os manifestantes estão indo contra a presença de manifestantes dos Partidos. 3. no Sistema Partidário. Com base nestas visões. em seu exercício democrático. A Democracia deve ter normas. expressa nos seguintes requisitos: 1. • Assim como Aristóteles. sem ter uma visão empresarial do Estado. assim como todo Sistema Político tem leis. O mecanismo da representatividade deve ser aquele que balanceie os interesses da maioria com o das minorias. quando ferirem os interesses dos seus representados.

e até acham que ela não deveria existir. tal qual bonecos programados. a palavra Democracia. Dar ao povo a prerrogativa de exercer a Democracia não só no momento do voto. Conclusão sobre a Democracia O povo brasileiro repete. Focar sua ação não apenas em um grupo da maioria (os pobres). Nossa Constituição tem. e sim continuamente. . uma visão empresarial. sua história. Acontece que alguns partidos. mas desconhece sua origem. suas falhas e as proposições apresentadas ao longo do tempo para tentar minimizar seus efeitos deletérios quando é mal interpretada. que arregimentam maiorias. pasmem. Nossa chefe do Executivo se recusa a: Aceitar que a Democracia é ferida quando se erra na abordagem empresarial. que no entanto correspondem a grupos. não tem esta visão. pois prevê o ferimento da Democracia quando o Orçamento é desobedecido.um tempo compreendido entre 2012 e 2016. se atendo apenas ao PolíticoSocial.