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1 INTRODUÇÃO

Pesquisar sobre a segurança pública brasileira talvez seja um dos mais
audaciosos desafios da atualidade, principalmente no contexto da sociedade
brasileira. No que tange à função da Polícia Civil, tais desafios não são diferentes.
Desde o momento em que formam-se novos Policiais através do processo seletivo
do tradicional concurso público, surgem novas expectativas para a sociedade em
termos de segurança pública, para a Polícia Civil e para os próprios Policiais recémformados. No entanto, com a passar do tempo, muitas dessas expectativas tornamse em frustrações, principalmente para os Policiais, uma vez os seus direitos são
violados e suas condições de trabalho tornam-se cada vez mais precária,
estressante e perigosa.
A Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte possui uma característica
impar sobre a questão da segurança pública do Estado. Por possuir uma função
peculiar de investigação, necessita-se que seus profissionais estejam preparados
para o exercício de suas funções, tanto em termos de habilidades e competência,
quanto no quesito de segurança e estabilidade emocional.
No entanto, percebe-se que o Estado não oferece o suporte necessário para
estes profissionais, desrespeitando inclusive seus direitos garantidos pelo Novo
Código Civil e Constituição Federal, principalmente no que diz respeito às
verdadeiras funções das delegacias de polícia existentes em todo o estado do Rio
Grande do Norte, contribuindo dessa forma, com a perda do rendimento funcional
desses profissionais, além de causar uma grande dose de estresse no que diz
respeito ao pleno exercício de suas funções.
Tais considerações são concretizadas a partir da percepção do próprio
pesquisador, uma vez que o mesmo atua neste ambiente de pesquisa, como policial
civil em uma das delegacias do Estado, mais precisamente no município de
Parnamirim/RN, em um ambiente onde se encontra aproximadamente 100 detentos,
atuando, na maioria das vezes, como carcereiro, dormindo durante a noite na
cobertura da delegacia para evitar a fuga de presos. Além dessa inconveniência, nos
horários de visita, tornava-se impossível revistar as mulheres, uma vez que não
havia agentes femininas na sua equipe e, como a viatura passava boa parte da
semana sem gasolina e apresentando problemas mecânicos, torna-se praticamente

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impossível providenciar mais agentes para aquele distrito ou realizar qualquer
atividade neste sentido.
Todos estes imprevistos contribuíam bastante para o aumento do estresse
neste ambiente de trabalho, diante da impotência dos profissionais quanto ao
exercício da sua função como policial civil, diante da impossibilidade de poder
garantir a segurança pública da sociedade, no que diz respeito ao ofício da sua
função.
Diante desta realidade, esta pesquisa científica visa observar a questão da
segurança pública no Estado do Rio Grande do Norte e o nível de estresse neste
contexto, presentes no ambiente de trabalho da Polícia Civil, analisando suas
possíveis causas e consequências. Para que este objetivo seja alcançado, torna-se
necessário discorrer acerca dos principais conceitos sobre a segurança pública e a
sua importância para a sociedade, através de um referencial teórico que possa
relacionar a segurança pública, a Polícia Civil e a questão do estresse no ambiente
de trabalho, para a posteriori analisar a principal problemática da segurança pública
versus estresse ocupacional através de jurisprudências, dissertações e teses sobre
este assunto. Finalmente, necessita-se tecer algumas considerações finais sobre os
resultados observados para, caso seja necessário, propor algumas sugestões que
possam contribuir para a administração ou minimização do estresse neste ambiente
de pesquisa.
A sua viabilidade pode ser comprovada diante do seu valor psicossocial e
científico, uma vez que tanto a sociedade quanto qualquer profissional, graduando
ou interessados no assunto, podem se beneficiar dos resultados obtidos a partir
desta pesquisa, dando continuidade a este importante estudo. Além do mais, tratase de um estudo de fácil acesso às informações e dados necessários, uma vez que
o pesquisador faz parte diretamente do contexto da pesquisa, possui um baixo custo
diante da possibilidade de se colher as informações in loco, além de ser de grande
interesse para o próprio pesquisador, diante da sua afinidade com o conteúdo da
pesquisa e desejo de poder futuramente se aprofundar um pouco nesta
problemática.

2 SEGURANÇA PÚBLICA: PRINCIPAIS CONCEITOS

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2.1 A SEGURANÇA PÚBLICA E A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA
A segurança pública brasileira tornou-se questão de responsabilidade para o
Estado, teoricamente falando, desde o advento da Constituição Federal de 1988,
quando observa-se no caput do seu artigo 144 o seguinte texto:

Art. 144 – A segurança publica, dever do Estado, direito e responsabilidade
de todos, é exercida pela preservação da ordem pública e da incolumidade
das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I – polícia federal;
II – polícia rodoviária federal
III – polícia ferroviária federal
IV – polícias civis
V – polícias militares e coro de bombeiros militares. (BRASIL, 2002).

No que compete a Polícia Civil, encontra-se neste mesmo artigo, no seu
parágrafo 4º o seguinte texto:

§ 4. às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira,
incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia
judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.

No entanto, torna-se relevante observar que esta segurança pública como
direito de todos os cidadãos, tem a sua fundamentação no capítulo I, artigo 5º da
própria Constituição, quando observa-se o seguinte texto:

Art. 5. Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade (...). (BRASIL, 2002).

Diante do exposto, observa-se que, como parte d sociedade, todos são
conscientes dos seus direitos e deveres, como também, sobre o que compete ao
Estado em relação á preservação de seus direitos como cidadão.

2.2 POLICIAL CIVIL: SERVIDOR PÚBLICO VERSUS SEGURANÇA PÚBLICA

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O policial civil do Rio Grande do Norte é amparado pela Lei Complementar
n. 270, de 13 de fevereiro de 2004, e pela Constituição do Estado do Rio Grande do
Norte, mais precisamente o seu capítulo VII que trata da segurança pública do
Estado.
Neste contexto, quando o policial civil ingressa no serviço público através de
concurso, este a priori sente orgulho em saber que a sua principal função é
contribuir com a segurança pública do seu Estado, segundo suas competências,
além da certeza de um emprego estável, garantido pela própria Constituição
Federal.
Este tipo de entusiasmo e orgulho ao mesmo tempo, impede o Policial
durante o seu ingresso à Polícia Militar, de encarar a verdadeira realidade do que
significa segurança pública em um país como o Brasil, onde o índice de
criminalidade atinge patamares difíceis de serem controlados, diante de um
segmento desestruturado do Estado, responsável pela segurança nacional, onde
não garante ao menos a seguranças de seus representantes, ou seja, dos próprios
órgãos Policiais garantidos pela Constituição.
Essa realidade sempre oculta diante da necessidade de trabalho e qualidade
de vida, sempre surgiu como uma carrasca para muitas categorias de profissionais
desde os primórdios da Era Industrial, quando já se observava características
anteriormente desconhecidas, tais como, exigência de tempo e de ritmo de trabalho,
exigências estas denominadas como fisiológicas, descobertas durante a introdução
do taylorismo, mais precisamente entre a Primeira Guerra Mundial e o início da
década de 1970, onde o trabalho intelectual passa a ser separado do trabalho
manual, neutralizando-se a atividade mental dos operários. Diante destes
acontecimentos, Dejours (1992, p. 19) defende que:

Desse modo, não é o aparelho psíquico que aparece como primeira vítima
do sistema, mas sobretudo o corpo dócil e disciplina, entregue, sem
obstáculos, à influência da organização do trabalho, ao engenheiro de
produção e à direção hierarquizada do comando. Corpo sem defesa, corpo
explorado, corpo fragilizado pela privação de seu protetor natural que é o
aparelho mental. Corpo doente, portanto, ou que corre o risco de torar-se
doente.

Analisando a fala do autor acima, surge uma questão fácil de ser
respondida, porém bastante relevante para esta ocasião: o que o Policial civil tem a
ver com tais acontecimentos e, mais precisamente, com este tipo de separação de

quase nada pode fazer diante da falta de estrutura em sua volta. 3 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: ENTRE O REAL E O IDEAL . consequentemente. “vigiar seus presos” que se encontram amontoados nas delegacias de polícia. mesmo possuindo condições de utilizar o seu trabalho mental. quase nada pode fazer diante da falta de estrutura em utilizar o seu trabalho mental. motins ou fugas em massa.14 trabalho existentes nas classes operárias. no “chão de fábrica” das indústrias? Aparentemente. efetuar prisões e. ao observar que o policial civil cumpre a sua função. segundo as ordens previamente estabelecidas e que. para que não aconteçam rebeliões. fazer diligências. No entanto. cabe a este profissional apenas o dever de investigar. parece ser uma colocação deslocada neste discurso.

necessita-se primeiramente discursar acerca do que se pode definir como qualidade de vida no trabalho nos dias atuais. seu real valor para a sociedade. pensamentos e metas devem ser considerados e utilizados como mola propulsora no sucesso da própria organização. primeiramente. principalmente por saber que prestou exame classificatório e seletivo entre muitos outros candidatos.15 Uma das principais metas de qualquer profissional ao ingressar no mercado de trabalho é garantir uma qualidade de vida melhor para si e para seus familiares. o maior fator de produção ou combustível capaz de fazer a empresa alcançar seus objetivos são as pessoas que nela trabalham. p. 38): Qualidade de Vida no Trabalho é ouvir as pessoas e utilizar ao máximo sua potencialidade. e procurar criar condições para que as pessoas. em se desenvolvendo. 43) o seguinte enunciado: “quando o trabalhador não se sente integrado e aceito em seu ambiente de trabalho. trabalhar pela empresa”. tais como: registro de boletins de ocorrência. Com outros títulos em outros contextos. Antes de aprofundar neste fenômeno social. uma vez que ela só existe de fato apenas na teoria. 76) defende que a Qualidade de Vida no Trabalho tem sido uma preocupação do homem desde p início da sua existência. Buscando-se complementar o conceito acima sobre esta temática. o que as pessoas pensam. etc. 1996. e utilizar ao máximo sua potencialidade é desenvolver as pessoas. compreende-se algumas atitudes entre Policiais civis. tende a cuidar. Na realidade. p. o que as pessoas querem. se sobrar tempo. p. pode-se encontrar em Aquino (1980 apud FERNANDES. Sobre a questão da necessidade de Qualidade de Vida no Trabalho. quando encontram-se desmotivados e desacreditados sobre a sua verdadeira função. por exemplo. Segundo a opinião de Carneiro (apud FERNANDES. Rodrigues (2002. . principalmente quando esta última busca seus serviços nas delegacias. como forma de garantir algo mais estável. ao passar do tempo essa qualidade de vida tão almejada se transforma para muitos em pesadelo. Como já foi discutido anteriormente. o Policial civil possui o mesmo ideal. Ouvir é procurar saber o que as pessoas sentem. Seus anseios. Não adianta pensar em qualidade de vida no trabalho observando apenas as mudanças nos equipamentos e estrutura da organização. Neste sentido. No entanto.. homicídio. consigam desenvolver a empresa. 1996.. de seus interesses particulares e. extravios de documentos.

). Em relação ao Policial civil. Bom Sucesso (1997. além de ambiente interno das delegacias à disposição para atividades inerentes às suas verdadeiras atribuições. Quando esta qualidade de vida no trabalho não é alcançada. a auto-estima e a forma como se sente em relação a si mesma (. 29) inicia o seu capítulo sobre Qualidade de Vida no Trabalho. Em outras palavras. valorização da função dos agentes e possibilidades reais de trabalho no que se refere a viaturas em perfeito funcionamento. as relações interpessoais.. principalmente no que tange a infraestrutura organizacional. com combustível. 3. p. os conflitos e em especial a maneira como a pessoa se relaciona na equipe afetam a satisfação no trabalho. todas as nossas ações visam um objetivo final e este objetivo almejado é o que motiva e impulsiona o homem na realização de suas atividades. p. o Estado necessita urgente rever suas políticas de segurança.16 mas sempre voltada para facilitar ou trazer satisfação e bem-estar ao trabalhador na execução de sua tarefa. 43) ao afirmar que a mesma consiste na aplicação concreta “de uma filosofia humanista pela introdução de métodos. Neste contexto. afirmando que: A escolha da profissão. 1996. visando modificar um ou vários aspectos do meio ambiente do trabalho. torna-se relevante observar a definição de Qualidade de Vida no Trabalho defendida por Bergeron (1982 apud FERNANDES. a fim de criar uma nova situação mais favorável à satisfação dos empregados e à produtividade da empresa”. as características da cultura organizacional configurada pelos valores e práticas predominantes na empresa. Finalmente. a infraestrutura familiar constituem fatores relevantes para a Qualidade de Vida no Trabalho. tais como a desmotivação pelo trabalho e o aumento do índice de estresse entre os profissionais da organização. observa-se transtornos psicopatológicos no ambiente de trabalho. não apenas como locais de detenção. Além disso.1 MOTIVAÇÃO E ESTRESSE NO AMBIENTE DE TRABALHO: DUAS FACES DA MESMA MOEDA . Como pode-se observar. trata-se de um objetivo maior entre todos os profissionais que não deve ser desprezado pela organização na busca de seus objetivos..

. baseada numa hierarquia das necessidades humanas básicas”. para depois dedicar-se ao estudo e conceituação do estresse. p. muitas vezes ordenando a motivação em um primeiro plano. a motivação está diretamente relacionada às satisfações do ser humano a partir de suas necessidades. mais importante ou premente. No entanto. Através da publicação de um dos seus artigos para a Psychological Review. consequentemente.) as necessidades humanas estão organizadas numa hierarquia de valor ou premência. por explicar os fenômenos sociais relacionados à satisfação com o ambiente de trabalho e. o autor acrescenta ainda que os impulsos externos do ambiente servem apenas como condicionantes diante desse impulso motivador. O homem é um animal que sempre deseja. que tem suas fontes de energia no interior de cada pessoa”.17 Diversos autores resolvem discursar sobre esta temática em momentos distintos. Seguindo esta linha de raciocínio. ambos os temas parecem andar de mãos dadas. Na realidade. Não há necessidade que possa ser tratada como se fosse isolada. o que mantém acesa a chama dos deveres e obrigações do policial Civil são exatamente a alimentação de alguns flashes motivacionais. p. 1994. a mensuração da qualidade de vida neste respectivo ambiente. Na opinião de Broxado (2001. toda necessidade se relaciona com o estado de satisfação ou insatisfação de outras necessidades. Lopes (1980 apud RODRIGUES. 40) revela que Abraham Maslow foi o “primeiro a relacionar as necessidades humanas num quadro teórico abrangente na sua teoria da motivação humana. p. No entanto. 3) a motivação trata-se de “um impulso que vem de dentro.. 40) afirma que: (. ela torna-se bastante importante no contexto deste trabalho científico. isto é. Maslow (1971. oriundos do relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho. p. no ambiente de pesquisa. 338 apud RODIGUES. Mesmo que esta teoria tenha sido apresentada pelo seu criador de uma forma generalizada. até que a motivação seja completamente sucumbida diante do fortalecimento de situações de estresse. quer dizer.. além de outros fatores relacionados ao seu dia a dia familiar e social. Sobre esta afirmação. a manifestação de uma necessidade se baseia geralmente na satisfação prévia da outra. 1994.

que serve como apoio para explicar as reações das pessoas às diversas forças motivacionais”. complementar. como se fosse verdadeira”. consciente ou inconsciente. trata-se de um nível positivo de estresse definido como eustresse. Esta colocação torna-se bastante relevante para o ambiente de estudo em questão. Para este autor. Caso contrário. procura-se no entanto observar que ambos fazem parte do dia a dia de qualquer profissional. Delboni (1997. sendo mais frequente esta última forma. Como todo o trajeto da vida humana é formado por alegrias e tristezas. p. Para que se possa entender o estresse de forma negativa e ameaçadora para a qualidade de vida no trabalho. A ameaça pode ser real ou podemos percebê-la. trata-se de um processo negativo caracterizado por situações aflitivas denominadas de distresse. o estresse pode em alguns momentos ser percebido como algo positivo e às vezes necessário para alcançarmos nossos objetivos pessoais e profissionais. . Dentro do ambiente de pesquisa. Fonseca (1994. quando o processo consegue se desenvolver em certo grau necessário ao organismo. Finalmente. esclarecendo que “a satisfação de uma necessidade é induzida pelo comportamento individual. colaborando co o bom desempenho das funções orgânicas e psíquicas. sucessos e fracassos. algumas vezes. dentro ou fora do seu ambiente de trabalho. esta seria uma forma de caracterizar o estresse. No entanto. em qualquer um dos tipos das necessidades fundamentais. comemorações e frustrações.18 Diversos são os fatores que poderão influenciar essas necessidades. sendo necessário para tanto analisar a questão do estresse também neste mesmo contexto. transformando-se em situações de estresse constante. p. se as situações boas ou más se repetem com frequência. caracterizado por situações de impotências diante da percepção de não poder realizar suas funções normalmente (por exemplo: . Quando se considera que a motivação e o estresse no ambiente de trabalho são duas faces da mesma moeda. o contexto do estresse neste momento deve ser voltado para o seu valor ou intensidade considerada prejudicial para o indivíduo. 1) esclarece que “quando nos sentimos ameaçados. classificadas pelo autor supracitado. uma vez que estas podem surgir de forma consciente e inconsciente. como se tratassem de uma dicotomia harmônica e. uma série de reações orgânicas são desencadeadas ao mesmo tempo. 42) conclui sua tese sobre a motivação segundo a Teoria de Maslow. Na sua opinião.

Essa perda de equilíbrio interior se manifesta no corpo como um sintoma”. ou seja. 4 DOUTRINA JURÍDICA E A POLÍCIA CIVIL . Delboni (1997. 12) faz uma colocação bastante oportuna. p. ele não está mais em ordem. no entanto. Quando esse primeiros sintomas se manifestam.19 necessita-se fazer uma diligência. Quando estes fatores continuam sem solução. na maioria das vezes. ao afirmar que “a baixa autoestima surge como reflexo da sensação de impotência para solucionar e de uma auto-imagem desqualificada em função do desgaste provocado pelo stress. Dethlefsen e Dahlke (apud DELBONI. Tais fatores são os principais responsáveis pelo surgimento da depressão”. transformando-se em sentimentos confusos ou mal resolvidos. sua consciência registra que não há harmonia. cria-se um ambiente propício para o surgimento de sintomas causadores de doenças relacionadas ao trabalho. se relacionam à fatores comportamentais e podem ser solucionados através de um tratamento adequado. na sua consciência. sem previsão de quando o problema possa ser resolvido). Sobre esta questão. p. trata-se da hora de tomar alguma providência à respeito da verdadeiras causas que. 1997. 12) afirmam que “a doença é um estado do ser humano que indica que. a viatura encontra-se quebrada ou sem gasolina.

deveres e obrigações. a Lei Complementar nº 270. §3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais. municipais e especializadas são unidades diretamente subordinadas às respectivas diretorias e delegacias regionais com competência para a execução de suas atividadesfim de polícia judiciária e administrativa. sem. nos termos da legislação em vigor e em outros atos normativos que vierem a dispor sobre a matéria (BRASIL. de 13 de fevereiro de 2004. trata-se de uma grande contribuição para a Polícia Civil. para a própria sociedade. No que se refere às polícias civis. Partindo-se para o âmbito do Estado do Rio Grande do Norte. Esta Lei Complementar.20 O policial Civil encontra-se amparado através da doutrina jurídica. No que tange à sua organização. garantias. os Estados exercerão a competência legislativa plena. no artigo 24 da Constituição Federal. suspendendo-se a eficácia da lei estadual apenas quando esta for contrária às decisões e entendimento das normas gerais. principalmente quando não houver normas gerais sobre determinado assunto. §2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. no que lhe for contrário. para atender a suas peculiaridades. §1º No âmbito da legislação concorrente. 2004). sobre o que compete à União. como também. no entanto. mais precisamente em seu inciso XVI. Este artigo trata. distritais. 28. deixa bem claro que as normas gerais competem à União o seu respectivo estabelecimento. de forma que as suas atividades possam ser desenvolvidas nos ditames da Lei. direitos e deveres das polícias civis. em termos teóricos. uma vez . traz o seguinte texto sobre as atribuições das unidades Policiais: Art. de forma geral. encontra-se o seguinte texto: XVI . As Delegacias de Polícia Civil. que dispões sobre a Lei Orgânica e o Estatuto da Polícia Civil do Estado. no que se refere aos seus direitos.Organização. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente. §4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficiência da lei estadual. direitos e deveres. a competência da União limita-se à estabelecer as normas gerais. subtrair a competência dos Estados.

quando este último é completamente esquecido nas celas das . suas atribuições são teoricamente bem detalhadas e fácil de serem compreendidas. ao mesmo tempo. operacional e. por exemplo. zelando por sua segurança e manutenção. além da investidura dos cargos através de Concursos Públicos. no entanto. todos com suas devidas atribuições específicas definidas na referida Lei Complementar. anteriormente citada. Entre os cargos anteriormente citados. que mais compartilha com situações de estresse em seu ambiente de trabalho. veículos automotores em missões policiais e no desempenho de atividades nos diversos setores da Polícia Civil. 34. que desperta em muitos profissionais a vontade de ingressar no Mercado de Trabalho como policial civil. uma vez que suas atribuições na sociedade demonstram ser bastante relevantes. normas e instruções emanadas de Superior hierárquico. busca pessoal e apreensões. a Polícia Civil possui cargos bem definidos. subsidiando o Delegado de Polícia Civil com os elementos necessários para a conclusão do inquérito policial. observa-se o seguinte texto: Art. Diante disso. Segundo o artigo 34 da Lei Complementar 270. conforme habilitação e de acordo com a devida designação. II – efetuar prisões em flagrante. quando se trata de exercer outras atividades correlatas ao cargo. considerado entre os demais cargos neste segmento de trabalho como o mais ativo. VI – executar revista e vigilância de presos apenas durante o período do inquérito policial do réu preso. V – operar equipamentos de comunicação. Segundo o artigo 31 da referida Lei. III – cumprir mandados expedidos pela autoridade policial competente. torna-se importante observar as atribuições do Cargo de Agente da Polícia Civil. cargos integrantes de carreira de Delegado. incompatíveis com a sua função. Talvez estas sejam os principais adjetivos. IV – dirigir. Como pode-se observar. previamente escolhido dentre os servidores integrantes da carreira de Delegado de Polícia Civil do Estado. além do período de inquérito policial do réu preso. Compete ao Agente de Polícia Civil: I – levantar todas as informações que conduzam ao esclarecimento dos delitos denunciados. não se esclarece o que poderá ser considerado como correlato. VII – cumprir e fazer cumprir as ordens. tais como. muitas vezes são atribuídas funções a estes profissionais. de Escrivão e de Agentes. sob o comando de um Delegado Titular designado pelo Delegado-Geral de Polícia Civil.21 que cada Estado possui competência para gerir suas próprias atividades. e VIII – exercer outras atividades correlatas ao cargo.

consequentemente. gerando um número bastante preocupante de problemas. como por exemplo. contribuindo com a expansão da violência e criminalidade no estado. No relatório situacional das Delegacias de Polícia Civil das comarcas do interior do Estado. quando em seu parágrafo único. 2009). uma vez que a maioria dos inquéritos policiais efetivamente instaurados não chega a ser concluídos a tempo de se realizar as diligências e coletar provas suficientes à punição dos responsáveis (DELEGACIA. transformando as atividades atribuídas ao Agente durante o período de inquérito policial em uma nova função. inciso I vincula uma proposição ao Secretário do Estado da Segurança Pública e da Defesa Social.22 Delegacias de Polícia. Nestas circunstâncias é que se observa o desvio de função destes profissionais. a sua programação de recursos. por tempo indeterminado. reais condições de trabalho de seus Agentes. o baixo índice de processos investigatórios finalizados. existe uma grande estagnação decorrente da falta de harmonia entre o orçamento planejado e o executado. no que diz respeito ao seu planejamento e. 5 CONDIÇÕES PSICOSSOCIAIS DE TRABALHO DOS POLICIAIS CIVIS DO RN SEGUNDO OS ENTREVISTADOS . consequentemente. uma vez que este réu continua permanecendo detido na mesma Delegacia. No que compete a autonomia administrativa da Polícia Civil em relação a sua gestão orçamentária e. comenta-se que tal autonomia dos recursos alocados em seu orçamento sofre restrições devido ao enunciado do artigo 2 da Lei Complementar 270.

5.1 FREQUÊNCIA PARA FAZER AS TAREFAS DE TRABALHO COM MUITA RAPIDEZ Gráfico 1: Frequência para fazer as tarefas de trabalho com muita rapidez. coletando-se os seguintes dados: 5. onde mais importante do que a qualidade da tarefa realizada é a quantidade produzida. o que pode contribuir para um ambiente com um alto nível de estresse e ansiedade. Fonte: Dados coletados (2012). onde 25 policiais civis responderam tais perguntas. observa-se que todos os policiais entrevistados concordaram que as suas tarefas são executadas frequentemente com muita rapidez. foi elaborado um questionário com perguntas semiabertas de igual forma e teor.2 FREQUÊNCIA EM TER QUE TRABALHAR INTENSAMENTE (PRODUZIR MUITO EM POUCO TEMPO) Gráfico 2: Frequência em ter que trabalhar intensamente (produzir muito em pouco tempo). o ritmo do seu trabalho pode significar a escassez de . Fonte: Dados coletados (2012). De acordo com os dados acima. Estes dados revelam mais uma vez que os policiais civis trabalham como se fosse no regime fabril.23 Com o principal objetivo de responder a problemática deste trabalho.

3 ANÁLISE DA EXIGÊNCIA DO TRABALHO EM RELAÇÃO AO PROFISSIONAL Gráfico 3: Análise da exigência do trabalho em relação ao profissional.24 agentes neste ambiente. sobrecarregando os demais agentes. Fonte: Dados coletados (2012). uma vez que seria necessário realizar novos concursos públicos e contratar mais profissionais. as tarefas exigidas às . além de ter que realizar suas tarefas muito rápidas. devem ainda está atentos sobre a qualidade destas tarefas. 5. De acordo com os números acima. Fonte: Dados coletados (2012). 5. 100% dos entrevistados afirmaram que existe uma grande exigência do trabalho para com esses profissionais que. superando o seu limite de trabalho. segundo a opinião de 52% dos entrevistados. Diante das exigências anteriormente analisadas sobre o seu trabalho. observa-se que.4 ANÁLISE DO TEMPO PARA SE CUMPRIR TODAS AS TAREFAS EXIGIDAS Gráfico 4: Análise do tempo para se cumprir todas as tarefas exigidas.

quando a maioria destas tarefas deveriam ser realizadas por outras pessoas ou em outro departamento ou organização responsáveis pelas mesmas. 5. enquanto que. para os 48% restantes dos entrevistados.25 vezes são cumpridas dentro do tempo previsto.5 OBSERVAÇÃO DE EXIGÊNCIAS CONTRADITÓRIAS OU DISCORDANTES NO AMBIENTE DE TRABALHO Gráfico 5: Observação de exigências contraditórias ou discordantes no ambiente de trabalho. suas tarefas raramente são cumpridas dentro do prazo estipulado. este é um dos itens que deve ser avaliados com toda a atenção. 68% dos entrevistados afirmaram que às vezes presenciam este tipo de ação. Fonte: Dados coletados (2012). uma vez que pode traduzir o constante desvio de função desses profissionais. Sobre a questão da presença de exigências contraditórias ou discordantes no ambiente de trabalho. enquanto que 32% disseram que este tipo de prática acontece frequentemente. contribuindo para a sua insatisfação e desmotivação diante das tarefas a serem cumpridas.6 POSSIBILIDADES DE APRENDER COISAS NOVAS EM SEU TRABALHO . Neste caso. 5.

observa-se que todos os policiais pesquisados foram unânimes em afirmar que apenas às vezes existe alguma possibilidade de aprender coisas novas no ambiente de trabalho. Este gráfico revela que 100% dos entrevistados concordam com a necessidade plena de habilidades e conhecimentos especializados na execução de . Fonte: Dados coletados (2012). Diante dos dados observados no gráfico acima.26 Gráfico 6: Possibilidades de aprender coisas novas no trabalho. 5. o que pode caracterizar uma rotina. Fonte: Dados coletados (2012).7 EXIGÊNCIA DE MUITA HABILIDADE OU CONHECIMENTOS ESPECIALIZADOS NO TRABALHO Gráfico 7: Exigência de muita habilidade ou conhecimentos especializados no trabalho.

60% dos policiais civis entrevistados acreditam que às vezes torna-se necessário tomar iniciativa para que os objetivos finais sejam concretizados. para que as suas atribuições possam ser cumpridas e a sociedade possa realmente usufruir de seus serviços com qualidade e eficiência. sem se preocupar em tomar decisões ou realizar tarefas que não lhes competem. Fonte: Dados coletados (2012). Dessa forma.9 NECESSIDADE DE REPETIR VÁRIAS VEZES A MESMA TAREFA . trona-se um motivo relevante para que os mesmos possam se dedicar um pouco mais às suas atividades. 5. tornase claro que a organização dos processos operacionais neste ambiente precisa ser revisto ou realizada a devida manutenção. 5. Mesmo não estando explícito que tipo de iniciativa deve ser tomada. tornando os policiais motivados com seu próprio desempenho funcional.8 NECESSIDADE DE TOMAR INICIATIVA NA EXECUÇÃO DAS TAREFAS Gráfico 8: Necessidade de tomar iniciativa na execução das tarefas. Por outro lado. 40% destes afirmaram que frequentemente existe a necessidade de se tomar iniciativa no ambiente de trabalho. Durante a execução de suas atividades. para que estes agentes possam realizar o seu trabalho da melhor forma possível. segundo a Lei.27 suas tarefas. diante das tarefas solicitadas.

até que a tarefa seja definitivamente cumprida. Fonte: Dados coletados (2012). enquanto 36% afirmaram que esta . 5. representando um número de 56% da amostra.10 ESCOLHA DA OPÇÃO DE COMO REALIZAR O SEU TRABALHO Gráfico 10: escolha da opção de como realizar o seu trabalho. que tornam-se impotentes na realização ágil de suas tarefas. gera desgastes físicos e psicológicos nos profissionais. Diante desse gráfico. todos os entrevistados afirmam que necessitam repetir o mesmo tipo de tarefa por diversas vezes.28 Gráfico 9: Necessidade de repetir várias vezes a mesma tarefa. Fonte: Dados coletados (2012). observa-se que mais da metade dos entrevistados revelam que nunca tiveram escolha de como realizar as suas atividades. por saberem que algo vai ter que ser refeito. Esta prática. Como se pode observar através dos dados coletados. além de desperdiçar tempo.

observa-se que todos os entrevistados são unânimes em afirmar que quase nunca eles podem decidir sobre o que fazer em seu ambiente de trabalho. mesmo que não sejam de suas competências. deixando o policial de ser um colaborador para ser apenas um elemento operacional e executor de ordens. sendo necessário cumpri-las ou fazer cumpri-las como parte de suas atribuições. já existem novos presos para serem vigiados e o agente permanece como agente penitenciário ou carcereiro por muito tempo durante o seu período de trabalho com policial civil. 5. pode-se relatar a vigilância da própria delegacia. Os demais entrevistados. Como se sabe. mudanças oi coisas do gênero. durante o turno noturno. Quando isso acontece.29 oportunidade ocorre raramente com eles.12 EXISTÊNCIA DE UM AMBIENTE CALMO E AGRADÁVEL NO LOCAL DE TRABALHO . Neste caso. para que não haja rebelião entre os presos que ali se encontram ou que os mesmos possam fugir. Sobre este item. Fontes: Dados coletados (2012). sem muita flexibilidade para ajustes.11 ESCOLHA SOBRE O QUE FAZER NO AMBIENTE DE TRABALHO Gráfico 11: Escolha sobre o que fazer no ambiente de trabalho. representando o índice de 8% afirmaram que às vezes tal situação ocorre durante a realização de suas atividades. 5. Todas as atividades já se encontram pré-definidas. observa-se que existe uma hierarquia centralizada onde as atividades a serem realizadas são pré-definidas. não existe um prazo determinado para que todo o inquérito policial sobre o acusado seja finalizado e o agente possa então ver-se livre de vigiá-lo e fazer revistas temporariamente. Como exemplo deste fato.

disseram que quase nunca este tipo de ambiente é observado. Fonte: Dados coletados (2012). esta mudança nunca acontece. A maioria dos casos que envolvem distúrbios psicológicos e patologias crônicas nos profissionais ocorre diante da constante busca por um ambiente melhor. atividades incompatíveis com sua função.30 Gráfico 12: Existência de um ambiente calmo e agradável no local de trabalho. entre outros. tais como: trabalho em excesso. quando nunca é discutido que atividades são estas. os demais entrevistados. enquanto 24% considera que essa percepção pode-se ter frequentemente do ambiente de trabalho. mesmo que os profissionais se esforcem para criá-lo. Diante destes dados coletados. Este resultado mostra claramente que se trata de um ambiente de trabalho onde não existe um clima organizacional agradável.13 BOM RELACIONAMENTO NO TRABALHO COM COLEGAS E SUPERIORES . Nos anexos serão analisados através de fotos alguns desses casos que possibilitam um ambiente completamente adverso àquele esperado pelos profissionais pesquisados. por algum motivo externo à sua vontade. diante dos demais dados observados que impedem tal fenômeno. representando 16% da amostra. Por outro lado. observa-se que 60% dos entrevistados acreditam que às vezes o seu ambiente de trabalho torna-se calmo e agradável. onde as pessoas se esforçam para mudá-lo mas. Muitas dessas atividades estão protegidas por lei através do que se define como atividades correlatas. 5.

14 POSSIBILIDADES DE PODER CONTAR COM O APOIO DOS COLEGAS DE TRABALHO Gráfico 14: Possibilidades de poder contar com o apoio dos colegas de trabalho. onde o problema não se encontra no fluxo de atividades desenvolvidas.15 BOM RELACIONAMENTO COM O CHEFE . sentem-se envolvidos com o mesmo problema enfrentado pelos agentes em termos de poder de decisão e real controle da situação. 5. Fonte: Dados coletados (2012). o problema neste ambiente encontra-se além das fronteiras entre os seus superiores que. o que para muitas organizações. da mesma forma. seria a chave mestra para o sucesso de seus objetivos finais.31 Gráfico 13: Bom relacionamento no trabalho com colegas e superiores. Todos os entrevistados afirmaram que possuem um bom relacionamento interpessoal com seus colegas e superiores frequentemente. Neste caso. Este gráfico trata-se da representação de um dos mais importantes dados que permitem observar a influências de fatores negativos que se encontram além do desejo e do controle desses profissionais. 5. Fonte: Dados coletados (2012).

onde todos os entrevistados confirmam que frequentemente existe um bom relacionamento com seu chefe.32 Gráfico 15: Bom relacionamento com o chefe. Diante das situações em que se encontram as Delegacias de Polícia do Estado e a . 5. Fonte: Dados coletados (2012). Este resultado encontra-se inserido no item 5. ao passar do tempo.13 que trata do relacionamento no trabalho com colegas e superiores. encontra-se radiante e cheio de perspectivas sobre o seu trabalho a cumprir. uma característica bastante interessante no investimento da qualidade do clima organizacional no ambiente pesquisado.16 GOSTO PELO PRÓPRIO TRABALHO Gráfico 16: Gosto pelo próprio trabalho. ao ingressar no mercado de trabalho como agente concursado. Fonte: Dados coletados (2012). as decepções e falta de credibilidade sobre a sua verdadeira importância para a sociedade pesam tanto que o profissional passa a sofre uma espécie de ilusão por aquilo que antes era o seu principal sonho. uma vez que todo policial civil. Este item analisado reflete toda a realidade do ambiente pesquisado. No entanto.

Diante dos dados observados. quanto as condições das estruturas físicas das Delegacias.17 FICAR IRRITADO POR SER POUCO VALORIZADO Gráfico 17: Ficar irritado por ser pouco valorizado. condições das viaturas. falta de higiene nos locais onde os detentos se encontram e o grande volume de trabalho dispensados aos agentes como se tratassem de atividades correlatas. Esta entrevista foi realizada no dia 24 de abril de 2012. o gosto pelo trabalho aos poucos vai se perdendo e a sua função deixa de fazer sentido para este profissional. verifica-se que todos os policiais entrevistados afirmaram que frequentemente ficam irritados por não serem valorizados (ou por serem pouco valorizados). . Fonte: Dados coletados (2012). mesmo diante das dificuldades já mencionadas no ambiente de trabalho. Doutora Sueli Ferreira de Souza. 5. Vale ressaltar que essa desvalorização parte das estâncias superiores que não acompanham o dia a dia dos policiais civis. uma vez que existe o esforço de todos para que as suas atividades sejam realizadas da melhor forma possível. com a Psicóloga do Centro Integrado Apoio Social ao policial (CIASP). 6 CONDIÇÕES PSICOSSOCIAIS DE TRABALHO DOS POLICIAIS CIVIS DO RN SEGUNDO A PSICÓLOGA DO CIASP.33 forma como são tratados pelos órgãos superiores que deixam de atender às suas reivindicações.

haver uma integração com o acompanhamento psicológico. pressão. Quando o servidor com dependência química não quer. como pode ser observado no anexo 2 deste trabalho. bem como órgãos fins. passam a apresentar um quadro patológico considerado crônico. para que através de uma medicação adequada ao seu quadro. o pesquisador obteve a seguinte resposta: depressão. angústias.34 onde o pesquisador elaborou um questionário com 10 perguntas abertas. rigidez da Instituição. obtendo os resultados que serão discutidos neste capítulo. Caso seja necessário a internação. difícil de ser combatido. encaminha-se também para participar do tratamento oferecido pela Unidade de Tratamento e Apoio para Dependentes (UTAD). A Doutora Sueli Ferreira quando questionada sobre as reclamações mais comuns dos policiais civis. a Doutora Sueli Ferreira informou que. com a qual o CIASP tem parceria (Comunidade Nova Aliança/Pium). diante da impotência em não poder realizar suas atividades com eficiência. dependência química (alguns ficam viciados em todo tipo de droga em função da facilidade de encontrar tais entorpecentes). O CIASP conta também com profissionais qualificados na área de nutrição. carga horária elevada de trabalho. de acordo com a patologia apresentada. . as três primeiras patologias anteriormente citadas. relatou que tais reclamações podem ser expostas da seguinte forma: falta de reconhecimento e apoio por parte dos superiores. fisioterapia e educação física que também contribuem para atender essa demanda. e estresse. é feita uma avaliação com o servidor. e falta de investimento em estrutura e equipamentos. do Hospital Universitário Onofre Lopes. quanto à necessidade de uma internação ou não. necessitam também de um acompanhamento médico psiquiatra. Esta internação é feita em uma comunidade terapêutica. síndromes. ou quando não há necessidade de internação. Muitos policiais. Sobre a questão das principais patologias dos policiais. Sobre o problema da dependência química. A respeito do tratamento que estes policiais recebem. Estas respostas estão em concordância com as questões anteriormente apresentadas pelos policiais civis entrevistados e analisados através dos dados estatísticos. em geral. encaminham e acompanham até o fim desta. Por isso o servidor é orientado. além da necessidade imediata de um acompanhamento de um médico psiquiatra e do acompanhamento psicológico. e quando possível encaminhado a um clínico. os profissionais da área psicossocial.

Sobre a questão da quantidade de policiais casados e solteiros e a existência de policiais homossexuais declarados. a Doutora Sueli Ferreira afirmou que o CIASP é um órgão subordinado a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED). consequentemente. As consultas são marcadas. de 150 a 230 policiais atendidos por ano. uma média mensal de 28 a 30 atendimentos mensais e. através do telefone. sobre a opinião da própria entrevistada quanto à estrutura de apoio do Estado em relação a Polícia Civil e respectivamente à segurança pública . afirmando mesmo assim que. apoio e segurança. encaminhamento através de seus superiores. no que concerne ao bem-estar e saúde dos servidores da área de segurança pública porém isto representa apenas um passo para o trato nas questões referente a qualidade de vida e da saúde dos servidores da área de segurança. em relação aos homossexuais. com seu problema familiar igual a todo mundo. tendo o apoio necessário para desenvolver as ações a que se destina. através da SESED. hospital e quando possível ao interior do Estado. Finalmente. no Estado e no país não dispõe. existem aqueles que são declarados e que se sentem bastante à vontade por serem bem acolhidos pelo CIASP. No entanto. quando o policial não tem condições de se locomover até o CIASP. O ambiente de trabalho desses servidores influencia de uma forma determinante em toda sua história de trabalho. este tipo de estrutura a instituição de segurança pública. Então ao chegar ao seu trabalho necessitam de um apoio e de uma estrutura que lhe garantisse equilíbrio.35 Sobre as ações do Estado para solucionar tais problemas. Enfrenta uma profissão que é considerada de maior estresse e de grande risco. As consultas são marcadas no CIASP de acordo com as seguintes demandas: espontânea. a Doutora Sueli Ferreira não soube responder através de números exatos. Em relação a quantidade de policiais civis que são assistidos pelo CIASP. A idade média dos policiais assistidos é entre 30 e 40 anos. pois o policial é um ser humano com suas próprias características. observou-se que existe uma média diária de 4 a 5 policiais atendidos. mesmo existindo a procura eventual de outros agentes a este referido órgão. observou-se que se trata de 130 homens e 11 mulheres. vale salientar que a implementação do CIASP representa um avanço por parte do Estado. os profissionais da área psicossocial realizam visita social em sua residência.

a equipe do CIASP é composta por apenas: três psicólogos. No entanto. referente às condições dos policiais civis. 7 CONDIÇÕES PSICOSSOCIAIS DE TRABALHO DOS POLICIAIS CIVIS DO RN SEGUNDO DADOS COLETADOS ATRAVÉS DA IMPRENSA (NA ÍNTEGRA) Este capítulo procura analisar dados referentes a matérias publicadas pelos principais sites de notícias do Estado. um administrador. Delegacias e detentos do Estado do Rio Grande do Norte. com o CIASP. quatro assistentes sociais. Estas informações serão viabilizadas neste trabalho. onde o pesquisador trabalha. ficou esclarecido que o Estado conta apenas. . para que se tenha uma melhor visão sobre a natureza dos fatos. o qual dispõe de uma equipe ainda pequena para atender a aproximadamente 13 mil policiais (entre policiais militares. na íntegra.36 como todo. um fisioterapeuta e um nutricionista. civis e bombeiros) em todo o Estado. mais precisamente na unidade de Parnamirim/RN. na capital. suas causa e principais consequências como realmente é percebida pela sociedade.

Guamaré (39 presos) São Paulo do Potengi (36 presos). Touros (23 presos). . Fonte: Assessoria sinpol/RN (2012). sem contar que no mesmo município a Degepol gerencia a crise ainda da 1ª DP (28 presos) e 2ª DP (48 presos). quando várias pessoas se deslocam para o interior é Macau. O Sinpol alerta que vários municípios apresentam números preocupantes. como é o caso de Santa Cruz (66 presos). que também podem escapar a qualquer momento. trazendo na íntegra o seguinte documentário: As Delegacias do Rio Grande do Norte contam atualmente com 626 presos custodiados irregularmente pela Polícia Civil. Algumas delegacias viraram espécies de bombas. Outra situação preocupante. às vésperas do Carnaval.1 LEVANTAMENTO DO SINPOL APONTA PARA 626 PRESOS NAS DELEGACIAS DO RN – SINDICATO COBRARÁ DA SEJUC TRANSFERÊNCIAS E CRONOGRAMA DE ABERTURA DE NOVAS CADEIAS PÚBLICAS1. Acari (17 presos) e Patu (16 presos). Pau dos Ferros (55 presos). Acesso em: 28 mar. que podem explodir a qualquer momento. Jucurutu (23 presos). 1 Disponível em: http://portalbo. conhecido por ser um dos pontos de folia mais visitados do RN: lá estão presos na DP cerca de 60 presos. 2012. 2012. Foto: Sérgio Costa. Este é o número levantado pelo Sinpol/RN entre os dias 1º e 15 de fevereiro. Fábio de Holanda. com 89 presos custodiados. como é o caso da Defur de Mossoró. Apodi (25 presos). Esta reportagem foi publicada pela Assessoria do SINPOL.37 7. que será levado ao conhecimento do secretário estadual de Justiça e Cidadania. Foto 1: Condições dos presos em Delegacias do Estado do RN.com/materia/Levantamento-do-SINPOL-aponta-para-626presos-nas-delegacias-do-RN Publicado em: 16 fev.

o Governo assinou um acordo conosco no Tribunal de Justiça se comprometendo não apenas com a solução da região metropolitana. até porque ao final da nossa greve no ano passado. na entrevista realizada com a psicóloga do CIASP. Esta matéria se contextualiza muito bem nas circunstâncias apresentadas pelos policiais civis anteriormente entrevistados. a Polícia Civil continua tendo que administrar um problema que não é seu. Acesso em: 30 abr. com o seguinte conteúdo: Os 10 delegados responsáveis pelas delegacias regionais do Rio Grande do Norte entregarão os cargos em virtude das deficiências na estrutura da segurança pública do Estado. tendo recentemente ocorrido fuga de oito presos.2 DELEGADOS REGIONAIS ‘PEDEM PRA SAIR’2 Esta reportagem foi realizada pelos repórteres Marco Carvalho e Roberto Lucena. Doutora Sueli Ferreira. O relatório completo será disponibilizado a Fábio de Holanda. no lugar da Sejuc. CADEIÃO O SINPOL observa que apesar da retirada de presos das delegacias da Grande Natal. até porque este número de presos nas delegacias só cresce. 2012. porque as transferências para CDPs sempre são menores que os números de prisões”. mas estabelecer um cronograma de abertura de novas cadeias públicas para ir resolvendo o problema do interior. observa a vicepresidente da entidade. 14. Para se ter noção. a DEGEPOL ainda administra o “Cadeião”. do mesmo jeito de ocorria ilegalmente nas delegacias. que é a Secretaria responsável pela custódia de presos de justiça. recentemente. Renata Pimenta. o local amontoa presos como bichos. fato bastante noticiado na imprensa local.38 O levantamento chamou atenção da Diretoria do Sindicato. “Estamos tentando uma audiência com o novo gestor da Sejuc. em 2 Disponível em: http://tribunadonorte. que sequer pôde comemorar a retirada dos presos das delegacias da Grande Natal. na íntegra.com. que foi disponibilizado. 7. 2012 . assim que ele confirme a data da reunião que vem sendo tentada pelo Sinpol. como também. A decisão será protocolada na próxima quarta-feira. O fato é bastante criticado. uma vez que mesmo os policiais civis não sendo obrigados a custodiar os presos de lá. no site do jornal Tribuna do Norte. Queremos saber como anda a situação.php?not_id=205404 Publicado em: 10 dez.br/print.

que se reuniram ontem para decidir medidas visando a melhoria do serviço prestado à população. Ele classificou como “humanamente impossível” conduzir inquéritos em tantos municípios diferentes. Sob responsabilidade de cada um dos delegados regionais estão a investigação de crimes ocorridos em 15. Fábio Rogério Silva. O Rio Grande do Norte conta com 65 Comarcas. no bairro de Mãe Luíza – zona Leste de Natal. “Aceitamos o desafio em nome da segurança pública. A sobrecarga de trabalho começa a gerar indignação nos delegados. A protocolação da decisão ocorrerá na próxima quarta-feira durante reunião na Delegacia Geral de Polícia (Degepol). pois disseram para a gente que logo haveria um concurso e as comarcas seriam ocupadas. “A estrutura da Polícia Civil nessas 12 cidades se resume a mim. reclama Petrus Antonius.39 reunião com o delegado geral da Polícia Civil. O delegado Getúlio Medeiros. A única possibilidade de a categoria rever a decisão é com a convocação integral dos aprovados em concurso no ano de 2009. todas as sedes de comarca do Estado. está o delegado Petrus Antonius Gomes Ferreira. Petrus possui um agente e não há escrivão para auxiliá-lo na tarefa de polícia judiciária. Me senti enganado ao assumir o compromisso e não ver a contrapartida do governo em auxiliar a segurança pública”. “não há mais condições de continuar assim”. Houve o concurso. disse Medeiros – responsável por 14 cidades. Até o final do mês de janeiro de 2012. Estou sobrecarregado com a demanda do serviço”. das quais apenas 24 contam com equipe da Polícia Civil. o delegado. Em situação similar. da 9ª DRP em Santa Cruz. A reivindicação da categoria é que haja a nomeação de mais de 50 delegados concursados para que eles ocupem. Para a presidenta da Associação dos Delegados (Adepol). os homens deverão se ver livres dos cargos administrativos em que ocupam. Responsável por 12 cidades. 16 e até mesmo 20 cidades do RN. só que os aprovados ainda não foram nomeados”. A decisão pela entrega dos cargos foi deliberada ontem durante reunião na sede da Adepol. esclarece que o problema da sobrecarga teve início quando houve a determinação para a Polícia Militar não mais realizar o papel da Polícia Civil. . há a possibilidade de pedir exoneração sem prejuízo legal. Ana Cláudia Saraiva. Como delegado regional é um cargo administrativo indicado pelo delegado-geral. da 7ª DRP em Patu. no mínimo. “Chegamos ao nosso limite. no registro e investigação de ocorrências.

Nas paredes internas. Paredes sujas. É com essa frase que um policial militar reage quando informado sobre a possibilidade dos delegados regionais entregarem seus postos. No município. assim como os demais delegados regionais. Somando a população de todas as cidades que Otacílio deve prestar assistência. Não existem cadeiras para acomodar quem chega para prestar queixa. responde por 15 municípios e. chegamos à marca de 143. ainda do lado de fora. São cinco sedes de comarca que tenho que dar conta”. Animais abandonados rondam o prédio.797 habitantes. distante 71 quilômetros de Natal e com quase 16 mil habitantes. quer entregar o cargo próxima semana. Além disso. No prédio de dois pavimentos. “Queremos a nomeação dos aprovados. o delegado conta com a ajuda de 14 homens e apenas duas viaturas. “Quem sabe as coisas . a decisão de deixar os cargos ocorre no sentido de pressionar a administração para melhorias na Polícia Civil. é lotado no 3º Pelotão de Polícia Militar de São Paulo do Potengi. Por trás da delegacia. disse por telefone. O PM. assim como o balcão onde os agentes trabalham. afirmou. Para o trabalho de investigação e elucidação dos crimes. No térreo. funciona o CDP. apenas dois PMs fazem a segurança da população. Delegado responde por 15 municípios “O bicho vai pegar”. Otacílio Medeiros. que não quis revelar sua identidade. Já deu para perceber que do jeito que está não pode continuar”. Por fora. no quintal. À direita.40 Para a presidenta da Adepol. afirmou. é possível notar marcas de descuido com o bem público. é lá onde funciona a 1ª Delegacia Regional do Rio Grande do Norte. uma escada dá acesso às instalações da DR. uma criação de bodes convive com a sujeira ocasionada pela falta de limpeza e manutenção do sistema de esgoto. a segurança pública no interior do Estado vive num “mundo de ilusões”. “É humanamente impossível trabalhar nessas condições. “Eu faço de conta que sou delegado dos 15 municípios e todos fazem de conta que existe polícia judiciária no interior”. O prédio da 1ª Delegacia Regional (DR) está localizado logo na entrada de São Paulo do Potengi. os policiais civis dividem o espaço com 47 presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) que existe no local. rachadas e mofadas dão ao local um aspecto de abandono. O titular da Delegacia. O policial civil que estava na delegacia na tarde de ontem não quis se identificar e preferiu não dar informações. Segundo o delegado. O único computador no local estava coberto de poeira. mais mofo.

por dia. A informação é confirmada por um dos policiais. por exemplo”. No térreo. disse Francisco Lima. Apenas um agente penitenciário é responsável pela segurança dos homens. Não tem quem faça a limpeza. Apenas dois soldados. apesar de não ser o responsável pelos presos. estão detidos na garagem da delegacia. os presos vivem fugindo. “Aí ainda tem a comarca de Bom Jesus e de Tangará que ainda respondo. Ele aguarda ser julgado pela Justiça por ter . Lajes é o município visitado. Onde deveriam existir apenas 10 presos. A situação também não é fácil para os policiais militares que prestam assistência aos potengienses. mas informou que há documentos de pessoas provenientes de municípios de toda região. Constantemente somos chamados pelo pessoal para dar apoio e evitar mais fugas”. caixas eletrônicos e comércio movimentado. 51 anos. disse. a presença deles incomoda e representa um risco. Essa delegacia é um perigo. “Vem gente de todo lugar para prestar queixa aqui na delegacia. Não sei dizer nada não”. disse o servidor que não autorizou a equipe de reportagem fotografar as instalações internas. “É um absurdo. ele explicou o motivo dos dois detentos estarem fora das celas. Francisco Fideles está detido no local há dois anos e três meses. Cinco deles. as visitas acontecem às terças. Em São Tomé. abriga 47 detentos. Sem revelar o nome. as dificuldades são ainda mais visíveis. “Eles ajudam nos serviços gerais. É lamentável esse descaso com a gente”. O agente não soube dizer quantos Boletins de Ocorrência (BO’s) foram registrados este ano. contou um soldado. É lá onde funciona o Centro de Detenção Provisória (CDP) do município. relatou. Em São Paulo do Potengi. a crimes mesmo”. Quem chega à Delegacia Regional é surpreendido pela presença de dois presos passeando livremente pelo local. Para tentar otimizar o tempo. o delegado Otacílio Medeiros afirmou que elegeu as cidades mais importantes para visitar pelo menos uma vez por semana. “Vez por outra um preso foge. Presos ficam fora das grades e ajudam nos serviços gerais Os problemas da Delegacia Regional de São Paulo do Potengi não se limitam a parte superior do prédio. agricultor. são os responsáveis pela segurança da cidade que possui bancos.41 aqui é o delegado. o delegado vai às segundas e quartas. uma cidade tão grande e não tem policiamento adequado. O trabalho não é fácil”. O delegado Otacílio Medeiros reclama que. Nas quintas-feiras. Desde perda de documento. acusados de cometer estupro. A população reclama e pede mais segurança.

indagou. para o delegado Otacílio.30. A arma que eu uso é minha. aguardam pela nomeação e início das atividades. deveriam estar soltos. por isso ajudo os agentes nas tarefas que tem aqui”. Mas isso é o de menos. no dia 17 de novembro completou-se um ano que 516 aprovados no concurso da Polícia Civil . segundo o agente penitenciário. “É um perigo esses homens naquele local. 132 escrivães e 294 novos agentes de polícia à espera de uma definição do Governo. Estudo apresentado pelo Sindicato de Policiais Civis e Servidores de Segurança Pública do RN (Sinpol/RN). Enquanto isso. seriam necessários 6 mil agentes. “Sou comportado. Nem arma a gente tem.e já capacitados -. revelou um dos agentes.441. né?”. Os presos. disse. O ideal seria que a delegacia estivesse em outro prédio”. porém. ESTRUTURA São apenas duas celas no CDP. entre delegados. “Mas a Justiça não resolve e vai acontecendo esse problema aqui. distribuídos nos 167 municípios da unidade federativa. a presença do CDP representa perigo. Policiais aguardam nomeações O Rio Grande do Norte possui um deficit de 5.396 policiais civis. Ao todo são 90 delegados. A abertura do edital para o certame aconteceu em 5 de dezembro de 2008. explicou.42 cometido um homicídio em São Paulo do Potengi.652. Alguns já fugiram. estão sob custódia de secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc). não quero fugir. o Curso de Formação que durou aproximadamente quatro meses. apontam cálculos apresentados pelo MP em audiência ocorrida em setembro último e que tratava da situação da segurança . 800 escrivães e 500 delegados para atender às necessidades dos 3. Tem criminoso de todo tipo ali. 17 já estão condenados e deveriam estar em cadeias públicas. “O ar condicionado do alojamento está quebrado há mais de seis meses. O Executivo alega que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) tem sido o motivo do impedimento dessas contratação de pessoal para a Sesed. O gasto mensal com a nomeação dos aprovados no concurso público da Polícia Civil seria da ordem de R$ 1. Oito. atualmente. Desde novembro do ano passado foi concluída a última parte do processo. Os agentes penitenciários reclamam da falta de estrutura e condições de trabalho. Dos 47 presos. escrivães e agentes. não foi dado pela secretária não”. nove estão no regime semiaberto e vão ao local apenas para passar a noite.168.027 habitantes do Estado.

A atuação da quadrilha surpreendeu pela ousadia. Como pode ser observado nesta matéria. Assim que chegaram à cidade. e publicada no site do jornal Tribuna do Norte on line. 180 processos ficarão 3 Disponível em: http://tribunadonorte. Em Areia Branca. fizeram da delegacia da cidade o primeiro alvo. O roubo de armas e fardamento do destacamento da PM da cidade facilitou os assaltos conseguintes. desde o Agente Judiciário até o Delegado. Rendidos.com. a cidade de Parazinho viveu momentos de terror. Os moradores do município foram surpreendidos por uma quadrilha que realizou um verdadeiro arrastão por estabelecimentos comerciais da localidade. Publicado em 16 ago.que além de Parazinho. Os casos de desmoralização e afronta à polícia são recorrentes. os dois policiais militares de serviço nada puderam fazer para combater a ação criminosa. Os crimes da cidade são investigados pela delegacia regional em João Câmara . . como no caso do Delegado que responde por 15 municípios ao mesmo tempo.3 DELEGACIAS DO INTERIOR DO ESTADO FECHAM3 Esta reportagem foi realizada por Andrey Ricardo. Isso representa um impacto mensal de 0. o atendimento foi suspenso pela manhã. Em um intervalo de um ano foram registrados casos similares nos municípios de Boa Saúde e Brejinho. a quantidade de problemas a serem resolvidos é imensa. afetando todos os cargos existentes na Polícia Civil. por volta das 11h do domingo passado. As primeiras mudanças ocorreram em Mossoró e cidades vizinhas. Há menos de 30 dias. com o seguinte texto: Começou ontem a retirada de uma parte dos 79 policiais militares que trabalham improvisadamente em delegacias de Polícia Civil no Rio Grande do Norte. Acesso em: 30 abr.6% na folha mensal de pagamento do Estado. 7. para citar alguns.43 pública no RN. observando-se inclusive a quantidade excessiva de tarefas para todos os cargos. inviabilizando o funcionamento de praticamente todas as delegacias da região. 2011. sendo um sargento e três soldados que se revezam. O efetivo total da cidade de Parazinho é composto por quatro policiais. Em Apodi. do Jornal de Fato. é responsável por outras 15 cidades.br/noticia/delegacias-do-interior-do-rnfecham/192409. 2012. Interior: Segurança é deficitária A deficiência da segurança pública no interior do Estado já é conhecida da população e dos bandidos.

Foto 2: Policiais militares estavam trabalhando em serviços específicos da Polícia Civil. é que os 79 policiais sejam reintegrados aos seus batalhões. "Começamos pela área de Mossoró. Fonte: Jornal de Fato. O deficit de agentes e escrivães de Polícia Civil. que engloba várias delegacias da região e depois vamos para outras cidades". Grossos e Tibau. dois funcionários da Prefeitura de Areia Branca e três policiais civis.7% dos municípios potiguares têm policiais civis (muitos com apenas um agente). mostra que apenas 22. mas não tem policiais civis suficientes no RN. Só em Mossoró e cidades vizinhas. disse ontem que já começou a tomar providências para evitar ser prejudicado judicialmente. estimado pelo sindicato da categoria em aproximadamente 5 mil no Rio Grande do Norte. O Governo do Estado anunciou que vai repor essas lacunas. "Como é que eu vou trabalhar sem . disse Araújo. prevendo concluam ainda neste mês. Foto: Adriano Abreu. forçou a utilização de policiais militares nas delegacias de Polícia Civil. A ordem do comandante-geral da Polícia Militar. em setembro de 2009. Um levantamento feito pelo Sindicato dos Policiais Civis e Servidores do Itep (SINPOL) do Rio Grande do Norte. que eram cedidos pelos batalhões às delegacias. quase 30 policiais militares foram removidos ontem. Das 167 cidades potiguares. Alguns são utilizados como agentes e outros como escrivães. a equipe era improvisada com dois policiais militares.44 parados. Ele diz que comunicou ao Ministério Público e o Poder Judiciário que vai atrasar todos os processos que são feitos hoje na sua área. coronel Francisco Araújo Silva. Os delegados de Pau dos Ferros e Alexandria já anunciaram que vão "fechar" as portas sem seus militares. Na DP de Areia Branca. que responde por Areia Branca. O delegado Roberto Moura. 129 delas não têm policiais civis e o trabalho de investigação vinha sendo feito com o apoio de policiais militares.

a Delegacia Especializada em Furtos e Roubos (DEFUR) foi uma das mais afetadas. Entretanto. sediada em Mossoró. principalmente no interior do Rio Grande do Norte. que se apresentava como uma das mais atuantes da cidade. é outra que foi muito afetada com a decisão. adiantou que a quantidade de operações de combate ao tráfico de entorpecentes tende a cair significativamente. Se hoje a PM tirar todo mundo fecha". já que perdeu quatro militares.45 escrivão? Não tem como se trabalhar sem essa pessoa. De todas as cidades da região. Abriu à tarde. dois agentes e quatro policiais militares. escrivães e até carcereiros. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED) do RN anunciou que fará a reposição dos policiais militares. A unidade trabalha hoje somente com o registro de ocorrências policiais. atuando como agentes. Denys Carvalho. A equipe era formada por um escrivão. colocando agentes e escrivães civis. A cobrança está sendo feita a partir da Secretaria de . Araújo enfatizou que os militares estavam sendo desviados de suas reais funções. A delegacia fechou as portas pela manhã. Em Mossoró. Com esse reforço de aproximadamente 100 homens. PMs eram mais de 50% do efetivo. o cenário é o mesmo. os policiais serão indicados de acordo com as especificidades da categoria. irá ajudar a reduzir os índices de violência. A unidade tem somente um escrivão de Polícia Civil. o que segundo o comandante-geral da PM no RN. a reposição ainda não havia acontecido. Na Divisão de Polícia do Oeste. delegado da Narcóticos. está prevista a chegada de 20 novos policiais. também em Mossoró. Para a região de Mossoró. O trabalho investigativo era feito por cinco policiais militares. A Delegacia de Narcóticos. a Sesed tentou repor de maneira voluntária. até o fim da tarde de ontem. Sem os policiais militares. todos reintegrados ontem à Companhia de Polícia Militar de Apodi. Mas nenhum policial de Natal se candidatou à mudar para o interior. Diante disto. Comandante quer reforçar prevenção Os policiais militares que foram retirados das delegacias de Polícia Civil estão sendo integrados ao trabalho de policiamento ostensivo. mas não teve condições de realizar nenhum procedimento. Araújo espera conseguir aumentar as ações ostensivas. Inicialmente. uma das situações mais graves foi na delegacia de Apodi. "Estamos trazendo os policiais para o policiamento ostensivo porque estamos sendo cobrados. coronel Francisco Araújo Silva. Os militares representavam mais de 50% do efetivo da delegacia.

Precisaria de. mas ficaria impossível de trabalhar". São dois agentes civis e dois militares. "Apesar do meu contingente ser pequeno. caso os policiais militares que trabalham como policiais civis sejam realmente retirados das DPs. já que os policiais são deslocados mediante o pagamento de diárias operacionais. O delegado regional de Alexandria. que é delegado regional de Pau dos Ferros e responde por 18 cidades do Alto Oeste. Se não houver a reposição. "Com cinco policiais. investigações que já estão em andamento. Ele destacou que recentemente os índices de homicídio avançaram de maneira preocupante em Mossoró e policiais militares foram enviados de unidades da capital para intervir. Seria um prejuízo muito grande para nós. a Delegacia Regional de Pau dos Ferros tem 12 policiais militares e cinco agentes civis (PMs atuam como escrivão). reforçou Araújo. Acaba serviço de investigação. devido o desvio de função. Inácio Rodrigues de Lima. Não tem como continuar sem esses policiais". a delegacia fecha. Ele hoje é responsável pela Polícia Civil em sete cidades. conta hoje quase que exclusivamente com os policiais militares para manter em pleno funcionamento a atividade policial nessas quase 20 cidades que atua.46 Segurança. anunciaram que quase todas atividades realizadas naquela região serão suspensas. cobrando maior ostensividade". para trabalharem no mesmo regime que trabalho hoje com os policiais militares. Em algumas unidades. quatro escrivães. Eu não digo que fecharia as portas. O oficial lembra que. mais da metade do efetivo é de PMs Os delegados regionais de Pau dos Ferros e Alexandria. Entretanto. revezando os dois. é impossível manter o funcionamento da Polícia Civil na minha região. avaliou Célio. A previsão. o efetivo dos batalhões foi reduzido. Hoje. Vai funcionar como plantão. é que todos esses policiais estejam de volta ao serviço de policiamento ostensivo ainda no mês de agosto. são apenas dois policiais militares. que juntos atendem quase 30 cidades do Alto Oeste Potiguar. nesse caso. Araújo lembrou que essas operações representam um custo alto para o Governo do RN. que trabalham como escrivães. eles trabalham os sete dias da semana. combate ao tráfico de drogas. adiantou o Inácio Rodrigues. já anunciou que não terá como manter a atividade policial sem a ajuda dos militares. Célio Fonseca. no mínimo. . fora os custos com combustível e manutenção dos veículos que vêm da capital. segundo disse ontem o comandante-geral da Polícia Militar. Acaba a Polícia Civil de Pau dos Ferros.

Em alguns casos. além do risco de falta de segurança naquele distrito. 7. por não ter condições de atender a toda a população. Foto 3: Imagem de dois presos no solário da Delegacia.br/noticia/sem-vagas-na-cela-delegaciaimprovisa-area-para-presos/195142 Publicado em: 8 set. além dos 32 que se espremiam em uma cela onde deveriam estar apenas 10 detentos. como em Pau dos Ferros/RN. a delegacia corre o risco de fechar. DELEGACIA IMPROVISA ÁREA PARA PRESOS 4 Esta reportagem trata da realidade da Delegacia de Plantão zona Sul de Natal. Ontem.47 De acordo com o teor desta reportagem. a reportagem voltou ao local e ao invés de dois. publicada no site do jornal Tribuna do Norte on line. onde pode ser lido a seguinte matéria na íntrega: A superlotação na Delegacia de Plantão zona Sul só faz piorar. . A Delegacia de Plantão da zona Sul é o reflexo do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte. com apenas cinco agentes da Polícia Civil. Foto: Adriano Abreu. o que explica 4 Disponível em: http://tribunadonorte. Há hoje uma demanda reprimida de 4 mil vagas. Fonte: jornal Tribuna do Norte (2012). retirando a maioria dos Policiais Militares que se encontram nas cidades do interior. citado nesta reportagem. 2012.4 SEM VAGAS NA CELA. que se encontram com um quadro de agentes bastante defasado. chamada pelos agentes de solário. 2011. Acesso em: 30 abr. estavam detidos nessa área 21 presos. Há menos de 15 dias a reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no local e flagrou dois presos algemados em uma área aberta. o Poder Público não demonstra interesse em pelo menos facilitar o trabalho dos Policiais Civis.com. auxiliando os serviços necessários.

A situação apresentada por Olímpio na ponta do lápis. quando o limite de vagas corresponde a 355 lugares. A informação tem como fonte o titular da Coordenadoria de Administração Penitenciária Estadual.os policiais civis em desvio de conduta. Na manhã desta quarta-feira (07) a delegacia de Plantão da zona Sul tinha 53 presos custodiados entre uma cela na qual estavam 32 presos . na zona Norte da capital. uma vez que alguns atuam como agentes penitenciários . aqueles profissionais que lidam diretamente com tal cenário .767 presos se espremendo em apenas 2085 vagas disponibilizadas pelo setor. ser um paliativo para o problema mencionado. Um agente da polícia Civil relata que a presença dos detentos no local prejudica o serviço prestado a população. prevê o agente penitenciário. uma vez que a atenção dos que ali permanecem em serviço tem de ser dividida entre presos e os que buscam a delegacia.e o solário. ilustrou o APC. que revelou existirem em todo o RN 5. . "Isso aqui é uma bomba relógio prestes a explodir". presídios e centros de detenção provisória. José Olímpio da Silva. que vem sendo preparado para receber 100 presos provisórios. Dentre aqueles que surgem como bálsamo para a ferida social que se tornou a superlotação de cadeias públicas. A TRIBUNA DO NORTE já publicou várias reportagens mostrando detentos presos a motocicletas ou em corredores por falta de vagas.a situação só piora. Mesmo diante do desconforto e risco.espaço onde caberiam apenas 10 pessoas . é assustadora. A situação da DP é precária há vários meses. "Está tudo lotado e a tendência é piorar enquanto novas vagas não forem criadas com a construção de outras unidades e o fim das obras naquelas que foram iniciadas". estão o prédio da antiga Delegacia Especializada na Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (Deprov). Delegacias Não há solução em curto prazo anunciada. O novo pavilhão de Alcaçuz cuja estrutura deve permitir a absorção de mais 402 presos condenados deve.48 a superlotação em todas as unidades prisionais da Grande Natal e na maioria daquelas situadas no interior do Rio Grande do Norte. à curto prazo. E nesse período . Somente nos Centros de Detenção Provisória da Grande Natal existem hoje 874 pessoas em conflito com a lei à espera de julgamento.aceitam falar sobre o assunto sob a condição de ter a identidade preservada. no qual 21 homens esperavam por uma decisão judicial que determinasse um novo endereço.

"Meu filho quebrou esse vidro porque o homem passou fazendo sinal feio pra ele com o dedo". Foto: Alex Régis. a doméstica de 53 anos conta o martírio pelo qual tem passado desde que. ele também ingeriu bebida alcoólica. Neste espetáculo. foi preso acusado de depredação de patrimônio.considerando que o "xadrez" comporta no máximo duas pessoas e 10 estão alojadas -. Sobre o tempo de permanência daqueles que "repousam" naquela carceragem. afirma que a situação não é das piores. "Constantemente os presos são transferidos para outros locais. Marco da Silva Santos. uma vez que a permanência deles não é prolongada. Fonte: Jornal Tribuna do Norte (2012). Aliado a falta do remédio. Na delegacia de Plantão ZS. 34. o delegado que estava de serviço. Já na delegacia de Plantão da zona Norte. E a entrada de preso aqui é sinal de que a polícia está trabalhando. mesmo havendo uma relativa superlotação . Agora. avaliou. "O ideal seria uns 10 agentes para a gente fazer um serviço de qualidade". 21 presos dividem o mesmo espaço. fato que o teria levado a quebrar o vidro de um carro. no Alecrim. o policial admitiu que alguns chegam a passar mais de 30 dias à espera do recambiamento para uma unidade prisional. Precariedade preocupa familiares Policiais e presos não são os únicos personagens que parecem viver em constante corda bamba. Jairo Maia. os familiares também expressam a dificuldade de lidar com a permanência de seus entes queridos em ambientes inadequados. há duas semanas.49 Foto 4: Por falta de espaço na cela. avaliou o DPC. narrava ela entre lágrimas expondo não ter os R$ 500 de fiança para garantir . Segundo ela. o filho é doente mental e fazia alguns dias que não tomava o medicamento receitado. Nossa parte está sendo feita. precisa que existam vagas para esse pessoal".

. porque nós não recebemos esse papel. contou ela parte da história do esposo. No entanto. 2012.com/noticias/policia/fugas-em-delegacias-representam-maistrabalho-para-a-policia/29929/ Acesso em: 30 abr. a atuação da polícia e das próprias Secretarias de Segurança Pública e Justiça e Cidadania tem colocado em cheque a atual situação dos presos. estão sofrendo com a ausência do pai e do dinheiro que ele levava para casa. superlotadas de presos e sem condições de dar a devida assistência aos familiares dos presos e a própria sociedade. A jovem disse ainda que o Alexandro é o provedor da família e que as duas filhas.50 a liberação do parente. dependendo de vistos e documentos de superiores. "E ele fica no meio dessa 'ruma' de homem. quem também fala das dificuldades e temores pelos quais tem passado é a esposa de Alexandro Mathias. policiais e até mesmo delegados são investigados por facilitação de fugas. uma de 11 meses e a outra com sete anos. Mas ontem (06) ele se apresentou porque tinham mandado uns documentos e ele não tinha se apresentado ao Juiz. ao mesmo tempo. O documento que eu tenho é dizendo que ele tá no regime semi-aberto". "Ele ficou preso no CDP da Ribeira uns quatro meses. mais precisamente em Natal. faz com que a sociedade fique receosa sobre a qualidade dos serviços prestados e a própria questão da Segurança. muitas vezes pouco esclarecidos. e depois foi liberado. 23. Arma Ainda na mesma unidade. Mesmo com as delegacias sem estrutura adequada para abrigar dezenas de homens. aponta a senhora. em 2008.nominuto. Colocar em nota de rodapé Disponível em: http://www. preso em 2008 por porte ilegal de arma. A própria burocracia que é mal utilizada no ambiente de trabalho. das apurações sobre o envolvimento de policiais e delegados que estão sendo investigados por facilitarem a fugas de vários presos. que é a questão das superlotações de celas e. É um perigo muito grande". As constantes fugas nas delegacias do Rio Grande do Norte sem dúvida mostram a fragilidade do nosso sistema prisional.5 FUGAS EM DELEGACIAS REPRESENTAM MAIS TRABALHO PARA A POLÍCIA Esta reportagem trata de uma questão bastante polêmica nas Delegacias do Estado do RN. Esta reportagem mostra exatamente a realidade das Delegacias. Mas nunca ficou claro que era pra ele ir de novo. 7.

Jornal No minuto on line (2012). ele teria incitado os presos a derrubarem as grades das celas. “Se eu não me esforçasse para impedir que homens fugissem daqui. para o titular da delegacia mais lotada da grande Natal. Então. Na época. Foto 5: Delegacia de Parnamirim. que deveriam ter no máximo oito homens cada. . Já tivemos época com 108 presos e sempre conseguimos contornar a situação. a de Parnamirim. que teria mais um bandido perigoso assustando a sociedade. mesmo com todas as dificuldades nós fazemos de tudo para evitar as fugas”. Apesar de exemplos como o da DP de Parnamirim.51 No entanto. Segundo fontes do Nominuto.com. com certeza seria pior para mim. algumas delegacias e policiais estão sob investigação de facilitação para que presos tenham fugido. a fuga de presos só representa mais trabalho para a polícia. como 91 presos divididos em seis celas. explica Graciliano Lordão. As dificuldades apontadas pelo delegado são os 91 presos alojados em seis celas. inclusive um delegado da Polícia Civil é investigado por uma fuga ocorrida na cidade de Ceará-Mirim. identificando possíveis tentativas rebelião ou fuga”. Fonte: Thyago Macedo. “Contudo. no ano passado. desde maio de 2007 nós não registramos uma fuga na Delegacia de Parnamirim.

Com isso. afirma. por exemplo. a delegacia continua do mesmo jeito. esse mesmo delegado foi transferido para o 14º Distrito Policial. eles só saem daqui condenados de justiça. cabe a nós cuidarmos para que eles não fujam”. desabafa. a possibilidade de fuga é muito grande. diante da falta de estrutura física. O delegado ressaltou que a cidade de Parnamirim cresceu bastante nos últimos anos e a criminalidade acompanha esse crescimento. pela própria psicóloga do CIASP. os presos ficam no solário e poucos policiais trabalham na unidade. a Doutora Sueli Ferreira.52 “Por coincidência. “Nas delegacias de plantão. O policial em si. causa-lhe uma sensação de impotência. de tal forma que passa a ser percebida pela sociedade . que não quis se identificar. informou a fonte. ao contrário disso. “Nós temos presos que estão aqui em Parnamirim há mais de um ano e já tivemos um que ficou quatro anos. duas fugas foram registradas”. e enquanto ele esteve lá. Ou seja. em Felipe Camarão. o delegado Graciliano Lordão destaca que a responsabilidade tem que ser desde os agentes até as autoridades estaduais e a justiça. não há nenhuma perspectiva dessa situação ser resolvida”. Essa cidade já era pra ter uma cadeia pública. “Apesar disso. que acabam não se importando se um preso vai fugir ou não. mas. Diante do exposto. Com isso. esta série de reportagens serve como um norteador sobre a veracidade dos fatos que foram apresentados pelos policiais civis entrevistados. como também ao nível de estresses e de patologias causadas em consequências do próprio trabalho. Por outro lado. 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS O ambiente de trabalho do policial Civil. No entanto. O policial complementou dizendo que a falta de condições de trabalho desestimula os agentes. como foi analisado anteriormente. como a que ocorreu no fim de semana na Plantão zona Sul”. gestora e financeira. ao descrever a situação de trabalho destes profissionais. torna-se bastante promissor para o desenvolvimento do estresse. sua decepção diante da impossibilidade em exercer sua função conforme a lei. do seu valor para a sociedade no que compete ao órgão da Polícia Civil sobre a questão da segurança pública. no transcorrer de suas funções. como também. é consciente da importância da sua função.

por parte das autoridades competentes. contribuindo inclusive para o surgimento de patologias crônicas comprometedoras em relação à saúde destes profissionais. . O próprio volume de atendimento no CIASP revela a urgência desses profissionais. possa servir como fonte de informação e conscientização sobre a verdadeira função da Polícia Civil em todo o território nacional. impossibilitandoo de exercer a sua função de acordo com as necessidades reais da sociedade e o seu verdadeiro teor presente na Constituição Brasileira em vigor.53 diante das suas reivindicações não atendidas. Necessita-se neste ambiente. suas atividades realizadas normalmente e que a sociedade possa ter um novo olhar sobre a importância do seu trabalho no que tange à necessidade da manutenção da segurança pública nacional. pelo menos. de forma que estes profissionais possam sentir-se motivados no exercício da sua função. diante da impotência da polícia em poder repreendê-los. além dos próprios infratores que veem-se beneficiados e encorajados a praticarem seus delitos. mais precisamente no Estado do Rio Grande do Norte. em um momento em que o policial civil enfrenta um nível de estresse bastante superior a um índice consideravelmente aceito como normal. em novos investimentos na estrutura organizacional. Cabe ainda ao Estado se conscientizar de que as delegacias de polícia não podem ser confundidas com prisões e que os agentes da Polícia Civil não devem ser desviados de suas verdadeiras funções. burocrática e humana. que debilita aos poucos suas condições físicas e psíquicas. e um ambiente de trabalho completamente sucateado e abandonado pelos representantes da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Entre a satisfação em fazer aquilo que gosta e a desmotivação por saber que seu trabalho não pode ser executado de forma eficiente. desejandose que. uma reestruturação geral quanto ao seu espaço físico e a forma de execução de suas tarefas. este trabalho chega preliminarmente ao seu final. para servirem de agentes penitenciários ou carcereiros. causa níveis de estresse bastante preocupante entre os Policiais civis. de forma que A segurança pública seja visualizada de forma clara. Dessa forma.

São Paulo: Rideel. Rio de Janeiro: Qualitymark/Dunya.54 REFERÊNCIAS BOM SUCESSO. 8. Constituição (1998). Anne Joyce Angher. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. BRASIL.ed. Org. 1997. . Trabalho e Qualidade de Vida. Edina de Paula. 2002.

Delegacia Geral de Polícia Civil. Natal. 1996.55 CONSTANTINO. FERNANDES. Qualidade de Vida no Trabalho: como medir para melhorar. Relatório Situacional das Delegacias de Polícia Civil nas comarcas do interior do Estado. Marcus Vinícius Carvalho. São Paulo: Lemos e Cruz. 12.ed. Roberto Brocanell. Vade Mecum 800 em 1. Carlos Ernani.ed. 3. Petrópolis: Vozes. São Paulo: Cortez. 1994. Diretoria Administrativa. GOMES.ed. 9. 1992. CORONA. 2009. Salvador: Casa da Qualidade. 5. reimp. agosto de 2009. . DJOURS. RODRIGUES. A Loucura do Trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. Eda. Christophe. Fábio Cantizani. Qualidade de Vida no Trabalho: evolução e análise no nível gerencial.