UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAIBA - UNIVAP

MARCELO VIEIRA
9 CNA

DIREITO ADMINISTRATIVO
O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA EFICIÊNCIA NA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

São José dos Campos - SP
2015

4Considerações finais. 1. como forma de torná-los mais ágeis e eficientes. tudo isso através de princípios. setor problemático em termos de eficiência. destinada a atender de modo direto e imediato. INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta a discussão acerca da eficiência e celeridade dos serviços prestados pela Administração Pública. 37 da Constituição da República pela Emenda Constitucional n° 19.O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA EFICIÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Resumo: O artigo apresenta o conceito de princípios. Palavras-chave: Princípios. 3. para verificar se a eficiência consiste em direito do cidadão e dever do agente público e quais os meios que a sociedade tem para reivindicar a concretização deste direito/dever estabelecido pela Lei Maior. administração pública. sujeitando os seus entes a uma série de imposições previstas em lei. cidadão. 2-Conceito de princípio jurídico. a administração funda-se no regime jurídico-administrativo para buscar proteger o interesse público. que é a atividade desenvolvida pelo Estado. Estuda os reflexos no perfil da Administração Pública. com vistas a desburocratizar e tornar eficiente as contratações públicas. 3-Princípio constitucional da eficiência. licitação pública. inserido explicitamente no art. Um deles é o princípio da eficiência. aborda a necessidade de mudança nos procedimentos licitatórios. de 04 de junho de 1998. lhes atribuindo um leque de deveres. eficiência. focalizando o princípio constitucional da eficiência. . Sumário: 1-Introdução.1-Eficiência: direito do cidadão e dever do agente público. Para desenvolver suas atividades. sob o regime de Direito Público. face às mudanças sociais e econômicas do mundo. necessidades concretas da coletividade. considerando a importância destes para o ordenamento jurídico como um sistema. através da implantação da modalidade pregão na Administração Pública. Referências. Concluindo.

A forma de controle. Além disso. que são representados pelos princípios jurídicos. Assim. tentando coibir os abusos por parte dos seus governantes. como instrumentos importantes para a sociedade e para a própria administração. harmonia entre os mesmos. visando melhores resultados ao cidadão. e estavam precisando de respaldo para cobrar dos agentes públicos resultados satisfatórios na aplicação do dinheiro público. Para abordar o . que norteiam o comportamento dos indivíduos. surge e necessidade de regras que fazem com que a sociedade siga determinados valores. o que tem resultado. criando. em tese. este estudo tem o objetivo de apresentar a importância do princípio da eficiência como rol dos princípios da Administração Pública. pela Emenda Constitucional nº 19. segundo parte da doutrina especializada. Por outro lado. o Estado. é a inclusão do princípio da eficiência na Constituição da República. os cidadãos estão cansados do mau serviço prestado pelo Estado. 2. vamos verificar que se há necessidade de controle. Esse princípio veio em boa hora. apresenta um conjunto de normas que expressam esses valores de harmonia e convivência social. como um direito do cidadão e dever do agente público na questão da eficiência. CONCEITO DE PRINCÍPIO JURÍDICO Em uma sociedade temos diferentes tipos de comportamentos. Assim. em lentidão e ineficiência na prestação de suas atividades e serviços. como responsável pela regulamentação da ordem social.São frequentes e históricas as críticas sobre a forma como a Administração Pública desenvolve suas atividades em relação à ineficiência e ao descaso com que são conduzidos os serviços prestados pelo Estado. Para evitar conflitos e tornar suportável a convivência entre as pessoas. se de forma interna ou externa. pois hoje não se pode mais imaginar uma Administração Pública gerida com descaso e produzindo resultados insatisfatórios. Nesse sentido. na busca pela eficiência. se tornou excessivamente burocrática. vai ser abordada no presente texto. já que passou a integrar o regramento constitucional. o qual tem o objetivo primordial de satisfazer o interesse coletivo. de 04 de junho de 1998 – EC nº 19/98. Prova disso. A administração pública do Estado de Direito. tem-se percebido uma preocupação pela melhoria na qualidade dos serviços públicos. esse controle passa pela eficiência.

Os princípios não se sobrepõem entre eles e seus conflitos são resolvidos diante da situação fática. as regras prescritivas de condutas. Alguns princípios estão expressos no ordenamento jurídico. Dessa forma. outros se encontram implícitos. Os princípios. o que ocorre com o princípio da eficiência. tornam-se conceitos formadores de direito e todas as normas existentes no mundo jurídico devem ser compreendidas à luz desses princípios.” (MELLO. verdadeiro alicerce dele. Elas são válidas ou inválidas. indiscutível a importância de todos . resultando um conjunto de regras que refletem no conceito de ordem e justiça. explicitou como princípios básicos a que esta atrelada a Administração Pública os seguintes: legalidade. exercendo função orientadora à criação. 2000. impessoalidade. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. mas a todo o sistema de comandos. com a nova redação estabelecida pela EC nº 19/98. A Constituição da República. sempre decorrem de princípios que podem ou não estar positivados. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes de um todo unitário que há por nome de sistema jurídico positivo. mandamento nuclear de um sistema. que dão um sentido lógico e harmonioso. No caso da existência de conflito entre duas regras a serem observadas para resolver determinado conflito. Embora. enquanto um valor anterior à própria regra podem ser positivados.tema dos princípios. Por outro lado. 37. moralidade. Decorrência disso podemos dizer que dentro de um ordenamento jurídico existem duas espécies de normas: os princípios e as regras. mas nem por isso são menos importantes. o que não implica a exclusão do princípio. interpretação e aplicação da norma. já que por alguns é considerado de menos peso. caput. princípios são idéias centrais de um sistema. não se permite esse tipo de solução. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo. em seu art. pois acabam sendo pacificamente aceitos pela doutrina e jurisprudência por sua indispensabilidade para um sistema como um todo. por definição. Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma qualquer. Os princípios constitucionais dão coesão ao sistema jurídico e condicionam a existência e validade das normas infraconstitucionais à perfeita sintonia com os fundamentos que transmitem. 747-748) Nesse sentido. podemos aproveitar a preciosa lição de Celso Antônio Bandeira de Mello que nos dá o seguinte conceito: “é. pp. a publicidade e a eficiência.

) o Estado democrático de direito é executor e fomentador da prestação de serviços coletivos essenciais. vive um constante processo de mudança. em razão de que este crescimento atingiu proporções difíceis de serem administradas. Na busca desesperada e precipitada para uma solução desse problema. de comodismo e de más-administrações. afirmam que durante muito tempo fezse da Administração Pública um comércio de paternalismos e descasos. normalmente vinculadas às supostas dificuldades do Estado em prestar serviços adequados.”. qualidade e eficiência nos produtos e serviços públicos. segundo alguns analistas. com constantes privatizações. foi verificada nos últimos tempos. entendemos que é um dever do próprio ente estatal. conforme Paulo Modesto. Decorrem também. Importante salientar que as exigências não vêm apenas do neoliberalismo e das mudanças mundiais que estão ocorrendo. 3. (MODESTO. ou seja. Por outro lado. já que mais que um direito do cidadão. O Brasil vem enfrentado grandes reformas em sua estrutura. decorrente das mudanças mundiais. justificando os recursos que extrai da sociedade com resultados socialmente relevantes. tornando-se.os princípios da Administração Pública. . Este quadro estaria levando o Estado ao esgotamento. uma redução expressiva do Estado. pois teria assumindo tarefas dispensáveis que o sobrecarregaram. do Estado Democrático Social que busca o bem da coletividade. pois. 2006).. (.. seja de ordem pública ou privada. tanto econômicas como sociais que refletem em vários segmentos da sociedade. exigindo cada vez maior rapidez. É o Estado social que não pode descuidar de agir com eficiência. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA EFICIÊNCIA O mundo globalizado está sempre em transformação. muito grande e pesado. interferindo nas atividades realmente essenciais para a coletividade. e o Estado passa a assumir inúmeras delas. Essas transformações acarretam um aumento de atividades. far-se-á uma abordagem acerca do princípio da eficiência. Diversos analistas apontavam a falta de eficiência provocada pelo acúmulo de atividades e pela burocratização de todo o quadro administrativo. o que teria gerado este “monstro ineficiente”.

Diante da necessidade de adequação a essas mudanças rápidas.” MEIRELLES (2000. Neste sentido. moralidade.Na legislação pátria o termo eficiência já aparecera relacionado à prestação de serviços públicos. o Estado vem mudando seu perfil. sem distinção de qualquer espécie”. impessoalidade. Associado à Administração Pública. que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade. de modo rápido e preciso. de 04/04/1990. a negligencia. exigindo resultados positivos. têm que ser estabelecidas no ordenamento jurídico. para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros. em nome da eficiência. regularidade. Embora somente recentemente este princípio tenha ganhado status de princípio constitucional. O principio da eficiência vem suscitando entendimento errôneo no sentido de que. publicidade e eficiência (. 37 da Constituição da República (Brasil. o principio da eficiência determina que a Administração deva agir.. É o mais moderno princípio da função administrativa.. Os dois princípios constitucionais da Administração devem conciliar-se. 2007): “Art. E estas adequações. 90-91). em face da própria submissão da Administração e do Estado à legalidade. um dos passos importantes deste processo de mudança é justamente a EC n° 19/98. Tem-se visto nos agentes públicos uma preocupação muito maior com a qualidade da Administração Pública. no art. Da mesma forma. uniformidade. a omissão – características habituais da Administração Pública brasileira. 37. O vocábulo liga-se à ideia de ação. para produzir resultados que satisfaçam as necessidades da população. 90-91) já citava a eficiência como “(. acrescentou o princípio da eficiência dando nova redação ao art. perfeição e rendimento funcional. prestado com eficiência. p. diz que “ao usuário fica garantido serviço público compatível com sua dignidade humana. par produzir resultado de modo rápido e preciso. dos Estados. pontualidade.. Eficiência contrapõe-s a lentidão. parágrafo único. doutrinadores como Hely Lopes Meirelles (2000. É este o quadro que se coloca para a inserção da eficiência como princípio constitucional. que. a Lei Orgânica do Município de São Paulo. com raras exceções. dentre outras mudanças.) o que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições com presteza. dentro da legalidade. pp. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. . a legalidade será sacrificada.)" (grifo nosso). a descaso. 123. conforto e segurança. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. buscando esta atuar com eficiência..

e que..Completando este entendimento. Ao ser estabelecido na norma constitucional o princípio só veio a contribuir para uma conscientização mais concreta dos agentes públicos. Essa conscientização já é um grande passo. E ainda. não pode descuidar da eficiência no exercício de suas funções. (. por meio do exercício de suas competências de forma imparcial. 83).) impõe à Administração Pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum. a prestação de serviços essenciais à população. “o poder público somente cuida daquilo que é essencial e fundamental para a coletividade. p. pois. de forma a justificar os recursos gastos. 30) Temos que enfatizar que a gestão com eficiência sempre foi um dever do administrador. visando a adoção de todos os meios legais e morais possíveis para a satisfação do bem comum. conforme Alexandre de Moraes (1999.. Nota-se que não se trata de consagração da tecnocracia. 2002. presteza e resultados positivos. p. também com o mesmo objetivo de alcançar os melhores resultados na prestação do serviço público. p. ressalta autora que o princípio da eficiência (. transparente. sem burocracia e sempre em busca da qualidade. neutra. para lograr os melhores resultados. disciplinar a Administração Pública. eficaz. como ocorre com a iniciativa privada. p. 30). e em relação ao modo de organizar. estruturar.. para o autor. Não basta que o administrador. de maneira a evitar-se desperdícios e garantir-se uma maior rentabilidade social.” (MORAES. do qual se espera o melhor desempenho possível de suas atribuições. participativa. ao exercer . muito pelo contrário. primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para melhor utilização possível dos recursos públicos. que muitas vezes é culpa dos próprios administradores que usam o nepotismo e a politicagem. um dever de mostrar rendimento funcional. onde o serviço mal prestado não implica em perda de mercado. eficaz e eficiente”. deve ser bom. Embora a Administração Pública não conviva com a competitividade. 83) afirma que uma administração eficiente pressupõe qualidade. o princípio da eficiência dirige-se para a razão e fim maior do Estado. portanto.) apresenta dois aspectos: pode ser considerado em relação ao modo de atuação de agente público.. Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2002. Nesse sentido o princípio da eficiência. pois é necessário perceber que não basta proceder a avaliações periódicas dos servidores ou abrir processos administrativos para apurar a ineficiência. perfeição e rapidez dos interesses coletivos. 1999.” (DI PIETRO. em termos de administração pública. constituindo.

embora ainda não da forma desejada. alcance a finalidade pública.) os princípios jurídicos não devem ser encarados como compartimentos estanques. é no mínimo tão absurdo que dizer que uma empresa privada pode praticar atos ilícitos. para quem que (. é fundamental que atue com eficiência. é preciso que o operador jurídico compreenda que os princípios da legalidade. e não pode justificar a transgressão de um em razão do cumprimento de outro. desde que isso contribua para aumentar sua eficiência. 90) já afirmava que “na administração prestadora. Entretanto. É entendimento de Vladimir França. não basta ao administrador atuar de forma legal e neutra. pois “dizer que a administração esta autorizada a praticar atos ilegais. Da mesma forma que a Administração Pública já evoluiu em vários outros aspectos. Nesse sentido. Isso que o autor afirma. Portanto. Outro doutrinador que nos auxilia a compreensão a respeito é Antônio Carlos Cintra do Amaral (2006). desde que isso contribua para aumentar sua rentabilidade”. p. Entretanto. com rendimento. tem condições de alcançar a eficiência. Hely Lopes Meirelles (2000. (FRANÇA. incomunicáveis. da impessoalidade. isto deve acontecer da forma mais eficiente possível. havíamos abordado lá no início da exposição: os princípios devem ser interpretados conjuntamente. Para que a eficiência seja resultado da administração. não é demais afirmar que a Administração Pública está atrelada a todos os princípios. o entendimento majoritário é que são princípios que se complementam para auxiliar no exercício da função administrativa. E existem dados que demonstram .. Somente haverá respeito e observância do princípio da eficiência administrativa quando o administrador respeitar o ordenamento jurídico como um todo. a fim de que o processo de eficientização dos serviços prestados possa ter um caráter de continuidade. não basta apurar a ineficiência. Assim. é preciso aperfeiçoar os serviços e qualificar o servidor de carreira. da moralidade. adotando procedimentos mais céleres. Contudo. há uma discussão na doutrina sobre a compatibilização do princípio da eficiência e o da legalidade. pois não podemos considerá-los estanques.suas funções. maximizando recursos e produzindo resultados satisfatórios”. constitutiva.. mas que existe uma busca nessa direção. podemos perceber que essa mudança vem ocorrendo. é necessário implantar verdadeiramente a eficiência na Administração Pública. da publicidade e da eficiência são elementos que devem ser conjugados para o melhor entendimento do regime jurídico administrativo”. os princípios não devem ser olhados isoladamente. 2006).

Esse princípio é uma poderosa arma da sociedade no combate a má administração. A inclusão expressa do princípio da eficiência na Constituição da República faz com que o bom resultado nos serviços e um melhor aproveitamento do dinheiro. o agente público tem o dever de observar o princípio da eficiência. Dessa forma. num país cuja carga tributária é uma das mais elevadas do mundo. E este controle. etc. a eficiência passa a se constituir direito subjetivo público do cidadão. por se tratar de questão afeta a eles. a energia elétrica. a educação para todos. critérios objetivos para alcançar a eficiência na gestão pública. mas em decorrência do dever de agir segundo as competências estabelecidas no ordenamento jurídico. como a saúde. exigindo celeridade e eficiência na realização do alcance das finalidades e na aplicação do dinheiro público. o saneamento. Para isso é fundamental que o Estado estabeleça programas de qualidade de gestão. definição de metas e resultados. 3. mas terá que visar um serviço de qualidade e que satisfaz as necessidades coletivas. desenvolvendo programas de qualidade com o objetivo de alcançar um bom serviço prestado. se a sociedade paga os tributos. não basta atuar dentro das normas. Importante salientar que não basta . Poderíamos dizer que estabelecido como princípio constitucional. Em contrapartida. tem o direito de exigir serviços com bons resultado e saber como foi aplicado o dinheiro público. o lazer. que não é do montante da carga tributária que decorre o dever de eficiência.que muitas Administrações Públicas se destacam pela sua qualidade. Esse mandamento faz com que o Estado tenha que responder às expectativas quanto a suas funções básicas. sejam condutas exigíveis do administrador pela sociedade.1. como a discricionária dos agentes públicos. serão estabelecidos por normas jurídicas de cada um dos entes envolvidos. Isso porque o objetivo do princípio da eficiência é a própria satisfação do interesse público. Eficiência: direito do cidadão e dever do agente público Há muito tempo o cidadão encontra-se cansado da péssima qualidade dos serviços prestados pelo Estado e questiona cada vez mais a forma que este utiliza para alcançar seus fins. evidentemente. Estes programas. Ele dá legitimação para o controle da do exercício da atividade do agente público. Esclarecendo. abrange tanto a competência vinculada. tanto pelo cidadão como pela própria Administração Pública. ou seja.

a preocupação com reformas administrativas que. Ou seja.. ou seja. Isso porque o serviço público e a atividade administrativa do Estado como um todo. a satisfação do usuário (cliente). Para tanto é imprescindível que exista a atuação do Tribunal de Contas (controle externo). muitas vezes. e esta deverá ser tanto interna como externa.) Entretanto. (PEREIRA. Não basta. se a Lei Maior coloca como um dever do administrador público buscar a eficiência. e regulação legal das reclamações e avaliação periódica dos serviços. (. editar leis que se preocupam essencialmente com mudanças nos organogramas e na estrutura dos governos. e um direito do cidadão de cobrar e receber bons resultados. A criação de ouvidorias vai auxiliar os cidadãos e também o administrador na busca pela satisfação e eficiência nos serviços. o direito de participação do cidadão. 2006). até mesmo como resultado de uma conscientização dos cidadãos acerca de seus direitos. os órgãos deverão se estruturar para realizarem auto-avaliações periódicas quanto à qualidade dos serviços prestados. Esta é a previsão constitucional do § 3º do art. tem o direito de exigir uma contraprestação que tenha uma relação custo/beneficio satisfatória. é a criação de um órgão denominado “ouvidoria”. ou seja. deve visar o próprio cidadão. como um órgão receptor das reivindicações dos usuários dos serviços públicos. Entretanto. os quais também sofrerão a avaliação do controle externo.) podemos considerar a Ouvidoria como um órgão de controle que visa a eficiência da Administração Pública. em nome da eficiência. a norma constitucional prevê. É o entendimento de Ricardo Martins Pereira. que afirma: (. Nesse contexto.. têm sido desastrosas. órgão independente e autônomo. o controle da eficiência está cada vez mais rígido. e a busca por um serviço de qualidade está crescendo. além da eficiência. 37 que estabelece a disciplina legal das formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta. nem todos os administradores públicos criaram Ouvidorias nem tampouco buscam a qualidade dos serviços prestados em seus órgãos. Em contrapartida pela contribuição do cidadão aos cofres públicos. o Estado deve proporcionar e concretizar os meios e instrumentos para alcançar esta . Assim. assegurando este canal de comunicação com o cidadão... Dessa forma. um procedimento organizacional que vem ganhando corpo nos últimos anos pela Administração Pública. via de regra. desestruturando-os e perdendo o know-how já estabelecido. a qualidade dos serviços públicos deve ser avaliada periodicamente. agravando a situação na busca pela eficiência.

a própria Constituição da República estabeleceu mecanismos de controle. mas como o mecanismo de concretização do interesse do cidadão. vinculando mediatamente o agente público e o cidadão. Desta forma. constituem normas plenamente exigíveis e concretizáveis. como demonstração concreta de que a burocracia emperra a Administração e que sendo apenas instrumento não pode ser visto como o fim . a inclusão do princípio constitucional da eficiência através da EC n°19/98. O princípio da eficiência vem marcar uma mudança de perfil da Administração Pública. que passa a ter que utilizar o instrumental burocrático não como um fim em si mesmo. Um passo importante na concretização de um novo perfil estatal-administrativo é. individual ou coletivamente. vinculando mediatamente o agente público e o cidadão. Dessa forma. que passou a ter diferentes perfis. sendo um grande avanço para a concretização de uma Administração Pública eficiente. seu principal desafio é concretizar o princípio da eficiência sem descuidar da observância da legalidade. colaborando para o Estado alcançar seus fins. por várias vezes ocorreram reformas e contra-reformas para dar novo direcionamento à Administração Pública. todas estas reformas não conseguiram dotar o Estado-administração de credibilidade. Isso é um grande avanço para a mudança que tanto queremos na Administração Pública para o alcance da eficiência. a Administração Pública não pode desempenhar suas atividades sem se preocupar com o interesse da coletividade. sem dúvida. Para concretizar esse interesse. CONSIDERAÇÕES FINAIS De tudo que foi abordado aqui. a busca pela eficiência dos serviços prestados pelo Estado está cada vez mais evidente.eficiência e satisfazer o cidadão. agilidade e credibilidade dos serviços públicos. Ele estabelece uma nova condição do cidadão frente à própria atuação do Estado-administração. Neste sentido. sendo visto sempre como ineficiente e burocrático. 4. sendo importantíssimas as mudanças em todos os setores problemáticos. diferentemente do particular. e considerando que. entre os quais o da eficiência. perfil este que se preocupa com a qualidade. Embora possamos verificar que ao longo do tempo. entendemos que as prescrições constitucionais que se referem ao princípio da eficiência e às formas de controle.

São Paulo: Malheiros. Acesso em: 15 de março de 2015. pensamos que é chegada a hora de o Estado ser administrado de forma eficiente. Eficiência administrativa na Constituição Federal. O Princípio da Eficiência no Direito Administrativo. todavia. São Paulo: Atlas. Acesso em: 15 de março de 2015.br/doutrina/texto. Notas para um debate sobre o princípio da eficiência. Maria Sylvia Zanella.asp?id=344. temos a simplificação dos procedimentos formais da licitação. Reforma Administrativa: Emenda Constitucional nº 19/98. Propositalmente foi abordada a licitação neste trabalho. Acesso em: 15 de março de 2015. demonstrando que o controle da administração não se dá totalmente em razão dos procedimentos altamente formalizados e burocratizados e que devem ter em conta a concretização do interesse maior da coletividade. Disponível em: http://jus2. a própria EC n°19/98 vem estabelecer uma nova visão de celeridade e eficiência. Antônio Carlos Cintra do Amaral. Celso Antônio Bandeira de. REFERÊNCIAS AMARAL. primando pela qualidade e produtividade na prestação dos serviços de sua responsabilidade. FRANÇA. que o Estado deva ter a liberdade que tem a iniciativa privada para atuar. Vladimir da Rocha. Contudo. 2000. pois é em razão deste cidadão que foi criado pelo poder delegado pelo povo. . sendo necessário o respeito aos limites impostos pelo ordenamento jurídico pátrio. não apenas em alguns setores. 2002. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Alexandre de. Curso de Direito Administrativo. mas na totalidade. São Paulo: Atlas. BRASIL. MEIRELLES. Não significa. Direito Administrativo Brasileiro.com. MORAES. Concluindo. 2000. tentando fazer uma contraposição entre burocracia e eficiência. Mas é necessário que o Estado tenha em mente o cidadão.uol. Paulo. DI PIETRO. MODESTO. São Paulo: Malheiros. 2014. Direito Administrativo. acabando por colaborar com toda a atuação administrativa. Hely Lopes. 1999. MELLO. São Paulo: Saraiva.buscado. sendo assim.

Ricardo Martins. Acesso em: 15 de março de 2015. . A ouvidoria e o controle da gestão pública.PEREIRA.