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Professor

Ralph G. Stanton

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Marquez: de PomlDal

gamiCfo gasíeffo Branco

PERFIL
DO

ROUEZ DE
2.-^

EDIÇÃO

EDITORES-PROPRIETARIOS

PORTO—WOO

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PUBLICISTA CINCOENTA ANNOS.Sintonia ^còziaiic:> SOLDADO INTRÉPIDO E Sampato AMIGO INCORRUPTÍVEL DA UBERDADE QUE O FEZ GRANDE. MINISTRO ALGUMAS VEZES— E SEMPRE POBRE. OFFERECE O mais obscuro (^tí^m/i^ e agradecido dos seus amigos y^ance. C^izJ^/í^ G/J'^ .

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Escreveu-se sem partido. livres para glo- — — rificarem o despotismo. nem aos republicanos. Chamo «temperados» aos que se attempe- ram ás circumstancias do tempo e do meio. Déspoa mentira convencional tas para zelarem a liberdade. porque sSo mixtos tem três doses da bilis azeda dos três partidos. Nem aos absolutistas. esta obra de convicção. São a mascara. Sao os peores.PROEMIO r-^-^Vl^^i/M'-»— STE livro não pode agradar a ninguém. nem aos temperados. com uma grande e serenidade .

O marquez de Pombal resurge mais ou menos postiço e contrafeito dos moldes das três escholas politicas regimentares.PROEMIO Vlll e pachorra. as engrenagens do machinismo conservador ganharam uma da nos. A vida publica actual sente-se da boa e má influencia da historia de ha cem anOs mais avançados estão com o marquez de Pombal. ferrugem que as vae roendo. ao marquez de Pombal. A única talvez que poderia acceitar-me indulgentemente este livro de certo a absolutista m'o regeita. como padre. não procede de — — — — nem do desaggravo da repor amor ao homem. A religião da dogmática infallibilidade do papa que de- ôffecto ligião : cretou ao padre é a extincção da Companhia de Jezus. O meu ódio. estreme do chumbo e da escumalha de . guma das um Sou Nao ama nem desama se facçoens e fracçoens al- militantes. Vive-se mais das tradiçoens que das evoluçoens. Por outro lado. ferro. porque eu não participo do seu ao iniódio religioso não direi christão migo do jesuita. será difficil empreza desaggregar o bronze. em meio século. intranhado e único na minha vida. grande. mero contemplador da fundição do metal de que hade sahir a estatua da liberdade portugueza mas. .

Ora. é menos reprehensivel que Clemente xiv abolindo a Espirito e companhia depois de consultar o É o que nos diz a Bulia Sancto. como o do Clémence Robert. a ahi — Vao lá dizer a um concierge que o car- . nem tem um sério direito a queixar-se do marquez de Pombal cujas pretensoens. matando O ministro. não chega- ram á até infallibilidade. ca- expulsando o jesuita a pontapés. penso eu. lumniando.PkOEMiO IK nao merece que a gente se esfalfe e indisponha por conta d'ella. A realidade dos factos foi sacrificada a uma bandeira que lhe emprestaram. Dominus ac Eedemjjfor nosttr. n'um Ímpeto de perversão. A Democracia decerto repelie o meu livro da sua estante de historia e não lhe dará sequer a importância de o lér. um marquez de Pomsymbolismo a que chamou — adulterando-o até ás condiçoens fabulosas do mytho. eu escrevo de um bal^ homem quem chamo — déspota. EUa tem uma Ideia. feita das malhas dos ar- gumentos sediços. a Democracia nSo gosta de illaquear as suas theorias abstractas nas redes da pequena historia. Isso que passeou nas ruas foi um Pombal de romance. Quanto a refutal-o. Pozeram esse manequim deante do povo portuguez o mais rústico povo da Europa.

Factos. Bosquejei a biographia d'um homem feroz. de me observar que poderia ser peior. quanto aos aleijoens das sabidas partes da oração. pelo que respeita á substancia da obra ao que ella incerra bom e verdadeiro. Se elle podia ser melhor e fazer mais do que fez. É este um pleito em que se não faz mister engenho nem grandes predicamentos de controversista. diga-o a critica. A minha posição é excellente. escusa. É portanto péssima a situação do autor do livro. Pôde ser mas a verdade é assim que se escreve. nao creio. independente das faculdades vulneráveis do autor para isso não só se agradece. mas até se convida a critica. por que eu. se os distinctos partidos se houverem com elle menos indulgentes do que se lhes roga. porém. porque lhes bato com a historia porém. — — . . diriam que nao é assim que modernamente se escreve a historia. se alguns argumentadores com uma ignorância muito acidulada ou com deal I . com os documentos na mão. quod ahsurdum. Todavia. e não me esqueci de assignalar o maior numero de accessorios e contingências que o fizeram tao cruel.PROEMIO de Richslieu iniciou a liberdade da França Sq lessem este livro.

A idade-media desculpa Luis xi. A Democracia arriscou a ruins inciden- . a um tempo. o século de J. que não sabe fazer andar uma ideia levantada e grande sem a encostar ás muletas d'um titulo. nha historia queixada da com tel-os n'esse irracional do caso que o burro.'' Pierre envergonha-se de transmittir ao xix reis o os e marquez validos de espiados Pombal como um precur- sor e adail da civilisaçao humanitária. o século xviii. e simultaneamente sobrepunha na cabeça coroas heráldicas. e faço da mi- Samsao continuo fez ba- a — cora a queixada. adoptou um marquez o typo emblemático do poder absoluto que. Jacques o de Bernardin de S. quero dizer a historia.Xt í>ROEMIO uma notável má fé me contravierem que o meu methoio histórico é idiota e que o meu livro é bestial — lisonjas que eu já não estranharei — nem assim me desarmam os porque philisteus. perpetuando-as pelas geraçoens porvindou- a ideia — ras com os vínculos e morgadios próprios e usurpados. Só á de falta fulgores um nome pomposo sinistros em aureolado da que podesse encarnar e do bem. a Democracia. e os por adversários bárbaros como elles. triturava fidalguia e ralé.

Applaudindo incondicionalmente o desauthorisou-se. e não se exhibisse na procissão do marquez de Pombal. modificará o seu credo. tes festejando o centenário do conde de Oeiras. etc. Andou imprevidentemente Se a sua suíta. Pois a mo- Inquisição. não está bem saturada da do seu Draper e do seu Lutzelberger. Carvalho e Cercosa. que do mesmo passo que abatia o jesuita tade se á ser mandava dar titulo de magescomo se lhe não bastasCombatessem. commendador das Três ]\íinas e de Santa Maria da Matta de Lobos. se cuido ultrapassasse as balisas humanitárias sua missão. pulverisam o velho dogmatismo e evaporam em uma desconsoladora vacuiderna geração philosophia . Se o snr. titular Quando e o dés- queixar das providencias coagentes da policia. conselheiro Arrobas se houvesse excedido e por despota. marquez de Pombal.PROEMIO Xll o seu futuro. artilheria a Democracia. desfibram. mordomo-mór do psço. sancta. grossa apontava ao jecimento com a ala- derruísse até ao vanca da sciencia o edifício religioso do clero. alcaide-mór de Lamego. uns demolidores que discutem. senhor donatário de Oeiras. da elle diria áquem de Pina Manique nial que — uma ficara muito creaçao ge- do marquez.

é proposiçoens. depois deixem rolar silenciosamente. esquivando~se ao duello da sciencia. Se os ultra-liberaes de 1882 estão com o marquez de Pombal. nao alheios á corrente da sciencia moderna. e a inanidade das nossas solicitaçoens rui- dosas ao Futuro. surja depois para se rir de nós. iremos na ressaca da mesque virá colher o cisco da nossa Babel. PomD*aqui nós e os nossos centenários. sem sahirem do seu escriptorio? Os chefes de familia rical o enviarão emquanto o padre. renascido do seio de outra civilisação. rei e o o papa.XIH PROEMIO dade todas as religioens de invenção humana? Querem saber o que dizem os theologos? Que a mocidade. Vejam se sobre seus filhos á eschola cle- não demonstrar que leigo desmoralisador. Porque os não impugnam e destroçam. estéril evoluçoens jesuita. provam duas as inepto. na onda magestosa do progresso. quem nos affirma que as confedera çoens republicanas e atheistas de 1982 não hãode estar com os jesuítas ? As si- ma onda . e bem pôde ser que o jesuita. o cumpridas. Estão ahi dous ou três periódicos catholicos redigidos por valorosos luctadores. para o abys- e mo das bal e a o pouco. descamba nas assuadas dos centenários.

Industriaram-no discursadores efficazes. grandes i:)Jirasturs^ umas vezes ingénuos na sua insciencia audaciosa. Crenças assim radicadas e cáusticas nao se acalmam . desviando o espirito innocente de pessoas. A porção do povo que nao aprende nada em livros achou nos clubs a educação no discurso amoldado á sua capacidade. a palavra synthetica jesuíta e o symbolo da queda da theocracia. Este livro poderia ter apparecido antes dos festejos de 7 de maio. Seria. Não se desfazem com li- vros as persuasoens que se fizeram com locaes de jornaes baratos. sao o vitalismo das três geraçoens que se tem succedido nas avançadas militantes da liberdade. a muitos respeitos dignas. Além de que. das figurarias do centenário. Seria entSo um protesto contra o enthusiasmo dos propugnadores do marquez de Pombal.XIV PROEMIO tuaçoens parecem-me equivalentes nas parallelas do absurdo. á sua dócil ignorância. outras vezes fraudulentos no seu jacobinismo contra as prerogativas da coroa e das thearas. e á sua congenial necessidade de revolucionar-se com palmas e gritos. Abstive-me d'essa aspiração vangloriosa. sobre infructifera. ridícula a empreza. individualisado no marquez de Pombal. que teria uns ares desvanecidos de querer actuar sobre convicçoens radicadas.

NSo sabem porque foi que o conde de Basto prendia. se não houvesse então uns athletas que se chamavam o Sampayo da Belivros. adoptando-os na sua eschola.. nao se lembrou também de ser Pombal? E estava no caminho de o ser a beneplácito régio. as mandíbulas do marquez hãode escancarar uma risada mephistophelica no seu sarcophago da rua Formosa. Parece-me temeridade endeusar os déspotas em um grande concurso de intendimentos embrionários. ou alumiada por instantâneos relâmpagos de phrases. pela mesma rasão oh justos céus oh instrucção privoluçãoj. Essa plebe escura. o Alves Martins e o Parada Leitão. ha 37 annos. se a vezarem á glorificação dos déspotas defunctos. Se essa hora nefasta chegar. Ella teve artes e manhas de corromper o marquez. o Leonel Tavares. nao saberá resistir aos vivos. se os não ha os Pombaes carnavalescos é porque a Democracia os descaracterisou.XV PROEMIO com cataplasmas de S3o umas plectoras que ás vezes desgraçadamente se aliviam com sangrias enormes nas chamadas batalhas sociaes. symbolicamente fallando. E o conde de Thomar. o José Estevão. exterminava e enforcava? porque lhe incutirani no craneo espesso que elle era qual outro marquez de Pombal.Hoje. os irmãos Passos. — — — ! .

mais luz / A luz sobeja-lhes até ao deslumbramento. Eu nao pedirei para os talentosos caudilhos do centenário o que pedia Goethe para — — no extremo da vida Iv. esses eram a porção do espectáculo que representava a antiguidade da e tolice em todas as ideias novas.XVI PROEMIO marial — que comparado ao eu já vi o marquez de Pombal regicida Cromwell. Quanto aos velhos que se encorporaram na festa pombalina dos académicos e nas bandeirolas das mestras de meninas. O.z. menos palavrorio de clubs mais canceira de estudo reflexivo. que elles necessitam é mais larga comprehensao da Justiça. que só se adquire com esforçado si trabalho de annos. .

Leonor. filho da justiçada. a outra. D. no cadafalso de Belém. a velha. vem de mol- de lembrar alguns episódios d'aquelle tempo. fra1 . primeira. degolada como regicida com — em 1759 . ao passo que o ma- rido.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL WMmM ttiHí^iím it <-^-*^*-0^- ^^ GORA que temos rio ahi á porta o centená- do marquez de Pombal. A D. foi a que morreu a segunda. Toda a gente sabe que as marquezas de Távora eram simultaneamente duas: uma. era estrangulado. Thereza. casada o marquez. José i. era a barregan do gordo D. Esta passava os seus dias confortavelmente entre as commendadeiras de Santos.

recebiam dos monarchas o ouro. em vez de o porem na formas caprichosamente retorcidas. O ministro de Jorge Hay escrevia então para inglez a corte ii que cPois s. magestade deseja ser informado das particularidades d'esta conspiração. adornou a sua fronte com duas pontas de ouro. vingança um pérfido pro- João Lourenço da Cunha.PERFIL DO MARQUEZ DE FOMBAL cturado nas canas das pernas e nos braços a pan- queimado sobre uma rodado. (Memoirs ofthe marquis o f Pombalj by John SmitJi). se não que magnanim^a^ estava tão a tentativa de considerada. pulverisado e atirado ao Tejo. as qnaes começaram no tempo em que o general foi vice-rei da índia e continuavam agora». mencionarei uma circumstancia. cadas barrica de alcatrão. cedimento — treachcrous behaviour. pelo ministro inglez. de marreta. porém. es- condiam-o nas algibeiras para e\itarem o escan- . outros maridos. e é a única a que se attribue o pérfido procedimento dos Tavoras: — são as relações do rei com a mulher do marquez novo. quando Fernando i lhe arpoou a mulher. D este texto infere-se que a um se considerava uma mercê longe de ser iim delicto. foi a injuria feita pelo rei marido na condição vulgar do Távora. cabeça em e. que procuram occultar engenho- samente sem impedir que se não acredite.

Qualquer outra succumbiria no seu patibulo interior. e outros que ahi agonisaram dezoito annos. Leonor. o outro seu cunhado conde de Athouguia. Era mulher forte a valer. aos vinte e sollicitações com que era galante o do rei. era natural a adorava. sua honrada marqueza D. Estes não se nomeam aqui para que os seus descendentes se não gabem de ter collaboração regia no seu génesis. vendo tão barbaramente suppliciado seu irmão. mas agora que temos ahi à porta o centenário do marquez de Pombal. cuja responsabilidade era toda sua. aos trinta heróico desplante ao desfecho da tragedia. cunhado e sobrinho José Maria de Távora. o cunhada e sogra a marquez de Távora velho. de Oeiras vem de molde lembrar alguns episódios d'aquelle tempo. que devia pungir-lhe a consciência porque é certo que a estes golpes. e e so- seis. o duque seu d" Aveiro marido de sua irmã Leonor. . marqueza apenas D'esta casada aos dezesseis annos brinho e da sua mesma cedeu sem rebuço ás e seis assistiu direi com marquez seu edade. tranquilla e respeitada. Sobreviveu incólume. O conde nada tinha que ver com o adultério de seu real amo e senhor.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL dalo. Invulnerável que resistisse ás passa- geiras inquietações de ouvir o estertor dos que mor- reram nos subterrâneos do Bugio e da Junqueira uns que tiveram a boa sorte de morrer depressa. e finalmente seu marido e sobrinho.

d'um talento extraordi- uma muito hda. Leonor. te- destino do sábio Moura Portugal e do padre ria o José Moreira. . seu contemporâneo e amigo. O congregado não extrema a marqueza vellia das mais novas. verdadeira distincção Quando foi na do terramoto. Se o pubhcasse em i. quanto a belleza. José vinheta.PERFIL DO M-VROfEZ DE POMBAL 4- O meu empenho é dar a conhecer o perfil da marqueza de Távora D. João v. n^esse tempo chamavam-lhe formosa. con- tava ella cincoenta e cinco annos. a do canto iii em em que se vê 1803. escreveu um máo poema intitulado destruida. pubUcado uma Lisboa vida de D. a nora marqueza de Távora e uma neta. nário. e os que a co- nheceram. e diz a trachção que era um merara retrato fidehssimo a rogos em que o do poeta. Representam-se a fugir do seu palácio derruído pelo terramoto. corte de D. Neste poema. Estão artista se es- com ella a filha condessa de Athouguia. ha a minia- tura da marqueza D. O congregado Theodoro d'Almeida. Leonor. Tinha sido gentilissima. «N'este ponto avistaram de repente «Junto a si trez Matronas mui formosas.

sa- . já conhecida. ermitão. um barqueiro. PEftFlL Quem DO MAUyUEZ DE POMBAL avistou as trcz matronas são dois sujeitos pouco épicos. cuja vida retirada Estrangeiro o faria e morto Ali vai : Os que vivem Vai um Um menino. no seu Feliz independente. e dois padres. uma velha c'um letrado. E a Gram Patriarchal finalisava Este culto. dá-nos estas duas estancias : AU marcha entros justos misturada Uma infame rnuJJier. um cego c\un estrangeiro Monge. O poema raras vezes con- segue ser lúgubre como o caso pedia. Vão Um Um em vida vão também os Estudantes. um marquez e um aleijado. d'OfJicios. ministro de Toga c'um soldado : Não importa ir depois ou ir primeiro. Tirso que andam a philosor e Misseno. phar por entre as ruinas. e vae já tão Que sua face não O é mudada. com o qucd Deus s^applacava. arrependida De seus crimes. e os tratantes. E.: . abbade. Para que Deus se applacasse procissão sahisse d'aquelle foi feitio. preciso que a com eíTeito. o padre Theodoro que triumphára d' Almeida. Quando a gente se prepara para chorar na procissão de penitencia. um coxo.

essa segunda fidalguia que devia tornal-a odiosa á estupidez das suas primas. ^ A marqueza foi vice-rainha da índia. Deus applacou-se. O padre António das Neves. aos uma cin- esbelta senhora juvenil e o garbo da mocidade sadia maneiras fidalgas e altivez de raça ajuntava a superioridade do espirito.Perfil do Marõl'ez de pombal crificadas 40:000 victimas. . Lis- referencia aos conceituosos a marqueza. como dizia o Doutor Pangloss que os inquisidores queimaram em Lisboa. e. pois coenta e cinco annos. porém Sebastião José de Car

alho^ g)Ticos^ diz que em um dos seus próprios pane- morreram pelo terramoto 45:000 pessoas. observa que invental-os. era ainda com e o aprumo alegre. com discursos da marqueza. No poema^ os arrasoados da marqueza são sempre eloquentes. da congregação do oratório. etudo correu pelo melhor. * Uns dizem 10:000^ outros lo:000 victimas. se Voltaire não mente ^. A's foi fácil ao poeta que ainda eram vivas pessoas que O certo é que a conheceram. escreveu notas eruditas à boa destruída. desde 1750 até 1754.

tu Deusa. — Vai que Um — é pequeno hemispherio mundo ás luzes tuas. Sende alegres testemunhas. A nau carroça. Immortal. não temas Da salgada agua as fúrias. Que. Das nymphas formosa injuria. Vénus nasceu das espumas. Os tritoens e as napeas. Que até impera nos mares. se és Vénus na belleza. Se és dividindade. . E quem em um só não cabe só Juntamente o outro busca. Ser de Neptuno ventura. Passéa as ondas cerúleas. ó formosa heroina. Das sereyas lindo encanto. a formosura. celebrou assim o denodo da marqiieza na coragem de se embarcar para a bidia: Vai. Do mar essas ondas sulca. Vai ser de Tlietis inveja.Perfil do Marquez de pombal Tm dos muitos e máos poetas toanteiros cVaquelle tempo.

PERFIL DO ÍL\BC)UE2 DE POMBAL Sào do sol os diamantes Producção brilhante e sua Se produz lá um sol tantos Três que farão ? conjectura ! Vai examinar o oriente D'onde sahe a luz mais pura^ Verás do teu nascimento Bello esplendor. Tudo o mais creio se escusa. vai teu esposo. Sem violência no estrago Terão teus raios fortuna Se ao sol bárbaros adoram. Pois a não partes na ausência. . . Ficará por tua industria. formosiu-a robusta. Senhora.. A A valentia formosa. Logo que chegas^ triumphas. Mas vai só. Melhor a vida asseguras. Vai que d'esta vez. Onde basta a tua fama Sobeja a sua figura. Se anima entre dous corpos Uma só alma e não duas. copia justa.

. afim de lhe poder conquistar a nora. Agoa e fogo são contrários^ Teu amor naturaes muda_. mais que podiam dar a Arte e o Ideal d'aquelle tempo. devia sahir das trevas para nos dar alto espirito e phenomenal mosura da vice-rainha que então orçava pelos testemunho do forcin- coenta annos. Pois faz com novo milagre Que o incêndio ao mar se una. mas o ana- . Vai ! conheça o mundo todo^ Mais alto poder divulga Que o sexo que em O sangue que em ti Isto é o domina^ ti circula. PEHFIL Á t)0 MARQUEZ DE POMBAL dor da saudade foges^ Tens razão^ mostras desculpa^ Por um estrago suave Trocas uma morte dura. José i enviara marquez de Távora. Dizem alguns historiadores que capitão general para a Ásia o D. Mas este sincero enthusiasmo iné- moens do um — o Ca- Rocio. A desmoralisação era possível. — o mais tenebroso eclypse das let- tras em dito de Caetano José da Silva Souto-Mayor Portugal. cuja honesti- dade era vigiada impertinentemente pela marqueza velha.

— PÈRFiL DÕ MARQUEZ DÈ POMBAL 10 rei quando o v morreu. todos sahiram satisfeitos e agradados da novidade. A primeira peça representada — um foi em francez a tragedia de Poro vencido por Alexandre. D. Thereza justifica o lapso dos historiadores. porque a data provável do aduherio de D. Cinco dos actores eram francezes e um portuguez. D. filhos do coronel Pier- remont. de Corneille. o marquez vice-reinava. Quem talhou os soberbos costumes e dirigiu a . o espirito da vice-rainha creou coisas novas na índia. Neste lance. única até . José não era marquez foi despachado. quando chronismo desmente-a. e deu aos estrangeiros testemunho da ficticia magnificência do génio portu- guez. José pomposas em festas ao marquez as i de acclamação que lhe celehrava Gôa. famihares da marqueza. Ingratamente pagava D. gim. para festejar acclamação do primeiro theatro em três noites a O theatro era no paço de Pan- rei. João E" todavia acceitavel que o principe cooperasse para esse despacho. A maior parte dos assistentes não entendia diz o desembargador de Gôa Franpalavra mas cisco Raymundo de Moraes Pereira foi a representação feita com tão vivas expressões que ajudados de um summario em portuguez que a senhora marqueza tinha mandado traduzir da opera. — ao presente em Goa. á excepção de dois oíTiciaes. Foi ella quem fez construir o na capital da índia. São seis os personagens.

ao lado esquerdo do uma deu Na vice-rei. Agradou mmio j^ela intelligencia do idioma. desempenhada por curiosos. na frente da plateia. diz o desembargador com insuíficiente correcção. ena que en- traram os Correias de Sá. Ihan^-a. Findas as danças. O arcebispo primaz assistiu á tragedia e ao baile. etc."° e ex. Europa se representaria tão cabalmente. irmãos do \isconde de A opera era Adolonymo em Sidónia. .^"" snr. representou-se uma opera por- tugueza. impressa em 1740. Apolonymo em Sidónia. . é que era. talvez as bayaderas levantinas. a A vice-rainha trajos. Como a tragedia se seguir o rigor dos ricos foi fácil assistiu aos lavores muito intransigente e. houve baile ram em que dança- os interlocutores e alguns oíTiciaes extrangeiros disfarçados. noite seguinte. * Atinual Indico Lasitam dos successos mais memorá- veis e das acrôes particulares do governo do 7//. a marqueza lauta ceia ás fidalgas goezas. accrescenta o chronista. primeiro anno do felicissimo Francisco d'Assis de Tavcraf Lisboa^ 1753. 11 marqucza. de Apostolo Zeno. marquez de Távora. Nem na diz o des- embargador ^ Depois da tragedia. farce : O desembargador não explica o dis- quereria dizer que fingiam damas.'EnrtL guarJa-roupa foi passava Da lodia. indigesta empada Assêca. rim DO MAhovEZ de pombal em de cama- pontos de verosimi- quiz que tudo tivesse a cor local. imitação de Alessandro in Sidónia.

tjEZ DE tOMÈAL houve outro jantar para os ca- valheiros. >LUii. doces e outras dehca- das bebidas. coisas que lhe eram decerto entregues por en- — . Esses mendigos en- vergonhados eram os legitimes representantes da índia portugueza. estando a copa de sua excellencia aberta e prompta para todos os que queriam chá. mas no sobrescripto da carta não lhe dera excellencia. chocolate. e representação de uma comedia hespanhola. café. e durante os quatro annos do seu vice-rei- nado subsidiava com mesadas os que não podiam vir ao paço receber as esmolas. outra ceia para as damas. Não descia uma Unha da pragmática da sua alta posição. A marqueza devolveu-lhe o presente e a carta. Mas o grande banquete a toda a nobreza foi no quarto dia dos festejos.II t>Ekl<'lL Dois (lias DO depois. sendo egual o gosto dos creados que serviam á grandeza e realeza do sangue do seu lustrissimo e excellentissimo amo!» A marqueza zia então distribuir regalos e avultadas famihas fidalgas decahidas em il- fa- esmolas pelas miséria — reUquias dos antigos potentados da Ásia arruinados pela dissipação . A esposa de um rajhah enviara-lhe um rico presente. A caridade da marqueza era tanto ou quanto maculada pela soberba da sua estirpe. Nunca se vira no oriente uma exuberância egual de iguarias. em que os brindes eram acompanhados a salvas de artilheria. O magistrado exclama profunda- mente tocado: «Competiu em todos estes dias a grandeza com a profusão.

attascaram-se com os cavallos n'um pântano. O marquez inventara um ataque simulado entre a tropa e os sipaes para festejar a acclamação. e uns pobres cavalleiros. Castigou o Canajá. será casti- gado asperissimamente. marquez de Távora era Este intelligente. quando atacavam Pangim defendido pelos mar despidos sipaes atiravam-se ao e calçados. ventou a pólvora. Elle tambemi fez bom uso da pólvora contra os régulos. e demonstra que o barril de pólvora de custo de 56-5000 réis. feita a errata. . também seria capaz de inventar a pólvora. se obtinha por 33-5000 réis.china invoífadu pelo exJ^^ vice-rei. se fosse preciso. e. se algum dos solda- dos não andar bem. pelas reformas e inven- ções do marquez. inimigo poderoso que infestava os mares. para evitarem o castigo. declara preremptoriamente que. depois de ensaiado. visto que a ilhistnssiwa nao era a vice-rainha da índia. d'onde lhes custou muito a sair com^ida. o presente foi recebido e liberalmente com- pensado. arrasou a fortaleza . Nas suas Instrucções aos sargentos mores e aos coronéis. Não in- mas inventou um engenho de a moer com perfeição desconhecida e quem inventou o moinho. O desembargador descreve larga- mente os pormenores da ma. A mulher do regulo emendou . n aquella guerra de cabotagem imaginavam sustentar em que os we-reis as tradições dos Albuquer- ques e dos Castros.M PERFIL DO MAR0T'E2 DE POMUAL gano. E os soldados. para e\itarem a conflagração de uma mina.

e . as mais formosa duas paginas finaes do destino da jóia da corte de D. neto do padre Sebastião da Mata Escura e da preta escrava Martha Fernandes. depois da conspiração contra o minar da rei. . o mais brilhante espirito dos salões onde se não via Sebastião José de Carvalho. a ex-vice-rainha era a grande fidalga. quando se recolheu ao em mem- reino. houve o propósito de nome historia o elli- e os serviços da familia Távora. 1754. D. os Tavoras não conheciam Sebastião José de Carvalho. filho devorava em silencio a Não obstante. quando desembarcou^ estava triste honrada. Soccorreu em Neutim e venceu o Marata batalha naval. Agora. as proezas do marquez de Távora tem a immortalidade de quinze opúsculos de auctores diversos archivados pelo snr. O ex-vice-rei. sabia que a sua casa estava des- que seu afTronta da esposa. a mais perfeita senhora. em i que verdade. já não encontrou na barra de Lisboa os bros da famiha real que o tinham ido cumprimentar e acompanhar na sabida para o oriente. Tomou a fortaleza de Piro ao rei de Sunda e devastou as terras de Pondá e Zambaulim.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 14 de Neubadel e queimou as embarcações. A marqueza. João v. José já participava do ódio do seu ministro á famiha o desconsiderara por que. Figaniére. por que. Emflm. e quasi todos raros.

O cadafalso. a cavallo. cobriam carregada de lenha e bar- de alcatrão. e o corregedor da corte com grande magestade vorosa. saraivavam bátegas de aguaceiros glaciaes. Atraz do esquadrão seguiam os ministros criminaes. Uns homens. O patear cadente dos cavailos fazia um ruido cavo na terra empapada pela chuva. deavam D. a espaços. mar zuniam por rajadas de vento do .\s vezes entre as cruzes das aspas e sacudiam hgeiramente os postes. Era a cadeirinha da marqueza de Távora. .PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 15 -*- A aurora do java uma dia 13 de janeiro de 1759 alvore- luz azulada do eclipse d'aquelle dia. es- tava húmido. por entre castellos pardacentos de nuvens esfumaradas que. que se avisinhava do cadafalso. construído durante a noite. que bebiam aguardente com encerados uma ricas falua e tiritavam. Era um esquadrão de dragoens. A's 6 horas e 42 minutos ainda trevia a facha escura com umas mal ta- se en- scintillacoens de es- padas nuas. atracada ao cães defronte do blado. Depois — uma caixa negra que se pa- movia va- garosamente entre dois padres. As rodas e as aspas dos tormentos gottejavam sobre o pavimento de pinho. Alas de tropa la- o préstito. Leonor. outros de capa e volta.V volta do tablado postaram-se . uns com as togas.

mostra- um os instrumentos das execuçoens. e . Haa uma escada que subia para o patíbulo. Depois. aparafuzavam-se as roscas das rodas. Receberam-a três algozes no topo dá escada. reita com tos. Aperfeiçoavam-se as aspas. na sua natural attitude altiva. Trajava de setim escuro. dispensando o amparo dos padres. Mostraram-lhe o masso de ferro que devia matar-lhe o marido a pancadas na arca do peito. A marqueza apeou da cadeirinha. Rece- bida a absolvição. a escada. seus miúdo como haviam de morrer filhos. Ajoelhou no primeiro degráo da escada. e o marido de sua filha. entre os dois padres. as tesouras ou aspas em que se lhe haviam de quebrar os ossos das pernas e dos braços ao marido e aos filhos. diamantes nas orelhas e n"um laço dos cabellos. e exphcaram-lhe por seu marido. um mez Assim tinha sido presa. e bem para ser ram-lhe mandaram-a um a fazer um giro no cadafalso sta e reconhecida. os olhos fitos di- no espectáculo dos tormenfitas nas madeixas grisalhas. e confessou-se por espaço de 50 minutos. Entretanto martellava-se no cadafalso. envolta em uma capa alvadia roçagante. tinham consentido que mudase camiza Nunca nem llie o lenço do pescoço. a padecente subiu. cravavam-se pregos necessários á segurança dos postes. Do lado da barra reboava o mugido das vagas que rolavam e ^inham chofrar espumas no parapeito do cães. antes. aconchegando a? capas das faces varejadas pelas cordas da chuva.PERFIL DO MAROVEZ DE POMBAL 16 OS juizes do crime.

i ''4I iiÉteiil'*' ."Fi^f x< Hiillli f li'.'r .

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que nome execrado. um que lhe foi O algoz lenço que lhe co- não me descomponhas e inclinou a cabeça de a orla da saia. e pediu que a tirou-llie a capa. 17 rodas operavam no garrote. Ergueu-se. impassí- que degolou Leonor de Távora. horrendamente de vagar. hade sempre lembrar com horror e piedade. só golpe. debaixo de vel como a lamina um manhã de ceu de chumbo.— PERFIL DO MARÇilEZ DE PO>fBAL como era que explicaram-lhe aí. mão no com- com um — disse ella. n'aquella nevoeiro. Thiha as mãos amarradas. A marqueza então succumbiu. 2 . e o modo como repuchava e estrangulava ao desandar do arro- ella cho. com os adultérios de e senhor. Mas agora que ahi temos á esse não tinha nada que ver seu real amo porta o centenário do marquez de Pombal. que verdugo responsável es- creveremos na pagina da Historia? Sebastião José. e mandou-a sentar n um banco de pinho. vem de molde recordar alguns episódios daquelle tempo. tou-se. no centro do cadafalso. O algoz anciada. decepada pela nuca. chorou muito matassem depressa. e movimento do pé concertou vendou-a . cuja corda lhe mostravam. Ella sen- e não podia por o vestido que cahira mal. -*- Este começo de carníceria. Porém. e ao por-lhe a bria o pescoço. suLre a capa que do- brou de vagar.

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•^•td^v. A intenção do titulo deve ser versa da que se exprime no adjectivo coisas tristes e escuras. no tétrico silencio da noite alta. Não pode ser.vBíí (CARTA A GONÇALVES CRESPO) •^Sr<- ORQUE é que Henri Heine e Gonçal- ves Crespo intitularam Nocturnos o livro dos seus versos? Nocturnos uns poemas tão luminosos. trivial di- das . ia aos adros dialogar eremitério e levar ao mocho com a coruja as consolações de do um sócio no infortúnio. claridade tão boa. quando o poeta. tão com uma oxigenada para os coraçoens das damas e para as almas dos philosophos! Noctur- nos iria bem nas lyricas plangentes do romantismo.^ ©0 iaií0.

Deste modo. Escrevo-lhe modesta e caturra de fazer em com a pretenção prosa deslavada glossa a este soberbo soneto que Y. a natureza adorando-se em mesma. Corusca a pedraria.^ me offerece NO JOGO DAS CANNAS Em garbosos corcéis da Arábia cacaJf/a)ido Entram iia larga arena os próceres luzidos. oxidado pelos muitos invernos. já não es- pelha imagens lyricas.^ intitulou Nocturnos. a seda dos vestidos. . intendo eu o nome deste si seu cofre de jóias que Y. auroras. Ex. bálsamos e aromas de las a corol- desabotoarem-se. O aço do meu cérebro. Dos cocares a pluma A quadrilha gentil Com os lacaios da e esplendem. Os mon- ges resavam os Nocturnos ao repontar da manhan. Não pretendo aquilatar estas jóias. meu presado poeta. tudo alegrias. Terça galhardamente .DS alvores do diluculo. muita luz em fim. Torre mn prélio simulando. alvoroço e Eram trilo os psalmos de aves. zum- bido de insectos. e puctuando. do arrebol. Estou velho de mais para tão subtis especulaçoens. Ex.: 20 PERHL DO MAROrEZ DE POMBAL Noctwmos chamam-se os três psalmos de uma das preces matutinas do ritual christão. dos Tavoras ardidos. o apparatoso bando Deixa os olhos uma da turba em êxtase embebidos. a faxa dos horisontes a esbater-se n uma poeira doirada. aos primeii.

que alegria? Xa.. Ex. estribeiro- princeza do Brazil. os marquezes de Távora Sampayo e Alegrete. «A quadrilha gentil dos Tavoras» de Tavoras também e dum . senhor de Villa Flor. Da actividade . Eram o duque de Cadaval.VROUEZ DE POMBAL 21 paço é toda a fidalguia Que jocundo prazer. Construiu-se um amphiteatro. poisa o lascico olhar. -*- O visconde de mór da José. em que trabalharam por espaço de sessenta dias trezentos e quarenta e cinco carpinteiros. ao estylo africano. convocou grandesa em da primeira trinta e dois fidalgos 1738. t>l2RFIL Do M. a incestuosa? No cunhado. e Manoel António de e Mello. Maria de Xemours. sexto Ajfonso applaude : emtanto. na Junqueira. subtil. maliciosa. Maria Anna Victoria com escaramuças mihtares. para festejarem o anniversario natahcio da futura rainha D. diz V.^ torneio que eu lhe É vou lembrar a cavalleirosa historia. Villa Nova da Cerveira.s janellas do : Espectáculo augusto. sorrindo.. e cor- rida de touros pelos fidalgos mais peritos e cele- brados n essa prenda. O e nobre. e singular. mulher do príncipe D. que risos.

Vr.: PERFIL DO M. nem ainda em prosa quanto mais em verso. Os quatro caudilhos dos grupos eram o . trada do circo havia zellas aos cantos. quando houve quatro partes do universo. Repartir am-se pos ou Fios os trmta e dous em fidalgos. quem os partira a todos c'os machados l Quanto á matéria prima do contemporâneo em e<liíicio. ja se suppõe. galanteria. estribeiro-mór. quatro gru- Cada fio tinha seu Guia. globo. disse outro prosa épica que era frondosas producçoens de Flandres. por que donzeUas ja as não havia. O duque de Cadaval. Dizer pinho seria uma fronta á Rhetorica e á Academia dos Occultos. O Luís xiv portuguez tinha destes Boileaus.OUEZ DE POMBAL desses artistas falou a poesia de porâneo um vate contem- : Sempre estão trabalhando por que estão os mais d'elles conversando no machado encostados. . A o um com perystilo figurando as Á af- en- quatro don- quatro partes do respeito d estas figuras emblemáticas disse mesmo poeta Tarjas formosas se divisam hellas entre as quatro figuras das donzeUas isto. foi o ensaiador dos torneios.

casada três annos antes em Allemanha com D. que cial bellesa da corte de D. Ma- noel de Sousa Calhariz. fi- promettida ao conde de Athouguia.. Antes de entrarem os espaventosos ÇR. um contemplemos fios na pra ou dous barandins de damas do paço. estava a princeza Marianna Leopoldina de Holstein. e dos ministros e dos três cardeaes — uma grande massa rubra de sujeitos gordos. e ro- çagando pomposas vestimentas da purpura de Sydonia. capitão das guardas mans. Entre ella e sua lha Marianna. Mi- guel e o visconde de Villa Nova de Cerveira. sido a prima- orçava então pe- não era menos contempla- da na admiração dos personagens que faziam a sua corte ás gentilissimas senhoras. e tinlia v. primor de atavios. estreitadas de diamantes e deslumbrando por formosura seis damas muito in- timas da princeza D. A marqueza de Távora. o marquez de Távora. Realçavam em em fidalguia. João los trinta e oito annos. A marqueza faltava em francez com alle- a prin- .PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 23 Cadaval. o conde de S. -*- No camarote da princeza do Brasil explendia o grupo das suas açafatas. e não paguemos egual preito aos camarotes dos reis e infantes. coalhados de coisas que scintillavam. Maria Anna Victoria.

D. a foi quem a futura rainha acariciava. her- dara-lhe a casa e o titulo de conde de Pombeiro. olhava com eram injustos. segredava ditos alegres a D. Luiz de Castello Branco. afim de propagar-se mediante uma senhora a todos os respeitos digna do facto physiologico e genealógico. e todo seu em- penho era matrimoniar-se com os vinte annos encantadores de^D. casando-se seguinte. Pelagia. Esta menina. em verdade. um menino de três annos. e sua íilha Leonor. Thereza dé Távora. novo. porém. da mesma um moço de quinze annos. Era D. Os ciúmes. volvidos oito. marqueza de Alorna. olhava de relance com amoroso sorriso seu sobrinho e noivo Luiz Ber- nardo de Távora. morresse sem successão. muito buU- çosae lagia desinvolta. cipe. com quem lhe haviam esbelto edade de sua tia. o primogénito e. o seu filho mais ceza. e ambas. insistência no anno O prín- menos ho- . José Maria. neta da princeza de Soubise. muito trèfego. EUe alcançara dispensa para casar. em fixidez de desfitava froixos de riso.PtHKiL DO 24 MAROLEZ DE POMBAL uma menina de dez amws. jeito como um su- obeso que tinha sido cónego da patriarchal. José. um com desviavam os olhos da fidalgo quasi sexagenário que as não a fronte avincada de ciúmes do prín- cipe D. contractado o casamento. N'outra bancada de velludo cramezim. E o caso é que se propagou. ouvia muito attenta a conversarão que não percebia. Pe- de Almada. que. irman do marquez. No regaço da marqueza sentava-se ás vezes.

tinha vinte annos e formosura que justificava a paixão do marquez com quem casou no anno sequem. João V. e por queza d' Aveiro. gestos famihares. Nascera segundo. foi du- guinte. Era muito soberbo e se expatriara para o titulo e a com D. Estas senhoras compunham a constellação mais mas luziam muitas estreitas su- coruscante do circo. esposa destinada para o marquez de Gouvêa. de mistura com seu ar rábido — lhe deu a grande casa. sempre mordomia mór. D. que do camarote com sorrisos e.para a mais nova das damas uer^ta áo bO MARULEZ DE PUMllAL ^fcllFlL — a menina Tlie- a das argentinas casquinadas que o reza Távora. Leonor de Távora. (eram três as Leonores) irman do marquez. . casada com D. Havia no grupo das damas do paço outra Leonor de Távora. José Mas- carenhas contava então trinta annos. A cunhada e pro- mettida sogra da linda creança. a marqueza de Tá- vora D. o sinistro Gaspar da Encarnação que dominou fr. Luiz tio. filho mas desatino amoroso do irmão mais velho. que fu- gira quatorze annos antes de França. de pae e de futuro rei. Maria da dWlmada Penha e assim — muito odiado. pouco afortunada de bens. passados treze annos. java mordomo mór. Leonor olhava de soslaio para o príncipe e com um toque de cotovêllo malicioso chamava a at- tenção da princeza de Holstein. como tal destinara-se para a mitra. real a corteD. faziam por vezes esquecer-se da sua gravidade de marido. um e.

pompa da mocidade. já agora tão degenerados. Manoel Marques Resende. gentilêsa e mais que se pode dizer do século xviii. o Jacinto de Apollo e o Ganimedes de Júpiter podiam oppor-se ao garbo. e não convulsões rhetoricas. «Em toda a circumferencia d"esta soberba . as JuUas. e outras muitas que celebra a não podiam competir (ainda que pa- reça hyperbole) com a galharda simetria. íiilio galanteria. airosa composição. E' o confiança. magestosa bellesa e singular graça das formosuras d"esta corte. sejam os vossos olhos as hnguas que vos informem. o Narciso de Ecco. menos sacudido por elle ao seu amigo Fileno: gentil presença das pessoas. as as Helenas.» d'aquelles hsboetas. Ásia. tão gafos e corroídos que encostam a sua espinha empenada ás humbreiras das tabacarias do Chiado. pois reis sto que te- as Vénus. João ptor coevo.» ^ão se pode ser mais histórico e íino galan! é parco : «Nem E com os homens também não o Adónis de Vénus. diz «Emquanto à Um de Vizeu. Outro chronísta das festas. escri- tempo com um opúsculo A impar de noticias de inunortalisou-se por esse intitulado Espelho da corte.26 DO M. As damas da corte de V eram prodígios de D. fortalece o conceito do seu collega Rezende . as Lamias. Fernando António da Rosa. e as Floras. antigas mulheres bonitas.\JigUEZ DE POMBAL 1'ERriL Lalternas que poderiam allumiar o interesse d'este quadro em tella muito maior. Laidas. que foram as tr£z mais agigantadas formosuras e mais famosas que nasceram na antiguidade.

um inimitável perceptivel lirmamento de animadas racionaes estrellas. estancea- vam trez mil sete centas e vinte e oito carruagens . Gaiatos apregoavam agua fresca em alféloa e bilhas de Extremoz. deixando . res. como então pa- — se dizia profeticamente e inconscientemente. formava toda as esta variedade de maravilhas. em esquecimento Danaes e as Didos.H PERFIL DO MAllQUEZ DE POMBAL c magestosa fabrica se mostrava tão admirável har- monia de bellesas que.is Europas. de moços fidalgos Abundam cónegos e monsenho- ordens ricas refocilam-se das cos- tumadas austeridades. jardim de sensíveis viventes em um flores. Os sociológicos de hoje em dia ponde- ram que n aquelle tempo havia uma grande miséria dissolvente a pedir um Pombal redemptor. no restante terreno da Junqueira até ao largo de Belém. E' da estatistica das bestas que deduso a prosperi- dade dos homens. Fora do circo. Trez mil sete centas e vinte e . Viam-se em lanques modestos os argentarios do commercio os tratantes. Eu sou da eschola histórica positivista de Thomas Buckle. Prelados de titulares. sobre o Tejo velejavam trez mil e nove centas embarcaçoens. ^ A hça trasborda de e desembargadores.» Taes rram aquellas Europas.

talvez e. ainda mais que as sete mil quatro centas e cincoenta e seis. demons- ser dissohlda a couces. achara o reino pobre e o erário anterior ao terramoto. porém. e um grande numero de liteiras. 4:500 se- ges de particulares. conde de Merle pediu publicamente esmola um sargento. Isto. paquebotes e cadeiras-de-mão. Está. luxo progrediu^ e passou por cima das pragmáti- cas de D. visto que ainda fruimos as philarmonicas do e hymnos correlativos . João v e de D. não incluindo * O ninguém pessoalmente ^. Quando Portugal experimentou a suprema e vergonhosa mino ministério do conde de Oeiras. D.PERFIL DO >URyUEZ DÊ tOMBAL 28 oito carruagens inculcam pelo menos sete mil quatro centas e cincoenta e seis cavalgaduras. No anno em 1750. José i^ até que o terramoto de 173o subverteu a maior parte dos grandes patrimónios e re- dusiu os pequenos á pobresa. á volta de derá significar a dissolvencia de trando-se que num praça de toiros. 1 . treitas e declivosas. os soldados que guardavam a porta do conde de Oeiras pediam esmola a quem visitava o ministro ao embaixador francez séria foi . Em . provado que não. José i recebeu dos seus direitos quantia superior a 14 milhões de cruzados. O marquez de Pombal escreveu impudentemente que. mais de 400 de aluguer. entrando para o ministério vasio. Em 1759. apezar das ruas es- Lisboa 300 coches. havia em Em 1754.•" de dezembro quanto a bestas. uma dado momento. po- um uma autonomia pode paiz.

1756. xviii. p. e nao tendo dinheiro. de Inglaterra Também uma esmola de Portugal. pagava o thesouro 36:000 cmzados por dous mezes ao cantor Egipcielli e pelo mesmo tempo pregava-se á porta da Alfandega lun edital em que pag. Essas doze mil pessoas foram ver os ornatos das torres de Belém e do Bugio. D'esta embandeirada torre disse o épico das festas Ali vi a fortaleza do Bugio Com quem de quando em quando Muita mestrança andava bugiando. (Quadro Elementar. levantou do deposito publico 28 1762. José I gem! que pedia ao paiz dinheiro emprestado.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL Í9 4- Doze mil pessoas não acharam entrada. levou o dinheiro apurado na venda dos moveis. 144. pertenças dos jesuitas. em vi. querendo ir para Villa Viçosa. 150). 0-Dimne participava ao conde de Choique os sargentos de algumas companhias e um capitão lhe tinham pedido esmola. no mesmo anno. quando a tropa portugueza mendigava aos reem 1759. 171. E sem Vinham os lhe darem vaia mais d'eUes bugiar á praia. 153. tom. E. querendo ir para Mafra. VII. p. recebera 100:000 libras para remediar a catâstrophe do terramoto (Quadro Elementar. o rei. e. e t. 361). o embaixador seiíl contos de reis . Que pelintrarei e^que ministro! . t. presentantes da França D. Em 1759.

mas nome o outro. dos tempos da incestuosa. que synchronismo esthetico descubro com com o sultão de Odivellas e alcaiotes do rei e dos príncipes Lia-se rir. A trova. Etc.: PERFIL DO MARQUEZ DE PONÍBAL 30 Não sei que magestade olympica. D'este satyrico de 1680 não sei dizer-lhc o pem o carrasco lh'o soube . Penetrou mais na nobreza Este pestífero humor. que depois a Maria de Nemours do seu soneto. dizia Enfermo do mal francez Ha annos está Portugal^ E não sara d'este mal Porque o curam ao revez. o das fes- . inoculara o virus que trouxera do duque de Lauzun. Já não ha grande senhor Que este veneno escondido Lhe não tenha corrompido De seu peito o interior. De uma rainha franceza Que aqui veio a Portugal Se pegou tão grande mal Nesta Nação portugueza. sa- do — um palerma que tomara a em meu serio este Portugal. presado Crespo. phenomenal. Os portuguezes vingador de Camoens í ii'este poeta aquelles fidalgos Aquelle homem eram indignos d'elle. velho devasso do occidente.

que dos defuntos e ausentes pretende ser escrivão. era do Porto c chainava-se Tho- tas maz Pinto Brandão. Muito fino. das Mortes p. e por quanto Minas são as de que intenta dar fé. João V gostou da chalaça e maiidou qite o despachas- . tome a do Rio das Mortes e receberá mercê. achava que o poeta em vez de comer. DO MARQUEZ DE POÍBAL 31 da Junqueira. E exclamava Não haja mais poetas do que os das Retaçoens e das Gazetas. bém não^dispendeu ceitil. com a differença que não perdeu um olho nas pelejas da Africa nem andou pelo Oriente como * que elle. d'isto se carne? quem ah Christo t tivera mais cedo dado n'isto f * Os biographos de Thomaz Pinto Brandão ignoram como Luiz de Camoens^ teve o officio de escrivão dos defuntos e ausentes. morto de fomes presentes. morreu aos Como a fome o não pôde matar. o seu collega.: : PERFn. Requeria a escrivaninha dos ausentes e defuntos do Rio em Minas-Geraes. fora d'isso. E. em Dinheiro Era elle requerimentos tam- quem escrevia as suas petiçoens n'este género Diz Thomaz Pinto Brandão. era um co- mestível da desgraça. pede lhe concedam que largando a penna das cortes. Contra a fome rea- giu escrevendo Rclacoens e Gazetas. oitenta annos a rir.

: umas com fim de apresentarem armas. o mais acertado era vender o offlcio com o régio consentimento. Entraram primeiro duas columnas de granadeiros com os seus sargentos mores e. pede lhe permittam que possa pôr n' outro mancebo officio. receando claudicar no offlcio ou naufragar como Luiz de Camoens. Quantos prosadores cheios de serviços^ teriam requerido o emprego? infelizes^ . em cpie os sargentos-móres. luz. uns . D. requereu de novo : Diz Thomaz Pinto Brandão sem bom nem máo exercicio que hoie renuncia o officio se propina lhe não dão. João V riu-se muito^ e Poeta e rei mandou aceitar a renuncia. intendeu que para se livrar de continsrencias que lhe manchassem a memoria perante a posteridade.PERFIL DO MAROUEZ DE PO^fBAL 32 f • Agora. muito bons ambos. se ensaiavam para as futu- sem mas o poeta. E pois que acêzo brandão por luminária se vê. e receberá mercê. N'uma noite de luminárias em anniver. — uma cousa linda. fizeram difficilimas terços de fileiras manobras de quartos de conversão.paparrêtas d'uma conspi- cuidade de milicianos. vamos á festa. mecha e sebo. linda. sario de natalício real.

Luiz de Saldanha da Gama.0 Guia — Duque de Cadaval. azemola com e dois costaes canas e alcanzias. Thiago. Conde de Vai de Reis. ^' ^^^"^^^^co Xavier Pedro de Souza. Contra-guia — Manoel de Távora. 2. e seus telizes * armoreados.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL ras gargalhadas 33 de sua alteza o conde de Lippe. Marquez d'Alegrete. Conde de S. S (José Bernardo de Távora (coronel). D. deixando a todos penhorados. António Rolim de Moura (Azambuja). ajaezados de arreios as cravejados de pedraria. Conde de Povolide. D. D. João da Costa (Soure). Contra-^ia— D Bra^ Balíhasar da Sjlvcim. eram . em Quando a tropa desalojou linhas pelas quatro portas da praça. Cinco lacaios de libré verde e galoens de prata conduzem outros tantos ginetes á mão. Seguem trinta e Os quatro grupos ou fios com um cavallos com os seus guias assim formados 1. Manoel de Souza (Calhariz). pe- garam de entrar os Guias com os seus cavalleiros Cadaval é o primeiro. velados por com uma com as chairel verde armas ducaes do estribeiro-mór.0 Guia — Visconde de Villa Nova de Cerveira. Precede-o o seu martinete emplumado um ^. franjados de ouro. Cavalleiros ^ Manoel António de Sampaio e Mello. Conde de Lavradio.

Fernando d'Almeida.PERFIL DO MABQUEZ DE POMBAL 34 OS respectivos lacaios e chaireis roçagantes um brazão de cada moxillas com as lanças e adargas. . Contra-guia — D. Thomaz da . . e arrumam-se lado/ Os cavallos resfolgam. Silveira d'Albuquerque. José Joaquim de Miranda Henriques. (S. . Cavalleiros < . Luiz de Souza (Calhariz). D. Eram da primeira grandeza Guia— Marquez „ . Nuno de Távora (Alvorj. Ayres de Saldanha d'AIbuquerque. Miguel. . cor- os príncipes. a trez de fundo.. mas. fitam as orelhas e cur- hgeiramente á vontade dos cavalleiros. D. franja de ouro e as o duque a um o timbaleiro e cinco trombeteiros equestres á frente de que desfralda com dos cavalleiros. Visconde de Villa Xova da Cerveira (Telles). um alferes estandarte farpado de setim verde armas do Cadaval. . relincham e es- carvam na terra veteiam borrifada. MiguelK Francisco Xavier de Miranda Henriques Sandomil) D. D. Luiz Guedes de Miranda íMurca). . Contra-guia os fidalgos — D. . Francisco de Menezes (Ericeira). Depois. um com tejam o um com rei. António de Saldanha d'Albuquerque.^ Guia — Conde de S. Mais. . a ca- de Távora. deseseis a sua quadrilha. Luiz de Portugal. „ . Marcos de Noronha fArcosi. as damas. -4. Álvaro José Botelho Cavalleiros ( D.

O que valia a Portugal eram estas escaramuças. o snr. que é mais alguma ainda se está gosando. Não falia em orelhas. houve o jogo das alcanzias. os fi- dalgos venceram neste dia os mais celebres Cavalleiros da fama. o e as bolas fpoile . que elles atiravam á cara uns dos outros atacado defendia-se com o escudo . excediam a opulência dos Midas. Miguel. Devia-se aos taes cavalleiros da fama o império da Africa. não fallando nas conquistas. Arábia e Pérsia. e o torneio das lanças. brancas e azues. e seus domínios. diz o chronista. de que i. -como dizia o outro. (3 35 sentiam-se electrisados pelo fluido da admiração de todas aquellas Europas e Didos. As alcanzias. . plumas brancas e verdes. ficavam maiores. eram umas espheras ocas de barro pin- tado. O primeiro espectáculo foi uma escaramuça de labyrintho. navegações da Ethiopia. brancas e amarellas. Quanto a riqueza de ornatos. Taes proezas fizeram que na opinião do Homero pedestre d estas hdes. plumas brancas e es- carlates. O que de algum modo os descrimina é a cor da plumagem dos cocares : o duque. Depois. S.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL vallo. O meu amável Crespo imagina o que era a escaramuça de labyrintho. Villa Nova da Cerveira. como sabe. da índia. D. e o das canas ou flexas que uns despediam e outros desviavam com a espada. Luiz coisa. e os cavallos adornados das mesmas cores. A entrada e as pompas dos restantes grupos re- gulam pelo primeiro. Távora.

deixando o Rosa. como eu Eil-os dos por seis ursos. como pellas de barro. se quizer) desfaziam-se Meus ricos fidalgos. brados do tempo. magestades entraram na tribuna praça os cavalleiros. e já disse. para que a multidão os visse. mais cele- uma real. Os quatro cavalleiros toureadores eram^. plumas brancas. Plausível pelos trambolhoens que levaram os fidalgos.! PERFIL DO MAROfEZ DE POMBAL 36 lêr OS bolas. e muito cinco annos. gentil da sua pessoa. por lhe cahir um estribo. contava então trinta e coronel de cavallaria. polainas brancas com fitas amarellas. O marquez de Távora. como vae vêr. A marqueza soffreu no seu era coração e na sua vaidade quando o marido. apercebiam de elles se manterem sua a hombridade. em la- Assim que suas sahiram da todos. os que entram na praça. guarnecido de topázios e presilhas de brilliantes. O chamado. para com o choque. calção de velludo negro. ura ginetario de pri- meira ordem. e descançaram quarenta e oito horas. Seguiu-se a tourada real. com braMira. deu azo Alegrete matasse o boi com a que o marquez de o garrochão. tira- sentados n'um faetonte. quando esse depois arpoal-a a garra de um só homem Desfeitas as alcanzias. assim dos. chapeo agaloa- do de prata. de alamares de prata. assevera seguira esperança de ser esta a tarde viais plausível do presente século. era aberto por todos os carro. com a sua casaca de gorgorão amarello. acabou-se o primeiro dia de festa. D'outra .

opúsculo memorativo d'outras toiradas regias. porém. sahia-lhe por elle o espinliaço. trinta lacaios. mas d'um modo que peo. philantropia comi- gera. ra. D'esta vez. O Távora e o senhor de Villa Flor sahiram contusos. Se lhe dá o golpe no ventre.DO MARQUEZ DE POMBAL t»ElU-'IL 37 vez. Naquelle tempo ainda não havia o sentimento que o senhor de Pancas. mas gloriosos. matando o boi á nos espantaria. e terminou a festa por suas magestades em escaramuças do uma continência a que entraram. e os outros mataram cinco. n'um jorros de sangue na praça. e o cavallo morreu. lhe tão fez mais. O marquez de Alegrete á sua parte matou três bois. cento e noventa e dous duzentos e quarenta cavallos. e . se não soubéssemos dos poetas coevos que este marquez costumava abrir com a mesma cutilada o boi e a sepultura do morto. e atirou o cavalleiro tão alto. arrastados pelos lacaios. afora os e dous fidalgos. pela parte que tiveram nas cutiladas que espadanavam em quanto os bois eram Ninguém deplorava os atassalhados animaes. que o vento lhe levou o cha- O Alegrete vingou o Távoespada. com fidalgo azedume. No terceiro dia repetir am-se as primeiro. conforme attesta o chronista grande golpe sobre o espinhaço : deu- que logo pela ferida sahiram ao boi as entranhas. cha- mava. O touro foi-lhe de encontro ao cavallo.

abateram oito bois á espada e garrochão. conclue assim o seu pregão enviado á posteridade se nas vistosas acções de Veja e admire o mv/ndo que um fingimento conduz para admiração o invencivel esfmxo respectiva roeSj : sendo esta apparencia de guerra de curiosidadej que fará descarreguem os golpes.PEHFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 38 4- O relator das proezas dos trinta e dous próce- res quO. n'aquelle anno de 1738. mur- muravam do em rei que abrira a carreira diplomática Londres a Sebastião José de Carvalho. furiosos Ímpetos vingança da se doestes He- um emprego chegar o tempo em^ que movidos ou obrigados dos cólera ou dos nobres impulsos da ? *- Os golpes vieram. A um adversário maioria. senão todos os of- ma- gnatas d'essas festas. que os fidalgos de primeira grandeza despresavam pelo seu nascimento comparativamente baixo e pelo seu ca- . «vibrados pelos furiosos Ímpetos da cólera» e não acharam arnez que os rebatesse d"aqueUe peito de fidalgos dissolutos incapazes de reagir ao braço forte de fendido e inexorável. ajudados dos volantes.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 39 samento violento com uma sobrinha do conde de Arcos. em jurisprudência é impossivel já agora descobrir as causas impecitivas. Foi distincto. um extremado Á sua formatura um espancador trocista. embebendo primeiro nos dogmas do Cathcdepois nas máximas da Moral Christà. mo brotoeja de um gongoris- muito estafado da eschola do Vahia e dos ceiras com pretenções a Jacinto Freire. de talento e sabedoria é o Elogio do marquez de Louriçal escripto e impresso em Londres. A sua peça litteraria em que se presume o máximo consumo da meditação. relanços de hypocrisia em que o Eri- Tem uns leitor sente por egual as cócegas do riso e o antòjo da nauzea. cismo. foi modo eminente cellentissÍ7nos. o zeloso disvelo e mais. pelos Paes e Avós Ex- de irem cada dia mais. José de Carvalho em com o es- todavia certo que Sebastião E' letras ficou muito abaixo da craveira dos seus coevos na Academia de Historia. O velhaco. Tédio dos assumptos? incapacidade? preguiça? reprovações? indisciphna de costumes incompativeis tudo? Seria tudo. A mocidade d'esíe homem agitar a-se em tempes- tades que hoje chamaríamos canalhas e a municipal castigaria a espadeiradas. çal. E' uma burundanga deslavada com solecismos e inchaços de hyperbolcs. a . encomeando a educação do menino Louri- escreve : 2)referido por Sobre tantas applicações diversas.

nem como peça grammatica. O seu biographo John Smith dá a perceber. que a faz eterna: ficando de dous merecimentos as edades perpetuadas d serve aos Epitáfios uma narração. porque admirarão a pezar das soberbas Estatuas.UIQUE2 DE POMBAL 40 parte essencial do Espirito d'aquelle. uma carta-panegy- de Sebastião de Carvalho a Júlio de Mello e rica Vida de Diniz de Castro. e não aprendeu da lingua ingleza uma palavra para fallar. Nem sinceridade Cita-se.PERFIL DO M. não teve tempo em seis annos de . Londres seis annos. litteraria. fundado n'umas memorias manuscriptas do biographado. quanto vai da insensibilidade de hum mármore. melhor período Gloria não pequena será da Monarchia. e ao attenção valhas I em um simulacro. que Portugal mais nobre muito dilata as excelsas. Que farfalhudas mara- Parece o outro que consultava o doutor Ma- noel Mendes Enchundia sobre o passadiço da ilha do Pico para a ilha do Báltico. que nascera destinado não só para lhes succeder na Caza. encarecendo-lhe a Mello. que a seus Cezares lavravaõ os Romanos. que este livro se participe aos Reinos estranhos. nem sequer para traduzir. Sebastião era bastante bronco Esteve em : sejamos justos. mas para o incomparável fim de os seguir na gloria da Bemaventurança eterna. que se serve. que elle por causa dos seus achaques e muitos estudos. que Eis aqui o : da morte ás Rhetoricas vozes de mesmo passo multiplicando dwaçoens ao juiso.

(Compendio msTORico e anaLYTicO. tomou por empenho traduzir as referidas cartas e as foi periodicamente remettendo d proporção que as ia traduzindo. it He regreis that the rjreat necessary topursue. como por 1762 ahi alar- deiam uns innocentes que tem o seu perdão seguro desde que Jesus de Nazareth. variety ofstudies he found order . cons- to titution. ccnipled with ai- most constant ill health. do alto da cruz. o adver- — Ghamou-os sário intransigente dos inglezes. elle.. Tendo 'porém sua irman Philadelfia Steffens contrahido com a occasião da visinhança amisade com a mesma marqueza. O marquez que conte Julgo^i a marqueza Quando lhe : de Pombal que poderiam ser as mesmas (cartas) conteudas na dita collecção e consequentemente me pe- diu que as mandasse ao dito Guilherme Steffens com. pag. a recommendação de as fazer traduzir por pessoa a quem elle podesse pagar o seu trabalho. pe- diu por elles eternamente. . E aos oitenta annos estava na mesma ignorância d um idioma que lhe cumpria saber como mi- nistro universal para tratar sem interprete com os cabos de guerra que chamou de Inglaterra em para defender o reino. chegaram a Pombal umas Cartas impressas em inglez. prevented him from acqmríng a knowledge of the English laiiguage. pediu . que elle desejava muito decifrar. 45).. . (T. etc).PERFIL DO MARQUEZ DÈ fOMBAL um verbo inglez conjugar . in hecoine acquainted with the history. i. 41 and legislation of England.

nas tropelias e arruaças que deram a má reputação. e foi a causa principal de se presume que esquadra: — rasão para que elle chegou a cabo-de- os cabos-de-esquadra se arregimentem no centenário. Thereza de elle uma galante viuva Noronha e Afinada. quer espontaneamente. capi- taneados por fidalgos. Acaudilhava uma jolda de valentoens especial de capote branco. Por esse tempo. po. cortejava D. diz o biographo. Sebastião de Carvalho esperava ser promovido a oííicial com a protecção do tio Paulo. . George Moore que a necessidade fazer soldado. rém. Refinou então. Encontramol-o com praça diz assente de soldado raso. He is said to have raised himselfto the rank of corporal. em cata do a Lisboa depois que desistiu da formatura quer forçado. had the largest share in impelling him to the service. sobrinha do conde dos Arcos. tão antipathica era a sua fama que de uma grande promoção em que passaram a fidalgos foi excluído os criados de alguns capitães. parece-me Want. homem presado Crespo. Concorriam nelle o prestigio da valentia . de maneira que já na corte os irmãos do rei não menos arruaceiros e chibantes ou- \iam com ciúme as façanhas do Carvalho. espo- reado pela raiva. Voltou ás proezas noctur- nas. onde não tinha ainda alvorejado a aurora do azeite de purgueira. aquellas llie alfurjas com libré Pancadaria brava por de Lisboa. Sebastião José e os da sua quadrilha eram o terror doutras alcateas de facínoras. lamacentas e negras.PEIUIL DO MABQUE2 DE POMBAL 42 meu Mas vamos.

pOr Soriano. inesperadamente. 210). pag. Sebastião José de Carvalho. tio foi um do marquez — aquelle duque de Aveiro com quem de Gouvêa o conde de Oeiras saldou contas de gratidão mediante a massa de mago D. Não pôde morrido um frade arrabico. ferro — para fr. é que sabia cantar aos frades idiotas aquelles mysticos arrobos da Bemaventwrança eterna y que já lhe conhecemos do Elogio do marquez de Gomo quer que fosse. 1738. Paulo anno antes. JoSÉ. Levou de assalto o coração da viuva e fugiu com ella para Soure. (HiST. primeiro ministro V. fr. Sebastião de Carvalho. Em ii. houve entre os fidalgos coroso. de Carvalho tinha ser. João v. não era máo — era uma sanctíi besta. de João lhe que o matou a pancadas. como a Frei Gaspar da En- curecido. odiado e obs- comendo a broa de milho de Soure. Soriano. no demorar a agonia. elle disse na Carta escripta carnação. é enviado a Londres por D. tom. estô- Gaspar da Encarnação. farto da broa de milho de Soure. A esposa que ficou em elle um Louriçal.PEIU-IL DO MARQUEZ DE í'OMBAL 43 e a gentilêsa pessoal. quando Londres. DO REINADO DE D. o protegeu ? O snr. sahiu para assombro ran- Lisboa achou cerra- das as portas dos seus parentes. repellido pelo tio Paulo e ameaçado pela vingança dos Noronhas. e pouco depois ci . Ca- sou e esteve sete aimos na província. presume que foi Quem o car- deal da Motta para obsequiar o arcipreste Paulo de Carvalho. Quem o protegeu Gaspar Moscoso.

D. o tigre apacalava os gryphos. ha pto muito dias. *- um Volvidos vinte e annos. sabido. e todos nós lhe desejamos.^ sabe como em aquella alma de esposa e mãe foi alanciada quanto o cutello misericordioso a não redimiu d'esse inferno da ultima hora. marqueza de Távora lem- como quem conversa sobre assumQuatro versos seus. vamos ver o que é feito d'aquellas deliciosas fidal- gas do camarote da princeza e d'alguns d'aquelles toureadores e cavalleiros da tourada real. Leonor de Távora e Lorena. O notório supplicio da brei-o. V.44 ffeRPiL t)0 MAhQfÊÉ DE PomkL 21 de março de 1739. Sua cunhada. viuva do marquez de Gouvêa e duque d'Aveiro encarcerada no pobre convento do Rato. as damas. abriram-se-lhe as da sepultura para ir wvo que o gosar aquella Bemaventurança eterna. sentimentahdade da sua es- chola. dariam d^aquella catastrophe uma compunção que a minha proza decerto não moveu. sem foi re- . poeta. meu adorável poeta. Entretanto. ex. embora esculpidos em muito parcimoniosa frio meu caro com a bronze. Primeiramente. sobre os famosos torneios e touradas da Junqueira.

Os historiadores não sabem desta passa£rem do cárcere para o mosteiro. que sua mãe. aos quarenta e três an- nos. filho primogénito do infeliz Distingiiiu-se muito nos obséquios do ex"*^ bispo aquello ."'^ de Gouveia. Esta duqueza tinha ao tempo em um que filho. fallecido. D. e por lá passou. marquez que é duque d' Aveiro. de fome e nudez que já em 30 de agosto de 1779 era .«Pelas 11 horas e vem um assim quarto da chegou a Mafra. a ponto de serr as freiras a troco de uns sapatos velhos e d'uma saia para não andar descalça e nua. onde passou o dia seguinte recebendo fratemaes obséquios da sua amada communidade. tinham as cariciosas lagrimas da alegria. No Itinerário manuscripto do prelado descripto o encontro : . foi os outros prezos. D. por que estava nu e tiritava de frio na sua caverna ^ * Em como nào com 1777 sahiu do cárcere tinha de seu uma tábua. Maria familia que os consolasse e restaurasse com i. quando n'aquelle anno de 1777 sahiu da masmorra de Pedrouços. privada do pão das arras. caminho da sua diocese mas tão cortado de oito annos de trevas. Mas- carenhas enviado aos frades de Mafra para o fartarem no seu refeitório. Alli o encontrou o bispo de Coimbra D. Martiijho de Mascarenhas. Ahi se noite achava o ex. Miguel da Annunciação. . Martinho de e.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 4o curso algum. reduzida á extrema penúria. pedia elle de es- mola umas ceroulas no Forte da Junqueira. morria traspassada de dores tamanhas que só um poder dino podia creal-as. O filho do duque d'Aveiro não tinha ninguém. da caza de Povolide. Todos os outros fidalgos exhu- mados d'aquelles ergástulos á voz de D. Fez como os mendigos foi á portaria d'um con: vento. .

a das risadas argentinas no camarote da Junqueira — essa. Marianna de Tá- mesmo tempo que marido era levado ao Pateo dos surada no convento de Mar^illa nada á morte mas . A marqueza d"AIorna as creanças em seu bichos. Martinho adquirira pela sua provada innocencia no pae a compaixão dos velhos inimigos do duque. foi para o real mosteiro de Santos. d'onde bem instruído^ não mais voltou ao seu palácio. bem sabe. João vi deu-lhe uma mesada por esmola. D. 27). e Paschoal José de Mello fez a Representação a D. D. vora. que o fez capitão d'um regimento. tom. filha da marqueza. até que o ultimo da linha principal dos Mascarenhas morreu em 180i n'uma pobre casa em Bueoos-Ayres. ao D. A piedosa não respondeu. O marquez de Gouvéa esteve algum delicto do Animaram-no a pedir á rainha a tempo feitor do marquez de Alorna. pag. Elle se chama desgraçado e deve á sua desgraça a occasião de se fazer ainda mais benemérito pelas suas virtudes». Quanto á outra pena marqueza de Távora. restituição de alguns dos bens confiscados.que o faz me- recedor de toda a estima e fortuna que conseguiria na boa cunservação de seu pae. Thereza. onde lhe deram aceados aposentoS.PERFIL DG M-UIQUEZ DE POMBAL 46 A condessa de Athouguia. foi enclau- foi condem- em pri- encerrada com a Chellas. . D. vui. que amado e agradável fidalgo trazer da sua reclusão as mesmas que soube tirar e bellas qualidades de um cavalheiro christão. o rei : tinha sido commutou são perpetua. Maria i. Deve-se a Deus a sua Índole e a imi bom mestre que teve na sua prisão a educação. (Coutes de insomnia.

: ! pag. Os Tavoras que figuraram e assistiram nas esca- ramuças da Junqueira eram. ao duque de Choiseul «Se eu vos referisse as affrontas que recebe a princeza de Holstein e os seus dous filhos terieis compaixão Queixumes e gemidos soam de toda a parte. como viu. (Yej. em 1759. tinha morrido na Torre do Bugio. Estes dados. João com Logo que o marquez^ seu marido. avisar em-na de que sou marido.) . ciado não preza. * morreram estrangulados. seu filho Luiz Bernardo e aquella creança de três annos José Maria. 105.PERnL DO MARQUEZ DE POMBAL 47 nem aos braços do rei que estava sa^ A princeza Marianna Leopoldina de Holstein O não tinha.) A princeza não movia a piedade de ninguém porque tinha dado ao marido os supremos golpes da deshonra. 186. mereceu algumas finezas raras. o marquez Francisco de Assis. vi. e a foi mais notável D. provincial dos Arrabidos e confessor de D. João v^ procurou a marqueza e disse-lhe que sua magestade a mandava recolher ao mosteiro de Santos. António de SanfAnna.» (Quadro Elementar. entrou no palácio dos Athouguias fr. com imia tença mensal de vinte moedas de oiu^o que el-rei lhe dava do seu bolso. foi preso e con- duzido ao Pateo dos bichos. 2 O embaixador conde de Merle disia. pag. t. Memorias do bispo do Pará. ao fim de quarenta e cinco dias de prisão sem se lhe conceder o viatico que o levasse áquella conhecida Bemoventuranca eterna de Sebastião José de Carvalho 2. foi Manoel de Sousa Calhariz. Além d'estes. fracturados e roo conde de Athouguia.

Miguel. porém. mas não matava de prompto. pungentemente marquez d'Alorna nas Prisoens da Jun- referida pelo Thomaz Telles da Silva visconde de Villa Nova da Cerveira. Quanto ao duque d'Aveiro .. !S exposição pniuda do processo do supphcio a . consoante o ahitre de Sebastião José de Carvalho. fo- como os outros réus da ralé. e José Maria. asmáticos e epilépticos.PERHL DO M. no ventre. por causa da elasticidade das ^'isceras. morreu no castello da Foz do Douro. Ma- noel de Távora. José Bernardo. queira. devia ser sentenciado a morrer lentamente na gueira. ao cabo de nove annos de segredo. Ali acabaram o conde de Óbidos e o marquez da Ribeira. O duque d' Aveiro. um dos cavalleiros do fio do conde de S. e que. ali perto do terreno onde se construirá o barracão dos torneios de 1738. o Romeiro e mas o rei contrariou essa refinada cruel- os Alvares . n'uma agonia inexpremivel.. O supphcio dos Tavoras tinha sido menos demorado. concedendo apenas que o reo fosse descalço. um có- nego. então creança. Nuno de Távora. A pancada no peito fracturava as costellas de encontro ao coração e polmoens causando hemorragias fulminantes . era atroz. maça em vez de lhe malharem no peito de ferro. a com a pancada batesse no ventre afim de que se prolongasse a agonia.UIQUEZ DE POMBAL de Távora morreu no forte da Junqueira. dade. irmão do marquez estiveram nas masmorras do Forte desde 1758 até 1777.

» 4. . Favor j r a que foi ^fjrque^a de T. vivo. o que foi Marque^ de Tjvorj.dejii<:lujdos os reui ?"' t m que vn qn roJi<í. J i \p islo^ wbrc as J^ estampjs antecedenlts !.Jilho Vasseio Lx. ###BOT_TEXT###quot; H o que foi Marque^ d(.uat de. ei Antomo Ali. Rua do Deinnwilr ji. ultim imcnii. ío do thcttru Nosso Senhor que Deus iodos K" I .° II José Policarpo de Ajevcdo A'.' L' José iljria N." 3 o que foi Conde de Alouguia N." 7 Braj Joie ^Romeiro N.° 6 João Miguel António Alvares Fr. N.ires I-erreira.ivora " I \ 5 ôlManoel itívrts N. arpo de a^jeifdo. t orno 1'olit.' Achar-se^ha em casa de Francisco Jviúnoel nofi»' </.

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está anojado Ex. me associar por esta occa- Sou manicheu por causa de Sebastião José. primogénito de Carlota Joaquina. Verdade é que eu tenho outra idêa mais blasphe- ma^ e é car a — que um a maior calumnia que se pode assa- Ente Perfeito é imputar-lhe a creação do homem. Um 4 turmas ou dos Guias fios. que o Diabo col- a Sua Divina Magestade na formação do nosso primeiro avô. annos depois. o outro era . na Junqueira. para festejar o trinta e seis nascimento do príncipe D. Mas V. -^ Que me não esqueça lembrar-lhe que. António. envergonhava-se de ter creado o ou arrependia-se de laborasse com ter consentido homem. também era duque de Cadaval. Esta é a opinião dos illus- tres heresiarcas Manetes e dos Partenianos aos quaes eu tenho o desgosto de sião. Deus.''' goeira.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 49 cada reo fidalgo não constava da sentença. divididos em como em 1738. no dizer das Santas Escripturas. N'esse requinte de barbaridade os algozes tinham sido in- directamente ensaiados pelo ministro Carvalho. e quer perguntar-me como eu em d'esta san- que se occupava Deus n'esse tempo. houve no Terreiro do Paço as ultimas cavalhadas portuguezas mantidas por trinta e dois fidalgos.

e o eram Tavo- Miguel e o de Caparica que e o conde da nhas. em 1791. era neto de supphciado em um irmão 1759 com do marquez de Távora sentença de perpetua in- fâmia imposta á sua memoria ! . S. Xas turmas dos justadores via-se o conde de outro que sahiu sandeu da conde de ras. o terceiro era o conde de Óbidos que morreu no cárcere da Junqueira. e eml)e- bedaram-se egregiamente nos sallões do marquez d'Abrantes. e pubhcou em 1842 a Relação histórica cavalhadas ou Torneio-real fallidos do em Oli- em d<is 1795. Xova da Cerveira que mor- Villa reu no ergástulo do castello da Foz. De mistura dos justiçados Ega que era Távora e Mascare- com estes próceres netos e filhos figuravam nos torneios dois netos do marquez de Pombal — o conde de Sampayo. se bizarramente no terreiro do Paço na presença do futuro João VI que se babava de jubilo.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 50 marquez cVAlorna no filho do que estivera desesete annos marquez de Távora forte de Junqueira. de honra e de memoria espojaram-. e neto do em justiçado íillio d' outro Belem. de brios. e o director das festas era o fillio do visconde de marquez de Ponte de Lima. se o marquez de Pombal. S. e o senhor de Pancas José Sebastião de Saldanha e morreu conde de Alpedrinha veira Daun que 18Õ5. Que admira. E uns e outros. filho masmorra em 1777. Lourenço.

O primeiro opúsculo.! PERFIL DO bra. os postos. e recôndita. é certo exercidos : * . felizes e reaes fizeram no sitio 1738. Grande utilidade <'sta : terão os futuros historiadores desta monarchia ein aveiiguar 4:ertamente que no anno de mil existiam neste reino e e sete centos e trinta e oito nesta corte os trinta e dois Fidalgos da primeira grandesa de quem esta eloquente composição declara os títulos. as qualidades e os por que fiando-se commumente de pessoas de tanta distinção os maiores empregos na paz e na guerra. o corregedor do crime Caetano José da Silva Soutomayor Todos os que emprendem a difficnttosa applicação de escrever uma historia dilatada.* me pouco mais uu menos disse 51 em Coim- : — Diga-me iiioldurar umas telas históricas que eu possa na poesia. e para as cavalhadas de 1791 a Relação histórica jíi referida. as filiações. servem? Estas não lhe Que deUciosos arabescos o seu cinzel incomparável pode rendilhar no ouro das molduras XOTA Além dos livros vulgares que authorlsam a substancia miudezas histórica d'esta carta devo consultar-se para as das justas e torneios de 1738 a Relação das insignes festas que aos annos da Princeza nossa Senhora se da Junqueira. por Fernando António da Rosa. Ex. MARQUEZ DE POMBAL Ha cinco annos que V. raro e curioso. mendigam continuamente os irrefragaveis testemunhos que pelos authores coetâneos em semelhantes papeis cazualmente se imprimiram. apresenta-se com recommendação do celebre Camões do Rocio.

Um . a respeito dos fidalgos. dos futuros historiadores a quem alludia o vidente- desembargador e já dramatisado Camoens do Rocio. Sou eu quem primeiro^ explorando as cr^^tas das geraçoens encineradas^ pude^ graças ao folheto^ tirar a limpo^ que. era eu.. apanha-se immortalidade er . no anno de 1738. havia os taes 32. uma Quando coisa assim. se averigua centenário. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 52 que OS seus nomes e as suas acçoens hãode ter uma grande parte na venturosa descripção da sempre invicta gloria portvgueza.

foi estatua. a cin- . . Sup- plicio tolerável..^^ wBt ^K^^gu^ TE r/ no dia 13 de janeiro de sujeito. que serão lançadas tio mar. se lhes ponha fogo que vi- vos os consuma. e que sendo n/ella levan- dois postes altos. condemnado queimado vivo. como em . regicida. até se redusirem seus corpos zas e a pó. . A sentença -^> disia : Aos dois ferozes 7nonstros António Alvares Ferreira e '^ ~ José Poly carpo d'Asevedo. condemnam a que com baraço e pregão sejam levados d tados em mesma praça. que dispa- raram os sacrilegos tiros de que a suprema magestade de el-rei nosso senhor recebeu a offensa. íí^^i-aXí. 1759.

três mezes e dez dias decorridos depois da duque tentativa de regicídio. ninguém o entregou ao car- rasco. se al. Estava ao lado e mais seu do cunhado Manoel Alvares Ferreira. em 13 de desembro. Os dez mil cruzados ficaram nas arcas do erário — O premio era tentador era uma fortuna n'aquelle tempo mas o condemnado ao fogo em vida.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 54 manda Depois. . guém o viu e conheceu. a sentença que lhe confisquem os bens e salguem as cazas. quando o duque de Aveiro foi prezo. ou para que cada o possa matar não sendo seu inimigo E no em que seja apresentado preso nos domínios toda a terra elle um : caso doeste reino ao desembargador do paço Pedro Gon- da inconfidência. *- José Polycarpo de Asevedo estava no palácio de Azeitão. o hão por banido. juiz dará gratificar d vista apresentarem com o em paiz na jornada se sendo aprehendido despezas que estrangeiro. se as tiver elle — con- dição que revela o previsto talento dos desembar- gadores carpo se — E e continua: por que o reo José Poly- acha ausente. e mandam ás justiças de sua magestade que appellidem contra para ser preso. além das fizerem. mana pessoa ou pessoas que o premio de dez mil cruzados. çalves Cordeiro Pereira.

Quando os cúmplices. presa. acompanliadas dos signaes que poderiam denuncial-o.I'KHFIL Do MAItOlKZ DK POMBAL OO que ainda lançou mão do espadim do escrivão. forçados pela tortura o denunciaram. e os mais próximos parentes soíTreram tormentos para lhe delatarem a paragem. se então fugisse. assalariado por poucas moedas. e espantado da inutihdade de offerecido a de baixa quem tamanho premio entregasse á justiça extração. Os corregedores das comarcas e os ministros de Portugal no extrangeiro receberam ordens enérgicas de capturarem o fugitivo. mas nenhum dos turados sabia o destino do condemnado ria nem tor- pode- proveitosamente inventar-lh'o. por que a sua cumplicidade não tinha ainda sido descoberta nem suspeitada. Não fugiu : ficou intacto. Este Ferreira. que era guarda-roupa prezo com e copeiro do duque. quando o prezo forcejava por evadir-se. um facínora um regicida. José Polycarpo Toda a sua parentella foi havia desapparecido. Os corregedores prendiam quantos desconhecidos transitavam nas províncias. outros creados indicados na embargador encarregado da lista foi do des- diligencia. Sebastião José de Carvalho devia sentir-se vexado na sua omnipotência. Como as dores eram atrozes. seria retido no cinto de tropa que cercava o palácio e a quinta. por que as informaçoens da figura do reo não o estremavam notavelmente d outra qualquer . a infâmia da denuncia seria desculpável. José Poly- carpo d'Asevedo. segundo disia a sentença.

povoação próxima de Lisboa. correu em Lisboa. Esses presos innocentes eram remettidos á corte com algemas. receberam de a noticia de que Po- segurança. que. Recom- Perpignan lycarpo. havia uma parentes do regicida que. menda-lhe que o communique ao conde de Oeiras.\RQUEZ DE POMBAL o6 figura. Em Hespanha e França não descançavam os agentes do reino. e. Em 1 1 de setembro o conde de Merle participa ao duque de Choiseul que com- . e lhe diga que o prezo estava ás suas ordens . conforme merecia.outros por ambição dos dez mil cruzados. quem conhecia José Polycarpo. de farejarem José Polycarpo. depois de examinados por Nos Olivaes. embaixador em Portugal. uns por dever. primeiro ministro de Luiz xv. Receosos insidia. oíTiciava ao conde de Merle. mão incógnita um com bilhete em lycarpo estava de saúde e de que o bilhete fosse uma vez. Esta zombaria deveria enfurecer o ministro. official e extra-officialmente. por participação de 18 d^agosto. Nove meses de- pois das execuçoens de Belém. eram soltos. José. a noticia de ter sido capturado 27 do em mesmo mez Perpignan José Polycarpo. desse o conde de Oeiras as providencias que julgasse necessárias para ser transferido. immediatamente o apresentaram á justiça. que havia sido preso em um portuguez que se disia ser José Poum dos assasshios d'el-rei D. e a o duque de Choiseul..PERFIL DO M. se el-rei queria que o conduzissem a Lisboa para ser alU justiçado.

A' vista das pag. 164. pag. houvessem arrastado as cabeças da conjuração a perpetrarem um crime tão horrendo. mandou bem escoltados. 168. o conde de Oeiras. por essa occasião. gri- . vi. o embaixador conde de Merle par- que o conde de Oeiras o tinha procurado para da parte significar d'el-rei amo o quanto com os testemu- seu aquelle soberano ficava penhorado nhos de amisade que sua magestade christianissima lhe tinha dado na occasião da prisão de José Poly- carpo.) Em 25 do Setembro. a Perpignan os esbirros os competentes ferros. (Quadro elementar das relaçoens politicas E DIPLOMÁTICAS DE PORTUGAL pclO ViSCOnde de Santarém. etc. e pessoas que conheciam José Polycarpo. que era afinal um doudo de. 158. E o prezo. e houve um grande espanto e desgosto quando os peritos disseram que tal individuo não era Polycarpo nem cousa que o parecesse.PERHL DO MARQUEZ DE POMBAL municára ao conde de Oeiras a prizão do individuo que se dizia ser José Polycarpo. não contente com a remessa do prezo.) peremptórias affirmaçoens do duque de Choiseul. mesmo ticipa lhe t. tal noticia. ficara e o conde. e que era in- comprehensivel que motivos tão frívolos como os que o conde lhe havia apontado. 160. tivera com o conde de Oeiras uma longa conferencia sobre o desgraçado acontecimento dos tiros. singular espécie. com muito abalado e dera mostras de grande satisfação e agradecimento. (Id. Tirou-se o prezo da sua masmorra. Acrescenta o conde de Merle que.

e o duque. que ati- Os emissários portuguezes restituiram o mentecapto ao governador da praça. portadores da infausta nova ao conde de Oeiras. vi. e depois o passara para a repubUca de Genebra onde senão admittiam concordatas de reis. dizia-se que sua casa em um Sem fundamento fidalgo titular refugiara na Lisboa. por espaço de trez annos. em em 23- despacho dirigido ao governador general de Perpignan. e desanda- ram para a pátria. ou nas lobregas cavernas da Junqueira. O governador participou ao duque de Choiseul que as justiças portuguezas affirmavam que o preso não era o de outubro do regicida. pag. Parece que Polycarpo de Azevedo tinha esqueci- do no transcurso de treze annos. (Quadro Elementar. O marquez de Pombal decerto despresava essa atoarda popular. arrancar-lhe-ia o segredo na polé. algum. mesmo anuo de 1759. signiíicava-lhe ser muito para admirar que o governo portuguez affirmasse não ser José Polycarpo o prezo quando o mesmo prezo confessava que o E ordena-lhe que por bem ou por mal o obrigue a confessar quem é. era ! — tesse á tortura. o condemnado. 171). Quer dizer que o met- retirado. que era elle o rara ao rei. Se elle descobrisse o fidalgo que dera agasalho e evasiva ao familiar de D. ou a considerava cavillação dos protectores suspeitos de José Polycarpo. José Mascarenhas. . tal Polycarpo.PE»FIL no MARQUEZ DE POMBAL 58 tava que sim. tom.

n'esta corte informações de que nos districtos de Cavezes do senhor S. treze annos. Soube o marquez de Pombal. pag. O aviso que viera a Portugal da exis- tência de José Polycarpo em Espanha já cá estava desde junho. ministro e secretario do estado dos negócios do reino. em Badajoz. tom. de Montigny. e mendas de S. aquelle José Poly- carpo que zombara tantos annos das suas pesquisas. 37).I'KHKIL DO MAHQUEZ DE 1'0MH. Em 13 de junho de 1772 escrevia elle. alcaide-mor de Lamego. se acha José . inspector geral do real erário. etc. porém. 1772. junto a Sevilha. João. embaixador de França Almodovar tivera uma em marquez de Portugal. participou á sua corte que o longa conferencia com D. O embaixador recebia muito retardadas as informações. com taçoens de jubilo. mr.')^ em setembro de 4- Decorridos. que nos arrabaldes de Sevilha estava o flagello das suas impaciências.\L . Luiz da Cunha á cerca do supposto Polycarpo. e n'elle logar tenente junto á real pessoa de el-rei meu senhor. marquez de Pombal^ conde de Oeiras. n aquelle mez. Miguel das Três Minas nha da Matta de Lobos na ordem de Havendo villa de commendador das come de Santa Mari- Christo. a seguinte requisitória palpi- : Sebastião José de Carvalho e Mello. senhor donatário da Oeiras. que havia sido preso VIII. (Qladro Elementar. Carvalho e Cercosa.

60 PERFÍL DO MARQUEZ DE POMBAL Polycarpo^ um dos mais abomináveis reos de alta traição commettida contra el-rei meu senhor^ e achando-se na monarchia de Espanha e em todos os estados soberanos da eu- tempo d'aquelle execrando demonarchas e prisão e remessa dos sobreditos ropa^ estabelecidas^ desde o lido^ ordens circulares dos seus respectivos príncipes soberanos para a atrocíssimos e escandalosíssimos reos: requeiro da parte do mesmo senhor^ e da mesma peço por mercê aos senhores governadores e magistrados da referida cidade que. com pré- vio aviso para n'elle ser recebido. que passei a presente. por mim assignada o séllo grande das armas reaes. 6i7j pelo sur. que subsiste entre as duas cortes para a prisão e remessa dos criminosos de delidos atrozes. antes que se possa esconder. A carta foi publicada em DO REINADO DE EL-REI D. >L\RQrEZ DE Pombal. o sobre- sentar. . Descurou as praxes e os O processo instaurado em Badajoz e a carta requisido ministro são documentos encontrados pelo sm\ Francisco Palha. e que. o remetiam ás fronteiras doeste reino. ou au- em similhante caso_. pag. Soriano. <le Dada neste sitio de Nossa Senhora da Ajuda em Em fé e sellada i3 de com junho de 1772. JosÉ. sendo-lhes esta apresentada pela pessoa que a mostrar façam prender com as cautellas indispensáveis <lito reo José Polycarpo. II. precedendo a necessária faculdade do senhor rei catholico. primeiro official archivista do ministério do * tória reino. na forma estabelecida pela concordata. o Post-Scriptum da Historlv (toiu. * Transpira deste documento a insoíTrida urgência sanguinária do marquez.

ao dictar a carta requisitória. mais estrondosa e solemne a captura do reo d'alta traição. afiava as garras.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL estylos judiciários para tornar 61 mais momentosa e pessoal. José. O certo é que o processo corria os seus tramites. e lhe dissera ser o que tentara matar D. Cumpria ás justiças subalternas esta diligencia. deviam estar muito alteradas. e sentia não poder ir gocio. ou á intendência geral da policia que elle creára. no quem lá sup- dia 2 de abril d'aquelle anno de 1772. ringia os colmilhos. tinha morrido no hospital da caridade de Sevilha. e lhe contara as angustias . ou ainda mais curialmente á inter- ferência do ministro representante de Espanha. ao fim de treze annos. quando um padre João Sanches. um homem que elle confessara. E' natural que de Lisboa sahisse para Espanha alguém que tivesse co- nhecido o confederado do duque d'Aveiro. lhe instaurar um com o fim de processo de identidade da pessoa antes de o enar ao marquez. E accrescentava o confessor que esse homem vivera nos subúrbios da cidade trabalhando n'uma horta. A capturando o suspeito José Polycarpo. fez saber ás justiças de Barcelona que o preso processado não era punham. cujas feiçoens. tisico. em 3 de setembro de 1758. e não podesse de prompto decidir se o preso era com effeito José Polycarpo. de Se\ilha. por quanto. em pessoa tratar aquelle ne- justiça de Badajoz procedeu honradamente. Con- jectura-se que o decrépito marquez.

encostado ás armas de Ingla- ver.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL -62 que sotTrèra para €ondemnado. O marquez era de mais a mais politicamente odiado pela sua arrogância patriota A meu terra. Aquelle nistro malvado José Polycarpo d'Asevedo. Em processado foi fugir á afílictiva morte a que fora vista da qual declaração. o preso e o processo enviado ao mi- solto. o padre João Sanches. jul- gou ser esse o verdadeiro . quando Sebastião José de Carvalho o mandava morrer assado ! Mnguem amolgára tão rijamente a phi- laucia ao velho carnifice! Persuado-me. que tragara esta nova pirraça da sorte. inven- tou que confessara e vira morrer no hospital de Sevilha o authentico José Polycarpo de Asevedo. como o o que morreu €omo o retido Badajoz. Ora. praticara a infâmia de morrer tysico no hospital devendo morrer queimado na fogueira! Ousar morrer de tubérculos. nesse tempo em Portugal d'onde nunca sahira. sabendo em se processava que Badajoz o suspeito regicida. existia José Polycarpo de Azevedo. todavia. e. José e o seu ministro foram conside- rados atheus pela Hespanha cathohca. e como José Polycarpo processado em vários outros que tiveram a casual desgraça de possuir um nariz mais ou menos seme- lhante ao do conjurado dos Mascarenhas. que o defuncto Polycarpo do hospital de Sevilha foi mera e pia fraude do padre hespanhol. iMas em Sevilha era tão em Perpignan. D. . afim de o salvar. Desde a expulsão dos jesuítas e do supplicio de um sandeu chamado Malagrida.

Era louro. De Valentim oontava-se que matara com uma paulada em negava o ctância. lambem formado. bacharel formado mado Valentim de um farto ás orelhas.QUEZ DE POMBAL iV. tinham adquirido a fama lendária dos Lobos. Valentim não expUcava-o honradamente. no Porto. escutando com a sua attenção muito enlevada de surdo. em um e seu bigode guiado até um relançar d'olhos irmão Alexandre Mascarenhas. O morrer. Depois. e Elle gen- direito. disse-me que seus pais e avós por nham vivido e morrido enpL uma alli ti- caza que está às cavalleiras do fragoôdo nos espigoens da montanha . do Chico Ilhéu e do Lyra.PERFIL DO MAP. Acaso fallavamos um dia nas estradas pittores- abysmos alcantilados da província de Traz-os-Montes. que era. sem futrica forçara-o a optar entre ja- matar ou meu amigo evadiu-se pela ponta mais obvia do dilemma.\ -¥- Conheci ha vinte e seis annos. typo do norte e sinistro. e perguntou-me Valentim se eu conhecia os Padroens da Teixeira na estrada que cas. largo de espáduas. liUssimo rapaz. cha- Faria Mascarenhas Lemos. deixando o adversário na via doutras existências extra-planetarias. ladeadas de vai de Amarante à Régua. as minhas reminiscências d'aquelle espinhaço da serra do Marão. O facto e um «futrica» alem da ponte noite de troça.

Aquellas solidoens são se estão como um pedaço de globo germinando n'um silencio poens monstruosas. na voragem. a poesia dos pavores supersticiosos. alli Resvalam umas escarpas crespas de rochas socavadas pelos córregos. contou-me elle que seu avô viera para aUi. caxòa e estorce-se em lufada de fogo. Depois. A torrente galga o penedio das fle- margens rugindo a espaços como trovoadas longínquas. a torrente a fundo. em que pavoroso crea- quando uma vez as faíscas cruzavam abaixo dos meus pés. des- vegetam das folhados e retorcidos que fisgas do penhascal. onde abriam cavernas luminosas. José i um dos condemnados à morte foi ferido. e os trovoens pareciam o estampido d"aquelle5 morros que se despedaça- vam uns de encontro aos outros. lá no concava como uma serpente uma cujas escamas verde-escuras não rutila xa do sol. porque tinha sido quando D.PERFIL DO M-\RQUEZ DE POMBAL 64 chamam Padroens da onde era. Eu passara por alU em uma se noite eléctrica de agosto. que estava em Azeitãe . Está Eu sabia onde Teixeira. Os carvalhos hirtos. referve. Era a casa dos avôs de Valentim Mascarenhas. Sobre essas barrocas dependuram-se- penedias acastelladas que parecem ir rolando da espinha das cordilheiras. Lembra-me ver en- tão no topo da serra ao lampejo de um uma casa enormemente grande relâmpago que lhe dava proje- çoens de sombras enormes. reverdecem quando o ardor do estio os mesma desabrocha e queima com No inverno do rio Teixeira.

com medo de que seus filhos ainda soíTressem perseguição. Depois. pouco antes de morrer. ^já o quem llie dera refugio O estalajadeiro dos Padroens da Teixeira previram decerto — era José Pulycarpo de Aze- vedo. sem que a mulher soubesse com certeza a naturahdade do marido. Que edificara com uma choça no alto da serra da Teixeira á beira do caminho. Perguntei a Valentim Mascarenhas se seu avô .PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL no palácio ducal quando o duque tivera escondido um e fidalgo. O marquez nha que lhe dera diíferente do de Pombal já tinha morrido seguido rehabiUtar-se. de estalajadeiros teve casal que Contou filhos. e trabalho e nheiro de empréstimo augmentara a cabana e abrira uma estalagem onde pernoitavam os recoveiros no inverno quando a estrada pelo Marão era intransitável por causa das neves. casara jornaleira de deia da serra. . mas . lhe segredara o seu nome e lhe pedira nunca o descobrisse. e abrira uma taverna frequentada por almocre- com uma com muito uma al- algum di- ves. um nome nem que elle ti- mas que. que es- foi algum tempo na corte de em casa de passara para a província de lá Tras-os-Montes. E' de suppor que este reo do sacrílego attentado assim procedesse caute- losamente aconselhado por em — Lisboa. 63 prezo. depois de ter queimado a cara vitríolo para não ser conhecido. este chegara a e grande velhice. os Tavoras tinham con- o filho do duque de Aveiro e dos plebeus do seu grupo não tinham conseguido a commiseração da rainha.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 66 usara o appellido Mascarenhas. A mi- . por que todos os marquezes de Gouvea de nho alguma noticia foram muito quem prolíficos. e. aposentado por causa da surdez. entrou no meu espirito uma conjectura que eu não podia formular em facto histórico. E não duvido. Em uma foi um pro- quinta compra- ha annos o em S. Deixou viuva e fillios. Esta senhora é irman do snr. te- na sua illegi- mulheres ordinárias se assignasJá o pai de Valentim prietário abastado no Douro. descaroada soberba. á mingua de Desde que Valentim Mascarenhas locaUdade probabihdades fundadas. deputado na legislatura passada. *- me referiu a em que seu avô vivera e morrera incólume. quando era juiz da e não herdada de direi4o. se quer na tradição. Disse que não. Lopes xMendes. que seu pai foi quem deu aos filhos esse appellido por ter ouvido dizer á viuva de Polycarpo que seu ma- rido era ainda descendente por bastardia de ims dalgos fi- de Lisboa assim chamados. no vigor da idade. um illustre professor muitos annos em agrónomo que residiu Goa. Miguel de Lobrigos morreu meu amigo Valentim. não consentiam que os timos havidos em sem Mascarenhas.

mada Padroens da rio 67 cha- Teixeira. o senhor da Teixeira. por que sua 5. seu avô tinha estado escondido passar à pro\incia cia de quem . e é o acoitou bem em Lisboa antes de de crer que a influen- na capital o protegesse em Traz-os-Montes. conforme a tradição de Valentim. Mag- dalena de Athaide era irman de D. fugindo do Alemtejo. se ella triumphasse. D. tinha san- gue de Tavoras. Destes vínculos de sangue não se podia rigorosamente inferir que o inimigo de Pombal. e. Além d'isso. está incluso no senho- da Teixeira que pertencia a Gonçalo Christovão. tecção. Que a victima do conde de Oeiras. se confederasse com os conjurados de 3 de setem- bro. Gonçalo Christovão folgaria com a queda do ministro Carvalho que o . Fernando de Mascarenhas. Por seu pai.^ avó.PERHL DO MARQUEZ DE POMBAL nha fantasia era esta: o alcantil da serra. não ousaria ficar no reino. sendo de suppôr que. mas não seria improvável que o oíTendido e bondoso fidalgo desse guarida a um dos afflictos emmissarios da malograda tentativa. devia ser das relaçoens do duque de Aveiro e dos Tavoras. i. preso muitos annos no forte da Junqueira. o preso Gon- çalo Christovão. Figurou- se-me que José Polycarpo. sem uma poderosa pronem tão pouco. aírirmava-m'o o parentesco.^ conde da Torre. sendo-lhe mais rápida e segura a fuga para Espanha. procedia dos pri- maciaes Mascarenhas. iria caminho de Traz-os-Montes. por motivos que vou já expor. por sua mãe.

de que era cabeça destruiu. succedia no vinculo instituído por Pedro de Mcujalhaens e seu filho as Simão de MeUo. Sebastião de Carvalho e Mello. Em Coimbra. Era grande dissipador. conforme o cre- dito e a authoridade dos linhagistas. e fez-se capitão de cavallaria. teve uma marquez vida airada e longa por que viveu cento e dez annos.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 68 roubara descaradamente por um processo que vou contar aos curiosos. Violante. . Para intentar a reivindicação d"esses vínculos. Mas a prova documentada com certidoens era inexequível. por ser fantástica. quando. Se pro- vasse ser quinto neto d"esta D. Como ficasse herdeiro de seu tio Paulo Carvallio. foi viver de na casa da rua Formosa. onde estu- dou algum tempo. uns vínculos da caza do marquez de xMontalvão. Sebastião de Carvalho tinha de mostrar com certidoens authenticas que sua avó materna D. da Teixeira e do BomJardim. lançou mão falsiíica- de expedientes cavillosos para uzur- par aos senhores de Fermedo. defronte da egreja do Carmo. ganhou a celebridade de jogador frenético. por suggestoens de seu íilho. genealógico muito fraudulento e dor. Violante de Magalhaens. e es- tava a empobrecer no íim da vida. avô do de Pombal. Restava-Uie o recurso das genealogias manuscriptas que então gosavam uma certa fé. Joanna de Mesquita era neta de Gaspar Leitão filho de Gonçalo Pires Coelho e D. em um palácio que o terramoto Lisboa. Manoel de Carvalho de Athaide.

Violante de Magalhaens uns genealógicos masso <le e mona chamados Gaspar Barreto. todavia. la- vrado no processo que Sebastião de Carvalho e Mello em 17-20 movia conlra o senhor da Teixeira e Fermedo. t. O que do octogenário se passou entre estampado nu ma Petição de Revista no depoimento do genealogista de Riba-Tamega. capitão-mór de Sancta Cruz de Riba-Ta- mega ^. da famiUa dos Alcoforados. Bel- chior d"Andrade Leitão. Sahiu para a província transmontana Manoel de Carvalho de Athaide Manoel de Sousa da elles está em demanda Silva. Disia o yeja->p o grande conceito capitão-mór em que nio Caetano de Sousa^ Hist. geneal. AfTonso Manoel de Menezes. : que era é tido por D. e o único ainda hoje i\e fé : benemérito era Manoel de Sousa da Silva. Antó- pag. pelo creque o seu depoimento merecia nos tribunaes. i. o mais authorisado e conspícuo genea- logista do século. e não obteve condicionaes que nos seus cartapacios o considerassem quinto neto de D. FaltavaIhe.PERFIL DO MARQUEZ DE PO>mAL 69 Soccorreu-se pois Sebastião de Carvalho do fa- vor de alguns famosos nobiliaristas das suas rela- sem vergonhosos çoens. á dito falta de certidoens peremptórias e indiscutíveis. Inculcaram a Carvalho a urgência do testemunho do capitão-mór no duvidoso pleito. . Bernardo José Teixeira Coelho de Mello Pinto ^ da Mesquita. 103. José Freire Montarroyo Mas- carenhas e D.

como elle ao seu escri- Manoel de Carvalho ser nem queria. Violante de Ma- E que então. depois de vários argu- mentos que tiveram entre ptorio e lhe mostrara a elle lhe elle pediu com mui- a certidão que lhe não era para offender ninguém. o tal Gaspar Leitão si. pedindo a o uma passar certidão elle tes- na for- d^aquelle instrumento e quisesse pôr nos seus livros o dito Gaspar Leitão por filho de Gonçalo Pi- Ao que : que nos seus livros não havia alguma que 'não achasse em papeis au- res Coelho e de D. mais que para entroncar bem a sua família. e lhe mostrou varias certidoens de genealógicos da corte que temunha ma affirmavam lhe quisesse mesmo. o fdho do auctor lhe tas instancias quizesse passar-lhe pedia.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 70 verdade que Manoel de Carvalho de Athaide viera a sua casa delle testemunha e lhe mostrara em que inquirição de testemunhas uma se justificara seus antepassados ser Gaspar Coelho filho de GotiViolante de Magalhaens çalo Pires Coelho e de D. Violante de Magalhaens. aquella fé que genuiE. Feliciana Coelho dito Gonçalo Pires Coelho mostrava. por que nem de João Gomes Leitão e de sua mulher D. a qu^J elle lhe esta passou dizendo que vira ser o dito Gaspar Leitão filho de Gonçalo Pires Coelho lante de Magalhaens em e de D. e não do de D. elle fidho o levara galhaens. Vio- «papeis authenticos» que o . elle replicou disendo de pôr coisa thenticos. e que aquelles que eram nem tinham para namente era necessário. d vista destes papeis. Rebello.

Feliciana Coelho i. posso commupassagem que o incorruptível capitão-mór de Riba-Tamega mostrou a Manoel Carvalho nicar ao leitor a d'Athaide. Gomes Rebello e e fosse filho nem vira do dito Gonçalo somente achava ser filho do dito de sua mulher D.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL Manoel de Carvalho de Atliaide dito lhe 71 filho do auctor mostrara . José Freire Montarroyo disse que «Em imi livro de Manoel Ferreira Botelho^ que consta de famílias encadernado em pergaminho fatiando dos Coelhos da Ilha de Mayo^ chegando a tratar do sobredito viu á mar: gem do tal livro que se diz filho Pires Coelho é Athaide e Mello. . * Convém saber que os outros genealógicos não deposeram mais favoravelmente ao salteador dos vínculos do donatário da Teixeira. filho do auctor apertou com elle testemunha notavelmente ímportunando-o e buscando-o nas occasioens mais occupadas para que não Fr. Como tenho a satisfação de possuir em dous tomos o Nobiliário das geraçoens de Entre Douro e Minho por Manoel de Sousa da Silva. quarto em titulo — as palavras formaes: Este Gaspar Leitão segundo e da segunda mulher de Gonçalo noticia dada por Manoel de Carvalho de accrescentado por sua lettra no meu livro de Coelhos. mas que debaixo da sua cmisciencia declarava que numca em nenhum livro o-u o-utro pa- pel authentico dos que tinha visto. achara que o dito Gaspar Leitão Pires João Coelho.» Gaspar Barreto depòo assim «Que Manoel de Carvalho d'Athaíde.

filho de Gonçalo Pires Coelho^ . Gonçalo Pires Coelho succedeu a seu pai no senhorio de Felgueiras e Tieu^a e na quinta de Sergiide onde morreu tempo del-rei D. De Gonçalo Pires Coelho que Manoel de Carvalho queria introncar na sua famiUa como pae de Gaspar Leitão. Maria de Souza^ filha de Pedro de Souza Borges^.: : PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 72 Tractava-se dos Senhores de Felgueiras e Vieira e das quintas de Sergude e Simães. lhe pediu o dito Manoel de Carvalho que ao menos não jurasse por parte do reo. mas elle testemunha pelos remorsos de sua consciência e preceito da obediênprios^ e : cia. se achou precisado a jurar Belchior de Andrade Leitão jurou : «Que Manoel Carvalho de Athaide filho do autor veio a caza d'elle testemunha. Francisco fosse tão viva. diz Manoel da Silva 16. e n'elles não achou que houvesse tal Gaspar Leitão. índia com nem nem podesse o vice-rei D. Affons43 Cazou com D. 17. alcaide mor de Bragança e tiveram filhos Martim Coelho que mataram vindo da e viveu pelo V. senhor de Felsrueiras». imposto pelo seu Prelado. tào livre a averiguação do dito instru- mento^ elle testemunha recorrer aos Iíatos próque havia pouco mais de um mez lhe pedira que quizesse jurar nesta cauza na forma da certidão que elle testemunha havia passado e disendo-lhe elle testemunha que não havia de jurar tal. onde viu os seus li^Tos de famílias para o intuito d'esta mesma causa.

Gonçalo Pires Coelho lhaens nem nem da esposa Violante de Maga- da manceba Elena Mendes teve algum chamado Gaspar Leitão. E teve naturaes em El ena Mendes : d' Azevedo 17. Sebastião de Carvalho e Mello perdeu a demanda. Ayres Coelho D. 17. Christovão 17. filha de Fernão áe Magalhaens. 17. Claro é que o senhor donatário da Teixeira. fillio de 1510 que natural António Coelho. Duarte Coelho 17. O genealogista fez mais mostrou-lhe nos seus papeis que este Gaspar Leitão havia sido um mero íllho : escrivão na villa da Feira^ cazado Mello. Joanna de Azevedo que não casou. D. Cazou segunda vez (Gonçalo Pires Coelho) com D. Filijipa.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL d'Almei(la no anuo teve 18. e teve 17. Briolanja d'Azevedo 17. D. Isabel Coelho. e 73 que casou com Gonçalo Rodrigues de Magalhaens. Violante de Magalhaens. instaurou-a de novo contra Gonçalo Christovão Teixeira Coelho. que foi ahbadessa no mosteiro de Amarante. e com uma Ceciha nada tinha que ver com os senhores de Fermêdo. lho fi- de Bernardo José Teixeira que destrinçara as torpes fraudes da genealogia dos descendentes de . mas seu neto vindo com embargos.

o defender de tão estranho assalto á sua propriedade. e passa ram-se muitos mais sem que se soubesse o destino que tiveram. 1750. Francisco Xavier escreveu em 1747: Epimemorial ou recopilaeão juridica da causa que pende por embargos na casa da Supplicação .PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 74 um padre Sebastião da Matta-Escura e da preta Martha Fernandes. 97) mencionando os escriptos de Francisca O auctor depois marcjuez de Pombal. accrescenta : alguns annos. tom^ pag. SebasJosé de Carvalho e Mello. avô e pelo a ladroeira intentada pelo pai. aquelle em 1756 e este em 1758. Petição de re- vista que pediu Gonçalo Ckristovão Teixeira Coelho de Mello Pinto da Mesquita. E' escuzado preambular com grandes phrazes de indignação a sentença dos desembargadores. Gonçalo Cbristovão valeu-se então esclarecido de lettrado vier Teixeira de Yilla Mendonça para do Francisco Xa- Real. da sentença proferida a favor de Sebastião José de Carvalho e Mello sobre os morgados que instituiram Pedro de Magalhães filho Simão de Innocencio Francisco da Silva {Dicc.. Lisboa. 3. Tanto o reo como o seu advogado foram prezos ao fim de Xavier. e seu Mello etc. logo que subiu ao tião consummou ministério. em 1750. venceu a causa como era de esperar. no logo mesmo anno outra Allegação de direito. Estava incorrectamente informado Innocencio. quando o usurpador era já ministro : e. . bibliog. O dr.

1 : «E' um mas que mostra caderno em 4.PERFIL DO Gonçalo Christovão MARQUEZ DE POMBAL foi preso em 75 junho de 1761 por motivos muito diversos e estranhos ao guella em mesmo do fins de Oeiras. sob a influencia d'aquelle uma tável. Este foi com o companheira de extermínio de Martinho Velho. em junta de ministros. opúsculo reim- 1882. porque escrevera arrojadamente.^ edição ^ da JuNouEffiA^ dá-nos assim do manuscripto conservado. pelo presso * em O marquez de Alorna. homem no- accusação contra o conde de Oeiras so- bre os desfalques que a fazenda real estava soíTrendo. E' uma historia lon- ga e intrincada que deve ler-se n'As prisoens da Junqueira. doutor Francisco Xavier morreu degredado em o Ben- amigo do conde João Queiroz. Naquellas prisoens onde por tantos annos gemeu a innoceucia muito uzo. propoz energicamente que o lettrado fosse garrotado no forte da Junqueira. D. Foi escripto lettra é com tinta .» Confundira Gonçalo Christovão o doutor Francisco Xavier. Esta circumstancia é digna de explicar-se. desde pag.% ter-se feito d'elle perfeitamente bem formada e legiveL vermelha que hoje se acha algum tanto desbotada. Um e litigio. escrevia ao governador do Maranhão que «os degredados do reino Martinho Velho e Gonçalo Christovão morreram entre Benguella e Angola. 35 até 45 da editor destas Prisoexs noticia da forma ainda um bem A . O conde. fr. anno. bispo do Pará. em 7 de Setembro de 1762. mas opposera-se um dos votos conseguindo a em pena permutação de degredo.

diz o snr. José i. dizia-se pomposamente Senhor do- natario de Carvalho. o descendente do pa- dre Sebastião da Matta-Escura. se algum ressen- timento ficou nos recôncavos negros do coração do vencedor. Soriano que se dava a existência de vinculo na casa iqnorava se «' o merecimento^. das crueldades. os prezos pela maior parte tinteiro^ talvez pelo receio eram privados de de se relacionarem uns com os ou- ou com suas famílias.— PERFIL DO M. d'esta Memoria exum meio que nmito bem lhe sortiu. Sebastião José. e foi com esta tinta que elle escreveu a historia das prisoens. descender do dizia instituidor D. Na Historia de D. e n essa qua- hdade impoz que o senado de Coimbra o incabeçasse no morgadio vago por morte do conde de Athouguia justiçado em como viram na 13 de janeiro de 1759.VRQUEZ DE POMBAL 76 Quanto ás prisoens de Gonçalo Christovão e do seu advogado. quando encontrava o administrador dum vinculo a estorvar-lhe a usurpação. para haver tinta. E depois carta requisitória para a prisão de José Polycarpo. e. O autor. não as motivou o pleito do \inculo. porém. *' foi— lavar os pés das cadeiras que lhe deram pintadas de vermelho com o vinagre que lhe ia ao jantar. matava-o juridicamente. tormentos e provaçoens que soíTreue viusoífrer». A questão acabara coni a posse . tros <:ogitou . as causas ulteriores não careciam d'esse fermento. como é natural em tão ferina indole. Bartholomeu Domingues. Na casa de Athaides estava o morgadio de Carvalho. isto é. Este homem.

Jerónimo de Athaide para administrador do morgado e albergaria da de Carvalho. Luiz d'Athaide. esbulhou o senado do reito que lhe assistia de o posição do instituidor. Em 28 de novembro de 1689 passou o senado de Coimbra carta de nomeação do conde de Athouguia D. cuja administração vagara Villa pelo fallecimento de seu pai D. A em cuja linha pre- abjecta adulação. Encabeçado no morgadio. do reino. lei A nomear. para que depois nunca mais sahisse de sua casa. pag. se não .\BQUEZ DE POMBAL Com de Atlioufjuia. 72 e 73). Já o pai do conde de Oeiras quizera espoliar d"este morgadio de Carvalho os Athaides como ao senhor da Tei- xeira do morgadio de Montalvão. etc». conforme á carta regia de 9 de janeiro «para que regular e perpetuamente. na forma da . continue nos descendentes legítimos do dito conde de Oeiras sentemente di- dis- está. escri- vão e logico dos quem vereadores a juiz e cia pela instituição a nomeação perten- do vinculo (Veja índice chrono- pergaminhos e fora es existentes no Ar chi vo Municipal de Coimbra. toda a certeza existia. A carta é passada por Gonçalo Moraes da Serra. e a 19 de fe- vereiro Sebastião José de Carvalho quando o conde de Athouguia trador do vinculo aflron- em 1756 — — já ministro nomeado adminisera chamado á posse foi do vinculo do conde garrotado trinta e seis dias antes.- PERFIL DO M. O conde de Athouguia padeceu a morte tosa que sabem no dia 13 de janeiro. de 1770 diz . .

senhor. creatura e depois sua victima. obteve em 1767 um alvará que lhe conum ministro de lettras €euia a faculdade de nomear por olle fói-ns juiz privativo da cobrança dos morgado de Carvalho. • <3e O marqiiez de Montebello indusia Sebastião José Carvalho a que se fizesse genealogista •contando o «-aso ao benedictino Fr. su. João de <}iieiroz. do senado de Coimbra sim galardoada pelo successor do conde Em ^uia. Este nculo rendia aos senhores de Athouguia 5900000 réis.» Queria diser -qje os desembargadores riam das certidoens genea- .! PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL foi imposta violência. disia •que responi èra ao licarei : em juizo quando são cha- louvados. Imaginem quanto este amigo do povo faria e raç( ens do rei' iiúros c(<' pagn para lhe reiíucr o vhj''ulo E o mai: é que o conde de Oeiras gosava-se do mvigíidio d sentior da Teixeira e ria-se das certi- dotiis dos liíihagistas. que os devessem na forma do foral e antigo me. S. mas o con']e de Oeiras para ordenhar a vaca até ella dar o sangue. março de 1759 ordenou elle foi as- d*Athoii- que picassem as armas dos Athaides e esculpissem as suas nos padroens do morgadio.i peor que José marquez: «Não. e das certidoens de genealo- gias iienhum caso fazem os ministros. muito pouco os foreiros. por que alfaiate ou pedreiro: por que a es- tes hrimens se dá credito mados para e elle. em relação ao que podia morgado obrigasse se o reii'ier.

com honradissimo^ veja o Prefacio das Memorias. e os não a elles? Um bisneto de Gonçalo Christovão. Se o conde de Oeiras qui- zesse casar a * filha no Bom-Jardim. este motejara a pretenção dizendo que os Carvalhos eram impróprios dos Jardins. Quanto ao este prelado . a quem ha prenderam lhes trinta e sumiram annos interroguei sobre o facto incongruente. cruel procedimento do conde de Oeiras 147. que rasão houve para como decerto não foi. Isto é inverosímil. senhor de Bom-Jardim. mas um mysterio ignorado da fami- a opinião do vulgo era a um pouco lendária casar dois creados três uma fdha : menos provável e que. trez annos depois do attentado de 3 de setembro ? Por que mezes prenderam depois do supplicio de Belém. se não foi o pleito. disse-me que havia Ua.o conde de Oeiras. com um filho querendo de Gonçalo Christovão. Cynico e impudentissimo biltre ^ ! -*- Mas. a captura de Gonçalo Christo- vão e de seu parente João Bernardo.PERFIL DO MARQUEZ DE PO>rBAL 79 lógicas e sentenciavam a favor dos poderosos que as apresentavam. não acharia es- Memorias do bispo do Pará^ pag.

. Ale- xandi^e de Souza Holstein. e sobrinha do marquez estrangulado.80 PERFIL DO M-VROfEZ DE POilBAL torvo deante do seu despotismo. reh todas as correspondências diplomáticas da mi- * D. e destes amores românticos nasceu o 1. Nove annos sup- portou a reclusão. a filha de agonisava no calabouço da Junqueira. tinha exigido ao pai outra mulher. aos quinze annos casada á força. Francisca de Lorena arrastada ao altar para se hgar ao asqueroso conde da Redmha. Annularam-lhe o casamento o núncio e o car- maridarem com outra muNuno de Távora. O conde de Oeiras inclausurou-a no convento do Calvário de Évora. e sahiu. Vicente Monteiro Paim manteve-se imlexivel. era a desgra- çada D. A filha de D." duque de Palmella. O marido repulso. para o lher \iolentada. ter sido causa da pri- são dos Teixeiras Coelhos a fuga de José Polycarpo. A mulher do As suas José filho Francisco. que a outra intrépida creança repelUra Sempre preoccupado com com asco ^. Elle obrigava os pais violentar a o casamento das noras foram violentadas. a sua paixão de infância. E emquanto o pai deal patriarcha. quando o marquez foi desterrado. a bèsía lasciva vendo que a não vencia. íillias. a ver se a redusia aos deveres phyloginios pela fome e pelos máos tratos. repelMu o marido do thalamo conjugal com a desesperada resolução de se deixar matar virgem. Isabel Monteiro Paim cazoii em 1779 com D.

Gonçalo Christovão não tinha irmãos. os um um favorecido a fuga se dizia. com data de 21 de junho de 1761. em referir. e. segundo de José Polycarpo três se reclusos do Alemtejo. com espanto da minha ignorância ou da infidelidade da minha me- nha escassa livraria. os qnaes se e em diversos conventos da província em algumas das prisoens de Lisboa. moria. pouco desordenados com tro fidalgos achavam : que um tinham prendido qua- todos os seus criados. achei no tomo vii do Quadro elementar das relaçoens politicas e diplomáticas de Portugal. 18. Provavelmente a versão do despacho está incorrecta ou o agente não percebeu a noticia. por haverem. representante de Egas Moniz.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 81 umas impressas outras inéditas. agente de negócios despa- em Portu- para o duque de Choiseul. cho de Saiut-Julien. O suspeito seis irmans consequência de certo é que ou com que foram denuncia que vou já estivesse preso Gonçalo Christovão — o fosse juntamente estas é : uma o que se refuta como — ou as irmans. nem os presos profa- nos eram recolhidos aos mosteiros. dos assassinos cfel-rei: eram fidalgos irmãos de Gonçalo Christovão Pe- reira (aliaz Teixeira) Coelho. pag. n'estes termos gal. desde o attentado de 3 de novembro de 1758 até à queda do marquez em 1777. é incontestável que a sua captura está esclarecida pela fuga de José Polycarpo. . O fidalgo do Bom Jardim tinha presas.

intendendo que filho o conde de Oeiras era pessoa idónea para rapão. Pedia-lhe que recorresse a Sebastião José (os fidalgos cUsiam sempre Sebastião Jusé — eUipse de menoscabo) para que o cadete imme chatamente fosse preso e transferido para queria o com uma a índia. Outro seu filho. apaixonara-se por uma crea- tura qualquer cognominada a Roque. Poucos dias depois. Gonçalo Christovão. João Bernardo correu alvoroçado ao Porto para dissuadir o irmão do enlace vergonhoso. João çalo que vi\ia em Bernardo escreveu a seu Lisboa casado com tio Gon- sua prima D. expoz-lhe o caso com a uma agar- competente rhetorica . e taes coisas o cadete lhe cUsse da sua dignidade. com vez aturdida ria. Uma boa mãe de raça antes degredado na índia que matrimoniado Roque. que o irmão regressou a Real a convencer a Yilla nada de que o mano jamais pensara mãe em conster- dar semi- Ihante passo por cima das cinzas irritadas de seus avós. cadete.PERnL DO MARQUEZ DE POMBAL 82 Tm um sobrinho de Gonçalo Christovão. cadete de regimento do Porto. irman d'outras Roques que em Lisboa gosavam piccaresca emparceiradas mãe d'este chegou a tava com um tanto a rapasiada ílna. se a é a tranquilia nova de que o senhora outra casamento se fa- não lhe acudissem com remédio extraordiná- rio e heróico. noticia aíTrontosa de uma Roque celebridade que seu filho reques- para casamento. A' prima do senhor da Teixeira. Francisca de Noronha Manoel e Portugal.

o democrata 83 — segundo pregoam — calumniadores de meetings e de gazetas achou acertada a providencia summaria. Foi revelou. modifica a infâmia da denuncia que desgraçou. ralé. Simularam índia . quando chegou ao cães. e o juiz criminal que o conduzia. por intermédio de ministro su- balterno. certo de que tinha a preza segura. o insigne velhaco. A paixão.PERFIL DO heráldica. não denuncia- porém. que seu tio e seu irmão tinham protegido a fuga de José Polycarpo d'Azevedo ria. Dito e feito: o cadete com promessa de ser ex- patriado para Goa. disse a tovão que seu sobrinho ia Gonçalo Chris- para o BraziL e estaria . Era uma tyrannia acerba. pombahna. O preso. •certos MARQUEZ DE POMBAL O conde. mandou-o sósinho reco- Iher-se ao Limoeiro. Grão-Pará. conliecendo os motores. e a grossa pitada de esturrinho nos dedos e a luneta <le ouro fita no olho direito. com um sorriso. a náo tinha levantado ancora. e tirava-lhe a mulher amada. O conde de Oeiras. €om a maior urbanidade. a sua famiha toda. não quiz proceder ao encarceramento de Gonçalo Christovão. uma mas para o sabida do delator para a porém. se o não absolve. jurou vingarO degredo cortava-lhe a carreira. sem que o preso tivesse sabido não para o degredo na Ásia. e de João Bernardo que andava na corte. E o conde. se. . a paragem do homisiado por que a igno- rava. "de capturar e desterrar o fidalgo que pretendia casar com uma mulher da foi mettido no Limoeiro. quem elle a um tempo.

E. com effei- ^. para onde passava logo que se erguia cedo». Eram desenove as mal se diíferençava do dia. mais ou menos alumiadas. e mandava a sua caixa com pouco dinheiro para Francisco de Figueiredo^ conta lhe deitarem tabaco . e nas ca- sas onde residia em mais de um ou dous logares_. deu fructos cuja podridão não conheço. 2 As PRisoENS DA JuNQLEiRA pag. e logo na pruneira náo da carreira do Brazil. Do tronco illustre pitão dos gothicos senhores de Fermêdo. O irmão sei eu que foram encavernados dois cárceres peores. (Theatro de M. pêlo marquez de Aloma . Um seu coevo. Elle farto e sujo receptáculo de simonte. e em Em uma que a d'estas duas entraram os dous fidalgos transmontanos * era um Não invento o dos masmorras. nv pag. excepto duas noite tio em um 2. repatriou-se e dete para cazar com appareceu na corte o ca- a Roque e ser despachado ca- de infanteria de Cascaes. 641). de Figueiredo^ tom. Gonçalo Christovão e seu sobrinho João Bernardo eram prezos e conduzidos ao Forte da Junqueira. Sergude e Teixeira sahiu esta vergontea que. foi até ao Maranhão índia. em : caza tinha nos bancos sobre fo- lhas de papel porçoens de tabaco de que se servia^. a grossa pitada do conde de Oeiras. «O nosso gi^ande Pombal ipando ia de Belém para Lisboa sempre parava á porta de um estanco^.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 84 lá muito mais seguro do que na to. Dias depois. como no seu gabinete e na secretaria. enxertada na Roque. 70-74.

O certo é que * o desembargador Luiz de Men- Inexactidào que se desculpa á vaidade franceza. a lettra com como sua uma o conteúdo.85 PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL Refere o seu parente e companheiro de cárcere. Thereza Rodrigues. Já de Gonçalo Christovão tinham sido presos e trateados provavelmente para denunciarem a paragem de communica o conde de Merle ao duque de Choiseul que se haviam prenJosé Polycarpo. e o conde D. Os dous presos sabiam que a suspeita era em abril de 1759 dous criados antiga no conde. 144). pag. Assim o : dido dous criados de Gonçalo Christovão pessoa de clarecido nascimento. deduzindo iMnco geraçoens até ao primeiro que se Mendes da Teixeira. chamou Hermigio . ohega a D. instrucfoens para a expatriação do con- demnado. Mem Viegas e D. ^genealogistas vão até aos reis Ordonhos. Henrique de Borgonha. (Quadro elementar. carta outra que José Bernardo confessava ter escripto. fun- dador da Monarchia ^. Não posso conjecturar o Alorna ilUicida <i'essas cartas. que a devassa queria o nem inferir Talvez algumas falsificadas referen- cias a José Polycarpo — communicaçoens do ao tio sobrinho. A Os Pedro familia de Teixeiras é anterior á monarchia portugueza. confrontando. t. cuja familia tinha vindo Portugal com o es- para conde D. vi. marquez cVAlorna que o desembargador-carcereiro quiz obrigar os presos a reconhecer sem examinar-lhe de longe.

» EUe padecia cystite chronica. por que o conde de Oeiras soube que se correspon- tUam com o irmão mediante um creado do desem- bargador. O marquez d'Alorna lembra-se com grati- dão d"este rapaz que se chamava Domingos e era de Villa Real. fazia versos. e. e continua- mente está empregado no ser\iço de algum de nós para concertar o que se quebra e desmancha. com uma vontade Milgav para servir a todos. que nham Um sido restituídas á liberdade. Depois^ grande silencio de quinze annos n'aquella sepultura. mas o desembargador dava-lhe uma salsa parrilha muito antiga para se desfazer da grande porção d'ella que tinha envelhecido na cozinha do Forte.— 86 PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL donça obrigou com sanguinárias ameaças Gonçalo Ghristovão a assignar um fez-se uma folha em branco. que era poela. foram todas prezas de novo dia ti- estavam na corte. tem -nos sido de grande soccorro n'esta prisão. gastralgias e uma gião mandou-lhe beber o possíveis. João Bernardo. e para cfuantas commodidades são asthma. E' de crer que o movessem à compaixão os dous fidalgos seus conterrâneos abatidos a tama- nha miséria. — todos os marquez dAlorna mãos para trabalhar in- diz o rara de officios. As irmans de Gonçalo Ctiristovão. Domingos nunca mais se «Gonçalo Ghristovão com uma habihdade signemente em também nada foi carregado de ferros e fallou d"elle. O cirur- diurético cosimento de morangos. em conventos. Economias. .

chamado José Cabral Teixeira de Moraes que me contou esta lenda da negra. purificavam a consciência. O estalajadeiro dos Padroens da Teixeira ahida como a dor o não pôde matar quando soube que o seu salvador estava enterrado vivo ou morto. -*- Em mans 1777. Estes descendentes de Pedro Coelho realmente necessitavam todos de purificar as suas consciências justiceiro nem a dos castigos . e foi depois vendida á famiha Ca- bral de Moraes. . Tanto elle como o tio resavam muito.— PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL para fazer alguma coisa mais iitil. ir- Levaram do Forte da Junqueira uma negra que os tratara com muita caridade nas suas fomes e doenças. herdou de seus amos parte de uma casa apalaçada que voltou á familia Teixeira Coelho. vivia. de nome Joanna Maria. Ahi conheci ha trinta e dous annos um antigo e celebrado governador ci

il de Villa Real. 87 ora o infermeiro dos doentes. e sobrinho recolheram a Villa Real. diz o Alorna. mas não me parece honesto que a Providencia divina — fizesse o conde de Oeiras seu — lo- gar-tenente na expiação dos Coelhos pelo sacrifício das duas victimas do denunciante marido da Roque. sua esposa. Esta preta. Gonçalo Christovão.

O anonymo provavelmente guiou-se pela Resenha das famílias titulares do reino de Portugal. José i pelo snr.na sua casa de Villa Real. tências. por ter elle sido o redactor de foi do advogado motivada. No tom.\queir. Faz menção muito succinta do processo pleiteado entre Sebastião José de Carvalho e Gonçalo Christovão. e diz que nunca se soube para onde G. O anonymo diz que o conde de Oeiras foi agraciado com o titulo de marquez de Pombal em 1769. como uma representação con- tra Sebastião de Car

alho. se então morresse. XOTA Foi publicado. O marquez d'Aloma nas Prisoexs da Ju. A data não é correcta. de D. passados annos. apresentada a D. Simão Soriano vem a lista quasi exacta dos que sahiram do Forte da Junqueira. O opúsculo.PERFIL DO M-VBQUEZ DE POMBAL 88 José Polycarpo d'Azevedo. '^r'^ desaire destas inadver- . A prisão Francisco Xavier Teixeira de Mendonça referi. José por Martinho Velho que foi degredado para a Angola juntamente com o advogado Francisco Xavier. e entre estes estão os mencionados Fidalgos de Traz-os-Montes. prostrado aos pés de Gonçalo Christovão. no próximo passado abril em Lisboa. um opúsculo anonymo intitulado Processos celebres do >l\r- QUEZ DE Pombal. onde se encontra o erro. Christovão sahiu ou se morreu no Forte da Junqueira. sem tem merecimento.\ occupa-se extensamente de Gonçalo Christovão e de seu sobrinho José Bernardo. morreria bem. Ambos elles sahiram em 1777 e morreram. Esta mercê foi datada em 16 de setembro de 1770. ii (Notas) da Hist.

i Cunha. O génio paciente de Sebastião José de Carvalho chega a invergonhar as paciências e humildades de S. será vicio. João de Deus e dos sete martyres de Marrocos. diffuso. o juiso do dis- . se ou superabun- asjnepcias ou as ironias.o d esse ffenio em harmonia com o da nação. cujo génio paciente e especulativo. por antonomásia o Deõ. Quanto á diffusO. José.o dos embaixadores. ainda que._^^ êxumh^ MARQUEZ DE POMBAL >-<2--3« Luiz d. o da nação. N'este dam um pouco juizo. no seu 7^5- ou Carta ao prín- cipe D. acorda com. aconselha este principe a escolher. quando reinar. tamento politico. para seu primeiro ministro Sebastião José de Carvalho.

Luiz era que elle Gusmão. confirma e plia as noticias do cavalheiro de Oliveira : am- «Succedeu que . João V da Motta e Fr. usava o habito de Christo que a investira o seu octogenário amante. Alexandre de Gusmão ao embaixador que lhe pedia a sua cooperação para certo negocio. Ora a fallar verdade. Ex. esse respondera que a proposição de o príncipe — e com que não proseo rei. Luiz da Cunha. D. nas suas Memorias. com- mensal de D.90 PERFIL DO MARQUEZ DE POXfBAL soluto e macrobio barregueiro de Paris justiíicou-o a concordância do génio nacional com de a Índole Sebastião de Carvalho. Não tinha credito geou-o ^ com O . e os ministros cardeal Gaspar nunca prestaram grande attenção aos tres de D. disse-me que V. e lho. João v. «O cardeal da Motta. de mais a mais judias. já alvi- muito ve- doudejava escandalosamente com mulheres. o que era tentar a Deus» mui própria das máximas francezas com estava naturahsado guisse mais. Como elle. não nha o seu embaixador em muito ti- serio conceito. na corte por- tugueza os avisos do diplomata. É conhecida a carta do secretario de D. Conta o cavalheiro de Oliveira que a judia Salvador. bispo do Pará. o rei. Luiz. D. escreve ria metter-nos quanto ao rei. de\ia desauthorisar em isto. aquelle corpo sevado nas graças israehtas de Margarida do Monte. mas gran- ^.^ que- em arengas.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 9Í Nas reformas essenciaes de Sebastião José de Carvalho transluz a educação politica de D. 138 e 139. se foi apoderando Salvador qiie^ sem d'elle (do embaixador) a celebre madame os agrados da idade^ teve os attractivos de penetrante juízo. Na Carta ao principe está consubstanciada com grande desenvolvimento o alvitre de avocar ao juiso secular os processos da Inquisição. Luiz : de sorte que. vivendo com elle abria os massos do rei quando chegavam de Portugal e lia as cartas. . Influencia- va-o certamente o amor da celebrada judia sua contubernal. Pag. Luiz da Cunha. Teve D. Foi-se para Hollanda a creatura em companhia de D. de lhe mandarem tirar de caza esta má-dama. Luiz. José de Noronha. trez mezes antes de morrer. excepto no artigo lei em que a embaixador aconselhava o exterminio dos autos fé qtce os de- naturaes iam ver como tema festa de touros como e os extrangeiros uma mogiganga pela varie-^ clade das insígnias. Perceberam isto os inglezes. Luiz morreu logo na lei em que viveu que ainda se não assenta qual fosse». Sebastião de Carvalho reservou mentalmente para si o privilegio de acender as la- varedas de Domingos de Gusmão quando a sua n- gança precisasse d'essa grande luz do alcatrão e da§ archotadas. recearam que esta Omphale mettesse a roca na mào a Hercules. Sebastião de Carvalho executou o projecta de de seu mestre. D. sendo partidária de França. felicissima exposição e domínio sobre os aíTectos de D. Luiz a mortificação. irmão do conde de Yalladares. e não desconfiando até alli de D.

o snr. escreveu ha pouco em um jornal brazileiro que o grande mar- quez atirara v. até ao pe- . e sem não escreve semelhantes chau- se achar com a funesta coragem de fornecer achas para a fogueira do seu próximo. O conde de Oeiras a zelar a orthodoxia Romana Que ca11osa perversão a d*este homem Depois. vence as tentaçoens estylo. Malagrida foi garrotado como herege. Ramalho Ortigão. quer obedeça a elle tenha um tresvario irresponsável — duas situaçoens res- peitabihs Simas.m pontapé ao padre Gabriel Malagrida! Cruehssimo pontapé e ao fogo um foi esse o que atirou á forca velho dementado pelas trevas e frios e misérias de trez annos de lheiro líticos. Se o marquez não observou integralmente os conselhos de D. Nesta parte. respeitou ma com a máxi- íidehdade as suas reprehensoens aos ministros misericordiosos que votavam mais pelo perdão que pela forca. masmorra ! Tm cava- que não dá facadas nos seus adversários po- nem do sonoroso vinisrnos espanca os doidos. e chamava hontem o espirito vidente. ! verdadeiramente illuminado. cujos cânones * Gazeta da Xoute de 7 venerou de maio. Latino Coelho ^ ! Com que criticismo e sensibihdade generosa outro escriptor excepcional. Luiz da Cunha. o discípulo nunca desmentui o pedagogo.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL ^2 como sabem. quer uma convicção rehgiosa. lhe snr.

Aconselhou-lhe a confusão das raças e das cores. desde o incendia das cabanas de Monte-Gordo até ao esquartej amento de João Baptista Pele. O ministro de D. D. a titulo mal entendido de piedade. José deu o habito de Christo a ciante um commer- que na sua mocidade sahira de vella amarella em um auto de fé. o cadafalso de da Trafaria. mas como rara/mente se corrigem. litasse os christãos Aconselhou-lhe que nobi- novos arrependidos. se fosse revelado ao Ministro piedoso que o que livra da forca não fará outro delicto . Meigas e timoratas consciências! N'isto como em tudo mais. D. que só seria meritória. O conde de Oeiras fez irmão da Misericórdia um mulato. do .PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL nultimo anno do seu reinado Belém até ao incêndio — desde 93. Diz assim o oráculo de Sebastião de Carvalho do Porto e : Eu fui desembargador da Relação da de Lisboa e observei j mdo exemplo meus collegas (cujo nham todo o seu cuidado que muitos dos talvez segui) pu- em achar rasoenspara não condemnarem d morte os cjue a mereciam. Luiz da Cunha col- labora nos actos de Sebastião de Carvalho respecti- vamente ao Santo Officio. com grande tuperio para os seus confrades que tinham justificado a pureza seu sanffue. é sem duvida que de todos os crimes que depois fizerem devem dar contas a Deus os ministros que lhe conservaram a vida. Luiz da Cu- nha e Sebastião José de Carvalho haviam de ter muito medo de dar contas a Deus.

o seu amigo 5uas QEuvres Mêlées. O Santo Officio •condemnou a heresia. O cava- em Londres as de Amusement pe- o seu assumpto predi- como no Testamento p)olitico de D. em titulo foi 1750. a idea salvadora de chamar ao conselho de estado os processos da Inquisição. Este livre pensador desagradou ao Santo t*m que Officio das suas Cartas publicadas por ter dito em Amsterdam. preferiam este estado ao do matrimonio (Carta õ6). emprestados dos pagãos que tinham reconhecido a excellencia do celibato. Luiz da Cunha. Em o primeiro numero posterior ao decreto que se- €ularisa as sentenças do Santo Officio.PERFIL DO M. e lheiro de Ohveira em foi ministro em 1751 imprimia riodique. Em 1744 €ontrahiu relaçoens de fraternal amizade e analogia de ideas com Sebastião de Carvalho Conviveram ainda em regressou á pátria. escreve Oli- veira jubilando O com a execução do seu alvidramento : sição se ordenundo que as sentoiças da Inquinão executem sem que o seu conselho as ap- prove a assignatura regia as confirme pode natu- decreto real e ral e insensivelmente derruir tribunal. Yienna. Londres. Cumpre a jurisdição doesse confessar que este decreto dá van- .\RQUEZ DE POMBAL "94 Nas reformas inqnisitoriâes também teve notável influencia Francisco Xavier de Oliveira em contrara em uma elle en- Londres e Yienna d'Austria. 1742. O Santo Ofíicio e ahi apparece. que alyims padres da egreja levados de certos princípios. e fechou para sempre as avenidas da pátria ao auctor e aos seus hvros. sob o lecto. Depois.

o foi presidiu a esse conselho. digo. isto Q. elle hypocrisia. quando o conde de Oeiras deixava assim proceder. Ora. d minha custa. Inve- ctiva contra os ministros de D. se o apanhassem.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 95 tajosissima ideia do novo rei e do novo ministro que A escoUieu. A a morrer relaxado em es- vivo. processou-o. que elles hão de reparar as injustiças que soffn. não ouso incençal-os de maneira que pareceria suspeita e unicamente interesseira. ou pro- . e esperando da sua da amisade com que sempre me honraram. isso se este logar fosse o me provas não a impos- conheço eu muito adquado para faltariam. a respeito das pre- no ministério. os seus predecessores por que tendo- me façam a justiça que me negaram. e tam- uma bém 2?or Ihes eu ha pouco pedido que espécie de delicadeza. e o seu amigo Xavier de OUveira foi condemnado queimado tatua. João v. assistiu ao espectáculo O na praça do estatua do cavalheiro de OUveira ardia nos seus intestinos de lan ao mesmo tempo que os ossos do Malagrida se encmeravam na fogueira. o bigotismo e tura do precedente ministério. o processo selho de estado. tenções que tenho generosidade e Francisco Xavier de Oliveira esperou dez annos que os seus amigos ministros lhe fizessem justiça. pyndarisa os novos ministros. e accrescenta : Se não nomeio estes ministros é que receio ferir a sua modéstia. como é natural. e a final fizeram-lh "a por este theor A inquisição : como era de lei ao conconde de Oeiras. conde de Oeiras Rocio. provar o que e.

Este francez. Hachney. das colónias. de Saint-Julien. mais conhecido por Padre Xorberto. Todas as in- comeadas prodencias de Sebastião de Carvalho á cerca da moeda. un de ces hommes^ : . ministro de D. viera de lá para Lisboa com uma boa pensão que lhe mandara dar o conde de Oeiras para elle trabalhar n'aquella obra. O bispo Siste- ron. depois de servido pelos seus dóou vendidos servos. com os seus amigos e correligio- que podiam esperar os adversários Francisco ? de Oliveira veio a morrer^ Xavier em grande penúria. un seditieux aveupar Vorgueil et prive de jugement . Em em Portugal^ enviava a Lord com 1760. das minas O conde de Oeiras. Outro oráculo do marquez de Pombal foi Alexan- dre de Gusmão. usava com elles um processo origi- * ceis nal. em em 1783. encarregado de negócios noticias de Lisboa Knowles em que se diz um Papel (periódico) que dentro de poucos um grosso volume contra os jesuitas de que era autor o abbade Platel que havia sido frade capuchinho bem conhecido pelo que praticara nas missoens da Cochinchina. apostatára e dias sahiria á luz secularisara-se por breve pontifício de 1739. Como falleceu sagrar duas lagrimas sentidas ao seu saudoso amigo marquez de Pombal ^. o qual havendo passado para Londres. das Companhias na America. ainda pôde con- vinte e dois annos depois.PERFIL DO MAEQUEZ DE POMBAL 96 cedia directamente nários. João v. das industrias nacionaes. Mr. na sua pastoral de 24 d*abril de 174o^ disia deste apóstata glé Le capucin Norbert est un rebelle. das obnoxias dis- tinpoens entre christãos novos e velhos.

Gusmão em 1753. e imprimiu a obra.á000 reis annuaes para escrever contra a Companhia de Jesus. Resposta de Alexandre de Gusmão ao papel que tónio Pedro de Vasconcellos governador que foi Sacramento sobre os tratados dos limites fez An- da colónia do da America. — — — Esses trabalhos elaborados entre 1747 e 1751. ini fou à qui il échappe à chaque instant de nouvelles extravagances . ni faut sans cesse avoir histoíiques contenant les les entreprises des Jesuites contre le Saint-Siege. capable de tout. appareceram nas fallecido leis de audacieux qui n'ont jamais eu Vesprit de leur vocationj vn debauché qui est la honte de ses confrères. en un mot. Consulta sobre o Regimento da fundição das Resolução de s. O padre assalariado escreveu com eíTeito Mémoires sur qui il ni honnêtete.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 97 do Brazil encontram-se nos escriptos de Gusmão que tem os seguintes títulos : Cálculos sobre a moeda. un homme. un indocile que proteste formellement qu'il supérieur. Eis um homem ao pintar para o conde de Oeiras. faux qui n'a ne reconnait aucun ni séculierj un coeur double et bonne foi: iin esprit dangereux yeux ouverts. Dissertação sobre os interesses dos tratados dos limites da America. Mandou-o vir de Londres^ e justou-o por I:o000. magestade sobre a mesma minas do Brazil Consulta sobre a advertência da resolução consulta Avisos sobre a mesma. ni ecclésiastique. Dizia o padre um Pedro dos jesuitas que sahiram do Forte da Junqueira que o padre Platel era o autor d um Homem^ em 1777^ Ante-christo attribuido 7 . Reparos sobre a mesma capitação.

Diz o anonymo Tendo as memorias históricas do padre Norberto acerca. Não o faço com justo receio de que o meu paiz não tenha dez caturras que me agradeçam o inútil serviço. ! Serve-se depois acha-o perigoso. Ser-me-ia agradável tarefa confrontar o plagiato não só na essência das providencias. A biographia do padre Norberto. e Ale- v como seu secretario particular nove annos. porém o pa- dre Norberto antecipou-se-lhe fugindo. depois de servir o : mar- casa que ha D. João .VL Sebastião José de Carvalho. uma cadeia de infâmias^ Chemer e pidtlicada em 1762. Esta é boa do homem. O apóstata foi morrer miseravelmente em França ou na Hollanda em 1770 com setenta annos de idade.PERFIL DO M-UIQUEZ DE POMB. foi escripta por . intitulado Admi>'istr-\. Distingue os dois uma notável diíTerença quez de Pombal deixou a seu cem auLos filho uma rendia cento e vinte mil cruzados xandre de Gusmão. e escripto para o condeninar. esses que cotejem os escriptos ge- niaes de Alexandre de Gusmão com as jactanciosas rapsódias de Sebastião de Carvalho. Se os ha. da Companhia produzido em cial : Portugal nistro e em muitos estados da Europa esperava. perigoso.çâo do Marquez DE Pombal. mas até na forma. e quer dar cabo d'elle! Nunca se viu coisa assim. desde 1754 em diante. morreu tão po- em bre 1753 que o seu espoHo não chegou para a Malagrida. como certo : o que sei é o que se lé Não tenho isto em um livro muito par- do conde de Oeiras. este O marquez resolveu livrar-se o e/feito que o mi- um homem tão de de Pombal ta desterraJ-o.

: corregedor do eivei da corte Francisco Xavier de Mattos Broa. margem ta á Registado. a requerimento de Anna Maria do Vencimento." 1755. São do dos Avisos diz Para o cartapa- a emen- punho de Sebastião de Carvalho." as faça vender em o leilão que se está fazendo dos ditos bens com a de- . conservando-se no preço d'estas jóias a mesma hypotheca e direito que esta credora tem pela pe- nhora que Paço n'elles fez. Sua magestade deferindo ao requerimento que lhe fez foi servido ordenar que o corre- Miguel de Avilez Carvalho gedor do cível da corte remettesse ao juizo do inventario dos bens de Alexandre de Gusmão as jóias que se acham no deposito da corte com penhora feita por Anna Maria do Vencimento. Sebastião José de Carvalho apparece a dar providencias no leiloamento dos haveres do seu finado collega. fita se de pescoço^ e uns brincos de diamantes e rubis que acham no deposito geral da corte. Para Amador António Bermudes de Souza Torres. e com emendas da sua Um um com mesma lettra. 12 de maio de Deus guarde a Ym. Sua Magestade é servido ordenar que Vm/^ em comprimento do precatório que lhe passou o desembargador Amador António de Sousa Bermudes de Torres^ como juiz do inventario dos bens de Alexandre de Gusmão^ faça logo remetter para o juizo do inventario para n'elle ser vendido^ lun laço.— PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 99 pagar-Uie as dividas. E' o mesmo senhor servido que Vm. Possuo de cio oflicios redigidos pelo ministro.

e na sagacidade e lucidez de fino sentir foi o mais avançado espirito do seu século. ficando no valor d'es- tes consen-ada a peuliora e nha que hypoíheca especial quen'ellas ti- a dita credora para se lhe consen'ar n'esta até o direita tiver para a preferencia. pag. Luiz da Cunha. Sebastião de Carvalho.o. filha de Francisco Teixeira Chaves. é certo que o espolio não chegava para as dividas. não tem a assignatiu^a de Sebastião José de Carvalho e Mello porque eram os rascunhos. Ale- Gusmão tinha 19000 cmzados de renda^ provenien- tes dos seus empregos. Em 1751 tinha dois que lhe morreram no incêndio da casa. protestava mentahnente não morrer insolúvel como o seu coUega * Os officios ~. 100 claração fundirá porém que o procedido das ditas jóias se não concom o preço dos outros bens^. á volta dos cincoenta.PERFIL DO M. com D. Quando elle ( . prasos e tos elle particularisa em uma de fevereiro de 1749 e teiro filhos commendas. ix. Isabel Maria Teixeira Chaves.^"' *.or. xandi^e de Em 1749.U. 3 Ha escuros segredos a dilucidar na biographia d'este estadista que nas sciencias politicas foi mais arguto que D. Era uma senhora prendada e bem dotada. quatro annos antes de fallecer. Alexandi'e de Gus- mão casou em annos bastantemente adiantados. cujos rendimen- carta datada em Lisboa aos 19 enviada ao seu amigo padi^e João Mon- Bravo P. fidalgo da casa real. Pelos sersiços de seu pai fora ella despachada com a commenda de Santa Comba dos Valles. com a alcaidaria-mor de Piconha e com a tença dos Portos-sécr>s.\ t. haa preferencia. ilS). Paço 12 Como de maio de i-55 Deus guarde a Ym.. redigindo estes officios.vm.\RQUEZ DE POMB.

só de per si. agulhas por as ha não tenho descanço. terei uma vez com que passar decentemente. (Curso de litteRATURA por C. ao mesmo tempo que conservava carruagem. na refor- multipUcando-se com diversos disfarces anonymamente para redarguir victorioso aos diíTerentes adversários.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL O arcediago Luiz António Verney 101 — outro e mais fecundo oráculo do marquez de Pombal. fez mais que as academias que o precederam e seguiram. em que não são raros maiores prodigios». Porem. completa- mente estranhas aos assumptos capitães da morreu jcá viuvo. B.» Xào chegou a completar de vida os cinco annos em que esperava remir-se mas que n'esse transcurso de tempo chegasse a apuros de empenhar o habito e as arrecadas da esposa. netes. Que fim tiveram os Gusmão? O praso de Corte da Yilla dois annos depois. «E o certo é (escrevia elle) que por estes primeiros quatro ou cinco annos" heide metter. até me como dizem. O VERDADEIRO METHODO DE ESTUDAR é O mOtOr mais progressivo que a chamada edade de ferro das lettras mem. C. era prédios de Alexandre de entre instruc- Azambuja e o Tejo que elle comprara em 40:000 cruzados? e os bens que tinliam no Brazil? 1749 por Em fim^ onde se afundiu o capital que rendia 19:000 cruzados? Verdade é que em 1749 ainda o incommodavam os credores. Verney. . 163-163). é isto uma incongruência que só pode sahir bem combinada com grandes infortimios motivados por tentativas mercantis ou desordem de regimen . que d'ellas. pag. vre alfi- em quanto que me veja li- alimpar da carepa das dividas. um ho- portuguezas podia receber não só de senão de uma Academia empenhada mação.

eram da sua parcialidade todos os homens como o franciscano Cenáculo e o congre- illustrados gado Francisco José Freire. no crizol armas com que lidou de todos as renascenças. e encarregou-os de remodelar os novos Estatutos da Universidade pelos alvitres do erudito evolucionista. as Gosou largos annos e venceu. por que. . elemento algum. ainda do seu triumpho. embevecidas victoria do egrégio lidador influir am bons auspicios. quer Curso de litteratur. O que havia de sua parteera o rancor ao ensino da Companhia de Jesus. 159-161. O marquez de Pombal entregou os volumes do J^ovo rnethodo de estudar aos illustrados encomiado- res do arcediago Verney. eram os encarregados de planejarem os no- vos Estatutos da Universidade de Coimbra ^. como se aos professores da Universidade quer leigos. embora silenciosos durante a lucta. cujos membros. por que a semente lançada por elle á terra portugaeza fortificou rapidamente e deu fructos sasonados no dia 23 de dezembro de 1770 quando uma Carta regia creou a Junta da Providencia litteraria.' PERFIL DO 102 ção MARQUEZ DE POMBAL commum scientiíica. Luiz António Verney polira em Itália. tivado espirito nem lhe De sua lavra não ha a limitada sciencia e descul- permittiam collaborar n'essa obra de reconstrucção. sectários de Verney.\^ pag. e pelo Na em le- para o theatro e rhetoricas para os gislar poéticas discursos.

rehabilitou-o^ e nobilitou-o ouro. Denunciou-o ao tinham comprado por marquez — que os trinta contos os segredos da corte. jesuítas o para lhes revelar O marquez removeu-o para a Toscana. Clemente xiii expulsara-o. com Que papas a ! ordem equestre do Esporão de Chega a gente a recear que os dois não fossem perfeitamente infalliveis Verney foi também mada. que lhe mandassem im- primir os seus livros. a pedido do ministro portuguez. e Clemente thegoria pelo conde de Oeiras guerra que fez á XIV. Em que moeda pagou o marquez de Pombal a Luiz António Verney? Na do ódio que cunhava ao fogo do seu luciferino coração para todos os homens distinctos que lhe obscureciam a mediocridade. embaixador sacrificado ao estúpido Al- em Roma. Este parente do Pom- bal odiava o seu illustrado subalterno que o acon- selhava. conforme a promessa d'el-rei.! PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL clericaes competisse destruir o 103 que estava estatuido nos paragraphos sediços dos velhos estatutos. Verney em Roma foi victimado como agente de negócios ao impressor Pagharini elevado a essa ca- em remuneração da Companhia de Jesus. como infame. alem dos três tomos do Novo methodo de estudar. e mandou-a apre- . e tirou-lhe «algumas rendas de livros (diz Verney) e de outras couzas que a viver» . me ajudavam Escrea o sábio ao marquez a íim de obter. Imprimiu á sua custa a Physicu. de Roma. O marquez não lhe respondeu.

que se queixa das ingratidões do ministro. em recentemente publicados de D. de não imprimir mais cousa alguma. em Londres e em Leyde. Para opprobrio mentecapta. A em carta d'este illustre reformador dos estudos. illuminados rável estado e grandiosos. em Itaha. Assentei comigo. o medico António Nunes Ribeiro Sanches. onde foi rina. tão benéfica e servida por ministros tão justos. e meninos não eram para graças. José e da sua um filha periodo d'essa carta bal. Verney morreu indigente em 1792. e lá morreu . em que me eu me ache no deplo- vejo Direi agora do mais proficiente collaborador das reformas pombalistas. mas os graviss-imos prejuisos em todo o género que soffri e soffro nunca se salvaram. em Salamanca. e alguns extractos lê-se d'ella nos Processos celebres do marqltz de Pombal. Sobre\dveu dez annos ao mar- quez para o poder chorar por largos tempos. porque os os tempos eram infelizes. Transferiu-se como medico conselheiro da imperatriz Catha- para Paris em 1747. Sahiu de Por- tugal aos 27 annos. o : Lisboa. reproduz-se Pomminha Despedido que foi o novo governo recanheceu e publicou a innocencia. diz o pobre doutíssimo Yerney. e estabeleceu-se na Rússia. no Conimbricense n.! PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 104 sentar ao marquez de Pombal. e mepermittiu tornar para Roma. E causa admiração a todos os políticos illuminados que no governo de uma rainha tão pia. Doeste modo ficou salva a minha honra. Estudou em Coimbra.° 2229.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

em

105

1783. Prohibiu-se-lhe o ingresso na pátria, desde

em

que
lado

Portugal circulou o seu manuscripto intitu-

Ideias para

:

meu uso ácerc-A da

inquisição.

Os estadistas portuguezes consultavam Ribeiro Sanches sobre variadas providencias da reformação, e

em

toda a sciencia de governo, na politica, na eco-

nomia

e nas sciencias.

1760 sob o

titulo

provavelmente enviadas

mocidade,
Oeiras.

me

Imprimiu umas cartas

em

de Cartas sobre a educação da

em um

Assim se exprime

ao conde de

periodo: «Parece-

que, vistos os notáveis inconvenientes da edu-

cação domestica e das escolas ordinárias, não

modo para educar

outro

apprender

em

a

sociedade ou

não é coisa nova hoje

em

fica

nobreza e a fidalguia que

em

collegios

;

e

como

Europa esta sorte de en-

sino,

com

Utar,

ou coUegio dos nobres, atrevo-me a propor á

minha
pela

o titulo de corpo de cadetes,

ou escola mi-

pátria esta sorte de collegios não

summa

nobreza,

somente

utihdade que tirará d'esta educação a

mas sobre tudo

o estado e todo o povo.»

Cinco mezes depois^ o conde de Oeiras creava o Collegio

dos nobres por carta de

lei

de 7 de março de

1761.

As prodencias do conde de Oeiras sobre Inquisição e igualdade de christãos novos e velhos achamse elaboradas na dissertação de Ribeiro Sanches intitulada

:

Origem do

ctppellido de christãos velhos e

christãos novos era Portugal, e causas

continua,

e

também a

por que ainda

j^erseguição dos judeus,

com

.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

ll}6

OS meios

juntamente de fazer com que

cesse

em pouco

tempo essa distincção entre vassallos d'uym mesmo
berano

Uca

:

tudo para propagação da religião

e

e utilidade

As

leis

so-

catho--

do reino.

do marquez de Pombal sobre agricultura

inspirou-lh"as o escripto de Ribeiro Sanches^ intitu-

lado

:

um

para

Projecto

estabelecimento de escola

d' agricultura.

As

sobre colónias procedem da Dissertação

leis

acerca dos meios de conservar as conquistas

e coló-

nias portuguezas

A reforma dos

estudos médicos na Universidade

está delineada na dissertação

d\om

estabelecimento

:

tribunal,

Meios acertados para

d'um

collegio

de me-

a fim que essa sciencia seja sempre útil ao
reino de Portugal e ás provindas que d'elle dependicina,

dem. Além disto

impresso

foi

em

1763 o Methodo

para. apprender e estudar a medicina, e illustrado

com apontamentos para estabelecer-se uma Univerna qual deviam apprender-se as sciencias humanas de que necessita o estado civil e po-

sidade real,

litico.

«Em

1761,

diz

Vicq-d'Azir,

mandou

o doutor

Sanches muitas Memorias aos principaes médicos da

Europa e Portugal para reforma das Universidades
de Salamanca

e Coim-bra.»

Quando Ribeiro Sanches communicava ao marquez
de Pombal os seus planos, todos convertidos nas leis

que estabeleceram a

gloria do ministro, a sua pe-

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

nuria de meios era muito apertada
ali

dezeseis annos

um

em

sem soccorros da

107

Paris.

Viveu

Rússia, e

nem

dos seus compatriotas. E o marquez de

ceitil

Pombal, que dava 1:500!>000 reis annualmente aa
infamissimo padre Norberto,

consentia que o seu

inspirador, nos derradeiros annos, acceitasse,

com

o jubilo da miséria soccorrida, a esmola que lhe

mandou a imperatriz.
Em nenhum escripto coevo do reinado de

D. José

se encontra este glorioso nome. E' necessário abrir
o 3.° vol. da Historia

bermos que

natural de Buffon para

sa-

o eminente naturaUsta se confessava

agradecido ás illucidaçoens do' medico portuguez.

De

resto,

não é

fácil

destrinçar quaes sejam as

concepções individuaes e genialmente espontâneas
do marquez de Pombal

espirito creador,

no dizer

do académico Latino Coelho. Tudo lhe concorreu de
elaboração alheia. E, se não fosse
seria

um

lentosos e
tros

menos perversos, uns obscurecidos, ou-

aniquilados pela presumpção

único.

Leis

originaes,

Sebastião de Carvalho

são

elle o asshnilador,.

dos muitos seus contemporâneos, mais ta-

uma que manda

de querer ser

da estreme concepção de

— indisputavelmente

d'elle

fazer o canal de Oeiras para os

vhihos do conde se transportarem economicamente;
outra que estabelece a feira de Oeiras para encare-

cer as propriedades do conde e os géneros da sua
lavoira

e a lei dos Contíguos

para encravar na sua

quinta de Oeiras as pequenas propriedades lemi-

PERFIL DO M-^QUEZ DE POMBAL

108

trofes.

A quarta creação genuína de

1

75 1

em

Sebastião José

março de
em que se prohibe pendurar cornos epigramma-

de Carvalho é a

lei

promulgada

ticos ás portas das pessoas casadas.

1

õ de

E não

me

consta'

que se celebrasse este rasgo ci\ilisador nas actas
do centenário. O legislador intendera que tão dura
fazenda dentro das cazas e á porta da rua era

imi pleonasmo,
siva.

um luxo

Sempre grande

digno de pragmática repres-

este

cornos, não direi da lua,

marquez

mas dos

^
9-

!

Chegava até aos

seus concidadãos.

1

mwm^A

M/^

y/-

5~ao^\®í^'T=2*/^

morgues de £om6al

e o ferramoío

l^-ZíSíifaAx^-y-»

f

s

piNDARiSTAS do marquez de Pom-

bal, a

meia

ramoto a

volta,

terreiro,

vem com

o ter-

como quem

des-

embainha a melhor lamina de To-

^

ledo.

Pretendem, ao que parece,

convencer-nos de que,
tião José

sem Sebas-

de Carvalho, a terça parte

de Lisboa, arrasada pelas con\iilsoens e pelo incêndio, nunca mais se levantaria.

Dão ao ministro uns ares mythicos de Amphião que,
ao toque da sua lyra, arrastava as pedras que muito

de compasso se iam dispondo na construcção dos

muros de Thebas.

Elles

sabem perfeitamente que

as

pro\idencias legisladas nesse desastre confluíram de

:

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

110

diversas juntas civis, ecclesiasticas e technicas. Ou-

viram-se os ahdtres de diversos indivíduos e o pri-

meiro consultado

—O

que

foi

hade

um

agora

quem

a

o rei perguntou

fazer-se

?

— «Enterrar

os

mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos» res-

pondeu o marquez de Alorna mas o vulgo dos apologistas do marquez não permitte que algum luzo,
;

tirante Sebastião de Carvalho, podesse dar resposta

tão attica e profundamente conceituoza.

O ministro na sua posição
collegas fugiu. Se fugisse,

o

official fez

cumpria. Não fugiu de Lisboa.

Nenhum

que lhe

dos seus

algum dos seus coopera-

dores seria investido da sua authoridade e do expediente que

as

circumstancias

aconselhavam a

qualquer intelKgencia mediana. Permanecendo entre
as ruinas, ou mais litteralmente, na barraca da cal-

çada da Ajuda, onde se não sentiam os grandes aba-

cumpriu o seu dever, de mais a mais com a

los,

tisfeita

ramoto.

complacência de

Nem

suas funcções

quem nada perdera no

sater-

havia termo médio no exercício das
:

ou ser

aquillo

que

foi

— um

colla-

i)orador enérgico das providencias, ou abandonar o

posto e a responsabihdade.

Eu não

me

sinto

muito penetrado de admiração

pelas primeiras providencias de

mna

modo

a consideral-as

explosão de génio. Aquillo de fazer conduzir das

províncias violentamente levas de operários para

caboucarem nas ruinas

— o cerco posto aos gallêgos

fugitivos para os fazer trabalhar

com

o tagante á

I

PERFIL DO M-VRQUEZ DE POMBAL

Yista

111

a tomadia dos cereaes e outros viveres nas

provindas forçando os proprietários a vender por
preços Ínfimos o pão necessário para o seu costeio agricola

estas

medidas despóticas

commovem

menos que uns espectáculos que ninguém relembra

com

marquez.

receio

Em

de desluzir a gloria absoluta do

quanto Sebastião de Carvalho, de

lu-

neta no olho, e as costas direitas no respaldo da
poltrona presidencial, assistia ás conferencias, viamse por entre os escombros da cazaria arrasada os

parochos e as religioens salvando os moribundos e
sepultando os mortos. D. João de Bragança, irmão

do duque de Lafoens, por entre o acervo do pedregulho, arrancou da morte muita gente entalada nos

vigamentos abatidos. Sampayo,
triarchal,

com

plo, sepultou

as pessoas

um monsenhor da pa-

que lhe seguiram o exem-

duzentos e quarenta cadáveres,- e con-

duziu os feridos aos hospitaes. Pelos arrabaldes de

Lisboa

andavam

vários fidalgos

com

os seus médi-

cos curando os feridos. Os mosteiros abriram espon-

taneamente as suas cercas para hospitaes, e os

fra-

des

davam

los

de enfermeiros e consoladores. Os cónegos re-

aos feridos o seu pão e os seus disvel-

grantes e os oratorianos receberam

em

S.

Vicente e

nas Necessidades muitas famiUas desvaUdas a

quem

sustentaram e abrigaram nas suas cercas. Os

filhos

bastardos de D. João v recolheram no paço e no

jardim de Palhavan mais de duas mil pessoas que

alimentaram e vestiram durante muitos mezes. Ou-

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

112

empe-

tros fidalgos, nestes extremos de caridade,

nharam

os seus haveres desfalcados pela desgraça

commum.

Parte do palácio dos Tavoras no

Pequeno constituiu-o

a

marqueza

em

Campa

hospital de

que

mais caridosa enfermeira. O enterro dos

ella foi a

cadáveres que ameaçavam a conflagração da peste
a providencia

foi

summa

a que,

sem

estimules da

ministro, acudiram os nobres e os prelados para da-

rem exemplo

á arraia-miuda que fugia

com um

prudente medo do azorrague pombalino que

acti-

vava as providencias. As ordens expedidas com

eram do ministro eram

referencia a hospitaes não

:

dos homens technicos, da junta de facultativos que

superentendia

nessa espécie,

e

ministério as suas deliberaçoens.

communicava ao
A iv Providencia

que manda sahir para ^Inte léguas distantes da
corte os amancebados

com

as suas

mancebas,

essa,.

comprehende que um estadista portuconcebesse sem ter no craneo, por transfu-

sim, não se

guez a
são,

um

pedaço do cérebro de Richelieu com outro

pedaço encephalico de Colbert.

O scôpo deste degredo dos viciosos era apagar
o raio da vingança divina sobre Lisboa por causa

dos taes indisciplinados do Tridentino.

Também man-

dou prender e degredar para Angola uns profetas
imbecilitados pelo terror que

andavam

pelas ruas

repetindo o que o patriarcha João Manoel dizia nas
pastoraes

:

que por causa dos peccados da devassa

Lisboa, se abalara a terra

— que fizessem peniten-

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

cia.

113

A ordem que manda enforcar os ladroens

tava no Livro v;

em

se não estivesse,

e,

tal

es-

con-

jimctura, qualquer aguazil de corregedor a proporia;

mandar, porém, que os 200 ladroens enforcados

estivessem suspensos nos patíbulos, ás esquinas de
Lisboa, até o

tempo

os consumir, foi

um

alvitre, so-

bre supérfluo^ nocivo, por que augmentava as probabilidades da peste pela podridão dos cadáveres
insepultos.
tras

x\s

providencias para desentulhos e ou-

operaçoens concernentes ao desbarranco das

ruinas, são do senado
tro,

;

e,

quando fossem do minis-

nada tem que as recommende á admiração da

posteridade. Os alvitres respectivos ás freiras desenclaustradas, aos frades, ao culto, e ás procissoens
penitenciarias

promanaram do

patriarchado.

O essencial da Providencia xii são os Actos de
sua magestade para applacar a ira divina. E" o
mesmo que faziam os laes profetas mandados para
Angola. Estes pobres idiotas

como não tinham

á sua

devota disposição as gargantas dos conegoS; can-

tavam

elles

em

notas

gemebundas

a

sua peni-

tencia.

Por escassez de capital não tinha razão de

aílli-

gir-se o ministro. Havia abundância de dinheiro e

de viveres. O erário régio não se tinha perdido. O
cofre dos orphãos

para o erário. Os cofres

em

Roque passou
da casa da moeda, dos Três

que estava

S.

Estados, e dos Defunctos e Auzentes tiraram-se das
ruinas.

De Inglaterra, no mez immediato ao da ca-

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

114

tastrophe, veio,

como brinde de Jorge

na\âos de guerra,

um

phohos, quando verberam a pérfida

que não sabem
Portugal,

quem

ii,

em

seis

generoso donativo. Os anglo-

AMão, fingem

o facto humilhante de ter recebido

mediante Sebastião José de Carvalho, a

o presente foi dirigido

200:000 alqueires de

— 270:000

farinha,

cruzados,

200:000 de

trigo,

6:000 barricas de carne salgada, 4:000 de man11:000 de arroz, 5:600 sacas de bolacha, e

teiga,

toda a espécie de instrumentos de ferro para desentulhar e construir, assim

como milhares de

sapa-

tos. (Relaçoens políticas e diplomáticas de Portugal,

tom.

xviii,

pag. 363). O ministro de França, por

esse tempo, annunciava ao duque de Choiseul que

tinham chegado de Hespanha dous carros de

di-

nheiro.

Foram regeitadas

as ofFertas>de França, excepto

arcliitectos e alveneis

belecimentos pubhcos.

para a reedificação dos esta-

Com superabundância

nheiro, de braços, de engenheiros peritissimos

de

di-

como

Carlos Mar dei, Eugénio dos Santos e Manoel da Maya,
e de funccionarios intelligentes e activos

em

todos

os districtos da administração, realmente a estatura

de Sebastião José de Carvalho, vista a olho nu,

pouco se avantaja á dos seus cooperadores na
obra de remover entulho
cito,

I

os braços do exer-

e reedificar prédios á custa dos seus donos.

Dizem que dera
(lar

com

fácil

um

novo

feitio á

cidade. Pudera não

Maravilha seria que a reconstruísse pelo tra-

João iii por Fr. com o Alto do Monte três ruas e cento e dez Mas o de janeiro de 1531 é comparável ao de 1755. pro\idenciando no enterro dos mortos e no remédio dos vivos. Luiz de Sousa ha imi vácuo de sete ânuos. Garcia de Resende deixou na sua Míscellanea a relação poética do grande em terramoto. por que abateram mil e quinhentas casas e não se calculou os milhares de victimas. No de 1551 arrazaram-se duzentas casas e morreram duas mil pessoas. intendendo que immortaUdade pelo o seu dever. conta assim a noticia do terramoto. o Pombal d'aquelles tempos. Garcia de Resende. -*- Lisboa tinha soíTrido desde 1300 até 1755 onze terramotos mais ou menos destruidores. ção. 1530-1537. Pois os chronistas do reinado de D. João os ministros não facto de mereciam cumprirem a iii. No de 1597 submergiu-se de Santa Catharina edifícios.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL em çado 115 que o terramoto a encontrou! Estranhas calinadas. escas- samente relatam o successo. xou fora dos Annaes a catastrophe : O insigne escriptor dei- Em compensatestemunha ocular. * Nos Annaes de d. que nem sequer allude a Pedro de Alcáçova. ^ .

. em tendiihoens e em tendas casas de ramas fasiam. Diogo Lopes de Souza governador da casa do Civel e D. 16 . tormentas. trovoens soífreram bradando por Deus eterno. fazendas nos campos. as aberturas taparam que nunca mais pareceram. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL Por mais calamitosas provaçoens passaram Lis- boa e os ministros a quem corria a obrigação de as remediar. Parte dos ses- senta mil que morreram enterraram-se nas das próprias cazas. . Martinho Pereira vedor Gretas. Sebastião advogado da peste. . mettia levantar Em quanto o rei um pomposo em templo a lojas Cintra pro- S. . e se abria agua e areia sahia que a enxofre fedia: isto em Almeirim se viu e porque logo vieram grandes chuvas que choveram e alguns dias duraram. Na de de alguns mezes entre quinhentas e seis centas pes- soas por dia. força do inverno aguas. ventos sostiveram. Os operários cabiam mortos pela fomeJá não bavia terra para sepulturas. os Houve pestes mais devastadoras que 1569 morriam no decurso terramotos. Todos com medo que haviam deixaram casas. . Dous meses na mór assi estiveram. praças dormiam. buracos fazia a terra.

Infinda gente morreu grandes perdas receberam.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL da fazenda esforçavam uma inútil 117 coragem. o guarda-mor da Salema providenciou contra outro flaque matou em Lisboa quarenta mil pessoas. tanto mais espedaçadas. Dez annos depois. Náo caíam pardieiros pedras se viam rachadas. quintas. praças. . villas. casas.. no abrindo casas de saúde e tirando recursos prodigiosos. vinte mil em Évora e cem mil em todo o ísaude Diogo gello desolador reino. sem nem violências alcavallas. 1 Aconteceu. com Lucta desabrida a fatalidade irrepará- homens chamados a remecomo se deparam nos quadros aves- vel devia ser a d'esses diar infortúnios ses dias de angustia! Tambem Um jesuita infermeiro no mar: se sentiu sem vento mares se alçaram navios foram tocar com quilhas no fundo dar como perdidos andaram. mosteiros. a pé firme. 1 dos em- . e cousas de muitas sortes. celleiros. do meio da miséria geral. na ci- âmago do incêndio da peste dade. grande perda se perdeu . Muros e torres cahiram. e as mais abriram. egrejas. mais fortes. muitos má morte morreram por que de noite aqueceu. quanto mais rijas.

aconteceu com os olhos fitos em aos poucos pela forca do mal. quando o deixava só entregue nos braços da divina Providencia. Por outra parte ir ferida. . caminhando para a casa de saúde. 589. p)o^r não deixarem tanto desamparo.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 118 pestados. de quando a pobre ia ca- minhando tava para descançar. Imagem da virtude em o Novi- ciado DE Coimbra^ pag. ^ lação Isto é que eram horrendos conílictos ! Os minis- um ini- deviam de vêr-se em tros incumbidos de providenciarem contra migo incessante trances e implacável bem mais apertados que Sebastião de Car- valho que tinha ás suas ordens milhares de contos e milhares de braços para desobstruir as rimas dos cadáveres. se assen- tão lamentável objecto expirar . e assim era conso- para as mães morrerem-lhe os filhos primeiro. pondo os olhos 7vaquelle órfão rebanho.' aos proprietários dos terrenos que ecUíicas- António Franco. mandar * P. terraplenar os alicerces da nova cidade. e seis criancinhus. lamentando sua orfandade. uma viuva com longe chorando após ella. irem para a o degredo (quarentena) se cuidar. E ás vezes se axhavam as criancinhas vivas mamando nos peitos das mães mortas. o Padre Manoel Fernandes pintou um d"esses quadros com esta pungente simplicidade Cortava o : coração ver os filhinhos depois da morte das mães com seus crucifixos na mão.

O parvoeirão do rei disse de que Deus protegia o seu e o conde de Óbidos respondeu : Certo é. ao mesmo tempo que os fidalgos dispendiam as suas casas quebrantadas no tes. enriqueceu protegido por Sebastião José de Carvalho. . senhor. e vender por conta do thesouro os chãos cujos proprietários não appare- ciam reclamando.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL sem de novo. foi assim O primeiro Bertrand veio pobre para Portugal. 119 se quizessem. Não sei se amparo das famiUas indigen- Carvalho ganhou com o terramoto perder é que decerto não perdeu. que era isso uma prova ministro . Os dinheiros do erário eram tão de sobra que Sebastião José de Carvalho os emprestava aos seus amigos que queriam edificar. O quarteirão de casas que os Bertrands possuíram e legaram aos seus herdeiros na Rua Garrett construído. mas similhante protecção acharam também em Deus as moradoras da rua Suja. administrador liberalissimo do erário. A sua casa da Rua Formosa ficou intacta.

i .

José i Fi- com Augusto Cezar. Parallelo de Augusto Cezar e de D. Companhias. Era preciso que não houvesse discrepância nos traços de analogia entre Frederico sia e José I de Portugal.^ ii da Prús- António Pereira de gueiredo já tinha confrontado D.! mmm 3 -T^iwa 3r-a i$ mé^^v- my W$mM 1 -K.-®-* EBASTiÃo José de Carvalho conhecia os processos de governar do seu con- temporâneo Frederico ii. O P. José o Ma- gnânimo. É onde pode chegar a ser- vil bajulação de um homem intelligente Nos estados prussianos havia Companhias de as- . e achou este segundo diminuto na comparação. todas as emprezas commerciaes em Companhias. Rei de Portugal.

parece que levantaria bandeira entre os republicanos do centenário. e mais a do sal. da raiz da chicória para substituir o café. sempre no faro de Frederico. Rio . O conde também de Oeiras. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 12Í sucar refinado. e fomentando as desgraças do povo e da agricultura que o historiador Robert Southey explanou largamente. declarando que a intervenção do commerciante no conhecimento dos negócios pubUcos é incompatível com o espirito das monarchias. e dá uma desanda nos modernos que os combatem. para o commercio do sal.. para o commercio das lenhas.* Lon- Compa- o Espirito dos governos mo- em medicina José da edição) 1841^ pag. e até para a pesca do arenque. Certo escriptor absolutista exalta o Pombal pela instituição das por que elle diz marquez de Companhias

iolentas que as espontâneas só se podem formar nos governos republicanos como foram Marselha e Florença.vRCHicos pelo dr. Este absolutista es- turrado. Gama e Castro. se não tivesse morrido ha annos em dres ^ Deste proemio deriva ao elogio da * O Novo Príncipe or N. de Janeiro (2. vendendo o monopólio por 60 contos. 380. Faz a apologia dos privilégios. ardente panegyrista de Pombal. creou a Companhia da pesca do atum no Algarve e — fazendo portuguezes para Hespanha — fugir 3:000 pescadores outras pescarias e também creou a Com- panhia da pesca da baleia no Brazil. e as linhas que delimitam este bosquejo não comportam.

e açoitar e degredar muitos populares. hespanhol. O sabe de sobra o que leitor foi a Companhia. quartos d'hora para perceber de Carvalho mandou como Sebastião José homens e quatro inforcar treze mulheres. negociante de vi- nhos.*l Alto.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL nhia geral da agricultura dos vinhos do 12. por conluio dos compra- que não tinham concorrência no mercado. patifarias inglezas. conversando mado — com um José Mansilha — frade dominicano. que estudo esta questão ha três o não sabe.Douro. como venenosos pelas estranhas confeiçoens com que eram fabricados inglezes bebiam . Pancorvo. cha- tio-avô d'outro Mansilha. compraram por 3 Ubras a pipa que no anno anterior tinham comprado por 17. es- tudante de Coimbra. antigalha . 1754 os feitores inglezes aos seus commissarios no Porto escreviam — «que os vinhos por- tuguezes estavam desacreditados em Inglaterra. e assasino enforcado em 20 de . Em 1753 a Feitoria ingleza comprou aos lavra- dores do Douro 21:107 pipas de vinho a 17 Ubras Em cada pipa. peço hcença para infastiar o leitor por quinze mi- nutos. se pede-me que o não importune com tal mas eu. dores. 21:107 pipas de veneno a 77?)50Q a pipa. » —No mesmo anno pois davam como venenoso elles lá as em que os médicos o vinho do Douro.. Excentricidades inglezas. e continuaram a embebedar-se. promulgada por alvará de 10 de setembro de 1756. quero dizer Um tal a envenenar-se. Desacreditado o vinho. e.

Os preços regalares. Se remontassem vinte e seis annos achavam em 1730 o vinho a 520000 reis por pipa. Foi a Companhia instituida. foram despresados para a fixação da taxa. e a situação do lavrador era cada vez mais desgraçada.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 124 julho de 1828 — lembrou-lhe crear-se uma Compa- nhia para contra minar a coUusão ardilosa dos in* glezes. Este preço augmentou até 1750 em que se vendeu a 70. A Companhia nunca elevou a taxa aos preços amigos. O ministro ideia da nem ouii o frade e achou tão acertada a Companhia que nem mais largou o frade a ideia.>000 reis. procura de Sebastião José de Car- valho. e 10í>000 reis. as desigualdades. os vexames e o desenfreado monopoho. O frade -conversou com para Lisboa foi ao Douro d'onde era natural. por esta razão : — em 1750 uma pipa de . alguns lavradores em e partiu afflictos. Poucos lavradores lucraram. relativamente a muitos que ficaram perdidos. Tinham vinte e seis annos regulares para determinarem um termo médio porém. Começaram as preferencias. só lhes serviu para comparação o anno em que os feitores mancommunados reduziram o preço a 1 3^500 antes. . e taxaram o preço de cada pipa de vinho entre 20 e 25:>000 meira arbitrariedade estohda ou capciosa reis — pri- em que já se accusa o monopoho. anteriores a 1754. e attenderam somente ao preço contrafeito de 1754 e 1755.

Mas Sebastião José de Carvalho. uma pipa de vinho equivaha a 36 alqueires.* milho a 800 reis pipa de vinho. fez cinco mil reis JO-3000 reis que o lavrador recebesse vinte e pela pipa de vinho que vendia por em 1755. O ministro. Quarenta annos depois da instituição da Companhia. equivalia a 35 alqueires de pão.accusadodereceher 100:000 cruzados annuaes. Uma 26. que podia ter aprendido na longa residência terra.í>260 reis. por tanto. pagou o vinho a 6í>000 reis a pipa. vendeu-se o vinho de quahdade por a rasa. em Ingla- executava impetuosamente os seus alvitres antes de os meditar ou não os sabia meditar. Os partidários da o anuo de 1812 em que se Companhia citavam vendeu a pipa de vinho por lOOòOOO reis. uma pipa de vinho vaha. pelo menos. reis. leis uma : pipa de vinho a 83 alquei- No anno de 1806 a Companhia. mas o pão estava a 1?>200 r^is equivalia por tanto res. despresando as da instituição. equivalente a G alqueires de pão pagou a lóOOO que então se reis. Isso é assim. A raza Por consequência^ pipa de vinho vendido por 60^000 reis equi- valia a 300 alqueires de pão. Logo: antes da Companhia. na sua profunda ignorância das leis económicas. procurador da Companhia em Lisboa epeloministroCarvalho.>000 e 70?)000 de pão milho custava 200 uma reis. 300 alqueires de pão. Estava o 1 . instituindo a Companhia. e> depois de meio século da direcção inaugurada pelo frade Mansilha.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 125» vinho vendia-se entre 60. Os .

seria marquez quem um dos muitos que cooperaram n'essa reforma. no seu curto horisonte. e tenho tido em todo este espaço de tempo frequentes occasioens de observar que.» Todas as instituiçoens do marquez de Pombal. essas tinham mesmas o natural impulso de vitahdade. mas na acção omnipotente e evolutiva do tempo. exceptuadas as da instrucção pubhca. ou. à abertura úe outros mercados. Inglaterra a instituição. se lhe sobreviveram. por 1812. de si deram os resuUados da e de todas as Companhias no Quanto ás reformas da sciencia. dizia . Se não fosse o reformasse a Tniversidade. ficariam os vinhos por muito maior preço aos importadores. que não estava no propulsor. a favor da Compa- um Duarte Tompson: «Ha 26 annos que sou correspondente da Companliia. Companhia dos vinhos Brazil.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 126 lOáOOO reis não era o preço ordinário uma sultado de um dores. era — era o re- sórdida confederação dos compra- preço retrahido e contrafeito que de- ordem de providencias. e a lhe dera antes da Em uma 3/emona Londres. gleza punida com a Feitoria in- Companhia a instituição da zombava do estadista lôrpa que vantagem de pagar com 28ÓU00 o que. á concorrência de competidores € a um des\io da rotina como cumpria a um esta^1a ceder a outra dista gravido de reformas. lhe custava 17 libras. Sebastião de Carvalho suppunha vèr. em que elle não . ou morreram com elle por insustentáveis como as manufacturas. publicada em nhia. a não existir ella.

Que civilisador. as OEuvres philosophiques de la Metrie. nem dignidade. se o não attestassem o ferino de alma vasia de toda a piedade e barbarisada pelo destemor da justiça providencial. Riclielieu e Colbert. o Dictionaire historique portatif. AValpole e William de Carvalho foi Pitt. e esforçava-se por manter o povo nas trevas. 1770 comminava graves penas a quem pos- suísse e não entregasse para a fogueira a Analyse de Bayle. nem remorsos. ó centenaristas. A sua mão. punha nódoas de sangue. E' um sé- de justiça. e servia-se de Christo como de um mascarasse a impiedade das suas Em auxiliar que lhe injustiças. as Lettres turquês. Fazem-no recuar culo na vereda da civilisação. etc. quando fingia acatar a perversidade nos llagicios da Inquisição. Insultava a gião reli- dos dogmas e a da naturesa. Ninguém dirá que Sebastião contemporâneo de Voltaire e Rous- empedramento seau. Nem Deus.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL um poz 127 obulo de sua lavra intellectual. onde quer que pousava. em . Que desfaçado impostor! Elle lia tudo isso. o Dictionaire Nouveau philosojjhiqtte de Voltaire. Chamam-lhe Sully. Os gran- des estadistas do seu tempo cliamavam-se Alberoni. e por fileira um de forcas que tra- crebro ulular de ge- midos de uns açoitados que se tinham amotinado seguida á bebedeira de terça-feira de entrudo. A Companhia dos Vinhos foi inaugurada no Porto com balharam uma seis horas. receando a reacção da pliilosopliia.

e mais as senhoras Custodia Maria. ria d'estes cia dos A celebrar assim a memo- padecentes. e o Chèta. denegrido honras de mulheres casadas e filhas . não se explica a incongruên- democratas avançados que. Não se renega assim o ideal avoengo. um destes dias^ mandou enfor- car aquella gentallia esfrangalhada e piranga.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 128 ¥ Eu não me persuado que tivessem uma preluci- dação das futuras malfeitorias da Companhia os arruaceiros condemnados. e a Tativitate. Sim não : me atrevo a con- siderar martyres da sciencia economico-agricola o soldado António de Sousa. o desembargador José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Mello. Simão Soriano contam coisas pavorosas do escrivão da alçada. como fizeram a apotheose do déspota que reos de crime de alta traição e de leza magestade da primeira cabeça. Chama-lhe «monstro de crueldade» e exproba-llie ter violado immunidades. meretriz professa. devem ellas se rias Nem elles nem considerar bodes e cabras expiató- da idèa moderna contra os monopólios e pela liberdade das industrias. de alcunha o Negro. e mais o Manoel Francisco. cumpUce enforcada da Páscoa AngeUca. de alcunha a Estrellada. Historiadores de outiva e nomeadamente o snr. de alcunha o Cosido.

aliás desaíTectas ao marquez de Pombal. o que se fez com a maior acti\idade.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 129 honestas que lhe iam exorar as vidas dos pais e maridos. na Praça Hortas. (las hospedando-se na casa dos Amorins. Porém. na Descrípção topo(jraphica e histórica sam nem se quer da cidade do Porto. — dispensamos por que não temos a menor duvida de que o povo fosse muito tos que. Agostinho Rebello da Costa. segundo depõe testemunhas da devassa depoimentiladas. chego ate a persuadir-me que o processo . nem accu- deixam transparecer alguma des- sas violências assacadas ao escrivão da alçada. a fallar verdade. O snr. por exemplo. a populaça mnrras foi tumultuosamente dar-lhe à porta e apedrejar as sentinellas. essa f a que menos ensanguenta os annaes do marquez de Pombal . dando vivas ao povo e vozes de fogo contra o pi- O desembargador deu ordem ao commandante de dragoens que despejasse a canalha a cu- quete. chegando a fazer enforcar as mulheres que cor- rompera. trasbordava de sediciosos em A praça estrondosa assuada. activamente e meritoriamente acutilado. O procedimento dos amotinados desculpa a severidade do castigo. Soriano leu dros sardanapalêscos intitulado Vida do isto e em um muitos mais qua- manuscripto qualquer marqvez de Pombal e nas Recor- daçoens de Raton. as testemunhas de vista. Quando entrou no Porto o presi- dente da alçada João Pacheco Pereira de Vasconcellos. Se houve iniquidade na sentença da alçada.

José i. mas o desembarga- dor. Gomes quem a enxovia se Freire deu-lhe razão. que bem correspondesse ao crhne do condemnado quem quer que fosse e. indignado pela crueldade de José Mascarenhas. e mandou-o entrar na masmorra. reproduzida a serio por articuhstas de bom cunho como Emygdio referida por Soriano e Historia de D. rou a indulgência do ce-rei a figurava atroz de mais. refutada na conde de Oeiras. por que era elle o criminoso de alta traição. mas desdizem da condição do conde de Oeiras a causa do castigo e o expediente atraiçoado.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 130 nunca se desou da linha recta da justiça nem tão pouco se aproximou da outra da misericórdia. ainda assim. para aferrolhar um réo de Escolheu-se o peor dos calabouços na peor das fortalezas da colónia . no cumulo do zelo. censu. já romantisada pelo eminente escriptor Arnaldo Gama. e soube que a sua missão era uma masmorra alta traição. Se elle quizesse punir as crueldades do . dra- matisam uma lenda. lamentava não haver coisa peor. O conto é de effeito . Apresentou-se o desem- bargador preparar illudido. também por Contam que o elle de Ohveira. o en- com viara insidiosamente ao Brazil carta de prego ao vice-rei Gomes Freire. Mas é curiosissimo o empenho com que se procura decUnar da e do primeiro ministro a seve- lei ridade dos supphcios sobre a responsabihdade do escrivão da alçada José Mascarenhas listas ! Alguns idea- que a seu sabor desculparam o marquez.

Aos deseseis annos escreveu um hvro de versos que intitulou Saudades do oceano. morte sem preâmbulos nem cerimonias. Mas a verdade não é isso. não usaria insidia de prego : intimava-lhe nem cartas o desterro e a a prisão. e outros escriptores subsidiados pelo mas dotados de uma grande preguiça também nacional. Anna Mauricia Mascarenhas de Mello. de Lisboa. # . não é esse romance tão despara- tado dos costumes do marquez de Pombal. execrado escrivão da alçada. Innocencio Francisco da Silva. Simão José da Luz bem Soriano. íhesouro nacional. Levaram-no para a miUcia enthusiasmos romanescos. Se é crivei abonado por tão romântico titulo que um lyrico de versos.PERFIL DO M-^JIQUEZ DE POMBAL 131 escrivão da alçada. Procurarei esclarecer as obscuridades em que envolveram este José Mascarenhas. Antes dos quinze annos sentara praça no regimento da Ar- mada. estéril e José Mascarenhas era algarvio e tinha trinta e sete annos quando veio na alçada ao Porto. fosse capaz de corromper as colarejas do Porto e mandal-as enforcar corrompidas ! Ao mesmo tempo que poetava. Da Armada pas- sou para tenente de cavallaria do regimento do Cães. exhibia a sua sciencia mihtar vro que escreveu e não imprimiu tares : em outro U- Evoluções mili- para a instrucção do mais ignorante soldado. n'esta patente foi para o castello da Ilha Ter- ceira e subiu a sargento-mór da praça. Era filho do desembargador do paço João Pa- checo Pereira de Vasconcellos e D.

José ao throno. reformador da Universidade. e es- foi tudou jurisprudência cezarea e pontifícia nas universidades de Valladolid e Salamanca. e depois : veremos as lettras e as academias o atraiçoaram. Graduado n"estas faculdades. para Hespantia. Durante o curso de Coimbra escreveu e publi- cou versos o^ias — sessenta oitavas. as academias . apenas doutorado. ganhou de salto a beca de desembargador. visto. matriculou-se nd Universidade de Coimbra. eram como a sua em tal foi enviado como es- que seu pai era presidente. em conclusões magnas e/ú 1755. defendendo. Pranteou a morte do marquez de Valença. ahi na volta dos trinta e dous annos. Tinha o habito de Christo e foro de fidalgo desde 1748. publicou oraçoens académicas recitadas em mias hespanholas de que era comiástico em louvor do sócio. A . Francisco da Annunciação. Douturou-se por tanta aos trinta e cinco annos. Em proza. e. Silva. e Manoel Telles da Cantou a exaltação de D. em regressou 1747. filha do conde de Tarouca. celebrando os desposorios de D. En- vocação principal não era inforcar as lettras. cujo elogia recitara na Academia dos Occultos : chama-se Senti- mentos de Lysia a pezada empada métrica.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 132 Quando se enfastiou da vida militar. D. e dom um acade- Culto en- prior de Santa Cruz. Eu- genia. diz Barbosa. com exemplo nunca todo o Direito civil. sob o titulo de Glo- de Lysia. e como crivão na alçada tretanto.

avalial-o pela Como escriptor ju- Sentença da alçada. Traduziu do francez e annotou a Historia do DE Lisboa. Tinha attingido o acumen rídico. emolumentos. conse- lheiro do Conselho Ultramarino. para por virtude d'elle gosar desde a sua data todos os ordenados. este se publique.PERFIL DO MARQUEZ DE PO. lhe ficará servindo de carta este decreto. em da fazenda da bulia da 18 de maio de 1758. nem se lhe haja de passar emquanto eu assim o não determinar. de que gosaria se real- mente o estivesse exercitando quanto se demorar no Brazil. O decreto é tão hon- roso para José Mascarenhas que o nomeia por graça não poderá ser allegada por exemplo. Logo que recolheu da sua missão ao Porto. E acrescenta E não obstante que não tenha tirado carta. tremor de terra e discorreu seis vezes na Academia dos Occultos. honras. ficando resolver que elle no dito tnbunal.XfBAL real academia de Historia e a Coimbra applaudiram-o como 133 Pontifícia litúrgica sócio. D'esta arte galardoava Sebastião José de Carva- . commentada eruditamente. litterario podem prefaciada e no século xviii. a Academia de Madrid convidou-o a escrever a Noticia EXACTA DO TERREMOTO DE 1755. e. especial que : franquesas e antigiàdades. em ou eu não ordenar que por ora em segredo até eu baixe. de A academia ma- thematica e geograpliica de Valladolid encarregou-o de escrever a Historia Geographica de Portugal. de que era presidente. foi nomeado juiz executor sancta cruzada.

porque havia a resolver negócios que dependiam da sua presença. recebera os ordenados vencidos de — 991í>110 a desembro Em these do snr.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 134 lho O escrivão da Alçada e o redactor da sentença que condemnou á forca a plebe do Porto. Manoel do Cenáculo. Tinha perfeitíssima saúde. Soriano que José Mascarenhas devia partir para o Brazil em fim de desembro de 1758 ou princípios de 59 por isso que no mez de desembro. a 14. A 7 de de- sembro d"este anno. e o conselheiro Ultramarino. maio Não é exacta a hypo20 de setembro de 1758 reis. Escreve o snr. ó desembargadores ^ezes que e conselheiros uRramarinos portu- viveis atormentados por verso e prosa l . vice-rei. não estava. quê? Presume o Nada. a fazer o que estivesse doente. porque a sua missão dizia respeito á prisão dos jesuítas e ao confisco em de dos seus bens vez de um . já José de Mascarenhas escrevia da Bahia de todos os Sanctos a Fr. Este aviso irritou o conde de Oeiras. causando transtorno. Contemplai e apprendei. deixava-se estar mais anno na snr. e às des- pezas apparatosas do exercito as famílias innocentes no motim popular. o conde de Bobadella. Era a vocação htteraria que o estava perdendo. ir direito ao Rio. Soriano capital. escrevia do Rio de Janeiro ao ministro da Marinha participando-lhe que o conselheiro Ultramarino ainda estava na Bahia. Yè-se que partiu pouco depois de ser nomeado. Em 5 de agosto de 1759 escrevia de novo a Cenáculo. Soriano.

redigiu. académico. académico não podia consentir que uma academia o nosso assim se apagasse á mingua de phrases e de rhetorica. e intitulou-a dos Renas- Nos novos Estatutos que cidos. justificava o renascimento um padrão de alegria que da Bahia com a noticia do perfeito restabelecimento de Sua Magestade Fidelissima depois da sua perigosa enfermidade e do seu pela necessidade de erigir sentirão os habitantes d real pessoa. Houve muita eloquência do presidente. e José Mascarenhas enfeiti- çado pelos Vénus filtros local. não admira que a grammatica coxeie. etc. Morrera de inanição . Tratou de a renascer. da Minerva da Bahia e também da ainda no dia 25 de abril de 1760 dis- cursava derramadamente acerca da historia miUtar do Brazil. todos loquacíssimos. Foi José Mas- . Em quanto esta gente palavriava no decurso de quinze sessoens. apesar de em 25 de janeiro de 1760 ao conde de Bobadella que o prendesse. affecto Em tão grande jubilo. Inaugurou-se a Academia dos Renascidos em 6 de junho de 1759.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL uma Tinha havido na Bahia llio Acadenoia chamada mas dos Esquecidos. Mas o vice-rei continuara a queixar-se da ausência do conselheiro . elle. eram quarenta eífectivos e setenta e seis su- António Elles pra-numerarios. denominando-se Director perpetuo. ordenou e o conde de Oeiras. e dos sócios Gomes Serrão e José Pires de Carvalho. o conde de Bobadella chamava do Rio o seu conselheiro.

neghgencia do conselheiro foi considerada inconfidência. na sentença lavrada por José Mascarenhas não se encontra a palavra jesuita. Verdade é que. Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de acusado de inconfidência e sepultado nos cár- ceres de uma fortaleza. E' também certo que o desembargador do paço João Pacheco Pereira. nem do summario das testemunhas se deprehende que a tortura arrancase semelhante suspeita sequer. bastião de Carvalho aos jesuítas o imputando Se- motim do Porto. Persuado-me que a primeira prisão do conselheiro ultramarino não fosse na fortalesa. onde permaneceu até ao anno de 1778. pai do preso. e «falta de fideUdade ao rei». pag. porque o em conde de Bobadella só participa Xa\ier de Mendonça. que José Mascarenhas fora lançado na prisão que mente a \ice-rei d'ahi a se lhe indicara. ii. o conselheiro José Mello. e a Acade- (diz o cónego Fernandes atemorisada pela Pinheiro professor de litteratura) dispotica prisão de seu perpetuo director. — Mas não 4 de fevereiro de 1761 ao irmão do conde de Oeiras. no qual regressou aos seus lares. a magia das lettras. o abysmo das academias que sorveu aquelle martyr pelas fauces de uma masmorra. continuou a merecer a confiança do-marquez de Pombal. 316 e 317). (Resoio de historia litteraria tom. por que morreu quinze annos de- I . Francisco foi isso : foi em Provavelassistir ao parciaUdade jesuítica.— PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 136 carenhas prezo em 26 d'abril mia fechou-se atemorisada de 1760.

pelas suas datas e localidades. O noticiarista d'esta via- gem é Elias Alexandre e Silva que em cou a Relação ou noticia particular da gem da náo 1778 publiinfeliz via- de Sioa Magestade Fidelissiraa Senhora da Ajuda e S. u. do Rio para Lisboa. e era filho natu- de José Mascarenhas. que fez infehz viagem. como logo se mostrará ral com o testemunho de seu pae. pag. São vinte e oito cartas autographas escriptas ao bispo de Beja e depois arcebispo de Évora. n'aquelle anno. castigando o escrivão da Al- çada por demasias de crueldade. as quaes se acham consignadas. . Cahido o marquez de Pombal. 137 Não lhes parece que Sebastião de Carvalho. castigaria também o presidente que era o pai? José Mascarenhas esteve preso até 1777. D. EUas Alexandre e Silva era alferes do regimento de Santa Catharina. ordenado com as descripçoens e notas do bibliotheca rio Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara. Além da referida Relação. regressou ao reino. Innocencio e o snr. no Cathalogo dos Ma- nuscriptos da Bibliotheca publica Eborense. Frei Manoel do Cenáculo Villasboas. 478. tinha nascido na Bahia. Nossa Pedro de Alcântara. Soriano o nome d'elle sabem-no por que se encontra entre os passageiros da náo Xossa Senhora da Ajuda.PERFIL DO MARQUEZ DE POMRAL pois chanceller-mor do reino. Das localidades e datas averigua-se que José de Mascarenhas desde 5 de agosto de 1759 nunca . ha outras provas da sua vinda e da sua existência até 1788. tom.

Em Vè-se que a prisão era a Cenáculo.PERFIL DO MAROl-EZ DE POMBAL 138 mais escreveu dura. E' de presumir que a correspondência fosse in- terrompida pela morte de José Mascarenhas. por que realmente seria injustiça pedirem-lh'as. Contava então 68 annos. parece foi reintegrado no exercício das suas funcçoens. Trez mezes depois. escrevia-lhe da quinta do Ca- que não nal da Figueira. a curiosidade do tor. por que n essa data escreveu ao seu amigo. e trez em Camarate. pela minha. 28 de desembro de 1778 já estava em Lisboa. em nho estava Lisboa. em foi. Em ju- setembro de 1780 na quinta de Camarate. Pombal quando o marquez de se dissolvia pacificamente e podremente na sua casa avoenga. Ninguém lhe pediu contas das crueldades praticadas no Porto. pedi ao meu lei- intelUgente amigo António Fran- cisco Barata. e sei em onde fosse. funccionario distinctissimo na biblio- . amigo de José de Seabra da Silva. A ultima é de Lisboa. ^ Adivinhando. por que o arce- 1814 com 90 annos de O antigo desembargador. Depois seguem-se vinte cartas datadas em Lisboa. Pela do seu amigo com certeza não bispo de Évora falleceu idade. aos 17 de setembro de 1788.

Barata o seguinte extracto ao qual accrescentarei algumas notas que desobscureçam as allusoens. abraçar Cenáculo. . Queixa-se Este irmão de Cenáculo era o provincial dos francis- canos da Ordem Soriano. de haver Sente 1758). com Queixa-se de 3. 5. Assumptos lit- terarios e queixas de moléstias. Prepara-se para culo levando comsigo máo um afilhado.* (Lisboa. saúde e Uberdade. d'agosto de 1750).^ (Lisboa.* uma carta de Cenáculo mão do seu reverendíssimo irmão ^. Obsequiosa e rapidamente transmittiu o snr. foi deportado como diz o snr. 19 de mar- 6. e que padece do peito. * 27 de jimho de 1780). Principia julgando-se fehz por que escreve com honra.* {Bahia de todos os Sanctos.^ culo e pede um 2.»^ em que não Lisboa. visitar Que sente Cenáo seu estado de saúde. Frei Manoel do Ce- me náculo.^ (Sem data). Diz que portantes. lli'o 5 por haver epidemia a bordo. que me communicasse a summa das cartas de José Mascarenhas a D. 28 de dezembro de 1778). (Quinta do canal da Figueira. ço de 1780). Manda 1. Carta sem data.13^ PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL theca de Évora. 4.* sahido foi 20 de setembro- sem de Portugal em commissoens im- o logar de conselheiro do Ultramar. Accusa recebida por 7. Vivia 3. má viagem Bahia papel a Cená- corrija. Diz que está de cama com a quinta sangria.

25 de setembro de 1780). da morte de seu sobrinho José Mascarenhas de Le- mos Pereira Coelho de Mello. 9. Diz que é ^. Que não pode desprender-se dos negócios da corte. 15. onde oxalá nunca tivesse entrado.^ {Cainarate. Falia de Diz-lhe Que foi uns au- que conte com alguns ministros. João Pereira era o procurador geral da coroa. impedido de ir 7 com o com 1781).^ {Lisboa. Prepara-se para visitar Cenáculo.^ {Lisboa. . corte. 24 de outubro de 1780).140 PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL do labyrinto da corte. inimigo do marquez. Elogios a Cenáculo. Attribue muitas doenças que padece propriamente a 11.. amigo João Pereira. Con- tinua a queixar-se de doença de peito. tos de ridículas denuncias elle e de ^S de maio de 13. e d'onde já não pode sahir. jantar d'a{jOsto por quem pode 1782). Dá noticia 14. 8. * de Nào ({iieria 9 de jidho de 1782).^ {Lisboa. 10. 2 Cenáculo^ mandado retirar para o sen bispado de Beja logo que morreu D. 12.^ {Lisboa.^ {Lisboa. 10 de julho de 1781). José^ sários de Pombal^ de foi victima das intrigas dos adver- quem Cenáculo foi faccioso amigo. e 1 de janeiro de 1781). 25 de junho de 1782). 2. Diz que tem desagradar aos ministros hostis ao bispo Beja. que muito o consternou. si.^ {Lisboa.* {Lisboa. Falia da da Providencia.

mas que o medico Moraes o dava como salvo. e sobrinho e do.^ se de padecimentos. Camarate. Pede que o recommende a José de Mello Rreyner. senão aquelle afilhado e se alferes Diz filho que não tem outro descendente que ainda anda com o nome de chama Elias Alexandre e Silva. a fim de que o trate bem no navio em que.* {Camarate. Queixa- 16. António que morrera recentemente sua Maldonatia D. Que esteve morte.* (Lisboa. Lembra síveis golpes dos fallecimentos dos tios e Bruxado. sob o commando daquelle Breyner. por intermédio de António de Mello e da mãe.* {Lisboa. pode ver 13 d' agosto de luz. 18. que é do Regimento de Santa Catharina. que o creára desde creancinha no tempo do seu triste go- verno. condessa de Ficalho. vai para Angola no posto de capitão. (Referencia aos autos de carta 13/). e diz primo os sen- Mascarenhas D. Agradece a missa que Cenáculo disse por alma de seu sobrinho. e que o filho fizera no Brazil importantes ser- viços pelos quaes S. Pede enca- recidamente a Cenáculo lhe valha no maior empe- nho da sua vida. Diz que foi sacramentado. Princi- psalmo Manus domini. 29 de julho de 1782). 17. Está ás escuras e não 19.PERFIL DO xMARQUEZ DE POMBAL todas as 14 í armas precisas para segurar a victoria. etc. pia pelo 30 de julho de 1782). . Se- raphina Mascarenhas. Magestade lhe dera o habito de Christo. 1782). á d' agosto (3 de 1782).

^ [Camarate.^ (Lisboa.^ (Lisboa.^ (Lisboa. 24. Discorre acerca da jornada para o outro mundo.^ [Lisboa. porque a demanda envolve questões de primeira ordem.^ (Lisboa. Que são enigmas de ir * para Lisboa Allusão a José de Seabra da Silva. em vez Que não percebe como alguém possa casar-se segunda vez tendo a primeira mulher viva. De cumprimentos. 25. . Diz que 3 José de Mello Breyner acaba de sahlr de sua casa annunciando-lhe a sabida no dia 24 do corrente. cipa que foi o acompanbe. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 1Í2 20. Sem in- teresse. Falia dos negócios de Cenáculo. Parti- Refere-se ás pen- dências de Cenáculo. de setembro de 1782). 22. Lembra-lbe que necessita dos melhores canonistas para seus advogados. i.. 23. 18 de março de 1783). Diz que o filho talvez não passe do Rio de Janeiro. ao bota-fora do filho. Plácido Francisco. mas que duvida que Ebas 21. 2i dè dezembro de 1782). 3 de junho de 1783. e pede a Cenáculo que mande cobrar a lettra de que lhe emprestou sobre cinco flvellas e 16 moedas um relógio de ouro o Dr. 4 de fevereiro de 1783). e não de doutores^ como elle.. 25 de novembro de 1783). quando teve de acompanhar de repente uma irman. ad honorem. Que muito contente por que •está para a sua terra. um certo vem amigo.

um 3 de janeiro de 1784j. 143 publicada ella.^ {Lisboa. ^ bra em Era o decimo anniversario da prisão de José de Sea18 de janeiro de 1774. feita. 8 de maio de 1786). 2 Allude ao príncipe D.* (Lisboa. Acceita um despacho em desaggravo hu- e dá parabéns a Cenáculo. Recorda dia triste. Que no Espera ser feliz por que.^ (de Lisboa) tractam 26/'^ Cartas assumptos canónicos.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL mas que dá como a cousa de irá sitar os ossos S. Dá graças a Deus por ver dous amigos de ambos secretários de estado.* e ultima carta. i. Manoel do Cenáculo tinha sido mestre e confessor. 29. e.* (23 de fevereiro de 1784j. Falia da doença. quem Fr. espera que o seu incomparável amigo José de Seabra faça mano. e 27. sendo dia de desaggravo ao divino. 17 de dezembro de 1788). {Lisboa. o de 18 de janeiro de 1774. dia 18 se n'esse completavam 10 annos dia. José de . e allude a poder ser dada ao seu amigo bispo de Beja. 28. Falia na mitra patriarchal vaga. 31. e lamenta que a do incomparável Príncipe ^ morte Dão deixasse que elle Cenáculo fosse o presidente de todos os ministros. Sisenando que fez o mi- lagre. 30. Os dois ministros eram José de Seabra e Luiz Pinto de Souza Coutinho^ depois visconde de Balsemão.

como única e liberalissima recompensa dos esforços. em for- . que nos não contem mais torieta de ter sido José meus a dramática his- Mascarenhas sepultado n um calabouço por que não tratou os miseráveis tumultuarios do Porto com devia ter aprendido a brandura e indulgência que do seu amigo e mestre cas Sebastião José de Carvalho e Mello. peço.PERHL DO M-^RQUEZ DE POMBAL 144 Depois destas impertinentes averiguaçoens.

José um livro noveila É calumnia que eu já tentei refutar em meu quase nada conhecido. Não é preciso invental-as.m$mmi i^ iê>mxM NÓDOAS de sangue indeléveis na memoria do marquez de Pombal são bastantes. agora delir mais que nunca. — (Curso de litteratura). porque não é I. É 'í^ até obrigatório. e andam na tradicção favorecidas pela ignorância. Tem-se dito que o poeta Garção morrera na ca- deia victimado á vingança rancorosa do ministro de D. da historia as inúteis aleivosias que infamam Sebastião José de Carvalho. Agora com pou10 .

mas á pos- valiosos manuscriptos se deve que eu disser menos conhecido da bio- graphia de Pedro António Correia Garção. a fosse a mesma que com summo gumas das composições que vão aqui recato al- copiadas. Não sessão a pesquizas de casual attribuir o minhas pessoaes. Gosa os fructos dos meus innocentes roubos. Figuei- redo tinha documentos particulares e productos inéditos da Academia dos árcades seus coevos e ami- gos. duas vezes citado pelo académico Trigoso na mais conhe- cida que notável Memoria sobre a Arcádia. O códice de poesias e discursos inéditos do árcade Coridon possuiu-o o cónego Manoel de Figueiredo. quem nada foi se generosamente necessário que podia occultar. especialmente depois os seus escriptos. Diz assim : U e medita. O secreto processo que empregou para haver poesias e discursos de Garção elle teia em uma nota com que mesmo o paten- prefacia a collecção das poesias que commentou. Coridon.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 146 cas variantes reproduzo essas paginas não pelo que valem. pois que o poeta se esquivava a dar copia dos seus escriptos. Houve-as da esposa de Garção. tão digno entre nós de notne eterno (es- creve o cónego Figueiredo) não mysterio era sobremaneira si porque occulto em communicar C&nservava-os como moeda rara com avareza summa. mas por darem uma nota consoante aos hym- nos da apotheose. Para agora leres. em sei difficil . infiel me desse mão domestica.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL que a critica indiscreta da sua se atreveu a 147 riscar-lhe parte terceira bellissima oração. quando tinha vinte e com uma senhora de edade. etc. seis nobre. e. os prazeres domésticos e as assembleias litterarias. onde recitou o poemeto intitulado em 1754 Ao infante D. do traslado do insignificante poema es: Para a Academia dos 1754. Garção estreou-se Httera- riamente na Academia dos Occultos. Frequentou alguns annos o curso de casou leis . dotada de alguns bens de fortuna e da propriedade de uma escriva- ninha na casa da índia. o auctor da Cantata de DiDO era um bom tempo entre esposo e pae que repartia o seu as obrigações do oíficio. -*- Pedro António Correia Garção nasceu em Lisboa a 29 de abril de 1724. em 1771. Pedro orno consentindo que se lhe levantasse uma estatua. Do modo como os biographos bosquejam o poeta Garção na vida particular. Alguns biographos conjecturam que esta poesia fosse escripta muitos annos depois a fim de tecerem a inverosímil hypothese de ser ella a causa do ódio do marquez de Pombal Á margem e da prisão do poeta creveu o cónego Figueiredo Occultos. Não se lhe .

contra o costume de poetas avelhen- moços na adoração pantheista e ideal feminil. Ora o poeta Garção não era a summa descrição em pessoa. Maria e me- Casado aos austera vida conjugal. Dirceas. acliamol-o á volta dos trinta annos recitando na livraria celebre do conde da Ericeira o sisudo poema da Falia do infante D. em que bem mostrava ter formado sua esthetica no reinado do Salomão portuguez — a Sa- lomão. Garção amava com uma tal qual tados e ainda da belleza carnahdade. as Philis e Claras dos seus poemas conhecidos e inéditos não eram entes puramente imaginários. Pe- dro. um certo geito de an- nos intempestivamente grávidos de circumspecção. Tibullo e Propercio de mistura algum tanto com os tons fesceninos de Marcial.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 148 malsinam episódios amorosos na adolescência nos ainda na vinte seis annos com D. entende-se. descuidando jurada á esposa. As Delias. o vulcão do amor arquejava ainda sob os flocos de neve que lhe hstravam os cabellos . Protestando contra o parecer dos que excluem as cabeças enca- . quanto ao serralho. e. indicativos de maduro juizo. Garção. ahi depois dos quarenta e quatro annos. Desde 1757 a 1770 ouvimos-lhe os Discursos. erguem muita auctoridade e e. Anna Xavier Froes -Mascarenhas Salema. amou e cantou varias a facúndia congenial dos génios cidos no a fé damas com da sua tempera aque- exemplo contagioso dos mestres Horácio. no tom pedagógico. Quando começou a encanecer.

O menino pasmado vé no espelho.». pelo justifica. em annos ainda. menos vigorosos. escreveu Garção o seguinte soneto: Estavam as Os cabellos três Graças subtis de penteando Amor um Qual co'marrim assírio dia . . Suspira e diz : ! -^ Garção graciosamente se não esbeltos. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 149 necidas das lides do amor.. Branquear a saraiva da velhice «Ah saiba a cega gente Que Amor. vé que Eufrozina se sorria . nascendo moco. E um velho ter amor não é tontice. de quando em quand. lh'os abria^ Outras andam mil gemas preparando. Por entre os anneis d'ouro relusente. Amor^ como rapaz. o amor que lhe estava cobrindo de flores o abysmo. Co'a doirada cabeça lhe fugia Porém. se faz velho. Porque Aglaia lhe está as cans atando.

tom. escossez ao serviço de Portugal. observa : «É mister accres- centar agora. mas porque Domingos Maximiano Torres contara em antigos tempos a pessoa que m'o transmittiu. tom. colhida por um neto do poeta. generosidade e franqueza e de muita clareza e juizo.» ia já . esse descen- dente do árcade. que a tal carta havia por fim nada menos que convidar para a fuga a menina cujo estado de gravidez sufficient emente adiantado. Louvável disfarce. Formosa e leviana. em vez de imputar a seu avô a personalidade activa e directa na historia amorosa da escosseza. hmocencio Francisco da Silva TVj um escri- (Dicc. se o intento guardar da irrisão o decoro em um foi res- avoengo que deUnquira contra edade imprópria de desvarios eróticos. porém.» (Francisco de Figueiredo. 390) referindo a lenda qual lh'a contou o fallecido neto de Garção. pag. ou ingleza como elle dizia. do general intendente da artilheria Francisco Em de Maclean. e quando morreu D. bibliog. não porque o dissesse o neto. seu contemporâneo : «homem de caracter. 1764 tinha sido coronel do regimento de infanteria de Almeida. diz a tradicção. XIV. Theatro DE M. 345). em uma carta de grande mehndre pta á visinha.PERFIL DO MARQUEZ DE POMHAL loO A menina que filha o poeta amava era sua visinha. era a menina. José as armas da corte D'este militar diz e um i governava província da Extremadura. consti- tuiu-o simplesmente secretario dos affectos de seu amigo. DE FiGL-EmEDO. pag.

Francisco Dias Gomes achava a causa e morte de Garção tão fútil que é vergonha expressal-a. Garção mesmo dia. ape- . chegou ás mãos de Ma- que justamente irado contra o seu supposto clean. Passada sem delongas. a foi apre- filha. e conseguiu do rei a promessa de liberdade. Garção do Limoeiro^ em que por ordem com- alvará de soltura. Não se lhe instaurou processo para evitar dois opprobrios o de Garção. fúteis motivos. mas fútil n aquelle tempo. Eis aqui a funesta historia referida concisamente pelo cónego Manuel de Figueiredo. Ao cabo de longo incerro incommunicavel. Não ha certeza de que a esposa do poeta soubesse a causa do encarceramento é. foi preso ao anoitecer na sua casa da Fonte Sancta. importante na corte. em edade — de quarenta e nove annos.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL lol menos melindroso Esta carta. sentar ao primeiro ministro. cujo texto mais ou não se pode conjecturar. desde 9 d'abril de 71 até 10 de foi novembro de mudado para um dos quartos onde expirou no mesmo petente lhe fora mandado dia altos 72. não. porém. certo cpie a desamparada senhora andou supphcante pelas secretarias e pelo paço a pedir que a deixassem vêr o marido. se o preso morresse no cárcere com o segredo do seu delicto. . e o da mulher cuja deshonra ficaria filha do queixoso occulta. nem Com por certesa era indecorosa. Outro poeta. amigo e provado amante de sua como a ordem de um general tão se dea a d'esse captura. chefe da famiha.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

152

sar do despotismo do governo, se atiravam assim

ao cárcere e á morte os homens qualificados

como

o

poeta Garção. O marquez de Pombal deixava assim
morrer e até de peor morte os seus inimigos mas
;

a culpa do visinho de xMaclean não era
despresivel;

e

fútil

nem

bastante respeitável era a dor do

pae ultrajado na honra da

filha

pelo poeta que era

seu intimo e frequentava os seus jantares como se
collige das odes

18 e 21.

-^

O

delicto

mente

de Garção

foi

interpretado diversa-

modos exphcado pela cruelde Carvalho. Quer-me parecer

e de todos os

dade de Sebastião

que o ministro, dadas as ordens competentes do seu
cargo quanto á prisão do criminoso convicto pela
carta,

nada mais

sando-o

com

fez

em

aggravo do preso,

nem

po-

algum

em

seu beneficio, harmoni-

a lettra da

lei.

Entre ser processado ou

dia operar acto

morrer não julgado pelos tribunaes, é de suppor que
o preso optasse pelo segundo alvitre. Soffrendo e
morrendo por causa desconhecida, seus filhos não
herdavam o desdouro de seu pae em annos tão
inexcursaveis por taes desatinos. E assim succedeu,

nem

podia ser doutro

o general da

modo quando

artilheria.

o queixoso era

PERFIL DO

MARQUEZ DE POMBAL

lo-í

Não mencionarei as hypotheses que se inventa-

ram por conta da mysteriosa

prisão

d'este lem-

brado reformador da poesia. São todas insustentáveis por anachronicas, e mais que todas a que fan-

que o marquez se vingara do poeta que lera

tasia

na Arcádia a Falia do duque de Coimbra recusando

a estatua,

que

se

allusão irónica á

medalha do marquez

enquadrou no monumento de

monumento

foi

D. José

i.

Este

em 6 de junho de 1775 e
em novembro de 1772. Desde

erigido

Garção tinha morrido

Almeida Garrett até ao

snr. dr. Theophilo Braga, ra-

ros biograpbos se desviaram d'esta conjectura tão

facilmente destruída pelas datas. Ingenuidades

phadas ao

snr. Theophilo.

Observa o

deiro nos seus Ensaios de Philosophia

que

o snr. Theophilo

nuidades

tem

este

mau

gi-y-

snr. Silva Cor-

da Historia

sestro das inge-

^.

.^
-4=^
---^f>|,^

*

Um li^TO admirável publicado em

rente anno de 1882.

Coimbra neste

cor-

í

J

M

t

ÍÍ.3

mm

3^

=^-C—

OHN Smith, secretario particular do duque de Saldanha, publicou em 1843
a

1 .^

edição das Memoirs of the M.\r-

^^fe^C^ QUIS OF Pombal, trasladadas aportu-

^^^^^â^guez em
^feT&^'H^^

a ser

ciado

187-2. Este Smith,

cunhado do duque,

com

que veio
foi

agra-

o titulo portuguez de

conde

da Carnota por haver escripto essa
ohra muito ordinária, inçada de incorrecções chronologicas, de critica estoUda e de mentiras origi-

naes.

O traductor portuguez nada emendou, nem

eu também estou de pachorra para

isso. Evitarei,

porém, que se repita a calumnia irrogada ao go-

:

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

loH

verDO de D. Maria

imputando-lhe o desterro do

i,

frade que pronunciou a celebrada oração fúnebre

nas exéquias do marquez

em

1782. O frade era o

doutor Joaquim de Santa Clara da ordem benedictina, lente

bal.

mas

na universidade e muito dilecto de Pom-

A oração foi um acto de coragem assombrosa
a nomeada do talentoso orador defendeu-o in-

vulnerável aos tiros da camarilha. EUe continuou a

reger a sua cadeira pacificamente. Foi muito

mado da

rainha que

em

1790 o

foi

esti-

ouvir pregar o

Sermão do santíssimo coração de Jesus, na egreja da
não menos estimado do príncipe D. João

Estreita^ e

que

o

nomeou arcebispo de Évora, por

de Cenáculo. O papa

foi

quem

negando-lhe, seis annos, a coníirmapão

que

fallecimento

hostilisou o arcebispo
;

e só depois

o prelado eleito, muito enfraquecido pelos acha-

ques e decahido da antiga coragem, obtemperou ás
exigências de Roma, retratando-se do que dissera,
lhe foi concedida a confirmação.

Morreu aos 78 annos de idade, tendo nascido no
Porto

em

1740,

filho

de Valério José Lopes e de Ja-

cinta do Nascunento. Esta íiUação modesta,

como

os

appeUidos inculcam, até certo ponto exphca o achar-se

na vanguarda dos amigos do mhiistro regenerador o
douto frade, oriundo do povo. Estava no

de origem humilde o bispo de Beja
do Cenáculo,
ni)S

filho

de

um

mesmo caso

D. Frei

Manoel

ferreiro de Constantim,

arrabaldes de Villa Real.
E' falso

pois

que

o doutor Santa Clara fosse des-

m
;

.

PERFIL DO MABQUEZ DE POMBAL

um

terrado para

como escreveu

157

mosteiro das Ilhas de Cabo Verde,

o snr. John Smith.

Mas este folhetim não trata de frades
garfos,

—uma questão

de patriotismo

em mim

onvulsionados dentro

Aristogitons

podem caber no

em

é

:

de

que sinto

quantos Codros e

peito

d'um portuguez

zeloso do aceio e da limpesa da sua terra.

no fim do cap.

Smith,

creve: «Talvez
tugal,

que

duziu no

nem

das Memorias, es-

todos saibam,

Pombal

mesmo em
que

a primeira pessoa

Inglaterra,

1745.

Por-

intro-

seu paiz o uso dos garfos. Este simples
de quotidiana utilidade trouxe-o

utensílio

em

foi

xiii

quando recolheu da corte de
«/í Í5

perhaps not generally

in Portugal, that Pombal ivas the

elle

S.

known

first

de

James
^

even

person ivho

introduced the use of forks into that country. Th is
simple instrument of daily convemence the minister
hrought irhith him from England on his return from
the court of St. James' s in 1745.

Se isto assim fosse,
comia-se sordidamente

em

Portugal, antes de 1745,

sem

garfos,

com

os dedos

engordurados, e as belfas n'um escorrimento de ge-

mas de
padas.

ovos, obrigadas

Um jantar

pia de cevados: e as

*

O

em

todos os fricassés e

de meza redonda seria

mãos das senhoras bezuntadas

traductor portuguez percebeu assim

geralmente se ignore.

.

em-

uma grande

:

Talvez qtie

!

PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL

lo8

em

de salchichas de porco,

vez de provocarem bei-

mostrar-se-iam muito reconhecidas ao fmo brinde

jos,

de mna quarta de sabão.
Índios

na

Isto seria ignóbil

civi-

da America e Ásia, quando os selvagens

lisadora

usavam pequenos espetos de pão para não

<:omerem com os dedos.
Mas não é verdade, graças aos céus
Pretendo demonstrar analyticamente e atravez

dos tempos e das geraçoens comprehendidas
séculos, que

em

usavam

Portugal se

fos, garfos autlienticos,

em três

legítimos gar-

duzentos annos antes de nas-

cer o marquez de Pombal.

Um

seu contemporâneo, nascido

em

1738, Fran-

cisco Coelho de Figueiredo, editor do theatro de seu

irmão, publicou,

que

elle

em

1815,

um

tomo da sua

lavra,

indevidamente intitulou o xiv do Theatro

DE Manoel de Figueiredo. Este

livro,

muito raro, por

que o author tirou apenas 120 exemplares,
precioso da collecção. O resto da obra é

é o unici»

uma

escan-

dalosa impertinência.

A

respeito de garfos,

vem

elle

depor que, na

sua infância, justamente quando Sebastião José de
Carvalho regressava de Londres, havia

em

Portugal

garfos de prata e garfos de ferro. Textualmente
«N'aquelles

muito ricos

:

tempos eram considerados os homens
quando gastavam pouco, quando tinham

muita prata muito mareada, muito suja e muito

afer-

rolhada, e era grande obsequio e Hsonja deixar vèr
a prata.

.

.

Quando comiam com os garfos de

ferro,

quasi que eram inúteis». eram metti- os dedos nas boccas voracíssimas. não lhe esquece o guardanapo. e não menciona o garfo.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 159 que se não areavam e apenas se lavavam. 297 e 298). eram do mesmo umas ^•alor que hoje as do chá. NuQca vi outro exemplar além do que nem Barbosa nem possuo. se as usavam. pareciam de folha de Flandes. etc.' <ídi trincha» traduz elle . Este depoimento poderia ser contraditado com juntos. Bluteau ou não diz que quando em quem quer que fosse Portugal não houvesse garfos. posto que tinham quatro bicos muito sem volta alguma nem na pá nem no cabo. Havia o instrumento de trinchar (a trencherj . as collieres de prata. a primeira que se pubKcou d esta espécie. Por quanto. nome de mas que presumo auctor. e um débil testemunho mais antigo. falia da /aca. Innocencio conheceram o meu raríssimo livro. no anno de 1705. A falta do uten- siho garfo na Usta do grammatico leva a suppôr que não haveria em Inglaterra o garfo. da colher. e com facas eguaes. de resto. Mas não vinga tão suja hypothese. deixa suppôr que as carnes trinchadas das com e. os garfos de prata eram como um tridente. sem ser do padre Ra- phael Bluteau. a favor do garfo — Boa desforra! em época anterior . mas manjares (of meai). uma na meza para partir o pão. ^enão havia cautela. E" OA ANGLO-LusiTAMCA. editada em uma Grammati- Lisboa. na nomencla- trata de tura dos utensílios próprios da meza. e muitas vezes feriam os cantos da bocca. (pag.

lavai primeiro as mãos. Não leveis o comer ci boca com ambas as mãos. entendido este cânon que o veja. Sendo necessário alimpar o ou a faca.po escrevinhador do fim appareceu a primeira e urbanidade christan. falta K no Com- pendio de civilidade do snr. adverti não esteja molliada. Parece o snr. no qual teir. e sejam us bocados tão moderados que as bochechas não fi- quem cheias immodestamente. escreve o discreto cortezão « Quando tirardes sal do salleiro. doutor João Félix. Fora da mèza.vos pela maior parte da direita. se houverdes de tocar era cousas de comer.» gai^fo I . quando e. dr. João FeKx. : que a faca etc. Depois de servir a necessidade.PERFIL DO íALVRQUEZ DE POMBAL 160 a 1701 teDho o depoimento de um código de civi- urbanidade christan que anda appenso ás ediçoens de 1710 e 1724 das HistoiiiAS proveitosas de Gonçalo Fernandes Trancoso. muito bem sem que alguém for possível. e não temos visto suíficientemente respeitado o desatar das atacas. seja em um bocado de pão. d'este escripto accusa O estylo e a ingenuidade um mau do século XVII. nem vos prepareis para as necessidades do corpo em presença de ou: tros. lidade intitulado Policia e escriptor do século xvi. servi. Da r rara edição da Policia simpleza e prudência do auctor podemos formar conceito na em vista d'esta regra : bom Xão metaes bocado boca sem ter engolido o que nella tendes. também dá excellentes preceitos Não ateis nem desateis atacas. Quanto a garfos.

e não duvido que o Pombal os introduzisse no seu paiz. na cidade de Merida. O padre An- vários sermoens allude a esse sup- tem nada que ver os tridentes 11 que . uns garfos atormentados os martyres.» Temos. e para i-ío.. rasgassem o corpo tónio Vieira em phcio. os garfos qiiaes já existiam no fmi do século xvir. íazem os mais polidos. como dos havendo de o partir se as : tadas. mas como instrumentos da barbaridade idolatra. Mas não com ii da Monar- Daciano. no martyrio de mandou que lhe garfos de ferro. limpae-as primeiro . Conheço peffeilamente esses garfos cruehssimos. podendo ser. onde encontramos o vocábulo portuguez o significado latino de fuscinula. <e-nos que havia desde o com cjarfo Poderá redarguir- tempo dos césares. em 1 61 1 quando o vimarenense Agostinho Barbosa pubhcava em Braga o seu Dictionarium Lusitanico-latinum. os no principio d'esse século. pois. marquez de se elles não fossem conhecidos no território lusitano anterior- mente a AíTonso CHiA Lusitana. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL E n'outra pagina : 161 «Não unteis o pão com os de- mãos estiverem unmas procurai de as não sujar com os dedos (tiào quer que se sujem as mãos com os dedos. e bem pôde ser que Agos- tinho Barbosa e o padre Pereira da Prosódia lhes dessem cabimento nos seus Lexicons não como utensílios da mèza portugueza. percom que eram seguidores dos christãos. >anta Eulália. Já no tomo hv. 5.-. nem os dedos com as mãos. usai de colher e de íjarfo. Henriques.

dos artigos inventariados é o seguinte . Fez-se um inventario da pedraria. Um Seis garfos. (^Provas e trinta grãos. trez oitavas pesa. casando Trinta e dois annos antes. chegará o trinchante ura prato de cortar a faca. S. Mecia d'Andrade. II. que possuo de no capitulo que respeita ao modo comia em publico. para se- entregues á camareira D. pag. João iv volume ms. Magestade. a infanta com o duque de Saboya^ levava no seu espantosamente grande. culher. 775). 1522. A saber. filha d'el-rei D. e dous de prata guarneci- dos de ouro com ruhinsinhos que juntamente pesam e trinta grãos. e lança nelle a guardanapo em que sua Ma- etc. e D. outro c^ue da Historia Genealógica. em 1554. Beatriz. grandes com trez nós cada um nas astes e duas ca- . trez c[ue pesam quatro onças uma onça. dous garfos dej^raia príncipe dote. pérolas. Xum Outra prova. garfo e gestade se limpou. Estylos como da corte. etc. Manoel. quatro de crystal. a saber. segundo a Arte de casinha empade Do- mingos Rodrigues. está assentado o seguinte: Accdiado de comer. João rem a favor dos gar- iii. em Carlos. 1).PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 16:2 laceravam as carnes dos martyres com os garfos de que os nossos bons avoengos se seniam para co- mer o seu carneiro de tigellada e os seus doens de javali. tom. Buscaremos agora depoimentos fos em Portugal no século xvi. ouro e prata da corte de D.

sei. etc. Os ethnographos das famosas Lucullo e de Mecenas não comezanas de mencionam instrumento algum de mesa. duas colheres de pão e dous garfos de ferro. sei pag. de prata e de crystal. um nas garfos de jjrata 'periuenos com trez nós cada astes . século XII a casa real portugueza tinha na terra da riça. Esse utensiUo em Roma chamava-se Graphium. de gicamente. Os romanos não usavam garfos senão nas torturas. e os convivas. á semelhança dos ponteiros ou estylos com que se escrevia nas taboas enceradas. Hauma esponja com que se lavava a mesa. 451). por tanto. por agora. (Idem. quando ahi estanceava. ahi perto um que no aposento do local chamado a Car- que os lavradores convisinhos d'esse para- deiro real eram obrigados a dar ao rei.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL becas de serpes de que sd. e não de garra como quer aquelle des- graçado diccionarista Constâncio. a cada serviço. lavavam as mãos e provia . quanto ao livro que o contém. Nem toalha nem guardanapo. dose . pesaram juntamente. todavia.o as pontas 163 e mais. mão as provas escriptas de mais dade mas . e xMaia. que na minha pequena livraria existe um documento que se esconde. e d'ahi me parece que vem garfo etymoloram de ferro. em Portugal no século xvi Mo tenho á remota antigui- garfos de ferro. ás solicilaçoens da minha caduca e debilitada memoria. Persuado-me que todos os garfos primitivos fo- uma só ponta. Usavam-se. duas gamellas.

John Smith. XOFA A propósito dos garfos de D. A posteridade não deve ignorar como o primeiro rei da dynastia bragantina comia publicamente mas hade sempre ignorar como elle descomia particularmente. E' o que se deprehende do Diccion. que o grande marquez de Pombal. e do artigo De conviviis de Bulenger. inspirado de se me permittem. Os chronistas aulico. Seja como pugnar que o for. viesse para ahi dizer. Ahi vae pois . des Antiq. um com este muito cons- sentimento generoso^ — Receei que algum centenarista pombalino. conceda-se-me licença para im- marquez de Pombal introduzisse no seu paiz o uso dos garfos.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 164 vavelmente limpavam-nas ás túnicas. no dia 8 do próximo mez de maio. evitara que os portuguezes comessem com os dedos porcamente. Agora que os reis se vão fundindo e derretendo lentamente na grande massa humana. se tiveram a satisfação fragrante de : assistir a esse remate do processo gastrico-inteslinal^nãoo divulgaram. avarentos da sua soberba missão. João iv lembrou-me tras- ladar para aqui duas paginas inéditas da vida da corte por- — tugueza coisa de si tào para rir que nem o derramado auctor da HiSTORLv GENEALÓGICA DA CASA REAL a teve como digna dos seus in-folios.s. trazendo os garfos de Londres. Sahi pícuo folhetim. de Fourgault. é tempo de acudir á conservação das memorias de suas costumeiras de portas a dentro. enganado pelo snr.

o Mordomo-mor achando-se prezente. João iv prati- cava o real phenomeno da deglutição neiro com Comidas publicas Se S. e quereudo-o fazer S. e comprimento de modo que a meza fique posta na ponta . e. A caza que S. e em <nidiencias.PERFIL DO MAliyi. Tanto que a meza estiver posta e nella se puzer o saesteira de verão e alcatifa de inverno. o poderá fazer. se na caza houver docél. e ordinárias Magestade comer em publico assistirão os títulos^ da caza. parando e desviando. Magestade deve comer será de ordinário a do primeiro docél a respeito de quem entra. e ver prestes dará recado a como tudo esti- Magestade.se do caminho ainda (lue sejam Titulos. para que o trinchante e officiaes da meza não fiquem com os pés postos nella. Virão também com ellas o guarda re- posta e o servidor da toalha de semana. Magestade comer poderão ter entrada mais pessoas que as que entram nas cias publicas. se porá a meza debaixo d'elle. e só o ficarão os moços fidalgos que hão de estar de joelhos chegados á cadeira. officiaes dum ensopado de car- ervilhas. e segundo a capacidade d'esta caza ou de outra em que S. quando D. e tral-as-hão os ços da camará entre duas mo- de soldados da guarda^ e por onde quer que passarem tirarão os chapeos todas as pesfileiras soas que as encontrarem.EZ DE POMBAL uma 16o sceua de Fantoches palatinos^. e que estiverem por onde ellas vie- rem. e mais pessoas que tem lugar nas audiên- na mesma forma em que estão ncllas. As íi iguarias hão de vir acompanhadas da cosinha para caza do veador da semana. Ao veador da semana tempo que toca mandar vir as iguarias a ás onze horas estejam na caza. o qual virá sempre descoberto ainda que seja Titulo. Porão a meza os reposteiros da copa para que terão luna que será na largura da alcatifa.

onde fará sua mesura. e com os pês fora da alcatifa. e logo o mantieiro com o prato de agoa ás mãos na mão direita levantada com elle até o hombro. sairá do seu lugar e se virá metter entre o veador e mantieiro. Os médicos hão de ficar no outro topo da meza da banda esquerda entre elia e os officiaes da caza depois de S. Chegado S. Tanto que se acabar a benção. com os mais tanto que os porteiros da casa e o veador vierem perto da meza. e. dará sinal aos Titulos para se cubrirem. e assim elles como os officiaes da caza e mais pessoas que ali tem lugar virão tomar na mesma forma em que o fazem nas audiências. porque a elle toca dar conta do que ali se puzer de comida. O mantieiro se . Magestade se assentar. Magestade á meza^. chegará até junto da alcatifa. excepto o veador que se porá á parte direita de S. Magestade comer.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 166 leiro^ o pão^ ou alguma cousa de comer^ assistirá o manteiro na mesma caza até que S. e o vedor. e se tornará para o seu logar. Magestade sentado. Depois de S. e fazendo sua mesura se apartarão cada imi para sua banda. Magestade defronte do canto da meza. e o mestre sala se porá da outra banda na mesma forma. mas não tão chegado a ella como os officiaes que servem a meza. e acabada a meza a tornará a affastar. O trinchante ha de estar encostado á parede officiaes da casa. Magestade assentado. chegará a benzel-a o ca- pellào mor com dous capellães ordinários da semana. e como o veador fizer sua mesura se porá no meio da meza que é o seu lugar que lhe toca. Magestade vá para a meza. e em na de ambos o sumiler da cortina de semana. e sua auzencia o Bispo da capella. e na esquerda o gomil defronte da cintura. chegará o reposteiro mor a cadeira para S. mas nem se arrumará nem porá as mãos nella. d*onde virão dous porteiros da caza e detraz delle tomará o vedor. passando adiante. pouco aíTastados d'ella. e assim virá com o rosto na meza. e os portadores chegarão um . ha de o vedor chegar á porta da caza em que S.

e o gomil ao man- um reposteiro da casa. Detraz do alguma cousa para mantieiro. e tos em que elle pratos em que El-Rei comeu. e se levantarão no fim da meza depois da agua ás cadeira de . e S. e elle o entregará a da cosinha. Os moços fidalgos assistirão á meza de joelhos junto á S. estará o escri- toalha para S. Lavadas as mãos e feita a salva. para que um reposteiro da casa porá em um prato pequeno á roda umas fatias de pão delgadas e do tamanho de um dedo e o chegará ao veador tendo-o na mão e não o pondo na copa. e detraz d'elle o servidor uma toalha da semana com uma deitada ao pescoço. Magestade a torna ao mantieiro depois que se alimpa. e. tomará o veador da semana a salva. Antes das iguarias irem para a meza. irã/) as iguarias para a meza indo diante d'ellas o Prestes. e elle tirará do prato o que El-Rei lhe disser. e elle com as fatias irá tocando em cada uma das iguarias e provando-as. e da outra sobre a alcatifa. Pda iguaria nas mãos.UM PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL porá á mão esquerda do trinchante do mesmo modo chegado á meza^ e elle entregará o prato e gomil^ e o trinchante o beijará e chegará a S. A esquerda. c em tanto que S. mas e os os pra- El-Rei deitar os ossos ou cousas semelhantes ti- rará o mantieiro e não o trinchante. Magestade de uma banda. Magestade limpar as trará um moço da camará em um prato e tvão e elle a deitará a S. es- colherá o que lhe parecer melhor. mão a parte de fora.. em um cerimonia fará na agoa ás mãos do fim da meza. e o chegará a El-Rei. quando El-Rei não disser nada. Magestade com a direita deitará agoa com com a o gomil^ e Magestade lavar as mãos tornará o prato tieiro. e acommodando-as de modo que caibam. e tomará a tirar os mesmos dará ao mantieiro. e detraz e d'elle e pondo-as na meza o mantieiro irá passando algumas para a sua parte. Magestade. os moços da camará. e elle a tomará mesma prato. aos moços da camará. As que El-Rei quer comer pede ao trinchante. e a mãos a dará ao veador.

chegarem as iguarias. Acabado de comer. e Magestade lhe pedir de beber irá a casa de fora aonde está a copa e diante d'elle se lançará a bebida no púcaro. e o copeiro mor. tendo a salva debaixo tade beba lhe toma d"elle. e o Magestade e tanto que S. Magestade comer para onde rão na casa da copa virão tanto que n"ella estiver a confeiteira ou comida. e irão copeiro tanto que S. O guarda resposta e o copeiro pequeno assistiem que S. fazendo sua mesura. Mages- tade acabar de comer os doces. e como S.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 168 màos. colher. ou da que estiver desoccupada. e a salva na esquerda. estando de joelhos e o copeiro mor também de joelhos lançará essa pequena bebida na salva e provando-a dará o púcaro a El-Rei. onde o copeiro pequeno púcaro e a terá com a mão alçada bem tirará a tampa do defronte do hombro. chegará o trinchante um prato de S. e o mantieiro porá n'este tempo na meza um prato graude em que o trinchante tirará o que ficou dEl-Rei com cortar a . Magestade e lança n'e]le a faca. diante o copeiro pequeno e os portadores da cana fazendo praça até chegar á meza da banda esquerda. Magestade se alimpou e pão que lhe sobejou. e pondo-lhe a tampa que tem na o levará. e a dous quando d'elles dará o mantieiro os abanos. Mages- o copeiro a dar o púcaro ao copeiro pe- queno. e pondo o guarda resposta a confeiteira com mesmo o trinchante a chegará a S. garfo e guardanapo em que S. Acabadas as iguarias^ irá o vedor á porta da casa buscar em uma confeiteira o guarda resposta em com uma toalha por cima. prato na meza a descobrirá. e então se levantará. se toma mão ao seu lugar. e repartir algims moços com fidalgos a tornará a entregar ao guarda resposta os que a levará. e alli mesmo diante d'elle tomará o copeiro pequeno a salva na forma ordinária e dará o púcaro ao copeiro mor que o levará na mão direita. e diante do ve- os doces que trará um prato grande dor virão dous portadores da casa. O mor estará junto á meza além do mantieiro.

colher e e o dará a um moço da camará. mór e o reposteiro mór virá afastar a cadeira e o a dar as graças. e depois levantará o trin- chante a primeira toalha e o mantieiro a porá no mesmo prato grande. e ali. assim como nos dias de Paschoa. e os offlciaes todos acompanharão mará ou casa onde S. no da consoada do Natal. Magestade. se accrescentará que as primeiras e ultimas iguarias. levantarão a ultima toalha. e logo o ás mãos na veador do seu lado. dor. sendo e arautos e passavantes. >'o mesmo tempo se levantaFão os afastarão da meza. ou em outro que por algiuna occasião peça maior solenmidade. e o trinchante do outro. elle parar. se recolherão. e fazendo sua mesura se €apelã(^ irá. o logo í>uas faca. e as fructas as acompanharão os portadores da casa e logo os das massas. todos descobertos títulos. come em publico. e no ultimo lugar o mordomo mór coberto. junto de S. virá o mantieiro fitrma que se mocos fidalgos. e dará aos que servem á meza. e n esta solenmidade leva a sua insígnia ao hombro. mestre sala. irarfo. ordinariamente : S. e se com agoa fez ao principio. tudo na forma já referida. e assim irá' até quamlo (juizer fazer a mesura. ainda que tenham . Magestade. porém. vea- na forma que fica dito. e dous reis de armas. o veador se chegará mais perto da cousa a mesa e lh"o dirá. e reco- Ihendo-a o mantieiro em o prato grande a entregará a um reposteiro da casa que estará detraz d'elle.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL O Kií» em outro prato de cortar porá as guardanapo^ e o tirará o mantioiro ((ue n'elle lhe poz. Se alguma pessoa no tempo referido mandar alguma S. no de Reis. Magestade até a sua cafazendo sua mesura. Comidas mais solemnes Esta é a forma que se guarda quando Magestade em dia de maior festa. e detraz delles o portador mór.

.

ao vigésimo quarto anno da sua omnipotência.margue^ de £om6al c a Inquisição 'V. excessos e perver- sidades no velho Regimento do San- rio to O/ficio. de Pedroiços e do Forte da Junqueira. da Foz. Nunca lhe tinha lembrado que a protervia sanguinária d aquelle tribunal era obra da Compa- . Serviu-se do tribunal da fé em quanto lhe utilisou ter y^ na mão do inquisidor o torno da tortura. é que achou defeitos. o açoite e o cide cera amarella que accendia a fogueira./í^i^Z/Uu-r-» CONDE de Oeiras. Durante vinte e quatro annos teve os cárceres do Santo offi- cio á sua disposição como suceursaes das cavernas do Bogio. a mordaça.

Rivalisavam-se. manifestadas em in- cubes e succubos. e a de Santo Ignacio A or- odiavam- se reciprocamente. correctamente. na com- petência de habilitar ahnas para o cortejo de Deus na eterna gloria. e queimava corpos vivos que tinham dentro obras do diabo. cauterisava as aberraçoens do cra- neo extra-naturaes. mas preferia o obscurantismo do ensino theologico á maceração da tortura. porém. cada qual a seu modo.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 172 nhia de Jesus. era vingar Jesus de Nazareth. E" que esta bestialidade iucompre- hensivel nunca tinha passado pelo espirito de nin- guém. paralysar por largo tempo os braços dos inquisidores e enferrujar os apparelhos dos supplicios. degenerada dos estatutos do hespa- nhol Gusmão. um deus assassinado pelos homens. a um tempo. colónias de almas para do divino azul. O inquisidor não se preoc- cupava A sua em pôr diques à torrente das ideias novas. Tm em Roma. á ressicação da carne e á crepitação dos ossos. missão. o formidável jesuí- dobrara-se diante dos juizes do Santo século antes vingara o mesmo Vieira. entrava no sem mutilação . Mas é claro que o jesuíta e o dominicano. que morrera craciíicado por vontade paterna e condescendência pró- pria: afora isso. agenciavam. O padre António ta. as infinitas regioens O engajado do jesuita docemente e sensível. Vieira. O jesuíta adensava de grossa treva contra a recia do norte — era luz da um ante-mural Reforma que alvo- o jurado conservador daidade- media. officio. dem de Domingos S.

Transporém. ^os dois systemas. um atfecto entra- grande sympathia pelo inquisidor e fidagal inimisade ao jesuita. conde de Samodães. achou que era curridas. e as- senta que o seu ódio ao segundo era tão pronunovàáo quanto sensível a estima pelo outro. illustradissimo e honrado em um crente sincero. o marquez de Pombal. O snr. que se ria. Escreve 'I snr. duas dusias d'annos. e manteve o tribunal sinistramente influenciado. Disia conseguiram dominar não era elle que os jesuítas amava nunca este esclarecido tribunal. cias Ora. e até redigiu. tempo de expurgar o Santo oíTicio das suggestoens Assombroso velhaco jesuíticas. marquez disse isto. como eu. todas as suas inten- toens de escriptor. era lá içado á força pelas roldanas da polé e pela contricção de haver nascido fatalmente hebreu ou por ter obedecido ás icdecUnaveis violên- do seu temperamento e da sua educação. conde de Samodães: Tanto abominava o mar- que: de Pombal a companhia de Jesus quanto a Sanefa Inquisição.! PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL céo pelo amplo portal da ignorância . Se o que retracoílicio e nos decretos que referendou. mostra-nos o ministro com nhado á missão do Santo oílicio. no seu livro que estou lendo. tou-se torpemente no Regimento do Santo jesuítico. O MARíjLEZ DE POMBAL CEM ANNOS DEPOIS DA SUA MORTE. attribuia aos apóstolos de Loyola notável influencia nas crueldades da Inquisição. 173 o engajado do inquisidor. Releia o illustre escriptor o Titulo xv do Regimento do Santo .

as leis da creação. da Inquisição deixassem de padecer eguaes ou maiores estragos por da . . Pedro de Castilho e de D. e combine os dizeres.U\QUEZ DE POMBAL 174 da Inquisição promulgado pelo regio alvará officio de de setembro de 1774. os quaes J mesmos estratagemas dos tacita que sob a conspirando com ella.PERFIL DO M. uma vez julgava illesos da peste jesuitica os dominicanos. por uma parte fi- diversos Inquisidores geraes seus notó- rios faccionarios. . etc. com o seguinte paragra- pho. orde- nados nos Regimentos de D. recheado de inepcias e que o referendou : mesmo marquez Tendo mostrado a Historia por factos incontestáveis que os chamados Autos da Fé. e os regimentos que tinham dado as normas para o bmn governo do Santo : officio ... Aqui tem o snr. para mais fomentarem a ignorância e o fanatismo. e sahiram mia nos Autos da Fé 23:068 com hábitos de infâ- reos. a nociva prepotência . 1 que attribue ao marquez. conde de Samodães a lisura de caracter com que o conde de Oeiras. Francisco de Castro. fabricados pelos Jesuítas. do longo arrasoado do de- influencia dos jesuítas até ao 1732 tinham sido condemnados ao fogo i04 indivíduos. que cVaquella Sociedade jesuitica zera nomear A conclusão creto é anno de : . e até authorisados com as armas da sua perversa e jd extincta sociedade foram outro invento da mali'jnidade dos mesmos Regidares. effeito terribilidade jesuitica. E no decreto do mesmo anno e dia Xão era verosímil que a hulla fy/ndamental. etc. e outra vez fazia os do- .

e or- que a tratassem por magestade. quatro annos posterior áquelle gular um em que o conde de Oeiras via estran- aUenado e. Sua Majestade a Inquisição ! Acceitou a instituição infa- mada pelo ascendente dos jesuítas. de lhes lembrar os pormenores de outro Auto da fé. Não querem saber do caso horrendo do Malagrida. e com a ignominia do habito e prisão perpetua dos hebreus. Não me abstenho. sou elle a Inquisição porque não arra- com um aceno d'esse poderoso braço que exterminou a companhia de Jesus? não lhe convinha illiminar de tormento direcção lei E' que das suas repartições pelo contrario. com as suas fogueiras. chamou-a a : d'ella a denou por uma deu a si. e eu por minha parte agradeço a dispensação de a repetir. com a exposição dos retratos dos que morreram. porém. seu irmão Paulo de Carvalho. €om 05 seus açoutes. dispensam-me de eu lhe repetir essa estafada historia. com os seus freios na bôcca dos padecentes. arder com pregão de vitupério . Tortuosa infâmia homem estava deturpado e perver- E. se o santo officio tido pelo ascendente dos jesuítas.! PERFIL DO MABQUEZ DE POMBAL 175 minicanos uns dóceis algozes das suggestoens dos de jesuítas. e manteve-a com os seus Autos da fé. Estou daqui vendo os phrenesis da critica que me exprobra a tante má fé com que escondo a impor- providencia de Sebastião de Carvalho avo- €ando ao conselho de estado os processos sentenciados pelos inquisidores.

uns por cinco^ outros por dez annos. caval- cissão as Ordem de ChristO. e artistas. Joaquim Teixeira. porém^ espiravam. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 176 irremissível a estatua do seu amigo e collaborador Francisco Xavier de Oliveira. António José de Aze- vedo Coutinho. João da Cunha da ordem dos Carmelitas descalços. ciosas. zão. por terem censurado a crueldade da Inquisição quando. vendiam. . encostado ao alteroso espaldar da sua poltrona. seus particulares amigos. Aquelles dois retratos que vem de poz o estandarte de S. um mino- Santo offleio. rista que disse missa e confessou é açoitado e de- o padre Jacinto Coelho gredado por dez annos : miliar do Santo vae degredado por onze an- oíTicio. Outro padre António Carlos Monteiro. e não obstante ahi vão á frente da pro- imagens de João Pereira da Cunha. todos populares são açoutados e banidos. uns por que faltaram mal do outros por que fazem curas superstiO bacharel Bernardmo José d"Andrade tem cárcere perpetuo por que disse heresias. os inquisidores lavraram a sentença da sua innocencia. Aquella efligie de . Aqui o temos outra vez no Rocio.. por que leu os livros que o conde de Oeiras deixava circular e os Bertrands.fa- nos por que censurou a crueldade dos tratos. e mais desacete. e de fr. o conselho de estado confirmou-a. atheu. Domin- gos são de dois prezos que morreram no cárcere. fez-se foi condemnado a habito de ignominia e pri- á vontade do Santo oííicio. Manoel António ieiro da Aranha. no dia 27 de outubro de 1765.

or were hrought out in Ejpgy. é de Catharina Marques. de Saint-Priest oíTiciava ao em duque de Choiseul outubro d'este anno contando que fora convida- do para assistir ao Auto de fé . 470). London.: PERFIL DO M. at the Auto-de-Fé there. por que ninguém Como nào possuo obra nacional onde se encontre a dos penitentes que sahiram no Auto de dico aos curiosos o Appendíx n. judia que morreu na tortura. por que tide hebreus prisão perpetua com Vizeu e no Porto nha nascido um Observem: com doesta espécie punido . outra para Vizeu — uma patuscada. que amarraram ao poste para ser queima- uma da. on the 27 th of October. e accrescentava «é preciso que o conde de Oeiras tenha ticular motivo que a tal algum par- proceder o move. Uma vae deportada por três annos para o Porto. in Person. Isto passou em 17G5. e — habito de ignominia.UÍQUEZ DE POMBAL mulher. duas vezes casadas tendo vivo o primeiro marido. em filha delicto social três annos de residência Guiomar Nunes. 12 . 1814 list of the Persons. —A iclio carne out of the Inquisition in Usbon. 1165 ipag. E o conselho de estado refe- rendou estas sentenças assignadas por Paulo de Carvalho. no decimo quinto anno do ministério de Sebastião José de Carvalho ^ Mr. in- biographia do Marquez de Pombal por George Moore. with their offences and punishments. Ha duas mulheres novas. por isso que semelhantes espectáculos podem destruir a reputação que * lista elle gosa na Europa." 3 de uma fé de 176o.

tem ás suas ordens. o inimigo dos jesuítas victorioso. sahiram condemnados vinte e um homens e treze mu- mulheres . No anno immediato. O papa \ . o marquez o pontífice. podia tolerar haviam um aberto com a corte tribunal que os papas estabelecido inteiramente independente da jurisdiccão Secular. dispensava-se de relaçoens em com 1765. do Auto da Fé. vri. gabam-se de que seu avô era catholico. se as incompatibilidades querem uma reminiscência mais frizante. declara que não po- nal da esta instituição é fé. em Évora. dia entender como no meio das doutrinas que o co7ide de Oeiras sustentava de independência do Poder temporal. Sobre tudo. sendo seu irmão o Presidente do tribu- um instrumento que elle tom. lembro-lhes que ao oitavo anno do ministério de Sebastião.! PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 178 ignora que. no Auto de Fé em Coimbra.» (Quadro pag. O duque de Choiseul. estando em rompimento de Roma. José de Carvalho. rão O duque não conhecia perfeitamente a instituinem o ministro. 188). sahiram penitenciados deseseis homens e vinte e sete e um d'esses homens foi queimado vivo. Bem se importava o conde de Oeiras com Roma nem com Mas. elementar. respondendo. lheres. Os actuaes parentes do marquez de Pombal. cathoUco é que elle era. Para que uma judia expirasse no cavalete e a outra se amortalhasse em habito de ignominia e se sepultasse viva no cárcere.

D. O que talvez .a do titulo de magestade. 1760. jesuítas. ar- os artiíices in- grande numero de inquisidores. D. E tamanho era o seu que fez envergar ao mano sem que o de- Paulo o habito de inquisidor geral. ^ D. como sabem. que conhecia os encyclopedistas. José I. e entre- gar a seu irmão Paulo de Carvalho a presidência do tribunal do Santo officio em disvelo pela inteireza da fé. descurando ter ria Santissima. ou soube elle occasional-o com um successo bastante deturpado pelos historiadores. tinha três irmãos natu- raes. José e D. Ageitou-se-lhe o ensejo d'essa almejada investi- dura. i I movesse a ideia de que tinham sido os guidos no Regimento do Santo sidiosos de um officio. decorai. e estava Voltaire e dade. Foi este zelo que o abraçar a in- fez quisição. António.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 179 não era capaz de ser mais christão do que n'isto de vingar um Deus que se permittiu elle. O conde de Oeiras. tinha como o supplicio de em uma como com o seu authentico o das pessoas da Santissima Trin- obrigatório o ílagello dos descenden- que a loquisição devia matado muitos descendentes da parentelia de Ma- tes dos judeus. Gaspar. a divina condescendência de morrer ás mãos dos phariseus. e dia seu Bayle. entre dois ladroens.

filha ii e de Francisca Clara de Francisco Gomes de Oliveira e de Luiza da Silva. A mãe de D. António de Bragança. ou a formosa zíngara Marga- rida do Monte. marido honrado que morreu de paixão na quinta da Ferrugem em 1735. A mãe de D.. na Pa- nomeava arcebispo de menino não tmha ordens sacerdotaes nenhumas. José. Gaspar e de D. Francisca Ignacia de Mello. Estas miudezas epistola em o 10 de outubro de 175G: chronologicas revelam muita velhice e muita pacien- . ou D. também eu não sei ao certo : deve ser ou a Madre Paula.VL 180 nem todos conheçam é o nome das mães. de alcunha a Flor da murta. ou a actriz Petronilla.PERFIL DO MARQUEZ DE POMB. Em 1756 vagara a mitra archi-episcopal bracha- rense por fallecimento de outro Bragança. Sebastião José de Carvalho foi apresentar a D. Luiza Clara de Portugal. Jorge de Menezes. em 25 de julho de 58 foi sagrado arcebispo. Pedro Silva. em 15 de setembro de 59 tomou o paho. tomou as primeiras ordens sacras de valhan. José era D. mulher de D. Gaspar. d'al- cunha a Pimentinha. d alcunha a Moleírinha. do mais novo. D. filho da bastardo de D. a carta do rei que o Braga. Como em 8 de setembro de 57 tomou as de evangelho. Em agosto desse anno. Catharina Luiza de Miranda e Castro. e em 28 de outubro fez a sua entrada triumphal em Braga. no dia 23. que depois professou. ou D.

José de Bragança sua magestade havia por inquisidor geral. Vi- cente.MAUylEZ DE PO. e. VI era genealógico de O cruzio vicentino D. mordaz e de- fama trahidor dos Carvalhos da rua Formosa. o mesmo Secreta- de estado Sebastião José de Carvalho e Mello participar ao sereníssimo D. deu- se-lhe posse no passo da Palhavan. do mosteiro de S. atassalhavam-no como herético. em bem ul- Oliveira Martins. por ser neto da preta . d'um abbade de Foscoa e faltava sarcasticamente tio-avô de Sebastião José. -*- em que tinha sido educado D. José. e á casa do conde de Atou- guia suppliciado em 59. João e polpa. foi que provel-o no logar de 14 de setembro de 58. João VI de Santa Maria de Jesus. era muito affeiçoado a estes frades. que faltavam n"uma historia philo- coisris sophica de Portugal e que teriores Em rio 181 devem apparecer nas meu amigo ediçoens do 14 de setembro de 175G. Os cruzios não gostavam de Sebastião José de Carvalho.1'EnKIL U() cia. O frade malsinava-lhe a progénie. São .MHAF. e particularmente a D. por antonomásia o Negro. como desmorahsado e como usurpador de vincules — re- ferencia ao de Montalvão e de Carvalho usurpado a Gonçalo Christovão. Santa Cruz de Coimbra com os cónegos regrantes.

mandou-o guardar porcos na quinta da Granja. repassada de uma dolorida nostalgia da garrafeira do seu senhor. a ponto de os não extremar dos brancos. A epistola começa ronico tituto Hos Mathoe Ille Etc. não podia consolar-se da ru- ptura com Roma o conde bafejava que Demais e das truculentas publicaçoens a favor do poder dos reis. a mais fallava da innocencia dos Tavoras e dos jesuítas. Fé- tentado pelos vinhos capitosos que seu senhor recebia da Companhia do Douro^ por intermédio do frade Mansilha. sabia que D. Tinha elle um escravo chamado lix Felij^. seu subsna copa. ^ Alem disso. João era o mentor do da Palhavan. por suggestoens do cóne- go regrante.: PERFIL DO MARQLEZ DE POMBAL 182 Martha Fernandes. emum dia por outro. e que um menino livro inti- tulado De potestate regia. . inquisidor geral. o cruzio. zelador intransigente da authoridade pontiflcia e das prerogativas ecclesiasticas. quando acabaram as obras. propulsor da indisciplina contra a cúria. baseados na re- Sabe-se que Sebastião de Car

aIho. Contam diversos * historiadores. O ministro. cifras tibi Granjce mittet ab arvis miser Félix qui modo dictus erat. encarregado da limpeza da copa. Um poeta faceto d'aquelle tempo escreveu em latim macarborrachava-se uma carta de lastimas de Félix a Matheus. O amo condemnou o preto a carrejar entulho na quinta de Oeiras^ e. em ódio talvez á sua antepassada. não sabia approvado da meza do Santo officio. tratava cruelmente os seus escravos negros.

acalma- do pelo próprio ofíendido doa aos reos de — generosa alma! — per- alta traição e extermina-os para o . dos illustres esbirros ficou de guarda ao intendente. familiares do Santo hender os exemplares do livro e officio. um d'el-rei. porque não existe im- pressa obra. Aqui principia a inverosimilhança da historia. m"ais delongas. emquanto o outro foi solicitar do con- de de Oeiras a ordem de captura. allegando que não se deixaria prender sem ordem Pelo quê. D. José de Bragança arranca-lhe acabelleira e pes- pega-lhe comellanas ventas. O conde vai ao paço. contam que os dois gos familiares do Santo officio fidal- quizeram prender o intendente e que o magistrado resistira. enviara o conde de S. O dido ! ministro alterca rudemente com o irmão de el-rei. safa. mas. José resolve. Continuando a fabula. e o original manuscripto estava no tal Cartório do Santo oíTicio. o outro m^- nino. matar os irmãos. Villa appre- mais papeis do auctor da obra regeitada que era o intendente geral da policia Ignacio Ferreira Souto. Lerda invenção Se é crivei que tal violência os dois familiares ten- tassem contra o magistrado da confiança do primeiro ministro a quem era dedicado o livro apprehen- Não param aqui os dislates. e vai queixar-se ao rei. e o rei manda-o reprehender o inquisidor. D.! PEHFIL DO MARQUEZ DE POMBAL lação dum italiano desauthorisado. António. D. sahe que se sem dum quarto e quer apunhalar o conde. 183 que o inquisidor Lourenço e o visconde de Nova da Cerveira.

O inquisidor respondeu humildemente que o enviava para o seu mosteiro. Deixou explusir o abcesso Em do ódio recôndito.! PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 184 Bussaco. 25 de junho de 1760 Palhavan e disse a D. retrahindo o ódio com dissimulados respeitos. O cruzio entrou leigo. José de Bragança que gestade ordenava que D. João vi pre- ponderava nas deliberaçoens do inquisidor geral em approvaroens de livros. O conde discussão. lá o sem prendessem. Esta congerie de disparates corre em livros de historiadores ajuizados revelando crassa ignorância indesculpável do ascendente aterrador que o conde de Oeiras exercia sobre os grandes e os pe- com que todos o acatavam. acalmasse as iras d sultadores? Elle que podia dizer que fiz foi el-rei como injurioso até contra os inSylla castigar abjectos escravos!» das porém se fabricaram para explicar «eu o : — Que um len- successo simpUssimo -*- Soube o ministro que o cruzio D. depois ao corregedor que o conde sa- que o esperava Apenas a sege do frade sahiu da Palhavan. a ma- João vi fosse preso. foi s. e da abjecção servil um modo sultado pelo inquisidor por ao cómico. Quem acredita que Sebastião José de Carvalho. inquenos. e conveio na proposta n "uma sege com um hiu e deu ordens fora. o .

e D. O rancor do conde abrangeu também os amigos de D. Isto. ao romper do dia 20. e escrupulisando com a transferencia do Malagrida do Forte da Junqueira para os cárceres do Rocio. tem o alto relevo do sinete do conde de Oeiras. dez dias depois do successo. Gaspar. Estevão. Francisco de Jesus Maria e D. e mandou ao boleeiro que largasse para o forte da Junqueira.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL ISo corregedor mandou apear o leigo. seu famihar. para o Forte da Junqueira. e. Está contado por porâneo. sim. mestre dos meninos. começado transluzir. e D. os dois Braganças e o padre mestre D. durante a cercado o paço de Palhavan. João v seguiram para o Bussaco. Estevão da Annuuciação foram intimados para en- noite. oftendido pela prisão do seu amigo. um contem- no seu Diário manuscripto. Manoel de Nossa Senhora que possuim abbadias e conezias dadas . Em 19 de julho. O inquisidor. em um cónego regrante insuspeito que deixa 1756. O arcebispo levara comsigo o padre Veríssimo da Annuuciação varatojano. pediu a sua demissão de inquisidor geral em 5 de julho. Kste frade sahiu desesete annos depois. certo aifecto a Sebastião José de Carvalho. O conde demissão e fez sem demora lavrar o decreto da convenceu facilmente o irmãos impugnavam rei de que seus e tolhiam o regular processo das reaes providencias. Os filhos de D. metteu-se na sege com o cruzio. foi trarem na escolta de cavallaria que os esperava.

Não deixaram nada lá dentro. a recolherem sem demora. Do Palácio da Palliavan. -*- Depois. O conde de Oeiras não se sujava com a pelintra ladroagem d uns pregos dou- rados. O conde intimou-os aos seus conventos calleças teiro de em S.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 186 pelo arcebispo. Tornemos ao prkicipio deste artigo. governando com o velho Regimento que o cardeal da Cunha reformou e o marquez de Pombal redigiu (assevera Raton) e referendou em 1774. a mobilia mais preciosa foi para casa do conde e dos- seus amigos. deserto e confiscado. Diz um biographo pouco seguro que até os pregos dourados levaram. reitor do Collegio da Sapiência. que chegaram á porta do mosVicente em 9 d'agosto. temos Paulo de Carvalho presidindo ao tribunal do Sancto oíficio até 1770. apresentando três Braga. Estes frades di- ziam que os Tavoras tinham morrido innocentes. Isto devia ser obra de ratoneiros subalternos. As insígnias de inquisidor geral pas- saram para Paulo de Carvalho. e o padre D. Diz o Reijimento do reformador marquez de Pom- bal Tendo mostrado a veis que os historia por factos incontestáchamados autos da fé ordenados nos Re- . Carlos.

repare-se na insuspeita cri- que esteve nos cárceres da inquisição «O alegar que o Regimento do Santo officio de D. reinando Fernando e Isabel a por 1481. pela conta do marquez de Pombal. e a Companhia de Jesus instituída por bulia de Paulo de iii em foi 27 de setembro 1540.: PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL i87 gimentos de D. O marquez de- a crassa estupidez ou com o si- lencioso terror dos seus contemporâneos para consentir que se estampassem tão alentadas asneiras no Regimento de sua lavra. chamadas arli e possuo mas dos Jesuitas não são mais que uma tarja. mas litteralmente estabelecem que os jesuitas inventaram os autos de fé. Pedro de Castilho e de D. um Eu vi. e que os Regimentos do santo oíTicio tem as ar- mas da Companhia de Isto Jesus. não é ignorância com via contar ou : é infâmia. Quanto à outra parvoíce das tica armas dos de um jesuitas. Os Autos da Fé inauguraram-se Catholica. as . em Espanha. onde essas armas se acham entre o titulo e a data da imdestes exemplares . Os jesuitas. inventaram os Autos da cincoenta e nove fé annos antes de existirem. Francisco- de Castro fabricados pelos jesuítas e até authorisa- com as armas da sua perversa e jd extincta sociedade foram outro invento da molignidadQ dosmesmos Regulares para mais fundamentarem a ignodos rância do fanatismo. etc. Pedro de Castilho do anno de 1613 traz as armas dos jesuitas é outra notável prova de cavillação. Estes dizeres não só insinuam.

134). Esta res- lá ? da trata- mento. 18 IL . 3. não obstante. ^ . — rephca Hyppolito — Lá os matam dentro á força de máo «Mas que se segue dahi Costa as fogueiras. e se acharão estes ornamentos do impressor. manda-se applicar os tormentos para que o os sustentar. Londres.» se pergunta aos apologistas do marquez <íomo é que este adversário da Inquisição iniciou o extreminio do horrendo tribunal respondem que o grande marquez. Quando . * >'arrativa da perseguiçào de Hyppolito loseph da Costa Pereira Furtado de Mendonça. prezo e processado . O inquisidor Cunha por tanto não podia ignorar isto. em . TU. allega-se que fora abolida. acabou posta não satisfaz e encontrou em um com que passou alguns annos. reo descubra os seus cumphces. e ainda depois da extirpação dos Jesuítas. chamando os processos ao conselho de estado. Lisboa pelo pretenso crime de Fra-maçon ou pedreiro livre. Vejam-se as edições da maior parte dos livros impressos n'aqaella época. vigor o systema que Pombal deixou. porque os condemnam a cárcere perpetuo. e.» (pag. e o passadio e as prisoens são taes que os inquisi- dores não padecem por muitos aunos a pensão de A tortura continuou tal depois do Regimento de 1774. qual era. nham e tispicio tarja que quasi todos os impressores ornavam naquelle tempo com ti- ella o fron- dos livros.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 188 pressão. Xo Livro ii.

referendou este paragrapho. se não redigiu. occultando algumas das- ditas pessoas.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL O exórdio do Titulo 3 é a baria que imaginar-se pode uma a Turtura tlf delictos ! 18^ mais desbragada zomPrincipia assim : Senda cruelissima espécie de averiguação inteiramente estranha dos pios e mise- : da Igreja Mãe a mais se-. protesta que. gura invenção para castigar um innocente fraco e icordiosos sentimentos para salvar um : culpado robusto. ou para extoi'quir a mentira de ambos. muito que importa arrancar de entre os fieis tão venenosas e pestíferas raises. uma espera encontrar não é assim? Pois queira Porém. proporcio- nado d qualidade da prova tra elles abolindo a tortura. se . a mais exorbitante das regras ordinárias de direito que não soffrem a imposirãa de uma pena 'hividoso.'' constar terem disseminado erros e feito se- ([uases d^elles. certa e tão forte por um dilicto ainda etc. O marquez de Pombal. serão postos a tormento. 3. e se os Reos elles do mesmo Titulo . . § 6. depois deste exórdio. Sendo o Reo principiado a atar irá o Notário fazer-lhe nome dos um protesto.- forem heresiarchas ou dogma- não confessarem e as pessoas que contaminavam. se os com lei ler o § e dos indícios que con- houver. tistas. (^na polé) dizendo que em Inquisidores e dos mais Ministros que o foiçam no despacho do seu processo. O . pelo. que é muito com- prido e muito cbeio de excellentes ideas humanitárias. leitor.

rendou este paragrapho. e se em mesa para tomar verá o processo assento se se deve repetir acrescentar o tormento. que podia evitar confessando as suas cidpas O marquez de Pombal. ou sobrevier causa que embarace a execução darão recolher sessão que com o d' elle. que vistos os novos indicios que accresceram contra o reo e qualidades d' elles. § 8. e será de novo examinado para ella e accusado pelo novo indicio que lhe acresceu. Accrescendo contra o hersiarcha o-u do- gmatista novos indicios depois de executado o tor- mento. § 10. declarando elle se ia fazoido a rasão que houve piara o tormento se não continuar . cessando o acci- dente ou a causa. § 11. pois vo- elle luntariamente se expõe dquelle perigo. se não redigiu. se dirá no assento. os Ministros manna Reo d sua prisão. mandam-lhe seja repetido o tormento. os Inquisidores lhe tornarão a revogação. etc.: PERFIL DO MARQUEZ DE PO>rBAL 190 Reo morrer no tormento. a culpa será sua. deve repetir o tormento. ou I . será o reo outra vez conduzido d casa do tormento e n'elle se executará. Quando o Reo depois de passadas vinte e quatro horas revogar a confissão que fez no tor- mento. etc. refe- Se ao Reo der algum accidente na casa do tormento. segundo a quali- verá de novo o processo se em mesa. e se € julgand'0-se que em sua causa. antes de principiado. se procederá dade d^elles. quebrar algum membro ou perder alguni sentido.

''. pela seme- lhança que tem no prejuiso publico. segundo a gravidade das suas culpas. refe- rendou estes paragraphos.s raises aquelles Monstros que tanto abalam a at*' reli- gião nos seus sólidos fu/ndamentos.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL O marquez de Pombal. e ordenara vigor tanto para a pronuncia como para o :'astigo. mas queira lér o § 5 1. 4. se os não 191 redigiu. Os Tormentos que se houverem de dar § 14. . desde a primeira ligadura até chegarem ao Tracto esperto. etc. Dizem os apologistas do suave reformador da que Inquisição elle abolira a pratica de proceder contra os reos por testemunhas singulares contrarias que sempre de ne- os depoimentos se reputassem nhum como ás leis divinas e humanas. es- Uido das suas forças e arbítrio dos juizes irão subindo por grãos. está escripto no § Tit. se admitte toda a qualidade de prova para que se possa vir no verda- deiro conhecimento dos delinquentes e dos seus sequazes. AOS Reos. Assim etTectivamente. segundo a Tabeliã Ordinária. com os das conjii/i^açoens contra as vidas dos reis e dos seus Esta- dos: e pela geral necessidade de se extirparem 'i."^ do : Abolimos também desta regra geral os crimes dos Heresiarchas e dos Dogmatistas nos quaes.

192 PERFIL DO M. Francisco de Castro. em três annos de prisão.YRQUEZ DE POMBAL ^ Em 1804 as alfaias inquisitoriaes tormentos eram ainda as nham dm da casa mesmas com que se ti- servido Paulo de Carvalho e o Cardeal da Cu- nha seu successor. os cárceres da Inquisição estavam re- pletos. com as . e o pescoço preso com um argolão de ferro. costas sobre estas quinas agudas. que está fixo em uma das 1 . era grande o e numero de reos que tinha morrido desde 1761 até 1777 nos equuleos e no> segredos. teve ensejo de examinar o potro ([ue descreve nestes termos em grade de madeira mento de um homem. Pedro de Castilho e de D. A mobilia da tortura não participou da in- fluencia reformatriz do feitio os instrumentos e marquez com sos artifícios flagellantes do os : eram do mesmo mesmos engenho- tempo do rei-inquisidor. em 1811 : «E" uma figura de leito do comprie de obra de dois pés de pouco mais de pé e meio. mas estes degráos são de figuras de prismas triangulares com um dos ângulos para cima aqui sobre estas quinas se deita nua a pessoa que tem de ser atormentada. O encarcerado José Hyppolito da Costa. pela largo. alta do chão longitude da grade ha muitos páos atravessados á maneira de degráos de escada. de D. Quando o marquez de Pombal foi demittido.

e esperto. solta-se repentinamente a corda. de maneira que ao mesmo tempo que differentes as voltas das cordas membros. em consequência do pezo que tem nos pés. O desconjuntamento fazia-se por este processo «O prezo tem as mãos atadas atraz das costas. dor. o pezo dos pés distende effectivamente. Os Tavoras. {Oh. pelo que. e um pezo atado aos pés. Auto da fé de 1765 quasi todos tinham passado por 13 . comprimem todo apertam os o corpo vio- lentissimamente contra as quinas dos degráos da grade. de sorte que. chamados es- de cavallete ou potro. manda-o applicar. com grande cit. Os que sahiram no pertos. em rendou Ofíicio em que : cerrefe- 1774. d'esta maneira se con- serva pendurado por algum tempo. mas segura-se de maneira que o padecente na queda não chegue ao chão. no Regimento do Santo tos casos. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL extremidades da grade tado com muitas . 193 o padecente é depois aper- cordas delgadas pelos braços e per- nas e mais partes do corpo. todos os membros pag. sobre que o padecente está amarrado».: . e do corpo». com a parada repentina que encontra na queda. 134 e 135). o duque d'Aveiro e os outros indiciados regicidas soffreram os tractos. todas as membros são horrorosamente estirados juntas e depois d'isto. e pela mesma corda que ata as mãos suspendida em uma polé até que toca com a cabeça a mesma polé . O marquez de Pombal não aboliu este tormento pelo contrario.

na sua attribuia aos jesuítas. quando lhe pedia que admitisse ao ministério Sebastião José de Carvalho. José. queimar em publico. pois que na maior parte diminutos. maganões — Mas — pergunta-me um centenarista confuso. ó heresiarchas. Luiz da Cunha tinha escripto a D. na praça. -*- Õ centenaristas.! PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 194 essa prova. indiffe- tanto que não que elle. despedaçava Santo dem officio. >'ão á luz dos archotes. mas o marquez só nte e nove annos depois entrou nas ideas do seu amigo e mestre. com houvesse o escândalo do Auto da fé. Pombal era rente aos processos recônditos. depravada estupidez. houve a cremação dos corpos vivos. não obstante ser esclarecido um pouco — como sabe . mas deu-se a agonia da lenta dilaceração nos subterrâneos do O dominicano que não podia. sem ordo marquez. a occultas o judeu e o hereje. que os extrangeiros escarneciam o hediondo espectáculo do Auto da fé . ó inimigos do altar e do throno se o marquez de Pombal vos ! apanhasse. como em 1761 . e o eram confitentes Regimento referendado pelo marquez egualava os herejes aos regicidas perante a tortura. D.

POssuidores que não entregassem dentro de trinta dias os seus exemplares. houve por bem conformar-me com selho geral e ordenar-lhe sário Regimento subisse d ^obre -que elle minha e neces- real presença para resolver o que achasse conveniente: em outra pretérito o parecer do con- que o sobredito novo mez por consequente consulta de \i do próximo foi agora apresentado o sobredito Regi- mento. e assigna o mi- nistro. assigna o rei. dando-lhes a conhecer um decreto de 1769 que manda recolher todos os livros pubhcados contra o Sancto OíTicio e fulminar graves penas aos . -^ Decerto não surprendo a insciencia dos pombariistas.folhas de papel que baixam referendadas no fim de cada uma d'ellas pelo Marquez de Pombal do meu conselho de estado e ministro por mim privativo e deputado para o expediente de todos os negócios concernentes ao Sancto Officio. José Seio-o pelo Alvará de Lei do 1 . etc. Depois. ou se quer referendou os artigos do Regimento do Santo Officio? e mais Como elle.I PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 19o Tocê que o marquez de Pombal escreveu.° i de se- tembro de 1774 em que o texto tem esta clareza: .£ por que em resolução da sobredita consulta . Ximenes e . Torrequemada. o sei? Sei-o por m'o dizerem D. escripto nas 70 meias .

e as Nom da Inquisição. Pedro de Castilho não escreveriam mais frisante- mente e mais ameaçadores contra os proprietários de obras taes como o Diccionario histórico de Bayle. e sociedade Christã. parte mais nobre dos offtcios do Homem . e sentir dignamente de Deos . o estylo. pendendo e a. a Historia de Portugal de Jossue Rousseau. se dignou pela sua Infinita depois que da ten^a. é do conde de Oeiras. e mais indissolúvel : Xão bastando a pleta satisfação Religião Natural para a com- desta importantissima divida. e regulem pelo . inteira- mente delia a Bemaventurança Temporal. Deos todo Poderoso. Bondade revelar-nos verdades. e geralmente : todo o bem da união. para melhor conhecermos os seus Divinos Attrihu: tos. nem : para a feliz consecução do alto. Ahi vai a estirada peça digna de estudo Dom José por grara de Deos. que sendo a Religião o objecto mais importante ao Género Humano. e sem que a nossa Fé e as no. Supremo Creador dos Ceos.: 196 PERFIL DO MARQUEZ DE POMRAL D. e santissimo fim da Revelação.^i- servir-nos de meio sas acções em tudo. e o vinculo mais apertado. pela superabundância de superlativos e hemaventurcmças. e firmemente todos os mysterios revelados . e Eterna. e Civil de que ella he o apoio mais firme. e indispensavelmente necessária a Rehgiaõ revelada para podermos pensar. emais conforme á sua Divina vontade Naõ podendo a observância da Religião revelada ser agradável aos olhos de Deos. etc. Faro saber aos que este Edital virem. e para o honramios com hum culto mais perfeito. e e mysterios superiores â curta esfera da simples luz da razaõ natural Sendo absoluta. e por tudo se confowiem. a prosperidade da Igreja a segurança do Império . constituindo a obrigação principal. sem que ciriamos pura. E ticias recônditas todavia.

de Lamego. Bispos. mas sim hum número de Tribunal. no qual pela introducçao da nova disciplina. o sagrado deposito da Fé. e conservar illibado. e inalterável placito de toda a principio: Igreja deste Reino. e com o grande numero de causas do Foro contencioso accrescidas naquelle tempo. principalmente depois do Século XIII. que Christo nosso Redemptor confiou á sua Igreja. e para removerem tudo o que contra ella se attentasse Fez este claro conhecimento. como tem sido. em toda a sua pureza.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL íjtie 197 nos fizeraÕ manifestos os Orgaõs da Divina Palavra. sem o concurso das quaes ensinaõ os Oráculos Divinos. e coadjuvallos nesta importantís- como elles mesmos reconhecerão desde o seu Sendo os primeiros Inquisidores declarados na dita Bulia os Bispos de Coimbra. que se naÕ pôde segurar algum acerto. e dos Senhores Reis delle. e de Ceuta. o tempo necessário para vigiarem sobre a conservação da Fé. que delias dispuzesse pelo seu arbitrio singu: lar. Devendo por : de e desvelo ambas as isso occupar-se o primeiro cui- Legislações Espiritual. que tanto possa contribuir. e a justa ponderação. João IH. e tenha effecti vãmente contribuído para defender. e sendo sempre este o commum. e da Fazenda naõ hum só homem. e da Moral. Moral Evengelica na sua primitiva pureza entre todos os estabelecimentos hunmnos e : Tem- das Regras da E não havendo estabelecimento al- gum. ou Congreso composto daquelle Pessoas. que naõ lhes podendo sobejar depois do seu Pastoral. e he o Santo Officio da Inquisição. de que havendo para todos os negócios temporaes da Monarchia em cada huma das suas differentes repartições da Justiça. impetrasse do Summo III. e divisão do Foro Interno do Externo. com que o Senhor Rei D. auxiliallos. a bulia Cum ad mhil magis de 23 de Pontifice Paulo Maio de 1536. naõ para usurpar a Jurisdicçaõ aos mas sim para sima inspecção. e delle das occupações ordinárias quotidiano exercício. e âa Inspiração dado. foraõ os Bispos taõ occupados com a multidão dos negócios. e poral na conservação dos Dogmas da Fé. que ao poder .

nos. e Real Authoridade. de parcial dos Curialistas Ro^nanos para o estabelecimento. e sempre a quizeraõ. e mais estabe- lecidos os Direitos. com calumnias atrozes. bem inten- e beneméritos da Igreja. quando he notório. de sanguinária. quando pelo contrario em nenhuma parte se achaõ mais claros. deu motivo que kuma a multidão de Escritores. e pelos Escri- que irritados pelos estimulos das prízões justamente impostas ás suas gravissimas cul- pas. mais Réos de crimes tados com capitães. que os Apóstatas. que certamente naÕ fariaõ. que estes bens são sempre ap- . E porque nhecimento das sobreditas noções. que se procurarão occultar pelos conhecidos Authores de iodas as perturbações do público mas também a que socego: outros homens malignos se apro- veitassem daquella falta de noticias para denegrirem o so- Tribunal bredito cujo número útil. que se confiscaõ aos Réos condemnados quando he igualmente notório. que pela e jurisdicçaõ Real se tem praticado neste reino com tanta utilidade da Religião depois d'aquelle tempo. que a estabelecerão. se accrescentou muito pelas vozes. publicassem nas suas^ Obras discursos. e penitencias e necessário. procurarão dar á sua colérica paixão aquelle abominável desaffogo : Coincidindo todos os sobreditos Escritores enr accusarem a mesma Inquisição de offensiva da Suprema. de usurpadora do Direito dos Bispos. se lhes fossem' cionados. quando os mesmos Bispos foraõ os- primeiros. e propagação das máximas Ultramontanas. presentes os referidos factos. em nenhum Paiz são tra- igual benignidade depois de convencidos . € os e separaÕ o Sacerdócio do Império. que ellas constituem. que cruel. e de in- teressados nos bens. quando neste Reino só por ella obraõ tudo o que pertence aos procedimentos externos. tos de alguns Réos. pela sobredita delegação perpétua ajuntarão a concessão setis dos- poderes Temporaes para todos os procedimentos exter- uniaõ do dito poder Espiritual. naÕ só a falta do co- do verdadeiro estado da e Inquisição deste Reino. aliás doutos.: PERFIL DO &L\RQUEZ DE POMBAL 198 Espiritual conferido ao mesmo Santo Offlcio da Inquisição.

e como naõ percebem coisa meu alguma Fisco. conforme a gravidade das culpas. Dado n'esta Cidade de Lisboa aos doze de Dezembro do anno do Juizes. Titulo LXXXIV. El-Rei nosso Senhor o matidou pelo seu Tribunal da Real Mesa Censória. espalhar. Prohibo a todos os Livreiros. são mais escandalosos os seguintes.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL pi içados nos seus casos ao delies cio. e 199 Camera Real. Impressores. Mercadores de Livros. e E naõ possa al- aos Corregedores. e os naõ entregou no dito tempo. e que sabendo depois quem os tem. procedendo contra os transgressores na forma das mesmas Leis. e as mais. Determino. que pela minha Ordenação do este Liv. at~ e co- lericamente apaixonados. comminando os sobreditos Livros impressos. uma de 19 obras^ pela maior parte lista marido a todos os meus Vassallos de qualquer con- dição. e estado. mais Justiças Ordeno. minios. e seja logo remettido a todas as Cidades. guém e Villas notáveis para que chegue á allegar ignorância. que façaõ dar este promptaá sua devida execução. publicaÕ. as penas. de meus Reinos. e Titulo CIL. a saber (Segue E latinas). os de todos os outros Tribunaes da minha Corte. e successivos da publicação deste em diante. V. que este. . Provedores. ou espalhaõ Cartas diffamatorias. os Real Mesa Censória no prefixo termo de trinta dias contínuos. E tendendo a que entre os sobreditos Escritores malignos. e pela Lei de õ de Abril de 1768 se achaõ estabelecidas contra os que fazem. e mais pes- os soas ter. e imprimem Livros sem licença . e Do- noticia de todos. assima declarados.. e inente Nascimento de Xosso Senhor Jesus Christo de 1169. e a todos meu os mandar vir de fora ou manuscritos . imprimir. e Cabeças de Comarca. e libellos famosos. no caso de contravenção a Edital. que Eu for servido impor-lhe ao meu Heal arbítrio. etc. que os Ministros do Santo Offi- que estes saõ pagos á custa da Minha Real Fazenda. se affixe nos lugares públicos. vaõ logo denunciar ao mesmo Tribunal. que ticerem os ditos Livros de qualquer edi- entreguem logo na Secretaria do meu Tribunal da cçaõ. vender. depois de impresso.

o crenças catholicas. chasqueando-lhe a a pretendia infallibilidade. cahiram na im- prudência de manifestar a sua aversão ao Santo officio. com a heresia que se identificava com Calvin e Luther.PERFIL DO MARQUEZ DE POMB.VL 200 -*- mesmo tempo que E ao prohibia a posse e tura de obras adversas ao Santo de Pombal gando fazia attacar as O marquez escarnecendo-lhe os seus espirito aggressivo de António Pereira Figueiredo. que sob o pseudonymo de Justinus Febronius escreveu Do estado da egreja e poder legitimo do pontifice romano — uma diatribe contra tholica. Pois. não era mais suave para Roma que as invectivas dos grandes heresiarchas dos séculos xv e xvi. vertida a a religião ca- expensas do marquez pelo coronel Miguel Tibério Pedegache. lei- conto de reis por anno. desliga- dos mentalmente da egreja romana. Muitos leitores desses livros. um de dos dóceis instrumentos dos seus com um planos. senhores. Leituras d'esta natureza indispensavelmente fomentavam o protestantismo no reino. esses desgraçados embaídos pelos Uvros que lhes faciUtava o marquez. se se dei- . officio. ne- supremacia do papa. santos. mandava imprimir custa o Á sua marquez de Pombal o famoso livro do bispo dissidente de Myriophita.

! ! PERHL DO MARQUEZ DE POMBAL xavam desvairar. vação ! historia um homem semeuma tão impenetrável. tão absurda depraQuem me explicará a sinistra idea do mi- nistro-philosopho que permittia tos nos heresiarchas. mandava ao mesmo tempo pubUcar livros eivados de jansenismo e do racionalismo de Voltaire. Quando nos dará a lhante. 201 iam malhar com os ossos na polé da Santa Inquisição. prohibia os com tractos esper- severidades acer- bas a leitura e posse de obras hostis ao santo oíTicio. e fazia queimar os Hvros orthodoxos que ahmenta- vam a piedade boçal dos seus contemporâneos Convinha antes do centenário trazer á luz a te- nebrosa monstruosidade d'este caracter incoercível e único na historia T^E^V- f .

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de- com- se rasoens ca- grande força imposessem o dever de me affecto á me não e a modéstia fingir mais sá- xw. Pattuzzi. De mais a mais.7^ ^^ ir[arqíicí de £om6al c os jcsuiías^^ ^^ s DOMINICANOS Concina. sem pecha de ruim cathoUco rebelde. tholicas de me não querer bio e mais infallivel que Clemente este summo pontificie. contradizer o douto e cir- cumspecto papa. o famoso Pascal e as campanudas diatribes pombalinas não moveriam d'algum panhia de Jesus. disse o diabo a quatro dos jesuítas. dá-se o caso de . eu não devo. Desde que vigário de Christo.

PERFIL DO MARQUEZ DE POMHAL 204 O Sanctissimo Padre Clemente xrv. em cima. que mais é. os jesuítas discussoens e distúrbios contra as ordens religiosas. Como Santidade Clemente xiv alumian- com as luzes que impetrou do saturou-se das seguintes con\i- cções constantes da bulia: —que doutrinas da Companhia eram orthodoxa aos bons costumes. e mais uns desoito papas que a engrandeceram ampliando-lhe os privilégios. que tinha creado a Companhia de Jesus. que para a graça do deferimento coo- perassem os rogos de Paulo iii. etc. quer que fosse. S. manda a que o successor de S. ter orado e gemido ao pai das lu:. e cá em baixo no kalendario . —por etc. não sem grande ruina das almas e espanto dos povos. du- porém.es. do-se interiormente pai das mesmas. a terrenos. quebrado e^ o e quasi totalmente roto o vin- . As luzes Pedro supplicava. piedade crer que elle as alcançasse por intercessão de muitos pontiQces que lá estão

ido. que crescendo cada dia mais as queixas e os clamores contra a sobredita Companhia. antes de abolir a Companhia. contra os togares pios e contra todo o 'género de communidades. a pedir Sua Santidade o movido: com muitos gemidos e diz conselho muito com- continuas oraçoens pedimos ao pai das luzes que nos desse particular auxilio e soccorro. — que Companhia cubicara demasiadamente os bens — que haviam excitado gravíssimas contra- as rias à fé e etc.

Se eu impugnasse a exposição da bulia de Cle- mente XIV. chegou o risco e perigo a estado. fieis com que se accende- grandes parcialidades. ferindo os espinhos de tão sacrílegas suspeitas a ca- . e ram nos ânimos dos ódios. tumultos. discórdias e escândalos. maUciando-a de calumniosa e iniqua. domínios e províncias os sócios da mesma Companhia : julgando todos ser este o ul- timo remédio que lhes restava. D. etc. os reis de França. — com maduro conselho primimos e certa sciencia e com do poder Apostólico extinguimos e su- a plenidão a tantas vezes nomeada Companhia. ul- trajaria a rectidão infallivel versal (este universal é do chefe da egreja uni- como a Etiópia. PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL culo da caridade christan com 205 as perigosissimas se- em diçoens. que até aquelles mesmos príncipes tal em quem com a Companhia como em herança de seus avós titulo se achavam louvados geral- a devoção e a liberalidade para parecia ter passado e que por este mente por quasi todas as naçoens. de Portugal e das duas Sici- viram obrigados a exterminarem e expulsa- lias. etc. das Espanhas. que varias partes se levantaram. e o que lhes era in- dispensavelmente necessário para impedirem que no mesmo seio da Sancta provocassem madre egreja se desafiassem. Luiz com i). e inimisades. AraMa e E. se rem de seus reinos. quaes são os muito amados em Christo filhos nossos.. mutuamente os povos- e dilacerassem christãos. Pérsia dos domínios do snr.

Não ouso. Pedro. confesso a doutrina =conhepo como mestre que ensina ca- a Egreja. interrogar a irresponsabi- bumana do Sancto padre no direito que lhe deu Jesus Christo de hgar e desKgar.PERFIL DO M. como confirma o conde a pag. lhas tresmalhadas do aprisco. ella. . uns nas masmorras da Jun- queira. por que o Espirito Santo assistisse ao S.\RQUEZ DE POMBAL 206 heça visível de nos Christo. em estran- gulação publica e infamantíssima na Praça do Rocio. Escreve o senhor conde de Samodães no Proe- mio do seu livro o Marquez de Pombal: «Sou tholico. com vontade ou sem e. re- e ínfallível doutor d"esta dou- trina o successor de S. seria eu um judeu não me- visível. lidade vii. do Pontífice romano. O que eu pretendo sustentar é que o marquez de Pombal matou jesuítas sem prova de culpa. repito. e o mais irres- ponsável de todos. Os escriptores caíholícos intelligentes que pro- pugnam pela ínnocencia dos jesuítas extínctos pro- testam rebeldemente contra as delíberaçoens de Santidade. muitos de fome nos porões dos navios de transporte. outros nas do Castello da Foz. pois. são ove- denegam que summo pontífice quando deliberou. e deixo de escutar attentamente -as decisoens snr. porque era demente. inhibo-me de contro- verter os juisos do infallivel doutor e mestre successor de S.» Se eu fizer protesto de fé meu semelhante incondicional. Pedro. o chefe visível su- premo da christaudade.

á custa do erário. como eu já disse. foi mandou-o traduzir o seu mestre. a ScHOELL_. discípulo grato. e vulgarisar.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 207 •^ O duque de Choiseul em França. o conde de Aranda em Espanha. Sebastião de Carvalho veio da Áustria abeberado nas doutrinas de Hontheim contra o primado da jurisdicçãiO pontiíicia. pois. Voltaire dizia a «Destruídos os jesuítas. Justinus Fehroniios e. que mais proeminente representava o partido da egreja! D'Alembert escrevia a Chatolais : «Dou-lhe os parabéns por ter visto philosophicamente que o espirito monástico é o flagello dos estados. . mo nem homem para dis- achava a lógica e o sarcas- dos encyclopedistas á altura da questão. Sebastião de Carvalho não era eussoens serenas. As In- atas da Universidade de Paris com a Companhia. e Sebastião de Carvalho cooperaram de commum accordo na expulsão dos jesuítas. Guerra. vence- ^. Curso de Historia dos estados europeus. e que era preciso começar pelos jesuítas Helvécio em como mais 1761 remos a infame» : valentes». sem armistício á authoridade ecclesiastica e nomeadamente á Companhia de Jesus.

muito vernacidas. porque as- ministro de D. Belém. falsas mas triumphou. Se as testemunhas ou verdadeiras do processo mconfldencial vessem provado que os jesuítas conspiraram ti- com os Tavoras e Mascarenhas. mas vagarosa das Léttres provin- não condiziam com a sua Índole impetuosa e Em brutal. acceitava. onde havia as tradicções san- guinárias dos Châtel e dos Ravaillac. não tinham ainda as- shn que fazer com os Oliveiras e com os Mattos. José sociou á conspirarão dos fidalgos a cumplicidade dos jesuítas. e tinha vastos armazéns d'uns hvros enormes de sabedoria O jesuíta portugu^z dava chronicas estéril. raras vezes vacillava nas refregas. bem phraseadas. França. sabia as Unguas de todo o mundo. Mas a questão não era reformar — era destruir. que possuía a sciencia universal. Quem macetar e queimar no patíbulo de o impediria? o respeito ao habito? as . comparativamente á do jesuíta estrangeiro. foi que primeiro vingou O a empreza em que estava confederado. gal não havia parlamentares combatessem em nem Em com Portu- intelligencias lides incruentas os os que padres domi- nantes pela superioridade da instrucção. E não era muita. Sebastião de Carvalho telos-ia feito rodar. os reptos da philosophia. a lucta jesuítas degladiava-se nos parlamentos.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 208 acção dissolvente ciales. auxiUados pelos frades carmeUtas e oratorianos. Sebastião José de Carvalho e os da sua phalange. Mentiu. sermoens culteranistas. apostillas de philosophia sediça e novenas.

nem nas classes sas. Era um paiz pequeno. Escreveu que erajesuita o regicida Ravaillac —um pobre diabo de mestre-escola mystico e mendigo. encheram-se de postiço para Nem em ainda um rancor grangearem a sympathia do valido. livros clandestinos havia quem pro- testasse contra as parvoas calumnias de Sebastião de Carvalho estampadas na DeducçÃo chronologica. mas não se foi contra o cadáver ás punhaladas. e covarde. nem na cleresia. E o espanhol conde d'Aranda sustentar em Roma mandava os jesuítas desterrados. nem queimou os pa- pelo contrario deu caza e pão aos que ficaram penúria. escreveu que Châtel era da Companhia de Je- Elle que tentara contra a vida de Henrique iv sus. esmagado rado. li . tartufos de ferocidade. Estava tudo pelo terror e enervado pela corrupção . e os desembargadores. não encarcerou dres em . Châtel apenas tinha dos jesuítas a sciencia rudimentar dos seus collegios. poderodeshon- amordaçado genuílectiam todos aos pés do tyranno.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 209 puas do remorso? o pavor dos interdictos e dos anathemas de Roma? O ministro não encontrou reagentes impeditivos nem na opinião geral. O duque de Choiseul vingou prostrar morta a instituição odeada .

Prima Mor ir Peirhè Bontà mio Dio: di peccar pià. voglio. 2 Idem. certamente se teria perdido arrastado pela ambição. 130. . que domi- nava com o habito ^. siete. Detesto 1'impio error. firnpia mia vita 2. * Memorias do bispo do Pará. Era poeta de villancêtes ao divino que se cantavam com musica: Perdon. caro GesiL Pietà. Confessava elle que^ se não fosse padre. pag. Não lhe sei muito das suas virtudes e nada dos seus cios. o Signor. Luiz do Maranhão em 1727 e 1728. Exerceu Malagrida o professorado de Utteratura no collegio de S.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 210 -*- Por que morreu garrotado o padre Gabriel Malagrida? Missionou vinte e nove annos no Brazil. infinita.

. dando nha chegado a na ternura esta cwte a procurar o signal o mais evidente de um coração compungido e o exemplo mais catholico. onde reinava um grande terror do in- ferno na proporção das torpezas do rei e dos sere- níssimos infantes. . foi acolhido de joelhos. e appa- foi receu em Lisboa em 1749 a licença para crear no Pará solicitar um de D. dia seguinte. dando-lhes principio no cio. comatoso rodeado de alga- começara a vasquejar nos primeiros esphacelamentos d'aquelle corpo. Assim ao combate do inimigo Elogio fúnebre e histórico de D. ^ . o jesuíta D. . por Fran- . João v recolhimento para convertidas. o Sardanapalo lias e seringas. Com elle se dispoz no mesmo palácio para morrer. e para maior edificação sua quiz ouvir da boca do mesmo padre as verdades christans. 318 e 319. servindo-lhe de director nos devotissimos exercidos de Santo Igna- para os quaes fez no dia 7 de jumho do presente anno conduzir particularmente e collocar em "um dos oratórios régios a portentosa imagem de JSossa Senhora da Missão.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 211 lente de theologia desde 1730 a 1735. se e armou para * fim a \h do resistir mesmo mez. pouco antes ti- hem das searas d<i egreja. combaUdo de deleitações e de estupores. João V. v. . João cisco Xavier da Silva^ pag. No paço. missionário apostólico que. Fez chamar oa) padre Gabriel Malagrida.

a Pimen- tinha e a Muleirinha. é vou morto Mun\ ^. com todos os sacramentos. Malagrida. irmãos. ia também tempa Elle consolou-a. 195^ citado por Paul Miiry. e também porque.. e n'um P. junho de 1751 despedia-se elle. X . e a Petronilla e o raio de mu- lheres que o tinham posto n'aquella cachexia? Fosse o que fosse. a Margarida do Monte. em cujos braros expirara. pag. despedir-se da rainha.PERFIL DO MARQUEZ DE POMBAL 212 Que diabólico madre ria a e ultimo combate seria este ? Se- Paula. o diabo deixou-o morrer. Journal zur Kunstgeschichte. dos seus : Eu bem quisera um particularmente . promettendo-lhe vir a de lhe assistir na derradeira infermidade. que lhe pediu instante- mente não desamparasse. lagrida. accrescenta despedir-me de cada Em 25 de por carta. em 31 de ju- lho de 1750. no sei quem r discurso doestes dois estirados annos. e convento. ancioso por voltar ao Ibi Brazil. S. Deu-lhe muito dinheiro para fundar conventos na Ame- subscreveu com pensoens annuaes para cada rica. rodeado de sanctas imagens e rico de bênçãos de vários prelados. mas não porque estou muito occupado a fazer os exer- o faço cidos ás damas doesta corte. não vivo nem quem Christoph * tom. agora que a morrer. O moribundo rei tinha deferido a todos os re- querimentos do jesuita. Ma- . na Vida de G.

Se- homem um im- depois do terramoto. e especialmente da rainha D. EUe exercícios espirituaes foi. O povo e a nobreza bei- javam-lhe o habito prostrados. perturbador das consciências. d'Austria. intrépido impugnador da orientação scientifica que davam os da escola do espanhol Feijó ás causas na- turaes das convulsoens do globo. em e