Eraly Alves Silva

Katiene Suzart

Psicologia Evolutiva - Desenvolvimento
Humano por Jean Piaget
Trabalho de Observações e Provas Piagetinas

Salvador, Novembro de 2010.

Eraly Alves Silva

Katiene Suzart Psicologia Evolutiva . . Novembro de 2010. Salvador.Desenvolvimento Humano por Jean Piaget Trabalho de Observações e Provas Piagetinas Trabalho apresentado para a disciplina Psicologia do Desenvolvimento I do curso de Psicologia da Faculdade Social da Bahia – 3º Semestre Noturno.

Introdução . Considerações Referências Bibliográficas 1. Introdução 2. Fundamentação Teórica 4. Objetivos 3.Conteúdo 1. Desenvolvimento 5. Análise de Resultados 6.

Consolidar os conceitos teóricos a partir da prática proposta para o reconhecimento da importância da psicologia evolutiva na formação profissional. A criança observada é apresentada no Anexo 1 (Ficha de Identificação). . 2. ii. Uma análise dos resultados é apresentada ao final do documento onde os resultados obtidos foram comparados com tentativa de alinhamento a teoria piagetiana. apoiando-se nos dados recolhidos durante a observação do sujeito e na análise teórica. Para a coleta dos dados foram desenvolvidas 10 (dez) observações em lugares e situações variadas em que foi possível a aplicação de algumas provas piagetianas referentes ao estágio do desenvolvimento deste sujeito. passou a interessar-se pelo modo como o conhecimento era formado na mente infantil. Baseado nos princípios da Psicologia Evolutiva a partir da perspectiva de Jean Piaget. Notando a forma como eles compreendiam o mundo ao seu redor. 3.Fundamentação Teórica A teoria psicogenética surgiu das observações de Jean Piaget (18961980) com relação a seus próprios filhos.Analisar e discutir sobre o desenvolvimento humano a partir da perspectiva de Jean Piaget com base em dados coletados em observações e aplicações de provas piagetianas em criança.A realização de um estudo envolvendo a aplicação do método clínico de Jean Piaget surgiu em decorrência da disciplina “Psicologia do Desenvolvimento I” realizada no curso de Psicologia da Faculdade Social da Bahia no segundo semestre de 2010. Piaget.Objetivos i. este trabalho apresenta a caracterização do desenvolvimento psicológico em seus diversos aspectos. um biólogo suíço.

e eram semelhantes para este mesmo grupo. modificavam-se em crianças de outra faixa etária. o conhecimento vai se formando e se estruturando e isto se dá por meio de um processo de assimilação e acomodação. conhecimento. nome este. Piaget (2010) identificou três estágios de . uma criança começa a aprender a andar ela tem um desequilíbrio com relação a seus esquemas anteriores (engatinhar). e assim terá que assimilar e adaptar-se. Por meio desta interação. que deu origem à teoria elaborada por ele e por colaboradores denominada psicogenética ou epistemologia genética. a Ele estava origem do conhecimento infantil. Quando. que significa origem do conhecimento. que será perturbado quando tiver que aprender algo novo. Dentro desta perspectiva. por exemplo. Tanto um como outro ocorre devido a um desequilíbrio interno entre esquemas novos e esquemas já existentes.a de saber como se passa de um estado de menos conhecimento interessado para em outro conhecer de mais a gênese. Tais achados levaram Piaget a levantar uma importante questão de pesquisa . ou seja. necessita assimilar um conjunto de ações novas (levanta-se apoiando em um objeto. estas características. por meio de várias pesquisas com outras crianças. o que quer dizer que sua formação depende das condições internas do indivíduo e da interação deste com o meio em que vive. porém. o conhecimento se dá através da interação indivíduo-meio.Deste modo. Este equilíbrio-desequilíbrio pode levar a refinamentos de esquemas de ação e de estruturas de pensamento fazendo com que a criança passe de um estágio de desenvolvimento para outro mais elaborado. Isto leva tempo e segue todo um processo que leva à equilibração. começou-se a perceber características de pensamento muito semelhantes entre crianças de uma mesma faixa etária. entre outras) e adaptar-se a esta nova habilidade (andar). Quando a criança aprendeu a andar ela restabeleceu o equilíbrio.

desenvolva hábitos com relação a seu próprio corpo (reações circulares primárias) ou com relação a objetos (reações circulares secundárias). começam a aparecer as primeiras manifestações de pensamento. A criança “egocêntrica” está na verdade ainda em processo de reconhecimento do próprio “eu” e inconsciente das fronteiras que a separam do meio social e físico em que vive. da linguagem. Todos estes aspectos são marcados por uma característica muito acentuada na criança pré-operatória: o “pensamento egocêntrico”. o das operações concretas e o das operações formais. a criança exercita e elabora seus esquemas reflexos como sugar e agarrar. que deve ser compreendido consciente da dialética que preside a construção do “eu” (La Taille et al. ou seja.O estágio das operações concretas abrange dois períodos: o pré-operatório (2 a 7/8 anos) e o operatório concreto (7/8 a 11/12 anos). entre outras coisas. II . e que consiga encontrar objetos escondidos. o sensório motor. imite sons e movimentos. São aquisições simples. porém de fundamental importância na formação de uma base que dará suporte para um refinamento maior no estágio seguinte.desenvolvimento: o estágio sensório motor. se caracteriza pelas primeiras manifestações da capacidade simbólica e da representação mental das relações entre a própria criança e o mundo ao seu redor. 1992). das respostas e especialmente das perguntas que as crianças fazem ao adulto. a) O primeiro período. que compreende aproximadamente a faixa etária do zero aos 2 anos. as pessoas e com o mundo ao seu redor. Estas podem ser notadas por meio das brincadeiras.No primeiro estágio. Faremos uma breve descrição deles. I . o pré-operatório. . Estes primeiros contatos vão aos poucos tomando várias diferenciações permitindo que a criança diferencie as pessoas familiares das estranhas. Acontecem os primeiros contatos da criança com os objetos.

a tendência em achar que os objetos e fenômenos naturais são fabricados por mãos humanas e divinas e. E embora seja comum que haja significativos progressos em vários aspectos. Neste estágio. Há também um domínio de operações como classes. entre outras. b) Período das operações concretas – ao longo deste período o pré-adolescente consegue adquirir várias aquisições. Uma delas é a perda progressiva do egocentrismo inicial que vai sendo substituído por um cooperativismo. na pré – adolescência onde o período das operações concretas se insere. realismo – o conteúdo da própria consciência torna-se real. possível no final da infância. finalismo – toda causa tem uma finalidade. as ações neste estágio se pautam ainda no concreto. Ele é especialmente importante pois se caracteriza por um refinamento de todas as aquisições adquiridas desde o estágio sensório motor. Piaget as classificou em quatro grupos: Animismo – a tendência em achar que as coisas que se movimentam têm vida. ou seja. há um avanço quanto ao entendimento da reversibilidade. operação esta. o adolescente já não necessita do concreto para tirar conclusões pois pode tirá-las por meio do abstrato. no domínio lógicomatemático.É interessante observar como este egocentrismo aparece nas explicações das crianças a respeito de vários fenômenos físicos. é um ganho cognitivo que somente será obtido no estágio seguinte. que é a compreensão de que uma operação pode voltar ao seu estado anterior. III – O último dos estágios estudados por Piaget (opus cit) é o das Operações Formais (11 a 12 anos em diante). Além disso. por exemplo. De maneira semelhante. artificialismo . Estas tendências mostram como é difícil para a criança préoperatória entender o acaso e que os fenômenos ocorrem independentemente de sua vontade. relações e número. a capacidade de fazer abstrações. uma outra limitação muito marcante para esta criança é a de entender a reversibilidade das coisas. Sua capacidade de abstrair faz .

a criança considera as regras como algo imutável. no entanto. Estas entrevistas envolvem conteúdos como prática e consciência das regras do jogo. no domínio social. Estes são os estágios piagetianos de desenvolvimento. ou seja.com que ele possa solucionar problemas mais complexos. também. Da mesma forma. desenvolver brevemente sobre o desenvolvimento na esfera social. No livro O Juizo Moral na Criança (1994). Piaget (ibid) identificou duas morais: a da coação e a da cooperação . São estágios de desenvolvimento intelectual. Piaget reúne trabalhos seus e de seus colegas em entrevistas com crianças de 4 a 13 anos. Em todos os conteúdos estudados por Piaget foram identificados vários estágios. as regras de um jogo não podem ser modificadas. entrevistas e provas. A partir desta fundamentação teórica formulada brilhantemente por Piaget e por meio de observações. publicado inicialmente em 1932. usar do raciocínio hipotético-dedutivo. Resta-nos. As regras podem ser modificadas se houver acordo entre as pessoas e impostas com o consentimento mútuo. A transição de um estágio para outro não se dá somente nos domínios físico e lógico – matemático. A justiça varia conforme as circunstâncias e não se deve mentir para não perder a afeição e a confiança das pessoas. é possível . à consciência da mesma. A tendência é que a criança inicialmente apresente a moral de coação e que posteriormente vá desenvolvendo um sentido de cooperação. Não se deve mentir por que se é punido. lançar hipóteses e deduções. promover o desenvolvimento. a noção de mentira e de justiça. Ocorre. A verdade e a justiça estão em conformidade com o que é determinado pelo adulto.a primeira diz respeito à regra pela regra e a última. 2. que é primordial para efetuar operações mais elaboradas e. mostraremos apenas dois extremos deles: 1. De um modo geral. onde se insere o âmbito da moralidade. Por meio destas entrevistas. deste modo.

identificar se uma criança conserva ou domina uma determinada noção e em que estágio de desenvolvimento ela se encontra. a reação foi de recusa pelo medo do desconhecido com as seguintes falas: “não sei subir em árvore”. 4. As atividades desenvolvidas são descritas na Tabela 1. as autoras se muniram do forte e instigante referencial teórico de Piaget e buscaram uma atualização consciente do olhar atento e presente para a captura dos dados e informações necessários para a elaboração. visto que reside em zona urbana e em apartamento. Geralmente. buscou-se a ruptura da estagnação em favor da doação pela saída de si para a coleta dos dados da realidade significativa. Inicialmente. algo que não lhe é familiar. 28. Interessante e oportuno é também analisar as relações atuais entre esta teoria e os aspectos sócio-econômicos relativos à criança em observação. são encontrados três estágios – um em que a criança não conserva/domina.Desenvolvimento Apresenta-se aqui uma síntese dos registros das observações e aplicações das provas. um intermediário no qual a criança não está segura de sua resposta e. o estágio no qual a criança conserva/domina a noção estudada. “tenho medo”. Ao se aproximar .08. “não quero”. N Atividade Data e Local Descrição A criança recebeu a proposta de subir na árvore de caju. Patto (1994) apresenta importante reflexão sobre as discordâncias dos resultados obtidos das observações em crianças das classes populares quando examinadas à luz da teoria piagetiana e propõe um olhar cuidadoso dos pesquisadores que debruçam sobre este temática para as limitações relacionadas a método e subjetividades ambientais.2010. e não da realidade idealizada para o registro das observações. Para o desenvolvimento deste trabalho. por fim. Para o desenvolvimento destas atividades.

inclusive. Entra na sala de cinema. No momento da pegar os ingressos na Salvador bilheteria o sujeito reclama. por si mesma. Salvador. e a sua mãe do lodo oposto. só que ai a sua mãe coloca que agora ela está vendo o outro lado da imagem. não se concentra no filme.2010. que ele é a única criança do lugar. 04. dizendo que não ver crianças ali. cedendo lugar à curiosidade. ao ser pedido que desenhasse o que Residência a sua mãe estava vendo. não mais aquele anterior. uma escultura simples de madeira de uma mulher. Assim. já buscava alcançar equilíbrio para se locomover entre seus troncos. deixa eu ver se consigo subir sentado”. Fomos assistir ao filme Palavra Encantada. e como era que ele iria fazer o desenho se a imagem estava virada. Em pouco tempo.09. a imagem é virada para que ele faça o desenho. ele disse que não poderia fazer o desenho. e ao começar o filme demonstra agitação. mas que crianças também podem ver.2010. se a ele que desenhasse a escultura como a sua mãe a estava vendo.09. Cinema em um filme não destinado ao público infantil. o sentimento de medo foi Observaçã Condomínio. propunha. que todos que a acompanhavam subissem e locomovessem também na árvore (mãe e o Observaçã 2 o 3 Observaçã o seu cão de estimação). mas uma observação participante. sendo que sobre a mesa havia um objeto. o sujeito foi colocado de um lado de uma mesa. demonstrada o Cajuzeiro nas seguintes falas: “e seu eu cair?”. ou seja. Então para poder desenhar o que a sua mãe estava vendo ele pede que vire a imagem. e pergunta para ele o que tem do lado que ela está vendo. “me segura pra eu tentar”. porém diz novamente que não pode desenhar pois não está vendo o lado o qual a sua mãe ver. e pediu05. e ele começa a descrever os elementos da face.Praia do Forte. Aqui foi feita não apenas uma observação. . Ao final. sua mãe diz para ele que é um filme de adulto. foi possível perceber que a criança estava se familiarizando com os galhos e a estrutura da árvore e. da 1 árvore. de forma alegre e espontânea. a frente.

ele volta para o seu lugar.Começa a comer salgadinho e a beber suco de garrafa. no momento em que ele agora deve descer. a qual vai indicando para ele os lugares apropriados de por o pé. e sua mãe diz que é para o ele ter calma porque o filme já está acabando. ele se joga para ser pego . levantase e diz alegremente: “Finalmente!” 4 Observaçã o O acesso à granja é dado através de uma cancela. demonstra novamente medo e apreensão. Assim. Passa um tempo calado. Assim.2010 é pulá-la. a interior da qual diz que ele pode confiar e que é Bahia seguro. até que a tampa do suco cai e ele se levanta para pegá-la no chão. então. para que veja os girinos. Fica quieto até o final do filme. sendo orientado por sua mãe. e depois de um tempo diz: “esse filme é muito chato!” e volta a prestar atenção ao filme. sua mãe o cobre com um casaco. Nesse contexto. ele abre o olho lentamente. ele topa escalar a cancela. e vez ou outra acorda fazendo cara de insatisfação. e logo depois. o quando ele percebe que o filme terminou começa a manifestar uma enorme felicidade. não entendendo direito o que ela havia falado e volta a dormir. Ao acordar. e durante esse período ele se encontra disposto a aprender a forma de subir. o sujeito mostrase não muito seguro em fazer isso. no colo de sua mãe. e parece disposto a mesmo com um pouco de medo enfrentá-lo. sua mãe diz que ele tem que esperar o filme acabar para poder ligarem as luzes e ele achar a tampa. a qual no momento encontra-se fechada. Visita à granja demonstrando certa resistência em pular a em sítio no cancela. e ele responde com voz de choro que não agüenta mais. e ao chegar no pico da cancela. então sua mãe pede pra ele acordar. voltando a dormir. Na travessia ele é ajudado. e uma das alternativas para entrar 12. Reclama outra vez do filme. pois a cancela é grande. Ele faz essa primeira parte de uma forma satisfatória. Agora diz que está com frio. mas logo após a essa expressão de resistência ele é encorajado por sua mãe. olhando desinteressadamente o filme. ou seja. desta vez não volta mais a dormir. começa a dormir.10. Passa uma cena em que aparecem alguns girinos em forma de desenho. Dorme durante um bom período do filme. passa um tempo e não encontra a tampa.

sentido de explorar mais aquele lugar. de mais ou menos a mesma idade. o seu amigo diz que não tem mulheres. Mais um amigo seu sobe e ambos começam então a 11. e conversa com seus amigos sobre a comida dos pintos e sobre a grande quantidade de pintos que ali estavam. um de seus amigos. possivelmente sentindo-se culpado pelo pequeno acidente . meio que pega-pega. A granja estava no momento com cerca de 13. o qual começa a chorar e fala para sua tia do acontecimento.” 5 Observaçã o Enquanto aguarda a chegada dos cavalos para a montaria com mais dois amigos. fazendo movimentos leves e pouco variados. Nesse meio tempo.10. antes mesmo de passar para o interior desta. estando fixo em somente uma parte dela. ficando em parte hesitante no Bahia. correm e gritam. ficando por um bom período dessa forma . Ao chegar na granja. e depois. na sombra. curioso para ver logo os pintinhos. e ele o reclama. Os dois descem e começam a brincar com gravetos. Ele se mostra um pouco cavalo em sítio inseguro pelo fato de está em cima da no interior da carroça. o graveto do sujeito pega acidentalmente no olho do seu amigo. e fala pra sua mãe “Os pintinhos minha mãe! Eles são tão bonitinhos!”.no colo. correndo de um lugar para outro numa área bastante aberta. próximo a um cajueiro. e ele torna a dizer: “Sim. o que deixa o sujeito cabisbaixo e meio triste. dizendo que não se pode fazer xixi na frente de mulheres. fica eufórico e satisfeito. E depois de achar a entrada. montando a carroça. ele tenta ficar na ponta dos pés. o sujeito sobe em uma carroça e fica brincando. começa a fazer xixi. que são somente a sua tia e a sua prima. Ele observa o local.000 pintos. Eles se divertem e riem bastante durante a brincadeira. Param para descansar. são mulheres! Não pode. O período entre a cancela e a granja ele vai comentando do momento de atravessar a cancela e fala satisfeito que conseguiu. Após a saída da granja o sujeito corre com seus amigos ao redor dela. e finalmente ver os pintos de perto o deixa mais feliz ainda. A brincadeira dessa vez é algo meio que luta. fazendo as barras laterais da Montaria a carroça de cavalo.2010 brincar juntos.

Assim. O sujeito já tinha ouvido falar da existência de uma granja nos fundo. ele resolve não montar também. pela segunda vez. A partir daí os animais saem pelo pasto e o sujeito os acompanha. Então o cavalo chega. que não é longa. ele pede a máquina fotográfica a sua mãe para tirar foto dos porcos. ele fala que queria mesmo era ver a granja. ele olha inicialmente. permanecendo assim até o final da montaria. mostra-se bastante interessado e eufórico com a presença dos Visita a um porcos. passando um tempo significante nessa observação. ele a princípio mostra um pouco de resistência. Com o levantar da porca e dos seus filhotes. Depois disso. e ao ser perguntado. acariciando o animal durante certo período. Nesse contexto. um de seus amigos monta e o sujeito observa atentamente a montaria do amigo. perdendo a atenção do cavalo e dos amigos e passando a brincar com um gato. E ressalta que viu pintos somente em livros e que tinha muita vontade de vê6 Observaçã o los. logo de início. Na tentativa de tirar uma foto mais 10.10. mas nem da Bahia tato.ocorrido com o amigo. e novamente se aproxima dos animais. e fica a observar atentamente a porca dando de mamar aos seus filhotes. eles voltam a correr e a brincar com os gravetos como se nada tivesse acontecido. e o sujeito o analisa e diz que não vai ser o primeiro a montar. Mas logo depois. as pessoas que estão ao seu redor o chamam para tirar uma foto próximo a um jardim. se ele vai montar o cavalo. pois não queria deixar de ver os porcos. o sujeito recua. mas logo depois vem tirar a foto e passa a curtir o momento presente. e como esta diz que não vai montar. mostrando um pouco de medo. Durante esse período comporta-se alegremente pelo fato de nunca ter visto a cena. O sujeito. uma outra amiga monta o cavalo. Aproxima-se dos porcos.2010 . pois ele nunca tinha visto pintinhos. Enquanto isso. interessado ainda com a cena. Ele é novamente chamado a montar. voltando-se depois para um gato que passa. mas diz que vai somente se a sua mãe for com ele. ao mesmo tempo em que sente um sítio no interior pouco de medo e fala para sua mãe ver os animais.

a assim. Foram apresentadas ao sujeito duas piagetiana Salvador. ele deixa os tomates de lado e começa a correr atrás do filhote.de perto. Em seguida foram feitas novas transformações em uma das bolinhas. e ele volta a sua atenção para os tomates. O sujeito pega um tomate. o qual corre mais ainda. faz de tudo para ficar mais perto dele.2010. variando entre distâncias mais próximas e mais curtas até que consegue chegar bem perto e tirar a foto. transformando-a em uma “bolacha” e em seguida picando-a em vários pedacinhos. bolinhas de massa de modelar de cores e operatória residência tamanho iguais dialogando com ele a fim de - que ele reconhecesse a mesma quantidade conservaç ão matéria de de substância nas duas bolinhas. Sua mãe fala com ele para ele ver os tomateiros. o que o deixa bastante contente. foi modificada uma transformando-a mantendo-se o em diálogo das bolinhas uma “salsicha”. mas o filhote foge o tempo inteiro dele. E enquanto corre fala para sua mãe o quanto o porquinho é bonitinho. questionando a criança se continua tendo a mesma quantidade de substância. fazendo com que ele fique mais instigado a correr. ao mesmo tempo em que parece ter um pouco de medo. Do porquinho parece perder mais o medo. alegre e satisfeito. e assim. com o sujeito. passando a pedir a ajuda da sua mãe para pegar o porco. fazendo questionamentos sempre levando em conta suas respostas anteriores. cheira e pede para sua mãe também cheirar e ver como estão cheirosos. Nesse momento ele ver um dos filhotes desgarrado da mãe que passa por perto dele correndo. Em todas as etapas. Após o reconhecimento da equivalência. ele caminha lentamente para chegar mais perto e não assustar os animais. o que o deixa meio cansado.11. 7 Prova 20. o sujeito respondeu pela não conservação da .

Observouse êxito nas perguntas que o sujeito tinha noção de que dentro de um circulo estão todas as fichas redondas e dentro do outro circulo todas as fichas . “ tem mais redonda”. “Tem mais. Na terceira pergunta: “existem mais fichas quadradas ou mai fichas redondas?”.ele e ao perguntar “porque que esse tem mais?”. Ao perguntar: conservaç ão de comprime nto “Por que você acha que colocamos estas fichas redondas rosas no meio?”. ele respondeu “porque não tinha espaço”. 9 Prova Foram colocadas as fichas dentro dos círculos preto piagetiana e vermelho que se cortam. respondendo sempre que ao mudado o conteúdo de um copo para outro. ele respondeu que havia mais rosas. “mais redondas”. ele respondeu que “aqui tem mais água porque o copo é maior”. as fichas redondas operatória amarelas e as quadradas rosas nas partes laterais e - as redondas rosas na parte comum. menos ou a mesma quantidade de fichas redondas rosas?”. de líquido de água que o outro?”. Ao fazer a mudanças de operatória um dos copos para outro mais comprido. na segunda pergunta: “existem aqui mais fichas amarelas ou mais fichas rosas?".quantidade com a variação dos formatos. a mesma pergunta foi feita novamente e ele respondeu que “por que aqui é o circulo preto e o vermelho”. “tem mais rosa”. menos ou a mesma quantidade de fichas redondas ou fichas rosas?”. com identificação do retorno empírico. ou seja. Assim. reconhecimento conservação 8 com o da retorno volta às à formas Prova iniciais. Foi colocado a mesma quantidade de líquido piagetiana em copos iguais. Tem mais. - perguntou-se “nesse copo tem a mesma conservaç quantidade ão respondeu “não”.

para ele a quantidade que sofreu a deformação continua sendo a que possui maior quantidade de matéria. Diante do exposto. da mesma forma que a “bolacha” e as “migalhas” são consideradas maiores que a bolinha. mas cai duas vezes em contradição quando é contra-argumentada. encontrando-se na fase I . percebe-se que ambos ainda não dominam a noção de conservação de substância. mas as “migalhas” num primeiro momento são consideradas a mesma coisa. não resolve de forma correta.rosas. estando o pensamento da criança impressionado apenas pelas diferenças de espessura. foi desenvolvido um movimento de trazer para dentro de si a realidade que fora anteriormente observada e registrada. depreendese que essas duas crianças. E referindo-se a questão da “volta empírica”. (1971). comprimento ou diâmetro. interpretá-la e perceber o conhecimento obtido com a prática proposta. dizendo que tem o mesmo tanto. mas logo muda sua opinião quando é contra-argumentada novamente. . afirmando que a que virou picadinho tem mais. são incapazes de perceber a invariação da quantidade de substância quando a bolinha sofre alteração em sua forma. esta julga permanecer a mesma quantidade de substância. e num segundo momento é considerada maior. por exemplo. 10 Prova piagetiana operatória classificaç ão interseção de classes 5. Assim. Já Isabela. A “bolacha”. em algumas situações.Análise dos Resultados Para esta etapa. e de acordo com a leitura de Piaget et al. encontramos diferenças entre essas duas crianças.da não-conservação. para assim poder pensá-la. Quando é apresentada a primeira deformação da bolinha à Isabela. consegue resolver corretamente e em outras não. Ao perguntarmos se uma outra menina poderia estar certa em considerar a “salsicha” maior ela responde afirmativamente. é considerada por ela a mesma coisa quando volta a ser uma bolinha. por encontrarem-se na fase da não-conservação. pois a cada deformação apresentada. por exemplo. a quantidade que sofreu a transformação é julgada como sendo maior. Gustavo. uma vez que é mais comprida. a “salsicha” é considerada maior que a bolinha. mesmo refazendo a bolinha anterior.

. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Psicologia e pedagogia: a resposta do grande psicólogo aos problemas do ensino. Y. ____________. 22. 1992.ed. .. H. OLIVEIRA. Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. Vigotsky. Summus. DANTAS. 10. São Paulo: Summus. O Juízo Moral na Criança. PIAGET. Jean. Piaget. K.ed.. 2010.Referências Bibliográficas LA TAILLE. São Paulo: 1994(1932). M.