Lipovetsky e o proscénio da hipermodernidade1

Lipovetsky and the proscenium of hypermodernity

Jorge Santos

Resumo
O pós-moderno parece ter sido placentário e incubador da necessária transição da modernidade para a
hipermodernidade, o que poderá criar algum gelatinoso entendimento de períodos. Nesta fase de aprendizagem de
uma nova era, o que se espera para o social e para a cultura? Desde os anos oitenta do século passado, a cultura vem
disseminando o seu olhar em todos os espaços vivenciais. Vem criando a própria ontologia de modernidade pela
massificação, democratização e mercantilismo. As estruturas narrativas abraçam a complexidade e a
heterogeneidade. Vem encurtando distâncias entre o recetor e o imagético, sem perder a representação ilusionista. A
mesma representação torna-se expressão de uma lógica híper, pelo excesso visual e múltiplo. A hipermodernidade
parece sequiosa do obsceno, do violento e do desregulado. Transborda de oximoros: simplicidade e complexidade,
imediatismo e distanciação, falso e verdadeiro, fictício e autêntico. O objeto de consumo torna-se excessivo,
hiperbólico, desregulado e auto-referenciado. Lipovetsky arrisca a requisição das condenadas metanarrativas da pósmodernidade, superiormente parametrizadas na ciência e na religião, para as mesmas gerenciarem novos temores e
indefinições. Este estudo pretende um entendimento reportado aos considerandos do filósofo sobre a
contemporaneidade.
Palavras-chave: Lipovetsky; social; cultura; hipermodernidade

Abstract
Postmodernism seems to have been placental incubator of the necessary transition from modernity to
hypermodernity, which could create some understanding of gelatinous periods. At this stage of learning a new era,
which is expected for the social and culture? Since the eighties of the last century, the culture has been spreading his
gaze on all experiential spaces. Is creating the very ontology of modernity by massification, democratization and
commercialism. The narrative structures embrace the complexity and heterogeneity. Come shortening distances
between the receiver and the imagery without losing the illusionistic representation. The same representation
becomes a logical expression of hyper, through multiple and excessive visual. The hypermodernity seems thirsty
of the obscene, the violent and unregulated. Overflows with oxymorons: simplicity and complexity, immediacy and
distancing, true and false, fictitious and authentic. The object of consumption becomes excessive, hyperbolic,
unregulated and self-referential. Lipovetsky risks requisition of metanarratives convicted of postmodernity,
superiorly parameterized in science and religion, they manage to new fears and uncertainties. This study aims at
understanding about the recitals reported on the contemporary by the philosopher.
Keywords: Lipovetsky; social; culture; hypermodernity

Tales de Mileto, segundo Aristóteles, teria sido o fundador da filosofia ocidental. Os
testemunhos aristotélicos, se bem que suportados numa certa imparcialidade, poderão ser
considerados como uma fonte essencial sobre um dado período da história da humanidade.
Platão defendia uma bipolarização: o mundo inteligível, do cogito e da perfeição, por
contraponto com o mundo dos sentidos, corrompido. Epistemologicamente, torna-se constatada a
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Trabalho apresentado no III Seminário de I&DT, organizado pelo C3i – Centro Interdisciplinar de Investigação e Inovação do Instituto
Politécnico de Portalegre, realizado nos dias 6 e 7 de dezembro de 2012.

Segundo os considerandos de Gumbrech (1998).1997). Para Descartes (s. A análise cartesiana identificava o séc. A física cartesiana procura o entendimento através da separação de corpo e alma. entre o homem e o mundo e entre o inteligível e o sensível. o vocábulo modernidade terá génese latina. somos tempo encarnado. o termo reportava-se ao imediatismo do atual. em que a . em que a organização é pura alma. Tempo e espaço podem ser inseparáveis. no adjetivo modernus. Tecnicamente. na qual parece possível um juízo de valor. cujo primeiro registo terá sido encontrado no Séc. de futuro (se o entendermos no atual léxico). alimentar-se ideológica e semanticamente com explanações distantes na cronologia física. suportado pela necessidade do senso comum foi requisitado pelo cristianismo até à Idade Média. Para Jauss (1996). apreciações de modernidade e modernização misturam-se numa gelatinosa e desordenada diferenciação concetual. por um lado uma perspetiva empirista. sendo estas despertadas pelo empírico. Bom. cuja génese será Francis Bacon. por outro lado encontramos as raízes do racionalismo moderno.d. XVI como o tempo passional das descobertas. Daqui decorrem duas orientações metodológicas do pensamento moderno. assim como as sociedades estão feitas de história. segundo a complexidade técnica e simbólica do social. o pensamento aristotélico. essa apropriação aristotélica caracterizava a filosofia escolástica. antropológicas e epistemológicas que esses períodos exclusivos do pensamento vieram a fermentar para a subjetividade concetual da pós-modernidade. assim indo em sentido contrário à física escolástica. o termo «modernidade» parece procurar a apotanásia do significado. o espaço é tempo cristalizado. Estas noções são representadas por perspetivas distintas. O tempo é sempre precursor da experiência humana e. Enquanto exercício lexical. V. situada na observação e na experimentação. Aristóteles tinha a tendência de contradizer o inatismo platónico. Para Castells (2009). para então estabelecermos em que sentido podemos falar de uma posterioridade na pós-modernidade. possibilitando o redescobrir verdadeiro da cultura e da sabedoria grega. curiosamente na transição do decrépito Romano para um mundo de Nova Cristandade. Um referencial de moderno poderá significar atualidade e qualidade. qualquer forma de perceção identitária só será possível pelos princípios da inteligibilidade e alteridade. A concetualização corporal e sua arrumação existencial poderá. É constatada a validade reflexiva com bases filosóficas. em que o homem não nasce com as categorias inatas do conhecimento.divisão entre corpo e alma. Será então necessário ressaltar as perspetivas fundamentais da própria modernidade..

O mesmo autor refere o Séc. XIX até ao início das sustentadas teorizações do pós-moderno. pois a legitimação teria que ser sustentada pela antiguidade. no referencial de uma nova estética. no Séc. comprometidos com o progressismo científico de Copérnico e com a filosofia cartesiana. requiem do ideal renascentista da perfeição. Diderot (1779). Jauss (1996). demonstra a ilusória consideração de que tempo. refletem o aperfeiçoamento pelo conhecimento. ajuda a dar corpo à obra Querelle des anciens et des modernes. sem renegar o tradicional. mergulhando numa panóplia possibilativa de interpretações do real. pelo realçar do antigo e pela constatação da sobrevivência deste no novo. Deparamo-nos com o visionário aperfeiçoamento do futuro.). a concretização de tal modernitas num plano intelectual torna-se incómoda e desconfiante. defensores do valor atemporal da antiguidade. XX. dado que o entendimento do presente em oposição ao passado deterá forçosamente um cíclico retorno histórico. sem fazer oscilar o intocável dogma de que o existente é a própria realidade em si mesma. XVII. As últimas décadas do Séc. geração ou época deteriam o privilégio do novo por direito. A modernidade iluminista renega assim o ancien humanista. estabelecedor canónico da história do presente. Se com a Idade das Trevas a humanidade procurava suportar-se no saber do passado. insistia no desejável de ser moderno. com o Iluminismo o futuro assume-se como referencial da promessa. Aparecem os «modernes». e Rousseau (2001). desde o aproximar do final do Séc. Talvez esteja encontrado o primeiro momento em que a modernidade se terá assumido como movimento. e brotam os «anciens». suportado na constatação de que a modernidade de um período se irá transformar na antiquitas do período sucessor. ideal posteriormente reforçado por Deleuze na visão identitária da modernidade. como o viria a defender Baudelaire. De imediato. Tal impasse parece começar a sua diluição no confronto assumido entre moderno e o conceito de atemporalidade.função seria a de designar a atualidade histórica presente. já na segunda metade do Séc. geralmente insuflados pela nova era industrial. encontrado filosoficamente numa segunda fase do Iluminismo. apreendida sobretudo nas criadas situações vivenciais dos novos grandes burgos citadinos. juiz da sua pretensão à modernidade. Toma forma um paradoxo. onde o sujeito e o contexto serão inseparáveis. ideal não completamente sustentado pelas diversas fases da modernidade.d. Charles Perrault. A modernidade procura a sua epistemologia. mas retomado quase de forma messiânica por um período que alguns autores identificam como Positivismo. reforçada por Baudelaire (s. O moderno só encontraria a sua consagração em um futuro credibilizante da sua antiquitas. XIX vieram a inebriar a humanidade . Perrault (1856). XII como o instante em que o moderno é aproveitado enquanto aperfeiçoamento.

poderemos constatar anteriores profecias. Este empolgar cavalgante dos campos científico e tecnológico provoca irrefutável ceticismo no filósofo. a história repete-se sujeita a ciclofrenismos.). resultante da experiência da crise e da dissolução de valores. por Gabriel Tarde (1999). Tomando forma um novo paradigma cultural. bem como do progresso e da modernidade civilizacional. O ocidente. Esse maravilhoso positivismo não perdeu a oportunidade de se exacerbar numa montra cujo hipnótico legado haveria de permanecer por alguns anos: a Exposição Universal de Paris 1900. geradas. Flaubert. Segundo Bauman (1999).com o deslumbramento científico e tecnológico. O século responsável pela noção de obra de arte total necessitava de uma representação do saber e do conhecimento. Bauman caracteriza a modernidade sólida como o período em que o sustentado racionalismo se volta contra si mesmo. através do ideal de Estado-Nação. reforçada pelo incontrolável desenvolvimento de mobilidades espaciais e comunicacionais. pelo eufórico inventivo. Esta apresentou o descontrole. no Dictionnaire des idées reçues (1913). ficando concetualmente designado como o «Projeto Moderno». Essa descrença do projeto moderno. e com alguma ironia. um projeto. A modernidade assume então um objetivo. Assiste ao celebrar da razão pela ciência e pela tecnologia. dando-lhes solidez. com ação direta na vivência diária. qual redenção da humanidade.2002). resultado da crescente descrença de que a renegação da ambivalência resultaria de vez em mais um admirável mundo novo. define exposição como “motivo de delírio do século XIX”. Suportados numa reportação analéptica. bloqueia-se a solidez da ordem. confrontava de forma declarada o raciocentrismo cultural gerado por ideais iluministas. O empolgado desenvolvimento industrial tendia para horizontes de globalização. esse projeto moderno confluía para a modernidade sólida. O controle racional do nosso mundo moderno começa a perder o endeusado estabilismo profético. Nietzsche (2001.d. veio a abrir o pano à modernidade líquida. A ciência e a técnica exigem o papel de atores principais na classificação do social. Em concordância com Adorno e Horkheimer (1985). Aparecem as placentárias referências sociológicas de novos espaços públicos. a particularização. instrumentos possibilidores do pregão modernista favorável do humano. na procura da verdade. veio a submeter religião e metafísica às ordens da ciência e da . transformando o social numa ilusão. qual atingível paraíso. Por vezes. possibilitado pelo inusitado maquínico. O cientifismo não passaria da anulação de zeugmas de anteriores metáforas. entre outros. ultrapassada por uma lógica de caos policiadora do quotidiano social. ou pela microsociologia de Georg Simmel (s. recusado recetáculo para o questionamento e eliminação da ambivalência.

como os meios de comunicação de massa enquanto agências interpretativas e não neutras. Por sua vez. No mesmo instante. Heidegger (1989). não será mais do que um sistema de persuasão. através do esgotamento racionalista. do ilusório moral e da negação do real pelo aparente. separador do indivíduo com a cultura. Simmel (s. e crescentemente positivistas. na demanda do não limitativo. e encontramos a impossibilidade da certeza. na convicção de que a ideia de história não ser mais do que um esquema retórico. A não agradabilidade com a ausência de significado permite um refúgio para o estético. como o foco locatário da experiência da modernidade. anulando o diferencial comprometido com a verdade e o erro. no quadro do poderio racional da «tecnociência» de então. Apesar de alguma racionalidade. Simmel apontava para o significado simbólico do dinheiro e da mercadoria. a redenção do homem residia na obrigatoriedade de aceitar o niilismo. não se suportando no real objetivado. Nietzsche insistia na demonstração de não conteúdo das intenções iluministas. no constatar da preservação dos códigos culturais. em que a objetividade do fato se apresenta como um sonho da razão moderna. em que a procura de sentido. até porque este é ilusório. a interpretação sente-se enaltecida pela cultura contemporânea. apresentava uma visão do burgo urbano resultante de mais um advento técnico e industrial. desmentindo o caminho redutor e progressivo da razão. . provocam uma confusão axiológica. O sujeito é pré-compreensivo. Hryniewicz (2009). precisamente suportado em Heidegger. aliada à intrínseca moralidade. numa transversal relatividade histórica. por sua vez atento ao niilismo nietzscheano. um século à frente. manifestava a não crença do real na correspondente objetividade. aponta níveis de observação no pósmoderno a essa valência da interpretação. mas transparecido e emergente nas sendas dos pós-modernos. Nesta visão sociológica. refletindo o malograr de uma ontologia. procurando a abolição do proibido. A anunciação do ocaso de Deus vai ao encontro de uma antevisão pós-moderna. por isso mesmo como os essenciais centros de crise. afastado da forma. membros reveladores do capitalismo consumista.tecnologia. abrindo espaço para o ceticismo e para a interpretação do conhecimento como resultado de estruturas passadas do próprio sujeito. encontramos uma significação para um esvaziar filosófico. na necessária dissolução psicanalítica de conjunto de sistemas que possam formar a consciência. Para Nietzsche. confronto aparentemente descontextualizado numa época de endeusamento científico. separando-se da ilusão e da aparência. Outra fonte para os pós-modernos terá sido Martin Heidegger.d. A arquitetura da razão não terá mais pretensões.).

Tais considerandos poderão parecer ainda.A era pós-moderna espelha-se então pelo constante retorno a Nietzsche e pela ultrapassagem da metafísica de Heidegger. através dos propósitos discursivos das artes. não se apresentar somente como novidade. dando lugar à história contemporânea e ao seu paradigma comunicacional. mas ainda como dissolutor do novo. Releva-se o simultâneo. O abandono da noção moderna de história torna-se evidente. no constatar de que uma das características presentes dos princípios filosóficos dos séculos XIX e XX. suportado pelas eternas grilhetas do museu e da academia. Em considerandos sobre o capitalismo . a isso devendo o pensamento recorrer para a constatação de certezas não suportadas pela precaridade. de certa forma. mas confluem na construção de um cogito apontado à suspeita de uma metafísica estabelecida. provocando uma apócope historicista da experiência. que as esparsas e nem sempre coerentes teorizações do pós-moderno adquirem rigor e dignidade filosófica”. apontando para uma decorrente dificuldade de caracterizar um efetivo carácter radical de alteração condicional. evitado quando se compromete o pensamento com uma necessária vinculação às temáticas da ontologia hermenêutica. Nietzsche e Heidegger manifestam traçados distintos. Uma pesquisa onomástica transporta-nos curiosamente para a década de 1860. como um experimentalismo do fim da história. 1865 e Culture and Anarchy. inocente profecia suportada no ruir do diferencial da alta cultura com a cultura popular. Minimizamos essa dificuldade no entendimento de que o pós-moderno. Poderemos visualizar uma resposta. enquanto causador do ocaso da modernidade (não consentâneo em todos os pensadores atuais). Uma abordagem genético-sintomática da contemporaneidade exige essa dignidade filosófica. A designação viria a encontrar alguma popularidade num certo meio intelectual nova-iorquino dos anos sessenta. conotados com a modernidade. Federico de Onís terá usado o termo em 1934 em considerandos sobre a célebre «Geração de 98» espanhola e o modernismo. na designação do esgotado alto-modernismo. A ontologia deriva para a hermenêutica. Para Vattimo (1996). discutida a partir das obras de Matthew Arnold (Essays in Criticism. de uma nova efetivação experiencial do pensamento. no intuito de uma visão. Apresenta-se a dúvida da sustentação da condição filosófica na própria história do pensamento. “é só relacionando-se a problemática nietzschiana do eterno retorno à problemática heideggeriana do ultrapassamento da metafísica. certamente não única. será precisamente a negação da estabilidade estrutural do ser. Pós-modernismo. letras e ciências sociais. constructo das emergentes noções de não-historicidade ou pós-historicidade. 1869). Denotamos um certo paradoxismo.

na sua multisecularidade. Assim. Ao mesmo tempo. ele mesmo aceita algo do que poderá ser apontado como o ideal baudelairiano de modernidade. Navegamos pela significação. manifestando ceticismo na separação entre o verdadeiro e o falso. enquanto pressuposto. Se o pós-moderno não renega o efémero. Parece-nos a abordagem concetual não tão empírica. Tornam-se decorrentes e necessários entendimentos sobre diferenciações comprometidas com a tecnologia e a ciência. navegando assim pelo fragmentário e pelo mesmo caótico tão ao gosto de correntes de mudança. fortemente apoiado na literatura e no cinema. As teorizações e o sustento filosófico da pós-modernidade apresentam-se como temporalmente próximos. os suportes filosóficos existentes estariam dependentes de interesses de minorias. A mesma veio a ser responsável por uma panóplia de discursos. por oposição à massificação desejada e apanágio .tardio. Nas últimas décadas. com a publicação de A condição pós-moderna (The postmodern condition). a tecnologia foi alterando e diferenciando suportes epistemológicos das práticas disciplinares e culturais. o lirismo tecnológico apresenta-se como detentor de diversas formas de cultura. parecendo ter requisitado parâmetros de tipo niilista para a própria construção ideológica. o pós-modernismo encontra em François Lyotard a sua consagração terminológica. porventura pelo aparecimento de tais estudos de forma progressiva nas últimas décadas. o maquínico revoltado à criação. apesar das óbvias mesclas causadoras de fusões. não procurou a sua legitimação somente pela diversificação de referências ou cânones passados. um retrocesso temporal poderá ir ao encontro de algum ideal caracterizante. Para variados autores. onde se denota uma incessante procura por uma possível definição. no questionamento da racionalidade filosófica. o termo «tecnocultura». onde um declarado niilismo procura a sustentação de um relativismo tanto ético como epistemológico. Aqui. Contudo. O conseguimento científico não terá ainda. a ciência fornecerá suportes epistemológicos à tecnologia. mas nem sempre científica. enquanto a cultura poderá ser tecnológica. reflete imediatos recatos de interpretação. em 1979. O ficcional sempre o fez. Aparentemente. A abordagem a estas considerações apresenta-se lata. tendo ainda bases teóricas e abstratas. o descontínuo e o caótico. A tecnologia poderá esculpir a cultura. por vezes esquecendo a necessidade do seu suporte empírico. o pós-moderno navega (ou navegou) essencialmente pela contemporaneidade. resultante do compromisso entre a técnica e o imaginário. apesar de alguns fogachos ideológicos ou concretizados se explanarem pela própria história. entrecruzados com a cultura e a própria ciência. fato revestido de alguma emergência social.

A não ser só um simples estilo de cultura.de qualquer pós-moderno. encontrando os alicerces filosóficos do não idealismo. . Bom. Não se apresenta disfarçável algum ceticismo em relação à condição pós-moderna. de uma falsa construção. A análise de Lyotard transporta-nos para a consideração de que a pós-modernidade será o berço da modernidade. Essa consciência não passa para Baudrillard (1981). A cultura do sinal torna-se reforçada pela cultura do simulacro. aponta o mesmo dominante de um capitalismo tardio. de onde terá de surgir o heterogéneo derrotando a homogeneidade. afirmando o mesmo ser uma cultura sem gosto. defendendo a pluralidade das teorizações. O ato de criar pode ser então gerador de imagens autónomas e patológicas. este hiper-realismo. pois o sujeito não passará de uma estruturação ideológica. rejeitando terminologias. como verdadeiro. onde a perca de autoridade conduz para o hiper-real. defendendo a crença em um ser absoluto. fonte de toda a verdade. Baudrillard (1981). tende a apontar a repulsa por metodologias totalizantes. enfatiza a negação da certeza adquirida. coloca então a simulação como valência sobreposta ao próprio real. A natureza força o próprio discurso. onde as necessidades do indivíduo pós-moderno aparecem por requisição de economia de mercado. dado que o significado é substituído pelo significante. de onde poderão emergir os media como a única “verdade”. impedindo a mudança socialista do social. o essencial do pós-moderno será a crise de conhecimento no social ocidental. O hiper-realismo. Então o humano deixa de existir. negando significado ao humano. indo de encontro até com Baudrillard na jurisprudência do dinheiro. transparecendo o nosso insignificante. provoca uma esteticização das vivências diárias. temos campo aberto para concetualizações e espaços críticos. utilizando a semiótica na necessidade de especificar regras e manifestações caracterizantes do produto cultural. Lyotard (2001).2002). Curiosa elipsidade. A inata linguagem foi tendo tendência de formalizações. Para o mesmo. um século antes de Lyotard. Jameson (1991). dado que o mesmo Jameson considera a pós-modernidade uma aculturação comercial. terá assumido o papel de um dos seus mais ativos apóstolos. Parece existir certa concordância entre autores. suportada na suspeita pelas metanarrativas. Esta será uma batalha contra o significado e a representação. onde modelarmente o real se encontra desprovido da realidade. Foucault absorve o pensamento de Nietzsche da não existência de sujeito. falso ou até consciência. colocando em causa a metanarrativa cristã. O pós-moderno ditou a sentença da explicação realista. O fato da pós-modernidade quebrar distinções entre manifestos escolásticos e cultura popular. Nietzsche (2001.

Variados pensadores foram manifestando concordâncias e desencontros. entre tempo e espaço. podendo verificar características na dualidade existente entre cultura e comunicação. sem totalitarismos. confluindo. nunca se conseguindo libertar dessa amaldiçoada traição. pósestruturalistas (Derrida. entre estilo e substância. Nasceu com a genética da sua ascendência moderna. Ainda com resquícios dos anos 50. não refletindo relacionamento temporal entre os significantes. Permitiu o findar do Séc. elevando ao altar dos Deuses o presente no seu imediatismo. abraçando a metamorfose. 1991. o tempo sempre foi detentor de diversas significações. nietscheanos (Vattimo. O neologismo «pós-moderno» procurava a descrição dessas transições. 1996). A pós-modernidade refletiu as inerentes limitações. duas ressalvas se apresentam imediatas: numa obra. cujas complexidades e desconstruções prendem-nos à condição pósmoderna. enquanto período agressor da pretensa solidez da racionalidade e das ideologias. enquanto integrava o novo tecnológico no discurso do presente. O paradigma pós-moderno exigiu a reformulação de um já desacreditado marxismo. assim como a mesma se reporta constantemente à história da própria. Veio a promover a sua inclusão nas ciências humanas enquanto inovação encarregue da substituição de desgastados paradigmas. No considerando da amnésia histórica tão definidora da cultura para Jameson. pelo que fomos navegando pela não refração estilística. assim como a cultura no seu todo. o novo género entrou em . vem a considerar que no pós-moderno as obras de alguma criação artística navegam na esquizofrenia. A audioscriptovisualidade abandonou o seu espaço no universo metafórico. O ideal progressista e o expectável futuro moderno foram trocados pela individualidade e pelo efémero. Lipovetsky). Todavia. ultrapassando os limitativos estruturais e semiológicos. o bezerro de ouro viria a apresentar sinais de decrepitude. XX sem viciados hábitos iluministas e historicistas. e confundindo. passando por uma estética do grotesco. Baudrillard). a noção de pós-modernidade entrou em cena principalmente nos anos 60 e 70 do século passado. A inovada abordagem ao social provocou o esperado afastamento da modernidade. entre arte e popular. e. o pretenso ocaso das grandes narrativas. para alguns. sem que por isso tenha que deixar de poder ser pós-moderna. sociólogos (Maffesoli. a transcendência com a imanência. forçosamente. não sendo este tempo um continuum. Parecendo a referida decrepitude acusar um qualquer Síndrome de Matusalém. Requisitou estudos de neomarxistas (Harvey). Lyotard). concebendo a multi-perceção e o imaginário tecnológico contemporâneo. Fredric Jameson (1989. página amarelecida da cultura ocidental. entre um vasto catálogo de autores e áreas.

apresentam uma insofismável visibilidade na juvenilidade do novo apregoado período. empurrada pelo pragmatismo do previsional e preventivo. A questão da ciência não deixa de ser curiosa. devido a um esvaziamento romântico do advento híper. Desta vez (mais uma vez). Em alguns aspetos. assemelha-se a um caos paradoxal. Segundo Lipovetsky e Charles (2004). Essa hipnose. de uma nova modernidade superlativa. Se com o «pós» houve a necessidade de desconsiderar metanarrativas. De novo toma forma um paradoxo já aqui apontado. O espaço-tempo disfarçadamente deixa . sem que com isso assumamos a descrença da ciência. Apresentava-se necessário uma forma lexical para rotulação das transformações sociais. A sociedade hipermoderna tende para a multidimensionalidade. a fé no progresso foi substituída não pela desesperança nem pelo niilismo. mas iremos assumir receios e inseguranças. até em comum. oscilante. vai acusando as grilhetas da sua expiação. deixa transparecer algo do «Projeto Moderno». variável em função dos acontecimentos e das circunstâncias”. em alguns aspetos. o sociólogo e o filósofo permitem um primeiro ciclo de entendimentos. Contudo. mas sempre com o social crente no além do presente. sem conseguirmos engavetar o receio de a referenciada ciência nos conduzir à catástrofe (também mais uma vez). ao organizativo de uma desordem onde coabitam antagonismos concecionais de diversas vivências. segundo a já existente obra. Devemos entender que as conceptualizações do mesmo ainda se encontram no imaginário da própria adolescência. celestial. Algumas propostas foram aparecendo. visão essa elevada a potência extrema. Gilles Lipovetsky e Sebástien Charles (2004). Não ficaremos à espera de bênçãos futuristas. Não mais do que uma diferenciada visão de cíclicas problematizações. o futuro poderá ser agradável. “na hipermodernidade. Reportamos testemunhos do passado. Uma parece consentânea: a «hipermodernidade». Para os mesmos. A utopia coletiva afasta-se. até pela referenciação lexical. qual Prometeu Acorrentado de Ésquilo. sem bloqueios institucionais e ideológicos para valores de individualidade e de consumo.transição para um novo período. da indeterminação e problematização. assistimos a um ideal pósreligioso do progresso. redescoberto e revisitado por lógicas reflexivas. Esse será o futuro hipermoderno. com o «híper» ela assume um papel basilar para a visão do futuro. substituidora do nivelamento pela acentuação. mas por uma confiança instável. suportado na constatação de que a modernidade de um período se irá transformar na antiquitas do período sucessor. O pós-moderno.

As estruturas narrativas abraçam a complexidade e a heterogeneidade. o que se espera? Desde os anos 80 do século passado. mais céticos e menos profundos. Segundo Cavallini (2009). mas uma forma desta. Para Lipovetsky (2007). Vem criando a própria ontologia de modernidade pela massificação. A tendência será a intervenção afastada do perigo. O sujeito hipermoderno é então inquieto. dado que o cinema nasceu e continua moderno. fictício e autêntico. democratização e mercantilismo. dado o estádio em que se encontra. aponta a sua história marcada em quatro momentos da modernidade: primário. A hipermodernidade não é uma pós-modernidade. falso e verdadeiro. O filósofo apresenta uma visão paradoxal do presente. O futuro da hipermodernidade está em aberto. do violento e do desregulado. todas as artes do Séc. modernista e hipermodernista. O pós-moderno parece-nos assim ter sido placentário e incubador da necessária transição da modernidade para a hipermodernidade. em que a insegurança vem a suplantar a despreocupação pós-moderna. hiperbólica. E nesta fase de aprendizagem de uma nova era. o que poderá criar algum gelatinoso entendimento de períodos. A imagem torna-se excessiva. fora de limite. “Os indivíduos hipermodernos são ao mesmo tempo mais informados e mais desestruturados.”. A publicidade e o marketing exigem um papel condicionante das indústrias sociais. O passado seduz. apontando não somente um empolgar do materialismo e do cinismo. É uma modernidade onde tudo se extremiza e se torna vertiginoso. A globalização veio a diluir a força democrática. mais críticos e mais superficiais. XX encontramse marcadas por um processo de subversão radical da própria forma. desregulada e auto-referenciada. mais abertos e mais influenciáveis. Vem encurtando distâncias entre o recetor e a imagem. sendo esta uma oposição ao cavalgante individualismo. o presente é normativo e o futuro promissor e dicotomicamente preocupante. mas acusando o reinvestir de valores tradicionais. A criação parece sequiosa do obsceno. Clivagem com o «pós». menos ideológicos e mais tributários das modas. dado que este assume a continuidade dos grandes recitais míticos. a hipercultura vem disseminando o seu olhar em todos os aspetos vivenciais. apoiado em Lipovetsky: . Não vivemos o fim da modernidade. inata do social ausente de contra-modelos.transparecer um continuum registado em outros períodos. clássico. Para o mesmo. não esgotando o presente pela negação do amanhã. enquanto modernidade de segundo grau. imediatismo e distanciação. Lipovetsky (2007). mais adultos e mais instáveis. excluindo o cinema. sem perder a representação ilusionista. No caso do cinema. Transborda de oximoros: simplicidade e complexidade. ansioso.

Já a vida quotidiana. funcionando como objeto de animação de massa. e até criado um espaço cultural e social reportado a anteriores criadores. “O passado nos seduz. com todas as tecnologias de transmissão de informação existentes. de informar-se. Na via digital tudo se apresenta gratuito: propriedade intelectual. no entanto. os quais correm o risco de serem esvaziados de finalidade. capazes de exercer o livre arbítrio. Fellini. O celebrar do passado está permeado de um aspeto frívolo e efêmero do instante da comemoração. Khatchaturian e tantos outros não reaparecem em remix de um qualquer alguém. cujos produtores os fabricam “desde” datas antigas.” O próprio Lipovetsky questiona se a hipermodernidade. como uma tradição: produtos “legítimos”. Kafka. por substituição da obre de arte resultante das suas criações. o que permite que a vida social e individual se organize em torno dela. descontextualizando significações e arquivos culturais. Constatamos um clima social e cultural distanciado cada vez mais da descontraída tranquilidade dos tempos pós-modernos. apenas valores estéticos e lúdicos. o presente e suas normas cambiantes nos governam. Mais um oximoro. contextos e significados. A diferença é que hoje há liberdade de escolha. se não há ligação com a arte e a história. mesmo exprimindo o gosto pelo passado. de escolherem os seus próprios sistemas ideológicos. os indivíduos encontram-se livres. (Cavallini. sem ramificar o social da ação. Na hipermodernidade. mas sim da argumentação. clássicos. Essa hipermodernidade chegou permitindo que o domínio do consumo se estendesse ao máximo. e não mais por um registro permanente da memória nos próprios locais do passado. porém não se defendendo mais da imposição. não convocando à repetição. mas sim consumidas em segundos. não há razão para a sua preservação. Partimos para viagens com o mesmo destino. a cultura precisa de contradizer a atividade arquivista como o único garante da existência dela própria. É uma força cultural sem dono no contemporâneo. caracterizada por consumos emocionais e indivíduos preocupados com a própria saúde e segurança. A antiguidade torna-se argumento comercial. sendo também endossados pela opinião pública. A voga do passado também pode ser vista no sucesso dos objetos antigos.2009). O passado não é mais instituidor. é reciclado e renovado ao gosto da nossa época. “autênticos”.A lógica da moda passa a impor-se e a superar os discursos ideológicos. A tradição tornou-se um objeto-moda. pois a hipermodernidade incorpora uma ressonância cultural imediatista para o sujeito. que despertam nostalgia. ficheiros. não será a ascendência da barbárie . Mas é permitido o acesso. bem como as antigas restrições culturais e estruturais à lógica do consumo. esses sistemas ideológicoespirituais de restrição continuam presentes. Miró. Então. Assim. A incapacidade de organizar ou controlar materialmente implica a significação. é regida pela ordem cambiante do presente. é um arquivo. Esses discursos não limitam mais ou impõem resistência. As obras do passado não são mais contempladas.

H. mas por uma confiança instável. variável em função dos acontecimentos e das circunstâncias. Não navegamos na dúvida de os tempos mudam ou não. El Ser y el Tiempo. Rio de Janeiro: José Olympio. Baudrillard. Bibliografia impressa Adorno. México/Madrid/Buenos Aires. No fundo. ao contrário do que pretendem algumas afirmações. (1985). (2009). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. em que a cultura do presente é aquela que assume a eternidade desse mesmo presente. J. O nosso mundo hipermediatizou-se. sociedade e cultura. não está de forma alguma em declive. oscilante. Rio de Janeiro: Zahar.sobre as nossas sociedades. Uma última ideia. São Paulo: Editora 34. J–F.”… “Na hipermodernidade. (1994). no qual o papel social da arte. A sociedade em rede. a fé no progresso foi substituída não pela desesperança nem pelo niilismo. J. Modernidade e Ambivalência. Paris: Ed. (2007). Bauman. (1999). M. São Paulo: Editora Paz e Terra. Heidegger. Z. G & Charles. G. a de que a cultura não só produz uma perceção do mundo. Lipovetsky. v. Segundo o mesmo. Lyotard. Lisboa: Editora Pergaminho.1 e v. Dialética do Esclarecimento. Modernização dos Sentidos. Os Tempos Hipermodernos. São suas palavras (2004): “Tal concetualização deixa passar excessivamente em branco as tensões paradoxais que animam o regime do tempo na hipermodernidade. M. (2001). Gumbrecht. A condição pós-moderna. S. Arnold. Simulacros e simulação. mas num sentido mais radical. (1989). produz a realidade. Lisboa: Relógio D´Àgua Editores. Cultura Economica. será o de considerar o sujeito hipermoderno hermético e desligado do passado e do futuro. (1981). Castells. M. Lipovetsky. Cultura e anarquia. . L´écran global. Culture-médias et cinema à l´âge hypermoderne. F. Seuil. o erro de uma visão reducionista.”. São Paulo: Barcarolla. (1998). & Serroy. (A era da informação: economia. T & Horkheimer. (2004). sempre assim terá sido.2). M.

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