HISTÓRIA DO CEARA – AIRTON DE FARIAS (Mestre em História

Social pela UFC, Licenciado em História pela UECE, Bacharel em Direito pela UFC e
autor de História do Ceará, História da Sociedade Cearense e Além das Armas).

UNIDADE 1
A CONQUISTA DO LITORAL CEARENSE
O povoamento humano do atual território do Ceará começou há milhares de
anos, conforme indicam as pesquisas arqueológicas. Há fósseis também no estado,
alguns de dinossauros, anteriores à presença dos homens, evidenciando a evolução das
espécies e as diferença de clima e vegetação do passado em relação ao presente.
Existem igualmente restos de mamíferos gigantes que chegaram a conviver com
humanos.
1.1. O Quase Abandono do Siará
No século XVI, o Siará ficou praticamente esquecido por Portugal, devido,
sobretudo, à falta de grandes atrativos econômicos – não tinha ouro, prata, especiarias,
etc., e suas riquezas (como sal, âmbar-gris, macacos, papagaios, etc.), não eram lá muito
lucrativas. Prova do abandono cearense é que o primeiro donatário da capitania, Antônio
Cardoso de Barros, nunca veio colonizar suas posses.
A presença do espanhol Vicente Pinzón, em janeiro de 1500, para alguns
autores, teria feito do Ceará o “verdadeiro” local do “descobrimento” do Brasil. Há
muita controvérsia sobre isso.
Foi apenas no século XVII que Portugal decidiu colonizar o litoral cearense,
por razões estratégico-militares: defender a faixa litorânea setentrional do Brasil contra
estrangeiros (em particular, os franceses, que chegaram a fundar uma colônia no
Maranhão – A “França Equinocial”) e criar no Ceará uma base de apoio logístico que
facilitasse a conquista da região norte da colônia (daí a História do Ceará inicialmente
girar em torno de “fortes”).
1.2. As Tentativas de Conquista
A primeira tentativa oficial de colonizar do Ceará deu-se em 1603, com Pero
Coelho. Na condição de capitão-mor, esse açoriano organizou uma expedição, cujo
objetivo era explorar estas terras, combater piratas, fazer a paz com os índios e tentar
encontrar metais preciosos.
Após combater franceses e índios na Ibiapaba, Pero e seus homens
instalaram-se nas margens do rio Ceará, onde foi erguido o Forte de São Tiago (a região
foi batizada de Nova Lusitânia). Não encontrando riquezas na região, Pero passou a
escravizar os índios. Como estes reagiram, Pero recuou e ergueu o Forte de São
Lourenço nas ribeiras do rio Jaguaribe. Mas, como as “hostilidades” indígenas
continuavam, sofrendo os pesados efeitos da seca de 1605-07, Pero Coelho viu-se
obrigado a deixar o Ceará, indo para o Rio Grande do Norte.
A segunda tentativa de conquistar a terra cearense deu-se com os padres
jesuítas Francisco Pinto e Luis Filgueira, em 1607. A catequização e colonização
andavam juntas no Brasil – aumentava-se o número de cristãos e garantia-se a posse da
terra. Os dois religiosos fizeram praticamente o mesmo percurso de Pero Coelho, indo

parar na Ibiapaba. Ali procuraram cristianizar os nativos. Mas os índios lembravam
ainda dos maus tratos impostos por Pero Coelho. Assim, os nativos Tocariju atacaram os
jesuítas e mataram Francisco Pinto. Luis Filgueira conseguiu escapar, indo para o Rio
Grande do Norte.
1.3. Martim Soares Moreno
Outra tentativa de conquista do Ceará deu-se com Martim Soares Moreno.
A primeira vez que Moreno esteve no Ceará foi com a fracassada bandeira de
Pero Coelho em 1603. Seis anos depois, em 1609, na condição de tenente do forte dos
Reis Magos, já dava combate a traficantes franceses no litoral cearense.
Em 1611, com a ajuda de índios da região, chefiados por Jacaúna, Moreno
fundou às margens do rio Ceará o Forte de S. Sebastião. No ano seguinte, apesar de suas
pretensões colonizadoras, foi convocado para combater os franceses que haviam
fundado a França Equinocial no Maranhão.
Moreno só retornou ao Ceará em 1621, no cargo de capitão-mor. Encontrando
o Forte de S. Sebastião praticamente destruído, reconstruiu o possível, também
incentivando, sem muito êxito, a pecuária e a cana-de-açúcar.
A falta de recursos e da atenção de Portugal fizeram com que Moreno se
retirasse do Ceará em 1631, dirigindo para Pernambuco, onde foi combater os
holandeses que então invadiam o Brasil. Anos depois, regressou às terras portuguesas,
não vindo mais ao Ceará. Na visão tradicional, tem-se Moreno como “fundador” do
Ceará – tanto que é homenageado pelo escritor José de Alencar no livro Iracema.
1.4. Tempos Flamengos
No ano de 1630, os holandeses invadem Pernambuco na pretensão de
dominar a região açucareira e de encontrar outras riquezas. Assim, em 1637, tropas
flamengas conquistam o forte cearense de São Sebastião. De início, contaram os
holandeses com o apoio dos índios. Depois, contudo, a “aliança” se desfez, pois o
holandês não se diferenciava do português no mau trato do índio. Revoltados, em 1644,
os nativos atacaram e destruíram o fortim, trucidando os holandeses.
Os flamengos retornam em 1649, sob o mando do capitão Matias Beck, em
busca de minas de prata. Erguem no monte Marajaitiba, nas margens do riacho Pajeú, o
forte de Schoonemborch, em torno do qual, depois, iria espontaneamente surgir a atual
cidade de Fortaleza.
Os holandeses ficam no Ceará até 1654, quando retiram-se em virtude de sua
derrota em Pernambuco e expulsão do Brasil. Sob a liderança do capitão-mor Álvaro de
Azevedo, os portugueses retomam a colonização e mudam o nome do forte para
Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.
Bom atentar que por esse período o “Siará” esteve submisso a outras
entidades administrativas. Entre 1621 e 1656, foi gerenciado pelo Maranhão. De 1656 a
1799, esteve submetido a Pernambuco. Isso atrapalhou o crescimento material da
capitania.
Por anos, o “Siará” dos invasores europeus estava restrito ao litoral. Isso,
contudo, mudaria a partir da segunda metade do séc. XVII com a conquista dos sertões
em função da pecuária.
UNIDADE 2

A CONQUISTA DOS SERTÕES CEARENSES
– A PECUÁRIA –
A partir da segunda metade do século XVII, deu-se a conquista dos sertões
cearenses, em função da pecuária, atividade inicialmente restrita ao litoral de
Pernambuco e Bahia (Zona da Mata).
Foram razões que possibilitaram a colonização do interior do “Siará” e do
Nordeste: o crescimento populacional da região açucareira (onde inexistia terra para
todos os habitantes), o aumento do número de rebanhos bovinos, dificultando ou dando
prejuízos para o plantio da cana-de-açúcar (o gado era atividade complementar da cana
– fornecia alimentos, força de tração, etc.) e o próprio incentivo do governo português
com a Carta Régia de 1701, que proibia a criação de gado a menos de 10 léguas da costa
(para que no litoral de Pernambuco e Bahia apenas se cultivasse cana).
A penetração e conquista dos sertões aconteceram por duas rotas: sertão-defora, dominada por pernambucanos, vindos pelo litoral, e sertão-de-dentro, dominada
por baianos. Tais rotas se confluíram no Ceará, com os colonos ocupando o litoral
inicialmente e daí as ribeiras dos rios Jaguaribe e Acaraú.
A terra era obtida através da requisição às autoridades de cartas de sesmarias,
o que deu margem a formação dos latifúndios cearenses.
Nesse processo de conquista, a grande vítima foi o índio – exterminado ou
expulso para dar espaço aos currais de gado. Outras vezes, os índios eram jogados em
aldeamentos, áreas onde eram construídas aldeias artificiais nas quais padres jesuítas os
“catequizavam”, “civilizando-os”. O aldeamento também possuía uma função militar –
dali, o índio “manso” era levado a combater os índios “selvagens”. Depois, muitas
cidades se formaram em torno desses aldeamentos, como Caucaia (antigo aldeamento
de N. S. de Caucaia, depois Soure), Pacajus (aldeamento de Paiacu, em seguida
chamado monte-mor-velho, Guarani), Messejana (Paupina), Baturité (Monte Mor
Novo), Iguatu (Telha), Crato (Miranda), Parangaba (Arronches), etc.
Óbvio que os índios lutaram contra os invasores, como na “Guerra dos
Bárbaros”, quando os nativos Janduim, Baiacu, Icó, Anacé, Quixelô, Jáguaribara, Acriú, Canindé, Tremembé, Cariri e outros lutaram por quase 50 anos contra
os conquistadores (final do século XVII e início do seguinte). Acabaram derrotados,
massacrados ou escravizados. Os remanescentes indígenas que possui hoje o Ceará é o
retrato do genocídio e do etnocídio dos quais foram vítimas.
O grande símbolo associado aos sertões (ainda hoje) foi o vaqueiro – mestiço,
branco pobre, negro livre ou escravo, índio submetido. Conhecedor da fauna e da flora,
cuidava da fazenda quando da ausência do senhor. Não recebia salário – era pago no
sistema de “quarteação”.
Na quarteação, o vaqueiro, após trabalhar certo tempo na fazenda (geralmente
4 ou 5 anos), recebia uma cria de cada quatro nascidas anualmente. Assim, com o
tempo, poderia o vaqueiro fundar uma fazenda por conta própria (daí por que a
condição de vaqueiro era uma situação que muitos desejavam).
Pouco usou-se o negro escravo na pecuária cearense, devido sobretudo ao o
alto preço dos africanos (o Ceará sempre foi um local pobre) e à grande oferta de mãode-obra sertaneja livre, barata e ociosa (as fazendas absorviam poucos braços e existia
uma massa populacional “vagabundeando” pelo interior). Usado em pequena escala no
pastoreio, o negro foi empregado mais nas atividades domésticas e artesanais.
As fazendas tinham um caráter autônomo e auto-suficiente – eram mundos à
parte, onde imperava a vontade dos senhores proprietários, os “nossos primeiros

produzido nas oficinas ou charqueadas. .1. os criadores do gado do litoral passaram. além de trabalhadores livres não absorvidos pela pecuária. etc. Assim. Sobral (rio Acaraú). especialmente Angola. Salvador e até o Rio de Janeiro – ali seria alimento para pobres e escravos. Assim. as barras dos rios acessíveis à navegação de cabotagem da época. mas o certo é que essa atividade dominou o comércio cearense por todo o séc. Nos cruzamentos de muitas destas. Quixeramobim e Sobral. as pastagens abundantes (na época das chuvas). os sertões cearenses estavam conquistados pelos invasores. Para a expansão pastoril. empregou-se mão-de-obra escrava. o caráter salino do solo. bainhas de faca. Granja e Camocim (rio Coreaú). o grande rebanho cearense e o próprio fato da técnica salineira não exigir muitos conhecimentos e nem muito investimento. contribuíram: a demanda dos mercados consumidores do litoral açucareiro e da região mineradora. o crescimento de centros urbanos. roupas. UNIDADE 3 OUTRAS ATIVIDADES ECONÔMICAS COLONIAIS 3. Bahia e. destacaram-se como centros charqueadores: Aracati (na foz do rio Jaguaribe). As oficinas situavam-se na porção litorânea. como Icó. XIX) e uma diversificação de produção (comercialização e até exportação de couro). como Aracati (o principal núcleo charqueador e mais importante cidade do Ceará até pelo menos a metade do séc. surgiram cidades. de onde levava-se a carne seca em sumacas a Recife. A baixa rentabilidade da pecuária ensejava o uso do couro para a fabricação de utensílios do dia-a-dia sertanejo – chapéus. Em tais oficinas. Acaraú. Percorriam rudes veredas. O charque. Em pouco tempo. apresentou destaque também no trafico de escravos entre o Brasil e os centros comerciais de negros em África. o enriquecimento de um grupo de latifundiários e comerciantes. nas Minas Gerais. no século XVIII. um crescimento do pequeníssimo mercado interno local. embora em escala pequena. era assaltado. Não se sabe quando instalaram-se as primeiras charqueadas cearenses. índia e negra. chamadas de “estradas sertanejas”. além de seu papel dentro da própria colônia. Havia ainda o peso dos impostos.coronéis”. perdia-se. XVIII. Os rebanhos bovinos cearenses eram conduzidos pelos tangerinos para a venda em Pernambuco. próximas aos rios. cultural e comercial entre sertão e litoral. morria por ataque de feras. Charque Para o desenvolvimento das charqueadas no litoral cearense. o crescimento vegetativo (mas não qualitativo) dos rebanhos. O charque traz mudanças socioeconômicas para o Ceará. botas. a abundância de sal. as vastas áreas sertanejas. contribuíram os ventos constantes e a baixa umidade relativa do ar. posteriormente. a exigência de pouco capital e mão-de-obra na montagem da fazenda e o próprio fato do gado se auto-transportar. a vender seus rebanhos na forma de charque (carne seca salgada ao sol). a facilidade na obtenção de sesmarias e de novas terras. Era a chamada “civilização do couro”. Mas a venda de gado para outras capitanias não era tão lucrativa assim – o gado emagrecia. Verificou-se uma divisão de trabalho na capitania (áreas para criar gado e áreas para charquear). uma maior integração política.

Os preços também subiram devido a desorganização da produção dos EUA. A expansão da cotonicultura seria fundamental para separar o Ceará de Pernambuco de 1799. Uruburetama. o algodão e. no final do citado século XVIII. o que encarecia o algodão local.2. O comércio de algodão também favoreceu Fortaleza. No final do período colonial. estrada. mas também pequenos proprietários. beneficiado com a desorganização da produção americana em virtude da Guerra da Secessão (1861-65). além das serras de Baturité. dando origem ao chamado binômio gado-algodão. A cotonicultura e a pecuária acomodaram-se uma à outra. até então. Meruoca. agregados. que passou a crescer a passos largos. devido à recuperação da cotonicultura dos EUA. 3. O auge do algodão cearense dar-se-ia na segunda metade do século XIX. também pouco empregou-se o negro escravo – o curto ciclo vegetativo da fibra tornava desvantajoso o emprego de muitos africanos. o charque local entrou em decadência. Com isso. Era mais barato usar mulheres e crianças ou a mão-de-obra livre não absorvida no pastoreio. Fortaleza começou a ser dotada de uma infra-estrutura administrativa (porto. que viviam sua Guerra de Independência (década de 1770). . moradores e arrendatários. por conseqüência. o comércio externo cearense era feito via porto do Recife. a não exigência de muitos investimentos na lavoura (facilidade de cultivo.Contudo. o curto ciclo vegetativo do algodão. Pela primeira vez o Ceará tinha um produto voltado diretamente para o mercado internacional. colheita. passou a ser cultivado como atividade de subsistência nas fazendas de criar. que usava a fibra em suas fábricas têxteis. inicialmente. e a atenção que os cearenses passaram a dar ao algodão (que então alcançava bons preços no mercado externo). Com a separação de Pernambuco. No algodão cearense. típicas da primeira fase da Revolução Industrial. etc. alfândega. Fatores que favoreceram a cotonicultura no Ceará: o clima quente e a regularidade das chuvas (no sentido de que há uma época certa para o inverno e outra para o verão). o próprio Ceará entraram em crise. etc. que possibilitou tornar-lhe o grande centro coletor e exportador de algodão do Ceará. a fertilidade dos solos (praticamente virgens). As principais regiões produtoras. Cotonicultura O algodão já era cultivado pelos nossos índios antes da invasão portuguesa. não só latifundiários dedicaram-se à atividade. a concorrência com Rio Grande do Sul. beneficiamento.). Isso devido aos bons preços do algodão no mercado internacional e à demanda da Inglaterra. A rama do algodoeiro servia de alimento ao boi na época da estiagem e o animal adubava os solos com esterco. eram os distritos de Fortaleza e Aracati. devido às calamitosas secas do período (que dizimavam os rebanhos). Foi a partir do final do século XVIII que se desenvolveu a cotonicultura no Brasil e no Ceará. Pereiro e Aratanha. superando Aracati (abalada com a crise do charque) e assumindo a condição de principal núcleo urbano cearense na segunda metade do século XIX. Daí a por pressão de autoridades. Com a colonização.). o que contribuiu para o envolvimento de cearenses na “Revolução” Pernambucana de 1817 e na Confederação do Equador. comerciantes e produtores para a separação cearense (embora continuasse a influência pernambucana).

UNIDADE 4 CRIAÇÃO DE VILAS Em 1699. Sobral (1773). chamada de São José de Ribamar. como foram os casos de Viçosa do Ceará. foi elevada finalmente à condição de vila. Aquiraz foi atacada pelos índios na “Guerra dos Bárbaros”. Some-se a isso. Portugal autorizou a instalação da primeira vila do Ceará. social e politicamente às terras pernambucanas. Com a expulsão dos padres jesuítas do Brasil. Essa espoliação foi oficializada na segunda metade do século XIX. quando o governo provincial passou a declar que “não havia mais índios no Siará”. Tais disputas pela vila não passavam de uma maneira dos envolvidos tentarem aumentar seus poderes e influência. Assim. Em conseqüência. No mesmo ano de 1713. por fim. Mesmo com a autonomia político-administrativa obtida em 1799. Caucaia. UNIDADE 5 O CEARÁ NAS REVOLTAS DO SÉCULO XIX 5. os aldeamentos foram transformados em vilas. como Icó (1738). em 1759. Aracati (1748). os remanescentes indígenas cada vez mais perderam suas terras e até o “direito de existir”. militares do Forte e religiosos. Isso deu margem a uma série de atritos entre o capitão-mor governador. o pelourinho foi deslocado entre o Forte de N. por anos. A criação de vila era também uma forma de estimular a produção e de controle sobre a população sertaneja. pois quase todos foram procurar a segurança dos canhões da Fortaleza. O Ceará na “Revolução” Pernambucana de 1817 A influência de Pernambuco sobre o Ceará era muito forte. Aquele era o período da expansão da pecuária nos sertões. a capitania cearense continuou ligada econômica. os efeitos da crise econômica e política (seca. decadência do algodão). a Barra do Ceará (a Vila Velha. que exerciam os cargos de vereadores na Câmara municipal da vila). apossando-se das terras destes. Parangaba (ainda em 1759). S. Baturité e Crato (1764). o pelourinho foi definitivamente instalado em Aquiraz – daí o porquê de muitos historiadores afirmarem que Aquiraz foi a primeira capital do Ceará (mas outros negam esse argumento. da Assunção (no qual residiam militares e religiosos). quando morreram e saíram feridos muitos dos habitantes. padres e os “homens bons” (os latifundiários. Granja (1773) e Quixeramobim (1789). habitada por mestiços e índios catequizados) e Aquiraz (onde moravam os “homens bons”). Messejana (1760). a metrópole desejava evitar os excessos dos capitães-governadores e ter um maior controle sobre a elite latifundiária. em 13 de abril de 1726. Fortaleza ganhou status de capital e. envolvida em lutas por terras e em grandes embates com índios. contudo. Acontece que não houve especificação quanto ao local onde seria erguido o pelourinho (coluna que simbolizava a elevação de uma localidade à condição de vila).1. Curioso que os “diretores” administradores das vilas indígenas passaram a explorar ou expulsar os nativos. Com isso. Daí surgirem vilas interioranas em função do pastoreio. Mas sua importância econômica era muito pequena. Dessa forma. lembrando que o poder decisório quase sempre esteve no forte). que também . Em 1713. A vila esvaziou.

apoiado por alguns “cabras”. depuseram o recém-nomeado presidente da província (e aliado de D. apoiaram a revolta. mas foram brutalmente derrotados. Pessoa Anta.2. sem apoio. onde. Em abril de 1824. propagando-se para outras províncias do que hoje é chamado de Nordeste. Pedro I). O Ceará na Confederação do Equador (1824) Em 1824. Inácio de Sampaio. Teve uma grande participação de religiosos. sob a chefia de Dona Bárbara de Alencar. Em agosto de 1824 escolheu-se como presidente definitivo da província Tristão Gonçalves. Os Alencar. a Confederação do Equador. Mororó. proclamou a República. um movimento liberal (influenciado pelo Iluminismo. Em 1821. na região do Cariri. tendo à frente os liberais (chefiado pela família Alencar) aderiu ao movimento devido à influência pernambucana sobre os cearenses. depôs às autoridades monárquicas. condenados e fuzilados no Campo da Pólvora (Praça dos . o que futuramente provocaria. não “sensibilizou” a população. Pereira Filgueiras se rendeu e faleceu em Minas Gerais. O movimento foi sufocado 8 dias após o início – 11 de abril de 1817. marchou para o prédio da Câmara Municipal. O descontentamento da elite continuaria. aliados de D. O Ceará. mas suas causas não. estourou em Pernambuco. Feliciano Carapinima e Azevedo Bolão foram julgados. separatista (tinha o propósito de separar a região do restante do Brasil) e republicano (desejava proclamar uma República) contra o autoritarismo e centralismo do governo de D. deliberando-se pela anexação do Ceará à Confederação. depois. Os rebeldes tomaram ainda a vila de Jardim. Francisco Ibiapina. Assim. Revolução Francesa e independência dos EUA). a adesão dos cearenses à “revolução” pernambucana de 1817 parecia certa. Mas. soltou os presos e içou uma bandeira branca. José Pereira Filgueiras. a neutralidade do capitão do Crato. Os rebeldes conseguiram apoio da Paraíba e do Rio Grande do Norte. a Confederação do Equador. A dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 e a outorga da Constituição de 1824 por D. Somente a família Alencar. no dia 3 de abril de 1817. de início. ao descontentamento geral com a crise econômica da região e ao temor dos “patriotas” (liberais) em perder o comando do Ceará para os “corcundas” (conservadores. Pedro I provocou protestos no Ceará. aderiu ao movimento. entretanto. Essa “revolução” era influenciada pelas idéias iluministas européias. Pedro I (1822-31). Os membros da família Alencar e outros líderes foram presos e enviados para Fortaleza e. estava pronto para reprimir qualquer movimento contra os interesses da coroa portuguesa.faziam-se presente no Ceará. o movimento era frágil. os rebeldes ficaram isolados. acabaram anistiados. Assim. Tristão Gonçalves morre em combate. 5. visando a independência da colônia ante a exploração portuguesa. A participação cearense na “revolução” foi pequena – a crise do algodão não atingira intensamente ainda a capitania. obtendo. em 1824. a mais importante mobilização rebelde da região. Dali. A revolta. O movimento fora sufocado. os liberais. José Martiniano de Alencar (jovem seminarista enviado por Pernambuco para “revolucionar” o Ceará). Pe. Pedro I) Costa Barros. Além disso. A elite praticamente não aderiu e as massas não se mobilizaram. em frente à igreja do Crato. o governador do Ceará. tendo à frente Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves. fracassaria – o Ceará foi a última província a se render. Salvador (BA).

Pedro I abdicou ao trono do Brasil. poderíamos falar da pressão da campanha abolicionista. até a maioridade deste. sendo fuzilado no Crato em 1834. sob o pretexto que pretendia o regresso de D. Mas a abolição não veio por “bondade” dos cearenses. não absolvia muita mão-de-obra escrava negra (assim. UNIDADE 6 O CEARÁ NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX 6. Inexistia tráfico negreiro direto da África para o Ceará. Após vários adiamentos. em consequência da oposição movida. Há explicações para essa “precocidade”. de tendência liberal. e de Jardim. “progresso” e “modernização” do Iluminismo. Sempre houve resistência negra contra a escravidão. As ideias de “civilização”. Em primeiro lugar. Pedro I e tornou-se aliado da monarquia daí em diante.1. baseada no binômio gado-algodão. num dos quais faleceria o liberal José Pinto Cidade. os liberais moderados. o País seria governado por regentes. Perseguido pelos liberais. Pedro. ligados à família Alencar. sobretudo. bem como o governo regencial. com muitas revoltas. chegaram ao governo cearense e passam a perseguir um grande desafeto: Pinto Madeira. virando. entregue ao presidente José Mariano de Albuquerque. do positivismo e outros sistemas filosóficos chocavam- . pela elite latifundiária.Mártires/Passeio Público). Desde o início da colonização. Joaquim Pinto Madeira era um coronel de milícias da vila de Jardim. Pedro de Alcântara. absolutista e aliado de D. Com a queda de D. Exércitos formados por sertanejos humildes de Crato e Jardim travaram sangrentos combates. em 1884. etc. era local e estava nas disputas entre os coronéis de Crato. para os bairristas. a abolição não traria muitos abalos para a economia local). que então ocupava o governo cearense. Pedro I. Madeira articulou uma revolta. “terra da luz”. Abolicionismo no Ceará Tradicionalmente considera-se o Ceará como a primeira província do Brasil a abolir a escravidão em 1884. O governo provincial cearense. A Pinto Madeira não foi sequer dado o direito de recorrer da decisão. D. Pedro ao trono. pelo domínio político do Cariri cearense. A Sedição de Pinto Madeira Em 1831.3. a província “acabou” com o sistema escravista. ocorreu uma influência marcante da cultura européia sobre os cearenses na segunda metade do século XIX. a economia cearense. para escapar às perseguições dos inimigos. A fase regencial (1831-40) foi conturbada. com o mercenário francês Pedro Labatut. Como no resto do Brasil. citaríamos o pequeno número de cativos e sua menor influência na economia local – como vimos. se verificava a escravidão negra no Ceará. porém. José Martiniano de Alencar foi perdoado por D. autoritário. foi julgado e considerado culpado pelo assassinato do citado José Pinto Cidade – isso por pressão de seu inimigo José Martiniano de Alencar. Pinto Madeira rendeu-se. A causa principal da revolta. 5. de tendência absolutista. Como o herdeiro. o que não descartava “negociações de cotidiano”. Em outubro de 1832. intervieram no confronto contra Pinto Madeira. “berço da liberdade”. Em segundo. tinha apenas 5 anos. Quatro anos antes da Lei Áurea.

exportador e comercial. em virtude da desorganização da produção dos Estados Unidos (principais fornecedores das fábricas inglesas). principalmente na época das secas.2. mas ao fim da escravidão de forma “ordeira”. superando Aracati. a exemplo da borracha. Meruoca. priorizando a compra de cartas de alforria. à doenças. em escala menor. não visava uma ruptura radical. Maranguape. por conseguinte. etc. 6.se com uma instituição tão brutal como o sistema escravista. inclusive. Uruburetama e Araripe. a 25 de março de 1884. Apesar dessa “modernização”. Grande. inicia-se a construção da EFB) e o comércio (com a instalação. açúcar e. de negocistas estrangeiros). Ampliam-se os serviços urbanos e de transportes (em 1870. Economia Na segunda metade do século XIX. à sede. o “Dragão do Mar”. Essa campanha abolicionista. em janeiro de 1883. Aratanha. contudo. citaríamos o tráfico interprovincial (a venda de escravos do Nordeste para os cafezais do Sudeste). a) a construção e melhorias de estradas e ferrovias. Fortaleza deu liberdade a seus cativos em 24 de maio de 1883.) e a atuação dos setores populares que aderiram à ideia abolicionista – o maior exemplo foi Francisco José do Nascimento. inaugurada em 1873.3 A Hegemonia de Fortaleza A capital cearense assume na segunda metade do século XIX. que liderou o jangadeiros em vitoriosas greves em 1881. não se alterou a estrutura sócio-econômica do Ceará. a condição de principal núcleo econômico. político e social da província. beneficiando-as com obras – assim. Houve igualmente a ampliação das atividades tradicionais (como a pecuária) e a diversificação da pauta de exportação. que terminou o século XIX em grave crise desse modelo agro. a expansão da economia brasileira. Assim. produto que chegou algumas vezes a superar as exportações de algodão. Em terceiro. mergulhados na brutal Guerra da Secessão (1861-65). d) e a intensa migração rural-urbana. como a Estrada de Ferro Fortaleza-Baturité (EFB). Por isso. 6. cultivado comercialmente desde o final do século XVIII. Acarape (atual Redenção) passou para a história nacional como o primeiro núcleo urbano a libertar seus negros. O algodão cearense. que diminuía ainda mais o número – e o peso econômico – dos escravos locais. na década de 1860 precisamente – isso porque os preços da fibra atingiram um alto patamar. . à fome. a condição de capital de Fortaleza transformo-a em ponto destacado na recepção de obras e recursos. b) a centralização política da monarquia brasileira. Essa vultosa produção algodoeira tinha em Fortaleza seu grande centro coletor e exportador. promulgouse lei inviabilizando a escravidão na província – embora existam registros de cativos no Ceará em datas posteriores. o Ceará reproduziu. Para tanto contribuíram: a) os capitais acumulados com o comércio algodoeiro e de outros produtos. com destaque. Finalmente. visando o fim do regime servil. sendo cultivado em serras como Baturité. segmentos das elites e das classes médias fundaram entidades abolicionistas (como a “Sociedade Cearense Libertadora” e o “Centro Abolicionista”). que concorria para concentrar nas capitais das províncias todo o poder decisório. o café. Também deve-se mencionar a questão das secas (era inviável um grande número de negros numa área sujeita a secas e. objetivando impedir o embarque de escravos no porto de Fortaleza. conheceu o apogeu na segunda metade do século XIX.

idéias do velho mundo. casacos. a Padaria Espiritual. como a de 1877-80. o . beato Zé Lourenço e o líder de Canudos (BA). Passa a ter transporte coletivo por bondes de tração animal. jornais. Num desses cafés. entre 1896 e 1912. objetivando disciplinar a expansão da cidade através do alinhamento de suas ruas e da abertura de novas avenidas. a arbitrariedade e a exploração da massa pelos coronéis latifundiários. no entanto. Os intelectuais reuniam-se nos famosos “cafés” (quiosques) da Praça do Ferreira. o engenheiro pernambucano Adolfo Herbster elabora um plano urbanístico. Um dos meios foi através dos movimentos messiânicos. Em 1875. Foram líderes messiânicos nordestinos: padre Ibiapina. reduzir-se-iam com a recuperação da cotonicultura norte-americana na década de 1870. Os camponeses sofriam os males da concentração da terra. Mas se Fortaleza conhecia algum progresso material. levando à formação de oligarquias). entre outros.O crescimento de Fortaleza se evidencia em seu “aformoseamento”. em 1892. entendemos o grupo político liderado pelo comendador Nogueira Accioly. defendiam a cultura popular e. que dominou de forma autoritária. Antônio Sales. telefonia. UNIDADE 7 A OLIGARQUIA ACCIOLINA Por oligarquia acciolina. Com isso. O povo migrava sobretudo para a Amazônia. calçamento nas ruas centrais. padre Cícero. Lopes Filhos. o Ceará entrou no século XX em difícil situação econômica. linhas de telégrafo e de vapor para a Europa e Rio de Janeiro. no entanto. iluminação à gás carbônico. partiam para a violência como meio de escapar da miséria. o Java. outros muitos morriam nos surtos de varíola. criticavam os valores da época. Imperava a impunidade. bons educandários (como o Liceu e o Colégio Imaculada Conceição). morto apenas em 1938. Mas os oprimidos reagiram. onde imperava ainda a violência. Curiosamente. foi fundamental a adesão à política dos governadores (um mecanismo de apoio mútuo entre o presidente da república e os governadores dos Estados. foi o algodão encalhado e os capitais acumulados do comércio que possibilitaram a instalação das pequenas primeiras fábricas têxteis cearenses. O Passeio Público era local de encontros e paqueras. nomes franceses. formariase a mais irônica e crítica associação de letrados cearenses. corrupta e monolítica o Estado do Ceará. condições de vida melhores e assistência espiritual. em que o povo seguia um líder religioso em busca de dignidade. Grupos de jagunços a serviço de coronéis lutavam por terra e influência política. nepótica. etc. Os lucros do algodão. ofertas de serviços urbanos e adoção de uma infra-estrutura razoável. antecipavam a preocupação nacionalista da Semana de Arte Moderna paulista de 1922. o Lampião. homens como Adolfo Caminha. As secas. massacrando inocentes. saqueando. em Sergipe. o mesmo não se podia dizer dos sertões. Antônio Conselheiro. onde ia explorar os seringais. É a chamada Belle Époque. Outros nordestinos. O Pão. Formavam grupos de cangaceiros. biblioteca pública. A elite inspirava-se nos valores “civilizados” da Europa – luvas. Para tanto. despótica. dizimavam de fome e sede milhares de cearenses. Em sua publicação. assaltando e amedrontando e todos. O mais famoso líder do cangaço dos sertões foi Virgulino Ferreira. seminário (da Prainha). chapéus. de certo modo.

mergulhando numa verdadeira guerra civil (21 a 24 de janeiro de 1912). Em seguida. Accioly aceitou renunciar ao governo cearense. sendo. virou um “coronel de batinas”. chegava à Presidência da República o gaúcho Hermes da Fonseca. Cícero e Floro participariam da Sedição de Juazeiro. em 1904 e 1908. Em 1889. acabou entrando em atrito com a romanização promovida pela alta cúpula da Igreja Católica. A campanha foi bastante agitada e violenta. que criticava o descaso do governo ante um surto da doença. a candidatura do tenente-coronel Marcos Franco Rabelo para o governo. ganhando o respeito da comunidade por seu trabalho religioso. Uma das oligarquias “derrubadas” foi a de Accioly no Ceará. ao envolver-se com políticos. eleito para desmascarar Accioly. Isso intensificou as ações dos oposicionistas. em 1844 e instalou-se em Juazeiro no ano de 1872. porém. na Sedição de Juazeiro. as oposições cearenses lançaram. Cícero aliou-se aos políticos e oligarcas visando preservar Juazeiro dos inimigos. Assim. isto é.apoio dos coronéis latifundiários. o homem forte da república. uma manifestação dos rabelistas. Tal milagre não foi aceito pela cúpula católica. verificou-se a ocorrência da chamada “política das salvações”. Faleceu em 1934. A morte de Floro em 1926 e a Revolução de 30 marcaram a decadência de Cícero. com a política de valorização dos dogmas e da hierarquia católica promovida a partir do final do século XIX pelo Vaticano. Em conseqüência. A atuação política do Padre aumentou com a chegada de Floro Bartolomeu. pela qual militares e classe média promoveram pelo País levantes armados na pretensão de derrubar as oligarquias estaduais e enfraquecer o senador Pinheiro Machado. Ao contrário de Antônio Conselheiro em Canudos. Para não perder a vida. obteve destaque por ter realizado um “milagre”. acabou sendo uma continuidade da oligarquia. No primeiro mandato de Accioly (1896-1900). quando a oligarquia atritou-se com o farmacêutico Rodolfo Teófilo. Cícero nasceu no Craro-CE. destacaram-se a corrupção em larga escala e o “caso da vacina”. respectivamente. contribuindo para a queda do governador cearense Franco Rabelo. tendo como clímax a repressão do governo à “passeata das crianças”. e Cícero acabou perseguido. pela classe média. corrupção eleitoral e repressão às oposições. na qual morreram e saíram feridas diversas crianças. deposto dois anos depois. Nos últimos anos de vida. por burgueses. tentou inutilmente recuperar os plenos poderes do sacerdócio. dentro da “política das salvações”. integrados por oligarcas dissidentes do esquema governista. Pe. O governo de Pedro Borges (1900-04). para as eleições estaduais de 1912. por populares e até por coronéis. transformando em sangue uma hóstia na boca da beata Maria de Araújo. UNIDADE 8 PADRE CÍCERO A trajetória de Padre Cícero Romão Batista foi de polêmicas. Em seu período. à aliança com fortes grupos econômicos locais. Juazeiro prosperou bastante em função do “milagre”. Franco Rabelo foi eleito para governar o Ceará. em 1914. em 1914. a cidade de Fortaleza rebelou-se. Accioly foi ainda reeleito para dois mandatos. Em 1910. UNIDADE 9 . a prática de nepotismo. seu “alter ego”. enquanto Accioly apontava como seu candidato o manipulável Domingos Carneiro. Para os críticos. Praticante de um catolicismo popular.

Pinheiro Machado. sem êxito. contudo. Getúlio Vargas chegava à Presidência da República através duma “revolução”. foi nomeado interventor o médico Fernandes Távora (1931). Logo. após o afastamento das oligarquais da primeira república. O povo sertanejo. centralismo político. marcharam sobre Fortaleza e obrigaram Rabelo a renunciar ao governo cearense (antes. Este. Távora. Diversas vezes. João Brígido e outros oligarcas. As Interventorias Em 1930. era um dissidente das oligarquias “caídas” em 30. Os golpistas. com a “Revolução de 30”. O governador das “salvações”. Rabelo. possuía o apoio dos fortalezenses. inábil. dirigiu-se a Juazeiro.A SEDIÇÃO DE JUAZEIRO (1913-14) Tal fato liga-se ao fracasso nacional da “política das salvações” – o presidente Hermes da Fonseca. temerosos da volta de Accioly e da fúria vingativa deste. . os opositores concluíram que a única forma de acabar com o “salvador” seria com uma revolta vinda do interior para capital. na pretensão de derrotar os golpistas. quando.1. Dessa maneira. o presidente Hermes da Fonseca já havia decretado a intervenção no Estado). na realidade. eleito em 1912. Pinheiro Machado e as oligarquias articularam revoltas armadas nos estados. onde tinham o apoio do deputado Floro Bartolomeu e do padre Cícero Romão Batista. enviou tropas para aquela cidade caririense. Os oposicionistas convocaram extraordinariamente a Assembléia Legislativa em Juazeiro e cassaram o mandato de Rabelo. sendo o povo reprimido em suas manifestações. após alguns meses de combate. Nogueira Accioly. industrialização de base. pois continuou com as práticas políticas do período histórico anterior. de Juazeiro. passaram os Estados a serem governados por interventores – indicados por Getúlio e escolhidos entre os tenentes e civis que haviam apoiado o golpe varguista. votar o “impeachment” do “salvacionista”. mas. após o fim da oligarquia acciolina. de Fortaleza. acabaram derrotados pelos seguidores de padre Cícero. Vitoriosa a “Revolução” de 30. pensando ser uma agressão ao santo “Padim Ciço”. o povo da capital cearense frustrou as pretensões golpistas dos opositores de Franco Rabelo. Queria-se. Os homens de Rabelo cercaram Juazeiro. UNIDADE 10 O CEARÁ NOS ANOS TRINTA 10. para lutar numa “guerra santa”. Após a Sedição de Juazeiro. Tal quadro se manteria até 1930. com apoio de Hermes da Fonseca. visando derrubar os governos “salvacionistas” no poder. houve um reajuste das forças políticas locais. que governou por pouco tempo. arquitetaram um plano golpista nos sertões. Iniciava-se uma nova era para o País: leis trabalhistas. e se constituíram nas figuras centrais da Sedição de Juazeiro. houve um relativo equilíbrio entre as oligarquias cearenses – nenhuma delas dominou sozinha o Estado. etc. afastar dos governos estaduais as oligarquias da República Velha e se colocar em prática as medidas centralizadoras da Era Vargas. o “salvador” cearense. em poucos meses perdeu o apoio de muitos dos políticos que o tinham ajudado a chegar ao poder – daí porque a Assembléia Legislativa tentou. assim. então. No Ceará. Assim caiu Franco Rabelo. Floro e Cícero haviam sido aliados da oligarquia acciolina.

10. O Caldeirão . ao surgimento de entidades operárias de esquerda. indiretamente. Aliado ao PSD. por seus vínculos religiosos e apoio dos latifundiários interioranos. Mas não obteve sucesso devido ao apoio agora prestado pela Igreja aos integralistas. intervencionista. essa sigla religiosa elegeu a maioria dos deputados constituintes em 1933. a LCT acabou filiando-se à AIB (Ação Integralista Brasileira) de Plínio Salgado. A LEC também apoiava os segmentos fascistas que organizaram por essa época a AIB (Ação Integralista Brasileira) no Ceará. Visava criar um estado centralizado. corporativista. falecido em 1999). o que ensejou a reorganização dos partidos locais. foi preso e exilado em Portugal. Foi um movimento de muita violência e autoritarismo. Mas. Nessa seca. Em seu período. Sombra pensava em estender a legião para todo o Brasil. enquanto as tradicionais oligarquias. que se tornou rival de Sombra. cristã. no ano posterior. como interventor do Estado Novo. entre 1935 e 1937. as antigas oligarquias cearenses da primeira república retomavam o poder. Menezes Pimentel. às disputas com a própria LCT e à lei de sindicalização de Vargas. um dos mais importantes líderes da ala progressista da Igreja. Em 1933. a LCT e AIB foram fechadas em 1937. paternalista. Sombra conseguiu muito sucesso com a LCT devido ao baixo grau de organização e politização dos trabalhadores. “protegendo” os trabalhadores. Depois. existente no Ceará entre 1931 e 1937. Também se destacou na entidade o padre Hélder Câmara (depois. Os tenentes e liberais apoiadores da “Revolução” de 30 fundaram o Partido Social-Democrático (PSD). sendo fundada e liderada pelo tenente Severino Sombra. à política de conciliação do interventor cearense Carneiro de Mendonça e ao apoio da Igreja e da LEC. que realizou uma gestão agitada. por apoiar a Revolução Constitucionalista de 1932. harmonioso e corporativista. com a implantação da ditadura do Estado Novo. O terceiro interventor foi Felipe Moreira Lima (1934-35). abandonou a LCT e fundou no Ceará uma entidade semelhante. O pensamento da LCT e de Sombra estava no livro “Ideal Legionário”. ante fortíssima seca. os cearenses foram enviados para combater a Revolução Constitucionalista de São Paulo. obteve enorme penetração no eleitorado cearense. A LEC. A Campanha Legionária. junto com segmentos conservadores da Igreja.O segundo interventor cearense foi Roberto Carneiro de Mendonça (193134). como governador legal. anticomunista e antiliberal. não conseguindo obter a chefia da AIB. convocaram-se eleições para uma Assembléia Constituinte.3. e entre 1937 e 1945. reuniram-se na Liga Eleitoral Católica (LEC). no ano de 1932. Sombra retornou do exílio e. nacionalista. a Campanha Legionária. Dessa forma. Dessa maneira. que procurou conciliar os “revolucionários” de 1930 com os oligarcas da Velha República. 10. Menezes Pimentel administrou o Ceará por 10 anos. o novo governador do estado. Em 1933. não conseguiu evitar que a LEC vencesse as eleições para deputado estadual de 1934 e elegesse. autoritária. A Legião Cearense do Trabalho (LCT) A Legião Cearense do Trabalho (LCT) foi uma organização operária conservadora. ergueram-se campos de contração para controlar os flagelados da estiagem.2.

mataram alguns policiais. UNIDADE 11 O CEARÁ NA REPÚBLICA POPULISTA (1945-64) 11. Enviou-se em seguida.1. sendo o boi morto. O Caldeirão tornou-se um Canudos em dimensões menores. na pretensão de atingir estes. Lourenço recebia a todos. adversários políticos de padre Cícero e Floro Bartolomeu. as classes dominantes passaram a difamar ainda mais a comunidade de Lourenço. dividindo entre os trabalhadores o produzido. o “União”. Seu corpo está enterrado em Juazeiro. negro e analfabeto. Comprou um pequeno sítio. em Exu (PE). sendo aconselhado pelo padre Cícero (de quem era seguidor) a se estabelecer na região e a trabalhar com algumas das famílias de romeiros. então. torturas e repressão. Mas. massacrando os camponeses (os dados são imprecisos. paraibano. as atividades políticas cearenses praticamente inexistiram. Talvez por volta de 1926. Para complicar. um grande contingente policial para a Serra do Araripe. a Igreja condenava a religião popular praticada na comunidade. quando veio a falecer.O Caldeirão foi uma comunidade religiosa e coletiva surgida no Crato sob a liderança do beato Zé Lourenço e destruída em 1936 pelo governo de Menezes Pimentel. Lourenço e sua gente instalaram-se. Arrendou. queriam vingança e. Lourenço foi preso. visto que os latifundiários perdiam a mão-de-obra barata que exploravam. a comunidade foi dispersa e o sítio. . Na década de 1920. muitos nordestinos foram para lá. Alguns moradores. Em busca de uma vida digna e de conforto espiritual. O progresso do Caldeirão incomodou as elites. padre Cícero acomodou Lourenço e os seguidores deste no sítio Caldeirão. ficou por herança para os padres salesianos. Nessa fase de autoritarismo. um lote de terra no sítio Baixa D’anta e passou a desenvolver um fenomenal trabalho coletivo. José Lourenço conseguiu escapar. liderados por Severino Tavares. retornando mesmo depois ao Caldeirão – as autoridades convenceram-se de que ele não participara da emboscada aos policiais. retirou-se da terra por nova pressão dos salesianos. após a morte de padre Cícero em 1934. O sítio rapidamente prosperou e começou a chamar a atenção. Em setembro de 1936. e o sítio prosperava num sistema igualitário e coletivo. o País vivia um clima de histeria anticomunista – Lourenço foi acusado de ser um agente bolchevique! Como o sítio. vivendo em paz até 1946. nomeado por Vargas. realizando uma emboscada. foi o Ceará administrado pelo interventor Menezes Pimentel (que governava já desde 1935). em maio de 1937. A “Redemocratização” de 1945 Durante o Estado Novo (1937-45). o novo dono do sítio Baixa D’anta exigiu que o beato e os camponeses deixassem a terra. de sua propriedade. no alto da Serra do Araripe e reorganizaram uma nova comunidade. Além disso. no final de 1939. mas especula-se entre 300 e 1000 mortos). incendiado numa ação da polícia. então. Pouco depois. espalharam o boato de que as pessoas de Baixa D’anta estavam cultuando a um boi como se fosse santo. José Lourenço. com o apoio da Igreja e dos latifundiários. chegou a Juazeiro por volta de 1890. censura.

etc. chefiado por Olavo Oliveira. O PSD. Os dois principais partidos do período. e outra. verbas públicas. em virtude do estado ser uma região pobre. no norte.Com o envolvimento do Brasil na II Guerra Mundial (1939-45). chefiada por José Sabóia de Albuquerque. manifestos e passeatas contra o nazismo. Essa fragilidade fica clara quando se percebe que no período 1945-64. Ao contrário. Milhares de cearenses foram para o norte em busca de “tempos novos” – a maioria só encontrou miséria e até mesmo a morte na floresta. então chefiada pelo bispo Dom Almeida Lustosa. . de Sobral. nas eleições. Na UDN tinham-se duas facções: uma do sul do Ceará. Não eram agremiações de forte conteúdo ideológico. A Fragilidade das Elites A novidade no pós-45 foi a existência de partidos nacionais (até então os partidos eram estaduais). como no restante do Brasil. Assim. porém. Também surgiu uma secção do Partido Comunista do Brasil (PCB) – apesar de toda a campanha anticomunista movida pela classe dominante e pela igreja Católica. possuía como maiores líderes Menezes Pimentel. Era o “fiel da balança”. o “olavismo” ora apoiava a UDN. 11. de solos ruins e castigada por secas periódicas. José Martins Rodrigues e Expedito Machado. atuaria como “fiel da balança” nas disputas eleitorais cearenses. havia dentro desses partidos alas brigando entre si. Ao mesmo tempo. a capacidade de estar no poder. Era a “Batalha da Borracha”. além da própria divisão interna das camadas dominantes. privilégios econômicos. No Ceará. UDN e PSD. O País se “redemocratizava”. marcando-se eleições e formando-se partidos nacionais. o governador não conseguia eleger seu sucessor. em virtude da econômica precária (baseada na exportação agrícola e no comércio). não evitou especificidades políticas locais. A demissão de Menezes Pimentel da interventoria local e a coligação entre PSP e UDN deram aos udenistas a vitória nas eleições de 1947. montou-se uma base norte-americana em Fortaleza. os opositores ao interventor Menezes Pimentel organizaram a secção local da União Democrática Nacional (UDN). liderada por Fernandes Távora. alternam-se no poder. elitistas. as manifestações contra o nazismo passaram a criticar igualmente a ditadura getulista. como adiante veremos). enquanto o interventor fundava o Partido Social Democrático (PSD). que pelo menos na década de 50. surgido da burocracia do Estado Novo. Um grupo chefiado por Olavo Oliveira deixaria o PSD e formaria o PSP (Partido Social Progressista). mudando os hábitos locais e empolgando a população. capaz de decidir as eleições. Da mesma forma. No Ceará. Quem ganhava era a oposição (exceção dá-se em 1962. que realizou diversos atos. E o Estado Novo caiu como um castelo de areia. O que lhes dava um pouco de unidade era o clientelismo. havia outro complicador do jogo político: a histórica fragilidade estrutural das elites cearenses. uma intensa propaganda governamental influenciava os sertanejos a migrar para a Amazônia e explorar látex nos seringais da região num “esforço de guerra”. organizou-se o Partido Social Progressista (PSP). sem muito conteúdo ideológico. elegendo o governador Faustino Albuquerque. ora o PSD. o que. garantir cargos.2. Dependendo de quem lhe ofertasse mais vantagens. Eram agremiações conservadoras.

quando. baseada na industrialização (influência direta do “nacionaldesenvolvimentismo”). em l947. criar o Banco do Estado do Ceará (BEC) para facilitar financiamentos e instalar o Primeiro Pólo Industrial. O Partido Comunista do Brasil liderou o movimento estudantil universitário e instalou campos de treinamentos de guerrilheiros visando apoiar a futura guerrilha do Araguaia. Após a cassação do registro do PCB. o qual. O único momento em que um governo elegeu seu sucessor foi em 1962. enquanto no . representava genuinamente no Ceará o populismo reinante no Brasil. UDN e PSD se coligaram e se formou a chamada “União Pelo Ceará” – coligação de direita das elites. UNIDADE 12 O CICLO DOS CORONÉIS O golpe de 1964 ocorreu exatamente um ano após a posse de Virgílio Távora. chefiado pelo ex-interventor e prefeito de Fortaleza entre 1947-51 Acrísio Moreira da Rocha. um novo partido iria superar o “olavismo” como “fiel da balança”. pois. Paulo Sarasate (UDN 1955-58). Na sucessão. o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). muitos recursos para seus projetos industrialistas. Távora não conseguiu indicar um nome de seu agrado. só perdendo um cargo importante: uma vaga no Senado. figura carismática. Carlos Jereissati (PTB). do PSD e do PSP. Com Távora no governo. sobre a chefia do rico comerciante Carlos Jereissati – elemento vinculado nacionalmente ao getulismo e a João Goulart. Essa aproximação de Távora com Jango fez até com que alguns militares “linha dura” pedissem a cassação do governador. O coronel ficou então dividido. junto aos golpistas. pois. As esquerdas buscaram se reorganizar após o Golpe de 64. ocorrem várias prisões de militantes de esquerda e cassações de parlamentares.Havia ainda. tendo grande influência junto ao movimento estudantil através do PORT (Partido Operário Revolucionário Trotskista).PSD/“União Pelo Ceará” 196366). sob as bênçãos do governador Parsifal Barroso. Távora escapou da deposição por sua amizade com Castelo Branco e influência do tio. a ARENA reuniu a maior parte dos políticos da UDN. contudo. obteve. que tinha como candidato Virgílio Távora. em Maracanaú. BNB e Governo Federal. a Ditadura acabou beneficiando Távora. Foram governadores do Ceará nesse período: Faustino Albuquerque (UDN 1947-51). muitos comunistas foram “abrigar-se” no PR. contando com a amizade do presidente (cearense) Castelo Branco. Juarez Távora. tendo como maior reduto a capital. o pequeno Partido Republicano (PR). atrair indústrias do Sudeste. AP (Ação Popular) e PCdoB. teve-se o incremento da “modernização conservadora” cearense. A longo prazo. apesar de criticar as “Reformas de Base” de João Goulart. PTB 1959-63) e Virgílio Távora (UDN. Raul Barbosa (PSD 1951-54). A “União pelo Ceará” foi esmagadoramente triunfante nessas eleições. junto com os irmãos Péricles e Crisanto. era seu amigo pessoal e fora dele ministro. conseguir recursos da SUDENE. ALN (Ação Libertadora Nacional) e PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) fizeram ações armadas no Ceará. A partir de mais ou menos 1954. Com o golpe de 1964. Daí Virgílio ter se esforçado para trazer para o Ceará a energia de Paulo Afonso. Parsifal Barroso (PSB. além de prestígio político. O eleito foi exatamente seu adversário maior. O quadro político mudara com a instalação do bipartidarismo no país (no Ceará.

Mas foi ilusória a vitória dos coronéis. a Virgílio. como o sistema Pacoti-Riachão. para surpresa geral. Até aquela . não deixando espaços para o MDB local. nos anos de 1970 e início da década de 1980. PMDB). o acordo dos coronéis passa a se desestruturar. enquadra-se dentro de um projeto político burguês-capitalista. dentro da ARENA fortalecia-se o grupo do coronel Adauto Bezerra. que. apenas se referendasse o nome indicado pelos militares). a prefeitura de Fortaleza. Surgiam assim os famosos três “coronéis do Ceará”. cabendo a Adauto o cargo de vice. Estes haviam preparado a “modernidade” do estado. a energização rural e o término do Distrito Industrial. embora. Paulo Sarasate. passaria a governar o Ceará. foi a vez de Adauto Bezerra assumir o poder local. o que não agradou muito Vírgílio Távora. além dos cargos executivos. mas suas práticas autoritárias e clientelistas ironicamente os enfraqueceriam. No ano de 1979. Em 1986. UNIDADE 13 A GERAÇÃO CAMBEBA Em 1986. das esquerdas e uma ala do PSD. que firmou o “Pacto de Brasília”. um deles Tasso Jereissati. Mas tal fato não foi ocasional. conseguiu que fosse eleito. derrotando os três famosos coronéis do Ceará. e a pressão dos militares do Recife. Na realidade. seria o governador. Em 1971. que governa o Estado entre 1966-71. ligada ao cultivo de algodão e ao ramo bancário. do PT. os três coronéis disputavam acirradamente nos bastidores a indicação de quem seria o novo governador do estado. Após a administração de César Cals (1971-75). Virgílio Távora. Vírgílio Távora. com o apoio de Geisel. quando “jovens empresários” assumiram o controle do Centro Industrial Cearense (CIC). uma vaga no Senado e a César Cals. Ante o impasse. Adauto. na base dos 33% dos cargos públicos de lo e 2o escalões. chefiada por José Martins Rodrigues) e com a determinação de eleições indiretas para governador (seria este escolhido pelos deputados estaduais. ligado a Virgílio Távora). Eram tempos de “mudanças”. Adauto Bezerra e César Cals. figura vinda de uma poderosa família de Juazeiro. na prática. “um homem neutro” (na prática. regressou ao governo cearense e consolidou a transição para a “modernidade conservadora”. amigo de Castelo Branco e ardoroso defensor da “Revolução” de 1964. Gonzaga Mota. dominaram politicamente o Estado. Concomitantemente. todos militares de carreira. um grupo de “jovens empresários”. com origens no ano de 1978. e inaugurando uma nova etapa política no estado. o obscuro deputado Plácido Aderaldo Castelo. Maria Luiza Fontenelle. era eleita prefeita de Fortaleza. pelo qual os coronéis dividiriam o Estado entre si. Com a “distensão política” e a “abertura democrática” ocorridas no País no final da década de 1970 (a ARENA virou PDS e o MDB. Tinham entre si um acordo (“Acordo dos Coronéis”) que os mantinha na “cúpula” do Estado e “dividia” as bases entre eles. que contava em voltar ao poder. Abria-se espaço para novas forças políticas: em 1985. com obras estruturais e de cunho industrialista.MDB ingressaram políticos do PTB. Tasso Jereissati era eleito governador do Ceará. governando entre 1975-78. foi indicado para governar o Ceará um tecnocrata. com as bênçãos do presidente da República. Em 1982. Vírgílio e César. Assim ocorreu nas eleições de 1982. a questão sucessória foi levada ao presidente Figueiredo. Médici. o coronel e engenheiro César Cals de Oliveira.

onde nos . porém. coronel Adauto Bezerra. O Cambeba (Palácio do Governo e sinônimo dos partidários de Tasso) procurou descredenciar essa oposição chamando-a genericamente de “forças do atraso”.). derrota o candidato do PFL (dissidente do PDS. o investimento em obras de infra-estruturas (sobretudo a partir do segundo mandato de Tasso. a chefia do CIC era ocupada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FlEC). Depois. A geração Cambeba procurou a “modernização” da máquina administrativa cearense. ou seja. a promoção de uma “gestão técnica” e pró-capitalismo do Estado. com a austeridade nos gastos públicos. elementos “corporativistas”. diminuindo o nepotismo e o empreguismo – embora achate o salário dos servidores públicos e tenha com estes uma relação de atritos. Amarílio Macedo. sob o lema “Governo das Mudanças”. Em pouco tempo. a probidade no trato com a coisa pública (sem privilégios a particulares). o “Governo das Mudanças” elimina a intermediação de “políticos profissionais”. “fiel” a Tasso. o que lhe traz um certo isolamento da sociedade civil e a tacha de autoritário. Encontrando o Estado em lastimável situação financeira. criticavam duramente o excessivo intervencionismo do Estado na economia.data. Tasso. já rompido com seus “padrinhos políticos” (os coronéis). pessoas de “interesses contrariados”. valendo-se do sucesso nacional do Plano Cruzado. Visando dar ao governo uma “gestão técnica”. desde os anos 1960. Utilizando também muito “marketing” (um dos estados que mais investe em propaganda no Brasil é o Ceará). com verbas e empréstimos do governo federal e de órgãos internacionais de desenvolvimento) e os estímulos à indústria e atividade conexas. achatamento de salários dos servidores. o clientelismo e outros problemas da máquina pública. eliminação de cargos públicos. a partir da criação do Banco do Nordeste (1952). atual DEM). mesmo daqueles que o haviam apoiado na eleição (daí o grupo tassista ter deixado o PMDB e entrado no PSDB). a geração Cambeba ganhou a hegemonia política do Estado e projeção nacional. pregando uma gestão “moderna”. Tasso Jereissati. apoiaram a candidatura de Gonzaga Mota ao governo em 1982). como Beni Veras. A oportunidade para os “jovens empresários” assumirem o governo dar-se-ia em 1986. Embora tenha o CIC de início mantido boas relações com os coronéis (por exemplo. a corrupção. etc. aumento da arrecadação de tributos. tornam o CIC um centro de debates e gestam uma candidatura ao governo. O então governador Gonzaga Mota (PMDB). Esses “jovens empresários”. Este. corte de gratificações. ganhou forte oposição. com a informatização da burocracia e a qualificação dos servidores públicos). embora as “mudanças” tão propaladas. sobretudo na primeira gestão (1987-91). como a industrialização cearense. mantendo-se. busca moralizar a máquina pública. da crise e decadência das “velhas” elites chefiadas pelos coronéis e contando com o apoio e simpatia de amplos segmentos sociais (até das esquerdas). Um dos maiores núcleos de oposição ao Cambeba encontrava-se em Fortaleza. Em 1994. da SUDENE (1959) e das administrações do coronel Virgílio Távora (1963-66/1979-82). a eficiência da máquina estatal (por exemplo. venha de décadas. (neo) liberal no Ceará e empresarial para “acabar com a miséria”. Ciro iria para o PPS. Tasso seria reeleito ainda em 1998. O domínio cambebista garantiu a eleição em 1990 de Ciro Gomes ao governo pelo PSDB. resolveu apoiar um nome do CIC para concorrer a sua sucessão: Tasso Jereissati. de modo que se buscasse o equilíbrio orçamentário (o que aconteceu principalmente no primeiro mandato de Tasso e na gestão de Ciro Gomes. há o retorno de Jereissati ao Executivo cearense. Sérgio Machado e Assis Machado Neto.

tanto que em 2004 o PT conseguiu eleger Luizianne Lins como gestora da cidade. c) O litoral foi intensamente disputado por índios e forças militares de várias potências européias. Apesar das “mudanças” realizadas pelo Cambeba na política e economia do Estado – o PIB cearense cresceu nos últimos anos em média mais que o do restante do Brasil – não houve empenho suficiente para acabar com a pobreza absoluta que impera no Ceará. Airton de. para o executivo local. salvo as grandes agroindústrias. 2007. marque (V) para as afirmações verdadeiras e (F) para as falsas: . o projeto burguês-capitalista do “Governo das Mudanças” não alterou substancialmente a concentração de renda no estado. neoliberal. Simone (organizadora). d) A conquista do litoral cearense foi empenhada por motivos econômicos. Fortaleza: Livro Técnico. História do Ceará – da Pré-história ao Governo Cid Gomes. e várias fortificações foram construídas por portugueses e holandeses. incrementando a miséria e o êxodo rural. quando foi eleito Cid Gomes. O grupo dos Ferreira Gomes conseguiu formar um governo coligando vários agrupamentos político. Recomendações Bibliográficas FARIAS. O modelo capitalista. QUESTÕES 01. por fim. quase não contanto com oposição institucional. 2007. também uma das maiores do País. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. Uma Nova História do Ceará. SOUSA. Ao contrário. urbano e industrialista abandonou quase por completo a agricultura interiorana. (UECE) Sobre o processo de ocupação da costa cearense durante o século XVII. perder o comando cearense em 2006. Na capital também são fortes as esquerdas. numa dramática e apertada vitória sobre o petista José Airton Cirilo e. Manteve praticamente o mesmo modelo econômico e administrativo da Geração Cambeba. irmão de Ciro Gomes. pode-se afirmar corretamente: a) Os portugueses aliaram-se aos indígenas que habitavam essas terras e construíram fortes apenas para defender o centro do comércio do pau-brasil. Sobre os primeiros tempos da história do Ceará. 02.anos 90 e início do século XXI dominou o grupo político conservador do então prefeito Juraci Magalhães. Esse caos social ajuda a entender a dificuldade tida pelo Cambeba para eleger Lúcio Alcântara governador em 2002. b) A presença portuguesa no Ceará tem a ver com a ocupação de Pernambuco pêlos franceses e do Maranhão pelos holandeses. já que o cultivo de cana-de-açúcar estava bastante desenvolvido e o açúcar necessitava ser transportado diretamente para Portugal.

chegaram às terras do Siará Grande em 1607.a) ( ) O donatário da capitania do Ceará.A resistência armada dos povos nativos do território cearense aos colonizadores estendeu-se até o final do século XIX. na figura de Matias Beck. chegando ao Ceará. Marque a opção verdadeira: A)II e III são falsas B)II e III são verdadeiras C)I e II são verdadeiras D)I e III são falsas . e) ( ) A base da fundação de Fortaleza foi criada pelos holandeses. Geográfico e Antropológico). d) ( ) Numa visão tradicional. quando comparado à conquista do litoral pernambucano. ficando este. No que concerne ao processo de ocupação do território cearense é correto afirmar: I. c) ( ) Não existe relação entre a conquista do Ceará e a luta pela expulsão dos franceses do Maranhão.“A incorporação do Ceará ao Projeto Colonial Português deu-se de modo tardio. não chegou sequer a tomar posse de sua doação.O processo de anexação e ocupação efetiva da Capitania do Ceará ao Projeto Colonial Português só se efetuou no final do século XVII e início do século XVIII II. 2002. e) ( ) Os missionários da Companhia de Jesus Francisco Pinto e Luís Filgueira. Antônio Cardoso de Barres. b) ( ) A primeira tentativa de conquista foi efetuada em 1603. pela bandeira dirigida por Pero Coelho de Sousa. sob a direção governamental do capitão-mor Álvaro de Azevedo Barreto. 21/22.A Capitania do Ceará despertou imediato interesse dos colonizadores portugueses III. As primeiras tentativas de conquista do Ceará só ocorreram no início do século XVII com Pero Coelho de Souza. págs. após a expulsão dos flamengos. a mais duradoura. somente vindo ao Brasil como provedor da fazenda no governo de Tomé de Souza em 1549. que. Fonte: PINHEIRO. No entanto. iniciada ainda na primeira metade do século XVI. Francisco José. construiu o forte de Schoonenborck. por isso ele é considerado o fundador do Ceará. mas não foram bem-sucedidos. Depois com Martim Soares Moreno e por fim. 03. Martim Soares Moreno é considerado o fundador oficial do Ceará. (UECE) . em 1603. com holandeses. Os Povos Nativos do Ceará (uma síntese possível) in: Ceará de Corpo e Alma – um olhar contemporâneo de 53 autores sobre a Terra da Luz – Rio de Janeiro: Relume/Dumará – Fortaleza: Instituto do Ceará (Histórico. as tentativas de conquista ocorridas entre 1603 e 1654 não deixaram marcas importantes”. com "objetivos catequéticos".

06. mas também de toda a faixa litorânea do Nordeste. com a. Sobre o texto acima. C) o cultivo de café e de banana. 05. Pequena História cio Ceará. E) a criação de lagosta e o cultivo de milho. e) ( ) O povoamento e a colonização do Ceará relacionam-se. diretamente. .adaptada) "O couro era o boi. 1984. atividade pastoril. marque (V) se as afirmativas forem verdadeiras e (F) se forem falsas. (UFC. O avanço coloniza dor ganhava terreno financiando currais onde antes somente pisava o índio bravio. b) Os rios Jaguaribe e Acaraú foram os principais caminhos naturais de penetração. às tarefas relacionadas com as charqueadas. d) ( ) A única função desempenhada pelos escravos nos engenhos cearenses foi a de vaqueiro. relativo ao período colonial do Ceará. unicamente. (UFC. que se garantia juridicamente com a obtenção da sesmaria ou data". f) ( ) O ciclo do couro foi responsável não só pela ocupação dos sertões cearenses. a) ( ) O desenvolvimento do Ceará colonial foi propiciado pela expansão das fazendas de gado.adaptada) Sobre o processo de ocupação do território do atual estado do Ceará: a) As áreas centrais foram ocupadas economicamente antes do litoral. As principais atividades econômicas que modificaram a paisagem do sertão cearense ao longo de sua história foram: A) o cultivo de arroz e a exploração da carnaúba. (Fonte: GIRÃO. b) ( ) O Ceará:foi conquistado pêlos donos de frotas que expulsaram os indígenas da região. 4" edição. p. D) a pecuária e o cultivo de algodão. c) A pecuária desenvolveu-se. Raimundo. nas regiões serranas. B) o cultivo de cana-de-açúcar e de feijão. E cada curral iria ser uma fazenda. c) ( ) O colono português radicado no Ceará dedicou-se. 85-86). Fortaleza: UFC. sobretudo.04.

como a Índia e o Egito.. Provedores tradicionais dessa matéria-prima. e) Os historiadores do Ceará. mas. a partir daí (. 1984. um outro fato foi acrescido à economia cearense. C) Foi realizado com parceiros. de forma generalizada. E) foi introduzido por imigrantes norte-americanos. e se ofereceram salários atraentes para os ex-escravos.. B) foram trazidos trabalhadores das áreas de seringais decadentes. Nessa década. o algodão se converteu no principal produto das exportações cearenses. c) necessidade de abastecer as indústrias têxteis nordestinas. que naquele período o Ceará não apenas perdeu parte do rebanho e ganhou um competidor no comércio de carne seca. na década de 1860. 07. b) demanda gerada pela Revolução Industrial inglesa. é correto afirmar que: A) Realizou-se com a utilização. criando-se o SEMTA. Valdelice Carneiro. p. provenientes das áreas algodoeiras. (UFC) A indústria têxtil inglesa demandou. da mão-de-obra escrava. No século XIX.. (UFC) Leia com atenção o texto abaixo e depois responda ao que se pede: "As secas de 1777-78 e 1790-93 são apresentadas (.. a) Explique o que eram as charqueadas.) como causa única dos primeiros impasses desenvolvimentistas do criatório do Ceará e pela falência das charqueadas (. Em relação ao cultivo de algodão no Ceará. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desportes. escravos e trabalhadores livres.)". no século XIX. os conflitos entre o norte e o sul desse país interromperam o fornecimento. .. quantidades crescentes de algodão. d) necessidade de aproveitar o grande contingente de escravos na agricultura. b) Analise o outro elemento responsável pela falência das charqueadas. foram substituídos pelos Estados Unidos. Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores do Amazonas. 08. o plantio de algodão no Ceará resultou da: a) necessidade de abastecer as indústrias têxteis paulistas. considerando o contexto histórico. Não deve ser esquecido. sem exceção. em 1860. 09. 127). (Fonte: GIRÃO.).. D) Realizou-se a abolição prematura da escravidão.d) Os colonizadores no Ceará respeitaram as terras indígenas. porém. evitando exterminar os índios. As oficinas ou charqueadas no Ceará. afirmam que a ocupação do Cariri deu-se como resultado da expansão da Casa da Torre.

 tornou­se a principal cidade cearense. (UNIFOR) A economia cearense foi marcada por dois grandes ciclos econômicos: o Ciclo  do Gado (séculos XVIII e XIX) e o Ciclo do Algodão (séculos XIX e XX). a cidade de Aracati. muito mais vin­culada à pecuária.10. 12. (UFC) O contato dos indígenas "cearenses" com os invasores europeus contribuiu para: a) o fortalecimento da identidade étnico-cultural dos indígenas diante da superioridade da cultura européia. principalmente em Fortaleza. “Animados pelo exemplo e fortalecidos pela certeza de mútua assistência. às margens das praias. b) Com a riqueza do algodão. b) a coesão social entre as diversas tribos indígenas através dos aldeamentos. as conseqüências econômicas do comércio algodoeiro foram quase imperceptíveis. d) A cidade de Fortaleza foi o centro da produção pecuarista cearense. mais tarde. c) A pecuária extensiva foi a responsável pela ocupação dos sertões do Ceará. pelos Cratiús e Icós cearenses”. e) A pecuária extensiva cearense localizava­se no litoral. tornando­se a “capital do couro”. entraram na luta os Baiacus seguidos. (UECE) Leia o texto a seguir. com seu porto natural na foz do rio Jaguaribe. já que o interior era muito seco e impróprio para o gado. Marque a alterativa  correta quanto à história econômica do Ceará: a) O algodão ocupou um papel secundário na economia cearense. e) que os missionários católicos evitassem o genocídio e o etnocídio dos indígenas no Ceará. principalmente ao longo dos grandes rios e dos vales úmidos. “Não obstante . c) o fortalecimento da cultura indígena dos aldeamentos jesuíticos. Neste sentido. 11. d) o processo de perda da identidade cultural dos indígenas.

(Fonte: HOORNAERT. d) ( ). A) A Guerra pela Terra. B) A Guerra dos Bárbaros. E) A Guerra entre as potências mercantilistas. O POVO. Universidade Aberta. Paupina (atualmente Messejana). que envolveu portugueses e nativos católicos contra holandeses e nativos protestantes. Icó e Fortaleza . sendo que os segundos foram auxiliados por nativos que eram seus aliados. idealizava-se educar os índios nos moldes europeus para elevar o nível cultural da região. 14.. Eduardo... 1966. Sobral e Icó B)Sobral. 13. Portugal e Holanda. além da específica evangelização. Fortaleza: Editora do Instituto do Ceará.batidos e dizimados.. (UFC – Adaptada) “. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o conflito ao qual o autor do texto acima se refere. (Carlos Studart Filho. 63 e 133). 1984). sendo que os nativos foram insuflados pelos holandeses. b) ( ). Catequese e aldeamentos na história do Ceará. os nativos continuaram a resistir corajosamente aos portugueses. tiveram outros objetivos. Páginas de História e Pré-História. c) ( ). pp. utilizavam-se dos indígenas pacificado. que envolveu os conquistadores portugueses contra nativos cristãos. pode-se deduzir que os aldeamentos indígenas no Ceará. (UECE) As três vilas mais importantes do Ceará no Período da Pecuária (17201790) eram: A)Aracati. planejava-se o emprego da mão-de-obra indígena em prol da economia pecuária. D) A Guerra entre portugueses e franceses. tornava-se necessário aos colonizadores controlar os nativos. Marque V ou F: A partir do texto acima.] Parangaba. para combater os considerados indóceis. fazendo prolongar a campanha de 1713 pelos subseqüentes anos de 1714 e 1715”. uma vez que: a) ( ).. C) A Guerra do Sertão.. que envolveu portugueses e seus aliados contra nativos não cristianizados. Soure (atualmente Caucaia). Os aldeamentos funcionaram frequentemente como acampamentos militares [.

O Capitão-Mor dá vivas a Monarquia e ao Rei. 34). chefiada por D. em praça pública. b) Indique dois aspectos que influenciaram na adesão do Ceará à Confederação do Equador. no que é correspondido pêlos cratenses. c) A participação cearense foi muito pequena. 1994. d) Os rebeldes cearenses. 2000. Logo é detido. quando da participação do Ceará na Confederação do Equador. 2 ed. p. poeira. (Maria do Carmo R. ficando restrita ao Cariri e à família Alencar. foi enviado de Pernambuco o jovem seminarista José Martiniano de Alencar. Homens armados. invade a vila. Araújo. 16. "A participação do Ceará na Confederação do Equador". em um Grande Conselho de 405 eleitores formado pelas pessoas economicamente mais expressivas da província com a presença das Câmaras de Fortaleza.) José Martiniano de Alencar é o único que se dispõe a resistir.). pateticamente. Sobre isto: a) Responda o que foi a Confederação do Equador. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. com uma faca. Oito dias após seu início. O texto acima fala de um momento simbólico importante. acabaram fuzilados. Aquiraz e Messejana e representantes das demais comarcas".In: Simone Souza (coord. Fundação Demócrito Rocha.. Bárbara de Alencar. Sobre a participação cearense na "Revolução" pernambucana de 1817. p. restabelecendo a antiga ordem. Inútil. (UFC) “Em 26 de agosto foi constituída a República do Ceará. Airton de." (FARIAS. cavalos correndo. da mesma forma que os pernambucanos. ansiedade. . HISTÓRIA DO CEARÁ. medo. Pereira Filgueiras.. Fortaleza. a revolução pernambucana e liberal de 1817 no Ceará está derrotada. após reunir seus soldados e cercar as principais estradas do Grato. a) O movimento de cunho liberal e influenciado pela Revolução Francesa e independência dos EUA propunha a independência do Brasil. Senador Alencar.C)Aquiraz. Fortaleza e Icó D)Icó.152. b) Para garantir a adesão cearense. Era a repressão. "Na manhã do dia 11. alguns dos quais há poucos dias "ferozes" republicanos (. Aracati e Fortaleza 15.). marque a opção errada.

Piauí e Alagoas. aliado de D. como a Confederação do Equador ocorrida em 1824.. Pernambuco. Pedro I. . Excelências do primeiro do corrente a que acompanharam os Decretos da dissolução da Assembléia Constituinte e Legislativa do Brasil plenamente congregada no Rio de Janeiro [. em 1823. ele veio pôr-nos em perplexidade pelo modo decisivo com que V. 1º de abril de 1824. (UECE) Os cearenses tomaram parte ativa em importantes acontecimentos da História do Brasil.17.. que provocou violenta reação na população. composto por membros da família Alencar. que temia nossa recolonizarão. entre suas causas: a) as frustrações liberais diante da dissolução da Constituinte. E) A maior parte das elites cearenses aderiu ao movimento levada pelo receio de perder sua autonomia. agravada pela nomeação de Paes Barreto à Presidência de Pernambuco. E) foi a maior revolta ocorrida nos primeiros anos da República. Sobre a participação do Ceará nesse movimento revoltoso. integrado por amigos pessoais do imperador. que teve. (UFC) Leia o texto a seguir. (UECE) Sobre a Confederação do Equador. B) foi uma revolta de escravos na Bahia. D) teve início em Pernambuco e proclamou a independência de várias províncias do Nordeste. defendia idéias monarquistas para garantir os direitos do Ceará junto ao imperador. Ofício da Villa do Crato. ocorreu no período regencial.] e apesar do laconismo que se observa em dito Ofício.em decorrência do centralismo político imposto pela Constituição de 1824. D) O grupo “patriota”. a imposição da Constituição de 1824. C) O crescimento da exportação de algodão fez com que os proprietários e comerciantes cearenses lutassem pelos interesses do grupo “corcunda”. fato que se relaciona com a eclosão da Confederação do Equador. assinale a alternativa correta. é correto afirmar que: A) como a Balaiada e a Farroupilha. A) O Ceará participou da Confederação do Equador porque pretendia romper com a dependência econômica e política em relação a Pernambuco. Rio Grande do Norte.) Jornal Diário do Governo do Ceará. 18.. supremas Autoridades desta Província. mandam sem mais reflexão (. 19. b) a organização do Ministério dos Marqueses.. que acabou com a criação de um novo país: o Uruguai. Temos presente o Ofício de V. c) a questão sucessória do trono português. Excelências. C) foi uma revolta ocorrida no sul do Brasil. B) A província do Ceará almejava se isolar das demais províncias do atual Nordeste: Paraíba. A citação acima se refere à dissolução da Assembléia Constituinte.

Sobre a História do Ceará. e) a proclamação da Independência da Cisplatina. longe do centralismo de D. b) o Ceará participou ativamente das revoluções de 1817 e da Confederação do Equador. liderada por Joaquim Pinto Madeira. analise as seguintes afirmativas e marque a opção correta: I. podemos dizer que: a) a ocupação holandesa não se refletiu no Ceará. . Reunia forças políticas em torno do movimento a favor da restauração de Pedro I. (UFC) "A chamada revolução de 1832. A respeito do movimento que o texto se refere. lideres da facção liberal local. contrariando o interesse da burguesia e militares portugueses.d) o incentivo dado pelo imperador ao Partido Brasileiro. Pedro I e das ameaças recolonizadoras de Portugal d) A influencia pernambucana e o descontentamento dos liberais cearenses com D. descontentando a opinião pública pela perda territorial. pois não traria mudanças profundas ou substanciais na região em que se produziu" . Pedro I explicam a adesão da província à Confederação do Equador e) A sedição de Pinto Madeira não passou de uma disputa entre os coronéis de Crato e Jardim pelo controle do Cariri no contexto da abdicação de Pedro I 21. III. Pretendia tão somente alterar a fase política do país com a proclamação da República. 22.João Alfredo Montenegro. d) a ação catequética dos padres jesuítas não se estendeu ao Ceará. Sobre os movimentos insurrecionais em que o Ceará participou no século XIX é falso: a) A revolução de 1817 tinha caráter emancipacionista e republicano. sendo comandado pela família Alencar. Caracterizava-se por sua feição liberal à semelhança dos movimentos de 1817 e 1824. melhor seria caracterizada corno revolta. coronel que ocupava o posto de comandante de armas do Cariri cearense. b) Os insurretos de 1817 acabaram fuzilados na Praça dos Mártires por terem participado de uma revolta contra El Rei de Portugal c) A confederação do Equador visava criar uma república liberal no Nordeste. 20. II. c) o Ceará não participou de nenhum movimento revolucionário liderado por Pernambuco.

b) II e III estão corretas. Marque V ou F. b) ( ) sediar os principais serviços da administração pública. impossibilita qualquer excedente para exportação. sobretudo na produção de tecidos grossos para escravos. 23.IV. 25. c) I e III estão corretas. a) I e IV estão corretas. produzido inicialmente em Pelotas (RS). econômico e administrativo. (UFC) A partir do século XVIII. estes não figuravam nas exportações. d) II e IV estão corretas. a) ( ) A emancipação do Ceará da jurisdição de Pernambuco. corretamente: a) Apesar de o Ceará contar com uma diversidade de produtos do setor primário. principalmente objetos de couro e madeira. como principal região produtora a Serra de Baturité. c) ( ) ser a capital da Província e cidade portuária. (UFC) Considerando-se a economia do Ceará. a partir da segunda metade do século passado. c) O consumo interno de algodão. b) A principal fonte de receita da Província era a exportação de artesanato. podemos afirmar. Marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso. Concorreu para sua eclosão a rivalidade política entre os coronéis do Crato e Jardim que disputavam o domínio político do Cariri. d) ( ) ter sido a primeira vila estabelecida no Ceará. passou a figurar na pauta de exportação. . e) ( ) desenvolvimento do comércio exportador. A consolidação de Fortaleza como centro político. na segunda metade do século XIX. logo após sua técnica de produção chegar ao Ceará. e) Dentre os produtos de exportação da Província do Ceará figurava o café. e) III e IV estão corretas. que tinha. 24. (UFC adaptada). contribuíram para consolidar Fortaleza como principal centro urbano do Ceará. verificou-se por (pelo): a) ( ) sua condição de centro coletor e exportador de algodão. d) O charque.

Os secretários receberam a alcunha de forneiros e o tesoureiro o de gaveta. b) Clube dos caixeiros viajantes cearenses. 1984. b) crescimento das indústrias têxteis a absorver mão-de-obra. c) Sindicato dos padeiros de Fortaleza. infra-estrutura e serviços urbanos. p. 27. das invasões e da miséria da população que encontra abrigo confortável na cidade. (UECE) O Crescimento urbano da cidade de Fortaleza no final do século XIX se deveu. e) ( ) O traçado urbano da capital pelo arquiteto Adolfo Herbster. Raimundo. evitando o perigo das mortes. O presidente era o padeiro-mor. 26. Padeiros livres eram os sócios correspondentes. O jornal do grupo tinha o título de O Pão. 28. 4a ed. c) ( ) O declínio das "oficinas" de salga e exportação de carne no Aracati. além das atividades de serviços. a) êxodo rural provocado pela seca de 1877. d) ( ) A ação do boticário António Rodrigues Ferreira. Fortaleza: UFC. podendo afirmar que: a) os setores dominantes locais sempre combateram a formação de bandos armados. principalmente. d) Agremiação literária fortalezense. devido ã epidemia de cólera na capital pernambucana. administração e recolhimento de impostos. presidente da Câmara Municipal. As sessões eram as fornadas. concentrando na capital do comércio importador e exportador. (UECE). .b) ( ) A fundação do Forte Schoonenborch pelos holandeses." (GIRÃO. c) expansão da cultura algodoeira de exportação. Reportando-se ao banditismo e cangaceirismo no Ceará. em prol da urbanização. f) ( ) O aumento da exportação algodoeira em virtude da Guerra de Secessão. à (ao). d) concentração das atividades portuárias com a transferência do comércio exportador açucareiro de Recife para Fortaleza. 229) O texto traz aspectos da organização interna da Padaria Espiritual que foi: a) Associação benemérita de fundo religioso em Fortaleza. (UECE) "Os associados adotavam um criptônimo ou nome de guerra e eram denominados padeiros. Pequena História do Ceará.

Benedito Genésio. Tendo como base o texto acima e os conhecimentos de História do Ceará. 1989. 194). “(. 29. sob a égide de Padre Cícero. a produtividade do seu trabalho aumentava. ora sofre as influências do mercado externo. quer naturais”. Em 1877 uma epidemia de varíola vitimou milhares de retirantes nos arrabaldes da cidade.(UFC – adaptada)... nos períodos de seca.). A estrada de ferro de Baturité: 1870-1930. b) ( ) na construção da EFB explorava-se a mão-de-obra de flagelados das secas que se abatiam sobre o Ceará. aponte a única alternativa FALSA: a)Nos três anos que perdurou a estiagem.. d) ( ) a inserção do Ceará no mercado internacional se fazia com a produção e comercialização de produtos primários. ora as conseqüências da política nacional e ora interferência de fatores internos quer históricos. d)A partir de 1879 algumas chuvas caíram.. b) A maior parte desses retirantes famintos ficava abrigada nos chamados “campos de concentração” ou “abarracamentos” localizados nos arredores da cidade sem qualquer condição de higiene. produzidos no Ceará. mais de 100 mil sertanejos migraram para a capital cearense. transformando a cidade num grande formigueiro humano.) A EFB (Estrada de Ferro Baturité) surge quando o Ceará vai-se incorporando ao mercado internacional através de seus produtos (. e) ( ) a construção da EFB excluía o Ceará do quadro da divisão internacional do trabalho. (UECE) As grandes secas de 1877-1879 não somente secaram os reservatórios de água de Fortaleza.b) o aperfeiçoamento dos mecanismos do controle do Estado contribuiu para a expansão de bandos armados. d) a estrutura fundiária.p. c)A grande seca de 1877 – 1879 agravou o estado sanitário de Fortaleza. objetivava combater o fanatismo e o misticismo no Ceará. o que contribuiu para nova onda da epidemia de varíola. trouxeram graves efeitos para a cidade. Fortaleza: UFC/Stylus. o mandonismo e o clientelismo favoreceram a sua formação. . c) ( ) como “o sertanejo é antes de tudo um forte". Neste sentido. A lista de mortos duplicou assim como o número de vítimas da doença a mendigar pela cidade. (Fonte FERREIRA. podemos afirmar (marque V ou F): a) ( ) a FFB procurava atender a demanda de transporte para o café e o algodão. c) o “Pacto dos Coronéis”. 30.

que favorecia as fugas. (UECE) Sobre a abolição dos escravos no Ceará. d)O pioneirismo cearense na abolição mostra o espírito libertador das elites cearenses. libertando milhares de negros através da compra de suas cartas de alforria. 32.31. podemos afirmar corretamente que: a) foi unicamente decorrente da força do movimento abolicionista local. poucos escravos ainda existissem no Ceará. ao peso menor da escravatura em sua economia. sobretudo. libertando-os oficialmente em 1884 devido. b)O Ceará foi pioneiro na abolição da escravidão. que incitavam os escravos a fugir. c) com a abolição. a economia cearense se viu inteiramente desestruturada. b) o aumento do tráfico interprovincial em direção ao Sul do país. a seca de 1877-1880 e o movimento abolicionista. e os proprietários de escravos. enfrentando proprietários de escravos e governo. c)Ocorreu pela união entre Francisco José do Nascimento. fizeram com que. . o Dragão do mar. já que dependia totalmente da mão-de-obra escrava. em 1884. d) foi com a decisiva participação do jangadeiro Dragão do Mar que a abolição no Ceará se tornou possível. “Dos ferros que acorrentaram o negro na penitência a ciência de nobre afro fez um agogô para tocar loas de maracatu cantigas de liberdade hoje eu sou Dragão do Mar” “Dragão do Mar”— Calé Alencar Sobre a abolição da escravidão no Ceará é correto afirmar: a)Deu-se em virtude da ação revolucionária das entidades abolicionistas.

) O anúncio acima. uma bonita crioula. indica que os referidos escravos eram oriundos de uma província do Norte. garantida através da educação ministrada pela Igreja e apoiada pelos abolicionistas locais. “Abolição – um ato de fé!” Revista do Instituto do Ceará. contra o comércio de escravos. 7. (THEOPHILO. B) Como ficou a condição social dos ex-escravos. (UFC) ESCRAVOS Vende uma pessoa chegada há pouco do Norte bonitos e moços. 1984. A partir da leitura desse texto e de seus conhecimentos. e) do declínio da Sociedade Cearense Libertadora. 27). considerada prejudicial aos interesses do intenso tráfico negreiro existente. Tácito (general). 1854 apud NOVAIS. Comemorativo do Centenário da Abolição dos Escravos no Ceará. em seguida. na rua da Alfândega n. Fortaleza/CE: Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará. um bonito pardo de 17 annos. que proibia a permanência da mão-de-obra escrava nas atividades agrárias algodoeiras. v. no Ceará. Fernando. justifique sua resposta. em virtude: a) da promulgação da Lei do Ventre Livre. publicado num jornal do Rio de Janeiro. b) da qualificação dos escravos. antes da Lei Áurea e. A História da Vida Privada ao Brasil. d) da proibição do tráfico negreiro internacional e da ausência de atividade produtiva que dependesse sobretudo do trabalho escravo. no Ceará. A) Indique dois fatores determinantes para que a abolição da escravatura tenha ocorrido. p. um preto padeiro e torneiro. p. 251.(UFC) Leia o texto a seguir: “A Abolição dos escravos no Ceará foi um ato de amor ao próximo.2. Tomo Especial nº. já que dependia totalmente da mão-de-obra escrava 33. o Dragão do Mar. (Fonte: Jornal do Commércio. 1997.e)Com a abolição a economia cearense se viu inteiramente desestruturada. classificação onde se inseria o Ceará. após a Abolição da Escravatura. entre elles notão-se um official de ourives. c) do fracasso da campanha desenvolvida por Francisco Nascimento. que participou do comércio negreiro interprovincial. 278. foi um ato de fé!”. uma parda de 18 a 20 annos com habilidades. responda às questões propostas. São Paulo: Companhia das Letras. em 1884? 34. optimo para pagem e mais pretos moleques. .

” (Farias. d) Com a abolição da escravatura no Ceará em 1883. acirrou discórdias e lutas entre facções políticas. Cícero é falso afirmar: A) A questão religiosa de juazeiro é resultado das divergências entre a postura romanizadora da alta hierarquia da Igreja e a prática cotidiana próxima do misticismo popular dos padres do Sertão. Fortaleza. (UFC) Sobre a economia cearense entre os períodos colonial e imperial. e não teve nenhuma expressividade na economia exportadora cearense do século passado.Talvez não haja em nossa história uma figura mais controvertida que Pe Cícero Romão Batista. a) Durante o bloqueio continental imposto aos ingleses por Napoleão.Um homem polêmico. José B. d) A predominância da exportação do algodão pelo porto de Fortaleza contribuiu para consolidar a capital como principal centro urbano do Ceará no século XIX. Assinale a alternativa que expressa corretamente o momento em que esta produção atinge o seu apogeu. . c) As oficinas de charque e a comercialização da carne seca fizeram do Cariri a principal região econômica do Ceará colonial. colocou a cúpula da Igreja Católica em situação delicada.Entre os últimos anos do século XIX e as primeiras décadas do século passado.) Sobre Pe. no século XIX. Airton de. Livro Técnico. b) A cultura algodoeira foi responsável pelo povoamento da terra cearense a partir do século XVI. 22) A produção do algodão. a) O trabalho de vaqueiro no Ceará colonial era ocupado por homens livres que recebiam salários. 37. milagreiro.Multigraf. Os incomodados não se retiram: uma análise dos movimentos sociais em Fortaleza. “Santo.Não é ousado dizer que foi o cearense mais conhecido de todos os tempos . o patriarca de Juazeiro envolveu-se em uma série de embates políticos e religiosos que ainda hoje suscitam apaixonados debates.35. (UECE) "O binômio gado-algodão vai ter em Fortaleza seu grande centro. coronel de batinas. História da sociedade cearense. movimentou romarias durante décadas inteiras. p. 2003. na imprensa e nos meios intelectualizados. Charlatão.sua popularidade espalhou-se por todo o país. visionário. e) O café no Ceará só foi cultivado nas regiões de Sobral e Camocim. (SILVA. foi alvo de discussões no parlamento. b) Durante a Guerra de Secessão nos EUA (1861-1865). marque a opção certa. 1992. foi de grande importância para a economia do Ceará e para o crescimento de sua capital. assim como a cana-de-açúcar teve o Crato e a carne-de-sol teve Aracati". Fortaleza. herege. c) Logo após a transferência da família real portuguesa para o Brasil em 1808. da. 36.

c) esta cisão no interior da Igreja já era resultado da ação desagregadora da Teologia da Libertação. além de realizarem milagres. Simone . Luitgarde Oliveira Cavalcanti. Sobre esta luta a que a autora se refere. de Canudos. podemos afirmar: a) Padre Cícero e António Conselheiro se tomaram líderes religiosos porque. (UFC) Confrontando os movimentos religiosos políticos de Juazeiro com o Padre Cícero. fundamentalmente. p. Cícero contou com apoio do coronelismo e da oligarquia acciolyna no Ceará. Fortaleza: UPC/FDR/Stylus. 39. conseguiram terra e trabalho para seus seguidores. marcados pelo analfabetismo e pela superstição. e de Canudos com António Conselheiro. movimento religioso de Juazeiro do Norte. Apud: SOUZA. pelo fanatismo religioso dos seus seguidores. especialmente Padre Cícero.coord. na realidade foi uma luta dentro da Igreja. (UECE) "A Questão Religiosa de Juazeiro. aumentando o preconceito contra os fiéis de Juazeiro E) A igreja Católica. C) Sua atuação política fê-lo prefeito de Juazeiro." (BARROS. d) Enquanto a devoção ao Padre Cícero contou com a simpatia do coronelisrno e da oligarquia acciolyna no Ceará. . 38. após alguma indecisão. d) significava a diferença de orientação pastoral entre Padre Cícero e o beato José Lourenço.Cícero provocou muita repercussão. Canudos sofreu repressão dos latifundiários e do Estado. b) Tanto Padre Cícero como António Conselheiro não sofreram censuras da Igreja Católica Romana. Padre Cícero e fenômeno do Caldeirão. especialmente em Juazeiro. Flanco Rabelo. b) é resultado da divergência entre a orientação romanizadora e elitista da hierarquia da Igreja e a prática cotidiana próxima do misticismo popular dos padres do sertão cearense. pode-se afirmar que: a) representava as divergências entre os adeptos políticos de Padre Cícero e Floro Bartolomeu contra os chamados "rabelistas". c) Esses movimentos se explicam. embora aparentemente se tenha apresentado como um problema de existência ou não de Sangue de Cristo nas hóstias em transformação. acabou reconhecendo o milagre de Juazeiro e a santidade de Pe. o que em boa parte era articulado por Floro Bartolomeu D) O encontro de Lampião com Pe. História do Ceará. praticada nas Comunidades Eclesiais de base. Canudos sofreu repressão dos latifundiários e do estado. O. sob a orientação do Padre Cícero. que apoiavam o presidente da província.B) Enquanto a devoção ao Pe. 257). 1989. Cícero. vice-governador e deputado.

c) o enfraquecimento de Juazeiro do Norte. identifique a opção correta: a) Tais eventos demonstram que o catolicismo oficial sempre reconheceu os movimentos religiosos de caráter popular. B) era polarizada pela disputa entre os partidos Comunista e Conservador. D) ao contrário dos demais Estados. A respeito disso. C) os governadores do Estado eram nomeados pelo Imperador. desta maneira. enquanto núcleo do catolicismo popular. 40. exemplos da ortodoxia católica. d) o incentivo à ação dos leigos junto às massas populares. coisa que fez até o final de sua vida. das beatas e dos penitentes. 42. é correto afirmar que: A) caracterizou-se pelo exercício da ampla participação popular. e) As condições econômicas. b) Em nenhuma circunstância houve aproveitamento político do sentimento de religiosidade de seus seguidores.e) Ambos tinham em comum a crítica ao regime republicano que separou a Igreja do Estado e proibiu o direito de voto a padres e analfabetos. entre os  quais ressalta o fenômeno de Juazeiro do Padre Cícero.  c) Os movimentos religiosos foram resultado de uma forte e bem articulada conversão das pessoas ao catolicismo oficial. (UECE) A questão religiosa no Ceará. d) A liderança religiosa que exerceu o Padre Cícero sobre seus seguidores capacitou­o a manter sobre eles uma liderança política. b) o fortalecimento do processo de "romanização" no Ceará. (UECE) Sobre a política cearense. . sociais e culturais do povo cearense em nada se relacionam com os eventos de ordem religiosa e messiânica. propiciou: a) o fortalecimento das práticas do catolicismo popular. no alvorecer do século XX. sendo. 41 (UNIFOR) O Ceará foi palco de importantes eventos de caráter sócio­religioso. aqui já havia o voto feminino. envolvendo o Padre Cícero e a Igreja Católica.

Marque a alternativa que indica corretamente algumas características da política cearense na Primeira República: a) A crítica do conservador Rodolfo Teófilo se dirigia às iniciativas democráticas e socializantes que o governo de Franco Rabelo vinha implementando desde a queda de Accioly em 1912. em que os jornalistas e críticos do governo podiam manifestar-se sem medo de repressão. (UECE) "O Ceará é uma terra condenada mais pela tirania dos governos do que pela inclemência da natureza. como a Sedição de Juazeiro. CÂMARA MUNICIPAL Secretário. TEÓFILO. Jovino Pinto (sobrinho de Acioli) Procurador Fiscal. Jorge de Sousa (genro de Acioli) ESCOLA NORMAL Tomaz Acioli. p. 43. em que se sobressai a presença de Nogueira Accioly como principal oligarca do Estado. José Acioli. (UFC – adaptada) “Presidente do Estado: Nogueira Acioli. e mais sobrinho. LICEU Professores. 1980. José Acioli. ACADEMIA DE DIREITO Diretor: Nogueira Acioli Vice-Diretor: Tomaz Pompeu (cunhado de Acioli). sobrinha e irmão do presidente. Secretário do Interior. A seca de 1915. Tomaz Acioli. António Acioli BATALHÃO DO EXERCITO . 31) Esta frase. expressa uma revolta com aquilo que o autor via acontecer no governo deste período. Fortaleza UFC. d) As oligarquias que se sucediam no poder tinham que enfrentar freqüentes revoltas urbanas." (Fonte. c) Apesar do rígido controle oligárquico sobre o governo. b) O controle político era assegurado pelo domínio oligárquico e coronelista. escrita em 1916. em 1914. Rodolfo. 44.E) foi dominada pelo grupo oligárquico de Nogueira Accioly. Sobrinho do presidente. Diretor de Secção: Lindolfo Pinho. havia um clima de liberdade de expressão.

p. em 1912. as passeatas. b) a queda de Accioly está ligada à "Política das Salvações" do Presidente Hermes da Fonseca e à revolta popular diante dos desmandos do oligarca. c) ( ) a solidariedade política entre os membros da oligarquia sedimenta-se na solidariedade familiar. é carreto afirmar que: . Brasiliense.Comandante: Capitão Borges (genro de Acioli) SENADORES: Tomaz Acioli e Francisco Sá (filho e genro de Acioli) DEPUTADOS FEDERAIS: João Lopes (primo de Acioli). durante a primeira República sugerida no quadro acima. em uma revolta popular. não pelo voto. 130) Sobre a deposição do Comendador Nogueira Accioly da Presidência do Estado do Ceará." (Fonte: JANOTTI. d) a derrota eleitoral de Accioly foi comemorada com entusiasmo pela população que. mas pelas armas. As acusações. garantindo uma transição pacífica. manteve a ordem na cidade. cujo estopim foi a passeata das crianças. Considerando a estrutura de poder no Ceará. é conoto afirmar que: a) a expectativa popular foi frustrada pelos acordos políticos entre Accioly e o candidato da oposição. apesar de tudo. (UFC) Sobre a Sedição de Juazeiro. Fortaleza: Tropical. História do Ceará: dos índios à geração Cambeba. Airton de. podemos concluir que: a) ( ) não podemos afirmar que no Ceará chegou a se constatar uma oligarquia aciolina. esse sonho estava na iminência de concretizar-se. b) ( ) no sistema oligárquico. 46. São Paulo. e) ( ) no Ceará. os manifestos. Franco Rabelo. Gonçalo Souto (tio de uma nora de Acioli). c) a revolta popular não só garantiu a deposição de Accioly como instalou um governo revolucionário de caráter socialista que durou apenas duas semanas. (UECE) "Fortaleza era pura agitação. d) ( ) a estrutura de poder oligárquico se estabelece sem vinculação com a estrutura de "classe". os comícios e as provocações de parte a parte tornavam o ambiente explosivo. Mª de Lourdes M. 65-66). 1997 p. O Coronelismo: uma política de compromisso. estado-membro de uma "República Liberal"." (FARIAS. O povo estava entusiasmado com a possibilidade real de depor Accioly. De fato. comentada no texto acima citado. o "público" se confunde com o "privado". observava-se a democratização das funções públicas. 45.

. de outro. Com relação ao governo de Nogueira Accioly. e os proletários de Fortaleza e.” (PONTE. (UECE) “Nem a construção do teatro. presidente do Estado do Ceará até 1912. que se sentiu ameaço pelo governo liberal e democrático de Franco Rabelo. o que provocou a intervenção do governo federal. da cidade de Juazeiro. Sebastião R. nem as tentativas de instalar o abastecimento de água e esgoto. podemos assinalar corretamente: a) significou o retorno de Nogueira Accioly ao poder. c) foi provocada pelas dissidências oligárquicas entre rabelistas e aciolistas. 1993. 47. que tinha criado uma cisão no catolicismo. que disputavam o apoio do governo federal. os camponeses e produtores rurais. Como elementos deste conflito que abalou a sociedade cearense. p. e) opôs a classe média e os comerciantes. os grupos conservadores urbanos. tentava depor o Padre Cícero. d) representou uma manifestação do poder do Padre Cícero. 48).. exércitos de sertanejos armados chegaram até as portas de Fortaleza exigindo a renúncia do governo estadual: era a chamada Sedição de Juazeiro. Fortaleza: FDR/Multigraf. apoiados por Padre Cícero. liderados pela Igreja Católica. b) durante a campanha eleitoral de 1912. 48. apoiados por fazendeiros: contrários a Accioly. vinculados à indústria de exportação. (UECE). ligados ao setor de exportação. Fortaleza belle evoque. de um lado. c) originou-se no confronto dos interesses.a) o conflito pôs em confronto. Accioly consegue manter-se estável no poder estadual até a descoberta de fraudes e outras irregularidades administrativas. podemos assinalar corretamente que: a) apesar de impopular. com o apoio do Padre Cícero e do governo federal. d) era liderada pelo alto clero da Igreja Católica que. vinculados à expansão do mercado interno. ou mesmo o embelezamento da cidade promovido pela Intendência Municipal impediram o crescente descontentamento da população contra o governo de Nogueira Accioly. mediante a expansão dos polígonos irrigados. b) foi a reação contra uma intervenção militar que visava transformai o Ceará num pólo de produção cerealífera. b) a formação de exércitos de sertanejos representou um dado de instabilidade que levou o governo federal a reprimir violentamente a Sedição. aos interesses agrários tradicionais. recolocando Franco Rabelo no poder. com os interesses dos produtores de bens duráveis. Em 1914. passeatas de oposição duramente reprimidas pela polícia são o estopim para uma grande insurreição popular que cerca o palácio e obriga Accioly a renunciar.

1930-1935. (CEFET) A Sedição de Juazeiro caracterizou-se por ser um movimento político que: a) promoveu a manutenção da oligarquia de Accioly no poder. 50. UFC/Fundação Demócrito Rocha/Stylus Comunicação. O texto acima se refere ao contexto histórico do pós-30 cearense. Sirnone. no qual as seguintes forças políticas polarizaram a disputa eleitoral: a) LEC (Liga Eleitoral Católica) e LCT (Legião Cearense do Trabalho). b) derrubou o governo de Matos Peixoto e inaugurou a Revolução Tenentista no Ceará. no controle estadual. c) provocou a derrubada de Franco Rabelo. Simonecoord. sob a liderança de José Lourenço. História do Ceará. Guardai. o democrata Liberato Barroso e pondo fim ao nepotismo da oligarquia Paula Rodrigues.c) após uma intensa campanha de desgaste político. com a Sedição de Juazeiro. Franco Rabelo. As interventorias no Ceará . e as oligarquias conservadoras voltaram a mandar no Ceará. o movimento oposicionista consegue eleger pacificamente seu candidato ao governo do Estado. 1989. 331)." (SOUZA. Fortaleza. (UFC) "Povo cearense. Accioly se retira do governo para retornar mais forte do que nunca em 1914. mas sem a liderança de Nogueira Accioly. c) Oligarquias mais tradicionais e os integralistas. d) Círculos Operários Católicos e Legião Cearense do Trabalho. d) diante das manifestações populares exigindo a sua renúncia. um minuto de silêncio em homenagem aos mortos da Revolução. colocando. com o mesmo como Presidente do Estado do Ceará. mais justa e humana. e) Setores Liberais e Liga Eleitoral Católica. b) Integralistas e Liga Eleitoral Católica. . p. Apud. neste instante. e) ratificou a Política das Salvações no estado cearense. d) defendeu os direitos sociais das camadas mais humildes e sertanejas. 49. começa hoje o regime de ginecocracia: às treze horas empossar-se-á o governador eleito pelo voto das beatas inconscientes e dos padres politiqueiros. SOUZA. gerando uma sociedade alternativa. empossado respeitosamente por Accioly.

corno os Círculos Operários Católicos (COC). (UFC) Em 07 de maio de 1933. A Legião Cearenses do Trabalho. comícios e outras ações de massa. p. SOUZA. Fortaleza: UFC/FDR/Styllus. p. 1989. defendia a instauração de “uma nova ordem social. A partir desse trecho e de seus conhecimentos. (FONTE. “A Legião Cearense do Trabalho” in Simone de Souza (org. e) Reuniu os vários setores profissionais organizados do Ceará. 360. fundada por Plínio Salgado. repudiando o liberalismo grotesco e o socialismo anárquico”. eliminando a influência de grupos comunistas e anarquistas sobre o operariado. 2000.) Com relação ao avanço destes movimentos no Ceará. sob a liderança doa comunistas. b) o objetivo da LCT era harmonizar as relações entre capital e trabalho. História do Ceará. impediram que a influência do movimento legionário se expandisse. mas não conseguiu atingir seu alvo principal. assinale a alternativa correta sobre a Legião Cearense do Trabalho e suas idéias políticas. b) Surgiu no contexto da implantação do Estado Novo e foi uma cópia fiel da Ação Integralista Brasileira.51. Sebastião R.) Uma nova história do Ceará. encontrando por isso a simpatia tanto do trabalhismo varguista quanto de grupos ligados ao Partido Comunista. podemos afirmar que: a) a força e a organização do movimento operário no Ceará. (Citado por Raimundo Barroso Cordeiro Júnior. (UECE) "Esta preocupação em conter a politização e emancipação do operariado por parte do governo getulista concorre para explicar o surgimento e expansão de movimentos políticos como a LCT (Legião Cearense do Trabalho). a) Abraçou plenamente os princípios do liberalismo. 329). porta-voz da Legião Cearense do Trabalho. realizou um amplo papel de conscientização dos operários sobre seus direitos e sobre a situação de exploração em que viviam. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. 52. repelindo a oligarquia burguesa e a oligarquia proletária. . ela trouxe para as suas fileiras a elite e a classe média. os trabalhadores. o jornal O Legionário. Apud. propondo uma sociedade com a mínima intervenção do Estado. c) o trabalho dos legionários foi decisivo para a propaganda anti-getulista no Ceará. d) a LCT. Simone-coord. c) Tinha lideranças provenientes dos círculos operários e de outras organizações católicas e estava ligada ao projeto de recristianização da sociedade moderna. através de greves. d) Baseando-se em temas como a família e a tradição. no contexto de 30”.

.) Ergueram-se pequenas casas. Airton de. armazéns (. 54. cercas. analfabeto. nada que lembrasse produção. Livro Técnico.. . mata alguns policiais em vingança. Um seguidor de Lourenço. Fortaleza. d) ( ) No Caldeirão imperava uma comunidade coletiva. b) ( ) A princípio. c) ( ) Expulsos do Baixa Danta. Cícero. Sobre o Caldeirão marque (V) para as afirmações verdadeiras e (F) para as falsas: a) ( ) Foi um movimento messiânico chefiado pelo beato José Lourenço. na qual todos trabalhavam. onde surgiu a lenda "Mansinho". barragens.. eleito pela LEC (Liga Eleitoral Católica).) Criou-se uma sociedade igualitária. Lourenço estabeleceu-se no sítio Caldeirão. Assinale a alternativa que identifica corretamente os objetivos desta migração: a) fornecer empregos aos flagelados cearenses da seca de 1930. (. Lourenço e seus seguidores estabeleceram-se no sítio Baixa Danta. E) Batalha da borracha 55. dividiam o produzido e seguiam orientação espiritual de Pe. foi contra a destruição do Caldeirão. que pedem para que as autoridades acabem com aquele antro de "comunistas" e "fanáticos".). Cícero e José Lourenço. tendo como base de tudo a religião. numa emboscada. h) ( ) A destruição do Caldeirão se inseriu no contexto da perseguição aos comunistas na Era Vargas e centralização do poder. f) ( ) O governador cearense Menezes Pimentel. Passaram a cultivar cereais e frutos.53. que impunha aos seus membros a cooperação para assegurar a existência e o desenvolvimento.. no Crato. com distribuição de terras e crédito aos colonos. seguidor do Pé. g) ( ) O Caldeirão acabou destruído pela polícia em 1936.” (Farias. História da sociedade cearense. O texto acima refere-se a um movimento ocorrido no Ceará: A) Confederação do Equador B) Sedição de Juazeiro C) Caldeirão D) Sedição de Pinto Madeira. Severino Tavares. (CEFET) “Ao chegar na nova localidade. Cícero. pertencente a Pe. através da criação de núcleos coloniais. em seguida. (. o boi santo. 2003). A polícia.. uma grande migração de cearenses para a Amazônia foi amplamente incentivada pelo governo federal. e) ( ) O crescimento do Caldeirão nos anos 30 começou a desagradar os latifundiários e a Igreja Católica.. (UECE) Na década de 40 deste século. paraibano. o beato José Lourenço só encontrou ‘mato e pedra’. de sistema econômico coletivo. promove um massacre aos remanescentes da comunidade (1937). negro. e a criar diversos animais domésticos. depois.

enquanto realizavam longas caminhadas em direção à Fortaleza. d) aliviar as pressões demográficas decorrentes do acentuado êxodo rural no Ceará e fornecer mão-de-obra para a produção de borracha destinada aos países aliados durante a II Guerra Mundial. Kênia Sousa. O fragmento narra um pouco da saga dos retirantes do Sertão do Ceará. . Sobre o tema. classificando-as como verdadeiras (V) ou falsas (F). 56. na luta para manterem-se vivos. formando enormes bandos de flagelados. durante a seca de 1932. grandes levas de retirantes já enchiam de tristeza e fome as estradas do Sertão. Museu do Ceará/Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. c) realizar a reforma agrária na região amazônica. Campos de Concentração no Ceará: isolamento e poder na seca de 1932. analise atentamente as afirmações a seguir. Fortaleza.” Fonte: RIOS. Das mais longínquas paragens saíam homens e mulheres arrastando filhos e alguns pertences a caminho da cidade.b) ocupar as áreas amazônicas ameaçadas pelo capital internacional. p 10. No final do mês de março. Os retirantes. e fornecer mão-de-obra para as indústrias de Manaus. I. “Muitos se juntavam. 2006. a Marcha para o Oeste.

uma estação ferroviária. É correto o que se afirma A) apenas em I e III.matavam e comiam algumas reses que ainda resistiam nos pátios das grandes fazendas. Nos jornais de Fortaleza. II e III. D) apenas em I e II. (UFC – adaptada) A redemocratização de 1945. no Ceará. B) apenas em II e III. A partir de 1932. representou: . III. tentavam evitar a migração para a capital. oriundos do interior. II. 57. nas proximidades. C) em I. levavam um grande número de retirantes. de onde saiam em grandes levas em direção à capital do Estado. Os Campos de Concentração do Sertão foram construídos em lugares onde havia. eram comuns notícias de roubos de bois e vacas. Com essa medida. os poderes constituídos procuravam diluir as tensões que se formavam nos “pontos de trens” e ao mesmo tempo. os trens que saíam em direção à Fortaleza. Os flagelados caminhavam longos trechos à procura das estações ferroviárias.

e) ( ) a busca de espaços políticos pela Igreja Católica a fim de neutralizar a ação. as quais se revezavam no governo através de UDN e PSD. d) ( ) O governos de Virgílio Távora (1963-66) foi importante para a "modernização conservadora" do Ceará. e) ( ) A "Geração Cambeba" incrementou a "modernização conservadora" do Estado. na chamada União pelo Ceará. caracteriza-se: . perdendo apenas uma vaga no senado para Carlos Jereissati (PTB).a) ( ) a ruptura com os setores tradicionais da política cearense. tiveram a seguinte característica: a) a oligarquia política. Marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso: a) ( ) No período 1945-64 evidenciou-se a fragilidade estrutural das elites cearenses. a partir do incentivo à industrialização. passando a condição para o PTB de Carlos Jereissati. ganhou todas as eleições para governador. deixou de ser. formada no regime ditatorial do Estado Novo. d) a única vez que a situação fez o sucessor foi nas eleições de 1962. 58. (UFC) O "Governo dos Coronéis". b) ( ) A "União pelo Ceará". foi esmagadoramente triunfante nas eleições. com a vitória do candidato da aliança do PSD com a UDN. nas eleições cearenses. c) ( ) a liberdade de expressão dos meios de comunicação de massa. c) os políticos populistas do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). partido político formado pelos opositores a Getúlio Vargas. c) ( ) O "fiel da balança". coligação da UDN com o PSD em 1962. na década de 1950. partidários de Getúlio Vargas. d) ( ) a reorganização do movimento operário sindical com plena autonomia. b) a União Democrática Nacional (UDN). ganhou todas as eleições para governador. 59. dos movimentos de direita. no período democrático entre a queda do Estado Novo e a ditadura empresarial-militar de 1964. alojada no Partido Social Democrático (PSD). 60. o PSP de Olavo Oliveira. que dominou a política cearense na década de 80 e nos primeiros anos da década de 1980. ganharam todas as eleições para governador. mas não acabou com os alarmantes níveis de miséria e de concentração de renda. b) ( ) a oportunidade de manifestação política dos setores de esquerda. exclusivamente. (UECE) As eleições para governador do Estado do Ceará.

Fortaleza: Livro Técnico. marcada pela tecnocracia.) Em meio ao caldeirão político e cultural dos anos 60. travaram combates contra as forças do Estado. digna com os mais pobres e excluídos. responsáveis por várias ações revolucionárias. d) pelo controle da política local por um segmento empresarial ligado à indústria e ao capital financeiro. D) Ao contrário do que se pensa comumente. achincalhado e por fim. mortos. mais justa. c) por ser uma administração entregue a governantes de formação militar. In: FARIAS. foram derrotados. conflitos. Airton de. “ações de expropriação da burguesia” ou “ações de resgate da riqueza que a burguesia explorava do povo”).. sem atritos. sonharam. 62. viveram perigosamente. C) As principais organizações armadas a agirem no Ceará foram Ação Libertadora Nacional (ALN) e Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). . e que fosse uma etapa para a implantação do socialismo no Brasil. afirmando a força do governo central. acabou deposto. esquecidos pelas correntes historiográficas mais conservadoras”. cometeram erros e assassínios. marque a opção verdadeira: A) Com o Golpe Militar de 1964. como o assalto do Banco Mercantil. 2007. Além das Armas: Guerrilheiros de Esquerda no Ceará Durante a Ditadura Militar.. e) pela expansão do clientelismo. o governador cearense Virgílio Távora. que realizaram grandes manifestações de rua. a mobilização popular continuou bastante ativa no Ceará nos anos seguintes. “Essa visão pacífica e de concórdia sobre o Ceará. por suas ligações com as esquerdas e com o presidente da República João Goulart. 61. estimulando o pluripartidarismo. do “carro pagador” do London Bank e Banco do Brasil de Maranguape. B) Apesar do Golpe de 1964. da Coca-cola. o PCB e os estudantes.) conseguira derrotar os famosos coronéis do Ceará e inaugurar uma nova etapa na história política do Estado. praticaram assaltos (melhor dizendo. contando o governo com apoio de amplos setores da imprensa e sociedade no combate à “subversão”. destacando-se o Pacto Sindical. e que acabaram desbaratadas pela repressão. b) pelas práticas populares que marcaram a administração dos coronéis que estiveram no poder durante o regime militar.a) por ser um governo que representou a continuidade das práticas efetivadas pelas velhas-oligarquias cearenses no poder. (UECE) “A 15 de março de 1987 o estreante na política e empresário Tasso Jereissati tomava posse no comando do executivo (. vários cearenses tiveram a ousadia de empunhar armas num sonho audacioso visando derrubar o sistema capitalista vigente e possibilitar a criação de uma sociedade diferente. torturados. a repressão da Ditadura Militar no Ceará foi branda.. tendo como ponto de concentração o CÉU (Clube do Estudante Universitário). lutas e movimentos sociais.” Fonte: . sendo substituído por Paulo Sarasate. mas com a introdução de uma nova forma de fazer política.Sobre a Ditadura Militar no Ceará.. obviamente que não se sustenta quando se analisa amiúde a história local (. Os militantes desses grupos realizaram treinamentos militares.

c) O período compreendido entre 1945-64 caracterizou-se.BRUNO. em 1884. Os Pecados Capitais do Cambeba. Airton de. sendo a disputa decidida por um fiel da balança (PSP e PTB) – a única exceção ocorreu em 1962. Sobre o Ceará na segunda metade do século XIX. ao comércio exportador. . Fortaleza: Expressão Gráfica Editora. Demétrio. c) A ascensão de Tasso e seu grupo no comando dos quadros políticos do Estado foi o coroamento de um projeto cujas origens estão no CIC (Centro Industrial do Ceará) d) Uma das características fundamentais de Tasso e do grupo de empresários que representa é a consistência ideológica e principalmente partidária. e) A geração Cambeba centrando sua política na modernização da máquina pública e na industrialização do Estado. 64. sobretudo. ao êxodo rural e à política centralizadora do Império. b) O grupo político liderado por Tasso formou-se principalmente a partir de um grupo de jovens empresários comprometidos com os interesses da embrionária juventude operária cearense. só o recuperando com a democratização do país nos anos 80. b) A presença de uma base americana em Fortaleza durante a II Guerra Mundial não alterou a hegemonia cultural francesa. 17/18. pela alternância no poder entre PSD e UDN. presentes na condução do estado do Ceará. 63. diminuiu sensivelmente o nível de concentração de renda cearense. significando o fim da dominação das elites sobre o povo cearense. p. marque a opção falsa: a) Nesse momento Fortaleza se consolida como principal centro urbano cearense. coligação entre PSD e UDN. fato dos mais exaltados na historiografia local. quando da União Pelo Ceará. é correto afirmar que: a) a vitória de Tasso constituiu um duro golpe nas tradicionais oligarquias locais. c) Teve-se a abolição da escravatura negra. b) Há uma profunda valorização da cultura e do pensamento local. apesar de o Ceará apresentar poucos cativos e estes terem um peso pequeno na economia cearense. d) Na Ditadura Militar os coronéis perderam o comando político do estado. o que se deveu. de modo geral. 2002. Artur. ANDRADE. No que concerne à ascensão de Tasso Jereissati e seu grupo de sustentação política e à citada nova etapa da história política do Ceará. opondo-se ao modelo da Belle Époque. FARIAS. tido então como fruto da ação imperialista européia sobre o Ocidente. Sobre a História do Ceará no século XX é correto afirmar: a) Nos anos 30 a política cearense foi disputada entre LEC e LCT.

65. (UECE) “As ações efetivas no sentido de modernizar as elites políticas nordestinas tem seu ponto alto na década de 1950 com a criação de instituições responsáveis por uma política de modernização conservadora na região”. militares e religiososas. Estas por sua vez tinham dentre os seus objetivos a implantacao e implementacao de atividades administrativas. Josênio. Sobre esse processo evolutivo de construcao do espaco cearense considere as seguintes proposicoes I – Muitos povoados foram originados a partir de fazendas de criacao de gado bovino. Aracati e Crato. os setores dominantes criaram abarracamentos. A Era Jereissati: Modernidade e Mito. e) Após uma euforia inicial. por ser esta um lugar de passagem dos principais fluxos comerciais com os estados de Pernambuco. p 125 . que deram origem as vilas e depois as cidades. algodao e sal. quando era grande o número de voluntários para a Guerra do Paraguai. Esta correto o que se afirma A) apenas em I B) apenas em I e II C) em I. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. III – As condicoes ambientais e principalmente hidroclimaticas predominantes no territorio cearense foram consideradas para o surgimento das primeiras vilas que se localizavam proximo as margens dos rios para facilitar o abastecimento d’agua aproveitar os solos mais facilmente. In PARENTE. Bahia e Piaui e onde era franco o comercio de gado. II – A principal cidade do sertao cearense ate o seculo XIX era a vila de Ico. utilizaram mão-de-obra dos flagelados em construções públicas e chegaram a pagar passagens retirando populares da província. o que gerou inúmeros conflitos e perseguições. Fortaleza. aumentando a tensão social – diante disso. (UECE) O desenvolvimento das primeiras vilas e cidades no Ceara foi um processo relativamente lento.d) A seca de 1877-79 assola o Ceará. Fonte: PARENTE. Ate o final do seculo XVIII o Ceara so possuia 12 vilas instaladas. o governo imperial passou a recrutar à força sertanejos para “defender a Pátria”. dentre as quais Aquiraz. As ocupacoes nos vales dos rios Jaguaribe e Acarau sao exemplos. II e III D) apenas em I e III 66. Josênio e ARRUDA. José Maria. O Ceará e a Modernidade. 2002. couro.

D) Apenas em III. III. até final do século XVIII. Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). B) ( ) No Ceará. C) As várias secas que ocorreram no Ceará no século XVIII foram responsáveis pela inexistência de vilas no sertão cearense. e a relação com o contexto político do período regencial no Brasil. assinale a alternativa correta. B) Apenas em II e III. II. Pedro I. o predomínio das oligarquias na política loca teve fim com a revolução de 1930. no Ceará. 67 Prova da PM Com relação à historia do ceará. não construiriam igreja matriz. Sobre o processo de territorialização e ocupação do Ceará. a principal atividade econômica do cearense foi a pecuária.Superintendencia do Desenvolvimento Economico do Nordeste (SUDENE). D) ( )A cidade de Fortaleza foi fundada no século XVIII. Banco do Nordeste (BNB). julgue os itens seguintes: A) ( ) Ao longo do século XVIII. . por exigência dos proprietários de terras locais. as seguintes instituicoes: I. D) A catequese e o aldeamento dos povos indígenas por jesuítas foram ações vigentes na consolidação de vilas no sertão do Ceará. 68 A Ordem Régia de 22 de Julho de 1766 tratava da necessidade de formação de vilas no interior do Ceará. A) Exigiu o retorno do imperador D. em 1831. estando alinhado aos ideais restauradores. B) As vilas do Ceará. para conter a ação de piratas ingleses no litoral cearense. II e III.Podem estar relacionadas com a modernizacao de que fala o texto. A) A criação de vilas no Ceará contemplava os interesses da Coroa Portuguesa. C) ( )A introdução de bondes de tração animal. E) A função da vila de Icó e Aracati. 69 Sobre a revolta liderada por Joaquim Pinto Madeira. bem como o calçamento e a canalização da água são ações que caracterizaram a modernização de fortaleza no século XIX. ao controle social e a expansão da pecuária. destacadas pela expansão econômica da pecuária. assinale a alternativa correta. nem Casa de Câmara. era prover o abastecimento do mercado interno e fundar novas vilas. do telegrafo e da telefonia. E correto o que se afirma A) Apenas em I e II. dos criadores de gado e de Pernambuco. C) Em I. por meio da qual se desenvolveu o comercio do charque. no que se refere à arrecadação tributária. B) Defendeu os interesses políticos dos proprietários de terras das Vilas do Crato e Jardim.

um espaço centralizador de atividades. uma das suas funções era vigiar os nativos rebeldes. fundado pelos holandeses em 1649. Ele foi. D) I e II apenas. interveio contra os senhores de escravos devido aos excessos de castigos aplicados. D) Os debates abolicionistas no Ceará. II e III. E) Debelou no Cariri os conflitos adversos à instauração da Regência Trina Provisória. naquele contexto. fins do século XIX. Analise as seguintes afirmações a esse respeito: I. B) I e III apenas. final do século XIX.C) Liderou e teve apoio em 1831 dos liberais envolvidos nos movimentos de 1817 e 1824. assinale a alternativa correta.A atividade da pecuária atraiu certo interesse da Coroa Portuguesa sobre a capitania do Ceará e. ocorreu um aumento significativo de uma população não indígena neste território. naquela que seria a capital cearense: IFoi a primeira construção que irradiou o núcleo urbano de Fortaleza. E) As consequências sociais e econômicas da seca de 1877 no Ceará. A) As fugas constantes de escravos das propriedades rurais para os centros urbanos dirimiu a necessidade de mão-de-obra escrava para os trabalhos na lavoura e na pecuária. D) Atuou em defesa da projeção política nacional do Presidente de Província do Ceará. 72 A ocupação do território cearense se deu fundamentalmente sob a égide da pecuária. IIIDepois da expulsão dos Holandeses. C) A manumissão. a Coroa Portuguesa conquistou o Forte e rebatizou-o de Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição. como a escassez de mãode-obra. foi uma das formas de alforriamento que corroboraram para o fim do escravismo no Ceará. IIAlém de sua importância estratégico-militar. Está correto o que se afirma em A) I. C) II e III apenas. A partir da . a partir dessa atividade. 71 (UECE) Atente para o que se diz sobre o Forte Schoonenborch. através de denúncias no jornal O Libertador. 70 Acerca dos aspectos socioeconômicos que contribuíram para o declínio da escravidão no Ceará. estabeleceram fortes conflitos com os escravagistas cearenses acerca das condições de vida do cativo. II. fundo de emancipação pago ao senhor de escravo. B) A Sociedade Cearense Libertadora. fizeram com que o escravo servisse como trabalhador livre.

Atente para o que se diz acerca da criação de uma rede de controle médico no estado do Ceará. percebia-se o funcionamento de uma máquina de controle médico na capital e no interior. 2001. com base no Relatório do então Diretor de Higiene Pública do Ceará. referida no excerto acima. Sebastião Rogério. . o solo do Ceará foi esquadrinhado através de doações de sesmarias. em 1924. no período em questão. I. conhecido como “Padaria Espiritual”. no período citado. II. Consistiu numa agremiação cultural. C) ambas são verdadeiras. B) I é verdadeira e II é falsa. Análises e discursos desse porte são indicativos de que. 74 (UNIFOR) A X Bienal Internacional do Livro do Ceará (nov/2012) homenageou um importante movimento ocorrido no Ceará. tornando-se palco de sangrentas batalhas entre os fazendeiros criadores de gado e os nativos. 73 “Desta forma. formada por escritores. instaurava-se um movimento médico-higienista. digamos. A respeito desse movimento. recémlançada na França. p.” PONTE. É plausível considerar que no Ceará. Fortaleza Belle Epoque: Reforma Urbana e Controle Social (1860-1930). Clóvis Barbosa de Moura. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. 15-122. fundada em 1892. foi difícil a aceitação da chamada medicina científica entre a maioria da população. habituada que estava a uma medicina. popular e mais acessível. é correto dizer-se que A) I é falsa e II é verdadeira. II. Sobre as afirmações acima.expansão pecuarista. Foi a primeira manifestação explícita de adeptos da doutrina espírita no estado do Ceará. D) ambas são falsas. no século XIX. no sentido de operar transformações na saúde pública da capital e do interior do Ceará. no início da década de 1920. Dr. tendo como objetivo principal a divulgação da obra de Allan Kardec. podemos afirmar que I.

com o propósito de fortalecer os valores cristãos na sociedade cearense. desenhistas e músicos. (E) São verdadeiros somente II e IV. (B) São verdadeiros somente II. a sociedade burguesa. V. Foi um movimento de natureza católica. Assinale a opção CORRETA.VVFVVV 3–A 4–D 5 – VVFFVF 6–B 7– 8-B 9–C 10 – C 11 – D 12 – B 13 – VVVF . Luis Antonio dos Santos. Durou cerca de 6 anos. no qual os “padeiros” tratavam de assuntos diversos da vida literária do Ceará e do Brasil. nascido no seio da burguesia e apoiado pelo 1º bispo do Ceará. (A) São verdadeiros somente I e III. (D) São verdadeiros somente II. IV e V. publicou periodicamente um jornal chamado “O Pão”. Foi um movimento formado por jovens intelectuais. (C) São verdadeiros somente I. D. GABARITO. IV. que tinha como principal objetivo criticar e protestar. especialmente por meio das letras.HISTÓRIA DO CEARÁ – AIRTON DE FARIAS 1-C 2 . III. II e V. III e V. o clero e tudo o que fosse tradicional. que teve como idealizador e um de seus fundadores o escritor Antonio Sales. além de publicarem seus próprios textos.pintores.

FVVFF .14 – A 15 – D 16 – 17 – D 18 – E 19 – A 20 – B 21 – B 22 – A 23 – E 24 – VVVFV 25 – VFVFFV 26 – C 27 – D 28 – D 29 – VVFVF 30 – D 31 – B 32 – B 33 – 34 – D 35 – B 36 – D 37 – E 38 – B 39 – D 40 – A 41 – D 42 – E 43 – B 44 .

A 69 –A 70 .C 66 .A 67 – A-V B-F C-C D-F 68 .C 71 – D 72 – D 73 – C 74 B .34 – B 46 – E 47 – C 48 – B 49 – C 50 – E 51 – B 52 – C 53 – VVVVVFVV 54 – C 55 – D 56 – C 57 – B/C 58 – D 59 – VVVV 60 – C 61 – C 62 – C 63 – C 64 – B 65.

. age contra o extermínio indígen Sobre as transformações urbanas e sociais ocorridas em Fortaleza na segunda metade do século XIX. C) Habitantes de outras capitanias eram os principais donos de terras no Ceará. é correto afirmar que: A) As intervenções para ampliação dos logradouros facilitaram a ocorrência de manifestações políticas e partidárias em locais públicos. o Capitão-mor do Ceará. E) Com apoio de Pernambuco.A pecuária. D) Foi marcada por conflitos entre os povos indígenas. foi uma das atividades econômicas decisivas para o processo de ocupação do Ceará. Acerca da ocupação da capitania do Ceará é correto afirmar que: A) Houve distribuição em partes iguais das sesmarias na capitania do Ceará. europeus e fazendeiros. B) Territórios e culturas indígenas foram beneficiadas com a criação do gado. entre o século XVII e início do século XIX.

dentre outros. (. uma sociedade de rapazes de Lettras e Artes denominada – Padaria Espiritual. refletem os propósitos literários e sociais da Padaria Espiritual. Sobre a atuação desse grupo literário é correto afirmar que: A) A publicação do jornal O Pão . capital da Terra da Luz.Fica organizada. do Imperador e Duque de Caxias são símbolos das disputas entre o saber médico e o poder público. antigo Siará Grande. os Padeiros. de 1875 e 1888. O Pão. uma bebida sagrada feita do caju.)”. “I. não tinham como perspectivas de ampliação as áreas despovoadas da cidade. .Será punido com expulsão immediata e sem apello o Padeiro que recitar ao piano. após a expulsão dos jesuítas (1759). nesta cidade de Fortaleza.. para o ritual do Toré. Fortaleza: Edições UFC. 1982. unificou a cultura indígena. D) A abertura das avenidas Dom Manuel (denominada Boulevard da Conceição). Os artigos I e XXVIII. dos seus sócios. Edição Fac-similar.. ocorreu devido às ações políticas de comerciantes. C) Os aldeamentos missionários no Siará Grande. Academia Cearense de Letras. propagou as ideias irreverentes dos Padeiros.) XXVIII. extinguiram os costumes dos indígenas. E) Os projetos arquitetônicos de Adolfo Herbster visavam o alinhamento de ruas e casas.. B) A regularização das suas terras e o reconhecimento da identidade cultural dos índios ocorreu no século XIX. do Programa de Instalação da Padaria Espiritual (1892). V-VI. e a abertura de avenidas para o ordenamento do espaço urbano e o controle socia Sobre a história e as práticas culturais dos povos indígenas no Ceará é correto afirmar que: A) A criação das vilas de índios no Siará Grande. cujo fim é fornecer pão de espírito aos socios em particular e aos povos em geral.B) O planejamento urbano da cidade de Fortaleza. p. 1895-1896). C) As plantas do engenheiro Adolfo Herbster. E) Os empreendimentos industriais.. o plano em xadrez para as ruas..da Padaria Espiritual (1892.. em 1892. portuários e imobiliários nas terras indígenas beneficiam sua economia e seus hábitos culturais. D) Os índios Jenipapo-Kanindé (Aquiraz) produzem o mocororó. (. para a capital cearense. século XVIII.

Sobre os Tremembé de Almofala e a luta pela terra. local de um aldeamento do século XVIII e que hoje é distrito do município de Itarema. (. C) A luta dos índios Tremembé pela terra tem como referência a área do antigo aldeamento. em Juazeiro do Norte no Ceará. após a queda de Accioly. após mais de cem anos da propaganda de ‘extinção’ oficial dos índios no Ceará. nesse período. D) O dois últimos mandatos governamentais sucessivos de Accioly. o grupo político de Franco Rabelo enfrentou os apoiadores do ex-presidente. é correto afirmar que: A) Os Tremembé de Almofala não são reconhecidos oficialmente. 2009. Antônio Sales. ocorreram amparados na Constituição Federal. E) Os Padeiros divulgavam e eram influenciados pela língua estrangeira Os Tremembé estão entre os grupos indígenas que ‘reaparecem’ no cenário cearense. B) A população indígena Tremembé. o Ceará se destacou como importante produtor de carne seca. RATTS. desde a década de 80. p. Secult.)”. é correto afirmar: A) Aracati exportava carne seca para os EUA. C) Os Padeiros dentre eles. Marque o item que caracteriza corretamente as práticas políticas da oligarquia Aciolina no Ceará.25. Quem fala em Tremembé. Fortaleza: Museu do Ceará. nega sua identidade territorial e indígena. 1904-1908 e 1908-1912.. situado a 270 km de Fortaleza. Sobre esta produção. como índios. D) A Padaria Espiritual exaltava o regime monárquico em suas publicações. D) A dança do Torém dos índios Tremembé foi extinta pelos posseiros da região após conflitos territoriais E) A mobilização pela demarcação de terras dos Tremembé de Almofala acontece entre os índios mais velhos A história política do Ceará nas primeiras décadas do período Republicano é assinalada pelo governo oligárquico de Antonio Pinto Nogueira Accioly. Alex. em Almofala. No período colonial. B) . C) Após Accioly ter perdido o governo do Ceará. entre as décadas de 1980 e 2000. eram a favor do fortalecimento de Franco Rabelo. Traços étnicos : espacialidades e culturas negras e indígenas. A) Accioly foi eleito três vezes presidente do Ceará através de processos eleitorais populares e democráticos. geralmente se refere à população indígena que mora em Almofala.. pela FUNAI. B) A iluminação pública e o saneamento da capital cearense foram umas das estratégias políticas e administrativas de Accioly. representavam a burguesia cearense.B) Os sócios da Padaria Espiritual manifestavam ideias contrárias à cultura popular. E) Padre Cícero e Floro Bartolomeu.

[. construindo e destruindo patrimônios naturais e edificados. cheiros e ruídos. literária. Eduardo Lúcio Guilherme. voltada para a discussão e o lazer em torno de temas importante para aqueles contemporâneos. 2005. p. grêmios ou associações. compreende-se corretamente que o saber e o conhecimento: A) existiam somente na universidade. Parte expressiva de nossas referências identitárias está contida em suas ruas.. conclui-se que: A) . ( Nas trilhas da cidade. Neste processo. pregões. marcou definitivamente a produção intelectual cearense (.. A busca do novo. C) Fortaleza. Partindo desse texto do geógrafo José Borzacchiello da Silva.” (AMARAL. para o lazer.a cidade de Aracati era a principal produtora de carne seca. [Esses] círculos [constituíam] espaço privilegiado para a discussão filosófica. edifícios. é uma cidade que migra. casarões. política e. 2002. orientando. fortemente. promovia a festa das charqueadas. paisagens.). na verdade. ed. Barão de Studart – memória da distinção. “Tempo. 10-11. inclusive. 2. como capital. as charqueadas se relacionam com a produção de algodão e carne seca “Esse tipo de sociabilidade de elite. E) eram secundários em relação à diversão e às festas.) A partir da leitura do texto acima sobre as elites letradas de Fortaleza no final do século XIX. D) eram vistos como irrelevantes para a sociedade. criando outros. a sensação de abandono. O que há. D) Fortaleza se torna capital por causa da sua produção de carne seca. Não existe uma cidade nova.] Sem ele a história de Fortaleza apresenta um vácuo. vai consumindo paisagens. C) constituíam símbolos de distinção social. B) estavam dissociados da vida política. Fortaleza: Museu do Ceará. novos investimentos para outras direções. p. 39-40). do inusitado. Em seu rastro. engolindo novos espaços. E) em Fortaleza. não implica a ausência de requalificação e refuncionalidade do Centro Histórico”. uma enorme lacuna temporal. fundada sobre pequenos círculos.. memória imbricam-se no Centro. espaço. Fortaleza: Museu do Ceará..

as migrações de contingentes do interior do estado para Fortaleza provocaram o declínio do centro
urbano.
B)
o patrimônio cultural e os marcos de memória situados no centro têm relação apenas com o passado
da cidade.
C)
a degradação da região central é uma conseqüência irreversível da modernização de Fortaleza nas
últimas décadas.
D)
a transformação do espaço urbano precisa voltar-se, de preferência, para o investimento maciço em
novas áreas, sem vínculo com o centro.
E)
o centro deve ser preservado e valorizado, pois constitui um espaço de importância simbólica e
socioeconômica para os habitantes de Fortaleza.

O tombamento e a restauração do Passeio Público, cuja construção data do final do século XIX,
justifica-se:
A)
pela preservação da memória do Exército que ocupa essa área desde o período colonial.
B)
por sua história, pois constituiu um espaço de resistência dos negros que ali organizaram um
quilombo.
C)
por constituir patrimônio cultural edificado da cidade que guarda marcas da ocupação do espaço urbano.
D)
pelo apelo do setor imobiliário, já que essa área vem se valorizando a partir da construção de
residências modernas em seu entorno.
E)
pela importância simbólica que tem para a população de Fortaleza, pois tem servido como palco para
manifestações políticas desde a República Velha

“Quando tornarei a respirar tuas auras
impregnadas de perfumes agrestes, nas quais o
homem comunga a seiva dessa natureza possante?
De dia em dia aquelas remotas regiões vão
perdendo a primitiva rudeza, que tamanho encanto
lhes infundia. A civilização que penetra pelo interior
corta os campos de estradas e semeia pelo
vastíssimo deserto as casas e mais tarde as
povoações.”
ALENCAR, José de. O Sertanejo. São Paulo. Editora Ática,
1987. p.11.

O excerto remonta o cenário do início da produção
espacial e da ocupação do sertão cearense. Sobre
este processo, analise as afirmações a seguir.
I. O processo de povoamento do Ceará é
considerado tardio em relação aos demais
estados nordestinos.
II. Os primeiros núcleos de povoamento
surgiram do litoral para o sertão, ao longo
dos principais rios. Cidades como Aracati,
Limoeiro do Norte e Jaguaribe são
exemplos deste processo.
III. As regiões correspondentes aos vales dos
rios Acaraú e Jaguaribe também foram
colonizadas em função das fazendas de
gado.
Está correto o que se afirma em
A) I e II apenas.

B) II e III apenas.
C) I e III apenas.
D) I, II e III.

A seca, um fenômeno climático que nunca foi
raro no Ceará, durante os anos de 1877, 1878 e
1879, ocasionou uma migração, nunca vista, de
vários pontos do Estado para Fortaleza. Observe o
que se diz a respeito dessa migração exacerbada.
I. As ruas da capital do Estado ficaram
apinhadas de flagelados, famintos e
esfarrapados, solicitando socorro aos
moradores para minorar sua fome e sede.
II. A utilização da mão de obra dos retirantes da
seca foi fundamental para a construção da
estrada de ferro de Baturité, chamada por
alguns de ferrovia da seca.
III. Um grande número de pessoas vivendo em
condições insalubres agravou o quadro
sanitário da Província, com o surgimento de
casos de varíola.
É correto o que se afirma em
A) I e III apenas.
B) I, II e III.
C) I e II apenas.
D) II e III apenas.

“Os comerciantes ingleses consideravam o
algodão brasileiro de ótima qualidade e parte do
produto saía para a Inglaterra através dos portos
do Maranhão, do Recife e do Ceará.”
BESSA, Telma e ARAÚJO, Alana. Sobral: outros
olhares, outras memórias, outras histórias.
Sobral-Ce, Instituto ECOA: 2012. p. 62-63.

Acerca da produção algodoeira cearense e de seus
desdobramentos, assinale a afirmação
INCORRETA.
A) Sua expansão se deu quando os Estados
Unidos, então o grande produtor de algodão,

envolvido com a guerra pela sua independência
(1774-1783), não mais exportou o produto
para a Inglaterra.
B) O crescimento da lavoura algodoeira excluiu a
atividade pecuarista. Afinal, a economia
brasileira e, consequentemente, a cearense
sobreviviam dos ciclos econômicos ditados
pelos interesses econômicos externos.
C) A produção de tecidos no Ceará funcionou
inicialmente com teares primitivos feitos de
madeira, onde se teciam panos grossos e
fortes para vestimenta de escravos e pessoas
simples.
D) A mão de obra usada na cotonicultura foi
basicamente a mesma antes usada na
pecuária, sendo pouco empregado o escravo
africano, devido à facilidade de colheita do
produto, que possibilitava a utilização de
mulheres e, até mesmo, crianças.

15
UNIFOR – Processo Seletivo 2013.2 – 1ª Fase
UNIFOR
Questão 32
Questão 33
Quadro de Raimundo Cela, retratando a abolição no Ceará.

Em 25 de março de 1884, o presidente da
província do Ceará declarou a abolição da
escravatura em todo o seu território. O Estado
entrou para a história por ter sido o primeiro a
acabar, ao menos oficialmente, com o trabalho
escravo no País. Analise as afirmativas abaixo, a
respeito desse assunto.
I.
Nos anos que antecederam a abolição
no Ceará, várias entidades de apoio ao
movimento foram criadas no estado, dentre
elas a Sociedade Cearense Libertadora.
II.
A antecipação da libertação dos escravos no
Ceará deveu-se ao fato de ser o segundo
estado nordestino com maior quantidade de
negros escravos.
III.
O jangadeiro Francisco José do Nascimento,
conhecido como Dragão do Mar, notabilizouse por traficar escravos fugitivos para o sul
do País.
IV.
Embora o estado do Ceará tenha abolido
a escravatura quatro anos antes da Lei
Áurea, o município de Acarape já havia se
antecipado e libertado seus escravos.
V.
O movimento abolicionista no Ceará foi
impulsionado pelo alto preço dos escravos
nas províncias cafeeiras do Sul do país,
para onde o estado exportava escravos.

uma vez que não se sabe quem. B) o conceito de fundação de uma cidade deve ser preciso. realmente. expresso na falta de alinhamento temporal. (E) São verdadeiras apenas III. C) p elas datas. aos poucos.. II e III (D) São verdadeiras apenas I. é um erro em cronologia. (C) São verdadeiras apenas I. (B) São verdadeiras apenas II. III e IV. à s margens do rio Ceará (atual Barra do Ceará). IV e V.Acerca dessas afirmativas. II e IV. porque o forte Sc hoonenborch foi renomeado “Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção”. E) a data oficial da fundação é 1654.. ou seja. lusitanos e holandeses não estiveram aqui para fundar cidades. porque ergueu o forte São Tiago. simplesmente porque. no século XVI. D) F ortaleza surgiu espontaneamente. ” Por esse fragmento e pelos dados da tabela d ap ágina anterior . não sendo fruto da ação intencional de uma única pessoa em determinada data. porque não pode haver muitas interpretações da História. IV e V. podemos deduzir corretamente que: A) a s tentativas de con quista foram em vão. nome oficial de Fortalez . mas com a intenção clara de explorar a terra.) Dizer que Moreno ou Beck são os fundadores destas terras é algo totalmente artificial. fundou Fortaleza. quem fundou Fortaleza foi Pero Coelho. “ Atribuir a funda ção do Ceará/Fortaleza a Martim Soares Moreno/Matias Beck é incorrer num anacronismo. assinale o item CORRETO: (A) São verdadeiras apenas I. (.

C) pelas datas. simplesmente porque. para reinventarem e recriare m os lugares. uma vez que não se sabe quem. no romance Iracema .Muitos historiadores pesquisam.. as origens dos lugares. .. ou seja. porque não pode haver muitas interpretações da História. Muitos ficcionistas utilizam se de tais dados. realmente.” Por esse fragmento e pelos dados da tabela da página anterior. D) 1611 – Martim Soares Moreno e os tabajaras.) Dizer que Moreno ou Beck são os fundadores destas terras é algo totalmente artificial. B) 1649 – Matias Beck e os holandeses. lusitanos e holandeses não estiveram aqui para fundar cidades. B) o conceito de fundação de uma cidade deve ser preciso. mas com a intenção clara de explorar a terra. expresso na falta de alinhamento temporal. C) 165 4 – O s portugueses e os potiguare s. como foi o caso de José de Alencar. porque ergueu o forte São Tiago. por meio de documentação. Para caracterizar a gênese do povo cearense. às margens do rio Ceará (atual Barra do Ceará). fundou Fortaleza. E) 1644 – O s indígenas de Acaracu e de Porangaba “Atribuir a fundação do Ceará/Fortaleza a Martim Soares Moreno/Matias Beck é incorrer num anacronismo. é um erro em cronologia. podemos deduzir corretamente que: A) as tentativas de conquista foram em vão. quem fundou Fortaleza foi Pero Coelho. (. no século XVI. Alencar levou em consideração os seguintes dados históricos: A) 1603 – Pero Coelho e os índios.

apontadas para muitas direções. C) 1654 – Os portugueses e os potiguares. “A fortaleza. D) evidenciou o papel de destaque na formação do Brasil. para o lado da Vila. ainda não ocupado de forma produtiva – o Ceará seria um ponto estratégico ligando o litoral leste (de Pernambuco a Bahia) ao atual Norte do Brasil. enterrada no solo. na maioria das vezes. evidenciando o papel logístico-defensivo (basta perceber a localização de Fortaleza. Notei que a peça de maior força estava voltada para a Vila. Muitos ficcionistas utilizam-se de tais dados. como foi o caso de José de Alencar. de vários calibres. próxima às moradas e consiste num baluarte de areia ou terra. Não é por acaso que o começo da história oficial cearense girou em torno de fortes. os quais se situavam. porque o forte Schoonenborch foi renomeado “Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção”. fica sobre uma colina de areia. Alencar levou em consideração os seguintes dados históricos: A) 1603 – Pero Coelho e os índios.D) Fortaleza surgiu espontaneamente. Fortaleza: Museu do Ceará. as origens dos lugares. 2004. E) a data oficial da fundação é 1654. podemos inferir que o povoamento onde hoje é Fortaleza: A) dividiu o território brasileiro em dois. não sendo fruto da ação intencional de uma única pessoa em determinada data. “A Coroa Portuguesa também desejava fazer do Ceará/Fortaleza uma base de apoio logístico. E) 1644 – Os indígenas de Acaracu e de Porangaba. para reinventarem e recriarem os lugares. Fortaleza: imagens da cidade. aos poucos. . B) 1649 – Matias Beck e os holandeses. E) foi estrategicamente delineado pela centralidade de seu território.” Pela leitura do texto. C) deveu-se a uma cláusula do Tratado de Tordesilhas. do lado do mar. objetivando a expulsão dos franceses do Maranhão e a conquista do norte brasileiro. por meio de documentação. D) 1611 – Martim Soares Moreno e os tabajaras. p. que divide o litoral do Ceará em dois). Muitos historiadores pesquisam. e uma paliçada. na porção média (no meio) do litoral. contém quatro peças de canhão. de onde a Vila recebe a denominação. nome oficial de Fortaleza. Para caracterizar a gênese do povo cearense. 32. Antonio Luiz Macêdo e. no romance Iracema. B) foi uma questão de honra para os portugueses.” SILVA E FILHO.

consideravelmente. Frederico de Castro (organizadores). distanciava-se.Primeira planta da Villa Nova da Fortaleza de Nossa Senhora da Assumpssão da Capitania do Siará Grande. tanto em aspecto físico. fica evidente que a preocupação com as ameaças vinha da terra. D) os valores culturais da sociedade colonial serviam de base para o processo de urbanização local. 1726. observamos um processo de reformas urbanas com o intuito de disciplinar o seu crescimento. havia o mar. 2002. e. Nesse período.” SOUZA. no período citado. podemos deduzir que: A) a preocupação maior era com as ameaças vindas do mar: os estrangeiros que também queriam as riquezas que a terra poderia oferecer. atribuída ao capitão-mor Manuel Francês. para manter a ordem social. NEVES. E) a própria posição do forte era vulnerável. p. Os anos de 1940. local de ancoradouro dos invasores. Sobre as ações de disciplinamento do espaço urbano. Pela descrição do viajante anglo-português Henry Koster (ele visitou a Vila em 1811). pois era construído de estacas. em princípios da década de 1940. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. Comportamento feminino em Fortaleza. o poder público local identificou uma gama de problemas sociais enfrentados pela cidade. Semeão e. em Fortaleza. por um lado. SILVA. Simone de. Entre o tradicional e o moderno durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). apesar da representação da força do canhão. Isso também revela um temor contínuo da agressividade indígena. E) buscavam controlar e combater a prostituição e mendicância existentes em Fortaleza. pelo outro lado. Jane D. D) pela posição do canhão mais potente. B) o artefato bélico expressava um modo amigável. são notórios de uma cidade marcada pelo(a): . “A cidade de Fortaleza. no final do século XIX e início do século XX. C) negavam o padrão de modernização urbana capitalista da Europa Ocidental. Na cidade de Fortaleza. e intimidar o possível surgimento de rebeliões e de descontentamento popular não faziam parte da administração do povoado. C) reprimir. da Fortaleza do começo do século. B) não evidenciaram preocupação com a remodelação de praças e avenidas citadinas. quanto material. desenvolvidas pelos poderes instituídos. de tratar com os nativos da região: os indígenas. podemos afirmar que: A) provocaram uma diminuição do crescimento populacional de Fortaleza. já que havia poucas pessoas na Vila. 17.

E) ao aumento desenfreado da população da cidade.O jangadeiro Francisco José do Nascimento. podemos identificar mudanças relevantes no cenário político e partidário local. para governar o estado do Ceará.Embora o estado do Ceará tenha abolido a escravatura quatro anos antes da Lei Áurea. várias entidades de apoio ao movimento foram criadas no estado. venceu a eleição municipal e tornouse a primeira mulher a assumir a Prefeitura de uma capital no Brasil. V. uma vida cultural agitada e uma arquitetura arrojada. B) à integração das cidades de Maracanaú e Messejana à região metropolitana da cidade. a respeito desse assunto. II. no âmbito da gestão municipal de Fortaleza. é correto afirmar que: A) Tasso Jereissati. notabilizouse por traficar escravos fugitivos para o sul do País.A) menosprezo da tecnologia capitalista e diminuição do crescimento comercial. C) Maria Luíza Fontenele. em 1963. E) perda da hegemonia da capital. entre 1964 e 1985. As grandes mudanças ocorridas na cidade. D) o resultado da eleição de 1985 consagrou a força da Ditadura Militar. B) processo de modernização urbana e influência da cultura americana no cotidiano da cidade. candidato do PMDB. Com relação ao referido período.O movimento abolicionista no Ceará foi impulsionado pelo alto preço dos escravos . para dirigir a cidade de Fortaleza. IV. A capital cearense é hoje uma cidade grande e moderna. venceu as eleições municipais e assumiu a Prefeitura de Fortaleza. D) à elevação da cidade à segunda maior capital do Nordeste do Brasil. O Brasil. conhecido como Dragão do Mar. o presidente da província do Ceará declarou a abolição da escravatura em todo o seu território.A antecipação da libertação dos escravos no Ceará deveu-se ao fato de ser o segundo estado nordestino com maior quantidade de negros escravos. com muitas empresas. por parte do poder público. Em 25 de março de 1884. Analise as afirmativas abaixo. E) a eleição municipal de 1985 propiciou um enfraquecimento do Partido dos Trabalhadores no cenário político local. nos espaços citadinos de lazer. num momento em que a população reivindicava eleições diretas para Presidente do Brasil. podem ser atribuídas. durante os anos 1980 do século XX. B) o Regime Militar anulou a eleição municipal e nomeou um interventor.Nos anos que antecederam a abolição no Ceará. na perspectiva de centro comercial do Estado do Ceará. III. candidata do Partido dos Trabalhadores. O Estado entrou para a história por ter sido o primeiro a acabar. C) à criação do Distrito Industrial de Fortaleza (DIF I). da difusão de hábitos e costumes norte-americanos. D) modelo de organização do espaço urbano propagado pelo regime monárquico no Brasil. no ano de 1985. com o trabalho escravo no País. a respeito da disputa da eleição municipal para a Prefeitura da cidade. I. vivia sob os auspícios da Ditadura Militar. principalmente: A) à eleição de Virgílio Távora. dentre elas a Sociedade Cearense Libertadora. Na cidade de Fortaleza. C) impedimento. ao menos oficialmente. o município de Acarape já havia se antecipado e libertado seus escravos.

diante do estrondoso déficit habitacional e pressões populares. em 1960. B ( ) Durante a Ditadura Militar brasileira (1964-85). assinale o item CORRETO: (A) São verdadeiras apenas I. III e IV. em virtude da falta de canais de comunicação e da baixa representatividade dos governantes. pois ela derrotou os dois candidatos favoritos e contrariou até pesquisas eleitorais de opinião. Paes de Andrade e Lúcio Alcântara. 4 Marque V ou F.nas províncias cafeeiras do Sul do país. de 1970. Acerca dessas afirmativas. (C) São verdadeiras apenas I. D ( ) Em 1985. a primeira mulher a assumir o executivo da cidade. foi eleita prefeita Maria Luiza Fontenelle. 857 mil (aumento de 63%). Em 1973. ante a descentralização do poder que marcou o período. (B) São verdadeiras apenas II. IV e V. e Conjunto Ceará. de 1977). Nem sempre as ações das gestões municipais eram o mais desejado pelos cidadãos. Fortaleza apresentava 270 mil habitantes. A autonomia municipal foi mais uma vez garantida. II e III (D) São verdadeiras apenas I. foi criada oficialmente a Região Metropolitana de Fortaleza) . C ( ) O centralismo da Ditadura Civil-Militar de 64 foi terrível para os municípios. sem contar os casos e decisões inusitadas/clientelistas que atendiam a interesses privados ou localizados em detrimento de propostas globais que levassem em conta as necessidades mais grassantes da capital. no que foi apontada como uma “grande surpresa”. em 1970. Marque V ou F A ( ) Na Ditadura Civil-Militar (1964-85). foram construídos conjuntos habitacionais na capital cearense para as camadas médias baixas e mesmo populares (caso do Conjunto José Walter. sobre Fortaleza na segunda metade do século XX A ( ) O processo de expansão de Fortaleza e do aumento de sua população intensificou-se de forma impressionante a partir da segunda metade do século XX. II e IV. em 1950. IV e V. passou a ter 518 mil (um aumento de 90%). passando a ser indicados pelos chefes do executivo estadual. Os prefeitos das capitais e das “cidades de segurança nacional” deixaram de ser eleitos pelo voto popular. (E) São verdadeiras apenas III. para onde o estado exportava escravos.

) Art. a constituição do bairro do Meireles (contíguo à Aldeota e situado junto à orla). C ( ) Ocorre uma valorização de sua fachada marítima. urbanização da Praia do Futuro. cultura e administração. asfaltamento. Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC. 59. rouxinol. E) inserção dos índios na produção agrícola voltada para o mercado. agremiação literária fundada em Fortaleza em 1892.. Leonardo. do Futuro e da Leste-Oeste nos anos 80. como: cotovia. que centrou sua atuação na construção de grandes obras. olmeiro. Leste-Oeste e Via-Expressa Mucuripe-Parangaba). abertura. C) de oposição ao republicanismo. A Padaria Espiritual. B) aumento populacional dessas comunidades. D) papel desempenhado pela terra em sua cultura e existência. 58. E) da emancipação administrativa de vilas e distritos. 21 – Será julgada indigna de publicidade qualquer peça literária em que se falar de animais ou plantas estranhas à Fauna e à Flora brasileiras. a instalação de vários clubes sociais no litoral leste de Fortaleza nos anos 50 e 60 (antes.” (MOTA. etc. carvalho. reforma da Praça do Ferreira. B) da política dos coronéis. sua urbanização entre 1979-82.B ( ) Abandonado pelas camadas de alta renda e esvaziado no que se refere às atividades de lazer. A importância da demarcação de territórios indígenas. construção da ponte sobre o rio Ceará (favorecendo a comunicação com as praias do litoral oeste cearense) e novo Mercado Central. D ( ) Fortaleza nos anos 90 e começo do século XXI esteve sob o comando do grupo político de Juraci Magalhães. Os dois artigos retirados do “Programa de Instalação” da Padaria Espiritual. D) de crise da economia algodoeira.. criação do Sistema Integrado de ônibus. o Centro histórico de Fortaleza foi apropriado pelas camadas populares. expressam: . 1995). C) geração de renda voltada para o sustento desses grupos. Uma análise da Sedição de Juazeiro (1914) foi um acontecimento político que deve ser entendido na conjuntura: A) dos conflitos religiosos. justifica-se pelo (a): A) manutenção da propriedade familiar. 14 – É proibido o uso de palavras estranhas à língua vernácula (. caso exemplificado pelas reivindicações dos Tremembés e Kariri. tais clubes localizavamse no centro fortalezense) e a construção dos calçadões da Praia de Iracema. Teve-se a construção em 1963 da Avenida Beira Mar. alargamento de vias (a exemplo da Domingos Olimpio. “Art. a exemplo do aterro da Praia de Iracema. etc.

A O direito do indígena habitante de território do Ceará à terra foi reconhecido pelo governo português por meio da distribuição de sesmarias nessa região. C Os principais responsáveis pela ocupação do interior do Ceará foram os bandeirantes originários da cidade de São Paulo. E) apoio ao regime monárquico. similar à ocorrida na região das Missões no século XVIII. E) das lutas entre indígenas. C) dos conflitos religiosos. B) da economia portuária. nas quais se adotou o modelo de concentração fundiária. C a insurreição de bandeirantes paulistas contra o governo da Capitania do Ceará que os havia contratado. com a integração do índio à sociedade colonial portuguesa por meio das missões jesuíticas. foi A o primeiro conflito pela autonomia política do Ceará e pela separação de Pernambuco e ocorreu no século XVIII. assinale a opção correta.A) descrença na importância da cultura. A Guerra dos Bárbaros. B) distanciamento da cultura popular. D A ocupação do sertão do Ceará foi pacífica. B A criação de gado foi uma atividade central no processo de ocupação do interior do Ceará. E um grande foco de resistência indígena no Nordeste brasileiro durante o período colonial e perdurou por quase cinquenta anos. no século XVIII. B uma revolta regional do período regencial cujo conflito ocorreu no Ceará. 60. que daria origem à cidade de Sobral está relacionada à história: A) das charqueadas. assinale a opção correta. O surgimento da povoação chamada Caiçara. C) valorização dos modos urbanos. D) aversão aos estrangeirismos. E Ao contrário do que ocorreu nas demais regiões em que se plantava cana-de-açúcar. Casas Acerca da retomada da colonização no Ceará pelos portugueses após a expulsão dos holandeses. A As condições climáticas do Ceará impediram a utilização de escravos em atividades agrícolas. na colonização do Ceará empregou-se o modelo da pequena propriedade. D) da economia algodoeira. . A respeito da escravidão no Ceará. também cunhada como Guerra da Confederação dos Cariris. D a revolta jesuítica ocorrida no Ceará.

uma vez que era um trabalho que exigia um grande numero de trabalhadores. . C) a mao de obra negra e escrava na pecuaria era maioria em relacao a outros trabalhadores. escravos africanos. E Devido ao pequeno número de escravos. em pequena escala. em razão da chegada de mão de obra imigrante. Acerca dessas relacoes. mesticos livres. C O pequeno número de cativos é um dos motivos pelo qual a escravidão foi abolida anteriormente no Ceará em relação ao restante do país. D Não houve casos de resistência à escravidão no Ceará. o fim da escravidão no Ceará não ocorreu mediante um movimento abolicionista A peculiaridade da pecuaria sertaneja no Brasil do seculo XVIII esteve ligada principalmente as relacoes de trabalho nela estabelecidas. D) nas fazendas de gado. o percentual de livres e escravos era em torno de cinquenta por cento para cada categoria. B) havia predominancia do trabalho de negros libertos. brancos pobres e. dada a pequena quantidade de escravos nessa região.B A exportação de escravos do Sul do Brasil para o Ceará mobilizou a imprensa local contra a escravidão. semelhante ao sistema aplicado nos grandes engenhos de acucar. e correto afirmar-se que A) predominava o trabalho escravo em larga escala. mas diferenciava-se pelo fato de o trabalho ser mais brando.