PONTO 03

XIV CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL
SUBSTITUTO DA 1ª REGIÃO
Alessandro Rafael Bertollo de Alexandre * Alexey Suusmann Pere * Bruno Anderson Santos da Silva * Caio
Castagine Marinho * Carolynne Souza de Macêdo Oliveira * Clécio Alves Araújo * Danielli Farias Rabelo
Leitão Rodrigues * Diana Maria Wanderlei da Silva * Diego Leonardo Andrade de Oliveira * Diogo Souza
Santa Cecília * Eduardo Santos da Rocha Penteado * Emanuel José Matias Guerra * Érico Rodrigo Freitas
Pinheiro * Felipe Bouzada Flores Viana * Flávio Fraga e Silva * Frederico Botelho de Barros Viana * Gabriela
Silva Macedo * Gilberto Pimentel de Mendonça Gomes Junior * Heitor Moura Gomes * Herley da Luz Brasil
* José Flávio Fonseca de Oliveira * Jucelio Fleury Neto * Leonardo Tavares Saraiva * Lílian Mara de Souza
Ferreira * Liviane Kelly Soares Vasconcelos * Luzia Farias da Silva * Marcelo Freire Lage * Márcio Muniz da
Silva Carvalho * Mauro César Garcia Patini * Omar Bellottti Ferreira * Paulo Máximo de Castro Cabacinha *
Pedro Felipe de Oliveira Santos * Rafael de Sousa Branquinho e Assis * Rafael Lima da Costa * Ricardo
Beckerath da Silva Leitão * Robson de Magalhães Pereira * Rodrigo Parente Paiva Bentemuller * Sophia
Nóbrega Câmara * Tiago Borré * Ubiratan Cruz Rodrigues * Umberto Paulini * Victor Cretella Passos Silva *
Walisson Gonçalves Cunha * Walter H. Santos

2012
CONTEÚDO DO PONTO 031
A
DIREITO
CONSTITUCIONAL

1

O
constitucionalismo
brasileiro.
A
ordem
constitucional vigente. Emendas à Constituição.
Disposições gerais e transitórias. República e
Federação no Direito Constitucional em geral.
Sistema brasileiro. Repartição de competências.
União: bens e competência.Competência exclusiva,
competência de normas gerais, competência
comum e competência concorrente.

Conforme sorteio divulgado no dia 23/10/2012.

1

B
DIREITO
ADMINISTRATIVO

Direito
Administrativo
Regulador.
Agências:
Reguladoras e Executivas. O regime jurídico das
Agências
Reguladoras:
natureza
jurídica,
características, contrato de gestão, pessoal e poder
normativo.

C

DIREITO PENAL

Concurso de pessoas e concurso de crimes.

D

DIREITO PROCESSUAL Recursos.
PENAL

E
DIREITO CIVIL

Domicílio. Bens. Negócios jurídicos: conceito.
Representação. Condição. Termo. Encargo. Defeitos.
Invalidade. Prescrição e decadência. Prova.

F

Jurisdição constitucional das liberdades e seus
principais mecanismos (habeas corpus no processo
civil, mandado de segurança individual e coletivo,
DIREITO PROCESSUAL
mandado de segurança, habeas data, ação popular,
CIVIL
ação civil pública), respectivos conceitos, natureza,
características, hipóteses de cabimento, detalhes
procedimentais.

G

DIREITO
PREVIDENCIÁRIO

H

Receita pública. Conceito. Ingressos e receitas.
DIREITO FINANCEIRO
Classificação: receitas originárias e receitas
E TRIBUTÁRIO
derivadas.

I

DIREITO AMBIENTAL

Repartição de competências em matéria ambiental.

J

DIREITO
INTERNACIOANAL
PÚBLICO E PRIVADO

Personalidade internacional. Estado. Imunidade à
jurisdição estatal. Consulados e embaixadas.

K

DIREITO
EMPRESARIAL

L

Seguridade
Social.
Saúde,
Assistência. Distinções.

Previdência

e

Teoria geral do Direito Societário: conceito de
sociedade.
Personalização
da
sociedade.
Classificação das sociedades. Sociedades ão
personificadas.
Sociedades
personificadas:
sociedade simples, sociedade em nome coletivo,
sociedade em comandita simples, sociedade em
comandita por ações, sociedade cooperada,
sociedades coligadas. Liquidação. Transformação.
Incorporação.
Fusão.
Cisão.
Sociedades
dependentes de autorização.

Lei Antitruste. Disciplina jurídica da concorrência
DIREITO ECONÔMICO empresarial. Princípios. Infrações contra a ordem
E
PROTEÇÃO
AO econômica. Concorrência lícita e desleal. Repressão
CONSUMIDOR
do poder econômico pelo Estado. Abuso do poder
econômico.

M ÉTICA E ESTATUTO Código de Ética da Magistratura Nacional. Estatuto
JURÍDICO
DA da OAB.
MAGISTRATURA
NACIONAL
N

SOCIOLOGIA
DO Fato jurídico e fato social (relações). Justiça e
DIREITO/FILOSOFIA
legalidade.
DO DIREITO
2

O

TEORIA GERAL
DIREITO
E
POLÍTICA

DO O imperativo categórico (Kant). O espírito absoluto
DA (Hegel). A norma fundamental (Kelsen).

SUMÁRIO
A. DIREITO CONSTITUCIONAL.................................................................................6
1. O CONSTITUCIONALISMO BRASILEIRO. A ORDEM CONSTITUCIONAL VIGENTE. EMENDAS À CONSTITUIÇÃO.
DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS. REPÚBLICA E FEDERAÇÃO NO DIREITO CONSTITUCIONAL EM GERAL. SISTEMA
BRASILEIRO.................................................................................................................................. 6
2. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS.................................................................................................... 21
2.1. União........................................................................................................................... 21
2.2.1. Bens........................................................................................................................................ 21
2.2.2. Competência. Competência exclusiva, competência de normas gerais, competência comum e competência
concorrente........................................................................................................................................ 22

B. DIREITO ADMINISTRATIVO....................................................................................25
1. DIREITO ADMINISTRATIVO REGULADOR..........................................................................................25
1.1. Agências: Reguladoras e Executivas...........................................................................25
1.2. O regime jurídico das Agências Reguladoras...............................................................26
1.2.1. Natureza jurídica......................................................................................................................... 26
1.2.2. Características............................................................................................................................ 29
1.2.3. Contrato de gestão....................................................................................................................... 32
1.2.4. Pessoal..................................................................................................................................... 32
1.2.5. Poder normativo.......................................................................................................................... 33

C. DIREITO PENAL.................................................................................................. 35
1. CONCURSO DE PESSOAS............................................................................................................. 35
2. CONCURSO DE CRIMES............................................................................................................... 42
D. DIREITO PROCESSUAL PENAL................................................................................66
1. RECURSOS.............................................................................................................................. 66
E. DIREITO CIVIL (IGUAL AO PONTO 11).................................................................84
1. DOMICÍLIO............................................................................................................................. 84
2. BENS................................................................................................................................... 85
3. NEGÓCIOS JURÍDICOS............................................................................................................... 94
3.1. Conceito...................................................................................................................... 94
3.2. Representação............................................................................................................ 95
3.3. Condição..................................................................................................................... 95
3.3.1. Classificação Das Condições................................................................................................ 96

3.4. Termo ou Encargo...................................................................................................... 100
3.4.1. Termo................................................................................................................................. 100
3.4.2. Encargo.............................................................................................................................. 100

3.5. Defeitos..................................................................................................................... 101
3.5.1.
3.5.2.
3.5.3.
3.5.4.
3.5.5.
3.5.6.

Erro Ou Igonorância (Arts. 138/144)................................................................................... 101
Dolo (Arts. 145/150)........................................................................................................... 103
Coação (Arts. 151/155)...................................................................................................... 104
Lesão (arts. 157)................................................................................................................ 106
Estado De Perigo................................................................................................................ 108
Fraude Contra Credores..................................................................................................... 109

3

3.6. Invalidades................................................................................................................ 113
4. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA.................................................................................................... 116
5. PROVA................................................................................................................................ 119
F. DIREITO PROCESSUAL CIVIL.............................................................................122
1. JURISDIÇÃO

CONSTITUCIONAL DAS LIBERDADES E SEUS PRINCIPAIS MECANISMOS.

CONCEITOS, NATUREZA,
CARACTERÍSTICAS, HIPÓTESES DE CABIMENTO, DETALHES PROCEDIMENTAIS...............................................122
1.1. Habeas Corpus.......................................................................................................... 122
1.2. Habeas Data.............................................................................................................. 123
1.3. Mandado de Segurança Individual.............................................................................124
1.4. Mandado de Segurança Coletivo...............................................................................128
1.5. Mandado de Injunção................................................................................................ 129
1.6. Ação Popular............................................................................................................. 131
1.7. Ação Civil Pública...................................................................................................... 132
G. DIREITO PREVIDENCIÁRIO (IGUAL AO PONTO 15).............................................136
1. SEGURIDADE SOCIAL. SAÚDE, PREVIDÊNCIA

E

ASSISTÊNCIA. DISTINÇÕES.........................................136

H. DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO................................................................148
1. RECEITA PÚBLICA. CONCEITO. INGRESSOS E RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO: RECEITAS ORIGINÁRIAS E RECEITAS
DERIVADAS.............................................................................................................................. 148
1.1 Receitas Públicas........................................................................................................ 148
1.1.1. Conceito. Diferença entre Ingressos e Receitas..................................................................148
1.1.2. Classificação...................................................................................................................... 149

1.2. Classificação.............................................................................................................. 150
1.2.1. Classificação econômica.................................................................................................... 151

I. DIREITO AMBIENTAL........................................................................................153
1. REPARTIÇÃO

DE COMPETÊNCIAS EM MATÉRIA AMBIENTAL...............................................................153

J. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO E PRIVADO..................................................170
1. PERSONALIDADE INTERNACIONAL..............................................................................................170
1.1. Sujeitos de Direito Internacional................................................................................170
1.1.1.
1.1.2.
1.1.3.
1.1.4.

Estados.............................................................................................................................. 170
Coletividades Interestatais................................................................................................. 171
Coletividades Não Estatais................................................................................................. 172
Indivíduos.......................................................................................................................... 175

2. ESTADO. IMUNIDADE À JURISDIÇÃO ESTATAL................................................................................175
2.1. Imunidade à Jurisdição Estatal...................................................................................186
3. CONSULADOS E EMBAIXADAS.................................................................................................. 189
K. DIREITO EMPRESARIAL (IGUAL AO PONTO 12)..................................................200
1. TEORIA GERAL DO DIREITO SOCIETÁRIO (RETIRADO DO PONTO 04)................................................200
1.1. Conceito de sociedade.............................................................................................. 200
1.2. Personalização da sociedade.....................................................................................201
1.3. Classificação das sociedades.....................................................................................203
1.4. Sociedades não personificadas.................................................................................205
2. SOCIEDADES PERSONIFICADAS................................................................................................. 206
2.1 sociedades simples.................................................................................................... 206
2.2. sociedade em nome coletivo.....................................................................................212
2.3. Sociedade em comandita simples.............................................................................212
2.4. Sociedade em comandita por ações..........................................................................213
2.5. Sociedade cooperada................................................................................................ 213
2.6. Sociedades coligadas................................................................................................ 215

4

3. LIQUIDAÇÃO......................................................................................................................... 218
4. TRANSFORMAÇÃO. INCORPORAÇÃO. FUSÃO. CISÃO......................................................................220
5. SOCIEDADES DEPENDENTES DE AUTORIZAÇÃO.............................................................................222
L. DIREITO ECONÔMICO E PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR (IGUAL AOS PONTOS 09 E 15)
......................................................................................................................... 224
1. LEI ANTITRUSTE................................................................................................................... 224
1.1. Disciplina jurídica da concorrência empresarial.......................................................................225
1.2. Princípios................................................................................................................... 225
1.3. Infrações contra a ordem econômica........................................................................226
1.6. Abuso do poder econômico.......................................................................................226
M. ÉTICA E ESTATUTO JURÍDICO DA MAGISTRATURA NACIONAL (IGUAL AOS PONTOS
08 E 13)............................................................................................................. 234
1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 234
2. ESTATUTO DA OAB............................................................................................................... 240
N. SOCIOLOGIA DO DIREITO/FILOSOFIA DO DIREITO.............................................245
1. FATO JURÍDICO E FATO SOCIAL (RELAÇÕES).................................................................................245
2. JUSTIÇA E LEGALIDADE........................................................................................................... 247
O. TEORIA GERAL DO DIREITO E DA POLÍTICA.......................................................251
1. O IMPERATIVO CATEGÓRICO (KANT)..........................................................................................251
2. O ESPÍRITO ABSOLUTO (HEGEL)...............................................................................................253
3. A NORMA FUNDAMENTAL (KELSEN)........................................................................................... 255

5

6 . sem dúvida. compreendidos como constitucionalismo antigo. entre as quais se destaca a Petition of Rights e o Bill of Rights. André Ramos Tavares (2006) sintetiza que “numa primeira acepção. Sistema brasileiro Constitucionalismo Walber Agra afirma que “o constitucionalismo significa que as condutas sociais devem ser determinadas por normas. Numa vertente mais restrita. Numa segunda acepção. com o surgimento da Magna Carta do Rei João Sem-Terra. Almedina. As raízes desse “movimento constitucional” 2 são encontradas entre os hebreus. Gomes. In: CANOTILHO. limitar o poder arbitrário. 2003. em especial. O autor identifica esta primeira limitação institucional como o embrião da democracia moderna. da Idade Média. menciona que. moderno e contemporâneo. 7 ed. 2 J. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. ao invés do termo constitucionalismos. na história política medieval. quatro significados do termo constitucionalismo. de 1215. Direito Constitucional 1. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas. A ordem constitucional vigente. Emendas à Constituição. A segunda vertente do constitucionalismo aparece na idade média. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. a Magna Carta de 1215 representou. o constitucionalismo é reduzido à evolução histórico-constitucional de um determinado Estado”. tendo importância histórica para a evolução do constitucionalismo. Tem-se utilizado. Mas o constitucionalismo inglês não se restringiu à elaboração da Magna Carta do rei João da Inglaterra. Os povos hebreus. a Magna Carta “deixa implícito pela primeira vez. conferidos aos barões feudais. O constitucionalismo brasileiro. Fábio Konder Comparato (2010). enfrentou diversas fases. juntamente com as cidades-estados gregas formam o denominado constitucionalismo antigo. A primeira ideia de constitucionalismo (Antigo) está associada às pioneiras limitações ao poder do Estado. Ao contrário. J. que pretende. Neste aspecto. República e Federação no Direito Constitucional em geral. uma limitação do poder real.A. 51. Disposições gerais e transitórias. Gomes Canotilho adverte que o mais correto seria referir-se a “movimentos constitucionais. J. J. para quem as leis dos homens estariam limitadas pelos comandos divinos. que o rei achava-se naturalmente vinculado pelas próprias leis que edita”. no mínimo. e o ápice da escala normativa reside nas normas constitucionais. mais de reconhecer que a soberania do monarca passava a ser substancialmente limitada por franquias ou privilégios estamentais. Ainda que seja mais identificada como um Documento instituidor de privilégios. numa terceira acepção possível.” A doutrina costuma reportar-se a. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. pag.

em 2003. entre os quais se destaca Locke. Tavares pontua que este novo modelo de constitucionalismo caracteriza-se “a) pela publicidade. Ferrajoli e Carlos Santiago Nino. André R. permitindo amplo conhecimento da estrutura do poder e garantia de direitos.)” As constituições do pós-guerra são marcadas por elevado teor axiológico. (. organizada pelo mexicano Miguel Carbonell. típicos da Idade Média. Montesquieu. Gustavo Zagrebelsky.. de maneira a não mais admitir como legítima a ação estatal que fragilizasse a dignidade da pessoa humana e outros valores como a justiça a paz social. como ocorrera no nazismo alemão. movimento cultural surgido na Europa cujos expoentes. por ser um documento unificado. 7 . o que era inconciliável com a moral religiosa até então sedimentada. possa desrespeitar o postulado da dignidade humana. possa violar os direitos fundamentais. símbolos da limitação do poder estatal. a saber: Constituição norte-americana. por mais democrático que se intitule. quando o mundo ocidental sentiu a necessidade de reformular o conceito de Constituição. ainda que supostamente amparada na lei. Rousseau. justamente por proporcionar a clareza necessária à compreensão do poder. defendiam que as crenças religiosas e o misticismo. Hobbes. É a própria sociedade quem deve traçar seu rumo e decidir por quem e como deve ser governada. o constitucionalismo contemporâneo surgiu após o fim da 2ª Guerra Mundial. ainda. Por sua vez. levou as novas constituições a criarem ou fortalecerem a jurisdição constitucional. pela abertura e indeterminação semântica. caracterizadas. b) pela clareza. importando em sua aplicação pelo Judiciário a partir de novas técnicas e estilos hermenêuticos. XVIII. Não é por outra razão que o prof. Peter Härbele. considerado valor universal pela Declaração dos Direitos de 1948. e Revolução Francesa de 1789. Tavares insere o constitucionalismo atual no fenômeno mais amplo da globalização. O fenômeno ocorrido na Europa Ocidental do pós-guerra foi o panorama histórico que ensejou seu advento. c) pela segurança. Sarmento destaca que “A percepção de que as maiorias políticas podem perpetrar ou acumpliar-se com a barbárie. de 1787. mesmo que nenhum deles tenha se definido como neoconstitucionalista. A ordem é que nenhum ordenamento jurídico. Alexy.. e na consequente elaboração da Constituição francesa de 1791. que afasta incertezas e dúvidas sobre os direitos e os limites do poder. André R. O constitucionalismo moderno foi fortemente influenciado pelo iluminismo. deveriam ceder espaço ao racionalismo. Seus adeptos buscam embasamento em Dworkin.O marco do constitucionalismo moderno está ligado a dois grandes acontecimentos do Séc. no qual qualquer ameaça à paz mundial afetará o interesse de todas as nações Neoconstitucionalismo Daniel Sarmento registra que este conceito foi formulado sobretudo na Espanha e na Itália. mas que tem repercutido na doutrina brasileira a partir da divulgação da obra Neoconstitucionalismo.

esse movimento só iniciou com a CF/88. Forma de governo: monarquia (art. O autor citado defende um neoconstituconalismo pensado como uma teoria constitucional que. sem enveredar pelas categorias metafísicas do jusnaturalismo. com as antigas capitanias sendo transformadas em províncias (art.) do neoconstitucionalismo apontam suas principais características como sendo: valorização dos princípios. Já havia uma declaração de direitos (art. citada por Sarmento). bem como a atuação firme do Judiciário para proteção e promoção dos direitos fundamentais e dos pressupostas da democracia. é perigosa. sem descartar a importância das regras e da subsunção. seja concebido como uma visão que conecte o Direito com exigências de justiça e moralidade crítica. 179). Lênio Streck. reconhecimento e defesa da constitucionalização do Direito e do papel de destaque do Judiciário na Agenda de concretização dos valores constitucionais. Emendas à Constituição. Sarmento aponta as principais críticas ao neoconstitucionalismo como sendo: (a) a de que seu pendor judicialista é antidemocrático. cujo significado último é: “norma terrrivelmente injusta não tem validade jurídica. Disposições gerais e transitórias. adoção de métodos ou estilos mais abertos e flexíveis na hermenêutica jurídica. Moderador. A HISTÓRIA CONSTITUCIONAL BRASILEIRA:  A Constituição de 1824: Constituição outorgada por Dom Pedro I. Judicial (art. 10). que substitui a regência trina pela uma. os adeptos (Luís Roberto Barroso.) e críticos (Dimitri. O Imperador acumula o Poder Moderador e a Chefia do Executivo (art. 178). A ordem constitucional vigente. em detrimento de regras de subsunção. abra espaço para os princípios e ponderação. Forma de Estado: unitário.Assim. reconheça e valorize a irradiação dos valores constitucionais pelo ordenamento. Executivo. em detrimento da autonomia pública do cidadão e da autonomia privada do indivíduo. seja visto como uma concepção que. 3°). Neste contexto. teve uma única alteração formal. O constitucionalismo brasileiro. sem desprezar o papel protagonista das instâncias democráticas na definição do Direito. sobretudo no Brasil. No Brasil. com descentralização meramente administrativa. independentemente do que digam as fontes autorizadas do ordenamento”(frase de Gustav Radbruch. Ana Paula de Barcellos etc. O poder estava dividido entre quatro órgãos: Legislativo. com destaque para a ponderação. 98 e art. em 1834. 8 . Humberto Ávila etc. e (c) a de que ele pode gerar uma panconstitucionalização do Direito. Constituição semi-rígida (art. 102). (b) a de que sua preferência por princípios e ponderação. em função de singularidades de nossa cultura. muitos dizem que moral e direito têm uma conexão necessária. eis que até então as constituições não eram vistas como autênticas normas. tentando racionalizar o seu uso. abertura da argumentação jurídica à moral. 1°).

Antes da promulgação da CF de 1891. ocorre a proclamação da República e o documento jurídico que passa a valer em lugar da CF de 1824 é o decreto n° 1. sob revisão de Rui Barbosa. imposto pelo governo provisório desde a data da proclamação da República. convoca-se uma Assembleia Constituinte que promulga uma nova Constituição em 24/02/1891. Pedro II cria o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. 1°) – federalismo dual. tão venerada por Rui Barbosa. 72 trouxe um leque de liberdades públicas. o aumento dos poderes do Executivo (arts. Concede-se autonomia às antigas províncias. No entanto. Nela o HC foi constitucionalizado. e no dogma francês da rígida separação de poder. Vargas ascende ao poder. também de inspiração americana. Ela rompe com a divisão quadripartite do poder (doutrina de Benjamin Constant) e adota a de Montesquieu. A CF/34 mantém a República. evidenciada pela ampliação da competência privativa da União. Também é a primeira a instituir o voto feminino (art. o Legislativo passa a ser unicameral (art. 108). o desprezo pelos direitos fundamentais e a escravidão. Em 1933. O seu art. do corpo permanente e 09 do ADCT). a quem cabia a formação do gabinete. O Judiciário foi organizado em Justiça Federal e Estadual. Por outro lado. dentro de seu âmbito. mantinha-se e se alimentava o patrimonialismo. um decreto de D. Forma de Governo: República (art. e. a divisão tripartida dos poderes. A CF de 1891 foi o texto mais enxuto de todos (90 arts. a Federação (modelo cooperativo). 22) Ao contrário da Constituição de 1891. ainda que mais centralizado aqui que no modelo americano. construiu-se um arremedo de parlamentarismo. Em 1890. não adotou nenhum sistema de controle de constitucionalidade. Forma de Estado: federal (art. 9 . 5° e 56). conferiu fonte de renda própria (determinação dos tributos municipais) que possibilitaram o efetivo exercício desta autonomia. 1°). a de 1934 não se limitou a declarar a autonomia municipal. Durante sua vigência. Durante sua vigência. 41). na qualidade de líder civil que derrubou a República velha.  A Constituição de 1934: Após a Revolução de 1930. Constituição promulgada: preâmbulo.  A Constituição de 1891: A primeira a estabelecer o controle difuso de constitucionalidade das leis.Baseada na concepção inglesa de supremacia do parlamento. que passam a constituir Estados-membros da República Federativa do Brasil e são autorizadas a editar suas próprias Constituições estaduais (havia previsão simplesmente da autonomia municipal). Sistema de Governo: presidencialismo (art. houve uma tendência centralizadora. o presidencialismo e o regime representativo. é convocada uma nova Assembleia Nacional Constituinte que promulga a 2ª Constituição da República e terceira brasileira. Em 1847.

Em 12/11/45. Neste período.  Constituição de 1937: Getúlio Vargas. O Congresso Nacional permaneceu fechado durante todo o governo de Vargas. a de n° 13 e atribui poderes constituintes ao parlamento. outorga uma nova Constituição em 10/11/37. Este artigo só veio a ser revogado momentos antes de Vargas deixar o poder em 1945. 144). A Carta não contemplou a proteção do direito adquirido. Getúlio edita uma nova lei constitucional. para governador de Estado. 4° da Lei Constitucional n° 9). nem o MS e ação popular. 187. à educação e à cultura (art. Em verdade.Criou a chamada representação interventiva (hoje ADI interventiva). pela primeira vez. houve a conversão do Estado de Emergência (situação tradicionalmente excepcional) em artigo permanente da Constituição. presentes da CF de 1934. No âmbito do Poder Judiciário. A grande inovação da CF/34 foi a inscrição de um título dedicado à ordem econômica e social (art. Em 18/09/46 é promulgada a Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. 186. a Constituição de 1937 não teve vigência efetiva. ato jurídico perfeito e coisa julgada. 9°). que solicitavam também o estabelecimento de uma nova Constituição para o Brasil. a autonomia municipal tampouco foi respeitada. Esta Constituição foi apelidada de “Polaca” pela influência exercida pela Carta Constitucional da Polônia. O Pacto federativo foi alterado. para o parlamento e para as assembleias legislativas (art. Getúlio Vargas edita a Lei Constitucional n° 9. Havia sim um Governo de fato. em 1934. iniciam-se os movimentos de redemocratização do país. figurando neste rol. de 28/02/45 (na verdade uma Emenda Constitucional) e convoca eleições para presidente. com a possibilidade de se nomearem interventores para o exercício do Poder Executivo estadual (art. Ciente de que não mais reunia condições para permanecer no poder. já que o cargo de prefeito passou a ser preenchido por livre nomeação de Governador de Estado. antes do fim de seu mandato. o mandado de segurança. por influência da Constituição Mexicana de 1917 e alemã de 1919. de 1935. Previa. por meio de Decretos-lei (art. a suspensão de direitos e garantias individuais poderia ser decretada a qualquer momento. 115) e outro dedicado à família. Os direitos fundamentais foram abundantemente violados. (Sarmento). personalizado na figura do Presidente. que dá início ao Estado Novo. Ela inaugurou o chamado constitucionalismo social no Brasil. um plebiscito para sua ratificação que nunca veio a ocorrer. não havia alusão à Justiça Eleitoral e a Justiça Federal de 1º e 2º graus foi suprimida. Até Emendas Constitucionais foram editadas pelo ditador!  Constituição de 1946: Terminada a 2ª Guerra Mundial. 180). A legislação era produzida pelo próprio Presidente. Ela estatuiu grande elenco de direitos e garantias individuais. Com isso. dá um golpe de Estado e. o Brasil tornou-se um autentico Estado unitário. embrião do futuro controle concentrado e abstrato das leis. cujos membros seriam eleitos um mês depois. 10 . No art. em seu art. presidente eleito indiretamente pela Assembleia Constituinte.

Neste ínterim. 168. tanto nacional quanto estrangeira. O segundo momento vai de 61 até o golpe militar de 64. mas encontra forte oposição principalmente dos militares e da burguesia industrial e financeira. durante a vigência da Constituição de 1946. Em 1954. o partido comunista teve seu registro cancelado pelo TSE. votar e aprovar o projeto de Constituição encaminhado pelo Presidente da República. com apoio da mídia e do governo americano. as forças vitoriosas investem-se no poder constituinte originário e apesar de não revogar a Constituição de 1946. outorgada já que. quando. art. educação e cultura. no contexto de crise política. Dedicou um título à família (mantendo a indissolubilidade do casamento. art. que cada vez mais se aproximava da esquerda. Um primeiro momento vai de 46 a 61. 103 a 105). que havia sido eleito em 1950. 5) Figueiredo (79 a 85). art. AI n° 2 de 65 (que extinguiu o pluripartidarismo no Brasil). Assim. 157 IV). em janeiro de 63. esta Constituição foi. classe média. Vargas. quanto a primeira. que convocou o Congresso Nacional para se reunir extraordinariamente e discutir.No que tange à organização do Estado. confisco e de caráter perpétuo. Com isso. 3) Médici (69 a 74). o país viveu um momento de grande instabilidade política. assuntos tratados de modo detalhado (arts. que se tornara primeiro ministro. empresários. não previa a existência da Justiça Federal de 1º grau. a Constituição de 46 manteve a federação. o caso de guerra. Contudo. por influência religiosa). consegue submeter a mudança do sistema a um plebiscito popular que decide pelo retorno ao presidencialismo. decretam um ato institucional (que posteriormente viria a ser chamado de n°1) em 9 de abril de 1964 que. 141. 147. Em 1950. 7°. Os militares se opunham à posse de João Goulart (vice de Jânio). Vargas volta ao poder pregando a defesa do trabalhador e da economia nacional. A inovação relevante foi a consagração do direito à inafastabilidade da prestação jurisdicional. Instituiu-se um Tribunal Federal de 2 instância. em 1947. de fato. 2) Costa e Silva (67 a 69). como dito. O presidente João Goulart. 4) Geisel (74 a 79). Seguiram-se ao AI n° 1. o que causava inquietude dos militares. ela foi meramente homologada pelo Congresso Nacional que. de fato. de fato. exemplos art. 2°. o Congresso aprova a EC n° 6 restabelecendo os poderes do presidente da República. só recriada durante o governo militar. Ao Poder Judiciário foi integrada a Justiça do Trabalho (que antes esta inserida no Executivo).  Constituição de 1967: A Constituição que entrou em vigor em 15 de março de 1967 foi formalmente promulgada pelo Congresso Nacional. o AI n° 3 e o AI n° 4 de dezembro de 66. a tripartição de poderes. 10. Salvo. situava-se acima da Constituição. Principais medidas constantes do AI n° 1: art. A Justiça Eleitoral volta a ser constitucionalizada. I. OBSERVAÇÃO: Presidentes da ditadura militar: 1) Castelo Branco (64 a 67). a República e resgatou. o Tribunal Federal de Recursos (art. banimento. com apenas sete meses de governo. teve pouco 11 . Por outro lado. Assim. o então presidente G. que instituiu o parlamentarismo. § 4°. suicida-se após pressão para renunciar ao cargo. Ela foi realmente inovadora em sua declaração de direitos e na delimitação das diretrizes econômicas e sociais. reunido extraordinariamente. após a renúncia de Jânio Quadros (sucessor de Juscelino Kubistschek). durante o governo Dutra. Foram vedadas as penas de morte. Contudo. foi aprovada a EC nº 4. As garantias previstas na CF de 34 foram reinseridas na Lei Maior. proprietários rurais. 141 a 175. em 31/03/64 ocorre o golpe militar.

p. em 1969. via sua aplicação diminuída pelos dispositivos autoritários do AI 5. a Emenda Constitucional n° 1 de 1969 não representou uma nova Constituição. O problema da EC n° 26 de 27/11/85: desde logo é importante ressaltar que a EC n° 26 é uma emenda à Constituição de 1967 porque.  Constituição de 1988: (Em 15/01/85 Tancredo se elege. 1°. estabelecida no AI-14. Enfatizou a preocupação com a segurança nacional. § 11). porque os atos institucionais não foram previstos constitucionalmente. dada a amplitude das reformas estabelecidas por ela.  Constituição de 1969 (Emenda n° 1 à Constituição de 1967): Ainda com o Congresso Nacional fechado. que passou a ser responsabilidade de toda pessoa natural ou jurídica (art. Esta emenda convocou a Assembleia Nacional Constituinte nos seguintes termos: art. O nome oficial de país foi alterado de “Brasil”. Ou seja. Desta forma. indiretamente. 10. que se corporificava nos atos institucionais editados pelos militares. 83). E dava a ele os mais amplos poderes para atuar em todas as esferas (ir à lei. ao Congresso Nacional.. os deputados e senadores eleitos na eleição ocorrida em 15 de novembro de 1986. deputados ou senadores. com apoio no suposto poder constituinte originário da “revolução vitoriosa”. Com o AI 5. 153 e 154 daquela Carta). entre 1° de fevereiro de 1987 e 05 de outubro de 1988. O AI 5 dava competência ao Presidente de decretar o recesso do Congresso Nacional (o que foi desde logo determinado). 8°. é editado o AI n° 5 que foi o instrumento mais autoritário da história da República no Brasil. art. tornaram-se. art. 2°. ou seja. art. Mas sim. 151). § 1° do AI 5). a maioria da doutrina sustenta que o texto consubstanciou nova Constituição. pode-se dizer que uma emenda constitucional delegou poderes constituintes a um poder constituído. por exemplo. os comandantes das três armas que estavam no exercício da presidência da República (em virtude da enfermidade do então Presidente Costa e Silva) outorgam a Emenda Constitucional n° 1 à Constituição de 1967 que. Em 1968. a chamada Emenda nº 1 não foi outorgada com base na CF/67. é rompida a ordem constitucional. 4°.. 12 . ampliou em muito as competências da União (art. presidente). 8°) e estendeu também as atribuições do presidente da República (art. oficialmente. 2°. 3°. A Constituição de 1969 teve vigência meramente nominal em grande parte de seus preceitos. para República Federativa do Brasil. inicia-se a ditadura plena. de imposição de pena de morte em outros casos além da guerra externa (art. Novamente. 6°. Toda a declaração de direitos e garantias individuais (arts. O mais forte argumento está amparado na circunstância de que as emendas têm seu fundamento na própria Constituição que modificam. Porém. art. ou seja. § 1°. Reduziu a autonomia individual prevendo a possibilidade de suspensão dos direitos políticos daqueles que abusassem dos direitos individuais e dos próprios direitos políticos (art.mais de 1 mês para apreciar o conteúdo do projeto de Constituição encaminhado pelo Presidente da República. 160. pode ser considerada uma nova Constituição (ela foi elaborada em conformidade com o art. 89). Afora a posição de alguns juristas mais próximos ao regime militar. Esta Carta Constitucional inspirou-se na Constituição de 1937. Incorporou-se à Constituição a possibilidade. membros da Assembleia Nacional Constituinte. Promulgada a Constituição. art. 422): art. a Constituinte foi dissolvida e os seus membros voltaram a ocupar os cargos para os quais foram eleitos.

por isso. apresentou um trabalho em que reuniu todos estes anteprojetos em um peça de 551 artigos. houve uma ADI por omissão na constituição do Acre. ESTRUTURA DAS CONSTITUIÇÕES Em um plano formal.Criteriosamente. Isto porque a função de emenda constitucional não é a de abolir o fundamento jurídico a partir do qual ela foi editada. porque tudo que está no preâmbulo está dentro do texto da CF/88. mesmo que eventualmente possa ser modificada. Foram então formadas 24 subcomissões que depois se transformaram em 8 comissões. Há um tempo de transição entre a realidade encontrada e a projetada. horizontalmente. permitir a permanência da Constituição ao longo dos tempos. 3) implementou uma real descentralização política. como novo texto. para obrigar a colocação da invocação a Deus. A invocação à Deus se choca com a liberdade de religião. A Constituição de 1988 foi redigida sem que houvesse um projeto previamente elaborado. que projeta uma realidade diferente. Na constituição européia. a Emenda Constitucional n° 26 não pode ser considerada uma emenda. Até hoje já foram editadas 70 Emendas à Constituição. A função de uma emenda constitucional é exatamente oposta. apelidada de Frankenstein. possibilitando sua alteração simplesmente para se conformar às novas situações de fato. ou seja. (p.  Disposições Transitórias: têm papel relevante para fazer a transição entre a realidade existente e a nova realidade que virá. deputado Bernardo Cabral. No STF. um ato político. Em 25 de junho de 1987. essa discussão perde a relevância prática. constante na parte dogmática? A invocação de Deus exclui os ateus. há muitas críticas sobre essa invocação. A primeira em 31/03/92 e a última de nº 70 de 29/03/2012. Essas disposições depois de cumprido o seu 13 . promovendo a autonomia de todos os entes federativos. os agnósticos e os politeístas. cada uma delas elaborando um anteprojeto parcial. as constituições são divididas em 03 partes: preâmbulo. extremamente beneficiados pela Constituição de 1988. não foi feita invocação a Deus. Ao longo do ano de 1988 houve várias emendas e substitutivos ao Frankenstein inicial e o texto definitivo da Constituição acabou sendo promulgado em 5 de outubro de 1988. Segundo JOSÉ AFONSO DA SILVA a EC n° 26 foi. Dentre as principais mudanças estabelecidas com a Constituição estão: 1) a retomada dos direitos fundamentais. ou seja. tão violados durante a ditadura militar. 2) resgatou um certo equilíbrio entre os poderes. parte dogmática e disposições transitórias. o relator desta comissão. O STF se posicionou pela inexistência da força normativa do preâmbulo. 88). Há autores que defendem que há força normativa e outros que afirmam que não têm. o preâmbulo é vetor da hermenêutica constitucional. em verdade. O preâmbulo é mero vetor interpretativo do que se acha inscrito no "corpus" da lei fundamental. principalmente no que tange aos municípios. todos encaminhados à Comissão de sistematização.  Preâmbulo: é a parte precedente da CF.  Parte Dogmática: é criada para ser permanente. é por onde tudo começa. pois é feita para durar. No Brasil. à nova realidade.

(.) Não se há deixar de encarecer que as normas constitucionais do corpo permanente da Lei Fundamental voltam-se par o presente e para o futuro. Essas teriam natureza e eficácia constitucional condicionada à sua adequação e obediência aos princípios tidos como pilares da construção do Constituinte.. (.)o exercício do poder constituinte tem graus de atuação. (. Nas palavras da autora: “Tendo de optar. a tendência é a que se negue aplicação à disposição transitória.” Embora a autora reconheça que não a jurisprudência não admite a ideia de “normas constitucionais inconstitucionais” (OTTO BACHOFF). são feitas emendas ao ADCT. P. –NORMA DE EFICÁCIA EXAURIDA Na prática.. Entretanto. Por isso é fraudar e frustrar a obra constitucional a eternização da transitoriedade. deixam de ter utilidade. (..1º do ADCT faz parte do ato de promulgação. EXEMPLOS: CPMF.. aditando e perpetuando. no caso de confronto entre dispositivo do corpo permanente da Constituição e dispositivo inserido nos “atos das disposições constitucionais transitórias” não haveria outra solução senão a de afastar a norma transitória.) Não se declararia. postas no corpus constitucional permanente. não é aceitável que a reforma constitucional incida sobre o ato das disposições constitucionais transitórias elaborado e promulgado pelo Constituinte originário. não são revogadas. a mesma natureza fundamental ostentada pelas normas que compõem o corpo permanente da Constituição. então a essência deste subtexto fundamental e o espírito do processo criador da Constituição. 393). as disposições constitucionais transitórias são prescrições voltadas para o passado com repercussões no presente. por assim entender melhor o poder constituinte originário.) 14 .” (. Na verdade. Mas isso é um desvirtuamento dessa parte da constituição. Daí por que elas cuidam de situações merecedoras de uma prescrição específica. terminado o ato o artigo já foi cumprido. pelo menos não com a marca essencial do dever-ser que tinge com cores próprias e inimitáveis aquela. EXEMPLO: EC 45/04. então. dispõem de validade e supremacia sobre qualquer outra norma integrante do sistema.. A matéria cuidada nas disposições transitórias caracteriza-se exatamente por não ser fundamental a ponto de ter sido contemplada nas normas constitucionais do corpo permanente ou de ter ali recebido tratamento diferenciado. sendo incompatível esse estado constitucional de instabilidade e permanência do que foi aprontado para se passageiro. (. e apenas como etapa sócio-política aa ser superada sem traumas políticos ou jurídicos. “as disposições constitucionais transitórias são prescrições jurídicas que não têm. Segundo CARMEN LÚCIA ANTUNES ROCHA (“Natureza e Eficácia das Disposições Constitucionais Transitórias.” O compromisso a que se refere o art.) O conteúdo fundamental que caracteriza e qualifica a norma constitucional não pode ser encontrado nas disposições constitucionais transitórias. mas apenas a sua ineficácia jurídica e a sua obrigatória inaplicação. mas perdem a eficácia.. porém precária. ou de reconhecer e garantir direitos fundamentais para os indivíduos e grupos sociais. no sentido de constituir as instituições basilares da organização do Estado. para ela.. inclusive com características definitivas..papel de transição. inclusive aquelas disposições transitórias. uma vez que não como ignorar-se a produção de efeitos próprios da norma constitucional componente do sistema fundamental. inválida a disposição. modificando. pois.. sendo que as normas fundamentais. o ADCT somente poderia ser emendado para estabelecimento de normas de transição decorrentes de emendas constitucionais... que fixou os seus parâmetros quando de sua elaboração primária.) As disposições transitórias não têm conteúdo de igual teor fundamental para a sociedade estatal. porque a alteração contraria.. então ele já nasce nati-morto.

pode ser entendido como uma espécie institucionalizada (organizado e permanente) de poder social: possibilidade de alguém (Estado) impor sua vontade sobre os outros e exigir o cumprimento de suas ordens (leis). Elementos do Estado: 1) Povo: conjunto dos cidadãos (nacionais) de um Estado. É preciso ressaltar que o poder político não é exclusivo: permite a existência de outros poderes paralelos (poder econômico. Efeitos: a) interno: poder superior a todos os demais. a ordem jurídica de um Estado só é aplicável aos fatos ocorridos no âmbito do seu território. poder político. a plataforma continental e o espaço aéreo.617/93). cap. que é a expressão numérica dos habitantes de um Estado e difere da ideia de nação. etc. Liga-se portanto à ideia de poder político. seja em razão da influência cada vez maior dos grandes conglomerados econômicos. Soberania: principal teórico: Jean Bodin. Ou. Conceito (JELLINEK): “É a corporação de um povo. este fim é a promoção do bem comum. Sistema brasileiro. não se pode admitir a finalidade como um elemento constitutivo do Estado já que um Estado não deixará de ser qualificado como tal caso não cumpra aquilo que se espera dele. linguistica e tradicionalmente homogênea. Visa a discutir e analisar o processo de formação do Estado moderno. perpétuo. PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE: em regra. poder social. O problema da finalidade como elemento constitutivo do Estado: tradicionalmente. as águas ali compreendidas. b) perspectiva jurídica. estes sim cada vez mais influentes sobre Estados e governos 3) Território (PAULO BONAVIDES. séc. O mesmo não acontece com os verdadeiros elementos do Estado (povo. Difere da ideia de população. b) independência em seu relacionamento com os outros Estados e com as organizações internacionais. 2) Poder político (governo): em sentido amplo. ESTADO: NOÇÕES GERAIS Teoria Geral do Estado: Objeto de estudo: Estado. que aprecia a organização e a personificação do Estado. Significado atual: atualmente o princípio da soberania vem perdendo sua força. c) perspectiva filosófica. poder sindical etc. (CELSO BASTOS. que aprecia os fundamentos e os fins do Estado. sua organização. o mar territorial (lei 8. Características: indivisível. II). supremo. que é uma comunidade histórico cultural étnica. Titular: Estado (pessoa jurídica).) mas está acima de todos eles. PARTES INTEGRANTES DO TERRITÓRIO: a terra firme localizada dentro dos limites territoriais.República e federação no direito Constitucional em geral. que aprecia o surgimento e a evolução do Estado. concebe-se o Estado como uma organização comprometida com um determinado fim. Perspectivas de análise: O tema pode ser tratado a partir de vários ângulos: a) perspectiva histórica e sociológica. o subsolo. seja em razão da hipertrofia e da influência exercida por organismos internacionais (ONU. Segundo Dallari. PRINCIPAL CARACTERÍSTICA: capacidade de editar normas jurídicas e de fazê-las cumprir. irrevogável. de forma mais singela. é um povo organizado politicamente num determinado território. território) 15 . Contudo. Conceito: Poder de mando de última instância numa sociedade política. seu funcionamento e finalidades. Ciência política): é o espaço dentro do qual o Estado exercita o seu poder de mando (soberania). O território está para o Estado assim como o corpo está para a pessoa humana. XVI.). FMI. assentado num determinado território e dotada de um poder originário de mando”.

Isto implicaria na perda da independência e da soberania dos estados. que quer dizer pacto. Posteriormente. exemplos: Alemanha. 1787 (ano da constituição dos EUA . 16 . 1781 – 13 estados soberanos assinam os Artigos da Confederação. ou Landers). Chile. no mínimo. cada um com suas competências próprias. Cantões. OBS: A CONFEDERAÇÃO: em verdade. um centro de poder político para todo o território. 190. O ESTADO FEDERAL: CONCEITO BASTOS. aliança. mais de um centro de poder político no âmbito do território. na cidade de Filadélfia. 3) ESTADO REGIONAL: Estado híbrido. em que esteve ausente o estado de Rhode Island. Argentina. “é um forma de organização do poder que dá lugar. estes artigos foram todos compilados e publicados com o nome de O Federalista (Hamilton. HISTÓRICO: Fenômeno moderno. Uruguai. Ficou estabelecido então que a conversão da confederação em federação seria realizada assim que houvesse a ratificação de 9 entre as 13 ex-colônias. Ele é formado por uma pluralidade de Estados-membros autônomos e unidos por uma Constituição. Publicam-se em Nova York. exemplos: França. Estados-membros. O Estado Unitário foi a forma típica dos primeiros Estado modernos.17 de setembro de 1787) – Revisão dos Artigos da Confederação. a dois níveis diferentes de governo: o central e os regionais (estes denominados províncias. exemplos: Itália e Espanha. há 03 esferas de poder.” Aliás Federal vem do latim foedus. Estados-membros participam do órgão legislativo central. EUA. Os Estados soberanos podem se desligar do acordo por meio da denúncia do tratado. um tratado para cooperação mútua a fim de preservar a independência. Só ao Estado Federal cabe o exercício da soberania. Os representantes não tinham mandato. Paraguai. os primeiros Estados Absolutistas. México. uma série de artigos explicando à população as vantagens da formação de um Estado federal. não tinham autorização para implementar a transformação. Estados-membros são organizados por Constituições próprias. o Estado Federal surge da aliança. Duas correntes: uma pretendia a revisão puramente formal do tratado e a outra pretendia transformar a confederação em federação. EXEMPLO: Brasil. Há a correlação entre dois elementos do Estado: TERRITÓRIO E PODER. 1789 – ano em que ocorreu a ratificação do nono estado. Ou seja. Primeiro Estado Federal: EUA. Jay e Madison foram os autores). 2) ESTADO FEDERAL: Estado complexo. segundo uma partilha assegurada pela própria Constituição Federal. existência de unidades autônomas – atribuições próprias previstas constitucionalmente sem possibilidade de alteração. a confederação não é uma forma de Estado mas sim uma aliança de Estados soberanos unidos por um instrumento jurídico de direito internacional (o Tratado) a fim de perseguir um objetivo determinado.FORMAS DE ESTADO 1) ESTADO UNITÁRIO: Estado simples. a partir de então. p. Independência em 1776 – 13 colônias se tornam 13 estados independentes e soberanos. mais de um centro com capacidade legislativa no âmbito do território – central e periféricos. há sujeição dos centros de poder político regionais ao poder político central (isto não implica que o Legislativo central seja unicameral). surgindo os Estados Unidos da América como o primeiro Estado Federal. as regiões não têm constituições próprias. da união de vários Estados.

se a lei ordinária puder modificar essas tarefas não mais será uma divisão constitucional. JOSÉ AFONSO DA SILVA entende que os Municípios não são entes federados. o Estado Unitário (monárquico) embora descentralizado administrativamente. transformou-se em Estado Federal. g) descentralização político-administrativa: o poder político é compartilhado pela União e pelas unidades federadas. denominada de TRÍPLICE ou de MODELOTRICOTÔMICO: União. c) na Federação não existe direito de secessão. Estados. h) existência de um órgão de cúpula do Poder Judiciário responsável pela interpretação e defesa da Constituição. Cada entidade possui suas próprias competências delineadas pela Constituição sem possibilidade de alteração (obs. g) os cidadãos do Estado que adere à federação adquirem a cidadania do Estado federal e perdem a anterior. No Brasil. com uma divisão de tarefas que será feita na CF. Aqui. i) o Poder Legislativo é bicameral porque o SENADO FEDERAL é a casa de representação dos Estados.: tradicionalmente. a posição majoritária é a de que são (STF). cada um dos Estados soberanos abriu mão de sua soberania em prol da criação de um só Estado Federal soberano que os abrangesse a todos. d) numa federação. j) existência de uma constituição rígida e controle de constitucionalidade: porque há uma descentralização político-administrativa. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ESTADO FEDERAL: a) surgimento de um novo Estado e desaparecimento dos Estados que se uniram. l) poder de autogoverno de cada unidade federada: constituições estaduais e leis orgânicas. só o Estado federal tem soberania (estados-membros têm autonomia). mas. f) cada entidade tem sua própria fonte de renda (autonomia financeira). O território NÃO é entidade federada. No Brasil. as constituições delimitam o elenco de poderes da União cabendo aos Estados-membros as competências remanescentes). que eram subdivisões administrativas do território brasileiro no período monárquico. houve um processo diverso do americano: lá.: quando se dá entre União e Estados tem-se a descentralização clássica ou dual ou dúplice. DF e Municípios (competência para assuntos de interesse local). 17 . b) o Estado federal se forma a partir de uma Constituição ao passo que a Confederação está baseada num Tratado. e) no Estado federal não há hierarquia entre a União e os Estados-membros. Obs. diz-se que a federação americana surgiu de um movimento centrípeto. há uma descentralização especial. no Brasil. k) autonomia recíproca. As províncias. assegurando assim o respeito à divisão de competências imposta pela CF. ao passo que a federação brasileira surgiu de um movimento centrífugo. Os Estados e os Municípios têm que se organizar internamente. Por isso. são alçadas à categoria de estados-membros e recebem autonomia do Poder Central. A Constituição de 1891 transferiu para os Estados-membros um feixe de atribuições (competências) que antes pertencia ao Poder Central.PECULIARIDADES HISTÓRICAS DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA Estado federal no Brasil surge com a Constituição de 1891 (primeira Constituição da fase republicana).

. ou seja. de terem Constituições próprias no caso dos Estados-membros ou Leis Orgânicas próprias. 2) Maior dificuldade para a concentração de poder. significa o direito que os “entes federativos” têm de se reger (de se autogovernar) por leis próprias. têm o direito de se auto-administrar. Aquilo que uns denominam de formas de governo outros classificam como sistemas de governo ou regimes de governo. aqui está a desagregação. sendo esta liberdade restringida apenas por princípios da própria Constituição. se o critério for a verificação da maior parte do poder (RAUL MACHADO HORTA). 3) Promove mais facilmente a integração entre as regiões e os cidadãos do Estado. 3) Ocorrência de conflitos políticos e jurídicos. A federação é cláusula pétrea (artigo 60. se não forem respeitadas essas características. no caso dos municípios. desde a criação da federação em todas as constituições a federação foi tida como cláusula pétrea. se o critério for a verificação da maior parte do poder (RAUL MACHADO HORTA). constitucionalmente falando. Autonomia. no caso dos Estadosmembros). e por fim. Mas. p. FORMAS DE GOVERNO  Questão terminológica: (MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. FEDERAÇÃO CENTRÍFUGA: a força emerge do centro para fora. aqui está a agregação. A AUTONOMIA DOS “ENTES FEDERATIVOS Não há uma nomenclatura única utilizada universalmente para designar as unidades federadas dos Estados Federais. ou seja. limites materiais ao poder de reforma). no caso da federação. ou seja. A classificação mais comum é a que 18 . converte-se para o centro do poder. Se o critério for histórico de formação do Estado. Em razão de sua autonomia os Estados e Municípios têm o direito de se auto-organizar. Se o critério for histórico de formação do Estado.O atendimento a todas as características haverá uma FEDERAÇÃO SIMÉTRICA. haverá uma FEDERAÇÃO ASSIMÉTRICA. CLASSICACAO DE FEDERACAO FEDERAÇÃO CENTRÍPETA: a força que converge para o centro. § 4 o. ARGUMENTOS CONTRÁRIOS AO ESTADO FEDERAL 1) Dispersão exagerada de recursos públicos para manutenção de vários aparelhos burocráticos. podem exercer livremente as competências legislativas. Significa a liberdade de ação dentro de um círculo de competências delimitado pela Constituição. a agregação está aqui. 2) Dificuldade de implementação de planos políticos nacionais. menos custosos e mais eficientes. Mas. tributárias e executivas delimitadas pela Constituição. a desagregação está aqui. de eleger diretamente os membros dos seus próprios poderes Legislativo e Executivo (e de organizar o Poder Judiciário. ARGUMENTOS FAVORÁVEIS AO ESTADO FEDERAL 1) Mais democrático em virtude da descentralização política. Mas. 73) Os autores divergem quanto às classificações. têm ainda o direito de se autogovernar.

19 . d) distinção entre chefe de Estado e chefe de governo: chefe de Estado é o Rei (função simbólica) e chefe de governo passa a ser o primeiro ministro (chefe do gabinete de ministros escolhidos pelo Parlamento). Trata-se de uma constatação da realidade.” (JOSÉ AFONSO DA SILVA. TIRANIA Sistema diretorial ou DESPOTISMO. governos fortes): . CURSO p.Argumentos favoráveis à monarquia: governo forte: soluções mais rápidas nas épocas de crises políticas. o Rei passa a ser parte do governo. c) adoção do sistema parlamentar de governo. 124). 104). 1689. Ou seja.  Conceito de regime de governo: “é o modo efetivo pelo qual se exerce o poder num determinado Estado em determinado momento histórico. Autores que adotam este tipo de classificação: JOSÉ AFONSO DA SILVA. Monarquia constitucional (resistência ao absolutismo): . p. . regimes de governo. 478). CURSO p. (MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. E ainda (menos relevante) tem-se: OTOCRACIA. A forma de governo visa responder à questão de quem exerce o poder e como este se exerce. P. DALMO DE ABREU DALLARI. c) irresponsabilidade (o monarca não deve explicações ao povo ou a qualquer órgão sobre os motivos pelos quais adotou certa orientação política. 105). FORMAS DE GOVERNO SISTEMAS DE GOVERNO REGIMES DE GOVERNO República Parlamentarismo Autoritário Monarquia Presidencialismo (poder baseado na força) Democrático Em suas formas degeneradas. 74 e JOSÉ AFONSO DA SILVA.distingue três categorias: formas de governo.” (JOSÉ AFONSO DA SILVA. b) hereditariedade (quando o Rei morre ele é substituído pelo herdeiro do trono. 372). sistema de governo significa o modo como se relacionam os poderes executivo e legislativo durante o exercício do poder (idem. the king never dies). (poder baseado consentimento) no  Formas de governo no Estado moderno: Monarquia: Monarquia absoluta (século XVI.características: a) vitaliciedade ( o monarca governa não por tempo certo e determinado mas por toda a vida). A pergunta é: quem governa e como governa?  Conceito de sistema de governo: “técnica que rege as relações entre o poder legislativo e o poder executivo no exercício das funções govenamentais. Semi presidencialismo OLIGARQUIA . p.fatos históricos: a) Revolução Gloriosa – 1688. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. p. sistemas de governo. b) limites jurídicos ao poder do Rei – Bill of Rights.  Conceito de governo: conjunto de órgãos incumbidos de exercer o poder político no Estado.  Conceito de formas de governo: “Diferentes maneiras de instituição do poder na sociedade e de relacionamento entre governantes e governados. the king can do no wrong – CELSO RIBEIRO BASTOS.

contemporaneamente (Revolução Francesa para cá). 20 . podendo.Modo de controle no parlamentarismo: a) questão de desconfiança.” (GERALDO ATALIBA. § 3°.monarca é um fator de unidade no Estado (é considerado um elemento comum a todas as correntes de opinião. CF/88). .Modo de controle no presidencialismo brasileiro: a) ação popular (art. OBSERVAÇÃO: A monarquia é uma forma de governo em via de extinção. b) questionamento das contas municipais (art. monarca é alguém especialmente capacitado para o exercício do poder. Em alguns países ainda é preservada mais como um símbolo do que como uma opção política. República e Constiuição. 31. assim. a unidade do Estado deve estar fundada num elemento objetivo (ordem jurídica) e não num elemento pessoal (o rei). 120. b) eletividade (chefe de governo é eleito pelo povo direta ou indiretamente). Proibição de reeleições sucessivas). c) denúncia de irregularidades ao Tribunal de Contas competente (art. Conteúdo que determina a ideia de Estado. Estado despótico é diferente de Estado de direito: forma de governo que quem detém o poder mantém. “A república era expressão democrática do governo. 5°. c) responsabilidade política (dever de o chefe de governo prestar contas de sua orientação política). risco de um monarca ineficiente e incapaz. b) moção de censura.Características da República: a) temporariedade (chefe de Estado com mandato predeterminado. SISTEMAS DE GOVERNO Disciplina a relação entre os poderes. era limitação do poder dos governantes e era atribuição de responsabilidade política.Argumentos contrários à monarquia: monarquia sem governo é inútil. como alternativa à monarquia absoluta. a república foi a forma de governo idealizada para implementar a soberania popular. assegurar a liberdade individual. República . d) controle exercido por meio do voto nas eleições seguinte. OBSERVAÇÃO: Estado de direito: “Estado em que todos – governantes e governados – estão submetidos à lei e à jurisdição. § 2°. . LXXIII. . 74.Histórico: surge. o mesmo tipo de relação que o senhor (em grego. em relação aos súditos. Principalmente. caráter antidemocrático da monarquia.” (DALMO DE ABREU DALLARI. CF/88). muito embora o sufrágio verdadeiramente universal só viesse a ocorrer no século XX. Liga-se intimamente à ideia de democracia. CF/88). ?). . entre a função executiva e legislativa. p.). monarca garante a estabilidade das instituições (está à margem das disputas políticas). Tanto na França como nos Estados Unidos. despotes) tem para com os escravos que lhe pertencem.

Bens O conhecimento dos bens é fundamental para a definição da competência da justiça federal.1. Repartição de competências 2. O mesmo se dá em relação aos limites e condições para as operações de crédito interno e externo das unidades federadas. possui capacidade política. da CF). PLATAFORMA CONTINENTAL MAR TERRITORIAL ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA O Brasil entendia que era uma área de 200 milhas. União É pessoa jurídica de direito público. Distrito Federal e municípios deve ser aprovada previamente pelo plenário do Senado.Os sistemas de governo mais comuns são o Presidencialismo e o Parlamentarismo 2. Toda e qualquer dívida contraída pelos entes políticos depende de aprovação do legislativo federal (senado). incs. mesmo que o interesse seja dos outros entes federados. há uma autonomia recíproca. assim como a concessão de garantia da União para obtenção de créditos (art. (art. VI . 52. e se manifesta ora em nome próprio (exercendo sua soberania na ordem interna). é marítimas equivalente a 12 milhas marítimas 21 até 200 milhas . em âmbito civil e criminal. 2. ora em nome da federação (exercendo autonomia na ordem externa). A Lei 8617/93 estabelece os conceitos importantes de: V .1. bem como de suas dívidas mobiliárias. há repartição de competências. No âmbito interno.o mar territorial. No âmbito externo. a União não é hierarquicamente superior em relação aos demais entes políticos. é a União que tem capacidade jurídica de travar relações jurídicas com pessoas de direito internacional (outros Estados ou organismos internacionais). V a X). estados.2. A União será a competente para travar essas relações internacionais. O limite total da dívida consolidada de cada membro da federação também tem de passar pelo crivo do Senado. o que Do mar territorial até zona confrontava com os tratados Das 12 econômica exclusiva internacionais. 20. sem qualquer predominância. Toda operação externa de natureza financeira de interesse da União.os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva. Atualmente.

terão um regime jurídico distinto. A repartição é feita pela aplicação do CRITÉRIO DA PREDOMINÂNCIA DOS INTERESSES. pertencem à União. porque tutelam interesses de mais de um município. As competências regionais são assim estabelecidas. Sempre que se tentar fazer uma lista exaustiva. Existem 03 técnicas: . por isso. Competência. e os RESÍDUOS para a União. há um regime jurídico específico. de acordo com o que se verá no fim do curso. EXEMPLO: Canadá. Modalidades de REPARTIÇÃO DE competências: 22 . por isso. A união é responsável pela manutenção da unidade nacional. será necessário deixar o RESÍDUO para alguém. EXEMPLO: EUA. competência de normas gerais. 2. mas. Essa técnica foi adotada no Brasil. EXEMPLOS: Índia e Venezuela. a sua competência é geral. são as áreas que natural ou artificialmente acrescidas aos terrenos de marinha.Recursos naturais propriedade da União de Propriedade da União Recursos naturais propriedade da União. ACRESCIDOS DE MARINHA são os resultantes do recuo da água.Enumeração dos poderes da União e os remanescentes para os Estados. é necessária a repartição de competências dentro do Estado. São bens públicos federais. O que cai em concurso: 150 quilômetros e fronteiras terrestres.2. .2. não são propriedade da União. em relação à matéria TRIBUTÁRIA. Aplica-se essa regra para todas as águas que estejam submetidas às variações das marés.Enumeração dos poderes da União e dos Estados. . competência comum e competência concorrente O núcleo essencial do Federalismo é a REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS. ou seja. Nessa faixa. O Estado Federado se caracteriza pela existência de mais de uma fonte de poder em seu território. mas. de TERRENOS DE MARINHA são uma faixa de 33 metros contados da preamar do ano de 1831.Enumeração dos poderes dos Estados e os remanescentes para a União. TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS PELOS ÍNDIOS são de propriedade da União. Se não forem repartidas as competências podem algumas atividades ficar sem cumprimento. FAIXA DE FRONTEIRA não é bem da União. Competência exclusiva.

os Estados COMUNS. sugerir supervenientemente regulamentação sobre normas gerais da União. sobre questões específicas Os municípios estão excluídos. não há superposição. Os entes federados não podem legislar sobre assuntos de competência uns dos outros.COMPETÊNCIAS MATERIAIS COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVAS OU Tratam da responsabilidade pelo exercício de determinados serviços públicos / administrativos EXCLUSIVAS UNIÃO (artigo 21) COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS É a competência para a edição de normas. a norma dos Estados terá a eficácia suspensa. não é revogação e nem invalidez. têm competência suplementar. §2º e 30. Análise dos incisos dos artigos. não existindo respristinação). Lembrar sempre que por uma questão lógica. mas. Assim. o correto é que somente a União pratique esses atos. cabem somente a União. Estados e Distrito Federal. §§ 1º a 4º (à união competem às normas gerais. Art. Há uma correspondência entre a competência material e a competência legislativa. no que contradizer a União. Pode ser delegada aos Estados para legislarem sobre determinada matéria. SUPLEMENTARES Estados e Municípios. II. os Estados OU entes (artigo 24) poderão exercer a competência plena PARALELAS federados sobre o assunto. que poderão legislar concorrentemente sobre os assuntos constantes no artigo 24. A regra de ouro da atuação do administrador (direito administrativo) = o administrador somente pode fazer o que a lei autoriza. Desde que. a competência material da União é determinada de acordo com a necessidade de uniformidade nacional. por meio de Lei complementar. se a União CUMULATIVAS todos os CONCORRENTES não emitir as normas gerais. 23 . mesmo na competência legislativa comum do artigo 24 EXCLUSIVAS cada ente tem a sua excluindo os demais PRIVATIVAS da união (artigo 22 e parágrafo único). os atos materiais da União recorrentes de sua competência exclusiva serão legislados pela própria União. se todos os entes políticos praticam os atos materiais todos poderão legislar sobre ele. se após o exercício da (artigo 23) competência plena dos Estados. evitando a superposição de atividade legislativa. Assim. 24.

marítimo e aeroportos) e sobre todas as formas de navegação e transporte. nem o transporte ferroviário limitado às fronteiras de um único Estado. INFO STF 399). 4 Ou seja. fluvial. aeroespacial e os aeroportos. Só a UNIÃO explora (direta ou indiretamente) a navegação aérea. 24 . nem (obviamente) as linhas férreas situadas fora do território nacional (mesmo que ligadas às linhas férreas nacionais). não cabe à União explorar o transporte aquaviário entre porto estrangeiro e porto brasileiro. Só a UNIÃO explora (direta ou indiretamente) o transporte ferroviário e aquaviário NACIONAL3. não cabe à União explorar o transporte rodoviário municipal (competência do Município) nem o transporte rodoviário intermunicipal entre Municípios de um mesmo Estado (competência dos Estados: ADI 2349/ES. Só a UNIÃO explora (direta ou indiretamente) o transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros4. 3 Ou seja.OBSERVAÇÃO: É a UNIÃO que legisla privativamente sobre todos os portos (lacustre.

podem ser demandados em ação popular ou ação civil pública. 52. 2. Direito Administrativo Regulador 1. federais ou locais. Min. pelos atos práticos. importado do EUA. TRF1: As agências reguladoras têm poder de polícia administrativa nos limites traçados pela respectiva lei. de plausibilidade a argüição de inconstitucionalidade. (TRF1) O vocábulo agência é resultante de um modismo de globalização. Estão habilitadas a dirimir litígios que envolvam as empresas que realizam atividades por elas controladas. 18/11/1999).488/98(aplicável a nível federal) 4.à vista da cláusula final de abertura do art. Descumprimento do plano de reestruturação e desenvolvimento institucional – Entidade perde a qualificação. 25 .649/98 1. Sepúlveda Pertence.487/98 e 2. III -. são válidas as normas legais. pois. Direito Administrativo 1. 1. Todas as regras da autarquia se aplicam às agências reguladoras. 51 e 52 da Lei n° 9.B. onde tem um sentido mais amplo. J. Podem existir agências que não sejam federais? “1. Diversamente dos textos constitucionais anteriores. AGENCIAS EXECUTIVAS Conceito: Autarquia ou fundação que celebra contrato de gestão com o órgão da administração direta ao qual está vinculada.1. Aprovado o plano é firmado contrato de gestão com o Ministério supervisor. Rel. 3. Agências: Reguladoras e Executivas AGENCIAS REGULADORAS Conceito: Autarquia sob regime especial criada com a finalidade de disciplinar e controlar certas atividades (Celso Antônio).” (STF. Entidade pré-existente que possui um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento. 2. Qualificação como “agência executiva” por Decreto do Presidente da República. Estão previstas nos arts. que subordinam a nomeação dos dirigentes de autarquias ou fundações públicas à prévia aprovação do Senado Federal ou da Assembléia Legislativa: jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal. 2. na Constituição de 1988 . Assim. no caso. ADI 1949/RS. Objetivo: melhorar a eficiência das entidades autárquicas e fundacionais 3. Seus dirigentes. a agência tem a função de regular matérias específicas. do condicionamento à aprovação prévia da Assembléia Legislativa da investidura dos conselheiros da agência reguladora questionada. ou entre estas e os respectivos usuários. essa por iniciativa do MP. Regulamentação: Decretos Federais nº 2. Carece. para melhoria da eficiência e redução de custos.

dado que eles caracterizam a existência. ADENE (Agência de Desenvolvimento do Nordeste). por meio do qual irão ganhar mais dinheiro e autonomia.666/93. 37. dará um status de AGÊNCIA EXECUTIVA.1. passível de aplicação de sanções aos dirigentes que descumprir. de autonomia orgânica e funcional. mais autonomia . Exemplos: INMETRO. 3) a formação técnica. CONTRATO DE GESTÃO – contratos pelos quais a Administração Central concede à autarquia ou fundação maior liberdade de ação. financeira e administrativa.5. com a dispensa de determinados controles. somente enquanto estiver vigente o contrato de gestão. 26 .2. acréscimo do inciso XXIV ao art. o chefe do Executivo. fazem um plano estratégico.2. O regime jurídico das Agências Reguladoras 1. com metas definidas e critérios precisos de avaliá-las. 2) Assegurar a regularidade de transferências financeiras Conseqüência Prática Da Sua Criação: ampliação dos limites de isenção ao dever de licitar. §8º da CRFB/1988 6. apenas com a conjunção de todos estes elementos. Há na doutrina uma divergência. injustificadamente. o contrato. Assim. por meio da edição de DECRETO. Para modernização da autarquia ou da fundação. 2) a organização colegiada. celebrando com o poder público um contrato de gestão. Aprovado tudo isso (PLANO ESTRATÉGICO e CONTRATO DE GESTÃO). Objetivos: 1) Conferir maior autonomia gerencial. poderemos reconhecer a existência de uma Agência Reguladora. 1. 24 da Lei n° 8. há quem diga que não existem atualmente. além de competências regulatórias. ADA (Agência de Desenvolvimento da Amazônia). no Brasil (MARINELA). ou seja. e assume o compromisso de repasse regular de recursos em contrapartida ao cumprimento por estas de determinados programas de atuação. Natureza jurídica Os principais elementos das agências são: 1) a impossibilidade de exoneração ad nutum dos seus dirigentes. Assim. Ampliação da autonomia depende da promulgação de lei referida no art. 4) a impossibilidade de recursos hierárquicos impróprios. a natureza jurídica de agência executiva é temporária.

Obs: a novidade maior estariam nas segundas. Funções exercidas pelas agências reguladoras: 1. AEB (Agência Espacial Brasileira) 27 . Agências Reguladoras Que Fiscalizam O Serviço Público Prestado Por Particular E Público: ANS (Agência Nacional da Saúde) e ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). jamais poderá contrariar a lei. ela se amplia para a gestão financeira). Exemplos de autarquias que têm nome de agência: ADA. Típicas do Poder de Polícias: ANA (Agência Nacional de Águas). quando comparadas com as demais autarquias. Há uma atecnia na colocação dos nomes. Agências Que Fomentam A Atividade Privada: ANCINE (Agência Nacional de Cinema) (continua ainda regulada por MP). porque a autonomia NÃO é restrita à gestão administrativa. Agências Que Cuidam Do Monopólio Do Petróleo: ANP (Agência Nacional do Petróleo). 2) exercício de atividade de regulação. Algumas impropriedades As autarquias de regime especial não podem criar novas leis. ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) 2. somente podem regular o que já está estabelecido em lei. 3) controle e fiscalização do poder público (INDEPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA E AUTONOMIA FINANCEIRA). destinadas a fiscalizar determinados setores de atividade em nome do Estado? Falso. Agências Que Cuidam Do Patrimônio Público: ANA (Agência Nacional da Águas). ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre). ADENE. O nome foi copiado de forma aleatória. Regulam e controlam atividades que constituem objeto de concessão. etc. com autonomia restrita à gestão administrativa.O regime especial tem 03 fundamentos: 1) mais autonomia e liberdade para as agências reguladoras. Exemplos de agências reguladoras: Agências Reguladoras Que Prestam Serviço Público: ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). (TRF1: as agências reguladoras da União são entes descentralizados da Administração. definindo normas técnicas complementando o que está previsto em lei. permissão ou autorização de serviço público ou concessão para exploração de bens públicos. ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aqüaviários). do Conselho Monetário Nacional. uma vez que as primeiras não diferem muitos do Banco Central.

tendo em vista o disposto no art. deixando de agir diretamente e passando a intervir por regulação. no direito brasileiro. Segundo Alexandre Santos de Aragão. a agência poderia dirimir conflitos em última instância administrativa. Há órgão da administração direta que ganhou o nome de Agência: ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Anvisa). das agências que desenvolvem atividade econômica (ANP. a INDEPENDÊNCIA DAS AGÊNCIAS REGULADORAS deve ser entendida em termos compatíveis com o regime constitucional brasileiro. mas isso não impede o controle de suas decisões pelo Poder Judiciário. 28 . do sistema da unidade de jurisdição. que regulam serviços públicos delegados. a própria lei estabeleceu que se trata de uma autarquia em regime especial (Lei 10. que significa a adoção. Trata-se da transição da “administração de gestão” para a “administração de regulação”. pode ser apreciado pelo Poder Judiciário. Já as primeiras. Tudo isso em função da concepção de que o Estado não atua adequadamente na execução de atividades econômicas. mas simplesmente executam atividades decorrentes de um vínculo especial de sujeição que existe entre o poder público e seus delegatários. Anatel. Deslegalização ou desregulação A DESLEGALIZAÇÃO é o fenômeno pelo qual a normatização de determinadas matérias passa a ser feita por ato infralegal. Fundamento sócio-político Reformulação do modelo de Estado. da CR. É muito importante diferenciar as agências reguladoras que regulam serviços públicos (Aneel.411/02). de modo a permitir que o mercado se auto-regule pela competição entre os diversos agentes.A lei que cria a autarquia irá definir a existência ou não do regime especial caracterizador do regime especial. Assim. Mas há uma autarquia de regime especial que não ganhou o nome de agência: CVM (Comissão de Valores Mobiliário). não desenvolvem poder de polícia. Para Maria Sylvia. ANTT). desenvolvem poder de polícia. 5º. Qualquer ato praticado pelas agências reguladoras. estas. desde que cause lesão ou ameaça de lesão. Toda agência regula serviços públicos Não. As agências reguladoras têm fundamento constitucional Só a Anatel e a ANP tem previsão constitucional. com redução do seu tamanho. a independência em relação ao PODER JUDICIÁRIO seria praticamente inexistente. Poder judiciário pode estabelecer a política tarifária? Não. A DESREGULAÇÃO é o fenômeno de diminuição da quantidade de regras sobre determinados setores da economia. que regulam atividade econômica strito senso. XXXV.

salvo em controle de constitucionalidade. não deve intervir para alterar as regras fixadas pelos órgãos competentes. a doutrina indica como uma das principais características das agências reguladoras a inexistência de recurso hierárquico impróprio. mesmo que ilícitas. mas não podem legislar. Além disso. Inclusive. e ao controle financeiro.e. via ACP. dos créditos da telefonia móvel pré-paga) STJ 1aT – Informativo 379 A independência em relação ao PODER LEGISLATIVO também não existe. Características I – MAIOR AUTONOMIA E LIBERDADE Têm ampla liberdade. legislar é faculdade exclusiva das pessoas políticas. Segundo Maria Sylvia. previsto no art. estão sujeitas à tutela ou controle administrativo exercido pelo Ministério a que se acham vinculadas. estão sujeitos ao controle pelo Congresso Nacional. conforme previsto no art. Há um projeto no Congresso Nacional defendendo a unificação do 29 . após aprovação pelo Senado. sob pena de criar embaraços que podem comprometer a qualidade dos serviços e. 49. em que os dirigentes. até mesmo. CUIDADO: o BACEN é autarquia. qual é o prazo? Quando a lei cria a autarquia define qual é o prazo.É da exclusiva competência das agências reguladoras estabelecer as estruturas tarifárias que melhor se ajustem aos serviços de telefonia oferecidos pelas empresas concessionárias. A independência maior que existe é em relação ao PODER EXECUTIVO. mas que também tem essa especialidade das agências reguladoras. através de normas técnicas. i. MAS NÃO HÁ SUPERVISÃO MINISTERIAL Diferentemente das demais autarquias (exceto Bacen). contábil e orçamentário exercido pelo Legislativo. da CR. insurge-se contra a fixação da Anatel de prazo de validade de noventa dias para a fruição. Trata-se de investidura especial. Sua atividade é regulamentar a lei. como autarquias de regime especial.. assim mesmo nos limites estabelecidos em lei. Fala-se em poder regulatório. II – DIRIGENTE É NOMEADO. aquele realizado para autoridade que não guarda hierarquia para com a autoridade recorrida. por ocuparem cargos de confiança do Poder Executivo acabam por se curvar a interferências. O Judiciário. seus atos não podem ser revistos ou alterados pelo Poder Executivo. Todavia. Afinal. Afinal. não muito comum na maior parte das entidades da administração indireta. com o auxílio do Tribunal de Contas. (o caso: Ministério Público. O Presidente do Bacen (autarquia comum) tem o mesmo processo de escolha. tendo em vista que seus atos normativos não podem conflitar com as normas constitucionais ou legais. podendo variar de um caso para outro. Investidura especial de seus dirigentes (em regra os dirigentes das autarquias são escolhidos pelo chefe do Poder Executivo): é escolhido pelo chefe do Executivo mediante a prévia aprovação do Senado Federal. o dirigente da agência é nomeado pelo Presidente da República.2. inviabilizar sua prestação. a estabilidade outorgada aos dirigentes das agências confere maior independência. 1. Como autarquias que são.2. pelo usuário. 70 e seguintes da CR. mandato com prazo fixo dos dirigentes. X. ele tem status de ministro.

52 da Constituição Federal. há livre nomeação e exoneração.986/00 Art. O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente será nomeado pelo Presidente da República dentre os integrantes do Conselho Diretor ou da Diretoria. Art. Qual o procedimento da consulta? Ninguém sabe ainda.986/00 regula a gestão dos recursos humanos das Agências Reguladoras.666/1. A garantia do mandato do dirigente da agência pode se estender além de um mesmo período governamental? Na opinião de Celso Antônio. Lei 9. (TRF1) nos termos da alínea f do inciso III do art.478/97 (ANP) são problemáticas em relação a procedimento licitatórios. respectivamente. IV – POSSUEM MODALIDADE ESPECIAL DE LICITAÇÃO É a chamada consulta. de reputação ilibada. após aprovação pelo Senado Federal. (TRF1) por um Conselho Diretor ou Diretoria composta por Conselheiros ou Diretores. a modalidade é específica. Nas agências é diferente. o que não foi feito até hoje.472/97 (ANATEL) e Lei 9.871/04 dispõe sobre a carreira dos cargos das agências reguladoras. As Lei 9. III – MANDATO COM PRAZO FIXO Normalmente. para 04 anos. nas autarquias comuns. sendo um deles o seu Presidente ou o DiretorGeral ou o Diretor-Presidente.prazo. 30 . sem coincidência com o chefe do poder executivo.993. a lei definirá. A Lei 9. não. Parágrafo único. variando o prazo de mandato de acordo com a lei de cada agência. CELSO ANTONIO acredita que deve haver coincidência entre os mandatos. estabelecendo que os procedimentos licitatórios serão do PREGÃO (atualmente é para todos) e da CONSULTA. A Lei 10. 5o O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente (CD I) e os demais membros do Conselho Diretor ou da Diretoria (CD II) serão brasileiros. Elas obedecem às regras da Lei 8. 4o As Agências serão dirigidas em regime de colegiado. que ficou somente para as agências reguladoras. nas normas gerais. devendo ser escolhidos pelo Presidente da República e por ele nomeados. e investido na função pelo prazo fixado no ato de nomeação. formação universitária e elevado conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais serão nomeados.

O STF reconheceu a constitucionalidade do parágrafo único do art. Para os casos não previstos no caput. de 7 de julho de 1995. PERMISSÕES E AUTORIZAÇÕES DE SERVIÇO TELECOMUNICAÇÕES – REGEM-SE EXCLUSIVAMENTE PELA LEI 9472/97 Portanto. de 13 de fevereiro de 1995. Isso foi estendido às demais agências pelo art. possui vários artigos que versam sobre o tema da licitação no âmbito daquela agência. 210 da Lei 9472/97 trata do procedimento licitatório a ser observado nos casos de atividade-fim da Anatel: As concessões.666/93. XXVII.666. a elas não se aplicando as Leis nº 8. para contratações que não sejam obras ou serviços de engenharia (em se tratando de atividademeio). Por meio do art.074.987. 22. E em caso de atividade-fim? Situação: ANATEL – O art. A consulta serve à aquisição de bens e serviços não comuns. 54 da Lei 9472 estabelece que a contratação de obras e serviços de engenharia se sujeitará ao procedimento das licitações previsto na lei geral. permissões e autorizações de serviço de telecomunicações e de uso de radiofreqüência e as respectivas licitações regem-se exclusivamente por esta Lei. Para essas contratações (atividade-meio). De qualquer forma. nº 9. 37 da Lei 9986/2000. nº 8. 54. As propostas são julgadas por um júri. 54 (previsão da consulta e do pregão – procedimentos próprios das agências para contratação – em caso de atividade-meio). temos: 31 DE .666/93. não se aplica a Lei 8.666/93. 54 fala.666/93. portanto. excetuadas as obras e serviços de engenharia civil. a Agência poderá utilizar procedimentos próprios de contratação. aplica-se a Lei nº 8. em procedimentos próprios de contratação quando não se tratar de obras ou serviços de engenharia. CONCESSÕES. de 21 de junho de 1993. 210 é constitucional. logo deveria ser regida pela Lei 8. com procedimento simplificado para empresas públicas e sociedades de economia mista. e suas alterações. o art. A contratação de obras e serviços de engenharia civil está sujeita ao procedimento das licitações previsto em lei geral para a Administração Pública. o art. da CR previu-se uma regra geral a ser observada pela Administração Pública. nas modalidades de consulta e pregão. nas modalidades de consulta e pregão. porém. Parágrafo único.Art. conforme os critérios previstos na convocação. Ou seja. Segundo o STF. sujeitam-se normalmente à Lei 8666/93. O mesmo ocorre com a ANP – ex: licitação para exploração de bacia de petróleo – não deve obedecer à Lei 8. A Lei 9472/97. que trata da Anatel. os quais devem viabilizar a ponderação entre o custo e o benefício de cada proposta. Nesse sentido. O parágrafo único do art. A agência é autarquia.

666/93 DEMAIS ATIVIDADES-MEIO – CONSULTA OU PREGÃO PARA ATIVIDADE-FIM – AGÊNCIA NÃO PRECISA SEGUIR A LEI 8. sedimentando o que o STF tinha aconselhado. ou seja. com metas definidas e critérios precisos de avaliá-las. de ofício ou por provocação dos interessados. violem as políticas públicas definidas para o setor regulado pela Administração direta. 32 . ou. passível de aplicação de sanções aos dirigentes que descumprir.2.Estão sujeitas à revisão ministerial. recorrer ao Judiciário. 1. e assume o compromisso de repasse regular de recursos em contrapartida ao cumprimento por estas de determinados programas de atuação. O STF disse mais: não pode ser temporário.2. fazer cessar as atividades da rádio e apreender seus equipamentos.4. para imediata cessação de funcionamento da radiodifusão. que concedia à ANATEL a competência para. 1. mais autonomia .871/04 criando os cargos. injustificadamente. 19. suspendeu a eficácia do art.666/93. O Supremo Tribunal Federal. Contrato de gestão Contratos pelos quais a Administração Central concede à autarquia ou fundação maior liberdade de ação. proceder à apreensão de equipamentos utilizados indevidamente pela rádio comunitária. Quem estava contratado temporariamente ficará até o término do seu contrato e depois os cargos serão ocupados por meio de concurso público. XV. estabelecendo que serão estatutários. (Este entendimento da AGU é no mínino curioso. para tanto é preciso dar maiores garantias. conforme entendimento atual do STJ. da Lei 9. inclusive pela apresentação de recurso hierárquico impróprio.3.472/1997. ainda. necessitando a agência. quando o STF disse que isso é perigoso porque se exige uma alta contratação e especialização (grande qualificação). veio a Lei 10. as decisões das agências reguladoras podem ser revistas por meio de recurso hierárquico impróprio . administrativamente. porque gera muita instabilidade e também porque a CR (artigo 37. administrativamente. Segundo a AGU. REGENDO-SE EXCLUSIVAMENTE POR SUA LEI. com a dispensa de determinados controles. com a Lei 9. IX) diz que a contratação temporária ocorre somente em caráter excepcional. haja vista que um dos elementos das agências reguladoras é a inexistência de recursos impróprios) Busca e apreensão de equipamentos realizada pela ANATEL – A ANATEL não têm poderes para. Pessoal Em 2000. no julgamento da ADI 1668-5. as decisões das agências reguladoras referentes às suas atividades administrativas ou que ultrapassem os limites de suas competências materiais definidas em lei ou regulamento.986. Depois disso tudo. o contrato. o que vem ligado ao regime estatutário (cargo público).OBRAS OU SERVIÇOS DE ENGENHARIA – LEI 8. ficou definido que o regime de pessoal de agências reguladora os regimes são: CLT e CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA. Que depois foi objeto da ADI 2310.

Segundo Maria Sylvia. cumpre indagar se há fundamento jurídico constitucional para que as agências exerçam função reguladora.986/00. ao falar em órgão regulador. instituiu o regime estatutário e dispôs sobre a criação de carreiras e organização de cargos efetivos. 5º. com relação à ANATEL e à ANP. II. Inicialmente. apenas duas agências podem ter função reguladora. o que não é verdade. Esse é inclusive o entendimento adotado pelo STF. de modo que não se pode entender que essas agências possam ter função legislativa propriamente dita. - Dirigentes não podem exercer outra atividade profissional. tem-se que entender que a expressão foi usada no sentido usualmente empregado no direito estrangeiro. da CR. apesar de a tradução literal significar padrões. sancionatórias e de solução de conflitos).5. que. a última adequação a ser feita na disciplina das agências para adequá-las ao ordenamento pátrio diz respeito ao seu poder de regulação. Diz Maria Sylvia que. A natureza da atividade demanda regime de cargos públicos. que terminaria por equipará-la a mera regulamentação. ao apreciar a capacidade normativa da Anatel. pois isso contrariaria o princípio da separação dos poderes e a norma do art. Escolhidos pelo Presidente. O standards.871/04 – gestão de recursos humanos - Relação de trabalho regida pela CLT – Min. desde logo. cumpre observar que a expressão “função reguladora” foi usada. disse que essa agência se subordina ao princípio da legalidade. como possibilidade de inovar na ordem jurídica. no sentido de editar normas que se equiparariam aos regulamentos autônomos: a ANATEL e a ANP.871/2004. A Lei n° 10. Standards (conceitos indeterminados). pode-se reconhecer sua função reguladora porque se tratam de entidades previstas na CR como órgãos reguladores. já que regulação compreende também as atividades fiscalizadoras. Ressalte-se. 33 . principalmente norte-americano. o que se deve entender por “órgão regulador”??? Não há qualquer definição ou parâmetro na CR. que esse é o aspecto mais controvertido das agências no direito brasileiro. Logo. que devem ser traduzidos como conceitos indeterminados. Ora. (ADIn 1668-DF) A doutrina específica costuma referir-se aos standards como mecanismo legitimador do poder normativo das agências.Relação de trabalho: Lei nº 10. observando-se aquele padrão. remetendo-se o dispositivo à lei que vier disciplinar a matéria. 1º. Segundo Maria Sylvia. Por meio dos standards a lei faz referência a determinados elementos que devem ser normatizados pelas agências. a CR/ 88 permite que se delegue função normativa às agências? (mais uma vez. da Lei nº 9. Poder normativo Por fim. de forma que sua normatização deve ser complementar à lei. está a Constituição reconhecendo ao mesmo a possibilidade de regulamentar a lei a partir de conceitos genéricos.2. tal como as agências reguladoras norte-americanas. - Previsão de concurso público - Dirigentes quando afastados ficam por quatro meses impedidos de atuar no setor regulado pela agência 1. Marco Aurélio suspendeu. em apreciação liminar o art. deve-se compatibilizar tal função com o princípio da legalidade vigente no ordenamento pátrio. aqui. Entretanto. Em outras palavras. nos moldes estabelecidos pela lei. como nunca existiram no Brasil entes com a denominação de órgão regulador. em uma concepção restritiva. sujeito à aprovação do Senado. princípios.

sendo que cada disparo. Concurso material homogêneo e heterogêneo Concurso material homogêneo: ocorre quando o agente comete dois crimes idênticos. b) a prática de dois ou mais crimes. podendo os diversos delitos ser objeto de processos diferentes. Requisitos e consequências do concurso material ou real Requisitos: a) mais de uma ação ou omissão. 69. respectivamente. em virtude da prática de dois ou mais crimes. na opinião de Rogério Greco. assim. não importando se a modalidade praticada é simples. o concurso material (real). CONCURSO MATERIAL OU REAL DE CRIMES O concurso material cuida da hipótese em que o agente. privilegiada ou qualificada. não há. concurso material. Ação (CONCEITO FINALISTA): pode ser composta por um ou vários atos. em um mesmo processo. investigados por processos diferentes. Se os crimes tiverem sido cometidos em épocas diferentes. O CP regulou a matéria por meio dos arts. conexão ou continência entre os crimes. Concurso de Pessoas Corresponde à pratica de uma pluralidade de delitos. por exemplo. é um ato que forma a conduta do agente. a posição majoritária entende que se caracteriza o concurso material ainda quando alguns dos delitos venham a ser cometidos e julgados depois de os restantes o terem sido. A ação consiste na conduta finalisticamente dirigida a causar a morte da vítima. 70 e 71. com várias condenações. Direito Penal 1. porque não há necessidade de conexão entre eles. Consequência: Aplicação cumulativa das penas privativas de liberdade em que haja incorrido. Contudo. o concurso formal (ideal) e o crime continuado. mas sim soma ou unificação das penas. 34 . mas sim partes de um todo. O concurso material exigiria. que preveem. mediante mais de uma ação ou omissão.C. Isso quer dizer que os atos que compõem uma ação não são ações em si mesmos. relação de contexto. poderá ser responsabilizado.

viessem a produzir dois ou mais resultados também previstos como crime. em qualquer caso. As penas aplicam-se. mediante uma só ação ou omissão. A expressão concurso ideal já denota a inexistência de uma verdadeira pluralidade de delitos. um único delito. Consequências: 35 . foi criada em benefício dos agentes que. a pena privativa de liberdade não houver sido suspensa. se iguais. Esta regra. com uma única conduta. em relação a um dos crimes. a substituição das demais se tornará inviável. havendo. o cumprimento poderá ser simultâneo (suspensão de habilitação para dirigir veículos e prestação de serviços à comunidade. no entanto. somente uma delas. Há duas teorias sobre o concurso formal Teoria da unidade de delito: afirma que. fundada em razões de política criminal. em regime também cumulativo. de um sexto até metade. na verdade. pratica dois ou mais crimes. existe um só delito. Tese da pluralidade: sustenta que a lesão de vários tipos penas significa a existência de vários delitos. não obstante a lesão de várias leis penais. O fato de que há somente uma ação não quer dizer nada. b) prática de dois ou mais crimes. Por outro lado. consoante o disposto no artigo anterior (concurso formal impróprio). 69. nos termos do § 1º do art. mas aumentada. CONCURSO FORMAL OU IDEAL DE CRIMES Corresponde à hipótese em que o agente. se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos. aplicando-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou. cumulativamente. entretanto. por fatos distintos) ou sucessivo (duas penas de limitação de fim de semana). no caso de aplicação cumulativa das restritivas.Concurso material heterogêneo: ocorre quando o agente vier a praticar duas ou mais infrações penais diversas. Se. Concurso material e penas restritivas de direito É perfeitamente possível a ocorrência de concurso material de infrações com a aplicação cumulativa de penas privativas de liberdade que comportem substituição por penas restritivas de direito. idênticos ou não. Requisitos e consequências do concurso formal ou ideal Requisitos: a) uma só ação ou omissão.

Para este concurso. é realizado mais de uma vez o mesmo tipo penal. é dirigida finalística e dolosamente à produção dos resultados. Ex: enfileirar os judeus para matar todos com uma bala só (2ª Guerra). (Aqui há culpa-culpa ou dolo-culpa). se iguais. aplica-se o percentual de aumento de um sexto até a metade (exasperação). aplica-se a regra do cúmulo material. sendo todos os resultados atribuídos ao agente a esse título. mas também atinge C (dolo + culpa). mas cumuladas. Concurso formal próprio (perfeito): corresponde à situação em que a conduta do agente for culposa na sua origem. se a ação ou omissão é dolosa. agente mata a vítima e fere pessoa que passava pela rua. almejando lesionar B. Concurso formal heterogêneo: ocorre quando as infrações praticadas (tipos penais) são diversas. da mesma forma que ocorre no concurso material. Concurso formal homogêneo e heterogêneo Concurso formal homogêneo: ocorre quando as infrações praticadas (tipos penais) são idênticas. ou na hipótese em que a conduta era dolosa. Ex: querendo matar. A. Concurso material benéfico 36 . dolosamente. Ex: um mesmo disparo gera a morte de duas pessoas. (Aqui há dolo-dolo). Concurso formal impróprio (imperfeito): diz respeito à possibilidade de o agente atuar com desígnios autônomos. atropela duas pessoas (culpa). e os crimes resultam de desígnios autônomos. aumentada de um sexto até metade. Desígnio autônomo quer dizer que a conduta. aumentada de um sexto até metade. embora única. Ex: Alguém. imprudentemente. O concurso formal pode decorrer tanto de conduta dolosa quanto de conduta culposa. satisfazem-se as exigências de distintos tipos penais. acertando-o. c) aplicação cumulativa das penas. atira uma garrafa em sua direção. isto é. as penas não serão exasperadas. Para este concurso. Com um só fato. Com um mesmo fato. Concurso formal próprio (perfeito) e impróprio (imperfeito) A distinção varia de acordo com a existência do elemento subjetivo do agente ao iniciar a sua conduta.a) aplicação da mais grave das penas. querendo. mas o resultado aberrante lhe é imputado culposamente. b) aplicação de somente uma das penas. a produção de todos os resultados conseguidos a partir daquela ação única.

d) os crimes subsequentes devem ser havidos como continuação do primeiro. aplica-se a pena com base no concurso material. se idênticas. menor será o percentual de aumento de pena. maneira de execução e outras semelhantes.A regra da exasperação no concurso formal foi criada para beneficiar o agente. que já consistiam em infrações penais. Se a exasperação lhe for menos benéfica. composto de várias ações. CRIME CONTINUADO Há três teorias principais sobre a natureza do crime continuado Teoria da unidade real: as várias condutas que acarretam o crime continuado formam um crime único. aumentada de um sexto a dois terços. Em virtude desse raciocínio. Teoria da ficção jurídica: as várias ações levadas a efeito pelo agente. são reunidas e consideradas fictamente como um delito único. uma vez concluída pela continuidade delitiva. 37 . maior será o percentual de aumento. consideradas pelo concurso formal de crimes. Consequências: a) aplicação da pena de um só dos crimes. se diversas. devendo o juiz. b) prática de dois ou mais crimes. Ao contrário. Teoria mista: reconhece no crime continuado um terceiro crime. fruto do próprio concurso. aplicar o percentual de aumento de um sexto até a metade. previu o parágrafo único do art. Requisitos e consequências do crime continuado Requisitos: a) mais de uma ação ou omissão. 70 que a pena não poderá exceder à que seria cabível em caso de concurso material. lugar. a qual entende que. A variação da aplicação do percentual de aumento dependerá do número de infrações penais cometidas pelo agente. b) aplicação da mais grave das penas. deverá a pena do agente sofrer exasperação. aumentada de um sexto a dois terços. somente uma delas. Assim. em qualquer caso. quanto menor for o número de infrações penais consideradas. quanto maior for o número de infrações. da mesma espécie. c) condições de tempo. Foi adotada por nossa legislação penal. se iguais. Dosagem da pena No concurso formal próprio aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou.

de uma mesma cidade. Para esta posição. mas também aqueles crimes que ofendem o mesmo bem jurídico e que apresentam. Apesar da impossibilidade de ser delimitado objetivamente um tempo máximo para a configuração do crime continuado. contra vítimas diferentes. cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa.são os que possuem a mesma tipificação penal. caracteres fundamentais comuns. aumentada até o triplo. contra vítimas diferentes. pelos fatos que os constituem ou pelos motivos determinantes. Segundo Rogério Greco. para que o crime continuado não se confunda com a reiteração criminosa. por exemplo). Ou seja. deve haver uma relação de contexto entre os fatos. ou aquele que comumente leva a efeitos os delitos de furto valendo-se de sua destreza utilizam o mesmo meio de execução. não importando se simples. aumentada até o triplo. comarca ou até em Estados diversos. II . Afinal. não haveria continuidade delitiva entre estupro e roubo. cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa. se idênticas. Um estelionatário que pratica um mesmo golpe. Condições de tempo. Embora se possa encontrar decisão em contrário. estupro e atentado violento ao pudor – duplas da mesma espécie. tendo em vista que não existe um critério rígido para a sua aferição. se diversas. I – aqueles que possuem mesmo bem juridicamente protegido (Fragoso. maneira de execução ou outras semelhantes Com relação às condições de tempo. como o do bilhete premiado. é difícil de mensurá-lo previamente. Discute-se sobre a possibilidade de se verificar o crime continuado somente dentro de um mesmo bairro. o STF já proferiu decisões que estabelecem o prazo máximo de 30 dias. Há também controvérsia quanto à distância entre os vários lugares nos quais os delitos foram praticados. 38 . lugar. O STF já entendeu que é possível o crime continuado em cidades vizinhas (região metropolitana.c) nos crimes dolosos. essa definição não inclui apenas aqueles previstos no mesmo artigo de lei. há divergências. A maneira de execução dos delitos – modus operandi do agente ou do grupo – também é um fator importante para a verificação do crime continuado. Crimes da mesma espécie Há várias posições para definir o que seriam “crimes da mesma espécie”. se tentados ou consumados (Aníbal Bruno). privilegiada ou qualificada). Ex: furto e roubo. aplicação da mais grave das penas. Rogério Greco). aplicação da pena de um só dos crimes. a posição majoritária dos Tribunais Superiores é no sentido de considerar como crimes da mesma espécie aqueles que tiverem a mesma configuração típica (simples. privilegiados ou qualificados. d) nos crimes dolosos.

que não admitia a continuidade delitiva nos crimes contra a vida. existindo julgados que têm entendido que o aproveitamento das mesmas oportunidades e das mesmas relações pode ser incluído no conceito de condições semelhantes. pois ao falar “pelas condições de tempo. mas também não tolera a reiteração criminosa. por vingança. Tal definição deriva da discussão entre três teorias sobre crime continuado: Teoria objetiva: para o reconhecimento do crime continuado. cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa O parágrafo único do art. O CP permite. desde que. de unicidade entre as diversas infrações penais. o emprego da interpretação analógica. para essa teoria. Crimes dolosos. lugar. embora possa ter um padrão de comportamento. 71 permite a ficção jurídica do crime continuado nas infrações penais praticadas contra vítimas diferentes. O agente. maneira de execução e outras semelhantes). Ex: agente. lugar. Crime continuado simples e crime continuado qualificado Crime continuado simples: é o crime continuado tradicional. Teoria subjetiva: a unidade de desígnio (relação de contexto) é o que importa para a caracterização do crime continuado. previsto no caput art.O critério para aferir a maneira de execução. Não há. independentemente dos requisitos objetivos. contudo. Rogério Greco se filia a esta teoria. 71 exige que os crimes subseqüentes devem ser havidos como continuação do primeiro. Hoje isso é plenamente possível. quando desnecessárias. Há julgados do STJ que corroboram essa posição. nem sempre o repetirá. exista uma relação de contexto. basta a presença de requisitos objetivos (condições te tempo. Teoria objetivo-subjetiva: devem ser exigidas ambas as condições (objetivas e subjetivas). não é tão simples. cometidas com violência ou grave ameaça à pessoa. necessidade de se aferir a unidade de desígnio (relação de contexto). 39 . contra vítimas diferentes. maneira de execução” acrescenta a expressão “e outras semelhantes”. resolve exterminar todos os homens pertencentes a uma família rival à sua. pois seria a mais coerente com o sistema penal. Tal previsão derrubou a Súmula 605 do STF. frisamos mais uma vez. que não quer que as penas sejam excessivamente altas. 71. Isso quer dizer que as condições objetivas indicadas pelo artigo devem servir de parâmetro à interpretação analógica por ele permitida. o que não poderá impedir o reconhecimento da continuidade delitiva. ou seja. de modo que o criminoso de ocasião não pode ser confundido com o criminoso contumaz. ainda. Os crimes subsequentes devem ser havidos como continuação do primeiro O art. as infrações penais posteriores devem ser entendidas como continuação da anterior.

em qualquer caso. com violência à pessoa. que permite aumentar a pena de um só dos crimes. O parágrafo único do art. 71 permite ainda a aplicação do chamado concurso material benéfico. Para o crime continuado qualificado (triplo). que cuida do limite das penas. A sanção será a do caput. haverá também continuidade delitiva. em tese. E qual seria o aumento mínimo? O CP não prevê. que devem ocorrer simultaneamente: a – contra vítimas diferentes: se o crime for praticado contra a mesma vítima. c – somente em crimes dolosos – se a ação criminosa for praticada contra vítimas diferentes. b – com violência ou grave ameaça à pessoa: mesmo que o crime seja contra vítimas diferentes. deverá desprezar as regras daquele e proceder ao cúmulo material das penas (concurso material benéfico). mas recomenda-se a utilização do mínimo de 1/6. e determina sejam observadas as regras do art. 71. mesmo que haja violência contra a coisa. segundo Cezar Bittencourt. Se o juiz verificar que a aplicação deste instituto será mais gravoso do que se houvesse o concurso material de crimes. 40 . bem como os motivos e as circunstâncias. Consequências do crime continuado Para o crime continuado simples. Concurso material benéfico O mesmo raciocínio do concurso formal deve ser aplicado aqui. ou do mais grave. haverá a aplicação da pena de um só dos crimes. se configura em situação menos grave do que a do parágrafo único. se idênticas. não haverá a continuidade específica. poderá aumentar a pena de um só dos crimes. uma vez que não seria razoável que o juiz procedesse a aumento inferior ao determinado na hipótese de crime continuado simples que. caso o aumento da pena até o triplo seja maior que a soma das penas. se não houver violência – real ou ficta – contra a pessoa. O crime continuado é uma ficção estabelecida por razões de política criminal.Crime continuado qualificado (específico): é o previsto no parágrafo único do mesmo artigo. O crime continuado qualificado (específico) prevê. o juiz. 75. não estará caracterizada a exceção. de 1/6 a 2/3. se diversas. mas não se caracterizará a exceção prevista no parágrafo único. até o triplo. a necessidade de 3 requisitos. se diversas. previsto no caput do art. se idênticas. se idênticas. a conduta social e a personalidade do agente. mas não for produto de uma conduta dolosa. se diferentes. os antecedentes. ou a mais grave. até o triplo. aumentada. ou do mais grave. após considerar a culpabilidade.

Para esta última. No concurso material e no concurso formal imperfeito isso é tranqüilo. no art. o concurso de pessoas aos delitos unissubjetivos (podem ser praticados por uma só pessoa). primeiramente. o juiz deverá encontrar a pena de multa isoladamente. pelo fato de exigirem a presença de. Isso deve ocorrer porque o CP determina. formal ou crime continuado). insistiu. a pena correspondente a cada infração penal praticada. devendo ser responsabilizado pelo todo com base na lei nova. a jurisprudência tem feito a exasperação. caput. dependendo do tipo penal. que. nos concursos as penas de multa deverão ser aplicadas isoladamente para cada infração penal. as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente. 29. Situação: alguém pratica quatro crimes em concurso formal. uma vez que para os crimes plurissubjetivos. Após. do CP. duas ou mais pessoas. no caso de concurso de crimes. no crime continuado – simples ou qualificado – a exasperação da pena dependerá do número de infrações praticadas. ou seja. O argumento utilizado está relacionado ao fato de que o agente. concorre para o crime. será aplicada a toda a cadeia de infrações penais. de qualquer modo. mesmo conhecedor da nova lei penal. o juiz não poderá levar a efeito o cálculo da prescrição sobre o total da pena aplicada no caso do concurso. também conhecidos como delitos de concurso eventual. mesmo que mais gravosa. que estabelece que quem. Em vez de aplicar a exasperação. Aplica-se. ou de concurso necessário. 72 prevê que no concurso de crimes. APLICAÇÃO DA PENA NO CONCURSO DE CRIMES Na sentença que reconhecer qualquer um dos concursos (material. Ele deverá conhecer a pena de cada um de modo a aferir se foi verificada a prescrição em relação a eles. a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um isoladamente. A maior discussão está no concurso formal perfeito e na continuidade delitiva. isoladamente. 119. 2. na medida de sua culpabilidade.Dosagem da pena no crime continuado Da mesma forma que no concurso formal. Ou seja. no mínimo. aplicar. o juiz deverá. segue-se a aplicação das regras correspondentes aos concursos. posição compartilhada pelo autor. Crime continuado e novatio legis in pejus A lei posterior. Concurso de Crimes O concurso de pessoas é tratado no art. incide nas penas a este cominadas. como regra. em cometer novos delitos. MULTA NO CONCURSO DE CRIMES O art. ainda assim. não haveria 41 .

Não sabe onde está a sua arma. envidando esforços conjuntos. Ex clássico: A e B atiram contra C. embora tenha querido contribuir. então pede a de C emprestada. Seus esforços devem convergir ao cometimento de determinada e escolhida infração penal. c) Liame subjetivo entre os agentes É o vínculo psicológico que une os agentes para a prática da mesma infração penal. influenciou o agente no cometimento de sua infração penal. d) Identidade de infração penal Os agentes. respondendo por homicídio consumado. unidos pelo liame subjetivo. a ausência de relevância de sua conduta afastará sua responsabilidade penal. Se houve liame subjetivo. Se não se conseguir vislumbrar o liame subjetivo. cada agente responderá. C. A resolve procurar mais uma vez sua arma e finalmente a encontra. devemos desconsiderá-la e concluir que o agente não concorreu para a sua prática. tendo aplicação somente no que tange à participação nessas infrações penais. Assim. duas pessoas que. enquanto o outro erra. uma vez que não estimulou ou. mesmo sabendo da intenção de A. Como não usou a arma de C. de qualquer modo. agora. Se não houve. a conduta deste último (emprestar sua arma) deixou de ser relevante à cadeia causal. b) Relevância causal de cada conduta Se a conduta levada a efeito por um dos agentes não possuir relevância para o cometimento da infração penal. Ex: A quer matar B. por sua conduta. com a sua pistola vai à procura de B e causa-lhe a morte. Deve haver.necessidade de regra expressa para os autores. a dúvida deverá beneficiar os agentes. deixa de lado a arma de C e. o resultado morte será atribuído a ambos. como não sabemos quem conseguiu alcançar o resultado. devendo ambos responder por homicídio tentado. CONCURSO DE PESSOAS = PLURALIDADE DE AGENTES E CONDUTAS + RELEVÂNCIA CAUSAL + LIAME SUBJETIVO + IDENTIDADE DE INFRAÇÃO PENAL 42 . almejam praticar determinada infração penal. cada um responderá por sua conduta. empresta-lhe a arma. Antes de ir matar B. ou coautores. Assim. isoladamente. Não se sabe quem matou. no mínimo. Um deles acerta mortalmente o alvo. REQUISITOS PARA CONCURSO DE PESSOAS a) Pluralidade de agentes e de condutas Requisito indispensável. devem querer praticar a mesma infração penal.

o delito (art. o auxiliam. são considerados partícipes. Pela teoria objetivo-formal. razão pela Régis Prado entende que o CP adotou a teoria monista de forma “matizada ou temperada”. No exemplo citado em I. unidos pelo liame subjetivo. 29 faz diferença entre participação e autoria ao prever punibilidade diferenciada daquela. Além disso. Ex: A e B. com ânimo de subtração. aduz que todos aqueles que concorrem para o crime incidem nas penas a este cominadas. 126). se alguém tivesse induzido duas outras pessoas a praticar um delito de furto. cuja punição para a gestante é diferente daquela para o que comete. 124 x art. além daquilo que já estabelece a teoria objetivo-formal. atribuído aos partícipes e coautores. Embora o CP a tenha adotado. autores ou partícipes. Há um crime único para os autores e um crime único para os partícipes. sendo A partícipe de um crime de furto. haveria um único crime de furto. a qual seguem duas vertentes: uma formal e outra material. Assim. teríamos três infrações penais distintas. A cada participante corresponde uma conduta própria. de alguma forma. há outras exceções à regra da teoria monista. a perspectiva de maior perigosidade que deve caracterizar a contribuição do autor ao fato em comparação com a do cúmplice. Ela distingue autor de partícipe pela maior contribuição do primeiro na causação do resultado. AUTORIA Conceito restritivo de autor Autor é somente aquele que pratica a conduta descrita no núcleo do tipo penal. Este conceito segue atrelado a uma teoria objetiva de participação. um elemento psicológico próprio e um resultado igualmente particular. 43 . na medida de sua culpabilidade. Para esta teoria. Todos os demais que. Para a teoria objetivo-material. somente ele seria considerado autor. atribuído a todos aquele que para ele concorreram. II – Teoria dualista Distingue o crime praticado pelos autores daquele cometido pelos partícipes. o art. com seu consentimento. 155 do CP. III – Teoria monista ou unitária Adotada pelo CP.TEORIAS SOBRE O CONCURSO DE PESSOAS I – Teoria pluralista Sustenta que há tantas infrações penais quantos forem os autores e partícipes. mas que não realizam a conduta narrada pelo verbo do tipo. A tem a função de vigiar a porta de entrada da casa. como foi B quem praticou o a conduta descrita no núcleo do tipo do art. resolvem furtar uma TV da casa de C. enquanto B nela ingressa e efetua a subtração. deve ser observada. como o crime de aborto. há um crime único.

à autoria mediata. 44 . aplica a injeção e causa a morte do paciente. Assim. como alheio. para quem a característica geral do autor é o domínio final sobre o fato. por erro determinado por terceiro. quem matou alguém. A enfermeira. e sim mero partícipe. em razão de ser o senhor de sua conduta. pela teoria objetiva não poderia ele ser considerado autor. sim.A teoria objetiva enfrentou problemas no que concerne. busca-se a distinção num critério subjetivo. o médico não realizou a conduta descrita no núcleo do tipo penal do art. querendo causar a morte de seu inimigo que se encontrava internado no hospital no qual aquele exercia suas funções. sempre acessório. Por isso. Como o médico não praticou a conduta narrada pelo verbo do tipo. em virtude de seu domínio sobre o fato. por ele preparada. Ex: um médico. de alguma forma. não seria autor do crime. não querendo o fato como próprio. Teoria do domínio do fato Surge com Welzel. Conceito extensivo de autor A partir da teoria da equivalência das condições. por este conceito. por exemplo. exerce um papel secundário. pode deixar de lado a empreitada criminosa. porque fora pago para tanto. O autor. mas. e uma vontade de ser partícipe (animus socii). sim. ou. Tal teoria é considerada objetivo-subjetiva. atendendo ao pedido levado a efeito pelo médico. ao passo que o partícipe. Isso gera problemas. este conceito extensivo de autor segue atrelado à teoria subjetiva da participação. Aquele que realiza a conduta descrita no núcleo do tipo penal tem o poder de decidir se irá até o fim com o plano criminoso. quando o agente deseja o fato como alheio. colaboram para a prática do fato são considerados autores. A teoria subjetiva traça a distinção entre autor e partícipe com base na valoração do elemento anímico dos agentes. Na verdade. Todos aqueles que. os adeptos do conceito extensivo não fazem distinção entre autores e partícipes. isto é. Como se percebe. realiza a conduta como protagonista da história. Se não há distinção objetiva. Existe uma vontade de ser autor (animus auctoris). 121 do CP. Por ex: o matador de aluguel causa a morte da vítima não porque a desejava. foi a enfermeira. mas. determina a uma enfermeira que nele aplique uma injeção. contendo um veneno letal. quando o agente quer o fato como próprio.

O domínio será. Com relação a essa função. porém. também. mas. indispensável à fuga. em vez de ser autor executor (exigência da teoria restritiva). adotada por grande número de doutrinadores. que todos pratiquem a conduta descrita no núcleo do tipo. Serão coautores todos os que tiverem uma participação importante e necessária ao cometimento da infração. cuja função seja elaborar o plano criminoso. sobre as funções que lhe foram confiadas e que têm uma importância fundamental no cometimento da infração penal. isto é. TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO – DIVISÃO DE TAREFAS (NÃO SE APLICA AOS CRIMES CULPOSOS) Coautoria A teoria do domínio do fato fica mais evidente quando diversas pessoas. que. pois nos delitos culposos não se pode falar em domínio do fato. Esta teoria tem aplicação nos delitos dolosos. não se exigindo que todos sejam executores. Nos delitos imprudentes é autor todo aquele que contribui para a produção do resultado com uma conduta que corresponde ao cuidado objetivamente devido. durante um assalto. com relação à parte do plano criminoso que lhe foi atribuída. resolvem praticar uma mesma infração penal. a chamada divisão de tarefas. Nos delitos dolosos é autor o que tem o domínio finalista do fato. Quando se fala em domínio do fato. Pode acontecer. A teoria do domínio funcional do fato. não sendo cabível. sobre esta deverá ter o domínio funcional . Cada agente terá o domínio no que diz respeito à função que lhe fora confiada pelo grupo. não finalista. unidas pelo vínculo subjetivo. já que o resultado se produz de modo cego. causal. que alguém seja um exímio motorista e. Autoria direta e indireta (mediata) Autor direto é aquele que executa diretamente a conduta descrita pelo núcleo do tipo penal. portanto. agrega argumentos de ambas as teorias anteriores e acrescenta um dado extremamente importante. sim. fique encarregado de dirigir o automóvel.Pode ocorrer de o agente. que deverá ter importância na realização da infração penal. não se quer dizer que o agente deve ter o poder de evitar a prática da infração penal a qualquer custo. 45 . qual seja. Ou seja. o agente é o senhor de suas decisões e a parte que lhe toca terá importância no todo. ser o “homem inteligente do grupo”. A ideia de divisão de trabalho encontra na coautoria a adequação máxima. há inúmeras situações para as quais se deve distinguir autor e partícipe. quando a infração penal tiver a natureza culposa.

62 . sendo que a responsabilidade será atribuída a quem empurrou. levar a efeito a prisão. 22 . na verdade. 20.Autor indireto ou mediato é aquele que se vale de outra pessoa. Caso o detetive. Art. § 2º) É o caso da enfermeira. não manifestamente ilegal. § 2º . isto é. o autor da coação será autor mediato. O CP prevê quatro casos de autoria mediata. O médico. somente o autor da ordem é que será responsabilizado.Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem. a saber: a) Erro determinado por terceiro (art. segunda parte) É a situação do agente que empurra terceira pessoa. como instrumento para a prática da infração penal. Ex: pai. b) Coação moral irresistível (art. A enfermeira não agiu com dolo ou culpa. Aquele que é empurrado não atua dolosa ou culposamente. Este atira na vítima. a pedido do médico. Art. Ela aplica. é coagido a subtrair valores de agência bancária. injeção contendo veneno letal. só é punível o autor da coação ou da ordem. que lhe serve. d) Caso de instrumento impunível em virtude de condição ou qualidade pessoal (art. temos a possibilidade de o agente se valer de inimputáveis (doentes mentais ou menores) para cometer infração penal. c) Obediência hierárquica (art. Aquele será responsabilizado. segunda parte) Mesma situação da coação irresistível. que efetue a prisão de alguém. é autor mediato do homicídio. Art. Para que se possa falar em autoria indireta ou mediata. cumprindo a determinação do superior hierárquico. é necessário que o agente detenha o controle da situação. Além dessas hipóteses. primeira parte) Somente será punível o autor da coação. Ex: agente entrega arma a doente mental. que aparentava ser legal. 22. a ordem não tinha sido expedida. causando-lhe a morte. quando. na verdade. Ex: delegado de polícia determina a um detetive. em decorrência de seu estado de inconsciência. não respondendo por crime algum. O mesmo se aplica aos casos de hipnose. 62. a fim de que esta caia sobre a vítima. III. Não responderá pelo crime de furto. que tenha o domínio do fato. 20. seu subordinado. Autoria mediata e crimes de mão própria 46 . produzindo-lhe lesões corporais. 22. sabendo que o filho poderá ser morto porque tem contra ele uma arma apontada para sua cabeça. sem saber seu conteúdo.Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. que havia preparado a injeção e queria a morte do paciente.instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal. nos quais o hipnotizado cumpre as ordens que lhe foram determinadas.A pena será ainda agravada em relação ao agente que: III . de superior hierárquico. já mencionado.

Nada impede que haja. expresso no tipo penal. Isso porque. instigando ou auxiliando materialmente o autor. negar ou calar a verdade. embora a posição doutrinária majoritária caminhe nesse sentido de não admissão da autoria mediata em crimes de mão própria. não é possível. Ex: peculato. mesmo não possuindo o domínio sobre o fato. exigindo. concorrer para a infração penal. SE O AUTOR MEDIATO POSSUIR AS CONDIÇÕES EXIGIDAS PELO TIPO AUTORIA MEDIATA EM CRIMES DE MÃO PRÓPRIA – EM REGRA. Nesse caso. de alguma forma. em regra. somente determinado funcionário público poderá prevaricar (art. Situação: testemunha é coagida irresistivelmente a prestar depoimento falso. concurso de partícipes. Já nos crimes de mão própria a autoria mediata. podem. por exemplo. autor será somente aquele que vier a praticar a conduta prevista no núcleo do tipo penal. crime próprio é aquele que só pode ser praticado por um grupo determinado de pessoas que gozem de condição especial exigida pelo tipo penal. pratique a conduta pessoalmente. 342). desde que o autor mediato possua as qualidades ou condições especiais exigidas pelo tipo penal. somente será punido o autor da coação. Coautoria e crimes de mão própria Nos delitos próprios. Quanto à autoria mediata. sendo este. em regra. um caso de autoria mediata. O próprio STJ entende assim. 319). só a testemunha pode fazer afirmação falsa. Estes. porém. não se admite a coautoria. NÃO É POSSÍVEL Contudo. Não se cogita de autoria mediata porque a execução dos crimes de mão própria não pode ser transferida a ninguém. 47 . Ex: funcionário público se vale de particular para solicitar vantagem indevida a terceiro (corrupção). não há a possibilidade de divisão de tarefas. AUTORIA MEDIATA EM CRIMES PRÓPRIOS – POSSÍVEL.Como se sabe. esta é plenamente possível em crimes próprios . Já o crime de mão própria vai mais além. que o sujeito ativo. O delito só poderá ser realizado pessoalmente pelo agente previsto no tipo penal. pode haver exceção no próprio crime de falso testemunho. Assim. induzindo. praticando falso testemunho (art.não se pode pedir a alguém que preste um testemunho falso em seu lugar. por serem crimes de atuação pessoal. Ex: falso testemunho . portanto. para sua caracterização. Nos delitos de mão própria. é plenamente possível a coautoria. Por tratar-se de infrações personalíssimas.

que o STF e o STJ já entenderam ser possível a coautoria da testemunha com o advogado em crime de falso testemunho. inclusive. Afinal. no entanto. já tenha começado a percorrer o iter criminis. MAS SE LHE APLICA A PENA. É quem traça o plano criminoso. porque é delito de mão própria. O que fazer então? Surge aí a figura do autor de determinação. Nessas situações. agora. Coautoria sucessiva A regra é de que todos os coautores iniciem. não lhe retira a condição de autor. quando outra pessoa adere à conduta criminosa daquele. em que o autor só pode ser apenado como autor da determinação em si e não do delito a que tenha determinado. 48 . que alguém. juntos. Pode ocorrer. Situação: uma mulher dá sonífero a outra e depois hipnotiza um amigo. que deverá ser punido com as penas correspondentes à infração penal que houver determinado. Não se trata. contudo. O hipnotizado não realiza conduta. EX: HIPNOTIZA OUTRO PARA COMETER CRIME DE MÃO PRÓPRIA. a empreitada criminosa. Pode acontecer. ele é importante para o sucesso da infração penal. Autor de determinação Hipótese em que não dá para falar em autoria direta ou indireta ou mesmo em participação. ou mesmo o grupo. a praticar a infração penal. ingressando na fase de execução. pela teoria do domínio do fato. e. ordenando-lhe que com aquela mantenha relações sexuais durante o transe. unidos pelo vínculo psicológico. com todos os seus detalhes. Tampouco é partícipe. A mulher não é apenada como autora de estupro. ao passo que a mulher não pode ser autora de estupro. porém. AUTOR POR DETERMINAÇÃO – NÃO SE IMPUTA A AUTORIA.Vale frisar. juntos. de ao autor intelectual não ser atribuída qualquer função executiva do plano criminoso por ele elaborado. mas de um tipo especial de concorrência. de autoria de delito. assim. passam. Isso. mas lhe será aplicada a pena deste crime por haver cometido o delito de determinar para o estupro. pois falta o injusto alheio (fato típico e ilícito por parte do autor) em que cooperar ou a que determinar. FALSO TESTEMUNHO COAUTORIA (STF) – POSSIBILIDADE DE AUTORIA MEDIATA E Autor intelectual Fala-se em autoria intelectual quando se quer referir ao “homem inteligente” do grupo. e não como autor dessa infração penal.

Ex: extorsão – se aderir por ocasião da obtenção da indevida vantagem econômica. 49 . ingressa na execução desse delito como coautor sucessivo. não podem os agentes responder pelo resultado mais grave. como coautor sucessivo. O agente. desde que todos os fatos anteriores tenham ingressado na sua esfera de conhecimento e desde que eles não importem fatos que. pois sendo considerados coautores. aguardando a vítima passar. Welzel. no mesmo instante. responderá pela infração penal que estiver em andamento. espanquem C. A se une a ele para que. juntos. não há concurso de pessoas.fala-se em coautoria sucessiva. ingresse na empreitada criminosa quando uma das vítimas já tenha sido morta. a morte da vítima seria atribuída a ambos. depois de iniciado um crime de roubo. Há coautoria em lesão corporal. Não se conseguindo apurar o autor do resultado morte. estando as demais sob a mira das armas dos outros coautores. por si sós. Outra dúvida: qual será a responsabilidade do coautor sucessivo? Há 2 correntes: I – Se o coautor sucessivo tomou conhecimento da situação em que se encontrava. mas apenas pelo roubo com a causa de aumento. b) A perícia não identifica o assassino. neste caso. Querendo ajudar B. autoria incerta e autoria desconhecida Autoria colateral: ocorre quando dois agentes não atuam unidos pelo liame subjetivo para a prática de determinado fato criminoso. Autoria colateral. sem que um soubesse da presença do outro. haverá coautoria sucessiva. Se o agente. até o exaurimento da infração. não responderia pelo latrocínio. Ambos são responsabilizados por tentativa de homicídio. Ex: B agride C. com a finalidade de cometer infração penal? Segundo Nilo Batista. Se tivesse havido liame subjetivo. Quando avistam C. não importando saber quem teria conseguido causar a morte da vítima. C morre. deverá responder pelo fato na sua integralidade. A responde por homicídio consumado e B por homicídio tentado. Colocam-se de emboscada por mera coincidência. II – Quando o coautor sucessivo adere à conduta dos demais. os dois atiram. Contudo. ambos responderiam por homicídio consumado. Nilo Batista. cujos elementos integrantes do tipo são a violência e a grave ameaça. por exemplo. não deixará de ser responsabilizado pela causa especial de aumento de pena do emprego da arma. consistam em infrações mais graves já consumadas. Se não há vínculo psicológico. uma vez que um deles estaria sendo responsabilizado por um fato que não cometeu. pode acontecer que o agente. Há duas situações: a) A perícia constata que A matou C. Até quando o agente poderá ser unir a outro. Ex: A e B querem a morte de C. pois responsabilizá-lo pela morte seria uma forma de responsabilidade objetiva.

para o CP) e instigação. a participação será sempre uma atividade acessória. fala-se em autoria mediata especial. Assim. de autoria colateral. mas não se sabe quem lhe causou a morte. o ajuste. Na autoria desconhecida. o mero executor das ordens do grupo criminoso não constitui um mero instrumento. com precisão. POIS TEM DOMÍNIO FUNCIONAL DO FATO QUE LHE FOI ATRIBUÍDO – NÃO É MERA AUTORIA MEDIATA PARTICIPAÇÃO O autor é o protagonista da infração penal. pois que. para que se possa falar em participação. um autor do fato. Por essa razão. a ser tentado. com a certeza exigida pelo Direito Penal. não são puníveis se o crime não chega. a determinação ou instigação e o auxílio. salvo disposição expressa em contrário. AUTORIA DE ESCRITÓRIO – GRANDES MÁFIAS . deve existir. a participação pode ser moral ou material. necessariamente. 50 . como numa organização paraestatal (ex: máfia). Como atividade acessória. contudo. quem foi o produtor do resultado. sendo que somente não se conhece.O EXECUTOR TAMBÉM É AUTOR. Sem este. Se a autoria é sempre atividade principal. Sabe-se quais são os possíveis autores. conforme determina o art. Há autoria incerta. uma vez que nesta última se sabe quem praticou as condutas. uma vez que A e B não atuaram unidos pelo vínculo psicológico. Dessa autoria colateral surgirá uma outra. cujos papéis secundários influenciam na prática da infração penal. Aquele que executa as ordens emanadas pelo “cabeça da organização” (ex: CV) o faz tendo o domínio funcional do fato que lhe fora atribuído. Estes são os partícipes. dependente da principal. Autoria de escritório Modalidade de autoria que pressupõe uma máquina de poder. não há possibilidade de haver um partícipe. 31 do CP. Existe a autoria colateral. que pode ocorrer tanto num estado em que se rompeu com toda a legalidade. Autoria desconhecida: não se conhece a autoria. Embora se trate de autoria mediata.Autoria incerta: na situação acima. sabe-se que A e B atiraram contra C. o produtor do resultado. mas não se consegue concluir. Participação moral: ocorre nos casos de induzimento (determinação. chamada autoria incerta. os autores é que não são conhecidos. pelo menos. Difere da autoria incerta. receber o auxílio de certos coadjuvantes. tal como acontece nos casos de autoria mediata. não se podendo imputar os fatos a qualquer pessoa. Pode.

§ 1º). máquina de falsificar notas. Cumplicidade necessária A cumplicidade necessária é entendida como aquela em que o bem ou auxílio material são entendidos como escassos. Ex: R$ 30. Na cumplicidade desnecessária. o bem pode ser fornecido normalmente por qualquer pessoa. Instigar significa reforçar. ou o que empresta sua arma para que o autor possa causar a morte do desafeto. na instigação.Induzir ou determinar é criar. é fazer com que o agente fortaleça sua intenção delitiva. no mínimo. estimular uma idéia criminosa já existente na mente do autor. Em caso de prestação de serviço. ou. o partícipe é punido pela gravidade da influência que exerce sobre o autor.000. e sim do fato de o autor decidir efetivamente pela prática do crime. Participação material: ocorre na participação por cumplicidade (prestação de auxílios materiais). A distinção de cumplicidade necessária e desnecessária em razão da escassez do bem ou do serviço é criticada porque gera dúvida sobre sua classificação no caso concreto. ou seja. cedendo a escada para aquele que deseja entrar na casa da vítima. colocar. por automóvel. caneta esferográfica para falsificar assinatura. quando se puder afirmar pela escassez. Ex: cópia de quadro de renomado pintor.00. 51 . há embutida uma dose de instigação. No entanto. não será escassa a condução. fazer brotar a idéia criminosa da cabeça do agente/autor. a conseqüência será a completa impossibilidade de se aplicar a causa geral de redução de pena relativa à participação de menor importância (art. será considerado escasso aquele que não puder ser praticado por um número considerável de pessoas. Em toda prestação de auxílios materiais. da qual este nem tinha idéia. que será utilizada por um estelionatário para vender como original. O partícipe lança a idéia criminosa na cabeça do autor. convertendo-o em delinquente.20. Ao contrário. do agente até o local do crime. incutir. 29. faca de cozinha etc. o partícipe facilita materialmente a prática da infração penal. A punição não decorrerá da idéia. contribuindo para tanto. não poderiam ser fornecidos normalmente por qualquer pessoa. Nesta. A função do partícipe. Ex: R$ 0. FUNDAMENTO DA PUNIBILIDADE DA PARTICIPAÇÃO Há 2 correntes: a – Teoria da participação na culpabilidade Segundo essa teoria. por exemplo. uma substância medicamentosa de venda controlada.

ainda que haja instigação. segundo o art. indução ou auxílio do partícipe. b) Teoria da acessoriedade limitada Pune a participação se o autor tiver levado a efeito uma conduta típica e ilícita. Se houver causa de exclusão da ilicitude. o partícipe B será responsabilizado. Isso porque o fato é comum. a ser tentado. com a sua ação ou omissão. a determinação ou instigação e o auxílio não são puníveis se o crime não chega.Críticas: a culpabilidade é uma questão pessoal de cada participante. A estava em estado de necessidade. é preciso que o autor tenha cometido um injusto típico. PARTICIPAÇÃO – EXIGE O INÍCIO DA EXECUÇÃO NO ITER CRIMINIS Vamos às teorias: a) Teoria da acessoriedade mínima Haverá participação punível a partir do momento em que o autor realizar uma conduta típica. e acolhe a fórmula da acessoriedade limitada da participação (que é também majoritária no Brasil). É a teoria dominante na Alemanha e na Espanha. É adotada pela maioria dos doutrinadores. contribuiu para que o crime fosse cometido. protagonista da ação. pelo menos. Além disso. Basta a prática de fato típico. mas a culpabilidade é individual. Para esta teoria. Isso significa que só poderá haver participação se o autor. na fase dos atos de execução. independente da dos demais. a consagração da teoria da acessoriedade limitada torna desnecessário o exame da importância da participação na culpabilidade do autor. 31 do CP. Contudo. mesmo que não seja culpável. no iter criminis. comete furto famélico. inclusive por Rogério Greco. a participação será punida mesmo assim. O agente é punível não porque colaborou na ação de outrem. O fato de qualquer dos participantes ser inculpável é algo que só diz respeito a ele. Ex: A. ingressar. mas porque. consequentemente típico e antijurídico”. 52 . o ajuste. para que o partícipe possa ser responsabilizado. b – Teoria do favorecimento ou da causação O fundamento da punição do partícipe reside no fato de ter favorecido ou induzido o autor a praticar “um fato socialmente intolerável. estimulado por B. este não poderá ser responsabilizado. TEORIAS SOBRE PARTICIPAÇÃO Inicialmente deve-se observar que. Se esta não for iniciada.

A conduta dolosa do partícipe deve dirigir-se a contribuir. c) Teoria da acessoriedade máxima ou extrema Somente haverá a punição do partícipe se o autor tiver praticado uma conduta típica. Mais tarde. O partícipe não será punido. há autores. à prática de determinada infração penal. Caso se venha a incitar publicamente pessoas indeterminadas à prática de crime. o instigador não pode ser punido como partícipe. Mesmo neste caso. Era uma teoria mais aceita quando havia inclinação da doutrina pela teoria causal ou naturalista da ação. Este reage em legítima defesa e mata o agressor induzido. apenas se utilizando dos participantes diretos do conflito como instrumentos de realização da sua vontade criminosa. Instigação a autores e a fatos determinados A participação deve dirigir-se a fatos determinados e a pessoas determinadas. Isso ocorreria porque o instigador teria o domínio final do fato. d) Teoria da hiperacessoriedade Vai mais além e diz que a participação somente será punida se o autor tiver praticado um fato típico. em razão de o fato estar justificado para o executor. Este quer matar em defesa da honra de sua família – está em erro de proibição indireto (erro sobre a existência de causa de justificação). culpável e punível. Ex: partícipe estimula menor de 21 anos a praticar delito de furto. Para a teoria limitada da culpabilidade. AINDA QUE NÃO CULPÁVEL Ex: A empresta a arma a B. ilícita e culpável. Provocação de legítima defesa: a situação discutida é a do instigador que induz um terceiro a agredir a outrem. que exigem que a incitação se dirija a crimes determinados. A punibilidade do injusto culpável é condição indispensável à responsabilização do partícipe. A solução recomendada pelos alemães é a punição do instigador como autor mediato da ação justificada do autor direto. 286 do CP – incitação ao crime. que sabe estar armado. reconhece-se a prescrição do crime. Pela teoria da acessoriedade limitada. acessoriamente. o que pode afastar ou reduzir a sua culpabilidade. que o instigador queria eliminar. que será levada a efeito por uma ou várias pessoas também determinadas. não haverá participação. e sim o delito do art. ilícito.CP – TEORIA DA ACESSORIEDADE LIMITADA – HÁ PARTICIPAÇÃO SEMPRE QUE HOUVER CONDUTA TÍPICA E ILÍCITA (INJUSTO TÍPICO). 53 . 15 do CP estabelece que “o agente que voluntariamente desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza só responde pelos atos já praticados”. Participação punível – desistência voluntária e arrependimento eficaz do autor O art. o partícipe será responsabilizado. como Magalhães Noronha.

poderíamos falar em arrependimento. e se volta atrás. E o partícipe. Se o “partícipe” prometeu entregar a arma. de maneira que tal fato deverá ser estendido ao partícipe. só os autores podem praticar atos de execução. ilícito e culpável de um crime de homicídio. portanto. a impunidade do partícipe seria uma decorrência da acessoriedade da participação e seriam atendidos os dizeres da doutrina unitária do concurso (teoria monista). pois a desistência ou arrependimento do autor leva este à atipicidade da conduta inicial por ele praticada. não deverá ser responsabilizado o partícipe. logo ele praticou um fato típico. PARTICIPAÇÃO EM DESISTÊNCIA EFICAZ – CONTINUA PUNÍVEL VOLUNTÁRIA/ARREPENDIMENTO Arrependimento do partícipe A desistência voluntária do partícipe é praticamente impossível. mas não o fez. não em desistência. com a qual Rogério Greco concorda. Afinal. Isso significa que ambos os institutos – desistência voluntária e arrependimento eficaz – se dirigem aos autores da infração penal. pois já havia esgotado tudo aquilo que estava ao seu alcance para fazer com que o autor levasse a efeito a infração penal. a solução é mais tranquila. haja vista que o CP a excepciona em várias passagens. aquele não poderá ser penalmente responsabilizado. ocorre que o partícipe já incutiu a ideia criminosa na cabeça do autor e já a estimulou. o fato de o agente ingressar nos atos de execução já é suficiente a ensejar a punição do partícipe. Tentativa de participação 54 .. Com relação aos efeitos que disso podem ocorrer. e o agente cometeu o delito com outra arma – de outra pessoa . Normalmente. antes da prática da infração penal. no que se refere à instigação ou indução. Aplica-se o mesmo raciocínio se já havia emprestado a arma e. 15 fala em desiste de prosseguir na execução. A conduta do agente que desiste voluntariamente ou se arrepende de forma eficaz só não é punida por motivos de política criminal. pois o arrependimento não será eficaz e. Assim. não afastará a sua responsabilidade penal como ato acessório ao praticado pelo autor. será responsabilizado? Para uma parte da doutrina (Nilo Batista). Quanto à cumplicidade (prestação de auxílios materiais).Repare que o art. Isso não contradiria a teoria monista. somente não haverá a responsabilização penal do partícipe se o autor não praticar a conduta criminosa. Para outra parte. tentando dissuadi-lo da prática da infração penal. impedindo o autor de usá-la. consegue reavê-la.

contudo. Se o partícipe estimula alguém a cometer uma determinada infração penal. caso contrário. A MATERIAL. é impossível de ser realizada por omissão. Ressalte-se que a instigação sucessiva deve ter sido capaz de exercer alguma influência no ânimo do agente. Participação em cadeia (participação de participação) É plenamente possível. Ex: A induz B a induzir C a causar a morte de D. segundo posição amplamente majoritária. a ser tentado. instiga B a matar C. e se a instigação sucessiva em nada o estimulou. Após essa participação.Não se pode falar em tentativa de participação. pelo menos. que não é tesoureiro nem exerce qualquer função que lhe incumba dever especial. pois pressupõe uma atuação positiva do partícipe no sentido de estimular. atendendo-se. pois. Já a participação material. com a sua omissão. mas aquele que foi estimulado não vem a praticar qualquer ato de execução tendente a consumá-la. o agente D. desconhecendo a participação de A. omite providências (chaves. é possível a participação sucessiva. horários) que 55 . se o crime não chega. a determinação ou instigação e o auxílio. a conduta do partícipe é considerada um indiferente penal. criar uma ideia criminosa. PARTICIPAÇÃO POR OMISSÃO – A MORAL NÃO É POSSÍVEL. Participação sucessiva Da mesma forma que há a coautoria sucessiva. mas que pode de alguma forma facilitar o acesso de A ao cofre. B. não são puníveis. 31 – deve haver pelo menos tentativa. Será punível apenas se o autor vier a praticar a infração penal para a qual fora estimulado pelo partícipe. Se a instigação de D foi eficiente em face do nexo de causalidade. Ex: A instiga B a matar C. 31 do CP: o ajuste. contribuiu para a ocorrência da infração penal. pode concretizar-se numa inação do partícipe que. É o que se depreende do art. à regra do art. não terá ela a relevância necessária a fim de ensejar a punição do partícipe. pois. Participação por omissão A participação moral. é considerado partícipe do homicídio. salvo disposição expressa em contrário. reforçar. se este já estava completamente determinado a cometer a infração penal. isto é. SIM Ex: empregado A vem subtraindo semanalmente uma certa importância em dinheiro da firma.

significariam obstáculos à atividade de A, desejando, por raiva do patrão, que a perda patrimonial
seja expressiva.
Pelo fato de B não gozar do status de garantidor, haverá possibilidade de responsabilizá-lo
como partícipe. Se fosse garantidor (ex: tesoureiro, guarda, etc), sua omissão dolosa levaria ao
cometimento do crime comissivo por omissão, respondendo como autor.
Ex2: empregada doméstica percebe aproximação de um agente conhecido por furtar em
residências, deixa a porta aberta da casa de seus empregadores, porque está descontente com estes,
facilitando a subtração. Será partícipe.
Todavia, se fosse o vigia da casa, este, como garantidor, teria cometido crime comissivo por
omissão, sendo autor do furto.
PARTICIPAÇÃO (MATERIAL) OMISSIVA – SE NÃO FOR GARANTE
CRIME COMISSIVO POR OMISSÃO – SE FOR GARANTE
Impunibilidade da participação
A participação não é punida enquanto não tiver início a execução do crime. Se o fato
praticado pelo autor permanecer tão-somente na fase da cogitação, ou mesmo nos atos
preparatórios, a participação não será punível.
Participação de menor importância
O § 1º do art. 29 estabelece que se a participação for de menor importância, a pena pode
ser diminuída de um sexto a um terço . Trata-se de causa geral de diminuição de pena. Embora o
dispositivo fale em “a pena pode ser diminuída”, trata-se de causa de diminuição obrigatória,
conforme preleciona Alberto Silva Franco.
Este parágrafo é aplicável apenas às hipóteses de participação, não se aplicando às hipóteses
de coautoria. Não se pode falar em coautoria de menor importância , afinal, segundo a teoria do
domínio funcional do fato, observando-se o critério de divisão de tarefas, coautor é aquele que
tem o domínio funcional do fato que lhe fora atribuído pelo grupo, sendo sua atuação relevante
para o sucesso da empreitada criminosa. Toda atuação daquele que é considerado coautor é
importante para a prática da infração penal, não se podendo, portanto, falar em “coautoria de menor
importância”.
Participação (ou coautoria) em crime menos grave (desvio subjetivo de conduta)

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O § 2º do art. 29 preceitua que se algum dos concorrentes quis participar de crime menos
grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até a metade, na hipótese de ter
sido previsível o resultado mais grave.
Tal dispositivo se aplica tanto à participação quanto à coautoria. Trata-se de pequena
exceção à teoria monista.
O legislador pretendeu punir os concorrentes nos limites impostos pela finalidade de sua
conduta, ou seja, se queria concorrer para o cometimento de determinada infração penal, se o seu
dolo era voltado no sentido de cooperar e praticar determinado crime, não poderá responder pelo
desvio subjetivo de conduta atribuída ao executor.
Situação do partícipe: A estimula B a causar lesões em C. Ao dar início às agressões, B,
agora com dolo de matar, espanca C até a morte. Veja que A não instigou B a matar C. Houve
desvio subjetivo da conduta de B. Assim, A só deverá ser responsabilizado por seu dolo, ou seja, se
o seu dolo foi o de estimular o agente a cometer o delito de lesões corporais, por ele deverá ser
responsabilizado. Se o resultado mais grave fosse previsível para o concorrente, a pena prevista para
a infração penal para a qual queria concorrer será aumentada de metade.
Situação do coautor: A e B resolvem praticar furto de televisor numa residência abandonada
que pertence a C. A, pela divisão de tarefas, fica vigiando a porta da casa enquanto B se dirige ao
seu interior para praticar o delito. Contudo, ao entrar na casa, B é surpreendido pela presença de C.
Mesmo assim, prossegue com o plano de subtração, agredindo C fisicamente. A não poderá
responder pelo crime de roubo, mas pelo de furto. O seu dolo – liame subjetivo – dizia respeito a
concorrer para a prática de furto (subtração sem violência). Assim, ser-lhe-á aplicada a pena deste.
ART. 29, § 1º (PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA) – NÃO SE APLICA À
COAUTORIA
ART. 29, § 2º (PARTICIPAÇÃO EM CRIME MENOS GRAVE) – APLICA-SE À
PARTICIPAÇÃO E À COAUTORIA
Cumplicidade e favorecimento real
O delito de favorecimento real está no art. 349: Prestar a criminoso, fora dos casos de
coautoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito de crime.
É essencial, para identificar a diferença entre cumplicidade e favorecimento real, saber qual
o momento em que o auxílio foi proposto . Se anterior à consumação da infração penal
pretendida pelo autor, o caso será de cumplicidade (participação – auxílio material); se posterior à
sua consumação, será favorecimento real.
CUMPLICIDADE – AUXÍLIO PROPOSTO ANTERIORMENTE À CONSUMAÇÃO
FAVORECIMENTO REAL – AUXÍLIO POSTERIOR À CONSUMAÇÃO
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Ex1: A e B, amigos de infância, conversam. A diz que tem intenção de praticar um crime de
furto de eletrodomésticos, mas, como não tem lugar para guardá-los após o crime, ainda não levou
adiante seu intento. Diante disso, B oferece-lhe um galpão, cujo espaço físico seria ideal para
acondicionar os bens furtados. A, então, pratica o crime. B é partícipe.
Ex2: Após subtrair aparelhos eletrodomésticos, A vai à procura de B e solicita-lhe auxílio a
fim de acondicionar os bens subtraídos. B pratica o crime de favorecimento real.
Observe-se, por oportuno, que o art. 349 só fala em “fora dos casos de coautoria” porque na
época não se previa a distinção entre coautoria e participação. Assim, deve-se ler “fora dos casos de
coautoria e participação”.
PUNIBILIDADE NO CONCURSO DE PESSOAS
A punição daqueles que agem em concurso de pessoas será feita na medida de sua
culpabilidade. Culpabilidade significa juízo de censura, reprovabilidade, que recai sobre a conduta
do agente. Embora duas pessoas, em concurso, resolvam praticar determinada infração penal, podese concluir, dependendo da hipótese, que a conduta de uma delas é mais censurável que a outra,
razão pela qual deverá ser punida mais severamente.
Ex: furto cometido em concurso por rico fazendeiro – aventura – e por desempregado que há
muito tempo não consegue sustentar sua família. A conduta do desempregado é menos censurável
que a do fazendeiro, razão pela qual poderá haver penas diferentes, sendo que a do fazendeiro
poderá ser maior que a do desempregado.
CIRCUNSTÂNCIAS INCOMUNICÁVEIS
O art. 30 do CP estabelece que não se comunicam as circunstâncias e as condições de
caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.
A regra é a incomunicabilidade, entre os co-participantes (coautores e partícipes), das
circunstâncias, bem como das condições de caráter pessoal, sendo excepcionada quando se tratar de
elementares do crime.
Circunstâncias são dados periféricos, acessórios, que gravitam ao redor da figura típica,
somente interferindo na graduação da pena. Já as elementares são dados essenciais à figura
típica, sem as quais há atipicidade absoluta ou relativa. As condições de caráter pessoal são as
relações do agente com o mundo exterior, com outros seres, com estado de pessoa, de parentesco
etc.
CIRCUNSTÂNCIAS – DADOS PERIFÉRICOS, CIRCUNDAM A FIGURA TÍPICA
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ELEMENTARES – DADOS ESSENCIAIS À FIGURA TÍPICA
Ex1: A e B praticam roubo contra C, irmã de A. No caso, somente a pena de A será
aumentada por circunstância agravante (art. 61, II, e). Considerada como uma circunstância de
caráter pessoal, não se comunica, portanto, com o outro agente.
Ex2: A, funcionário público, e B, pessoa estranha à Administração Pública, resolvem
subtrair um computador na repartição . B tem conhecimento de que A é funcionário. A vale-se da
sua condição para entrar tranqüilamente no recinto, num domingo, após identificação na recepção.
Dirige-se para o local em que estava o computador e, abrindo uma janela que dava acesso para a
rua, o entrega a B, que o aguardava do lado de fora do mencionado prédio. A despede-se do porteiro
e vai ao encontro de B, para que, juntos, transportem o bem subtraído.
O crime cometido por A é o peculato-furto. E B, que concorreu para o cometimento da
infração, comete qual crime? A qualidade de funcionário é uma elementar do crime de peculatofruto. Se fosse retirada a qualidade de funcionário de A, haveria desclassificação para o crime de
furto. Assim, por ser uma elementar, com base no art. 30, esta será estendida ao co-participante que,
dela tendo conhecimento, responderá, mesmo sendo pessoa estranha à Administração, pelo mesmo
crime cometido pelo funcionário. Se a pessoa não tivesse conhecimento da condição do funcionário,
cometeria o crime de furto.
Deve-se, ainda, fazer uma distinção entre circunstâncias de natureza objetiva e de
natureza subjetiva.
As circunstâncias objetivas (materiais ou reais) são aquelas que se relacionam com o
fato delituoso em sua materialidade (modos de execução, uso de determinados instrumentos,
tempo, ocasião, lugar, qualidades da vítima etc). Tais circunstâncias se comunicam se
ingressarem na esfera de conhecimento dos co-participantes.
Circunstâncias subjetivas ou pessoais são aquelas que dizem respeito à pessoa do
agente, não tendo qualquer relação com a materialidade do delito, como os motivos
determinantes, suas condições ou qualidades pessoais e relações com a vítima ou com outros
concorrentes. Em regra, não se comunicam, salvo se transformarem em elemento do tipo penal,
quando se comunicarão, desde que ingressarem na esfera de conhecimento dos co-participantes.
CIRCUNSTÂNCIAS OBJETIVAS – COMUNICAM-SE AOS CO-PARTICIPANTES,
SE INGRESSAREM EM SUA ESFERA DE CONHECIMENTO
CIRCUNSTÂNCIAS SUBJETIVAS – NÃO SE COMUNICAM, SALVO SE
ELEMENTARES DO TIPO
CIRCUNSTÂNCIAS E CONDIÇÕES DE CARÁTER PESSOAL – NÃO SE
COMUNICAM, EM REGRA, SALVO POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO DA LEI
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CIRCUNSTÂNCIAS OBJETIVAS E ELEMENTARES DO TIPO (SEJAM
OBJETIVAS, SEJAM SUBJETIVAS) – SÓ SE COMUNICAM SE ENTRAREM NA ESFERA
DE CONHECIMENTO DOS PARTICIPANTES
CRIMES MULTITUDINÁRIOS
São crimes cometidos por grande número de pessoas em situação específica. Ex:
linchamento de pessoa que foi flagrada por prática de crime. Outra situação que gera um crime
multitudinário é o desastre ou calamidade que gera alguma vantagem para os transeuntes. Ex: saque
a caminhão que tomba na via pública, contendo carga de alimentos e bebidas.
As pessoas, nessas situações, costumam não agir com vistas a cooperar umas com as outras.
Agem por conta própria e estimuladas pela atuação do grupo. Não atuam em concurso.
A sugestão do grupo, por inibir temporariamente a capacidade do agente de refletir
sobre aquilo o que faz, bem como a respeito das conseqüências de seu ato, fez o legislador
prever uma atenuante (art. 65, III, e) da pena do agente quando este viesse a praticar o crime sob
a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.
Há, no entanto, autores, como Cézar Bitencourt, que entendem que a prática coletiva de
delito, nessas circunstâncias, apesar de ocorrer em situação normalmente traumática, não afasta a
existência de vínculos psicológicos entre os integrantes da multidão, os quais caracterizariam
concurso de pessoas.
Caso se entenda pelo concurso, devem os fatos ser atribuídos a todos aqueles que estão na
multidão e que, de alguma forma, praticaram condutas que, à primeira vista, seriam penalmente
atípicas.
Ex: caminhão de refrigerantes sofre um acidente e tomba em plena via pública. Forma-se
uma multidão e passa a saquear a carga espalhada pela rodovia. A carga era composta por 12.500
refrigerantes, todos subtraídos. X subtraiu três latas, cujo valor era de R$ 3,00. A carga possuía o
valor de R$ 12.500,00. Se entendermos (presunção) que havia liame subjetivo entre todos da
multidão, poderemos responsabilizá-los penalmente pelo crime de furto da carga de refrigerantes no
valor total de R$ 12.500,00. Se, porém, excluirmos o vínculo psicológico, aqueles que somente
subtraíram um ou dois refrigerantes poderão ser beneficiados com a aplicação do princípio da
insignificância (fato atípico).
No caso do linchamento com resultado morte, se exigirmos comprovação de liame
subjetivo, todos responderão apenas pela infração penal correspondente ao seu dolo, bem como ao
resultado produzido por sua conduta. Se queria ferir, responderá por lesões corporais; se queria
matar, mas a sua conduta não contribuiu para o resultado morte, haverá tentativa de homicídio.
Contudo, se o vínculo psicológico for presumido, todos responderão pelo resultado final. Ex:
homicídio doloso – todos responderão por ele.
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Em sentido contrário. isso não impede o reconhecimento da coautoria quando todos os agentes. embora não se aplique a teoria do domínio funcional do fato aos crimes omissivos. pelo fato de ser paraplégico. embora haja identidade de propósito. omissão de socorro. explica o autor. ou com a finalidade de evitar o resultado. No exemplo dos 50 nadadores. Afinal. caso haja liame subjetivo. Outro ex: há cinqüenta nadadores que assistem passivamente ao afogamento de um menino. Ex: A. e não coautores. o dever de atuar do autor no delito omissivo é indecomponível. intransferível. surfista. Ou seja. paraplégico. o partícipe dirige sua conduta no sentido de fazer com que o autor não pratique a conduta a que estava obrigado. sendo cada um. a fim de que todos possam responder pelo resultado advindo da soma das condutas. está Cezar Bitencourt. seja este próprio ou impróprio. A não podia ser considerado autor do delito de omissão de socorro. podendo fazê-lo. não tinha condições de entrar no mar a fim de efetuar o socorro. como a teoria do domínio funcional do fato não se aplica aos crimes omissivos. induz B. serão coautoras do mesmo crime. se. não será o caso de coautoria. B poderia fazê-lo sem 61 . ou seja. que agissem ou conforme o comando abstrato. Ex: duas pessoas deixam de prestar socorro a pessoa gravemente ferida. Há 50 autores diretos da omissão de socorro. uma vez que cada agente possui seu dever de agir de forma individualizada. de comum acordo. Rogério Greco concorda com este último autor. Agora. Participação em crimes omissivos (próprios e impróprios) A participação em crimes omissivos deve ser reconhecida como uma dissuasão. cada um responderá isoladamente pelo delito de omissão de socorro como autor. deixarem de prestar socorro. CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES OMISSIVOS Coautoria em crimes omissivos (próprios e impróprios) Para Nilo Batista. individualmente. na hipótese de crimes omissivos impróprios. resolvem deixar de agir em determinado caso concreto. Assim. individualmente. individualmente. para quem a coautoria em crime omissivo é plenamente possível. pois. Tal liame deverá ser demonstrado no caso concreto. preceituando que é possível a coautoria em crimes omissivos. quando a lei lhes impunha.Rogério Greco conclui que não se deve presumir o vínculo psicológico entre os agentes nos crimes multitudinários. a não socorrer C. sem qualquer liame subjetivo entre eles. ele entende que deve haver dois enfoques: se todos agiram isoladamente. que está se afogando. sendo o caso de delitos omissivos próprios. unidos pelo vínculo psicológico. se dois garantidores deixam de fazer aquilo a que estão obrigados (ex: pai e mãe). não haveria qualquer óbice ao reconhecimento da coautoria. considerado autor. Praticaram. não se cogita de coautoria nos delitos omissivos.

Este seria responsabilizado por homicídio doloso. que ocorre quando há um vínculo psicológico na cooperação consciente de alguém na conduta culposa de outrem. ficaria ele impune? Se ambos pudessem socorrer a vítima. É perfeitamente admissível. é a participação. p. há participação em crime omissivo. unidos pelo liame subjetivo. a participação também pode ocorrer em crimes omissivos impróprios. embora o liame subjetivo se apresente de forma diferente em relação aos crimes dolosos. Precedentes desta Corte. acionando uma máquina ou engenho industrial. em vez do surfista estivesse um salva-vidas. Contudo. QUINTA TURMA. Ex: se. seria punido por sua participação em homicídio doloso. 832) Assim. acompanhando Cezar Bitencourt. com a união de suas condutas. COAUTORIA E PARTICIPAÇÃO EM CRIMES OMISSIVOS – POSSIBILIDADE (PARA ROGÉRIO GRECO) CONCURSO DE PESSOAS EM CRIMES CULPOSOS Coautoria em delitos culposos A tendência contemporânea é a de aceitar a coautoria em delitos culposos. DJ 13/02/2006. Por essa razão. no caso em exame. 62 . Duas pessoas podem. sendo previsível que dessa omissão poderia resultar um dano a outrem. O que não se admite nos tipos culposos. deixar de observar o dever objetivo de cuidado que lhes cabia e. produzir um resultado lesivo. julgado em 06/12/2005. em um ato conjunto. somente um deles pode realizar o salvamento. correrá risco pessoal. embora não fosse agente garantidor. Ex: instigar o garante a não produzir o resultado. a possibilidade de concurso de pessoas em crime culposo. A. mas. no caso anterior. com certas peculiaridades. não cuidarem de realizar essas diferentes ações com a necessária cautela e prudência. não se pode negar que pode haver a mesma confluência de vontades exigida para a caracterização de um concurso. Ex: se dois homens que se entregam à mesma atividade. Seria B responsabilizado por omissão de socorro. derrubando uma árvore. Nessa esteira. se tentar fazê-lo. entende que. seriam coautores. Ministra LAURITA VAZ. pelo entendimento de Cezar Bitencourt. uma vez que o outro. Habeas Corpus denegado. segundo o entendimento doutrinário e jurisprudencial. Em relação à conduta de A.qualquer risco. ressalve-se. que o induziu. Rel. levantando uma parede. serão coautores de um delito culposo se o dano realmente ocorrer. não resolvessem fazê-lo. neste caso. Rogério Greco. 3. (HC 40474/PR. 1. sem qualquer risco pessoal. Observe-se que é possível a participação em crime omissivo impróprio mesmo quando o partícipe não tenha o dever jurídico de não se omitir.

deixando. Contudo. ao passo que partícipe é aquele que induz ou estimula alguém a realizar a conduta contrária ao dever de cuidado. com isso. COAUTORIA EM CRIME CULPOSO – POSSIBILIDADE PARTICIPAÇÃO EM CRIME CULPOSO – IMPOSSIBILIDADE (DOUTRINA MAJORITÁRIA E STJ) 63 . de observar o seu exigível dever de cuidado. no caso. em delitos culposos. Participação em crimes culposos Ao contrário da coautoria. entrega uma arma a B. Induz o motorista do veículo a imprimir velocidade excessiva. contudo. E aquele que induziu – ficará impune ou será partícipe? A doutrina brasileira entende que haveria coautoria. para o autor. Não há participação. que.Assim. é possível a coautoria. Portanto. fazendo-o supor que está descarregada e induzindo-o a acionar o gatilho na direção de C. deixando de observar o dever objetivo de cuidado que lhes cabia. entende que a participação em crime culposo NUNCA será possível. imprudentemente. a participação em crimes culposos é rechaçada pela doutrina. Situação de “participação culposa” em crime culposo: X quer chegar logo ao estádio para ver o jogo do seu Verdão. B. No exemplo. mas é possível a participação culposa em crime culposo. Há duas hipóteses a serem discutidas: participação culposa em crime culposo e participação dolosa em crime culposo. são coautores. Rogério Greco entende que haveria participação. isto é. não é possível a participação dolosa em crime culposo. pois autor é aquele que pratica a conduta contrária ao dever objetivo de cuidado. O que há é ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO. X seria partícipe. por homicídio culposo. acima. auxiliar os demais a praticar o ato comum que venha a causar o dano previsível a todos eles. que é bastante aceita. o motorista será considerado autor do delito de homicídio ou lesões culposas. pois pode ocorrer de cada um dos agentes coparticipantes. Situação de “participação dolosa” em crime culposo: A. agindo sem a atenção devida. Se vier a atropelar alguém em razão de sua conduta imprudente. pois os que cooperam na causa. A doutrina majoritária. enseja a punição de A por homicídio doloso e de B. que quer matar C. na falta do dever de cuidado objetivo. por ser inescusável. aciona o gatilho e mata C.

dividido em órgãos jurisdicionais inferiores e superiores (arts. b) O duplo grau estaria dentro do direito de defesa (art. que visam à tutela da CF/88 ou da legislação federal infraconstitucional. o STF demonstra tendência em aceitar o duplo grau como garantia derivada da CF/88. CONCEITO: Recurso é o instrumento processual voluntário de impugnação de decisões judiciais previsto em lei. incluindo questões probatórias. pois são recursos de fundamentação vinculada. embora o seja de maneira IMPLÍCITA. há julgado contundente no sentido de que o duplo grau de jurisdição não seria garantia constitucional (RHC 79. OBS: Pessoas com foro por prerrogativa de função. CF/88). Em outras ocasiões. MAIOR CONFIABILIDADE NAS DECISÕES COLEGIADAS D. ATENÇÃO: Na CADH (art. CF/88). FUNDAMENTOS DOS RECURSOS: A. ATENÇÃO: Recursos extraordinários não são manifestações do duplo grau de jurisdição. 5º. c) Estrutura do Poder Judiciário. FALIBILIDADE HUMANA C. ATENÇÃO: Após o trânsito em julgado. LV. trata-se de garantia não absoluta. “h”). LIV. a integração ou o esclarecimento da decisão judicial anterior. a invalidação. 8º. não possuem direito ao duplo grau de jurisdição. Direito Processual Penal 1. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO: Duplo grau de jurisdição não se confunde com a mera possibilidade de recorrer. 2. no entanto. Estaria implícito nos seguintes dispositivos: a) Do preceito que assegura o devido processo legal (art.832 AgR/SP).785/RJ).. Recursos 1. devendo ser harmonizada com as exceções previstas no próprio texto constitucional. É que. OBS: No STF. OBS: Prevalece na DOUTRINA o entendimento de que o duplo grau de jurisdição não é previsto de modo expresso na CF/88.. 2.832 AgR/SP. RHC 79.420/PR e AI 601.785/RJ). segundo o STF (AI 601. objetivando a reforma. Duplo grau de jurisdição é a possibilidade de interposição de recurso que devolva a órgão jurisdicional diverso e de hierarquia superior todo o conhecimento da matéria de fato e de direito. utilizado antes da preclusão/CJ e na mesma relação jurídica processual. ATENÇÃO: Súmula 704 do STF: Foro por prerrogativa de função. 5º. o HC e a REVISÃO CRIMINAL. 92 e segs. Coautor que não o possui também pode ser julgado pelo tribunal em hipótese de conexão/continência. Ex: caso 64 . seriam cabíveis o MS. embora sem ostentar caráter absoluto (HC 88. o duplo grau de jurisdição em matéria PENAL foi previsto EXPRESSAMENTE.D. CF/88). INCONFORMISMO DAS PESSOAS B. como não podem apelar (recurso que devolve matéria fática e probatória à instância superior).

somente se oipera diante do conhecimento/admissibilidade do recurso (art.1. 581. como a decisão também é irrecorrível. PRESSUPOSTOS RECURSAIS OBJETIVOS: A. salvo se tal decisão estiver contida no rol do art. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL: Antes de apreciar o mérito do recurso. portanto. cabe ao tribunal julgar as revisões criminais ajuizadas em face de seus próprios julgados. que a reunião não é obrigatória. com novas provas). O efeito substitutivo. em regra é feito pelo juízo ad quem.“mensalão”. ATENÇÃO: Ainda que não caiba recurso contra tal decisão. bem como dos juízes que lhe são subordinados. E se o RE foi conhecido? O RE é um recurso de fundamentação vinculada. ATENÇÃO: Nos embargos de declaração. devera ser oportunamente impugnada. Se o objeto da revisão criminal tiver sido apreciado pelo STF no julgamento do RE. o tribunal deve analisar se estão presentes certos pressupostos (JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL). caberá ao próprio STF o julgamento da revisão criminal. CPC). Note-se. 3. pois o STF não analisou o mérito da condenação. frustraria 65 . entretanto. Revisão criminal é ação de competência dos tribunais (exceção: Juizados Especiais) que pressupõe o trânsito em julgado de decisão condenatória com trânsito em julgado. Diferente do juízo de mérito recursal. OBS: Juízo de admissibilidade recursal ou de prelibação (conhecimento do recurso) é realizado tanto pelo juízo a quo (juízo contra o qual se recorre) quanto pelo juízo ad quem (juízo para o qual se recorre). o qual. A solução aí seria fazer novo pedido ao magistrado (se possível. quem julgará será o próprio TJ. caso contrário. em regra. pois a impetração de MS. No caso deferimento do pedido de quebra de sigilo bancário. CABIMENTO Deve haver previsão legal de recurso contra a decisão. 512. CPP (RESE). A solução seria impetrar MS. Quem vai julgar a revisão criminal? Se o RE não foi conhecido. pois. Desse modo. havendo que se observar o disposto na Súmula 701 do STF (MS contra decisão de juiz criminal: réu é litisconsórcio passivo necessário). IMPORTANTE: RE interposto perante o STF. seria cabível HC. exigindo a citação do réu (Súmula 701 do STF). ATENÇÃO: Indeferimento de pedido de quebra de sigilo bancário é decisão irrecorrível. 3. decisões interlocutórias no processo penal são IRRECORRÍVEIS . para possibilitar seu reexame em preliminar de apelação. OBS: Na prática. a liberdade de locomoção estaria ameaçada. há coincidência entre os juízos a quo e ad quem. o conhecimento do recurso significa que a decisão do tribunal irá substituir (efeito substitutivo) a decisão do juízo a quo no ponto que tiver sido impugnada/devolvida (efeito devolutivo). não tendo incidido o efeito suspensivo no caso concreto. OBS: Em regra. O STF só vai apreciar a matéria constitucional. ATENÇÃO: COMPETÊNCIA PARA JULGAR REVISÃO CRIMINAL. a revisão deve ser julgada pelo TJ. ATENÇÃO: Indeferimento de pedido de interceptação telefônica é decisão irrecorrível. em potencial. ficando a critério do tribunal no caso concreto. A decisão do STF substitui a decisão recorrida no que tiver sido objeto do recurso.

caso contrário.358/MG). §3º. o que interessa é data do protocolo. desatualizado. TEMPESTIVIDADE O recurso deve ser interposto no prazo correto. no entanto. CPP). §5º. 263. CORREIÇÃO PARCIAL. p. não computando o dia de início. CPP). o termo a quo do prazo recursal é a data da efetiva intimação (art. B. e não o prazo de apresentação das razões. RESE (art. 10 dias APELAÇÃO nos Juizados Especiais (Aart. 586. C. OBS: PRAZOS IMPORTANTES: PRAZO RECURSO 48 horas CARTA TESTEMUNHÁVEL (art. CPP). CPP. 609. 575. c) interposição no prazo do recurso correto. estando o art. e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória (Súmula 710 do STF). inclusive no STJ (art. OBS: No processo penal. ADEQUAÇÃO A cada tipo de decisão corresponde um determinado recurso.as investigações. 66 . EMBARGOS DE NULIDADE e EMBARGOS INFRINGENTES (art.099/95). É o teor da Súmula 428 do STF. Para aferir a tempestividade recursal. diferentemente do sigilo bancário. 579. OBS: Diferentemente do CPC. “É admissível comprovação posterior da tempestividade de recurso extraordinário quando houver sido julgado extemporâneo por esta Corte em virtude de feriados locais ou de suspensão de expediente forense no tribunal a quo” (Informativo 659 do STF: RE 626. CPP). CPP). OBS: PROTESTO POR NOVO JÚRI – revogado. CPP. §1º. caso em que se considerará prorrogado até o dia útil imediato (art. deve constar da certidão de intimação o horário da providência. em que os dados bancários já estavam registrados. ATENÇÃO: Apresentação de razões fora do prazo é mera irregularidade. CPP). o prazo será de dois dias. OBS: Para contagem em horas. há que se observar o prazo de interposição. b) ausência de má-fé. 5 dias APELAÇÃO (art. 2 dias EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (art. Há um prazo para recorrer (ex: arts. CPP). ATENÇÃO: Requisitos para aplicação do princípio da FUNGIBILIDADE RECURSAL: a) dúvida objetiva (ausência de erro grosseiro). CPP). “a”. observa o disposto no art. 640. CPP). 593. mas incluindo o de vencimento. 798. CPP). 588 e 600. ROC e EMBARGOS DE DECLARAÇÃO nos Juizados Especiais e no STF. 798. OBS: TEMPESTIVIDADE DE RECURSO E MOMENTO DE COMPROVAÇÃO. OBS: O pressuposto da adequação é mitigado pela FUNGIBILIDADE RECURSAL (art. A contagem. único. 619. ATENÇÃO: Para aferir a tempestividade. AGRAVOS (Súmula 700 do STF). salvo se terminar em domingo ou dia de feriado. alguns recursos podem ser interpostos sem apresentação simultânea das razões recursais. 82. RISTJ). no CPP. Lei 9. sob pena de preclusão temporal. e outro para apresentar as razões (ex: arts. 586 e 593. 798.

único.213/SP). portanto. 598. I). Aplica-se tal dispositivo à DPU? Há divergência. teria revogado tacitamente o RESE contra lista de jurados. 585. ATENÇÃO: “Embora o Superior Tribunal de Justiça aceite o protocolo integrado para aferir a tempestividade do recurso especial. inclusive. o prazo recursal do MP se inicia a partir do momento em que os autos ingressam no setor administrativo. CPP.926/SP). como a sentença é lida em plenário. nos termos da Súmula 216/STJ” (STJ: EDcl no AgRg no AREsp 153. Assim.106. o prazo recursal começa a fluir imediatamente. D. I. ATENÇÃO: Para o STF (HC 84. CPP – “reclamação”: para alguns. caso em que se iniciará da sua intimação. 387. OBS: INTIMAÇÃO PESSOAL é prerrogativa do MP e da Defensoria Pública. XVI. no âmbito da legislação penal extravagante. único.166/SP).259/01. CPP). da Súmula 9 pela Súmula 347. Lei 10. sendo estendida aos advogados dativos (STJ: HC 187. Lei 1. o não recolhimento do condenado à prisão deixou de ser fato impeditivo ao direito de recorrer.259/01 – Nos JEF.15 dias RECURSO ESPECIAL.952/SP). Tal entendimento se aplica. o art. 44. 586. No processo penal. p. p. ATENÇÃO: Intimação de advogado falecido é absolutamente ineficaz (ato inexistente). 2) Por não ser uma “pessoa jurídica de direito público”. não podendo ser suprimida por uma LO. 44. 594. ATENÇÃO: Art.800/99 (STF: RHC 86. Os originais deverão ser apresentados no prazo de 5 dias contados do término do prazo assinalado para a prática do ato. nesses casos. 20 dias RESE contra lista de jurados (art. OBS: Art. conforme art. CPP). c/c art. 9º da Lei 10. mormente se considerada que tal prerrogativa se encontra prevista na LC 80/94 (art. o conhecimento do recurso independe do recolhimento à prisão do recorrente (art. p. OBS: INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VIA FAX é possível. Atualmente. único. LC 80/94. OBS: PRAZO EM DOBRO PARA RECORRER no caso de DEFENSORIA PÚBLICA (art.757/SP).060/50). ATENÇÃO: No Júri. o MP não tem prazo em dobro para recorrer. a data do protocolo do recurso na secretaria do órgão integrante desse sistema. Jurisprudência NÃO estende a prerrogativa aos advogados dativos (STJ: 1. CPP). RECURSO EXTRAORDINÁRIO e APELAÇÃO supletiva da vítima quando não habilitada como assistente de acusação (art. INEXISTÊNCIA DE FATO IMPEDITIVO DO DIREITO DE RECORRER (RENÚNCIA) ATENÇÃO: Com a revogação do art. e art. 426. e não da data do envio do fax. RENÚNCIA ao direito de recorrer: ocorre antes da interposição do recurso. não há prazo diferenciado para a interposição de recursos. observa-se. salvo se o acusado não estiver presente. ainda nos JEF. §1º. no STJ. 9º. 67 . pouco importando a data em que o promotor apõe seu ciente na petição. como é a Lei 10. a DPU teria o prazo em dobro. mas sim um órgão no âmbito da estrutura do Min. Lei 9. e não a data da postagem na agência dos Correios.259/01 não seria aplicável à Defensoria Pública. 2º. e a superação. Justiça. §5º. diferentemente do prazo em dobro. 1) A DPU não conta com prazo em dobro no JEF (STJ). 5º.

F. único. 576. sob pena de não conhecimento. 577. CPP) ii. Atualmente. OBS: Súmula 115 do STJ é aplicável aos feitos criminais. devendo ambos ser intimados da sentença condenatória. não se pode cercear o direito de recorrer por falta de preparo. STJ: AgRg no REsp 1. LEGITIMIDADE Prevista no art. defensor e assistente. p. não sendo possível a interposição por termo nos autos. Exceção: recursos extraordinários ou perante tribunais devem ser interpostos por petição. Deve prevalecer a vontade de quem quer recorrer (Súmula 705 do STF). nas demais hipóteses.248.2. a fuga do acusado deixou de ser fato extintivo do direito de recorrer. poderia renunciar). REGULARIDADE FORMAL Observância de requisitos de forma. CPP) deriva diretamente da idéia de sucumbência. CPP). INTERESSE RECURSAL O interesse recursal (art. CPP: MP. 595. do princípio da voluntariedade (se o MP pode simplesmente ficar inerte. pois violaria a indisponibilidade da ação pública. DESISTÊNCIA: ocorre após a interposição do recurso. nada obsta que o MP renuncie à faculdade de recorrer. OBS: Divergência entre advogado e acusado sobre interesse em recorrer. CPP): única hipótese em que a ausência de preparo leva à extinção anômala do recurso no processo penal.008/MG. que é uma situação de desvantagem jurídica oriunda da emergente decisão recorrida. ATENÇÃO: Com a revogação do art. 3. PRESSUPOSTOS RECURSAIS SUBJETIVOS: A. Em regra. CPP. réu deve ser intimado para constituir outro antes do julgamento do recurso. E. à luz. ATENÇÃO: O MP não pode desistir de recurso que haja interposto (art. inclusive. É o que prevalece. querelante. i.501/SC). o recurso deve ser interposto por advogado com procuração nos autos (STF: HC 87. não há que se falar em extinção do recurso por conta da fuga do réu. na instância especial.OBS: MP pode renunciar ao direito de recorrer? Há divergência: i) Pacelli: MP não pode renunciar. recursos podem ser interpostos por petição ou por termo nos autos (art. portanto. B. Em havendo renúncia do único defensor. INEXISTÊNCIA DE FATO EXTINTIVO DO DIREITO DE RECORRER O advento de uma das hipóteses tidas como fatos extintivos do direito de recorrer gera a EXTINÇÃO ANÔMALA DO RECURSO. 577. 806. 578. DESERÇÃO por FALTA DE PREPARO do recurso do QUERELANTE nas ações penais EXCLUSIVAMENTE PRIVADAS (art. OBS: No CPP. §2º. a legitimidade do réu e do seu defensor são autônomas. sob pena de nulidade (Súmula 708 do STF). CP). 68 . ii) Denilson Feitosa Pacheco: Como o CPP só vedou a desistência (art. 576. não recorrendo. de modo que. acusado.

o MP pode recorrer em favor do acusado (ex: MP pede absolvição. poderia recorrer de sentença condenatória com a finalidade de aumentar a pena. entretanto. e observa a seguinte regra: se o assistente estiver habilitado. Ex: alteração do fundamento da absolvição de falta de provas para legítima defesa. ATENÇÃO: Havendo condenação em ação penal privada. CPP. e o juiz o tenha. vez que esta faz CJ favorável ao acusado no cível. ATENÇÃO: Súmula 208 do STF – assistente do MP não pode recorrer de decisão concessiva de HC. 4. na busca pela justa aplicação da lei. A solução. de modo que o prazo recursal daquele somente se inicia com o fim deste (Súmula 448 do STF). OBS: O ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO PODE RECORRER nos seguintes casos: (a)Extinção da punibilidade: RESE PREVISÃO EXPRESSA NOS ARTS. p. possível a este recorrer em HC. CPP). entretanto. condenado. CPP). para trancar a ação penal. EFEITO DEVOLUTIVO Consiste na devolução de matéria impugnada ao juízo ad quem. mas o juiz condena). o prazo é de 5 dias. (b) Sentença absolutória: APELAÇÃO 271 C/C 584. Neste caso. Por sua vez. o MP tiver pleiteado a condenação do acusado. em crimes de ação penal exclusivamente privada. o MP não pode recorrer contra sentença absolutória caso o querelante não tenha recorrido (princípio da disponibilidade da ação penal privada). o MP pode recorrer em favor do querelado. não se relacionando. Na maioria dos casos. de fato. sustentando que.993/RS). é impetrar um HC em seu favor. vez que lhe cabe a tutela da liberdade de locomoção deste (interesse indisponível). atualmente. EFEITOS DOS RECURSOS A. se o MP entende que o acusado é inocente. pois ausente a sucumbência. OBS: O conhecimento do tribunal está circunscrito àquilo que foi objeto de impugnação (tantum devolutum quantum apelatum). vem sendo utilizado. haverá repercussão na esfera cível. OBS: O recurso do assistente é subsidiário em relação ao do MP (art. o que equivaleria a verdadeira absolvição do réu. neste último caso. único. 598. à liberdade de locomoção do acusado. objeto do HC. a matéria é devolvida para órgão distinto.OBS: A extinção da punibilidade (matéria de ordem pública) pela prescrição da pretensão punitiva não autoriza o acusado a recorrer em busca de decisão absolutória. restando prejudicado o interesse patrimonial do assistente. se o assistente não estiver habilitado. Se. têm se manifestado pelo amplo interesse recursal do assistente. Ocorre que. BEM (c)Impronúncia: APELAÇÃO COMO NA SÚMULA 210 DO STF. a depender do caso concreto. desde que presente a SUCUMBÊNCIA. E 598. ainda que excepcionalmente. não haverá interesse recursal do MP. o prazo é de 15 dias (art. §1º. OBS: O acusado pode ter interesse recursal para recorrer de sentença absolutória PRÓPRIA. sendolhe ausente o interesse. haja vista que. pois este. 598. portanto. ATENÇÃO: A doutrina e a jurisprudência majoritária do STJ (HC 137. pode ser que o assistente tenha interesse recursal no âmbito do HC. É efeito presente em todos os recursos. a depender do fundamento. A atuação do assistente tem por fim precípuo a obtenção de reparação aos danos causados pela infração penal. OBS: Havendo sucumbência. A delimitação dos recursos se opera pela petição de interposição 69 .

a decisão condenatória somente produzirá efeitos após o trânsito em julgado. OBS: A apelação contra sentença CONDENATÓRIA é dotada de EFEITO SUSPENSIVO. decidindo o tribunal pela anulação da sentença. Caso não haja interposição de recurso. EFEITO EXTENSIVO (COMUNICABILIDADE RECURSAL) Quando a decisão do tribunal estiver fundada em motivos de caráter objetivo. CPP) e AGRAVO EM EXECUÇÃO (segue o rito do RESE) são dotados de efeito regressivo. G. eventuais benefícios da execução penal definitiva (Súmulas 716 e 717 do STF). independentemente da interposição do recurso. OBS: Art. devendo outra ser proferida em seu lugar. prevalece no STF (HC 84. D. 512. §2º. CPP). EFEITO REGRESSIVO (ITERATIVO/DIFERIDO) Consiste na devolução da matéria impugnada ao mesmo órgão jurisdicional que prolatou a decisão recorrida (JUÍZO DE RETRATAÇÃO). 637 do CPP – Os recursos extraordinários não são dotados de efeito suspensivo (art. vez que esta propriamente é tida por inconstitucional (STF: HC 84.038/90). EFEITO EXPANSIVO 70 . 27. CPC). 596. Essa limitação imposta à nova decisão é decorrência do efeito prodrômico da sentença anulada. Apelação contra sentença ABSOLUTÓRIA NÃO tem efeito suspensivo (art. Em recurso exclusivo da defesa. EFEITO SUSPENSIVO Consiste no impedimento da eficácia da decisão recorrida. esta não poderá piorar a situação do réu quando comparada à sentença anulada. CPP). NÃO É POSÍVEL AEXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA. ATENÇÃO: Prisão antes do trânsito em julgado somente é possível diante da presença dos requisitos cautelares (art.ATENÇÃO: Efeito devolutivo INVERSO: ocorre quando o conhecimento do recurso (da matéria impugnada) é devolvido ao próprio órgão que prolatou a decisão recorrida (ex: embargos de declaração). caso em que poderão ser aplicados. C. 580. Isto não significa que haja execução provisória da pena. Isso não significa que seja possível a execução provisória da pena. para alguns. B. Lei 8. 312. A decisão não tem aptidão para produzir efeitos enquanto não houver o julgamento do recurso ou o trânsito em julgado da decisão. a decisão proferida pelo tribunal tem o condão de substituir a decisão recorrida no que tiver sido objeto de impugnação (art. coincidiria com o efeito regressivo. a permitir o exercício do juízo de retratação pelo órgão a quo. os efeitos se estendem aos demais acusados que não interpuseram recurso (art.078/MG). E. conquanto os recursos extraordinários não sejam dotados de efeito suspensivo. 589. desde logo. EFEITO PRODRÔMICO Cuida-se de efeito ligado à non reformatio in pejus INDIRETA. Em verdade. OBS: RESE (art. F. CPP) ATENÇÃO: A suspensividade da decisão condenatória tem início com a publicação da decisão recorrível. EFEITO SUBSTITUTIVO Caso o recurso seja conhecido. OBS: O efeito extensivo também se aplica ao HC e à revisão criminal.078/MG) o entendimento de que.

498. a absolvição sumária no Júri encontra-se prevista no art. PRINCÍPIOS A. CPP – O MP não pode desistir de recurso que haja interposto. Art. c) Arquivamento de IP ou absolvição em crimes contra a economia popular ou contra a saúde pública (art. CPP (antiga absolvição sumária no Júri).521/50). ao processo penal. 574. CPP. abrangendo. OBS: Art. outros atos com base em uma relação de causalidade decorrente da nulidade do primeiro ato. Quando o juiz concede decisão que deve ser reexaminada no tribunal.O reconhecimento de uma nulidade processual no julgamento do recurso pode implicar no desfazimento de outros atos que guardem com ele relação de dependência. II. Atualmente. Nesse caso o recurso de apelação ficaria sobrestado aguardando ao processo por novo júri. ou. b) Decisão concessiva de reabilitação. Mas. ATENÇÃO: Seria exceção à unirrecorribilidade a interposição simultânea de embargos infringentes/nulidade quanto à parte não unânime e de recursos extraordinários quanto à parte unânime? NÃO. se não quiser recorrer.386. isto é. Neste caso. ATENÇÃO: Antiga EXCEÇÃO à unirrecorribilidade se verificava no cabimento simultâneo do protesto por novo Júri (crime com pena maior ou igual a vinte anos) e da apelação (crime conexo).935/SP) tem se orientado pela incidência do art. EFEITO EXTRÍNSECO Refere-se ao prolongamento da litispendência (existência do processo). PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS A parte legitimada a recorrer pode dispor do recurso. Recorre se quiser. B. CPP. Tem-se aí a eficácia expansiva. CPP. 415. juiz julga extinta a punibilidade em relação a um delito (seria cabível o RESE. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE Contra uma decisão somente se admite a INTERPOSIÇÃO de um único recurso. a decisão não teria aptidão para produzir seus efeitos enquanto não recorrida de ofício (Súmula 423 do STF). seja renunciando ao direito de recorrer. 411. C. desistindo do recurso interposto. 581. 574. terá que arcar com os efeitos da decisão. 593. pois a jurisprudência majoritária (STJ: AgRg no Ag 1. A voluntariedade recursal encontra-se prevista no art. o recurso de APELAÇÃO absorve o RESE (PRINCÍPIO DA ABSORÇÃO/CONSUNÇÃO). evitando a coisa julgada. A disponibilidade (após a interposição) é desdobramento lógico da voluntariedade (antes da interposição). de modo 71 . conforme art. conforme art. ATENÇÃO: Em uma mesma sentença. 7º. OBS: RECURSO DE OFÍCIO/REEXAME NECESSÁRIO. VIII. ATENÇÃO: Absolvição sumária no Júri NÃO mais admite recurso de ofício. 574. 576. e condena em relação a outro delito. deixando de recorrer. CPP: a) Decisões concessivas de HC. §4º. Lei 1. CPP). PRINCÍPIO DA VOLUNTARIEDADE DOS RECURSOS Recurso é um ônus. então. Os casos de recurso de ofício encontram-se previstos no art. CPC. CPP referia-se ao art. H. simplesmente. 5. Tem a natureza jurídica de CONDIÇÃO OBJETIVA DE EFICÁCIA. não havendo qualquer menção ao recurso de ofício de tal decisão.

CPP (não apresentação de razões equivaleria a desistir do recurso. 26. OBS: A única exceção ao princípio seria a interposição simultânea de RE e REsp. D. 28. OBS: NON REFORMATIO IN PEJUS INDIRETA (EFEITO PRODRÔMICO) Em recurso exclusivo da defesa. CPP . Lei 8. OBS: Súmula 707 do STF confirma o princípio da dialeticidade recursal. Inclusive.que. ATENÇÃO: Non Reformatio in Pejus e Tribunal do Júri. não havendo interposição simultânea. PRINCÍPIO DA VARIABILIDADE DOS RECURSOS Quando for cabível um só recurso. caso o tribunal anule a decisão recorrida. o réu NÃO pode ter sua situação agravada (do ponto de vista qualitativo e quantitativo) sem que haja recurso da acusação. a situação do acusado não poderá ser agravada pelo juízo a quo por ocasião da nova decisão. OBS: À luz da Súmula 160 do STF. não apresentadas as razões pelo MP. o que não é possível ao MP).Non reformation in pejus em revisão criminal. STJ: HC 163. Exceção: art. Ex: No Júri. poderia alterar para protesto por novo Júri.544/RN). bem como da Súmula 126 do STJ. os prazos para interposição de RE e REsp ficariam suspensos.545/SP. OBS: Art. ao aplicar a pena.851/RS). O ideal seria que. 601. se aplicasse analogicamente o art. único. F. Não é possível o julgamento de recurso sem as razões. este princípio não foi acolhido no Processo Penal em virtude de ser incompatível com a preclusão consumativa (se já exerceu o direito de apelação. à luz do art. havendo interposição simultânea. 72 . ao interpor os embargos. não poderia trocar por outro recurso). A soberania dos vereditos não é relativizada. não aproveitando aquele que não recorreu. CPP. OBS: Para a maioria da doutrina. estará limitado àquela imposta no 1º julgamento (Informativo 542 do STF: HC 89. se não houve recurso da parte contrária. Interpõe-se apelação desta sentença. como as nulidades absolutas. nem mesmo em se tratando de erro material (STF: HC 83. há a condenação a 25 anos de reclusão. ATENÇÃO: Art. 580. p. entretanto. é possível a alteração do recurso interposto. 617. até mesmo com relação à matéria cognoscível de ofício. Se o advogado não apresenta as razões. sem posterior ratificação. a situação do acusado não pode ser piorada pelo tribunal (art. segundo o qual o recurso só pode beneficiar a parte que o interpôs. CPP).038/90. PRINCÍPIO DA NON REFORMATIO IN PEJUS: Em recurso exclusivo da defesa. E. podendo os jurados decidir livremente. 626. Neste caso. pois somente assim a parte contrária poderá apresentar contrarrazões. mas dois são possíveis. O juiz.restaria caracterizada a extemporaneidade do recurso extraordinário. A parte que recorreu não pode ter sua situação agravada. poderia se entender que estaria havendo abandono do processo. sendo o caso de se nomear um defensor público ou advogado dativo. ATENÇÃO: Corolário do princípio da non reformatio in pejus é o princípio da personalidade dos recursos. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE DOS RECURSOS: O recorrente deve declinar os motivos (razões) pelos quais pede o reexame da decisão. CPP (recurso interposto por um acusado beneficia os demais se fundado em motivos objetivos). viola o princípio da dialeticidade recursal ao autorizar que o recurso seja remetido à instância superior sem as razões.

926/SP). OUTROS PRINCÍPIOS Princípio da legalidade/tipicidade/taxatividade: só podem ser utilizados recursos previstos em lei. CPP. OBS: Após a interposição do recurso. despacho ou sentença: I . mediante o preenchimento de requisitos: boa-fé. a manifestação do MP em segunda instância deve sempre preceder á sustentação da defesa.que NÃO RECEBER a denúncia ou a queixa.ATENÇÃO: Em recurso exclusivo da acusação. G. este remeterá o processo para o órgão competente. CPP). Princípio da adequação: somente pode ser utilizado o recurso adequado. Princípio da fungibilidade: o recurso errado pode ser admitido no lugar do certo (art. 581. Princípio da complementaridade: consiste na possibilidade de aduzir razões complementares. recurso errado no prazo do recurso certo e dúvida objetiva (inexistência de erro grosseiro). admite-se analogia em alguns casos (quando ficar clara a intenção da lei de abranger a hipótese). que se operam na fase de execução penal NÃO MAIS ADMITEM RESE. comportando hipóteses taxativas (numerus clausus): ATENÇÃO: Cabe. c) embargos de declaração. 581 . b) lei nova mais favorável. deve ATENÇÃO: Súmulas 707 e 709 do STF – Interposto RESE da rejeição da denúncia. Do RECEBIMENTO. em regra. Da decisão que rejeita ADITAMENTO à denúncia cabe RESE com base no art. entretanto. 581. quando o juiz modifica a sentença depois do recurso já interposto. d) juízo de retratação (RESE ou agravo em execução). em face de decisões interlocutórias. DIREITO INTERTEMPORAL E RECURSOS A lei aplicável ao recurso é aquela vigente à época da PUBLICAÇÃO da decisão recorrida.Caberá recurso. I. 579. o juiz pode modificar a sentença nas seguintes hipóteses: a) erro de cálculo e erro material. 6. RECURSOS EM ESPÉCIE 1. esclarecer que todas as hipóteses do art. e não a lei vigente à época do crime ou a lei vigente à época da interposição do recurso. Art. cabe HC. sendo recorríveis por AGRAVO EM EXECUÇÃO. CPP. Seu cabimento se encontra previsto no art. OBS: Embora o rol seja taxativo. da decisão. de logo. no sentido estrito. desde que não prejudique o réu. Princípio da conversão: se a parte interpuser um recurso para determinado órgão jurisdicional que não é o competente para o conhecer. A parte não será prejudicada pelo endereçamento errado do recurso. 581. o recorrido ser intimado para oferecer contrarrazões (PRINCÍPIO DA 73 . RESE Trata-se de recurso cabível. CPP. ainda que atue na qualidade de custus legis (STF: HC 87.

cassar ou julgar inidônea a FIANÇA. II . IV. 593. 397. a solução seria impetrar HC. OBS: Cabível AGRAVO EM EXECUÇÃO. da rejeição da denúncia cabe APELAÇÃO. XIV . XIX . OBS 1: RESE de prazo mais amplo (20 dias). ATENÇÃO: Na Lei 9.que conceder. 581.que conceder. da decisão concessiva de HC. OBS: Cabível AGRAVO EM EXECUÇÃO. EXTINTA A PUNIBILIDADE. é cabível AGRAVO EM EXECUÇÃO. depois de transitar a sentença em julgado. DENEGAÇÃO de absolvição sumária é irrecorrível. sendo que o RESE somente é cabível de decisões de juízes de 1ª instância.que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir.que ordenar a suspensão do processo. VIII. negar. XII . 426. IV. p. XI . CPP) é o RESE (art. OBS: Recurso cabível da absolvição sumária fundada na extinção da punibilidade (art. OBS: NÃO é carta testemunhável. arbitrar. X . podendo ser cabível HC.que concluir pela incompetência do juízo. OBS: Se juiz se considera competente.que conceder. 586. 82). OBS: Por analogia. conforme a matéria. IX .que decidir o incidente de falsidade. indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la. 74 . teria sido revogado pelo atual art.que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor.que pronunciar o réu.que conceder ou negar a ordem de HABEAS CORPUS. salvo no caso de invalidação da decisão do órgão a quo. cabe ROC.099/95 (art. OBS 2: Decisão que julga IMPROCEDENTE a exceção é irrecorrível. indeferimento de requerimento de prisão temporária é recorrível por RESE. valendo destacar que a nomeação de defensor dativo não supre aquela comunicação.que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva da punibilidade. XVII . OBS 1: Aplica-se no caso de suspensão condicional do PROCESSO (analogia). Acórdão que provê RESE da rejeição da denúncia equivale ao recebimento desta. conforme art. razão pela qual não cabe RESE daquela decisão. aplica-se o princípio da consunção (art.que decidir sobre a unificação de penas. CPP). III – que julgar PROCEDENTES as EXCEÇÕES. único. OBS: Decisão de IMPRONÚNCIA e ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA são desafiadas por APELAÇÃO (art. e não a apelação. CPP). OBS 2: Para parte da doutrina. XIII . da decisão denegatória de HC. por outro modo. CPP).DIALETICIDADE RECURSAL). 416.que decretar medida de segurança. VIII . OBS 1: A exceção de suspeição é julgada por tribunal. OBS: Em se tratando de tribunal. §4º. no todo ou em parte. negar ou revogar a suspensão condicional da pena. cabe REsp ou RE. sob pena de nulidade absoluta. sendo cabível HC. conceder liberdade provisória ou relaxar a prisão em flagrante. V .que anular o processo da instrução criminal. XV . OBS 2: No caso de suspensão condicional da PENA. negar ou revogar livramento condicional. OBS: Decisão que denega a suspensão é IRRECORRÍVEL.que denegar a APELAÇÃO ou a julgar deserta. CPP. XVIII . VII . salvo a de suspeição. Sendo o caso de extinção da punibilidade em uma sentença absolutória/condenatória. em virtude de QUESTÃO PREJUDICIAL. CPP. XVI .que decretar a PRESCRIÇÃO ou julgar.

o assistente de acusação somente pode interpor RESE em uma hipótese: QUANDO HÁ EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE (art. cabe a CARTA TESTEMUNHÁVEL (art.que deixar de revogar a medida de segurança. XXII . haja vista a possibilidade de retratação por parte do juiz. autoriza a apresentação das razões diretamente no tribunal. 600. ou seja. por conta do art. 774. pois o inadimplemento da multa não mais implica sua conversão em pena privativa de liberdade. OBS: Cabível AGRAVO EM EXECUÇÃO dos incisos XIX a XXIII. 584. o juiz diante desse recurso pode voltar atrás refazendo a sua decisão. nos casos em que a lei admita a revogação. 2. sendo esse tipo de apelação considerada como por termo nos autos. Vale lembrar. o juiz pode considerar como não o sendo. 416. CPP). a apelação pode ser interposta por PETIÇÃO ou TERMO nos autos. ATENÇÃO: A apresentação de razões e contrarrazões NÃO é obrigatória. embora não haja vedação à sua 75 . Juízo de retratação é cabível no RESE. com prazo para juntada das razões em 8 dias (art. devendo ser executada como dívida de valor (art. 639. CP) ATENÇÃO: Do indeferimento do RESE. atualmente. entretanto. 588. pode o juiz entender como tal. A expressão “ciente-Recorro” não é um termo nos autos.que impuser medida de segurança por transgressão de outra. OBS: Esta hipótese NÃO é mais possível. 600. nos casos do art. CPP). Com ou sem razões.XX . CPP). Trata-se do EFEITO REGRESSIVO (art. §1º. CPP). §4º. O réu preso será intimado pessoalmente da sentença e poderá na mesma oportunidade assinar o termo de renúncia do recurso ou o termo de recurso. 584. CPP). mas. os autos serão submetidos à instância superior (art. diferentemente da apelação (art. CPP). CPP). Intima-se apelante e apelado para a apresentação de razões e contrarrazões. Este expediente normalmente é utilizado pela defesa. e isso não impedirá o conhecimento e julgamento do recurso. pois o âmbito recursal é delimitado na interposição. XXI. OBS: Art.que mantiver ou substituir a medida de segurança. CPP. Diferentemente do RESE (interposto por instrumento). que exercerá um juízo de prelibação. CPP). XXIII . Excepcionalmente. XXIV .que converter a multa em detenção ou em prisão simples. A petição de interposição é dirigida ao magistrado “a quo”. ATENÇÃO: No RESE.que revogar a medida de segurança. 601. Prazo de interposição do RESE é de 05 dias (art. A interposição por termo nos autos normalmente ocorre nos casos de sentença proferida oralmente. 583. CPP). 589. §4º. O prazo para arrazoar é de 02 dias (art. o que se deve garantir são aos prazos para apresentação de razões e contrarrazões. não é possível a apresentação de razões no segundo grau. nada impede que a parte se dirija ao cartório e peça para reduzir a termo a petição de interposição. 586. que a doutrina e a jurisprudência vem ampliando o interesse recursal do assistente. CPP). devendo ser interposto em 5 dias. e. mas. 600. o recurso não será recebido. CPP. não tem efeito suspensivo (art. o processamento do RESE observa a subida dos autos (art. se processa por instrumento. assim. extraindo-se cópias para instruir o RESE. De todo modo. Entretanto. 51. Em regra. ATENÇÃO: Sob o ponto de vista estritamente legal. APELAÇÃO Encontra-se previsto no artigo 593. Em regra.

c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança. 593. deve ser interposta unicamente a apelação. quando. OBS: Na alínea “d”. em uma mesma sentença.698/2008. 82. §1º. CPP) determina que. não se utiliza o RESE.344/MS). o juiz. há juízo rescindente e rescisório (art. PROTESTO POR NOVO JÚRI Tratava-se de recurso EXCLUSIVO DA DEFESA. mesmo que em tese cabível. II) das decisões do Tribunal do Júri (Súmula 713 do STF. profere juízo apenas RESCINDENTE. A LEGITIMIDADE para apelar é conferida ao: a) réu. prevalece no STF o entendimento de que. o recurso pode ser interposto sem as razões. 610 e 613 do CPP). § 4º. A regra. CPP) são as seguintes: I e II) das sentenças definitivas ou com força de definitiva (não sendo o caso de RESE) proferidas por juiz singular (FUNDAMENTAÇÃO LIVRE). que é órgão colegiado de 1ª instância. pois no mesmo ato a parte apela e apresenta razões. tivesse sido imposta pena de reclusão igual ou 76 . d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. FUNDAMENTAÇÃO VINCULADA. OBS: O PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO (art. a uma turma recursal. As HIPÓTESES DE CABIMENTO (art. eliminando-a. ao julgar a apelação. Entretanto. devendo as razões ser ofertadas por advogado. não havendo qualquer nulidade neste caso (HC 85. OBS: No CPP. condena por um crime (cabimento de apelação). ATENÇÃO: Nos Juizados Especiais Criminais. ATENÇÃO: JUÍZO RESCINDENTE – o tribunal rescinde a decisão de 1º grau. Na apelação sumária (demais crimes). 593. a apelação pode ser: a) principal (interposta pela parte). CPP). b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados. teoria da ASSERÇÃO: cabe ao recorrente afirmar um dos fundamentos legais): a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia. quando cabível a apelação (recurso mais amplo no CPP). 416. assim como no procedimento comum. §§1º e 2º. o recurso é encaminhado a um Colégio Recursal. Lei 9. o prazo é de 10 dias (art. 593. §3º. em razão de um único crime. III. a apelação passa a abranger mais duas hipóteses: contra sentença de impronúncia ou de absolvição sumária (art. há a figura do REVISOR. OBS: Com o advento da Lei 11. nos Juizados. Ex: ao julgar dois crimes. b) advogado. Neste caso. NÃO existe revisor (arts. b) subsidiária/supletiva (interposta pelo assistente de acusação). no entanto. OBS: Na apelação ordinária (crimes punidos com reclusão). CPP. mas não há a duplicidade de atos. art. de próprio punho. o tribunal. ≠ JUÍZO RESCISÓRIO – o acórdão do tribunal substitui a sentença do juízo de 1º grau. em nome próprio (não precisa da capacidade postulatória). constituído ou nomeado pelo juiz. CPP). 593. é bastante criticada. Era utilizado para realização de um novo júri. 593. Nos demais casos. CPP). 3.099/95). e julga extinta a punibilidade quanto ao outro (cabimento de RESE).utilização pela acusação. e não rescisório (art. pois dá margem à procrastinação do feito.

607. EXCEPCIONALMENTE. a pena podia ser maior? Tudo depende do que fazia o MP. Nos CRIMES CONEXOS. 4. motivação. no concurso material. OBS: EMBARGOS INFRINGENTES – versam sobre o mérito (jus puniendi). se o réu MP concordava com a pena. CPP. Por conta disso. No CONCURSO FORMAL e no CRIME CONTINUADO. Prevalece. São duas espécies recursais exclusivas da defesa (MP pode interpor em favor do réu). em nenhuma hipótese. OBS: No segundo júri. e não recorria.633/SP) prevalecia o entendimento pela possibilidade do protesto. a nova pena podia ser maior.superior a 20 anos. Lá são cabíveis os EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. a apelação aguardava o novo julgamento. Em caso de crimes conexos podiam ser interpostos apelação e protesto por novo júri (art. o qual se encontra revogado. RESE ou AGRAVO EM EXECUÇÃO.259/SP e HC 74. por sua vez. II e V. Prazo de interposição era 5 dias. quando julgar PROCEDENTE a ação penal. como regra. haveria coisa julgada. porque não havia trânsito em julgado diante do recurso do MP. ou não. §1º. p. É que a parte final do dispositivo supra fazia remissão ao art. 608). se encontram no voto vencido (somente pode se pedir o que o voto vencido concedeu). ≠ EMBARGOS DE NULIDADE – versam sobre vício processual (admissibilidade recursal). 333. ATENÇÃO: Não são cabíveis embargos infringentes no STJ e no STF. 606. Os limites da impugnação. do próprio CPP. por sua vez. quando julgar IMPROCEDENTE a revisão criminal. (a exemplo da competência que lhe é atribuída para julgar em segundo grau os crimes políticos) quando a decisão for desfavorável ao réu.689/2008. sendo o réu era levado a novo júri. 609. alguns defendiam (LFG) que o § 1º. do art. sendo-lhes comum o PRAZO (10 dias). (art. a pena nova NÃO poderia ser maior. Não havia necessidade de fundamentação. no recurso ordinário criminal. OBS: As penas NÃO podiam ser somadas para efeitos de cabimento do presente recurso. cabia carta testemunhável. e o fato de que somente são cabíveis contra decisão NÃO unânime do tribunal que julgar APELAÇÃO. CPP. fosse expresso em vedar o protesto por novo júri quando a condenação superior a vinte anos decorresse de julgamento de apelação. Por outro lado. Só poderia ser utilizado uma vez. No STJ (REsp 33. Outros (Capez). ou. OBS: Embora o art. é possível a interposição de EMBARGOS INFRINGENTES. teria sido revogado com a revogação do art. havia controvérsia sobre sua possibilidade. RISTF). único. o entendimento de que a lei que rege o recurso é aquela vigente à época da decisão recorrida (tempus regit actum). Este recurso foi retirado do ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 11. no entanto. o aumento servia para o cômputo dos 20 anos mínimos para o cabimento do recurso. EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE Cabimento previsto no art. sustentavam que não poderia haver protesto quando a condenação fosse no julgamento de apelação. 607. CPP. Nesta hipótese. Seu principal efeito era a ANULAÇÃO DO JULGAMENTO ANTERIOR. Se o juiz não recebia o protesto. podendo a pena ser aumentada. ATENÇÃO: Há doutrina minoritária que entende pela aplicabilidade desta espécie recursal aos crimes cometidos à época de sua vigência. 606. 5. Se o réu não apelasse quanto ao conexo. as penas não podiam ser somadas. Se o MP concordava com a pena anterior. No STF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 77 . I. CPP. quando a condenação decorresse de recurso.

CARTA TESTEMUNHÁVEL É recurso de pouca utilização prática. 639. sendo cabível contra a decisão que denega recurso interposto (art. OBS: Os embargos de declaração INTERROMPEM o prazo de outros recursos. CPP). malgrado produza efeitos no processo. II). 6. contra a denegação do recurso em sentido estrito. contradição e omissão. o prazo será de dois dias. 588. CPP. cabe agravo regimental. com cunho preponderantemente administrativo. I. Cabimento previsto nos arts. Assim. OBS: Não tem previsão no CPP. se houver suficiente instrução. Ali dispõe que a correição parcial pode ser requerida pela parte ou pelo MP. 643. CPP) OBS: Contra a decisão que nega seguimento à apelação cabe RESE (581. 382 e 619. porque o seu julgamento implica em revisão e reforma de uma decisão judicial. no sentido de receber o recurso ao qual fora negado seguimento (art. O prazo é de 2 dias. fala-se em ambiguidade (Lei 9. No CPP. mas desde que seja contra ato do Juiz.010/66. É destinado a corrigir error in procedendo. O prazo é de 48 horas (art. Contra decisão que não admite embargos infringentes/nulidade. não possuindo efeito suspensivo (art. salvo quando manifestamente protelatórios. 28. Lei 8. Para contagem em horas. mas colima a aplicação de sanção disciplinar. OBS: O Tribunal irá julgar a carta testemunhável e o recurso não recebido. Capez e outros) também se inclina nesse sentido. o prazo é de 5 dias. O prazo de interposição é de 5 dias. caso contrário. contra ato ou despacho do juiz de que não caiba recurso. 646. ATENÇÃO: Nos Juizados Especiais. que causem inversão tumultuária do processo. A maioria da doutrina (Pacelli.Conhecimento da matéria é devolvido ao próprio órgão que julgou. OBS: Trata-se de recurso inaudita altera parte – não é necessária a oitiva da parte contrária. salvo diante de efeitos infringentes (modificativos). deve constar da certidão de intimação o horário da providência. Sua finalidade é impedir ou corrigir atos judiciais abusivos. a carta testemunhável dirige-se. nos termos do art. CPP. CPP). 639. que organizou a Justiça Federal. CPP. CORREIÇÃO PARCIAL Segundo o STF. pois não visa a reexaminar matéria decidida em dado processo. CPP). OBS: Há discussão quanto ao seu procedimento. caso em que há a necessidade de intimação da outra parte em observância ao contraditório (STJ: EDcl no MS 12. Alguns defendem ser aplicável o procedimento do RESE. XV. Contra a decisão que não admite REsp ou RE cabe agravo de instrumento (art. CPP). É interposto perante o diretor de secretaria/escrivão (art.665/DF). em razão da economia processual. 640. mas não error in judicando (Capez). 640. basicamente. mas sim na Lei 5. 7.038/90). ou que impede o seguimento de recurso já admitido (art. ou omissão que importe erro de ofício ou abuso de direito (ex: juiz que inverteu o procedimento ou a ordem das testemunhas). c/c art. É cabível na fase do IP. Mas. somente será cabível quando a lei não previr expressamente outro recurso (CARÁTER SUBSIDIÁRIO). ATENÇÃO: No STF e nos Juizados. É cabível a retratação do juiz. a oposição de embargos de declaração SUSPENDE o prazo recursal.099/95: dúvida). ATENÇÃO: Para Nestor Távora e Rosmar Antonni. além de obscuridade. a correição parcial não é recurso. Outros entendem que o procedimento é o do agravo de instrumento do 78 . 644. é um recurso.

III. cabe recursais Pedido de Uniformização de Jurisprudência que será julgado pela TNU.CPC. Segundo Nestor Távora e Rosmar Antonni. ‘c’. O Tribunal corrige o erro. Decisão judicial Decisão judicial de um tribunal NÃO cabimento contra as decisões de turmas recursais (não são tribunais). 8. em normas de organização judiciária. Não há repercussão geral Jamais se discute provas ou matérias fáticas (Súmula 7 do STJ) Têm efeito devolutivo e NÃO têm efeito suspensivo 79 questão jurídica . 102. Súmula 203 do STJ: Não cabe REsp contra decisão proferida por órgão de segundo grau Cabimento contra as decisões de turmas dos Juizados Especiais (No âmbito dos JEF. 105. tem prevalecido a tese de que a correição parcial deve observar o procedimento do RESE. III. 105. CF/88) REsp (art. III. mas não pune o juiz. HIPÓTESES DE CABIMENTO Decisão que contraria a CF Decisão que contraria um tratado Inconstitucionalidade de tratado Decisão que contraria uma lei federal Inconstitucionalidade de lei federal Negação de vigência de tratado Validade de lei local que contraria a CF Negação de vigência de lei federal Validade de ato local que contraria a CF Validade de ato local que conflita com lei federal Validade de lei local em face de lei federal Divergência jurisprudencial entre tribunais. CF/88) Interposto no STF Interposto no STJ Manter a integridade da CF Manter a uniformidade da legislação federal.259/01. RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE (art. Lei 10. é necessária a instauração de procedimento administrativo. se não houver previsão expressa em sentido contrário. equivalendo ao REsp interposto pela divergência jurisprudencial com base no art. §3º. para a punição deste. OBS: Quando o tribunal julga a correição parcial NÃO pode punir o juiz imediatamente. conforme art. 543-A. 14. CF/88). REQUISITOS DE CABIMENTO Existência de uma decisão judicial (decisão administrativa não permite a interposição) Esgotamento das instâncias recursais ordinárias Existência de constitucional uma questão jurídica Existência de uma infraconstitucional Questão pré-questionada (PREQUESTIONAMENTO) REPERCUSSÃO CPC) GERAL (art. pois.

de modo que. tiveram sua aplicabilidade afastada. vários dispositivos do art. o RE. condenado. Prevalece. por sua vez.567 QO/RS) 9. Por ser cabível contra qualquer decisão do juiz da execução penal. cônjuge. defensor. nos termos do art. 195. no STJ e no STF. AGRAVO EM EXECUÇÃO O art. e. por último. A legitimidade é ampla (MP. O STJ. para fazer o acórdão discutir o assunto. da LEP. Se a omissão perdura mesmo com a oposição dos declaratórios.385/MG) vem decidindo que não cabe o ajuizamento de mandado de segurança para conferir efeito suspensivo a tal recurso. quedando o tribunal em omissão. OBS: Podem ser interpostos concomitantemente o RE e REsp. 197. Se for omisso. o entendimento de que o agravo em execução segue o rito do RESE.O prequestionamento real ocorre quando o acórdão aborda expressamente o tema. 619. a ser julgado pelo tribunal ad quem. CPC (STF: AI 664. CPP. restando suprido o requisito. O recurso não tem efeito suspensivo. OBS: O juízo de admissibilidade na instância a quo é realizado pelo Presidente do tribunal recorrido. parente ou descendente). OBS: RE em matéria criminal também se sujeita à demonstração da repercussão geral das questões constitucionais discutidas. em petições distintas. alegando violação ao art. Se o recurso não é admitido.210/84. e. e o STJ (RMS 26. cabe AGRAVO DE INSTRUMENTO no prazo de 5 DIAS. caberá ao recorrente interpor um REsp. CPP (STJ: EDcl no REsp 1309539/MG). o prazo de sua interposição é de cinco dias (Súmula 700 do STF). Primeiro se julga o REsp. portanto. sendo aplicável à seara penal o disposto no art. EXCEÇÃO: quando o RE é causa prejudicial do REsp. o STF (Súmula 356) entende que houve prequestionamento FICTO. entende que o prequestionamento tem que ser real. 543-A. prevê o cabimento de agravo contra as decisões proferidas pelo juiz da execução penal. Lei 7. 581. interpõem-se os embargos de declaração (Súmula 98 do STJ). 80 .

Domicílio Profissional: (artigo 72 não tem correspondente no CC/16) local onde é exercida a profissão. 81 . 70) – É a residência mais o animus / vontade / opção de que ela seja o local principal de suas atividades (centro). A palavra domicílio tem raiz na palavra domus. quando dita prova será exigida. seguindo a doutrina alemã. se cultuavam os antepassados (eis que os mesmos eram enterrados na propriedade familiar – daí. de ficar com interesse de transformar o lugar em centro de sua vida jurídica (elemento subjetivo). Pluralidade de domicílios (artigos 71 e 72) – É admitida no Brasil. é permanente. organizando-as melhor. a pluralidade de domicílios. é passageiro. STF Súmula nº 483.E. para os romanos era o lugar em a pessoa se estabelecia permanentemente. Exemplo: pessoa que passa os fins de semana no sítio. mas tem a sua vida jurídica na residência da cidade. Criado por ficção da lei em face de pessoas que não tenham residência habitual. estabelecendo uma relação entre o indivíduo e a casa. c) domicílio – é o lugar onde a pessoa estabelece residência. elemento anímico ou psicológico = ânimo de permanência (oposto de transitoriedade). será seu domicílio o local em que se encontrarem. terá 02 residências. salvo se mantiver. EXEMPLO: andarilhos. também. porque há também a exigência de habitualidade (elemento objetivo). Domicílio aparente ou ocasional (art. O conceito de domicílio compreende o conceito de residência. Domicílio é um centro de referência jurídica. o indivíduo pode ter várias residências. a noção inicial do bem de família). inclusive. é uma especial modalidade de domicílio restrita a aspectos da vida profissional da pessoa física. O domicílio profissional não afasta o domicílio geral. a anterior. Mas é preciso também a existência do ânimo definitivo. 73) – essa teoria foi desenvolvida por HENRI DE PAGE (civilista belga). ou seja. b) residência – é o lugar onde a pessoa se estabelece habitualmente. Os franceses complicaram essa noção. transformando-o em centro de sua vida jurídica. É preciso que sejam diferenciados três conceitos:  morada – é o lugar onde a pessoa se estabelece temporariamente. que significa casa. na retomada do prédio situado em localidade para onde o proprietário pretende transferir residência. ou seja. Elemento material = residência. DOMICÍLIO = RESIDÊNCIA (quid facti) + QUALIFICAÇÃO LEGAL (quid juris) Comum / voluntário / geral (art. Domicílio O CC/02 manteve as mesmas regras do CC/16. Qualquer um dos locais pode ser caracterizado como domicílio (pessoa que tem dois domicílios). exemplo: morar em Salvador por 06 meses. pessoas que trabalham no circo. exemplo: pessoa que reside na cidade e passa finais de semana com frequência em sua casa de campo. Direito Civil (IGUAL AO PONTO 11) 1. com ânimo definitivo. É dispensável a prova da necessidade. Inclusive.

aliada ao ânimo de mudar Domicílio da pessoa jurídica (art. CDC). pode ser declarada de ofício pelo juiz. Bens 1 NOÇÕES GERAIS Atentando-se para a divisão do direito subjetivo. 2) do preso (onde cumpre pena. STF Súmula nº 363 A pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. 112. Espécies de domicílio  CONVENCIONAL – é o comum. (STF Súmula nº 335 É válida a cláusula de eleição do foro para os processos oriundos do contrato. ou seja.Mudança de domicílio (artigo 74) – ocorre com a mudança da residência.. ou seja. A cláuaula eletiva de foro. prevê que “a nulidade da cláusula de eleição de foro. 3) do servidor público (onde exerce permanentemente as suas funções. 4) do juiz (comarca onde judica).  LEGAL OU NECESSÁRIO – é o determinado por lei e previsto no artigo 76. enquanto o preso estiver cumprindo simples prisão cautelar. bem é o interesse juridicamente tutelado pela norma. ou seja. é possível escolher um foro. Tanto o significado semântico quanto o jurídico coincidem. não havendo domicílio legal). CPC) – é o domicílio previsto em um contrato.U. no contrato de consumo há um desequilíbrio contratual. o domicílio dos agentes diplomáticos. As pessoas jurídicas de direito privado terão seu domicílio no local previsto no estatuto ou no contrato social. O artigo 77 também fala de um tipo de domicílio necessário. em que se praticou o ato. ao se mudar. qual seja. c) DE ELEIÇÃO OU ESPECIAL (artigo 78. 6) do marítimo (marinheiro da marinha mercante) (local da matrícula do navio). é o que o titular do direito quer alcançar. P. do CPC. a pessoa fixa por ato de vontade. sendo o local de sua sede. se atentatória aos direitos do consumidor. mas não um juízo. O artigo 100 do CPC trata dessa questão afirmando que será competente o foro do local no qual a pessoa jurídica tenha celebrado relações jurídicas com autonomia. as regras específicas estão na CF/88. só tem domicílio o servidor que exerce função permanente). os contratos são de adesão. Em geral. nos contratos de adesão não pode haver uma imposição em prejuízo do aderente. que é o local no Brasil enão no exterior. em contrato de adesão. trata-se de domicílio obrigatório da pessoa natural: 1) do incapaz (domicílio de seu representante ou assistente). preso cautelar não tem domicílio legal no lugar onde esteja preso. os bens são: objeto do direito. é aquele que se fixa por ato de vontade própria. ainda não está cumprindo sentença. que declinará de competência para o juízo de domicílio do réu”. CC e 111. LEMBRAR que o art. ou estabelecimento. 5) do militar (onde está servindo). é nula de pleno direito (artigo 51. Todos os 82 . 75) – fala da regra genérica do domicílio da pessoa jurídica de direito público.) Ressalvas à validade do foro de eleição: deve ser fruto de escolha real. IV. 2.

assim. CLASSIFICAÇÃO DOS BENS reciprocamente considerados - bens considerados em si mesmos. Bem é o interesse juridicamente tutelado pela norma. concreta. Tudo que possa estar na relação jurídica como objeto. que tenha valoração econômica e que pode ser apropriado CRÍTICA: não há como enquadrar os não patrimoniais no conceito de bem (direito à vida.1 BENS CORPÓREOS E INCORPÓREOS Não estão previstos na lei. Os primeiros têm existência física. é o que o titular do direito quer alcançar. Existem duas posições solidificadas que distinguem coisa de bem: 1ª corrente coisa – tudo que está externo ao homem bem – tudo que é jurídico. entretanto. 1. são tratados os patrimoniais. sendo bem que tem valor econômico. são tratados os patrimoniais. à integridade física). Sendo que BENS ficam com um conceito mais amplo (relação jurídica). Existem duas posições solidificadas que distinguem coisa de bem. Os bens não patrimoniais já foram estudados no capítulo de direitos da personalidade. nos termos do artigo 82. no capítulo de bens. tendo ou não valor econômico. que é mais ampla em relação à gama de relações jurídicas tuteladas pelo direito. que traz somente o conceito de bens e as coisas como as dotadas de valor econômico. - Bens 1 BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS 1. ou de remoção por força alheia.2. essa discussão está superada (posição de Washington de Barros Monteiro – a qual acho mais adequada). Crítica: as coisas fora de comércio não têm valor econômico e fala-se mesmo assim em coisa. 2ª corrente bem – é gênero. Sendo que o termo BEM tem significado mais amplo (relação jurídica). sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social. PATRIMÔNIO: conceito que engloba todos os bens. Os últimos não são percebidos pelos sentidos. com conteúdo pecuniário. Godoy: o novo CC acabou com essa celeuma jurídica e passou a utilizar a terminologia única de BENS. para conceber a expressão patrimônio de maneira adjetiva: patrimônio jurídico. Mas a doutrina mais nova tem repensado esse conceito. no capítulo de bens. 79 a 84) MÓVEIS.autores fazem uma bagunça na conceituação de bens.(TRF1) Os bens não patrimoniais já foram estudados no capítulo de direitos da personalidade. são os bens suscetíveis de movimento próprio. coisa – é espécie. o novo CC acabou com essa celeuma jurídica e passou a utilizar a terminologia única de BENS. SUBCLASSIFICAÇÃO DOS BENS MÓVEIS 83 . essa discussão está superada. mas não são bens. Pablo: ao conceito de COISA fica restrito o conceito relacionado à MATERIALIDADE. Composto por todas as relações jurídicas dotadas de valor econômico. Pablo Stolze Gagliano: conceito de COISA fica restrito à MATERIALIDADE. BENS MÓVEIS E IMÓVEIS (arts. A movimentação pode ser por força própria (semovente) ou por força alheia. assim. porque insuscetíveis de apropriação) Essa corrente foi adotada pelo novo CC/02. (TRF1: lua e estrelas são coisas.

sendo assim. ou seja. uma exceção à regra do artigo 83. por natureza (não podem ser movimentados sem ruptura). FUNGÍVEIS: sempre serão bens móveis. Também tem relevância na distinção entre os contratos de comodato e mútuo. já que a doutrina tradicional ainda cita) e 3 determinação legal: artigo 80 afirma que se consideram imóveis para efeitos legais: I – os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram e II – o direito à sucessão aberta. Além disso. o maquinário na fazenda agrícola e o estabelecimento empresarial. O PENHOR AGRÍCOLA não é considerado bem móvel. forem removidas para outro local. a tenda não se prende ao solo. mas os examinadores podem continuar cobrando. quando se falava de furto de energia. quantidade e espécies (artigo 85) INFUNGÍVEIS: Os infungíveis por outro lado não podem ser substituídos dessa forma. são o solo e tudo que lhe agregue naturalmente. SUBCLASSIFICAÇÃO DOS BENS IMÓVEIS a. BENS imóveis por determinação legal demandam a outorga CONJUGAL. readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio. 1.a) Pela própria natureza: semoventes e os sem movimento próprio b) Por antecipação: “atualmente” são imóveis. assim. já considerando-a como bem móvel). I. 2) os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes. conservam sua qualidade de móveis. afirma que as edificações que. os materiais destinados a alguma construção. o PENHOR AGRÍCOLA é direito real sobre objetos IMÓVEIS. mas possuem finalidade última como móveis. transportados ou removidos sem a sua destruição. ex. Independentemente da época da aquisição do bem. Não perdem também o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prédio. p. que têm como característica poderem ser substituídos por outros de mesma qualidade.. são os móveis enquanto estiverem a serviço do imóvel) artigo 79 afirma que são bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. inciso II. (novidade no CC. Não se pode mais usar a expressão outorga UXÓRIA. mas já constava no sistema jurídico. 84 . de modo que se antecipa sua mobilidade (ex: plantações para corte) c) Por determinação legal: São considerados bens móveis para efeitos legais (artigo 83): 1) as energias que tenham valor econômico. Pelo artigo 84. o seu registro se dá no Registro de Imoveis. que se prendam por fundação ao solo. ou seja. por exemplo. o que foi feito pelo homem). Esse conceito é muito importante para o Direito das Obrigações (assunto será retomado). artigo 81. IMÓVEIS: são os que não podem ser mobilizados. 2 acessão intelectual (são coisas móveis que são imobilizadas. do artigo 81. inciso III. artificialmente por: 1 acessão física (plantações e construções. mas conservando a sua unidade. e b. para nele se reempregarem. 3) os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. porque a colheita e a safra se agregam ao solo e por definição de lei é considerado bem imóvel.3 BENS FUNGÍVEIS E INFUNGÍVEIS Base: possibilidade de substituição por outro igual. (há enunciado do CJF dizendo que esse conceito está afastado do direito. enquanto não forem empregados. separadas do solo.

logo. giz. A importância dessa distinção se reflete claramente no Direito Contratual. sendo assim.. nos termos do artigo 90. biblioteca ou rebanho. os que perdem substância logo em seu primeiro uso. p. mas. b.: Lei de uso e ocupação do solo de um município estipula a metragem mínima de um lote).. ou seja. Há no CDC a classificação de bens em duráveis e não-duráveis.4 BENS CONSUMÍVEIS E INCONSUMÍVEIS (art. elas estão individualmente consideradas. 1. BENS SINGULARES E COLETIVOS (arts. sabão. b. 1. juridicamente consumíveis – são os bens de consumo. são as universalidades. 26 do CDC (prazo decadencial do direito de reclamar pelos vícios aparentes). economicamente indivisíveis – é a novidade trazida pelo novo CC. convencional – bens podem se tornar indivisíveis por acordo entre as partes (ex. alimento. se forem vendidas 100 cabeças de gado. Exemplo: patrimônio (todas relações jurídicas relevantes e economicamente apreciadas). ex. mantendo as mesmas qualidades das partes divisas. É interessante para a teoria da empresa. tenham destinação unitária. b. COLETIVOS são considerados em sua coletividade (a que se dá destinação unitária). c. p. dividir o terreno. estão em duas categorias: a. física – não poderão ser fracionados em várias partes.A INFUNGIBILIDADE pode se dar por ato de vontade do titular ou em função do valor histórico do bem. Universalidade de fato: Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que.. na medida em que. relevante para efeitos do art. não haverá o aproveitamento econômico ou utilitário. 1.: estipulação de cláusula de solidariedade em contrato de mútuo com dois devedores) d. o que foi negociado foram todos os bens 85 . 87 e 88) Base: possibilidade ou não de fracionamento do bem sem a perda do seu valor econômico ou de sua finalidade. São considerados em sua individualidade. A indivisibilidade pode ser: a. 89/91) SINGULARES são aqueles analisados isoladamente. ex. 86) Sob duas vertentes pode ser considerado o bem consumível ou inconsumível: a. se for vendido o rebanho. Universalidade de direito: conjunto de relações jurídicas dotadas de valor econômico de uma pessoa.5 BENS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS (arts. respeitando os requisitos legais. por aspectos legais não podem ser divididos (ex. materialmente consumíveis – são os fisicamente consumíveis. ex. os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias.. sucessão aberta. p. não podem ser divisíveis.6. mas deixando em uma das partes somente pedra. pertinentes à mesma pessoa. mesmo estando em uma coletividade ou em uma universalidade de fato. legal – bens podem ser materialmente divisíveis. são os destinados à alienação.

prescinde de participação humana. 2. não fará diferença a morte de alguns ou o nascimento de outros. b) De acordo com a ligação (física) com o bem principal Pendentes ainda não foram desligados do bem principal Percebidos ou colhidos já foram fisicamente desconectados do bem principal Percipiendos já deveriam ter sido desligados.coletivamente considerados. outras vezes não segue o principal. os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico (artigo 95). ESPÉCIES DE BENS ACESSÓRIOS . o que leva a concluir que às vezes o acessório segue. ao estudar a classificação dos bens reciprocamente considerados. o acessório segue o principal. assim. cuja percepção não prejudica a sua substância. cria de animal. 2. manuseados e encontram-se prontos 86 . . Plantação. Plantações que não dão periodicamente são produtos. Subclassificação: a) Quanto à NATUREZA CONCEITO EXEMPLO CONCEITO EXEMPLO Natur al espontaneamente dado pela coisa. 92/97) PRINCIPAIS – são os bens que têm existência autônoma.Apesar de ainda não separados do bem principal. o bem principal é uma relação jurídica Locação e rendimentos. BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS Existia no artigo 59 do CC/16 uma regra afirmando que o acessório segue o principal. Na verdade. Indus trial Há participação do homem Café gerenciado (plantado e colhido) Civil relações jurídicas que rendem periodicamente. não dependendo de outros bens para garantir a sua existência. estar-se-á estudando a classificação dos bens acessórios (em relação aos principais). Os contratos principais são determinantes na existência dos contratos acessórios (locação e fiança). (arts. ou seja. é preciso distinguir as espécies de bens acessórios. Para saber quando isso ocorre. RENOVÁVEIS. já que todos os bens são considerados coletivamente. ACESSÓRIOS – somente têm existência dependendo do principal. o que não consta mais no novo CC.1 FRUTOS – são utilidades que o bem principal periodicamente produz. mas não o foram Estantes já foram desligados. exceto se houver previsão em contrário no contrato.

uma vez agregado ao muro perde sua autonomia. As PARTES INTEGRANTES são bens que. de indenização e do dever de restituição. não são partes integrantes. unidos a um principal. perde sua individualidade (ao contrário das pertenças). previstos nos Direitos Reais: DIREITO DE RETENÇÃO DIREITO DE INDENIZAÇÃO DIREITO DE RETENÇÃO DIREITO DE INDENIZAÇÃO POSSUIDOR DE BOA-FÉ Sobre os frutos PERCEBIDOS Pelo custeio dos frutos PENDENTES POSSUIDOR DE MÁFÉ - Pelo custeio dos frutos PENDENTES 2. o nome) Parcialização essencial – se parte a coisa e ela perde sua essencialidade A Pertença (artigos 93 e 94) tem a particularidade de não seguir o principal (vide art. ou seja. sem que dessas sejam partes integrantes (Orlando Gomes). Ex. Já era aceita pela jurisprudência e agora está no código. NÃO RENOVÁVEIS 2. mas que se liga a ele sem condicioná-lo com o principal. o que agrada muito o comprador. mesmo tendo existência autônoma. o vendedor não fala nada de que ele não irá com o bem principal. 94) Ela é um bem acessório que é posto a serviço do bem principal. mas agregam algo ao bem principal. temos que esta. exemplo: verificar o carro e ver o eqüalizador. Não têm periodicidade. formam com ele um todo. mas estes são minoria. por isso. Exemplos: rádio novo no carro. TRF1: o cimento que é colocado em muro NÃO é parte integrante do muro de acordo com a questão. cuja extração prejudica a sua substância. por quê? Já que o cimento é um bem com existência autônoma? A retirada do cimento não determina uma perda de interesse econômico do muro? Não ocorreria uma PARCIALIZAÇÃO ESSENCIAL (MARIA HELENA DINIZ) (? (EU: entendo que o cimento colocado no muro É SIM parte integrante deste. fica 87 .: extração mineral (minério de ferro em relação ao solo). mas que não perdem a sua individualidade. sem ser parte integrante necessária do carro Como já dito. Partindo do conceito de parte integrante. PERTENÇAS Alguns autores não atribuem autonomia às pertenças.2 PRODUTOS Produtos – utilidades que o bem principal produz. Pertenças são sim bens acessórios.3. embora mantenham sua identidade (passam a ser parte integrante do bem principal). inclusive. condicionando a caracterização do bem principal. salvo nos casos previstos no artigo 94: Determinação da lei Manifestação de vontade Circunstância do caso: típico caso de boa-fé objetiva. passando a ser “parte integrante” do muro – daí. NÃO segue o principal. Vejamos: PERTENÇAS são coisas acessórias destinadas a conservar ou facilitar o uso das coisas principais.para a comercialização Consumidos já foram desligados e consumidos. não existem mais Essa classificação é importante para a definição dos: direitos de retenção. ao ser “anexada” ao bem principal. sendo desprovidos de existência material própria. opcionais no carro. ou seja. ele é o mesmo bem principal sem a pertença.

4.claro que o vendedor não poderá. 1) Bens particulares – pertencentes aos particulares 2) Bens públicos – São públicos os bens de domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. as que aumentam ou facilitam o uso do bem (§ 2o. depois de concretizada a venda. Necessárias têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore (§ 3 o. BASE: titularidade do domínio. BENFEITORIAS Benfeitorias (artigo 96) – obras realizadas pelo homem em um bem que já existe. querer retirar o bem sob a alegação de que a pertença não segue o principal. embora não mencionados. aumentar a garagem de uma casa é benfeitoria. ou seja. com o artigo 233. (arts. todos os outros são particulares. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião (artigo 102). CUIDADO.). se não trouxer prejuízo para a substância do bem. Voluptuária s são de mero embelezamento ou deleite. Essa classificação é importante para a definição dos: direitos de retenção. 93 e 94) Note-se. Nada impede que se cobre um valor para sua conservação ou utilização. é acessão. São impenhoráveis e 88 . 2. seja qual for a pessoa a que pertencerem. ele deve ser harmonizado com o entendimento acima. ou embelezá-lo. fato que não o descaracteriza.) situações emergenciais Úteis facilitam o uso da coisa.). melhorá-lo. Salvo se o novo possuidor quiser indenizar o seu valor para mantê-las no bem principal - BENS EM RELAÇÃO AO SEU TITULAR Os bens podem ser públicos ou particulares. de indenização e do dever de restituição. Artigo 233. porque o acessório que vai com o principal é aquele que não se configura como pertença. previstos nos Direitos Reais: DIREITO DE RETENÇÃO POSSUIDOR DE BOA-FÉ Pelas benfeitorias necessárias e úteis POSSUIDOR DE MÁ-FÉ - DIREITO DE INDENIZAÇÃO Pelas benfeitorias necessárias e úteis benfeitorias necessárias DIREITO DE LEVANTAR Pelas voluptuárias. que não aumentam o uso habitual do bem. Os bens públicos são pertencentes ao poder público e podem ser: (arts. salvo se o contrário resultar do título ou da circunstância do caso. 98/103) 1 De uso comum: não sofrem restrição quanto ao acesso (todo qualquer cidadão pode usar). ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor (§ 1o. nos termos do artigo 103. com o propósito de conservá-lo. Ex: construir uma casa em um terreno não é benfeitoria.

salvo se houver justa causa. 3 Voluntariamente inalienáveis – em decorrência de um ato de vontade. imposta aos bens por ato de liberalidade. como uma limitação patrimonial. ou seja. b) No artigo 1848 está expresso que. Fazem parte do “patrimônio comum” dessas pessoas jurídicas. consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado (parágrafo único. impenhorabilidade e incomunicabilidade sobre os bens da legítima. III). e imprescritíveis (Exemplos: rios. I) 2 De uso especial: pertencentes a um órgão. há exceções à impenhorabilidade. no Brasil. na forma que a lei determinar. identificáveis por exclusão. não pode o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade. Também são impenhoráveis e inalienáveis. mares. na forma que a lei determinar. Também são imprescritíveis. Artigo 99. São alienáveis mediante autorização legislativa (artigo 101). mas essa posição é minoritária. Artigo 99. estradas. estão adstritas a casos de liberalidade. imprescritíveis e impenhoráveis. Não dispondo a lei em contrário. normalmente. Essas cláusulas de inalienabilidade. enquanto conservar a sua qualificação. Os inalienáveis podem ser: 1 Naturalmente inalienáveis ou inapropriáveis por sua natureza: 2 Juridicamente inalienáveis ou legalmente inalienáveis: impossibilidade decorre de lei. (Exemplos: edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. Alterações sobre a cláusula: a) O artigo 1911 incorporou entendimento sumulado pelo STF. enquanto conservarem sua qualificação. Artigo 99. deve ser um tema enfrentado com fundamento no DIREITO CIVIL CONSTITUCIONAL. tratado no direito patrimonial (artigo 1711). É evidente que o contrário não é verdade. inclusive há muita discussão sobre a constitucionalidade dessas exceções. Há dois tipos de bens de família: 1 bem de família voluntário – previsto nos artigos do CC/02. o testador tem que declarar a justa causa (casamento com vagabundo. declarada no testamento. 2 bem de família legal – está previsto na Lei 8009/90. implica impenhorabilidade e incomunicabilidade. Ex: cláusulas de inalienabilidade. vêm acompanhadas da incomunicabilidade e da impenhorabilidade. para o desempenho da atividade pública. consiste na proteção de um patrimônio mínimo que deve ser garantido em uma sociedade que defende a dignidade da pessoa humana. como objeto de direito pessoal. do artigo 20 da CF/88. enquanto afetados. II) 3 Bens dominicais: constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. vício em jogo.inalienáveis. ou real. Há quem sustente a inconstitucionalidade dessas disposições porque estariam limitando a circulação de bens. de cada uma dessas entidades. inclusive de suas autarquias. A EC/46 alterou o inciso IV. que trata dos bens da União. ruas praças. incapacidade para gerir os bens). que. No artigo 3o. que determina que a cláusula de inalienabilidade. para gravar a legítima. artigo 99). são utilizados pelo poder público. BENS EM RELAÇÃO À SUA SUSCETIBILIDADE DE ALIENAÇÃO Os bens podem ser alienáveis ou inalienáveis. BEM DE FAMÍLIA Na modernidade. 89 . Assim.

Poderão integrar a instituição do bem de família voluntário valores mobiliários ou rendas.)”.3 BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO (arts.SÃO PAULO AG. mitigando o alcance hermenêutico do parágrafo único do artigo 1º. independentemente de escritura ou registro cartorário.REG. I. até mesmo por que é a própria lei que estipula a impenhorabilidade independente de registro. pois não se enquadra na exceção do Art. O STF a respeito da possibilidade de penhora de bem de família de fiador em contrato de locação: (AI-AgR 666879 / SP . ou seja. segundo o STJ. eis que a penhora é fase do procedimento de expropriação do bem.o STF também entende que a proteção da Lei 8. devido a expressa previsão legal. o STJ.NO AGRAVO DE INSTRUMENTORelator(a): Min. (I . como também é possível que haja desmembramento do único imóvel. 90 . No que tange a vaga de garagem. eletricista ou pintor não podem se valer da exceção para penhora do bem de família. este tipo de bem de família traduz uma proteção automática da lei (impenhorabilidade do imóvel residencial).SÃO PAULO – Rel. tem admitido desmembramento do imóvel para efeito de penhora.em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias. EROS GRAUJulgamento: 09/10/2007 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação DJE-147 DIVULG 22-11-2007 PUBLIC 23-11-2007) . o STJ já firmou entendimento no sentido de que a impenhorabilidade só é possível se a vaga não tiver registro e matrícula próprios. A inalienabilidade é relativa e pode ser superada pela manifestação de todos os interessados. A proteção é ampla. no caso de indicação de bem a penhora. o ato não se concretizou. Min.009/90 aplica-se mesmo a penhoras determinadas antes da vigência da referida lei. São efeitos do registro Impenhorabilidade. que. O valor do bem de família voluntário não pode ultrapassar o teto de um terço do patrimônio líquido dos instituidores. (RE 497850 / SP . 3º. enquanto não ocorrer a expropriação (alienação) do imóvel penhorado. A lei 8009/90 não estipula qualquer inalienabilidade e nem mesmo de patrimônio líquido mínimo para sua estipulação. 1711/1722 cc) É aquele constituído por ato de vontade do casal.009/90) Consagrado pela Lei 8009/90. vem entendendo que tal simples indicação não implicaria em renúncia ao benefício da impenhorabilidade do bem de família. mediante registro no Cartório de Imóveis. 4 BEM DE FAMÍLIA LEGAL (Lei 8. O STJ. Isso não seria possível no caso de hipoteca. sendo possível a incidência da norma protetiva. Porém. a proteção recairá sobre a de menor valor. Sepúlveda Pertence – 26/04/2007) O Ministro Luiz Fux entendeu que trabalhadores meramente eventuais como diarista. pode ser aplicada até mesmo em face de penhoras anteriores à sua vigência (Súmula 205). Inalienabilidade de bem como sendo de família: A impenhorabilidade diz respeito às dívidas posteriores ao registro e não atinge dívidas tributárias e condominiais relativas ao prédio. Caso o indivíduo possua mais de uma residência. da entidade familiar ou de terceiro.

o Min. DJ 1º/3/2004. DJ 12/3/2001.735-RS. DJe 10/5/2011. Min.009/1991. 3º. salvo as situações compreendidas nos incisos I a VII do art. Rel. 3º da Lei n. V. à execução hipotecária. julgado em 15/3/2012. a recorrente alega que a garantia oferecida pelo recorrido equipara-se à garantia real hipotecária. onde reside sua genitora na condição de usufrutuária vitalícia. Precedentes citados: REsp 470. DJ 18/10/2004. quer por considerar a genitora do nu-proprietário como membro dessa entidade familiar. Cinge-se a controvérsia à análise da ocorrência da renúncia tácita à impenhorabilidade de pequena propriedade rural familiar dada em garantia pelo recorrido. REsp 1. Min. quer por vislumbrar o devido amparo à mãe idosa – pois o nu-proprietário habita com sua família direta outro imóvel alugado – reputou-se devidamente justificada a proteção legal ao imóvel em questão.261-SC. não podendo tal benefício (o da impenhorabilidade) ser afastado para a execução de outras dívidas. Relator salientou que a ressalva prevista nesse dispositivo legal não alcança a hipótese dos autos. nem pode ser afastada por renúncia. PEQUENA PROPRIEDADE RURAL.460-RS.O STJ já sumulou o entendimento (Súmula 364) no sentido de que o devedor solteiro também goza da proteção do bem de família. 3º. da Lei n. Luis Felipe Salomão. a proteção conferida pela Lei n. 4ª Turma. Luis Felipe Salomão.009/1990. a Constituição Federal alçou o direito à moradia à condição de desdobramento da própria dignidade humana. da Lei n. 5º. limitando-se. 4ª Turma.690-SP. IMPENHORABILIDADE. unicamente. IMÓVEL UTILIZADO COMO RESIDÊNCIA DA GENITORA DO DEVEDOR. julgado em 24/4/2012.265-RS. a exceção à impenhorabilidade do bem de família previsto em lei ordinária não pode afetar direito reconhecido pela Constituição. 3ª Turma. Contudo. Na hipótese dos autos. Na espécie.663-SC. DJe 18/2/2010. BEM DE FAMÍLIA A Turma firmou o entendimento de que a nua propriedade é suscetível de constrição judicial. No caso. 8.022. que deve ser interpretada restritivamente. REsp 1.009/1990 foi estendida ao imóvel do nuproprietário (executado). situando-o. descabe a penhora de imóvel ou a sua oferta em garantia. 8. PENHORA. XXVI. BEM DE FAMÍLIA. 91 . REsp 997. REsp 950. Em especial atenção ao idoso conferiu-lhe expectativa de moradia digna no seio da família natural. cuja impenhorabilidade encontra-se garantida constitucionalmente (art. Segundo se asseverou. a hipoteca foi constituída em garantia de dívida de terceiro. o que não afasta a proteção dada ao imóvel pela lei que rege os bens de família.094. Rel. prevista no art.935-RS. Além do mais. 8. V. por tratar-se de princípio de ordem pública que visa à proteção da entidade familiar. DECISÕES IMPENHORABILIDADE.115. como parte integrante desse núcleo familiar. De modo que. por conseguinte. e AgRg no AgRg no Ag 1. e REsp 526.203-SP. Sidnei Beneti. Assim. o qual nele figura como garantidor solidário de obrigação de terceiro. da CF). em acordo extrajudicial posteriormente homologado judicialmente.009/1990. salvo se o imóvel do executado for considerado bem de família. Assim. Rel. A exceção prevista no art. 8. somente atinge os bens que foram dados em garantia de dívidas contraídas em benefício da própria família. o bem é uma pequena propriedade rural. julgado em 10/4/2012. NUA PROPRIEDADE. Precedentes citados:REsp 268. Min.

juridicamente. negócio jurídico é “ toda conduta humana com intenção específica de gerar efeitos jurídicos ao adquirir. dispondo em seu art. existe a TEORIA NORMATIVISTA (KELSEN) que reconhece o negócio jurídico como fato criador do Direito. Foi a que mais influenciou o direito brasileiro (artigo 112). ou seja. LARENZ e BETTI.1. O negócio jurídico é o instrumento pelo qual atua a autonomia privada. curatela. explicitamente. aplicam-se. mas. há predominância da declaração objetiva sobre a vontade subjetiva. espanhol e italiano de que os negócios jurídicos têm força normativa (Planiol). Pra Venosa. Conceito Negócio jurídico – é toda emissão de vontade em harmonia com o ordenamento jurídico com o objetivo de criar.2. Ela pode ser: a. distinguindo. ou seja. em nome de outra pessoa. 185 que “Aos atos jurídicos lícitos. resguardar. pais representando filhos) b. são seguidores dessa teoria: BULLOW. O NCC. Teoria oposta à teoria voluntarista é a teoria objetiva denominada por Scognamiglio de TEORIA PRECEPTIVA (preceito da autonomia privada dirigido a interesses concretos próprios de quem o estabelece). Convencional (procuração) O artigo 120. Negócios jurídicos 3. Para essa teoria o negócio jurídico constitui um comando concreto ao qual o ordenamento jurídico reconhece eficácia vinculante. Representação Está prevista nos artigos 115 a 120. 104 a 184). CC/02 afirma que a parte geral só serve para a representação legal (já não se utiliza a parte geral. b) OBJETIVISTA – defende que o núcleo do negócio é a vontade externa. 3. seria somente útil na representação convencional. alguém fale pessoalmente. o Código Civil de 2002 adotou a teoria dualista (sistema alemão). as disposições do Título anterior”. a doutrina se digladiou sobre as teorias que explicam a existência do negócio jurídico. a vontade declarada e não o que a pessoa pensou. por meio do qual. O CC pretendeu traçar um regramento genérico que se aplica à representação. É a vontade de produção dos efeitos. Por outro lado. Há previsão nos Códigos francês. modificar ou extinguir relações ou situações jurídicas. dada a autonomia conceitual de cada espécie. no que couber. lá na específica já tem tudo previsto). ao contrário do negócio jurídico (arts. Está relacionada à incapacidade. Em eventual debate entre a vontade e a declaração. Legal (tutela. os atos jurídicos stricto sensu dos negócios jurídicos. não tratou especificamente do ato jurídico em sentido estrito. 92 . Orlando Gomes expõe que o Princípio da Força Obrigatória consubstancia-se na regra de que o contrato é lei entre as partes. NEGÓCIOS JURÍDICOS (TEORIAS) – durante muito tempo. modificar ou extinguir direitos. Observe-se que enquanto o Código Civil adotava a teoria unitária do ato jurídico (sistema francês). o vínculo jurídico é criado para o representado.3. porque há uma regra interpretativa que favorece a intenção. São duas as teorias (Antônio Junqueira de Azevedo): a) VOLUNTARISTA – defende que o núcleo do negócio é a vontade interna. HENLE. não fazendo distinção entre o ato e o negócio jurídico. que não sejam negócios jurídicos. servindo como instrumento jurídico.

Pelo artigo 116, se atuar fora de seus poderes, estará atuando ultra vires e aí
não vincula o representado. O representado somente se vincula pelo ato do
representante, se este houver atuando dentro de seus poderes.
Se for legal, a lei estabelecerá quais são os limites de atuação do representante;
se for convencional, o instrumento escrito (procuração) estabelecerá quais são esses
poderes.
Exceção: somente em um caso o representado se vincula pela manifestação do
representante, mesmo este atuando ULTRA VIRES: REPRESENTAÇÃO PUTATIVA, que
muito excepcionalmente pode ocorrer no caso de representação voluntária, p. ex.,
procuração feita sem o conhecimento do representado, porque assinou folha em
branco; assim, é preciso que o representado tenha de alguma forma contribuído para
o ato, como no exemplo, assinou folha em branco.
Imprecisão técnica cometida pelos dois CC: A procuração é o instrumento do
mandato, isso está errado porque o mandato pode ser até mesmo verbal, na verdade,
a procuração é instrumento da representação.
A regra do artigo 119 não pode ser confundida com a hipótese do artigo 116.
Pelo art. 119, o representante age de acordo com os poderes que lhe foram
outorgados, mas está em desacordo com os interesses do representado (aquele
negócio jurídico, naquela situação e condições) – há conflito de interesses.
O representado fica plenamente vinculado, havendo somente uma pretensão
indenizatória de sua parte contra o representante. Mas se o terceiro sabia do conflito
de interesse com o representado, caberá o pedido de anulação, no prazo de 180 dias a
contar da celebração do negócio jurídico.
Por outro lado, a regra do artigo 117 estabelece que, salvo se o permitir a lei ou
o representado, é ANULÁVEL o negócio jurídico que o representante, no seu interesse
ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. Para esse efeito, tem-se como
celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes
houverem sido estabelecidos.

3.3. Condição
É o acontecimento FUTURO e INCERTO, que subordina a produção dos efeitos de
um negócio jurídico. Ou seja, é sempre designada por um SE nos negócios jurídicos.
Essa condição é a chamada CONDIÇÃO PRÓPRIA, porque resulta de uma convenção
das partes. Há as condições impróprias, que já fazem parte integrante da natureza
do negócio jurídico; exemplo: o testamento somente terá eficácia de transmissão
causa mortis se o de cujus morrer antes do beneficiário.
Há negócios jurídicos que não podem ser subordinados a nenhuma espécie de
condição, que somente é cabível em negócios patrimoniais. Sendo assim, não é
cabível condição:
a. Celebração de casamento
b. Adoção de filho
c. Reconhecimento de filho
d. Aceitação ou renúncia de herança
3.3.1. Classificação Das Condições
É importante para a determinação de quais são válidas ou não e quais que prejudicam
o negócio jurídico como um todo ou não:
93

Condições possíveis e impossíveis

CONDIÇÕES
POSSÍVEI
S

CONSEQUÊ
NCIA
VÁLIDAS

Quando o evento subordinador (futuro e
incerto) for inalcançável para qualquer
FISICAMENTE pessoa, do ponto de vista físico.
EXEMPLO: tocar a mão na lua com um pulo
(exemplo absurdo).
No CC/16, previa nesse item todas as
condições que encontrassem um obstáculo
da lei, fosse uma afronta direta, ou mero
desrespeito a um requisito legal, no
estabelecimento da condição.

IMPOSSÍ
VEIS
JURIDICAME
NTE

Havia uma mistura com as situações nas INVÁLIDAS,
quais o próprio evento futuro e incerto era
SE
ilícito, o que já não ocorre no novo CC. SUSPENSIV
Misturando no mesmo conceito os dois tipos
AS
de ilicitude da condição: do evento em si
próprio (matar alguém) e da condição
específica no caso concreto (adotar com
NÃO
diferença de idade inferior a 16 anos).
ESCRITAS,
SE
No CC/02, estabelece que o evento futuro e
RESOLUTIV
incerto, em si mesmo, é LÍCITO; mas, no caso
AS
concreto, falta-lhe requisito específico;
EXEMPLO: alugar o imóvel se for adotada
uma criança, a adoção em si é um evento
perfeitamente lícito; mas, se a condição for
adotar um menor com diferença de idade
inferior a 16 anos, estará, no caso concreto,
faltando um requisito específico, qual seja a
diferença de idade entre adotante e adotado.
Especifica como CONDIÇÃO JURIDICAMENTE
IMPOSSÍVEL aquela na qual somente no
caso concreto há uma ilicitude, mas a
condição abstratamente considerada é
plenamente lícita.

As condições POSSÍVEIS são Válidas
Quanto às condições IMPOSSÍVEIS:
1) Caso sejam SUSPENSIVAS – física ou juridicamente, invalidam o negócio jurídico
(TODO, e não somente a condição)
2) Caso sejam RESOLUTIVAS, consideram-se inexistentes (SOMENTE A CONDIÇÃO, ou
seja, é como o negócio jurídico não tivesse subordinado à condição).
94

Condições Lícitas Ou Ilícitas
Também podem ser verificadas quanto a sua validade ou invalidade.
As condições lícitas são válidas e, as ilícitas, inválidas: Quer sejam suspensivas
ou resolutiva, não importa se o negócio jurídico gerou ou não efeitos, é inválido o
negócio jurídico, porque o vício da condição é muito grave. Essa idéia é de Clóvis
Bevilácqua.
CONSEQU
ÊNCIA

CONDIÇÕES quanto à licitude
LÍCITAS

ILÍCITAS
(são as
que
privarem
de todo
efeito o
negócio
jurídico ou
o
sujeitarem
ao puro
arbítrio
exclusivo
de uma
das partes
– artigo
122, 2a.
parte)

São as condições que não contrariam a lei, a ordem
pública ou os bons costumes (artigo 122, 1a. parte)

VÁLIDAS

PRIMEIRA: é a condição ilegal, que consiste no fato
de o evento futuro e incerto em si ser ILÍCITO (matar
alguém)
SEGUNDA: é a condição que viola um princípio
(renunciar ao direito de trabalhar, ou seja, a renúncia a
um direito fundamental); há parte da doutrina que faz
uma ressalva, quanto ao casamento (condição de não
casar), mas será lícita se for especificado com quem
casar (não casar com A ou B)
TERCEIRA: é a condição que viola a moral e os INVÁLIDA
S
bons costumes (se a pessoa se prostituir)
QUARTA: é a condição incompreensível, ou seja,
não se compreende qual a subordinação que se quis
impor ao negócio jurídico
QUINTA: é a condição perplexa, que consiste em
trazer uma contradição (na venda de um imóvel
residencial, condição não ser utilizado como moradia).
Privarem de todo efeito o negócio jurídico.
SEXTA: é a condição puramente potestativa

Condições causais ou potestativas
CONDIÇÕES quanto à ORIGEM

CASUAIS

O evento futuro e incerto, que independe da
vontade humana, ou seja, depende da
natureza, é um evento da natureza, p. ex.,
se chover, se não chover

95

CONSEQUÊNCIA

VÁLIDAS

O evento futuro e incerto
depende
puramente
da
vontade de uma das partes;
vontade essa que não
dependa
de
nenhum
elemento externo, ou seja,
são as condições que a
chamava
de ILÍCITAS=INVÁLIDA
PURAMENTE doutrina
de
MERO
POTESTATIVAS condições
S
CAPRICHO (se eu quiser, se
eu acordar de bom humor);
a vontade não depende de
nenhum fato externo.
Uma parte subordina-se
totalmente ao arbítrio da
outra.

POTESTATIVA
S
O evento futuro
e incerto
depende da
vontade
exclusiva de
uma das
partes.
potestade=p
oder

MISTAS

é a condição que nasce
simplesmente
potestativa e se invalida
posteriormente

INEFICAZ

O evento futuro e incerto
depende
puramente
da
vontade de uma das partes,
não
sendo
arbitrária,
porque essa vontade de
uma das partes, por sua
MERAMENTE
vez, depende de um fator
OU
ou
de
um
elemento
externo (em um contrato
SIMPLESMENT
de locação, prevista uma
E
condição de que o contrato
POTESTATIVAS
será
prorrogado
se
o
inquilino quiser; há o fator
externo que consistirá
no sucesso do negócio
prestado por ele). (Bicho
do jogo de futebol)

VÁLIDAS

PROMÍSCUAS

O evento futuro e incerto está condicionado à
vontade de uma das partes e da vontade
de um terceiro. (venda por experimentação,
que dependerá da vontade do comprador)
Pablo disse que essa condição é puramente
potestativa, mas é válida por força da lei.

VÁLIDAS

Condição Puramente Potestativa
SEPARAÇÃO. Doação. Revogação. É inaceitável a cláusula constante do acordo
de separação, que submete a doação aos filhos, de imóveis de propriedade do
casal, à condição de poder ser desfeita a qualquer tempo, pela vontade única
dos doadores.(RESP 220608/SP, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR,
QUARTA TURMA, julgado em 04.12.2001, DJ 20.05.2002 p. 145)
96

CONDIÇÕES SUSPENSIVAS OU RESOLUTIVAS
CONDIÇÕES quanto ao modo de atuação

CONSEQUÊ
NCIA

O evento futuro e incerto subordina o INÍCIO DA EFICÁCIA
do negócio jurídico, ou seja, ele somente começa a ter
SUSPENSI
eficácia quando ocorrer a condição; até a ocorrência da
VAS
condição suspensiva, o negócio jurídico ficará
impedido de começar a produzir efeitos

VÁLIDAS

O evento futuro e incerto CONDICIONA A PERSISTÊNCIA
OU A PERMANÊNCIA DA EFICÁCIA do negócio jurídico, ou
seja, o negócio jurídico já produz efeitos quando é
RESOLUTI celebrado com condição resolutiva, mas será
VAS
resolvido caso ocorra a condição. Assim, quando
acontece a condição, o negócio jurídico cessa, resolve-se
(vender o imóvel, mas se chover a venda se desfaz).5
PRINCÍPIO
DA
RETROATIVIDADE
da
cláusula
resolutiva = não pode atingir terceiro.

VÁLIDAS

INVALIDAM O NEGÓCIO JURÍDICO POR COMPLETO
(artigo 123)
Condições fisicamente impossíveis suspensivas
Condições juridicamente impossíveis suspensivas
Condições ilícitas ou de fazer coisa ilícita
Condições incompreensíveis ou contraditórias

CONSIDERAM-SE NÃO ESCRITAS ou INEXISTENTES
(artigo 124)
(Prevalece o negócio jurídico sem considerá-las)
Condições fisicamente impossíveis resolutivas
Condições juridicamente impossíveis resolutivas
CONDIÇÕES DE NÃO FAZER COISA IMPOSSÍVEL
É praticamente um NADA, assim deve ser considerada
como não escrita
5

Até o evento o negócio jurídico é válido, assim, o comprador é o dono, o vendedor somente tem uma
expectativa de direito, ou seja, se chover em uma semana o bem voltará para o vendedor, os papéis
ficam invertidos, no exemplo acima.

97

O termo final. mas o termo inicial já gera direito adquirido (na condição não gera. se faltar exata correspondência. por isso que se pode pagar antecipadamente o financiamento do carro. desde que se saiba o horário do início (na Lei de Falências. c) DE GRAÇA – é o termo judicial. por outro lado. Seu termo revelador: a fim de que. o que significa que. ou no imediato. Quando há negócio jurídico a termo. o denominado deságio. b) CONVENCIONAL – estabelecido pelas partes. É elemento típico de negócios gratuitos. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. equivale (mais ou menos) à condição resolutiva. no que couber. 3. salvo disposição legal ou convencional em contrário. por que o evento é incerto.1. d. O termo pode ser inicial (a quo) ou final (ad quem).4. os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. o juiz estabelece o horário da decretação da falência). O encargo é a imposição de uma obrigação ao beneficiário de uma liberalidade (testamento e doação). excluindo o dia do começo e incluído o do vencimento. computam-se os prazos. É um ônus 98 . e.4. ocorre muito dos acordos formalizados. mas não a aquisição do direito. Encargo O CC/16 chamava de modo. O termo inicial equivale (mais ou menos) à condição suspensiva. com abatimento dos juros. O termo inicial não impede o pagamento antecipado da obrigação. um ônus que limita a liberalidade. presume-se que o prazo foi fixado em benefício do devedor. que subordina a sua eficácia a EVENTO FUTURO E CERTO (ou seja. o devedor pode cumprir sua obrigação antes de alcançado o termo final. Regras de contagem de prazo – regras básicas estão previstas no artigo 132 a. no termo ele é certo). (art. Exemplo: doar a casa com obrigação de cuidar de crianças. porque já se sabe que vai ocorrer (termo certo). 133 CC) Quanto à origem o termo pode ser: a) LEGAL – estabelecido em lei. vai acontecer). Esse evento pode ser datado previamente. quando o juiz estabelece o prazo para pagamento. os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. como regra. as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva.3. como há muitos prazos contados em horas. porque o negócio jurídico ainda não está gerando efeitos antes de chegar o termo.2. mas pode ser também não datado (morte – termo incerto). Termo ou Encargo 3. se o dia do vencimento cair em feriado. O termo inicial suspende o exercício. PRAZO é o intervalo de tempo entre o termo inicial (início da locação) e final (fim da locação). meado considera-se. Ao termo inicial e final aplicam-se. Artigo 134. em qualquer mês. c.4. b. o seu décimo quinto dia. Termo É elemento acidental do negócio jurídico. porque o termo final encerra o negócio jurídico.

Se ele não for possível de ser cumprido (artigo 137) e o motivo do contrato tiver sido o encargo. Note-se que o tratamento dispensado à condição ilícita é diferente do dispensado ao encargo. mantendo-se o negócio jurídico. se ele não for cumprido: a. haverá a necessidade de se explicitar no testamento qual o efeito do não cumprimento do encargo. Os defeitos da vontade podem ser aqueles que o agente não declararia ou não declararia daquele jeito. o beneficiário pode ser acionado para cumprir o encargo pelo doador. Ou seja. Defeitos DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO Já no CC/16. 136. VÍCIOS DE VONTADE (ANULAÇÃO) VÍCIOS SOCIAIS ERRO FRAUDE CONTRA CREDORES (ANULAÇÃO) DOLO SIMULAÇÃO (foi tratada de maneira mais grave) (NULIDADE ) COAÇÃO LESÃO ESTADO DE PERIGO Os vícios do negócio jurídico não se confundem com os vícios redibitórios ou vícios do produto. na medida em que. Outras vezes. TESTAMENTO: caso não estiver expresso. DOAÇÃO: expresso no CC/02. pelo MP. O encargo ilícito (viola a lei) ou impossível (física ou juridicamente) será afastado. b. eram diferenciados os defeitos no negócio decorrentes do consentimento (vontade) e os decorrentes de vícios sociais. o encargo ilícito ou impossível deve ser desconsiderado. Em sua falta. o contrato perde a validade. mantendo-se o negócio jurídico. o defeito está nos efeitos que se pretende alcançar com o negócio jurídico. nos termos do art.5. o que foi mantido pelo novo CC/02. já no encargo. regra geral. O defeito pode se iniciar já desde o processo mental da vontade até a declaração da mesma. direito (artigo 136) O encargo não impede a aquisição do O encargo pode ser uma obrigação de dar.que se atrela a uma liberalidade maior. diferentemente da condição suspensiva. a declaração de vontade corresponde ao que o agente realmente queria. ele é afastado e será mantido o negócio jurídico. nela há a invalidação de todo o negócio. (Artigo 137) 3. Mas o doador pode também pedir a revogação da doação. Estes últim os atingem os contratos. O encargo não é uma contrapartida da liberalidade. particularmente o objeto de uma disposição patrimonial e estão no plano de eficácia do contrato. que sempre se dará por sentença judicial com EFEITO EX NUNC. Ele também deve sempre ser lícito. sendo o encargo de finalidade social. fazer ou não-fazer. 99 .

ou até mesmo da falta de percepção sobre a pessoa. O erro consiste em uma falsa percepção da realidade. O art. Poderíamos também exemplificar com um homônimo. uma pessoa pode desconhecer uma lei (país continental e inflação legislativa). o sujeito percebe bem os fatos. é o erro que se opõe ao erro acidental (não é causa de invalidação do negócio jurídico). ou pior. “quando o agente por desconhecimento ou falso conhecimento das circunstâncias age de um modo que não seria a sua vontade. diz-se que procede em erro”. No último caso. É um vício de consentimento.. Para Caio Mário. mas. qualidade. Para invalidar o negócio jurídico. acaba declarando a vontade de vender. mas acaba declarando a vontade de doar O objeto principal da declaração de vontade: exemplo. noção. figura negocial. o erro tem que ser essencial ou substancial e perdoável): ERRO ESSENCIAL OU SUBSTANCIAL É o que incide sobre elemento importante do negócio jurídico. como regra. na verdade. quantidade) ou de direito (imagina estar em conformidade com o ordenamento jurídico. A identidade ou qualidade da pessoa: é o caso de erro no casamento (obs. principalmente. Historicamente. 138/144) O erro ou ignorância é o resultado de uma falsa percepção. no qual a pessoa de boa-fé. A pessoa se engana sozinha. conforme o caso concreto. como regra esse erro é acidental. ex. Há uma diferença no plano teórico entre erro e ignorância. de modo que creio não se tratar de bom exemplo). sem ter sido induzida por ninguém. pessoa em galeria de arte que vê exposto à venda um quadro que acredita ser de Monet. por erro. Erro Ou Igonorância (Arts. ou pelo menos. o negócio jurídico não teria sido feito). a orientação acima já vinha sendo mitigada.3. não declararia a vontade de comprar. às conseqüências jurídicas dos fatos. está no plano psicológico. O erro pode incidir sobre (art.5. Há hipóteses que são de difícil solução para saber se se trata de erro essencial ou acidental: carro modelo 2004 e fabricação 2003. de comprar naquele preço. Nem todo erro pode levar a invalidade do negócio jurídico. porque. mas erra quanto à norma. (para Pablo. se conhecesse a verdadeira situação. O erro pode ser de fato (pessoa. se soubesse que não era. é uma falsa noção da realidade. mas. mas não o é. Erro de direito: é aquele. o sujeito que doar. Mesmo antes do CC/02.: o CC traz previsão expressa sobre o erro quanto à pessoa no capítulo de casamento. ao passo que a ignorância traduz a ausência total de conhecimento. mas o CC não a estabelece. deve preencher certos requisitos para possibilitar a anulação do negócio jurídico. equivoca-se quanto à interpretação ou ao alcance de uma norma jurídica. 139): A Natureza jurídica do negócio: p.1. não está). 139 traz as hipóteses em que o erro é substancial. o objeto ou o próprio negócio que se pratica. por contrastar com o princípio de que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei (princípio da obrigatoriedade das leis). pode estar querendo vender. mas essa apreciação deve levar em consideração as circunstâncias do caso concreto. o erro deve ser substancial (sem o erro. se o 100 . substância. As Qualidades essenciais do objeto: sujeito que queria comprar um anel de prata e compra de latão. o erro de direito nunca autorizou a invalidação do negócio jurídico.

é irrelevante ser ou não escusável o erro. não é capaz de anular o negócio jurídico. Vide art. a proteger a segurança. Caio Mário. na nova lei. conforme sustentado por Pablo Stolze Gagliano.. Arnaldo Rizzardo. Assim. O CC/16 somente previa requisitos que fossem relacionados ao emissor de vontade. como falado no item de interpretação do negócio jurídico. é um requisito que continua sendo exigido. que consiste no erro que seria cometido por qualquer pessoa que estivesse nas mesmas circunstâncias. exatamente o contrario de erro grosseiro. ERRO PERCEPTÍVEL ou CONHECÍVEL OU COGNOCILIDADE DO ERRO Erro perceptível ou conhecível ou cognocilidade do erro: requisito voltado para a pessoa que recebe a declaração de vontade (artigo 138 – erro perceptível por quem recebe a declaração da vontade). sendo que ainda assim será anulável (artigo 141). visando assim. A transmissão errônea da vontade pode ser feita por meios interpostos ou por declaração direta. O que se levará em conta é a diligência normal da pessoa para reconhecer o erro. Carlos Roberto Gonçalves.indivíduo estiver de boa-fé.”. A escusabilidade. CÓDIGO DE 2002 CONTINUA A EXIGIR O REQUISITO DA ESCUSABILIDADE. 101 .. Para Venosa.. EU (Rodrigo): isso NÃO MUDOU. sendo que essa característica (ESCUSABILIDADE) não é mais exigida pelo novo CC/02. a quem a manifestação de vontade se dirige. que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal. Há uma mudança de visão do legislador sobre o erro. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. Avultam de importância as condições e a finalidade social do negócio que devem ser avaliadas pelo juiz Não interessa se o erro é escusável ou não. em face das circunstâncias que cercam o negócio. quando o artigo 144 afirma que: o erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa. há que se ver a posição de um técnico especializado e de um leigo no negócio que se trata. se o erro não poderia ter sido percebido por quem recebe a declaração. o negócio só será anulado se o erro for passível de reconhecimento pela outra parte. nesse caso. Deve estar caracterizada a boa-fé. Outro aspecto interessante quanto ao receptor da vontade. ERRO ESCUSÁVEL Erro escusável: Escusável é o erro justificável. O novo CC/02. Essa questão ainda não é pacífica! Enunciado 12 do CJF: “Na sistemática do art. 138 “. Não existia nenhum requisito do erro que dissesse respeito à pessoa que recebia a declaração de vontade (ISSO MUDOU no novo CC). foi correta a supressão do requisito escusabilidade porque. torna-se secundária. Francisco Amaral (pesquisado em TODAS essas obras em out/2010). prevalece o princípio da confiançavalorização da eticidade-Enunciado 12 CJF/STJ. 138. Sob tal prisma. desculpável. mostrou-se sensível a isso. para ser caracterizado como erro essencial. não sendo causa de anulabilidade (artigo 143). se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. É requisito do CC/16. ERRO REAL Erro real: é o que traz real prejuízo (prejuízo efetivo).. porque o dispositivo adotou o princípio da confiança”. aplicação da Teoria da AutoResponsabilidade.

3. é requisito para a caracterização do dolo. DOLO NEGATIVO OU OMISSÃO DOLOSA Pode gerar ou dolo principal ou acidental. DOLOS MALUS É má intenção de induzir o outro a erro. Como regra. Dolo (Arts. esse dolo gera no máximo o pagamento de perdas e danos. Ataca a causa do negócio. pelas circunstâncias. parte ou não do negócio jurídico. mesmo conhecendo a realidade como um todo. somente em circunstâncias e condições distintas do que seria feito. estando relacionado à boa-fé objetiva e dever de informação. 145/150) O dolo é um vício de consentimento. DOLO BONNUS É um dolo tolerável das atividades negociais. Art. caso contrário o negócio é mantido e o terceiro responde pelas perdas e danos. Só anula o negócio jurídico se influenciar de modo relevante sobre o mesmo. somente levará à invalidação se a parte sabia ou. ou seja. devesse saber que a outra estava sendo induzida a erro. DOLO PRINCIPAL É a substância da relação jurídica. É causa de anulabilidade. DOLO BILATERAL ou DOLO RECÍPROCO Ninguém pode alegá-lo. no dolo. se ele fosse conhecido o negócio jurídico não seria feito. Muitas vezes. é a vontade de obter vantagem indevida para si ou para outrem. (exaltação sobre as qualidades que a coisa tem) 102 . o negócio subsistirá. mas não o faz. Há o induzimento malicioso do contraente a erro. No erro. Art. DOLO ACIDENTAL O negócio jurídico seria feito de qualquer forma.2. 150. o agente percebeu sozinho mal os fatos. 147. o dolo de terceiro não é causa de anulação do negócio jurídico. nos termos do art. para anular o negócio jurídico. Não anula o negócio. 146. gerando apenas a obrigação de pagar perdas e danos. DOLO DE TERCEIRO Se é de conhecimento de quem está tirando proveito (houve conluio) responsabilidade para os dois e será caso de nulidade relativa.5. a pessoa está sendo induzida a ter uma falsa percepção da realidade. É requisito previsto no artigo 145. Mas se quem vai tirar proveito não souber do dolo do terceiro. sendo que o terceiro deve arcar com perdas e danos. ou seja. uma das partes sabe que tem que informar à outra quanto às características. é a indução ao erro por terceira pessoa. É o dolo que ataca elementos secundários do negócio jurídico. a percepção errônea dos fatos foi induzida por outrem. É esse o dolo que anula. por indução à percepção falsa da realidade. é expresso em técnicas publicitárias.

p.. A figura do homem médio não pode ser utilizada. que se sente atemorizada. o sujeito declara uma vontade que não queria declarar. Mas se ao temor reverencial for agregada uma ameaça séria ou grave. Assim. o negócio não será válido. porque a coação é sempre apreciada em concreto. 103 . o dolo feito para garantir o próprio bem do enganado. numa ameaça séria e idônea de algum danou. as circunstâncias OBJETIVAS também devem ser consideradas para a análise da gravidade da ameaça. ex. 2) A ameaça deve ser grave. REQUISITOS ESPECÍFICOS A coação para invalidar o negócio jurídico deve se revestir de alguns requisitos específicos: 1) A ameaça deve ser a causa determinante da realização do negócio jurídico. CC. que consiste numa pressão psicológica.3. É também um vício de consentimento. mas. também é declarada uma vontade que não se queria declarar. ou seja. Coação (Arts. que conduz à emissão forçada da vontade. patrão e empregado. A violência física (vis absoluta) para parte da doutrina consiste em nulidade. Outra corrente entende que se trata de ato inexistente. por conta da violência sofrida. sem intenção de obter vantagem para si ou para outrem. Na coação. a sua base é a VIOLÊNCIA. porque não há qualquer declaração de vontade (Caio Mário). Ainda considerando a gravidade da ameaça. 3. O temor reverencial existe sempre nas relações hierárquicas (entre pai e filho. Mesmo que o CC/02 não diga. Pontes de Miranda dizia que o temor reverencial não se traduz coação. o simples temor reverencial afasta o requisito da gravidade da coação.O dolus bonnus tem como limites o CDC (propaganda abusiva ou publicidade enganosa). 151/155) A coação consiste em violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que lhe é prejudicial.5. Para viciar o negócio. nos termos do artigo 152. que leva a pessoa a emitir a vontade viciada. A coação é o constrangimento ameaçador. feita à noite em uma rua escura é mais grave do que de dia em rua movimentada. p.vis compulsiva). nem o simples temor reverencial (artigo 153). o legislador quis dizer que o negócio praticado por simples temor reverencial é plenamente válido.. pai que manda sob ameaça que a filha assine um aval. ex. Essas circunstâncias são SUBJETIVAS e devem ser consideradas tanto em relação ao ameaçado quanto ao ameaçador. superior e subordinado militar). ou. A coação (violência que é a causa da vontade). e por isso. o CC/02 afirma que não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito. deverá ser relevante. é a coação moral (psicológica . como causa de anulabilidade do negócio jurídico prevista no CC/2002 . deve ser uma ameaça séria capaz de incutir temor na vítima. por ter-se suprimido a vontade (Venosa).art. 151. escolhe declarar a sua vontade. viciada é claro. se além dele houver uma ameaça. em razão de efetivo temor à ocorrência de mal injusto e grave. poderá se configurar a coação. é uma ameaça que infunde receio à vítima. ou pelo menos daquela forma. porque não haverá somente um simples temor reverencial.

imediato ou atual. há responsabilidade solidária entre o terceiro e a parte a quem aproveite. apesar de em outros ordenamentos não ser assim. ou princípio geral do CC/16. A lesão. No CC/16. Nela. é sempre alguém que não está emitindo vontade. acolhendo a alegação de lesão para a anulação do contrato. ou seja. ou aplicando analogicamente o CDC. a coação de terceiro sempre viciava o negócio jurídico. e ameaça processá-la por adultério caso não abra mão de seus bens.5. que será causa de nulidade absoluta). a parte vai assumir uma obrigação excessivamente onerosa.. o contrato pode ser impugnado por lesão. por meio de uma prestação excessivamente onerosa. É causa de anulação do negócio jurídico (exceto. Lesão (arts. no CDC. familiares e amigos íntimos. mas não no sistema jurídico. No estado de perigo. Houve julgado do STJ nesse sentido. 4) A ameaça de dano deve ser eminente e atual à pessoa. Mesmo antes do NCC.3) A ameaça deve ser injusta. a jurisprudência permitia a aplicação da lesão. principalmente. responderá solidariamente pelas perdas e danos. agora não. isso é injusto. traduz o prejuízo resultante da desproporção existente entre as prestações do negócio jurídico. ou seja. sob a alegação de ilicitude. O negócio nasce desequilibrado e desproporcional. da necessidade econômica ou inexperiência de um dos contratantes. se não for assim. É novidade no CC/02. mas de maneira abusiva ou desrespeitosa. vício conectado ao abuso de poder econômico. pretende evitar desequilíbrios congênitos exagerados das relações jurídicas. 3. Terceiro é sempre o que não está envolvido no negócio jurídico.521/51 (Lei de Economia Popular). ou seja. porque se a ameaça for feita por um exercício regular de direito. 157) É um instituto que remonta ao Direito Romano. O dano tem que ser próximo. A primeira lei que constou a lesão foi a lei criminal Lei 1. 5) A ameaça deve ser proporcional entre os bens. ex. É uma reação ao abuso do poder econômico. e nesse caso responderá solidariamente com o terceiro por perdas e danos. pois. É um mecanismo jurídico que quer evitar que relações jurídicas já se iniciem excessivamente desequilibradas. somente vicia se houver ciência ou devesse haver ciência da parte beneficiada.O que não pode ocorrer é ameaçar alguém do exercício regular de seu direito.4. mas. Na coação feita por terceiro. p. COAÇÃO DE TERCEIRO O CC/02 passou a tratar a coação de terceiro. com o surgimento do contrato de adesão. 104 . por motivo de perigo. ainda assim. o conteúdo do contrato está com um desequilíbrio. não há qualquer invalidade do negócio jurídico não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito (artigo 153). em tal caso. porque já existia no CDC (cláusula abusiva: sendo a lesão causa de nulidade absoluta). o negócio é mantido e o terceiro responde sozinho pelo perante o prejudicado. marido que flagra mulher em adultério. Se o beneficiário não sabia ou não tivesse como saber. o negócio será anulado se o beneficiário sabia ou devesse saber da coação. o dano não provoca temor suficiente que justifique a prática de um ato. A lesão é uma balança desequilibrada. O CC/02 não pode ser aplicado retroativamente. em face do abuso.

Esse dolo de aproveitamento consiste no fato de que é exigível que quem está levando vantagem que saiba ou deva saber do estado de necessidade ou estado de perigo ou inexperiência do lesado. A inexperiência é verificada no caso específico. ora a quem está levando vantagem. Quando relacionado com o indivíduo em desvantagem. REQUISITO OBJETIVO Está relacionado com o desequilíbrio exagerado. Em alguns ordenamentos. há a tarifação do desequilíbrio. e não a sua invalidação. que não tem correlação com o dolo do negócio jurídico. o ESTADO DE PERIGO ou INEXPERIÊNCIA. mas sem nominá-la como tal. no instante da contratação. que permite a revisão do contrato. Relacionado com quem está em vantagem. com conseqüente vantagem do fornecedor. um parâmetro quantitativo para a caracterização da lesão. basta o requisito objetivo). O Código Civil optou por um conceito aberto. causando dano ao hipossuficiente. autorizando o juiz a invadir o contrato e reequilibrar a situação. de antemão. No CDC (não há exigência de requisito subjetivo. REQUISITOS SUBJETIVOS Ora diz respeito a quem está levando desvantagem no negócio. Pablo afirma que o estabelecimento desse dolo é feito pela doutrina clássica. o lesado.Importa frisar que a desproporcionalidade entre as prestações que incumbe às partes deve ocorrer no momento da declaração da vontade. devendo invocar a onerosidade excessiva. nos termos dos arts. 478 a 480 do NCC. Para Venosa.521 (crimes contra a economia popular) já previa um caso de lesão tarifada no ordenamento. o requisito subjetivo pode ser a NECESSIDADE. O CDC afirma que é uma causa de revisão de qualquer dispositivo contratual que represente uma excessiva desvantagem para si. É que. “o requisito subjetivo consiste no que a doutrina chama de dolo de aproveitamento e afigura-se na circunstância de uma das partes aproveitar-se da 105 . segundo os valores da época da contratação. trata-se do DOLO DE APROVEITAMENTO. não poderá o interprete se socorrer da lesão. REQUISITOS CAIO MÁRIO (necessários dois elementos) Objetivo lucro exagerado. preço superior. já existia a previsão de lesão. apenas. O legislador consumerista exige que seja um desequilíbrio excessivo. apenas ocorrendo no decorrer do cumprimento do negócio. pretendeu o legislador proteger a justiça). desproporcional (não se quer impedir o bom ou o mau negócio. no caso posto à apreciação judicial. manifesto. desproporção entre as contraprestações Subjetivo aproveitamento da necessidade econômica ou da inexperiência. não definindo. A necessidade pode ser encarada como a precisão do bem. o que somente ocorrerá em concreto. dizendo que haveria lesão se a parte levasse mais de 20%. Está ligada à idéia de pré-contratação sem um equilíbrio contratual entre os contraentes. A Lei 1. se a desproporção for superveniente.

Para Cristiano Chaves. o requisito subjetivo se caracteriza pela inexperiência (compreendida a partir das condições pessoais do contratante. observa-se que o § 2º do art. Para alguns. por exemplo. Resultado: não havia imóveis suficientes na cidade para abrigar todas essas pessoas. leviandade ou estado de premente necessidade. mas avalia mal a extensão e as conseqüências da obrigação que está assumindo. é aplicável aos contratos nos contratos oneroso comutativos. 157 do Código Civil estabelece que não será declarada a anulação do negócio por lesão. auferindo lucro desproporcional e anormal”. caso seja oferecido suplemento 106 . Pablo: o legislador NÃO exigiu o DOLO DE APROVEITAMENTO. Estado de necessidade É o mesmo instituto do direito penal. Em regra. se decorrer de risco à pessoa. Godoy: acredita que o dolo de aproveitamento está presumido de maneira relativa (mas essa matéria é aberta). quando. e acabaram por alugar tais imóveis. Código Civil Italiano e o brasileiro tratam o estado de perigo separadamente da lesão. Moreira Alves afirma que a lesão é objetiva. Assim a inexperiência ou o estado de necessidade não precisam ser conhecidos de quem está levando vantagem. sendo desnecessária a intenção do agente de obter lucro exagerado. no entanto. porque aí é estado de perigo e não lesão. Tal indústria geraria mais de 1. não é que o lesado é incapaz. O CC/02 não o exige para a configuração da lesão. Inexperiência (ou Inocência) Não pode ser confundida com incapacidade. nem é necessária a intenção de prejudicar.500 empregos. por ser um indivíduo pouco versado no negócio que está entabulando. Os funcionários. Por isso. mas não há risco de vida para ninguém o indivíduo busca o carro pipa que está na rua e manifesta o seu interesse em comprar a água. em virtude da necessidade. que a parte que se beneficia conheça a situação de inferioridade. ele é plenamente capaz. Tais situações psicológicas são aferidas no momento do contrato. 167. vê-se que a tese tem fundamento. como a sua situação social. de modo que os proprietários passaram a exigir aluguéis absurdos. SALVO. cultural ou educacional) ou premente necessidade (impossibilidade de evitar o negócio. Basta. Há um exemplo prático que vem sendo utilizado com freqüência: determinada empresa instalou um pólo industrial em determinada cidade. sendo inexpressivos para a outra. Exemplo: a loja está pegando fogo. Não há necessidade de o agente induzir a vítima à pratica do ato. dispensado o chamado dolo de aproveitamento da parte beneficiada. Por último. o estado de perigo é uma forma de lesão. Basta que o agente se aproveite dessa situação de inferioridade em que é colocada a vítima. há nítida lesão. os riscos consideráveis do negócio são imputados a uma das partes. exclusivamente considerada em relação àquela contratação específica) do lesado no momento da contratação. também não é uma hipótese de erro (percepção errônea da realidade). a doutrina prevalente tem entendido que a lesão. explorando-se situação de inferioridade.outra pela inexperiência. Pela redação do art. que estavam de mudança. o inexperiente entende bem os fatos. levando a outra parte a um lucro exagerado. entende que a lesão pode ser aplicada também nos contratos aleatórios. o dono do carro pipa vende a água por valor absurdo e o dono da loja concorda. como causa de anulabilidade dos negócios jurídicos. não tinham outra opção. muito pequena. portanto. em clara existência de lesão. Cristiano Chaves.

355-7.5.suficiente ou se a parte favorecida concordar com a redução de seu (exagerado) proveito. REQUISITO OBJETIVO NÃO-TARIFADO obrigação excessivamente onerosa REQUISITO SUBJETIVO EM RELAÇÃO LESADO estado de perigo REQUISITO SUBJETIVO EM RELAÇÃO AO APROVEITADOR grave dano conhecido pela outra parte / dolo de aproveitamento O estado de perigo traduz um perigo concreto e real de dano à saúde biopsicológica do declarante ou de pessoa próxima. É causa de anulação do negócio jurídico. Exemplo: exigência de garantia na porta dos hospitais.5. de grave dano CONHECIDO PELA OUTRA PARTE. com redução de valores. configurando-se quando o agente.º 833. o perigo é causado por situação natural ou por terceiro. premido da necessidade de salvar-se. Apelação n. 3. Está associado a PERIGO FÍSICO. cumulada com pedido de indenização por danos morais. assume obrigação excessivamente onerosa (Pablo). Ação anulatória. Decisão reformada em parte. conhecida pela outra parte. o agente acaba realizando um negócio em situações bastante desfavoráveis. Emissão em caução. da Comarca de São Paulo. 2 – Dano moral resultante da apresentação e devolução do cheque. Godoy: é uma espécie de lesão. para assegurar internação hospitalar de parente em grave estado de saúde. julgamento em 19/03/2004) 107 . para resolver a situação. diante de uma situação de perigo. pois o título não foi protestado. O estado de perigo causará a anulação do negócio jurídico (artigo 172). o juiz decidirá segundo as circunstâncias. Não configuração. Estado De Perigo Trata-se da aplicação do estado de necessidade no direito civil. configura-se o ESTADO DE PERIGO quando alguém. apesar de em outros ordenamentos não ser assim. Inexigibilidade reconhecida. É uma novidade no CC/02 (não no sistema jurídico). Improcedência decretada em primeiro grau. perigo voltado para as pessoas e não para as coisas. tornando as prestações mais equiparáveis. relator Campos Mello. o sujeito está sob ameaça de ocorrência de um dano iminente. Artigo 156. Estado de Perigo CHEQUE. 12ª Câmara. Ausência de reflexos extrapatrimoniais. nem foi intentada ação de cobrança. assume OBRIGAÇÃO EXCESSIVAMENTE ONEROSA. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante. ou a pessoa de sua família. Não é válida obrigação assumida em estado de perigo. Mas é muito usual ajustar-se o negócio jurídico à realidade. É um vício parecido com a coação. Parágrafo único. Exemplo: judeus que venderam suas casas na Alemanha nazista. Aplicação dos princípios que regem situação de coação. 3 – Recurso da autora provido em parte” (Primeiro Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo.

No entanto. Art. o disposto no. § 2º do art. a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores.6. que trata do instituto da lesão. ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.Art. Presumem-se. poderão ser anulados pelos credores quirografários como lesivos dos seus direitos. 108 . Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for. por analogia. O credor quirografário. Parágrafo único. § 2º. em razão da diminuição ou esvaziamento do patrimônio daquele. que exerce contundente influência sobre a vontade do agente que declarará a vontade. Art. 156) aplica-se. de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil. desobrigar-se-á depositando-o em juízo. Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. porém. ficará obrigado a repor. enquanto no estado de perigo a ameaça provém de simples circunstância fática (apenas conhecida da outra parte). ainda quando o ignore. o corrente. 3. com a citação de todos os interessados. se os praticar o devedor já insolvente. aproximadamente. 160. Art. conservando negócio. uma vez que as partes poderão acordar de tal forma. Frise-se ainda que. quando a insolvência for notória. 163. aquilo que recebeu. embora o Código Civil não tenha estabelecido para o estado de perigo regra similar a do art. 157. que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida. § 1o. com o propósito de prejudicar seu (s) credor (es).5. ou por eles reduzido à insolvência. ou à subsistência do devedor e de sua família. Nesse sentido. poderá depositar o preço que lhes corresponda ao valor real. Art. 156: Ao “estado de perigo” (art. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor. para conservar os bens. Fraude Contra Credores A fraude contra credores é vicio social. 162. ou industrial. traduzível pela prática de um ato de disposição patrimonial pelo devedor. § 2o. o adquirente. em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. e autoriza a não decretação da anulabilidade se a parte favorecida concordar com a redução de seu proveito. Se inferior. 157. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente. Art. rural. Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear anulação. Artigo 158. Artigo 159. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida. distinguem-se porque na coação a ameaça é oriunda de pessoa interessada na pratica do ato (uma das partes do negócio ou terceiro). 165. Enunciado nº 148 do Conselho Federal de Justiça: Enunciado nº 148 . Anulados os negócios fraudulentos. 164. É que em ambas as figuras o agente não manifesta livremente sua vontade. existe posição doutrinária no sentido de que tal possibilidade é perfeitamente aplicável ao estado de perigo.Observa-se que existe uma certa similitude entre o estado de perigo e a coação (moral).

É caso de anulação do negócio jurídico. O patrimônio do devedor é garantidor do crédito dos credores. c) contratos onerosos do devedor insolvente. REQUISITOS O legislador teve que conciliar dois interesses: credor X terceiro adquirente. A fraude contra credores tem uma vítima específica que é o credor. REQUISITO OBJETIVO 109 . não há disfarce e não há mentira. penhor ou anticrese. a sanção é a ineficácia. em detrimento dos demais (art. 2) ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. d) antecipação de pagamento feita a um dos credores quirografários.Parágrafo único. 162). em duas hipóteses: 1) quando a insolvência for notória. É vício social e não vício de consentimento. e) outorga de garantia de dívida dada a um dos credores em detrimento dos demais (art. prejudicando um credor. O sujeito declara exatamente a vontade que quer declarar. mediante hipoteca. A fraude ocorre por meio da realização de um ato negocial que diminui o patrimônio do devedor. Em outras leis especiais. b) negócios de remissão de dívidas. 163). Godoy: seria melhor que o CC estabelece a ineficácia do ato. assim. os seus efeitos jurídicos não estão ocultos. Hipóteses legais de fraude contra credores: a) negócios de transmissão gratuita de bens (artigo 158): é a hipótese mais grave. prejudicando credor preexistente. A fraude acontece em casos de alienação ou gravação de bens de patrimônio a terceiro. Na fraude à execução. SUJEITOS ENVOLVIDOS Há sempre 03 sujeitos envolvidos:  devedor (que aliena ou grava em favor do terceiro adquirente). Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais. sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada. resolveu esse problema estabelecendo requisitos para a configuração da fraude. mas os seus efeitos causam prejuízo a credor. há outras hipóteses.  terceiro adquirente.  credor (que é prejudicado pela alienação ou gravação por haver uma diminuição do patrimônio do credor que deixa de ser suficiente para fazer frente a um crédito que já existia).

 Na transmissão onerosa. nem se cogita da necessidade de ciência do terceiro adquirente. AÇÃO PAULIANA A AÇÃO PAULIANA (ação revocatória e anulatória em nada diferente da ação que será ajuizada contra os demais vícios de anulação) é o instrumento utilizado pelo prejudicado. que tem ciência de que o negócio jurídico irá reduzir o patrimônio a ponto de não mais fazer frente ao crédito existente. não se exige a comprovação de que haja um ajuste entre o comprador e o vendedor. vendedor quer vender tudo que tem. assim. REQUISITO SUBJETIVO É o consilium fraudis não é a combinação que pudesse ser necessária entre devedor e adquirente para prejudicar. A presunção é relativa. Exemplo: vendedor que deve muito. mas. quando isso não acontece trata-se de insolvência. a garantia tenha se tornado insuficiente. Na fraude é feito um negócio jurídico que reduzirá o devedor à insolvência. presume-se a má-fé do terceiro adquirente: a. desde que. pode acontecer que no pólo passivo figure o terceiro adquirente de má-fé. 158 é absoluta). a má-fé é presumida. insolvência presumida – a aquisição se faz em condições tais que levariam o adquirente a desconfiar: preço vil. o legítimo era o credor quirografário. prova-se somente o eventus damni.  Na transmissão gratuita. porque os demais já tem uma garantia. b.É o eventus damni (o patrimônio do devedor alienante se torna insuficiente para fazer frente ao crédito do credor). que não está despendendo nada para adquirir. ou vai piorar a sua situação de insolvência. Consiste somente na má-fé do terceiro (Pablo: é a má-fé do devedor e não do terceiro). e a presunção do caput do art. note-se que nos contratos de boa-fé. assim. Quando o cidadão quer fraudar. não pode o terceiro ser colocado no pólo passivo. A idéia de solvência é a de que há patrimônio suficiente para arcar com seus débitos. Nos negócios gratuitos. São casos em que o consilium fraudis é presumido ou seja. o terceiro de boa-fé não será réu da ação pauliana. alienação clandestina. A legitimidade ativa é do credor anterior à fraude (credor pré-existente). o credor não irá poder perseguir o bem. Se estiver de boa-fé a lei resguarda o terceiro. ele é rápido. os credores posteriores não terão. Pode ser dispensado quando se tratar de ato de alienação GRATUITO (a má-fé do devedor é presumida. 110 . deverão estar provados os dois requisitos. O bem protegido na ação pauliana será revertido para todos os demais credores. tem muitos protestos contra si. No CC/16. sem um motivo aparente. insolvência notória – o terceiro adquirente está adquirindo de alguém que é notoriamente insolvente. o credor com garantia também pode ter interesse na pauliana. nos termos do novo CC.

representada por YUSSEF CAHALI. trata-se de sentença ANULATÓRIA (artigo 165). A vantagem dessa posição reside no fato de que se o devedor conseguir dinheiro e pagar ao credor o negócio é válido. A jurisprudência tem permitido que seja desconstituída a personalidade jurídica para ser alcançado o patrimônio particular do sócio. o negócio é válido. Os contraentes pretendem criar aparência de um ato. entende que a sentença pauliana é apenas DECLARATÓRIA da ineficácia jurídica do negócio fraudulento em face do credor prejudicado. ou seja. A simulação é um grande disfarce. que está oculto. Não há processo judicial em andamento. (interesse do credor E DO ESTADO) Quando o juiz reconhece a fraude. de forma a afastar a fraude contra credores. o sujeito não quer alcançar o efeito jurídico que está evidente. Não tem reflexos penais Pode ter reflexos penais Exige ação pauliana. foi tratada pelo art. prejudicando o credor. o imóvel que retornou ao acervo do devedor em decorrência da pauliana não pode ser protegido pelo bem de família.6. mas é ineficaz em relação do credor. oposição entre o pretendido e o declarado.5. credor a venda ou gravame ineficaz. mas INEFICAZ em face do credor (PABLO). o emissor da vontade quer um outro efeito jurídico. com base em LIEBMAN. a contar da celebração do negócio fraudulento. O bem de família fica afastado. Simulação A simulação. O sujeito declara exatamente a vontade que queria declarar. autônoma e específica Declarável incidentalmente 3. As partes desejam mera aparência do negócio e criar ilusão de existência. 167 do Código Civil de 2002. para assim surgir aos olhos de terceiros. Quando o juiz reconhece a fraude. retornando o bem ao patrimônio do devedor. ele ele considera ineficaz perante o considera anulado o ato. A característica fundamental do negócio simulado é a divergência INTENCIONAL entre a vontade e a declaração. Segundo o novo CC/02. Acontece que existe uma parcela (minoritária) da doutrina. como causa de nulidade. não pretendido pelo sujeito.A ação pauliana tem prazo decadencial de 04 anos. É tratando-se de instituto de direito instituto de direito material processual O que está sendo fraudada é a O que está sendo fraudado é o crédito do atividade estatal de jurisdição credor. O que aparece 111 . desconstitutiva. FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO Há processo judicial em andamento. Há. na verdade. para não prestigiar a má-fé do devedor. entretanto para essa declaração a lei reserva um determinado efeito jurídico. ou seja. Na verdade. Concurso: qual a natureza jurídica da sentença da ação pauliana? Há uma questão que deve ser pedida em fase discursiva.

é causa de invalidade do negócio jurídico. o que é vedado. No Código Civil de 1916. Exemplo: compra e venda por preço menor que esconde a compra e venda por preço maior. citando Sílvio Rodrigues). O juiz. a simulação pode ser alegada por quem tenha participado. SIMULAÇÃO ABSOLUTA O negócio jurídico é totalmente distinto do que está expresso. A possibilidade de fazer valer o negócio jurídico oculto faz parte da punição a quem simulou. em decorrência do princípio da conservação. Na simulação. As partes criam um negócio jurídico destinado a não gerar efeito nenhum. tanto as nulidades quanto as anulabilidades são espécies do gênero invalidade do negócio jurídico.não é o que o sujeito quer. a venda do imóvel locado para encerrar a locação. permitindo a alegação de simulação. Mas o legislador foi sábio. porque deu com uma mão (alegação de nulidade) e segurou com a outra. Por exemplo: pacto comissório que é a possibilidade de o credor ficar diretamente com a coisa dada em garantia. Sendo tratada como nulidade. quando se verifica a farsa. isso causava um problema no caso de empréstimos usurários. aproveita-o. A simulação é o único vício do negócio jurídico no qual ocorre a nulidade absoluta. marido com receio da separação de bens. a simulação é uma grande mentira. quando houver interposta pessoa. 3. Esconde um efeito jurídico indevido. diante do contrato simulado. Esconde um outro negócio jurídico. mas não do jeito em que foi declarado. MODALIDADES DE SIMULAÇÃO SIMULAÇÃO RELATIVA OU DISSIMULAÇÃO O negócio jurídico existe. A simulação passou a ser tratada como nulidade por conta da agiotagem. já que a nulidade do negócio jurídico simulado não poderá jamais prejudicar terceiro de boa-fé. a simulação maliciosa (Cristiano Chaves. Por isso. 112 . 166 e 167 do CC) e as de anulabilidade (art. se puder. ou seja.6. sem ser um outro negócio jurídico. cujo efeito é proibido por lei. explica-se: no artigo 104. Invalidades O plano de validade do negócio jurídico abrange as hipóteses de nulidade (art. CC/16. desde que preenchidos os requisitos. mas o negócio jurídico dissimulado pode ser válido. que na verdade ficarão guardados para o marido. que entende que a simulação só seria causa de nulidade se causasse prejuízo de terceiros ou infringência à lei. Exemplos: assinatura da promissória para enganar os credores. celebra-se o negócio jurídico que tem aparência normal.171 do CC). Frise-se que existe corrente doutrinária minoritária. simula com o amigo a transferência de bens. na verdade. Negócio jurídico simulado é nulo. que dizia que quem tinha dado causa à simulação não poderia alegar a sua anulação. o que não foi repetido pelo novo CC. A simulação sempre decorre de um acordo. mas que não pretende atingir o efeito que deveria produzir. havia uma distinção entre a simulação inocente (aquela que não frauda à lei e não causa prejuízo a terceiros) e maliciosa. que sempre funcionam por meio de negócios disfarçados.

o negócio é de verdade.: causa de um contrato de locação seria a transferência da posse mediante recebimento do valor. De acordo com a gravidade do vício. por outro turno. somente o interessado pode provocá-la. Tiver por objetivo fraudar lei imperativa (difere da simulação. EXEMPLO: o casamento deve ser celebrado de portas abertas. A anulabilidade. desde logo. 113 . mas viola lei imperativa. g. à própria pacificação social. Agente ABSOLUTAMENTE incapaz: incapacidade deve ser absoluta b. 166 CC) a. 104. qualquer interessado pode suscitá-la e o juiz pode conhecer de ofício. no CC/02. se. o legislador estabelece uma graduação na sanção (= reação do ordenamento jurídico). servindo esta distinção para fixar. em princípio não anularia o NJ se afeto à somente uma das partes. prescrevendo sanção mais grave em determinados casos e menos grave em outros. sem obedecer à Lei de Parcelamento do Solo). p. Não deixa de ser hipótese de inobservância de forma. possível. Ou seja. (art. e. porque considera que o interesse seja menos da sociedade e mais das partes envolvidas no ato jurídico. PS (Rodrigo): há autores que diferenciam causa e motivo do negócio jurídico. 104. é expressamente prevista como negócio ANULÁVEL). f. A causa seria a finalidade declarada do negócio. A causa é comum a todos os NJ da mesma espécie (ex. 104: “a validade do ato jurídico requer agente capaz (art. For ilícito. Essa fraude à lei é muito genérica.Convém assinalar que. é menos grave. O motivo determinante. teria força para anulá-lo. ou proibir-lhe a prática sem cominar sanção (parte final é novidade) (venda de ascendente para descendente. A lei taxativamente o declarar nulo. as invalidades dependem de expressa previsão legal. Caso seja ilícito e COMUM A AMBAS AS PARTES. o caso é de anulabilidade.. objeto lícito. ocorre muito nos âmbitos do Direito Trabalhista e Direito Tributário. por sua vez. A nulidade viola interesse público. ampla. querer vender lotes sem atender aos requisitos legais. 1) NULIDADE (NULIDADE ABSOLUTA) De modo geral. a legitimidade para pleitear o reconhecimento da invalidade: em se tratando de nulidade. subjetivo. Não revestir a forma prescrita em lei. Exemplo: escritura pública de compra e venda de imóveis com valor superior a 30 SM. Ela não interferiria na validade do NJ. d. causa de uma compra e venda é a transferência de propriedade mediante pagamento do preço). cuja proteção interessa a todos. comprometendo interesses particulares. determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei (art. impossível ou indeterminável o seu OBJETO c. somente podendo estar caracterizadas por expressa previsão no ordenamento jurídico. o motivo. For preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade (é hipótese muito próxima da prevista no item anterior). I). por ser interno. em se tratando de desconformidade com o ordenamento jurídico. o sujeito começa a vender partes ideais. e o motivo o conjunto de razões internas – pessoais – que levaram as partes à celebração do NJ. for ilícito (se o motivo permanecer na esfera pessoal do agente. II e III)”. ex. não há uma vítima específica. não é causa de nulidade do negócio jurídico). a nulidade decorre da violação a um dos requisitos de validade estabelecidos pelo art. porque aqui. comum a ambas as partes.

182 do Texto Codificado. ele produzirá sim efeitos). Caso o devedor já tenha cumprido parte do negócio. PS (Rodrigo): Doutrina moderna sustenta que o ato. que o ato nulo não prescreve. Tratando-se de vícios de natureza privada. Enfim. A anulabilidade. ajuizada pelo interessado exclusivamente. inclusive pelo Ministério Publico. uma vez que. Como se trata de vício não convalidável. assim. ato anulável admite a confirmação. porém. 173. via de consequência. irratificável. tem-se presente. subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido. Percebe-se. o interesse privado. ou a requerimento do interessado ou do Ministério Público. violado. (arts. não havendo. produziria efeitos apenas ex nunc) 114 . no sentido de impedir que continuem se produzindo. por óbvio. que o art. em que pese as antigas divergências doutrinárias. gravidade tão relevante quanto na hipótese de nulidade. caracterizada pela manifesta desconformidade entre a vontade declarada pelas partes e a vontade concretamente pretendida por elas. induvidosamente. Note-se. a simulação era causa de anulabilidade. pode produzir efeitos. em princípio. 174. o que pode ser facilmente perceptível na vida prática (celebrado contrato nulo. em conformidade com o art. podendo. a confirmação expressa será dispensada (art. se o negócio nulo contiver os requisitos de outro. CC). CC). Assim. e) juiz. que. resguardando-se. ciente do vício que o maculava. se houvessem previsto a nulidade. Em virtude da gravidade do vício infringido. produzindo efeitos ex tunc (retroativos). também na anulação do negócio jurídico as partes deverão ser reconduzidas ao estado que antes dele se achavam. constitutiva negativa (desconstitutiva). mas que não se suscite sua nulidade. respeitadas determinadas circunstâncias e os requisitos de validade quanto ao “novo” NJ. o desajuste entre vontade real e a vontade afirmada negocialmente. temos uma alteração na natureza da ação anulatória. Pode ser invocada por qualquer c) Inadmite confirmação. admitindo uma verdadeira recategorização de determinado negócio para outro de diferente espécie. basicamente. quando tenha de intervir. por força do art. pois. é reconhecida por meio de ação anulatória. inclusive. 169 e 170 CC) Assim. os direitos de terceiros.(a simulação será tratada com mais detalhes adiante). 182 do CC. pode-se apresentar as características elementares da nulidade do negócio jurídico: a) Opera-se de pleno direito. (ou seja. desde que não seja requerida sua invalidação. sendo. 169). pelo próprio juiz. (outra hipótese do princípio da conservação dos negócios jurídicos). ao contrário do CC/2002. d) É imprescritível. b) interessado. 170 do Código Civil trouxe o instituto da conversão substancial. O ato ou negócio jurídico anulável produzirá regulares efeitos até que lhe sobrevenha decisão. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo (art. 167 contempla outra hipótese específica de nulidade: a SIMULAÇÃO. que pode ser expressa ou tácita. nem convalesce pelo decurso do tempo (art. pois. cuja natureza é. considera o ordenamento jurídico que o ato ou negócio nulo não produza qualquer efeito jurídico. mesmo nulo. ser reconhecido como tal ex officio. Ressalte que no Código Civil de 1916. o negócio jurídico não é suscetível de confirmação.O art. Pode ser conhecida ex officio pelo 2) ANULABILIDADES (NULIDADES RELATIVAS) No que pertine às anulabilidades.

estado de perigo. As características das anulabilidades podem ser organizadas da seguinte forma: a) O negócio existe e gera efeitos concretos até que sobrevenha a declaração de invalidação. repita-se!) será de dois anos. 167 do Codex. enquanto o anulável produz condicionados à não-prolação de uma sentença desconstitutiva. (arts. devem as partes retornar ao estado anterior (art. Leonardo Mattietto afirma. Desfazem-se as obrigações e direitos fundados no negócio anulado. 182). neste ponto. estará comprometendo o negócio em sua própria formação e origem. A eventual proteção de terceiros de boa-fé. 178. e) O juiz não pode conhecer a anulabilidade de ofício. 171 da Codificação dispõe sobre a anulabilidade.Ademais. determinando que. restituindo as partes ao status quo ante. desfazendo todas as consequências produzidas. considerar-se-á que o prazo (decadencial. as partes restituem-se mútua e reciprocamente”. o dolo ou a coação. nem obsta o reconhecimento da invalidade. assim. Ambas. O art. Serão anuláveis. pois. ser “equivocada a afirmação. Cabe salientar. Disso não diverge Zeno Veloso. o prazo (decadência) para pleitear a anulação de negócio jurídico. os atos praticados por agente incapaz relativamente (art. 172/184) 115 . quando a lei dispuser que determinado ato é anulável sem estabelecer prazo para pleitear-lhe a anulação. tão comum. diante dos efeitos da anulação. por força do art. Insista-se que. uma vez proclamadas. lesão ou fraude contra credores”. reconduzindo as partes ao status quo anterior. CC). contados a partir da data da conclusão do ato ou do negócio jurídico (art. restaurando o estado anterior. 179. porém de nulidade. é anulável o negócio jurídico: I – por incapacidade relativa do agente. a nulidade e a anulabilidade. Entretanto.º. nos temos do art. ao passo que a sentença que decreta a anulação de um ato jurídico produz efeitos ex nunc. c) Admite-se ratificação. produzem efeitos ex tunc. que tanto a sentença que reconhecer a nulidade quanto a sentença que reconhecer a anulabilidade produzirão efeitos ex tunc. Nesse sentido. o negócio nulo não produz efeitos. não produzindo qualquer efeito o ato simulado. 4. II – por vício resultante de erro. b) Somente a pessoa juridicamente interessada poderá promover a anulação negocial. nem o Ministério Público pode suscitá-la. é de quatro anos. De fato. sobrevindo tal decisão. CC) ou com defeito do negócio jurídico (que podem dizer respeito ao consentimento – erro. como prevê a lei civil. d) Submete-se aos prazos decadenciais. coação. Portanto. não infirma este raciocínio. não sendo possível ao juiz conhecê-la de ofício ou ao Parquet suscitá-la quando tiver de intervir no processo. de que a sentença que declara que um ato é nulo produz efeitos ex tunc. com precisão cirúrgica. elucidando que “tanto a sentença de nulidade quanto a que anula o negócio têm eficácia retrooperante. “além dos casos expressamente declarados em lei. a lesão e o estado de perigo – ou ao prejuízo imposto a terceiros – é o caso da fraude contra credores). Em regra. no entanto. Ora. na realidade. a simulação não mais é causa de anulabilidade do negócio. dolo. aniquilam o ato negocial. somente às partes e interessados poderão suscitá-la. além dos previstos em lei. reconhecidas.

c) continuidade dessa inércia durante um certo lapso de tempo. Prescrição e decadência I – Prescrição. CC. C. 21/6/2012. Prevalece. Humberto Martins.Frisese a recente alteração do entendimento do STJ : Recentemente. B. sua 2a Turma. não será possível examinar uma questão de ordem pública ou um fato superveniente. o entendimento de que o fundamento da prescrição consiste no interesse social pela estabilidade das relações jurídicas. um interesse público na harmonia social.4. d) ausência de algum fato ou ato a que a lei atribua eficácia impeditiva. é de ordem pública.420/PB. Impeditivas – obstam o começo da fluência prazal. ali encontraremos três fundamentos para a prescrição: a) necessidade de fixar as relações jurídicas incertas. contudo. c) o interesse público. seguindo aquele precedente da Corte Especial. portanto. quando reiniciada a sua fluência. sua Corte Especial entendeu não ser possível examinar questões de ordem pública. ainda que tenha o recurso sido admitido por outro fundamento. o STJ alterou seu entendimento. Legislação básica. DJe 28/6/2012). se não houver prequestionamento a seu respeito. No julgamento do AgRg nos EREsp 999. Assim. O prazo volta a correr de onde parou. Fundamento da prescrição Remontando ao direito romano. a instituição de prazo prescricional obedece à utilidade pública. confirmou que “mesmo as matérias de ordem pública precisam ser prequesitonadas”. As normas sobre prescrição são de ordem pública ou privada? Há. Todas possuem natureza CAUSAS INTERRUPTIVAS Implicam na inutilização do prazo prescricional em curso e. por exemplo. como vimos. Min. (EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp 32. possuem natureza judicial 6 116 . CAUSAS IMPEDITIVAS6 SUSPENSIVAS E Suspensivas – paralisam temporariamente o curso da prescrição quando já se iniciou a fluência dos prazos. na doutrina atual. Castro Meira. Min. rel. o art. Em regra.342/SP. j. b) castigo à negligência. Requisitos para que se verifique prescrição: a) existência de uma pretensão exercitável. ele é integralmente reiniciado (salvo a existência de previsão específica em lei como. b) inércia do titular da pretensão pelo seu não-exercício. a norma que o estatui. rel. caso não haja o indispensável prequestionamento. 189 a 206. Mais recentemente. suspensiva ou interruptiva do curso prescricional. 9º do Decreto nº 20910/32). Arts. Afirmou-se que.

pois para suspender/impedir a fluência da prescrição basta que esteja submetido ao poder familiar. feito o protesto cambial e ajuizada ação de execução. em tempo de guerra – não se aplica em 4) Por qualquer ato inequívoco. (exceções: protesto cambial e confissão de dívida). Arts. 3º . 153/STF. Superada 4) Contra os que se acharem Súm. motivo pelo qual é irrelevante normalmente. não sendo possível incidir sobre as  Ação civil ex delito enquanto hipóteses judiciais interruptivas (FARIAS. harmonização com a boa-fé objetiva. II – Decadência. Nos JEC’s. com penal (art. não transitada em julgado a decisão 732). ABSOLUTAMENTE incapazes. de origem. 200 do CC). Definição: “decadência é a extinção do direito pela inércia de seu titular. durante o poder familiar – é irrelevante nesse caso ser o menor absoluta ou relativamente incapaz. mesmo incompetente. 198 e 199 do CC.extrajudicial. CC. 202 do CC. a interrupção se realiza. Previstas taxativamente arts. prestando serviços à iniciativa privada. ainda que extrajudicial. País em serviço público da União. o despacho citatório. 1) Por DESPACHO DO JUIZ. 3) Por protesto cambial – protesto realizado extrajudicialmente.apenas os liminar. Assim sendo. A interrupção decorrente do despacho do juiz retroage à data da propositura da ação (Súm. 2) Por protesto. 202 do CC  Ausentes declarados somente atinge as causas extrajudiciais judicialmente – aqui o termo inicial (protesto cambial e confissão de dívida). se o processo será extinto com ou sem 3) Contra os ausentes do resolução do mérito. a confissão de dívida. Aplicam-se as contra aqueles que estão a passeio ou regras do despacho judicial. se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual – modificação dos arts. subordinada à condição de seu exercício 117 . 219 e 617 do CPC que afirmavam decorrer a interrupção da prescrição da citação válida. p. Hipóteses que observações importantes: nos possuem Previstas taxativamente no art. Outras hipóteses: ATENÇÃO! A interrupção única a que se refere o caput do art. onde não há despacho que trata o art. 2) Contra os incapazes de 106/STJ). que importe reconhecimento do direito pelo devedor – por exemplo. Hipóteses que observações importantes: possuem 1) Entre ascendentes e descendentes. 207 a 211. será o desaparecimento. com a simples propositura da relativamente o prazo flui demanda. que ordenar a citação. contra os diretamente. a prescrição será  Súmula 229 do STJ – novamente interrompida. quando sua eficácia foi. nas condições dos Estados ou dos Municípios – do inciso antecedente – trata-se aqui da não haverá paralisação do prazo ação cautelar do protesto. 197. servindo nas Forças Armadas. Legislação básica. tempo de paz.

dentro de um prazo prefixado. Somente se inicia com a violação ao direito. A decadência legal. Deve ser conhecida de ofício. Admite interrupção. PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA Fulmina a pretensão de ver reparado um Atinge o direito potestativo em si. tendo em vista a mesma demanda. direito material. 212 a 232. institutos de direito material. a convencional não. Também chamada de caducidade. nem após a sua consumação. Pressupõe o não exercício do direito de Pressupõe prazo para o exercício do próprio defesa. Deriva apenas da lei. não admite. 571). e este se esgotou sem que esse exercício se tivesse verificado”. é a perda do direito potestativo 7em razão do seu não exercício no prazo legal ou contratualmente estabelecido (DIDIER.  5. salvo disposição legal. Atinge as ações constitutivas (positivas ou negativas) se houver prazo fixado na lei. A decadência legal não admite renúncia. Após a consumação. lógica ou consumativa. 7 8 118 . Prova Prova.  Perempção concerne à perda do direito de propor uma ação em virtude de ter a parte dado causa por 3 vezes à extinção do processo sem julgamento do mérito. CC. podendo direito subjetivo patrimonial. Vejamos: Preclusão diz respeito à perda de uma faculdade processual. alcançar relações não patrimoniais. suspensão e renúncia. desde que não prejudique a terceiros. PRECLUSÃO E PEREMPÇÃO São institutos de direito processual que não se confundem com prescrição e decadência. A decadência convencional pode derivar da vontade das partes. Se inicia juntamente com o direito. A decadência legal deve ser conhecida de ofício. pode ser renunciada. p. podendo ser temporal. Atinge as ações condenatórias8. Arts.

que se constitui numa 9 119 . a partir dos fatos que passa a conhecer.  O ordenamento brasileiro adota o sistema da persuasão racional. Nesta seara. 772).  Tendo em vista que a compreensão do princípio do contraditório perpassa pela ideia da paridade de armas entre as partes de um processo. alguns parâmetros de valoração probatória (FARIAS. constitui a prova um elemento argumentativo e dialético que permite ao magistrado fazer um juízo de valor sobre os fatos demonstrados. 771). consagrando o livre convencimento motivado.  Impossibilidade de se discutir em sede de recurso extraordinário e especial a análise probatória do caso concreto submetido à atividade judiciária. e não necessariamente sobre os fatos concretamente ocorridos (juízo de verossimilhança. 490). de quem é o ônus. incontroversos e presumidos. forme o seu juízo de convencimento. há uma simpatia de parte da doutrina e da jurisprudência pela teoria da carga probatória dinâmica. os instrumentos de que se vale o magistrado para formatar o seu convencimento (sentido objetivo). O art. bem como as negativas absolutas e. 776). todavia. p. Conceito Prova significa. é possível inferir a existência de um verdadeiro direito constitucional à prova. 333 do CPC adota a teoria estática do ônus da prova. p. sobretudo em razão da intangibilidade do conceito desta última. como no CC/1916. deve ser ponderado com outras garantias constitucionais quando houver colidência. verdade possível). bem assim como o próprio juízo valorativo que se forma a partir dos fatos que são expostos e afirmados (sentido subjetivo – FARIAS. Entretanto. pertinentes. de logo. Por sua vez. p. Aspectos relevantes  São objeto de prova os fatos: relevantes. junto ao negócio jurídico. o direito 9.  Em razão da vedação ao non liquet é que o ônus da prova consiste numa regra de julgamento. de modo que o juiz. merece ênfase o fato de estar superada a ideia de que a prova seria um meio para reconstrução de fatos ou demonstração da verdade. 771). p. encartado implicitamente dentre as garantias fundamentais e decorrendo das manifestações do devido processo legal em sentido substancial e processual (FARIAS.  A matéria relativa à prova não é tratada. e não apenas o negócio jurídico. admitir-se-á o recurso especial com o propósito de assegurar a correta aplicação da lei federal (FARIAS. são suscetíveis de ser provados (GONÇALVES. p. a um só tempo.Noções Gerais. todavia. estabelecendo. servindo ao magistrado nos casos em que a produção da prova foi ausente ou insuficiente. controversos e precisos. Exceção: na hipótese de aplicação indevida dos institutos jurídicos relativos à prova. respeitados. Assim sendo. livremente. não são objeto de prova os fatos (prova inútil): notórios. Tal direito. por não ser absoluto. em regra. pois todos os fatos jurídicos.

 Prova ilícita: caráter ético no uso da prova. como meio de prova documental. 38 há uma hipótese de inversão ope legis. servindo como idôneo mecanismo probatório por não caracterizar interceptação telefônica (esta última apenas é admissível na esfera criminal). 28). entretanto). devendo ocorrer durante o saneamento processual. através de certidão de dois advogados militantes no local da lei estrangeira. dentre outros. Os negócios formais são provados exclusivamente pela exibição do instrumento compatível com o atendimento da forma especial exigida por lei. ii) tenha sido produzida em contenda da qual tenham participado os mesmo litigantes. dentre outras prerrogativas. CÓDIGO DE BUSTAMANTE (arts. criou mecanismos alternativos e mais céleres de cooperação entre as autoridades centrais a fim de que sejam fornecidas informações sobre o sentido do alcance legal de seus próprios direitos (sem vincular o magistrado. a jurisprudência tem sido rigorosa em negar a possibilidade de aplicação da prova ilícita em sede cível.alteração ope judicis do ônus da prova segundo o critério de quem tem melhores condições de produzir a prova no caso concreto. segundo reza o artigo 212 do CC/02 mediante: d) Confissão e) Documento f) Testemunha g) Presunção h) Perícia 120 . Teoria dos frutos da árvore envenenada (the fruit of poisonous tree) – É a chamada prova ilícita por derivação. ainda que sob o desconhecimento da outra parte. admite diferentes formas e meios de prova do direito alienígena. determinar a produção de provas. desde que o faça com imparcialidade e resguardado o princípio do contraditório. o fato jurídico pode ser provado. que lhe permite. VIII permite expressamente a inversão do ônus da prova ope judicis se presentes os requisitos ali afirmados. Isso ocorre. e iii) haja identidade entre os fatos probandos e provados. 399 a 410).  Prova emprestada: é admitida para a demonstração de fatos. Ao contrário do que ocorre no âmbito penal. por exemplo. CDC: no art. o juiz também é interessado na prova a fim de que o seu mister de julgar atinja os objetivos colimados. Ressalvada a hipótese de a lei exigir forma especial ou solene. desde que presentes os seguintes requisitos: i) tenha sido produzida sob o pálio do contraditório.  Prova do direito estrangeiro em instrumentos jurídicos internacionais: PROTOCOLO DE LAS LEÑAS (art. no art. o juiz assumiu posição ativa. O STJ decidiu recentemente que se trata de uma regra de procedimento e não de julgamento. pois. dada a superação da falsa ideia da verdade formal no processo civil (STJ). Violação do sigilo das comunicações: na esfera cível é plenamente possível a gravação de conversa por um dos interlocutores.  Os poderes do juiz na produção de provas: hodiernamente. 6º. Por sua vez. a justa solução do litígio.

 Natureza: é uma ação constitucional de caráter penal (em regra) e de procedimento especial. detalhes procedimentais.00. Foi garantido constitucionalmente na CF de 1891. Jurisdição constitucional das liberdades e seus principais mecanismos. contudo. inclusive o estrangeiro. natureza. que restringiu à liberdade de ir e vir. Direito Processual Civil 1.  Considerações: o sujeito ativo: é o impetrante (qualquer pessoa. mas não cabe HC contra decisão de relator que indeferiu liminar em outro HC (Súmula 691 do STF. hipóteses de cabimento. fazendo cessar a ameaça ou coação à liberdade de locomoção em sentido amplo – o direito do indivíduo de ir.F. ainda que sem advogado. Habeas Corpus  Conceito: é uma garantia individual ao direito de locomoção. liberar paciente preso em hospital.004544-8/AM.  Histórico: 1ª garantia de direitos fundamentais concedida por João Sem Terra em 1215 e posteriormente formalizada no habeas corpus act de 1679. também. que.01. Conceitos. Pode ser utilizado na esfera cível para. características. só veio no código criminal de 1830. o analfabeto e a pessoa jurídica) o sujeito passivo: é o coator (agente público e. o absolutamente incapaz. a 1ª manifestação foi em 1821. vir e ficar. o particular) o paciente: é quem tem a liberdade tolhida o espécies: preventivo (salvo-conduto) e liberatório o liminar em habeas corpus: cabível. No Brasil. 121 . é afastada pelo próprio Tribunal) o o HC é cláusula pétrea o de decisão de turma do STF: não cabe HC o competência:  ato de TRF e TJ’s: STJ  ato de tribunal superior: STF  ato de promotor: TJ ou TRF  ato de turma recursal: TJ ou TRF  ato de juiz do JEsp: Turmas recursais: "A competência para julgamento de habeas corpus contra ato de magistrado vinculado ao Juizado Especial Federal Criminal é da Turma Recursal.  Cabimento: sempre que alguém tiver a liberdade de locomoção restringida ou ameaçada. Essa teoria findou em 1926. ampliou a aplicação do instituto para garantir todos os direitos cujo pressuposto fosse a locomoção. A “teoria brasileira do HC”. em virtude da aplicação do princípio da hierarquia funcional. consubstanciada em uma ordem dada pelo Juiz ou Tribunal ao coator. HC 2006. Rel.1. A terminologia." (TRF 1ª Região. através de alvará emitido por Dom Pedro I que garantia a liberdade de locomoção. em casos excepcionais. 1. por exemplo.

19. Rel. não é o instrumento processual adequado para aferir a dificuldade financeira do alimentante em arcar com o valor executado. Habeas Data  Conceito: é a ação para a garantia do direito que assiste a todas as pessoas de solicitar judicialmente a exibição de registros públicos ou privados. só formalidades garantidas constitucionalmente o HC e empate da decisão colegiada: decide-se em favor do réu  Habeas Corpus no Processo Civil: o A única prisão civil admitida atualmente é a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia (art. 1. §1º/CPC. no curso de processo por ele conduzido. o Embora caiba agravo de instrumento contra a decisão que ordena a prisão do devedor alimentante.478/68 veda a concessão de efeito suspensivo a esse agravo. o art. 2. Superado esse ponto. Terceira Turma. Rel. se necessário for. INCOMPETÊNCIA. DJ de 28/04/2006.  Cabimento: inicialmente. p. cabe HD para conhecer ou retificar dados 122 . sejam retificados os dados inexatos ou obsoletos ou que impliquem discriminação.: apelação): cabe concomitância o HC e recurso ordinário constitucional: cabe concomitância o HC e punições disciplinares militares: não pode analisar o mérito da punição. 5ª Turma. DESCUMPRIMENTO DE ORDEM DE JUDICIAL.088/SP.297/GO. que somente admite provas pré-constituídas” (STJ. julgado em 19/04/2012) o “2. 733.2. HABEAS CORPUS CONCEDIDO. RHC 32. daí a importância do habeas corpus nessas hipóteses. o Súmula 309 do STJ: “O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo”. para que deles se tome conhecimento e. só cabe HD quando o pedido for indeferido ou não-respondido na via administrativa (Súm. LXVII/CF). A verificação da capacidade financeira do alimentante e a eventual desnecessidade dos alimentados diante da maioridade alcançada demanda dilação probatória aprofundada (Súmula nº 358/STJ). Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.  Natureza: ação constitucional de caráter civil. de rito sumário. julgado em 17/04/2012) 1. Salvo nas hipóteses de depositário infiel ou de devedor de alimentos. O habeas corpus. nos quais estejam incluídos seus dados pessoais. que pressupõe direito demonstrável de plano. Ministra LAURITA VAZ. HC 214. o “HABEAS CORPUS.Desembargador Federal Cândido Ribeiro. 5º.58) o HC e recursos ordinários (ex. DECRETO DE PRISÃO EXPEDIDO POR JUÍZO CÍVEL. Ordem de habeas corpus concedida para cassar a ordem de prisão expedida em desfavor do ora Paciente” (STJ. da Lei 5. prevista no art. 3. pois demandaria o reexame aprofundado de provas. 2 do STJ). §3º. decretar a prisão de quem descumpre ordem judicial. 3ª Turma. não é o Juízo Cível competente para. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA. análise incompatível com a via restrita do habeas corpus.

Após.  Natureza: ação constitucional. dos Comandantes da Marinha.507/97 regula o HD. Mandado de Segurança Individual Conceito: ação constitucional para garantir às pessoas físicas e jurídicas proteção a direito líquido e certo. Ainda guarda semelhanças profundas com o MS. para o qual cabe MS. MP. 5º. Sentença. o competência (expressa na Constituição Federal):  STF: atos do Presidente da República. do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal  TRF: ato do próprio Tribunal ou de juiz federal  Juízes Federais: ato de autoridade federal. Em seguida. brasileiro ou estrangeiro o sujeito passivo: entidades governamentais. instituições. excetuados os casos de competência dos tribunais federais  Justiça do Trabalho: quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição 1. do Tribunal de Contas da União. Não se confunde com o direito de obter certidões (art. Crítica: doutrina e jurisprudência já haviam consolidado o entendimento de que órgãos sem personalidade jurídica poderiam impetrar o writ (Ex: Câmara de vereadores. não amparado por HC ou HD. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. O juiz pode indeferir liminarmente se entender que não é caso de HD (cabe apelação). e desde que detenham dados referentes ao impetrante o procedimento: era o mesmo do mandado de segurança.3.pessoais constantes de arquivos públicos ou privados (de caráter público – ex.  Considerações: o Sujeito ativo: qualquer pessoa física ou jurídica. do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal  STJ: ato de Ministro de Estado. XXXIV). O HD é prioritário sobre tudo. pessoa jurídica.: SPC).  Considerações: o sujeito ativo: pessoa física. etc) 123 . de natureza civil (embora também seja utilizado no processo penal – vide Súmula 701 do STF). entidades e pessoas jurídicas privadas que prestem serviços para o público ou de interesse público. das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.  Cabimento: quando houver lesão ou ameaça a direito líquido e certo. A inicial deve ser instruída com a recusa administrativa ou com prova de sua demora. ouve MP em 5 dias.  Direito líquido e certo: é aquele que resulta de fato que pode ser comprovado de plano. por ação ou omissão de autoridade ou agente delegatário de serviço público. notificação da autoridade para prestar informações em 10 dias. não amparado por habeas corpus ou habeas data. Apelação com efeito meramente devolutivo. mas agora a Lei 9. através de prova (documental) pré-constituída. exceto habeas corpus e mandado de segurança.

não impede o uso da ação própria (304). praticado o ato por autoridade. é condição de ação. por maioria de votos. do ProcuradorGeral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal  STJ: ato de Ministro de Estado. não cabe condenação em honorários de advogado em MS (512). o Contra liminar: agravo de instrumento (se faltar fumaça do bom direito ou perigo da demora) e suspensão de segurança (se colocar em grave risco a ordem. decisão denegatória de MS. impondo um litisconsórcio passivo necessário entre a autoridade coatora e a pessoa jurídica a que pertence. são inadmissíveis embargos infringentes contra decisão do Supremo Tribunal Federal em MS (294). MS não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito. a segurança ou a economia pública). denegado o MS pela sentença. retroagindo os efeitos da decisão contrária (405). não cabe MS contra decisão judicial com trânsito em julgado (268). contra ela cabe o MS (510). não cabe MS contra ato judicial passível de recurso ou correição (267). os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria (271). do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal  TRF / TJ: atos de juízes e de seus próprios membros. que vigora até o trânsito em julgado (efeito prospectivo). das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. não cabem embargos infringentes de acórdão que. em MS. que é o tribunal). o Competência:  STF: contra atos do Presidente da República. no exercício de competência delegada. a saúde. é de procedibilidade. a existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do MS contra omissão da autoridade (429).  Juízes Federais: atos de autoridades federais. controvérsia sobre matéria 124 . decidiu. a apelação (597).o Sujeito passivo: Para Cassio Bueno. o MS não é substitutivo da ação de cobrança (269). o Espécies: repressivo e preventivo. o Direito líquido e certo: para alguns. o Cabe execução contra a Fazenda Pública em relação às parcelas pecuniárias vencidas a partir da propositura do writ o Entendimentos sumulados pelo STF: o MS não substitui a ação popular (101). dela interposto. não fazendo coisa julgada contra o impetrante. não cabe MS contra lei em tese (266). fica sem efeito a liminar concedida. pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para MS (430). não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de MS contra atos de outros tribunais (624). do Tribunal de Contas da União.  Justiça do Trabalho: quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição. ou no julgamento do agravo. impetrado pelo MP: réu é litisconsorte passivo obrigatório (Súmula 701 do STF). o MS em matéria penal. O mero executor não é autoridade coatora. o Prazo decadencial: 120 dias. para outros.  Contra ato praticado por membro do MP: juízo monocrático de 1ª instância (ao contrário do HC. dos Comandantes da Marinha. a lei restabeleceu a sistemática de 1930.

1º. salvo determinação em contrário da decisão que a deferir. Possibilidade de a pessoa jurídica interessada intervir no feito (artigo 7º. do CPC). até a sua manutenção pelo Supremo Tribunal Federal. 1º. 125 . a ciência do art. 267. o Entendimentos sumulados pelo STJ: MS constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária (213). O prazo de 10 dias para informações continua com seu termo inicial não explicitado. vigorará até o trânsito em julgado da decisão definitiva de concessão da segurança ou. inciso II). Deixa de fora. Para Cassio Bueno. pois no writ não se busca responsabilizar pessoalmente a autoridade coatora.de direito não impede concessão de MS (625). da Lei 8. como sucede na ação popular e na de improbidade. outros entendimentos iguais aos do STF. a suspensão da liminar em MS. com o da impetração (626). A diferença é que se denegada a ordem por uma das razões do 267 do CPC. para aferição da legalidade. O verbo “querendo” justificase por ser a defesa do réu mero ônus processual. desde que o objeto da liminar deferida coincida. Para Cassio Bueno. fica aberta ao impetrante a via ordinária. Seu prazo. ágil e efetivo. impondo um litisconsórcio passivo necessário entre a autoridade coatora e a pessoa jurídica a que pertence. O § 5º. a lei restabeleceu a sistemática de 1930. extingue-se o processo de MS se o impetrante não promove. entre elas a ausência de direito líquido e certo (tido como assimilável ao interesse de agir). não caberá cautelar. prestação de caução. §1º). ao contrário do que expressa o § 5º. Para Cassio. Ocorre que o art. o Principais alterações: o projeto que originou a lei faz parte do II Pacto Republicano.437/92. também seria o de dez dias. assinado em 2009 pelos Três Poderes com o objetivo de tornar o sistema de Justiça mais acessível. a citação do litisconsorte passivo necessário (631). LMS. ante o silêncio da lei. 4º) Cabimento de MS contra decisão judicial sujeita a recurso que não tenha efeito suspensivo (artigo 5º. estende todas as vedações de liminares em MS à antecipação de tutela. do art. A exigência. Isso é relevante pq o recurso ordinário em MS nos tribunais pressupõe decisão denegatória. a data de juntada aos autos do comprovante de notificação. sociedades de economia mista e concessionárias de serviços públicos (art. II. é verdadeira citação. do art. o que era antes vedado. inciso III). § 2º) Possibilidade de impetração via fax ou outro meio eletrônico de autenticidade comprovada (art. Não cabimento de MS contra atos de gestão comercial praticados no âmbito das empresas públicas. 6º. contudo. fiança ou depósito (artigo 7º. pois. Prevalece. Não se tem como condição da ação. 7º. as cautelares. havendo recurso. contudo. mas mera faculdade do juiz inerente ao seu poder-dever geral de cautela. inciso II) Cabimento contra ato disciplinar. total ou parcialmente. no prazo assinado. decisão denegatória não é apenas a terminativa (art. para fins de concessão de liminar. continua vigente e dispõe que se não couber liminar em MS. Previsão expressa do cabimento de agravo de instrumento contra a decisão concessiva ou denegatória de liminar (artigo 7º. mas também a que julga improcedente o writ. Faz crítica a isso. deve ser fundamentada. 7º. Alguns tribunais não aceitavam o recurso. O juiz poderá exigir do impetrante.

à antecipação de tutela. inclusive em MS impetrados originariamente em tribunais. §2º) Regula a suspensão de segurança. por força do art. Se o indeferimento for monocrático. Prevê o cabimento de agravo interno contra decisão que indefere o pedido de suspensão. As medidas de suspensão de segurança e agravo de instrumento não se excluem. cabe agravo interno. Os embargos infringentes ficaram expressamente vedados (antes havia a Súmula 597 do STF. 296 do CPC (juízo de retratação). o § 1º. computado em dobro para a Fazenda Pública. § 2º) Previsão expressa de cabimento de agravo interno contra a decisão do relator que conceder ou indeferir liminar nos mandados de segurança da competência originária de tribunal (16. 1º. quando interposta no STJ/STF extrapola sua competência constitucional taxativa). mas não explicita seu procedimento. Ocorre que essa Lei só se aplica aos processos cautelares e. bem como a aplicação do art. em sede originária dos tribunais. o tratamento diferenciado da Lei 12. Se o indeferimento for feito pelo colegiado do tribunal. O MP deverá oferecer parecer no prazo improrrogável de 10 dias.Art. Também é cabível essa suspensão do § 1º quando for desprovido o agravo de instrumento do Poder Público manejado em face da decisão de 1ª instância concessiva da liminar. parágrafo único) Estipula o prazo impróprio de 30 dias para o magistrado sentenciar. não se aplicando as exceções do 475. ainda em vigor. 285-A do CPC. que vedava essa possibilidade) Proibição expressa do ingresso de litisconsorte ativo após despachada a inicial (artigo 10º. Esse prazo é de 5 dias. 15 lhe outorga a possibilidade de entrar com novo pedido de suspensão ao STF/STJ (“suspensão da nãosuspensão”). as quais tinham a mesma redação da nova LMS. 126 . Entende-se que é cabível a aplicação do art. Como não é possível ao Poder Público manejar o agravo interno da decisão que indefere o pedido de suspensão em MS. o que antes era feito na Lei 4. Possibilidade de a autoridade coatora recorrer da decisão concessiva da segurança (artigo 14. Ademais. § 2º) => para evitar que a parte “escolha” o juiz favorável à sua tese.016/09 justifica-se pela natureza especialíssima do MS. sendo a vedação restrita às hipóteses em que não cabe a liminar (7º. Para Cássio. (essa suspensão é criticada pq hoje é possível o manejo de agravo de instrumento com efeito suspensivo. parágrafo único). do art. Já a Lei 8437/92. nos termos do CPC. da lei 9494/97. Essa disposição da nova Lei é contrária ao entendimento do STF e STJ que levou ao cancelamento das súmulas 506/STF e 217/STJ. sob pena de o processo seguir para julgamento (artigo 12. § 3º). ingressando como litisconsorte em demanda já distribuída àquele juízo. exceto na hipótese do art. A sentença concessiva está sujeita ao duplo grau. A Lei prevê que cabe apelação da decisão que indefere a inicial do MS. CPC. 285-A do CPC. 4º. e não para o seu indeferimento. Esse agravo interno está previsto apenas para os casos de deferimento da suspensão. 10: Cássio defende a possibilidade de emenda à inicial. podendo ser manejadas concomitantemente. explicitando o prazo de cinco dias. cabe RO. prevê o agravo interno tanto da decisão que concede como da que indefere a suspensão (art. A regra é a possibilidade de execução provisória.348/64.

bastando a previsão genérica no estatuto (ao contrário das ordinárias. Mandado de Segurança Coletivo  Conceito: ação constitucional para proteger direito líquido e certo dos membros ou associados de partido político com representação no Congresso Nacional e de organização sindical. 22 pode-se interpretar o porquê da limitação aos direitos homogêneos e coletivos (só eles têm destinatários determináveis). o Legitimação: é extraordinária. a entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria (630). Ilmar Galvão. Da leitura do art.919. Min. de natureza civil. desde que algum dos legitimados (em especial os partidos políticos) esteja habilitado a representar essa gama de interesses. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano.Força a publicação das decisões em MS em até 30 dias que. Ocorre que essa 127 . nas quais é necessária a autorização de cada um dos membros). aliás a posição predominante antes da nova LMS.  Considerações: o Sujeito ativo: partido político com representação no Congresso Nacional. o Autorização dos filiados: não é necessária. o Sujeito passivo: autoridade pública ou agente de delegatário de serviços públicos.  Natureza: ação constitucional. mas se o sujeito não desiste do individual. este prevalece.4. o MS Coletivo x MS Individual: pode haver concomitância. A referência aos seus “interesses legítimos relativos aos seus integrantes ou à finalidade partidária” não afasta a assertiva.069/95 prevê que os partidos destinam-se a assegurar o regime democrático e os direitos fundamentais. o STF tem sustentado que é próprio das associações e não dos sindicatos e associações de classe ("Legitimidade do sindicato para a impetração de mandado de segurança coletivo independentemente da comprovação de um ano de constituição e funcionamento. Cássio Scarpinella defende ser possível a tutela de direitos difusos." (RE 198. É essa. ultrapassados. o Entendimentos sumulados pelo STF: a impetração de MS coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes (629). julgamento em 15-6-1999) Embora o artigo 21. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. o Petição inicial: não precisa trazer o nome de todos os membros do impetrante. organização sindical. Rel. pú. mencione apenas os direitos coletivos e individuais homogêneos. Quanto ao tempo de constituição. autoriza a substituição pelas notas taquigráficas. É que a Lei 9. Tipificação do crime de desobediência à ordem judiciária Regulamentação do mandado de segurança coletivo (artigos 21 e 22) 1. o Inovações: Os partidos políticos têm ampla pertinência temática para a impetração.

de um dos Tribunais Superiores. excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar.classificação tem por função apenas indicar o legitimado a ir em juízo e não restringir os efeitos de uma decisão. Cassio defende o amicus curiae também. da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. Obs2: o STF tem admitido a impetração de mandado de injunção coletivo. No § 2º. o Procedimento: o mesmo do mandado de segurança. nas matérias de sua iniciativa exclusiva). em regra. 5º.  STJ: quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão. deve-se sustentar o pedido de suspensão e não de desistência do MS individual. já que não são titulares de direitos e liberdades constitucionais.5. no intuito de viabilizar o exercício de um direito. LXX. das Mesas de uma dessas Casas Legislativas. entidade ou autoridade federal.  Considerações: o Requisitos:  ausência de lei regulamentadora de norma constitucional de eficácia limitada. Mandado de Injunção  Conceito: ação constitucional de caráter civil e de procedimento especial. Obs1: o STF não admite. o Sujeito ativo: qualquer pessoa que tenha o seu direito afetado.  Natureza: ação constitucional. do art. do Tribunal de Contas da União. 22. CF) → organização sindical. dada a natureza garantista do instituto. 1.: Congresso Nacional) ou iniciar o procedimento (ex. que visa suprir uma omissão do Poder Público. de natureza civil e de cunho subjetivo (ADIN por omissão: cunho objetivo). tendo legitimidade os mesmos que podem impetrar o mandado de segurança coletivo (art. do Senado Federal. da Câmara dos Deputados. associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano (em 128 . o Sujeito passivo: pessoa estatal competente para legislar (ex. o Competência:  STF: quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República.: Presidente da República. apesar de não haver regulamentação legal específica. entidade de classe. Preservados os atos praticados na vigência da lei antiga (princípio do isolamento dos atos processuais) os atos praticados após a nova LMS devem observá-la. Cabem a assistência simples e a litisconsorcial. soberania e cidadania. uma liberdade ou uma prerrogativa prevista na Constituição Federal. ou do próprio Supremo Tribunal Federal. que Estado-membro ou Município impetre Mandado de Injunção. do Congresso Nacional. da administração direta ou indireta. da Justiça Eleitoral.  inviabilização do exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.

57 da Lei 8. §4º. quando supre a omissão de Legislativo. mas há divergências doutrinárias. em que se determinou a aplicação da lei de greve do setor privado (Lei 7. 37.3) Concretista individual intermediária: já utilizada pelo STF em alguns julgamentos. mas tão somente com efeitos inter partes. Obs3: o STF também não tem admitindo medida liminar em Mandado de Injunção. entende que o Poder Judiciário não pode concretizar a norma. Esta solução foi adotada pelo STF no MI 721. Efeitos ex tunc (o direito sempre existiu) Quanto aos efeitos da decisão de mérito. criando efetivamente uma lei que não existia → segundo o Min. da CF. Esta solução já foi adotada pelo STF nos MI’s 670.Hans Kelsen que fez a distinção entre o Judiciário atuando como legislador negativo. g.2) Concretistas: pode o Judiciário concretizar a norma legal do Legislativo omisso: g.2. o Judiciário edita a norma concreta (efeito da teoria concretista). é um meio-termo: o Judiciário primeiro dá ciência ao Poder competente acerca de sua omissão (efeito da teoria não-concretista). quando declara a inconstitucionalidade de uma lei. 708 e 712. Gilmar Mendes. g.2) Concretista individual direta: corrente defendida pela maioria da doutrina. a exemplo de um julgamento acerca de imunidade tributária de entidades beneficentes.2. pelo mesmo motivo da ADI por omissão. em que se proferiu decisão mandamental concedendo à impetrante (servidora pública vinculada a regime próprio de previdência) o benefício de aposentadoria especial. o Judiciário concretiza a norma não para todos. 40. ou seja. da CF). 129 . a função do Judiciário seria apenas dar ciência ao Poder competente acerca de sua omissão. essa distinção não faz mais sentido. sob pena de atuação do Judiciário como legislador positivo. o Judiciário não pode suprir a omissão do Legislativo editando a norma regulamentadora faltante. Apenas a parte que impetrou a ação é atingida pela decisão do Mandado de Injunção. .213/91).1) Concretista geral: Judiciário concretiza a norma com efeitos erga omnes. ou como legislador positivo. à míngua de regulamentação que viabilize o exercício desse direito por parte dos servidores públicos (art. g. porém fixando prazo para que a omissão seja suprida. nos moldes da legislação do Regime Geral de Previdência Social (art.783/89) a todo o funcionalismo público. dizendo que o requisito de um ano se estende a todas as entidades. VII. como sustenta Pedro Lenza) e partidos políticos com representação no Congresso Nacional. com violação ao princípio da separação dos poderes (usurpação de função constitucional do Legislativo). quais os tipos de provimento jurisdicional são possíveis no Mandado de Injunção? 04 correntes: 1) Não-concretista: corrente tradicionalmente adotada pelo STF. se dentro desse prazo a omissão não for suprida. a concretização da norma regulamentadora ausente aplica-se a todos os casos que tenham o mesmo objeto em âmbito nacional. ante a ausência de lei regulamentadora do art.2.decisões recentes o STF diz que esse requisito de um ano é apenas para as associações.

tal como sucedeu com o MS. ou que ameaçam causar lesão aos bens tutelados. pode.  Histórico: A CF de 1824 já tratava da ação popular. Ação Popular  Conceito: ação proposta por cidadão que visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe.6. Apenas em 1934 ganhou contornos constitucionais como ação civil.  Requisitos: o subjetivo:  sujeito ativo: autor tem que ser cidadão (pessoa jurídica não tem legitimidade.  sujeito passivo: a) as pessoas cujo patrimônio se pretende proteger. à moralidade administrativa.1. b) aqueles que causaram. o referendo e a iniciativa popular. quanto a um pedido no pólo passivo e quanto a outro no pólo ativo. mas com caráter disciplinar e penal. . ao mesmo tempo. com título. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. c) os beneficiários diretos do ato ou da omissão. desde que se afigure útil ao interesse público o objetivos:  ação ou omissão do Poder Público  ilegalidade ou imoralidade (há autores satisfazendo-se com a lesão: Lenza e Mancuso) 130 que a dispensam. Juntamente com o plebiscito. retornou em 1946. O menor entre 16 e 18. Retirada em 1937. STJ admite que a pessoa jurídica de direito público figure.  Natureza: ação constitucionalmente prevista para o exercício da soberania popular.  peculiar situação da Fazenda Pública: pode abster-se de contestar o pedido ou pode atuar ao lado do autor. bem como estrangeiros e apátridas). por ato ou omissão. a ação popular constitui importante instrumento da abertura democrática.

por meio da ação civil pública. deve-se atentar que “a legitimidade do Ministério Público para defesa de interesses individuais homogêneos disponíveis. quando não proferida em audiência. 256/257]. Mas sempre pode recorrer o Natureza da decisão: desconstitutiva-condenatória. Ação Civil Pública  Conceito: é a ação de caráter civil para a defesa de interesses transindividuais proposta por colegitimados ativos. 2008. condena os responsáveis (inclusive em custas e honorários). o Ministério Público: só acompanha a AP. Teori Albino. à moralidade administrativa. Sujeita ao duplo grau o Ônus para o autor: só se agir de má-fé (10x custas). verdadeiros interesses da comunidade em seu todo" [Zavascki. o Sentença de procedência: invalida o ato. 1. Processo coletivo: tutela de direitos coletivos e tutela coletiva de direitos. ao meio ambiente ou ao patrimônio histórico e cultural) Considerações: o AP contra lei em tese: não cabe. sob pena de impedir a promoção por merecimento por 2 anos e perda dos dias de atraso na promoção por antiguidade. pode assumir o pólo ativo. p. Neste último caso. coletivos e individuais homogêneos. têm a força de transcender a esfera de interesses puramente individuais e passar a representar mais que a soma de interesses dos respectivos titulares. STJ e STF admitem a propositura de ACP pelo MP para a defesa de direitos individuais indisponíveis (saúde)  Interesses protegidos: o meio ambiente o consumidor o patrimônio cultural o infrações à ordem econômica o infrações à economia popular o infrações à ordem urbanística 131 .  lesão (ao patrimônio público. prorrogáveis por mais 20. São Paulo: Revista dos Tribunais. o Competência: juízo de 1º grau. Leia-se direitos difusos. incluindo qq pessoa jurídica subvencionada com dinheiro público. Em caso de desistência (90 dias após o último edital). mas não pode ajuizá-la. tem eficácia erga omnes. Já a sentença.7. o Sentença de improcedência: efeito erga omnes e de coisa julgada material. deve sê-lo em 15 dias do recebimento dos autos. exceto se considerada improcedente por falta de provas. o Prazo de contestação: 20 dias. somente se configura quando estes visualizados em seu conjunto. em forma coletiva e impessoal.

o outros interesses difusos e coletivos (rol exemplificativo)  Sujeitos ativos: o MP o Defensoria pública o União.3400/DF. Precedente do STJ. empresa pública. interesses individuais disponíveis. podendo a ação ser ajuizada no juízo estadual da Capital ou no Juízo do Distrito Federal” (RESP 944. Estados e Municípios o autarquia.01. em face do relevante interesse social. instituindo exame de capacidade técnica para fins de obtenção do registro profissional.2003. DJ 11.  O Ministério Público afigura-se parte legítima para propor ação civil pública em que se discutem as relações jurídicas constituídas por Resolução editada por Conselho Federal. APELAÇÃO CIVEL Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL SOUZA PRUDENTE Órgão Julgador: OITAVA TURMA Publicação: e-DJF1 p.455 de 13/08/2010 Data da Decisão: 30/07/2010 132 . assume a titularidade em caso de desistência  Entendimento sumulado pelo STF: o Ministério Público tem legitimidade para ACP cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares (643). contribuições previdenciárias. Relator. processar e julgar ação civil publica.464/RJ. ainda que a União figure no processo) STJ: “a competência para julgar as ações civis coletivas para o combate de dano de âmbito nacional não é exclusiva do foro do Distrito Federal. porquanto não seria razoável esperar que todos os graduados e graduandos ajuizassem ação própria para ver atendida igual pretensão. o competência: foro do local do dano (competência funcional absoluta). Processo: AC 0003145-79. FGTS. fundação e sociedade de economia mista o associação com mais de um ano de funcionamento. se afetar bens.2. ao contrário do MS coletivo)  Sujeito passivo: responsável pelo dano  Considerações: o não cabe contra: tributos. serviços ou interesses da União ou suas entidades autárquicas ou empresas pública. Sidnei Beneti. a competência é da Vara Federal que tenham abrangência sobre o local do dano (cancelada a súm. nas comarcas que não sejam sede de vara da Justiça Federal.  Entendimento sumulado pelo STJ: o Ministério Público tem legitimidade para propor ACP em defesa do patrimônio público (329). que inclua entre suas finalidades a proteção de algum dos interesses acima (requisito temporal pode ser dispensado conforme o caso.4. Min. 183 do STJ: Compete ao juiz estadual. é fiscal obrigatório da lei.2009) o objeto: condenação em dinheiro ou em obrigação de fazer ou não fazer o Ministério Público: se não é parte. A prevenção da proliferação de demandas individuais evidencia o interesse social.

3200/AM. o liminar em ACP: é cabível o contra a liminar: agravo de instrumento (ou regimental se dada monocraticamente em órgão colegiado) ou suspensão de segurança o sentença: efeito erga omnes no território de competência da autoridade judiciária.Só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável ao autor.2008. há precedentes da Des. REMESSA EX OFFICIO Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL SOUZA PRUDENTE Órgão Julgador: OITAVA TURMA Publicação: e-DJF1 p. No TRF1.01. mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento. coisa julgada material. Processo: AC 2000. Fed.717/65 (Lei da Ação Popular) (duplo grau de jurisdição nas sentenças de improcedência). efeito somente devolutivo.063404-7/MA. de extinção do processo pela carência superveniente da ação civil pública em referência. argumentando que cada ramo do Ministério Público somente pode litigar no âmbito de sua respectiva Justiça.Perfeitamente cabível a aplicação analógica da norma contida no art. O Ministério Público Federal é legitimado para a propositura de ação civil pública em prol de titulares de caderneta de poupança. 19 da Lei nº 4. 5º.347/85) II . 14 da Lei 7. o antecipação de tutela: Mazzilli diz que é possível.349 de 25/06/2010 Data da Decisão: 01/06/2010 o ônus de sucumbência: só se o autor estiver de má-fé o Multa cominada liminarmente . na espécie.347/85. a Relatora do acórdão. mas o juiz pode dar efeito suspensivo também (art. 16 da LACP O dispositivo é uma aberração jurídica. o apelação: em regra. mas há forte corrente doutrinária e jurisprudencial que não admite essa possibilidade. § 5º. exceto se julgado improcedente por falta de provas. Processo: REO 000635146.01. APELAÇÃO CIVEL Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL SOUZA PRUDENTE Relator para Acórdão: DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA ISABEL GALLOTTI RODRIGUES Órgão Julgador: SEXTA TURMA Publicação: e-DJF1 p. Vencida. Neste último caso. TRF1 também o limitação territorial da coisa julgada: art. se federal.4. 1. às Câmaras de Coordenação e Revisão.44 de 20/07/2009 o Litisconsórcio ativo: pode haver entre os diversos MP’s (isso é o que diz o art.00. no ponto. o Inquérito Civil: só o MP pode promover. deve haver participação da AGU ou PGF (há parecer vinculante do AGU nesse sentido). pois: 1) Confunde amplitude da coisa julgada com competência jurisdicional (seria o mesmo que dizer que uma sentença de divórcio proferida em São Paulo não produziria efeitos 133 . no caso do MPF. da Lei 7. ainda que os contratos tenham sido celebrados antes da entrada em vigor do Código de Defesa do Consumidor. O arquivamento depende de remessa ao Conselho Superior do MP ou. por tratar-se. sendo alvo de duras críticas pela doutrina. Selene admitindo esse litisconsórcio) o Termo de Ajustamento de Conduta: só MP e órgãos públicos podem celebrar.

no Rio de Janeiro. Rel. não é a extinção do processo. 2ª Seção. DJ de 29/03/1999). mas a reunião das demandas (máximo acesso à justiça e importância dos bens tutelados). pois não se pode confundir estes com a eficácia subjetiva da coisa julgada. que se estende a todos aqueles que participam da relação jurídica” (EDAG 2008. para além dos limites da competência territorial do órgão julgador” (REsp 1243386/RS. onde o casal permaneceria casado!). 2) É incompatível com a natureza dos direitos tutelados (um dano ambiental muitas vezes ultrapassa os limites territoriais do órgão julgador). 134 . mas a questão vem sendo rediscutida. continua a existir o legítimo interesse processual dos autores” (REsp 192. No mesmo sentido já decidiu o TRF1 que “não há que se falar em restrição dos efeitos da decisão agravada a limites territoriais. 16 (EREsp 399357. O tema.01. Mesmo limitada aquela. Nancy Andrighi. porém. ainda está longe de restar pacificado. 5ª Turma.00. os efeitos da sentença produzem-se erga omnes. contudo. Min. 2009). o Duplicidade de litispendências de demandas coletivas (tema polêmico): pode haver litispendência quando os elementos forem idênticos. 3ª Turma. Superior Tribunal de Justiça: “não há litispendência entre ação civil pública e as ações individuais. 3) É inconstitucional por violar os princípios da isonomia e do devido processo legal substantivo (razoabilidade e proporcionalidade). Rel. a solução mais adequada. JFC Renato Martins Prates. embora as demandas sejam nominalmente diferentes (AP e ACP) e o procedimento seja diverso.322/SP. O STJ vinha reconhecendo a plena aplicabilidade do art. DJe 26/06/2012). julgado em 30/11/2011).040260-3/PA. havendo recente precedente no sentido de que “a coisa julgada é meramente a imutabilidade dos efeitos da sentença. Mesmo já ajuizada a ação civil pública e concedida a liminar autorizando a correção monetária dos depósitos do FGTS.

sistema de proteção social gênero do qual são espécies: PREVIDÊNCIA. -sistema não-sistema contributivo. 196 A 200. Direito Previdenciário (IGUAL AO PONTO 15) 1. Previdência e Assistência. no caso da ASSISTÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL = PREVIDÊNCIA SOCIAL + ASSISTÊNCIA SOCIAL + SAÚDE SEGURIDADE SOCIAL SAÚDE PREVIDÊNCIA SOCIAL -ARTS.1 . CF Art. normas e leis que visam a proporcionar ao CORPO SOCIAL e a cada INDIVÍDUO o maior grau possível de garantia. ASSISTÊNCIA e SAÚDE. CF] REGIME GERAL DE . No Brasil. contribui. 194. 40. somente a SAÚDE é um sistema universal [DIREITO DE TODOS]. A SEGURIDADE SOCIAL compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade. em agosto de 2012. CF ASSISTÊNCIA SOCIAL E-ARTS. CF -direito de todos e-direito de quem-prestada para quem dever do Estado. ii) MILITAR.G. moral e recreativo. 203 A 204. Atualizado e modificado por José Flávio F.-ARTS. Seguridade Distinções. destinadas a assegurar os direitos relativos à SAÚDE. contributivo. Saúde. à PREVIDÊNCIA e à ASSISTÊNCIA SOCIAL. 135 [art. Social. CF] REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA i) CIVIL.201. dela necessite. sob os aspectos econômico. cultural. Luiz Bispo – outubro de 2010. de Oliveira. 201 CF 202. providências. 1) SEGURIDADE10: conjunto de medidas. -sistema não contributivo.PREVIDÊNCIA SOCIAL REGIMES PREVIDENCIÁRIOS PREVISTOS NA CF 1) REGIMES PRINCIPAIS a) REGIME DO SETOR PÚBLICO [art. 1. . No caso da PREVIDÊNCIA somente os contribuintes terão direito. somente os que dela necessitarem. b) REGIME DO SETOR PRIVADO PREVIDÊNCIA SOCIAL – RGPS 10 A solidariedade é o fundamento da seguridade social. social.

SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO. [PRINCÍPIO DA SOLIDARIDADE] 136 . b) REGIME DO SETOR PRIVADO [art. ii) MILITAR.SISTEMA DE REPARTIÇÃO SIMPLES. . 2) REGIMES COMPLEMENTARES . ii) ABERTO. ou custeio. o que acaba por caracterizar um PACTO INTERGERACIONAL. [qualquer um pode participar]. sendo. 40. Todas as contribuições vão para um único fundo responsável pelo pagamento dos benefícios. vinculados. ii) ABERTO. SISTEMAS DE FINANCIAMENTO/CUSTEIO DA PREVIDÊNCIA .filiação OBRIGATÓRIA.o financiamento. 1) REGIMES PRINCIPAIS .CAPITALIZAÇÃO INDIVIDUAL. Todos contribuem em favor de todos.SISTEMA DE REPARTIÇÃO SIMPLES.participação FACULTATIVA. . portanto. i) SISTEMA CONTRIBUTIVO COMBINADO: (ENVOLVE CARACTERÍSTICAS DOS DOIS SISTEMAS PUROS) . da seguridade social é TÉCNICA FINANCEIRA adotada para sustentar o sistema.SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO.SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO VIRTUAL 2) SISTEMA NÃO-CONTRIBUTIVO: 1) SISTEMA CONTRIBUTIVO: decorre de TRIBUTOS que SE DESTINAM exclusivamente a MANTER A SEGURIDADE SOCIAL. CF] . Os recursos proveem de CONTRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS.CAPITALIZAÇÃO COLETIVA. b) REGIME COMPLEMENTAR PRIVADO . a) REGIME DO SETOR PÚBLICO [art. i) SISTEMAS CONTRIBUTIVOS PURO: a) SISTEMA DE REPARTIÇÃO SIMPLES (PAY AS YOU GO) .201.2) REGIMES COMPLEMENTARES a) REGIME COMPLEMENTAR OFICIAL b) REGIME COMPLEMENTAR PRIVADO i) FECHADO. i) CIVIL.CAPITALIZAÇÃO ESCRITURAL.as CONTRIBUIÇÕES DOS ATUAIS SEGURADOS servirão para financiar os BENEFÍCIOS DOS INATIVOS. a) REGIME COMPLEMENTAR OFICIAL . diferenciadas dos IMPOSTOS.denominado de REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA . 1) SISTEMA CONTRIBUTIVO: i) SISTEMAS CONTRIBUTIVOS PURO: a) SISTEMA DE REPARTIÇÃO SIMPLES b) SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO . i) FECHADO. permitindo o cumprimento de suas ações.denominado de REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL – RGPS . CF] . [só pode participar determinado grupo de pessoas].

realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade. a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. Logo. Note-se que. é Política de Seguridade Social não contributiva.) independentemente de contribuição à seguridade social (. dando especial atenção às crianças. à adolescência e à velhice. Os objetivos da Assistência Social vêm enumerados no art. a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. acaba por excluir os necessitados.. para garantir o atendimento às necessidades básicas. 137 .Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS: “Art. A Assistência Social tem como princípios informativos a gratuidade da prestação e basicamente a proteção à família. 1º A assistência social. 1o da Lei 8742/93 . a Assistência Social visa a garantir meios de subsistência às pessoas que não tenham condições de suprir o próprio sustento.. não-pecuniárias.nem todo mundo será atendido.é o que mais se coaduna com o princípio da solidariedade. pois neste ponto o conceito de pessoa necessitada é mais elástico. afinal CADA INDIVÍDUO contribui somente PARA SI MESMO.. O requisito para o auxilio assistencial é a necessidade do assistido.)”] . à maternidade. direcionadas a providenciar um melhor convívio do beneficiário em sociedade. à adolescência e à velhice.. [CARÁTER SOLIDÁRIO] .)”] .ASSISTÊNCIA SOCIAL -características: a) ATENDE QUEM DELE NECESSITE [ “(. à infância. independentemente de contribuição à seguridade social. a Assistência Social pretende preencher as lacunas deixadas pela Previdência Social. Entretanto. 1. à maternidade.as CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS financiam seus próprios benefícios.” Caracteriza-se a Assistência Social como dever social do Estado no sentido da prestação de ajuda aos necessitados que não tenham condições próprias de subsistência. [ECONOMICAMENTE . DA CF). 203 da CF: a proteção à família. O valor arrecadado por cada segurado não se comunica com os demais. o amparo às crianças e adolescentes carentes.) prestado a quem dela necessitar (. outras ações assistenciais. Ainda. conforme dispuser a lei...2 .sistema não contributivo. Estabelece-se a equação entre o ESFORÇO CONTRIBUTIVO e o BENEFICIO ASSEGURADO. a promoção da integração ao mercado de trabalho. à infância. objetivo fundamental da Republica Federativa do Brasil (ART. não há a solidariedade própria do outro regime. Trata-se de direito fundamental – da espécie direito social – consagrado no art. que provê os mínimos sociais. direito do cidadão e dever do Estado. 3. Está conceituada no art.atende HIPOSSUFICIENTES] apenas os que dela necessite. bem como aos deficientes e a reintegração ao mercado de trabalho daqueles que necessitarem.. aqui. podem ser extensíveis a pessoas dotadas de recursos. b) SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO (FUNDING) . que. b) SISTEMA NÃO-CONTRIBUTIVO [ “(.. e não PARA TODA A COLETIVIDADE. devido a sua natureza contributiva.CONTRIBUIÇÃO DE REPARTIÇÃO. 6o da Carta Política.. idosos e deficientes.

além de seus dependentes. sem discriminação de qualquer natureza. Também constituem formas de custeio. A diretriz constitucional é a descentralização político-administrativa. os princípios básicos da Assistência Social: “Art.respeito à dignidade do cidadão. à sua autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade. da Constituição Federal. PRESTAÇÕES. vedandose qualquer comprovação vexatória de necessidade.742/93. § 1.742/93 . bem como dos recursos oferecidos pelo Poder Público e dos critérios para sua concessão. da Lei n.°.” 11 Conferir a redação dada ao parágrafo único do art. que também define. serviços. III . Da leitura da LOAS. com a participação da população. O segmento assistencial da seguridade tem como propósito nuclear preencher as lacunas deixadas pela previdência social. De acordo com o art. mas somente aos que contribuem para o sistema.universalização dos direitos sociais. 203.igualdade de direitos no acesso ao atendimento. como se lê no art. o amparo ao idoso e ao deficiente. as isenções de impostos e taxas para entidades filantrópicas que prestam assistência social aos necessitados.e. onde fica garantido o valor de um salário mínimo mensal à pessoa. no nível infraconstitucional. por meio de organizações que a representem. i. 138 . II . para a CF.divulgação ampla dos benefícios. 20.213/91 (dependentes). programas e projetos assistenciais.LOAS.° 8. Nestes casos. sendo proibida a aplicação destes com despesas com pessoal e encargos sociais. dentre outras. 195 da CF.Interessante anotar que. 204 da CF. o sistema de assistência não está monopolizado no âmbito federal. da redução das desigualdades sociais e da solidariedade. entende-se por família o conjunto de pessoas indicadas no art. aplicável a todos os ramos da Seguridade Social. na sua formulação e controle. a fim de tornar o destinatário da ação assistencial alcançável pelas demais políticas públicas. 16 da Lei nº 8. atendendo da melhor forma os preceitos da igualdade.supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre as exigências de rentabilidade econômica. 4º A assistência social rege-se pelos seguintes princípios: I . A EC n° 42/2003 trouxe a faculdade aos Estados e ao Distrito Federal de vincular a programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco décimos por cento 0. V. pelo art. da CF: (…) É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida (…). garantindo-se equivalência às populações urbanas e rurais. como se sabe.5% de sua receita tributária líquida. V . A mais autêntica forma de assistência social é a prevista no art. 204. Ademais. diferentemente do que ocorre com a Previdência Social. a criar melhores condições para atender as contingências sociais e à universalização dos direitos sociais. O custeio é encargo de toda a sociedade. serviço da dívida ou qualquer outra despesa corrente não-vinculada diretamente aos investimentos ou ações sociais apoiadas 11. não é extensível a todo e qualquer indivíduo. IV . infere-se que à União (por meio do INSS) ficou a responsabilidade da concessão e manutenção dos benefícios de prestação continuada. As prestações assistenciais são reguladas pela Lei 8. tais recursos ficam necessariamente atrelados às ações sociais previstas. bem como à convivência familiar e comunitária. CUSTEIO. porquanto se destina a combater a pobreza. já que esta. a Assistência Social é instrumento de transformação social. desde que vivam sob o mesmo teto.

instituído pela Medida Provisória n o 2. A LOAS determinou que os Estados destinem recursos financeiros aos municípios para essa cobertura. de trato uno. Por sua vez.742/93 prevê benefícios pecuniários eventuais.o benefício básico. 89 a 93 da Lei 8213). O art. instituído pelo Decreto nº 3.877. de 11 de abril de 2001 . o art. Quando ainda integravam o sistema previdenciário.o benefício variável.219. 24 define os programas de Assistência Social destinados a complementar os benefícios e serviços acima referidos: “Art. que será visto detalhadamente mais abaixo. (Redação dada pela Lei nº 11.836/2004 prevê três benefícios financeiros (art. 2º): I .206-1. 1º da referida Lei). II . para famílias com renda per capita inferior a ¼ do salário mínimo. de 2008) III . vinculado ao adolescente. regulamentado pelo art. Os programas de assistência social compreendem ações integradas e complementares com objetivos. instituído pela Lei nº 10. destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de pobreza e extrema pobreza e que tenham em sua composição gestantes. voltadas para as necessidades básicas. de 13 de junho de 2003. Há o benefício de prestação continuada previsto no inciso V do art. de 24 de janeiro de 2002 . eram conhecidos pelos nomes de auxílio-natalidade e auxílio-funeral. 20 da lei acima citada. incentivar e melhorar os benefícios e os serviços assistenciais. e do Cadastramento Único do Governo Federal. 203 da CF/88.Bolsa Alimentação. A Lei nº 10.692.As prestações da Assistência podem ser pecuniárias ou de serviços. crianças entre 0 (zero) e 12 (doze) anos ou adolescentes até 15 (quinze) anos. tempo e área de abrangência definidos para qualificar. princípios e diretrizes estabelecidos nesta Lei 12. de 24 de julho de 2001” (art. destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de pobreza ou extrema pobreza e que tenham em sua composição adolescentes com idade entre 16 (dezesseis) e 17 (dezessete) 12 Houve alteração pela Lei nº 12.836/2004. observem os objetivos.435/11. nutrizes. do Programa Nacional de Renda Mínima vinculada à Saúde . Já o art. sendo pago até o limite de 3 (três) benefícios por família. criado pela Lei n o 10. têm sua concessão administrada pelos municípios. 23 da Lei 8. podem ser divididos em serviço social e habilitação e reabilitação profissional (art. do Programa Auxílio-Gás. especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – Bolsa Escola. de 6 de setembro de 2001. destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de extrema pobreza.PNAA. Hoje. 139 . do Programa Nacional de Acesso à Alimentação . 24. Essa Lei unificou a “gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal. instituído pelo Decreto nº 4.” Segundo Sérgio Pinto Martins.742/92 dispõe que: “Entendem-se por serviços socioassistenciais as atividades continuadas que visem à melhoria de vida da população e cujas ações. 22 da Lei 8.689.102. tais benefícios eventuais. no caso de natalidade e de óbito.o benefício variável.” Outros benefícios da assistência social são os previstos na Lei nº 10.

e às pessoas que vivem em situação de rua.00.o benefício variável no valor de R$ 18. Além disso.692. concedido a famílias com renda familiar mensal per capita de até R$ 60. nada impede que estes benefícios sejam recebidos cumulativamente com o benefício de prestação continuada.692.00. de programas de amparo às crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social. não importando sua condição sócio-econômica. na imensa maioria dos casos. que visa prioritariamente o adequado desenvolvimento físico e mental da criança.692.00 (dezoito reais). observados os limites fixados nos citados incisos II. o que se justifica pelo escopo do programa. com a Lei nº 11. os rendimentos concedidos por programas oficiais de transferência de renda.00. que institui a renda básica da cidadania a partir de 2005.258/05 foi prevista a criação. no valor de R$ 30.00 (trinta reais). Ao contrário. §14). (Redação dada pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11. 2º da Lei nº 10. respeitados os limites fixados nesses incisos. de 2008) A mesma Lei estabelece que são consideradas famílias em situação de extrema pobreza aquelas cuja renda mensal per capita é de até R$ 60.00 (cento e vinte reais). vinculado ao adolescente. dependendo de sua composição: (Redação dada pela Lei nº 11. pois não há vedação legal expressa neste sentido. III e IV do caput poderão ser pagos cumulativamente às famílias beneficiárias.00 (cinqüenta e oito reais) por mês. o diploma legal acima aludido exclui da renda familiar mensal.836/2004): § 2º O valor do benefício básico será de R$ 58. cuidando-se de sua alimentação e educação. de 2012) § 5º A família cuja renda familiar mensal per capita esteja compreendida entre os valores estabelecidos no § 2o e no § 3o deste artigo receberá exclusivamente os benefícios a que se referem os incisos II e III do caput deste artigo.835/04. Ainda. de 2008) I . de 2008) O pagamento dos benefícios previstos na Lei 10.o benefício variável. II.692. A distribuição desses benefícios será feita nos seguintes termos (parágrafos do art. de 2008) § 4o Os benefícios financeiros previstos nos incisos I. III e IV. sendo notória. mas não excede R$ 120. de 2008) II . e (Redação dada pela Lei nº 11.00 (sessenta reais).692. sendo pago até o limite de 2 (dois) benefícios por família. de 2008) § 3º Serão concedidos a famílias com renda familiar mensal per capita de até R$ 120.anos. Tal lei prevê uma prestação a ser paga a todos os brasileiros residentes no País e estrangeiros residentes há pelo menos 5 anos no Brasil. nos serviços da Assistência Social. A situação de pobreza caracteriza-se quando a renda per capita familiar é superior a R$ 50. 140 . a dedicação superior da mãe à sua prole.836/04 será feito preferencialmente à mulher (artigo 2º. (Redação dada pela Lei nº 11. (Redação dada pela Medida Provisória nº 570. para efeito de obtenção da renda per capita. Outro programa de interesse social foi criado pela Lei nº 10.692.

por intermédio de convênios firmados com Estados. mental. BENEFÍCIO ASSISTENCIAL. inclusive ao indígena.617/2011. III . especialmente no tocante ao requisito econômico (a renda do grupo familiar não deve superar ¼ do salário mínimo per capita). 20. com as alterações do Decreto nº 7. A Lei 12. em interação com diversas barreiras. ou ainda como LOAS (o próprio nome da lei). Municípios e hospitais filantrópicos. antes era conhecido como “renda mensal vitalícia”.214/2007. sob a supervisão direta e imediata do Ministério da Saúde. o qual a considerou constitucional em razão de a própria CF/88 remeter à lei a fixação desses requisitos. esse benefício é inacumulável com qualquer outro da seguridade social ou de outro regime. 16 da Lei 8. na ausência de um deles.435/11 alterou a indicação do que seja grupo familiar. Assim. DF e Municípios. O programa consta da Lei nº 10. quando ainda integrava o sistema previdenciário.pessoa com deficiência: aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física. não amparado por nenhum sistema de previdência social ou ao estrangeiro naturalizado e domiciliado no Brasil. a madrasta ou o padrasto. A grande questão prática da Assistência Social diz respeito ao benefício de prestação continuada definido no art. estocagem e comercialização dos medicamentos. os pais e. não fazendo mais referência ao art. dividida 141 . Foi o Decreto nº 1. Também chamado de Amparo Assistencial.família incapacitada de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa: aquela cujo cálculo da renda mensal per capita. pois deixa bastante claro que serão considerados no grupo familiar do beneficiário do amparo assistencial. considera-se: I . A Lei nº 8742/93 (LOAS) previu pressupostos rígidos para concessão do amparo à pessoa portadora de deficiência e ao idoso. Sua administração cabe ao INSS. IV . II .744/95 que regulamentou o benefício. os quais. intelectual ou sensorial.742/93. Este decreto foi revogado pelo Decreto 6. a verdade é que pode ser acumulado com a pensão especial devida aos dependentes das vítimas da hemodiálise de Caruaru/PE. que corresponde à soma da renda mensal bruta de todos os seus integrantes. não coberto por sistema de previdência do país de origem.213/91. os irmãos solteiros. Na análise do direito ao benefício. preferindo indicar logo os membros. a concessão do benefício somente será feita ao brasileiro. Distrito Federal. § 4 o da LOAS. bem como em rede privada de farmácias e drogarias. os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados. o cônjuge ou companheiro. O benefício de prestação continuada é a garantia de 1 (um) salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais e que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família.442/96. afora a exceção indicada. ou Benefício Assistencial.Por fim.impedimento de longo prazo: aquele que produza efeitos pelo prazo mínimo de 2 anos. desde que vivam sob o mesmo teto. Entretanto. podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. como será visto mais abaixo. Entendemos que andou bem o legislador. salvo os da assistência médica e da pensão especial de natureza indenizatória.a família é composta pelo requerente. que visa a disponibilização de medicamentos em farmácias populares. hoje há decisões divergentes no próprio STF. merece menção o programa “Farmácia Popular do Brasil’. sendo a sua constitucionalidade questionada perante o Supremo Tribunal Federal. podendo também firmar convênios com a União.858/2004 e a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – é a executora das ações inerentes à aquisição. Estados. De acordo com o art. prevista na Lei nº 9. que atualmente regulamenta o benefício. 20 da Lei 8.

julgou improcedente a ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Procurador-Geral da República contra o § 3º do art. quando desempregado. que o exercício da atividade remunerada. Interessante é que a remuneração do beneficiário na condição de aprendiz também não será considerado para a renda familiar. desde que comprovada.742/93. que davam ao dispositivo impugnado interpretação conforme à CF.232-DF . 5ª T. “O Tribunal. familiar. inclusive a de microempreendedor. per capita. a Súmula nº 11 editada pela mesma. independente de perícia médica e social. para efeito de concessão de benefício previsto no art. relator.. art. não sendo vedada a possibilidade do surgimento de outras hipóteses. 20. seja inferior a um quarto do salário mínimo (Lei nº 8. a miserabilidade do postulante”. e tem por objetivos :. V – a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. Laurita Vaz. Rel. § 2º. O benefício de prestação continuada – BPC/LOAS poderá ser pago a mais de um membro da família. DJe 15/12/2009. V.470/11). com redação da Lei 12. por maioria. 21-A. em parte. também não tiver direito a benefício previdenciário (art.pelo número total de membros que compõem o grupo familiar. bem como não mais importa em cessação do benefício. tem se mantido firme no entendimento de que o parâmetro legal não impede a consideração. com redação da Lei 12.”(ADIN 1. no entanto. pois o conceito objetivo de família incapaz economicamente definida como aquela com renda per capita inferior ¼ do salário mínimo é destituído de razoabilidade. O alcance do § 3o do art. superior a ¼ (um quarto) do salário mínimo não impede a concessão do benefício assistencial previsto no art. 20. Min. 20. que a Turma de Uniformização Nacional dos JEFs cancelou. a qualquer tempo. Vencidos. § 3º). por outros meios. O STF julgou a matéria. desde que comprovadas todas as condições exigidas. 34 do Estatuto do Idoso..742 de 1993. em sessão realizada em 24 de abril de 2006. 20 acima citado é alvo de forte divergência jurisprudencial. limitando a concomitância entre o benefício e a remuneração a 2 anos (art."). pelo julgador. O Superior Tribunal de Justiça. Ressalte-se. Ilmar Galvão. que prevê o limite máximo de 1/4 do salário mínimo de renda mensal per capita da família para que esta seja considerada incapaz de prover a manutenção do idoso e do deficiente físico. entendendo ser constitucional a definição do conceito de família de baixa renda. De acordo com o parágrafo único do art. também mediante lei. possibilitando ao beneficiário a solicitação da reativação. de outros fatores que 13 Nesse sentido: STJ. independentemente de contribuição à seguridade social. os Min. uma vez que o legislador pode estabelecer uma hipótese objetiva para efeito da concessão do benefício previdenciário. A renda familiar mensal deverá ser declarada pelo requerente ou seu representante legal.. 21-A.742/93.470/11). não impedirá a concessão de novo benefício. pois entendeu-se que a restrição lá imposta afrontou o texto constitucional. quando desempregado e sem direito a benefício previdenciário. 20 da Lei 8. porém. e art. Refutou-se o argumento de que o dispositivo impugnado inviabilizaria o exercício do direito ao referido benefício. 142 . 21. “o benefício já concedido a qualquer membro da família não será computado para os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a LOAS” 13. e Néri da Silveira. § 9º. do seguinte teor: “A renda mensal. 203. em sede de ADIN. da CF ("A assistência social será prestada a quem dela necessitar. mas em mera suspensão. § 4º. § 3º da Lei nº 8. conforme dispuser a lei. AgRg no REsp 787355/PR. igualmente.Informativo STF 120) Cite-se.

169 de 20/10/2009).24 de 03/08/2010) O próprio STF vem flexibilizando este entendimento. Rel. 20. da Constituição. ART. toda essa reinterpretação do art.) IX . que vem sendo realizada tanto pelo legislador como por esta Corte..742/93. tida por interposta.2004.) II . indefiro o pedido de medida liminar. é certo que o Plenário do Tribunal terá que enfrentá-lo novamente. cabe ao INSS responder isoladamente pelo pedido. consoante itens V e VI.742/93. ASSISTÊNCIA SOCIAL.. Ante o exposto. em que pese constitucional. 8.00. DA LEI Nº 8. 20 da Lei n.)” A legitimidade passiva para ações onde se discute o benefício assistencial é somente do INSS. presume-se absolutamente a miserabilidade quando comprovada a renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo" (REsp Repetitivo nº 1. Desembargador Federal Jirair Aram Meguerian.742/93. Primeira Turma.e-DJF1 p. 203 da Constituição. 220298/SP. Rel.112.742/93.9199/GO. DJe 07/06/2010) No mesmo sentido o TRF1: PREVIDENCIÁRIO.742/93. ART. (AC 1998. Conv. (.tenham o condão de comprovar a miserabilidade do requerente.A renda familiar per capita inferior a ¼ do salário mínimo deve ser considerada como um limite mínimo. Precedentes deste Tribunal e do STJ (. Ver a propósito Informativo nº 454/STF Transcrições. e sim que. (AgRg no REsp 1125402/RS. com idade de 65 anos ou mais. REQUISITOS PREENCHIDOS. o próprio caráter alimentar do benefício em referência torna injustificada a alegada urgência da pretensão cautelar em casos como este. nada impede que da análise de outros fatores ficasse caracterizada a miserabilidade da família.024193-2/MG. que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família. pode ser reveladora de um processo de inconstitucionalização do § 3o do art. 20. 154095/SP) e do TRF1 14. 203. Esse vem sendo o entendimento adotado pelo STJ (RESP 161830/SP. A meu ver. 20 da Lei 8. REQUISITOS LEGAIS. pois é apenas um elemento objetivo para se aferir a necessidade.. a quem cabe conceder o benefício. ou seja. Entendimento contrário.. Ademais. não no sentido de que a exigência daquela renda mínima seria inconstitucional. não havendo litisconsórcio passivo necessário em relação à UNIÃO. no valor de um salário mínimo mensal desde a sua suspensão.O benefício da prestação continuada previsto no art. Diante de todas essas perplexidades sobre o tema.Apelação não provida e Remessa Oficial. Ministro FELIX FISCHER. (AC 0014095-79.742/93. ou talvez que o critério estaria passando pelo fenômeno da inconstitucionalização. PEDIDO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ/BENEFÍCIO ASSISTENCIAL. BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA.557/MG).). Juiz Federal Miguel Angelo De Alvarenga Lopes (conv. 14 Nos casos de benefício de prestação continuada da Lei 8. como exige o art. um quantum objetivamente considerado insuficiente à insubsistência do portador de deficiência e do idoso. senão vejamos o seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ressaltaria ao menos a inconstitucionalidade por omissão do § 3o do art.. ou seja. 20 da Lei n° 8. 203.).. no sentido da manutenção da decisão proferida na Rcl 2. diante da insuficiência de critérios para se aferir se o deficiente ou o idoso não possuem meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. inciso V. QUINTA TURMA.742/93. "A limitação do valor da renda per capita familiar não deve ser considerada a única forma de se comprovar que a pessoa não possui outros meios para prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família.303/RS. DA LEI 8. o que não impede que o julgador faça uso de outros fatores que tenham o condão de comprovar a condição de miserabilidade da família do autor. julgado em 29/04/2010. RESTABELECIMENTO DE AMPARO ASSISTENCIAL.4.01. Rel. quando o Ministro Gilmar Mendes afirmou (leitura é obrigatória): “O Tribunal parece caminhar no sentido de se admitir que o critério de 1/4 do salário mínimo pode ser conjugado com outros fatores indicativos do estado de miserabilidade do indivíduo e de sua família para concessão do benefício assistencial de que trata o art. (. Conv. é a garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso. inciso V. Juiz Federal Francisco Neves Da Cunha (conv. da Constituição. Restabelecimento do benefício de prestação continuada previsto no art. Primeira Turma. Desembargador Federal José Amilcar Machado. REMESSA OFICIAL. parcialmente provida. 143 . 20 da Lei n° 8. SENTENÇA CONCESSIVA DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. § 3º. III . Agravo regimental desprovido.38.e-DJF1 p.

20. Além do mais. 7º da CF/88 preceitua que somente os maiores de 16 anos podem exercer atividade remunerada.040522-0/MG. 20. DOENÇA CONTROLADA. Ou seja.A supressão ou alteração do benefício exige a observância do devido processo legal. para efeito de concessão do benefício a menor de 16 (dezesseis) anos. DEFICIÊNCIA. por uma eventualidade.) 144 . A TNU já tinha súmula de entendimento predominante: Súm. que ao mencionar que o benefício é devido a quem está incapaz para o trabalho. 20. XXXIII do art. 29: “Para os efeitos do art. O Ministério Público detém legitimidade para propor ação ordinária que verse sobre benefício assistencial previsto no art. sem manifestação da doença. 20 da Lei 8. por possuir doença incapacitante. DEFICIENTE FÍSICO. (…) 1. BENEFÍCIO ASSISTENCIAL. estando ele incapacitado para prover a própria subsistência.742/93.01. MINISTÉRIO PÚBLICO. firmou a tese de que. Pleito de amparo pelos portadores de HIV.617/2011.99. 8. Desembargador Federal Carlos Olavo. Rel. SÚMULA 111 DO STJ. 3. de 1993. da Lei n. razão pela qual não pode ser considerado deficiente físico. a incapacitação. deve observar. sendo a incapacidade para o trabalho para os menores de 16 anos presumida. que implique limitação ao desempenho de atividades ou restrição na participação social. não o possa. De acordo com o Decreto 7. Esta TNU. No entanto. Conv. desde que atendidos os demais requisitos. DA LEI 8. o benefício pode ser concedido a mais de um membro da família. 20 da Lei nº 8. Juiz Federal Guilherme Doehler (conv. Como o art. ora retificado acolhendo as razões do voto-vista do em se tratando de benefício decorrente da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). mas que. por tratar-se de direito individual indisponível.e-DJF1 p. independentemente da previsão específica no regulamento (que não é taxativo) 15. à saúde e à dignidade do substituído.83. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que o portador do vírus HIV tem direito ao benefício de prestação continuada desde que comprove estar incapacitado para o trabalho e para prover o seu próprio sustento ou de tê-lo provido pela sua família. 203 da Lei Maior somente alcançaria aqueles que possuem a idade mínima para exercer atividade laborativa. como os TRF’s especialmente o TRF 161 já vinham entendendo que cabia a concessão aos menores com deficiência de longo prazo. Desembargador Federal Carlos Olavo. LEGITIMIDADE.36 de 07/07/2009) 16 (…) SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. CAPACIDADE PARA O TRABALHO REQUISITO NÃO PREENCHIDO. ART. O substituído atende aos requisitos exigidos para a concessão do benefício assistencial de amparo ao deficiente. BENEFÍCIO ASSISTENCIAL.01. JUIZ FEDERAL RONIVON DE ARAGÃO. a partir do julgamento proferido no Processo nº 2007.e-DJF1 p. INCAPACIDADE PARA A VIDA INDEPENDENTE. juiz federal José Antônio Savaris.742. DA LEI 8.742/93. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. Tal tratamento diferenciado foi criado pelo Estatuto do Idoso. para o idoso. rural ou urbana. mas também a impossibilita de prover ao próprio sustento”. o valor concedido a outros membros do mesmo grupo familiar passa a integrar a renda para efeito de cálculo per carpita de novo benefício requerido. nº.). deve o benefício ser deferido. Mas se as doenças oportunistas já se manifestaram. HONORÁRIOS. (…) 2.03. bem como o impacto na economia do grupo familiar do menor. Conv. tanto a TNU. PORTADOR DE HIV. as crianças e adolescentes menores de 16 anos devem ser avaliadas sobre a existência da deficiência e o seu impacto na limitação do desempenho de atividade e restrição da participação social. ele se encontra capacitado para o trabalho e para a vida independente. além da deficiência. Rel.99. (…) 4.742/93.). fatalidade. essa alteração visa a superação da discussão na jurisprudência acerca da necessidade de que a incapacidade seja para atos da vida civil E para o trabalho. § 2º da Lei nº 8. 17 (…) IV. § 2º. O simples fato de o interessado ser portador do vírus.201 de 06/10/2009). Entretanto. pressupõe a Lei que o mesmo esteja autorizado a exercer atividades laborais. previsto no art.742/93. não é suficiente para a obtenção do amparo.742/93. Pleito de amparo pelos por menores. compatíveis com a idade do menor. DOU 08/07/2011 SEÇÃO 1. (AC 2003. Primeira Turma. (…) (AC 2009. relacionado à vida. que constava da redação original do art. prejudicando a capacidade daquele grupo familiar de gerar renda. 20.004683-0/MG. O INSS alegava. em favor de menor carente e deficiente. que o impede de realizar as tarefas da vida diária e pelo fato de ser hipossuficiente. Apelação do autor improvida. (…) (PEDIDO 200580135061286. Apesar de o autor ser portador do vírus HIV.1412-5. segundo Ibrahim. Primeira Turma. julgamento este proferido após o voto anterior deste Relator neste feito.17 15 PREVIDENCIÁRIO. o benefício concedido a qualquer membro da família não será computado para fins de cálculo de renda familiar. (…) 7. Juiz Federal Guilherme Mendonça Doehler (conv.50. o benefício previsto no inciso V do art. seja por exigir a dedicação de um dos membros do grupo para seus cuidados. contraditório e ampla defesa. ART. incapacidade para a vida independente não é só aquela que impede as atividades mais elementares da pessoa. em sua defesa. compatível com a idade. mas para o inválido.

ainda que apenas parcial. VLADIMIR SANTOS VITOVISKY. pode ser interpretado como o requerimento judicial do benefício. apesar de a renda mensal per capita ser inferior a 2. Primeira Seção. (.). § 3º. DJ 28. julgado em 8/10/2003).. 20 PREVIDENCIÁRIO. Primeira Turma. citado por Castro e Lazzari que permitem a configuração do direito ao amparo assistencial com fulcro em incapacidade parcial.) 19 PREVIDENCIÁRIO CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. “É a incapacidade para o exercício da atividade habitual. JUIZ FEDERAL ¼ do salário mínimo.e-DJF1 p. sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal. 18 PREVIDENCIÁRIO – BENEFÍCIO ASSISTENCIAL DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (LOAS) – EXCLUSÃO DE APOSENTADORIA DE MEMBRO DO GRUPO FAMILIAR NO CÔMPUTO DA RENDA – MATÉRIA PACIFICADA NA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO – RENDA INFERIOR A ¼ DO SALÁRIO MÍNIMO CONSTITUI PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE MISERABILIDADE . suscitado. e b) caso um outro membro do grupo familiar receba benefício assistencial.) direito de todos e dever do Estado (. em razão de. INEXISTÊNCIA DE VARA FEDERAL.)”] .00. Rel. forte no princípio da igualdade18. uma vez que preenchidas as exigências constantes do artigo 6º do Decreto 1. (PEDIDO 200870650015977. Apelação e remessa oficial a que se dá parcial provimento. Ademais. Incidente de Uniformização Nacional conhecido e provido. O laudo pericial produzido é válido. Conv. de modo a abranger não só segurados.SAÚDE COMO DIREITO PÚBLICO SUBJETIVO UNIVERSAL – direito da pessoa exigir do Estado PREVENÇÃO e CURA.99. 3. Com relação a incapacidade temporária. parágrafo único). 109. Esse entendimento também ser de suporte para excluir a renda decorrente de aposentadoria por idade ou por tempo de contribuição.INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO CONHECIDO E PROVIDO 1. 145 . 3.03. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. O deslocamento da competência somente teria lugar se a própria Comarca passasse a sediar Vara Federal instalada. Rel.742/93. (CC 2009. não importando se era definitiva ou temporária20. o requerimento a que se refere o perito em seu lado. Na redação original da LOAS. Serão processadas e julgadas na justiça estadual.6. 34. JUROS DE (…) 2. e. Preliminar rejeitada.sistema antigo: necessidade de demonstrar documento (NEM TODOS TINHAM DIREITO). “Havendo incapacidade médica.741/2003. se verificada essa condição.31 de 03/09/2007). trouxe algumas alterações no que se refere ao benefício assistencial.742/93. 3 – SAÚDE -características: a) DIREITO UNIVERSAL [ “(. hipótese inocorrente na espécie. mas aqueles beneficiários da assistência social” (CC 37.07.501397/PE. Desembargador Federal Francisco De Assis Betti. UNIÃO.83. nem deixa o benefício em forma de pensão. (…) 4. Incidente de uniformização suscitado pela parte autora. pois o perito afirmou que há incapacidade.233-SP.1998. § 3º. 4. DOU 08/07/2011 SEÇÃO 1. de Januária. Desembargador Federal Antônio Sávio De Oliveira MORA.2010)” 1.95. . as condições da residência da autora afastarem a presunção de miserabilidade. Preliminar de incompetência absoluta rejeitada. PRELIMINARES DE CERCEAMENTO DE DEFESA E NULIDADE DO LAUDO PERICIAL REJEITADAS.. O STJ também entende que a prorrogação da competência é válida para benefícios assistenciais. Duas observações importantes: o beneficiário do amparo assistencial não recebe 13º. Hamilton Carvalhido. Porém. .01. caput).70. JUÍZO FEDERAL E JUÍZO ESTADUAL. BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA A PESSOA DEFICIENTE.044037-9/MG. 109.O Estatuto do Idoso. quando de sua morte.01. AMPARO ASSISTENCIAL.2009)”. ILEGITIMIDADE. “atribuindo força extensiva ao termo ‘beneficiário’. O entendimento do TRF1 é no sentido da possibilidade de ajuizamento dessas ações perante a Justiça Estadual19. 34. Juiz Federal Miguel Ângelo De Alvarenga Lopes (conv.. a idade era de 70 anos. embora temporária. Conflito de competência conhecido para declarar competente o Juízo de Direito da Comarca LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. não sendo possível ser confrontada com os outros critérios. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Competência para as ações em que se discute benefício assistencial (LOAS): discute-se se poderiam ser julgadas pela Justiça Estadual no exercício da competência delegada. Rel. A renda mensal per capita inferior a ¼ do salário mínimo denota presunção absoluta de miserabilidade.01.. DJ 11. a saber: a) passou a ser devido ao idoso a partir dos 65 anos de idade (art. haja vista que não há controvérsia a ser sanada. embora não tenha achado julgados recentes.181 de 09/10/2009).744/95..) 9. REQUISITOS PREENCHIDOS.022909-0/MG. ARTIGOS 1º E 6º DO DECRETO 1. Lei nº 10. da Constituição Federal).DJ p. Não merece reparo a sentença que deferiu o pedido da autora para a implementação do benefício de amparo assistencial previsto no artigo 20 da Lei 8. as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado. LEI 8..sistema universal. em face de decisão que desconsiderou a condição de miserabilidade.744/95. o valor deste deve ser excluído quando do cálculo da renda familiar per capita (art. (AC 2004. Chaves. (…) 2. SUBSISTÊNCIA DO ART. reduzida para 67 anos a partir de 01. a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual" (art. Se pode voltar a exercer a atividade anterior não há incapacidade parcial (PEDILEF nº 2008. cabe a concessão do benefício se as condições pessoas forem desfavoráveis à inserção ou reinserção no mercado de trabalho (PEDILEF nº 2006. no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários. não havendo que se falar em irregularidades. há julgado da TNU.001154-0/PR. todos apenas exigiam a incapacidade total. Min. no valor de 1 salário-mínino.

23. . somente é permitida nos casos autorizados por lei.questões relacionadas à saúde envolvem União. . mas apenas o aporte de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos. . 146 . .direito à vida. Com relação ao participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiras.não existe disponibilidade financeira para o atendimento de todos os direitos em sua plenitude. [NECESSIDADE DE ANÁLISE DA SITUAÇÃO CONCRETA] .principal foco é a prevenção.A EC 29/2000 determinou que União. .saúde é um direito de todos e dever do Estado. (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES).princípio da dignidade da pessoa humana. CF/88] .2 acepções: -direito de continuar vivo.FORNECIMENTO DE REMÉDIOS ARGUMENTOS FAVORÁVEIS . [art. dependendo da situação concreta poderá ser competência da JUSTIÇA FEDERAL ou competência da JUSTIÇA ESTADUAL.Tal participação se dá de forma complementar. que ainda não existe. . [art. ARGUMENTOS CONTRÁRIOS . . [VIOLAÇÃO DA DIVISÃO DOS PODERES] .. .hierarquizado. .SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. CF] . -direito de ter uma vida digna. (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS) b) SISTEMA NÃO CONTRIBUTIVO c) POSSIBILIDADE DA PARTICIPAÇÃO DO SETOR PRIVADO. . [PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE DO PROCESSO CIVIL] .a concretização das políticas públicas não é papel do judiciário. II. A CF não veda a criação de empreendimentos voltados ao lucro na saúde. salvo a quitação de serviços prestados ao SUS. Estados/DF e Municípios aplicassem em ações e serviços de saúde percentuais mínimos que serão definidos em LC.universalidade objetiva e subjetiva.deve ser verificada a condição econômica do beneficiário.sistema atual: todos têm direito. 196. tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.jurisprudência: STF e STJ – têm concedido o fornecimento.COMPETÊNCIA . Estado e Municípios. . .decisão Ellen – negou a suspensão da segurança.sistema descentralizado.participação de todos os entes federados.aplicação da reserva do possível. .

3ª ed. CASTRO. Direito processual previdenciário. 2ª Ed. e 2o. e atual. a diferença primordial entre as atividades da Saúde e da Assistência Social. 1 o. 2011. Fábio Zambitte. Desaposentação. Marina Vasques. 2008. Direito Previdenciário. São Paulo: Saraiva. Direito previdenciário esquematizado. 147 . da CF/88). DUARTE. 3ª ed. atribuída ao Estado pela Constituição Federal. 12ª ed. Fábio Zambitte. III. Curitiba: Juruá. Impetus. 15ª edição. i. 2010. Ed. Trata-se de nítida prestação de caráter solidário. Marisa Ferreira dos. SAVARIS. Manual de Direito Previdenciário. Rio de Janeiro: Forense. Curso de Direito Previdenciário. 2011. IBRAHIM.Por fim. a Saúde tem o caráter de universalidade mais amplo do que o previsto para a Assistência. 2012. Resumos do TRF5 e TRF2. Carlos Alberto Pereira de e LAZZARI. João Batista. é que esta tem um espectro menor. Porto Alegre: Verbo Jurídico. ou seja. ed.. e. rev. José Antônio. fundamentada na dignidade da pessoa humana e na solidariedade social (arts. A nota diferencial da Assistência Social para a Previdência é a desnecessidade de contribuição para o sistema de Seguridade Social e a finalidade de amparo às pessoas carentes. SERAU JÚNIOR. dos hipossuficientes sócioeconomicamente. I. SANTOS. 2008. 14. Florianópolis: Conceito Editorial. portadoras de deficiência. Marco Aurélio. Curso de Direito Previdenciário. Rio de Janeiro: Impetus. Base utilizada: IBRAHIM. idosas. 2012.

vem acrescer o seu vulto como elemento novo e positivo.H. de que o Estado dispõe para fazer face às despesas públicas”. oportunamente.1. Direito Financeiro e Tributário 1. coercitivamente do povo. como as cauções.1 Receitas Públicas 1. Receita pública. O autor ressalva. fianças. receita pública é vista como “somas de dinheiro que recebem o Estado e os demais entes públicos para cobrir com elas seus gastos”. Diferença entre Ingressos e Receitas Como despesa pública pressupõe receita. com ou sem contrapartida no passivo e independentemente de aumento patrimonial”. Conceito. Com base nessa observação acima. ditada por financistas. vem acrescer o seu vulto. integrando-se ao patrimônio público sem quaisquer reservas. todo ingresso de dinheiro deve ser centralizado no tesouro público e contabilizado ou como receita corrente ou como receita de capital. e sem reflexo no seu passivo. condições ou correspondência no passivo. Para Alberto Deodato “é o capital arrecadado.A entrada que. Aliomar Baleeiro conceituou receita como a “entrada que. mas nem todo ingresso corresponde a uma receita pública.Conjunto de meios financeiros que o Estado e as outras pessoas de direito público auferem. o ingresso de dinheiro pode ser caracterizado como receita pública ou como meras “entradas de caixa”. livremente. Em 148 . A lei não elege como requisito indispensável à configuração da receita pública o ingresso de dinheiro sem contrapartida no passivo nem o acréscimo patrimonial da entidade política. Conceito. Leis e Títulos Creditórios à Fazenda Pública. 11 e parágrafos. que a Lei 4320/64 não perfilhou a conceituação doutrinária de receita pública. previsto no art. como elemento novo e positivo”. podem dispor para custear a produção de seus serviços e executar as tarefas políticas dominantes em cada comunidade. pois todo ingresso de dinheiro aos cofres públicos caracteriza uma entrada.Toda arrecadação de rendas autorizadas pela Constituição Federal.1. permite identificá-la como “todo ingresso de recursos financeiros ao tesouro público. O autor afirma. 3 . Não há como contabilizá-lo a título de mera “entrada de caixa” ou sob a rubrica “receita provisória”. e. Por força do princípio da unidade de tesouraria. pelo exame do seu art. 56. integrando-se ao patrimônio público sem quisquer reservas. porém. tomado por empréstimo ou produzido pela renda dos seus bens ou pela sua atividade. devolvidas. depósitos recolhidos ao Tesouro e etc. contudo. Ingressos e receitas. que o conceito de receita não se confunde com o de entrada. Ou seja. * Conforme consta no site do tesouro nacional: Receita Pública: 1. 2 . Para Sainz de Bujanda. figuras inexistentes na lei 4320/64. Classificação: receitas originárias e receitas derivadas Atualizado por Jucelio Fleury Neto em agosto de 2012 1. Conquanto não tenha definido expressamente o que seja receita pública. pode-se dizer que receita pública é o ingresso de dinheiro aos cofres públicos do Estado para atendimento de suas finalidades. que são representativos de entradas provisórias e que devem ser. condições ou correspondência no passivo.

1. são aquelas que resultam da atuação do Estado.2. os bens imóveis poderiam ser ótimas fontes de renda. . em razão do seu poder de império. . gradativamente. * Há quem ainda aponte uma terceira modalidade.RECEITAS DERIVADAS: São extraídas do patrimônio dos particulares para o Estado. . QUANTO À ORIGEM: . uma vez que suas entradas condicionam-se a uma restituição posterior. da atividade econômica. a qualquer título. “Muito embora a Lei de Responsabilidade Fiscal vede apenas a renúncia de receitas de natureza tributária (art. portanto. Obs: o autor chama a atenção para o fato de os Entes Públicos (U. 14). E.Receitas patrimoniais: são as geradas pela exploração do patrimônio do Estado. a cobrança do preço pela utilização de bens públicos insere-se no âmbito do poderdever”. de uso das vias públicas para estacionamentos. não se incorporam ao patrimônio do Estado. quanto à origem: 149 . as concessões reais de uso e etc. suprimidos assim que cessadas as causas de sua criação.Receitas industriais. para ele. pois. * Modalidades de receitas originárias segundo as fontes: . as multas aplicadas por autoridades administrativas ou judiciais. pode retirar dos súditos parcelas de suas riquezas para a consecução dos seus fins. Isto é. Nem todos os ingressos constituem receitas públicas.RECEITA ORIGINÁRIA: é aquela que advém da exploração. o produto de uma operação de crédito.RECEITAS EXTRAORDINÁRIAS: são aquelas auferidas em caráter excepcional e temporário. pelo Estado. visando ao bem-estar geral.1. porque em contraposição à entrada de recursos financeiros cria uma obrigação no passivo da entidade pública). as penas pecuniárias. isto é. conforme previsão constitucional. O Estado. taxas de ocupação etc). nem todo ingresso constitui receita pública.sentido restrito. Exemplos: empréstimos compulsórios e os impostos extraordinários de guerra. é um ingresso mas não é receita nessa concepção. sob o regime de direito privado. em sentido lato. por meio do normal desenvolvimento da atividade financeira do Estado. São os tributos. Classificação 2. já que esses impostos não servem como fontes perenes de receitas. Ou seja. ante as notórias dificuldades do Poder Público. Atuação atípica do Estado. por terem caráter contingente. recebidas pelos cofres públicos. são todas quantias recebidas pelos cofres públicos. Constituem fonte regular e permanente de recursos financeiros necessários ao atendimento das despesas públicas. ex. receitas são as entradas que se incorporam ao patrimônio como elemento novo e positivo. p. denominando-se entradas ou ingressos (em sentido restrito. devem ser. o confisco e as reparações de guerra. comerciais e de serviços: são as geradas pelo Estado no exercício da atividade empresarial. Ingressos Públicos ou Entradas: Importâncias em dinheiro. . em virtude do seu poder de autoridade. em função de determinada conjuntura.2. QUANTO AO CRITÉRIO DA REGULARIDADE OU RELATIVA PERIODICIDADE: . DF e M) não explorarem devidamente seus bens. se os Entes cobrassem pela permissão de ocupação temporária de calçadas para realização de obras. laudêmios. 1. na exploração da atividade econômica. mobiliário (composto por títulos representativos de crédito e de ações) e imobiliário (foros. 2. uma vez que alguns se caracterizam como simples movimentos de fundos.RECEITAS ORDINÁRIAS: são aquelas que ingressam com regularidade. de uso de calçadas para banca de jornais.

receita industrial. em razão do seu poder de império. § 2o Não serão considerados na receita corrente líquida do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de Roraima os recursos recebidos da União para atendimento das despesas de que trata o inciso V do § 1o do art.. as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional. da Lei de Responsabilidade Fiscal. quando destinadas ao pagto de despesa corrente.3.alienação de bens. . os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal.amortização de empréstimos. deduzidos: a) na União. . 19. transferências correntes e outras receitas também correntes.RECEITAS CORRENTES: São resultantes da atividade própria da administração (Estado como agente arrecadador e agente econômico): . 201 da Constituição. de contribuições. . patrimoniais. 150 . 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. CLASSIFICAÇÃO LEGAL: Segundo a Lei 4320/64.tributos (impostos. § 3o A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e nos onze anteriores.receitas recebidas de outro ente (transferência). agropecuárias. . OBS: Segundo o art. as receitas podem ser: .RECEITAS TRANSFERIDAS: São extraídas do patrimônio dos particulares para o Estado. e do fundo previsto pelo art.receita patrimonial (exploração dos bens próprios dos Estados). . excluídas as duplicidades. industriais.operações de crédito (assunção de dívidas).receita de serviços. de acordo com as categorias econômicas. 2.receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias. . de serviços. de 13 de setembro de 1996.receita de contribuições. 195. e no art. entende-se como: . . 239 da Constituição. § 1o Serão computados no cálculo da receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei Complementar no 87. .receitas recebidas por transferência de outro ente para pagamento de despesa de capital.receita agropecuária. . taxas e contribuição de melhoria) . c) na União. nos Estados e nos Municípios.RECEITAS DE CAPITAL: . a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9o do art. 2º. e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. IV. b) nos Estados.

nos termos da lei. de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território. Essa classificação não é a mais importante. Nesse sentido. (ii) classificação quanto à origem. Exemplos de receitas originárias: a) Royalties (de petróleos. isso não significa que os autores extirpam a receita transferida da classificação. ao Distrito Federal e aos Municípios.2. mas a abordam no bojo da receita derivada. o Estado se submete ao regramento jurídico próprio de direito privado. tal receita é obrigatória e legal (não é voluntária tampouco contratual). industriais e comerciais. 20 § 1º .320/64. Todavia. Classificação As classificações mais importantes das receitas são: (i) classificação econômica. Dessa forma.1. nesse momento.2. essa receita é contratual e voluntária. Ao contrário. 20. a receita se apresenta sob 3 modalidades: . Por esse motivo. seja quando este explora o seu patrimônio. Royalties são compensações financeiras devidas à União.2. se o dinheiro é gasto com uma despesa de capital. plataforma continental. aos Estados. visto que as receitas transferidas dividem-se em obrigatórias e voluntárias. água e esgoto.2. Aqui o estado está submetido ao regramento jurídico próprio de direito público. participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural. minerais. MATERIAL – PRETORIUM INCLUÍDO 1.Receitas derivadas . quando da análise das despesas. o que não é o mais adequado. 170. c) Preços públicos ou tarifas públicas: gás. pelo que vige no Brasil a regra da liberdade de iniciativa da ordem econômica prevista no art. §1º determina que a União transfira parte do que recebeu a titulo de royalties para Estados e Municípios.superávit do orçamento corrente. CRFB: Art. 1.Receitas originárias . Isso ocorre por meio de um constrangimento legal. 1. Art. quanto à origem. não age investido em soberania tampouco está dotado de poder de império. portanto. Há.1. Normalmente a doutrina traz apenas as receitas originárias e as derivadas quando da análise dessa classificação. Receitas originárias Receitas originárias são aquelas provenientes do próprio patrimônio do Estado. bem como a órgãos da administração direta da União. por sua vez.2. o Estado está em igualdade em relação ao particular.2. energia hidrelétrica. ou compensação financeira por essa exploração. Registre-se apenas. essa receita é auferida com base no poder de império do Estado. Por conta disso. a saber: . Assim. b) Os dividendos auferidos pelas estatais (empresas públicas. então a receita é de capital.2.receitas correntes receitas de capital Estas serão analisadas em momento posterior. A CRFB em seu art. Classificação quanto à origem Tal classificação tem maior incidência nas provas e. sociedades de economia mista). em virtude da exploração de recursos naturais.É assegurada. parágrafo único. Vejase que quando o Estado está desempenhando tais atividades o faz a título excepcional. seja quando desempenha atividades econômicas.Receitas transferidas (para Régis Fernandes de Oliveira). 1. advêm do patrimônio do particular e não do Estado. Receitas derivadas Receitas derivadas. telefonia. uma receita pública de economia privada.. 170 Quando o Estado aufere receita originária não obriga o particular a lhe transferir recursos. mar territorial ou zona econômica exclusiva. que a receita pública varia de acordo com o tipo de gasto. gás). Classificação econômica A classificação econômica se dá à luz da Lei 4. financeiras. investido de soberania. Por isso essa receita é chamada de 151 . luz.

Receitas tributárias e receitas resultantes da exploração do patrimônio público são receitas correntes. não é arrecadada pela entidade que vai utilizá-la. 35 veda que sejam levadas a efeito operações de crédito entre os entes. 149. 39. 3) PROCURADOR DO MP DO TC/PE/2004: O conceito legal de receita orçamentária pública não corresponde ao conceito de receita na contabilidade privada. independentemente de o pagamento ser feito a vista ou a prazo. contribuições de melhoria.receita pública de economia pública. ITEM CORRETO. Portanto. Atribuir competência significa dividir o poder de instituir tributos entre os entes políticos. 152 . Portanto. Os créditos da Fazenda Pública. No bojo das receitas transferidas obrigatórias. a receita é contabilizada pelo chamado regime de caixa. A obrigação tributária principal consiste em dar dinheiro ao fisco. Atenção. 39 da Lei 4320/64 “Art. (ii) técnica da repartição ou distribuição de receitas. contribuições do art. serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados.2. desde que não inviabilize a autonomia administrativa dos entes envolvidos. Ressalta-se que esses dois aspectos são. tributos e multas (estas oriundas de descumprimento de deveres instrumentais) são regidos pelo Direito Tributário. QUESTÕES DE CONCURSOS: 1) AGU/2003: Conforme o estabelecido na lei 4320/64 e de acordo com as lições doutrinárias referentes à receita pública. novação ou postergação de dívida anteriormente contraída. nas respectivas rubricas orçamentárias” . Ao reverso.2. 2) AGU/2005: Em linha distinta da doutrina majoritária. de natureza tributária ou não tributária.2. importante tratar da questão da discriminação de rendas. Sem autonomia financeira não seria possível o autogoverno e a autoadministração. a vigente classificação legal de receita inclui alguns ingressos ou entradas financeiras cuja índole não se compatibiliza com a noção de receita pública strictu sensu. Exemplos de receitas derivadas: tributos em suas cinco espécies (impostos. 11 da Lei: “A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas correntes e de capital”. 1. julgue os itens a seguir: As receitas públicas. 1. segundo as categorias econômicas. Receitas transferidas As receitas transferidas se bipartem. CRFB e empréstimo compulsório) e multas. no orçamento público. Receita transferida obrigatória A receita transferida obrigatória é aquela que. Ela se apresenta sobre dois aspectos: (i) técnica da atribuição de competência. sendo possível alteração no que tange a esses temas. fatos semelhantes somente são considerados receita no momento do efetivo recebimento dos valores financeiros. Explicação: No setor público. Essa atribuição é levada a efeito pela CRFB. ITEM CORRETO. taxas. O tema está atrelado ao federalismo fiscal. ITEM CORRETO. no Direito Tributário. ainda que sob a forma de refinanciamento. Nesse sentido. cláusulas pétreas. Não confundir transferência voluntária com empréstimo. item CORRETO.3. Anote-se que a LC 101/00 em seu art.1. Essa atribuição é importante porque por intermédio dela há a descentralização do poder político. na prestação do serviço ou entrega da mercadoria. pelo qual só se considera gerada a receita na entrada do numerário nos cofres públicos. Isso porque o ente beneficiário não terá que devolver o dinheiro ao ente político que lhe entregou. Podem ser obrigatória ou voluntária.3. pelo qual se contabiliza a receita quando da venda. Enquanto na contabilidade privada considera-se uma venda a prazo como receita ocorrida no momento da operação.2. Resposta: Art. nada obstante advinda do patrimônio do particular a título de tributo. no setor privado utiliza-se o regime de competência. classificam-se em receitas correntes e receitas de capital. seja para pagar um tributo seja para pagar uma multa. o art.

18ª Ed. Direito Financeiro e Econômico – Questões Comentadas.BIBLIOGRAFIA Obras utilizadas: Direito Financeiro e Tributário. 153 . Kiyoshi Harada. Editora Método. 2009.

§§ 1º e 2º). caracterizado pela divisão do poder político em diversas esferas. bem como. sem definir com precisamente seu conteúdo. onde começa e termina a atuação de cada ente. A Constituição de 88 busca o equilíbrio federativo (Federalismo cooperativo) através de uma repartição de poderes que se fundamenta na técnica da enumeração de poderes da União. 154 . sendo emanação direta da própria estruturação do Estado Federal. Assim. ao passo que aos Estados tocarão as matérias e assuntos de predominante interesse regional (rectius: estadual). c) o legislador constituinte utilizou-se de conceitos jurídicos indeterminados como “interesse local” e “normas gerais”. verifique sempre a qual ente da federação é mais condizente a defesa do meio ambiente em questão. 24. Repartição de competências em matéria ambiental 1. Para José Afonso da Silva. nacional. I e II). bem como a doutrina e a jurisprudência também os utiliza. gerando superposição de competências. ou a um órgão ou agente do Poder Público para emitir decisões. Também verificamos áreas comuns de atuação paralela e setores concorrentes entre União e Estados. nossa Constituição (de 1988) distinguiu. notadamente no Brasil onde o Município é ente federativo . b) a CF/88. 30. assim. e ainda. ou regional (quando ultrapassem mais de um Estado). com segurança. O que norteia a repartição de competências é a predominância do interesse. Ambiental. já está sendo impugnada no Supremo por supostas inconstitucionalidades. Competências são as diversas modalidades de poder de que se servem os órgãos ou entidades para realizar suas funções”. confirmando. cabendo a todos (Poder Público e coletividade) sua proteção.I. INTRODUÇÃO Segundo a maioria dos doutrinadores brasileiros. suplementação pela legislação municipal nos casos de interesse local (CF. a exemplo do que seria “predominância de interesse”. a repartição de competências é o tema mais controvertido de Dir. em que se outorga à primeira as normas gerais e aos últimos as normas específicas (CF. Metade da questão estará respondida!”. “diante da dúvida em responder um quesito sobre competência. as controvérsias a respeito. art. A repartição da competências nas Federações é matéria reservada à Constituição. segundo o qual caberá à União aquelas matérias de predominante interesse geral. ao estabelecer referidas competências. em matéria ambiental. por sua vez. e) apenas 23 anos após a vigência da CF/88 houve a promulgação da Lei Complementar que regulamenta a repartição de competências administrativas em matéria ambiental que. competências administrativas e legislativas (anteriormente quem legislava era quem tinha o poder de atuar). Ambiental têm natureza difusa. pelos seguintes motivos: a) pela primeira vez. d) os bens tutelados pelo Dir. art. estabeleceu rol de competências tanto comuns (administrativas) quanto concorrentes (legislativas). dos poderes remanescentes para os Estados e poderes definidos indicativamente para os Municípios. “competência é a faculdade juridicamente atribuída a uma entidade. Terence Dornelles Trennepohl aconselha que. Direito Ambiental 1. sem fixar. e aos Municípios os predominantes interesses locais.

COMPETÊNCIA LEGISLATIVA É de grande relevância examinar a divisão da competência legislativa em matéria ambiental. Nacional. Outro exemplo de norma geral é a Lei do Saneamento Básico (Lei 11.) 2.445/07). ainda. as competências em: (A. que só a ela caiba a fiscalização. ocorrendo “superposição legislativa”.Subdividemse. sendo vedada a delegação genérica de toda uma matéria. cumulativa ou paralela (art. 22) União b) concorrente (art.como a vertical – objetiva dividir uma mesma matéria em diferentes níveis. Por exemplo: largura mínima de 30 metros 155 .Assim. 24) União. geral é o interesse abarcado pela norma e não a regulamentação em si. 24 da CF/88: Exemplo de norma geral da União em matéria ambiental é o Código Florestal. §§1º e 2º) Araújo de 88 em de Estados repartição de competências entre os entes políticos. 22 e 24 (artigos pares) temos as competências legislativas. Ressalte-se. estabelecer normas gerais sobre as matérias discriminadas no art. na seara das atribuições concorrentes. que “normal geral” não é o mesmo que norma genérica. entre outras coisas. Estados. que dispõe. Estados e DF c) suplementar (art. que o fato de ser da União o poder legiferante não significa. UNIÃO meio A União detém competência privativa e concorrente para legislar sobre o Ressalte-se que a autorização. podendo a lei geral tratar uma questão de forma pormenorizada. aos estados para legislar sobre matérias do artigo 22 tem que ser específica. em princípio. I e II) Estados e Municípios d) exclusiva (art. Estados e Municípios podem e devem zelar pela proteção do meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. pois. desde que não disponham de forma contrária ao Cód. DF e Município a) privativa (art. sobre a proteção da vegetação nativa. mediante lei complementar. pois há vários campos em que os limites são imprecisos e vagos. 23) União. matéria IAdministrativa ou Material II – Legislativa ou formal a) exclusiva (art. ainda. 21) União b) comum. §2º e 30. Nada impede que os Estados instituam também seus Códigos Florestais. Compete-lhe. Observe-se. – A Cf adota. 25. 24. enquanto que nos arts. contudo. Segundo a melhor doutrina. nos artigos 21 e 23 da CF (artigos ímpares) temos as competências administrativas. tanto a técnica de repartição horizontal – separar radicalmente a competência dos entes federativos .

incorporação. da CF) e de instituição. 24 da CF. 24. A matéria está disciplinada no § 2º do art. Igualmente. também é considerada norma geral. 6º 156 . a partir do inciso II. inexistindo lei geral da União acerca de determinado assunto os Estados (ou o DF) exercerão a competência plena. Em regra. esta inconstitucional. ESTADOS E DISTRITO FEDERAL Os Estados e o Distrito Federal legislam concorrentemente sobre as matérias consignadas no já transcrito art. A base constitucional para a elaboração da lei municipal encontra-se no art. mediante lei complementar. sendo. 6º da Lei nº 6. Lei nº 6. apesar de detalhista.. exemplo de competência enumerada ou expressa dos Estados é a possibilidade de criação. fusão e o desmembramento de municípios por lei estadual (art. de regiões metropolitanas. mas sempre em consonância com aquele diploma legal. CF).para faixas marginais ao longo das bordas de determinados cursos d’água fixada pelo Código Florestal. No âmbito da competência concorrente-suplementar dos Estados (art. pode-se verificar. Há casos em que os Estados possuem competência expressa. sob pena de inconstitucionalidade. 30. Embora o inciso I não seja específico para o meio ambiente. que adentra a peculiaridade de determinado Estado ou Município. Assim. Conforme lição de Leo Van Holthe. a possibilidade de o Município suplementar. uma norma que diga respeito apenas a determinada área do Brasil como. a legislação federal e estadual (competência concorrente implícita).938/81. § 4º. O Código de Pesca (Decreto-lei 221/67) passou a ser considerado norma geral com a CF/88. 18. A superveniência da lei federal suspenderá a eficácia da lei estadual (ou distrital) no que lhe for contrário. que subordina a legislação municipal sobre o meio ambiente aos preceitos contidos nas leis estaduais existentes. Inúmeras normas estaduais trouxeram especificações. a Lei da Mata Atlântica. É norma geral. a antítese da normal geral é a norma particular. MUNICÍPIOS Predomina na doutrina o entendimento de que os municípios também detêm competência legislativa no que se refere à matéria ambiental. no que couber.938/81 Art. sendo identificada por exclusão – quando não for privativa na União e dos Municípios – ou por se tratar de competência concorrente – quando possuir competência em conjunto com a União. aglomerações urbanas e microrregiões. I e II da Carta Magna. conforme se observa na expressão “assuntos de interesse local”. v. tais entes federados não possuem competência enumerada. a matéria encontra-se nele incluída.g. Por outro lado.

§ 1º Os Estados, na esfera de suas competências e nas áreas de sua jurisdição,
elaborarão normas supletivas e complementares e padrões relacionados com o
meio ambiente, observados os que forem estabelecidos pelo CONAMA.
§ 2º Os Municípios, observadas as normas e os padrões federais e estaduais,
também poderão elaborar as normas mencionadas no parágrafo anterior.
Quando, não obstante existentes os interesses nacional e estadual, não houver legislação
editada por tais entes, os Municípios podem livremente atuar no campo do interesse local. Existindo
leis estaduais e federais, porém, há nítida inconstitucionalidade da lei municipal se for mais
concessiva que aquelas. Sendo, no entanto, mais restritiva, ela em nada afronta os textos dos demais
entes políticos.
Cite-se o caso do Município de Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul, que editou a Lei
nº 1.810/98, que autorizava a realização de exposição e competição de aves de raça (briga de galo).
Diante da previsão contida no art. 32 da Lei nº 9.605/98, concluiu-se que a lei é inconstitucional por
dispor sobre norma de Direito Penal, de competência privativa da União, bem como porque se
insere na competência dos Municípios promover a proteção ambiental, coibindo práticas que
submetam os animais à crueldade (ADI TJRS nº 7001014839).
O Ministério do Meio Ambiente elaborou um roteiro básico elencando matérias que
considera incluídas entre os “assuntos de interesse local”, passíveis de tratamento por lei municipal:
a) licenciamento ambiental; 2) plano diretor do Município; 3) lei do uso e ocupação do solo; 4)
Código de Obras; 5) Código de posturas municipais; 6) legislação tributária municipal; g) Lei do
orçamento do município.
3. COMPETÊNCIA MATERIAL
UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS (COMPETÊNCIA COMUM)
Competência material é a competência administrativa propriamente dita, que atribui a uma esfera de
poder o direito de fiscalizar e impor sanções em caso de descumprimento da lei.
Em regra, o policiamento de determinada atividade é da atribuição da pessoa de Direito
Público interno dotada de competência legislativa sobre a mesma. Contudo, observa Terence
Dornelles, que “a Constituição atribuiu, pela primeira vez, separadamente, competências
administrativas, as quais eram, até então, automaticamente incluídas nas competências legislativas
correspondentes.(...) Depois da entrada em vigor do art. 23, qualquer ente público tem competência
para aplicar a legislação ambiental, ainda que a norma não tenha sido de autoria do ente que a
aplica. O art. 23, VI e VII, da CF dispõe que os três níveis da federação têm competência para tomar
medidas em prol da defesa do meio ambiente, da flora e fauna, contra poluição etc., ficando agora
ao critério das prefeituras executar também normas federais ou estaduais, quando necessário”.
Em face da competência comum, não importa quem possua o domínio do bem ou o ente que
legislou a respeito. Todos podem atuar na preservação da fauna e da flora, de forma ampla.
Em cumprimento ao desejo do legislador constituinte de ver estruturado no Brasil o Federalismo
Cooperativo, foi promulgada em 08/12/2011 a Lei Complementar 140, que fixa normas, nos termos
dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a
cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas
157

decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais
notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à
preservação das florestas, da fauna e da flora.
UNIÃO (COMPETÊNCIA EXCLUSIVA)

Além da competência comum vista acima, a União possui competência administrativa
exclusiva em matéria ambiental, nos termos do art. 21 da CF/88.
Os recursos minerais pertencem à União, e não ao proprietário do solo, cabendo, portanto, à
administração federal, autorizar a sua exploração. O mesmo pode ser sustentado em relação à
pesquisa e à lavra das jazidas de petróleo.
Com relação às atividades nucleares, pela importância e gravidade da matéria, pelos riscos
decorrentes da má administração e pela responsabilidade do Brasil, não apenas para com os seus
cidadãos, mas também com os demais Estados, a União exerce o monopólio da sua exploração.
ESTADOS (COMPETÊNCIA REMANESCENTE E EXPRESSA EM RELAÇÃO AO GÁS)
Deixando aos Estados a matéria remanescente, a CF tornou de menor interesse a competência
material privativa das unidades da Federação. Nos termos do art. 25, § 2º, da CF/88:
Cumpre observar, porém, que os Estados têm competência material para agir administrativamente,
mesmo nos casos em que a legislação tenha sido editada pela União ou por Municípios.
MUNICÍPIOS (CONCORRÊNCIA COMUM E SUPLETIVA ou “concorrente implícita”)
A competência administrativa dos Municípios em matéria ambiental apresenta-se de forma reduzida
ou de forma difusa (“interesse local”). Exemplo de fiscalização privativa seria um bem tombado de
interesse histórico exclusivo do Município. Ademais, os Municípios também são proprietários de
bens ambientais (como parques e praças), pelo que podem (e devem) criar guardas ambientais
destinadas a zelar por eles.

LEI COMPLEMENTAR 140/2011 – REGULAMENTAÇÃO DA REPARTIÇÃO DE
COMPETÊNCIAS ADMINISTRATIVAS EM MATÉRIA AMBIENTAL

3.1.

A Lei Complementar 140, consagrando o federalismo cooperativo, em atendimento ao disposto no
parágrafo único do art. 23 da CF/88, veio fixar normas, para ações administrativas decorrentes do
158

exercício da competência comum de TODOS OS ENTES DA FEDERAÇÃO relativas à proteção
das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer
de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora (são alguns dos incisos do art. 23
que tratam de matéria ambiental).
Há muito essa Lei era esperada, justamente por ser o tema certamente o mais controvertido e
gerador de conflitos no Dir. ambiental, pelas razões já expostas no início do resumo.
Importante ressaltar que referida LC está sendo impugnada por meio de Ação Direta de
Inconstitucionalidade no STF – ADI 4757 – proposta em abril de 2012 e pendente de julgamento.
Eis os principais argumentos da ADI:
- A LC deveria apenas prever mecanismos de cooperação, nos termos do parágrafo único do art. 23
da CF, mas, ao invés, estabeleceu competências privativas, impedindo a atuação dos órgãos
federais, que antes era irrestrita.
- A segregação das atribuições seria tão grande que afetaria a própria competência comum. Assim,
agride o art. 225, CF, que impõe que a proteção do meio ambiente é dever do Poder Público (o que
abrangeria todos os entes).
- atribuem-se poderes normativos irrestritos à Comissão Tripartite, que poderá impor obrigações e
deveres por meio de “proposição”, fixando direitos e deveres sem previsão legal, violando o art. 5º e
inc. II e art. 37 da CF.
A titularidade da ADI é da Associação dos Servidores do IBAMA. As atribuições do CONAMA
foram reduzidas substancialmente, tendo esse Conselho perdido poder. Surge, assumindo parte de
suas atribuições, a Comissão Tripartite Nacional.
Destaca-se, ainda, a escassez de material sobre o assunto, já que – além da recenticidade da Lei –,
como ainda não houve manifestação do Supremo sobre a ADI, muitos autores ainda não atualizaram
suas obras.
I – ESTRUTURA DA LC 140
A Lei Complementar que disciplina a atuação dos entes federados é composta de 22 artigos e está
divida em quatro capítulos:
- Capítulo I: DISPOSIÇÕES GERAIS – trata da finalidade da Lei, de conceitos-chave e dos
objetivos a serem perseguidos pelos entes federados na atuação administrativa relativa às questões
ambientais;
- Capítulo II: DOS INSTRUMENTOS DE COOPERAÇÃO – disciplina os meios e institutos
através dos quais se dará a cooperação entre União, Estados, DF e Municípios;
- Capítulo III: DAS AÇÕES DE COOPERAÇÃO – fixa, principalmente, a competência de cada
ente federado na atuação administrativa em matéria ambiental.
- Capítulo IV: DISPOSIÇÕES FINAIS – basicamente traz regras de direito intertemporal para os
processos de licenciamento em curso quando da entrada em vigor da lei e altera o art. 10 da Lei
6.938/81 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente – esse artigo era o que previa a atuação
suplementar do IBAMA, sempre).

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II - DISPOSIÇÕES GERAIS
a) Fundamentos da LC 140 (art. 1º):
- proteger o meio ambiente;
- proteger paisagens naturais notáveis;
- combater a poluição;
- preservar fauna e flora.
b) Objetivos da LC 140 (art. 3º):
- promover gestão descentralizada, democrática e eficiente;
- desenvolvimento sustentável, com ênfase na dignidade da pessoa humana, erradicação da
pobreza e redução das desigualdades sociais e regionais;
- harmonizar políticas e ações, evitando sobreposição de ações e conflitos de atribuições;
- uniformizar política ambiental no país, respeitando peculiaridades regionais e locais.
c) Conceitos trazidos pela LC 140 (art. 2º):
I - licenciamento ambiental: o procedimento administrativo destinado a licenciar atividades
ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente
poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental;
II - atuação supletiva: ação do ente da Federação que se substitui ao ente federativo
originariamente detentor das atribuições, nas hipóteses definidas nesta Lei Complementar;
III - atuação subsidiária: ação do ente da Federação que visa a auxiliar no desempenho das
atribuições decorrentes das competências comuns, quando solicitado pelo ente federativo
originariamente detentor das atribuições definidas nesta Lei Complementar.
III - INSTRUMENTOS DE COOPERAÇÃO
São instrumentos de cooperação institucional: consórcios públicos, convênios, acordos de
cooperação técnica, Comissões (Tripartites e Bipartite), fundos públicos e privados e outros
instrumentos econômicos, delegação de atribuições e de ações administrativas de um ente a outro.
Observações:
- convênios podem ser firmados por tempo indeterminado, sendo exceção, portanto, à regra
máxima de 60 meses estabelecida pela Lei 8.666/93;
- a Comissão Tripartite Nacional e as Estaduais são formadas, paritariamente, por
representantes das três esferas de poder; a do DF é Bipartite, já que este ente não se divide em
Municípios.
160

- só poderá haver delegação se o ente delegatário dispor de órgão ambiental capacitado e
conselho de meio ambiente. Considera-se capacitado o órgão que possui técnicos em quantidade
compatível com a demanda.
IV - AÇÕES DE COOPERAÇÃO
Nesse capítulo são descritas as diversas ações administrativas (competências) pertencentes aos
diversos entes da Federação, tratando o art. 7º das atribuições da União, o 8º das do Estado e o 9º
das dos Municípios.
COMPETÊNCIA DA UNIÃO
Várias ações estão atribuídas à União, estando a maioria delas relacionadas, em nível nacional, à
Política Nacional do Meio Ambiente, no que diz respeito ao planejamento, execução, diretrizes,
orientação técnica, articulação entre os entes, conscientização pública, gestão de seus recursos
ambientais, estudos, controles de âmbito nacional etc.
ATENÇÃO para as seguintes atividades:
1) Promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades:
a) localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe;
b) localizados ou desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental ou na zona
econômica exclusiva;
c) localizados ou desenvolvidos em terras indígenas;
d) localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União,
exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs);
e) localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados;
f) de caráter militar, salvo os previstos no preparo e emprego das Forças Armadas
g) os relativos à material radioativo ou energia nuclear; ou
h) que atendam tipologia estabelecida por ato do Poder Executivo, a partir de proposição
da Comissão Tripartite Nacional, assegurada a participação de um membro do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (Conama), e considerados os critérios de porte, potencial
poluidor e natureza da atividade ou empreendimento (ou seja, licenciar o que for
determinado por ato do Poder Executivo, por proposição da Comissão Tripartite Nacional).
2) aprovar o manejo e a supressão de vegetação, de florestas e formações sucessoras
em:
a) florestas públicas federais, terras devolutas federais ou unidades de conservação
instituídas pela União, exceto em APAs; e
161

seja cometida à União. Ou seja. exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). só que em âmbito Estadual. entretanto. 7º a 9°. executar e fazer cumprir a Política Estadual do Meio Ambiente. Para as UCs. ao Estado: 1. 2. zona econômica exclusiva. concomitantemente.. em APAs. ambientalmente. não? Lembre-se. 2. 12). a partir de proposição da Comissão Tripartite (União não quer se ocupar com pequenos empreendimentos. o critério é o do ente instituidor da UC. XIV). promover o licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pelo Estado. em se limitando ao estado a competência é estadual.. ambientalmente. o licenciamento que compreenda. área terrestre e marítima da zona costeira só será atribuição da União se ato do Poder Executivo o definir. inclusive em relação à Política Nacional do Meio (exceto formular essa Política. em mais de um estado é federal. 7o e 9o. Entretanto. Cabe. compete. temos uma regra diversa da regra geral para licenciamento das unidades de conservação. à União exercer o controle e fiscalizar as atividades e empreendimentos cuja atribuição para licenciar ou autorizar. aprovar o manejo e a supressão de vegetação. que compete à União). sob qualquer forma. e ainda formular. Simples. : 1. efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes. in verbis: (é ação administrativa do Estado) promover o licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais. atividades nucleares em APA. de causar degradação ambiental. No caso das APAs. APA em terra indígena. pela União. COMPETÊNCIA DOS ESTADOS Basicamente. excetuando-se as APAs.) 3. ainda. A competência para licenciamento pelo Estado é residual. ainda. o critério é o da localização geográfica da área. conforme definido expressamente pela própria LC (art. ressalvado o disposto nos arts. a exemplo de pequenas barracas e aluguéis de bananas boat). conforme definido nos seus arts. Obs. cabendo-lhe aquilo que não for conferido à União ou ao Município (art. são dos Estados as mesmas competências da União.b) atividades ou empreendimentos licenciados ou autorizados. o critério é o da extensão geográfica dos impactos ambientais: no limite do município o impacto é local. que isso não exclui a competência da União em relação aos casos de sua exclusividade (APA em país fronteira com país limítrofe. mar territorial. em relação às APAs. a regra geral da LC 140 diz que quem institui a unidade de conservação deve licenciar os empreendimentos na área. de florestas e formações sucessoras em: 162 . 8º.

promover o licenciamento ambiental das atividades ou empreendimentos: a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local. aprovar: a) a supressão e o manejo de vegetação. e b) a supressão e o manejo de vegetação. ambientalmente. excetuados os casos conferidos à União c) atividades ou empreendimentos licenciados ou autorizados. conforme tipologia definida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente. execução e imposição da Política Municipal do Meio Ambiente e mais o seguinte: 1. pelo Município. a competência é a mesma da União e Estados. só que em âmbito municipal. b) localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município. exceto em APAs. exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). potencial poluidor e natureza da atividade. exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). incluindo-se a formulação. 2. considerados os critérios de porte. observadas as atribuições dos demais entes federativos previstas na Lei Complementar. pelo Estado. de florestas e formações sucessoras em empreendimentos licenciados ou autorizados. de florestas e formações sucessoras em florestas públicas municipais e unidades de conservação instituídas pelo Município.a) florestas públicas estaduais ou unidades de conservação do Estado. ambientalmente. 163 . COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS Basicamente. b) imóveis rurais.

ao Estado: b) promover o licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pelo Estado. potencial poluidor e natureza da atividade. ainda. d) localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação instituídas pela União. f) de caráter militar. exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). por proposição da Comissão Tripartite Nacional). 7o e 9o. salvo os previstos no preparo e emprego das Forças Armadas g) os relativos à material radioativo ou energia nuclear. conforme tipologia definida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente. Cabe. efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes. exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs). licenciar o que for determinado por ato do Poder Executivo. potencial poluidor e natureza da atividade ou empreendimento (ou seja. in verbis: Licenciamento estadual a) (é ação administrativa do Estado) promover o licenciamento ambiental de atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais. na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva. Licenciamento municipal Atividades ou empreendimentos: a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local. XIV). a partir de proposição da Comissão Tripartite Nacional. de causar degradação ambiental. 8º. 164 . assegurada a participação de um membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). ressalvado o disposto nos arts. b) localizados ou desenvolvidos no mar territorial. Licenciamento federal (IBAMA) e) localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados. e considerados os critérios de porte.Atividades ou empreendimentos: a) localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe. cabendo-lhe aquilo que não for conferido à União ou ao Município (art. sob qualquer forma. considerados os critérios de porte. c) localizados ou desenvolvidos em terras indígenas. A competência para licenciamento pelo Estado é residual. ou h) que atendam tipologia estabelecida por ato do Poder Executivo.

mar territorial. 2. Florestal. o licenciamento em APPs cabe ao órgão estadual do meio ambiente (arts. não? Lembre-se. 10. 11-A. Destaca-se. a exemplo de pequenas barracas e aluguéis de bananas boat). excetuando-se as APAs. em se limitando ao estado a competência é estadual. Observem que.. entretanto. é o Conselho Estadual de Meio Ambiente. exceto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs).) 8. COMPETÊNCIA DO DISTRITO FEDERAL 165 . ditado pela predominância do interesse (pois é. que deve ser orientado pela regra geral da lei. que há doutrinador que afirma que o critério da atividade é. ao estabelecer o critério da abrangência do impacto para o município. Notem que. No caso das APAs. competirá ao Estado o licenciamento da atividade. a partir de proposição da Comissão Tripartite (União não quer se ocupar com pequenos empreendimentos. em relação às APAs. ou seja. 5. o da localização geográfica do empreendimento ou atividade: no limite do município o impacto é local. APA em terra indígena. admite a utilização desse critério para o Estado. área terrestre e marítima da zona costeira só será atribuição da União se ato do Poder Executivo o definir. 6. que isso não exclui a competência da União em relação aos casos de sua exclusividade (APA em país fronteira com país limítrofe. se o impacto superar área do município. e o do ente instituidor da unidade de conservação – se instituída pelo Estado. já que. A regra da LC 140 diz que quem institui a unidade de conservação deve licenciar os empreendimentos na área..b) localizados em unidades de conservação instituídas pelo Município. o tema é muito polêmico!). quem vai definir o que é “impacto de âmbito local”. para fins de licenciamento. zona econômica exclusiva. 12 da LC nomeia expressamente esse critério. que é o da localização geográfica do empreendimento ou atividade (e não mais do impacto ambiental). o licenciamento é de competência desse ente (o art. o critério é a regra geral da Lei Complementar para as demais atividades. dizendo não se aplicar às APAs). que é a regra para as unidades de conservação. o da localização geográfica do empreendimento ou atividade. concomitantemente. Simples. o licenciamento que compreenda. o que viola a Constituição (definição de competências no Estado Federal é atribuição da Constituição e não órgãos administrativos de um único ente). qual seja. na verdade. 7. 4. temos uma regra diversa da do ente instituidor. Para o licenciamento estadual há dois critérios: o residual. em mais de um estado é federal. a LC. entretanto. é desse ente o licenciamento na área (que não se aplica às APAs). pois órgão administrativo do Estado estaria definindo competências municipais. segundo a LC 140. atividades nucleares em APA. 3. e dois critérios suplementares: o da atividade (militar ou nuclear/radioativa) e o do ente instituidor da unidade de conservação – instituída pela União. Para Paulo de Bessa Antunes (em palestra proferida no Recife em agosto/2012). Segundo o Novo Cód. há um critério geral. Para o licenciamento federal. implicitamente. isso é inconstitucional. III e 26). OBSIMPS (observações importantes): 1. Para o licenciamento municipal há dois critérios: permanece o do impacto ambiental local e o do ente instituidor das unidades de conservação (que não se aplica às APAs).

ordinariamente. DISPOSIÇÕES FINAIS A Lei Complementar aplica-se apenas aos processos de licenciamento e autorização ambiental iniciados a partir de sua vigência (que se deu na data da publicação: 08/12/11). O art. publicada no Informativo STF 432: Conflito de atribuições material comum: a) critério da preponderância do interesse. os agentes do Instituto sempre entenderam que cabia ao IBAMA. Celso de Mello. mas de interesses PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES TRAZIDAS PELA LEI EM RELAÇÃO AO REGIME ANTERIOR A LC 140 traz considerável mudança em relação ao licenciamento ambiental. 11 previa que a fiscalização e controle da qualidade ambiental seriam exercidos pelo IBAMA. em medida liminar na AC 1255. 10 da Lei 6.938/81 estabelecia de forma ampla e irrestrita a atuação do IBAMA.938/81. aplica-se a legislação anterior. MAS AINDA VÁLIDAS) Min. o que não se pode mais deduzir depois das mudanças perpetradas pela Lei Complementar. Ou seja. c) privilegiar a norma que atenda de forma mais efetiva ao interesse comum. Até a criação das Comissões Tripartites e bipartite. Essa atuação supletiva era mais entendida como “complementar” do que suplementar. Além disso. O manejo e a supressão de vegetação em situações ou áreas não previstas nesta Lei Complementar dar-se-ão nos termos da legislação em vigor. Tais disposições faziam com que o órgão federal fosse visto por muitos como Corregedor dos demais órgãos ambientais. em caráter supletivo da atuação do órgão estadual e municipal competentes. A LC 140. ter precedência. mesmo indicando em alguns pontos que essa atuação seria supletiva. Vejamos. Ademais. d) interesses da União são mais abrangentes e devem. conceituou ação supletiva como aquela que 166 . CRITÉRIOS DEFINIDOS PELO STF PARA FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA AMBIENTAL (ANTES DA LC 140. complementar a atuação estadual ou municipal em matéria de licenciamento ambiental sempre que se entendesse necessário ou conveniente. bem como até a definição das tipologias fixadas para os respectivos licenciamentos ambientais por tais Comissões. retirou toda e qualquer menção ao IBAMA e sua atuação supletiva. Já o § 1º do art. órgão licenciador federal.Cabe ao DF exatamente as mesmas competências atribuídas aos Estados e Municípios. b) critério da colaboração entre as pessoas políticas. previa o § 2º do citado artigo que o CONAMA poderia fixar as hipóteses em que o licenciamento dos demais órgãos estaria sujeito à homologação da Autarquia Federal. e) não há hierarquia de pessoas políticas. dando nova redação ao art. 10 da Lei 6.

o critério supletivo. 2003/0159754-SC. No momento. O aumento da segurança jurídica sobre o tema foi significativo. que o licenciamento ambiental será feito apenas por um único ente federativo. a nova legislação. desapareceu o critério genérico da predominância do interesse pela abrangência do impacto (apenas se pode considerar objetivamente os casos dispostos no art. o critério da predominância do interesse para outras atividades. em regra. em matéria de impugnação judicial de licenciamento por outro ente.SUBSTITUI o ente competente. e assim sucessivamente. acreditamos que ele não foi adotado em nenhum momento. o critério da dominialidade do bem (se bem federal.022. TRF1. a não ser que esteja configurada uma das hipóteses previstas nas alíneas do inciso XIV do art. 7º da LC. a LC 140 acolheu. que. segundo alguns autores. com a revogação do § 4º. se os impactos ambientais de um empreendimento ultrapassar os limites estaduais. reservada apenas para os casos expressamente previstos. porém. que ato do poder executivo federal. Em relação ao critério da dominialidade. por exemplo. Assim. o interesse também o seria... o § 4º do art. temos ainda o critério da atividade (para atividade militar e com energia nuclear) e uma via aberta. da Procuradoria Federal do IBAMA. Contudo. o STJ e alguns regionais já se manifestaram no sentido de que a dominialidade (titularidade do bem) não é critério definidor da competência para o licenciamento ambiental (STJ. há o claro intuito de “desfederalizar” em muitos casos o licenciamento ambiental. AG 2007. ainda. Por outro lado. ainda.000782-5/BA). 10 da Lei 6. Dessa forma. dispondo. Como vimos. ainda.). Ou seja. ao lado do critério da predominância do interesse. havia também. objetivo (localização do empreendimento ou atividade). No que se refere à supletividade. Ao lado do critério geográfico. ainda que atividade tenha potencial poluidor de âmbito nacional ou regional. por proposta da Comissão Tripartite. veremos que houve a restrição da atuação supletiva. AC 327. O licenciamento ambiental seguia a lógica da predominância do interesse. Ressaltou. previsto apenas para a entidade federal. a localização como critério para definição do órgão competente. Tal critério mudou. seria do IBAMA a competência para licenciar) e. TRF5. o Ibama não será competente para licenciar. Por fim. 14 e 15 da LC 140). seu licenciamento ambiental será de competência do órgão estadual. são informados pela localização geográfica do empreendimento). Para o licenciamento ambiental.01. Segundo a Orientação Jurídica Normativa (OJN) nº 33/2012. de âmbito nacional ou regional. adotando. e não do IBAMA. inexistência do conselho de meio ambiente no ente federado ou decurso do prazo de licenciamento sem a expedição da licença pelo ente competente (arts. o critério da dominialidade é utilizado como parâmetro para definição da legitimidade ativa da União e do IBAMA.00. via de regra. que é a definição por ato do Poder Executivo Federal segundo proposta do Conselho Tripartite. notadamente em ações civis públicas que possuem como fundamento possíveis ilegalidades no 167 . Nada impede. adote os mesmos ou outros critérios para atividades não previstas expressamente na LC. como acontecia anteriormente. de 26/04/2012. que só caberá essa ação supletiva no caso de inexistência ou incapacidade técnica do órgão ambiental competente. o critério que era subjetivo (abrangência do impacto ambiental) passou a ser. doutrina minoritária defendia esse critério). conforme julgados citados abaixo mais adiante (na verdade. que era informado pelo critério da abrangência do impacto ambiental (se o impacto era local.938/81 previa a competência do IBAMA para licenciar sempre que as atividades e obras tivessem significativo impacto ambiental. mas o empreendimento estiver localizado integralmente no interior de um único Estado. em sua maioria. O Ibama não terá mais competência para licenciar empreendimento apenas em razão da abrangência do seu impacto ambiental. em relação à União. que estabelece apenas critério de localização e de tipo de atividade. Resp. 7º.

OMISSÃO. 78 do CTN). Anote-se que a contrariedade à norma pode ser anterior ou superveniente à outorga da licença. houve a ampliação da mens legis do art. Com a nova disciplina dada pela LC 140/11. mas todos podem fiscalizar. 17 diz que só o ente competente pode lavrar auto de infração (para aplicação de multa. ao disciplinar que todos podem fiscalizar e que prevalecerá o auto do ente competente. Min. AgRg no REsp 711. por exemplo).” Ou seja. está admitindo a possibilidade de dupla lavratura de auto. prevalecerá o auto de infração lavrado pelo órgão que detenha a atribuição de licenciar. Agora não é mais assim: prevalece. o que se dá mediante o poder de polícia administrativa (art. Humberto Martins. em caso de dupla multa.licenciamento ambiental.938/81 e art. entre os quais o art. não há que se confundir a competência do Ibama de licenciar (caput do art. Quer dizer.022-SC. 6.514/08. o § 3° do mesmo artigo afirma que todos os entes podem fiscalizar e. Rel. 10 da Lei n. Cabe observar uma distinção dentro da competência material realizada pela doutrina e jurisprudência entre (1) competência de licenciar e (2) competência de fiscalizar. fica o ente diverso autorizado a agir com base no poder de polícia. Municípios ou DF substitui a multa federal. diante da omissão do órgão estadual de fiscalização. existiam alguns dispositivos que estabeleciam regras definidoras de competência. insuficiência da atuação do órgão estadual de meio ambiente ou dano a bem de domínio da União (REsp 769753 / SC) Referida Lei modifica também o entendimento que vinha sendo adotado acerca da imposição de multas. 12 do Decreto 6. entre eles. a multa do órgão ambiental competente. Para evitar a duplicidade de punição pelo mesmo fato (já que todos eram considerados competentes para lavrar o auto) e eventual conflito de atribuições entre os entes. 76 da Lei 9. O nosso pacto federativo atribuiu competência aos entes da Federação para a proteção do meio ambiente. Precedente citado: REsp 588. §§ 1º e 3º. I e § 2º da Lei 6. todos os entes federados seriam competentes para lavrar autos de infração em matéria ambiental. Porém. Contudo. Isso posto.605/98. 14. prevalecendo para a mesma 168 . quanto mais se a atividade desenvolvida pode causar dano ambiental em bem da União. O caput do art.405-PR. Este último artigo reza que o pagamento da multa imposta pelos Estados.605/98.938/1981) com sua competência para fiscalizar (§ 3º do mesmo artigo). 76 da Lei 9. fiscalizando o particular e tomando medidas cabíveis (a lei não estabelece que medidas seriam essas). portanto a aplicação da sanção não está necessariamente vinculada àquele ato administrativo. Assim. 70. Entretanto. Esse poder envolve vários aspectos. ORGÃO ESTADUAL. DJ 5/4/2004. da Lei 9. julgado em 28/4/2009. Pelo art. mesmo que outorgante da licença ambiental. o Ibama pode exercer seu poder de polícia administrativa. apenas o competente tem a atribuição de lavrar o auto. FISCALIZAÇÃO. o poder de permitir o desempenho de certa atividade (desde que acorde com as determinações normativas) e de sancionar as condutas contrárias à norma. havendo perigo iminente ou atual ao meio ambiente os demais entes federados estão autorizados a agir cautelarmente e/ou existindo omissão e inércia do ente originalmente atribuído da competência para licenciar. A LC adotou essa sistemática.605/98 e do parágrafo único do art. em caso de dupla lavratura de auto de infração. existe uma questão que tem intrigado quem se debruça sobre a LC 140. Notícia veiculada no Informativo 392 do STJ explica a diferença: “IBAMA.

da competência municipal. após 23 anos da CF/88 instituiu a repartição de competências ambientais. houve a previsão de situação não abarcada pela literalidade do aludido art. havendo necessidade de licenciamento corretivo. Observação final: a Lei fala ainda que a competência para fiscalizar e controlar a atividade é do ente a quem for cometida a atribuição de licenciar ou autorizar. previu a possibilidade de atuação do órgão federal no caso de incapacidade técnica do Município e.sepultou de vez entendimento de parte da doutrina que afirmava não ter o município competência para licenciar (tal posição era fruto da interpretação do art. 169 . MAIORES MÉRITOS DA LC 140: . a LC 140/11 veio a disciplinar o assunto de uma forma mais técnica. abarcando quaisquer sanções previstas no art. enquanto que a autorização é para atividades simples como. O licenciamento envolve estudo de impacto ambiental. em caso de mudança da titularidade da competência.605/98 e não apenas a sanção única da multa estadual ou municipal (o art. 6º: Igualmente. não impedia a cobrança da diferença em relação à multa federal. . do Estado. a multa desses últimos prevalecerá mesmo que menor. Entretanto. 76: a possibilidade de um auto federal posterior substituir um auto estadual ou municipal. que tornou obrigatório o licenciamento ambiental. . Assim. As infrações administrativas são punidas com as seguintes sanções. desde que o ente competente para o licenciamento ambiental seja a União Federal. que agora podem ser substituídas de acordo com auto de infração do ente competente: “Art.infração ambiental todo o auto de infração do ente competente. . o corte de uma árvore. 72. concomitantemente. De todo modo. observado o disposto no art. por exemplo. decretos e resoluções. sepultando de vez a tese de que a multa estadual apenas substituiria a federal até o limite de seu valor.938/81. Havia também entendimentos que afirmam que o pagamento da multa municipal ou estadual. de forma a evitar conflitos de atribuições e garantir uma atuação administrativa eficiente. mesmo que a multa federal seja maior. se o ente competente para licenciar for estadual ou mesmo municipal. Por outro lado. corrigindo lacunas nas diversas leis. conforme objetivo expresso da lei. sendo menor que a federal. que previa apenas o licenciamento por órgãos estaduais e federais – outra parte da doutrina justifica a não previsão à época.Estabeleceu que as atividades e empreendimentos serão licenciados por apenas um ente federativo.Enfim.Procura. o órgão competente doravante é quem cuidará do licenciamento. harmonizar as políticas e ações administrativas para evitar a sobreposição de atuação entre os entes federativos. bem como o poder de fiscalizar e tomar “outras medidas”. em razão de o município só ter sido alçado à condição de ente federativo em 1988). Eis as demais infrações possíveis. 10 da Lei 6. 72 da Lei 9. a LC só se aplica para empreendimento futuros. Como visto. não cabendo a cobrança de quaisquer diferenças em relação à multa federal. 76 só dizia que o pagamento da multa municipal ou estadual substituía a multa Federal).

170 .

O estado sempre foi o principal ator do DIP. é toda aquela a quem se reconhece a capacidade de possuir direitos e obrigações na esfera internacional Atualmente. 2012): TRADICIONAIS NOVOS(Fragmentár ios) OUTROS ENTES QUE TAMBÉM PODEM ATUAR NA COMUNIDADE Possuem INTERNACIONAL (podem ou não ampla Não podem celebrar tratados. Ordem de Malta. juridicamente. a depender do capacidade celebrar Tratados caso concreto) de ação no (atuação restrita) plano internacional 1 – Estados 1 – Indivíduo 2 – 2 – ONGs Organizações 3 . 21 São eminentemente transitórias e dependem de um ato de reconhecimento internacional quando as coletividades passam a atuar junto aos estados ex. É exatamente na acepção de deveres que surge a noção de responsabilidade do Estado.J. estão em igualdade dentro das negociações. que são os sujeitos internacionais. os atores da sociedade internacional (sujeitos de DIP) podem ser sintetizados em (PORTELA. todos terão a mesma condição de Estados. Sujeito internacional ou pessoa de direito internacional. 171 . Além de direitos.1. a riqueza e a localização dos Estados.1. ou seja.: OLP. territórios internacionalizados. Não interessa o tamanho. Direito Internacional Público e Privado 1.1. Insurgentes. Cruz Vermelha. Estados São os sujeitos clássicos de direito internacional público. EXEMPLO: a Santa Sé é bem pequena mas é um Estado. e ainda são os sujeitos mais importantes no plano internacional. territórios sob mandato e tutela. Santa Sé. Personalidade internacional Elaborado por Ingrid Aragão Freitas Porto em maio de 2010 Atualizado e revisado por Diogo Souza Santa Cecília em agosto de 2012 1.Empresas nternacionais 3 – Santa Sé 1 – Beligerantes 2 – Insurgentes 3 – Nações em luta pela soberania 4 – Blocos Regionais Pessoas ou sujeitos do DI (segundo Celso Albuquerque de Mello): Coletividades estatais (Estados) Coletividades interestatais (organizações internacionais) Coletividades21 não estatais com representação plena (Beligerantes. sociedades comerciais) Indivíduo 1. no plano internacional. Sujeitos de Direito Internacional A sociedade internacional é formada por atores internacionais. os Estados têm deveres no plano internacional.

22 172 . Coletividades Interestatais São sujeitos mediatos ou secundários do DIP porque dependem da vontade dos seus membros para a sua existência (através de tratado) e para a concretude e eficácia dos objetivos por ela perseguidos. Um povo está normalmente associado a uma nação e pode ser constituído por diferentes etnias. Essas organizações internacionais (ORG’s) NÃO se confundem com as ONG’s. O conceito foi teorizado e desenvolvido pelo filósofo francês Jean Bodin. OEA. Decorrem do crescimento das relações internacionais e da cooperação necessária entre as nações. UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação. Estado não se confunde com nação e povo.1. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo. OMS e outras.2.Países são as demarcações territoriais. especialmente a legal). que. pois detém. As Organizações Internacionais são associações de sujeitos de Direito Internacional. São formadas pelas organizações internacionais (ORG’s). OIT 22. A idéia de nação está associada a valores e tradições históricos de um povo. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO: Sua composição (artigo 3 o. sustentava a tese pela qual a hereditariedade da Monarquia francesa dava ao Soberano a prerrogativa de não se sujeitar a nenhuma condição a ser imposta pelo povo. pressuposto fundamental da existência do Estado. em sua obra “Os seis livros da República”. um povo. a um estado. OMC. normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita. 1. resolução de conflitos armados. Estado é toda nação politicamente organizada. É por sua iniciativa que surgiram outras pessoas internacionais. um território". dos quais 02 serão delegados do governo e os outros dois de representantes de empregados ou empregadores. segundo Max Weber. Os Estados são os principais sujeitos do DIP. a Ciência e Cultura) – objetivo específico visa à cooperação. O Estado é responsável pela organização e pelo controle social. Até o século XX o Estado era o único sujeito de DIP. desenvolvimento econômico e social etc. teve gênese no século XVI. o monopólio da violência legítima (coerção. EXEMPLOS: ONU. ou seja. tais como: obtenção ou manutenção de paz.): 04 REPRESENTANTES DE cada um de seus membros. social e juridicamente. As organizações internacionais passaram a ter maior relevância a partir da criação da Liga das Nações. Estado é uma instituição organizada política. ocupando um território definido. constituídas por Estados. as pessoas que estão vinculadas a um determinado regime jurídico. Eles são os sujeitos “primários e fundadores” da sociedade internacional. A soberania. b) regionais: OEA – objetivo generalizado. ou seja. O povo é o conjunto dos cidadãos de um país. mas em síntese nação pode se conceituada como uma forma particular de agrupamento humano que apresenta valores e realidades históricas comuns. e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Estas organizações têm como objetivo diversas questões. como as organizações internacionais. juntamente com seu território. Convém discriminar que os tipos de organizações dividem-se em: •Intergovernamentais (os objetivos podem ser específicos ou generalizados): a) globais: ONU (Organização das Nações Unidas) – objetivo generalizado.

financeira. Exemplos: partidos políticos (ex. Questão problemática surge quando a ONG está dentro ou intrinsecamente relacionada a uma ORG. passam a ser equiparadas a um Estado. •ONGs de Intervenção: são caracterizadas pela necessidade de resolução de desafios concretos e imediatos.1. A ONU reconhece a esses personagens do direito internacional o status de OBSERVADORES. EXEMPLO: organizações internacionais formadas por organizações internacionais. São os seguintes tipos: 173 . além da enorme variedade temática. ORG ONG São criadas por Estados São criadas por particulares São criadas por meio do São criadas por meio de ato constitutivo.: Partido Liberal). religião. inicialmente sendo organizadas em âmbito nacional. organização atuante em questões relativas à pobreza (ex. Pelo papel que algumas delas representam no momento podem ser equiparadas a Estados. As ONGs não são obrigatoriamente organizações internacionais.governamentais: Greenpeace . ideologia ou cultura. A CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL é tida como uma ONG. elas não têm uma estrutura específica. •ONGs de Concertação: são caracterizadas pela contínua e permanente procura por posições comuns entre os parceiros. guerra mundial.: Care). surgiram muitas organizações internacionais.: OMCT . cooperação entre sindicatos (ex. Exemplos: organização atuante em questões ambientais (ex. O modo de atuação das ONGs depende da natureza de suas ações. 1. EXEMPLO: dentro ou relacionada à ONU há várias ONG’s.: Greenpeace). em razão disso.: FSM . Têm como objetivo específico desenvolver ações em promoção ou defesa de valores e interesses relativos à moralidade.objetivo específico. em que as atividades são relacionadas às questões de interesse público.Federação Sindical Mundial). podem ser econômica. EXEMPLO: sistema de BRETTON WOODS. social. quando foram criados o FMI e BANCO MUNDIAL. é o sistema financeiro internacional. Organizações não-governamentais (ONGs) São associações de direito privado.3. organização atuante em questões relativas à proteção e promoção de direitos humanos (ex. Há outros autores que afirmam tratar-se de uma ORG. com a criação da ONU.Organização Mundial Contra Tortura). é uma ONG. As organizações internacionais variam de acordo com a sua finalidade. Coletividades Não Estatais São certos grupos que não guardam a característica de Estado. organizações esportivas (ex.: FIFA). nessa cidade dos EUA. dado a sua grande diversidade. As ONGs classificam-se como: ONGs de concertação e ONGs de intervenção. mas pela sua contingência no momento. O GREENPEACE não é uma ORG.•Não . Podem existir coletividades estatais formadas por coletividades estatais. instrumento jurídico: tratado destituídos da natureza jurídica de tratado A partir da 2a.

Essa situação poderá criar condições que favoreçam o reconhecimento de beligerância. os MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO NACIONAL. O status de beligerante equipara-os aos Estados. regular e disciplinado. BELIGERANTES: o ato de beligerância é o movimento que inflama dentro de um Estado um movimento de desmembramento. ocorre uma subversão de caráter eminentemente político. que não assume a proporção de uma guerra civil. a SOBERANA ORDEM MILITAR DE MALTA. os revoltosos seriam possuidores de exército próprio. Estado de Beligerância . EXEMPLO: 1979 o movimento dos SANDINISTAS. Mas apenas serão beligerantes quando demonstrarem poder de fato similares aos exercidos pelo Estado contra os que se rebelam. semelhante a do Estado. e também quando um ou mais partidos políticos promovem luta civil para mudar o governo vigente. os sublevados. Em geral. que se desmembraria do Estado-mãe.A insurgência pode ser reconhecida quando. estarão sob a ação do direito de guerra.os BELIGERANTES. O reconhecimento como beligerante decorre de princípios humanitários e do direito de autodeterminação dos povos. sobre parte do seu território e conduziriam a luta nos moldes e dentro dos padrões fixados pelo Direito Internacional para a condução de qualquer guerra. o reconhecimento da beligerância toma a forma de uma declaração de neutralidade. celebram acordos. após a concessão da medida. Estado de Insurgência . em que há a formação de tropas regulares e a tomada do controle de parte do território estatal) podem ser reconhecidos como sujeitos de direito internacional pelos demais Estados. mas. já que não assume proporções tão grandes como os atos dos beligerantes. na NICARÁGUA. O reconhecimento por outros países gera conseqüências: os emissários dos revolucionários são recebidos como diplomatas. A situação dos insurgentes é diferente da dos beligerantes porque o reconhecimento não cria automaticamente determinados direitos e deveres. Se os beligerantes alcançam uma determinada força (revoluções de grande vulto. É um movimento mais fraco. A característica marcante do movimento beligerante é a luta armada e a finalidade desta luta é normalmente a modificação do sistema político no qual se encontra o Estado. 174 . Não serão mais tratados como simples rebeldes pelos Estados que os reconheceram como beligerantes. que nunca será considerado como Estado. O reconhecimento só se configurará se adquirirem um grau tal de poder e domínio sobre a parte do território que ocupam. INSURGENTES: o movimento de insurgência também está relacionado à rebelião. Nesta altura. Os efeitos imediatos do reconhecimento do estado de beligerância são os de conferirem-se aos revoltosos os direitos e obrigações atribuíveis a qualquer Estado que se encontra envolvido em conflito armado. não chega a ser beligerante. NÃO TERÃO PERSONALIDADE JURÍDICA DE DIREITO INTERNACIONAL. Ocorre beligerância tanto quando se desencadeia guerra civil para desmembramento. etc. que não implique qualquer dúvida sobre as possibilidades da aplicação da medida. os INSURGENTES. foi reconhecido por tratado.Aqui. o grupo subversivo envolve uma parte da população e pretende a formação de um novo Estado. O ato de reconhecimento é que fixa os efeitos que pretende. Em outras palavras. com o status de Estados. num determinado Estado. exerceriam ação governamental.

Funciona em estrita dependência da Santa Sé. Sua condição de não-estatal seria devido ao fato de. emergindo como sujeito de direito internacional a partir da separação entre Estado e Igreja Católica. Portanto. 246). base territorial da Santa Sé. deverá tratar os capturados como prisioneiros de guerra. RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS E CONSULARES. que se dá em 03 âmbitos: DIREITO HUMANITÁRIO. Ex. nas diversas ordens acima listadas. enquanto os do último seria a organização sócio-jurídico-político de um determinado povo sobre determinado território. Com sua sede em Genebra. a personalidade jurídica internacional desse movimento ganha certa força. Suíça. DIREITO DOS TRATADOS. após a unificação italiana. b) o governo legal. através do instrumento da Concordata. o CICV insiste 175 . que se esforça em proporcionar proteção e assistência às vítimas da guerra e de outras situações de violência. e também através de tratados multilaterais e mesmo bilaterais (Convenção Financeira de Latrão). no sentido de nacionais. Tem inclusive uma pseudoconstituição. e o vínculo que se estabelece entre o Vaticano e eles mais de aproxima de um vínculo funcional (afirmação de Rezek. a partir do séc. A prática internacional mostra que ou a insurgência ganha força e torna-se beligerância ou desaparece. EXEMPLO: a França tinha a Legião Estrangeira na Argélia. COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA: O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) é uma organização humanitária. não possui povo. Pretende ser Estado. Nenhum Estado deixou de reconhecer personalidade jurídica à Santa Sé. XX. se os reconhecer. território (os 44 hectares da Cidade do Vaticano). Colômbia. na maioria das vezes. No seu constante diálogo com os Estados. EXEMPLO: OLP – ORGANIZAÇÃO PARA LIBERTAÇÃO DA PALESTINA que tem celebrado vários tratados. além do que o seu aspecto teleológico não se adequaria aos de um Estado soberano. p. possui um mandato da comunidade internacional para servir de guardião do Direito Internacional Humanitário. ou seja. são alheios ao governo. A diferença dos movimentos de libertação nacional para outros sujeitos de direito internacional reside no fato de que aqueles que estão lutando nesse movimento NÃO fazem parte do regime governamental. As pessoas que os integram são.Efeitos mais restritos ao do beligerante: a) não podem ser considerados com simples piratas ou bandidos pelo Estado que os reconheceram. populações indígenas. c) o governo “de jure” não é responsável pelos atos dos insurgentes. O reconhecimento da personalidade jurídica dependerá da postura do Estado que se relaciona com a organização. criando a cidade-estado do Vaticano. pois os que ali residem conservam suas nacionalidades de origem.: Vietnã. independente e neutra. Ela atua. além de ser o órgão fundador do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. no âmbito internacional. Os insurreitos não têm território sob seu domínio. Os fins do primeiro (Vaticano) seriam a propagação da fé Católica e a administração das propriedades da Igreja. mas não é. que lutam contra governos geralmente racistas ou contra ocupações estrangeiras ilegais. MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO NACIONAL: esses movimentos começaram a aparecer no cenário internacional. apesar de possuir governo (o Papa). e a Itália o fez através dos Acordos de Latrão. CIDADE ESTADO DO VATICANO OU SANTA SÉ É reconhecido como Estado. SOBERANA ORDEM MILITAR DE MALTA: é mantida pela Igreja Católica. que regem as relações da Igreja com o Estado. Tem como povo os indivíduos que trabalham no vaticano (com discussão).

Albuquerque Mello. a organização tem condições de atender aos interesses das vítimas dos conflitos. organizar operações de socorro. livre para atuar de forma independente em relação a qualquer governo ou a qualquer outra autoridade. ao lado das organizações e dos Estados. ser réus. e com o reforço do TPI. ou legitimados a peticionar diretamente em algumas comissões/cortes no plano internacional. ter capacidade para participar do processo de formação das normas jurídicas internacionais. 2ª corrente (mais moderna e que vem ganhando força a cada dia. O autor aduz que a flora e a fauna também são objetos de proteção por normas de direito das gentes. nem guardam qualquer relação direta e imediata com essa ordem. não seria necessário para deter a qualidade de sujeito de direito das gentes. na produção do acervo normativo internacional. A missão do CICV é proteger e assistir vítimas dos conflitos armados e outras situações de violência. entidades ou pessoas a quem as normas de DIP são destinadas. Indivíduos Sobretudo a partir da 2 a Guerra Mundial. em linhas gerais.4. mas possuem situações de violência interna. podendo. que incumbem o Comitê de visitar prisioneiros. autores. os indivíduos passam a ser tidos como sujeitos de direito internacional (sujeitos fragmentários de DIP). em determinadas situações (ainda que com uma menor amplitude do que aqueles). Importa ressaltar que este tema ainda é controvertido. que constituem o centro da sua missão humanitária. quer atribuindo direitos ou obrigações. Somente sendo assim. podendo ser apontados. Rezek informa que o caso de Nuremberg não constitui jurisprudência. 176 . 1.Os indivíduos não têm personalidade de direito internacional (assim como as empresas públicas ou privadas) uma vez que não se envolvem. podendo ser considerada a majoritária atualmente): (Celso D. Inobstante isso. reunir familiares separados e realizar atividades humanitárias semelhantes durante conflitos armados. independente de qualquer compromisso que vincule o Estado. . os seguintes posicionamentos conflitantes: 1ª corrente (tradicional): (Rezek) . Detém capacidade para celebrar tratados com os Estados ou com OI (organizações internacionais) intergovernamentais. Valério Mazzuoli. sem importar quem elas sejam. em razão de sua exemplar singularidade. que encorajam a organização a empreender um trabalho semelhante em países que não vivem uma guerra internacional. que é a capacidade para agir internacionalmente. Mazzuoli explica que o conceito de “sujeito de DIP” não se confunde com o conceito de “personalidade jurídica internacional”. apesar da licitude de sua conduta ante a ordem jurídica interna a que estivessem subordinados. Ele lembra que no Tribunal Internacional de Nuremberg entendeu-se que os indivíduos podem cometer crimes suscetíveis de punição pelo direito internacional. às quais portanto as Convenções de Genebra não se aplicam. Rezek informa que ainda é experimental a idéia de que o indivíduo tenha deveres diretamente impostos pelo DIP. e nem por isso tem personalidade jurídica de direito das gentes.1. è uma associaão de direito privado. Esta missão foi outorgada pela comunidade internacional e possui duas fontes: . apesar de existirem normas internacionais que criam direitos e deveres a essas pessoas. a título próprio.continuamente no seu caráter neutro e independente. invocar normas de DIP. Desta forma. Portela e muitos outros) – São sujeitos de DIP todos os entes cujas condutas estão diretamente previstas pelo direito das gentes.as Convenções de Genebra de 1949. A natureza jurídica da CICV é a de organização internacional nãogovernamental.os Estatutos do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

A relativização da soberania e as entidades supranacionais: o conceito de soberania passa por um processo de relativização. A questão da soberania como elemento necessário da personalidade internacional: alguns têm a soberania como um quarto elemento constitutivo (admitindo que certos entes não têm soberania. ainda que o seu capital provenha de um único Estado ou de uma única pessoa. Com discussões. GOVERNO AUTÔNOMO E INDEPENDENTE (ELEMENTO POLÍTICO): capacidade do Estado de eleger o governo que quer adotar e a capacidade do Estado de gerir (administrativa. a ser supranacional. Não se pode equiparar as empresas transnacionais à OI intergovernamentais.EMPRESAS TRANSNACIONAIS Para a corrente tradicional supracitada. porém. dada a interdependência entre os entes de direito internacional ser cada vez maior. É a presença do elemento formal (poder/governo) que distinguem Estados de Organizações Internacionais. como Mazzuoli. Imunidade à jurisdição estatal ELEMENTOS DOS ESTADOS Elementos dos Estados (sem eles não é possível o reconhecimento de um Estado como sujeito de DIP pelos demais entes): COMUNIDADE DE INDIVÍDUOS (ELEMENTO HUMANO): pessoas que habitam o âmbito da soberania estatal. mantendo-se. adiante elencados). (podendo ser bilaterais com capital de dois países) ou multilaterais (com capital proveniente de três ou mais Estados). neles exercendo seu controle. legislativa e judicialmente) os interesses do seu povo. uma parcela desta. não sendo sujeitos de direito internacional público. Multinacionais. assim. MÍDIA GLOBAL: Não pode sequer ser considerada como sujeito não-formal. são SUJEITOS NÃOFORMAIS DO DIP (fragmentários): EMPRESAS TRANSNACIONAIS: Entende-se por transnacionais as empresas constituídas sob as leis de determinado Estado e que têm representações ou filiais em dois ou mais países. eis que é abstrata. ou Estados compostos por Subordinação. O Direito Internacional seria impossível se não se relativizasse a soberania. Estado. que objetivamente. O povo e o território são os elementos materiais do Estado. por sua vez. a soberania é característica que deflui logicamente das outras três. avança-se na idéia de integração. Esses indivíduos formam dentro do Estado. 2. Para a corrente mais moderna abordada acima. não têm personalidade jurídica internacional. mas não se descarta que tais empresas participam da sociedade internacional na qualidade de atores. é o papel que o Estado desempenha no seu desenvolvimento e na busca do bem-estar dos seu povo. que passaria. o que se entende por POVO (SÃO OS NACIONAIS NATOS E NATURALIZADOS) e o que se entende por POPULAÇÃO (SÃO OS NACIONAIS E OS ESTRANGEIROS). TERRITÓRIO (ELEMENTO FÍSICO): é a porção de terra (extensiva ao espaço aéreo e marítimo) fixa e determinada onde o Estado exerce a sua soberania. FINALIDADE (ELEMENTO SOCIAL): não existe Estado contemporâneo sem a finalidade. são empresas cujo capital provém de mais de um Estado. são os quase-Estados. Para outros. e o poder(governo) é o elemento formal. abrindo-se mão de competências consideradas intransferíveis tempos atrás. acionário ou contratual. 177 . porque a total submissão dos Estados significaria a autofagia do direito internacional.

a terra abandonada pelo seu primitivo descobridor. tornando-a igual ao estatuto da terra nullius. um conceito aritmético. isto é. 178 . A exigência de um território determinado não deve ser entendida em sentido absoluto. é necessária a existência de um governo soberano. c) governo. de um governo não subordinado a qualquer autoridade exterior e cujos únicos compromissos sejam pautados pelo próprio DI. ou uma parte da coletividade determinada pelo aspecto social. Direitos e deveres estes que via de regra não são dados aos estrangeiros. estabelecido permanentemente num território determinado e sob um governo independente. em decorrência do princípio da igualdade jurídica dos Estados. A população tem sido dividida em nacionais e estrangeiros. d) capacidade de entrar em relações com os demais Estados: Povoação permanente. povo em oposição a governo. etc. desde que o eventual elemento indígena não oferecesse resistência. Grã-Bretanha e Alemanha. Mesmo porque. uma diferença entre população e povo. Ex. Malvinas e as Carolinas. seguide de ocupação efetiva ou presumida. Terra Derelicta: Outra forma efetuada pelos Estados de intensa presença nos mares era a terra derelicta. FORMAÇÃO DO ESTADO: FUNDAÇÃO DIRETA: Consiste no estabelecimento permanente de uma população em um dado território sem dono (RS nullius). Há que se estabelecer. ocupada depois pelos Países Baixos. recursos. SEPARAÇÃO OU DESMEMBRAMENTO FUSÃO AQUISIÇÃO E PERDA DE TERRITÓRIO Descoberta: No passado.Pode-se definir o Estado como sendo um agrupamento humano. A primeira é a massa de indivíduos nacionais e estrangeiros que habitam o território em determinado momento histórico. entender este corroborado pela Convenção Pan-Americana sobre Direitos e Deveres dos Estados. Território determinado. sendo que os primeiros possuem os direitos políticos. a extensão territorial não influi sobre a personalidade internacional do Estado. apesar de apresentarem grande importância no campo da política internacional fatores como: localização estratégica. O termo determinado não significa perfeitamente delimitado. mas se estende ao espaço aéreo e determinados espaços marítimos. O objeto da descoberta era a terra nullius (ou terra de ninguém ). quantitativo. Já a palavra povo relaciona-se a um sentido social. EMANCIPAÇÃO: Por meio do qual um Estado se liberta de seu dominante (como foi o caso das 13 colônias). Governo e capacidade de manter relações com os demais Estados. ainda. a saber: a) povoação permanente. b) território determinado. que vão aumentar ou diminuir a sua dependência externa. ou seja. não necessariamente inabitadas. Foi a forma de nascimento dos Estados na antiguidade clássica e também na idade média.: O caso do descobrimento do Brasil por Portugal é o modelo perfeito do que os europeus da época e épocas posteriores entendia como descoberta e apossamento de terra nullius. com a instituição de um governo organizado e permanente. Estes dois últimos requisitos complementam-se. ou seja. Desta definição pode-se destacar os elementos constitutivos do Estado. O aspecto quantitativo da população é irrelevante para o DIP. bem como se encontram sujeitos ao serviço militar. Exemplos: caso da Espanha que abandonou a ilha de Palmas. as potências navais adquiriram territórios pela descoberta. ou seja.. é a expressão demográfica. apesar de no campo da política internacional o número de habitantes poder se constituir em um elemento que fortaleça o poder do Estado. O território não se limita ao domínio terrestre.

Os Estados compostos por coordenação podem ser classificados em: Estado Federal – caracteriza-se pela união de vários Estados que perdem a soberania para a União Federal. que resultou da incorporação. Cessão Onerosa: ( Compra e Venda ou permuta ) Cessão Gratuita: Eufemismo. Grande maioria dos Estados do séc. Exemplos: vários pontos do continente americano. em que a Alemanha cedeu gratuitamente a Alsácia-Lorena pelo Tratado de Versalhes de 1919. expressão de todos num só.DISSOLUÇÃO TOTAL DO ESTADO.: a República Árabe Unida – RAU). Foi o que aconteceu na formação do Reino Unido. é sujeito de DI. Venezuela e Equador.: França). a sua personalidade internacional una e única (ex. protetorados. nestes. mas optaram 179 . mas uma formação sui generis de ex-domínios.FUSÃO EM TORNO DE UM ESTADO NOVO Pode ocorrer pacíficamente ou por conquistas. Ao tempo da 1ª Guerra. Confederação de Estados – são agrupamentos de Estados.: Itália ( 1860 ): Ducado de Modena. Ex. União incorporada – surge quando um Estado. por conseguinte. ou seja. estes Estados não apresentam maiores problemas.Conquista: Emprego de força unilateral ou como resultado do triunfo no campo de batalha. NADA SUBSISTINDO. sendo. portanto. classificam-se em Estados Compostos por Coordenação e em Estados Compostos por Subordinação. URSS: Federação Russa. Escócia e Irlanda. sede em Moscow. Em função da perda da importância do poder monárquico. por parte da Inglaterra. Exemplo: a França cedeu gratuitamente a Alsácia-Lorena para Alemanha. Grã-Colômbia (1830): República de Nova Granada ( Colômbia ). Típica dos Tratados de Paz. a Espanha aniquilou o ocupante nativo e era a forma mais rude de conquista. de País de Gales. Só eram possíveis nos Estados monárquicos. esta última desincorporando-se em 1921. Ucrânia. dependências e colônias britânicas que foram obtendo independência. Já os Estados compostos.SEPARAÇÃO DE PARTE DA POPULAÇÃO E DO TERRITÓRIO SUBSISTINDO A PERSONALIDADE INTERNACIONAL DA MÃE-PÁTRIA. a possibilidade de se separar do resto dos membros da Confederação. nova cessão gratuita no sentido inverso. após ter sido derrotada na guerra bilateral de 1871. por sua vez. OUTRAS FORMAS: 1). Situação ocorrida com os EUA. somente a União. CLASSIFICAÇÃO DOS ESTADOS Classificação dos Estados quanto à sua estrutura: São considerados simples (ou unitário) aqueles que apresentam um único poder centralizado. Geórgia e Bielo-Rússia. passa a exercer domínio sobre o outro. XIX E XX. e o direito de legação (enviar e receber representantes diplomáticos) (ex. embora haja uma variedade de Estados federados. em função de conflitos bélicos. A Commonwealth das Nações Britânicas não é um Estado. como no caso dos EUA e Brasil. foram incorporados ao Piemonte. Brasil e demais países hispano-americanos. 2). permite o direito de secessão. com a finalidade de assegurar a defesa comum. Uniões de Estados – caracterizam-se pela presença de dois ou mais Estados. como Portugal e Espanha na chamada União Ibérica. 3). DO ESTADO. a união de Estados tornou-se mais uma referência histórica. Para o DI. Parma e Toscana e o Reino de Nápoles. que possuam o mesmo soberano.

relação de poder nas forças (não possuem uma soberania no mesmo nível dos demais Estados. No entanto pagavam tributos e prestavam auxílio militar ao Império Otomano. que entregavam a administração de sua alfândega. onde há hierarquia a poder. COMPETÊNCIA Todo Estado tem o direito de exercer a sua jurisdição no seu território e sobre a população permanente. Andorra (França/Espanha). São providos de água. São as restrições aos direitos fundamentais dos Estados. Estado-Satélites – tinham situação semelhante a dos Estados-clientes. Estado-Clientes – eram Estados da América Central. ou seja. Caracteriza-se por existirem dois sistemas de poder com uma tensão entre eles. nenhum outro Estado pode exercer a sua jurisdição sobre o território. Os dois têm um estatuto do DI. É bem verdade que a legislação do Estado pode prever o exercício de sua jurisdição em país estrangeiro sobre os respectivos nacionais. originadas sob a forma de costume internacional ou convencional. ou seja. Tal ente. em todos os aspectos. Mônaco (França). São exemplos San Marino e Vaticano (Itália). com as exceções estabelecidas pelo direito internacional. Estado-exíguos – em virtude de terem território muito pequeno. mesmo na ausência de uma guerra civil. O direito do Estado sobre o território e os respectivos habitantes é exclusivo. ou seja. ao Estado que lhe é limítrofe. Já os Estados Compostos por Subordinação. as pessoas e coisas que nele se encontram. a não ser com o consentimento do primeiro. do exército e de parcela do serviço público para os EUA. todavia. Panamá. Haiti.por manter um vínculo com a Coroa Britânica. Estados associados. sua soberania. Para alguns autores. Protetorados –caracterizam-se pela subordinação de um Estado a outro com a obrigação do Estado Protetor oferecer sua proteção ao Estado protegido. NASCIMENTO E RECONHECIMENTO 180 . existem certas pessoas ou coisas. a palavra competência exprime melhor o fenômeno. Foram Estados-vassalos a Romênia e a Bulgária. o que significa que a jurisdição do Estado em relação aos estrangeiros não é exclusiva. em geral. não podem exercer. Ex. Embora o Estado possua soberania. Desapareceram com o esfacelamento da URSS. não possui personalidade internacional. Estados divididos. Lesoto (África do Sul). São um resultante do processo de descolonização em que certos Estados pequenos e subdesenvolvidos atingiram a independência sem terem meios para mantê-la. Essas restrições existem em nome do interesse da comunidade internacional. Não possuem moeda própria e até a década de 90 não podiam participar plenamente da ONU. mantinham alguma autonomia. ou mesmo trechos de seu território em que ele (Estado) não possui competência plena. tenha competência sobre o seu território. segurança. sua capacidade internacional seria limitada). Estes Estados de um modo geral gozam de autonomia nos assuntos internos e muitas vezes podem por fim livremente à associação com a grande potência. subordinando-se. todavia estavam vinculados à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. Assim eles mantêm uma associação com a antiga metrópole que se encarrega de sua defesa e política externa. apesar de dominados pelo Império Otomano. e outros serviços essenciais através de outros Estados. são classificados em: Estado-vassalo – eram Estados que. Os Estados divididos têm personalidade internacional.

Todavia. Para o DI não existe um momento específico para esse reconhecimento. Teoria Declaratória (Scelle e Aciolly. da aceitação em celebrar acordo com aquele ente) a sua existência como novo membro da ordem internacional. INCONDICIONADO OU CONDICIONADO: Conforme dependa ou não de condições para o reconhecimento. refletindo um pensamento eurocêntrico. que se dá atualmente do seio da ONU quando esta organização manifesta-se no sentido de ter ocorrido determinado ato ilegal. a partir deste reconhecimento se estabelece uma relação de direitos e deveres desse novo Estado com aquele que o reconhece (elemento constitutivo da teoria). cumprindo. também. não deixa de ser Estado por não ter sido reconhecido. Não confundir o Reconhecimento de Estado com o Reconhecimento de Governo! O primeiro pressupõe o segundo. em um Estado que já existe há tempo. Tal teoria justifica a idéia de que o ente deveria primeiramente ser reconhecido pela Metrópole. constata um fato (elemento declaratório da teoria). por outro. Beviláqua): o reconhecimento é simples ato de constatação de um Estado preexistente. Pode-se acrescentar que a ONU não reconhece situações contrárias à descolonização (Rodésia).Quando do surgimento de um Estado na sociedade internacional. O ente seria Estado desde que reunisse os elementos essenciais para tanto. O reconhecimento apenas declara que o estado faz juz a esta qualificação jurídica. com autonomia na conduta dos seus negócios exteriores. 3. os já existentes devem reconhecer (expressa ou tacitamente. Teoria Constitutiva (Também chamada de teoria do efeito atributivo) (Openheim. O Estado não deixa de sê-lo por estar isolado. Teoria Mista (Lauterpach): congrega as duas. Teorias sobre a natureza jurídica do reconhecimento de Estado. 1. com as suas obrigações internacionais. mas.. O reconhecimento de fato decorre de um fato que implique essa intenção. o tácito através de atitudes implícitas. não pode ser revogado. Triepel. Uma vez emitido. MODALIDADES DE RECONHECIMENTO: INDIVIDUAL OU COLETIVO Obs. Existe também o não-reconhecimento coletivo. a prática internacional e a doutrina têm salientado que ele não deve ser um ato prematuro. como ocorreu no reconhecimento dos EUA pela França. ainda na Guerra de Independência com a Inglaterra. o reconhecimento. mas pode haver o reconhecimento de governo não originário. Só considera uma coletividade como Estado quando esta preenche três requisitos: a) possuir governo independente. b) esse governo ter uma autoridade efetiva sobre o seu território e população. quando há mudanças políticas. o reconhecimento. ex. c) possuir um território delimitado. 181 . por um lado. mas hoje é difícil conceber um Estado que consiga sobreviver no isolacionismo completo. Um novo organismo. através. o que não impede o Estado de expressar seu repúdio à conduta do novo Estado ou do novo governo instalado. DE DIREITO OU DE FATO: O reconhecimento de direito se dá de forma definitiva e irrevogável. possuidor dos elementos constitutivos do Estado. p. EXPRESSO OU TÁCITO: O expresso se dá através de documento escrito. Objeções: quantos reconhecimentos seriam necessários para aquele ente se tornar Estado? E como ficam os atos praticados pelo Estado antes do seu reconhecimento pelos outros? 2. que é ato unilateral. Kelsen): a personalidade do Estado seria constituída a partir do reconhecimento do Estado. Jellinek.

uma vez que o Estado existe antes dele.Antigamente. considera-se que existe uma situação de fato que. não os pode tratar como rebeldes. Os governos estrangeiros poderão por as duas partes em luta no mesmo pé de igualdade jurídica. Será tácito o reconhecimento quando o propósito se revela através de atos que tornam aparentes a aceitação do novo Estado como pessoa de direito internacional. “De jure” é o reconhecimento completo. RECONHECIMENTO DO ESTADO DE BELIGERÂNIA: Precede ao reconhecimento de um Estado. definitivo e irrevogável e “de facto” se provisório ou limitado a certas relações jurídicas e revogáveis. não podendo ser qualificada de beligerância. Decorre da natureza declaratória do ato. Ato irrevogável. Só o novo governo terá necessidade de novo reconhecimento. Ato retroativo. e o reconhecimento é apenas uma constatação. Quem efetuou o reconhecimento não pode retirá-lo discricionariamente. deverão ser tratados como prisioneiros de guerra. individual ou coletivo. não deve ser qualificada como situação de pura violência ou banditismo. A sua validade repousa na manifestação de vontade de um único sujeito de direito e produz efeitos jurídicos. de fato. Sendo. Esta distinção é insubsistente por ser todo reconhecimento irrevogável. deixando de Ter caráter de motim e passa a guerra civil ( sem.Havendo o reconhecimento do Estado de beligerânica. “de jure” ou “de facto”. o que. reconhecendo. b) se reconhecidos pela pátria mãe ou pelo governo legal. a saber: tácito ou expresso. com fins puramente políticos. O reconhecimento de Governo não importa no reconhecimento de sua legitimidade. decreto ou tratado que declara inequivocamente o propósito de reconhecer. mas também jurídico. dado ao Estado que preencha os requisitos antes enunciados. Deixando de existir um dos requisitos o reconhecimento desaparece. 182 . O Estado reconhece um outro no momento de sua vontade. Se a forma do governo muda. Espécies de reconhecimento. não se admite por não ser mais o reconhecimento de Estado ato meramente político. RECONHECIMENTO DA INSURREIÇÃO: A Insurreição. isto não altera o reconhecimento do Estado.I. A este estado de fato dá-se o nome de insurgência. Tácito: início de relações diplomáticas ou celebração de um tratado.Os atos dos insurretos não comprometem a Pátria-mãe ou o governo legal. hodiernamente. podia-se subordinar o ato do reconhecimento a uma condição. O reconhecimento do Estado comporta automaticamente o do governo que está no poder. mas ao mesmo tempo exonera da responsabilidade decorrente dos danos causados. contudo se poder reconhecer o caráter jurídico deste). Efeitos: Se são reconhecidos pela pátria-mãe como beligerantes ( ou pelo governo legal). Ato unilateral. o beligerante passará a desfrutar das regras do D. mas significa apenas que este possui. Ato discricionário. Individual será o reconhecimento emanado de um único Estado e coletivo se de vários Estados. Expresso: nota diplomática. De fato: quando provisório ou limitado a certas relações jurídicas. o poder de dirigir o Estado e o de o representar internacionalmente. contudo. E é expresso se provém de um ato emanado de um órgão competente. Efeitos: a) não podem ser tratados como piratas ou bandidos pelos governos que os reconheçam.lhes a qualidade de beligerantes. através de uma nota. aplicáveis nos casos de neutralidade. O reconhecimento é dividido pelos autores em espécies.

enquanto o povo do respectivo país. artefatos de museus). é a ruptura de relações diplomáticas com um regime que se avalie impalatável. 1966 e com o Perú. com ele também se extinguem os tratados por ele celebrados. e com ela a idéia de que os tratados internacionais devem ser extintos por efeito da sucessão de Estados. Sucessão pode se referir a transferência de direitos. Conclusão: O reconhecimento acaba sendo um ato de conveniência política. No caso da anexação total. Ele entrou em vigor em 6 de novembro de 1996. b).Posição Brasileira: Princípio da Situação de fato. Para aplicá-lo. DOUTRINAS SOBRE O RECONHECIMENTO (de Governo) A DOUTRINA TOBAR (Ministro das Relações Exteriores do Equador.1907) Não se deve reconhecer governo algum oriundo de golpe de Estado ou de revolução. e/ou propriedade de um Estado anteriormente bem estabelecido (o Estado predecessor) ao novo (o Estado sucessor). EFEITOS DA SUCESSÃO DE ESTADOS QUANTO AOS TRATADOS: Teoria da sucessão automática – Os tratados anteriormente concluídos pelo Estado sucedido passam a valer automaticamente no território do estado sucessor. a regra pragmática é a da efetividade ( tem ele controle sobre o território ? mantém a ordem nas ruas ? honra os tratados internacionais ?). por meio de representantes livremente eleitos não o tenham reorganizado constitucionalmente. A doutrina desgastou-se e hoje. reservas monetárias. Transferência de direitos. e dívidas. sob o Governo de Betancourt e Raúl de Leone. Esta doutrina restou triunfante. A Venezuela ( Anos 60 ). baseada no princípio da não-intervenção em assuntos internos estatais. baseado em uma relação histórica percebida que o novo Estado possui com o Estado anterior. Rompeu relações diplomáticas com o Brasil em 1964 e restabeleceu-a após dois anos e meio.a aceitação pelo Estado da aceitação da responsabilidade pelas obrigações internacionais. sucedânea da doutrina Tobar. 183 . A teoria tem suas raízes na diplomacia do século XIX. leva em consideração: a). SUCESSÃO DE ESTADOS: Sucessão de Estados é uma teoria em relações internacionais quanto ao reconhecimento e aceitação de um novo Estado criado por outros Estados. Teoria da Tábula rasa – O Estado sucessor não é obrigado a aceitar os tratados então em vigor no território do Estado sucedido. e propriedade podem incluir ativos estrangeiros (embaixadas. com a Argentina. O que se pretendeu com esta doutrina foi repudiar as ingerências indevidas e os juízos críticos dos Estados sobre o governo estrangeiro. c). A DOUTRINA ESTRADA (TAMBÉM CHAMADA DE DOUTRINA DA EFETIVIDADE) (Genaro Estrada (1930) Secretário das Relações Exteriores do México) “o reconhecimento do governo constitui prática afrontosa.a existência real de um governo aceito e obedecido pelo povo. organizações internacionais. uma Convenção em Viena fez um esboço em 1978. Frequentemente um Estado escolhe aos poucos se quer ou não ser considerado o estado sucessor. obrigações. praticou declaradamente a doutrina Tobar. Essa teoria tem prevalecido. participação em tratados. que fere a soberania da nação interessada e importa em atitude crítica”.estabilidade desse governo. 1968 ( governo de esquerda). Em uma tentativa de codificar as regras para a sucessão de Estados. extinto o Estado. A postura mais comum se for o caso. Rafael Caldeira assumiu em l969 e repudiu a doutrina Betancourt. obrigações.

o entendimento corrente é no sentido de que os tratados gerais concluídos entre o Estado anexado também se extinguem. QUANTO AO DOMÍNIO DO ESTADO: Todos os bens que integram o domínio público do Estado são transferidos pro Estado anexador. significando que a autoridade dos acordos internacionais concluídos pelo Estado desanexado cedem lugar ao Estado anexante. QUANTO ÀS OBRIGAÇÕES FINANCEIRAS: No que respeita à dívidas de Estado. Essa oscilação dos tratados é chamada de princípio da mobilidade das fronteiras nos tratados. quaisquer que sejam os polos das obrigações: outros particulares ou o próprio Estado sucessor. relativos à parte territorial incorporada pelo outro Estado. * O art. No caso de separação. entendidos como os direitos essenciais dos Estados. físicas ou jurídicas). ou seja. que aquela Convenção não cogita das situações de direitos dos particulares (denominação genérica para designar pessoas de direito interno. a solução seria estender a nacionalidade dos novos Estados aos nacionais do antigo. Na anexação total. face a outro Estado ou a uma organização internacional ou qualquer outro sujeito de Direito Internacional. Todos os direitos estatais derivam do direito à existência. que regula soberanamente a vigência das novas regras jurídicas do território. b) organizar a dar competência aos tribunais internos. a Comissão de Direito 184 . permanecendo em vigor somente aqueles tratados reais. 33. no art. a Convenção de Viena de 1983. QUANTO À LEGISLAÇÃO INTERNA: A regra é que ocorrendo anexação 9total ou parcial). os Estados podem/devem: a) tomar todas as medidas necessárias em relação ao ingresso ou saída de estrangeiros do território nacional. QUANTO À NACIONALIDADE: Seja no caso de anexação total ou parcial. que por sua vez não é absoluto e deve ser exercido nos limites das normas de Direito Internacional Público. Relativamente aos direitos e deveres fundamentais do Estado. que é o direito que tem o Estado de existir e de continuar existindo enquanto ente soberano. direitos que são prerrogativas de sua existência e dos quais derivam outras prerrogativas jurídicas dos Estados. Todavia. as define como toda obrigação financeira de um Estado. sobre o território onde se encontram seus bens e direitos. 16 Convenção de Viena sobre sucessão de Estados em matéria de tratados demonstra uma inclinação pela teoria da tabula rasa. assim. a nacionalidade do Estado anexador se estende à população do estado anexado. existe controvérsia doutrinária. Por conta deste direito. Estes direitos têm como base o direito à existência. que possam ser atingidos por uma mudança na titularidade da soberania de um Estado. salvo se circunstancias muito excepcionais indicarem o contrario (não sendo a recíproca verdadeira). c) criar um braço armado nacional. divisão ou desmembramento de Estado.No caso de anexação parcial. DIREITOS FUNDAMENTAIS DOS ESTADOS Todos os Estados gozam de direitos e deveres no plano internacional. Nota-se. para que estes apliquem as leis necessárias à existência do Estado. no âmbito da ONU. os tratados ratificados pelo Estado anexador estendem-se ao estado anexado. o estado anexado passa a reger-se pelas leis que estão em vigor no território do Estado incorporador. A primeira categoria de direitos estatais são os direitos fundamentais.

nenhum Estado tem o direito de reclamar jurisdição sobre outro Estado soberano. b) direito de exercer sua jurisdição no território nacional: Todo Estado tem o direito de exercer sua jurisdição no seu território e sobre a população permanente. derivam outros: a). o Estado local não enfrenta a concorrência de qualquer outra soberania. podendo os seus representantes falar na língua nacional do país. os Estados se assentam e assinam os textos segundo a ordem alfabética. jurídica.I.º. Atos de simples gestão (jure gestionis): atos do Estado.em qualquer questão que deva ser decidida pela comunidade internacional. De tal direito. de igual valor.Internacional (1949). mas próprios das pessoas privadas. quando da elaboração de um projeto de Declaração considerou como direitos fundamentais: a) direito à independência. Trata-se de igualdade formal. 2. De soberania: Imune à competência de qualquer tribunal alienígena. exclusivo. art. de fato.º. tem direito a um só voto.nos Congressos e Conferências. Portanto. cada Estado. no exercício de sua competência. b). 185 . grande ou pequeno. As questões em que seja parte um Estado não podem ser levadas aos tribunais de outro. administrativa e jurisdicional (F. Rezek). todas as competência de ordem legislativa. e) direito à liberdade e soberania: O direito à liberdade e soberania significa que nenhum Estado pode ser considerado como tal sem que seja livre para atuar com independência no cenário internacional. Carta da ONU. afastadas quaisquer coações ou interferências externas. O Direito do Estado sobre o território e os respectivos habitantes é. com as exceções estabelecidas no D. detentor que é do monopólio do uso legítimo da força pública. c) imunidade de jurisdição. a fixação de uma “língua de trabalho”). O direito de conservação implica nos direitos necessários à garantia do Estado contra qualquer mal que este possa vir a sofrer no futuro e à manutenção dos elementos constitutivos sem as quais é impossível garantir sua estabilidade como pessoa de Direito Internacional Público. b). A exclusividade quer dizer que. sem a ingerência indevida de qualquer outro Estado. Só o Estado pode tomar medidas restritivas contra pessoas. contudo. O Estado exerce no seu domínio territorial.qualquer questão que deva ser decidida pela Comunidade Internacional. e não material. § 1. em tese. Nas relações internacionais. mas tão-só aos tribunais internacionais. (não impede. ele exerce a generalidade da jurisdição. É o princípio democrático em direito internacional. Tal direito confunde-se com a própria noção de soberania enquanto direito que o Estado tem de autogovernar-se. a igualdade jurídica tenta compensar a desigualdade de poder. Consequências da igualdade jurídica: a). cada Estado terá direito de voto e o voto do mais fraco valerá tanto quanto o do mais forte. Atos de autoridade (jure imperii): pessoa pública ou no exercício do direito. c) direito de igualdade jurídica: O direito à igualdade veda que um Estado submeta um outro à sua exclusiva autoridade. d) direito de legítima defesa (direito de conservação e de defesa): O direito de conservação e de defesa compreende todas as medidas estatais necessárias à conservação e defesa do Estado. em que nenhum Estado pode ter jurisdição sobre os seus pares.

desde que obedecidos as normas de Direito Internacional Público e os princípios da igualdade de tratamento. 186 . Embora o art. tais direitos sofrem limitações que ora atingem a soberania em sua faceta externa (independência). tomou várias medidas para apoiar os Estados menos capacitados. São elas: a) capitulações: são garantias. 12 da Carta da OEA diga que “os direitos fundamentais dos Estados não podem ser restringidos de maneira alguma”. mediante certas compensações estipuladas no tratado de arrendamento. passa a estar sob a jurisdição e supremacia territorial do Estado arrendatário. Um Tratado é um acordo entre Estado com o objetivo de produzir efeitos de direito. d) concessões: primeiramente. apesar de continuar a fazer parte do território nacional sobre a qual o Estado arrendador continua a exercer sua soberania. dentro. e) arrendamento de território: é a cessão de competências que um Estado faz a outro. eram assim chamadas as partes ou quarteirões de uma cidade que o Estado destinava à moradia de estrangeiros. i) direito internacional do desenvolvimento: Difere do D. privilégios e isenções especiais concedidos pelos Estados aos estrangeiros em seu território. matéria afeta aos Direitos Humanos. Podem consistir no penhor temporário dos rendimentos do Estado ou em ocupação parcial de seu território. passou a designar a faculdade que tem um Estado de renunciar a certos direitos relativos ao seu território em favor de um outro Estado. naturalmente. ora atingem a soberania interna (Supremacia) de um Estado. c) servidões internacionais: são restrições que determinado Estado tem em relação ao livre exercício de sua soberania territorial. O caso dos microestados. h) direito de firmar tratados: Qualquer Estado pode iniciar negociações com outro ou vários Estados até chegar a um Tratado. estabelecidas por tratados expressos. Este direito decorre do fato que os Estados são legisladores. Alguns Estados argumentaram que o reconhecimento do Direito Internacional do Desenvolvimento colidia com os Princípios de Reciprocidade e da Não. ao Desenvolvimento.I. vedando que um Estado se valha de sua melhor situação econômica para impor sua vontade nos atos de comércio praticados com outros Estados menos favorecidos economicamente. g) direito de legislação: ( formular suas próprias leis e aplicá-las aos nacionais e estrangeiros.Discriminação. da Comunidade Internacional. ambos corolários da Igualdade Jurídica dos Estados. é certo que nenhum direito é absoluto.G. sobre parte de seu território que. No entanto. Daí porque passou-se a falar em igualdade jurídica.f) direito ao comércio internacional: O direito ao comércio internacional é o direito que os Estados têm de ter liberdade no comércio internacional. consistindo ou na obrigação de permitir certo uso do território do Estado em favor de um ou mais Estados ou na de não exercer o poder territorial em toda a sua extensão. a A. durante o tempo estabelecido no tratado de concessão. e apenas obedecer às regras que os criam. Logo. A Declaração de Concessão de Independência aos Países Coloniais e Povos ( 1960 ) abriu as portas a novos membros que não poderiam sobreviver sem o auxílio. de certos limites ). mas economicamente desiguais. passando o cessionário a exercer sobre o território cedido os direitos que eram inerentes ao cedente. b) garantias internacionais: garantias que os Estados davam a outros Estados para garantir a fiel execução de tratados internacionais e de obrigações por tais Estados. Derivavam de tratados por meio dos quais os estrangeiros domiciliados no território do Estado continuavam subordinados à sua lei penal e à jurisdição dos cônsules de seu país de origem. Depois. principalmente econômico.

Imunidade jurisdicional dos funcionários diplomáticos reconhecida por todos os Estados e codificada pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de l961.f) condomínio internacional ou coimpério: ocorre quando sobre um mesmo território. os seguintes deveres: a) não intervenção. da equidade e da justiça natural. h) não reconhecer aquisição territorial ocorrida com a violação do item f. Há também o dever de respeitar a jus cogens. para 187 . ou permanentes (decorrentes da própria existência do Estado ou da sua qualidade de membro da sociedade internacional). ou inatos. defesa da paz (obs. ou essenciais. da humanidade. importa para os Estados contratantes na proibição de exercer atos de beligerância na zona neutralizada. e resultantes de um tratado ou do costume internacional e relativos a situações particulares). e direitos acidentais. Não podem ter seu cumprimento exigido coercitivamente nem seu descumprimento gera sanção jurídica. conforme será visto no tópico oportuno). A Declaração de Direitos e Deveres dos Estados apresenta (obs. concessão de asilo (seja ele territorial ou diplomático). passando a ser deveres jurídicos. ainda. i) imunidade de jurisdição: Chama-se também de extraterritorialidade pelo costume (não é mais tida como absoluta. sendo mais instrumentos políticos. etc.: o Brasil não abiu mão da guerra como meio de legítima defesa própria ou de terceiro). em certos casos. Os deveres dos Estados podem ser classificados em: a) deveres jurídicos: decorrem das fontes primárias de Direito Internacional Público e podem ter seu cumprimento exigido coercitivamente pelos meios admitidos em Direito Internacional Público. de nela estabelecer fortificações ou bases militares. ou secundários. g) dever de não auxiliar o Estado que violou o item anterior e contra o qual a ONU exerce uma ação de polícia internacional. l) igualdade de direitos e autodeterminação dos povos. h) neutralização de territórios: sempre estabelecida em tratados. O art. f) não usar a força como ameaça à integridade de outro Estado e não utilizar a guerra como instrumento de política nacional. Tem sempre por base um tratado. i) conduzir as suas relações internacionais com base no DI e no princípio de que a soberania estatal se encontra submetida ao DI.º da Constituição brasileira traz uma série de direitos e deveres dos Estados como princípios norteadores de nossas relações internacionais: não intervenção. g) neutralidade permanente: consiste em uma restrição à soberania de um Estado que fica impedido de declarar guerra a qualquer outro Estado. b) deveres morais: baseiam-se nos princípios da cortesia. ou. O dever de não-intervenção consiste em uma restrição à soberania e independência estatal e se traduz na idéia de que é obrigação de todo e qualquer Estado não se ingerir indevidamente em assuntos particulares (internos ou externos) de outros.: as declarações não vinculam juridicamente. bem como outros. ou adquiridos. d) evitar que no seu território haja ameaça à paz e à ordem internacional: e) resolver seus litígios por meios pacíficos. ou parte dele. ou contingentes (derivados de um direito fundamental. O principal dever jurídico dos Estados é o dever de nãointervenção. quando muito sanções de não participação). j) dever de cooperação. gerando. dois ou mais Estados exercem simultaneamente sua competência. que é objeto de disputa pelos Estados contratantes. m) cumprimento das obrigações internacionais com base na boa-fé. c) respeitar os direitos do homem. por meio de uma administração local autônoma. 4. Os direitos dos Estados podem ser classificados em duas categorias: direitos fundamentais. b) não permitir que no seu território se prepare uma revolta ou guerra civil em outro Estado. Muitos dos deveres morais acabam positivando-se com o tempo. É normalmente temporária.

permitindo a intervenção para combater determinados Estados contrários à ordem pública internacional. então presidente dos EUA. que então passou a chamar-se DRAGO-PORTER. as potências convencionam não recorrer à força armada para a cobrança de tais dívidas contratuais”. exposta por James Monroe. atingisse os assuntos internos daqueles Estados. quando este. Em 1907. Tal doutrina baseava-se em três premissas: a) o continente americano não poderia ser objeto de futuras ocupações (ou seja. sente-se ameaçado por outro Estado e intervém no Estado agressor. a doutrina. LER art. b) salvaguarda da segurança coletiva. É princípio geral do Direito Internacional Público. Ao lado da doutrina Monroe. Os elementos caracterizadores da intervenção são: a) imposição da vontade de determinado Estado em relação a outro. foi distorcida pelo presidente Theodor Roosevelt para praticar várias intervenções nos países latinoamericanos. com razão. Não se pode estudar o problema da intervenção sem fazer menção à DOUTRINA MONROE. por meio de procedimento próprio do organismo internacional competente.o fim de impor ou fazer preponderar a sua vontade. b) ingerência não solicitada pelo Estado interessado. ficou enunciada da seguinte forma: “Com o fim de evitar entre nações incidentes armados de origem pecuniária proveniente de dívidas contratuais reclamadas como dívidas a nacionais de outro Estado. pelo uso da força manifestada por meio de violência moral ou material. justificando tal conduta no direito que os EUA teriam de intervir nos outros países americanos sempre que suspeitassem que um colapso pudesse ameaçar a vida e a propriedade de cidadãos estadunidenses. O dever de não-intervenção não é absoluto. de futuras pretensões colonialistas) por parte de nenhuma potencia européia. Uma das mais importantes restrições aos direitos fundamentais dos Estados é a imunidade à jurisdição e à execução estatal de que gozam os representantes de um 188 . 19 da Carta da OEA. A intervenção é legítima nos seguintes casos: a) em nome do direito de defesa e conservação do Estado. há a DOUTRINA DRAGO. enunciada por Luís Maria Drago. sob o pretexto de evitar ingerências indevidas dos países europeus no continente americano. c) existência de uma vontade impositiva e abusiva. d) presença de dois Estados soberanos em conflito. c) os Estados americanos não aceitariam qualquer forma de ingerência que. em 1823. então Ministro das Relações Exteriores e Cultura da Argentina. Sustentava ele que um Estado não podia intervir militarmente em outro para cobrar dívidas deste Estado. que consistia na prática efetiva da não-intervenção. estranha à do Estado objeto da medida e sem a aceitação deste. c) proteção e promoção dos direitos humanos. Tal doutrina. A regra hoje corrente é a de que a intervenção individual só cabe quando se tratar da manutenção da segurança coletiva e no interesse da sociedade internacional. com a colaboração do estadunidense Horace Porter. em 1902. originando-se em qualquer país europeu. b) os EUA não deveriam intervir nos assuntos de competência exclusiva dos países europeus.

em eventual demanda ajuizada contra outro ente soberano deve o judiciário local declarar-se incompetente. É sempre de Estado a Estado. Imunidade cognitiva x executória. RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DO ESTADO: é o instituto jurídico em virtude do qual o Estado a que é imputado um ato ilícito segundo o DI deve uma reparação ao Estado contra o qual este ato foi cometido. Mas.1. Vide melhores explicações no PONTO 15. agentes diplomáticos e consulares) desfrutam com relação à jurisdição de outro Estado. algumas pessoas em decorrência de sua atividade funcional não estão submetidos à jurisdição nacional. Regra: O Estado é internacionalmente responsável por todo o ato ou omissão que lhe seja imputável e do qual resulte a violação de uma norma jurídica internacional (extensiva às Organizações Internacionais). bem como o imóvel onde funciona a representação (embaixada) no território de outro. que ficam sujeitos apenas à jurisdição de seu país de origem. Em decorrência da soberania. A responsabilidade pode ser delituosa ou contratual. por uma ficção de extraterritorialidade. o Estado deve ter autoridade sobre as pessoas que estejam em seu território. um Estado estrangeiro somente se submete à jurisdição doméstica de outro ente estatal se com isso consentir. O conflito entre os Estados deve ser resolvido no plano internacional e não pela jurisdição de um dos Estados. salvo se houver renúncia à imunidade. o Estado se abstém de ter jurisdição sobre determinadas pessoas que estejam em seu território. É daí que nasce a IMUNIDADE À JURISDIÇÃO ESTATAL.Estado. 189 . segundo resulte de atos delituosos ou de inexecução de compromissos contraídos. segundo o qual os atos praticados pelos Estados e os praticados pelos representantes dos Estados devem estar imunes à jurisdição estrangeira. Imunidade pessoal x real Imunidade pessoal – Imunidade que certos agentes de um Estado (em especial chefes de Estado. 2. não se pode obrigar que um Estado esteja submetido ao Judiciário de outro Estado. em princípio. A imunidade executória se refere à impossibilidade de efetiva apreensão do patrimônio de um Estado por outro. pela cortesia internacional e pelas boas relações internacionais. A princípio. isso é uma verdade quase que absoluta. Tal de faz com o fim de garantir aos representantes de um Estado a liberdade e independência necessárias ao exercício pleno de suas funções. pois não é este o objeto central deste ponto. Diante disso. Também é denominda de imunidade de jurisdição. Imunidade real – Imunidade que certas coisas pertencentes a um Estado desfrutam com relação ao Estado em que se localizam (notadamente bens da missão diplomático ou consular). ainda que em sede de execução de decisão judicial. Imunidade absoluta x relativa Segundo a teoria da imunidade absoluta. mesmo quando a vítima ou o autor do ilícito for um particular. ou seja. assim como os próprios Estados estrangeiros. Imunidade à Jurisdição Estatal É um princípio de DIP reconhecido no Direito Internacional. A imunidade cognitiva se refere à impossibilidade de um Estado ser submetido à jurisdição de outro Estado.

No âmbito europeu foi celebrada a Convenção européia sobre imunidade do Estado (Convenção da Basiléia de 1972). de forma que se pode dizer que a constrição do patrimônio estatal alienígena continua. ATOS DE IMPÉRIO (acta jure imperii) são os atos que o Estado pratica no exercício do seu poder soberano.A imunidade relativa. ou mesmo a 190 . ATOS DE GESTÃO (acta jure gestionis) são os atos que o Estado pratica em igualdade de condições com o particular. basicamente. passou-se a entender que a imunidade de jurisdição é aplicada apenas aos atos praticados no exercício do poder soberano (de império). a depender de sua própria voluntariedade. Cumpre salientar. é que a imunidade à jurisdição DO ESTADO pode ser definida. que vem sendo aplicada aos processos de conhecimento (imunidade cognitiva é relativa). se dá quando o Estado estrangeiro possa ser processado e julgado mesmo contra sua vontade. que impede que outros Estados exerçam a sua jurisdição sobre os atos que realiza em exercício do seu poder soberano ou sobre os bens dos quais é titular esse Estado. em conformidade com a CF/88. todavia. A partir de tal distinção. enquanto Cortes de diversos estados passaram a realizar a distinção entre atos de império e atos de gestão. Em que pese a imunidade cognitiva venha sendo abrandada com o passar do tempo. criando-se costume neste sentido (a imunidade estatal continua sendo tida como uma norma costumeira internacional). (IMUNIDADE EXECUTÓRIA ABSOLUTA). A imunidade à jurisdição estatal surge quando um Estado estrangeiro ou organismo estrangeiro a ele vinculado vê-se demandado no Judiciário interno de outro Estado. vez. Até a segunda metade do século XX se adotava a regra costumeira da imunidade absoluta de jurisdição sintetizada no aforismo par in parem non habet judicium (não há jurisdição entre iguais). que apesar de tal caráter tido majoritariamente por absoluto da imunidade executória. o mesmo não se pode dizer com relação à imunidade à execução. Por esse motivo. tendo os Estados (dentre os quais o Brasil) se mostrado bastante cautelosos quanto a qualquer limitação a este respeito. e pelo próprio Poder Judiciário como um todo. por sua. onde há fartos julgados – vide parte final deste ponto – afastando eventual imunidade estatal invocada). a jurisprudência pátria tem explorado alternativas para tentar trazer efetividade às decisões proferidas contra entes estatais soberanos. como o atributo de todo Estado soberano. sendo esta a posição adotada pela doutrina moderna. IMUNIDADE ESTATAL Para além da imunidade das pessoas que se encontram dentro do Estado. A partir da segunda metade do século XX a inconveniência da imunidade absoluta fez com que os estados passassem a rever tais regras. É a adoção da TEORIA DA IMUNIDADE RELATIVA. dependendo de aceitação do Estado o exercício da jurisdição por parte de outro (TEORIA DA IMUNIDADE ABSOLUTA – era aplicável até mesmo ao processo cognitivo). segundo a doutrina. dentro de certas condições estatuídas pelo ordenamento jurídico (interno ou internacional). com destaque para o Supremo Tribunal Federal. independentemente de prévia anuência (ressaltese que o caso prático mais comum de atos considerados de gestão tem sido aqueles relacionados a matérias trabalhistas. de modo a se admitir o processo e julgamento de Estados estrangeiros em questões relacionadas a atos de gestão por eles praticados. há a imunidade do próprio Estado à jurisdição estatal. como o envio de carta rogatória ao estado condenado para que ali se processe a execução do julgado. Neste sentido.

210) entende que a imunidade executória é QUASE ABSOLUTA. Min. Ressalte-se que o STF (Pleno) aparenta estar caminhando no sentido da adoção de tal entendimento no julgamento dos REs 578. A única possibilidade substancialmente relevante para tal finalidade que fora indicada pelo aludido autor consiste na execução de bens não afetos a serviços diplomáticos e consulares. 2 – Negociações e pagamento pelas vias diplomáticas. dos quais o Brasil é parte e com os quais anuiu.r STJ. STF. mais uma vez. RE-AGR n. STF. STF. Ag 230. Tal evolução interpretativa e diferença de tratamento em relação aos Estados se deve ao entendimento de que a imunidade das OIs decorrem de seus próprios tratados pertinentes e específicos. Pleno. Trata-se. IMUNIDADE DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS Trata-se de tema bastante controverso atualmente na Jurisprudência pátria. por oportuno. Ellen 191 . 4ª T. TST. ACOAgR-543/SP. que as quatro primeiras hipóteses suscitadas pelo aludido autor não possuem qualquer coercibilidade jurídica.368 (os votos da Rel.. a oscilação constatada no âmbito dos Tribunais Superiores. PORTELA (2012. todavia. p. 3 – Expedição de carta rogatória. de forma a exigir-se sempre nova manifestação a este respeito (AS IMUNIDADES DE CONHECIMENTO E EXECUÇÃO SÃO AUTÔNOMAS). a indicar como posição mais prudente a ser adotada no momento a que sustenta que a IMUNIDADE DE EXECUÇÃO CONTINUA SENDO TIDA POR ABSOLUTA no Brasil.368/PE. 5 – Execução de bens não afetos a serviços diplomáticos e consulares. RR-295/2004-019-10-00. de meros desdobramentos irrelevantes de uma única realidade: o pagamento (efetivação material da decisão) somente ocorrerá se assim anuir o Estado derrotado. Mas sobre tal questão impende ressaltar. o respeito a tais imunidades consiste em compromisso internacional de caráter vinculante.realização de medidas executórias incidentes sobre bens estrangeiros situados no Brasil e não afetos a quaisquer atividades que lhes sejam próprias (como as consulares e diplomáticas). recursos financeiros disponíveis em contas bancárias. 222. em verdade. de forma que tais possibilidades em nada afastam o caráter absoluto da imunidade executória (vide definição acima). ACO-AgR633/SP. Pleno. 4 – Renúncia à imunidade. Destaque-se.684/DF. tendo sido constatada uma evolução dos Tribunais de uma posição relativizadora (que partia das mesmas bases aplicáveis à imunidade dos Estados – expostas supra – adotada até 2009 – cf. ainda que a possibilidade de adoção de tais medidas não seja uma unanimidade na jurisprudência (cf.543 e 597. porquanto há as seguintes possibilidades de satisfação do débito em face do ente estatal derrotado em processo judicial: 1 – Pagamento voluntário. que a renúncia/consentimento relativo ao processo de conhecimento não se estende automaticamente ao processo de execução.6 e RR 1045/2004-001-10-00-5) para uma visão tida por absoluta da imunidade das organizações internacionais (tanto para o processo de conhecimento quanto para o processo de execução). Assim. Verifica-se. não podendo ser afastado a menos que haja previsão em tal sentido no próprio tratado ou renúncia expressa. 2ª T.

em geral. recomenda-se. no entanto. Presidente da República) é o principal órgão do Estado nas Relações Internacionais. o fundamento para tais prerrogativas e imunidades reside nas considerações de cortesia. etc. no contexto atual (AGOSTO/2012). os poderes do Chefe de Estado são maiores do que os dos monarcas. 3. a adoção do entendimento segundo o qual a IMUNIDADE DAS OIs É ABSOLUTA (quando embasada em acordos e tratados internacionais) tanto para o processo de CONHECIMENTO quanto para o processo de EXECUÇÃO. os Chefes de Estado gozam de certas prerrogativas e imunidades. bem como celebrar tratados internacionais com os mesmos. c).Agentes Consulares 1).Ministro das Relações Exteriores 3). de conveniência recíproca e até de necessidade. b).Cabe ao respectivo Estado comunicar oficialmente. rei.Agentes Diplomáticos 4).Chefe de Estado ou Chefe de Governo 2). quanto em matéria civil.Gracie foram neste diapasão). sendo o representante estatal na sociedade internacional. diferindo-se da imunidade aplicável aos Estados estrangeiros (que se fundamenta em norma costumeira e é relativa no que diz respeito processo de conhecimento). Ante o exposto. Aspectos: .imunidade de direitos aduaneiros e impostos diretos. Segundo a doutrina mais aceita atualmente.imunidade de jurisdição territorial. diziam decorrer da ficção da extraterritorialidade. Consulados e embaixadas ÓRGÃOS DE RELAÇÕES ENTRE ESTADOS –(CONSULADOS E EMBAIXADAS DIREITO DIPLOMÁTICO E DIREITO CONSULAR ) São os seguintes os Órgãos de Relações entre Estados: 1).No regime presidencial republicano. . dentre os quais figuram: a). o Chefe de Estado (quer se intitule imperador. . e se fundamenta no DIREITO CONVENCIONAL (nos próprios Tratados firmados. que cobre a pessoa do Chefe de Estado. dos quais o Brasil é parte). Em território estrangeiro.No Brasil. Neste aspecto. são conferidos aos Chefes de Estado privilégios e imunidades semelhantes aos aplicáveis aos agentes diplomáticos.O CHEFE DE ESTADO Para o DIP. como o brasileiro. a Constituição é clara ao dispor que compete privativamente ao Presidente da República manter relações com os Estados estrangeiros e acreditar seus Representantes Diplomáticos. não exclui o direito de legítima defesa. . tanto em matéria penal. sujeitos a referendo do Congresso Nacional. que os autores antigos. cabe registrar as seguintes exceções: 192 . A inviolabilidade pessoal. a casa de residência. ainda sem um desfecho (conforme consulta realizada em 26/08/2012). Na prática. pois são responsáveis pela sua política exterior e interior (acumulam as funções de Chefe de Estado e de Chefe de Governo). a sua carruagem.a prerrogativa de inviolabilidade. os seus documentos.Não cabe aos outros Estados opinarem sobre a legitimidade do mesmo.

a disciplina jurídica é recente. Obs. na criação do Tribunal Penal Internacional (TPI).c-1).No de ação proposta contra o Chefe de Estado.O MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES Geralmente denominado Chanceler na América Latina. é o mais importante na direção da política exterior. CF) e órgãos no exterior (embaixadas ou missões diplomáticas e consulado ou repartições consulares). c-3). pois estabeleceram responsabilidades individuais nos crimes de lesa-humanidade e representaram mais um passo rumo a uma Justiça sem fronteiras. 3 – CONSULADOS CONSULARES E EMBAIXADAS: OS AGENTES DIPLOMÁTICOS E Há duas convenções tratando do assunto: CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE RELAÇÕES CONSULARES CONSULADOS E EMBAIXADAS As missões no exterior podem ser especiais (viagens) ou permanentes (repartições públicas mantidas no exterior – embaixadas e consulados). respectivamente sobre missões diplomáticas e repartições consulares. É o Chefe hierárquico dos funcionários diplomáticos e consulares do país. questões políticas. Pinochet não chegou a ser condenado em vida. sendo seu principal acessor em tal mister. Com a proliferação do numero de Estados. em viagens particulares ou de férias. Todos eles serão suspensos devido à sua morte. A imunidade é extensiva aos membros de sua família e de sua comitiva. As embaixadas tratam de questões referentes a soberania. deixa de gozar os privilégios e imunidades reconhecidos aos titulares em exercício. regulamentou os órgãos. c-2). Os consulados tratam de questões comerciais e administrativas.Na aceitação do Chefe de Estado (por seu Estado) voluntariamente da jurisdição territorial . podendo ter mais de um conforme a demanda do serviço. e se aplica. se tal ação se funda na sua qualidade de herdeiro.Caso Augusto Pinochet. Embora sejam instituições antigas. 2). inclusive. em parte. 84. a convenção de Viena de 1961 e a de 63. do fluxo de pessoas e negócios.: O Chefe de Estado que tenha sido deposto ou abdicado. Segundo analistas. Função: Auxiliar o Chefe de Estado na formulação e na execução da política exterior do país. no país em que se encontra. dentre os órgãos internos utilizados pelo D. VIII. embora a responsabilidade final seja sempre do Chefe de Estado. Existem 3 espécies de representações permanentes que os Estados mantêm junto a outras pessoas jurídicas de Direito Internacional: 193 . Os processos contra Augusto Pinochet representaram um marco no direito internacional.No de ação sobre imóvel situado em território estrangeiro. mas acumulou 14 perdas de imunidade e vários julgamentos. Na prática. basta uma por Estado.. Dois exemplos trazem reflexão sobre o caráter absoluto do Princípio da Inviolabilidade do Chefe de Estado e de Governo: 1). Convenções de Viena de 1961 e 1964. Relações exteriores. na capital. o caso Pinochet também deu novo impulso aos processos em casos de violações aos direitos humanos em outros países sul-americanos e influenciou.I. Duas dimensões: competência (art.

3) Delegações permanentes perante organizações intergovernamentais (= Legação. não podendo o agente ser detido ou preso em hipótese alguma. onde interesse por parte do Estado que envia). haja algum b) Consulados Honorários: repartições chefiadas por um nacional do Estado que os recebe. ao passo que o cônsul representa o Estado de origem para o fim de cuidar de interesses privados. Tais pessoas são fisicamente invioláveis e jamais podem ser obrigadas a depor como testemunhas. ou ainda missões especiais. civil e tributária. destinados a não impedirem o exercício da representação ou de suas atribuições oficiais. funcionários Gerais (em Consulados. sem se perquirir até que ponto os seus atos foram ou não praticados no exercício de suas funções. Delegação ou Missão). caso pratique atos ofensivos à dignidade ou à tranqüilidade local. a princípio. Começa a viger desde o momento em que o agente entra no território do Estado acreditado.1) Missão Diplomática. pode-se dizer que o diplomata representa o Estado de origem junto ao governo local. podendo 194 . políticas e em outras áreas entre os dois estados O pessoal da missão diplomática. pelo tempo em que exercerem suas atribuições. incluídos aí o Chefe do Estado acreditante. A residência particular do agente goza da mesma inviolabilidade e proteção que os locais da missão. podem ser destacados: 1 .negociar com o estado acreditador de acordo com as instruções do governo do estado acreditante. colocando-o acima de qualquer ofensa ou perseguição. cercados de imunidades e privilégios. que com eles vivam. Alcança o pessoal da missão. ter residência temporária nos Estados que os recebem. sediadas nas capitais (missões permanentes) ou em negociações particulares. ou a partir do momento em que se identifique como tal. com duas subespécies: a) Consulados de Carreira: repartições lotadas principalmente com enviados especialmente pelos Governos estrangeiros = Consulados metrópoles com grande movimento de pessoas e bens entre os Estados). seus familiares. os agentes dos Estados enviados para representá-los no exterior são pessoas que. Dentre as funções do diplomata. São basicamente três as garantias conferidas aos agentes diplomáticos: a) inviolabilidade pessoal: é a chamada intangibilidade do agente.promover as relações de amizade entre os estados acreditante e acreditado.proteger os interesses do estado acreditante e dos seus nacionais no estado acreditado. As prerrogativas e imunidades diplomáticas podem ser divididas em dois grupos: as relativas à missão diplomática e as relativas aos agentes diplomáticos. e que têm algumas funções oficiais . nas cidades onde se encontram as sedes das mesmas. culturais. 3 recolher informações sobre o estado acreditador e reportá-las ao governo do estado acreditante. Vice-Consulados e Agências Consulares (em pequenas cidades. Apesar disso. devem ser elas mesmas e seus familiares. OS AGENTES DIPLOMÁTICOS E CONSULARES Em síntese. se sua missão for anunciada. 5 -desenvolver as relações económicas. o Chefe de Estado. junto a Chefes de Estado dos Estados com os quais são mantidas relações diplomáticas. o diplomata poderá ser expulso do país onde serve. dadas as funções oficiais que desempenham. 2) Repartições Consulares. 2 . em reuniões temporárias e esporádicas (missões especiais). 4 . e. devem ter a nacionalidade do Estado representado. bem como trata com este governo sobre assuntos de Estado. gozam de ampla imunidade de jurisdição penal. Com exceção dos integrantes dos Consulados Honorários. o Chefe de governo e o Ministro das Relações Exteriores.

não estensível à sua família. tal situação é mitigada em alguns casos. .Quando se trata de ações reais relativas a bens imóveis por ele possuídos no território do Estado onde está exercendo suas funções. mas.Ação sucessória na qual o agente diplomático figure. Tal imunidade estende-se a seus familiares que vivam com o agente no Estado acreditado sob sua dependência (salvo se nacionais do Estado acreditado). perfilhada pela doutrina em geral ao lecionar que a lei penal tem aplicação erga omnes aos que se encontrem em território nacional. inclusive os relativos à importação de objetos destinados ao uso oficial da Missão ou ao uso pessoal dos agentes e seus familiares. . .Impostos e taxas que incidam sobre remuneração relativa a serviços específicos prestados no Estado acreditado. sendo que a sua bagagem não deve sofrer inspeção. Exceção à imunidade criminal: renúncia pelo Estado acreditante. . no país onde se acha acreditado. c) isenção fiscal: o agente é isento do pagamento de tributos instituídos pelo Estado acreditado. Sobre a imunidade criminal. na qualidade de autor.Quando o agente é nacional do Estado junto a cujo governo está acreditado. administrador. salvo se o agente possuir por conta do Estado acreditante para os fins da missão. devendo evitar a prática de condutas que a Lei descreve como puníveis.Os impostos indiretos que normalmente incidem sobre as mercadorias e serviços. O pessoal de serviço da missão tem imunidade apenas em relação aos atos de ofício que pratiquem. sim de uma causa de exclusão da jurisdição penal. mas à função que elas exercem. Não estão cobertos pela isenção: . como executor testamentário. que porventura tenha desempenhado. Não se trata de uma causa de exclusão de pena. Porém. bem como seus b) Imunidade jurisdicional: os agentes têm ampla imunidade jurisdicional civil. uma vez que permanecem ligadas ao seu preceito primário. . Exceções à imunidade civil: .Quando se trata de ações resultantes de compromissos por ele assumidos no exercício de outra profissão. 195 . ali. e o comportamento desse caráter que praticam mantém a sua natureza de ilícito.inclusive o diplomata conceder asilo diplomático documentos. criminal e administrativa. . assim como os registros de hipoteca. herdeiro ou legatário. a título privado e não em nome do Estado. simultaneamente.Os impostos e taxas sobre os imóveis possuídos pelo diplomata a título privado. não são exceção ao princípio da legalidade. sua correspondência oficial e seus bens. por isso. em face de funções públicas exercidas por certas pessoas. com as funções diplomáticas.Os direitos de sucessão.Impostos referentes a investimentos em empresas comerciais no Estado acreditado. .Quando o agente recorre à jurisdição local. Essas pessoas não ficam propriamente fora do domínio da lei penal. . . Essas prerrogativas funcionais não são concedidas em relação às pessoas. Os agentes diplomáticos gozam de isenção aduaneira tanto em relação aos objetos destinados ao uso oficial da Missão quanto aos objetos de uso pessoal. relevante trazer à baila a noção trazida por Damásio. mas escapa da conseqüencia jurídica que é a punição.Custas judiciais e impostos de selo relativos a tais bens imóveis.

A imunidade não impede a investigação. ainda que de forma mais restrita. A missão diplomática é integrada não só pelo chefe de missão e pelos demais funcionários diplomáticos. O cônsul não pode conceder asilo. 2 . porque as organizações internacionais também o têm exercido. Além dos privilégios e imunidades reconhecidos aos funcionários diplomáticos. mas todos os demais funcionários da carreira diplomática. As funções consulares são exercidas por Consulados ou por seções consulares de Embaixadas. porém não estensível aos seus familiares. contudo. no entanto. Ressalte-se.inspecionar os navios e aeronaves de sua nacionalidade. distingue entre os privilégios e as imunidades reconhecidas à missão diplomática e os que o agente diplomático desfruta e que dizem respeito à inviolabilidade. A Convenção de Viena de 1961 é o documento básico no tocante às relações diplomáticas entre os Estados.promover o comércio entre o seu Estado e o país onde reside. quer pessoas jurídicas. quer pessoas naturais. que o direito de legação não é uma exclusividade dos Estados. CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS DIREITO DE LEGAÇÃO: direito de enviar (legação ativa) e receber (legação passiva) agentes diplomáticos. O termo agente diplomático abrange não só o chefe da missão. mas tal deve ser programado de modo a não prejudicar os trabalhos consulares. Sua isenção fiscal afeta somente os impostos pessoais e os que recaem sobre seus móveis (ainda com as exceções relativas aos diplomatas). ao dar prioridade à missão diplomática sobre a pessoa do pessoal diplomático. gozando. 3 expedir documentos de viagem (por exemplo. ao pessoal administrativo e técnico. Os locais consulares gozam de inviolabilidade apenas no que tange a sua utilização funcional. que está consagrado na jurisprudência. penal e administrativa (vide exceções acima). casamentos e óbitos de seus nacionais que residam no país onde o cônsul atua.atuar como notário e oficial do registro civil. Têm ainda inviolabilidade pessoal e oficial.O consulado trata de interesses privados como passaportes aos seus nacionais e vistos para estrangeiros.prestar assistência aos seus nacionais. Decorre da soberania do Estado. A Convenção de Viena. à imunidade de jurisdição e à isenção de impostos da missão e dos diplomatas. Dentre as diversas funções do cônsul destacamse as seguintes: 1 . é a teoria do interesse da função. mas também pelo pessoal administrativo e técnico e pelo pessoal de serviço. 196 . Não pode se escusar de prestar testemunho. e apenas em relação aos atos de ofício que pratiquem. 4 . de isenção fiscal. mas o agente somente será eventualmente responsabilizado pelo seu Estado de origem. passaportes) aos seus nacionais e vistos de entrada aos estrangeiros que desejem entrar no território do seu Estado. 6 . incluindo de sua residência oficial e seus arquivos consulares. 5 . a Convenção de Viena trata da extensão dos mesmos às famílias dos diplomatas. Imunidades e isenções dos agentes diplomáticos: O fundamento das imunidades da Missão Diplomática. Os cônsules e o pessoal do serviço consular têm imunidade de jurisdição civil. ao pessoal de serviço e aos criados.proteger os interesses dos seus nacionais. registrando nascimentos.

2 . como os veículos automotores. os quais devem ser respeitados pelas autoridades locais (do Executivo. requisição. seus arquivos.sede dos Ministérios das Relações Exteriores (no Brasil. Convenção de Viena de 1961:i) locais da Missão são os edifícios. Os casos em que o princípio da imunidade de jurisdição civil comporta exceções (já vistas na síntese do tema exposta acima): 1 . ou outros. utilizados para as finalidades da Missão. LICC: Parágrafo 3º: Os governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares). nomeadamente a do Chefe da Missão. porém mais restritos. que no Brasil são considerados propriedades de Governos estrangeiros. que por acordo entre os Estados. Devem ter a proteção das autoridades do Estado acreditado. Neste sentido tem se manifestado a prática. dentre os quais se inclui a residência do chefe da missão. ou parte dos edifícios. instalações de telecomunicações e objetos móveis. mediante justa indenização (segundo Comissão de DI).sede dos serviços burocráticos de uma missão diplomática estrangeira (p. Cessa ainda em caso de urgência (ex. denominada Embaixada do País. 2 . inclusive a residência do Chefe da Missão. não poderão ser objeto de busca.: a chancelaria do país Tal encontra-se na Super Quadra Tanto). A inviolabilidade cessa se os locais da Missão forem utilizados de modo incompatível com as funções da Missão.locais de escritórios. os arquivos. assim como os meios de transporte da Missão. IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO (CIVIL E CRIMINAL): A única exceção à imunidade penal dá-se no caso de renúncia do governo do agente. igualmente. A Inviolabilidade do agente significa que o mesmo não pode ser preso. O mobiliário.: incêndio). denominado de Palácio do Itamaraty. 197 . embargo ou medida de execução. são locais onde se exercem as funções diplomáticas: 1 residência dos membros da Missão. 11. INVIOLABILIDADE DIPLOMÁTICA: É reconhecida aos locais da missão. A correspondência do agente diplomático goza do mesmo privilégio. sejam indicados para o exercício das funções diplomáticas (em particular em épocas de comoção interna nos Estados acreditados. denominados chancelaria ou mesmo escritório. Ainda segundo tal convenção. na qualidade de autor. os destinados à concessão de asilo diplomático a pessoas perseguidas por motivos políticos) Têm idêntica proteção os imóveis da missão diplomática. LOCAL DA MISSÃO Segundo o artigo 1º. do Legislativo e do Judiciário ).Quando ele próprio recorre à jurisdição local. aos arquivos e aos diplomatas. seja quem for o seu proprietário. O Estado acreditado pode desapropriar os imóveis da Missão por interesse público. em Brasília). onde se situam. que se acham associados ao exercício da função (Art. Chancelaria = duplo significado – 1 . ex. Devem. e terrenos anexos. gozar de imunidades e privilégios definidos na norma internacional.Os agentes diplomáticos que são nacionais do Estado acreditado ou aí tenham a sua residência permanente também gozam de privilégios e imunidades.

salvo se o agente possuir por conta do Estado acreditante para os fins da missão. Os direitos de sucessão. 3 . Custas judiciais e impostos de selo relativos a tais bens imóveis.Quando o agente é nacional do Estado junto a cujo governo está acreditado. a título privado e não em nome do Estado. como é o caso do material importado para fins da missão. PARA QUE ESTA ÚLTIMA OCORRA. Em todo caso. com as funções diplomáticas.2 . que porventura tenha desempenhado. convém salientar que algumas das isenções se aplicam à própria missão. HÁ NECESSIDADE DE UMA NOVA RENÚNCIA. 5 . A RENÚNCIA À IMUNIDADE DA JURISDIÇÃO NÃO SIGNIFICA A RENÚNCIA À IMUNIDADE DE EXECUÇÃO. FAMÍLIA DO AGENTE DIPLOMÁTICO: goza dos mesmos privilégios e imunidades que o próprio agente diplomático (salvo se nacionais do Estado acreditado). f) isenção de prestações pessoais. simultaneamente. Os agentes diplomáticos gozam de isenção aduaneira tanto em relação aos objetos destinados ao uso oficial da Missão quanto aos objetos de uso pessoal.Os impostos indiretos que normalmente incidem sobre as mercadorias e serviços.Ação sucessória na qual o agente diplomático figure. como executor testamentário. Impostos e taxas que incidam sobre remuneração relativa a serviços específicos prestados no Estado acreditado. O agente diplomático não está obrigado a prestar depoimento como testemunha.Quando se trata de ações reais relativas a bens imóveis por ele possuídos no território do Estado onde está exercendo suas funções. Obs.Quando se trata de ações resultantes de compromissos por ele assumidos no exercício de outra profissão. herdeiro ou legatário. c) imunidade de jurisdição civil e administrativa para os atos praticados no exercício de suas funções. b) completa imunidade de jurisdição penal. Impostos referentes a investimentos em empresas comerciais no Estado acreditado. Os impostos e taxas sobre os imóveis possuídos pelo diplomata a título privado. ISENÇÃO FISCAL: embora o art. PESSOAL ADMINISTRATIVO E TÉCNICO DA MISSÃO FAMILIARES gozam dos seguintes privilégios e imunidades: E RESPECTIVOS a) inviolabilidade de residência e pessoal como os agentes diplomáticos. Não estão cobertos pela isenção (também já vistas na síntese do tema exposta acima): . 198 . 34 da Convenção de Viena só mencione o agente diplomático. sendo que a sua bagagem não deve sofrer inspeção. tem-se por assente que nenhuma execução deverá ser levada a efeito quando importe em medida contra a pessoa do agente ou contra os bens indispensáveis ao exercício de sua missão. administrador. d) isenção da previdência social. assim como os registros de hipoteca. Obs. no país onde se acha acreditado. e) isenção fiscal igual à do agente diplomático. 4 .

Gozam dos seguintes privilégios e imunidades. Não há impedimento para que seja processado no Estado em que se encontra. Os chefes de repartições consulares se dividem em quatro classes: Cônsules gerais. Os que sejam nacionais do Estado acreditado ou aí tenham a sua residência permanente têm o mesmo tratamento do pessoal técnico e administrativo nesta situação. a não ser que haja ressalva. O estabelecimento de relações consulares depende do consentimento mútuo dos Estados interessados. O estabelecimento de relações diplomáticas consulares. legalizar documentos. prestar assistência e proteção a seus nacionais. exercer a política da navegação e fornecer informações de natureza econômica e comercial sobre o país ou distrito onde se acham instalados. pagos pelo Estado. a fim de fazer a sua primeira instalação. c) isenção da previdência social.g) isenção alfandegária para os objetos importados. se não forem nacionais do Estado acreditado ou aí não tiverem residência permanente: a) imunidade para os atos praticados no exercício de suas funções. Os que sejam nacionais do Estado acreditado ou aí tenham a sua residência permanente têm o mesmo tratamento do pessoal técnico e administrativo nesta situação. 199 . as suas imunidades e privilégios só existirão na medida em que forem reconhecidas pelo Estado acreditado. implica o estabelecimento das A ruptura de relações diplomáticas. Os que tiverem a nacionalidade do Estado acreditado ou aí tiverem a sua residência permanente. CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE RELAÇÕES CONSULARES Os agentes consulares não têm a imunidade tão ampla quanto a dos diplomatas. CONSULADOS-PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES Os consulados são repartições públicas estabelecidas pelos Estados em portos ou cidades de outros Estados com a missão de velar pelos seus interesses comerciais. que deverá resultar de outra decisão. não importa na ruptura de relações consulares. somente têm imunidade em relação à suas funções. contudo. b) isentos da previdência social (se estiver submetida ao sistema de previdência do Estado acreditante ou de outro Estado). O DIP em matéria consular se acha codificado pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963. PESSOAL DE SERVIÇO. CRIADO PARTICULAR: Os que não forem nacionais do Estado acreditado e aí não tiverem a sua residência permanente estão: a) isentos de impostos e taxas sobre os seus salários. Cônsules electi: são os cônsules honorários. b) isenção de impostos e taxas sobre os salários. Cônsules missi: são os cônsules de carreira.

Privilégios e imunidades consulares: Da Repartição Consular: a) inviolabilidade da repartição. sendo que o Estado receptor tem o direito. Vice-cônsules. d) isenção aduaneira: quanto aos artigos destinados ao seu uso pessoal e aos dos membros de sua família. mas em relação à repartição consular. em relação ao casamento consular. Agentes consulares. não em relação a suas pessoas. a prática é mais flexível em matéria consular. Dos cônsules: a) inviolabilidade pessoal. recusar-se a depor na qualidade de perito sobre as leis do Estado que envia. dos arquivos e da correspondência. em caso de incêndio ou de outro sinistro que exija medidas imediatas. Sua bagagem pessoal não deve ser sujeita à inspeção alfandegária. b) imunidade de jurisdição civil em relação a atos realizados no exercício de suas funções. tanto assim que o cônsul poderá ser admitido provisoriamente no exercício de suas funções. inclusive os artigos destinados à sua instalação. a não ser nas hipóteses expressamente previstas. Poderá. inclusive sobre imóvel de propriedade do Estado estrangeiro. Quanto ao próprio cônsul honorário. presume-se o consentimento para penetrar na repartição. ainda. Há um artigo expresso que dispõe que. mas muito enfraquecida. a não ser no caso de cometerem crime grave e. O cônsul poderá ser chamado a depor como testemunha no decorrer de processo judiciário ou administrativo. em alguns países. como no caso de artigos cuja importação ou exportação seja proibida. b) isenção fiscal. de comunicar que o exercício de determinada função consular não é permitido. o que é feito através do exequatur. goza de algumas pequenas regalias. somente em decorrência de decisão de autoridade judiciária competente.Cônsules. c) isenção aduaneira aos artigos destinados ao uso oficial da repartição. TÉRMINO DA MISSÃO DIPLOMÁTICA: 200 . d) imunidade trabalhista. Os cônsules honorários são equiparados aos de carreira. Mas não podem ser obrigados a depor sobre fatos relacionados com o exercício de suas funções nem a exibir documentos oficiais que a elas se refiram. É o que ocorre. A nomeação de cônsules depende da aceitação prévia do nome do indicado. ao admitir funcionário consular. c) isenção fiscal. como as de que possa necessitar em razão de sua posição oficial. Enquanto o embaixador ou ministro só pode dirigir-se ao seu posto depois de haver recebido o agrément. As funções consulares constam da legislação interna dos respectivos Estados. mesmo assim.

Pela morte. Elas podem ser sintetizadas nas seguintes: O cônsul não tem aspecto representativo no sentido político. O agente diplomático recebe credenciais do Estado acreditante. Os agentes diplomáticos têm maiores privilégios e imunidades do que os cônsules. enquanto o agente diplomático as tem junto ao governo central. Nenhum dos casos que ocasionam o término da Missão Diplomática faz cessar os privilégios e imunidades diplomáticas. 201 . TÉRMINO DAS FUNÇÕES CONSULARES: As funções consulares terminam por: Retirada do exequatur. o Estado deverá facilitar a saída das pessoas que compõem a Missão Diplomática. enquanto o cônsul recebe carta patente do Estado de envio. Diversidade de funções (os cônsules não tratam de assuntos políticos como os diplomatas). o Estado acreditado deverá respeitar a inviolabilidade dos locais da Missão. O Estado acreditante poderá confiar a guarda dos locais da Missão. a um terceiro Estado que seja aceito pelo Estado acreditado. Notificação feita pelo Estado de envio de que as funções consulares de determinada pessoa terminaram. O cônsul tem funções junto às autoridades locais. O não reconhecimento do governo. seus bens e arquivos. Em caso de conflito armado. Notificação do Estado de residência ao Estado de envio de que ele não considera determinada pessoa como fazendo parte do pessoal consular. A ruptura não impõe fim aos tratados existentes entre o acreditante e o acreditado. Ruptura de relações diplomáticas. Havendo ruptura de relações diplomáticas. DIFERENÇAS ENTRE CÔNSULES E AGENTES DIPLOMÁTICOS: Os cônsules e agentes diplomáticos têm várias diferenças entre si. enquanto o agente diplomático tem.A missão diplomática permanente termina por diversas razões: Guerra entre o acreditante e o acreditado. bem como a proteção dos seus interesses. Pelo pedido de passaportes feito pela missão ao Estado acreditado (consiste na Embaixada pedir ao Ministério das Relações Exteriores do Estado que lhe sejam entregues os passaportes – autorização para o embaixador sair do país).

A carta credencial (littera fidei. O cônsul só tem atuação no distrito consular. quando embasados em acordos e tratados internacionais. enquanto o cônsul o faz após a concessão do exequatur. quando removido para o outro posto ou término da sua missão. Em relação ao Estado que o nomeia. dando-lhe uma espécie de procuração geral para exercer os atos próprios da função.05). em virtude do encerramento do contrato de trabalho. havendo uma missão diplomática e várias repartições consulares. b) a expiração do prazo para sua duração.368. e f) a morte do agente. a respeito do tema: Suspenso julgamento sobre submissão de contratos do PNUD à jurisdição brasileira (continua suspenso conforme consulta realizada em ago/2012) A Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie reconheceu que os organismos internacionais são cobertos por imunidade de jurisdição e execução. § 2º). que dispõe sobre a competência da Justiça Trabalhista para julgar relações trabalhistas que envolvam entes de direito público externo. As dos núncios ou legados têm a forma de bulas ou breves. regulando as questões entre eles. negociar e proteger os interesses de seus nacionais. A situação jurídica do enviado diplomático só se inicia com a apresentação da carta credencial. e) a mudança violenta do regime ou da forma de governo em qualquer dos dois Estados. Para a ministra. Obs. com o encerramento de um congresso ou conferência. lettre de créance) é o instrumento pelo qual o Governo de um Estado acredita seu enviado diplomático junto a outro. Obs. enquanto o agente diplomático a tem em todo o território do Estado. pelo seu governo. facilitando os entendimentos entre os dois governos. Já a carta revocatória explica os motivos da retirada do agente diplomático ao chefe do Estado. Para a ministra. da Organização das Nações Unidas (PNUD/ONU). referidos supra. o julgamento foi suspenso por um pedido de vista da Ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha.O agente diplomático entra em função após a entrega das credenciais. A ministra proferiu seu voto.543 e 597. que obrigaram a agência ao pagamento de direitos trabalhistas aos recorrentes. seus deveres podem ser reunidos em observar. Obs.368) que discutiam essa imunidade aplicada a contratos de trabalho firmados com profissionais brasileiros e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.543 e 597. a interpretação equivocada mantida pelo TST sobre a jurisprudência do STF e do art. IMUNIDADE DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS A notícia a seguir traz a síntese dos REs nºs 578. Depois do voto da relatora. que sucede. por motivos pessoais. 114 da Constituição de 1988. c) a retirada do agente. em dois Recursos Extraordinários (REs nºs 578. na tarde de quinta-feira (07. por exemplo. afrontou relevantes acordos 202 . 114 da CF. que determina que os direitos e garantias expressos na Carta Magna não excluem tratados internacionais assinados pelo país. É função primordial do agente diplomático manter as relações amistosas entre os dois Estados. essas decisões teriam violado a Constituição Federal (artigo 5º. d) a partida voluntária do agente. representar. A ministra se posicionou contra os acórdãos do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A missão temporária confiada a um agente diplomático também pode terminar por diferentes causas: a) realização de seu objetivo. e também o art.

não possuem governo. Organismos não possuem território. Segundo Ellen Gracie. que garantem a continuidade do trabalho prestado por esses organismos. 203 . quando o Supremo reconheceu que Estados estrangeiros dispõem de imunidade relativa. A ministra explicou que a decisão não abrange os organismos internacionais. e pela própria “Carta das Nações Unidas” – ambos documentos assinados pelo Brasil. E os Estados-membros se associam a esses organismos por espontânea vontade. que atuam em mais de 160 países em todo o mundo. A jurisprudência citada pelo TST fazia referência à Apelação Cível nº 9. a imunidade para estes organismos é garantida pela “Convenção sobre Privilégios e Imunidades”.internacionais assinados pelo país.696. das Nações Unidas. que diferem juridicamente dos países. disse a ministra.

204 . será considerada simples. Se essa exploração for feita mediante a organização dos fatores de produção (capital. Se quem exerce a atividade empresarial é pessoa física ou natural. 966: A expressão “elemento de empresa” demanda interpretação econômica. abarcam as fundações. secretárias etc . A sociedade.é empresa. as pessoas jurídicas de direito privado. clínica de estrutura empresarial. Em relação às sociedades composta por profissionais liberais e sociedade rural. Se feita sem essa organização.  Enunciado 195 do CJF – Art. insumos. Empresa é a atividade economicamente organizada para produção ou circulação de bens e serviços. parágrafo único do CC/02]. com vários médicos. Exemplos: consultório médico com secretária . salvo se adotarem estrutura empresarial [modo de organização da atividade]. portanto. Logo. São Paulo: Saraiva. independentemente de seu objeto.não é empresa. as organizações religiosas e os partidos políticos. será uma sociedade empresária. almeja o lucro com o objetivo de reparti-lo entre os sócios. A empresa pode ser desenvolvida por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas. a diferença entre sociedade simples e empresária está no modo de exploração de seu objeto social. O adjetivo empresário indica a própria sociedade (e não seus sócios). Existem duas exceções a essa regra. porque seguem atividade civil. mão-de-obra e tecnologia) será empresária. porque têm por objeto o desenvolvimento de atividade de empresa. 2002. duas observações devem ser feitas: 1º) Em regra será civil. é dizer. é espécie de pessoa jurídica que visa à realização de atividade econômica. Maria Helena. se a organização dos fatores de produção for mais importante que a atividade pessoal desenvolvida (Enunciado 194 do CJF). e as cooperativas são sempre sociedades simples. As sociedades podem ser simples. Teoria geral do Direito Societário (retirado do Ponto 04) 1. devendo ser analisada sob a égide da 23 DINIZ. Se quem o faz é pessoa jurídica. instituídas para atender a interesses particulares. ou empresária.1. Direito Empresarial (IGUAL AO PONTO 12) 1. as associações. p.K. as sociedades. De acordo com o art. será considerado empresário individual. 206. 982. não se confundido com o sujeito (empresário) nem com o objeto (estabelecimento empresarial ou patrimônio aziendal). reconhecida essa unidade como sujeito de direitos e obrigações” 23. [Art. As sociedades anônimas. Curso de Direito Civil Brasileiro. são sempre empresárias. a titular da atividade econômica. 44 do Código Civil. Conceito de sociedade A pessoa jurídica é verdadeira “unidade de pessoas naturais ou patrimônios que visa a consecução de certos fins.

objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei (art. Se não o fizer. 974).Civil). Ressalte-se que a possibilidade de o incapaz ser sócio de uma sociedade empresária é situação totalmente distinta e que há muito tempo é admitida no Brasil desde que o capital social esteja integralizado.C/S 3) Sociedade Limitada – Ltda. 974. e as sociedades em comandita por ações regem-se pelas normas relativas às sociedades anônimas. As sociedades empresárias podem adotar um dos seguintes tipos: 1) Sociedade em nome coletivo – N/C 2) Sociedade em comandita simples . cujas conseqüências são as seguintes: 24 Ao incapaz é permitida a continuação de um negócio empresarial já existente.A 5) Sociedade em comandita por ações . A opção pelo tipo empresarial não afasta a natureza simples da sociedade (Enunciado 57 do CJF). Trata-se. § 2º do CC/02). capacidade para titularizar relações jurídicas e praticar atos da vida civil – a entes morais. que o incapaz não exerça poderes de administração e esteja representado ou assistido (art. 2º ) Para ser considerada empresária. 2ª parte do CC/02). então. É necessária prévia autorização judicial a ser obtido através de procedimento de jurisdição voluntária ouvido o Ministério Público. 974 do CC incluído pela Lei nº 12. como um dos fatores da organização empresarial. há uma limitação da responsabilidade quanto ao patrimônio do menor. 983. O registro. 1.C/A As três primeiras foram plenamente tratadas pelo novo Código Civil. submeter-se-á às regras que lhe são próprias (sociedade simples pura). Ao contrário das demais empresas ou firmas individuais [Não existe autonomia patrimonial com a conseqüente limitação da responsabilidade]. nos arts. se o representante ou assistente não puder exercer a atividade de empresário. exceto da sociedade por ações.399/11 e Enunciado 221 do CJF). Quando esse ente ganha personalidade jurídica. 1ª parte do CC/02). de casos em que o incapaz será autorizado a explorar atividade empresarial individualmente. surgidos a partir da vontade humana. ocorre o fenômeno da separação patrimonial. 1090 a 1092 do CC/02).2. 997 a 1. REQUISITOS DA SOCIEDADE: – DE EXISTÊNCIA: Affectio Societatis e Pluralidade de Sócios – DE VALIDADE: Genéricos ou comuns – requisitos de validade para o negócio jurídico: agente capaz 24. sendo nomeado gerente.absorção da atividade intelectual. 104 do C. As sociedades anônimas estão disciplinadas na Lei 6. 4) Sociedade anônima . com algumas regras impostas pelo Código Civil (Arts. literária ou artística. ficando limitado os resultados da empresa aos bens afetados na sua exploração (art. previstas também no Código Civil.404/76. 983. 205 .038 (Art. A sociedade simples pode ou não adotar um daqueles modelos societários. pois. tem natureza constitutiva (Enunciado 202 do CJF). de natureza científica. em caso de incapacidade superveniente ou incapacidade do sucessor na sucessão por morte (Art. Somente será admitida a constituição de sociedade empresária de acordo com uma das cinco espécies acima descritas (Art. ou seja. na qualidade de empresário individual. já que sua inscrição é facultativa. a sociedade rural deverá registrar seu ato constitutivo na Junta Comercial. Personalização da sociedade O ordenamento jurídico atribui personalidade – e via de conseqüência.S. Específicos – todos os sócios devem contribuir para a formação do capital social e todos os sócios participarão dos lucros e resultados.

a personalidade jurídica não constitui um direito absoluto. da atuação dolosa.1. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica é disciplinada de maneira diversa em cada um desses diplomas. sendo contida pela teoria da fraude contra credores e pela teoria do abuso de direito. contribui na formação do capital social e. O CC/02 estabelece dois pressupostos para aplicação da teoria: c. Concepção subjetivista da teoria maior: tradicionalmente.1) Titularidade obrigacional – a sociedade passa. a celebrar negócios jurídicos.1 Abuso da desconsideração personalidade jurídica e a teoria maior da Concepção clássica: só admite a superação do ente legal quando constatado o uso abusivo da pessoa jurídica. Todavia. Desvio da finalidade (abuso de direito da forma). em nome próprio. 2. geralmente. Para essa concepção. 206 . já que a fraude é muito difícil de comprovar. sendo desnecessário comprovar o dolo específico do sócio ou administrador que cometera o ato abusivo. O Código Civil de 2002 adota essa concepção. em razão disso. maliciosa dos sócios em detrimento dos credores da sociedade.1 Teoria da desconsideração da personalidade jurídica no CC/02 A principal consequência da personificação das sociedades é o reconhecimento da sociedade como sujeito de direitos. 2. Lei Ambiental.2 Teoria Maior e Teoria Menor Teoria maior: admite a desconsideração da PJ somente quando haver desvio de finalidade ou comprovação de confusão patrimonial. adquirindo direitos e contraindo obrigações. A teoria está positivada: CDC. passa a possuir uma participação na sociedade) e respondem com ele pelas obrigações que contraírem (Responsabilidade patrimonial ilimitada) 3) Titularidade processual – possibilidade de ser parte e capacidade processual para estar em juízo. o abuso pode ser comprovado através da análise de dados objetivos. o abuso da personalidade jurídica que admite sua desconsideração só se caracterizava quando houvesse a prova efetiva da fraude. com requisitos distintos dependendo da natureza jurídica da responsabilização. na Lei de Concorrência e CC/02 (artigo 50). d. 2. Daí decorre um dos elementos fundamentais do direito societário: a autonomia patrimonial das pessoas jurídicas. 2) Titularidade patrimonial – passa a possuir patrimônio próprio (o sócio. como o desvio de finalidade e a confusão patrimonial. Confusão patrimonial (como forma de exteriorização da fraude.1. Concepção objetivista da teoria maior: surgiu em razão da dificuldade da prova da fraude. há confusão patrimonial entre os bens da sociedade e os dos sócios). ou seja.

É utilizada principalmente no Direito de Família. Min.191-RJ. e os credores não negociais (trabalhadores e consumidores.  As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins nãoeconômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica (Enunciado 284 da CJF). RMS n 15.  A desconsideração da pessoa jurídica é matéria sob reserva de jurisdição ou a administração pública pode desconsiderar de ofício? Em regra. mas em que há suspeitas de realização de operações societárias para desvio de patrimônio da falida nos anos anteriores à quebra. 50 CC dispensa a demonstração de insolvência da pessoa jurídica? 1º Corrente: SIM (enunciado 281 CJF). Rel. julgado em 5/4/2011).180. ainda que não tenha sido discutida no processo de conhecimento (STJ. É possível coibir esse modo de atuação mediante o emprego da técnica da desconsideração da personalidade jurídica. por decisão incidentalmente proferida. 207 . enquanto a despersonificação é permanente. Para os defensores desta teoria. sobretudo quando o processo encontra-se na fase de cumprimento de sentença (Informativo 501). (REsp 1. ainda que para isso lhe deva dar nova roupagem.259. a desconsideração é matéria jurisdicional. sendo suficiente a sua intimação (oportunidade em que poderá apresentar defesa).  A desconsideração da personalidade jurídica é medida cabível em sede de execução. 2.  A aplicação da teoria da desconsideração do art. mas apenas aquele que se beneficiou do ato abusivo (Enunciado n. (REsp 1. julgado em 9/8/2011). se existisse) para o exercício do direito potestativo à desconsideração da personalidade jurídica e inexiste a exigência de ação própria para a desconsideração da personalidade jurídica. 2ª Corrente (STJ): NÃO (REsp 1.  Desconsideração X Despersonificação: A desconsideração é tópica.141.). Resp 920602/DF)  A desconsideração da personalidade não atinge indiscriminadamente todos os sócios. Min. sem a oitiva da interessada.020-SP.166/BA) em caso grave de fraude. tão somente. na qual o autor pede a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa. não podem arcar com os riscos inerentes ao empreendimento. há que se distinguir entre os credores negociais (bancos etc). é desnecessária a citação do sócio para compor o pólo passivo da relação processual. em respeito ao princípio da função social e continuidade da empresa.  Desconsideração inversa é o afastamento do princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizar a sociedade por obrigação do sócio. salvo em situações excepcionalíssimas admitida pela doutrina (Gustavo Teppedino) e pela jurisprudência (STJ. Rel.  Não há prazo (decadencial. ocorrência de prejuízo ao credor. Este últimos. 07 das JDC)  O STJ entende ser possível estender os efeitos da falência de uma empresa a outra. Luis Felipe Salomão.Teoria Menor: desconsidera-se a PJ quando haver.447-SP / i-462). p. na hipótese em que não há vínculo societário direto entre as empresas.3 Questões interessantes  Para o STJ. Nancy Andrighi. inclusive com a constituição de sociedades empresárias conjuntas para esse fim. ex.1.

3. se assume de sociedade simples. Ministra LAURITA VAZ.1. No caso de falecimento do sócio.). A alienação societária é restringida. O estatuto está adstrito à lei. Contratual – são constituídas através de um contrato social. Classificação das sociedades  Pessoas – levam-se em conta os atributos pessoais dos sócios. não há liberdade de alteração das normas.: A sociedade limitada será de pessoas ou de capital dependendo do contrato social. será de capital. apenas que eles efetivamente contribuam para a formação do capital pela integralização de ações ou cotas. adere ao estatuto. já que não importam as qualidades pessoais dos acionistas (S. As relações são entre os sócios e a sociedade. SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES INSTITUCIONAL SOCIEDADE ANÔNIMA SOCIEDADE EM NOME COLETIVO CONTRATUAL 208 . não havendo relação deles entre si. desejando ingressar na sociedade. O capital social da sociedade é dividido em cotas e o seu titular é denominado sócio. ou seja. QUINTA TURMA. DJe 26/10/2009) Sociedade Sociedade Sociedade Sociedade Sociedade Sociedade mais) Sociedade em COMANDITA POR AÇÕES CAPITAL ANÔNIMA EM NOME COLETIVO EM COMANDITA SIMPLES PESSOAS SIMPLES (não é empresária) DE CAPITAL E INDÚSTRIA (não existe LIMITADA (contrato social) PESSOAS OU CAPITAL  OBS. será de pessoas. o herdeiro não ingressa diretamente sem autorização dos sócios. Qualquer interessado. É livre o ingresso de terceiros estranhos ao quadro social. julgado em 29/09/2009. porque depende do consentimento dos demais sócios para que o terceiro possa ingressar na sociedade.  OBS: a jurisprudência vem admitindo a penhora de cotas de sociedade limitada. O capital social está dividido em ações e o seu titular é denominado acionista. Institucional – são constituídas por um estatuto social. Rel. os demais sócios podem barrar a entrada de um terceiro estranho a sociedade. Se ele dispuser que assume a forma subsidiária de SA.A ou Comandita por ações) ou sócios (Ltda. apontando que a pessoalidade do vínculo é assegurada pelo direito de preferência na aquisição/remição dessas cotas (AgRg no Ag 1164746/SP. Suas qualidades ou defeitos têm relevância para o desenvolvimento da empresa. Existe maior liberdade na vontade das partes e há maior discricionariedade na elaboração das cláusulas. Capital – somente se considera a contribuição financeira para o ingresso no quadro de sócios da sociedade.

a sociedade pode ser:  Responsabilidade limitada – ao aporte financeiro que o sócio subscreveu na sociedade. Mesmo nas sociedades com responsabilidade mista ou ilimitada. que não são poucas. ou seja. O Código Civil divide as sociedades em dois grandes grupos: em um deles. não se pode admitir que uma sociedade não tenha personalidade jurídica. Cumpre esclarecer. haja vista o grande número de atividades empresariais exercidas na informalidade. SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES Responsabilidade mista SOCIEDADE ANÔNIMA Responsabilidade limitada SOCIEDADE EM NOME COLETIVO Responsabilidade ilimitada SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES Responsabilidade mista SOCIEDADE LIMITADA Responsabilidade limitada (há solidariedade) SOCIEDADE SIMPLES Pode ser pactuado no contrato: nenhuma ou ilimitada. solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais nos termos do art. essa responsabilidade será sempre subsidiária em razão do benefício de ordem previsto no art. se a sociedade é uma categoria de pessoa jurídica.  Responsabilidade mista – Existem sócios que respondem ilimitadamente e outros de forma limitada (limite previsto no contrato ou no estatuto social). De fato. Sociedades não personificadas 209 .4. 1.SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES CONTRATUAL SOCIEDADE SIMPLES CONTRATUAL SOCIEDADE LIMITADA (sempre) CONTRATUAL Quanto à responsabilidade dos sócios. a responsabilidade dos sócios será direta. que parece contraditória em si a expressão sociedade “sociedade não personificada”.  Responsabilidade ilimitada – o patrimônio dos sócios responde subsidiariamente. entende-se a opção do legislador de disciplinar as chamadas “sociedades não personificadas”. 1024 do CC/02. no outro. somente pelo valor que se obrigou (subsidiária e limitada). Primeiro deve-se esgotar (exaurir) o patrimônio da sociedade para só então atingir o patrimônio pessoal do sócio. das sociedades não personificadas. inicialmente. Todavia. 990 do CC/02. não obstante a impropriedade da expressão. tratou das sociedades personificadas. Quis o legislador conferir um mínimo de segurança jurídica as suas relações. Nas sociedades não personificadas. mas de forma ilimitada pelas obrigações sociais.

SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO  Marcas características: despersonalização e a natureza secreta (ato constitutivo não precisa ser levado a registro na Junta Comercial). Segundo André Luiz Ramos. porém subsidiária dos sócios em geral. Outros aspectos também justificam não considerá-la uma sociedade: a conta de participação não tem necessariamente capital social. por não ser pessoa jurídica. se atuarem em certo negócio social firmado pelo sócio ostensivo. OBS: A Sociedade de fato: não possui instrumento escrito de constituição Sociedade irregular: possui um contrato escrito. do qual os sócios são titulares em comum. a se habilitado no processo falimentar. somente por escrito podem provar a existência da sociedade. mas os terceiros podem prová-la de qualquer modo. Ocorre que. sua falência acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva cota. para a sociedade em comum deveria o legislador ter previsto a responsabilidade ilimitada e direta dos sócios pelas obrigações sociais. uma expressão que designa a sociedade contratual que está na fase de constituição.  Patrimônio: os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial.   Prova da existência da sociedade em comum: Os sócios. liquida-se pela medida judicial de prestação de contas e não por ação de dissolução de sociedade. segundo afirmam alguns autores. Mas. a que conhecemos tradicionalmente com os nomes de sociedade irregular ou sociedade de fato. Sendo o sócio ostensivo quem. ou seja. Todavia.  Sócios: Sócio ostensivo e sócio participante. preferiu o legislador estabelecer a responsabilidade ilimitada. ou melhor. se os sócios participantes. os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade. Na verdade. e não possui nome empresarial. O que o código fez.  Responsabilidade dos sócios na sociedade em comum: como regra geral do direito societário. cujo saldo constituirá crédito quirografário (art. “aparecerem” perante terceiros. na verdade. mas que não está registrado na Junta Comercial. portanto. SOCIEDADE EM COMUM (artigos 986 e 990) A sociedade em comum é. participando os demais dos resultados correspondentes. não existe patrimônio próprio. § 2º). O seu patrimônio social. 994. um patrimônio de afetação (Enunciado 210 CJF). praticando os atos preparatórios ao registro. foi estabelecer uma especialização patrimonial. nas relações entre si ou com terceiros. Na verdade. senão depois de executados os bens sociais. a sociedade em comum é. e a responsabilidade ilimitada e direita somente do sócio que contratou pela sociedade (art. na verdade. responderão solidariamente com este pela negociação. 986 do CC. Se quem falir for o sócio participante. trata-se daquela sociedade que ainda não inscreveu seus atos constitutivos no órgão competente. 990). ou seja. em determinada negociação. o contrato social 210 . segundo afirma o art. A eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade (993). é formado de bens e direitos titularizados por cada um de seus sócios. exerce a atividade que constitui o objeto social. na verdade. em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. A atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo.

As cláusulas necessárias para constituição da sociedade simples estão previstas no art. e o modo de realizála. os terceiros não são credores da sociedade. Art. responde o cedente solidariamente com o cessionário. A cessão total ou parcial de quota. André Luiz Ramos: a conta de participação só existe entre os sócios. com que contrataram. VIII 25 CC/02. 997 do CC/02. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato. § 3º). que é o cartório de registro de pessoas jurídicas (artigos 997 e 998).a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. e seus poderes e atribuições. 211 . 53 26 da Lei 8.  Salvo estipulação em contrário. VII . 994? Vera Franco acredita que o sócio ostensivo não obriga seu patrimônio na gestão da conta de participação. 53. além de outras estipuladas pelos contratantes: III capital da sociedade. 992). 26 Lei 8. 994. independentemente da forma adotada no ato constitutivo. 1.003. na forma da lei processual.002. pelas obrigações que tinha como sócio. sem o consentimento dos demais sócios.934/94. salvo se esta vier a se tornar insolvente.934/94).  O exemplo mais comum de sociedade em conta de participação é o apart hotel. Art. podendo provar-se por todos os meios de direito (art. Trata-se de uma sociedade de pessoas 25. 1. 2. o disposto para a sociedade simples. as alterações contratuais ou estatutárias poderão ser efetivadas por instrumento particular (art.1 sociedades simples Suas regras são aplicadas subsidiariamente às sociedades empresárias. sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios. IV . o contrato social somente produz efeito entre os sócios. perante a sociedade e terceiros. VI .a quota de cada sócio no capital social.  Formalidades: bem informais. subsidiariamente e no que com ela for compatível. O sócio não pode ser substituído no exercício das suas funções.fica sujeito à normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido (art. não terá eficácia quanto a estes e à sociedade. Independentemente de ter sido feito o ato constitutivo por instrumento público ou particular. Parágrafo único.as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade. Será constituída por contrato escrito particular ou público que será registrado no órgão competente. Sociedades personificadas 2. expresso em modificação do contrato social. o sócio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. Art. As alterações contratuais ou estatutárias poderão ser efetivadas por escritura pública ou particular.  Patrimônio: O sócio ostensivo responde com seu patrimônio pessoal ou com o patrimônio especial do art. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. mas do sócio ostensivo.  Aplica-se à sociedade em conta de participação.

1013. cada um dos sócios pode impugnar operação pretendida por outro. e pela solvência do devedor. as atividades dos administradores regem-se pelas normas atinentes ao mandato (art. - Os administradores são obrigados a prestar aos sócios contas justificadas de sua administração.  CAPITAL SOCIAL: Os sócios podem contribuir para a formação do capital social com bens. § 2º do CC/02). nos limites de seus poderes. mas não está compreendida a oneração ou a venda de bens imóveis que depende do que a maioria dos sócios decidir. salvo disposição em contrário. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado. Fica sujeito às sanções o administrador que. terá de restituí-los à sociedade. - O sócio que. - Nada dispondo o contrato social. 1018 do CC/02) e outros previstos no contrato social. Quando se tratar de sócio que contribui com serviço. cabendo a decisão aos sócios. § 1º do CC/02). sabendo ou devendo saber que estava agindo em desacordo com a maioria. salvo quando constituir objeto social da sociedade – ou seja. aplicar créditos ou bens sociais em proveito próprio ou de terceiros. direitos e serviços (art. constituir mandatários da sociedade. - Ao administrador é vedado fazer-se substituir no exercício de suas funções. atos de disposição. ou não. Neste caso.se os sócios respondem. se de caráter alimentar. - O sócio. 1017 e 1013 do CC/02. 2ª parte). lealdade – arts. Em regra. prestação de contas – art. transmitir domínio. contrário ao disposto no instrumento do contrato. etc. por maioria de votos (art. caput do CC/02). responde pela evicção. pelos deveres que lhe são próprios (dever de diligência – art. A contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art. empregar-se em atividade estranha à sociedade. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. por ele também responderá. - O administrador que. 1. com todos os lucros resultantes. mas somente pode administrar pessoa física. sendo-lhe facultado. posse ou uso.094. não poderá haver penhora das verbas descritas no art. 983. subsidiariamente. a administração da sociedade compete separadamente a cada um dos sócios (art.  NOME EMPRESARIAL: Sociedade simples pode adotar FIRMA ou DENOMINAÇÃO SOCIAL. Também responde por perdas e danos perante a sociedade o administrador que realizar operações. 1013. tome parte na correspondente deliberação. cuja contribuição consista em serviços. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art. bem como o balanço patrimonial e o de resultado econômico. e apresentar-lhes o inventário anualmente. especificados no instrumento os atos e operações que poderão praticar. Os administradores são responsáveis pela manifestação da pessoa jurídica. 1026. não pode. a título de quota social. pessoalidade – art. 1011 do CC/02. tendo em qualquer operação interesse contrário ao da sociedade. 997).  ADMINISTRAÇÃO: Pessoas que não sejam sócias podem ser administradoras. se houver prejuízo. 1020 do CC/02. 1011. 212 . sem consentimento escrito dos sócios. Pode praticar todos os atos pertinentes à gestão da empresa (ato de administração). pelas obrigações sociais. e. ou pagar o equivalente. aquele que transferir crédito.

- O administrador sócio pode constar em cláusula expressa no contrato social e. a fé pública ou a propriedade. a pedido de qualquer dos sócios” (art. 1015. a sociedade poderá. ainda que temporariamente. concussão. peculato. em que a omissão ou retardo das providências possa ocasionar dano irreparável ou grave. ratificá-lo. 1. contra o sistema financeiro nacional. pode ser nomeado por instrumento em separado. - TEORIA ULTRA VIRES (art. em nome da sociedade. em virtude da existência de regra especial de responsabilidade dos administradores (art. Ou então. admitindo os poderes implícitos dos administradores para realizar negócios acessórios ou conexos ao objeto social. salvo nos casos urgentes. a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir. é muito difícil analisar. (b) sem embargo.- No silêncio do contrato. reconhecida judicialmente. III . com as seguintes ressalvas: (a) o ato ultra vires não produz efeito apenas em relação à sociedade.404/76) (Enunciado 219). (c) o Código Civil amenizou o rigor da teoria ultra vires. peita ou suborno.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. em razão do dinamismo inerente às atividades econômicas. se os poderes dos administradores lhe permitem firmar aquela especifica relação jurídica. parágrafo único). o excesso por parte dos administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: I . a sua investidura é irrevogável “salvo justa causa. os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. Administrador que seja sócio ou não e nomeado em ato separado pode ser destituído. (d) não se aplica o art. 1015. contra as normas de defesa da concorrência. de prevaricação. os quais não constituem operações evidentemente estranhas aos negócios da sociedade. - Além da necessidade de ser capaz. de seus poderes (artigo 1019. - Pode o contrato social ou a lei estabelecer que a administração da sociedade seja feita pelos sócios em conjunto nos termos do art. 1012 do CC/02). A teoria está positivada no Direito brasileiro. 1014 do CC/02) - Nos atos de competência conjunta de vários administradores. ou contra a economia popular. II. em todas as transações negociais. neste caso. a qualquer tempo. *Crítica: na maioria das vezes. por meio de seu órgão deliberativo. 6. o acesso a cargos públicos. enquanto perdurarem os efeitos da condenação.provando-se que era conhecida do terceiro. torna-se necessário o concurso de todos.015 às sociedades por ações. em operações evidentemente estranhas ao seu objeto social. é necessário que o administrador não se enquadre nas situações que constituíram situação de impedimento (ausência de legitimação): condenados a pena que vede. se o administrador celebra contrato assumindo obrigações. não constituindo objeto social. presume-se que houve excesso de poderes. *De acordo com o art. 1019 do CC/02). 1010 ou que certas decisões sejam tomadas em conjunto pelos sócios (Art. 158. II . devendo ser averbado no registro da sociedade sob pena de responder pessoal e solidariamente com a sociedade pelos atos praticados antes da averbação (Art. Lei n. ou por crime falimentar.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade (teoria ultra vires). contra as relações de consumo. Numa 213 . CC/02): Por essa teoria.

a circunstancia de esse comportar-se no exercício das suas atribuições. a sociedade responde perante os credores. Por outro lado. O administrador poderá ainda ser pessoalmente e ilimitadamente responsável pelos atos praticados com dolo. segundo a qual se o ato tiver aparência de validade.277). sendo assim. assim como todos os sócios devem arcar com os resultados negativos da empresa. que mais adequado seria se a sociedade ficasse obrigada pelo ato do administrador. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E NAS PERDAS: a cláusula que exclua o(s) sócio(s) de participar dos lucros e das perdas é NULA. ou seja. Tal entendimento não viola a ordem jurídica. não tendo agido como dolo ou culpa. 1015 do CC/02. TEORIA DA APARÊNCIA TEORIA “ULTRA VIRES” Excesso de poder com aparência de Excesso de poder. deve-se interpretá-lo como requisito comum a ser conjugado com os incisos II e III do parágrafo único do art.interpretação literal. 214 . se for probo.: a aplicação da “ultra vires” não se confunde com a desconsideração da personalidade jurídica. mas. contudo a previsão inserida no inciso I do parágrafo único do art. devendo ser tutelada a confiança e a boa-fé objetiva. como legítimo representante da sociedade. pois. o direito brasileiro vem adotando a teoria da aparência. na medida em que o negócio jurídico se encontra objetivado. Obs. 1015 do CC/02 se afigura problemática. mesmo que o administrador tenha exorbitado de seus poderes. porque não se insere nos usos e costumes dos negócios a realização de prévia pesquisa no registro público acerca das possíveis limitações aos poderes atribuídos aos administradores da sociedade. Deve imperar o jus fraternitatis. também a todos cabe uma parcela na distribuição dos lucros. 1016 do CC/02). * O STJ também entende que não se pode invocar a restrição do contrato social quando as garantias prestadas pelos sócios. não se aplica a desconsideração. é caso de responsabilidade civil. em proveito dos demais sócios da sociedade fiadora (REsp 704. o ato é válido. Registre-se. retornaram direta ou indiretamente. Nulo será a cláusula. não poderá ser prejudicado por eventual ato prejudicial à sociedade. responsabilizando-o regressivamente pelo ato praticado. bastando à presença de uma delas. Responsabilidade da sociedade que Responsabilidade direta do passa a ter ação regressiva contra o administrador (parágrafo único do artigo administrador (Segurança Jurídica) 1015 prevê as hipóteses de cabimento dessa responsabilidade). *Atendendo as críticas contra a teoria ultra vires. apesar do subscritor do negócio jurídico não possuir poderes estatutários para tanto. -  Os administradores têm responsabilidade pessoal e solidária perante sociedade e terceiros quando agirem com culpa no desempenho de suas funções (Art.546). é-lhe reservado o direito de regresso contra o administrador que exorbitou nos poderes. não o contrato. legalidade. as hipóteses seriam disjuntivas. contudo. e somente assim por que o permitiu a pessoa jurídica. sendo denominada de cláusula leonina (artigo 1008). Neste passo. muito embora extravasando os limites de gestão previstos contratualmente. atrai a responsabilidade da pessoa jurídica (REsp 887. Segundo o STJ.

 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS: solidária e ilimitada. 1010. 3) ter lealdade para com a sociedade. 2) participar dos resultados negativos da empresa. mas deva ser feita com anuência dos demais sócios (a sociedade simples pura é de pessoas. artigo 1031). Pode ser efetuada através do auxílio nas decisões sempre no interesse da sociedade (abster-se de atuar quando possuir interesse em conflito – Art. buscando o desenvolvimento da empresa. o cedente responde solidariamente com o cessionário pelo prazo de 02 anos. mesmo com a anuência dos demais sócios. 4) obedecer ao contrato ou estatuto social Direitos dos sócios: 1) participar dos lucros da sociedade. arcando com sua responsabilidade subsidiária limitada ou ilimitada.  QUÓRUM PARA ALTERAÇÃO CONTRATUAL 215 . conforme estipulado em contrato social ou estatuto social (Art. de acordo com o previsto no contrato. com ressarcimento do que ele integralizou ou  Redução da quota ao montante já realizado (PU do artigo 1004 do CC/02). à vista ou a prazo. O capital social sofrerá redução. § 3 º do CC/02).  CESSÃO DE COTAS: pode ser total ou parcial. 1004 do CC/02). 2) fiscalizar a administração bem como a escrituração 3) retirar-se da sociedade em determinadas condições estipuladas no contrato 4) exigir a prestação de contas dos administradores (art. se não o fizer ele será responsável pelo dano emergente da mora (artigo 1004).  DIREITOS E DEVERES GERAIS DOS SÓCIOS (variam de acordo com o tipo societário): Deveres dos sócios: 1) integralizar o capital social subscrito. Os demais sócios podem exigir do remisso:  Indenização pela mora ou  A sua exclusão da sociedade. Note-se que o registro também é requisito de validade da cessão. salvo se os demais sócios suprirem o valor da quota (§ 1°. O sócio remisso (não cumpriu seu dever de integralização de capital perante a sociedade e no prazo determinado no prazo previsto no contrato social) será notificado e no prazo de 30 dias deve cumprir sua obrigação contribuindo para o capital social. na qual existe uma forte affectio societatis entre os sócios). sob pena de não surtir efeitos perante os terceiros e a sociedade. 1020 do CC/02) 5) votar nas deliberações da sociedade segundo a sua participação societária 6) preferência na subscrição de cotas ou ações  QUÓRUM DA TOMADA DE DECISÕES: maioria absoluta.

27 Maioria absoluta significa a maioria absoluta do capital (§1°. O artigo 1031 dispõe que quando um sócio sai da sociedade recebe o valor da cota com base na situação patrimonial.  DISSOLUÇÃO – pode ocorrer judicial (quando os sócios não concordam com a dissolução ou quando ocorrer uma das hipóteses do artigo 1034) ou extrajudicialmente (artigo 1033). ao sair da sociedade. no prazo de 90 (noventa) dias subseqüentes à saída. Extrajudicial ou judicialmente (artigo 1033)  Vencido o prazo de duração. na sociedade de prazo indeterminado. O pagamento deverá ser efetuado em dinheiro. b. salvo se houver estipulação contratual em contrário. artigo 1031). apenas saída de sócios.  Concurso unânime dos sócios. art. a. - Matéria indicada no art. intransferível. a data da resolução. O sócio renomado. ou seja.  Deliberação dos sócios. existem sociedades com prazo determinado e outras com prazo indeterminado:  Indeterminado – o sócio pode sair a qualquer tempo. se comprovar judicialmente a justa causa. não pode ficar eternamente vinculado. O contrato e a lei podem estabelecer outras formas de saída. por maioria absoluta. Isso porque o renome é atributo personalíssimo.  Determinado – como existe prazo mínimo especificado. Nos 30 dias seguintes à saída do sócio. 997 (cláusulas contratuais): dependem do consentimento de todos os sócios. se o contrato não determinar a necessidade de deliberação unânime. O artigo 1029 elenca os casos de resolução. o sócio somente poderá sair antes do prazo. 1010 do CC/02). - Falta grave no cumprimento de suas funções sociais ou por incapacidade superveniente e exclusão de sócio remisso: maioria absoluta (Enunciado 216. CJF). RESOLUÇÃO DA SOCIEDADE EM RELAÇÃO AO SÓCIO – pode ser chamada de dissolução parcial. leva consigo todos os benefícios que tal circunstância traz (informativo 498 do STJ). não entrar a sociedade em liquidação. mas. podem os demais optar pela dissolução da sociedade. Judicialmente – a sociedade pode ser requerimento de qualquer dos sócios quando: dissolvida judicialmente a  Anulada a sua constituição. e não é passível de indenização a título de fundo de comércio. Mediante notificação com antecedência mínima de 60 dias. ao acordo e ao contrato está reservado o direito de estipulação de outras regras para o pagamento relacionadas a bens e prazos (§2°. fora do comércio. aos demais sócios. vencido este e sem oposição de sócio. não há extinção da sociedade. verificada em balanço especialmente levantado. - Demais cláusulas: podem ser decididas por maioria absoluta 27 de votos. 216 . Registre-se que a possível repercussão econômica do renome de um dos sócios não integra o cálculo na apuração de haveres em dissolução parcial de sociedade simples composta por profissionais liberais. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado. salvo se.  Exaurido o fim social ou verificada a sua inexequibilidade.

A administração da sociedade compete exclusivamente aos sócios. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros. 1044 do CC/02). 217 . antes de dissolver-se a sociedade. COMANDITADO – somente pessoas físicas. privativo dos que tenham os necessários poderes (artigo 1042). ilimitada e subsidiária (primeiro a sociedade e depois os sócios). também pela declaração de falência (art. Existem 02 tipos de sócios (artigo 1045): 1. pelas obrigações sociais. não reconstituída no prazo de 180 dias. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Não pode praticar atos de gestão (art. participar nas deliberações e ser constituído procurador da sociedade para negócio determinado e com poderes especiais. b. 1157. nos limites do contrato. 1050 do CC/02) Obs. Pode ser pessoa física ou jurídica. qualquer sócio pode ser gerente ou administrador. Somente esse tipo pode ser administrador e integrar a firma ou razão social da sociedade. 1043 do CC/02): a. O nome empresarial é a razão ou firma social (artigo 1041). A fonte subsidiária é a sociedade simples. na forma da lei. salvo disposição em contrário no contrato social (Art. A sociedade tiver sido prorrogada tacitamente.3.2. 2. Quorum de deliberação é o mesmo da sociedade simples. sociedade em nome coletivo É sociedade com responsabilidade solidária. 1033 do CC/02 (= a sociedade simples) e. Tenha ocorrido prorrogação contratual. poderá fazê-lo quando (art. O credor particular de sócio não pode. Sociedade em comandita simples Foi o primeiro tipo societário que trouxe responsabilidade mista para os sócios. contado da publicação do ato dilatório. sendo o uso da firma. Morrendo sócio comanditário. limitar entre si a responsabilidade (parágrafo único do artigo 1039). Sempre a responsabilidade dos sócios será subsidiária em relação à responsabilidade da sociedade. levantada no prazo de 90 dias. de autorização para funcionar.: 1. 2. se for empresária. mesmo se ela for empresária. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade respondendo todos os sócios. Pode fiscalizar a sociedade. solidária e ilimitadamente. PU do CC/02). sob pena de a sua responsabilidade tornar-se ilimitada (Art. 1047. A sociedade se dissolve pelas causas previstas no art. que designarão quem os representará. pretender a liquidação da quota do devedor.  A extinção. no ato constitutivo. foi acolhida judicialmente oposição do credor. PU do CC/02) e nem dar nome à sociedade. podem os sócios. 2. a sociedade continuará com os seus sucessores. COMANDITÁRIO – obrigados somente pelo valor de sua quota. ou por unanimidade em convenção posterior. A falta de pluralidade de sócios.

) II – quando por mais de cento e oitenta dias perdurar a falta de uma das categorias de sócios”. 4. 1091. 1046 c/c o Art. 2/3 do capital social. 2. os comanditários nomearão administrador provisório para praticar. 1045. Possuem dois tipos de SÓCIOS de acordo com a sua RESPONSABILIDADE: Acionista – responsabilidade limitada ao preço da emissão das ações subscritas.. no mínimo.2.. 1033 do CC/02 e da falência. não pode agravar a situação do diretor. mas somente o(s) sócio(s) comanditado(s) pode(m) integrar a firma ou razão social. 1092 do CC/02). (Art. PU do CC/02 manda identificar o comanditário e o comanditado). 1051. 5. O seu capital está dividido em ações. Admite-se a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços (Enunciado 206 do CJF). Arts. ou partes beneficiárias. Terceiro não pode ser administrador.4. respondendo de forma ilimitada e subsidiariamente. 280 da LSA). Sociedade cooperada É a pessoa jurídica criada por pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. Todos os sócios devem figuram no contrato social de forma discriminada (o Art. Aplicam-se subsidiariamente as normas da sociedade em nome coletivo. de proveito comum e sem objetivo de lucro (art.764/71). e só podem ser destituídos de seus cargos por voto de. É uma sociedade de capital e regida por estatuto (institucional) de responsabilidade mista. se esta for omissa. Ao contrário da sociedade anônima. 1091. 1040 do CC/02) 2. PU do CC/02: “Na falta de sócio comanditado. “dissolvese de pleno direito a sociedade: (. mudar o objeto essencial da sociedade. aumentar ou diminuir o capital social. 1090 do CC/02 e Art.”(Art. Isto é. 218 . Além das causas enumeradas no Art. sendo que os dispositivos legais são compatíveis entre si. 280 a 284). 3. (Art. criar debêntures. responsável pelas obrigações sociais contraídas sob sua administração. Pode adotar como nome empresarial tanto a firma composta somente pelo nome dos diretores quanto denominação indicativa do objeto social acompanhada da expressão “Comandita por ações”. Pode optar por firma ou denominação. Os diretores devem ser nomeados no estatuto social. serão solidariamente responsáveis pelas obrigações sociais (Art. Não pode ser administrador Diretor – responsável pela administração da sociedade. Se houver mais de um. durante o período referido no inciso II [180 dias] e sem assumir a condição de sócio. §1° do CC/02). 3º da Lei n. sem o consentimento dos diretores. as normas referentes à sociedade simples. Sociedade em comandita por ações Está prevista no CC/02 (artigo 1090 a 1092 do CC/02) e na Lei de Sociedade por ações (LSA. “A assembléia geral não pode. Destituído ou exonerado. os atos de administração” 5. Art. por extenso ou abreviadamente “C/A”. prorrogar-lhe o prazo de duração.5. regendo-se subsidiariamente pelas normas relativas à sociedade anônima (Art. §§ 3° e 4°do CC/02). sem limitação de tempo. o diretor continua. por 2 anos.

pode ser sócia de qualquer tipo societário e desenvolver atividade empresarial (Enunciado 207). ou dispensa do capital social. Rubens. Esta regra é específica deste tipo de sociedade.concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade. fundado no número de sócios presentes à reunião.São sociedades simples [por força de lei] sujeitas à inscrição nas juntas comerciais. II . 1. Não se submetem. A responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada (art. 27ª ed.764/71 28) e desde que compatível com sua natureza. cada sócio tem direito a um só voto nas deliberações sociais (Art. Curso. ainda que em caso de dissolução da sociedade. para a assembléia geral funcionar e deliberar. Curso. podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado. pois na sociedade simples a votação é tomada com base na participação no capital social. 1094.limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá tomar. São características da sociedade cooperativa (CC/02.) Cuida-se de uma sociedade de pessoas nos termos do Art.934/94. Art. 1. IV . 1159 do CC/02). sem limitação de número máximo. No que for omissa (tanto no Capítulo Específico como na Lei 5. 1. Uma característica interessante é. 1.variabilidade. sem prejuízo da regulamentação em legislação especial (Atualmente.094). Lei 5. 1. vol. O Código Civil permite cooperativa sem capital (REQUIÃO. mas ao de dissolução voluntária ou judicial e ao de insolvência civil (REQUIÃO. tenha ou não capital a sociedade. 1093 a 1096 do CC/02.direito de cada sócio a um só voto nas deliberações.094º.distribuição dos resultados. VI do CC/02).quorum. razão pela qual o atualizador do resumo preferiu pinçar os seus aspectos gerais contidos no Código Civil. entretanto. proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade.indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios. e não no capital social representado. e qualquer que seja o valor de sua participação. Nada obstante a sua natureza de sociedade simples. 1095). aplica-se a legislação da sociedade simples (Art. ainda que por herança. V . 27ª ed. independentemente de sua participação ou não no capital da cooperativa. IV do CC/02.764/71). 32). Rubens. III . denominação seguida da palavra A sociedade cooperativa está prevista no Arts. Art. VI . As cooperativas adotam “cooperativa” (Art. VIII . VII . vol. ao regime de falência. 219 . (Lei 8.094): I .) 28 A lei especial que versa sobre cooperativas é enorme (dispõe de mais de 100 artigos).intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade.

No caso. esteja em poder de outra. segundo o balanço.099.a sociedade cujo controle. excluída a reserva legal. a sociedade não poderá exercer o direito de voto correspondente às ações ou quotas em excesso. por montante superior. ou de simples  Art. praticados entre a cooperativa e seus associados. 1. II . 1. Aprovado o balanço em que se verifique ter sido excedido esse limite. sem controlá-la. os negócios entabulados pela cooperativa assumem duas naturezas distintas: (a) atos cooperativos.OBS: Serviço de segurança não pode ser prestado através de cooperativa. mesmo no caso da cooperativa de prestação de serviços. 5.100. entre eles e aquelas e pelas cooperativas entre si. Outro traço importando dessa espécie de sociedade é de que não há relação de emprego entre o cooperado e a cooperativa. que estabelece normas para a constituição e funcionamento de empresas que exploram serviços de vigilância exige a relação de emprego para a prestação de serviço de vigilância (RESP 506. a sociedade não pode participar de outra. quando associadas.  Art. Sociedades coligadas Quando uma sociedade possui participação societária em uma outra.  Do ato cooperativo: nos termos do art. 2. praticados pela cooperativa com terceiros. dá-se o nome de sociedades coligadas (gênero) que podem abranger relação de controladas.  Art.097. É de simples participação a sociedade de cujo capital outra sociedade possua menos de dez por cento do capital com direito de voto. Diz-se coligada ou filiada a sociedade de cujo capital outra sociedade participa com dez por cento ou mais.a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores.  Art. na forma dos artigos seguintes. Parágrafo único. CAPÍTULO VIII – Das Sociedades CoLigadas  CC/02. 1. As sociedades podem manter ligações entre si sem que uma delas seja matriz e a outra filial. as quais devem ser alienadas nos cento e oitenta dias seguintes àquela aprovação. referido no inciso antecedente. filiadas. bem como entre o cooperado e o contratante dos serviços da cooperativa. pois a Lei 7. do capital da outra. (b) atos não-cooperativos. o ato cooperativo não constitui operação de mercado. Consideram-se coligadas as sociedades que. 1. filiadas ou coligadas e simples participação.764/71. 220 . É controlada: I . são controladas. 79 da Lei n.102/83.6.098. participação. Art. em suas relações de capital. nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.117/RS). que seja sua sócia.101. 1. mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. ao das próprias reservas. Salvo disposição especial de lei.

Estas regras não se aplicam a sociedade anônimas e comandita por ações
(ambas sociedades institucionais) que são regidas por normas especiais previstas na
Lei 6404/76.
Os conceitos de sociedade controlada e coligada são idênticos àqueles previstos
na LSA.
No CDC, art. 28 e §§:

§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades
controladas, são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes
deste código.
§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas
obrigações decorrentes deste código.
§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.

221

CONSÓRCIO
A figura do consórcio está prevista na Lei 6.404/1976, que regula as
SOCIEDADES POR AÇÕES.
As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou
não,
podem
constituir
consórcio
para
executar
determinados
empreendimentos (artigo 278). Dessa união de esforços empresariais não
resulta nova pessoa jurídica. as consorciadas respondem pelas
obrigações especificadas no instrumento de consórcio, já que este não tem
personalidade jurídica própria. Não há, por outro lado, solidariedade
presumida entre elas, exceto nas obrigações relacionadas com os
direitos do consumidor (CDC, art. 28, § 3 o.) e nas licitações (Lei
8.666/93, art. 33, V).
Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato
aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a
alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão:
I - a designação do consórcio se houver;
II - o empreendimento que constitua o objeto do consórcio;
III - a duração, endereço e foro;
IV - a definição das obrigações e responsabilidade de cada
sociedade consorciada, e das prestações específicas;
V - normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados;
VI - normas sobre administração do consórcio, contabilização,
representação
das
sociedades
consorciadas
e
taxa
de
administração, se houver;
VII - forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum,
com o número de votos que cabe a cada consorciado;
VIII - contribuição de cada consorciado para as despesas comuns,
se houver.
Parágrafo único. O CONTRATO DE CONSÓRCIO e suas alterações
serão ARQUIVADOS no Registro do Comércio do lugar da sua sede,
devendo a certidão do arquivamento ser publicada.
Já a Lei 8666/93 (regula as licitações) afirma que:
 Artigo 33. Quando permitida na licitação a participação de
empresas em consórcio, observar-se-ão as seguintes normas:
I – comprovação do compromisso público ou particular de
constituição de consórcio, subscrito pelos consorciados.
§ 2o. O licitante vencedor fica obrigado a promover, antes da
celebração do contrato, a constituição e o registro do consórcio,
nos termos do compromisso do inciso I deste artigo.
4.2.7 EIRELI

222

Atendendo aos reclamos antigos da doutrina comercialista e do meio
empresarial, o legislador brasileiro finalmente criou a figura da “empresa individual
de responsabilidade limitada”, por meio da Lei 12.441/2011.
Como nova espécie de pessoa jurídica incluísa no rol do art. 44 do CC, a EIRELI
tem personalidade distinta da pessoa que concentra a totalidade de seu capital.
Personalidade essa que faz plenamente compreensível a opção do legislador em
limitar a responsabilidade pelo pagamento de dívidas contraídas em nome dessa
empresa ao capital integralizado, cujo valor mínimo foi fixado em 100 (cem) salários
mínimos.
A fixação desse piso pecuniário motivou questionamento deduzido perante o
Supremo Tribunal Federal, sob a forma de ação direta de inconstitucionalidade (ADI n.
4.637, com pedido de liminar ainda não apreciado), ajuizada por partido político que
apontou ofensa ao princípio da livre iniciativa econômica – fruto de discrímen
desarrazoado em detrimento dos pequenos empresários – e ao dispositivo da Lei
Fundamental que veda a vinculação do salário mínimo “para qualquer fim” (CF/1988,
art. 7º, IV). A questão ainda não foi decidida.
Segundo Andre Luiz Ramos, a lei foi mal redigida, pois o legislador deveria ter
optado por duas figuras jurídicas: (i) o empresário individual de responsabilidade
limitada; ou (ii) a sociedade limitada unipessoal. O legislador, contudo, utilizou
nomenclatura atécnica, confundindo a empresa (atividade econômica organizada)
com o empresário (pessoa que exerce atividade econômica organizada). Outro
equívoco que o legislador cometeu, segundo o autor, foi criar um novo tipo de pessoa
jurídica. Se o intuito dele era criar um empresário individual de responsabilidade
limitada, não precisava tê-lo colocado no rol de pessoas jurídicas de direito privado do
art. 44 do CC, pois o empresário individual pode perfeitamente ser uma pessoa física,
e a limitação de sua responsabilidade seria feita através da constituição de um
patrimônio especial, formados pelos bens e dívidas afetados ao serviço de sua
atividade econômica. Em contrapartida, se o intuito era criar uma pessoa jurídica
constituída apenas por apenas uma pessoa, também era desnecessário acrescentar
uma nova espécie de pessoa jurídica no rol do art. 44 do CC. Nesse caso, era só
permitir que a sociedade limitada pudesse ser constituída por apenas um sócio.
Ainda assim, a instituição da “EIRELI” trouxe perspectiva alvissareira para o
mundo dos negócios: a de não mais ser preciso recorrer ao artifício de atribuir a um
sócio quota(s) de valor ínfimo, simbólico por assim dizer, tão apenas para evitar que o
empreendedor de fato, o que alocou a totalidade ou a esmagadora maioria dos
investimentos, venha a ser responsabilizado em grau ilimitado pelo adimplemento do
passivo de sua empresa. Isso não significa, por óbvio, caminho livre e irrestrito para a
perpetração de abuso da personalidade jurídica, haja vista ser aplicável para coibir
distorções dessa natureza a medida incidental de desconsideração da pessoa jurídica.
Por fim, eis uma polêmica suscitada tão logo veio a lume a lei instituidora da
“EIRELI”: prestigiosa corrente doutrinária, retratada no Enunciado n. 468 da V Jornada
de Direito Civil, e que conta atualmente com o apoio do Departamento Nacional de
Registro do Comércio (DNRC), preconiza somente poder figurar, como titular da
totalidade do capital de uma “EIRELI”, pessoa natural.
Em contraponto a essa linha de interpretação, alega-se que a lei empregou
somente o vocábulo “pessoa” na redação do caput do art. 980-A do Código Civil
(incluído pela Lei n. 12.441/2010), nada especificando quanto à categoria (se natural
ou se jurídica). Razão por que não seria dado ao intérprete estabelecer distinção onde
a lei não distingue. Ainda conforme essa ótica, a referência à expressão “pessoa
natural”, feita pelo § 2º do art. 980-A do Código Civil, cingiu-se a assentar que um
indivíduo não pode ser titular de mais de uma “EIRELI”.
223

A seguir, transcreve-se alguns dispositivos sobre o novo ente jurídico do direito
brasileiro:

DA EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será
constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social,
devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior
salário-mínimo vigente no País.
§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão
"EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de
responsabilidade limitada.
§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade
limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade.
§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá
resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único
sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração.
§ 4º ( VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)
§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada
constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração
decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome,
marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à
atividade profissional.
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que
couber, as regras previstas para as sociedades limitadas.

3. Liquidação.
Ocorrida a dissolução por qualquer motivo (Arts. 1033 e 1034 do CC/02), operase-á a liquidação da sociedade. A pessoa jurídica não se extingue imediatamente,
permanecendo a sua personalidade até que ocorra a sua conclusão. As normas
previstas no art. 1.102 a 1.112 aplicam-se as sociedades simples e empresárias e as
demais pessoas jurídicas de direito privado.
 CC/02, Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a
autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de
liquidação, até que esta se conclua.
§ 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação
de sua dissolução.
§ 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que
couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado.
224

§ 3o Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da
pessoa jurídica
Esquematicamente, podemos dividi-la em:
- Liquidação – Os sócios deverão providenciar, imediatamente, a investidura
do liquidante que pode ser terceiro estranho à sociedade e restringir a gestão da
sociedade aos negócios inadiáveis, vedadas novas operações, pelas quais
responderão solidária e ilimitadamente. Se não estiver designado no contrato social, o
liquidante será eleito por deliberação dos sócios, podendo a escolha recair em
pessoa estranha à sociedade.
Se for terceiro, o liquidante deverá providenciar a averbação29 de sua
nomeação e, em qualquer caso, situação da sociedade a margem de seu registro. O
liquidante representa a sociedade e não mais o administrador. A sua responsabilidade
será a mesma do administrador (Arts. 1104 e 1105 do CC/02)
Em todos os atos, documentos ou publicações, o liquidante empregará a firma
ou denominação social sempre seguida da cláusula “em liquidação” e de sua
assinatura individual, com a declaração de sua qualidade. (Art. 1103, Parágrafo
único do CC/02).
Durante a liquidação, que poderá ser judicial ou extrajudicial, a
personalidade jurídica da sociedade fica restrita a prática dos atos necessários à sua
dissolução, tais como realização do ativo e pagamento do passivo, bem como ao
cumprimento das obrigações sociais restantes. Nesta fase, o liquidante praticará a
realização do ativo (venda de todos os bens materiais e imateriais pertencentes a
sociedade) e pagamento do passivo (credores da sociedade) com os valores obtidos.
Respeitados os direitos dos credores preferenciais, como trabalhistas e fiscais,
o liquidante pagará, proporcionalmente e sem distinção, as dívidas vencidas e
vincendas, estas últimas sem descontos.
 CC/02, Art. 1102 (omissis), Parágrafo único. O liquidante, que não seja
administrador da sociedade, investir-se-á nas funções, averbada a sua
nomeação no registro próprio.
 CC/02, Art. 1.103. Constituem deveres do liquidante: (...) IV - ultimar os
negócios da sociedade, realizar o ativo, pagar o passivo e partilhar o
remanescente entre os sócios ou acionistas;
 CC/02, Art. 1.105. Compete ao liquidante representar a sociedade e
praticar todos os atos necessários à sua liquidação, inclusive alienar bens
móveis ou imóveis, transigir, receber e dar quitação.
Parágrafo único. Sem estar expressamente autorizado pelo contrato
social, ou pelo voto da maioria dos sócios, não pode o liquidante gravar
de ônus reais os móveis e imóveis, contrair empréstimos, salvo
quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis, nem
prosseguir, embora para facilitar a liquidação, na atividade social.
 CC/02, Art. 1.106. Respeitados os direitos dos credores preferenciais,
pagará o liquidante as dívidas sociais proporcionalmente, sem distinção entre
vencidas e vincendas, mas, em relação a estas, com desconto.
- Partilha – Pago todo o passivo, o restante será partilhado entre os sócios, na
proporção das cotas de cada um, salvo estipulação em contrário.
29

A averbação é uma espécie de arquivamento e corresponde à anotação de nova situação
contratual feita à margem do registro originário.

225

resolvendo sumariamente as questões suscitadas. Transformação. da incorporação. . Operações societárias são mutações no tipo ou na estrutura da sociedade empresária. 226 . quando: I . No caso de liquidação judicial.111.  CC/02.  CC/02. aplicam-se as regras previstas no Código Civil.  CC/02.033 [extinção da autorização para funcionar]. em cópia autêntica. Compreendem a transformação. a cisão não foi regulada expressamente. A sociedade pode ser dissolvida judicialmente. se necessário. 1. e a propor contra o liquidante ação de perdas e danos.exaurido o fim social. a autoridade competente para conceder a autorização nomeará interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante.Prestação de contas – Partilhado o remanescente. II . Ocorrendo a hipótese prevista no inciso V do art. Caso o Ministério Público não promova a liquidação judicial da sociedade nos quinze dias subseqüentes ao recebimento da comunicação. Art. 1. Art. incorporação. o liquidante convocará assembléia de sócios para a prestação de suas contas. Incorporação. As atas das assembléias serão. Encerrada a liquidação. ou verificada a sua inexeqüibilidade. e as presidirá. vale citar os seguintes artigos:  CC/02. Do contrário.Cancelamento – aqui definitivamente ocorre a extinção da pessoa jurídica mediante averbação no registro da sociedade. promoverá a liquidação judicial da sociedade. reunião ou assembléia para deliberar sobre os interesses da liquidação. tão logo lhe comunique a autoridade competente. aplicando-se a disciplina prevista na Lei 6. o juiz convocará. [faculdade do magistrado]  Parágrafo único.037. ou se o sócio não houver exercido a faculdade assegurada no parágrafo único do artigo antecedente. se os administradores não o tiverem feito nos trinta dias seguintes à perda da autorização. 1. Art. fusão e cisão.110. 1. Art. 220 a 234). Fusão. o credor não satisfeito só terá direito a exigir dos sócios.. será observado o disposto na lei processual.034. No curso de liquidação judicial. o Ministério Público.112. Cisão.404/76. a requerimento de qualquer dos sócios. Embora prevista no Título do Capítulo X do CC/02 (“Da Transformação. 1. da fusão e da cisão das sociedades). 1. até o limite da soma por eles recebida em partilha. individualmente. apensadas ao processo judicial. o pagamento do seu crédito.anulada a sua constituição. 4. Em relação a liquidação judicial. Art. Parágrafo único.  CC/02. Se essas operações envolverem uma sociedade institucional (anônima ou comandita por ações) seguem a disciplina prevista na LSA (arts.

que tenha de ser incorporada. Em regra. a eles estariam sujeitos.116. é facultativa a elaboração de protocolo firmado pelos sócios ou administradores das sociedades. de uma S/A para LTDA ou vice-versa. autorizará os administradores a praticar o necessário à incorporação. Art. 30 Presume-se posição dominante sempre que uma empresa ou grupo de empresas for capaz de alterar unilateral ou coordenadamente as condições de mercado ou quando controlar 20% (vinte por cento) ou mais do mercado relevante. porém. bem como o plano de distribuição do capital social. vale dizer. que a ela sucederá em direitos e obrigações.  FUSÃO – ocorre quando duas ou mais sociedades se fundem para formar uma NOVA sociedade. 1. se o pedirem os titulares de créditos anteriores à transformação. A fusão será decidida. Também há transformação caso haja alteração de aberta para fechada ou vice-versa. § 2o A deliberação dos sócios da sociedade incorporadora compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação do patrimônio líquido da sociedade. e promoverá a respectiva averbação no registro próprio.  CC/02. submetida ao regime do novo tipo adotado. 1. caso em que o sócio dissidente terá o direito de retirada ou recesso da sociedade.117. já que permanece a mesma pessoa jurídica. podendo este percentual ser alterado pelo Cade para setores específicos da economia. Aprovados os atos da incorporação. 1. Se houver concentração de mercado. haverá apreciação do CADE (art. deliberada a fusão e aprovado o projeto do ato constitutivo da nova sociedade. Não há qualquer prejuízo ao direito dos sócios. 1.120: Nas fusões e incorporações entre sociedades reguladas pelo Código Civil. §2º 12. 1. a obrigatoriedade do protocolo e da justificação somente a ela se aplica.117 e 1.  CC/02. serão nomeados os peritos para a avaliação do patrimônio da sociedade. 227 . haverá apreciação de CADE (Vide Enunciado 232 do CJF)  CC/02. salvo se for previsto no ato constitutivo. Art.529/11 30). § 1o A sociedade que houver de ser incorporada tomará conhecimento desse ato. e somente a estes beneficiará.  INCORPORAÇÃO – uma ou mais sociedades desaparecem para integrar uma sociedade que já existente.118. Não ocorre a dissolução ou liquidação da sociedade (extinção) . § 1o Em reunião ou assembléia dos sócios de cada sociedade. no tipo anterior.  Enunciado 232 do CJF – Arts. Se gerar concentração de mercado. pelas sociedades que pretendam unir-se. e. inclusive a subscrição em bens pelo valor da diferença que se verificar entre o ativo e o passivo. uma sociedade (incorporada) é absorvida pela outra (incorporadora). ou seja. depende do consentimento de todos os sócios. Art. na forma estabelecida para os respectivos tipos. A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as bases da operação e o projeto de reforma do ato constitutivo. 36. A falência da sociedade transformada somente produzirá efeitos em relação aos sócios que. se o aprovar. havendo sociedade anônima ou comandita por ações envolvida na operação.120. a incorporadora declarará extinta a incorporada. TRANSFORMAÇÃO – ocorre quando há mudança de tipo societário.

1. prosseguindo a ação de cobrança. os atos relativos à fusão. Se for total. Sociedades dependentes de autorização. o art.123. fica obstada a pretensão anulatória. qualquer credor anterior poderá se opor à estipulação. Sendo ilíquida a dívida. mas. constituídas para esse fim ou já existentes. Constituída a nova sociedade. a sociedade desaparece formando duas ou mais sociedades. Art. Trata-se de um prazo decadencial.  CC/02. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da primeira anteriores à cisão. Como estas três últimas operações societárias podem prejudicar os direitos dos credores. 6404/76. 1122 do CC/02 assegura aos credores o direito de pedir a anulação destes atos no prazo de até 90 dias. suspendendo-se o processo de anulação. aos administradores incumbe fazer inscrever. Parágrafo único. A sociedade que dependa de autorização do Poder Executivo para funcionar reger-se-á por este título. § 3o É vedado aos sócios votar o laudo de avaliação do patrimônio da sociedade de que façam parte. pois a sociedade pode reputar a dívida indevida. da sociedade nova ou da cindida.121. CAPÍTULO XI – Da Sociedade Dependente de Autorização Seção I – Disposições Gerais Art. Na cisão com extinção da companhia cindida. 1. nesse caso.  CISÃO – operação pela qual a sociedade transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades. 228 . os administradores convocarão reunião ou assembléia dos sócios para tomar conhecimento deles. as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da companhia extinta. no prazo deste artigo.§ 2o Apresentados os laudos. O ato de cisão parcial poderá estipular que as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações que lhes forem transferidas.494/76. sem solidariedade entre si ou com a companhia cindida. Ocorrendo. sem prejuízo do disposto em lei especial. no registro próprio da sede. em relação ao seu crédito. a sociedade continua existindo. a sociedade poderá garantir-lhe a execução. para o fim de serem os créditos pagos pelos bens das respectivas massas. qualquer credor anterior terá direito a pedir a separação dos patrimônios. Se for parcial. a falência da sociedade incorporadora. mas. Caso a sociedade deposite o seu valor (consignação em pagamento) ou garanta a sua execução. 5. Observação: nas sociedades regidas pela Lei n. o prazo para a anulação dessas operações societárias é de 60 dias. desde que notifique a sociedade no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data da publicação dos atos da cisão. Art. podendo ocorrer ou não a sua extinção. 233. parte dela ou se incorpora à outra sociedade que já existe ou forma uma nova sociedade.  Lei 6. decidindo sobre a constituição definitiva da nova sociedade.

134.º 2. todavia. Qualquer modificação no contrato ou no estatuto dependerá da aprovação do Poder Executivo. 229 . Art. A sociedade estrangeira autorizada a funcionar ficará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros. 1.Art. A sociedade estrangeira. Na falta de prazo estipulado em lei ou em ato do poder público. funcionar no País. podendo. ainda que por estabelecimentos subordinados. não pode. permanentemente. al. qualquer que seja o seu objeto. 1. ser acionista de sociedade anônima brasileira.656/98 com alterações da MP n. A competência para a autorização será sempre do Poder Executivo federal.137.Parágrafo único. 1. 1. Sociedades seguradoras (autorizada pela SUSEP – Art. Ao Poder Executivo é facultado. O representante somente pode agir perante terceiros depois de arquivado e averbado o instrumento de sua nomeação. 10. necessita de autorização: Operadora de Plano de Assistência à Saúde (autorizada pela ANS – Art. Instituição financeira (autorizada pelo Banco Central . Art. ressalvados os casos expressos em lei. Art. 1. a qualquer tempo. com poderes para resolver quaisquer questões e receber citação judicial pela sociedade. podendo acrescentar as palavras "do Brasil" ou "para o Brasil". 1. será considerada caduca a autorização se a sociedade não entrar em funcionamento nos doze meses seguintes à respectiva publicação. “a” do DL 73/66) Art. para produzir efeitos no território nacional. representante no Brasil. de 2001)).124.  Além da sociedade estrangeira (Art. A sociedade estrangeira funcionará no território nacional com o nome que tiver em seu país de origem. Seção III – Da Sociedade Estrangeira Art. sem autorização do Poder Executivo.139. Parágrafo único. quanto aos atos ou operações praticados no Brasil. 8º da Lei 9. A sociedade estrangeira autorizada a funcionar é obrigada a ter.138.134 do CC/02). Parágrafo único.177-44. cassar a autorização concedida a sociedade nacional ou estrangeira que infringir disposição de ordem pública ou praticar atos contrários aos fins declarados no seu estatuto. 1. Art. X da Lei 4595/64).125. 36.

8º. assumiu as atribuições da antiga Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE). favorecendo a livre concorrência e acautelando-se contra os monopólios e as situações monopolísticas (v. com remuneração. passou a ser composto pelos: a. explicitamente. a Superintendência poderá propor acordo que altere os termos da união empresarial. não coincidentes. foi absorvida pelo CADE. Tal atribuição. o SBDC passou a ser estruturado apenas pelo CADE e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda SEAE. São.g.529): Foi excluída a previsão de que o CADE poderia requerer ao MPF que promovesse a execução de seus julgados ou do compromisso de cessação (parágrafo único do art. que. o papel de advocacia da concorrência. devendo a lei conter os meio necessários para se adaptar à realidade multifacetária e cambiante. Os termos do acordo serão analisados pelo Tribunal. vedada a recondução.. 4ª à 18 da Lei nº12. Com a nova lei. ou danos derivados de concentrações empresariais.529/2011. pela nova Lei. Também foi criado.A Superintendência-Geral. um “período de quarentena” de 120 dias para o Presidente e os Conselheiros. III. Departamento de Estudos Econômicos – municia o tribunal e a Superintendência de estudos na área econômica. por sua vez.529/2012. cartéis). Visa prevenir e reprimir as hipóteses de abuso de poder econômico. poderes para iniciar processos e conduzir investigações. Lei Antitruste CONCEITO DE ANTITRUSTE: é uma técnica de que lança mão o Estado contemporâneo para implementação de políticas públicas. 2) Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda SEAE – Com a nova lei. sua estrutura teve algumas modificações. configuraria o delito de advocacia administrativa. b. no que tange à defesa da concorrência. deixou de elaborar pareceres em análise de atos de concentração econômica e passa a adotar. mediante a repressão ao abuso de poder econômico e a tutela da livre concorrência. 12. ESTRUTURA DO SISTEMA BRASILEIRO DE DEFESA DA CONCORRÊNCIA (SBDC): Com o advento da Lei nº12.L. da Lei 12. a fim de colher provas de condutas e efeitos caracterizadores de infração à ordem econômica. Tribunal Administrativo de Defesa Econômica . é da Procuradoria Federal especializada que funcionará junto ao CADE (art. 1) CADE – O Cade é entidade judicante com jurisdição em todo o território nacional. A da Secretaria de Direito Econômico (SDE). da Lei 8. que são as de julgar os processos administrativos de infração à ordem econômica e de análise de atos de concentração econômica. As infrações não possuem uma pré-definição unívoca. com ampla possibilidade de opinar sobre aspectos concorrenciais de normas e políticas em vigor. Superintendência-Geral . que se constitui em autarquia federal. em regra.884/94).529/2011). Direito Econômico e Proteção ao Consumidor (IGUAL AOS PONTOS 09 E 15) 1. 20 lei 12. Papel mais destacado foi conferido à Superintendência no tocante à análise de atos de concentração econômica: enquanto a Secretaria de Direito Econômico apenas confecciona parecer não vinculante. FINALIDADES: 1) controle das estruturas de mercado (atuação preventiva): visa controlar os atos empresariais que possam vir a representar concentração e domínio de mercados (como as 230 . em especial no que envolve as atribuições das agências reguladoras. sendo necessária mobilidade e flexibilidade. no art. a fim de que seja aprovada.O Plenário do Tribunal assumiu as antigas atribuições do Plenário do CADE. se violado. antes integrante da estrutura. Com a nova Lei. 15. c. regulado pelos arts. o mandado do Presidente e dos Conselheiros foi aumentado para 4 anos. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL JUNTO AO CADE (art.

estabelecimento. sucursal. Art. o SBDC visa proteger a concorrência. O objetivo das regras concorrenciais é impedir o sucesso dos agentes econômicos decorra de práticas de abuso de poder ou de atos de deslealdade. mas integrantes da mesma cadeia produtiva). Mesmo nos cartéis de exportação. escritório. O Brasil adotou os critérios da territorialidade e o dos efeitos. Além disso. o que importar para a aplicação da lei é o local onde surge os efeitos. Normalmente. podendo ceder a outros interesses tidos por superiores num dado momento histórico. 1º não esgotam os demais princípios pelos quais o SBDC deve se pautar. § 2o A empresa estrangeira será notificada e intimada de todos os atos processuais previstos nesta Lei. sucursal. sem prejuízo de convenções e tratados de que seja signatário o Brasil. § 1o Reputa-se domiciliada no território nacional a empresa estrangeira que opere ou tenha no Brasil filial. As normas antitruste têm nítido caráter instrumental. 1. 3) promoção da cultura da concorrência: divulgação dos efeitos benéficos da livre concorrência no bem-estar da sociedade. Disciplina jurídica da concorrência empresarial SISTEMA DE LEGISLAÇÃO ANTITRUSTE: 1) Sistema Americano (ou de concorrência-fim ou de concorrência-condição): basta o mero acordo para ficar caracterizado o ilícito. não raro. Pela titularidade da coletividade. livre concorrência. 2) Repressão a condutas anticompetitivas: como a prática de cartel. ausente efeitos perniciosos na economia brasileira. e não um dado concorrente. Parágrafo único. 2) critério dos efeitos (o que importa aqui não é o domicílio dos partícipes na conduta lesiva. 2) Sistema Europeu (de concorrência-meio ou de concorrência-instrumental): à luz da regra-da-razão (ver conceituação mais abaixo). Na prática. estabelecimento ou escritório instalado no Brasil. agência. agência. A coletividade é a titular dos bens jurídicos protegidos por esta Lei.fusões e incorporações). 1. às práticas cometidas no todo ou em parte no território nacional ou que nele produzam ou possam produzir efeitos. não haveria razão para atuação do CADE. é possível a concentração de mercado desde que os benefícios sociais compensem as perdas. a coletividade como um todo é atingida. O desenvolvimento econômico pressupõe um adequado ambiente jurídico-institucional. agente ou representante. 231 . 2o Aplica-se esta Lei.mas sim onde está localizado o mercado relevante atingido). pois. na pessoa do agente ou representante ou pessoa responsável por sua filial. função social da propriedade.2. 3) critério da nacionalidade (aplica-se a lei da sede da empresa ou da nacionalidade da pessoa física. independentemente de procuração ou de disposição contratual ou estatutária. Nas infrações contra a ordem econômica. Os princípios referidos no art. orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa. Princípios Art. os critérios para determinação da legislação aplicável são os seguintes: 1) territorialidade (o Estado exerce jurisdição para os atos realizados no seu território). servindo de implementação de políticas públicas. defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. 1o Esta Lei estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência . O art. são impostas barreiras a entrada de novos participantes no território nacional. 2º trata do princípio da territorialidade objetiva.SBDC e dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica.1. sejam elas as concentrações horizontais (que envolvem agentes competidores entre si) ou verticais (que envolvem agentes não competidores. regras transparentes e harmonizadas que incentivem a competição atraem investimentos. mas não o da nacionalidade. A livre-concorrência é um princípio intangível.

36 caput para a caracterização da infração. dada a inesgotabilidade das possibilidades das condutas lesivas à ordem econômica. mas não está ligada 232 . possa ser socialmente benéfica pelos ganhos de escala daí decorrentes. não houveram substanciais modificações. XXIV.3. constituindo as condutas do §3º do mesmo artigo rol meramente exemplificativo. que pode ser horizontal ou vertical. A regra da razão. o funcionamento dos mercados. 36 §3º. XIX). não sendo necessários danos reais. Norteia-se pelas condutas básicas descritas no art. 1. parágrafos 2º.g.1.. bem como a supressão. necessitando análise do caso concreto com fundamento na regra da razão. atua prejudicanto a concorrência. enunciando o §2º do art. O ato é confrontado com seus efeitos futuros em seu respectivo mercado relevante. o exercício e a exploração abusiva de direitos de propriedade industrial. que encontravam-se no art. resultante da eficiência do agente.a médio e longo prazo. 20. intelectual.884/94.. objetivando a exclusão dos demais competidores. Basta a mera potencialidade dos efeitos descritos no art. da Lei nº 8. ou aumentar sem justa causa o preço de bem ou serviço ”. a possibilidade de ocorrência dos efeitos descritos no caput. 1. quando dois fornecedores celebram “contrato de troca de informações” com o intuito de ocultar ação concertada sobre os preços praticados. Abuso do poder econômico O inc. Por abuso de poder econômico. não caracteriza a conduta em comento (Art. A estes últimos dá-se o nome de colusão. entende-se todo ato de agente econômico que. 3º e 4 º da Lei 8.884/94. A conduta prejudicar dá espaço à tipificação aberta. As condutas do art. teve redação melhorada. Falsear significa ocultar a prática restritiva (v. I do art. III visa evitar extração indevida da renda dos consumidores e consequente empobrecimento destes – assim como a redução do consumo . 36 trata das condutas que visam limitar o ingresso ou permanência de concorrentes num dado mercado. econômico ou financeiro. Infrações contra a ordem econômica INFRAÇÕES CONTRA A ORDEM ECONÔMICA: Com a Lei nº 12. que também se aplica aos atos de concentração. podendo este percentual ser alterado pelo Cade para setores específicos da economia. 36 que “Presume-se posição dominante sempre que uma empresa ou grupo de empresas for capaz de alterar unilateral ou coordenadamente as condições de mercado ou quando controlar 20% (vinte por cento) ou mais do mercado relevante. pode ser que um ato de concentração de uma industria nacional. A conquista na natural do mercado. Ressalte-se que a ocorrência da infração independe de culpa do infrator. 36. o caráter abusivo de tais condutas não decorre per se. determina que devem ser analisados os efeitos líquidos de ganhos vs.529. a um mesmo centro decisório. §1º). consistindo em qualquer conduta empresarial lesiva às estruturas do mercado. ainda. inc. aumentando arbitrariamente os lucros. por meio de atuação monopolista ou tendente a esta. 21. para que sejam caracterizadas como infrações. As definições de posição dominante e mercado relevante. II visa reprimir a imposição arbitrária de um agente econômico sobre os demais que atuem no mesmo nicho. Também pode haver infrações decorrentes de concentrações (de fato ou de direito) quanto os agentes passam a submeter-se a uma mesma direção. §3º. No entanto. como infração. tecnológica ou marca (art. 36. ex. Arbitrário é o lucro que não se justifica sob o ponto de vista tecnológico. As infrações podem decorrer de condutas unilaterais de um determinado agente ou de ajustes entre dois ou mais agentes da cadeia de circulação/produção. Concorrência ilícita e desleal O inc.” O inc. ou. da conduta de “impor preços excessivos.529/2011. anteriormente prevista no art.6. valendo-se de sua condição de superioridade econômica. exceto quanto a inclusão no rol de condutas que se caracterizam como infração da ordem econômica. 36 da lei 12. perdas sociais de um dato comportamento supostamente anticoncorrencial. P.4. Limitar é barrar total ou parcialmente o ingresso de novos concorrentes.

Se houver barreiras a entrada. 36. estabelecendo barreiras a entrada de concorrentes). há a tendência do aumento de ofertantes. visa evitar a expropriação do consumidor. IV visa coibir o exercício abusivo de posição dominante. mas sim. A concentração pode se dar entre empresas que produzam o mesmo tipo de mercadoria em mercados relevantes geográficos diversos (expansão de mercado) ou pode se dar em empresas que produzem bens complementares (expansão por produto). Normalmente é mercada pela ausência de potenciais concorrentes em um dado mercado. dentre os quais podem ser citadas a proibição da formação de cartel (que é a colusão que visa simular um mercado monopolista. mesmo com a alienação dos ativos de tais empresas novos competidores consigam “neutralizar” os efeitos do preço predatório. A concentração pode ser horizontal (coludentes no mesmo mercado relevante. dos sistemas seletivos de distribuição (são barreiras impostas pelo produtor ao distribuidor dentro do respectivo ciclo econômico e sem justa causa – e só se justificam se tiverem por escopo manter um padrão eficiente de distribuição) e do preço predatório (venda proposital de bens com preços inferiores ao seu custo com o fito de dominar mercados. Tais concentrações podem contrastar com os poderes do Estado. as concentrações conglomeradas (já esboçadas alhures). A ilicitude da conduta deve ser analisada caso a caso. o seu abuso. Uma empresa domina ilicitamente o mercado quanto há eliminação total ou parcial da concorrência. No abuso de posição dominante há um exercício aparentemente lícito de direito. onde os coludentes preferem cooperar entre si restringindo a variedade de produtos e dividindo os mercados para manter suas receitas sempre estáveis – ressalte-se que é imprescindível o prévio ajuste entre os envolvidos). Consistem na determinação de preços de revenda. Há. A conduta lesiva pode tanto ser dirigida contra consumidores (preços excessivos) ou contra os demais concorrentes (preços predatórios). No entanto.essencialmente à quantidade em si dos lucros. as decisões de um produtor (normalmente com uma grade parcela do mercado. entre produtos comparáveis. da venda casada (subordinação da aquisição de um bem ou serviço a outro. imposição de preços). os descontos promocionais sem a finalidade de eliminação da concorrência não consubstanciam tal prática. 36 §3º possuem caráter meramente exemplificativo.. Com efeito. pode ser lícita quando visa reduzir a concorrência intramarca e fomentar a concorrência intermarca. é possível que haja incidência de alguma outra disposição do art. mas que não se confunde com o dumping. onde geraria economias de escala. O lucro pode ser alto e legítimo. Até mesmo em patentes pode haver abuso de posição dominante. o que viabiliza a atuação potestativa. facilitara aentrada de novos agentes econômicos no mercado de distribuição. onde o mercado identifica o lucro. Tal forma 233 . O inc. Os concorrentes devem ser tão fracos que o preço predatório possibilidade a sua aniquilação sem que. configurando seu abuso. O detentor da posição dominante atua de forma independente e indiferente em relação a estes (v. após praticar preços monopolísticos). À exceção do dispositivo em comento. A colusão vertical. A concentração conglomerada pode ocorrer junto com potenciais concorrentes (concorrência potencial percebida) onde os agentes envolvidos podem ter maior independência e indiferença em relação aos demais agentes que operem no mercado. não há domínio de mercado nem abuso de posição dominante sem restrição à livre concorrência ou à livre iniciativa.g. destinados ao mesmo uso. pois a possibilidade de futura entrada é vista como um a força competitiva atual e tudo vai depender do tempo necessário para que os novos concorrentes ingressem no mercado. isto é. para. como no cartel) ou vertical (coludentes que atuam em estágios diversos de uma mesma cadeia de produção comercialização). na divisão de mercado e na venda casada. muitas vezes impulsionada pela diversificação de mercados como forma de diminuição de riscos. O produtor inicialmente vende os produtos a preços mais baixos com o intuito de empurrar os seus concorrentes para fora do mercado. Cabe registrar que as condutas (que trazem alguns exemplos de abuso de posição dominante) do art. pois não a posição dominante em si que é reprimida. mas que causa danos a terceiros por contrariar a sua finalidade social. Nem todas as colusões são ilícitos anticoncorrenciais. No entanto a conquista natural decorrente do aumento da eficiência e de maximização dos resultados não perfaz infração à ordem econômica. Esse dispositivo não visa tutelar a livre concorrência e a livre iniciativa. Na posição dominante. ou market share) têm capacidade de influenciar a decisão dos demais concorrentes afetando o seu desempenho. evitariam a concentração dos distribuidores e permitiriam a preservação da imagem do produto. por sua vez. ainda. mas sim. pois a demora na correção da distorção poderá trazer conseqüências danosas para o próprio mercado. em relação direta de concorrência. O exercício abusivo de posição dominante pode ser realizado por grupos (de fato ou de direito) de empresas. onde as perdas em um setor seriam compensadas com os ganhos em outro. impediriam a atuação de caroneiros (que poderiam se locupletar da logística de competidores intramarca).

além de qualquer outro ato ou providência necessária para a eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica. Não há uma fórmula matemática pré-elaborada. pois exige fundamentação em pressupostos e condicionamentos principiológicos. 38. 38. onde uma empresa dominante tem o poder de impor o preço a ser praticado. O art. Os cartéis se diferem-se dos acordos de price leadership.de concentração contrasta com a concentração pura. com análise do mercado relevante afetado. tais como instabilidade no mercado com possibilidade de exercício de poder que possa fazer frente ao próprio estado. Previu uma nova penalidade..529/2011. mas tem como objetivo a eliminação ou diminuição da concorrência do setor e normalmente está relacionado a acordo de preços e tende a ser instável quando não há empresa dominante. não caracterizando abuso de posição dominante. onde empresas se unem para enfrentar a concorrência internacional. Mas também pode decorrer das estruturas naturais do mercado. constituindo-se em juízo discricionário do CADE. atualizando o valor das penalidades aplicáveis. 37 da lei nº 12. Basta que um dos partícipes tenha um poder de agir de forma independente relação aos demais. do exercício do poder de mercado nesses dois momentos (market power). da liberdade (cessação parcial de atividade) e contratual (venda de ativos). Uma forma de cartel é o cartel de exportação. As penalidades do art. atos de concentração tendem a ser vistos com menos rigidez que outros atos de colusão que possam afetar a concorrência. As concentrações podem ser benéficas por gerar economias de escala. da criação de barreiras a entradas de novos concorrentes. agora. mas sim margem de discricionariedade quanto a ocorrência ou de certas situações que justificam ou não certos comportamentos e opções discricionárias quanto ao comportamento mais indicado para a concreção do interesse público num caso concreto. qual seja “a proibição de exercer o comércio em nome próprio ou como representante de pessoa jurídica. VI). essa disposição não existe mais. No geral. bem como retirou o limite imposto à multa diária cominada em caso de recusa a prestação de informações aos órgãos fiscalizadores. Pode ter efeitos a montante ou a jusante da cadeia produtiva. não sendo necessário que os coluentes sejam concorrentes entre si. ela não é pura.5. gerar economia tributária e aumentar os atrativos de investimento pela maior perspectiva de lucro e pela diminuição de riscos da atividade. 1. Embora exista discricionariedade em tal escolha. 88 da Lei nº 12. onde os mercados em que os agentes envolvidos atuam não guardam relação de concorrência nem de complementaridade. a nova lei do CADE não trouxe muitas inovações. No cartel. devem ser aplicadas quando outras medidas menos restritivas forem insuficientes para a eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica. pelo prazo de até 5 (cinco) anos” (art. 38 trata das penalidades não-pecuniárias. A grande discricionariedade agrava de sobremaneira a responsabilidade do agente decisor. as empresas conservam sua independência administrativa e financeira. 234 . podem gerar efeitos negativos. O cartel constitui-se um forma de prática concertada que visa a reprodução de condições monopolísticas. da concorrência potencial e da dinâmica da concorrência num dado mercado relevante é que se pode aferir a legitimidade de um ato de concentração. Neste particular. otimizar um negócio já estabelecido. No entanto. mas não nos atos vinculados. cabe registrar que as recomendações só podem ser seguidas nos casos em que o legislador reservou discricionaridade ao agentes decisor competente. antes a lei continha a seguinte redação: “A multa prevista neste artigo será computada diariamente até o limite de noventa dias contados a partir da data fixada no documento a que se refere o parágrafo anterior”. Não existe ato que seja taxado de puramente discricionário. É irrelevante a forma pela qual se celebra a prática concertada. Repressão do poder econômico pelo Estado PENALIDADES: Tratando-se de penalidades. inc. da fatia de mercado antes e depois da concentração (market share). especialmente o da proporcionalidade. Só no caso concreto. adequando as multas à realidade atual. O art. Daí o dever da autoridade antitruste fundamentar suas escolhas como forma de diminuir a margem de subjetivismo puro. V. podendo ser autorizados pelo CADE nos termos do art. Podem incidir no âmbito patrimonial da empresa (cisão da sociedade e transferência do controle acionário).529/2011 trata das penalidades pecuniárias. mesmo coercitivamente.

45. isto é. A dosimetria da pena é regulamentada pelo art. aquisições. 45 se refere tanto aos ganhos reais como potenciais. Anteriormente (Lei nº 8. as multas multas aplicadas variava entre 1% a 30% aplicáveis por infração à ordem econômica do faturamento bruto da empresa. devendo ser sopesados no caso concreto. conforme art.Os arts. Para tanto. se destacam três inovações: 1) O controle passa a ser prévio. A reincidência constitui-se em evidência de que a punição anterior resultou ineficaz. Pequeno esquema sobre as modificações acerca desse aspecto: Lei nº 8. O inc. prorrogáveis por mais 90 dias em casos de operações complexas. faturamento de R$ 30 milhões de reais ou que pelo menos um dos grupos econômicos participantes detenha faturamento bruto. tendo íntima relação com o critério do inc. 39 a 44 trazem outras infrações e penalidades. o critério (20% do mercado relevante) continua válido. ainda que ganhos de eficiência econômica fossem produzidos. V. uma vez que o CADE terá prazo máximo de 240 dias para analisar as fusões. as empresas que intencionem promover união empresarial devem aguardar a decisão favorável do CADE antes de realizarem a concentração econômica (art. ATOS DE CONCENTRAÇÃO E ESTRUTURA DE MERCADOS: os atos de concentração empresarial (fusões. garantido aos consumidores o repasse de parte relevante de tais benefícios.1% a 20% do faturamento da 235 .884/94 As operações de fusões e aquisições em empresas podiam ser comunicadas ao CADE depois de serem consumadas. 88). desde que eficiências econômicas (ganhos de produtividade e inovações tecnológicas) sejam produzidas pela união. e passa a se exigir que a empresa a ser adquirida possua. no caso da presunção da posição dominante. agilidade à análise dos atos de concentração. O valor mínimo das Agora. o CADE não pode autorizar uniões empresariais que causem danos exagerados à concorrência. Sobre o controle de atos de concentração econômica (arts. Lei nº 12. Lembrando que. de R$ 400 milhões. mas esse dispositivo foi vetado pela Presidência da República por ser “medida desproporcional e com o potencial de acarretar graves prejuízos à sociedade”. 36 §2º. III do art. Tal prazo pode ser dilatado em até 60 dias a requerimento das empresas ou em até 90 dias a requerimento do Tribunal. ao menos. 53 a 65 e 88 a 92). 170 da CF. No projeto de lei. variam de 0. A boa-fé constitui-se na análise da intenção subjetiva do infrator. somadas as competências da Superintendência e do Tribunal. havia a previsão de aprovação tácita do ato de concentração econômica no caso de descumprimento do prazo. A gravidade da infração deve ser considerada tanto na dimensão econômica da infração como em atenção aos demais valores protegidos pelo art. incorporações e joint ventures) podem configurar práticas abusivas. 2) A permissão de que o CADE aprove atos de concentração econômica que causem danos graves e substanciais à concorrência.529/2011 Exigência na submissão previa ao CADE de fusões e aquisições em empresas que possam ter efeitos anticompetitivos. registrado no último balanço anual. frisado que não existe importância de ordem pré-estabelecida. deve haver apreciação o pedido em até 240 dias.884/94). no País. O Brasil era um dos A análise prévia dará mais únicos países do mundo a adotar um segurança jurídica às empresas e maior controle posterior da estrutura. 3) A alteração do critério de concentração econômica nas uniões empresariais: suprime-se o critério de detenção de 20% ou mais de mercado relevante.

e II . Os atos. a finalidade e. no ano anterior à operação. 88. Parágrafo único. III . ou ativos.000. o que se denomina de elasticidade cruzada.pelo menos um outro grupo envolvido na operação tenha registrado. sendo presumida a fungibilidade entre dois produtos quando o aumento no preço de um conduzir ao aumento da procura de outro.2 (duas) ou mais empresas anteriormente independentes se fundem.pelo menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado. abaixo elencadas no art. deverão ser submetidos à apreciação do CADE. faturamento bruto anual ou volume de negócios total no País.00 (trinta milhões de reais). conforme o seu art.” MERCADO RELEVANTE: é o espaço da concorrência e possui duas dimensões: 1) dimensão material: neste sentido.000. tangíveis ou intangíveis. Novidade! Na lei anterior. realiza-se um ato de concentração quando: I . Com a nova Lei. 54. o controle ou partes de uma ou outras empresas. consórcio ou joint venture. no prazo de um ano a contar da respectiva data de consumação.000. ou IV . antes inexistente: “Art. quando utilizados nos fins para os quais são produzidos. e em situações específicas.empresa. equivalente ou superior a R$ 400. sem desvincular a qualidade. requerer a submissão dos atos de concentração que não se enquadrem no disposto no referido artigo. independentemente da forma pela qual se manifestem (mesmo sem acordo formal) deveriam ser comunicadas ao CADE.529/2011 Art. Para os efeitos do art. faturamento bruto anual ou volume de negócios total no País. 88 desta Lei.00 (quatrocentos milhões de reais). Lei nº 12. cumulativamente: I . exige-se submissão previa ao CADE de fusões e aquisições em empresas que possam ter efeitos anticompetitivos. direta ou indiretamente. 88. O art. no último balanço. Serão submetidos ao Cade pelas partes envolvidas na operação os atos de concentração econômica em que. por via contratual ou por qualquer outro meio ou forma. no último balanço. quando destinados às licitações promovidas pela administração pública direta e indireta e aos contratos delas decorrentes. todas as formas de concentração. por compra ou permuta de ações. o preço. 88 desta Lei.2 (duas) ou mais empresas celebram contrato associativo. A análise de dimensão material deve levar em conta a perspectiva do consumidor. que possam limitar ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência. para os efeitos do disposto no art. 54. 90. de maneira especial. 90 da nova lei ainda trouxe o conceito de ato de concentração. reservando ao CADE. mercado relevante é aquele representado pela soma dos produtos que podem ser razoavelmente substituídos. os descritos no inciso IV do caput. 2) dimensão geográfica: que é o espaço territorial onde os agentes econômicos competem entre si e pode ser compreendida como a área na qual o agente econômico é capaz de aumentar os preços que prativa 236 . Vejamos como ficou a nova redação: Lei nº 8.000. quotas. títulos ou valores mobiliários conversíveis em ações.1 (uma) ou mais empresas incorporam outra ou outras empresas. equivalente ou superior a R$ 30. ou resultar na dominação de mercados relevantes de bens ou serviços. sob qualquer forma manifestados. II .1 (uma) ou mais empresas adquirem. no ano anterior à operação.884/94 Art. Não serão considerados atos de concentração.

O Tribunal poderá avocar o inquérito (art. 4 .intervirem nos processos administrativos. independentemente do inquérito ou processo administrativo. se for o caso. que não será suspenso em virtude do ajuizamento de ação". bem como foi prevista a possibilidade de prescrição intercorrente no caso de procedimento administrativo paralisado por mais de 3 (três) anos: Art.A possibilidade de terceiros titulares de direitos e interesses . a existência de bens substitutos imperfeitos poderá fazer com que o mercado não esteja sujeito a abuso. por si ou pelos legitimados referidos no art. este passível de arquivamento sumário por ato do Superintendente-Geral do CADE sem que recurso de ofício deva ser proposto perante o Tribunal. sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação. PRESCRIÇÃO: Os dispositivos que tratavam sobre prescrição na antiga lei haviam sido revogados pela Lei 9. bem como o recebimento de indenização por perdas e danos sofridos. que antes exigiam instauração imediata de processo administrativo. agora chamado Superintendente-Geral do CADE. passarão a ser tratadas como demandas a serem investigadas pelo Superintendente-Geral do CADE. A análise da dominação de mercado deve levar em conta essas duas dimensões. temos um mercado relevante mundial. quanto a esse aspecto: 1 .sem perder um grande número de clientes (pois passariam a consumir na concorrência) e nem provocar imediatamente a inundação da área com bens e serviços de outros fornecedores que sejam similares. além do detalhamento do procedimento dos diversos processo administrativos previstos): Destaco as principais modificações da nova Lei. sem que se possa recorrer de tal decisão ao Tribunal do CADE. 82 da Lei no 8. a incidência dos custos de transportes. Os aspectos que influenciam a delimitação geográfica de um mercado relevante são o hábito dos consumidores (propensão a substituição de um certo bem por outro na hipótese de preços elevados). É onde se travam as relações de concorrência ou atua o agente cujo comportamento esteja sendo analisado.)§ 3º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de 3 (três) anos. qual seria o lapso necessário para que os potenciais concorrentes e os consumidores reajam e neutralizem os ganhos da conduta lesiva do infrator.As denúncias oferecidas pelo Congresso Nacional ou por qualquer de suas Casas.Foram ampliados os poderes do Secretário de Direito Econômico. 237 .67.. § 1º). de 11 de setembro de 1990. mas nenhuma conduta comissiva é exigida do Superintendente-Geral do CADE no sentido de encaminhar o inquérito arquivado ao Tribunal. 3. obter a cessação de práticas que constituam infração da ordem econômica. Alguns defendem que a análise da conduta lesiva deve levar em conta o fator tempo. pendente de julgamento ou despacho. com a nova lei. 2 . cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada. Normalmente.que possam ser afetados pela decisão do CADE . 46 (.. é estratégia dos investigados ampliar ao máximo os limites de mercado relevante para fins de não aplicação de infrações. que é de 5 anos). PROCESSO ADMINISTRATIVO NO SBDC (várias modificações introduzidas pela Lei nº 12. para arquivar denúncias tratadas em procedimento preparatório de inquérito administrativo. poderão ingressar em juízo para.873/99 (lei geral sobre prescrição contra a Administração Pública Federal.529/2011. o prazo continuou a ser de 5 anos. isto é. Se o fluxo de mercadorias já opera com um grande número de importados. mas agora expressamente enunciado. os incentivos de autoridades locais e a existências de barreiras (formais e informais) ao ingresso de novos concorrentes.No caso de inquérito administrativo arquivado pelo Superintendente-Geral do CADE. mesmo no monopólio da circulação de um bem ou serviço. foi suprimido o recurso de ofício cabível contra tal decisão no ordenamento em vigor.078. “Os prejudicados. Cabe registrar que. as características dos produtos. Não existe um critério fechado para a sua delimitação. por meio de processo ou de mero inquérito administrativo. Agora. em defesa de seus interesses individuais ou individuais homogêneos.

666. indicando os demais envolvidos e fornecendo provas da ocorrência da infração.Código Penal. Parágrafo único. de 27 de novembro de 1990. de 27 de dezembro de 1990. houve apenas alteração da redação do dispositivo e o acréscimo de alguns parágrafos. 87. 35-C. extingue-se automaticamente a prescricional e impede o oferecimento da punibilidade dos crimes a que se refere o denúncia com relação ao agente caput deste artigo. Antiga redação Nova redação Art.666/93) e para delito de quadrilha ou bando (art. e nos demais crimes diretamente relacionados à prática de cartel. beneficiário da leniência. A confidencialidade da proposta de compromisso (art. É ato discricionário do CADE e constitui-se em título executivo extrajudicial. é a extensão dos benefícios processuais penais decorrentes do acordo (inviabilidade do oferecimento da denúncia. de 7 de dezembro de 1940 . a celebração de acordo de leniência. MEDIDA PREVENTIVA: Com a nova Lei do CADE. após firmado o acordo (§7º). nos termos desta Lei. Com a Lei nº 12. Cumprido o acordo de leniência pelo agente. 85 §4º). 288 do Decreto-Lei nº 2. a multa pelo descumprimento e a contribuição para o fundo de direitos difusos. CP). quando cabível. 46. conforme quadro abaixo. suspensão do processo e extinção da punibilidade) para os crimes contra as Licitações (Lei 8.Outra nova redação diz respeito à remissão à legislação penal “quando o fato objeto da ação punitiva da administração também constituir crime. 288. tipificados na Lei no 8. 85 §5). de 21 de junho de 1993. Cumprido o acordo de leniência pelo determina a suspensão do curso do prazo agente. dentre outros. 238 . a medida preventiva passa a ser admissível não apenas no processo administrativo. bem como a proposta do compromisso não suspender o processo administrativo. extingue-se automaticamente a punibilidade dos crimes a que se refere o caput deste artigo. efeitos penais. tais como os tipificados na Lei no 8.529/2011.137. também. determina a suspensão do curso do prazo prescricional e impede o oferecimento da denúncia. trazendo como novidade apenas o fato da proposta de termo de compromisso de cessação de prática somente poder ser apresentada uma única vez (art. A celebração do acordo de leniência gera. sem que houvesse modificação na essência do instituto. mas também no procedimento preparatório de inquérito e no inquérito administrativo. Nos crimes contra a ordem econômica. E também o compromisso de cessação de prática passa a ser adotável não apenas no processo administrativo. a obrigação de cessar a conduta lesiva e de desconstituir seus efeitos. a celebração de Parágrafo único. nos termos desta Lei. A principal inovação. A nova lei melhora a redação do dispositivo. § 4º). ACORDO DE LENIÊNCIA (OU DELAÇÃO PREMIADA): consiste na concessão de benefício ao coautor de conduta infrativa da ordem econômica que passe a colaborar com as investigações sobre esta conduta.137. deixando expressamente prevista a suspensão do curso do processo no caso de acordo de leniência. Nos crimes contra a ordem econômica. a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal” (art. acordo de leniência. contudo. mas também no inquérito administrativo. Art.848. COMPROMISSO DE CESSAÇÃO: Trata-se de ato bilateral que tem por fim suspender a tramitação do processo administrativo durante o prazo de seu cumprimento. a publicidade dos seus termos. Deve conter. e os tipificados no art. tipificados na Lei no 8. As condições podem ser alteradas pelo CADE apenas se comprovada sua excessiva onerosidade pelo representado.

239 .

Então. sem distinção alguma e impõe normas de comportamento tidas como ideais. Então há passagens do código de ética que faz essa afirmação. mas existe um núcleo fundamental na CR que estabelece os objetivos fundamentais para a constituição da República Federativa do Brasil. então note que o Código de Ética da Magistratura buscou subsídios na legislação existente. ou seja. Introdução O Código de ética da magistratura nacional se dirige a todos os magistrados. MAS NADA MAIS É DO QUE UMA AMPLÍSSIMA INTERPRETAÇÃO DA REGRAS ATINENTES AOS DEVERES DOS MAGISTRADOS JÁ EXISTENTES NA LEGISLAÇÃO. Como é que o magistrado pode contribuir para a consecução dos direitos fundamentais e para a concretização da democracia no país ao mesmo tempo sendo ético? Ou seja.. por ter origem legal vincula o magistrado no seu comportamento. DECORRE DE EXIGÊNCIA LEGAL. explicitar os deveres dos magistrados já existentes na legislação.M. Isso significa que o juiz que quebra o comportamento ético. mas sim dever funcional. O código de ética é só uma exortação a um comportamento ético ou ele tem validade vinculativa. nos deveres estabelecidos para os magistrados. as fundamentações do Código de Ética já desenvolvem uma noção. haverá consequências? O código de ética nasce de um dever já existente. a CR/88 traz um núcleo protetivo e que encerra o interesse público do Estado. Ética e Estatuto Jurídico da Magistratura Nacional (IGUAL AOS PONTOS 08 E 13) 1. eles invocam o artigo 35 da LOMAN. daí surjem diversos princípios. as considerações. O código de ética nada mais faz portanto. portanto. na sua conduta funcional. Depois. no próprio corpo do Código de Ética se encontra afirmação de que ele procura esmiuçar os deveres dos magistrados. se o magistrado não se portar eticamente nos termos do código de ética. De onde surgem os parâmetros éticos de comportamento dos magistrados? As próprias consideranda. como impessoalidade. Todos nós sabemos que o fim do estado é o atendimento geral do interesse público. eficiencia etc. Veja. de fato. apenas ampliando os conceitos já previstos na LOMAN. Art. sanção penal e até civil. a conduta ideal dos magistrados. 41 do Código de Ética da Magistratura). poderá está sujeito a responsabilização administrativa. ele é ético quando contribui para a consecução dessas categorias jurídicas e quando ele não contribui ele é antiético? Para responder a essa pergunta vamos ao artigo 3º da CR. não se trata de mera exortação ética. do que ampliar. Então o artigo terceiro esclarece quais são esses objetivos. vale dizer. O código de Ética fala claramente que o juiz ético é o juiz que contribui para a consecução dos direitos fundamentais e também para a democracia. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 240 . quebra também a sua conduta funcional e. no momento da posse. O código de ética. Todo aquele que ingressar na magistratura receberá. O CÓDIGO DE ÉTICA TEM CARÁTER SIM VINCULATIVO. um exemplar do código de ética da magistratura (art. O artigo 35 da LOMAN estabelece os deveres do magistrado.

se ele exerce parcela do poder estatal. III . IV . como é que o juiz pode ser ético e ao mesmo tempo atender a democracia e aos direitos fundamentais? Ética. terceira e outras gerações.construir uma sociedade livre.erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. os valores mais importantes da sociedade são os direitos humanos. ao legislativo e executivo cumprem prioritariamente atender políticas publicas. é necessário que sejam atendidos certos direitos de conteúdo social. voltando à indagação. tendo o valor humano sido simplesmente desmanchado. como diz o prof Fábio Konder Comparato. passou a se chamar direitos fundamentais. idade e quaisquer outras formas de discriminação. porque. O que são políticas públicas? Políticas públicas são um conjunto de atos que o estado pratica para atender ao interesse público. Então. direitos fundamentais sociais. Poder Legislativo e Poder Executivo. para atender os direitos fundamentais sociais. em que no ano de 1945 foram devastadas as cidades de Hiroshima e Nagasaki com artefato atômico. justa e solidária. agora quando eles não cumprem políticas publicas. que estão previstos no artigo 5º. especialmente no artigo 6º. Esse núcleo protetivo diz. residualmente. desenvolvimento nacional. diminuição das desigualdades sociais. em linhas gerais. E para que se atenda o disposto no artigo 3º é necessário que se atenda o disposto no artigo 6º da CR. segunda. Então essa progressiva internacionalização dos direitos humanos produziu a precipitação dos direitos fundamentais no bojo das constituições. A ética surge agora como uma nova vestimenta. ou seja. cor. o comportamento do Poder Judiciário tem um caráter mais eventual. O Poder Judiciário exerce parcela do poder estatal.I . que é uma forma de expressão do poder estatal. Quando as demais formas 241 . E quais são os objetivos do Estado? Eles estão inseridos no artigo 3º da CR. A declaração de direitos humanos de 1948 veio como uma restauração ética. Garantindo e efetivando direitos sociais o Estado promove a igualdade substancial. Então. então há uma restauração à ética. Para se obter a igualdade substancial. o judiciário vai ter que examinar a inconstitucionalidade dessa omissão. a humanidade ficou aniquilada. nada mais é do que a satisfação e o cumprimento ou satisfação do bem soberano da humanidade.promover o bem de todos. Ora. porque inseridos no bojo de uma constituição e merece integral proteção do Estado. segundo a doutrina portuguesa. direitos de primeira. sexo. na sua reconstrução dos direitos humanos. impulsão de caráter internacional. se ao Poder Judiciário cabe atender aos objetivos do Estado. que a igualdade substancial deve ser atingida mediante a erradicação da pobreza. II . mas é atribuição primária das demais formas de expressão do poder do Estado. que desenvolvem as chamadas políticas públicas.garantir o desenvolvimento nacional. atendendo o artigo 3º da CR. Existem certos bens que a sociedade reputou de maior importância. ao Poder Judiciário cumpre atender o disposto no artigo 3º da CR. os Estados se reúnem para declararem que os direitos. direitos individuais. Depois da segunda guerra mundial. A concessão de direitos fundamentais sociais não é atribuição primária do Poder Judiciário. ele está atrelado aos objetivos do Estado. raça. segundo o professor Goffredo da Silva Telles. Aquilo que se chamava direitos humanos. sem preconceitos de origem. na verdade. O Estado cria o Poder Judiciário e o Poder Judiciário tem que agir conforme os seus objetivos. e outros artigos da CR.

legislativo e executivo. principalmente de caráter social. E aí o Poder Judiciário vem como ultimo recurso para a restauração disso. então acabou-se a democracia. O código traduz o compromisso institucional com a excelência na prestação do serviço público de distribuir Justiça e. aí intervém o Poder Judiciário. com plena independência. se o Estado permitir que isso ocorra. 444). na doutrina estrangeira costuma-se questionar a legitimidade do poder judicial. renovação ética da carta de 1948 ela é efetivamente implementada quando o juiz concede e protege os direitos fundamentais. e assim o fazendo ele torna a democracia mais forte. mecanismo para fortalecer a legitimidade do Poder Judiciário (p. O juiz não é eleito. Então o cidadão. Isso é importantíssimo. Segundo o mesmo autor. ENTÃO A DEMOCRACIA SUBSTANCIAL EXIGE QUE O CIDADÃO SEJA EFETIVAMENTE CIDADÃO. a legitimação virá mediante a fundamentação das decisões e pela excelência na prestação do serviço. são omissas. a respeito dos fatores que contribuíram para o seu convencimento. criando igualdade substancial. Daí porque o código de ética faz essa afirmação de que atua eticamente. Princípios dispostos no Código de Ética da Magistratura + Princípios de Bangalore e Código Iberoamericano de Ética Judicial Para José Renato Nalini (Ética Geral e Profissional. São Paulo. uma democracia. exercer o meu direito de voto. infelizmente. não é uma democracia substancial. Então. mas recrutado por concurso público. A OAB participa do processo seletivo em todas as suas fases. o uso dos valores econômicos para compra de votos. uma democracia formal. 2011). É uma participação da sociedade civil na escolha de quem a julgará. pois o juiz presta contas à sociedade. todas as vezes que o Poder Judiciário concede direitos fundamentais. 8ª ed. 445).. o uso do dinheiro. ele está igualando os desiguais. é aquele que realmente. 242 . para a compra da dignidade humana. A fundamentação é um elemento essencial à legitimidade das decisões. e assim garante uma democracia material. para atingir esse objetivo. porque não é possível que alguém delibere na democracia quando nem mesmo a sobrevivência está garantida. para dizer que está realizando. como diz o professor José Afonso da Silva. especialmente nos países em que não há eleição para o provimento do cargo de magistrado. Depois. o Conselho Nacional de Justiça proclama a adoção do Código de Ética da Magistratura como instrumento essencial para os juízes incrementarem a confiança da sociedade em sua autoridade moral. faz de forma silenciosa e dentro dos limites de sua atuação e de forma residual. nós temos um factóide. assim. com a sua independência e imparcialidade examina e concede direitos fundamentais e por via de consequência está garantindo a democracia no país.de expressão do poder. para a compra do direito à cidadania. como é que eu posso optar pelo destino de um Estado. RT. se a omissão dos demais poderes chegar a tal ponto que os demais poderes manipulem as massas através de concessões através de concessões de sobrevivência. 2. quando eu estou com fome? É nesse momento que há arbitrariedade.” (p. Então o juiz ético é o juiz que atua de acordo com o artigo 3º da CR. porque garante a igualdade substancial. ele troca o seu direito de cidadão por um pedaço de pão. substancial. Então se o Estado não pode deixar isso acontecer. nós temos hoje uma grande margem de pessoas que estão afastadas da possibilidade de deliberação como cidadão porque não possuem condições econômicas. o Estado tem que permitir que o cidadão tenha condições econômicas de administrar o seu voto. E prossegue: “a resposta é que o sufrágio não representa a única maneira de se conferir consentimento ao exercício de um poder estatal. mas não se faz isso para se mostrar. ou seja. e por via de consequência atende os objetivos do estado. de mera subsistência biológica.

de autoria de Manuel Atienza e Rodolfo Luís Vigo.16). afirmam os autores: “A ética judicial inclui os deveres jurídicos que se referem às condutas mais significativas para a vida social. dentre eles a Declaração Universal dos Direitos Humanos. constituído sob os auspícios das Nações Unidas. A inspiração direta dos princípios estatuídos no Código de Ética da Magistratura é proveniente de dois documentos internacionais: os princípios de Bangalore e o Código Iberoamericano de Ética Judicial. em Bangalore (Índia) e oficialmente aprovados em novembro de 2002. pp. Ao exortar a importância da ética para o alcance desse objetivo. 56 a 60).7). a ética judicial implica rejeitar tanto os padrões de conduta próprios de “um mal” juiz. 17-18): O Código Ibero-Americano de Ética Judicial. Além disso. da ONU. Os Princípios de Conduta Judicial de Bangalore foram elaborados pelo Grupo de Integridade Judicial. os seus autores preocuparam-se em apresentar aquele Código como compromisso institucional com a excelência e para o fortalecimento da legitimação do Poder Judiciário. 1º a 8º). muitas pessoas estavam perdendo a confiança em seus sistemas judiciais por serem tidos como corruptos ou imparciais em algumas circunstâncias” (Comentários aos Princípios de Bangalore de Conduta Judicial / Escritório Contra Drogas e Crime . O Grupo de Integridade Judicial foi composto por membros de cortes superiores e juízes seniores e teve por objetivo “debater o problema criado pela evidência de que.1 a 4. Essa declaração de direitos prevê um julgamento igualitário. Os princípios de Bangalore consistem na independência judicial (itens 1. mas que contribuem para defi nir a excelência judicial. na integridade (itens 3. elaborado com base em outros códigos e estatutos. transparência (arts. cortesia (arts.1 e 3. 18 a 27). Sua elaboração teve início no ano de 2000. que se conforma com o mínimo juridicamente exigido. por tribunal independente e imparcial. foi publicado em 2006.1 a 5. princípio de aceitação geral pelos Estados-Membros. 28 a 34). isto é. na imparcialidade (itens 2. completa esses deveres com outros que podem parecer menos peremptórios. Os Princípios de Conduta Judicial de Bangalore é um projeto de Código Judicial em âmbito global. com o propósito de disciplinar a conduta dos juízes dos países signatários.1 a 6. sobre o tema. os princípios foram formulados em abril de 2001. imparcialidade (arts. motivação (arts. O CNJ não instituiu sanções por infração ética.” O Código Iberoamericano de ética judicial apresenta os seguintes princípios: independência (arts. 2008.O Código é estruturado em doze capítulos. baseada em razões morais. Ariane Emílio Kloth. justiça e equidade (arts. na idoneidade (itens 4. ensina Lourival Serejo (Comentários ao Código de Ética da Magistratura Nacional. mas também pretende que o seu cumprimento responda a uma aceitação desses valores pelo seu valor intrínseco. 41 a 47). justo e público. pela Cúpula Judicial Ibero-Americana. pois a LOMAN já prevê sanções para infrações éticas. integridade (arts. 48 a 52). 53 a 55). tradução de Marlon da Silva Malha.5. em Viena (Áustria). 35 a 40). responsabilidade institucional (arts. como os de um juiz simplesmente “medíocre”. p. em Haia (Holanda).6).3). 243 . nacionais. 61 a 67). em todos os continentes. em vários países. 2011. conhecimento e capacitação (arts.5) e na competência e diligência (itens 6.1 a 2. regionais e internacionais. 13). – Brasília : Conselho da Justiça Federal.2). ENFAM. Sobre o Código Iberoamericano. sigilo profissional (arts. Brasília. 9º a 17).1 a 1. Portanto. Em sua exposição de motivos. na igualdade (itens 5.

O princípio da independência impõe ao magistrado que seja eticamente independente e que não interfira. Vejamos agora os princípios estatuídos no Código de Ética da Magistratura. de qualquer modo. da honra e do decoro. destinada a assessorar os Poderes Judiciários os países iberoamericanos. Reputação ilibada consiste na história ética da pessoa. 9º). deve-se informar ou mandar informar aos 244 . da integridade profissional e pessoal. caso seja solicitado. predisposição ou preconceito (art. que a Constituição Federal em alguns momentos demonstra preocupação com a formação ética do magistrado. Trata-se de uma preocupação ética com os membros do Poder Judiciário. II). sendo que não é considerado tratamento discriminatório injustificado: (i) a audiência concedida a apenas uma das partes ou seu advogado. O artigo 1º do Código de Ética da Magistratura estabelece os seguintes princípios norteadores da atuação judicial: da independência. justifica-se a vedação do magistrado à participação de atividade político-partidária (art. Brasília. Muitos princípios adotados pelo Código de Ética da Magistratura são também princípios de Bangalore ou adotados pelo Código Iberoamericano de ética judicial. 21-22). 68 a 72). tanto no campo profissional. do segredo profissional. pp. o Ministro Felix Fischer. 10). caso seja solicitado. Observe-se.prudência (arts. 5º e 6º). da transparência. da diligência. os atos devem ser documentados ou registrados sempre que possível. exceto nos casos de sigilo contemplado em lei (art. Todo o encadeamento de suas ações forma esse arcabouço que se convencionou chamar de “reputação ilibada”. I e II). da prudência. sendo seu dever denunciar qualquer interferência que vise a limitar sua independência (arts. tanto que condiciona o acesso aos tribunais superiores aos critérios de notório saber jurídico e reputação ilibada (arts. mantendo ao longo do processo equidistância das partes. ainda que não haja determinação legal. 79 a 82). ainda. 104. 8º). diligência (arts. 73 a 78). e (ii) o tratamento diferenciado resultante de lei (art. Atualmente (outubro de 2012). bem como proíbe todo tipo de comportamento que possa refletir favoritismo. 2011. honestidade profissional (arts. Por força desse princípio. Comentários ao Código de Ética da Magistratura Nacional. facilitar a discussão acadêmica de assuntos ligados à ética judicial e fortalecer a consciência ética judicial dos membros do Judiciário iberoamericano. do conhecimento e capacitação. da imparcialidade. (Lourival Serejo. podendo ou não ser adotadas por cada Estado (arts. § único. ENFAM. O princípio da imparcialidade implica a busca da verdade dos fatos nas provas. Tampouco há violação da imparcialidade no tratamento diferenciado determinado pela lei. deve pautar-se no desempenho de suas atividades sem receber indevidas influências externas e estranhas à justa convicção que deve formar para a solução dos casos que lhe sejam submetidos. Portanto. 4º). 101. desde que atenda o advogado da parte contrária. é o representante brasileiro membro da Comissão Iberoamericana de Ética Judicial (CIEJ). na atuação jurisdicional de outro colega. 83 a 95). 7º). da cortesia. não há infração ao princípio da imparcialidade se o juiz ouve o advogado que vem despachar no gabinete. com objetividade e fundamento. 9º. do Superior Tribunal de Justiça. contanto que se assegure igual direito à parte contrária. de modo a favorecer sua publicidade. Segundo o princípio da transparência. da dignidade. É vedada qualquer espécie de discriminação (art. Obedecido o segredo de justiça. sendo que suas recomendações ou opiniões não possuem caráter vinculante. § único. exceto em respeito às normas legais (art. 119. Da mesma forma. como no familiar. Ao final. o Código Iberoamericano prevê a instituição de uma Comissão Iberoamericana de Ética Judicial (CIEJ).

O princípio da integridade pessoal e profissional consiste na extensão dos predicados éticos à vida particular do magistrado. O magistrado deve evitar comportamentos que impliquem a busca injustificada e desmesurada por reconhecimento social. por antiguidade e merecimento. sem autorização. os advogados. O princípio da cortesia informa o dever de cortesia para com os colegas. e cuidar especialmente: (i) para que não sejam prejudicados direitos e interesses legítimos de partes e seus procuradores. principalmente a autopromoção em publicação de qualquer natureza (art. Ademais. 15). 13). ressalvadas as acumulações permitidas constitucionalmente. E impõe ainda a vedação do uso para fins privados. § 2º). deve o magistrado observar conduta adequada à sua condição de juiz. de forma útil. deve sempre priorizar a atividade judicial. 12). os membros do Ministério Público. com redação dada pela Emenda Constitucional nº 45. de órgãos judiciais. o magistrado deve comportar-se na vida privada de modo a dignificar a função. votos. 18). tendo em vista que. Se o magistrado acumular. dos bens públicos ou dos meios disponibilizados para o exercício de suas funções (art. consciente de que o exercício da atividade jurisdicional impõe restrições e exigências pessoais distintas das inerentes aos cidadãos em geral (art. e faltas éticas na área do ensino refletirão necessariamente no respeito à função judicial (art. Enfim. ressalvada a crítica nos autos. 14). o magistério e a magistratura são indissociáveis. compreensível e clara (art. as testemunhas e todos quantos se relacionem com a administração da Justiça. a “ aferição do merecimento conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela freqüência e aproveitamento em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento” (art. Na relação com os meios de comunicação social. O Código preceitua que a integridade de conduta do magistrado fora do âmbito estrito da atividade jurisdicional contribui para uma fundada confiança dos cidadãos na judicatura (art. deve atender. 16). os servidores. é dever do magistrado evitar qualquer proveito pessoal de sua condição de agente público. entre outras normas. aos olhos de alunos e da sociedade. dispensando-lhe efetiva disponibilidade e dedicação (art. a respeito do princípio da diligência e dedicação. De igual modo. Igualmente. 17). ou juízo depreciativo sobre despachos.93. doutrinária ou no exercício do magistério (art. Deve o magistrado apresentar conduta positiva e de colaboração para com os órgãos de controle e de aferição de seu desempenho profissional (art. Por isso. 11). cumpre ao magistrado adotar as medidas necessárias para evitar que possa surgir qualquer dúvida razoável sobre a legitimidade de suas receitas e de sua situação econômicopatrimonial (art. alínea c. A linguagem a ser empregada 245 .interessados acerca dos processos sob responsabilidade do magistrado. ao exercer o magistério. Observamos. que a Constituição Federal determina que a promoção de entrância para entrância. 19). alternadamente. conforme a Constituição Federal. de 2004) . o magistrado não deve assumir encargos ou contrair obrigações que perturbem ou impeçam o cumprimento apropriado de suas funções específicas. Assim sendo. e (ii) de abster-se de emitir opinião sobre processo pendente de julgamento. inciso II. 21. sentenças ou acórdãos. deve o magistrado comportar-se de forma prudente e equitativa. de empresa privada ou de pessoa física que possam comprometer sua independência funcional (art. reprimindo toda e qualquer iniciativa dilatória ou atentatória à boa-fé processual (art. 21. O princípio da diligência e dedicação prevê que cumpre ao magistrado velar para que os atos processuais se celebrem com a máxima pontualidade e para que os processos a seu cargo sejam solucionados em um prazo razoável. o exercício da judicatura com o magistério. o Código estabelece o dever de recusa de benefícios ou vantagens de ente público. as partes. seu ou de outrem. 20). caput e § 1º).

seus integrantes devem preservar o sigilo dos votos que ainda não hajam sido proferidos e daqueles de cujo teor tomem conhecimento. bem como deve manter uma atitude de colaboração ativa em todas as atividades que conduzem à formação judicial (arts. No âmbito dos órgãos colegiados. 28).pelo magistrado deve ser escorreita. entre outras normas. Esse princípio adquire intensidade especial no que se relaciona com as matérias.93. na medida do possível. 30). com redação dada pela Emenda Constitucional nº 45. por antiguidade e merecimento. O magistrado bem formado é o que conhece o Direito vigente e desenvolveu as capacidades técnicas e as atitudes éticas adequadas para aplicá-lo corretamente (art. incumbe ao magistrado atuar de forma cautelosa. 31). 32). 35). O princípio do sigilo profissional preceitua o dever de guardar absoluta reserva. Deve ainda esforçar-se para contribuir com os seus conhecimentos teóricos e práticos ao melhor desenvolvimento do Direito e à administração da Justiça (art. Observamos. O princípio do conhecimento e capacitação consiste na exigência de conhecimento e de capacitação permanente dos magistrados. o magistrado deve adotar comportamentos e decisões que sejam o resultado de juízo justificado racionalmente. o que se aplica também aos Juízes Federais. a “aferição do merecimento conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela freqüência e aproveitamento em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento” (art. que a Constituição Federal determina que a promoção de entrância para entrância. podendo confirmar ou retificar posições anteriormente assumidas nos processos em que atua (art. de 2004). na vida pública e privada. O magistrado deve manter atitude aberta e paciente para receber argumentos ou críticas lançados de forma cortês e respeitosa. com aprovação. 23). 22). como a promoção por igual critério. Enfim. polida. O Código afirma ainda que as atividades disciplinar. 27). a formação dos outros membros do órgão judicial. O Código estipula ainda que a obrigação de formação contínua dos magistrados estende-se tanto às matérias especificamente jurídicas quanto no que se refere aos conhecimentos e técnicas que possam favorecer o melhor cumprimento das funções judiciais (art. 36). deve atender. atento às consequências que pode provocar (art. 25). a respeito do princípio do conhecimento e da capacitação. 29). §§ 1º e 2º da LOMAN dispõe que a lei poderá condicionar o acesso por merecimento aos Tribunais. após haver meditado e valorado os argumentos e contra-argumentos disponíveis. destacamos que o artigo 87. Consoante o princípio da prudência. à freqüência. à luz do Direito aplicável (art. 246 . alternadamente. Especialmente ao proferir decisões. sobre dados ou fatos pessoais de que haja tomado conhecimento no exercício de sua atividade (art. respeitosa e compreensível (art. inciso II. a curso ministrado por escola oficial de aperfeiçoamento de magistrado. alínea c. 26). o que tem como fundamento o direito dos jurisdicionados e da sociedade em geral à obtenção de um serviço de qualidade na administração da Justiça (art. de correição e de fiscalização serão exercidas sem infringência ao devido respeito e consideração pelos correicionados (art. 24). o magistrado deve atuar no sentido de que a instituição de que faz parte ofereça os meios para que sua formação seja permanente (art. O Código ainda estipula que o magistrado deve facilitar e promover. eventualmente. as técnicas e as atitudes que levem à máxima proteção dos direitos humanos e ao desenvolvimento dos valores constitucionais (art. antes do julgamento (art. 33 e 34). Ainda sobre a densidade normativa do princípio do conhecimento e da capacitação.

no exercício profissional. com o exercício da judicatura (art.09. deve deter o advogado no exercício da profissão (art. por UNANIMIDADE de votos. presta serviço público e exerce função social (art. devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos. estipulando que é vedado ao magistrado procedimento incompatível com a dignidade. no exercício da profissão. a honra e o decoro de suas funções (art. inciso II). Não há hierarquia nem subordinação entre advogados. também conhecido como Estatuto da OAB. cabendo ao CNJ promover-lhe ampla divulgação (art. é veiculado pela Lei nº 8. § 3º). Observe-se inicialmente que a lei estipula a incompatibilidade do exercício da advocacia. magistrados e membros Ministério Público. tratamento compatível com a dignidade advocacia e condições adequadas a seu desempenho (art. 37). de 04. por votação majoritária. compatibilização com as finalidades da lei e atendimento de 247 . e o código entra em vigor.Em continuidade. no exercício da profissão.para dar ao dispositivo a interpretação de que da sua abrangência estão excluídos os Membros da Justiça Eleitoral e os Juízes Suplentes não remunerados. de forma que. Estatuto da OAB O Estatuto do advogado. Não deve exercer atividade empresarial. que implique discriminação injusta ou arbitrária de qualquer pessoa ou instituição (art. 18. o advogado é inviolável por seus atos e manifestações. 28. o Código explicita o princípio da dignidade. No exercício da profissão. ser-lhe-á entregue um exemplar do código para fiel observância durante todo o tempo de exercício da judicatura (art. no seu ministério privado. honra e decoro. §§ 1º e 2º). 41). deve manter independência em qualquer circunstância. Observe-se o disposto no art. caput e § único).127-8 (o Tribunal. DEFERIU . O advogado é indispensável à administração da justiça. Membros do Poder Judiciário não podem advogar. conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal ao deferir a liminar na ADIN 1. pp.906/1994. 6º. magistrado. julgou parcialmente procedente a ação para.07. 39).2008). da Lei nº 8906 . os Presidentes dos Conselhos da OAB e das Subseções podem requisitar cópias de peças de autos e documentos a qualquer tribunal. nem de incorrer em impopularidade. sem redução de texto. 50: “para os fins desta lei. No julgamento da ADIN 1127-8. os servidores públicos e os serventuários da justiça devem dispensar advogado. 1-2. EM PARTE. por ocasião da posse de todo Juiz. do Estatuto da Magistratura e das demais disposições legais (art. o pedido de medida liminar quanto ao inciso II do art. 2. em todo o território nacional. 2º.94 . 38). com exceção dos advogados membros da Justiça Eleitoral. §§ 1º e 2º). do As ao da O advogado. exceto na condição de acionista ou cotista e desde que não exerça o controle ou gerência (art. Nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade. de modo a fazer compreender a palavra "requisitar" como dependente de motivação. autoridades. o Código de Ética da Magistratura apresenta as seguintes disposições finais: seus preceitos complementam os deveres funcionais dos juízes que emanam da Constituição Federal. 42). 31. cartório e órgão da Administração Pública direta. dar interpretação conforme ao dispositivo. nos limites do estatuto do advogado (art. Ao final. É atentatório à dignidade do cargo qualquer ato ou comportamento do magistrado. o Supremo Tribunal Federal. indireta e fundacional”. 40). 2º. mesmo em causa própria. na data de sua publicação (DJ. 28.

que escreveu o Elogio aos juízes.exercer.06. deixando a surdez moral. constitui deslize ético se apresentar como juiz. E postula. desembargador ou colega. 410). a profissão em todo o território nacional.2010). II . reconhece e saúda. inclusive o Poder Judiciário. agrupando os parágrafos aos incisos que fazem referência. função essencial à administração da justiça. inclusive telefônicas ou afins. em nome da liberdade de defesa e do sigilo profissional. de assédio contínuo ou efusões que possam ser confundidas por quem as observe. arcaica e obsoleta. Porta-se eticamente se poupar os companheiros de toga. Sob a ótica da ética da magistratura. Arrolamos a seguir os direitos previstos no artigo 7º da Lei nº 8. de sua correspondência e de suas comunicações. José Renato Nalini pontua que “Calamandrei. para que se instaure essa concepção. São Paulo. Parceiros na realização da justiça. de seus arquivos e dados. possui o dever de respeitar os direitos estatuídos no estatuto do advogado. RT.. espelha em si mesmo a própria dignidade’. que não é sensível ao clamor do povo. à qual todos tenham acesso e na qual todos possam confiar” (pp. A estrutura cooperatória do processo proclama serem todos os seus protagonistas igualmente responsáveis pela concretização do justo. mas ao mesmo tempo cônscios da solidariedade social que os une a todos da solidariedade social que os une a todos para o fim comum. frutos de única formação jurídica. DJ 11.ter respeitada. abordou as relações entre os juízes e advogados: ‘Mesmo nas relações entre advogados e juízes. I . de relevância social. guardas cada um deles da própria independência e da própria dignidade. salvo caso de busca ou apreensão determinada por magistrado e acompanhada de representante da OAB. na condição de advogado. de sua correspondência escrita. célere e efetiva. Da mesma forma. II – a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho. Ao comentar a relação ética entre o advogado e o juiz. nova postura dos operadores jurídicos. que ainda não a desvestiram. Quando precisar conversar com juízes que o não conheçam. bem como de seus instrumentos de trabalho.” (Ética Geral e Profissional. pois visa assegurar o exercício livre e pleno da advocacia. ao menos deverão esquecer mesquinharias no relacionamento para a edificação da justiça possível.767. bem como destacando os dispositivos considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal ao julgar o mérito da ADI 1. O poder público. em conferência pronunciada na Universidade Nacional do México. volta-se sempre ao que é o segredo de toda solução democrática: devem ser relações entre homens livres.custos desta requisição. sendo ainda ressalvados os documentos cobertos sigilo. No processo. os advogados familiares de juízes devem se abster de propalar a condição. 410-411).127-8 (Acórdão. acorrentados às mesmas deficiências do sistema judicial. juiz e advogado são como espelhos. juízes e advogados têm o dever ético de compartir angústias e tentar construir a justiça ideal. a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho. E se isso possível não for. p. de 2008) 248 . Todos envolvidos na missão de realizar justiça. 2011. despidos de sensibilidades exarcebadas ou de melindres corporativistas. temos a observar que é imperativo o dever de respeito aos direitos dos advogados. 8ª ed. telefônica e telemática. cada um deles olhando para o interlocutor.906/1994. desde que relativas ao exercício da advocacia. eletrônica. seja com vistas a evitar a ideia de que estejam a captar clientela ou a se imporem perante os demais magistrados. (Redação dada pela Lei nº 11. O mesmo autor ainda pondera que “o advogado que já foi juiz precisa se acautelar para que a sua condição não venha a sugerir fruição de benesses inacessíveis para outros advogados. seja para não causarem constrangimento aos próprios familiares invocados. Trata-se de matéria de ordem pública. com liberdade. por uma justiça ágil.

senão em sala de Estado Maior. no caso de delegacias e prisões. mesmo sem procuração. ou perante a qual este deva comparecer. 7º) VI . independentemente de licença. sob pena de nulidade e. antes de sentença transitada em julgado.767. e ser atendido. por motivo de exercício da profissão.(Observação) Dispõem os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo: § 6o Presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime por parte de advogado. serviços notariais e de registro. desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado. com instalações e comodidades condignas. vedada a utilização dos documentos. por motivo ligado ao exercício da advocacia. o Tribunal julgou parcialmente procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade da expressão “assim reconhecidas pela OAB". quando estes se acharem presos.ingressar livremente: a) nas salas de sessões dos tribunais. cartórios. das mídias e dos objetos pertencentes a clientes do advogado averiguado. observado o disposto no inciso IV deste artigo. de 2008) III . 249 . (Incluído pela Lei nº 11.não ser recolhido preso.comunicar-se com seus clientes. expedindo mandado de busca e apreensão. c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional. a ser cumprido na presença de representante da OAB. de 2008) § 7o A ressalva constante do § 6o deste artigo não se estende a clientes do advogado averiguado que estejam sendo formalmente investigados como seus partícipes ou coautores pela prática do mesmo crime que deu causa à quebra da inviolabilidade. sendo. (Incluído pela Lei nº 11. e. em caso de crime inafiançável. em decisão motivada. nos demais casos. ainda que considerados incomunicáveis. (Vide ADIN 1.ter a presença de representante da OAB. mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada aos magistrados. assim reconhecidas pela OAB. V . na sua falta. quando preso em flagrante. específico e pormenorizado. contida no inciso V do art. dentro do expediente ou fora dele. por maioria. a autoridade judiciária competente poderá decretar a quebra da inviolabilidade de que trata o inciso II do caput deste artigo.767. bem como dos demais instrumentos de trabalho que contenham informações sobre clientes. ofícios de justiça. mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares. a comunicação expressa à seccional da OAB. b) nas salas e dependências de audiências. pessoal e reservadamente. (Observação) Dispõe o parágrafo 3º do mesmo artigo: § 3º O advogado somente poderá ser preso em flagrante. secretarias. em prisão domiciliar. em qualquer hipótese. IV . para lavratura do auto respectivo. desde que munido de poderes especiais. d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente. VII .permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso anterior. detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares. e.127-8 – no mérito.

mesmo sem procuração. XVI .falar. XIV . podendo copiar peças e tomar apontamentos. podendo tomar apontamentos. (Vide ADIN 1.usar os símbolos privativos da profissão de advogado. 2) quando existirem nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório. ou da Administração Pública em geral. em instância judicial ou administrativa. IX .retirar autos de processos findos. proferido de ofício. independentemente de horário previamente marcado ou outra condição. XII . mesmo sem procuração. 7º da Lei nº 8. no exercício da profissão ou de cargo ou função de órgão da OAB. 3) até o encerramento do processo. após o voto do relator.usar da palavra. declarou a inconstitucionalidade do inciso IX do art. pela ordem. por maioria. reconhecida pela autoridade em despacho motivado. em juízo.127-8 e ADIN 1. para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos. documentos ou afirmações que influam no julgamento. XV . mediante representação ou a requerimento da parte interessada. secretaria ou repartição. ainda que conclusos à autoridade. e só o fizer depois de intimado. observandose a ordem de chegada.examinar em qualquer repartição policial. ao advogado que houver deixado de devolver os respectivos autos no prazo legal. verbalmente ou por escrito. sentado ou em pé. XVIII .ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza. em qualquer juízo ou tribunal. findos ou em andamento.VIII .dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho. regulamento ou regimento.906/94) X . mediante intervenção sumária. quando não estejam sujeitos a sigilo. tribunal ou órgão de deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo. salvo se prazo maior for concedido. contra a inobservância de preceito de lei. nas sessões de julgamento. ou retirá-los pelos prazos legais. em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo. 250 . sem prejuízo da responsabilidade criminal em que incorrer o infrator. autos de flagrante e de inquérito. (Observação) Dispõe o parágrafo 5º do mesmo artigo: § 5º No caso de ofensa a inscrito na OAB. (Observação) Dispõe o parágrafo 1 do mesmo artigo: § 1º Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI: 1) aos processos sob regime de segredo de justiça. o conselho competente deve promover o desagravo público do ofendido. perante qualquer juízo. em cartório ou na repartição competente. XVII . XIII . pelo prazo de quinze minutos. bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas. quando ofendido no exercício da profissão ou em razão dela.105-7 – o Tribunal. mesmo sem procuração.examinar. assegurada a obtenção de cópias. autos de processos findos ou em andamento.sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo. tribunal ou autoridade. pelo prazo de dez dias.ser publicamente desagravado.reclamar. XI .

delegacias de polícia e presídios. difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte. por MAIORIA de votos. não constituindo injúria. julgou parcialmente procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade da expressão " ou desacato ". mediante comunicação protocolizada em juízo. contida no § 4 º do art.906/94). fóruns. mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte. bem como sobre fato que constitua sigilo profissional. § 2º O advogado tem imunidade profissional.XIX . 7 º da Lei nº 8. § 4º O Poder Judiciário e o Poder Executivo devem instalar. 7º).recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar. sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB. (Vide ADIN 1. o Tribunal julgou o pedido parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade da expressão "e controle". salas especiais permanentes para os advogados. ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi advogado. no exercício de sua atividade.127-8 – por maioria de votos. contida no § 2º do art. XX . em todos os juizados.127-8 – o Tribunal.retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para ato judicial. 251 . tribunais. (Vide ADIN 1. pelos excessos que cometer. com uso e controle assegurados à OAB. após trinta minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha comparecido a autoridade que deva presidir a ele. em juízo ou fora dele.

estabelecendo um conjunto de regras e determinando o que é certo ou errado. Os fatos sociais não podem ser confundidos com os fenômenos orgânicos nem com os psíquicos. surgida na Alemanha no séc. O HISTORICISMO. maneiras de agir. Chegam a cada um de nós do exterior e não têm sua origem em nenhuma consciência particular..característica relacionada com a força dos padrões culturais do grupo que os indivíduos integram. Esquecidas as prenoções devemos analisar os fatos sociais cientificamente. independente das manifestações individuais que possa ter”. Essas “noções vulgares” desfiguram o verdadeiro aspecto das coisas.. dos usos e até das modas. o Direito é fato social. Segundo Emile Durkheim. será fato jurídico aquele evento. constituem uma espécie nova de fatos. Generalidade . morais. etc. pensar. um fato social “é toda maneira de agir. por exemplo. fixa ou não. assim. O efeito de coação externa de um fato social é fácil de constatar quando se traduz por uma reação direta da sociedade. 252 . Estes padrões culturais são fortes de tal maneira que obrigam os indivíduos a cumpri-los. Variam de cultura para cultura e tem como base a moral social. NELSON ROSENVALD discorre sobre o fato jurídico nos seguintes termos: “a norma jurídica representa. piedade. As prenoções são capazes de dominar o espírito e substituir a realidade. XIX para combater a Escola Exegética. também conhecido como Escola dos Pandectistas.N. o que distingue o fato jurídico do fato material não é a origem. as quais são compartilhadas. costumes.os fatos sociais existem não para um indivíduo específico. suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior ou mais ainda. O sociólogo francês defende que estes têm três características: Coercitividade . Precisamos limpar toda a mente de prenoções antes de analisarmos fatos sociais. Para Durkheim. como é o caso do direito. "coisa" é aquilo que é dotado de uma lógica própria. das tradições. São todas as maneiras de ser. Exterioridade . mas para a coletividade. que repercutir na esfera jurídica. oriundo das condutas humanas. permitido ou proibido. das crenças.esta característica transmite o fato desses padrões de cultura serem "exteriores aos indivíduos". derivado das condutas humanas. Sociologia do Direito/Filosofia do Direito 1. apresentando um existência própria. os Fatos Sociais constituem o objeto de estudo da Sociologia. indignação. etc.. Para esta corrente do pensamento jurídico. de virem do exterior e de serem independentes das suas consciências. pois decorrem da vida em sociedade. ou seja ao fato. São fatos sociais: regras jurídicas. dogmas religiosos. Existem também as correntes sociais.. Devemos considerar os fatos sociais como “coisas”.. dos usos e costumes. Em breve síntese. fazer. das regras morais de um povo. Fato jurídico e fato social (relações) Objeto central da sociologia de Émile Durkheim. agir e sentir desde que compartilhadas coletivamente. Podemos perceber a generalidade pela propagação das tendências dos grupos pela sociedade.. seja qual for a sua natureza e origem. que é geral na extensão de uma dada sociedade. O Direito seria algo palpável. como as grandes manifestações de entusiasmo. a valoração de fatos.

que se desenvolve através de leis estatais. que diz respeito à sua organização. sociologia genética do direito e a sociologia diferencial do direito. hipótese em que o fato social se transforma em fato jurídico. Gurvitch que elaborou a teoria do direito social. resultante do impacto de diferentes fatores sociais. então é preciso que cumpra diferentes momentos.. do direito organizado e prefixado. onde o Direito é uma parte específica da sociologia. do direito organizado e flexível.. Já o filósofo austríaco. A sociologia jurídica surge para amparar o Direito. enquanto fato social. que se manifesta pelo poder discricionário. as normas morais e as normas jurídicas. a morte. o casamento. ou ainda. Como observamos. podemos inferir que ele também é fonte de estudo desta ciência. para que determinado acontecimento esteja inserto no mundo jurídico. do direito espontâneo prefixado.. ou seja. que distribuída na sociedade gera obrigações contratuais de compra e venda. De acordo com o pensamento de Léon Duguit.. as normas econômicas. A micro-sociologia do direito possui uma seguinte abordagem. o fato econômico. A sociologia jurídica é considerada uma ciência nova.. do direito espontâneo flexível... pois refletem direitos e obrigações na sociedade. 253 . asseverou que Aristóteles. jurista francês. Eugen Ehrlich entende que o Espírito das Leis de Montesquieu foi à primeira tentativa de elaboração de um tratado sobre a matéria. no entanto. quando disciplinadas. o fato sociológico e o fato ético. a) definição pela norma jurídica. nesse sentido o Fato econômico se torna fato jurídico. que tenha repercussão na esfera de convivência. como a religião. que ainda não foi reconhecido. uma guerra ou uma revolução bem sucedida. constituem elementos do Direito. como o nascimento. transformação e o caso. como fenômeno sociocultural. d) juricidização do acontecimento. do direito organizado e intuitivo. Nesse sentido. se refere aos grupamentos sociais. o fato se faz norma. As duas primeiras normas se transformam em normas jurídicas quando passam a ter impacto nos sentimentos fundamentais de solidariedade e justiça. a sociologia estuda os fatos sociais. sendo assim. é todo o feito que envolve o convívio humano.. a separação. evidenciado pelas partes sem precisar do procedimento técnico-formal instituído. o Direito se funda num fato. com o intuito de comparar cientificamente suas diferenças e similaridades. c) incidência automática da norma sobre a hipótese valorada. Georges Gurvitch. pesquisando os fatores de seu desenvolvimento. o fato histórico. sendo o Direito um fato social. Existem três formas principais de normas sociais que surgem da interação pessoal nos grupamentos humanos. Thomas Hobbes e Spinoza podiam ser classificados como os primeiros estudiosos e precursores da sociologia do direito. assim como. este último abarca tanto o fato moral quanto o fato jurídico – integrantes da fenomenologia jurídica e social. o homem e suas relações. sociólogo russo. Já o Fato social no sentido stricto sensu.”. ela é uma especialização da sociologia que o observa como fenômeno social. asseguram seu caráter jurídico. também conhecido como Fato sociológico.. A sociedade. A transformação dos fatos também pode ocorrer no que diz respeito à produção de mercado. que se traduz no direito consuetudinário. etc.mas sim a produção dos efeitos na órbita jurídica. inerente à estrutura da polis. Ele é na realidade o fato histórico. b) concreção da hipótese definida na realidade fenomenológica da vida. divide o direito em sociologia sistemática do direito ou micro-sociologia do direito. que tem base na jurisprudência e do direito espontâneo intuitivo. produz imediatamente direito e consequentemente é absorvido como fato jurídico.. A repercussão destes fatos na esfera social. a moral e os costumes... Fato social lato sensu é o fato político.

A partir do momento em que o homem passa a conviver com seu semelhante. ainda. a teoria da justiça. tem sim um aspecto que é relativo. de acordo com o momento histórico. "um animal moral". 2. que dá inicio a toda essa teorização. mas sim como fato social. com toda a certeza. aquilo que dá origem a teoria da justiça é o surgimento do pensamento racional. Admite todas as formas e fontes do direito. afirmando sua origem nos fatores sociais. de convívio social e de consciência moral. as coisas elas não são absolutas. Devemos avaliar. O sociologismo jurídico é a corrente de pensamento filosófico que explica o direito sob a ótica de uma realidade social. portanto. o direito. eles variam de acordo com a cultura. Sócrates achava que era possível se chegar a um conceito verdadeiro sobre as coisas. O pensamento grego é aquele pensamento que dá origem. E o surgimento do pensamento racional está diretamente ligado ao surgimento da própria filosofia. Justiça é o respeito à leis à LEI = JUSTIÇA. os sofistas percebem que as convenções. das sociedades construídas pela predominância do Estado Territorial e consagradas pela a autonomia da vontade individual e das sociedades contemporâneas onde os grupamentos econômicos e o Estado disputam para alcançar um equilíbrio. define o direito como fenômeno social. é possível. e por essa definição surge o Direito. a todo esse problema que é o problema da justiça. Os sofistas inauguram esse modo relativista de enxergar as coisas. das sociedades feudais baseadas no poder da igreja. Seguindo essa temática podemos concluir que o direito é um processo cultural realizado através de um sistema de normas específico. aplicando o método sociológico e os resultados da sociologia ao Direito. a todo esse pensamento. SÓCRATES: Existe uma justiça imutável. não são necessariamente as mesmas. a justiça. as leis variam de acordo com a cultura. considerando todas iguais. mas podemos afirmar. de acordo com a cidade. é variável. Justiça e legalidade A justiça tem sua origem na Grécia. ou seja. consagrando assim o pluralismo jurídico. um novo modelo. para nós ocidentais nasce na Grécia. Por volta do século VII a. o direito. sendo elas. que é igualmente. SOFISTAS: A justiça é relativa à LEI ≠ JUSTIÇA Os sofistas inauguram algo que agente acaba chamando de relativismo.A sociologia diferencial do direito se concentra na tipologia das sociedades totais. das sociedades com homogeneidade tendo como base o princípio teocrático-carismático. uma série de sábios que vão fundar aquilo que nós conhecemos como filosofia. a justiça. das sociedades com homogeneidade baseada no predomínio do grupo domésticopolítico. que o homem não é somente um "animal social". que sem a sociedade não há Direito. das sociedades poli-segmentárias baseadas no misticismo religioso. para em seguida adquirirem formas estruturadas por intermédio de leis e códigos. Portanto. em razão da comunicação do fenômeno moral com o fenômeno social. as coisas elas variam. negando sua vinculação ao Estado. Qual seria causa do surgimento dessa idéia de justiça? qual seria a origem da teoria da justiça dentro do mundo grego? Os autores vão dizer que a causa da justiça. Então o problema da justiça. que de forma natural e espontânea se manifestam no costume. segundo Sócrates conhecer o que é verdadeira 254 .C há no mundo grego o surgimento uma serie de pensadores. É muito complicado dizer que o Direito é criação da sociedade. Sócrates buscou conhecer as coisas de acordo com o modo que elas realmente são. portanto. Observa o direito não como norma ou lei. nascem regras de Direito.

segundo Aristóteles. cada um fazer aquilo para o qual está mais apto. E ele diz que a justiça é igual a virtude. As leis eram a garantia de que seu comportamento social seria virtuoso. a sabedoria. chamada também de justiça universal: Para Aristóteles. de toda a virtude. Para a justiça no sentido estrito. Para Platão. Existem aqueles que nascem com a aptidão da temperança. Em segundo lugar temos a justiça em sentido estrito. justo é tanto aquele que cumpre a lei (justiça em sentido estrito) quanto aquele que realiza a igualdade (justiça em sentido universal). esse é o primeiro sentido de justiça. o que é verdadeiramente a amizade. A justiça em sentido lato. a justiça consiste em distribuir de modo justo. o direito era necessariamente justo. e a tarefa que surge para nós é descobrir qual é a essência da justiça. são aquelas pessoas que obedecem as ordens mais facilmente. As leis estabeleciam dentro das cidades o conjunto das virtudes sociais. porque o pensamento dos sofista era um pensamento relativista. da amabilidade. Esse é o primeiro sentido e o sentido mais amplo daquilo que significa justiça para Aristóteles. Cumprir a lei da sua cidade significa realizar o bem comum daquela cidade. Por outro lado. ou aquilo que os gregos chamam de justiça particular (no sentido mais amplo. assim como a amizade. portanto.justiça. a coragem. você age de modo justo nesse sentido a partir do momento que você cumpre (então tem a ver com cumprir) as leis. dentre elas a justiça. Para Aristóteles. Então. Segundo Aristóteles. Portanto. Nessa justiça a relação é entre indivíduos. PLATÃO: Justiça é fazer cada um a sua parte. ou seja. essas pessoas são naturalmente sabias. legalidade e igualdade. Na república ele discute o conceito de justiça. nos temos aquelas pessoas que já nascem com a virtude preponderante da sabedoria. são as pessoas que deveriam governar. ao pensamento dos sofistas. ao mesmo tempo. se para os sofistas a justiça era relativa. é a justiça típica das relações privadas. ação justa é aquela que obedece a lei). o termo justiça denota. direito e justiça se equivaliam. deve ser um militar. é evitar o excesso. aquelas pessoas incumbidas de riquezas naquela sociedade. e essa pessoas seriam os filósofos. A ação justa tem a ver com cumprir as leis da sua cidade. artesãs. A relação é individuo com 255 . Assim. Então aquele que é naturalmente corajoso deve ser o guardião das cidades. Cada um deve fazer aquela ação que está em conformidade com a sua natureza. o justo é isso. inclusive da virtude da justiça. o excesso ele é algo prejudicial. E essa justiça particular se divide em duas justiças: a) a justiça comutativa ou corretiva. A justiça comutativa. Platão confere importância à natureza. a justiça é uma virtude. então observem que isso é na verdade uma reação ao pensamento anterior. o que é verdadeiramente o amor. b) a justiça distributiva. Sócrates já achava que era possível se chegar ao conhecimento verdadeiro a respeito das coisas. a amabilidade. ARISTÓTELES: Justiça em sentido estrito = cumprir as leis X Justiça em sentido universal = igualdade material. é possível segundo Sócrates conhecer o que é verdadeiramente a piedade. Para Aristóteles as leis garantiam dentro das cidades o conjunto das virtudes. Ele vai dizer em primeiro lugar que o objetivo da virtude. O que é que define a justiça? Platão diz que o justo é fazer cada um o seu. o justo seria que elas fossem agricultores.

SÃO TOMÁS DE AQUINO é um seguidor de Aristóteles do pensamento antigo de justiça. Isso é um problema de justiça distributiva. mesmo sabendo que comete uma injustiça com as pessoas envolvidas.” KANT. Eu sou igual a partir do momento em que sou livre. Na justiça distributiva a relação é entre sociedade e indivíduo. se trata do cumprimento da lei ou da realização da justiça? O 256 . E o que ele entendia por ciência? Ele dizia o seguinte. A partir de Kant justiça passa a ser sinônimo de liberdade mais igualdade. segundo uma igualdade. ou seja. a contribuição importante de Kant para a idéia de justiça é fundar a justiça a partir da ideia de liberdade. Um dos problemas célebres da Filosofia do Direito é o chamado problema da lei injusta: Quando a lei que rege um caso concreto é manifestamente injusta. um direito livre das influencias da política. Não é que Kelsen negasse a justiça. DWORKIN E O PROBLEMA DA LEI INJUSTA. é uma relação de causa e efeito. justiça para Kant tem a ver com essa convivência de liberdade. ciência. quando eu estudo a dilatação dos metais eu consigo por experimentação verificar que se eu aqueço o metal a determinada temperatura o metal dilata. mas nenhuma liberdade pode violar. como dentro de uma sociedade eu devo distribuir a riqueza. e isso então implica apenas o estudo das normas jurídicas. Kelsen pretende retirar da teoria do direito. a lei que constitui o fundamento da justiça e da vida moral do homem. a justiça tem um aspecto subjetivo que é muito grande. Então a justiça é uma espécie de coexistência entre as várias liberdade. se eu perco 100 eu devo receber 100. é apenas a forma mais acentuada de uma questão de fundo: Afinal. assim como o Nilton descobriu as lei pelas quais a natureza funciona. No sentido estrito de justiça. porque a pretensão de Kelsen era obter um direito purificado. decidindo da forma que lhe pareça mais eqüitativa e justa para a situação? Esse problema. não existe proporção). na verdade. Para Kelsen a justiça não é um tema propriamente do direito. Para Kant a liberdade significa autonomia. significa coordenar as varias liberdades.individuo (igualdade aritimética – é uma relação direta. e isso é a liberdade. a justiça é uma ciência normativa. Então Kelsen faz essa critica à justiça. porque é uma igualdade entre liberdade. Kant dizia que Rousseau era o Nilton da moral. Agora a justiça ela não vai funcionar desse modo. Daí o nome teoria pura do direito. da religião. porque fazer ciência é como eu estudar a dilatação dos metais. mas Kelsen dizia o seguinte. pode determinar a liberdade do outro. a justiça não pode ser estudada de um modo cientifico. a essência da justiça é a liberdade. Para Kant a o cerne da justiça é a liberdade. da economia. geométrica). ele vai dizer: “A Justiça consiste na disposição constante da vontade em dar a cada um o que é seu. De certo modo. a igualdade se encontra aí também. A justiça distributiva trabalha com o problema de como organizar uma sociedade. ou é afastá-la. a justiça. Rousseau descobriu a lei moral do homem. Então a principal contribuição de Kant para a a teorização da justiça é colocar dentro do pensamento da justiça a liberdade. Eu sou livre a partir do momento em que eu cumpro as leis que eu próprio dito. porque a ciência não é uma ciência exata. O problema de se organizar em sociedade é o problema da justiça distributiva (igualdade proporcional. porque. e da justiça. o dever do juiz é aplicá-la. a lei da gravidade por exemplo. o método racional não pode ser aplicado ao estudo da justiça. no Direito. Kelsen tinha até um conceito próprio de justiça. Kelsen pretendia conhecer o direito como ele é. de forma que essas varias liberdades elas sejam preservadas.

Digamos que o juiz se encontra diante de uma lei que estabelece que "O Estado confiscará os bens de todo aquele que for acusado de professar religião ou culto diverso do cristianismo". a eqüidade. que exige que os casos sejam decididos em conformidade com parâmetros anteriores. Dworkin oferece. que exige uma atitude não-valorativa da parte do juiz. que a objetividade do Direito é um mito. Vamos explicar isso melhor. a controvérsia se apresenta como um conflito entre legalidade e justiça. a ênfase na legalidade e a ênfase na justiça pecavam por certa ingenuidade interpretativa. que abundam em tantos ramos do Direito e que são geralmente uma mesclagem das teorias rivais. como veremos. a solução é mais "dialética" do que mista. essas seriam considerações de justiça extrajurídicas. mas também em relação à lei. Ao contrário do que parece. a legitimidade do legislativo. mas uma divergência radical entre ideais políticos contrapostos e igualmente enraizados na cultura jurídica a que pertencemos. numa tradição constitucional. em lugar de criar lei nova. que exige que casos iguais sejam decididos segundo o mesmo critério. a imparcialidade da jurisdição. Em Dworkin. certamente os dois mais importantes ideais normativos do Direito ocidental moderno. contudo. todas elas se tornaram verdadeiras normas jurídicas. que poderá ser declarada injusta sempre que assim for o caso. meras exigências subjetivas em relação ao comportamento do Estado. O ponto de partida da abordagem que Dworkin fornece para esse problema está na centralidade da interpretação como atividade definidora do Direito. que inflige uma pena àquele que sequer foi ainda condenado por uma sentença definitiva. se o partidário da justiça fosse convidado a dizer por que considera essa uma lei manifestamente injusta. o qual é fornecido pela lei. o que diria? Que ofende o direito de cada um de ter ou não ter fé religiosa conforme sua própria consciência. que usa de uma excusa religiosa para obter receita fácil para o Estado. que exige que o judiciário aplique a lei que existe. que exige que a decisão do juiz seja fruto de algum parâmetro impessoal. na forma daqueles princípios que enunciam 257 . Ora. e não do exercício de sua prudência. Na Idade Média e no Absolutismo. confrontadas com a posição de Dworkin. sem atentar para as contradições internas entre elas . Segundo ele. não faz sentido opor legalidade e justiça. a única solução possível para a controvérsia. seja porque a opção por um lado estará sempre sacrificando o outro e tornando o lado escolhido menos valioso do que seria se devidamente associado com o outro. mas que não contariam com força institucional. Após as Constituições. que contraria a máxima da separação entre Estado e Igreja. Por sua vez. Pode-se dizer que. que a eqüidade é uma exigência sem sentido quando leva a que uma pessoa seja tratado de modo tão injusto quanto uma outra. que a legitimidade do legislativo não pode ser tal que o autorize a impor obrigações injustas aos seus representados. aqueles que se inclinam para a realização da justiça também têm refutações a todas essas justificativas: que a segurança jurídica só pode ser um ideal válido quando a lei assegurada é justa. porque não há legalidade sem justiça. a objetividade do Direito como ciência. porque aplicar a lei injusta já é tomar uma posição valorativa. Exatamente por isso. Aqueles que se inclinam para o cumprimento da lei têm várias justificativas para isso: a segurança jurídica. Colocada dessa forma.confissão da incapacidade do autor de elaborar uma solução satisfatória para um conflito radical. é virtualmente insolúvel. a nosso ver. essa não é uma daquelas odiosas teorias "mistas". nem justiça sem legalidade. porque o que os separa não é um tipo qualquer de divergência. seja porque os partidários de um dos lados jamais conseguirão convencer os partidários do lado oposto. e que a imparcialidade não deve existir apenas em relação às partes.caso da lei manifestamente injusta é apenas o experimento mental mais conveniente para elevar essa dicotomia à sua potência máxima.

e nem todos seriam desse tipo. em cada caso. Liberdade religiosa. São casos em que. Contudo. a questão se dissolve. perder sua validade jurídica. Não há necessidade de escolher entre seguir a lei ou a justiça. isso sim. mas sim de saber qual interpretação da lei permitirá realizar melhor certo ideal de justiça ou qual ideal de justiça vale mais à pena ser perseguido. Noutro exemplo. Mas ilustra bem a tese de que. não são tão simples e diretos quanto este. não presente em todas as tradições constitucionais) e voilá: a lei poderia ser declarada inconstitucional. Há. uma necessidade de responder. dessa forma. seja pela controvérsia política. tanto o partidário da legalidade como o partidário da justiça sairiam satisfeitos. seja pela diversidade interpretativa. que maneira de seguir a lei realiza mais a justiça e que maneira de seguir a justiça realiza mais o ideal de justiça contemplado pela lei. Políticas de ação afirmativa. separação entre Estado e Igreja. não ser aplicada ao caso concreto e. entre discriminação racial prejudicial e benéfica etc. ou melhor. presunção de inocência e proibição do confisco são normas reconhecidas em todas as Constituições modernas. Outros casos. Com isso. o problema que se oferece não é o de decidir em conformidade com a lei ou em conformidade com a justiça. Esse é um caso simples. chamados hard cases. contudo. é claro. se o Direito é pensado e aplicado dentro do marco de uma tradição constitucional.direitos fundamentais. passam a ser indispensáveis para verificação da própria legalidade. por exemplo. decisões sobre responsabilidade do fabricante em acidentes de automóveis podem opor direitos como segurança do indivíduo e do público e políticas como a de restrição do ônus indenizatório e não oneração excessiva das indústrias nacionais. é preciso fazer escolhas radicais. mesmo nesses casos difíceis. Some-se a isso um poder de controle difuso de constitucionalidade das leis (esse. desafiam a hermenêutica comum do princípio de igualdade. em que escolhas precisam ser feitas ainda que com sacrifício de convicções e práticas relevantes. Isso já resolve uma multidão de easy cases em que a lei é manifestamente injusta na medida em que manifestamente viola princípios constitucionais. obrigando a fazer uma escolha entre igualdade como tratamento uniforme ou como tratamento compensatório. creio. 258 . então as considerações de justiça passam a ser internas à legalidade.

quando mais frequentemente e com maior assiduidade se ocupa a reflexão: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim” – Kant. nenhum objeto seria pensado. adéqua-se às leis do sujeito. por sua vez. Julgar é unificar o múltiplo. Isso quer dizer que os sentidos absorvem da experiência dados. A esse trabalho de unificação Kant denomina síntese. nenhum objeto nos seria dado. e que lhe é acrescida para dotá-la de necessidade e de universalidade. O sujeito é a unidade absoluta e originária: “eu penso”. ao ser conhecido. É dessa união que surge o conhecimento. nenhum objeto nos seria dado. Kant afirma que tanto a razão quanto a experiência são necessárias para compreender o mundo: “Sem sensibilidade. e não ao OBJETO que se pretende conhecer (“Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre novas e crescentes. Kant confere importância ao SUJEITO que conhece. Os juízos sintéticos são aqueles nos quais a razão. também não decorre da intuição sensível. informações. não é o sujeito que. Teoria Geral do Direito e da Política 1. Resultam de uma experiência. mas do sujeito do conhecimento. ele é o ordenador. mas é objeto que deve girar em torno do sujeito. produto da experiência. as intuições são cegas. sem conteúdo. que faz atribuir ao sujeito um predicado não contido nele e que. O conhecimento só é possível para Kant na medida em que interagem condições mentais advindas da EXPERIÊNCIA (o que os sentidos percebem) como condições formais de conhecimento. sem intelecto. O imperativo categórico (Kant) Para Kant existem dois mundos: “nossos corpos e o mundo externo”. Kant também inverteu a relação entre sujeito e objeto do conhecimento: não é o sujeito que deve girar em torno do objeto. O intelecto possui a faculdade de julgar. Conclusão: o sujeito ordena e conduz o conhecimento. Crítica da razão prática). “autoconsciência”. Revolução copernicana de Kant: Kant demonstra que a ciência depende não do objeto. independente da experiência. Têm caráter universal e são necessários. mas não acrescentam nada de novo no sujeito. sendo que a RAZÃO organiza. Teoria desenvolvida na “Crítica da Razão Pura”. Sem sensibilidade. É esse o racionalismo Kantiano que posteriormente irá redundar no “idealismo racional Hegeliano” (o REAL é RACIONAL. sem conceitos. as intuições são cegas”. 259 . mas é o objeto que. A experiência é o início do conhecimento. Analogicamente a Copérnico. O conhecimento é dado pelas SENSAÇÕES. mas sozinha é incapaz de produzir conhecimento. Sem conteúdo. Os sintéticos são a posteriori. Segundo Kant. os pensamentos são vazios. O conhecimento nasce do concurso de ambos. o homem governa-se com base em leis inteligíveis (puramente racionais) e naturais (empíricas e sensíveis). sem conceitos. Para Kant. ao conhecer. Kant formula a doutrina da RAZÃO PRÁTICA e da RAZÃO TEÓRICA.O. e o RACIONAL é REAL). os pensamentos são vazios. descobre as leis do objeto. A teoria Kantiana do conhecimento informa que os objetos são contaminados pela razão humana. Com base nessa sistemática. é também uma condição pressuposta. Os juízos analíticos são a priori. sem intelecto. nenhum objeto seria pensado.

os imperativos condicionados do primeiro tipo são normas técnicas. Os imperativos categóricos seriam próprios. com base na forma. três tipos de normas: as normas éticas. como por exemplo: “Se você quiser ser feliz. Concluindo. A vontade heterônoma é movida por algum condicionante externo. ou com nenhum outro fim a não ser o seu cumprimento enquanto ação devida. Este segundo fim se distingue do primeiro porque. isto é. é cumprida condicionalmente para a obtenção do fim. uma ação boa em sentido absoluto. Diferença entre imperativo hipotético e categórico: O IMPERATIVO HIPOTÉTICO é aquele no qual há uma condição ou algo estranho ao próprio imperativo. É um imperativo hipotético o seguinte: “se você quiser sarar do resfriado. da legislação moral e podem. por ser condicionado (ou seja. Exemplo do segundo fim (um fim real) são as regras que Kant chama de prudência. A obrigatoriedade não está condicionada por alguma punição ou recompensa externa.A partir das conclusões a que chegou na “Crítica da Razão Pura”. mas boa somente quando se deseja. isto é. isto é. deve X”. cuja fórmula é: “Se você quiser Y. as normas técnicas. O IMPERATIVO CATEGÓRICO (legislação moral) é aquele no qual não há condição externa alguma. A rigor. como por exemplo: “Se quiser aprender latim. um fim possível ou um fim real. os atos humanos podem estar inseridos na moralidade e na legalidade. Exemplo do primeiro (um fim possível) fim são as regras que Kant chama de habilidade. cuja fórmula é: “Visto que você deve Y. a felicidade é um fim cuja obtenção não é deixada à livre escolha do indivíduo. Uma vontade é plena e pura quando é autônoma e suas ações são movidas por imperativos categóricos. O “se” condiciona o agir por submetê-lo a um fim externo (não ser preso). ou se deve. segundo Kant. que deve ser cumprida incondicionalmente. cuja fórmula é: “Você deve X”. Quanto aos imperativos hipotéticos. a obra em que desenvolve seus conceitos éticos foi a “Fundamentação da 260 . deve tomar aspirina”. condicionado à obtenção do fim) não se exprime com uma proposição hipotética. não furtes. como o de aprender latim. para Kant pode-se distinguir. os do segundo são normas pragmáticas. assim. mas é um fim intrínseco à própria natureza do homem. A evidência acerca da existência e do valor da consciência é tão grande quanto a da existência e do valor das leis das ciências físico-matemáticas. Kant distinguiu aqui autonomia de heteronomia. como diz Kant. distinguem-se. Dentre estas outras atividades humanas encontra-se a consciência moral. segundo Kant. as normas pragmáticas. uma ação que não é boa em sentido absoluto. um fim que os homens podem perseguir ou não. ou um fim que os homens não podem deixar de perseguir. Seguindo a terminologia de Kant. deve dominar as paixões”. que podemos adotar. A sua fórmula correta é: “Visto que deve Y. Ex: se não queres ser preso. em duas subespécies. É um imperativo categórico ao seguinte: Não se deve “mentir”. ser chamadas de normas éticas. deve X”. Imperativos categóricos são aqueles que prescrevem uma ação boa em si mesma. de acordo com o fim a que a norma se refere. Os juízos morais estariam dotados da mesma força que os juízos sintéticos a priori da ciência. Ética Kantiana: Kant não confunde sua ética com preocupações teleológicas ou utilitaristas. Imperativos hipotéticos são aqueles que prescrevem uma ação boa para atingir um fim. você deve fazer exercícios de tradução do italiano para o latim”. também deve X”. A partir disso. por sua vez. portanto. ao menos conforme Kant. atingir um fim determinado e. um imperativo desse gênero. Kant reconheceu que a atividade humana não se esgota na atividade cognoscitiva.

É um RACIONALISTA! Toda sua teoria do conhecimento vem marcada pela idéia de que a realidade mora na racionalidade. Fazer uso de outrem é torná-lo meio. o homem no sentido de alcançar objetivos práticos. auxiliar a outrem. Todo homem é um fim em si mesmo. nas sendas práticas. ou seja. (o A PRIORI é tudo aquilo que é válido independentemente de qualquer condição ou imposição derivada da experiência) O imperativo categórico guiaria. do querer. A doutrina da COERCITIVIDADE começa a ganhar alento com a filosofia Kantiana. Kant é um divisor de águas com o jusnaturalismo. A autonomia da vontade no agir de acordo com a máxima de vida gerada pelo imperativo categórico são pontos fortes e altos do sistema ético Kantiano.l é o que dimana da vontade de um legislador. segundo uma máxima tal. e pelo só fato de segui-lo em si e por si. O agir jurídico pressupões outros fins. do escolher eticamente. ou de que o sujeito é o construtor da realidade das coisas na idealidade da razão. A ética é um compromisso d seguir o próprio preceito ético fundamental.. desejo de manter-se afastado de repreensões. o conjunto de idéias mais impactante e que maior efeitos produziu sobre o espírito moderno foi o sistema filosófico hegeliano (1770-1831). Kant preocupa-se em fundamentar a prática moral em uma lei aprioristicamente inerente à racionalidade universal humana. etc. medo de escândalo. É a condição por meio da qual o arbítrio de uma pessoa possa coexistir com o arbítrio dos outros. pelo contrário. se se trata de um imperativo A PRIORI.. 2. não se realiza uma ação conforme à lei positiva somente porque se trata de uma lei positiva. A preocupação de Kant está em dizer que a razão humana é insuficiente para alcançar o modelo de realização da felicidade. 261 . a liberdade de um não se transforma numa não liberdade para os outros. que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal. (legislação interna = ética. realizar-se na felicidade. legislação externa = jurídica) O direito natural ou racional e. A ação conforme a lei é movida pelo temor da sanção. é tratá-lo em completa afronta com o dever moral. O direito é uma forma universal de coexistência dos arbítrios simples. A liberdade está indistintamente ligada à noção de autonomia.). Somente onde a liberdade é limitada. prevenção de desgastes. quer garantir a absoluta igualdade aos seres racionais ante à lei moral universal. para Kant. Kant detecta na RAZÃO um instrumento incapaz de fornecer todas as explicações e de produzir todas as deduções necessárias para explicar as razões últimas do existir.” CATEGÓRICO: “age De qualquer forma. mas que deriva da pura reazão. mas pelo simples fato de colocar-se d acordo com a máxima do imperativo categórico. que se expressa por meio do IMPERATIVO só. significa que se trata de algo que não deriva da experiência. O homem que age moralmente deverá fazê-lo não porque visa à realização de qualquer outro algo (alcançar o prazer. pois converte sua doutrina num conjunto mais próximo do racionalismo. O espírito absoluto (Hegel) Após Kant.metafísica dos costumes”. como a felicidade. O direito positivo ou estatuído. o conjunto de leis jurídicas cuja obrigatoriedade pode ser estabelecida A PRIORI.

preocupação que está ausente na reflexão Kantiana. assim. Ele nega dogmaticamente qualquer limite ao conhecimento: o próprio absoluto é cognoscível. que é a alma. Por isso. “ser é ser pensado”) Dizer que o real é racional não é o mesmo que dizer que todo o real é racional. nessa medida. O idealismo de Hegel se expressa pelo estudo do espírito. o ESPÍRITO SUBJETIVO. O ESPÍRITO OBJETIVO. em todas as dimensões. o ESPÍRITO OBJETIVO. Todo o real só é real porque é conhecido por um sujeito que lhe identifica como real. No entanto. que é arte. o ABSOLUTO. infinita em si.Para Hegel. filosofia é também sumamente importante para o homem (espírito ABSOLUTO). moralidade e costume. O primeira nota distintiva da filosofia hegeliana. a saber: o espírito como algo diverso da realidade que o circunda. filosofia. religião. 262 . políticas e subjetivas: O DIREITO é a liberdade em seu grau máximo. o que é racional é real. é de se reconhecer que a matriz teórica de Hegel foi o criticismo de Kant. Se a ração (espírito SUBJETIVO) é importante para o homem. o que foi seguido por Karl Marx e sua dialética da história. O “caos”. (“ser” para o idealista não é outra coisa senão idéia. encaminhando. partindo da idéia fundamental do espírito como síntese A PRIORI. a Hegel nunca concebeu a razão de maneira abstrata. o evento que houve por bem reestruturar toda a cadeia de relações humanas secularmente sedimentadas. dogmatismo é. A teoria do conhecimento hegeliana se reveste de um certo tom de teoria do ser. o ser possui existência racional. mas sobretudo existência consciente. se projeta em liberdade e faz liberdade. determina a liberdade e suas aplicações sociais. Para Hegel. alguns chamam de PANLOGISMO. o espírito como plenamente consciente de si e conhecedor de si. e. o que não pode ser conhecido não possui lugar lógico. sua abstração lógica mais genérica e. aquilo que já foi conhecido. moralidade. É impossível que o ESPÍRITO ABSOLUTO manifeste-se sem que tenha havido anteriormente uma progressiva evolução do ESPÍRITO SUBJETIVO. razão. a doutrina do espírito envolve a compreensão do que seja o espírito e de quais sejam as expressões do espírito. A essa ideologia de Hegel. que é direito. a realização do espírito se dá na história. É de se destacar a preocupação de Hegel com o vivido sentido da Revolução Francesa. A vida humana não é simplesmente existência. consciência. o espírito como ser de liberdade. Opera-se uma fusão entre a metafísica e a gnoseologia. aquilo que é desorganizado. separada dos dados empíricos. em todos os sentidos em que pode aparecer. que se manifesta em direito. e de suas manifestações em todas as latitudes. que se projeta para fora de modo imperfeito. portanto. o que distingue a filosofia de Hegel da de Kant é o desejo de levar a posição Kantiana até as que lhe parecem ser as últimas consequências. apesar de ser real não é racional. como força sintética constitutiva da realidade cognoscível. o ser para dentro da redoma da lógica. naturalmente. o Espírito torna-se um ser para si (autonomia humana) à medida que se liberta e se distingue do ser em si (natureza). já se tornou racional. ESPÍRITO Para Hegel. costume. ao contrário. O idealismo racional: o que é real é racional. uma vez que tudo se logiciza.

é esse um meio neutro de solução de conflitos. o que traz como consequência a negação da existência de qualquer ordem jurídica metafísica. Se os indivíduos possuem direitos. O Direito consubstancia-se por meio da legislação. com base na legislação os indivíduos agem para a defesa e construção de seus direitos. A sociedade nasce espontaneamente. de cultural. o Estado se cria posteriormente. e querido universalmente e adquire a sua validade e realidade objetiva pela mediação desse saber e desse querer. por meio da sentença. O racionalismo do sistema jurídico há de imperar não somente quando se trata de pensar na lei. O Direito é. é o regresso da vontade em si. códigos. e. mas em si e para si. por meio dela valora a sociedade e as pessoas. não um em si imediato e natural. a síntese (costume) entre direito (tese) e moral (antítese). controle e racionalidade inerentes ao ordenamento jurídico. efetivamente. o direito positivo. mas também quando se trata de pensar na aplicação da lei. O crime consiste. Justiça e direito para Hegel: referido filósofo tem uma concepção crítica das propostas jusnaturalistas (racionalismo abstrato do direito natural) e da escola histórica (irracionalismo fático ou empírico). O direito é o existir da vontade livre. não apenas o aspecto particular da absorção da coisa na minha vontade. tal como a do direito natural. pois. a liberdade em geral como idéia. 3. então. de lógico. O sistema do Direito é o império da liberdade realizada. 263 . de absoluto. Nele são negados. de relativo. mais que isso. inclusive com vista na proteção das liberdades individuais. O COSTUME é a objetivação do que mora no sujeito em termos de moralidade e. A filosofia do Direito aparece como forma de manifestação da lógica (PANLOGISMO). Moral é a vontade no momento em que deixa de ser infinita em si para o ser para si. efetivamente existente na realidade social. A idéia de justiça é a expressão mais lúcida da racionalidade do direito e do Estado. e isto com vista na melhor construção e adequação dos interesses. de abstrato. na negação da negação instituída pelo Estado. O Direito não se esvai em um querer arbitrário. a realidade efetiva do direito. e se projeta para dentro. A idéia de Justiça é. o normativismo jurídico aceita os seus dois principais postulados. O Direito é. enquanto liberdade efetiva ou vontade livre. A jurisdição é o direito de cada um. O Direito abstrato é direito de COAÇÃO. mas também o que há de universal e infinito no predicado do que me pertence – a capacidade jurídica – e isso sem que haja mediação da minha opinião.A MORALIDADE é a liberdade voltada para o sujeito que dela se vale. Há no Direito manifestado algo de universal. uma manifestação contrária aos anseios de ordem. O crime é. ou seja. portanto. assim como algo de concreto. porque na lógica está contida toda a liberdade dos conceitos e a idéia de igualdade das pessoas. quais sejam: a) limitação do objeto de estudo ao direito posto. em face do outro. portanto. é um querer racional. A norma fundamental (Kelsen) O normativismo é uma escola do pensamento jurídico de matriz juspositivista surgida no início do século XX. algo de conhecido e reconhecido. Por ser juspositivista. pois ato injusto é uma violência contra a existência da minha liberdade numa coisa exterior. concretizações que são da noção abstrata do Direito. esses direitos vêm pela ordem jurídica. assim surgem as leis.

pela qual se seleciona certos fato ou atos que. de um lado. país para o qual emigrou em razão de sua ascendência judaica e da ascensão do nazismo na Europa. Tal corrente jamais desprezou a ideia de princípio jurídico. no que se diferenciam. que não se identifica pura e simplesmente com uma pena. Ainda que o normativismo jurídico não se resolva em mero logicismo. tais como o legislador e o juiz. religiões – graças à possibilidade de reconduzir todos os elementos do sistema a uma instância unificadora chamada de norma fundamental (Grundnorm). As primeiras são criadas pelas fontes produtoras de direito. podendo se mostrar enquanto regra ou princípio. de outro. trata-se de um resultado que se liga ao pressuposto normativo estatuído na primeira parte da norma. de modo que uma causa provoca necessariamente um efeito. central para o neoconstitucionalismo. objetos formais da ciência do direito.g. O normativismo kelseniano – também chamado de normativismo lógico – baseia-se na rigorosa distinção entre as esferas do ser (Sein) e do dever-ser (Sollen). comportam-se com regularidade. esta lançada quando Kelsen residia nos Estados Unidos da América. configurando antes uma consequência normativa – positiva (sanção premial) ou negativa (sanção punitiva) – no sentido lógico. respectivamente. comandam e definem competências. Essa diferenciação do ser e do dever ser repousa na distinção entre CAUSALIDADE e IMPUTAÇÃO e suas consequências lógico-teóricas: CAUSALIDADE: (ciências naturais) relação entre causa e efeito. A norma jurídica é a estrutura mais abrangente e ao mesmo tempo mais simples do universo jurídico. O centro gravitacional do projeto universalista de Kelsen radica-se no conceito de norma jurídica. acolhendo a lição de Aristóteles. para quem só é possível fazer ciência do universal. as segundas constituem o resultado teórico do estudo das normas jurídicas. a partir de então. 264 . qual seja. díade que funda o dualismo epistemológico entre fato e valor. rumo à Somente a partir da obra de Hans Kelsen (1881-1973) o normativismo jurídico ganhou densidade teórico-filosófica. e as proposições jurídicas (Rechtssätze) que as descrevem. cuja segunda – e definitiva – edição foi publicada em 1960. moralidade social. Os princípios básicos do normativismo jurídico encontram-se expostos na “Teoria Pura do Direito” (“Reine Rechtslehre”) de Kelsen. apresentando sanções socialmente organizadas e imanentes. dever-ser objetivo mediante o qual caracterizamos o direito enquanto uma ordem sancionatória diversa das demais – v. das normas sociais e das normas religiosas. Este não estatui normas jurídicas. motivo pelo qual muitas das críticas contemporâneas dirigidas ao normativismo carecem de sentido. passam a ser interpretados como jurígenos. ou seja. e cognição e volição. eis que o particular escapa à capacidade generalizante e sintetizante própria do entendimento humano. apenas as descreve mediante procedimentos científicos e tendo em vista a categoria básica que lhes confere realidade. Na Teoria Pura do Direito Kelsen se preocupa com a forma do direito.. cabendo a sua criação unicamente ao cientista do direito. As normas jurídicas são comandos dirigidos à conduta humana que permitem. Kelsen insiste na diferença existente entre as normas jurídicas.b) assunção de uma postura epistemológica orientada avaloratividade e à construção de um discurso científico rigoroso. a validade. estudada pelas ciências naturais. proíbem. devemos atentar para a estrutura lógica da sanção.

Kelsen não diferencia os planos de EXISTÊNCIA e de VALIDADE da norma. a sanção pode ser.IMPUTAÇÃO: (ciências sociais) relação entre condição e consequência ligam-se pela imputação de uma sanção a um comportamento. sob pena de não conseguirmos distinguir as normas estatais daquelas postas por um bando de mafiosos. Mas o mínimo de eficácia não é pressuposto da validade. sociológica. Contudo. Os pressupostos 265 . ambos coincidem. a norma fundamental é tratada enquanto HIPÓTESE LÓGICO-TRANSCENDENTAL. um mínimo de eficácia é condição de validade. seja válida. a norma jurídica pode ou não ser EFICAZ. violando. Kelsen sublinha a desvinculação existente entre as esferas da validade e da eficácia. do que decorre a máxima jusnormativista segundo a qual o direito regula a sua própria criação. Uma vez existente. a norma jurídica não precisa ser eficaz. Ademais. O dever ser jurídico não se enraíza em qualquer fato social. É justamente o caráter hipotético da norma fundamental – enquanto se trata de algo não demonstrado. na esfera do Direito. nesse sentido. Kelsen reelaborou o estatuto teórico da norma fundamental. Para tanto. o que pode se dar de maneira automática. A ficção seria algo diferente da hipótese porque esta precisa ser comprovada. portanto. a validade (contradição consigo mesma). Para ser válida. é preciso que a norma jurídica apresente conformidade material em relação ao ordenamento a que pertence. qual seja. é preciso que tenha sido criada por autoridades competentes e segundo procedimentos juridicamente adequados. papel reservado exclusivamente à norma fundamental. como no caso de normas que definem competências e situações jurídicas. aquela de natureza formal. configurando-se logicamente enquanto sentido objetivo de atos de vontade. mas assumido – o elemento que serve para opô-la à metafísica jusnaturalista. A objetividade das normas jurídicas decorre da circunstância de se fundamentarem as inferiores nas superiores. visto que a norma jurídica válida pode perder tal atributo ao longo do tempo em razão do desuso. e esta material. ou b) a aplicação coercitiva de sanções negativas pelos órgãos autorizados a tanto. Com efeito. compreendidas sistematicamente como elementos da pirâmide normativa (Stufenbau) cujo ápice. Em diversos momentos de sua obra. Daí a existência da norma jurídica ser formal e não factual. quando há: a) o cumprimento espontâneo do dever jurídico por parte dos jurisdicionados. Segundo Kelsen. Denominamos eficácia a produção factual de efeitos normativos. ou de forma diferida. é imprescindível a noção de norma fundamental. tarefa central da teoria jurídica kelseniana. As primeiras tentativas de Kelsen o levaram a conceber a norma fundamental enquanto uma ficção jurídica. no direito interno de cada Estado. radica-se na Constituição. é necessário proceder a uma objetivação do comando normativo. como pode não ser aplicada. não é condicionado por nada que possa perverter sua natureza de puro dever ser. histórico. Conforme ensina o normativismo lógico. A distinção entre o ser e o dever ser reside nessa diferenciação entre causalidade e imputação. Na última edição da “Teoria Pura do Direito”. ela não é posta por nenhum ato real de vontade (contradição com a realidade) e não pressupõe qualquer norma superior que lhe conceda sentido objetivo de dever-ser. A norma jurídica é encarada como um possível esquema de interpretação de condutas humanas. Para que a norma jurídica exista. lógica. sua própria condição de existência.

dado que a cognição transcendental não se ocupa de objetos. originariamente. A Grundnorm torna possível a criação epistemológica do direito. Kelsen a concebe enquanto hipótese lógico-transcendental na esteira do criticismo kantiano. de seres. Por outro lado. Kelsen ataca tanto o jusnaturalismo quanto o positivismo jurídico acrítico. limitando seu objeto. mas de produtos do pensamento que servem como fundamento para a cognição científica. a exemplo das normas fundamentais do direito natural – equivale a dizer que a Grundnorm se destina a um uso a priori. que por sua vez teria que se reconduzir a outro ato de poder validante e assim infinitamente – pelo pensamento jurídico. entendê-la como transcendental – e não transcendente. Não se trata de pressupostos incondicionais. transcendental aplica-se sempre.” A norma fundamental kelseniana limita a cognição legal ao material jurídico dado na experiência. aquilo que é uma condição a priori e não um dado da experiência. tais como as noções de justiça comuns nas escolas jusnaturalistas. pois dependeria de um ato de poder.transcendentais necessários à cognição de quaisquer objetos não se resolvem enquanto meras aceitações de entes fictícios. conforme ensina Kant. quer ao falar de realidades. a um conhecimento. Sustentar que a norma fundamental kelseniana é uma hipótese significa limitar o seu campo de validade epistemológica. eis que. necessária caso se queira conferir interpretações científicas aos objetos de estudo da ciência do direito. Levando em consideração que a norma fundamental não pode ser auto-evidente. ou seja. Ao conceber a norma fundamental enquanto hipótese lógico-transcendental. transcendente é: “aquilo que está além de toda experiência possível. mas sim com o modo pelo qual podemos conhecê-los. Trata-se então de uma norma pressuposta – não poderia ser posta. É preciso ter sempre em mente a diferenciação entre “transcendental” e “transcendente”: Em Kant. quer ao falar de princípios de conhecimento. desde que cumpridas certas condições. 266 . totalmente independente da experiência. Para Kelsen a falácia jusnaturalista – derivar normas (mandamentos jusnaturais) de fatos (natureza) – só pode ser superada quando pressupomos uma norma fundamental vazia de conteúdo e meramente definidora de competências normativas. sendo imprestável para a cognição de absolutos. acaba por lhe conferir existência específica mediante a remissão a um dever-ser (Sollen) fundante. Por outro lado.