Bruno Daniel de Santa Rita Gama - 2015490092

História das Relações Internacionais II
Fábio Koifman
Texto 9 - HOBSBAWM, Eric J. “Conflitos e Guerras”. In: A Era do Capital. SP: Paz e Terra,
2005

Seropédica-RJ 2016 PARTE I .

e mesmo. Hobsbawn conclui que. principalmente os domésticos. comparativamente. assim. haveria mais uma leva de conflitos internacionais. não tinham sido totalmente superados. Contudo. Porém Eric Hobsbawm diz que essa junção de problemas internos e externos já não era mais explosiva como antes. Primeiro. provocada por uma classe média liberal e alguns democratas radicais. Assim essa “foi uma época de reformas. Em sua narrativa ele retorna um pouco a história das guerras europeias. Hobsbawn fala que os chefes de estado que figuraram com maior destaque nas histórias tradicionais da Europa deste período eram aqueles que de forma mais sistemática combinavam controle político com diplomacia e controle da máquina do governo. Na qual ele determina que essa tal força era apoiada em três considerações dada a seus dirigentes ou chefes de Estados: Primeiro. eles podiam introduzir mudanças constitucionais de maior magnitude sem drásticas consequências políticas e. Ambos eram profundamente antirrevolucionários e sem nenhuma simpatia pela força política. Afirma que mesmo os problemas sociais pareciam mais contornáveis em virtude da grande expansão. liberalização política. segundo. Segundo. mesmo que suas tarefas tenham sido enormemente facilidades por dois fatores. porque podiam iniciar e terminar guerras quase que pela livre vontade. Na primeira o autor começa relatando a respeito da grande expansão da década de 1850. também. garantindo porém a impossibilidade de que estas oposições viessem a ganhar controle. ainda tinham em mãos a ferramenta da autoridade para tomar a iniciativa e controlar ou manipular os acontecimentos a seus modos. abordando juntamente a troca entre as políticas doméstica e internacional. A conjuntura desse período histórico foi outro fator predominante. nesta época. Além de tudo. ou seja. tanto a ordem doméstica quanto a internacional podiam ser modificadas em sua maioria configurando. E. como houve no caso da Alemanha. havia a necessidade de decidir o que poderia ser cedido a essas camadas sociais entusiasmadas sem que eles mesmos e as estruturas políticas saíssem prejudicados. eles situavam-se em uma conjuntura política e econômica em transformação. Pois tanto a unificação da Itália (norte) como da Alemanha implicava perca da dominação territorial dos Habsburgos. e até mesmo de algumas concessões ao que era chamado ‘as forças da democracia’”. os problemas políticos. consequentemente. ainda era possível sentir uma tensão não mencionada. por alguma força recém-emergente do movimento operário”. em 1850. então só restava adaptar-se ou usar de seus conhecimentos para articular a situação. apenas um pequeno risco político.O capítulo Conflitos e Guerras do livro A Era do Capital esta dividido em duas partes. trazia a tona exigências por autonomia nacional. E terceiro. Entretanto. ou a menos pela demanda por direitos e representação que. não era mais revolucionária. sendo suficientemente flexíveis para integrar a oposição em seus respectivos sistemas. O autor termina a primeira parte do capítulo afirmando que não se pode diminuir os méritos dos grandes dirigentes políticos da década de 1860. não havia-se um perigo revolucionário e a existência de rivalidades internacionais estava a um nível incontrolável. sobre o período de 1850 e seus adventos tecnológicos junto a expansão capitalista que proporcionaram na Europa uma época de relativa paz. eles tiveram também cuidado em separar unidade nacional de influência popular. devido a abertura de válvulas de escape que reduziam as pressões da massa descontente – pleno emprego e migração. . sendo esses os detentores do poder. cita os exemplos de Camillo Cavour e Bismarck como os mais bem-sucedidos em suas pretensões por serem extremamente lúcidos. Já na segunda parte seu debate está mais focado nas tensões e mudanças internas dentro do sistema das relações internacionais. Itália e do Império dos Habsburgos. das adoções de políticas e instituições adequadas ao desenvolvimento capitalista irrestrito e. independência ou unificação. Dentro disso. que para ele é o marco da fundação de uma economia industrial global e uma história mundial única. a saber. Havia um conflito entre liberalismo e democracia radical. “esses governos encontravam-se novamente sobre agitação política doméstica.

as relações entre estas grandes potencias se baseavam na base da desconfiança. O Estado em que era dado algum tipo de atenção era os Estados Unidos. Rússia. neste raro momento de “paz” na Europa. porém. levava a um nível grande tensão. uma vez que o mesmo se concentrava no continente americano. teve como principal alicerce o medo dos governantes perante os riscos das revoluções. sem esquecer o curioso intercâmbio entre as políticas internacional e doméstica. J. As revoluções de 1848 mostravam que estavam certos. E o mesmo ocorreu. onde pela lenta desintegração do Império Otomano e das ambições conflitantes entre o Rússia e Inglaterra. mas até que o risco de grandes mudanças no sistema internacional através das revoluções. porém facilmente contornadas por atos diplomáticos. o sistema internacional emergiu quase que intacto. fazendo com que ministros não se sintam ameaçados por esta questão. Apesar das guerras serem facilmente travadas. pois apesar de três das cinco grandes potências tivessem sido convulsionadas por elas. principalmente Inglaterra. com exceção parcial da França. desde a queda do primeiro império napoleônico em 1815. somente importava questões referente a relação entre as cinco grandes potências europeias (Inglaterra. Áustria e Prússia). uma vez que havia sido comprovado que guerra e revolução caminhavam juntas. . Hobsbawm mostra as incríveis transformações das relações internacionais no período pós revolucionário de 1848. Apesar deste momento de problemas sendo resolvidos de forma diplomática.PARTE II A segunda parte do texto de E. apresentando um período marcado pela guerra. Antes de 1848 a política externa não tinha tanta importância. havia um certo atrito entre estas grandes potências. mas não necessariamente grandes guerras. O autor tem como foco as tensões e mudanças internas do sistema de relações internacionais. França e Rússia. cujo conflito pudessem resultar em guerras de grande magnitude. França. ainda assim. sua participação nas relações internacionais era desprezível. Por mais de 30 anos. com todos os sistemas políticos internos de todos. Muito pela “Questão do Leste”.

também. vinha a trazer perturbação a um equilíbrio bastante delicado. havia ressurgido da revolução com um império populista sob o domínio de outro Napoleão. sendo mais da metade pelas tropas russas. derivaram direta ou indiretamente da unificação da Alemanha e da Itália. em comparação a carnificina da Guerra da Criméia e dos Estados Unidos. “Não havia nada particularmente francês nestes exercícios de banditismo. Todas foram breves e pouco custosas. Prússia e estados germânicos contra França. Na Rússia temos a emersão de um movimento revolucionário russo. mas a verdade é que o mecanismo de diplomacia para solucionar questões da “Questão do Leste” ruiu temporariamente. que apesar de ocasionalmente divulgar que o “império significa paz”. sendo a principal desta transformação seria o surgimento de um grande estado: a Itália. Os resultados diplomáticos desta guerra foram insignificantes. Sob o peso de mais de 600 mil mortes. Em verdade toda a Europa teve transformações política e até territoriais. o mapa político da Europa estava em transformação graças. O surgimento de uma Itália unificada. quando ela tomava lugar onde as potências europeias estivessem exercitando sua rivalidade. Síria e até mesmo uma aventura pelo Império Mexicano. mesmo com todas estas guerras. No mesmo período outras guerras sangrentas tomaram conta do globo. porém os resultados políticos a longo prazo tenham sido mais pertinentes. como: Paraguai contra seus vizinhos. Hobsbawm lista motivos para isto. A guerra da Criméia talvez tenha sido o mais próximo que a Europa chegou de um conflito global naquele período. Porém. com exceção da Inglaterra. Savoia e os Italianos contra a Áustria. a peso de milhares de vidas. a guerra da Criméia. Prússia e Áustria contra Dinamarca. Há poucas dúvidas que alguém quisesse tal guerra. . 90). a França. Em 12 anos a Europa passou por quatro guerras importantes: França. o processo viria a ser levado a cabo por governos constituídos através da força militar. Prússia e Itália contra Áustria. Apesar das ambições da França neste momento estarem no mundo não-europeu. de uma Alemanha Unida e o colapso causado pela guerra da Criméia no Segundo Império de Napoleão. entre 1856 e 1871. e unificações. o medo de uma guerra global era pouco real para o cidadão Europeu naquele período. Muitas dessas transformações.As décadas posteriores a 1848 se tornariam bem diferente do período anterior. Independente do motivo pela unificação. O primeiro motivo era que o poder com potencial mais instável. guerra civil americana e as guerras de Taiping. realizou e especializou-se em intervenções militares internacionais sobre a China. exceto talvez pelo reconhecimento por parte de Napoleão do valor eleitoral da glória eleitoral” (pág.

O primeiro é que a expansão da industrialização produziu outras potências comerciais além da Inglaterra: Estados Unidos. Por outro lado. A Guerra Americana. Em terceiro lugar. o medo das guerras por consequência das revoluções. depois da guerra da Criméia. Em segundo lugar. esta última que teve importância para as potências. em sua nova roupagem de Império Duo Austro-húngaro. Jogo este que continuará o mesmo. junto com antigos. . que permanecerá o que havia sempre sido. a expansão capitalista global que multiplicava as tensões no mundo não-europeu. uma vez que havia a impressão de um lugar ao sol para todos. uma grande potência apenas no tamanho e na conveniência internacional. criavam pela primeira vez a possibilidade de um conflito global entre potências.Um dos grandes motivos por este período tão sangrento foi em primeiro lugar. Após 1848. que as ambições diplomáticas e a grande população davam direito a participar do jogo de poder. A tecnologia moderna colocava qualquer governo que não a dispusesse a mercê de qualquer outro que a possuísse. um novo tabuleiro e novos. França e até mesmo a Áustria. mesmo com a expansão capitalista daquele momento. pois trazia a possibilidade de passar os fatos da guerra a seus cidadãos. onde três fatos ocorreram. representou bem isto. O mundo não seria mais o mesmo. Segundo é que com o progresso da industrialização fez com que riquezas e a capacidade industrial viessem a ser fatores decisivos no poderio internacional. O boom da guerra tecnológica teve início real após 1860. as mudanças nas estruturas internacionais foram estrondosas. as guerras poderiam utilizar das descobertas tecnológicas em seu favor. ainda não foram suficientes para mudar a supremacia de países desenvolvidos sobre países subdesenvolvidos. as ambições do mundo industrial e os conflitos diretos e indiretos dali surgidos. onde o norte industrializado guerreava com o sul agrícola. O terceiro foi a emergência de dois Estados não europeus. Grandes potencias foram afetadas por isto como a Rússia. a Prússia (Alemanha) e. especialmente na Europa. está não trazia nada além de atritos entre as potências. jogadores. as relações entre potências foram drasticamente modificadas depois de 1848. tendo o Japão se somado somente mais tarde. onde se teve início da utilização das estradas de ferro e outras invenções para fins militares. e a política internacional passaria a ser política mundial. As grandes transformações internacionais deste período. apesar de mais forte que a recém-unificada Itália. independente dos motivos políticos. os Estados Unidos e o Japão. onde a política formal europeia adotada durante longos períodos divergia da política real. não se fazia mais necessários uma vez que se tinham certeza dos mecanismos de controle para isto. como o telegrafo e a câmera. principalmente na década de 1860. muito antes disso. porém agora com novas regras (o capital como forma de poderio). a França. diminuindo a importância militar como parâmetro de poderio.