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2ª ediçã

GEOLOGIA GERAL E DO
B RASIL

1

GeologiaGeraledo
Brasil

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Sumário OS PROCESSOS INTERNOS E OS MATERIAIS TERRESTRES ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ DINÂMICA INTERNA DO PLANETA Estrutura e Composição Interna da Terra Como é o Interior da Terra? Tectônicas de Placas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Falhas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Escala de Tempo Geológico MINERAIS E ROCHAS Ciclo das Rochas Rochas Ígneas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Como se Classificam as Rochas Ígneas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Rochas Sedimentares ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Rochas Sedimentares Detríticas Rochas Sedimentares Químicas Rochas Metamórficas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 06 06 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 06 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 06 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 09 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 13 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 14 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 19 ○ ○ 16 ○ 19 ○ ○ ○ ○ 20 ○ ○ ○ ○ 21 ○ ○ ○ ○ ○ 21 ○ ○ ○ ○ ○ 22 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 24 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 26 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ AS TRANSFORMAÇÕES SOFRIDAS PELAS ROCHAS EM SUPERFÍCIE ○ ○ ○ ○ ○ OS PROCESSOS EXTERNOS E O ESTUDO DA GEOLOGIA ○ ○ ○ ○ ○ Como se Classificam as Rochas Metamórficas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Massificação das Rochas Ígneas de Acordo com sua Composição Mineralógica ○ ○ ○ Classificação das Rochas Ígneas de Acordo com sua Textura ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Deformações e Estruturas Geológicas Dobras ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 28 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 29 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 30 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 33 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 33 3 .

Intemperismo Físico. Químico e Biológico Intemperismo Físico ou Mecânico Intemperismo Químico GeologiaGeraledo Brasil ○ ○ ○ Intemperismo Biológico ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 33 ○ ○ ○ ○ ○ ○ 33 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 34 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 35 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 36 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Cíclo Hidrológico ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 37 ○ ○ Erosão Glacial ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Erosão Marinha ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 38 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 38 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Modelo Terrestre ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Zonas de Latitude Médias (climas temperados) Zonas Áridas e Subáridas ○ Zonas Intertropicais ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ESTUDOS E APLICAÇÕES ○ ○ ○ GEOLÓGICAS ○ ○ ○ Zonas Tropicais com Estação Seca Definida ○ ○ ○ Recursos Naturais Minerais ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 44 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 44 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 45 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 45 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 45 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 46 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 46 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 47 47 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Estudo da Geologia no Ensino Fundamental e Médio ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 42 ○ ○ ○ 42 42 ○ ○ ○ 41 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Interpretação Geológica a Partir de Padrões de Drenagem e Formas de Relevo ○ ○ ○ ○ ○ ○ 40 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 39 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Explosão de Recursos Minerais e Enérgicos Recursos Naturais Energéticos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Controle Litológico e Estrutural da Definição do modelado Terrestre Influêcia Climática na Definição do Modelado Terrestre ○ ○ Identificação do Processo Erosivo Devido a um Aumento do Nível Relativo do mar 4 ○ ○ ○ Erosão Eólica ○ ○ ○ ○ Fatores Climáticos Agentes Erosivos Naturais Erosão Fluvial ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 49 50 .

agravadas ou não pela ação humana. os processos e as mudanças que ocorrem nas rochas em superfície e a formação e importância dos recursos naturais. Profª Iracema Reimão Silva. o entendimento destes e de outros fenômenos naturais pode auxiliar no planejamento de ocupações de áreas de risco e na tomada de decisões de medidas preventivas ou mitigadoras. na maioria das vezes. Recentemente. deixaram milhares de desabrigados. portanto. em geral. têm assustado o mundo. mostrando a nossa impotência frente aos fenômenos naturais: um tsunami devastou vários países asiáticos. uma disciplina complexa e que requer uma adaptação das nossas concepções para uma escala de observação. várias catástrofes naturais. Torna-se. Por outro lado. como o Katrina. estudaremos. no sul dos Estados Unidos. 5 . A Geologia é a ciência que estuda a Terra – estuda os processos que operam na superfície e no interior do planeta e examina os materiais terrestres. inicialmente. Bons estudos. furacões. e de uma escala de tempo. um terremoto na região da Caxemira deixou quase 90. sua composição e aplicabilidade. Neste contexto.Apresentação da Disciplina Caro(a) aluno(a). os processos internos do planeta e os seus principais constituintes e. medido em milhares ou milhões de anos. global ou regional. a partir daí.000 mortos.

as variações no fluxo de calor. um mundo subterrâneo cheio de serpentes marinhas gigantes e outras grotescas criaturas. em “Jornada para o Centro da Terra”. modificando o sistema de drenagem da região. Podemos imaginar este integração analisando. os geólogos tiveram que utilizar mecanismos ou ferramentas que lhes possibilitasse inferir a composição interna da terra. Esta mudança climática certamente afetará a biosfera. Além das ondas sísmicas. a biosfera e a terra sólida compõem este corpo dinâmico e as alterações sofridas em um destes sistemas produz alterações nos demais. por exemplo.OS PROCESSOS INTERNOS E OS MATERIAIS TERRESTRES GeologiaGeraledo Brasil DINÂMICA INTERNA DO PLANETA Estrutura e Composição Interna da Terra O planeta Terra é um corpo dinâmico composto por diversos sistemas que estão sempre interagindo entre si. o escritor Jules Verne imaginou. influenciando na quantidade de energia solar que chega à superfície da Terra. 6 . uma erupção vulcânica. muitos organismos e seus habitats podem ser eliminados pela lava ou por cinza vulcânica. a gravidade e o magnetismo também são utilizados com esta finalidade. Devido a essa dificuldade. A grande ferramenta utilizada para conhecer a composição das camadas internas da Terra é o estudo das ondas sísmicas. o que os cientistas conhecem hoje sobre o interior do planeta está muito longe da fantástica estória de Verne: atualmente. progressivamente mais densos à medida que se chega aos níveis mais profundos. A hidrosfera. as rochas de regiões profundas da Terra chegam à superfície ou próximo dela. Apenas em circunstâncias muito raras (que serão discutidas no próximo item). Isto pode causar uma diminuição na temperatura do ar devido a pouca quantidade de raios solares que conseguem atravessar a atmosfera nestas condições. r Grandes quantidades de gases e cinzas vulcânicas são lançadas na atmosfera. r A partir da erupção vulcânica são lançados blocos de rocha e lava na superfície da Terra. Contudo. sabe-se que o interior da Terra é formado por rochas e metais. além disso. Vulcão em Erupção Como é o interior da Terra? Em 1864. a atmosfera. Este material pode obstruir vales e criar lagos. sujeitos a altíssimas temperaturas e pressões.

Desta forma. Estas ondas tendem a se propagar com a mesma velocidade quando atravessam regiões mais ou menos homogêneas. enquanto que a parte da crosta que forma o substrato oceânico é chamada de crosta oceânica. A Terra sólida. r Crosta oceânica: a crosta oceânica é mais difícil de ser estudada devido ao fato de estar abaixo de uma lâmina d’água de cerca de 4km e de uma pilha de sedimentos marinhos que chega a 200m de espessura. A parte da crosta que compõe os continentes é chamada de crosta continental. r Crosta continental: apresenta composição tipicamente granítica e tem densidade relativamente baixa (aproximadamente 2. chamada de Descontinuidade de Mohorovicic ou simplesmente Moho. mais próximo ao manto. Manto e Núcleo r Crosta: a crosta é a camada rochosa mais externa do planeta e pode ser analisada a partir de amostras coletadas nos continentes ou no fundo dos oceanos. Nos locais onde se encontra mais estreita.O ramo da geologia que trata dos princípios físicos que ajudam a desvendar o interior da Terra é a geofísica. rochas de composição basáltica são chamadas de rochas básicas. Apresenta composição basáltica e sua espessura média é de 6km. tornam-se. a crosta continental apresenta composição basáltica (com densidade de cerca de 3. O limite entre a base da crosta (continental ou oceânica) e o topo do manto é marcado por uma descontinuidade sísmica. mais lentas ou mais rápidas quando atravessam materiais de composição diferente. a composição. tem geralmente espessura inferior a 20km. já nas regiões montanhosas pode apresentar até 70km de espessura. muito inferior à espessura da crosta continental. 7 . na sua porção inferior ou basal.7g/cm3). consiste de três camadas principais separadas por descontinuidades sísmicas que refletem mudanças no estado físico destes materiais: a crosta. o manto e o núcleo Crosta Manto Núcleo Crosta. ou seja. através da comparação de dados coletados em estações sismográficas em várias partes do mundo. a estrutura e o estado físico das diversas camadas do interior da Terra. uma mudança abrupta na velocidade de propagação das ondas sísmicas. A maior parte dos conhecimentos que se tem atualmente sobre a estrutura interna da Terra foi obtida através da análise das variações na velocidade de propagação das ondas sísmicas. por outro lado. os cientistas puderam estimar a densidade. como é chamada a porção rochosa do planeta. ao contrário do que ocorre mais próximo à superfície. o sismólogo Andrija Mohorovicic. em homenagem ao seu descobridor. Porém. Rochas de composição granítica são chamadas de rochas félsicas.0 g/ cm3).

o grande aumento da temperatura predomina sobre o aumento da pressão e as rochas apresentam um estado parcialmente pastoso. Acerca de 100km abaixo da superfície. Contudo. Esta região.6 km/s na base do manto. A ZBV compreende a ASTENOSFERA. para menos de 8. fica em torno de 5. como as olivinas e os piroxênios (que serão estudados no Tema 2 deste Bloco). conseqüentemente.3 km/s quando atravessam a parte superior do manto. e representa mias uma descontinuidade sísmica. Próximo a Moho (contato crosta/ Brasil manto) a densidade é de 3. Separação Crosta.1 km/s no núcleo. Os dados sísmicos indicam duas camadas no núcleo: uma camada externa líquida (rocha fundida) de aproximadamente 2270 km de espessura e uma camada interna sólida com o diâmetro de 1216 km. estendendo-se até uma profundidade de 2900km. próximo ao contato manto/núcleo. é conhecida como Zona de Baixa Velocidade (ZBV). No núcleo as temperaturas são superiores a 7600°C. o aumento da pressão tende a fazer com que as rochas fiquem no estado sólido. As ondas sísmicas são mais rápidas quando atravessam rochas sólidas e mostram baixa velocidade de propagação quando atravessam rochas em estado parcialmente fundido. O aumento da temperatura. A região do manto entre a astenosfera e o núcleo é chamada de MESOSFERA. ocorre um aumento da pressão GeologiaGeraledo e. Na ZBV. Devido ao aumento da profundidade. tende a fundir as rochas. As rochas que compõem o manto são constituídas por minerais ricos em ferro e magnésio (rochas básicas). decorrente do aumento da profundidade.5 g/cm3. Manto e Núcleo 8 .3 g/cm3 e. As ondas passam de uma velocidade de 13. Neste limite ocorre mais uma importante descontinuidade sísmica: a Descontinuidade de Gutenberg. A crosta mais a parte superior do manto compõem a LITOSFERA. da densidade do manto. de aproximadamente 250km de extensão.r Manto: é a camada imediatamente abaixo da crosta e ocupa mais de 80% do volume do planeta. as ondas passam de uma velocidade de 8. aproximadamente a metade da distância entre a superfície e o entro da Terra. r Núcleo: o limite entre o manto e o núcleo ocorre a 2900 km abaixo da superfície. para 8.0 km/s nesta zona.

r Associação entre tipos e estruturas de rochas: além da perfeita coincidência entre o contorno de alguns continentes. A teoria que descreve essa mobilidade é chamada de Tectônica de Placas. r Atual distribuição de alguns organismos: em seu livro. forma. 9 . Por exemplo. Um exemplo desta evidência são as cadeias de montanhas apalachianas. estrutura e composição rochosa similar em continentes opostos. elas migram ao redor do globo. r A separação de blocos continentais resulta na formação de novos oceanos. vulcões e cadeia de montanhas. r Evidências fósseis: os paleontólogos apontam diversos fósseis de organismos encontrados em diferentes continentes e que não poderiam ter cruzado os oceanos que separam essas massas continentais. Quando os continentes estavam unidos estas cadeias de montanhas formavam um único cinturão montanhoso. Wegener também cita a distribuição atual de alguns organismos que evidenciam também a idéia da deriva dos continentes. Entretanto. este supercontinente teria se fragmentado em pequenos continentes que teriam migrado ou “derivado” até as suas posições atuais. um réptil marinho cujos fósseis foram encontrados na América do Sul e na África. indicando uma antiga união destes dois continentes.Tectônicas de Placas A Terra é um planeta muito dinamico. foi uma das primeiras evidências que sempre intrigou os cientistas. Isso ocorre em algumas cadeias de montanhas com idade. deixando os cientistas ainda dúvida. Em 1915. Pangea Diversas evidências contribuíram para esta hipótese: r A coincidência do contorno entre a América do Sul e a África: a grande similaridade entre as linhas de costa em lados opostos do Atlântico Sul. os cientistas produziram um mapa com o contorno da plataforma continental até uma profundidade de 900m e observaram esta similaridade de forma ainda mais perfeita. alguns organismos modernos têm ancestrais claramente similares. alguns “desenhos” encontrados nestes continentes também coincidem. Devido à constante modificação das linhas de costa por eventos erosivos essa união não é perfeita. em 1960. Um destes exemplos é o Mesosaurus. Wegener sugere que a cerca de 200 milhões de anos atrás existia um supercontinente que ele chamou de Pangea. na América do Norte. Os cientistas têm mostrado que as massas continentais não são fixas. e as cadeias de montanhas caledonianas. como os marsupiais australianos que têm uma direta ligação fóssil com os marsupiais encontrados nas Américas. o cientista alemão Alfred Wegener publicou o livro “A Origem dos Continentes e dos Oceanos” apresentando a revolucionária teoria da deriva continental. como um quebracabeça. Essa mobilidade gera terremotos. na Escandinávia. Segundo a sua hipótese.

com razões de poucos centímetros por ano.r Climas passados: dados paleoclimáticos também dão suporte para a teoria da deriva continental. e com isso surgiu. ele não conseguiu explicar o mecanismo responsável pelo movimento das massas continentais e por isso ficou por muito tempo desacreditado no meio científico. criando vulcões e grandes cordilheiras de montanhas. As sete maiores placas que compõem a nossa litosfera são: ü ü ü ü ü ü ü Placa Norte-Americana Placa Sul-americana Placa do Pacífico Placa Africana Placa Eurasiana Placa Australiana Placa da Antártica As placas litosféricas se movimentam de forma lenta. Este movimento é responsável pela distribuição das massas continentais. Depósitos de origem glacial são encontrados em diversos locais do Brasil. As placas se movem como uma unidade coerente e as mais significativas interações ocorrem nos seus limites e não no seu interior. os limites de placas são classificados em três tipos: r Limite divergente: as placas se afastam uma da outra devido ao movimento divergente. existem evidências de ocorrência vegetação típica de climas tropicais em regiões do hemisfério norte. Rochas de origem glacial foram encontradas na América do Sul. a parte superior do manto junto com a crosta formam uma camada rígida chamada de litosfera. A litosfera é quebrada em diversos segmentos chamados de placas. Mais de 50 anos depois das postulações de Wegener. em várias localidades da Chapada Diamantina. a América do Norte e a Europa estavam mais próximas do Equador. mas contínua. Apesar de todas as evidências apontadas por Wegener. O estudo de depósitos glaciais em GeologiaGeraledo diversos continentes indicou que. geração de montanhas. indicando que estes continentes. o avanço tecnológico permitiu o conhecimento de dados sísmicos e do campo magnético da Terra. indicando que. Esta camada encontra-se sobre uma outra camada menos rígida chamada de astenosfera. no passado. Por outro lado. em geral ocorrem no limite das placas. que estão constantemente se movimentando e mudando de forma e de tamanho. gerando terremotos. Ou seja. na Índia e na Austrália. para esta mesma época passada. nesta época. encontravam-se unidos no pólo sul. na África. Esta separação ocorre em média com a velocidade de 5 cm/ano. os geólogos encontram rochas criadas a partir do derretimento de antigas geleiras. a teoria da Tectônica de Placas. Na Bahia. a cerca de 220 a 300 milhões de anos atrás. De acordo com o tipo de movimento. O “vazio” 10 . Brasil capas de gelo cobriam extensas áreas do hemisfério sul. vulcanismo. De acordo com o modelo da tectônica de placas. a ocorrência de eventos como terremotos. a partir da teoria da deriva continental de Wegener. Wegener indicou evidências de mudanças climáticas globais severas no passado. junto à Antártica.

Neste caso. gerando grandes cadeias de montanhas e intensa atividade vulcânica devido á fusão da rocha que mergulha em direção ao manto. a placa oceânica mais antiga e. Este mecanismo ocorre no limite oeste da América do Sul. mantendo a área superficial da Terra constante. A partir do eixo central destas dorsais. separando a América do Sul da África e criando o nosso Oceano Atlântico. Este “consumo” ou “destruição” de crosta contrabalança a geração de novas crostas que ocorre nos limites divergentes. no fundo do mar. Esta ascensão de magma vindo do manto gera cadeias de montanhas submersas chamadas de Dorsais Oceânicas. ocorre. A atividade vulcânica ocorre de forma similar ao caso de choque entre crosta oceânica e continental. Com o choque entre as crostas. a placa mais densa mergulha sobre a menos densa e afunda em direção ao manto sobre a crosta menos densa. na zona de separação das placas. r Convergência entre duas crostas oceânicas: nesta situação. mergulha sob a placa menos densa. nova crosta oceânica é continuamente formada. r Convergência entre duas crostas continentais: no caso de convergência entre duas crostas continentais. os vulcões gerados na placa oceânica menos densa formará ilhas vulcânicas ou arcos de ilhas. ocorre o “encurtamento” das massas rochosas. devido à baixa densidade destas crostas.deixado por este afastamento é preenchido pelo material que ascende do manto criando um novo substrato marinho. afunda sob a crosta continental menos densa de composição granítica (rica em alumínio). Grande parte das ilhas do pacífico são geradas pelo choque entre as duas crostas oceânicas. a placa oceânica mergulha sob a placa continental sul-americana gerando uma zona de subducção e a formação de cadeias de montanhas. devido a este movimento contínuo de separação a partir do centro da dorsal. À medida que a crosta oceânica afunda. nenhuma das 11 . a placa oceânica mais densa devido a sua composição basáltica (rica em ferro e magnésio). Essa crosta torna-se mais densa à medida que se resfria e se afasta da fonte que a criou. contudo. as altas temperaturas do manto fazem que as rochas se fundam gerando magma. Este mecanismo vem ocorrendo nos últimos 165 milhões de anos no atlântico sul. uma cadeia de montanhas gerada pela atividade magmática (o magma vindo do manto extravasa continuamente neste local) chamada de Dorsal Meso-Atlântica. Neste local. Aproximadamente no meio do caminho entre estes dois continentes. portanto. Este magma é extravasado em vulcões no continente. Limite Divergente r Limite convergente: as placas se movem uma em direção a outra. mais resfriada e mais densa. Esta convergência pode se dá de três formas: r Convergência entre crosta continental e crosta oceânica: nesta situação. na região dos Andes. Este local onde a crosta afunda ou subducciona sobre a outra é chamada de Zona de Subducção.

Este “consumo” ou “destruição” de crosta contrabalança a geração de novas crostas que ocorre nos limites divergentes. r Convergência entre duas crostas continentais: no caso de convergência entre duas crostas continentais. devido à baixa densidade destas crostas. mais densa devido a sua composição basáltica (rica em ferro e magnésio). Este local onde a crosta afunda ou subducciona sobre a outra é chamada de Zona de Subducção. 12 . À medida que a crosta oceânica afunda. gerando encurtamento crustal e formando grandes cadeias de montanhas. O resultado é a colisão entre dois blocos continentais. portanto. A atividade vulcânica ocorre de forma similar ao caso de choque entre crosta oceânica e continental. Limite Convergente r Limite convergente: as placas se movem uma em direção à outra.GeologiaGeraledo Brasil duas consegue entrar em subducção ou mergulhar sob a outra. Este magma é extravasado em vulcões no continente. ocorre o “encurtamento” das massas rochosas. Grande parte das ilhas do pacífico são geradas pelo choque entre as duas crostas oceânicas. a placa oceânica mais antiga e. O resultado é a colisão entre dois blocos continentais. A colisão entre o supercontinente da Índia e a Ásia. Com o choque entre as crostas. é o mais clássico exemplo de colisão entre duas crostas continentais. nenhuma das duas consegue entrar em subducção ou mergulhar sob a outra. Esta convergência pode se dar de três formas: r Convergência entre crosta continental e crosta oceânica: nesta situação a placa oceânica. a placa mais densa mergulha sobre a menos densa e afunda em direção ao manto sobre a crosta menos densa. mergulha sob a placa menos densa. mantendo a área superficial da Terra constante. contudo. na região dos Andes. as altas temperaturas do manto fazem que as rochas se fundam gerando magma. produzindo o Himalaia. gerando grandes cadeias de montanhas e intensa atividade vulcânica devido à fusão da rocha que mergulha em direção ao manto. Neste caso. r Convergência entre duas crostas oceânicas: nesta situação. afunda sob a crosta continental menos densa de composição granítica (rica em alumínio). os vulcões gerados na placa oceânica menos densa formará ilhas vulcânicas ou arcos de ilhas. mais resfriada e mais densa. Este mecanismo ocorre no limite oeste da América do Sul. A colisão entre o supercontinente da Índia e a Ásia produzindo o Himalaia é o mais clássico exemplo de colisão entre duas crostas continentais. gerando uma zona de subducção e a formação de cadeias de montanhas. Neste local. gerando encurtamento crustal e formando grandes cadeias de montanhas. a placa oceânica mergulha sob a placa continental sul-americana.

as rochas que compõem a crosta ficam sujeitas a um poderoso stress. depois começam a se resfriar. as placas passam uma ao lado da outra sem gerar ou destruir a litosfera. a Placa do Pacífico se move na direção noroeste passando ao lado da Placa Norte-Americana. Graças a ela são geradas bacias oceânicas e cadeias de montanhas. a ascensão do material geraria o afastamento da litosfera. Um exemplo deste tipo de limite é a Falha de Santo André. criando as células de convecção dentro do manto. em geral. 13 .r Limite conservativo: neste limite. Deformações e Estruturas Geológicas Quais são as forças capazes de transformar rochas comuns em enormes estruturas montanhosas maciças como os Alpes. Essa mesma força capaz de mover as placas produz grandes rupturas na crosta. Este mecanismo é. Nestas regiões é muito intensa a incidência de abalos sísmicos e terremotos. Segundo este modelo. ficam mais densas e descem. Estes limites são gerados por zonas fraturadas na crosta. onde os segmentos de crosta se movimentam em sentidos contrários. soerguimento e rebaixamento de grandes blocos rochosos. convergentes ou transformantes (conservativos). sejam divergentes. grosso modo. similar ao observado em uma panela de água fervente. Quando as placas interagem. Ao longo desta falha. com mais de 100km de comprimento. enquanto que o fluxo convectivo descendente geraria as zonas de subducção. os Andes ou os Himalaias? Quais forças teriam o poder de contradizer a natureza rígida destas rochas deformando-as e dobrando-as? A Tectônica de Placas produz as mais importantes feições de larga-escala encontradas no planeta. na América do Norte. Plumas de material mais aquecido tornam-se menos densas e ascendem. Falhas de Santo André O movimento das células de convecção na astenosfera menos sólida faz com que a litosfera rígida se movimente como se estivesse em uma esteira rolante. gerando intensa atividade tectônica na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá. Qual é a força responsável pelo movimento das placas? O principal modelo criado para explicar a deriva continental e a tectônica de placas é a existência de grandes correntes de convecção no manto. nos seus limites. lado a lado. gerando as Falhas Transformantes.

as rochas respondem de formas diferentes. Através deste tipo de stress. Quando sujeitas ao stress. As rochas mais próximas à superfície. As rochas que se encontram a grande profundidades (geralmente abaixo de 20 km). usualmente é expressa como kg/cm2. sujeitas a altas temperaturas e pressões. Este tipo de stress reduz o volume das rochas. sofrendo um stress de cizalhamento. r As rochas que se encontram em margens divergentes sofrem stress tencional ou de extensão. contudo. a depender das condições de temperatura e pressão do ambiente onde se encontram. cada um correspondendo a um dos três tipos básicos de limites de placas: GeologiaGeraledo Brasil r As rochas que se encontram em margens de placas convergentes sofrem stress compressional. em geral. As dobras podem apresentar duas formas principais: r Sinclinais: são dobras côncavas. podem apresentar uma extensão de poucos milímetros até centenas de quilômetros. As rochas são “esticadas”. havendo um aumento no sentido vertical e uma diminuição lateral.Stress é a força aplicada a uma rocha por unidade de área. Os principais tipos de deformação tectônica sofridas pelas rochas são as dobras e as falhas. havendo uma diminuição no sentido vertical e um aumento lateral da área ocupada por estas rochas após a deformação. Dobras As dobras são estruturas construídas em camadas ou estratos rochosos que foram depositados originalmente na horizontal e depois sofreram uma deformação plástica ou dúctil. r As rochas em margens de placas transformantes são movimentadas lateralmente em sentidos opostos. ela é deformada. vão responder à deformação de forma plástica ou dúctil. 14 . As rochas podem sofrer três tipos de stress. ou seja. A análise das estruturas deformacionais apresentadas pelas rochas permite aos geólogos entender antigos movimentos de placas ou outros eventos geológicos do passado. As rochas que sofrem compressão geralmente são dobradas. As dobras podem variar muito de tamanho. a expressão final no relevo vai depender da resistência das rochas a erosão. Quando uma rocha sofre um stress. respondem ao stress de forma rígida ou rúptil. Estas condições dependem da sua profundidade e vão refletir em um comportamento mais ou menos plástico das rochas. mudando de forma e de volume. As rochas são dobradas tendendo a formar bacias ou vales. grandes blocos de rocha são movimentados lateralmente.

elas se rompem. produzem uma seqüência de sinclinais e anticlinais que apresentam sempre um flanco em comum. v Assimétricas: em situações onde a compressão é mais intensa. neste caso. As dobras (sinclinais e anticlinais) podem ser: v Simétricas: quando o plano axial é aproximadamente vertical e os flancos apresentam a mesma inclinação. O plano de falha é a superfície ao longo da qual ocorre o movimento dos blocos. gerando as falhas. Na Bahia. Dobras simétricas geralmente ocorrem quando a compressão é relativamente suave. os Himalaias e os Alpes Europeus. um plano imaginário que divide a dobra em duas partes aproximadamente iguais. dificilmente são encontrados os originais planos de falha. Cada sinclinal ou anticlinal tem um plano axial. Falhas são fraturas na crosta terrestre com deslocamento relativo. aberta como uma conseqüência secundária da separação Brasil / África. Ao longo do tempo. As rochas são dobradas tendendo a formar domos ou morros. Devido aos processos erosivos a que estão sujeitas as rochas na superfície. não têm plasticidade suficiente para dobrar. gerando dobras assimétricas. surgem “rachaduras” ou fraturas. Falhas Quando as rochas sofrem stress a baixas temperaturas e baixas pressões litostáticas. Como as rochas. a chamada Falha de Salvador. onde elas encontram-se ainda em estado muito rígido. Os lados de uma dobra são chamados de flancos ou limbos. o plano de falha já sofreu um grande recuo erosivo.r Anticlinais: são dobras convexas. As falhas podem deslocar grandes blocos rochosos ao longo de um plano de falha. como no caso anterior. a expressão final no relevo vai depender da resistência das rochas à erosão. o desnível topográfico que separa a Cidade Alta da Cidade Baixa foi gerado por uma falha. O caso mais drástico é quando ocorre um movimento ao longo destas fraturas. contudo. As dobras recumbentes são tipicamente encontradas em cadeias de montanhas fortemente deformadas como os Apalaches. as forças tectônicas compressivas forçam um flanco a se movimentar mais que o outro. 15 . Nestas dobras o plano axial é inclinado. em geral. perceptível entre os lados contíguos e ao longo do plano de falha. estando atualmente a superfície de erosão nas proximidades do Elevador Lacerda. como próximo aos limites de placas. virtualmente paralelo à superfície da Terra. O bloco localizado abaixo do plano de falha é chamado de muro. que gerou o Atlântico Sul. As compressões. Esta falha representa a borda da Bacia do Recôncavo. v Recumbentes: com a continuidade da compressão. O bloco de rocha localizado acima do plano de falha é chamado de teto. o plano axial da dobra assimétrica pode deitar até ficar na horizontal.

Interpretar a história da Terra é um dos objetivos fundamentais das ciências geológicas. ainda nos dias atuais. o bloco do teto sobe em relação ao muro. Em 1869. ocasionada por este tipo de falhamento. físicas e biológicas que operam atualmente são as mesmas que operaram no passado geológico. · Falhas inversas: neste tipo de falha. gerando um movimento horizontal. Este tipo de falha está geralmente associado com stress tencional ou divergente. Semelhante a um longo e complicado livro de história. A depender da direção de movimento dos blocos. as falhas verticais podem ser: · Falhas normais: o bloco do teto desce em relação ao muro. ü Falhas verticais: neste tipo de falha. especialmente nos primeiros capítulos. as rochas registram os eventos geológicos e as mudanças das formas de vida ao longo do tempo. Ainda hoje. foram perdidas. contudo. Powell observou que os canyons desta região representavam um livro de revelações escrito nas rochas. como é o caso da Falha de Salvador. as falhas são classificadas em: GeologiaGeraledo Brasil üFalhas horizontais ou transcorrentes: são falhas geradas por stress de cizalhamento. como uma Bíblia da geologia. Esta falha está geralmente associada com poderosas compressões horizontais. Escala de Tempo Geológico Durante muitos anos. paralelo ao plano de falha. O bloco do muro que permanece elevado em relação ao teto é chamado de horst. Ele afirmou que milhões de anos da história da Terra estavam expostos nas paredes do Grand Canyon. nos Estados Unidos. não está completo. não se sabia nenhum método confiável para datar os vários eventos no passado geológico. A maior e mais conhecida falha transcorrente encontrada na literatura é a Falha de Santo André. Muitas páginas. A descida dos blocos rochosos.De acordo com o seu movimento relativo (de um bloco em relação ao outro). gera depressões chamadas de graben. John Wesley Powell fez uma pioneira expedição ao Rio Colorado e ao Grand Canyon. os blocos rochosos se movem verticalmente em relação ao plano da falha. publicado em 1700 – O Princípio do Uniformitarismo. Este princípio diz que as leis químicas. para desvendar a história da Terra foi postulado por James Hutton no seu livro “Teoria da Terra”. comuns onde existe convergência de placas. nos Estados Unidos. Este livro. Um dos princípios básicos usados. muitas partes deste livro precisam ser decifradas. Isso significa que as forças e os processos que nós 16 .

Este eon foi dividido em três eras. O Princípio do Uniformitarismo é geralmente expresso pelo ditado “o presente é a chave para o passado”. primeiramente. estima-se que aproximadamente 80% da vida marinha desapareceu nesta era. Os geólogos que desenvolveram a escala de tempo geológico revolucionaram a maneira com que as pessoas concebiam o tempo e como percebiam o nosso planeta. por sua vez. O Fanerozóico é marcado pelo aparecimento de animais com partes duras. o final desta era é marcada pela extinção de várias espécies. das plantas terrestres. não foi possível subdividi-lo em pequenas unidades de tempo.5 bilhões de anos da história da Terra em unidades de várias magnitudes de acordo com os eventos geológicos ocorridos. dos primeiros organismos com conchas. dos anfíbios e dos répteis. v Fanerozóico: representa últimos 540 milhões de anos.observamos atualmente agindo no nosso planeta têm atuado desde muito tempo atrás. Esta redistribuição de massa e terra gerou grandes mudanças climáticas que se acredita ser a causa da grande extinção de espécies ocorrida nesta época. Durante esta era. temos. Devido à grande raridade de fósseis para datações. o movimento das placas juntou todas as massas continentais em um único supercontinente chamado Pangea. Está subdividida em seis períodos: ü ü ü ü ü ü Cambriano Ordoviciano Siluriano Devoniano Carbonífero Permiano o Era Mesozóica (248 – 65 milhões de anos atrás): é marcada pelo aparecimento e extinção dos dinossauros e pelo surgimento dos primeiros pássaros e das primeiras plantas com flores. A principal subdivisão da escala de tempo geológico é chamada de eon. foram divididas em períodos: r Era Paleozóica (540 – 248 milhões de anos atrás): marca o aparecimento de diversos organismos invertebrados. dos peixes. Os geólogos dividiram o tempo geológico em dois grandes eons: v Precambriano (dividido em Arqueano e Proterozóico): representa os primeiros 4 bilhões de anos da história do planeta. que compreender os processos que atuam hoje e os seus resultados. mas pouco se sabe sobre este período. A escala de tempo geológico é uma escala que divide os 4. Então. que. para decifrarmos as rochas antigas. dos insetos. que permitiram a sua preservação fóssil. Por outro lado. como as conchas. Está subdividida em três períodos: ü ü ü Triássico Jurássico Cretáceo 17 . O Precambriano representa cerca de 88% da história da Terra. Eles mostraram que a Terra é muito mais antiga do que se poderia imaginar e que a sua superfície e o seu interior sofreram mudanças no passado através dos mesmos processos geológicos que operam atualmente.

No início deste tema. hidrográficas e atmosféricas. nós discutimos como uma erupção vulcânica.GeologiaGeraledo Brasil r Era Cenozóica (65 milhões de anos até os dias atuais): representa a menor de todas as eras e que se encontra melhor registrada. Está subdividida em dois períodos: v Terciário v Quaternário Atividade Complementar 1. 2. na biosfera e na atmosfera. explique o que são “falhas” e o que são “dobras” e como são formadas. 18 . atividade ocorrida na crosta ou na Terra sólida. evidenciando a interação entre os diversos sistemas que compõem a Terra como um todo. Marca o aparecimento dos mamíferos e o desenvolvimento da vida humana. Quais as principais evidências apontadas pelos cientistas de que os continentes estariam juntos a cerca de 200 milhões de anos atrás e teriam migrado até as posições atuais? 3. causa sérios efeitos na hidrosfera. Cite um outro evento natural e descreva como a sua atuação na Terra sólida interfere nas condições biológicas. Sabendo-se que as forças tectônicas podem romper ou deformar as rochas.

A inter-relação entre estes tipos de rochas é representada pelo ciclo das rochas. esses sedimentos. sofrem a ação de agentes como a água. o conhecimento básico dos materiais terrestres é essencial no conhecimento dos fenômenos que ocorrem no planeta. r Tomando arbitrariamente um ponto de início para o ciclo das rochas. O ciclo das rochas nos ajuda a entender a origem das rochas ígneas. vento ou ondas – e eventualmente são depositados. mangues. Com isso. Estes agentes causam a desintegração e a decomposição das rochas na superfície num processo chamado de intemperismo.MINERAIS E ROCHAS Ciclo das Rochas Além do valor econômico associado às rochas e aos minerais. praias. se convertem em rocha. através da sobreposição de camadas de sedimentos umas sobre as outras. Quando os sedimentos são compactados. o ciclo das rochas demonstra também a integração entre diferentes partes do complexo sistema terrestre. r Os sedimentos podem formar campos de dunas. etc. As rochas são divididas em três grupos baseados em seu modo de origem: rochas ígneas. erosão. então. através de erupções vulcânicas. Este processo de solidificação do magma é chamado de cristalização. mecanismos de oxidação. Em ambos os casos as rochas geradas são chamadas de rochas ígneas. Desta forma. sedimentares e metamórficas e a perceber que cada tipo está ligado aos outros através de processos eu agem na superfície e no interior do planeta. gelo. Eventualmente este material se resfria e se solidifica. r Quando as rochas ígneas são expostas na superfície (devido a um levantamento crustal. ou ainda em subsuperfície (no interior da crosta). ou cimentados. planícies fluviais. as variações de temperatura. A cristalização do magma pode ocorrer na superfície. todos os processos da Terra estão de alguma forma ligados às propriedades destes materiais. 19 . através da percolação de água contendo carbonato de cálcio ou sílica. etc. Os sedimentos são transportados pelos agentes erosivos – água. sedimentares e metamórficas. O magma é um material derretido formado no interior do planeta. temos o magma. r Este material (partículas e/ou substâncias dissolvidas) resultante da desagregação e decomposição das rochas é chamado de sedimentos. Este processo de transformação de sedimentos em rocha é chamado de litificação e resulta na formação de rochas sedimentares. ou por já terem se cristalizado na superfície).

sódio. r As rochas metamórficas. Além destes elementos. ele migra tentando ascender à superfície. compondo. as rochas ígneas podem. cálcio. Essas mudanças ambientais podem ocorrer. estas rochas serão transformadas em magma e podem voltar a formar rochas ígneas. por exemplo. transformando-se em seixos. r Se as condições ambientais a que forem submetidas as rochas sedimentares forem capazes de fundi-las. acrescidos de alumínio. sofrer a ação de esforços compressionais e a elevação da temperatura e pressão pode causar o metamorfismo destas rochas. formará rochas sedimentares. quando expostas na superfície vão sofrer a ação dos agentes de intemperismo. r Seguindo um outro caminho. quer sejam de origem ígnea ou de origem sedimentar. por exemplo. o magma também contém gases. Como o magma é menos denso que as rochas. O magma (rocha fundida) vem de profundidades geralmente acima de 200 km e consiste primariamente de elementos formadores de minerais silicatados (minerais do grupo dos silicatos. num trabalho que leva centenas a milhares de anos. Chegando à superfície o magma extravasa produzindo as erupções vulcânicas. dentre outros). novamente sedimentos inconsolidados. ao invés de serem desagregadas e decompostas na superfície. se estas rochas forem envolvidas na criação de cadeias de montanhas através de forças tectônicas ou entrarem em contato com massas magmáticas (fluxos de magma). planícies ou campos de duna. grãos. tornando-se. r Num caminho inverso. as rochas ígneas são formadas pela cristalização do magma quando este se resfria. vindo a formar rochas metamórficas. Ciclo das Rochas Rochas Ígneas Como já foi dito anteriormente. 20 . criando o terceiro tipo de rocha – as rochas metamórficas. formados por silício e oxigênio.GeologiaGeraledo Brasil r Se as rochas sedimentares forem submetidas a grandes temperaturas e pressões responderam às mudanças nas condições ambientais com a recristalização e o rearranjo de seus minerais. magnésio. principalmente vapor d’água. potássio. ferro. sofrerão a ação dos processos intempéricos e se desagregarão ou serão decompostas. as rochas sedimentares. expostas na superfície. Caso estes sedimentos sejam litificados (cimentação e compactação). partículas ou soluções dissolvidas sendo posteriormente depositados como sedimentos.

As grandes explosões que, às vezes, acompanham as erupções vulcânicas são
produzidas pelos gases que escapam sob pressão confinada.
As erupções vulcânicas lançam para a superfície fragmentos de rocha e fluxos de
lava. A lava é similar ao magma, contudo, na lava, a maior parte dos gases constituintes do
magma já escapou.
As rochas resultantes da solidificação ou cristalização da lava geram dois tipos de
rocha:
r Rochas vulcânicas ou extrusivas: são as que se cristalizam na superfície;
r Rochas plutônicas ou intrusivas: são aquelas que se cristalizam em profundidade.
À medida que o magma se resfria, são criados cristais de minerais até que todo o
líquido é transformado em uma massa sólida pela aglomeração dos cristais.
A razão ou taxa de resfriamento influencia no tamanho dos cristais gerados:
v Quando o resfriamento se dá de forma lenta, os cristais têm tempo suficiente
para crescerem, então a rocha formada terá grandes cristais, ou seja, a
rocha será constituída por poucos e bem desenvolvidos cristais;
v Quando o resfriamento se dá de forma rápida, ocorrerá a formação de um
grande número de pequenos cristais.
Desta forma, se uma rocha ígnea apresenta cristais que são visíveis apenas com o
auxílio de um microscópio, sabe-se que ela se cristalizou muito rápido. Mas, se os cristais
identificados a olho nu, então essa rocha se cristalizou lentamente.
Em geral, as rochas vulcânicas se cristalizam rapidamente pela brusca mudança de
condições de temperatura quando a lava chega à superfície; já as rochas plutônicas geralmente
se cristalizam mais lentamente em regiões mais profundas.

Como se Classificam as Rochas Ígneas?
As rochas ígneas podem variar muito de composição e aparência física. Isso ocorre
devido às diferenças na composição do magma, da quantidade de gases dissolvidos e do
tempo de cristalização.
Existem dois principais modos de classificar as rochas ígneas: com base na sua
textura e com base na sua composição mineralógica.

Classificação das Rochas Ígneas de Acordo com sua Textura
A textura descreve a aparência geral da rocha, baseada no tamanho e arranjo dos
cristais. A textura é importante porque revela as condições ambientais em que a rocha foi
formada.

Afanítica: as rochas apresentam pequenos cristais muito
pequenos. Estas rochas podem ter-se cristalizado
próximamente à superfície ou na própria superfície.
Em algumas situações essas rochas podem mostrar
pequenos buracos formados devido ao escape de gases
durante a sua cristalização, que são chamados de vesículas.

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GeologiaGeraledo
Brasil

Fanerítica: são formadas quando as massas de
magma se solidificam abaixo da superfície e os
cristais têm tempo suficiente para se
desenvolverem. Neste caso, a rocha apresenta
cristais grandes, que podem ser individualmente
identificados.

Porfirítica: como dentro do magma os cristais não são formados
ao mesmo tempo, alguns cristais podem ser formados enquanto o
material ainda está abaixo da superfície. Se ocorrer a extrusão deste
magma, os cristais formados anteriormente, quando o magma estava
no interior da crosta, ficarão emersos em um material mais fino
solidificado durante a erupção vulcânica. O resultado é uma rocha
com cristais grandes emersos em uma matriz de cristais muito finos.
Esses cristais maiores são chamados de pórfiros, daí a textura
receber o nome de porfirítica.

Vítrea: a textura vítrea ocorre quando, durante as
erupções vulcânicas, o material se resfria tão rapidamente
em contato com a atmosfera que não há tempo para ordenar
a estrutura cristalina. Neste caso, não são formados cristais,
e, sim, uma espécie de vidro natural. A mais comum destas
rochas é conhecida como obsidiana.
Um outro tipo de rocha vulcânica que exibe a textura vítrea é a púmice (vendida
comercialmente como pedra púmice). Diferentemente da obsidiana, a púmice exibe muitos
veios de ar interligados, como uma esponja, devido ao escape de gases. Algumas amostras
de púmice, inclusive, flutuam na água devido a grande quantidade de vazios.

Classificação das Rochas Ígneas de Acordo com sua Composição
Mineralógica
A composição mineral das rochas ígneas depende da composição química do magma
a partir do qual estes minerais serão formados. Contudo, um mesmo magma pode produzir
rochas de composição mineral muito diversa.
O cientista N. L. Bowen descobriu que em magmas resfriados em laboratório, certos
minerais se cristalizam primeiro quando em temperaturas muito altas. Com o abaixamento
sucessivo da temperatura, novos cristais vão sendo formados. Ele descobriu, também, que
os cristais formados reagem com o magma restante para criar o próximo mineral.
Esta seqüência de cristalização é conhecida como série de cristalização magmática
ou Série de Bowen.
Nesta série, a olivina é o primeiro mineral a se formar. Ela reage com o magma para
formar o piroxênio que, por sua vez, reage para formar o anfibólio, e este para formar a
biotita. Da mesma forma, o plagioclásio cálcico é o primeiro a ser formado e de sua
reação com o magma se forma o plagioclásio rico em sódio. Os últimos minerais a se
formar, já em baixas temperaturas, são o feldspato potássico, a muscovita e o quartzo.

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Todos estes minerais que fazem parte da Série de
Bowen são espécies de silicatos, ou seja, são compostos
de sílica (silício e oxigênio) associada a algum ou alguns outros
elementos químicos, como ferro, cálcio, magnésio, alumínio,
potássio, etc.
As rochas ígneas são classificadas em quatro grupos
principais de acordo com o percentual de sílica presente em
cada uma delas:
r Rochas ultramáficas: o termo “máfico” vem de
magnésio e ferro. As rochas ultramáficas são compostas por
Série de bower
silicatos de ferro e magnésio (olivina e piroxênio) e
apresentam relativamente pouca sílica (menos que 40%).
A rocha ultramáfica mais comum é o peridotito. O peridotito apresenta uma cor
verde e é muito denso. Em geral, cristaliza-se abaixo da superfície, mostrando uma textura
fanerítica. É composto por 70 a 90% de olivina.
r Rochas máficas: as rochas máficas contém entre 40 e 50% de sílica e são
compostas, principalmente, por piroxênio e plagioclásio cálcico. Este é o tipo de rocha
ígnea mais abundante na crosta, e o seu representante principal é o basalto. O basalto é
uma rocha escura, relativamente densa e com textura afanítica, pois se cristaliza na superfície
ou próximo a ela. Os basaltos são as rochas predominantes nas placas oceânicas e são os
principais constituintes de várias ilhas vulcânicas, como as ilhas do Havaí. Os basaltos
também constituem vastas áreas do Brasil, principalmente no Paraná. O equivalente plutônico
do basalto é o gabro, ou seja, quando o magma de composição basáltica cristaliza em
profundidade (abaixo da superfície), formando uma rocha chamada de gabro, que apresenta
textura fanerítica.
r Rochas intermediárias: as rochas ígneas
intermediárias contêm cerca de 60% de sílica. Além do
plagioclásio cálcico e dos minerais ricos em ferro e
magnésio, como os piroxênios e anfibólios, contém
também minerais ricos em sódio e alumínio, como biotita,
muscovita e feldspatos. Podem apresentar, também, uma
pequena quantidade de quartzo.
A rocha vulcânica intermediária mais comum é o
Basalto
andesito e o seu equivalente plutônico é o diorito. O primeiro
apresenta textura afanítica, enquanto que o segundo apresenta textura fanerítica.
r Rochas félsicas: o termo “félsico” vem de feldspato e sílica. Rochas ígneas
félsicas contêm mais que 70% de sílica. São geralmente pobres em ferro, magnésio e cálcio.
São ricas em feldspato potássico, micas (biotita e muscovita) e quartzo. A rocha ígnea
félsica mais comum é o granito. O granito é uma rocha ígnea plutônica. Como o magma
félsico é mais viscoso (por ser pobre em água), geralmente se cristaliza antes de chegar à
superfície, por isso as rochas félsicas plutônicas são mais comuns. Quando este magma
consegue chegar à superfície, extravasando em intensas erupções, a rocha formada é o
riolito.

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O produto do intemperismo. vento. Só depois de processada a diagênese é que ocorre a conversão dos sedimentos em uma rocha sedimentar sólida. o decaimento de isótopos radiativos. Com a continuidade da deposição. posteriormente transportados pelos agentes erosivos. A combinação do calor. é chamado de sedimento. v Essa acumulação de material. são minerais que se cristalizam a temperaturas muito altas (acima de 1000°C). ser litificados: v Quando uma camada de sedimento é depositada. podendo criar uma pilha de sedimentos de centenas de metros de profundidade. gera calor. esses sedimentos soltos ou inconsolidados podem se tornar rocha. da pressão causada pelo peso dos sedimentos e dos íons transportados pela água. O intemperismo (conforme será discutido no Tema 3) quebra as rochas em pequenos pedaços. 24 . num processo conhecido como diagênese. v Esses sedimentos empilhados em camadas são também invadidos por água subterrânea que transportam íons dissolvidos. Depois. que compõem alguns grãos minerais misturados nestes sedimentos. a gravidade e os agentes erosivos (águas superficiais. causam mudanças na natureza química e física dos sedimentos. e alteram a composição química das mesmas e transformando os minerais em outros mais estáveis nas condições ambientais onde o intemperismo está atuando. que pode chegar a quilômetros de profundidade.GeologiaGeraledo Brasil Granito As rochas ultramáficas e máficas contêm os primeiros minerais da Série de Bowen. uns sobre os outros. v Nesta pilha de sedimentos. Rochas Sedimentares A formação das rochas sedimentares tem início com o intemperismo. ondas e gelo) removem os produtos do intemperismo e transportam para um novo local onde eles são depositados. com temperaturas mais baixas (abaixo de 800°C). ou seja. a litificação. Já as rochas félsicas contêm os últimos minerais a se cristalizarem. ou seja. vai compactando esse material devido ao peso das camadas sobrepostas. ela cobre as camadas anteriormente depositadas naquele local.

deixando-os mais juntos uns dos outros. mais material dissolvido. também podem formar cimentos em rochas sedimentares. podendo conter mais água e. A diagênese. Sedimentos com grãos grossos. fragmentos de conchas ou outras partes duras de organismos que se acumulam nestes corpos d’água. como a pirita. como as argilas e os siltes. a temperaturas inferiores a 200°C. Na diagênese. expelindo a água e o ar. esses íons se precipitam entre os grãos dos sedimentos. com isso. 25 . Como os produtos do intemperismo químico são transportados para os lagos e oceanos. carbonatos de ferro. às vezes. produzidos pelo intemperismo químico de minerais ricos em cálcio (plagioclásio. como a hematita e a limonita. O intemperismo libera íons que ficam dissolvidos na água que flui através dos poros existentes entre os grãos dos sedimentos antes da compactação. e os sedimentos vão ficando cada vez mais juntos. formando um cimento.Grãos muito pequenos. como as argilas. são mais propensos a serem cimentados do que os sedimentos finos. que causam a fusão ou o metamorfismo das rochas. os processos ocorrem poucos quilômetros abaixo da superfície. ligando os grãos sedimentares grossamente granulados. Os agentes mais comuns de cimentação são o carbonato de cálcio e a sílica: r O carbonato de cálcio é formado quando os íons de cálcio. como a siderita. r Expulsão da água que ocupa os espaços entre os grãos. como as areias e os seixos. também envolve a transformação de alguns minerais em outros mais estáveis. aumenta a pressão gerada pelo material que vai se sobrepondo. r Precipitação de cimento químico ligando os grãos uns aos outros. r O cimento de sílica é produzido inicialmente pelo intemperismo químico dos feldspatos em rochas ígneas. Óxidos de ferro. se combinam-se com o dióxido de carbono e a água do solo. pelo fluxo das águas. Posteriormente. A compactação é um processo diagenético através do qual o volume dos sedimentos é reduzido através da aplicação de uma determinada pressão gerada pelo próprio peso dos sedimentos.A diagênese difere dos processos relacionados a intenso calor e pressão ocorridos no interior do planeta. Durante a litificação. ocorre: r Empacotamento dos sedimentos. e sulfetos de ferro. Quando os sedimentos vão se acumulando. quando são compactados apresentam uma forte aderência devido às forças atrativas entre os grãos. porque o espaço entre os grãos é maior. piroxênios e anfibólios). esse mesmo processo pode litificar conchas. convertendo o sedimento inconsolidado em rocha sedimentar. A compactação e a cimentação não afetam apenas os grãos de rochas. A cimentação é o processo diagenético através do qual os grãos são “colados” por materiais originariamente dissolvidos durante o intemperismo químico ocorrido anteriormente nas rochas.

como nos fundos de lagos e lagoas. O aumento da temperatura e da pressão. um mineral muito mais estável. associado com o peso dos sedimentos. em cada uma destas categorias existe uma grande variedade de rochas.004 mm). precipitado a partir de água contendo ferro dissolvido e oxigênio em abundância.004 milímetros) chamadas de silte (0. Os lamitos apresentam cores variadas a depender da sua composição mineral: v Lamitos vermelhos contém óxido de ferro. são chamadas de rochas clásticas ou com textura clástica. a depender da fonte do material que as compõe. refletindo os diferentes tipos de transporte. Um exemplo clássico deste processo é a transformação da aragonita (um mineral secretado por alguns organismos marinhos a partir de suas conchas) em calcita. 26 . compactadas e cimentadas juntas.GeologiaGeraledo Brasil Uma rocha que consiste apenas de partículas sólidas. sejam de fragmentos de rochas preexistentes ou restos de organismos. promove a recristalização de alguns grãos minerais. Rochas Sedimentares Detríticas As rochas sedimentares detríticas são classificadas de acordo com o tamanho de suas partículas: r Lamitos: são rochas formadas por partículas muito pequenas (menores que 0. Contudo. os lamitos são sempre formados em condições de águas calmas. Sob condições de águas mais agitadas este material (argila ou silt) permanece em suspensão na água e não se deposita. Mais da metade das rochas sedimentares encontradas no mundo são lamitos. deposição e processos de litificação a que foram submetidas. Como se Classificam as Rochas Sedimentares? As rochas sedimentares são geralmente classificadas em detríticas ou químicas. em regiões oceânicas profundas e em planícies de inundação de rios. Por serem constituídos por partículas tão finas. criando um mineral mais estável a partir de outro que se encontrava instável naquelas condições ambientais.063 mm) e argila (< 0.004 a 0. que formam a fração granulométrica (tamanho) chamada de lama.

são angulosos e pobremente selecionados. 27 . Os arenitos são muito usados na construção civil. r Arenitos: são rochas detríticas formadas por grãos com 0. Existem dois tipos principais de arenito classificados de acordo com sua composição: v Quartzo arenito: são arenitos compostos predominantemente (>90%) por grãos de quartzo. Além disso. v Arcóseo: são arenitos de coloração rosa. sugerindo um transporte por pequenas distâncias (rápida deposição). sugerindo que foram transportados por longas distâncias. Contém geralmente os grãos bem arredondados e bem selecionados. por exemplo. Essas rochas são usadas como fonte de argila. alguns arenitos são excelentes armazenadores de óleo e gás (geralmente formados nos lamitos e migram para se armazenar nos arenitos) devido aos espaços entre os grãos.v Lamitos cinzas contém óxido de ferro que foi precipitado em ambiente pobre em oxigênio. Algumas dessas rochas podem também ser fontes de petróleo e gás natural. geralmente derivados de rochas graníticas ricas em feldspatos. para a fabricação de cerâmicas. Os seus grãos são geralmente cimentados por sílica ou carbonato de cálcio. contendo mais de 25% de grãos de feldspato. Seus grãos. v Lamitos pretos são formados em águas com a quantidade de oxigênio insuficiente para decompor toda a matéria orgânica contida no sedimento.063 a 2 milímetros de diâmetro (tamanho areia) e compõem aproximadamente 25% das rochas sedimentares encontradas no mundo. São geralmente de coloração clara.

Conglomerado Rochas Sedimentares Químicas As rochas sedimentares químicas são formadas através dos produtos do intemperismo químico. é possível identificar as rochas de origem. A depender do tamanho dos seixos.GeologiaGeraledo Brasil Arenito r Conglomerados e brechas: são rochas sedimentares detríticas contendo grãos maiores que 2 mm de diâmetro (tamanho de seixos). precipitados a partir de soluções quando a água em que estas substâncias estão dissolvidas evapora ou fica supersaturada devido a mudanças de temperatura. que preenche os espaços entre os seixos. enquanto que os seixos angulosos das brechas sugerem um breve transporte. Em geral. estas rochas possuem uma matris – material fino. Existem três tipos principais de rochas sedimentares de origem química: 28 . identificando a sua composição e textura. Nos conglomerados os grãos são arredondados e nas brechas são angulosos. e são cimentados por sílica. carbonato de cálcio ou óxido de ferro. como areia fina ou argila. Os seixos arredondados dos conglomerados sugerem que estes foram transportados por vigorosas correntes a longas distâncias.

A maior parte dos carbonatos tem origem orgânica. Se a água é rasa e o clima é quente. são determinantes no processo metamórfico: o calor. Rochas Metamórficas A formação das rochas metamórficas se dá em condições de temperatura e pressão abaixo da zona de diagênese. Pode apresentar origem inorgânica ou orgânica.5% de sais dissolvidos. formadas pela evaporação da água salgada. este se torna menos solúvel e tende a se precipitar formando os carbonatos. r Chert: são rochas sedimentares formadas pela precipitação de sílica. Só quando as rochas sofrem soerguimento e erosão. ficando expostas na superfície. Rochas sedimentares. e compõe aproximadamente 10 a 15% das rochas sedimentares do mundo. precipitadas. r Evaporitos: são rochas sedimentares químicas. São formados a partir de restos de esqueletos de animais marinhos e plantas em águas rasas ao longo de plataformas continentais equatoriais. desestabilizando os minerais das rochas. a presença de fluidos e a rocha parental: r Calor: o calor é indispensável para as reações químicas. ocorre evaporação e o conseqüente aumento na concentração destes sais. constitui o mais importante fator do metamorfismo. As suas causas e conseqüências são estimadas através de experimentos de laboratório que reproduzem as condições do interior do planeta. Em média. quando a água se torna mais aquecida ou quando a quantidade de carbonato de cálcio dissolvido na água aumenta. é possível observar os resultados na ação metamórfica nas rochas. pois não se processa em condições encontradas na superfície. e às vezes.r Carbonatos: a composição básica dos carbonatos é a calcita (carbonato de cálcio). Desta forma. onde a água é quente e a vida marinha é abundante. O metamorfismo não é observado. A composição da rocha original ou rocha parental e a circulação de fluidos ricos em íons são fundamentais na determinação do tipo de rochas e minerais a serem formados. de origem inorgânica. responsável pela formação das rochas sedimentares. respectivamente. Em geral. conhecida como sal de cozinha. a água do mar contém cerca de 3. a pressão. Os carbonatos são formados pela precipitação da calcita a partir de lagos e oceanos. a temperatura aumenta com o aumento da profundidade em direção ao interior da Terra. Com o aumento da evaporação. rochas ígneas e até mesmo as próprias rochas metamórficas sofrem metamorfismo. O metamorfismo ocorre quando o calor e a pressão excedem determinados níveis. a partir de águas ricas em sílica ou de restos de organismos que contem sílica em seu esqueleto. Como já foi dito anteriormente. cristais sólidos de sais são precipitados e se acumulam no fundo do mar. Na crosta e na parte superior do manto a temperatura aumenta cerca de 20 a 30°C por quilômetro de 29 . O metamorfismo é o processo através do qual as condições do interior da Terra alteram a composição mineral e estrutura das rochas sem fundi-las. mas que não são suficientes para causar a fusão destas rochas. O sal mais comum formador de evaporitos é a halita (NaCl).

este calor. r Rocha parental: a natureza da rocha parental (rocha antes do metamorfismo) determina quais os minerais e qual nova rocha metamórfica será formada sob as novas condições ambientais. encontradas a cerca de 10km abaixo da superfície. filitos vermelhos. Contudo. necessário para promover o metamorfismo. Esta pressão é encontrada a. são superiores a 200°C. em geral perpendicular à direção da força aplicada. aproximadamente. vai gerar uma rocha metamórfica rica em calcita – o mármore. o metamorfismo só ocorre a pequenas profundidades se houver uma intrusão magmática ou fricção entre placas. como um líquido ou um gás. o metamorfismo vai produzir uma rocha composta predominantemente deste mesmo mineral. O critério básico usado para classificar as rochas metamórficas de acordo com a sua aparência ou textura é a presença ou não de foliação metamórfica. como as temperaturas necessárias para se processar o metamorfismo normalmente só ocorrem a cerca de 10km. chamado de textura foliada ou. Em uma rocha parental que contém um único mineral. Por exemplo. 3 km abaixo da superfície. uma rocha metamórfica composta por quartzo recristalizado. aumentando drasticamente o potencial das reações metamórficas. Contudo. 1 bar = 1. Podem variar de cor a depender da composição mineral: filitos pretos indicam a presença de matéria orgânica. Como se classificam as rochas metamórficas? As rochas metamórficas são classificadas de acordo com a sua aparência e composição. r Pressão: a pressão necessária para o metamorfismo é de cerca de 1 quilobar (ou 1000 bar. podem ser classificadas em: v Filitos: são rochas metamórficas foliadas geradas a partir do metamorfismo de lamitos (argilitos e siltitos) a baixas temperaturas.02 kg/cm2). A depender do grau de temperatura e do tipo de rocha parental. simplesmente. As temperaturas necessárias para metamorfizar as rochas. no interior ou ao redor de uma rocha submetida a pressão facilita a migração de átomos e íons. o metamorfismo de um carbonato puro. pode também ser gerado pela fricção entre dois corpos de rocha passando um ao lado do outro nos limites das placas tectônicas. sofreram uma pressão dirigida (pressão aplicada em uma direção preferencial). 30 . São rochas compostas. r Rochas foliadas: o rearranjo mineral gerado pelo metamorfismo gera foliação ou um paralelismo entre os grãos minerais. composto por calcita. necessariamente. de óxidos de ferro e filitos verdes indicam a presença de uma mica verde chamada de clorita. em geral. Quando a pressão é aplicada na rocha em uma direção preferencial – pressão dirigida – gera um alinhamento mineral em camadas ou bandas. já o metamorfismo de um quartzo arenito vai gerar um quartzito.GeologiaGeraledo Brasil profundidade. foliação. por micas e apresentam um quebramento em planos paralelos formados pela foliação. sendo este calor transportado pelas massas de magma que ascendem das regiões profundas do manto. As rochas foliadas. r Presença de fluidos: a presença de fluidos. A principal fonte deste calor interno é o decaimento de isótopos radioativos. principalmente.

v Quartzitos: são rochas muito duras e resistentes geradas a partir do metamorfismo de arenitos puros. cinzas ou pretos. 31 . a partir de rochas graníticas e os gnaisses de origem sedimentar podem ser formados a partir de lamitos e arenitos impuros. num processo chamado de diferenciação metamórfica.v Xistos: com o aumento da temperatura necessária para formar os filitos. compostas predominantemente por quartzo e feldspato. Os gnaisses são formados por bandas mais claras. ou seja. r Rochas não-foliadas: as rochas não-foliadas são geradas a partir do contato de uma rocha preexistente (rocha parental) com o magma quente ou através da pressão confinante. Os xistos ricos em um determinado mineral podem levar o nome deste mineral. a rocha começa a fundir. v Gnaisses: são rochas formadas a altas temperaturas onde ocorre uma segregação mineral em bandas. mas também podem ser formados a partir de arenitos finos ou basaltos. com características tanto de rochas metamórficas como de rochas ígneas. São compostos essencialmente por quartzo recristalizado. as placas de mica crescem e os cristais se tornam visíveis. um xisto rico em micas é chamado de mica-xisto. Os gnaisses de origem ígnea são formados. gerando uma rocha metamórfica foliada chamada de xisto. Gnaise Com o aumento da temperatura. compostas predominantemente por micas. geralmente. Essa rocha gerada. verdes. e bandas escuras. A depender da rocha parental. podem ser classificadas em dois tipos principais: v Mármore: o mármore é uma rocha composta por grandes cristais recristalizados de calcita gerados a partir de pequenos cristais de calcita em carbonatos. marcando o limite entre o metamorfismo e a geração de rochas ígneas pela fusão de rochas preexistentes. a pressão litosférica a que as rochas estão sujeitas a grandes profundidades. A presença de impurezas no carbonato (rocha parental do mármore) pode gerar mármores rosas. é chamada de migmatito. ou seja. Os xistos podem ser derivados de lamitos. a partir daquela necessária para a formação dos gnaisses.

32 . explique a formação das ígneas.Atividade Complementar GeologiaGeraledo Brasil 1. 2. Cite e dê as principais características das rochas sedimentares detríticas e químicas mais comuns. Com base no ciclo das rochas. Explique o que é metamorfismo e quais os fatores determinantes para a sua ocorrência. das rochas sedimentares e das rochas metamórficas. 3.

Este é. Quando a água congela ocorre um aumento de volume de cerca de 9%. As rochas são intemperizadas de duas maneiras principais: desintegrando através da ação física e decompondo-se através de atividades químicas. Com a evaporação da água ocorre a concentração e deposição de sais que se cristalizam nestas cavidades. estes dois processos atuam conjugados. sem alterar a composição química destes. ocorre um aumento na sua área superficial. contudo. r Crescimento de cristais: em regiões costeiras. Intemperismo físico ou mecânico O intemperismo físico quebra o mineral ou a rocha em pequenos pedaços. Químico e Biológico A Terra é um planeta dinâmico. 33 . algumas partes da Terra são gradualmente elevadas através da construção de montanhas e da atividade vulcânica. uma vez que estes processos transformam rocha sólida em sedimento. a água salgada se acumula em cavidades nas rochas. Os processos que ocorrem na superfície ou muito próximo à superfície da Terra e têm como força motriz a energia do sol são chamados de processos externos. a depender das condições locais e dos agentes atuantes. movimentos de massa e erosão. portanto. Únicos e espetaculares cenários são criados através da interação de agentes ambientais com as rochas expostas na superfície da Terra. O intemperismo físico pode ocorrer devido a: r Congelamento em fraturas: quando a água penetra nos poros ou fraturas das rochas e a temperatura cai abaixo de 0°C esta água congela. facilitando a atuação também do intemperismo químico. Desta forma. O intemperismo é o processo através do qual a rocha se desintegra e se decompõe em superfície. Os processos externos são parte fundamental do ciclo das rochas. As mudanças ocorridas no intemperismo física se restringem ao tamanho e à forma das rochas. processos opostos estão gradualmente removendo materiais das áreas elevadas e transportando para áreas mais baixas. e incluem: intemperismo. O crescimento dos cristais de sais gera pressão nas cavidades e reentrâncias das rochas. o tipo mais eficiente de intemperismo físico. promovendo o seu desgaste físico. Ao quebrar a rocha em pedaços menores.OS PROCESSOS EXTERNOS E O ESTUDO DA GEOLOGIA AS TRANSFORMAÇÕES SOFRIDAS PELAS ROCHAS EM SUPERFÍCIE Intemperismo Físico. Esse aumento de volume da água congelada dentro das fraturas da rocha gera uma força capaz de fragmentar até as rochas mais resistentes. Este processo é mais ativo em ambientes onde a água é abundante e onde as temperaturas flutuam em torno da temperatura de congelamento da água.

Desta GeologiaGeraledo forma. a rocha original decompõe-se em substâncias que são estáveis na superfície. Nestas regiões. principalmente em reações que envolvem a presença de água. Intemperismo Químico O intemperismo químico altera a composição dos minerais e das rochas.r Expansão e contração térmica: cada um dos minerais que compõem as rochas apresenta um diferente grau de expansão térmica. Durante essa transformação. Essas partículas podem ser. Com o soerguimento e erosão das rochas. grãos de areia transportados pelo vento ou transportados pelas ondas do mar que quebram em cima das rochas. geleiras. à noite. lagos. O produto do intemperismo químico permanece essencialmente inalterado ao longo do período em que este permanecer em um ambiente similar ao que foi formado. Este processo é capaz de quebrar grandes blocos de rocha. cada mineral se expande Brasil diferentemente. se contraem devido às baixas temperaturas. as rochas são expostas a grandes variações diárias de temperatura – durante o dia os minerais sofrem expansão térmica devido às altas temperaturas e. rios. a oxidação e a hidrólise. Rochas em regiões desérticas estão preferencialmente sujeitas a este processo. canais subterrâneos. participa das reações e transporta os resultados destas reações. como as camadas de uma cebola. r Abrasão: a abrasão ocorre principalmente pelo impacto de partículas nas rochas. ocorre um alívio da pressão exercida sobre o granito e este se expande. A água – vinda de oceanos. Ela carrega íons para as reações químicas. por exemplo. A expansão do granito devido ao alívio de pressão gera uma esfoliação em camadas concêntricas. pluviais ou marinhas podem causar intemperismo físico com o quebramento das rochas. chuva ou neve – é o principal fator controlador da intensidade do intemperismo químico. quando a rocha é submetida ao calor. 34 . causando o quebramento da rocha. r Esfoliação mecânica ou esfoliação dômica: quando grandes massas rochosas de granito são cristalizadas dentro da crosta ficam sujeitas à pressão das rochas ao redor. O próprio impacto mecânico das águas fluviais. Os três principais processos que causam o intemperismo químico das rochas são a dissolução.

H+ e OH-. a água ácida em vez de dissolver a calcita do calcário vai recristalizá-la. vindo da superfície através das fraturas do calcário. são os mais propensos à hidrólise. Em geral. Um exemplo comum de dissolução ocorre quando a água se combina com o dióxido de carbono (CO2). o mineral mais abundante da crosta. Intemperismo Biológico O intemperismo também está associado à atividade de organismos. Esta gota é uma combinação de água. As argilas formadas por este processo cobrem vastas porções da superfície ou são transportados formando lama no fundo dos oceanos. No interior das cavernas ocorre a formação de espeleotemas. formando o ácido carbônico (H2CO3). se unem a outros íons da estrutura dos minerais. formando óxido de ferro (hematita). calcita e gás carbônico. Um exemplo deste tipo de intemperismo ocorre quando os íons de ferro das rochas máficas (um basalto. a sucessão de anéis forma a estalactite. ü Os animais perfuradores. como os feldspatos. ao atravessar a atmosfera ou o solo. gerados pela dissolução das rochas solúveis. os íons da molécula da água. como as cracas e as pinaúnas em regiões costeiras. gerando espaços vazios na rocha. a água pura não é reativa. Após a liberação do gás carbônico. dissolvendo o calcário das paredes da fratura e se saturando em bicarbonato de cálcio. Silicatos ricos em alumínio. os piroxênios e os anfibólios) e são as mais propensas à oxidação.r Dissolução: na dissolução. Espeleotemas são depósitos de precipitação carbonática. restarão apenas a calcita e a água. fazem buracos nas rochas. como os carbonatos. os animais e os homens: ü As raízes das plantas provocam fraturas nas rochas e contribuem com o intemperismo mecânico. 35 . o ácido carbônico é capaz de decompor a calcita. Por sua vez. por exemplo) reagem com o oxigênio da atmosfera. contribuindo para a desagregação das rochas. Nesta reação são formados minerais de argila estáveis e os demais elementos (a sílica e o íon potássio) são levados em solução na água. O principal tipo de espeleotema encontrado nas cavernas são as estalactites (pendentes do teto). A dissolução dos calcários é responsável pela criação de cavernas. Em contato com o ar da caverna. neste caso. como a calcita é insolúvel em água pura. As cavernas são condutos subterrâneos de acesso ao homem. mas. íons ou grupos de íons que formam um mineral ou uma rocha são removidos e levados pela água. São formadas quando uma gota de água atinge o teto de uma caverna. As rochas máficas possuem um grande conteúdo de minerais ricos em ferro (como as olivinas. r Hidrólise: na hidrólise. O termo espeleotema tem origem grega e significa “depósito mineral”. r Oxidação: na oxidação. são adicionados alguns elementos à água tornando-a reativa. os íons dos minerais se combinam com íons de oxigênio. principal constituinte dos carbonatos. presente na atmosfera ou no solo. o gás carbônico migra para a atmosfera da caverna. ela se cristalizará formando um anel em volta da gota. como as plantas. Os íons formados são levados em solução pelos cursos d’água. que compõem as formas de acumulação mais comuns no interior de cavernas.

Intensidade ou taxa de intemperização ü A ação do intemperismo mecânico. Um exemplo é a bauxita (óxido hidratado de alumínio): a bauxita é o principal minério de alumínio. GeologiaGeraledo Brasil ü Diversos tipos de atividades humanas (como a construção de cidades. aumenta a área superficial exposta e acelera o intemperismo químico. mais complexas serão as reações químicas do intemperismo. percolação por tempo suficiente para efetivar as reações e uma boa drenagem para a lixiviação dos produtos solúveis O intemperismo gera depósitos minerais através do enriquecimento secundário: o intemperismo químico com a percolação de água remove os materiais residuais levando ao enriquecimento dos elementos menos solúveis. ü Um manto espesso de solo rico em matéria orgânica gera fluidos quimicamente ativos como os ácidos húmico e carbônico. etc. ü As reações químicas do intemperismo ocorrem mais intensamente nos compartimentos do relevo onde há uma boa infiltração da água. Elementos de importância econômica em baixas concentrações na superfície são removidos e redepositados tornando-se mais concentrados. ü A presença de juntas e fraturas na rocha possibilita a penetração da água na rocha e intensifica o intemperismo.) promovem o intemperismo químico e mecânico. ü Quanto maior a disponibilidade da água e mais freqüente a sua renovação. formado em climas tropicais quando rochas ricas em alumínio estão sujeitas a intenso intemperismo químico. ü Os silicatos são intemperizados essencialmente na mesma seqüência de sua ordem de cristalização.ü A atividade de microorganismos presentes no solo gera ácidos que contribuem com o intemperismo químico. Fatores climáticos ü Determinam o tipo e a intensidade do intemperismo ü A temperatura e a umidade influenciam no tipo e na quantidade de vegetação. ü A constituição mineral da rocha é um dos fatores mais determinantes da intensidade de intemperização. exploração mineral. quebrando a rocha em pequenos pedaços. 36 . ü O intemperismo químico é baixo ou inexistente em regiões polares (baixas temperaturas) e regiões áridas (baixa umidade).

na atmosfera. os três tipos de intemperismo.03% como rios. Defina “intemperismo” e diga qual a sua importância no ciclo das rochas. Todos esses “reservatórios” constituem a hidrosfera. Como os fatores climáticos interferem no tipo e na taxa de intemperização das rochas? E explique.Atividade Complementar 1. no ar e no solo. nos rios. ela está constantemente se movimentando nos oceanos. completando o ciclo de retorno. O Ciclo Hidrológico é a contínua movimentação da água dos oceanos para a atmosfera.2% do total de água do planeta está estocado nos oceanos.36 bilhões de quilômetros cúbicos de água. nos lagos. parte desta água escoa superficialmente. ü A chuva que cai no continente pode seguir vários caminhos: v Parte da água infiltra-se. ü Parte desta chuva cai sobre os oceanos. A água não permanece por muito tempo em cada um destes reservatórios. na Terra sólida e na biosfera. solo e atmosfera.62% como água subterrânea e 0. ü O vento transporta esse “vapor d’água” por longas distâncias e estes se condensam em nuvens que se precipitam como chuva. movimentando-se por canais subterrâneos. da atmosfera para a terra e da terra de volta para o mar. 2. 0. rios ou indo diretamente para os oceanos. alimentando lagos. nas geleiras.15% nas geleiras e capas de gelo. provem uma ligação vital entre os oceanos e os continentes: ü A água evapora para a atmosfera a partir dos oceanos e uma pequena parte a partir do continente (rios e lagos). de maneira geral. v Quando a água se precipita em quantidades acima da capacidade de absorção do solo. 37 . O Ciclo Hidrológico é um gigantesco sistema global alimentado pela energia do sol que. Ciclo Hidrológico A água ocorre em várias partes do planeta – nos oceanos. lagos. através da atmosfera. O balanço entre a infiltração e o escoamento superficial depende de diversos fatores. Cerca de 97. Estima-se que a hidrosfera seja composta por cerca de 1.

Se o canal for composto por material inconsolidado. são incorporadas e transportadas através de agentes como a água. Essa habilidade é determinada por dois critérios: competência e capacidade 38 . Destes 96. quando o canal é composto por rocha dura. Como a quantidade de vapor d’água na atmosfera permanece o mesmo. maior será o escoamento superficial. Quando maior a permeabilidade do solo. ocorre pela ação abrasiva da água carregando sedimentos.000 km3 a partir dos continentes (lagos e rios). A maior parte da erosão. Existem quatro tipos principais de erosão. classificados de acordo com o tipo de agente atuante: erosão fluvial. maior será a taxa de infiltração. mais plano o relevo e com a presença de uma cobertura vegetal. Agentes Erosivos Naturais A erosão é o processo pelo qual as partículas. ao invés de se infiltrar ou escoar superficialmente. a média anual de precipitação deve ser igual à quantidade de água evaporada. cerca de 284. O ciclo hidrológico é balanceado. ü Sedimentos dissolvidos pela decomposição química: carga dissolvida transporte em solução.000 3 km percorrem pelos continentes. Os rios variam na sua habilidade de transportar sedimentos. Cerca de 320. A precipitação excede a evaporação nos continentes e.GeologiaGeraledo Brasil como a permeabilidade do solo.000 km3 de água são evaporados em cada ano a partir dos oceanos e 60. erodindo-os no seu caminho de volta aos oceanos. erosão glacial e erosão marinha. v Quando a precipitação ocorre em regiões muito frias – regiões de altas latitudes ou no topo de montanhas muito elevadas – a água pode. transporte por suspensão. mais íngreme o relevo e com vegetação ausente. a precipitação excede a evaporação nos oceanos e o sistema funciona de forma equilibrada. congelar-se e incorporarse às geleiras e às capas de gelo.000 km3 de água restantes se precipitam nos continentes. apenas o impacto da água é capaz de promover a erosão. ü Sedimentos finos: carga de suspensão.000 km3 evaporam e 36. o relevo e a presença de vegetação. Deste total de 380. o vento ou o gelo. v Parte da água que se infiltra ou que escoa superficialmente é absorvida pelas plantas e retorna para a atmosfera através da transpiração.000 km3 de água. Um rio transporta a sua carga de sedimentos de três formas: ü Sedimentos grossos: carga de fundo. Erosão Fluvial A energia potencial dos rios pode ser usada para erodir as rochas e as transportar. em geral resultantes da ação do intemperismo.000 km3 se precipitam de volta para os oceanos e os 96. 60. transporte por saltação e arraste. quanto menor a permeabilidade do solo. erosão eólica. inversamente.000 km3 de água que caem nos continentes.

em um ambiente desértico. A erosão pelo vento se dá predominantemente em terras áridas e sem vegetação. Nos pavimentos desérticos a superfície é coberta por matacões e cascalhos devido à gradual retirada do silte e da areia pela deflação. silte ou areia) pode gerar pavimentos desérticos e blowouts.A competência do rio é medida pelo tamanho máximo das partículas que ele é capaz de transportar e é determinada pela velocidade do rio. Principais feições erosivas pela ação fluvial r Sulcos e ravinas: são formados pela ação erosiva do escoamento superficial concentrado em linhas. 39 . pode formar oásis. Na deflação o material fino (argila e silte) é transportado em suspensão e a areia é transportada por saltação. A remoção dessas partículas (argila. Se o nível topográfico é rebaixado até atingir a zona saturada. Para uma mesmo velocidade do vento. carregando o material em profundidade e formando vazios no interior do solo. Eles são muito comuns em regiões de dunas. a ação erosiva dos ventos é relativamente menos importante. Na maioria das vezes. a erosão é causada principalmente pelas chuvas curtas. Os principais processos de erosão eólica são a deflação e a abrasão. Os blowouts são “buracos” ou zonas rebaixadas geradas pela remoção da areia. Deflação: é a retirada de partículas pela ação do vento. mas de grande intensidade. o colapso destes vazios desestabiliza as vertentes e provoca o recuo das paredes das voçorocas. r Voçorocas: são formadas quando o nível freático erode a base das vertentes. quanto maior a partícula menor será o seu deslocamento. Erosão Fluvial Erosão Eólica Quando comparada com a ação fluvial e a glacial. A capacidade do rio é o máximo de peso que ele pode carregar e está relacionada com a descarga do rio. a erosão solapa a base das paredes.

As geleiras erodem através de duas formas principais: r Remoção: quando uma geleira se movimenta sobre uma superfície rochosa. ü Forma. As geleiras se movem inicialmente dentro de um vale esculpido por um rio. Estrias glaciais são geradas no leito rochoso quando o gelo no fundo da geleira contém fragmentos protuberantes de rocha e indicam a direção de fluxo da geleira. Os vales em V são transformados em vales em U. blocos de rocha são incorporados no interior do gelo. escavado quando a geleira se movimenta em um substrato duro. Devido a esse processo os grãos tendem a apresentar um aspecto fosco. porém existem muitas formas de relevo geradas no passado. Ocorre também a erosão pela água de degelo formando canais subglaciais que geram um sistema de escoamento com um padrão muito irregular. A água derretida penetra nas fissuras e juntas das rochas durante a passagem da geleira e quando essa congela ocorre a expansão e o quebramento da rocha. As principais formas erosivas pela ação glacial são os vales glaciais. Estes canais só são visíveis junto às margens das geleiras. r Abrasão: desgaste da rocha sobre a qual a geleira se desloca devido á ação do gelo e dos fragmentos rochosos transportados na base do gelo que funcionam como uma lixa. Erosão Eólica Erosão Glacial As geleiras são capazes de intensa erosão.GeologiaGeraledo Brasil r Abrasão: é o processo de desgaste e polimento de seixos. ü Da erodibilidade da superfície abaixo da geleira. as geleiras têm limitada importância como agente erosivo. 40 . abundância e dureza dos fragmentos rochosos contidos no gelo da base da geleira. A razão de erosão depende: ü Razão do movimento glacial. Atualmente. A abrasão gera seixos chamados de ventifactos: seixos que apresentam uma ou mais faces planas desenvolvidas pela ação da abrasão eólica. blocos ou rochas gerado pelo impacto de partículas transportadas pelo vento. uma forma característica dos vales glaciais. onde desembocam e descarregam um grande volume de água. mostrando a intensidade do seu trabalho erosivo. Elas conseguem carregar imensos blocos que nenhum outro agente erosivo conseguiria. ü Espessura do gelo.

algumas praias são mais largas e outras são mais estreitas. Estas correntes são a principal causa de afogamentos. De acordo com essa distribuição de areia. terraços. podendo destruir planícies. além da sua importância para diversos tipos de organismos que ali vivem. que atravessam a zona de surfe em direção ao mar. conseqüentemente. Estas correntes são fluxos paralelos à costa entre a zona de arrebentação e a linha de costa que transportam os sedimentos colocados em suspensão pelas ondas ao longo da costa r Correntes longitudinais: são geradas quando as ondas quebram formando um ângulo com a linha de costa. protegendo o continente da ação direta das ondas e das correntes. 41 .Erosão Marinha As ondas adquirem sua energia a partir dos ventos que sopram nos oceanos. r Correntes de retorno: são fluxos estreitos. Em muitas praias. causando grande impacto sobre a praia. chegando na praia com alturas menores. de correntes que prevalecem em cada praia. a faixa de areia desaparece durante os períodos de maré alta e as ondas erodem a zona costeira adjacente. falésias e construções humanas. A praia. essa energia é acumulada no seu percurso em águas profundas e depois é dissipada na zona de surfe e na zona de arrebentação. formando um ângulo com a linha de costa. Nas praias onde a zona de surfe não existe. As ondas são também as principais responsáveis pelo transporte de sedimentos ao longo da costa. transversais à costa. Quanto maior a altura das ondas. a depender das condições de onda e. Estas correntes transportam os sedimentos. funciona como uma “zona tampão”. onde é possível a prática de surfe). em geral com alturas significantes. campos de duna. distribuindo a areia ao longo das praias. resultando em um fluxo paralelo à costa. maior a sua energia e mais intenso será o processo erosivo. Quando as ondas quebram. são geradas correntes longitudinais. Nas praias que apresentam zona de surfe (várias linhas de quebra de onda. através das correntes costeiras. entre a zona de arrebentação e a linha de costa. com sua faixa de areia. as ondas arrebentam diretamente na praia. a onda tem oportunidade de dissipar a sua energia. Parte da energia dissipada pelas ondas promove a geração de correntes costeiras.

a erosão das formas em mesa gera pequenos morros com topo plano mais resistente à erosão chamado de morro testemunho. a depender do processo erosivo. A análise das formas de relevo e dos processos atuantes no modelamento destas formas fornece o conhecimento sobre os aspectos e a dinâmica da topografia atual possibilitando o entendimento das formas erosivas e deposicionais. O Modelado Terrestre A interação contínua entre as forças internas e a dinâmica externa do planeta resulta em um grande número de paisagens que compõem o modelado terrestre. Com o aumento do nível relativo do mar. resultando em ondas com maiores alturas ao longo da costa. em geral. A geomorfologia é a ciência que estuda o surgimento e a evolução das formas de relevo. Por sua vez. Rochas sedimentares que foram depositadas em camadas planas e horizontais podem gerar. Desde 1955-60 a extensão de costas erodidas aumentou de 55% para 80%. é considerado um exemplo deste tipo de relevo.5 m/ano. 42 .5 m/ano. responsável por levantamentos crustais. apenas 8 a 16% das costas sob erosão apresentavam taxas de erosão superiores a 3. na Chapada Diamantina. A dinâmica interna do planeta é. sendo que 45% deste percentual apresenta uma taxa de erosão superior a 3. vencendo a resistência das rochas. antes das ondas quebrarem.GeologiaGeraledo Brasil Erosão Marinha Intensificação do processo erosivo devido a um aumento do nível relativo do mar A extensão de costas erodidas e a taxa de erosão têm aumentado substancialmente em todo o mundo. O Morro do Pai Inácio. antes da década de 60. enquanto que. Parte desta aceleração na erosão costeira pode ser explicada pelo aumento relativo do nível do mar. menos energia é retirada das ondas através da fricção com o fundo. um relevo em forma de planaltos e platôs. gerando grandes cadeias de montanhas. Este nome se deve ao fato destes morros atestarem a posição de antigos níveis topográficos que foram rebaixados pela erosão. A dinâmica externa tenta nivelar a superfície. erodindo em alguns locais e depositando em outros. A contínua erosão destes platôs ou planaltos gera formas planas de menores dimensões chamadas de mesa. Controle litológico e estrutural na definição do modelado terrestre As formas de relevo refletem em grande parte o tipo de rocha e a sua estrutura.

Morro do Pai Inácio Rochas sedimentares depositadas em superfícies inclinadas ou que sofreram uma inclinação posterior. Um exemplo desta forma de relevo é o Pão-de-açúcar no Rio de Janeiro. por exemplo. é comum a ocorrência de insebergs. ou pães-deaçúcar. se o processo erosivo se deu sob clima úmido. Estas formas de relevo mostram um lado formando uma escarpa e o lado contrário com inclinação mais suave e são denominadas de cuesta. se o processo erosivo se deu sob clima árido ou semi-árido. Os vales esculpidos pelas águas superficiais mostram vertentes suaves e convexas e exibem formas de relevo em meias-laranjas ou mares de morros. mostram relevos inclinados em uma direção. No interior da Bahia. Inselberg Rochas argilosas ou rochas cristalinas antigas (rochas do embasamento cristalino) mostram pouca resistência à erosão. A região plana e baixa onde está inserido o inselberg (como um morro isolado) é chamada de pediplano. por exemplo. 43 . na região de Milagres. Rochas intrusivas graníticas e grandes maciços rochosos. como. formam morros elevados isolados que podem ser chamados de inserbergs. mais resistentes à erosão do que as rochas ao seu redor. As cuestas são também formas comuns de relevo na Chapada Diamantina. devido às forças tectônicas. na região de Morro do Chapéu.

quando não está coberta de neve. exibem relevos em serras com os vales exibindo vertentes íngremes. em pequena quantidade. como os quartzitos.MG Rochas metamórficas resistentes. Ocorre pouca lixiviação (retirada de íons pelo intemperismo químico). A atividade biológica é muito reduzida. Serras de Jacobina Influência climática na definição do modelado terrestre O clima age diretamente na definição do modelado terrestre através de seus agentes a temperatura. Desta forma. ü O intemperismo mecânico é intenso. ü A ausência do solo favorece a desagregação das rochas e a abrasão do relevo. apresenta lençóis de fragmentos rochosos sobre as vertentes expostas. ficam retidas sob a forma de gelo. condicionada aos tipos litológicos existentes: Zonas frias ü ü ü ü As precipitações. a pluviosidade – e indiretamente através da vegetação. podendo ocorrer um período de queda de neve. Um exemplo são as serras da região de Jacobina. 44 . através da ação do gelo/degelo e abrasão das rochas pelo lençol de gelo. a força dos ventos. Os solos são rasos e com evolução muito lenta. ü A paisagem. Zonas de latitudes médias (climas temperados) ü As temperaturas são pouco elevadas. ü A atividade biológica é reduzida no inverno.GeologiaGeraledo Brasil Mares de morros . para cada zona climática é elaborado um tipo preferencial de relevo.

os solos rasos das zonas planas ficam encharcados devido à cobertura de material fino. ü As formas de relevo mais comuns. permitindo o escoamento superficial. são as meias-laranjas com vertentes convexas. os minerais são atacados e mobilizados. ü Os solos (castanho ou avermelhados) são delgados ou ausentes. As temperaturas são elevadas e a amplitude térmica é grande. ü É comum a formação de inselbergs e pediplanos. ü As tempestades são violentas e rápidas. o solo resseca e o lençol freático se aprofunda. Alterna períodos chuvosos e de seca acentuada. ü Apresentam vegetação exuberante. cobertas por alguns decímetros de solo. ü Os minerais de argila impermeabilizam o solo aumentando o escoamento superficial. Na estação das chuvas. ü Os solos são profundos e bem drenados. ü A lixiviação é moderada e incide principalmente sobre o ferro e o cálcio (ataque das micas e plagioclásio cálcico nos granitos). ü O intemperismo químico é muito reduzido e o intemperismo mecânico prevalece. ü Os vales são planos devido à chegada de detritos ser superior a capacidade de transporte dos rios (o perfil fluvial tem em geral baixa declividade). As formas de relevo incluem inselbergs e pediplanos. Zonas tropicais com estação seca definida ü ü ü ü ü ü ü ü A umidade é menor e a vegetação é menos abundante que nas zonas intertropicais. É comum a existência de couraças ferruginosas revestindo imensas planícies e planaltos de erosão. As primeiras chuvas têm ação erosiva grande porque encontra o solo seco e sem vegetação. em terrenos graníticos e gnáissicos. devido aos processos de erosão nos períodos de seca. Zonas áridas e subáridas ü A evaporação excede a precipitação média. ü O calor e a umidade favorecem os processos químicos e a decomposição é geralmente mais rápida do que o transporte nas vertentes. convexas no topo e côncava na base. ü Podem ser formadas carapaças lateríticas (alumínio) e carapaças ferruginosas. 45 . ü A lixiviação é quase nula. A lixiviação é intensa nos períodos de chuva. na estação seca.ü A camada de húmus aumenta no inverno porque a velocidade de acumulação de detritos vegetais (a vegetação perde as folhas) é maior que a velocidade de consumo pelos microrganismos. ü Ocorre lixiviação intensa. ü A paisagem resultante apresentará encostas suaves. Zonas intertropicais ü As temperaturas médias são elevadas e a umidade é abundante. ü A decomposição do húmus é rápida. ü As argilas e os óxidos de ferro são os principais produtos de alteração.

A disponibilidade dos recursos naturais depende da sua concentração. ESTUDOS E APLICAÇÕES DA GEOLOGIA Exploração de Recursos Minerais e Energéticos Os recursos naturais são normalmente classificados em energéticos e minerais e incluem os combustíveis e uma grande variedade de metais e não-metais. e que podem ser explorados economicamente com as tecnologias disponíveis. econômicos ou políticas. 46 . Reservas são quantidades de recursos naturais disponíveis. da tecnologia disponível para extrair e beneficiar estes recursos e de fatores econômicos como suprimento e demanda.GeologiaGeraledo Brasil Atividade Complementar 1. Explique e dê exemplos de como o tipo de rocha e o clima podem influenciar o modelado terrestre. Explique de que forma os rios podem transportar a sua carga de sedimentos. mas que não são atualmente exploráveis devido a fatores tecnológicos. 2. Como o aumento do nível do mar pode causar uma maior incidência de eventos erosivos ao longo das regiões costeiras? 3. Recursos são depósitos conhecidos.

alumínio. ouro e prata. líquidas e semi-sólidas conhecidas como petróleo. se precipitar a partir de líquidos derivados do magma. como ferro. formando os depósitos de placers. por exemplo. Alguns são. estanho. formando os chamados depósitos hidrotermais. etc. como a energia solar. Com o aumento da temperatura e pressão este material é transformado em carvão. cobre. que são rochas permeáveis onde ele fica armazenado. pedras ornamentais como os granitos e mármores. a natureza levaria um tempo muito grande (milhões de anos) para repô-los. Recursos naturais minerais r Recursos naturais minerais metálicos Um outro importante grupo de recursos naturais é o grupo dos minerais metálicos. O carvão é formado quando a vegetação não se decompõe devido à existência de um ambiente pobre em oxigênio e estes restos orgânicos são acumulados entre as camadas de sedimentos. Outros podem ser concentrados por processos de intemperismo e sedimentação. Recursos Naturais Energéticos A maior parte da energia utilizada nas sociedades atuais provém de substâncias gasosas. Esses combustíveis fósseis são compostos de hidrocarbonetos. Já os recursos naturais não-renováveis são aqueles que. em geral. comumente arenitos. uma vez consumidos. São chamados de recursos naturais renováveis aqueles que podem ser repostos em um curto espaço de tempo. inicialmente em seu estado nativo e depois combinado a outros metais para formar as ligas metálicas. moléculas orgânicas complexas formadas de hidrogênio e de carbono. usados: ü na construção civil: como os carbonatos na fabricação de cimentos. as areias e cascalhos. r Recursos naturais minerais não-metálicos Os depósitos minerais não metálicos incluem uma grande diversidade de depósitos.Minérios são depósitos minerais que podem ser economicamente explorados. urânio. Uma vez formado. Para os metais apresentarem uma concentração economicamente importante são necessários alguns processos geológicos. como as árvores. lamitos marinhos. É uma rocha sedimentar orgânica formada a partir de restos de plantas. os minerais de argila. por exemplo. ou que podem ser consumidos sem que eles terminem. 47 . O petróleo é tipicamente formado em bacias oceânicas onde existia um abundante aporte de nutrientes e grande quantidade de organismos microscópicos que foram confinados junto com antigos sedimentos. o petróleo migra para as rochas reservatórios. Os metais têm sido usados pelo ser humano há centenas de anos. As rochas fontes do petróleo são. Os metais podem. O carvão é o mais abundante combustível fóssil. como os combustíveis fósseis.

v Plataforma é uma unidade constituída por alguns núcleos de crátons rodeados por orógenos ou faixas móveis. ü gemas ou pedras preciosas: como o diamante. r Principais comportimentos geológicos do Brasil Para entender os compartimentos geológicos que compõem o substrato brasileiro é preciso conhecer os conceitos de cráton. o topázio.GeologiaGeraledo Brasil ü como fertilizantes na agricultura: nitratos. Grande parte de um cráton é constituída por terrenos granito-gnaisse. São terrenos. v Faixas móveis (orógenos) são zonas resultantes da interação entre placas litosféricas num tempo passado e que bordejam os núcleos cratônicos (crátons) preexistentes. asbestos (anfibólio). O território brasileiro está totalmente inserido na Plataforma Sul-Americana está dividido em sete compartimentos geológicos ou províncias estruturais que apresentam características geológicas diferentes: 48 .marinha. plataforma e faixas móveis. O continente sul-americano está dividido em três unidades: a Plataforma Sulamericana. a água. ou seja. fosfatos. v Cráton é uma parte da litosfera continental que tem se mantido estável. Plataforma Patagônica e Faixa de Dobramento dos Andes. etc. nitratos. sem atividade tectônica. por muito tempo. carbonatos. ü na indústria: enxofre. a esmeralda. compostos por gnaisses fortemente bandados. evaporitos. quartzo. etc. em geral.

etc. Província Borborema é constituída pelos complexos granito-gnaissico-migmatíticos de Pernambuco e Alagoas. existência de estruturas inclinadas. na geologia. como galhos de árvores. ocupando grandes áreas do território brasileiro. sobre a maior ou menor permeabilidade das rochas. 49 . Esta faixa está coberta por sedimentos recentes em vários locais. não indicando qualquer controle geológico-estrutural. Padrões de drenagem são formas de traçado que os segmentos de drenagem apresentam em função de características físicas do terreno. Esta província é constituída por gnaisses. As principais bacias são a Bacia do Paraná. que constitui parte do Cráton Amazônico. são necessários estudos com base em mapas topográficos (que mostram as curvas de nível e o traçado da drenagem) ou de fotografias aéreas (onde pode ser traçado o mapa de drenagem) para obter informações. dentre outros. Província Mantiqueira está representada pela Faixa Atlântica. rodeados por faixas de dobramentos. por exemplo. com filitos. Bacias Fanerozóicas correspondem às bacias sedimentares resultantes da estabilização da Plataforma Sul-americana. gabros. especialmente do tipo de rocha e da forma de relevo. Interpretação Geológica a Partir de Padrões de Drenagem e Formas de Relevo Muitas vezes. a leste da Província de Xingu. sua resistência. uma faixa de dobramentos que vai do sul da Bahia até o Rio Grande do Sul. Além disso. surgindo. Os quatro tipos principais tipos de padrões de drenagem são o dendrítico. granulitos.Escudo das Guianas-Meridional: representa a parte meridional do Escudo das Guianas. Faixa Paraguai-Araguaia corresponde à região central do Brasil. existências de morros ou domos de rochas intrusivas. Este escudo ocupa parte da região norte do Brasil e é formado por rochas muito antigas (arqueanas) separadas por faixas móveis. Geograficamente esta província engloba grande parte da Bahia e uma parte de Minas Gerais. o treliça e o radial. xistos. a Bacia do Amazonas e a Bacia Parnaíba. existência de planos de falhas e fraturas. Por isso. Província São Francisco: engloba o Cráton de São Francisco e diversas faixas móveis que o rodeia. granitos. Província Xingu ou Tapajós: está localizada na porção central e noroeste do Brasil e subdivide-se em três sub-províncias: Carajás. margeando as bacias costeiras. são poucos os locais onde as rochas se mostram na superfície (afloramento rochoso) sem uma cobertura de solo ou de vegetação. na região do Pantanal. conglomerados e mármores. por exemplo. migmatitos. Xingu e Madeira. são necessários estudos preliminares que forneçam indicativos dos prováveis tipos e estruturas das rochas antes de serem feitos os trabalhos de verificação de campo. anfibolitos. r Dendrítico: apresenta ramificações irregulares em todas as direções. o paralelo.

Pode indicar a presença de rochas sedimentares depositados em camadas horizontais ou rochas arqueanas (embasamento cristalino) com GeologiaGeraledo relevo em “meias-laranjas” ou “mares de morros”. indicando uma inclinação do terreno. Ocorre em geral em rochas coesas. arenitos resistentes. incorporado dentro do ensino da Geografia Física deve tratar. v As forças internas do planeta geradoras de terremotos e criadoras de cadeias de montanhas. v Os principais tipos de rocha e as suas principais características que imprimem um controle nas paisagens. esse padrão também está associado a rochas impermeáveis ou semi-permeáveis com rede de drenagem superficial abundante. onde o balanço entre o tipo de rocha e as condições climáticas locais vão determinar o tipo e a intensidade do intemperismo e da erosão. r Treliça: constitui um padrão caracterizado por drenagens controladas pela estrutura geológica. que indica a estrutura inclinada das rochas. r Paralelo: apresenta um paralelismo de suas drenagens. O Estudo da Geologia no Ensino Fundamental e Médio A ensino da Geologia nas últimas séries do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. como quartzitos. 50 . ou seja. Geralmente está associado a terrenos com uma direção preferencial de caimento do relevo. pois são indica variação Brasil lateral de composição. sem importantes sistemas de falhas ou fraturas. A partir destas características. Está geralmente associada a rochas ígneas. r Radial: caracteriza-se pela geometria radial. em regiões onde forças tectônicas causaram uma inclinação nestas rochas fazendo com que a drenagem migre para uma direção preferencial. com um rio principal bem marcado e cujos tributários estão dispostos em ângulo reto. rochas do embasamento com importante sistema de falhas e fraturas. dos seguintes aspectos fundamentais: v A origem e a formação da Terra. com falhamentos bem marcados. As linhas de drenagem divergem em todas as direções a partir de uma parte central mais elevada. A presença deste padrão denota forte controle estrutural. v A teoria da Tectônica de Placas e o movimento das placas litosféricas. indica a presença de falhas e fraturas ortogonais entre si. v Processos de alteração superficial das rochas. a verificação deste padrão de drenagem nos mapas ou em fotografias aéreas pode indicar a presença de rochas como os lamitos (argilitos. respeitando o grau de complexidade adequado a cada série.Representa terrenos relativamente homogêneos. como os morros de rochas graníticas isolados na paisagem mais plana (inselberg) ou crateras vulcânicas. Em geral. siltitos. resultando no modelado terrestre. É comum este tipo de padrão em rochas sedimentares como os arenitos. ditando as possíveis formas de relevo de uma região. Pode indicar a presença de rochas sedimentares estruturados sob a forma de cuestas. folhelhos) ou ganisses e migmatitos do embasamento arqueano.

seja desenvolvida com prazer no ambiente de tutoria e sirva para consolidar o conhecimento apreendido na disciplina. prata. Seus usos e aplicações. urânio. v A formação e exploração de combustíveis fósseis como o petróleo. em anexo (mapa 1). Atividade Complementar Explique a diferença entre “reserva” e “recursos”.v Os principais minerais. Estas curvas representam cotas ou altitudes do terreno que variam de 200 a 800m. discutindo os problemas ambientais decorrentes da exploração e utilização destes recursos. Desta forma. Monte tópicos de debate para serem aplicados em classe sobre o tema “exploração dos recursos naturais: problemas e benefícios”. zinco. o gás natural e o carvão. 51 . Atividade Orientada Queridos alunos. cobre. Cite e dê exemplos de usos de recursos naturais energéticos e de recursos naturais minerais (metálicos e não-metálicos). etc. tentaremos fazer com que o nosso processo avaliativo seja criativo e desperte em cada aluno a vontade de vencer as dificuldades e superar-se. apesar de obrigatória e de caráter avaliativo. Fazer sempre uma discussão sobre os problemas ambientais decorrentes da exploração destes recursos versus os benefícios que a sua utilização trazem para a sociedade atual. suas propriedades e utilização pela sociedade atual. ferro. apresenta curvas de nível com intervalo de 100m. nível. v A origem e a exploração de minérios como ouro. esperamos que esta atividade. Acreditamos que a avaliação é mais uma oportunidade de aprendizagem e. Orientações Para Atividade Etapa 1 O mapa topográfico esquemático. aproveitando mais um momento de descobertas.

Esta seqüência indica que as condições ambientais da bacia de deposição destes sedimentos eram compatíveis com águas calmas. Posteriormente ocorreu a transformação destes sedimentos em rochas (litificação) e a exposição destes na superfície. depois as condições ambientais se tornaram mais efetivas.5cm Tesoura Cola Construção da maquete: Desenhar cada nível topográfico no isopor. no caso de pintar colorido (a maquete fica mais bonita!) deve-se fazer uma correspondência entre a legenda do mapa e as cores escolhidas. O modelado do relevo é apresentado pelas curvas de nível (as mesmas do mapa 1). os arenitos grossos. depois os arenitos finos e. A partir daí. Etapa 2 O mapa geológico esquemático em anexo (mapa 2) apresenta camadas litológicas horizontais. 52 . onde foram depositados os lamitos e os carbonatos. Material necessário para a atividade: ü ü ü ü Tinta guache Pincel Lápis Maquete topográfica construída na etapa 1 Atividade 1: ü Utilizar a maquete do relevo feita na Etapa 1 e transpor para ela as camadas geológicas (lamitos. Desta forma. com tamanho de areia fina e areia grossa. Estas camadas de rochas estão sobrepostas numa seqüência normal onde as camadas mais novas então sobrepostas às mais antigas. depois de montada. capazes de transportar e depositar grãos maiores. carbonatos. ü Pintar cada camada de uma cor diferente (pode usar tinta guache) ou usar a legenda de símbolos apresentada no mapa. O primeiro nível ou nível de base deverá ser um retângulo do tamanho do mapa. preferencialmente com espessura de cerca de 0. compondo o relevo da área.Material necessário para a atividade: ü ü ü GeologiaGeraledo Brasil Isopor. primeiro foi depositada a camada de lamitos. a maquete deve ser moldada com gesso ou massa acrílica (massa de parede). arenitos finos e arenitos grossos). por último. esculpindo estas rochas de acordo com a maior ou menor resistência oferecida por elas e fazendo com que as camadas mais antigas (que estão nas regiões mais baixas) apareçam na superfície. Notar que a espessura do isopor vai representar níveis de 100m no relevo. Recortar cada curva de nível e colar uma sobre a outra. em seguida os carbonatos. Para arredondar melhor as formas. É importante notar que a curva de 500m coincide com o contato entre os carbonatos e os arenitos finos. os agentes exógenos de intemperismo e erosão modelaram o relevo.

4. Atividade 2: Reflita e discuta sobre a origem e o processo de formação destas camadas geológicas. ü Lembrar sempre que as camadas estão dispostas horizontalmente. Como se dá a atuação dos agentes intempéricos na desagregação e alteração das rochas? De que maneira o clima interfere nos processos de intemperismo e erosão? 53 .ü Observar que cada camada acompanha um intervalo de nível (lamitos abaixo de 350m. Explique. não ocorreu nenhum evento tectônico posterior à sua deposição que pudesse mudálas da sua posição original de deposição. De que maneira os processos endógenos. Explique a teoria da Tectônica de Placas. Atividade 3: Monte um plano de aula para esta atividade. interferem no modelado das paisagens terrestres? 3. o ciclo das rochas. Etapa 3 Com base nos conhecimentos adquiridos no decorrer desta disciplina. responda ás seguintes questões: 1. arenitos finos entre 500 e 650m e arenitos grossos acima de 650m). carbonatos entre 350 e 500m. 2. ou seja. referentes à dinâmica interna do planeta. com suas palavras.

ANEXOS GeologiaGeraledo Brasil MAPA 1 54 .

MAPA 2 55 .

que indica um antigo nível topográfico das rochas da região. a pressão decorrente do peso dos sedimentos e os íons transportados pela água de superfície. em geral resultantes da ação do intemperismo. gerados pela dissolução de rochas solúveis. Inselbergs: são morros elevados de composição granítica. o vento ou o gelo. Minérios: são depósitos minerais que podem ser economicamente explorados. isolados devido à erosão das rochas ao seu redor em condições de clima árido ou semi-árido. Geomorfologia: é a ciência que estuda o surgimento e a evolução das formas de relevo. Foliação: alinhamento mineral em camadas ou bandas. que compõem as formas de acumulação mais comuns no interior de cavernas. Compactação: é um processo diagenético através do qual o volume dos sedimentos é reduzido através da aplicação de uma determinada pressão gerada pelo próprio peso dos sedimentos Diagênese: mudanças na natureza química e física dos sedimentos causadas pela combinação entre o calor.Glossário GeologiaGeraledo Brasil Cavernas: são condutos subterrâneos de acesso ao homem. Metamorfismo: é o processo através do qual as condições do interior da Terra alteram a composição mineral e estrutura das rochas sem fundi-las. Espeleotemas: são depósitos de precipitação carbonática. são incorporadas e transportadas através de agentes como a água. Erosão: é o processo pelo qual as partículas. causado na rocha pela ocorrência de uma pressão dirigida em uma direção preferencial. Cimentação: é o processo diagenético através do qual os grãos são “colados” por materiais originariamente dissolvidos durante o intemperismo químico ocorrido anteriormente nas rochas. formado por rochas sedimentares com estrutura horizontal ou semi-horizontal. Intemperismo: é o processo através do qual a rocha se desintegra e se decompõe em superfície. como os carbonatos. perceptível entre os lados contíguos e ao longo do plano de falha. 56 . Morro testemunho: morro isolado com topo plano mais resistente à erosão. Falhas: são fraturas na crosta terrestre com deslocamento relativo.

São Paulo: Nacional. Rio de Janeiro: Serviço de Informação Agrícola. 1989. J.. S. FAIRCHILD. Earth Science. Ministério da Agricultura. Geology.. S. Zona de surfe: zona hidrodinâmica costeira onde as ondas começam a sentir o fundo marinho e a quebrar em várias linhas de arrebentação. Geologia do Brasil. FÚLFARO. Dicionário Geológico-Geomorfológico. 1977. São Paulo: Editora Nacional. R. GUERRA. Geologia do Brasil. mas que não são atualmente exploráveis devido a fatores tecnológicos.. PETRI. E.. econômicos ou políticas. 1980. LUTGENS.. New York: Worth Publishers. 1983. J. 2001. Pediplano: região plana resultante de processos de pediplanação (erosão sob condições climáticas áridas) onde está inserido o inselberg (como um morro isolado). LEINZ. 57 . T. V. T. R. VENKATAKRISHNAN. TOLEDO. Geomorfologia do Brasil.. Reservas: são quantidades de recursos naturais disponíveis e que podem ser explorados economicamente com as tecnologias disponíveis. TAIOLI. C.Pavimentos desérticos: superfícies planas coberta por matacões e cascalhos devido à gradual retirada do silte e da areia pela deflação eólica em ambientes desérticos.C. Zona de arrebentação: zona de quebra das ondas quando a onda inclina sobre si mesma devido à pequena profundidade da lâmina d’água. CUNHA. A. Decifrando a Terra.São Paulo: EDUSP. S. Referências Bibliográficas CHERNICOFF.. W. New Jersey: Prentice Hall. T. Guia para Determinação dos Minerais. F. GUERRA. 1995. LEINZ. 2000.M. V. Geologia Geral. B. A. S. E. K. F. AMARAL. M. Recursos: são depósitos conhecidos. TEIXEIRA. São Paulo: Editora Oficina de Textos.. Rio de Janeiro: IRGE. TARBUCK. 2000. S. A. OLIVEIRA. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Anotações GeologiaGeraledo Brasil 58 .

Anotações 59 .

www.ftc.br/ead 60 .Educação a Distância Democratizando a Educação.EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências .GeologiaGeraledo Brasil FTC .

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