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Publicado em nosso site em 26/08/2014

"Goodwill" e o fundo de comércio Contabilidade - Roteiro de Procedimentos
Roteiro - Federal - 2014/4921
Sumário
Introdução
I - Conceito
II - Novas normas contábeis
III - Contabilização do "goodwill"
IV - Classificação contábil do ágio e deságio
V - Amortização do ágio
Introdução
Na doutrina, muito se discute sobre o conceito de "goodwill"
e fundo de comércio. Para alguns, as expressões são
sinônimas, entretanto, para fins contábeis há distinção,
tornando-se necessária tal conceituação.
Neste Roteiro analisaremos a distinção entre as duas
expressões e analisaremos os aspectos contábeis do
"goodwill".
I - Conceito
Na prática, a expressão fundo de comércio tem sido
constantemente utilizada como o conjunto de ativos de um
comerciante, incluindo seus estoques, imóveis, marcas,
nome, clientela, localização etc., independentemente de
serem ou não ativos, tangíveis ou intangíveis no conceito
contábil.
Já o conceito de "goodwill" ainda é motivo de discussão pela
sua subjetividade e dificuldade de mensuração. Torna-se
necessária a discussão sobre o conceito, pois é uma forma de
calcular o "valor" de uma empresa, com seus ativos
intangíveis.
Uma de suas características é a inseparabilidade, ou seja, não
é possível separar o "goodwill" da empresa, ou mesmo
identificá-lo em uma máquina, ou em um imóvel.
Geralmente, ele é definido como um lucro excessivo, além
do esperado, sendo que a dificuldade reside na mensuração
do valor atual dos benefícios futuros esperados, tais como a

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Impressão gerada em 17/03/2016

clientela, boa localização e marca.
Pode-se verificar, portanto, que esses atributos não estão
relacionados a um ativo em particular, mas a empresa como
um todo.
Há dois tipos de "goodwill":
a) objetivo que é a diferença positiva entre o valor de
mercado líquido dos ativos e passivos e o custo de aquisição
da parte líquida dos ativos e passivos pelo investidor, e
b) subjetivo que é a diferença entre o valor presente dos
fluxos futuros de caixa menos o valor de mercado dos ativos
e passivos.
Dessa forma o "goodwill" não é o mesmo que capital
intelectual e muito menos a expressão legal muito usada no
Brasil "Fundo de Comércio" (porque essa expressão também
inclui alguns ativos tangíveis).
O "goodwill" é composto por vários fatores, que não têm
vida própria sozinhos e não podem ser alienados
individualmente a terceiros.
Exemplo prático: Um empresário regulamente constituído de
acordo com o artigo 966 do Código Civil (antiga firma
individual) decide vender sua participação societária, bem
como todos os ativos tangíveis e intangíveis para
determinada pessoa juridica. Assim pretende vender todo o
"fundo de comércio".
No momento da venda o empresário deve individualizar cada
bem, a fim de tributar o ganho de capital na pessoa juridica
sobre cada item (máquinas, equipamentos, móveis,
utensílios, prédio etc.), bem como apurar o "goodwill" não
contabilizado internamente (marca, ponto comercial,
clientela etc.) e, inclusive, apurar o ganho de capital de sua
própria participação societária que deve ser apurado na
pessoa física.
Suponha que no nosso exemplo, após todo o procedimento
relatado, foi identificado na venda um valor pago a maior
em decorrência da expectativa de lucros futuros. Neste caso,
o adquirente, registrará contabilmente como "goodwill"
adquirido, que resulta do valor calculado pela diferença entre
o valor atual de um negócio como um todo e a soma
algébrica dos valores justos dos itens patrimoniais
mensurados individualmente.
Diante deste exemplo, pode ser verificado claramente que o
fundo de comércio compreende o total de ativos da empresa,
independentemente de serem classificado contabilmente
como ativo imobilizado, ou não. Já o "goodwill"
compreende, no caso prático apresentado, um ativo

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é preciso verificar a eventual existência de ativos não contabilizados mas que têm valor justo (valor de mercado). Fundamentação: Resolução do CFC nº 1. O "goodwill" somente é reconhecido contabilmente quando há uma transação de compra de uma empresa. IV . Porém a empresa deverá rever todos seus cálculos e todas suas avaliações. alterada pela NBC TG 04 (R1). e não no subgrupo de Investimentos. que deriva de uma expectativa de benefício futuro é pago e registrado contabilmente no momento do negócio.157/2009.157/2009 e 1.303/2010.Combinação de Negócios. de acordo com as normas internacionais de contabilidade. De acordo com essa norma é necessário. explica-se de forma mais aprofundada como se chega ao valor do "goodwill".FISCOSoft Impresso intangível que é a expectativa de rentabilidade futura do negócio. em 2008 e 2009. convertida na Lei nº 11. quando houver um excesso do valor pago sobre o valor dos ativos individuais é que se reconhecerá a existência do "goodwill" como um ativo. que deu nova redação à NBC TG 15. entretanto.638/2007 e da Medida Provisória nº 449/2008.303/2010. De acordo com as normas internacionais de contabilidade. Além disso. b) por meio de uma fusão. Nos casos em que acontecer da diferença entre o valor pago e o justo valor dos ativos líquidos ser negativa. Nesse sentido. Nesse caso há uma diferença verificável entre o preço pago pela empresa e o valor justo de seus ativos líquidos. o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser classificado no subgrupo Ativo Intangível. se são individualizáveis e ainda se podem ser negociados individualmente. pois o preço interfere na negociação. III .Assim.Classificação contábil do ágio e deságio De acordo com as novas normas internacionais de contabilidade. nem de aquisição nem de formação. Os deságios anteriormente classificados nos balanços consolidados como resultados de exercícios futuros devem ser reclassificados para o passivo não circulante. deve esse valor ser reconhecido como ganho imediatamente.350/2011. adquirindo-a.Combinação de Negócios) mas devem ser registrados quando forem vendidos para terceiros. devido à extinção daquele grupo de contas. 1. apurado na aquisição de investimentos em coligadas e controladas. quando se adquire uma parte ou o todo de uma empresa. muitas questões de ordem prática ainda dependem de regulamentação. Nos balanços consolidados. Resoluções do CFC nºs 1. 1. De acordo com a Resolução do CFC 1.Mensuração do Valor Justo). A expressão "valor justo" é utilizada para representar o o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago FISCOSoft On Line pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração (ver NBC TG 46 . a partir de 2010. também no Ativo Não Circulante. Assim no momento da aquisição.350/2011. 2 . que o "goodwill" é um ativo que muitas vezes pode não estar associado a nenhum custo. dentro do grupo do Ativo Não Circulante. apenas o ágio por expectativa de rentabilidade futura ("goodwill") tem a característica de ser classificável no Ativo Intangível. a contabilização dos ativos individuais na entidade que os adquire deve ser feita já pelo valor ajustado por essa diferença. Contudo. Fundamentação: Resoluções do CFC nº 1. quando gerados internamente pela empresa não podem ser contabilizados (CPC 04 . que no caso representaria um "goodwill" negativo. A contabilidade reconhece duas formas de uma empresa adquirir o "goodwill": a) por meio de outra empresa.404/1976 sofreu uma série de alterações com a edição da Lei nº 11. Todavia os deságios devem permanecer classificados em investimentos e se o fundamento econômico assim justificar.941/2009. continua classificado no subgrupo de Investimentos. Assim.350/2011. caso haja de fato um pagamento por valor menor do que o valor justo dos ativos líquidos adquiridos (ganho por compra vantajosa é a nova denominação). a lista de clientes. continuar a serem amortizados.Contabilização do "goodwill" É importante ressaltar. Os deságios sem fundamentação econômica somente podem ser baixados quando da baixa do investimento. II . como por exemplo a marca. Observa-se que o "goodwill". Fundamentação: Resolução do CFC nº 1. o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) emitiu diversos Pronunciamentos Técnicos bem como foram publicadas várias Resoluções do CFC sobre as mudanças. efetuar o levantamento do valor justo de todos os seus ativos e passivos. o ponto comercial.Novas normas contábeis A Lei nº 6.157/2009. o ágio por diferença entre valor justo (valor de mercado) e valor contábil. o ágio pago por diferença entre valor justo (valor de mercado) de ativos e passivos e valor contábil fica agregado aos ativos ou passivos que lhe deram origem. o "goodwill" adquirido.Ativo Intangível e CPC 15 . e considerando o Pronunciamento Técnico CPC 15 . Ressalte-se que nas demonstrações contábeis individuais.

é ativado (fica como investimento no balanço individual e como ativo intangível no balanço consolidado). outro.FISCOSoft Impresso V . não é amortizado e é sujeito ao teste de impairment. Desta forma. Fundamentação: itens 18. ao se determinar seu valor. e para as demais sociedades.Combinação de Negócios.255/2009. mas a obrigação de incluir ativos não contabilizados na adquirida (como patentes geradas pela própria adquirida e outros intangíveis nessa mesma condição) e incluir passivos não contabilizados mas que geram redução do valor da operação de compra da adquirida (como o caso de passivo contingente que não é contabilizado por não ser considerado provável.20 e seguintes da Resolução do CFC nº 1. o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) adotou o Pronunciamento Técnico PME . Entretanto.Amortização do ágio Há muitas discussões sobre amortizar o "goodwill" adquirido por meio de uma transação de compra de uma empresa ou não. para as pequenas e médias empresas deverá ser adotado um procedimento. exatamente como na norma internacional. FISCOSoft On Line 3 . mas que influencia o valor da negociação). Atualmente. em função dos Pronunciamentos Técnicos CPC 04 .Ativo Intangível e 15 . sugerindo 10 anos para o caso de não existência de critério objetivo que permita visualizar outro prazo como sua vida útil econômica. o "goodwill" continua sendo definido como a diferença entre o valor pago e o valor justo dos ativos líquidos adquiridos. A grande novidade foi a obrigação de. não só tratar os ativos e passivos contabilizados na adquirida pelos seus valores justos.Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas no qual determina a obrigatoriedade dessas entidades amortizarem periodicamente o "goodwill".