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GRAMÁTICA DO TEXTO JORNALÍSTICO

Por Nilson Lage
[AULA 1]
O jornalismo é uma forma de conhecimento e, como tal, incumbe-se de atualizar o
nível de informação da população com velocidade impossível de alcançar por outro
meio. Sua necessidade social ampliou-se na medida em que as transformações
políticas, sociais, científicas e tecnológicas se aceleraram, tornando inviável a
atualização por outros processos, como contatos pessoais, demonstrações em
auditórios etc.
O jornalismo seria, assim, responsável tanto pela amplitude quanto pela
superficialidade do conhecimento que as pessoas têm, fora de suas áreas específicas
de atuação. No entanto, a influência da atividade jornalística penetra mesmo em
setores que dispõem de estruturas próprias de coleta de dados.
Uma pesquisa (SCHUCH, 1997), realizada no universo das principais empresas de
Santa Catarina, revela que seus executivos baseiam-se em jornais (particularmente na
Gazeta Mercantil) para formular decisões estratégicas. O mesmo se observa, por
exemplo, na indústria norte-americana de espetáculos, com relação à crítica
especializada, ou nos mercados de capitais, em que corriqueiramente informações da
imprensa sobre desempenho de setores produtivos provocam reações antes de serem
divulgadas oficialmente – por exemplo, nos balanços.
É óbvia a influência do jornalismo em processos políticos como as eleições. No entanto,
a aferição dessa influência costuma ser destorcida por uma tendência genérica dos
grupos de poder: eles consideram ótimo o jornalismo quando é a favor e péssimo
quando é contra, independente da verdade ou falsidade dos conteúdos. Da perspectiva
profissional, os critérios são outros: uma boa notícia não é a mais bem escrita ou a
mais construtiva, mas, principalmente, a verdadeira. Parece óbvio que toda notícia
apaixonante beneficia ou agrada a uns e prejudica ou desagrada a outros.
Neste aspecto, o jornalismo tem uma confiança tal em seu discurso que se aproxima
da ciência: define verdade, à maneira de Isaac Israeli (Século IX), como adequação
desse discurso à realidade. Não passou certamente pela cabeça de Isaac Newton, ao
enunciar a Lei da Gravitação Universal, discutir se seria ou não conveniente para a
humanidade continuar ignorando os princípios da gravidade, que sempre existiu. Da
mesma forma, seria insensato imaginar que Alan Turing destruísse os originais de sua
pesquisa sobre a máquina universal de processamento de informações, na década de
30, por antever que os computadores poderiam causar desemprego.
Excluídas algumas situações chamadas de éticas, em que o prejuízo é imediato e
evidente (como pode ser o caso de negociações no curso de seqüestros ou do
envolvimento de menores em crimes), a tendência dos jornalistas é considerar
adequada a divulgação de informação de interesse público sobre que têm certeza. A
dificuldade de distinguir o que é público e o que é privado ou de confrontar o que se
supõe que as pessoas precisam ouvir e o que elas querem realmente ouvir não é
problema só do jornalismo, mas, no geral, das sociedades em que é praticado.

No entanto, há diferenças importantes entre o discurso jornalístico e o discurso
científico: uma delas é que o primeiro é um discurso de aparências. Qualquer que
sejam as versões difundidas numa matéria de jornal ou revista, não importando a linha
editorial, o mais importante são sempre os fatos. São estes o que os repórteres
apuram e que valorizam. Já na ciência, o que se investiga são essências: leis,
princípios e postulados que devem reger conjuntos de fatos; teorias que se sustentam
enquanto não se consegue comprovar sua falsidade.
Quando o jornalismo tenta abordar essências da realidade, geralmente foge a suas
características informativas, perde a novidade, recorre ao lugar comum e torna-se
subliteratura. A literatura, a partir da forma da língua e da vaguidade dos conceitos,
cuida de revelar verdades essenciais. O método não é a inferência dedutiva, como se
pretende numa demonstração científica, mas o insight, a experiência, a indução. Assim
se pode dizer que uma obra de ficção encerra realidade – visões pessoais, parciais e
essenciais; esse percurso não é viável nas condições industriais em que se produz
normalmente o jornalismo. O insight, a experiência e a indução também existem na
ciência quando ela formula hipóteses e idealiza modelos, que são falseamentos
geralmente baseados na abstração de algum ou alguns aspectos da realidade; a
questão é que hipótese e modelos têm ser verificados e comprovados, o que não se
exige da obra literária.
Em síntese, o jornalismo, como a ciência, pretende que a verdade objetiva existe e
que é possível discorrer sobre ela; não investiga essências e assume as versões
impostas pela ideologia, procurando preservar, no entanto, a inteireza dos fatos. Não
trabalha, ao menos conscientemente, sobre a forma da língua para aprofundar ou
desvelar algo que relata, nem se baseia na intuição, experiência ou capacidade
indutiva do autor.
Pelo jornalismo passam discursos ideológicos que provêm, em maior escala, dos
setores dominantes das sociedades. O mesmo ocorre com outros mídia, como a
universidade, as escolas de ensino médio e primário, produtos artísticos e de
recreação. No entanto, a visibilidade da presença desse discurso no jornalismo é
maior, uma vez que suas mensagens são mais explícitas e se reportam a assuntos de
interesse imediato.
No ensino, as turmas são relativamente homogêneas, há obrigatoriedade de
freqüência e avaliações periódicas. A informação jornalística, pelo contrário, destina-se
a público diversificado, disperso e pode ser ignorada ou omitida – basta não comprar o
jornal, pô-lo de lado, desligar ou mudar a estação de rádio, de televisão, a página da
Internet. Isso obriga o jornalismo a ser atraente, o que significa ser facilmente
compreensível e conformar-se a pelo menos alguns dos valores, aspirações e fantasias
de um público.
Enunciados jornalísticos estão sendo tomados, modernamente, como padrão da língua
culta, tanto escrita quanto oral – embora, neste caso, haja apenas simulação de
oralidade. Falas jornalísticas, no rádio ou na televisão, correspondem à leitura de
textos feitos para serem lidos em voz alta ou, no caso da narrativa simultânea de
eventos (como jogos desportivos ou desfiles de carnaval), à repetição de poucas
estruturas modulares, com eventual recurso a suportes escritos e comentaristas
especializados.

A pré-história do jornalismo
Os sistemas sociais de difusão de informação envolviam, nos estados clássicos, dois
circuitos:
1. o oficial, constituído por mensageiros ou arautos que levavam à população decisões
e conclamações do poder leigo; sacerdotes, incumbidos da tarefa de convencimento e
da mobilização comunitária; e artistas (poetas e atores, em forma lingüística, mas
também pintores, escultores e arquitetos), empenhados na exaltação do estado ou da
fé;
2. o privado, constituído por trovadores que receberam, em épocas e países diferentes,
diversas denominações (na Grécia, aedos); por eles transitavam histórias centradas
em enredos fantásticos ou envolventes, geralmente com localização e temporalidade
imprecisas. Pode-se acompanhar, ao longo dos anos, o trajeto de alguns desses
contos, como As aventuras de Cid, ao longo de décadas, pela Europa medieval.
Sempre que o nível de alfabetização permitia, utilizavam-se suportes escritos. É o caso
das Actae Durnae do Senado romano, ou dos Avvisi, mandados redigir por banqueiros
e comerciantes nas cidades litorâneas da Itália do Século XIV. Em ambos os casos, os
manuscritos eram colados nas paredes.
Passaram-se 150 anos entre a descoberta, na Europa, do tipos móveis, e o surgimento
da imprensa periódica, que só ocorreu no início do Século XVII. Dois processos dessa
época são considerados essenciais: a difusão da alfabetização e a expansão dos
serviços de correios, que permitiam o tráfego mais rápido de informações. Um terceiro
processo foi fundamental para a rápida difusão dos jornais: a luta da burguesia pelo
poder.
Formas clássicas dos discursos não artísticos
Os discursos não-artísticos (isto é, não construídos com preocupação dominantemente
estética) sempre compuseram a maior parte dos enunciados sociais. A preocupação de
quem redige uma lei, um documento oficial ou científico distribui-se por igual entre
fatores que podem ser considerados equivalentes às leis estabelecidas por Grice para a
conversação.
A cada uma das máximas de Grice corresponde uma regra da estilística tradicional.
Assim, a informação deve ser a necessária para os fins do documento e não
excedente; ser verdadeira ou, no mínimo, verossímil (admitindo-se que alguns
documentos, como algumas falas, são realmente maliciosos); ser relevante, nãoambígua, concisa, estruturar-se segundo preceitos lógicos e com a clareza necessária
para ser compreendida pelo(s) destinatário(s).
Máximas de Grice
1. Máximas da quantidade
a. Faça sua contribuição tão informativa quanto necessário (para os
propósitos reais da troca de informações);
b. Não faça sua contribuição mais informativa do que o necessário.

2. Máximas da qualidade
Tente fazer sua contribuição verdadeira
a. Não diga o que acredita ser falso;
b. Não diga algo de que você não tem adequada evidência.
3. Máxima da relação
Seja relevante
4. Máximas da maneira
Seja claro
a. Evite a obscuridade;
b. Evite expressões vagas e ambíguas;
c. Seja breve (evite a prolixidade);
d. Seja ordenado
Ao lado de textos construídos com esses cuidados, existem outros, com estrutura
particular: os retóricos, preocupados com o convencimento. A oratória desenvolveu-se
notavelmente nas cidades gregas em que as assembléias enfeixavam todo ou quase
todo o poder. Prosperou em Roma, quer na forma de discursos políticos, dirigidos à
elite, quer como conclamação às massas (já se chamavam assim, naquele tempo),
quer como parte da decisão jurídica, em que se arbitra o que é, a partir de então,
imposto como verdadeiro.
Até que ponto a retórica encerra verdade no sentido jornalístico ou científico? A
pergunta não é cabível, uma vez que, no discurso retórico, o que está em jogo não é a
verdade como adequação do enunciado à coisa, mas outras instâncias do conceito:
uma verdade relativa, ou convicção, que expressa interesses, como na publicidade; ou
então a verdade como revelação ou deslumbramento, como nos sermões religiosos. De
fato, o que importa, no discurso de convencimento, é transferir essa convicção ou
impor esse deslumbramento. Em um mundo mergulhado em enunciados retóricos, a
realidade tende a conformar-se ao discurso, de modo que ele se consolida nas crenças
das pessoas, transfere-se aos objetos de cultura - e se materializa, então.
O discurso retórico é voltado para as versões ou interpretações da realidade; o
discurso informativo, essencialmente, para os fatos. Assim, não se pode dizer que haja
má fé quando o Padre Antônio Vieira calcula em 20 milhões o número de índios
existente no Maranhão, no século XVII; o que importa é a utilização desse dado, em
que há evidente exagero, para a defesa da causa do não-extermínio, da nãoescravidão e da evangelização dos índios. Da mesma forma, os promotores de causas
modernas costumam ampliar a relevância de fenômenos como a prostituição infantil, a
incidência da cárie dentária ou a destruição ecológica. As boas intenções, nessa linha
de raciocínio, inocentariam a mentira.
O exagero é um recurso retórico entre outros - por exemplo, a repetição, o uso de
efeitos fonéticos atraentes ou de associações analógicas (entre medo e escuridão,
entre seqüência e conseqüência, entre revelação e claridade etc.). Discursos retóricos
sempre foram esteticamente mais cuidados do que os informativos: a beleza e o ritmo
fazem parte de seu poder de atrair. No entanto, os padrões da estética variam
conforme a natureza dos públicos destinatários.

Pode-se admitir, como parece óbvio, que o jornalismo contemporâneo descende dos
discursos informativos clássicos; e que a publicidade, da mesma forma, decorre dos
discursos retóricos. No entanto, a relação não é tão simples: na verdade, o universo
político e social é retórico, e o jornalismo está imerso nele; a forma de convivência é,
aí, o discurso indireto, em que opiniões, interpretações ou versões são dadas como
manifestas e, assim, citadas.
"O discurso citado", escreve Mikhail Bakhtin (BAKHTIN,1992, pp. 144 fls), "é o discurso
no discurso, a enunciação na enunciação, mas é, ao mesmo tempo, um discurso sobre
o discurso, uma enunciação sobre a enunciação". O discurso citado "é visto pelo
falante como a enunciação de uma outra pessoa, completamente independente na
origem, dotada de construção completa e situada fora do contexto narrativo". A partir
dessa existência autônoma, o discurso de outrem "passa para o contexto narrativo,
conservando o seu conteúdo e ao menos rudimentos de sua integridade lingüística e de
sua autonomia estrutural primitivas".
Bakhtin observa que quem apreende a enunciação de outrem "não é um ser mudo,
privado de palavra, mas, ao contrário, um ser cheio de palavras interiores". No
discurso jornalístico, pelo menos em suas formas canônicas (a notícia e a reportagem),
as formas de citação usuais são o discurso direto e o indireto; outros processos, como
o discurso indireto livre (em que o narrador assume a subjetividade do indivíduo
citado) não são considerados legítimos. A única responsabilidade que o jornalista se
impõe diante de uma citação (embora não seja sempre esse o entendimento legal) é
que ela esteja conforme a essência (ou a forma, se entre aspas) do discurso citado.
Ainda assim, quem cita escolhe o que cita e, de muitas maneiras, assume posições em
face da citação.
O narrador pode interferir pela escolha do verbo dicendi ou proposicional, pela
definição de circunstâncias para o trecho citado, pela seleção de trechos entre aspas
etc. Pode suprimir o contexto da enunciação (extrair o texto do contexto) ou, pelo
contrário, explicitá-lo - isto conforme suas intenções, ou quantas inferências adicionais
imagine possibilitar ao leitor. Compare-se:
1. Em discurso direto:
a."Vamos recorrer no Judiciário até a última instância", disse o advogado.
b."Vamos recorrer no Judiciário até a última instância", advertiu o advogado.
c."Vamos recorrer no Judiciário até a última instância", ameaçou o advogado.
2. Em discurso indireto:
a.Marta Suplici disse que, em caráter pessoal, votará em Mário Covas.
b. Marta Suplici anunciou seu voto em Mário Covas, "em caráter pessoal".
c.Discordando da orientação do Diretório Nacional do PT, que recomendou não apoiar
nenhum candidato ligado a Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplici tornou pública
sua "decisão pessoal" de votar em Mário Covas.

passou a ser o padrão ao qual deveriam conformar-se os discursos institucionais. O parlamentar governista. nem sempre brilhantes. É por esse tempo que nasce o jornalismo.que daria origem às modernas editorias .O Ministro da Fazenda disse. proclamações. inicialmente. a preocupação manifesta com a exatidão da citação. os enunciados dirigiam-se a formadores de opinião. a ponto de ser difícil distingui-los. por definição. A citação é tomada. "mais do que necessária". caracterizado. consideravam-se e eram considerados portadores da verdade iluminista. manifestou-se "plenamente favorável" à medida. interpretação e fatos se misturavam. relatórios. A literatura . o teatro de Racine e Molière.demorou a acontecer. Anais. de Camões. "está quase decidido". Combinada com um antecedente circunstancial . como base para o argumento de autoridade. Os grandes jornalistas do Século XVIII foram escritores. a reiteração de seu conteúdo podem ser também recursos para desqualificá-la ou fornecer elementos para sua crítica: 1. os discursos não-artísticos constituem documentos fundamentais para o estudo da evolução do latim vulgar e de sua diluição em dialetos comunitários e regionais por toda a Europa. essa literatura . ou post hoc ergo propter hoc . bem como "a posição que um discurso citado ocupa na hierarquia social de valores". Com o renascimento e a formação dos estados nacionais modernos. O público era restrito. vociferar ou disparar. Adverte ele que "é importante determinar o peso específico dos discursos retórico. A história moderna dos discursos não-artísticos Na Idade Média. Mas não é o caso do jornalismo contemporâneo.e a partir do princípio retórico de que "se a vem antes de b.uma citação pode assumir o valor de discurso opinativo: 2. no discurso científico ou jurídico. político ou jurídico na consciência de um dado grupo social em determinada época". Dom Quixote. como Os Lusíadas. A própria divisão das matérias por assuntos . crônicas (episódios listados em ordem cronológica) constituem parte substancial da bibliografia dos dicionários etimológicos. é o que se passa. inserido no que o autor soviético chama de individualismo relativista. vedando a utilização de verbos que encerram nítido juízo de valor. neste texto. peças de Shakespeare e poemas de Mílton. "é provável". tal como na retórica clássica. que a prorrogação da CPMF "é indispensável".Os stile books (livros de normas) de alguns veículos preocupam-se com alguns desses recursos. Opinião. de Cervantes. O jornalismo era. como ameaçar. ao mesmo tempo. pessoas que. com as citações de Bakhtin. retórico e literário. atas. decretos. porque a alfabetização ainda não se difundira o bastante. No entanto. dispunham de alguma liderança na sociedade. as línguas nacionais foram impostas a áreas territoriais extensas através de mecanismos compulsórios e sistemas escolares que partiram da estruturação dessas línguas em documentos literários canônicos. como publicismo e com a tarefa histórica de confrontar a aristocracia a serviço da ideologia burguesa.pelo menos. . "essencial" e que o aumento de 50 por cento da alíquota "não pode ser descartado". cujo salário aumentará com a elevação do teto de vencimentos do funcionalismo. e críticos do poder aristocrático. ao longo da entrevista. a é a causa de b".

transferida. temperado por uma tarefa de vigilância ética. Elas são versáteis o bastante para conviver com diferentes ideologias. Pulitzer) e procuraram-se formas de regulamentar a produção de matérias jornalísticas com alguns objetivos essenciais: (a) fixar procedimentos confiáveis de apuração de informações. pode suportar linhas editoriais fundadas em hard news . data dessa época o fim da censura de estado por toda a Europa. Mesmo os críticos mais veementes do positivismo ou do funcionalismo . Foi também na América que o sensacionalismo foi contestado de maneira mais conseqüente. O público multiplicou-se. com traços que refletem posturas positivistas e funcionalistas. alterando a demanda de informação.como é o caso dos sistemas de informação da Igreja católica ou da União Soviética. pragmatismo quanto às linhas editoriais. de integrar recém-chegados de várias procedências. nos Estados Unidos que viveram. daquela contrária ao poder econômico. Dentre os vários caminhos tentados . campanhas de opinião contundentes etc. com adaptações às culturas locais. selvagens ou misteriosos e a ampliação de dramas do cotidiano. com a inserção na sociedade de levas e levas de imigrantes. aí. A despeito dessa origem datada. acontecimentos emocionantes e portentosos. (c) restringir o código lingüístico de forma a permitir que notícias e reportagens possam ser produzidas rapidamente. O modelo capitalista conduziu à concentração da indústria da informação. Tratava-se. Hearst. e às escolas especializadas. enquanto ela existiu . em parte por causa da mecanização da indústria gráfica e do surgimento da publicidade. Para enfrentá-lo. Os novos leitores apreciavam histórias fantásticas e sentimentais. no entanto. .somou-se. preocupação industrial e segmentação de tarefas. produzindo distorções tais que um dos magnatas da imprensa da época.terminaram adotando as normas básicas da escola americana para a produção de notícias e reportagens jornalísticas.As mudanças aceleraram-se no Século XIX. aí. criaram-se cursos de jornalismo nas universidades (o primeiro deles resultante de uma doação milionária de outro magnata da informação. ao exagero retórico para produzir relatos da realidade muito destorcidos e eventualmente mentirosos.novelas contadas no rodapé das páginas. à maneira da organização do trabalho taylorista.o que mais se mostrou frutífero foi a exploração do noticiário. uma revolução industrial rápida e intensa. geralmente.herdada da época da publicismo . por conta da revolução industrial. relatos de países distantes. Isso se tornaria mais evidente. Daí ao sensacionalismo foi um passo. no entanto. O principal fator para a mudança. que baixou o custo de produção dos jornais e reduziu de maneira radical o espaço para a opinião divergente. isto é. A má qualidade literária . foi acusado de ter promovido a guerra contra a Espanha pelo domínio sobre Cuba em troca de privilégios de cobertura jornalística. com alta legibilidade e o mínimo de interferência das modas artísticas e literárias. (b) estabelecer padrões consensuais de qualidade. no fim do século passado. os procedimentos desenvolvidos então difundiram-se rapidamente por todos os países industrializados. muitos deles mal dominando o inglês. às corporações profissionais.como as . desenhos e gravuras que dariam origem às charges e às histórias em quadrinhos. Foi na América que o sensacionalismo atingiu sua máxima ampliação. As estratégias empregadas para o atingimento dessas metas refletiram tendências típicas da época: influência dos métodos e critérios das ciências exatas. terá sido a generalização do ensino básico.

em Os sertões.de João do Rio (Paulo Barreto). acompanhando a guerra em Canudos. Magazines. Só no Segundo Império. notável jornalista do Rio de Janeiro da República velha. de Machado. No entanto.as agências de publicidade só começariam a aparecer na década de 20 . exercida em veículos geralmente de vida efêmera. a crônica e a crítica são gêneros que se aproximam da literatura. ciências ou economia . por exemplo. São Paulo.importantes como documento . por exemplo. em geral. que era engenheiro.notícias sobre política.o nível sociocultural dos jornalistas sofreu. surgem algumas características peculiares de estilo. particularmente. O texto jornalístico no Brasil Os primeiros veículos de informação periódica produzidos no Brasil antecedem de pouco a Independência. O divórcio entre a língua escrita e a falada . seções especializadas assumem freqüentemente discursos intimistas ou excessivamente técnicos. No primeiro império e no período das regências. as pessoas pobres (só estas) de indivíduos. que só seria publicado em 1935. nas Crônicas do Senado. e teve dois pré-textos: os telegramas que enviou ao Estado de São Paulo. construía uma ponte. esse estilo que valoriza a objetividade não alcança por igual todos os gêneros do jornalismo.entre o vocabulário e os usos gramaticais de uma e outra . a escrita oficial e cartorária e certas falas corporativas. o estilo Time combina um vocabulário básico restrito com vocábulos técnicos. queda acentuada. Mantém relação constante com a linguagem coloquial e se tornou o padrão genérico dos enunciados impessoais e conteudísticos que predominam na cultura contemporânea . Jornalistas. alguns notáveis. o jornalismo era uma atividade publicista de alto risco. por exemplo. Na verdade. eram escritores. evidencia esse fato: tende a incorporar a gíria dos rábulas e policiais.diante dos quais surgem como rebarbativos os discursos jurídicos tradicionais. Essa mesma presunção de qualidade artística se reflete nos artigos médicos relacionados com a campanha contra as doenças tropicais liderada por Osvaldo Cruz. exaltava-se o estilo empolado dos discursos de Rui Barbosa. Sob influência do parnasianismo francês. como esportes e espetáculos. em ambiente de mecenato.ou em temas de recreação. a linguagem básica do jornalismo tem ampla penetração social e influencia bastante outros discursos. adotavam. que se manifesta. e o manuscrito Diário de uma expedição. como o economês. continuam inserindo mais adjetivos e advérbios do que seria canonicamente desejável. em São José do Rio Pardo. palavras de gíria e adjetivação erudita. cujo conteúdo jurídico. um texto literário simplificado. Tornadas signo da modernidade. Com a profissionalização incipiente e a presença de corretores de anúncios nas redações . os carros oficiais de viaturas. chamando os acusados de indigitados. Editoriais e artigos aproximam-se mais da retórica clássica. nas crônicas e romances de Coelho Neto ou Humberto de Campos. enquanto o autor. Qualidade realmente literária é rara. Ao mesmo tempo. no entanto.agravaram-se no início do Século XX. A cobertura de fatos urbanos e policiais. na média. como Machado de Assis ou Raul Pompéia. chegaram ao Brasil meio século depois e levaram mais duas décadas para se implantarem aqui. parece hoje modesto. Ela aparece. na época. No entanto. a presunção . esse extenso livro-reportagem levou dois anos para ser escrito. de Euclides da Cunha. nas reportagens .

que pretendia justamente aproximar os enunciados artísticos da fala comum. como o teatro. subsidiariamente. na década de 40. desde muito antes de se tornar conhecido. vereadores como edis. o cinema ou os quadrinhos. principalmente gráficas e em publicações de circulação restrita. dentro desse contexto. com a Semana de Arte Moderna de 1922). b. fundada na correspondência de uma forma lógica (LF) e uma forma fonética (PF) e cujo fundamento é a aquisição de linguagem (oral) pelas crianças. Já a Lingüística contemporânea valoriza extraordinariamente o estudo das formas orais e dialetais das línguas. algumas tendências modernas. Terá sentido.facilidades operacionais . buscam uma gramática universal (UG). A questão central é que dificilmente alguém será chamado. depois. do Rio. O estudo da "língua culta" Presentemente.literária nomeava ruas e avenidas como artérias. com os investimentos feitos na área de antropologia. Isto chamou a atenção para o fato óbvio de que as línguas são primariamente eventos sonoros. o que se exige delas é que se expressem com clareza. de um Graciliano Ramos. a que se obrigaram os lingüistas desde a contratação de Franz Boas pelo governo americano. É o caso de Lima Barreto. correção e. motoristas como chauffeurs etc. com essa finalidade. produzindo conhecimento que se transfere à medicina e à informática. língua em forma de poesia ou narrativa artística. línguas ágrafas ocuparam o espaço acadêmico antes dedicado às letras clássicas e à Lingüística comparada. A hierarquia social rígida aparecia no tratamento de Sua Excelência dado às autoridades e de doutor a qualquer pessoa influente. elegância. atribuída a uma faculdade mental inata. que no sentido clássico se chamaria de "culta" e. Isso se deve a uma série de fatores: a. os estudos literários ampliam-se. ou para citar autor mais recente. como a Gramática Gerativa de Noam Chomsky. de Monteiro Lobato e de Oswald de Andrade (este. c. Uma das razões do abandono dos paradigmas literários no jornalismo. só chegou efetivamente aos jornais somadas à importação estilística do modelo americano. concisão. associando-se à análise de discursos e à semiologia na tentativa de construir um conhecimento que dê conta de atividades artísticas envolvendo línguas e imagens dinâmicas. um Machado. ainda mais. a fonética teve desenvolvimento extraordinário e se tornou a única área da especialidade que parece a ponto de se completar como ciência. a maioria das propostas da Semana. Pessoas em geral não escrevem ou falam literatura. Os poucos escritores dessa época lidos ainda hoje eram acusados por seus contemporâneos de praticar um estilo pobre e vulgar. a partir da década de 50 . ele mesmo revisor de originas do Correio da Manhã. a exercer a competência compatível com um Camões.embora houvesse tentativas anteriores. na prática. O modernismo literário demorou a se transplantar para o discurso jornalístico. estudar uma forma de língua escrita. é uma nova compreensão dos objetivos do ensino e da prática da língua nacional. em discursos e textos voltados para a comunicação de conteúdos referenciais. não literária? Há duas respostas possíveis. com a industrialização. no século passado e. isto é. Uma refere-se a questões essencialmente técnicas . principalmente a partir da tarefa de descrever idiomas indígenas.

uma atitude política de sentido. em seguida. nele. em conflito estilístico claro com as matérias locais. Lá. relacionase com a sobrevivência do estado nacional. dentro do qual construímos nossa identidade. está sendo varrido da Ásia e. no entanto. fortemente contestador. validamos nossos poucos direitos civis. o inglês. falando a mesma língua". o Diário Carioca. as habilitações profissionais e acadêmicas.2002 [Aula 2] A reforma do estilo da imprensa brasileira começou na década de 1950 num pequeno jornal do Rio de Janeiro. Ele nos remete a um anúncio de banco que a televisão veicula. Como aconteceu sobre o Império romano. o catedrático. Esmiuçaremos isso na próxima aula. e Pompeu de Souza. a essa altura. no final da década de 50 e nos primeiros anos da de 60. para o Jornal do Brasil. Do Diário Carioca a nova maneira de redigir migrou .ufsc. um ator declara que seu apoio à globalização e comenta: "um só mundo. associando-se . veículo tradicional (fundado em 1891. assim. o português é uma das mais vulneráveis: é falado por um grupo de países pobres. vindos quase todos de diferentes cursos universitários. dois professores do curso pioneiro de jornalismo que funcionava na Faculdade de Filosofia. A sobrevivência da língua. correspondentes de guerra junto à Força Expedicionária Brasileira. o estilo de texto se fixou.na verdade. United Press. a guerra fria. em sua forma escrita e "culta".arregimentaram um grupo de jovens. seu assistente .html em 27. novo latim. Preservar o português em suas formas escritas é. Com a Segunda Guerra Mundial e. Dentre as línguas nacionais. as técnicas modernas de redação eram conhecidas de número restrito de jornalistas com experiência no exterior. entre 1941 e 1943. ou o próprio Pompeu de Souza. materializa uma bela tradição cultural. substituir os idiomas nacionais como língua de cultura. como observa o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago.que o estudo da língua escrita simplificada em que os jornalistas se expressam oferece para uma compreensão formal documentada do idioma.11. com orientação monarquista) que se decidiu a fazer uma reforma editorial. principalmente). tende a ser língua universal e. cujos telegramas traduzidos os jornais transcreviam. de forte tradição política e orientação conservadora.Danton Jobim. foram os redatores que migraram -. Por outro lado. como Joel Silveira e Rubem Braga. Lá. que trabalhou como redator de um noticiário da Columbia Broadcasting System (CBS) dirigido ao Brasil. Disponível em http://www. Outra resposta tem que ver com um raciocínio de outra natureza.jornalismo. assim sendo. na Itália. Ciências e Letras da Universidade do Brasil . A aspiração de modernidade adequava-se ao espírito desenvolvimentista da década e correspondia à influência do estilo das agências de notícias internacionais (France Press. Associated Press. esses telegramas ocupavam espaços privilegiados.br/bancodedados/md-gramatica1. para introduzir no Brasil as técnicas de redação originalmente desenvolvidas nos Estados Unidos e que já se haviam generalizado nos países desenvolvidos.

pelos de São Paulo. veiculava idéias estruturalistas e publicava poemas concretos. A razão principal é que o copy desk era um corpo de profissionais com visão técnica do jornalismo. Foi exatamente contra o copy desk do JB que se concentrou a campanha movida tanto por jornais do Rio de Janeiro. sucessivamente acusados de comunistas. no entanto. o Suplemento Literário. A maneira encontrada pelo Jornal do Brasil para modificar. A primeira página. quanto. de maneira informal: reescrever as matérias. Naquela época. Como conseqüência. com seu prestigio. numa época em que o nome do clérigo. introduzida na imprensa diária. que estiveram na linha de frente de uma greve que paralisou os jornais cariocas.no jornal. comparados a censores e. o teatrólogo que escrevia uma coluna em O Globo expressando geralmente o pensamento de Roberto Marinho. O Diário Carioca. importou da Argentina estética popular e mais conservadora. apelidados de idiotas da objetividade por Nélson Rodrigues. antes ocupada por anúncios classificados. No clima político agitado da época que precedeu e se seguiu imediatamente ao golpe de 1964.logo seguidos pela imprensa de todo o País . não era diagramado. as empresas jornalísticas. O efeito da reforma do Jornal do Brasil foi notável. pelo prestígio que o jornal assumiu como porta-voz das aspirações da nova classe média que ocupava postos de decisão nas empresas estatais e multinacionais.a uma nova estética gráfica. anos antes. Arcebispo de Olinda e Recife.adotariam algumas das normas de redação lançadas pelo Diário Carioca (que deixou de circular em 1965) e fixadas no Jornal do Brasil. excluído do sistema de injunções que tradicionalmente se instituíra na imprensa. não tanto pelo aumento da tiragem (que se elevou bastante.projeção em prancheta . o mesmo formato prosseguia pelas páginas internas e suplementos. defendiam os interesses do principal empregador. Um deles. como os outros jornais da época. que. Nos casos (como os dos jovens redatores) em que havia necessidade de pagar além do mínimo. A própria diagramação das páginas . do dia para a noite. o estilo de todo texto do jornal foi a institucionalização de um procedimento já adotado no Diário. o dinheiro saía por fora. mas. principalmente. Muitos eram funcionários públicos ou de empresas prestadoras de serviços públicos. em 1962.era novidade. relacionado com o primeiro . principalmente O Globo. pela Última Hora. em caráter preventivo. pela profissionalização e moralização do jornalismo empolgou naturalmente os jovens redatores do copydesk do Jornal do Brasil. Nessa mesma coluna. Só no início da década de 70 os grandes jornais do Rio e de São Paulo . de Samuel Weiner. o próprio dono do jornal conseguia. não podia sequer ser mencionado nos outros jornais. com diagramação experimental surpreendente. opositor do regime militar. eles foram. Hélder Câmara. A luta contra essa caixa dois. sem o recolhimento de encargos previdenciários. O . ele conduziria uma campanha de desmoralização contra D. sem a obrigação de remunerar as férias e indenizar por ocasião da dispensa. com raras exceções. Para outros. a inclusão em folhas de pagamento de repartições do governo. então. para esses. exatamente com essas palavras de ordem. mas não a ponto de torná-lo o líder em vendas na cidade). o jornalismo era um segundo emprego. isto é. a reação dos concorrentes foi intensa. remuneravam oficialmente todos os redatores e repórteres com o salário mínimo permitido por lei. anos depois. seção da redação existente na imprensa americana com a incumbência de revisar originais. ganhou formas inspiradas no construtivismo. finalmente. ampliando as atribuições do copy desk.

senhor. de modo que algumas das criações mais originais do Diário Carioca não chegaram ou demoraram a chegar à imprensa paulista.do Diário e dos jornais atuais. a escrever o nome das pessoas sem a precedência de um título . Realidade. por exemplo. que dava às matérias noticiosas estilo inspirado no dos magazines. Os tratamentos tornaram-se menos cerimoniosos.Globo. a começar pelo vespertino de O Estado de São Paulo. Jornal da Tarde. Para isso. de leitura cansativa. Para a mudança nos jornais. na literatura. principalmente dos jornais ingleses e franceses. cujo estilo enxuto tomava-se como modelo. Foram características da reforma do Diário Carioca: 1. pelos modernistas de 1922. passou-se. é um documento sintético. abrangentes e presunçosos. trouxe outro jornalista do Diário para ocupar o cargo. Misturam discursos sobre o que o dono do jornal pensa do mundo (na RBS. para os desqualificados. da hierarquia da Igreja. pretendem legislar sobre temas lingüísticos: o manual do Estado de São Paulo.e nisto se parecem com o manual da Tribuna da Imprensa. o pronome para o Papa não era ele. até porque produzido por quem iria gerir sua aplicação.à língua portuguesa evitando. o estranho indivíduo. Os redatores do Diário eram leitores constantes de autores modernos. contratou um profissional oriundo do Diário Carioca para reformar seu texto noticioso. a mudança dos métodos e critérios do jornalismo havia começado. inicialmente. na década de 50. inspirado em uma tradição que descende da Gramática de Port Royal. foram consultados outros modelos de adaptação. Da mesma forma. para aproximar a escrita da fala corrente brasileira. cerca de um ano depois. dona e.com critérios editoriais genéricos. com uma revista mensal ambiciosa e muito bem editada.das madamas. O manual escrito em 1950 por Pompeu de Souza. o estilo uma proposição por período. na década de 60. Já os manuais de redação atuais costumam ser detalhistas. mas Sua Santidade. Em alguns casos. de Carlos Lacerda que. excelência. Em São Paulo. as pessoas deixaram de morar à Rua X para morar na Rua X. aos poucos. manifestações de princípios e argumentos de marketing institucional. com a preocupação de copiar rigorosamente modelos americanos. a adaptação do lead . particularmente de Graciliano Ramos. pelo nome. imitando o Diário Carioca. organizando um copy desk. É interessante comparar os style books . Contém algumas concessões ao espírito da época: não se admitia chamar uma mulher casada. A incorporação do novo modo de escrever ao noticiário tradicional fez-se aos poucos. do . pelo menos as da classe dominante. era necessário precedê-lo de d. onde consta o fato principal ou mais importante de uma série. quando vagou o cargo de diretor de redação. doutor.manuais de redação . e temia-se que fosse impossível suprimir inteiramente o Exa do nome de alguns figurões. tomado por seu aspecto principal . senhora.primeiro parágrafo da matéria impressa. lançou também seu style book . e dá aos textos aspecto telegráfico. daqueles a quem se negava a excelência.a incorporação progressiva de usos propostos. que é ainda hoje norma imposta na Folha de São Paulo. Esses preceitos tiveram que ser modificados ao longo do tempo. à medida que as experiências ou (falsos) esquecimentos esbarravam ou não em reações negativas . 2. instruções internas informam aos jornalistas que o jornal apóia decididamente a privatização e a globalização) . Nessa linha. foram feitas algumas experiências.

intuitiva ou "própria da estrutura profunda da linguagem". no (em) estabelece a relação entre pássaro e céu. em particular: A . o soco de um pugilista no outro.) a objetos ou coisas. a sentença usual tem a forma V-S-O. tanto no manual de O Estado de São Paulo quanto na gramática francesa do Século XVII (em . adjetivos.é que a natureza nos propõe ações e relações entre objetos. mas outra: em irlandês.*Pleut 3a .*Have passed (they) all c . b .Característica geral da percepção humana . o pássaro (paciente) está. como o francês ou o inglês.Sevódnia utrom vam zvoníl Sómov (russo) Hoje de manhã para vocês telefonou Somov 4a . dizemos que o cometa cai (o cometa é o paciente da queda). em que as pessoas verbais são identificadas na fala por desinências distintas.*Raine c . é a queda do cometa. instrumento etc. transforma-a em sentença. para nós. a ordem pode não ser relevante ou essencial para o sentido. não efetivamente hipóteses relacionadas com universais lingüísticos. o pássaro no céu. afirma que a ordem sujeito-verbo-objeto é a "normal" nas sentenças.Chonaic Seán an madra (irlandês) Viu João o cachorro C . A maneira humana de representar isso atribui papéis temáticos (de agente. o verbo estar afirma a relação. paciente. o alemão ou o russo). mas nós as representamos como objetos em relação ou ação. determinam a indicação da ordem S-V-O como normal. ou exceções.Chove. que um pugilista (agente) socou o outro (paciente).Daí se pode presumir que o etnocentrismo.Século XVII. Assim. o sujeito genérico é freqüentemente omitido (fica subentendido pela desinência do verbo). Nas línguas declinadas (como o latim. B . que são os argumentos da função. o que notamos. Neste último caso. Consideremos.portanto. da gramática universal .Passaram todos. alinhando. portanto. a relação entre dois estados simultâneos (uma forma contraposta a outra) ou entre dois estados sucessivos (os de algo que se desloca. modo e aspecto. é a descontinuidade. advérbios e preposições. e concentra a transformação em verbos. no entanto. Na verdade. o notável. a ordem S-V-O é típica de línguas não declinadas e não prodrop. b . o sujeito pode aparecer posposto e desaparecem pronomes expletivos (de valor meramente gramatical) antecedendo as formas verbais. não justifica a generalização da precedência do sujeito na sentença.*Ont passé ( ils) tous 2a . Há línguas em que a ordem usual não é S-V-O. além de agregar os elementos tempo. se revela ou se transforma). mais longamente esse caso. Na natureza. como o português.Isso. Nas línguas prodrop. é perceptível no céu (função). dezenas de exemplos em contrário. em seguida. transforma céu em no céu. 1a .

portanto. A predicação é. O mundo é dado em fluxo e.A notação lógico-matemática que prevalece hoje na lingüística formal está mais para Heráclito do que para Parmênides. No entanto.quanto à escolha de itens léxicos 1. ao conjunto dos itens léxicos aceitos na linguagem formal e na linguagem coloquial.c) E . sempre que possível de palavras admissíveis no registro formal e no registro coloquial da linguagem.João viu o cachorro jFc F(j. entre perfunctório e superficial. explicitamente. hoje. aí. implicitamente.Observe-se que a precedência é dada à função. Características da linguagem jornalística Com as inovações introduzidas pelas reformas do período 1950-1970. mesmo no minimalismo. D . a linguagem jornalística tem. entre recinto e sala. Esse modelo funcional domina praticamente todas as gramáticas contemporâneas. desde a semântica de Montague e as representações da lingüística computacional até o gerativismo de Chomsky a partir da Teoria dos Princípios e Parâmetros(onde os argumentos são chamados de externo. E . seja ele sujeito ou objeto do verbo. Sempre que os sentidos sejam permutáveis. o preferível. e internos.Note-se que a descrição gramatical. A função é designada por letra maiúscula (F) e os argumentos pelas letras iniciais minúsculas da palavra principal do sujeito ou complementos do verbo. no geral. utilização. A regra se aplica. entre próximo a e perto de. para o qual as sentenças apenas podiam predicar estados. em "João viu o cachorro". entre pretérito e passado. Assim. os objetos). assimilada ao conceito de função. através dos métodos de seleção do que é informado e ordenação das informações que são os aspectos ideológicos desse tipo de discurso. aí. as relações presidem as entidades nomeadas no discurso. todos os seres estão também em fluxo. tanto ao texto escrito quanto ao coloquial simulado. . parte dos conceitos de sujeito e predicado em Aristóteles. entre sintagma e locução. no caso dessas duas gramáticas. A . João e o cachorro os argumentos. a primazia não pertence ao sujeito. com a precedência atribuída ao sujeito nas sentenças nas primeiras versões da Teoria Gerativa. que falava por inversões) e em textos da gramática gerativa americana. em oposição ao alemão. pelo mecanismo da citação e.que se apresentava o francês como língua lógica. é passado. é perto de. ao mesmo tempo. embora possa conviver. isto é. Se pretendermos uma interpretação filosófica. viu é a função. portanto. é sala. sobre a unidade do ser. Assim: 5 . já que não há dois sujeitos iguais em estados ou tempos distintos: "não se pode tomar banho duas vezes na mesma água de um rio". mas aos estados. não ao argumento. é superficial. é locução. as seguintes características: aos discursos retóricos. daquelas palavras que pertencem. Este sustentava o ponto de vista de Parmênides. na visão dialética de Heráclito. o sujeito. sujeitos e demais complementos do verbo são considerados argumentos.

2. de gíria local e jargão profissional.devem ser usadas com parcimônia (na linguagem jornalística. 3. evidências) atende à circunstância de o jornalismo ser um discurso impessoal. que predicam o que já está predicado. Assim. ou que é notável. a principal da coxa. atuando como funções de funções. de preciosismos.. Assim. ou que é bonito. intensidade e afirmação. ou seja. Se um político sofre de câncer. Palavras técnicas. Essa característica é importante para uma descrição formal. isto basta numa notícia destinada ao público em geral. situando-as em mundos possíveis ou desejáveis . na artéria femural. eliminação. palavras estrangeiras. inacessível a pessoas sem formação básica completa ou que não prestaram a atenção merecida às aulas de ciências . que precisará averiguar a natureza. ao sair da região ínguino-crural. tamanho e localização do tumor. formas condensadas que se originam da circunstância de os títulos terem letras contadas (FHC por Fernando Henrique Cardoso. A preferência pela adjetivação fatual ou comprovável (números. 3. prefere-se alinhar os bens. que gostaria de dispor de detalhes sobre o funcionamento desse motor iônico. por outro lado. desarme por desarmamento). sempre que possível. quando necessárias . petista). de advérbios que expressam juízos de valor ou modulam predicações e sentenças. Não conhecendo o autor do enunciado. no mínimo.em suma dos advérbios de modo. na descrição de uma cirurgia: O corte é feito na artéria femural. por serem elementos lógicos de segunda ordem. criação de neologismos e atualizações necessárias (malufista. e não: O corte é feito. ramo primário da aorta descedente que se nomeia como artéria ilíaca até o ponto em que. ele geralmente não é capaz de avaliar os padrões de referência da aferição: em relação a que média se é rico. mas nitidamente insuficiente para umfísico. evita-se dizer que alguém é rico. por exemplo. com a explicação necessária apenas a seu entendimento imediato. 1. isto é.e elas se tornam necessárias em períodos de intensa transformação tecnológica como o atual . porque esses advérbios oferecem dificuldades suplementares para a análise. eliminação.. O jornalismo reporta-se ao mundo real (é fundamento . cheque voador)... mas não bastará certamente a seu médico assistente. 2. qual a natureza ou intensidade da notabilidade atribuída.daí o bom senso de se acrescentar no jornal uma explicação suplementar tal como "este é um tipo de motor que só existia em filmes de ficção e histórias em quadrinhos". assume esse nome . bem como a incorporação de expressões populares e de gíria que se generalizam (bumbum. A informação de que uma nave experimental é movida a jatos de partículas subatômicas ou íons é adequada e bastante para um público com formação básica escolar completa. a mesma informação é. seria preferível com moderação) e definidas pragmaticamente. eliminação (com exceção das citações). a teoria geral por detrás dessas escolhas é de que a precisão é sempre relativa. na medida do possível e com exceção de citações. daqueles e daquelas cuja aplicação depende da subjetividade de quem produz a mensagem. quatro dedos acima do joelho. a que padrão étnico ou estético se reporta a beleza. seis centímetros acima da borda da rótula. da perspectiva do consumidor. reproduzir depoimentos de entendidos sobre a beleza ou contar episódios em que se comprova a notatabilidade. isto é. dependendo do contexto da enunciação. de adjetivos e categorias testemunhais.

provavelmente. dispensa a argumentação e as estratégias de convencimento. 2. como as proposicionais. no entanto. 4. de modo geral. apesar da preocupação com a norma. Quando se lê em um veículo de informação que "X considera que P". ameaçar. por ser este o uso coloquial corrente no Brasil. B . que expressam esperanças. preferivelmente etc. quando tem regência indireta (assistir ao espetáculo).. precedida de que (o que em inglês se chama de thatverbs). Os tempos preferenciais. . . quase sempre. como as mesóclises. que. não é o mesmo que o espetáculo foi assistido por. embora priorizem a necessidade de informar. parecer etc.. restrição genérica e entendimento particular de verbos de atitude proposicional. A brevidade é evidentemente maior nos enunciados destinados a serem lidos. são o passado perfeito. 4.. Reporta-se. o verbo assistir. não deveria admitir voz passiva (o espetáculo foi assistido por. na mesma linha. Isto lhe permite produção rápida e eficiente para fins informativos. Reflete. tornou-se usual pela inexistência de qualquer outro verbo que permitisse apassivar a construção (o espetáculo foi presenciado por. a tendência de violar a concordância verbo-nominal quando verbos pronominais vêm antes dos elementos descritos tradicionalmente como sujeitos: Vende-se casas. É o caso de considerar. a linguagem do jornalismo é mais dinâmica do que a linguagem formal. e nos que se destinam à veiculação noticiosa pela Internet.verbos cujo sentido pleno reporta-se à pessoa do falante.). em média. do grau de coesão) são de leitura difícil e seletiva quanto ao nível cultural do leitor. os usos que se tornam correntes na língua coloquial. esperar. sistema verbal restrito à terceira pessoa e a alguns tempos verbais. 3.quanto aos procedimentos gramaticais 1. Em suma: o texto jornalístico utiliza um léxico simplificado. No entanto.). o futuro e o presente pelo futuro. como. quanto à proposição que os sucede.. não ao que ao mundo que seria possivelmente. Períodos muito longos (com mais de 20 palavras. é mais comum a forma analítica do que a sintética do pretérito mais que perfeito etc. naturalmente. supostamente. geralmente não dedutiva. Construções em desuso..personagens e entidades em geral que interferem no enunciado.. desejos etc. utilizam-se as formas sancionadas no registro formal e aceitas no registro coloquial da linguagem. são definitivamente suprimidas. pela mesma razão. de maneira paralela ao que ocorre quanto aos itens léxicos. 5. temores. os jornalistas estão comprometidos com a normalização da língua. desejavelmente. obedecendo às normas gerais da língua. reservando-se o presente concomitante ou freqüentativo para as interpretações e as formas imperfeitas para descrições que caracterizam os actantes . isto é. é tácita a leitura "X disse que considera que P". nas notícias. com exceção das citações em discurso direto. na terceira pessoa. constrói períodos mais curtos e evita ou delimita o sentido de construções problemáticas. As sentenças são construídas. por exemplo. os períodos costumam ser mais curtos do que no uso formal. O subjuntivo é de uso restrito e há nítida preferência pelo infinitivo impessoal. confina a abrangência dos enunciados: a informação em jornalismo é axiomática. amplia-se as possibilidades. no rádio ou televisão.. há forte tendência em favor da próclise em lugar da ênclise.filosófico do ofício que ele existe). dependendo.. assim.

como todas as coisas existentes estão situadas no espaço e em fluxo no tempo. A confusão das categorias de identidade e semelhança resulta essencial para a construção da consciência humana da realidade. e compensa variações de luz e foco. distingue as relações entre as em presença (localizações) e em seqüência (ações). atribui causas e antecipa conseqüências. Dois produtos industriais de uma linha de montagem não são logicamente idênticos: se fossem. têm sido capazes de demonstrar essa competência. com base em semelhanças. em forma. É evidente que. aprendendo a reconhecer formas com grande acuidade. Coloca-se no vértice de um campo de visão e.jornalismo. em espaço e tempo distintos. Admitamos que vejo uma palmeira.ufsc. essa identidade só subsiste no mesmo espaço e no mesmo tempo. que irão corresponder a entidades e predicações do discurso. movimentos dos olhos e do corpo. táteis. Redes neurais artificiais.html em 6 fev 2004 [Aula 3] Suponhamos que um observador humano contempla a realidade.br/bancodedados/md-gramatica2.Disponível em http://www. O input que a representação mental do mundo recebe corresponde a descontinuidades no espaço e fluxo no tempo. sonoras. Admitamos que revejo uma pessoa alguns meses ou anos depois de tê-la visto: concluo que é a mesma pessoa. definindo relações (no primeiro caso) e ações (no segundo). O trabalho mental dissocia objetos e relações. Não havendo como separar a percepção de um objeto das relações que o cercam. submetidos às mesmas condições. Prevê e desenvolve raciocínios probabilísticos. julgadas fundamentais. uma coisa só pode ser idêntica a si mesma e. do ponto de vista lógico. embora tenha tais e tais mudanças. É por efeito da memória que me considero idêntico ao que era nos diferentes estados por que passei na vida. comportamentos e valores. e que a reconheço com base na memória da visão de outra palmeira: não são iguais. construídas à semelhança das biológicas. fabrica uma realidade virtual que corresponde à realidade real considerando a sensibilidade a certas radiações (do vermelho ao azul) e não a outras. mas concluo que são da mesma espécie. organiza os objetos em categorias. olfativas e de equilíbrio. a partir dos estímulos luminosos que chegam à retina. se deteriorariam de modo exatamente igual . essas descontinuidades permitem o reconhecimento de padrões pelos quais se estabelecem identidades e semelhanças. por mais exata que seja a reprodução. reconheço a criança no homem. nem de igualar a representação desse objeto por observadores inseridos em circunstâncias diferentes. Contrapostas à memória. integra-a com outras percepções. os traços do pai no filho e o Coliseu nas ruínas do Coliseu. Os conceitos de identidade do ser e de agrupamento em espécies são possíveis exatamente pelo abandono de algumas características julgadas acessórias e consideração de outras. embora tenha mudado radicalmente. é uma experiência única. Recorrendo à memória. atitudes. cada fruição do objeto. Um afresco medieval no teto de uma igreja é distinto da imagem do mesmo afresco medieval na tela do computador ou na gravura exposta em um museu.

advérbios). estabelecem. 1983). A teoria moderna mais consistente que aborda a questão da percepção é a dos modelos. o conjunto de coisas a que ele se aplica. a representação da realidade é decomposta e modelada numa etapa pré-lingüística da percepção. a Johnson Phillip-Laird (PHILLIP-LAIRD. Esquecem detalhes do sistema modelado. relações que excedem as possibilidades de inferência a partir das proposições recebidas. nas proposições. devem ter parâmetros e estados correspondentes a parâmetros e estados cuja negação a pessoa não possa observar ou inferir. estruturam-se conforme os estados de coisas do mundo mas. tais como relações sintáticas . Modelos mentais representam objetos e relações. nada havendo nele sem significado ou função. podem ter modelos diferentes ou contraditórios para o mesmo estado de coisas. . deve representar algo. A própria idéia de semelhança recobre critérios distintos: duas coisas podem ser semelhantes porque se parecem na forma (como as pérolas). As estruturas dos modelos mentais eqüivalem às estruturas atribuídas pela percepção ou concepção aos estados de coisas que os modelos representam. incluindo suas relações estruturais. embora haja nisso custo mental e limitações operacionais variáveis. o que não acontece. São tomados como hipóteses mais ou menos confiáveis e não suprimem necessariamente comportamentos relacionados a modelos concorrentes. Permitem também certo nível de predição: quem está com o guarda-chuva aberto e tem que passar portal de casa modela previamente o evento de modo a perceber que precisa fechar o guardachuva e colocá-lo na vertical. recobre vários tipos diferentes de árvores em russo. isto é. Desenvolvida no contexto da Teoria da Cognição. porém funcionais. A operação dinâmica dos modelos possibilita a redução de riscos objetivos (antecipação de desastres) e a economia de esforços físicos na apreensão do conhecimento (dispensa de experimentações). que são análogos estruturais do mundo: dão conta de relações estáticas e dinâmicas entre objetos. por terem estrutura dimensional. sua formulação deve-se. principalmente. adquiridas por observação. as sentenças das línguas naturais remeteriam a modelos mentais. A definição de categorias depende da pragmática da relação: a denominação pinheiro.e no mesmo instante. a cultura aimara reconhecia dezenas de sementes distintas para o que chamamos de amendoim. É a gestão do modelo que vai definir sua amplitude. a que vão corresponder. Segundo essa hipótese. Modelos mentais refletem crenças da pessoa. adjetivos. eventualmente inconsistentes. refazem e revisam seus modelos com a experiência. mais ou menos imprecisos. porque têm desempenho similar (como os computadores) ou porque despertam os mesmos sentimentos (como as feras). Não têm fronteiras definidas: superpõem-se e confundem-se. As pessoas fazem modelos mentais das situações espaço-temporais descritas nas proposições que recebem. assim. aprisionadas a regras sintáticas. informação ou inferência. em português. ações e estados. descartam aspectos não relevantes da realidade para captar os relevantes e contêm aspectos proposicionais. em diferentes instâncias ou situações. argumentos (nomes) e funções (verbos. Os modelos mentais são incompletos. podem ser manipulados mais livremente do que as representações proposicionais. Cada elemento de um modelo mental. Segundo ela.

(c) o metalingüístico. de modo a corresponder a número infinito de possíveis estados de coisas. cinemáticos. atualizo o modelo "eu-dentro-avião" para "eu-comando-avião". o quando e o como. com a proposta de Charles Fillmore (FILLMORE. possivelmente abstratas. Se ouço dizerem "o avião que passa". espaço. o modelo será diferente se sei como é um avião por dentro ou não. a noção de causa relaciona-se com a implicação lógica (a causa b se pertence a um conjunto de eventos A tal que A antecede b e. no escuro. temporais. tempo e espaço. e (d) o conjunto teórico. (b) o relacional. possibilidade. permissibilidade. Ela é compatível. então ocorre b). o que está sendo posto em primeiro plano é o que foi quebrado. a partir dos discursos. Uma pessoa que aperta repetidamente o botão + da calculadora tem um modelo mental de procedimento recursivo ou confirmatório. para quem o significado está ligado a cenas e perspectivas: sempre que o falante escolhe uma palavra em um enunciado. naturalmente. A tese dos modelos mentais sintetiza concepções freqüentes na segunda metade do Século XX em diferentes campos do conhecimento. quando se diz "quebrei o vaso". Mas se me reporto ao "avião em que viajo". o pretendido) pertencem ao universo da Lógica Modal. No âmbito da Teoria da Cognição. Campos semânticos correspondem. que agrega número finito de relações. colocando-se em desprezível segundo plano o onde. significa). a noção de fluxo. 1971). com o grau de discernimento de que disponha sobre a tarefa da pilotagem. entre esses os conceitos de tempo. nas línguas. tem um modelo mental (espacial) da casa. se ocorrer A. remeto a primitivos conceituais que devem ser inatos . A Teoria distingue entre modelos físicos (estáticos. em sua casa. por exemplo. em geral. que representa afirmações sobre individualidades. A possibilidade de representar diretamente indeterminações é limitada pela operacionalidade do modelo. entre entidades individuais. espaciais. que contem número finito de tokens que representam qualidades abstratas dos conjuntos e um número finito de relações entre os elementos desses conjuntos. à noite. causa e intenção. se já viajei ou não em avião. o permitido. que contém tokens correspondentes a expressões que relacionam um item do código lingüístico a outros (como chama-se.por exemplo. automaticamente a insere numa cena na qual adquire interpretação. construídas a partir de elementos (ou tokens) e relações. No entanto. Dentre esses: (a) o monádico. Suponhamos que tenho o modelo mental de "avião" como algo estrutural equivalente a "artefato + que voa". os demais (o possível. dinâmicos e imagens. . que são vistas ou projeções do objeto ou evento representado) e modelos conceituais. se imagino "o avião que piloto". Quanto a esses operadores. A noção de perspectiva é tal que. Uma pessoa que reza durante uma tempestade tem um modelo mental (causal) que relaciona a reza e algum controle sobre a tempestade.Uma pessoa que anda. podem ser entendidos como grandezas vetoriais. modelos mentais são concebidos como entidades computáveis e finitas. por exemplo. Modelos mentais constituem conjuntos finitos de campos semânticos e de operadores. atualizo o modelo para "eu-dentro-avião". que podem ser revisadas recursivamente. Ao atualizar um modelo. construídos. a palavras que compartilham um conceito comum no núcleo de seus significados. atualizo o modelo no tempo-espaço (seria diferente a dimensão espaçotemporal se dissesse "a nave interplanetária").

O universo de discurso corresponde a espaço e tempo delimitados. muito menos para o Registro Civil. enquanto a extensão se modifica (é o caso de seres humanos da Terra em épocas diferentes). o pensamento humano nomeia as primeiros. Os nomes podem ser grupados em três categorias: 1. No entanto. No entanto. pois. Num exemplo clássico. do mundo real. onde será necessário não apenas o nome completo mas outros índices (como a filiação e o CPF) para compor uma designação única. a tautologias. porque alguém pode conhecer Fernando Henrique Cardoso e não saber que ele é Presidente da República. informação. então uma pode substituir a outra sem afetar o valor de verdade. ditos opacos. ( ii) Esse homem é Orestes. saber que ele é o autor de Os Sertões mas não que foi enviado como repórter de O Estado de São Paulo para a cobertura da campanha de Canudos. Da mesma forma que diferentes intensões correspondem à mesma extensão. A intensão é um princípio de determinação extensional. no Brasil. mas não o é para o conjunto de uma escola. não se pode afirmar que essa mesma designação completa corresponda à entidade Márcia em algum tempo futuro ou passado ou num outro planeta. se duas coisas são a mesma. por "Orestes". ( i) Electra tem diante dela um homem. Isso não ocorre em contextos proposicionais. a intensão pode permanecer a mesma. Nomes próprios (ou designações próprias) são unívocos no universo considerado. ou conhecer Euclides da Cunha. do ponto de vista de Electra. como substituir "um homem". As equatividades (Fernando Henrique é o presidente. o autor de Os Sertões e o repórter de O Estado de São Paulo enviado a Canudos para cobertura da campanha designam a mesma pessoa. segundo o qual. de modo que Márcia é o nome próprio de uma pessoa numa sala de aula de poucos alunos. isto é. isto é. é capaz de encerrar informação. hoje. na sentença ( i).Nomes próprios .do ponto de vista semântico. isto é. Euclides é o autor de Os Sertões e o repórter enviado a Canudos) reduzem-se. estabelece correspondências entre os traços do modelo que representa as entidades e alguma cadeia de símbolos sonoros.Os nomes Ao distinguir entidades e relações. (iii) Electra sabe que Orestes é seu irmão. um mesmo objeto pode ter vários nomes próprios. . não conteriam. mas não sabe que o homem diante dela é Orestes. da linguagem. A questão da intensão tem que ver com o princípio de Leibnitz (Eadem sunt quorum unum potest substitui alteri salva veritate). do ponto de vista da intensão ou do sentido. ( iv) Não há. o presidente da república e Fernando Henrique Cardoso designam a mesma entidade. já que uma coisa é igual a si mesma. do ponto de vista da extensão ou da referência. assim. nome próprio ou individual é aquele que designa de maneira única uma entidade em um universo de discurso considerado. Assim. Euclides da Cunha.

. ao considerá-lo por uma característica ou utilidade. nesse contexto. evidente em (1 c): 1 a . A nomeação genérica. por exemplo.. Y. venho da Paraíba). mas não para o tipo de manga. pode ser.). há um protótipo. Fernando Henrique Cardoso.. Antes de nomes próprios geográficos. que é.. aí. o General Z). árvore ou arbusto . atento para sua configuração geral (que corresponde aos traços do modelo de árvore . copa). criando uma zona difusa (fuzzy). Mais ou menos com as mesmas interpretações aparece antes de designativos genéricos que precedem nomes próprios (a Rua X. Fernando Henrique Cardoso. a algo de que disponho.tronco. duas ou mais denominações da mesma coisa podem aparecer justapostas (1 a-b). Observe-se que a palavra "um".. Observe-se que a palavra "o/a". com o ônus de tornar mais abrangente (e portanto menos específica) a denominação. de certa maneira. desintegra o objeto denominado. em que alguns traços são afirmados e outros não.O Presidente da República. de que dá mangas. ou imagem ideal. por exemplo. estou dizendo que ela "pertence ao conjunto das árvores". passaria. A entidade. mas não se usa com esses sentidos antes do nome de registro de pessoa. Como em todo modelo. Uma mesma entidade admite n denominações genéricas. Márcia. de indeterminador (um qualquer) e de partitivo (um dentre aqueles da categoria . mas desprezo a circunstância. três .caso em que poderia recorrer a outro conjunto mais abrangente por exemplo. "um obstáculo" etc. conforme a categoria em que seja incluída: uma mesma entidade pode ser "um muro". A remissão é a um modelo. a admissão de o/a é idiossincrática (venho de Pernambuco. planta.. e possibilidades mais distantes do protótipo.A existência de informação intensional nas relações equativas explica porque. 1 b ..Nomes genéricos. a indicar intimidade ou notoriedade do personagem. em que se afirma que uma entidade pertence a um conjunto ou categoria existente (a que se denomina). Os nomes genéricos dão início ao processo de abstração que permite a linguagem e o discurso. Do ponto de vista de uma gramática categórica. "uma divisa". *Márcia. bem como da gramática de Montague. 1 c . isto é. o autor de Os Sertões. no contexto de (1 a-b) incorpora os sentidos de unicidade (é único). . incorpora os sentidos de numeral (em oposição a dois.. ... sem que se constate redundância. 2.. nomes próprios são designados pela letra e. singularidade (em oposição a os/as) e determinação (é este. Presidente da República. nem para a localização da árvore. . . Trata-se de uma predicação. de traços aplicáveis à entidade em causa.. O autor de Os Sertões. Há relação necessária entre nome genérico e pertinência a conjunto ou categoria.Euclides da Cunha. aí. . De toda . se a chamasse mais especificamente de mangueira. Euclides da Cunha...*Márcia.. atentaria para esse fato. não outro).. Quando digo que determinada entidade x "é uma árvore". Quando chamo determinada mangueira de árvore. Márcia de Freitas. nas locuções.. na memória. uns). que incorpora muitos desses traços. no entanto. o Sr.

por aí. Assim: 2. a representação para nome genérico é t/e. modo e aspecto (Maria foi/era/ tem sido/pode ser. iguala a condição única de ser Maria no universo considerado à condição predicada (não necessariamente exclusiva) de ser jornalista. No entanto. Nesse tipo de álgebra. ou Maria é jornalista. posso especificar a denominação de modo que ela termine se aplicando a uma só entidade e se torne. 1974). mas uma variável.. o denominador indica com que elemento o nome genérico deve combinar-se e o numerador o resultado da combinação: nomes genéricos devem combinar-se com um nome próprio para formar uma predicação completa. a (as) que está (estão) no meu jardim. porque este. porque árvore é o núcleo semântico da locução: depois. jornalista) em sentença. o da única árvore florida do meu jardim. isto é. em (3)) não contempla a diferença . por definição. dentre as árvores. então. A notação (3 b) contempla a possibilidade de não se saber previamente que x é Maria.ou seja. restrinjo o sentido. isto é. as floridas e. Nomeado os conjuntos pelas iniciais maiúsculas: x = AÇ FÇ J Numa gramática categórica. existe um x tal que x é Maria e x é jornalista. (predicação completa) Sendo t/e uma fração. obviamente. nome próprio. Maria. permite acrescentar um predicado a e. seja na lógica convencional. A notação lógica (seja da lógica categórica. O mecanismo. não distingue entre a definição. das coleções de objetos a que se reportam funcionalmente os nomes: o conjunto das entidades que são árvores. jornalista). Isto significa que a denominação genericamente não corresponde a um elemento. primeiro. jornalista.sorte. é o de interseção de conjuntos conceituais. em (2). transformando uma locução (a Jornalista Maria. ao acrescentar o atributo florida. Note-se que t/e não é mais específico do que e. a sentença Maria é jornalista ficaria assim: 3 . Se tenho a designação genérica árvore. Sendo variável do discurso. o produto algébrico de t/e por e é. à qual agrega as noções de tempo. dentre essas.. gerando a proposição predicativa t. ou designação única de x (que é ser Maria) e seu atributo (que é ser jornalista).jornalista (nome genérico) t . t . O verbo ser (é) afirma a relação entre e e t. a designação genérica pode sempre ser especificada por uma atribuição. no entanto. aí. nenhuma denominação genérica define (especifica de maneira única) a entidade que predica. não pode ser dita verdadeira ou falsa. de se desconhecer o nome próprio de x. Numa representação lógica tradicional. é o nome próprio da entidade nomeada. restrinjo ainda mais e..A Jornalista Maria. ou Maria. enquanto uma locução pode designar uma entidade ou conjunto de entidades. mas não tem valor de verdade.Maria (entidade) t/e .$ x| M(x) Ù J(x). A partir de Alfred Tarski (TARSKI. em que pressupõe a existência ($ ) de Maria. e . se acrescento do meu jardim. isto é. considera-se que uma sentença tem valor de verdade (é verdadeira ou falsa).

guia da expedição ao Alto Purus. No caso da inversão. referindo-me a determinado jornalista e a determinada notícia) ou particularizar a categoria designada pelo nome genérico em relação a qualquer outra (como quando digo "o jornalista é um questionador". rios. não da gramática da sentença. do ponto de vista semântico.. causar y. João da Mata é o único guia da expedição ao Alto Purus e. que Luria chama de genitivas (LURIA. no entanto. b . pode atuar como o operador lógico iota (i ).João da Mata. .. guia da expedição ao Alto Purus é designação própria de João da Mata.do ponto de vista sintático. portanto.. vencer z). Em determinados contextos.). designando a entidade a partir de funções (ser irmão de x..Entidades não são designadas apenas por nomes próprios ou nomes genéricos. nem a nuança de sentido que se obtém agregando à categoria a palavra "o/a" (Maria é a jornalista. enquanto nomes relacionais (irmão. . guia da expedição ao Alto Purus é apenas um nome genérico predicado a João da Mata. Pode-se. Note-se que. portanto. isto é. antes de um nome genérico. Essas designações. pode-se afirmar a relação predicativa (4 a-b-c). matador de alguém. a jornalista é Maria). matador. É o caso do russo.a . isto é. Digo que Maria é a jornalista se o foco discursivo recai sobre Maria e que a jornalista é Maria se o foco discursivo recai sobre a professora. ou que ser questionador é predicado da categoria/conjunto/espécie dos jornalistas). Em (4 a). não se reportam a qualquer entidade salvo quando acompanhados da designação da entidade com que se estabelece a relação (irmão. A palavra "o/a". isso não ocorre em um nome relacional. 1987) e os nomes genéricos diferem a. c .lingüística entre a forma canônica Maria é jornalista e a forma inversa jornalista é Maria.a . causador (da briga). pelas categorias a que se afirma pertencerem. quando um nome genérico é acompanhado de um atributo. aviões etc.João da Mata. vítima etc. . pessoas. um guia da expedição ao Alto Purus.João da Mata. em si. a exigência dessas formas (e a complicada regulagem de seu uso) é peculiar de algumas línguas (na Gramática Gerativa se poderia dizer que é paramétrica dessas línguas). Por exemplo. irmão (de Pedro). o guia da expedição ao Alto Purus. querendo dizer que todo/qualquer jornalista é questionador.. Nomes relacionais correspondem a predicações. exatamente porque ele já expressa. porque. diferencia a relação equativa da relação predicativa: 4 . III . a distinção decorre de estratégias de discurso. de vez que muitas outros idiomas dispensam o artigo. não se afirma essa unicidade e. do latim ou do hebraico.). predicar a relação à entidade (6 a-b-c): 4 .O carro de São Paulo > o carro é de São Paulo . individualizando a entidade (como quando digo "o jornalista apurou a notícia".. Podem ser designados também a partir de relações que mantêm com outras entidades não consideradas similares. marido. causador. uma relação (5 a-b-c). em (4 b) e (4 c). porque nomes genéricos reportam-se a conjuntos de entidades (árvores. causador de algo. vencedor (da corrida). da gramática do texto. mares. carros. embora os significados de "o/a" pareçam relevantes. b.Nomes relacionais . vítima de alguém ou de algo). marido.

em (9) : 9 . na verdade.A viagem de Carlos. . que preside ou admite o agrupamento de uma série de papéis temáticos: paciente. > Z é dono da casa Nomes relacionais rotulam não apenas entidades que mantém relações com outras.Peter caça antílopes > o caçador de antílopes > a caçada de antílopes > a caça de Peter c . irmão de Pedro. permitindo a coesão da sentença em (8 b). dono da casa. Peter. > Y é causador da tragédia c . é que as nomeações relacionais transportam para a locução de que participam a estrutura argumental originária. sentido. Assim.. que é uma designação mais abrangente. Assim. uma lógica que permite predicar funções. A dificuldade de entendimento de (9) é certamente maior do que a (8 b).A vítima do chantagista > *a vítima é do chantagista 6 .a . consideremos funções e designações relacionais a elas referidas: 7 . se o assaltante matou o caseiro. a caça é o paciente da "caçar". Fato de interesse sintático. semana passada. isto é.Y. um verbo de movimento. causador da tragédia.O causador da tragédia > *o causador é da tragédia c ..A mulher bela > a beleza da mulher b . por exemplo. constituindo..Mário comprou o carro > a compra do carro por Mário Em (7 a). isto é. .a . . os antílopes. em todos esses casos teremos designações relacionais. podemos chamar o assaltante de matador ou assassino.. no entanto. foi uma aventura fascinante. a beleza rotula a predicação "ser bela".A árvore frondosa > a árvore é frondosa c . portanto.. referidas à função descrita na sentença. e caçada a função "caçar". Compare-se com a acumulação de atribuições em torno de uma nomeação genérica. a morte de assassinato ou crime. . o caçador é o agente de "caçar".: 8 .Z. Em (7 c). a compra rotula a função "comprar". > X é irmão de Pedro b .Carlos viajou de Londres a Paris. Em (7 b). isto é. elementos de uma lógica de segunda ordem. origem. elas preservam sua natureza de argumentos funcionais.O avião da presidência > o avião é da presidência 5 .A porta de ferro da casa de campo do dono da firma de construção civil foi arrombada.X. isto é. de Londres a Paris. Não parece adequado considerar que todas relações e circunstâncias agrupadas em torno da denominação relacional viagem sejam meros atributos..b . argumentos de funções. pelo túnel sob o Canal da Mancha. Tomemos. destino.a .a . semana passada. e o caseiro de morto ou vítima. mas as próprias funções. A nomeação relacional pode ter ou não correspondência morfológica derivacional. pelo túnel sob o Canal da Mancha.O irmão de Pedro > *o irmão é de Pedro b . direção etc. b .

ufsc. mas atribuídos a mundos possíveis: (a) ficcionais . pelo motivo M. c. nomeação adequada para todas as funções e papéis temáticos. no tempo t.br/bancodedados/md-gramatica3. equivalência).e. c . Na série (10 a-f).. intercalando outras informações etc. d . de inferência lógica (negação. Essa representação se faz por modelos compostos de traços.. mas não teríamos como nomear relacionalmente Maria... capaz de desdobrar por vários períodos uma única proposição. "a presenteada". em língua alguma -.. que é exatamente a denominação relacional que permite estruturar como exposição.jornalismo.A vítima .). João. disjunção. como "refeição".. este é o molde básico de notícias produzidas industrialmente. com a arma A. f . abstraindo) com modelos/traços analógicos. no lugar l.A causa .X matou Y. a função comeu. uma a uma. tudo sobre a vítima etc. b. porém. portanto. Consideremos uma notícia típica.. como designar o benefactor... conjunção. é reconstruído na mente como realidade virtual. representações constituídas de conjuntos de traços que se especificam ou particularizam a cada proposição. isto é. Em João deu um livro a Márcia. em português .A arma. percebido pelos órgãos dos sentidos. No caso de Maria comeu um sanduíche. o livro poderia ser "presente". As operações proposicionais realizadas com modelos/traços permitem reconhecer relações: a. e .O assassino . De forma menos esquemática (variando a ordenação. situando o todo no primeiro parágrafo lógico e as partes.html em 06 fev 2004.A possibilidade de se nomear relacionalmente não é universal: não existe. Maria. com alguma impropriedade. Operando (suprimindo. não teríamos. podem-se antecipar eventos com alto grau de probabilidade e modelar objetos inexistentes no mundo real.de semelhança (causa/conseqüência. poderíamos nomear sanduíche como "comida". Nomeação relacional e estrutura da notícia A nomeação relacional tem extraordinária importância na gramática dos textos expositivos. os parágrafos indicados por (10 b-f) estão integrados ao lead pelo instrumento de coesão que são as nomeações relacionais... Disponível em http://www. b . em alguns contextos. como ordenação lógica (no caso. compondo. com seu lead (10 a) organizado no modelo clássico. espaço-temporais (em presença e em fluxo). aí. nos parágrafos subsequentes) um evento seqüencial. Acontece.O crime . Não precisamos explicitar tudo que sabemos sobre o assassino para depois falar de tudo que sabemos sobre o crime. implicação. Modelos são. em que se responde às perguntas quem? fez o quê? a quem? quando? onde? por que? e como? 10 a . onde atua como elemento de coesão. [Aula 4] O mundo externo. essência/aparência). provavelmente.

posso considerar a construção da casa de (1 a-c) como investimento (1-a). tema etc. tornando a causa irrelevante (2-a). Diante da morte de alguém conhecido.A casa foi projetada por Niemeier.A aids matou o Mário Os papéis temáticos realizam-se na língua como casos sintáticos determinados pelo funtor da predicação. todas as relações que constituem dimensões de um modelo devem ser expressas por sons linearmente organizados. paciente.) determinados pelo funtor da predicação. embora intuitivamente se atribua o papel de agente ao sujeito. posse: agente/paciente.A casa ocupa oitocentos metros quadrados. singularidade e pluralidade etc. Pode-se também inferir a existência de abstrações necessárias (números.) podem ser . O funtor ou o predicado desenham o cenário da predicação. Criar um cenário implica não apenas distribuir papéis temáticos mas também priorizar algum(ns) aspecto(s) em detrimento de outros. "Maria chegou") destinam o lugar de sujeito ao paciente ou tema. centauros). que criam cenários próprios. c . instrumento. Por exemplo. A cada modelo corresponde uma entidade ou conjunto de entidades virtuais ou mentais. propriedade. vampiros). direção etc) quanto condições semânticas (sexo expresso pelo gênero.A casa custou quinhentos mil dólares b . sentido. equações) e modelar metaforicamente entidades inefáveis (sensações e estados subjetivos. destino. Assim. "Mário morreu". o universo dos modelos é o co-domínio ou universo dos valores do universo das entidades mentais.O Mário morreu b .(unicórnios. Mário.O Mário morreu de aids c . tenham ou não existência no mundo real. (c) de conhecimento (seres extra-terrestres. fadas) ou temor (demônios. posso destacar o paciente. verbos ditos inacusativos ou ergativos (por exemplo. Um mesmo episódio real ou possível pode ser modelado de maneira distinta por diferentes funtores. (b) de desejo (deuses. modelos mantém relações funcionais com esses entidades. por hipótese. tanto relações necessárias (tempo. onde ela ocupa o papel temático de tema e. buracos negros) etc. conforme a estratégia assumida (parte-se de uma das máximas de Grice: dizer apenas o que é relevante): 2a . modo. pertinência. como angústia ou ansiedade). designa o mesmo objeto: 1a . Modelar um mundo real ou possível implica construir cenários onde entes desse mundo desempenham papéis temáticos (agente. Dessa maneira. aspecto e modo das sentenças. origem. lugar. Nas línguas em geral. co-relevante ou secundária (2-b) ou relevante (2-c) para o discurso. dimencioná-la pelo espaço que ocupa(1b) ou sugerir seu valor como criação artística (1-c) em distintos cenários proposicionais. não ao agente. Por um princípio de economia lingüística. Toda predicação é uma função na qual se relacionam argumentos um-um ou váriosum. causa/conseqüência. de modo que não há homologia entre papéis temáticos e casos sintáticos.

dos papéis temáticos. isto é. A noção de predicação tem sido aplicada ora à sentença. em português. atribuindo-lhes casos e sistemas de concordância que variam de língua para língua. em português. embora possam ocorrer prefixos (o redobro dos verbos gregos.i M(r ) = [determinado] Rondon [é] [um dos da categoria de ou pertence à categoria de] Marechal . Os afixos de locuções são freqüentemente prefixos.gramaticalizadas. c. O elenco de relações e condições selecionadas para gramaticalização varia de língua para língua. i ou r têm nominativo. mesmo. sua ausência é marca de singularidade. em decorrência. vocativo e dativo com a terminação Æ ). Os afixos de palavras são freqüentemente sufixos. ordenação das palavras.casa confortável . casa grande. como "João considera a prova difícil" ) . por exemplo) e encaixes internos. embora seja comum mais de um caso terem a mesma forma (por exemplo.A(a) = Armstrong [é] [um dos da categoria de ou pertence à categoria de] astronauta d . dentro do cenário desenhado pelo modelo proposicional) à medida que se desprezam os recursos da afixação de palavras e locuções. Isto é. em regra. irrelevante porque o que importa na língua é a ambigüidade contextualizada. no entanto.O Marechal Rondon . Assim. um astronauta . No entanto.Armstrong.F(c. o artigo indefinido (3-c) atuariam como funtores. a simples justaposição de um termo genérico a um nome próprio já é capaz de indicar a predicação (3-d): 3a . Em um sistema de afixação. como ocorre na colocação de muitos adjetivos em português: eles são mais referenciais ou concretos após o nome. na oposição singular/plural. partículas encaixadas ou livres. b. embora haja um conjunto de relações e condições que tende a ser gramaticalizada na maioria das línguas. o que gera eventualmente ambigüidade fora do contexto. Os processos de gramaticalização obedecem com freqüência a uma hierarquia: a. A ordenação de palavras tende a torna-se significativa de relações de caso (portanto. as situações de enunciação em que a ambigüidade não pode ser eliminada imediatamente por inferência ou pressuposto. onde (a) adjetivos atuariam como predicados (3-a) e (b) preposições (3-b) ou. pobre homem). homem pobre. não sintagmáticos). p) = casa [é] feita de pedra c .C(c) = a casa [é] confortável b . o s é marca de pluralidade e. ora a locuções.casa de pedra . Diz-se em teoria da gramática que os predicados ou seus funtores selecionam os papéis temáticos. Pode-se afirmar que para qualquer papel temático existe um caso. Sob certas condições. embora possam ocorrer formas sufixais. a ausência de afixo (ou afixo Æ ) costuma ser significativa. a ordenação pode conter significados semânticos não relacionais ou sistêmicos da língua (paradigmáticos. as palavras femininas gregas da primeira declinação com o tema em a precedido de e . onde o funtor seria em geral o verbo (discute-se este papel no caso das sentenças copulares e de sentenças sem verbos ou small clauses. adição à unidade semântica mínima de afixos. estabelecendo relações funcionais entre dois termos. adição à locução de afixos. mais fracos ou abstratos antes do nome (grande casa.

) ou por locução ou sentença com a preposição a.Tomemos o caso de uma sentença que admite vários papéis temáticos. Uma abordagem no nível da sentença atribuiria a João o papel temático de paciente do deslocamento. O uso de de com mais de uma significação funcional (ele tem mais de uma dezena) na mesma sentença não implica ambigüidade uma vez que os argumentos internos regidos em cada caso (Ponta Grossa e automóvel) não a admitem. numa sentença indicativa afirmativa. como o latim ou o grego. Como a função verbal não está efetivamente rotulada na sentença (onde a palavra ida não aparece). como o alemão ou o russo. e um designativo de lugar (Ponta Grossa). a Foz do Iguaçu o de destino do deslocamento. teríamos algo como um "genitivo de origem" em de Ponta Grossa. a Ponta Grossa o papel de origem do deslocamento. Aí. o instrumento é argumento admitido. mas sua realização. em para Foz do Iguaçu seria entre esse termo (ida) e um designativo de lugar (Foz do Iguaçu). em cada caso. Pode-se admitir a continuidade da noção de caso. . que mapeam cenários de deslocamento no espaço-tempo: 4 . o objeto ou argumento interno (paciente) pela desinência Æ . cada caso seria designado pela ausência/presença de alguma preposição em algum contexto. em de automóvel. tempo e lugar. o lugar por uma palavra própria para significações semânticas freqüentes (aqui. Para o verbo de ação matar. tempo e lugar são argumentos exigidos em toda predicação existencial. decorreria de funtores particulares: de para origem. o termo que designa a fórmula funcional (a ida). prefixos de locução ou sentença capazes de torná-las argumentos internos de predicações de instrumento. tempo e lugar. As preposições com. a e em seriam funtores dos papéis temáticos de instrumento. ontem. a de automóvel o de instrumento do deslocamento e a cinco horas o de tempo decorrido no deslocamento. preposição Æ e posição pós-verbal. amanhã etc.João foi de Ponta Grossa a Foz do Iguaçu de automóvel em cinco horas. um "acusativo de movimento" em para Foz do Iguaçu e um "instrumental" em de automóvel. preposição Æ e a posição pré-verbal. ainda sem os sufixos que consagraram essa figura nas línguas clássicas. Dessas predicações. em português. o tempo por uma palavra própria para significações semânticas freqüentes (hoje. cada um dos papéis temáticos referidos a ela teriam o caráter de elementos de uma lógica de segundo grau (a lógica de primeiro grau não permite predicar funções como se fossem argumentos). para para destino. Poderíamos admitir também que o verbo ir (foi) atribui ou admite esses papéis temáticos. seria entre o termo (ida) e um designativo de instrumento ou meio do transporte (automóvel). sujeito (agente) e objeto (paciente) são argumentos exigidos pelo verbo. o instrumento pela preposição com. o sujeito ou argumento externo (agente) é marcado pela desinência Æ . como é o caso daquelas nucleadas por verbos de movimento. isto é. Parodiando designações clássicas. adiante etc. o que explica o entendimento tradicional desses complementos como advérbios. lá. isto é. de para instrumento e em para tempo decorrido.) ou por locução ou sentença com a preposição em. A relação funcional em de Ponta Grossa seria entre a função verbal rotulada. e se preservam em línguas modernas.

de modo que o formalismo lógico a ser adotado terá que ser outro. geralmente baseados em software. isto é. esperança.). mesmo.como necessário ou certo (N) e provável (M) . tais como crenças. uma vez que ela pode ignorar que Zeus é Júpiter. .As nuanças sintáticas admitidas na construção das sentenças e na organização das sentenças em textos nas línguas naturais são de tal maneira complexas que sugere mais do que automatismo. . temor de crenças etc. qual seja a das atitudes motivadas por atitudes (crenças de crenças. isto é. não agem de modo a impedir sua consecução) e benevolência (não tendo objetivos conflitantes.autonomia. Uma dessas hipóteses. nos contextos opacos. .e a da metalinguagem. dita intencional. mas são capazes de tomar a iniciativa e exibir comportamento dirigido a um objetivo. não posso dizer que Janine crê ser Cronos o pai de Júpiter.pró-atividade. dois problemas lógicos. A teoria dos agentes inteligentes está vinculada à visão intuitiva que atribui atos objetivos a atitudes.reatividade. em sentido amplo. que agem sem intervenção humana direta ou indireta. admite uma primeira ordem. dotados de: . na medida em que permite a melhor compreensão da operação de um dispositivo. Qualquer formalismo alternativo deve dar conta de um modelo semântico (já que a Lei de Leibnitz é descumprida) e de uma linguagem de formulação. uma segunda ordem. no seu mecanismo de formulação. isto é. obrigação e. qual seja a das atitudes (crenças. sistemas computacionais. vários autores contemporâneos a defendem. salva veritate. dita linguagemobjeto. tais como conhecimento. que têm alguma percepção do meio em que agem e respondem a tempo a mudanças que ocorrem nele. Atribuem-se a agentes inteligentes. não apenas agem em resposta ao meio. vontade. e têm algum controle sobre suas ações e estados internos. racionalidade (ao perseguir um objetivo. tal qual é o lingüístico. A segunda situa-se no universo da lógica proposicional ou de primeira ordem: não posso tomar como argumento da função crê a unidade Cronos é o pai de Júpiter. cada qual sempre tenta fazer o que lhe é destinado). intenção. em diferentes contextos. Em sentido mais estrito. A atribuição de tais intenções a agentes não humanos pode ser acusada de antropomórfica.habilidade social. Agentes inteligentes são. isto é. no entanto.). A questão central é que. A operação com atitudes proposicionais constrói contextos opacos e envolve. mobilidade (capacidade de deslocar-se em algum contexto). explorada recentemente. inteligência. a verdade dos componentes não assegura a verdade do conjunto (eles não são thruth functional). isto é. uma terceira ordem e assim por diante. agentes inteligentes são dispositivos projetados ou implementados com conceitos aplicados em geral a seres humanos. de uma sintaxe. vontades etc. isto é. já que esta não é um termo e sim uma fórmula. da aplicação da Lei de Leibnitiz: se Janine crê que Cronos é o pai de Zeus e Zeus é o outro nome de Júpiter. crença. que interagem com outros agentes por via de alguma espécie de linguagem. uma linguagem que inclui termos ou rótulos denotando fórmulas de outra linguagem. que introduz operadores modais sem função de verdade . . emoção. seja ele uma máquina ou item de um sistema simbólico. admite que os predicados e os funtores poderiam associar-se ao conceito de agentes inteligentes. medo ou desejos. As abordagens existentes são as da lógica modal. Essa abordagem. no entanto. O primeiro é semântico: a impossibilidade de substituição de termos sinônimos. isto é.

admite ou impõe alçamentos etc. no entanto. no universo da história brasileira conhecida pela comunidade falante-ouvinte. ela suscita alguns problemas. bem como a integração dos sistemas simbólicos (essencialmente lingüísticos. Uma abordagem bem mais simples é trabalhar com estruturas simbólicas interpretadas: crenças ou conhecimentos são vistos como funções simbólicas representadas numa estrutura de dados associada ao agente. em particular a de Chomsky. foi o único militar conhecido a comandar uma tropa cujo lema era morrer. A natureza das locuções nominais Conforme a categorias: A . e jamais matar. em árvores) e a coerência sintática dos discursos em situações de obnubilação mental. que os agentes raciocinam de maneira perfeita. numa abordagem epistêmica.O Marechal Cândido Emiliano Rondon. em (5). atribuir ao predicador ou funtor lingüístico o papel de agente na arquitetura da proposição (que representa o cenário desenhado pela mente para uma dada situação) significa propor uma autonomia operacional da sintaxe. quando afirmam que o verbo seleciona determinados papéis temáticos. por que são mantidos no discurso. Assim.Locuções nucleadas por nomes próprios Neste caso. magro e obstinado são comentários: 5 . determinada por estruturas incluídas na entrada léxica. conhecimento ou objetos dos agentes podem ser situados em mundos irreais.locuções natureza do núcleo. relacionados ao código) e inferenciais (lógicos. particularmente o da onisciência lógica: teríamos que admitir. Sob certas circunstâncias. inexistentes. pressupostos ou inferidos do contexto) na produção e recepção de mensagens. magro e obstinado.Quanto ao problema semântico. A tese da correspondência entre esses mundos torna essa semântica atraente como ferramenta teórica. considerando a máxima de Grice segundo a qual não se deve informar mais do que o necessário? A questão admite algumas considerações: . então Marechal e índio baixinho. os elementos que circundam o núcleo têm o papel de comentários. Um agente acredita em f se f está presente em sua estrutura de dados. onde as crenças. no nível da sentença. admitindo-se a relação de acessibilidade entre eles. Assim. se fosse preciso. as locuções nominais podem ser grupadas em três nucleadas por nomes próprios nucleadas por nomes genéricos geradas a partir de predicações A . para aplicá-la. índio baixinho.locuções B . podem ser suprimidos sem afetar o sentido expresso da proposição. De toda sorte. a dificuldade de sua descrição genérica (por exemplo. Se esses predicados são logicamente dispensáveis.locuções C . isto é. isso funciona. se Cândido Emiliano Rondon é um nome próprio. É isso o que fazem as gramáticas gerativas. um agente não poderia saber de ou crer em algo que não fosse verdadeiro. a solução pode vir da semântica dos mundos possíveis. A natureza inteligente dos agentes explicaria a complexidade idiossincrática das estruturas geradas.

na hipótese de o receptor não acessar essa informação na memória de longo prazo. da tropa e seu lema. na de longo prazo) que Cãndido Emiliano Rondon era seu nome. como. compreende. Uma . de duas caracterizações que se associam. Pode-se tratar de uma interseção de conjuntos conceituais. Políticos do PSDB é um subconjunto de políticos. em um mesmo contexto. a presunção de que determinada expressão é um nome próprio não pode ser universalmente assumida. B . Assim.Locuções nucleadas por nomes genéricos Locuções que têm como núcleo nomes genéricos compõem.Os políticos do PSDB que estiveram com Pérsio Arida dizem que ele não se preocupa muito com as denúncias. políticos que estiveram com Pérsio Arida é outro subconjunto de políticos. músicas. uma relação lógica incluída na Teoria dos Conjuntos. em Machado de Assis). de baixinho e comandante. sabendo que Cândido Emiliano Rondon foi militar e que tinha tal e qual aspecto alguém possa mais facilmente lembrar-se da existência dele e da entrada enciclopédica derivada. a figura estilística mais ambicionada é a antítese. funções de reconhecimento. placa do carro. b. que se obtém inserindo informações que o leitor provavelmente será capaz de identificar.A vedete Virgína Lane admitiu recentemente que visitava os aposentos de Getúlio Vargas no Palácio do Catete. por exemplo. funções de continuidade. em jornalismo e nos discursos em geral dirigidos a público indeterminado. É também o caso de vedete (associado à boêmia) e Getúlio Vargas (associado à administração pública). isto é. em que um narrador ou comentarista se intromete na história para fazer observações sobre o texto. em 6: 6 . mas comuns na literatura. É o caso de índio e marechal. funções de metalinguagem (raras em jornalismo. em seguida. por exemplo. Ou. talvez. ou com as quais se identificará (referências a lugares turísticos. não se dispõe de informação confiável sobre o repertório de cada receptor da mensagem. sugestões metafóricas ou citações.em primeiro lugar. conotam ou são usualmente tomadas como signo de universos conceituais opostos. da menção em livros escolares.a. pontos de vista associados a épocas ou tipos humanos). Os elementos adicionais podem funcionar como facilitadores para a localização do personagem na memória de longo prazo. Em jornalismo. funções de real (número da sepultura no cemitério. Daí se conclui que o output de uma locução designa sempre um conjunto menor do que o input. em 7: 7 . em que se sugere o prosseguimento da trama em outro espaço. circunstâncias que sugerem testemunho do fato). O nível de expressão das funções discursivas. uma segunda questão é de que as determinações acrescentadas como comentário e irrelevantes na lógica da sentença podem adquirir relevância da lógica do enunciado visto por inteiro. com as predicações que as circundam. colocadas ao longo do texto. por exemplo. a locução completa (os políticos do PSDB que estiveram com Pérsio Arida) é a interseção desses dois subconjuntos. filmes. particularmente a aproximação. ele poderá inferir que um marechal que era índio comandou tal tropa e registrar na memória de curto prazo (e talvez. de modo que. em que se compara a história (ou um elemento dela) com outra provavelmente conhecida. pistas ou possíveis pistas de uma história policial. o estilo. cumprir função discursiva ou desempenhar papel estilístico. ou convidar o leitor a tomar partido.

Assim. por 2 a 0. os termos crime. que se concentra a atenção da Polícia e da Justiça. Em jornalismo. ficou conhecido como o crime do Sacopã.A derrota do Fluminense frente ao América de Natal. numa citação de Carril Chessman. colocam-se duas hipóteses. como os títulos. e não seus crimes ou suas vítimas.categoria de nomes próprios. este de São Paulo é o maníaco do parque. onde se busca designação neutra para os eventos criminais. na década de 70. do Fluminense frente ao América de Natal.b . assassino e vítima: Vimos o papel que esse tipo de designação desempenha na coesão da notícia em sua forma clássica.O Fluminense perdeu para o América de Na. no Maracanã. sobreviventes do caso. Assassinos são geralmente nomeados. o assassinato de uma jovem chamada Cláudia por um jovem milionário e um cabeleireiro. outro criminoso em série. em (8 -a). às vezes chamadas de designações próprias resulta exatamente dessa operação conceitual. Em uma locução nucleada por um termo ou rotulo que remete a função. um assassino de mulheres ficou conhecimento como bandido da luz vermelha. real ou possível. foi conhecida por muito tempo (pelo menos até seu julgamento) como fera da Penha. a contratação de empréstimos irregulares e desvio de verbas destinadas ao pagamento de precatórios por governadores (entre eles o de Santa Catarina). há forte tendência de se produzirem nomes próprios ou designações próprias a partir de relações funcionais. isto é.No caso do exemplo 7. são argumentos da função (8-b). por 2 a 0. em que A é o acusador. Ou se trata de (i) rótulo ou termo decorrente de uma função proposicional que opera em um único mundo. no Maracanã. isto se deve a que esses nomes devem ser freqüentemente referidos. na década de 50. onde V = visitantes de Pérsio Arida C . B o réu e x se lê versus. Na tradição jurídica americana.a . em A matou B. no Rio de Janeiro. eles são usualmente nomeados como caso A x B. ou (ii) de rótulo ou termo que decorre de uma função de atitude proposicional. na Ladeira do Sacopã.l x|P(x) Ù PSDB(x) Ç V(x) .Locuções geradas a partir de predicações Neste caso. atribuindo-se ao artigo determinativo plural o papel desempenhado pelo operador lógico l: 7 . referidos ao papel que desempenham na função. b . sábado último. a quem a imprensa americana deu primeiro esse apelido. pôs um ponto final na esperança de recuperação do time este ano. sábado último. a locução poderia ser grosseiramente formalizada. nos anos 90. os elementos predicados ao núcleo têm com ele relações que derivam da função originária. em um mesmo texto ou em textos consecutivos. Por exemplo. passou a ser o caso Cláudia. porque é neles.tal por 2 a 0. designada pelo rótulo derrota: 8 . Rio de Janeiro. tornou-se o caso dos precatórios. e a mulher que matou a filha do amante em um conjunto residencial do bairro da Penha. em Ipanema. Assim. o assassinato do bancário Afrânio de Lemos por um tenente da Aeronáutica. remete à relação entre mundos (reais ou possíveis) dotados de acessibilidade um ao outro. sábado último. no Maracanã. precisam ainda ser citados em construções compactas. já que os assuntos têm durabilidade no tempo. . A hipótese (i) remete ao sistema de rotulagem que transforma em termos (a) uma função proposicional ou (b) os argumentos da função.

como acontece nas narrativas. de fato. qualquer categoria de brilhantes. confiar etc. tomei café. em português.. de fato. os incidentes do meu dia: "Acordei hoje de manhã. concluo que foi vítima do mesmo acidente. temer. atrapalhando o trânsito.Na hipótese (ii). esperar. Perto. desconfiar. pela localização. axiomática: não argumenta nem instaura a mensagem em contexto particular. aí. Ora. supõe." Nem farei a análise lógica do meu achado: "Na Costeira havia um carro batido. a questão lógica suscitada pelos contextos opacos. mas algo que. transmitirmos a informação de um fato singular supostamente interessante. em ordem cronológica. Entende-se suposto assassino como aquele que se supõe ser o assassino.html em 06 fev 2004.ufsc. Admitamos que. então ele deve ser um cadáver e. Demorou uns 15 minutos até que vi que tinha acontecido um desastre. nas circunstâncias de publicação de um jornal. remete a uma sentença com verbo de atitude proposicional. um dos temas centrais de estudo atual na adaptação da lógica como ferramenta teórica para dar conta das línguas naturais.br/bancodedados/md-gramatica4. portanto. na linguagem falada. acredita. A diferença entre o lead formal clássico da notícia e o relato oral que faço da ocorrência aos colegas (apresentando como fato ilações que me parecem justificadas) é que. não tenho controle sobre a situação em que .. neste caso. no caminho de casa para o trabalho. transformando seu argumento interno (aquilo em que alguém.O suposto assassino foi preso no matagal perto da fazenda. genérico ou relacional. porém ele está deslocado de sua condição referencial por uma notação metalingüística que remete a um mundo possível. o trânsito estava engarrafado. verbos desse tipo (acreditar.) em linguagem objeto de uma metalinguagem. vi um corpo estirado no asfalto. supõe etc. Um falso brilhante não é um brilhante da categoria falso. pareça. um corpo caído no chão. embora. como acontece com as narrativas. [Aula 5] O lead da notícia jornalística decorre da maneira usual de.jornalismo. como falso. saí de casa antes da hora e. isto é. ao lado de uma vela acesa. o elemento designado nenhum subconjunto das entidades que. De maneira alguma iniciarei o relato da ocorrência contando. A palavra assassino não designa. Direi aos colegas: "Vi um desastre com um morto na Costeira" ou "um camarada morreu agora mesmo num desastre na Costeira". determinado ou não. Se havia uma vela acesa junto ao corpo. por definição. determinado ou não. Retomamos." A notícia decorre do testemunho e é.). Entre os predicados que têm essa característica ou poder metalingüístico. suponho que tenha ocorrido um desastre pouco antes. não é um brilhante. necessariamente. que remete a não é verdadeiro. há um núcleo aparente ou sintático que é nome próprio. o agente de um assassinato. supõe etc. infere-se.) remetem a mundos possíveis (o mundo daquilo que alguém. na Costeira. não designa. Disponível em http://www. não sendo. como no caso acima. determinado ou não. que se refere ao que alguém. o suposto assassino pode não ser o assassino. figuram alguns que... como estava lá. não têm correspondência verbal. supor. A locução. são assassinos. na verdade. acredita. Tomemos o exemplo 9: 9 .

onde. deslocamentos ou enunciações.da produção da mensagem. agregarmos ao relato singular de um fato notável as informações que se inferem das circunstâncias do relato e especificarmos algumas denominações difusas. Teríamos assim o lead como sentença longa.no aqui e agora . não sei onde. Também não posso circunstanciar a informação com entonações e expressão gestual: não faço voz mais grave para sublinhar o quanto me incomodou o engarrafamento nem armo rosto compungido quando menciono o cadáver. as reações emocionais de quem escreve a notícia passam a não interessar. lugar. Aristóteles teorizou sobre essa situação. Em síntese: se abstrairmos a pessoa do informante. constituída de uma proposição nuclear (quem fez . circunstâncias que estão implícitas ou são dadas como irrelevantes no relato individual . temos que considerar que proposições desse tipo. Finalmente. têm como núcleo verbos de ação ou processo objetivos. ao contrário do que acontece quando um colega nos conta uma novidade.quando exatamente foi. No mundo das experiências sensíveis a que . verbos dos campos semânticos de fazer.e.o quê) e o maior número disponível de circunstâncias do evento.ou foi.no caso da notícia publicada em veículo de comunicação devo conformar-me com dados estatísticos e probabilidades: em geral as pessoas lêem o jornal no dia em que ele é editado. nem exatamente quando. causa e conseqüência. instrumento. Outra peculiaridade interessante da notícia publicada é que raramente se especifica qual seu autor e. para que foi. do tipo "agora há pouco" ou "perto do supermercado". É daí que vem a síntese de Laswell . como proposição completa que transfere para as circunstâncias do jornalismo a maneira usual de se transmitir oralmente. modo. daquela que consiste do sujeito.sei se o que digo está interessando ou não. por que e para que. a possibilidade de transmitir mensagens complexas de maneira transtemporal e transespacial. o quê.passam a ter cabimento no relato formalizado em notícia.O lead teórico como proposição completa. teremos uma notícia jornalística do fato notável. essa identificação costuma ter pouco sentido para quem consome a mensagem. com que instrumento foi .quem ou que.isto é. isto é. dizer de alguma forma. ou disse . 1 . fazer de alguma forma. as pessoas costumam escutar as novidades no rádio do carro etc. isto é. com ela. criando a noção de proposição completa . a mensagem de um fato julgado de interesse. onde exatamente foi. em que ambiente e com que preocupações estará o consumidor. quando se especifica. que expressam transformação evidente. A situação em que não se tem controle das circunstâncias de fruição de uma mensagem existe desde que se inventou a tecnologia da escrita . ir e dizer. se estou sendo ou não compreendido . isto é. como (e com que). Seja o lead concebido. Enquanto na comunicação oral direta disponho de feedback imediato . pessoa a pessoa.a informação será consumida. do que lhe é atribuído ou predicado e do maior número possível de circunstâncias entre as de tempo. Em primeiro lugar. como foi. para consumidores que não estão no hic et nunc . Assim. nas circunstâncias do jornalismo. na teoria. isto é. muitos lêem durante o café da manhã. porque foi. ir (ou vir) de alguma forma.

. ao que se tornou explícito para mim. por uma circunstância. "A esquina mais movimentada da cidade foi cenário do assassinato. verificável. por uma circunstância transformada em sentença pelo emprego de um verbo (ou locução verbal) relacional. Numa sociedade de classes. b. construindo-se com verbo de processo (inacusativo. É claro que essas reportagens apontam para ideologias distintas e contraditórias.Esquematização do lead .". organizada segundo um pacto de dominação. e. é que (ou alguém disse por ele .."Com uma chave de fenda..e isto vale também. ou principalmente. isto é.até os leads reais. 3 . na seleção dos assuntos das pautas de reportagem. o assaltante matou .o porta-voz da Presidência. como modelo ou entidade semântica básica. devo limitar-me ao que constatei.. pelo objeto indireto. A partir daí."... ou então em textos ficcionais.. Na eventualidade de surgir um verbo de ação subjetiva em um texto desses (o que é raro).." em lugar de "O Presidente da República deu à Embaixatriz da Dinamarca a medalha .". estas sim. usando-se um verbo de antonímia recíproca .". duvida ou espera tal coisa. a interpretação dominante será inevitavelmente a da classe dominante ."A embaixatriz da Dinamarca recebeu do Presidente da República a medalha. deverá forçosamente ser entendido como subordinado a um verbo de enunciação: se o presidente sabe. não há espaço para verbos de ação subjetiva como pensar ou imaginar: não posso afirmar como fato o que suponho que alguém estava pensando ou imaginando. d. como observador e é. eventualmente...Do lead teórico ao lead real Para se compreender o percurso do lead teórico .a proposição completa de Aristóteles . o lead é concebido como a proposição completa aristotélica. Considerem a possibilidade de a clonagem de mamíferos gerar reportagens unilaterais distintas: uma sobre os perigos da ciência e outra sobre as perspectivas abertas à pecuária e à preservação da biodiversidade.. tanto quanto na formulação dos projetos acadêmicos de pesquisa ou na formulação de políticas públicas.. direta ou indiretamente. devemos considerar a distinção entre níveis conceitual ou profundo e superficial ou de realização de uma sentença. duvida ou espera A proposição completa pode ser ordenada a partir de qualquer de seus termos. Pode começar: a.o jornalismo se reporta.". a ação principal "Uma chave de fenda serviu para o assaltante matar. vai sofrer transformações ditadas pelas circunstâncias de uso (a pragmática) e pela estilística própria do discurso jornalístico: As versões aderidas aos fatos no texto interpretativo. 2 . pelo objeto direto. Verbos de ação subjetiva só têm valor de verdade (se têm) na primeira pessoa. ergativo) na voz ativa ("B morreu após ser assaltado por A. tornada sintagma circunstancial externo . quando a ação é atribuída a um personagem por quem o está criando.. acredita. para os veículos de comunicação.") ou verbo de ação ação na voz passiva ."O assaltante A matou B.. talvez) disse que ele sabe.. Da mesma forma a escolha de assuntos suscitados por um fato relevante. acredita.". por hipótese. construindo-se com verbo de ação na voz ativa .. Esses mesmos interesses influem. são vulneráveis à crítica. c. pelo sujeito."B foi morto por A. Em nível profundo. nominalizando-se.

será: 1.o sujeito. c. SC3. Para se construir um modelo sintático de uma proposição desse tipo conforme os moldes tradicionais. a um número restrito de verbos de ação que situam o sujeito como agente e exigem dois ou três argumentos. que podem constituir-se de advérbio. SC2. portanto. verbos que exigem como argumento proposições em discurso direto ou indireto ("P". SCn)] 2. além do tempo de situação (discursou por uma hora. SC2. As fórmulas desses leads. constituída de sujeito. 1/SV. alguns verbos de enunciação. SC3. destino e situação (ir do hotel à praia. A notação mais importante é o sujeito ou a ação verbal: SN1 .no caso de existência de dois complementos do verbo. estarão necessariamente incluídas na entrada léxica dos verbos que articulam a proposição. SN1. . uma proposição completa. . ontem. b. serão representadas por SC1. isto é.. a bem dizer. Ele é. dkP) ou rótulos de citação (declarou-se a favor do projeto). . devemos suprimir uma série de exigências que. ou uma cadeia de palavras.. [(SV + SN2 +kSN3) (SC1. então. modo.. locução adverbial ou oração precedida de relacionador (k). percorreu por dois meses o litoral nordestino. lugar. de SN3.o verbo. Verbos de movimento. em Florianópolis). uma locução ou sintagma verbal cujo núcleo é um verbo de ação (pode ser uma palavra só. SCn)] ou SN2 . locução ou sintagma nominal. isto é. Por exemplo: a.as circunstâncias (onde. SCn. do modelo proposicional concebido para a realidade que se descreve. verbos de enunciação são geralmente that-verbs. Uma estrutura assim empobrecida teria: . por exemplo. movimento e permanência admitem o tempo decorrido. (acusativo) geralmente não precedido de preposição. SC3. .o complemento do verbo. o terceiro argumento. como matou. quando. SC2. dependendo de sua natureza semântica.. salvo quando inferidas do contexto e. SCn)] . complementos do verbo. tais como as de causa ou finalidade. com que. . argumento constituído de uma locução ou sintagma nominal. na verdade. como. mais as circunstâncias de tempo. SC2.. SN2. . SV. em 1988). instrumento. Pode-se dizer que a descrição sintática tradicional só se aplica. [(1/SV + kSN1 + kSN3) (SC1. . ocupam lugar à parte em relação a circunstâncias relacionais atribuídas pelo discurso. A notação mais importante é o complemento direto do verbo: SN2 . SC3. ao consideramos a imposição de iniciar pela notação mais importante. causa e conseqüência. na voz passiva. como pode ter matado ou acabou de matar). as circunstâncias de tempo e lugar são indispensáveis a toda proposição existencial. abstraindo-se da especificidade das circunstâncias e da diferença que há entre circunstâncias da ação descrita e modulação (por exemplo. admitem lugares de origem. . para que). de intensidade) do verbo. d. geralmente precedido de preposição.. [(1/SV + kSN1 + kSN3) (SC1. verbo. os verbos vão exigir dupla ou tripla circunstâncias de tempo/espaço..Consideremos um lead em nível profundo ou conceitual. outro argumento.. porque.

Entre elas. 75 pessoas morreram" = "setenta e cinco pessoas morreram quando o avião caiu". dirigir automóvel ou pilotar aviões. já que praticamente todos os humanos são capazes de utilizá-la para comunicar mensagens. SCn)].. em que SV-1 é antônimo recíproco . [Aula 6] A partir de um conceito de inteligência vinculado a (a) consciência e (b) comunicação por códigos digitais (lingüistico e matemático). por causa de uma semana de chuva. SC2. {SN1 [(1/SV + kSN2 + kSN3) (SC1. Na essência.3. Na verdade.. de SV. Descrever uma língua tem sido sempre entendido como explicitar essas regras. unindo-se à ação nominalizada por um verbo relacional: "com um golpe de machado. reage de maneira diferente em diferentes contextos: diante de um obstáculo. Estas seriam . {SN1 [(SV + SN2 +kSN3) (SC1. . mil pessoas ficaram desabrigadas".. Disponível em http://www.."o que vem depois é causado por". bastando torná-los suficientemente complexos. como os reflexos condicionados.. O aprendizado de uma língua teria esses dois aspectos: a memorização de palavras e a internalização de regras. SCn)]} Em nível de realização. poderia ser descrita como um dicionário a que se aplica sistema limitado de regras.. e o fato de várias delas serem exclusivamente humanas atribuído a características físicas. Pelo critério do senso comum.br/bancodedados/md-gramatica5. como as outras habilidades. A notação mais importante é um sintagma circunstancial (SNi): SCi .ufsc. que se tornariam procedimentos automáticos. uma série de habilidades humanas têm sido descritas como automáticas. . Fulano matou Sicrano" = "um machado serviu para Fulano matar Cicrano". expressar sensações ou sentimentos. A notação mais importante é o complemento indireto do verbo: SN3 . amplia ou encolhe as passadas conforme estimativas de tempo-espaço ou sobre a própria capacidade física etc. a partir dos comportamentos da comunidade falante. digitar no computador. SC3. mil pessoas perderam suas casas = "ao fim de uma semana de chuva. SC2. acelera ou reduz o ritmo da marcha. como supor que seria possível reproduzir a caminhada humana em objetos mecânicos. expressa-se a ambigüidade clássica "post hoc ergo propter hoc" .html em 06 fev 2004. a língua. desde o formato das mãos até a postura ereta.jornalismo. A convicção de que se tratava de automatismo conduziu a vários equívocos. SC2. SCn)]} ou SCi . como caminhar.. figuram várias adquiridas durante a vida. A relação causal pode ainda ser substituída por uma relação temporal ou consecutiva: "por causa da queda do avião. Sua aprendizagem tem sido geralmente explicada através de mecanismos simples. 4. decide se o ultrapassa ou contorna. a circunstância pode ser tornada oração principal. os robôs. . formando a infinidade de enunciados que compõem a fala ou discurso. Não exigiria muita inteligência. desloca seu centro de gravidade quando o terreno apresenta declive lateral ou frontal. [(SV-1 + SN2 + kSN1) (SC1. SC3. No caso. seria aprendida por imitação. SC3. quem caminha não apenas aciona coordenadamente centenas de músculos.

é habilidade inata do homem. em sua unilateralidade: culturas distintas são capazes de comunicar-se. dados por óbvios. e os nomes à direita). pelo contrário. Bastaria pensar em um enunciado e . funcionaria como mero automatismo instrumental . parte de sua natureza: 1. permanecem utilizando a mesma língua. como aconteceu no Brasil. refletindo condições históricas e papéis sociais. evidentemente. Mas surgem novos problemas: embora as ideologias possam mudar rapidamente . Alguns autores não distinguem língua e discurso e consideram ambos ideológicos. Vários desses pressupostos têm sido alterados recentemente. classes conflitantes de uma sociedade. . são apenas decorrência de antigas crenças.esquerda e direita (os socialistas de Babeuf sentavam-se à esquerda.e. e é difícil imaginar qual o conteúdo ideológico de mensagens como "prevê-se chuva para amanhã". O mesmo aconteceu com a Revolução Russa e com o fim da União Soviética: uma reforma ortográfica e. da constatação de que o homem é parte da natureza e que a consciência é algo sobreposto a mecanismos inteligentes que a precedem.são a principal causa de morte de jovens em São Paulo". suicídios e acidentes . Não é privilégio humano nem depende de consciência. A inteligência é hoje considerada propriedade dos sistemas físicos capazes de se adaptar em algum limite a modificações do contexto.a Revolução Francesa pouco mudou o francês.um código . por exemplo . hoje. abandona a bandeira do nacionalismo para aliar-se à globalização . O número de sentidos que se alteram. a língua estaria em plano subalterno. no mais.crimes. Por exemplo. em cada caso.inferidas. desenvolver estratégias cooperativas. a substituição temporária de gospodin (senhor) por tavarich (camarada). no Parlamento.de seigneur para citoignen . como objeto de estudo.através do qual se manifestaria o discurso. Considerava-se evidente que enunciados são representações da idéia . é limitado e as regras combinatórias não parecem sofrer alteração. Admite-se que a fala .e algumas inovações no jargão político .os acervos lingüísticos mudam lentamente. A língua seria o instrumento formal (funções e variáveis ou constantes) com que se construiriam os enunciados (as proposições ordenadas). Pode-se supor que alguns dentre eles. a oposição entre cultura e natureza lembra o instante mágico em que Deus teria soprado a vida no primeiro homem. ainda quando conscientes desse conflito. permitindo a formulação de novos enunciados. por exemplo. em que o grupo dominante de uma sociedade.a capacidade de aprender a falar . "duzentas pessoas morreram no incêndio de um circo em Bombaim" ou "os aeroportos de Curitiba e Confins operam esta manhã por instrumentos".ele naturalmente se transformaria em palavras de uma língua aprendida. o ar da respiração parecia ao autor desse conto a melhor imagem para a imaterialidade da alma Parte-se. de enunciados. portanto. Há vários pontos discutíveis nessa visão. ideológicos.no momento. "causas externas . Isto significa que. no todo ou em parte. Daí se concluía que o discurso muda conforme a ideologia e que essa mudança reflete ou retrata a curto prazo modificações na sociedade. Tirando-se a mudança temporária de formas de tratamento .pronto . atuar com alguma finalidade etc.

conforme o que se sabe.além dos regionalismos. não queria dar maiores explicações. pelo menos) mentais. O que chamamos de regras de uma língua são dispositivos complexos que se organizam em várias categorias sobre princípios universais . Eduardo Portela. Tomemos dois deles . Fi-lo porque qui-lo é estranho não . alguns são exigenciais (a desobediência torna o enunciado. Isso implica alterações de conteúdo e forma. freqüentemente. planejamento e estratégias peculiares. Entre os enunciados que causam estranheza .tão valorizado em Lingüística . como dirigir automóvel ou pilotar aviões. Nesse processo embutem-se valores ideológicos: subjetivação de hierarquias de poder. 4. veículos). É a partir daí que se traçam estratégias discursivas . a necessidade de maior discrição de situações. O aprendizado de algumas técnicas. a formalidade do tratamento.por exemplo. um terceiro grupo é facultativo. músculos. elas se desenvolvem em processos inteligentes de que só eventualmente (em regra. 3. Desses dispositivos. obviamente. ou leva a compreensão diferente).outros níveis de habilidade discursiva têm crescente importância social. mas também de sistemas de controle cerebrais e (no caso do homem. como caminhar e falar. roupas. diante de situações críticas) o usuário humano toma consciência plena. avalia ou presume sobre as circunstâncias do enunciado. mais formal) etc. desqualificam a comunicação. Em todos os casos. para o convencimento (a retórica) e a comunicação entre indivíduos ou coletividades reconhecidamente diferentes ou de interesses opostos. constituído de dispositivos empregados apenas quando necessário.figuram os discursos pernósticos. incompreensível. outros resultam em enunciados estranhos e. Uma vez aprendidas. para receptores conhecidos ou não. sendo o cérebro entendido como uma espécie de hardware biológico e a mente como um software extraordinariamente sofisticado. árvores. são aproveitamentos de aptidões. decorre de configurações não apenas de sistemas de energia (ossos. desejo de manter ou construir a própria imagem etc. A gerência da habilidade adquirida é transferida a um sistema agente que dispõe de autonomia relativa. A língua é utilizada diferentemente por grupos profissionais e segmentos sociais para a informação transtemporal (documentos duráveis) e transespacial (como no rádio).e ele. o mais das vezes. falas crioulas.o primeiro atribuído ao gramático e ex-presidente Jânio Quadros. Outras habilidades. causas) ou utilidade (alimentos. o registro de linguagem (mais coloquial. pidgnins. a habilidade lingüística é entendida como competência de gerir um acervo de itens léxicos e padrões combinatórios. Em decorrência. Ao lado do discurso oral comunitário .por exemplo. o segundo a um literato que foi Ministro da Educação. Jânio deu a resposta quando lhe perguntaram porque renunciou em 1961 . caipiras e desvios desqualificadores .2.fi-lo porque qui-lo e estou ministro . o grau de detalhe da informação. (1) o que estipula que toda realidade é descrita como predicação de objetos (a maçã [caiu]) ou predicação de predicações (a queda da maçã [foi notada por Newton]) ou (2) o que classifica entidades e relações em categorias conforme a semelhança (homens. disposição dos tubos do aparelho respiratório e das cordas vocais). o critério parece a busca de maior eficácia com menor esforço.

ser por algum tempo . indica um aspecto .reporta-se a uma performance. em oposição a ser. milionário etc. eu o acompanhei porque o amava etc. maluco. ministro etc. necessariamente posterior ou paralelo? A conclusão a que se chega é que . circundar.individual level com stage level . professor.o da doação (o passado) e o do recebimento (o passado do passado). simples e praticável de regras? Posso. cargos) .apenas por causa do múltiplo sentido de qui-lo na língua falada (também medida de peso. "fiz desse jeito" ou "fiz o que fiz". a partir do que chamamos de regras de uma língua.em oposições do tipo ser/estar bonito. sou professor. modulando um verbo de ação (quis fazer). estado (profissões. que o tempo . como o de que dois pronomes oblíquos numa seqüência de verbos devem ter o mesmo referente (como em ame-o ou deixe-o. Este.então) . Terá sentido aprendê-las para falar (e escrever) bem.as chamadas condições inerentes ou em individual level. em cada instante. estar não é usualmente aplicável: ser jornalista. mas ao próprio ato de fazer. Para que a proposição tenha sentido. com alto custo de processamento. Por que..). refiro-me a dois tempos . estou ministro. distrair-me ou concentrar-me num trajeto . pode-se explicitar os mecanismos de operação da inteligência em um sistema finito. presidente. então. a apressar mais ou menos o passo. Mas esse entendimento ("fiz o que fiz porque quis fazer o que fiz") só pode ser alcançado.teria sido um erro se Portela não fosse professor (embora não costumasse dar aulas. como era.de pouquíssima utilidade prática.o chamado stage level -. redução de quilograma. pelo menos na época em que escapei de ser seu aluno). . A questão dos dispositivos Tomemos duas sentenças: lingüísticos facultativos corrobora essa impressão. quando se reportam a enunciados reais.. e conteúdo gástrico) . que o verbo é performativo . não uso o mais-que-perfeito. é necessário atribuir ao segundo verbo uma atitude proposicional. Antes de adjetivos que expressam condição externa.mas principalmente pelo sistema complicado de inferências exigido para sua compreensão. o ônibus tinha sido assaltado Na primeira. por exemplo). maleáveis e dinâmicas quanto o acervo de itens léxicos? Em outras palavras: se falar é um procedimento inteligente.ou será isso questão sem sentido. Os dois exemplos são valiosos porque mostram o nível de especificidade e complicação a que podem chegar as regras de uma língua. fora de um exercício crítico. depois de se porem de lado vários padrões mais prováveis. porque o segundo lo refere-se á totalidade da primeira parte da conjunção (fi-lo). nesses casos. reduzir a regras o processo de decisão que me leva. mas não estar em nenhuma dessas categorias. não é o caso. Jânio Quadros não se referia a algum produto feito por ele (um bolo. por exemplo. Dei o que ganhei Quando cheguei. rico. afetando desinteresse pelo cargo . quando caminho. Fi-lo se entenderia como "fiz assim". ou serão as regras de uma língua tão numerosas. a inteligência formula estratégias que poderão ser também transformadas em número enorme de regras ad hoc amparadas por inferências (se. saltar ou escalar um obstáculo. Confundir nível inerente com nível de estado .na íntegra. classifiquese a coisa como travessura lingüística.a estranheza decorre do uso equivocado do verbo estar. Diz-se. Quanto à frase de Portela .

às vezes. Os jornais eram produzidos . o jornalismo foi concebido basicamente como instrumento para a propagação de idéias. O mais-que-perfeito é aí obrigatório. em Marselha. partindo dos fatos para a interpretação . como a indolência. também pelas histórias emocionantes e sentimentais. que lembra. e sou obrigado a produzir uma das duas variantes. na Holanda e mesmo na França. no Brasil): quando cheguei. não tenho opção. e as duas sentenças estão unidas pela marca temporal quando.Numa primeira etapa. como o dos livros. a base do jornal. Escritos à maneira dos discursos. inevitavelmente atribuindo todos os problemas aos controles estatais da produção. Conforme a moda. de que poucos ouviram falar mas que todos aplicam. desde seu surgimento.no caso da imprensa burguesa. estarei dizendo que os dois eventos . (b) seu papel social e (c) o publico alvo. Não havia noção de notícia. se disser que o ônibus foi assaltado. eventos políticos com repercussões econômicas etc. em que se teoriza primeiro para exemplificar depois. O formato era pequeno. nem distinção entre segmentos de opinião e de informação. o ônibus tinha sido assaltado.foram simultâneos. Não há necessidade de recorrer a uma construção mais custosa porque mais rara (o mais-que-perfeito). o ônibus fora assaltado. Rabelais. Ao lado do modelo clássico. Os primeiros jornais surgiram em cidades comerciais. Mas o estilo mais freqüente era o parlamentar e jurídico. No entanto. mas em aplicá-las ou não. dirigido a formadores de opinião em sociedades em que a leitura era uma prática ainda não difundida. com linguagem retórica.tê-las na consciência. aristotélico. Surgiram variações estilísticas.passado do passado. . Embora desde o início se evidenciasse o interesse pela informação em seu estado puro . ora para um humor mais popular e panfletário. estão internalizadas ainda quando não conscientes . com os fatos. Como o evento chegar é instantâneo. Regras que. afinal.chegadas e partidas de navios. os textos deslocavam-se ora para o conto alegórico (muito comum em períodos de tensão política ou para abordar temas sensíveis. com o objetivo de atingir uma finalidade comunicacional. esses textos tinham tratamento doutrinário. o empirismo faria nascer outra estrutura. o ônibus tinha sido assaltado ou quando cheguei. Conceitos e práticas do jornalismo As estratégias discursivas desenvolvidas na prática do jornalismo podem ser relacionadas com os conceitos atribuídos ao ofício. na luta desfechada pela burguesia contra o domínio aristocrático na Europa.a chegada e o assalto .e. poder citálas -.como no caso da distinção individual level/stage level. com esse tempo analítico (mais coloquial) ou sintético (atualmente caindo em desuso. se pude dar é porque ganhei antes. Publicismo . combiná-las e/ou inferir novas regras a partir de situações concretas. no Século XVII. e digo "dei o que tinha ganho" ou "dei o que ganhara"? A razão é que. 1. Esses conceitos refletem concepções sobre (a) a finalidade do jornalismo. A inteligência consiste não em conhecer as regras . corrupção e alienação atribuídas aos aristocratas). quando disponho de uma mais comum (o perfeito simples). do comércio e do fluxo de idéias. seu núcleo e razão de prestígio dos proprietários eram os artigos de fundo. tão logo o número de leitores se ampliou. expressiva ou estética. em quando cheguei. na Alemanha.

essas formas de atrativo de leitura desenvolveram-se pelos caminhos da produção de (a) notícias emocionantes e (b) literatura industrial. sofrimento e vitória.perderam rapidamente o atrativo.ao menos para os jovens -.passaram-se a valorizar histórias de amor e renúncia. Ao lado disso. para o jornalismo europeu. à bruxaria ou à pornografia. nos Estados Unidos do fim do Século XIX. O jornalismo educador e o jornalismo sensacionalista . assumia o poder: os jornais sempre podiam servir de instrumento à calúnia. na afirmação das culturas locais. em geral. com pequeno investimento em tipos móveis e prensas e rápida circulação do capital aplicado em papel e tinta. .que compunha linhas de chumbo-antimônio à maneira de carimbos . atitudes e comportamentos que precisavam ser modificados. Os artigos de fundo . Restos de tradição medieval.Os conceitos. a resistência dos místicos ao avanço da ciência e os costumes rurais combinaram-se para ressaltar episódios fantásticos. o escapismo da aventura e o fascínio das histórias de países fantásticos: afinal. compensada. A partir da experiência dos romances sentimentais do Século XVIII e dos contos folclóricos que se coletaram intensamente por toda a Europa . Em termos de gêneros. aumentou o número de leitores . na prática. na primeira metade do século passado. com o advento das estações gráficas informatizadas estimulou de certa maneira as legislações de censura. houve um retorno à Idade Média. duas faces da adaptação a uma mesma contingência histórica que se apresentou. a Europa se expandira por todo o globo e o comércio impunha contatos culturais surpreendentes. a ser aplicadas ainda quando a burguesia. como os contos de Grimm. a produção de jornais tornou-se empreendimento econômico de porte. a maturidade e o exagero. pela estabilidade das aposentadorias militares. na verdade. já que a burguesia estava firmemente ancorada no poder .iriam dar origem a antologias duráveis.similar ao que se anuncia agora. que continuaram. de Andersen etc. que tanto pregava a liberdade de imprensa. mais tarde.surgida 80 anos depois. degenerações e mostruosidades. na valorização do trabalho artesanal e da "vida simples" do campo. Os feitos militares das conquistas eram sempre exaltados e constituíam. de jornalismo educador e jornalismo sensacionalista são. capaz de preparar camponeses para o trabalho das fábricas. e atingiu. que reportavam simbolicamente à difícil transição de um pacto social (o da servidão) para outro (o do proletariado). como as impressoras inventadas na segunda década do Século XIX ou a linotipo .artesanalmente. aparentemente conflitantes. Com a liquidação do feudalismo e a generalização das grandes instalações industriais. milagrosos.previsíveis. as cidades européias cresceram rapidamente e ampliou-se enormemente a instrução pública. onde a burguesia situava seu passado mitológico: na luta contra os impostos. As duas coisas praticamente se misturavam: realidade distorcida e verdadeiras rapsódias de . A facilidade de produzir jornais . para o homem comum . Para atingir esse público. utilizando grandes máquinas. Com isso. Com a voga do romance histórico.pessoas que traziam de suas regiões de origem valores. uma possibilidade concreta de fugir das condições difíceis de vida sob a nova ordem econômica para os riscos e a glória da vida em combate.

de iniciativas de caridade. como se comportar e que idéias ter. à prosperidade. o telégrafo. de literatura. o país tinha tradição de imprensa local e comunitária.o de portador de uma forma de conhecimento indispensável às sociedades modernas. E foi a descoberta desse papel que tornou a notícia e a reportagem . Estes os componentes do sensacionalismo. neste tipo de sociedade. Um dos magnatas da mídia. A questão central é que. Não é bem assim. tinha já importância econômica bastante para gerar a mais ampla cobertura jornalística de um conflito não-europeu. Um jornalismo . ex-escravos e migrantes internos produziu um surto intenso de informação educativa e sensacionalista . a intensa migração e a necessidade de incorporar a massa de ex-combatentes. O jornalismo testemunho e tradutor de linguagens .momentos excitantes alinhados em novelas ficcionais que ocupavam o rodapé das páginas.do que de questões de fundo. A maior parte dos jornais passou a desempenhar esse papel didático: em lugar do articulista de fundo. de moda. vestir. ao salário e ao consumo.e educador .mas ambos se igualam no objetivo central de integrar o indivíduo na sociedade e impedi-lo de contestar seus fundamentos. a informação torna-se insumo necessário à orientação. O desenvolvimento dos transportes e dos meios de comunicação combina-se com a . Mas o objetivo institucional era outro: adaptar as pessoas às novas formas de viver. para o pensamento político dominante. Em ambos os casos. O mesmo objetivo transbordava para as páginas de noticiário. O conflito entre os dois decorre principalmente dos valores conservadores . de feitos generosos) e as promessas redentoras (de educação pública. o telefone).O terceiro conceito de jornalismo firma-se na sociedade industrial madura.parece opor-se ao outro . onde proliferavam histórias edificantes (de ascensão individual. tornou-se figura-símbolo desse tempo e chegou a ser acusado de promover a guerra com a Espanha pela posse de Cuba com o simples propósito de garantir exclusividade das matérias para seus repórteres. na década de 1860. Raramente analíticos.o fundamental no jornalismo moderno. da mesma forma que as estratégias funcionalistas buscam racionalizá-lo. que a indústria jornalística voltou-se para a formalização das ciências positivas em busca de maior credibilidade e prestígio. ler. Depois.até o limite do anedótico. a informação destinada às grandes platéias deve ter exatamente esse duplo papel: de distraí-las e acomodá-las. já que. à manutenção de papéis sociais e até mesmo à sobrevivência das pessoas.o sensacionalista .como é o caso da Escola de Frankfurt (de Adorno e Benjamim a Marcuse e Harbermas) . estabelecendo seus mecanismos funcionais. Foi nesse contexto.não a crítica e as novelas de rodapé . de vida em sociedade etc. com muito mais certezas do que dúvidas. Foi exatamente no contexto do jornalismo educador-sensacionalista que se evidenciou um novo papel social para a profissão . quando da guerra civil. de exaltação das novidades técnicas . Hearst.a proibição do erotismo e as polícias da linguagem. Esse processo desenvolveu-se principalmente nos Estados Unidos. discute-se a ideologia como instrumento de domínio e colocam-se os sistemas de comunicação pública como meios lineares de difusão ideológica. A crítica cultural de tradição marxista .de teatro. chegaram os críticos . Desde o inicio. aonde ir. por exemplo . e sob a forma de reação ética.o trem.reporta-se a esse momento. cuidavam de ensinar as pessoas o que era adequado assistir. até aquela época.

ostentada no período do classicismo. Restou a acusação de que os meios de comunicação estabelecem a agenda de temas abordados por esses grupos . os segmentos profissionais. É com o apoio no jornalismo que foi possível transformar em assunto presente e próximo eventos importantes que ocorreram há algum tempo ou em países distantes. 1. Foi preciso um longo caminho para se buscar a relação necessária entre o texto e a fala corrente. tradutor dos discursos políticos. econômicos e tecnológicos para inviabilizar a tradicional transmissão de conhecimentos pelo sistema escolar. foi-se esgarçando à medida que o conhecimento se especializava. culturais e técnicos que logo se transformam em diretrizes. mas a cultura do automóvel. difundir não apenas o automóvel. agente que transmite a seus leitores.rapidez dos processos políticos.e das demais sociedades. E é também um prestador de serviços que nos permite acompanhar o fluxo dos negócios. e transformar a informática. assim. ainda hoje. mas também o que o torna visível e discutível. tribal ou comunitário. as políticas de salários. familiar. mas também a máquina do Estado. dos religiosos. a pesquisa sobre as formas de se tornar o texto acessível às pessoas comuns. ao mesmo tempo. não apenas instrumento do poder. em poucas décadas. o estado das estradas. Qualquer profissional depende. de dados que fluem ao longo de seu tempo de vida. ser abordados nos manuais do ensino básico. Linguagens do jornalismo O período do jornalismo educador/ sensacionalista deixou. O jornalismo é. a cirurgia dos transplantes e os mistérios da física do átomo. a escola e a gestão das empresas. tornar evidentes a todos fenômenos como a crescente centralização do poder e das decisões em um mundo capitalista globalizado. para orientar-se. de um mistério custoso e seletivo em ferramenta multiuso. dos que pensam viver no futuro e dos que pretendem a volta do passado. É foi possível também acelerar e ampliar a discussão dos problemas trazidos por essas mudanças e que mal conseguem. e 2. uma visão supostamente menos comprometida dos fatos públicos da sociedade . a alta comunicabilidade do texto coloquial. como grande legado para a técnica jornalística. já que se tornam crescentemente dependentes. tem sido sempre. desdobra-se em duas vertentes. do outro. dos juristas. considerando dois fatores contraditórios: de um lado. Sabe-se hoje . produtos e métodos de uso universal. seu caráter restritivo. as correntes culturais. o discurso dos cientistas. mas nas demais. Atribuir o agenda setting aos meios de comunicação é uma forma de inocentar as estruturas de poder que incluem os meios de comunicação. popularizar a conquista do espaço. porque a alfabetização era limitada a círculos jurídicos.desde que isso foi comprovado pelas pesquisas funcionalistas das décadas de 1930 e 1940 . ouvintes e espectadores. a previsão do tempo. clericais e acadêmicos. No entanto. Ele é o: 1. neste contexto. O papel do jornalista.as famílias. gerando denominações particulares para . A modalidade escrita da língua tinha tradição elitista. A unidade da língua literária. os círculos de amigos. privilégio do poder determinar os assuntos da ordem-do-dia: isto muito antes de existirem meios de comunicação com a amplitude dos de hoje.que a opinião pública forma-se muito mais pela troca interpessoal de idéias do que pela influência direta dos meios de comunicação social. não apenas na sua especialidade. as circunstâncias políticas e econômicas mudam rapidamente e é impossível acompanhá-las sem o apoio de um fluxo contínuo de relatos e testemunhos. dos agnósticos.

locuções e de sentenças. em decorrência. [Aula 7] As relações lingüísticas elementares consistem em adição e predicação de nomes. Disponível em http://www. O único diretor presente. constituídas.o que significa exigência de objetividade. A . quantificadores. eventualmente. especificam a natureza da relação. isto é. O felizardo diretor Mário da Silva = Mário da Silva é diretor e é o felizardo O diretor Mário da Silva. nomes precedidos de preposições ou sentenças precedidas de conjunções e/ou preposições. portanto. Seu critério de verdade é a adequação do enunciado aos fatos .html em 06 fev 2004.seu dicionário e as formas gramaticais aceitas . quer sob a forma de palavras similares nos diferentes idiomas quer por um sistema rígido de correspondências. No entanto. processos e visões globais da cultura e da natureza. (c) pode ser especificada por uma construção verbalizada. Argumento: Casa Predicado: . outros nomes predicados. a um termo argumento se aplicam predicados: adjetivos. cabe-lhe informar sobre o que se passa. as preposições e. ouvintes ou espectadores. mantendo. de Botucatu = Mário da Silva é o diretor e é de Botucatu. (b) pode ser conveniente para o discurso. Delegado de seus leitores.ufsc. em grande parte.jornalismo. O termo comum à língua nacional. ambigüidade que (a) pode ser irrelevante para o discurso. É aí que se localiza a questão da ética profissional. = Mário da Silva é o único diretor presente.br/bancodedados/md-gramatica6.o padrão da língua nacional. o relato de fatos e versões estão de tal maneira entrelaçados e envolvem questões éticas tão sensíveis que em torno disso se travam as mais intensas discussões. a língua nacional corrente (que se aprende na escola) e as linguagens particulares das disciplinas técnicas. é claro.e aquilo que é possível no discurso coloquial.técnicas. Passaram a coexistir as línguas coloquiais. por denominações que tendem a internacionalizar-se.Consideramos locução toda composição designativa de uma entidade em que. Argumento: Mário da Silva Predicados: O diretor Mário da Silva = Mário da Silva é o diretor O diretor Mário da Silva. Quanto ao testemunho. Mário da Silva. que assinou a demissão = Mário da Silva é o diretor e assinou a demissão. A mesma preposição pode representar relações de diferentes naturezas. abrangente em território vasto. No caso de nomes precedidos de preposições ou sentenças precedidas de conjunções e/ou preposições. terminou sendo uma espécie de compromisso entre o idioma culto . ele passa. determinativos. Efetuar a transcrição desses enunciados é tarefa do jornalista. passa a ser a língua que ele usa não a dos clássicos ou literatos . as conjunções que embutem preposições atuam como funtores da relação. pela subjetividade do jornalista.

1978). Sentenças são definidas no tempo e espaço e podem sofrer predicação de segunda ordem.Em tal uso. permanecer (=ser permanentemente). de todos os conceitos sobre os quais se pode afirmar uma sentença: há bons e maus pensamentos. e os argumentos internos. teológico. então x existe"). o Tiradentes ® Joaquim José da Silva Xavier é o Tiradentes. B . este é o sentido específico do verbo existir (etimologicamente. faz calor. quando relacionados a momento ou lugar definidos . que atribui à divindade não apenas a existência.A casa de Pedro = a casa pertencente a Pedro. impessoal. porque a relação essência/aparência representa grave problema para a Lógica e a Filosofia do Conhecimento. que relaciona argumentos: o argumento externo. que modula ou define o mundo possível em que se passa a ação. aparentemente). a casa onde Pedro mora. os verbos haver e fazer são impessoais: faz dez anos. é verão. dita adverbial. -à tempo decorrido. Sentenças ou (a) afirmam uma relação do tipo das que se encontram nas locuções através de um procedimento de cópula ou (b) estão centradas no termo predicado. terceira . continuar (=ser continuado) etc. parecer (=ser. Verbos pronominais como achar-se ou encontrar-se também significam existência ("Se x se acha/se encontra. Joaquim José da Silva Xavier. dez quilômetros atrás. De existência . há dez quilômetros. de Deus é. mas não *existem sonhos. ou sujeito. evidenciar-se): existem partes do brinquedo que se movem. Verbos que afirmam relações locucionais 1. ex(s)istere = estar para foram. Ex: este homem ® o homem é este.à coisas em geral . especialmente quando seguidos por locuções circunstancias de tempo ou lugar: encontra-se água em Marte = existe água em Marte.Consideraremos sentença como toda composição designativa de uma relação ou função de ou entre entidades (FREGE.Isto é. entre o termo antecedente e o conseqüente.Esta é a denominação tradicional do campo semântico cujo verbo matriz é ser. do latim habet) todas as coisas do mundo. Pertencem a esse grupo estar (quando oposto a ser.Embora o verbo haver possa ser empregado.à entes (vivos ou não) . o verbo. Essa peculiaridade provavelmente decorre do uso medieval. os complementos verbais. 1978). mas Seu nome não deve ser pronunciado em vão. distância transposta. esse Deus que é único e essencial há (=tem. que pode ser o sujeito (argumento externo) de existir ou o complemento (argumento interno) de haver e fazer. Esses verbos afirmam: Ligações lógicas entre conceitos: .O verbo principal é haver. a pitangueira. o par opositivo mais interessante é ser/parecer. a casa que Pedro construiu. a casa que Pedro projetou. Essa construção afirma uma relação cuja correspondente locucional é representada pela palavra atrás: dez anos atrás. Ora. Sintaxe: Verbos de existência funcionam como funções com um argumento (FREGE. =ser por algum tempo). Verbos desse grupo estipulam a existência de: . 2. De ligação ou cópula . ficar 1(=passar a ser). Entre eles.à identidade ou equatividade – no universo considerado. mas também a circunstância de ser a única essência verdadeira em um universo de aparências. 1. necessários ou facultativos. .

(b) Estar é de uso exclusivo em predicações que indicam algo em processamento ou eventual. o homem de que falei ® o homem é o de que falei.à pertinência ou semelhança – na qual se afirma que o termo antecedente. um nome próprio ou de classe a determinativos ou quantitativos etc. etapas. a casa localiza-se em São Paulo. apropriação. se os trópicos são tristes (Tristes Trópicos é o título de um livro de Claude Levi-Strauss). Tal relação pode ser compreendida como de pertinência ou de subconjuntos na Teoria dos Conjuntos. na forma canônica. outros verbos (como localiza-se) são redundantes em face da preposição. Oposição ser/estar – (a) Ser é de uso exclusivo nas predicações consideradas pela língua como inerentes (cargos. o homem feliz ® o homem é feliz. o jornal de ontem ® o jornal é de ontem. Oposição ser/parecer – a oposição ser/parecer poderia ser compreendida como modal. (c) Nos contextos em que ser e estar são admissíveis. a relação é predicativa. não fossem as condições de parecer e de ser coexistentes no mundo real.: a casa em São Paulo ® a casa é em São Paulo. significando propriedade. O verbo ser é. origem. mapeando ou situando algo em escala de tempo (ex. se a locução predicada é indefinida (precedida de um/Æ ). a relação é equativa. na essência. ou adverbial. demonstrativo. Assim. possessivo). aí (como nas atribuições). Ex: O tenente bombeiro Carlos da Silva ® Carlos da Silva é um/Æ tenente bombeiro. é autor. se a locução predicada é definida (precedida de artigo definido. nomes que designam classes. um nome próprio ao nome de uma classe. está rico/é rico. um nome próprio ou de classe a um adjetivo que designa classe. funcional. verbos de ligação ou cópula unem nomes próprios um ao outro.. está com dinheiro. está processando. Por exemplo. Ex: Márcio é o médico de plantão (só há um médico de plantão no universo considerado) Márcio é um médico de plantão (há ou pode haver outros médicos de plantão) A relação de predicação entre os termos pré-verbal (argumento) e pós-verbal. o predicado ocupa freqüentemente posição pré-verbal . um nome próprio ou de classe a uma locução nominal. Feliciano ® Feliciano é um dos mil soldados. está prestes a sair. deverbais agentivos): é presidente. (ex: a casa de pedra ® a casa é de pedra. Relações funcionais em sentenças de cópula – a relação depende da natureza da locução nominal que é predicada ao sujeito. então o conjunto das pessoas ou pessoas dos trópicos são subconjunto do conjunto das coisas ou pessoas tristes. a distinção é geralmente de aspecto (estar = ser por algum tempo): está apaixonado/é apaixonado. na forma canônica (em português. Um dos mil soldados. como os gerúndios: está construindo. se Mário é menino. O discurso corrente flutua entre essências e aparências. reportando-se ao mundo real e a um mundo possível. é janeiro. . a casa é feita de pedra). pertence ou é similar à categoria designada pelo termo (adjetivo ou substantivo) conseqüente. ou não. substância material etc. Relações expressas por preposições Essas relações podem ser percebidas como adjetivas.árvore desta ala ® a pitangueira é a terceira árvore desta ala. Para a interpretação semântica dessas sentenças devemos considerar o sentido da preposição. O que parece pode ser. o jornal foi editado ontem). Sintaxe .Aqui. a casa fica em São Paulo. então pertence ao conjunto dos meninos.

essa dupla marcação permite que uma mesma .O ladrão foi o homem de terno a’ . A primeira delas é a impossibilidade de ser afirmar relação entre o termo relacional e seu complemento: Núcleo genérico Nome relacional A foto [é] da criança A causa {*é] do incêndio O frango [é] da granja O irmão [*é] do Mário A vasilha [é] de plástico A capital [*é} da França O mesmo ocorre quanto a extrações: a .Podemos considerar os verbos de ligação.ou inversa. com ou sem preposições.De que o tiro foi a causa? b’ . preposições podem ser consideradas prefixos de locuções tanto quanto as desinências são sufixos agregados ao radical de palavras).De que tiro o soldado foi autor? d’ .*De que o ladrão foi o homem? c .O soldado foi o autor do tiro d . Podemos também presumir que sentenças com verbos de ligação são primitivos de sentenças mais complexas. atribuindo-lhe.) e dos casos regidos pelos verbos depende.*De que óculos o soldado foi o louro? 2 . evidentemente. existe função argumental entre o sujeito e o termo que se segue à preposição: Argumento 1 Função Argumento 2 Um cigarro é a causa do o incêndio Paris é a capital da França Pedro é o irmão de Paulo Marcos é parecido com Joaquim Maria está perto de Moacir Suzana é a secretária da coordenação Sintaxe – 1 . portanto.A natureza distinta da relação funcional tem implicações sintáticas. onde os casos aparecem de forma manifesta . em regra.. assim chamada em oposição á canônica). do processo de percepção/enunciação. partes mínimas de sentenças complexas que podem ter tido valor de verdade em um nível profundo. Assim: Isto é (notável)> isto é um avião> isto cai> o avião cai> o avião caiu. em geral. valor de verdade (TARSKY. sufixal .isto é. isto é. nem sempre define uma função de um argumento. A aferição dos papéis temáticos (agente. Nas línguas declinadas. 1972). Uma das mais óbvias é a de que os diferentes casos atribuídos aos itens léxicos decorrem regularmente de um processo clítico que se realiza pela adição de afixos (pondo-se à margem a tradição do registro gráfico. Quando o termo pós-verbal na forma canônica (predicado) é constituído de um nome relacional seguido de preposição. predominam os sufixos. paciente etc.O soldado foi o louro de óculos c’ . como operadores que têm a propriedade de transformar uma locução nominal ou adverbial em sentença. de outras considerações. ou anterior.O tiro foi a causa da morte b’ .

motivar.Afirmam relações atribuídas pelo homem em seu processo de apreensão da realidade. determinar etc. medir (a estrada tem/mede dois quilômetros) etc. com um traço de relacionamento material. por antonímia recíproca. diferir de. o lugar para onde.jornalismo. destacar-se de etc. o acusativo latino . fazer parte de.ter. causar. prolongar-se por. Uma das mais relevantes é a relação de causa. com sentidos distintos. analogia . demorar. após um verbo de deslocamento. quantias . pertinência. mas não possuir pensamentos).igualar. .digamos. ser igual a etc.utilizar. no entanto. especificando-as por sua natureza peculiar. por antonímia recíproca.à comparação . .Incipiente (iniciante)/insipiente (ignorante) . Circunstâncias discursivas . Consideremos as relações: A .Orográfico (estudo de montanhas)/ holográfico/ ortográfico . isto é.objetivar. ocupar.forma .superar. possuir deve ter como complemento coisas concretas. resultar. pode-se compreender grosseiramente uma relação causal da seguinte maneira: a causa um evento b quando a pertence a conjunto de eventos A tal que A precede b e. pertencer. pretender. passando por Francis Bacon e Stuart Mill. destinar etc.html em 06 fev 2004. com o acréscimo de preposição (ad). por exemplo. represente.ter. que não evidenciam o caso pela adição de sufixos ao radical..pesar. coincidir com etc. à posse/uso . A exceção é o caso de palavras semelhantes. incluir.finalidade . levar (a viagem leva duas horas).Lógicas e pragmáticas .br/bancodedados/md-gramatica7.provocar. essas relações podem ser definidas com instrumentos da Lógica ou da Teoria dos Conjuntos.à dimensão .à valores. .Obcecar (cegar. se A ocorre.Esperto/experto . . . poderar-se do espírito de alguém) .à instrumento . equivaler a. como . empregar etc. que tem sido objeto da Filosofia desde Guilherme de Occam. a ordenação mais ou menos rígida das palavras nas sentenças) para estabelecer adequada discriminação de caso e papel.durar. Disponível em http://www. Em geral.seja complemento direto do verbo e.à duração . igualdade. De Relação . assim é possível possuir uma casa.Etnológico (estudo de etnias)/etimológico (estudo da origem das palavras) /Enológico (relativo a vinhos) .à causalidade/conseqüência . então b ocorre. custar etc. Nas línguas não declinadas.ufsc. conter ou locuções verbais como ser idêntico a. [Aula 8] Erros Comuns Ortográficos – menos relevantes por causa dos corretores ortográficos incluídos nos programas de edição de texto. decorrer etc. levar a erro)/obsedar (impor-se.à identidade. o sistema de preposições combina-se com outros mecanismos (como. possuir (Há uma nuança semântica: enquanto ter tem coisas em geral como objeto. .

Abuso do pronome pessoal." /"O presidente desembarcou em Goiânia..Palavras cognatas do inglês: afluente por próspero. . particularmente em situações de dupla indefinição..Omissão do sujeito em parágrafos lógicos. ele etc. Ex: "Chegou a Florianópolis Fulano e Beltrano"."/ "Chegaram à fazenda uns cachos de uvas híbridas. Disponível em http://www. f. sendo inacusativo ou de cópula. Ex: "O comandante do navio.html em 06 fev 2004..." / (Vários homens presentes) "O homem que estava de cócoras levantou-se . com ganhos estilísticos. pela subordinação de dados factuais (tornados documentação) a versões (tornadas tópicos). uma). Ele disse que decretará . Ex: "Chegaram à fazenda uns cachos de umas uvas híbridas.Concordância verbo-nominal quando o verbo.ufsc.. e. por um pronome) a cada estrutura de parágrafo. remeter por sugerir. Capitão-de-fragata Mário Assunção.br/bancodedados/md-gramatica8." d." c.De estrutura lógica – Os textos jornalísticos organizam-se segundo uma lógica subjacente. Devem-se evitar artigos indefinidos (não o numeral um.jornalismo. antecede o sujeito. que estava de cócoras.Estritamente formais ou técnicas. levantou-se ..Uso de vírgula em intercaladas. b.Palavras fora do sentido canônico: possuir por ter. perspicaz por esperto.. próximo a por perto de. adentrar por entrar.) antes de verbos em forma conjugada.. por um nome mais abrangente. Quando essas normas não são obedecidas. Dirigindo o automóvel." g. "É necessário um passaporte e algum dinheiro". . os textos deixam de ser textos. e passam a ser encadeamentos desordenados de sentenças impossíveis de se compreender. O sujeito deve ser repetido (pelo próprio nome. Estritamente coloquiais ou de jargão: falar por dizer. Se expositivos.." De propriedade vocabular – O erro mais comum é o uso de expressões fora do registro de linguagem adequado. De sintaxe – Os erros mais comuns são: a. Se narrativos. Disse que decretará .Uso de vírgula diferencial entre locuções nominais próprias e situações de aposto. que atuam como organizadoras ou classificadoras das informações. a. tu. Ex: (Um homem já mencionado) "O homem. O português permite.. Ex: "O presidente desembarcou em Goiânia." (Esse tipo de construção é de uso literário restrito. a supressão de pronomes pessoais caso reto (eu.Abuso de artigos indefinidos. realizar por conceber. colocar por propor b.Períodos com sentenças sem verbo principal. são seqüências adicionadas umas às outras e marcadas pela sucessividade interna dos núcleos verbais. resgatar por salvar d. no sentido de algo que se tece. sem necessidade: denegar por negar. c. Ex: "Ele chegou..Palavras cognatas do francês: enquanto por como.. sempre vinculado a uma intenção de ênfase)." /"O tenente do Corpo de Bombeiros Mário Assunção.