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2.

REFERENCIAL TEÓRICO
Capítulo I: Nascimento e evolução da Química
Nascimento e desenvolvimento da química nas civilizações antigas.
“Muito antes da química se estabelecer como ciência, e mesmo antes do
advento da história, ou seja, em tempos pré-históricos, já se faziam sentir o uso
de operações e substâncias químicas, podendo assim falar em uma préquímica, uma protoquímica, ou algo equivalente.” (NEVES & FARIA, 2008).
Sem dúvida o primeiro sinal do nascimento da química se deu com o
domínio do fogo, com essa nova tecnologia o homem podia se aquecer e
preparar carnes de animais mais higiênicas e de mais fácil digestão. Os
pigmentos orgânicos usados para pintar o corpo em rituais religiosos, bem
como os pigmentos inorgânicos usados nas pinturas rupestres são bons
exemplos do domínio de conhecimento empírico de substâncias químicas por
parte dos povos pré-históricos.
Por volta de 5000 a.C. os homens fabricaram os primeiros objetos
de ouro e prata, materiais que na natureza já se encontram na forma metálica.
O cobre já era usado no Egito e na Mesopotâmia (hoje, Iraque) por volta de
3500 a. c. Ainda na Mesopotâmia, obteve-se o bronze (liga metálica de cobre e
estanho), com esse material se fabrica armas e utensílios domésticos mais
leves e resistentes. Tem-se conhecimento de algumas ligas de bronze egípcias
e sumerianas que continham chumbo, e algumas vezes, antimônio. O ferro foi
obtido provavelmente pelos assírios, por volta de 1500 a.C., e, embora não
fosse tão bonito como o ouro, a prata e bronze ou tão resistente, foi empregado
na produção de novas armas e utensílios devido a sua abundância na
natureza. Criavam-se assim as técnicas metalúrgicas.
Os egípcios já haviam atingido um alto grau de desenvolvimento, não só
na Química metalúrgica, mas também no que poderíamos chamar de Química
doméstica: sabiam curtir o couro e extrair corantes, medicamentos e perfumes
das plantas; produziam o papiro para a escrita; fabricavam bebidas
fermentadas semelhantes à cerveja, etc.
Há evidências arqueológicas que provam que os egípcios dominavam os
processos químicos e combinação de metais (formação de ligas) há milhares

levou tanto tempo para progredir. eram trabalhos completamente distintos e separados: o dos artesãos. Apesar de toda essa gama de conhecimentos empíricos de que se dispunham os antigos. em quantidades variáveis. ao contrário de Demócrito. Assim. até se chegar a uma partícula mínima que não poderia mais ser dividida e que seria denominado átomo (do grego: a. Leucipo de Mileto (nascimento: cerca de 500 a. muitos séculos depois. essa idéia. É interessante também salientar que.) e posteriormente por influências de Aristóteles (384-322 a. também eram desenvolvidas técnicas apuradas. e o dos pensadores.de ano antes de Cristo (NEVES & FARIA. é fácil concluir por que a Ciência. como as de produção do vidro e da porcelana. "não". Foram os filósofos gregos da Antigüidade os primeiros que se preocuparam com a explicação dos fenômenos da natureza.C. por exemplo. e tomos. que não se firmou na época e só veio a renascer na Química. uma gota de água. os fenômenos químicos por muito tempo até a Idade Média. "partes"). atingindo níveis de perfeição que segundo Viegas Jr. Isso ocorreu em grande parte devido a influencia do grande filósofo grego da Antiguidade Anaxágoras (500-428 a. c. que tentavam explicar os fenômenos. que acreditavam.C. a medicina tradicional (antiga) chinesa desenvolveu-se de forma grandiosa que até hoje se estuda os mecanismos de ação de extratos vegetais conhecidos pelos orientais antigos e eram usados na cura e tratamento de vários males. que foram explicados através de mistificações.) afirmavam que todas as coisas deste mundo (um grão de areia. e em particular a Química. é importante observar que não existia explicação para esses fenômenos.) poderiam ser divididas em partículas cada vez menores. Considerando que. fogo e ar. As idéias de Aristóteles . de quatro elementos: terra. A superstição acompanhou. que faziam as coisas. durante séculos. et al (2006) ainda hoje são um desafio para a Química moderna. água. Ainda citando Viegas Jr et al. 2008).). magias e religião.) e seu discípulo Demócrito de Abdera (460-370 a. que a matéria poderia ser dividida infinitamente e que tudo o que existia no Universo era formado pela reunião. etc. Outro destaque dos conhecimentos egípcios em química é a conservação de suas múmias. na mesma época e muito longe dessas civilizações — na China —.C. em vários povos.

o ácido nítrico. orientando a Ciência. etc. no entanto.. conhecida como a Química Médica. Apesar de ser uma “arte secreta". a ALQUIMIA . principalmente a produção de medicamentos. eram apenas aspectos exotéricos dos alquimistas. aparelhagens e técnicas foram surgindo. Um fato importante dessa época foi o aparecimento das primeiras sociedades científicas. etc. e aperfeiçoando novas técnicas.cujo principal objetivo era descobrir o elixir da longa vida. na Europa. quanto à prática da alquimia. que teria o poder de transformar metais baratos em ouro.permaneceram praticamente inalteradas. em relação a transmutação pessoal e aperfeiçoamento do caráter individual. que eram tão ou mais valorizados que os exotéricos. os pesquisadores abandonaram o "sonho" da Alquimia e partiram para caminhos mais realistas e úteis. embora não tenha contribuído para o desenvolvimento das explicações dos fenômenos químicos. A Alquimia e a Iatroquímica Na Idade Média (aproximadamente entre os anos de 500 a 1500 da era cristã) se desenvolveu. fabricando novos aparelhos. ciência e novas práticas químicas. que usou seus conhecimentos de alquimia. que poderia tornar o homem imortal. onde os cientistas se reuniam para trocar informações sobre suas descobertas. por quase 2000 anos. novas substâncias. No século XVI. onde se distinguiu o médico Paracelsius (14931541). como a destilação. onde se misturavam idéias de magia. Os alquimistas não conseguiram chegar às metas almejadas. o alambique. medicina e mineralogia para curas e produção de novos medicamentos. como o almofariz. existindo ainda aspecto esotéricos. principal objetivo da IATROQUÍMICA. etc. como o álcool. produzindo novos materiais.é desse nome que surgiu o termo: Química . entre árabes e europeus. Com isso. mas acabaram. Esses objetivos eram os mais enfocados na prática alquimista. A Química Tradicional e o surgimento da Química moderna . ao longo de suas pesquisas. a extração. e a pedra filosofal. a Alquimia contribuiu muito para o desenvolvimento da técnica. o ácido sulfúrico..

foram formuladas a respeito da combustão e da corrosão (teoria do flogístico e da massa negativa). o livro O químico cético. em sua tabela periódica. de forma racional. onde criticava as idéias de Aristóteles sobre a "teoria dos quatro elementos". notando então que a massa permanecia constante (lei da conservação da massa) e também fez importantes descobertas sobre a combustão e sobre as propriedades do gás fundamental para que ela ocorra. No século da morte de Avogadro. Nesta mesma época Joseph Priestley. No século XIX ocorreu um desenvolvimento extraordinário na Química. começou entre alguns cientistas a preocupação em organizar. Boyle apresenta nesse trabalho sua lei. que propôs que em dois volumes iguais de diferentes gases comportava a mesma quantidade de molécula. nesta época. embora equivocados. Lavoisier introduziu a balança em seus experimentos e conseguiu pesar os materiais envolvidos antes e depois de uma transformação química. Na teoria. Vários gases foram descobertos e estudados. E a idéia de molécula. em 1661. foram descobertos vários novos elementos químicos e produzidas muitas novas substâncias químicas. Mas é no século XVIII que a Química torna-se realmente uma ciência. Na prática. houve um grande desenvolvimento . tanto em sua parte prática como na parte teórica.1844). consolidaram-se as idéias de átomo. esse modelo conseguia explicar várias propriedades dos gases. tentativas de encontrar explicações mais lógicas para os fenômenos químicos. por propriedades físicas e químicas. os elementos então descoberto. principalmente por Amedeo Avogadro (1776-1856). anuncia o descobrimento do oxigênio e importantes teorias. que diz que para um sistema isotérmico. que propôs o primeiro modelo atômico segundo o qual o átomo seria continuo e maciço como uma bola de bilhar.Pode-se dizer que a Química tradicional teve seu marco inicial quando o filósofo inglês Robert Boyle (1627-1691) publicou. o êxito em tal tarefa foi devido ao cientista russo Dimitri Ivanovitch Mendeleyev (18341907) que conseguiu ordenar os elementos químicos. É muito importante notar também que. em decorrência deste "casamento" da prática com a teoria. principalmente devido aos trabalhos de John Dalton (1766 . um padre anglicano. a pressão de um gás é inversamente proporcional ao volume por ele ocupado. Notam-se então. o oxigênio.

1953). obteve o resultado: – 1.das técnicas de análise e síntese químicas. devido o equilíbrio entre as força da gravidade e a eletrostática da d.75882 x 10 8. Como já se havia descoberto anteriormente as a partículas alfas. foram denominados elétrons. Estudos do casal Curie e do físico francês Henri Becquerel com minérios de urânio descobriram a radioatividade.. O Casal Curie explicou que tal fenômeno se dava a desintegração atômica. no entanto uma controvérsia na teoria de Dalton ela não explicava o fenômeno da eletricidade observada mesmo antes de cristo na Grécia antiga.]” (Kotz e Treichel Jr. Havia. resolveu testar a teoria de Thomson. Posteriormente com a determinação da carga do elétron.602175 x 10 –19 C. um importante físico da época. a radioatividade e a eletricidade. Através de calculo com potenciais aplicados e os desvios sofridos pelos os raios catódicos. Ernest Rutherford (1871 . ele raciocinou que um feixe de tais partículas seria muito pouco defletida ao atravessar uma folha delgada de ouro.1937).. Em 1910. através do experimento com gotas de óleos que eram mantidas suspensas no ar.d. Thomson então formulou um novo modelo atômico na qual o átomo seria composto de uma pasta de carga positiva com elétrons imersos circulando em anéis complanares. por exemplo. A teoria de Thomson conseguia êxito em explicar vários fenômenos como. pelo físico estados-unidense Robert Andrews Millikan (1868.p. . portanto deveriam ter carga negativa. outra propriedade que abalaria tal teoria seria descoberta quatro anos antes do inicio do século XX. que ele aplicava. Thomson aplicou uma grande diferença de potencial e observou feixes de luz conhecidos como raios catódicos. que se moviam do cátodo até o ânodo e. sendo o valor aceito atualmente 9. Em ampolas contendo gases rarefeitos. Assim a massa pôde ser enfim calculada. 2005). experimentos feitos na Inglaterra por sir Joseph John Thomson (1854-1940) apontaram para a existência de uma partícula subatômica [. ele conseguiu determinar a razão massacarga do elétron igual a 1.109382 x 10–28 g. mas como se a teoria de Dalton defendia que o átomo era continuo e indivisível? Era necessária uma nova visão atômica! A Química do século XX: De Thomson a Born “Em 1900.

“A evidencia experimental dessa partícula fundamental positiva (próton) veio do estudo de raios canais (grifado na fonte original). baseado no trabalho de outro físico genial Max Planck (1858–1947). concluiu que somente uma carga pesada e sem carga emanada do berílio provocaria tal efeito. “Em 1932. Bohr explicou que o elétron não . direcionado tal radiação a um alvo de parafina. se elétrons e prótons têm cargas elétricas contrárias por que então o núcleo não atraia os elétrons que deveria perder energia cinética e acabar caindo no núcleo. observou que prótons eram emanados. O modelo atômico de Rutherford. observou-se que esses raios sofriam um menor desvio e.Com ajuda de alguns alunos montou uma aparelhagem na qual feixes de partículas alfas provenientes de urânio incidiram em uma folha muito fina de ouro. que introduziu o conceito de quantização. surgiu então um impasse: a massa atômica obtida experimentalmente era maior que soma das massas do próton e do elétron.672622 x 10 –24 g. 2005). portanto teriam maior massa. tal partícula foi chamada de nêutron. Como os átomos são neutros os numero de elétrons deve ser igual a número de prótons no átomo. colocada paralelamente ao tubo. porem algumas partículas desviavam-se em grandes ângulos. 1. que foram observados em tubos de raios catódicos especiais.. quase que voltavam a origem. James Chadwick (1891-1974) obteve evidencia disso. Os raios observados eram defletidos em direção a uma placa. Essa teoria foi reforçada com a descoberta de outra partícula subatômica. desmoronando o átomo? A resposta para tal questão veio da Dinamarca com o brilhante físico Niels Bohr (1885-1962). uma radiação muito penetrante era liberada. determinada experimentalmente.” (Idem) Ele descobriu que quando partículas provenientes do polônio atingiam um alvo de berílio..]” (Kotz e Treichel Jr. denominada posteriormente de prótons. negativamente carregada. com um cátodo perfurado [. notou que a maioria passava sem sofrer desvios. de carga positiva. Rutherford propôs então um novo modelo atômico na qual o átomo era composto por núcleo e eletrosfera. Assim o modelo atômico de Rutherford seria de tal forma que haveria nêutrons e prótons no núcleo que seria circundado por elétrons em alta velocidade. no entanto contratava com a eletrostática clássica. Rutherford propôs que deveria haver outra partícula sem carga compondo o átomo. e que algumas numa proporção de uma em vinte mil. observando as marcas da radiação na tela fotográfica que eles haviam colocado ao redor da folha.

Tudo isso acabou sendo aplicado nas indústrias. etc. um jovem e competitivo físico alemão. resultando numa vasta tecnologia química. os ramos da química evoluíram excepcionalmente. Na tentativa de refutar as idéias de Schrödinger.cai no núcleo porque possui certos estados estacionários de energia na qual não irradiam. corantes. Outros Grandes físicos que contribuíram decisivamente na compreensão moderna do átomo são: Erwin Schrödinger (1887–1961). tintas. Outro grande físico que contribuiu para a visão atual de átomo foi Max Born (1882–1970) que fez importantes interpretações da função de onda e sua relação com a probabilidade de se encontrar um elétron em um espaço infinitesimal. no entanto... introduziu o conceito de orbitais atômicos como sendo funções de ondas e concebeu uma equação poderosa capaz de oferecer as informações dinâmicas a respeito do elétron no átomo. hoje se conhecem mais de 10 milhões de compostos. medicamentos. proporcionando maior comodidade para a humanidade e grandes expectativas para a ciência do futuro.] é impossível fixar a posição de um elétron em um átomo e sua energia com qualquer grau de certeza se o elétron for descrito como uma onda” (Idem). Também a Química experimental evoluiu extraordinariamente. por exemplo. Em outras palavras não há como determinar a posição e a energia do átomo simultaneamente. ele descobriu o principio que seria a base da física quântica: O Principio da Incerteza: “[. tecidos. somente entre 1960 e 1969 conseguiu-se sintetizar cerca de 1. Com seus postulados Bohr conseguiu prever surpreendentemente o espectro do hidrogênio – os postulados de Bohr serão tratados junto com os trabalhos dos físicos que contribuíram para a explicação da interpretação do átomo moderno na seção Mecânica Quântica.2 milhões de novos compostos conhecidos. se baseando na dualidade partícula-onda do físico Louis de Broglie (1892-1987). A idéia de Schrödinger foi aceita por quase toda a comunidade cientifica. . borrachas sintéticas. Werner Heisenberg (1901-1976) não aceitava que o átomo pudesse ser descrito através daqueles cálculos relativamente simples. com a fabricação de milhares e milhares de novos produtos: plásticos.