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Periculosidade e Insalubridade

Introdução
Define-se periculosidade como "qualidade ou estado de ser perigoso" e
insalubridade como "caráter ou qualidade de insalubre", ou seja, que não é saudável.
Ao ler essas definições, deduzimos que a periculosidade se relaciona a algo
que pode causar de acidentes até a morte e a insalubridade a algo que pode causar
consequências indesejáveis a nossa saúde.

História
Em meados do século XVIII, na Inglaterra, aconteceu a Revolução Industrial.
Ela marca a passagem do feudalismo para o capitalismo. O episódio alterou
sensivelmente as relações trabalhistas e seus reflexos podem ser vistos até hoje no
mundo globalizado.
Na época, os operários (homens, mulheres e crianças a partir de 6 anos de
idade) trabalhavam sob péssimas condições ambientais (fábricas sombrias, com pouca
luminosidade, quentes e úmidas, quase sem nenhuma ventilação e o barulho frenético
das máquinas), num abusivo regime trabalhista (jornada em média de 15 horas diárias,
pouquíssimo tempo de pausa, sem direito a descanso e férias) e com salários irrisórios
e insuficientes para garantir uma vida digna e saudável.
Nesse cenário, são iniciados os movimentos coletivos, acompanhados de
revoltas sociais e greves. Muitos governantes se deram conta de que as reivindicações
dos operários deveriam ser consideradas para a manutenção da ordem social.
Começam, então, a criar as leis que norteariam o trabalho nas indústrias, buscando
interceder pelas causas sociais dos trabalhadores e dar fim aos conflitos.
O México foi o primeiro país a incluir, em 1917, os direitos trabalhistas em
sua Constituição. Dentre todos os direitos aí incluídos, cabe aqui citar a proteção
contra acidentes de trabalho.
Importantes também para situar os adicionais de insalubridade e de
periculosidade na história e justificar os seus surgimentos são:

aquelas que estão diretamente relacionadas à atividade desempenhada pelo trabalhador ou às condições de trabalho às quais ele está submetido. excluíram-se as doenças ocupacionais. a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. 1978 – Surge a NR-15 (Norma Regulamentadora nº 15). Além disso. ou seja. em 1919. à livre escolha de emprego. A missão da OIT é "promover oportunidades para que homens e mulheres possam ter acesso a um trabalho decente e produtivo. que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. segurança e dignidade"." O adicional de insalubridade surgiu. como parte do Tratado de Versalhes. O benefício foi bem recebido pelos trabalhadores. 1943 – A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho ) foi criada e a Higiene do Trabalho ganhou um capítulo específico. inicialmente. 1968 – Engenheiros e médicos começaram a ser nomeados para caracterizar a insalubridade nos locais de trabalho. É o tipo de exposição que pode causar males como doenças a médio e longo prazo. com o objetivo de proporcionar uma alimentação que suprisse as necessidades calóricas dos empregados. em condições de liberdade.  A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) que. . em seu Artigo 23 diz: "Todo ser humano tem direito ao trabalho. Conceitos Adicional de Insalubridade É pago ao trabalhador que exerce sua atividade em ambiente nocivo à saúde. entretanto eximiu das indústrias a responsabilidade de investir em condições apropriadas ao trabalho. A criação da Organização Internacional do Trabalho. Atividades e Operações Insalubres. No Brasil: 1936 – Surgiu o adicional de insalubridade. que define o que deve ser considerada atividade insalubre e está em vigor até hoje. equidade.

impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. Em ambiente de trabalho onde há risco de morte imediata. por sua natureza ou métodos de trabalho. na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho. Nesses casos.  Consideram-se atividades ou operações perigosas. Embasamento Legal e Agentes Existem determinados trabalhos que podem prejudicar a saúde do trabalhador e outros em que há risco de morte. Adicional de Periculosidade É pago ao trabalhador que exerce sua atividade em ambiente perigoso à vida. dependendo do agente insalubre ao qual o trabalhador é exposto. a curto ou longo prazo. acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. condições ou métodos de trabalho. aquelas que. Da Insalubridade A Insalubridade refere-se a um dos aspectos físicos do meio ambiente do trabalho que pode acarretar danos à saúde do trabalhador. Os agentes insalubres são divididos em três categorias: . Os artigos 189 e 193 da CLT assim definem estas atividades:  Consideram-se atividades ou operações insalubres aquelas que. exponham os empregados a agentes nocivos à saúde. os adicionais de insalubridade ou de periculosidade. e da Norma Regulamentadora (do Ministério do Trabalho e Emprego) número 16. por sua natureza. são devidos. A periculosidade é definida nos termos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) do artigo 193 ao 196. pelo empregador. e da Norma Regulamentadora (do Ministério do Trabalho e Emprego) número 15.A insalubridade é definida nos termos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) do artigo 189 ao 196.

 Agentes químicos: Poeira. radiações. 189 . condições ou métodos de trabalho. é devido um adicional de 10% (dez por cento). conforme decisão do Tribunal Superior do Trabalho – segundo se classifiquem nos graus mínimo. Isto porque. através do ônus financeiro. A insalubridade ataca diretamente a saúde do trabalhador. . por meses ou anos. poderá desenvolver perda auditiva. médio ou máximo. condições ou métodos de trabalho. calor. O adicional de insalubridade visa tanto remunerar o trabalhador pelas condições ambientais ao qual o mesmo é exposto. como também. – que incide sobre o salário mínimo. Art . exponham os empregados a agentes nocivos à saúde. por sua natureza. uma vez neutralizada a insalubridade. acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. Agentes físicos: Ruído. 20% (vinte por cento) ou 40% (quarenta por cento). névoas e fumos. perde o trabalhador o direito ao recebimento do adicional. caso o empregado seja exposto diariamente a níveis de ruídos elevados durante a sua jornada de trabalho. acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição a seus efeitos. Isto porque. respectivamente. perdendo o trabalhador a sua saúde dia após dia. frio. mas que referido agente esteja presente acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que o trabalhador esteja exposto ao mesmo acima de um tempo superior ao permitido. Podemos depreender do texto legal que para a caracterização de um ambiente de trabalho insalubre. forçar o empregador a neutralizar o agente insalubre.Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que. de forma imediata ou vagarosa. são consideradas atividades ou operações insalubres as que. vírus e bactérias. por sua natureza. gases e vapores. não basta apenas a exigência do agente insalubre.  Agentes biológicos: micro-organismos. sendo esta uma doença profissional das mais comuns em ambientes industriais. Conforme previsto no artigo 189 da CLT. vibrações e umidade. exponham os empregados a agentes nocivos à saúde. Quando existe a insalubridade.

Da Periculosidade Diferente da insalubridade que atinge a saúde.  Caráter permanente. e  Em condições de risco acentuado.A eliminação ou neutralização da insalubridade pode ocorrer. álcool. durante sua jornada de trabalho.369/85. Isto porque. A legislação determina alguns pressupostos para que a periculosidade seja reconhecida. Através da Portaria nº 3393 de 17. seja exposto a ruído acima do limite de tolerância previsto na legislação. O Ministério do Trabalho instituiu o direito ao adicional de periculosidade para os trabalhadores expostos a radiações ionizantes e substâncias radioativas. tanto com a adaptação do ambiente de trabalho de forma a atender aos limites técnicos de exposição do trabalhador à insalubridade. como também através da utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). o adicional é de 30% sobre a remuneração e não sobre o salário mínimo. os quais podem tirar a vida do trabalhador na ocorrência de um único acidente. Tal como ocorre com a insalubridade. ou eliminar o ruído. Nesse caso. a periculosidade é caracterizada pelo contato ou exposição do trabalhador a produtos inflamáveis (como gasolina. a exposição do trabalhador a agentes perigosos também confere o direito ao recebimento de um adicional salarial. Como exemplo: caso o trabalhador. a periculosidade está diretamente relacionada à vida do trabalhador. quais sejam:  Contato com inflamáveis e explosivos. entre outros) ou explosivos em condições de risco. conforme definido nas Normas Regulamentadoras. como uma explosão.1287. . deverá o empregador fornecer o Equipamento de Proteção Individual (EPI) mais adequado – protetor auricular – de forma a. ou reduzilo de forma a que o trabalhador seja exposto ao nível de ruído aceito pela legislação. desde que observadas as determinações da Lei 7. O contato do trabalhador com energia elétrica também pode ser um agente de periculosidade.

utilizado na linha de produção ou manipulado pelo trabalhador Normas Regulamentadoras A Portaria nº 3. O Ministério do Trabalho e Emprego. Vejamos.Norma Regulamentadora Nº 16 – Atividades e Operações Perigosas Determina as condições técnicas para que um ambiente seja considerado perigoso. bem como medidas preventivas que as empresas devem adotar a fim de evitar explosões. Possui referida Norma diversos anexos. tal como o volume de líquido inflamável estocado que caracteriza a periculosidade.denominado de adicional de periculosidade. com o intuito de minimizar os riscos aos quais os empregados estão expostos. estabeleceu condições técnicas que devem ser observadas pelos empregadores. quando estocado. temos como exemplo. os quais estabelecem tanto o volume do produto que pode ser estocado. a partir do momento em que o trabalhador não se encontra mais exposto ao agente perigoso. estabelecendo critérios técnicos para que um determinado ambiente de trabalho seja considerado insalubre ou não. .214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu as Normas Regulamentadoras citadas anteriormente. do que dispõe referidas Normas Regulamentadoras: . especificamente no tocante às condições de segurança. através das Normas Regulamentadoras. quanto as condições em que este líquido deverá permanecer. cessa o direito ao recebimento de referido adicional. . que disciplinam questões técnicas complementares às previstas na CLT relativas ao meio ambiente do trabalho. Dentre estas regras.Norma Regulamentadora Nº 15 – Atividades e Operações Insalubres Complementa as disposições constantes da CLT em relação ao trabalho em locais insalubres. Contudo. em que condições os mesmos são considerados prejudiciais à saúde. que determinam de forma objetivas quais os agentes insalubres. de maneira resumida. determinações técnicas para o estoque de líquidos inflamáveis. em termos de tempo e exposição e intensidade do agente.

mesmo constatada a presença desses agentes. Por fim. ruídos. Caberá ao empregador verificar a efetiva utilização dos equipamentos de proteção pelos seus empregados e promover medidas que diminuam ou eliminem a nocividade no ambiente de trabalho. cabe lembrar que há uma discussão atualmente em vigor. caso eles sejam totalmente eliminados pela utilização de equipamentos de proteção (EPI’s) ficará excluído o direito a percepção do adicional (Súmula 80. exposição ao calor. TST). TST).Sinopse Para a caracterização de insalubridade o empregado deve estar exposto. Além disso. atividades de segurança pessoal e patrimonial que exponham o empregado a roubos. etc. que ateste a presença dos agentes insalubres ou perigosos. A princípio. O adicional pode variar entre 10. Já a periculosidade caracteriza-se pelo fator “fatalidade”. A insalubridade é regulada pelos artigos 189 a 192 da CLT e pela NR nº 15 do Ministério do Trabalho e Emprego. na qual debate-se se os adicionais de periculosidade e insalubridade são cumuláveis ou não. a teor do art. e o empregado . em função das atividades por ele exercidas. substâncias radioativas ou ionizantes. § 2º da CLT. Note-se bem a diferença: enquanto o adicional de insalubridade (10 a 40%) é pago sobre o salário mínimo. a submissão do empregado a risco de vida. a permanência ou habitualidade não é relevante para a caracterização da periculosidade. em caráter habitual e permanente. por autoridade competente. eles não seriam cumuláveis. TST). etc. já que apenas uma fração de segundo submetido a condições perigosas pode ser o suficiente para tornar o empregado definitivamente inválido ou custar-lhe a vida. No entanto. que podem causar o seu adoecimento. por si só. como químicos. 193.. Como exemplo cita-se o uso de explosivos. sob pena de arcar com o pagamento do adicional respectivo (Súmula 289. Para que o empregado faça jus aos respectivos adicionais será indispensável a realização de uma perícia no local de trabalho. a submissão intermitente do empregado a condições insalubres não afasta. a agentes nocivos à saúde. o adicional de periculosidade (30%) é pago sobre o salário-base do empregado. Apesar do requisito da permanência ser importante. ou seja. o direito ao recebimento do adicional (Súmula 47. ao contrário da insalubridade. A periculosidade é definida nos artigos 193 a 196 da CLT e na NR nº 16 do MTE. inflamáveis. poeiras. O adicional é correspondente a 30% sobre o salário-base. 20 ou 40% sobre o salário mínimo.

ao pagarem corretamente o adicional de insalubridade aos seus funcionários. deve-se aplicar a norma mais favorável ao trabalhador. tivessem a permissão para deixar seus funcionários expostos a condições insalubres. Porém. insalubres ou perigosas.poderia optar por aquele que for maior. É como se. há julgamentos. inclusive do Tribunal Superior do Trabalho. o engenheiro de Segurança do Trabalho Paulo Antonio Bisaggio Jr. 7º. considerando. em razão das Convenções 148 e 155 da Organização Internacional do Trabalho. ao verem que os trabalhadores de determinada categoria estão recebendo adequadamente o benefício. Embora o art. acaba por esquecer que o mais importante é a manutenção de sua saúde. inciso XXIII da Constituição Federal . deixando à margem a luta por condições mais dignas de trabalho. Faz algumas reflexões importantes sobre o quanto o adicional de insalubridade pode ser uma desculpa para que os empresários não se preocupem em adotar medidas preventivas e corretivas a fim de proporcionar um ambiente de trabalho mais saudável aos seus funcionários. que a acumulação se justifica em virtude de os fatos geradores dos direitos serem diversos e não se confundirem. que consideram a possibilidade de cumular os dois adicionais. e do art. da Constituição Federal : "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. acabam por menosprezar as discussões sobre a saúde do trabalhador. Em relação aos sindicatos. 7º. Segundo tal entendimento. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: adicional de remuneração para as atividades penosas. . Adicional de penosidade A atividade penosa é definida como aquela que provoca grande desgaste físico e psicológico e gera danos à saúde e que não esteja prevista nas atividades insalubres ou perigosas. ou seja. Adicionais de Insalubridade: Benefício Individual ou Malefício Social? Com esse título. inciso XXIII. ainda. Reflete também a respeito da visão que os funcionários acabam tendo ao receber esse adicional porque acaba por incorporá-lo aos seus ganhos e aqueles que o recebem têm o direito também a uma aposentadoria especial.

caso o profissional não receba o adicional de insalubridade ou de periculosidade. O Projeto de Lei 611/2011 que regulamenta a profissão de motorista de ambulância garante o adicional de penosidade. Uma forma de se assegurar esse direito é por meio das Convenções Coletivas de Trabalho. que uma trilha começa a ser desenhada para que esse direito constitucional seja regulamentado por uma lei e favoreça os trabalhadores que desenvolvem atividades que. . as atividades laborais que poderiam ser contempladas por ele não possuem regulamentação legal. de acordo com a Lei 7. portanto não representa um direito efetivo.na forma da lei.850/89." preveja o adicional de penosidade. Percebe-se. provoquem outros tipos de consequências como desgastes emocionais. A atividade profissional de telefonista permite a aposentadoria aos 25 anos por ter sido considerada penosa. então. embora não sejam perigosas ou insalubres. varizes. exposição excessiva no sol. entre outras.