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O professor de alto valor acrescentado: breve revisão da literatura

Os estudos mostram que há características comuns aos professores de
qualidade que têm um impacto grande no aproveitamento escolar dos
alunos e esse impacto do professor é tanto maior quanto menor é o nível
socioeconómico dos alunos. Desde a publicação do Coleman Report, há 50
anos, que os estudos vêm confirmando sucessivamente essa relação.
Importa, por isso, saber quais são as características que fazem um professor
de qualidade. Os estudos mostram que são, sobretudo, as competências
verbais, o background educacional e a posse de “soft skills” que mais
influência têm na melhoria do aproveitamento escolar dos alunos. Os
professores que sabem comunicar bem, que são resilientes, que envolvem
eficazmente os encarregados de educação no processo educativo dos
educandos, que mostram possuir elevados níveis de motivação e
expetativas otimistas e realistas são os que mais se identificam com o perfil
do professor de qualidade (Hanushek, E.A. (1971).
O professor de qualidade possui um conjunto de características que o
distinguem do professor mediano e são essas características que fazem a
diferença (Hanuseck, E. A., Kein, J. F., O`Brien. D. M. e Rivkin, S. G., 2005: 1):
“Value-added modeling (VAM) to estimate school and teacher effects is
currently of considerable interest to researchers and policymakers. Recent
reports suggest that VAM demonstrates the importance of teachers as a
source of variance in student outcomes. Policymakers see VAM as a possible
component of education reform through improved teacher evaluations or as
part of test-based accountability. They are intrigued by VAM because of the
view that its complex statistical techniques can provide estimates of the
effects of teachers and schools that are not distorted by the powerful effects
of such noneducational factors as family background”.
Se conseguirmos identificar com precisão aa características que distinguem
o professor de qualidade do professor mediano, torna-se mais fácil agir no
sentido de promover essas características nos professores que as não têm a
aprofundá-las nos professores que as têm. Uma parte dessa intervenção
centra-se na redefinição dos programas de formação inicial e contínua.
Outra parte centra-se no reconhecimento do mérito criando mecanismos
que acelerem a carreira dos professores que, de forma persistente e
continuada, se encaixam no perfil do professor de qualidade. A literatura
sobre o valor acrescentado do professor qualidade aponta para se
reconheça os resultados dos alunos em provas nacionais e internacionais
como o fator que melhor contribui para avaliar o desempenho do professor.
É o fator mais objetivo, mas simples de trabalhar e mais rigoroso se
concordarmos que o professor de qualidade é aquele que faz os alunos
aprender, sobretudo os que chegam à escola com algum tipo de
desvantagem económica, social ou cultural.
O professor de qualidade é o professor que gera valor acrescentado na
aprendizagem dos alunos (Mcaffrey, D. E., Lockwood, J. R., Koretz, D. M. e
Hamilton,. L., 2001). A construção de um perfil do professor de qualidade
exige a definição de instrumentos capazes de medir esse valor

acrescentado (Sanders, W. e Horn, Sandra (1994). A importância da
definição do perfil de competências do professor de qualidade reside no
facto de ser possível intervir no sentido da aquisição dessas competências
por parte dos professores que as não possuem e do reforço e
aprofundamento dessas competências por parte dos professores que as não
têm.
Os modelos que visam medir o valor acrescentado do professor, isto é o
impacto na aprendizagem provocado pelas características do professor – o
valor que o professor acrescenta para além das capacidades do aluno,
características da escola e ambiente familiar – permitem comprar o
desempenho dos professores dentro da própria escola e entre escolas e
constituem ferramentas importantes para avaliação do desempenho
docente, a partir da qual se podem construir programas de formação
focados no desenvolvimento de competências em falta. Essa avaliação é
importante sobretudo porque a literatura científica reconhece o impacto que
um professor de qualidade tem no aproveitamento escolar dos alunos e
esse impacto pode medir-se a partir dos resultados dos alunos em provas
nacionais e internacionais e a sua evolução ao longo do tempo. Professores
de qualidade partilham certas características: capacidade de comunicação
escrita e oral – os chamados “verbal skills”, expetativas elevadas mas
realistas, motivação e resiliência. Ao invés, os professores com desempenho
abaixo da média caracterizam-se pela falta destas características. Mais
importante ainda: a literatura mostra que a variável “professor de
qualidade” é a que mais impacto tem nos resultados escolares dos alunos. É
verdade que há outros fatores, externos ao professor, com impacto nos
resultados mas esses fatores estão habitualmente fora do nosso controlo:
nível socioeconómico dos alunos, capacidades cognitivas dos alunos e
ambiente familiar, por exemplo. É interessante verificar que a literatura
científica mostra que os professores de qualidade são identificados pela sua
“performance” e não pela experiência passada ou pelos graus académicos
(Hanushek, E. e Rivkin, S., 2010) . Outro aspeto interessante que a
literatura nos indica é que os professores de qualidade mantêm a sua
eficácia e “performance” mesmo quando mudam de escola (McCaffrey, JR
Lockwood, DM Koretz, LS Hamilton, 2003).
Dito isto, percebe-se melhor da importância da construção de um
instrumento,
devidamente
validado,
que
permita
identificar
as
características presentes e ausentes nos professores. Esse instrumento
pode ser útil quer para empregadores e diretores de estabelecimentos de
ensino quer para os próprios docentes que verão nele um instrumento de
autoavaliação. Validado esse instrumento de avaliação, será possível passar
à fase seguinte que é a da construção de uma aplicação para dispositivos
eletrónicos que permita generalizar, de forma fácil, simples e imediata o
instrumento de avaliação.

Bibliografia para a revisão da literatura

Eric A. Hanushek and Steven G. Rivkin (2010). Generalizations about Using
Value-Added Measures of Teacher Quality. Washington: The American
Economic Review. American Economic Foundation
McCaffrey, JR Lockwood, DM Koretz, LS Hamilton (2003) Evaluating ValueAdded Models for Teacher Accountability. Monograph. ERIC
Koedel, C. e Betts. J. (2009).Does Student Sorting Invalidate Value-Added
Models of Teacher Effectiveness? An Extended Analysis of the Rothstein
Critique
McCaffrey, Daniel F.; Lockwood, J. R.; Koretz, Daniel M.; Hamilton, Laura S.
(2001).
Evaluating Value-Added Models for Teacher Accountability.
Monograph. RAND Corporation
Sanders, W. e Horn, Sandra (1994). “The Tenesse Value Added Assessment
System: Mixed Model Methodology in Educational Assessment”. In Journal of
Personal Evaluation in Education 8, 299-311
Hanushek, E.A. (1971). “Teacher characteristics and gains in student
achievement: Estimation using microdata”. American Economic Review 60
(2), 280–288.
Hanushek, E.A. (1979). “Conceptual and empirical issues in the estimation of
educational production functions”.Journal of Human Resources 14 (3), 351–
388.
Hanushek, E.A. (1992). “The trade-off between child quantity and quality”.
Journal of Political Economy 100(1), 84–117.
Hanushek, E.A. (1997). “Assessing the effects of school resources on student
performance: An update”. Educational Evaluation and Policy Analysis 19 (2),
141–164.
Hanushek, E.A. (1999). “Some findings from an independent investigation of
the Tennessee STAR experimente and from other investigations of class size
effects”. Educational Evaluation and Policy Analysis 21 (2), 143–163.
Hanushek, E.A. (2003). “The failure of input-based schooling policies”.
Economic Journal 113 (485), F64–F98.
Hanushek, E.A., Kain, J.F., O’Brien, D.M., Rivkin, S.G. (2005).. “The market for
teacher quality”. Working Paper 11154. National Bureau of Economic
Research, Cambridge, MA (February).
Hanushek, E.A., Kain, J.F., Rivkin, S.G. (2004). “Why public schools lose
teachers”. Journal of Human Resources 39 (2), 326–354.
Hanushek, E.A., Luque, J.A. (2000). “Smaller classes, lower salaries? The
effects of class size on teacher labor markets”. In: Laine, S.W.M., Ward, J.G.
(Eds.), Using what We Know: A Review of the Research on Implementing
Class-Size Reduction Initiatives for State and Local Policymakers. North
Central Regional Educational Laboratory, Oak Brook, IL, pp. 35–51.
Hanushek, E.A., Pace, R.R. (1995). “Who chooses to teach (and why)?”.
Economics of Education Review 1 (2), 101–117.

Hanushek, E.A., Rivkin, S.G. (1997). “Understanding the twentieth-century
growth in U.S. school spending”. Journal of Human Resources 32 (1), 35–68.