30 Maio 2008

27

OPINIÃO
Há muita coisa que se diz levianamente na Comunidade e que tem apenas por intenção agredir tantos e quase todos os que servem a emigração portuguesa residente no Reino Unido. De uma forma ou de outra a demagogia tem sido a arma de arremesso dos desestabilizadores. Desta feita o ataque é contra a Igreja Católica Portuguesa, nomeadamente contra Missão Católica Portuguesa dirigida pelo monsenhor Vaz Pinto. Numa decisão arbitrária e sem qualquer fundamento, alguém resolveu despromover e apresentar-se como responsável eclesiástico da nossa comunidade, contra a vontade da Igreja e da Comissão Episcopal Portuguesa para a Mobilidade Humana, que escreveu uma missiva sobre o assunto, que publicaremos na próxima edição. Não está em causa a legitimidade do padre Giandomenico Zilioto em exercer o sacerdócio e ajudar uma larga franja da comunidade portuguesa. Não questiono a sua obra junto aos 500 portugueses que diz ter na sua igreja e nos números que apresenta como credíveis. Nem está em causa, porque o vi com meus olhos, o bom serviço que presta aos portugueses que frequentam a sua paróquia de Southwark. Está sim em causa apresentar a Missão Católica do Santíssimo Redentor (Padres Scalabrinianos) como a Missão Católica Portuguesa. Isto porque não é, não foi nomeado para tal, nem sequer representa dez por cento do portugueses que frequentam a Missão Católica Portuguesa dirigida pelo monsenhor Vaz Pinto em Londres, sem contar com as dioceses fora da capital. Estamos em querer que o padre Giadomenico foi apenas utilizado para dividir a já dividida comunidade católica portuguesa em Londres e, isso, é de lamentar, porque põe
PUB.

Missão Católica Portuguesa só há uma EDITORIAL Se isto não é crise...
em dúvida a real intenção da instituição que representa. Depois apresentar fotografias com D. Carlos Santana e o Embaixador de Portugal para dar alguma credibilidade às suas intenções, é um jogo que não estamos habituados ver em representantes da Igreja. É não compreender que aquelas personalidades estão apenas a agradecer um trabalho, que repetimos, tem tido todo o mérito. Nunca ouvi de qualquer deles uma menção sobre quem representa os católicos portugueses no Reino Unido. A Igreja não deve ser manipulada por interesses escuros, violações à verdade e abrir caminho para certas vinganças. Cabe ao sacerdócio lutar pela união de todos os seus discípulos e tentar criar as pontes de fusão entre diferentes facções. E sobretudo respeitar quem, tal como o padre Giandomenico professa da mesma fé, da mesma vocação e do mesmo espírito de missão e que, par além de tudo, foi nomeado pela Igreja para conduzir a Missão Católica Portuguesa no Reino Unido. Se a Missão Católica do Santíssimo Redentor que fazer parte da Missão Católica Portuguesa tem, por conseguinte, seguir trâmites que a Igreja lhe propõe e, estamos certos, que o mesmo monsenhor Vaz Pinto reconhecerá o seu mérito e receberá de braços abertos, todos aqueles que de uma forma fervente e competente ajuda a comunidade portuguesa. Estamos num momento crucial da vida da nossa comunidade, onde não há mais lugar para apontar armas, mas sim limpá-las, arrumá-las e virmos para rua com os cravos, as rosas, os dedos da Vitória e qualquer outro símbolo da paz e da concórdia e, tal como Jesus se for preciso, dar a “outra face” para amar um só Deus.
João de Noronha Muitos estarão à espera da minha resposta a certas provocações de que fui, mais este jornal, alvo por parte de pessoas que se escondem por detrás de pseudónimos para dizer qualquer coisa de mal. Mas se estão à espera da minha reacção, podem bem esperar... pois há assuntos muito mais importantes para tratar do que dar importância a certas cartas que, sobre este e aquele, recebo todas as semanas e recuso publicar. Hoje volto à crise financeira que tem sido tema dos noticiários em todo o mundo. Sem dúvida um problema crescente que, aos poucos, vem colando a classe média e trabalhadora à classe pobre, cavando mais o fosso entre ricos e pobres. Serão épocas bem difíceis para Sócrates e Gordon Brown e, com eleições à vista, poderá ser a “marcha atrás” do domínio socialista em Portugal e no Reino Unido. Tal como prevíamos, a crise não atingiu só o sector imobiliário e de crédito. Os aumentos do custo do petróleo voltaram do avesso todos os orçamentos familiares de um agregado de rendimento médio – o que serão então os da maioria daqueles que recebem o salário mínimo? E os pensionistas? E os desempregados? E não são só o custo do combustível, nem dos serviços, nem do vestuário, nem dos transportes, nem de todos os outros que nos afectam o dia a dia. O problema incide, sobretudo, no aumento dos preços dos alimentos, que em certos países já atingiu os 150%. A maioria dos economistas recusa-se a fazer previsões, mas todos apontam o dedo aos governos, a quem pedem maior rigor e endividamento. Por assim dizer, pedem ao Estado que intervenha e que segure os índices da inflação, para que os problemas sociais não disparem. Contudo, ontem, na BBC, o presidente do grupo COOP garantia que a verdadeira crise ainda está longe e que a situação está controlada. Disse mesmo que, no Reino Unido, nem a sentiremos. Queremos acreditar nisso, só que, quando termos de pagar as contas... Se este momento ainda não é de crise, então Deus queira que nunca venhamos a enfrentá-la.