ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL FRE NIVALDO LIBEL-ASSOFRENI FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – FACISA CELER FACULDADES CURSO DE PÓS

-GRADUAÇÃO “LATU SENSU” EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

PROGRAMA “NOSSO LIXO TEM FUTURO”: ALTERNATIVAS DE CONCILIAÇÃO ENTRE DESENVOLVIMENTO E REDUÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS EM BARCARENA/PA. FOCO: PROJETO ALBRÁS S/A

NÚBIA ELENA C. LEÃO MARINEY SANTANA DO E. SANTOS

Belém 2008

MARINEY SANTANA DO ESPÍRITO SANTO NÚBIA ELENA CHAVES LEÃO

PROGRAMA “NOSSO LIXO TEM FUTURO”: ALTERNATIVAS DE CONCILIAÇÃO ENTRE DESENVOLVIMENTO E REDUÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS EM BARCARENA/PA. FOCO: PROJETO ALBRÁS S/A

Monografia apresentada ao curso de pósgraduação em Educação Ambiental da Faculdade de ciências Sociais Aplicadas – FACISA/CELER FACULDADES, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Educação Ambiental, orientada pelo Prof.MsC. Alexandre Samarone.

Belém 2008

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Dedicamos este trabalho com muito amor e respeito aos nossos pais que sempre nos apoiaram com sua dedicação e perseverança.

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A DEUS, pelo dom da vida e pela infinita bondade de nos guiar até aqui. Aos nossos pais, que jamais mediram esforços para edificar e lapidar cada degrau desta árdua caminhada. Agradecemos imensamente ao Profº. Orientador Alexandre Samarone, por suas precisas indicações e seu inestimável apoio. À Nádia Leão Viana, técnica de Segurança da Albras S.A se dirige calorosos agradecimentos pela eficiência e dedicação na colaboração de dados. À Vera Lúcia Campos Germano, coordenadora da rede social da Coopsai, pelas informações fornecidas e considerável tolerância na solicitação dos dados. À Paulo Ivan de Faria Campos, assessor de relações externas da Albras S.A, na autorização de fotografias e documentos da referida empresa. Enfim, a todos aqueles que direta ou indiretamente se propuseram a auxiliar no decorrer desta pesquisa, nossos sinceros agradecimentos.

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LISTA DE SIGLAS ACDI - Agricultural Cooperative Development International VOCA- Volunteers in Overseas Cooperative Assistance ALBRAS - Alumínio Brasileiro S/A ALUNORTE - Alumina do Norte do Brasil ALUMAR - Alumínio do Maranhão S/A ALUVALE - Vale do Rio Doce Alumínio S/A ABAL - Associação Brasileira de Alumínio CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente COOPSAI - Cooperativa de Serviços Agro florestais e Industriais CVRD - Companhia Vale do Rio Doce BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento EIA - Estudo de Impactos Ambientais EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária FIESP - Federação das indústrias do Estado de São Paulo HEMOPA - Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia/PA IBCI - Japan Bank for International Cooperation IFC - International Finance Corporation MRN - Mineração Rio do Norte MDL - Mecanismo do Desenvolvimento Limpo MOVA - Movimento Voluntariado da Albrás NAAC- Nippon Amazon Aluminium Company Ltda OECF- Japanese Overseas Economic Cooperation Fund ONGs - Organizações não- governamentais PAFAM - Programa de Agricultura Familiar PGC - Programa Grande Carajás PRAC - Programa de Responsabilidade Ambiental Compartilhada RSE - Responsabilidade Social Empresarial RIMA - Relatório de Impactos Ambientais SUDAM – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia

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LISTA DE TABELAS 1-Principais dificuldades enfrentadas pelas indústrias no processo de Licenciamento.........................................................................................................p.20 2 - O PGC e a produção de bauxita, alumina e alumínio............................................ p.24 3- Redução de emissões estimadas da Albras.............................................................p.28 4-Ações, programas e projetos de responsabilidade sócio-ambiental da Albras1999 a 2007..................................................................................................................p.34 5- Unidades operacionais do Programa “Nosso Lixo tem Futuro”..............................p.38 6- Composição do lixo urbano, em porcentagem, nas comunidades de Vila dos Cabano (1), São Francisco (2) e Laranjal/Invasão (3).................................................p.41 7- Mão-de-obra utilizada na Unidade de Reciclagem e Compostagem de Lixo Urbano de Barcarena-Vila dos Cabanos.......................................................................p.45

LISTA DE FIGURAS 1- Mapa de localização da Albras.................................................................................p.31 2- Mapa de localização (II) detalhado..........................................................................p.32 3- Mapa de localização dos municípios que participam do Programa “Nosso Lixo tem Futuro”.............................................................................p.37

LISTA DE ILUSTRAÇÕES 1-Prédio de reciclagem de papel artesanal, sala de reunião e cozinha.........................p.39 2- Prédio de triagem do lixo, escritório, banheiros e depósitos....................................p.40 3- Pátio de compostagem..............................................................................................p.42 4- Pavilhão de maturação, peneiramento, embalagem e trituração de substratos........p.43 5- Lixo orgânico na Plataforma de triagem..................................................................p.44 6- Pátio de Compostagem com leiras por revolvimento manual..................................p.44 7- Pátio de Compostagem com leira estática aerada com ventilação natural...............p.44

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RESUMO O presente estudo faz uma reflexão sobre o Programa de responsabilidade sócioambiental da ALBRÁS/SA: “Nosso Lixo tem Futuro” que tem como finalidade a implantação de Unidades de Reciclagem e Compostagem do Lixo urbano em cinco municípios no Baixo Tocantins/PA. Partindo-se do princípio da dualidade desenvolvimento econômico e sustentabilidade, as empresas industriais, estão adotando atualmente um modelo administrativo que privilegie o conceito de responsabilidade sócio-ambiental, através da minimização de resíduos (reciclagem), redução das emissões de poluentes na atmosfera, para assim cumprir as exigências dos princípios ambientalistas. Utilizando o método de pesquisa investigativo e exploratório, o trabalho aborda o modelo de gestão ambiental da Albrás, enfatizando o enquadramento da empresa às normas e padrões internacionais de gestão e formas de atuação através do programa sócio-ambiental anteriormente citado. O desenvolvimento do trabalho inicia pela análise da necessidade dos princípios éticos de respeito ao próximo e ao meio natural, como fundamental para a manutenção da vida. O trabalho aborda ainda a incoerência entre as empresas mineradoras - industriais e a Legislação ambiental brasileira em conciliar crescimento econômico com sustentabilidade. Por fim, apresentamos o Programa “Nosso Lixo tem Futuro”, como mecanismo da Albrás em promover ações ambientais acerca da responsabilidade social. Os resultados indicam que a empresa vem cumprindo os padrões atuais de responsabilidade sócio-ambiental, uma vez que promoveu a criação de postos de serviços, assim como uma integração com as comunidades vizinhas beneficiadas pelo projeto. PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade; ética; legislação ambiental e responsabilidade sócio-ambiental.

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ABSTRACT The study present makes a reflection about the Program of responsibility socioenvironmental of the ALBRAS/SA: “Our Thash has Future” that has when purpose implantation of unities for reciclage and compost from urban garbage in five municipalities in it Baixo Tocantins/PA. If breaking of the beginning of duality, economic development and sustainable, industrial companies are adopting now an administrative model than is going privilege the concept of responsibility socioenvironmental, of the minimization of detritus (reciclage), abatement of the emission of polluteis in it atmosphere, to execute demands of the environmentalist beginning. Using the method of inquisitive and exploratory of research, the work accost the model of environmental administration from Albras, emphasizing the framing of the company on the norms and international standards of administration and methods of acting through of the socio environmental program before quotable. The development of the work begin with analysis of the necessity of ethical beginnings of respect with fellow creatures and around of the natural middle when basic for maintenance of the life. The work accost as yet incoherence among miners companies, industrials and environmental Brazilian Legislation. Ultimately presentation the Program “Our Thash has Future”, when mechanism from Albras in promote environmental actions about of the social responsibility. The results indicate than the company arrives executing current standards of the responsibility socio environmental since promoted creation of service ratings like with an integration of adjacent communities beneficiary with the project. KEY-WORDS: sustainable; ethic; environmental legislation; responsibility, socioenvironmental

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO............................................................................................................................ 1 CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIOECONÔMICA DA ATUALIDADE.......................................................................... p.10 p.12

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p.17 CAPÍTULO II LEGISLAÇÃO AMBIENTAL: BREVE HISTÓRICO...............................................................

2.1 DIREITOS AMBIENTAIS: E OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS REFERENTES AO p.18 LICENCIAMENTO......................................................................................................................... 2.2 MEIO AMBIENTE: E A PARTICIPAÇÃOPÚBLICA............................................................... p.19

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A RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL EMPRESARIAL: MECANISMO PARA p.21 MINIMIZAR OS IMPACTOS NO MEIO NATURAL................................................................ CAPÍTULO III p.23 A MINERAÇÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAIS NA AMAZÔNIA X LEGISLAÇÃO AMBIENTAL............................................................................................. p.29 HISTÓRICO DA ALBRÁS E SUAS AÇÕES DE R.S.E.............................................................. CAPÍTULO IV p.36 PROGRAMA “NOSSO LIXO TEM FUTURO”: ALTERNATIVA RESPONSÁVEL PARA A REDUÇAÕ DE IMPACTOS AMBIENTAIS................................................................

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4.1 APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA........................................................................................... p.36 4.2 A IMPLANTAÇÃO DAS UNIDADES DE RECICLAGEM E COMPOASTAGEM DE p.36 LIXO URBANO EM VILA DOS CABANOS/PA......................................................................... p.47 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................................... REFERÊNCIAS........................................................................................................................................ p.49

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INTRODUÇÃO Esta pesquisa pretende investigar a implementação de projetos ambientais no âmbito industrial cuja finalidade tem sido o aperfeiçoamento de novas técnicas de gestão voltadas para desenvolver e fortalecer práticas de sustentabilidade, respeito aos recursos naturais e responsabilidade sócio-ambiental. Trata-se de aprofundar conhecimentos sobre uma das estratégias de defesa do ambiente mais importante da atualidade: a responsabilidade sócio-ambiental de empresas em comunidades com possíveis riscos ambientais. O Estado do Pará possui vários projetos minerais que usam de forma intensiva os recursos naturais, causando impactos sobre o meio ambiente. Partindo deste princípio, fomos motivadas pelo interesse em continuar a ampliação de conhecimentos e a extensão de programas ambientais das empresas em comunidades e, também, visando contribuir para amadurecer o debate sobre a importância do equilíbrio ambiental nas áreas de funcionamento das grandes plantas empresarias. Entendemos que essa pesquisa é pertinente e necessária pela contribuição que pode fornecer ao esforço pelo equilíbrio entre a produção econômica e o meio ambiente. Difundir a cultura da educação ambiental por meio da produção de informação e da pesquisa cientifica é um dos objetivos maiores desse trabalho. Tendo em vista que estamos numa das regiões mais cobiçadas do mundo, e que contem a maior floresta do planeta, 12% de toda água doce da terra, de cada 100 litros de água 12 estão aqui. Um potencial desconhecido em termos de biotecnologia e produtos farmacológicos estão ainda por serem desvendados, sem falar no banco genético inexplorado junto às comunidades tradicionais. Entretanto, apesar de todo esse potencial regional, vivemos em local onde o desrespeito ao meio ambiente é divulgado no mundo inteiro: desmatamento, violação das leis ambientais, trafico de animais e de produtos florestais e falta de controle de rejeito e resíduos produzidos pela atividade empresarial na região. Diante desse quadro, é legitimo e importante a produção de pesquisas visando ao fortalecimento da cultura ambiental e do estreitamento das relações entre as empresas e as comunidades locais. Como o tema da responsabilidade sócio-ambiental é recente e, devido ao deficiente papel que os meios de comunicação e as escolas desempenham em informar corretamente a criação de estratégias, programas e projetos empresariais em defesa dos recursos naturais e a sustentabilidade de comunidades, essa pesquisa almeja 10

sistematizar, o tanto que for possível, reunir informações e incentivar a construção de canais de comunicação e diálogos com as comunidades no entorno da Albras S.A . Destarte, temos a intenção de esclarecer e formar linhas de intervenção aproximando a empresa da sua realidade local. A falta de informação e a distância entre as empresas e as comunidades têm contribuído para alimentar e reforçar vários equívocos sobre a importância da responsabilidade sócio-ambiental das indústrias. Acrescido a isso, a forma como as noticias sobre danos ambientais são repassadas à sociedade distorce e é injusta com as experiências que são corretas quando se trata de divulgar o controle dos resíduos da produção industrial por meio de programas e projetos. Observou-se que pouco se divulga e se esclarece junto a população que existe e as empresas estão implementando a obediência a legislação internacional sobre a qualidade ambiental, programas de gestão de qualidade ambiental e, sobretudo, a formação de um mercado ambiental exigente que pune as indústrias que não respeitem o meio ambiente. A experiência que temos na área educacional foi de extrema relevância para a execução desse trabalho. Já tendo trabalhado em escolas de ensino fundamental da rede particular e pública e na região metropolitana de Belém, o que nos deu maturidade profissional e intelectual, acrescido ainda, de participação em projetos, programas e pesquisas sobre a temática do tratamento de resíduos sólidos (lixo) de vários tipos. O conhecimento local aonde a pesquisa vai se realizar, a comunidade próxima no entorno da Albras S.A, região metropolitana de Belém, dará subsídios como informações e dados que formarão o corpo da pesquisa.

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CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIOECONÔMICA DA ATUALIDADE A crise ambiental que vivenciamos atualmente é resultante da expansão global do modo produção que ao utilizar os recursos naturais como matéria prima dos processos produtivos provoca externalidades negativas a curto, médio e longo prazo com índices cada vez maiores nos níveis de poluição ambiental. Trata-se de um longo processo histórico em que os recursos naturais do planeta foram sistematicamente utilizados de forma irracional para suprir necessidades humanas. Segundo a teoria econômica moderna, em cada período da formação socioeconômica da humanidade as sociedades estabeleceram um padrão de sobrevivência de acordo com a disponibilidade de recursos, a escassez e as necessidades humanas que são ilimitadas. O modelo de produção que atualmente tem no consumo em massa de mercadorias o centro dinâmico vem se tornando uma ameaça ao equilíbrio ambiental do planeta. Essa relação direta entre a cultura do consumo irresponsável e os danos provocados ao meio ambiente é cada vez mais visível. Pesquisas cientificas apontam a queda da qualidade de vida em regiões onde a poluição ambiental é maior, as mudanças no clima do planeta, as imigrações forçadas pelo descontrole ecológico, as catástrofes ambientais, o reaparecimento de endemias tropicais consideradas extintas são fatos que evidenciam a necessidade da construção de um cultura ambiental mais consistente no mundo. Há algumas dezenas de anos, essas modificações eram limitadas às áreas mais densamente povoadas, mas atualmente atingem quase toda a biosfera. Os problemas ambientais são evidenciados tanto no espaço urbano como no agrário, repercutindo na superfície terrestre de modo geral, a exemplo do aquecimento global. Infelizmente, os interesses econômicos ainda estão acima do cuidado e respeito ao meio ambiente. Com o advento do capitalismo e a Revolução Industrial nos fins do século XVIII, o consumo dos países desenvolvidos foi impulsionado, favorecendo assim, o aumento da exploração dos recursos naturais dos países subdesenvolvidos: fornecedores de matéria-prima. O desenvolvimento desses industrialismo, incalculavelmente destruidor, provoca a poluição e a exaustão de alguns recursos minerais e florestais.

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Na Amazônia, um exemplo claro é a Serra do Navio, no Estado do Amapá. Neste local, a exploração indiscriminada do minério de manganês durante 50 anos pelos americanos gerou a exaustão. Moral da história: a Serra do Navio é hoje uma “cidadefantasma”, restando no local desilusões e perda total do minério, uma vez que foi transportado e armazenado nos Estados Unidos. A Amazônia ganhou como “prêmio de consolação”, imensas crateras no solo amazônico. Geralmente atividades industriais estão relacionadas a problemas ambientais. SAMPAIO (2005) afirma que a Revolução Industrial provocou 2 facetas para a sociedade – O BEM E O MAL: “O espetacular desenvolvimento da indústria, alcançado ao longo do século XX, trouxe benefícios e prejuízos para a humanidade. Produtos industrializados como o avião, a televisão e o computador, sem nenhuma dúvida, são maravilhas do mundo contemporâneo. Por outro lado, a devastação das florestas, a poluição da atmosfera, rios e mares representam o lado negativo desse avanço industrial”. Apesar de sua importância a satisfação das necessidades humanas, a indústria, as inovações tecnológicas e principalmente agroindustriais tem sido as maiores responsáveis pela degradação do ambiente. MARX (1977) já havia previsto os efeitos desastrosos do capitalismo, pois ofereceria riscos para a humanidade, uma vez que os códigos do mercado levam a destruição da natureza. As transformações socioeconômicas promovidas pelo sistema capitalista influenciam não apenas as relações de poder entre trabalho e organização social, mas afetam a visão acerca da natureza e o modo de o ser humano se relacionar com ela. Não é a toa que o pensamento de Marx sempre foi sistematicamente ecológico. Sabemos que os países desenvolvidos capitalistas encontram nos subdesenvolvidos a matéria-prima necessária para a fonte de suas riquezas. Àqueles, por sua vez, não se preocupam com os problemas ambientais causados por sua ganância desenfreada. Destarte, os problemas ambientais não são focos de discussão. Negam-se ao óbvio, como é o caso dos Estados Unidos que recusaram assinar o Protocolo de Kyoto. Este ato ratifica tudo o que foi mencionado anteriormente: assinar seria comprometer o seu desenvolvimento a qualquer custo, uma vez que o Estado Americano é um dos mais poluidores do mundo. É necessária a participação ativa da sociedade a fim de evitar a continuação dos entraves ambientais. A educação ambiental tem a ver com a nossa relação dentro da sociedade, com qualidade de vida que temos e com a nossa sobrevivência. Daí, a necessidade de unificar o conhecimento de maneira que seja refletida a preservação do 13

meio ambiente que é o espaço de manutenção da vida do ser humano, que tem que ser preservada com sustentabilidade, ou seja, desenvolver-se economicamente assegurando as necessidades do presente sem ameaçar a vida da futura geração. A educação ambiental como um tema de preocupação mundial apareceu pela primeira vez na década de 70 através da conferência de Estocolmo. Em 1977, Tbilizi, ocorre a primeira Conferência de Educação Ambiental. O princípio básico é de que o ser humano precisa se apropriar e transformar o mundo natural. O ser humano só consegue transformar-se no decorrer dos tempos através de sua ação sobre a natureza. Ele tem o direito e a necessidade de intervir na natureza, caso contrário, seriamos iguais aos outros seres vivos que não modificam sua maneira de ser e viver através dos tempos. Ao mesmo tempo, porém, é necessário considerar a existência de limites éticos nesse direito de intervenção. Portanto, o conceito de sustentabilidade direciona a ação de homem para a permanência de sua espécie na terra, com qualidade e harmonia (SIOLI, 1985). O grande desafio da Educação ambiental é ajudar a criar um homem ético, uma vez que a ÉTICA têm como essência os costumes, os hábitos adquiridos que são compreendidos ao longo do processo civilizatório. Os hábitos adquiridos e os costumes nem sempre são éticos ou mesmos favoráveis a uma cultura de respeito ao meio ambiente, mas o esforço da educação e da cultura em prol da aprendizagem é importante para a formação de uma consciência ambiental. Portanto, não é algo natural e sim construído. O homem ético é aquele que reconhece ter obrigações para com a sociedade. É aquele que descarta e substitui a lei do mais forte. BRANCO (1991) aborda muito bem essa afirmação: “O homem ético aceita conscientemente, nos seus semelhantes, o direito à vida e o direito à liberdade, assumindo o compromisso de não eliminar a vida do próximo e de não restringir a sua liberdade: A liberdade de cada um se estende até o limite da liberdade do próximo, e esse limite tem de ser reconhecido eticamente, pois ele não é fixado pela natureza”. (pág. 106) A sociedade atual necessita urgentemente pôr em prática esses princípios éticos de respeito ao próximo e ao meio natural. Muitas vezes, a ausência desses princípios por uma minoria, leva a destruição de uma nação inteira, a exemplo de uma série de bombas lançadas em países adversários. Não se pode falar em desenvolvimento sustentável desassociado de ética, uma vez que aquele é um conceito que envolve compromisso entre objetivos sociais, ecológicos e econômicos e para haver equilíbrio ambiental entre esses objetivos é 14

imprescindível a ética prevalecer. Conciliar DESENVOLVIMENTO, crescimento econômico com SUSTENTABILIDADE é um grande desafio da sociedade contemporânea, pois é tarefa bastante difícil, mas não é impossível. A reserva ecológica e biológica de Mamirauá em Tefé (AM) é um exemplo de equilíbrio entre a conservação e uso dos recursos naturais. O desenvolvimento sustentável busca simultaneamente a eficiência econômica, a justiça social e a harmonia ambiental. Mais do que um novo conceito, é um processo de mudança onde a exploração de recursos, a orientação dos investimentos, os rumos do desenvolvimento ecológico e a mudança institucional devem levar em conta as necessidades das gerações futuras (MAIMON, 1996:10). Assim, o objetivo geral do Desenvolvimento Sustentável (D.S.) é promover o desenvolvimento econômico sem deteriorar ou prejudicar a base que lhe dá sustentação. O D.S. só se concretizará de fato se o homem ganancioso “capitalista selvagem” se tornar um “homem ético” e consciente. Deve haver não só um compromisso, mas uma imediata coerência entre crescimento e manutenção da vida. Mas até que ponto seria possível promover o desenvolvimento, nos moldes da atual economia de mercado, sem comprometer a qualidade ambiental? Esta é uma indagação que precisa ser respondida agora, não podemos deixar para as próximas gerações se preocuparem. É muito comum hoje ouvimos o termo: manejo florestal, que representa o conjunto de regras e métodos utilizados na exploração da floresta para gerar benefícios econômicos e sociais de maneira sustentável. Mesmo com um grande número de áreas obedeça a esses princípios, a utilização do manejo florestal ainda não conseguiu chegar à dualidade esperada: DESENVOLVIMENTO e PRESERVAÇÃO. Segundo o Dossiê: Florestas sustentáveis, da Revista Horizonte (2006). “Dos 353 milhões de hectares de mata tropical existentes no mundo, fora das áreas protegidas (como parques e reservas) apenas 27% tem programas de manejo legalizados. E apenas 7% são, ao mesmo tempo, produtivos e sustentáveis”. Esses números demonstram que o ataque à floresta, principalmente, à Amazônia é brutal. A ilegalidade é muito freqüente, uma vez que desde os anos 60, a cobertura vegetal, como área equivalente à França já desapareceu na Amazônia pela ação de madeireiros, pecuaristas e atividades mineradoras. Ainda que ações internacionais como: a conferência das Nações Unidas para o meio ambiente humano (Estocolmo, 1972); para o desenvolvimento (Rio de Janeiro, 15

1992); a conferência mundial sobre mudanças climáticas, como o Protocolo de Kyoto, em 1997; a Rio +10, em Johanesburgo, 2002 a fim de racionalizar as proposições e metas da agenda XXI, muito ainda precisa ser feito, uma vez que estas e outras ações só serão cumpridas de fato se o poder público, o setor empresarial e a sociedade civil organizada assumirem um compromisso tendo “a ética como base de toda regra de convivência racional e consciente”. (BRANCO, 1991). Neste sentido, a educação ambiental será efetivamente coerente na busca de valores mais adequados ao desenvolvimento sustentável quando o homem dispôs dos princípios éticos fortalecidos pela responsabilidade, humanidade e respeito ao próximo.

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CAPÍTULO II LEGISLAÇÃO AMBIENTAL: BREVE HISTÓRICO. A Legislação ambiental a nível internacional surgiu ao longo do século XX em virtude do agravamento de problemas ambientais e do estabelecimento de uma “consciência ecológica” na opinião pública, focalizando a conservação e o uso racional do meio ambiente. O licenciamento ambiental, segundo a cartilha da FIESP, é o procedimento administrativo por meio do qual o Órgão competente licencia a localização, a instalação, a ampliação e a operação dos empreendimentos e atividades que utilizam recursos ambientais ou que são efetiva ou potencialmente poluidores, ou que de alguma forma podem impactar o meio ambiente. (FIESP - Licenciamento ambiental, 2004). Sendo o licenciamento ambiental obrigatório para a prevenção e o controle da poluição do meio ambiente. É na verdade, um instrumento preventivo, essencial para garantir a qualidade ambiental, que abrange a saúde pública, o desenvolvimento econômico e a preservação da biodiversidade. (Relatório da FIESP, 2004). A Resolução CONAMA nº. 237, de 19 de dezembro de 1997 – Dispõe sobre os procedimentos e critérios utilizados no licenciamento ambiental e no exercício da competência, bem como as atividades e empreendimentos sujeitos ao Licenciamento ambiental. A Resolução CONAMA nº. 001/ 86, de 23 de janeiro de 1986, instituiu o EIA/RIMA (Estudos de Impactos Ambientais - Relatório de Impactos Ambientais) como um dos instrumentos básicos para a diminuição e até mesmo o impedimento de impactos ao meio ambiente. A atividade mineradora está sujeita a Licenciamento com apresentação de EIA/RIMA, uma vez que representa ameaça significativa ao meio. O EIA/RIMA, foi ganhando importância na área jurídica e social, melhorando significativamente a política Nacional de Meio Ambiente. Foi somente na constituição Federal de 1988§1º, IV do art. 225), que o EIARIMA foi reconhecido. E uma das atribuições do Estado, era exigir obra ou atividade causadora de significativa degradação do meio ambiente, o estudo de impacto ambiental. Para efeito normativo, o EIA-RIMA, estão estruturados mesmo quando dados pelo poder público a sua exigência ou não. Entretanto, o art.2º da Resolução nº.001/86, cita exemplificativamente, que as atividades vinculadas, problema resolvido somente

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com a edição da Resolução nº. 23/97, onde indicará todas as atividades sujeitas ao licenciamento com exigência da execução e avaliação do EIA/RIMA. 2.1.DIREITOS AMBIENTAIS: E OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

REFERENTES AO LICENCIAMENTO. Com a crescente degradação dos recursos naturais, o licenciamento ambiental passou a influenciar significativamente na atuação de grandes agentes sociais, os quais são os principais responsáveis pela exploração dos recursos naturais. Entretanto no que se refere ao estudo de direito ambiental, percebe-se que é algo bem recente. Embora ele não seja considerado um apêndice do direito administrativo, recebe influências quanto ao exercício das obrigações referente a administração pública, cumprindo fielmente o caput do art.225 da constituição de 1988. Porém a base doutrinária e a prática estão consubstanciadas nos princípios do Direito Ambiental, que deu início nas Convenções e Tratadas Internacionais. Todas as ações desenvolvidas pelos estados e sociedade civil, serão direcionadas pelos princípios dos direitos ambientais. Estes princípios também foram adotados pelos demais estados na convenção de Estocolmo em 1972, sendo atualizados e ampliados na convenção do Rio 92, devido novos e urgentes problemas ambientais ocorridos nos estados que não apresentaram regulamentação normativa. Dentre os princípios que norteiam o direito ambiental, está em destaque aqueles considerados como fundamentais ao licenciamento ambiental. E os principais são: prevenção, participação, precaução, poluidor-pagador e participação pública. Entretanto o mais importante é a prevenção, pois ele é o gestor de toda política ambiental, pois, orienta as atitudes ao poder público no momento de traçar as medidas que evitem ou minimizem os atentados ao meio ambiente. Segundo SILVA (2000) em se tratando da realidade paraense, os projetos de mineração, merecem tratamento especial, a prevenção deve ser especialmente tratada, pois os danos originários desta atividade podem ser de difícil reparação. O princípio participação, nº. 10 do Rio 92, representa a entrada de cidadãos da sociedade civil organizada que tem como dever, intervir nos processos decisórios ambientais. Essa participação está dividida em conselhos ambientai, através das ONGs, na fase de comentários do EIMA/RIMA em audiências públicas entre outros.

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A precaução aplica ao estado uma atenção para as situações de graves riscos ou danos irreversíveis. Esta precaução deverá acontecer mesmo quando a administração pública não conceder a licença. O princípio poluidor-pagador impõe a obrigatoriedade de arcar com todas as despesas em reparação aos danos provocados ao meio ambiente. Embora este princípio imponha tal obrigatoriedade, ele é bem mais expansivo, pois determina a responsabilidade de todos os custos da proteção ambiental sem repassá-los a coletividade. Os investimentos a proteção não deverão restringir somente aos custos oriundos do poluidor-pagador, porém todo custo arrecadado deverá ser investido em tecnologia menos poluidora, programa de educação ambiental, aparelhamento técnico e materiais para órgãos que sejam responsáveis pela fiscalização. Para os projetos de mineração segundo a Constituição de 88, ficou reservada a aplicação reparatória da atividade. Este fato faz crer que o pagamento deve ser feito apenas para quem causa degradação, principalmente no que se refere aos recursos não renováveis. Destarte, mesmo com a solução ‘técnica’ que o órgão público exige, nem sempre conseguirá reparar os danos, uma vez que se trata de danos na maioria das vezes não recuperáveis. 2.2- MEIO AMBIENTE: E A PARTICIPAÇÃO PÚBLICA. É necessária e obrigatória a intervenção do poder público na proteção e preservação do meio ambiente. O caput da Carta Federal de 88 art. 225 e §1º aponta como finalidade, a ação preventiva referente ao dano causado ao meio. Logo, são através do poder da administração pública que será limitada, disciplinados os interesses, direitos e abstenção na realização de atos em razão dos interesses públicos e social sobre o privado. Portanto o meio empregado pelo poder público no gerenciamento aos recursos ambientais são feitos através dos atos administrativos de autorização, licença, permissão, homologação, aprovação, concessão, admissão e dispensa. No entanto, tais termos na maioria das vezes, são usados inadequadamente pela doutrina e legislador e não sendo compreendidos na prática administrativa. Os termos autorização e licença são empregados de forma confusa, pois a legislação usa o termo licenciamento ambiental para avaliar as condições que permita o uso racional dos recursos ambientais, enquanto que a licença com alvará que permita a autorização para esse exercício. 19

De acordo com dados da PRAC (Programa de Responsabilidade Ambiental Compartilhada), “as indústrias estão conscientes da necessidade de adotarem práticas de gestão ambiental e pretendem ampliar seus investimentos destinados à proteção do meio ambiente”. Entretanto, a maiorias das empresas enfrentam dificuldades no que se refere às exigências da legislação ambiental.. Muitas vezes essas exigências são consideradas inadequadas sob o ponto de vista da aplicabilidade técnica e dos aspectos de sustentabilidade econômica. Observe a tabela abaixo: Tabela1-Principais dificuldades enfrentadas pelas indústrias no processo de Licenciamento DIFICULDADES Demora na análise dos pedidos de Licenciamento Custos dos investimentos necessários para atender as exigências do órgão ambiental Custos de preparação de estudos e projetos para apresentar ao órgão ambiental Dificuldades de identificar e atender aos critérios técnicos exigidos Dificuldades de identificar especialistas no assunto Outros Fonte: www.prac.gov.com.br As empresas de mineração e industriais vêm atualmente promover o estabelecimento de princípios ambientalistas, tanto pela necessidade de cumprimento às exigências internacionais de preservar o meio ambiente e adicionar valor à comunidade. Essas empresas estão cada vez mais adotando um modelo administrativo voltado para o requisito responsabilidade sócio-ambiental. No entanto, as licenças e autorizações não limitam as empresas quanto ás suas obrigações com o meio ambiente. Apenas evidenciam a formalidade no cumprimento à algumas Leis ambientais. Portanto a discussão sobre a licença ambiental não deixa dúvida. O alvará só será expedido, quando atendidos todos os critérios dispostos pelo licenciador. Logo, se um dos requisitos, por exemplo, for EIA/RIMA o licenciador não poderá dispensá-los. Porém, só poderá ocorrer caso de invalidação quando for ilegalidade ou por interesse público, mas será imposta a indenização correspondente. 34.3 9.5 2.9 35.9 % 45.0 43.5

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Apesar de todo cuidado acerca dos instrumentos norteadores dos Direitos Ambientais, ainda não se reproduz o que determina a legislação brasileira e as convenções internacionais. As avaliações de alguns estudos tornam-se difícies quando os problemas de ordem técnica (qualificação da equipe) e de conteúdo ficam longe de serem sanados, principalmente quando estão à frente da avaliação do relatório em audiência pública em que todos os RIMA’s são muito questionados ficando paralisados por muitas exigências e mudanças. As dificuldades começam a aparecer a partir da exigência mínima contida na Resolução nº. 001/86 que deverão ser complementadas de acordo com o tipo de projeto. Logo o tempo exíguo com que é feito às avaliações, trazem informações incompletas que não estão em consonância com a realidade local. Toda a forma estrutural seria bem aproveitada se o EIA/RIMA fosse primeiramente bem feito, começando pela equipe contratada que deveria ser multidisciplinar e interdisciplinar, com tempo maior para realizar um levantamento minucioso dos ecossistemas existentes do sistema hídrico referente ao empreendimento e dos impactos sócio-econômico negativo que ocasionará. 2.3. A RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL EMPRESARIAL:

MECANISMO PARA MINIMIZAR OS IMPACTOS NO MEIO NATURAL. A internacionalização da economia criou um mercado ambiental global. O remodelamento das estruturas de produção associado ao aparecimento de novas tecnologias na área da comunicação, da telemática, dos mercados financeiros, das relações virtuais, da expansão e transferências de plantas e industriais em busca de territórios e regiões onde o custo de produção é mais barato e a legislação é mais deficiente, ocasionaram grande transformação no quadro geo-econômico e político no mundo nos últimos 25 anos. Aliado a esse contexto, desde os anos 70, década em que a preocupação com os danos ambientais também se globalizaram, principalmente depois dos relatórios conhecidos como Clube de Roma (1971), Limites do Crescimento (1975), Nosso Futuro Comum (1987), Agenda 21 Global (1992) e o Painel Climático sobre o Aquecimento do Planeta (2007), os mercados terminaram por absorver a cultura da defesa ambiental, mesmo que de forma incipiente. Isso pode ser comprovado pela criação dos projetos de qualidade total, da legislação ambiental internacional, dos códigos de defesa do meio21

ambiental, da criação de instrumentos de políticas públicas de meio-ambiente, da criação de organismos internacionais voltadas para a questão da relação entre ecologia e desenvolvimento. Assim como, da formação de um mercado de consumidores que não tolera comprar produtos ilegais oriundos do tráfico e do desmatamento de floretas, por exemplo. Na prática, nos anos 90, com a intensificação do processo de globalização, as empresas que participam do comércio internacional tiveram que se adaptarem às exigências desse novo mercado consumidor internacional influenciado pela defesa de posturas produtivas ecológicas. Como para competir e sobreviver no competitivo mercado internacional é preciso investir em tecnologia, mão de obra especializada, capital, redução de custos, marketing e se associar à ecologia, as empresas tiveram que investir em programas de qualidade ambiental. Assim surge, o conceito de responsabilidade sócio-ambiental que procura conciliar o desenvolvimento social com a redução de impactos ao meio ambiente decorrente da produção industrial. Nota-se, atualmente, que os empresários, estão cada vez mais convencidos da necessidade da inserção das ações de responsabilidade sócio-ambiental em seu modelo de gestão empresarial. Segundo MEIRELLES FILHO (2004) o conceito de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) considera que o planeta, as comunidades locais, o meio ambiente, a sobrevivência dos negócios, estão todos relacionados. O International Finance Corporation (IFC), organização do Banco Mundial, em parceria com o Instituto Ethos e a empresa Sustainability realizaram em 2002 uma pesquisa intitulada “Criando Valor”. Trata-se do primeiro estudo em larga escala a analisar histórias de sucesso para a sustentabilidade em mercados emergentes, procurando ajudar as empresas a identificar oportunidades de geração de lucro a partir da sustentabilidade. (MEIRELLES, 2004) A citação acima nos remete entender que a sustentabilidade surge como um bom negócio para as empresas que deixam seqüelas no meio devido suas atividades. Diversas empresas vêm adotando uma nova gestão administrativa, baseando-se na sustentabilidade colocando em prática a R.S.E. Um exemplo é a Schincariol - uma empresa de bebidas brasileira - implantou o Projeto “Água para que te quero”, promovendo cursos de capacitação para professores da rede municipal e estadual de ensino.Enquanto os empresários, através dessas e outras ações visam o lucro, a sociedade agradece as contribuições e oportunidades geradas pelo novo modelo de gestão administrativa. 22

CAPÍTULOIII A MINERAÇÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAIS NA AMAZÔNIA X LEGISLAÇÃO AMBIENTAL. A exploração de qualquer minério sempre traz conseqüências desastrosas para o meio ambiente. Sabe-se que o desmatamento é inevitável, pois, geralmente o minério é extraído a céu aberto, assim a vegetação da área a ser trabalhada é totalmente removida. Na maioria das vezes ocorre o assoreamento dos cursos de água. Pouco tem sido feito para minimizar estes problemas, uma vez que, por ser a mineração uma atividade econômica muito rentável e aparentemente segundo o governo, ‘desenvolvimentista’, se torna cada vez mais complicado evitar a exploração indiscriminada. As atividades mineradoras sempre geraram prejuízos ambientais. Na Amazônia, por exemplo, inúmeros programas de mineração implantados a partir de 1960, através criação da SUDAM, promoveram desastres ecológicos consideráveis que devastam até os dias atuais a flora local, apesar de inúmeras legislações que vigoram neste sentido. MONTEIRO (2002), afirma que apesar de existir certa limitação ao se detectar, a priori, os impactos ambientais causados pela implantação de empresas mineradoras, são estes gravíssimos, uma vez que são originados devido aos processos de valorização de recursos minerais. No entanto, no momento em que estão sendo colocados em prática tais procedimentos voltados à valorização de recursos minerais, a sociedade e mesmo os próprios responsáveis pelas atividades nem sempre têm condições ou parâmetros de avaliar a existência ou mesmo a extensão dos danos decorrentes da atividade, o que, às vezes, só se constata décadas mais tarde. (MONTEIRO, 2002) A constatação é inevitável devido muitas vezes à exaustão de algumas minas, e em decorrência da implantação, é pertinente o desmatamento. No entanto, as áreas degradadas nem sempre são recuperadas, como é o caso da Serra do Navio, no Amapá. O PGC é (Programa Grande Carajás) foi instalado na Amazônia na década de 80 com o objetivo de instalar um conjunto de empreendimentos capazes de viabilizar condições de desenvolvimento sócio-econômico da Amazônia oriental, extrair recursos minerais e florestais existentes na área e explora-los de forma integrada e em grande escala. (MONTEIRO et alli, 2000). O PGC ocupa uma área de aproximadamente 900.000 km² incluindo terras dos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins.

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O PGC foi um dos programas beneficiados com os financiamentos especiais concedidos pela SUDAM, assim como a isenção de vários impostos. Destarte, verificam-se os grandes prejuízos causados ao meio ambiente, uma vez que a obra faraônica acarretou uma série de prejuízos ambientais no local. O Programa Grande Carajás inclui três grandes frentes integradas: * um conjunto de projetos minero-metalúrgicos; * um conjunto de projetos agropecuários e florestais; * um grupo de projetos de infra-estrutura. Neste contexto o Projeto ALBRÁS-ALUNORTE (PA) está inserido neste programa, uma vez que possui ampla relação comercial com o demais projeto minerometalúrgicos como é o caso do Projeto TROMBETAS (PA) e Projeto ALUMAR (MA). Os projetos de alumínio ALBRÁS/ALUNORTE e ALUMAR como mencionado anteriormente possuem uma relação econômica muito próxima com o projeto TROMBETAS, uma vez que para produzir alumínio é necessária a matéria-prima: bauxita. Esta, por sua vez, é extraída pelo projeto TROMBETAS que a encaminha à ALUNORTE e ALUMAR. Tabela 2 - O PGC e a produção de bauxita, alumina e alumínio. IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO PROJETO ECONÔMICO RESPONSÁVEL NA AMAZÕNIA Bauxita Alumina Alumínio PROJETO TROMBETAS ALUMAR ALUNORTE ALBRÁS ALUMAR
2000.

LOCALIZAÇÃO DOS PROJETOS

Vale do rio Trombetas/ Oriximiná (Pará) São Luís (Maranhão) Barcarena (Pará) Barcarena (Pará) São Luís (Maranhão)

FONTE: MONTEIRO, Alcidema et alli. O espaço amazônico: sociedade e meio ambiente. Belém: UFPA/NPI,

O quadro acima demonstra a articulação existente entre os projetos na cadeia BAUXITA-ALUMINA-ALUMÍNIO, que apesar de estarem localizados em diferentes áreas possuem uma relação muito forte entre si. Para finalizar a realização desses

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projetos minerais na Amazônia, o governo brasileiro contribuiu comuns os problemas ambientais ao permitir a instalação da usina hidrelétrica de Tucuruí. Esta, com finalidade de abastecer os complexos de alumínio do Programa Grande Carajás. De acordo com MONTEIRO (2OOO), os grandes projetos instalados na Amazônia não trouxeram benefícios à nossa região, uma vez que se percebem inúmeras conseqüências negativas: o aumento da dívida externa para a construção de obras da infra-estrutura necessária ao funcionamento desses projetos; assim como a exploração desordenada dosa recursos naturais da região e a conseqüente destruição do meio ambiente; a desorganização da economia local. O desmatamento como um dos problemas mais agravantes das atividades mineradoras, não está na pauta das discussões das empresas mineradoras, como sendo um dos temas mais relevantes. Percebe-se, no entanto, que não há uma preocupação para o reflorestamento das áreas degradadas. Na verdade, o que deveria ser feito era: assim que uma fosse escolhida a ser desmatada pela mineradora, biólogos, botânicos e mateiros fossem chamados para colher os animais, plantas e sementes das árvores a serem derrubadas. Os animais seriam distribuídos para outras áreas. As sementes e as plantas deveriam ser cultivadas em viveiros para serem usadas em áreas de reflorestamento. De acordo com Constituição Estadual do meio ambiente, Lei nº. 5.887 de 09 de maio de 1995, parágrafo único, remete algo que na realidade não vem sendo cumprido pelas empresas de mineração:
“As normas da Política Estadual do Meio Ambiente serão obrigatoriamente observadas na definição de qualquer política, programa ou projeto, público ou privado, no território do Estado, como garantia do direito da coletividade ao meio ambiente sadio e ecologicamente equilibrado.”

No artigo 2º, observa-se que as normas ambientais vêm sendo cada vez mais violadas, uma vez que se analisarmos as conseqüências ambientais ocorridas nos 10 últimos anos na Amazônia. Verifica-se nos incisos I, II, III e IV que apontam respectivamente:  Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado;

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O Estado e a coletividade têm o dever de proteger e defender o meio ambiente, conservando-o para a atual e futuras gerações, com vistas ao desenvolvimento sócio-econômico;

O desenvolvimento econômico-social tem por fim a valorização da vida e emprego, que devem ser assegurados de forma saudável e produtiva, em harmonia com a natureza, através de diretrizes que colimem o aproveitamento dos recursos naturais de forma ecologicamente equilibrada, porém economicamente viável e eficiente, para ser socialmente justa e útil;

A utilização do solo urbano e rural deve ser ordenada de modo a compatibilizar a sua ocupação com as condições exigidas para a conservação e melhoria da qualidade ambiental;

Embora os projetos mineradores falem em adotar formas de controle ambiental, o exemplo da Mineração Rio do Norte causa apreensão. A empresa que está produzindo 3,5 milhões de toneladas de rejeitos por ano, previa inicialmente despejá-lo em uma bacia artificial especialmente construída para esse fim, mas, como a obra foi considerada cara, acabou jogando os rejeitos no Lago Batata, que hoje está sedimentado em 20% de sua extensão por um material extremamente poluente. Neste sentido, fica evidente que apesar do slogan da maioria das empresas pouco tem sido feito para impedir danos ambientais. E, mais uma vez a Constituição é violada, de acordo com seus objetivos descritos no 3º artigo, respectivamente nos incisos III, IV, V e VIII:  Estabelecer critérios e padrões de qualidade para o uso e manejo dos recursos ambientais, adequando-os continuamente às inovações tecnológicas e às alterações decorrentes de ação antrópica ou natural;  Garantir a preservação da biodiversidade do patrimônio natural e contribuir para o seu conhecimento científico;

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Criar e implementar instrumentos e meios de preservação e controle do meio ambiente;

Estabelecer os meios indispensáveis à efetiva imposição ao degradador público ou privado da obrigação de recuperar e indenizar os danos causados ao meio ambiente, sem prejuízo das sanções penais e administrativas cabíveis.

O capítulo V aponta para as atividades mineradoras e enfatiza algumas normas para a realização da exploração mineral, não é necessário informar que, desde que a Amazônia criou a extinta SUDAM que o meio natural vem sendo sucateada por interesses essencialmente capitalistas. Neste capítulo constatam-se a preocupação ambiental e a necessidade de se cumprir as normas: Art. 38 - A lavra de recursos minerais, sob qualquer regime de exploração e aproveitamento, dependerá de prévio licenciamento do órgão ambiental competente, sempre respeitada a legislação federal pertinente e os demais atos e normas específicos de atribuição da União. Art. 39 - A realização de trabalhos de pesquisa lavra ou beneficiamento de recursos minerais em espaços territoriais especialmente protegidos, dependerá do regime jurídico as que estiverem submetidos, podendo o Poder Público estabelecer normas específicas para permiti-los ou impedi-los, conforme o caso, tendo em vista a preservação do equilíbrio ecológico. Art. 40 - A extração e o beneficiamento de minérios em lagos, rios e quaisquer correntes de água, só poderão ser realizados de acordo com a solução técnica aprovada pelos órgãos competentes. Art. 41 - O titular de autorização de pesquisa, de concessão de lavra, de permissão de lavra garimpeira, de manifesto de mina ou qualquer outro título minerário, responderá pelos danos causados ao meio ambiente, sem prejuízo das cominações legais pertinentes. Art. 42 - Os responsáveis pela execução de atividades minerárias, ficam obrigados a efetuar o monitoramento sistemático dos componentes ambientais atingidos pela operação. Art. 43 - O detentor de qualquer título minerário fica obrigado a informar o órgão ambiental sobre a presença de monumentos geológicos, depósitos fossolíferos, sítios 27

arqueológicos e cavernas na área de influência direta da execução de suas atividades, assim como responsabilizar-se pela sua preservação. Art. 44 - A criação de áreas de garimpagem e a concessão de lavra garimpeira dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental do Estado. A Albrás apesar de não ser uma empresa essencialmente mineradora e, sim exportadora, ocasiona sérios danos ao meio ambiente ao utilizar produtos altamente poluentes para a fabricação do alumínio. A fim de atender à Resolução nº. 1, de 11 de setembro de 2003, a empresa contribui com atividades para a efetivação do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) promovendo o desenvolvimento sustentável. Destarte, vem mantendo um controle ambiental através de uma infra-estrutura moderna. Suas ações apontam para a preservação e redução de impactos ambientais. Tabela 3- Redução de emissões estimadas da Albrás.

FONTE: DCP- Project Design Document Form- version 3, 2006.

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A empresa estima reduzir emissões de gases PFC – tetrafluormetano(CF4) e hexafluoretano(C2F6)liberados durante o processo de transformação da alumina em alumínio( efeito anódico)- de acordo com as diretrizes do Protocolo de Quioto. Conforme a tabela acima se percebe o objetivo da empresa em reduzir por volta de 802.862 toneladas de emissões de CO2, num período de dez anos, e assim obter créditos das reduções. Destarte, traz benefícios sociais e ambientais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região. É baseado nas legislações ambientais que está o foco deste trabalho monográfico: a Albrás, pretende através do projeto “Nosso Lixo Tem Futuro”, amenizar os impactos ambientais na região. E, assim, manter a certificação ISO 14001. Neste sentido, vem investindo, nos últimos anos em programas sociais para a conscientização da sociedade como um todo. 3.1 - HISTÓRICO DA ALBRÁS E SUAS AÇÕES DE RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL EMPRESARIAL. Durante a década de 70, a crise do petróleo provocava efeitos desastrosos sobre os países desenvolvidos, principalmente no Japão. Como foi colocado anteriormente, o aumento dos custos de produção provocado pelo encarecimento da energia, levou a decisão de transferir as fábricas da meteria-prima básica, ou seja, o alumínio para alguns países subdesenvolvidos como o Brasil. Foi nesse contexto, mais precisamente em 1976, que o Estado brasileiro fechou acordos com empresas japonesas para a implantação de um complexo de alumínio na Amazônia. A partir desses acordos foi constituída a ALBRÁS, cujos acionistas são: Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), através de sua subsidiária com 51% do Capital e Nippon Amazon Aluminium Company Ltda. (NAAC), consórcio de 33 empresas japonesas, com 49% do capital. O projeto ALBRÁS está destinado à produção anual de 450 mil toneladas de lingotes de alumínio por ano. Faz também parte do complexo, a ALUNORTE (Alumina do Norte do Brasil), para fornecer alumina à ALBRÁS. A escolha da região amazônica para a implantação do complexo de alumínio, foi devido às grandes vantagens existentes para tal fato. Primeiro porque a nossa região dispõe de um grande potencial hidrelétrico; a mão de obra abundante e barata; as grandes reservas de matéria-prima da indústria de alumínio, a bauxita (as maiores reservas do país), além das vantagens viabilizadas pela ação do estado como os

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incentivos fiscais (a energia subsidiada); os corredores de exportação, como o complexo portuário de Vila do Conde em Barcarena, no Pará. De acordo com dados da empresa (Portfólio, 2006) a Albras foi construída por meio de um acordo entre os governos do Brasil e do Japão, na década de 70, tendo como acionistas:  CVRD – A época empresa estatal – através de sua subsidiária ALUVALE – com 51% do capital.  NAAC – Com 49% do capital. A CVRD, privatizada em 1997, é um dos mais importantes grupos empresariais brasileiros e tem no alumínio um de seus ramos de atuação, por meio da ALUVALE, empresa holding que administra quatro unidades industriais, as empresa do ciclo paraense do alumínio, MRN, ALUNORTE e ALBRÁS e a VALESUL, no Rio de Janeiro. A NAAC é um consórcio de empresas e entidades japonesas, como grandes consumidores, um banco privado, trading companies, sendo o maior participante o governo do Japão, com o The Overseas Economic Cooperation Fund – OECF, Atualmente IBCI (Japan Bank for International Cooperation). O investimento total de implantação da empresa está em torno de U$$ 1,5 bilhão. A ALBRÁS foi constituída em setembro de 1978, e implantada em duas fases, cada uma com capacidade nominal de 160 mil toneladas/ano. A primeira fase começou a operar em julho de 1985 e a segunda fase atingiu plena atividade em 1991. Com a expansão realizada em 2001 chegou à produção anual superior a 400 mil toneladas (PORTFÓLIO-Albras, 2006). No entanto, importa materiais para o processo produtivo e recebe anualmente, segundo dados do observatório social de 2007, 800 mil toneladas de alumina diretamente da Alunorte. Em 2005 o faturamento bruto da empresa foi de R$ 1,9 bilhão (US$ 807 bi). O lucro líquido foi de R$ 247 milhões, 44% menor que o ano anterior. Localizada na cidade de Barcarena, a 40 quilômetros de Belém, capital do Estado do Pará, na Região Amazônica (Norte do Brasil). A Albrás é uma empresa que opera competitivamente em âmbito internacional e considera a preservação do meio ambiente e o apoio ao desenvolvimento das comunidades vizinhas a unidade industrial, como princípios administrativos e de responsabilidade social da empresa.

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Figura 1- Mapa de localização da Albrás

FONTE: http://www.alunorte.net/wwwalunorte_ING/index.htm

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Figura 2- Mapa de localização (II )detalhado.

FONTE: Portfólio da Albrás,2005.

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A localização geográfica da planta, condição básica para um desempenho competitivo, é extremamente favorável, por estar em local de fácil acesso marítimo e fluvial, com um porto que recebe matérias-primas e onde o produto é embarcado a menos de um quilômetro da planta, com acesso fácil aos principais consumidores da Ásia, Europa e Estados Unidos. Dessa forma, a Albrás possui vantagem competitiva para o seu produto, principalmente devido às condições logísticas. Esse projeto também contribuirá para uso eficiente de energia e ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento econômico regional e local desenvolvendo empregos e programas sociais na região. De acordo com a ABAL (Associação Brasileira do Alumínio) a produção de alumínio primário cresceu 7,3% em 2003, atingindo um volume de 28.001 mil toneladas. O consumo mundial também cresceu, tendo alcançado 27.414 mil toneladas, ou seja, 8,2% a mais do ano anterior. O continente asiático repetiu nesse ano o forte desempenho apresentado em 2002, com crescimento tanto de produção, quanto onde consumo, de cerca de 20%.( ABAL,2003). Estes dados fornecem a constatação dos prejuízos ambientais, uma vez que a valorização econômica das mineradoras não leva em consideração os efeitos que podem ocasionar. No entanto, a legislação que de certa maneira, tem sido um tanto severa quanto aos impactos ambientais, contribuindo para que algumas mineradoras e indústrias poluidoras venham repensar mecanismos de ‘disfarçar’ esses impactos. É sob esse enfoque que a Albrás desde 1991, a empresa adota um modelo de gestão pela qualidade, investindo em projetos de responsabilidade social, o que totaliza 60 milhões, atendendo mais de 200 mil pessoas em cinco municípios vizinhos. Dessa maneira, contribui para as atividades geradoras de emprego e renda à população local. Observe a tabela abaixo:

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Tabela 4 - AÇÕES, PROGRAMAS E PROJETOS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DA ALBRÁS-1999 A 2007 ANO
1999

PROJETOS
Nosso Lixo tem Futuro

OBJETIVOS
Implantar unidades de reciclagem e compostagem,afim de tratar o lixo da cidade e produzindo composto orgânico. Atender as 5 comunidades mais carentes á fabrica Tratar o lixo da cidade, produzindo composto orgânico p/uso agrícola e materiais recicláveis. Tratamento do lixo orgânico local.

RESULTADOS
Gerou 180 postos de trabalho direto e beneficiou aprox. 200 mil pessoas c/ melhor condição de saneamento. As famílias produtoras rurais participantes desenvolvem suas atividades produzindo mais e melhor. Gerou mais postos de trabalho p/ a comunidade assistida. Oportunidade de renda p/as pessoas que antes sobreviviam da cata de alimentos e materiais no antigo lixão. Aproveitamento de correias transportadoras e sobras de madeira(criaram cerca de 50 postos de trabalho) #escolas autosustentáveis,atendendo 120 pessoas a cada 4 meses. Aos antigos catadores foram oferecidos empregos e oportunidades de desenvolvimento através dos cursos. 320 famílias foram beneficiadas. #1.968 doações em 4 dias. Foram desenvolvidas várias atividades para resgatar a cidadania. Geração de postos de trabalho.320 famílias beneficiadas.

PARCERIAS
Cooperativa de trabalho local e prefeitura municipal. Prefeitura de Barcarena e apoio da EMBRAPA/Amazôni a Oriental. COOPSAI e prefeitura municipal.

LOCAL
Vila dos CabanosBarcarena/PA

2001

Programa de Agricultura Familiar(PAFAM) Implantação de mais duas Unidades de Reciclagem e Compostagem do Lixo Urbano Implantação de mais uma Unidade de Reciclagem e Compostagem. Unidade de Reaproveitamento e Reciclagem #fábrica de chinelos /calçados e a de brinquedos. #Implantação das EICEscola de Informática e Cidadania

comunidade Vaiquem Quer e Japiim/PA

2002

Igarapé-Miri e Moju- PA

2003

COOPSAI e prefeitura municipal.

Abaetetuba/PA

2004

2005

Inauguração da uma Unidade de Reciclagem e Compostagem

#Criar oportunidades para os membros possam desenvolver atividades de livre empreendorismoatravés das coopertivas #oportunizar a jovens carentes e seus familiares ao mercado de trabalho. . Tratamento do lixo urbano; Cursos de alfabetização de adultos,informática e outros

COOPSAI

Vila dos Cabanos/PA

COOPSAI e prefeitura municipal.

Cametá/PA

2006

2007

Projeto MOVA Contribuir para a #ações: inclusão formação da cidadania digital;campanha p/ através de criatividades doação de sangue,entre criativae e educativas. outras. As ações referentes ao Conjunto de ações MOVA foram realizadas c/ êxito sociais desenvolvidas p/empresa

# HEMOPA e ALUNORTE COOPSAI,prefeitura municipal de Barcarena, HEMOPA e ALUNORTE.

Vila do Conde e Itupanema-/PA Comunidades do entorno do projeto:Vai-quemQuer,Japiim,Itupane ma e outras.

FONTE: Relatório anual – ALBRÁS/2007-Balanço social.

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Dentro de seu programa de Responsabilidade Social a empresa implantou a Unidade de Reciclagem e Compostagem de Lixo Urbano da Vila dos Cabanos, com recursos próprios, para tratar o lixo da cidade, produzindo composto orgânico para uso agrícola e materiais recicláveis, gerando emprego e renda para comunitários. O empreendimento tem parceria com uma cooperativa de trabalho local e Prefeitura Municipal.

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CAPÍTULO IV PROGRAMA “NOSSO LIXO TEM FUTURO”: ALTERNATIVA RESPONSÁVEL PARA A REDUÇAÕ DE IMPACTOS AMBIENTAIS. 4.1 - Apresentação do programa. Através do programa “Nosso Lixo tem futuro”, a empresa concretiza seus objetivos concernentes à responsabilidade social, uma vez que desde 1999 já implantou unidades de reciclagem de lixo em cinco cidades (Moju, Abaetetuba, Igarapé-miri, Barcarena e Cametá) produzindo compostos orgânicos para uso agrícola e materiais recicláveis. O financiamento é do BNDES para parte da implantação dessas unidades de reciclagem. Além de contribuir para a redução de impactos ambientais, o projeto proporciona novas oportunidades de emprego e renda às comunidades carentes próximas à planta industrial. “Nosso Lixo tem Futuro” é um programa social corporativo mantido pela ALBRÁS tendo como objetivo principal implantar unidade de reciclagem e compostagem de lixo, onde é responsável pela coleta e processamento de lixo urbano, destinando o material orgânico para a compostagem e transformação em composto orgânico usado como adubo natural. Os demais materiais reaproveitáveis (plástico, papel, latinhas e garrafas) são destinados à reciclagem. O material é comercializado em Belém e Barcarena. Segundo dados da COOPSAI (2008) o resultado é proporcional ao trabalho desenvolvido pelos cooperados depois de retirados todos os dispêndios, impostos e fundos legais. Ratificando o mencionado anteriormente: O projeto oferece oportunidades às pessoas que antes sobreviviam da cata de alimentos e materiais no antigo lixão. Este projeto gera 180 postos de trabalho direto e beneficia aproximadamente 200 mil pessoas com melhores condições de saneamento. Faz parte do projeto o oferecimento de cursos para alfabetização de adultos, de informática e outros. IV. 2- A implantação das unidades de reciclagem e compostagem de lixo urbano em Vila dos Cabanos/PA. Estão implantadas seis unidades de Reciclagem e compostagem de Lixo urbano no Estado do Pará. A unidade de Barcarena-Vila dos Cabanos iniciou sua atividade em 1999, a de Moju em 2002, as de Abaetetuba e de Igarapé-Miri em 2003. A unidade de Cametá e Barcarena-cidade em 2005. Todas as unidades são mantidas e acompanhadas tecnicamente através da parceria entre a Albrás, a COOPSAI-

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Cooperativa de Serviços Agroflorestais e Industriais, prefeituras municipais e Embrapa Amazônia Oriental. Os municípios de Abaetetuba, Barcarena, Cametá, Igarapé - Miri e Moju localizam-se na região do Baixo Tocantins, a nordeste do Estado do Pará. Figura 3 - Mapa de localização dos municípios que participam do Programa “Nosso Lixo tem Futuro”.

FONTE: Documentos 191, Albrás e EMBRAPA, 2004.

Na década de 80, a produção de lixo na área do Baixo Tocantins cresce devido à implantação do complexo de alumínio que atraiu uma grande parcela populacional e consequentemente o aumento do lixo urbano. Através do documento 191 fornecido pela Albrás, o lixo, até a implantação das unidades de reciclagem e compostagem de lixo urbano, era depositado em Aterro Sanitário e lixões, com sérios problemas para o meio ambiente e para a saúde dos trabalhadores-catadores, assim como para as pessoas residentes próximos desse depósito de lixo, a céu aberto. Na Vila dos Cabanos, em Barcarena, o aterro sanitário,

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inicialmente projetado para 20 anos, já estava ocupado com 70% da sua capacidade em apenas sete anos de uso. (DOCUMENTO 191, Agosto de 2004). Tabela 5 – Unidades operacionais do Programa “Nosso Lixo tem Futuro”.
ANODE UNIDADE INSTALAÇÃO CAPACIDADE OPERACIONAL

Barcarena - Vila dos Cabanos Moju Abaetetuba Igarapé-miri Barcarena – cidade cametá

1999 2002 2003 2003 2005 2006

25 t/dia de lixo urbano 30 t/dia de lixo urbano 30 t/dia de lixo urbano 30 t/dia de lixo urbano 30 t/dia de lixo urbano 30 t/dia de lixo urbano

FONTE: Relatório anual – Balanço social da Albras, 2006.

De acordo com os dados fornecidos pela Albras (2008), a Unidade da Vila dos Cabanos foi a primeira a ser implantada em 1999, através do financiamento do BNDES, em parceria com a COOPSAI e prefeitura municipal local, a empresa realizou as seguintes construções:   Prédio contendo sala de escritório, banheiros e área para reciclagem artesanal de papel; Prédio com pátio de recepção e plataforma de seleção do lixo orgânico, materiais recicláveis e materiais inertes e áreas para prensagem de matérias recicláveis;  Pavilhão para, maturação, peneiramento e embalagens de composto orgânico e trituração de substratos orgânicos;      Pátio com piso cimentado para bioestabilização da massa de compostagem; Casa de vegetação para avaliação biológica dos compostos; Caixa d’água; Incinerador para materiais inertes e hospitalares; Dique para lavagens de caçambas coletoras de lixo.

De acordo com a entrevista, realizada em maio deste ano, a Drª. Vera Germano, coordenadora social da COOPSAI, afirmou que a parceria com a Unidade de Vila dos

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Cabanos para o ano de 2008 está ameaçada. Fato este, devido a dificuldade com a Prefeitura de Barcarena sobre o contrato de 2007. Sabendo-se que pela legislação a Prefeitura é responsável direto pelos resíduos domésticos fica impraticável a participação da COOPSAI. “Achamos que até 15/06/08 estaremos saindo do programa”, informou GERMANO (2008). Ficamos cientes desta informação por ser a Unidade de Vila dos Cabanos o nosso foco. No entanto, as outras unidades continuam funcionando normalmente. Inicialmente foi utilizada a infra-estrutura de um aterro sanitário existente próximo a Vila dos Cabanos, com algumas construções de apoio. As existentes foram adaptadas e outras foram construídas para o funcionamento adequado da unidade, Observe a seqüência de fotos a seguir:

Prédio de reciclagem de papel artesanal, sala de reunião e cozinha.

Fonte: Documentos 191-Albrás e EMBRAPA - Agosto, 2004.

A infra-estrutura das unidades de compostagem implantadas nos municípios através do programa teve como referência a Unidade de reciclagem e Compostagem de Lixo Urbano que funciona em Coimbra, MG (Documento 191,2004). Todo o material coletado e separado (substratos orgânicos e recicláveis) utilizados em cada Unidade são provenientes da sua disponibilidade em cada município. Esses materiais após serem selecionados e prensados são comercializados na Praça de Belém.

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Prédio de triagem do lixo, escritório, banheiros e depósitos.

FONTE: Documentos 191-Albras e EMBRAPA - Agosto, 2004.

O processo de compostagem e reciclagem do lixo urbano são realizados através das cooperativas, onde 50% é de matéria orgânica utilizada no processo de compostagem e 26,93% de materiais recicláveis. Através de dados fornecidos pela empresa sobre a composição do lixo urbano em vila dos cabanos, percebemos que os resíduos do lixão são na maioria recicláveis e possibilitam novas fontes de renda aos excatadores da região. Observe a tabela a seguir:

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Tabela 6 - Composição do lixo urbano, em porcentagem, nas comunidades de Vila dos Cabanos (1), São Francisco (2) e Laranjal/Invasão (3). Peso em % ( base úmida) TIPO DE RESÍDUO Matéria orgânica Plástico Trapo Casca de coco Papel Outros Metais ferrosos Papelão Vidro Borracha Madeira Alumínio Alumínio(lata) Couro
FONTE: Albras-documentos 191, 2004.

1 61,50 9.65 6,79 5,36 4,96 2,72 3,19 2,63 1,99 0,36 0,17 0,48 0,18 0,03

2 44,02 15.93 8,78 9,19 6,99 3,90 4,05 3,06 1,94 1,00 0,71 0,19 0,23 0,03

3 44,89 18.30 10,53 3,41 3,80 6,49 4,12 2,60 2,39 1,96 0,79 0,35 0,08 0,32

Média 50,14 14,63 8,70 5,99 5,25 4,37 3,79 2,79 2,11 1,11 0,56 0,34 0,16 0,13

Os dados indicam a relevância dos resíduos sólidos que, a priori representavam ameaça ao ambiente, se tornam mecanismos de geração de emprego e renda para a população que antes sobrevivia somente da cata de lixo propícios a inúmeras doenças provenientes do lixão. A compostagem implica em uma atividade eficiente e rápida de se eliminar grande parte do lixo urbano enviado para aterros e lixões a céu aberto, dando-se um destino útil ao lixo urbano (Teixeira et al.2004).

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Pátio de compostagem.

FONTE: Albras – Documentos 191, 2004

O processo de compostagem se tornou uma alternativa viável e de baixo custo para a redução de resíduos sólidos, uma vez que é utilizado para servir de base à agricultura. A compostagem realizada pelo programa é destinada à outro importante projeto de agricultura familiar mecanizada da Albras (PAFAM), servindo de adubo para o plantio nas comunidades de Vai-quem-Quer e Japiim. Desse modo, o processo de compostagem resulta numa alternativa possível de redução de impactos ambientais e de desenvolvimento social. Duplamente favorece o ambiente e a sociedade, pois ao contribuir para a redução de resíduos ainda favorece subsídios ao PAFAM, gerando emprego e a produção de alimentos. O desenvolvimento de técnicas apropriadas para a compostagem, além de solucionar os problemas econômicos, ecológicos e até de saúde causados pelo acúmulo de lixo urbano, resulta na produção de matéria orgânica pronta para ser utilizada na agricultura. (Teixeira et al, 2006).

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Pavilhão de maturação, peneiramento, embalagem e trituração de substratos.

FONTE: Albras – Documentos 191, 2004

O lixo orgânico urbano, constituído de sobras e cascas de frutas e legumes, bagaços e restos de alimentos é o principal material usado ma formação de leira de compostagem. O lixo urbano chega diariamente à unidade de Vila dos Cabanos, onde é feita a separação do material orgânico do reciclável. O material reciclável (papelão, plástico, metais ferrosos, alumínio e plástico) é comercializado em Belém, após a sua seletividade. O material orgânico é selecionado e agrupado a outros substratos orgânicos encontrados facilmente em nossa região, como por exemplo, caroço de açaí, capa de palmito capim e serragem (são fontes ricas de carbono), para posteriormente servirem à compostagem.

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Lixo orgânico na Plataforma de triagem

FONTE: Albrás-Documento 191- Pará- 2004

De acordo com dados da EMBRAPA (2004) o processo de compostagem mais usual, a partir do lixo orgânico urbano, na produção de composto orgânico é o leira por revolvimento (foto 6). Mas, outro método também é muito utilizado para a compostagem, como o de leira estática aerada (foto7) com ventilação natural, no qual ‘o oxigênio é fornecido à massa de compostagem pela passagem do vento através de um túnel de ventilação, construído com madeira, colmo de bambu, estipe de açaizeiro’. (Documento-Albras, 2004).

átio de compostagem com leiras por revolvimento manual

Pátio de compostagem com leira estática aerada com ventilação natural

FONTE: Documento 191 – Albrás, 2006

FONTE: Documento 191 – Albrás, 2006.

A transformação do lixo orgânico urbano em composto orgânico uniforme,para ser utilizado na produção de alimentos, principalmente na agricultura familiar ,constitui

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uma alternativa responsável e muito relevante, uma vez que ao contribuir para a redução de impactos ambientais, ainda fornece subsídios para a continuidade do Programa de Agricultura familiar, possibilitando aos ex- catadores do Lixão, melhores condições de trabalho. Além de eliminar riscos provenientes do contato direto com todo tipo de lixo, ainda criou novos postos de trabalho. A utilização da mão-de-obra para a realização das atividades de reciclagem e compostagem é exclusivamente local, uma vez que um dos objetivos do projeto a geração de emprego e renda na Vila dos Cabanos. O projeto conta com 32 funcionários no total.

Tabela 7 - Mão-de-obra utilizada na Unidade de Reciclagem e Compostagem de Lixo Urbano de Barcarena - Vila dos Cabanos. FUNÇÃO PESSOAL(nº) Gerente Técnico em agropecuária Auxiliar de escritório Encarregado do pátio de compostagem Encarregado de material para reciclagem Auxiliar de operações para reciclagem de papel Auxiliar de operações para seleção do material e montagem de leiras Auxiliar de operações para aeração e transporte Auxiliar de operações para peneiramento e embalagem Auxiliar de operações para prensagem de recicláveis Auxiliar de operações para ensaios biológicos Auxiliar de operações para incineração de material Auxiliar de operações para seleção de material reciclável vigias Total
FONTE: Documentos 191 – Albras/ EMBRAPA- 2006

1 1 1 1 1 2 8 4 2 2 1 1 5 2 32

O Programa teve um investimento superior a US$ 1,5 milhão para a sua implantação nos cinco municípios que abrange. As Unidades de Reciclagem e Com postagem contam com o acompanhamento técnico da Embrapa-Amazônia Oriental para auxiliar na transformação do composto orgânico em adubo natural. O material reaproveitável é também é fonte de renda para a população, uma vez que é destinado à 45

reciclagem ou à venda. São encaminhados a fábrica de chinelos e sandálias (sobras de borrachas e correias) e de brinquedos educativos (sobras de madeira), assim as pessoas que antes sobreviviam da cata de alimentos no antigo lixão se encontram atualmente organizados em cooperativas de serviço e produção. A COOPSAI informou que a Unidade de Vila dos Cabanos, conta com 36 cooperados na unidade de reciclagem e compostagem; 45 cooperados no reaproveitamento de correias para sandálias, brinquedos e artefatos de madeira. . O material é comercializado em Belém e Barcarena. Na cooperativa o resultado é proporcional ao trabalho desenvolvido pelos cooperados depois de retirados todos os dispêndios, impostos e fundos legais. O Relatório de Balanço social da Albras de 2007 aponta que o Programa Nosso Lixo Tem Futuro é referência nacional. Tendo, dessa maneira, recebido reconhecimentos como o Prêmio Eco/2003, da Câmara Americana de Comércio de São Paulo – a mais importante premiação empresarial brasileira em responsabilidade social –, e o destaque no Guia Exame de Boa Cidadania Corporativa em 2002, 2003 e 2004. No ano de 2006, Nosso Lixo tem Futuro foi reconhecido mundialmente com o relatório sobre a unidade da Vila dos Cabanos apresentado em Bogotá, na Colômbia, na Conferência Mundial da organização não-governamental internacional ACDI/VOCA, que trabalha pelo desenvolvimento da sociedade civil em democracias emergentes. Esses dados nos remetem analisar que o Programa está atingindo seus objetivos, de maneira satisfatória, no que se refere aos parâmetros de responsabilidade social e ambiental.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS. As empresas de mineração e industriais vêm atualmente desenvolvendo mecanismos para minimizar as disparidades ambientais geradas por suas atividades causadoras do desequilíbrio no ecossistema local. Estão cada vez mais adotando um modelo de gestão que tem como fundamento o princípio do desenvolvimento sustentável: a responsabilidade sócio-ambiental. Criado desde 1972, em Estocolmo (Suécia), o conceito de sustentabilidade tem se tornado palavra de ordem em fóruns nacionais e internacionais. A sustentabilidade, por sua vez, deve aspirar todos os cidadãos, entretanto, nos defrontamos com vários problemas sociais, econômicos e ambientais que deixam lacunas quanto à sua aplicação em uma sociedade sustentável. Desde o advento do capitalismo e da Revolução Industrial, criou-se uma lógica econômica que visa maximizar a produtividade e, para tanto, a busca pelos recursos naturais se tornou cada vez mais freqüentes e em larga escala. A população, por sua vez, aumenta consideravelmente se tornando consumista ao passo que as novas exigências do século XXI, impulsionam que o homem busque no meio natural e na sociedade a sua riqueza. E para tanto não se importam com os danos que iram causar à natureza. No entanto, ações de cunho internacional são desenvolvidas acerca da concretização da sustentabilidade. O social e o ambiental tornam-se, para os empresários, maneiras de produzir o lucro de amanhã, uma vez que, a matéria-prima e a mão-de-obra, são necessariamente as bases para a manutenção da produtividade. Baseada nessas contradições da economia de mercado que os atuais padrões exigidos pela nova lógica administrativa de respeito ao meio ambiente, vem possibilitando que empresários industriais proporcionem condições de se engajar para definir esses padrões solicitados pela sociedade. As indústrias ao utilizarem químicas altamente poluentes, são obrigadas pela legislação ambiental a apresentar o mínimo de riscos para a população ao ambiente. Para tanto devem apresentar análises de risco, preliminarmente à obtenção da licença de instalação. Uma empresa pode-se considerar socialmente responsável a partir do momento em que busca alternativas para reduzir impactos ambientais gerados pela mesma ou não. Sob esse enfoque, realizamos a pesquisa baseado no conceito de responsabilidade sócio-ambiental da empresa Albras S/A, já desenvolve desde 1999 47

ações que dizem respeito ao conceito de sustentabilidade. Através do programa “Nosso Lixo tem Futuro” busca concretizar os novos parâmetros exigidos pela legislação ambiental brasileira. A pesquisa demonstrou que através da instalação do Programa, a empresa está solucionando os problemas ambientais e sociais, gerados pela saturação do lixão a céu aberto em Vila dos Cabanos. Para a inserção da mão-de-obra no programa, foram priorizados ex-catadores de lixo, desempregados e moradores das comunidades circunvizinhas da empresa. O Aterro Sanitário era projetado para atender 20 anos. Devido o aumento populacional ocasionado pela implantação do Complexo de alumínio em Barcarena, o lixão foi saturado em apenas 7 anos de uso. A entrevista realizada à coordenação social da COOPSAI foi muito relevante para a elaboração de dados. Constatamos através desta pesquisa que o Programa “Nosso Lixo tem Futuro” em parceria com a cooperativa oportunizou a geração de trabalho e renda, a inclusão social de catadores que participam ativamente de palestras, cursos, oficinas para diversos segmentos da sociedade. Possibilitou também estágios para alunos de engenharia agronômica, ambiental e química. Através das informações e dados coletados, podemos concluir que o Programa além de contribuir para a redução de impactos ambientais, ainda proporciona novas oportunidades de emprego e renda às comunidades carentes. Vila dos Cabanos e as outras comunidades participantes, como São Francisco, Itupanema, Vila do Conde Laranjal e Pioneiro usufruem desde 1999 da implantação desta unidade. Esta, por sua vez possibilitou a coleta e o processamento do lixo urbano, destinando o material orgânico para a compostagem e transformação em adubo natural. Os demais materiais reaproveitáveis (plástico, papel, latinhas e garrafas) são destinados à reciclagem. Os resultados da pesquisa indicam que a empresa tem atribuído valor às questões ambientais como mecanismo de controle e desenvolvimento social. Pois, dessa maneira consegue manter seus padrões de produtividade baseados no conceito de sustentabilidade e responsabilidade sócio-ambiental. Esperamos através desta pesquisa, contribuir para que outras ações sejam realizadas em prol da sociedade e do ambiente. Pois representam um grande avanço social, econômico, cultural e ambiental, conciliando desenvolvimento e respeito ao meio natural. E, assim oferecer às futuras gerações condições para usufruir de um ambiente saudável. 48

REFERÊNCIAS BRANCO, S.M. O meio ambiente em debate. São Paulo: Moderna, 1991. _______________. O desafio amazônico. São Paulo: Moderna, 1991. CAVALCANTI, Clóvis(org.) Meio Ambiente, desenvolvimento sustentável e políticas públicas. 4ª ed.-São Paulo: Cortez:fundação Joaquim Nabuco, 2002. CONAMA, Resolução nº. 237, de 19 de dezembro de 1997/Resolução CONAMA nº. 001/ 86, de 23 de janeiro de 1986. DEMAJOROVIC, Jacques. Sociedade de risco e sociedade sócio-ambiental: Perspectivas para a educação corporativa?. São Paulo: Editora Senac,2003. LEI nº 5.887 de 09 de maio de 1995. Constituição Estadual do Meio Ambiente. MARX, Karl. O capital. Ed. Abril, 1977. MEIRELLES FILHO, João Carlos. O livro de ouro da Amazônia: mitos e verdades sobre a região mais cobiçada do Planeta.RJ: Ediouro,2004. MONTEIRO, Maurílio de Abreu . Mineração, metalurgia e mudanças sociais na Amazônia oriental brasileira. 2005. (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra). MONTEIRO, Alcidema & colaboradores. O espaço amazônico de hoje: Sociedade e meio ambiente.Belém: UFPA/NPI, 2000. PARDO DÍAZ, A. A educação ambiental como resposta. Valores ambientais. In: _______ Educação ambiental como projeto. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2002. REVISTA HORIZONTE GEOGRÁFICO. Dossiê: Florestas sustentáveis: como aproveitar bem os recursos da mata. Nº 106 – Ano 19 – Agosto, 2006. SAMPAIO, Francisco Coelho – Coleção geografia do séc. XXI – Redescobrindo o planeta azul: a terra pede ajuda. Ed. Positivo. Curitiba, 2005. SILVA,Ana Cláudia da. O licenciamento ambiental para os projetos de mineração no Pará: uma avaliação de sua eficácia para a preservação ambiental. O caso da Mineração Rio do Norte. Universidade Federal do Pará. Belém, 2000. SIOLI, H. Amazônia – Fundamentos da Ecologia da maior região de florestas tropicais. Vozes, 1985. TEIXEIRA, L.B.; CAMPOS,P.I. de F.; GERMANO,V.L.C.; OLIVEIRA, R.F.de. Unidades de reciclagem e compostagem de lixo urbano no Baixo Tocantins/Pará. Belém: EMBRAPA-Amazônia Oriental/ Albras,2004. Documentos,191.

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Websites consultados 1-www.albras.net /Balanço social:2005/2006/2007-Relatório anual 2007. 2- www.abal.org.br 3- www.fepam.rs.gov.br(eiarimainstabril. 2002. pdf) 4- www.mma.gov.br/conama 5- www.prac.com.br

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