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Você e o Dinheiro

Princípios Bíblicos de Finanças

DEUS, VOCÊ E O DINHEIRO
O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O
DINHEIRO E O SEU USO

Roberto Coutinho

Deus,
Você e o
Dinheiro

ROBERTO COUTINHO
2015

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Coutinho. pelo seu constante amor e compreensão. Taubaté: Editor – Roberto Coutinho Copyright © 2015 by Roberto Coutinho Todos Direitos Reservados. Aos irmãos da Comunidade da Família Cristã de Taubaté. R. por escrito.Dedicatórias A minha esposa Cristina. direção e motivação imprescindíveis. do autor. Deus. À Igreja Sem Muros Brasil. constante apoio e orações. pelo conselho. exemplos para mim. Aos meus Pais.(2015). artigos ou outro veículo de divulgação. Você e o Dinheiro. Página | 3 . ao Senhor Jesus. revistas. origem e o destino de todas as coisas. com a devida citação da fonte. Nenhum trecho ou parte desta obra poderá ser reproduzido por qualquer meio. Sobretudo. sem prévio consentimento. Excetuam-se as citações de pequenos trechos em resenhas. Às minhas filhas Ana Laura e Lívia Lana. blogs. pela fidelidade. pela alegria e inspiração que trazem à minha vida. desde o início até hoje. Sem elas não seria possível.

................................................................................... 17 Bibliografia ........... 5 Capítulo 2 A Nossa Atitude em Relação ao Dinheiro............ 7 Capítulo 3 O Amor ao Dinheiro................................................................ 15 Capítulo 7 Vocação Profissional e Empreendedorismo.........Sumário Capítulo 1 A Atitude de Deus em Relação ao Dinheiro............... 9 Capítulo 4 Liberalidade como Adoração... 11 Capítulo 5 Graça e Generosidade............................. 13 Capítulo 6 As Cinco Condições Fundamentais.......... 20 Página | 4 ............

Mas o fato é que Deus tem orientações claras sobre o tema. Mas esse é um erro. Muitas vezes não tratamos do assunto de finanças na Casa de Deus por ser um assunto muito sensível. Eles mentiram ao Senhor e à Igreja. mas o designo errado que eles formaram em seu coração e a atitude deles em relação ao dinheiro. sentem-se constrangidos em abordar o tema com a devida clareza. O primeiro deles está em Atos 5.1-4. Para Deus. a nossa atitude em relação ao dinheiro é importante. um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse: Cornélio! Este. e se Deus não tivesse diretrizes e orientações claras sobre essa área.Deus. Página | 5 . em última análise. de contínuo. Vejam que Pedro diz que eles não precisavam ter feito essa doação integral. retendo parte do valor. Temos outros exemplos na Bíblia que nos mostram como é importante para Deus a nossa atitude em relação ao dinheiro. Atos 10. ela revela a nossa verdadeira atitude em relação a Ele . O texto acima nos mostra que não somente as orações. Esse homem observou claramente durante uma visão. onde vemos o juízo de Deus sobre Ananias e Safira. piedoso e temente a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e. e é sobre ele que queremos tratar com você nas próximas páginas. e observando a nossa atitude em relação a eles. cerca da hora nona do dia. pois.Capítulo 1 A Atitude de Deus em Relação ao Dinheiro “Morava em Cesarea um homem de nome Cornélio. mas as esmolas de Cornélio subiram para memória diante de Deus. Ele está olhando para a forma como lidamos com nossos bens e nosso dinheiro. desagradaram profundamente ao Senhor. perguntou: Que é Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus”. O plano de Deus para nossa vida é completo e abrange todas as áreas. Os líderes. centurião da coorte chamada Italiana. 1-4. muitas vezes. seria como se tivesse deixado uma grande parte de nossa vida desprovida dos seus princípios. Ele nos mede e afere através da nossa postura nessa área. E finanças ocupa um espaço relevante em nossa vida. pois temem ser mal interpretados ou de estarem agindo em benefício próprio. como uma evidência de nossa maturidade e amor. orava a Deus. fixando nele os olhos e possuído de temor. apesar de fazerem crer que estavam doando todo o dinheiro obtido com a venda da propriedade. Já parou para pensar nisso? O Senhor se impressionou com a liberalidade e o desprendimento de Cornélio em relação ao dinheiro.

é aí que suas verdadeiras prioridades e apegos são revelados. Ele observava o quanto elas depositavam e o quanto lhes sobrava. Um quarto exemplo bíblico. sobre tudo. E assim como no caso de Cornélio. Mas observem que Jesus exaltou a sua atitude. e disse que o que ela fez seria lembrado. Ele busca é o seu coração. amor e dedicação. Mateus 6. pois Ele é dono de tudo. Deus também observa o seu coração. Note que Jesus observava as pessoas enquanto ofertavam. Ele observa o seu coração. ela havia dado. Deus não precisa do seu dinheiro. aí estará também o seu coração”. o coração com que faziam isso. para a sua memória e o nosso ensino. Como Jesus mesmo testemunhou. onde quer que fosse pregado o evangelho. Página | 6 . Os discípulos acharam um absurdo o ato de adoração extravagante dela.6-13). em memória dela.40-44). a sua atitude em relação ao dinheiro é muito reveladora. Palavras são apenas palavras. é o da viúva pobre (Marcos 12. O seu amor e desprendimento chamaram a atenção de Jesus. mas também seu tempo. mas pelo quanto esse valor representa para nós. E a forma como você lida com o dinheiro. dentre outras formas. e onde você o aplica. todo o seu sustento.21. pois isso é o que realmente mede o nosso amor por Ele e a nossa fé. E observava. E a oferta da viúva despertou-lhe tanto a atenção. onde está o teu tesouro. é uma excelente bússola para indicar-lhe onde está o seu coração.Outro exemplo é o da mulher do vaso de alabastro (Mateus 26. E neste contexto. através daquilo que você lhe dá. e onde você o coloca. Mas quando envolve o seu dinheiro. pelo alto valor do que ela lhe ofereceu. Ensinou-lhes que o tamanho de uma oferta não é medido pelo seu valor absoluto. Não somente o seu dinheiro. a sua atitude foi registrada na Bíblia. “Porque. da sua pobreza. Enfim. E isso saltou aos seus olhos. que Ele chamou os seus discípulos para lhes ensinar pelo exemplo dela. que mostra como Deus valoriza a nossa atitude em relação ao dinheiro.

requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel”. 4. além disso. Princípio da Mordomia (v14): O dinheiro e os bens que temos veem de Deus e. não são nossos. 2. se não multiplicarmos o que foi colocado em nossas mãos. conforme a nossa aptidão. pois as necessidades aumentam. e nunca investe com sabedoria. (1 Timóteo 6. Nossos filhos. Em Mateus 25. 1 Coríntios 4. começarão suas vidas mais pobres do que nós. Vamos prestar contas pelo uso e aplicação do dinheiro. 3. inclusive investindo na formação deles. mas foram colocados em nossas mãos para suprir as nossas necessidades e cumprirmos o seu propósito para nós.Capítulo 2 A Nossa Atitude em Relação ao Dinheiro “Ora. Temos que gerenciar o que temos como mordomos que administram os bens de seu Senhor. acaba fracassando. negociados e expandidos. E diz que um princípio básico para o despenseiro é que ele seja achado fiel. Princípio da Omissão (v18): Quando não crescemos. portanto. como filhos de Deus: 1. Página | 7 . acabamos encolhendo. por exemplo. Podemos deduzir dali alguns princípios aplicáveis à maneira como devemos ver e administrar o dinheiro. que poderia ser traduzida como “mordomo” ou “administrador da casa”.14-30 temos uma parábola de Jesus que nos revela muito sobre qual é a atitude que você deve ter em relação ao dinheiro.7). Quem direciona tudo que recebe ao consumo. Ele nos abençoa com aquilo que estamos aptos a cuidar. Princípio da Prestação de Contas (v19): Deus vai nos cobrar a forma como administramos tudo aquilo que nos deu. 5.2 No texto acima. ao administrar os bens do seu senhor ou patrão. mas trabalhados. a palavra “despenseiros” corresponde à palavra grega “oikonomos”. Muitas vezes não temos o que queremos porque não somos capazes de administrar aquilo. Princípio da Aptidão (v15): Deus nos dá aquilo que somos capazes de administrar. Princípio da Produtividade (vv 16-17): os bens e recursos que são colocados em nossas mãos não devem ser dissipados.

àquele que procedeu mal de “Mau e Negligente”.. Que o Senhor ajude você a aprender e aplicar. Página | 8 . sobre o muito te colocarei”. portanto. Não adiantam palavras e aparências diante do Senhor. Princípio da Meritocracia (vv 20-30): ... O que somos (nosso coração) é o que determina a atitude que temos em relação ao dinheiro. valores e motivações. O que nós fazemos (nosso procedimento) é o que determina se estamos caminhando em conformidade com os princípios de Deus – e candidatos.. É isso que nos leva a ser “fiel” ou “negligente” aos olhos de Deus. É o nosso procedimento que determina a nossa fidelidade.6. Ser “bom” ou “mau” fala da nossa qualidade interior: aquilo que somos. E ser “fiel” ou “negligente” fala daquilo que fazemos: nosso procedimento. prioridades e caráter. essa frase. realmente. E no versículo 26. Mau e Negligente Nos versículos 21 e 23 observamos Deus qualificando àqueles que procederam bem de servo “Bom e Fiel”. Nossos valores.“Sobre o pouco foste fiel. repetida duas vezes (versículos 21 e 23). esses princípios nas suas finanças. mudando as estruturas. Bom e Fiel. Mesmo que isso implique em uma ação do Espírito Santo no mais íntimo do seu coração. É isso que nos leva a ser “bom” ou “mau” do ponto de vista de Deus. quando somos fiel no que já temos. à sua benção e provisão abundantes. expressa de maneira clara o princípio da meritocracia: merecemos receber mais.

Mas nos foi confiado para suprir as nossas necessidades e para o aplicarmos conforme a vontade e direção de Deus. não nos pertence. sob qual influência estamos administrando o dinheiro que temos em nossas mãos. o dinheiro não é nem bom e nem ruim em si mesmo. Nas outras versões essa palavra (Mamom) é traduzida ou como riquezas ou como dinheiro. E quanto mais qualificados estivermos. devemos entender que esse dinheiro. motivação e visão. O espírito de Mamom. (1 Coríntios 10. Portanto. 1 Timóteo 6.10 O texto acima não diz que o “dinheiro” é a raiz de todos os males. mas sim o “amor ao dinheiro”. mas sim a maneira como o vemos. Página | 9 . na verdade. a cobiça e a avareza. portanto. através de nós. De João 10. As Escrituras estabelecem. claramente. em termos de caráter. se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. buscamos e aplicamos é que determina se ele é bom ou ruim em nossa vida. roubo. através da cobiça e da avareza. visa a trazer maldição. abençoar os necessitados e investir no seu Reino. por detrás dos deuses ou ídolos. nessa cobiça. E o apóstolo Paulo ensina-nos que. ganância e pobreza. fiel). do apego exagerado ao dinheiro. Do ponto de vista de Deus. Mas a palavra no grego refere-se a um deus que representa as riquezas. uma dimensão de natureza espiritual na questão do amor ao dinheiro.19-20). Foi-nos dado também para cuidar de nossos filhos. por sua vez. multiplicar. Deus ou Mamom? Em Mateus 6. compartilhar e prosperar. E temos de ser tocados em nosso coração e moldados em nosso caráter para tratarmos o dinheiro na visão e nos princípios de Deus. mais Ele pode nos abençoar. a ponto de afetar negativamente o nosso comportamento e o nosso relacionamento com as pessoas.24 temos Jesus colocando em contraposição duas formas distintas de viver: “servindo a Deus ou à Mamom” (na versão corrigida e revisada. Conforme temos dito. e alguns. Devemos entender. Mamom representa o poder maligno que influencia o amor ao dinheiro.Capítulo 3 O Amor ao Dinheiro “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. “Amor ao dinheiro” fala da cobiça. há demônios.10 podemos deduzir que os princípios de Deus para o dinheiro visam a abençoar. Ele deseja. mobilizar os seus recursos aqui na terra.

Devemos orar e nos colocar diante do Senhor.26 e 2 Coríntios 9. Em Romanos 12. a generosidade. A avareza é o apego exagerado ao dinheiro. Não significa. O contrário da avareza é a generosidade e a liberalidade.35: “mais bem-aventurado é dar do que receber”. Devemos permitir que a bondade. mas ter um coração aberto e generoso.8. Existe um poder maligno especializado em oprimir as pessoas através das finanças. para termos o nosso coração livre dessa influência. O importante é termos um coração correto.A Avareza é Idolatria Em Colossenses 3.7. responsivo ao Senhor e às necessidades à nossa volta. Página | 10 . Como você define sua relação com o dinheiro? Sob qual influência você o administra? Como você avalia o seu apego aos bens? Você já descobriu que “dar” é melhor do que “receber”? Sente alegria ao dar a Deus e às pessoas que ama ou que estão necessitadas? Respostas sinceras a essas questões formam um verdadeiro termômetro que indica. E agora já estamos habilitados a entender melhor essa afirmação.5 lemos que a avareza é idolatria. E não existe coisa melhor do que sermos o alvo do amor de Deus. o seu grau de maturidade e o seu nível de amor a Deus e ao próximo. 15. nos humilhar e quebrantar se for o caso. ser perdulário. Não importa se temos muito ou pouco dinheiro em nossas mãos. e esse espírito é o espírito de Mamom. e que Deus ama quem dá com alegria. Como diz em Atos 20. a compaixão e a fidelidade ao Senhor dominem nosso coração nas questões financeiras. observamos que o “dar” deve ser motivo de alegria para nós. inequivocamente. obviamente.

O propósito de Deus para a sua vida é a verdadeira prosperidade que. porque nele saístes do Egito. nosso talento e nosso esforço.24). que a sua atitude em relação ao dinheiro revela. sete dias comerás pães asmos. conforme 3 João 1-2. Em Salmos 95.Capítulo 4 Liberalidade como Adoração “Três vezes ao ano me celebrareis festa. por exemplo. O texto acima de Êxodos 23. Realização e bem estar emocional (Prosperidade Emocional). (Mateus 6. Vitória espiritual e sobre o pecado (Prosperidade Espiritual). Provisão natural e saúde biológica (Prosperidade Física). mais até do que você gostaria de admitir. Quando ofertamos daquilo que temos. do dinheiro que está em nossas mãos.1-2): 1. não podia vir de mãos vazias. Entregar-se ao Senhor. e nem desfrutar das bênçãos decorrentes da sua obediência. como te ordenei. completamente e sem reservas (v1). 2. A verdadeira adoração é dar de si mesmo ao Senhor. Verificamos também. Sem esses requisitos fundamentais você não estará preparado para aplicar completamente os princípios que temos estudado aqui. Não se pode servir à Deus e à Mamon. 2. 3. Aprender a pensar à maneira de Deus (v2).14-15 nos mostra que ofertar é parte integrante da celebração e adoração ao Senhor. na verdade estamos ofertando uma grande parte de nós mesmos: nosso tempo. no tempo apontado no mês de abibe. a sua verdadeira atitude em relação a Deus.14-15 Existem dois requisitos básicos para entender e aplicar os princípios de Deus para as suas finanças: (conforme Romanos 12. envolve três áreas: 1. nosso trabalho.8-9 podemos verificar que o ato de ofertar ao Senhor têm quatro características principais: Página | 11 . anteriormente. Guardarás a Festa dos Pães Asmos. e isso inclui a ação prática de ministrar as nossas ofertas e os nossos dízimos. ninguém apareça de mãos vazias perante mim”. O povo. Êxodos 23. quando se apresentava diante de Deus para celebrar e adorar.

através desse ato de dar a Ele. Finalmente. e interpreta em nosso ato. temos um versículo curto. Romanos 14. 10-17 é um texto curioso que nos revela algo muito importante e pouco percebido: Deus é atento a tudo aquilo que ofertamos. cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus”. mas que nos confronta com uma verdade irrefutável: todos nós daremos conta de nós mesmos a Deus. em última análise. Vimos anteriormente. Deus observa aquilo que ofertamos porque isso.41-44). como Jesus assentou-se para observar os que ofertavam. 3. Nesse texto é descrito em detalhes aquilo que os príncipes trouxeram de oferta para a consagração do altar. pois. e isso inclui as nossas finanças: “Assim. É um ato de amor que nos aproxima do coração de Deus (acesso aos átrios de Deus). e Ele se alegra quando o adoramos de coração.1. É parte integrante da adoração a Deus. demonstra o nosso coração.12. Números 7. 4.12. e com uma precisão incrível. 2. Dá gloria a Deus. E isso ficou registrado pelos séculos na Bíblia. também. o nosso coração. É uma demonstração de nosso temor ao Senhor. em Romanos 14. e impressionou-se com a oferta da viúva pobre (Marcos 12. Página | 12 .

sendo rico. João 1. Não deve ser um dever cumprido com constrangimento ou até mesmo um peso que não se consegue cumprir. em todas as suas facetas. para que pela sua pobreza vos tornasses ricos”. recebemos a graça pela fé. Página | 13 . por sua vez. a sinceridade do vosso amor. de graça daí”. Pois já conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que. E uma das consequências da graça é que ela nos leva a dar: “De graça recebestes. a vida eterna e todas as bênçãos de Deus. Não podemos recebê-la por merecimento. mas para provar. que nós recebemos a graça por meio da fé. o direito de recebê-la.17 Mas o que é a graça. Eles são realmente compreendidos e aplicados apropriadamente não pela lei – como uma imposição – mas pela graça. A Bíblia diz. deve ser um ato espontâneo daqueles que têm experimentado da graça de Deus. 7-9. em Efésios 2. a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”.8. Não digo isto como quem manda.7).6 diz: “O que importa é a fé que opera pelo amor”. O dar. Deve ser uma resposta natural e espontânea ao amor de Deus por nós.8. Todos os princípios bíblicos de finanças que temos estudado podem se resumir em uma palavra chave: Graça. em todo zelo e no vosso amor para conosco. em ciência. 2 Coríntios 8. assim também sobressaí nesta graça. por nós mesmos. Já Gálatas 5. Assim vemos a conexão existente entre a graça de Deus e o verdadeiro e sincero ato de dar com alegria. “Pois a lei foi dada por intermédio de Moisés. A única forma de recebermos a graça de Deus é pela fé. e a fé. E Deus ama quem dá com alegria (2 Coríntios 9. neste contexto? A graça é tudo aquilo que nos foi dado gratuitamente por Jesus Cristo. a doarmos a nós mesmos a Deus e às pessoas à nossa volta.Capítulo 5 Graça e Generosidade “Portanto. em palavras. não podemos comprá-la e nem conquistar. pelo zelo dos outros. e não a lei. opera pelo amor. A palavra chave aqui é a graça. Portanto. E o amor nos leva a dar. sem sermos merecedores: a salvação. por amor de vós se fez pobre. assim como em tudo tendes abundância: em fé. Mateus 10.

38. e que isso fosse feito perante as igrejas. na mesma proporção que dermos. Nós determinamos o quanto vamos ser abençoados. que opera em nós pelo amor e nos leva a entregar nós mesmos. que vem pela fé e opera pelo amor. mas na graça. como evidência da graça de Deus operando entre eles. E em todo capítulo 8. A graça de dar é recompensadora. 2. portanto. recalcada e sacudida e transbordante vos darão”. Portanto. pelo tanto que dermos e investirmos no Reino de Deus. 7-9) mostra-nos o apóstolo Paulo não ordenando que eles ofertassem. na coação ou imposição. a palavra que mais se repete é “graça”. Página | 14 . recebida pela fé na obra de Jesus Cristo na cruz. tem a sua base não na lei. Jesus diz: “Daí. Portanto temos aqui duas boas notícias: 1. Está em nossas mãos determinar se seremos ou não abençoados por Deus. no contexto bíblico. e dar-se-vos-á. mas orientando-os em tom de súplica (v8). receberemos de volta. que trata sobre a oferta aos cristãos que estavam enfrentando necessidades na Judéia. podemos dizer que a aplicação desses princípios bíblicos de finanças só pode ser verdadeiramente feita pela graça de Deus.Vejam que o texto inicial deste capítulo (2 Coríntios 2. e tudo o que temos. Dar com alegria e espontaneidade. Boa medida. E no versículo 24 vemos Paulo incentivando-os a ofertar como uma prova de amor. E em Lucas 6. a Deus. pois aqui Jesus nos ensina que.

de idade bem avançada. não atendermos aos requisitos para recebermos suas bênçãos em todas as áreas. para colher é preciso plantar antes – e isso requer fé. E Gálatas 3. mas sim o buscar o reino de Deus em primeiro lugar (Mateus 6. Em 2 Coríntios 9. Página | 15 .Capítulo 6 As Cinco Condições Fundamentais “Era Abraão já velho. desde que atendamos aos requisitos. E em Romanos 13.13-14 diz que Jesus. gostaria de resumir cinco condições que devemos atender para que as bênçãos de Deus. o apóstolo Paulo compara o ofertar ao processo de plantar a semente e colher os frutos. Ter Fé: pode parecer apenas um clichê ou uma declaração simplista. inclusive.6. o Senhor o havia tornado um homem muito próspero em termos de provisão material. E além das bênçãos espirituais que abundavam na vida dele. nos livrou da maldição da lei (condenação) para que a benção de Abraão chegasse até nós e que recebêssemos o Espírito Santo da promessa. cheguem até nós: 1. Portanto. a fé é essencial para recebermos a abundância de Deus pela graça. conforme temos estudado até aqui. incluindo tanto o aspecto espiritual como o de provisão material e abundância em todas as coisas. No entanto devemos manter em mente a distinção entre receber a graça de Deus e atender aos requisitos para que suas bênçãos atinjam nossa vida. no entanto. mas de fato. Dar Honra com Nossas Finanças: Provérbios 3. Não podemos também confiar nas riquezas. não usar nossos bens de maneira egoísta e nunca deixarmos de atentar às necessidades que estão à nossa volta. 2. Ou seja.7 diz que se deve dar a todos o que lhes é devido e. não usar de meios ilícitos para obtê-las. Muitos cristãos falham em entender que a graça de Deus inclui também nossas finanças e provisão material. e o Senhor em tudo o abençoara”. através da sua morte na cruz. “honra a quem honra”. O texto acima descreve que o Senhor havia abençoado Abraão em tudo. inclusive em nossas finanças. 3.9-10 diz que nós devemos honrar a Deus com os nossos bens e com as primícias da nossa renda. Não devemos fazer do dinheiro um deus – a avareza é idolatria. por exemplo. Não devemos ter a abundância como o nosso alvo principal. Genesis 24. E como era a benção de Abraão? Era uma benção completa e abrangente.1.33). Motivos e Atitudes Corretas: a primeira condição é que nossos motivos e atitudes devem ser corretos. Podemos ser salvos pela fé na graça de Deus e.

dando-lhes dádivas e suprindo suas necessidades (Mateus 15. E o resultado desse processo de alinhamento com a vontade de Deus é claro: o sucesso em tudo que fizemos. e não na nossa.1-3 temos esse princípio sendo ordenado: meditar (pensar). devemos buscar o Reino de Deus em primeiro lugar.A Bíblia nos ensina também que devemos honrar aos nossos pais com nossas finanças. 4. Falar e Agir Corretamente: em Josué 1. fazendo todas as coisas corretamente e com excelência.4-6). Mas no tempo e na maneira de Deus. e aos que nos ensinam e ministram no Senhor (1 Timóteo 5.10). em três direções: a Deus. Como diz Mateus 6. inclusive financeiramente. A prosperidade. Devemos honrar. Não precisamos ficar correndo atrás das bênçãos. e te alcançarão”. Trabalhar e confiar na provisão de Deus: Deuteronômio 28.17-18 e Atos 28. falar a Palavra e agir – cuidar de guardar a Palavra.33. Pensar. e todas as demais coisas nos serão acrescentadas. Página | 16 .2 diz que “todas essas bênçãos virão sobre ti. 5. aos nossos pais e àqueles que nos ministram e pastoreiam no Senhor.8 e Salmos 1.

explica a “concepção de vocação em Lutero”2. aparecerá que nem os povos predominantemente católicos nem os da antiguidade clássica possuíam qualquer expressão que tivesse tal conotação. É necessário separar-se ao máximo do mundo. Página | 17 . Não é. gerou tensões na prática cristã ao longo dos séculos.23-25. o trabalho e as obrigações – deveria ser feito de todo o coração. ou é possível viver uma experiência espiritual saudável imersa nas atividades “deste mundo”? O texto acima de Colossenses 3. é considerada umas das três colunas da Sociologia moderna. Aponta para o trabalho secular como uma atividade integrante do nosso serviço ao Senhor. o Senhor. Max Weber. do que hoje chamamos de “vocação”. demonstrar que isso não se deve a qualquer peculiaridade étnica dos idiomas em apreço. pelo contexto.23-25. Colossenses 3. em especial a partir da reforma protestante. fazei-o de todo coração. é que estais servindo. cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. Segue abaixo um trecho da sua exposição: “Já não resta dúvida de que na palavra alemã “Beruf” e talvez mais claramente ainda na palavra inglesa “Calling” está pelo menos implícita uma conotação religiosa de uma tarefa confiada por Deus. de um campo definido no qual trabalhar). no século XVI. Poderemos. como para o Senhor e não para os homens. A questão da relação entre “vida espiritual” e “vida secular” foi alvo de divergências conceituais e doutrinárias ao longo da história do cristianismo. pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita. mais adiante. (no sentido de uma tarefa de vida. A Cristo. por exemplo. e nisto não há acepção de pessoas”. servos e senhores) estabelece o princípio de que tudo o que fizermos – o que incluía. enquanto ela existiu para todos os povos predominantemente protestantes. em seu excelente livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” 1 que. ao falar sobre como devem ser os relacionamentos familiares e sociais (marido-esposa. pais e filhos. Quanto maior a ênfase colocada na palavra em um caso concreto. Mas a polarização desse entendimento com o conceito de santidade como separação “deste mundo”. para servir ao Senhor em pureza. em busca de santidade e pureza. como para o Senhor e não para homens. juntamente com as obras de Karl Marx e Émile Durkheim. mais evidente a conotação. E se traçarmos a história da palavra dos idiomas civilizados.Capítulo 7 Vocação Profissional e Empreendedorismo “Tudo quanto fizerdes.

Não é um mero meio de ganhar dinheiro e. E ele estuda. pelo espírito do tradutor e não do original. a ideia é nova e é produto da Reforma. introduzido no dogma central de todas as denominações protestantes e descartado pela divisão católica de preceitos éticos em praecepta et consilia. portanto. Na tradução da Bíblia de Lutero. portanto. já existiu na Idade Média e mesmo na baixa antiguidade Grega. o Pietismo. através das quais fazemos Sua vontade e o glorificamos. apesar de não se encontrar nenhuma sugestão prévia na literatura secular ou mesmo nos escritos religiosos. como essas convicções dos países protestantes propiciaram o melhor desenvolvimento do capitalismo. conforme colocado. Afasta. “Assim como o significado da palavra. E isso deve ser assumido como conhecimento geral. parece ter sido usada pela primeira vez em um ponto de Jesus Sirach (XI 20. O único modo de vida aceitável por Deus não era o superar a moralidade mundana pelo ascetismo monástico. Esta era sua vocação”. E foi o que trouxe inevitavelmente um significado religioso às atividades seculares do dia a dia e fixou de início o significado de vocação como tal. Isso nos leva a ver o trabalho e os negócios como atividades nas quais servimos e honramos ao Senhor. Depois disso. ao longo de todo o seu livro. Não é apenas uma forma de Página | 18 . adotado por Lutero e pela Reforma Protestante.produto do espírito germânico. cumprindo a nossa “vocação” para glorificar o seu Nome através da nossa vida. e até onde pude me certificar só é encontrada em um místico alemão. mas unicamente o cumprimento das obrigações impostas ao indivíduo pela sua posição no mundo. Cremos que o conceito de “vocação”. o entendimento de que a única forma de servir ministerialmente a Deus é separando-se do mundo para uma vida monástica ou sacerdotal. que está contida no conceito de vocação. algo egoísta e mundano. cuja influência sobre Lutero é de todos conhecida”. É verdade que certa valorização positiva das atividades rotineiras mundanas. o Metodismo e os movimentos Batistas) influenciaram o desenvolvimento da mentalidade capitalista em vários países da Europa e na América do Norte. Nesses dois parágrafos o autor deixa claro o ensino das Escrituras. mas em seu significado moderno a palavra se origina nas traduções da Bíblia. de que o nosso trabalho ou negócios seculares é uma elevada forma de fazer a vontade de Deus. é adequado e alinhado com o ensino bíblico sobre o trabalho e a obtenção de ganho financeiro com ele.21) exatamente no nosso sentido moderno. em detalhes. falaremos disso mais tarde. rapidamente assumiu seu atual significado no falar cotidiano de todos os povos protestantes. Mas pelo menos uma coisa é indiscutivelmente nova: a valorização do cumprimento do dever nos afazeres seculares como a mais alta forma que a atividade ética do indivíduo pudesse assumir. como cada forma do que ele chama de “Protestantismo Ascético” (o Calvinismo. em detrimento daqueles onde predominaram as doutrinas do ascetismo monástico enfatizadas pelo Catolicismo Romano. pois. O conceito de vocação foi. E o autor demonstra.

como as que os pais têm de prover materialmente à sua família. um empreendedor. O objetivo final da nossa vida deve ser cumprir o nosso chamado. e ser fiel a Deus no seu trabalho. fazer com excelência. como diz o texto de 1 Corintios 9.10: “Porque. O Reino de Deus e a Igreja necessitam de pessoas que se dedicam integralmente às atividades de evangelismo. aconselhamento. o de fazer a vontade de Deus! O trabalho e o dinheiro são. honesto e fiel a Deus. que vivam do evangelho”. um marceneiro. e não o objetivo final do seu trabalho. evidentemente. um comerciante. mas uma forma elevada de fazer a vontade de Deus. um jornalista. a nossa “vocação”. indispensáveis para uma vida digna e para o cumprimento das nossas obrigações. Portanto. de forma bem clara e contundente. entenda que você deve cumprir esse chamado com excelência. cada um de nós deve ter uma visão vocacional da vida. Página | 19 . Você deve procurar ser o melhor possível no que faz. Ou seja. um pedreiro ou um construtor.14: “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho. Mas o objetivo não deve ser o dinheiro em si. um músico ou qualquer outra vocação de tempo integral na Igreja. ou o ficar rico.8 diz: “Ora. em tempo integral. tem negado a fé e é pior do que o descrente”. Porém.obter sustento ou mesmo sucesso financeiro e material. não pode atrair outra coisa para a sua vida que não seja a benção do Senhor. E o apóstolo Paulo vai mais longe ainda. que isso seja feito para a glória de Deus. quando ainda convosco. e prosperidade para a sua vida e a dos seus. influencia positivamente a maneira com vemos e tratamos o dinheiro. vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar. também não coma”. 1 Timóteo 5. ensino e governo na Casa de Deus. Se o seu chamado é ser um líder. seja qual for esse chamado.1316). Isso vai levar você a ser luz e sal onde quer que você vá (Mateus 5. Todos tem o dever de trabalhar. Se o seu chamado é ser um médico. ou se no contexto do seu trabalho ou negócios. portanto. um engenheiro. para prover às necessidades suas e dos seus. em 2 Tessalonicenses 3. O importante é perceber o dinheiro como um meio. seja na obra ou na vida secular. É uma visão que muda a forma como encaramos o trabalho e os negócios e que. Pois quem é excelente no que faz. Vai trazer bênçãos para as pessoas. um evangelista. se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa. você deve descobrir se a sua vocação é para servir ao Senhor na sua obra. um pastor. É claro que existem os chamados ministeriais para servir ao Senhor em tempo integral na sua obra. mas o tornar-se uma fonte de bênçãos para aqueles que estão ao nosso redor. um advogado.

(2004). blogs. Página | 20 . do autor. Weber. por escrito. artigos ou outro veículo de divulgação. Weber. revistas. M. 2.br Copyright © 2015 by Roberto Coutinho Todos Direitos Reservados. com a devida citação da fonte. São Paulo: Companhia das Letras. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (pp. Nenhum trecho ou parte desta obra poderá ser reproduzido por qualquer meio. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. sem prévio consentimento. Weber. São Paulo: Companhia das Letras. (2004). M. In: M. Excetuam-se as citações de pequenos trechos em resenhas. Apoio: Site Tendências Atuais www.Bibliografia 1. 71-83).com.tendenciasatuais.br contato@tendenciasatuais. O Conceito de Vocação em Lutero.com.