CANOAS, 30 DE MAIO A 5 DE JUNHO DE 2008 I GERAL I O TIMONEIRO I 7

Justiça Federal confirma: Chico Fraga agora é réu
Juíza: “Fraga potencialmente tinha participação no esquema ilícito envolvendo o Detran”

Parte da decisão da juíza da 3ª Vara Federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes
“Francisco José de Oliveira Fraga Núcleo Lair Ferst Advogado, exercente de cargo de Secretário de Governo no Município de Canoas-RS. Trata-se de pessoa, ao que tudo indica, com vinculação com Lair Ferst. Há indícios, especialmente por conta do depoimento de Silvestre Selhorst, e de Flávio Vaz Netto, prestados à Polícia Federal, bem como de interceptações telefônicas, de que teria intercedido em seu nome quando do desencadeamento da segunda fase do esquema criminoso, obrando por sua manutenção no mesmo. Tal fato teria ocorrido em reunião, levada a efeito em gabinete na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Há elementos que indicam contatos com Antônio Dornéu Cardoso Maciel, no tocante à preservação da ligação de Lair Ferst no contrato com o Detran, especialmente depois da substituição da Fatec pela Fundae. Por outro lado, o próprio denunciado informa conhecer José Antônio Fernandes e Ferdinando Francisco Fernandes, bem como a empresa Pensant, por conta de contratação desta pela Prefeitura de Canoas. De tais elementos pode-se extrair que Francisco Fraga potencialmente tinha participação no esquema ilícito envolvendo o Detran, indícios estes suficientes a que se admita, contra ele, a ação penal.”

A

juíza da 3ª Vara Federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes, recebeu a denúncia contra 40 réus na Operação Rodin, entre eles o todopoderoso secretário de Governo Francisco Fraga. A decisão foi divulgada na tarde do dia 27 de maio durante uma entrevista coletiva. Aos repórteres, a magistrada explicou que, de acordo com o material levantado até agora, não havia indícios de autoria para julgar outros quatro acusados (Ronaldo Etchechury Morales, Luis Felipe Tonelli de Oliveira, Sergio de Moraes Trindade e Jorge Alberto Viana Hossler). A denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) acusava 44 pessoas de cometerem diversos crimes, entre eles, peculato (desvio de dinheiro público), dispensa indevida de licitação, corrupção ativa e passiva, extorsão, falsidade ideológica e formação de quadrilha. De acordo com o MPF, o esquema en-

volvia o desvio de verbas provenientes do Detran para empresas prestadoras de serviços à autarquia. A fraude ocorreu entre julho de 2003 e novembro do ano passado, através de duas fundações vinculadas à Universidade Federal de Santa Maria, a Fatec (Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia) e a Fundae (Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura) contratadas sem licitação e a preços superfaturados pelo Detran. Fatec e Fundae faziam o repasse de verbas mensal para subcontratadas prestadoras de serviços. A fraude teria desviado aproximadamente 44 milhões de reais dos cofres públicos. Este tipo de esquema, rotulado por deputados da CPI do Detran e por procuradores como altamente sofisticado, vinha sendo testado e usado pelo núcleo da quadrilha dentro da Prefeitura de Canoas, sob os olhos de todos os vereadores, que nunca,

nem agora que os fatos são conhecidos, tomaram nenhuma atitude. A magistrada retirou o sigilo do processo, exceto o relativo a informações financeiras, bancárias e fiscais. Autorizou a CPI do Detran a ter acesso aos autos da ação penal e manteve ainda as decisões que determinaram indisponibilidade de bens. Os interrogatórios serão realizados entre 19 e 29 de agosto na sala de audiências. As audiências acontecerão na Justiça Federal de Santa Maria.

durante todas as administrações. Fica claro, na denúncia apresentada pelos procuradores federais à Justiça, que o esquema nasceu dentro da Prefeitura de Canoas, quando a família Fernandes veio de Santa Maria para assessorar Ronchetti na gestão da Prefeitura. A nora do professor José Fernandes, Denise Nachtgall, era diretora-geral da secretaria de Governo e a família Fernandes despachava em sala alugada pela Prefeitura no prédio da Cics, ao lado do Executivo. Não adianta marcar nova acareação porque Francisco Fraga não irá. Mas, novamente Chico Fraga tem seu depoimento contrariado por outro indiciado. Desta vez, o até então amigo e assíduo freqüentador de seu gabinete Lair Ferst disse, à CPI, que as informações de Fraga à CPI de que ele representava empresas junto à Prefeitura é mentira.

O secretário de Governo de Canoas está sendo processado por extorsão, por usar sua influência política junto a Ronchetti e a governadora Yeda Crusius para cobrar interesses do lobista Lair Ferst, que sempre teve grande assiduidade na ante-sala dos gabinetes de Fraga e de Ronchetti

Chico Fraga processado por extorsão

Ferst desmente Fraga

Trecho da denúncia em que relata a participação de Fraga no esquema
“No período que decorreu entre a rescisão do contrato DETRAN-FATEC e a assinatura do contrato DETRANFUNDAE, ou seja, entre os meses de fevereiro e maio de 2007, Lair Antônio Ferst e Francisco José de Oliveira Fraga (Chico Fraga), em conjunção de esforços e unidade de desígnios, constrangeram Silvestre Selhorst, Luiz Carlos Pelegrini e Ferdinando Fernandes, representantes da FATEC, mais Flávio Vaz Netto (Presidente do DETRAN/RS), mediante grave ameaça, com o intuito de obterem para Lair Ferst indevida vantagem econômica, consistente no valor de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). Insatisfeito e inconformado com sua iminente exclusão do esquema criminoso, Lair Ferst, inicialmente por intermédio de Francisco Fraga, e depois diretamente, achacou os dirigentes da FATEC e o Diretor-Presidente do DETRAN Flávio Roberto Luiz Vaz Netto. Alegando possuir “crédito junto ao governo”, Lair Ferst exigia retornar ao “esquema fraudulento”, recebendo 6% do contrato, valor em torno de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). Essa exigência foi feita inicialmente por Francisco Fraga, em reunião realizada na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, na presença de Silvestre Selhorst, Luiz Carlos Pelegrini e Ferdinando Fernandes. Posteriormente, Lair Ferst, em reunião com Silvestre Selhorst, alegando possuir “crédito junto ao governo”, exigiu novamente seus 6% (os quais seriam uma redução do percentual de 10%, provavelmente referentes ao contrato de sua empresa Rio Del Sur Auditoria e Consultoria Ltda. com a FATEC)168. Lair Ferst também exigiu sua participação na fraude diretamente ao Diretor-Presidente do DETRAN, Flávio Vaz Netto, que também foi procurado por Francisco Fraga, intercedendo em nome de Lair Ferst. Dessa forma, a extorsão era realizada por LAIR ANTÔNIO FERST e FRANCISCO FRAGA, este agindo como intermediário e exigindo vantagem indevida em nome daquele, sob a ameaça de, através de influência junto ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, impedir a realização do contrato DETRAN-FUNDAE. De fato, no “plano B” referido por FLÁVIO VAZ NETTO (conforme afirmado no interrogatório de SILVESTRE SELHORST), com a contratação da UERGS e UFRGS, LAIR poderia alcançar sua reinserção no esquema criminoso. Tocante a FRANCISCO FRAGA, muito embora tenha negado qualquer atuação no caso das contratações fraudulentas do DETRAN, há fortes elementos que indicam sua ligação anterior com personagens centrais da organização criminosa. Foi na gestão de FRANCISCO FRAGA frente à Secretaria de Governo do Município de Canoas/RS que a empresa Pensant Consultores Ltda. (pertencente à FAMÍLIA FERNANDES, como fartamente exposto acima) foi contratada para a realização de diversos serviços nesse Município170. Também a empresa IGPL, vinculada à Família Fernandes, recebeu pagamentos da Prefeitura Municipal de Canoas/RS de dezembro/2002 a fevereiro/2003, pelo menos. Igualmente, recebeu valores por serviços de “Arquivística”, de março a agosto do ano de 2003, da UNILASSALE, vinculados a convênio existente entre esta universidade e o Município de Canoas. Ademais, é preciso ressaltar ainda, como elemento a evidenciar as íntimas ligações de FRANCISCO FRAGA, que a denunciada DENISE NACHTIGALL LUZ trabalhou como sua assessora direta na Prefeitura de Canoas, entre fevereiro de 2002 e setembro de 2003 – precisamente exercendo o cargo de Diretora-Geral da Secretaria de Governo, cujo titular era e é o acusado FRANCISCO (resultado de pesquisa do CNIS e notícias de jornal anexas).”

OAB/RS1828

DIREITO DO TRABALHO – CÍVEL INDENIZAÇÕES FAMÍLIA PREVIDENCIÁRIO –

C H U V A S
Luiz Carlos Chuvas
OAB/RS6978 OAB/RS50211

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