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A voz da natureza e da mulher na Reserva Extrativista Marinha de Canavieiras/BA:

análise de sustentabilidade e gênero na perspectiva do ecofeminismo de Kheel

1. Introdução

Jhader Cerqueira do Carmo 1 Universidade Estadual de Santa Cruz

Orientadora: Mônica de Moura Pires 2 Co-orientador: Guilhardes de Jesus Júnior 3

Canalizar esforços em primazia da sustentabilidade na contemporaneidade tem se configurado iniciativas de peculiaridade muito controversa, pois nesse sentido, por muito tempo, pretendeu-se apenas fomentar o avanço humano sem afligir a disponibilidade dos recursos naturais renováveis e não renováveis do planeta terra. Sob essa ótica, o desenvolvimento sustentável se converteu em uma temática de extrema relevância na pauta de assuntos de cunho internacional (MORAN, 2010), dado o crescimento das interações macroeconômicas entre as economias abertas e o seu interesse, puramente econômico, em prosperar – a longo prazo – excluindo-se a possibilidade de transgredir valores prescritos em acordos e tratados internacionais confeccionados, a priori, em prol da natureza (NASCIMENTO, 2012).

1Graduando em Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais pela Universidade Estadual de Santa Cruz – Ilhéus/BA. Bolsista de Iniciação Científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Integrante do projeto de extensão Serviço de Referência dos Direitos da Mulher – SER-Mulher/UESC (com recursos do MEC/PROEXT) e do Projeto CID/UESC – Conocimiento, Inclusión y Desarrollo(Conhecimento, Inclusão e Desenvolvimento) financiado pela Fondazoine CRUI – Conselho de Reitores de Universidades Italianas.

2 Graduada em Administração pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Vitória da Conquista/BA (1989), mestre em Economia Rural pela Universidade Federal de Viçosa – Viçosa/MG (1995) com menção honrosa pela Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural, doutora em Economia Rural pela Universidade Federal de Viçosa – Viçosa/MG (2001) epós-doutorado em Modelagem Econômica pelo Colegio de Postgraduados en Ciencias Agrícolas –Montecillo, Texcoco, México. Professora plena vinculada ao Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Santa Cruz

3Graduado em Direito (1994), especialista em Gestão de Instituições de Ensino Superior (2008), mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (2001) e doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz – Ilhéus/BA. Professor assistente do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Estadual de Santa Cruz.

Assim, o espaço delimitado aos perpasses de relação e negociação internacionais presenciou a metamorfose do pensamento sustentável. Ao decorrer dos anos, governanças globais, agentes diplomáticos e demais negociadores internacionais teceram novos vetores de procedimento em torno do tema em questão, atentando-se para a circunstância de que aquilo que era comumente absorvido para se discorrer em outrora nos fóruns e nas demais rodadas de negociação, precisaria ser revisto em caráter emergencial (MORAN, 2010). A crise ambiental global que o desenvolvimento desequilibrado das nações imputava na dimensão natural se manifestou alarmante e mesmo na atualidade continua por estar com tal, prestando- se foco, em especial, às crises econômicas de ordem mundial. A saber, as reflexões internacionais sobre a crise que elenca a atividade econômica com o setor ambiental notória no século XXI, já era prevista desde o século passado, no qual se argumentava “que o padrão de produção e consumo em expansão no mundo, sobretudo no último quarto desse século, não tem possibilidade de perdurar” (NASCIMENTO, 2012, p. 51). Entende-se que nesse momento, buscou-se analisar a sustentabilidade relacionada à interação da ação do meio não-natural (ação antrópica) no meio natural – o meio ambiente propriamente dito, a natureza. Analogamente, o esquadrinhamento de políticas ambientais engendrado no setor mundial até então constatado, intentou consolidar o aspecto de conformidade entre a não transgressão dos limites ecológicos – compreendendo biomas e ecossistemas – e o desenvolvimento socioeconômico da civilização, delineando as atuações dos Estados soberanos, da sociedade empresarial, do meio político, das associações e cooperações sociais, ademais dos organismos multilaterais. Conquanto, a construção de uma agenda global para estabelecer mudanças efetivas no progresso de nações, inserindo-se o valor de sustentabilidade, acabou por adquirir um entrave de execução. O dilema averiguado levava ao posicionamento intelectual de que o aspecto sustentável deveria transcender a interlocução do ambiente natural e não natural, uma vez que se constatou que a falta de elementos essenciais à manutenção do exercício de viver em plenitude – leia-se pobreza – era um indicador de tendência à insustentabilidade (NASCIMENTO, 2012) e o discurso de conservação da vida, presente no preâmbulo internacional, se representava centrado majoritariamente no âmago da ecologia – das ciências biológicas (CASTRO; ABROMOVAY, 2005). A partir de então, a dimensão social foi salientada no desenvolvimento sustentável, com a finalidade de se preencher este espaço anteriormente desassistido com o acréscimo da justiça social, atributo que prega a harmonia ambiental em função da equidade nos direitos, e, por conseguinte, na representação individual

e coletiva, e, igualmente, nas demais premissas fundamentais no que se referencia ao ato básico de ser humano. Embora, se tratando das primeiras formulações do campo cognitivo de direito universal, o aspecto de igualdade foi um tanto prescindido pelos operadores do direito.Com isso, a afirmação da figura do homem – ser do sexo masculino – sendo o único representante legal da raça humana – detendo a exclusividade na nomeação “ser humano” – acabou por excluir outros grupos sociais, como mulheres, crianças, adolescentes e índios, da apropriação dos seus direitos garantidos em legislação e tidos como naturais. No caso do gênero em especial, a intenção inicial talvez possa ter sido incluir, porém, na prática, o ideal de que homens e mulheres têm que ser tratados de forma igual perante o meio social, em reconhecimento dos seus direitos humanos e fundamentais, tem sido reduzido a meras palavras escritas em textos de natureza jurídica, a exemplo do paragrafo 1 do artigo II da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) emitida pela Organização das Nações Unidas (ONU). A constatação desta problemática fez com que movimentos em favor da valorização da mulher, com grande destaque para o feminismo, eclodissem em diversas partes do mundo. Inicialmente se pensou na luta das mulheres pelo direito ao voto, que ficou conhecido como o sufrágio universal – primeira onda do feminismo (SOUZA; RANÍREZ-GÁLVEZ, 2008), mobilizando feministas nos Estados Unidos da América e em boa parte da Europa, no século XX. Com a evidência dessa contradição entre os gêneros, esse mesmo contexto começou a se desenvolver nos países da América Latina e nas nações em desenvolvimento – conforme a nomenclatura da época, Estados do Terceiro Mundo. Nesse sentido, as feministas se atentaram para a efetiva construção de mecanismos legais que pudessem delinear o termo humano como um grupo que representasse ambos os sexos masculino e feminino (BANDEIRA, 2005), com a finalidade de garantir os direitos das mulheres no mundo – como reais direitos humanitários e fundamentais. Desse modo, concebeu-se justificável a entrada do verbete gênero no novo olhar sobre a sustentabilidade e o desenvolvimento, porquanto é sabido que o atingimento de inter- relações pessoais mais igualitárias entre homens e mulheres delineia um progresso mais humano em consonância com o ambiente em que se insere. Infere-se que a garantia deste ideal está pautada na recognição substancial das pessoas, independente de sua representação como parte do signo masculino ou feminino – ou seja, apartada de quaisquer diferenciações – em seus direitos.

Intrinsecamente, esta proposta ainda visa solver um problema invisível a esse mundo globalizado e a sua agenda de temáticas: a crise nas interações pessoais, que está presente na relação de poder entre homens e mulheres. Por causa de uma convenção historicamente aceita, embasada num ideal tradicionalista, o gênero feminino tem sido mantido em desvantagem evidente em contraposição ao signo masculino. Logo, já se percebe que a subjugação da mulher e, por analogia, da natureza ao desejo do homem – sendo essa ação uma imposição de poder – levou-as a ser exploradas. Todavia, há quem afirme que as comunidades tradicionais, geralmente extrativistas, possuem certa sensibilidade na cultura da biodiversidade, harmonizando a sua atuação social e econômica com os ambientes biológicos onde se instalam (CASTRO; PINTON, 1997). Entretanto, se uma sociedade é tradicional – e por consecução, patriarcal, suas principais características zelam pela “mulher submetida a autoridade doméstica, a superioridade normal da energia física e psíquica do homem” (WEBER, 1999, p. 234), revelando nesse contexto uma desarmonia no ambiente. Em virtude disso, o ecofeminismo assoma nessa perspectiva social para denunciar que “a voz da mulher e a voz da natureza têm sido silenciadas no patriarcado. Mulher e natureza são consideradas objetos. Objetos não falam. Objetos não sentem. Objetos não têm necessidades. Objetos só existem para servir às necessidades dos outros” (KHEEL, 2000apud MENDONÇA, 2010, p. 15). Em suma, a pesquisa subsidiada pela dualização das entidades: natureza e mulher. Na coexistência, junto ao enfoque dado à combinação do desenvolvimento sustentável com a temática do gênero feminino para fomentar progressos mais humanos, impulsiona a elaboração do presente trabalho acadêmico. Assim sendo, à luz dos estudos ecofeministas propostos por Marti Kheel, tendo como referência principal a produção: From Heroic to Holistic Ethics: The Ecofeminist Challenge (2000), o seguinte artigo pretende analisar a efígie da natureza e da mulher na Reserva Extrativista Marinha de Canavieiras (RESEX/Canavieiras), Colônia de Pesca Z-20, situada no estado da Bahia. A investigação se executou na utilizaçãoda pesquisa bibliográfica, realizada a partir de levantamentos elaborados por Cavalcante (2011) e pelo projeto Capacitação e Fortalecimento da Rede de Mulheres de Comunidades Extrativistas do Sul da Bahia (2010- 2011) financiado pela ONU Mulheres,ademais da revisão da literatura em ciências sociais aplicadas, compreendendo os campo econômico e jurídico. De maneira similar, foram usados dados de característica etnometodológica coletados no empirismo proporcionado na extensão da Universidade Estadual de Santa Cruz, executada pelos projetos Serviço de Referência dos Direitos da Mulher (SER-Mulher) e CID/UESC (Conhecimento, Inclusão e

Desenvolvimento), tendo como grupo-focal a Rede de Mulheres Pescadoras e Marisqueiras de Comunidades Extrativistas do Sul da Bahia. O entendimento sobre esse contexto social dentro da RESEX/Canavieiras permitirá a elevação da produção cultural, intelectual e científica sobre o tema – visto que consubstanciar sustentabilidade, justiça social e gênero, seja um ramo de humanidades ainda pouco estudado –a melhor formulação de relatórios de gestões sustentáveis, agora, sob a ótica do meio social e o incremento no grau de civilidade da população. Isso pode ser justificado pela relação dialética entre a maneira de desenvolvimento capitalista globalizado e a conjuntura de desenvolvimento sustentável discursada na presente produção acadêmica. Respectivamente, a primeira é um veículo de dominação global, concentra poder e recursos, constitui diversos tipos de desigualdades e, finalmente, prejudica o meio ambiente; a segunda, em contrapartida, coloca em foco a amplitude dos direitos humanos e do valor social da cidadania, fortalece interações solidárias e mais participativas, logrando um desenvolvimento com um aspecto de maior sustentabilidade (CASTRO; ABROMOVAY, 2005). Enfim, almeja-se que à medida que homem e mulher saibam lidar com suas diferenciações, e amparado nesse aspecto, consolidem uma interação pessoal com tendência à sustentabilidade, eles estão propensos a conviver melhor com a natureza. Sob a perspectiva de desenvolvimento sustentável e justiça social (equidade), a interlocução entre homens e mulheres ocorrerá de maneira mais harmônica, e, por conseguinte, a harmonia terá ressonância no sistema que abarca todos os seres vivos – humanos e meio ambiente.

2. Identificando as raízes do tradicionalismo/patriarcalismo na RESEX/Canavieiras:

notas sobre o ecofeminismo

Como parte de uma nova linha de raciocínio socioambiental, o ecofeminismosurge nos movimentos mundiaisde relevância social, inicialmente, pelo reconhecimento das causas alusivas à mulher, nas décadas de 1960 e 1970 – segunda onda do feminismo (SILIPRANDI, 2000).A nomenclatura, que foi aclamada na França por Françoise Duban (KHEEL, [20--]),

agregou as ideologias ambientalistas e feministas para discursar acerca das estruturas de poder tradicionalque insistiam em designar o status quo da natureza e da mulher, uma vez que as mazelas verificadas ao longo do tempo na nação francesa, abrangendo as temáticas em foco, estavam relacionadas “com o rápido e excessivo crescimento demográfico, com a degradação

do meio ambiente natural e com a dominação sofrida pelas mulheres, [ patriarcal” (SOUZA; RANÍREZ-GÁLVEZ, 2008, p. 2).

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efeitos dasociedade

Tal qual, Kheel (2000) se dedicou emexaminar a interligação que depreciava – e, mesmo na atualidade, em muitas locais, se obstina em depreciar – a representação da natureza

e da mulher, além das características a elas incorporadas, a qual será a vertente cientifica para objeto de estudo desta produção acadêmica. A pioneira no estudo doecofeminismo nos EUAnotoua existência de uma assimetria nos valores humanos que determina a maneira com a qual homens e mulheres devem viver e convier, no marco das estruturas sociais reverenciadas no tradicionalismo e no patriarcalismo, argumentando ainda que atributos concebidos na construção sociocultural da civilização como racionalidade e irracionalidade, consciência e inconsciência, autonomia e dependência, serviam para amparar a polarização dos gêneros, respectivamente, masculino e feminino bem como a submissão do meio ambiente (KHEEL, 2000). Por ilustração, a identidade da mulher, na maioria das vezes, está associada a valores de sensibilidade, sentimentalismo, docilidade e subjugação. Embasada na leitura imagética, essas reflexões implicam em como a sociedade visualiza o homem e a mulher, e assim, decide a maneira mais adequada de tratá-los.Ainda ocorre uma desconstrução da imagem feminina em assimetria a apreciação substancial do homem, sobre a qualLagarde (1996) argumenta, evidenciando os danos causados por essadesarmonia, por exemplificação, “o gênero feminino

é aquele que mais trabalha; recebe menor retribuição social por seu trabalho; [

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possui mais

carências; enfrenta mais privações e satisfaz em menor medida suas necessidades vitais” (apudLISBOA, 2007, p. 640). Com isso, pôde-se consonar a subjugação da mulher e a devastação do meio ambiente a serviço do poderio do homem, conforme Kheel (1996) ressalta, a compreensão dualista que constrói a assimetria problemática exposta, fomenta que sempre existirá uma metade mais valorizada, digna de dominar, em concordância com a desvalorização da outra parte, com predestinação a ser dominada (apud MEDONÇA, 2010), e se tratando deste caso, a figura

masculina se afeiçoa melhor julgada pela sociedade, sendo aquela que exercerá a função dominante. A resolução do dualismo averiguado é o que vai resultar nos dilemas ocasionados às mulheres e, de maneira similar, à natureza (KHEEL, 2000), já que ambas possuem a obrigação de prestar assistência, excluindo-se a possibilidade de questionamentos,ao querer dos homens. Para objetivar a reflexão do meio social no meio ambiental,destaca-se que éintrínseco ao gênero feminino a subjugação de sua vida à vontade arbitrária do signo masculinocomo valor defendido nos dogmas do patriarcalismo. O poder patriarcal – fundamentação básica de

povos tradicionais – se justifica no ideal de propriedade, “[

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todas as mulheres submetidas

ao poder doméstico de um homem, seja esposa, seja escrava, [

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são consideradas seu gado”

(WEBER, 1999, p. 234-235). Além do mais, à medida que o símbolo masculino é popularmentevisualizado como uma unidade produtiva, geradora dos recursos necessários à manutenção do ambiente doméstico (WEBER, 1999), “a sociedade e a cultura atribuem à mulher o papel materno, que reforça os vínculos biológicos e é por eles reforçado, criando os significados simbólicos de proximidade da natureza” (DI COMMO, 2007, p. 153).Sendo assim, percebe-se que asubjugação masculina sobre a mulher e, sob a mesma análise, anatureza, se interpreta como “violência simbólica, violência suave, insensível, invisível às próprias vítimas, que se exerce essencialmente pelas vias puramente simbólicas da comunicação e do conhecimento, ou mais precisamente, do desconhecimento, do reconhecimento” (BOURDIEU, 1998, p. 6-7). Assim também, se fez delimitado o papel que a natureza e a mulher devem desempenhar com a finalidade de subsidiar o avanço humano, isto que dizer: dos homens (BOURDIEU, 1998; SILIPRANDI, 2000). Por exemplo, a respeito da representação feminina nasestruturas sociais da nação brasileira – sendo imprescindível sublinhar – de base tradicional e patriarcal, alega-se como característica mulheres “em desvantagem evidente, seja no mercado de trabalho, nas instâncias de decisão, na vulnerabilidade à violência doméstica ou no acúmulo de atividades não-remuneradas” (BANDEIRA, 2005, p. 15 e 16). Segundo dados do IBGE para o ano de 2012, como consequência do histórico de declinação da taxa de fecundidade da sociedade brasileira, a participação feminina no mercado de trabalho tem avançado – até mesmo pela elevação nos níveis da taxa de escolaridade e maior disseminação dos métodos contraceptivos junto à população de mulheres brasileiras. Contudo, apesar das mulheres serem maioria em população residente no Brasil e lograrem relevantes conquistas, ainda são minoria na ocupação de postos de trabalhos formais e ocupam relativamente mais empregos informais quando comparadas aos homens (IBGE, 2012). Ademais, exercem atividades que são, muitas vezes, mal remuneradas, com condições de muita precariedade. O que resta? Normalmente, cabe às mulheres o trabalho doméstico, onde é visível a grande discrepância entre homens e mulheres na ocupação desse exercício laboral (IBGE, 2012). Essa questão tão notável, ainda na sociedade atual, pode ser explicada pelo fato de que no ambiente urbano, concatena-se o gênero feminino ao ambiente doméstico e o símbolo masculino ao meio público.No campo, dentro das bases do associativismo e cooperativismo nas cadeias produtivas rurais, percebe-se um cenário que demonstra a mesma controvérsia.

Todavia, faz-se mister frisarque os conhecimentos envolvendo as práticas de economia solidária têm contribuído positivamente com a construção de novas formas de desenvolvimento regional e humano. Para comunidades nas quais exista a prática de agricultura familiar, argumenta-se que esse seja um alicerce social no que diz respeito à promoção de sua exteriorização socioeconômica e desejo de progredir em seu entorno geográfico. Com valores de associativismo e cooperativismo, as pessoas componentes deste coletivo laboral se fortificam de forma a desempenhar suas atividades econômicas de forma mais unitária, logrando maiores metas e objetivos socioeconômicos.Esses

preceitos são constituídos dentro do extrativismo da Reserva Extrativista Marinha de Canavieiras,pelos atores sociais que compõe a gestão cooperativa. A RESEX/Canavieiras, como é popularmente referenciada pela população de sua abrangência, é uma unidade de conservação vinculada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); a gestão da economia solidária por parte desta entidade nacional serve como subsídio para a divulgação do uso sustentável dos recursos naturais presentes no seu território de abrangência. Com isso, a reserva engloba o município de Canavieiras e as comunidades de entorno municipal (Campinhos, Barra Velha, Atalaia, Poxim do Sul, Poxim da Praia e Oiticica), além das cidades de Belmonte e Una. Em principio, sua história data que a reivindicação inicial em 2001, liderada por Vilma Xavier e formada por um conjunto de pescadores e marisqueiras, confeccionou uma petição ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) requerendo a criação de uma reserva extrativista em Canavieiras (CAVALCANTE, 2011). Após grandes embates em torno do município de Canavieiras, o qual dá nome à reserva, esta foi implantada pelo governo federal em 2006, abrangendo parte de três municípios da Bahia (Una, Canavieiras e Belmonte). A constituição dessa reserva provocou entre os seus integrantes (pescadores, pescadoras, marisqueiras, catadoras, extrativistas em geral) e os residentes da cidade-sede (Canavieiras) relações muito conturbadas, porque se acreditava na reserva como “um fator inibidor para expansão dos investimentos existentes e também para o aporte de novos fluxos de capital para a região” (CAVALCANTE, 2011, p. 70).Conquanto, como exposto anteriormente, a reserva surgiu para conciliar a atividade artesanal da pesca desempenhada pelas comunidades locais com os ecossistemas terrestres e marinhos, fomentando um desenvolvimento sustentável – argumento usado pelos idealizadores da RESEX/Canavieiras (CAVALCANTE, 2011). Quando Cavalcante (2011) desenvolveu a sua dissertação sobre os aspectos socioeconômicos da RESEX/Canavieiras, a pesquisa se centrou em investigar os indicadores

de sustentabilidade relativos ao meio ambiente tipicamente natural. De acordo com a autora, pode-se argumentar que a atividade extrativista utilizada na unidade de conservação ambiental tende a ser pouco sustentável, devido ao emprego de ferramentas inadequadas de trabalho que prejudicam o ecossistema da área de limite da reserva, particularmente representado pelos manguezais e estuários.

de sustentabilidade relativos ao meio ambiente tipicamente natural. De acordo com a autora, pode-se argumentar que
de sustentabilidade relativos ao meio ambiente tipicamente natural. De acordo com a autora, pode-se argumentar que

Figura 1 – O extrativismo exercido na RESEX/Canavieiras: pesca e coleta de mariscos (mariscagem), Canavieiras, Bahia, 2011.

Fonte: Cavalcante (2011)

No que se refere às observações sobre sustentabilidade social o trabalho de Cavalcante (20111) também deixou possíveis indícios.Para um melhor entendimento, primeiramente, deve-se refletir sobre as estruturas de dominação estudadas por Weber (1999); acrescentando ao que foi anteriormente abordado, o poder tradicional, centrado nos valores do patriarcalismo, define o sexo masculino como provedor legítimo dos recursos destinados à manutenção da vida doméstica constituindo uma função primária dentro da casa, por outro lado, o feminino desempenha um papel mais secundário sendo aquele que executará, na maioria das vezes, o trabalho doméstico. A conservação deste dogma tem como subsídio a reprodução desses valores por parte dos pais aos seus filhos, e respectivamente, das mães às suas filhas, avocando-se um fator geracional importante para manutenção desse status quo. Na contemporaneidade, constata-se que esses papéis têm sido gradualmente revistos em sociedades modernas, contudo, em locais e comunidades mais isoladas da modernidade, esta concepção tradicional ainda se apresenta muito arraigada. De tal forma, essas constatações podem ser enxergadas na RESEX/Canavieiras, já que a arte da pesca segue uma continuidade, de maneira que a maioria das pessoas as quais a realizam, decidiram fazê-la por conta de seus antepassados (CAVALCANTE, 2011). Com isso, já era de se esperar que a pesca seja realizada majoritariamente por representantes do gênero masculino, conforme a

pesquisa de Cavalcante (2011)compõem66% dos entrevistados. Em contrapartida, a mariscagem é definida como uma atividade caracteristicamente do gênero feminino, pois se considera o manguezal como "parte de sua casa" – devido à proximidade das residências a esse ambiente – o que tão somente harmoniza o trabalho doméstico à prática extrativista.Entende-se que as mulheresintegrantes da unidade de conservação estão inseridas num contexto socioeconômico de predominância masculina, e, por conta disso, as suas vozes em favor do reconhecimento de suas causas, de seus direitos, dentro da reserva foram silenciadas. Então, reflexionando-se sobre os estudos do ecofeminismo propostos por Kheel (2000) nos quais a imagem da mulher e da natureza era dualizada para mensurar o nível de sustentabilidade do ponto de vista da biologia e da justiça social, pode-se delinear, respectivamente, a percepção sobre o desempenho ecológico e a equidade entre os gêneros. O discurso aqui disseminado é de que a representação do gênero feminino e do meio ambiente possui relevante propensão a ser ofuscada pelas estruturas de dominação patriarcal arraigadas na RESEX/Canavieiras, uma vez que ambas as entidades foram contempladas de forma insustentável para subvencionar o desenvolvimento destalocalidade governada por representantes do sexo masculino. Portanto, com o trabalho desenvolvido por Cavalcante (2011) já se identifica o fator de insustentabilidade como tendência das atividades desenvolvidas na RESEX, e de acordo com a linha de pensamento defendida por Kheel (2000), a relação envolvendo a plena representação de homens e mulheres da unidade de conservação em prol da sustentabilidade, seja da mesma maneira, ou melhor, propensa a ser insustentável.

3. A inovação no mundo social e ambiental por um desenvolvimento mais sustentável:

tecendo a Rede de Mulheres Pescadoras e Marisqueiras de Comunidades Extrativistas do Sul da Bahia

A contrapartida inovadora desta situação de possibilidade problemática se representouna criação da Rede de Mulheres Pescadoras e Marisqueiras de Comunidades Extrativistas do Sul da Bahia, um coletivo que conta com aproximadamente duas mil mulheres que possuem trabalho econômico centrado na arte da pesca e da mariscagem. Faz-se relevante apontar que uma das principais metas da instauração deste grupo nos limites da Reserva Extrativista Marinha de Canavieiras, foi a efetivação do reconhecimento de assuntos pertinentes – prioridades, em muitas vezes, específicas ao gênero feminino – à luta cotidiana e união das pescadoras e marisqueiras em prol de uma transformação em sua qualidade de vida.

Para isso, a formulação do grupo foi apoiada pelo projeto intitulado“Capacitação e Fortalecimento da Rede de Mulheres de Comunidades Extrativistas do Sul da Bahia” (2010- 2011), financiado pela Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres(UNIFEM), na ONU Mulheres.

Para isso, a formulação do grupo foi apoiada pelo projeto intitulado“Capacitação e Fortalecimento da Rede de
Para isso, a formulação do grupo foi apoiada pelo projeto intitulado“Capacitação e Fortalecimento da Rede de

Figura 2 – II Encontro da Rede de Mulheres abrangendo aproximadamente 400 extrativistas, Canavieiras, Bahia, 2011.

Fonte: projeto Capacitação e Fortalecimento da Rede de Mulheres de Comunidades Extrativistas do Sul da Bahia (2011) financiado pela UNIFEM – ONU Mulheres.

A Rede de Mulheres – nome popular – foi criada em 2009, pelas pescadoras e marisqueiras da região Sul da Bahia, unidas, elas idealizaram dar voz às demandas e necessidades das mulheres que exercem a atividade de pesca e coleta de mariscos, bem como valorizar o trabalho extrativista desempenhado pelas mulheres. A rede abrange seis municípios do Sul da Bahia (Santa Cruz de Cabrália, Belmonte, Ilhéus, Itacaré, Pedras de Una e Canavieiras). Compreende-se que desde sua constituição, tenha sido possível articular políticas públicas e setoriais versadas nas questões de gênero para as extrativistas participantes, destacando-se a luta pela garantia dos direitos sociais básicos, como os benefícios previdenciários, licença maternidade, seguro pelo defeso, dentre outros. O fortalecimento da rede tem permitido a suas integrantes maior influência nas decisões relativas à RESEX e em suas comunidades com entrada nas instâncias da gestão onde se fomenta o poder e a liderança, em virtude do empoderamento que vêm alcançando a partir do acesso a novos conhecimentos. A visibilidade neste sentido, transcende a luta de cunho feminista, relacionando-se à transformação socioeconômica de mais de duas mil mulheres que fazem parte deste coletivo social, capitaneadas em uma visão de desenvolvimento sob os valores da economia solidária, sustentabilidade e justiça social.

Mesmo em pouco tempo de vida, a Rede de Mulheres possibilitou de modo sui generis o combate à violência doméstica presente em seu território, a conscientização de que o valor da equidade deve ser cultivado para uma gestão mais sustentável e o empoderamento feminino. Neste ultimo caso em especial, deve-se destacar a questão envolvendo o empoderamento humano, pois ele teve grande importância no papel de conceder às pescadoras e marisqueiras da RESEXa capacidade de notar as suas próprias capacidades e ademais disso, incrementá-las – através de formação educacional proporcionado pelos projetos acadêmicos na região – no sentido de transcender de forma inovadora as questões problemáticas envolvendo a sua esfera individual e social – em inter-relação com outros indivíduos. Diante disso, no plano da eficácia, almeja-se, por meio da superação criativa desses paradigmas refutativos da figura feminina, mais concessão de poder social com a finalidade de se promover o reconhecimento da possibilidade de fazer diferença em qualquer setor da sociedade (GILMAN; LAWSON, 2009). Dessa maneira, esse incremento no poder – que pode ser traduzido como empoderamento, verbete originado na língua inglesa, empowerment – se constitui uma fortaleza para as questões envolvendo a mulher na RESEX/Canavieiras; este comportamento, “induzido ou conquistado, permite aos indivíduos ou unidades familiares aumentarem a eficácia do seu exercício de cidadania” (LISBOA, 2007, p. 642). Acredita-se que essa emancipação possa ser adquirida pela transmissão de conhecimentos específicos a atender as necessidades básicas do indivíduo-alvo, para que este, em etapa superior, possa ser capaz de fazer a sua própria transformação social e desenvolvimento. Igualmente, é necessário argumentar em favor da promoção de oportunidade social, pois o “desenvolvimento não pode realmente concentrar-se tanto apenas nos detentores de poder” (SEN, 1999, p. 317), deve-se incluir o coletivo popular – sem distinção de gênero.Assim, as mulheres da RESEX originamum novo olhar em torno do exercício de uma gestão mais sustentável e solidária em conformidade com os princípiosjustificados no marco da justiça social. Agora, observa-se no âmbito da economia solidária desta unidade de conservação,uma transformação no que diz respeito àapreciação substancialdo extrativismo, ora na pesca ora na mariscarem, dando um inicio a transcendência na percepção tradicional/patriarcal sobre os gêneros.

4. Considerações finais: o papel da universidade na transferência de conhecimentos

Em síntese, o feminismo e o ecofeminismo sempre lutaram contra as concepções problemáticas socialmente formuladas, os dois movimentos agregam esforços para pregar a

quebra de paradigmas no que se referencia a construção imagética da mulher e da natureza, fomentando a transformação do tradicionalismo/patriarcalismo presente na sociedade. Debaixo desta ótica, para possibilitar este progresso femininoem específico,torna-se imprescindível que mulheres tenham conhecimento sobre os direitos civis, trabalhistas, econômicos, sociais, empresariais, previdenciários em concordância com os direitos tidos como naturais a todo ser humano (argumento justificado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948), ademais do domínio sobre o principal mecanismo brasileiro de representação da luta feminina: a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.360/06). Assim, infere-se que a transferência de conhecimentos (a extensão) seja uma das principais vias de ação das instituições de ensino superior para contribuir neste direcionamento, pois se entende que a educação seja parte de um segmento universal do ser humano, ao transcender de forma inovadora e duradoura as mazelas sociais. Sob essa ótica, a educação voltada a assistir reais necessidades das pessoas, fundamentadas em seus direitos

sociais, civis e políticos, ademais de ser um princípio valorizado no escopo e na execução de ações em prol da educação formal e continuada – estabelecimento de um novo papel da universidade – é também uma concepção justificada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na qual se fomenta universalmente que “a instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da pessoa humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais” (ONU, 1948, p. 12).

Sendo assim, faz-se necessário argumentar que os objetivos finais desta iniciativa serão observados no campo de ação, por meio de experiências desenvolvidas no empirismo,arquitetadas nos limites da universidade e, posteriormente, executadas em sua área de abrangência. Ao final, o que se procurar verificar é a existência da efetivação – reconhecimento, valorização e prática – das virtudes referenciadas nos direitos, na cidadania e na representatividade das pessoas. Além disso, com a efetivação deste procedimento socioeducativo, é possível criar estruturas sociais para fomentar e consolidar o empoderamento humano. Em especial, o empoderamento feminino se configura em uma temática central quando o assunto em questão é solver as mazelas geradas pela assimetria da inter-relação entre os gêneros. Neste caso, através do processo educacional – isto é, fazer com que mulheres tenham o pleno conhecimento sobre os seus direitos e sua valorização perante a sociedade – ocorrerá um incremento de poder social a elas, permitindo-as a percepção de que são capazes de conquistar os espaços que delineiam todos os passos de sua vida e a partir de suas próprias decisões, obtenha-se o progresso. A chegada da mulher a esse estágio pode levá-la à libertação

do poder masculino de subjugação, à tomada de atitude perante uma situação de violência doméstica e ao acesso aos elementos fundamentais à manutenção da vida – saúde, segurança, alimentação, lazer, cidadania, etc. Debaixo desta ótica, a discursão sobre o novo papel das universidades, argumentada na presente produção científica, fomenta o comprometimento em promover essa discussão na sua área de abrangência, configurando-se, sobretudo, uma medida de intervenção social e de promoção do desenvolvimento humano e dos direitos humanitários e fundamentais do homem e da mulher. Assim, a Universidade Estadual de Santa Cruz por meio do SER-Mulher e CID/UESC tem buscado apoiar pescadoras e marisqueiras da reserva marinha exposta, por meio de oficinas de fortalecimento da participação feminina nos perpasses em torno da gestão social da RESEX/Canavieiras, ações socioeducativas inseridas nas políticas públicas no âmbito estadual, dos direitos abordados sob os aspectos jurídicos, das possibilidades de inserção de alternativas de renda pautadas no desenvolvimento de atividades artesanais, da melhoria do poder de compra da renda obtida por meio de ações voltadas para economia do lar, da saúde da mulher relativas a questões gerais e específicas do trabalho exercido por meio da ergonomia, da divulgação da economia solidária, associativismo e cooperativismo. Além disso, percebe-se uma melhoria na qualidade de vida da Rede de Mulheres, pois ao participar desses momentos educacionais, dispostos na extensão da UESC, elas se sentem valorizadas no seu fazer diário como responsáveis pela sua história e trajetória; além disso, busca-se despertar e difundir valores de justiça social e equidade que promovam mudanças "reais" em suas vidas, construindo um novo olhar, dentro e fora dos limites da RESEX, sobre a sustentabilidade ambiental e, por analogia, social.

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