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Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 15

Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 151

Quando rimos de Deus.


(Texto: Gn 18:1~15)

1. Introdução.

A Wikipédia, enciclopédia digital disponível da internet, resume assim o vocábulo riso:


"O riso é uma forma de expressão visual e sonora, presente em alguns seres vivos
(inclusive os humanos). Está presente nos diversos aspectos do comportamento
humano:
•No campo psicológico-afetivo, pode ser provocado por um sentimento íntimo de
alegria, de felicidade, de satisfação ou prazer. É uma reação involuntária;
• No campo linguístico, pode ser provocado por uma piada ou outro recurso
humorístico. É uma reação involuntária;
• No campo sócio-cultural, pode ser uma ação voluntária do indivíduo, com o
objetivo de expressar algum sentimento ou opinião dentro de um determinado
grupo;
No campo fisiológico, é uma reação involuntária. Pode ser provocado por uma ação
mecânica (cócegas, por exemplo), por processos biológicos (feridas em fase final de
cicatrização, por exemplo), ou ainda pelo consumo de alguma droga."2

Não há nada mais gostoso do que dar uma boa risada. Uma gargalhada então, é algo que
parece nos libertar e tornar a nossa alma leve e maleável. Porém, dependendo do
contexto em que rimos, essa risada pode ser encarada como um simples ato de
descontração e alegria, ou de uma atitude de até extrema má educação.

Sara ao longo da narrativa da história de Abraão aparece só em alguns momentos.


Sempre que ela aparece, algo parece que dá errado. Foi assim no episódio do Egito, foi
assim no episódio de Hagar, e é assim nesse trecho que acabamos de ler. Ao que nos
parece, Sara não tinha a fé na proporção que Abraão tinha. Quando vemos um Abraão
que abraça as promessas de Deus, vemos uma Sara sempre com um pé atrás diante
daquilo que foi prometido por Deus.

Sara demonstrou a sua pouca fé diante da palavra de Deus com uma atitude muito
simples: uma risada. Sabe aquela risada que damos quando alguém nos fala algo difícil
de acreditarmos? É mais ou menos o caso de uma amigos nos dizer com toda a certeza:
Deus me disse que vou ser presidente do Brasil. Qual seria sua reação? Você diria:
"Cara, vai em frente porque o Senhor é contigo?", ou daria aquela risada que deixaria
até a pessoa sem graça? Foi isso o que aconteceu com Sara. O problema é que Sara riu
na presença de Deus, daquele que estava prometendo mais uma vez que ela teria um
filho na próxima primavera.

Essa pode ser a nossa exata reação diante de algumas coisas que Deus faz em nossas
vidas. Quando temos uma visão de que Deus fará algo grande conosco, por exemplo,
muitas vezes damos aquela risada de incredulidade. Olhamos para nós mesmos e vemos

1
Pregado no MEP dia 23 de maio de 2010.
2
Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Riso acessado em 22 de maio de 2010.

Paulo Sung Ho Won – WWW.sunghojd.blogspot.com


que não temos condições para tanto. Porém, a lição de hoje é que rimos quando olhamos
para nós e para a nossa limitação, mas quando olhamos para Deus, o assunto é diferente.

2. Exposição do texto. (Gn 18:1~15)



1
O SENHOR apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava
sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia. 2 Abraão ergueu os olhos e
viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda,
correu ao encontro deles e curvou-se até o chão.
3
Disse ele: “Meu senhor3, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem
fazer uma parada. 4 Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e
descansem debaixo desta árvore. 5 Vou trazer-lhes também o que comer, para que
recuperem as forças e prossigam pelo caminho, agora que já chegaram até este seu
servo”. “Está bem; faça como está dizendo”, responderam.
6
Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: “Depressa, pegue três
medidas4 da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães”.
7
Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que
se apressou em prepará-lo. 8 Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido
preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da
árvore.
9
“Onde está Sara, sua mulher?”, perguntaram.
“Ali na tenda”, respondeu ele.
10
Então disse o SENHOR5: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher,
terá um filho”. Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele. 11 Abraão e Sara já eram
velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos. 12 Por isso
riu consigo mesma, quando pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor6 já idoso,
ainda terei esse prazer?”
13
Mas o SENHOR disse a Abraão: “Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente
dar à luz, agora que sou idosa?’ 14 Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Na
primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”.
15
Sara teve medo, e por isso mentiu: “Eu não ri”.
Mas ele disse: “Não negue, você riu”.

1. Personagem 1: Abraão.

"O SENHOR apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava
sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia. Abraão ergueu os olhos e
viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda,
correu ao encontro deles e curvou-se até o chão." (vr. 1,2)

Abraão, depois de trabalhar toda a manhã, descansa sentado à porta de sua tenda,
durante a sesta do dia. De repente, vem em direção dele três pessoas. Ao vê-los, Abraão
corre para poder acolhê-los da melhor maneira possível. De acordo com estudiosos, essa
era a maneira de um beduíno receber os seus convidados.

3
No hebraico, ynIdoa] que de acordo com Wenham, está vocalizado de maneira adequada à Deus, que em Gn 15:2,8 é
yn"doa] traduzido como "soberano".
4
18.6 Hebraico: 3 seás. O seá era uma medida de capacidade para secos. As estimativas variam entre 7 e 14 litros.
5
18.10 Hebraico: disse ele.
6
18.12 Ou marido.

2
"Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: “Depressa, pegue três medidas7 da
melhor farinha, amasse-a e faça uns pães Depois correu ao rebanho e escolheu o
melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo.Trouxe então
coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu." (vss 6~8)

Abraão insistiu que eles ficassem e serviu a eles o melhor, permanecendo até em pé até
que eles comessem o que lhes fora servido.

Quem eram essas três pessoas tão importantes para quem Abraão deu tanta atenção? O
texto vai nos dizer mais a diante que dois deles eram anjos, e o terceiro era Deus (vr. 13
e Gn 19:1). Provavelmente Abraão não sabia de cara que essas três pessoas eram tão
especiais assim. Porém, ele demonstrou toda a sua hospitalidade e liberalidade em servir
aqueles a quem Abraão considerava como viajantes e convidados.

Essas três pessoas, o Senhor e mais dois anjos, vieram para uma missão importante:
Avisar Abraão sobre o juízo sobre a cidade de Sodoma e Gomorra, tema que vamos ver
na próxima mensagem. Aproveitando essa passagem, Deus queria marcar a vida de Sara,
que ainda não tivera a oportunidade de ter uma experiência com Deus. Talvez, era
justamente por isso que Sara ainda mostrava sinais de fraqueza espiritual

2. Personagem 2: Sara.

Porém, os três viram que Abraão dialogava com a sua esposa Sara para lhes poder servir
os alimentos. Após a comida ser servida, de maneira repentina, um dos três começa a
puxar assunto revelando implicitamente a sua identidade: "“Onde está Sara, sua
mulher?”, perguntaram. “Ali na tenda”, respondeu ele. Então disse o SENHOR:
“Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho”" (vr. 9,10).

Como aquela pessoa sabia que o nome da esposa de Abraão era Sara? Como que este
"viajante" sabia que Sara era estéril e que na próxima primavera ela conceberia um
filho? Aquela pessoa com que Abraão estava falando era nada mais nada menos que o
próprio SENHOR. Embora Deus estivesse falando com Abraão, na verdade, o SENHOR
estava falando indiretamente com Sara.

Genesis é um livro que nos mostra o poder de uma pergunta. Vocês se recordam da
pergunta que Deus fez a Adão, a Caim? Quando Deus faz uma pergunta, não é porque
Ele não sabe da resposta. Muito pelo contrario: a pergunta aponta para uma intervenção
direta de Deus. Deus estava lá para se revelar diretamente a Sara.

"Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele. Abraão e Sara já eram velhos, de idade
bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos." (vr. 10,11). Vamos
afirmar novamente a condição dos dois: Abraão era um velho com 99 anos de idade;
Sara era uma velha com aproximadamente 90 anos. O problema de Sara é em dobro: ela
já era impotente no seu tempo de juventude, agora idosa e passado a menopausa, era
humanamente impossível dela gerar um filho. "Por isso riu consigo mesma, quando
pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda terei esse prazer?”" (vr.
12).

7
18.6 Hebraico: 3 seás. O seá era uma medida de capacidade para secos. As estimativas variam entre 7 e 14 litros.

3
O que você faria no lugar de Sara?

3. Por que Sara riu de Deus?

Através do texto podemos ver uma razão por causa da qual Sara riu daquilo que Deus
estava falando a ela através de Abraão. Isso também se aplica a nós. Às vezes, embora
com os lábios confessamos a nossa fé, diante de algumas situações rimos de Deus,
como se Ele não tivesse o poder de reverter certas situações em nossa vida.

Sara não tinha a fé de Abraão. Ao ouvir essa mesma promessa, a posição de Abraão foi
diferente: "Ele creu e isso foi creditado como justiça" (Gn 15:6). Porém, Sara se mostra
sempre duvidosa em relação à promessa. Essa falta de fé leva a uma segunda variável.

Sara não conhecia a Deus tão profundamente quando Abraão, seu marido. A falta de
conhecimento de Deus nos faz ter dúvidas daquilo que Deus é e daquilo que Ele pode
fazer. Sem conhecê-Lo, não temos uma possibilidade razoável de sabermos o que Deus
pode ou não fazer. Esse conhecimento não é um conhecimento meramente intelectual,
mas sobre tudo, experimental. Quantas e quantas experiências especiais Abraão tivera
com Deus? E quantas Sara teve com o mesmo Deus?

O que Sara pensava era isso: "Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda
terei esse prazer?" (vr. 12). Ela só olhava para a sua condição e para a condição de seu
marido, porque era aquilo que ela sabia, conhecia e experimentava. Ela nem se quer
cogitou no poder de Deus por não conhecê-Lo. É muito interessante notar que isso se
reflete no fato de Deus não ter falado diretamente com Sara e sim através de Abraão.
Deus revelava as coisas para Abraão, porque este tinha intimidade e conhecimento de
que Deus era, coisa que muito provavelmente Sara não tinha. A falta de conhecimento
de Deus gera dúvida.

A resposta que Deus dá ao riso de Sara é a seguinte: "Mas o SENHOR disse a Abraão:
“Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa?’ Existe
alguma coisa impossível para o SENHOR? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um
filho”" (vr. 13, 14). Deus é o Deus do impossível. Porém, só aquelas pessoas que já
experimentaram isso é que sabem na pele o que essa declaração que dizer! Embora
possamos rir de uma promessa grande que Deus faça em nossas vidas, vendo em nós
que isso não ocorreria naturalmente, Deus zela em cumprir a sua promessa! A falta de
conhecimento gera dúvida e essa dúvida se codifica em atitudes de deboche para com
Deus.

Pega no flagra, "Sara teve medo, e por isso mentiu: “Eu não ri”. Mas ele disse: “Não
negue, você riu”." (vr. 15). O processo continua: Falta de conhecimento, dúvida,
deboche e for fim, orgulho. Você consegue reconhecer quando foi a última vez que isso
aconteceu com você?

Conclusão:

Nós rimos de Deus por não conhecê-Lo! Isso fica claro ao compararmos a atitude de
Abraão e de Sara. Um obedeceu e creu até o fim. Embora Abraão tenha vacilado, como
qualquer um vacilaria, ele permaneceu firme naquilo que Deus prometera a ele. Porém,
Sara, sempre é retratada como a mulher da dúvida. Essa dúvida nasce da falta de

4
conhecimento de Deus, um conhecimento experimental e relacional!

Certa vez perguntaram para Santo Agostinho como poderíamos conhecer a Deus para
crê-Lo. Ele respondeu: "Não procures, portanto, entender para crer, mas crê para
entender; porque, se não credes, não entendereis"8. Só conhece a Deus quem crê. À Sara
faltou fé. Essa falta de fé desencadeou um processo muito perigoso: falta de
conhecimento de Deus que gera dúvida, que gera escárnio e que gera orgulho. Graças a
Deus Sara parou por aí, porque a próxima etapa que sucede o orgulho é a queda: "O
orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda. " (Pv 16:18).

Sara só creu em Deus quando Ele mesmo se revelou a Ela. A fé nasce assim: a partir da
revelação de Deus. É essa revelação que desencadeia o processo inverso do que vimos
hoje: a fé que gera conhecimento, que gera santificação, que gera vida!

8
AGOSTINHO. Comentário ao Evangelho de João. 29, 6: In: DARIO ANTISERI, Giovanni Reale. História da
Filosofia: Patrística e Escolástica. Trad. Ivo Storniolo. Rev. Zolferino Tonon. 2º ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 104