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36- O estado membro das Nações Unidas que viole persistentemente os princípios contidos na Carta daquele organismo internacional está sujeito à sanção, que decorre de recomendação de instância interna daquele organismo, mediante procedimento que se caracteriza, a saber: a) a sanção consiste em aplicação de multa, pela Assembléia Geral, de quem também parte a recomendação para a aplicação da referida sanção. b) a sanção consiste na perda de todas as ajudas e subsídios internacionais mediados pela Organização das Nações Unidas, a partir de recomendação da Assembléia Geral, a ser confirmada pelo Conselho de Segurança. c) a sanção consiste na suspensão por tempo indeterminado da participação do Estado penalizado na Organização das Nações Unidas, a partir de proposta da Assembléia Geral, que será encaminhada para confirmação do Conselho de Segurança. d) a sanção consiste em determinação da perda de direito de voto na Assembléia Geral, por parte do Estado penalizado, a partir de recomendação de dois terços dos membros da Organização das Nações Unidas. e) a sanção consiste em possibilidade de expulsão da Organização das Nações Unidas, pela Assembléia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. Resp.: Letra E A questão foi literal sobre o artigo 6 da Carta das Nações Unidas (ONU), que reza que “O Estado Membro que viole persistentemente os princípios contidos na presente Carta, poderá ser expulso da Organização pela Assembléia-Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança”. Isso leva diretamente à resposta correta: Letra E. Essa questão foi tirada de um dos exemplos sobre sanção das Organizações Internacionais utilizado por Francisco Rezek, em sua obra “Direito Internacional Público”. As sanções aplicáveis pelas Organizações internacionais são normalmente de dois tipos: suspensão de direitos e exclusão do quadro. Com isso poderíamos eliminar as alternativas A (multa), B (perda de ajudas e subsídios) e a C, que fala em suspensão de direitos por tempo indeterminado. 37- A adoção da cláusula da nação mais favorecida pelo modelo do Acordo Geral de Tarifas e Comércios (GATT) teve como indicativo e desdobramento a pressuposição da igualdade econômica de todos os participantes do GATT, bem como, no plano fático: a) a luta contra práticas protecionistas, a exemplo da abolição de acordos bilaterais de preferência. b) a manutenção de barreiras alfandegárias decorrentes de acordos pactuados entre blocos econômicos, a exemplo do trânsito comercial entre membros do MERCOSUL e da União Européia, criando-se vias comerciais preferenciais freqüentadas e protagonizadas por atores globais que transcendem o conceito de estado-nação. c) a liberação da prática de imposição de restrições quantitativas às importações, por parte dos estados signatários que, no entanto, podem manter políticas de restrições qualitativas. d) a liberalização do comércio internacional, mediante a vedação de quaisquer restrições diretas e indiretas, fulminando-se a tributação na exportação, proibida pelas regras do GATT, que especificamente vedam a incidência de quaisquer exações nos bens e serviços exportados, de acordo com tabela anualmente revista, e que complementa as regras do Acordo. e) o descontrole do comércio internacional, mediante a aceitação de barreiras tarifárias, permitindo-se a tributação interna, medida extrafiscal que redunda na exportação de tributos, instrumento de incentivo às indústrias internas e de manutenção de níveis ótimos de emprego, evidenciando-se as preocupações da Organização Mundial do Comércio em relação a mercados produtores e consumidores internos. Resp.: Letra A. Quando, em 1944, 44 países se reuniram em Bretton Woods, tomaram a decisão de fazer o liberalismo voltar à tona, visto que o protecionismo havia sido levado ao extremo na década de 1930, em virtude do crash da Bolsa de Nova York em 1929. O GATT – General Agreement on Tariffs and Trade – Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio, foi um acordo assinado em 1947 para liberalizar o comércio então altamente protecionista. O 1o artigo do GATT dispõe sobre a cláusula da nação mais favorecida, que teve por fim substituir as concessões bilaterais por concessões multilaterais. 1
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Para vender muito e para não comprar nada, os países usaram, então, na década de 1930, várias e várias barreiras às importações e vários subsídios às exportações. Nenhum país concedia vantagem para o mundo, salvo uma ou outra concessão bilateral, ou seja, para um ou outro país. Perto do fim da II Guerra Mundial, os principais países decidiram se reunir para avaliar a conjuntura e descobrir os motivos pelos quais haviam chegado àquela guerra. Perceberam que várias medidas protecionistas haviam sido levantadas na década de 30 e, por isso, decidiram elaborar um acordo multilateral (o GATT – General Agreement on Tariffs and Trade – Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio irá surgir em 1947) em que se iriam prever as medidas a serem adotadas pelos países para combater cada medida protecionista. A idéia era: para cada problema, uma solução. Para substituir as concessões bilaterais por concessões multilaterais, criaram o artigo I – Cláusula da Nação Mais Favorecida (NMF) que, em síntese, define que todo benefício concedido a um país deve ser incondicionalmente estendido para os demais signatários do GATT. A letra B está errada ao dizer: 1) que a Cláusula da Nação Mais Favorecida tem por desdobramento a manutenção de barreiras alfandegárias. A NMF diz respeito à não-discriminação de países e, por isso, é também chamada de Princípio da NãoDiscriminação, como escrevi no livro “Relações Econômicas Internacionais”; e 2) que as barreiras alfandegárias decorrem de acordos pactuados entre blocos econômicos. Acordos entre blocos NUNCA são feitos para se criarem barreiras. A letra C é absurda: A cláusula NMF é liberalizante, não protecionista ou permissiva de restrições. Letra D: A cláusula NMF é liberalizante, pois dela decorre que qualquer benefício concedido a um país deve ser estendido aos demais signatários do GATT. A NMF não prevê eliminação de barreiras. Prevê, repito, que todo benefício dado a um país seja estendido para os demais. Mesmo se considerarmos que o GATT, não a NMF (que é o artigo I), prevê eliminação de barreiras, não se pode considerar a letra D correta, pois existem situações em que o protecionismo pode ser usado, como, por exemplo, para proteger indústrias nascentes ou para melhorar Balanço de Pagamentos quando as reservas cambiais estiverem em nível muito baixo. A NMF não tem nada a ver com aceitação de barreiras tarifárias (letra E), mas com extensão de benefício para os outros signatários do GATT. Apesar de a letra A ser a que a ESAF considerou correta, ela não está perfeita. Eu faria o seguinte recurso: “A letra A afirma que a Cláusula da Nação Mais Favorecida tem por desdobramento a ‘abolição de acordos bilaterais de preferência’. Esta afirmação não é totalmente correta, considerando que o parágrafo 5o do artigo XXIV do GATT prevê que a NMF não se aplicará quando houver o estabelecimento de uma união aduaneira, área de livre comércio ou a ADOÇÃO DE ACORDOS PRELIMINARES NECESSÁRIOS para o estabelecimento desses blocos. Ou seja, não precisa cumprir a NMF no caso dos acordos bilaterais de preferência se estes tiverem por objetivo o estabelecimento de uma área de livre comércio ou de uma união aduaneira. Em outras o palavras, os acordos bilaterais de preferência podem subsistir, não precisando ser abolidos. Vejamos o § 5 : ‘5. Por conseguinte, as disposições deste Acordo não impedirão, entre os territórios das partes contratantes, o estabelecimento de uma união aduaneira nem de uma área de livre comércio, nem a adoção de acordos preliminares necessários para o estabelecimento de uma união aduaneira ou de uma área de livre comércio, à condição de que: ...’ Os acordos de preferência podem ser celebrados com o objetivo de se conformar uma área de livre comércio ou uma união aduaneira. Podemos confirmar isto pelo ensino de Bruno Ratti, ‘Comércio Internacional e Câmbio’, Edições Aduaneiras, 10a edição, página 460: “É interessante mencionar que, embora um dos objetivos do GATT fosse a ‘eliminação do tratamento discriminatório no comércio internacional’, ele não proibia a formação de blocos econômicos ou aduaneiros que objetivassem a remoção de tarifas e outras barreiras ao comércio entre países participantes desses blocos. Assim, uma união aduaneira ou uma zona de livre comércio podia ser tolerada e até mesmo estimulada.” 2

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O que o Bruno Ratti diz? Diz que a Cláusula da Nação Mais Favorecida (Princípio da Não-Discriminação) não proíbe a formação de blocos econômicos. Ou seja, não vai abolir os acordos comerciais, sejam bilaterais ou multilaterais. Portanto, a NMF não tem por objetivo abolir os acordos multilaterais preferenciais (ex. ALADI) ou bilaterais (também há acordos bilaterais de preferência já que um bloco econômico pode ser composto de dois países, o conforme se pode verificar no parágrafo 8 do artigo XXIV do GATT). ‘§ 8o Para os efeitos de aplicação do presente acordo, a) entender-se-á por união aduaneira, a substituição de DOIS ou mais territórios aduaneiros por um único território aduaneiro...’ Como exemplo de um bloco comercial de dois países tivemos o Acordo de Livre Comércio entre EUA e Canadá celebrado em 1988, sendo o embrião do atual NAFTA (página 493 do livro do Bruno Ratti: “Em 11/01/89 entrou em vigor o Acordo Comercial entre os EUA e o Canadá, objetivando criar uma zona de livre comércio.”). Portanto, a Cláusula da Nação Mais Favorecida do GATT não prevê eliminação de acordos bilaterais nem multilaterais de preferência que tenham por objetivo o estabelecimento de uma área de livre comércio ou de uma união aduaneira, como se depreende do artigo XXIV do GATT. Porém, se o acordo bilateral de preferência não tiver por objetivo o estabelecimento de uma área de livre comércio ou de uma união aduaneira, aí sim poderíamos interpretar a letra A como correta. Esta conclusão decorre da interpretação a contrario sensu do artigo XXIV do GATT. O erro na letra A foi ter generalizado a abolição dos acordos preferenciais. Em síntese, a NMF não pretende abolir os acordos preferenciais bilaterais ou multilaterais QUE TENHAM por objetivo a formação de uma área de livre comércio ou de uma união aduaneira (§ 5o do artigo XXIV do GATT). Solicito anulação da questão por falta de opção correta.”

38- O debate em torno do movimento da globalização anima expressivos intelectuais do mundo contemporâneo. Discute-se, entre outros, os efeitos normativos que a globalização suscita nos direitos internos. A concepção de um Direito de feição neoliberal, que comprovaria o triunfo do capitalismo, um dos aspectos que marcaria o fim da guerra fria, é denunciada ou festejada por vários pensadores, a propósito de críticos e de defensores do neoliberalismo globalizante. Entre os entusiastas do modelo neoliberal, destaca-se: a) Boaventura de Sousa Santos, que defende uma contraglobalização hegemônica e que intransigentemente critica as alternativas ao neoliberalismo, que vê como o estágio mais avançado do modelo econômico ocidental e que deve ser mantido de qualquer modo. b) Ulrich Beck, que defende uma sociedade de risco, na qual não há indicação de equívocos na globalização, concebida para distribuir riquezas e multiplicar possibilidades de ascensão social, inclusive eliminando diferenças entre países ricos e pobres. c) Francis Fukuyama, pensador ligado ao conservadorismo norte-americano, que vê na vitória do neoliberalismo o fim da história e o surgimento do último homem, metáforas utilizadas para caracterizar a inexistência de outras opções fora do capitalismo neoliberal. d) Michel Chossudovsky, que percebe no neoliberalismo normativo a única alternativa para o combate da globalização da pobreza, que teria como causas a reação de países periféricos no sentido de resistirem ao ideário do Consenso de Washington. e) Manuel Castells, que propõe uma terceira via, concebendo um modelo que implique na mitigação das regras do capitalismo, em favor de uma sociedade de bem-estar social, tendo como ponto de partida a negação de uma sociedade altamente informatizada, que denomina sociedade em rede. Resp.: Letra C O item 3 do programa de DIP (Globalização e Conjuntura Normativa Internacional) já era dos mais abrangentes e abstratos, muito difíceis de serem “cercados” para a prova. Aí a ESAF fala na questão sobre os pensadores 3

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contrários e favoráveis à concepção de um Direito de feição neoliberal, comprovando o triunfo do capitalismo, marcando o fim da guerra fria. De forma muito resumida, aí vai a síntese do pensamento de cada um. Vejamos: Na letra A vem o pensamento de Boaventura de Sousa Santos, sociólogo português, que inclusive é contrário à globalização, como podemos verificar pelo seu pensamento na assertiva. Ele também esteve presente no Fórum Social Mundial de Porto Alegre (2005). Na letra B aparece o pensamento de outro sociólogo, só que alemão. Essa dava pra eliminar, pois falava em eliminação das diferenças entre países ricos e pobres. Isso nenhum entusiasta do capitalismo vai defender!!! Ulrich Beck prega que o individualismo exacerbado do modelo capitalista pode colocar em risco as liberdades individuais. Na letra C (resposta corrreta), aparece o pensamento de Fukuyama, professor de economia política internacional, que já integrou o Conselho de Planejamento Político do Departamento de Estado norteamericano. Só isso já seria suficiente para associá-lo à defesa do Direito Neoliberal. Sobre o Fim da História (vitória do capitalismo sobre o comunismo), diz Fukuyama que “os ‘burgueses’ compraram a idéia e os comunistas é que levaram a vantagem: agora os vermelhos podem implantar de vez o comunismo porque ‘ele morreu’ e morto ninguém vê”. Michel Chossudovsky (letra D) realiza palestras e conferências para Defesa dos Direitos Civis e da Dignidade Humana, e prega que o momento atual do capitalismo é de “militarização”, afirmando que as diretrizes determinadas pelo BIRD e pelo FMI levam a uma “globalização da pobreza”. Segundo ele, os movimentos sociais deveriam confrontar estas políticas monetárias. Também é contrário ao neoliberalismo. Na letra E aparece o sociólogo espanhol Manuel Castells, que também esteve presente no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (2005). Isso, em princípio, seria suficiente para excluí-lo do grupo dos “entusiastas” do capitalismo. Uma de suas principais obras é a trilogia “A Era da Informação”, onde defende a “liberdade de conhecimento na INTERNET, por meio da flexibilização da propriedade intelectual e da disseminação do software livre”. Com um pensamento como esses jamais poderia ser considerado como “entusiasta” do neoliberalismo. Mas esta questão foi para derrubar todo mundo. 39- Nos termos e na definição da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, e para seus fins, a expressão “reserva” tem significado normativo e características específicas, nomeadamente: a) a reserva é uma declaração bilateral feita por dois estados, seja qual for o seu teor ou denominação, ao assinarem, ratificarem, aceitarem ou aprovarem um tratado, ou a ele aderirem, com o objetivo de excluírem ou modificarem o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação a esses dois estados.Não pode ser feita a retirada de uma reserva após a comunicação da mesma, dado que sua comunicação suscita a suspensão dos efeitos do tratado. b) a reserva é uma declaração bilateral feita por dois estados, seja qual for o seu teor ou denominação, ao assinarem, ratificarem, aceitarem ou aprovarem um tratado, ou a ele aderirem, com o objetivo de incluírem ou modificarem o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação a esses dois estados. A retirada de uma reserva ou de uma objeção a essa reserva deve ser formulada por escrito, devendo-se aguardar 30 (trinta) dias contados da comunicação para que a reserva possa surtir seus efeitos. c) a reserva é uma declaração multilateral feita por mais de dois estados, seja qual for o seu teor ou denominação, ao assinarem, ratificarem, aceitarem ou aprovarem um tratado, ou a ele aderirem, com o objetivo de incluírem ou modificarem o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação a esses estados. A aceitação expressa de uma reserva ou sua objeção, feita antes da confirmação, não produz efeitos até que todos os estados pactuantes sejam comunicados. d) a reserva é uma declaração unilateral feita por um estado, seja qual for o seu teor ou denominação, ao assinar, ratificar, aceitar ou aprovar um tratado, ou a ele aderir, com o objetivo de excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação a esse estado. A reserva, sua aceitação expressa e sua objeção devem ser formuladas por escrito e comunicadas aos Estados contratantes e aos outros estados com direito de se tornarem partes no tratado. e) a reserva é uma declaração unilateral feita por um estado, seja qual for o seu teor ou denominação, ao assinar, ratificar, aceitar ou aprovar um tratado, ou a ele aderir, com o objetivo de incluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação a esse estado. A retirada de uma reserva ou de uma 4

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objeção deve ser formulada por escrito e encaminhada para conhecimento dos estados pactuantes dentro de 30 (trinta) dias contados da referida retirada ou objeção. Resp.: Letra D. o O conceito de “reserva” está no artigo 2 da Convenção de Viena (CV) sobre o Direito dos Tratados: “d) «Reserva» designa uma declaração unilateral, qualquer que seja o seu conteúdo ou a sua denominação, feita por um Estado quando assina, ratifica, aceita ou aprova um tratado ou a ele adere, pela qual visa excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado na sua aplicação a esse Estado;” E o procedimento relativo às reservas aparece no artigo 23 da CV: “Artigo 23 - Procedimento relativo às reservas 1 - A reserva, a aceitação expressa de uma reserva e a objeção a uma reserva devem ser formuladas por escrito e comunicadas aos Estados Contratantes e aos outros Estados que possam vir a ser Partes no tratado.” As letras A, B e C tratam de declarações bilaterais ou multilaterais. Reserva é ato unilateral. A letra E criou um prazo que não existe na Convenção de Viena.

40- A ruptura de relações diplomáticas ou consulares entre as partes, no que toca a tratado entre elas pactuado, nos termos da Convenção de Viena sobre direito dos tratados: a) não atinge as relações jurídicas e econômicas decorrentes do pacto, em virtude da cláusula pacta sunt servanda, que é absoluta em direito internacional. b) não afeta as relações jurídicas estabelecidas por elas pelo tratado, salvo na medida em que a existência de relações diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação do tratado. c) extingue todas as relações jurídicas decorrentes do tratado, com efeitos ex tunc, dada previsão geral contida na Convenção. d) suspende imediatamente o alcance das relações jurídicas e econômicas decorrentes da convenção, como resultado da aplicabilidade da cláusula rebus sic stantibus, que é absoluta em direito internacional. e) extingue todas as relações jurídicas decorrentes do tratado, com efeitos ex nunc, dada previsão geral contida na Convenção. Resp.: Letra B. O artigo 63 da Convenção de Viena é uma regra negativa de extinção de tratados, ou seja, a Convenção de Viena dispõe que a ruptura entre relações diplomáticas NÃO gera a extinção do tratado, a menos que as relações diplomáticas sejam indispensáveis à aplicação do tratado. Assim dispõe o artigo 63: “Artigo 63 – Ruptura de Relações Diplomáticas ou Consulares A ruptura de relações diplomáticas ou consulares entre as partes num tratado não afeta as relações jurídicas estabelecidas entre elas pelo tratado, salvo na medida em que a existência de relações diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação do tratado.”

41- O estado X, principal importador mundial de brocas helicoidais, adquire o produto de vários países, entre eles os estados Y e Z. Alegando questões de ordem interna, o estado X, num dado momento, decide majorar o imposto de importação das brocas helicoidais provenientes de Y, e mantém inalterado o tributo para as brocas helicoidais oriundas de Z. Considerando que os países X, Y e Z fazem parte da Organização Mundial do Comércio, com base em que princípio da Organização o estado Y poderia reclamar a invalidade dessa prática? a) Princípio da transparência. b) Princípio do tratamento nacional. c) Respeito ao compromisso tarifário. d) Cláusula da nação mais favorecida. e) Princípio da vedação do desvio de comércio. 5

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Resp.: Letra D. A cláusula da nação mais favorecida também é conhecida como princípio da não-discriminação. Todo benefício dado a um país deve ser estendido incondicionalmente aos demais, sem discriminação. “Artigo I – Qualquer vantagem, favor, privilégio ou imunidade concedido por uma parte contratante a um produto originário de outro País ou destinado a ele, será concedido imediata e incondicionalmente a todo produto similar originário dos territórios de todas as demais partes contratantes ou a eles destinado. Este artigo I estabeleceu o sistema multilateral de comércio – em substituição ao sistema bilateral que vigia na década de 1930 – ao impor que todo benefício dado a um país deve ser estendido incondicionalmente aos demais. A Cláusula da Nação Mais Favorecida é também conhecida como Princípio da Não-Discriminação. 42- Assinale a opção incorreta. a) No âmbito do Mercosul, adotou-se um regime para a aplicação de medidas de salvaguarda às importações provenientes de países não-membros do bloco. b) O sistema de solução de controvérsias do Mercosul, definido pelo Protocolo de Olivos, estabelece um Tribunal Permanente de Revisão para o julgamento de recursos contra decisões dos Tribunais Arbitrais Ad Hoc – o que não existia no Protocolo de Brasília, antecessor do de Olivos. c) Em 2004, o Mercosul concluiu acordos comerciais, por exemplo, com a Índia e com a SACU (União Aduaneira Sul-Africana, formada por África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia e Suazilândia), e atualmente negocia acordos com outros países. d) Muito embora o Mercosul almeje à conformação de um mercado comum, atualmente o bloco se encontra no estágio de união aduaneira imperfeita (ou incompleta). Para a conclusão dessa etapa, basta a eliminação das exceções ao livre-comércio intrabloco. e) De acordo com o Protocolo de Usuhaia, a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o processo de integração entre seus signatários (países do Mercosul, Bolívia e Chile). Prevê o Protocolo que a ruptura da ordem democrática em um dos países pode levar à suspensão de seus direitos e obrigações nos processos de integração entre os membros desse Protocolo. Resp.: Letra D. A união aduaneira se caracteriza por ser um bloco comercial em que as mercadorias e serviços circulam livremente entre os países membros. E os países têm a mesma política comercial em relação aos países de fora do bloco. Por isso, existe a TEC, Tarifa Externa Comum, que é a relação de alíquotas de imposto de importação cobradas igualmente pelos países do bloco para importações de fora do bloco. Para aperfeiçoar a união aduaneira, precisa liberar integralmente o comércio de bens e serviços e acabar com as listas de exceção à TEC, que são permissões para os países cobrarem algumas alíquotas diferentes das constantes na TEC. Por isso, a letra D está errada. A letra A está correta, pois não pode haver salvaguarda, antidumping e medidas compensatórias cobradas internamente, mas, em relação aos países de fora do bloco, pode, conforme dispõem os artigos XIX e XXIV do GATT. A letra B está correta, pois o Protocolo de Olivos, de 2002, que definiu o atual sistema de solução de controvérsias e todo o processo de resolução de conflitos dentro do Mercosul, criou esta possibilidade de recurso contra as decisões do tribunal de primeira instância, chamado tribunal arbitral. No Protocolo de Brasília, de 1991, não havia possibilidade de recurso contra as decisões exaradas nos laudos arbitrais. O Tribunal Permanente de Revisão (TPR) foi então criado para ser a “segunda instância” do processo de solução de controvérsias. A letra C está correta conforme podemos constatar no site do Ministério das Relações Exteriores (www.mre.gov.br - item “Política Externa”)

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A letra E está correta porque o Protocolo de Usuhaia é um ajuste político que define que somente países com regimes democráticos podem fazer parte do Mercosul. E quem deixar de ser democrático está sujeito às medidas inseridas na letra E. 43- Assinale a opção incorreta. a) Segundo as regras atualmente vigentes, o Brasil pode modificar, a cada seis meses, até 40% (quarenta por cento) dos produtos de sua lista de exceção à Tarifa Externa Comum. b) Atualmente, o Brasil pode manter até 100 (cem) itens da Nomenclatura Comum do Mercosul como lista de exceção à Tarifa Externa Comum. c) A definição da lista de exceção brasileira à Tarifa Externa Comum do Mercosul é feita pelo Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex). d) Compete ao Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) orientar a política aduaneira, observada a competência específica do Ministério da Fazenda. e) As resoluções da Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderão ter, excepcionalmente, caráter sigiloso, nos casos previstos na legislação vigente. Resp.: Letra A. Não existe isso. O que existe são as listas de exceções à TEC que os países do Mercosul podem alterar quando quiserem, desde que, ao se incluir um novo produto na lista, seja retirado outro se o número máximo (100 no caso do Brasil) já tiver sido atingido. A CAMEX é o órgão que coordena o comércio exterior brasileiro. É ela quem altera a Nomenclatura Comum do Mercosul (que é uma lista codificada de mercadorias), a TEC (que é a lista de alíquotas de imposto de importação por mercadoria), cria as alíquotas antidumping, as medidas compensatórias e as cláusulas de salvaguarda. Estas três últimas são medidas de defesa comercial. É ela também quem altera as alíquotas do Imposto de Exportação. Suas funções são “coordenar”, “orientar”, definir “diretrizes”, como escrevi no site (http://www.pontodosconcursos.com.br/professor.asp?menu=professores&busca=&prof=76&art=1740&idpag=3) . As letras C e D constam no Decreto 4.732/2003. Já a letra E está no artigo 40 do Regimento Interno da CAMEX (Resolução CAMEX n. 11, de 25/04/2005). Esta norma pode ser acessada no site www.mdic.gov.br . 44- Assinale a opção correta. a) A medida de salvaguarda, quando aplicada, deve incidir tão-somente em relação aos países responsáveis pelo surto de importação no país que adota a medida. A esse respeito, segundo o Acordo sobre Salvaguardas da OMC, a medida somente pode ser aplicada em relação aos países cuja participação no mercado do país importador seja igual ou superior a 30% (trinta por cento) em relação ao produto investigado. b) Os pressupostos de aplicação das medidas de salvaguarda são: (i) surto de importações, (ii) existência de prejuízo grave à indústria nacional e (iii) nexo causal entre o surto de importações e o prejuízo grave à indústria nacional. A ameaça de prejuízo grave não é suficiente para dar ensejo à aplicação de uma medida de salvaguarda. c) A China, que faz parte da Organização Mundial do Comércio, está sujeita à incidência de salvaguardas transitórias. Com base no Protocolo de Acessão do país à Organização, não é necessário o prejuízo grave para que se justifique uma salvaguarda contra a China, bastando, sob este quesito, a ocorrência ou ameaça de desorganização de mercado provocada pelo surto de importações chinesas. d) Como medida de defesa comercial que é, a salvaguarda não dá ensejo à compensação comercial para os países que vierem a ser prejudicados por sua aplicação. e) O surto de importações, para que possa justificar a salvaguarda, precisa ser verificado em termos absolutos. Nesse sentido, não basta que o aumento significativo das importações se verifique apenas em comparação com a produção nacional. Resp.: Letra C. Esta dá para fazer apenas por eliminação, porque ninguém ficou analisando o Acordo de acessão da China à OMC para ver as especificidades. A prova não é para AFRF da China e sim do Brasil. 7

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A letra A está errada, pois as cláusulas de salvaguarda não podem ser discriminatórias em relação a países. Assim foi definido no § 2o do artigo 2o do Acordo sobre Salvaguardas da OMC: ‘As medidas de salvaguarda serão aplicadas a um produto importado independentemente de sua procedência.’ A letra B está incorreta, pois, em relação às cláusulas de salvaguarda, o conceito de dano está na própria o definição do artigo 1 do Acordo sobre Salvaguardas: “Art. 1º Poderão ser aplicadas medidas de salvaguarda a um produto se de uma investigação resultar a constatação, de acordo com as disposições previstas neste regulamento, de que as importações desse produto aumentaram em tais quantidades e, em termos absolutos ou em relação à produção nacional, e em tais condições que causem ou ameacem causar prejuízo grave à indústria doméstica de bens similares ou diretamente concorrentes.” Ou seja, a existência de prejuízo grave não é pressuposto para a imposição de cláusulas de salvaguarda. Estas podem ser impostas também quando houver AMEAÇA de prejuízo grave. A letra D é absurda. Toda medida de defesa comercial permite, em tese, a compensação comercial (não confundir com as chamadas medidas compensatórias que são usadas exclusivamente para a defesa contra subsídios). A letra E é falsa, pois há permissão de se imporem cláusulas de salvaguarda mesmo que não haja aumento de importações em termos absolutos, mas em termos relativos. Ou seja, mesmo que a quantidade importada se mantenha a mesma de um período para outro, mas a produção nacional caia, é admissível a imposição das salvaguardas. É o que dispõe o artigo 2o do Acordo sobre Salvaguardas: o “§1 Um membro poderá aplicar uma medida de salvaguarda em relação a um produto unicamente se tiver determinado, em conformidade com as disposições a seguir enunciadas, que esse produto é importado no seu território em quantidades de tal modo elevadas, em termos absolutos ou em relação à produção nacional [em termos relativos], e em tais condições que cause ou ameace causar um prejuízo grave à indústria nacional de produtos similares ou diretamente concorrentes.”

45- A respeito de defesa comercial, assinale a opção correta. a) Caso não seja possível o cálculo do preço de exportação, ou caso o preço seja duvidoso segundo os parâmetros da legislação aplicável, o preço de exportação do produto investigado pode ser construído pela autoridade investigadora para fins de constatação da prática do dumping. b) Para neutralizar a prática do dumping, o país prejudicado pode aplicar uma medida antidumping, respeitando o princípio da não-seletividade, ou seja, a aplicação da medida deverá atingir todas as importações do produto em questão, não importando sua procedência. c) Segundo as normas da OMC, pratica dumping a empresa que vende no mercado de outro país abaixo do seu preço de custo. d) Para a aplicação da medida antidumping é necessária a comprovação do dolo específico, ou seja, do objetivo da empresa estrangeira de eliminar ou restringir a ação da concorrência no país importador. e) A aplicação da medida antidumping pode ser feita de modo tanto qualitativo, por meio de um direito antidumping ad valorem ou específico, ou de modo quantitativo, ou seja, por meio da definição de uma cota que restrinja o ingresso do produto no mercado do país importador. Resp.: Letra A. A letra B é absurda: seria punir o culpado e o inocente. Somente deve ser imposta uma alíquota antidumping sobre as importações procedentes do país que pratica o dumping. A letra C é incorreta, pois o conceito de dumping dado no Acordo sobre a Implementação do Artigo VI do GATT e também no Decreto 1.602/95 é: “Venda para exportação por um preço inferior ao seu valor no mercado do país exportador.” E a comparação que se faz com o preço de exportação é relativamente ao preço normal de venda e não em relação ao custo de produção. Em relação à letra D, uma medida antidumping somente pode ser tomada se ficar provado o DUMPING, o DANO e o NEXO CAUSAL, em que se prove que o dano decorre do dumping. Esta é a lógica do artigo 42 do Decreto 1.602/95: “Art. 42. A investigação será encerrada com aplicação de direitos, quando a SECEX chegar a uma determinação final da existência de dumping, de dano e de nexo causal entre eles.” 8

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Portanto, os critérios são objetivos e não subjetivos. Não se vê a intenção, mas apenas se há dumping e se este está causando um dano. Em relação à letra E, a forma de defesa contra dumping é exclusivamente na forma de uma alíquota. Não existe a possibilidade de uso de quotas. As alíquotas antidumping serão cobradas no montante equivalente à margem de dumping, ou seja, é uma alíquota que fará o importador gastar exatamente o valor que gastaria se não houvesse o dumping. A diferença entre o preço do bem no mercado do país de exportação e o preço pelo qual ele está sendo exportado será embolsada pelo Governo. A alíquota antidumping é barreira não-tarifária, visto que é cobrada como sanção de ato ilícito internacionalmente. Não se confunde, portanto, com o imposto de importação. 46- Assinale a opção incorreta. a) O Sistema Harmonizado, composto por 21 Seções, constitui instrumento empregado internacionalmente para a classificação de mercadorias, a partir de uma estrutura de códigos e suas respectivas descrições. Os Capítulos 98 e 99 do referido Sistema, contudo, foram reservados para usos especiais dos países vinculados a ele. O Brasil emprega o Capítulo 99 para registrar operações como, por exemplo, de consumo de bordo de combustíveis. b) No que atine à interpretação do Sistema Harmonizado, quando uma mercadoria aparentemente possa ser classificada em duas ou mais posições, a classificação deve ser feita, em regra, pela posição mais genérica em detrimento das mais específicas. c) A classificação fiscal da mercadoria deve ser feita pelo próprio importador. Não obstante, em caso de dúvida sobre a classificação do bem, há previsão legal para que, respeitados parâmetros, seja formulada consulta à autoridade aduaneira com vistas à correta classificação da mercadoria. d) Dos oito dígitos que compõem a Nomenclatura Comum do Mercosul, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, ao passo em que o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos definidos no âmbito do Mercosul. e) Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos do Sistema Harmonizado têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Resp.: Letra B. Recurso para anular a questão pois existem duas alternativas incorretas: Letras A e B. Vejamos a letra A. O capítulo 77 está reservado para utilização futura do SH (quando descoberto um novo elemento na natureza, por exemplo) e os capítulos 98 e 99 para utilização das partes contratantes (os países que aderiram ao SH). Houve um equivoco da ESAF quando falou que o capítulo 99 é utilizado no Brasil para consumo de bordo de combustíveis. Ela falou isso se baseando no artigo 26 da Portaria SECEX 15/2004 que dispõe: “Art. 26. Nas operações da espécie [consumo de bordo] deverão ser observados os seguintes procedimentos: I – os RE deverão ser solicitados com base no movimento das vendas realizadas no mês, até o último dia útil do mês subseqüente, utilizando-se, para preenchimento do campo do RE destinado ao código da NCM/SH, os códigos especiais pertinentes disponíveis no próprio Sistema e no endereço eletrônico deste Ministério;” O endereço a que se refere o inciso I é: (http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivo/secex/opeComExterior/conPorSecex/tabela10.pdf) Lá consta a seguinte tabela, somente aplicável às exportações: X – TABELA DE CÓDIGOS ESPECIAIS 99910000-00 ENCOMENDAS POSTAIS 99920000-00 AMOSTRAS 99970000-00 MERCADORIAS DOADAS 99980101-00 CONSUMO DE BORDO - COMBUSTÍVEIS E LUBRIF.P/EMBARCAÇÕES 99980102-00 CONSUMO DE BORDO – COMBUSTÍVEIS E LUBRIF.P/AERONAVES 9

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99980201-00 CONSUMO DE BORDO - QUALQUER OUTRA MERCAD.P/EMBARCAÇÕES 99980202-00 CONSUMO DE BORDO - QUALQUER OUTRA MERCAD.P/AERONAVES 99980202-00 CONSUMO DE BORDO - QUALQUER OUTRA MERCAD.P/AERONAVES 99997101-00 PEDRAS EM BRUTO DO CAPÍTULO 71 DA NCM 99997102-00 PEDRAS LAPIDADAS/TRABALHADAS DO CAPÍTULO 71 DA NCM 99997103-00 JOALHERIA DE OURO DO CAPÍTULO 71 DA NCM 99997104-00 OUTROS ARTIGOS DO CAPÍTULO 71 DA NCM Aqui há três erros de interpretação da ESAF: o 1 ) se considerássemos que o capítulo 99 da NCM/SH é usado apenas nas exportações, estaria sendo ferido o o Decreto 2.376/97 que dispõe no artigo 4 o “Art. 4 – A NCM é adotada como nomenclatura única nas operações de comércio exterior.”. Ou seja, não podem ser definidos códigos NCM apenas para exportação. A NCM é nomenclatura única, valendo tanto para as importações como para as exportações. Portanto, aqueles códigos acima não são códigos NCM. Mas o inciso I acima transcrito não disse que eram? Não. Aqui está o segundo erro de interpretação da ESAF. 2 ) Quando o inciso I dispõe: “... utilizando-se, para preenchimento do campo do RE destinado ao código da NCM/SH, os códigos especiais pertinentes disponíveis no próprio Sistema e no endereço eletrônico deste Ministério...” não se está dizendo que aqueles códigos especiais são a NCM. Está escrito o seguinte: “No campo em que o exportador deveria informar o código NCM, ele vai informar um código especial constante no sistema.” Em momento algum se afirma que os códigos especiais são códigos NCM, pois não existem códigos apenas para exportação. O código NCM de uma mercadoria tem que valer tanto para a importação quanto para a exportação. 3 ) Em terceiro lugar, vê-se que os códigos da tabela X não obedecem à regra de formação de um capítulo NCM. Para serem códigos do capítulo 99 da NCM, os códigos deveriam ser 9901, 9902, 9903, ... e não 9991, 9992, 9997,... Concluindo, a Tabela X constante no SISCOMEX e no site do MDIC não é o capítulo 99 da NCM. Este está em branco. Logo, a letra A está incorreta. Letra B: a regra 3-A diz exatamente o contrário da assertiva, ou seja: “quando pareça que uma ou mais mercadorias possam ser classificadas em mais de uma posição, a classificação deve ser feita, em regra, pela posição MAIS ESPECÍFICA, em detrimento da mais genérica. Vejamos o que diz a regra literalmente: 3. QUANDO PAREÇA QUE A MERCADORIA PODE CLASSIFICAR-SE EM DUAS OU MAIS POSIÇÕES POR APLICAÇÃO DA REGRA 2 b) OU POR QUALQUER OUTRA RAZÃO, A CLASSIFICAÇÃO DEVE EFETUAR-SE DA FORMA SEGUINTE: 3-a) A POSIÇÃO MAIS ESPECÍFICA PREVALECE SOBRE AS MAIS GENÉRICAS. TODAVIA, ....
o o

Vejam o exemplo: Imaginem uma mesa composta de madeira e ferro. Não há uma posição para “móveis de madeira e ferro”. Assim, a regra 1 não se aplica. Vamos à regra 2. Se existir uma posição para “móveis de qualquer material” e outra para “mesas de qualquer material”, é claro que a posição de mesas seria mais específica (regra 3-A), e ali deveria ser enquadrado o produto.....” Letra C: Correta. Pode haver consulta à SRF como dispõe o artigo 26 da Instrução Normativa SRF 327/2003. Letra D: Correta. O Sistema Harmonizado é uma nomenclatura internacional criada em 1983 para harmonizar as nomenclaturas dos vários países. Mas na Convenção do SH ficou determinado que os países signatários poderiam agregar quantos dígitos achassem necessário para um detalhamento maior. Letra E: Correta. Esta é a Regra número 1 de classificação do Sistema Harmonizado: 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E 10

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DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. ....... Traduzindo a regra, o que vale para classificar são os textos das posições e das notas. Títulos de capítulo, de subcapítulo e de seção têm apenas valor indicativo. Por essa regra, se o texto da posição diz “móveis para bebês”, você, EM PRINCÍPIO, só vai poder enquadrar ali móveis para bebês, e não para crianças maiores. 47- Assinale a opção correta. a) Não integram o valor aduaneiro do bem os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada até o ponto onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro. b) Caso não seja possível a determinação do valor aduaneiro pelo método do valor de transação, a autoridade aduaneira está autorizada a, em seguida, definir o valor aduaneiro do bem tendo como parâmetro o preço do produto similar no mercado doméstico. c) A autoridade aduaneira no Brasil deve respeitar a seqüência de métodos de valoração aduaneira prevista no Acordo sobre Valoração Aduaneira da OMC. Contudo, caso haja a aquiescência da autoridade aduaneira, o importador pode optar pela aplicação do método do valor computado antes do método dedutivo. d) Não integra o valor aduaneiro da mercadoria o custo de transporte do bem importado até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro. e) O Acordo sobre Valoração Aduaneira da OMC é um dos chamados acordos plurilaterais da Organização, ou seja, vincula apenas os países que desejarem aderir ao Acordo, situação na qual se enquadra o Brasil. Resp.: Letra C. A letra A está incorreta porque os gastos de carga, descarga e manuseio COMPÕEM o Valor Aduaneiro (VA).Vejam o artigo 4°, II da IN/SRF 327/2003: “Art. 4º Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I - ... II - os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e” A letra B está incorreta, pois caso não seja possível a utilização do valor de transação (método 1), utiliza-se o valor de transação de mercadorias idênticas (método 2), e não o preço do similar no mercado doméstico. Vejam o artigo 2 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA): “Artigo 2 1.(a) Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado segundo as disposições do Artigo 1, será ele o valor de transação de mercadorias idênticas vendidas para exportação para o mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração ou em tempo aproximado;” A letra C está correta. o o Isto cai sempre em prova. O importador pode solicitar a inversão do método 4 (dedutivo – artigo 5 ) com o o o o método 5 (computado – artigo 6 ), desde que a aduana concorde. Vejam o artigo 4 do AVA: “Artigo 4 (AVA) Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser definido segundo o disposto nos Artigos 1, 2 ou 3, será ele determinado de acordo com as prescrições do Artigo 5 ou, se isto não for possível, a determinação do valor será feita de conformidade com o disposto no Artigo 6, a menos que, a pedido do importador a ordem de aplicação dos Artigos 5 e 6 seja invertida.” Esse artigo apenas indica que, caso não seja possível a aplicação dos métodos 1, 2 e 3, o valor será determinado pelo método 4 (valor de revenda deduzido), a menos que o importador solicite a utilização do método 5 (custo reconstituído), e a aduana concorde com a troca. 11

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A letra D é incorreta. Os gastos de frete internacional COMPÕEM o VA, conforme o artigo 4°, I da IN/SRF 327/2003. Vejamos o texto do dispositivo: “Art. 4º Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I - o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro;” A letra E é incorreta porque o AVA é um dos Acordos Multilaterais (e não plurilaterais) da OMC, ou seja, obriga a todos os países-membros. Já os plurilaterais somente obrigam aqueles que expressamente os tenham aceitado. Base normativa: Anexo do Decreto 1.355/94. 48- Atribua a letra (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas. Em seguida, marque a opção que contenha a seqüência correta. ( ) Para fins de concessão de benefício tributário, a origem de um produto nem sempre coincide com a sua procedência. ( ) O “Formulário A”, documento expedido pela Secretaria de Comércio Exterior (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), é o instrumento que atesta a origem do produto para fins de concessão de tratamento tributário diferenciado no âmbito do Sistema Geral de Preferências. ( ) O Acordo sobre Regras de Origem da OMC define, para cada Capítulo do Sistema Harmonizado, o critério utilizado para se conferir origem aos produtos do Capítulo. ( ) Entre os critérios possíveis para se conferir origem estão, por exemplo, o salto na classificação tarifária e a agregação de valor. ( ) Segundo o Acordo sobre Regras de Origem da OMC, as regras de origem não-preferenciais devem ser definidas de maneira positiva (ou seja, devem indicar o que confere origem, e não o que não confere origem). Normas negativas, contudo, podem ser empregadas para esclarecer uma norma positiva. ( ) O Certificado de Origem Mercosul apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados. Assinale a seqüência correta. a) V V F F V F b) F V V F V F c) F F V F F V d) V F V V V V e) V F F V V V Resp.: Letra E. 1 – Verdadeiro. País de origem é o país que produziu a mercadoria ou que promoveu uma transformação substancial. País de procedência é o país de onde vem a mercadoria. Pode ter sido produzida em um país, mas ter sido vendida para outro, do qual agora nós compramos. O país de origem será um; o de procedência, outro. Estes conceitos estão no artigo 425 do Decreto 4.543/2002, que é o Regulamento Aduaneiro. 2 – Falso. Conforme dispõe o artigo 51 da Portaria SECEX 15, de 2004, a emissão do Formulário A é competência do Banco do Brasil e não da SECEX. Isto caiu na prova de AFRF 2003. 3 – Falso. O Acordo sobre Regras de Origem apenas dá as diretrizes para os diversos blocos criarem suas próprias regras de origem. É um acordo internacional, administrado pela OMC, cujo objetivo é definir regras claras para harmonizar as regras de origem usadas pelos vários países. Os blocos comerciais devem, ao manterem seus regimes de origem, se basear nos padrões definidos neste acordo internacional. 4 – Verdadeiro. O critério do salto tarifário no Mercosul, por exemplo, é previsto como mudando-se a posição da mercadoria no SH. E a agregação de valor se refere ao percentual mínimo que um país deve agregar à mercadoria para ser considerada originária dele e obter o benefício da não-tributação, entre outros (No Mercosul, o percentual básico é de 60% e na ALADI, 50%). 5 – Verdadeiro. Está escrito no Acordo Sobre Regras de Origem: “(g) as regras de origem deverão basear-se numa regra positiva. As regras negativas poderão ser usadas para fins de esclarecer uma regra positiva.” 6 – Verdadeiro. Caso um certificado de origem de uma mercadoria seja fraudulento, ou seja, defina um país como originário daquele mercadoria, quando na verdade não o é, o certificado poderá ser rejeitado. 12

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49- Assinale a opção que completa corretamente a lacuna abaixo. A / O ________________ consiste em modalidade de financiamento de exportações em que o exportador recebe os recursos relativos à operação após o embarque da mercadoria, com base no título de crédito gerado pela operação, antes, porém, que o banco tenha recebido as divisas relativas à transação. a) Carta de Crédito de Exportação b) Cobrança de Exportação c) Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) d) Convênio de Pagamento de Crédito Recíproco e) Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) Resp.: Letra E. O ACC somente pode ser celebrado antes do embarque. E o prazo é de no máximo 360 dias antes do embarque. O que ocorre quando, após a celebração do ACC, houver o embarque? Deve ser transformado o ACC em ACE, que é o Adiantamento sobre Cambiais Entregues. O ACE é mais parecido ainda com o desconto de duplicata, pois a cambial (ou letra de câmbio) descontada é um título de crédito, assim como a duplicata. Ambos os títulos possuem a mesma função, só mudando o escopo do seu uso. A cambial é usada no comércio exterior e a duplicata é usada no comércio interno. Quem pode fazer ACC/ACE? Qualquer banco que o Banco Central tenha autorizado a operar em câmbio: o Itaú, o Bradesco, o Real e qualquer outro. E pode fazer isso em relação às exportações de quaisquer mercadorias. A transformação de ACC em ACE tem valor apenas contábil. Esta transformação não gerará novos valores nem custos para o exportador brasileiro, pois já recebeu e pagou tudo a que tinha direito. O ACC ocorre antes do embarque. O ACE após o mesmo.

50- A respeito das modalidades de pagamentos internacionais, relacione as colunas e, em seguida, assinale a opção correta. 1. remessa sem saque 2. remessa antecipada 3. cobrança à vista 4. crédito documentário ( ) forma de pagamento mediante a qual o importador remete previamente o valor parcial ou total da transação, após o que o exportador providencia a exportação da mercadoria e o envio da respectiva documentação. ( ) forma de pagamento em que, após a expedição da mercadoria, o exportador entrega a um banco de sua preferência os documentos de embarque, juntamente com um saque contra o importador. O banco, a seu turno, remete os documentos, acompanhados de um carta-cobrança, a seu correspondente na praça do importador, para cobrar do sacado. Efetuado o pagamento, o banco libera a documentação ao importador, para que ele possa retirar a mercadoria na alfândega. ( ) modalidade de pagamento não empregada com muita freqüência no comércio internacional, por colocar o importador na dependência do exportador, implicando, assim, riscos para o primeiro, à medida que, enquanto não receber a mercadoria, não poderá ter certeza do cumprimento regular da obrigação por parte do exportador. ( ) forma de pagamento utilizada em contratos internacionais segundo a qual um banco, por instruções de um cliente seu, compromete-se a efetuar um pagamento a um terceiro, contra a entrega de documentos estipulados, desde que os termos e condições sejam cumpridos. ( ) modalidade de pagamento que envolve maior risco para o exportador, razão pela qual é pouco empregada no comércio internacional (salvo nas importações realizadas por filiais ou subsidiárias de firmas no exterior). ( ) forma de pagamento segundo a qual o importador recebe diretamente do exportador os documentos de embarque, promove o desembaraço da mercadoria na aduana e, posteriormente, providencia a remessa da quantia respectiva para o exterior. a) 3, 4, 3, 2, 4, 1 b) 2, 3, 2, 4, 1, 1 c) 3, 4, 3, 1, 4, 2 d) 1, 3, 1, 4, 2, 2 13

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e) 2, 4, 2, 1, 3, 3 Resp.: Letra B. Cada modalidade de pagamento tem custos e riscos. Cabe já destacar a carta de crédito como sendo a modalidade mais usada por ser a mais segura. 1a Modalidade de Pagamento: Pagamento Antecipado ou Remessa Antecipada Por pagamento antecipado, entende-se o pagamento que é feito antes do embarque da mercadoria no exterior com destino ao Brasil. De quem é o risco quando se usa a modalidade de “pagamento antecipado”? No caso do pagamento antecipado com mercadoria que embarca no exterior a título definitivo, com certeza o risco é do importador, já que ele paga e depois fica esperando o exportador mandar a mercadoria. 2a Modalidade de Pagamento: Cobrança A modalidade de cobrança traz total segurança ao importador. Mas agora é o exportador que fica inseguro. Por quê? Vejamos. Na modalidade cobrança obviamente o pagamento é feito após o embarque, senão seria pagamento antecipado. Na modalidade cobrança, a mercadoria é embarcada e depois o exportador envia os documentos ao importador usando os serviços de um banco. E fica aguardando agora o pagamento que pode não ocorrer... 3 Modalidade de Pagamento: Remessa sem Saque É a remessa dos documentos diretamente do vendedor ao comprador. Justamente por irem direto para o comprador não há porque se pedir a assinatura de uma letra de câmbio. Por isso, não há saque, ou seja, não há letra de câmbio. Ora, se os documentos não estão vindo por bancos, é porque o vendedor confia no comprador, senão não daria os documentos “de graça”. Em qual modalidade o exportador está sujeito aos maiores riscos? Com certeza, na remessa sem saque, já que os documentos são dados “de graça” para o comprador. 4 Modalidade de Pagamento: Carta de Crédito ou Crédito Documentário A carta de crédito é o compromisso que o banco assume de pagar ao exportador estrangeiro caso este cumpra tudo o que estiver definido na carta. É a modalidade mais segura porque existe a intervenção bancária na análise do cumprimento das condições da carta por parte do vendedor. E também para o vendedor é mais seguro porque quem se compromete em lhe pagar é um banco e não um importador. Bancos são mais sólidos.
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