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SANEAMENTO AMBIENTAL

TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE
MÓDULO II

ÍNDICE
CONCEITOS

02

RECURSOS DO AR

05

RECURSO ÁGUA

12

CONTROLE DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

36

TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS

44

GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

57

ANEXOS

71

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MÓDULO II
1)

CONCEITOS
Antes de estudar os temas relacionados à área ambiental é necessário conhecer alguns conceitos
comuns a essa área, além do que representa o próprio meio ambiente. A seguir temos algumas definições
que fazem parte do vocabulário do profissional ligado ao meio ambiente.
MEIO AMBIENTE
A definição de meio ambiente é dada pela Lei 6938/81, que trata da Política Nacional de Meio Ambiente.
De acordo com esta lei meio ambiente é:
“O conjunto de condições, leis, influências, interações de ordem física, química e biológica, que
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
RECURSOS NATURAIS
Também de acordo com a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA – Lei 6938/81), em seu Artigo 3o
Inciso V, recurso natural é a denominação aplicada a “todas as matérias-primas, tanto aquelas
renováveis como as não renováveis, obtidas diretamente da natureza, e aproveitáveis pelo
homem”.
Estes recursos são: A atmosfera; as águas interiores, superficiais e subterrâneas; os estuários; o mar
territorial; o solo e o subsolo; os elementos da biosfera; a fauna; a flora.

RECURSO RENOVÁVEL
Diz-se do recurso natural que pode ser produzido, regenerado ou reutilizado em uma escala que
possa sustentar a sua taxa de consumo.

RECURSO NÃO-RENOVÁVEL
É aquele que existe em quantidade limitada, e que, na escala de consumo existente este se esgotará.
Os recursos não-renováveis de maior destaque são os combustíveis fósseis.

COMBUSTÍVEL FÓSSIL
É a denominação dada a restos orgânicos, utilizados atualmente para produzir calor ou força através da
combustão. Incluem petróleo, gás natural e carvão. Fóssil porque foi originado em uma época geológica
diferente da atual.
IMPACTO AMBIENTAL
A definição de impacto ambiental é dada pela Resolução CONAMA 01/86, que trata das atividades
potencialmente poluidoras que necessitam de Estudos de Impacto Ambiental. Em seu Artigo 1 o ela diz
que:
“Considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das
atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da
população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do
meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais”.

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BIOTA
É a denominação utilizada para o conjunto da fauna e flora de uma determinada região. A fauna
representa o conjunto de animais e a flora o conjunto de vegetais.
SUSTENTABILIDADE
Sustentabilidade é a capacidade de um processo ou forma de apropriação dos recursos, continuar a
existir por um longo período. Esse conceito possui relação direta com a Constituição Federal do Brasil.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL – CAPÍTULO EXCLUSIVO SOBRE O MEIO AMBIENTE
A constituição federal possui um capítulo exclusivo sobre o meio ambiente. O artigo que inicia este
capítulo é o 225. Este artigo diz que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público
e a coletividade o dever de proteger e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
ACIDENTE AMBIENTAL
É um acontecimento inesperado e indesejado que pode causar, direta ou indiretamente, danos ao meio
ambiente e à saúde.

Principais Acidentes Ambientais

No Mundo
1974: Flixborough – Inglaterra
Explosão por vazamento de ciclohexano
28 pessoas mortas e 36 gravemente feridas
1821 residências e 167 estabelecimentos comerciais afetados
1976: Seveso – Itália
Vazamento de gases tóxicos
Evacuação de 736 pessoas
Morte imediata de toda a vegetação próxima a indústria
193 casos de cloro-acne
1984: Bhopal – Índia
Vazamento de Isocianato de Metila
Cerca de 4000 mortes (após 25 anos, algumas fontes falam em 22.000)
200.000 pessoas intoxicadas
1986: Chernobyl – Rússia
Explosão de uma usina nuclear
Gases radioativos se espalharam por diversos países
1989: Alaska – Exxon Valdez
Vazamento de Petróleo
2010 – Golfo do México – Deepwater Horizon
Vazamento de Petróleo

No Brasil
1984: Vila Socó – Cubatão/SP
Vazamento de Gasolina
93 mortos (extraoficial 500)

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Contaminação da lagoa e dos manguezais. EDUCAÇÃO AMBIENTAL De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei no 9795/99). Cataguazes de Papel – Cataguazes/MG Vazamento de licor negro Destruição da biota aquática. praias e à população de pescadores 2003: Ind. entre outras ações. e para comunicar os resultados deste processo ao interessado. A enxurrada de lama devastou o distrito de Bento Rodrigues. são os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais. O exercício da pesca foi proibido pelo IBAMA e houve corte no abastecimento de água. A lei que trata deste assunto é a Lei no 9.CIEN PÁGINA 4 DE 71 .TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II 2000: Rios Barigui e Iguaçú – Araucária/PR Vazamento de Óleo Morte da fauna e flora aquática e terrestre da área atingida Contaminação aguda da água 1975. Ou ainda. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . a conduta que ignora normas ambientais legalmente estabelecidas mesmo que não sejam causados danos ao meio ambiente. deixando um rastro de destruição à medida que avança pelo Rio Doce. 2000 e 2006: Baía de Guanabara – Rio de Janeiro/RJ Vazamento de petróleo Danos aos manguezais. conhecimentos. executado para obter e avaliar. 2015 – Rompimento da Barragem de Mariana Liberação cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. evidências de auditoria para determinar se as atividades. de forma objetiva. Os crimes ambientais são previstos em lei. instituir a educação ambiental entre as pessoas envolvidas. patrimônio cultural) que ultrapassam os limites estabelecidos por lei. utilizar técnicas e equipamentos ambientalmente corretos. atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. De um modo geral. eventos. habilidades. bem de uso comum do povo. CRIME AMBIENTAL São considerados crimes ambientais as agressões ao meio ambiente e seus componentes (flora. fauna.605/98 (Lei de Crimes Ambientais). essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. bem como as sanções penais e administrativas a seus infratores. recursos naturais. GESTÃO AMBIENTAL Trata-se do processo de administrar atividades econômicas e sociais de forma a utilizar de maneira racional os recursos naturais existentes. significa atender às normas e leis ambientais existentes. investir em qualidade ambiental de modo a reduzir os impactos ambientais gerados. AUDITORIA AMBIENTAL Auditoria ambiental é o processo sistemático e documentado de verificação. sistema de gestão e condições ambientais especificados ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria.

Comparando com outras necessidades da vida. podendo classificá-la pela química. tem-se a mesosfera. de oxigênio (21%). FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS E SEUS EFEITOS A atmosfera da Terra é uma camada formada por uma mistura de gases que protegem todos os seres vivos das radiações e partículas perigosas que vêm do Sol e do espaço. Esta quantidade diária de ar inspirado entra em contato com 70 m2 de superfície alveolar. mas não mais que 5 minutos sem ar. É também a região onde as aeronaves comerciais voam.5°C para cada quilômetro de altitude. Sua composição química básica é igual em torno da Terra. variando com a latitude. A TROPOSFERA é a camada mais baixa da atmosfera estendendo-se do solo até uma altitude de 10 – 16 km (tropopausa). o que resulta em um perfil de temperatura decrescente com a altura.CIEN PÁGINA 5 DE 71 . nos pulmões. atingindo um valor mínimo (mesopausa) em torno de 90 km – tal comportamento é devido às ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . É composta de nitrogênio (78%). e de outros gases (1%). A ESTRATOSFERA é caracterizada por um perfil de temperatura crescente até atingir um valor máximo (estratopausa) em torno de 50 km – esse limite de temperatura é o resultado da liberação de calor pela absorção da radiação solar ultravioleta do tipo B (205 nm) pelo ozônio. Estima-se que uma pessoa pode viver 5 semanas sem alimento. sendo essencial para os sentidos da visão. variando a distribuição e a concentração dos gases em função da latitude e da temperatura. 1. Um homem adulto requer diariamente cerca de 15 Kg de ar. estratosfera.5 Kg de alimento sólido e 2.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II 2) RECURSOS DO AR ATMOSFERA. as chuvas e a neve. apresentando um perfil de temperatura que decresce novamente.0 l de água. Acima da Estratopausa. É convencional dividir a atmosfera em camadas. pela concentração de elétrons e pelo perfil vertical da temperatura. militares e os balões de pesquisa. à razão de 6. olfato e audição. que são separadas pelos limites: tropopausa. Nos pólos atinge até 10 km e nas regiões equatoriais chega aos 16 km – a principal fonte de calor é a radiação solar absorvida e irradiada pela superfície. É a camada onde ocorrem os fenômenos meteorológicos. 5 dias sem água. A divisão das camadas pela temperatura as classifica em: troposfera. mesosfera e termosfera. estratopausa e mesopausa. como as nuvens. o ar tem um consumo contínuo obrigatório. Nessa região voam os jatos supersônicos.

CAMADA DE OZÔNIO Um dos gases minoritários mais importantes é o ozônio. Esta região é denominada de camada de ozônio. Acima da MESOPAUSA. as temperaturas podem alcançar de 220° a 1. além de não haver gases ou nuvens capazes de absorver a radiação solar.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II emissões térmicas na faixa do infravermelho e aos processos de turbulências locais. Essa é a região onde observamos os meteoros (partículas de poeira vindas do espaço e que são queimadas pela atmosfera. onde. É uma camada que atinge altas temperaturas pois nela há o oxigênio atômico. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . constituído por 3 átomos de oxigênio. produzindo efeito luminoso).CIEN PÁGINA 6 DE 71 . a temperatura cresce rapidamente com a altitude e tem tendência isotérmica. mas é na região entre 20 e 35 km de altitude que está a sua maior concentração. na termosfera. Ele é encontrado em toda a atmosfera. seu símbolo químico é o O3.700°C. gás que absorve a radiação solar em grande quantidade. são conhecidos popularmente como estrelas cadentes. cerca de 90% do total de ozônio. dependendo da atividade solar.

É na região da camada de ozônio que 90% da radiação ultravioleta do tipo B é absorvida.CIEN PÁGINA 7 DE 71 . São chamadas de nuvens estratosféricas polares e são formadas por ácido nítrico dissolvidos em partículas de gelo e compostos de cloro. É nessa região que a radiação UV-B é absorvida em aproximadamente 90%. quebrando em dois átomos de oxigênio (O). de agosto a novembro. A camada de ozônio na estratosfera apresenta-se como uma camada muito fina nos trópicos (ao redor do Equador) e mais densa nos pólos. sobem até a estratosfera e interagem com a radiação ultravioleta. existem apenas 5 moléculas de ozônio para cada milhão de moléculas de oxigênio. interage com a molécula de oxigênio (O2). o ozônio é criado quando a radiação ultravioleta. Na estratosfera. responsável pelo aumento da temperatura da superfície. de origem solar. que é nociva aos seres vivos. que são produzidos pelas indústrias. O BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO A atmosfera antártica tem um fenômeno peculiar que só acontece entre os meses de agosto a novembro e é conhecido como buraco de ozônio. Esse quadro permanece por alguns meses. durante o inverno. liberando o cloro. ar-condicionado). na troposfera. em torno de 28 km de altura. a radiação UV deve ter uma faixa de energia específica. Esses gases são levados por ventos da estratosfera das regiões de latitudes menores. em função da altitude que se encontra. essas nuvens interagem com a radiação ultravioleta e liberam milhões de átomos de cloro. Quando o Sol aparece novamente na primavera. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . na fabricação de aerossol e de plásticos. o que implica que um átomo de cloro pode destruir milhares de moléculas de ozônio. Sua importância está no fato de que é o único gás que filtra a radiação ultravioleta. A produção de ozônio não é suficientemente rápida e a concentração da camada de ozônio cai drasticamente. Esses gases permanecem na atmosfera por muitos anos. especialmente os usados na refrigeração (geladeira. onde a circulação atmosférica é mais isolada. O ozônio tem funções diferentes na atmosfera. tanto para o Pólo Sul como para o Pólo Norte. formando o ozônio (na presença de um catalisador). Ele consiste de uma grande destruição das moléculas de ozônio pelos gases CFCs (cloro-fluor-carbono). e lá se concentram e ficam armazenados. o dióxido de carbono (CO 2). deve formar ventos muito fortes.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Na região de maior concentração. o ozônio é um gás muito reativo e interage com muitas substâncias. do tipo-B. Entretanto. para o Pólo Sul. sua ausência ou diminuição na troposfera provocaria impactos consideráveis como o aumento do metano (CH4) e do monóxido de carbono (CO). Do equilíbrio entre a produção e perda resulta a concentração da camada de ozônio na estratosfera. que destroem rapidamente o ozônio. b) É preciso que sejam formadas nuvens congeladas muito frias (abaixo de -80°C). Entretanto. que é um grande destruidor do ozônio. especialmente no Pólo Sul. junto com o monóxido de carbono (CO). o ozônio perde a sua função de protetor e se transforma em um gás poluente. o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Para essa reação ocorrer. O átomo de oxigênio liberado se une a uma molécula de oxigênio. Para ocorrer o buraco de ozônio. são necessárias algumas condições específicas: a) A meteorologia da estratosfera. No nível do solo. para os pólos. O cloro pode viver até 100 anos e o ozônio. poucos dias. onde foram produzidos.

Na verdade. impedindo que o planeta esfrie demasiadamente.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II O buraco de ozônio começa em cima dos pólos e vai aumentando de tamanho até alcançar regiões fora da Antártica. pois a circulação atmosférica isolada se quebra e o ar rico em ozônio. A destruição da camada de ozônio ocorre em toda a Terra. a destruição perde a força. acredita-se que chegamos atualmente ao patamar máximo de destruição do ozônio e que a tendência. aumentando a temperatura da superfície e da atmosfera inferior. No centro da Antártica a destruição da concentração do ozônio pode alcançar até 80% e. O restante da energia incidente é absorvido pela atmosfera em sua maior parte pela superfície da Terra. as nuvens absorvem enormes porções da energia refletida pela superfície. Ele absorve a energia emitida pela superfície e junto com outros gases existentes na atmosfera absorve uma parte dessa radiação e reflete a outra parte de volta para a superfície. cerca de 0. EFEITO ESTUFA O efeito estufa é um fenômeno atmosférico que produz aquecimento da temperatura superficial da Terra. Por isso. as nuvens são muito importantes. As emissões atualmente estão controladas e os gases CFCs foram substituídos por outros componentes químicos. é da lenta recuperação da camada até o ano de 2045. juntamente com as nuvens. as nuvens funcionam como controladoras da temperatura da superfície do planeta e qualquer processo que altere a quantidade média das nuvens afetará a nossa vida. das regiões vizinhas. A maior consequência da diminuição da camada de ozônio é o aumento da radiação ultravioleta que chega até o solo. alcançando o sul do continente americano. controla a temperatura da terra. Ou seja. As nuvens contribuem refletindo 23% da energia incidente. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . que. e a camada de ozônio se equilibra. quando os países participantes do tratado se comprometiam a reduzir pela metade a emissão desses gases destruidores do ozônio até o ano de 2000. é transferido para a região do buraco. 60%. pois funcionam como barreira para a insolação emitida pela terra. A primeira iniciativa global de resolver o problema foi a assinatura do Protocolo de Montreal. Da mesma forma que refletem grande quantidade de energia vinda do Sol. em torno de 51% da radiação recebida. A superfície absorve a maioria da radiação solar que chega até o solo. sem ser aproveitados. Com base nos modelos teóricos e com a diminuição da emissão dos gases nocivos à camada de ozônio. mas em latitudes menores a destruição é menor. Nem toda a energia que chega ao topo da atmosfera atinge a superfície. Outro elemento importante é o gás carbônico. 31% são refletidos para o espaço. Ao alcançar regiões mais quentes.CIEN PÁGINA 8 DE 71 . se nada de novo acontecer. nas regiões vizinhas. em 1987. aquecendo-a e devolve para a atmosfera a radiação infravermelha. como o sul da América do Sul e o sul da Austrália. que não agridem o ozônio e não permanecem por muitos anos na atmosfera. Observa-se que a concentração de ozônio caiu rapidamente a partir de 1980 e atualmente encontra-se variando em torno de um valor mínimo.4% por ano e mais lenta.

os principais são o gás carbônico (CO 2). Os cientistas acreditam que o aumento desse gás ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . o vapor de água é o principal representante. O efeito estufa original é bom para a Terra. o metano (CH4). Entre os outros gases. As temperaturas cairiam para -18ºC se o gás carbônico da atmosfera não absorvesse o calor irradiado pela superfície do planeta. o óxido nitroso (N2O).TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Entre os gases responsáveis pelo efeito estufa (GEE).CIEN PÁGINA 9 DE 71 . sendo responsável por 2/3 (dois terços) do efeito. os CFCs e o ozônio troposférico (ozônio de superfície). mas a concentração de gás carbônico na atmosfera tem crescido continuamente.

como grandes metrópoles. Essa condição pode levar a altas concentrações de poluentes. nos primeiros 10 quilômetros da atmosfera (troposfera). o ar abaixo dessa camada fica mais frio. Este movimento é chamado de corrente de convecção.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II conduzirá a temperaturas mais altas. Entretanto. e a água fria acaba sendo empurrada para baixo. Essa movimentação ocorre porque ao aquecer o ar. No caso da atmosfera. principalmente no período noturno. podendo ocasionar problemas à saúde da população afetada. no inverno elas são mais baixas (ocorrem mais próximas ao solo). onde a água do fundo (próxima a fonte de calor) tende a subir. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . A inversão térmica é uma condição meteorológica que ocorre quando uma camada de ar quente se sobrepõe a uma camada de ar frio. fazendo com que os poluentes se mantenham próximos da superfície. normalmente. Nas últimas décadas. mais pesado. locais de grande circulação de veículos. uma vez que. Essa condição favorece a dispersão dos poluentes presentes na atmosfera. pouco vento e poucas nuvens. esta movimentação pode ser quebrada. com baixas temperaturas. INVERSÃO TÉRMICA Como vimos no início desta unidade. ele se torna mais leve (menos denso) que o ar frio. o ar vai se resfriando à medida que nos distanciamos da superfície da terra. e quando isso ocorre damos o nome de inversão térmica. impedindo o movimento ascendente do ar. que ocorre durante todo o ano. portanto. grande número de indústrias. o ar é aquecido pela superfície terrestre. Este fenômeno pode ser observado ao aquecer uma panela com água. Desta forma o ar frio desce e o ar quente sobe. formando um ciclo de aquecimento e resfriamento. Para que ocorra a inversão térmica é preciso alguns fatores específicos como baixa umidade do ar. O problema associado às inversões térmicas está quando esta ocorre em locais poluídos. O fenômeno pode ocorrer em qualquer época do ano. Essa variação linear de temperatura cria um movimento de ascensão do ar mais quente em direção ao ar mais frio. as emissões antropogênicas de compostos químicos na atmosfera causaram muitos problemas ao meio ambiente e à saúde. As inversões térmicas são um fenômeno meteorológico comum. mas fica mais intenso nas épocas de noites longas. que reflete o calor absorvido pela radiação solar.CIEN PÁGINA 10 DE 71 . sendo que.

nesses dias. CHUVA ÁCIDA A chuva é naturalmente pouco ácida. H2CO3. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . fenômeno esse. que depois se precipitam em forma de chuva. tendo pH em torno de 5. formado pela dissolução de CO2 em H2O. que ocorre principalmente nas cidades industrializadas ou com grande quantidade de veículos automotores. que em reação com as partículas de água que formam as nuvens.7.CIEN PÁGINA 11 DE 71 . A essa intensificação é que é dado o nome de chuva ácida. Estes níveis de acidez não são prejudiciais ao meio ambiente. tem como resultado o ácido nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4).TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Em alguns países tem sido observado. neve ou neblina. Esta acidez baixa é devida à presença de ácido carbônico. No entanto. A chuva ácida ocorre após o lançamento de óxidos de nitrogênio (NO x) e de dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera. esse processo é intensificado em virtude do grande lançamento de gases poluentes na atmosfera. um aumento súbito na incidência de moléstias respiratórias e alérgicas.

qualquer pedaço de madeira. A maior parte dos organismos vive em meio neutro ou levemente ácido.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Em milhares de lagos situados na península escandinava. depois. altera os ecossistemas aquáticos.CIEN PÁGINA 12 DE 71 . Índia. não há qualquer forma de vida. era nos Estados Unidos. Essas nações asiáticas lançam na atmosfera. folha. as bactérias e os fungos decompositores e as algas. os peixes. Não existindo decompositores dentro do lago. contamina a água potável. após vários anos da presença das chuvas ácidas. corrói monumentos históricos. Tailândia – superaram os EUA. e quando há a acidificação de um lago. que não podem formar suas conchas calcárias. danifica edifícios. os países asiáticos – principalmente China. As maiores ocorrências de chuvas ácidas até os anos 1990. contribui para a destruição de florestas. norte da Europa. provavelmente os crustáceos. Esse fato ocorreu quase bruscamente. No entanto. As chuvas ácidas prejudicam as lavouras. prejudica a saúde humana. pois elas são extremamente dependentes do carvão para o desenvolvimento das atividades industriais. e sobretudo. cerca de 34 milhões de toneladas de dióxido de enxofre (SO 2) ao ano. animais não sofrerá decomposição e o leito do lago torna-se um verdadeiro depósito de lixo. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . primeiro desaparecem os moluscos.

sendo que quanto menores maiores os efeitos provocados. Partículas Inaláveis (< 10 μm) e Fumaça.CIEN PÁGINA 13 DE 71 . O tamanho das partículas está diretamente associado ao seu potencial para causar problemas à saúde.). como de gasolina. quanto como na forma gasosa transitória de vapor (Ex: Vapores orgânicos em geral. Inconveniente ao bem-estar público. Monóxido de Carbono. Poluentes Secundários São aqueles que são produzidos na atmosfera pela reação entre dois ou mais poluentes primários. em seu artigo 1o. FONTES DE POLUIÇÃO As fontes de poluição do ar são entendidas como quaisquer processos (naturais ou antrópicos). Ozônio. Estas fontes podem ser classificadas de duas formas: quanto a mobilidade e quanto a origem. fumaças e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera por causa de seu pequeno tamanho. ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade Dentro da gama de substâncias que se enquadram neste conceito. Por exemplo. Parágrafo Único. é possível classificar os poluentes de duas formas: quanto a origem e quanto ao estado físico. conceitua que: Considera-se poluente do ar (poluente atmosférico). equipamentos. com ou sem foto-ativação.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II CLASSIFICAÇÃO DOS POLUENTES E DAS FONTES DE POLUIÇÃO POLUENTES Antes de classificar os poluentes atmosféricos é preciso definir quais substâncias se enquadram neste conceito. que após ser gerado em algum processo de combustão. permanece na atmosfera como monóxido de carbono. A classificação de acordo com a mobilidade divide as fontes em estacionárias e móveis. Poluentes Primários São aqueles que estão presentes na atmosfera na forma que foram emitidos de algum processo. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Sendo assim.) Material Particulado É o conjunto de poluentes constituídos de poeiras. qualquer substância presente no ar e que pela sua concentração possa tornar esse ar: o o o o Impróprio. Danoso aos materiais. que possam emitir substâncias na atmosfera de forma a torná-la poluída. o monóxido de carbono. empreendimentos. ou pela reação com constituintes normais atmosféricos. A classificação de acordo com a origem prevê que os poluentes podem ser primários ou secundários. à fauna e à flora. A classificação de acordo com o estado físico prevê que os poluentes podem ser Gases e Vapores ou Material Particulado. O material particulado pode ainda ser dividido em: Partículas Totais em Suspensão (< 50 μm). etc. a Resolução CONAMA 03/90. nocivo ou ofensivo à saúde. etc. Por exemplo os oxidantes fotoquímicos (que tem como principal representante o ozônio). que são um grupo de poluentes secundários formados pelas reações entre os óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis. solvente. Gases e Vapores São poluentes na fórmula molecular. tanto como gases permanentes (Ex: Dióxido de Enxofre. Prejudicial à segurança.

etc. Doença crônica. Como exemplo: Queima de combustíveis na indústria. ou seja. os quais possuem. chaminés de padarias e pizzarias. dentre outras. Fontes Naturais São atividades/eventos que ocorrem naturalmente. queima de lixo ao ar livre. Cabe lembrar que a história mostra que a poluição do ar tem provocado uma série de episódios agudos. que na ausência de uma causa óbvia. tempestades de areia. mas que geram poluentes atmosféricos. Alteração de importantes funções fisiológicas. tais como ventilação do pulmão. encurtamento da vida. decomposição de vegetais e de animais. sendo os veículos automotores. sugerindo a participação de uma combinação de aerossóis e poluentes gasosos. tais como: saúde. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . EFEITOS DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA Os efeitos causados pela poluição atmosférica são diversos e seus danos podem ser considerados levando-se em conta alguns aspectos principais. carros. tal como irritação sensorial (olhos e vias respiratórias superiores). que só existem em função da atividade humana. Fontes móveis São aquelas que geralmente se encontram dispersas pela comunidade.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Fontes Estacionárias São aquelas que normalmente ocupam na comunidade uma área relativamente limitada. Desconforto. Os episódios quase sempre ocorreram sobre condições meteorológicas atípicas. com redução do volume efetivo de ar. vegetação e economia DANOS A SAÚDE Os efeitos da poluição do ar sobre a saúde podem provocar: o o o o o Doença aguda ou morte. pode levar uma pessoa a procurar um médico. prejuízo da visibilidade ou outros efeitos da poluição do ar suficientes para levar indivíduos a trocar de residência ou local de emprego. os trens. Fontes Antropogênicas São atividades antrópicas. as seguintes características comuns: o o o O aumento da mortalidade e morbidade. propriedades da atmosfera. materiais. Sintomas adversos. A classificação de acordo com a origem divide as fontes em naturais e antropogênicas. Na maioria dos episódios ocorridos estavam presentes no ar gotículas d’água. odor. sendo quase todas de natureza industrial. sem a interferência do homem. Como exemplo: Erupções vulcânicas. A tabela a seguir apresenta alguns exemplos de episódios agudos provocados pela poluição do ar. transporte de oxigênio pela hemoglobina ou outra funções do sistema nervoso. como a poluição do ar. os aviões e os navios destacados como maiores exemplos.CIEN PÁGINA 14 DE 71 . no qual os poluentes teriam sito diluídos em condições normais impedindo chegar a níveis críticos de poluição. ou dano ao crescimento. e que geram poluentes atmosféricos.

Para vários metais existe uma umidade atmosférica crítica. enfisema e asma. é justamente a junção das palavras smoke (fumaça) e fog (neblina). outro componente (que pode ser a água.CIEN PÁGINA 15 DE 71 . posteriormente. Considerando que as crianças não estão sujeitas à poluição e não são fumantes. Entre eles destacam-se a abrasão. SMOG SMOG Nº de mortes 63 20 9 4000 1000 750 Diversos estudos têm mostrado que a poluição é um fator causador de doenças crônicas do aparelho respiratório. prejudicando-o. ao entrar em contato com o material dão origem a um terceiro composto. O ataque químico direto consiste em reações de solubilização. A remoção consiste no processo de limpeza destes materiais. em que produtos químicos de limpeza podem alterar suas características. A deposição consiste em partículas sólidas e líquidas que se depositam na superfície de prédios e monumentos e que causam uma deterioração estética. Doenças respiratórias agudas em 150 pessoas provocadas por alergia ao pó de semente de mamona. Região de indústrias metalúrgicas onde ocorreu uma inversão térmica que provocou a morte a vinte pessoas e mais de sete mil manifestaram problemas respiratórios. A palavra smog. a deposição e a remoção.é o termo usado para definir o acúmulo da poluição do ar nas cidades que forma uma grande neblina de fumaça no ambiente atmosférico próximo à superfície. É um processo muito comum entre peças que sofrem atrito. Por exemplo: o Ácido Sulfídrico (H2S) que mancha a prata. neste tipo de ataque o poluente é inicialmente absorvido pelo material. velocidade do ar. mesmo em atmosfera muito poluída. ou seja. pode-se mencionar que não havendo umidade praticamente não haverá corrosão. o ataque químico direto e indireto. SMOG . Como exemplo. mostraram diminuição da função pulmonar em crianças que vivem em áreas poluídas. durante períodos onde eram maiores os índices de poluição do ar DANOS AOS MATERIAIS Alguns fenômenos podem ser identificados no processo de danos da poluição sobre materiais. um poluente que em contato com o material gera uma reação química. Como exemplo. entretanto. A abrasão consiste em perda de material em função da passagem de partículas rígidas sobre uma superfície. vários estudos foram feitos procurando correlacionar poluição atmosférica e efeitos sobre a saúde infantil. Além dos fenômenos apontados ressaltam-se alguns fatores que influenciam os danos a materiais por atmosferas poluídas: Umidade relativa. tais como câncer do pulmão. luz solar. sendo este último o responsável pelo dano.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Ano Local 1930 Bélgica Vale do rio Meuse 1948 Estados Unidos Donnora 1952 Brasil Bauru 1952 Inglaterra 1956 1962 Inglaterra Inglaterra Histórico Região de numerosas indústrias onde ocorreu inversão de temperatura (gerando altos níveis de dióxido de enxofre no ar) provocando congestão das vias respiratórias especialmente em crianças e pessoas idosas. corrosão. usada na fabricação de óleo. de oxidação/redução. bronquite. ou o SO2 que ataca o calcário. gera riscos. poeira. produz ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . que quando excedida. temperatura. aliás. etc. radiação solar. irritação nos olhos. estudos desenvolvidos no Japão. ou outros compostos químicos). O ataque químico indireto é similar ao direto. buracos. náuseas e vômitos. em que qualquer sujeira.

No entanto. Outro fato é o de que uma cidade poluída perde. numa dada direção. velocidades de ventos excessivamente altas diminuem a visibilidade em virtude de levantamento de pó. Com o passar do tempo. os efeitos dos poluentes e suas interações podem resultar em uma série de alterações: eliminação de espécies sensíveis. DANOS À VEGETAÇÃO As plantas são extremamente sensíveis à poluição do ar. uma conhecida e moderadamente intensa fonte de luz. sendo os comprimentos de onda mais curtos mais afetados que os longos. cerca de duas vezes sua iluminação devido a perda da luz solar. concentração e características físicas das partículas poluentes presentes. Entre as formas como os poluentes podem trazer danos à vegetação estão: o Redução da penetração da luz (redução da capacidade de fotossíntese) por sedimentação de partículas nas folhas ou por interferência de partículas em suspensão na atmosfera. Sendo assim. diminuição no crescimento e na biomassa e aumento da suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças. qualquer poluente que atrapalhe estas funções pode representar o declínio de um indivíduo ou de toda uma população vegetal. A visibilidade é influenciada por fatores como: o o Altura de inversão e velocidade dos ventos Quanto maior a altura de inversão e a velocidade dos ventos. que absorvem e dispersam a luz. a deterioração da visibilidade é a primeira indicação da existência da poluição do ar. durante o dia um proeminente objeto escuro contra o céu no horizonte e. Elevadas condições de umidade Propiciam aumento no tamanho de partículas higroscópicas o que resulta numa redução da visibilidade. durante a noite. Para atmosferas poluídas com dióxido de enxofre foram observadas as seguintes umidades críticas relativas: Metal Alumínio Níquel Cobre Umidade relativa 80% 70% 63% DANOS À VISIBILIDADE Para um cidadão comum. Esta redução de visibilidade está relacionada com o tamanho. receber radiação solar e realizar a fotossíntese. Define-se visibilidade como a maior distância. A redução de visibilidade ocorre devido à presença de partículas sólidas e líquidas suspensas na atmosfera. nas comunidades vegetais. pois é dele que elas necessitam para respirar. A quantidade de radiação recebida por uma cidade com poluição é menor do que para uma área sem poluição.CIEN PÁGINA 16 DE 71 . remoção seletiva das espécies dominantes.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II abrupto aumento na velocidade de corrosão. pelo menos. redução na diversidade. na qual é possível ver e identificar “a olho nu”. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . melhor a visibilidade.

podem ser consideradas em três categorias gerais. recuperação de áreas degradadas. permitindo a penetração dos poluentes pelas raízes e alterando as condições do solo. Os sintomas de dano visível sobre as folhas das plantas. por exemplo. no entanto. Outras estimativas realizadas no Estados Unidos da América apontaram valores variando entre 10 e 60 dólares por habitante por ano. em 1913.U. Os estômatos são pequenos poros na superfície das plantas. DANOS A ECONOMIA Os efeitos adversos diretamente provocados pela poluição do ar são extremamente onerosos para os habitantes de áreas urbanas industrializadas. Certas partículas podem depositar-se na superfície das plantas. Um dos levantamentos mais extensivos foi feito em Pittsburg (E. Poluentes gasosos podem penetrar pelos estômatos. onde se estimou um custo de perdas devido à poluição do ar em vinte dólares por habitante por ano. perda de atratividade para o turismo.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II o o Deposição de poluentes no solo. e podem ser absorvidos pela planta dessa forma. clorose ou outras alterações da cor normal das folhas. se evitará o gasto de 16 dólares decorrentes dos danos causados. com limpeza. Qualquer que seja a forma pela qual uma planta tenha sido afetada. para cada um dólar gasto no controle da poluição do ar. Outro fator importante a ser considerado são os custos relativos à prevenção e controle da poluição do ar. a saber: Colapso do tecido foliar. alteração no crescimento e produção das plantas. o efeito poderá ser visível ou não. juntamente com o ar. Em termos de custo-benefício. por sedimentação ou por carreamento das chuvas.CIEN PÁGINA 17 DE 71 .). ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . e se forem solúveis em água penetrar pelos estômatos com o orvalho. geralmente nas folhas e nestas em geral na face inferior.A. atribuídas à poluição do ar. Entre os custos da poluição estão os gastos com saúde. etc. com recuperação de patrimônios. Neste caso devem ser considerados tanto os gastos governamentais como os das empresas privadas. O custo acurado destes efeitos é complexo de se determinar. Penetração dos poluentes pelos estômatos das plantas. A troca de gases (O 2 – CO2) promovida pelas plantas dá-se em sua quase totalidade através dos estômatos. certas estimativas foram e podem ser feitas. estima-se que.

constituindo-se em metas de longo prazo. portanto. Fornecer dados para o planejamento do uso do solo. indicadores de qualidade.CIEN PÁGINA 18 DE 71 . Os propósitos desta avaliação são vários e entre eles podem ser destacados os seguintes: o o o o o o Conhecer e comparar a atual qualidade do ar na área sob jurisdição. A determinação da qualidade do ar deve ser. Padrões Secundários de Qualidade do Ar São as concentrações de poluentes abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da população. Julgar tendências com o objetivo de fixar padrões de qualidade do ar. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . à flora. mais poluído está o ar. quanto maior a concentrações destes. planejamento urbano e do sistema de transportes. plantas e materiais em geral. Ativar ações de emergência a fim de evitar episódios agudos de poluição do ar. além de comumente causarem danos a outros receptores. Estes poluentes padrões são.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II INDICADORES E MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR A avaliação das concentrações de poluentes na atmosfera é de fundamental importância no desenvolvimento de um programa de controle da poluição do ar por parte da agência de governo responsável por este controle. a Resolução CONAMA 03/90 estabeleceu padrões de qualidade do ar. por problemas de ordem prática. sendo danosos à saúde e ao bem-estar geral da população. Podem ser entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos. e estes padrões são divididos em primários e secundários. poderão afetar a saúde da população. Padrões Primários de Qualidade do Ar São as concentrações de poluentes que. animais. assim como o mínimo dano à fauna. Fornecer dados necessários para avaliação de prováveis efeitos sobre o ser humano. Poluentes padrões São os poluentes que ocorrem com grande frequência. definidos em função de sua importância e dos recursos materiais e humanos disponíveis. ou seja. se ultrapassadas. Um padrão de qualidade do ar define legalmente um limite máximo para a concentração de um poluente atmosférico que garanta a proteção da saúde e do bem-estar das pessoas. Os padrões de qualidade do ar são baseados em estudos científicos dos efeitos produzidos por poluentes específicos e são fixados em níveis que possam propiciar uma margem de segurança adequada. Estudar e desenvolver estratégias de controle da poluição do ar. aos materiais e ao meio ambiente em geral. De uma forma geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes. sendo estes chamados de Poluentes Padrões. limitada a um restrito número de poluentes. a escolha recai sempre sobre um grupo de poluentes que servem como indicadores de qualidade do ar. Com o intuito de determinar a qualidade do ar em uma região. A resolução CONAMA 03/90 define os padrões de qualidade para cada um destes poluentes. constituindose em metas de curto e médio prazo.

Já no caso de indústrias. além dos padrões no Anexo 6 e Anexo 8 do Decreto 8468/76 e em legislações específicas de cada atividade industrial. tais como Parques Nacionais e Estaduais. criando políticas públicas. Entretanto. Alerta e Emergência. A Resolução CONAMA 03/90 estabelece também os níveis de qualidade do ar para elaboração do Plano de Emergência para Episódios Críticos de Poluição do Ar. programas de controle. e que enquanto cada estado não definir essas classes. A resolução CONAMA 05/89 (que institui o PRONAR – Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar) determina que para a implementação de uma política de não deterioração significativa da qualidade do ar em todo o território nacional. serão adotados os padrões primários de qualidade do ar. lazer e turismo.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II O objetivo do estabelecimento de padrões secundários é criar uma base para uma política de prevenção da degradação da qualidade do ar. assim como de entidades privadas e comunidade geral. estas devem obedecer às exigências estabelecidas pelo município. a Resolução CONAMA 03/90 estabelece que essa divisão e enquadramento é responsabilidade dos estados.Áreas onde o nível de deterioração da qualidade do ar seja limitado pelo padrão secundário de qualidade. etc. suas áreas deverão ser enquadradas de acordo com a seguinte classificação de usos pretendidos: o o o Classe I . Classe III .Áreas de desenvolvimento onde o nível de deterioração da qualidade do ar seja limitado pelo padrão primário de qualidade. As providências a serem tomadas a partir da ocorrência dos Níveis de Atenção e de Alerta têm por objetivo evitar o atingimento do Nível de Emergência. Estância Hidrominerais e Hidrotermais. resultante da ocorrência de condições meteorológicas desfavoráveis à dispersão dos mesmos. exigindo mudanças operacionais em indústrias.Áreas de preservação. Reservas e Estações Ecológicas. com o objetivo de prevenir grave e iminente risco à saúde da população. Nestas áreas deverá ser mantida a qualidade do ar em nível o mais próximo possível do verificado sem a intervenção antropogênica. Como forma de gradação destes episódios foram estabelecidos os Níveis de Atenção. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . A tabela a seguir apresenta os padrões primários e secundários de qualidade do ar: Os Padrões de Qualidade do Ar são os valores limites que os municípios devem obedecer. Classe II . Considera-se Episódio Crítico de Poluição do Ar a presença de altas concentrações de poluentes na atmosfera em curto período de tempo.CIEN PÁGINA 19 DE 71 . visando providências dos governos do Estado e dos Municípios.

CIEN PÁGINA 20 DE 71 . onde é possível observar que os níveis de alerta e de emergência não são atingidos desde 1994. No caso do material particulado ou dióxido de enxofre. quando os poluentes forem o MP ou o SO2. Devem ser eliminadas imediatamente as emissões de fumaça preta por fontes estacionárias que estiverem fora dos padrões legais. é solicitada a restrição voluntária do uso de veículos automotores particulares. O3 e SO2.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Quando o Estado de Atenção é declarado. fica impedida a circulação de veículos na área atingida. No caso do Estado de Alerta ser declarado por monóxido de carbono ou oxidantes fotoquímicos. são totalmente proibidas a circulação e o estacionamento de veículos na área atingida. assim como são totalmente paralisadas as operações industriais. operação de incineradores e circulação de veículos a óleo diesel fora dos padrões legais. devido a monóxido de carbono ou oxidantes fotoquímicos. Se os poluentes responsáveis pelo estado de Alerta forem o material particulado ou o dióxido de enxofre ficam proibidas as operações industriais de limpeza de caldeira. A tabela abaixo apresenta o histórico de episódios críticos de poluição para Partículas Inaláveis no município de Cubatão/SP. as atividades industriais como limpeza de caldeiras ou a operação de incineradores só podem ser realizadas em um período determinado do dia. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . assim como devem ser adiados o início de novas operações de processamentos industriais. no caso de CO. bem como a queima de qualquer material ao ar livre. no período das 6 às 21 horas. Declarado o Estado de Emergência.

ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . critérios para utilização de resíduos. (1) (2) (3) (4) POLUENTE PADRÃO DE EMISSÃO (valores típicos) Material particulado 75 mg/N. Entre as leis federais que tratam de controle da poluição do ar.m2 (base seca) Fluoretos totrais1 0.03 kgf/t P2O5 (alimentado no processo) Amônia total3 0. Resolução CONAMA 264/1999 – Estabelece para o co-processamento em fornos rotativos de clínquer. Resolução CONAMA 08/1990 – Estabelece os limites máximos de emissão de poluentes do ar (padrões de emissão) para processos de combustão externa em fontes fixas por faixa de potência. Resolução CONAMA 05/1989 – Institui o PRONAR – Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar. Resolução CONAMA 03/1990 – Estabelece os padrões de qualidade do ar.03 kgf/t (de fertilizante produzido) Fabricação de super-fostato triplo Unidades de fosfato de amônia Unidades de fertilizantes granulados de amônia Unidades de ácido nítrico de média e alta pressão.10 kgf/t P2O5 (alimentado no processo) 2 Fluoretos totrais 0. Resolução CONAMA 316/2002 – Dispõe sobre procedimentos e critérios para o funcionamento de sistemas de tratamento térmico de resíduos. limites de emissão e monitoramento ambiental. Resolução CONAMA 382/2006 – Estabelece os limites máximos de emissão de poluentes atmosféricos para fontes fixas.CIEN PÁGINA 21 DE 71 . estão: o o o o o o o Resolução CONAMA 18/1986 – Institui o PROCONVE – Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Episódios Críticos de Poluição para MP10 Ano 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Atenção ? ? 66 51 37 15 05 31 01 12 57 34 00 03 00 00 Alerta 12 08 01 04 03 00 01 02 00 00 01 00 00 00 00 00 Emergência 01 01 00 00 00 00 00 01 00 00 01 01 00 00 00 00 Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Atenção 00 01 00 01 01 01 03 01 01 03 02 04 00 04 Alerta 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 Emergência 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 A tabela a seguir apresenta os padrões de emissão para os processos industriais de Cubatão/SP (o que as empresas devem respeitar).

aos períodos de seca e ao excesso de desperdício.0% 2. transportada e distribuída com todos os requisitos de salubridade. A água deve ser considerada pela sociedade como um bem de valor econômico com disponibilidade limitada. Nesse ciclo.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II 3) RECURSO ÁGUA A ÁGUA E O CICLO HIDROLÓGICO A água é um composto formado por 2 átomos de hidrogênio e 1 átomo de oxigênio (H 2O) e constitui o composto mais comum e abundante da natureza. As principais formas são: chuva. A essa circulação da água se dá o nome de ciclo hidrológico. A água escoa em sentido descendente até encontrar (ou formar) córregos. Quanto maior a quantidade de vegetação em um solo. mais de 60% do seu peso é constituído por água. A água é fundamental para a manutenção da vida. granizo. pois a água encontra dificuldade em escoar superficialmente. a água escoa centenas ou milhares de quilômetros até encontrar o mar.2% 22.CIEN PÁGINA 22 DE 71 . distinguem-se quatro etapas que o mantêm: Precipitação É toda água que cai da atmosfera na superfície da terra.4% 100% Lagos e Pântanos Atmosfera Rios 87. Os 1.3% 2.38x10 m de água disponível existentes na Terra distribuem-se da seguinte forma: 18 3 Total Água no mar (salgada) Água doce Água Doce 97. neve e orvalho. O escoamento subterrâneo é responsável pela movimentação dos aquíferos.5% 100% O objetivo geral da gestão dos recursos hídricos é o de assegurar o suprimento adequado de água de boa qualidade à população e ao mesmo tempo a preservação dos ecossistemas. e em certos animais aquáticos esta porcentagem sobe para 98%. pois a água que utilizamos tem origem em mananciais cada vez mais escassos e distantes.4% 0.5% 10. compatibilizar as atividades humanas com a sustentabilidade da natureza e combater as enfermidades decorrentes da má utilização da água. sendo captada.7% 100% Geleiras Aquíferos Água Superficial Água Superficial 77. Infiltração Corresponde à água que entra no solo. principalmente nos períodos secos. devido á escassez dos mananciais. até que desemboquem em um corpo superficial ou no mar. formando os aquíferos. rios e lagos. O escoamento superficial é responsável pelo deslocamento da água sobre o solo. As quantidades de água exigidas pelos diversos consumos poderão tornar o atendimento cada vez mais difícil. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . A água subterrânea é responsável pela alimentação dos corpos d’água. tratada. Escoamento O escoamento pode ser dividido em superficial e subterrâneo. maior é a taxa de infiltração. e como ela circula de um meio para o outro. razão pela qual é importante saber como ela se distribui no nosso planeta. Em muitos casos. É também o constituinte inorgânico mais abundante na matéria viva: no homem. CICLO HIDROLÓGICO É importante também o conhecimento de como a água se movimenta de um meio para o outro no nosso planeta.

). Abastecimento industrial. lagos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Evapotranspiração É a forma pela qual a água da superfície terrestre passa para a atmosfera no estado de vapor. Grupo 1 (Uso Consuntivo) Usos que impõem a retirada da água dos corpos hídricos:      Abastecimento público. oceano. represas. Esse processo envolve a evaporação da água de superfícies de água livre (rios.CIEN PÁGINA 23 DE 71 . Irrigação. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . etc. Dessedentação de animais (pecuária) Harmonia paisagística. dos solos e da vegetação úmida (que foi interceptada durante uma chuva) e a transpiração dos vegetais e animais. tais como: o o o o o o Abastecimento público e industrial Recreação e lazer Dessedentação de animais Pesca Harmonia paisagística Geração de energia o o o o o Proteção das comunidades aquáticas Irrigação Aquicultura Navegação Diluição de Despejos Esses usos podem ainda ser enquadrados em dois grupos: O grupo de uso consuntivo e o grupo de uso não consuntivo. OS US0S DA ÁGUA Em nossa vida a água é utilizada para múltiplos fins.

pode apresentar um teor de impurezas que demanda tratamento. em geral. etc. ao combate à incêndios e a limpeza de ruas. No caso de sistemas coletivos de tratamento. ao cozimento de alimentos. aqueles que se enquadram neste grupo frequentemente exigem o tratamento da água antes de sua utilização. Proteção das comunidades aquáticas.. Entrar em contato com a matéria-prima ou produto final. ABASTECIMENTO INDUSTRIAL A água retirada pela indústria pode ser aproveitada principalmente nas seguintes situações: o o o o Ser utilizada no processo de fabricação do produto. principalmente nos aspectos de ausência de substâncias que imprimam paladar ou interfiram com o gosto do produto e prejudiquem a saúde dos consumidores. a presença de sais minerais. Grupo 2 (Uso não consuntivo) Neste grupo se enquadram os usos em que não se observa a necessidade de retirar as águas dos corpos hídricos onde se encontram:        Recreação e lazer (com exceção às piscinas) Aquicultura e pesca. limpeza de equipamentos. A seguir. que. as características são as mais variadas possíveis. Considera-se nesse caso não só a água para beber. de íons metálicos. Essa utilização da água pelo homem pode ser feita de maneira individual. Ser utilizada em serviços complementares do processo de fabricação. como também aquela necessária à limpeza de utensílios e habitações. a água necessária as suas atividades é suprida por sistemas urbanos ou coletivos de abastecimento. à irrigação de jardins. Navegação Diluição de despejos. principalmente. etc. sem se integrar ao mesmo e nem entrar em contato com as matérias primas. a água bruta. essencial a manutenção da vida.. ABASTECIMENTO PÚBLICO Trata-se do uso mais nobre da água. bebidas. a água deve ser isenta de elementos patogênicos. É o caso de grandes quantidades de água destinadas à higiene dos operários. etc. Geração de energia. Pode-se dizer que a qualidade exigida para esse tipo de água pode envolver alto grau de pureza no que tange. Dessedentação de animais. prevenção e proteção contra incêndio. à higiene pessoal. que necessita apresentar uma qualidade bem definida. Quando a comunidade se adensa e forma a cidade. tóxicos ou radiativos e de características que a tornem repulsiva ao homem. também chamada “in natura”. Com exceção do uso para irrigação. serão abordadas algumas particularidades de cada um desses usos. o qual remonta as primeiras atividades do homem.CIEN PÁGINA 24 DE 71 . Quando não sofre nenhum processo de purificação. É o caso da água de refrigeração ou para caldeira. ou seja. Neste caso. Integrar-se ao produto fabricado. onde cada pessoa ou família retira da natureza a água necessária para seu uso. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . exige características não incrustantes e de não agressividade aos equipamentos. substâncias que possam interferir na qualidade e composição do produto final. Trata-se da água utilizada na fabricação de produtos alimentícios. à lavagem de pisos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Nesse grupo há perda entre o que é derivado e o que retorna ao corpo d’água. São numerosos os exemplos em que águas utilizadas pela indústria apenas para fins de refrigeração tem de sofrer um tratamento prévio.

RECREAÇÃO E LAZER A uso da água para recreação pode ser dividido em dois tipos: Recreação de contato primário Aquela em que há contato direto com o meio líquido. há os mais variados tipos de irrigação de hortaliças. culturas arbóreas e frutos ingeridos crus ou com casca. e que a qualidade desta água seja suficiente para a vida aquática. apreender ou capturar recursos pesqueiros. Exemplo: Esportes náuticos como barco a remo. Em algumas regiões áridas. colher. AQUICULTURA A aquicultura é a atividade de cultivo de organismos cujo ciclo de vida em condições naturais se dá total ou parcialmente em meio aquático. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . é do interesse das sociedades que os rios e lagos mantenham sua flora e fauna relativamente bem preservadas. e desta forma exigem qualidades também diferentes. os critérios relacionados com a presença ou não de organismos patogênicos são os que representam melhor o estado de segurança para o uso de uma água para contato primário. Este último aspecto exige cuidados especiais voltados para a qualidade da água no que tange. lagos. esqui aquático e surfe. de matéria em suspensão e de óleos e graxas. aos aspectos biológicos e a presença de materiais tóxicos. Os usos vão desde a dessedentação de animais até a irrigação e. principalmente. que matam sua sede em rios. dentro desta. A irrigação é utilizada na agricultura para obter melhor produtividade e para que a atividade agrícola esteja menos sujeita aos riscos climáticos.CIEN PÁGINA 25 DE 71 . é a atividade produtiva de recursos pesqueiros. Exemplo: Natação. a irrigação é essencial para que possa existir a agricultura. Além da ausência de substâncias tóxicas. semiáridas. Já a pesca. ou com uma estação seca muito longa. Os organismos patogênicos não fazem parte natural do meio aquático: Sua presença na água indica a introdução de fezes de seres eventualmente portadores de doenças. IRRIGAÇÃO E DESSEDENTAÇÃO DE ANIMAIS A irrigação é o uso de água mais importante do mundo em termos de quantidade utilizada. apanhar. Recreação de contato secundário Aquela em que não há contato direto com o meio líquido. as águas apresentam aplicações diversas. vela ou motor. Para fins agropastoris. Em resumo. A dessedentação de animais pode ser também entendida como a água utilizada pelos animais silvestres. podendo ser realizada in natura ou em tanques. A manutenção dos ecossistemas aquáticos implica na necessidade de que uma parcela da água permaneça no rio. vegetais.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II PROTEÇÃO DAS COMUNIDADES AQUÁTICAS Além de todos os usos humanos mais diretos. ação ou ato tendente a extrair. consiste em toda operação. etc. A recreação de contato primário é a que oferece maior perigo para o ser humano.

de uma maneira ou outra. tem de ser dispostos no ambiente. A atividade humana gera. Leis federais. GERAÇÃO DE ENERGIA Aproveitamento da energia hidráulica e sua transformação em elétrica tornou-se um dos mais intensos usos que se faz deste recurso. A proteção de embarcações e a segurança da navegação são os itens principais que governam o controle de qualidade ligados a esse uso da água. A navegação é um uso bastante atrativo do ponto de vista econômico. mas recentemente. tendo em vista evitar problemas de incrustação em tubulações e aparelhos. nem qualquer outro fim que demande qualidade. Entretanto. recreação. ou nuclear. como no mundo inteiro. como minérios e grãos. utilização em processos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II NAVEGAÇÃO Há milhares de anos a água é usada como meio de transporte. Esse uso da água acarreta problemas de poluição. este uso não pode ser indiscriminado. A água. a diluição de despejos é uma das mais antigas e indispensáveis serventias da água. ou de pessoas. é o meio mais utilizado pelo homem para dispor de seus resíduos. Trata-se de uma água de baixa qualidade. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . não só no Brasil. chafarizes.CIEN PÁGINA 26 DE 71 . em usinas termelétricas utilizam água em grande quantidade para produção de vapor e controle térmico das instalações. Essa água exige condições particulares quanto a sua qualidade. estaduais e até municipais regulamentam esta atividade de modo a limitar a ação de indústrias e garantir a qualidade dos rios. Outros métodos de geração de energia elétrica como a utilização de combustível fóssil. seja de carga. HARMONIA PAISAGÍSTICA Consiste basicamente na água utilizada em fontes. cada vez mais. com o advento da tecnologia referente a propulsão de embarcações e a possibilidade de uma integração com os meios demais meios de transporte. por suas propriedades e por possibilitar diluição. A navegação requer uma profundidade adequada do corpo d’água e não pode ser praticada em rios com velocidade de água excessiva. a navegação vem assumindo uma maior importância. uma série de resíduos que. entre outros patrimônios públicos ou privados destinados ao paisagismo. especialmente de ordem térmica. já que para este uso não se prevê o consumo. principalmente para cargas com baixo valor por tonelada. DILUIÇÃO DE DESPEJOS Apesar de não ser uso dos mais nobres.

As principais indústrias poluidoras são as seguintes: o o o o Papel e celulose Usinas de açúcar e álcool Químicas e farmacêuticas Têxteis o o o o Refinarias de petróleo Siderúrgicas e metalúrgicas Abatedouros e frigoríficos Curtumes Poluição Sanitária Nesta classe se enquadram os efluentes gerados dentro de residências ou cozinhas e sanitários públicos. O gatilho deste fenômeno pode ser a atividade antrópica. Entre os efluentes líquidos industriais.CIEN PÁGINA 27 DE 71 . Entretanto. material particulado e calor. Poluição Urbana O efluente urbano consiste em tudo que direta ou indiretamente venha a atingir o sistema de drenagem urbana. escoamento superficial. esta água contém uma série de substâncias como matéria orgânica. Consiste na água utilizada para satisfazer as necessidades humanas básicas. tudo que é jogado na rua e que com a ação das chuvas seja arrastado para este sistema. que capta este efluente e o destina a estações de tratamento de esgoto. fossas ou rios. proliferação de algas. sabão. Este tipo de poluição costuma fugir ao alcance de medidas controladoras diretas. mas também é comum sua ocorrência naturalmente. ou seja. o que justifica a não realização de um levantamento específico para o caso. causada por chuvas. muitas famílias. restando a disposição em valas. matéria orgânica. Química e Radioativa. industriais e comerciais. entre outros fatores. Térmica. higiene (como torneiras e vaso sanitário). principalmente em ocupação irregular. A classificação através das fontes as divide em cinco tipos: Natural. como banho. um fenômeno bem conhecido é a maré vermelha (ou também a maré verde). os agentes que se destacam são as substâncias químicas. etc. FONTES DE POLUIÇÃO Poluição Natural Trata-se de um tipo de poluição não associada á atividade humana. lavagem de alimentos. salinização.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II TIPOS DE POLUIÇÃO E SEUS EFEITOS A poluição das águas pode ser classificada de duas formas: através das fontes que a originam ou através do agente contaminante. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Na zona rural é comum o uso de fossas sépticas. Sanitária. Sedimentar. A classificação através do agente poluente também as divide em cinco tipos: Biológica. Urbana e Agropastoril. Industrial. não são atendidas por este serviço. É quase sempre o fator mais significativo em termos de poluição. decomposição de vegetais e animais mortos. Poluição Industrial Constitui-se de efluentes líquidos gerados nos processos industriais de uma maneira geral. Em cidades urbanizadas é comum existir o esgotamento sanitário. No caso de proliferação de algas. Após o uso. detergente e produtos químicos.

ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . a natureza do efluente costuma ser diferente do que é comum a cada classe. Com a ação das chuvas. etc. plástico. leptospirose. coliformes e bactérias. Excrementos de animais também acabam sendo carregados pelas chuvas. cacos de vidro). aliás. decorrente de derramamentos de materiais prejudiciais a qualidade das águas. Protozoários Responsáveis pelas amebíases. em caso de acidentes. Hospitais são empreendimentos com grande potencial patogênico. É exemplo a urina de ratos.). Este tipo de fonte é de difícil controle e necessita de um esquema de conscientização elevado. infecções nos olhos. Embora possa ser enquadrado dentro das outras classes citadas (de acordo com o local de ocorrência). Vermes Provocam esquistossomose e outras infestações. urina e decomposição de carcaças. lixo (papel. que transmite a leptospirose.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Neste efluente é comum encontrarmos pó de borracha. pontas de cigarro. resultante da decomposição da matéria orgânica descartada). pode ocorrer tanto na fase de produção como nas operações de transportes que é. Além desses cinco tipos de poluição. ou seja. que podem provocar doenças. onde este tipo mais acontece. metais pesados e outros compostos químicos provenientes principalmente de indústrias clandestinas. sabão e detergentes. A água com poluição biológica pode conter: o o o  Bactérias Provocam infecções intestinais. etc. Animais e outros vetores podem também contaminar a água. Como efluente urbano é também possível enquadrar o efluente proveniente de depósitos de resíduos urbanos (lixões e aterros sanitários). óleos e graxas. em função do alto índice de pessoas doentes. Urinas. giardíases. cólera.CIEN PÁGINA 28 DE 71 . estes compostos químicos são arrastados. AGENTES POLUENTES Poluição Biológica A poluição biológica é resultado da presença de micro-organismos patogênicos. A ação da chuva em áreas de agricultura ou pecuária pode também acarretar o fenômeno da erosão. matéria orgânica. Este efluente é conhecido como chorume (Líquido negro e odor ruim. A principal forma de poluir a água com organismos patogênicos é quando esta entra em contato com o ser humano. através de fezes. A poluição. Vírus Provocam hepatites. de modo a ser obter resultados positivos. Poluição Agropastoril Poluição decorrente de atividades ligadas à agricultura e à pecuária através do uso de defensivos agrícolas e fertilizantes. fezes e secreções são alguns dos exemplos de elementos que contaminam a água. existe ainda a poluição acidental. epidemias e endemias (febre tifóide. tendo como destino o corpo hídrico mais próximo. etc.

CIEN PÁGINA 29 DE 71 . entretanto. Persistentes São aqueles que se mantêm por longo tempo no meio ambiente e nos organismos vivos. porque a hemoglobina tem pouca afinidade com o oxigênio aquecido. os efeitos da temperatura dizem respeito à aceleração do metabolismo. siderúrgicas e usinas termoelétricas. São exemplos de poluentes biodegradáveis o detergente. São exemplos: o DDT e o mercúrio. A aceleração do metabolismo provoca aumento da necessidade de oxigênio. Combinada e reforçada com outras formas de poluição ela pode empobrecer o ambiente de forma imprevisível. havendo assim um decréscimo na quantidade de oxigênio dissolvido na água. entre outros. Estas partículas podem ser naturais. petróleo. tais necessidades respiratórias ficam comprometidas. Os poluentes químicos podem ser divididos em:   Biodegradáveis São aqueles que ao final de um tempo são decompostos pela ação de bactérias. prejudicando a respiração dos peixes e de outros animais aquáticos. Esses sedimentos podem poluir a água bloqueando a entrada dos raios solares na lâmina d'água. Podem também carrear poluentes químicos e biológicos neles adsorvidos. que geram subprodutos químicos que acabam sendo descartados nos corpos hídricos. afetando os ciclos de reprodução. Há ainda a questão do choque térmico. Poluição Radioativa A poluição radioativa é o aumento dos níveis naturais de radiação (radiação ambiental) por meio da utilização de substâncias radioativas naturais ou artificiais. das atividades químicas que ocorrem nas células. ou seja.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Muitas pessoas preferem beber a água cristalina de nascentes ou de poços artesianos em lugar de água de torneira que foi convenientemente tratada e distribuída. que acaba ocasionando a aceleração do ritmo respiratório. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Em outras palavras. fertilizantes. Diminuição da solubilidade dos gases em água. Há uma diminuição do tempo de vida de algumas espécies aquáticas. interferindo na fotossíntese das plantas aquáticas. Por outro lado. Os efeitos nocivos deste tipo de poluição podem ser sutis e levarem muito tempo para serem sentidos. Substâncias químicas insolúveis também fazem parte da poluição sedimentar. Poluição Química Esta poluição é causada pela presença de produtos químicos nocivos ou indesejáveis. pelo aumento na velocidade das reações e solubilidade de alguns poluentes. Potencializa-se a ação dos poluentes já presentes na água. o aumento da temperatura aumenta a DBO e na água. a água dos poços e nascentes pode estar contaminada pela proximidade com fossas e lançamento de esgotos. O aumento da temperatura causa vários efeitos:     Para os seres vivos. Poluição Térmica Este tipo de poluição ocorre no descarte de grandes volumes de água aquecida usada no processo de refrigeração de refinarias. Este tipo de poluição é comumente associado a processos indústrias. Poluição Sedimentar A poluição sedimentar resulta do acúmulo de partículas em suspensão. que dependendo da diferença de temperatura do rio e do efluente pode matar a fauna. como resultado da erosão ou turbilhonamento do sedimento de fundo de rios de alta vazão.

que são trazidas para a superfície e espalhadas no meio ambiente por meio de atividades mineradoras. EFEITOS DA POLUIÇÃO DA ÁGUA A poluição da água pode gerar uma série de efeitos. acidentes radiológicos e acidentes nucleares. corredeira. A poluição radioativa provém principalmente de indústrias. fomentam o desenvolvimento dos outros elementos da cadeia alimentar. podem agravar ou atenuar os efeitos da poluição. radônio. parte do que é aplicado é perdido pela ação das chuvas. Outro problema associado às algas está no fato delas produzirem um cheiro desagradável.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II   Substâncias radioativas naturais São as que se encontram no subsolo e que acompanham alguns materiais de interesse econômico. como petróleo e carvão. da condição do corpo hídrico atingido (rio lento. que através de suas atividades acaba poluindo corpos hídricos com nutrientes. pode ter início também em função da ação humana.CIEN PÁGINA 30 DE 71 . na indústria. o que acaba reduzindo a quantidade de oxigênio dissolvido disponível no corpo hídrico. da fauna e da flora. e diminuindo a qualidade da água. à fauna e à economia. energia nuclear. e estes por sua vez. entre outros fatores que. com a necessária segurança. A influência da ação humana neste fenômeno é mais comum no meio rural. A seguir serão apresentados alguns fenômenos naturais que podem ser iniciados ou agravados em função da poluição da água. Eutrofização A eutrofização é o fenômeno causado pelo excesso de nutrientes (compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogênio) em um corpo hídrico. pois o excesso de algas normalmente torna a água esverdeada. medicina. Um dos maiores desafios tecnológicos da atualidade refere-se à eliminação ou contenção. que se espalham pela água e pelo ar. petróleo. além de que algumas espécies podem produzir toxinas. após realizar a fertilização (aplicação de nutrientes na terra) de uma cultura. etc. rio caudaloso. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . com o aumento de algas. testes nucleares. lagoa. que carreiam os nutrientes até o corpo hídrico mais próximo. e estes entrarão em decomposição. dos produtos radioativos provenientes das usinas nucleares. aumenta também o número de consumidores primários (seres herbívoros). como consequência. Substâncias radioativas artificiais São as produzidas em reatores nucleares e em aceleradores de partículas para utilização em medicina. onde. por exemplo. Entretanto. de uma enxurrada que carrega a serrapilheira de uma formação vegetal. A eutrofização é facilmente identificável. que variam em função do tipo de poluente envolvido. em pesquisa. minerações.). Os problemas da eutrofização estão no fato de que. permitindo um crescimento no número de algas. provocando um aumento excessivo de algas. em conjunto. da condição climática do local. fosfato. carvão. Com este aumento da biomassa. do nível de exposição dos seres humanos. aumentando a quantidade de nutrientes. etc. bem como os danos que a poluição pode trazer à saúde. A redução no nível de oxigênio pode provocar a morte dos organismos mais sensíveis. a demanda biológica de oxigênio também aumenta. Esse fenômeno pode ter início naturalmente.

disenteria. não são afetados diretamente por estas toxinas. envenenamento diarreico e envenenamento amnésico. liberam substâncias tóxicas que causam a mortandade da fauna aquática. pulmonares. disfunções gastrointestinais. problemas de visão. os principais afetados com a poluição da água são os pescadores. Danos à Saúde A poluição da água pode trazer uma série de danos à saúde. No caso de contaminação por substâncias químicas. além de causarem o efeito que dá o nome ao fenômeno.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Maré Vermelha A maré vermelha pode ser considerada um caso particular de eutrofização. respiratórios. contribuem para que haja uma proliferação excessiva dos dinoflagelados.CIEN PÁGINA 31 DE 71 . Como estudado anteriormente. hepáticas. como os mexilhões. luminosidade e salinidade associados com níveis de nutrientes dissolvidos no mar (matéria orgânica). podem acumular estas algas em seus corpos. de tireoide. pois alguns organismos podem se afastar da região por conta da poluição. Em função da elevada vazão necessária nos processos industriais. a maioria das industrias utiliza água em seus processos. além de esportes aquáticos (principalmente os que envolvem o contato primário). ou aumento excessivo. que apresentam coloração vermelha. Alguns moluscos. alterações neurológicas. etc.  Doenças diversas como câncer. meningite e hepatite A e E. a água acaba sendo captada no corpo hídrico mais próximo. intoxica outros animais como os pássaros. a gama de doenças é imensa.  A alteração da fauna. alterações na pigmentação. e a ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . diarreia sanguinolenta. mamíferos marinhos e também seres humanos que se alimentam destes moluscos. dando espaço a outros organismos que toleram a poluição. dermatoses. Neste tipo de fenômeno há uma proliferação de algas dinoflageladas. tirando seu sustento econômico e seu alimento. entre diversas outras complicações. que acabam sendo proibidos de praticar suas atividades.  Deformações genéticas ou outras alterações taxonômicas. Ao ingerir um molusco intoxicado. anúria (diminuição da secreção urinária). cólera. como redução da fertilidade. rinites alérgicas. Danos à Fauna Entre os danos que a poluição hídrica pode causar à fauna atingida estão:  A morte dos organismos mais sensíveis. Atividades de aquicultura também são prejudicadas. Assim. como exemplo:   Contaminação por metais pesados Podem gerar tumores hepáticos. pois cada substância reage de forma diferente no organismo humano. porém. Fatores como a temperatura. que variam em função do poluente à que o ser humano está exposto. como febre tifoide. Danos à Economia A poluição hídrica impossibilita ou torna mais onerosa uma série de atividades econômicas. Essas algas. Contaminação por mercúrio Pode gerar edema pulmonar. e em alguns casos estas indústrias necessitam de água com elevado grau de pureza. o ser humano pode desenvolver uma paralisia por envenenamento. No caso de micro-organismos presentes na água o ser humano pode contrair doenças de veiculação hídrica. Na maioria dos casos. por possuírem como característica filtrar a água do mar e dela extrai seu alimento.

e este espaço é chamado de poro.CIEN PÁGINA 32 DE 71 . ou seja. a segurança e o bem-estar da população. até grãos minúsculos. e a areia que está na superfície tende a secar. Há ainda o custo de atendimentos hospitalares. em função das pessoas que de alguma forma utilizaram a água contaminada. No caso dos grãos. que instituiu a Política Nacional de Meio Ambiente. até que atinja a qualidade necessária. então ela desce. quanto mais poluída a água. ou substâncias. no subsolo. em concentração nociva ao ser humano. se banhar. O subsolo pode ser composto desde um bloco de rocha. seja para beber. Já a contaminação é a presença. mas nem tudo o que está poluído está contaminado. a água consegue fluir com uma certa facilidade. c) Afetem desfavoravelmente a biota. que preenche os poros e fraturas das rochas. que provocam doenças. d) Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. por onde a água consegue passar. etc. Em resumo. É por isso que a areia da praia seca logo após ser atingida por uma onda. A disposição desses elementos é que faz com que seja possível ou não armazenam água no subterrâneo. de toda a água doce disponível na terra. b) Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas. POLUIÇÃO X CONTAMINAÇÃO É importante ter claro que há uma diferença entre poluição e contaminação. Antes de falar sobre a água subterrânea é importante abordar alguns conceitos para entender como se formam os aquíferos. com a água fluindo entre os poros ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . No entanto. A água subterrânea é aquela proveniente do subsolo.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II própria indústria realiza o tratamento da água. há um espaço entre cada uma das partículas de solo. pois entre os grãos de areia (que é uma faixa de granulometria média). A ligação entre os poros forma um labirinto dentro do solo. a contaminação pode ser considerada uma forma de poluição. e) Lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. de seres patogênicos. como areia e argila. com dimensões que podem chegar a milhares de quilômetros quadrados. A lei 6938/81. A imagem ao lado representa os grãos de um subsolo. Desta forma. ÁGUA SUBTERRÂNEA E FORMAS DE POLUIÇÃO Como estudado anteriormente.4% estão em aquíferos. mais oneroso e demorado é o processo de tratamento. define poluição como “a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indireta: a) Prejudiquem a saúde. se estas substâncias não alterarem as relações ecológicas ali existentes ao longo do tempo. esta contaminação não é uma forma de poluição. 22. num ambiente. como recreação.

caracterizados por serem mais leves que a água. minas. Aquífero confinado É aquele onde a pressão é maior que a atmosférica devido à existência de camadas ou corpos rochosos impermeáveis entre a água acumulada e a atmosfera. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . e é preciso existir uma zona permeável acima desta camada. detergentes e poluentes atmosféricos depositados no solo. Conceituando     Aquíferos São rochas porosas e permeáveis. e com isso.CIEN PÁGINA 33 DE 71 . Poluição da Água Subterrânea A poluição da água subterrânea pode ocorrer através de:  Infiltração de:  Esgotos a partir de sumidouros ou valas de infiltração (fossas sépticas). Percolação do chorume resultante de depósitos de lixo no solo. Aquífero Livre O mesmo que aquífero freático.  Águas superficiais poluídas. a tendência é que o solo seja impermeável. É exatamente a relação entre essas duas condições que irá formar um aquífero. ou seja. os que têm maior destaque são os LNAPL e os DNAPL. capazes de reter água e de cedê-la. Se os grãos são muito finos. DNAPL: Compostos de Fase Líquida Densa Não Aquosa. a água não consegue ou tem muita dificuldade em passar. ou seja. depósitos de materiais radioativos. onde a água não consiga passar.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Desta forma. Entre os compostos químicos que atingem a água subterrânea.      Vazamento de tubulações ou depósitos subterrâneos. para que a água lá permaneça. abaixo da qual a água subterrânea preenche todos os espaços porosos e permeáveis das rochas ou dos solos ou ainda de ambos ao mesmo tempo. Resíduos de outras fontes: cemitérios. atuando como um selante.  Esgotos aplicados no solo em sistemas de irrigação. Neste caso o nome é relativo ao fato de que a pressão atuante sobre a água da zona saturada é a própria pressão atmosférica.  Esgotos depositados em lagoas de estabilização ou em outros sistemas de tratamento usando disposição no solo. ou os espaços entre os grãos são muito pequenos. é preciso existir uma zona impermeável.  Águas contendo pesticidas. Intrusão de água salgada. LNAPL: Compostos de Fase Líquida Leve Não Aquosa. maior é a permeabilidade do solo.  Outras impurezas presentes no solo. Lençol Freático É o nome dado a superfície que delimita a zona de saturação da zona de aeração. Injeção de esgoto no subsolo. maior é o espaço que a água tem para passar. fertilizantes. quando maiores os grãos. caracterizados por serem mais densos que a água.

pois se trata de uma água para usos nobres. entre outros. Já a última classe de cada tipo de água. Para consulta a Resolução CONAMA 357/2005 está disponível nos anexos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II MONITORAMENTO DA QUALIDADE DA ÁGUA O controle da poluição está diretamente relacionado com a proteção da saúde. e para que esta qualidade seja atingida e mantida. para que tenham qualidade suficiente para atender ao que se pretende. garantia do meio ambiente ecologicamente equilibrado e a melhoria da qualidade de vida. Esta resolução prevê que todos os corpos hídricos do Brasil devem ser classificados de acordo com os seus usos preponderantes. para saber qual é a classe de um rio é necessário consultar o Decreto 10. e para que esta qualidade seja atingida e mantida. e para saber quais são as condições e padrões de qualidade (qual a concentração máxima de poluentes permitida para cada classe) é necessário consultar a Resolução CONAMA 357/2005 Entretanto. Em resumo. ou seja. desde que não existam leis ou normas locais que digam o contrário. foi instituída a Resolução CONAMA 357/2005. é a de pior qualidade. abastecimento humano com simples desinfecção. divididas em:     Classe Especial Classe I Classe II Classe III Esta resolução prevê que todos os corpos hídricos do Brasil devem ser classificados de acordo com os seus usos preponderantes. que dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento dos corpos de água superficiais.755/1977. uma água de alta qualidade pode ser utilizada para fins menos nobres. divididas em:      Classe Especial Classe I Classe II Classe III Classe IV Águas Salinas. e desde que também o uso não comprometa a qualidade do corpo hídrico. a classe Especial é a de melhor qualidade. ou seja. para que tenham qualidade suficiente para atender ao que se pretende. como navegação e harmonia paisagística.CIEN PÁGINA 34 DE 71 . ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . divididas em:     Classe Especial Classe I Classe II Classe III Águas Salobras. Para cada classe foram estabelecidos condições e padrões de qualidade para que a qualidade do corpo hídrico seja compatível com os usos pretendidos. A classificação de que dispõe esta lei é a seguinte: Águas Doces. como preservação do equilibro natural das comunidades aquáticas. e no caso de São Paulo.755/1977. para usos que não necessitam destes níveis. Nesta divisão. O enquadramento dos corpos hídricos em classes é atribuição de cada estado. o enquadramento foi determinado pelo Decreto 10. levando em conta os usos prioritários e classes de qualidade ambiental exigidos para um determinado corpo de água.

Resta às indústrias. instalarem-se próximas a rios de usos menos nobres. as empresas jogam seus efluentes no rio para que este realize a dispersão e depuração dos poluentes. Esta resolução estabelece o limite máximo de uma série de compostos químicos para que estes possam ser descartados em um corpo hídrico. ou então. um dos usos da água é a diluição de despejos.CIEN PÁGINA 35 DE 71 . de acordo com a CONAMA 357/2005.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II CONDIÇÕES E PADRÕES PARA LANÇAMENTO DE EFLUENTES Como estudado anteriormente. dispor de um sistema de tratamento sem descarte em rios. Entretanto. Para consulta a Resolução CONAMA 430/2011está disponível nos anexos. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . ou seja. mesmo estabelecendo um limite. nas águas de classe Especial é proibido qualquer tipo de lançamento de efluentes. o efluente não pode alterar os padrões previstos para cada classe de água. Esta ação deve obedecer uma série de padrões e condições estabelecidos pela Resolução CONAMA 430/2011. e no caso do Estado de São Paulo. Segundo a Resolução CONAMA 430/2011. o Decreto 8468/1976 proíbe o lançamento de efluentes em corpos hídricos de classe 1.

como: fornos à óleo por fornos elétricos de indução (fundições). Boa operação e manutenção de equipamentos produtivos. ou ainda. Nestas etapas é possível intervir para reduzir os riscos da poluição e aplicar.CIEN PÁGINA 36 DE 71 . como: utilização de operações contínuas automáticas. processo úmido ao invés de processo seco.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II 4) CONTROLE DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA A poluição atmosférica pode ser considerada um processo. métodos científicos e técnicos já conhecidos. equipamentos e operações. alterando o tipo de poluente gerado (para formas menos agressivas). eliminando ou reduzindo o escape ou formação dos gases. Mudança de combustíveis. São. na maioria dos casos. Diluição através de chaminés elevadas ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . combustível sólido por combustível líquido ou gasoso. Adequado armazenamento de materiais pulverulentos.   Diminuir a quantidade de poluentes geradas: Exemplos        Operar os equipamentos dentro da capacidade nominal. uso de resina sintética ao invés de borracha na fabricação de escovas de pintura Mudanças de processos ou operação. uso de sistemas completamente fechados. ou seja. As medidas de controle da poluição do ar podem ser divididas em: Medidas Indiretas Representam ações que visam mudanças no processo. operação de equipamentos com pessoal treinado. conhecidas como “tecnologias limpas”. condensação e reutilização de vapores. como: enxofre por soda na produção de celulose. substituição de combustíveis fósseis por energia elétrica. Mudança de processos. combustível líquido por combustível gasoso. mas sim no processo. umidificação (pedreiras). a emissão. na maioria dos casos. como: combustível com menor teor de enxofre (óleo BPF por BTE). etc. Mudança de comportamentos (educação ambiental). composto por quatro etapas: A produção. eliminação da adição de chumbo tetraetila na gasolina.. não atuam no poluente. o transporte e a recepção de poluentes. Entre as medidas indiretas estão:  Impedir à geração do poluente: Exemplos   Substituição de matérias primas e reagentes. controle da temperatura de fusão de metais.

Art.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II  Mascaramento do poluente Exemplos   Eliminação da percepção nasal humana de um odor pela superposição de outro odor. que “toda fonte de poluição do ar deverá ser provida de sistema de ventilação local exaustora e o lançamento de efluentes na atmosfera somente poderá ser realizado através de chaminé”. haja uma limitação no número de fontes em função dos padrões de emissão e qualidade do ar. ou seja. atuam diretamente no poluente gerado. Antes de nos aprofundarmos nos sistemas de ventilação local. 35. Adequada disposição de resíduos sólidos e líquidos. Entre as medidas diretas estão:  Concentração dos poluentes na fonte para tratamento efetivo antes do lançamento na atmosfera  Retenção do poluente após geração através de equipamentos de controle de poluição do ar O Decreto 8468/76 estabelece em sua Seção III (Dos Padrões de Condicionamento e Projeto para Fontes Estacionárias). coletando-o ou transformando-o. Medidas Diretas Representam ações que visam o tratamento do poluente. a medida em que se viabilize a proibição de tipos de indústrias em certas áreas. Localização seletiva Fonte/Receptor (planejamento territorial) O planejamento territorial e o zoneamento se mostram como ferramentas úteis no controle da poluição.CIEN PÁGINA 37 DE 71 . ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . e exista possibilidade de implantação de áreas de proteção sanitária (cinturão verde). vamos entender um pouco sobre ventilação industrial.  Adequada construção (layout) e manutenção dos edifícios industriais Exemplos   Armazenamento de produtos.

para possibilitar a deposição das partículas dentro da câmara.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II EQUIPAMENTOS DE CONTROLE DE POLUIÇÃO (ECP) Os Equipamentos de Controle da Poluição do Ar são equipamentos destinados a remover um determinado poluente de um fluxo gasoso. Para tanto. Eficiência da coleta A eficiência dos coletores inerciais está diretamente ligada ao número de obstáculos.  COLETORES DE PARTÍCULAS Os processos de controle de materiais sólidos particulados podem ser classificados em coletores secos e coletores úmidos. isso faz com que as partículas percam velocidade e sejam direcionadas. COLETORES INERCIAIS Neste equipamento o gás carreador das partículas choca-se contra obstáculos. É um processo de custo reduzido que muitas vezes é utilizado como pré-tratamento com a finalidade de separar as partículas mais grosseiras. Estas perdem energia ao se chocarem com as placas e depositam-se mais facilmente. A eficiência deste processo pode ser aumentada criando-se superfícies de impacto para as partículas. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . à velocidade de impacto. pela força da gravidade. Eficiência da coleta Câmaras de sedimentação são equipamentos de controle para coleta de material particulado de dimensões razoavelmente grandes para que eficiências elevadas sejam alcançadas. é necessário que a velocidade do gás seja substancialmente reduzida. ou não. para a parte inferior do equipamento.CIEN PÁGINA 38 DE 71 .001 mm). O processo se baseia na deposição das partículas por gravidade. com mudanças bruscas de direção. água na coleta de partículas. Esse tipo de equipamento de controle utiliza a deposição gravitacional das partículas carregadas pelo fluxo gasoso. etc. Classificam-se de acordo com o material que se deseja tratar ou com seu mecanismo de ação. conforme utilizem. maior será a eficiência de coleta. Quanto menor a velocidade do fluxo gasoso. COLETORES SECOS CÂMARAS DE SEDIMENTAÇÃO GRAVITACIONAL São eficazes unicamente para partículas acima de 40 μm (1 μm = 0. do diâmetro e da densidade da partícula.

da ordem de 1μm. porém. pretende-se com estes equipamentos. tanto para fins industriais como também para controle da poluição. Coletores centrífugos têm encontrado uma enorme aplicação na indústria para a coleta de material particulado. da densidade e da forma das partículas. estende-se até a base do ciclone e retorna em movimento espiral ascendente interno (espiral interna). decresce consideravelmente para partículas menores que 10 μm. partículas pegajosas. A força centrífuga aplicada sobre as partículas é muito mais intensa do que a força da gravidade. entrando tangencialmente no topo do ciclone. na simplicidade de projeto. poeiras de alta dureza. sendo as responsáveis pelo aparecimento de problemas respiratórios na ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Esta. Suas principais vantagens residem no baixo custo. chamada espiral principal. condensação de vapores. Esse tipo de filtro remove o pó de uma corrente gasosa através de sua passagem por um tecido poroso (manga). para possibilitar a sua coleta. na baixa potência consumida. O gás. cria um fluxo descendente entre a parede e o duto da saída. Quando usados em série a eficiência de coleta aumenta bastante.CIEN PÁGINA 39 DE 71 .TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II CICLONES (COLETORES CENTRÍFUGOS) São equipamentos sem partes móveis e aplicáveis na remoção de poeiras de gases. O filtro de mangas retém com grande eficácia até mesmo as partículas menores. principalmente. etc. à erosão (abrasão) dos mesmos devido a altas cargas de poeira. alguns cuidados devem ser tomados: Os fatores limitantes da utilização do ciclone se referem. e ao entupimento de seus dutos. manutenção e construção. dando descarga ao gás limpo. que se estende até o duto de saída. FILTRO DE MANGAS Trata-se de um dos métodos de coleta mais antigos existente.. por excessiva carga de poeira. altas velocidades. fazer agir a força centrífuga sobre as partículas presentes em um fluxo gasoso. etc. A eficácia do processo é bastante elevada para partículas acima de 20 μm. retirando-as do fluxo gasoso. e desta forma as partículas são empurradas na direção das paredes do ciclone. que é o uso de tecidos. Eficiência de coleta Depende muito do diâmetro. Também chamados de coletores centrífugos. Entretanto. Estas constituem a fração respirável.

Tais placas são vibradas periodicamente recolhendo-se o material num silo inferior.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II população. No processo de coleta. Eficiência de coleta: As partículas de pó que se acumulam no tecido formam uma camada que dificulta a passagem do gás. melhorando a eficiência do filtro. enquanto após certo tempo de uso sua eficiência aumenta para valores de até 99% (dependendo do tamanho da partícula). Diversos tecidos podem ser utilizados como meio filtrante. ressecamento. por vezes. é necessário realizar uma limpeza constante. carregadas com carga contrária. portanto. relacionados ao uso deste equipamento está. aplicáveis a diversos tipos de indústria como a de cimento. a possibilidade de rompimento das mangas (furos. sendo. Há a necessidade também do descarte correto das mangas danificadas. inflando-a. O processo é especialmente indicado para indústrias altamente poeirentas como é o caso das fábricas de cimento e determinados processos metalúrgicos. principalmente. Entre os aspectos que merecem atenção. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . o resfriamento prévio dos gases. sendo então coletadas em placas verticais. ou menos.CIEN PÁGINA 40 DE 71 . Jato pulsante: Uma bolha de ar comprimido é injetada no alto da manga.. A eficiência de uma manga nova gira em torno de 60 a 70% de remoção. rasgos). exigindo. e a consequente perda de pressão no sistema. permitindo a passagem de gases com material particulado. etc. em função de sua saturação. São dois os principais métodos de limpeza:   Agitação mecânica: As mangas são agitadas mecanicamente (vibração). e para isso existem sistemas já acoplados no filtro. as partículas são obrigadas a passar através de um meio poroso onde ficam retidas. As partículas ao passarem por um campo elétrico de alta tensão elétrica tornam-se carregadas. metalúrgicas e também incineradores. sendo que alguns são resistentes a o alg Para evitar a saturação das mangas. PRECIPITADORES ELETROSTÁTICOS São unidades em geral de grande capacidade que coletam tanto partículas sólidas como líquidas. indústrias químicas.

 ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . removendo até mesmo partículas menores que 0.CIEN PÁGINA 41 DE 71 .TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Eficiência de coleta São altamente eficientes para coleta de partículas.5 μm.

Nos casos onde. o gás reage com o líquido. do solvente utilizado e também da natureza do gás. onde o líquido é injetado e atomizado pela alta velocidade do gás. proporcionalmente à solubilidade do gás no líquido e ao diferencial de concentração. aumentando assim a eficiência do processo. Diversos tipos de torres utilizam este método com eficiências variáveis. Por exemplo. Conforme o tipo de solvente utilizado pode ocorrer uma reação química além da absorção física. e cujos tipos principais são: as torres de enchimento. fluoreto de hidrogênio pode ser absorvido por uma solução alcalina. óxidos de nitrogênio podem ser absorvidos por água. fato que geralmente aumenta a eficiência da coleta. ocorre a chamada absorção com reação química.  TORRES DE ENCHIMENTO Nelas. o contato é feito em vários estágios. há transferência de massa do gás para o líquido. dos fluidos.  TORRES DE SPRAY E LAVADORES TIPO VENTURI Nesses lavadores o fluxo tem sua velocidade aumentada ao passar através de uma constrição (garganta). nas torres de prato. COLETA POR ABSORÇÃO Método em que o poluente é separado do fluxo gasoso por dissolução em um líquido solvente apropriado. dependendo do desenho do coletor. porém. Quando um gás ou vapor em solução gasosa é posto em íntimo contato com um líquido no qual ele é solúvel.  TORRES DE PRATO Possuem o mesmo princípio utilizado pelas torres de enchimento. usualmente em contracorrente. torres de prato.CIEN PÁGINA 42 DE 71 . Essa transferência de massa é conseguida em equipamentos onde o soluto é posto em íntimo contato com o solvente.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II  COLETORES DE GASES E VAPORES O controle de gases e vapores produzidos pela indústria é mais complexo e não tão satisfatório quanto o controle de materiais particulados. através de um enchimento cujos materiais e formas devem favorecer a maior área superficial de contato possível. o íntimo contato entre o soluto e o solvente é conseguido através da passagem. além dessa afinidade física. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . torres de spray e os lavadores tipo Venturi.

silicatos. A combustão tem sido largamente empregada como meio de evitar que poluentes sejam lançados na água. no ar ou no solo. mas.CIEN PÁGINA 43 DE 71 . onde o líquido é injetado e atomizado pela alta velocidade do gás. em alguns casos podem ser considerados de suma importância. Os materiais capazes de adsorver seletivamente gases e vapores de massa molecular superior a 45 são chamados de absorvedores. a sílica gel e a alumina ativada. INCINERAÇÃO Os processos combustivos são poluidores. etc. a utilização de processos de combustão para controlar a poluição de um dos recursos. A transformação de um vapor para líquido se faz com um condensador que opera através de um aumento de pressão ou retirando o calor do poluente. Na adsorção. sendo então facilmente coletado e enviado para disposição final. entretanto. como carvão ativado. os queimadores de chama direta e os queimadores catalíticos. e os mais utilizados são o carvão ativado.3 m/s). COLETA POR CONDENSAÇÃO Em caso de o poluente ser emitido na forma de vapor. O contaminante sofre condensação. as moléculas do gás a ser tratado entram em contato com um adsorvente. A adsorção é frequentemente utilizada na eliminação de odores desagradáveis e para maior eficiência deve ser realizada dentro de certos limites de temperatura (até 50oC) e velocidade dos gases (entre 0. transforma-se na fonte ou na causa da emissão de poluentes em outro recurso. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . e utilizado outras vezes no mesmo processo. que retém o contaminante em seus poros e capilares. O adsorvente pode ser regenerado através de vapor. o controle pode ser atingido transformando esses poluentes para a fase líquida e retendo-os nesta fase.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Nesses lavadores o fluxo tem sua velocidade aumentada ao passar através de uma constrição (garganta).. COLETA POR ABSORÇÃO A capacidade de retenção de certos poluentes por substâncias de alta superfície específica e por forças de atração intermoleculares é utilizada em equipamentos chamados leitos de adsorção. Algumas vezes.1 e 0. Os equipamentos mais utilizados para incineração de gases e vapores são os flares.

não são facilmente decompostos. É de se ressaltar que. A exemplo dos detergentes. bem como o principal nutriente limitante que contribui para a eutrofização dos reservatórios e corpos d’água. a polpa é tratada com oxigênio que dissolve o licor impregnado nas fibras. Como resultado deste processo. Medidas internas de controle Basicamente há três alternativas estratégicas para se controlar a poluição das águas atuando-se na fonte: Modificação de produtos. a polpa vai para o branqueamento químico mais ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . A instalação de modernas linhas de depuração e lavagem de polpa permite maior eficiência na lavagem de polpa com redução do consumo de água e maior recuperação do licor negro. As medidas internas. Nesta unidade. já implantado em uma indústria no Estado de São Paulo. em uma segunda lavagem. ocasião em que são removidos os poluentes. qual seja o da poluição por fósforo. os detergentes não eram biodegradáveis e. O fósforo é um componente básico na fabricação dos detergentes.CIEN PÁGINA 44 DE 71 . após a lavagem. removê-lo para recuperação. A preocupação com os efeitos de longo prazo do BHC e DDT tem causado um declínio no uso dos mesmos. Estima-se que dois terços de todo o DDT produzido ainda se encontram no meio ambiente. Muitas vezes. seja pela modificação da natureza dos efluentes. Os detergentes constituem um bom exemplo desse caso. é uma instalação de uma unidade de pré-branqueamento com oxigênio. uma vez que o efluente gerado nessa etapa não pode ser recuperado e tem que ser removido na estação de tratamento de efluentes. é fundamental lavar o máximo possível a celulose antes que ela vá para o branqueamento químico. outros produtos vêm sendo estudados para serem modificados. Uma das razões tem sido o desenvolvimento de defensivos agrícolas com menores danos ambientais. a curto prazo. do ponto de vista ambiental. relativas ao controle dos efluentes líquidos. são tomadas no processamento industrial. embora de imediato sejam viáveis nas alterações dos processos produtivos que reduzem a geração de resíduos poluentes seja pela diminuição do consumo de água. Atualmente o dilema é tratar as águas residuárias para a remoção de fósforo ou usar um substituto para o fósforo na fabricação de detergentes. Quando foram pela primeira vez introduzidos. não há oportunidade para a modificação dos produtos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II 5) TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS As medidas de controle visando a redução de poluentes presentes nos efluentes líquidos podem ser divididas em medidas internas e externas. permitindo. A modificação de produtos é perseguida quando as águas residuárias contêm substâncias que sabidamente contaminam seriamente o meio ambiente. os fabricantes de detergentes se defrontam agora com outro problema. nas estações de tratamento e em mananciais de água potável. por sua vez. O desenvolvimento de instalações de tratamento para a remoção de espuma foi preterido em favor da modificação dos detergentes para formulações biodegradáveis. em vez de tratados como águas residuárias. persistiam por longo tempo nas águas receptoras. modificação de processos e tipos de matéria-prima e eliminação de produtos desnecessários. assim sendo. As medidas externas. O resultado foi uma inconveniente produção de espuma nos corpos d’água. Geralmente tais medidas têm aplicação mais concreta com relação aos despejos líquidos de origem industrial. Na indústria de celulose Kraft podem ser citados exemplos de modificações introduzidas que de uma forma ou de outra contribuem para a minimização da geração de resíduos. Outro exemplo. O DDT e o BHC. Tendo sido resolvido o problema da formação de espumas. por exemplo. compreendem a implantação de unidades de tratamento através dos quais os efluentes líquidos passam.

após tratamento pôr stripping. pôr problemas causados pôr tubulações rompidas. a reciclagem de águas ou reuso dos efluentes líquidos gerados num processo e utilizados em outros é possível. evaporadores e forno de recuperação. A minimização de problemas é conseguida através das seguintes medidas:    Devem ser previstas grandes capacidades de reservação para o licor negro fraco e forte. mau funcionamento das bombas. fecha o ciclo. 4) Máquinas de papel  Águas brancas 5) Casa de força e água de refrigeração  Aguas de refrigeração da casa de força e águas de refrigeração em geral. preparação da madeira e lavagem dos gases do forno de cal. águas de refrigeração. objetivando uma melhoria na eficiência da evaporação. trazendo como resultado uma maior eficiência na transformação do licor negro em licor branco. torres de branqueamento. bem como para os produtos químicos da planta de recuperação. cor e compostos organoclorados. tratamento pôr stripping. dos trocadores de calor do digestor.. caldeira de recuperação. branqueamento  Água de processo. caustificação e forno de cal. 2) Branqueamento  Águas de lavagem do filtrado. depuração e espessamento  Lavagem da polpa.  Diluição da polpa. águas dos chuveiros  Condensadores dos gases de alívio do do filtro de lodo. lavagem do lodo calcário. ou mesmo áreas. Monitoramento contínuo nas tubulações de esgotamento para detecção de derrames que estejam ocorrendo. por exemplo. águas de diluição nas de água dos lavadores do selo hidráulico. após preparação da madeira. retornando ao processo via cozimento da madeira. derrames e vazamentos que podem ocorrer devido à falha de equipamentos. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Uma parcela importante da capacidade poluidora potencial da indústria de celulose Kraft deve-se a extravasões (excessos). digestor. 3) Recuperação de produtos químicos  Condensados dos evaporadores de múltiplo efeito. além da diminuição do consumo dos produtos químicos. lavagem dos sedimentos do licor verde. dissolução do fundido. paralisações forçadas e de rotinas. Reuso de água em indústrias de celulose tipo Kraft FONTE REUSO 1) Cozimento. como pôr exemplo. o qual. de modo a atender situações de desequilíbrio no processo de produção. como.  Preparação da madeira.  Lavagem da polpa. Todos os equipamentos. Ainda no contexto da indústria de celulose Kraft. gerando efluentes com valores que apresentam redução significativa de DBO5. pôr sua vez. água de chuveiros  Condensados do tanque de descarga e dos filtros. etc.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II “limpa”. chuveiros do filtro de cal. Essas áreas são aquelas onde se localizam os digestores e tanques de descarga. Outras modificações de processos são relatadas principalmente na área de recuperação dos produtos químicos.CIEN PÁGINA 45 DE 71 . falta de energia. a paralisação da evaporação. onde possam ocorrer derrames e vazamentos devem ser circundadas pôr sistema de coleta desses líquidos. redução de 50% no consumo de cloro no branqueamento. etc. excesso  Diluição da polpa. lavagem. A tabela resume as principais fontes de efluentes reusáveis e sua forma de reuso em indústrias de celulose Kraft.

é geralmente empregada. há que se ter um profundo conhecimento do processo. Sob a égide da eficiência a abordagem correta é a que considera todas as oportunidades de mitigação da poluição do âmbito do processo de produção da fábrica. Em seqüência. Em se tratando de descargas intermitentes. como pôr exemplo. Algumas dessas são as seguintes:        Aumentar a recirculação nos sistemas de resfriamento de água.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II De um modo geral. respectivamente. a vazão pode ser determinada. como “Inplant” e ”End Of Pipe”. isto é. O plano em consideração demandava uma unidade de lodos ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . sem Ter sido preliminarmente realizado um controle do tipo “Implant”. em termos de custo de capital e custos operacionais para o sistema de tratamento “End Of Pipe” proposto. caso em que se considera o processo como uma “caixa preta”. em operação. enquanto delineava o projeto e considerava a construção de uma estação para o tratamento de águas residuárias num volume de 20 milhões de galões pôr dia. etc. além de habilidade de modificá-lo. Para a prática do controle das águas residuárias internamente à fábrica. após cada fonte de água residuária ter sido eliminada ou a poluição intrínseca à mesma Ter sido reduzida (redução na vazão ou na concentração dos poluentes). Isto envolve a determinação de vazão e da concentração dos poluentes para cada fonte. Eliminar vazamentos e melhorar as práticas de armazenamento.000 libras. Planejar usos mais consecutivos ou múltiplos para as águas.CIEN PÁGINA 46 DE 71 . Projetar uma unidade de recuperação de calor para eliminar correntes de dissipação. projetar as instalações para o tratamento “End Of Pipe” da carga reduzida: Comparar o custo de capital e o custo operacional de tais instalações de tratamento com os correspondentes de uma instalação “End Of Pipe” com capacidade para tratar a carga original na sua totalidade. na maior parte das vezes. a descarga diária total deve ser estimada. Passo n° 3 Avaliar as economias em potencial. a demanda bioquímica de oxigênio (DBO5). Um caso interessante. discutido pôr McGovern refere-se ao ramo petroquímico. pode-se dizer que o emprego das técnicas internas de controle apresentadas. pôr exemplo. Eliminar os sistemas de resfriamento pôr contato direto. levam à obtenção de reduções de 45% a 65% no volume dos efluentes totais da indústria e de 50% a 70% na carga de DBO5. carcaças de bombas. nos condensadores barométricos. De uma maneira geral. Essencialmente. Recuperar os produtos químicos poluentes. condensadores a vácuo. Reusar as águas provenientes do acúmulo de sobras. Nos Estados Unidos da América estas duas modalidades são reconhecidas. pôr trocadores de calor tubulares ou sistemas de resfriamento pôr ar.. A modalidade “End Of Pipe”. no âmbito do processo produtivo e a partir do efluente final. A concentração das substâncias poluentes presentes nas correntes de águas residuárias pode ser expressa de várias maneiras. se necessário. Uma indústria petroquímica. uma vez que implica em se projetar uma estação para tratar o volume total da água residuária tal como está se apresenta na canalização de descarga final. em litros pôr hora. com uma carga diária de 52. o condicionamento das águas residuárias. tambores. Passo n° 2 Revisar os dados obtidos no passo anterior. a realização do controle da poluição das águas internamente à fábrica envolve os três passos seguintes: Passo n° 1 Realizar um levantamento quantitativo e qualitativo detalhado de todas as fontes de águas residuárias existentes dentro da fábrica. conduziu uma investigação no efluente final e considerou medidas de controle internas aos processos industriais. tendo em vista o controle da poluição. Para as descargas contínuas. pode ser exercitado sob duas perspectivas: Internamente. Para os compostos orgânicos sujeitos à oxidação bioquímica. a fim de cotejar todas as possibilidades de redução da poluição dentro da fábrica. carece de economicidade.

O objetivo maior do tratamento é separar os resíduos da água. ou seja. Os custos de operação e manutenção também foram estimados. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Medidas externas de controle As medidas externas. troca iônica e ajuste de pH são processos tipicamente químicos. Como mostrado na tabela. Sólidos suspensos presentes nos resíduos podem ser coagulados pôr micro-organismos produzidos pela biomassa do lodo e assim são removidos do resíduo (um processo químico). A figura mostra um gráfico. Os resíduos separados são dispostos. essa biomassa é separada dos resíduos pela sedimentação (um processo físico). Um estudo da possibilidade de reduzir ambos a vazão e a carga das águas residuárias foi então empreendido. enquanto várias formas de digestão biológica são processos biológicos. no solo. Esta inclui a filtração a vácuo. Além disso. Sedimentação e o gradeamento são exemplos de processos físicos de separação. enquanto nos processos físicos e químicos. É consenso geral que todos os processos de tratamento de efluentes podem ser considerados processos de separação. A redução conseguida na vazão e na concentração resultou em economias substanciais no custo total da estação de tratamento proposta. o programa resultou numa economia de 576. Desde que muitos processos físicos e químicos tendem a ocorrer conjuntamente. No entanto. Nos processos biológicos efluentes orgânicos são metabolizados pôr organismos vivos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II ativados para remover cerca de 90% da carga de DBO 5. usando um horizonte de planejamento de 20 anos e uma taxa de juros de 15%. Atualmente. unidades de tratamento. as propriedades físicas são utilizadas para separar os resíduos. que ilustra o efeito da redução na DBO5. nos processos de lodos ativados. são aplicadas não só em efluentes industriais. Este estudo seguiu os passos delineados anteriormente com várias propostas de mudança para o fluxograma do processo. A tecnologia de tratamento de efluentes tem se expandido rapidamente nos últimos anos. O custo de capital de instalação de tratamento foi estimado em 10 milhões de dólares. de modo que muitas alternativas técnicas de tratamento estão disponíveis como elementos a serem usados no controle da poluição das águas. Qualquer redução ulterior requer um sistema de tratamento significantemente diferente.CIEN PÁGINA 47 DE 71 . química ou biológica. Coagulação. Pôr exemplo. incineração do lodo e cloração do efluente final. os processos de tratamento são descritos através da ação predominante de remoções física. os custos do controle interno foram mais do que compensador pelas economias obtidas na estação de tratamento.000 dólares pôr ano. as técnicas de tratamento são usualmente combinações desses três processos. Existem processos de separação física. a maior parte dos resíduos orgânicos é metabolizada pela biomassa contida no lodo (um processo biológico). muito embora um processo de remoção possa predominar. preparado para este estudo de caso. mas também nos efluentes de origem doméstica. enquanto os efluentes tratados são descartados num corpo d’água receptor. pôr exemplo. química e biológica. Todos os dados de custo foram convertidos para uma base anual. A vazão das águas residuárias foi diminuída para 85% do seu valor original qual seja o que subsistia antes do controle interno e a carga poluidora em termos de DBO 5 foi reduzida a 50% do seu valor. Na literatura. tem-se tornado comum a classificação desses processos como físico-químico.

uma unidade biológica de decomposição da matéria orgânica e uma nova sedimentação chamada de secundária. sedimentação primária (remoção de sólidos sedimentáveis e material flutuante) e areação biológica secundária (metabolização e floculação). uma vez que elas sejam geralmente mais baratas (quanto a construção e operação). as técnicas biológicas de tratamento têm sido largamente empregadas. enquanto que no secundário os valores são geralmente superiores a 90%. Maior potencial na remoção de poluentes. As unidades de tratamento secundário envolvem. Operador necessita menor especialização. As unidades de tratamento preliminar compreendem: Grade. Normalmente nos esgotos de origem doméstica utiliza-se a grade e a caixa de areia. Baixa sensibilidade quanto às variações de resíduos. Comparação entre processos biológico e físico-químico Físico-químico Biológico Menor área ocupada. é utilizado em despejos contendo grande quantidade de óleos e graxas (refinarias de petróleo). Um diagrama esquemático do tratamento convencional de despejos é apresentado na figura.CIEN PÁGINA 48 DE 71 . As escolhas das unidades dependem do tipo de despejos. do que as técnicas físico-químicas. pré-areação e flotação. As unidades de tratamento primário compreendem aquelas do tratamento preliminar mais a sedimentação e a digestão do lodo. além daquelas que compõem o tratamento primário. Não afetados pôr poluentes tóxicos. O lodo retirado dessas unidades é processado para em seguida sofrer disposição final. Uma outra característica que possibilita identificar o tratamento primário do tratamento secundário é o nível de remoção da matéria orgânica representada através da DBO5. Menor custo na construção e operação. O tratamento de despejos dito convencional em termos de tratamento de esgotos domésticos consiste de processo preliminar (grade e caixa de areia). caixa de areia. No caso do primário. Diagrama esquemático do tratamento convencional de despejos líquidos ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Uma comparação a respeito é apresentada nos dados apresentados na tabela. O sistema de flotação. Maior flexibilidade no projeto e operação. por exemplo.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Historicamente. a remoção é da ordem de 30 a 40%.

TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE
MÓDULO II
A formação de lodo proveniente das unidades de sedimentação primária e secundária implica no
tratamento e disposição do mesmo. A disposição desse lodo é um fator econômico significativo no
tratamento dos efluentes líquidos. O custo de construção de uma unidade de processamento de lodo
representa cerca de um terço em relação a planta de tratamento. Os métodos comuns de tratamento são
a digestão anaeróbica e a filtração a vácuo. Os métodos convencionais de disposição incluem a
disposição em aterros, a incineração a produção de condicionadores de solo e o lançamento no mar.
Com relação aos sistemas de tratamento biológico a nível secundário, podemos destacar o de lodos
ativados, filtro biológico, valo de oxidação e a lagoa de estabilização. Na realidade, tanto o sistema de
lodos ativados como o filtro biológico são assim chamados em função da unidade biológica secundária
que compõe o tratamento convencional. Enquanto que o valo de oxidação e a lagoa de estabilização são
considerados tratamentos secundários em função da eficiência na remoção da matéria orgânica, que é
suplantar a casa dos 90%. As configurações dessas plantas de tratamento normalmente são diferentes
daquelas ditas convencionais.
Outro ponto importante a ser mencionado é que os sistemas biológicos mencionados são normalmente
aplicados quando se tem um certo adensamento demográfico ou uma indústria. No caso de áreas rurais
em que tenham poucas e dispersas habitações os sistemas de tratamento são de outra magnitude e
podem consistir, por exemplo, de uma fossa e infiltração no terreno. Por outro lado, áreas contendo
aglomerados urbanos e industriais podem permitir, após estudo de viabilidade técnica e econômica, o
tratamento conjunto dos despejos líquidos domésticos e industriais.
Geralmente, os processos de tratamento por via química são aplicados a despejos de origem industrial
específicos. Em alguns casos esse tratamento pode complementar um outro, a nível biológico e viceversa. Por exemplo, a remoção de fósforo de um efluente proveniente de sistema de tratamento
secundário de esgotos domésticos ou a remoção de metais por via química e o posterior tratamento
através de sistema biológico.
Dentre os sistemas de tratamento por via química podemos destacar a floculação, a coagulação, a
osmose reversa e a troca iônica.
EFLUENTES LÍQUIDOS INDUSTRIAIS
Os resíduos líquidos produzidos pelas indústrias podem ser constituídos, além dos esgotos comuns de águas
servidas, por uma infinidade de compostos químicos provenientes de uma variedade enorme de processos e
operações industriais.
Conforme já foi mencionado, tais resíduos não devem jamais serem lançados às águas sem tratamento
prévio, para que as impurezas não alterem as características da água, como cor, sabor, odor, turbidez,
alcalinidade, etc., nem lhe confiram características tóxicas que venham a ameaçar direta ou indiretamente a
saúde do Homem.
O tratamento dos resíduos líquidos consiste em se neutralizar através de processos físicos, químicos ou
biológicos os possíveis efeitos nocivos sobre o meio líquido em que serão lançados.
Existe um grande número de processos de tratamento dos resíduos líquidos produzidos pelas indústrias, cuja
escolha e adoção dependerá de critérios técnicos, como o tipo e quantidade de resíduos produzidos, a rapidez
e eficiência do processo de tratamento e também de critérios econômicos, como o montante de investimento
e os custos comparativos por tonelada de resíduo tratado.

ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO - CIEN

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TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE
MÓDULO II

ESGOTOS
Os esgotos comuns de águas servidas costumam invariavelmente ser lançados à rede pública de esgotos,
transferindo-se assim à municipalidade a responsabilidade de seu tratamento. Infelizmente esse
tratamento é ainda deficiente no Brasil, em especial nas áreas industriais, onde justamente mais se faz
necessário. Dessa forma, devido a inexistência ou insuficiência de estações de tratamento de esgotos
face ao montante produzido pela comunidade, os resíduos são frequentemente despejados nos recursos
hídricos “in natura”, isto é, sem tratamento algum.
Quando isso ocorre, a água se torna poluída, imprópria para qualquer uso, exceto o transporte dos
despejos. O oxigênio normalmente dissolvido na água dos rios e lagos é absorvido inteiramente pelo
processo de decomposição da matéria orgânica dos esgotos (Demanda Bioquímica de Oxigênio, DBO) e
dessa forma, toda a “vida” aquática que dele depende, se extingue.
A decomposição prossegue, entretanto, mesmo na ausência de oxigênio e como consequência formamse odores bastante desagradáveis, além de micro-organismos causadores de doenças encontrarem
condições para se desenvolver.
Outro problema relacionado é a presença de matéria orgânica sólida em suspensão nos esgotos. Estes
sólidos em suspensão acabam depositando-se lentamente no leito dos rios, ocasionando obstruções e
inundações.
O despejo de esgotos não tratados em cursos d’água, portanto, pode extinguir a vida aquática, causar
doenças nos seres humanos e em animais e impedir a sua utilização inclusive para fins recreativos. Além
disso, para serem reutilizadas, as águas poluídas exigirão extenso tratamento cujo custo será
proporcional ao grau de sua contaminação.
Algumas indústrias, entretanto, mormente entre as de grande porte, preocupam-se com o problema da
poluição das águas e possuem processos de tratamentos para os esgotos que produzem.

EFLUENTES LÍQUIDOS DE PROCESSOS INDUSTRIAIS
Tais efluentes quando lançados às águas sem tratamento, podem, igualmente, produzir uma série de
danos ao meio ambiente e ao Homem. Assim como os esgotos, muitos efluentes de processos industriais
necessitam de oxigênio para se decomporem e estabilizarem (Demanda Química de Oxigênio, DQO e
Demanda Bioquímica de Oxigênio, DBO), produzindo os efeitos já descritos nos recursos hídricos em que
são lançados.
Além disso alguns efluentes são altamente tóxicos, como é o caso dos compostos de mercúrio. Estes
produzem uma contaminação em cadeia dos organismos e animais aquáticos que poderá ocasionar
graves intoxicações em pessoas que se alimentem dos peixes contaminados.
Outro aspecto dos efluentes industriais é que frequentemente são lançados em temperaturas bastante
elevadas, causando o que vem sendo chamado de poluição térmica. Certas espécies de peixes são
extremamente sensíveis a variações de temperatura da água e nessas condições acabam morrendo.
Além do mais, a quantidade de oxigênio dissolvido na água, vital a sobrevivência das espécies aquáticas,
é função da temperatura da mesma. Ou seja, maior a temperatura da água, menor a quantidade de
oxigênio dissolvido. Exemplo:

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TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE
MÓDULO II
Temperatura (0C)
0
20
35

Oxigênio dissolvido (g/m3)
14
9
7

Entre os principais despejos industriais causadores de problemas de contaminação das águas destacamse os seguintes:

Despejos de laticínios

São aqueles produzidos por usinas de leite, leiteiras, fábricas de leite em
pó, fábricas de queijo, etc. Incluem o soro, leite coagulado, e água de
lavagem de tanques e vasilhames.

Despejos de lavanderias

Incluem a lixívia do sabão, água de lavagem, detergentes e
branqueadores.

Despejos de tinturarias

São constituídos de corantes, mordentes, branqueadores, soluções
ácidas e alcalinas.

Despejos de cervejarias
e destilarias

Incluem o malte e as leveduras que transbordam

Despejos de curtumes

São integrados por pigmentos desprendidos, extratos de tanino, soluções
de limpeza, sabão, cal, cromo líquido, soluções ácidas e alcalinas.

Despejos têxteis

Incluem o despejo de lavagem de lã, corantes, mordentes e soluções
cáusticas.

Despejos de indústrias
metalúrgicas e
siderúrgicas

Incluem os provenientes de galvanização, usinagem, beneficiamento,
processos de polimento e também solventes ácidos

Despejos de fábricas de
tintas e vernizes

São variáveis e se compõem de solventes, fenóis, alcatrões, tintas,
resinas, corantes, etc.

Despejos de fábrica de
papel

São constituídos de sulfeto líquido e água branca (que contém fibras de
madeiras).

Despejos orgânicos

Incluem os provenientes de fábricas de conservas, matadouros,
refinações de cereais e de grande variedade de outros processos
industriais.

MÉTODOS DE TRATAMENTO
Os métodos de tratamento para os efluentes líquidos de processos industriais são os mais diversos e
muitos dos princípios utilizados para o tratamento dos esgotos são aplicáveis. De um modo geral tais
métodos podem ser classificados em duas categorias, que descreveremos a seguir.

MÉTODOS ESTÁTICOS OU DE BATELADA
Aplicam-se mais a operações industriais que produzem resíduos líquidos de maneira descontínua e
em quantidades variáveis. Os despejos são recolhidos em tanques especiais onde, após sofrerem o
tratamento adequado, são lançadas as águas.

MÉTODOS DINÂMICOS OU CONTÍNUOS
Aplicam-se a operações industriais que produzem resíduos líquidos de maneira constante e uniforme.
Os despejos vão sendo tratados à medida que vão sendo produzidos, através de uma série de
processos, sendo finalmente lançados ás águas após o tratamento apropriado.

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 AERAÇÃO O termo aeração é aplicado aos processos em que a água é colocada em contato íntimo com o ar. sulfato ferroso. proporcionando economia. Isto é obtido através da agitação rápida da mistura. etc. soda cáustica. um tanque de homogeneização a um processo contínuo de tratamento.  Borbulhadores.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Em determinados casos pode-se utilizar uma combinação dos dois métodos. etc. Uma partícula pode ser decantada por duas forças principais: força horizontal e força vertical. Ele também servirá para homogeneizar a variação de concentrações e permitir que os despejos altamente ácidos e alcalinos neutralizem-se mutuamente. cloreto férrico. O decantador é um tanque. cujo fundo é muitas vezes inclinado para um ou mais pontos de descarga.) Alcalinizantes Possuem a função de conferir alcalinidade propícia à formação dos flocos (cal hidratada. Este processo é obtido com a diminuição da velocidade de agitação da mistura. polieletrólitos.  FLOCULAÇÃO Funciona como um sistema de agregação dos flocos formados no sistema de coagulação. irrigação e lazer como para fins industriais e agrícolas. Isso ocorre quando se associa. sílica ativada.CIEN PÁGINA 52 DE 71 . contudo. higiene e melhor qualidade dos produtos industriais e agrícolas.) Auxiliares São produtos utilizados quando as condições da água não são propícias ao processo indicado (ácidos. Por exemplo: A presença de grande quantidade de sólidos grosseiros em certos despejos de enlatamento de vegetais e o estrume das vísceras nos matadouros podem ser removidos por grades finas. aumentandoos de tamanho e peso. por exemplo. TRATAMENTO DE ÁGUA Os processos de tratamento de água visam um desenvolvimento na qualidade e características que atendam as especificações solicitadas para a aplicação. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO .). tanto para águas de abastecimento.  Bandejas. flocos pré-formados. deve ser decidido somente depois do completo estudo das características dos despejos. Um tanque desse tipo armazenará o despejo durante os períodos de alta produção e alimentará a estação de tratamento com uma quantidade constante durante os períodos de baixa vazão. Existem. com a finalidade de alterar as concentrações de substâncias voláteis nela contida. Os reagentes mais utilizados neste processo são divididos em 03 grupos: Coagulantes São compostos capazes de produzir compostos gelatinosos insolúveis (sulfato de alumínio. etc.  DECANTAÇÃO É o processo pelo qual se verifica a deposição de matéria em suspensão pela ação da gravidade.  COAGULAÇÃO Consiste em colocar em contato íntimo os reagentes adicionados e a água a ser tratada. segurança. geralmente de seção retangular ou circular.  Pulverizadores. O tipo de tratamento aplicado. basicamente 04 tipos de sistemas de aeração. que são:  Cascata. Estas características frequentemente indicarão tratamentos específicos a determinados tipos de despejos. barrilha.

a remoção da matéria suspensa na água através da passagem da água por um material poroso. enquanto se processa seu desenvolvimento. através da utilização de resinas.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II  FILTRAÇÃO Os processos de filtração possuem como finalidade maior. onde a seleção do processo apropriado sempre é baseada nos resultados dos testes bacteriológicos. na proporção de 60%.  Ácido fluorsilícico (H2SiF6).  Fluoreto de sódio (NaF). na superfície do material utilizado. a obtenção de um esmalte mais resistente e de qualidade superior. O processo de filtração pode ser dividido em dois grandes grupos principais que são os de gravidade e os de pressão. filtro rápido de areia e filtro de leito misto).  Fluorsilicato de sódio (Na2SiF6)..  ACERTO DO PH A correção do pH das águas tratadas se faz necessário para evitar processos de corrosão na tubulação de abastecimento. Nos filtros de gravidade o líquido que se quer filtrar entra no tanque de cima para baixo. reduzindo. etc. absorvendo as partículas passíveis de serem filtradas.  DESMINERALIZAÇÃO A troca iônica é um processo de remoção praticamente total dos íons presentes em uma água. separadamente. etc. Existem vários tipos de desinfetantes. passando pelo leito filtrante utilizando-se apenas a força da gravidade (filtro lento de areia. Agentes químicos São substâncias que atuam sobre o micro-organismo (ozônio. Consegue-se a desmineralização de uma água ao faze-la passar por resinas catiônicas e aniônicas. dar aos dentes. raios U. Os compostos químicos mais utilizados na fluoretação são:  Fluoreto de cálcio (CaF2).). nos filtros de pressão o leito filtrante está encerrado dentro de cilindros de aço e o líquido que se deseja filtrar passa através desse leito sob pressão e em qualquer direção (filtros de diatomáceas). ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Estes processos são classificados de acordo com a sua ação ou mecanismo de destruição: Agentes físicos É a aplicação direta de energia na forma de calor (luz. o índice de cárie dentária.  DESINFECÇÃO A desinfecção das águas possui a finalidade de remover micro-organismos capazes de produzirem doenças. gases halogênios.  FLUOTERAÇÃO A fluoretação das águas de abastecimento público tem por finalidade.).CIEN PÁGINA 53 DE 71 . ácidos.V. ou então em uma só coluna que contenha estes dois tipos de resinas (leito misto).

Químicos É a matéria orgânica ou inorgânica presente no corpo d`água. e que alteram o seu grau de pureza. Tratamento terciário (avançado). Caixas de gordura As caixas de gordura têm por objetivo a remoção de sólidos e gorduras através do processo natural de flotação.CIEN PÁGINA 54 DE 71 . químicas e biológicas. Peneiras Utilizadas para remoção de sólidos finos ou fibrosos que escapam ao gradeamento. Estas características podem ser traduzidas na forma de parâmetros de qualidade da água. Caixas de areia Também chamadas de desarenadores. Trituradores Do mesmo modo que é desejável remover sólidos grosseiros com o gradeamento. devem levar em conta as suas características. Os processos utilizados para tratamento de efluentes líquidos. na forma de colóides ou dissolvidos. o o o o o Gradeamento Utilizado para remoção de sólidos grosseiros ou flutuantes. Os sólidos e as gorduras mais leves do que a água sobem a superfície ficando retidas no espaço de menor turbulência. Biológicos São os seres vivos ou mortos presentes no corpo d`água. sem danificar as primeiras ou entupir as segundas. os tratamentos podem ser classificados como:      Tratamento preliminar. com granulometria semelhante à da areia. tanto de origem industrial como de origem doméstica. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Tratamento Preliminar Processo caracterizado pela aplicação de métodos físicos para a remoção de substância mecanicamente separável dos líquidos. podem ser retratados. Tratamento primário (físico-químico). Sendo usadas para evitar o atrito e o entupimento de bombas e tubulações. Em função dessas características. dependendo do seu tamanho. Tratamento e disposição do lodo. Tratamento secundário (biológico). bem como o grau de recepção do corpo d’água onde o mesmo será lançado. entre a entrada e a saída do tanque.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS (ETEL)  POLUIÇÃO DAS ÁGUAS Os diversos componentes presentes na água. em termos de suas características físicas. são destinadas à remoção de areia e de outros detritos pesados inertes. às vezes é vantajoso reduzi-lo a pequenas dimensões para que possam passar pelas bombas e tubulações. Os principais parâmetros podem ser definidos como: o o o Físicos Impurezas associadas aos sólidos presentes na água. Esses sólidos podem estar em suspensão. de uma maneira simplificada.

tornandoa mais pesada.CIEN PÁGINA 55 DE 71 . que se depositam lentamente. A principal vantagem da flotação sobre a sedimentação é que as partículas muito pequenas. O lodo é encaminhado para tanques digestores. o Tanque de sedimentação É o processo que consiste em manter o efluente em agitação mínima para que as partículas sólidas decantem por ação da gravidade. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . O processo de lodos ativados é estritamente biológico e aeróbio. após este procedimento. onde é decomposto anaerobiamente. A porção denominada efluente líquido é encaminhada aos processos subsequentes e o material decantado com grande quantidade de sólidos. deverá ser submetido a tratamento devido a grande quantidade de matéria orgânica presente em sua composição. reduzir o volume do lodo e permitir o uso como condicionador de solo. no qual o efluente bruto e o lodo ativado são misturados intimamente. sendo este último descartado. micro-organismos patogênicos e nutrientes. A separação se dá pela introdução de bolhas de gás na fase líquida.  Biodigestão anaeróbia Os efluentes após serem submetidos ao processo de decantação separam-se e adquirem características diferentes. o Tanque de sedimentação É o processo que consiste em manter o efluente em agitação mínima para que as partículas sólidas decantem por ação da gravidade. pode ser tratado em um filtro anaeróbio de fluxo ascendente e os sólidos são parcialmente decompostos por digestão anaeróbia no fundo da fossa. propicia um melhor controle na dosagem de reagentes. podem ser eliminadas mais facilmente e em menor tempo. o Tanque de flotação É uma operação realizada para separação de partículas líquidas ou sólidas de menor densidade. Processos Físicos o Tanque de equalização Este tanque condiciona o efluente para as etapas seguintes. A digestão anaeróbia do lodo tem a finalidade de destruir ou diminuir a quantidade de micro-organismos patogênicos. onde a parte sólida é separada do efluente tratado.  Lodos ativados São flocos produzidos num efluente bruto ou decantado pelo crescimento de bactérias. através da remoção de grande parte da carga poluidora. agitados e aerados. melhorando a eficiência dos decantadores. o lodo formado é enviado para o decantador secundário. acumulado em concentrações suficientes graças ao retorno de outros flocos previamente formados. Esse tratamento ocorre a nível primário e no efluente da fossa ainda ficam matéria orgânica. na presença de oxigênio dissolvido e. Processos Químicos o Coagulação e Floculação Grande parte dos sólidos suspensos passam pelos tratamentos primários e para facilitar a separação desse material são adicionadas substâncias químicas que aumentam a massa da partícula. O líquido final um pouco mais clarificado. melhorando as características da água.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Tratamento Primário O tratamento primário tem por objetivo otimizar o efluente industrial ou esgoto doméstico para o tratamento biológico. passível de sedimentar mais rapidamente. Tratamento Secundário  Fossas sépticas É basicamente composta de um tanque onde ocorre um escoamento do efluente de maneira contínua e horizontal.

CIEN PÁGINA 56 DE 71 .  Lagoas Aeradas São lagoas onde o aerador funciona como misturador. com um nível de potência superior ao processo anterior.  Lagoas Aeradas Facultativas Variante do processo facultativo. com o auxílio da atividade fotossintética das algas.  Lagoas Facultativas Depuram a matéria orgânica e inorgânica através dos fenômenos de fermentação anaeróbia (na zona inferior) e de oxidação aeróbia (na zona superior). pois o oxigênio necessário à estabilização do efluente é fornecido por meios artificiais. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . A degradação.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II  Lagoas de estabilização São sistemas de tratamento biológicos em que a estabilização da matéria orgânica é realizada pela oxidação microbiológica. neste caso. Classificam-se em:  Lagoas anaeróbias São aquelas em que não há oxigênio livre na massa líquida. de maneira que os micro-organismos vivos se utilizam do oxigênio combinado com a matéria orgânica. devido à limitação dos processos de fotossíntese. é estritamente aeróbia.

principalmente. Tipo de solo. Vegetação. operação em curvas de nível. com o decorrer do tempo. Proximidade de cursos d’água. do local de disposição e do tipo de reação. poderá acarretar. Possibilidade de ocorrência de inundações. forma e quantidade dos containers. distúrbios irreversíveis no organismo e mesmo danos genéticos aos descendentes dos operários. Treinamento de Pessoal A movimentação dos resíduos nas indústrias. forma de transporte interno e procedimentos de emergência. Características do subsolo. A mistura de dois ou mais resíduos incompatíveis pode ocasionar reações indesejáveis ou incontroláveis em consequências adversas ao homem. O controle de poluição do solo inclui ainda aspectos corretivos pelo uso de técnicas de engenharia no que se refere a execução de sistemas de prevenção da contaminação das águas subterrâneas e sistemas de prevenção da erosão tais como alteração da declividade. Segregação A segregação dos resíduos dentro da indústria e nos locais de tratamento ou disposição é de suma importância para o gerenciamento de resíduos sólidos cujos objetivos básicos são: evitar a mistura de resíduos incompatíveis. treinados quanto aos procedimentos de emergência em caso de contato ou contaminação.CIEN PÁGINA 57 DE 71 . ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . treinados na execução das tarefas coleta. contribuir para a “qualidade” dos resíduos que possam ser recuperados ou reciclados e diminuir o volume de resíduos perigosos ou especiais a serem tratados ou dispostos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II 6) GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS TÉCNICAS DE CONTROLE O controle da poluição do solo compreende uma parte preventiva baseada na seleção dos locais e das técnicas mais apropriadas para o desenvolvimento das atividades humanas visando a minimização dos riscos ambientais. Na elaboração desse sistema os aspectos mais importantes a serem considerados são: treinamento de pessoal. treinados quanto à utilização dos equipamentos de transporte e dos equipamentos de proteção individual colocados à sua disposição e. Tal aspecto inclui uma avaliação criteriosa do local escolhido para cada atividade. considerando aspectos tais como:        Uso do solo na região. das quantidades envolvidas. Os operários devem ser informados dos riscos inerentes ao trato de cada resíduo. um resíduo não apresenta efeito imediato e visível comparado a uma intoxicação aguda ou uma queimadura. transporte e armazenamento para as quais forem designados. Armazenamento e Manuseio Toda empresa deve possuir um sistema de coleta. execução de canaletas de drenagem e manutenção da cobertura vegetal. porém. com raras exceções. é realizada pelo pessoal mais desqualificado. aos equipamentos e mesmo à própria instalação industrial. ao meio ambiente. manuseio e armazenamento para seus resíduos. A extensão dos danos dependerá das características dos resíduos. Muitas vezes. segregação dos resíduos. Topografia.

em termos de forma. sendo os mais frequentes os incêndios. dos equipamentos e das instalações da fábrica . fator de risco para toda a instalação industrial. Além disso. A existência desses riscos potenciais faz com que as empresas tenham necessidade de desenvolver um sistema de prevenção e controle de acidentes que levem em consideração qualquer um desses eventos. durabilidade e compatibilidade com o sistema de transporte. assim como outras áreas da indústria. A elaboração de um sistema de transporte interno deve considerar pelo menos: necessidade de rotas préestabelecidas. Os objetivos básicos desse sistema são a minimização das consequências e a proteção da integridade física dos funcionários. o que permite a rápida detecção de acidentes. equipamentos compatíveis com o volume. estão sujeitos a acidentes de várias espécies e diferentes intensidades. de maneira geral. deve possuir bordas arredondadas e alças que permitam o seu erguimento. as despesas portuárias são sempre elevadas. não deve ser superior a 30 ou 40 Kg. volume e peso. porque. resistência física à pequenos choques. treinamento de pessoal e determinação das áreas de risco para equipamentos especiais. Transporte Interno O transporte interno de resíduos é. bem definida. porque a rota de trânsito. não permite alterações. a saber: material de construção compatível com os resíduos. Se. o seu peso. Geralmente as indústrias utilizam dois tipos de recipientes: um menor. quando cheio. mesmo que estas sejam diferentes entre si. peso e forma do material a ser transportado. as rotas podem ser alteradas com facilidade. a segurança quanto a possíveis acidentes é relativamente grande e a área de abrangência de um possível derramamento é semelhante àquela do transporte rodoviário. para grandes quantidades de carga de fácil manuseio no carregamento e descarregamento ou para cargas de grandes dimensões. o custo é elevado para grandes distâncias. para grandes quantidades de resíduos a granel com baixo potencial poluidor e que devam percorrer grandes distâncias. o transporte rodoviário apresenta as seguintes vantagens: baixo custo para pequenas quantidades e/ou pequenas distâncias. o custo de transporte é relativamente baixo para grandes distâncias. e o pessoal que opera o sistema é fixo e com experiência no transporte de materiais perigosos. desde que apresente características mínimas. do ponto de vista econômico. Porém não é adequado para grandes quantidades. derramamentos e vazamentos. Geralmente. as operações de carga e descarga sofrem menor influência das condições climáticas. consiste em um plano de emergência e um conjunto de instruções e ações pré-estabelecidas imediatamente adotadas em casos de acidente. Em contrapartida as taxas de embarque são elevadas para pequenas quantidades. O transporte ferroviário é uma boa opção. que permita o seu erguimento. capacidade de conter os resíduos em seu interior. Procedimentos de Emergência Os locais de armazenamento de resíduos. Porém a velocidade é consideravelmente menor quando comparado a outros meios. Essa modalidade de transporte é interessante. É importante adequar o recipiente à forma de remoção. Outra característica importante é que a maioria das ferrovias possui planos de emergência estabelecidos e dispõe de sistemas de comunicação. Transporte O transporte marítimo ou fluvial é utilizado em países mais adiantados que dispõem de rede hidrográfica navegável ou se localizam em ilhas como a Inglaterra e o Japão. possui acesso aos pontos de geração e tratamento e pode ser contratado de imediato. por outro lado. também. se removido por um homem. podem ocorrer restrições operacionais de carga ou descarga devido as condições climáticas. Essa modalidade de transporte se torna eficiente para grandes quantidades de carga. colocado ao lado dos pontos de geração e um maior instalado na área de armazenagem da indústria. o recipiente for removido por empilhadeira mecânica é imprescindível colocá-lo sobre um estrado.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Forma e Quantidade dos Containers Teoricamente qualquer recipiente pode ser utilizado para estocagem de resíduos sólidos. é necessária a contratação do transporte com certa antecedência. apresenta alta rotatividade de mão-deESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Em casos de acidentes a área de comprometimento pode ser significativa.CIEN PÁGINA 58 DE 71 .

Os métodos mais utilizados para secagem e desidratação de lodos são: centrifugação. Esse lodo deve ser tratado dentro ou fora da indústria e o custo de transporte é função do volume e da distância entre o gerador e a estação de tratamento. Consiste em uma cuba interna que gira a grande velocidade. Filtragem com Filtro Prensa A filtragem é. estar unidas face a face ou separadas. cujo equipamento é fornecido por um grande número de fabricantes. A existência de kits de emergência específicos para a carga a ser transportada. Essas placas são côncavas. quando estão unidas.CIEN PÁGINA 59 DE 71 . o processo mais utilizado em instalações industriais brasileiras. A compatibilidade do resíduo e o compartimento de carga do veículo. dependendo da fase de processo. composição ou propriedade. limpo e de custo relativamente baixo. como veremos a seguir. Assim recomenda-se que sejam utilizadas as instruções utilizadas no transporte de cargas perigosas do Decreto Lei Federal nº 88821 de 06 de outubro de 1983. sem dúvida. No Brasil ainda não existe um conjunto de instruções para situações de emergência durante o transporte de resíduos. A adequação do equipamento ao peso da carga. A adoção desse meio de transporte e a escolha de um determinado equipamento devem considerar pelo menos:        A falta de outra modalidade mais barata e mais segura. filtragem em filtros prensa de cinto. de maneira a tornar mais aceitável sua disposição final ou simplesmente a sua destruição. A habilidade e o nível de treinamento dos motoristas. mais espessas nas bordas do que na parte central. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Secagem e Desidratação de Lodos Alguns processos industriais geram poluentes que são transformados em um tipo de lama ou lodo e grande parte desse material é constituída por uma fase líquida e por uma fase soída. e apresentam um teor de umidade frequentemente superior a 90 ou 95%. Centrifugação Seu funcionamento é simples. com a consequente redução do volume a ser disposto. A reatividade do resíduo. pode ser interessante para o industrial adotar um sistema de tratamento que permita a redução do volume a ser transportado e isso pode ser conseguido através da secagem ou desidratação. isto é. Então. filtragem em filtros prensa de placas. tornando mais fácil a sua assimilação pelo meio ambiente. Estes métodos se processam por uma ou mais das seguintes formas:     Convertendo os constituintes agressivos em formas menos perigosas ou insolúveis. O filtro-prensa é constituído por uma série de placas verticais que podem. à sua forma e ao seu estado físico.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II obra e maiores dificuldades na comunicação de acidentes. Destruindo quimicamente produtos indesejáveis. formando. filtragem à vácuo e leitos de secagem. um vazio entre as quais. Sobre as superfícies ranhuradas se colocam as mantas de tecido filtrante que reterá os sólidos. O estado de conservação do veículo e do compartimento de carga. A superfície das placas apresenta ranhuras por onde se dará a drenagem dos líquidos filtrados. Alterando a estrutura química de determinados produtos. Atualmente são conhecidos mais de trinta processos de tratamento de resíduos industriais. Separando da massa de resíduos os constituintes perigosos. TRATAMENTO Define-se tratamento de resíduos como qualquer processo que altere suas características. se acumulará o lodo desidratado.

Auto-solidificação. processo também conhecido como solidificação.CIEN PÁGINA 60 DE 71 . liberados nessa degradação. ficando os sólidos retidos nos espaços entre as placas. já previamente condicionado. Filtragem à Vácuo Uma unidade típica de filtragem à vácuo consiste de um cilindro de eixo horizontal. as tortas caem e são coletadas por dispositivos mecânicos que as conduzem para armazenagem e posterior disposição. em geral. produz-se uma diminuição da pressão interna do cilindro e. Na sua essência. é bombeado para o interior do conjunto através de orifícios de alimentação. como o cilindro gira lentamente mantendo a parte inferior de sua superfície externa em contato com o lodo. por efeito da aspiração. através da adição de aglomerantes e processos físicos. esse processo é relativamente simples e consiste da mistura dos resíduos com a camada superior do solo (15 a 20 cm). pelo meio filtrante. Tecnologias desenvolvidas e aplicadas:        Em cimento. Porém sua aplicação em escala econômica dentro de critérios ambientais rígidos torna-se complexa e deve ser executada por pessoal especializado. As placas são separadas e. a alimentação é interrompida. ou presentes nos resíduos. estabilização ou fixação. face a face. Através da bomba de vácuo. Encapsulamento. e uma bandeja onde o lodo é colocado. de onde é retirada por raspagem. Encapsulamento O encapsulamento. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . consiste em estabilizar os resíduos perigosos e transforma-los em materiais menos poluentes. as placas são separadas e sobre elas é colocado o tecido filtrante. construído de material poroso. Em materiais pozolânicos. Landfarming “Landfarming” é a denominação oficialmente adotada pela agência ambiental americana para um método de tratamento onde o substrato orgânico de um resíduo seria degradado biologicamente na camada superior do solo e os íons metálicos. seu fundo é o próprio solo do local. Nesse instante. Por isso. limitar a solubilidade de qualquer constituinte do resíduo e destoxificar os constituintes poluentes. A seguir são mantidas juntas. ou. A pressão de bombeamento força a passagem dos líquidos.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Esse equipamento funciona por bateladas. Inicialmente. uma parcela de lodo desidrata-se e adere a sua superfície externa. a pressão de bombeamento vai aumentando gradativamente até alcançar um valor limite. seriam incorporados nessa mesma camada de forma a não haver contaminação das águas do lençol freático. de tanques rasos. diminuem seu volume e alteram as suas características físico-químicas. diminuir a área superficial através da qual possa ocorrer a transferência ou perda de constituintes poluentes. e o lodo. Em termoplásticos. tendo início a descarga das tortas. por gravidade. que normalmente é conhecida como zona arável. Em polímeros orgânicos. Leitos de Secagem Os leitos de secagem consistem. basicamente. Com o passar do tempo as tortas de lodo vão se formando no interior das câmaras dificultando cada vez mais a passagem dos líquidos. em alguns casos especiais é constituído de concreto ou alvenaria. acima do qual é antieconômico prosseguir com a operação. Os leitos de secagem removem a umidade do lodo. Essa secagem só se dá pela drenagem dos líquidos por gravidade e pela evaporação na superfície superior exposta ao vento e ao calor. Visa atingir os seguintes objetivos: melhorar as características físicas e de manuseio dos resíduos. Transformação em vidro e produção de minerais sintéticos ou cerâmica.

Com efeito. salvo nos casos onde há interesse econômico no próprio resíduo. Na atualidade. contudo é. o método consiste em se reaproveitar um determinado resíduo. através da pesquisa de novos usos para os resíduos. utilizando-se cacos de vidros como aglomerado em substituição ao pedrisco comum. seja praticamente o único em vigor. a exemplo do que já ocorre em outros países. muitas vezes antieconômico. Felizmente. não poderia ser outra a escolha. Esse é o motivo pelo qual não tem sido muito utilizado. que apresentam menor problema quanto à disposição final. o reaproveitamento. Além do mais. Plano de operação. Outra desvantagem deste método é que exige uma infraestrutura adequada. Plano de fechamento. Quanto aos vasilhames de vidro. Caracterização dos resíduos. ou de plásticos biodegradáveis. por exemplo. é extremamente mais oneroso de que a aquisição de novos. ainda é um método não muito aplicável. REAPROVEITAMENTO OU RECICLAGEM Como o nome indica. A pesquisa é a responsável ainda pelo aparecimento de uma série de produtos novos. Interações resíduos – solo. devendo este ser suficiente para recolher as quantidades mínimas que garantam a continuidade do processo de recuperação O público por sua vez. O reaproveitamento de vasilhames metálicos. Novamente. a indústria de refrigerantes e bebidas serve como exemplo. Tais produtos já foram criados experimentalmente e com certeza serão amplamente utilizados no futuro. Caracterização do solo. que se decompõem com o tempo pela ação de micro-organismos. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Isto porque as latas são constituídas geralmente por várias ligas metálicas. o sistema de vasilhames sem retorno.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Os elementos essenciais de um projeto de “landfarming” são relacionados a seguir:          Avaliação preliminar do local. em que os custos de reutilizá-los equiparam-se aos custos de adquirir novos. para que seja processado novamente. É o caso de plásticos que podem ser queimados sem o risco de contaminação atmosférica. O reaproveitamento pode ainda ser estimulado. Comportamento dos poluentes no solo. porém. seja um método quase sempre realizável. mormente entre as empresas de médio e pequeno porte. já são feitos e testados experimentalmente no exterior. deve ser educado a cooperar com o programa separando e devolvendo o resíduo. e a separação dos metais. o reaproveitamento. Concreto e asfalto.CIEN PÁGINA 61 DE 71 . embora possível seria inviável do ponto de vista econômico. Embora do ponto de vista técnico. começamos a atingir uma situação de equilíbrio. Com os processos de produção em massa e o consequente barateamento dos frascos é de se esperar que no futuro. entretanto. entre as empresas de grande porte. Plano de emergência. além de um elevado grau de cooperação por parte dos consumidores. isto é. numa época de acirrada competição econômica. é preciso que a indústria organize um sistema de coleta dos resíduos esparsos pela comunidade. Plano de monitoramento.

para crianças. ATERRO SIMPLES Esta medida é bastante eficaz quando os resíduos são inertes e produzidos em grandes quantidades Escória de minérios e outros resíduos que não apresentem toxicidade ou possibilidade de contaminação ambiental podem ser utilizados para corrigir imperfeições topográficas de terrenos. ou simplesmente ser depositados no solo e recobertos com terra Esta preocupação com o recobrimento em geral não existe na prática e normalmente o que ocorre é um verdadeiro despejo a céu aberto. papelões. já existem indústrias que utilizam o método do reaproveitamento de resíduos. papéis. porém é executado dentro de técnica mais sofisticada e com maior rigor sanitário é constituído.CIEN PÁGINA 62 DE 71 . Além de ser um dos métodos de disposição de resíduos sólidos mais econômicos que existe. além de constituírem um atrativo natural. No exterior. borrachas. madeiras ou ainda plásticos. poeiras e gases aí se originam completando o quadro de incômodos e riscos para os moradores das vizinhanças. etc. em compensação. porém sempre impróprio e perigoso. ameaçando a segurança de trabalhadores ou moradores próximos. ATERRO SANITÁRIO Este processo assemelha-se ao aterro simples. O despejo a céu aberto deve sempre ser evitado. bem compactadas. impedir que os resíduos contaminem as águas de urbanização evitando a sua deposição em terrenos alagadiços. DISPOSIÇÃO FINAL Neste trabalho entende-se por disposição final a colocação dos resíduos industriais em aterros sanitários ou industriais. Por uma superposição de camadas de resíduos e camadas de terra. porém angariando. basicamente. Uma breve explicação sobre as propriedades do solo torna-se então indispensável no desenvolvimento de projetos de aterros de resíduos. reduz em grande parte os problemas associados ao despejo a céu aberto.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II principalmente. formando-se montanhas de resíduos e detritos. na medida do possível o escape de odores. como por exemplo. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . a preferência e a simpatia do público justamente pelo motivo de se preocuparem com os problemas da comunidade. Maiores problemas decorrerão. Em tais despejos são frequentes os incêndios que contribuem para a poluição do ar. já despontam algumas dotadas de uma certa consciência social e que passam a se preocupar com os problemas do meio ambiente. se o despejo for constituído ou contiver resíduos orgânicos como restos de alimentos. assim como a camada de recobrimento deve de preferência ser constituída de solo impermeável. Os resíduos devem ainda ser bem compactados. tais pilhas de resíduos oferecem às vezes riscos de deslizamento. qualquer que seja a natureza do resíduo sólido. embora com desvantagens econômicas. sem dúvida o processo mais utilizado no mundo inteiro. e ter espessura necessária para evitar o fluxo de insetos assim como. cuidados especiais devem ser tomados. insetos e ratos desenvolvem-se e multiplicam-se rapidamente espalhando-se pelas redondezas. Entretanto. O aterro simples é a solução alternativa. como as argilas. odores desagradáveis. Além do inconveniente estético.

A camada final de terra deve possuir a espessura mínima de 60 cm a fim de eliminar os problemas já descritos. e as camadas intermediárias de terra devem no mínimo possuir 15 cm de espessura. a fim de evitar o ingresso. os aterros sanitários podem ser utilizados para a correção de imperfeições topográficas. Ambas devem ser bem compactadas. O local do aterro sanitário deve ser cercado com tela de arame em todo o seu perímetro. de pessoas não autorizadas. Podem ser executados no plano. As camadas de resíduos não devem ultrapassar 60 cm de espessura. Quando o aterro sanitário é executado em encostas a inclinação máxima do talude deve ser 1 2 para ter-se uma boa margem de segurança contra deslizamentos das camadas e capotamentos de tratores. em escavações ou em encostas de morros.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Assim como os aterros simples. As camadas de resíduos não devem ultrapassar 60 cm de espessura. em valas. porém em geral situa-se em torno de 3 a 4 metros. na área. através da passagem constante dos caminhões que transportam os resíduos e dos tratores normalmente utilizados no aterro. e as camadas intermediárias de terra devem no mínimo possuir 15 cm de espessura. através da passagem constante dos caminhões que transportam os resíduos e dos tratores normalmente utilizados no aterro. assim como impedir que papéis e plásticos soprados ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO .CIEN PÁGINA 63 DE 71 . Ambas devem ser bem compactadas. A altura total do aterro sanitário varia conforme o local.

proximidade da fonte geradora e vias de transporte. Esta decomposição é extremamente lenta e prolonga-se por alguns anos após a conclusão do aterro. além de espessa deve ser constituída de solo indicado para o plantio de grama. Outro aspecto a ser lembrado é que a camada final de recobrimento. diariamente. tanto domésticos quanto industriais são. mais encarecerão. são bastante precárias por vezes a acomodação definitiva do aterro sanitário demora até 15 anos. ratos e outros vetores de doenças transmissíveis além de eliminar a presença incómoda de cachorros e urubus e diminuir o risco de incêndios. É preciso lembrar ainda que as condições de resistência do aterro para fundações de futuras construções. é um processo que contribui para a eliminação da poluição ambiental. no Brasil. monitoramento e planos de segurança. Entretanto. subsolo com alto teor de argila. por exemplo. arbustos e plantas A utilização de adubos e irrigação constante é essencial uma vez que os gases produzidos pelo aterro. algum tipo de construção for erigida sobre o aterro. baixo índice de precipitação. Entre as desvantagens dos aterros sanitários incluem-se:   Trânsito intenso e ruidoso de veículos durante a execução. prejudicam bastante a vegetação ATERROS INDUSTRIAIS Os aterros para resíduos. Escolha da Área A área para qualquer que seja o aterro. os gases que emanam deste podem acumular-se no interior da mesma e dar origem a uma explosão acidental. decomposição na ausência de oxigênio. que farão o transporte final até o aterro sanitário.50m no mínimo. as técnicas de disposição mais baratas e de tecnologia mais conhecida. formação de poeiras e odores desagradáveis Distâncias longas dos aterros aos centros produtores dos resíduos Estas distâncias quanto mais longas. alto índice de evapotranspiração. isto é. de caminhões menores para caminhões de grande capacidade. deve apresentar como condições adequadas pelo menos as seguintes: baixa densidade populacional.CIEN PÁGINA 64 DE 71 . Se nesse período. Quando bem executado. Nestas os resíduos são transferidos. pela infiltração e permeação de água da chuva através do aterro Formação de gases que além de apresentarem odor desagradável. A figura abaixo mostra uma seção transversal de aterro sanitário executado com a técnica de trincheira em seu aspecto final Entre as vantagens dos aterros sanitários incluem-se:    A capacidade de absorver grandes quantidades de resíduos.   Risco de contaminação do lençol de água freático.5 m. baixo potencial de contaminação do aqüífero.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II pelo vento se espalhem pelas redondezas. Impedem a proliferação de insetos. pouca declividade e ausência de declividade. exigindo a utilização de estações de transferência. entre o fundo do aterro e o nível mais alto do lençol ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . camada insaturada de pelo menos 1. deve-se sempre ter em mente que esses aterros não servem para disposição de todos os tipos de resíduos industriais. Pensando nisso deve-se estabelecer critérios para operação. dos resíduos orgânicos. A altura da cerca deve ser 1 . área não sujeita à inundação. evidentemente o custo do processo. Por esse motivo as áreas dos aterros sanitários devem ser utilizadas posteriormente para parques jardins estacionamentos e outras áreas abertas. manutenção. são produzidos no aterro devido à decomposição anaeróbica. em determinadas circunstâncias oferecem o perigo de explosão Tais gases como o metano.

ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO .  Área Usada onde o terreno já apresenta características favoráveis e não é necessário nenhum trabalho de preparo. o lixo é depositado em uma das extremidades da trincheira formando células e a seguir é regularmente coberto.  Aterro Classe II (Industrial) projetados.  Rampa Usada em terrenos secos e planos onde se procura mudar a topografia através de terraplenagem construindo-se uma rampa onde se coloca o lixo formando células. Meteorologia Determinação da Forma do Aterro De maneira geral deve-se escolher a que permita dotar o aterro das garantias mínimas de proteção do meio ambiente e que apresente a maior vida útil possível. semissólidos e sólidos. Topografia. Sondagens. isto é. instalados e operados especialmente para receber resíduos urbanos que. de localização e de operação. determinam-se todas as condicionantes necessárias à execução do projeto. Determinação dos Parâmetros Uma vez escolhida a área do terreno. alguns tipos de resíduo a critério do órgão estadual de controle do meio ambiente. sua quantificação e sua qualificação foram suficientemente estudadas para permitir a determinação de suas características de periculosidade e se a disposição em aterros é adequada.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II freático e distância mínima de pelo menos 200 m de qualquer fonte de abastecimento humano ou animal de água. Uma vez conhecido o resíduo. a incineração é. INCINERAÇÃO Considerada por alguns como forma de disposição final. instalados e operados especialmente para receber resíduos industriais perigosos. em face de suas condições hidrológicas.  Aterro Classe III (Sanitário) projetados. são aptos a receber além dos resíduos industriais não perigosos. geológicas. As formas de aterro são:  Trincheiras Escava-se uma trincheira de tamanho conveniente. Desse modo deve-se obter dados sobre:     Os resíduos a serem dispostos.CIEN PÁGINA 65 DE 71 . na verdade um método de tratamento que vem sendo utilizado para a destruição de uma grande variedade de resíduos líquidos. Escolha do Tipo de Aterro Para essa escolha parte-se da premissa de que os resíduos a serem dispostos já são conhecidos. deve-se escolher um dos seguintes tipos de aterros:  Aterro Classe I Projetados. instalados e operados especialmente para receber resíduos industriais não inertes.

Por exemplo. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . de resíduos diariamente.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II No projeto e instalação de uma unidade completa de incineração. se o resíduo possuir certos compostos orgânicos de cloro. As características dos resíduos e seu comportamento durante a combustão determinam como devem ser misturados. Incineradores de injeção líquida. há o risco da formação de fosfogênio (COCl2) que é um gás venenoso. Os incineradores de batelada são comumente utilizados não só em indústrias como também em edifícios. quantidade. nitrogênio. Incineradores de leito fluidizado. flúor.) ou não metálicos (cloro. etc. Os incineradores contínuos são mais sofisticados e sua operação requer maiores cuidados. bromo e iodo resulta num efluente gasoso em cuja composição são encontrados esses efluentes. hospitais. os resíduos produzidos são frequentemente recolhidos pelo serviço público de coleta e enviados aos incineradores da municipalidade. é necessário considerar os seguintes fatores: tipo. O desenho esquemático a seguir mostra uma seção longitudinal de um tipo de incinerador continuo utilizado. alguns chegam a receber até 400 toneladas. Alguns líquidos com baixo ponto de fulgor.CIEN PÁGINA 66 DE 71 .) que deverão ser removidos adequadamente dos gases de combustão. Quando o fogo se extingue as cinzas e os restos são retirados e encaminhados a outro processo qualquer de disposição A figura a seguir mostra esquematicamente um tipo destes incineradores. A forma mais comum de eliminá-los é fazer com que esses gases passem através de uma torre onde são lavados em contracorrente e o efluente líquido resultante desta operação é recolhido na parte inferior da torre e deve receber um tratamento adequado.5 segundos e em alguns casos até 2. os resíduos podem ser divididos em dois grandes grupos: orgânicos contendo basicamente carbono. quantidade e natureza de qualquer cinza eventualmente gerada. é necessário manter-se a temperatura de combustão na faixa de 1200ºC a 1400ºC e o tempo de detenção entre 0. Neste caso pode ocorrer um fenômeno químico chamado craqueamento. denominados incineradores. A incineração de resíduos contendo enxofre. Para evitar este tipo de problema. etc. onde são inflamados diretamente ou mediante uso de combustível.2 a 0. etc. Os resíduos são colocados no interior do forno. sódio.      Incineradores de grade móvel ou fixa. Incineração consiste apenas em se queimar os resíduos em fornos apropriados. estado físico e poder calorífico dos resíduos. hidrogênio e oxigênio que serão convertidos em CO 2 e água. estocados e introduzidos na zona de queima. enxofre. Quando as indústrias não possuem incineradores. deverão ser introduzidos através de uma corrente de gás quente ou aspergidos diretamente sobre a chama. serão facilmente destruídos.0 segundos. Quanto ao tipo. composição dos gases de combustão. cloro. incapazes de manter a combustão. Os incineradores podem ser basicamente de dois tipos:   De batelada Contínuos Os incineradores de batelada são os mais rudimentares e de operação extremamente simples. ou mais. Fornos rotativos. no qual novas e indesejáveis substâncias podem ser formadas. fósforo. Estes incineradores são sempre contínuos e de grande capacidade. Incineradores de câmaras múltiplas. composição. enquanto que outros. e os orgânicos contendo elementos metálicos (chumbo.

O desenho esquemático a seguir mostra uma seção longitudinal de um tipo de incinerador continuo utilizado pelas municipalidades. Os incineradores contínuos são mais sofisticados e sua operação requer maiores cuidados. Estes incineradores são sempre contínuos e de grande capacidade alguns chegam a receber até 400 toneladas. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO .TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II O desenho esquemático a seguir mostra uma seção longitudinal de um tipo de incinerador continuo utilizado.CIEN PÁGINA 67 DE 71 . de resíduos diariamente. ou mais.

Um equipamento indispensável. Ao final da esteira.CIEN PÁGINA 68 DE 71 . que exige uma série de equipamentos e amplas instalações para abrigar todo o conjunto das operações. graças à mecanização e automatização introduzida.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Como se percebe. para que a combustão seja completa. para qualquer tipo de incinerador. Daí é recolhido através de guindaste operado por ponte rolante e levado à entrada do forno Da entrada à câmara de combustão o resíduo perde grande parte de sua umidade devido ao calor intenso do forno. tanto em volume quanto em peso. e para que dessa forma o processo se justifique economicamente. poeiras e odores. A incineração deve. Turbulência. é preciso observar uma temperatura adequada de queima (em geral em torno de 10000C).).     Necessidade de pessoal técnico especializado para a sua operação. Maior controle do ruído. especialmente os de pequena capacidade (de batelada) que em geral não possuem coletores. contudo. podem contribuir sensivelmente para a poluição do ar. os restos e cinzas resultantes da combustão caem num fosso que pode ou não conter água para o rescaldo. A maioria dos incineradores contínuos possui ainda uma câmara secundária onde se completa a oxidação dos gases e partículas. a redução ideal do volume da ordem de 80-85%. preferivelmente o aterro sanitário. e serão objeto de estudo no capitulo do tratamento dos resíduos gasosos industriais. um tempo suficiente de permanência na câmara de combustão (regulável através da velocidade da esteira). Na câmara de combustão o resíduo caí sobre uma esteira móvel e aí sofre a incineração. o processo é bem mais complexo. Custos menores para a disposição dos resíduos (a longo prazo). metais etc. Os três princípios básicos a serem observados são:    Temperatura. Inicialmente. entretanto. o resíduo é trazido pelos caminhões de coleta até a beirada do fosso. devido à presença de materiais incombustíveis como vidros. Exige a separação prévia de objetos grandes não combustíveis ou que possam acarretar problemas mecânicos (exemplo velocípedes. e finalmente promover uma turbulência do ar insuflado para que ocorra a reação completa e total com o oxigênio do ar. Entre as vantagens do processo de incineração incluem-se:     Distâncias menores dos incineradores aos centros produtores de resíduos. A esteira transporta lentamente os resíduos. Não elimina completamente os resíduos. pneus arames de aço. observar certas regras e normas para que haja uma boa redução dos resíduos. o que contribui para a eliminação dos odores. Existe uma variedade muito grande de coletores podem ser utilizados para os efluentes gasosos e particulados. Os incineradores. onde é despejado automaticamente. etc. são os dispositivos de prevenção da poluição do ar. Entre as desvantagens do processo de incineração incluem-se. Tempo. As cinzas são despejadas sobre caminhões de transporte que as levarão para o destino final. remexendo-os constantemente para haver melhor queima. é dificilmente conseguida. devido ao enclausuramento total do processo. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Eliminação quase que total de materiais putrescíveis. Com efeito.

no mar. passando-os em seguida por trituradores elétricos. indústrias grandes que possuem estações de tratamento de esgotos.CIEN PÁGINA 69 DE 71 . pode absorver apenas uma parcela mínima do total produzido por uma comunidade. Como nos dois casos anteriores. unicamente as prefeituras de municípios populosos. Lançamento ao mar Em comunidades litorâneas os resíduos sólidos. e unicamente para uso local. é uma medida que só se aplica és grandes empresas que mantém serviços de restaurantes aos seus funcionários. não serve como adubo químico. acarretando um agravamento da poluição das águas. cisticercose e outras. papelões. que funcionam como grandes liquidificadores. Muito menos em lagos. no entanto. Os restos devem ser muito bem cozidos antes de serem dados aos porcos. quando se tem certeza de que os resíduos são inertes e não irão alterar o equilíbrio ecológico no mar. Podem recorrer a este processo de disposição ou utilizar equipamentos como crivos. distribuindo-se o produto aos consumidores. Tais resíduos não devem estar misturados com outros. Indústrias do interior. grades. até o momento. Esta é uma medida bastante discutível. os resíduos sólidos. que necessitam o composto para seus parques e jardins. ao contrário do que muitos pensam. Obviamente. muitas vezes são levados em grandes barcaças e lançados ao largo. Além do mais.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II OUTROS PROCESSOS Industrialização do lixo Esta medida só se aplica evidentemente às indústrias que produzem resíduos orgânicos como restos de comida. O processo pode. a massa é despejada na rede de esgotos. etc. O mesmo se aplica aos resíduos líquidos que não devem ser lançados às águas sem tratamento prévio. Trituração e lançamento à rede de esgotos É uma medida não recomendável. Por esse motivo. Esta sobrecarga faz com que o tratamento dos resíduos seja realizado deficientemente. a fim de evitar que os animais desenvolvam doenças transmissíveis ao Homem. em sacos de 10kg ou mais. Uma vez triturados os resíduos. provenientes dos escritórios ou das operações industriais. a trituração é realizada misturando-se os resíduos com água. lagoas e rios. como triquinose. não devem ser lançados ao mar. devido à proximidade com as fazendas de criação podem vender os restos de comida aos interessados.. só se aplica aos resíduos sólidos orgânicos produzidos pelas indústrias. A medida não é recomendável pois nossas estações de tratamento de esgotos encontram-se já bastante sobrecarregadas com os resíduos de origem residencial e urbana. Tais resíduos podem ser utilizados como matéria prima na fabricação de compostos. e que pode ser utilizada somente em casos especiais. é um processo que tem interessado. a industrialização do lixo. entretanto. jardins e parques. peneiras e outros para remoção ou transformação dos resíduos sólidos grosseiros em suspensão. propiciando um meio favorável ao plantio e cultivo de hortas. Este produto. através dos supermercados Alimentação de porcos Esta medida dificilmente pode ser posta em prática por indústrias na capital. entretanto pela lavoura no interior é praticamente irrealizável em virtude das grandes quantidades que seriam necessárias além do encarecimento do produto ocasionado pelo transporte a longas distâncias. Tecnicamente. onde poderão causar obstruções. em grande quantidade. De um modo geral. entretanto. ser explorado comercialmente por particulares. cheias e inundações além da poluição propriamente dita. papéis. Entretanto. A utilização de composto. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Sua principal característica e vantagem é a melhoria das condições mecânicas do solo.

podem também produzir grandes quantidades de resíduos radioativos. devem contar sempre com técnicos especializados que serão os responsáveis pela disposição final adequada. velhas minas desativadas se prestam para isso. requer cuidados especiais. Estes. Outras vezes. As indústrias que produzem resíduos desta natureza. contudo. A disposição destes resíduos. Empresas interessadas em obter informações mais extensas a esse respeito devem dirigir-se aos organismos oficiais competentes. ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO . Indústrias que fabricam materiais utilizados em armamentos estratégicos. densas (de chumbo) que por sua vez são fundidas em blocos de concreto.TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II Resíduos radioativos A maior fonte de poluição de resíduos radioativos são os processos que utilizam combustíveis nucleares. tais resíduos são colocados em caixas especiais. Muitas vezes.CIEN PÁGINA 70 DE 71 . ainda não se fazem sentir no Brasil. portanto. Estes problemas. Um dos processos de disposição de resíduos radioativos mais utilizados é o enterramento a grandes profundidades. Tais blocos são finalmente lançados a grandes profundidades no oceano. constituem uma ameaça séria à saúde do Homem pois são fonte de radiações ionizantes.

TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE MÓDULO II ANEXOS ESCOLA POLITÉCNICA DE CUBATÃO .CIEN PÁGINA 71 DE 71 .