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Pioneiros &
empreendedores
Jacques Marcovitch
C o l e ç ã o

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www.ciee.org.br

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Pioneiros & empreendedores
Jacques Marcovitch

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Brasil 3. Marcovitch. Ruy Martins Altenfelder 4. desde que citada a fonte. .Itaim Bibi . Título II. C389p CENTRO DE INTEGRAÇÃO EMPRESA-ESCOLA .CIEE Rua Tabapuã. Jacques I.CIEE Pioneiros & Empreendedores / Centro de Integração Empresa- Escola – São Paulo : CIEE.Empreendedorismo 2. il. no Auditório “Ernesto Igel” do CIEE.org.Planejamento e produção editorial: Pixys Comunicação Integrada Coordenação editorial: Renato Avanzi Diagramação e arte: André Brazão Apoio: Fabiana Rosa e Tânia Moura Capa: André Brazão Taquigrafia: Antonio José Chiquetto Editado por Centro de Integração Empresa-Escola .São Paulo/SP . ISBN: 978-85-63704-17-7 1. Administração . 540 .ciee. Luiz Gonzaga 5. 46 p.br Permitida a reprodução total ou parcial. realizada em 28 de junho de 2012. Silva. 2013. 129)  Palestra proferida por Jacques Marcovitch durante o Fórum Permanente de Debates sobre a Realidade Brasileira. Bertelli. Série CDU : 65 : 338 . Economia .cep 04533-001 Telefone do Estudante: (11) 3046-8211 Atendimento às Empresas: (11) 3046-8222 Atendimento às Instituições de Ensino: (11) 3040-4533 Fax: (11) 3040-9955 www. (Coleção CIEE .

.................................................. 43 encerramento ...................... 06 Construtores da pátria Luiz Gonzaga Bertelli ....... 57 ......................... 20 Debates ...................................................................... 10 Pioneiros & Empreendedores Jacques Marcovitch .............................................................Sumário Pensar e fazer Ruy Martins Altenfelder Silva.....................................................

Ruy Martins Altenfelder Silva Advogado. presidente voluntário do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE. presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas – APLJ. do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp e vice-presidente da Academia Paulista de História – APH. 6 | Coleção CIEE 129 .

Pensar e fazer Ruy Martins Altenfelder Silva “Jacques Marcovitch relata uma ponte entre os pioneiros que levaram o Brasil ao topo da lista dos países empreendedores e os novos e futuros empresários brasileiros.” Pioneiros & Empreendedores | 7 .

Com sutileza e perspicácia. no Egito. ex-presidente da CESP (Companhia Energética de São Paulo).P ioneiros e Empreendedores: trata-se de um dos eventos de maior relevância para ser debatido neste momento. Nasceu na cidade de Alexandria. professor doutor de economia. veio ao Brasil junto com sua família. com apenas 15 anos. E nada melhor do que quem sabe e faz acon- tecer para apresentar e debater o tema: Jacques Marcovitch. Foi reitor da Universidade de São Paulo – USP. O tema deste Fórum Permanente de Debates sobre a Realidade Brasileira promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola –CIEE foi escolhido em virtude de sua importância. Hoje desenvolve projetos educacionais para as iniciativas pública e privada. Foi presidente do Centro Acadêmico Visconde de Cairu em 1968. Jacques Marcovitch é escritor. atuou como secretário de Estado da Economia e Planejamento do governo estadual de São Paulo. aos 18 ingressou na USP – Universidade de São Paulo. ainda adolescente. Jacques Marcovitch relata uma ponte entre os pioneiros que levaram o Brasil ao topo da lista dos países empreendedores e os novos e futuros empresários 8 | Coleção CIEE 129 . Realizou seu mestrado na Owen Graduate School of Management . Vanderbilt University e obteve o grau de doutor pela USP em 1973. ano em que se formou em Administração de Empresas.

principalmente.brasileiros. com explicações do tipo: Porque o que aconteceu é tão importante quanto o que está acontecendo? E o que vai acontecer? Porque é preciso pensar o futuro ousadamente! Pioneiros e Empreendedores é uma ótima oportunidade para estudantes e profissionais de diversos segmentos se atualizarem e adquirirem. Este relevante assunto será devidamente apresentado e explicado com maestria pelo professor Jacques Marcovitch. preciosos conhecimentos que enaltecem seus currículos. Pioneiros & Empreendedores | 9 .

Luiz Gonzaga Bertelli Presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE. presidente da Academia Paulista de História – APH. 10 | Coleção CIEE 129 . diretor e conselheiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP.

Construtores da pátria Luiz Gonzaga Bertelli “Jacques Marcovitch relata com propriedade sobre a vida de empreendedores e pioneiros que influenciaram decisivamente a história do desenvolvimento social e econômico do País.” Pioneiros & Empreendedores | 11 .

casa do estudante brasileiro. obstinação. O consagrado mestre Jacques Marcovitch relata. sobre a vida de empreendedores e pioneiros que inf luenciaram decisivamente a história do desenvolvimento social e econômico do País e da nossa nacionalidade. a FEA. lições permanentes de pertinácia. principal escola superior do País. dentre outras. o professor e doutor Jacques Marcovitch. Ele foi destacado reitor da Uni- versidade de São Paulo . Bresser Pereira e Fernando Henrique Cardoso elaboraram 12 | Coleção CIEE 129 . destacando-se as publicações “A Universidade (Im)Possível” e “A Universidade Viva”. recebe com muita honra o insigne professor e grande amigo. Marcovitch conta a saga de alguns brasileiros e imigrantes que transmitiram aos seus descendentes e também às futuras gerações exemplos insofismáveis de empreendedorismo. e atualmente é professor titular da Faculdade de Economia e Administração e Contabilidade.O Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE.USP. ensinamentos de vida e de trabalho. com propriedade. É também autor de diversos livros e centenas de artigos para jornais e revistas nacionais e internacionais. da mesma instituição.

Quanto ao ex-presidente da República. que não tinham vínculos com a aristocracia cafeeira. imigrantes ou seus descendentes. inclusive. singulares. o seu ponto de vista é semelhante: "É óbvio admitirmos nos dias atuais a fundamental importância dos empreendedores para o nosso progresso.“a grande maioria dos empreendedores brasileiros era composta de estrangeiros. editadas em 1964. que jogam luz sobre os empreendedores. folclóricas. que abriram fronPioneiros & Empreendedores | 13 . Fernando Henrique Cardoso. Algumas figuras. imigrantes ou seus descendentes. que não tinham vínculos com a aristocracia cafeeira. Bresser salienta que a grande maioria dos empreendedores brasileiros era composta de estrangeiros.” duas monografias clássicas sobre o tema.

destaca-se o legendário Conde Francisco Matarazzo. 14 | Coleção CIEE 129 . Marcovitch aborda a saga dos imigrantes italianos e dos imigrantes libaneses da família Jafet. possuidor de imensa fortuna. político inf luente. sistema bancário. fazendeiro e industrial por excelência. com Liceu de Artes e Ofícios e a direção da Escola Politécnica. dentre eles Antônio Prado. que foi também um grande educador. Sua trajetória demonstrava que o imigrante poderia alcançar com êxito e com seu próprio trabalho e sucesso o progresso ambicionado. o grandíssimo inovador da arquitetura e construção civil na terra de Anchieta. Introdutor dos estágios e treinamento dos jovens nos cursos de engenharia no Brasil.teiras agrícolas e implantaram fantásticos complexos industriais e agrícolas superando todas as adversidades." O autor dessa presente obra nos recorda das personalidades da Família Prado. precursores da indústria têxtil e de empreendimentos filantrópicos e sociais como o consagrado Hospital Sírio-libanês e o Clube Monte Líbano. assim como outros de mesmo ímpeto. Da migração italiana. responsáveis pelas estradas de ferro. pioneira na implantação dos projetos do agronegócio. Exalta a coragem de Ramos de Azevedo. Azevedo foi também pioneiro nessa área.

foi o responsável direto pela vinda em 1891 de minha família. Jacques Marcovitch também nos lembra do incansável Leon Feffer. instalando-a em Dois Córregos. No ano de 1870. que por tantos anos esteve à frente do Instituto Roberto Simonsen. avós e pais colheram café e ali se implantaram. nascido na Ucrânia. intelectual e membro da Academia Brasileira de Letras. Ruy Martins Altenfelder Silva. destaca-se Martinico Prado. Simonsen foi pioneiro da construção civil. Os meus bisavós. conhece tão bem. além de disseminador da cultura judaica. no interior paulista. que foi pioneiro na fabricação do papel extraído da celulose e do eucalipto. empresa modelar Pioneiros & Empreendedores | 15 . centro de excelência médica mundialmente reconhecido. a Bertelli. Martinico lançou os trilhos da Companhia Paulista de Estrada de Ferro. apesar de todas as dificuldades encontradas. Simonsen é uma figura que certamente há de ser exaltada. presidente da FIESP e um dos incontestáveis líderes da Revolução Constitucionalista de 1932. cuja biografia o nosso presidente do CIEE. Em 2012.Outro símbolo de empreendedorismo foi Roberto Simonsen. notável orador. momento em que São Paulo comemora 80 anos da Revolução de 32. No âmbito político. para o Brasil. Teve a coragem de mudar radicalmente sua vida para fundar o Hospital Albert Einstein.

16 | Coleção CIEE 129 . o professor Jacques Marcovitch ressalta o poder divino de superação dos pioneiros. acima de tudo. Contudo. portadores de sonhos compartilhados por todos a respeito do tão ambicionado desenvolvimento sustentável do país. embora fosse também um grande empresário. As obras servem como um verdadeiro guia. filho de Martinico Prado. assinala que atualmente. obstinação e persistência. o empreendedorismo continua a exigir sangue. como salienta o caríssimo mestre e amigo. considerados hoje clássicos no Brasil sobre a matéria do empreendedorismo. O professor Jacques Marcovitch. novos empreendedores têm maior facilidade em sua corrida para o êxito.de todo o segmento. renúncias e exposições aos riscos e. suor e lágrimas. apesar dos obstáculos naturais em todos os projetos de vida. Cita ainda Eduardo Prado. não se trata de uma regra infalível. resgatando a história de figuras exponenciais. como radares mentais a serem seguidos. escritor também pertencente à família Prado. Como diria o velho Winston Churchill. Nos seus três notáveis livros.

fundador do Grupo Sadia. ainda. Outros deles foram lembrados como: Attilio Fontana. Dizem os estudiosos da mente humana que o trabalho e o amor são as duas únicas Pioneiros & Empreendedores | 17 . que constituiu a mais internacional das empresas brasileiras.No segundo volume de sua trilogia. que fornece tantos estágios para os nossos jovens. do Magazine Luiza. criador da primeira grande indústria brasileira. Responsável pelo notável campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. hoje com mais de 300 lojas no Brasil. Jorge Gerdau. Marcovitch introduz o Visconde de Mauá. o português Valentim dos Santos Diniz. Apresenta também Luiz de Queiroz. criador do Grupo Pão de Açúcar e pai de Abílio Diniz. e. Marcovitch igualmente nos recorda de um ensinamento de Freud e dos mais notáveis psicólogos. Poucos sabem que sua construção foi fruto da doação desse fantástico pioneiro. Destaque também para dona Luiza Trajano. a de fundição. responsável pelo desenvolvimento do Grupo Votorantim e patriarca da família Ermírio de Morais. interior do Estado de São Paulo. José Ermírio de Morais. precursor do agronegócio e pioneiro do ensino superior de agricultura. em Piracicaba.

a serem sublimados pelo professor Jacques Marcovitch. Sendo assim. Quantos outros nomes poderíamos acrescentar à condição de pioneiros. Orlando Ometto. Mário Dedini. Pery Igel. que poderíamos agregar a eles. nós podemos então concordar com o insigne professor Jacques que o empreendedorismo reúne os dois fatores e tantos outros. professor emérito do CIEE/ESTADÃO. desejamos ratificar a importância de seu ingente trabalho. o quarto da série sobre pioneirismo empresarial. Olavo Setúbal e tantos outros. Os relatos desse livro tratam dos formadores dessa nação. Amaro Rolim. resultado de suas laboriosas pesquisas e estudos que primam pela clareza de linguagem e f luência nas biografias dos mais notáveis pioneiros e empreendedores da nação.coisas que contam na vida e que nos fazem viver. Ao recebê-lo no CIEE. inspirados na obra do educador Antônio Cândido. como os nossos antepassados italianos. entre eles: Amador Aguiar. Aguardamos. ansiosamente. dos escravos negros 18 | Coleção CIEE 129 . seu próximo livro. este espaço do estudante brasileiro que tem à frente da governança corporativa e dos nossos conselhos o dedicado doutor Ruy Martins Altenfelder Silva.

escritor. com muita atenção. portanto. Vamos. resultado da 139ª reunião do Fórum Permanente de Debates do CIEE sobre a Realidade Brasileira. que se organizou transformada em um aglomerado humano de cerca de 200 milhões de seres. apreciar esta obra. secretário de Estado de Economia e Planejamento do nosso governo estadual e grande incentivador das atividades do CIEE em prol da inclusão social do jovem estudante no mercado de trabalho e do seu aperfeiçoamento profissional. Tenho certeza de que o leitor sairá enriquecido com seus notáveis ensinamentos. ex-presidente da CESP. o dedicado ex-reitor da USP – Universidade de São Paulo. professor de economia. sem protelações. sendo uma das maiores economias do universo.forçados a vir trabalhar entre nós e da sociedade brasileira. Pioneiros & Empreendedores | 19 . com redobrada atenção.

em Genebra.Jacques Marcovitch Professor doutor. 20 | Coleção CIEE 129 . ex-reitor da Universidade de São Paulo – USP e membro do Conselho Superior do Graduate Institute of International and Development Studies.

PIONEIROS & EMPREENDEDORES Jacques Marcovitch “existem alguns setores no Brasil que são absolutamente férteis e já anunciam o surgimento de pioneirismo.” Pioneiros & Empreendedores | 21 .

Agradeço a todos do CIEE que tornaram esta oportunidade viável. promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE. 22 | Coleção CIEE 129 . As referências feitas na introdução desta obra a Antônio Cândido e Edson Queiroz e a própria bibliografia de Bresser Pereira e Fernando Henrique Cardoso. Luiz Gonzaga Bertelli. especialmente ao presidente Executivo.É uma grande satisfação participar do Fórum Permanente de Debates sobre a Realidade Brasileira. Sem esquecer de Ruy Martins Altenfelder Silva. eu lhe sou muito grato por ter tido o privilégio de também acompanhar sua trajetória. companheiro de tantas caminhadas no âmbito público e no das associações. constituem uma extraordinária introdução à nossa reflexão conjunta. Parte dessa obra se deve muito ao seu apoio quando diretor do Instituto Roberto Simonsen. pelo honroso convite. juntas. Cumprimento também o professor Paulo Nathanael e demais integrantes da comunidade do CIEE. presidente voluntário do Conselho de Administração do CIEE.

A primeira delas é que. começarei pela conclusão. Muitos acreditam que imigrantes são somente aqueles que vieram do exterior para o Brasil. O doutor Bertelli. onde nasceram e cresceram. os atuais migrantes que estão saindo do Sul para a Região Norte. presente e futuro e dos vários ambientes. Também questionarei o que os pioneiros nos ensinam para a construção do século XXI.O legado dos pioneiros Abordarei a questão do grau de dificuldade para ser um pioneiro nos dias de hoje em comparação aos quatro períodos históricos anteriores aos quais faremos referência. os que vieram do Norte e Nordeste para o Sul. logo nas primeiras páginas deste livro. há de se refletir sobre a construção do futuro. Portanto. Para isso. além de olhar para essa época. o internacional. enfrentando adversidades em sua origem. O que os pioneiros nos ensinam? Destacarei alguns ensinamentos antes de ressaltar uma característica em comum entre os pioneiros: a capacidade de conexão do passado. o nacional. o local e o projeto empresarial. lembrava da bibliografia de Bresser Pereira e Fernando Henrique Cardoso quando mencionou os imigrantes. Que podem ser considerados aqueles que migraram do rural para o urbano. desenvolvem uma capacidade de resiliência que será utilizada ao lonPioneiros & Empreendedores | 23 . Essas pessoas têm duas características.

como muitos dos nomes já citados. Acontece que esse 24 | Coleção CIEE 129 . depois do assassinato do pai e enviado ao Rio de Janeiro com nove anos de idade. O já mencionado empresário do ramo de gás. essas pessoas desenvolvem uma sensibilidade maior à diversidade para se relacionar com o próximo. cuja história será relatada mais adiante. esse personagem. Convém lembrar que ele. diferentemente de muitos que enxergam na adversidade o motivo para se conformarem. Edson Queiroz. Pode-se questionar a função de um botijão de gás.go da vida para construir horizontes mais positivos apesar de viverem em profundas adversidades. Fundador do Banco do Brasil. Começa a vida como escriturário. é um exemplo inspirador dessa capacidade de transformação. tornando-se contador. inicia sua vida em momentos de profunda adversidade. um país ao outro. essas pessoas enxergam na adversidade uma fonte de aprendizagem para a construção do futuro. mais adiante. à passividade e ao derrotismo. ou uma região a outra. Vale citar o caso do Barão de Mauá. é uma pessoa que revolucionou a casa brasileira. quer seja de um tempo. diplomata. mais tarde empresário e. por causa da migração. Mas. Além disso. Irineu Evangelista de Sousa foi expulso da casa do padrasto.

Além disso. o local e o projeto empresarial. em primeiro lugar. toda a verticalidade das cidades brasileiras se deve ao botijão de gás. melhorar a qualidade de vida da dona de casa.“uma característica em comum entre os pioneiros: a capacidade de conexão do passado. o internacional. será visto adiante. presente e futuro e dos vários ambientes. Tudo isso constitui elementos de revolução que. o nacional. que não precisa mais acordar às quatro horas da manhã para iniciar o fogão à lenha (ou a carvão) para somente então trazer para dentro de casa a comida para sua família. Outra característica que os pioneiros nos ensinam é dar uma nova Pioneiros & Empreendedores | 25 .” objeto significa a possibilidade de. e que foram adotados por pioneiros. Enquanto era utilizado o fogão à lenha no Brasil não havia a possibilidade de pensarmos na construção de prédios de apartamento.

mas controlar a si mesmo para manter um ou alguns rumos que geram resultados. 26 | Coleção CIEE 129 . significa dominar as suas emoções para alcançar um determinado objetivo. ao poder e à sabedoria. Raramente ouviremos que seu objetivo era acumular riqueza. para eles. Por causa da sua percepção de adversidade e da diversidade. nota-se que todos souberam se cercar de talentos que nas suas especialidades tinham um conhecimento muito maior de técnicas. Sabedoria. constitui a valorização do outro. a descoberta do outro e das tendências globais. Não constitui mandar no outro. a leitura. O poder. para os pioneiros. nacionais e locais para transformá-las no seu projeto de pioneirismo eram uma conexão permanente. A riqueza para eles não é um fim em si. Os pioneiros veem no acúmulo do bem material um meio para realizar um sonho. a aprendizagem. Além disso. Olhando para os nomes que foram citados.interpretação à riqueza. mas um meio para viabilizar um sonho. que se tornava um articulador dessas competências. ou habilidades mais valiosas que o próprio pioneiro. essas pessoas tinham a capacidade da leitura.

Pioneiros & Empreendedores | 27 . No período entre 1930 e 1945. começando pela Bahia com Luis Tarquínio. Attilio Fontana e Guilherme Guinle. uma permanente lembrança do que eram as vilas operárias criadas pelo setor têxtil para assegurar a mão de obra necessária para o projeto industrial. Nami Jafet. Passando ainda por Jorge Street. Republicano. fundadores das Casas Pernambucanas. Francisco Matarazzo e o já citado Luiz de Queiroz. onde surgirão as figuras de Mauá. recordando a Vila Maria Zélia. Ramos de Azevedo e Delmiro Gouveia. A criação do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) a partir da visão do Roberto Simonsen até hoje demonstra a viabilização de um projeto através da qualidade dos recursos humanos.Feitos notáveis Os pioneiros serão analisados em quatro períodos: monárquico. que começa em Pernambuco e funda seu projeto pioneiro em Pedra. Mascarenhas e os Prados. os Ludgrens. destaco figuras já lembradas como Klabin e Roberto Simonsen. No caso de Roberto Simonsen convém lembrar que foi ele quem concebeu o projeto da construção da indústria junto com tantos outros fundadores do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e mais tarde do IDORT (Instituto de Organização Racional do Trabalho). em São Paulo.

Roberto Marinho e a família Gerdau. abordamos Ermírio de Morais.No período que vem depois. quer seja de um tempo. “por causa da migração. um país ao outro. O que faremos nas próximas páginas é voltar aos tempos dos pioneiros. Veremos as histórias das Casas Pernambucanas e. dos irmãos Lundgren. e também. com a formação de recursos humanos. consequentemente. Bernardo Mascarenhas. Valentim Diniz. sem nos esquecer de sua esposa que teve um papel determinante na concepção do currículo da escola. Leon Feffer. a partir de 1945. e de Luiz de Queiroz. essas pessoas desenvolvem uma sensibilidade maior à diversidade para se relacionar com o próximo. ou uma região a outra. de Nami Jafet. que trouxe a geração de energia elétrica para Minas Gerais.” 28 | Coleção CIEE 129 .

como: Herman Lundgren (1835-1907) Bernardo Mascarenhas (1846-1889) Luiz de Queiroz (1849-1898) Francisco Matarazzo (1854-1937) Nami Jafet (1860-1923) Delmiro Gouveia (1863-1917) Guilherme Guinle (1882-1960) Pioneiros & Empreendedores | 29 . a tecelagem de Ermírio de Morais e Leon Feffer convocando a juventude a sentir a responsabilidade do Brasil. composto por diversos trechos de imagens de época que destacam o trabalho e os legados inestimáveis de grandes seres humanos. a companhia Docas de Santos.Francisco Matarazzo será lembrado pelo que era considerado o ícone do desenvolvimento: chaminés expelindo fumaça como forma de caracterizar o incremento urbano. para a Amazônia. Hoje o desenvolvimento sustentável condena essa fumaça. a família Klabin-Lafer. Todas essas ilustres personalidades são mostradas no filme “TEMPO DOS PIONEIROS”. Comentarei a Revolução Industrial. mas naquela época era o símbolo desse avanço industrial. um sonho de Guilherme Guinle. vendo o papel que Samuel Benchimol desempenhou na construção de um pensamento de desenvolvimento sustentável nas décadas de 1970 e 1980 do século passado. Terminaremos essas passagens indo para o Norte.

Lembro-me de Roberto Marinho. Pioneiro ou empreendedor? Algumas palavras já haviam sido citadas: trabalho. lidar com as adversidades. conexão à realidade internacional. Registro meus agradecimentos à professora Dora Mourão. obstinação. que podem transformar cada cidadão. E estão presentes em cada um desses personagens. através de imagens de época que retratam o contexto no qual viveram. que colaborou com a montagem dessa importante obra cinematográfica de grande valor histórico. da Cinemateca Brasileira e da ECA-USP. que começou o projeto da Rede 30 | Coleção CIEE 129 . inovação. independentemente de sua geração. visão de futuro.Horácio Lafer (1900-1965) José Ermírio de Moraes (1900-1973) Leon Feffer (1902-1999) Samuel Benchimol (1924-2002) “Tempo dos Pioneiros” é uma homenagem aos pioneiros do empreendedorismo brasileiro.

A vida do pioneiro empreendedor é a vida do labirinto. Existiram vários dos pioneiros que foram citados e que até os últimos anos de suas vidas.” Globo aos 61 anos de idade. Alguns nunca entraram em um labirinto e. que nunca deixaram de empreender e de iniciar novos projetos. nunca vivenciaram essa busca da saída. portanto. Os outros adentram e saem uma vez. Pioneiros & Empreendedores | 31 . aprende a encontrar o caminho da saída e volta várias vezes em sua vida em busca de novos desafios. casos de Leon Feffer (empresário) e de Samuel Benchimol (acadêmico).“O pioneiro empreendedor é aquele que adentra o labirinto. O pioneiro empreendedor é aquele que adentra o labirinto. aprende a encontrar o caminho da saída e volta várias vezes em sua vida em busca de novos desafios. Outros ingressam uma única vez e nunca saem.

comparando o pioneirismo daquela época com o atual. enfatizar a questão da conexão e da inovação. lembrar dois dos quatro momentos históricos aos quais me referi. É uma situação diferente daquela pela qual são lembrados os pioneiros. algo que ninguém havia feito anteriormente. Um pouco da história do Brasil e seus pioneiros Em 1890. Cada um dos nomes citados são mulheres e homens que começaram algo pela primeira vez. mas que tem o benefício de se inspirar na trajetória de outros. O período da Primeira República. O empreendedor é aquele que certamente tem seu valor na sociedade. O franchising. por exemplo. e posteriormente o momento atual que estamos vivendo. mostrando que o que nos inspira no passado pode ser muito bem entendido no momento presente. é um caso típico. portanto.Qual a diferença entre um pioneiro e um empreendedor? O pioneiro é aquele que começa um projeto pela primeira vez. já havia se passado dois anos da abolição da escravidão no Brasil. portanto de 1890 até 1930. um momento de profunda transição entre a cultura 32 | Coleção CIEE 129 . Pretendo agora.

em 1932. Há poucos anos falava-se em primeiro mundo. está obsoleta. que vivem e sofrem o seu endividamento. em 2012. Como a China. E num outro momento. temos as nações “em desenvolvimento”. África do Sul e o Brasil constituindo alianças impensadas e impensáveis naquele período do século passado. Do outro lado. incluindo os países em crise como Grécia. Espanha e Itália. Rússia. como o dos emergentes. Nesse grupo. As nações desenvolvidas continuam nesse patamar. com o significado de um Brasil sem escravidão. veio a Proclamação da República. pode dizer que há uma subdivisão entre os países ainda “em desenvolvimento” e os “países absolutamente não dePioneiros & Empreendedores | 33 . a Revolução Constitucionalista do Brasil. Pouco depois. Essa classificação não se aplica mais. e em terceiro mundo. a crise da Bolsa de Nova York.que existia até aquela época com uma nova nação que poucas pessoas saberiam identificar. Em 1929. industrializado. em segundo mundo. o termo crise surge novamente. a Revolução Russa. Vivemos com dois grupos de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Índia. dos países em desenvolvimento. que também se dividem em grupos. e a emblemática queda da Bolsa de Nova York em 1929. O mundo está se reconstruindo. comunista. Atualmente. como já aconteceu no caso da Europa em 2008. Um ano depois.

Bell. Edison. é uma realidade com a qual convivemos graças aos pioneiros que trouxeram essas inovações ao Brasil. por exemplo. desenvolvendo a produção do aço. trazendo juventude. de outra forma. Benz. em busca de horizontes mais esperançosos? Por outro lado. Essas pessoas tiveram a oportunidade de visitar as grandes exposições universais. Quantos não acompanham hoje os cursos migratórios vindo para o Brasil. comparando aquele período do fim do século XIX e início do século XX. a lâmpada elétrica. assim como Santos Dumont. Os fluxos migratórios resultantes das transformações no final do século XIX e início do século XX se repetem agora. Marconi. os irmãos Wright. Siemens. cabe lembrar outra revolução. a transmissão de telegrama transoceânica. na área da fermentação. os chamados países menos desenvolvidos. na telefonia. com a máquina de costura. caso da Somália. o avião. O que parecia um mundo futurista. Lumière. Surgem nomes como Pasteur. Singer. famílias. a Revolução Industrial da época. Trata-se de uma configuração geopolítica radicalmente diferente daquela que estava surgindo no fim do século XIX e início do século XX. as transformaram e as incorporaram. 34 | Coleção CIEE 129 . o cinema.senvolvidos”. o motor a combustão. na época muito comuns na cidade de Londres.

mas há a revolução digital. que provocou uma revolução na Pioneiros & Empreendedores | 35 . em segundo mundo. este bastante fragilizado. os biopolímeros.“Há poucos anos falava-se em primeiro mundo.” Se isso representava o período de 1850 até o início do século XX. Tudo isso constitui referências novas para um período de profunda transformação. a biologia molecular. assim como a biológica (caracterizada pelo genoma). e em terceiro mundo. Ainda vivemos as consequências da queda do Muro de Berlim. principal força do continente Europeu. Não temos mais a Revolução Industrial. testemunhamos? A biologia celular. comunista. a tecnologia da informação. Outro aspecto importante que vale a pena citar é o emblemático e trágico dia 11 de setembro de 2001. industrializado. atualmente. com uma Alemanha unificada que assume hoje responsabilidades maiores. dos países em desenvolvimento. o que nós. a genética humana.

pois monitoram à distância aqueles que depredam a natureza. pois raramente conseguimos detectá-los enquanto eles estão agindo. um trabalho coletivo onde aqueles que hoje nós reverenciamos eram pouco percebidos naquela época. com a energia nuclear sendo colocada em xeque no mundo inteiro. pelo trabalho em equipe. Atualmente. Suíça e Holanda se comprometeram a abandonar a energia nuclear até 2024. 36 | Coleção CIEE 129 . objetos que permitem a proteção da fauna e da flora. incentivando a busca por alternativas. A realidade brasileira somente os conhecerá dentro de 20 ou 30 anos. Essas nações olharam para o Brasil como fonte de tecnologia para cumprir as decisões tomadas no âmbito coletivo na medida em que Alemanha. Muitos deles se caracterizam pela discrição. aconteceu outro evento que também trouxe uma grande transformação: a grande crise em Fukushima no Japão. provocando nos países europeus o abandono desse tipo de recurso energético em um curto prazo.tecnologia da segurança. Mas existem alguns setores no Brasil que são absolutamente férteis e já anunciam o surgimento de pioneirismo. milhares de câmeras estão espalhadas pelo mundo. pela humildade. Quais seriam os pioneiros de hoje? Se essa pergunta for formulada nós certamente não saberíamos responder de maneira categórica. Os pioneiros que foram citados estão presentes no mundo de hoje. Em 11 de março de 2011.

por trás de sua inigualável trajetória. uma no Paraná. hoje nos deparamos com uma indústria nacional criada por brasileiros que se destaca internacionalmente. Pioneiros & Empreendedores | 37 . outra em São Paulo. O empresário Edson Queiroz (empresário do ramo de gás). Quero deixar claro que não se trata de uma manufatura de cosméticos de baixa utilização de mão de obra. no momento. era dominado essencialmente pelos europeus. há alguns anos. teve a atuação papel de Ermelinda Ottoni. a mulher era excluída da vida pública. historiador daquela universidade. do segmento de cosméticos no Brasil. Ermelinda era uma pessoa extraordinária porque tinha vivido no exterior e. esposa de Luiz de Queiroz (agrônomo e proprietário de diversas terras no atual Estado de São Paulo. portanto. As redes de representantes se contam pelos milhares nas várias empresas. escreve em seu diário não publicado e que me foi trazido por Joseph Love. Onde estão as mulheres? No início do Século XX.Lembro-me. uma delas doada para a atual Escola Superior de Agricultura – ESALQ em Piracicaba/SP). que veio da Universidade de Illinois para ajudar a montar o currículo da escola. o professor Davenport. outras se distribuindo pelo Norte. o papel que essa mulher desempenhou com discrição no projeto da então chamada “Escola Agrícola Prática de Piracicaba”. Existe o espírito empreendedor utilizando a flora brasileira para disseminar uma nova indústria e uma nova tecnologia. Sem dúvida.

Também cito Yolanda Queiroz. de Ribeirão Preto.” Era um período onde as mulheres não participavam nem da vida social nem da pública. 38 | Coleção CIEE 129 . uma tragédia que levou a vida de seu marido. de outra forma. sim. mas o fato de não serem tão visíveis. não diminui a importância de que assumiram as responsabilidades que haviam protelado naquele período.“Os fluxos migratórios resultantes das transformações no final do século XIX e início do século XX se repetem agora. esposa de Edson Queiroz que assumiu a direção do grupo empresarial. Podemos lembrar também de Sinhá Junqueira. estavam presentes. que desempenhou papel semelhante. até então presidida pelo marido. Atualmente cada vez mais influentes. As mulheres. Mais do que atitude é importante observar os pensamentos de cada pioneiro. como esposas. quando um acidente automobilístico. como parceiras.

um monopólio de sua ciência”. Attilio Fontana – “Todo capital tem origem social e sendo fruto da acumulação de recursos da própria comunidade. O aprendizado de Bernardo Mascarenhas nas oficinas e a crítiPioneiros & Empreendedores | 39 . Visão de Trajano Antunes sobre a trajetória de impostos e salários na comunidade – “Minha sina é ter de lutar com dificuldades no momento em que me parecia ter vencido todas”. ao contrário. Não partimos de uma teoria de administração para dizer como os pioneiros agiram e se comportaram. referindo-se ao encadeamento de obstáculos na ação empresarial – “É ver se ficaria habilitado a assentar todo o maquinismo e ensinar a algum rapaz inteligente o manejo das máquinas. porque os maquinistas estrangeiros nada ensinam. É o caso desses notáveis pioneiros que fizeram e ainda fazem parte da história: Antônio Prado – “Aos meus filhos. fazendo. a ela deve voltar”.São pensamentos que partem da realidade. o Barão de Mauá. netos e bisnetos eu confio o legado do meu nome e da minha memória. bem como o fruto do meu trabalho”. Irineu Evangelista de Sousa.

que tudo tira do País e comercialmente nada lhe deixa”. seja para o que for”. em geral moldadas a partir de um líder”. A disposição de Edson Queiroz para acompanhar de perto tudo o que acontecia em suas empresas – “Meu começo foi igual a todos os começos. Em 1881 deixei a minha terra.ca aos que monopolizam o conhecimento – “Quem manufatura nunca está fazendo bem feito demais. As normas de Delmiro Gouveia sobre o controle da qualidade – “Estou sempre à disposição. já havia perdido o meu pai. O início do imigrante Francesco Matarazzo – “As grandes organizações econômicas neste final de século são polos culturais de comportamento. bons conselhos e um milhar de liras”. a minha casa em Salerno. e embarquei para a América. Visão de Jorge Gerdau sobre o legado dos patriarcas Curt Johannpeter e João Gerdau – “É esse o caráter próprio da indústria extrativa quando exercida por indivíduos ou empresas estrangeiras possuidoras de jazidas. Todos os dias deve se cuidar do melhoramento do produto”. Eu estou pronto 24 horas por dia. Torna-se do ponto de vista nacional uma indústria espoliativa. Argumentos nacionalistas utilizados por Guilherme Guinle no 40 | Coleção CIEE 129 . Trazia a benção de minha mãe.

Só me resta agradecer ao CIEE e. daqui a 30. da introdução feita com tanta abrangência e competência pelo próprio doutor Luiz Gonzaga Bertelli à posterior reflexão comparando passado e presente. uma verdadeira troca. Foi um privilégio preparar esse convívio. eu e mais ninguém”. 40 ou 50 anos? Isso significa que a nossa geração tem o mesmo espírito de pioneirismo daqueles que encontramos no passado. àqueles que permitiram a realização dessa enriquecedora obra. Das lições que os pioneiros nos deixam aos princípios.final dos anos 1930 – “Tudo no começo parecia contra mim. estabelecendo mitos positivos para a construção do futuro. Pioneiros & Empreendedores | 41 . valores e pensamentos e. finalmente. e ao mesmo tempo registrar essa memória com a devida importância em nosso imaginário. de todas as gerações. enfim. Resta nos dar a oportunidade de primeiro apoiar os mais jovens. essa pergunta final: como nós descreveremos esses pioneiros de hoje. A meu favor.

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debates Pioneiros & Empreendedores | 43 .

porque ele teve um papel muito importante na criação das novas relações trabalhistas. Minha pergunta é referente à questão da imigração. Em relação às histórias destacadas. Morriam pessoas durante as greves e foi graças a Jorge Street que se iniciou um diálogo entre empresários e sindicatos. eram greves assassinas. Ainda existe. As greves que marcaram o fim da década de 1910 e que ocorreram em torno de 1917 até 1919. mas a partir da década de 1970. O que deve ter faltado à IRFM (Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo)? JACQUES MARCOVITCH – Quero cumprimentá-lo pela excelente pergunta formulada. qual o motivo da simbiose de Matarazzo não ter sido transmitida para as gerações futuras? Vemos o Conde Chiquinho levando o grupo para outras áreas. pioneiro no setor têxtil. como a de Jorge Street.Tenho 26 anos. colunista no jornal Metro News e diretor do Museu Histórico da Portuguesa de Desportos. Quero começar com uma referência rápida a Jorge Street. 44 | Coleção CIEE 129 . sou estudante de jornalismo. a empresa não conseguiu continuar a manter o nível que tivera no passado. Já li seus livros porque sou um profundo admirador da história das Indústrias Matarazzo. muito bem lembrada porque muitas vezes ele é esquecido por ter morrido na falência.EVERTON [Estudante de jornalismo] . em São Paulo. devido a um novo cenário. mas não é nem o espectro do passado.

houve uma tragédia. há uma aproximação dessa comunidade com o próprio periódico. que fundou o jornal O Estado de São Paulo. Sobre Francisco Matarazzo e a continuidade. a partir daí. Isso causou uma ruptura em um projeto familiar que estava sendo preparado. do seu primogênito. O mais importante nessa transferência de responsabilidades é que parte da premissa de que a adversidade vivida pelo fundador e o conhecimento decorrente dela podem ser transferidas para a geração seguinte é falsa. especialmente quando no conforto conquistado pelos Pioneiros & Empreendedores | 45 . que foi a morte do primogênito. algumas delas de cunho anarquista que organizavam esses movimentos para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.É sabido que foram lideranças italianas que vieram para o Brasil. ao perceber a importância da leitura de jornal em uma época que essa prática ainda era muito tímida. essa pergunta é muito atual porque convivemos hoje com grupos familiares que estão se expandindo e outros que estão transferindo seu poder decisório para outras empresas. Em uma dessas greves o fundador resolveu doar a renda de um dia de venda de jornais às famílias dos trabalhadores mortos e. Isso não é o caso. poderão visualizar e visitar o mausoléu que ele mesmo construiu para ser o último conforto do filho morto. É possível também fazer uma conexão com a família Mesquita. Aqueles que visitam o Cemitério da Consolação na cidade de São Paulo. No caso específico dele.

o pensamento dos pais de não querer que os filhos enfrentem as mesmas adversidades. É por isso que hoje os grupos empresariais decidem quais descendentes serão os futuros gestores. Mas foram justamente as dificuldades que os progenitores enfrentaram que fizeram deles pioneiros. dura por si muito pouco porque o cenário se transforma em grande velocidade. a família passa a procurar fazer com que os filhos deixem de viver o sofrimento dos pais. seja internacional. A crise de 2008 marcou profundamente o entorno de todas as empresas e. desde então. quais serão acionistas e aqueles que não desempenharão nenhum papel no projeto empresarial da família. mas o entorno é mutante. Compare o mundo de 2007 com o mundo de 2010. local. Entra em cena. setorial e empresarial no dia a dia do negócio. dessa percepção estratégica que se transforma em ideias no cotidiano do negócio torna muito difícil essa transferência do poder. torna-se menos provável a capacidade de liderar um processo de transformação no futuro. assim como o Brasil de 2007 com o de 2010. nacional. A herança é constante. A ideia de que a empresa tem uma vida própria e de que o herdeiro pode dar sequência. a ausência dessa capacidade de conexão. Quando eles protegem os filhos dessa vivência e dessa capacidade de enfrentar dificuldades na tenra infância ou na juventude. O pioneiro foi capaz de conectar o entorno mutante. Porque não 46 | Coleção CIEE 129 .resultados da atividade empresarial do pioneiro. portanto.

W e os efeitos do Facebook. Z. Herdei do meu avô e claro que atualmente temos de nos cercar de pessoas para empreender. mas ao mesmo tempo de provar a Pioneiros & Empreendedores | 47 . se compararmos com as fortunas mencionadas na explanação. Essa é a conclusão que chego trazendo para cá o que eu tenho discutido com os jovens estudantes da nossa universidade.é de se esperar que todos os descendentes tenham as mesmas características do pioneiro fundador. de computador. em um negócio que vale bilhões. sem desmerecer o Mark e o Eduardo (fundadores da rede social Facebook). Gostaria de ouvir um pouco com relação a essas gerações. Facebook e etc. Hoje uma empresa não é feita de uma pessoa. mas não vive as realidades. JACQUES MARCOVITCH – Eu lhe agradeço a pergunta. televisão ou de celulares. através das telas. MARCELO [Gerente comercial de empresa de TI e Telecom] . Convivemos hoje com a geração Y. da importância de certamente se manter conectado. se conecta com o mundo. Trata-se de um gigantismo. a arte de empreender. mas de várias pessoas.É claro que a arte de empreender é uma arte que herdamos. Ao olharmos o quadro histórico da nossa humanidade enxergamos três grandes momentos de transição até chegarmos ao que é essa geração que.

do outro. a conexão digital que o senhor bem lembrou é desligada a qualquer momento. Diferentemente daquele viajante que vai de encontro ao que acontece com o Brasil que está em suas fronteiras internas ou até perto dos outros países. com a migração do gesto para a palavra. Na medida em que Jafet e Feffer (fundadores dos respectivos hospitais) iam passando por cima dos desafios na área empresarial. Portanto. foram buscar desafios em outras. Portanto. É uma forma de construir uma mentalidade que pode ter um papel duradouro na construção de um projeto para uma vida significativa. de buscar pessoas que pensam diferente dele. de ir ao encontro do outro. Vale lembrar dos hospitais. A recomendação que fazemos aos nossos jovens é ir ao encontro da realidade. à permanência na idealização desses projetos. a mesma que levou os pioneiros à organização e. ele se desconecta prontamente. voltamos à capacidade de desenvolvimento da resiliência. Isso porque desenvolveram o gosto pelo pioneirismo empreendedor. Na medida em que algo lhe desagrada. Falamos de pessoas que buscam desafios nos labirintos da vida. 48 | Coleção CIEE 129 . esse jovem continuará conectado enquanto sentir um estímulo positivo. ambiental e cultural. também. da palavra falada para a escrita. o Sírio-Libanês e o Albert Einstein. Para entender o momento atual é preciso voltar 10 mil anos.realidade. como a social.

Passava-se a se dizer naquela época que as escolas eram dispensáveis. Nos hieróglifos. já não era preciso ter instituições educacionais e professores. Eles eram uma forma de transmitir ideias. porque à medida que o estudo estava em livros. Um pescoço esticado. Ali nasce a cultura grega. de semear. fugindo das ameaças e buscando as oportunidades. É evidente que os excedentes provocados pelo comércio levaram à criação das caravanas. a Biblioteca de Alexandria (localizada no Egito) e vão se passando séculos até a migração de 1500. quando transitou-se da palavra escrita para a impressa. com Gutenberg. Novamente se repete o ciclo.Já nessa primeira migração pensava-se que naquele período. a leitura era suficiente. olhando mais longe. ficaram em suas comunidades. mas os que progrediram foram aqueles que levavam para mercados distantes os seus excessos para a troca. que levavam a demasia de um país ao outro. Veja a revolução que aconteceu no vale do Nilo com os hieróglifos quando os antepassados estavam transmitindo conhecimentos a gerações não nascidas. O conhecimento humano explodiu. os livros se multiplicaram e era necessário aquilo que nas universidades inglesas era chamado de “leitor”. olhando acima dos demais. ou impresso. plantar e de colher. o ícone da prospecção era a girafa. dos hieróglifos e do grego. e somente lendo. que hoje estão voltando. Os que continuavam lendo. Pioneiros & Empreendedores | 49 . Esses eram os ícones. já naquela época a busca do entendimento do futuro.

Ao mesmo tempo. Como no passado. escolher o essencial. com pessoas diferentes. Esse período marca a transição da palavra impressa para a digital. e finalmente desenvolver elementos para a construção de uma vida significativa. a palavra. A conclusão dessa reflexão que talvez tenha sido mais longa do que o esperado é que devemos apoiar e orientar os jovens que estão se conectando aos meios digitais. para construir o conhecimento. Vivemos anos similares aos do início da palavra escrita e da impressa. algumas 50 | Coleção CIEE 129 . o texto impresso. Não é por isso que deixamos de nos encontrar e conviver. e daí vem a origem de sua pergunta. e contribuir para a descoberta de caminhos e de portos seguros. para eles poderem se descobrir. Tão limitada que isola os jovens que se conectam com outros digitalmente. Observem que usamos o gesto.isto é. invadidos por meios de comunicação e acreditando que a acessibilidade resolverá todos os problemas. aquele que organizava os conhecimentos para os seus estudantes. ao convívio humano com o próximo. pessoas com pessoas. estaremos somando as linguagens. Mas muito rapidamente percebemos. criando tribos. Chegamos agora ao fim do século XX. Através das telas essa descoberta é limitada. devemos induzi-los a ir ao encontro da realidade. distintas. o meio digital e isso é uma somatória. que o excesso de informação exige uma sabedoria para saber separar o joio do trigo. isto é.

PALMARINO FRIZZO NETO [Advogado] – Boa noite. Existem exemplos vivos disso. quando olho décadas atrás. essa mesma fortuna e riqueza não exige esse esforço de anos. a fortuna. não informando seus pais sobre o que estão vivenciando. Hoje. trancando-se nos quartos. gostaria de me concentrar nos pioneiros e nos esforços que fizeram ao longo de tantos anos para amealhar fortuna. 25 anos e ao mesmo tempo com pessoas mais velhas. em regra geral. Talvez eu esteja em uma geração intermediária. é que a construção disso.delas com agendas positivas e. infelizmente. o conhecimento. Vemos jovens muito conectados. como o Google. outras com agendas bem menos positivas. o posicionamento. isolados na família. o status. A partir de uma mera reflexão. podendo até gerar consequências trágicas. veio com muito esforço. o destaque. que são obtidos com muita rapidez. Mudando um pouco o foco de sua última colocação. o convívio humano é fundamental na conexão desse novo âmbito que é o mundo digital. Compreendo que atualmente valoriza-se o imediatismo. na linha do colega que comentou sobre a geração Y. Portanto. É claro que Pioneiros & Empreendedores | 51 . conhecimento. prazer. e hoje. convivendo com jovens de 20. suor e sangue. riqueza. percebo o imediatismo.

No caso de São Paulo temos a impressão de que uma maioria vive em 52 | Coleção CIEE 129 .houve esforço. tanto de escolas públicas como privadas. e agora em um projeto museológico que já passou pelo Rio de Janeiro. a grande maioria das crianças brasileiras. Novamente voltamos aos extremos que o Brasil por algum tempo já não conhecia. A força desse projeto museológico está em um projeto educativo dirigido a escolas públicas. que está no momento em Fortaleza e que deve seguir para o Recife e posteriormente para Manaus. já que o projeto abrange mais do que Fortaleza. agora. onde o momento atual é marcado por uma nova dualidade entre duas sociedades. do Ceará. a possibilidade de conhecer as crianças da escola pública do Rio de Janeiro e. JACQUES MARCOVITCH – Primeiramente tenho que compartilhar a experiência que estamos vivendo. Nessa juventude. mais precisamente na capital paulista. em princípio uma publicação para estudantes. Gostaria que o senhor refletisse um pouco sobre isso. mas muito diferente do passado. está muito longe desse bem-estar que conhecemos em São Paulo. Não preciso visitar o novo shopping que acaba de ser inaugurado para verificar a distância entre a remuneração dos vendedores frente ao valor dos produtos que estão sendo vendidos. que se transformou nos três livros. Tivemos. portanto.

de várias gerações.condição de bem-estar. Felizmente ainda temos muito a fazer. as várias formas de escrever. O imediatismo. Atualmente. as tipologias. A missão desse projeto de pioneirismo de hoje é. até então limitadas. O mesmo não ocorre nas famílias carentes ou desestruturadas. estavam se desfazendo do filho para que outra família pudesse levá-lo até a universidade. a ideia de que tudo pode se resolvido rapidamente ocorre nas famílias onde os filhos. por serem pobres. Quando a mãe dele descobre que a outra família não o levará para uma universidade. Ele nasce em uma família cujos pais. sabem que podem se dar ao luxo de viver por mais tempo no convívio familiar. A biografia de Steve Jobs está longe de ser aquela do imediatismo. nós encontramos pessoas semelhantes. os vários modelos de grafia que temos à disposição. era mau aluno. Jobs sofria de dislexia. Melhoramos muito em relação ao passado. muito inteligentes. além de disseminar essas biografias. Com relação a esse imediatismo. ela resolve ficar com o filho e o envia à escola. ajudar a elevar a autoestima das crianças de menor renda ou de famílias desestruturadas. Se nós somos capazes de mostrar Pioneiros & Empreendedores | 53 . mas através da caligrafia desenvolve o que hoje conhecemos nos computadores. mas estamos longe de uma sociedade mais integrada. gostaria de lembrar a biografia do fundador da Apple.

que, dos 24 pioneiros, 20 começaram sem recursos, vivendo adversidades
profundas, como, por exemplo, o Barão de Mauá, expulso da casa do
padrasto, por que crianças de hoje vivendo em condições semelhantes
não seriam capazes de construir o seu futuro e de amar o seu destino?
Concluo observando que o momento atual gerou o encurtamento do
tempo, consequência do que o senhor bem lembrou, da televisão e da via
digital. Mas naquela época, quando surgiu o avião, o telégrafo e o telefone também se dizia que o tempo estava se encurtando. É absolutamente
relativo à época.
Os pioneiros tinham uma característica em comum. Como eles vieram
de outros horizontes, eles conseguiam conciliar os vários cenários, o curto prazo, médio prazo e longo prazo. Como então lidar com uma juventude que está sofrendo as consequências do imediatismo?
A sociedade é muito inteligente e está disseminando hoje princípios filosóficos ou religiosos que dão outra dimensão ao tempo. Porque a religiosidade aumenta nos dias atuais? Porque a criança que vive esse imediatismo e que está em busca de princípios orientadores do seu projeto de
vida vai encontrar, na filosofia ou na religião, elementos balizadores que
a ajudam a construir o projeto de uma vida significativo.
Não é por acaso que as religiões e a filosofia estão se disseminando no
Brasil e em outros países com muito mais intensidade. Quando, hoje em
dia, fala-se de ambientalismo, conforme testemunhado na “Rio+20”, e
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também da natureza e da terra, o que estamos fazendo com nossa juventude e as crianças? O que elas estão fazendo com elas mesmas?
Elas estão olhando a origem do nosso planeta e entendendo, além de
defender a ideia de que este planeta deve ser preservado além de sua
própria existência.
Uma criança nascida hoje viverá até 2110 ou 2120. Essas crianças, atualmente com oito, 10 ou 12 anos, são as defensoras do meio ambiente em
nossas casas. As mesmas que chegam para os pais e que são empresários,
questionando o que eles fazem para proteger o nosso planeta.
Observe que os tempos podem ser conciliados. Certamente existem em
nossa sociedade os imediatistas puros, mas também manifestações de
uma visão de mais longo prazo.

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Durante a cerimônia de encerramento do Fórum de Debates sobre a Realidade Brasileira, o presidente do Conselho de Administração do CIEE e presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas, doutor Ruy Martins Altenfelder Silva entregou o Troféu
Integração a Jacques Marcovitch.
O troféu é uma produção do escultor alemão Hans Goldammer, e simboliza a busca do estudante para alcançar a realização profissional.

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ENCERRAMENTO Pioneiros & Empreendedores | 57 .

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coleção Pioneiros & Empreendedores | 59 .

Alcides Jorge Costa e Ives Gandra da Silva Martins Coleção CIEE-06 (esgotado) Plano Real: situação atual e perspectivas Marcel Solimeo e Roberto Luís Troster Coleção CIEE-14 (esgotado) A contribuição do 3º Setor para o desenvolvimento sustentado do País Seminário do 3º Setor Coleção CIEE-22 (esgotado) A universidade brasileira e os desafios da modernidade Paulo Nathanael Pereira de Souza Coleção CIEE-07 (esgotado) Os desafios da educação brasileira no século XXI Simpósio CIEE/O Estado de S.investimento produtivo Publicação Institucional do CIEE Coleção CIEE-02 (esgotado) A globalização da economia e suas repercussões no Brasil Ives Gandra da Silva Martins Coleção CIEE-03 (esgotado) A desestatização e seus reflexos na economia Antoninho Marmo Trevisan Coleção CIEE-04 (esgotado) Rumos da educação brasileira Arnaldo Niskier Coleção CIEE-09 (esgotado) O fim da escola Gilberto Dimenstein Coleção CIEE-10 (esgotado) O peso dos encargos sociais no Brasil José Pastore Coleção CIEE-11 (esgotado) O que esperar do Brasil em 1998 Marcílio Marques Moreira Coleção CIEE-12 (esgotado) As alternativas de emprego para o mercado de trabalho Walter Barelli Coleção CIEE-17 (esgotado) As novas diretrizes para o ensino médio Guiomar Namo de Mello Coleção CIEE-18 (esgotado) Formação de especialistas para o mercado globalizado Luiz Gonzaga Bertelli Coleção CIEE-19 (esgotado) A educação brasileira no limiar do novo século Simpósio CIEE/O Estado de S. Paulo Coleção CIEE-20 (esgotado) A formação da nacionalidade brasileira João de Scantimburgo Coleção CIEE-05 (esgotado) As perspectivas da economia brasileira Maílson da Nóbrega Coleção CIEE-13 (esgotado) Redução tributária . hoje e amanhã Jarbas Passarinho Coleção CIEE-24 (esgotado) Brasil: saídas para a crise Alcides de Souza Amaral .urgência nacional Renato Ferrari.Coleção CIEE-01 (esgotado) Estágio . Paulo Coleção CIEE-15 (esgotado) Os rumos do Brasil até o ano 2020 Ronaldo Mota Sardenberg Coleção CIEE-23 (esgotado) Os novos rumos do real: previsões para a economia brasileira após a mudança da política cambial Juarez Rizzeri Coleção CIEE-08 (esgotado) Os cenários possíveis para a economia em 98 Luís Nassif 60 | Coleção CIEE 129 Coleção CIEE-16 (esgotado) As perspectivas da indústria brasileira e a atual conjuntura nacional Carlos Eduardo Moreira Ferreira Coleção CIEE-21 (esgotado) A educação ontem.

Coleção CIEE-25 (esgotado) A educação e o desenvolvimento nacional José Goldemberg Coleção CIEE-26 (esgotado) A crise dos 500 anos: o Brasil e a globalização da economia Rubens Ricupero Coleção CIEE-27 (esgotado) A língua portuguesa: desafios e soluções Arnaldo Niskier. João de Scantimburgo. cenários e perfis políticos Gaudêncio Torquato Coleção CIEE-46 (esgotado) Necessidades profissionais para o século XXI Norberto Odebrecht Coleção CIEE-47 (esgotado) O trabalho no Brasil: novas relações x leis obsoletas Almir Pazzianotto Pinto Pioneiros & Empreendedores | 61 . Antonio Olinto. Ledo Ivo e Lygia Fagundes Telles Simpósio CIEE/ABL Coleção CIEE-28 (esgotado) Propostas para a retomada do desenvolvimento sustentável nacional João Sayad Coleção CIEE-29 (esgotado) O novo conceito de filantropia II Seminário do 3º Setor Coleção CIEE-30 (esgotado) As medidas governamentais de controle de preços Gesner de Oliveira Coleção CIEE-31 (esgotado) A crise brasileira: perspectivas Antônio Barros de Castro Coleção CIEE-32 (esgotado) O futuro da justiça do trabalho Ney Prado Coleção CIEE-33 (2ª ed.Especial (esgotado) Guia prático do CADE A defesa da concorrência no Brasil Coleção CIEE-43 (esgotado) O CADE e a livre concorrência no Brasil Seminário CIEE/Correio Braziliense Coleção CIEE-44 (esgotado) Profissões em alta no mercado de trabalho Luiz Gonzaga Bertelli Coleção CIEE-45 (esgotado) Democracia no Brasil: pensamento social./ esgotado) Perspectivas da economia e do desenvolvimento brasileiro Hermann Wever Coleção CIEE-34 (esgotado) O que esperar do Brasil na virada do século Eduardo Giannetti Coleção CIEE-35 (esgotado) O ensino médio e o estágio de estudantes Rose Neubauer Coleção CIEE-36 (esgotado) Perspectivas da cultura brasileira Miguel Reale Coleção CIEE-37 (esgotado) Política pública de qualificação profissional Nassim Gabriel Mehedff Coleção CIEE-38 (esgotado) Perspectivas da economia brasileira para além da conjuntura Gustavo Franco Coleção CIEE-39 (esgotado) As empresas e a capacidade competitiva brasileira Emerson de Almeida Coleção CIEE-40 (esgotado) A globalização e a economia brasileira Antônio Carlos de Lacerda Coleção CIEE-41 (esgotado) A dignidade humana e a exclusão social III Seminário do 3º Setor Coleção CIEE-42 (esgotado) Recomendações para a retomada do desenvolvimento Aloizio Mercadante Coleção CIEE .

previdência e pobreza no Brasil Roberto Brant Coleção CIEE-58 (esgotado) A paixão pela poesia Arnaldo Niskier.Coleção CIEE-48 (esgotado) O futuro da aviação comercial no Brasil Ozires Silva Coleção CIEE-49 (esgotado) Desafios da economia brasileira e suas perspectivas para 2001 Clarice Messer Coleção CIEE-50 (esgotado) O Brasil no terceiro mundo Cristovam Buarque Coleção CIEE-51 (esgotado) O mercado de capitais no Brasil: desafios e entraves para seu desenvolvimento Humberto Casagrande Neto Coleção CIEE-52 (esgotado) O voluntariado no Brasil IV Seminário do 3º Setor Coleção CIEE-53 (esgotado) Revolução de 32: um painel histórico Simpósio CIEE/APH/IRS Coleção CIEE-54 (esgotado) Os reflexos da economia global no desenvolvimento brasileiro Luciano Coutinho Coleção CIEE-55 (esgotado) As condições necessárias para o Brasil crescer Delfim Netto 62 | Coleção CIEE 129 Coleção CIEE-56 (esgotado) Globalização e hipercompetição: a sociedade das organizações e o desafio da mudança Thomaz Wood Jr. Ledo Ivo. escola e empregabilidade V Seminário do 3º Setor Coleção CIEE-68 (2ª Edição) Educação: Velhos Problemas. Coleção CIEE-57 (esgotado) Desenvolvimento social. Lygia Fagundes Telles e Mário Chamie Coleção CIEE-59 (esgotado) Rumos da educação no Brasil Simpósio CIEE/O Estado de S. Carlos Nejar.A defesa da concorrência no Brasil . revista e ampliada Guia prático do CADE . Novas (?) Soluções Paulo Nathanael Pereira de Souza Coleção CIEE-69 (esgotado) Cobrança de impostos ameaça o futuro da filantropia VI Seminário do 3º Setor Coleção CIEE . Paulo Coleção CIEE-60 (esgotado) Reforma tributária: solução ou panacéia? Osíris de Azevedo Lopes Filho Coleção CIEE-61 (esgotado) Os atentados em Nova York e os interesses internacionais do Brasil Flávio Miragaia Perri Coleção CIEE-62 (esgotado) Lei de responsabilidade fiscal: esperanças e decepções Diogo de Figueiredo Moreira Neto Coleção CIEE-63 (esgotado) A saúde no novo conceito de filantropia Antônio Jacinto Caleiro Palma Coleção CIEE-64 (esgotado) Fundamentos da política econômica do governo Lula Guido Mantega Coleção CIEE-65 (esgotado) O Banco Central e a defesa da concorrência no mercado financeiro Gustavo Loyola Coleção CIEE-66 (esgotado) Enxergando o amanhã com os olhos de hoje Gaudêncio Torquato Coleção CIEE-67 (esgotado) Juventude.Especial (esgotado) 2ª Ed.

Guerreiro da Educação . Economia e Direito: visão integrada e multissetorial José Dion de Melo Teles Coleção CIEE-87 (esgotado) Brasil: competitividade e mercado global Marcos Prado Troyjo Coleção CIEE-88 (esgotado) A arte de empreender: o respeito aos limites do ser humano Eduardo Bom Angelo Coleção CIEE-89 (esgotado) A educação brasileira e a contribuição das entidades de filantropia Roberto Teixeira da Costa Coleção CIEE-90 (esgotado) A situação atual da educação brasileira Paulo Tafner Pioneiros & Empreendedores | 63 . na política e na sociedade Ruy Martins Altenfelder Silva Coleção CIEE-74 (esgotado) Empregabilidade VII Seminário CIEE .Gazeta Mercantil do 3º Setor Coleção CIEE-75 (esgotado) Analfabetismo: proposta para a sua erradicação Jorge Werthein Coleção CIEE-76 (esgotado) Educação. Marcos Nóbrega.Coleção CIEE-70 (esgotado) A importância do estágio na formação do aluno do ensino médio Antônio Ruiz Ibañez Coleção CIEE-71 (esgotado) Antônio Cândido.Prêmio Professor Emérito 2003 CIEE/O Estado de S. nas empresas. Paulo Coleção CIEE-72 (2ª edição) Educação e saber Paulo Nathanael Pereira de Souza Coleção CIEE-73 (2ª edição) O pressuposto da ética na economia. Luiz Gonzaga Bertelli e Paulo Nathanael Pereira de Souza Coleção CIEE-77 (esgotado) Valorização imobiliária Nelson Baeta Neves Coleção CIEE-78 (esgotado) As metas inflacionárias no Brasil Paulo Picchetti Coleção CIEE-79 (esgotado) A qualidade dos estágios e sua importância socioprofissional Seminário CIEE-SEMESP Coleção CIEE-80 (esgotado) Desafios da administração de uma grande metrópole (São Paulo) Walter Feldman Coleção CIEE-81 (esgotado) A realidade educacional brasileira e o desenvolvimento do País Roberto Cláudio Frota Bezerra Coleção CIEE-82 (esgotado) Os entraves para o desenvolvimento nacional e as recomendações para sua superação Abram Szajman Coleção CIEE-83 (esgotado) O cenário econômico latinoamericano e seus reflexos no mercado acionário Alfried Karl Plöger Coleção CIEE-84 (esgotado) Jornalismo político: uma visão do Brasil Murilo Melo Filho Coleção CIEE-85 (esgotado) A política monetária brasileira e seus reflexos no desenvolvimento do país Josué Christiano Gomes da Silva Coleção CIEE-86 (esgotado) Tecnologia. estágio e responsabilidade fiscal das prefeituras Ives Gandra da Silva Martins.

Coleção CIEE-91 (esgotado) O desenvolvimento das economias japonesa e asiática Yuji Watanabe Coleção CIEE-92 (esgotado) A contribuição da Embraer no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira Luís Carlos Affonso Coleção CIEE-93 (esgotado) A nova fase da crise brasileira Oliveiros da Silva Ferreira Coleção CIEE-94 (esgotado) Inventário da educação brasileira e recomendações para seu aperfeiçoamento Seminário Coleção CIEE-99 (esgotado) Reflexões sobre a conjuntura nacional Geraldo Alckmin Coleção CIEE-100 (esgotado) Presença da universidade no desenvolvimento brasileiro: uma perspectiva histórica Simpósio Coleção CIEE-101 (esgotado) O estabelecimento de um modelo de sustentabilidade ambiental no Estado de São Paulo Xico Graziano Coleção CIEE-107 (esgotado) O mercado de trabalho paulista e a capacitação profissional Guilherme Afif Domingos Coleção CIEE-108 (esgotado) O papel do Ministério Público em relação a entidades do Terceiro Setor: filantrópicas e de assistência Social Airton Grazzioli Coleção CIEE-109 (esgotado) Olhando para o Brasil do futuro: perspectivas e debates Emílio Odebrecht Coleção CIEE-102 (esgotado) O papel dos Tribunais de Contas na Educação Brasileira Antônio Roque Citadini Coleção CIEE-110 (esgotado) Para melhor entender nosso País de hoje e de amanhã Carlos Alberto Sardenberg Coleção CIEE-95 (esgotado) Negociações agrícolas internacionais Marcos Sawaya Jank Coleção CIEE-103 (esgotado) Os desafios da administração de uma metrópole Gilberto Kassab Coleção CIEE-96 (esgotado) Um século de sindicalismo no Brasil Almir Pazzianotto Coleção CIEE-104 (esgotado) A Caixa Econômica Federal e suas atividades no país Carlos Gomes Sampaio de Freitas Coleção CIEE-111 (esgotado) A defesa nacional e a situação atual das forças armadas brasileiras General Alberto Mendes Cardoso Coleção CIEE-97 (esgotado) A atual situação da educação brasileira .medidas para o seu aperfeiçoamento Samuel de Abreu Pessôa Coleção CIEE-98 (esgotado) O futuro do abastecimento energético no Brasil e no mundo Carlos Alberto de Almeida Silva e Loureiro 64 | Coleção CIEE 129 Coleção CIEE-105 (esgotado) A ética no Brasil: a cabeça dos brasileiros Alberto Carlos Almeida Coleção CIEE-106 (esgotado) A necessidade dos seguros para o desenvolvimento sustentável brasileiro Luiz Carlos Trabuco Cappi Coleção CIEE-112 (esgotado) Células-tronco: O que poderão representar? Mayana Zatz Coleção CIEE-113 (esgotado) Perspectivas do setor de habitação João Crestana Coleção CIEE-114 (esgotado) Aquecimento global e sustentabilidade Carlos Alberto de Mendes Thame .

notadamente junto às pequenas e médias empresas. na educação e no desenvolvimento do País Geraldo Alckmin Coleção CIEE-124 (esgotado) O novo jeito de fazer negócios no Brasil Fernando Byington Egydio Martins Coleção CIEE-125 A preparação de engenheiros para o mercado de trabalho brasileiro: a experiência do ITA Reginaldo dos Santos Coleção CIEE-126 As Agências de Formento e o seu papel no financiamento de longo prazo.Evolução e perspectivas do seu desenvolvimento Frederico Fleury Curado Coleção CIEE-118 (esgotado) Perspectivas para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil Luiz Sales Coleção CIEE-119 (esgotado) A justiça superior do trabalho no Brasil: atuação e regularidade dos processos pendentes no TST Milton de Moura França Coleção CIEE-123 (esgotado) A importância do Estado de São Paulo na economia. realidade e futuro João Carlos de Souza Meirelles Coleção CIEE-116 (esgotado) O desenvolvimento da aviação nacional Adalberto Febeliano Coleção CIEE-117 (esgotado) Indústria aeronáutica no Brasil .Coleção CIEE-115 (esgotado) Amazônia: mito. Milton Luiz de Melo Santos Coleção CIEE-120 (esgotado) Perspectivas do mercado de televisão por assinatura no Brasil Alexandre Annenberg Coleção CIEE-127 A possibilidade existente de maior participação brasileira no mercado europeu Mario Bernardo Garnero Coleção CIEE-121 (esgotado) Como aprimorar a educação superior no Brasil Eduardo Alcalay Coleção CIEE-128 O Poder de Investigação do Ministério Público Márcio Fernando Elias Rosa Coleção CIEE-122 (esgotado) A visão do atual estágio da educação brasileira e recomendações para a sua melhoria Gustavo Ioschpe Coleção CIEE-129 Pioneiros & Empreendedores Jacques Marcovitch Pioneiros & Empreendedores | 65 . na cultura.

CONSELHO CONSULTIVO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO (Mandato de 16/4/2012 a 15/4/2015) Presidente Ruy Martins Altenfelder Silva Vice-Presidentes Wálter Fanganiello Maierovitch Antonio Jacinto Caleiro Palma José Augusto Minarelli Conselheiros Antonio Garbelini Junior Humberto Casagrande Neto Orlando de Almeida Filho FUNDADORES Aloysio Gonçalves Martins Clóvis Dutra Geraldo Francisco Ziviani José Franklin Veras Viégas Mario Amato Paulo Egydio Martins Térbio de Mattos PRESIDENTE EXECUTIVO Luiz Gonzaga Bertelli Adhemar César Ribeiro Ana Maria Vilela Igel Carlos Eduardo Moreira Ferreira César Gomes de Mello Élcio Aníbal de Lucca Dom Fernando Antônio Figueiredo Flávio Fava de Moraes Gaudêncio Torquato Gesner de Oliveira Hermann Heinemann Wever Ivette Senise Ferreira João Guilherme Sabino Ometto Joaquim Pedro Villaça de Souza Campos José Vicente Liz Coli Cabral Nogueira Marcos Troyjo Ney Prado Norton Glabes Labes Ozires Silva Rogério Amato Sebastião Misiara Tácito Barbosa Coelho Monteiro Filho Wander Soares Wilson João Zampieri Yvonne Capuano CONSELHO FISCAL Titulares Antoninho Marmo Trevisan José Frugis Ricardo Melantonio Suplentes Shozo Motoyama Vandermir Francesconi Júnior PRESIDENTES EMÉRITOS Alex Periscinoto Antonio Jacinto Caleiro Palma Herbert Victor Levy Filho João Baptista Figueiredo Júnior Júlio César de Mesquita Laerte Setúbal Filho Paulo Nathanael Pereira de Souza MEMBROS HONORÁRIOS Adib Jatene Amauri Mascaro Nascimento Angelita Habr-Gama Antonio Candido de Mello e Souza Antônio Delfim Netto Antônio Hélio Guerra Vieira Clarice Messer Dorival Antônio Bianchi Edevaldo Alves da Silva Evanildo Bechara Ives Gandra da Silva Martins Jarbas Miguel de Albuquerque Maranhão João Geraldo Giraldes Zocchio João Monteiro de Barros Filho José Cretella Jr. José Feliciano de Carvalho José Pastore Laudo Natel Leonardo Placucci Luiz Augusto Garaldi de Almeida Nelson Alves Nelson Vieira Barreira Paulo Emílio Vanzolini Paulo Nogueira Neto Ruy Mesquita MEMBROs beneméritos Antonio Ermírio de Moraes 66 | Coleção CIEE 129 Lázaro de Mello Brandão .

org. o CIEE ajuda a construir um Brasil mais justo. Sede do CIEE: Rua Tabapuã. prestando assistência social às famílias e colaborando com o Governo em suas bem-sucedidas ações sociais. 540 • Itaim Bibi • São Paulo/SP • CEP 04533-001 (11) 3046-8211 • www.br . É o CIEE contribuindo para a inserção dos jovens no mercado de trabalho.RINO COM Educação. milhares de estagiários e aprendizes do CIEE utilizam parte de sua bolsa-auxílio para complementar a renda de suas famílias.ciee. Com isso. oportunidade e assistência social. Todos os meses.

como o caso de Ramos de Azevedo. ensinamentos de vida e trabalho. e tantos nomes que marcaram o pioneirismo brasileiro. ISBN: 978-85-63704-17-7 . Luiz de Queiroz. precursor do agronegócio e pioneiro do ensino su- 129 perior da agricultura. lições permanentes de tenacidade. sobre a vida de empreendedores e pioneiros que influenciaram decisivamente a história do desenvolvimento social e econômico do país. inovador da arquitetura e construção civil. obstinação. Marcovicth exalta a saga de alguns brasileiros e imigrantes que transmitiram aos seus descendentes e também às futuras gerações exemplos irrefutáveis de empreendedorismo.“Pioneiros e Empreendedores” traz histórias contadas por Jacques Marcovicth. Além disso.