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SER E TEMPO

Cap. 2, § 54-56

Bibliografia
Primária:
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Tradução de Maria Sá Cavalcante
Schuback. Petrópolis: Vozes. 4 ed, 2009
Secundária:
HEIDDGER, Martin. Being and Time. Translated by John Macquarrie
and Edward Robinson. Oxford: Blackwell, 2001
CASANOVA, Marco. A. Compreender Heidegger. Petrópolis :Vozes,
2009

Estrutura do texto I
Segundo capítulo: o testemunho, segundo o modo de ser da presença, de um
poder ser em sentido próprio de decisão.
§ 54 O problema do testemunho de uma possibilidade existenciária em sentido
próprio
(i)
(ii)
(iii)
(iv)
(v)
(vi)
(vii)
(viii)

A busca do poder-ser próprio da dasein por ela mesma como
possibilidade existencial
Como compreender um-poder-ser-si-mesmo (há possibilidade de não
sermos determinados pelo impessoal?)
Os efeitos do impessoal nas possibilidades do ser da pre-sença
A possibilidade de escolha, que está perdida no impessoal, deve
primeiro se encontrar mostrando-se a si mesma.
O que é a consciência
Análise da consciência é ontológica
A impossibilidade da análise da consciência pela ciência.
(a) A consciência como clamor, definição de clamor. (b) divisão dos
capítulos

O clamor como modo de discurso Conclusão da investigação da consciência como clamor .Estrutura do texto II § 55 (i) (ii) (iii) (iv) Os fundamentos ontológico-existênciais da consciência Âmbitos da análise da consciência O que é a consciência: a escuta barulhenta e confusa x escuta facilmente compreensível.

O clamor dispensa verbalização. o si-mesmo ultrapassa o impessoal O si-mesmo se depura do próprio impessoal por si mesmo Sobre o que o clamor discorre O silêncio e a clareza. A acuracidade do clamor em relação ao eu-mesmo e ressalvas em relação ao modo de ouvir Resumo da seção Como se obter uma interpretação ontológica da consciência: . O caráter de clamor da consciência (i) (ii) (iii) (iv) (v) (vi) (vii) (viii) (ix) O que é um discurso A relação entre o clamor e a pre-sença no que se refere ao discurso Pelo clamor.Estrutura do texto III § 56.

Glossário .

. de um poder-ser em sentido próprio de de-cisão. segundo o modo de ser da pre-sença.SEGUNDO CAPÍTULO O testemunho.

§ 54 O problema do
testemunho de uma
possibilidade
existenciária em
sentido próprio

54 (i) – A busca do poder-ser
próprio da pre-sença por ela mesma
como possibilidade existencial.
Se o que se busca no dasein, é a sua potência de ser, e se essa potência
de ser é possível existencialmente e compreensível então seu
testemunho faz parte do dasein.
“o que se busca é um poder-ser próprio da pre-sença por ela mesma
(...). A demonstração fenomenológica, pois, a comprovação de sua
origem a partir da constituição ontológica da pre-sença” (p.52)

§54 (ii) – Como compreender um-poderser-si-mesmo (há possibilidade de não
sermos determinados pelo impessoal?)
“ na maior parte das vezes, o quem da presença não é eu mesmo mas o
próprio-impessoal (...). O ser-si-mesmo em sentido próprio, determinase como uma modificação existenciária do impessoal, que ainda
necessita de uma delimitação existencial” (p.53)
Isso quer dizer que a nossa potencia de ser como uma possibilidade
existencial real é dada, normalmente, no âmbito impessoal. O caso é
pensarmos em como essa possibilidade possa ter origem de maneira
autentica.
* Relação entre autonomia e heteronômica. (possibilidades do ser se
auto-determinar)

regras. parâmetro. sobre as tarefas.§54 (iii) – Os efeitos do impessoal nas possibilidades do ser da presença “A pre-sença que se perde no impessoal já decidiu sobre o poder ser mais imediato e factual da presença.53) “ A passagem do impessoal. a modificação existenciária do próprio-impessoal para o ser-si-mesmo em sentido próprio deve-se cumprir como recuperação de uma escolha” (idem) . a premência e a invergadura do ser-no-mundo da ocupação e preocupação” (p. ou seja. ou seja.

deve primeiro se encontrar mostrando-se a si mesma. que está perdida no impessoal. “A pre-sença necessita do testemunho de um poder-ser si mesma que.53) . como possibilidade.§54 (iv) – A possibilidade de escolha. ela já sempre é.” (p.

o que poderia fazer-nos renunciar de sua contribuição.§54 (v) – O que é a consciência No senso comum: voz da consciência = testemunho A consciência tem natureza complexa “múltiplas interpretações”. “mas sua própria dubiedade” é o que faz pensarmos em sua ligação com a pre-sença. Dubiedade ~ múltiplas interpretações ~ ligação com a pre-sença .

nem por classificação. (relação com kant). a partir de uma “consciência moral”. . Tampouco de forma teológica. nem de forma biológica. nem como uma explicação.§54 (vi) – A análise da consciência é ontológica A existência da consciência como fenômeno não pode ser descrita pela psicologia.

§ 54 (vii)65[~]:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: .

Que difere do ser simplesmente dado no mundo circundante” (p.§ 54 (vii) – A impossibilidade da análise da consciência pela ciência. de forma alguma.54) . submeter a tais provas e objeções (empírico-indutivas). “O fato da consciência não se deixa. mas somente as características de sua especificidade ontológica. Isso não constitui uma deficiência.

definição de clamor.§ 54 (viii) – A consciência como clamor. constiui-se de: -Disposição -Compreensão -De-cadência -Discurso O clamor é um modo de discurso Clamor da consciência – Ruf des Gewissens – Call of conscience . O fundamento da abertura da pre-sença.

.

”(CASANOVA. O modo como se dá uma tal projeção. p.Comentário I – Sobre os fundamentos da abertura do Dasein • “O singular não realiza simplesmente uma lembrança do passado. para a constituição de novos campos de sentido de ser. M.136) • Decisão antecipadora . A. para a transformação das compreensões do ser dos entes em geral. por sua vez. Ao projetar o seu campo existencial para além dos mobilizadores estruturais dados em seu mundo fático. envolve a noção heideggeriana de decisão. ele abre ao mesmo tempo um espaço para a apropriação de determinações ontológicas do mundo.Anticipatory Resoluteness .

da-se a escolha existenciária que escolhe um ser-si-mesmo denominado. porem. Nesse fenômeno.§ 54 (ix) – (a) O processo de ter consciência A interpretação existencial que elabora os fundamentos ontológicos da consciência parte da crítica da interpretação vulgar. de de-cisão” (p.55) . em correspondência a sua estrutura existencial. Esses fundamentos ontológicos delimitaram aquilo que a consciência pode dizer sobre o poder-ser próprio da pre-sença “ao clamor da consciência corresponde a possibilidade de uma escuta. A compreensão do aclamar desentranha-se como um querer-terconsciência.

§57 – A consciência como clamor da cura (cuidado). §58 – A compreensão do aclamar e do débito.§ 54 (ix) – (b) divisão dos capítulos §55 – Os fundamentos ontológico-existenciários da consciência. §56 – O caráter de clamor da consciência. .

§ 55 Os fundamentos ontológico-existênciais da consciência .

Valer-se desse esquema para analisar a consciência não significa aplicar essa estrutura em um caso particular. de-cadência. (p. e discurso.55) . pois. de modo que possa “apreendê-la de forma mais originária com vistas ao ser da pre-sença em sentido próprio”. (p.§55 (i) – Âmbitos da análise da consciência • Abertura da consciência: “A consciência abre. compreensão.55) • A “abertura do pre” foi construida esquematicamente como: disposição. ao âmbito dos fenômenos existenciais que constituem o ser do pre como abertura”. • “A interpretação da consciência” amplia a estrutura do pre. pertencendo.

Isso sugere a possibilidade da consciência ser aclamada sem mediação.§55 (ii) (A) – O humor e o clamor Inicialmente temos a abertura da pre-sença.56).” (p. . no mundo das ocupações. de tal modo que. há uma abertura para si mesmo desse próprio poder ser. que traz possibilidades do ser. O “dar ouvidos” da consciência deve ser interrompido: “a própria pre-sença deve dar a si a possibilidade de um ouvir que o interrompa.

podemos definir o que Heidegger chama de consciência: .§55 (ii) (B) – O humor e o clamor A partir do clamor. .Assim se define também a Autenticidade da consciência. portanto.

.A voz da consciência • “No momento em que se reúne com a possibilidade mesma de se decidir pelo seu poder-ser mais próprio. mas abre apenas um caminho possível de conquista existencial de si mesmo como singular” • (CASANOVA. não lhe diz nada. A. o ser-aí se depara com a voz silenciosa de sua consciência que. M. diferentemente do “daimon”socrático.137) . p.

56) • Mas o clamor não é uma mera “imagem” como o tribunal da consciência kantiano. se a interpretação cotidiana conhece . • Sendo assim.§55 (iii) – O clamor como modo de discurso • O clamor como modo de discurso “articula uma compreensibilidade”(p.

como discurso. as análises da consciência a partir das “faculdades da alma” como: entendimento. • Sendo assim. . pode ser interpretado a partir da “abertura constitutiva da pre-sença”.§55 (iv) – Conclusão da investigação da consciência como clamor • Heidegger ressalva que a análise fenomenológica da consciência não é uma mera comparação com o fenômeno do clamor. vontade e sentimento. Porém. é rechaçada por Heidegger.

mas antes a realização do que se é a partir da rearticulação do poder-ser que se é para além da tutela do discurso cotidiano. de modo que o processo de singularização não envolve nenhum movimento de elucidação do que se é. 137) . A. M.” (CASANOVA. p..Citação CASANOVA • “A escuta à voz mais silenciosa perfaz-se diretamente em sintonia com a própria dinâmica existencial do ser-aí. algo sem sentido para um ente dotado do caráter de poderser.

§ 56. O caráter de clamor da consciência .

o discurso pertence a aquilo que discorre.§56 (i) – O que é um discurso Caracterização do discurso (que é um discurso). “E dá indicações sobre o que discorre numa determinada perspectiva” .

57) . “ o clamor alcança a pre-sença nesse movimento de sempre já se ter compreendido na cotidianidade mediana das ocupações” (p. o que há no clamor da consciência que lhe configura como um modo de discurso? É a própria pre-sença. ela é o aclamado.§56 (ii) – A relação entre o clamor e a pre-sença no que se refere ao discurso Dado o que é o discurso.

o si-mesmo ultrapassa o impessoal A perspectiva a qual o clamor aclama é do si-mesmo em sentido próprio. ao ser privado. Esse clamor puxa o si-mesmo do próprio-impessoal.. desse refúgio e esconderijo” (p.58) . “O si-mesmo (. esse simesmo ultrapassa a interpretação mundana de si sem ao menos tomar conhecimento de toda essa impessoalidade.§56 (iii) – Pelo clamor. na aclamação.) é levado pelo clamor para si mesmo..

“O clamor passa por cima de tudo isso e desfaz tudo isso para aclamar unicamente o si-mesmo. Ao que parece. que por sua vez. ele simplesmente se mostra. não é senão no modo de ser-no-mundo”(p.§56 (iv) – O si-mesmo se depura do próprio impessoal por si mesmo Não se pode confundir essa aclamação do si-mesmo no próprioimpessoal com o si-mesmo objeto de avaliação.59) .

58). “Em sentido rigoroso. nada” (p. “O clamor é uma “pro-clamação” (para adiante) da presença em suas possibilidades mais próprias” (p.§56 (v) – Sobre o que o clamor discorre Sobre o que o clamor discorre? Sobre nada.59) .

O que por sua vez não leva a indeterminação e obscuridade.§56 (vi) – O silêncio e a clareza. .59). “O clamor dispensa qualquer verbalização”. O clamor não precisa ser verbalizado. O clamor dispensa verbalização. tanto que o “discurso da consciência se dá em silêncio” (p.

configurando em uma negociação. A única falha que possa vir do clamor está no “modo que se ouve o clamor”. (p. de sua tendência para abertura”. Esse modo está na caracterização de um arrastamento do clamor para o próprio-impessoal. assim. de alguma forma o que o clamor exprime é “unívoco e preciso” em relação ao eu-mesmo.60) .§56 (vii) – A acuracidade do clamor em relação ao eu-mesmo e ressalvas em relação ao modo de ouvir Apesar de não ser verbalizado. “desviando-se.

§56 (viii) – Resumo do capítulo até aqui .

§56 (ix) – Como se obter uma interpretação ontológica da consciência: .

§ 57: A consciência como clamor da cura .

§57 (i) – Resumo da análise da
consciência e caracterização do
quem clama e seu tipo de análise
correlato.
A configuração de quem clama no campo da “indeterminação e
impossibilidade de determinação” (p. 60)

A indeterminação, nesse sentido próprio, deveria ser abandonada se se
importasse sua existência como ouvir na consciência. Mas não, se o que
importa é a sua análise existencial da “facticidade do clamor e da
existencialidade do ouvir” (p.61)

§57 (ii) – Recolocando a questão do
quem clama em relação ao que se
clama.
Aparentemente, desde uma perspectiva que separa o quem clama, do
que se clama, temos aqui um início e um sentido: O quem é de onde
parte o clamor e o que é a perspectiva (se clama por um quem) do
clamor que só tem sentido para o si-mesmo. Heidegger diz que embora
possamos dizer que o que se clama é a pre-sença, ela não pode ser “ao
mesmo tempo, quem clama e quem é aclamado”(p.61). Ao que parece,
quando a pre-sença é o quem da aclamação, de um ponto de vista
ontológico, ela não pode ser o “que”

§57 (iii) – O dado factual do
clamor
Não há esquematismos na compreensão do clamor, embora se saiba
que seu âmbito difere do impessoal.

numa perspectiva própria. como sendo o que é. .§57 (iv) – Clamor e fenômeno O dado de que o clamor é preparado ou voluntariamente cumprido por nós é fenomenal e se mostra.

.§57 (v) – Duas ressalvas sobre a metodologia de análise 1. Deve se ater ao dado fenomenal do clamor 2. saber de antemão que o clamor é um fenômeno da pre-sença. Deve se delinear ontologicamente a investigação. isto é.