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CUBANGO-OKAVANGO RIVER BASIN WATER AUDIT (CORBWA) PROJECT

Situação e tendências
de recursos hídricos
Angola

1

REPORT INFORMATIONS
Title

Análise da Serie Temporal da Componente 2 do Projecto
Auditoria da Água do Lado Angolano da Bacia Hidrográfica do
Rio Cubango/Okavango

Date

Luanda, Outubro 2012

Author(s)

Paulo Emílio Oliveira Mendes

2

Análise da Serie Temporal da Componente 2 do
Projecto Auditoria da Água do Lado Angolano da
Bacia Hidrográfica do Rio Cubango/Okavango

Usos da Água na Bacia do Rio Cubango em Angola

Paulo Emílio Oliveira Mendes

Luanda, Outubro 2012

.2.5 Introdução …………………………………………………………………………… ………….1 2. 3. 3 2.2.1 2. Generalidades …………………………………………………………………………… ……. Contexto Geográfico e Socio-ambiental da Região de Estudo – A Bacia do Cubango …………………………………………………………………………….2 2.2.2 2. 2. 3. Precipitações …………………………………………………………………………… 1 1 1 2 3 5 6 8 8 8 8 9 10 11 11 .1 1.2.2 1.4 2. Temperaturas …………………………………………………………………………… …….3 2. 3. Angola Clima …………………………………………………………………………… …… Hidrografia …………………………………………………………………………… ………… Bacia Hidrográfica do Rio Cubango/Okavango ………………………………. Ventos …………………………………………………………………………… ………………. Classificação Climática ………………………………………………………………….3 Índice 1. 1 2.2. 1. Principais Factores Climáticos ……………………………………………………….2.. Caracterização da Bacia do Lado Angolano …………………………………… Territórios Atravessados …………………………………………………………………. 3.2. Limites Geográficos ………………………………………………………………………… Climatologia …………………………………………………………………………… ………. 3.2. 2 2.3 2.

Hidrogeologia e Águas Subterrâneas ……………………………………………… Áreas de Preservação Ambiental ou de Especial Interesse Paisagístico …………………………………………………………………………… ………… População 11 11 12 13 14 15 19 20 22 23 29 32 33 34 35 .2. Regadio …………………………………………………………………………… ……………… Hidrometria …………………………………………………………………………… ………. 5. Rede hidrométrica …………………………………………………………………………. 5.1 2.1 a) 2.2.4 a) b) c) 2.2.3 2.2.2.2. 6 3. 4. ……… Precipitações Médias Anuais …………………………………………………………… Distribuição Anual …………………………………………………………………………… Rede Meteorológica ………………………………………………………………………… Hidrologia …………………………………………………………………………… …………… Qualidade/quantidade das águas – Vazões …………………………………….2. Geologia e Geomorfologia ……………………………………………………………… Solos …………………………………………………………………………… …………………… Uso e Cobertura Vegetal ………………………………………………………………… Regadio …………………………………………………………………………… ……………… Ecologia …………………………………………………………………………… ……………… Distribuição espacial e temporal ……………………………………………………. 5. 4 2. 4. 5. 5 2.2 2.

9.1 …………………………………………………………………………… …………… Características Socioeconómicas ……………………………………………………. Energia Eléctrica ……………………………………………………………………………. Industria …………………………………………………………………………… …………….1 10. 9. Situação Futura …………………………………………………………………………… …. Marco Regulatório Nacional Arranjo Institucional e de Gestão Situação Atual dos Instrumentos de Gestão de Recursos Hídricos ………………………………………………………………………… Planos e Projetos Existentes Água para Todos 35 36 36 37 37 38 38 40 40 42 43 43 48 48 48 48 49 49 . 8.2 7. Principais atividades Económicas Saúde Educação Usos do Solo e Ocupação do Território …………………………………………… Abastecimento de Água as Populações …………………………………………… Água para a Irrigação ……………………………………………………………………… Água para o Gado …………………………………………………………………………….. Aspectos Legais. 6. Institucionais e de Gestão ………………………………….1 9.1 5.3 10.5 5.2 10.4 10.4 .2 10. 10. Projectos Centralizados do Governo ……………………………………………… Água para todos …………………………………………………………………………… … Irriga …………………………………………………………………………… ………………….1 6.2 a) b) c) d) 6.

2 Irriga 49 .4 .6 10.

de clima desértico. limitado por uma estreita faixa de terra baixa cuja altura varia entre o nível zero hidrográfico e os 200 metros. situado a Norte. são ricos em elementos minerais e compostos orgânicos. A maior altitude é a do morro do Môco. Angola é constituída. Acima dos 200 metros encontram-se as montanhas e os planaltos (sendo o planalto central o mais importante do ponto de vista económico). 2620 metros. abrangendo ainda a província de Cabinda.1 Generalidades Angola situa-se na costa ocidental do Continente Africano. entre o Congo-Brazaville e a República Democrática do Congo. o solo é pouco . por um maciço de terras altas.7 1. que atinge aproximadamente. entre o Equador e o Trópico de Capricórnio. Os solos mais férteis encontram-se junto aos rios. A República de Angola. a possibilidade de rega é maior e menos dispendiosa. onde se concentram os aluviões por eles transportados e que. e ao Sul pela Namíbia e ao Oeste pelo Oceano Atlântico. na província do Huambo. estando limitada ao Norte pela República do Congo Brazaville e a República Democrática do Congo. ao Este por esta e pela Zâmbia. A região planáltica é a que ocupa a maior extensão territorial do país. Nas regiões mais secas.700 quilómetros quadrados e uma Linha marinha atlântica de cerca de 1650 quilómetros. Mais de 50% dos solos de Angola sofrem de processos permanentes ou periódicos de erosão provocados pelas chuvas e pelas incidências solares.246. Consequentemente. principalmente. Introdução 1. com uma área de cerca de 1. em geral. é o quinto país de maior dimensão ao sul do Sahara.

2. 3. Kwanza. e seus afluentes. Vertente do Zaire. Lui. bem como o factor de continentalidade. Lungué-Bungo e o Cuando. coberturas descontínuas de arbustos. Cambo. ervas e vastas extensões desertas como por exemplo o deserto do Namibe. em termos gerais. resultam numa importante diversidade climática. O seu tipo de relevo. Cuilo. na sua maioria. Tchicapa e Luachimo. Vertente do Zambeze. o Catumbela e o rio Cunene. Os seus leitos são. 1. entre os paralelos 4º 22´ e 18º 02´) determina.8 fértil. o rio Bengo.Clima A latitude da República de Angola (Sul do Equador. no norte de Angola.3 Hidrografia A configuração hidrográfica de Angola tem uma estreita ligação com o seu relevo uma vez que os rios têm como origem as zonas planálticas e montanhosas seguindo depois para as regiões de mais baixo-relevo. Angola possui florestas densas. irregulares não faltando os rápidos e as inclinações. o Luena. Vertente atlântica. um clima entre o árido ou desérticos e o temperado quente com seca quase invernal. 1. à qual pertencem os rios do Leste de Angola tais como os afluentes do Zambeze. com os rios Cuango. Cassai.2 Angola . alargando-se nas zonas costeiras. o rio Queve. Existem quatro vertentes de escoamento das águas: 1. . dominado por planaltos e ainda os efeitos da corrente oceânica fria de Benguela. com os rios Chiluango. Zaire ou Congo.

Zambeze e Cubango são sistemas de rios internacionais importantes com grande volume de água.000 km2. Chafinda no rio Luena. e alguns dos rios desaguam no oceano Atlântico (Zaire. com muitos rios de regime intermitente de onde se destacam os rios Cubango e os afluentes Cuchi e o Cuito. A formação de água interior mais importante está na Província do Moxico e contém o maior lago do país. etc. Cuando e Cubango). Vários lagos mais pequenos cobrem uma superfície de 2. como as do Mbridge. O maior e o mais navegável rio de Angola é o Kwanza. do Loge. As principais bacias hidrográficas são as dos rios Zaire. Mbridge. Kwanza (a maior). . O país possuir 77 bacias hidrográficas. Bié e Moxico constituem algumas das nascentes mais importantes. As bacias do Zaire. Vertente do Kalahari. Cunene e Cubango. Para além destas quedas existem outras e diversos rápidos noutros rios. seguido das lagoas do Panguila e da Quilunda na província de Luanda. Kwanza e Cunene) e outros atravessam países vizinhos para chegarem ao oceano Índico (rios Zambeze. As terras altas do Huambo.9 4. Queve. O principal lago existente em território angolano é o lago Dilolo situado na província do Moxico. sendo 47 principais e as restantes litorâneas. com cerca de 1.000 quilómetros de extensão e cujo afluente o Lucala forma as célebres quedas de Kalandula. de impressionante beleza e com mais de 100 metros de altura.

No seu estado actual. quase natural. o rio fornece benefícios significativos ao nível dos ecossistemas e vai continuar a fazê-lo se for gerido de forma adequada.10 Fig. Contudo. 1 .Mapa das Bacias Hidrográficas de Angola 2. as cada vez maiores pressões socioeconómicas a . Bacia Hidrográfica do Rio Cubango/Okavango A Bacia Hidrográfica do rio Cubango/Okavango continua a ser uma das menos afectadas pelo ser humano no continente africano.

é absolutamente necessário assegurar uma gestão sustentável dos seus recursos. Para apoiar esse objectivo. e o Protocolo Revisto da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral sobre Cursos de Água Partilhados (Protocolo Revisto da SADC) de 2000. foi necessário um conhecimento de toda a bacia quanto aos problemas e questões da mesma. os países ribeirinhos têm vindo a trabalhar no sentido do desenvolvimento e implementação de um Plano Integrado de Gestão (PIG) para a bacia com base na Avaliação Ambiental (AA). bem como um plano para o seu percurso de desenvolvimento. podem alterar as suas actuais características. os países ribeirinhos indicam que este desenvolvimento deve ser equilibrado relativamente à conservação do ambiente natural e dos bens e serviços actualmente disponíveis. Botswana e Namíbia. houve a necessidade de estabelecer quadros legais e institucionais de cooperação sob a forma de acordo para a Comissão Permanente da Bacia do Rio Cubango/Okavango (OKACOM). de 1994. Para que esse desenvolvimento possa ser planificado pelos três países. Orientados pelos três acordos acima indicados. Deste modo. Por outro lado. o Fundo Mundial para o Ambiente (GEF) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) têm desde 1994 prestado assistência à OKACOM na realização de uma Análise Diagnóstica Transfronteiriça . Os países ribeirinhos reconhecem que o desenvolvimento socioeconómico na área da bacia é essencial e fundamental para a melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes. Angola.11 que a bacia hidrográfica está sujeita pelos países ribeirinhos. Para isso. de 2007. O acordo sobre a ‘Estrutura Orgânica da Comissão Permanente das Águas da Bacia do Rio Cubango/Okavango’ (Acordo da Estrutura da OKACOM).

perto da cidade do Huambo. tendo como base os recursos hídricos da Bacia do Rio Cubango do lado de Angola. a pouco mais de 1800 m de altitude e tem um curso de 975 km e corre em direcção norte . Em Angola a bacia hidrográfica do Cubango abrange partes das províncias do Huambo. Cuchi. Cuelei e Cuebe) que confluem na fronteira de Angola com a Namíbia. à .1 Contexto Geográfico e Socio-ambiental da Região de Estudo – A Bacia do Cubango A área em estudo corresponde à bacia hidrográfica Cubango em território Angolano e abrange uma área de 156 122 km². é o de melhorar significativamente a qualidade de vida das comunidades residentes na Bacia. Segue depois fazendo fronteira com a Namíbia até ao Mucusso onde. inflectindo então para sudoeste. cujo objectivo. O presente documento foi elaborado com fins de informar sobre a situação do uso da água do Rio Cubango em Angola bem como. O rio Cubango nasce em Chicala-Tchiloango (Vila Nova). não muito longe da cidade de Kuito. bem como proporcionar o desenvolvimento sustentável daquela região. Moxico e Kuando-Kubango.sul. dar a conhecer aos interessados sobre os vários programas do governo angolano e que abrangem o território da Bacia do Cubango. 2. já em território do Botswana. Bié.12 (ADT) sobre os problemas e ameaças potenciais à Bacia do rio Cubango/Okavango e no desenvolvimento de programas de acções aos níveis nacional da bacia para responder a essas ameaças. Huíla. no planalto do Huambo. Cutato. Esta bacia é formada pelo rio Cubango e seus principais afluentes (Cuito. através da faixa do Caprivi e segue para o Delta do Okavango.

o rio Cuito junta-se ao Cubango e juntos atravessam a fronteira para Namíbia. aparecendo em muitos casos integrados na bacia do Okavango. onde desagua. Em Dirico (a jusante de Rundu). inflecte para SE. seguindo depois para o Delta do Okavango. .13 cota 1025. O lago Ngami e a depressão Makarikari (Makariakri Pan) mantêm ainda ligação à bacia do Okavango.

2.000 km2 de áreas de pastagem sub-húmidas e sub-áridas na província do Kuando Kubango em Angola. na Hidroelectricidade. onde à cota 1025 m inflecte para SE e abandona o território angolano indo a breve trecho perder-se nos “Okavango Swamps” no Botswana. Cuebe. decidiu estabelecer informação Hidrológica necessária para a realização de Planos de Desenvolvimento para a região com base nos Recursos Hídricos da Bacia. Quiriri e Cuito em Angola. no Ambiente etc. em 1957 foi construída a primeira Estação Hidrométrica na Bacia Hidrográfica do rio Cubango. . Longa.Localização Geral da Bacia do Rio Cubango 2. Como nota muito curiosa assinala-se que quase todos os afluentes do rio Cubango são na margem esquerda. Cuelei. A bacia do Cubango é constituída pelos rios Cubango. Cuatir. Perante a possibilidade de desenvolvimento no seu todo e havendo uma variedade de usos combinados da terra e da água.122 km2.2 Caracterização da Bacia do Lado Angolano A Bacia Hidrográfica do Rio Cubango em território Angolano. Cutato. Dentre este destaca-se o importante rio Cuito que parte do seu percurso corre através de vales arenosos. Cuchi. A potência que administrava o território de Angola antes da Independência nacional.14 Fig. na localidade de Caiundo. Cacuhi. Assim. Luahuca. A extensão topográfica da bacia do rio Cubango abrange uma área de aproximadamente 156. na Agricultura irrigada. serpenteando entre planícies alagadas com bastante vegetação. Luassingua. mas o seu caudal principal é oriundo de 120. no Turismo. com as suas fontes (nascentes) no planalto central de Angola de chuvas abundantes e declive suave. corre algumas centenas de quilómetros até ao Mucusso.

seu principal afluente. Deve ser particularizado que a maior extensão da bacia do Cubango em território angolano pode ser encontrada na província do Kuando Kubango.700 e 1. A cabeceira do rio Cubango encontra-se entre as províncias do Huambo e do Bié a uma altitude que varia entre os 1.Territórios Atravessados A parte superior da bacia ocupa o território de Angola. na região do planalto central de Angola.1 . Da área total da bacia de 156 122 km². A sua nascente está localizada perto de Tchicala Tcholohanga. A parte da bacia que de facto contribui de forma efectiva para o afluxo de caudais ao rio está confinada a área correspondente ao território de Angola.2 . 60 900 km² pertencem a bacia do do rio Cuito.2. percorrendo em seguida o território do Botswana até se espraiar no leque ou Delta do Okavango.15 desenvolvendo-se ao longo da fronteira entre Angola e a Namíbia. O rio Cubango pode ser dividido em várias zonas morfologicamente semelhantes com forte interacção das diferentes características hidrológicas e sedimentares existentes na área. 2.800 metros acima do nível do mar. Esta desce para pouco mais de 900 metros acima do nível do mar no Delta. após o que segue o território da Namíbia e o do Botswana.Limites Geográficos .2. na aldeia Lumbula que dista a 17 km da sede municipal de Tchicala Tcholohanga. 2.

Na parte Angolana da bacia a pluviosidade é mais elevada nos meses de Dezembro e Janeiro. A forma da bacia é alongada com o eixo maior no sentido NW-SE . a Nordeste com a do Zambeze.2. a Sul pelo paralelo 18º 00’S.300 mm enquanto na zona do Rundu a pluviosidade é de 560 mm.2. a influência do centro de dispersão de ventos secos do Kalahari e a latitude. Na área do Huambo e do Bié. As temperaturas máximas diárias variam entre os 15 ºC e 30ºC. a Norte com a do Cuanza e a Oeste com a do Cunene e a do Cuvelai. 2. nas cabeceiras da bacia.1 Principais Factores Climáticos O clima é influenciado por três factores fundamentais. A bacia do Cubango confina a Este com a bacia do rio Cuando. A consequência fundamental é o aumento. da humidade e pluviosidade. . o acréscimo de altitude e afastamento daquela zona seca.3 . a altitude.16 A bacia é limitada ao Norte pelo paralelo 12º 20’S. a Oeste pelo meridiano 16º 00’E e a Este pelo meridiano 21º 30’E. actuando no mesmo sentido a diminuição da latitude. O rio Cubango é importante para a história dos povos Khoisan e Ambó.Climatologia Do ponto de vista climático a bacia do Cubango situa-se numa zona de latitude Sul entre os paralelos 12º e 21º caracterizado por chuvas durante os meses de Outubro a Maio.3. de Sul para Norte. 2. a pluviosidade média anual é de 1.

Entre elas estabelece-se uma zona de transição de características climáticas intermédias com clima mesotérmico de subhúmido húmido e sub-húmido seco. O índice hídrico varia de 80 a -20 do extremo Norte para o Sul. Verifica-se que as zonas Norte e Sul apresentam características totalmente diferentes.2.17 2. . Assim. a Sul o clima é megatérmico ou semelhante e de características semiáridas.2 A Classificação Climática classificação climática de acordo com Thornthwaite está esquematizada respectivamente nos desenhos 4 e 5 com a indicação do índice hídrico e índice de eficiência térmica. o clima é mesotérmico e húmido com graduações determinadas pelas variações de altitude.3. a Norte.

Índice Hídrico (Fonte Castanheira Diniz) 2.2. 3 . os valores máximos das temperaturas médias mensais.18 Fig. aumentando de Norte para Sul. ocorrem de Outubro a Janeiro e os mínimos variam entre 15 e 17ºC.3 Temperaturas A temperatura média anual na bacia é de 20ºC. que oscilam entre 22 e 24ºC. As amplitudes diárias são por vezes bastante acentuadas. podendo alcançar 20ºC na época mais fresca. As máximas diárias são da ordem de 30 – 32ºC e as mínimas de 3 – 8ºC. As variações de temperatura ao longo do ano são de pequena amplitude. .Classificação Climática.3. de Junho a Agosto.

3.19 Fig. predominando dos quadrantes de Este.2. de direcção variável. 4 . Por vezes ocorrem rajadas fortes.2.Isotérmicas Médias Anuais (Fonte Castanheira Diniz) 2.3.5 Precipitações .4 Ventos Os ventos são normalmente fracos. principalmente ligados a fenómenos de instabilidade atmosférica. 2.

A precipitação ponderada média anual na secção do Cubango no início do trecho internacional é de 983 mm e na secção do Cuito junto à confluência com o Cubango é de 876 mm. indicam uma variação gradual no sentido decrescente de Norte para Sul desde 1300 mm no extremo NW da bacia até cerca de 600 mm no extremo Sul da bacia em território Angolano. b) Distribuição Anual A distribuição das precipitações ao longo do ano é caracterizada pela sua concentração na época húmida de Setembro/Outubro a Abril/Maio e ausência de precipitações significativas durante os restantes meses. .20 a) Precipitações Médias Anuais As precipitações médias anuais para um período de 17 anos de observações (1950/67).

à desocupação destas zonas e à dificuldade de acesso. fundamentalmente. 32 udómetros. Como se pode verificar. dois evaporímetros e um heliógrafo. um udógrafo. o que tornou difícil a manutenção e a recolha de elementos da rede. Este facto é devido. em flagrante contraste com as regiões meridionais e orientais. .21 Fig. anteriormente a independência. existia uma acentuada concentração no extremo Noroeste da bacia. indicava a existência de 22 estações climatológicas. 5.Isoetas Médias Anuais (mm) (Fonte Quintela Góis) c) Rede Meteorológica A rede meteorológica.

22

Actualmente,

apenas

deverão

estar

a

funcionar

as

estações

meteorológicas nos aeroportos em funcionamento, do Menongue e
Cuito Cuanavale.
A rede meteorológica necessita, em primeiro lugar, de ser recuperada
e ulteriormente densificada. Deverá ser estudada e avaliada a
possibilidade de se adoptarem estações telemétricas.

Fig. 6 - Rede Meteorológica (Fonte Quintela Góis)
2.2.4 - Hidrologia

23

No que diz respeito à componente hidrológica da bacia é importante
realçar que praticamente todas as águas que fluem para o Delta têm
origem na parte superior da bacia, nomeadamente dos rios Cubango e
da sub-bacia do rio Cuito. O total do escoamento médio anual desta
bacia é de 12100 Mm3/ano.
2.2.4.1

Qualidade/quantidade das águas - Vazões

Tal como a rede meteorológica, a rede hidrométrica além de ter
permitido a recolha de dados por um período relativamente curto, mais
concretamente entre finais da década de 50 e 1974. À semelhança do
que tem acontecido com a bacia do Cunene devido a falta de dados as
estimativas de escoamentos médio anuais têm sido calculadas por
métodos de correlação e recurso a estação de Rundu que tem, neste
momento, quase 60 anos consecutivos e sem interrupções de dados
hidrométricos.
A sucessão dos valores de escoamento anuais é quase constante na
bacia do Cuito, devido a sua natureza geológica, enquanto na bacia do
Cubango verifica-se uma variabilidade em função do carácter húmido
ou seco do ano, devido a natureza da sua bacia drenante.
O escoamento médio anual do rio Cuito ronda os 6000 milhões de m3 e
o do Cubango é de cerca de 6100 milhões de m3 antes de receber o
Cuito. Quer dizer que o escoamento anual do Cubango, após receber a
contribuição do seu tributário, duplica perfazendo 12100 milhões de
m3.
O caudal mínimo do rio Cubango é de cerca de 25 m3/s e o do rio Cuito
é

de

100 m3/s. Não existem registos suficientes que possam

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permitir o cálculo de cheias do Cuito. Os caudais de cheias do Cubango
rondam os 2500 m3/s para a centenária e 3400 m3/s para a milenar.

Fig. 7- Rede Hidrográfica (Fonte Quintela Góis)
a)
As

Rede hidrométrica
observações

hidrométricas

que

deram

origem

o

início

da

inventariação dos recursos hídricos da bacia do rio Cubango em Angola
tendo em conta o seu desenvolvimento, começaram no ano de 1957,
com a instalação/construção da primeira Estação Hidrométrica na
localidade

de

Caiundo

no

rio

Cubango.

Até

1970,

foram

instaladas/construídas 22 estações hidrométricas. Em 1975, aquando da

. como é o caso do Esquema Geral de Utilização dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango que tem sido utilizado para a realização dos vários estudos e projectos da região incluindo a ADT. Fig. 8 . as estações hidrométricas foram vandalizadas.Estação Hidrométrica de Caiundo Porém. permitiram que fossem realizados estudos para a utilização dos recursos. situação que se manteve até ao ano de 2005 data em que se deu início a sua reabilitação já no âmbito da OKACOM.25 Independência da República de Angola e por se ter gerado um clima de instabilidade principalmente no interior do país. a média de cerca de 10 anos de observações de dados hidrológicos até ao ano de 1975. a actividade de recolha de dados foi totalmente interrompida e como consequência.

Número Latitude Longitude Área Altitude Bacia/Rio Cubango Cubango – Cubango Cuangar - Cubango Cuebe - Cubango Cacuchi - Hidr. (km²) Caiundo 637501 15:42: 0 S 17:28: 0 E 38210 1130 Jan-1957 637502 17:35: 0 S 18:39: 0 E 1 0 Jan-1964 637503 15:33: 0 S 17:34: 0 E 10088 1160 Fev-1962 637504 13:50: 0 S 16:53: 0 E 2685 1450 Set-1968 Cuangar Capico Camué (m) Data de Início das Observações .Estações hidrométricas do lado angolano. sua localização e data de início Nome da Est.26 Tabela 1.1 .

Missão Velha 637514 14:41: 0 S 17:22: 0 E 5814 1385 Jun-1966 Cubango Quiriri 637515 14:41: 0 S 18:40: 0 E 1941 1290 Fev-1965 Cubango Sambio 637516 17:53: 0 S 20: 4: 0 E 109125 1060 Jan-1962 Cutato Cuchi Mucundi Mumba Ponte Sambio .27 Cubango Cutato 637505 14:22: 0 S 16:30: 0 E 3692 1490 Out-1965 Cubango Cuchi 637506 14:40: 0 S 16:54: 0 E 9205 1380 Out-1965 Cubango Cuito .Cuito Cuanavale 637507 15:33: 0 S 19:12: 0 E 26093 1180 Fev-1962 Cubango Chinhama Chinhama 637508 13: 3: 0 S 16:22: 0 E 1597 1540 Jan-1966 Cubango Chissombo Chissombo 637509 17:28: 0 S 18:29: 0 E 71598 1110 Set-1969 Cubango Cuito Dirico 637510 17:56: 0 S 20:42: 0 E 59785 1040 Jan-1957 Cubango .Foz Foz do do Cuatir Cuatir 637511 17: 2: 0 S 18: 9: 0 E 69497 1120 Out-1962 Cubango Mucundi 637512 16:13: 0 S 17:41: 0 E 50385 1120 Mai-1957 Cubango Mumba 637513 14:40: 0 S 16:31: 0 E 12634 1380 Mai-1968 Cubango Cuelei .

Jamba Cuchi 637529 13:36: 0 S 16:39: 0 E 1 0 Nov-1970 Kuvango .Jamba Cutato 637528 13:31: 0 S 16:32: 0 E 1 0 Nov-1970 Cubango Cuchi .28 Cubango Cuebe Menongue 637517 14:40: 0 S 17:42: 0 E 4548 1335 Out-1964 Cubango Luahuca Menongue 637518 14:40: 0 S 17:41: 0 E 1000 1350 Out-1962 Cubango Cuchi Unongue 637519 14: 7: 0 S 16:42: 0 E 3020 1490 Dez-1969 Cubango Kuvango 637520 14:29: 0 S 16:17: 0 E 7320 1420 Out-1967 Cubango Cutato .

por vezes atingindo profundidades consideráveis. Todo o resto da bacia é ocupado por formações sedimentares constituídas por depósitos arenosos superficiais.29 Fig.Rede Hidrométrica (Fonte Quintela Góis) 2. que se sobrepõem ao andar superior do Sistema do Kalahari. .2. 9.5 .Geologia e Geomorfologia A Oeste do meridiano 10º. na zona Noroeste ocorrem formações eruptivas e metamórficas. isto é.

no entanto sempre superiores a 1000 m.1 Solos Grande parte dos solos da bacia podem ser englobados em dois grupos principais. (2) zona de Nordeste. (4) zona a Sul. a bacia pode dividir-se em quatro zonas: (1) zona acidentada de Noroeste com altitudes entre 1500 e 1800 m. de relevo ondulado com altitudes superiores a 1400 m. raramente excedendo os 1500 m apenas em núcleos isolados.30 Fig. pouco ondulada com altitudes decrescendo progressivamente de 1400 a 1200 m.Carta Geológica (Fonte Castanheira Diniz) Quanto a orografia. 2. (3) zona Oeste.5. plana ou suavemente ondulada de altitudes decrescentes.2. Os primeiros ocupam toda a zona Noroeste da bacia e os segundos preenchem cerca de dois terços . os ferralíticos e nos psamíticos. 10 .

31 da sua área.Carta de Solos (Fonte Castanheira Diniz) . respectivamente. Nestes solos arenosos dominam os psamofersiálicos no centro e Sul. As baixas dos principais rios são ocupadas por solos hidromórficos e orgânicos. Os vales inferiores do Cubango e do Cuito apresentam áridos-solos e solos aluvionais-fluviais. em íntima ligação com as características mais secas do clima. Fig. 11 .

Nas plataformas arenosas ocorrem solos Cromopsâmicos. teremos na Região IX representadas formações de rochas cristalinas do Maciço Antigo. Na Região XVI as formações geológicas são do Sistema do Kalahari e a cobertura arenosa é somente interrompida nos vales mais importantes onde afloram os calcretes e silcretes. solos Aluvionais fluviais.32 Fig. 11 a Legenda Carta de Solos (Fonte Castanheira Diniz) Tendo em conta as regiões naturais de Angola na Região. Psamo-hidromórficos e Psamoturfosos. nas baixas fluviais. com especial predominância de rochas graníticas. . granito-gnaissiacas e pórfiros. do ponto de vista geológico. Nas zonas de calcretes surgem solos Arídicos e nas baixas dos rios. Na Região XIII os solos caracterizam-se fundamentalmente por se relacionarem com predominantemente a cobertura correspondem arenosa solos do Kalahari a Psamo-ferrálicos que e Oxipsâmicos e.

2.. desenvolveu um estudo das potencialidades hidroagrícolas de Angola. Na Região XVI a cobertura vegetal nas plataformas arenosas é do tipo savana arborizada de Baikiea. isoberlinia.5.33 2. manchas de vegetação de estepes de arbusto. onde não se justificaria o regadio excepto . Guibourtia coleosperma e Pterocarpus angolensis. A formação vegetal associada a Região XIII é uma floresta aberta de composição florística variada com dominância de Brachystegia spp.5. Nos vales a vegetação típica é a vegetação herbosa. para o qual a Bacia do Cubango foi dividida em duas grandes unidades.2 Uso e Cobertura Vegetal A vegetação distribui-se com certa uniformidade por toda a bacia.2. variando desde o tipo savana até à floresta mais ou menos fechada. Na zona Sul da bacia. entre a mata dispersa.3 Regadio Para efeito de inventariação de solos com aptidão de regadio. Castanheira Diniz. A Norte foi definida uma área com aptidão de culturas de sequeiro. por vezes. A floresta localiza-se na parte superior da bacia com uma flora bastante rica e variada e com espécies vegetais de maior porte. Julbernadia paniculata. Brachystegia. Na Região IX a formação vegetal climácica é do tipo floresta aberta de Julbernardia. localizamse. Para Sul a floresta cede lugar a bosques com sensivelmente a mesma composição. 2. A savana desenvolve-se numa área estreita ao longo do rio Cuito e de alguns dos seus afluentes. Nas planícies aluviais são característicos os prados vetiveria nigritana e nos terraços são frequentes formas arborizadas de fácies estépico.

ocorrem ao longo das margens dos cursos de água. assim como a plataforma das areias do Kalahari foram classificadas sem aptidão para regadio. Os terraços altos e as margens ribeirinhas consideradas com aptidão para regadio totalizam ao longo dos rios Cubango e Cuito 55 400ha. Nesta zona. são classificadas como de aptidão condicionada. solos susceptíveis de serem regados tanto pelas suas condições intrínsecas.34 como complemento a um eventual equilíbrio de exploração agrícola. Para Sul. totalizando uma área de 31 883ha. na área correspondente ao Baixo Cubango. As baixas inundáveis do Cubango e as baixas em terraço. a utilização do solo é limitada pela escassez e irregular distribuição das chuvas. como pela sua topografia. Nesta zona são recomendados o uso de grandes esquemas de regadio. As baixas inundáveis do Cuito que compreendem uma área de 36 370ha e de outros rios que se desenvolvem entre os rios Cuito e Cubango. .

Estações Hidrométricas seleccionadas e Ano de 1975 reabilitadas em 2005 .12.Estações Hidrométricas existentes até o Fig.2 .35 Fig 12.1.

26 Diagramas e curvas de duração de vazão dos caudais distribuídos em três trechos do rio Cubango e em dois do rio Cuito de montante para jusante a partir das cabeceiras.1 . Fig 13.Rio Cubango Estação de Chinhama .

3 .Rio Cubango Estação de Sambio .2 .27 Fig 13.Rio Cubango Estação do Caiundo Fig 13.

Rio Cuito Estação do Cuito Cuanavale .28 Fig 13.4 .

numa secção do rio a partir das cascatas de Popa até Mohembo. troço intermédio. bosques ribeirinhos e savana no troço intermédio. Os ecossistemas típicos incluem floresta de miombo.6 Ecologia Os principais ecossistemas da bacia estão agrupados de acordo com quatro zonas nomeadamente cabeceiras de Angola. matas secas.Rio Cuito Estação do Dirico 2. parte estreita do leque a o Delta do Okavango.2. enquanto o troço intermédio está presente no canal principal.5 . mosaico de savana e áreas de transição nas cabeceiras e várzea permanentes. . A terceira e quartas zonas estão localizadas fora do território Angolano. As cabeceiras estão reflectidas nos rios Cubango e Cuito. na confluência do Cuito com o Cubango.29 Fig 13.

do ponto de vista da fauna. Das espécies existentes na Bacia do Cubango convém realçar que pelo menos quatro espécies encontram-se catalogadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN. Destes estudos é possível notar que.30 Em termos de cobertura vegetal a zona do Alto Cubango apresenta uma formação vegetal do tipo floresta aberta de Julbernardia. com predominância de Brachystegia sp. A vegetação do Baixo Cubango.. palancas vermelhas. Brachystegia. na plataforma arenosa. Pterocarpus angolensis (Baixo Risco) e Cyperus papirus (Em Perigo de Extinção). lontras. Brachystegia bakerana (Vulnerável). Isoberlinia enquanto que na região do Médio Cubango a cobertura vegetal é do tipo floresta aberta de composição variada. Na medida em que o caudal do rio vai . Apesar de não haver um inventário actualizado destas espécies foram realizados vários estudos no âmbito da elaboração da Análise Diagnóstica Transfronteiriça. Existem também sitatungas. Julbernardia paniculata. é do tipo savana arborizada de Baikiaea enquanto na planície aluvial são característicos os prados de Vetiveria nigritana e nos terraços são frequentes formas arborizadas de fácies estépico. nomeadamente Baikeaea plurifuga (Baixo Risco). Guibourtia coleosperma e Pterocarpus angolensis. A grande variedade de espécies existentes na Bacia do rio Cubango deve-se essencialmente à variedade de habitats que fornecem os diferentes nichos ecológicos resultantes da variação hidrológica patente ao longo da Bacia. zebras. hipopótamos e crocodilos. existe uma variedade bastante grande estando descritas 82 espécies de aves e uma grande variedade de peixes endémicos da região. elefantes. búfalos. pacaças.

O Projecto KAZA foi criado ao abrigo de um acordo formal em 2006 para a protecção e conservação da área.250 . como apresentado na tabela que se segue (ver Tabela 1). Tabela.400 Coutada do Mucusso 21.400 Coutada de Longa-Mavinga 26. na sucessão de plantas e nos tipos de animais delas dependentes.Áreas de protecção ambiental na Bacia do Cubango na Província do Kuando Kubango. todas elas na província do Kuando Kubango. Designação Área ( km2) Reserva Parcial de Mavinga 5. Grandes partes destas áreas fazem parte do Projecto da Área de Conservação Transfronteiriça Kavango-Zambezi (KAZA TFCA) que é compartilhada por cinco países parceiros. 2.800 Coutada do Luiana 11.950 Reserva Parcial do Luiana 8.200 Coutada do Luengue 13.31 variando vão-se tornando evidentes mudanças constantes dos padrões de depósitos de nutrientes. Zâmbia e Zimbabué. nomeadamente: Angola. Namíbia. Botswana. No tocante a existência de áreas de protecção ambiental apesar de não existirem parques nacionais na parte Angolana da Bacia do rio Cubango foram criadas reservas e coutadas de caça.

32 Total 87. A Região IX que ocupa o canto Noroeste da bacia.XVI. O clima é húmido e sub-húmido húmido.IX. abrangendo uma área de cerca de 33 600 km2 integra-se na área central de Angola. mesotérmico com uma estação chuvosa de 5 a 6 meses e uma estação seca.000 No que respeita aos aspectos ecológicos a bacia encontra-se repartida por três das regiões naturais de Angola. R.XIII e R. com uma estação chuvosa de seis a sete meses no tempo quente e uma seca. à saber: R. mesotérmico. variando para subhúmido seco numa faixa meridional de transição. . A Região XIII com uma área de 79 900 km2 é a que ocupa a maior parte da bacia. O Clima é do tipo húmido e sub-húmido húmido a Sul.

mineração. navegação e outros) .33 Fig. poluição/contaminação. Índice de Eficiência Térmica (Fonte Castanheira Diniz) A Região XVI compreende o Baixo Cubango. de clima semi-árido. uso agrícola/irrigação. mesotérmico de curta estação chuvosa e distribuição irregular de precipitações. Distribuição espacial e temporal Usos e Demandas – Consumos e Não-Consumos: (abastecimento de núcleos urbanos rurais . 14 .Classificação Climática.saneamento e esgotamento sanitário/diluição e afastamento de efluentes e resíduos sólidos. Esta região abrange uma área de 36 200 km2.

34 3. onde grande parte abrangida . Hidrogeologia e Águas Subterrâneas A maioria do conhecimento da hidrogeologia de Angola concentra-se sobretudo na região Sudoeste devido a existência de uma grande rede de captações de águas subterrâneas A área que compreende a bacia do rio Cubango.

agora. Cuíto-Cuanavale. pacaça. hipopótamo. com sedutores percursos turísticos. As reservas. a rota pode ser ascendente. Do planalto central. subir no mapa. ngunga.400 km2. pangolim tanto como uma diversidade de aves e répteis. Mavinga.35 4. Lubango. leão leopardo. depois. parques e cotadas estão caracterizadas da seguinte maneira:  Reserva parcial do Luina estabelecido como reserva parcial em 17 de Setembro de 1966 com a extensão de 8. ou na direcção de Savate ou lateralmente. após a guerra. cágado e avestruz. elefantes. abre-se a fascinante viagem por Matala. Do Cunene. podendo. Cuchi. nguelengue. mergulhando em Angola. Da capital da Huíla. mabeco. Áreas de Preservação Ambiental ou de Especial Interesse Paisagístico Esta região de Angola pode ser. rumo a Luiana. acompanhando a zona fronteiriça com a Namíbia. de Ondjiva para o Caiundo. com o previsto investimento na criação de condições de atracção do grande segmento do turismo virado para a natureza. hiena. Das espécies de animais que habitam no território do Cuando Cubango destacam -se as seguintes: Palanca real. Cuvango. alguns de novo já trilhados por quem. javali. ulongo. um poderoso pólo de desenvolvimento do país. palanca preta vulgar caeni. Calai e Dirico. desce-se para Menongue pelo Chitembo. onça. por Cuangar. Rivungo e Luiana. . se apressou a redescobrir Angola. Menongue. rinocerontes.

700 km2.  Cotada pública do Mukusso criada em 15 de Julho de 1959 com uma extensão de 25.0%). A população rural da bacia em Angola é de 262. População A população da bacia é predominantemente rural e as comunidades estão muitas vezes situadas em locais adjacentes ao rio ou ao longo das estradas.250 famílias e uma população estimada em 505. Cuchi e Cacuchi e na envolvente da cidade de Menongue.1 Características Socioeconómicas . Cutato. sendo importante referir a existência de um grupo de etnia Umbundo (16. Na parte da bacia em Angola existem um total de 126. A maior parte da população da bacia identifica-se com duas etnias. numa média de quatro pessoas por família.  Cotada pública de Mavinga criada em 06 de Julho de 1960 com uma extensão de 28.  Parque natural regional do Cuelei com uma extensão de 4.600 habitantes agrupados em cerca de 65.  Cotada pública do Luengue criada em 15 de Julho de 1959 com uma extensão de 16.000 km2.7%).500 km2. com destaque para as cabeceiras dos rios Cubango. nomeadamente Ganguela (49.950 km2.650 agregados familiares. Estas populações estão localizadas distantes dos principais centros urbanos e de actividade económica.  Cotada pública de Luiana criada em 15 de Julho de 1959 com uma extensão de 13.750 km2. 5.000 habitantes.9%) e Chokwe (32. 5.36  Reserva parcial de Mavinga estabelecida como reserva parcial em 17 de Setembro de 1966 com uma extensão de 5.950 Km2.

etc. INE 2011 Kuando Kubango Distribuição da População por género: Total: 325014 Homens: 157187 Mulheres: 167827 A distribuição da população pelos dois géneros é relativamente idêntica. a taxa de crescimento do Kuando Kubango deverá ser de 4.2% ascendendo a população em 2017 a 452746 habitantes. 52% e 48% respectivamente.37 a) Dinâmica Populacional . migrações. com uma taxa de natalidade elevada e com uma reduzida percentagem de população idosa. devido ao maior valor agrícola dos solos e maior diversificação cultural. densidades. Anuário de Estatística INE 2009. De acordo com. 5. reflectindo a baixa esperança média de vida. A maior densidade verifica-se na Região IX.3%. Nas duas outras regiões a densidade populacional diminui e o número de aglomerados também diminui a medida que caminhamos para Sul e SE.2 Situação Futura Embora a taxa média de crescimento anual da população entre 2009 e 2017 seja de 3. a população angolana é de um modo geral jovem.Populações – grupos. População (Pessoas por Km2) . Na Bacia do Cubango a densidade e a distribuição populacional são diferentes nas três regiões naturais em que a mesma se reparte. sendo a proporção de mulheres ligeiramente superior a de homens. núcleos urbanos e rurais.

.20 21 – 50 51 – 100 101 .500 501 .Condições Básicas de Saúde.38 0-2 3 . Atendimento principais endemias O Ministério da Saúde tem estado a abastecer medicamentos e equipamentos à província através da Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos. Programa Nacional de Medicamentos essenciais e da quota financeira dos Hospitais no quadro da descentralização do Orçamento Geral do Estado.1000 >1000 Fig.População (Estimativa da FAO 16 de Maio 2007) a) Principais atividades Económicas (agricultura. b) Saúde .200 201 . 14 . piscicultura. mineração. outras) Actualmente a actividade agrícola e a piscicultura constituem apenas actividades de subsistência.10 11 .

. A Escola tem capacidade para oitenta alunos. A Escola tem capacidade para oitenta alunos. Só existe um Centro de Saúde Privado a funcionar. nomeadamente dos técnicos básicos e técnicos médios. assim como a formação permanente. nomeadamente dos técnicos básicos e técnicos médios.39 A província conta com uma Escola Técnica Básica de Enfermagem e tem como actividade principal a conversão dos promotores e práticos em técnicos auxiliares (técnicos básicos de enfermagem). A província conta com uma Escola Técnica Básica de Enfermagem e tem como actividade principal a conversão dos promotores e práticos em técnicos auxiliares (técnicos básicos de enfermagem). restringiram–se fundamentalmente à cidade de Menongue com cinco escolas (Missão Católica de Menongue. catorze se encontram localizados em Menongue e 2 no Cuito Cuanavale e 28 postos de saúde estatais que não funcionam em 28 comunas. Os serviços privados de ensino. paralisados são 5 nas localidades de Calai Cuangar. enfrenta algumas dificuldades. Ninho da Paz. c) Educação – Estabelecimentos. Skizito. Os postos de Saúde privados a funcionar são 6 e 4 paralisados localizados em Menongue. Cuito Cuanavale. assim como a formação permanente. Os Hospitais estatais a funcionar são 6 nas localidades de Menongue. Quinta Mbembwa e a IECA). Dirico Nancova e Rivungo. O sector da educação na província do Cuando Cubango. postos de Saúde estatais a funcionar são 16. Cuchi e Mavinga e. níveis de escolaridade.

Secundário. 1 do ensino médio.nível.e IIIº. o comércio.40 Existem na província quatro subsistemas de ensino: Primário.0 Abastecimento de Água as Populações Os sistemas de Abastecimento de Água em geral incluem além do abastecimento nas áreas urbanas. 3 do IIº.3. o abastecimento as áreas periurbanas e as áreas rurais. Os usos. d) Usos do Solo e Ocupação do Território Novas centralidades e reservas fundiárias 6. . constantes do documento “Projecções da População 2009-2015”. As necessidades de água por município foram calculadas com base nas projecções da população feitas pelo INE. Estes valores permitiram calcular a projecção da população para os anos de 2016 e 2017 com a taxa de crescimento médio anual da população. Médio e Superior. As projecções da população foram feitas por género e classe de idade até 2015. consumos e necessidades de água urbana compreendem a população. A província conta actualmente com 101 escolas do Iº – nível. 1 centro pré – universitário e um núcleo do ensino superior. serviços e indústria ligada à rede pública. Assim a população da bacia hidrográfica distribui-se de acordo com a Tab.

2% Cuchi 22 904 25 977 4.2% 3 985 4 159 4.7% Longa Menongue Rivungo Moxico Luchazes .8% .2% Cuangar 12 347 14 003 4.2% Calai 19 406 22 010 4.Dados da População da Bacia do Cubango por Muncípios (INE) População Total por Província Município Município 2009 (hab) Taxa de Crescimento Média Anual 2012 (hab) Bié Chitembo 47 355 52 755 3. Chinhama Huíla Cuando Cubango Cuvango 4. 3 .8% Dirico 9 081 10 299 4.2% 3 650 4 071 3.2% 157 285 178 389 4.8% 59 108 64 038 2.2% CuitoCuanavale 40 819 46 296 4.7% 73 936 85 364 Huambo TchicalaTcholoanga 4.2% 20 606 23 371 4.41 Tab.

) População Total Beneficiários de Taxa de Cobertura (hab) Água (hab) (%) Bié 396 901 120 162 741 18% Huambo 551 1 239 776 312 599 25% Huíla 959 1 683 569 666 426 40% Cuando Cubango 39 306 214 65 067 21% Moxico 165 444 233 142 911 32% 6. A cobertura do meio urbano é de 58% e a do meio rural é 23%.Cobertura de Serviços de Água a Nível da Bacia do Cubango por Província (SISAS) Províncias Sistemas que Funcionam (N. a taxa de cobertura da água é de cerca de 42% a nível nacional. Nessa altura a taxa de cobertura nas províncias que constituem bacia do Cubango é a que indica na Tab. Tab. 4 .4. 2008-2009).42 Segundo os dados do INE (IBEP).1 Água para a Irrigação . Entende-se como taxa de cobertura a referida a população beneficiada com acesso a uma fonte de água potável.

A área da Bacia do Cubango potencialmente irrigável representa 4. 6.2 Água para o Gado A estimativa actual dos efectivos pecuários que na sua maior parte pertencem ao sistema tradicional é apresentada na Tab. para as regiões de Angola onde o défice hídrico potencial é superior a 300mm. O projecto de irrigação do Cuchi com um canal de 26km de extensão e um perímetro irrigável de 7000ha. Que compreende as províncias da Bacia do Cubango. O PLANIRRIGA levou a cabo a avaliação das terras com potencial para irrigação. 5 . De acordo com o critério adoptado a avaliação de terras irrigáveis na Bacia do Cubango determinou uma área total de 365 170ha cuja distribuição espacial é feita por áreas com graus potenciais de irrigação diferentes.Estimativa dos Efectivos Pecuários na Bacia do Cubango por Províncias Província Bovino Equino Asísino Ovino Caprino Suíno Ave Tota s s s s s s s s l Bié 46 000 35 100 13 000 35 118 600 1 220 1 397 . O projecto de irrigação do Missombo no rio Cuebe abastecido por um canal num um perímetro de 1000ha.8% das terras irrigáveis. Tab.43 Os projectos de irrigação mais relevantes actualmente na Bacia do Cubango são o de Produção de Arroz no rio Longa numa extensão de 4000ha.

44 000 770 Huambo 65 500 100 650 44 000 100 240 000 379 000 729 350 Huíla 1 530 760 1 500 1 420 261 700 1 500 316 100 1 200 000 3 312 980 484 550 3 300 1 250 16 580 3 300 57 900 250 000 816 880 27 950 324 978 15 450 324 18 000 416 000 479 026 Cuando Cubango Moxico Encontram-se em implantação e desenvolvimento fazendas pecuárias para produção de gado bovino nas regiões de Mucusso e Calai. Tab. pelos pastos de boa qualidade e a ausência de endemias. As necessidades de água para a pecuária foram calculadas com base no crescimento previsto para a pecuária e na capitação média das diferentes espécies de gado para o horizonte 2017. 6 .Estimativa dos Efectivos Pecuários na Bacia do Cubango por Províncias 2017 Província Bovino Equino Asísino Ovino Caprino Suíno Ave Tota s s s s s s s s l Bié 65 417 41 117 106 045 286 3 039 9 588 951 915 13 163 408 Huambo 93 148 117 762 358 816 6 150 9 696 3 091 . muito propícia para produção de gado.

45 922 Huíla Cuando Cubango Moxico 938 619 321 2 176 895 1 757 1 664 2 134 767 12 236 8 101 9 297 788 769 22 217 385 689 079 3 866 1 465 135 248 26 919 1 483 2 914 039 327 4 379 818 39 748 380 1 146 126 030 2 643 461 320 3 393 440 4 024 707 As necessidades em água para a pecuária considerando apenas a dos Municípios que compreendem a Bacia do Cubango. 7 . são as indicadas na Tab.Necessidades de Água para a Pecuária na Bacia do Cubango para 2017 Unidade Hidrográfica Necessidade de Água Anuais (m3/ano) Cubango 7.2 x 106 . 7: Tab. Energia Eléctrica 26.

Angola tem um potencial hidroeléctrico dos mais importantes de África (65 000 GWh por ano). A estimativa é de que a necessidade de energia firme em 2015 seja de cerca de 7000GWh/ano. a ser reprimida. apenas estão . Angola beneficiará sobretudo se construir empreendimentos hidroeléctricos de forma a interligar com a linha proveniente de INGA. O crescimento económico acentuado que Angola tem vivido. Na bacia do rio Cubango do lado Angolano. neste momento. com capacidade estimada de 39 000 MW. que ligará a rede de Angola a uma possível expansão gigante do esquema hidroeléctrico INGA. região mais consumidora do país. ESKOM”.46 Tendo em conta os seus numerosos e poderosos cursos de água. A demanda de energia na África do Sul e os outros países vizinhos encontra-se. A África do Sul tem procedido a cortes selectivos de energia através de um sistema de rodízio na província do Gauteng. no rio Congo. conduzida pela empresa sul-africana de “Utility. de tal forma que se estima possível construir cerca de 150 centrais hidroeléctricas e um número superior de pequenas centrais com capacidade de produção inferior a 2 MW. Para garantir esta produção é necessário que a potência instalada seja pelo menos de 2 000MW. tem feito aumentar de maneira importante a demanda de energia. A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) está a promover o estabelecimento de uma rede regional de electricidade. devido a suavidade do declive e a ausência de acidentes orográficos acentuados. Este projecto visa satisfazer sobretudo a demanda crescente da África do Sul e também os países vizinhos.

A necessidade de água para o sector industrial. teve-se em consideração os projectos estruturantes privados previstos a serem implementados até 2013. 9. o Cuebe e do Cuelei que se destinam ao abastecimento de energia á cidade de Menongue. Projectos Centralizados do Governo 9. para uma média central que totalizam uma potência de cerca de 120 MW. estando já dois projectos concluídos.7% das necessidades de água para o sector industrial em todo o país.6 x 106 As necessidades de água para a indústria representam cerca de 2.1 Água para todos . 8 .Necessidades de Água para a Industria na Bacia do Cubango para 2017 Unidade Hidrogáfica Necessidade de Água Anuais (m3/ano) Cubango 18.47 identificados 9 locais para construção de pequenas centrais hidroeléctricas e um. 8. para a unidade Hidrográfica do Cubango para o ano 2017 é conforme o quadro abaixo Tab. Industria Para se estimar as necessidades de água para o sector industrial para o horizonte de 2017. bem como os pólos de desenvolvimento industrial.

O Governo ao analisar a situação do abastecimento de água e saneamento nas áreas rurais. representam. i) servir de referencial para as acções futuras do programa. ii) testar a capacidade de realização dos operadores económicos para a execução deste tipo de acção. As áreas rurais do País são aquelas que apresentam uma maior ausência de condições básicas para a assegurar o abastecimento adequado da população em termos de água potável e de condições sanitárias básicas que permitam preservar a vida e a manter a saúde humana. que se torna num importante instrumento de melhoria das condições de vida de milhares de angolanos que vivem em pequenas localidades e áreas remotas do País. Angola vive ainda uma situação de profunda carência de instalações e de serviços adequados no domínio do abastecimento de água e dos serviços de saneamento. decidiu aprovar as Linhas mestras do Programa de Abastecimento de Água às Áreas Rurais – “Programa Água para Todos”. questão que se reflecte nos actuais altos índices de mortalidade infantil registados em Angola e na pesada carga física e financeira que a procura constante de água ou as consequências de um saneamento inadequado. O presente PROJECTO PILOTO tem por objectivos. em especial para as mulheres e crianças e para os debilitados orçamentos familiares.48 O abastecimento de água potável constitui uma das condições fundamentais para a saúde e bem-estar das populações. factores que impulsionam as populações a abandonar as referidas áreas. iii) verificar a capacidade dos diversos órgãos do Governo . bem como para o desenvolvimento económico e social.

estruturando a organização operativa. edifícios da administração e residências na área estruturada de cada localidade. verificando prazos e responsabilidades. filtragem e sistemas de desinfecção. . institucionais e financeiros a envolver num programa de dimensão maior. ou lagoa. com uma captação junto do rio. Os fornecedores das estações deverão ser os instaladores das mesmas.49 Central. decantação. as estações serão do género compacto com o habitual sistema de floculação. assim como uma rede de chafarizes para abastecimento ás áreas não estruturadas. materiais. escolas. podendo outros serviços ligados ás adutoras e rede de distribuição ser contratados a empresas nacionais com competência reconhecida. Para reduzir o tempo de construção dos sistemas. postos médicos. iv) aferir os recursos humanos. um sistema de elevação e conduta adutora. Governos Provinciais e Administrações Municipais na concretização das acções do referido programa. Resultados Esperados e Actividades a Desenvolver As intervenções consistirão na construção de novos sistemas de água a partir de fundamentalmente de fontes superficiais. uma estação de tratamento de água e uma rede de distribuição que abastecerá um conjunto de instalações prioritárias com centros de saúde.

Sempre que possível serão utilizados carneiros hidráulicos para levar água às estações. assim como considerou-se a execução de furos com experiência piloto para estas províncias que não têm tradição nesse género de abastecimento. enquanto órgão de tutela do sector das águas: .50 As estações deverão estar equipadas com sistemas alternativos de fornecimento de energia e deverão operar no mínimo 8 horas ao dia. cabendo a prestação de contas nos termos das regras normais de execução do orçamento. compete ao Ministério da Energia e Águas. As verbas ligadas à formação e acompanhamento do projecto serão cabimentadas no orçamento do Ministério da Energia e Águas Organização Institucional e Procedimentos na Realização das Despesas No âmbito do “Programa Água para Todos”. assim como será incentivado o uso de energia solar ou outra fonte que se mostre adequada e disponível na localidade. Duas localidades com uma população significativa foram incluídas para se aferir do período e capacidade de execução de estruturas deste género. Orçamento do Programa As verbas do projecto piloto serão canalizadas aos Governos provinciais que se encarregarão pela respectiva execução orçamental.

e) Exercer outras atribuições necessárias ao cumprimento do Projecto. d) Garantir a existência de assistência técnica aos equipamentos. d) Zelar pela aplicação das normas pertinentes. c) Proceder a contratação das empreitadas e dos serviços inerentes ao projecto. c) Estabelecer os termos de referência e a padronização dos equipamentos que deverão ser adquiridos para os fins do programa.51 a) Coordenar e supervisionar os estudos e projectos técnicos referentes às acções aprovadas. 6 . b) Coordenar a execução de obras respeitantes ao Programa. e) Promover os projectos e a contratação de empreiteiros nacionais para a execução de parte dos projectos em especial das redes domiciliares de distribuição de água e dos chafarizes. competindo-lhes: a) Definição das localidades prioritárias para a execução do Programa. incluindo a Mobilização Social. b) Apoiar os Governos Provinciais e Administrações Municipais na formação de pessoal para a operação dos pequenos sistemas. Os Governos Provinciais têm a tarefa de execução das acções constantes do projecto.

O fornecimento para e montagem de equipamento e redes técnicas. Às Administrações Municipais e Comunais competirá: i) Assegurar o normal funcionamento dos sistemas. os recursos para a remuneração do pessoal afecto aos projectos. h) Contratar a fiscalização para as obras do projecto. k) Garantir em coordenação com os Governos Provinciais. A garantia de peças de reposição e fornecimento de produtos para o tratamento da água para um período de pelo menos um ano de operação. a um limitado número de empreiteiros a quem competirá: A realização das obras do Programa. j) Mobilizar. em coordenação com os Governos Provinciais. .52 f) Coordenar e supervisionar a operação dos sistemas de abastecimento de água. o pessoal para a gestão dos sistemas e incluí-los nas acções de formação previstas. g) Coordenar e gerir a logística operacional inerente ao Programa. estabelecer medidas no sentido de garantir o seu funcionamento. assim como. l) Exercer outras atribuições necessárias para a execução do Projecto Cronograma de Acções Contratação dos Empreiteiros A contratação será feita pelos Governos provinciais.

10. Regional e Provincial resoluções.1 Marco Regulatório Nacional. Institucionais e de Gestão 10. Os Governos Provinciais deverão no âmbito deste Projecto: Elaborar relatórios mensais sobre a execução do programa. Equipas de Acompanhamento deverão visitar de forma regular os projectos . Efectuar uma avaliação final da execução do Projecto para ser presente ao Governo. decretos. etc: (leis. que deverão ser presentes ao Governo. Elaborar o balanço final da execução do Programa para ser presente ao Ministério da Energia e Águas. deliberações. Aspectos Legais. . que deverão ser presentes ao Ministério da Energia e Águas. protocolos.53 O Ministério da Energia e Águas colabora na indicação da lista de possíveis empreiteiros Acompanhamento e Controlo No âmbito da materialização deste Projecto o Ministério da Energia e Águas deverá: Elaborar relatórios a cada 2 meses sobre a evolução do projecto.

organismos governamentais. públicos e universidades. envolvendo 5países a . INAMET.4 Planos e Projetos Existentes (em curso)com Interferência na Região KaZa Criação de uma área transfronteiriça de preservação ambiental abrangendo as bacias do Kubango e Zambez. 10. Protocolo SADC. do Meio Ambiente e outros. de forma a permitir melhor de planeamento de projectos de utilização e exploração racional dos recurso hídicos.Estatuto da Secretaria de Águas. institutos de pesquisa.54  Resolução 12/05. 10. entrou em funcionamento em Dezembro de 2012 o Instituto Nacional de Recursos Hídricos cujas atribuições compreendem a recolha regular e contínua de dados hidrométricos para permitir a avaliação mais fiável de caudais com vista a conhecer-me melhor o potencial hídrico nacional. 03/09. (LNE. Lei no.2 Arranjo Institucional e de Gestão – organismos que possuem órgãos Federais gerenciamento que dos possuem recursos interveniência hídricos na no bacia: Ministérios/Secretarias das Águas. da Agricultura.3 Situação Atual dos Instrumentos de Gestão de Recursos Hídricos Para melhor atendimento à gestão dos recursos hídricos de Angola onde a Bacia do Cubango se encontra inserida. entidades privadas e OnGs 10. Resolução no. 22/09 – Programa Executivo de Águas e outros.

4. Botswana. Namíbia. O projecto tem como objectivo a criação de uma área de preservação ambiental dos ecosistemas 10.2 Irriga Está em curso a elaboração do Plano Geral de Aproveitamentos de Recurso Hídricos da Bacia do Cubango em território Angolano que se encontra a ser elaborado pelo consórcio Consulprojecto/Ambio ZPI * Cenário 1 Cenário 2 Cenário 3 Área irrigada Incremento de Área irrigada Incremento g de Área irrigada Hidrográfica (ha) Área Área (ha) ** (%) (ha) (ha) ** (%) (ha) (ha) ** (%) Cubango Zona Potencial de Irrigação 1. Zâmbia e Zimbabwe.769.568 .55 saber: Angola.4.1 Água para todos 10.

000 27% Cenário 2: Incremento da Área 526.650 km² • 6 Parques Nacionais R Fl t i • 1 Parque Natural Regional • 2 Reservas Naturais Integrais 4 R N t i .010.000 km² OUTRAS ÁREAS SENSÍVEIS • 106.523 Área Irrigada 1.523 Área Irrigada 1.56 Cenário 1: Área Irrigada 484.840 57% Cenário 3: Incremento da Área 666.150.840 65% AVALIAÇÃO DOS PRINCIPAIS IMPACTES DOS EMPREENDIMENTOS HIDROAGRÍCOLAS ÁREAS EXCLUÍDAS DO PLANIRRIGA ZONAS DE PROTECÇÃO INTEGRAL DA NATUREZA • 82.

incorporando as definições e opções estratégicas relacionadas com a Irrigação OBJECTIVOS GERAIS . na segurança alimentar e na exportação de produtos agrícolas pp regional e nacional.Sustentabilidade e expansão da actividade agrícola de irrigação (“medium and large scale irrigation scheme”) .Constituir um plano de apoio ao desenvolvimento .Instrumento de acção e gestão. áreas de deserto • Reservas Naturais Parciais Contribuir para o desenvolvimento económico e social de Angola .57 • Reservas Florestais • Coutadas • Pântanos. económica. chanas. e ambientalmente sustentado da agricultura irrigada em cada uma das regiões hidrográficas de Angola concretos de desenvolvimento e sectoriais . indicando as grandes linhas de acção a adoptar no contexto do desenvolvimento técnica económica social .Estabelecimento de um quadro e programas investimento (Óptica do Estado) técnica.Impacte positivo esperado no emprego.

58 devidamente espacializados e temporizados Acordos e Convenções internacionais de de e ou identificadas com um bom potencial de desenvolvimento da agricultura irrigada (média e grande escala) .Contribuir para um uso eficiente e racional dos recursos hídricos (superficiais e subterrâneos) e dos recursos em solos Í recursos hídricos partilhados Obj ti .Aumentar a produtividade agrícola e flexibilidade da produção edafo-climáticos e .Definição de um conjunto de infra-estruturas de irrigação (tipificação e configuração alicerçados em sólida informação de base) disponibilidades e necessidades de água em cada região hidrográfica .

assente no uso eficiente da água e na articulação com os restantes utilizadores de recursos hídricos eventual reforço Institucional sistematizada em torno de um conjunto de modelos fundamentais: Modelo Político.Identificação das necessidades de clarificação e OBJECTIVOS ESPECÍFICOS (Sectores da agricultura e da Água) Objectivo fundamental do PLANIRRIGA face aos condicionalismos edafo de mercado . Modelo Regulatório e Modelo Institucional Algodão Amendoim FILEIRAS DE PRODUÇÃO EM REGADIO • Ananás Arroz Banana .59 . Modelo Territorial.Ordenamento e Planeamento da Irrigação.

sorgo. trigo. amendoim e tomate • Fruteiras: manga. batata-doce.60 Batata Batata-doce Cereais / oleaginosas • Hortícolas • Fruteiras • Bovinos de carne • Bovinos de leite • Biocombustíveis Café Arábica Café Robusta Cana-de-açúcar Citrinos Feijão FILEIRAS SELECCIONADAS • Cereais / oleaginosas: milho. arroz. l erna sorgo trigo arro Girassol Luzerna Mandioca Manga Milh luzerna. batata. girassol • Hortícolas: mandioca. banana e citrinos .

cana-de-açúcar. ananás e palmar Milho Palmar Sorgo Tomate Trigo .61 • Culturas de rendimento: café. algodão.