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A geologia na rota da vinha e do

vinho das arribas do Douro
Internacional Norte

4 DE AGOSTO DE 2014

RESPONSÁVEIS: MÓNICA SOUSA & ELISA PRETO GOMES

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correspondentes a sedimentos marinhos de idade pré-câmbrica a câmbrica (650 a 500 Ma). Unidade de Geologia e Cartografia Geológica. Nesta região. enquanto Vila Chã da Braciosa e Ventuzelo exibem folhas de videira. Afonso Martinsa a UTAD. GEOLOGIA A região é caracterizada pela ocorrência de diversos tipos de rochas graníticas e metassedimentares. xistos e quartzitos. em níveis superiores da crusta. que representam o substrato pré-varisco de idade Cadomiana (Pré-Câmbrico).5001-911 Vila Real. Laboratorio Nacional de Energia e Geologia. Narciso Ferreirab.4466-901 S. ii) litologias gnaíssicas de Miranda do Douro. Ap. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Ap. durante a orogenia Varisca.A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte VISITA DE CAMPO ADAPTADA DO SEMINÁRIO “ A GEOLOGIA NA ROTA DO VINHO E DA VINHA NAS ARRIBAS DO DOURO INTERNACIONAL NORTE” Elisa Preto Gomesa. a que se sobrepõem sedimentos pelíticos e arenosos de idade ordovícica e silúrica.. por vezes migmatizados. transformados em liditos. Portugal. José Feliciano b. 202 . iii) granitóides hercínicos dominantemente biotíticos. 2 . as freguesias de Sendim. Assim. 1089 . Mamede de Infesta Portugal. Urrós. b LNEG. A geologia regional é marcada pelos contatos entre diversas unidades geológicas e o Património Geológico inventariado é vasto (Ferreira et al. Bemposta e Peredo de Bemposta têm no seu brazão um cacho de uvas. 2003). destacam-se: i) metassedimentos pré-câmbricos a câmbricos do Grupo do Douro. sendo estas sobretudo xistos e metagrauvaques. Os sedimentos foram dobrados e metamorfizados (fácies de xistos verdes) e intruídos por magmas graníticos que se instalaram há cerca de 310 Ma.

contemporâneos da 3. Zava. Variz e Castanheira). atingindo-se a incisão fluvial máxima. que contrastam com a morfologia mais suave das áreas em que ocorrem dominantemente xistos. e outro sin. na confluência dos rios tributários com o Douro (Anton e Martin. o substrato geológico atual. com o desenvolvimento da primeira aplanação (Superfície Inicial) durante o Cretácico. Um dos eventos que mais marcou esta evolução foi a erosão da cadeia varisca durante o Mesozóico. atualmente bem visível na paisagem. cuja evolução geomorfológica foi devida essencialmente ao tipo de litologia. granulometria e texturas diversas. em forma de canhão fluvial. causando a sua elevação e culminando no Tortoniano (10 Ma) com o desenvolvimento de uma nova superfície de aplanação (Pereira. 2007). composta pela planície Salmantino-Zamorana (em Espanha) e pelo Planalto Mirandês (em Portugal). GEOMORFOLOGIA Nas Arribas do Douro Internacional Norte é marcante o profundo encaixe da rede fluvial. que gerou um espesso manto de alteração desenvolvido sobre as rochas do substrato. ora com uma mica dominante. Nesse período. As condições climáticas variaram desde clima tropical. denominado Maciço Hespérico. Os processos orogénicos variscos formaram. No início do Cenozóico (65 Ma). actualmente reconhecida nas cristas quartzíticas dos cimos de Mogadouro (serras de Figueira. que favoreceu intensa erosão e permitiu a remoção desse manto e o desenvolvimento de nova aplanação. a atividade tectónica associada à Orogenia Alpina condicionou o movimento dos blocos e originou um novo ciclo erosivo. tonalitosgranodioritos sin-D3. pertencentes à bordadura NW do domo granítico de Tormes e cuja instalação terá ocorrido em dois episódios magmáticos principais a intrusão inicial de fácies menos ácidas. à tectónica e ao clima. e aplito-pegmatitos. Santiago. correspondente à Superfície Fundamental da Meseta.a tardi-D3 .ª fase de deformação da orogenia varisca e cuja instalação foi condicionada pela faixa de cisalhamento de Vivero-Ifanes e iv) granitóides de duas micas. 1997). originando-se um espetacular contraste paisagístico entre a vasta superfície de aplanamento cenozóica. entre 316-313 Ma com diversos granitos. A origem da Meseta é complexa e reflete todos os processos geológicos associados à evolução do Maciço Hespérico. a um clima árido. entre 319-317 Ma. Nesta região a paisagem é dominada por escarpas abrutas e vigorosas talhadas no Planalto Transmontano cortando rochas graníticas duras nas quais o rio originou por vezes paredes verticais. a Superfície Fundamental da Meseta. a bacia inicial do Douro é 3 .

para uma bacia de tipo exorreica (Pereira. Os movimentos verticais persistiram. com consequente entalhe do perfil em forma de canhão e declives abrutos. (temperatura média anual superior a 14 oC e precipitação inferior a 600 mm).1. nomeadamente em Picote e Miranda do Douro. de tipo endorreico. elevando a superfície geral até à cota de cerca de 700 m na região NE do Douro. Com os reajustamentos tectónicos alpinos. a cotas mais baixas. Esquema da evolução do relevo do Maciço Hespérico (Adapt. 1997). Fig. O canhão fluvial e as Arribas do Rio Douro apresentamse de forma vigorosa na região a visitar. Este evento origina um acentuado desnível. Há porém uma estreita faixa ao longo do rio Douro e a Sul de Miranda. o Planalto de Miranda-Mogadouro insere-se na sua maioria na designada Terra Fria de Planalto. com uma drenagem fluvial associada. com cota inferior a 700 m. situações em que a vinha e o olival assumem particular importância. fortemente condicionado pela fraturação. e na Terra Quente Duriense. passando. causando um aumento da atividade erosiva dos rios. junto à fronteira (Cabral 1995).5 e 14 oC e precipitação entre valores inferiores a 600 mm até 800 mm). caracterizada por uma temperatura média anual entre 10 e 12. a drenagem fluvial atlântica remontante captura a bacia Terciária endorreica do Douro. de Cabral 1995) PROPRIEDADES DOS SOLOS Segundo Agroconsultores e COBA (1991). a partir desse período. 4 . inserida nas chamadas Arribas do Douro e enquadrada na Terra de Transição (temperatura média anual entre 12. com o traçado do rio talhado essencialmente em rochas graníticas.5 oC e uma precipitação média anual que oscila entre valores inferiores a 600 mm (F5) até 1000 mm (F3 e F4). no final do Pliocénico. regionalmente designados como Arribas do Douro (Figura 1).A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte considerada intracontinental.

o que justifica a existência de indústria cerâmica na região. derivados de materiais não consolidados. tipo coluviões. (c) Leptossolos dístricos de xistos (Idox) e (d) Leptossolos dístricos de granitos e rochas afins (Idog). de perfil ACR. de meteorização mais ou menos intensa de minerais primários. com perfil ABwCR (Ap se cultivados). Estas unidades-solo assumem a maior importância. onde domina areia fina e algum limo. Picote. de perfil ApBtC. ao relevo. nos primeiros e a areia grossa nos segundos e igualmente pobres em MO. nos dois casos. complementando as 5 . (Ap. Bemposta e Peredo. de Sendim. se cultivados). com saturação em água durante grande parte do ano. correspondentes a solos situados ao longo de margens de linhas de água derivados de aluviões. com texturas grosseiras e pedregosos. 1991): (a) Alissolos háplicos de sedimentos não consolidados (Uhs). Trata-se de solos derivados de sedimentos. a área a visitar. tratando-se neste caso de solos com espessura superior a 50 cm. ácidos e pobres em matéria orgânica. com mobilização e movimentação de terras e suportados por muros. Ocorrem nas áreas mais declivosas ou convexas.Sob o ponto de vista litológico. câmbico. também ácidos e pobres em MO. neste caso com menos domínio de areia grossa e mais areia fina e limo. essencialmente de quartzo e material fino. exposição e actividade humana originaram quatro unidadessolo dominantes nessa área (Agroconsultores e COBA. Estes materiais associados ao clima da região. idênticos aos já referidos derivados de granitos. com horizonte Ap de textura grosseira e cascalhentos. Considerando os dois requisitos mais importantes na relação solo-vinha disponibilidade de água e disponibilidade de nutrientes e. a que se associam outras com menor representatividade que se discriminam: (i) Cambissolos dístricos órticos e crómicos de xistos (respectivamente Bdox e Bdxx). por vezes com elevada proporção de argila. assenta em três tipos fundamentais de materiais: (1) sedimentos não consolidados com material grosseiro rolado. ácidos. (iv) Fluvissolos dístricos gleicos de aluviões (Jdga). com um horizonte sub-superficial. correspondentes a áreas de terraços construídos pelo homem. com formação de argila e óxidos. solos formados em fundos de encostas ou pequenos vales. (iii) Antrossolos áricos terrácicos dístricos de xistos (Tatdx). (3) granitos e materiais de contacto xisto-granito. estes geralmente ocupados com lameiros. solos com a rocha dura a menos de 50 cm de profundidade. Fermoselle. horizonte sub-superficial Bt rico em argila. (b) Cambissolos dístricos derivados de granitos e rochas afins (Bdog). mais sujeitos a erosão. (ii) Regossolos dístricos de xistos (Rdx). (2) xistos metamorfisados do Complexo Xisto-Grauváquico e do Silúrico.

Em pequenas manchas com sedimentos mais finos a argila atinge valores bastante elevados (20 a 40 %).4 a 1. domínio de areia grossa sobre a fina no caso dos solos derivados de granitos e geralmente baixos teores em limo e em argila. face aos baixos teores de MO e de argila. Ca e Mg. estrutura pouco estável.5). os solos apresentam texturas maioritariamente franco-arenosas. no caso dos solos derivados de xistos e. P.A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte informações colhidas na Carta de Solos do NE do País. muito dependente da espessura do solo e da topografia. mas neste caso pouco disponível e. baixa disponibilidade hídrica. ao invés.4). 6 . a capacidade de retenção de água é geralmente baixa. representativas da área a visitar. baixa disponibilidade de N. sendo mais elevada nas texturas com domínio de areia fina e ainda maior na presença de elevado teor em argila. geralmente baixos valores de bases de troca (3 a 7 cmolc+kg-1). Como tal. geralmente baixos valores de P2O5 extratável e valores muito elevados de K2O extratável. A baixa disponibilidade hídrica. sempre muito condicionada pela espessura do solo. com domínio de areia fina sobre a grossa. maioritariamente pouco ácidos (pH em H2O 5. observam-se baixos valores de MO (0. fazem-se as seguintes considerações: 1. associada ao clima da região deverão estar muito relacionadas com o tipo de condução das vinhas antigas. o que deverá ser corrigido com a utilização de fertilizantes doseados adequadamente a cada situação. de baixo porte. com resultados de amostras de solos agora colhidas em diferentes vinhas.6 a 6. 2. elevado grau de saturação em bases. apontam-se como principais limitações. Relativamente a propriedades químicas. Face aos resultados obtidos da análise dos solos e considerando as características morfológicas dos mesmos. Relativamente a propriedades físicas.

20 0.3 9.0 12.08 AT SBT 0.0 11.24 0.32 3.0 1.O.5 0.-R.24 0.61 2.4 franco-arenoso 96.02 4.2 0.5 franco-arenoso 96.38 1.6 0.1 franco-arenoso 98.96 0.1 15.56 0.5 0.56 0.4 0.1 11.48 0.23 0.8 11.Resultados analíticos de amostras de solos de vinhas incluídas na visita de campo Dia Paragem 1º/2ª 1º/3ª a 1º/3ª b 1º/3ª b 1º/3ª b 2º/1ª 2º/1ª 2º/3ª 2º/4ª 2º/4ª Localização Picote Sendim-Saida p/Picote Sendim-sedimentos Sendim-Barreiro Sendim-Barreiro Fermoselhe-vinha velha Fazenda de Unamuno Bemposta Peredo 1 Peredo 2 Profund 0-20 0-20 0-20 0-20 30-50 0-20 0-20 0-20 0-20 0-20 pH M.12 0.6 franco-arenoso 95.4 28.2 45.18 3.95 48 300 6.38 1. (mg/kg) H2O % g/kg P2O5 K2O 5.33 5.6 52.7 20.34 11 214 5.80 2.3 13.09 0.22 0.2 1.18 0.8 11.03 0.7 14.07 187 480 Ca Mg 1.2 1.45 0.12 0.24 1.42 0.7 1.1 8. N tot E.6 franco-arenoso 94.2 0.2 franco-arenoso .73 85 324 6.39 0.3 40.1 0.9 0.21 0.30 11.26 0.56 61 192 5.8 franco-argilo-arenoso 94.58 2.0 33.2 15.1 46.QUADRO I .0 31.8 0.37 3.72 0.1 59.24 54 456 5.16 8.04 296 204 6.4 franco-arenoso 87.42 0.4 21.67 2.83 0.5 21.5 0.5 1.07 0.21 3.6 9.5 0.1 55.16 0.25 0.5 33.40 0.08 0.4 0.67 4.14 0.15 7.5 61.16 0.15 3.6 GSB Ar gros Ar fina Limo Argila classificação % % 81.36 0.93 1.2 11.2 10.5 12.1 64.92 0.52 5.9 8.84 4.8 8.79 3.7 15.6 0.5 franco-arenoso 97.3 10.16 7 233 5.65 240 288 5.0 franco-arenoso 80.10 0.24 2.7 0.4 45.4 11.29 18 204 4.1 9.24 0.67 7 K Na cmol+/kg 0.6 26.8 37.56 2.4 34.17 4.

8 .A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte Carta geológica das Arribas do Douro Internacional Norte com a localização das paragens a efectuar em Portugal.

Legenda da carta geológica das Arribas do Douro Internacional Norte 9 .

Fig. maiores teores em areia fina e por vezes teores elevados em argila. Figura 1. existem diversos depósitos sedimentares do Miocénico (3 e 3a . com alguns topónimos direta ou indiretamente ligados a estes depósitos como seixo.1 a 11. barreiro.9). barreirais. próximo de Sendim. e cobertos por material quartzítico ou quartzoso. Os valores de MO continuam muito baixos. Sobre alguns depósitos existem vinhas que se desenvolvem sobretudo junto à antiga estação de caminho de ferro e na zona da Marriella.A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte Paragem 1a . exceptuando o elevado teor em K2O. respectivamente muito baixos e elevados a muito elevados e valores de bases de troca a variar entre muito baixo e médio (2. cascalho. rolado ou boleado. etc. teores de P2O5 e K2O extractáveis. São pormenorizadamente descritos por Pereira (1997) na sua tese de doutoramento distribuindo-se pelas formações sedimentares de Bragança e da Aveleda. Face às suas características. junto ao IC5. o que se traduz em menores teores em areia grossa. 1b e c). 10 . devendo ser corrigidos caso a caso consoante os valores observados. Os solos destas vinhas são originários de sedimentos (Fig.8 e 5.Barreiros de Sendim e vinhas nos sedimentos cenozóicos. apresentam maior capacidade de retenção de água.Arredores da antiga estação de caminhos-de-ferro de Sendim Na zona planáltica de Sendim. mostram-se globalmente pobres e com alguma variabilidade. 1a) que se constituem a cobertura e se estendem pelo Planalto Mirândes. embora para valores elevados de argila a sua disponibilidade seja menor que nas texturas grosseiras com domínio de areia fina e no tocante à natureza química. ácidos a sub-ácidos (pH H2O entre 4.0 cmolc+kg-1).

Paragem 2. por vezes migmatizadas. Os solos desta vinha (Figura 2).5). constitui um dos Locais de Interesse Geológico do tipo panorama mais caraterísticos das Arribas do Douro. o que se traduz em menores teores em areia grossa e maiores teores em areia fina do que os solos da paragem anterior. Apresentam igualmente valores muito baixos de MO. entre Barca D´Alva e Paradela. exceptuando o elevado teor em K2O. sub-ácidos (pH H2O 5. Do local avista-se uma ampla 11 . o que se traduz em menores teores em areia grossa e maiores teores em areia fina do que os solos da paragem anterior. Corresponde a um típico canhão fluvial do rio Douro.5). muito baixo no primeiro e muito elevado no segundo e baixo valor de bases de troca. Face às suas características. apresentam maior capacidade de retenção de água que os anteriores e no tocante à sua natureza química. teores de P2O5 e K2O extractáveis. são originários de xistos. apresentam maior capacidade de retenção de água que os anteriores e no tocante à sua natureza química. exceptuando o elevado teor em K2O. situado na aldeia de Picote. no alto da escarpa do Canhão do Rio Douro. Apresentam igualmente valores muito baixos de MO. Picote – Miradouro da Penha do Puio O miradouro da Penha do Puio.Estrada nacional entre o cruzamento de Picote e Sendim A grande maioria das vinhas da freguesia de Sendim localiza-se sobre rochas metassedimentares. muito baixo no primeiro e muito elevado no segundo e baixo valor de bases de troca.Paragem 1b. mostram-se globalmente pobres. mostram-se globalmente pobres. Figura 2 – Vinhas junto à estrada nacional entre Picote e Sendim Os solos desta vinha são originários de xistos. Face às suas características. sub-ácidos (pH H2O 5. teores de P2O5 e K2O extractáveis.

quase verticais em alguns locais. que se observa em frente do miradouro em território espanhol e continuando para a região portuguesa do Planalto Mirandês (2 .6 e 9. 4) situada um pouco a montante do miradouro da Penha do Puio. exceptuando K. 3). As escarpas graníticas do canhão fluvial do rio Douro. apresentam um nível médio de P 2O5 e muito elevado em K2O extractáveis (respectivamente 54 e 456 mg kg-1). apresentam uma textura grosseira. Estas características conferem a estes solos uma baixa capacidade de retenção de água e de fornecimento em nutrientes. o alinhamento rectilíneo do canal fluvial do Rio Douro. Figura 3 – Rio Douro. O miradouro da Penha do Puio. Lemos 2003). Conforme os resultados do quadro. 12 .A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte superfície planáltica – a Superfície Fundamental da Meseta. em termos de flora e fauna naturais.36 %). profundamente encaixado no planalto. com fraturas dominantes orientadas NE-SW e NNW-SSE. com elevado domínio de areia grossa e baixo teor em argila (respectivamente 52. pH ácido e um valor de soma de bases muito baixo.4 %). representada por uma enorme variedade de aspetos geológicos e geomorfológicos. no Remanso. Sob o ponto de vista químico. localizado no PNDI. Na lage granítica do miradouro foi encontrada uma gravuras da Idade do Ferro . são um suporte excelente para a biodiversidade.o Caçador de Picote (Sanches e Pinto 2002. e a Biodiversidade. os solos de uma vinha (Fig. É também evidente na paisagem.Fig. condicionado pela fraturação regional do maciço granítico. o que mostra a sua origem de materiais graníticos e um nível de MO muito baixo (0. evidencia claramente a ligação entre a Geodiversidade. do lado direito. como o abutre do Egipto e a cegonha negra. Este local possui um importante património florístico e habitats para a nidificação de várias espécies selvagens. e Superfície Fundamental da Meseta.

5 e 6a e b). certamente devido a correcção com calcário. sendo ácido o solo da vinha velha e pouco ácido o da Hacienda Unamuno. um numa vinha velha e outro na Hacienda Unamuno (Fig. com textura franco arenosa e elevado teor em areia grossa. Do ponto de vista geológico destacam-se os afloramentos rochosos que salpicam a vinha num substrato granítico e gnaíssico. o solo terá sofrido mobilização profunda antes da plantação e a vinha é regada.Figura 4 – Vinha entre Picote e o Barrocal. observando-se restos da rocha original e restos de feldspatos soltos. com o aumento da altura das cepas. revelam características físicas algo semelhantes. valores de P2O5 e K2O a variar entre o médio e o muito elevado e valores baixos de bases de troca. Quimicamente. com luxuoso hotel e adega.Hacienda Zorita Natural Reserve (Hacienda Unamuno) Na estrada (CL-527) de Zamora-Fermoselle ao km 56. próximo da presa de Almendra. certamente que a vinha sofreria de défice hídrico estival. 13 . localiza-se a Fazenda Zorita. A amostragem de dois solos em Fermoselle. envolta num terreno de 70 hectares plantado de vinhas. Na Hacienda Unamuno a vinha é conduzida em cordão. mostrando a origem granítica dos solos. ambos os solos apresentam baixo valor em MO. pois de contrário. Paragem 3 .

Carta geológica da região de Fermoselle (IGME.A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte Figura 5. 14 . 2000) com a localização das paragens a efectuar em Espanha.

como é o caso de Picote e Fermoselle. Urraca Ao longo de séculos os habitantes das Arribas do Douro demostraram una luta tenaz para uma adaptação perfeita ao meio natural. b) Vinha Paragem 4 . concentradas sobretudo na Calle Requejo (Fig. oliveira e da vinha.Figura 6 – a) Hacienda Zorita (Unamuno). desenvolveram socalcos ou bancales. deixando como vestígios restos de antigos castros. . De salientar as magníficas bodegas cavadas no subsolo sob o povo de Fermoselle. autênticos labirintos subterrâneos. representam os lugares estratégicos preferidos para a localização dos povos desde a pré-história. Os plutões graníticos. Figura 7 . Os declives abrutos na bordadura do canhão criaram condições naturais de defesa aos primeiros povos que habitaram a região.Povo de Fermoselle localizado sobre a cúpula granítica e bodegas.bodegas e miradouro Castelo D. Assim.Fermoselle . aproveitando seletivamente o substrato rochoso relativamente mais brando. Nos terrenos metassedimentares a morfologia mais suave das vertentes associada às condições climáticas locais permite uma actividade agrícola importante com o cultivo de amendoeira.7). para vencer o elevado declive das ladeiras.

& PINTO. 1 .Sedimentologia e Estratigrafia do Cenozóico de Trás-os-Montes oriental (NE Portugal).Ciências e Técnicas do Património. Braga. ISSN 0213-683X CABRAL J.A Geologia na Rota da Vinha e do Vinho Arribas do Douro Internacional Norte Paragem 5 . Tese de Doutoramento. IGME (2000).Fermoselle LEMOS F. II. SANCHES.Bodegas de Urrós Em Urrós nas imediações da aldeia situa-se a W um conjunto de cerca de 20 pequenas bodegas.. LORETO E MUÑOZ MARTÍN. Lisboa.º 31. Universidade do Minho. pp. ALFONSO (2007) Controles tectónicos y estructurales de la incisión fluvial en el centro-oeste de la Cuenca del Duero. D. 2003.. NO de Iberia. Revista da Faculdade de Letras. Dissertação de doutoramento. Vol. do Minho. I. 43 . «Património Geológico do Parque Natural do Douro Internacional (NE de Portugal): caracterização de locais de interesse geológico». pp. D. cavadas na rocha granítica.. Fagundo. Geogaceta. 265 p. 51-72. I. Carta do Uso Actual da Terra e Carta de Aptidão da Terra do Nordeste de Portugal. M. C. Univ. 341 p. I Série. Ciências da Terra. Estudo de uma estação com arte rupestre no Parque do Douro Internacional. junto ao Ribeiro do Valado na zona de contacto entre granito e uma lentícula de xistos. 1993. CASTRO P. PEREIRA D. DIAS G. Número especial. S. ALVES.. vol.. 2002. O Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental. 16 . PEREIRA. 51-54. (1997) . BRILHA J. ANTÓN LÓPEZ. FERREIRA N. junto às ruínas da capela de S. Na aldeia encontraram-se importantes vestígios arqueológicos nomeadamente sepulturas antropomórficas de características paleocristãs.8).. M. UTAD-PDRITM . 1995.J.. «Neotectónica em Portugal Continental». Figura 8. (UNL). V CD-ROM. O Arqueiro da Fraga do Puio (Picote-Miranda do Douro). 140-142. enquanto a Este também em zonas de contacto se localizam mais dois conjuntos de 4 e 3 bodegas (Fig.Mapa geológico de España E: 1:50 000 Folha: 423 .B.. Memórias do Instituto Geológico Mineiro. n.Ribeira do Valado e entrada de uma bodega em Urrós REFERÊNCIAS: AGROCONSULTORES & COBA (1991) Carta dos Solos.