SETEMBRO - OUTUBRO DE 2008

ISSN 0970 5074

índia
Perspectivas

“ I am a great, fantastic accident of being the right person at the right place
at the right time. That is the description of my success...

A edição nas línguas indianas
INDRA NATH CHOUDHURI

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Editorial
Recentemente, os autores indianos estão na moda nos círculos internacionais. Vikram Seth e Salman Rushdie, Shashi Tharoor e Amitav Ghosh, Shobhaa De e Jhumpa Lahiri. A lista está sempre a crescer. É importante ter em mente também que todos esses nomes são autores que escrevem directamente em inglês. Há muitos anos, mais precisamente em 1912, um escritor relativamente desconhecido de 51 anos decidiu tentar traduzir algumas das suas obras durante uma viagem a Londres para passar o tempo. Escreveu as suas traduções num caderno. A lenda reza que um dia, ao descer de um comboio do metropolitano de Londres, deixou para trás a sua pasta, que continha o caderno. A pasta foi encontrada por alguém. Alguns meses mais tarde, as rascunhas da tradução eram vistas por W.B. Yeats, que ficou encantado. Todos nós sabemos o resto da história. Em 1913 esse escritor recebeu o Prémio Nobel para a Literatura. O seu nome era Rabindranath Tagore. Diz-se que Tagore talvez nunca teria recebido o prémio, e assim nem teria sido reconhecido internacionalmente, se as suas obras não fossem disponíveis na língua inglesa. A chave, então, foi as traduções e a disponibilidade das obras indianas na língua inglesa. Sem traduções, um vasto espólio de literatura indiana continua escondida do mundo. Isso é verdade para outras línguas internacionais também. Imaginem se não tivéssemos as traduções das obras de Hermann Hesse e de Pablo Neruda, de Gabriel Marquez e de Paulo Coelho! A indústria da edição na Índia fez muito progresso ao longo dos passados 60 anos. Hoje, mais que 90.000 livros em inglês e outras línguas indianas são publicados anualmente na Índia, dos quais apenas 20% representam edições na língua inglesa. Quer dizer, aquilo que está disponível aos leitores como “a literatura contemporânea indiana” é apenas uma fracção da produção total. Este número especial oferece um vislumbre do mundo da edição na Índia.
“ I am a great, fantastic accident of being the right person at the right place
at the right time. That is the description of my success...

A ficção indiana
K. SATCHIDANANDAN

A edição na área das humanidades e das ciências sociais
SRIDHAR BALAN

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Arroz, caril e outras coisas boas
KISHORE SINGH

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Perspectivas
SETEMBRO - OUTUBRO DE 2008 Volume 22, No. 5

Os livros educacionais
AJAY SHUKLA

O mundo de edição na Índia: sempre a melhorar Um escritor e o seu atelier
TIRTHANKAR GHOSH D.N. MALHOTRA

Editor

Amit Dasgupta
Sub-Editor

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Neelu Rohra
Editor de consultoria

Os livros de Bollywood!
SURESH KOHLI

A herança de Mahatma Gandhi
EDITOR

Newsline Publications Pvt Ltd, C-15, Sector-6, Noida-201301
A Índia Perspectivas é publicada mensalmente em inglês, francês, alemão, espanhol, português, russo, cingalês, língua indonésia, persa, árabe, pashto, urdu, hindi, bengalês e tamil. As ideias exprimidas nos artigos pertencem aos contribuidores e não necessáriamente a Índia Perspectivas. Todos os artigos originais e re-impressões podem ser livremente reproduzidos com reconhecimentos. As contribuições editoriais e cartas devem ser enviadas para o Editor da Índia Perspectivas, 140 ‘A’ Wing, Shastri Bhawan, New Delhi-110001. Telefones: +91-11-2338 9471, 2338 8873 Fax: +91-11-2338 5549 E-mail: jspd@mea.gov.in Sítio: http://www.meaindia.nic.in Para obter um exemplar de Índia Perspectivas por favor entre em contacto com a embaixada indiana no seu país. Este número foi publicado para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Nova Deli, por Parvati Sen Vyas, Secretária Especial da Divisão da Diplomacia Pública. Desenho e impressão por Ajanta Offset & Packagings Ltd., Delhi-110052.

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A literatura infantil
PARO ANAND

Uma história concisa dos livros ilustrados
KISHORE SINGH

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A indústria indiana de impressão
VIREN CHHABRA

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As leis dos direitos de autor na Índia

A feira internacional do livro de Nova Deli
NUZHAT HASSAN

Amit Dasgupta Nova Deli, Setembro de 2008

A magia em palavras e imagens
ANANT PAI

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Os livros da nova idade
S.K. GHAI

A edição nas línguas indianas
INDRA NATH CHOUDHURI

A indústria de edição na Índia já viu um crescimento rápido e estável. Mesmo assim, é necessário melhorar as publicações nas línguas regionais indianas, que precisam de uma abordagem mais profissional.

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edição nas línguas indianas assome uma grande importância devido à ênfase no alfabetismo e a enorme explosão de conhecimento que estamos a ver hoje em dia em todo o mundo. O crescimento da indústria de edição foi espectacular e segundo as estatísticas oficiais, 82.537 livros eram publicados em todas as línguas indianas, incluindo o inglês, em 2005. As obras eram publicadas por 16.000 editoras. Segundo essas estatísticas, as edições em inglês, limitadas à algumas cidades metropolitanas, representam apenas cerca de 20% de todos os livros publicados na Índia. Ainda assim, acredita-se – erroneamente – que a edição na língua inglesa representa toda a edição indiana. Esse facto impede uma verdadeira avaliação das publicações nas 22 línguas indianas reconhecidas pela Constituição da Índia. Ao olharmos às estatísticas para o ano de 2005 segundo as várias línguas, podemos ver que o maior número de livros são publicados em hindi, cerca de 25% de todas as edições em todas as línguas. O inglês segue com 20%. A seguir há um grupo de seis línguas: bengali, malaiala,

marati, língua guzerate, tâmul e telugu. Depois disso, as seguintes cinco línguas – à base do número de livros publicados – seriam assamês, canarês, oriá, punjabi e urdu. Em seguida, há mais quatro línguas: kashmiri, dogri, concanim e sindhi. Finalmente, a última língua na lista é o sânscrito. Se olharmos às estatísticas sobre os leitores, mais uma vez há números íncriveis: há mais que 3.306 universidades, numerosas faculdades e escolas, e dezenas de milhares de instituições particulares que nunca foram enumeradas. Para além disso, há toda a população adulta de milhões de pessoas que lêem e compram toda a variedade de livros. As editoras indianas fornecem livros não apenas para o sector organizado e educado e para bibliófilos jovens e adultos, mas também para os neo-alfabetas e os analfabetos, que compram os livros para que outras pessoas possam ler as obras em voz alta para eles.
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Mesmo com uma taxa de alfabetismo de 65%, a Índia tem uma vasta população cuja sede para obras para ler não pode ser saciada suficientemente com os livros que estão a ser publicados anualmente. Para colmatar essa lacuna, as editoras indianas começaram a publicar livros nas línguas indianas porque 80% da procura para os livros está nas línguas regionais. Uma nação que lê é uma nação iluminada e uma tal sociedade vai, sem dúvida, criar um lugar de honra para si na comunidade das nações. Aliás, para dar significado aos ideais da independência indiana através da educação para todos, é necessário encorajar a edição nas línguas indianas. A promoção do hábito de ler bons livros é uma parte essencial da produção de livros. A Declaração de Londres “Para Uma Sociedade de Leitores”, que foi adoptada no Congresso Mundial dos Livros da UNESCO em 1982 realça que, “Procuramos um mundo em que
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a habilidade de ler e a vontade e o desejo de gozar dos frutos da leitura são procurados por todas as sociedades. Procuramos um mundo onde há livros para todos mas também um mundo onde todos sabem ler e todos aceitam os livros e a leitura como uma parte desejável da vida quotidiana. Procuramos não apenas um mundo onde todos podem ler mas uma sociedade universal.” À base dessa tese, a UNESCO declarou que mesmo para o progresso económico e social todos os países em via de desenvolvimento deviam dar prioridade ao alfabetismo e à educação e para isso deviam encorajar a indústria de edição nacionalmente. O mundo da edição em línguas indianas ainda não desenvolveu o seu próprio conceito embora nas seis décadas depois da independência a indústria de edição nas línguas indianas cresceu bastante em termos de obras publicadas e desenvolvimento comercial. Hoje em dia, a indústria indiana de edição é uma das maiores do mundo e a Índia conta-se entre as
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primeiras sete nações do mundo em termos de produção literária. Todavia, o profissionalismo ainda não faz parte da indústria. A proporção entre os produtores e os consumidores é errática. Não há nenhuma investigação para descobrir os gostos dos leitores. A indústria depende das vendas estatais e há pouca procura dos consumidores individuais. Todavia, a feira do livro de Calcutá, que recebe mais que três milhões de bibliófilos ano após ano, com vendas de mais que $ 568.181,82 por dia (durante os 10-12 dias da feira) refuta redondamente essa tese. O panorama geral parece sugerir que mais livros sérios sobre as teorias políticas, os assuntos científicos, a ficção científica e a história serão procurados no futuro nas línguas indianas. Também se prevê que livros sobre assuntos como as redes de comunicações, a ciência, a economia ambiental e os comportamentos serão procurados. Aliás, a engenharia social já é o assunto do dia, para além da indologia e da continuidade espiritual.
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As perspectivas dos livros de capa mole e os livros electrónicos também estão a melhorar todos os dias. Durante as últimas duas décadas, a revolução das comunicações já mudou as perspectivas e os estilos de vida das pessoas tanto no mundo desenvolvido como em países em via de desenvolvimento. Todavia, lidar com a revolução da informática já criou mais problemas que soluções, especialmente no sector da educação, da educação infantil e da literatura. No meio desta loucura de informação, o mercado foi inundado por livros de trivialidades e livros de conhecimento geral disseminando informação numa língua estrangeira, que não toca às mentes das crianças. Como resultado, a maioria desse conhecimento é irrelevante para elas. Hoje em dia as crianças estão sobrecarregadas de informação mas têm poucos conhecimentos. Precisam do apoio de boa literatura, especialmente criada para elas, considerando as suas necessidades. Segundo uma

estimativa, cerca de 10.000 títulos para crianças são publicados todos os anos em inglês e em todas as línguas indianas juntamente. Esse número é insuficiente, considerando que há mais que um milhão de escolas primárias na Índia. É essencial que haja profissionalismo e actividades organizadas na área de edição nas línguas indianas. Um elo fraco na cadeia de edição nas línguas indianas é a redacção dos manuscritos e a perícia no sector da produção e da comercialização. Diz-se que no universo de edição nas línguas indianas começamos com a publicação e acabamos com a publicação, sem fazer muita coisa antes ou depois. Introduzir um elemento de professionalismo pode ser uma grande ajuda para resolver todos esses assuntos no mundo de edição nas línguas indianas. Um aspecto muito importante é que no ocidente, acreditase geralmente que a literatura indiana em inglês seja a verdadeira literatura indiana quando, de
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facto, é apenas uma fracção de toda a produção literária. Muitos indianos também têm poucos conhecimentos sobre a literatura escrita em línguas para além da sua própria língua materna. Todavia, pode-se notar um crescimento da tradução plurilingual no país embora ainda não teve um grande impacto. A indústria indiana de edição nas línguas regionais precisa de focar nas traduções entre as línguas indianas como também nas traduções para o inglês para o enorme mercado anglófono. Já podemos ver tradutores explorando as maneiras em que a língua inglesa pode ser expandida para conter “expressões autênticas indianas”. Sem criar conhecimentos sobre a nossa literatura dentro da Índia, não podemos pensar em promover a nossa literatura no estrangeiro. Ao mesmo tempo, podemos tentar aumentar os nossos próprios gostos literários, que é um objectivo literário ligado com o desenvolvimento de um aparelho crítico que pode ajudar a colocar a nossa literatura ao lado da literatura dos países ocidentais. Só então é que os leitores ocidentais vão olhar para além da tradução como uma curiosidade colonial e aceitá-la como uma disciplina comparativa – que continua a coexistir simultaneamente na prática europeia ainda hoje – e compreender verdadeiramente a literatura indiana.
◆ O autor leccionava em universidades na Índia e no estrangeiro e foi o secretário da Sahitya Akademi (Academia Nacional das Letras da Índia).

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A ficção indiana
UM NOVO PANORAMA
K. SATCHIDANANDAN

A ficção indiana, fruto do casamento entre a forma tradicional de contar histórias e a ficção ocidental do século XIX, já se desenvolveu muito.
sempre inventiva imaginação indiana já teceu uma tela eterna de histórias desde as brumas do tempo, desde as histórias folclóricas das tribos e as fábulas do Panchatantra, as histórias de Brihatkatha, Brihatkathamanjari, os contos do Jataka e as histórias de Vikramaditya aos romances e as histórias dos nossos tempos turbulentos. A ficção moderna na Índia desenvolveu a partir da interacção entre as tradições indianas de contar histórias e a

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ficção ocidental, especialmente a ficção britânica, do século XIX. Apesar da afirmação de Milan Kundera que o romance é essencialmente uma forma europeia, os romancistas indianos já lidam com esse género com grande êxito e mestria. Asseguraram que os romances e, a um nível menor, os contos, sejam a principal maneira de articular a sua visão da vida e da sociedade. Na época pós-colonial, a ficção indiana, tanto nas línguas indianas como em inglês, iniciou

um processo de renovação em termos de conteúdo e de forma, numa tentativa de compreender as profundas contradições das novas realidades sociais, políticas e psicológicas na Índia, que estão a mudar rapidamente. Reflecte os novos hábitos e os novos modos de percepção e um dinamismo social desencadeado pelo facto que as secções de sociedade que eram marginalizadas até agora estão mais activas em termos democráticos. Enquanto o novo romance indiano em inglês já atraiu um público internacional, cada vez mais romances escritos nas línguas regionais também estão a ser traduzidos para o inglês e para outras línguas europeias. A feira do livro de Francoforte de 2006 teve a Índia como o país convidado pela segunda vez e a feira do livro de Paris a seguir também realçou a literatura indiana. Ambas

feiras demonstraram o novo entusiasmo que a ficção indiana gerou entre os leitores e as editoras no ocidente. Já é um estereótipo das recensões críticas dizer que os romancistas do assim chamado terceiro mundo “narram a nação”. Todavia, ao olharmos de mais perto, descobrimos que os romancistas não narram uma, mas muitas nações, cada um imaginando a nação e recriando-a à sua maneira pessoal. Muitas vezes, introduzem uma multiplicidade de perspectivas, através de uma variedade de personagens dos diferentes estratos da sociedade. Uma escritora e activista de Bengala como Mahasweta Devi ou um autor que escreve em assamês como Birendra Kumar Bhattacharya privilegiam a perspectiva tribal (essa escreveu Aranyer Adhikar ou “O direito à floresta” enquanto este escreveu
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Iyyaru Ingam ou “A região do povo”). Um escritor tâmul como Bama, que escreveu Kurukku – que em tâmul quer dizer a parte afiada da folha de palmeira - e Sangati ou “Eventos”, um autor que escreve em marati como Lakshman Gaikwad (Uchalya – o nome de uma tribo nómada cuja principal profissão tradicionalmente é roubar) ou Saran Kumar Limbale (Akkarmashee), um autor do Guzerate como Joseph Macwan (Angaliyat ou “O enteado”), ou um autor que escreve em canarês como Siddalingaiah (Ooru Keri – a autobiografia de um moço de uma casta intocável que vai da pobreza das zonas rurais à capital do estado), ou Devanoor Mahadeva (Kusumabale), ou um escritor de Orissa como Gopinath Mohanty (Paraja ou “O intocável”) ou um autor que escreve em telugu como Unnava Lakshminarayana
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(Malappally ou “O bairro dos intocáveis”) podiam representar a realidade da vida quotidiana da comunidade dos dalits (oprimidos, intocáveis) com seu sentido de desgraça, a sua beleza moral e o seu desejo para a emancipação social. Há também romances regionais onde regiões particulares e as histórias locais estão no centro da atenção, como em Maila Anchal (“O vestido manchado”) de Phaniswar Nath Renu, Adha Gaon (“Uma aldeia dividida”) de Rahi Masoom Raza em hindi, Arogyaniketan (“Laços desconhecidos”) de Tarashankar Bandyopadhyay ou Chomana Dudi (“O tambor de Choma”) de Shivram Karanth ou Bharatipura de U.R. Ananthamurthy em canarês, ou Nalukettu (“A casa ancestral”) de M.T Vasudevan Nair, Oru Desathinte Katha (“A história de uma aldeia”) de S.K. Pottekkaatt, Kayar (“Cairo”) de Thakazhi Sivasankarapillai ou Mayyazippuzhayude Theerangalil (“Nas margens do rio Mayyazhi”) de M. Mukundan em malaiala ou Oru Puliyamaratin Kathai (“A história de um tamarineiro) de Sundararamaswamy em tâmul. A partição da Índia é um tema recorrente na ficção pósliberdade, como em Purab-OPaschim (“Oriente e ocidente”) de Sunil Gangopadhyay em bengali, A Train to Pakistan (“Um comboio para o Paquistão”) de Khushwant Singh em English ou Jhoota Sach (“A verdade falsa”) de Yashpal em hindi ou Aag ka Dariyaa (“O rio de fogo”) de Qurratulain

Hyder em urdu, juntamente com os contos em urdu de Saadat Hasan Manto, Kishan Chandar e Rajinder Singh Bedi. O romance histórico sempre foi um género preferido com os escritores indianos, desde o início. Shyamal Gangopadhyay em bengali (Darashuko), Vrindavan Lal Verma em hindi Jhansi ki Rani (“A rainha de Jhansi”), Masti Venkatesha Iyengar em canarês Chikkaveera Rajendra (“A vida e a luta do rei kodava Chikkaveera Rajendra), Ranjeet Desai em marati Swami (“O mestre”), Surendra Mohanty em oriá Nila Saila (“A montanha azul”) e Viswanatha em telugu Ekavira (“O herói solitário”) são apenas alguns exemplos. Juntamente, tais autores abrangeram um longo período histórico desde o século XII ao presente com uma rara imaginação e perspicacidade histórica. O.V. Vijayan, M. Mukundan, Sethu, N.S. Madhavan e Paul Zacharia em
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malaiala, U.R. Ananthamurthy, Chandrasekhara Kambar e Poornachandra Tejaswi em canarês, Sundararamaswamy e Jayamohan em tâmul, Suresh Joshi em língua guzerate, Bhalchandra Nemade em marati e Nirmal Verma, Krishna Baldev Vaid e Vinod Kumar Shukla em hindi todos contribuíram para a modernização do género através da introdução das complexidades da vida moderna - especialmente a ansiedade e a alienação – e ao inventar novas estruturas e idiomas que melhor exprimem as suas perspectivas frescas mentais sobre a vida. O crescimento em recentes anos do número de escritoras que publicaram obras nas línguas regionais assegurou que os assuntos femininos e as perspectivas das mulheres fossem representados na ficção indiana. Examinam os cânones patriarcais e as práticas literárias, analisam os mitos, reinterpretam

K.P. Ramanunni em malaiala (Jeevitathinte Pusthakam, “O livro da vida”), que já provaram o seu peso como romancistas com talento. Enquanto algumas dessas obras primas estão disponíveis em inglês – graças a editoras como a Sahitya Akademi, a Fundação Nacional do Livro (National Book Trust - NBT), Katha, Macmillan, OUP (Oxford University Press), Penguin, Affiliated East-West, Orient Longman, Rupa, Seagull e outras, a maior parte das excelentes escritas indianas nas línguas regionais ainda estão à espera de serem descobertas pelo mundo. as epopeias e forjam uma contra-língua e estabelecem uma semiótica alternativa do corpo e além. Conhecidas romancistas como Kamala Das, Amrita Pritam, Krishna Sobti, Ashapurna Devi, Ajeet Cour, Lakshmikantamma, Lalitambika Antarjanam, Pratibha Ray, Indira Goswami e Nabaneeta Dev Sen já têm muitas novas e poderosas colegas literárias como Sara Joseph, Gracy e Sitara, que escrevem em malaiala, Ambai de Tamil Nadu, Volga em telugu, Bani Basu de Bengala, Moushmi Kandali de Assam, Sania em marati e Geetanjali Sree em hindi. Há uma inteira nova geração de escritores com talento em todas as línguas indianas, desde Nabarun Bhattacharya em bengali (Herbert) e Alka Saraogi em hindi (Kolikata via Byepass ou “Calcutá através de um desvio”) a Jayamohan em tâmul (Vishnupuram) e A ficção indiana em inglês começou a ter uma maior fama internacional com a publicação de Midnight’s Children (“As crianças de meia-noite”) de Salman Rushdie. Não podemos esquecer das contribuições dos pioneiros como R.K. Narayan, Raja Rao, Bhabani Bhattacharya,

Mulk Raj Anand, Nayantara Sehgal, Anita Desai e outros. Mas houve sem dúvida uma mudança do paradigma com o surgimento de Rushdie, Vikram Seth, Amitav Ghosh, Allan Sealy e Arundhati Roy, que são livres das autodúvidas que parecem ter tormentado os seus antecessores. Esses escritores e outros que se seguiram, como Kiran Nagarkar, Kiran Desai, Rohinton Mistry, Gita Hariharan, Mukul Kesavan, Shama Futehally, Amit Choudhuri, Rukun Advani,Vikram Chandra, Altaf Tyrewala, Shashi Deshpande, Jhumpa Lahiri, Manju Kapur, Ruchir Joshi, Radhika Jha, Hari Kunzru, Anita Nair, Attia Hosain e várious outros autores não pedem desculpas por escrever directamente em inglês. Consideram que o inglês seja uma língua legitimamente indiana e usam-no com grande criatividade e confiança. Partilham os mecanismos e os géneros discursivos com os seus homólogos no mundo anglófono. Se Malgudi Days de R.K. Narayan, Kanthapura de Raja Rao e o God of Small Things (“O deus das pequenas coisas”) de Arundhati Roy são Sthalapuranas ou histórias de sítios específicos, o Trotternama de Allan Sealy segue o padrão do nama ou da crónica indiana. Cuckold de Kiran Nagarkar é uma nova forma de hagiografia, o The Great Indian Novel (“O grande romance indiano”) de Sashi Tharoor é uma epopeia fingida e o Golden Gate de Vikram Seth encaixa-se na tradição
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Uma tradição de excelência
A EDIÇÃO NA ÁREA DAS HUMANIDADES E DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
SRIDHAR BALAN

Durante muito tempo as editoras de obras académicas na Índia – especialmente na área das humanidades e das ciências sociais – enfrentaram tempos difíceis. Mas essa situação já está no passado. Hoje em dia, publicamse muitas obras novas de autores estabelecidos e autores emergentes.
o livro de Upamanyu Chatterjee intitulado ‘English August’, o protagonista Agastya Sen fez um comentário ácido enquanto passeava em frente de duas conhecidas editoras no bairro de Ansari Road em Deli. Ele notou “as enormes montras orgulhosamente a exibir as obras letalmente chatas”. As editoras das obras académicas na Índia, especialmente na área das humanidades e das

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dos versos narrativos. O uso directo das palavras de malaiala no The God of Small Things e a utilização de expressões e provérbios locais juntamente com as tradições e os hábitos das diversas regiões nas obras de Khushwant Singh, Bhabani Bhattacharya, Raja Rao, Kiran Nagarkar, Kiran Desai, Kaveri Nambisan e Vikram Seth indicam um processo de indianização da língua inglesa. Obras como o Midnight’s Children de Salman Rushdie, English August (“Agosto na Inglaterra”) de Upamanyu Chatterjee e Sea of Poppies (“O mar de papoilas”) de Amitav Ghosh demonstram uma tentativa ciente de testar os limites linguísticos. Os novos romancistas interrogam a “puridade” da cultura indiana, aceitam o inglês como parte de uma polifonia do subcontinente e recusam privilegiar nem a tradição nem a modernidade. O leque temático no novo romance

em inglês é surpreendentemente alargado: as fissuras na vida política (Beethoven Among the Cows), as divisões religiosas (The Little Soldier), a emigração (The Glass Palace, A Sea of Poppies), as almas divididas dos imigrantes (Satanic Verses), as perdas profundas (Afternoon Rag), a história pós-colonial (Midnight’s Children, Shame, Trotternama), a celebração da natureza híbrida (Moor’s Last Sigh, The Enchantress of Florence), a questão da identidade (Namesake) e as mudanças nas aldeias indianas (Nectar in a Sieve, Sunlight on a Broken Column) são apenas alguns dos temas principais realçados por estes romancistas. Também se pode ver um novo e mais leve tipo de escrita que raramente se preocupa com o elemento literário no trabalho dos escritores como Chetan Bhagat, Samit Basu e Meenakshi Madhavan. Os blogues, e-revistas
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◆ O autor é um poeta que escreve em malaiala, é um crítico literário bilingue e também foi o secretário do Sahitya Akademi (Academia Nacional das Letras) em Nova Deli.

e a internet estão rapidamente a mudar a natureza das comunicações literárias na Índia. É muito provável que caminhos pouco comuns se abram com as pressões da economia do mercado, a globalização e a homogeneidade forçada das culturas. É provável que a cartografia interior da Índia liberalizada realçará novas questões éticas sobre o nosso comportamento social para com os refugiados, os imigrantes e as populações ainda marginalizadas, como as questões que já foram levantadas por Rana Dasgupta e Kiran Desai nas suas obras recentes.

ciências sociais, foram sempre consideradas como uma raça singular e rara. Um colega na indústria uma vez comentou que as editoras são optimistas incorrigíveis e acho que isso se vê melhor no mundo de edição na área das ciências sociais. Este sector tradicionalmente foi caracterizado por baixas tiragens e margens ainda mais baixas. É quase como cada editora quisesse seguir os seus interesses pessoais

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foi o país parceiro pela segunda vez em Francoforte e isso resultou numa delegação ainda maior de editoras e autores, esta vez acompanhados por um itinerário de lançamentos e discursos por toda a Europa. Esse período viu o florescimento e o desenvolvimento da edição na área das humanidades e das ciências sociais. Os autores estabelecidos produziram novas obras, novos autores foram descobertos e excelentes livros foram publicados. Um aspecto ainda mais singular sobre esse período foi que não eram apenas as grandes editoras como Oxford e Cambridge que cresceram e expandiram os seus catálogos mas muitas novas editoras surgiram durante a última década, como, por exemplo, Permanent Black, Academic Foundation, Yoda Press, 3 Essays Collective, Indialog, Tulika e as editoras feministas como Zubaan e Women Unlimited. Ainda mais

extraordinário é o facto que um conhecido distribuidor como Bahri já se transformou numa editora académica e um conhecido jornalista agora tem um catálogo académico, Imprint One. Quais são as razões para todas essas mudanças? No primeiro lugar, o mercado para esses livros expandiu tanto dentro do país como internacionalmente. Houve uma expansão de instituições académicas superiores em toda a nação e ainda mais instituições vão ser estabelecidas, segundo os recentes discursos do primeiro ministro. A criação de bibliotecas nessas instituições aumentou a procura para os

e houve sempre exemplares a sobrar apesar das tiragens modestas. O cenário parecia exemplificar a observação de Agastya. Durante os anos 70 e no início dos anos 80 do século XX, essas tiragens modestas eram estabelecidas a base das previsões dos departamentos das vendas e isso também para um período de 18 meses. Durante as últimas duas décadas a situação para livros na área das humanidades e das ciências sociais mudou radicalmente e melhorou bastante. Em termos cronológicos, podia-se dizer que esse progresso foi alcançado desde os meados dos anos 80 do século XX até hoje. A Índia foi o país convidado na feira do livro de Francoforte pela primeira vez em 1986. Nessa ocasião uma delegação grande de editoras académicas assistiu ao evento, juntamente com um leque impressionante de autores. Todos foram recebidos muito calorosamente. Em 2006, a Índia
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livros académicos. Segundo, há muita produção académica tanto nacional como internacional sobre a Índia. Antes, quando as nossas instituições estavam numa fase nascente, os estudos académicos eram promovidos através dos departamentos específicos nas universidades estrangeiras. Hoje em dia, os nossos autores são estudiosos conhecidos internacionalmente na área das ciências sociais e muitos são professores catedráticos em países estrangeiros. Terceiro, há muita mais visibilidade para os nossos livros académicos nas prateleiras das livrarias. Na medida em que as editoras expandem os seus catálogos para incluir tanto livros

académicos como livros gerais na área das humanidades e das ciências sociais, descobrem que os livros são bem aceites nas livrarias mais importantes. Quarto, há muita mais visibilidade na imprensa através das recensões e da publicação de excertos. Quinto, as editoras académicas conseguiram aproveitar de um mercado de exportação que está a crescer cada vez mais. Finalmente, a tecnologia ajudou a melhorar a nossa qualidade de produção e, como resultado, os nossos livros são produzidos e desenhados mais elegantemente. A nova tecnologia de “impressãosob-encomenda” assegura que um livro académico nunca vai estar

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fora da circulação enquanto esteja num formato digital. A contribuição de autores indianos na área das humanidades e das ciências sociais melhorou substancialmente os conhecimentos modernos nessas áreas e luziu a sua reputação académica tanto na Índia como no estrangeiro. Deve-se mencionar as contribuições de estudiosos como Amartya Sen, Sukhamoy Chakravarty, K.N. Raj, Amit Bhaduri e Kaushik Basu na área da economia, D.D. Kosambi, Irfan Habib, Romila Thapar, Mushirul Hasan e Ranajit Guha na área da história (aliás, o trabalho de Guha como editor dos volumes publicados na série ‘Subaltern Studies’ era uma contribuição pioneira), M.N. Srinivas, Andre Beteille, Ashis Nandy na sociologia e Sudhir Kakar na área da psicologia social e psicanálise, Rajni Kothari, Francine Frankel e Randhir Singh nas ciências políticas e A.K. Ramanujan, Balachandra Rajan e Nissim Ezekiel na literatura. O êxito dos livros académicos já induziu até editoras como
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Penguin a acrescentar uma lista geral de obras por autores académicos no seus catálogos de ficção e não-ficção. A editora Oxford University Press começou o seu catálogo de Oxford India Paperbacks (OIP) num novo formato (antes tinha apenas livros de capa mole) há cerca de duas décadas. Inicialmente começou a publicar os livros de capa dura que tiveram êxito num formato de capa mole. Hoje, já tem uma identidade e estatuto distintos e próprios. Alguns novos títulos são encomendados logo no formato OIP. O catálogo já tem mais que 500 títulos e a lista está sempre a crescer. Já estabeleceu um público leal entre os estudiosos e os leitores gerais. Para ilustrar esse mercado em crescimento podemos examinar o caso da obra ‘The Argumentative Indian’ de Amartya Sen, encomendada por Penguin UK através do seu filial Allen Lane. O livro vendeu 25.000 exemplares de capa dura e 95.000 exemplares em capa mole. Essas figuras são extraordinárias quando se considera que Penguin tinha os direitos para vender a obra apenas na Ásia do Sul. Nenhuma editora académica encomendará
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livros que venderão apenas para um curto espaço de tempo; a maioria dos títulos têm de ter o potencial para serem reimpressos e devem vender ano após ano. Em breve, têm de se transformar em obras de “valor duradouro”. As editoras académicas mais antigas estabeleceram relações com os seus autores durante trinta anos ou até mais e alguns dos seus títulos já são clássicos. O exemplo mais extraordinário desse fenómeno são os livros de Jim Corbett (embora não sejam obras completamente académicas). ‘Man-Eaters of Kumaon’ foi publicado pela primeira vez na Índia em 1944 e, como se costuma dizer, encontrou o seu nicho na história. Todas as obras de Corbett têm sido reimpressas continuamente a partir de então, um exemplo singular de continuidade editorial. Uma editora recém-chegada no mundo de publicações académicas, a Permanent Black já conseguiu estabelecer um impressionante corpo de livros na área das ciências sociais durante a última década. Muitos dos livros conheceram edições sucessivas e

mais que 200 títulos constam no seu catálogo. O rápido êxito desta editora resultou na selecção há pouco de um dos seus fundadores para o prestigioso prémio do British Council para “Jovens Editoras”. Esse crescimento também induziu as editoras académicas estabelecidas como Routledge a encomendar obras por autores na área das humanidades e das ciências sociais da Índia. Podemos ver ainda mais editoras especializando-se nessa área na medida em que o mercado continua a crescer. O recente interesse em traduzir obras das línguas regionais para o inglês permitiu vários clássicos regionais a circular num mercado maior. Esse facto induziu algumas editoras a incluir obras traduzidas nos seus catálogos na área das humanidades. É necessário fomentar a edição na área das humanidades e das ciências sociais na Índia. Enquanto feiras internacionais do livro como as de Francoforte, Londres, Paris, Pequim, Tóquio e, mais recentemente, Abu Dhabi são importantes, temos de explorar
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◆ O autor é o antigo director da Oxford University Press.

outras maneiras de exibir e expor os nossos catálogos académicos no estrangeiro. Essa política baseia-se na crença que esses livros (com os direitos mundiais) são úteis para a comunidade internacional e encontrarão o seu devido lugar nas bibliografias dos cursos académicos sobre a Ásia do Sul.

A edição é uma indústria criativa. Descobre a alegria e a criatividade nesta indústria, onde se conhecem estudiosos, escritores, poetas e artistas. O mundo da edição pode enriquecer a sua vida em muitas maneiras.
Vishwanath Malhotra Grupo Rajpal & Filhos

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Um escritor e o seu atelier
TIRTHANKAR GHOSH

Um verdadeiro patrocinador da literatura, a editora Writer’s Workshop em Calcutá já lançou alguns dos melhores escritores indianos em inglês durante os últimos cinquenta anos.

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ual é a ligação entre as cartas a rejeitar os manuscritos e o Professor Purushottam Lal em Calcutá? Bem, há muitas ligações. Professor Lal, um professor de inglês, administra a editora Writer’s Workshop (“Atelier dos Escritores”), descrita como “uma editora literária icónica”. Ao longo dos 50 anos da existência da editora, o Professor Lal encorajou, publicou e até promoveu escritores que, de outra forma, teriam desistido de escrever depois de receber as cartas de rejeição de outras editoras. Entre esses nomes contam-se Vikram Seth, Asif Currimbhoy, Nissim Ezekiel, Jayanta Mahapatra, Ruskin Bond, Pritish Nandy, Chandrakant Bakshi e Chitra Banerjee Divakaruni. Foi o Prof. Lal – um poeta conhecido pela sua “transcriação” (nas suas próprias palavras) de toda a epopeia poética indiana do Mahabharata em inglês – que podia prever o talento criativo de todos os escritores que tinham sido rejeitados pelas editoras estabelecidas. Descrito como “o raro amante da literatura, que pode identificar a beleza antes que fosse louvada e a rara editora que não teme a ideia de publicar a poesia”, o Professor Lal e sete outros escritores, alguns dos
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quais são conhecidos nomes hoje – Deb Kumar Das, Anita Desai, Sasthibrata Chakravarti (Sasti Bratha), William Hull, Jail Ratan, Kewlian Sio e Pradip Sen – uniram-se para fundar uma revista para publicar as suas próprias obras. Assim nasceu a Writer’s Workshop Miscellany e, mais tarde, a Writer’s Workshop. Nas cinco décadas da sua existência, a WW já produziu livros que são verdadeiras obras de arte. Cada livro é encadernado em tecido produzido à mão e impresso em papel artesanal com os seus títulos inscritos com a caligrafia do próprio Prof. Lal. Com um entusiasmo inspirador, o Prof. Lal defende a causa daquilo que ele chama “edição alternativa”. Este tipo de edição é “desesperadamente necessário em todos os lugares onde a edição comercial predomina. WW não é uma
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editora profissional. Não publica nomes conhecidos; faz com que os nomes sejam conhecidos e famosos e depois deixa-os nas mãos do assim chamado mercado “livre” (que pode ser e é muito caro e materialista). Não é triste, é malcriado, afirmar, como muitas editoras fazem, que “Não podemos publicar a poesia porque não vende.” Nas palavras de Prof. Lal “Porque a WW promove a literatura criativa séria, e porque não há uma rede de distribuição suficiente para esse tipo de literatura, os seus termos de publicação são únicos. Devo ser a única editora do mundo que saiba quando e onde cada livro se vendeu.” E viva a singularidade da Writer’s Workshop!

◆ O autor é um conhecido jornalista com Newsline Publicações Lda.

As traduções serão o próximo grande fenómeno no mundo da edição na Índia.
Mita Kapur Siyahi Literary Consultancy

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Os livros de Bollywood!
SURESH KOHLI

As estrelas do cinema continuarão a gerar interesse – na grande ecrã ou fora dela – e as editoras já descobriram que as suas vidas pessoais fornecem excelente material para os livros. Muitas vezes feitos com pressa e com uma baixa qualidade, a maioria destes livros não são êxitos no mercado. Todavia os autores e as editoras não desistiram. Qualquer coisa sobre estrelas como Amitabh Bachchan e Shah Rukh Khan continua a vender!
ouve uma série contínua de livros sobre Bollywood. Todavia, apesar da popularidade das estrelas de cinema entre os jovens, as vendas – com a excepção dos títulos sobre Shah Rukh Khan – não justificam os esforços e a concorrência que a indústria viu em recentes anos. Talvez o único livro que desafiou os cépticos – e os que estão a se lamentar para não ter acreditado no seu êxito – foi a autobiografia de Dev Anand, intitulada Romancing with Life, que vendeu muito bem. Ao contrário que os seus filmes recentes, a resposta ao livro foi incrível. Já vendeu mais que 20.000 exemplares em menos que um ano! Parece que os livros sobre Shah Rukh Khan tiveram resultados ainda melhores.

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Poucos livros tiveram êxito no mercado nacional mas muitos foram bem recebidos no estrangeiro. Apesar do seu preço de Rs. 3.000 (cerca de 70 dólares americanos) e o seu peso de quase quatro quilos, a obra Still Reading Khan é muito popular em todo o mundo. Poucas biografias autorizadas de algumas estrelas populares conseguiram captar a atenção dos leitores, embora o livro picante de Jerry Pinto sobre a bela estrela Helen foi um grande êxito apesar do facto que o autor nunca viu a actriz de pessoa! Tudo começou há muitas décadas quando um rapaz jovem, desempregado e ambicioso chamado Vinod Mehta (o editor da revista semanal Outlook)
Shah Rukh Khan’s career is the kind of success story that colours movielore – the outsider who gatecrashed into Bollywood and stayed on to reach superstardom, leaving all his contemporaries behind. Over the last decade or so, as Hindi cinema has grown and reached out to audiences across the world, especially the South Asian diaspora, Shah Rukh’s fame and popularity have grown in proportion. He personifies the media-savvy, money-smart, focused professional that today’s world idolizes. He made movies that were blockbusters, he created the SRK brand, and with a production company in place and a special effects set-up and a studio in the works, his aim of becoming the complete movie moghul now looks achievable. When a star of his stature approaches a career milestone of sixty films, and gets to a stage where he clearly needs to chart unexplored territory, it is perhaps time for a mid-career assessment. That is what Deepa Gahlot, journalist, critic, columnist, editor, author and screenwriter, attempts to do in this book, by analysing the various phases of Shah Rukh’s life and career and putting them in perspective.

decidiu produzir uma novidade e publicou uma biografia de Meena Kumari sem fazer muita investigação. Começou uma tendência. Ainda que várias outras biografias das figuras do mundo de cinema foram publicadas logo depois – notavelmente o volume não autorizado de Nabendu Ghosh sobre Ashok Kumar e a obra “autorizada” intitulada Dadamoni por Kishore Valicha, o livro de Raju Bharatan sobre Lata Mangeshkar e o de Rachel Dwyer sobre Yash Chopra – todos sofreram do mesmo defeito. Embora Bharatan apresentou os factos, Lata rejeitou-o. A cantora sentiu-se obrigada depois a encomendar um livro autorizado escrito por Harish Bhimani. Essa tentativa foi ainda pior. Foi uma
ROLI

“ I am a great, fantastic accident of being the right person at the right place
at the right time. That is the description of my success...

King Khan
Deepa Gahlot

ISBN: 978-81-7436-503-3

Roli Books

Lustre Press •

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ROLI

Uma história concisa dos livros ilustrados
KISHORE SINGH

T H E B O L LY W O O D S A G A
DINESH RAHEJA JITENDRA KOTHARI

Embora os livros ilustrados produzidos na Índia não tenham uma longa tradição, têm excelentes conteúdos. Com óptimos acabamentos e lindas ilustrações, publicados em cor, com fotografias tiradas por fotógrafos indianos, essas obras são caras mas muito populares.
Indian Cinema

THE BOLLYWOOD SAGA
DINESH RAHEJA

JITENDRA KOTHARI

ISBN: 81-7436-285-1

Foreword

Ismail Merchant

uando se pensa que durante centenas de anos as oficinas das cortes dos reis indianos literalmente empregavam milhares de cartógrafos e ilustradores para criar livros que continham as mais requintadas imagens e que a impressão se tornou na moda quando o conhecido rei-pintor Raja Ravi Verma comprou uma máquina alemã para imprimir cópias acessíveis dos seus quadros...então a histeria que

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Roli Books

Lustre• Press

muitos mais vão seguir ainda. Há pelo menos quatro livros sobre Dilip Kumar, livros narrativos sobre Pran, Amrish Puri, Vyjantimala e Rajinikanth, um terrível livro de luxo sobre Hema Malini, dois livros “quase” de luxo sobre Kishore Kumar e um sobre Dev Anand, um volume de memórias de Mrinal Sen e uma autobiografia de Manna Dey. Bollywood é enorme e vai continuar sempre a ser popular. As vidas dos indivíduos que criaram Bollywood continuam a gerar interesse tanto dentro da Índia como no estrangeiro, onde já conquistaram os corações das pessoas que raramente sorriam ou choravam em público! Quem sabe, talvez um dia vamos todos falar como os de Bollywood! Que maravilha!

situação muito agradável para o público. Bollywood, como Hollywood, vive com fofocas e estrelas! Como na arena da representação, Amitabh Bachchan tem o maior número de livros escritos sobre ele. Tudo começou com uma compilação pouco organizada

de entrevistas aleatórias que teve muita publicidade. Cinco outros títulos sobre ele já seguiram e ainda mais obras estão a ser escritas sobre este actor. Que homem! Em recentes anos, muitos livros de luxo e livros de formatos normais foram publicados e

◆ O autor escreve sobre o cinema.

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eram livros que – bem, para ir logo ao seio da questão: essas obras eram publicadas para qual tipo de público? Eram caros. Tratavam de assuntos indianos que eram familiares mas sobre os quais as pessoas conheciam pouco. Então, eram para o consumo nacional ou para os numerosos estrangeiros residentes na Índia, ou eram souvenirs para os turistas?

Quando se considera a pletora de livros ilustrados no mercado hoje, é difícil imaginar que as editoras uma vez lidaram com questões dessas. As respostas frequentemente influenciaram decisões de impressão – porque houve pouquíssimos prelos de qualidade nessa altura. Os poucos que podiam alcançar (de uma maneira errática) uma qualidade internacional eram

caros devido aos impostos altos sobre o papel importado e as tintas de impressão. Por isso, as editoras acharam soluções menos caras a imprimir as suas obras no estrangeiro, em mercados tão diversos como os países escandinavos, Dubai, Hong Kong, a Tailândia e a Singapura – esse último país era o mais popular. E os próprios livros? Inicialmente, pelo menos, parecia que a maioria

aconteceu no início dos anos 80 do século XX no mundo da edição ao redor da publicação dos primeiros livros ilustrados na Índia talvez fosse um bocado exagerada. A indústria de edição na Índia já publicava livros sobre temas não
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académicos, que, apesar de serem publicados em baixas quantidades tiveram um robusto público de leitores. Todavia, livros ilustrados lindamente, impressos a cor, com fotografias tiradas por fotógrafos indianos
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das editoras acharam que o mercado dos turistas era o mais atraente e os títulos que foram publicados reflectiam esse facto. Houve muitos livros sobre o Taj Mahal (mas mesmo muitos!) e sobre Agra, Rajastão, Goa, a Índia (cobrindo um bocado de tudo), sobre Ajanta e Ellora...e, na medida em que as ambições cresciam, também surgiram obras especializadas. Houve livros sobre as montanhas Himalaias, sobre a fauna indiana, as praias, viagens de comboios e, mais tarde quando o mercado expandiu, sobre assuntos que não tinham nada a ver com os turistas: sobre os sikhs, práticas e hábitos, rituais e arte...e claro, houve também a Kamasutra. Se os livros para os turistas precisavam de traduções em francês e alemão e italiano e espanhol, os livros mais

de nostalgia que inspira profusos volumes comemorativos. Há uma cultura viva, há desenho na arquitectura e nos interiores, há os sempre populares reis e a sua riqueza e herança, os seus palácios e colecções, os carros antigos, os instrumentos musicais, a moda e os estilistas... Os livros de arte são um outro assunto. Aparentemente oblívios aos custos, dimensões ou escopo, prestam homenagem a artistas, ou géneros, ou exposições, ou períodos cronológicos e são um prazer para os olhos como os quadros raros. Capturam um vislumbre dos ateliers dos artistas, estudam os seus melhores anos, examinam os diversos humores ou até materiais diferentes, cada obra é muito preciosa (especialmente se conseguir convencer o(s) artista(s) em questão a assinar o exemplar) – nomes como Satish Gujral, S.H. Raza, Thota Vaikuntam, Paresh Maity, Sunil Das, M.F. Husain, Tyeb Mehta… As vezes esses livros encontram editoras profissionais, mas frequentemente são criados e promovidos pelas galerias de arte. Já houve grande progresso num curto espaço de tempo. Talvez é hora para alguém escrever um livro ilustrado sobre os livros ilustrados da Índia!
◆ O autor é um editor sénior com o jornal financeiro diário “Business Standard”.

especializados (até talvez sobre temas conhecidos) celebraram os fotógrafos indianos - Raghu Rai foi louvado pela qualidade das suas fotografias; os irmãos Bedi ficaram muito conhecidos devido aos

seus livros sobre a fauna indiana (os filmes seguiram mais tarde), e alguns dos melhores escritores começaram a escrever os textos de apoio para essas obras (Khushwant Singh, Ruskin Bond). Há alguns elementos da indústria indiana de edição que são inerentemente muito fortes - a principal desses é a língua, mas também há a adaptabilidade, a estética gráfica e a respectiva tecnologia de apoio, a habilidade
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de trabalhar rapidamente e supervisionar a produção até o último pormenor. São factores que influenciaram o crescente fenómeno dos livros ilustrados, que já são muito comuns. Alguns dos livros mais espectaculares do mundo estão agora a ser publicados na Índia. E que riquíssimo leque de conteúdos! Há Bollywood com as suas estrelas do cinema, há a Índia histórica, um rico passado
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A magia em palavras e imagens
ANANT PAI

Tem uma popularidade que supera marcas globais como Superhomem e Batman. Baseado na mitologia e no folclore eterno da Índia, Amar Chitra Katha (ACK) já transcendeu todas as barreiras para criar um lugar próprio nos corações da maioria dos indianos.
oi um dia normal em 1967 quando assisti a uma competição entre escolas de perguntas e respostas sobre os conhecimentos gerais. Todas as crianças na faixa etária de doze anos, nos seus trajes formais, eram uma inspiração enquanto responderam com confiança a uma gama de perguntas sobre assuntos desde as guerras mundiais à mitologia grega. Todavia, no caso da mitologia e da história indianas as mesmas crianças não sabiam as respostas. Para mim, foi um momento de revelação. Senti que foi o meu dever assegurar que essa geração de indianos do futuro conhecesse um vasto mundo de heróis que eu conheci através das histórias dos meus pais e avós. Foi assim que a série de Amar Chitra Katha (ACK) nasceu. Começando com um único volume de bandas desenhadas de trinta e duas paginas sobre o deus Krixna (não há um modo melhor para ligar com os jovens que as bandas desenhadas!), ACK culminou num espólio da cultura indiana – mais que 400 títulos sobre as epopeias
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indianas, a mitologia, figuras, visionários, fadas, folclore e os clássicos indianos em mais que 20 línguas indianas! Durante mais que 40 anos, a série ACK ajudou os indianos, tanto na Índia como no estrangeiro, a descobrir as suas raízes. Colmatou uma lacuna que o advento das famílias nucleares criou nas vidas das jovens crianças, privando-as das histórias maravilhosas das suas avós. Todavia, aquilo que era concebido como uma fonte de conhecimento para as crianças hoje em dia tem um público adulto também. Com

várias teses de doutoramento e livros escritos sobre a série ACK, por cidadãos indianos e estrangeiros, a marca já adquiriu um estatuto de culto como nenhumas outras publicações indianas no passado. Provavelmente é a única série indiana a ter vendido mais que 90 milhões de exemplares em todo o mundo. A série ACK teve um grande impacto sobre pessoas de todas as profissões e sobre a cultura popular. O antigo primeiro ministro Atal Bihari Vajpayee e o antigo presidente Abdul Kalam louvaram a série ACK para a influência que teve em formar gerações de indianos. Os capitães da indústria, como o fundador de Infosys, N.R. Narayan Murthy, afirmaram que, “Amar Chitra Kathas são um glorioso tributo à rica herança cultural da Índia. Esses livros foram uma parte integral da juventude dos meus filhos, como foram também em muitas famílias por toda a Índia e no mundo.” Os líderes religiosos como o cardeal Lawrence da Conferência dos Bispos
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Católicos também louvaram a série ACK. Muitas escolas na Índia usam ACK como parte do seu currículo de história e a experiência já mostrou que os alunos aprendem muito mais usando as bandas desenhadas como um instrumento de ensino. Aquilo que distinguiu a série ACK eram as suas óptimas ilustrações. Algumas das obras demoraram dois anos para serem desenhadas! Por isso, a ACK tem um lugar único na arte e na cultura populares. A ACK inspirou, há pouco, uma exposição da arte moderna na Galeria Nacional da Arte e é usada como um ponto de referência nos principais institutos de desenho gráfico em todo o país. Os títulos da série ACK são disponíveis em 1.500 livrarias em toda a Índia – desde Srinagar a Tiruvananthapuram e desde Ahmedabad a Guwahati. O próximo desafio da série ACK é ser relevante à geração moderna numa idade da internet. Já percebemos que para estimular eficazmente o interesse da juventude de hoje, a série ACK tem de ser presente em diversos formatos de multimédia. Por isso, a nossa equipa está a trabalhar para criar as versões de multimédia das histórias da série ACK para a televisão, os serviços online, as aplicações móveis e os jogos de estratégias. A ACK tem dois estúdios – em Bombaim e em Bangalore – que estão a desenvolver esses novos

Suppandi, o caçador Shambu, o corvo Kalia e Tantri o ministro já adquiriram um estatuto icónico, como as personagens de Disney e Hannah Barbara no estrangeiro. Depois de 28 anos, a família de revistas Tinkle continua a ter uma circulação anual de 2 milhões de exemplares e muitos pais confessam que também lêem as Tinkles dos seus filhos para matar as saudades da sua juventude! Uma outra série da família de ACK é Karadi Tales – um pioneiro dos livros falados e dos livros de vídeo na Índia. Narrada por algumas das mais conhecidas figuras do cinema como Naseerudin Shah, Usha Uttup e Shekhar Kapur, a série de Karadi Tales apresenta a mitologia e o folclore indianos em formatos de áudio e vídeo, com os quais as crianças podem também aprender a ler. Aliás, já foi inventada uma

metodologia para ensinar às crianças uma segunda língua à base dos livros falados, conhecida como o Karadi Path. Foi usada com êxito para ensinar inglês nas escolas estatais em Tamil Nadu e Goa, e pode também ser usada para ensinar hindi e outras línguas regionais para as crianças de origem indiana cuja primeira língua é o inglês. A série Karadi Tales também tem livros sob o título de Charkha Audio Books para os adultos. O catálogo está cada vez maior e inclui biografias de Mahatma Gandhi, JRD Tata e Abdul Kalam, juntamente com as epopeias como Shakuntalam. Charkha também lançou livros falados sobre “Ouvir a Poesia”, narrados por conhecidos oradores como Tom Alter. Essas obras abrangem a poesia incluída nos currículos para as crianças do 9o ao 12o ano da escolaridade e
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procuram fazer o assunto mais interessante para os jovens. Já passaram 40 anos desde que tudo começou e ACK continua a ser o líder do entretenimento educativo de alta qualidade à base dos assuntos indianos para toda a família. Boas leituras, caros amigos – conheçam a Índia!

◆ O autor é o fundador, editor emeritus e principal narrador de histórias de Amar Chitra Katha.

conteúdos. Para além disso, a empresa prevê o lançamento de campanhas com mensagens sociais como “Conheçam a Índia!” em escolas e livrarias em todo o país. De acordo com a sua filosofia de fornecer entretenimento educativo, a família de ACK já lançou outras séries também – a mais popular
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sendo Tinkle – a mais vendida revista infantil em inglês na Índia, fundada em 1980. Com um lema que afirma “Onde a educação e o divertimento se juntam”, Tinkle é uma revista em bandas desenhadas para os pré-adolescentes e recebe mais que 200 cartas dos seus leitores todas as semanas. As personagens de Tinkle como
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Não limitem uma criança apenas ao seu conhecimento, porque ela nasceu numa outra época.
Rabindranath Tagore

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Os livros da nova idade
S.K. GHAI

A filosofia da “Nova Idade” trata de um regresso à natureza, o nosso estado natural, rejeitando os valores e os estilos de vida que fazem mal à natureza, dentro e fora de nós. O último objectivo é atingir uma saúde óptima em termos físicos, mentais, emocionais, espirituais e sociais e a informação sobre esse estilo de vida está a ser propagada principalmente através de um novo género de livros.

Quando enfrento um desapontamento e não consigo ver nem um único raio de luz,volto à Bhagvad Gita. Encontro um verso aqui e um outro verso lá e imediatamente começo a sorrir no meio de tragédias esmagadoras.
Mahatma Gandhi

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A filosofia da “Nova Idade” baseia-se numa abordagem de voltar à natureza e na procura para crenças e ideais espirituais que contribuem para criar uma mente, um corpo e um espírito saudáveis. O nosso trabalho é cada vez mais exigente. Manter o stress a níveis saudáveis é cada vez mais difícil. O bem-estar incorpora todas as partes do corpo, não apenas o aspecto físico. É importante criar um equilíbrio na vida ao nutrir todo o nosso ser, que inclui as suas necessidades espirituais, mentais, emocionais e físicas.

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os dias de stress de hoje, as pessoas estão sempre à procura de maneiras mais naturais para manter a sua saúde – não apenas a sua saúde física mas também a sua saúde mental e espiritual. curas de fé, as curas espirituais e a auto-ajuda. Dado o repentino interesse nos livros sobre a filosofia da nova idade, estão a ser traduzidos em todo o mundo. Há muito potencial para os livros da Índia. Os santos indianos, os mestres espirituais, os instrutores de ioga e de ayurveda desempenharam um papel importante ao criar o mercado para esses livros. A filosofia indiana já encontrou um novo significado e novos leitores, especialmente numa época quando o mundo procura a paz, a compreensão e o humanismo.
◆ O autor é o director de uma conhecida editora e faz parte da direcção editorial de Publishing Research Quarterly em Nova Iorque.

O vegetarianismo também faz parte desse equilíbrio. Cada vez mais pessoas em todo o mundo estão a seguir uma dieta vegetariana. Os estudos médicos demonstram que uma dieta vegetariana é mais fácil de digerir, fornece uma gama maior de nutrientes e impõe menos fardo e impurezas no corpo. Os vegetarianos são menos susceptíveis às principais doenças que afligem a civilização moderna; como resultado, vivem
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mais anos, são mais saudáveis e têm vidas mais produtivas. Os livros da “Nova Idade” desempenham um papel importante na criação desse equilíbrio na vida. Esses livros debatem as terapias não tradicionais para promover a saúde e o bem-estar. Os assuntos incluem as curas metafísicas, as
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Arroz, caril e outras coisas boas
KISHORE SINGH

As editoras indianas estão a enriquecer com os livros gastronómicos. Na medida em que os autores desses livros – tanto os profissionais como os amadores – lutam entre si para apresentar uma variedade de receitas com fotografias maravilhosas, os leitores estão a comprar essas obras com a mesma rapidez.
e há pelo menos um (ainda não escrito!) livro em cada indivíduo, é igualmente verdade que toda a gente quer escrever um livro de receitas, um livro sobre comida ou alguma coisa nostálgica sobre a maneira em que a mãe cozinhava. Donas de casa, cozinheiros célebres, estudantes, jornalistas gastronómicos – quase toda a gente está a escrever livros de receitas mais rapidamente que se pode contar. Com o crescimento

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da indústria gastronómica, com prateleiras de comida pré-preparada, lançamentos de restaurantes, uma maior disponibilidade de ingredientes (locais e importados) e uma paixão cada vez maior para a comida exótica, é inevitável que as palavras das receitas que juntam tudo numa rede complicada também iam florescer. Mas quem são os autores dos livros de receitas? Ou, uma

pergunta mais pertinente, quem é melhor preparado para escrever os livros de receitas? Ismail Merchant, que nos deu umas das mais eternas e belas imagens do cinema, juntamente com James Ivory, foi igualmente célebre para as refeições que preparava. Ele admitiu que essas refeições já seduziram estrelas de Hollywood que ganham fortunas para participar nas suas produções mais modestas. Nas suas próprias palavras,

frequentemente preparava essas refeições com quase nada no frigorífico ou com ingredientes comprados com pressa no mini-mercado da sua rua. Todavia, como o cinema deles, a comida de Merchant e Ivory era efémera, um momento de magia construído com um gesto cinemático – eram claramente mais inovadores que os cozinheiros puritanos. Era inevitável que escrevessem um livro de receitas ou dois e foi isso mesmo que fizeram. Como a maioria de livros assim, venderem logo e foram devorados pelos leitores que chamam essa espécie de literatura “pornografia gastronómica”. Mas a questão é essa: quando seguem as receitas de Ismail, vão perguntar-se porque houve tanta comoção. As receitas são bastante simples mas os resultados também são simples e, talvez, menos impressionantes que se esperaram. Isso é porque falta a personalidade de Ismail

quando ele servia a sua comida, a sua conversação brilhante, a sua elegância e a magia da sua personalidade não estão presente nas mesas dos leitores. Isso não prova que a vossa personalidade é má mas simplesmente que um dos melhores mistérios gastronómicos continua a ser que é sempre melhor ler os livros! Outros autores escrevem palavras, páginas, memórias e receitas com muito menos esforço. Madhur Jaffrey, a actriz e grande dama dos livros de receitas, escreve centenas de páginas quase como uma fábrica de receitas. As suas histórias matam as saudades da nossa juventude com mangas roubadas a arrefecer em baldes de água fria e as suas receitas funcionam mesmo! A coisa mais extraordinária é que quando a Madhur se transferiu para Londres, quase nem sabia preparar uma chávena de chá! Ritu Dalmia, a cozinheira e a proprietária de Diva (um
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soufflé perfeito e um pudim flan firme. Apenas Sanjeev Kapoor o faz com mais jeito. O cozinheiro que ficou nervoso quando apareceu na televisão indiana pela primeira vez já perdeu a sua hesitação e criou milhões de admiradores exigindo instruções sobre como fazer um dhokla instantâneo ou como preparar uma refeição para seis pessoas em meia hora. Transformou novas esposas nervosas em cozinheiras de cinco estrelas com quem nem a mais exigente sogra podia litigar. Na Índia já fizemos muito progresso desde os dias em que procurávamos os livros de receitas do estrangeiro. Estavam lá nas nossas livrarias, com lindas fotografias, faziam óptimas prendas mas eram completamente impráticos! Quase não se viam esses ingredientes, especialmente
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restaurante italiano icónico em Nova Deli), que transformou uma nação que conhecia só a comida indiana em apaixonados da gastronomia italiana, acabou de publicar o seu livro sobre a gastronomia italiana – e é uma maravilha! A moça-deuma-família-vegetariana que transformou a sua paixão pela cozinha numa profissão escreve tão brilhantemente como cozinha e isso é claramente visível nas suas receitas, com dicas e sugestões úteis que deixa o
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leitor com suficiente confiança para substituir um ingrediente com um outro, uma especiaria com uma outra, sem estragar as receitas. Agora, esse sim é um livro de receitas! A Índia já teve uma data de autores que escreviam sobre a gastronomia. Tarla Dalal e Nita Mehta ajudaram durante anos as esposas recém-casadas e iniciaram os anfitriões de festas nos mistérios de mutton dopiyaza e paneer jalfrezi, desde
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tacos a tiramisu, com tanto gosto que ficamos admirados com o jeito delas. As suas receitas são simples e, mais importante, são adaptáveis: as receitas italianas, mexicanas, gregas, tailandesas, birmanesas e japonesas são quase tão fáceis como as receitas

de Guzerate, Chettinad, Punjab, Bengala, Rajastão ou da antiga comunidade cristã siríaca de Kerala. Esses não são livros bonitos para ler apenas para prazer mas em vez disso são livros práticos que dão precisas instruções sobre como fazer o
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nessa época. Quem sabia o que era a margarina? Mas porque todos gostávamos dos livros de receitas mais que quaisquer outros livros, tínhamos prateleiras cheias desses livros: menus para crianças, merendas prontas em cinco minutos, pratos principais com porco, frango, marisco, peixe. Houve o compêndio de Reader’s Digest que nos ensinou a preparar o perfeito molho e livros ilustrados com receitas para bolos, pães e queques. Tivemos que esperar até os anos 90 antes que houve equivalentes indianos: os pequenos manuais de receitas úteis para gulab jamun e rassogolla, para chole

bhature e parathas e daals, arroz e biryanis. Foi nessa altura que começaram a publicar livros de receitas mais ambiciosos, onde as fotografias eram ainda mais importantes que as receitas. E aí estávamos nós, maravilhados com os quotidianos tadka daals aos quais nem olhávamos antes, agora tão apetitosos nessas esplêndidas páginas. As carnes brilharam (com a ajuda de toques de azeite) e de repente o estilista gastronómico já era uma nova profissão. Era necessário treinar os fotógrafos gastronómicos, usar todos os truques para fazer a comida luzir e era impossível imaginar um livro de receitas sem fotografias.

Um desenvolvimento interessante era que os leitores (e as editoras) estrangeiros gostaram dos livros de receitas indianas com igual entusiasmo. Sem medo dos ingredientes exóticos (ou talvez a cada vez maior diáspora indiana assegurou que se podia encontrar lojas indianas em outros continentes e cidades), não havia autores suficientes. Contrataramse cozinheiros conhecidos para contribuir as suas receitas secretas ou a produzir livros de receitas de luxo. As editoras especializadas procuraram os nomes célebres no mundo da gastronomia indiana – às vezes eram profissionais como Karen Anand ou Rashmi Uday Singh ou Camellia Panjabi, que abriu entre os primeiros restaurantes gourmet de comida indiana em Londres. Em outras ocasiões eram simplesmente pessoas que sabiam cozinhar muito

◆ O autor é o editor sénior do jornal financeiro quotidiano Business Standard.

As nossas prateleiras enchemse cada vez mais com livros de capa dura e capa mole e lemos mais e mais sobre a comida (mas cozinhamos cada vez menos?) na medida em que gozamos dos prazeres dos céus gastronómicos imaginados. Ficou evidente que há ainda mais estrelas à espera nos bastidores prestes a serem lançadas: estudiosos e estrelas ao mesmo tempo, Kulsoom Begum e Salma Hussain, Monish Gujral e Rakhi Dasgupta. Além disso, encontro os livros com as páginas amarelas com açafrão, livros que uso frequentemente, escritos por Jasleen Dhamija e Megha Patil e Bilkees Latif. Alí um livro sobre a gastronomia de Goa, aqui um livro sobre as receitas das famílias reais – e como é que eu podia esquecerme do livro sobre o arroz e o caril?

bem e dar festas maravilhosas. Editoras populares prepararam colectâneas sobre comida e procuraram peritos que escreviam livros combinando viagens com a comida, a descobrir as gastronomias regionais da Índia. Todos os livros tiveram o seu próprio público, mas as donas de casa sábias ainda juram pelas receitas fantásticas criadas por esses deuses da gastronomia indiana: o fastidioso Jiggs Kalra e Digvijai Singh Sailana.
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Creio que a expansão global é a chave do futuro...A indústria indiana de edição vai ter um grande crescimento devido aos novos espaços de venda e aqui temos que apresentar a matéria para o povo em massa.
Pramod Kapoor Roli Books

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Os livros educacionais
UM MUNDO DE OPORTUNIDADES
AJAY SHUKLA

Nenhuma editora internacional pode ignorar as oportunidades disponíveis na Índia. Com um dos maiores mercados do mundo, que está sempre a expandir, o sector de edição educacional está “aberto para negócios”.

O

progresso alcançado pela Índia no sector da educação durante os sessenta e dois anos da sua independência é impressionante. A taxa nacional de alfabetismo era de cerca de 18% em 1947, quando o país alcançou a sua liberdade, e atingiu cerca de 65% em 2001. Há um sentido de reconhecimento e urgência entre os políticos que a educação em todos os níveis, realizada através de melhor acesso, qualidade e relevância, é essencial para alcançar a visão

indiana de ser uma sociedade de conhecimentos no século XXI. Uma prioridade das políticas do governo é aumentar o orçamento atribuído para desenvolver a infraestrutura educacional. Também se incidem sobre as reformas no sector da educação para encorajar a participação particular, melhorar a qualidade através do aperfeiçoamento das habilidades, o uso da tecnologia de informação e comunicação e

acções afirmativas para encorajar a “educação para todos”. Há muitas histórias de êxitos dentro da iniciativa de Sarva Shiksha Abhiyan (“Educação para Todos”), que já ajudou a dobrar as inscrições ao nível das escolas primárias. Há novos planos e orçamentos para criar centros de educação superior de uma qualidade internacional como os Institutos Indianos de Tecnologia (IIT) e os Institutos Indianos de Gestão (IIM).

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A criação e a disseminação de conteúdos educacionais de boa qualidade é um elemento chave na actualização dos nossos recursos de conhecimento. A indústria indiana de edição desempenhou um papel vital na criação e gestão dos recursos de conhecimento em todos os níveis do sistema educativo. Graças à política do governo de promover um fluxo livre de conhecimento, não há nenhumas “restrições de entrada” ou “restrições regulatórias” para entrar no mercado de publicar livros educacionais. Como resultado, estima-se que há uma população florescente de cerca de 10.000 editoras educacionais, do nível global ao nível local, que publicam mais que 50.000 novos títulos todos os anos. A Índia tem 22 línguas oficiais e livros são publicados em todas essas línguas reconhecidas. Todavia, estima-se que quase 50% de todos os livros educacionais são publicados na língua inglesa. Com as inscrições nas escolas e nas universidades a crescer de entre 5-8% por ano, e com uma tendência cada vez maior de comprar os livros de texto escolásticos, a indústria está a ver uma taxa de crescimento de 10-20% por ano. Prevêse que tais tendências de crescimento vão continuar durante os próximos cinco a dez anos, com um aumento nos investimentos no sector de educação e nos orçamentos atribuídos a esta área. Essas tendências de crescimento são entre as mais altas em todo o mundo e por isso oferecem excelentes oportunidades para as editoras que publicam obras educacionais. Estima-se que a dimensão do mercado indiano de edições educacionais esteja actualmente de cerca de $1,5 biliões, com os livros para as escolas a constituírem $ 1 bilião ($500 milhões em inglês) enquanto os segmentos
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conforme a sua dimensão e as especificações de produção. Estima-se que a indústria de edição de obras educacionais na Índia gera emprego para mais que 10.000 empregados de vendas e distribuição, que promovem os livros de texto nas escolas, colégios, livrarias e bibliotecas. Editoras educacionais conhecidas globalmente como Oxford University Press, Cambridge University Press, McGraw-Hill Education, Macmillan, Pearson Education, Wiley, Elsevier e Springer, para mencionar apenas alguns nomes, tiveram uma presença directa na Índia que abrange várias décadas através de reimpressões e edições importadas com preços especiais para o mercado indiano. Recentemente, essas editoras globais investiram fortemente para construir as capacidades editoriais locais e desenvolver títulos com uma qualidade
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profissionais e da educação superior valem $ 500 milhões ($300 milhões em inglês). Há cerca de um milhão de escolas, 400 universidades e 16.000 colégios. Todavia, visto que a maioria dos colégios têm a liberdade para determinar os seus próprios currículos dentro de certas normas, a produção de obras educacionais é muito personalizada, com vários títulos regionais/locais para as mesmas disciplinas.
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Há mais que 170 milhões de inscrições totais nas escolas na Índia, inscrições em colégios ultrapassam 10,4 milhões e há cerca de 2,5 milhões de profissionais nos sectores de conhecimento (informática). Esses números fazem com que a Índia seja um dos maiores mercados educacionais no mundo. O preço é a maior consideração para os consumidores de livros de texto escolásticos, devido ao baixo PIB per capita de $3.800 dólares

americanos. Os preços variam de entre $2 e $10 e os preços dos livros de texto são entre os mais baixos do mundo! A maioria das editoras adaptam os valores de produção através da impressão em preto e branco, a capa mole e papel mais barato para conseguir preços baixos. Os livros profissionais, especialmente para as áreas da medicina, da ciência e das disciplinas técnicas formam a maioria desses livros e têm preços de entre $10 e $30,
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internacional por autores locais, de instituições famosas em todo o mundo como os Institutos Indianos de Tecnologia (IIT). Alguns desses títulos estão agora a encontrar mercados nos EUA, no Reino Unido, na América Latina, na China, na Austrália e na Ásia do Sudeste através de traduções e reimpressões. A Índia tem talvez entre as melhores leis de direitos de autor em todo o mundo. Melhorar a aplicação da lei é uma prioridade chave. As áreas principais de preocupação são as fotocópias e as versões piratas dos mais conhecidos livros de texto escolásticos e casos de plágio por editoras de pequena escala de livros de texto estabelecidos publicados por editoras internacionais e indianos. Todavia, com acção legal concertada e a aplicação através da acção colectiva da indústria houve um melhoramento geral na protecção dos direitos de autor para as editoras que publicam os livros de texto escolásticos. Como foi referido, não há restrições ou barreiras para entrar no mercado indiano de edição e por isso há várias opções para “exportar e importar” da Índia. As editoras podem transmitir os direitos de autor às editoras indianas e as feiras do livro de Francoforte, Londres e Nova Deli são excelentes oportunidades para negociar tais direitos. Dada a alta produção da educação indiana, há cada
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vez mais editoras a procurar os direitos de reimpressão ou as traduções das obras originais indianas. Dadas a complexidade e a diversidade da geografia, línguas e sistema de educação da Índia, uma maneira relativamente fácil de entrar no mercado é através de acordos para vendas e distribuição com editoras e
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distribuidores conhecidos que podem promover o catálogo dentro do território estipulado (usualmente no subcontinente indiano). Há várias opções, desde abrir um filial até ter um joint venture ou uma operação subsidiária com 100% de controle. Todas são opções perfeitamente legais e são tipicamente usadas

por editoras estrangeiras depois de testarem o mercado com os acordos de vendas e distribuição. Com um dos maiores e mais livres mercados do mundo, que está a crescer rapidamente, nenhuma editora global pode negligenciar a Índia como um mercado de alta prioridade. Dados os altos padrões do
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◆ O autor trabalha com McGraw-Hill Educação Índia.

sistema indiano de educação, especialmente em termos da engenharia e da informática, os conteúdos educacionais da Índia, incluindo os livros de texto escolásticos, estão rapidamente a ser aceites em todo o mundo.

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O mundo de edição na Índia: sempre a melhorar
D.N. MALHOTRA

Com mais que 80.000 novos livros publicados todos os anos, a indústria de edição na Índia é entre as mais activas do mundo. Incorporando uma gama de línguas, as editoras indianas fornecem oportunidades tanto para conhecidos autores como também para autores novos.

muito acessíveis. As editoras indianas também podem aceder à formação para aspectos de edição através de várias organizações. No primeiro lugar, o Instituto Nacional da Edição já têm excelentes programas de formação para editoras desde há muito tempo. Muitas editoras, não apenas da Índia mas também de muitos outros países na Ásia, beneficiaram destes cursos. A taxa de alfabetismo na Índia de 65% assegura que há um número imenso de pessoas que podem ler livros. Também há grandes oportunidades para os escritores e as editoras. Não é de estranhar, então, que muitas editoras internacionais querem estabelecer filiais neste país.
◆ O autor é um pioneiro no mundo de edição de livros de capa mole na Índia e ganhou o prestigioso Prémio Internacional do Livro da UNESCO em 1998.

A

Índia é entre os sete maiores países do mundo em termos do número de livros publicados, segundo as estatísticas da UNESCO. Mais que 80.000 novos livros estão publicados anualmente na Índia em 24 línguas. Há numerosos bons escritores, também nos sectores académicos e técnicos, e pode-se encontrar autores em todas as línguas do país.

Houve uma altura quando o mundo indiano de edição foi conhecido internacionalmente apenas através de livros em inglês de autores famosos como R.K. Narayan, Bhabani Bhattacharjee, Kamla Markandey e Khwaja Ahmed Abbas. Aliás, houve uma completa ausência de conhecimento sobre todo o cenário indiano de edição, que publica obras de uma

vasta variedade de autores e línguas. A Sahitya Akademi, quer dizer a Academia das Letras, encoraja autores de todas as línguas e atribui prémios e honras todos os anos. A instituição foi fundada seguindo a iniciativa do primeiro primeiro ministro da Índia, Jawaharlal Nehru. A Sahitya Akademi publica livros em 24 línguas e acabou há pouco
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de acrescentar mais 4 línguas das tribos. Assim, fornece um panorama da literatura e edição na Índia. A Fundação Nacional do Livro (National Book Trust ou NBT) foi estabelecido em 1954 e organiza feiras do livro em Nova Deli e em todo o país para propagar a cultura da leitura. A NBT também publica obras em numerosas línguas e boa literatura a preços
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A edição é um processo contínuo e precisa de atenção contínua… A arte de edição é a disseminação – trazer os livros aos leitores. Se um livro for bom (se o seu conteúdo for interessante) e se o preço for razoável, será um êxito. Vai vender.
O falecido Tajeshwar Singh Sage India

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A herança de Mahatma Gandhi
É irónico que o homem que disse, “As minhas escritas deviam ser cremadas com o meu corpo” continua a ser uma personalidade histórica cujas obras são extremamente populares e sobre quem se escreve muito.
é mesmo possível? É possível que o poder da convicção possa trazer mudanças sem violência, sem balas, sem a raiva, a animosidade ou o ódio? Navajivan em Ahmedabad e o Departamento das Publicações em Deli são entre as maiores editoras das obras organizadas de Mahatma Gandhi. Fundada por Mahatma Gandhi, a Fundação Navajivan foi estabelecida para formar a opinião pública. Durante o centenário de Mahatma Gandhi, Navajivan publicou as obras seleccionadas de Gandhi num volume intitulado Selected Works of Mahatma Gandhi a um preço muito acessível. O conjunto foi impresso mais uma vez no ano do 125º aniversário de Gandhi. Para satisfazer a procura nas línguas regionais, Navajivan iniciou um outro projecto ambicioso para publicar essas obras seleccionadas em línguas regionais. Já publicou esses livros em malaiala, telegu e bengali. Pode-se aceder ao seu catálogo em http://www. navajivantrust.org. O Departamento das Publicações (http://www. publicationsdivision.nic.in) é uma das principais editoras do país e a maior editora
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á cada vez mais interesse em Mahatma Gandhi e nas suas escritas. Pode ser ou não uma reacção aos acontecimentos de 9/11 ou a cultura muito dividida que parecem ter gerado ao nível mundial. Hoje em dia, uma falta de tolerância para outras culturas ou outros modos de pensar parece caracterizar os contactos e as relações humanas. O medo dos forasteiros, do desconhecido. Parece que tudo isso atraiu as pessoas – o povo comum – e mais importante, os jovens, - às palavras do “mestre que andava nu”, um homem frágil com um sorriso aberto, que desafiou e venceu um império com as suas palavras e as suas acções. Mas
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estatal. Tem uma variedade de livros e outras publicações a realçar assuntos de importância nacional e a rica e diversa herança cultural da Índia. Tem um mandato exclusivo para disseminar a informação através da produção e comercialização de matérias para a leitura de boa qualidade e baixo custo sobre vários assuntos, incluindo a vida de Mahatma Gandhi. Essas obras incluem os 100 volumes da colectânea Collected Works of Mahatma Gandhi, oito volumes

de Mahatma: His Life and Times de D.G. Tendulkar, álbuns de fotografias sobre Gandhi de B.R. Nanda e uma obra recente sobre Satyagraha de Savita Singh. A Fundação Nacional do Livro (National Book Trust - NBT), instituída pelo primeiro primeiro ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, também tem publicado numerosos livros sobre Mahatma Gandhi em inglês, hindi e outras línguas regionais.
– O editor

Leio vários jornais todos os dias. Também leio livros todos os dias. Ponho as informações de ambas as fontes na minha cabeça e deixo-as lutar na minha mente.
Mahatma Gandhi

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A literatura infantil
PARO ANAND

Hoje em dia os livros para as crianças já não são apenas sobre assuntos cómicos ou misteriosos. Tratam de assuntos tão variados como o terrorismo ou as deficiências. A natureza da literatura infantil está a mudar rapidamente.
“Porquê?” pergunta ela no livro de Mahashweta Devi intitulado Why-Why Girl (“A moça que dizia porquê”). “Porquê? Porquê? Porquê?” Ela é a essência das crianças modernas, fazendo perguntas e exigindo dar forma ao seu próprio destino. Essa busca e a insistência numa identidade independente formam o seio da literatura infantil contemporânea na Índia. Enquanto a protagonista de Devi exige ter acesso à educação, há protagonistas crianças que estão a esboçar o seu presente e futuro também. Um exemplo é o livro Paromita de Sumati Sudharkar, onde uma jovem menina em Bengala na época feudal luta contra as tentativas da sua família de a casar enquanto muito jovem e em vez disso acaba por ganhar uma educação!

Todavia, não é tudo sério. Também há histórias sobre os adultos que satisfazem a imaginação das crianças. Em Young Uncle Comes to Town (“O jovem tio veio visitar”) de Vandana Singh, o jovem tio intrépido sobrevive todos os obstáculos, incluindo roubando um cabelo da cauda de um tigre para uma criança que “o quis”. Sim, hoje a juventude na Índia “exige” e, mais importante,
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“recebe”. A face da literatura infantil na Índia está a mudar porque as nossas crianças também estão a mudar, graças à sociedade. O conteúdo não é o único aspecto a ter melhorado nos livros indianos. Houve uma grande melhoria na qualidade das ilustrações, o desenho e a produção. O público é cada vez mais exigente e as editoras estão a prestar atenção à dimensão visual das
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obras também. Um livro como The Princess Who Never Smiled (“A princesa que nunca sorria”) tem excelentes ilustrações no estilo de arte folclórica. Outras editoras conhecidas, como a NBT (National Book Trust), CBT (Children’s Book Trust), Tulika e Tara, também têm experimentado com estilos igualmente variados
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sem ignorar os aspectos de qualidade ou preços razoáveis. Não há dúvida que a literatura para jovens está cada vez mais velha no sentido que o conceito da juventude expandiu para abranger mais tempo. A “criancice” agora estende aos adolescentes e aos jovens adultos – e ainda bem!
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O panorama literário indiano é bem equipado com livros de conceitos/ literatura pré-escola para crianças entre 3 e 5 anos, livros ilustrados para a faixa etária de 6-7, livros fáceis para as crianças de 8-10 anos e obras mais sérias e variadas para leitores mais velhos. Uma das minhas histórias preferidas é Fire (“Fogo”) do livro de Deepa Agarwal

intitulado Not Just Girls (“Não apenas meninas”). Gosto dela devido à sua habilidade de tratar da realidade sem rodeios e as questões que levanta. Sem ser moralista ou induzir um sentimento de culpa, simplesmente encoraja o leitor a pensar, é só isso. Do mesmo modo, há livros que tratam dos pontos fracos e curiosos dos humanos em vez de representar
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a perfeição dos deuses e a maldade dos demónios. A historia de Anveshi intitulada Chaakkupranthan de Jayasree Kalathil trata de assuntos difíceis como a maneira em que tratamos pessoas com doenças mentais, a morte, a depressão e o alcoolismo. Mas a pessoa que consegue fazer a mudança, ou pelo menos, esforça-se por fazer uma diferença, é uma jovem
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Kids (“Para crianças, escrito por crianças”). Rupa publica uma série editada pelo célebre autor Ruskin Bond e Katha publicou a série de Rosalind Wilson. As histórias folclóricas e morais sempre foram o centro da literatura infantil indiana e, até um certo ponto, ainda continuam a desempenhar um papel principal. Enquanto a maioria dessas histórias são contadas nas mesmas versões, algumas editoras têm experimentado com formas mais inovadoras. O futuro é verdadeiramente brilhante para a literatura infantil na Índia. Com as editoras que estão cada vez mais experimentais em termos de conteúdos e ilustrações, as crianças vão ter muita leitura pela frente.
◆ A autora já escreveu muitos livros para crianças.

moça que é a protagonista da história. Histórias como estas ajudam os jovens a seguir os próprios corações e lutar para aquilo que sabem é certo, superando todas as dificuldades. Na língua assamês, um livro intitulado Ekhon Circus Ashisil (“O circo chegou”) de Bandita Phukan, narra a história de um grupo de crianças, lidando com as pressões
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de crescer, que visitam um circo. A linda história Armani Champar Gaachi (“A árvore da Arménia”) de Mahashweta Devi cria uma história ao redor da vida de um jovem rapaz e a sua mãe em Behrampore, assim abrindo ao leitor, através de uma tradução, uma cultura pouco conhecida. Há muitas histórias de detectives na literatura de Bengala. A obra de ficção científica Paramaanu
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Lokadalli (“No mundo atómico”), de Rajashekhara Bhusanurmatha é sobre uma menina, o seu irmão e o cão deles a explorar uma cidade atómica. Há também o humor das obras de Satyajit Ray e Sukumar Ray, e o humor de Kuttichathan de V. Narasimhan (língua tâmul). Também há novos títulos como Adbhut 14000 Thi Vadhu Banti Vartao de Chandra Trivedi ou Dabbuji

ka Khazana (“Os tesouros de Dabbu”) de Abid Surti em língua guzerate e Moin and the Monster (“Moin e o Monstro”) de Anushka Ravishankar. Muitas editoras estão a publicar compilações. A editora Scholastic (India) está a publicar uma série de colecções temáticas sobre humor, fantasia, ficção científica e obras por crianças próprias numa série chamada For Kids by
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A indústria indiana de impressão
VIREN CHHABRA

egundo muitos relatórios, o mercado de impressão na Índia vai crescer a uma taxa mais elevada que o crescimento do PIB da Índia! Um estudo recente publicado por Pira International: PRIMIR World Wide Market for Print também prevê que a posição mundial do mercado indiano subirá da 12a posição em 2006 à 8a posição até 2011. A indústria de impressão na Índia já surgiu como uma área importante durante a última década e é entre os sectores que estão a crescer mais rapidamente na

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Índia, para além de ser um dos maiores sectores industriais. Há mais que 150.000 prelos activos em todo o país, que dão emprego a 1,3 milhões de operários. Há 18 faculdades para a engenharia de impressão, várias escolas que oferecem diplomas no sector e muitas instituições que têm cursos de formação. Todavia, o crescimento da indústria de impressão na Índia é

actualmente limitado às principais cidades urbanas e os frutos das tecnologias mais recentes ainda não chegaram à vasta maioria dos prelos pequenos e médios nas vilas mais pequenas. Foi anunciado há pouco que o governo indiano tem planos para criar 14 universidades na Índia, de uma qualidade internacional, que vão ter várias faculdades, incluindo as ciências sociais,

as humanidades, a tecnologia da engenharia, etc., em colaboração com as universidades internacionais. É provável que essa medida servirá para dar ainda mais ímpeto à indústria indiana de impressão. Cada vez mais prelos na Índia estão a concentrar-se no mercado de exportações e alguns também ganharam prémios para a excelência dos seus produtos. A

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e métodos de acabamentos. Há uma tendência para todos os produtos de impressão a utilizar múltiplas cores, juntamente com cores especiais e decorativas. Para além disso, as tiragens estão cada vez mais baixas e a maior possibilidade de crescimento está no mercado para pequenas tiragens em cor com prazos curtos de produção. O uso de processos que vão directamente do computador à película, do computador à placa e do computador à máquina de impressão já é comum e está a crescer cada vez mais. A indústria de impressão está também a implementar muitas transições na forma de “impressão digital”. A tecnologia digital, a competição global, a nova estrutura económica, as mudanças no mercado, os novos meios emergentes e outras forças do mercado juntamente estão a introduzir transformações dramáticas no ambiente operativa da indústria de impressão e assegurar que seja de qualidade internacional. A qualidade de impressão melhorou muito, especialmente impressões a cor, e cada vez mais prelos estão a instalar máquinas de produção digital e a fornecer serviços de impressão-por-encomenda e as outras vantagens oferecidas pelos prelos que utilizam a mais recente tecnologia de ponta.
◆ O autor é o antigo presidente da Federação Indiana dos Mestres da Impressão.

exportação indiana de matérias impressas cresceu de US$ 9,63 milhões em 1991-92 a US$ 255,78 milhões em 2006-07. Os processos de impressão são cada vez mais controlados e ajustados electronicamente, que resulta numa qualidade alta e consistente e maior
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produtividade. A tecnologia e os processos digitais também significam que a produção é completada mais rapidamente. As empresas indianas de impressão estão a oferecer uma maior flexibilidade no processamento de uma grande variedade de substratos, tintas
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As leis dos direitos de autor na Índia
Na medida em que a Índia abraça a globalização, a criatividade artística em todas as suas formas precisa de ser protegida de múltiplas violações dos direitos de autor. Embora as leis nacionais dos direitos de autor são rigorosas, é necessário que as entidades envolvidas recorrem à gestão colectiva dos direitos de autor.

O

transmissão etc. Se quaisquer desses actos forem realizados com respeito à obra por uma pessoa para além do proprietário, sem a devida autorização do proprietário ou uma autoridade competente, segundo os termos da Acta então constitui uma violação dos direitos de autor da obra. A Acta dos Direitos de Autor de 1957 protege as obras literárias originais de usos não autorizados. Ao contrário dos patentes, os direitos de autor protegem as expressões e não as ideias. Não há nenhum direito de autor para uma ideia. Os direitos de autor normalmente não protegem títulos por si ou ideias ou conceitos. Para gozar da protecção dos direitos de autor, a obra tem de ser original. “Obra de autores conjuntos” significa uma obra produzida pela colaboração de dois ou mais autores em que a contribuição de um autor não se distingue da contribuição dos outros autores. Os direitos de autor subsistem em toda a Índia no caso das obras literárias originais. Normalmente, o autor é o primeiro proprietário dos direitos de autor de uma obra. No caso de trabalho para o governo, o governo será o primeiro proprietário dos direitos de autor. No caso de uma obra por uma empresa estatal, a tal empresa estatal será o primeiro proprietário dos direitos de autor. No caso de uma obra literária produzida por um autor durante um emprego com o proprietário de um jornal, revista ou publicação periódica semelhante, sob um contracto de serviço ou aprendizagem, para o fim de publicação num jornal, revista ou

outros termos no acordo. Se o período da transmissão não for mencionado então é considerado ser cinco anos a partir da data da transmissão. Se o acordo não menciona o territorio dos direitos então presume-se que seja aplicável para toda a Índia. O autor de uma obra pode ceder todos ou quaisquer dos direitos incluídos nos direitos de autor ao informar a Conservatória dos Direitos de Autor através do devido impresso. Os direitos variam segundo a categoria da obra. Todos os direitos da obra original aplicam-se também a uma tradução também. O direito de reprodução geralmente significa que nenhuma pessoa pode fazer uma ou mais cópias de uma obra ou de uma parte substancial da obra em qualquer forma material sem a autorização do proprietário dos direitos de autor. A forma mais comum de reprodução é imprimir uma edição da obra. Uma pessoa não pode traduzir uma obra que goza dos direitos de autor sem a autorização do proprietário dos direitos de autor. Os direitos de autor surgem no momento em que a obra é criada e nenhumas formalidades são necessárias para adquirir os direitos de autor. As entradas na Conservatória dos Direitos de Autor servem como prova da primeira instância num tribunal jurídico. O Departamento dos Direitos de Autor foi estabelecido para registrar todas as variedades de obras. Tanto obras publicadas como as obras que ainda não foram publicadas podem ser registadas. Os direitos de autor para obras
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s direitos de autor são direitos legais atribuídos aos indivíduos que criam obras literárias. Os direitos de autor salvaguardam os direitos dos autores sobre as suas criações, assim protegendo e promovendo a criatividade. Todavia, se a protecção dos direitos de autor for aplicada rigidamente, pode impedir o progresso dessa sociedade. Por isso, as leis

sobre os direitos de autor são formuladas com necessárias excepções e limitações para assegurar que haja um equilíbrio entre os interesses dos autores e os da comunidade. Para assegurar um equilíbrio apropriado e viável entre os direitos dos proprietários dos direitos de autor e os interesses da sociedade, há excepções na

lei. Muitos tipos de obras, para fins sociais, como a educação ou as cerimónias religiosas etc., são isentos da operação dos direitos conferidos pela Acta. A Acta dos Direitos de Autor confere sobre o proprietário da obra um conjunto de direitos exclusivos que o permitem a obter benefícios financeiros ao exercer os direitos de reprodução, comunicação ao público, tradução, publicação,

publicação periódica semelhante o dito proprietário será, na ausência de qualquer outro acordo, o primeiro proprietário dos direitos de autor, mas em todos os outros aspectos o autor será o primeiro proprietário dos direitos de autor da obra. O proprietário dos direitos de autor de uma obra já existente ou o prospectivo proprietário dos direitos de autor de uma obra futura pode transmitir os direitos de autor a qualquer pessoa ou parcialmente ou inteiramente. Deve ser um acordo escrito assinado pelo indivíduo que está a transmitir os direitos e pelo seu agente devidamente autorizado onde, se a entidade a receber os direitos não exerce os direitos transmitidos durante o período de um ano a partir da data do acordo, a transmissão desses direitos será considerada sem efeito depois desse prazo a menos que não fossem acordados
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publicadas antes que a Acta dos Direitos de Autor de 1957 entrou em vigor também podem ser registados, caso a obra em questão ainda goze dos direitos. Quando uma obra foi registada como ainda não publicada e é publicada subsequentemente, então o candidato pode fazer um pedido para mudar os dados inscritos na Conservatória dos Direitos de Autor usando o Impresso V com os devidos custos de inscrição. Os direitos de autor são protegidos durante um período limitado de tempo. O período de protecção para os direitos de autor para obras literárias, dramáticas, musicais e artísticas é de 60 anos depois da morte do autor. O governo estabeleceu um Conselho sobre a Aplicação dos Direitos de Autor (CEAC) para rever o processo da implementação da Acta dos Direitos de Autor periodicamente e para aconselhar o governo sobre as medidas para melhorar a aplicação da Acta. Todos os
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governos dos estados e das regiões federais estabeleceram Células de Implementação para esse fim e também nomearam oficiais especiais para tratar desses assuntos. Não há tribunais especiais para os casos de direitos de autor. São julgados nos tribunais regulares. A Acta dos Direitos de Autor tem provisões para uma entidade quasi-judicial que se chama o Conselho dos Direitos de Autor para adjudicar certas variedades de processos sobre os direitos de autor. A Conservatória dos Direitos de Autor tem os poderes de um tribunal civil nos julgamentos sob o Código Civil. Os direitos de autor de cidadãos dos países que fazem parte da Convenção de Berna para a Protecção das Obras Literárias e Artísticas, a Convenção Universal dos Direitos de Autor e o Acordo TRIPS são protegidos na Índia através da Álvara dos Direitos Internacionais. Para proteger as obras indianas em países estrangeiros, a Índia assinou as
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convenções internacionais que governam os direitos de autor e os direitos associados. A administração colectiva dos direitos de autor é um conceito onde a gestão e a protecção dos direitos de autor das obras são implementadas por uma sociedade dos proprietários das obras. Obviamente, nenhum proprietário dos direitos de autor de qualquer obra pode seguir todos os usos que os outros fazem da sua obra. Quando um indivíduo se inscreve numa sociedade nacional dos direitos de autor, a sociedade usa as suas facilidades de organização e a sua força colectiva para supervisionar melhor o uso dessa obra em todo o país e para receber as devidas verbas dos direitos de autor das entidades que usam essas obras. Uma sociedade de direitos de autor é uma sociedade administrativa colectiva e registrada. Esse tipo de sociedade é formado pelos proprietários dos direitos de autor. Há sociedades registradas de direitos de autor na Índia. Em

muitos casos, é necessário obter autorizações de mais que uma sociedade. O autor de uma obra tem o direito de reivindicar ser o autor da obra e reivindicar compensação para qualquer distorção. Os direitos morais são disponíveis ao autor mesmo quando os direitos económicos já foram transmitidos. Os direitos morais são independentes dos direitos de autor e continuam com o autor mesmo se os direitos forem transmitidos. A falta de ter exposto uma obra ou a expor uma obra à satisfação do seu autor não será considerada uma violação dos direitos morais do autor. Se uma pessoa, por fins lucrativos, permite qualquer espaço a ser usado para comunicar a obra ao público, onde tal comunicação constitui uma violação dos direitos de autor da obra, será considerado uma infracção sob a Acta dos Direitos de Autor. O proprietário dos direitos de autor pode instituir acção legal
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contra qualquer pessoa que viole os direitos de autor da obra. O respectivo tribunal do distrito tem a jurisdição em processos civis na área da violação dos direitos de autor. Onde, no caso de uma obra literária, um nome alegando ser o do autor ou da editora aparece nos exemplares da obra publicada, é presumido ser o do autor ou da editora que publicou a obra. Quando qualquer pessoa reivindicando ser o proprietário dos direitos de autor ameaça qualquer outra pessoa com um processo legal, o partido injuriado pode instituir um processo declaratório afirmando que a alegada violação foi, de facto, uma violação. A violação deliberada dos direitos de autor é um delito criminal e é um delito reconhecido. Um oficial da polícia, não inferior ao grau de sub-inspector, pode confiscar todos os exemplares da obra sem uma ordem judicial para o efeito. O tribunal pode mandar que todos esses exemplares ou as películas de produção sejam entregues ao proprietário dos direitos de autor. Cada indivíduo que, no momento em que o delito foi cometido, era encarregado com a gestão da empresa será considerado culpado do delito, juntamente com a empresa em questão. Nenhum tribunal inferior ao de um Juiz Metropolitano ou um Juiz Judicial da Primeira Classe pode julgar qualquer delito sob a Acta dos Direitos de Autor.
◆ Excertos do Manual da Lei dos Direitos de Autor, Ministério do Desenvolvimento dos Recursos Humanos, Divisão dos Direitos de Autor, Governo da Índia.

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A feira internacional do livro de Nova Deli
NUZHAT HASSAN

Durante mais que três décadas, a feira internacional do livro de Nova Deli tem ligado as editoras e os leitores. É a maior feira do livro da região da África e da Ásia e já adquiriu o estatuto de ser um “universo de tesouros” para os bibliófilos de todo o mundo.
feira internacional do livro de Nova Deli (New Delhi World Book Fair ou NDWBF), organizada pela Fundação Nacional do Livro (National Book Trust – NBT), distinguiu-se como a maior feira de livros na região da África e da Ásia.

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A primeira NDWBF realizouse em 1972 em Windsor Place, no seio da cidade colonial desenhada por Lutyens em Deli, e teve quase 200 participantes da Índia e do estrangeiro. Todavia, foi em 1976 que a NDWBF adquiriu um ar profissional quando se transferiu às vastas instalações de Pragati Maidan, onde se realizam as feiras e as exposições. A partir de 1976, a NDWBF tornou-se num evento realizado de dois em dois anos. Em 2006 teve 1.293 participantes e o número está a aumentar cada ano. A feira também já começou a atrair participantes estrangeiros. Enquanto algumas das maiores feiras internacionais do livro tratam, geralmente, dos direitos dos autores, a NDWBF desenvolveu-se como um palco para editoras nacionais e internacionais e como uma oportunidade para os intelectuais e o público em geral a aceder a uma enorme gama de títulos. Também é uma interface entre autores, editoras, livrarias, tradutores, editores e agentes literários da Índia e do estrangeiro. A NDWBF introduziu o conceito de “País Convidado” em 2008 e a Rússia foi a primeira nação a ser convidada como parceira. A 19a edição da NDWBF realizarse-á em Pragati Maidan em Nova Deli entre 30 de Janeiro e 7 de Fevereiro de 2010.
◆ A autora é a directora da Fundação Nacional do Livro (NBT).

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