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Arlete Marcos Bila
Belinda Tomás Mungoi Tamele
Eulália Daniel Matusse
Helfas Samuel Cumbane
Patrício Joaquim Nhabangue
Sílvia Manuel Vilanculos Zacarias

Didática como ciência

Licenciatura em Ensino Básico
Nível II

Universidade Pedagógica
Gaza
2016

2 Arlete Marcos Bila Belinda Tomás Mungoi Tamele Eulália Daniel Matusse Helfas Samuel Cumbane Patrício Joaquim Nhabangue Sílvia Manuel Vilanculos Zacarias Licenciatura em Ensino Básico Trabalho de investigação. Naife. Sob orientação do dr. Universidade Pedagógica Gaza 2016 . sobre Didática como ciência para efeitos de avaliação na cadeira de Didáctica de Língua Portuguesa.

..........3.................................................................8 2......................Conceptualização................................................................................................................1........................................................7 2...........................................................4 1......................Conclusão...............1......................................................2..................................A linguagem como instrumento de comunicação.......................................6.....................7 2.............12 2.......................10 2...Objectivos.......2....2...........Especificidade da Didática de Portuguesa.............................11 2........3.......................Objetivos da Didáctica de Português.........................9 2............................................Introdução........................ 11 2.....................13 4.........................1.....................1..........Relação Didáctica e outras Ciências..............................1.................................14 ..............3...............1..................................................................7 2.....................6 2......................................................3 Índice 1...............................6.............................7 2.........Princípios metodológicos da Didática da Língua Materna........................3....3.....................................Referências bibliográficas....................2...4............6...............................................Multidimensionalidade e especificidade do saber linguistico.........................................................................................12 2............2......................................................Concepções de linguagem...................8 2......................................5 1........................Objetivos específicos:.......8 2.........................A linguagem como interação..........Objecto de estudo da Didáctica...................Psicologia...Especificidade e princípios metodológicos da Didática do Português....................................5 2....12 3......A linguagem como expressão do pensamento..........................6............................5 1..........................4..................................3.......................................................................................5...............................9 2...........Especificidade da didáctica da Língua Materna.............................1.........6.............................................2..................2...Biologia.....................................................................Contribuição da ciência da linguagem e da comunicação para o ensino e aprendizagem da língua....................................Objetivos Geral...............................................................................3..........................................................................

para alistamento das obras usadas na produção do trabalho. a conclusão. Para a elaboração do presente trabalho para além dos conhecimentos práticos que possuímos. nas áreas de formação de professores visto que esta é concebida e mediada de uma boa forma para que os formandos possam assimilar com eficácia. demonstração da importância e relacionamento dos conceitos da investigação (Didactica. De forma específica vamos definir. distinguir. no âmbito de apresentação de temas investigativos. relacionar . onde vamos trazer interpretações sólidos e fundamentados por diferentes autores de destaque que debruçaram-se sobre o tema em alusão e também recorremos a pesquisa documental. detalhar outros aspectos importantes alusivos ao tema. a parte de apresentação responsável pela definição. onde de forma mais sintética traremos as ideias inessenciais da nossa investigação e referências bibliográficas. O trabalho está organizado em quatro partes. nomeadamente a introdução. principalmente nas escolas. distinção. iremos usar a pesquisa bibliográfica.Introdução No nosso dia-a-dia é muito frequente ouvir-se falar da didática em varias campos do saber. O presente trabalho visa trazer uma compreensão da Didática como ciência. como parte metodológica do PEA. para recolher informações em diversos relatórios. O trabalho que iremos apresentar é sobre a Didática como ciência e constitui matéria de apresentação em grupo durante seminários. monografias e teses de doutoramento . onde de forma objectiva apresentaremos o que pretendemos investigar.4 1. lingua).

1. para recolher informações em diversos relatórios.5 1.3.Objectivos 1. onde vamos trazer interpretações sólidas e fundamentadas por diferentes autores de destaque que debruçaram-se sobre o tema em alusão e também recorremos a pesquisa documental. 1.2. Descrever os objetivos da Didática de Português. Relacionar a Didática com outras ciências.1. monografias e teses de doutoramento .Objetivos Geral  Compreender a Didática como ciência.1. iremos usar a pesquisa bibliográfica.Metodologia Para a elaboração do presente trabalho para além dos conhecimentos práticos que possuímos.2.Objetivos específicos:    Identificar o objeto de estudo da Didática.1.

A língua não é uma nomenclatura. HOUAISS. (2001) Gnerre (1998:6). os conteúdos escolares. mas um instrumento de comunicação que nos permite a análise da realidade que lhe é exterior.Conceptualização Na óptica de Libâneo (1990:52) Didática é uma disciplina da pedagogia que estuda o processo de ensino através dos seus componentes.6 2. a língua é um sistema comunicativo ao alcance de uma parte reduzida dos integrantes de uma comunidade. fixados na tradição escrita. . o ensino e aprendizagem. é um sistema associado a um patrimônio cultural apresentado como um “corpus” definido de valores.

2. a responsabilidade.2.3.Psicologia Psicologia. indica à Didáctica as oportunidades que melhor favorecem a expansão/desenvolvimento da personalidade bem como os processos que melhor garantem a efectivação da aprendizagem.7 2.Relação Didáctica e outras Ciências Psicologia Fisiologia Sociologia DIDÁCTIC A Biologia 2. a liderança.2. . o objeto de estudo da Didática é o processo de ensino.2. observação.2.1. analise. 2. síntese) ”. “Processo de ensino é uma sequência de actividades do professor e dos alunos. 2.1.Biologia A Biologia orienta sobre o desenvolvimento físico e os índices de fadiga dos alunos. tendo em vista a assimilação de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades através dos quais os alunos aprimoram capacidades cognitivas (pensamento independente.Sociologia A Sociologia indica as formas de trabalho que permitem desenvolver a solidariedade. 2.Objecto de estudo da Didáctica Segundo Libâneo (1990:54). (Libaneo :1990).

2. de modo a ser um utilizador proficiente da mesma.8 2. (1989). Tem de estar informado sobre todos os campos da Língua. de forma que se possam efectivar os propósitos da educação.Especificidade e princípios metodológicos da Didática do Português O professor de Português deve ser um individuo que produz e reproduz a sua competência falante. pelo que o ensino de um conteúdo tão conhecido de todos é inevitavelmente diferente do ensino de outra disciplina” Reis & Adragão. 1989). atuando didaticamente. Segundo Reis apud Adragão (1989). também falantes nativos da mesma língua. assim como um utilizador consciente de estratégias de ensino. descrever e interpretar.3.4. a sua capacidade de observar.2. O aprendente é o mais importante centro da aprendizagem. que a dominam em diferentes graus de proficiência.Especificidade da Didática de Portuguesa 2. “Os alunos estão permanentemente expostos ao uso da Língua Portuguesa. 2. Não se pode ensinar uma língua desconhecendo como se ensina. personalizado. os professores de Português deverão ter uma formação que promova a análise e reflexão sobre os objetivos específicos da sua função. coordenando-as numa visão que tem por fim explicar o educando como um ser completo que necessita de atendimento adequado.1.Filosofia A Filosofia actua na integração das demais ciências que servem de base à Didáctica. e à sua utilização. . mas que a dominam e conhecem (Reis & Adragão. "ensinar a língua materna é tarefa que pouco se assemelha à dos outros docentes e exige uma atitude didáctica original e consistente". em todos os contextos do seu quotidiano. uma vez que o código linguístico que é ensinado não é desconhecido dos alunos. em particular na relação que se estabelece entre o professor e os alunos.3.2.Especificidade da didáctica da Língua Materna A Didática da Língua Portuguesa ocupa um lugar muito peculiar no ensino.3.

3. É crucial que o professor proporcione instrumentos de modo a que os alunos sejam capazes de relacionar a língua consegue mesmos numa tripla perspetiva: a língua como objeto de conhecimento (aspeto cognitivo).Objetivos da Didáctica de Português  Criar condições para que o aluno desenvolva sua competência comunicativa.Princípios metodológicos da Didática da Língua Materna Sendo o centro do processo ensino-aprendizagem. interessando – se em ampliar seus recursos expressivos. As aulas de Português devem assegurar que a aquisição e o aperfeiçoamento das componentes da prática da língua que acontecem nas aulas se caracterizam pela diferenciação face às que acontecem noutros contextos. sua capacidade de utilizar a língua de modo variado e adequado ao contexto. formais ou informais. repelindo qualquer discriminação baseada nessas diferenças. através da leitura e da escrita é um comportamento que deve ser regulado pelo professor.3.9 2. 2. reconhecer. detentor de competências e de um ritmo próprio. respeitar e valorizar a pluralidade cultural (costumes. valores). o aluno torna-se mais importante do que propriamente os conteúdos que são lecionados na aula de Língua Materna. como objeto de fruição (aspeto lúdico/afetivo) e como objeto de comunicação (Figueiredo. às diferentes situações e práticas sociais. de aprendizagem. como lugar singular de treino e de consciencialização linguística. pois a ele cabe propor comportamentos verbais adequados a cada situação e eficientes no alcance dos objetivos definidos. contribuindo activamente para a sua conservação. “Cada aluno é um ser único e diferente. bem como em gêneros.4. Comunicar oralmente ou por escrito. 2005). seu  domínio da língua padrão nas modalidades oral e escrita. regionalismos. classes sociais e outras características individuais e sociais. sendo que a aprendizagem deverá ser efetuada por aquisições e enriquecimentos sucessivos” O docente deverá ter a nítida consciência de que a língua é inata a todos os falantes e que a sua execução varia e sugere estratégias diversificadas. Conhecer. discursiva. .

de certa forma. Demonstrar interesse pela leitura e familiarizar-se com diferentes gêneros de texto. segundo Soares (2011:15). a aprendizagem da língua materna.10    Expressar autonomia. este último é que. mas não se ensina a linguagem escrita”. Participar em situações de intercâmbio oral. cooperação. respeitando os variados pontos de vista.Multidimensionalidade e especificidade do saber linguistico Apropriar-se da escrita é muito mais que aprender a desenhar e a decifrar as letras. trocar experiências como falante ou como ouvinte. considerando a situação de uso e refletir   criticamente a respeito dessa prática da linguagem. Expressar sentimentos. 2. considerando-a um processo permanente. vai além de saber formar palavras e realizar uma leitura mecânica sem uma real inferência com aquilo que se está lendo. atribuir um significado demasiado abrangente à alfabetização. respeitando e escutando a fala do outro. que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita. expor ideias. Tem-se tentado. De acordo com Vygotsky (1991:119). A alfabetização não se dá por uma capacidade motora de escrever e/ou ler. nunca é interrompido.5. . ultimamente. tolerância. inferência e o aluno deve saber relacionar o que está lendo com o contexto em que está inserido. Entretanto. que se estenderia por toda a vida. deve ser um processo que envolva sentidos de dentro pra fora e não simplesmente uma coordenação treinada e adquirida pelo aluno por meio da intervenção do professor. não basta que o professor ensine mecanicamente. quer escrita. argumentar e contra-argumentar. é um processo permanente. solidariedade. “ensina-se as crianças a desenhar letras e construir palavras com elas. é preciso diferenciar um processo de aquisição da língua (oral e escrita) de um processo de desenvolvimento da língua (oral e escrita). a leitura deve ser carregada de criticidade. quer oral. É verdade que. Produzir diferentes tipos de textos orais e escritos. O processo de alfabetização e letramento pode ser considerado um processo permanente. sem dúvida. interpretando e refletindo sobre os pensamentos de seus colegas. nunca interrompido.

A aquisição da linguagem deve ser carregada de significados e sentidos sempre permeada pela mediação e interação social. de sujeito. por isso o professor deve lançar mão de todas as estratégias que conhece e. a aprendizagem e o enriquecimento do vocabulário. compreender. (FREIRE. “o significado é compreendido como a generalização que permite ao homem conhecer o outro.Contribuição da ciência da linguagem e da comunicação para o ensino e aprendizagem da língua Para o ensino de lingua são apontadas as concepções abaixo. se necessário. de mundo. Pode-se considerar que a alfabetização tem que levar o sujeito a não apenas escrever e ler. 1989).Concepções de linguagem Cada momento social e histórico demanda uma percepção de língua. 2012) 2. para que o aluno saia da escola dominando leitura e escrita” (MONTEIRO. inferir. escrever. porém o desenvolvimento. buscar outras.11 A aquisição da língua materna pode ser um processo finito. se expressar. “Apropriar-se da língua não é um processo fácil. sabendo ler. e que cada uma delas explica o ensino aprendizagem de uma lingua. pois como ser inacabado.1. já o sentido se liga ao contexto vivenciado”.6. . 34). Para Zuin (2009.6. “O professor deve ter consciência que alfabetizar não é apenas ensinar a ler e escrever. p. o aluno precisa sair da escola. 2. demonstrando o caráter dinâmico da linguagem no meio social em que atua. a todo tempo o sujeito se transforma e nessas transformações ocorrem o desenvolvimento. o enriquecimento da língua é um processo interminável. fazer uso social da escrita”. mas também a se expressar por meio da escrita e a compreender o que está lendo.

empregada para transmitir uma mensagem. Nessa concepção. os sujeitos são vistos como agentes sociais. 2. a língua "é vista como um código. conforme Geraldi (1984). entre interlocutores.4. pois é por meio de diálogos entre os indivíduos que ocorrem as trocas de experiências e conhecimentos. as pessoas não se expressam por bem porque não pensam. informações de um emissor a um receptor" (Travaglia.6.A linguagem como instrumento de comunicação Na segunda concepção. A enunciação é um ato monológico. realizado através da interação verbal. 1996: 21). emprega a linguagem não só para expressar o pensamento ou para transmitir conhecimentos.12 2. atuar sobre o outro e sobre o mundo. um conjunto de signos que se combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem. a língua se constitui em um processo ininterrupto. o indivíduo. p. 1996. Ela reconhece um sujeito que é ativo em sua produção linguística. ou seja. 2. social.6.3. que não é afectado pelo outro nem pelas circunstâncias que constituem a situação social em que a enunciação acontece (Travaglia. uma informação. individual. que realiza um trabalho constante com a linguagem dos textos orais e escritos. A expressão se constrói no interior da mente. De uma forma sintética entende-se que nesta concepção. linguagem como instrumento de comunicação. . sendo sua exteriorização apenas uma tradução.A linguagem como interação Segundo Bakhtin/Volochinov (1992).6. a linguagem é concebida como uma ferramenta. mas também para agir. não sendo um sistema estável de formas normativamente idênticas. Assim. 22).2.A linguagem como expressão do pensamento Para essa concepção.

pelo que o ensino de um conteúdo tão conhecido de todos é inevitavelmente diferente do ensino de outra disciplina” Reis & Adragão. o ensino e aprendizagem. . também falantes nativos da mesma língua. em todos os contextos do seu quotidiano. que a dominam em diferentes graus de proficiência. mas que a dominam e conhecem (Reis & Adragão. os conteúdos escolares. em particular na relação que se estabelece entre o professor e os alunos. (1989).Conclusão Didática é uma disciplina da pedagogia que estuda o processo de ensino através dos seus componentes. A Didática da Língua Portuguesa ocupa um lugar muito peculiar no ensino. e à sua utilização. “Os alunos estão permanentemente expostos ao uso da Língua Portuguesa.13 3. 1989). uma vez que o código linguístico que é ensinado não é desconhecido dos alunos.

(1989). 2001. São Carlos. & Magalhães. Rio de Janeiro: Objetiva.   Amor. (2015). Mikhail. M. . 2008. Lisboa: Texto Editora. J. O movimento do processo de significação na criança: uma parceria entre leitor e escritor.14 4. L.  MONTEIRO. Didática do português.Referências bibliográficas  HOUAISS. J. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 231 p. M. Didática do Português. São Paulo: Hucitec. Antônio. O. J. 1992. Aprendizagens de uma professora alfabetizadora após a formação inicial. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. das teorias às práticas. Buescu. 2012  TRAVAGLIA. C. GERALDI. pdf>. Portos de passagem. Paulo. Porto: Edições ASA. & Adragão. FREIRE. Programa e metas  curriculares de português do ensino básico. 1996. São Paulo: Cortez.org. C. (2005). H. C. São Paulo: Martins Fontes. br/reunioes/27/gt10/t106. Lisboa: Ministério da Educação e Ciência. BAKHTIN. M. 1997  BAKHTIN. E. Gramática e interação: uma  proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. FREIRE. Madalena. F. Marxismo e filosofia da linguagem. (1996). 2008.. Marxismo e filosofia da linguagem. Didática do Português Língua Materna – dos programas de ensino às  teorias... São Paulo: Paz e Terra. São Paulo: Hucitec. ZUIN. R.anped./VOLOCHINOV. W. 1995. Hilda Maria. Educador educa a dor. 6. Concepções de linguagem. Rocha. Disponível em: <http://www. In: ______.. Universidade Federal de São Carlos. São Paulo: Cortez. Morais. 1989. Figueiredo. V.Acesso em: 26 mar. Poliana Bruno. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Educação e    Ciências Humanas. ed. Reis. 2009. Lisboa: Universidade Aberta. 2009.