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Leitura e Escrita

na Era Digital
Cleide J. M. Pareja

Curitiba
2013

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Ficha Catalográfica elaborada pela Fael. Bibliotecária – Cassiana Souza CRB9/1501
Pareja, Cleide J. M.
P227l

Leitura e escrita na era digital / Cleide J. M. Pareja. – Curitiba:
Editora Fael, 2013.
139 p.: il.
ISBN 85-64224-95-7
Nota: conforme Novo Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa.
1. Leitura e escrita. 2. Produção textual. 3. Tecnologia da
informação e comunicação. I. Título.
CDD 302.2

Direitos desta edição reservados à Fael.
É proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa da Fael.

Editora fael
Gerente Editorial
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Edição
Revisão
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Capa
Fotos da Capa

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William Marlos da Costa
Sandro Niemicz
Jaqueline Nascimento
Fernanda Calvetti Corrêa
Karlla Cristyne Plaviak
Quieliton Camargo Batista
Suat Gursozlu
Toria
Yuralaits Albert

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Apresentação

Atualmente, sae-se ue o estudo da língua portuguesa
na Era Digital mostra-se absolutamente necessário, posto que o
domínio da palavra escrita e falada não mais representa um talento
particular, mas um atributo essencial do profissional competente,
atualizado, moderno e eficaz.
No entanto, pergunta-se: quem nunca teve dúvidas sobre a
língua portuguesa na hora de falar ou de escrever? Muitas pessoas, apesar de lerem e de escreverem diariamente, apresentam
dificuldades.
A proposta da autora Cleide J. M. Pareja é de facilitar a comunicação, assim como de mostrar, de forma simplificada, como os
atos de escrever e de falar bem não são tão difíceis, como muitos

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se colocadas em prática. ver e praticar a linguagem de forma a ampliar o conhecimento já interiorizado pelo usuário da língua e aumentar sua capacidade de expressar-se e interagir nos mais diferentes contextos e circunstâncias que a vida moderna exige. Fundamentos e Métodos (2010) e Literatura Infantojuvenil (2011). atenta à aplicação prática do assunto. mostrando-se capazes e produtivos.indd 4 04/11/2014 08:22:54 . sobretudo em relação à oposição entre a fala e a escrita.Leitura e Escrita na Era Digital imaginam. Ou seja. uma produção textual bem redigida. certamente contribuirão para transformar o estudo na Leitura e Escrita na Era Digital na competência de ouvir. promovendo. Alfabetização. ou seja. As reflexões aqui veiculadas abrem um leque de possibilidades de uso da língua que. em cada capítulo. ela procura trabalhar o domínio da linguagem a partir de uma perspectiva da diversidade linguística. Na obra. A autora também objetiva expor um trabalho prático e incessante a fim de que os indivíduos desenvolvam a habilidade de realizar a comunicação de forma coerente. apoiada em referenciais teóricos que envolvem a conceituação e o estudo da linguagem. precisam expressar-se corretamente. nas modalidades presencial e a distância. Atualmente. é professora titular da Fael. aborda. noções teóricas e exemplos de situações práticas de comunicação e de linguagem que auxiliarão o leitor no desenvolvimento da língua falada e escrita. a autora está. tanto na modalidade escrita quanto na oral. dos mais variados ramos de atividade. bem como o estudo de gêneros virtuais e tex­tuais. Assim. com clareza e objetividade. ainda. em um mundo no qual a comunicação é o elemento propulsor do desenvolvimento. às diferentes formas como a linguagem é apresentada e à maneira como os falantes de uma língua fazem uso dela. Veridiana Almeida* * Doutora em Literatura e Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina. –  4  – Leitura_Escrita_Era_Digital. profissionais. nos níveis de graduação e de pós-graduação. também. É autora das obras Fundamentos e Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa (2010). dessa forma. Também deixa claro que. empenha-se em destacar a contribuição da leitura para o desenvolvimento do potencial criativo da experiência existencial do indivíduo.

Sumário Prefácio | 7 1 Homem e linguagem | 9 2 Leitura e escrita | 31 3 Construção do texto | 51 4 Tecendo os parágrafos | 67 5 Gêneros textuais e tipos de textos | 83 6 Novas tecnologias da informação e da comunicação | 113 Referências | 133 Leitura_Escrita_Era_Digital.indd 5 04/11/2014 08:22:57 .

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indd 7 04/11/2014 08:23:00 . os conceitos básicos para o ensino das competências indispensáveis de leitura e escrita situam-se na visão sociointeracionista do letramento acadêmico. no primeiro ano. um ensino de leitura e escrita que atenda à demanda exigida pelo próprio meio. Leitura_Escrita_Era_Digital. portanto. A linguagem é então vista como um conjunto de atividades e uma forma de ação. a maioria dos currículos do ensino superior não assumem para si a responsabilidade do desenvolvimento dessas competências nos alunos. o que acabará interferindo na aprendizagem dos conteúdos ensinados nas diversas disciplinas do curso escolhido Neste livro. é necessário ofertar. em especial de textos acadêmicos. No entanto.Prefácio O espaço universitário caracteriza-se como um espaço letrado que exige pessoas proficientes na leitura e na produção textual. ao se concentrarem em seu desenvolvimento para interagir com o mundo na posição de escritor e leitor de textos.

Graduada em Letras pela Universidade do Contestado.indd 8 04/11/2014 08:23:00 . É possível perceber que. apresentando conceitos fundamentais sobre linguagem. o terceiro foca sua atenção no estudo do parágrafo. seguindo este caminho. São seis capítulos: o primeiro discorre sobre a importância da linguagem para o homem. ao final do semestre os acadêmicos conseguem ler. as variedades linguísticas e as funções da linguagem. apresenta os procedimentos de leitura e sua estreita relação com a produção do resumo.Leitura e Escrita na Era Digital O objetivo desta obra é possibilitar aos alunos o domínio das habilidades de leitura e produção de textos acadêmicos para facilitar a entrada em todas as áreas do conhecimento. o quarto incide sobre a forma e recursos para manter a coesão e a coerência no texto. escrever e entender melhor os textos com os quais têm contato. M. o segundo. língua e fala. Pareja é doutoranda em educação pela Universidade Católica de Santa Fé. Com a clareza dos conceitos trabalhados e um exercício contínuo de produção e revisão dos textos escritos. sobre leitura e escrita. a leitura e a escrita na Era Digital. é professora de graduação e pós-graduação da Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina e Especialista em Letras pela Universidade Federal do Paraná. A autora. interativo e dinâmico. A forma como a obra foi estruturada é fruto de anos de experiência com alunos ingressantes na graduação e em diferentes cursos. –  8  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Desvenda-se o mistério da leitura e da escrita. Escola e Educação.* * Cleide J. criadora do mestrado e doutorado em educação da Univali. Bolsista da CAPES como coordenadora de área no programa institucional de bolsas de incentivo à ­docência (PIBID/LETRAS) da Univali. Pesquisadora do Grupo Cultura. o quinto apresenta os diversos gêneros e tipologias textuais e no sexto capítulo são apresentados os gêneros textuais virtuais. certamente os professores que interagem com os alunos conscientizam a todos de que a língua deve ser aprendida como um instrumento social. Autora de vários livros didáticos para o curso de letras EaD da Univali. sua estrutura e tipos de desenvolvimento.

1 Homem e linguagem Neste capítulo.indd 9 04/11/2014 08:23:03 . realizaremos uma reflexão sobre os conceitos linguísticos fundamentais para a aprendizagem e o ensino da língua portuguesa. Leitura_Escrita_Era_Digital. as diferentes formas como a linguagem é apresentada e a maneira como os falantes de uma língua fazem uso dela. Serão abordados os conceitos de linguagem. Serão apresentadas ainda as funções da linguagem e suas variações. língua e fala.

convergem” (VYGOTSKY. o filósofo Louis Hjelmslev (1975. seus sentimentos. língua e fala No dia a dia. sua vontade e seus atos.indd 10 04/11/2014 08:23:03 . p. pode envolver o pensamento e o simbólico. emoções e desejos por meio de símbolos produzidos de maneira deliberada”. Isso porque a linguagem humana pode ser articulada por seu usuário. Também será possível diferenciar os conceitos de linguagem. 367). “o momento de maior significado no curso do desenvolvimento intelectual. acontece quando a fala e a atividade prática. então duas linhas completamente independentes de desenvolvimento.1 Linguagem. Segundo Vygotsky. a linguagem. língua e fala e reconhecer a variação linguística como uma manifestação decorrente das influências recebidas no contato com as diversas culturas existentes em nosso país.Leitura e Escrita na Era Digital Ao final do capítulo. e quando o conflito se resolve no monólogo do poeta e na –  10  – Leitura_Escrita_Era_Digital. porque é o código utilizado em grande parte dos nossos atos de comunicação. no Dicionário de comunicação (RABAÇA. a base última e mais profunda da sociedade humana. p. A língua é. o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado. Dessa forma. sem dúvida. será possível identificar os elementos da comunicação. 15) apresenta. a representação da sua realidade e suas relações nos atos comunicativos. p. Assim. a língua possibilita ao homem criar e agir sobre a realidade. No texto a seguir. Mas é também o recurso último e indispensável do homem. além de distinguir as funções da linguagem em relação aos elementos do processo comunicativo. seus esforços. que dá origem às formas puramente humanas de inteligência prática e abstrata. de modo filosófico e literário. encontramos a seguinte definição: “a linguagem é um fato exclusivamente humano. um método de comunicação racional de ideias. costuma-se afirmar – o que cientificamente comprova-se – que a linguagem diferencia o homem dos demais animais. um dos mais importantes produtos da cultura. 1987. 2010. A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela seu pensamento. a fala humana é uma inesgotável riqueza de múltiplos valores. 12). A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. a indiscutível importância da linguagem para o homem: A linguagem. 1. seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta com a existência. suas emoções.

2002. falar. tais como: “mamá” (comida). o título de nobreza da humanidade.indd 11 04/11/2014 08:23:03 . inicia-se a repetição do que se ouve. força e calor A linguagem não é um simples acompanhante. Na sequência. vão propiciar o desenvolvimento desse domínio. ela é o tesouro da memória e a consciência vigilante transmitida de pais para filhos. mas sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento. é salutar. por outro. com pouquíssimas palavras que. graças às lembranças encarnadas pela linguagem. no início restrita. dependendo do contexto e das situações relacionadas com a linguagem.2 mil palavras e. desde as mais humildes ocupações da vida quotidiana aos momentos mais sublimes e mais íntimos dos quais a vida de todos os dias retira. a partir do momento em que as habilidades de leitura e escrita passam a ser dominadas. em geral. Após o processo de domínio das quatro habilidades. associado com o desenvolvimento físico. da terra natal e da nação. servem para várias situações e objetos. “pápa” (pai). 15). Nasce a fala. Antes mesmo do primeiro despertar de nossa consciência. é preciso que a pessoa desenvolva várias habilidades necessárias ao processo de comunicação. pelo processo de imitação. para o indivíduo. Essas duas habilidades necessitam de aprendizagens diferenciadas. p. chegamos a 1 mil ou 1. começa-se a ouvir todos que estão próximos. porque. Para ler. –  11  – Leitura_Escrita_Era_Digital. é ruim aprender as duas habilidades separadamente e não como um conhecimento automático. a fala é a marca da personalidade. “mãma” (mãe). Por volta dos sete anos. as palavras já ressoavam à nossa volta. e assim por diante. a oralidade irá se transformar em linguagem simbólica. pois “para escrever é preciso ter um acervo de recursos e ter o que dizer sobre o assunto. Se. “papá” (comida).Homem e linguagem meditação do pensador. ler e escrever são as ações que. é preciso ter um acervo de recursos que permita compreender o texto” (LIMA. pode-se ficar com uma ou com outra (se tiver sorte). gradualmente. Para seu bem e para o mal. em caso de qualquer problema físico. Ouvir. por um lado. por volta dos 14 anos. Para dominar a linguagem como língua. A partir do nascimento (alguns estudiosos afirmam que até antes). prontas para envolver os primeiros germes frágeis de nosso pensamento e a nos acompanhar inseparavelmente através da vida. a 15 ou 20 mil. adquire-se uma competência muito mais importante do que simplesmente o domínio de uma ­língua.

Portanto. 1999. Isso porque cada palavra tem seu sentido reconhecido plenamente desde que se conheça o contexto no qual ela está inserida. linguagem e língua aproximam-se e diferem de que modo? Muitas palavras. As palavras não se limitam a exprimir o pensamento: é por elas que este acede à existência [. 40).Leitura e Escrita na Era Digital é a competência de pensar. logo existo”). língua. a compreensão da mensagem. p. vocábulo e léxico. tanto para o ensino. A compreensão do sentido da palavra. também. O pensamento sofre muitas alterações ao transformar-se em fala.. Ou seja. parecem sinônimas. há pensamento ou. encontra nela a sua realidade e a sua forma (VYGOTSKY apud IANNI. segundo a tradição. são elas: linguagem.. palavra. o conhecimento da importância da palavra para todo o processo de interação por meio da linguagem é fundamental. ergo sum” (“Penso. num determinado texto e contexto.indd 12 04/11/2014 08:23:03 . um movimento contínuo de vaivém entre a palavra e o pensamento: nesse processo a relação entre o pensamento e a palavra sofre alterações que. é que possibilitará. norma. mas apresentam conceitos diferentes cuja compreensão é importante. quanto para a aprendizagem de uma língua. Vygotsky pondera que a relação entre o pensamento e a palavra não é uma coisa mas um processo. Não se limita a encontrar expressão na fala. O pensamento e a palavra não são talhados no mesmo modelo: em certo sentido há mais diferenças do que semelhanças entre eles. O contexto é que definirá o real sentido de cada palavra. também elas.]. No entanto. podem ser consideradas como um desenvolvimento no sentido funcional. utilizadas para explicar o processo de comunicação. A estrutura da linguagem não se limita a refletir como num espelho a estrutura do pensamento. como se de um ornamento se tratasse. que torna o homem. discurso. Contexto Texto Palavra –  12  – Leitura_Escrita_Era_Digital. é por isso que não se pode vestir o pensamento com palavras. fala. como diz o filósofo Descartes: “Cogito. efetivamente humano. se há linguagem. sistema.

é possível inferir que é o falante que dá vida às palavras. Vamos observar o trecho a seguir: Palavras Palavras são iguais Sendo diferentes Palavras não são frias Palavras não são boas Os números pra os dias E os nomes pra as pessoas [. A linguagem é uma característica humana universal. símbolos. do grupo Titãs. pois. sob algum aspecto).Homem e linguagem Tal concepção fica evidente na música Palavras. Pode-se dizer que a linguagem vai se desenvolvendo por meio de um sistema de signos (algo que está no lugar de um objeto ou fenômeno. 2 relação arbitrária – regida por convenção. índice: exemplo – pegadas na lama – alguém passou por aqui. pelo contexto e pela compreensão de mundo do usuário. – 13 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Os signos estabelecem relações de sentido com o objeto que representam. visto que utiliza todos os códigos..indd 13 04/11/2014 08:23:03 . Marcelo Fromer e Sérgio Britto. símbolo: exemplo – as representações. Titãs. sinais para que sejam expressados pensamentos.. continuamente usadas na linguagem e no entendimento pessoal. ícone: exemplo – as imagens em geral. 1989 © Warner Chappel Music. percepções e sentimentos e para que a comunicação seja efetivada.] Palavras. É necessário passar por essas relações para se chegar ao domínio da linguagem. 2 relação de causa e efeito – afeta a existência do objeto ou por ele é afetado. a partir dela. das mais simples às mais complexas. São elas: 2 relação de semelhança – o signo é o objeto apresentado. signos. tornam-se convenções.

Segundo Saussure (1977. “nada entra na língua sem ter sido experimentado na fala. o discurso que se realiza a partir da compreensão da língua e do conhecimento de mundo de cada um. o uso individual da língua. pode ser escrita e falada. tem certa regularidade.Leitura e Escrita na Era Digital Já a língua é uma linguagem de caráter regional.indd 14 04/11/2014 08:23:03 . –  14  – Leitura_Escrita_Era_Digital. real. poderá alterar e criar uma nova regra. é potencial. A língua. a língua constitui-se por: um repertório/conjunto de signos que vão compô-la. então. e todos os fenômenos evolutivos têm sua raiz na esfera do indivíduo”. motivo pelo qual é considerada pelos usuários uma modalidade mais difícil. todas as línguas (para a comunidade lusófona. Porém. individual. à morfologia. O terceiro conceito a ser compreendido no processo de comunicação é a fala. falantes de uma mesma língua. Por se tratar de oralidade. é um sistema organizado de sons e sinais que a caracterizarão como o código de signos linguísticos de um determinado povo. São duas formas de uso que acabam tendo regras diferenciadas. Sendo assim. as regras de combinação que incluem as de organização dos sons e suas combinações. promovida pelo uso. Estamos nos referindo à fonologia. uma vez que. a língua portuguesa) têm uma estrutura própria para combinar os signos linguísticos. p. discursos diferentes. o que diferencia a língua da fala é que a primeira é sistemática. o falante pode desrespeitar as regras de combinação. a escrita deve atender às normas. Desse modo. Por esses motivos. é concreta. se este desrespeito tornar-se padrão. Podemos afirmar que dominamos uma língua quando conhecemos seu repertório de signos. as quais englobam as regras reguladoras do uso da linguagem em contextos sociais – no que diz respeito às funções e intenções comunicativas e à escolha de códigos a utilizar – e que devem ser aceitas pela sociedade para que haja inteligibilidade entre os atos de comunicação. a segunda é assistemática. as regras que determinam a organização interna das palavras e as que especificam a forma como serão ordenadas as palavras e a diversidade de tipos de frase. as regras de combinação e as regras de uso desses signos. coletiva. temos maior liberdade e despreocupação com a obediência às normas impostas pelo sistema linguístico. ao falar. possui certa variedade. à sintaxe da língua e às regras de uso. de uma mesma região e de uma mesma formação terão falas. 196). De acordo com o linguista.

22 A mensagem é mais longa do que na língua falada. É possível esquecer o inter­ cessada a cada momento a partir locutor. usando-as no lugar e no momento certo. pausa. Saber transitar pelas duas modalidades e ter controle de suas variedades. recomendamos o filme O discurso do Rei. com ênfase para orações coordenadas e presença de subordinadas. Criação coletiva. A respeito da importância do domínio da variedade oral da língua. melhor planejada. mentos. 22 A mensagem é transmitida de 22 A mensagem é transmitida de forma não forma imediata. em situação formal. e a ordenação da mensagem frases incompletas. com ênfase para orações truções simples. Criação individual. que os rodeiam. Estas são algumas características que diferenciam a possibilidade de uso da língua. Língua falada 22 Palavra sonora. que enfatizam o tuação tenta reconstruir alguns desses ele­ significado. imediata. 22 O emissor e o receptor conhecem 22 O receptor não conhece de forma direta a situa­ bem a situação e as circunstâncias ção do emissor e o contexto da mensagem.indd 15 04/11/2014 08:23:03 . 25). 22 O contexto extralinguístico tem 22 O contexto extralinguístico tem menos grande influência. como entonação. O escritor pode processar o texto a das reações do interlocutor. 22 É admitido o emprego de cons­ 22 Exigem-se construções mais complexas. O emprego dos sinais de pon­ sódicos. que tem esta questão como tema principal. 22 É mais subjetiva e pode ser repro­ 22 É mais objetiva. como podemos observar no quadro a seguir. mais elaboradas. –  15  – Leitura_Escrita_Era_Digital. partir das possíveis reações do leitor. ritmo e gestos. p. 22 A mensagem é breve. Língua escrita 22 Palavra gráfica. 22 São permitidos os elementos pro­ 22 Não é possível a utilização de elementos prosódicos. é fator decisivo na comunicação interpessoal. influência.Homem e linguagem As diferenças entre a língua falada e a língua escrita são muitas. adaptado de Mesquita (1995.

sonoro. há outras modalidades em uso. O DISCURSO do Rei. legenda. O jovem herdeiro da coroa britânica sofria de gagueira e tinha pânico de falar em público. considerada de pouco prestígio quando comparada à linguagem padrão. Inglaterra: Paris Filmes. (1978. p. além de oral e escrita.Leitura e Escrita na Era Digital Dica de filme O filme O discurso do Rei apresenta. 177). para liberar a fala do Rei George. repetições constantes. A modalidade popular é uma variante informal. classificada de dois modos: a modalidade culta ou língua-padrão e a modalidade popular. é a registrada nos dicionários e. portanto. podemos entender que há várias classes que não adotam a norma e. “norma é um conjunto de hábitos linguísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa no país”. O tema é atual. Direção de Tom Hooper. color. o trabalho realizado por um profissional que tem um método um tanto radical para os padrões da época. de forma envolvente e com grandes detalhes. –  16  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Logo. Sua característica é afastar-se da norma na construção sintática. ou língua cotidiana. é a que traduz a tradição cultural e a identidade de uma nação. pelo uso. portanto. uma vez que a maioria dos profissionais precisa ter o domínio da fala com propriedade para desempenhar bem suas funções.. 35 mm. contará com o empenho de sua esposa e do professor nada convencional de oratória. A modalidade culta é aquela associada à escrita. à tradição gramatical.indd 16 04/11/2014 08:23:04 . usar um vocabulário comum. 1 filme (118 min). gírias. com essa classificação. A língua. 2010. pode ser. Para superar suas dificuldades. Segundo Mattoso Câmara Jr.

2012. RECEITA cazêra minera de môi de repôi nu ái i ói.. históricos. 2 Quenta o ói na cassarola.com. pica o ái i soca o ái cum sá.alapinha. que ocorrem de região para região do Brasil.1. Acesso em: 22 out. Disponível em: <http://www. 2 Foga o repôi no ói quenti junto cum ái fogado.. entre os quais se destacam os geográficos. 2 Pica o repôi beeemmm finimm.. – 17 – Leitura_Escrita_Era_Digital.htm>.. de vocabulário e de sintaxe. 2 Sirva cum rôis e melete. O texto a seguir ilustra bem esta variedade com ênfase na pronúncia.Homem e linguagem 1.1 Variedades linguísticas As variedades linguísticas são determinadas por vários fatores. sociais e estilísticos. A variação geográfica está relacionada com as diferenças de pronúncia.br/Cardapio%20introducao.indd 17 04/11/2014 08:23:04 . 2 Põi a mastomati i mexi cum a cuié prá fazê o môi. Pção: cumpanha filezim de pescadim beemmm fritim. Receita cazêra minêra de môi de repôi nu ái i ói ingredientes 2 5 denti di ái 2 3 cuié de ói 2 1 cabessa de repôi 2 1 cuié di mastomati 2 Sár agosto Modi fazê 2 Casca o ái. 2 Foga o ái socado no ói quenti.

O léxico que cai em desuso chama-se arcaísmo e as palavras novas que surgem são classificadas como neologismos.. Autoria desconhecida. – 18 – Leitura_Escrita_Era_Digital. ou com o abandono de objetos. acaba interferindo na língua. citamos um exemplo de arcaísmo. que também é viva.. hábitos e costumes. Leia as duas versões e compare-as. Cuitelinho Cheguei na beira do porto Onde as onda se espaia as garça dá meia volta E senta na beira da praia E o cuitelinho não gosta Que o botão de rosa caia.indd 18 04/11/2014 08:23:05 . ai. a outra faia E os óio se enche d´água Que até a vista se atrapáia. com suas novas invenções. A variação histórica ocorre pelo processo de evolução do homem que. tão comum em certas regiões brasileiras. do folclore nacional. do século XVIII. ai A tua saudade corta Como aço de naváia O coração fica aflito Bate uma. A seguir. o trecho está com a escrita da língua portuguesa do passado. ai. apresenta a questão do uso dos plurais. ai. a qual transformou-se a ponto de pessoas não identificarem o sentido de algumas palavras pelas diferenças ortográficas.Leitura e Escrita na Era Digital A música Cuitelinho. ai Ai quando eu vim da minha terra Despedi da parentália Eu entrei no Mato Grosso Dei em terras paraguaia Lá tinha revolução Enfrentei fortes batáia.

mas eu prefiro aipim. 1995 © Edições Musicais Tapajós Ltda. Chopis centis Eu “di”um beijo nela E chamei pra passear. A gente fomos no shopping. Comi uns bicho estranho. Disse a maior que não havia coisa no mundo que amasse tanto como a ele. mas teve três filhas muito formosas e amava-as muito. da idade e do sexo dos usuários da língua.. e disse a outra que o amava tanto como a si mesma. mas também do grau de educação. Dise a mayor que nom auia cousa no mundo que tanto amase como elle. e dise a outra que o amaua tanto com a sy mesma. C.] Chopis Centis. A.indd 19 04/11/2014 08:23:05 . A variação social. do grupo musical Mamonas Assassinas. que era a meor. “Este Rei Lear não teve filhos. colocando o falar popular na linguagem escrita. 1991. Vejamos os usos diversos da conjugação verbal: nós vamos/nóis vai/nóis imo/nós vamo. Mamonas Assassinas. E um dia teve com elas uma discussão e disse-lhes que lhe dissessem a verdade. São Paulo: Ática. brinca com a questão das variedades linguísticas. E huum dia sas rrazõoes com ellas e dise-lhes que lhe disesem verdade. e dise a terçeira. p. qual d’ellas o amaua mais. – 19 – Leitura_Escrita_Era_Digital.. [.Homem e linguagem “Este rrey Leyr nom ouue filho. e disse a terceira que o amava tanto como deve uma filha amar um pai. com um tal de gergelim Até que tava gostoso. decorre não somente do poder aquisitivo. Dinho e Julio Rasec. mas ouue tres filhas muy fermosas e amauaa-as muito. qual delas o amava mais. que o amaua tanto como deue dámar filha a padre.” (VASCONCELOS apud FARACO. Prá “mode” a gente lanchar. 11). 1991. Linguística histórica. A música Chopis centis.” FARACO. como afirma Mattoso Câmara (1978).

Vejamos: Prolixo? Pro lixo. apresenta. histórica. 2006. – 20 – Leitura_Escrita_Era_Digital.indd 20 04/11/2014 08:23:05 . estabeleceu-se a noção de que. Dependendo da situação comunicativa. com um poema curtíssimo. como se faz (BAGNO. 27. o falante definirá qual o vocabulário a ser utilizado. p. que apresenta uma síntese sobre como ensinar a língua sem criar tanto preconceito. 2008. se a regra não for cumprida. por exemplo. pelo seu estilo. quando o autor brinca com a possibilidade de trocar algumas letras. O potencial estilístico de José Paulo Paes. ocorre um “erro”. De acordo com os ouvintes. o usuário poderá. ou a escrita das palavras. J. mais estigmatizado será. Marcos Bagno. envolvente e literária. Todas estas classificações acabaram por criar alguns preconceitos linguísticos com relação às variedades prestigiadas e às estigmatizadas. Conciso? Com siso. É de sua obra Preconceito linguístico – o que é. Quanto mais próxima está a variedade utilizada do que se denomina língua padrão. o argumento de que falar diferente não é falar errado e justifica linguística. é evidenciado no poema a seguir. Ao relacionar língua padrão com gramática. PAES. o grau de formalidade ou informalidade. consegue passar uma grande mensagem. p. Na escrita. mais prestígio social o falante terá. de forma clara. tornar-se um modelo ou um padrão. sociológica e psicologicamente o uso das variedades linguísticas. Além disso. P. o que torna o falante um sujeito desprestigiado socialmente. Poesia completa. e interferir no significado. em sua “novela” sociolinguística intitulada A língua de Eulália (1999).142-145) o texto a seguir. Sao Paulo: Companhia das Letras. quanto mais distante. a pessoa pode usar uma modalidade ou outra.Leitura e Escrita na Era Digital A variação estilística é provocada pelo ato da fala e pela escrita.

por isso ele sabe essa língua. O que hoje é visto como “certo” já foi “erro” no passado. não existe) com simples erro de ortografia. uma criança já domina integralmente a gramática de sua língua. Um exemplo: no português medieval existia um verbo leixar (que aparece até na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Conscientizar-se que toda língua muda e varia. é imposta por decreto. por isso ela pode mudar.indd 21 04/11/2014 08:23:06 . Entre os 3 e 4 anos de idade. Nada é por acaso. 3. afinal. A ortografia é uma decisão política. 2. Não confundir erro de português (que. Assim. o problema está com a regra tradicional. Em 1899 as pessoas estudavam psychologia e história do Egypto. Manuel I). e muda de uma época para outra. Reconhecer que tudo o que a Gramática Tradicional chama de erro é na verdade um fenômeno que tem uma explicação científica perfeitamente demonstrável. Conscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua. O que hoje é considerado “erro” pode vir a ser perfeitamente considerado como “certo” no futuro da língua. que é natural. o que permitiu a troca de uma pela outra. 5. que são falantes nativos e perfeitamente competentes de sua língua. A ortografia é artificial. Existem diferenças de uso ou alternativa de uso em relação à regra única proposta pela gramática normativa. Com o tempo. ao contrário da língua. em 1999 elas estudavam psicologia e história do Egito. esse verbo foi sendo pronunciado deixar porque [d] e [l] são consoantes aparentadas. Se milhões de pessoas (cultas inclusive) estão optando por um uso que difere das regras prescritas nas gramáticas normativas é porque há alguma nova regra sobrepondo-se à antiga. e não com as pessoas. 4. Línguas que não têm escrita nem por isso deixam de ter sua gramática.Homem e linguagem Dez cisões Para um ensino de língua não (ou menos) preconceituoso 1. Aceitar a ideia de que não existe erro de português. – 21 – Leitura_Escrita_Era_Digital.

pois isso equivale a respeitar a integridade física e espiritual dessa pessoa como ser humano. Respeitar a variedade linguística de toda e qualquer pessoa. para nós. 10. ed. no início de cada ano letivo este indivíduo poderá comemorar a volta às aulas. usa mesmo um travessão onde nós inserimos um verbo de ligação). por exemplo. Ensinar para o bem significa respeitar o conhecimento intuitivo do aluno. de eu sou infeliz. da vida. um indício do que será a língua no futuro. 6. Outras. Ela simplesmente vai.indd 22 04/11/2014 08:23:07 . ela nos constitui enquanto seres humanos. é elevar e não rebaixar a autoestima do indivíduo. Nós somos a língua que falamos. em sua transformação. 7. Ora línguas como o inglês. Uma vez que a língua está em tudo e tudo está na língua. A língua que falamos molda nosso modo de ver o mundo e nosso modo de ver o mundo molda a língua que falamos. na escrita. Ensinar para o bem é acrescentar e não suprimir. na verdade. isto é. Preconceito linguistico: o que é. nem mal. a diferença entre ser e estar é fundamental: eu estou infeliz é radicalmente diferente. prossegue em sua evolução. em vez de lamentar a volta às jaulas! BAGNO. (Alguém já me disse que talvez por isso o professor de português devesse receber um salário igual à soma dos salários de todos os outros professores!). Ensinar bem é ensinar para o bem. segue seu rumo. 2006. que não pode ser detida (a não ser com a eliminação física de todos os seus falantes). por exemplo. valorizar o que ele já sabe do mundo. São Paulo: Edições Loyola. 47. não têm verbo nenhum. o professor de português é professor de tudo. A língua permeia tudo. – 22 – Leitura_Escrita_Era_Digital. reconhecer na língua que ele fala a sua própria identidade como ser humano.Leitura e Escrita na Era Digital Hoje quem pronunciar leixar vai cometer um “erro” (vai ser acusado de desleixo). Por isso é bom evitar classificar algum fenômeno gramatical de “erro”: ele pode ser. como o russo. 9. dizendo algo assim como: Eu-infeliz (o russo. M. muito embora essa forma seja mais próxima da origem latina. Somente assim. o francês e o alemão têm um único verbo para exprimir as duas coisas. Para os falantes de português. laxare (compare-se. o francês laisser e o italiano lasciare). como se faz. 8. Dar-se conta de que a língua portuguesa não vai nem bem.

situação ou objetos reais ao qual a mensagem remete. aquele que lê ou escuta. João Ubaldo Ribeiro (escritor brasileiro). Este documentário premiado de Victor Lopes apresenta uma viagem pelo mundo com entradas em todos os países em que há falantes da língua portuguesa. vidas em português. 35 mm. Sua estrutura narrativa circular prende o interlocutor. assista ao filme Língua. color.. que é o conjunto de signos e regras de combinação a ser usado. ele precisa de um emissor. um referente. sonoro. a própria compreensão de língua como um sistema regido por normas é constantemente questionada pelos efeitos que produz. que é constituído pelo contexto. um código. que é a via de circulação da mensagem.2 Funções da linguagem O processo de leitura e escrita constitui-se enquanto um ato comunicativo. um canal de comunicação. Para tal. Teresa Salgueiro (do grupo Madredeus) e Mia Couto (escritor moçambicano contemporâneo que escreve o roteiro). São histórias de vidas de pessoas com suas diferenças culturais. 1. LÍNGUA. vidas em português. mas que têm em comum serem usuários da língua portuguesa. Direção de Victor Lopes. legenda. 1 filme (105 min). É importante ressaltar a presença de pessoas ilustres que participam com depoimentos.1.Homem e linguagem Dica de filme Para compreender melhor a relação da língua com as diversas culturas. como José Saramago (escritor português). 2002. um receptor. aquele que fala ou escreve. Brasil/Portugal: Paris Filmes.indd 23 04/11/2014 08:23:07 . Martinho da Vila (cantor e compositor). uma vez que a comunicação confunde-se com a própria vida e a língua é viva. e a –  23  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Como pode-se perceber.

1. Pode-se sentir no texto a presença do emissor (que pode ser clara ou sutil). Sabe-se que não há na linguagem uma função pura. m em seus estudos linguísticos. vamos identificar as características de cada função. que é o conteúdo da comunicação.Leitura e Escrita na Era Digital ­ ensagem. a função expressiva. p. avaliações. várias podem aparecer ao mesmo tempo no processo comunicativo. 2001). a função conativa. Referente: função referencial Emissor Função expressiva Canal de ­comunicação: função fática Mensagem: função ­poética Receptor Função conativa Código: função metalinguística Fonte: Jakobson (2001. Na sequência.1 Função expressiva É centrada no emissor da mensagem.indd 24 04/11/2014 08:23:07 . Dependendo da ênfase que se dá a cada um dos processos comunicativos. 17). Temos. no entanto.2. exprime a sua relação com o conteúdo transmitido. estabeleceu a cada uma das situações do ato comunicativo uma função da linguagem. a função poética e a função referencial. a linguagem apresenta uma função com recursos linguísticos próprios. emoções. a função metalinguística. Roman Jakobson (2001). 1. a sua opinião. a função fática. assim. É uma ­comunicação –  24  – Leitura_Escrita_Era_Digital. conhecê-las ajudará a melhorar a elaboração da fala e da escrita ( JAKOBSON.

estão certamente concentradas nas telas cinematográficas. infoescola. as quais deram origem ao livro. L.. 1 filme (118 min). Resenha sobre o filme O discurso do rei [. ganhou os Oscars de melhor roteiro original. o autor da resenha afirma: “Não vou além. 2012. no seu final. Usando a primeira pessoa do singular. Mark Logue. A. hipérboles. O discurso do rei. pois não quero estragar as surpresas que aguardam o público ao longo da história e. pois não quero estragar as surpresas que aguardam o público ao longo da história”. com a ajuda do jornalista Peter Conradi. O DISCURSO do Rei. de interjeições. Geoffrey Rush. São evidentes as marcas linguísticas de expressão pessoal. Ao contrário do que muitos podem imaginar o roteiro não é baseado no livro de mesmo título. Não vou além. Como podemos observar durante a leitura. superlativos. Direção de Tom Hooper. que guarda em si um sabor delicioso de história à moda antiga. que guarda em si um sabor delicioso de história à moda antiga. a versão literária foi escrita pelo neto de Lionel. Esta produção. direção e filme. ele saiu à procura de outras informações. Elenco: Colin Firth. Ele decidiu escrever esta obra a partir do momento em que foi procurado pela produção do filme para revelar detalhes sobre a biografia do australiano Lionel.. sonoro. Disponível em: <http://www. Drama. com certeza. Acesso em: 30 jul. Michael Gambon. faz uso de frase exclamativa. entonação máxima. Inglaterra: Paris filmes. Helena Bonham Carter. SANTANA. Curioso em saber mais a respeito de seu avô. ator – super merecido!”. ator – super merecido! –.indd 25 04/11/2014 08:23:07 .Homem e linguagem subjetiva. porém. porém. As passagens mais importantes. color. – 25 – Leitura_Escrita_Era_Digital. diminutivos. legenda. aumentativos. que a cena mais impactante do filme é o momento em que o rei deve realizar seu primeiro discurso. ganhou os Oscars de melhor roteiro original. ele deixa clara a sua opinião sobre o filme. Mais adiante continua: “Esta produção.com/cinema/o-discurso-do-rei/>. 2010.] Pode-se dizer.

Leitura e Escrita na Era Digital 1.1. faz uso dos verbos no modo imperativo afirmativo ou negativo.1..3 Função referencial É centrada no referente da mensagem. uma vez que.. –  26  – Leitura_Escrita_Era_Digital. É uma comunicação objetiva.indd 26 04/11/2014 08:23:11 . impessoal. Fósforo P4/P6: componente de veneno para ratos Terebintina: diluidor de tinta a óleo Cigarro: faz mal até na propaganda.2. “cigarro faz mal”. com preferência pela frase declarativa. de uma propaganda persuasiva para combate ao tabagismo.2 Função conativa É centrada no receptor da mensagem. azulejos e privadas Naftalina: mata-baratas HAAP Media Ltd/Sebastian Fissore Observe a imagem a seguir. É uma comunicação imperativa. Ao terminar. valoriza o objeto da mensagem. imperativamente. após o autor dirigir-se ao receptor com a expressão “tem gente que diz [. com a intenção de persuadi-lo. seduzi-lo. afirma.]”. 1. E tem gente que diz que isto não é droga! Acetona: removedor de esmaltes Formol: conservante de cadáver Amônia: desinfetantes para pisos. é apresentada uma série de provas que mostram os perigos do tabaco.2. Este é um exemplo muito forte da função conativa.

. Revista Língua Portuguesa. p. espetar. a palavra aparece desde o século 15. Palavras jogadas fora. São Paulo: Rocco.. cores para chamar atenção. mar. mas pode remontar ao latim vulgar. nada tenha a ver com o “pinchar” português. vamos mudar de assunto e já! LISPECTOR. em castelhano tem os sentidos de “cutucar. pela diferença de sentido. p.4 Função fática É centrada no contato. Macabéa e Olímpico Ele — Pois é! Ela — Pois é o quê? Ele — Eu só disse. 52-55. pois é! Ela — Mas. – 27 – Leitura_Escrita_Era_Digital.] no francês pincer e no inglês to pinch (beliscar).indd 27 04/11/2014 08:23:11 . Observou-se um exemplo de uma comunicacão centrada na mensagem. [.Homem e linguagem A palavra “pinchar”. 2012. 77. No castelhano. tamanho diferenciado das letras. ferir” (no lunfardo. São Paulo. 1. como vemos no italiano pinzare. 45.1. E. No texto escrito. VIARO. C.2. demonstra o desejo de abertura para a comunicação.. pois é o quê? Ele — Melhor mudarmos de assunto porque você não me entende. costuma-se usar imagens. também “morrer” e “fazer sexo”). que se dá com uso de frases breves. Corominas imagina que “pinchar” do castelhano tenha vindo de uma mistura de punchar (variante de punzar) com picar e que. 1998. ou seja. n. Ela — Entende o quê? Ele — Santa virgem Macabéa. o emissor quer explicar o sentido da palavra. M. A hora da estrela. consagradas pelo uso.

serve para dar explicações ou tornar preciso o código utilizado pelo emissor no ato comunicativo.Leitura e Escrita na Era Digital No diálogo do box de exemplo não há preocupação com a mensagem. Um homem Que tem fome Como qualquer outro Homem. Poética 1 O que é poesia? Uma ilha Cercada De palavras Por todos Os lados. – 28 – Leitura_Escrita_Era_Digital. definições. RICARDO. é tudo o que. Rio de Janeiro: José Olympio.2. 1. em uma mensagem.1. faz uso de sinônimos. 1968.indd 28 04/11/2014 08:23:12 . C. Jeremias sem-chorar. É uma comunicação explicativa. apenas os falantes estão mantendo uma abertura do canal de comunicação.5 Função metalinguística É centrada no código. 2 O que é poeta? Um homem Que trabalha o poema Com o suor do seu rosto. Exemplo: poemas que discutem como se faz poesia.

argumentativa. assemelhando-se. discursiva e estilística do texto.Homem e linguagem A metalinguística ocorre em todas as áreas. a recepção do texto será muito maior e melhor.6 Função poética É centrada na elaboração da mensagem. é a marca textual do gênero literário.1. ofertadas pela própria língua. O poeta desmancha o negócio com a fragmentação da própria palavra que termina com o “o”. Pode ser usada em todos os gêneros textuais. É importante ressaltar que. juntamente com a intenção do autor. Tal questão costuma causar – 29 – Leitura_Escrita_Era_Digital.indd 29 04/11/2014 08:23:12 . ao se reconhecer a estrutura lexical. usa formas inovadoras com combinações inusitadas. quando um pintor pinta a si mesmo num quadro. Epitáfio para um banqueiro negócio ego ócio cio o PAES. pode-se afirmar que. o roteirista de um filme cria protagonistas que querem produzir roteiros de filmes e assim por diante. São Paulo: Global. graficamente. como no caso do poema anterior. A função poética está presente em qualquer texto no qual o autor preocupe-se com a elaboração estilística. 2003. Conclusivamente. Da teoria para a prática Muitos textos que circulam nas esferas sociais podem auxiliar o leitor na compreensão das variedades linguísticas. Melhores poemas. na linguagem conativa presente no discurso publicitário. é intenso o uso da função poética para envolver ainda mais o receptor pela beleza textual. por exemplo. J. a zero. P. 1.2. É uma comunicação artística com predomínio da conotação.

As variedades linguísticas auxiliam na compreensão do que é erro e do que é diferença. permeiam não apenas o ensino da língua. para a sociedade de uma forma geral. Estes são conhecimentos fundamentais para a compreensão dos estudos tex­tuais. também. Síntese No primeiro capítulo. no qual analisa a fala da mídia e dos textos dos livros didáticos no trato da variedade linguística. falamos a mesma língua. Assim. pelo modo de empregá-la. de uma forma ou de outra. ao possibilitar a transmissão do pensamento. A linguagem classifica-se como um processo universal. morfológicas. o que acaba gerando muitos debates. Dependendo do que eu quero do meu interlocutor farei as escolhas sintáticas. considera-se tudo o que o homem faz para manter a comunicação ao longo de sua existência.Leitura e Escrita na Era Digital muita polêmica entre a sociedade e os meios de comunicação quando discutida em escolas ou mesmo abordada nos livros didáticos. mas. mas somos diferentes. O texto é interessante não apenas para conhecimento e aprimoramento docente. língua e fala. a intenção do emissor sobre o receptor da mensagem. Portanto. lexicais e estilísticas da minha fala ou do meu texto. Daí nasce a marca de cada sujeito no seu meio: somos iguais.indd 30 04/11/2014 08:23:12 . as funções da linguagem e as variedades linguísticas. fizemos uma introdução aos conceitos de linguagem. identifiquem a condição humana. possibilitando a aceitação social dessas diferenças culturais. A fala é a aplicação que cada sujeito faz com a língua para promover a comunicação. sua prática e produção. A professora Ângela Paiva Dionísio escreve a esse respeito um artigo intitulado “Língua padrão e variedades linguísticas: calos na vida do professor de português”. mas também o seu uso. –  30  – Leitura_Escrita_Era_Digital. A língua é um elemento cultural elaborado pelo homem. as ideias aqui apresentadas. Foram verificadas as diferenças entre língua oral e escrita. ele preocupa-se em criar e recriar meios de comunicação que sirvam de condutores de conhecimento que. As funções da linguagem orientam o reconhecimento de suas características. com um código específico a ser aprendido pelos membros da comunidade.

Podemos afirmar que é uma leitura diferente da leitura fruitiva de um poema.indd 31 04/11/2014 08:25:59 .2 Leitura e escrita Neste capítulo. de um romance ou da leitura informativa de um periódico. Leitura_Escrita_Era_Digital. A leitura da qual trataremos é a aquela que tem como meta adquirir novos conhecimentos nas diversas áreas nas quais se busca aprimoramento. vamos identificar as relações que os atos de ler e escrever possuem. para se saber os acontecimentos do dia ou da semana.

o esquema trabalha somente com as palavras-chave e a resenha é usada para apresentar e avaliar um determinado texto. o estudo de um determinado texto. quando se identifica o tema. Enquanto o resumo procura destacar as ideias essenciais do texto. independe da faixa etária de quem lê.1 Como ler e escrever O processo de leitura é um dos mais importantes a ser desenvolvido com as pessoas e o seu ensino. o esquema. Já o fichamento é um texto de controle pessoal das leituras realizadas para futuras pesquisas a respeito dos conceitos encontrados e produção de novos conhecimentos. exercícios de acentuação. os capítulos nos livros. 1987). segundo Bloom (apud FAULSTICH. mas o objetivo de cada um pode torná-los diferentes. 2. –  32  – Leitura_Escrita_Era_Digital. a tese. ou seja. que são a busca de informações. Tais posturas devem ser muito bem compreendidas para que. resumo ou fichamento) e a leitura por fruição. Cada um dos tipos exige do leitor posturas diversas na condução da própria leitura. ao final. a resenha e o fichamento. 2. análise literária. 1.indd 32 04/11/2014 08:25:59 . Para isso. Análise: é quando se busca compreender as ideias contidas em cada segmento do texto. Há vários tipos de leitura. Compreensão: é a primeira leitura. exige um grande cuidado daqueles que trabalham com ele. é a decodificação do texto. é necessário ter à disposição um acervo diverso de textos que contemplem as diferentes motivações.Leitura e Escrita na Era Digital Vamos abordar algumas estruturas textuais de grande utilização no meio acadêmico: o resumo. todos eles podem ser classificados como resumos. percebendo que o todo é composto de partes que se relacionam entre si: os parágrafos nos textos. O desenvolvimento do leitor depende de cinco capacidades cognitivas que. um pretexto para fazer uma atividade indireta (ou seja. busca-se o significado no dicionário para a palavra desconhecida. o objetivo da leitura seja alcançado. De modo geral. Geraldi (1984) apresenta quatro tipos de motivação para esta competência. bem como aprendizagem.

nem nos importando com a sequência oferecida pelo autor do texto. do ponto de vista do original. há assimilação e. ou para criar novas ideias. encontre cada uma das partes constitutivas do texto. dependendo do objetivo que a leitura tem para o leitor. argumentativas e estilísticas feitas pelo autor que tramou a teia do texto. 5. observe as diversas escolhas lexicais. Estas capacidades fazem com que o leitor. pois. 2. no momento da síntese. ao ler. quando se vai utilizar as ideias assimiladas por meio da leitura constrói-se o ensaio. constrói-se a resenha e no momento da aplicação. ele pode projetar a construção de um determinado gênero textual. Com essa caminhada.indd 33 04/11/2014 08:25:59 . estruturais. mantendo suas ideias principais sem repetir os comentários. se há compreensão. Aplicação: é o momento mais importante do ato de ler. Deste modo. 4. Pode-se dizer que.2. portanto. portanto. examine cuidadosamente o real significado de cada palavra naquele contexto. uma relação estreita entre leitura e produção. as ideias. julgamentos e –  33  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Avaliação: é a capacidade de emitir um juízo de valor a respeito do que o autor veicula no texto. Há.1 Resumo O resumo é um tipo de texto que consiste na redução fiel de outro texto. Síntese: é quando somos capazes de reconstituir o todo decomposto anteriormente atendo-nos às ideias essenciais. os conceitos poderão ser aplicados em situações semelhantes. etc. no momento da avaliação do que se leu. o artigo. constrói-se o resumo.2 Produção de texto como resultado de leitura 2.Leitura e escrita 3. da identificação das ideias essenciais do autor. já se está fazendo o esboço do que será escrito a respeito do texto. a palestra. ao ler. desde que se conheça a estrutura de cada um dos textos que se irá escrever.

sinopse. como veremos no box a seguir. ler o que foi sublinhado. com intuito de assimilar informações e dominar um instrumental teórico-metodológico para realizar as práticas de trabalho intelectual. meio e fim que transmite as ideias principais do texto lido. esquema. 22 a seguir. A técnica de sublinhar consiste em: 22 primeiramente. a resenha e o fichamento. Autores como Salomon (1999). sugerem alguns procedimentos para a atividade de sublinhar. iremos construir um novo texto. o leitor deve se ater às questões essenciais. é necessário esclarecer dúvidas de vocabulário. fazer um resumo? Inicia-se com a leitura atenta do texto. Apesar da semelhança no quesito de condensamento. podendo-se usar como ajuda a técnica de sublinhar as ideias essenciais e a técnica de esquematizar as palavras-chave. Os mais utilizados no meio acadêmico são o resumo. o esquema. antes disso. então. Todos os quatro tipos de textos procuram sintetizar. entre outros. reconstruir o texto. –  34  – Leitura_Escrita_Era_Digital. coerente e objetiva. sumário. reler o texto identificando as ideias principais e sublinhando-as. O resumo é um texto com começo. A característica principal do resumo é não permitir o acréscimo de novas ideias e avaliações a respeito do tema que está sendo lido. ler todo o texto. Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa (BECHARA. a estrutura de cada um é diferente. Porém. ao condensar um texto. Lakatos e Marconi (1991). é importante ressaltar que. então. utilizando essa técnica. e não efetuar a cópia de pedaços do texto original. há muitos sinônimos para a palavra “resumo”. com o objetivo da produção de conhecimentos. o conhecimento adquirido pela leitura. Logo. Como. 22 na sequência. resenha. verificando se há sentido e. tais como: compêndio. para registrar de uma forma concisa. epítome. que se transformará no resumo.Leitura e Escrita na Era Digital exemplos. apresentá-las na mesma progressão em que aparecem no original e manter a correlação entre cada uma das partes. síntese. 22 por fim. 2008).indd 34 04/11/2014 08:25:59 .

divertir – diverte o público. possibilita conduzir uma palestra ou uma aula. 4. de divertimento. relatos. Quatro funções básicas dos meios de comunicação de massa: 1.indd 35 04/11/2014 08:26:00 . M. além de resumir o texto com palavras-chave. É a espinha dorsal do texto. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalho na graduação. acompanhada. ou não de interpretações ou explicações. divertir. Ensinar – forma o indivíduo. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. persuadir e ensinar. A quarta função – ensinar – é realizada de modo direto ou indireto. – 35 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Se você é leitor. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. sobre a realidade. ANDRADE. Persuadir – convence o receptor a se comportar conforme os desejos do locutor. Após sublinhar. 2. p. comentários etc. se você é o autor. de. M. etc. por parte do público. de evasão. intencional ou não. destrezas. pode-se produzir o esquema que. São Paulo: Atlas. A segunda função atende à procura da distração. 38. Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar. 3. desconstrói o texto para encontrar esta espinha dorsal. a votar em certo candidato. planos. A primeira diz respeito à difusão de notícias.Leitura e escrita Observe o exemplo de como sublinhar. Informar – transmite a realidade. Uma terceira função é persuadir o indivíduo – convencê-lo a adquirir certo produto. 1997. ela é o ponto de partida para produzi-lo.

Informar. peça teatral. filme. costuma-se afirmar que um resumo deve se aproximar de um terço do texto original. mantendo as ideias principais do autor. o resenhista apresenta. como vemos no modelo a seguir. As funções básicas dos meios de comunicação de massa são quatro.] um tipo de resumo crítico mais abrangente. De modo geral. Portanto. enfim. Divertir. faz o resumo das ideais essenciais da obra. que contribui para a formação do indivíduo e amplia conhecimentos. que diz respeito à diversão das pessoas. devendo ser amplo e consistente. na avaliação. Andrade (1997) define a resenha como [.2 Resenha crítica De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT. Na apresentação.Leitura e Escrita na Era Digital Após sublinhar e produzir o esquema. e a qualidade – 36 – Leitura_Escrita_Era_Digital. identifica a obra em seus aspectos de referência bibliográfica e sintetiza o assunto. o resenhista destaca a contribuição do autor e da obra para produção de novos conhecimentos na área em questão. p. descreve e avalia uma obra a partir de um ponto de vista que possui a respeito do assunto analisado. 1990). 2. que fala sobre a propagação de notícias. A resenha é um texto no qual leitor e autor têm objetivos que se aproximam: um busca e o outro fornece uma opinião crítica sobre um livro. que comenta sobre o convencimento do interlocutor.2.indd 36 04/11/2014 08:26:00 . 61-67). caso seja de cunho científico. Por fim. Na descrição. para estabelecer comparação com outras obras na mesma área e maturidade intelectual para fazer avaliação e emitir juízos de valor (ANDRADE. 1997. todas as produções humanas. é possível resumir o texto em formato discursivo. Ensinar. que permite comentários e opiniões. Persuadir. a resenha crítica é o mesmo que o resumo crítico... um tipo de trabalho mais completo que exige conhecimento do assunto.

edição. sistematizada? Utiliza recursos explicativos para elucidar o conteúdo? Quanto a quem se destina a obra: grande público. criativas? As abordagens do conhecimento são inovadoras? Quanto ao estilo: é conciso. preciso? A linguagem é correta? Quanto à forma: é lógica. descrição breve do conteúdo dos capítulos ou partes da obra. econômico. Também no próprio título pode vir uma expressão que já denote a avaliação e que tenha uma estreita relação com algum atributo mais destacado da obra. caso seja literária. –  37  – Leitura_Escrita_Era_Digital. conforme sugerem Lakatos e Marconi (1991. Elas servem como um roteiro para você construir o seu parágrafo de avaliação da resenha. Além disso. segundo o resenhista. número de páginas. etc.indd 37 04/11/2014 08:26:00 . títulos e cargos exercidos.? Quanto ao mérito da obra: qual a contribuição dada? As ideias são originais. caso seja exigido. preço. 22 resumo da obra – resumo das ideias principais. político. especialistas. editora e data de publicação. apresenta-se assim: 22 referências – autor(es). A estrutura da resenha. objetivo. claro. ­e studantes? Evidentemente que. na avaliação de alguma obra. título da obra. local. p.Leitura e escrita da escrita no que diz respeito à clareza na apresentação das ideias (ou a riqueza estilística. obras publicadas. histórico. Costuma-se dar um título à resenha. 22 credenciais do autor – informações gerais sobre o autor e sua qualificação acadêmica. Pensar: de que trata a obra? O que diz? Qual sua característica principal? O autor apresenta ou não conclusão? 22 crítica do resenhista – como se situa o autor da obra em relação às escolas ou correntes científicas ou filosóficas e em relação ao contexto social. 245-246). talvez não seja possível responder a todas essas questões. profissional ou especialização. coerente. o resenhista pode confrontar a obra resenhada com outras obras do mesmo tema para estabelecer ­comparações.

que não encontramos em muitas obras de Assis (*1). É assim que se percebe a causa secreta dos atos daquele homem: o sofrimento alheio lhe é prazeroso. Da mesma forma. A história transcorre com Garcia e Fortunato tornando-se amigos. Uma característica marcante é a tensão permanente que ambienta cada episódio (*2). Desde as primeiras vezes em que Garcia vê Fortunato – na Santa Casa. o texto mescla momentos de narração – que é feita em terceira pessoa – com momentos de diálogos diretos. Através de uma linguagem bastante acessível.. Isso ocorre ainda quando sua esposa morre por uma doença aguda e quando vê Garcia beijando o cadáver daquela que amava secretamente. no mesmo dia – percebemos o ar de mistério que o envolve. sem deixar que morresse. cortando-lhe pata por pata com uma tesoura e levando-lhe ao fogo. velando por dias um pobre coitado que sequer conhece. no teatro e quando o segue na volta para casa. a simpatia que Garcia adquire é exatamente por causa de seu estranho comportamento. O clímax então acontece quando Maria Luiza e Garcia flagram Fortunato torturando um pequeno rato. Modelo de Resenha 1 [. apesar de ser muito frio. até mesmo com sua própria esposa. a apresentação de Maria Luiza.] este é um conto que aborda um tema oculto da alma de todo ser humano: a crueldade. Machado de Assis cria um cenário onde o recém-formado médico Garcia conhece o espirituoso Fortunato. que dão maior realidade à história. Fortunato aprecia até mesmo seu próprio sofrimento.. quando ambos se conhecem devido ao caso do ferido que Fortunato ajuda.Leitura e Escrita na Era Digital Observemos os exemplos a seguir.indd 38 04/11/2014 08:26:01 . – 38 – Leitura_Escrita_Era_Digital. esposa de Fortunato e ainda com a abertura de uma casa de saúde em sociedade. dono de uma misteriosa compaixão pelos doentes e feridos.

levando-a pouco a pouco a resolver seus conflitos. Acesso em: 22 nov..Leitura e escrita É possível afirmar que este conto é um expoente máximo da técnica de Machado de Assis.] GAZOLA. o autor da resenha colocou críticas em três momentos de sua análise (*1. A. No exemplo.lendo. A psicanálise dos contos de fadas. Ele não se estende na apresentação de Machado de Assis. Mostra como esses significados vão agir diretamente sobre o inconsciente e pré-consciente da criança normal.org/ wp-content/uploads/2007/06/a-causa-secreta-resenha. *1 (Apresentação) BETTELHEIM. – 39 – Leitura_Escrita_Era_Digital. onde há mais de trinta anos lida com crianças perturbadas mentalmente. 1978. Psicanalista. citada por Eduardo Kenedy.*2 e *3.indd 39 04/11/2014 08:26:01 . Modelo de Resenha 2 Resenha de Maria Auxiliadora Versiani Cunha. [.. identificados em negrito). mas acham cansativa a linguagem rebuscada usada em alguns deles (*3). Bruno Bettelheim revela em “A psicanálise dos contos de fadas” os significados profundos das tramas e personagens das histórias infantis. Paz e Terra. é verdade – a natureza cruel do ser humano. Resenha. A. com base na suposição de que o autor é conhecido por todos os leitores da resenha. fundador da Escola Ortogência de Chicago. Rio de Janeiro. 2012.pdf>. mas que demonstra – de forma exponencial. deixando o leitor impressionado com um desfecho inesperado. Disponível em: <http://www. É uma obra excelente para os que gostam dos textos de Assis. Bruno.

os contos reforçam sua personalidade.. sobrepondo-se ao medo que a inibe e enfrentando os perigos e ameaças até alcançar o equilíbrio adulto. a criança é levada a encontrar no conto a coragem e o otimismo necessários a – 40 – Leitura_Escrita_Era_Digital. O problema da rivalidade entre irmãos. concernem unicamente o mundo interno (ou psicológico) da criança. constituídos pelos dilemas eternos que o homem enfrenta ao longo de seu amadurecimento emocional: a conquista da independência em relação aos pais. Assim. é inevitável estar sempre preparado para enfrentar dificuldades graves. ou exageradamente “tecnológica”. facilita à criança a apreensão desses traços. ao ajudar uma criança a resolver esses problemas. Bettelheim demonstra como a mensagem dos contos de fadas é radicalmente outra. Portanto. o de se lançar sozinha no mundo etc. a luta do princípio de realidade contra o princípio de prazer é vista em “Os três porquinhos”.indd 40 04/11/2014 08:26:02 . ou “cor-de-rosa”. A resolução do complexo de Édipo. Ela é levada a se identificar com o herói bom. ensinando que. em bonitos e feios. tratando-os na ordem aproximada do aparecimento na criança dos conflitos neles implícitos. Tais conflitos. em “a Bela e a Fera” e em “João e o pé de feijão”. tais como o medo de abandono. a criança vai ser conduzida a resolver sua própria situação. mas por ser ele a própria personificação de sua problemática infantil. em “João e Maria”. afirma o autor. para depois conduzi-la à resolução dessas mesmas ansiedades. em “Cinderela”. o de crescer. a rivalidade fraterna. Inspirada pelo herói. em “Branca de Neve”.Leitura e Escrita na Era Digital *2 (Resumo da obra) Tais conflitos são universais. é apresentado ao leitor como. Não obstante. a construção da identidade e da afirmação e a relação heterossexual adulta. Enquanto as histórias da moderna literatura infantil procuram pintar a vida. Bettelheim faz cuidadosa seleção de contos clássicos. A dicotomização dos personagens em bons e maus. o efeito terapêutico dos contos de fadas está em provocar a mobilização das ansiedades básicas da criança. O medo de ser abandonado. proporcionando maior capacidade de adaptação ao mundo exterior. não por sua bondade. na vida real. Dessa maneira.

E. KENEDY. como também pais e educadores podem ficar satisfeitos por terem acesso a este trabalho que virá. A criança chega à compreensão de que as histórias. – 41 – Leitura_Escrita_Era_Digital. *3 (Avaliação) O grande interesse. constituir um marco no acervo de obras que esclarecem a todos os que têm a difícil tarefa de orientar a infância. a maior importância e a profunda originalidade do tema são enriquecidos pela análise detalhada e sistemática que Bettelheim faz do material dos contos. revelando segura compreensão psicanalítica e clareza didática de suas conclusões.yimg. quando tanto se fala em reformulação e renovação da literatura infantojuvenil. Os contos sugerem que. o livro de Bruno Bettelheim se faz indispensável no estabelecimento de um critério de avaliação do que seja realmente literatura infantojuvenil.pdf>.Leitura e escrita atravessar e a vencer as numerosas crises de crescimento. apesar de todas as ansiedades que acompanham tal processo. mas no plano das experiências internas de desenvolvimento pessoal. Atualmente. A psicanálise dos contos de fadas é um excelente trabalho sobre a mente humana e as intrincações de seu desenvolvimento. Resumo e resenha. 1976). embora irreais.com/ kq/groups/24179228/1848767481/name/Resumo+e+resenha. *4 (Credenciais do autor da resenha) Maria Auxiliadora Versiani Cunha. 2012. Bruno Bettelheim é lido por leigos e por especialistas e sua obra conta com ampla divulgação entre os estudiosos do comportamento humano. não mero e malsão aproveitamento de uma “onda”. Psicóloga clínica no Rio de Janeiro.indd 41 04/11/2014 08:26:03 . Nos Estados Unidos. Acesso em: 31 jul. sem dúvida. Forense-Universitária. não só os profissionais. No Brasil. a criança pode ficar esperançosa quanto a um final feliz. Disponível em: <http://xa. não são falsas: ocorrem não no plano do real. Autora do livro Didática fundamentada na teoria de Piaget (Rio de Janeiro. O autor ressalta que a finalidade dos contos é de não deixar dúvidas quanto à necessidade de se suportar a dor e de se correr riscos para se adquirir a própria identidade.

a descreveu resumidamente. a referência completa da obra. 2. a autoria.Leitura e Escrita na Era Digital Nessa resenha. caracteriza-se como o resumo. 2000.. podendo acrescentar algumas considerações do leitor. como o próprio nome esclarece. a assimilação do conhecimento. ANDRADE. O trabalho de fichamento possibilita ao estudante. a editora e o ano da publicação. Existem três tipos básicos de fichamento: o fichamento bibliográfico.2.indd 42 04/11/2014 08:26:03 . no item 4. MEDEIROS. deve-se colocar o título e subtítulos conforme a obra original. De acordo com diversos autores. M. propaganda e letras. As citações literais devem vir entre aspas e o número da página entre parênteses. o título. a avaliou e. Esta obra tem como preocupação geral apresentar a estrutura da língua portuguesa e oferecer noções de produção textual. 2. São Paulo: Atlas. Comunicação em língua portuguesa: para os cursos de jornalismo. No item 2. ed. forneceu as credenciais. Usa-se. de. no item 3. apresentou o autor e a obra. preferencialmente agrupando-se por área. além da facilidade na execução dos trabalhos acadêmicos. É fundamental a referência completa da obra. J. O fichamento temático tem como meta transcrever trechos literais da obra lida. B. M. também. o fichamento temático e o fichamento textual. a autora. para coletânea de artigos ou capítulos de livros. o fichamento deve apresentar a seguinte estrutura: cabeçalho indicando o assunto. no item 1. especialmente voltados para os cursos superiores de jornalismo.3 Fichamento O fichamento é o ato de registrar os estudos de um livro e/ou um texto. O fichamento bibliográfico. Preferencialmente. resenha ou comentário no qual o autor registra a ideia tratada no livro. – 42 – Leitura_Escrita_Era_Digital. publicidade e propaganda e letras. o local de publicação. isto é.

. São Paulo: Brasiliense. 30-132). de A. uma espécie de “radiografia” do texto. diagramas ou quadro sinóptico –. p. Jacques. 1.” (p.indd 43 04/11/2014 08:26:04 . 1993. ligados às ideias principais. O fichamento textual capta a estrutura do texto. “uma das primeiras feministas do Brasil. M. na qual você encontrará exemplos dos tipos de fichamento que estamos verificando. 30). “a mulher buscou com todas as forças sua conquista no mundo totalmente masculino. TELES. ao lado de propostas como a educação e a emancipação da mulher e a instauração da República. Breve história do feminismo no Brasil. propõe-se chegar a uma teoria filosófica do signo e a reflexões sobre o signo mágico. de Umberto Eco (2002). de preferência. 2. é comum os assassinos de mulheres serem absolvidos sob a defesa de honra. “na justiça brasileira. 299. para exemplificação. 132). incluindo esquemas. apresentamos uma ficha de leitura que trabalha os conceitos de signo e imagem. percorrendo a sequência do pensamento do autor e destacando: ideias principais e secundárias. etc. exemplos. justificações. de forma racionalmente visualizável – em itens e. retirada da obra Como se faz uma tese. Ficha de leitura T. Segundo capítulo. A. – 43 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Na expectativa de uma pesquisa profunda sobre o tema (da Idade Média até hoje).” (p. Revue Thomiste.Leitura e escrita Educação da mulher: a perpetuação da injustiça (p. Simb MARITAIN. fatos. Nísia Floresta Augusta defendeu a abolição da escravatura. 43). Traz.” (p. argumentos. abril 1938. A seguir. 3.

o grito é o signo e não imagem da dor). por exemplo. ainda. é preciso aliar a leitura e a escrita. I). São Paulo: Perspectiva. VIII. especialmente nas mensagens veiculadas pelos meios de comunicação. U. tal o seu papel de destaque para incorporar os conceitos estudados. De ver. p. desenvolvendo sensibilidade para reconhecer a intencionalidade implícita. É importante. (Lóg II. Diz então Maritain que o símbolo é um signo-imagem: “quelque chose de sensible signifiant un objet em raison d`une rélation presupposée d´analogie” (303). Esses objetivos atingidos resultarão no desenvolvimento das capacidades leitoras dos alunos. que são avaliadas nos diferentes sistemas de avaliação – 44 – Leitura_Escrita_Era_Digital.Leitura e Escrita na Era Digital [insuportável como sempre: modernizar sem fazer filologia. sabendo identificar aqueles que respondem às suas necessidades imediatas. Mas o signo não é sempre imagem e vice-versa (o filho é a imagem e não signo do Pai. compreender o sentido nas mensagens orais e escritas de que é destinatário direto ou indireto.indd 44 04/11/2014 08:26:04 . mas a João de São Tomás!]. Da teoria para a prática Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). a São Tomás. Grifos do autor. e selecionar estratégias adequadas para abordá-los (BRASIL. Desenvolve a teoria deste último (ver minha ficha): “Signum est id quod repraesentat aliud a se potentiae cognoscenti”. os alunos devem ler autonomamente diferentes textos dos diversos gêneros. a leitura consciente seletiva e informativa é fundamental para a pesquisa e produção textual. Isto me deu a ideia de consultar ST. 21. Portanto. não se refere. 1997). É importante ressaltar que a condição de produzir resumos deve ocorrer desde muito cedo na vida do estudante. Como o universo acadêmico trabalha com o registro. Como se faz uma tese. ECO. 2002. 5. desde os anos iniciais.

como uma das principais novidades na arena política e no cenário da sociedade civil. b) defende um outro tipo de globalização. como Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). expressa em atos de desobediência civil e propostas alternativas à forma atual da globalização. com o Exame Nacional de Educação Superior (Enade). são apresentadas algumas questões destes exames para que se possa entender melhor o novo formato de avaliação pela leitura e compreensão dos gêneros. os trabalhadores sindicalizados e suas reectivas centrais sindicais. eecialmente. mas também com justiça e igualdade social. na virada deste novo milênio. dada a sua forma de articulação/atuação em redes com extensão global. 2003). Prova Enade de Administração – 2009 Questão 4 Leia o trecho: O movimento antiglobalização apresenta-se. voltado para um novo tipo de modelo civilizatório.Leitura e escrita do ensino fundamental. Ele tem elaborado uma nova gramática no repertório das demandas e dos conflitos sociais. nas ruas. envolvendo. c) é composto por atores sociais tradicionais. no ensino superior. animal e vegetal) (GOHN. veteranos nas lutas políticas. tanto na forma de operar. Provinha Brasil e. trazendo novamente as lutas sociais para o palco da cena pública. com desenvolvimento econômico. como no conteúdo do debate que trouxe à tona: o modo de vida capitalista ocidental moderno e seus efeitos destrutivos sobre a natureza (humana. acostumados com o repertório de protestos políticos. É incorreto afirmar que o movimento antiglobalização referido nesse trecho: a) cria uma rede de resistência. Prova Brasil. considerada como o principal fator da exclusão social existente. baseado na solidariedade e no respeito às culturas. também. e a política para a dimensão.indd 45 04/11/2014 08:26:05 . 1. A seguir. – 45 – Leitura_Escrita_Era_Digital.

.gov. voraz. mas estaria inserida perfeitamente na continuidade dos ideais revolucionários e republicanos de liberdade. de modo relevante para suas ações com o propósito de dar visibilidade e legitimidade mundiais ao divulgar a variedade de movimentos de sua agenda. ela incentiva uma forma de reciprocidade essencial nas relações humanas. a liberdade toma forma nos softwares de codificação e no acesso a múltiplas – 46 – Leitura_Escrita_Era_Digital. coisa que os filósofos do Iluminismo viam como principal motor do progresso.pdf>. esses “valores” se encarnam em dispositivos técnicos concretos. além de contestar os valores impulsionadores da sociedade capitalista.. ENADE 2009 – prova de Administração. 2012.) A cibercultura não seria pós-moderna. Na linha reta das morais da igualdade.indd 46 04/11/2014 08:26:05 . Na era das mídias eletrônicas. ela valoriza a participação das em comunidades de debate e argumentação. Disponível em: <http:// public. Prova Enade de Letras – 2011 Questão 3 – formação geral A cibercultura pode ser vista como herdeira legítima embora distante do projeto progressista dos filósofos do século XVII. A diferença é apenas que. na cibercultura. 2.Leitura e Escrita na Era Digital d) recusa as imposições de um mercado global.br/enade2009/ADMINISTRACAO. tradicionais e novas. De fato. Desenvolveu-se a partir de uma prática assídua de trocas de informações e conhecimentos. a igualdade se concretiza na possibilidade de cada um transmitir a todos. igualdade e fraternidade. alicerçada no lucro e no consumo de mercadorias supérfluas.inep. uno. (. e) utiliza-se de mídias. Acesso em: 24 out.

pdf>. consideram-se. Paulo. De acordo com as ideias do texto acima. a LEVY. por causa da forma. d) valorizou o isolamento dos indivíduos pela produção de softwares de codificação. a comunicação e a educação. b) constituiu negação dos valores progressistas defendidos pelos filósofos do Iluminismo. Folha de S. Revolução virtual. com. condições em que se despreza o critério da forma e.Leitura e escrita comunidades virtuais.indd 47 04/11/2014 08:26:06 . como nomes no singular. c) banalizou a ciência ao disseminar o conhecimento nas redes sociais. e) incorpora valores do Iluminismo ao favorecer o compartilhamento de informações e conhecimentos. 16 ago.br/educacao/Enade2011/ENADE_2011_PROVA1_LETRAS. embora exprimam pluralidade e multidão de seres. povo. contudo. 1998. p. Acesso em: 24 out. ENADE 2011 – prova de Letras. Disponível em: <http://download. a cibercultura: a) representa uma modalidade de cultura pós-moderna de liberdade de comunicação e ação. – 47 – Leitura_Escrita_Era_Digital.uol. tem-se em vista a forma gramatical do termo de referência. P. Questão 20 – específica De ordinário. Há. Dúzia. Caderno Mais. quando se diz que certo termo deve concordar com outro. 3 (adaptado). atravessando fronteiras. se traduzem interconexão mundial. enquanto fraternidade finalmente. 2012. O desenvolvimento de redes de relacionamento por meio de computadores e a expansão da Internet abriram novas perspectivas para a cultura.

Ao pobre homem mesquinho. em variantes mais populares da língua. apresenta uma figura de sintaxe. se faz a concordância com aquilo que se tem em mente. Para isso. ed. Rio de Janeiro: Melhoramentos. Assinale a opção que apresenta um exemplo desse tipo de fenômeno sintático. 7. A definição extraída de Said Ali. mas com a ideia que esta última sugere. O problema da exclusão digital se apresenta como um dos maiores desafios dos dias de hoje. identificada.Leitura e Escrita na Era Digital atendendo apenas à ideia representada pela palavra. Consiste a sínese em fazer a concordância de uma palavra não diretamente com outra palavra. a irmã e o cunhado com uma pressa que assustava. Pretendia implantar um monopólio de café e tabaco na região. na maioria das vezes. a sínese. reproduzida acima. Chegaram o pai. Gramática histórica da língua portuguesa. SAID ALI. basta-lhe um burrico e uma cangalha. M. 3. a) b) c) d) e) A maioria dos porcos ainda estava sendo recolhidos naquela hora. a multidão se consolava. 1971 (com adaptações).indd 48 04/11/2014 08:26:07 . – 48 – Leitura_Escrita_Era_Digital. No fundo. Prova Enade de Pedagogia – 2011 Questão 2 – Formação geral Exclusão digital é um conceito que diz respeito às extensas camadas sociais que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da informação e da extensão das redes digitais. pensavam em nós mesmos.

É correto apenas o que se afirma em: a) I e II b) II e IV c) III e IV d) I. ao prover informações àqueles que tiveram esse direito negado ou negligenciado e. muito aquém da disponível na maior parte dos países do primeiro mundo. O maior problema de acesso digital no Brasil está na deficitária tecnologia existente em território nacional. Nessa nova sociedade. uma vez que estes estão focados nas relações entre os indivíduos e. aquele. por motivos sociais.indd 49 04/11/2014 08:26:07 . IV. O uso das TICs pode cumprir um papel social. para a inovação e para a geração de riqueza. É nesse contexto que se aplica o termo exclusão digital. o conhecimento é essencial para aumentar a produtividade e a competição global. políticos ou culturais. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) proveem uma fundação para a construção e aplicação do conhecimento nos setores públicos e privados. III. avalie as afirmações a seguir: I. II e III e) I. III e IV – 49 – Leitura_Escrita_Era_Digital. portanto.Leitura e escrita com implicações diretas e indiretas sobre os mais variados aspectos da sociedade contemporânea. II. É fundamental para a invenção. Um mapeamento da exclusão digital no Brasil permite aos gestores de políticas públicas escolher o público alvo de possíveis ações de inclusão digital. permitir maiores graus de mobilidade social e econômica. referente à falta de acesso às vantagens e aos benefícios trazidos por essas novas tecnologias. O direito à informação diferencia-se dos direitos sociais. na relação entre o indivíduo e o conhecimento. econômicos. Considerando as ideias do texto.

–  50  – Leitura_Escrita_Era_Digital. cada um possuindo seus próprios objetivos. o esquema destaca somente as palavras‑chave e a resenha é usada para apresentar e avaliar um determinado texto. Chegamos à conclusão de que as duas são interdependentes. Enquanto o resumo tem como meta destacar todas as ideias essenciais do texto. discutimos a relação dos procedimentos de leitura e escrita. no estilo de resenha. a resenha e o fichamento. Já o fichamento é um texto de controle pessoal das leituras realizadas para futuras pesquisas a respeito dos conceitos encontrados e para produção de novos conhecimentos. Em determinados momentos. uma boa leitura necessita de boas anotações escritas para auxiliar no domínio do conhecimento que se busca. é possível produzir um fichamento completo. De modo geral. colocará algumas citações diretas e. dos objetivos de cada um dos diferentes gêneros. Síntese Neste capítulo. fica evidente a necessidade do ensino para o entendimento da estrutura formal e.Leitura e Escrita na Era Digital Com esses exemplos. Foram trabalhados quatro tipos de estruturas textuais de grande utilização no meio acadêmico: o resumo. no qual o leitor fará um resumo das ideias essenciais. ainda. ainda.indd 50 04/11/2014 08:26:08 . todos podem ser classificados como resumos. ou seja. deverá fazer uma análise pessoal dos conteúdos estudados. o esquema.

então. bem costurados pelos elementos coesivos. vamos desvendar os mistérios da construção do texto.3 Construção do texto Neste capítulo. tecem esta teia de significados que queremos transmitir no diálogo com o leitor.indd 51 04/11/2014 08:26:10 . tudo começa com a escolha da palavra certa para o contexto certo. Leitura_Escrita_Era_Digital. Como vimos no capítulo 1. que se chama texto. os parágrafos que. Constrói-se. uns após os outros.

com beleza e força. Ou seja.Leitura e Escrita na Era Digital Para produzir um bom parágrafo. 3. em que se desenvolve determinada ideia central. Um procedimento que auxilia a conduzir bem a produção textual é estabelecer o objetivo de cada parágrafo. A ênfase tem como característica a escolha das palavras adequadas. Othon M. secundárias. São consideradas qualidades suas a unidade. com um ou dois períodos curtos iniciais na qual se apresenta de forma sucinta a ideia-núcleo. desenvolvimento e conclusão. a introdução. p. na ordenação das ideias de maneira lógica. desenvolvimento e conclusão” (MEDEIROS. Além disso. p. é bom diversificar a produção dos parágrafos. que fecha o parágrafo ou remete ao próximo para acrescentar novas ideias. a coerência e a ênfase. a que se agregam outras. ou argumentação da ideia-núcleo e a conclusão. cada unidade tem a mesma estrutura do texto. Deste modo. 1988. compreender a noção de introdução. temos que conhecer a sua estrutura. aonde se quer chegar e a quem se escreve. Garcia define o parágrafo padrão como “uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período. A unidade está relacionada com a questão de apresentar apenas uma ideia central em torno da qual gravitam as ideias secundárias. o tamanho dos períodos e a combinação de todos os elementos para que se consiga produzir um texto fluido. ou nuclear.1 Conceito de parágrafo O parágrafo é uma unidade que transmite uma ideia e tem como intenção atingir um objetivo. –  52  – Leitura_Escrita_Era_Digital. o parágrafo-padrão é composto por três partes. Para Garcia.indd 52 04/11/2014 08:26:11 . deve-se perguntar qual é a finalidade do texto. 2010. Para tal. A coerência consiste na transposição de um parágrafo para outro. no qual se faz a explicação. também chamada de tópico frasal. o desenvolvimento. 145). intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela” (GARCIA. utilizando várias estratégias para desenvolvimento do texto. “o princípio que orienta a formação de um parágrafo é o mesmo que orienta um texto com vários parágrafos: há sempre necessidade de introdução. 203).

d) o locutor que se constitua como tal.indd 53 04/11/2014 08:26:11 . Contudo. O parágrafo pode variar muito de texto para texto. O parágrafo intitulado de tópico frasal deve apenas apontar a questão a ser desenvolvida. Na verdade. enquanto sujeito que diz o que diz para quem diz. o que os torna interdependentes. segundo as intenções do autor. uma descrição. é na divisão do assunto que se afigura o tamanho do parágrafo. Já o parágrafo final deve retomar o inicial. que o autor pode se tornar um sujeito do que expressa. –  53  – Leitura_Escrita_Era_Digital. seja possível discutir amplamente o tema a ser trabalhado. em seguida.2 Formas de desenvolvimento do parágrafo Há inúmeras formas de se iniciar e. Um parágrafo deve retomar o outro e acrescentar uma nova ideia. Os manuais de redação de jornais costumam recomendar tamanho limite para os parágrafos. para produzir um texto é necessário ter em mente algumas posturas. que apresenta fragmentos de paisagem. pessoas. ou uma dissertação. b) uma razão para dizer o que se tem a dizer. se há muito ou pouco a dizer em torno da ideia nele desenvolvida. Depende. deve ser sintética para que. que apresenta e discute ideias. se é uma narração. logo. 3. cujo núcleo é um incidente.Construção do texto O tópico frasal orienta o desenvolvimento do parágrafo de introdução e faz com que o autor mantenha-se coerente e não fuja do objetivo estabelecido. Segundo Geraldi (2003. e) escolha de estratégias para realizar. ou seja: a) o que dizer. ou reapresentá-la com novas colocações. c) para quem dizer o que se tem a dizer. também. ou ambiente em um determinado instante. desenvolver os parágrafos. do gênero produzido. de maneira alguma ele deve representar uma “camisa de força” para a produção do texto. É apenas nesta circunstância. apresentando soluções e reafirmando a sua linha de discussão. 137). de efetiva interação. p. nos parágrafos seguintes.

” 2 Garantia: subentende-se que estas são características que expressam seu nervosismo. reforçando a importância da informação para defender a afirmação. a afirmação apresenta a ideia principal. – 54 – Leitura_Escrita_Era_Digital. razões. É possível usar estes elementos de várias maneiras na construção do parágrafo. ela precisa da informação: “corre e late agitadamente”. No entanto. que será reforçada pela garantia: “como se perguntasse se há algo errado”. resposta a uma interrogação. 1991. é aquele que apresenta três elementos essenciais. Possuindo consciência destes elementos podemos. para ser compreendida. explicitação.” 2 Informação: “sua e ri sem parar. na obra Os usos do argumento. 57). citações diretas ou indiretas. a saber: a afirmação. p. 2 Afirmação: “Artur está nervoso.indd 54 04/11/2014 08:26:11 . então. contraste de ideias. mas é facilmente subentendida pelo leitor. enumeração de pormenores ou fatos. causas e consequências. 1991. comparação e metáforas. Corre e late agitadamente como se perguntasse se há algo de errado” (SERAFINI. p. a informação e a garantia. Identificamos a afirmação na frase: “Totó certamente pensa que estamos loucos”. usar as várias formas de desenvolvimento de um parágrafo. proposto por Stefhen Toulmin (2006). analogias. “Artur está nervoso: sua e ri sem parar” (SERAFINI.Leitura e Escrita na Era Digital O modelo de parágrafo convincente. Neste outro exemplo podemos perceber que a garantia não está explícita como no primeiro. destacam-se as seguintes: por tempo e espaço. a informação contém os dados que suportam a afirmação e a garantia é a ligação entre os dois elementos anteriores. No parágrafo a seguir encontram-se os três elementos: “Totó certamente pensa que estamos loucos porque paramos o carro em pleno campo. Entre elas. 57).

um na reunião e outro na telinha. ao início do julgamento das competências do Conselho Nacional de Justiça. As pessoas se obrigam a partilhar a vida com eles. Na charge da New Yorker. Não dá para desgarrar dela. Quem assistiu pela TV Justiça. as pessoas ficariam olhando para seus iPhones ainda mais do que umas para as outras. Até nas sessões do Supremo O mesmo ocorre nas reuniões de trabalho. ela sabia – e até se entusiasmava com isso –. De repente pode chegar uma mensagem.Construção do texto Leia o texto a seguir para identificar os diferentes tipos de desenvolvimento de parágrafos. BlackBerries e similares. desde a sensacional erupção dos tais aparelhinhos. convidando os amigos para uma festinha em sua casa. “Vai ser daquelas reuniões com todo mundo olhando para seu iPhone”. ao telefone. O que vale para reuniões sociais e de trabalho vale também para as sessões do Supremo Tribunal Federal.indd 55 04/11/2014 08:26:12 . e não só nas ocasiões sociais. O leitor captou? A leitora achou graça? Cartunistas são mais rápidos do que antropólogos e mais diretos do que romancistas. Dali para frente será um olho lá e outro cá. ela diz. aparecer uma notícia importante. É assim. Chegam os participantes e cada um já vai depositando à mesa o respectivo smartphone (o nome do gênero a que pertencem as espécies). – 55 – Leitura_Escrita_Era_Digital. O ato de compra desses aparelhinhos é um contrato que vincula mais que casamento. Homo connectus Uma charge em recente número da revista The New Yorker mostrava uma animada mulher. na semana passada. surgir a necessidade de uma consulta no Google. O fenômeno em questão é o poder magnético dos iPhones. assistiu a uma cena exemplar. Captam o fenômeno quase no momento mesmo em que vem à luz. a mulher estava convidando para uma festa em que.

enquanto o orador seguinte se apresentava. Três delas estavam ocupadas. ele o põe no bolso. – 56 – Leitura_Escrita_Era_Digital. como a de tocar na tela e conduzi-la ao fim desejado. por exemplo. os celulares são evitados porque fazem barulho – disparam a tocar campainhas ou musiquinhas e só permitem comunicação via voz. olha. Será que agora vai sossegar? Não. igualmente compulsivo. com seu apego pela câmera parada. era não conseguir se livrar dos smartphones.Leitura e Escrita na Era Digital Falava o representante da Associação dos Magistrados Brasileiros. minutos depois. sacava-o de novo.) Os dois cavalheiros apresentavam reações características do  Homo connectus. veio ocupar a cadeira que estava vazia. consulta de novo. O ser humano é instigado a desenvolver novas habilidades. E se chega uma mensagem? Uma notícia? Às vezes o smartphone exigia mais que um simples olhar. e hoje é o modo de conversar com a telinha. aquele bicho que só telefonava. Não em ambientes mais debochados. modelo Jean-Luc Godard. um deles guardava o telefoninho no bolso. (Se o leitor ainda não se deu conta. Um olho lá. Já os smartphones podem ser desativados na função telefone.indd 56 04/11/2014 08:26:12 . coitada. e as outras duas por cavalheiros cujo tormento. Em lugares de maior compostura. tira. em respeitoso silêncio. é observar o que se passa ao fundo. furiosa e insubmissa. Implantam-se novos hábitos sociais. Silenciosos. Quando o representante da Associação dos Magistrados terminou o discurso. mas continuar. olho lá e olho cá. De vez em quando. não conseguia se livrar de um ataque de espirros. os smartphones são socialmente mais aceitáveis O telefoninho esperto vem provocando decisivas alterações na ordem das coisas. A TV Justiça. atrás dele. sem que desande. a primeira por uma moça que. naquele gesto que antes servia para espanar uma sujeirinha na roupa. outro cá. enquadrava o orador e. onde sempre foi e continua a ser usado sem peias. na TV Justiça ou na TV Câmara. o melhor. Requeria o afago dos dedos. Agora era sua vez! Sacou o smartphone e. No tempo do celular puro e simples. na função telinha. quatro cadeiras da primeira fila da assistência. como a Câmara dos Deputados. havia restrições a seu uso.

metade do senhor da Associação dos Magistrados continuou na sessão do Supremo. R. defronte. Tempo: agora. Se é para abrir mão de um dos dois lados. metade evadiu-se para o aparelhinho.1 Desenvolvimento por tempo e espaço Ao redigir. para a divisão da pessoa em duas. metade ela mesma.Construção do texto Daí serem socialmente mais aceitáveis. abaixo de.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/roberto-pompeu-detoledo-homo-connectus/>. muitas vezes utilizamos a apresentação do quando e do onde. abril. Qual o remédio. As reuniões sociais. Lugar: aqui. de. – 57 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Disponível em: <http://veja. respectivamente. que seja o da pessoa. Por exemplo: inventando-se um smartphone capaz de sugá-la e reproduzi-la em seu bojo.com.2. o tempo e o lugar dos fatos e ideias discutidas. 3. Há várias palavras que dão a noção de tempo e lugar. Homus connectus. sem a intermediação humana. O aparelhinho parte a pessoa ao meio. antes. frequentemente. como fazer? Abrir mão do aparelhinho. E se chega uma mensagem? Uma notícia? TOLEDO. Há uma grande desvantagem. enfim. afinal. Metade dela está na festa. Acesso em: 1 ago. metade no smartphone. ao lado de.indd 57 04/11/2014 08:26:13 . Concluída sua oração. Pode ser que o aparelhinho lhe tenha trazido informações fundamentais para sua causa. depois de todas as facilidades que trouxe. Delírio? O leitor esquece-se do que a Apple é capaz. P. após. ao não acompanhar o orador seguinte. metade seu smartphone? Se abrir mão do aparelhinho está fora de questão. as de trabalho e as sessões do Supremo seriam feitas só de smartphones. 2012. está fora de questão. © Editora Abril Passaremos agora a identificar os diferentes tipos de desenvolvimento de parágrafos tendo como suporte o texto acima. Mas pode ser também que tenha perdido informações fundamentais. porém. além. ali.

Depende do estilo que se quer dar – 58 – Leitura_Escrita_Era_Digital. convidando os amigos para uma festinha em sua casa. quatro cadeiras da primeira fila da assistência.] Agora era sua vez! Sacou o smartphone e. um na reunião outro na telinha.. ela diz. [.2. [.. na sequência. a primeira por uma moça que. olho lá e olho cá. 2012. [. era não conseguir se livrar dos smartphones.indd 58 04/11/2014 08:26:13 .. escrever os fatos em sequência natural. enquanto o orador seguinte se apresentava” (TOLEDO. não conseguia se livrar de um ataque de espirros.. 2012. 3.. tira. ao início do julgamento das competências do Conselho Nacional de Justiça.] Quem assistiu pela TV Justiça. Pode-se contrastar elemento por elemento ou se dizer tudo sobre um fato ou objeto e depois sobre o outro.Leitura e Escrita na Era Digital “Uma charge em recente número da revista  The New Yorker  mostrava uma animada mulher. ainda. ele o põe no bolso. 3. atrás dele. “A TV Justiça. a segunda. enquadrava o orador e. na fase inicial.2.] dali para frente. modelo Jean-Luc Godard. com seu apego pela câmera parada. e as outras duas por cavalheiros cujo tormento.2 Desenvolvimento por enumeração de pormenores ou fatos A enumeração pode ser feita com expressões próprias da ideia de enumerar. grifo nosso). “Vai ser daquelas reuniões com todo mundo olhando para seu iPhone”. assistiu a uma cena exemplar” (TOLEDO.3 Ordenação do parágrafo mediante contraste de ideias O contraste tem por meta evidenciar as diferenças entre as ideias apresentadas. olha. na semana passada. É possível.. grifo nosso). igualmente compulsivo. ao telefone. coitada. como: em primeiro lugar. consulta de novo. Três delas estavam ocupadas. será um olho lá e outro cá. que dá também esta noção.

como a de tocar na tela e conduzi-la ao fim desejado. persuadir o leitor. No tempo do celular puro e simples. O ser humano é instigado a desenvolver novas habilidades. como: não só. metade ela mesma. justificar. causas e consequências Este é um processo muito presente nos parágrafos dissertativos. 2012. exemplificar. definir. havia restrições a seu uso” (TOLEDO. lá. pois. As definições incluem o verbo ser ou outras expressões.2. aquele bicho que só telefonava. 3. ao não acompanhar o orador seguinte. Vejamos o exemplo a seguir. No exemplo a seguir. grifo nosso). metade seu smartphone?” (TOLEDO. por conta disso.4 Ordenação do parágrafo por razões. sem que desande. Algumas palavras que evidenciam o contraste são: aqui.2. portanto.Construção do texto ao texto. temos uma contradição de ideias em torno do mesmo objeto: “O leitor captou? A leitora achou graça? Cartunistas são mais rápidos do que antropólogos e mais diretos do que romancistas. por isso.” [. Muitas são as palavras e expressões que relacionam causas e consequências: com efeito. ou – 59 – Leitura_Escrita_Era_Digital.indd 59 04/11/2014 08:26:14 . para a divisão da pessoa em duas.. mas também.] Pode ser que o aparelhinho lhe tenha trazido informações fundamentais para sua causa. mas e no entanto.. ao contrário. 3. Mas pode ser também que tenha perdido informações fundamentais. Captam o fenômeno quase no momento mesmo em que vem à luz. furiosa e insubmissa.5 Ordenação por explicitação Explicitar é esclarecer. uma vez que o autor quer convencer. Implantam-se novos hábitos sociais. 2012. como consequência. “O telefoninho esperto vem provocando decisivas alterações na ordem das coisas. grifo nosso). Qual o remédio.

grifo nosso). sem a intermediação humana” (TOLEDO. depois de todas as facilidades que trouxe. metade ela mesma. 219). metade seu smartphone? Abrir mão do aparelhinho. As reuniões sociais. está fora de questão. levando uma delas a se modelar por outra” (LIMA apud GARCIA.indd 60 04/11/2014 08:26:14 . 2012. Na metáfora. [.]. comparação e metáfora Para tal. como vemos no exemplo a seguir. A analogia é “um fenômeno de ordem psicológica. para a divisão da pessoa em duas.. – 60 – Leitura_Escrita_Era_Digital. fatos ocorridos para concretizar a ideia que se apresenta. “O fenômeno em questão é o poder magnético dos iPhones. BlackBerries e similares. São palavras comparativas: como.2.] O telefoninho eerto vem provocando decisivas alterações na ordem das coisas” (TOLEDO. a comparação não necessita das palavras comparativas.Leitura e Escrita na Era Digital seja. assim como. 3. da mesma forma.6 Desenvolvimento por analogia. que seja o da pessoa. as de trabalho e as sessões do Supremo seriam feitas só de smartphones.. o autor vale-se de palavras ou ideias que estabelecem semelhanças no caso da analogia e comparação. que consiste na tendência de nivelar palavras ou construções que de certo modo se aproximam pela forma ou pelo sentido. a comparação e a metáfora. O ato de compra desses aparelhinhos é um contrato que vincula mais que casamento. 2010. buscam na realidade elementos concretos.. grifo nosso). p.. Por exemplo: inventando-se um smartphone capaz de sugá-la e reproduzi-la em seu bojo. Palavras que introduzem a exemplificação: por exemplo. do mesmo modo. “Uma charge em recente número da revista The New Yorker [. como tal. Por esta capacidade de instaurar um princípio de identidade entre elementos desiguais. 2012. Se é para abrir mão de um dos dois lados. As pessoas se obrigam a partilhar a vida com eles. Qual o remédio. a analogia aproxima-se de figuras como a alegoria. Os exemplos são ilustrativos.

Construção do texto

3.2.7 Desenvolvimento por perguntas
A pergunta serve para chamar a atenção do leitor e será respondida no
decorrer do texto. É uma pergunta retórica porque não exige resposta; seu
objetivo é forçar o leitor a respondê-la mentalmente e avaliar suas implicações. Quintiliano (35-100 d.C.), retórico romano, afirmou que as perguntas
retóricas aumentam a força e a irrefutabilidade da prova.
“O leitor captou? A leitora achou graça? [...] Qual o remédio,
para a divisão da pessoa em duas, metade ela mesma, metade seu
smartphone? [...] Delírio? O leitor esquece-se do que a Apple é capaz.”
(TOLEDO, 2012, grifo nosso).

3.2.8 Desenvolvimento por citações
diretas ou indiretas
A citação caracteriza-se como um argumento de autoridade e é largamente utilizada para reforçar o ponto de vista. Se direta, deve-se colocar
entre aspas, se não, faz-se uma paráfrase. No texto em questão, o autor faz
uma citação indireta ao referir-se ao diretor de cinema:
Há uma citação direta na introdução, como vemos a seguir.
“‘Vai ser daquelas reuniões com todo mundo olhando para seu
iPhone’, ela diz” (TOLEDO, 2012, grifo nosso).
Para se chegar ao final de um parágrafo ou de um texto, vários caminhos
foram trilhados:
2

escolheu-se o tema;

2

delimitou-se o assunto;

2

traçou-se o objetivo do texto;

2

fez-se a introdução do texto;

2

desenvolveu-se o texto com diferentes tipos de parágrafos possíveis.
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Leitura e Escrita na Era Digital

Chegou o momento do parágrafo de conclusão. Nele pode-se fazer uma
revisão dos aspectos apresentados no desenvolvimento e ainda reforçar o
ponto de vista do autor. Deve-se evitar usar as expressões “em minha opinião”,
“no meu ponto de vista” ou “acho que” uma vez que isso já está implícito.
Portanto, quando se domina as estratégias de construção de parágrafos
tornam-se evidentes as três qualidades fundamentais do mesmo: a unidade,
a coerência e a ênfase.
Reflita

A arte de escrever
Há, portanto, uma arte de escrever – que é a redação.
Não é uma prerrogativa dos literatos, senão uma atividade social indispensável, para a qual falta, não obstante,
muitas vezes, uma preparação preliminar.
A arte de falar, necessária à exposição oral, é mais fácil,
na medida em que se beneficia da prática da fala cotidiana, de cujos elementos partem em princípio.
O que há de comum, antes de tudo, entre a exposição
oral e a escrita, é a necessidade da boa composição, isto
é, uma distribuição metódica e compreensível de ideias.
Impõe-se igualmente a visualização de um objetivo definido. Ninguém é capaz de escrever bem se não sabe
bem o que vai escrever.
Justamente por causa disso, as condições para a redação,
no exercício da vida profissional ou no intercâmbio
amplo dentro da sociedade, são muito diversas das
da redação escolar. A convicção do que vamos dizer,
a importância que há em dizê-lo e o domínio de um
assunto da nossa especialidade destituem a redação do
caráter negativo de mero exercício formal, como tem na
escola. Qualquer um de nós, senhor de um assunto,
é, em princípio, capaz de escrever sobre ele. Não há
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Construção do texto

um jeito especial para a redação, ao contrário do que
muita gente pensa.
Há apenas uma falta de preparação inicial, que o esforço
e a prática vencem. Por outro lado, a arte de escrever,
na medida em que consubstancia a nossa capacidade de
expressão do pensar e do sentir, tem de firmar raízes na
nossa própria personalidade e decorre, em grande parte,
de um trabalho nosso para desenvolver a personalidade
por este ângulo. […]
A arte de escrever precisa assentar em uma atividade
preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um
hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende
muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental
adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do
que outros com bom resultado escreveram.
CAMARA JR., J. M. Manual de expressão oral
& escrita. Petrópolis: Vozes, 1983. p. 29.

Da teoria para a prática
É importante que os cidadãos brasileiros saibam que, nas Diretrizes
­Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (BRASIL, 2010, p. 2-3),
vamos encontrar, no Art. 7°, a seguinte determinação:
De acordo com esses princípios, e em conformidade com o
art. 22 e o art. 32 da Lei nº 9.394/96 (LDB), as propostas curriculares do Ensino Fundamental visarão desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para
o exercício da cidadania e fornecer-lhe os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores, mediante os
objetivos previstos para esta etapa da escolarização, a saber:
I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo
como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita
e do cálculo;

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IV – o fortalecimento dos vínculos de família. economicamente carentes e vivendo em locais extremamente violentos. transforma-se em um projeto multidisciplinar. escrituras. das artes. com inserção no mercado de trabalho e nos espaços sociais. em matemática. No entanto. Por esse motivo. trabalhar exemplares de todo tipos: cartas. e a formação de atitudes e valores como instrumentos para uma visão crítica do mundo. III – a aquisição de conhecimentos e habilidades. em geografia. notícias. transitar suas diferentes linguagens: aritmética. legislação variada.indd 64 04/11/2014 08:26:15 . em todas as áreas. nos primeiros anos dos cursos superiores de diversas áreas. algébrica. decretos. Dica de filme O filme Escritores da liberdade traz essa concepção na prática. há pesquisas para a implantação do “letramento acadêmico” no ensino superior. em história. diários de viagem. do sistema político. Desse modo. fazer trabalho de campo e realizar pesquisa bibliográfica variada. A professora assume uma escola totalmente adversa. ou seja. é o domínio da escrita e da leitura com conhecimento dos gêneros textuais. em ciências. documentos pessoais. compromissos de todos. para que todos possam transitar pelo meio acadêmico usando a língua escrita com qualidade e eficiência. pois. é possível extrapolar os conceitos cristalizados pela linguagem científica.Leitura e Escrita na Era Digital II – a compreensão do ambiente natural e social. composta por alunos de diferentes culturas. Ler e escrever são. o princípio fundamental para tornar-se um cidadão. portanto. É uma história real e a personagem principal adota a metodologia dos gêneros textuais para resgatar a vida e a atenção dos adolescentes. dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. (grifo nosso). dos vários tipos de escrita para cada situação social que possibilitarão a interação e comunicação nos espaços sociais. a realidade nos mostra que. gráfica. a falta de domínio da escrita e seus gêneros textuais é evidente. –  64  – Leitura_Escrita_Era_Digital. geométrica. da tecnologia e dos valores em que se fundamenta a sociedade. dominados pela droga.

Percebemos que se trata de uma unidade de comunicação composta por introdução. 35 mm. podemos usar vários formatos. mais parágrafos.. concisa e precisa. color. sonoro. Para desenvolver os parágrafos. 1 filme (122 min). legenda. mais claro e convincente será o nosso diálogo com o leitor. –  65  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Quanto maior o número de estratégias utilizadas. Síntese Neste capítulo. Escritores da liberdade é baseado no best-seller O diário dos escritores da liberdade. Quanto maior for a nossa intenção comunicativa. portanto. Estados Unidos: Paramount Pictures. exemplos. a finalidade de nossa interlocução. 2007. Direção de Richard La­Gravenese. estudamos a estrutura do parágrafo. Ideias novas. Não se pode esquecer que o último parágrafo é o fecho e deve retomar a tese apresentada no tópico frasal. A introdução do parágrafo – o tópico frasal – e a do texto deve ser objetiva. definições. mais ideias precisamos apresentar e. causas e consequências. novos parágrafos.indd 65 04/11/2014 08:26:15 .Construção do texto Inicia com a escrita de um diário. desenvolvimento e conclusão. uma vez que cada parágrafo é responsável pelo transporte de uma ideia. Entre eles destacamos o uso de tempos e espaços. faz a leitura de um livro de memórias e vai construindo um sentido na vida de todos. para que o leitor entenda o que queremos transmitir e como iremos defender nossas ideias nos outros parágrafos. ESCRITORES da liberdade. enumerações. que serão escritos com uma relação de interdependência. contrastes e analogias e interrogações.

indd 66 04/11/2014 08:26:15 .Leitura_Escrita_Era_Digital.

vamos continuar com a tessitura do texto como uma unidade linguística concreta que busca uma interação comunicativa entre leitor e escritor. é necessária a coesão que. Trataremos de dois conceitos fundamentais para a construção da unidade e do sentido do texto: a coerência e a coesão. por seu lado. para haver coerência. promove a coerência. Leitura_Escrita_Era_Digital.4 Tecendo os parágrafos Neste capítulo. ouvinte e falante. pois. Estes dois aspectos caminham juntos como dois fatores interdependentes.indd 67 04/11/2014 08:26:18 .

Segundo o dicionário on-line Caldas Aulete. atos. antes de discutir coerência textual. estado do que tem coerência. 4. alienado. Deve encontrar-se tanto em quem escreve quanto em quem lê.1 Coerência textual É importante pensar. A coerência entre o discurso e a prática. tem-se a coerência interna – projetada no processo de produção do texto. Assim.. Lógica interna entre os elementos de um sistema. entre outros. ou produzir um texto coerente mesmo sem a coesão. lógica. em outras palavras. 3. como “Nossa. ausência de contradições ou paradoxos entre eles: Seus textos são todos de uma grande coerência. etc. coerência textual é o atributo responsável pelo estabelecimento do sentido produzido pelos leitores no ato da leitura. ações etc. sem ela. como você é incoerente” ou “O que você está dizendo não tem sentido”.indd 68 04/11/2014 08:26:18 . Conhecendo suas ideias. no ato da escrita ou fala pode acontecer de se produzir um texto com todos os recursos de coesão e.. como entre argumentos. Logo. fica-se confuso. situações. A coerência do depoimento com os fatos reais. não se é entendido. na codificação – e a coerência externa. condição. Por este motivo. Ex. com suas particularidades. ela desenvolve-se no entrelugar autor-texto-leitor durante o ato de leitura. ainda assim. 4. 2012. para adentrar no mundo do bom texto. ele não ser coerente. Qualidade.Leitura e Escrita na Era Digital No entanto. p. que ocorre no encontro do leitor com o texto no processo de decodificação e interpretação. grifos nossos). –  68  – Leitura_Escrita_Era_Digital. a coerência enquanto qualidade está presente no imaginário coletivo como algo que se deve ter para ser levado a sério pelos outros. Prevalência de uma uniforme maneira de alguém pensar. (AULETE. é notória a coerência de seus atos. uma vez que. julgar. é comum ouvirmos alguns comentários. proceder. 2. s. Relação lógica e harmônica entre ideias. Vamos ao estudo de cada um desses conceitos. Ou seja. ideias. nexo. sobre o significado que esta palavra transmite. coerência é: 1.

sendo concretizada durante e após este ato. e. uso inadequado de vocabulário. sentado nos degraus da escada colocada à frente de sua casa. até o horizonte. ele morava no alto da colina e o cavalo descia para chegar. verificou que o visitante era seu filho Guilherme. o texto poderia. junção das frases e parágrafos. TRAVAGLIA. 1990. olhava o sol poente e observava como a sua sombra ia diminuindo no caminho coberto de grama. mas sua inaceitabilidade. O que torna incoerente. não é apenas a extensão que ele possui. lançando-se nos seus braços e começando a chorar (KOCK. Portanto. passar por um texto coerente. correu até ele. p. Desde o pé da colina se espalhava em todas as direções. e concretiza-se na interação que se estabelece durante o ato de leitura. um cartaz. Guilherme. viu um cavalo que descia para sua casa. João. A incoerência ocorre motivada por vários fatores. não havia dado sinal de vida. ao se escrever um anúncio. um recado. apesar de todas estas contradições.indd 69 04/11/2014 08:26:18 . sem sentido. com 18 anos. numa leitura desatenta. como problemas de acentuação. o texto destacado anteriormente. aspectos relacionados à coesão textual e que comprometem a lógica na exposição das ideias. De repente. cuja frente dava para o leste. As árvores e as folhagens não lhe permitiam ver distintamente. No entanto. 32). em todo esse tempo. ortografia. ao ver o pai. entre elas: João tem trinta anos e seu filho tinha partido há vinte.Tecendo os parágrafos A coerência interna é centrada no escritor e na compatibilidade entre o texto como um todo e as partes que o compõem. a leitura atenta deve ser redobrada – para evitar erros e não provocar confusão na lógica do texto – e efetivada pelo leitor. desmontou imediatamente. entretanto. uma planície coberta de areia. como potencial do texto. logo ela existe antes da leitura. que há 20 anos tinha partido para alistar-se no Exército. Ele contém profundas contradições. – 69 – Leitura_Escrita_Era_Digital. João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto de uma colina árida. a planície era coberta de areia e depois coberta de grama. etc. Na noite em que completava 30 anos. Ao olhar de mais perto. observou que o cavalo era manco.

pode-se entender também que domingo não é dia e. “o conhecimento de mundo é visto como uma espécie de dicionário enciclopédico do mundo e da cultura arquivado na memória”. Ele. A coerência. conjunções. que um dia você trabalha descansando. 61). 2005. conforme se trate de um texto narrativo. Para Koch e Travaglia (1990. artigos. por isso. TRAVAGLIA apud KOCH. pela atuação conjunta de uma série de fatores de ordem cognitiva. muitas vezes textos mal elaborados acabam afirmando algo diferente da real intenção do autor. Conforme vimos nos exemplos dados.indd 70 04/11/2014 08:26:24 . os quais englobam numerais. Cada tipo de texto tem sua estrutura própria. longe de constituir “mera qualidade ou propriedade do texto. pronomes entre outras classes gramaticais) também vão se manifestar de forma diferente. 52). descritivo ou dissertativo-argumentativo. por mais que a coerência interna tenha sido bem arquitetada. – 70 – Leitura_Escrita_Era_Digital. portanto. situacional. p. p. numa situação de interação dada. pode não entender o que o texto quer dizer e não conseguir compreender a lógica do autor. é resultado de uma construção feita pelos interlocutores. no segundo. Outra possibilidade é de que o leitor não domine a linguagem utilizada pelo autor ou não conheça o contexto no qual e para o qual o texto foi produzido. A coerência externa está centrada no leitor. porém. sociocultural e interacional” (KOCH.Aberto todos os dias! Descanso semanal: segunda-feira HAAP Media Ltd/Ilker Restaurante beira mar HAAP Media Ltd/Michal Zacharzewski Leitura e Escrita na Era Digital No primeiro anúncio. os mecanismos de coerência e de coesão (esta sendo uma costura entre as partes do texto que se faz com uso de elementos conectores. o leitor considerará o texto incoerente. Desta forma.

cronológica. a coerência está relacionada em função de uma ordem espacial das características daquilo que se descreve. um objeto. que a argumentação esteja de acordo com a tese levantada e a conclusão deve ser a decorrência lógica dessa argumentação. 1988. Para tal. conclusão. Neste fragmento. mal tendo começado já se acabaram.Tecendo os parágrafos No texto narrativo. é muito importante para a coerência a ordem lógica das ideias. Na dissertação. dimensões. as vidas principiam mais tarde. para não falar naquelas que. são apresentados argumentos. a coerência está relacionada com a ordem temporal. Cristóvão Tezza. depois “tarde demais” e “mal tendo começado já se acabaram”. textura. o todo a partir dessas características.] Ah. também.indd 71 04/11/2014 08:26:24 . um cenário. nos faz uma apresentação biológica fotográfica do personagem (seu filho). na sequência diz “as vidas principiam mais tarde”. p. etc.] as vidas não começam quando as pessoas nascem. a fim de defender uma ideia ou questionar um assunto. é necessário usar adequadamente conectivos específicos para expressar a causa. cada dia era um dia ganho. Isso nos dá uma noção evidente de sequencialidade dos fatos. odor. – 71 – Leitura_Escrita_Era_Digital. [. que têm a prega nos cantos.. É importante. p. uma criança com Síndrome de Down. opiniões. […] algumas características […] sinais importantes […] vamos descrever. No  texto dissertativo-argumentativo. adotada para apresentar os fatos. [. No texto descritivo. se assim fosse. 45). condição. Saramago afirma que “as vidas não começam”. e a pálpebra oblíqua […] o dedo mindinho das mãos. A coerência se dá quando o leitor consegue visualizar. dados. com a forte adjetivação das cores. 2008.. quantas vezes tarde demais. finalidade. 16).. seja uma pessoa. volume. nesta descrição. Observem os olhos.. quem escreverá a história do que poderia ter sido? (SARAMAGO. arqueado para dentro […] achatamento da parte posterior do crânio […] a hipotonia muscular […] a baixa implantação da orelha e […] (TEZZA.

1. se não houver tempo e espaço para a leitura em nosso cotidiano. a quantidade de textos e de estímulos acentua a leitura interrompida.indd 72 04/11/2014 08:26:25 . De que maneira as crianças e os jovens respondem a todas essas transformações? Em geral. é importante a presença de políticas públicas de incentivo à leitura. o que responde a pergunta feita por Sonia Kramer. Exige o domínio do léxico. do uso dos conectivos. ainda que as ideias. mensagens.Leitura e Escrita na Era Digital A contemporaneidade se caracteriza pelo tempo abreviado. No Brasil. Fragmentação também da leitura. resumos. – 72 – Leitura_Escrita_Era_Digital. estilística e genérica. Quando não é assim. Seis são os tipos de coerência. ações. haverá um apagão da leitura. em mais de 90% dos municípios não há livrarias. Coerência sintática: depende do conhecimento linguístico dos usuários da língua. p. semântica. Nela vivemos o paradoxo: muito se fala sobre leitura. que nos afeta e que praticamos. Essa é uma reflexão pertinente para todos os usuários da língua uma vez que. Leem-se pedaços de textos cada vez mais curtos. informações. trechos. além da incompletude que marca o ato de ler. o respeito à ordem dos elementos da frase. pragmática. Falta de contato com textos e contextos que incentivem a leitura como experiência. além de serem muito precárias ou quase inexistirem as bibliotecas. Falta de tempo. E aqui é preciso diferenciar a escrita em fragmentos (onde cada parte. a leitura impressiona de modo diferente aquele que lê se é feita na juventude ou na maturidade. 23): sintática. Para que isso não ocorra. temática. como uma ruína no sentido benjaminiano. faz-se uma leitura fragmentada. p. Aos poucos e cada vez mais. mas os livros mais vendidos continuam sendo os didáticos. contém as leis do todo) da fragmentação a que assistimos. Mas na vida contemporânea há tempo e espaço para leituras que sejam feitas como experiência? Há livros disponíveis e políticas culturais que favoreçam tais práticas? (KRAMER. muito se propõe. 2000. 20). valores e sentimentos possam ir se plantando mesmo se o leitor disso não se dá conta. segundo Koch e Elias (2006. Falta de tempo de ler e de escrever.

— Que pão! Doce? de mel? de açúcar? de ló? de mico? de trigo? de mistura? de rapa? de saruga? de soborralho? do céu? dos anjos? brasileiro? francês? italiano? alemão? do Chile? de forma? de bugio? de porco? de galinha? de pássaros? de minuto? ázimo? bento? branco? dormindo? duro? sabido? saloio? seco? segundo? nosso de cada dia? ganho com o suor do rosto? que o diabo amassou? ANDRADE. 4.indd 73 04/11/2014 08:26:25 . Coerência estilística: depende das situações interativas em que o usuário da língua irá se encontrar. A eterna imprecisão da linguagem. Coerência temática: ocorre quando os enunciados presentes no texto são importantes para o tema que se está discutindo. o que se busca com a coerência é a unidade do texto. Para cada uma há um estilo apropriado que deve ser respeitado. não podendo em um mesmo ato realizarem-se diferentes ações. In: SILVEIRA. 5. 1971. H. estilo e forma em conformidade com a prática social a ser realizada. D. se houver unidade de sentido. haverá coerência. M. Coerência pragmática: precisa que em uma sequência de atos de fala eles estejam relacionados adequadamente. conteúdo. A. expressão e cultura brasileira. 3. Portanto. Comunicação. como perguntar e dar ordem. Independentemente da forma que o autor dá a ele. 6. Petrópolis: Vozes. C. Coerência semântica: evidencia-se pelo uso adequado das palavras ou expressões e suas relações de sentidos produzidos no texto. 3. mesmo assim. a seguir.Tecendo os parágrafos 2. ou dar ordem e cantar. como finalidade. um exemplo de texto que tem um conjunto aleatório de referências e. n. Veja. – 73 – Leitura_Escrita_Era_Digital. consegue deixar evidente o sentido. Coerência genérica: recai sobre as características do gênero textual.

A costura é feita com elos que promovem a transição de uma frase para outra. expressões ou frases do texto. A seguir. 35). Para Platão e Fiorin (1996.1 Coesão referencial A referência é feita por pronomes pessoais. p. A coesão ocorre. há necessidade de se realizar a costura destas partes que o formam. Koch e Travaglia (1990. é necessário utilizar os recursos do sistema léxico-gramatical da língua. p. lexicalmente entre um elemento do texto e algum outro elemento importante para a sua interpretação (KOCH. a relação. apresentaremos os elementos mais importantes a serem empregados para assegurar a coesão. outras vezes. de um parágrafo para outro.” Para se produzir a coesão. p.Leitura e Escrita na Era Digital Neste texto. Algumas vezes. 4. ora do léxico. possessivos. –  74  – Leitura_Escrita_Era_Digital. demonstrativos ou advérbios e expressões adverbiais que indicam localização. Os autores Halliday e Hasan elencam várias possibilidades de se fazer a coesão como por meio de referência. formando sequências veiculadoras de sentido”. ainda. elipse. 1990. por meio de recursos também linguísticos.2 Coesão textual Para que um texto não seja um amontoado de frases e parágrafos. dentro da frase e entre as frases e parágrafos. de uma ideia para outra. a coerência foi possível a partir do título proposto por Drummond ao leitor e comprovada com a enumeração de várias palavras e expressões que se aproximam e se afastam no sentido. substituição. 18). 13) conceituam a coesão como “o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se encontram interligados. então. Observe os exemplos a seguir. a coesão textual “é a ligação.2.indd 74 04/11/2014 08:26:25 . Ora serão utilizados recursos da gramática. o elo retoma o que já foi dito e. 4. conjunção e. é um processo de olhar para trás e para adiante. sugere o acrescentar de novas ideias. Ou seja. a conexão entre as palavras.

Observe os exemplos: 22 repetição – O diretor entrou na sala.indd 75 04/11/2014 08:26:25 . mas que se aproximam pelo sentido.2 Coesão por substituição A substituição é usada quando a referência não é idêntica e um item pode ser colocado em lugar de outro. Podemos afirmar que se designa como semântica a ciência que se preocupa com o significado das manifestações linguísticas que é construído pelas informações culturais. quadrados/retângulos. 4. Prepare-o e corte-o. com o uso de sinônimos. 22 O padre ajoelhou-se. Observe os exemplos. 4. 22 Vamos fazer um exercício que é igual ao de ontem. Ele recebeu o prêmio destaque esportivo 2011. Todos fizeram o mesmo. enquanto aquele tende a perdoar. nomes genéricos ou palavras do mesmo campo semântico (ou seja. O diretor estava atrasado. a Mona Lisa. Este guarda rancor de todos. Lá está a obra-prima de Leonardo da Vinci. hiperônimos. como no caso aluno/estudante. Seus dirigentes se preocupam muito com a limpeza e segurança. são palavras diferentes. –  75  – Leitura_Escrita_Era_Digital.Tecendo os parágrafos 22 O estádio é um dos melhores da cidade.2. 22 Mate um frango ativo e roliço. 22 Há uma grande diferença entre João e José. 22 sinônimo – A secretária entrou na sala. ou de uma frase inteira. 22 Não podíamos deixar de ir ao Louvre. mas Cristina preferiu uma vermelha. A secretária estava atrasada. Asse-o durante uma hora. losangos/quadriláteros).2.3 Coesão lexical A coesão lexical depende da utilização de palavras já ditas. 22 Margarete comprou uma camisa cor-de-rosa.

indd 76 04/11/2014 08:26:25 . 22 Não adianta tomar atitudes radicais nem fazer de conta que o problema não existe.2. Observe os exemplos. os verbos.. estabelecendo relações de sentido.. Os quadriláteros estavam corretos.] Abriu a sessão às oito em ponto e [.] saias. –  76  – Leitura_Escrita_Era_Digital. 22 Você devia estar preocupado com seu futuro. 22 palavras do mesmo campo – A empresa estava aberta. Observe os exemplos...5 Coesão por conjunção As conjunções estabelecem relações significativas específicas entre os elementos do texto. 22 Fomos ao Rio de Janeiro. isto é. [.. com a sua sobrevivência.] viajaram. mas com sua arrogância. jantamos em Petrópolis.4 Coesão por elipse Os pronomes.] fez então seu discurso emocionado. As figuras geométricas estavam corretas.. 22 Não estou descontente com seu desempenho.2. podem estar implícitos e não precisam ser repetidos. São conectores responsáveis pelo encadeamento entre orações ou partes do texto. retângulos e losangos. (verbo – comprou) 22 Você já leu todo o livro? – Li.. (pronome – eles) 22 O ministro foi o primeiro a chegar. 22 nome genérico – Pedro desenhou quadrados. 22 Eles acordaram e [. minha irmã.. (nome – ministro) 22 Eu comprei camisas. 4. os nomes e sentenças. Depois. [. em muitas frases. Dezenas de diretores e funcionários circulavam nos corredores. retângulos e losangos. (frase – já li todo o livro) 4.Leitura e Escrita na Era Digital 22 hiperônimo – Pedro desenhou quadrados.

. Também as locuções: por isso que. 22 Explicação (justificam a proposição da oração anterior): que. não obstante.. todavia.. bem como. ou. assim como. já que. contraste: mas.Tecendo os parágrafos 4. por conseguinte. seja.2 Conectivos subordinativos São aqueles que unem duas orações que dependem sintaticamente uma da outra. nem. 22 Comparação: estabelecem uma comparação com a oração principal: menos…do que. 22 Exemplo: Ela faz esportes e trabalha.1 Conectivos coordenativos São realizados pelas conjunções coordenadas elencadas a seguir. como. quer. Exemplo: Ela deverá ser aceita. que.. porquanto. 22 Causa: expressam a causa do efeito ou da consequência apresentados na oração principal: que. visto que..6 Sentidos estabelecidos pelos conectivos 4.2. senão. portanto..2. não só. ou seja. 22 Alternância: ou. mas também. 22 Exemplo: Ou ela viaja ou trabalha. logo o projeto deverá ser aprovado. porque. pois que.. porém. pelo que… 22 Exemplo: Ela trabalhou com dedicação. que nem… –  77  – Leitura_Escrita_Era_Digital. apesar disso.2.. também. porque. 22 Exemplo: Ela trabalha. pois seu currículo é muito bom. 22 Adição: e. quer. entretanto.6. seja. 4.6. contudo. Também as locuções: por isso. ainda assim. 22 Oposição. Também as locuções: no entanto. 22 Conclusão (em relação à oração anterior): logo.indd 77 04/11/2014 08:26:25 . não fazem sentido se ficarem sozinhas. pois (posposto ao verbo). no entanto não estuda. pois. porquanto… Exemplo: Vamos preparar as pautas que as  reuniões  começam amanhã.

mesmo que. de sorte que. dado que. nem que. por mais que. caso.Leitura e Escrita na Era Digital 22 Exemplo: Ela é mais dedicada do que a maioria dos seus colegas. apesar de que. apenas. que é construído com a coerência e a coesão. Também as locuções: contanto que. Exemplo: Ela trabalhava tanto. exceto se. assim que. Também as locuções: ainda que. 22 Exemplo: Ela deixou de estudar com dedicação. de maneira que. a não ser que. 22 Concessão: apresentam um fato que contraria a oração principal. 22 Condição: como a própria palavra diz. por menos que… Exemplo: Ela não foi aprovada para o cargo. Vejamos as locuções para que. para que se obtenha boa classificação nos testes admissionais. que faz a costura entre as partes de um texto. bem que. apesar de que sua entrevista foi muito convincente. embora. se apresentar um ótimo desempenho em língua estrangeira. a menos que. 22 Tempo: expressam uma circunstância de tempo em relação ao fato mencionado na oração principal: quando. a fim de que. que pouco tempo tinha para dedicar-se à família. quando foi aprovada. depois que. logo que. de forma que. com estas palavras. mantemos o sentido. 22 Finalidade: Esclarecem o objetivo do fato apresentado na oração principal. desde que. 22 Consequência: demonstram o efeito a respeito de um fato mencionado na oração principal: que (precedido de tão. 22 Exemplo: É necessário preparar-se com dedicação. desde que. 22 Exemplo: Ela poderá ser aprovada. conquanto. enquanto. Não esqueça que. sempre que. Também as locuções: antes que. expressam a condição para que o fato mencionado na oração principal se realize: se. mas permite que ele aconteça: que. por que.indd 78 04/11/2014 08:26:26 . tal) e também as locuções: de modo que. se bem que. tanto. –  78  – Leitura_Escrita_Era_Digital.

entre os parágrafos e os sentidos que eles revelam.. pronome. C. no tempo em que os bichos falavam. aves por natureza becadas. São Paulo: Lucerna. E para isto fundaram escolas e importaram professores.indd 79 04/11/2014 08:26:26 . decidiram que. Leia o texto de Rubem Alves.Tecendo os parágrafos Dica de leitura Para recordar o que é artigo. C. deixando-se sem destaque todas as elipses nominais e verbais. São Paulo: Companhia Editora Nacional. CEGALLA. Os urubus e sabiás Tudo aconteceu numa terra distante. e perceba a presença dos elementos de coesão na frase. que são evidentes ao leitor. numeral. destacado a seguir. mas sem grandes dotes para o canto. 2008.. 48. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos. gargarejaram dó-ré-mi-fá. como: BECHARA. Somente alguns elementos foram destacados. bem como as referências por meio de pronomes pessoais. 2009. 2009. instrutor em início de carreira. LINDLEY. Nova gramática do português contemporâneo. e fizeram competições entre si. mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. D. era se tornar um respeitável urubu titular. ed. CUNHA. a quem todos chamam de Vossa Excelência. advérbio. mandaram imprimir diplomas. para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. P. conjunção consulte as relações completas dessas classes gramaticais em gramáticas da língua portuguesa. E. possessivos.. e o sonho de cada urubuzinho. entre as frases. – 79 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Os urubus. São Paulo: Lexikon. Novíssima gramática da língua portuguesa. Moderna gramática portuguesa.

Paulo. reforça esta questão quando afirma: que expectativa o diretor de uma empresa criaria sobre o trabalho de alguém que lhe manda um e-mail assim: – 80 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Na pesquisa..indd 80 04/11/2014 08:26:26 . assim não pode ser. 1995. “É uma competência bastante considerada quando se pensa em promover alguém”. no dia a dia. mas cantavam simplesmente. existe a necessidade do uso coerente da linguagem. expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás.. porque o canto nascera com elas. 81. em matéria recentemente publicada no caderno de empregos do jornal O Estado de S. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar. foram analisadas redações de 580 pessoas empregadas em empresas de diferentes ramos. grifos nossos). em reportagem recente. confirma Vera Vasconcellos. em uníssono. O resultado mostrou que aquelas com cargos de chefia (e salários maiores) obtiveram uma nota média 43% maior em seus textos. Em outras tantas. É por isso que testes de redação estão presentes nos processos seletivos de muitas empresas. porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvesse. Não haviam passado por escolas de canto. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.Leitura e Escrita na Era Digital E as pobres aves se olharam perplexas. E os urubus. Thiene Marcondes (2012). Moral: em terra de urubus diplomados não se houve canto de sabiá (ALVES. Uma pesquisa recente mostrou que saber escrever bem é o principal requisito para chegar aos cargos mais altos em uma empresa. a fluência da comunicação tem um significativo peso na carreira profissional. p. — Não. Da teoria para a prática Em todas as profissões. consultora da Career Center.

diretora e fundadora da Scritta. provocada pelo erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais. enviando cartas e. empresa que oferece cursos e consultoria em linguagem escrita. os pronomes. Segundo Laila. conversando. os advérbios vão conferir a unidade ao texto e contribuir para a clareza das ideias transmitidas. ainda. Algumas vezes. mas. as conjunções.). relação. que tenham argumentos lógicos e que sejam bem articulados. –  81  – Leitura_Escrita_Era_Digital. com o advento do ensino a distância. palavras e frases componham um todo significativo para os interlocutores. As várias palavras que são usadas como conectivos. o domínio desta ferramenta tornou-se mais fundamental ainda. também. que no mundo corporativo a alma do negócio anda de mãos dadas com a comunicação. com o uso contínuo de e-mail. nexo entre os elementos que realizam a tessitura do texto. por escrito. A coesão é responsável pela ligação. p. Já o uso inadequado causa problemas de compreensão do que se está querendo dizer. Sabe-se. atualmente. Pode ser. as empresas procuram profissionais que saibam organizar ideias. a incoerência resulta do uso inadequado dos elementos de coesão na construção dos períodos e de parágrafos. é a estrutura lógico-semântica que faz com que. Síntese Como foi possível perceber. faz um alerta: “falar e escrever bem é uma condição de empregabilidade” (VANETTI apud ­MARCONDES. portanto. Todos estes meios de comunicação exigem bom conhecimento da língua para que a mensagem seja entendida. Telefonando. s.  No âmbito educacional a linguagem sempre foi o instrumento essencial e. o texto terá a unidade formal e o sentido preservados. 2012. numa situação discursiva. apropriar-se dele e transmiti-lo não só oralmente. na atualidade. tais como as preposições.Tecendo os parágrafos Cita ainda que Laila Vanetti. coerência é o resultado da articulação das ideias de um texto.indd 81 04/11/2014 08:26:26 . Quando todos estes aspectos forem respeitados. pois o professor precisa dominar um conhecimento.

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o passo seguinte é produzi-los com intuito de escrever um texto de acordo com um determinado modelo adequado a cada uma das situações sociais nas quais interagimos com a linguagem e que se chama gênero textual. objetivo e lógico.indd 83 04/11/2014 08:26:29 . Leitura_Escrita_Era_Digital.5 Gêneros textuais e tipos de textos Após conhecer a forma de estruturar os parágrafos de modo claro.

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É a linguagem que se inscreve por meio do texto como sistema mediador de todos os discursos para trocas materiais e culturais de informações
e, depois, para a construção de conhecimentos. Por este motivo, torna-se
relevante e necessário o correto uso dos diferentes gêneros textuais, seja
para declarar e negociar mediando ações sobre o mundo, seja para persua­
dir os outros de nossas ideias, seja para representar e avaliar as relações
humanas, fazendo-se indispensável um letramento adequado ao contexto contemporâneo.

5.1 Gênero textual, tipo textual
e gênero discursivo
Os gêneros foram discutidos e estudados na Grécia Antiga (384-322
a.C.) por vários filósofos. Aristóteles, discípulo de Platão, na obra Arte Poética, classificou em lírico, dramático e épico os gêneros literários. É desse
período a distinção das obras em poesia e prosa.
Para compreendermos melhor a questão do gênero neste momento, é
importante relembrar que toda manifestação literária é fruto resultante da
visão do homem de acordo com o mundo que o rodeia, que diz respeito ao
conteúdo, ou seja, ao produto artístico em si, materializado por meio de uma
técnica e com uma estilística própria que lhe dá a forma.
Portanto, para se escrever um texto sobre qualquer situação vivida,
existe a necessidade de se decidir se ela será narrada, descrita, se irá realizar
uma reflexão teórica sobre o fato ou se tentará convencer o leitor sobre o
ponto de vista adotado ao apresentar o fato. Tem-se, desta forma, a possibilidade de uma narração, uma descrição e uma dissertação expositiva
ou argumentativa.
Na sequência, deve-se pensar se a pessoa a ser utilizada no discurso é
a primeira pessoa do plural (eu/nós) ou singular, o que dá a ideia de participação da pessoa que escreve o texto; ou será em terceira pessoa (ele). Outra
escolha diz respeito ao grau de linguagem a ser adotado – objetivo, subjetivo,
formal, informal ou coloquial. Tal decisão vai interferir na estrutura da frase,
na escolha do vocabulário e na forma de como se dirigir ao leitor, fatores que
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definirão o modo de recepção do texto por aqueles que o leem. Todas essas
atividades dizem respeito ao gênero de texto que se vai produzir.
Na atualidade, a questão do gênero passou a ser discutida no meio linguístico e deixou de ser exclusivo do meio literário. Bakhtin (1997, p. 279)
assevera que:
A utilização da língua efetua-se em forma de enunciados
(orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes duma ou doutra esfera da atividade humana. O
enunciado reflete as condições específicas e as finalidades
de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos
recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais –, mas também, e sobretudo, por sua construção
composicional. Estes três elementos (conteúdo temático,
estilo e construção composicional) fundem-se indissoluvelmente no todo do enunciado, e todos eles são marcados pela
especificidade de uma esfera de comunicação. Qualquer
enunciado considerado isoladamente é, claro, individual,
mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos
relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso.

A variedade dos gêneros do discurso pode revelar a variedade dos estratos e dos aspectos da personalidade individual, e o estilo individual pode relacionar-se de diferentes maneiras com a língua comum. Saber o que na língua
cabe respectivamente ao uso corrente e ao indivíduo é justamente problema
do enunciado (apenas no enunciado a língua comum encarna-se numa forma
individual). A definição de um estilo em geral e de um estilo individual em
particular requer um estudo aprofundado da natureza do enunciado e da
diversidade dos gêneros do discurso.
Bakhtin optou por dividir os gêneros em dois tipos: o gênero primário
(simples) e o gênero secundário (complexo). Primários são os gêneros usados em comunicação verbal espontânea, como diálogos em família, reuniões
informais, oralidade de um modo geral. Os secundários fazem uso de uma
linguagem mais elaborada, normalmente escrita, para situações de comunicações formais. O que diferencia um do outro é o grau de complexidade e
elaboração que cada um exige, dependendo, como já vimos, em que esfera
de atuação e práticas sociais nas quais está sendo utilizado o gênero. Com o
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surgimento da internet e a nova forma de comunicação virtual – o ciber ou
hiper espaço –, nasce o chamado gênero terciário, que se refere aos gêneros
adotados para comunicação digital.
Todos os gêneros interessam, uma vez que, numa sociedade letrada, ler
e escrever são atos necessários a todo momento, no entanto, aqui serão tratados apenas alguns gêneros.

5.2 Modos discursivos
Um texto pode ser classificado de acordo com a forma como a ideia é
organizada discursivamente. São os chamados “modos discursivos”, que, normalmente, mesclam-se e podem estar presentes em vários tipos de textos
(SERAFINI, 1991).
Os modos discursivos presentes nos gêneros textuais são destacados
a seguir.

5.2.1 Narração
Apresenta episódios e acontecimentos costurados por uma evolução
cronológica das ações. Essas ações são vistas sob determinada lógica e constroem uma história transmitida por um narrador. No texto narrativo, há
sempre presente quem, quando, onde e como.
Observe o exemplo a seguir.
Tragédia brasileira
Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade. Conheceu Maria Elvira na Lapa, prostituída, com sífilis, dermite nos dedos,
uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael
tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou
médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria. Quando
Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma
facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
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mudanças e morte. por covardia. utilizando detalhes concretos.2 Descrição Apresenta objetos. pessoas. identificamos: 2 Quem? Misael e Maia Elvira. Boca do Mato.. Darcy Ribeiro Um dos mais brilhantes cidadãos brasileiros. Todos os Santos. privado de sentidos e inteligência. matou-a com seis tiros. vestida de organdi azul (BANDEIRA. 1991. Rua Marquês de Sapucaí. Analisando pelos quesitos próprios da narração. Vila Isabel. Darcy Ribeiro provou ao mundo que um homem de nada mais precisa além da coragem e da força de vontade para modificar aquilo que. 2 Quando? Tempo indeterminado. casamento. o texto destacado a seguir. Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado. Encantado. Ramos. Inválidos. pode ser a qualquer tempo. nos – 87 – Leitura_Escrita_Era_Digital. outra vez no Estácio. Catete. e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal. 2 Como? Encontro. Lavradio. Ouvi-lo. Rua Clapp. simplesmente ignoramos. Catumbi. É a fotografia verbal dos fatos ou dados apresentados.2. Niterói. mesmo que por alguns instantes. Misael mudava de casa. Rocha. lugares e sentimentos. onde Misael.Gêneros textuais e tipos de textos Viveram três anos assim. Os amantes moraram no Estácio. Por fim na Rua da Constituição. 27).. Bom Sucesso.indd 87 04/11/2014 08:26:30 . Evidencia a percepção que o autor tem dos objetos e dos sentimentos através dos cinco sentidos. p. como exemplo. 2 Onde? Bairros do Rio de Janeiro. Rua General Pedra. Olaria. 5. Leia.

Na conclusão. tendo também participação fundamental na criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Darcy Ribeiro representou um exemplo a ser seguido por qualquer um que tenha a consciência de seu dever para com a sociedade a que pertence. Portanto. ele sabia como ninguém pensar com serenidade e defender aquilo em que acreditava. Darcy Ribeiro estava sempre aprendendo e ensinando. No terceiro e quarto parágrafos. os aspectos psicológicos são mostrados. Neste texto. destacou-se como etnólogo. não fez disso desculpa para o comodismo ante seus ideais maiores. homenageá-lo é dever de cada brasileiro. no Rio de Janeiro. Devido ao seu carisma. Era um verdadeiro intelectual cuja convivência com os índios o fez adquirir invejável formação humanística.indd 88 04/11/2014 08:26:31 . lábios finos e trazia em seu rosto marcas de quem já deixou sua marca na história. antropólogo. Com seu espírito jovem e obstinado. Mais que uma sucessão interminável de adjetivos pomposos. André Luiz Diniz Costa faz uma descrição geral de Darcy Ribeiro. ele amava as crianças do Brasil. político. escritor e historiador. Acima de tudo. Apesar de diabético e lutar contra dois cânceres. valendo-lhe prêmios e homenagens por instituições de diversos países. e em nome dessas fundou os CIEPs. Seus esforços foram reconhecidos internacionalmente. ele sabia o que queria. porém era realista o suficiente para não se perder em “devaneios utópicos”. as quais harmoniosamente faziam-lhe inspirar profunda confiança.Leitura e Escrita na Era Digital levava a conhecer sua sabedoria e simplicidade. reafirma a descrição com novos atributos de caráter geral. – 88 – Leitura_Escrita_Era_Digital. olhos negros e curiosos. No primeiro parágrafo do desenvolvimento suas características físicas é que são apresentadas. exaltando suas qualidades de homem e de intelectual. educador. tendo vários livros publicados. Darcy tinha a pele clara. e não mediu esforços para conseguir.

É uma exposição. – 89 – Leitura_Escrita_Era_Digital. organizando-as. medido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Folha de S. esclarecendo-as. Mercado brasileiro de livros cresce e já aparece como 9º no mundo.. Mercado brasileiro de livros cresce e já aparece como 9º no mundo Até então “protegido” pela língua nacional. A compra de 45% da Companhia das Letras pela britânica Penguin no final de 2011 foi o início de um movimento que deve se intensificar. São Paulo.2 bilhões de faturamento e 469. Disponível em: <http://www1.shtml>. tomar uma posição com relação a elas.br/mercado/1178540-mercado-brasileiro-de-livros-cresce-e-ja-aparece-como-9-no-mundo.. no entanto. Acesso em: 24 nov. considerando o preço pago pelo consumidor. 2012.Paulo. segundo estudo recém-publicado da Associação Internacional dos Editores (IPA. 3 nov.folha. Veja o texto a seguir.com. Os espanhóis já estão no país há alguns anos e a portuguesa LeYa comprou a Casa da Palavra no ano passado. do site PublishNews. Com R$ 6. não há impedimento para a entrada de estrangeiros no mercado editorial. foi de R$ 4.3 Dissertação Apresenta ou explica ideias. avalia o consultor Carlo Carrenho.] BARBOSA. Diferentemente do que acontece em setores como meios de comunicação.2.uol. definindo-as sem.5 milhões exemplares vendidos.indd 89 04/11/2014 08:26:31 . na sigla em inglês). o Brasil é o nono maior mercado editorial do mundo. 2012. o mercado editorial brasileiro atingiu tamanho de gente grande e começa a atrair importantes grupos internacionais. É o primeiro estudo que traz a movimentação total do mercado nacional. M. confrontando-as. [.8 bilhões em 2011.Gêneros textuais e tipos de textos 5. O faturamento das editoras.

Argumentar significa provar. 22 Argumento de autoridade Consiste no uso de citações de conceitos de autores renomados e de autoridades em alguma das áreas do saber (educadores. conquistando a sua adesão e tornando o texto mais fácil de ser compreendido. da história universal. 2008). É um conjunto de enunciados que estão relacionados uns com os outros de tal forma que enquanto um apresenta uma tese. 2006).4 Argumentação Apresenta fatos.indd 90 04/11/2014 08:26:31 . o ponto de vista assumido na argumentação em uma opinião. fundamentar uma ideia. sustentarão a tese defendida. uma tese.Leitura e Escrita na Era Digital 5. Este tipo de argumento torna o texto mais consistente à medida que outras vozes reforçam o que o autor do texto está dizendo. um ponto de vista. Para uma boa argumentação. são longos. minuciosos e reforçam as informações abstratas dos conceitos. 22 Argumento baseado no consenso. físicos. demonstrar ou defender um ponto de vista particular sobre determinado assunto (KÖCHE. entre os quais destacamos alguns a seguir. exemplos e ilustrações retirados. que apresentam detalhes. –  90  – Leitura_Escrita_Era_Digital. servem para reforçar. o produtor do texto pode se servir de diferentes tipos de argumentos. ou seja. inclusive. os demais enunciados são justificativas ou premissas para a conclusão (TOULMIN. filósofos. economistas). 22 Argumento baseado em provas concretas As provas concretas são argumentos de difícil contestação porque dão concretude ao discurso. administradores.2. os relatos de fatos. Destacam-se os dados estatísticos. 22 Argumento lógico Este tipo de argumento faz-se pelo raciocínio. problemas. com exemplos O uso de exemplos conhecidos e aceitos desperta a familiaridade do leitor com o tema. raciocínios que fundamentarão.

daqui a cinquenta anos você vai dar com os burros n’água”. O primeiro videogame que comprei para meus filhos foi o famoso SimCity.indd 91 04/11/2014 08:26:32 . O truque é encontrar bons jogos. Por isso. tsc. e fim do jogo. como se costuma afirmar. Pai. Eu. balançaram a cabeça em desaprovação: “Tsc. toda criança nasce com inteligência. a população se mudará para a cidade vizinha.Gêneros textuais e tipos de textos A favor dos videogames O cérebro humano é um órgão que absorve quase 25% da glicose que consumimos e 20% do oxigênio que respiramos. tsc. Um dia eu estava brincando de “prefeito” quando meus filhos de 11 e 13 anos de idade. que acabam não se conectando entre si. seria muito melhor se empossássemos o vencedor do campeonato de SimCity em cada cidade. sinal de que vão precisar de todas as sinapses disponíveis. Carregar neurônios ou sinapses que interligam os neurônios em demasia é uma desvantagem evolutiva. e não uma vantagem. menino de rua é mais esperto do que filho de classe média que fica tranquilamente assistindo às aulas de um professor. literalmente. analisando meu “planejamento urbano” inicial. porque enganam o cérebro fazendo-o achar que seus filhos nasceram num ambiente hostil e perigoso. considerados uma praga pela maioria dos educadores e pedagogos. Em vez de eleger prefeitos. Se você for um péssimo prefeito. Sempre fui a favor de videogames. Só que bons videogames impedem a regressão sináptica. Aqueles que crescem em ambientes seguros e tranquilos vão perdendo essas sinapses. mas aquelas que não a usam vão perdendo-a com o tempo. Todos nós nascemos com muito mais sinapses do que precisamos. Estimular o cérebro da criança desde cedo é uma das tarefas mais importantes de toda mãe e todo pai modernos. fenômeno chamado de regressão sináptica. ela pode se tornar uma megalópole ou não. e. caí da cadeira. Portanto. mas não é tarefa impossível. dependendo de suas decisões. – 91 – Leitura_Escrita_Era_Digital. um jogo em que você é o prefeito de uma pequena vila.

nem grandes empresários sabem fazer isso até hoje. e nela não se pode ser um apressado. Um dos procedimentos é a assepsia da pele. Aos 12 anos. meus filhos já tinham noção de que os primeiros anos de um negócio são os mais difíceis. Avaliar riscos e administrar o capital de giro. por três minutos. eu vivia cortando caminho pelos vários atalhos existentes no jogo. e ai de quem não escovar o peito do paciente. Nesses casos. Que matéria ou professor ensina esse tipo de autodisciplina? Em A-Train. a pior das alternativas sendo uma apendicite. Quem gasta menos do que isso é sumariamente expulso do hospital por erro médico. – 92 – Leitura_Escrita_Era_Digital. senão você não adquire a experiência e a competência necessárias para as situações mais difíceis que estão por vir”. Aprende-se logo cedo que uma empresa começa com prejuízo social e tem de ter recursos para suportar os vários anos deficitários. A criança tem de investir enormes somas colocando trilhos e locomotivas sem contar com muitos passageiros no início das operações. o que é uma eternidade num videogame e para uma criança. elas têm de operar “virtualmente” o paciente seguindo condutas médicas corretas. aos 11 anos. No jogo Médico. as crianças aprendem a fazer um diagnóstico diferencial. tínhamos consciência de que atos feitos na época poderiam ter consequências nefastas cinquenta anos depois? Quantos de nós pensaríamos em prever um futuro para dali a cinquenta anos? A lição que me deram com o famoso videogame Mario Brothers foi ainda melhor. com o mouse nesse caso.indd 92 04/11/2014 08:26:33 . o jogador é um administrador de empresa ferroviária. mas foi o suficiente para me deixar com os cabelos em pé. quando novamente me deram o seguinte conselho: “Não se podem queimar etapas. Não tendo a paciência de meus fi lhos. e controlar o capital de giro é essencial.Leitura e Escrita na Era Digital Quantos de nós. A frase não foi exatamente essa. Dois garotos estavam me ensinando que cada etapa da vida tem seu tempo e aprendizado.

o gênero utilizado é o religioso. usa exemplo de jogos considerados por ele de qualidade. A favor dos videogames. se vamos a uma exposição. se vamos a um jogo de futebol. Podemos notar neste texto argumentativo que a tese do autor é apresentada no título “a favor dos vídeos games”: para defendê-la o autor faz citações da fala de seus filhos. o gênero é estético e assim por diante. paciência.indd 93 04/11/2014 08:26:33 . 2005.3 Gêneros textuais e práticas sociais Os gêneros textuais são modelos comunicativos e fazem parte de nosso cotidiano. Entre eles. p. © Editora Abril. São Paulo: Abril. destacamos alguns. S. educacional e empresarial a comunicação deve ser redigida em linguagem apropriada ao contexto e à técnica. e não uma vantagem. Existem gêneros para todas as situações comunicativas. Veja. Carregar neurônios ou sinapses que interligam os neurônios em demasia é uma desvantagem evolutiva. 22. é necessário ter moderação nas horas devotadas ao videogame. Para cada situação vivida há necessidade de conhecimento de um determinado gênero. out. como se costuma afirmar”. n. São orais e escritos e nos conduzem no processo comunicativo social. Na área acadêmica. 41. algo que nem sempre se aprende numa sala de aula. – 93 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Uma concepção científica para sua argumentação já é apresentada nos parágrafos iniciais quando diz “O cérebro humano é um órgão que absorve quase 25% da glicose que consumimos e 20% do oxigênio que respiramos. Se vamos à missa. além de ensinar planejamento. KANITZ. o gênero é esportivo. Mas ele é uma ótima forma de estimular o cérebro da criança e impedir sua regressão sináptica. estamos exercitando gêneros textuais.Gêneros textuais e tipos de textos Como em tudo na vida. disciplina e raciocínio. 5. ano 38. com características próprias dos gêneros dessas áreas. Desde a conversa com o vizinho até o relatório da última reunião.

relatórios. o modo discursivo em evidência é o dissertativo opinativo ou argumentativo. formulários. ensaios. agenda. para momentos de diversão. ensaio. manuais. tarefas pendentes. notícias. telegramas. cartazes. entre outros. O relatório e a ata têm como modo discursivo a narração. divulgação. horários. jornais. Destacam-se contos.indd 94 04/11/2014 08:26:33 . informes. convites. São resenhas. arquivos. artigos e reportagens. transmitir valores culturais. exposição ou argumentação estudados podem ser utilizados nos diferentes gêneros. ata. receitas culinárias. narração. canções. Os prescritivos são utilizados para dar instruções: escolares. apontamentos. guias. índices. entrevistas. poemas. livro-texto escolar. como: relatório. Os informativos servem para compreender ou comunicar as características principais de um tema. artigo acadêmico e análise crítica. no ofício. adivinhações. lendas. catálogos. códigos. artigos científicos. São eles: listas de compras. normas de jogos. instruções para a realização de trabalhos. narrações. Destacam-se cartas. teatro. folhetos. correspondência. Há alguns gêneros que são importantes em todas as áreas profissionais. Já na carta. menus. artigos de divulgação. enciclopédias. etiquetas. –  94  – Leitura_Escrita_Era_Digital. exercícios. É importante ressaltar que os modos discursivos de descrição. etc. revistas. sociais e morais.Leitura e Escrita na Era Digital Os enumerativos servem para lembrar e transmitir dados. compartilhar e discutir conhecimentos através de um estudo mais aprofundado. biografia. auxiliada pela descrição. O currículo é descritivo. Os expositivos e argumentativos são usados para estudar. no artigo acadêmico e na análise crítica. regulamentos. cadernos de notas. preparação de exposições orais e conferências. propagandas. impressos oficiais. reportagens. anúncios. de comportamento. Os literários servem para induzir no leitor sentimentos e emoções especiais. listas de material. currículo. carta comercial e oficial. gibis. comunicar fantasias. etc. diário pessoal ou escolar. histórias em quadrinhos. no ensaio. ofício. etc. notas e avisos.

os relatórios estão relacionados com custos. lucros. viagens. com objetivo predeterminado. –  95  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Trata de assunto de certa complexidade.1 Relatório É um gênero utilizado em muitas situações práticas e sociais.indd 95 04/11/2014 08:26:33 . para comunicar nossos atos. prática e estágio. maior que o informal. Portanto. este gênero classifica-se em formal. oralmente. contendo mais de 15 páginas. ou na família. Os alunos podem ser chamados a produzir relatório de visitas a exposições. Os relatórios de estágio ou de término de curso entram nesta categoria. sua apresentação é breve. fatos ou discussões ocorridos em um determinado local. quais os objetivos a que ele deve atender. seguindo todas as normas de um trabalho técnico. No meio escolar o professor deve produzir relatório de notas. às vezes apenas com um parágrafo. 22 Relatório formal: é rigoroso na forma de apresentação e estrutura. e o assunto é tratado com muita profundidade. 22 Relatório semi-informal: é identificado pela sua extensão. São exemplos de relatório informal o memorando e a ­carta-relatório. não exigindo cabeçalho nem título. relatar é escrever. para alguém ausente.3. narrando e. O relatório de visita. É extenso. os acontecimentos.Gêneros textuais e tipos de textos Na sequência serão apresentados modelos destes gêneros fundamentais para sua prática profissional e educacional. uma vez que se tem que prestar contas das atividades realizadas. exigindo pesquisa ou investigação. é redigido em poucas páginas (uma ou duas). informal e semi-informal (FLÔRES. 22 Relatório informal: trata de um único assunto. 1994). A estrutura do relatório vai depender do espaço social no qual ele será produzido. o grau de formalidade ou informalidade da estrutura linguística a ser seguida. relatório de avaliação descritiva nas séries iniciais. contendo de 5 a 15 páginas. dissertando. Já no mundo corporativo. Pode ser manuscrito ou digitado. 5. muitas vezes. é um exemplo de relatório semi-informal. Quanto à estrutura. Do mesmo modo. descrevendo. despesas.

22 Relatório informativo de progresso: relata modificações ocorridas em determinadas condições e durante um tempo. podendo ser superior a um ano. mensal. No desenvolvimento designam-se os membros participantes. ou seja. No desenvolvimento. relatório de estágio ou de visita – apresentação na qual é colocado o objetivo do estágio ou visita. os relatórios podem ser classificados em informativo e analítico. avaliação ou recomendação. É pouco extenso e apresenta-se informal e semi-informalmente. 22 Relatório informativo narrativo (ou de viagem. Não faz recomendações. Subdivide-se em relatório de progresso. não se preocupando em oferecer recomendações: 1. relatório informativo de progresso periódico – relata determinada atividade num período de tempo fixo (anual. 22 Relatório informativo de posição: descreve ocorrência ou fatos num momento temporal.indd 96 04/11/2014 08:26:33 . relatório informativo de progresso até determinada data – o assunto tratado pode ter maior complexidade. numa data estabelecida.Leitura e Escrita na Era Digital 22 Quanto à maneira de tratar o assunto. programa. Neste tipo de relatório não há análise. 22 Relatório informativo: transmite informações sem se preocupar em avaliar ou analisar e não faz recomendações. Pode ser de dois tipos: 1. e tem como finalidade relatar o histórico do progresso de um projeto até determinada data. –  96  – Leitura_Escrita_Era_Digital. estágio ou administrativo): relata a história de ocorrências ou eventos sem tempo limitado. relatório de viagem – na introdução é importante colocar a data. suas funções. deve-se inclui-lo. relatório de posição e relatório narrativo. 2. os lugares visitados e os objetivos alcançados. Na conclusão faz-se uma crítica com relação aos resultados alcançados. tornando-o longo. Se houver roteiro. o destino e o objetivo da viagem. semanal). 2.

A linguagem do relatório deve primar pela clareza na exposição. 22 Relatório analítico: objetiva analisar os fatos ou as observações obtidas e apresenta conclusões e recomendações. Por fim. pela concisão. e a aplicada.Gêneros textuais e tipos de textos devem estar presentes a descrição do local do estágio. relatório analítico de pesquisa – descreve experiências científicas que estão sendo feitas por pesquisadores. Em geral.indd 97 04/11/2014 08:26:33 . Pode-se escrever em 1ª pessoa do plural. a básica. relatório analítico pessoal (ou de proposição. é utilizado quando há julgamento de determinados processos com fins administrativos em empresas. ou administrativo. ou consulta) – tem como finalidade apresentar sugestões ou recomendar alguma melhoria. ou de modo impessoal. uma conclusão. relatório administrativo – possui objetivo preestabelecido e bem definido. Observe o modelo de relatório a seguir. destacando o aproveitamento do estágio ou da visita. mostrando objetivamente os dados que favorecem essa mudança. –  97  – Leitura_Escrita_Era_Digital. instituições de ensino e outros. na 3ª pessoa. Há subdivisões de relatório de pesquisa. Os relatórios analíticos dividem-se em três formatos: 1. os quais exigem alguma reformulação ou acerto em termos curriculares. tendo conclusão e recomendação devido a resultados evidentes. pessoal-profissional. 2. precisão e unidade. observando o tempo atual ou um tempo futuro. 3. ou quando são feitos estudos em determinadas áreas ou departamentos. relatório analítico para solucionar problemas – dimensionar os problemas para que sejam analisados sem a preocupação de busca científica para solucioná-los. as atividades desenvolvidas e as técnicas aplicadas. que irá descrever os meios de como empregar um produto novo ou uma nova técnica. que é um caminho a ser seguido em vista de um determinado resultado. 3.

construindo um relatório que será arquivado na pasta. para a conclusão do Estágio. sim. O estágio supervisionado III – passo a passo Este momento exige do estagiário o trabalho do relatório expandido analítico-descritivo. colocado em sua pasta no polo. cada componente irá sistematizar suas observações. no polo e será utilizado. lembrando sempre que é preciso ter objetividade e imparcialidade.Leitura e Escrita na Era Digital que está disponível no site da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins). lembrando que este relatório deverá ser escrito individualmente e não deverá ser postado e.indd 98 04/11/2014 08:26:34 . posteriormente. Para elaborar o relatório analítico-expandido. Aqui. deverá estar o título do trabalho: ESTÁGIO SUPERVISIONADO III – RELATÓRIO ANALÍTICO-DESCRITIVO EXPANDIDO DA OBSERVAÇÃO DA DOCÊNCIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL – 98 – Leitura_Escrita_Era_Digital. CaPa 2 Na parte superior da capa. vocês irão seguir o seguinte roteiro. centralizado. com letra maiúscula deverá estar escrito: FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS/FACULDADE EDUCACIONAL DA LAPA CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA – EAD ESTÁGIO SUPERVISIONADO III 2 No centro da folha. Observação: cada integrante da equipe fará o seu relatório com base nos dados observados.

SUMÁrio 1. INTRODUÇÃO 2.indd 99 04/11/2014 08:26:35 . análise e interpretação da observação da docência no 2º ano – 99 – Leitura_Escrita_Era_Digital. 2 Embaixo da folha deverá constar o nome dos integrantes da equipe. recuado à direita. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA/ANÁLISE DO ESPAÇO ESCOLAR 3. com letra fonte 10. ano/semestre. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA SOBRE A OBSERVAÇÃO DA DOCÊNCIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 3. análise e interpretação da observação da docência no 1º ano 3. escrito: Relatório analítico-descritivo expandido como exigência legal do curso de pedagogia da Fundação Universidade do Tocantins/ Faculdade Educacional da Lapa.Gêneros textuais e tipos de textos 2 Embaixo (centralizado) NOME DOS(AS) ACADÊMICOS(AS) LOCAL – ANO/SEMESTRE folHa dE roSto 2 Na parte superior (centralizado/maiúsculo) FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS/FACULDADE EDUCACIONAL DA LAPA CURSO DE PEDAGOGIA ESTÁGIO SUPERVISIONADO III 2 No centro: TÍTULO DO TRABALHO Abaixo do título.1 Descrição.2 Descrição. vai a nota indicativa da natureza do trabalho. local.

C. CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.Leitura e Escrita na Era Digital 3. 2 deliberações. sessão. C. – 100 – Leitura_Escrita_Era_Digital. M. São partes componentes da ata: 2 título.2 Ata A ata é o registro escrito de uma reunião. Quando não houver necessidade de formalidades legais.3 Descrição. 2 registro dos presentes. METZ. editais. REFERÊNCIAS 6.4 Descrição. análise e interpretação da observação da docência no 4º ano 3. composição da mesa. local e hora. A. os assuntos seguem em ordem cronológica. discriminação das publicações relacionadas com a reunião. Observação da docência nos anos iniciais do ensino fundamental. análise e interpretação da observação da docência do 5º ano 4. 2 encerramento. que tem efeitos legais. Não pode conter rasuras. com o verbo no pretérito perfeito do indicativo e os numerais registrados por extenso. 2012. escreve-se a correção precedida da observação “em tempo”. Orientações para o estágio supervisionado III. Se houver algum erro e for percebido. Para o seu registro deve haver um livro próprio. pode-se fazer apenas um relatório de reunião. Uma ata deve ser escrita em um só parágrafo.indd 100 04/11/2014 08:26:35 . ANEXOS PIENTA. 5. análise e interpretação da observação da docência no 3º ano 3.pdf> Acesso em: 22 set.br/pedagogia/arquivos/ estagio/4_periodo/OrientEstagio_4_periodo.3.. com páginas numeradas e rubricadas por quem fez o “termo de abertura”. Disponível em: <http://www. 2 introdução com data. assembleia geral ordinária ou extraordinária. como relatórios.5 Descrição.unitins.

......... ou seja. em que foram escolhidos os seguintes membros para comporem os órgãos internos: DIRETORIA EXECUTIVA: (nominar os membros... começou-se a discussão do estatuto apresentado que. estado civil.. por aclamação.indd 101 04/11/2014 08:26:36 ... Em seguida....... numero do CPF e cargo). bem como das deliberações. (nome do secretário da reunião). passou-se à discussão do item “3” da pauta e foi deliberado que a sede provisória da associação será no seguinte endereço: (discriminar o endereço completo)....................... que foi lida.Gêneros textuais e tipos de textos Ata da Assembleia Geral de Constituição de Associação ou Sociedade Civil Ao. lavrei a presente ata..... profissão.... endereço residencial.. da qual eu..dia do mês de... em seguida.. no endereço....... achada conforme e firmada por todos os presentes abaixo relacionados... com a seguinte redação: (transcrever redação do estatuto aprovado).. profissão... Passou-se..... agradeceu pela participação de todos os presentes e deu por encerrada a reunião.............. Os membros presentes escolheram.... ao item “2” da pauta........ e 3º) designação de sede provisória da associação........... para presidir os trabalhos (nome de membro)...... Em seguida. em Assembleia Geral.. Nada mais havendo. estado civil..... endereço residencial e número do CPF). Por fim.... secretário ad hoc reunião......................... às............... reuniram-se.. contendo os seguintes assuntos: 1º) discussão e aprovação do Estatuto da associação.... Os órgãos internos apresentados são apenas sugestivos.. e para secretariar (nome membro)............. 2º) escolha dos associados ou sócios que integrarão os órgãos internos da associação..as pessoas a seguir relacionadas: (nominar as pessoas... foi aprovado por unanimidade. não há obrigatoriedade de utilizarem-se as mesmas denominações........do ano de. – 101 – Leitura_Escrita_Era_Digital.. o Presidente fez um resumo dos trabalhos do dia......horas........... após ter sido colocado em votação.... o Presidente declarou abertos os trabalhos e apresentou a pauta de reunião...............

ba. As partes devem ser claramente destacadas e muito bem digitadas. Nome Completo [Endereço completo]. Deve ser redigido em terceira pessoa.gov. Ata da Assembleia Geral de Constituição de Associação ou Sociedade Civil. é perfeitamente possível a existência de um segundo órgão de deliberação.mp. Ministério Público.br/atuacao/caocif/fundacoes/pecas/ modelo_ata. Acesso em: 22 set. por exemplo. Idade: [Idade] anos – estado civil: [estado civil]. objetivo: [vaga ou oportunidade pretendida] Formação acadêmica: 2 curso do ensino médio 2 curso profissionalizante ou técnico – 102 – Leitura_Escrita_Era_Digital. A ata deverá ser assinalada por todos os associados ou sócios fundadores. com atribuições serão fixadas no estatuto. Disponível em: <http://www. Fonte: BAHIA. as funções de deliberação são exercidas por uma Assembleia Geral. que serão identificados pelo nome e número de CPF.3. o sujeito descreve as suas qualificações pessoais para submeter-se a uma avaliação para um possível emprego.Leitura e Escrita na Era Digital Em regra. por meio de informações sucintas. porém. como.pdf>. no qual. 2012.indd 102 04/11/2014 08:26:36 . 5.3 Currículo ou curriculum vitae É um texto de apresentação. com observações objetivas a respeito da formação e experiência profissionais rigorosamente verdadeiras. integrada por todos os associados ou sócios. um Conselho Superior. A linguagem deve ser extremamente concisa. Telefone: [Telefone com DDD] – E-mail: [E-mail].

Serve para divulgar e veicular conhecimentos novos que já estão ou serão sistematizados em breve. publicação de algum artigo.indd 103 04/11/2014 08:26:37 .3. como algum prêmio. Essencialmente. 2. descrição. Na sua construção. delimitação do assunto. discute-se a respeito e apresenta-se soluções. seleção da bibliografia sobre o assunto. informação e argumentação. são usados os diferentes modos discursivos: narração. tanto para leitura quanto para a escrita. mostra-se um problema.4 Artigo acadêmico/científico É um dos mais importantes textos. no artigo. Os temas abordados são livres. para os universitários. – 103 – Leitura_Escrita_Era_Digital. É o conhecimento sendo construído. é importante observar os seguintes passos: 1. uma vez que se escreve tudo o que for de interesse de cada área e de todas as áreas. escola e universidade) Experiência profissional: 2 data de início e término 2 nome da empresa 2 cargo exercido 2 atividades realizadas Qualificações e atividades complementares: 2 descrição de outros cursos realizados 2 descrição de atividade relevantes realizadas Informações adicionais: 2 tem algo de especial que ocorreu com você.Gêneros textuais e tipos de textos 2 curso superior (data de início e término. livro – descrever 5. Para produzir um artigo.

coloca-se o título do artigo. e a data da produção. pode-se fazer referências às partes que compõem o artigo. organização das anotações na ordem apresentada no esquema. 10. escrita da versão final. 3. 8. escrita da primeira versão do trabalho. à sua fundamentação teórica. 7. Antecede o corpo do artigo. recomendações para novas descobertas. identificação – nesse tópico. –  104  – Leitura_Escrita_Era_Digital. ainda. submissão do artigo ao orientador ou a outra pessoa para avaliar a produção. metodologia e resultados. anexos ou apêndices. que é a introdução. A estrutura do artigo exige as seguintes partes: 1. e. 4. c) solução/avaliação – caracteriza-se como a conclusão do artigo e são ressaltados os resultados e/ou limites do estudo desenvolvido. se necessário.Leitura e Escrita na Era Digital 3. Nessa parte. elaboração dos tópicos e da análise pessoal. referências. todos os dados do artigo. 6. a autoria e a titulação do autor. tema. de forma sintética. ainda. se possível. O artigo possui. bem como. resumo e palavras-chave – o resumo apresenta.indd 104 04/11/2014 08:26:37 . os objetivos (para que serviu). elaboração do esquema de trabalho. 5. objetivos. 2. Abaixo do resumo são colocadas as palavras-chave. 9. elaboração da abordagem para análise do assunto. escolha do tempo verbal mais indicado para ser usado no artigo. corpo do artigo a) situação-problema – apresenta o problema (o quê). Serão apresentadas todas as informações. 11. b) discussão – é o desenvolvimento do artigo e pode ser dividida em quantos itens forem necessários. referências aos autores consultados e o autor deve valer-se de todos os argumentos para defender os resultados conseguidos. revisão da escrita.

Porque aquele que possui inteligência capaz de previsão tem naturalmente autoridade e poder de chefe. sobretudo. de acordo com as concepções contemporâneas. deve. Desse modo. – 105 – Leitura_Escrita_Era_Digital.] Os bárbaros a mulher e o escravo se confundem na mesma classe. um ser que ordena e um ser que obedece. obedecer e servir [.] por obra da natureza e para a conservação das espécies. Isso acontece pelo fato de não lhes ter dado a natureza o instinto do mando [.Gêneros textuais e tipos de textos Considerações Sobre as Faces das Desigualdades Entre os Seres Humanos Francisco Fernandes Ladeira Especialista em: Brasil.com. os estudos sobre as desigualdades devem ir além da distribuição de bens materiais e do fator renda. Na Grécia Antiga. Estado e Sociedade pela UFJF E-mail: ffl@site.br Resumo: O presente trabalho apresenta breves considerações sobre as diversas faces das desigualdades entre os seres humanos... acreditava-se que as desigualdades entre os homens eram inatas. d.. Considerações Iniciais Compreender as causas das desigualdades entre os seres humanos é um dos principais desafios dos cientistas sociais. outros a serem senhores. forçosamente.. 14)... as desigualdades também devem ser associadas a fatores extra-econômicos e às oportunidades de vida.indd 105 04/11/2014 08:26:37 . o que nada mais possui além da força física para executar. s. Em contrapartida. Para as concepções clássicas. as desigualdades sociais estão relacionadas. p.] (ARISTÓTELES. Dessa forma. berço do pensamento ocidental.. alguns adaptados a trabalhos manuais e outros exclusivamente às atividades intelectuais. Há [. certos indivíduos eram naturalmente propensos a serem escravos. à distribuição irregular da renda e dos bens materiais.

Em contrapartida. como ser mais ricos. mas socialmente construídas ao longo de um processo histórico marcado pelas diferenciações entre os seres humanos. Esta consiste nos diferentes privilégios de que gozam alguns em prejuízo dos outros. mais honrados. Para a concepção clássica. para alguns intelectuais contemporâneos. essencialmente. foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. fomentou profundas diferenças entre os homens. Concepção Clássica Um dos primeiros pensadores modernos a tratar exaustivamente o tema das desigualdades sociais foi Jean-Jaques Rousseau: Concebo na espécie humana duas espécies de desigualdade. Quantos crimes. as desigualdades também devem ser associadas a fatores extra-econômicos (raça. s. nacionalidade) e às oportunidades de vida. enchido os buracos e gritado para seus companheiros: “Não deem ouvidos a este impostor. 27). sendo que as desigualdades sociais surgem com o aparecimento da propriedade privada. mais poderosos do que os outros ou mesmo fazer-se obedecer por eles (ROUSSEAU. Sendo assim. os estudos sobre as desigualdades devem ir além da distribuição de bens materiais e do fator renda. essa concepção equivocada não é mais admitida. das forças do corpo e das qualidades do espírito ou da alma. guerras e assassinatos derivam desse ato! De quanta miséria e horror a raça humana poderia ter sido poupada se alguém simplesmente tivesse arrancado as estacas. Uma. que chamo de natural ou física. através dos séculos. à distribuição irregular da renda e dos bens materiais.indd 106 04/11/2014 08:26:38 . d. o chamado mundo civilizado. da saúde. Para estes autores. por que é estabelecida pela natureza e que consiste na diferença das idades. p. as desigualdades sociais estão relacionadas. Estarão – 106 – Leitura_Escrita_Era_Digital. gênero. segundo Rousseau.. que veio com a ideia de dizer “isto é meu” e encontrou gente simples o bastante para acreditar nele.Leitura e Escrita na Era Digital Evidentemente. representada principalmente pelos pensamentos de Karl Marx e Max Weber. A outra. O primeiro homem que cercou um pedaço de terra. que pode ser chamada de desigualdade moral ou política porque depende de uma espécie de convenção e que é estabelecida ou pelo menos autorizada pelo consentimento dos homens. Sabemos que as desigualdades não são naturais.

Na sociedade capitalista. feudal e burguês moderno podem ser considerados como épocas progressivas da formação econômica da sociedade. p.. ela mesma. e as diferenças de prestígio criam os agrupamentos de status ou estratos.Gêneros textuais e tipos de textos perdidos se esquecerem que os frutos da terra pertencem a todos. pela destruição do modo de produção capitalista. 1977. d. p. os modos de produção asiático. explorada pelos patrões. a classe operária. e que a terra. Segundo o pensamento marxiano. não pertence a ninguém” (ROUSSEAU. 2000. antigo. Para Marx... com suas classes e seus antagonismos de classes. “Em um caráter amplo. poder e prestígio.¹ “[. as desigualdades sociais podem ser compreendidas através da irregular distribuição dos meios de produção. o fim das desigualdades sociais passa. existem duas classes sociais básicas: de um lado a burguesia.. movidas. sobretudo.. inexoravelmente. em diferentes etapas. a história se desenvolve de forma linear. procuram incluir fatores imateriais e extra-econômicos nas análises sobre as distinções sociais.” (MARX. e de outro lado o proletariado. as diferenças de propriedade criam as classes. transformando os meios de produção em propriedades coletivas. p. 2000. deve se organizar e promover a revolução socialista. – 107 – Leitura_Escrita_Era_Digital. Assim. Concepção Contemporânea Por outro lado.] Opressores e oprimidos.].indd 107 04/11/2014 08:26:39 . para o pensamento marxiano. detentora dos meios de produção.² Portanto. pelas contradições originadas da organização do sistema de produção (luta de classes). surge uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é condição para o livre desenvolvimento de todos. que possui somente a sua força de trabalho. Max Weber percebe as diferenciações entre os indivíduos a partir das variáveis propriedade. 45).” (MARX. as diferenças de poder criam os partidos políticos. 23). “Em lugar da antiga sociedade burguesa. culminando com o advento do comunismo. apesar de não negarem as interpretações clássicas sobre as desigualdades. Sendo assim. 67).” (MARX. p. s. sempre estiveram em constante oposição uns aos outros [. autores contemporâneos. 14).

Leitura e Escrita na Era Digital

Para Amartya Sen, as análises sobre as desigualdades devem se
deslocar dos espaços de renda para o espaço de funcionamentos. De
acordo com o economista indiano, funcionamentos são os desejos e
aspirações que um indivíduo consegue realizar vivendo de uma determinada maneira. Assim, mais importante do que a questão monetária, é focalizar como determinado rendimento pode se transformar
em realizações e melhorar a autoestima individual.
Jessé Souza, sociólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora,
salienta que os estudos sobre as classes sociais precisam superar as
abordagens tradicionais. Rejeita, assim, tanto o liberalismo economicista, que vincula classe ao rendimento monetário; quanto o pensamento marxista clássico, que associa classe à posição de um indivíduo
em relação ao modo de produção vigente. Aspectos econômicos e
ocupacionais são condições necessárias, porém não suficientes, para
definir uma classe.
Classes sociais não são determinadas pela renda, nem pelo simples
lugar na produção, mas sim por uma visão de mundo “prática” que se
mostra em todos os comportamentos e atitudes. [...] O economicismo
liberal, assim como o marxismo tradicional, percebe a realidade das
classes sociais apenas “economicamente” (SOUZA, 2010, p. 22, 45).
Desse modo, essas interpretações não levam em conta “[...] o
mais importante, que é a transferência de valores imateriais na reprodução das classes sociais e de seus privilégios no tempo” (SOUZA,
2010, p. 23).
Considerações Finais
Entretanto, é controverso menosprezar a importância do fator
renda para se aferir as desigualdades sociais. Basta levarmos em
conta que, em uma sociedade capitalista como a nossa, onde praticamente todas as relações sociais são regidas pela lógica mercantil,
um rendimento monetário básico é condição sine qua non para que
um indivíduo possa viver com o mínimo de dignidade e suprir suas
necessidades vitais.
Contudo, ao focalizar somente a variável renda para se analisar
as desigualdades, cometemos o equívoco de apresentar uma visão
incompleta e simplista sobre o tema.
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Gêneros textuais e tipos de textos

As verdadeiras faces das desigualdades não se manifestam apenas no aspecto econômico. Estão presentes nos antagonismos raciais,
sexuais, nacionais comportamentais, etc.
É importante salientar que nos Estados Unidos, por exemplo,
para se medir o status de um indivíduo, a cor da pele, em várias ocasiões, é mais importante do que a conta bancária.
Já em países extremamente religiosos, notadamente nas sociedades muçulmanas, as mulheres, mesmo possuindo uma condição
financeira favorável, são menos valorizadas socialmente do que os
homens pobres.
Em suma, as causas das desigualdades sociais são extremamente
complexas, não podem ser atribuídas a um único fator.
Contudo, as desigualdades, ao serem historicamente construídas, também podem ser historicamente minimizadas.
Desse modo, mais importante do que entender as origens das
desigualdades entre os seres humanos, é propor formas pragmáticas
de extirpá-las.³
E esta tarefa não está a cargo apenas dos intelectuais. Consiste, talvez, no maior desafio para a nossa sociedade neste início
de século.
Notas
1. “O operário moderno, [...] ao invés de se elevar com o progresso da
indústria, desce cada vez mais, caindo inclusive abaixo das condições
de existência de sua própria classe.” (MARX, 2000, p. 56).
2. “[...] A burguesia não forjou apenas as armas que lhe trarão a
morte; produziu também os homens que empunharão essas armas –
os operários modernos, os proletários.” (MARX, 2000, p. 51).
3. Lembrando as palavras de Marx, mais importante do que interpretar o mundo, é ter o atrevimento de transformá-lo.
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Referências bibliográficas
ARISTÓTELES. A Política. Tradução de Nestor Silveira Chaves. São
Paulo: Escala, s. d.
MARX, K. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo:
Martins Fontes, 1977.
MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Tradução de Pietro Nassetti. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2000.
ROUSSEAU, J. J. Discurso sobre a origem da desigualdade entre os
homens. São Paulo: Escala, s. d.
SEN, A. Desigualdade Reexaminada. 2. ed. Rio de Janeiro: Record,
2008.
SOUZA, J. Os Batalhadores Brasileiros – Nova classe média ou
nova classe trabalhadora? Belo Horizonte: UFMG, 2010.
WEBER, M. Ensaios de Sociologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1982.
Fonte: LADEIRA, F. F. Considerações sobre as faces das desigualdades
entre os seres humanos. Disponível em: <http://artigocientifico.uol.com.
br/uploads/artc_1325883740_70.pdf>. Acesso em: 19 set. 2012.

Da teoria para a prática
É indiscutível a necessidade do domínio da teoria dos gêneros textuais
para todo cidadão que vive em uma sociedade letrada, ou seja, que exige o
domínio da língua para que se tenha acesso aos bens culturais, práticas sociais
de leitura e escrita, cidadania efetiva. Deste modo, em todas as circunstâncias
acadêmicas e profissionais, precisamos dominar a estrutura dos textos e discursos que fazem parte de nossas relações e práticas sociais.
Desta forma, além dos textos apresentados no material, há necessidade
de se buscar outros tipos de textos, compreender sua função e estrutura,
para poder comunicar-se com competência. Para alçarmos títulos acadê– 110 –

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que levam em conta as questões individuais de seleção e opção: vocabulário. o teste mais importante é o que exige a produção de uma argumentação a respeito de um tema polêmico. Esta dissertação pode se transformar em um projeto para fazermos um doutorado que. como o relatório. alguns textos que fazem parte da vida dos profissionais de qualquer área. devemos produzir uma monografia. desde o ensino fundamental até especializações. Vimos. a importância do conhecimento dos modos discursivos que podem ser usados em todos os gêneros. como o doutorado. devemos dominar a produção de textos dissertativos. preferências gramaticais. Para entrarmos em um curso superior. o artigo e cada um com os seus elementos essenciais. temos que produzir um relatório de estágio ou um artigo. o currículo. –  111  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Para sermos aceitos em um mestrado. Para concluir uma especialização. para recebermos o título. exige a defesa de uma tese. dialogamos sobre os gêneros textuais e vimos que eles são inumeráveis. a descrição. Síntese Neste capítulo. para que tenhamos sucesso acadêmico e profissional. em cada situação de interação verbal. a dissertação opinativa ou argumentativa. também. saber escrever é fundamental. uma vez que. na conclusão. estruturas frasais. a estrutura formal dos textos pertencentes ao gênero. a ata. Para concluir a graduação. Necessário é observar os três elementos essenciais: os conteúdos ideologicamente conformados. ao final. devemos escrever uma dissertação. que se tornam dizíveis por meio do gênero. ainda. que são: a narração. dependendo do objetivo que se quer alcançar com as palavras. precisamos apresentar um projeto de pesquisa e. a forma de composição. há necessidade de se saber qual é a melhor maneira de utilizar a linguagem. Destacamos.indd 111 04/11/2014 08:26:41 .Gêneros textuais e tipos de textos micos. Portanto. e as marcas linguísticas ou de estilo.

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6 Novas tecnologias da informação e da comunicação Neste capítulo. em um novo suporte – o computador.indd 113 04/11/2014 08:26:44 . têm similares em outros ambientes. tanto na oralidade como na escrita. a proposta é estudar os gêneros virtuais surgidos com o advento da internet no mundo contemporâneo. Como vimos no capítulo anterior. São os gêneros que surgem com as novas tecnologias. pertencem ao chamado gênero terciário. para Bakhtin (2000). na sua maioria. esses gêneros do ciber ou hiperespaço. Leitura_Escrita_Era_Digital. e todas as suas variações – que.

imagens ou outros objetos. a religião. 2005. 6. O hipertexto é um texto que vem acompanhado de vários links. de novas formas de linguagem e interagindo com sua multiplicidade. Isso ocorre porque “a internet é um hipertexto produzido coletivamente num contexto ciberespacial. que usa o teclado para “conversar”. 22). exatamente como fizeram o fogo. A palavra inglesa link é uma forma curta. cada etapa integrando as precedentes e levando-as mais longe ao longo de uma progressão de dimensão exponencial (LÉVY. de um novo código. usada para designar as hiperligações do hipertexto. possibilitando uma leitura não linear. a linguagem. o espaço da inteligência coletiva. é seguir uma sequência de links. “caminho” ou “ligação”. já que o leitor encontra-se livre para modificar o caminho de sua leitura quando os acessa. modos de pensar e valores estão transformados por causa deste novo espaço de comunicação. exigindo. atitudes. transformou a maneira de ler e escrever. Por meio dos links é possível produzir documentos não lineares. –  114  – Leitura_Escrita_Era_Digital. p. tecnicamente interligado por uma imensidade de computadores plugados em rede universal” (COSTA. Lévy (2005) define ciberespaço deste modo: O ciberespaço é uma espécie de objetivação ou de simulação da consciência humana global que afeta realmente essa consciência. 22). Navegar. trazendo o hipertexto como um novo espaço em que leitor e escritor encontram-se diante de novos processos de produção e compreensão textuais. a chamada Era da Comunicação.Leitura e Escrita na Era Digital O meio virtual. as tecnologias digitais colocam a humanidade em um caminho sem volta. agregando interatividade ao documento e somando rapidamente outros conteúdos sobre o assunto específico de que se está tratando. como se diz usualmente. Sua obra trata da transformação sofrida pela sociedade após o advento da internet. a arte e a escrita. ou seja. p.1 Cibercultura e hipertexto Pierre Lévy é considerado o filósofo da informação. interconectados com outros documentos ou arquivos a partir de palavras. Significa “atalho”. novos recursos linguísticos. portanto. Segundo o estudioso. 2000.indd 114 04/11/2014 08:26:44 . As práticas. a técnica. para tal. fala escrevendo (ou será que escreve falando?).

obras científicas. é aberta. sim. d) fragmentariedade – em geral. com possíveis retornos ou saídas. os fundamentos. h) intertextualidade – diz respeito à presença de textos variados. pela facilidade de estabelecer contatos com muitos autores. as condições ­tecnossociais. da linguagem verbal e da não verbal. Segundo Lévy. as escolhas são tão passageiras quanto as conexões executadas pelos leitores. No mapa destacado a seguir. podemos nos aprofundar neste caminho. –  115  – Leitura_Escrita_Era_Digital. as ligações são breves. em contínuo processo de transformação. foi construído um encaminhamento dos processos que ocorrem na comunicação virtual mostrando grandes linhas. Por meio dele. ao mesmo tempo. citações. c) topografia – o espaço de escrita e de leitura não possui limite definido. as redes sociais e os problemas que podem advir no uso desta tecnologia de comunicação. notas. g) interatividade – refere-se à interconexão interativa. o hipertexto não pode ser tratado como um gênero e. classificar os conteúdos analisados na rede. f) multissemiose – possibilita a junção. Marcuschi (2005) define as características do hipertexto: a) não linearidade – significa flexibilidade para definir o trajeto da leitura entre os vários nós do texto.indd 115 04/11/2014 08:26:44 . museus. Temos as possibilidades do ciberespaço. as pessoas têm a possibilidade de organizar. b) volatilidade – implica a não estabilidade do texto impresso. móvel. Dessa forma. literárias.Novas tecnologias da informação e da comunicação Para Marchuschi (2005). dando-lhes. na cibercultura. neste caso. algumas propriedades específicas. a obra. como um modo de produção textual que pode estender-se a todos os gêneros. e) acessibilidade ilimitada – permite o acesso a todo tipo de fonte: dicionários.

cibercultura. sinceridades sucessivas indiferença (até a idade média) conforto (modernidade) ubiquidade (pós-modernidade) Ciberarte obra aberta autoria coletiva cibernética (Wiener) informação/meme cibernética de segunda ordem interação mútua e produção biopolítica reativa (Primo) interação mediada tragédia do comunal  por computador Conflito e dilema do prisioneiro cooperação copyright. cognição. P.indd 116 dependência dominação e vigilância informação duvidosa isolamento e sobrecarga cognitiva escrita coletiva webjornalismo participativo Fundamentos Cibercultura Redes sociais Condições tecnossociais Ciberespaço Problemas e-mail. vitalismo (Maffesoli) sujeito fragmentado. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 1999. cooperativo (Primo) Ciborgue ética hacker: “toda informação deve ser livre” Ciberpunk “faça você mesmo” ativismo e resistência na rede Socialidade pós-moderna Fases do desenvolvimento tecnológico (Lemos) tekhné: saber fazer humano X fazer da natureza técnica X homem: uma relação recursiva Vida digital: bits X átomos (Negroponte) real X hiper-seal: comunicação X simulação Razão (Baudrillard) tecnológica velocidade e indústria do esquecimento (Virilio) tautismo: repetição e isolamento (Sfez) ciberdemocracia (Lévy) Tecnologia Leitura e Escrita na Era Digital LEMOS. Interação mediada por computador: comunicação. 2007. A. 2002. PRIMO. A. persona. IM portal comunidades virtuais homepage fórum Web 1. Porto Alegre: Sulina.0: social bookmarking e folksonomia (cooperação) Inteligência coletiva sociedade em rede (Castells) interface real X potencial atual X virtual realidade virtual e telepresença games comunicação ubíqua agentes de inteligência artificial Internet: raízes militar e acadêmica ética da estética (Maffesoli) tribalismo (estar-junto) presenteísmo e o efêmero hedonísmo formismo. Memex e Xanadu creative commons Hipertexto links tipos: potencial. copyleft. colagem.Leitura_Escrita_Era_Digital. São Paulo: 34. LÉVY.0: livro de visita (publicação) álbum de fotos blogs marketing viral redes de relacionamento Web 2. Porto Alegre: Sulina. –  116  – 04/11/2014 08:26:45 . Cibercultura.

jah. tah. O tipo de comunicação que prospera na internet se relaciona com a liberdade de expressão. kd. 2003.2 Gêneros virtuais Gêneros virtuais são as novas modalidades de gêneros textuais surgidos com a internet – ou. abssssssssss. ainda. produzem a grande rede de informações. demonstrando a criatividade dos usuários e inovando a construção da linguagem virtual. infinitamente. –  117  – Leitura_Escrita_Era_Digital. A par disso. 6. como “Me fla as 9dades.Novas tecnologias da informação e da comunicação Já na imagem a seguir. Uma demonstração dessa interferência é a redução das palavras como pq. amow. O já chamado “internetês”. como gateenha. A linguagem da internet reflete o desejo de aproximar cada vez mais a linguagem escrita da linguagem oral. 24). vc. o gênero terciário –. que representa um hipertexto. é comum acrescentar palavras como naum. p. vemos que as redes são criadas a partir da leitura de um texto com links que levam a outros textos e. assim.indd 117 04/11/2014 08:26:45 . construções mais complexas. São usadas. Também faz parte dessa linguagem o uso de frases de forma que intensifiquem o sentido das coisas. a emissão livre de mensagens. eh. bjãoooo. flw. fds. surgindo desta forma um sistema hipertextual global verdadeiramente interativo (CASTELLS. mediadas pelo computador. tb. a comunicação orientada para uma determinada criação coletiva. como afirma Bakhtin. viu?”. visse?” cujo significado seria: “Me fala as novidades. hj. que permitem a comunicação e a interação entre duas ou mais pessoas.

Gêneros emergentes E-mail Bate-papo virtual em aberto Bate papo virtual reservado Bate-papo ICQ (agendado) Bate-papo virtual em salas privadas Entrevista com convidado Aula virtual Bate-papo educacional Vídeoconferência Lista de discussão Endereço eletrônico Gêneros já existentes Carta pessoal/bilhete/correio Conversações (em grupos abertos?) Conversações duais (casuais) Encontros pessoais (agendados) Conversações (fechadas?) Entrevista com pessoa convidada Aulas presenciais Reunião Reunião de grupo/conferência/debate Circulares Endereço postal Fonte: Marchuschi (2002.indd 118 04/11/2014 08:26:45 . abreviaturas nada convencionais. os chats ou salas de bate-papo. tendo em vista a natureza do meio com a participação mais intensa e menos pessoal. gêneros existentes. Crystal (apud MARCUSCHI.Leitura e Escrita na Era Digital Sobre a escrita dos discursos eletrônicos. estruturas frasais pouco ortodoxas e uma escrita semialfabética. do ponto de vista dos usos da linguagem – tem-se uma pontuação minimalista. alguns gêneros virtuais universalmente utilizados são: os e-mails. desenvolve alguns realmente novos e mescla vários outros. p. Com todas essas inovações na linguagem. 5) menciona três aspectos que devem ser verificados: 1. do ponto de vista dos gêneros realizados – a internet transmuta. p. os blogs e tantos outros que surgirão em um espaço muito breve de tempo. grifo nosso). uma ortografia um tanto bizarra. 2005. –  118  – Leitura_Escrita_Era_Digital. 2. 13) estabelece um paralelo entre os gêneros emergentes e os já existentes. surgindo a hiperpessoalidade. Marchuschi (2005. 3. 13. abundância de siglas. do ponto de vista da natureza enunciativa dessa linguagem – integram-se mais semioses do que usualmente. de maneira bastante complexa. p. porque a tecnologia avança de uma forma espetacularmente veloz.

Colocamo-nos ao seu inteiro dispor para maiores informações. O mesmo foi enviado pelo correio e pode ser consultado no site da empresa www.suavepele. É um similar da carta. tais como o retorno da mensagem se o endereço não estiver correto ou se a caixa de correspondência do receptor esteja cheia. Alguns problemas podem ocorrer no uso deste gênero. são pessoais. Além disso. 2005. ou seja.indd 119 04/11/2014 08:26:46 . e significa “em”. e o “br” informa que o endereço é do Brasil. com a possibilidade de intercâmbio com outras comunidades escolares. da conversa informal. falsificada. do memorando. Contudo.9999 – 119 – Leitura_Escrita_Era_Digital. o que é uma violação de normas do gênero (tal como uma carta anônima). o que os diferencia das listas de grupos ou de fóruns de discussão (MARCUSCHI. João Silva Gerente Comercial (11) 9999. O e-mail é identificado pelo símbolo “@”. No meio educativo. at em inglês. p. pois todas as determinações ficarão registradas para possíveis embates entre professores e alunos. No geral. os interlocutores são conhecidos ou amigos e raramente ocorre o anonimato. os e-mails. “com”. podendo causar danos irreversíveis no seu aparelho eletrônico. a produção do conhecimento torna-se plural pelo acesso a diferentes culturas.2. A principal característica do e-mail é o assincronismo das mensagens e o fato de possibilitar o envio de sons e imagens rapidamente.br. tanto no ensino a distância (em especial) quanto no presencial. das cartas comerciais e até mesmo de um telegrama carta e/ou telegrama. Venho por meio deste comunicar que está à sua disposição o catálogo de vendas da moda inverno 2013. o e-mail também tornou-se um instrumento importante para comunicação entre os pares. Por outro lado. Prezado cliente. 21-24). Esta característica o diferencia dos bate-papos. endereço comercial. o mais grave é quando a comunicação vem contaminada com vírus.Novas tecnologias da informação e da comunicação 6. do bilhete.1 E-mail É o texto que desempenha o papel de correio eletrônico.com. em geral.

na maioria das vezes. com nomes e personalidades diferentes. Abraços. Jorge — Certo Cris.2 Chats – bate-papos virtuais É o gênero da conversa ou bate-papo informal. Esse é um dos aspectos negativos. As interações realizam-se em “salas” (abertas ou fechadas). É um bom meio para aqueles que têm dificuldades de interação com o seu próprio grupo. na psicologia. em tempo real. Possui como característica uma linguagem própria.Leitura e Escrita na Era Digital 6. 2005. Tornou-se um dos mais populares gêneros praticados.2. revela-se um influente meio de comunicação nas relações interpessoais e todo cuidado é pouco. – 120 – Leitura_Escrita_Era_Digital. e pode ser compartilhado com muitas pessoas ao mesmo tempo. em curto espaço de tempo (MARCUSCHI. 24-29). etiquetas e. ainda. repleta de abreviações. eu coloquei todos os itens nas informações da aula de número 12. pois. poderia informar o que irá ser cobrado na avaliação? Jorge — Olá Cristina. o mesmo participante pode escolher uma ou mais “máscaras”. no caso. não há uma identificação pessoal verdadeira e as pessoas usam um pseudônimo ou nickname (apelido) para comunicação. o uso de emoticons. Beijos e até sexta-feira. Em geral. Cristina — Olá professor. Este gênero. tal procedimento leva os interlocutores a agirem como se estivessem no mundo da fantasia. que. O apelido permite o anonimato. Cristina — Desculpe prof. até sexta. eu estou tão nervosa que nem vi. porque as pessoas podem acreditar em tudo o que os outros dizem e serem levadas a vários tipos de perigo. trata-se de um sistema gratuito oferecido na internet que permite uma interação sincrônica e simultânea. virtual. no contexto social.indd 120 04/11/2014 08:26:46 . p. é chamado de máscara. Em poucos segundos. é oral.

literária. uma vez que os leitores podem fazer comentários ou críticas sobre tudo o que foi postado pelo dono do blog. logo. –  121  – Leitura_Escrita_Era_Digital.blogspot.3 Weblog É um modo de comunicação assíncrona e com arquivamento dos dados para consulta. pois dá autonomia ao aluno na ­construção do conhecimento da área. O blog. no ambiente escolar. religiosa. a mais atual aparece sempre em primeiro lugar. como divulgação de serviços. uma vez que é possível a interação face a face com os alunos para as mais variadas atividades. seja para videoconferência. melhora a escrita e a leitura e amplia a pesquisa. as postagens podem ser diárias e aparecem numa ordem cronológica reversa. ou seja. permite a troca de informações entre os pares e a comunidade.2. seja para o trato de questões de ensino-aprendizagem. conhecido como “blogueiro”. 2012. Caracteriza-se como um diário virtual público. política. Disponível em: <http://danieljaque sisposeranno. NASCIMENTO. J.indd 121 04/11/2014 08:27:04 . Pode-se colocar imagens e links e desenhar a página de apresentação com criatividade.com. pode contribuir consideravelmente para o processo de ensino e aprendizagem. É possível a interação. Acesso em: 26 out. Ci sposeremo.Novas tecnologias da informação e da comunicação Esse é um dos grandes gêneros aliados do ensino a distância. 6. Este gênero foi rapidamente assimilado para os mais variados fins.br/>. culinária.

são colocados em pauta tópicos acadêmicos ou profissionais que levam os participantes a usarem uma linguagem formal. 36.2. em geral. não permitindo mensagens pessoais ou de interesses individuais.4 Listas de discussão São “comunidades virtuais que se agrupam em torno de interesses bem determinados e operam via e-mails como forma de contato. grifo nosso). A principal característica da lista de discussões é a transmissão de informações sobre os tópicos da lista.Leitura e Escrita na Era Digital 6. nas listas de discussão. Enquanto no e-mail e no chat predomina a linguagem informal. $XWRU 'LQi 0HQVDJHP GH] 5HVSRQGHU &XUWLU 0DLVRSo}HV ROiD%LDHVWiFRPDQRHPHVHVpXPDVHUHOHSHQmRSDUDTXLHWDVyTXDQGR GRUPH(VWRXDFKDQGRFHGRSDUDLUDHVFRODSRUpPTXDQGRHODHVWiHPFDVDQmR FRQVLJRID]HUTXDVHQDGDWHQKRTXHILFDUDWUiVGHODSRLVHODPH[HHPWXGRH WHQKRPHGRGHHODVHPDFKXFDUVHGHL[DUVR]LQKD(VWRXSHQVDQGRHPFRORFDUQD HVFRODHPDJRVWRRXQDFUHFKH VHWLYHUVHPJUDQDYDLSDUDDFUHFKHPHVPR. São gêneros fundados numa comunicação assíncrona” (MARCUSCHI. p. 2005. úteis ao grupo.

indd 122 04/11/2014 08:27:12 .QD FUHFKHHQWUDQRVHJXQGRVHPHVWUHRXQmR"$OJXpPVDEH" 3RVWV $LQGDQmRWHP 7ySLFRV 5HJLVWUDGRHP 'H] 9FVDFKDPFHGR"(ODYDLHVWDUFRPDQRHPHVHVHPQRYHPEUR2XVHUiTXH pPHOKRUHVSHUDUDQRTXHYHPTXDQGRHODYDLHVWDUFRPDQRVHPHVHV2 TXHDFKDP" (XWUDEDOKRIRUDHILFDEHPDSXUDGR /RFDOL]DomR RLH HXxDFKRFHGR&ULDQoDVGHVVDLGDGHWHPTXHJDVWDUHQHUJLDHVyGHQWURGHFDVDILFD DWpXPDPELHQWHHVWUHVVDQWHSDUDDVXDSHTXHQDUVUVWHQWDVDLUFRPHODSDUDEULQFDU QXPDSUDoDRXILFDUQDFDOoDGDPHVPR 9&pGDTXLGH3LUDFLFDED"STDVFUHFKHVDTXLGHVmRSDXORYFGHYHID]HUXPDFDGDVWUR HHVSHUDUDYDJDGHODVDLUMDHVFRODSDUWLFXODUYFFRQVHJXHPDWULFXODODDTXDOTXHU PRPHQWRUVUVUV 9ROWDUDRWRSR -RVHILQD GH] 5HVSRQGHU &XUWLU 0DLVRSo}HV (XWRTXDVHFRORFDQGRPHXILOKRGHDQRHPHVHVUVUVUpXPFKLFOHWHQDRFRQVLJRID]HU QDGDHPFDVD)XLYHUXPDHVFROLQKDPiILFRXEHVDOJDGRRSUHoRWRSHQVDQGRHPXPD FUHFKH –  122  – Leitura_Escrita_Era_Digital.

capaz de ligar os diferentes materiais disponíveis.Novas tecnologias da informação e da comunicação 6.indd 123 04/11/2014 08:27:35 . Muitas empresas usam este sistema para suas intercomunicações empresariais entre as várias localidades de suas empresas. um coautor ativo. que desenvolve relações sociais e afetivas por discursos escritos e compartilhados. p. mas têm tema fixo e tempo claro de realização com parceiros definidos” (MARCUSCHI.5 Videoconferência interativa A videoconferência interativa.2. 36). O mesmo pode ser feito na educação. 4). também conhecida como audioconferência interativa. é “um gênero que se aproxima dos bate-papos virtuais com convidados. por ocasião de palestras e conferências. p. 6. –  123  – Leitura_Escrita_Era_Digital. os participantes que estão em lugares diferentes podem ver e ouvir uns aos outros. 2000. pois o leitor‑navegador não é um mero consumidor passivo. interação e diálogo escritos. mas um produtor do texto que está lendo. escolhendo seu próprio itinerário de navegação” (COSTA. Shutterstock/Avava Como se estivessem em um mesmo local. assim: “a fronteira entre escritor e leitor mais imprecisa. em especial. simultaneamente. É um espaço de conversação. 2005.6 Fórum de discussão É um espaço virtual privilegiado na construção colaborativa do conhecimento. Também é possível a interação em tempo real em áudio e vídeo. Percebe-se.2.

o conhecimento pode transformar-se em poder.3 Gêneros virtuais e redes sociais Para dar suporte a essa gama de interações textuais virtuais.]. “Cumprimentos virtuais”. desta forma. Twitter.. o autor reflita. suas ideias e percepções sobre o assunto.. a sua rede de contatos. realizar chats previamente agendados pelo organizador.]. sejam no mundo real ou no virtual. deve-se procurar ser competente.. Facebook. conto com a participação de vocês. Podem fazer sínteses dos pontos já abordados. já está circulando na rede. é que as mensagens ficam registradas para futuras análises. automaticamente. e maior será a possibilidade de conseguir uma boa colocação profissional. ampliamos o conhecimento técnico ou não do mundo que nos cerca e. valeu o exemplo. o qual permitirá a comunicação sincrônica. Não podemos esquecer de que contatos. existe uma série de redes sociais. essas redes têm como característica principal a interatividade em tempo real. Assim.. E mais. como Orkut. Apresentem aspectos ainda não mencionados na discussão. antes de enviar a mensagem.].Leitura e Escrita na Era Digital A comunicação é assíncrona e permite que. comunicando-se efetiva– 124 – Leitura_Escrita_Era_Digital. LinkedIn.. Por este motivo. faça correções e envie.. avaliar a qualidade das intervenções. quanto mais pessoas você conhece. MySpace. é interessante ler e comentar as contribuições dos colegas.indd 124 04/11/2014 08:27:36 . são importantes para o sucesso das pessoas. Parabéns pela contribuição [. melhor será para aumentar o seu networking. com bastante convicção. 6. Ou seja. É possível. a partir dos relatórios analisados [. em termos de pesquisa. que permitem aos usuários da internet vivenciar as mais diversas relações para além das suas comunidades locais. por meio deles. Cuidem da correção linguística! Participem! Esta será a nossa sala de reuniões virtuais [. pois. Nossas conversas são muito produtivas. as pessoas estão se relacionando a todo instante e qualquer informação que surge. Meus caros colegas. também. A grande vantagem.

outros que os das plantas e dos animais. Como afirma Levy (2005. apresentaremos as redes sociais preferidas para uso dos brasileiros.3.indd 125 04/11/2014 08:27:36 . –  125  – Leitura_Escrita_Era_Digital. “se a humanidade construiu outros tempos. mas.Novas tecnologias da informação e da comunicação mente. mais rápidos. 25). mais violentos.1 Principais redes sociais Na sequência. 6. também. que possuem um grande número de usuários. funcionários e chefes. é porque dispõe deste extraordinário instrumento de memória e de programação das representações que é a linguagem”. com todos com os quais você tenha contatos. No infográfico a seguir podemos verificar as redes virtuais e vários dados estatísticos sobre o seu uso no Brasil. não apenas com seus pares. p.

Pode ser acessada pela URL <twitter.com>.3. –  126  – Leitura_Escrita_Era_Digital.Leitura e Escrita na Era Digital Fonte: Google Ad Planner/Alexa 6.indd 126 04/11/2014 08:27:37 . permitindo que.2 Twitter Esta rede tem como características a rapidez e a síntese da comunicação na produção do texto.

mensagens. 6. A demanda do Orkut. foi criada em 2004. sejam usados até 140 caracteres. Uma das suas principais diferenças com relação a outras redes sociais é que as páginas podem ser visualizadas também por usuários não cadastrados no site. é possível disponibilizar arquivos de áudio no formato MP3. 6. também designados como tweets.3. Como nas demais páginas. tornou-se uma das maiores empresas do mundo e seus criadores já tiveram suas vidas transformadas em filme. Os usuários podem seguir outros usuários e recebem. –  127  – Leitura_Escrita_Era_Digital. incorporando depois outras universidades. Além disto. 6. surge o termo “tweetar” com o sentido de conversar pelo Twitter. a rede social configura-se. etc. Permite utilização por crianças a partir de 13 anos.Novas tecnologias da informação e da comunicação na escrita. assim. opera sem a sua intervenção disparando convites para interação com várias pessoas com as quais se tem contato por e-mail. e. o que favoreceu a vários artistas que tornaram o MySpace a página oficial de seus perfis.4 Facebook Essa rede. na sequência. pois o Facebook apresentou-se muito mais dinâmico. o Orkut era uma rede utilizada pelos funcionários do Google e. deve-se criar um perfil com fotos. por meio do site ou do serviço telefônico SMS. Oferece muitos serviços.indd 127 04/11/2014 08:27:37 . uma vez que ambas possuem as mesmas características de funcionamento. ou que são amigos de seu amigo.5 Orkut Rede social da empresa Google Ink. Não limita os caracteres como o Twitter. sobre mensagens deixadas ao destinatário ou sobre ele.3. blog e vídeos. as atualizações dos contatos seguidos e. É uma rede ágil que. Perdeu espaço para o Facebook. foi disponibilizada para todos os usuários da internet maiores de 18 anos. muitas vezes. como postagem de fotos.6 MySpace Esta rede social foi criada em 2003. como no caso do Twitter. depois. lembretes sobre os aniversários de colegas de rede.3. por e-mail. avisos. Se uma surgiu como uma necessidade dos estudantes. criada em 2004 por um tímido estudante da Universidade de Harvard.

3.4 Gêneros virtuais e leitura A leitura. assim como a escrita. já existe uma infinidade de livros disponíveis para download.” (NEITZEL. O site está disponível em inglês. tendo em vista todos os recursos de que o mundo virtual dispõe: “A interatividade estabelece uma nova conceituação e uma nova relação entre o leitor e o texto. italiano. eventos internacionais inclusive. O LinkedIn possuía. sem limitações de tempo e espaço”. francês. Vivemos em uma aldeia global. 193). a maior fonte de informação. Segundo Paiva (2006. com muitas pessoas. ao mesmo tempo.indd 128 04/11/2014 08:27:37 . vida pessoal. foi totalmente renovada: nasceu o texto aberto. também. português. É um bom local para expor o currículo. humor. fundada em 2002 e lançada em maio de 2003. também. visual. O poder das redes sociais é imenso. alemão. saber usar estas ferramentas pode causar benefícios ou malefícios. troca de informações pessoais ou colocar em seu perfil termos inadequados ao meio.7 LinkedIn É uma rede social de negócios. Como esta rede visa a uma oportunidade de trabalho. 2009. mas. Na rede. O livro que se lê em meio virtual é chamado de e-book ou livro digital. interativo. 6. mais de 135 milhões de usuários registrados em mais de 200 países e territórios.Leitura e Escrita na Era Digital 6. espanhol. não é interessante escrever dados sobre família. “deixamos de ser seres humanos isolados para nos transformarmos em uma rede humana comunicante e conseguimos. Para –  128  – Leitura_Escrita_Era_Digital. 17). comunicar. com a capacidade de mobilizar milhões de pessoas em poucas horas. real. as redes sociais serão a melhor forma de comunicação e. em especial. Além dos artefatos eletrônicos criados para ela. Portanto. os meios eletrônicos possibilitaram uma revolução na estrutura narrativa. sonora. dos grandes acontecimentos do país. turco e japonês. russo. p. dependendo da forma como as pessoas expõem-se nelas. p. através da mediação do computador. em 2011. Para divulgação de todo tipo e. não só de comunicação verbal. na mais verdadeira acepção da palavra.

do romance policial Grau 26: a origem. 21): Quem viaja larga muita coisa na estrada. mescla leitura. Além de largar na partida. É o admirável mundo novo que se descortina para grandes viagens. Orkut. foi lançado.Novas tecnologias da informação e da comunicação arquivar essa demanda. como afirma Octavio Ianni (1996. Além disso. aparelho de som e vídeo. desconhecido. uma biblioteca virtual com centenas de livros eletrônicos. Além da função principal. libertando o usuário da imobilidade do computador. o acesso à leitura torna-se maior a todos. que é ler e-books. os mesmos autores da série americana CSI. classificou-o como aparelho mágico e revolucionário. videogame. Para facilitar a leitura virtual. considerado pela empresa a maior livraria digital da internet. em 2010. À medida que caminha. Portanto. em 2011. o Google lançou o Google e-Books. O iPad tem mais recursos que o Kindle. o “Jogo do assassino”. em parceria com Duane Swierczynski. mostrando os títulos que o usuário já possui. elementos cinematográficos e interatividade com todas as redes digitais – Facebook. larga na travessia. lançado em 2007 pela empresa americana Amazon. ainda. despoja-se. o iPad. armazenar os títulos adquiridos na conta do Google. tornou a teoria uma realidade. Steve Jobs.indd 129 04/11/2014 08:27:37 . a tela mostra a página do livro digital como se o leitor olhasse para o produto em formato de papel. Zuiker. Além de leitor de livro digital. foram criados outros aparelhos eletrônicos. Para competir com esse mercado de livros eletrônicos. incluindo os que serão gratuitos. o aparelho possibilita o acesso a outros tipos de mídia digital. As vantagens desse novo serviço é que os leitores podem comprar os livros pelo site. que apresenta uma espécie de prateleira digital. ainda. Os livros disponibilizados no tablet são chamados de iBooks. Twitter. A obra pertence a uma trilogia. O lançamento. exótico –  129  – Leitura_Escrita_Era_Digital. une computador. Foi classificado como um “digilivro”. escrito por Anthony E. ler em qualquer dispositivo eletrônico e. Seu criador. Já foram disponibilizados mais de três milhões de títulos. Quanto mais descortina o novo. existe um website chamado EbookCult. um aparelho em formato de prancheta digital que já está na sua terceira versão. Um deles é o Kindle. entre os quais se destaca o menu do aplicativo. Com a mesma função. pela Apple. p. YouTube – e oferece.

da solidez caminhou-se para a fluidez nos aspectos essenciais da vida humana: na individualidade. do seu modo de ser. receber ou dar trabalho. No limite. social e até religioso. que se sente muitas vezes despreparado e inseguro frente ao enorme desafio que representa a incorporação das TIC ao cotidiano escolar. à medida que mergulha no desconhecido. 27). pode-se. para os que ficam muito conectados. Segundo Baumann (2001). resolver problemas. De acordo com Belloni (2001): Do livro e do quadro de giz à sala de aula informatizada e on-line a escola vem dando saltos qualitativos.Leitura e Escrita na Era Digital ou surpreendente. a qualquer tempo. p. não há como fugir deste novo estado de coisas. fazer declarações. os meios eletrônicos de comunicação transformaram-se em uma extensão de si. mais se liberta de si. no trabalho e na comunidade. Talvez sejamos os mesmos educadores. o caminho se faz ao andar. em qualquer situação. convicções. um modo de vida. porque. e-mail. mas os nossos alunos já não são os mesmos (BELLONI. liberta-se e abre-se como no alvorecer: caminhante. A viagem pelos gêneros textuais virtuais está apenas começando. principalmente. Enfim. em qualquer espaço. não há caminho. educacional. Da teoria para a prática Todos os que se iniciam na arte da tecnologia e. hábitos. ou fazem parte da “geração internet”. matar a saudade. –  130  – Leitura_Escrita_Era_Digital. O endereço eletrônico. Pode abrir-se cada vez mais para o desconhecido. o viajante despoja-se. é mais importante do que todos os outros. vícios. 2001. assim como com o número do celular. estamos vinte e quatro horas disponíveis para receber ou passar informações. Ele já se instalou: ou você busca o letramento digital ou está fora do processo profissional. certezas. Essas mudanças provocaram uma profunda quebra de paradigmas. com ele. do seu passado.indd 130 04/11/2014 08:27:37 . no tempo e espaço. sofrendo transformações que levam de roldão um professorado menos perplexo. No entanto.

os chats ou salas de bate-papo e os blogs. ­MySpace e LinkedIn. Para otimizar e ampliar as comunicações e informações. quando em situações educacionais e profissionais. –  131  – Leitura_Escrita_Era_Digital. Foi possível compreender. Entre eles. com acessibilidade ilimitada. muitos deles gratuitos. Twitter. volátil. O mais importante foi compreender as características da linguagem por meios eletrônicos: não linear. possibilitadas pela abertura dos links. aos sites que disponibilizam livros. fragmentada. destacam-se os e-mails.Novas tecnologias da informação e da comunicação Síntese Neste capítulo. Vimos que o texto da internet é o hipertexto. revistas e jornais. uma vez que o leitor pode interagir com a obra interferindo na relação entre os personagens ou dialogar virtualmente com outros leitores da mesma obra. com suas regras e objetivos. e da linguagem informal. Facebook. vários novos gêneros textuais foram surgindo para se adequarem a essa nova modalidade de produção.indd 131 04/11/2014 08:27:37 . também. um texto com proporções gigantescas. Estes textos podem ser produzidos sincrônica ou assincronicamente entre os usuários. Em todos pode-se fazer uso da linguagem formal. foram criadas as plataformas para as redes sociais virtuais. como os tablets. que a leitura sofreu mudanças significativas. fizemos um passeio pelos caminhos da comunicação virtual. quando em situações de relações interpessoais amigáveis. É fácil de ser acessada por meio dos suportes digitais. os celulares e computadores. Com o advento do hipertexto e das novas possibilidades de comunicação pela internet. interativa e intertextual. topograficamente livre. ou seja. facilitando a interação mundial: Orkut.

indd 132 04/11/2014 08:27:37 .Leitura_Escrita_Era_Digital.

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