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Hemograma e bioquímica sérica de tartarugas
cabeçudas (Caretta caretta) de vida livre e mantidas
em cativeiro, no litoral norte da Bahia
Thaís Torres PIRES1,2
Gonzalo ROSTAN2
Thereza Cristina Calmon de
BITTENCOURT3
José Eugênio GUIMARÃES1
Correspondência para:
Thaís Pires; thais.vet@tamar.org.br,
Cx. Postal 2219 Rio Vermelho,
CEP: 40223-970 – Salvador – BA.
Recebido para publicação: 14/09/2007
Aprovado para publicação: 30/10/2008

1 - Departamento de Patologia e Clínicas da Escola de Medicina Veterinária da
Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA
2 - Projeto TAMAR-ICMBio, Mata de São João-BA
3 - Departamento de Produção Animal da Escola de Medicina Veterinária da
Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA

Resumo
Com o objetivo de se obter dados que auxiliem na rotina clínica de
tartarugas marinhas, realizou-se o hemograma e a determinação de
alguns parâmetros bioquímicos séricos de fêmeas de tartarugas
cabeçudas (Caretta caretta) de vida livre (n = 22), animais que desovam
no Litoral Norte da Bahia, e em cativeiro (n = 5), animais mantidos
no Centro de Visitantes do Projeto Tamar-ICMBio, na Praia do Forte,
Brasil. Os valores obtidos para os dois grupos foram comparados,
onde se observou diferença estatística significativa (p<0,05) para as
contagens relativas e absolutas de eosinófilos e contagem relativa de
monócitos dentre as variáveis do hemograma e, para a proteína total,
globulina, glicose, colesterol e aspartato aminotransferase.
Possivelmente, diferenças nas condições ambientais, nutricionais e
reprodutivas, as quais estes animais foram submetidos, influenciaram
nos resultados.

Introdução
Na investigação clínica de répteis,
amostras sangüíneas podem ser facilmente
obtidas e são de grande valor diagnóstico.
Entretanto, a patologia clínica é uma área
da medicina herpetológica que ainda
necessita de vários estudos.1 A bioquímica
sérica representa uma importante
ferramenta de monitoramento da saúde
e estado fisiológico de tartarugas marinhas.
Pesquisas sobre este tema podem fornecer
informações fundamentais para a manutenção
e conservação das populações selvagens destas
espécies. 2,3,4,5 Alguns trabalhos foram
realizados, porém a comparação dos
dados obtidos é limitada devido às
possíveis diferenças entre as populações,
bem como as variações de técnicas
utilizadas.6,7 Fatores como idade, tamanho,
sexo, sazonalidade, saúde, habitat e
dieta podem afetar os parâmetros
hematológicos, tanto em tartarugas

Palavras-chave:
Hemograma.
Bioquímica sérica.
Tartaruga marinha cabeçuda.

marinhas como em répteis de maneira
geral. 8,9 Além disso, as descrições de
características morfológicas de células
sangüíneas de quelônios marinhos são
limitadas.10,11,12
Com a necessidade crescente de
avaliação do estado de saúde em
tartarugas marinhas, para uma possível
manutenção de animais saudáveis em
cativeiro e reabilitação de indivíduos de
vida livre, se faz necessário um maior
empenho em desenvolver estudos
relacionados aos meios auxiliares de
diagnóstico clínico, onde a avaliação
hematológica possui grande destaque.13
Este trabalho propõe a determinação
e comparação dos valores do hemograma
e de alguns parâmetros da bioquímica
sérica de tartarugas cabeçudas (Caretta
caretta) selvagens que visitam o litoral norte
da Bahia e de exemplares desta espécie
criadas em cativeiro, obtendo-se assim
valores que possam auxiliar no diagnóstico

Braz. J. vet. Res. anim. Sci., São Paulo, v. 46, n. 1, p. 11-18, 2009

com leitura espectrométrica em 405nm e 340nm. o colesterol e os triglicérideos foram obtidos através do método enzimático-Trinder com leitura em espectrofotômetro utilizando o comprimento de onda de 520. em áreas protegidas e monitoradas pelas bases do Projeto TamarICMBio da Praia do Forte (12º34’S 38º00’W) e Arembepe (12º45’S 38º10’W). Sci. sendo coletadas amostras apenas dos animais considerados clinicamente saudáveis. enquanto que para a creatinina utilizou-se o método cinético em comprimento de 510nm. obteve-se o valor total de globulina e em seguida foi calculada a relação Albumina:Globulina (A:G). v.05) para os animais de vida livre e 0. As amostras foram imediatamente armazenadas em tubos com heparina de sódio para a realização do hemograma. São Paulo. e a albumina pelo método Verde de bromocresol modificado com leitura espectrofotométrica em 630nm. p. através de kit comercial (Doles). logo após a desova.12 clínico de enfermidades que acometem estes animais.00 m (±0. tendo como diluente a solução de Natt e Herrick16.. O volume globular (VG) foi determinado através da técnica de microhematócrito 15 . cinco mililitros de sangue foram coletados do seio cervical dorsal de cada tartaruga. caracterizando-os assim animais adultos. com leitura espectrofotométrica em 550nm. Res. onde se observou condição corporal. desde o nascimento. enquanto que a concentração de hemoglobina. 46. Para os animais em cativeiro. tumores e lesões cutâneas. Os mesmos são alimentados diariamente com três tipos de peixe: corvina. que passa por filtros de areia. Material e Método Foram analisados dois grupos distintos de tartarugas marinhas cabeçudas (Caretta caretta): animais de vida livre e animais em cativeiro.96 m (±0. As contagens diferencial de leucócitos e de trombócitos foram estabelecidas em esfregaço sangüíneo corado segundo a técnica de Rosenfeld descrita por Birgel et al. e em tubos sem anticoagulante para obtenção de soro. em sistema aberto. no mês de março de 2006. 2009 foi congelado a -20ºC até o momento das análises bioquímicas. J. segundo recomendações de Owens e Ruiz14. As amostras de soro que se apresentaram lipêmicas foram desprezadas. O ácido úrico. de 2004/ 2005 e 2005/2006. Para a determinação dos parâmetros da bioquímica sérica foram utilizados kits comerciais (Labtest). recebendo água diretamente captada do mar.17 A partir das variáveis do eritrograma estabeleceu-se matematicamente os índices hematimétricos: Volume Globular Médio (VGM) e Concentração de Hemoglobina Globular Média (CHGM). . anim. e mantidos em tanques com volume de 102 e 30 m3. que Braz. Através da diferença dos valores obtidos para essas variáveis. As atividades séricas de fosfatase alcalina e aspartato amino transferanse foram obtidas pelos métodos de Bowers & McComb modificado e cinética UV-IFCC. As tartarugas foram mensuradas. Todos os animais foram avaliados clinicamente. pelo método da cianometahemoglobina. respectivamente. colheram-se amostras sangüíneas de cinco fêmeas que estão no Centro de visitantes do Projeto Tamar-ICMBio da base de Praia do Forte – Bahia. galo e sardinha. 500 e 505nm. As contagens de eritrócitos e leucócitos foram realizadas em Câmara hematimétrica de Neubauer. vet. 1. 11-18. e os valores médios do comprimento curvilíneo de carapaça (CCC) foram de 1. onde a proteína sérica total foi determinada pelo método do biureto modificado. n.03) para aquelas mantidas em cativeiro. Após a contenção dos animais. setembro a março. As amostras de sangue dos animais de vida livre foram coletadas de 22 exemplares fêmeas que desovam no Litoral Norte da Bahia. Em seguida foram enviadas e processadas no Laboratório de Patologia Clínica Veterinária da Escola de Medicina Veterinária da UFBA. durante as temporadas reprodutivas. presença de ectoparasitas. e com idades de 18 a 20 anos.

1.2 e Samour et al. valores máximo e mínimo das variáveis do leucograma de tartarugas marinhas (Caretta caretta) de vida livre (n = 22) e de cativeiro (n = 5) . As médias encontradas para o volume globular para os dois grupos foram próximas àquelas relatadas em estudos realizados por Bolten e Bjorndal3. 11-18. desvios-padrão.2006 Tabela 2 . respectivamente. 46. p.0. 2 e 3. n.Para a concentração da glicose a metodologia utilizada foi a de GOD-Trinder com leitura espectrofotométrica em 505nm. Resultados As médias e desvios-padrão das variáveis do eritrograma e total de trombócitos. Res.Médias. valores máximo e mínimo das variáveis do eritrograma e contagem de trombócitos de tartarugas marinhas (Caretta caretta) de vida livre (n = 22) e de cativeiro (n = 5) . v. Considerando-se o número reduzido de animais entre os grupos avaliados. desvios-padrão. O nível de significância usado para o teste foi de 5%. versão 11. leucograma e bioquímica sérica encontram-se nas tabelas 1..13 respectivamente. utilizou-se para efeito de estudo o teste não paramétrico de Mann e Whitney18. 2009 . Sci. vet. que apresentaram valores de 31 a 35%.Bahia – 2006 Braz. São Paulo. Discussão Os valores obtidos para as variáveis do eritrograma não apresentaram diferença estatística entre os grupos de vida livre e de cativeiro. J.Médias. anim. comparando-se as médias dos grupos em questão.Bahia . Aguirre et al.5 com tartarugas verdes. por meio do programa SPSS. Tabela 1 .

2.000/µL (±98. p.36 fL (±131. respectivamente. 11-18.13 e Cubas e Baptistotte11 de 1. São Paulo. Aguirre et al.388/µL (±4.21 Para a contagem total de eritrócitos as médias obtidas para tartarugas de vida livre e para as cativas foram inferiores àquelas apresentadas por Aguirre et al. Ao avaliar as concentrações de hemoglobina.000/ µL (±160. observa-se que Keller et al. 46.000) para animais juvenis e 480.64g/dL (±0.106.231) para o grupo de vida livre e de 10.030) e 288. Res. para exemplares de cativeiro da espécie Caretta caretta.99) e 1. o que era esperado. de 400.000/µL (±28. de 9.80).44) para juvenis de tartaruga verde.13. a média obtida para tartarugas selvagens e de cativeiro foram próximas aos valores apresentados pela literatura.46) para tartarugas cabeçudas.21 para tartarugas cabeçudas juvenis de 410.87g/dL Braz. Sci. 2009 (±1.00fL (±312.82g/dL (±1.14 Tabela 3 . de 8. para tartarugas verdes e por Pires et al.35).000/µL (±95. Os valores do índice hematimétrico VGM (Volume Globular Médio) encontrados neste trabalho foram discrepantes daqueles obtidos por Aguirre et al. respectivamente.13 de .21 relatam valores semelhantes para esta variável. já que estes autores apresentaram valores mais elevados para a contagem de eritrócitos que é utilizado para o cálculo matemático deste índice.. Entretanto.000).214.19.000/µL (±86.20.2 em estudo com juvenis de tartarugas verdes de vida livre de 725.10%13 a 29. para tartaruga cabeçuda adultas.Bahia – 2006 enquanto que para tartarugas cabeçudas os valores obtidos variaram de 28 a 33%. Com relação à Concentração de Hemoglobina Globular Média (CHGM). vet. valores máximo e mínimo das variáveis da bioquímica sérica de tartarugas marinhas (Caretta caretta) de vida livre (n = 22) e em cativeiro (n = 5) . Esta diferença pode ser atribuída a espécie e/ou idade dos animais. desvios-padrão.13 apresentaram valores próximos.2 fL (±413. v. Pires. Rostan e Guimarães 13 e Cubas e Baptistotte 11 apresentam valores semelhantes aos encontrados neste trabalho.000) para fêmeas adultas. Os valores obtidos na contagem de trombócitos de 12.520/µL.657) cativeiro foram similares aos apresentados por Wood e Ebanks9 de 11. de 275.1) em tartarugas cabeçudas.Médias. que variou de 26.54g/dL (±1.5 para tartarugas verdes.5%11. porém próximos aos valores apresentados por Pires et al. e por Keller et al.725/µL (±3. e 8. J. Contudo. 1.2 e Samour et al.000). Alkindi e Mahmoud19 e Pires et al. anim. n.41) e 8.

46.300) para juvenis desta espécie.26 obtiveram uma média de 1. O aumento deste tipo celular pode ser relacionado a casos de parasitismo23. como a gonodotrofina e esteróides sexuais. Para a albumina as médias encontradas neste trabalho foram 1. já que uma das funções do eosinófilo é participar da defesa contra infecções parasitárias24. J.04) para tartarugas cabeçudas cativas. Esta variação pode ser explicada pelo período da coleta das amostras de fêmeas que ocorreu na estação reprodutiva. Res. Houve diferença significativa entre os valores da contagem relativa de monócitos entre os dois grupos. contudo.1g/dL (±0.31) para as tartarugas de cativeiro foram semelhantes aos descritos para esta espécie de 4.21 de 1. Não foram observados basófilos nos grupos estudados. observou-se que as contagens relativa e absoluta dos eosinófilos apresentaram diferenças significativas.2) e 0.24) e 1. As contagens de leucócitos totais não apresentaram diferença significativa entre os grupos estudados e foram inferiores às relatadas por Keller et al. 2009 . possivelmente a utilização de técnicas diferentes.98 (±1. 6 ao testarem duas técnicas distintas apresentaram resultados significativamente diferentes para alguns parâmetros bioquímicos. inclusive para a albumina. Ao avaliar os valores obtidos no diferencial de leucócitos para os grupos.12 Para a contagem diferencial de leucócitos a literatura apresenta valores discrepantes.44) para animais de vida livre e cativos. Além disso.2)6. Alguns trabalhos apresentam valores para esta variável: Bolten et al. n. levando a resultados subestimados. a exemplo da contagem em câmara de Neubauer.9g/dL (±0.9. pois a presença de núcleos das hemácias lisadas dificulta esta contagem. 4.1g/dL (±0.300/µL (±5. Keller et al.. 6. enquanto que Cubas e Baptistotte 11 apresentaram uma média superior de 21.20. 1. vet.656/ µL (±963. respectivamente.109). entretanto esta diferença não está presente na avaliação dos valores da contagem absoluta.43g/dL (±0. enquanto que para Cubas e Baptistotte11 esse valor foi de 0. que possuem morfologia variável entre os répteis em geral. possivelmente devido à grande variação entre indivíduos da mesma faixa etária9 e à dificuldade de classificação dos leucócitos.3).2). Sci. a presença deste tipo celular na circulação de tartarugas marinhas hígidas é rara.22. onde animais de cativeiro apresentaram valores mais elevados. sendo que Bolten et al.2g/dL (±0. o que poderia ser atribuído a dieta rica em proteína oferecida a estes7. Vale salientar que a presença de aglutinados de trombócitos nos esfregaços é comum9. e ligeiramente inferiores aos valores apresentados por Cubas e Baptistotte11 de 4.20.21 de 13. Os valores obtidos para proteína total de 3. não havendo ainda critérios bem estabelecidos para a descrição das células sangüíneas das tartarugas marinhas. Braz. normalmente as fêmeas apresentam valores inferiores às dos machos9. entretanto neste estudo constatou-se que o maior valor para esta variável neste grupo foi em decorrência da globulina.13 de 3. v. entende-se que os animais de vida livre possuem um estímulo parasitário maior para a produção de eosinófilos.7g/dL (±0.13g/dL (±0.0g/dL (±0. anim.26. Como as tartarugas cativas são mantidas em ambiente controlado e passaram por procedimento de vermifugação. pode apresentar valores superestimados. onde animais de vida livre apresentaram um número mais elevado desta célula.932/µL (±14.82g/dL (±0.8)21 e 4. a proteína total apresentou diferenças estatísticas significativas ao se comparar os grupos estudados.15 10. assim como as diferenças geográficas. p.249/µL (±1586.2).7) e Pires et al. para tartarugas cabeçudas.4)11.25 Entre as variáveis bioquímicas analisadas. Esta diferença entre os valores pode ser atribuída às diferentes técnicas utilizadas nos estudos. 11-18.10. podendo interferir nos valores da contagem deste tipo celular. quando necessário.1g/dL (±1.59) para o grupo de animais de vida livre e 4.859) para a mesma espécie.968/µL (±3. onde devido à presença de hormônios. São Paulo.

Entretanto. Esta diferença pode ser atribuída ao sexo e a dieta disponível3. possivelmente possa ser atribuído ao efeito do estresse reprodutivo sobre a função imunológica destas fêmeas. o que justifica os valores obtidos para o grupo de cativeiro deste trabalho. já que estudos relatam hiperglicemia em resposta ao estresse agudo em tartarugas marinhas.9g/dL (±0.8mg/dL (±17) 11 . Este resultado pode ter sido causado pelo estresse de captura. n. de 106mg/dL (±57) 6 . Res.28).3).4 (±0.27 Os valores obtidos foram ligeiramente inferiores aos encontrados por outros autores. Não houve diferença entre as médias obtidas para o ácido úrico entre os grupos de cativeiro e vida livre. e 2. Entretanto. que se reflete no desvio padrão elevado. que apresentam valores para a espécie cabeçuda de 0. de 0. para animais de vida livre e de cativeiro. afirmando que a exemplo do colesterol a dieta rica em gorduras ofertadas as tartarugas marinhas cativas favorecem níveis elevados deste parâmetro Além disso. Ao comparar os dados deste trabalho constata-se também que estes foram superiores aos relatados pela literatura para a espécie Caretta caretta.0mg/dL (±0. 46.2g/dL (±0. Para a variável glicose. onde para animais de vida livre o valor foi de 223. Os valores obtidos para a creatinina não apresentaram diferenças estatísticas significativas entre os grupos estudados e foram próximos aos encontrados por Bolten et al.53mg/dL (±10.66) para tartarugas verdes de cativeiro.46) foi superior e estatisticamente diferente daquela encontrada para o grupo de cativeiro de 68. Para a aspartato aminotransferase (AST) houve diferença significativa entre os grupos estudados. estando os valores relatados neste estudo de acordo com a literatura. a média encontrada foi de 80.3mg/dL (±0. 1. Tartarugas marinhas mantidas em cativeiro podem apresentar níveis mais elevados de colesterol devido às dietas ricas em gorduras 7 o que justifica os valores encontrados neste estudo. Para o grupo de vida livre observou-se uma grande variação dos valores.3 (±0. vet.11) e para os cativos de 334. Contudo.4)11. As médias encontradas para os triglicerídeos. a média do grupo de vida livre de 87.9)26. o que pode ser atribuído ao confinamento e dietas não naturais como sugere Swimmer7.54 (±0.08)21. já que não é possível controlar a alimentação dos animais selvagens.93) para os cativos. ao se analisar os valores da literatura constata-se que a média encontrada neste trabalho para as tartarugas de vida livre. 11-18. 109mg/dL (±18) 21 e 102. São Paulo.41 para os animais de cativeiro foram bastante próximas as obtidas em outros trabalhos com a espécie em questão.8mg/dL6. cita ainda o exercício insuficiente como outro fator para o aumento de triglicerídeos.43 para os animais de vida livre e 0. Sci.1)26 e 0.6 Houve diferença significativa entre as médias obtidas para o colesterol. 2.7)21 para tartarugas cabeçudas. podendo ser causado por coletas sangüíneas em períodos de lipemia pós prandial. anim. 107mg/dL (±26.76mg/dL (±15. .5) 11 . 2009 para esta variável. não apresentaram diferenças estatísticas significativas e foram superiores às relatadas por outros autores que trabalharam com tartarugas cabeçudas. p. de 0. J. sendo que os valores inferiores para o grupo de vida livre. 212mg/ dL (±334) 26 e 179mg/dL (±68. assim como nos mamíferos. v. diferiram estatisticamente.1) e Cubas e Baptistotte11 de 0. Em estudo que utilizou o soro desta espécie.1)11 e 170mg/dL (±89)26 Braz..46) para animais selvagens e 3. os valores obtidos foram próximos aos valores relatados na literatura de 3.24mg/dL (±125.21 e 1.7mg/dL (±31.26 de 0.69g/dL (±0.1mg/dL (±22. Swimmer 7 obteve um valor médio de 486.29). ao avaliarem o plasma de tartarugas cabeçudas. de 81mg/dL (±204)6. 97mg/ dL (±21) 26 .16 Em relação às globulinas. A média da relação A:G.98mg/dL (±74.2mg/dL (±0. os resultados encontrados neste estudo de 2.1) para a espécie em questão.

. p. n. Hemogram and serum biochemistry of free-ranging and captive loggerhead sea turtles (caretta caretta). AVES. p. 1995. 26. The Veterinary Record. T. 4 NORTON. A. C.6. p. A. E. Haematological and biochemical of 10 green iguanas (Iguana iguana).65). São Paulo. globulin. p. estando os valores deste trabalho compatíveis com este autor. E. Normal haematology of free-living green turtles (Chelonia mydas) from the United Arab Emirates.11. total serum protein. with and without fibropapillomas. e Keller et al. respectivamente. J. H. J. 203-205. G. nutricionais e reprodutivas. The values obtained were compared between the two groups and it was observed that there was statistically significant difference (p<0. 1992. n. J. 5 SAMOUR. A.. Biochemical responses to fibropapilloma and captivity in the green turtles. AL-GHAIS. Brazil. B. Res. vet. C. p. v. American Journal of Veterinary Research. n. Bahia.05) for the relative and absolute eosinophil count. 1996. Serum biochemistry.17 de 99. S. observando-se valores distintos para as contagens relativas de eosinófilos e monócitos e absoluta de eosinófilos. R. A.64U/L (±42. Comparative Haematology International. REDMAYNE. K. p. Phisiologycal Zoology. S. 6 BOLTEN. globulina e aspartato aminotransferase. as quais estes animais foram submetidos. n. Key words: Hemogram. 265-270. T. 2009 ... foi inferior àquelas relatadas por Bolten et al. relative monocyte count. in Praia do Forte. 2.. Y. v. K. anim. Adrenal and hematological responses to stress in juvenile green turtles. n. The results variation is probably related to the differences in environmental. 7 SWIMMER. 407-413. SPRAKOR.. influenciaram os resultados. v.M. 138.26 Conclusões As condições ambientais. K. 1998. 1. colesterol. 3. A.21 de 180U/L (±84). 204U/L (±90) e 229U/L (±54). JACOBSON.. HOWLETT. 831-854. 1992. Agradecimentos À CAPES e à FAPESB. 3 BOLTEN. BALAZS. Outra variável avaliada nesta pesquisa foi a fosfatase alcalina onde os valores obtidos não apresentaram diferença significativa entre os grupos estudados e foram semelhantes aos relatados na literatura para a espécie. J.. Blood profiles for a wild population of green turtles (Chelonia mydas) in the southern Bahamas: size-specific and sex-specific relationships... GROSS. 68. J. A. BJORNDAL. J. HASBUN.. 9. G. P. cholesterol and aspartate aminotransferase. Journal of Wildlife Diseases. Vale ressaltar que Campbell 28 sugere como referência para esta variável um intervalo de 100 a 350U/L para tartarugas marinhas. 2. p. 12. n. n. 102-107. R. Sci. 2 AGUIRRE. BJORNDAL. Loggerhead sea turtles. H. Chelonia mydas. glucose. S. Journal Braz.21. v.. SUNDBERG.26. Referências 1 DIVERS. R. 11-18.. nutritional and reproductive conditions. concentração de glicose. v. 5. M. B. C. R. porém é próxima a obtida para o grupo de cativeiro de 199. proteína total. 46.. que variam de 15 a 36U/L. from north coast of Bahia. Cutaneous fibropapillomas and renal mixofibroma in a Green turtles. Effects of anticoagulant and auto analyzer on blood biochemical values of loggerhead sea turtle (Caretta caretta). Chelonia mydas. 8.84). 28. 1990.40U/L (±75. free-ranging (n=22) nesting in the north coast of Bahia and in the animals captivity (n=5) in the visitor center of the Projeto Tamar-ICMBio.. 53. Journal of Wildlife Diseases. v. Brazil Abstract The aim of this study was to improve the clinical evaluation in sea turtles by analyzing the hemogram and serum biochemistry in female loggerhead sea turtles (Caretta caretta). v. JACOBSON. 2224-2227. SILVANOSE. T.

105. Philadelphia: Lea & Febiger. cágado e jabuti). New methods of obtaining blood and cerebrospinal fluid from marine turtles... M. 18 MANN. p. (Ed. p. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science. v. S. 359-361. 36. A. A.. C. A. HAGIWARA. 124. 27 GREGORY. 26 BOLTEN. 2004. LARSSON. v. n. 260 p. F. anim. 28 CAMPBELL. 535-540. 2002. 17-20. n. 1980. Annals of the Mathematical Statistics . L. v.. Tratado de animais selvagens: medicina veterinária. 3. H. Reptile medicine and surgery.. A. 1998. K. 4th ed.. Saunders Company. S.. n. 56. 2003. 1.n. 2007. S. SCHMID. 1. L. I. E. KUCKLICK. 3. Seasonal abundance. 15 JAIN. H. 1. F. p. G. 2006. F. M. LUNARDI. E. v. Praia do Forte. 86119. 43. RASKIN R. R. ROSTAN. 2000. 1952. Philadelphia: W. DOUBEK. São Paulo SPMV.. A. 9 WOOD. 1. n. Sci. São Paulo: Roca. 50-60. p. n. Schalm’s veterinary hematology. L. J. 25 KNOTKOVÁ. 6674. n. N. W. MCCLELLAN-GREEN.. São Paulo.. 2. Acta Veterinaria Brno. 1992. p. p. W. and blood biochemical values of loggerheads (Caretta caretta) in Port Canaveral Ship Channel. KNOTEK. M. Hemograma e determinação da proteína plasmática total de tartarugas marinhas da espécie Caretta caretta (Linnaeus. 1252-1257. J. T. HÁJKOVÁ P.. 71. 1074-1079. 13361340. 1758). v.. D. KELLER. EBANKS. ELIAZAR. On a test of whether one of two random variables is stochastically larger than the other. M. P. v. S. J. Chelonia mydas. Res. E. 19-21. J. D. 2. 2001. n. 16 NATT. Município de Mata de São João – Bahia. p. p. G. 4. B. 112.. criada em cativeiro. n. v. Use of a two-step Percoll® gradient for separation of loggerhead sea turtle peripheral blood mononuclear cells. Morphologic and cytochemical characteristic of blood cells of juvenile loggerhead sea turtles (Caretta caretta). 85-87. 36. 24 AZEVEDO. p. M. Veterinary Medicine Small Animal Clinician. P. The morphology and cytochemistry of blood leukocytes of Kemp’s sea turtles (Lepidochelys kempi). p. R. p. BALAZS. 1221 p. Herpetologica. 10. Effect of venipuncture sites on hematologic and clinical biochemical values in desert tortoises (Gopherus agassizii). J. 22 HARMS. H. 21 KELLER. P. HARMS. CATÃO-DIAS. O. p. D. v. Y. Blood cytology and hematology of the green sea turtle. B. 158-165. 1995.. J.Herpetologica. T. R.).. BAPTISTOTTE. 248-257. 348-353. USA. 11 CUBAS. 353).. T. W. HERRICK. p. p. GREGORY. n. n. 1984. Environmental Health Perspectives. C. 1.. Normal hemogram and blood chemistry values for California desert tortoises. Pakistan Journal of Biological Sciences. 1. E. General and Comparative Endocrinology. ORÓS. 99-105. 2009 . BJORNDAL. Poultry Science. Miami: NOAA. 17 BIRGEL..C. J. 11-18. v. Patologia clínica veterinária. Section IV.. A. 5. n. 735-738. vet. S. F. 8 GOTTDENKER. J. p. P. v. Stress responses and sexing of wild kemp’s ridley sea turtles (Lepidochelys kempii) in the northeastern Gulf of Mexico. M. BENESI. 20 CASAL. In: MADER. J. Research in Veterinary Science. 40. 3. Cytochemical characterization of eosinophilic leukocytes circulating in blood of the turtles (Chrysemys dorbignih). S. Journal of Wildlife Diseases. Florida. MAHMOUD. 14 OWENS. n. 10 CANNON. 102-110. A. 3.. (NOAA Technical Memorandum NMFS-SEFSC. L. n. J. GUIMARÃES. C. R. 31. Morphologic and cytochemical characteristics of blood cells from Hawaiian green turtles. size distribution. G. A. Braz.. B. 23 ROSSKOPF. v.Special techniques and procedures. 7. Blood cell morphology and plasma biochemistry in Russian tortoises (Agrionemys horsfieldi). E. JACOBSON. Y. LARSSON. C. p. N. M. v. WHITTAKER. 13 PIRES... Chelonia (tartaruga. A. 77. v. 39 p. L. 82. 331-336. E. 1947. 59. v. D. R. n. 191198. J. Z. J. 2006. B. In: CUBAS. A.. Hematological survey in two species of sea turtles in the Arabian sea during nesting season. n. 36. WHITNEY. C..1982. H.. H. R.. Associations between organochlorine contaminant concentrations and clinical health parameters in loggerhead sea turtles from North Carolina. 2002. K. p. American Journal of Veterinary Research. Canadian Journal of Zoology – Revue Canadienne de Zoologie. RUIZ G.. 19 ALKINDI. D.. J.. J. Acta Histochemica. KENNEDYSTOSKOPF. 18... 2000. VASCONSELOS. G. Z. OGASSAWARA. 1994. American Journal of Veterinary Research. 1986. v. 12 WORK. Z. p. 70. 1982. A new blood diluent for counting erythrocytes and leukocytes of the chicken.18 of Wildlife Diseases.. SILVA. Clinical pathology. n. T. 1996. STAMPER.. 46. v. v. A. v. p. 1. p. M. A. 10..