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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – UFBA

ESCOLA POLITÉCNICA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA – DEQ
ENG 370 – FENÔMENOS DE TRANSPORTE

Estática dos Fluidos e Forças em Superfícies
Submersas
Herbert Pereira de Oliveira, D. Sc.

Salvador
2016

Tópicos Abordados
• Estática dos fluidos
• Objeto de estudo, importância e aplicações
• Conceito de Pressão

• Equação Básica
• Princípio de Pascal
• Escalas e Unidades de Pressão

• Manometria
• Medidores de Pressão

• Equação Manométrica e Manômetros Tipo U

• Forças Hidráulicas sobre Superfícies Submersas
• Superfícies Planas Horizontais

• Superfícies Planas Inclinadas

Estática dos fluidos
• Fluido Estático
• Os elementos do fluido estão parados ou se movem com
uma velocidade constante, em relação a um sistema de
referência.
• Equilíbrio entre as forças que agem sobre cada elemento do
fluido.

• Os elementos do fluido não sofrem qualquer deformação
• Não se desenvolvem tensões tangenciais
• Somente atuam forças normais de pressão

Estática dos fluidos
• Importância e Aplicações
• As forças normais de pressão transmitidas são importantes em
muitas situações práticas:
• Cálculos de forças sobre superfícies submersas possibilitam
projetar submarinos, barragens, açudes e comportas;
• Desenvolvimento de Instrumentos para Medição de Pressão;
• Projeto de Equipamentos Industriais (Tancagem)
• Projeto de Sistemas Hidráulicos (prensas, freios)
• Projeto de Plataformas de Petróleo
equipamentos para E&P em águas profundas

e

materiais

e

Estática dos fluidos
• Conceitos de Pressão
• Pressão Média: é calculada dividindo-se a força normal que age
contra uma superfície plana, pela área desta.
_

P

F
A

• Pressão em um ponto M qualquer: é definida como o limite da
relação entre a força normal e a área, quando fazemos a área
tender a zero no entorno do ponto.
M

F

P  lim
A0

F
A

A

A Pressão em um ponto M é a mesma em todas as direções

• Px = Py = Pz

• Vamos considerar um elemento diferencial de massa dm com dimensões dx. dy e dz.Estática dos fluidos • Equação Básica • Fluido em Repouso: Forças de campo (peso) e Forças de contato ou superfície (pressão). dy z dz dx y x . estático em relação ao sistema de coordenadas retangulares.

dx.dy.z) dy z dz dx y x .Estática dos fluidos    • Força de Campo (Peso): d FB  g dm  g d    d  dx.y.dz • Força de contato (superfície): forças de pressão • Inicialmente vamos considerar que p = p(x.dz  d FB  g dm  g  .dy.

dy z dz o dx y Pressão p x . • A pressão no centro 0 do elemento é igual a p.Estática dos fluidos • Força de pressão resultante: soma das forças que agem nas seis faces do elemento de fluido.

Estática dos fluidos • Utilizando teorema do valor médio: f y   y   f y   f  y   y • A pressão na face esquerda do elemento é igual a: pE  p  p  y E  yO   p   p   d y   p   p d y y y 2  y 2 • Na face direita: pD  p  p  y D  yO   p   p   d y   p   p d y y y 2  y 2 dy z dz o dx y Pressão p x .

dx.Estática dos fluidos    p d y  p  .dz  j  y 2     dy z dz o    p d y   p  .dx.dx.dz  j    dx  y 2     p d y   p  .dx.dz j  y 2     • Força de pressão na face esquerda: • Força de pressão na face direita:    p d y  p  .dz j  y 2     y Pressão p x .

Estática dos fluidos • Utilizando raciocínio análogo nas demais faces do elemento:      p d x  p d x     d y d z  i    p   d y d z   i   d F S   p  x 2  x 2              p d y  p d y     p   d x d z  j    p   d x d z   j   y 2  y 2             p d z  p d z     p   d x d y  k    p   d x d y   k  z 2  z 2         p p  p d F S    i j  x  y z   k  d x d y d z   p   p   p d F S    i j y z x  k  d x d y d z       grad p    p .

dz    p.dx.dy.dx.dx.dy.dz  d FS   grad p . g .dz    d F    grad p   .dy. Vetorial) .dz     • 2ª Lei de Newton (fluido estático):   grad p   .dy.Estática dos fluidos    • Força Resultante no elemento: d F  d F s  d F B   d FB   . g  0 dF 0 (Eq. g  .dx.

g x  0 x  p   . y e z:  p   . g z  0 z  • Considerando o eixo z como sendo vertical: p    .g   z Equação Básica da Estática dos Fluidos  gx  gy  0  g z  g .Estática dos fluidos • Aplicando nas direções x. g y  0 y  p   .

Estática dos fluidos • Mais comum: profundidade (h) z h  z h dp  dh Forma mais usual da Equação Básica da Estática dos Fluidos (Teorema de Stevin) .

Estática dos fluidos • Aplicações da Equação Básica da Estática • Fluidos Incompressíveis (Líquidos):  = constante Separando as variáveis: dp   .h p3  p2   .h 0 h 1 h2 h3 2 3 • Ponto 2 ao ponto 3: p0  0 h (atm) p1   .h Pressões efetivas Variação de pressão .dh 1 1 0 0  dp   . dh Integrando do ponto 0 ao ponto 1: p1  p0   .

dz Gás ideal: p = RT e T = T0 – mz: dp    .dz Separando as variáveis: p Integrando : p z z p.dz 0 0 dp g p p   RT0  mz  .Estática dos fluidos • Aplicações da Equação Básica da Estática • Fluidos Compressíveis (Gases):  = variável dp   .g.g p dp   RT .dz 0 0 .

.Estática dos fluidos p g  T0  mz  g  mz     ln  ln  ln 1  p0 mR  T0  mR  T0   mz   p  po1   T0  g mR T   po   T0  g mR Variação de pressão de um gás cuja temperatura varia linearmente com a elevação .

Vasos Comunicantes Um líquido submetido à mesma pressão em dois ramais de um tubo deverá apresentar o mesmo nível nos dois ramais. qualquer que seja a forma do tubo. Patm Patm 18 .

Vasos Comunicantes Através do princípio dos vasos comunicantes. PA = PB AghA = BghB A hB  B h A hA A B PA PB hB Linha isobárica 19 . podemos encontrar a densidade relativa de um líquido qualquer.

a pressão é a mesma em todas as direções” OU “As pressões exercidas pelos líquidos em repouso são normais às superfícies e se transmitem com igual intensidade em todas as direções” 20 .Princípio de Pascal “Em qualquer ponto no interior de um líquido em repouso.

F1 A1 A2  A1  Fator multiplicador 21 . macacos. elevador e freios).” O princípio de Pascal é a base de funcionamento de Sistemas Hidráulicos (prensas. F1  A2  F1 F2   F2   .Princípio de Pascal “Um acréscimo de pressão em qualquer ponto de um líquido em equilíbrio é integralmente distribuído a todos os pontos do líquido.

Princípio de Pascal • Sistemas Hidráulicos: Pressões muito elevadas •Freios de automóveis: 10 MPa (1500 psi) •Sistemas de atuação de aviões: 40 MPa (6000 psi) •Macacos Hidráulicos: 70 MPa (10500 psi) F1  A2  F1 F2   F2   .F1 A1 A2  A1  Fator multiplicador 22 .

Princípio de Pascal Elevador Hidráulico 23 .

A razão Diâmetro menor/diâmetro maior é 0. desprezando as perdas por atrito e fricção? 24 . Qual a magnitude de força que deve ser aplicada no êmbolo de menor diâmetro para suspender um veículo de 5 toneladas de peso.Princípio de Pascal •Problema Você deve projetar um sistema hidráulico.05.

• Pressão efetiva ou relativa ou instrumental – quando é expressa como sendo a diferença entre o seu valor e o da pressão atmosférica (é a leitura do manômetro). 25 .Pressões Instrumentais e Absolutas • Pressão absoluta – quando a medida de pressão é expressa como sendo a diferença entre o seu valor e o vácuo absoluto.

Experiência de Torricelli • Pressão atmosférica 1m 76 cm Linha isobárica Patm = 76 cm Hg 26 .

MPa) • atm.Unidades de Pressão • Unidades típicas de Pressão • lbf/in2 = psi • lbf/ft2 • kgf/cm2 • N/m2 = Pa (kPa.9869 atm) • Alternativa: altura de coluna de líquido • in de Hg • mm de Hg • ft de H2O ou m de H2O 27 . bar (1 bar = 0.

33 m de H2O = 101.92 in Hg = 760 mm Hg = 14.Fatores de conversão • Conversão de Unidades (pressão atmosférica) Patm = 29.033 kgf/cm2 = 10.696 psi = 2116 lbf/ft2 = 34 ft de H2O = 1 atm = 1.3 kPa 28 .

: Pressão normal (12 cm x 8 cm Hg) 29 . • Obs.Conversão de Unidades • Problemas • É seguro encher o pneu de um veículo de passeio com o calibrador ajustado para 3 kgf/cm2? • Dois pacientes utilizando um esfignomanômetro tomaram medidas de pressão tendo sido encontrado os seguintes valores: • Paciente A: 20 kPa x 14 kPa • Paciente B: 12 kPa x 8 kPa • Avaliar o nível de pressão dos pacientes.

30 .Manometria • Manometria: o dos manômetros. estudo • Manômetros: são dispositivos utilizados na medição de pressão efetiva em função das alturas das colunas líquidas.

Manometria • Medidores de Pressão • Manômetro de Bourdon • Dispositivo típico para a medida de pressões efetivas • Consiste de um tubo curvo aberto em uma extremidade e fechado na outra. • A extremidade fechada é ligada a um mecanismo capaz de acionar um ponteiro. •O fluido sob pressão entra na parte aberta do tubo e tende a esticá-lo. fazendo com que o mecanismo seja acionado •A pressão é lida diretamente em um mostrador previamente calibrado. 31 . •O lado aberto fica em contato com o fluido que se quer medir a pressão.

Manometria • Manômetro de Bourdon (Vácuo manômetro) 32 .

Manometria MANÔMETRO TIPO BOURDON EM BANHO DE GLICERINA 33 .

Manometria MANÔMETRO DIGITAL 34 .

(b) Espiral e (c) Helicoidal 35 .Manometria (a) (b) (c) Configurações do Elemento Metálico: (a) em “C”.

A altura do líquido acima do ponto dá diretamente a pressão nesse ponto. Esse tipo de manômetro é usado para medir pequenas pressões. h p = .h 36 . Pressões elevadas e líquidos de baixo peso específico resultam numa altura muito alta do tubo.Piezômetro ou Manômetro Aberto Consiste de um tubo transparente ligado ao interior do recipiente que contém o líquido.

• Regra para determinação da equação manométrica • Divida o U em dois ramos e identifique a isobárica. • Manômetros diferenciais • Cada ramo é ligado a um reservatórios • Equação manométrica • Expressão que permite. • Iguale as expressões das pressões da isobárica. por meio de um manômetro. 37 .Manômetro com tubo em U • Manômetro com tubo em U • Mede diferença de pressão entre dois reservatórios e/ou linhas com base em altura de coluna de líquido. • Aplique a equação básica da estática em cada ramo em relação à isobárica. determinar a pressão de um reservatório ou a diferença de pressão entre dois reservatórios.

Manômetro com tubo em U aberto • Exemplo 1: Um tanque foi construído de uma série de cilindros tendo diâmetro de 0. água com peso específico de 9. O tanque contém óleo com peso específico de 8.30.15 m. glicerina com peso específico de 12.25 e 0.95 kN/m3. Calcule o valor da altura h.80 kN/m3. 0. como mostrado na figura abaixo.4 kN/m3 e um manômetro de mercúrio com peso específico de 133 kN/m3. A B Isobárica 38 .

0330 lbf/in3) escoa em B.490 lbf/in3) é usado para medir a diferença entre dois tubos apresentados na figura abaixo.0307 lbf/in3) escoa em A e óleo lubrificante SAE 30 (SAE = 0.Manômetro com tubo em U (Diferencial) • Exemplo 2: Um manômetro de mercúrio (Hg = 0. Determine a pressão em B se a pressão em A é 15. Óleo combustível (comb = 0. 39 . conforme a figura indica.3 psi (lbf/in2). Uma bolha de ar está contida entre os óleos A e B.

3 psi (lbf/in2). Uma bolha de ar está contida entre os óleos A e B.Manômetro com tubo em U (Diferencial) • Exemplo 2: Um manômetro de mercúrio (Hg = 0. 3 1 2 4 5 Isobárica 2 Isobárica 1 40 . conforme a figura indica.0330 lbf/in3) escoa em B. Óleo combustível (comb = 0.490 lbf/in3) é usado para medir a diferença entre dois tubos apresentados na figura abaixo.0307 lbf/in3) escoa em A e óleo lubrificante SAE 30 (SAE = 0. Determine a pressão em B se a pressão em A é 15.

determine: a) A leitura do manômetro metálico (PM) b) A força atuante sobre o topo do reservatório (FT) 41 .Manômetro com tubo em U inclinado Exemplo 3: Para o esquema mostrado na figura.

Manômetro com tubo em U inclinado Exemplo 3: Para o esquema mostrado na figura. determine: a) A leitura do manômetro metálico (PM) b) A força atuante sobre o topo do reservatório (FT) Isobárica A B 42 .

Manômetro com tubo U MANÔMETROS TIPO TUBO EM U FEITOS COM MANGUEIRA PLÁSTICA TRANSPARENTE 43 .

Manômetro com tubo U MANÔMETROS TIPO TUBO EM U FEITOS COM TUBOS DE VIDRO 44 .

Manômetro com tubo U p2 p1 H2O h Hg 45 .

A o • Linha de Ação da Força h G A •Centróide da Área (G) 46 .Forças Hidráulicas sobre superfícies Submersas • Superfícies Planas Horizontais • Intensidade da Força sobre a superfície F   .h.

Forças Hidráulicas sobre superfícies Submersas • Superfícies Planas Horizontais • Determinar a intensidade da força que deve ser aplicada em C para que o O portão BC permaneça fechado. h=15 m Água ( = 9810 N/m3) C B 2m G FC 5m 47 .

Forças Hidráulicas sobre superfícies Submersas • Superfícies Planas Inclinadas   dF  p dA   FR   p dA A .

Forças Hidráulicas sobre superfícies Submersas • Superfícies Planas Inclinadas h  y sen h  y sen A FR   p dA   sen  y dA   sen y dA   sen y A  A A A FR   h A sendo ou pG FR  pG A a pressão no centróide da área .

.Forças Hidráulicas sobre superfícies Submersas • Superfícies Planas Inclinadas Linha Resultante (Centro das Pressões) IG ycp  y  yA O centro das pressões sempre se localiza abaixo do centróide da área.

. Calcular o momento em torno da dobradiça A exercida pela água.Forças Hidráulicas sobre superfícies Submersas • Superfícies Planas Inclinadas Exemplo de Aplicação O portão AB tem 3 pés de largura e 2 pés de comprimento. Fica inclinado a um ângulo =60o quando fechado.