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Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 2ª Vara Criminal da Comarca _____

Autos nº. _____
Alessandro, já qualificado nestes autos, vem à presença de Vossa Excelência,
por meio de seu advogado que esta subscreve (procuração anexa - documento 1),
apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com fundamento no artigo 396 do Código de
Processo Penal, nos termos que passa a expor:
DOS FATOS
Consta dos autos que o Ministério Público ofereceu denúncia contra
Alessandro alegando que este teria cometido contra Geisa o fato típico previsto no
artigo 217-A do Código Penal.
Narra o ilustre membro do Parquet que o acusado teria se dirigido até a casa
da vítima, que estava sozinha, com o intuito de assistir a uma partida de futebol, e lá
estando, teria constrangido Geisa a ter com ele conjunção carnal, acarretando a gravidez
daquela.
De acordo com a exordial, o réu não teria se utilizado de violência ou grave
ameaça na prática do delito, mas teria se aproveitado da condição de a ofendida ser
incapaz de oferecer resistência ou de dar o seu consentimento ao suposto ato praticado
por Alessandro, uma vez que, na visão da acusação, Geisa é doente mental e incapaz de
reger a si mesma.
Eis os fatos imputados ao acusado.
DO DIREITO
Preliminarmente, o processo é nulo, frente a ausência de condição para o
exercício da ação penal, devendo ser reconhecida a sua nulidade ab initio por força do
artigo 395, II, do Código de Processo Penal.
Conforme preconiza o artigo 225 do Código Penal, os crimes contra a
dignidade sexual em geral são processados mediante ação penal pública condicionada à
representação, sendo que somente quando se tratar de vítima menor de 18 anos ou
pessoa vulnerável, a ação penal será pública incondicionada.
O próprio artigo 217-A e seu §1º, do Código Penal, nos traz o conceito legal
de pessoa vulnerável, que é aquela menor de 14 anos ou alguém que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato.
Nesse diapasão, ainda que a acusação tenha narrado em sua peça inaugural ser
a vítima deficiente mental e incapaz de reger a si mesma, não há nada nos autos além dá
opinião pessoal do representante do Ministério Público. Ou seja, não consta no processo
qualquer prova da condição de deficiente mental de Geísa, da sua condição de
vulnerável, pois ao tempo do fato tinha ela 20 anos completos.
Portanto, uma vez ausente a representação da ofendida, configurada está a
ausência de condição para a deflagração da ação penal, nos termos do artigo 24 do
Código de Processo Penal. Assim sendo, conforme artigo 395, II, do Código de
Processo Penal, a denúncia deveria ter sido rejeitada pelo ilustre magistrado, e, caso
recebida, é nula a decisão que a receber.
Outrossim, tendo em vista a falta da representação da vítima, conforme
preconiza o artigo 5º, §4º, do Código de Processo Penal, é imperioso que se reconheça a

Dessa forma. II do Código de Processo Penal.Romilda. nos termos do artigo 397. (qualificação). que não sabia e nem tinha condição de saber que se tratava de pessoa vulnerável. é flagrante a existência de causa ensejadora de absolvição sumária constante do artigo 397. o acusado já era namorado de Geisa. uma vez que o inquérito se iniciou sem a representação necessária. III do Código de Processo Penal. deve o réu ser absolvido sumariamente nos termos do artigo 397. Excelência. trata-se o caso de erro de tipo essencial. Ora. No mérito. requer seja desde logo julgada improcedente a presente ação penal. requer sejam intimadas e ouvidas as testemunhas arroladas abaixo: ROL DE TESTEMUNHAS 1 .Geralda. Ademais. que recai sobre o próprio elemento constitutivo do tipo legal. o acusado não tinha como saber que se tratava de pessoa vulnerável. Uma vez atípico o fato. sendo que esta jamais demonstrou qualquer indício de debilidade mental. razão pela qual Alessandro em momento algum levantou suspeita sobre consciência de sua namorada quanto as relações mantidas pelo casal. (endereço) Termos em que. da Constituição Federal.nulidade das provas produzidas nos autos. que moravam com ele ao tempo do fato. ausente o dolo do agente de ter com a vítima. Portanto. requer seja reconhecida a nulidade ab initio por força do artigo 395. Subsidiariamente. por força do artigo 5º. com fulcro no artigo 20 do Código Penal. (qualificação). com a absolvição sumária do acusado. (local). LVI. o fato é atípico. (endereço) 2 . o namoro era conhecido pela avó materna do réu e por sua mãe. conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso. do Código de Processo Penal. (advogado) OAB nº ___ . pois muito antes da ocorrência dos fatos apurados nestes autos. III do Código de Processo Penal. DO PEDIDO Ante o exposto. III. ainda o fato tivesse ocorrido como descrito na denúncia. não se configurando o crime previsto no artigo 217-A do Código Penal. Se não for esse o entendimento de Vossa Excelência. 28 de novembro de 2008. Pede deferimento.