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O papa, a inovação e a fidelidade

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O papa, a inovação e a fidelidade
Temida por uns, aclamada por outros, surpreendente para todos.
Descreveria assim as reações diante do mais esperado documento
do papa Francisco, a exortação apostólica Amoris Laetitia.
Depois de dois anos de um acalorado debate intra e extraeclesial,
por ocasião dos dois Sínodos sobre a Família, o clima era de
expectativa. Todos queriam saber como Francisco iria se
posicionar, e as apostas corriam às soltas: uns, em ambientes,
digamos, menos catequizados, juravam estar iminente uma
revolução na Igreja, em que tudo se redefiniria; outros, ouvindo os
brados dos primeiros, temiam que aquilo viesse a acontecer; mas
quem conhecia bem o coração de Francisco – e, portanto, sabia de
sua fidelidade inegociável à fé e de sua simultânea sensibilidade
para com aqueles que dela se desviaram – permaneciam
tranquilos.
Francisco se debruça sobre as feridas da família como o bom
samaritano da parábola

Veja também
O Sínodo das Famílias e o anseio por felicidade (artigo de
Francisco Borba, publicado em 1º de novembro de 2015)
Acolhida, discernimento e cuidado pastoral (artigo de Marcial
Maçaneiro, publicado em 13 de novembro de 2015)
Nem reforma, nem continuidade, e ambas as coisas ao mesmo
tempo. Trata-se de mais uma daquelas sacadas geniais que só
Francisco sabe ter. O papa Bergoglio, ao contrário do que muitos
entendem, está propondo um dos maiores empreendimentos
pastorais de todos os tempos, e sem romper com o ensino dos
papas anteriores – antes, garantindo que o mesmo seja bem
sucedido.
De fato, São João Paulo II e Bento XVI levantaram a bandeira da
defesa da lei natural, com todas as exigências éticas de que está
imbuída, sobretudo o respeito incondicional à vida humana desde a
concepção até a morte e a conservação da família natural.
Definiram solidamente esta posição, e com argumentos racionais
apreciados por filósofos de altíssima envergadura. Em suma,
deixaram as controvérsias resolvidas. O debate intelectual estava
ganho!
Mas como transferir as ideias para a vida? Como libertar a verdade
dos estreitos cubículos de um debate intelectual? O bem deve

14/04/2016 14:06

mas traduzindo-as em atitudes concretas.. Francisco abre as portas da esperança. mas de um “sim”: “Deus me ama”. e não se podem resolver de imediato. Em Amoris Laetitia. a inovação e a fidelidade 2 de 2 about:reader?url=http://www. Francisco não inventa nada. “a Igreja me acolhe”. ele se ocupa a maior parte do tempo em conversar com seus leitores. ele os estimula a procurarem seus pastores e a abrir-lhes o coração. acima de tudo. e que este é o melhor caminho para sermos felizes. trata-se de ir à procura das ovelhas e sair da própria zona de conforto! José Eduardo de Oliveira e Silva. Aos divorciados recasados. E é aqui que entra sutilmente nosso Francisco. como afirmara João Paulo II na exortação Familiaris Consortio. Os princípios estão claros. é doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma). enfaixando-as e mostrando que ainda é possível ser família.com. “discernimento” e “integração”. Retoma muitas ideias maravilhosas da tradição da Igreja. Há problemas criados ao longo de décadas.br/opiniao/artigos/opa. Francisco se debruça sobre elas como o bom samaritano da parábola. mas de convencer. irrecuperável. É lógico que enfrenta os problemas.O papa. Exatamente por isso. imposta seu discurso com a cadência da misericórdia divina. Agora. Esta é a sua metodologia. levando-os suavemente a uma conversão interior. e tudo isso por causa de suas feridas. considerando-a uma instituição fracassada. “eu sou filho de Deus”.. Mantendo as ressalvas de que os sacramentos só lhes podem ser oferecidos caso assumam o propósito de viverem a abstinência sexual. prevalecer não apenas nas discussões. em gestos de amor. reafirmando vigorosamente a doutrina das Sagradas Escrituras. padre da diocese de Osasco (SP). Em um mundo em que há tanta gente depreciando a importância da família. Não se trata de vencer. Mas. mas. 14/04/2016 14:06 . “não posso me confessar” –. nem nos dá respostas prontas. arcaica. Ele não quer que as pessoas se relacionem com a Igreja a partir de um “não” – “não posso comungar”. as palavras chaves na pastoral de Amoris Laetitia são “acompanhamento”. na história.gazetadopovo. e pela força da verdade e do amor.