OBVIOUS

Face hunters: a vanguarda da moda ao alcance de todos
Publicado em fotografia por prill em 28 nov 2008 12:26 PM
O que os jovens de Cingapura estão vestindo hoje? Que tipo de combinação de cores as suecas estão empregando? O que vestiam as platéias na semana de moda de Lisboa? Os blogs de street style multiplicam-se oferecendo inspirações criativas e originais para vestuário ao alcance de todos.

O senso comum compreende a moda como sendo “aquilo que todo mundo usa”; não deixa de ser verdade, mas os desdobramentos que essa palavra carrega vão muito além do “se está usando muito laranja” e nos deixam ver uma série de complexos parâmetros que irão decidir o que veremos nas passarelas durante as principais semanas de moda do mundo. Muito antes das tendências surgirem em formato de peças às vezes bastante bizarras, um time de estudiosos do assunto está pelas ruas capturando os meandros da cultura e do comportamento, analisando a metereologia, a economia e tudo o mais que está sob o guarda-chuvas que chamamos de sociedade. Há alguns poucos anos atrás, esse tal time de pessoas que virava as ruas buscando tatear o que vamos querer vestir na próxima estação era restrito à profissionais da área, consultores das companhias de moda mas, entre meados dos 90 e início dos 2000, esse domínio foi sugado pelo advento avassalador das câmeras digitais; esses aparelhos possibilitaram que gente cheia de feeling fashion, olhar aguçado e alguma cara dura saíssem às ruas e festas fotografando pessoas de estilos únicos. Depois, tudo direto para os blogs. Era o início de uma revolução. O japonês Shoichi Aoki é, disparado, o pioneiro dessa globalização fashion; nos anos noventa, ele podia ser constantemente visto nas esquinas de Tokio com uma câmera amadora em punho, abordando e clicando os passantes que lhe chamavam atenção pela ousadia no vestir. Não que fosse uma tarefa difícil, na época, o bairro de Harajuku era a Meca dos fashionistas nipônicos, daqueles jovens e adolescentes usando roupas de mil camadas estampadas, obis e sandálias plataformas dessas que se vê as nuvens de perto; era a nascente elite econômica do país, senhora de todas as excentricidades. Algum tempo depois, Aoki apostaria na publicação “Fruits”, uma revista que juntava suas fotografias do mês e as espalhava, virou cult. Hoje, os catálogos “Fruits” são considerados um importante documento cultural e Shouchi Aoki uma sumidade. Em sua trilha veio Scott Schuman, um americano de 39 anos que igualmente munido com sua câmera, capta só o melhor das ruas de Manhattan, mas, ao contrário de seu equivalente oriental, não privilegia a abordagem de pessoas, nem visuais mais vanguardistas, Shuman, que desde 2005 mantém o blog The Sartorialist, busca captar a elegância das tendências já implantadas. Mas é o Face Hunter Yvan Rodic quem ocupa hoje o topo do movimento. O publicitário ganhou, também em 2005, uma câmera e passou a levá-la para todos os cantos de Paris, ruas, festas, escolas, museus, fotografando todas as pessoas que considerava, em seu instinto, donas de um conceito de moda a frente de tudo o já visto. Pensou que talvez mais alguém pudesse se interessar pelo que estava fazendo e lá criou o seu espaço na web que, em menos de um ano, se tornaria a referência no assunto. O Suíço, erradicado na França, decidiu largar o emprego quando percebeu que a coisa era rentável, nada mais coerente pois o Face Hunter gerava uma receita invejável com suas 20 mil visitas diárias somados aos trabalhos que passou a realizar para revistas como a Vougue. Yvan Rodic é pago para estar nas fashion weeks e nas grandes metrópoles mundiais (Stocolmo, Berlin, São Paulo, Lisboa, Nova Iorque, Londres, Seul, etc etc etc), com sua câmera – agora profissional – fazendo o que sempre fez. Dá também palestras sobre estilo e consultoria para que as grifes pesquisem o que será tendência no meio urbano. Já se fala de um nome para esse fenômeno, fotografia social, que seria o trabalho de catalogação do street style e por todo mundo já estão disseminados blogs e páginas que pretendem atender à demandas, mais do que das empresas fashion, mas das pessoas que se inspiram em conceitos vindos de todo canto para construir a sua própria moda.

Nastaja Fourie e as almas pelo avesso
Publicado em fotografia por prill em 20 nov 2008 12:28 PM

Com apenas 22 anos, a fotógrafa sul africana Nastaja Fourie tem chamado a atenção do mundo com suas fotografias que subvertem os atuais editoriais de moda e revelam novos limites para a exposição das identidades.

Certo dito afirma que moda, hoje, é vestir a alma por fora. Mas qual é o ponto em que a alma pode ser publicável a ponto de sairmos com ela para a rua? Um sapato que nos sugere a personalidade? Uma jóia de família? Um tecido que revela certa predileção por produtos naturais? Definitivamente, esses não são dias de moda massificada, mas de uma indústria que nos apresenta tendências flexíveis altamente personalizáveis. Natasja Fourie jura ter passado sua juventude em escolas para modelos nos grandes centros da África do Sul, mas não é possível saber a que juventude ela se refere no alto dos seus 22 anos. Passava horas desenhando sobre quaisquer superfícies, queria ser arqueóloga, viajar o mundo, mas vêm caminhando pelos pavimentos da fotografia. Para Natasja, os limites da transfiguração de uma alma para fora do corpo podem ir muito mais além do que a escolha da cor de um par de meias e, sendo assim, busca em seus estúdios, de maneira intensa, a exposição do avesso de seus fotografados. Nem sempre a proposta revela tranqüilidade; Fourie tem olhos para certas perversidades e não se furta em pôr lupa sobre detalhes ridículos, vergonhosos ou feios de seus modelos. É certamente por isso que suas primeiras imagens são bastante documentais; trouxe os próprios amigos para o foco fazendo nascerem fotografias caricaturais extremamente poderosas, ousadas e vibrantes. Mais um exemplo de jovem artista cujo talento foi revelado pela internet (tudo começou com seu blogue pessoal, hoje desativado); a jovem vive hoje em Londres, onde desenvolve outros trabalhos como o de edição de vídeo. Os trabalhos de Natasja Fourie subvertem o que temos conhecido sobre fotografia de moda e nos abrem uma reflexão mais extrema sobre os dias contemporâneos de espetáculo, em que todos os objetos devem ser manipulados sobre os corpos de modo a apontar e publicar quem somos nós. Seu site é igualmente imperdível, onde todas as fotografias estão disponíveis em fullview, fazendo justiça aos detalhes. A interatividade insana do endereço é obra do designer Kris Cook.

A publicidade e a higiene íntima feminina #1
Publicado em outros por prill em 9 out 2008 06:25 PM
Atentos a um mercado quase infinito, os publicitários, desde o lançamento dos absorventes higiênicos, fizeram de tudo para convencer as novas clientes a abandonarem antigos costumes para viver a feminilidade de novas formas. Conheça a evolução dos anúncios para esse produto indispensável.

Ao longo dos séculos, as mulheres em suas diferentes culturas se utilizaram dos mais diversos métodos para contenção fluxos menstruais; esponjas, lã, tiras de roupas usadas e até mesmo certos tipos de grama. No Antigo Egito, os tampões já existiam, feitos de papiro processados para ficarem macios. Foi no ano de 1888 que os absorventes femininos começaram a ser vendidos, eram aqueles em formato de almofada, adaptações dos que as enfermeiras norte-americanas preparavam para elas próprias usarem, feitos de gaze e outros materiais hospitalares a que tinham vasto acesso. Num momento da história ocidental em que a higiene se tornara uma obsessão, o sucesso foi estrondoso entre as mulheres burguesas. E, justamente, as primeiras propagandas veiculadas para o produto, em 1921, pela Kotex, destacavam que os absorventes descartáveis eram muito mais limpos e assépticos, além de confortáveis. Depois que o preço dos absorventes se tornou mais acessível e, desse modo, seu uso mais democrático, as propagandas tinham como foco quebrar a timidez das moças: havia tanta vergonha de se comprar um absorvente que muitas preferiam continuar usando as velhas tiras de pano mesmo que detestassem. Os cartazes da Kotex mais pareciam tratados explicativos, buscavam de todo modo convencer as consumidoras das vantagens do produto descartável sobre o reutilizável e, principalmente, juravam que milhares de mulheres já eram felizes usuárias. Um outro argumento poderoso nesses cartazes, era a promessa da diminuição do mau odor no período menstrual. O absorvente interno, ou tampão, já era usado na França desde essa época, mas sua patente foi registrada por um americano, o Dr. Earle Haas em 1931, e comercializado logo depois pela Tampax, já com aplicador e corda, em 1936. Nesse momento, os gráficos dos cartazes e a qualidade do papel estavam bem mais desenvolvidos permitindo aos propagandistas melhor expor as imagens, estas cada vez mais vivas. As marcas de absorvente interno passaram a investir no que seria, até hoje, seu maior chamariz: eram ideais para moças ativas e garantiam plena liberdade de movimento. Nos anos 50, os folhetos informativos voltaram com força total. Todas as marcas ofereciam livretos gratuitos que falavam sobre o ciclo menstrual, a anatomia feminina, mitos sobre a menstruação e expunham algumas dicas e cuidados que nenhuma mulher tinha coragem de perguntar. As propagandas desse período mostram mulheres fabulosas, ricamente vestidas, na velha associação de um produto com a prosperidade que dele pode vir. Nas capitais brasileiras, a difusão da marca Modess seria tão forte que o nome viraria sinônimo do objeto como Coca é sinônimo de refrigerante. Por aqui, a solução para atender aos chamados da mídia e driblar a timidez foram os famosos papeizinhos; as mulheres chegavam ao balcão e não diziam nada para o vendedor que devia ser discreto na leitura e atendimento do pedido. O Modess entraria para a antologia da propaganda nesse país com a frase: incomodada estava a sua avó.

f/nazca e os anúncios da skol: impressos
Publicado em publicidade por prill em 15 nov 2007 06:23 PM

Resta pouca ou nenhuma dúvida quanto à fonte do poderio mercadológico das cervejas Skol: possuir ano após ano o título de cerveja favorita e mais consumida pelos brasileiros se deve a estratégias de criação, exposição e consolidação de conceitos-chave brilhantemente fixados ao produto: inovação, diversão, irreverência e juventude. Os responsáveis pela liderança massiva são os publicitários da F/Nazca Saatchi&Saatchi e o slogan que embrulha o sucesso tornou-se clássico instantâneo da publicidade nacional. Skol: a cerveja que desce redondo. A empresa fundada na Inglaterra pelos irmãos iraquianos Maurice (actualmente Lord Saatchi) e Charles em meados dos anos 90 sob o nome M&C Saatchi, convertido em seguida para Saatchi&Saatchi, tem por clientes empresas como Hewlett-Packard, Johnson & Johnson, Procter & Gamble, DuPont, Phillip Morris e General Mills. O ano de 1997 foi de mudança de rumos para empresa, que saida de seu ecritório londrino para estabelecer-se na Houdson Street, em Nova Iorque, com uma nova diretoria. O momento coincide com a entrada da Saatchi&Saatchi na América Latina, particularmente no Brasil, onde, sob a presidência do publicitário Fábio Fernandes, firmaria contrato com a Skol Pilsen já agora com o nome F/Nazca Saatchi&Saatchi. O histórico da cerveja Skol segue com bem menores sobressaltos que o de sua agência publicitária: lançada em 1964 pela empresa dinamarquesa Carlsberg (aliás, seu nome em sueco quer dizer “à sua saúde” - skål), chegou ao Brasil em 1967 com novidades como a lata de folha-de-flandres (1971). Foi ainda a pioneira no uso de latas de alumínio (1979), na venda de long necks com tampa de rosca, na feitura da lata de 500ml - o conhecido latão da Skol (1993) entre outras minúcias. Todos esses ares avant-garde se tornaram o ponto principal a ser explorado pela F/Nazca; assim que a Skol Pilsen entrou para a sua lista de contas, os publicitários ampliariam ao nível estratosférico o, até então, somente intuitivo potencial inovador da marca. E como fizeram isso? A resposta à questão está ligada a análise do público alvo das propagandas Skol Pilsen. Não é necessário ser um grande observador mercadológico para captar que os anúncios são sempre voltados para jovens entre 18 e 27 anos. Isso obviamente não significa que somente estes interessam, ao contrário, é assim um foco de expansão; os que se identificam com uma vida repleta de festas, música, praia, saúde, aventuras e, principalmente, belíssimas loiras, estão igualmente convidados a partilhar do conceito. Os que se identificam e os que também desejam se identificar. Isso é perceptível se analisarmos que uma das primeiras ações de marketing da F/Nazca foi vincular a marca Skol a diversos eventos voltados a este grupo específico. Em pouco tempo, produziram uma série de shows e encontros musicais de grande peso no circuito musical-cultural no país, todos levando a grife da, já então, cerveja redonda: Skol Spirit, Skol Praia, Skol Rio, Skol Hip Rock, entre outros, e o carro chefe que é o Skol Beats; maior evento de música eletrônica da América Latina. Claramente esse tipo de investimento vem no escopo de um movimento mundial em que grandes empresas investem em festivais, mas a F/Nazca faz a Skol ir além forjando momentos psicológicos em torno de sua bebida. O ano de 2000, por exemplo, (ano da primeira edição do Skol Beats) ficou decretado e conhecido como O verão mais redondo do planeta. Ora, não imaginem senhores pais de família sendo público majoritário numa pista, dançando sob o comando do techno Paul Oakenfold. Dos jovens festeiros não emancipados aos que já engrenam suas carreiras profissionais - de preferências carreiras bem "descoladas": estes são o público Skol e quem mais quiser ser eles ou estar perto deles. Mas, aos anúncios impressos. Todas essas tendências estão sintetizadas na série de impressos produzidos pela F/Nazca que, como os comerciais de TV da marca, irão se basear sempre numa linguagem inteligente e bem humorada voltada, em todas as instâncias, para o público masculino. Tudo bem, nenhuma novidade num mundo cervejeiro, mas percebe-se que as demais marcas têm se adaptado à presença crescente das mulheres (nunca à de homosexuais, deve-se dizer) entre os consumidores de cerveja, não a Skol. Sim, perceberam, mas permanecem com as mesmas campanhas visuais onde as belas e olímpicas mulheres são, junto com o futebol e a praia, o centro do universo mas, ainda assim, o fazem com tão profunda simpatia que tudo fica levado mesmo à esportiva. Têm nisso muito mérito. Abaixo, alguns excelentes anúncios impressos veiculados pela F/Nazca para sua tão bem sucedida cliente. Destaque para as campanhas "se o cara que inventou a (nome da coisa) tivesse inventado a Skol, ela não seria assim (realidade da coisa). Ela seria assim (nova realidade "redonda" da coisa).

Objetos dispensáveis imperdíveis
Publicado em design por prill em 17 set 2008 12:29 PM

O grupo de designers da Fred&Friends é especializado em criar utensílios que podem até ser um tanto inúteis, mas, com certeza, são difíceis de não se desejar.

Tem achado o ambiente da sua casa um bocado desanimado? Ou a mesa de trabalho não anda nada convidativa? Os designers da Fred&Friends oferecem soluções perfeitas para quem gosta de se cercar de criatividade, tiradas cômicas e bom gosto em formas contemporâneas. Seja na cozinha, no jardim, no lanche das crianças, na reunião com os amigos ou nas compras do supermercado, a loja oferece dezenas de soluções para problemas até hoje considerados difíceis de superar, como o roubo de canetas emprestadas ou um modo ideal de segurar um canapé. As memórias curtas contam com a ajuda de um adesivo que, colado na mão, serve de bloco de anotações, vem até com caneta especial. Já para os que cultivam uma decoração cool, há os tapetes de banheiro na forma da banana (lembra a capa do CD dos Velvet Underground feita pelo Andy Warhol). Além dessas funcionalidades, podem ser encontradas também quinquilharias totalmente dispensáveis, mas muito sedutoras, como cubos de gelo em forma de arcada dentária ou fôrmas de torrada com o desenho de Maria, mãe de Jesus. Tendo como um de seus slogans: coisas que funcionam, colocam um sorriso no seu rosto e não custam uma fortuna, os americanos de Fred&Friends surpreendem com seu design divertidíssimo capazes de provocar ao menos uns minutos de relaxamento até durante aquela reunião de trabalho interminável. Verdadeiras ilhas de alívio num cotidiano cada vez mais sisudo e maluco. Aos interessados, há lojas espalhadas por todo Estados Unidos e Canadá além de, claro, um espaço virtual com todas as peças do catálogo da fascinante loja.

A Índia de Anoop Negi: pessoas e arredores
Publicado em fotografia por prill em 14 jul 2009 01:30 PM
Você tem de ver aquele lugar algum dia, tenho certeza de que ficaria maravilhada decreta o indiano Anoop Negi. Falava da cidade-ruína de Hampi, localizada no sudoeste da Índia e que abriga templos hindus do século XIV onde esteve clicando nos últimos tempos. Repartir o encantamento que certos lugares e certas pessoas lhe exercem parece algo inevitável para esse negociador da bolsa de valores que encontra na fotografia sua maior paixão.

Dois homens, cada um em uma extremidade da corda correm dentro de um rio, encharcados. Ao lado de dois imensos touros unidos por uma vara de madeira e mais cordas. Um terceiro está no meio da cena, escondido pela espuma de água que a corrida levanta. A poderosa imagem da corrida parece conter em si um universo inteiro cujo significado é misterioso para a maioria de nós. As tradições e a alma popular dos indianos, centro desse tal universo, é o que busca o olhar de Anoop Negi através da sua câmera. Nascido na Índia em meados dos 50’s, fotografa há mais de dez anos. Cruza o país nos revelando lugares, rituais e existências fantásticas, cheias de apuro etnográfico. Com sua infinita gentileza, Anoop e eu conversamos um pouco sobre seu trabalho, internet e desafios: Se for ser uma paisagem ao ar livre, preciso esperar que elementos como iluminação, luz do sol, nuvens e hora do dia estejam todos ok. Fotografar pela manhã na Índia é um processo bem difícil, não só por causa do brilho brutal do sol, mas porque é muito quente. Suas imagens de Goa são incríveis, faz algum anos que me apaixonei por esse lugar. O céu, o mar, a história. É um paraíso esquecido. A índia sempre preenche a imaginação... Estou em Goa atualmente. É um grande lugar, é um dos melhores destinos para férias por conta dos banhos de mar. Antes de lá, passei 3-4 anos em lugares como Cochin em Kerala, Calcutá, Bombay, Delhi, Bangalore etc. Acho que na maior parte da Índia, se pode dizer. Me conte um pouco sobre como a fotografia entrou na sua vida, como você começou? O que te impulsiona às capturas...? Acho que isso teve a ver com a curiosidade a respeito de todas as coisas mecânicas e inventivas. Eu queria saber como funcionava e que resultados davam. Minhas fotografias não começaram porque vi imagens de devastação do planeta. Acho que li demais a revista Life, que trazia imagens dos eventos que aconteciam no mundo. Isso deve ter sido a janela da alma para o meu interesse pelo fotojornalismo. Quando eu era jovem sonhava sempre em tirar fotos, mas a verdade é que esse tipo de sonho só se torna realidade quando você consegue juntar certa quantidade de dinheiro no bolso para comprar uma boa câmera. Aí você tem de esperar, até poder pôr as suas mãos em alguma coisa decente. Hoje em dia você encontra disponível nos mercados câmeras de todos os tipos, mas nos anos 80 e 90 na Índia não era assim. O que motiva uma pessoa a capturar com uma câmera o que ela captura está sempre relacionado a quanto uma pode fazer com as ferramentas sob o seu comando e sua habilidade de extrair o melhor do seu talento, da sua criatividade e como desafia a situação em que está. Se uma dada situação impõe um desafio em termos de acessibilidade, oportunidade, a dificuldade em enfrentar aquilo fará da imagem que você fez recompensadora. E você consegue trabalhar com fotografia ou tem algum "emprego sério" para mantê-la? Recebe convites locais? Fotografia hoje em dia não consegue te sustentar como uma carreira. Meu trabalho regular é no mercado financeiro como negociador e investidor na bolsa de valores. Os custos são pagos por mim mesmo. Todas as minhas fotografias são feitas em viagens pessoais. A venda de fotos não gera um lucro capaz de sustentar as despesas que tenho nesse tipo de viagem. Eu, pessoalmente, não aceito convites de instituições que pedem por cobertura fotográfica. Ocasionalmente oferecem comissões para fotos comerciais, mas na maioria das vezes eles querem uma coisa que seja barata que não é exatamente o que eu gostaria de fazer. A maior parte da sua atividade está no Flickr, você poderia comentar um par de coisas sobre o site? Por que fazer uso do Flickr? Prós... contras… O Flickr é um bom site para a vasta maioria de fotógrafos semi-profissionais e amadores. Um grande número de imagens inunda seus servidores todos os dias. Há por lá boas fotografias e há também fotos ruins. Se você as vê pode facilmente começar a dizer coisas boas ou coisas ruins, depois disso é um processo lógico aprender as técnicas e formatos e estilos envolvidos. Isso ajuda um fotografo iniciante a ter uma visão ampla do mundo da fotografia. O lado contra é que isso não vai genuinamente ajudar um fotógrafo a desenvolver habilidades críticas; ele acaba tendo de confiar na sua própria experimentação e imitações. Como é construído em cima de uma apreciação mútua das fotos, o feedback que você deveria ter acaba não acontecendo, se torna “bata nas minhas costas que eu bato nas suas”. Agora até mesmo os fotógrafos profissionais tem suas contas no Flickr e postam suas fotos não comissionadas. O Flickr agora é um modo de atingir uma vasta audiência e maior acesso. É semelhante a redes sociais como Facebook, Twitter etc., mas tendo somente a fotografia como meio de se conectar.

Palavra [En]cantada: um filme de Helena Solberg
Publicado em cinema por prill em 7 abr 2009 01:24 PM

Para alguns estudiosos e observadores da literatura, a poesia se caracteriza por uma criação artística que existe sozinha: tem suas regras, suas formas, seus sons próprios e estes a fazem plena unicamente em si, podendo dispensar acompanhamentos. É comum que numa roda, reunindo esses mesmos estudiosos e observadores da literatura, lá pelas tantas, pelo quarto copo de vinho, alguém declare a sentença: Chico Buarque, por exemplo, não é poeta, é músico. A partir daí a conversa, antes consenso, vai virar uma discussão sem fim e depois de meses, dois ou três daqueles amantes das letras ainda estarão se odiando mortalmente. Fatalmente vão produzir alguns tratados que não nos tocarão em nada. Palavra [En]cantada é um filme que ronda o mistério das palavras ditas e entoadas sem chegar perto desse tipo de debate onde um bom e velho veneno da vaidade academicista sempre mata um pouco mais a gente. Dirigido por Helena Solberg, com argumento de Marcio Debellian, o documentário segue uma reflexão a respeito dos momentos em que música brasileira e poesia convergiram. Através do depoimento de grandes nomes da música nacional, Sodenberg nos leva a fogo brando pela história e escolas da música brasileira; dos morros cariocas à periferia de São Paulo, passando pela Bahia e pelo mangue pernambucano. O documentário parte da idílica existência dos trovadores, aqueles artistas medievais que inventaram a poesia musicada e a espalharam de tal forma que são considerados o marco zero da literatura como hoje a conhecemos. A partir daí nomes como Tom Zé, Lenine, Maria Betânia, Martinho da Vila, Lirinha do Cordel do Fogo Encantado, BNegão e o próprio Chico Buarque, vão falar sobre a presença da poesia em suas canções e dão versões sobre o porque e do como esses encontros acontecem. O filme traz ainda imagens de arquivo recuperadas, algumas nunca vistas, como as de carnavais na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro e encenações de Morte e Vida Severina pelo grupo de teatro da PUC (o primeiro a montar a peça, em 1965), além de raridades como a entrevista de Caetano Veloso, falando sobre porque combinou na sua música Coca-Cola e Brigite Bardot, e apresentações de repentistas do Nordeste em meados do século passado.

A poesia é a maior das artes, sendo capaz de tangenciar todas as outras e mantendo, ainda assim, suas próprias normas, formas e sons.Existe sozinha, dispensa acompanhamentos. O documentário Palavra Encantada faz a poesia dançar pela voz de grandes músicos e poetas brasileiros e nos faz descobrir que nenhum conceito por essas terras consegue ser tão simples.

Na junção de todos os seus segundos e coisas ditas, Palavra [En]cantada nos faz descobrir muito mais sobre música, poesia e brasilidade do que muitos foram capazes de fazer. A contribuição é enorme: enfrentar a particularidade do caso nacional, onde a palavra escrita não conseguiu até hoje criar raízes fortes e onde a literatura só pôde se expandir através da oralidade - o que nos torna indivisíveis da maior parte da África - e abre um novo leque de possibilidades para entendermos a absurda riqueza de formas e sons da nossa língua e da nossa música. Solberg e Debellian pariram um filme essencial para quem ainda acredita que a beleza salvará o mundo.

HENRICARTOON

Mulher Melancia
A população foi quem lhe deu a alcunha; primeira musa bundística do século XXI brasileiro, Melancia passou a ser chamada assim por conta de uma – agora antológica – foto postada no Orkut por um colega da Rádio FM O Dia, o apresentador do programa em que Andressa trabalhava como... musa. Eles diziam: que isso?! A bunda dela parece uma melancia! Então ficou, ela explica. Mas o sucesso nacional viria mesmo depois do DVD-baixoorçamento Tsunami 2, recorde absoluto de vendas entre os camelôs de toda a cidade, o show de funk exibia a apresentação da "Dança do Créu" interpretada por seu criador, o Mc Créu, onde Andressa, já Melancia, balançava toda a glória de seus 221 cm de bunda, incansavelmente, na cadência imperativa do refrão. A saber: créu, créu, créu, em cinco velocidades. O show, a dança, o intérprete e as re-cópias do vídeo se espalhariam pelo país como uma endemia braba. Quatro meses depois, ela seria capa de uma edição especial da revista Playboy brasileira. Cinco meses depois, e 250 exemplares vendidos por hora, ela entraria para a história como a maior vendagem da publicação. Neste mês de julho, a Mulher (ou Garota) Melancia é novamente playmate, para alegria de milhões e ódio de outros milhões. Já faz inclusive rebeldias quando repreendida pelo, praticamente anônimo, fotografo J.R. Duran: mais respeito, porque agora eu sou famosa, sou estrela. Mas não há o eterno: o créu passou a tomar todo o meu tempo, desabafou ela outro dia numa entrevista, 119 cm de bunda mais magra. Era para justificar o porque do desejo de envolver-se em novos projetos, projetos solos. Melancia quer dançar com seu próprio corpo de dança e quer "cantar" mais. Planeja também sua tournée pela Europa, divulgar sua música Velocidade 6, além de dedicar-se ao programa de rádio. Enquanto não embarca, a Garota (ou Mulher) Melancia prossegue sendo musa absoluta dos dois principais tablóides pulp reality da cidade do Rio de Janeiro, o Meia Hora e o Expresso. É difícil que passe um dia sem que Andressa, no alto de suas 20 primaveras, estampe lá uma ou duas notas, em fotos, manchetes ou notinhas geralmente intituladas com um vocabulário sacana. De qualquer modo, foram eles que deram, atenciosos, a notícia do incidente em que Melancia foi ferida: um senhor, que se dizia incomodado pela confusão orbitante ao redor da morena, resolveu jogar-lhe uma garrafa. Mas, rapidamente, vizinhos sinceros contaram aos mesmos tablóides que tudo havia sido por causa dos ciúmes da esposa desse tal senhor já que, no dia, Mulher (ou Garota) expunha – profissionalmente, claro – seu aclamado derrière bem em baixo de sua janela onde seu marido tomava, coincidentemente, uma fresca. A passionalidade almodovariana rendeu à Andressa Soares um corte superficial no tornozelo e um abalo nervoso justificável. Felizmente o episódio foi logo esquecido e podemos vê-la novamente sorridente, repetindo seu cânone de respostas modulares pelos canais de fofoca afora e, principalmente, exibindo toda sua bela anatomia e voluptuoso vigor atlético ao dançar o sensual ritmo.

Danica Patrick
Durante uma corrida da IndyCar, o coração de um piloto trabalha de 85 à 90% acima da capacidade máxima gerando uma média de 150 a 200 batidas por minuto devendo sustentar, durante as curvas, até 5g; algo como ter mais de 22 quilos e meio sobre a sua cabeça. Enquanto tenta manter seu pescoço inteiro, o piloto precisa ainda calcular a distância e velocidade de aproximação dos outros carros, saber quem é quem e suportar uma temperatura corporal de até 40ºC. Para Danica Patrick, não existe melhor ambiente para se estar. O pai, piloto de snowmobile e motos, conheceu a mãe, mecânica num encontro às escuras. T.J. e Bev casaram-se pouco tempo depois naqueles anos 70 e, aos 10 anos, Danica já era corredora de Cart numa cidadezinha de Wisconsin sob a supervisão dos experientes progenitores. Com um claro talento para corridas, logo a pequena Danica passou a dispersar-se dos estudos formais e de seu posto de cheerleader para dedicar-se integralmente aos carros. Por isso, na adolescência, rumou para a Inglaterra em busca de aperfeiçoamento nas corridas de rua; suas favoritas. Na Europa, passou a integrar a Fórmula Ford embasbacando dúzias de machos com suas sucessivas ameaças aos pódios. Mas a visibilidade viria mesmo durante as competições na Fórmula Atlantic, pela equipe RLR pertencente ao ex-corredor Bobby Rahal e – curiosamente – ao apresentador David Letterman. Lá, tornou-se figura recorrente nos pódios e, embora não tenha ganho nenhuma corrida, terminara o campeonato de 2004 em terceiro lugar, nada mal. O que não se sabe direito é em que momento uma cabeça iluminada deu-se conta de que Danica Patrick acelerava, nas palavras do The New York Post, não só os carros, mas também os pulsos masculinos. Era a ponta da controvérsia: em 2005, a piloto tornara-se a quarta mulher a competir nas 500 Milhas de Indianápolis, da série IndyCar mas, o que se viam mesmo ressaltadas eram as suas curvas. A promoção de sua imagem pelas revistas de auto, que já não era pouca, multiplicouse. Em três anos como corredora, sem ganhar nem uma corrida, Danica Patrick tornou-se top da mídia esportiva estampando capas como a da revista Sport Illustrated e campanhas para a Motorola e Honda. Na boleia, a IndyCar também se beneficiara e os índices de audiência subiram alegremente. Como os críticos poderiam ficar calados? Por sua beleza, Danica era apontada como uma estratégia de marketing da categoria. É uma conclusão minimamente ridícula se nos atentarmos para o conjunto físico que um atleta corredor da IndyCar precisa reunir mas, e isso é fato, o visual e desinibição de Danica Patrick são rentáveis para muita gente. Mas é igualmente preciso concordar que, nas pistas ou fora delas, Danica não costuma demonstrar nenhuma delicadeza, melindres ou falta de profissionalismo, nem em suas poses sensuais desfaz os ares de piloto explosiva. É o estereótipo da mulher gostosa que transita onde só os homens deveriam estar transitando, com cara de poucos amigos. Danica Patrick, em seus quase quatro anos de Indy, já coleciona uma bela listagem de brigas e acessos de fúria em plena pista, como na corrida desse ano em que, após uma colisão com Ryan Briscoe, saiu do carro disposta a fazer sabe-se-lá-o-que com o outro, só sendo contida depois que interferiu um segurança de dois metros. Seu temperamento passional acaba se tornando um show à parte nas corridas porque, como se sabe, algo que agrada aos espectadores da Indy são quaisquer atitudes punks como cuspir o mecânico da equipe vizinha ou meter seu carro numa mureta. E, se a Go-Daddy Girl ainda não oferecia todas as atrações aos amantes do automobilismo, isso acabou em abril deste ano quando Danica, aos 26 anos, venceu no circuito de Motegi, Japão, tornando-se a primeira mulher a ganhar uma corrida de Fórmula Indy, também a primeira mulher a vencer em um campeonato de elite. Mais? Para a audiência das corridas de auto, resta esperar pelas próximas vitórias da Mulher-Maravilha, como é conhecida no Brasil, e, para os moços que babam por sua ela, resta saber se a Playboy lhe convence a mostrar o quanto é realmente boa nas curvas.

MODICES

Moda de ontem é moda de hoje

A moda é um dos mais sensíveis termômetros da sociedade. É por isso que a cada tendência, a cada semana de moda e a cada escolha de tecidos ou acessórios uma grande janela se abre para podermos descobrir coisas fascinantes sobre nossa cultura e sobre nós mesmos. Para além da admiração, estar por dentro do significado e referência de cada peça ajuda - e muito – na hora de escolher o que vestir e o porquê de ter escolhido aquela peça. Nos anos 70, ninguém pensava que fosse existir um dia mais feliz do que amanhã. O mundo conseguira sair de mais uma guerra estúpida, as mulheres queimavam sutiãs com a fúria libertadora que o momento exigia, os negros exibiam mais cores, cabelos e estampas que todas as tribos africanas juntas e, por aqui, a Tropicália abraçava com a mesma paixão as bananas e a Coca-Cola. No meio disso tudo, o Oriente parecia ser logo ali e a Era de Aquário tava rolando pra quem quisesse ver. Uma esperança parecia ter engravidado o mundo. Como acontece com as pessoas, as sociedades costumam reagir a momentos de grande crise e desilusão descobrindo forças de transformação que nem acreditava ter. As grandes expectativas em relação ao futuro eram fruto de terríveis anos de guerras e mortes sem sentido, da bomba atômica; estávamos decididos a aprender a lição e construir um lugar melhor. As roupas traduziam com muita perfeição esses sentimentos, por exemplo, a música folk, com suas letras de protesto, despertou grande interesse dos jovens que passaram a usar e abusar de peças xadrez e muito couro. No trabalho, as mulheres, usavam ombreiras que lhes davam costas largas, coletes imensos óculos no rosto, e as faziam tão fortes quanto qualquer homem. Os tecidos crus e as estampas indianas gritavam a necessidade de mais harmonia enquanto as geometrias da África marcavam a influência definitiva daquele continente sobre o restante do planeta. No reboque de toda essa excitação, muita gente jurava por Deus que nos anos 2000, os carros iam voar e viagens interestelares seriam tão comuns quanto pegar um trem. A idéia que começou nos 60’s criou filmes como 2001: Uma Odisséia no Espaço, o seriado Flash Gordon e o desenho d’Os Jetsons (que passou até um dia desses na TV). Esse era o futurismo e, por conta dele, a confiança no que estava por vir cresceu tanto, que ninguém queria esperar chegar até ele. Pronto! Foi assim que usar prateado virou básico e o seu tio comprou aquele carro que parece uma banheira espacial! É, gente... Se as vitrines estão tão parecidas com o guarda roupa dos seus pais, não é mera coincidência. O resgate de peças retrô (ou vintage) e retrofuturistas tem muito a ver com o momento que nossa cultura passa hoje porque, como numa reprise que ninguém queria ver, estamos metidos nos mesmos erros do passado, vivendo num sistema injusto e numa sociedade onde a intolerância ainda provoca guerras estúpidas – seja no Iraque ou nas ruas do Rio de Janeiro.

Alguma dúvida de que esta coleção do estilista francês Pierre Cardin datada da década de 1960 é suuuper atual neste inverno?
As referências (e reverências) que vemos nas coleções deste outonoinverno traduzem o quanto queremos nos sentir novamente como naquele momento: cheios de otimismo, coloridos e esperanças. Mas como colocar isso em prática? O segredo da estação é encontrar quais dessas influências mais combinam com os seus desejos para o futuro. Seja harmonia, igualdade, nostalgia ou uma vida urbana cheia de trabalho e oportunidades, fato é que as coleções estão oferecendo um prato cheio pra gente comunicar que podemos - sim - ter dias muito melhores!