You are on page 1of 24

Os Periféricos

CAPÍTULO DÉCIMO PRIMEIRO

210 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 211

Equalizadores Paramétricos
Esse tipo de equipamento é considerado um dos mais versáteis na linha de equalização, já
que com eles podemos variar a frequência central e a largura de banda (Q). São formados por
uma rede de componentes capacitivos, indutivos e resistivos que entram em ressonância
atuando sobre a frequência central do filtro. Variando a largura (Q) da banda escolhida
obtemos uma maior ou menor seletividade do filtro, atingindo um maior ou menor número de
frequências adjacentes.

Volume variavel: dB

Frequência central variavel: varredura

Faixa de frequência variavel: Q
Para termos acesso a uma boa equalização, serão necessários 4 filtros em paralelo, cada um
correspondente às quatros bandas em que dividiremos o espectro de áudio. Poderemos assim
determinar a frequência sobre a qual queremos atuar e a quantidade de ganho ou atenuação
que queremos imprimir. Em alguns casos, os equalizadores que existem na mesa de som
podem não ser suficientemente eficientes para conseguir o resultado desejado. Por esse
motivo, existem seções de equalizadores paramétricos em formato de Rack, para servir como
complemento aos equalizadores das mesas. Igualmente, o nível de qualidade destes
equalizadores de Rack virá determinado pelo seu custo.
Vemos abaixo a figura de parte de um equalizador paramétrico de 5 bandas da Rane.
Observem os controles de volume, frequência e largura de banda. Há ainda a possibilidade de
modificar a faixa de atuação do filtro através da chave “freq” com três posições: X0.1, X1 e
X10.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

212 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Equalizadores Gráficos
Esses equipamentos receberam este nome pela inteligente disposição de seus potenciômetros
deslizantes, colocados de tal maneira que nos permitem uma visualização da curva obtida.
Sua utilização está muito mais difundida nos conceitos de unidade de rack do que os
paramétricos e embora não sejam tão precisos como eles (paramétricos) sõ os mais fáceis e
rápidos de usar.

Os equalizadores gráficos são formados basicamente por um amplificador de entrada, que
passa o sinal a um banco de filtros em paralelo, de número variável, seja de 1 oitava, de ½
oitava ou de 1/3 de oitava, acoplados a um amplificador somador que fará o equilíbrio do
sinal de saída.

A figura acima demonstra os filtros de
frequência de um equalizador gráfico.

Na realidade são filtros seletivos de
passa-banda, onde cada um tem
endereçado uma banda de trabalho
diferente cobrindo toda a faixa de áudio e
permitindo aumentar ou diminuir uma
frequência determinada, segundo nossas
necessidades. Existe uma norma comum
ISO que determina a distribuição das
frequências centrais. Assim sendo, os
mais completos equalizadores, os de 1/3
de oitava, possuem 30 bandas de
frequências sobre as quais poderemos
trabalhar, como o caso de 300Hz ou
700Hz
ou
2,8kHz,
que
não
encontraremos, por exemplo, em um
outro equalizador de ½ oitava. Outra
limitação importante dos equalizadores
gráficos, frente aos paramétricos, é a sua
impossibilidade de atuar sobre a largura
de banda.

Os equalizadores de uma oitava têm dividido o espectro de frequências em dez faixas:
32Hz, 64Hz, 125Hz, 250Hz, 500Hz, 1kHz, 2kHz, 4kHz, 8kHz e 16kHz.
Os equalizadores de meia oitava têm dividido o espectro de frequências em 15 bandas:

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 213

25Hz, 40Hz, 63Hz, 100Hz, 160Hz, 250Hz, 400Hz, 630Hz, 1kHz, 1.6kHz, 2.5kHz, 4kHz,
6.3kHz, 10kHz e 16kHz .
Os equalizadores de um terço de oitava têm dividido o espectro de frequências em 31 bandas:
20Hz, 25Hz, 32Hz, 40Hz, 50Hz, 63Hz, 80Hz, 100Hz, 125Hz, 160Hz, 200Hz, 250Hz, 315Hz,
400Hz, 500Hz, 630Hz, 800Hz, 1kHz, 1.25kHz, 1.6kHz, 2kHz, 2.5kHz, 3.15kHz, 4kHz,
5kHz, 6.3kHz, 8kHz, 10kHz, 12kHz, 16kHz e 20kHz.

Conexões de Equalizadores
Os equalizadores, tanto gráficos quanto paramétricos, podem ser ligados de dois modos: no
ponto de inserção ou na saída da mesa de som (L e R).
A ligação do equalizador no insert, será feita em apenas um dos lados do equalizador (no
caso de equalizadores duplos ou estéreo com lados A e B ou 1 e 2) como mostra a figura
abaixo.
-1- IN

-2- EQUALIZADOR

-1- OUT -2Insert

IN INSERT
OUT INSERT

Na ligação de saída de mesa teremos os dois lados do equalizador conectados a mesa e ao
crossover ativo ou amplificador no caso de um sistema passivo com crossovers dentro das
caixas.
-1- IN

-2- EQUALIZADOR

-1- OUT -2-

Saída da
Mesa

IN CROSSOVER R
IN CROSSOVER L
OUT MESA R
OUT MESA L

Equalizadores de Q Constante
Para entendermos o funcionamento dos equalizadores de “Q” constante primeiro precisamos
revisar como se comportam os filtros. Os filtros são como uma peneira que deixa passar
alguns elementos enquanto retêm outros. No caso dos filtros de áudio o filtro deixa passar
algumas frequências enquanto retêm outras. Um filtro pode ser desenhado para deixar passar
dB Cursos e Treinamentos em Áudio

214 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

apenas uma frequência ou uma faixa de frequências acima ou abaixo de um ponto
determinado do espectro. Quando o filtro deixa passar apenas uma faixa de frequências ele é
chamado de “Passa Banda” ou “Passa Faixa”.
Na figura abaixo vemos os três parâmetros que caracterizam o filtro de passa banda:

Largura da banda
Frequência
Central

 Amplitude que refere-se a capacidade de ênfase ou corte do filtro em decibéis que vai
ocorrer na frequência central desse filtro, f0.
 Frequência Central é o ponto máximo de amplitude alcançado pelo filtro em determinada
frequência.
 Largura de Banda é definida como a extensão da faixa passante entre dois pontos, f1 e f2,
onde a amplitude decresce 3db em relação a frequência central. A largura de banda é
expressa em oitavas: uma oitava é o dobro do valor da frequência central, acima ou abaixo
dela. Se dissermos, por exemplo, que f1 é igual a 200Hz e f2 é igual a 400Hz teremos um
filtro com a largura de banda de uma oitava. A largura de banda, quando variável como nos
equalizadores paramétricos, é conhecida como “Q”. Um “Q” largo significa que a banda
passante é estreita e um “Q” estreito significa que a banda passante é larga.
Os equalizadores gráficos em geral possuem, devido ao formato dos filtros utilizados, uma
variação na largura da banda onde o filtro atua de acordo com o nível de volume aplicado.
Isso quer dizer que, quando aumentamos ou cortamos o volume de uma determinada
frequência em 3dB a largura da banda de atuação do filtro será maior do que quando
aumentarmos ou diminuirmos o volume em 15db. Em outras palavras, conforme variamos o
volume também variamos a largura da banda passante do filtro ou o “Q”. Veja na figura
abaixo o comportamento desse tipo de filtro.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 215

Para solucionar esse problema (entre tantos outros que ocorrem com equalizadores) os
projetistas desenvolveram os filtros de “Q” constante. Com esses filtros a largura de banda
permanece a mesma não importando o nível de volume aplicado. Dessa forma você consegue
alcançar o seu objetivo de equalização mais rapidamente. Veja como ficam as curvas desse
filtro na figura abaixo.

Com menor interação de som os entre filtros em todos os níveis de volume esse tipo de
equalizador é atualmente a melhor escolha para ajustar o som do sistema a sala. Concluindo,
o uso dos equalizadores de “Q” constante em ajustes de som pode ser mais fácil, rápido e
preciso do que com equalizadores comuns.

Equalizadores Digitais
Os equalizadores analógicos oferecem bem mais do que os equalizadores digitais em termos
de performance e acessórios. É bem mais do que traz incorporado um simples equalizador
analógico, já que o digital vem com filtros de passa alta e baixa, limiter, equalizador
paramétrico de pelo menos três bandas e em alguns casos até um analisador de espectro.

Os comandos para alterar o volume de cada frequência são iguais aos analógicos bem como a
quantidade de bandas (1/3 de oitava ou 31 bandas). Cada modelo digital vai ter uma maneira
para acessarmos os outros componentes incorporados ao aparelho. Nessas horas é bom não
ter jogado fora o manual já que o acesso aos controles, na maioria das vezes, é exclusivo
daquele modelo e marca de aparelho.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

216 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Recentemente, têm-se difundido
muito as unidades de controle digital
de diversos módulos equalizadores
(figura ao lado). Esse equipamento
permite que um módulo controlador
possa atuar sobre 15 unidades
satélites ao mesmo tempo, provendo
diferentes curvas, atuando em passos
de 0,5dB cada frequência e
armazenando isto em 128 memórias.
Possuem 31 filtros com largura
constante, distribuídos entre 20 e
20kHz e com filtro de passa altas a 18kHz. Além disso, são controláveis via Midi ou mesmo
sem fio, o que lhes confere uma grande quantidade de possibilidades. Sua necessidade é
sentida principalmente durante a passagem de som em palcos muito grandes, quando à
distância entre os equalizadores e a caixa de monitor é muito grande.

Dicas de Equalização
Usar o equalizador é mais difícil do que pode parecer. O uso indevido pode literalmente
acabar com a qualidade de um sistema de som. As dicas abaixo servem de começo para uma
equalização de um sistema ou mesmo para a equalização individual de canais com
equalizador gráfico, paramétrico ou mesmo o sweep do canal da mesa.

31Hz a 50Hz

80Hz a 125Hz
160Hz a 250Hz
315Hz a 500Hz

630 Hz a 1kHz

1.25kHz a 4KHz
5kHz a 8kHz

5kHz a 16kHz

Essa faixa dá ao ouvinte a sensação de „peso‟ a música. Quando o nível
colocado é muito alto pode vir a mascarar alguns componentes harmônicos
tornando o som „opaco‟ e sem presença.
Sensação de „força‟ nas vozes dos Baixos. Fundamentais da voz e
importante para a qualidade da voz. Muita ênfase entre 80Hz e 125Hz
produz um grave ressonante do tipo caixa oca. Entre os 160Hz e os 250Hz
acontece o problema que acontece na maioria das mixagens: muita ênfase
nessa faixa vai tirar a força da mixagem. Entretanto cortar radicalmente essa
faixa pode ocasionar perda de „calor‟ na mixagem. A frequência de 160Hz é
a mais cortada em equalizadores, pois tende a sujar a sonoridade da
mixagem. É necessário manter um determinado equilíbrio de volume nessa
faixa para obter um resultado sonoro correto. Fundamentais do baixo e
outros instrumentos de percussão. Entre 300Hz e 500Hz fundamentais de
cordas.
Importante faixa para um som natural. Muita ênfase em 315 até 1kHz
produzem um som do tipo de telefone. Fundamentais e harmônicos de
cordas, teclados e percussão. É a faixa mais importante para conseguirmos
um som natural.
A faixa entre 1.25 até 8k controla a claridade dos vocais. Acentuação de
vocais. Importante para a inteligibilidade dos vocais. Muita ênfase entre
2kHz e 4kHz podem mascarar sons vocais do tipo „m‟, „b‟, „v‟. Entre 1kHz
e 4kHz um excesso de volume produz fadiga auditiva mais rapidamente.
Vocais podem ficar mais brilhantes aumentando em torno dos 3kHz e
diminuindo o instrumental nessa mesma frequência. Entre 4kHz e 8kHz
encontramos a acentuação da caixa da bateria e do Hi-Hat e pratos.
Muita ênfase nessa faixa pode causar sibilância. Entre os 8kHz e os 10kHz
temos a área de definição da qualidade de uma mixagem. Exagerar nessa
faixa pode causar excesso de profundidade e tornar o som agressivamente
agudo.
dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 217

Os Compressores
A Compressão e a Limitação
Denomina-se Compressão o processo de redução de ganho, que é mais ou menos contínuo,
enquanto que a Limitação responde a uma brusca redução do sinal a partir de um limite préfixado. Fundamentalmente, o compressor é um amplificador linear de áudio cujo ganho de
saída pode ser ajustado sem depender das variações que ocorrem na entrada, ou seja, seu
ganho permanecerá constante ainda que o nível de entrada varie dentro de uma margem de
valores chamada margem de compressão, reduzindo os níveis altos até o ponto fixado sem
alterar o resto do sinal processado.

Entrada de
Áudio

Saída de Áudio
Elemento Controlador
(VCA)

Circuito de controle:
Side Chain
Diagrama em bloco de um
compressor
Em contrapartida o compressor atua sobre a dinâmica da música, podendo deixá-la
completamente „achatada‟, ou seja, sem dinâmica. Isso pode a principio parecer bom, visto
que não haverá variação no nível do sinal dando ao sistema o máximo de potência. Entretanto
tal não ocorre. O uso de uma taxa de limitação/compressão muito alta destrói a sonoridade e
o equilíbrio dos instrumentos na música. Sonoramente teremos a sensação de que um violão
sozinho soe com o mesmo volume que uma banda toda tocando com baixo, bateria, teclados
e voz, não havendo diferenças de nível entre a passagem do violão sozinho para a entrada da
banda toda tocando.
O compressor/limitador possui duas partes claramente diferenciadas, a saber:
 Elemento Controlador - É um amplificador operacional controlado por VCA, cujo ganho
dependerá da tensão aplicada.
 Circuito de Controle (Side Chain)– É onde estão todos os controles de ajuste do
compressor. É nessa parte que será ajustada e controlada a tensão que será enviada ao
amplificador controlado por voltagem (VCA).
Em linhas gerais, o side chain recebe o sinal vindo da entrada (in) do compressor. Ao mesmo
tempo o sinal é enviado ao amplificador operacional que vai fazer o sinal continuar com o
mesmo nível, já que inicialmente esse amplificador está ajustado para ter ganho unitário.
dB Cursos e Treinamentos em Áudio

218 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Isso quer dizer que se o sinal de entrada for de +4db, na saída termos os mesmos +4db, desde
que não haja nenhum ajuste nos controles de side chain. Ao atuarmos com os controles no
side chain, obteremos uma variação na tensão enviada ao amplificador controlado por
voltagem. Essa variação irá alterar o volume de saída no amplificador que terá sua saída
ajustada de acordo com os parâmetros utilizados nos controles de side chain.

Controles Operacionais dos Compressores
Nos aparelhos comerciais o controle do VCA do compressor é feito pelos seguintes
controles:




Threshold
Ratio
Attack
Release
Volume

O Limiar: Threshold
É o ponto em dB que irá iniciar o ganho de redução, ou seja, de onde o compressor começa a
trabalhar. Com ele podemos determinar um valor em dB que será o considerado o valor
máximo de volume e todos os sinais que ultrapassem esse ponto serão reduzidos na
proporção da taxa de compressão estabelecida. Todos os sinais que permaneçam com valor
abaixo deste ponto não sofrerão alterações. O limiar é variável podendo ser ajustável entre 20dB e +10dB.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 219

A Relação de Compressão: Ratio
Com este ajuste é possível regular a correspondência entre o nível de entrada e o de saída
baseado no nível de sinal que foi determinado pelo threshold. Normalmente tem a seguinte
escala:
1:1, 2:1, 3:1, 4:1, 6:1, 10:1, 20:1 e :1.
Um ratio de 1:1 indicará ganho = 1, ou seja, o compressor não atuará; já uma seleção de 4:1
indica que o aumento de 4dB no sinal de entrada resultará no aumento de 1dB na saída. Ao
selecionarmos :1 (infinito por um) o resultado será a compressão de todos os sinais até o
ponto de ajuste do limiar (Threshold) independente da dinâmica do sinal de entrada.

Variação do Ratio

Quando é mal ajustado o controle de ratio (juntamente com o de attack e release) a
compressão se torna audível provocando um efeito como se fosse de uma respiração. Esse
efeito indesejado pode ser evitado em alguns compressores que possuem o controle de
Overeasy, que produz uma compressão suave e mais musical, mais parecida com o controle
de Soft Knee. A curva de compressão de Soft Knee é mais arredondada e menos angular no
ponto de threshold. Na posição Hard knee a curva de atenuação se torna mais angular,
fornecendo uma compressão mais agressiva. Veja nas figuras abaixo:

Hard Knee

Soft Knee

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

220 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Os Tempos de Ataque- Attack Time
O tempo de ataque é o tempo de que a unidade necessita para efetuar uma redução no sinal
quando da compressão. É um parâmetro de grande importância, pois determina o tamanho e a
característica dos picos que passarão antes da atenuação.
Os tempos de ataques mais lentos são úteis quando se necessita de um alto grau de
compressão com um ratio fixado para alcançar o máximo impacto em um instrumento. Os
tempos de ataque mais rápidos permitem ao usuário uma compressão total do som,
dependendo é claro dos ajustes de ratio e do threshold.
O tempo de ataque nos limitadores varia entre os 5ms e 100ms. Em alguns aparelhos cujo
tempo não é ajustável pelo operador, o fabricante seleciona deliberadamente um tempo de
ataque lento com o fim de evitar efeitos desagradáveis. No caso dos compressores, o tempo
aconselhável varia entre 1m e 10ms.

O Tempo de Recuperação – Release Time
É o tempo que leva a unidade para voltar ao seu nível normal, uma vez que haja cessado a
compressão ou limitação efetuada. Ainda que sejam encontrados alguns aparelhos com
tempo fixo, geralmente são ajustáveis entre 100 ms e 3,5 ms. A seleção mais adequada é
muito importante, pois determina o câmbio de ganho a cada momento.
Se colocarmos uma compressão muito alta com um ratio muito alto e um tempo de
recuperação rápido, obteremos um aumento dos níveis mais baixos de volume com uma
menor diferença entre os picos mais altos (diminuição da dinâmica da música). Entretanto, é
preciso ter muito cuidado ao usarmos um tempo muito curto de release. Usando um retorno
rápido no release teremos uma desagradável troca de ganho intermitente (comprimedescomprime-comprime-descomprime....) e como conseqüência sonora, o típico efeito de
“respiração” (bombeamento). É comum o uso de dois compressores limitadores em série,
criando uma rede múltipla com a qual obteremos um maior controle do tempo de
recuperação, devendo selecionar-se os tempos adequados e diferentes para cada um deles.
Alguns limitadores possuem uma posição automática que nos dará tempos mais rápidos para
picos transitórios e tempos mais lentos para níveis altos e prolongados. Nos compressores o
tempo pode ser ajustado entre 0,4 e 5 segundos.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 221

O Volume
Quando comprimido, o sinal perde os picos e conseqüentemente o volume final diminui. O
controle de volume no compressor serve para que, após comprimirmos o sinal, possamos
compensar as perdas de volume obtidas durante o processo de compressão. O sinal
comprimido deve ter o mesmo nível médio do sinal sem a compressão para que não sejam
sentidas diferenças de nível.

O Painel de Ligações Traseiro
Na parte traseira dos compressores encontraremos os conectores do tipo XLR para as
conexões balanceadas e os conectores do tipo P10 para as desbalanceadas. O compressor
pode ser conectado no insert do canal, na saídas L e R, subgrupos ou auxiliares.

Painel traseiro de um compressor mostrando as entradas e saídas XLR e P10
balanceadas.
Em alguns modelos encontraremos a entrada externa para o side chain. Consiste em uma
porta de acesso externo para acionar o compressor, seja por frequência ou por um sinal
preestabelecido. Com esse circuito é possível separar certo vocal ou instrumento da mixagem
pelo uso de um nível de compressão sensível a determinadas frequências.
Para isso, basta conectarmos a saída de um equalizador à
entrada de side chain do compressor (o áudio não passa pelo
equalizador, portanto não há alteração do timbre do
instrumento ou voz que estamos comprimindo) para
controlarmos a compressão do sinal através das frequências
selecionadas no equalizador, cuja entrada estará ligada no
direct out do canal que estamos comprimindo. Desta maneira
estaremos usando o compressor como um de-esser.
É possível também usarmos a função side chain para comprimirmos o instrumental todo em
função da entrada de uma voz ou instrumento de solo, usando o mesmo processo já descrito
anteriormente, apenas retirando o equalizador, já que não usaremos frequências para fazer
atuar o compressor, mas usando ainda a saída do direct out do canal que queremos fazer
sobressair conectada diretamente na entrada de side chain. As entradas de sinal do
compressor estarão ligadas nos inserts dos subgrupos do restante do instrumental de maneira
normal sem nenhuma alteração na forma de conexão. Desta forma, cada vez que o solista
atuar teremos o restante dos instrumentos comprimido.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

222 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

“De - Esser” - A Compressão dos “S”
O compressor De-Esser ou eliminador de sibilância atua
sobre as altas frequências de uma música ou voz. Esse
modelo de compressor possui um filtro variável que
permite ao técnico localizar as frequências sibilantes
situadas acima dos 3200Hz comumente encontradas nas
letras “S”, ”Z” e ”CH”.
O ajuste é feito para que o compressor atue sobre a faixa de
frequência selecionada sem, entretanto atuar sobre as
demais. Ao contrário do que se pensa, o compressor deesser não é usado somente para a voz. Podemos usá-lo nos pratos de bateria e no címbal (hihat) para cortarmos o excesso de altas frequências que podem causar saturações nos alto
falantes ou a gravação.

Outros Controles
Knee: (curva de atuação): Ajusta a dureza(hard) ou a suavidade(soft) da compressão do
sinal. Funciona como complemento aos controles de attack e release já descritos
anteriormente, sendo que os controles Knee atuam com valores fixos. Quando colocamos o
compressor na posição hard, todo o sinal acima do nível de threshold será imediatamente
comprimido no valor da taxa de ratio. Na posição soft a compressão começa antes do nível
do threshold programado com uma pequena taxa,
aumentando gradativamente até chegar ao seu valor
total nos picos mais fortes do sinal.
Ganho de Entrada: Alguns compressores possuem
esse controle, especialmente os encontrados em
plug-ins de programas de gravação digital. Em
compressores analógicos é pouco utilizado. Esse
controle ajusta o nível de entrada de sinal no
compressor. É usado para excitar o pré de entrada do compressor.

Overeasy: Este circuito serve para que as compressões mais fortes soem de
maneira mais natural, sem aquela sensação de “respiração” que se ouve
quando da utilização de altas taxas de compressão.
Peak Stop: Este circuito possui um sistema de controle de clipping (VCC), que atua sobre os
transientes de sinal protegendo o equipamento contra sobrecargas.
Funciona instantaneamente mesmo com pouca regulagem na compressão, mantendo os niveir
de saída de sinal controlados. Normalmente o ajuste do controle de peakstop varia de +0 à
+20dB. Esse circuito possui um led que acende toda vez que o sinal exceder ao nível ajustado
do peakstop, indicando-nos que o sistema entrou em ação. Usando o peakstop corretamente,
o led deverá piscar ocasionalmente. Se ele acender constantemente, devemos reduzir o nível
de threshold e/ou aumentar a taxa de ratio.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 223

Stereo Couple: Esse comando permite o uso dos dois canais do compressor controlados por
um dos lados (geralmente o da esquerda). Serve para controlarmos dois microfones que
necessitem ter a mesma taxa de compressão. Pode ser usado também para comprimir os dois
lados (LR.) da mesa de som ou gravador de duas pistas.

O Limiter
O limiter é um compressor com uma taxa de compressão muito alta. É usado para proteger o
sistema de alto falantes contra picos de sinal e distorções. Ele está continuamente analisando
o nível de sinal que ultrapassa o valor ajustado no threshold. Enquanto o sinal não ultrapassa
o nível ajustado no threshold, o sinal não sofrerá nenhuma interferência. Ao ultrapassar esse
valor, haverá uma compressão bastante efetiva reduzindo o sinal.
O limiter pode ser usado no PA para proteger os alto falantes de receberem uma carga de
sinal muito acima de sua capacidade. Pode ser usado na saída de cada via do crossover antes
de entrar nos amplificadores. Dessa forma também protege os amplificadores dos picos de
sinal e conseqüentemente da distorção. Veja a ligação na figura abaixo.
Saída da mesa

AMP. AGUDOS

Crossover Ativo

Agudos

Canal 1

AMP. MÉDIOS

Canal 2
Médios
Graves

Canal 3

AMP. GRAVES

Canal 4
SISTEMA DE 3 VIAS ATIVO

Como podemos observar através da figura acima, a saída da mesa é conectada a um limiter e
a saída dele é conectada a entrada do crossover. Todas as saídas do crossover (graves médios
e agudos) também vão passar pelo limiter. Com isso temos a saída da mesa enviando um
sinal controlado ao crossover e cada saída do crossover envia um sinal controlado aos
amplificadores. Ao conectarmos um limiter a saída da mesa, estaremos protegendo o sistema
contra os picos rápidos de sinal que não seriam lidos a tempo pelos limiters após o crossover.
É preciso cuidado ao ajustarmos o nível de threshold do limiter visto que esse controle vai
determinar o ponto de início da compressão. Se, por exemplo, o sinal médio estiver em 0dB e
ajustarmos o threshold para -10dB, o sinal será „cortado‟ em -10dB, ficando sem dinâmica e
volume, podendo causar microfonias. Nesse exemplo o ajuste deve ser feito para +3dB, para
que na média o sinal fique em 0dB.
dB Cursos e Treinamentos em Áudio

224 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Procedimentos para Operação do Compressor
Os passos a abaixo devem ser seguidos para iniciar o trabalho com o compressor e obter um
melhor rendimento do mesmo:
1) Ligar o equipamento na energia.
2) Configurar o controle de Threshold para o maior nível em dB(ex.: +20dB).
3) Configurar o controle de Ratio para o valor de 1:1, ou seja, ganho unitário, sem nenhuma
atuação.
4) Ajustar os controles de Attack e Release para o menor tempo.
5) Ajustar o controle de Volume para 0dB.
Agora que o compressor não está atuando, vamos ajustá-lo para que ele atue de maneira correta
ou necessária sobre o som do instrumento ou mixagem.
1) Ajuste o controle de Threshold para o nível de volume de entrada do sinal. Isso pode ser
verificado no próprio compressor através dos indicadores de volume de entrada(LEDs).
Ex.: se o volume médio encontrado foi de -30dB, podemos ajustar o Threshold em uma
faixa que entre -35dB(muita compressão) a -25dB(pouca compressão). Você deve
experimentar qual será o valor melhor, seus ouvidos lhe darão o valor que soa melhor.
2) Simultaneamente com o Threshold, ajuste o controle de Ratio para 2:1. Esses dois
controles em conjunto já lhe darão uma idéia de como o compressor está soando. Você
pode variar nos valores do Ratio e do Threshold, até encontrar uma sonoridade que lhe
agrade.
3) Ajuste agora os controles de Attack e Release. O Attack deve ser ajustado em função do
que queremos obter de compressão sobre o instrumento ou mixagem. Pode ser um Attack
rápido, imediatamente comprimindo assim que o som acontece, para compressões mais
fortes. Pode ser mais lento, para compressões de parte do sinal de áudio, modificando assim
a tonalidade do instrumento. O Release preferencialmente deve ser ajustado com um tempo
de pelo menos 10ms para evitar o efeito de respiração que acontece quando o compressor
descomprime e rapidamente volta a comprimir. Esse efeito é conhecido como “Pumping”.
4) Por último, o ajuste do controle de Volume, que fará a compensação do nível de som
perdido durante a compressão. Para saber o quanto foi perdido de volume, ligue e desligue
o controle de “in/out” do compressor (ou bypass)
Pratique a partir destes pontos e em breve você estará usando o compressor sem erro.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 225

O Noise-Gate
A principal razão para o uso de um noise gate é a de desligar uma fonte sonora (microfone,
instrumento) nos momentos em que esta fonte não está produzindo som. Dessa maneira
conseguimos reduzir o nível de ruído de fundo captado (microfones) ou produzido
(instrumentos, pedais de efeitos, etc) por essa fonte. Portanto, sempre que houver a
necessidade de reduzir a quantidade de ruído de fundo melhorando a relação sinal-ruído,
utilizamos um noise-gate.
Deve ficar claro que na realidade o noise gate não “elimina” o ruído do som original, apenas
esconde esse ruído quando o instrumento não esta sendo tocado. Para eliminar o ruído de um
sinal de áudio é necessário o uso de “noise reductions” ou redutores de ruído como o Dolby.
Enquanto os compressores tem sempre uma sonoridade específica (valvulados, optocompressores, etc) os noise gates devem ser projetados para ter a menor interferência no
timbre do som do instrumento a ele ligado. Como isso é obtido vai depender da qualidade do
componente que controla o ganho. Por exemplo, os transistores de efeito de campo produzem
maior distorção que os Amplificadores Controlados por Voltagem (VCA). Apesar disso,
muitas vezes a principal observação é a de como o noise gate se comporta fazendo o seu
trabalho (abrir e fechar o som) do que como ele vai ou não modificar o som.

Controles Operacionais dos Noise-Gates
Para podermos usar corretamente um noise gate precisamos entender como funcionam os
controles situados no painel frontal da maioria dos modelos comerciais. São eles:

 Threshold
 Hold
 Attack
 Release
 Range ou Ratio
 Hysteresis
 Side Chain Filters
Threshold – atua determinando qual o nível mínimo de sinal que o gate
irá atuar. Ao contrário do compressor que trabalha nos picos mais altos, o
gate vai ser acionado, desligando o microfone ou fonte sonora ligada a
ele, nos picos mais baixos do sinal.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

226 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Na figura da página anterior, quando colocamos o threshold na posição de infinito ou 50dBu, o gate estará desativado (off). Em outras palavras, o gate nessa configuração estará
aberto passando todo o som por ele. Ao colocá-lo em +20dBu estaremos fechando totalmente
a passagem de som (gate on), ou seja, não passará som pelo gate. Em outras palavras, será
preciso um nível sonoro superior a +20dBu para que o gate deixe passar o sinal.
Hold – determina quanto tempo o gate ficará aberto totalmente depois do sinal
chegar ao nível estabelecido no threshold.
O ajuste correto desse controle evita o efeito chamado de „chatering’ que é a
abertura e fechamento do gate rapidamente durante a passagem do som pelo
nível de threshold. Alguns Gates possuem o controle de Hysteresis também para
este fim, como veremos mais adiante.
Attack – determina quão rápido o gate vai abrir. O valor de 10us na figura
acima é o mais rápido tempo de atuação. Algumas unidades digitais possuem
um controle chamado “look ahead” que vai ler o sinal 60 us antes de ele chegar.
Decay ou Release – determina quão rápido ou lento o gate vai fechar depois de
atingido o nível estabelecido no threshold.
Range – determina o máximo de atenuação (vazamento) do sinal através do gate a ser
ajustado pelo usuário. Se estiver fixado em 0 (veja figura ao lado) o gate terá um vazamento
de 100% (mesmo com os controles de threshold e hold ajustados), ou seja, deixará passar o
som. A maior vantagem desse controle é a de dar uma maior naturalidade ao som quando da
abertura/fechamento do gate. Ao ajustarmos o range para que não feche
completamente a passagem do som de fundo, o que produziria um silêncio
brusco, deixamos passar parte desse som de fundo. Dessa forma, tornamos
menos perceptível a transição gate aberto/gate fechado, já que este não mais
cortará o som e sim o atenuará.
Ratio – algumas unidades possuem esse controle no lugar do range. O ratio
expressa a proporção entre entrada (in) e saída (out), onde „entrada‟ indica o
nível do sinal de áudio na entrada do aparelho e „saída‟ o nível do sinal de áudio na saída do
aparelho (sinal não atenuado pelo gate).
Hysteresis – o segundo método de evitar o desagradável efeito de „chatering’, como foi visto
anteriormente no controle de hold, é chamado de Hysteresis. Basicamente, ele faz com que o
controle de threshold fique mais flexível e não fixo ao valor que ele foi ajustado. Dessa
maneira ao ajustarmos o threshold para uma abertura com um sinal de -10dB, o controle de
hysteresis vai fazer com que essa abertura aconteça alguns dBs abaixo desse valor, tornando
a abertura mais macia. O mesmo acontece com o fechamento: o nível ajustado no threshold
vai cair alguns dBs fazendo o gate permanecer aberto por mais tempo. Esse tipo de controle é
encontrado em alguns noise gates mais caros e em plug-ins de programas baseados em
computador.
Side Chain Filters – os filtros de frequência determinam uma
faixa de frequência onde, aliado aos ajustes feitos no
threshold, hold e release, o gate vai abrir quando „ouvir‟
aquela faixa de frequência. Permitem ao técnico reduzir o
espectro de frequências do sinal a ser trabalhado, facilitando a
exclusão dos ruídos de fundo.
dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 227

A atuação desses filtros é a seguinte:
LF- de 20Hz a 5kHz
HF- de 500Hz a 20kHz
Os dois com atenuação de 12dB/oitava.

Expanders
O expander pode ser considerado como complemento ao compressor: enquanto o compressor
reduz a dinâmica do sinal o expander se encarrega de expandi-la. Vai melhorar a relação de
sinal ruído fazendo com que a faixa dinâmica aumente. O expander pode ser comparado com
um gate com alto ratio. No expander o controle de threshold ajusta o nível de volume que o
expander começa a operar atenuando o sinal na proporção ajustada pelo ratio. Por exemplo,
se o ratio for ajustado em 1:4 isso significa que para cada um dB que o sinal cair abaixo do
threshold o sinal vai ser atenuado para ¼ do seu valor normal. A rapidez dessa atenuação vai
ser controlada pelo tempo de release. A velocidade com que o sinal atinge o ponto zero de
atenuação é determinada pelo controle do attack. No expander o controle de hold não tem
nenhum efeito sobre a expansão do som.

Usando os Noise-Gates
Na figura ao lado podemos observar como o
gate se comporta em relação ao nível de
sinal sonoro. Durante o nivel abaixo do
ponto de threshold determinado pelo usuário
o gate estará fechado, ou seja, não haverá
som. Quando o sinal ultrapassar o nível de
threshold o gate se abrirá e o sinal será
encaminhado a saída do aparelho. O tempo
que o gate ficará aberto vai depender do
nivel de som do instrumento e dos ajustes de
hold e release do aparelho.
Igualmente aos compressores, não existe um
tipo de „norma‟ geral para o uso dos noise-gates. Ele pode ser usado em instrumentos de
percussão, bateria, guitarras, etc, ou onde se fizer necessário seu uso. O resultado sonoro
obtido vai sempre depender da relação existente entre o limiar, o ataque e o tempo de
recuperação e a atenuação.
O noise gate também pode ser usado como modificador do som de um determinado
instrumento. Diferentes ajustes vão proporcionar diferentes timbragens no instrumento. Essas
modificações podem ser usadas para alterar o som de um surdo de bateria, por exemplo.
Quando o som do surdo é muito longo traz muitas ressonâncias desagradáveis e muitas vezes
prejudiciais tanto à gravação como no PA. Ajustando o tempo de recuperação do noise gate
para um tempo curto, teremos um corte no tempo de duração do som original do surdo
fazendo com que ele tenha um som mais “seco” sem a sobra de harmônicos ressonantes. Na
caixa acústica da bateria quando cortamos as ressonâncias obtemos um som mais „seco‟, sem
harmônicos, que pode ser corrigido com um processador de efeitos com o programa de gate
reverb. Um exemplo prático são os sons de baterias obtidos por Phil Collins em seus discos.
dB Cursos e Treinamentos em Áudio

228 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Ligando os Noise-Gates
Ao conectarmos um noise gate ao circuito estaremos introduzindo nesse circuito uma chave
de liga e desliga que poderá estar ajustada (threshold) para desligar. Ao introduzirmos o gate
no circuito deveremos observar se ele está na posição de bypass, ou seja, passagem livre do
som.

Figura mostrando o painel traseiro de um noise gate.

Procedimentos para Operação do Noise Gate
Os passos a abaixo devem ser seguidos para iniciar o trabalho com o NOISE GATE e obter
um melhor rendimento do mesmo:
6) Ligar o equipamento na energia.
7) Configurar o controle de Threshold para o menor nível em dB(ex.: -20dB).
8) Configurar o controle de Ratio e o de Range(se houver) para o valor de 1:∞, ou -90dB. Ou
seja, a maior atenuação de sinal ou o menor vazamento de som.
9) Ajustar os controles de Attack, Hold e Release para o menor tempo.
Agora que o NOISE GATE não está atuando, vamos ajustá-lo para que ele atue de maneira
correta ou necessária sobre o som do instrumento.
5) Ajuste o controle de Threshold para acima do menor nível de volume de entrada do sinal.
Isso pode ser verificado no próprio compressor através dos indicadores de volume de
entrada (LEDs). Ex.: se o volume médio encontrado foi de -30dB, podemos ajustar o
Threshold em uma faixa que entre -30dB e -35dB. Você deve experimentar qual será o
valor melhor: o som do instrumento deve ser suficiente para fazer com que o GATE abra.
Dizemos que o GATE está fechado quando nenhum som passa por ele.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 229

6) Após ajustar o Threshold, ajuste o controle de Hold para determinar o tempo de
sustentação de abertura do GATE sobre o som do instrumento.
7) Ajuste agora o controle de Release. O ajuste é feito para determinar a velocidade de
fechamento do GATE. Quanto menor o valor (em milisegundos) mais rápido ele fechará.
Quanto maior o tempo, maior será o tempo em que o GATE estará aberto, deixando passar
os sinais dos outros instrumentos. Escolha um tempo que seja rápido o suficiente, sem
cortar o som final do instrumento
8) Por último, podemos ajustar os controles de Ratio e de Range para permitir um vazamento
controlado e com menor volume que o vazamento sem o GATE.
O GATE pode ainda ter dois controles de filtros para determinarmos qual a faixa de frequência
em que o GATE vai atuar. São dois filtros do tipo passa alta e passa baixa com os quais você
determina a faixa de atuação em frequência na qual o GATE vai abrir. Funciona em conjunto
com os controles vistos acima.
Pratique a partir destes pontos e em breve você estará usando o NOISE GATE sem erro.

Processadores de Efeitos
Com o surgimento nos últimos anos de processadores de efeitos digitais, o uso destes em
estúdios de gravação e em P.A. se tornou imprescindível. Depois de terem uma função de
“acessório” os processadores de efeitos converteram-se em um elemento criativo obtendo a
mesma importância que qualquer instrumento.

Eco e Reverberação
Como vimos através da física do som, o eco é a repetição em determinados períodos de
tempo de um som produzido, uma vez que o som original tenha cessado. Entre o som direto e
o refletido deve existir uma diferença de tempo de 1/15 a 1/10 de segundo, que é o tempo de
persistência acústica do som dentro do ouvido, para que ambos sejam perfeitamente
diferenciados. Já reverberação se define como um eco múltiplo, que se superpõe sobre o
original e sobre si mesmo, produzindo um tempo tão breve que parecerá um som contínuo.
Pode-se conseguir o eco e a reverberação por meios naturais ou artificiais. Todos os sons que
chegam aos nossos ouvidos são alterados pela reverberação natural do lugar de onde se
produz e se transmite a onda, sendo percebidos por nosso cérebro como um só. A isso
chamamos de efeito HAAS. O efeito HAAS é o fenômeno pelo qual o ouvido capta as
reflexões com um retardo superior a 35 ms.
O cérebro não é capaz de integrar os ecos consecutivos, integrando esse sinal ao sinal original
e reforçando-o de forma considerável. Devemos levar em conta este efeito quando
trabalhamos com unidades de retardo.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

230 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

Nos estúdios de gravação o uso de materiais isolantes e absorventes juntamente com um
desenho específico de sala, proporciona uma eliminação quase completa da reverberação
existente na sala, mantendo-a sob controle para obtermos um som bastante puro para, depois,
colocar a reverberação artificial na quantidade que o técnico achar necessária.

As Unidades Digitais
O primeiro elemento da unidade digital é um conversor A/D, que vai transformar o sinal de
áudio em Bits. Quanto maior o número de bits maior será a relação sinal/ruído e, portanto,
maior o nível de qualidade do aparelho. O resultado obtido se armazena na memória RAM.
Os arquivos originais de fábrica são armazenados em uma memória ROM. O usuário pode
fazer modificações nos parâmetros do programa e salvá-los em outra parte de memória para
usá-las depois. Essas modificações também não se perdem quando o aparelho se desliga
acidentalmente antes do salvamento. As modificações efetuadas só serão perdidas quando o
usuário trocar de programa.
Em geral uma unidade digital oferece acima de cem tipos de programas de reverber, delay
chorus, flanger e combinações de dois ou mais desses efeitos. Cada programa oferece uma
variada gama de parâmetros que irão modificar o som final obtido.

Parâmetros Encontrados nas Unidades Digitais
Rev.Time- É o tempo necessário para que o efeito
reverberação diminua 60dB, quer dizer, que
praticamente desapareça. Depende da dimensão da
sala, da sua forma, do tipo de superfície reflexivas,
etc.
High - Com este parâmetro podemos regular os
tempos de reverberação nas altas frequências, já que a
reverberação natural varia em função da frequência
do som. Quanto mais alto seja maior será a tendência
deste sinal a ser absorvidas pelos muros, mobílias e
até mesmo pelo ar.
Early - As reflexões determinadas Early ocorrem nas proximidades da fonte sonora, fazendo
com que os tempos de atraso sejam menores e praticamente sem feedback.
Rev - Nas denominadas Rev, podemos optar por selecionar o tipo de sala em que se produzem
(salas de concertos, salas pequenas, platéias). Ex.: Hall Rev., Room Rev., Chamber Rev.,
Plate Rev., etc.
Plate - É a que imita as reverberações provocadas por câmaras de placas.
Gate Reverb - É um tipo de reverberação em que o tempo de duração do reverber é
controlado por um gate, produzindo assim um som reverberante com um corte rápido.
Room Size - Podemos determinar as dimensões da sala por meio do parâmetro Room Size,
regulando os intervalos de tempo em que se produzem as primeiras reflexões de maneira
proporcional ao tamanho da sala.

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

P á g i n a | 231

Este parâmetro serve para ajustarmos o tamanho da sala, com ajustes de altura, profundidade
e largura. Podemos ainda escolher a posição do ouvinte em relação a fonte sonora (Front,
Center e Rear).
Liveness - Com o Liveness é possível regularmos a sensação de brilho obtendo desde uma
sala morta até uma sala brilhante.
Quanto mais aumentamos o valor do parâmetro, mais os sons parecem rebater de muro em
muro. Em alguns processadores podemos definir o tipo de material, se vivo ou morto, de
todas as superfícies, separadamente.
Decay Time - É o tempo que o efeito leva para desaparecer depois da ultima reflexão.
Inverse Gates - É um tipo de reverberação em que os sons reverberados começam com
volume baixo e aumentam de proporção em vez de diminuir.
Pre-Delay - Com esse parâmetro, podemos determinar o tempo de retardo que separam o
início da atuação do efeito do som original.
A possibilidade de modificar e combinar estes e outros parâmetros, dependendo da marca e
do preço do equipamento dá-nos facilidades de utilização que eram impensáveis alguns anos
atrás.

Programa Hall

Programa Hall mais Gate

Programa Plate

A figura acima nos mostra três tipos tradicionais de reverber: o Hall Reverber, mais longo e
cheio de reflexões que imita o som em uma sala grande Hall+Gate, igual ao anterior, mas com
o final com gate e o Plate Reverber que é uma imitação do som dos reverberes de placa da
década de 70.
Abaixo algumas variações dos dois programas acima:

Plate Gated

Long plate

dB Cursos e Treinamentos em Áudio

Hall com pré-delay

232 | P á g i n a

- Curso de Técnico de Som - 11º Capítulo – Periféricos -

dB Cursos e Treinamentos em Áudio