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Eixo Temático: Programas de inserción a la docência

TIPO DE APRESENTAÇÃO: INFORME DE INVESTIGAÇÃO

PERCURSOS FORMATIVOS DE ESTUDANTES PARTICIPANTES DO
PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA/ PIBID
EM MINAS GERAIS

SANTOS, Andreia dos
andreiasantos@pucminas.br
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas
SANTOS, Lorene dos
lorenedossantos@gmail.com
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas

Palavras-chave: Formação de professores – percursos formativos – iniciação à docência –
instituições de ensino superior – saberes docentes

1.

Introdução:
Esse artigo apresenta e discute resultados parciais de uma investigação que tem

como objeto de estudo os percursos formativos vivenciados pelos licenciandos
participantes de uma das recentes políticas públicas de formação inicial de professores
implementadas no Brasil: o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência –
Pibid. A investigação foi desenvolvida em cinco Instituições de ensino superior (IES),
sendo uma privada confessional (PUC Minas), uma pública estadual (UEMG) e três
públicas federais (UFMG, UFSJ, UNIFAL). Buscou-se traçar o perfil sociocultural e de
formação dos bolsistas participantes do Pibid e mapear saberes e práticas construídos
em seu processo formativo.
O Pibid foi criado em 2007, como resultado das

novas atribuições da

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, agência de
fomento federal que passou a ser responsável por “induzir e fomentar a formação inicial e

Gimenes. André. publicados em diferentes veículos. 2 Entre os objetivos definidos para o Progrma. até então inédita na história da educação brasileira. incluindo relatos de experiências. pesquisadores. São Paulo: FCC/SEP. o Programa tem sofrido cortes de bolsas e ameaças de redução e/ou reestruturação. práticas e contextos de formação (CNPq/CAPES.254 bolsistas. entre os anos de 2011 e 2015. 2015/2016). satisfação.capes. estudantes de 284 Instituições de Ensino Superior participantes do Programa. No portal do Ministério da Educação/CAPES/Pibid são definidos diversos objetivos2 para o Programa. 5 Foi realizado um mapeamento de publicações sobre o Programa no escopo de duas pesquisas em andamento.gov. beneficiando: licenciandos (bolsistas de iniciação à docência ID). tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem. destacamos pelo menos dois que são de maior importância nessa proposta: a) inserir os licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública de educação.br/imagens/download/bolsas/24112014-pibidaquivoAnexado. Desde junho de 2015. justificadas por cortes orçamentários no Ministério da Educação. uma vez que se pauta pela aposta no trabalho coletivo – especialmente por meio do diálogo entre instituições de ensino superior e escolas de educação básica – e pela autonomia das instituições e sujeitos envolvidos para proporem diferentes estratégias e experiências de formação. proporcionando-lhes oportunidades de criação e participação em experiências metodológicas. As diretrizes estabelecidas e as condições de financiamento criadas inauguram uma nova forma de se conceber e realizar a formação de professores no Brasil. em três modalidades diferentes. Marli E. 4 Em março de 2014. professores da Educação Básica (professores supervisores) e professores que atuam em cursos de licenciatura (professores coordenadores de área e coordenadores institucionais e de gestão). Gatti. S.br/educacaobasica/capesPIBID. D. Nelson A.2015). acessado em 20/02/2016. ensaios teóricos e apresentação de resultados de pesquisas. viabilizado por meio da oferta de bolsas. Dados do MEC e um estudo realizado pela Fundação Carlos Chagas3 apontam o Pibid como a mais expressiva política pública de formação de docentes para a Educação Básica já empreendida no Brasil. tanto em termos numéricos4 quanto pela relevância que vem adquirindo no cenário nacional.capes. Laurizete Ferragut. 3 Um estudo avaliativo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura. 2) Percursos formativos de estudantes participantes do Pibid em IES mineiras: saberes.845 eram bolsistas de iniciação à docência.gov. dos quais 72. multidirecionais e vividas com diferentes intensidades de envolvimento. intituladas: 1) Os impactos do Pibid na formação inicial de professores da PUC Minas: saberes e processos formativos (Fundo de Incentivo à Pesquisa – FIP PUC Minas . A. . b) contribuir para a articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes. / Bernardete A. polissêmicas. Um levantamento de estudos e pesquisas recentemente publicados sobre o Pibid experiências 5 revelou potencialidades do Programa e a construção de de formação docente multifacetadas.continuada de profissionais da educação básica e estimular a valorização do magistério em todos os níveis e modalidades de ensino”1. Foram identificados e analisados 70 trabalhos sobre o Pibid. o Pibid atingiu o significativo número de 90. 2014.pdf. compromisso. 1 As informações referentes ao Programa estão disponíveis no sítio http://www. Disponível em: http://www. sentimentos de ganhos e perdas por parte dos sujeitos participantes.

. investigando sobre como estes sujeitos percebem os processos formativos vivenciados: os saberes construídos. NOVOA. 2001. em operações complexas e situacionais. 6 A esse respeito. há ainda muito a ser compreendido a respeito de como este Programa tem efetivamente impactado os processos formativos vivenciados pelos sujeitos. HARGREAVES. os desafios enfrentados. sobretudo numa profissão fortemente impregnada de valores e de ideais e muito exigente do ponto de vista do empenhamento e da relação humana” Alguns estudos empreendidos nas últimas décadas6 passaram a investir em uma “epistemologia da prática”. p. em diferentes países. Novas perspectivas de análise passaram a considerar as histórias de vida dos docentes como indissociáveis de suas histórias profissionais. reconhecendo que os modelos de ensino e de professor internalizados ao longo de sua trajetória como estudante exercem forte influência na constituição de sua identidade docente. Nóvoa (1992. especialmente os de: Traçar o perfil sociocultural e de formação dos licenciandos participantes do PIBID em cinco IES Minieras. levantar indícios sobre como os atuais participantes percebem a relação entre os processos de formação vivenciados e a motivação para ingresso e permanência na docência. 2. Nesta concepção. 2005.Apesar de profusão de estudos. . portanto. entre outros. sobretudo o que diz respeito aos saberes e práticas construídos. os aprendizados realizados. NUNES. a prática profissional não pode ser vista como local de mera aplicação de saberes oriundos de outros espaços de produção (como as universidades). saberes do trabalho e no trabalho. 2001. SHULMAN. Roldão (2007) nos lembra que alguns dos dilemas aí envolvidos remetem à própria gênese histórica da profissão. compreendendo que o professor enfrenta problemas de natureza eminentemente prática. os estudos de BORGES. 2001.9) aponta que “hoje sabemos que não é possível separar o eu pessoal do eu profissional. Os dados apresentados neste texto contemplam parte dos objetivos específicos. 2001. Referenciais teóricos no campo da formação e trabalho docente Os estudos sobre formação e trabalho docente experimentaram um significativo avanço nas últimas décadas. LELLIS. e que demandam reconhecer a complexidade e especificidade de saberes que se constituem na prática docente e que são. O objetivo geral da pesquisa aqui tratada é de “Conhecer e analisar os impactos do PIBID na formação dos licenciandos. 1992. 1998. TARDIF. Considerando a complexidade da relação teoria-prática. mas de filtro e recriação desses saberes em função das exigências do trabalho. as perspectivas de entrada e permanência na profissão”. ver. por exemplo.

profissional e de formação. estratégico e desvalorizado socialmente. Entre os autores que trabalham com esta categoria de análise. esta pesquisa se deparou com alguns dos dilemas envolvidos na tão propalada “relação teoria-prática”. balizam parte do grande movimento de reformas educacionais. em curso sobretudo a partir dos anos 1990. 2002. 2001. etc. constituindo-se em um amálgama de saberes que têm origens e naturezas diversas e que comparecem de forma também diferenciada no ofício de professor. uma vez que o saber dos professores só pode “ser compreendido em íntima relação com o trabalho deles na escola e na sala de aula” (p. tal como a investigação nos dá conta. incluindo o Brasil. a cognição. procuraram construir tipologias que ajudassem a explicar. tal formulação vem sendo apropriada no sentido de uma visão destes dois campos como entidades separadas no seu desenvolvimento. É essa leitura aplicacionista que se evidencia como dominante entre os docentes. Consideramos que a clássica fórmula relação teoria-prática transporta uma conceptualização simbólica que pode ser pouco operativa. Para compreender alguns dos dilemas expressos pelos sujeitos operamos com a categoria de análise “saberes docentes”. Enfatizando o caráter social dos saberes docentes.. 2001). como a medicina e o ensino. evolução e características da atividade docente.em que a atividade de ensinar antecede a formalização de um conjunto de conhecimentos sistematizados em torno do ensino. ocultando a íntima dependência de um campo diante do outro. que se concretizam na realização de seu trabalho cotidiano. assentando-se em “transações constantes entre o que eles são (incluindo as emoções. cuja interligação se traduziria apenas em processos de aplicação – da teoria à prática. Tardif (2002) alerta para a necessidade de se considerar os atores individuais. entre o ser e o agir (TARDIF. 98) Ao abordar os saberes construídos por licenciandos participantes do Pibid. Trata-se de um empreendimento ainda incipiente. P. recorrendo a autores que.) e o que fazem”. destacamos as contribuições de Tardif (2002) e Tardif e Lessard (2005). posto que “o saber está a serviço do trabalho”. O autor enfatiza a importância de considerar diferentes dimensões da identidade dos sujeitos para melhor compreender a dinâmica. que se associa diretamente às discussões sobre profissionalização docente que. por sua vez. p. no campo educacional (BORGES. . 16). nos últimos anos. A autora ressalta que tal situação é característica de atividades sociopráticas. (ROLDÃO. 2007. é mediado pelo trabalho. a história pessoal deles. que compreendem o saber docente como plural. 16). o que deve ser feito em diálogo com as próprias situações de trabalho relatadas pelos professores. as expectativas. De facto. sua personalidade e experiências pessoais e profissionais. produzido e modelado no e pelo trabalho. em diferentes partes do mundo. esquadrinhar os saberes construídos e mobilizados pelos professores ao longo de sua trajetória de vida. NUNES. categorizar.

Todos esses saberes se constituem ao longo de uma história de vida e de uma carreira profissional. As ponderações do autor sobre a importância de se considerar diferentes dimensões da identidade dos sujeitos docentes nos instigam a realizar projetos de investigação que se voltam a este propósito. Apostou-se. no entanto. 2001). entre as trinta e sete participantes do Pibid em Minas Gerais. saberes e práticas construídos em seu cotidiano. enquanto se apresenta como campo privilegiado para realizar estudos dessa natureza. tampouco para outras universidades brasileiras. sendo fundamental. Ressalta que também devem ser considerados os saberes pessoais dos professores. Partimos do pressuposto de que o foco em alguns contextos específicos permite realizar um estudo em profundidade e construir algumas chaves interpretativas. ainda. trazem referências a partir das quais se pode empreender a análise de outras situações e contextos (ALVES-MAZOTTI. e os saberes provenientes da formação escolar básica. instigando-nos a traçar o perfil sociocultural e de formação de seus participantes e a conhecer algumas das experiências por eles vivenciadas. ainda que não sejam generalizáveis. considerar a dimensão da temporalidade para se compreender como se dá o aprendizado de diferentes saberes. em diferentes contextos educativos. envolvendo processos de formação inicial dos professores. A investigação aqui proposta pode ser caracterizada. tendo em vista que a “ênfase recai sobre a compreensão das . práticas e percepções expressos pelos sujeitos participantes do Pibid nestas instituições sejam partilhados por inúmeros outros professores em formação. Sobre o campo de pesquisa e percursos metodológicos Ao escolher cinco IES. 3. saberes disciplinares. na atualidade? Quais as suas trajetórias pessoais e de formação e de que forma isso influenciou sua escolha pela licenciatura? Quais aspectos de suas histórias de vida podem ser importantes condicionantes de sua futura prática profissional? O Pibid. não houve a pretensão de que os dados obtidos pudessem ser generalizados para todas IES mineiras. como uma pesquisa qualitativa. Quem são os sujeitos que ingressam nos cursos de licenciatura.Propõe. então. buscando contribuir para a construção de referenciais teóricos mais amplos e para a elaboração de alguns modelos explicativos que. privilegiadamente. saberes curriculares e saberes experienciais. que muitos dos saberes. construídos na família e na sua trajetória de vida. um modelo de análise baseado na origem social dos saberes dos professores e classifica os saberes docentes em: saberes da formação profissional (das ciências da educação e da ideologia pedagógica).

há uma predominância de estudantes do sexo feminino (67%) em relação ao sexo masculino (32%). 20% da UEMG. No universo investigado. quanto às dimensões de gênero. e. buscou-se conhecer quem são os alunos que vêm optando pela profissão docente. 32% eram bolsistas da PUC Minas. O questionário apresentou opções que permitiram outras formas de manifestação de gênero.intenções e do significado dos atos humanos” (ALVES-MAZZOTTI. da segunda etapa da pesquisa – grupo focal – manifestassem esse interesse e se identificassem. serão analisados alguns dados obtidos em parte das questões fechadas. e também os comentários voluntários inseridos na questão aberta. voluntariamente. ao todo.67% do total) se declararam como “não binário” e apenas um bolsista 7 Os questionários foram aplicados entre agosto e dezembro de 2015. 146). referentes a dimensões da identidade e perfil dos sujeitos. 4. p. conforme estabelecido pelo Comitê de Ética em Pesquisa. A constituição dos grupos levou em consideração. . uma última questão em que se convidava aqueles que tivessem interesse em participar. em sintonia com dados mais amplos sobre a prevalência das mulheres na profissão docente9. fornecendo um telefone ou email para posterior contato8. um em cada uma das instituições pesquisadas.7 O questionário eletrônico foi composto de 76 questões fechadas. Do total de 884 respondentes. 2001. critérios referentes à diversidade de áreas de conhecimento e de perfis dos bolsistas. Os questionários eram anônimos. Os dados obtidos com este instrumento não serão analisados neste trabalho. Quem são os Bolsistas do PIBID nas instituições estudadas? Ao tratar do perfil dos alunos bolsistas respondentes do questionário nas IES estudadas. Todos os bolsistas foram convidados a participar. que eram bolsistas de iniciação à docência do Pibid no momento de aplicação do questionário eletrônico. A aplicação presencial permitiu um alcance significativo de bolsistas. mais uma questão aberta – opcional – destinada a comentários e/ou observações sobre o PIBID ou sobre o próprio questionário. além da manifestação de interesse e disponibilidade em participar. envolvendo. em laboratórios de informática e por meio do uso de tablets. O universo da pesquisa foi composto por 884 estudantes das cinco IES investigadas. que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. mas a participação foi voluntária. Para viabilizar a participação do maior número de bolsistas. tendo em vista diferentes dimensões de sua identidade e de seus percursos formativos. por meio de um questionário eletrônico. ainda. cerca de 42 participantes. Neste texto. a aplicação foi realizada presencialmente. durante os horários de encontros de bolsistas nas Instituições pesquisadas. sendo que seis bolsistas (0. mas houve um controle dos respondentes. 15% na UFMG e outros 18% na UFSJ. Dados quantitativos também serão manipulados ao se buscar traçar o perfil socioeconômicocultural dos bolsistas de iniciação à docência participantes do Programa. idade e tempo de permanência no Programa. 13% na UNIFAL. 8 Foram realizados cinco grupos focais.

em que 34. Embora estes dados possam ser estatisticamente inexpressivos. Cerca de 80% dos bolsistas estudaram em escolas públicas municipais. por muitos deles. mas em alguns momentos faltou a flexibilização textual de gênero. Sobre estes últimos. Parabenizo o questionário por incluir várias opções de gênero e orientação sexual. a maioria marcou a opção heterossexual (82%). Esse dado evidencia uma efetiva alteração do status da formação profissional. como um importante ganho em sua formação. oportunizando que a escolha pelo magistério – ou sua recusa – possa ser amaurecida ao longo do curso. 2015) Este questionário foi claro e objetivo.8% que indicaram possuir algum outro tipo de renda.7% indicaram que são pardos. Outra importante dimensão diz respeito a identificação étnico-racial dos estudantes. tradicionalmente. concentrados a partir da segunda metade do curso. Foi muito bom poder observar a preocupação com a questão do gênero e sexualidade. por meio da questão aberta.9% dos estudantes indicaram ter mais de 38 anos de idade. Apenas 5. uma vez que a principal forma de inserção dos licenciandos no cotidiano da escola vem acontecendo. A antecipação do contato dos licenciandos com a realidade escolar. 81% deles indicaram possuir renda individual de apenas um salário mínimo e 30% indicaram que sua renda familiar é .2% indicaram que estavam entre o 1º e 3º periodos. o que indica que 68% dos estudantes de licenciatura participantes do Pibid são jovens com idade entre 17 a 25 anos. ter minha identidade de gênero contemplada não é só respeitador mas também importante para dar visibilidade à minha comunidade. a faixa etária que tem o maior percentual é entre 22-25 anos de idade (36.2% dos alunos responderam negativamente.3% apontaram a homossexualidade como opção.3%).6% apontaram que são negros ou pretos e 43. 15. (Bolsista ID UFSJ. 54. durante o Ensino Médio. contra 39. (Bolsista ID UNIFAL. estaduais ou federais. seguida dos alunos que estão na faixa etária entre 17-21 anos (32% dos respondentes). 2015) Sobre a questão relativa à orientação afetiva sexual. 54. sobre a importância de se investigar e considerar a diversidade das dimensões de identidade de gênero e sexualidade em instrumentos dessa natureza. tem sido apontada. Quando inquiridos sobre o periodo que estavam cursando quando ingressaram no PIBID. pois como uma pessoa transgênero. Quando inquiridos se possuem algum outro tipo de renda além da bolsa do Programa. por meio do Pibid. por meio dos estágios curriculares obrigatórios. sendo que 6. Em relação a idade.informou que é homem trans. vale acompanhar as manifestações de alguns bolsistas.1% se identificaram como brancos.

em primeiro lugar.composta de até dois salários mínimos. 33% dos bolsistas disseram que não. que ressaltam a importância das histórias de vida e das trajetórias familiar e de formação na identidade profissional e mesmo na escolha pela docência. Ao serem questionados sobre a existência de professores na família. 10 A esse respeito. entre outros . 80 % dos respondentes indicou que essa escolha ocorreu antes de seu ingresso na Universidade. “Por gostar de dar aulas” (190 respostas). julgamos que a questão relativa à influência – favorável ou desfavorável – de professores da família na escolha pela docência merece ser investigada por meio de outros instrumentos ou metodologias. Em relação aos fatores que contribuem para esta opção profissional ou sobre os elementos que parecem atrair os jovens licenciandos para a docência. ver. que permitem perscrutar aspectos não identificáveis em um questionário com questões fechadas. as respostas mais assinaladas foram. Construindo percursos formativos de professores: a opção pela docência e os aprendizados da prática profissional Alguns dados do questionário permitem traçar o perfil dos bolsistas de iniciação à docência considerando aspectos mais diretamente relacionados à perspectiva de ingresso na profissão docente. enquanto outros 67% apontaram que a docência é exercida por tios ou primos (40%). NÓVOA (1992). por exemplo. 2005). pai e/ou mãe (13%). enquanto 49% indicaram que a renda familiar é composta de 2 a 5 salários mínimos. em segundo lugar. pela “Maior chance de conseguir emprego” (60 respostas). apenas 24% reconhecem que estes parentes professores influenciaram ou contribuíram muito ou médio para sua escolha pela docência. TARDIF (2002. Um dos aspectos que se pretendeu investigar por meio do questionário diz respeito à influência de familiares professores na escolha pela docência. Compartilhando as ideias de alguns autores10. Embora seja expressiva a porcentagem de bolsistas que indicam a existência de professores em sua família. enquanto 13% acreditam ter havido pouca influência e 20% afirmam que esta situação em nada influenciou sua escolha pela docência. irmãos (8%) e outros familiares (6%). Sobre o momento de escolha pelo curso de licenciatura. 5. Quando se deu essa opção profissional? Quais fatores contribuem para esta escolha? Qual a influência de familiares ou outros professores conhecidos? O que os licenciandos consideram como principais atrativos da profissão? Estas foram algumas das questões contempladas no questionário eletrônico e que nos trazem indícios deste perfil. GOODSON (1992). “Por influência de outros professores” (135 respostas) e em terceiro lugar.

290 responderam a esta questão. quem sabe como sugestão inferir em um curso de formação para docentes para formação de licenciados.. destacamos aquelas que se voltam aos cursos de licenciatura e à alguns de seus professores.] Acredito também que a qualificação dos professores dos cursos superiores (não bolsista do PIBID) devem ser avaliadas. Acredito que a CAPES deveria estar mais atenta a isso. 2015) O PIBID é muito importante. pela sua própria natureza.A questão aberta. mas a grande maioria manifesta uma avaliação bastante positiva. conduzindo-o a refletir sua prática. o cuidado com a educação superior para os cursos de licenciatura deve ser uma prioridade. acentuando a importância do Pibid para sua formação como docente. 2015) Considerando que um dos objetivos do Programa se volta ao propósito de promover uma elevação da qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura. (Bolsista ID UEMG. pois na universidade estamos nos deparando com vários professores do qual deveriam estar contidos em um manual de como não ser professor e isso se torna desanimador e as vezes até um fator para desistência e mudança de curso.] podemos citar que o Programa vai além disto. . a maioria dos respondentes apresentaram. e tendo em vista tratar-se de um campo de resposta não obrigatório. seja sobre os conteúdos ou em sua postura como formador. para a melhor qualificação dos cursos de licenciatura e também para a melhoria da qualidade do ensino nas escolas da rede pública parceiras. 2015) [. permitiu que os bolsistas expressassem livremente ideias e percepções sobre o programa.. em poucas linhas. mas a Universidade acaba por legitimar o estereótipo de que não vale a pena ser professor. algum tipo de avaliação sobre o Programa. no ensino superior. Dos 884 respondentes do questionário. porque leva o licenciando a elaborar questionamentos para o professor universitário. (Bolsista ID PUC Minas.. Nas mostras de profissões e nos congressos de iniciação científica. Muitos bolsistas usaram este espaço para manifestar sua gratidão pela oportunidade de participar do Pibid. Entre as críticas apresentadas. (Bolsista ID UFSJ. principalmente nos cursos superiores. como os relatos dos estudantes que dizem: [. sobre o próprio processo de formação e também sobre o instrumento de pesquisa. houve pouca visibilidade para os cursos de Pibid e de licenciatura. pois a academia oferece pouquíssimos espaços para exposição das atividades do Programa.. Excetuando-se algumas respostas que foram extremamente breves e genéricas. ou para agradecer diretamente aos professores que os acompanharam e às escolas que os acolheram. Algumas respostas trazem críticas contundentes à forma de organização do Programa e à atuação de professores e coordenadores. Muitos outros também manifestaram sua preocupação com o recente anúncio de redução ou extinção do programa ou aproveitaram o espaço para protestar contra o baixo valor da bolsa ou da ausência de auxílio transporte para se deslocarem até as escolas em que atuam.

O PIBID auxilia na formação do futuro docente. (Bolsista ID UFMG. e que além de contribuir com nossa formação acadêmica é também o momento de praticar aquilo que aprendemos no decorrer do curso [. de alguma forma. e proporcionando uma conversa entre o professor que atua e o futuro docente. (Bolsista ID UFSJ. possibilitando a tentativa de costurar teoria e prática. trazendo grande sentido e motivo para o curso de licenciatura em si. 2015) Embora ainda se possa identificar nos depoimentos dos estudantes concepções permeadas. 2015) A experiência no PIBID foi de extrema relevância pessoal e muito rica.. muitas vezes.. 2015) Acredito na importância que tem o PIBID na formação dos bolsistas. por uma perspectiva aplicacionista. Muitos depoimentos trouxeram referências sobre alguns dos aprendizados que têm sido possibilitados pela participação no Programa e que dizem respeito tanto a aspectos do processo ensino-aprendizagem no âmbito das salas de aula quanto a processos mais amplos envolvendo uma compreensão sobre os sentidos e significados da educação escolar. 2015) Estamos vivendo na prática o que a teoria nos mostra. e tem conseguido realizar uma interação entre o ensino básico e o superior. A ideia de que o Pibid possibilita articulações entre os conhecimentos aprendidos nas licenciaturas e aqueles que lhes são exigidos na prática profissional aparece nos depoimentos de bolsistas das cinco instituições pesquisadas. é um grande aprendizado. pois é uma prática em tempo real. (Bolsista ID UNIFAL. 2015) Programa de grande importância para minha formação.] (Bolsista ID PUC Minas. fazendo uma reflexão da teoria e prática. da teoria à prática. compreende-se algumas das razões que levam os bolsistas a ressaltarem o caráter exitoso do Programa e a importância do mesmo para sua formação. . fazendo com que pesquisas de ensino se tornem praticas. a instituição escolar. conforme tipologia elaborada por autores como Tardif (2002). muitos deles ressaltando a relação teoria-prática como importante aspecto da formação. esse pode ser um meio de encontrar a solução para muitos problemas. Considerando que uma das características da formação docente consiste na relevância desse aprendizado que se dá em situações de prática profissional. permitindo ao mesmo atuar no lócus de trabalho. o Pibid tem contribuído para explicitar a necessidade de mudanças e também para fomentar processos reflexivos entre diferentes sujeitos. podendo contribuir com os professores que estão atuando e pra nossa formação é de suma importância. (Bolsista ID UEMG.podemos pensar que. estes evidenciam as potencialidades do Programa para a construção de articulações entre os saberes disciplinares e da formação profissional e os saberes da experiência.

juntamente a toda a comunidade escolar. Acho que se entrasse em contato com a escola . (Bolsista ID PUC Minas. pois o mesmo propicia um envolvimento com os desafios destes locais sem que haja um comprometimento no mesmo nível de um professor propriamente dito. 2015) . (Bolsista ID UFMG. A minha experiência no PIBID permitiu entender os meandros que permeiam o caminho da docência aos poucos. fazendo com que este possa ser um grande espaço de aprendizado para minha futura prática. e juntamente com coordenação pedagógica. E certamente ao assumir uma sala carregarei muito do que aprendi e ainda aprenderei em minha experiência como bolsista. eu tenho o privilegio de realmente viver a experiência. (Bolsista ID UFMG. sala de aula. um material didático. Contato esse feito de forma assistida e supervisionada. que modifique as adversidades existentes na área e criando novos caminhos e possibilidades no desenvolvimento social de cada sujeito. visto a parceria envolvendo Escola/Universidade. gera o rompimento de conceitos já constituídos. edificando-nos como professores preparados e instruídos para a construção de competências da nossa área do conhecimento. preparar uma aula. o impacto seria muito grande e negativo. hoje nada disso é teoria na universidade. 2015) O PIBID está sendo um projeto muito enriquecedor para a minha formação acadêmica. (Bolsista ID PUC Minas. por meio de designação. formando profissionais mais preparados para enfrentarem as adversidades do cotidiano. que devido a realidade encontrada no espaço escolar é necessário a construção de um outro olhar. uma outra perspectiva para um posicionamento profissional qualificado. 2015) Acredito que o PIBID seja uma da melhore alternativas para se entrar em contanto com ambiente escolar. corrigir atividades. na minha formação acadêmica. fazer uma sequencia. enfrentar os "problemas" da instituição. inclusiva e democrática. me possibilitando o contato com a escola. por exemplo. (Bolsista ID UEMG. alunos e toda sua rotina formativa da escola. Este contato. 2015) Fazer parte do PIBID transformou a minha visão sobre a educação. Somos provocados constantemente a refletir sobre o nosso papel e a refletir sobre a nossa própria prática. professores e direção. Oportunidades essas que vão muito além do estágio. bem como contribuindo para que a educação seja cada vez mais libertadora. 2015) Para alguns bolsistas. trata-se também de uma oportunidade de contato com as dificuldades e desafios da profissão: O PIBID é uma grande contribuição para que tenhamos contatos não apenas com as escolas. hoje eu vejo na pratica o que é lecionar. 2015) Não tenho duvida que o PIBIB é muito importante para a minha carreira como professora. mas também como os problemas e dificuldades das escolas. humanista. (Bolsista ID UNIFAL. faço leitura e fichamentos textos que mostra o que passa dentro dos muros da escola. de maneira gradual.Graças ao PIBID foi possível ainda em minha graduação os primeiros contatos com a lida em sala de aula e de todo o ambiente escolar. Temos a oportunidade de vivenciar o nosso futuro espaço de trabalho e compartilhar conhecimento com os atuais professores da educação básica.

e pior. (Bolsista ID PUC Minas. (Bolsista ID PUC Minas. muito positivas e ressaltem sua importância na afirmação da escolha pela docência.Diversos depoimentos confirmam que o Programa tem sido decisivo para a escolha pelo magistério. assim como para a melhoria da qualidade da educação brasileira. a partir de um olhar para a escola de educação básica por parte de quem. o que inclui também a possibilidade da desistência. em geral. 2015) Embora as avaliações sobre o Programa sejam. e que a profissão docente pode ser atraente para as gerações de futuros professores. O Pibid confirmou minha vontade de ser professor sei que depois do Pibid posso atuar com confiança e responsabilidade. Às vezes tenho a impressão de que nos esforçamos tanto. podemos dizer que os depoimentos dos bolsistas reafirmam uma aposta no Programa. e mostra os desafios e as recompensas. não garante as necessárias alterações nas condições de trabalho docente. em geral. (Já vi casos de colegas que saíram da graduação de licenciatura após o PIBID. compõe um grupo de recém egressos dessa mesma escola. embora também sinalize para os limites do êxito de uma política pública de incentivo à docência quando as efetivas condições do trabalho docente não são alteradas. fator de fundamental importância para a entrada e permanência no campo profissional. também encontramos análises críticas e um certo desalento com as políticas públicas de valorização do magistério. o governo tenta nos impedir. por si só. e nos dá inclusive a possibilidade de saber se é isso mesmo que queremos. como explicita o bolsista: É notável os impactos do PIBID em minha formação. ele só serviu para constatar essa vontade. entretanto. diversos bolsistas também reconhecem que o Programa. (Bolsista ID UNIFAL. desânimo e desinteresse pela profissão. nos atrapalhar (por meio dos cortes e desvalorização social e monetária da profissão). pensamos em soluções para a educação.) No meu caso. causando assim uma completa desmotivação. Ele tem contribuído muito para minha formação. os cortes na educação somadas a realidade da educação pública brasileira me deixa particularmente insegura quanto a minha futura profissão. Considerações finais A predominância de avaliações bastante positivas sobre o Pibid nos traz evidências de que trata-se de um programa de formação docente bem sucedido. mas ao mesmo tempo. ao lado de avaliações extremamente positivas sobre o programa. Por isso. Ao dizerem que a escola pública brasileira é viável enquanto projeto de educação transformadora. Assim. 2015) Não tinha certeza se queria atuar como professora até participar desse projeto. ainda durante a graduação. 2015) 6. 2015) O programa possibilita a vivencia no meu campo de interesse de atuação. (Bolsista ID UFMG. os bolsistas do Pibid .

da. Alda Judith. Campinas. 34 jan. 1992. 2007. 65-81. Portugal: MacGraw-Hill de Portugal L. predominantemente feminino e oriundo de escolas públicas. Darão conta dele as atuais e futuras políticas públicas em educação e as desgastadas promessas de valorização do magistério? Referências Bibliográficas: ALVES-MAZOTTI. p. n. p. que a permanência em uma profissão é resultado de uma série de fatores. 27-42. Saberes docentes: diferentes tipologias e classificações de um campo de pesquisa.). Porto: Porto Editora. p. 113./abr. E assim. 43-58. In: Revista Brasileira de Educação. 2001. Vidas de professores. Vidas de professores. 74. GOODSON. Ivor F. O grupo de jovens licenciandos pesquisado. In: NÓVOA. São Paulo. NUNES. Relevância e aplicabilidade da pesquisa em educação. Uma geração de professores que tem acesso a uma elevação da qualidade de sua formação pode ser também uma geração mais exigente do ponto de vista profissional e das condições de trabalho. Antônio (Org. Os professores em tempos de mudança. se as condições do trabalho docente não fizerem jus às gerações que almejam ingressar na profissão. São Paulo. Maria do Céu. como um de seus efeitos mais perversos. . Dar voz ao professor: as histórias de vida dos professores e o seu desenvolvimento profissional. o Pibid pode ser tanto uma boa porta de entrada para a docência. quanto um instrumento para outros voos profissionais. Isabel Alice. n. 74. Ano XXII. a ameaça de uma avassaladora carência de profissionais dispostos a assumir o magistério. jul. que tem. NÓVOA. Cadernos de Pesquisa. p. Cadernos de Pesquisa. Educação & Sociedade. abr. Porto: Porto Editora./2001. jul. Antônio (Org. Ano XXII. Ao mesmo tempo. Educação& Sociedade. p. n. em um jogo de pesos e medidas que incluem a satisfação pessoal e as condições efetivas de garantia de sobrevivência e qualidade de vida e trabalho. Campinas. como aquelas que caracterizam o magistério como um “dom” ou uma “vocação”. 59-76. Ano XXII. ajudando os jovens licenciandos a ultrapassarem visões romantizadas e a romperem com ideias historicamente associadas à profissão. abril 2001. 74. a inserção no cotidiano escolar também expõe os desafios e dificuldades da profissão. estágios e outras fontes de renda para se manter na universidade.). 2001. BORGES. Cecília. que depende de bolsas. no entanto. 12. p./2001. Saberes docentes e formação de professores: um breve panorama da pesquisa brasileira. n. Do ensino de conteúdos aos saberes do professor: Mudança de idioma pedagógico? Educação & Sociedade. Alfragide. GATTI.apontam uma possível saída para a atual crise da educação. abr. Andy. HARGREAVES. Bernadete A. Campinas. Célia Maria Fernandes. v. parece reafirmar sua disposição e desejo de tornar-se professora ou professor. O desafio está posto. Função docente: natureza e construção do conhecimento profissional. LELLIS. ROLDÃO. 63-78. conforme apontam os índices atuais e os prognósticos para o futuro da profissão. Sabemos. 1992. 39-50. 113. 1998. n. Implicações e perspectivas da pesquisa educacional no Brasil contemporâneo. n.

cepchile. Conocimiento y Enseñanza. Petrópolis: Vozes.cl/dms/lang_1/doc_1573. Lee S.SHULMAN. In: Estudios Públicos / Centro de Estúdios Públicos. Chile: Centro de Estudios Públicos. Santiago. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Maurice. Maurice. TARDIF. Claude. Saberes docentes & formação profissional. e LESSARD. 2005. Disponível em http://www.html TARDIF. n. 83. invierno 2001. Petrópolis: Vozes. . 2002.