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UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO

Júlia Fragomeni Bicca

O BEM JURÍDICO TUTELADO NO CRIME DE MAUS
TRATOS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS OU
DOMESTICADOS FACE AO ANTEPROJETO DO CÓDIGO
PENAL BRASILEIRO

Passo Fundo
2014
Júlia Fragomeni Bicca

O BEM JURÍDICO TUTELADO NO CRIME DE MAUS
TRATOS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS OU
DOMESTICADOS FACE AO ANTEPROJETO DO CÓDIGO
PENAL BRASILEIRO

Monografia Jurídica apresentada no curso de Direito, da
Universidade de Passo Fundo como requisito parcial para a
obtenção de grau de Bacharel em Direito, sob a orientação
da profª. Ms. Gabriela Werner.

Passo Fundo
2014
Júlia Fragomeni Bicca

O BEM JURÍDICO TUTELADO NO CRIME DE MAUS TRATOS DE ANIMAIS
DOMÉSTICOS OU DOMESTICADOS FACE AO ANTEPROJETO DO CÓDIGO PENAL
BRASILEIRO

Monografia Jurídica apresentada ao curso de Direito, da
Universidade de Passo Fundo, como requisito parcial
para a obtenção de grau de Bacharel em Direito, sob a
orientação da prof.ª Ms. Gabriela Werner.

Aprovada em ____ de _____________de______

BANCA EXAMINADORA
_______________________________________
Profª. Msª. Gabriela Werner – UPF.

________________________________________
Prof. Dr. ___________________-_______
________________________________________
Prof. Dr. ___________________-_______

pela saúde e força que me foram concedidos durante toda minha vida. . meu eterno modelo a ser seguido. ser humano exemplar.Dedico esta monografia ao meu avô. a quem devo grande parte da conquista de chegar onde estou hoje. Dr. Paulo Fragomeni (in memoriam). botânico autodidata nas horas vagas. AGRADECIMENTOS: A Deus. e que desde pequena me ensinou a amar e a valorizar os animais e a natureza. pessoa que sem dúvida me ensinou a ser quem sou e.

cominando penas mais altas para os crimes que vitimizem animais em relação aqueles que atentam contra pessoas. Msª. Orientadora. pois atentam contra o princípio da proporcionalidade. partindo do paradigmático delito de crueldade (ou maus tratos) contra animais. pelo atendimento e pela simpatia conferidos nestes cinco anos. Discutiu-se se as normas existentes hoje seriam eficazes para coibir tal prática. resolveria a questão ou se a solução não é penalizar. muitas vezes deixando de lado seus interesses para que os meus fossem realizados. analisar se uma mais rígida aplicação da legislação penal no Brasil. pela amizade. Aos meus pais e ao meu irmão. e que de diversas formas me auxiliaram a construir todo este trabalho. O presente estudo pretendeu. ou se necessita de um Direito Penal mais adequado e ativo para evitar os tantos casos de maus tratos existentes no país. mesmo que brevemente. A minha família que sempre acreditou nos sonhos que almejo. que de forma essencial contribuíram para a realização deste sonho. Gabriela Werner. Conclui-se assim que não são válidas as propostas do anteprojeto. mas sim achar medidas administrativas para solucionar o problema. Deste modo. Àos funcionários da Graduação em Direito. seja pela atuação do Estado. Como a lei 9605/98 não está mais se mostrando eficaz na coação das condutas contra os animais. RESUMO A crueldade contra os animais é uma prática abominável e que não vem tendo uma devida repressão.A Profª. ou pelos meios de controle social. observou-se que . apoio e orientação na realização da pesquisa. o anteprojeto do Código Penal abriu margem para rediscutir a questão.

.......3 Proteção jurídica da fauna na legislação brasileira... Palavras-chave: Animais.....15 1......................................................2 A responsabilidade Penal no Direito Ambiental......... Anteprojeto................................ Código Penal......................................... Direito Ambiental.................................. Maus tratos........penas administrativas mais gravosas................ Proporcionalidade.....20 2 O CRIME DE MAUS TRATOS DE ANIMAIS E A TUTELA PENAL AMBIENTAL........... Bem jurídico............ e que a educação ambiental da população desde cedo......24 .............................................1 História e conceito do Direito Ambiental........07 1 CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DA PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE NA ESFERA PENAL........................................................09 1..............................................09 12.................................................................. seriam o caminho mais adequado para que se coíba as práticas abusivas contra os animais............ SUMÁRIO INTRODUÇÃO.....

....................................30 2...........1 Bem jurídico penalmente tutelado..............................................................................................................................39 3............3 Eficácia da punição dos cirmes de maus tratos aos animais....................................2 Maus tratos no presente anteprojeto de reforma........................................................2.....................2 Penas aplicadas aos crimes de maus tratos aos animais..............................................57 ..........................................................................................3 Considerações gerais acerca da proteção do meio ambiente na esfera penal...........................................................47 CONCLUSÃO....24 2..........39 3...1 Maus tratos no Código Penal de 1940 e na lei 9605/98...................54 REFERÊNCIAS...........................35 3 O CRIME DE MAUS TRATOS CONTRA ANIMAIS: NOVOS CONTORNOS DO ANTEPROJETO DE REFORMA DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO.....43 3.....................................................................................

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INTRODUÇÃO
O presente estudo pretende, mesmo que brevemente, analisar maneiras de coibir as
práticas abusivas contra animais domésticos e domesticados, e qual o melhor caminho para esta
prevenção, se os delitos contra animais, devem ser norma penal equiparada aos crimes contra a
pessoa humana, ou se deve ser aplicado fenômeno da descriminalização de condutas penais,
empregando-se os pressupostos de Mera Ordenação Social, e investindo em educação e normas
mais gravosas, no lugar de equiparar bens jurídicos tão desconexos e distantes.
O anteprojeto do Código Penal traz amplo rol de delitos contra animais, inclusive
aumentando a pena dos mesmos e equiparando-os as penas de crimes contra a pessoa. Analisarse-á a aplicação do princípio proporcionalidade no anteprojeto.
O escopo deste estudo, ao buscar mais informações sobre os crimes em pauta é, diante dos
conceitos de bem jurídico penal, analisar o tratamento dado a conduta de maus tratos aos animais
como ilícito penal, buscando-se a possibilidade de aplicar outras formas de repressão e prevenção
que não a criminalização da conduta. Desse modo, tenta encontrar um caminho distinto para que
não se puna delitos de menor potencial ofensivo, que no anteprojeto diante das agravantes
perdem esta conotação, e acabam com o aumento de pena se transformando em cárcere.
Parte-se da necessidade de cada vez mais construir um Estado de Direito mais
democrático, onde visa-se uma redução das incompatibilidades existentes entre o direito à
qualidade de vida digna, de liberdade do cidadão, e de uma tutela ambiental. Entende-se
preliminarmente que o Direito Penal não seria o campo mais adequado para a responsabilização
dos infratores pelos danos ambientais causados, mas na questão de maus tratos aos animais ainda
existe uma margem para discussão de que direito se tutelaria.
As penas de maus tratos aos animais no anteprojeto da Reforma do Código Penal tiveram
um aumento, sendo de “um a quatro anos", aumentada em até um terço se houver lesão grave ou
mutilação e, se houver a morte do animal a pena será aumentada da metade. Assim, se o animal
vier a óbito, a punição poderia chegar a seis anos de prisão, se equiparando a pena de homicídio

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simples, e maior que a de maus tratos a pessoa. Também foi tipificado o crime de abandono, não
dar assistência, deixar de prestar socorro a animais em sofrimento, e neste caso a pena poderia a
chegar, se houver a morte do animal, em doze anos de prisão.
Para realizar tal análise, o primeiro capítulo abordará a proteção ambiental na esfera penal,
observando o histórico das leis ambientais, aplicação da responsabilidade penal no direito
ambiental e qual a proteção jurídica a ser aplicada pela legislação brasileira em relação a fauna.
No segundo capítulo, far-se-á uma apreciação sobre tutela penal ambiental mais
especificadamente, observando-se as teorias do bem jurídico, as penas aplicadas aos crimes de
maus tratos aos animais e se se vislumbra eficácia nos meios de coibição aplicados atualmente.
Para finalizar, observar-se-á os novos contornos criados pelo anteprojeto de reforma do
código penal brasileiro, comparando-se os crimes no Código Penal de 1940 e na lei 9605/98,
também serão analisadas as propostas de penas no Anteprojeto, e a inadequação das mesmas
frente ao princípio da proporcionalidade.
Deste modo, visar-se-á achar uma solução adequada para coibir os crimes contra animais,
domésticos, domesticados e silvestres, frente a grande ocorrência vivenciada deste crime na
atualidade.

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1. CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DA PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE NA
ESFERA PENAL

O presente capítulo tem por objetivo analisar o surgimento do Direito Ambiental,
baseando-se nas legislações aplicadas desde os primórdios até os dias de hoje, estudando o que se
entende por proteção jurídica da fauna e as responsabilidades penais nos crimes ambientais.

1.1 História e conceito do Direito Ambiental

É cediço que no Direito Ambiental existe uma enorme gama de normas regulamentares,
porém, a legislação brasileira, assim como a de diversos outros países tardou a contemplar
expressamente em sua Constituição Federal a questão ambiental, vindo a fazê-lo apenas em 1988.
Devido a tal constatação, torna-se relevante, antes de desenvolver-se um trabalho direcionado às
questões ambientais entendermos o núcleo das normas protetivas do meio ambiente.
A evolução histórica da legislação ambiental começa, segundo Wainer 1, no descobrimento
do Brasil, quando nas Ordenações Afonsinas existia uma preocupação da realeza em preservar as
florestas. O que se dava em razão da necessidade premente do emprego de madeiras para o
impulso da almejada expansão intramariana portuguesa. Nesse contexto, era considerado crime
de injúria contra o rei o corte deliberado de árvores frutíferas.
A referida autora ressalta, ainda que no Brasil colônia, havia a preocupação com a terra,
não somente devido à agricultura, mas, também em razão do repovoamento, uma evolução para o
sistema de capitanias hereditárias. Surge, então, pela primeira vez a necessidade de reparação ao
dano ecológico, cuja a pena era proporcional à importância do sistema atingido.

1 WAINER, Ann Helen. Evolução histórica do direito ambiental. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense,1999, p.192-193.

No caso de áreas urbanas. Primeiramente. o Direito Ambiental. que foi o primeiro tribunal brasileiro instalado na cidade de Salvador. § 2º As áreas assim utilizadas pelo Poder Público Federal ficam isentas de tributação. elaborando um quadro cronológico. Aos infratores.11 O momento. DO de 16. buscou-se proteger o pau-brasil dos descaminhos que vinham ocorrendo. contudo. Lei nº 4. dentro de um raio em que a exploração e o transporte sejam julgados econômicos. p. 18. § 1° Se tais áreas estiverem sendo utilizadas com culturas. que. onde seja necessário o florestamento ou o reflorestamento de preservação permanente. aplicavam-se penas severas. 6Art. temos a lei nº 4. nasce o regimento sobre o pau-brasil. Referida norma instituiu o código florestal. o seu corte sem expressa autorização real.1965.471. com jurisdição em toda colônia. Essa norma foi inserida no regimento da relação e casa do Brasil. . em que surge uma norma realmente sólida no âmbito do direito ambiental é o período do governo geral. em 1965.803/89. por sua natureza. em 1609.7713. Nas terras de propriedade privada. 4Art. previu a recuperação da cobertura vegetal5. cuja produção sob exploração racional. 2° Consideram-se de preservação permanente. dentre outras disposições. que assegure o plantio de novas áreas.36. e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal. Observa-se que tal fato não obstaculizou a sistematização de novas regras jurídicas. reconheceu que os municípios poderiam elaborar seus respectivos planos diretores e leis de uso do solo4. Nessa época. As empresas industriais que. em terras próprias ou pertencentes a terceiros. o Poder Público Federal poderá fazê-lo sem desapropriá-las. de 15 de setembro de 1965.2 Nesse sentido. e de não se ter um código ambiental. Utilizavam-se meios investigatórios no tocante às solicitações das licenças. constituiu-se mais rapidamente no Brasil do que na maioria dos países. de seu valor deverá ser indenizado o proprietário. 3 BRASIL. o qual proibia. se não o fizer o proprietário. em todo o território abrangido. defendendo-se que o regime do monopólio da árvore deveria ser feito de maneira a não prejudicar a terra. Florianópolis. 20. Para Machado.09. pelo só efeito desta Lei. observar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo. consegue-se expor como surgiram os principais dispositivos legais que objetivam proteger o patrimônio ambiental e delimitar sua exploração. Novembro de 1994. nº 2. regimento este. 5Art. um serviço organizado. a qual foi posteriormente alterada pela lei 7. respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. entre outras coisas. consumirem grande quantidades de matéria prima florestal serão obrigadas a manter. apesar de não expresso na Carta Magna até 1988. Segundo Wainer. as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: Parágrafo único. definiu o que são áreas de preservação permanente 6 e 2 ALTER AGORA. seja equivalente ao consumido para o seu abastecimento.

d) causar danos aos Parques Nacionais. carvão e outros produtos procedentes de florestas. estabelecendo penas aos infratores (art. as penas cumuladas. por qualquer modo. .1980. e) fazer fogo. Lei nº 6. l) empregar. DO de 31. 35). instituiu o chamado Código de Pesca. até final beneficiamento. carvão e outros produtos procedentes de florestas. Estaduais ou Municipais. regulamenta o lançamento de efluentes das redes de esgoto e os resíduos líquidos ou sólidos industriais às águas (art. No ano de 1967. c) penetrar em floresta de preservação permanente conduzindo armas. do lugar e da data da infração ou ambas as penas cumulativamente: a) destruir ou danificar a floresta considerada de preservação permanente. j) deixar de restituir à autoridade.12 teve também aplicação ampla na área penal7.1967. n) matar. as zonas destinadas à instalação de indústrias serão definidas em Parágrafo único. de 31 de agosto de 1981. transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação. referindo-se ao Estudo do Impacto Ambiental. 26. sem prévia autorização.1981. Constituem contravenções penais. além das penalidades previstas neste Código. plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia ou árvore imune de corte. puníveis de 03 meses até 01 ano de prisão simples ou com multa que pode chegar de uma a cem vezes o salário-mínimo mensal. DO de 03. 7 Art. substâncias ou instrumentos próprios para caça proibida ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais. licenças extintas pelo decurso do prazo ou pela entrega ao consumidor dos produtos procedentes de florestas. de 28 de fevereiro de 1967. Já na década de 80. 10 BRASIL. Tal Código estabelece vedações à pesca (art. por qualquer modo ou meio. 9 BRASIL. assim. puníveis com três meses a um ano de prisão simples ou multa de uma a cem vezes o salário-mínimo mensal. e a lei nº 6. b) cortar árvores em florestas de preservação permanente. tem-se dois marcos importantes: a lei nº 6.803 9. sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento. 37). as infrações serão punidas com a multa de um a dois salários mínimos mensais vigentes. obriga os infratores ao pagamento de uma multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor comercial da matéria-prima florestal nativa consumida além da produção da qual participe.07. como combustível. sem tomar as precauções adequadas. lenha. h) receber madeira. outorgada pela autoridade competente. sem estar munido de licença da autoridade competente. de 02 de julho de 1980. pedra. lenha.08. sem uso de dispositivo que impeça a difusão de fagulhas.938. outorgada pela autoridade competente e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto. i) transportar ou guardar madeiras. O não cumprimento do disposto neste artigo. g) impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação. produtos florestais ou hulha. bem como às Reservas Biológicas. mesmo que em formação ou utilizá-la com infringência das normas estabelecidas ou previstas nesta Lei.93810. sem permissão da autoridade competente. o) extrair de florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente. lesar ou maltratar. A primeira estabelece que Nas áreas críticas de poluição a que se refere. prevendo que constituirão contravenções penais. areia. Lei nº 6.02.803. suscetíveis de provocar incêndios nas florestas. Decreto lei nº 221. seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente. o Decreto-Lei nº 221. vender. cal ou qualquer outra espécie de minerais p) (Vetado) q) transformar madeiras de lei em carvão 8 BRASIL. 57 e seguintes)8. sem exigir a exibição de licença do vendedor. do lugar e da data da infração ou. DO 28. f) fabricar. em florestas e demais formas de vegetação. m) soltar animais ou não tomar precauções necessárias para que o animal de sua propriedade não penetre em florestas sujeitas a regime especial.

2004. visando assegurar. dos Territórios e dos Municípios. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para às presentes e futuras gerações.1. Lei nº 10. dos Estados. que compatibilize as atividades industriais com a proteção ambiental. . publicado no DO de 28. V .12. São Paulo. mais precisamente em 05 de outubro de 1988. foi promulgada a atual Constituição da Republica Federativa do Brasil. condições ao desenvolvimento sócio-econômico.à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico.à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente. aprovado por lei. tais como a Declaração do Rio de Janeiro. do Distrito Federal.A Política Nacional do Meio Ambiente visará: I . ao usuário. 13 Ademais. Essa Conferência reuniu grandes autoridades internacionais para discutir e estabelecer princípios de meio ambiente. 12 BRASIL. a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente. da Ordem Social). atendendo aos interesses da União. à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico. que surge da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992. 225. aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. VII . melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida. estabelecendo seus objetivos (art.à imposição. II . preceitua que: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente. Saraiva. III . da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e. no País. Por sua vez. objetivando uma melhor preservação ambiental.ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais. 11 Art 4º . ao poluidor e ao predador.2000 e retificado em 9. da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. tem por objetivo a preservação. concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida. IV . a década de 90 também possuiu importantes contribuições. 4º) 11 e a constituição do Sistema Nacional do Meio Ambiente12 Ainda nos anos 80. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais.2001 13 BRASIL. o art. VI . Nesse tocante.à definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico. título VIII.165/00.13 esquema de zoneamento urbano. A Magna Carta brasileira possui um capítulo inteiro destinado ao meio ambiente (capítulo VI.

a medida tratava-se de "grave retrocesso".876/9 917 dispõe sobre a proteção da vegetação nativa.html Acessado em 09 de maio de 2014. que servem para evitar desastres naturais e proteger a infraestrutura. Como se pode analisar. tratou dos crimes ambientais. A Lei nº 12. a lei 9. .1998 16 BRASIL. 17 BRASIL. inclusive.433 de 08 de janeiro de 1997. DO 25. Lei nº 9.14 Em 1997. geraram-se muitas críticas sobre mudanças muito radicais e que. Lei Ordinária 12. colocando a bacia hidrográfica como espaço geográfico de referência e a cobrança pelo uso de recursos hídricos como um dos instrumentos da política. O projeto do texto atual tramitou por 12 anos na Câmara dos Deputados. Na redação a Câmara é estabelecido que a largura da faixa de inundação de qualquer curso de água que passe por áreas urbanas será determinada pelo plano diretor e leis municipais de uso do solo. tendo revogando o Código Florestal Brasileiro de 196518.65116. bem como possibilitou a responsabilização da a pessoa jurídica por infrações ambientais cometidas pelo seu representante legal e permitindo a extinção da punição com a apresentação de laudo que comprove a devida recuperação ambiental.05. em 1998. DO 16.19 14 BRASIL. 15 BRASIL. que gerou grandes debates sobre suas alterações. Esse diploma legislativo também transformou algumas contravenções em crimes. dispondo sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades nocivas ao meio ambiente.771. DO 28. sendo de grande importância ressaltar a reforma do Código Florestal.1965. Com sua aprovação.1997.com.09.651/2012. Mais especificamente no âmbito penal. a lei 9. Lei nº 12. Lei nº 9. foram vetadas pela Presidente da República.2012.43314. Lei nº 4.Disponível em http://ultimosegundo. Para Dilma.605 15.05.02. de 25 de maio de 2012.br/politica/2012-05-28/dilma-publica-justificativas-aos-vetos-do- codigo-florestal.2012 18 BRASIL. porque não levava em conta os critérios mínimos de proteção das margens. Foram vetados pela presidenta os parágrafos 7 e 8 do artigo 4°. após 1988. várias outras normas ambientais foram surgindo.01. instituiu a Política Nacional de Recursos hídricos. de 15 de Setembro de 1965. oriunda do Projeto de Lei nº 1.651 de 25 de maio de 2012. 19 Dilma publica justificativas aos vetos do Código Florestal . DO 13.ig.605 de 12 de fevereiro de 1998. DO de 09.

938. Herlander Mata. 21 BRASIL.22 20 LIMA. tendo em vista o uso coletivo. leis. Em 1972. uma vez existiria um grande aumento do custo desses serviços.uma.08. Analisando-se. 2010.1981. o histórico da legislação ambiental. como coletividade. representando o surgimento efetivo de uma proteção ambiental Brasileira. Nele se estabelecia que as empresas que prestam serviços como abastecimento de água e geração de energia hidrelétrica deveriam investir na recuperação e na manutenção da vegetação nativa em APP´s (Áreas de Preservação Permanente) existentes em toda a bacia hidrográfica explorada. em um prazo curto ou longo. DO de 31. Lei nº 6. Nota-se que ao longo das ultimas décadas o estudo sobre o tema tem-se intensificado.938. Factores. A presidenta vislumbrou que o artigo prejudicaria o interesse público. DO de 31.15 Outro veto efetuado por Dilma. de 31 de agosto de 1981. O ambiente dá mostras que é cada vez mais necessário compreendê-lo e preservá-lo. abordou o tema de relação entre sociedade e meio ambiente. embora de maneira sucinta. sobre os seres vivos e as atividades humanas.pdf Acessado a 09 de maio de 2014. 22 BRASIL.20 O direito brasileiro produziu textos modernos nesta matéria através de legislação constitucional e infraconstitucional. impactando no bolso do consumidor. Patrimônio Público a ser necessariamente assegurado e protegido.08. abriga e rege a vida em todas as formas. Sustentabilidade.pt/hlima/Doc %20ImpactesAmbientais/01AMBIENTE_FACTORES_SUSTENTABILIDADE. organizada pelas Nações Unidas. . verifica-se a existência de diversos sistemas normativos para sua proteção.” Universidade da Madeira. influências e interações de ordem física. “Ambiente. química e biológica que permite. A primeira definição legal de meio ambiente surgiu com a lei de Política Nacional do Meio Ambiente 21.1981. foi a integralidade do artigo 43 do texto. Disponível em http://cee. como conjunto de vida. demonstrou os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente. biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos. tendo-se o evento como a primeira atitude mundial de preservação do meio ambiente. químicos. o meio ambiente foi definido como sendo o conjunto de componentes físicos. A lei conceitua meio ambiente como: Conjunto de condições. que além de definir o que se entende por meio ambiente. Lei nº 6. necessitando de tratamento especial pelo Estado. a Conferência de Estocolmo. No que tange à definição de meio ambiente. Nessa ocasião. de 31 de agosto de 1981.

jurisprudência. que se destinam a permitir o desenvolvimento equilibrado de todas as formas de vida. Mais precisamente é constituído por seres bióticos e abióticos. São Paulo: Ed. o meio ambiente não é nada mais que a expressão do patrimônio natural e as relações com os seres vivos e entre eles. 25 Ibid. Direito do Ambiente: doutrina. Essa Carta 23 MILARÉ.. 24 BERTÉ. p 27-28. . tem-se uma estrutura penal e processual penal. Despreza-se o que não diz respeito a bens naturais. Abrange todos os elementos culturais artificiais e naturais. através de duas perspectivas: uma estrita e outra ampla. p 25-26. 1.. Para preservar esse patrimônio e assegurar as condições que garantem a sobrevivência de todos. Na segunda. Educação ambiental:construindo valores de cidadania. 2009. Por meio de tais políticas. e suas relações e interações. 6ª edição. prática. 24 Ainda para BERTÉ25 entende-se o meio ambiente como a soma de todas as condições externas e influências que afetam a vida. O meio ambiente é visto juridicamente. o Estado criou diversos tipos penais e contravencionais referentes a condutas lesivas ao meio ambiente.Champagnat. busca-se um equilíbrio no convívio entre homem e o meio ambiente.16 Em linguagem técnica. Curitiba.2 A responsabilidade penal no Direito Ambiental Em termo de política criminal em matéria ambiental. Na primeira. MILARÉ23 entende meio ambiente como uma combinação de todas as coisas e fatores externos ao individuo ou a população de indivíduos. o meio ambiente abrange toda a natureza original e artificial. o desenvolvimento e a sobrevivência de um organismo. 2004. Rev. embora tal se mostre distante. Uma realidade complexa e marcada por inúmeras variáveis. glossário. perfeitamente delineada pela Constituição Federal de 1988. Rodrigo. Édis. dos Tribunais.

Acesso em: 12 de maio. prática. ressaltando-se que no parágrafo 3º encontramos as definições das sanções jurídicas (penais e administrativas) aos atos lesivos ao meio ambiente.. para consolidar em um único diploma todos os crimes ambientais. Lei nº 9. Saraiva. 2009.As condutas e atividades lesivas ao meio ambiente são punidas com sanções administrativas. Édis.26 A previsão constitucional penal de tutela do meio ambiente se encontra no art. de 12 de fevereiro de 1998 – Crimes e infrações administrativas contra o meio ambiente. mesmo que não incluídas na nova lei. Paulo de Tarso de Lara. 1º da referida lei estabelece que: Art. Edson Luiz e PIRES.605. permaneceram em vigor as normas incriminadoras já existentes. Manual de Direito Ambiental. . Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 26 MILARÉ. redimensionando a estrutura punitiva. Para os autores PETERS E PIRES 30 a lei nova vai além de definir os crimes ambientais. 27 BRASIL. a reparação obrigatória do dano causado. pessoas físicas ou jurídicas.17 constitucional trouxe a projeção de normas incriminadoras.As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores. reestruturando-se o conceito de repressão penal ambiental. civis e penais poderão cumular-se. Observa-se. a sanções penais e administrativas. 6ª edição.61. dos Tribunais. com o intuito de regulamentar a norma constitucional. 2004. civis e penais na forma estabelecida nesta lei.br/ccivil_03/leis/l9605.gov. Sob esse viés. o art. São Paulo. a pretensão inicial da lei foi de reunir todas as infrações penais relativas ao meio ambiente. 29 PETERS. Direito do Ambiente: doutrina. 30 Ibid. editou-se a lei 9. p. 2000. que o artigo supracitado foi vetado. jurisprudência.1º . 62. Parágrafo único. Veja-se: § 3º .605/98 28. glossário. estabelecendo inclusive. 28 BRASIL. Disponível em: <http://www. Curitiba: Juruá.planalto. p.htm>. São Paulo: Ed. independentemente da obrigação de reparar os danos causados. no entanto. As sanções administrativas. uma vez que não possui a nova lei a abrangência que lhe pretendeu imprimir.27 Após dez anos da promulgação da Carta Magna. sendo independentes entre si. Para PETERS e PIRES29. 225 da Carta Magna. 2014. Com o veto ao artigo. Rev.

” O comportamento proibido vem enunciado de forma vaga. restritivas de direito e multa.62 . Paulo de Tarso de Lara. Lei nº 9. Édis. DF: Senado. ou seja “com preceito lacunoso ou incompleto. uma vez que são aplicáveis tanto as pessoas físicas quanto as jurídicas. no qual são verificáveis as regras especificas de imputação objetiva e subjetiva de responsabilidade penal. Edson Luiz e PIRES. MILARÉ34 ressalta que a nova lei de crimes ambientais possui preferência pelas penas restritivas de direito e pecuniárias. desde que o infrator faça a recuperação do dano. Rev. flora. 1988. Art. MILARÉ32 caracteriza estas normas como normas penais em branco. Curitiba: Juruá. A nova lei31 possui um sistema autônomo. 34 PETERS. jurisprudência. que podem ser até mesmo extrapenais. p. Direito do Ambiente: doutrina. Disponível em: <http://www. Manual de Direito Ambiental. tem-se a previsão de tipologia específica de crimes contra fauna. 33 BRASIL. 32 MILARÉ. formando um emaranhado legal. 31 BRASIL.gov. Consitituição (1988).605. Constituição da República Federativa do Brasil. dos Tribunais. analisando o perfil do delinqüente ambiental. Hoje. glossário. tem se mostrado inadequada. Tem-se.18 apresenta alternativas à pena privativa de liberdade e prevê a não aplicação da pena. suportar o dano e pagar a conta do presídio. com penas privativas de liberdade. prática. Sobre o assunto. poluição. Tem-se uma lei de dupla natureza: material-penal e processual. pois reúne as infrações que anteriormente se encontravam espalhadas em dezenas de leis esparsas. São Paulo: Ed. se impõe a sociedade um duplo castigo. §3º da CF. 2009. Ressaltando-se também porque a pena de prisão. acompanha a moldura do direito penal. 6ª edição. a qual veio recomendada pelo próprio constituinte 33.planalto. 225. um avanço na matéria dos delitos ambientais. ou de outro modo pague seu débito perante a sociedade. Acesso em: 12 de maio. Igualmente. 2014. Brasília. A proteção penal do meio ambiente. de 12 de fevereiro de 1998 – Crimes e infrações administrativas contra o meio ambiente. necessitando complementação de outros dispositivos legais. os critérios autônomos de aplicação de pena e um sistema aditivo de penas.br/ccivil_03/leis/l9605. necessitando de complementação ou integração através de outros dispositivos legais ou atos normativos extravagantes. entre outros.htm>. 2000. ainda que não consolide toda a matéria penal ambiental. portanto.

aduzindo ainda. p. 37 PRADO. em relação ao regime fechado. o combate à poluição sonora ou atmosférica. 2004. o valor da vantagem econômica auferida. Dessa forma. Para o mencionado autor. O Código Penal Brasileiro adota no art. 38 Art. interdição temporária de direitos. permanecendo recolhido nos dias e horários de folga. 8º da lei 9. mas deixa claro que para que se calcule o valor da pena devem-se aplicar os critérios do Código Penal. No tocante a pena de multa. Paulo de Bessa: Direito Ambiental.br/ccivil_03/leis/l9605. Crimes contra o ambiente.49 38 o sistema de dias-multa. 1998. Rio de Janeiro: Lumen Júris. 129. em residência ou lugar destinado a sua moradia habitual. 2014.planalto. que deverá trabalhar. .htm>. de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. para ANTUNES36. O art.19 As penas restritivas de direito tem maior aplicação. embora a prestação de serviços junto à comunidade apesar de importante.605 estabelece que as penas restritivas de direito são a prestação de serviços à comunidade. 36 ANTUNES. PRADO37 ressalta ser preferível neste caso que se mantivesse o único critério considerando-se a situação econômica do réu. 13 da lei 35 como autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. Será. conforme esteja estabelecido em sentença condenatória. sem vigilância. a lei não a tem explícita nas disposições gerais. o abastecimento de água. 49 . 899.605. São Paulo. pelo qual a pena de multa é determinada: 35 BRASIL. O recolhimento domiciliar está caracterizado no art. freqüentar curso ou exercer atividade autorizada. no mínimo. Porém. Revista dos Tribunais. de 10 (dez) e. Acesso em: 12 de maio. Lei nº 9. pode ser verificada a sua eficácia ante os índices de baixa reincidência apesar da reconhecida dificuldade de controle sobre seu cumprimento.A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Luiz Regis. prestação pecuniária e recolhimento domiciliar. deve se considerar o fato de existirem problemas do meio ambiente urbano. suspensão parcial ou total das atividades. afinal. Disponível em: <http://www. a lei deveria ter previsto outras medidas tais como a coleta de resíduos. no máximo.7ª edição. 1ª Ed. p. de 12 de fevereiro de 1998 – Crimes e infrações administrativas contra o meio ambiente. a pena deveria ser relacionada à área da pratica do delito.gov.

e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas. . ou limitação significativa da degradação ambiental causada. RT 650. a regime especial de uso. As agravantes também são genéricas e possuem rol amplo.39 Dessa maneira. manifestado pela espontânea reparação do dano. o artigo 6º da lei 9605/98. senão vejamos.baixo grau de instrução ou escolaridade do agente. II .ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária. b) coagindo outrem para a execução material da infração. XLVI da Constituição Federal de 1988.reincidência nos crimes de natureza ambiental. princípio esse previsto no art. a saúde pública ou o meio ambiente. II . d) concorrendo para danos à propriedade alheia.20 Não por uma soma em dinheiro (quantidade fixa). 14. segundo a gravidade da infração. 250.1989. III . 5º. Luiz Regis.comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental. c) afetando ou expondo a perigo. estabelece as regras que devem orientar o julgador para devida individualização da pena.colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. quando não constituem ou qualificam o crime: I . mas por um numero de unidades artificiais. variável de acordo com a situação econômica do acusado. conforme se observa no art. no sistema tradicional. as que atenuam a pena são circunstâncias genéricas: Art. As atenuantes e agravantes estão dispostas pelos artigos 14 e 15 da lei. IV . Do sistema de comunicação da multa no Código Penal Brasileiro. 39 PRADO. São circunstâncias que atenuam a pena: I . p. por ato do Poder Público. de maneira grave. 15: Art. cada dia-multa equivalerá a certo valor pecuniário (importância em dinheiro). São circunstâncias que agravam a pena. 15.arrependimento do infrator.

i) à noite. como na Lei de Contravenções Penais. DO de 27. não logrou êxito em revogar todas as legislações anteriores exigentes para reorganizá-las em um texto único e sistemático.1967 41 BRASIL.1.679/8842.1987 42 BRASIL.643/8741 e 7. as circunstâncias agravantes e atenuantes se realizam no fato. 40 BRASIL. m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais. p) no interesse de pessoa jurídica mantida. os ilícitos penais praticados contra a fauna encontravam-se previstos em legislações dispersas.21 f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos. permissão ou autorização ambiental.3 A proteção jurídica da fauna na legislação brasileira Antes da vigência da lei nº 9. r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.197/6740. q) atingindo espécies ameaçadas.605. Lei nº 7.01. DO de 05.643. as circunstâncias servem para acrescentar-lhe uma condição de maior ou menor reprovabilidade.12.197. não influindo para a sua existência. Assim. DO de 21.679. 7. n) mediante fraude ou abuso de confiança. A nova lei de 1998. lei nº 9. g) em período de defeso à fauna. 1. Lei nº 5. por verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais. listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes. o) mediante abuso do direito de licença. h) em domingos ou feriados. Exige-se uma configuração legal do que foi praticado pelo acusado.1988 . de DE 25 de janeiro de 1988. e nas leis nº 5. Lei nº 7. total ou parcialmente. entretanto. de 18 de dezembro de 1987.605/98. l) no interior do espaço territorial especialmente protegido. com o aumento ou diminuição da pena. de 03 de janeiro de 1967. j) em épocas de seca ou inundações.

Revista dos tribunais.605. FREITAS Gilberto Passos de.planalto. 34 caput. Código de Processo Civil. 45 BRASIL. São Paulo: Ed.22 No que diz respeito à definição de fauna. ou de remoção por força alheia. nativos ou exóticos” 46 o legislador ambiental achou necessário estender seu manto protetor a todos os animais em território brasileiro. 44 FREITAS. Rev. Para os autores. faz-se necessário destacar que tanto a silvestre quanto todos os demais tipos de fauna merecem amparo. 2002. DO de 21.htm>. a fim de evitar que sofressem abusos e maus tratos. São considerados propriedade de seus donos e os abandonados estão sujeitos à 43 MILARÉ. fauna significa o conjunto de animais próprios de uma região. Os mesmos afirmam ainda necessidade de proteção da fauna. bens móveis suscetíveis de movimento próprio. A noção vulgar também se refere ao conjunto dos animais que habitam o planeta na atualidade ou que nele viveram em épocas anteriores. segundo o Código Civil Brasileiro47.643. . 7ª Ed. 6ª edição. Disponível em: <http://www.gov. dos Tribunais. 2014. A lei dos crimes ambientais aborda mais amplamente a fauna silvestre e sua proteção.planalto. A fauna doméstica. de 18 de dezembro de 1987. de 12 de fevereiro de 1998 . MILARÉ43 a classifica como: Conjunto dos animais que vivem numa determinada região. Lei nº 7. é caracterizada por animais domésticos. MILARÉ45 ressalta que na zoologia existe uma grande diversidade e quantidade de espécies proporcionais a qualidade e quantidade de vegetação.1987 46 BRASIL. 47 BRASIL. São Paulo. p 75. 2009. Disponível em: <www. Vladimir Passos de. Direito do Ambiente: doutrina. p . ou seja. semoventes. VLADIMIR E GILBERTO PASSOS DE FREITAS44 possuem entendimento semelhante sobre o conceito de fauna. Porém. ferir ou mutilar animais silvestres. 2001. prática. pelo que representa para a diversidade dos ecossistemas. Lei nº 9. Acesso em: 12 de maio.htm> Acesso em: 12 de maio. 2014. domésticos ou domesticados. no plural. como conjuntos de animais dependentes de cada meio.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.12. maus-tratos. glossário.br/ccivil_03/leis/l9605. A lei deve ser aplicada a todas elas. Édis.gov. e por ai se compreende as designações correspondentes à adaptação animal aos fatores de ordem ecológica. Ao tipificar como crime a conduta de quem “Praticar ato de abuso. Dito isso. ambiente ou período geológico. Crimes contra a natureza. Art.171. jurisprudência. se pode falar em faunas.

. Basta que se ande um pouco pela zona rural para verificar que galos e cães são utilizados clandestinamente em rinhas e que é extremamente freqüente o abate clandestino de animais. Desse modo busca-se um 48 DIAS.org/arquivos/artigos/Manual________Protecao_Juridica_da_Fauna_MP_SP.net/textos_explicativos/palavras-chave/protecao-da-fauna-na-legislacaobrasileira> 49 LEVAI. A Polícia Civil. DIAS48 ressalva que a crueldade contra o animal é uma contravenção penal.mpambiental. Os foros competentes para receber denúncias sobre o assunto são: Polícia Civil. e hoje é punida com pena de prisão simples.ademirguerreiro. No caso de haver lesão a um animal doméstico.23 apropriação. É notório que se faz necessária uma mudança legislativa para proteção da fauna doméstica. que será reduzida a termo. Ministério Público (titular da ação penal pública) e Juizado Criminal de Pequenas Causas.pdf Acesso em 13 de maio de 2014. Edna Cardoso. é viável exigir reparação ou ressarcimento do dano causado. Disponível em <www. Polícia Militar. Laerte Fernando. quando tiver conhecimento do fato deverá lavrar termo circunstanciado do ocorrido e encaminhar imediatamente ao Juizado de Pequenas Causas. através de representação. agredir seu animal ou lhe causar prejuízo. Todo aquele que por ação ou omissão voluntária. que sacrificam milhares de animais em prol da chamada pesquisa científica. cães que são levados aos Centros de Controle de Zoonoses. Há a possibilidade também de composição dos danos civis que poderá ser homologada neste Juízo e terá eficácia de título a ser executado no Juízo Civil competente. e qualquer cidadão pode recorrer ao Ministério Público. Disponível em: www. A proteção da fauna na legislação brasileira. O Juizado de pequenas causas também pode ser acionado para que se apresente representação oral. a qual vem sofrendo demasiadamente por maus tratos. a realidade cotidiana está muito distante do que se vê no papel. A autora ainda ressalta que a crueldade contra animais é um crime de ação pública condicionada. Para o Promotor de Justiça LAERTE FERNANDO LEVAI 49. o titular da ação penal. sendo a competência da Justiça Estadual. sob chibatadas e açoites. negligência ou imprudência. Manual Prático da Promotoria de Justiça de Meio Ambiente. no Juízo Criminal. os centros de experimentação animal. Com um simples passeio pelas cidades pode-se encontrar cavalos fatigados suportando uma carroça. responderá pela lesão.

encontra vários erros na legislação apresentada. quer abusando de meios de correção ou disciplina. 913. tratamento ou custódia. Inegavelmente. De acordo com o art. A lei hedionda dos crimes ambientais”. 52 ANTUNES. maus tratos é conduta classificada no Código Penal. a qual possui os mesmo erros da lei revogada. que o tratamento brutal de animais possa ser punido com mais peso que aquele dispensado aos seres humanos. . inacreditavelmente. e do outro lado. de 7 de dezembro de 1940. contudo.html Acesso em 13. é punível com pena inferior àquela cominada para o crime ambiental.05. quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado.br/fsp/opiniao/fz06049809.7ª edição. 2004. Decreto-Lei nº 2. O delito praticado contra a pessoa humana. Não se pode confundir o bem jurídico vida humana e o bem jurídico vida animal. devem ser protegidos de maus tratos. Rio de Janeiro: Lumen Júris. Paulo de Bessa: Direito Ambiental. Conforme os dizeres de REALE50. Código Penal. mas deve haver certa discricionariedade no se está tutelando. ensino. ANTUNES52. em geral.605/98 não define o que se caracteriza ato de abuso.folha. para fim de educação. o artigo 32 da lei 9. É recriminável.14 51 BRASIL. Nesse sentido. em todo caso. Miguel. Ambos devem ser respeitados e protegidos.com. preservando-se. guarda ou vigilância. 50 REALE Jr. os animais. Assim. Disponível em <http://www1. quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis. deve-se saber valorar e respeitar os limites impostos. O doutrinador observa que: O tratamento cruel contra animais é conduta que deve ser reprimida com vigor e que merece aplausos.848. precisam-se resolver os anacronismos encontrados na lei. a razoabilidade e a proporcionalidade.24 denominador comum para que se finde com a impunidade de quem maltrata e fere animais. p. 13651 do referido diploma maus tratos se qualifica como expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade.uol.

2.1 Bem jurídico penalmente tutelado A sociedade não está imune a conflitos e divergências quanto ao que se tutela.25 2 O CRIME DE MAUS TRATOS DE ANIMAIS E A TUTELA PENAL AMBIENTAL O presente capítulo tem por objetivo analisar o conceito de bem jurídico penal do ponto de vista social. as penas aplicadas aos crimes de maus tratos aos animais. Os bens . bem como discorrer sobre as possibilidades que podem ser úteis e proporcionais para coibir a prática deste crime.

p 132-133. que garanta a tudo e todos os direitos humanos e civis na sociedade. ou seja.53 BIANCHINI. e depende de uma valoração. o vinculo de interesse entre o sujeito e o bem existencial. p 18-19. A proteção de bens jurídicos como função do direito penal.54 GOMES ainda diferencia os conceitos de bem existencial e bem jurídico. bem este que deve ser importante para o desenvolvimento da individualidade da pessoa. MOLINA. faz-se necessário que o Estado crie meios de controle social formais. ou finalidades necessárias para uma vida segura e livre. liberdade. v. bem jurídico pode ser definido como circunstâncias reais dadas.5. psicofísico ou a um estado real. Luiz Flávio. Para que seja possível analisar a devida aplicação do direito penal na questão dos maus tratos aos animais. bem como discutir qual o melhor meio de coibir praticas abusivas aos mesmos. o direito penal só tutela assuntos de grande relevância. para que se tutele o desenvolvimento social de forma pacífica. 54 BIANCHINI. p 232.26 tutelados são todos de sobremaneira importantes. é preciso entender no que consiste o núcleo do bem jurídico penal. que. patrimônio. Desse modo. seu substrato empírico e o objeto material do delito. O bem existencial é fundamental para a comunidade para o indivíduo. os bens jurídicos necessários e mais importantes para o meio social. Claus. MOLINA e GOMES entendem como bem jurídico o bem relevante à comunidade. Para ROXIN. Antonio Garcias Pablo-de. etc. Para os autores.55 53 ROXIN. Em outras palavras. honra. Direito Penal. GOMES.1. Introdução e Princípios fundamentais. Ed. 2009. Coleção ciências criminais. 2006. . Org. ou para que se tenha um pleno funcionamento do sistema estatal baseado nestes objetivos. Coleção ciências criminais. São Paulo: Revista dos Tribunais. quando apresenta grande significação social deve ser protegido juridicamente. e Trad. porém cada um possui seu grau de relevância. Luiz Flávio. são bens existenciais de grande importância social. São protegidos por uma norma penal dentro de um limite de uma relação social conflitiva. André Luis Callegari e Nereu José Giacomolli. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2. São Paulo: Revista dos Tribunais. bem existencial é relação social positivamente aceita que se vincula a uma “coisa”. vida. O direito penal exerce esta função ímpar na sociedade. . v. o substrato é a relação social. Apesar desta função. 2002. Alice. Norma e bem jurídico no direito penal. 55 GOMES.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Relator: Francisco José Moesch. em que pese não se duvide que seja preparado para a disputa. que servem de incentivo para que ocorra os eventos. O direito fundamental a um meio ambiente ecologicamente equilibrado pressupõe a proteção geral à fauna. rendendo frutos ao seu dono/treinador. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. imprescindível para o convívio comunitário com valoração e proteção de uma norma penal. O que se pretende analisar neste capitulo é a tutela da proteção ao meio ambiente. Conforme art. Preparo este. Tribunal de Justiça do RS. "CARREIRAS DE BOI CANGADO". o segundo. encontram pelo menos dois óbices à sua manutenção. o que faz pensar o que se tutela no crime de maus tratos aos animais. as "Carreiras de Boi Cangado" são uma tradição e uma cultura popular do Vale do Jacuí e apesar disso devem ser coibidas uma vez que reultam em maus tratos os animais. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. transcreve-se aqui rico julgado. 225 da Constituição Federal. Para acentuar a importância da intervenção penal quando da efetividade do dano ao valor fundamental do meio ambiente. nos moldes até então praticadas: o primeiro reside nos maus tratos e crueldade impostos aos bois participantes da "carreira". de rigor excessivo imposto ao animal que assume ares de crueldade impingida ao indefeso animal. do Tribunal de Justiça do RS. DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO. e que são influenciadas por apostas. PRÁTICA QUE IMPINGE MAUS TRATOS AOS ANIMAIS. (Apelação Cível Nº 70049939663. com a vedação de práticas cruéis contra os animais. com a vedação de práticas cruéis contra os animais. no jogo. Aqui. haja vista ser essa a mais grave e violenta forma de intervenção do Estado na vida do cidadão. Julgado em 24/04/2013) Como é possível observar na ementa. porém. todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. de relatoria de Francisco José Moesch: APELAÇÃO CÍVEL. Vigésima Primeira Câmara Cível. de certo modo. estimulam a realização dos eventos. uma vez que todos tem direito ao um meio ambiente equilibrado e isto pressupõe como ressalva o relator uma proteção geral à fauna. Todavia. PROIBIÇÃO. da Vigésima Primeira Câmara Cível. nas apostas que envolvem e até. que não tem outra finalidade senão o de torná-lo vencedor da "carreira". existe um bem jurídico a ser protegido. APELO DESPROVIDO.27 Observa-se que a concepção de bem jurídico revela a proteção de um interesse existencial na sociedade. Nítida a presença de maus tratos. Isso em face do conceito de bem jurídico e do princípio da intervenção penal mínima que sustenta que só se deve recorrer ao Direito Penal em casos extremos. . Não se nega que as "Carreiras de Boi Cangado" integram a cultura popular do Vale do Jacuí e como tal mereceriam do poder público incentivo.

Claus. estando em pleno acordo aos princípios basilares que justificam a intervenção penal. para a Ciência do Direito Penal. e para GOMES deve-se advertir que não adianta se ter um sistema liberal de garantias se posteriormente o legislador poderá. sendo que nela que encontram legitimidade. Ana Paula Fernandes Nogueira da. . Porto Alegre: Livraria do Advogado. A proteção de bens jurídicos como função do direito penal. p 58. São Paulo: Revista dos Tribunais. Consoante. com ampla margem. 2006. determinando implícita ou explicitamente que eles sejam tutelados pelo Direito Penal. p 55. 2002. 2008. merecerão e possuirão a forma extrema de proteção aplicada.5. André Luis Callegari e Nereu José Giacomolli. .58 56 ROXIN. São Paulo: Revista dos Tribunais. pois de acordo com ROXIN: A questão sobre qual a qualidade que deve ter um comportamento para que seja objeto da punição estatal será sempre um problema central não somente para o legislador. Org. v. em todo caso. Coleção ciências criminais. Norma e bem jurídico no direito penal. Ressalta-se que as atividades legislativas para a definição de bens jurídicos penais e a criação de tipos penais que os protejam não prescindem de diretrizes e limites proferidos pelos valores constitucionalmente consagrados. A culpabilidade nos crimes ambientais. de uma legitimação diferente da simples discricionariedade do legislador. E deste modo constata-se que as medidas penais adotadas em defesa ao meio ambiente não fogem ao essencial para garantir o direito constitucionalmente assegurado ao meio ambiente equilibrado. não penalize algo simplesmente porque não gosta. 57 GOMES. também. e sem censura alguma aplicar sua autoridade na seleção do bem jurídico a ser protegido57. p 11. parece leviano pensar em um direito fundamental formalmente constitucional não possui relevância suficiente para ser protegido penalmente. Luiz Flávio. mesmo que esteja legitimado democraticamente. […] a penalização de um comportamento necessita. mas. o procedimento de seleção dos bens não se distancia das diretrizes axiológicas da Constituição Federal. CRUZ ressalta que a dignidade penal provêm da Constituição. os valores constitucionais que serão fundamentais. E desta maneira.28 Ademais. e Trad. 58 CRUZ. Há muitos argumentos a favor para que o legislador moderno. Busca-se onde há uma correlação entre bem jurídico e a constituição devendo existir uma análise do processo de seleção dos bens tutelados pelo Direito Penal. É ela que fixará os bens jurídicos e classificará como fundamentais.56 Deste modo.

sendo que a legitimidade da intervenção penal vai depender da circunstância de o reclamo social ser suficientemente intenso60. que será garantida por uma manutenção de ecossistemas e de uma saudável qualidade de vida. p. deste modo. existe uma real necessidade de proteger a suscetibilidade de ataque e a capacidade de proteção deve estar baseada na relação própria da natureza do bem respectivo. Existem três metas a serem alcançadas através do Direito Ambiental. ressalvando a liberdade seletiva do legislador frente as necessidades encontradas. eleger como dignos de tutela penal bens jurídicos que não apresentam relevância constitucional. Luiz Régis. Revista dos Tribunais. O Direito Ambiental: Nossa Casa Planetária. e estas metas só surtirão efeito com a participação da população.59 A Constituição. Ainda. Tem-se a realidade social como fonte primaria dos bens jurídicos penais. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Segundo o autor para que os bens sejam dignos e merecedores de tutelas penais.29 Tanto o meio ambiente e a fauna merecem proteção que em seu art. [. Rio de Janeiro. .61 SÉGUIN narra que o que a proteção do Direito Ambiental vislumbra é uma harmonização da natureza. o homem poderá se desenvolver plenamente. 60 GOMES. como é o caso dos crimes contra o patrimônio e contra os costumes. Forense. 1997. nas palavras de CRUZ: [. conservar e preservar. com fundamento nesse critério. p. Saraiva. a legitimidade para proteger um bem e a sua a dignidade de proteção provém do valor conferido pela cultura.. deve haver em princípio uma indicação constitucional. apresenta-se como limite para criminalização de condutas. 225. assim.. a Constituição Federal garante a quem praticar condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sanções. o legislador poderá. 61 PRADO. sejam elas penais ou administrativas e independentemente da obrigação de reparar os danos causados. são elas restaurar.] a ordem dos bens tuteláveis não é idêntica à ordem dos valores constitucionais.2002. específica e uma harmonização com o Estado Democrático de Direito. ou que somente a apresentam por via reflexa. 59. 2000. Elida.62 59 Brasil. 2004.ed..] considerando que o critério de dignidade penal vai inquestionavelmente ligar-se às condições histórico-sociais de uma dada coletividade. p 58-59. São Paulo. São Paulo.. Para PRADO. 62 SÉGUIN.58. Bem jurídico penal e constituição 2.

645. sejam animais silvestres. Crimes contra a Natureza.com..64 O tipo penal que se utiliza de três verbos para caracterizar a conduta: praticar. RT.07.06. Existe um rol de condutas omissivas puníveis que representam abuso e maus tratos. Vladimir Passos de. 24. executar). 93. A norma objetiva findar estes fatos de lesão aos animais para que não se tornem rotineiros e tacitamente admitidos pela sociedade.30 Segundo FREITAS. quando utilizadas na exploração de leite etc. produzir ferimento) e mutilar (cortar ou destruir qualquer parte do corpo). FREITAS. A crueldade prejudica ser humano. deixar de ordenhar as vacas por mais de 24 horas. promotor de Justiça em Minas Gerais. 2000. é em busca da repressão de atentados contra animais que o tipo penal tenta proteger. Para CALHAU. Praticar ato de abuso é utilizar indevidamente o animal.63 Desse modo. possuindo características biológicas e comportamentais em estreita dependência do homem. O Decreto 24. todos merecem a proteção. deixar de revestir com couro ou material com idêntica qualidade de proteção as correntes atreladas aos animais de tiro. São aqueles animais que através de processos tradicionais e sistematizados de manejo e melhoramento zootécnico tornaram-se domésticos. fazendo sofrer o animal de forma desnecessária. ou abuso. 65 BRASIL. PIERANGEL Observa a possibilidade de se ter uma distinção entre mau uso e abuso. Disponível em http://legis. o qual ocorre com mais frequência no cotidiano da sociedade. além das 63 FREITAS. O mau uso.br/artigos/5585/meio-ambiente-e-tutela-penal-nos-maustratos-contra-animais#ixzz3AICfKaBN> acesso em 23/06/2014. Deve ficar claro ao ser humano que ele deve respeito aos demais seres da natureza. 64 CALHAU.14. Lélio Braga.gov. podendo inclusive apresentar aparência diferente da espécie silvestre que os originou. sempre evitando causar-lhes sofrimentos desnecessários.br/legislacao/ListaPublicacoes.O 10. Disponível em: <http://jus. inclusive sobre o crime de maus tratos. p. Gilberto Passos de. Praticar (fazer. ferir e mutilar. D.645/3465 as taxou como: deixar o animal por mais de 12 horas sem água e alimento. Decreto n. 6a ed. Meio ambiente e tutela penal nos maus-tratos contra animais. domésticos ou domesticados.senado. realizar. liga-se á atividade que é imposta aos animais: trabalho excessivo. animais domésticos são os que vivem normalmente com o homem. . São Paulo. nativos ou exóticos.action?id=39567 Acesso em 23.1934. ferir (machucar. cortar. cometer.

RT 765/490.2 Penas aplicadas aos crimes de maus tratos aos animais Código Penal em seu artigo 5969. . visando coibir a prática de maus tratos. assim. 2. que podem ser punidas com detenção de três meses a um ano e multa. São Paulo. Maus tratos contra animais. Gilberto Passos de. sofrimento físico e mental. p 34-35. ferir é cortar. machucar. José Henrique. 93. Curso de Direito Penal: parte geral. leva a concluir que em lei penal uma teoria mista. unificadora da pena.gov. com possibilidade da pena ser aumentada caso ocorra a morte do animal. p. os três aspectos informadores dizem respeito a proteção de bens jurídicos relevantes.848. de 07 de dezembro de 1940.31 forças do animal. Rio de Janeiro: IMPETUS. prevenção por intimidação (prevenção geral). para fins de adestramento. Disponível em: <http://www. Mutilar é cortar partes do corpo do animal. A parte final do caput conjuga a necessidade de reprovação com a prevenção do crime. e ressocialização (prevenção especial). FREITAS. Crimes contra a Natureza. 2014. consideradas de menor potencial ofensivo. 71 66 PIERANGELI. 70 Na esteira de HASSEMER. aplica-se o art. As duas condutas demonstram um grau de maior reprovabilidade em face da prática de maus-tratos. emprego exagerado de castigos. imposição de trabalho a animal jovem.planalto. ainda sem condições para tal atividade..br/ccivil_03/leis/l9605. Art. RT. Winfried. Rogério. Ressalta-se que também será penalizado quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo. a retribuição e a prevenção. 68 Lei nº 9. 71 HASSEMER. p. e. ainda que para fins didáticos ou científicos.htm>. caput.483. São Paulo.67 E para todas essas condutas. 2014. 32. Acesso em: 23 de junho. quando existirem recursos alternativos. Vladimir Passos de. 2000. DOU 31/12/1940 70 GRECO. mostrar-se não amestrado. unindo assim as teorias absoluta e relativa. de 12 de fevereiro de 1998 . imposição de trabalho á fêmea em estado adiantado de prenhez. 66 Enquanto isso.605. 67 FREITAS. 69 Decreto Lei nº 2. Três temas do direito penal. 32 da Lei de Crimes Ambientais 68. 6a ed.

a impunidade acaba sendo um estímulo para que somente cresça o número de crimes como esses. Eugênio Raúl. p. aceita-se transação penal. a detenção é considerada uma pena restritiva de liberdade. 2007. O infrator sendo réu primário com bons antecedentes tem direto ao instituto da transação penal. Rogério. Curso de Direito Penal: parte geral. No caso da detenção.72 As penas aplicadas para o crime de maus tratos. uma vez que estes são aplicados com o fim de demonstrar à população que ainda não delinquiu.). deve ser lavrado termo circunstanciado e encaminhado para o Ministério Público. . como citado anteriormente. mas cujo regime de cumprimento é mais brando que a pena de reclusão. Mesmo que o resultado do crime seja mais gravoso. segundo BITENCOURT existe grande diferença entre reclusão e detenção. 2014. que. que em regra significa prestação de serviços a uma entidade carente. PIERANGELI. oferecimento de cestas básicas. Ressalta também que.73 Infelizmente. Na pena privativa de liberdade. de direitos ou multa. 72 GRECO. Sendo a mais aplicada a restritiva de direitos uma vez que como a pena é até quatro anos. Manual de Direito Penal brasileiro: parte geral. 7. como a morte ou mutilação do animal. pois de acordo com o código penal penas restritivas de liberdade de até 4 anos podem ser substituídas por penas restritivas de direitos. um acordo entre o infrator e o promotor. essa é a realidade da penalização de crimes de maus-tratos e crueldade contra animais. 73 ZAFFARONI. São Paulo: RT.32 GRECO considera importantes os tipos de prevenções citados por Hassemer. esse também será seu fim.484. Rio de Janeiro: IMPETUS. e o rito se dá pelo Juizado Especial Cível. José Henrique (Coord. pois se trata de crime de menor potencial ofensivo. o condenado pode cumprir a pena em regime aberto ou semiaberto. ed. dificilmente o criminoso acabará preso. rev. e atual. Somente nos crimes mais graves a punição é a pena de reclusão. Assim. Segundo ZAFFARONI e PIERANGELI. após apurada a infração por autoridade policial. podem ser privativa de liberdade. se não forem observadas as normas editadas. enquanto que a detenção é aplicada aos de menor gravidade.

perda de bens e valores. ressalta Se considerarmos que interdição temporária de direitos subdivide-se doravante em quatro (proibição do exercício de cargo. 76 Para GOMES.aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou. II . que já tinha previsão de penas substitutivas. 74 GRECO. teve seu rol ampliado e suas condições de cumprimento modificadas pela lei 9. a última sanção cominada é a prestação de outra natureza. 75 Lei 9.11. Luiz Flávio. multa substitutiva. já chegamos a nove. §2.714 de 25 de novembro de 1998. quando: I . a conduta social e a personalidade do condenado. qualquer que seja a pena aplicada.541. 45. interdição temporária de direitos. proibição do exercício de profissão. DO 31. concluindo o raciocínio. que se transformam em dez. limitação de fim de semana. E. se o crime for culposo. DO 26. bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. 44 .o réu não for reincidente em crime doloso. a parte geral do Código Penal.848 de 07 de dezembro de 1940. – art.33 As penas restritivas de direitos são consideradas segundo GRECCO 74 uma solução. Curso de Direito Penal: parte geral. III .p. perda de bens e valores. mesmo que parcial para o problema relativo a resposta do Estado quando do cometimento de uma infração penal. 44 do Código Penal78 traz elencados os requisitos necessários e indispensáveis para que o juiz possa levar a efeito a substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos. em virtude da existência de quatro subdivisões da interdição temporária de direitos. os antecedentes.1940 77 GOMES. . se tem seis tipos de penas substitutivas previstas pelo Código Penal. Com esse pensamento. 76Decreto lei nº 2. prestação pecuniária. Como espécies de penas restritivas de direito temos elencadas no artigo 43 do Código Penal. 104.1998. prestação de serviços a comunidade ou entidades públicas. p. 77 O art. prestação de serviços a comunidade ou entidades públicas. Rogério.a culpabilidade. 78 Art.As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade.714/9875. 2014. Penas e medidas alternativas a prisão. interdição temporária de direitos e limitação de fim de semana.12. 45. conforme art. Rio de Janeiro: IMPETUS. §2: prestação pecuniária. mais a possibilidade de prestação de outra natureza. suspensão da habilitação para dirigir veiculo e proibição de freqüentar determinados lugares).

a fim de aferir a reincidência. No segundo requisito. Manual de Direito Penal brasileiro: parte geral. e atual. 2007. São Paulo: RT. A pena. o autor ressalta que é necessário a inexistência da reincidência em crime doloso. E por fim no terceiro requisito GRECO observa que no inciso III do art. p. torna-se possível a substituição quando aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e se o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa. teremos de verificar. ainda. rev. ou qualquer que seja a pena aplicada se o crime for culposo.).34 No primeiro requisito. Isso quer dizer que se qualquer uma das duas infrações penais que estão sendo colocadas em confronto. uma vez que. Segundo GRECO. 2014. se a pena aplicada não for superior a quatro anos. PIERANGELI. a conduta social e a personalidade do condenado. o agente não poderá ser beneficiado com a substituição79. A substituição somente se viabiliza se a pena aplicada não for superior a quatro anos.546. juntamente com os dois anteriores. ed. 81 ZAFFARONI. a primeira exigência contida no inciso I diz respeito à quantidade da pena. mesmo a pena permanecendo no limite estipulado pelo inciso I. José Henrique (Coord. 7. Pena restritiva de direitos não significa impunidade ou mesmo descaso para com a proteção dos bens jurídicos mais importantes tutelados pelo Direito Penal. nos casos de infrações dolosas.545 80 Ibid. for de natureza culposa. Sendo dolosa a infração penal. 44 do Código Penal. nesses casos. segundo ZAFFARONI e PIERANGELI 81 serve de norte ao julgador para que determine a substituição somente nos casos em que se demonstrar ser ela a opção que atende tanto o condenado quanto a sociedade. Rio de Janeiro: IMPETUS. os antecedentes. possibilita a substituição desde que a culpabilidade. Curso de Direito Penal: parte geral. Rogério. que. se o crime foi cometido com o emprego de violência ou grave ameaça à pessoa. isso não impedirá a substituição.. Eugênio Raúl. como diz a 79 GRECO. 80 O terceiro requisito.. . mesmo sendo o réu considerado tecnicamente reincidente. p. bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. uma vez que para os delitos culposos a lei não fez qualquer ressalva com relação ao limite de pena aplicada.

IV . aplicável.As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III. Essa valoração deve ter em mira a repressão e prevenção do delito. 59 do Código Penal 82. Ao final das três fases. estabelecido o regime prisional. 83 GOMES. aos motivos. 83 O artigo 55 do Código Penal84 define o tempo das penas restritivas de direito serão os mesmos da privativa de liberdade substituída. todas as circunstâncias judiciais previstas no art. deverá o juiz analisar. se cabível. 59 do Código Penal. É preciso que se faça um juízo de valor sobre a 'suficiência' da resposta alternativa ao delito. 46 .35 última parte do caput do art. ressalvando o disposto no §4º do art.. considera GRECO que. 55 .a substituição da pena privativa da liberdade aplicada. ressalvado o disposto no § 4º do Art. às circunstâncias e conseqüências do crime. nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. dentro dos limites previstos. dessa forma. bem como ao comportamento da vítima. III . por outra espécie de pena. É sempre importante enfatizar que essa valoração deve ser objetiva e descritiva. p. Penas e medidas alternativas a prisão. primeiro momento do critério trifásico previsto pelo art. Assim. 46. o juiz deverá reavaliar as circunstâncias judiciais. atendendo à culpabilidade. deve ser necessária e suficiente para a reprovação e prevenção do crime. 84 Art. não sendo o sentenciado reincidente em crime doloso.as penas aplicáveis dentre as cominadas. à personalidade do agente. 68 do mesmo estatuto. conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: I . . concluindo-se pela aplicação de pena não superior a quatro anos. § 4º Se a pena substituída for superior a um ano. V e VI do Art. IV. a fim de encontrar a pena-base para o delito cometido pelo agente.O juiz. preleciona Luiz Flávio Gomes: Uma vez mais. fundamentada. 46 do CP: Art. 43 terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída. à conduta social.o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade. 59 . isto é. para se possibilitar o seu democrático controle.A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. aos antecedentes. deixou o legislador por conta dos operadores jurídicos a tarefa de individualizar o instituto alternativo da substituição em cada caso concreto. 55).116. é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (Art. estabelecerá. uma a uma. Luiz Flávio. Nesse sentido. à exceção das consequências do crime 82 Art.

Infelizmente. coelhos e roedores em seu estabelecimento e os animais estavam abandonados no local há cinco dias.85 Assim.14. o “crime de maus-tratos”.3 A eficácia da punição dos crimes de maus tratos aos animais Como visto anteriormente. Foram realizados exames e avaliações clínicas.Acessado em 29. . um proprietário de um Pet Shop foi condenado a pagar uma multa no valor de dois salários mínimos em cestas básicas. possuía cães.globo. Sorocaba e Jundiaí.html . aves.86 O proprietário foi condenado pois. e após elaboração de laudos técnicos assinados por quatro médicos veterinários foi comprovada a condição de maus-tratos. prestar serviços comunitários ao longo de dois meses. Recentemente em Sorocaba. a fim de se decidir pela substituição.com/sao-paulo/sorocabajundiai/noticia/2014/04/acusado-de-maus-tratos-animais-aceita-acordo-penal-proposto-pelo-mp.06. 2014. durante oito horas por semana. ou se apenas existem e não coíbem a prática de maus tratos. se faz necessário observar se as penas e os critérios aplicados nos dias atuais estão cumprindo com o seu papel de proteção. Curso de Direito Penal: parte geral. Rogério. aplicada cumulativamente com multa. p. a ser calculada segundo critérios do Código Penal. 44 do Código Penal.36 e do comportamento da vítima. conforme se observa na sociedade atual pelas mídias sócias as penas aplicadas não assustam aos infratores. gatos. 02 de abril de 2014. 2. trata-se na verdade de infração de menor potencial ofensivo. haja vista ser a conduta apenada com detenção de três meses a um ano. no dia 10 de janeiro. interior de São Paulo. 85 GRECO. que já vem cuidando dos bichinhos desde o resgate. sem água. Jornal G1. Rio de Janeiro: IMPETUS. e não se tem um controle eficaz do crime de maus tratos aos animais. comida e ventilação. e doar os animais definitivamente para a Associação Adote Sorocaba. Disponível em: http://g1. cuja análise não foi exigida pelo inciso III do art. far-se-á uma análise mais profunda no próximo sub-ítem.545 86 Acusado de maus tratos a animais aceita acordo penal. Para tanto.

07. em Sorocaba (SP). José Rubens Morato. 2002.14.1997). os crimes ainda vem ocorrendo. sem nenhum impeditivo. os policiais e agentes da zoonoses encontraram uma cadela morta. quando a mesma descreve. 184-196. o princípio da insignificância.88 Observa-se dois julgados nos quais se prova a divisão dos tribunais: CRIME CONTRA A FAUNA (ART.605/98 sem a devida aplicabilidade. LEI 5. Rio de Janeiro.globo. que era dono de vários cães e gatos criados em uma casa do Jardim Maria Eugênia.37 Outro caso semelhante também na cidade de Sorocaba foi de um adestrador. 3. Sorocaba e Jundiaí. uma vez que tal conduta não causou dano irreparável ao meio ambiente ou a sociedade e.197/67) – INÉPCIA DA DENÚNCIA – PRELIMINAR REJEITADA – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA – INEXISTÊNCIA DE REPROVABILIDADE SOCIAL ELEVADA – ABSOLVIÇÃO – 1. do CPP). III. ainda que sucintamente. Jornal G1. A incerteza jurídica que ronda o artigo 32 da Lei 9.605/98 é é provocada pelo princípio da insignificância que vem sendo aplicado tratando-se de crimes ambientais. – Rel. Ele vai responder criminalmente por maus-tratos. Constitui crime contra o meio ambiente a 87 Adestrador multado por maus tratos aos animais em Sorocaba. tampouco ofendeu o ordenamento jurídico de forma significativa. com base no artigo 386.057746 – SP – 1ª T. Não há que se falar em denúncia inepta.Acessado em 29. 2. do CPP. ora adotam o princípio sem qualquer critério específico. 1º E 27.06. E teme-se que com esta incerteza dos tribunais. Forense Universitária. poderá se tornar uma letra morta e gerar danos irreparáveis para o já combalido meio ambiente. Apelo provido para absolver os réus. Na casa.03.87 Apesar das sanções privativas de direito e das multas de alto valor. (TRF 3ª R. p. permitindo aos acusados o exercício da ampla defesa (art. Enquanto no outro julgado: PENAL – CRIME CONTRA O MEIO AMBIENTE – PÁSSAROS DA FAUNA SILVESTRE BRASILEIRA – COMERCIALIZAÇÃO POTENCIALIDADE LESIVA – TIPICIDADE – PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA – 1. Há uma divisão nos tribunais. que ora repudiam. 19 de fevereiro de 2014. foi multado nesta quarta-feira (19) pela Polícia Militar Ambiental. Segundo a polícia. AYALA Patryck de Araújo. deve ser aplicado ao caso. Direito Ambiental na sociedade de risco. Disponível em: http://g1. o artigo 32 da Lei 9.html . Os cães e gatos foram apreendidos e o dono dos animais foi multado em R$ 6 mil. ele é suspeito de maus-tratos aos animais. 41. os fatos e as circunstâncias. . 88 LEITE. Juiz Roberto Haddad – DJU 01.com/sao-paulo/sorocabajundiai/noticia/2014/02/adestrador-e-multado-por-maus-tratos-animais-em-sorocaba. – ACr 96. Tratando-se de apenas uma caça abatida.

3.14 . O crime praticado contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção constitui causa de aumento da pena de metade (§4º. inciso III. ajudou a evoluir muito a situação. Acessado em 29. fazendo com que a prática de abusos e maus tratos em face dos animais. Porém. Milhares de nossos animais foram mortos ou saqueados e levados para outras nações desde a época imperial. que endurece a punição para crimes cometidos contra cães e gatos. na forma do artigo 32 da referida lei. Deste modo.§ 1º. a pena pode subir para 6 a 10 anos de prisão. sendo certo que tais condutas foram já iniciadas com a colonização do Brasil.89 Nesse tocante. Em casos de morte por envenenamento. – Rel. tivesse sua pena elevada da condição de contravenção penal (artigo 64 da LCP) para a de crime ambiental. a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o Projeto de Lei 2833/11.38 comercialização de pássaros silvestres (artigo 29. sendo que a grande maioria morreu nos porões dos navios em situação de maus-tratos. Existe muito que aperfeiçoar ainda sobre o assunto.605/98). É inaplicável à hipótese o princípio da insignificância. 28 de setembro de 2013. Buscam-se novos meios para punição.11.116. prevê pena de 3 a 5 anos de reclusão para quem causar a morte de animais domésticos. Deixar de reprimir a conduta dos infratores significa conceder-lhes salvo conduto e incentivá-los à prática que poderá levar ao extermínio da fauna nacional.br/noticias/100602164/projeto-de-lei-preve-punicao-de-ate-dez-anos-de-prisao-para-crimes-contra-animais-domesticos. A Lei 9. ainda se trabalha no intuito de trazer melhor proteção jurídica aos animais.2000 – p. 605/98). apesar das enormes mudanças nos últimos cem anos.com. arrastamento. Recurso provido. 4. fogo. deve-se buscar uma maneira mais eficiente de prevenir a pratica de maus tratos aos animais. 280). artigo 29. tortura ou outro meio considerado cruel. Luiz Flávio. Disponível em: http://ambitojuridico. que ainda deve ser votada pelo plenário. Não exclui a tipicidade da conduta o fato de não se encontrar as espécimes apreendidas na "Lista Oficial de Espécie de Fauna Silvestre Ameaçada de Extinção". 90 Projeto de lei prevê punição de até dez ano de prisão para crimes contra animais domésticos. Juiz Mário César Ribeiro – DJU 10. LEITE e AYALA trazem a tona o fato de que a legislação brasileira ambiental ainda vem sendo aperfeiçoada.06.jusbrasil. Penas e medidas alternativas a prisão. 90 89 GOMES. da Lei nº 9. em 03/07/2013. 5. Considerar atípica a conduta de alguém que é encontrado com pequena quantidade de pássaros. Lei 9. p. porém as agressões contra os animais são práticas ainda arraigadas em parte da população brasileira. A proposta. meios que sejam realmente eficazes. 2." (TRF 1ª R. espancamento. – AC 01001174971 – DF – 4ª T. infelizmente o fato de ser uma contravenção penal não está coibindo as práticas abusivas. asfixia. e garantir aos coatores penas mais gravosas e que causem a intimidação dos mesmos. Jornal Âmbito Jurídico.605/98. é oficializar a impunidade. 6.

http://www. a pessoa que praticar este crime pode ser condenada de um a quatro anos de prisão e multa: Art. da 2ª DP de Formosa.gov. vai ser indiciada por maus-tratos ao animal e pelo constrangimento da filha dela.14 . pois esta é a pena aplicada para homicídio simples.br/noticias/Arquivos/2012/06/pdf-veja-aqui-o-anteprojeto-da-comissao-especial-dejuristas.reformadocodigopenal.06. Disponível em http://www. Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo e membro da Comissão de Juristas para a Reforma do Código Penal.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=529820. Acessado em 29.06.com/p/quem-somos.com/distritofederal/noticia/2012/01/policia-conclui-inquerito-sobre-caso-de-cachorro-espancado-por-enfermeira. equiparou animais a seres humanos. com Proposição Sujeita à Apreciação do Plenário. domesticados ou silvestres.14 92 O anteprojeto da comissão especial de juristas.prisão. podendo ser aplicada a punição de seis anos para quem maltratar um animal e causar sua morte.html . no Entorno do Distrito Federal.acessado em 29. Com isso. caso seja sancionada. informa a delegada Renata Brandimarte. 91 Ficha de tramitação proposição 529820. Disponível em http://www12. levando-a a óbito. A separação dos delitos e a possibilidade de somar as penas cominadas. Praticar ato de abuso ou maus-tratos a animais domésticos.94 A Procuradora ainda salienta que embora tenha trabalhado para impedir a retirada do verbo “ferir” do texto.senado. Íntegra em http://g1. tal ato será enquadrado como maus tratos. e se houver lesão grave ou mutilação do animal a pena pode vir a ser aumentada em até um terço.06. Acessado em 29.globo. e havendo morte aumentará pela metade. para. o ante-projeto do Código Penal também pretende aumentar a pena que hoje é de três meses a um ano e multa. no qual as penas para quem maltratar animais foram aumentadas para "de um a quatro anos". de um a quatro anos.91 Além do projeto de lei.14 93 Uma enfermeira que espancou e matou um cachorro yorkshire em Formosa (GO). frente as mudanças legislativas a proprietária e agente do crime poderia ser punida com até seis anos de prisão.92 Existe grande mudança no anteprojeto da Reforma do Código Penal. nativos ou exóticos: Pena .39 Atualmente o projeto ainda se encontra em votação. 391. que assistiu às cenas de violência. Para Luiza Eluf. a aprovação do texto foi um grande avanço. É possível maltratar sem ferir.gov.camara. quer-se dizer que em casos absurdos como o realizado pela enfermeira que espancou a yorkshire Lana93.html 94 Reforma do código Penal.

28 de setembro de 2013. Ele deverá tramitar no Senado e na Câmara Federal. para então ser sancionado pela presidência. deve-se fazer uma análise das novas penas que serão aplicadas ao caso. Jornal Âmbito Jurídico.com.br/noticias/100602164/projeto-de-lei-preve-punicao-de-ate-dez-anos-de-prisao-para-crimes-contra-animais-domesticos. dar-se-á seguimento aos estudos no próximo capítulo. Acessado em 29.40 mas não é possível ferir sem maltratar. O anteprojeto da Reforma do Código Penal foi apresentado ao Senado e se transformou no projeto de lei 236/12. Outro ponto importante é que o agente que cometer maus tratos perderá a “primariedade”. e se realmente são o caminho certo a ser seguido.95 Enquanto aguarda-se a nova aplicação do código penal no caso dos maus tratos aos animais. Desse modo.jusbrasil. 95 Projeto de lei prevê punição de até dez ano de prisão para crimes contra animais domésticos.14 .06. Disponível em: http://ambitojuridico.

ou multa. no que concerne a tutela penal dos animais não humanos.605/98. 32 da Lei 9. se encontra neste artigo.848. devendo ser aplicada para uma maior proteção penal. há a previsão de pena de detenção. mais especificamente os domésticos e domesticados. a única manifestação de proteção aos animais especificamente. Farseá uma análise do que se define por maus tratos no anteprojeto do Código Penal. uma vez que o anteprojeto equipara maus tratos aos animais a homicídio simples. 96 BRASIL. bem como das penas aplicadas. 3. Código Penal. de 15 dias a seis meses. Decreto-Lei nº 2. a Lei Federal nº 9. sem consentimento de quem de direito. em seu artigo 164. Faz-se uma abordagem dos elementos essenciais para a caracterização do ato criminoso e as condutas nele tipificadas. frente à vedação constitucional da submissão de animais à crueldade. prevê o crime de abandono de animais para aqueles que introduzirem ou deixarem animais em propriedade alheia. Para este crime.96 Neste Código. . desde que o fato resulte prejuízo.41 3 O CRIME DE MAUS TRATOS CONTRA ANIMAIS: NOVOS CONTORNOS DO RECENTE ANTEPROJETO DE REFORMA DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO Primeiramente neste capítulo se analisará o art.605/98. de 7 de dezembro de 1940.1 Maus tratos no Código Penal de 1940 e na Lei 9605/98 O Código Penal de 1940.

2001.98 Nos parágrafos do artigo. a partir do momento que estão sujeitos a enfrentar um processo judicial por estar fazendo experiência que possa ser entendida como dolorosa ou cruel a animal vivo? Mas se o cientista tiver utilizado anestésico para a realização de experiência. 100 SILVA. cavalos. de três meses a um ano. ferir ou mutilar animais silvestres. A lei inclui também animais silvestres para proteção. ainda que para fins didáticos ou científicos.42 Nesta lei. com o intuito de ensinar a medicina. ferir ou mutilar animais silvestres. 98 BRASIL.605 de 12 de fevereiro de 1998. Campinas. o artigo 3297 define que é crime praticar ato de abuso. pássaros.1998 99 SIRVINSKAS. maus-tratos. ratos e coelhos por exemplo.ª edição. São Paulo. muitos destes animais morrem na realização destas experiências. escreve que o elemento subjetivo do tipo trata-se de um tipo penal aberto. in Leis Penais Especiais Anotadas. se ocorre morte do animal. 16/17. Editora Millennium. domésticos ou domesticados. porém. pois o comportamento do agente não foi determinado. p. nativos ou exóticos. ao comentar o artigo 32 da Lei 9. quando existirem recursos alternativos. observa-se as possibilidades de aumento destas penas. gatos. José Geraldo.100 Para o autor LUIZ REGIS PRADO o termo praticar ato de abuso é usar mal 97 Art. p. Lei nº 9. Crimes Ambientais. Saraiva. tais como: qual a melhor maneira de interpretar a expressão praticar ato de abuso? As agravantes não poderão submeter um professor cientista ao constrangimento. ainda aplicaria-se a agravante? E quando existem criações de animais como nas faculdades. ainda que para fins didáticos ou científicos. elas são muito úteis a sociedade. e multa. que poderão ser incididas no caso de realização de experiência dolorosa ou cruel em animais vivos. domésticos ou domesticados. Luís Paulo. 32. Praticar ato de abuso. O autor LUÍS PAULO SIRVINSKAS faz várias perguntas.605/98. 58 . DO 13. Isso se aplica para animais mais comuns e domésticos como cães. 2. Ed. existindo inclusive Leis e portarias próprias criadas pelo IBAMA. Tutela Penal do Meio Ambiente.02. e varia de 03 meses a 1 ano. nativos ou exóticos: Pena . ou multa. A pena aplicável é a de detenção. § 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo. Também será aumentada a pena de um terço a um sexto se ocorrer a morte dos animais. quando existirem recursos alternativos. § 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço.detenção. maus tratos. Esses casos são passíveis de punição? Não se estaria exagerando ao punir estas situações?99 JOSÉ GERALDO SILVA. 1998.

e prevalecendo os interesses humanos.ª edição. E este ato de abuso deve ser prevenido. p. Crimes contra o Ambiente. São Paulo.43 ou inconvenientemente. qualquer comportamento que seja objeto de grande reprovação social. Luiz Regis. que posa causar lesão. 103 LOPES. 21 104 PASSOS DE FREITAS. extrapolando limites. e penalizado e não tendo eficácia o âmbito administrativo. Ed. São Paulo. Crimes contra a Natureza. O medo de enfrentar um processo penal possui efeitos enormes. 120. o que se considera ato de abuso. Já JAIR LEONARDO LOPES ensina que há uma extrema perfeição no sistema de norma jurídica penal elaborado. exigir trabalhos excessivos do animal. 30 . São Paulo. ressalta que os bens de maior valor são protegidos contra o dano efetivo. 15 102 CONSTANTINO. 101 CARLOS ERNANI CONSTANTINO entende que praticar ato de abuso significa-se praticar. Existem demasiadas sanções administrativas e vivis. em defesa da necessidade de tutela penal para o meio ambiente do ponto que se torna imprescindível a tutela penal ambiental e que esta tutela 101 PRADO. Ed. apesar das divergentes opiniões e dúvidas geradas pelo assunto. efetuar praticas excessivas. 1998. Ed. São Paulo. mas estas não possuem grande eficácia para reprimir as agressões contra todo o meio ambiente. ofendendo e ameaçando valores e bens que a sociedade entenda como de extrema importância. Jurídico Atlas. Assim. e com ameaça de pena.102 Fica claro. realizar. deverá ser proibido. Carlos Ernani. 2. Curso de Direito Penal. Jair Leonardo. para que tenham maior eficácia no âmbito penal. 2000. Delitos Ecológicos.104 LUIZ REGIS PRADO afirma igualmente. 2001. p. Ed. p. e estes efeitos as penas civis e administrativas não conseguem alcançar.ª edição. mas sim em uma maior probabilidade de efetivação. sem levar em conta as necessidades básicas dos animais. e inclusive contra qualquer simples exposição de perigo. 1996.103 Ainda neste sentido. Revista dos Tribunais. Revista dos Tribunais. Wladimir e Gilberto. Deve ficar claro que a sanção não torna plena a sua eficácia baseando-se na severidade. 6. erradas e cruéis. p. WLADIMIR E GILBERTO PASSOS DE FREITAS discorrem que na luta e defesa do meio ambiente o direito penal vem se tornando um dos mais efetivos instrumentos. Revista dos Tribunais. e as penas aplicadas que sempre acabam revertidas em multa uma vez que são de menor potencial ofensivo e julgados no Juizado Especial Criminal.

. somente pode ser instrumentalizado para situações de relevância social e jurídico-penal.605/98. instrumento de prevenção de dano ou perigo ao ambiente. in Direito Ambiental das áreas protegidas. bem como podendo atingir a honra objetiva (reputação) da pessoa jurídica.º. em termos materiais. 105 PRADO. que entrou em vigor em 30 de março daquele ano.44 encontra supedâneo jurídico-formal no indicativo constitucional do art. vislumbra-se e observa-se ser perfeitamente justificável. a utilidade da instrumentalização do Direito Penal como resposta social.1998)"105.1998. pela natureza do bem tutelado (o meio ambiente. da Carta Magna. escreveu: " Sabidamente. 225. Ed. Ed. Embora não seja o preferível modelo de proteção legal o aplicado. Lei 9. nas próprias necessidades existenciais do homem. a edição e utilização da Lei de Crimes Ambientais. Crimes contra o Ambiente. p. 1998. §3. discutir-se-á a aplicabilidade da nova norma de proteção incluída no anteprojeto do código penal. instrumento de efetividade das normas gerais que protegem o ambiente. 15 106 LECEY. e. de 12. ELÁDIO LECEY. e. o Direito Penal.02. 330/1). da pessoa natural e até com possível reflexo na sua liberdade. pelos reflexos que podem advir de sua instrumentalização. Ademais. de modo que sua exposição a aperigoou sua ofensa apresentam-se como danosidade macrosocial) instrumento de pressão à solução do conflito. do ponto de vista jurídico-penal. discorrendo sobre a utilidade do recurso ao Direito Penal na proteção do meio ambiente. o crescente apelo social para uma maior proteção ambiental n mundo em que vivemos deram lugar a criação da Lei dos Crimes contra o Meio Ambiente (Lei 9605. como decorrência do caráter estigmatizante de uma condenação criminal (e da mera submissão a uma ação criminal).106 Por todo o exposto. noutra oportunidade. São Paulo. subjetiva e objetiva. Proteção Penal das Unidades de Conservação. Bem autônomo e supraindividual. a atingir a dignidade. Forense Universitária. Já destaquei. E não sendo mais tão eficazes suas sanções para o caso dos maus tratos. e que veio prevenir as diversas formas de dano ao meio ambiente. uso do Direito Penal restrito ao necessário).02. bem como aplicar sanções para os casos de maus tratos aos animais. na mesma linha de consideração. Revista dos Tribunais. em razão do impacto da criminalização pela possibilidade de imposição de sanção e pelo seu caráter estigmatizante. e a partir daí se aplicou um reconhecimento da indispensabilidade da proteção penal uniforme de forma ordenada e clara. Luiz Regis. principalmente. de 12. Rio de Janeiro. na linha do consagrado Direito Penal mínimo (entenda-se. p. foi escolhido pelo legislador em 1998. com proporcionalidade e coerência ao bem jurídico tutelado. coordenação de Antônio Herman Benjamin. Eládio. 2001.

Lilian. Trazendo estes estudos para o Brasil. Violência contra animais e outros crimes. quando crianças. Jack. vem para quebrar paradigmas. Cruelty To Animals And Other Crimes. Nesse sentido. .org. pela polícia Americana. num dia qualquer. especialista em psiquiatria forense. de 09/03/2004.reformadocódigopenal. Violência contra animais e outros crimes. a ativista Lilian Rockembach. aqueles que não falam e não podem se defender.br Acesso em 17/08/14. até que seu instinto perverso vai aos poucos se solidificando.” Allan Brantley. Disponível em < http://www. 108 ARLUKE.2 Maus tratos no recente anteprojeto de reforma Os atos de violência contra animais não podem mais ser ignorados. LEVIN.107 No estudo Cruelty To Animals And Other Crimes O estudo também concluiu que uma pessoa que cometeu o abuso de animais é: cinco vezes mais propensa a cometer violência contra as pessoas. Disponível em www. três vezes mais propensa a se envolver em delitos estando embriagadas ou desordenadas. oitenta por cento dos assassinos em série mataram ou torturaram animais. 109 ROCKENBACH. De acordo com essa pesquisa. Um crescente corpo de pesquisas tem mostrado que pessoas que abusam de animais raramente param por aí.108 Para eles ainda: Pessoas com má índole. quatro vezes mais propensa a cometer crimes contra a propriedade. começar a colocar em prática com os de sua espécie tudo o que já foi praticado anteriormente com os indefesos animais. e demonstra que quem abusa de animais tende a ser um perigo em potencial para a sociedade. Arnold.org/programs/cruelty-prevention/animal-cruelty-information/crueltyto-animals-and-other-crimes. Lilian. ressalta os dados de uma pesquisa realizada em 1970.pdf> Acesso em 17/08/14.org.mspca. que trabalhou mais de dez anos no manicômio de Franco da Rocha. possuindo enormes probabilidades de se envolver em diversos outros crimes. do Federal Bureau of Investigation (FBI). o médico Guido Palomba.reformadocódigopenal. sempre preferem primeiramente.br Acesso em 17/08/14. Disponível em www.45 3. Esta conclusão foi o resultado da análise da história de vida desses criminosos. observa-se que em matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo. ao ponto de. diz que os primeiros distúrbios de 107 ROCKENBACH. realizada nos Estados Unidos na década de 1970. 109 O estudo.

Lilian.com. Disponível em <http://www12. mas também para dar aos responsáveis pela aplicação da lei.08. Disponível em < http://blogs. em 25. "Ele começa a maltratar animais. as ferramentas de que necessitam para impedir criminosos violentos continuem na escalada do seu terrível. Disponível em <http://www1. “Alguém que maltrata um animal pode fazer o mesmo com seus parentes mais próximos. gosta de incendiar coisas".10.111 Devido a todo o exposto. Gorete.reformadocódigopenal. informa que. e se melhores aplicadas. como demonstram as pesquisas.br Acesso em 17/08/14.112 Observando todo o problema causado pelos maus tratos aos animais.folha. os estudos apontados acima também dão a certeza de que se necessita de uma legislação que puna de forma rigorosa os atos de crueldade contra animais. Disponível em www. a comissão Especial de Juristas encarregada de elaborar proposta para o Código Penal Brasileiro aprovou. segundo o veterinário e especialista em comportamento animal Mauro Lantzman. de 17 de Abril de 2012. Saiba o que é um serial killer.08. isso não significa que todas as crianças e adolescentes que "fazem maldades" se tornarão homicidas.08.com. BUOSI. o abandono de animais foi criminalizado. além de um tratamento mais severo para abusos e maus tratos. evitar a ocorrência de outros crimes de grande potencial ofensivo. Violência contra animais e outros crimes.br/noticias/materias/2012/05/25/seis-anos-de-cadeiapara-quem-maltratar-e-matar-animais>. De acordo com o médico. Lívia. tem envolvimento com drogas. foge de casa.113 110 MARRA. Acesso em 17. uma pena de seis anos para quem maltratar e matar animais. modificadas conseguir-se-á.estadao.14 112 ROCKENBACH. Milena. professor do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).14 .uol. No entanto.shtml>.46 um assassino em série geralmente ocorrem no início da adolescência. Acesso em 17. 113 BRANDÃO.14 111 Maus-tratos a animais podem estar ligados a casos de violência doméstica.senado.2013. Seis anos de cadeia para quem maltratar e matar animais. LILIAN ROCKEMBACH ainda ressalta. 110 Na matéria publicada no Jornal da Tarde. e perigoso comportamento.br/folha/mundo/ult94u46219. é que se observa que as penas aplicadas hoje na legislação não são suficientes para punir os crimes contra os animais. não só para protegê-los.br/jt-cidades/maus-tratos-a-animais-podem-estar-ligados-acasos-de-violencia-domestica/> Acesso em 17.org.gov. Casos de violência contra bichos de estimação podem esconder agressões dentro de casa”.

02. Para o presente estudo.605 de 12 de fevereiro de 1998. tomando a direção do Juízo Comum. acrescenta que transportar animal em veículo ou condições inadequadas. e haveria provavelmente. seria julgado pelo Juizado Especial Criminal. ou que coloquem em risco sua saúde ou integridade física ou sem a documentação estabelecida por lei: Pena – prisão.Dos crimes contra a fauna nos artigos 388 ao 400. 391. da referida legislação. 115 BRASIL. Diferentemente do que ocorria antes na Lei de Crimes ambientais 115. domesticados ou silvestres. incluiu-se a criminalização dos maus tratos aos animais. § 3º A pena é aumentada de metade se ocorre morte do animal. Além das matérias já discutidas esparsamente. observar os artigos 391 ao 395.47 No anteprojeto do Código114. 392. Lei nº 9. mais serviços a comunidade. de um a quatro anos. Capítulo I. § 2o A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre lesão grave permanente ou mutilação do animal. Crimes contra o meio ambiente. com o que visa o projeto do Código Penal. uma transação penal. ainda que para fins didáticos ou científicos.1998 116 Art.848. de um a quatro anos. adicionará os crimes ambientais. § 1o Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo. uma vez que atualmente a pena prevista na referida lei é de três meses a um ano e multa. as penas mais graves acabam saindo da competência do juizado. O art.prisão. observe-se: Art. O infrator seria condenado a um valor monetário. Decreto-Lei nº 2. DO 13. Agora. Código Penal. CRIMES CONTRA INTERESSES METAINDIVIDUAIS. de 7 de dezembro de 1940. onde fica mais difícil se esquivar das responsabilidades do crime. inclusive tipificando crime de maus tratos e aplicando penas mais severas. quando existirem recursos alternativos. mais grave. 392116. em seu TÍTULO XIV. como se trata de atividade de menor potencial ofensivo. . verifica-se a aplicação de uma pena maior. na seção I . que antes se encontravam em leis esparsas para dentro do código. Ressaltando-se que. nativos ou exóticos: Pena . Transportar animal em veículo ou condições inadequadas. ou que coloquem em risco sua saúde ou integridade física ou sem a 114 BRASIL. Praticar ato de abuso ou maus-tratos a animais domésticos.

quem abandonar em qualquer espaço público ou privado. ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp. e será aumentada em dobro. organizar ou participar de confronto entre animais de que possa resultar lesão. 118 Art. Tendo aqui a pena de prisão variável entre dois e seis anos. assim. quando possível fazê-lo. quando possível fazê-lo. nesses casos. No artigo 393117 da mesma doutrina. o socorro da autoridade pública: Pena – prisão. que possa resultar em lesão mutilação ou morte. as famosas rinhas. 119 Art. a qualquer animal que esteja em grave e iminente perigo. sem risco pessoal. ou que está sob cuidado. de um a quatro anos. responderá pelo crime quem tenha a propriedade.48 documentação estabelecida por lei. se estendendo ainda a quem tenha sido atribuída a função de cuidar. a pena poderá ainda ser aumentada de metade se ocorrer lesão grave permanente ou mutilação. se o crime resultar na morte do animal. também é crime. posse ou guarda do animal. socorro. 393. a incorporação da legislação ambiental no Código Penal. financiar. ou em rota migratória. § 2º A pena é aumentada do dobro se ocorre morte do animal. silvestre ou em rota migratória. animal doméstico. Parágrafo único. A pena é de prisão. a qualquer animal que esteja em grave e iminente perigo. § 1o A pena é aumentada de metade se ocorre lesão grave permanente ou mutilação do animal. 394. Deixar de prestar assistência ou socorro. A pena é aumentada de um terço a um sexto se o crime é cometido por servidor público com atribuição em matéria ambiental. com pena aumentada em um terço até um sexto se o crime for cometido por servidor público com atribuição em matéria ambiental. domesticado. vigilância ou autoridade: Pena – prisão. que será o centro do sistema penal 117 Art. ou não pedir. de um a quatro anos. Promover. financiar promover e participar de confronto entre animais. Já de acordo com os artigos 394 118 e 395119 será condenado por crime quem deixar de prestar assistência. o socorro da autoridade pública. silvestre ou exótico. animal doméstico. de dois a seis anos. . mutilação ou morte: Pena – prisão. Para o Presidente da Comissão. do qual se detém a propriedade. Tipifica-se também como crime o agente que organizar. em qualquer espaço público ou privado. podendo chegar de um a quatro anos. Ademais. ou não pedir. foi tipificado o crime de abandono. Abandonar. vigiar. nesses casos. ou que tenha autoridade sobre ele. posse ou guarda. 395.

não parece ser o caminho correto. representa um grande avanço. que julga crimes cuja pena máxima é de até dois anos. uma vez que os bens jurídicos tutelados são de valoração diferente. maus tratos e maus tratos aos animais.14. 391 (maus-tratos a animais). Desse modo. deve-se analisar o que fazer para que haja proporcionalidade nos bens jurídicos a serem tutelados pela lei.49 brasileiro. 3.br/portal_stj/publicacao/engine. Isso porque não se pode equiparar as penas de homicídio simples. 120 Novo CP: abandono de animais é criminalizado e maus-tratos terão pena quatro vezes maior. homicídio culposo. deve-se observar que quanto ao art.3 Considerações gerais acerca da proteção do meio ambiente na esfera penal Apesar da necessidade de penas mais rígidas para a punição dos agentes do crime de maus tratos aos animais e seus derivados. mas a lei ambiental estava defasada neste ponto”.texto=105849 Acesso em 17. . “O aumento de pena não é suficiente para atemorizar quem pratica um crime ambiental.wsp? tmp. uma vez que se equiparar os bens jurídicos vida humana a vida animal. principalmente se compararmos com a pena de maus-tratos contra uma pessoa. Observa-se neste estudo que os juristas que elaboraram o projeto tiveram o cuidado de preservar praticamente todas as conquistas da Lei de Crimes Ambientais.08. “Está se dando aos crimes ambientais a dignidade penal que eles merecem”120. ainda avaliou que o aumento das penas é necessário e que a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) acabou sendo aperfeiçoada pela comissão. A redução é premente. precisa-se parar para analisar se realmente a nova direção que está se tomando o projeto do Código Penal é a mais adequada. O ministro Dipp em mesma repostagem. a pena revela-se significativamente desproporcional.area=398&tmp. Disponível em www. O aumento das penas faz com que a maioria das condutas saiam da competência do juizado especial. Porém. de 1998.stj.jus.

verifica-se que a pena de maus tratos de pessoa. Matar alguem: Pena . quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis. ou multa. de quatro a doze anos.Aumenta-se a pena de um terço. se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos.reclusão. § 1º . a pena será de detenção. 136 . haverá reclusão. quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado. mas a vida humana se sobressai à necessidade do nível de proteção. O fato resultando em lesão corporal de natureza grave a pena será de reclusão. § 2º . quem promover. se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos.reclusão. os maus tratos aos animais possuem pena inicial maior que o crime de maus tratos à pessoa. Caso de diminuição de pena § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral.Se resulta a morte: Pena . tratamento ou custódia. ao passo que os maus tratos aos animais tem a pena mínima fixada em um a quatro anos. possui como pena mínima cominada em abstrato de dois meses a um ano e multa. ou multa. Nesse sentido.069. observa-se o regime inicial é igual a agravante de maus-tratos aos animais.Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade. guarda ou vigilância. de dois meses a um ano. Ademais.reclusão. ensino. § 3º . mutilação ou morte do animal. de um a quatro anos.50 Ambos extremamente importantes. 121 Art. Pois bem. de seis a vinte anos. E ainda. a pena é de prisão podendo chegar a seis anos. terá possibilidade de ser aumentada de metade se ocorrer lesão grave permanente ou mutilação do animal. Se resultar em morte. 121 Desse modo. ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. organizar ou participar de confronto entre animais de que possa resultar lesão.detenção. E aumentar-se-á a pena de um terço. ou sob o domínio de violenta emoção. financiar. de quatro a doze anos. não deveríamos valorar diferentemente os bens jurídicos? Como se observa. (Incluído pela Lei nº 8. quer abusando de meios de correção ou disciplina: Pena . para fim de educação. segundo o artigo 395 do anteprojeto. de 1990) 122 Art 121. o artigo 136 do Código Penal trata dos maus tratos à pessoa. Quando ocorrer o crime. de um a quatro anos. logo em seguida a injusta provocação da vítima. E será aumentada do dobro se ocorrer morte do animal. .Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . de dois meses a um ano. em relação ao crime de homicídio simples 122.

também é crime. se o crime for cometido por servidor público com atribuição em matéria ambiental. sem risco pessoal. ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima. ou foge para evitar prisão em flagrante. 121123. Para o crime de omissão de socorro para com a pessoa. 135 . se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão. sendo em seu art. o socorro da autoridade pública: Pena – prisão. o socorro da autoridade pública: Pena . arte ou ofício.A pena é aumentada de metade. Quanto à omissão de socorro aos animais temos no anteprojeto a possibilidade de ocorre com animais. . 123 § 3º Se o homicídio é culposo: Pena . podendo ser aumentada de 1/3 (um terço). ou multa. a qualquer animal que esteja em grave e iminente perigo.detenção. Sendo doloso o homicídio.51 Observe-se a grande distância das realidades jurídicas e a aplicação de penas semelhantes para dois bens jurídicos tão distintos. de 1 (um) a 6 (seis) meses. 394 relatado: Art. onde a pena aplicada será de detenção. arte ou ofício. quando possível. A pena aplicada é de 1 (um) a 6 (seis) meses. nesses casos. se resulta a morte. ou não pedir. não procura diminuir as conseqüências do seu ato. Parágrafo único . quando possível fazê-lo sem risco pessoal. ou não pedir. Semelhante desproporção também pode ser verificada no caso de homicídio culposo. quando possível fazê-lo. se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão.detenção. A pena é aumentada de um terço a um sexto se o crime é cometido por servidor público com atribuição em matéria ambiental. § 4o No homicídio culposo. artigo 135124 do atual código penal. Deixar de prestar assistência ou socorro. 124 Art. art. de um a três anos. ao desamparo ou em grave e iminente perigo. parágrafo 3º. deixar de prestar socorro a quem não tenha condições de socorrer a si próprio ou comunicar o evento a autoridade pública que o possa fazê-lo. Se observa que a pena varia de um a quatro anos e pode ser aumentada. nesses casos. de um a quatro anos.Deixar de prestar assistência. ou foge para evitar prisão em flagrante. ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima. a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. e triplicada. à criança abandonada ou extraviada. se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave. não procura diminuir as conseqüências do seu ato. a pena é aumentada de 1/3 (um terço). ou multa. Podendo ser aumentada de 1 (um) a 6 (seis) meses. 394. ou multa. ou à pessoa inválida ou ferida. Parágrafo único. de um a três anos.

ainda que a sua omissão seja suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves. Incide nas mesmas penas previstas neste artigo o condutor do veículo. e ajudam a delimitar a esfera jurídica. se o fato não constituir elemento de crime mais grave. contrasta com o reconhecimento de sua dimensão éticovalorativa de idéia que inspira os postulados de justiça acentuam a hegemonia axiológica dos princípios. 7 ed. 232 – 234. São Paulo: Malheiros Editores. na ocasião do acidente. depreende-se da redação dos artigos referidos uma visível violação ao princípio da proporcionalidade. 304 do Código de Transito Brasileiro: Art. Os princípios são bases valorativas que inspiram a ideia de justiça. Parágrafo único. . na fase jus naturalista.p. Deixar o condutor do veículo. convertidos em pedestal normativo sobre o qual assenta todo o edifício jurídico dos novos sistemas constitucionais. 1997. de prestar imediato socorro à vítima. de 6 (seis) meses a 1 (um) ano. por justa causa. basicamente nula e duvidosa. disserta Bonavides: Os princípios habitam ainda a esfera por inteiro abstrata e sua normatividade. O princípio da proporcionalidade é considerado hoje um dos princípios mais importantes do direito penal. Penas – detenção. ou multa. ou.52 Ainda pode-se comparar o art. Destarte. Bem sinteticamente. 304. deixar de solicitar auxílio da autoridade pública.125 CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO ensina que: 125 BONAVIDES. Não se tem uma proporcionalidade tangível ao fato. Curso de Direito Constitucional. não podendo fazê-lo diretamente. Paulo. pois ambos os crimes supra citados possuem penas parecidas e bens jurídicos tutelados com valores bem distintos.

estabelecendo até que ponto tem-se como legítima a intervenção do Estado na liberdade individual dos cidadãos. 2001. ao intérprete. não só a um específico mandamento obrigatório mas a todo o sistema de comandos. necessita-se aplicar o princípio da proporcionalidade. Porém.p. e muito menos valorar tanto um bem jurídico a ponto de as penas aplicáveis aos crimes contra o ser humano parecerem de menor potencial punitivo. princípios são normas de um grau de generalidade relativamente alto. e procurar meios de minimizar os maus tratos.p. O animal que não tem meios de se defender. p. deve-se encontrar meios razoáveis e proporcionais para que se tenham penas que realmente diminuam as práticas destes crimes. São Paulo: Revista dos Tribunais. o princípio da proporcionalidade é de extrema importância para o sistema penal. Robert. conforme o escalão do princípio atingido. 8 ed. subversão de seus valores fundamentais. 60 . orientando a construção dos tipos incriminadores por meio do que deve ser uma criteriosa seleção de condutas que possuam dignidade penal. contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra126. O princípio da proporcionalidade no Direito penal. Além disso.127 Deste modo. Mariângela Gama de Magalhães. muito menos de pedir auxílio.. Curso de Direito Administrativo. porque representa insurgência contra todo o sistema. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. 1996. Celso Antônio Bandeira de. visa estabelecer alguns limites à atividade do legislador penal e. São Paulo: Malheiros. visando resolver o problema supracitado. 545-546 127 ALEXY. Ambos são normas. existe o dever sim de respeitar os animais. 2003. O ponto decisivo para a distinção entre regras e princípios é: os princípios são normas que ordenam que algo seja realizado na maior medida possível. e as regras. porque dizem o dever-ser (caráter deontológico). A desatenção ao princípio implica ofensa. Para ALEXY. dentro das possibilidades jurídicas e reais existentes. 126 MELLO. Teoria de los Derechos Fundamentales.53 Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. bem como uma fundamentação e diferenciação nos tratamentos penais dispensados às modalidades delitivas existentes. 86 128 GOMES. Madri: Centro de Estúdios Políticos y Constitucionales.128 Assim. uma vez que cada vez mais vislumbra-se o descaso e o abandono. O que não se pode fazer é equiparar duas coisas tão distintas. normas de um grau de generalidade relativamente baixo.

nesses casos. de um a quatro anos. ou que está sob cuidado. deve-se buscar uma penalização correta. 131 Art. 132 Relatório Final sobre a reforma do código penal. Transportar animal em veículo ou condições inadequadas. 129 Art. Deixar de prestar assistência ou socorro. silvestre ou em rota migratória. vigilância ou autoridade: Pena – prisão. posse ou guarda. de um a quatro anos. 394.08. sem risco pessoal. Tudo isso. vislumbra-se que os juristas encarregados pelo anteprojeto verificaram a discricionariedade que havia entre a tutela aplicada aos bens jurídicos. Assim. ou que coloquem em risco sua saúde ou integridade física ou sem a documentação estabelecida por lei: Pena – prisão. devido a maneira que estão organizados os poderes do Estado. quando possível fazê-lo. . Em primeiro lugar. que melhor se amoldariam como infrações administrativas. animal doméstico. No mesmo sentido caminhou proposta do Senador JAYME CAMPOS (Emenda nº 128). Abandonar. tem-se diversas opiniões sobre a desnecessidade de aplicação de penas mais graves para alguns crimes. 392 133. acolheu-se parcialmente emenda do Senador MARCO ANTÔNIO COSTA (Emenda nº 136). Na atualidade. uma vez verificada seu excesso.br/noticias/Arquivos/2013/12/leia-a-integra-do-relatorio-final-sobre-a-reforma-docodigo-penal> Acesso em 18.gov. sempre em estreito contato. do qual se detém a propriedade. 393130 e 394131. 392. de um a quatro anos. pois não se vislumbra proporcionalidade entre o delito e a pena cominada. Transportar animal em veículo ou condições inadequadas. ressalta-se a inexistência de qualquer necessidade do direito penal para a repressão das condutas tipificadas nos artigos 392129. Sob esse viés. ou que coloquem em risco sua saúde ou integridade física ou sem a documentação estabelecida por lei: Pena – prisão. a qualquer animal que esteja em grave e iminente perigo. 130 Art. domesticado. Ainda no relatório. Porém.54 Deve-se educar e não punir. na qual se tenha efetividade e não se vá contra o principio a proporcionalidade com os principais bens tutelados.14. em qualquer espaço público ou privado. Dísponível em <http://www12. A pena é aumentada de um terço a um sexto se o crime é cometido por servidor público com atribuição em matéria ambiental. Parágrafo único. de um a quatro anos. é notória a relação entre o campo administrativo e o Penal. 393. no relatório final sobre a reforma do código penal. 392. Fica evidente que as penas aplicadas hoje não dão a punição mais adequada aos crimes contra os animais. o socorro da autoridade pública: Pena – prisão. 133 Art.senado. Por isso foi proposta a sua supressão do Projeto132. ou não pedir. uma vez que já se tem presídios superlotados e a finalidade ressocializadora da pena resta prejudicada pela falta de condições adequadas nos presídios brasileiros. que propunha redução de pena para o delito do art. principalmente os domésticos.

as prisões já estão super lotadas.14 . que atende melhor aos objetivos repressivos do que as sanções criminais. que acolhe o argumento de que se trata do Direito de Mera Ordenação Social. E o Modelo moderno utilizado por Portugal. adequabilidade e proximidade com o problema). 1999. 135 FREIRIA. muito mais gravosas. emprego de multa administrativa.08. Ademais. São Paulo: RT. mas ainda assim se 134 DIAS.pdf . tem-se atualmente dois modelos determinantes na doutrina que criam uma diferença elementar no campo do direito sancionatório. 135 O que se precisa não é um Direito Penal punitivo. a solução que parece mais adequada é aplicar o direito de mera ordenação social CONCLUSÃO O direito ambiental. A evolução da proteção é amplamente visível. 165. Marcelo Turbay.com/uploaded/files/2012_12_7475_7505. com o passar dos anos.idb-fdul. abrigando as contravenções penais. como sanção. o que se faz necessário. que defende Direito Penal Administrativo. na Itália. na Espanha. O crime de maus tratos a animais: a análise da constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal e o novo tratamento dado pelo anteprojeto de reforma do código penal – Será o direito penal a melhor solução para reprimir tal prática? Disponível em http://www. Por conseguinte. afinal seu referencial teórico atende perfeitamente ao problema. Os modelos aplicados são o Tradicional: utilizado no Brasil. Questões Fundamentais do Direito Penal Revisitadas. são multas de sanções administrativas que realmente assustem e previnam o agente causador do dano. p. pode ser melhor aplicado para o tratamento jurídico de condutas de maus tratos contra animais. são inequívocas as vantagens: designação de uma competência administrativa para a solução dos conflitos (promovendo maior celeridade. Jorge de Figueiredo. Antigamente não se possuía um rol de crimes contra o meio ambiente e leis de proteção tão vastas como as aplicadas hoje. do ponto de vista prático o autor ressalta que. direito administrativo sancionador e direito penal. teve uma evolução normativa fantástica.134 Marcelo Turbay Freiria observa que o Direito de Mera Ordenação Social.Acesso em 18. Áustria e Alemanha.55 Para DIAS.

mas que está sendo discutido no anteprojeto do código penal e que se for aprovado. conclui-se que as normas existentes hoje não são efetivas. Algo que hoje em nosso país não é valorizado. foi a análise do crime de maus tratos frente aos animais. parece que alguns seres humanos não conseguiram acompanhar o progresso e assim. ainda. pois acabam em sua maioria sendo convertidas em penas restritivas de direitos. Salienta-se. . Ademais. da maneira em que colocado no projeto. mas sim para manter o meio ambiente equilibrado e estável não adiantará ter penas restritivas para algo tão horrendo como os maus tratos e torturas até a morte do animal. ou seja. Observa-se que as normas vigentes não servem para coibir as práticas abusivas para com os animais. muito menos ensinado desde cedo a toda a população.56 faz necessário reanalisar as penas aplicadas aos crimes ambientais. ao ponto que se vislumbra cada vez mais atos de maus tratos aos animais. e pagamentos de trabalhos e cestas básicas. será tipificado como crime. continuam achando que a natureza serve privativamente a seus interesses. O pano de fundo do estudo. multas com valor razoavelmente baixo. Enquanto o ser humano não entender que os animais não estão aqui para lhe servir. que esse problema está diretamente ligado com a falta de educação ambiental. hoje previsto no artigo 32 do Código Ambiental. ficou comprovado no estudo que pessoas que maltratam animais têm tendências a se tornarem péssimos seres humanos. e que não se necessita protegê-la e cuidá-la. Com toda a evolução normativa. penalmente aferível. podendo chegar a praticar homicídios e a se tornarem psicopatas e seriais killer. vez que aumenta drasticamente as penas para o agente que praticar o crime. O anteprojeto do Código Penal busca acabar com o crime de maus tratos aos animais domésticos ou domesticados. com um aumento de pena quatro vezes maior Após todo estudo sobre o assunto. em especial os crimes contra a fauna.

mas não se acredita que as novas normas do anteprojeto do código penal precisem ser tão radicais ao ponto de equiparar as penas de crimes contra as pessoas com as penas de crimes aos animais. Os animais merecem o devido respeito. não é aumentando drasticamente as penas que vamos evitar e conter os crimes contra animais. o problema dos maus tratos aos animais deve ser resolvido. Claro que isto de maneira emergencial devido ao alto índice desse tipo de crime. Os meios para que se alcance esse respeito não estão no âmbito penal. o que realmente irá diminuir de forma eficaz os maus tratos é a educação. apesar de essencialmente antropocêntrica. sem a necessidade premente da tutela penal. e se não todos. O que não pode acontecer.57 Com o estudo. A partir do momento em que se educar as crianças desde cedo e ensiná-las a ter um tratamento respeitoso e amoroso com todos os animais. merecem toda proteção e cuidado. e merecem direitos. é ignorar-se o princípio da proporcionalidade e banalizar as condutas tipificadas no Código Penal. estar-se-á no caminho para uma solução eficaz e duradoura. e tal banalização da norma penal não pode ser aceita. Acredita-se que deve haver tutela penal para prevenir estes crimes e que a partir do momento em que começar a se aplicar penas mais graves. a partir do momento em que se formar seres humanos melhores. O Direito Penal não é o caminho a se tomar. multas mais altas a taxa de mortes e abandono de animais tende a baixar. A real solução. A legislação brasileira. por si só. acredita-se que a aplicação da mesma pena também não diminuirá o índice de maus tratos. chega-se à conclusão que algo tem que ser feito. A equiparação das penas não é a solução. basta observar os crimes com penas equiparadas e a quantidade de ocorrência dos mesmos. A equiparação de bens jurídicos tão distintos como coloca o Anteprojeto é medida extrema. Observa-se que o Direito Penal. Precisa-se aplicar penas administrativas mais duras e multas mais altas. a maioria dos direitos significativos dos . não é capaz de resolver a situação. mas sim no administrativo. possui dispositivos capazes de tutelar de maneira eficiente. uma vez que o alto índice de homicídios não diminui com a pena imposta.

Busca-se encontrar uma proteção eficaz do Estado para coibir qualquer tipo de violência e/ou maus tratos praticados contra animais que não seja a aplicação do Código Penal. menosprezar a importância dos animais e muito menos se nega o fato que estes merecem proteção e carinho. e se haveria possibilidade de não aplica-lo uma vez que está acontecendo demasiadamente casos de maus tratos e tortura de animais. Sorocaba e Jundiaí. fomentando um debate sobre quais as normas mais adequadas para resolver a questão. e nesse período a visão do pensamento da sociedade acabou se afastando de uma visão tão antropocêntrica do tema.58 animais. de maneira alguma. Os objetivos almejados na presente reflexão foram alcançados. apesar de eficaz. aspirando-se novas premissas. a legislação vigente. 02 de abril de 2014. possui mais de 70 anos de existência.com/sao-paulo/sorocaba- jundiai/noticia/2014/04/acusado-de-maus-tratos-animais-aceita-acordo-penal-proposto-pelomp. O que se cogita.html. mesmo que administrativa. é necessário que se promova. BIBLIOGRAFIA: Acusado de maus tratos a animais aceita acordo penal. recorrendo-se ao Direito Penal como última ratio. O caráter Penal não impedirá o fato de que o crime ocorra. mas eficaz. A proposta do presente estudo. O estudo visou analisar a dicotomia entre ilícito penal e administrativo. buscando as melhores soluções para os conflitos existentes. que merecem uma devida repressão. é de que o Estado promova uma devida proteção. por conseguinte. acautelando-os de sofrimentos e maus tratos categoricamente desnecessários. Jornal G1. Disponível em: <http://g1.> . de mera ordenação social. é uma melhor aplicação de penas para os casos em tela. Porém. uma proteção de administrativa.globo. Não se quer com tais conclusões. uma vez que buscava-se debater os temas centrais sobre bem jurídico penal e meio ambiente.

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