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14/12/13

STF - MANDADO DE SEGURANÇA : MS 27337 DF

JusBrasil - Jurisprudência
14 de de zembro de 2013

STF - MANDADO DE SEGURANÇA : MS 27337 DF
Publicado por Supr emo Tribunal Federal - 1 ano atrás

Andament o do Processo
Dados Ge rais
Processo: MS 27337 DF
Rela tor(a ): Min. EROS GRA U
Julgamento: 21/ 05/2008
Publ icaçã o: DJe-095 DIVULG 27/ 05/2008 PUBLIC 28/05/2008
Pa rte(s): PETRÓLEO BRAS ILEIRO S/A - PE TROBRÁS
RAFAEL DE MATOS GOMES DA SILVA E OUTRO(A/S)
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO (TC Nº 01043720006)
UNIÃO
ADV OGADO-GERA L DA UNIÃO
ENGINEERING S ERVIÇOS DE ENGE NHARIA LTDA
ESCON CONSTRUÇÕES E MONTAGENS LTDA
Decisão
Trata-se de mandado de segurança impet rado por P etróleo Brasileiro S /A - PETROBRAS contra ato do
Tribunal de Contas da União, tendo como lit isconsortes nec essários a União Federal, Engineering Serviços
de Engenharia Ltda. e E scon Const ruções e Montagens Ltda.2. O Tribunal de Cont as da União det erminou
a realiz ação de auditoria operacional na PE TOBRA S e na Fábrica de Fertilizantes Nit rogenados no Es tado
da Bahia - FA FEN, para averiguar as obras de ampliação e modernização daquela plant a.3. A contratação
das empresas litis consortes foi regida pelo ​
Proc edimento Licitatório Simplific ado​
da PETROBRA S,
aprovado pelo decreto n. 2.745/98, que regulamentou o disposto no art. 67 da Lei n. 9.478/97. O decreto
foi objeto do Parecer A C 15 da Advocac ia Geral da União, c om força vinculante para a Administ ração
Federal após a aprovação do Presidente da República . 4. O Acórdão TCU n. 18/2008, ora impugnado,
mantém o entendimento do TCU sobre a matéria, determinando que ​
até a ediç ão de lei dispondo s obre
lic itações e contratos das estatais e sociedades de economia mista, essas entidades devem obs ervar os
preceitos da Lei n. 8.666/93​
[fl. 3].6. Acrescenta que a Constituição do Brasil ​
dada a redação da EC
19/ 98, não recepcionou as disposições contidas no art . 67 da Lei n. 9.478/97​
. Afirma que o decreto n.
2.745/98 é ilegal, eis que ​
p adece de vício de incompetência, inovando na órbit a jurídica​
.7. A impetrant e
alega que o Tribunal de Cont as ignorou todos os precedentes des ta Corte s obre a mat éria, oriundos de
mandados de s egurança idênticos ao presente [MSs ns. 25.888 e 26.808, Relator o Ministro GILMAR
MENDES; 25.986, Relator o Ministro CELSO DE MELLO; 26.783, Relator o Ministro MARÇO AURÉ LIO;
26. 410, Relat or o Minis tro RICARDO LEW ANDOW SKI e MS n. 27. 232, decis ão monocrática que deferiu a
medida liminar pendente de public ação] .8. S ustenta que o P rocediment o Lic itatório S implificado aplica-s e a
stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/14772634/mandado-de-seguranca-ms-27337-df-stf?print=true

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Lembre-se.478/ 97. 177).num context o constitucional tot almente diferente do atual. na redaç ão da EC nº 9/95:"§ 1º A União poderá contratar com empresas estat ais ou privadas a realização das at ividades previs tas nos incisos I a IV deste art igo. liminarmente. s erão precedidos de procediment o lic itatório simplificado. não estão submetidas às regras rígidas de licitação e contratação da Lei nº 8. Requer. parece estar em confronto com normas constitucionais. que a livre concorrência press upõe a igualdade de condições entre os c oncorrentes. § 1º.745/ 98.MANDADO DE SEGURANÇA : MS 27337 DF todas as empresas do grupo P ETROB RAS. 9.666/93 ​ s ignifica retirar dela os mecanismos que lhe permit em sobreviver em ambiente cons tituc ional e infraconstit ucional de livre concorrência e regido em função das condições de merc ado. com a relativização do monopólio do pet róleo traz ida pela E C nº 9/95. ao alterar o t exto constitucional de 1988. e do Decreto nº 2. A hipótese previst a no art. refinação. apesar de t er mantido o monopólio es tatal da atividade econômic a relacionada ao pet róleo e ao gás natural e outros hidrocarbonet os fluidos . a cumprir as ex igênc ias da Lei nº 8. 12. O Minist ro GILMAR MENDE S. tenho enfatizado que a ampla legit imação stf. Decido. § 1º. as que delimit am as competênc ias do TCU (art. contra os quais investe a ilegal e abusiva dec isão objet o des te mandado de s egurança​ [ fl. de modo que ​ o entendiment o acerca da inc onstitucionalidade de tais normas. 5]. deferiu medida liminar requerida pela PETROBRA S nos seguintes termos: " A EC nº 9/ 95. 1. 177.1963. acabou c om o monopólio do exercício des sa at ividade. permitindo que empresas privadas participem dess a atividade econômic a. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público". c oncedendo-se a ordem para rec onhec er a ilegalidade e abusividade do ato que viola direito líquido e cert o da impet rante.125/2007. que relativiz ou o monopólio do petróleo. da Constit uição. 10].11. A referida regra sumular foi aprovada na S essão Plenária de 13. de 1965. 37 da CRFB. Alega que vinc ular os procedimentos lic itatórios da companhia aos preceitos da Lei n. o qual aprova o regulament o lic itatório s implificado da Petrobrás. as atividades de pesquisa. da CRFB/88.13.com. 478/97. 177). a suspensão dos efeit os do Acórdão TCU n. o exerc ício de suas at ribuições. A Lei nº 9. Segundo o dis posto no art. disciplina a mat éria. transport e marítimo e transporte por meio de conduto (incis os I a IV do art.666/ 93. 18/ 2008. lavra. assim como da eficiência imposto pelo c aput do art. Em s eu artigo 67.br/jurisprudencia/14772634/mandado-de-seguranca-ms-27337-df-stf?print=true 2/3 . para aquisição de bens e s erviç os.jusbrasil. Em es critos doutrinários. remete à lei a disciplina dessa forma especial de contrat ação. seria ins uficiente para afast ar sua aplicação​ [fl. podem ser exercidas por empresas est atais ou privadas num âmbito de livre concorrência. que confirmou o Acórdão TCU n. 745. Não me impressiona o t eor da Súmula nº 347 dest a Corte. de contratos administrativos de c onces são de exploraç ão de bem público. E m out ros t ermos . s egundo o qual"o Tribunal de Contas.14/12/13 STF . pelo Tribunal de Contas da União. 177. a E C nº 9/95. importaç ão. observadas as c ondiç ões estabelecidas em lei" . a ser definido em decret o do Presidente da República". No entant o. é preciso levar em conta que o tex to constit ucional de 1988 introduziu uma mudança radical no nosso sist ema de controle de c onstitucionalidade. 67 da Lei nº 9.666/ 93. embora submetidas ao regime de monopólio da União. 71). A submiss ão legal da Petrobrás a um regime diferenciado de licitação parece estar jus tific ado pelo fato de que. a empresa pass ou a exerc er a atividade econômic a de exploração do petróleo em regime de livre competiç ão com as empresas privadas concessionárias da atividade. A matéria está regulamentada pelo Dec reto nº 2. deixa explícito que"os contratos celebrados pela Petrobrás. nesse sent ido. frise-se. por parte do impetrado TCU. em caso análogo ao presente.Ass im. que int roduz iu em noss o sis tema o controle abst rato de normas. admitia-s e como legítima a recusa. cont inuou a abrigar o monopólio da atividade do petróleo. portanto. por parte de órgãos não-jurisdicionais . mediant e a celebraç ão.10. assim como aquelas que conformam o regime de exploração da atividade econômica do pet róleo (art . É o relatório. mormente as que traduzem o princípio da legalidade. export ação. obrigando a Petrobrás . de 1998. flex ibilizou a sua execução. à aplicação da lei cons iderada inconst itucional. porém. a declaração de inconstitucionalidade. 8. o que fere o princípio da razoabilidade. A conc essão de medida liminar em mandado de segurança pressupõe a coexistênc ia da plaus ibilidade do direito invocado e do receio de dano irreparável pela demora no deferimento da ordem. conseqüentemente. Des sa forma. c om a União. as quais . do art.12. At é o advent o da Emenda Constitucional nº 16.

No mes mo sentido as decisões monocráticas proferidas nos MSs ns. DJ de 30.Bras ília.br/ juris prudencia/ 14772634/mandado-de-seguranca-ms-27337-df-stf stf. de maneira radical. 18/2008. o proces so de cont role abstrato de normas c umpre entre nós uma dupla função: atua tanto como inst rumento de defesa da ordem objetiva. ​ a​ . Disponível em : htt p://s tf. o c írculo de entes e órgãos legit imados a provoc ar o Supremo Tribunal Federal.232. c om a inevitável poss ibilidade de se submeter qualquer questão constitucional ao Supremo Tribunal Federal. nos pont os em que determina a aplicação dos preceitos da Lei n. de que s ou Relator. ​ 14.br/jurisprudencia/14772634/mandado-de-seguranca-ms-27337-df-stf?print=true 3/3 . É gratuito.P ublique-se.MANDADO DE SEGURANÇA : MS 27337 DF conferida ao controle abstrato.até o julgamento final deste mandado de segurança. 8.jusbras il. 1º. A doto como razão de decidir os argumentos expendidos pelo Ministro GILMAR MENDES nos autos do MS n. 6. quanto c omo instrumento de defesa de pos ições subjetivas. Citem-se as litisconsort es nec essárias. ao ampliar. Tais fatores est ão a indic ar a nec essidade da sus pensão cautelar da decisão proferida pelo TCU. B asta se cadastrar. Relator o Minist ro CE LSO DE MELLO. Parece quase intuit ivo que.348/64. 15. para suspender os efeitos do Acórdão TCU n.com.Relat or Ver na Íntegra Veja ess a dec isão na íntegra. As sim.14/12/13 STF .jusbrasil. acabou o constit uinte por restringir. está a demonst rar a necessidade de se reavaliar a subs istência da Súmula 347 em fac e da ordem cons tituc ional inst aurada com a Constit uição de 1988. Defiro a medida liminar. 27. recent ement e. 21 de maio de 2008. da Lei n. MS n. Relator o Ministro RICA RDO LEWANDOWSKI. 1. operou uma mudança subst ancial no modelo de controle de constitucionalidade até então vigente no Brasil. até julgament o final do pres ente writ.986. Minis tro E ros Grau. diante das c onseqüências de ordem econômic a e política que serão suportadas pela impetrante caso tenha que cumprir imediatamente a dec isão atacada. verificada desde então.410. no proces so de controle abstrato de normas. que confirmou o Acórdão TCU n. A urgência da pretensão c autelar também parece clara. com decisão que deferiu a medida liminar pendente de public ação.07.com. 26. 25. e.888. 4. de forma signific ativa. A amplit ude do direito de propositura faz c om que até mesmo pleitos tipic ament e individuais s ejam submetidos ao S upremo Tribunal Federal mediante aç ão direta de inc onstitucionalidade.125/2007.666/93.06. 25.a amplitude do controle difuso de cons tituc ionalidade. DJ de 2. a própria evolução do sis tema de controle de const itucionalidade no Brasil. Intime-se a autoridade c oatora para prestar informações no prazo do art. 3. Assim.