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Mauricio Ceceli - 20407217

Esse "Avosidade x maternidade: a avó como suporte parental na
adolescência" trata de um estudo de caso qualitativo a partir do atendimento
psicoterápico breve com orientação psicanalítica com uma jovem de 15 anos
com o pseudônimo Clara. Tem como objetivo compreender as peculiaridades
e dificuldades vivienciadas por uma adolescente, em busca do apoio narcísico
parental, solicita dos avós o amparo afetivo para suportar as mudanças que o
processo da adolescência lhe impõe.
Antes de explicar o caso, irei pavimentar o caminho com alguns saberes
necessários para o melhor entendimento do mesmo.
Na maioria dos casos, os avós são tidos como alicerce emocional e financeiro,
em outros, como o deste caso, substituição dos pais em seus papeis.
Há 4 tipos de avós, de acordo com Guthier:
- Encarregados: avós que cuidam dos netos, substituindo em vários
momentos os pais da criança.
- Especialistas: avós que dispõem de menos tempo e participam de apenas
algumas esferas na vida dos netos e se especializam nelas
- Passivos: avós que convivem pouco com os netos, que são os quaseausentes, por residirem em outra cidade, por exemplo.
- Realmente ausente: quando a relação com os netos é inexistente.
Quanto a adolescência, a palavra vem do latim adollacentia, e significa
processo de crescimento em direção à maturidade.
É nesse momento em que o adolescente logra romper os laços edipianos em
busca da sua própria identidade, apresentando comportamentos diferentes
dos quais foram estabelecidos dentre sua família. Porém, para tal surtir
efeito, o adolescente necessita do amparo narcísico dos pais. E, sendo assim,
os mesmos precisam ter uma identidade estruturada e organizada.
De acordo com relatos, ambas a avó e a mãe apresentam comportamentos
de pessoas presas na adulescência, ou seja, fase em que o indivíduo se
encontra preso entre a fase de adolescente e adulto, indentificando-se com
adolescentes e jovens que não conseguem renunciar às hesitações
adolescentes e entrar na vida adulta.
A família é estruturada de forma matriarcal, onde o avô é irrelevante perante
as decisões tomadas na família e o pai de Clara ausente. A avó diz querer sair
com as amigas e viver, porém se contém devido as responsabilidades para
com a filha e a neta, bem como o medo de "acordar morta". Isso denota os

totalizando 20 sessões. O estopim e queixa foram o comportamento de Clara apresentados na escola. Ao cuidar da neta. era seu atual namorado e futuro marido. Diz sentir falta da figura paterna e que gostaria de ter uma família tradicional. Todo conteúdo foi angariado a partir do processo de terapia com base em psicanálise e psicogerontologia. por exemplo. para reinvestir em novos objetos amorosos e sexuais. que segundo ela. É possível observar isso no boicote das iniciativas próprias de sua filha. impedindo que esta amadureça. .desejos de viver a própria maturidade e enfrentar a chegada da morte sem maiores preocupações. transfere o objeto de afeto para o namorado buscando uma sustentação narcísica. a perda de uma filha e a obrigação de encarar as próprias falhas. o que mais destaca essa dinâmica familiar intergeracional é o que desenhou uma jovem e um rapaz de mãos dadas dentro de um coração. que passa os finais de semana com o namorado e diz sentir falta da mãe. leia-se imaturidade. que foi divido em sessões semanais com duração de 50min. esse processo é tudo como uma "segunda chance" que possibilita uma forma de autorrealização emocional e de até evitar encarar sua mortalidade bem como seus assuntos inacabado. A mãe de Clara. pois haveria a diferenciação entre elas. a professora ou o "namorido". Seu pai é mencionado apenas quando relata que seu próprio nascimento é fruto de um encontro casual de seus pais de apenas uma noite. em que esta demonstrava um desejo erótico quase obsessivo pela professora e também o alto nível de absenteísmo na escola. Isso leva a crer que se trate de um movimento de afastameto do objeto amoroso da infância. suporte esse que a sua mãe não conseguia oferecer. Clara relata que a mãe tem dificuldades de conversar com ela. bem como alguns outros dados que me inspiraram a escrever esse trabalho como um todo levando todas as questões levantadas em consideração. deixando Clara a deriva e sem escolha a não ser buscar amparo na avó. por sua vez. representando ela e o "namorido". buscou na figura da avó um apoio ou suporte que lhe oferecesse acolhimento e contenção da própria imupulsividade que emergia com a eclosão da puberdade. O artigo conclui que enquanto Clara sobrevivia à violência de ser empurrada para um lugar. reagindo à ruptura com o mundo infantil. Dentre seus desenhos. Esse desenho era bastante semelhante com o que desenhara ao se referir a sua mãe e seu respectivo namorado. a mãe.

consequentemente. o que seria visto nessa corrente como uma reavaliação das relações a partir da visão de Clara a modo que ela possa entender sua identidade vai além dessa configuração. Clara aparenta sofrer ansiedade devido a reação do ego à ameaça da talvezperda do objeto amado. Essa fase deve ser superada de forma a sublimar esse desejo de apoio libidinal na mãe. de se tornar algo que não é e. ou seja. lidar com as dificuldades de não se enquadrar no que acha que esperam dela. mitigando o seu medo por repressão da consciência de ser. . visto que ela encontra-se no dilema de permanecer na adolescência ou transcender a fase adulta. internalizando e expressando de maneira saudável sua individualidade sem repercussões internas e/ou precisar se apoiar em sua mãe ou sua vó para tal. lograrei argumentar a favor da corrente existencialistafenomológica como metodologia de intervenção desse caso.Proposta de intervenção a partir da corrent Existencialistafenomenológica de Rollo May Embora o artigo nos dá a compreensão do case inteiramente através da ótica psicanalítica.