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Sistema Digestivo

Manuel Mariz
O Aparelho Digestivo é constituído por tubo digestivo – estende-se da boca ao ânus
órgãos/glândulas anexas
Segregam fluidos para o
tubo digestivo

pâncreas
fígado
bílis

Tubo Gastrintestinal (GI) refere-se apenas
ao estômago e intestinos. Muitas vezes é
utilizado com sinónimo de tubo digestivo

O tubo digestivo divide-se em diversas regiões:
1. Boca ou cavidade oral – com glândulas anexas/salivares e amígdalas
2. Faringe – com glândulas tubulares mucosas
3. Esófago – com glândulas tubulares mucosas
4. Estômago – tem muitas glândulas tubulares
5. Intestino delgado – constituído pelo duodeno, jejuno e íleo, tendo como
principais glândulas anexas o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas.
6. Intestino grosso – composto pelo cego, cólon, recto e canal anal, com glândulas
mucosas
Funções do Aparelho Digestivo – transportar os alimentos e assimilar
Ingestão – introdução alimentos (líquidos ou sólidos) no estômago
Mastigação – processo através do qual os alimentos são triturados pelos dentes.
As enzimas digestivas não conseguem penetrar com facilidade as partículas sólidas,
exercendo a sua acção apenas à superfície destas; por isso é que é importante
fraccionar os alimentos em partículas de pequenas dimensões. Facilita a acção das
enzimas digestivas

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Propulsão – movimento dos alimentos. Cada segmento do tubo digestivo está
especializado em promover o movimento do seu conteúdo da cavidade oral ao
ânus. A deglutição (acto de engolir) promove a passagem de sólidos e líquidos –
bolo alimentar – da cavidade oral para o esófago. O peristaltismo é responsável
pela progressão do conteúdo ao longo da maior parte do tubo digestivo. Nalguns
segmentos do intestino grosso, a progressão do conteúdo faz-se através dos
movimentos de massa, contracções que abrangem segmentos muito maiores do
que os movimentos peristálticos.

Mistura – as contracções segmentares são contracções de mistura que ocorrem
no intestino delgado
Secreção – à medida que os alimentos progridem no tubo digestivo, vão sendo
envolvidos em secreções que os lubrificam, liquefazem (as secreções contêm água
que liquefazem os alimentos, tornando-os mais fáceis de digerir e absorver) e
digerem.
Digestão – desdobramento das grandes moléculas orgânicas nos seus
componentes: glícidos em monossacarídeos, proteínas em aminoácidos,
triglicéridos em ácidos gordos e glicerol. As grandes moléculas necessitam de ser
desdobradas para que os seus componentes possam ser absorvidos pelo tubo
digestivo. A digestão divide-se em digestão mecânica, que envolve a mastigação e
a mistura dos alimentos; e digestão química, realizada pelas enzimas digestivas
segregadas ao longo do tubo digestivo. As vitaminas, os minerais e a água não são
desdobrados antes de serem absorvidos pois a modificação da sua estrutura
determina a perda da sua função.
Absorção – passagem das moléculas do tubo digestivo para a circulação sanguínea
ou linfática.
Eliminação – processo através do qual os resíduos da digestão são removidos do
organismo. Este processo ocorre principalmente no intestino grosso; a água e os
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Composta por 3 camadas:  Epitélio mucoso interno. Estes resíduos semi-sólidos – fezes – são eliminados pela defecação. do esófago ao ânus. uma circular (interna) e uma longitudinal (externa). muscular. uma camada de tecido conjuntivo laxo  Mucosa muscular. uma camada fina e externa de músculo liso Submucosa – camada espessa de tecido conjuntivo que contém nervos.sais são absorvidos. Os nervos da submucosa formam o plexo submucoso (plexo de Meissner) Muscular – músculo liso que se dispõe em duas camadas. estratificado  Lâmina própria. O plexo submucoso e o mientérico fotmam o plexo intramural ou entérico¸que desempenha um papel muito importante na regulação do movimento e da actividade secretora. Entre as duas camadas de túnica muscular encontra-se o plexo mioentérico. Histologia do tubo digestivo: O tubo digestivo é constituído por 4 camadas ou túnicas principais: mucosa (interna). Mucosa – túnica mais interna. Serosa ou Adventícia – camada de tecido conjuntivo Ana Moura ESEnfC 17 . Estas 4 túnicas estão presentes ao longo de todo o tubo. submucosa. tornando semi-sólido o material. vasos sanguíneos e pequenas glândulas. serosa (externa).

Estas segregam um fluido seroso que forma uma película lubrificante entre os seus folhetos. a que reveste a face interior do corpo é o peritoneu parietal. ou boca é a porção do tubo digestivo anteriormente pelos lábios. pâncreas e baço Infra cólico – abaixo do cólon transverso Intestino delgado.Regulação do Aparelho Digestivo Peritoneu As paredes da cavidade abdominal e dos órgãos nela contidos estão revestidos por membranas serosas. Cavidade oral propriamente dita – situa-se medialmente aos alvéolos dentários. cólon. A sua função é reduzir a fricção entre os órgãos durante os movimentos do abdómen. garganta. Ana Moura ESEnfC 18 . A membrana serosa que reveste os órgãos é o peritoneu visceral. A cavidade oral é revestida por epitélio pavimentoso estratificado. Vestíbulo (entrada) – espaço entre os lábios/bochecha e os alvéolos dentários 2. superiormente pelo palato. Andares Abdominais Supra cólico – acima do cólon transverso Fígado. que a protege de abrasão. vias biliares. A cavidade oral está dividida em duas regiões: 1. duodeno. abertura para a faringe). estômago. pequeno epíplon/omento. grande epíplon/omento Cavidade Oral A cavidade oral. lateralmente pela bochecha. inferiormente por um pavimento muscular. posteriormente pela fauce (orofaringe.

Ana Moura ESEnfC 19 .Lábios e Bochechas – pregas musculares formadas essencialmente pelo músculo orbicular dos lábios e tecido conjuntivo. O sulco terminal divide a língua em duas partes. A úvulo é uma projecção do bordo posterior do palato mole. As bochechas formam paredes laterais da cavidade oral e é constituída pelo músculo bucinador que a achata com os dentes. a amígdala lingual. Palato e Amígdalas Palatinas O palato resulta de duas partes:  uma óssea anterior. constituído por músculo esquelético e tecido conjuntivo. O 1/3 posterior da língua é desprovido de papilas. O palato mole é importante na deglutição. Os músculos associados à língua dividem-se em duas categorias:  Músculos intrínsecos – contidos na língua. Os lábios e as bochechas são importantes nos processo da mastigação e fala. A parte anterior ao sulco terminal corresponde a cerca de 2/3 da sua superfície e está coberta por papilas. algumas das quais com receptores gustativos. o palato mole ou véu palatino. A partir dos alvéolos dentários dos maxilares inferior e superior prolongamse um ou mais freios – pregas mucosas em direcção aos lábios superior e inferior. No início um grande aglomerado de tecido linfóide. As amígdalas palatinas estão localizadas nas paredes laterais da orofaringe. o palato duro  uma não-óssea posterior.  Músculos extrínsecos – externos à língua mas ligados a ela. permitem a protusão e retracção da língua e a sua movimentação lateral. respectivamente. responsáveis pelas mudanças de forma da língua. Língua – órgão muscular que ocupa a maior parte da cavidade oral propriamente dita quando a boca está fechada. impedindo a passagem dos alimentos para a cavidade nasal.

O movimento dos maxilares está dependente dos temporais (fecham o maxilar). No interior do dente existe a cavidade pulpar. o primeiro e segundo pré-molares e o primeiro. Incisivos e caninos (anteriores) – cortar e rasgar os alimentos Pré-molares e molares – esmagá-los e triturá-los. segundo e terceiro molares. Os dentes podem ser divididos em 4 quadrantes: superior direito. Os dentes estão ancorados nos alvéolos pelos ligamentos periodontais (à volta dos dentes). Mastigação Os alimentos introduzidos na boca são mastigados pelos dentes. uma maxilar e outra mandibular. Coroa clínica – corresponde à porção do dente visível na cavidade oral Coroa anatómica – corresponde à porção do dente revestida por esmalte – protege os dentes da abrasão e dos ácidos produzidos pelas bactérias da boca. distribuídos por duas arcadas dentárias.Dentes Adultos – 32 dentes. A distribuição de cada metade é simétrica da outra. Os terceiros molares são designados por dentes do siso. superior esquerdo. inferior esquerdo. inferior direito. Em cada quadrante existem um incisivo central e um lateral. um canino. Os dentes estão embutidos nos alvéolos ao longo dos processos alveolares da maxila e da mandíbula. um colo e uma raiz. pterigoideus internos (fecham o maxilar)e pterigoideus externos (abrem o maxilar). Cada dente é constituído por uma coroa com uma ou mais cúspides (pontas). masseteres (fecham o maxilar). Ana Moura ESEnfC 20 .

os alimentos só passam pela orofaringe e pela laringofaringe. regia jugal (glândulas bucais) e lábios (glândulas labiais). mistas. produzem principalmente saliva aquosa. Normalmente. A laringofaringe estende-se da orofaringe ao esófago e é posterior à laringe. Há 3 pares de grandes glândulas multicelulares:  Parótidas – maiores de todas. localizadas imediatamente abaixo da mucosa do pavimento bucal. localizadas anteriormente ao ouvido de cada lado da cabeça. A ausência de secreções salivares aumenta a probabilidade de ulceração e de infecção da mucosa oral e o aparecimento de cáries dentárias. A orofaringe comunica anteriormente com a boca. médio e inferior. orofaringe e laringofaringe. do palato (glândulas palatinas). Todas as glândulas salivares de maior dimensão são constituídas por glândulas alveolares.  Submandibulares – mistas.  Sublinguais – mais pequenas de todas. Existem muitas outras: por baixo do epitélio da língua (glândulas linguais). Ana Moura ESEnfC 21 . As secreções destas glândulas ajudam a manter a cavidade oral húmida e iniciam o processo da digestão. A saliva limpa a cavidade oral. As paredes posteriores da orofaringe e laringofaringe são constituídas por 3 músculos: os constritores da faringe superior.Glândulas Salivares – distribuídas pela cavidade oral. com mais alvéolos mucosos do que serosos. prevenindo infecções bacterianas. Faringe – subdivide-se em: nasofaringe. com mais alvéolos serosos do que mucosos.

Esta fase é involuntária e dura 1-2 segundos. faríngea e esofágica Na fase cefálica forma-se um bolo alimentar na boca que é empurrado pela língua contra o palato duro. e movimenta-o no sentido do esófago. posteriormente. Deglutição – pode dividir-se em 3 fases distintas: cefálica. A entrada e saída de conteúdo do esófago é controlada pelo esfíncter esofágico superior e pelo esfíncter esofágico inferior ou cárdia. As contracções musculares das paredes do esófago geram ondas peristálticas. A presença de alimentos no esófago estimula o plexo intramural. contraem-se consecutivamente forçando a progressão dos alimentos na faringe. anteriormente às vértebras e posteriormente à traqueia Passa através do hiato esofáfico do diafragma e termina no estômago.Esófago – parte do tubo digestivo que se estende da faringe ao estômago. A fase esofágica demora cerca de 5 a 8 segundos e é responsável pela progressão dos alimentos da faringe para o estômago. Os músculos constritores da faringe superior. As contracções peristálticas associadas à deglutição levam ao relaxamento do esfíncter esofágico inferior à medida que as ondas peristálticas e o bolo alimentar se aproximam do estômago. Transporta os alimentos da faringe até ao estômago. Estes movimentos impedem a passagem dos alimentos através da abertura para o interior da laringe. forçando a sua progressão para a parte posterior da boca e depois para a orofaringe. Tem aproximadamente 25 cm de comprimento. A faringe eleva-se para receber o bolo alimentar da boca. A fase faríngea é reflexa e inicia-se com a estimulação dos receptores tácteis na área da orofaringe. que recebe os alimentos. que controla as ondas peristálticas. Ana Moura ESEnfC 22 . Situa-se no mediastino. médio e inferior. submucosa. As paredes do esófago são espessas e compostas pelas 4 túnicas características do tubo digestivo: mucosa. muscular e adventícia. Durante esta fase as cordas vocais movem-se em direcção medial e a epiglote inclina-se. Simultaneamente o esfíncter esofágico superior relaxa e a elevação da faringe abre o esófago.

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Estas pregas permitem a distensão da mucosa e da submucosa. definindo a grande curvatura (interno) e a pequena curvatura (externo). À abertura entre o estômago e o intestino delgado dá-se o nome de piloro. as pregas gástricas. no cárdia (esfíncter esofágico inferior). oblíqua Camada submucosa – vasos nervosos Camada mucosa – glândulas Quando o estômago está vazio a mucosa e a submucosa formam grandes dobras. o esfíncter pilórico. que é circundado por um anel de músculo liso. desaparecendo quando o estômago se encontra cheio. O corpo estreita-se e forma a região pilórica que se abre no intestino delgado. longitudinal uma média. Região à esquerda do cárdia. Nos jovens – porção horizontal pouco desenvolvida Sexo feminino – porção vertical mais desenvolvida Relações Anatómicas Face superior – diafragma Face inferior – cólon transverso e o seu mesocólon. e ansas do intestino delgado Face anterior (fundo) em cima – grelha costal (corpo e centro) em baixo – parede abdominal Face posterior – pâncreas e duodeno Face interna – peritoneu Face externa – peritoneu e baço Tipos de Estômago Tipo Hipertónico Tipo Ortónico Tipo Hipotónico Tipo Atómico – sem forma Histologia do Estômago A serosa ou peritoneu visceral é a camada mais externa do estômago A camada muscular é composta por 3 túnicas: uma externa. que curva para a direita. Ana Moura ESEnfC 24 . circular e uma interna. Maior região do estômago é o corpo.Anatomia do Estômago O esófago abre-se no estômago. o fundo.

As células principais das glândulas gástricas segregam pepsinogénio. forma inactiva da pepsina. factor intrínseco e pepsinogénio. A superfície da mucosa apresenta muitos orifícios gástricos tubulares. Quando o pepsinogénio entra no lúmen Ana Moura ESEnfC 25 .Grupos e Tipos de Células O estômago é revestido por epitélio cilíndrico simples. que são as aberturas das glândulas gástricas. As células epiteliais do estômago podem ser divididas em 5 grupos: Células mucosas da superfície – produzem muco Células mucosas do colo – produzem muco. localizadas perto da abertura das glândulas Células parietais – produzem ácido clorídrico Células principais – produzem pepsinogénio Células endócrinas – produzem hormonas reguladoras Encontram-se intercaladas na porção mais profunda das glândulas Secreções Gástricas Os alimentos ingeridos misturam-se com as secreções gástricas formando o quimo. histamina. gastrina. inactivando a amilase salivar e cria um meio com pH favorável à actuação da pepsina. ácido clorídrico (responsável pelo pH gástrico. que é armazenado nos grânulos zimogénicos. O estômago segrega muco. enzima que degrada as proteínas O pH gástrico baixo é ideal para matar bactérias e também interrompe a digestão dos glícidos. normalmente situado entre 1-3).

A estimulação parassimpática da mucosa gástrica conduz à libertação do neurotransmissor acetilcolina. 2. gástrica e intestinal. secretina. A regulação da secreção gástrica pode ser dividida em 3 fases: cefálica. Quando o pH do quimo que entra no duodeno é igual ou inferior a 2 ou se o quimo contiver produtos da digestão das gorduras. Fase intestinal – fase controlada pela entrada do conteúdo gástrico ácido no duodeno. Os estímulos químicos que regulam a secreção gástrica incluem as hormonas gastrina. As soluções ácidas no duodeno provocam a libertação da secretina no sistema circulatório. as secreções gástricas são inibidas. A gastrina é liberada para a circulação e quando atinge as células parietais estimula a secreção de mais ácido clorídrico e de pepsinogénio.gástrico é convertido em pepsina pelo ácido clorídrico e pelas moléculas de pepsina previamente existentes. 1. A presença de soluções hipertónicas no duodeno e no jejuno também inibem a secreção gástrica Ana Moura ESEnfC 26 . A secretina inibe a secreção gástrica. A secreção gástrica é regulada por mecanismos nervosos e hormonais. Regulação da Secreção Gástrica A quantidade e o tipo de alimentos ingeridos têm grande influência na produção de suco gástrico. Os principais estímulos são a distensão gástrica e a presença de aminoácidos e péptidos no estômago. A presença de ácidos gordos e outros lípidos no duodeno e na porção proximal do jejuno provocam a libertação de 2 hormonas: o polipéptido inibidor gástrico (PIG) e a colecistoquinina. 3. A presença de quimo no duodeno activa os mecanismos nervosos e hormonais. Os potenciais de acção originados no bulbo raquidiano percorrem os neurónios parassimpáticos do nervo vago (X) em direcção ao estômago. lembranças agradáveis da comida estimulam os centros bulbares que influenciam a secreção gástrica. Ambas inibem a secreção gástrica. Fase cefálica – paladar. cheiro. Fase gástrica – fase iniciada com a presença de alimentos no estômago. embora o PIG actue muito mais a esse nível. Fase em que é produzido o maior volume de secreções gástricas. que aumente a actividade secretora das células parietais e principais e estimula as células endócrinas a produzir gastrina e histamina. polipéptido inibitório gástrico (PIG) e colecistoquinina.

Movimentos do Estômago Mistura do Conteúdo Gástrico Os alimentos ingeridos são bem misturados com as secreções das glândulas gástricas. Ana Moura ESEnfC 27 . formando o quimo. O conteúdo gástrico mais sólido concentra-se no centro do estômago e é empurrado para o cárdia para ser digerido. As ondas peristálticas têm uma frequência menor mas são muito mais fortes que as ondas de mistura. Esta mistura é conseguida por ondas de mistura suaves.

espessura e número de vilosidades. As contracções peristálticas responsáveis pelo movimento do quimo através do piloro parcialmente encerrado constituem a bomba pilórica. Ana Moura ESEnfC 28 . o estômago esvazia-se após 3-4 horas.Esvaziamento Gátrico – o tempo de permanência dos alimentos no estômago depende de vários factores. Cada contracção peristáltica faz com que uma pequena quantidade de quimo passe para o duodeno. incluindo o seu tipo e volume. Jejuno e Íleo. através do piloro. Intestino Delgado – mede entre 6-8 metros e diminui gradualmente o diâmetro. Regulação do Esvaziamento Gástrico Se o estômago se esvaziar muito rapidamente. o conteúdo gástrico altamente ácido pode lesar a parede gástrica e reduzir a velocidade de digestão e absorção dos nutrientes. Se a velocidade de esvaziamento for muito lenta. a eficácia da digestão e absorção é diminuída. É no intestino delgado que ocorre a maior parte da digestão e absorção. Considerando uma refeição normal. Está dividido em 3 porções: Duodeno.

ANATOMIA DO INTESTINO DELGADO Duodeno – inicia-se numa porção superior.Duodeno – 20-30 cm Jejuno – 2/5 comprimento intestino delgado. e termina numa curvatura pronunciada. onde termina o piloro. no final da qual se une ao jejuno. o fígado e o pâncreas. Inicia-se ao nível do flanco esquerdo. Ana Moura ESEnfC 29 . estão ligadas ao duodeno.5 m Íleo – 3/5 do intestino delgado. órgão de absorção por excelência. aproximadamente 2. cerca de 3.5 m As duas glândulas anexas principais.

termina no ângulo duodenojejunal Relações Anatómicas Face superior – estômago Face inferior – cólon transverso e ansas do intestino delgado Face anterior – fígado (dta) e estômago (esq) Face posterior – a aorta e veia cava inferior Ana Moura ESEnfC 30 . as microvilosidades. disposição vertical  3ª porção – 9 cm. As vilosidades apresentam numerosas extensões plasmáticas.Superfície interna – pregas circulares que aumentam a área de absorção. que aumentam ainda mais a superfície. Histologia – mucosas A mucosa do duodeno é formada por epitélio cilíndrico simples. vilosidades. com 4 tipos de células: Células de Absorção – com microvilosidades que produzem enzimas digestivas e absorvem nutrientes Células Calciformes – produzem muco protector e facilitam a progressão Células Granulares – protegem o epitélio intestinal contra bactérias Células Endócrinas – produzem hormonas reguladoras Divisão – 4 porções  1ª porção – 5 cm. quase horizontal  4ª porção – com trajecto ascendente. disposição horizontal  2ª porção – 10 m.

produção de nutrientes. Está localizado no quadrante superior direito do abdómen. Hilo hepático – dá entrada ao sistema porta: artéria hepática. canal hepático comum. Veias hepáticas drenam para a veia cava inferior.Jejuno Mucosa A este nível existem Placas de Peyer Submucosa Nódulos linfáticos Íleocecal Íleon Esfíncter ileocecal – válvula ileocecal: faz a transição do ileon para o cego Intestino Grosso Fígado – órgão anexo É o maior órgão interno do corpo. veia porta. digestivos e excretores. sintetizados de novas moléculas. Cada lobo tem vários lóbulos hexagonais com uma veia central hepática em cada um deles. Fígado – purificação química de nocivos. Ana Moura ESEnfC 31 . apoiado contra a face inferior do diafragma. armazenadas.

Funções do hepatócito: Síntese bílis – produz e segrega a bílis Armazenamento Biotransformação – capacidade de convertes os nutrientes. globulinas. canal hepático esquerdo e direito dão origem ao canal hepático comum. localizada na face inferior do fígado A sua parede é constituída por 3 túnicas: Uma interna. Canais hepatócitos – recolhem a bílis sintetizada no fígado. mucosa com pregas que lhe permitem expandir-se Uma muscular que lhe permite contrair-se Uma exterior serosa. alguns factores de coagulação.A face inferior aloja a vesícula e veia cava inferior. lípidos e glicose Síntese dos componentes do sangue – albumina.… Vesícula Biliar – órgão anexo Estrutura sacular. fracciona/metaboliza aminoácidos para produzir trifosfato de adenosina. de revestimento Ana Moura ESEnfC 32 .

A vesícula biliar liga-se ao canal biliar comum através do canal cístico. Pâncreas – órgão anexo Ocupa parte do epigastro e hipocôndrio esquerdo. Dietas drásticas com perdas rápidas de peso podem favorecer a produção de cálculos biliares. Morfologia Externa Cabeça – localizada na curvatura do duodeno Colo ou istmo – faz a ligação entre a cabeça e o corpo Corpo – é contornado atrás e em cima pela artéria esplénica Cauda – estende-se até ao baço Canais excretores: canal de wirsung (grande papila) e canal de Santorini (pequena papila) Histologia O pâncreas é uma glândula mista Ana Moura ESEnfC 33 .

o quimo é transformado em fezes. cólon. Ligado ao cego existe o apêndice vermiforme. Os movimentos do cólon são mais lentos do que os do intestino delgado. Durante a permanência no cólon. recto e canal anal.Intestino Grosso – porção do tubo digestivo que se estende da junção ileocecal até ao ânus. Cego – porção proximal. Composto pelo cego. iniciando-se na terminação inferior do recto e terminando no ânus (abertura externa do tubo digestivo). local onde o intestino delgado e o intestino grosso se unem na junção ileocecal. é o segmento terminal do tubo digestivo Canal anal – últimos 2-3 cm do tubo digestivo. Ânus – camadas musculares Esfíncter interno Esfíncter externo Ana Moura ESEnfC 34 . Cólon – divide-se em 4 partes:  Cólon ascendente  Cólon transverso  Cólon descendente  Cólon sigmoideu – tubo em forma de “S” que se prolonga para o interior da bacia e termina no recto. Recto – tubo muscular que começa na terminação do cólon sigmoideu e termina no canal anal.

os polissacarídeos vão sendo desdobrados em moléculas com cadeias menores. com a digestão parcial dos amidos por acção da amilase salivar. dissacarídos como a sacarose (açúcar vulgar) e a lactose (açúcar do leite) e monossacarídeos como a glicose e a frutose. esteróides e as vitaminas lipossolúveis. Gorduras em ácidos gordos e glicerol. A absorção e transporte são os meios pelos quais as moléculas são removidas do tubo digestivo para a circulação. favorecendo a digestão. Uma vez absorvidos. Durante a digestão. Este processo é realizado pela intervenção dos sais biliares. de forma a serem distribuídas pelo corpo. Quando a micela entra em contacto com o epitélio do intestino delgado o seu conteúdo passa por difusão simples através da membrana plasmática das células epiteliais. A digestão dos glícidos inicia-se na cavidade oral. como o amido e o glicogénio. No estômago dá-se também parte da digestão pela acção da amilase gástrica e da gelatinase. Digestão mecânica – fraccionamento das partículas alimentares Digestão química – realizada pelas enzimas digestivas que quebram as ligações covalentes das moléculas orgânicas. O primeiro passo na digestão dos lípidos é a emulsificação. A emulsificação ao diminuir o tamanho das gotículas aumenta a área exposta à acção da enzima. transformando-se em dissacarídeos e monossacarídeos. Proteínas em aminoácidos. os sais biliares agregam-se à volta das pequenas gotículas para formar micelas. Absorção e Transporte A digestão consiste no desdobramento das moléculas dos alimentos ingeridos noutras suficientemente pequenas para poderem ser absorvidas para a circulação.Digestão. a transformação de grandes gotículas de lípidos em gotículas menores. fosfolipidos. Após a digestão dos lípidos no intestino. segregados pelo fígado e armazenados na vesícula biliar. Fazem parte deles os triglicerídeos. Glícidos – ingerimos principalmente polissacarídeos. Glícidos são desdobrados em monossacarídeos. Ana Moura ESEnfC 35 . os nutrientes são transportados a diferentes partes do organismo por 2 vias diferentes. A lipase (segregada principalmente pelo pâncreas) digere moléculas lipídicas. Continua a ser digerido no intestino pela acção da amilase pancreática Lípidos – moléculas insolúveis ou pouco solúveis em água. As enzimas que intervêm na digestão dos lípidos são hidrossolúveis e actuam apenas à superfície das gotículas.

as enzimas proteolíticas (produzidas pelo pâncreas) continuam o processo digestivo. tripéptidos e aminoácidos pelas peptidases Ana Moura ESEnfC 36 .Proteínas A pepsina (segregada pelo estômago) catalisa a clivagem das ligações covalentes das proteínas. Estas são desdobradas em dipéptidos. Quando as proteínas saem do estômago. transformando-as em cadeias polipeptídicas menores.