You are on page 1of 3

CINCO EXERCÍCIOS DE OBSERVAÇÃO PARA UM INCENDIO QUASE SILENCIOSO

GRAMÁTICA PRIMEIRA
agora acorda o dia / o saúdo com um poema / que peguei indo na pia / agora chega o dia / essa
porção anonimata / pisando nos passos / da Pegada /
pode até ser / que haja algum sentido / o que não quer dizer / que faço dele meu partido /
a mim me interessa o raio de sol / refletido nessa água / interessa o caminho do conflito / as
espumas da vaga /
CONVULSIVAS
e silenciosas / silenciam o sino do cio / que estala na Manhã / em que abro o livro do livro da
Noite / sua Amiga / sua Irmã /
mas se eu estalar os dedos / em plena luz da aurora / pode ser que o vento venha / e que nele
eu vá embora /
Eu?! /
está lá Fora.
...
DIONISIUS
se existe uma luz
que te incomoda
se acomode com a luz
ou feche a porta
e estes seus olhos
banhados pela poeira
que te quer, que te adora
que ao te ver se ajoelha
ajoelha como essa luz
cristal de água no seu
crespo cabelo
espelho do olho seu
com todas as cores
quando se fecha
é o grilo que beija
a nuca da manhã
anunciando a Festa.
...

ASSOPRO-OUTRO enquanto os animaizinhos pulam no telhado podemos nos distrair olhando pra essa labaredazinha no canto da nossa sala escura enquanto as crianças se ajoelham ao cataclismo podemos rugir enquanto os tambores do vácuo estalam pelas membranas do espaço enquanto o cavalo branco da salvação salta uma vez mais do penhasco podemos cravar a lua a flechadas de veneno outra vez outra vez as estrelas abandonarão outra vez os lagos encolher-se-ão e sem mais vagidos sábios. no grande cio abismal dos templos em ruinas varridos por ventos nuvens neblinas para o cachorro velho que dorme à sombra do assassino que dança com sua Sombra até os confins do Nada. vagidos sem sorriso nem aflição o vento cantará sua canção para os animaizinhos histéricos que hão de nesse solo brotar como sempre brotaram e sempre brotarão até os confins da éter-nidade para as luas caidas.. sempre de pernas abertas. . vagidos tolos.. MAR A MAR o corte que faço na crista do dia é pele empenada sopro que arrepia na crista da onda o corte do dia a pele num sopro faz que arrepia o pelo da onda na areia do dia arde num sopro .

.bafejo que esfria a pele da onda no corte arrepia arrepia e sonda a medida do dia a dia que é onda num corte sem dia corre até a sombra na sombra se esfria... . LATCHO DROM quando suas mãos tensas tocarem a vermelhidão absurda do crepusculo sangrento grita olhando a nova lua bate o pé no firmamento sapateia essa vaca sua sacode como cão sarnento quando seu vagido se transformar em serpente verde rodopiante vê esse Olho a desembocar no veneno mais brilhante o veneno desse olhar que se lança com a pele e o grito desses cabelos na ferida que não se fere na embolada louca dessas matracas dos paraísos são umbrais mirando fixo o Abismo dormindo entre animais.