Aula 05

Regulação para Técnico Administrativo - ANVISA
Formas de regulação: regulação de preço; regulação de entrada; regulação de
qualidade.
Professor: Thiago Alves

Aula 05 – Formas de regulação: regulação de preço; regulação de
entrada; regulação de qualidade.

Olá, parceiro (a)!
Como vão os estudos?

Aproveito a oportunidade para te dizer o seguinte: VOCÊ é quem deve
determinar o seu ritmo de estudos! ISSO MESMO, VOCÊ!!! Não adianta nada eu
te pedir para virar noites e mais noites em claro estudando, sem que você consiga
absorver todo o conteúdo. Nosso corpo precisa descansar... recarregar as
energias... É óbvio, entretanto, que você não vai usar apenas vinte minutos do
seu dia para estudar né?!
Então vamos combinar uma coisa? Você dita o seu ritmo de estudos,
mas nada de fazer corpo mole, OK?!

E aí, animado (a) para encarar mais uma aula?

Conforme nosso cronograma, abordarei nessa aula o tópico: “FORMAS DE
REGULAÇÃO: REGULAÇÃO DE PREÇO; REGULAÇÃO DE ENTRADA; REGULAÇÃO
DE QUALIDADE”.
Esse assunto é um pouco complexo, mas bem interessante!
Obs.: não se assuste com o número de páginas! Teremos muitas questões
comentadas, e isso ocupa bastante espaço rsrs.

Vamos começar?

Sumário
1. Formas de Regulação .......................................................................... 04
2. Regulação de Preços............................................................................ 07
2.1 Regulação pelo Custo do Serviço ......................................................... 09
2.2 Regulação por Incentivos ................................................................... 13
2.3 Tarifação pelo Sistema Price-Cap ........................................................ 14
2.4 Sliding Scale Plane ............................................................................ 20
2.5 Yardstick regulation ........................................................................... 22
3. Regulação da Quantidade e da Qualidade ............................................... 23
4. Regulação de Entrada e Saída .............................................................. 25
4.1 Noções de Defesa da Concorrência ...................................................... 33
4.2 O caso dos Monopólios Naturais .......................................................... 45
4.3 As Indústrias de Rede ........................................................................ 50
5. Regulação para Competição ................................................................. 55
6. Questões Comentadas ......................................................................... 58
7. Lista das Questões Apresentadas em Aula .............................................. 88
8. Gabarito das Questões Apresentadas em Aula ........................................ 98

Viabilizar a concorrência em determinados setores da economia.Estimular a inovação (identificando oportunidades de novos serviços. podemos destacar.Uma regulação setorial.Evitar o abuso do poder de mercado. de forma compatível com os níveis desejados de qualidade do serviço. removendo obstáculos e promovendo políticas de incentivo à inovação). - Assegurar a padronização tecnológica e a compatibilidade entre equipamentos. garantindo o serviço sem altos custos para o usuário. . não atingidos/atingíveis pelo simples estabelecimento de um regime concorrencial. . dentre eles: . . bem como a qualidade desse serviço. . Alguns autores defendem que o processo de regulação se subdivide em: . a qual abarca a regulação de setores específicos da economia. . bem como reduzir as falhas de mercado.1 – Formas de Regulação Você se lembra de quando eu mencionei (no início do nosso curso) que os objetivos da regulação econômica são diversos? Pois bem! Nesse sentido.Uma regulação geral. .Estabelecer canais para atender a reclamações dos usuários ou consumidores sobre a prestação dos serviços. que abarca tanto atividades anticoncorrenciais quanto a defesa do consumidor .Buscar a eficiência econômica.Proporcionar a consecução de objetivos de ordem social pautados em políticas públicas. .Garantir a segurança e proteger o meio ambiente. . assegurando a menor diferença entre preços e custos.Assegurar o serviço universal.

A tarefa regulatória reveste-se de grande complexidade. os objetivos da regulação podem (numa visão imediata).tanto na proteção do consumidor. Ou ainda. adotando um ponto de vista macro e de longo prazo. a fixação de obrigações de ampliação nas coberturas assistenciais (por exemplo. interesses de políticas públicas em calibrar a competição num dado setor etc. ainda.Segundo essa divisão. há também interesses gerais. o plano de regulação geral . regulação setorial e a regulação geral podem ser enxergadas como dois planos distintos que se entrecruzam: se existem pressupostos específicos a justificar a regulação setorial (interesses sociais na atividade. Um exemplo claro disso é a universalização de determinados serviços prestados sob regime de monopólio (com significativas economias de escala). no setor de assistência suplementar à saúde). Por vezes.). fazendo com que o comportamento das firmas seja de difícil. quanto na proteção da concorrência . representar ineficiências econômicas. Todavia. interesses nacionais em regrar o uso de bem escasso.perpassaria todos os segmentos da ordem econômica. que o foco do processo de regulação poderá priorizar objetivos sociais que vão além da “simples” consecução de eficiência econômica nos mercados. sujeitos ou não a regulação específica. Você deve ter em mente. setorializada. consagrados constitucionalmente. tendo em vista a existência de diversas dificuldades decorrentes da assimetria de informações próprodutores. oriundos de políticas públicas. poderá proporcionar ganhos muito superiores em termos de eficiência ao mercado. voltados a proteger o consumidor e à preservação da competição enquanto pressuposto da própria ordem econômica. o que inicialmente fora taxado como ineficiente em termos econômicos. custosa . sobretudo pela ampliação da demanda. Não obstante.

de cada uma dessas formas de regulação. Pois bem! Já vimos que a regulação econômica se refere a imposições feitas pelo governo em relação aos seguintes itens: .e complexa monitoração por parte dos órgãos reguladores.Quantidades. . Isso interfere diretamente nos mecanismos utilizados pelas Agências Reguladoras para regular determinado mercado. a partir de agora.Número de firmas. como veremos nessa Aula. Vamos em frente? . .Preços.Qualidade dos serviços. . Trataremos.

Caso a preocupação do regulador seja um mercado com empresas que praticam preços excessivos. No caso de valores limites. por exemplo (esse é o caso da maioria dos setores regulados). No caso de uma concessão de serviço público. esse reajuste é previsto na . quanto sobre o valor mínimo.2 – Regulação de Preços A regulação pelo preço envolve uma séria de mecanismos. de forma a prejudicar os demais concorrentes. o REAJUSTE TARIFÁRIO é um processo simplificado onde se tenta manter o poder de compra do concessionário de serviço público (indústria regulada). preciso que você conheça dois conceitos importantes: a revisão tarifária e o reajuste tarifário. esses preços podem ser estipulados tanto com relação ao valor máximo (evitando preços abusivos). Entretanto. cabe às Agências Reguladoras buscar um mecanismo de regulação que envolva os preços mínimos! Antes de prosseguirmos. ou ainda à fixação da estrutura de preço a ser adotada pelo setor regulado. o mecanismo de regulação de preços poderia estabelecer um preço máximo a ser adotado. Outros mecanismos referem-se à indexação do preço a determinado valor verificável no mercado (como o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). como a especificação de um valor particular que as empresas deverão cobrar. na hipótese em que alguma empresa regulada possa praticar preço predatório para prejudicar os demais concorrentes. se existe a possibilidade de alguma empresa praticar preços muito baixos. Geralmente. ou a restrição à cobrança de valores dentro de uma margem preestabelecida pelo regulador.

Ela acontece. o que nos interessa são os mecanismos de Reajuste e Revisão relacionados à ANVISA. de tal forma que a indústria regulada possa prestar os serviços da forma mais adequada e. quando acontecem mudanças significativas nos custos da empresa ou quando são alterados os encargos da concessionária de serviços públicos (indústria regulada). regulada pela ANEEL). OK?! Trataremos desses mecanismos na aula de Regulação Sanitária! Afinal de contas. normalmente. O trabalho pesado de regulação econômica desenvolvido pelos órgãos reguladores (especialmente as agências reguladoras) ocorre. ao mesmo tempo. pois prevê mecanismos que incentivam as concessionárias a reduzir custos e a ser mais eficientes na prestação dos serviços. na maioria das vezes. ocorre automaticamente (não demanda processo administrativo). obter receitas compatíveis com a estrutura de serviços que é disponibilizada. sobre a revisão tarifária. depois disso. . trazendo ainda algum tipo de benefício aos consumidores. Não aprofundarei nesse assunto por enquanto. No caso de um contrato de concessão (a exemplo de concessionária de energia elétrica. com o objetivo de manter o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. o Reajuste tarifário tem por objetivo básico atualizar monetariamente os custos dos serviços prestados e a Revisão Tarifária objetiva preservar o equilíbrio econômicofinanceiro da concessão. estando atrelado a um índice de variação de preços e a outras variáveis. por outro lado.outorga da concessão e. A REVISÃO TARIFÁRIA. não é verdade? O regulador deve buscar o PREÇO “JUSTO” (e não o preço mais baixo possível). é baseada em processo administrativo formal.

Segundo esse regime tarifário. o regulador é quem deve determinar a taxa de retorno. Através desse critério.1) Tarifação pelo Custo do Serviço A TARIFAÇÃO PELO CUSTO DO SERVIÇO. estes serão reajustados sempre que for necessária a recomposição da receita. com a regulação de monopólios privados de serviço público. “atratividade” para os investimentos necessários e “simplicidade” para a administração dos serviços. também conhecida como regulação da TAXA INTERNA DE RETORNO. incluindo a taxa de remuneração da concessionária.2. é o regime tradicionalmente utilizado para a regulação tarifária dos setores de monopólio natural (mas nada impede que seja utilizado para outros casos. Perceba que a definição da taxa de retorno é uma forma indireta de determinação de preços. Assim. a receita obtida pela indústria regulada deve cobrir os custos operacionais advindos da prestação dos serviços e ainda permitir uma margem de lucro sobre o capital que foi investido. Pelo método da Tarifação pelo Custo do Serviço. OK?!). para evitar o excesso de lucros. Por outro lado. uma vez que. para evitar que os preços fiquem abaixo dos custos. de forma a garantir a taxa de retorno permitida pela agência reguladora. os preços devem remunerar os custos totais e conter uma margem que proporcione uma taxa interna de retorno atrativa ao investidor. de posse . Devem ser considerados os princípios de “razoabilidade” para a remuneração dos acionistas e investidores. através da sua aplicação. Esse regime generalizou-se a partir da experiência norte-americana iniciada no final do século passado. o preço final ao consumidor deve ser obtido pela igualdade entre a receita bruta e a receita requerida para remunerar todos os custos de produção (custos fixos e custos variáveis). através de um processo de negociação com a prestadora do serviço.

bastará aumentar o preço da tarifa (ou seja. isto é. o investimento sobre o qual se aplica a taxa de retorno. desincentivando-a a buscar novas tecnologias que propiciem a redução dos custos e. do investimento sobre o qual se aplica a taxa de retorno. Ademais. . Um dos problemas da tarifação pelo custo do serviço diz respeito a não haver estímulos ao aumento da eficiência por parte da indústria regulada. decide-se o preço que será cobrado dos usuários para que a rentabilidade que foi pré-determinada seja alcançada. esse método apresenta dificuldade na determinação do valor-base. Existem várias formas de cálculos a serem utilizadas e isto torna o processo de regulação bem complicado. uma vez que esse método garante a ela uma taxa de retorno predeterminada. Esse método apresenta uma série de DESVANTAGENS.dos custos que são incorridos pelo prestador. Isto acontece porque o método garante uma taxa de retorno à empresa privada. Dessa forma. A indústria sabe que. FOCO NESSA PARTE! Pois bem! Um dos problemas mais usuais da aplicação da tarifação pelo custo do serviço é a dificuldade de determinação do valor-base. das tarifas cobradas. que serão discutidas a partir de agora. consequentemente. sua rentabilidade estará garantida por este método de tarifação. sendo eficiente ou ineficiente. isto é. Outro problema desse método (o que mais costuma ser cobrado nas provas) ocorre pelo fato de não haver estímulos ao aumento da eficiência por parte da indústria regulada. se for ineficiente (produzir com custos elevados). repassar os os custos aos consumidores) para que a taxa de retorno pré-determinada seja alcançada.

. portanto. um uso subótimo das plantas. que podem levar à manipulação de dados por parte desta última. Se uma empresa está sujeita à regulação por custo de serviço. O resultado disso é que a empresa acabará operando com maior quantidade de capital. há altos custos de transação para o órgão regulador. que conhecesse a fundo a contabilidade da empresa regulada. ao custo de capital vigente (se a taxa de retorno for menor que o custo do capital. pode ocorrer o EFEITO AVERCH E JONHSON (“efeito A-J”). com o objetivo de apropriação de lucros extraordinários. Na hipótese de a taxa de retorno estar acima do custo de capital a que se submete o setor regulado. pois a sobreutilização do capital proporciona uma remuneração da taxa de desconto superior à depreciação deste capital. haverá tendência à sobrecapitalização. isto é: a concessionária registra excesso de investimentos em atividades cuja taxa de retorno permitida pelo regulador é maior que o custo de capital vigente no mercado. A avaliação adequada do custo exigiria a contratação por parte do órgão regulador de um corpo técnico altamente especializado. ou seja. gerando. bem como o seu processo produtivo.Ainda. Isso ocorre desde que a taxa de retorno permitida seja superior à taxa de juros do mercado. As empresas são estimuladas a sobreinvestir. Ou seja. não será viável para a indústria regulada entrar no mercado). temos que considerar a existência de ASSIMETRIAS DE INFORMAÇÃO entre o regulador e a concessionária. sua taxa de retorno sobre o investimento é fixa e. seus lucros são proporcionais à base de capital. Esse é o efeito Averch-Jonhson. ou seja. entre outras coisas.

resultando em ineficiências alocativas.Pois bem! Esse regime de tarifação incentiva a empresa a investir mais! Este incentivo pode ser benéfico por algum tempo. arbitrava aleatoriamente a distribuição dos custos dos serviços prestados entre eles. resultando em sobreinvestimento e empresas ineficientes. mas. Essa prática chegou a ser taxada de “GOLD PLATING” (banhar a ouro). Esse método será estudado já já! . Em virtude disso. Se. durante muito tempo. por outro. o regime tarifário pelo custo do serviço não abordasse devidamente as diferenças de custos existentes com relação às diversas categorias de consumidores. esse critério tinha um apelo social ao buscar preservar a garantia de universalidade e igualdade de tratamento entre os consumidores. no longo prazo. mas sim o custo-benefício daqueles dispêndios. o que é conhecido como SLIDING SCALE PLANE. por um lado. a preocupação de estabelecer preços não-discriminatórios fez com que. foi desenvolvida uma nova versão para a tarifação pelo custo do serviço. Não se contesta aqui o custo dos dispêndios realizados pelas empresas. Finalmente. algo de difícil quantificação devido à assimetria de informações entre regulador e regulado. pode levar a uma situação em que os custos adicionais associados aos investimentos superam os seus benefícios.

Price-cap (ou preço teto). garantindo a ela uma recompensa se houver ganhos de produtividade.2. As críticas quanto ao método tarifário de regulação pela taxa interna de retorno levaram à introdução de inovações tarifárias a partir dos anos 80. A regulação por incentivos existe justamente para isso: criar incentivos à indústria regulada. melhoria de qualidade.Sliding scale (ou earning sharings). . investimentos e do em face repasse de da remuneração custos garantida desnecessários para dos os consumidores. tendo gerado ineficiência produtiva. . temporariamente. .Performance standards (por padrão de qualidade). a tradicional regulação pela taxa interna de não trouxe incentivos para que as empresas minimizassem custos. dentre outros: redução de custos. Tais incentivos visam acarretar. A característica comum da regulação por incentivos consiste em dar à firma regulada algum grau de liberdade na determinação das tarifas. com consequente aumento da produtividade. inclusive por meio do investimento em inovações tecnológicas. . inovação.Yardstick regulation (por parâmetros de comparação).2) Regulação por Incentivos Como vimos. mesmo que essas medidas possam sacrificar. como uma tentativa de estimular a redução de custo através do esforço empresarial. a eficiência alocativa (quando os preços são iguais aos custos marginais). eficiência etc. As quatro principais formas de regulação tarifária por incentivos são: .

tendo em vista a avaliação negativa deste critério por parte dos novos reguladores. formando a seguinte equação: IP . ESTÍMULOS À EFICIÊNCIA PRODUTIVA a partir da definição. pelo regulador.X + Y Calma! Vou explicar direitinho! Obs. se prenda ao racional desse método de tarifação. um fator de repasse de custos para os consumidores (Y). como no caso da taxa interna de retorno. O price cap é visto como um método tarifário simples e transparente que pode proporcionar um maior grau de liberdade de gestão para as empresas. Esse novo preço será acrescido de um índice de preços do período menos um parâmetro previamente fixado de redução de custos (X). para um período prefixado de tempo.: Quando formos estudar a Regulação Sanitária eu apresentarei a fórmula utilizada pela ANVISA! Por enquanto. também. OK?! Definido o valor inicial da tarifa. Esse parâmetro de redução de custos é fixado anteriormente a partir de comparações internacionais. . de um preço-teto aos preços cobrados pelas empresas. nesse caso. corrigido de acordo com a evolução de um índice de preços aos consumidores (IP) e subtraído de um percentual equivalente a um fator de produtividade (X). fundamentalmente.a) Tarifação pelo Sistema Price-Cap O PRICE-CAP (ou PREÇO-TETO) foi originalmente adotado na Inglaterra como uma alternativa ao método de tarifação pela taxa interna de retorno. o seu reajuste não poderá ultrapassar um valor máximo (preço teto). É possível. além de estimular ganhos de produtividade e sua transferência para os consumidores. Esse mecanismo pode envolver. O objetivo dos reguladores ao adotar esse mecanismo é reduzir os riscos e custos da ação reguladora. e é o responsável pelo estímulo à produtividade. A tarifação pelo Sistema Price-Cap visa estabelecer.

Assim.03 (3% do fator X) = 1. após um ano. a tarifa poderá ser reajustada em até 7%. . Desta forma. ela não precisará repassar esse ganho de produtividade ao consumidor. acarretando maior eficiência produtiva. E como isso funciona? É simples! Quanto mais a empresa ganhar em produtividade. Se. Exemplificando: Suponha que o preço inicial da tarifa seja R$ 1. A diferença entre o preço máximo e os custos da produção será apropriada na forma de maiores lucros. maior será o seu lucro. para avaliar a adequação dos custos incorridos. ela conseguir um ganho de produtividade que reduza seus custos em 10%. esse mecanismo estimula as empresas a se esforçarem para reduzir os custos acima do previsto na revisão tarifária. a inflação anual (usada nesse caso como índice de preços) seja 10% e o fator X de aumento de produtividade estabelecido pelo governo seja de 3%. No entanto. o que explica uma vantagem deste método: o incentivo à inovação tecnológica.07 Após um ano. se a firma conseguir reduzir os custos de produção em mais de 3% (lembre-se de que esse parâmetro é estabelecido pelo governo).00.1 (10% do índice de preços) – 0.que o órgão regulador utilize uma fronteira de eficiência com dados de empresas comparáveis. a tarifa reajustada valerá (desconsiderando o fator Y da nossa fórmula): Preço Reajustado = Preço Inicial + Índice de Preços – X Preço Reajustado = 1 (100% do preço inicial) + 0. por exemplo. ela poderá apropriar esse ganho na forma de lucros (apenas 3% da redução de custos serão repassados para o consumidor).

Uma segunda vantagem deste tipo de tarifação consiste nos baixos custos de regulação. que não seja alvo de manipulação. com preços fixos. A adoção do price-cap contribui para reduzir o risco de captura das agências reguladoras e para incentivar a ação eficiente das firmas. OK?!) de captura dos reguladores. Este risco poderia ocorrer no caso de o indexador escolhido recair. Outra vantagem desse método seria o menor risco (mas ainda existe. Como o processo regulatório é mais simples. que dependeria de informações controladas pelas empresas. uma vez que. quando comparado ao método da tarifação pelo custo do serviço. . Vamos explorar um pouco a fórmula apresentada: IP – X + Y. O trabalho do órgão regulador seria resumido na determinação do índice de preços e da porcentagem do fator de produtividade. que podem levar à manipulação de dados por parte desta última. A escolha de um indexador geral de preços (IP) justifica-se pela necessidade de se criar um índice. transparente para os consumidores. estas poderiam apropriar-se da redução de custos que viesse a ocorrer entre os períodos revisionais. por exemplo. com o objetivo de apropriação de lucros extraordinários. sobre um índice mais específico de evolução de custos setoriais. o órgão regulador não necessita estar constante contato com a indústria regulada. Lembre-se sempre que a Tarifação pelo Custo de Serviços gera altas assimetrias de informações entre o regulador e a concessionária. tendo em vista os problemas de assimetria de informação. de tal modo que as chances de manipulação (é aqui que entra a teoria da captura) são bastante reduzidas.

geralmente. da taxa esperada de crescimento da produtividade. a dinâmica tecnológica do segmento industrial e a defesa dos interesses dos consumidores. sua definição deve considerar a combinação de três aspectos relevantes: a necessidade da concessionária de autofinanciar suas operações. a sujeição . saneamento básico). para os consumidores. Pelo contrário.) durante o intervalo de revisão das tarifas. não assegura o aprimoramento da qualidade dos serviços. Setores com maior dinamismo tecnológico (como o de telecomunicações. Por fim. A definição do fator Y objetiva reduzir os riscos regulatórios das firmas. entretanto. do custo de capital. deve ser balanceado para não comprometer a eficiência da firma nem o bem-estar do consumidor. maior será a proteção das firmas e menor o benefício momentâneo dos consumidores. Este trade-off (conflito de escolha). aumento de combustíveis. bem como processos de negociação com as concessionárias. Na prática. vamos ao fator Y. O método price-cap. a escolha de X tem variado muito entre as diversas indústrias em que o price-cap tem sido adotado. impostos etc. dos custos variáveis sobre os quais a firma não tem controle (por exemplo. Estes critérios incluem a análise dos valores dos ativos existentes. Em decorrência disso. evitando-se a prática abusiva de preços e assegurando-lhes a apropriação de ganhos de produtividade. por exemplo) apresentam. O mecanismo price-cap prevê a possibilidade de repasse. ao induzir a redução de custos através do fator X.Com relação ao fator de produtividade (X). do comportamento da demanda e do ambiente de mercado em que a firma está inserida. do plano de investimentos das empresas. valores mais elevados do que aqueles cujo processo de inovação tecnológica é mais lento (por exemplo. Quanto maior for esse valor. descrito anteriormente. os critérios de escolha e revisão do fator são semelhantes aos utilizados na escolha da taxa interna de retorno no método do custo do serviço.

se a estrutura do mercado mudar rapidamente e isto colocar em risco a lucratividade da indústria regulada. . . permite um certo grau de liberdade às concessionárias para a modificação de seus preços relativos (preços .Menores custos e maior facilidade de regulação. Dessa forma.Menor risco de captura dos reguladores.Estímulo à produtividade e à eficiência econômica.Dificuldade na determinação (principalmente) do fator de produtividade. Assim. eles devem definir metas quantitativas e qualitativas para as empresas reguladas. Vamos recordá-las? VANTAGENS: . vantagens e desvantagens em relação ao método de tarifação pelo Custo do Serviço. ao estabelecer um preço-teto médio para a firma. ela preferirá reduzir os custos através da redução da qualidade.a um preço-teto médio faz com que a firma apresente uma tendência ao subinvestimento para melhoria da qualidade. DESVANTAGENS: . . já que este esforço representaria uma elevação do seu nível de custos. se os órgãos reguladores adotarem o método do price-cap. Para fecharmos esse assunto trago uma última informação: o método pricecap.Falta de incentivo à qualidade. A tarifação pelo Price-Cap apresenta. que é um meio muito mais fácil de baixar os custos (e não através dos ganhos de eficiência). portanto.

simplesmente. por preços inferiores ao custo. O concessionário pode. com o objetivo de melhorar a sua margem operacional. práticas abusivas de SUBSÍDIOS CRUZADOS* e impactos indesejáveis sobre a concorrência. já que as empresas podem.dos multiprodutos). . no entanto. para expandir seu mercado ou. para melhorar sua lucratividade. deve ser vigiada pelo regulador para evitar que ocorram. por exemplo. alterar as tarifas sempre que houver flutuações nos seus custos. aumentar as tarifas dos consumidores de baixa renda e reduzir as tarifas de outras categorias. para que as receitas adicionais assim obtidas lhe permitam compensar as perdas decorrentes da prestação de serviços (ou venda de produtos) a uma outra classe de consumidores. Esta autonomia. entre outras coisas. por exemplo. Ele pode. ainda. observado o preço teto. provocar uma ação predatória no mercado através da redução da margem operacional para a conquista ou manutenção de consumidores. SUBSÍDIOS CRUZADOS se produzem quando uma empresa produtora de bens ou prestadora de serviços eleva os preços cobrados de uma determinada classe de consumidores.

as empresas poderiam reter 50% dos lucros. Em termos práticos (apenas exemplificando). e o restante seria destinado aos consumidores. o qual possui a desvantagem (a tarifação pelo custo do serviço) de não estimular a redução de custos da indústria regulada. isso funcionaria da seguinte forma: .: menor do que 20%). OK?!): . não sendo retido pelas empresas.b) Sliding Scale Plane O Sliding Scale Plane é uma variação do método pelo custo do serviço. entre produtores e consumidores. . na forma de descontos. Desenvolvido por Joskow e Schmalensee (1986) esse método acrescenta um parâmetro que socializa. .: acima de 30%).As empresas poderiam ficar com todos os lucros dos serviços prestados se a taxa de retorno (TIR) se situasse abaixo de determinado valor (ex. a diferença entre a taxa de retorno desejada e aquela observada na prática. Este método pode ser apresentado pela seguinte formulação (guarde apenas o racional dessa fórmula.Se a TIR fosse elevada (ex.Se a TIR estivesse situada entre um intervalo um pouco maior (ex. Seu principal objetivo é criar mecanismos de incentivo à eficiência produtiva das firmas através do exercício de um sistema inovador de revisão tarifária pelo regulador. todos os lucros em excesso seriam destinados aos consumidores.: entre 20 e 30%).

já que é necessário um cálculo apurado de taxas de retorno das firmas e um monitoramento contábil. semelhante àquele incorrido na versão tradicional da tarifação pelo custo do serviço. como VANTAGEM desse método. Se h = 0. Sua DESVANTAGEM refere-se ao custo regulatório elevado. as tarifas seguirão o critério cost-plus (tarifação pelo custo de serviço) tradicional. ao reduzir os preços em função dos ganhos de produtividade e repassar os custos eventuais não previstos nos períodos de revisão das tarifas. com todos os ganhos (no caso de a taxa atual superar a taxa esperada) ou prejuízos (caso inverso) sendo incorporados pela firma. deverá adotar uma posição intermediária (entre 0 e 1).O fator-chave da fórmula é o valor estipulado pelo regulador para a constante h nos processos de revisão tarifária. . Assim. não existindo ainda análises definitivas sobre seus efeitos práticos sobre o comportamento das firmas e a eficiência econômica. Se h = 1. seu uso é recente. Apesar de ser generalizado nos Estados Unidos. caso o regulador opte por repartir lucros ou prejuízos entre firmas e consumidores. principalmente no setor de telecomunicações. Destaca-se. a possibilidade de o regulador beneficiar os consumidores e minorar o risco dos investidores. as tarifas estarão seguindo um critério fixed-price (de preço fixo). pois as concessionárias terão a garantia da taxa de retorno esperada. ambos sujeitos a assimetrias informacionais do mercado.

Como o regulador é prejudicado pelas grandes assimetrias de informação em relação às firmas. que permitem a comparação entre empresas de um mesmo setor. podemos ciar como DESVANTAGEM desse método a possibilidade de armações entre as firmas para se beneficiarem de sobrelucros. em conformidade com os padrões estabelecidos. suponha que o regulador não possua todas as informações necessárias sobre uma empresa de telecomunicações de algum estado do Brasil.c) Yardstick Regulation Pelo YARDSTICK REGULATION. A remuneração de uma firma é definida comparando-se o seu desempenho ao de outras empresas do setor. a adoção da regulação por comparação torna-se mais efetiva do que aquela feita para cada firma individualmente. caso essa outra empresa seja eficiente em termos econõmicos. reduzir as assimetrias de informação existentes e estimular uma maior eficiência econômica. Por esse método. também conhecido como REGULAÇÃO DE DESEMPENHO regulador ou REGULAÇÃO POR estabelece padrões de PARÂMETROS avaliação DE de COMPARAÇÃO. o desempenho. Uma VANTAGEM deste método consiste na diminuição do problema de assimetria de informação existente entre o órgão regulador e a indústria regulada. produtividade) de outra empresa do mesmo ramo e. o que faz com que ela seja sensível aos custos e comportamentos de suas congêneres. esse instrumento procura estimular a redução de custos entre as empresas. O fato de haver somente uma empresa atuando no mercado não é considerado impeditivo para a adoção da Regulação por Parâmetros. . Dessa forma. É importante ressaltar que esse método pode ser utilizado mesmo no caso de monopólios. demanda. Por exemplo. uma vez que são considerados na análise os fatores de heterogeneidade. ele poderá utilizar os dados (estrutura de custos. seus parâmetros (yardsticks) serão estendidos às demais firmas. No entanto.

o regulador poderá. Nesse tipo de regulação. agregada aos mecanismos de controle de preço e acesso. Exemplificando: se há blecautes regulares no setor elétrico. exigindo um aumento na capacidade de fornecimento de energia para melhorar a segurança e garantir a continuidade na prestação do serviço. uma vez que os principais editais de concursos públicos vem assim fazendo. pode o regulador responsável (Agência Nacional de Energia Elétrica . pode haver um comando regulatório solicitando o atendimento de toda a demanda para um determinado bem ou serviço (obedecendo os limites de preço impostos). ainda. De forma análoga ao mecanismo de regulação por preço. como a expansão de produtos e serviços à determinada população de baixa renda. a regulação por quantidade pode estabelecer margens máximas e mínimas para a produção de bens pela firma regulada. Na fixação de quantidade. a ponto de prejudicar o consumidor. podendo ser adotado juntamente a esse ou de forma isolada. Por meio . o regulador define padrões mínimos de qualidade e/ou segurança a serem atingidos.. está bem atrelada ao bem-estar da sociedade. Embora também seja considerada um tipo de regulação por incentivos.3 – Regulação da Quantidade e da Qualidade A REGULAÇÃO DA QUANTIDADE de produtos ou serviços da indústria regulada também pode ser adotada pelo regulador. Alternativamente. vislumbrar fins sociais. a ponto de comprometer a viabilidade econômico-financeira da indústria regulada.ANEEL) intervir. irei abordar a REGULAÇÃO DA QUALIDADE (ou PERFORMANCE STANDARDS) em um tópico separado. A regulação de qualidade. nem muito altos. Passemos à Regulação da Qualidade. Esse mecanismo está intimamente ligado com o controle de preços. Para isso. visto que eles não podem ser muito baixos. deve haver certa cautela..

esta empreitada pode ser muito custosa ao governo. os agentes econômicos do setor têm que saber sobre qual aspecto será realizado esse controle e. a qualidade usualmente não é tão bem definida e não é de fácil observação. como a segurança. o regulador deveria apurar cada uma das variáveis presentes no mercado a ser regulado. Para controlar qualquer variável. deixando que as demais variáveis sirvam de campos ao exercício da competição por parte das firmas. de modo a conseguir estabelecer uma efetiva regulação de qualidade. por exemplo. além do menor preço.dela. a quantidade permite ao regulador estabelecer restrições numéricas específicas. o regulador acaba por fixar padrões a uma só variável. podendo escolher. segurança e atendimento. todavia. quais serão as restrições impostas pelo regulador. Por outro lado. Em tese. em termos de performance. o bem de melhor qualidade. da mesma forma. Como resultado. o preço será medido pelo montante pago pelo consumidor (o que é fácil de se observar) e as restrições a ele relacionadas tomam simples formas numéricas: preço máximo e preço mínimo. No caso de preço e quantidade. os consumidores terão seu rol de opções ampliado no momento de adquirir um produto ou serviço. Ela pode se estender. de forma similar. . esta tarefa é de fácil execução.

estudamos os motivos essenciais pelos quais se justifica a intervenção regulatória: (i) existência de mercados não contestáveis. que está relacionado com a possibilidade de entrada de novas empresas no mercado: a EXISTÊNCIA DE MERCADOS NÃO CONTESTÁVEIS. (ii) redução das falhas de mercado. aproximação do resultado de concorrência perfeita) e a prevenção de um eventual abuso de poder econômico decorrente do poder de mercado. de forma a inibir o abuso de poder de mercado. As restrições de entrada e saída de concorrentes funcionam como instrumentos regulatórios que permitem ao regulador controlar a quantidade de firmas na indústria regulada. e deve assegurar que todas as oportunidades de venda sejam adequadamente exploradas pelos entrantes em potencial. Essa entrada será provável quando for economicamente lucrativa e quando os preços puderem ser assegurados pelo possível entrante. O que nos interessa aqui é o primeiro desses itens. é importante você ter em mente que a possibilidade de entrada (e saída) de novos competidores no mercado é um fator que inibe o exercício de poder de mercado (você deve se lembrar de que o poder de mercado é uma falha de mercado. certo!?).4 – Regulação de Entrada e Saída Quando começamos a tratar de regulação econômica. (iii) melhora do grau de eficiência econômica (ou seja. professor?” . “Mas o que é um mercado contestável. Inicialmente.

Neste contexto. Não existirem restrições institucionais. n. as firmas estabelecidas possam abandonar o mercado sem que. J. Pois bem! Se estas condições existirem. v. podemos dizer que o mercado contestável. Segundo outra definição. ii.). monopólios etc.C. Constestable Markets: An Uprising in the Theory of Industry Structure. é aquele em que é possível contestar as empresas já existentes. A(s) empresa(s) existente(s) não puder(em) responder rapidamente à entrada de nova(s) empresa(s). a competição entre as firmas adquire a natureza potencial. (1982). de uma maneira geral. as empresas em regra não terão poder de mercado sobre os consumidores. reduzindo os preços praticados. diferenciação de produto ou qualquer outra restrição à entrada.). as quais poderão competir em igualdade de condições com as empresas já existentes. havendo maior competitividade.D. June.Um mercado é CONTESTÁVEL se: i. & WILLIG.. economias de escala. American Economic Review.. incorram em elevados custos de saída.3. ou seja. É aquele em que há possibilidade de entrada e saída de novas empresas. Assim. R. Continuando.73.. com isso. PANZAR. um mercado é dito perfeitamente contestável quando a não existência de restrições à entrada e à saída induz as firmas incumbentes a praticarem preços iguais ao custo médio no seu ponto mínimo (BAUMOL. e iii. vantagem absoluta de custos. Não existirem barreiras à saída. W. como o próprio nome sugere.J. em lugar da competição efetiva – como ocorre nos modelos tradicionais de estudo da competição (concorrência perfeita. .

(f) a fidelidade dos consumidores às marcas estabelecidas. maiores são os investimentos necessárias para viabilizar a entrada e menor é a probabilidade de entrada de novas empresas no mercado relevante definido. (c) recursos de propriedade exclusiva das empresas instaladas. portanto. (d) economias de escala e/ou de escopo. Esses são exemplos de barreiras à entrada! BARREIRAS À ENTRADA podem ser definidas como qualquer fator em um mercado que ponha um potencial competidor eficiente em desvantagem com relação aos agentes econômicos já estabelecidos.). (b) barreiras legais ou regulatórias. (e) o grau de integração da cadeia produtiva. boas práticas de fabricação etc.Quando um mercado é NÃO contestável. Os seguintes fatores constituem importantes barreiras à entrada: (a) custos irrecuperáveis. Quanto mais elevadas as barreiras à entrada. e (g) a ameaça de reação dos competidores instalados. sem falar nos altíssimos investimentos iniciais (imagine só o valor a ser pago em salários para todos os funcionários dessa empresa). Considere o setor farmacêutico. temos um motivo que justifica a regulação. . por exemplo! Qualquer empresa que queira entrar neste mercado (indústria farmacêutica) deverá se submeter a uma infinidade de exigências da ANVISA (documentação sanitária.

As BARREIRAS LEGAIS E REGULATÓRIAS são exigências criadas pelo governo ou por agências reguladoras para a instalação e funcionamento de uma empresa. . A extensão dos sunk-costs depende principalmente: . O GRAU DE INTEGRAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA pode ser uma barreira à entrada na medida em que aumenta os custos irrecuperáveis das . um incremento nos custos irrecuperáveis. autorizações.da existência de mercado para o aluguel de bens de capital. como barreiras à saída). publicidade e formação da rede de distribuidores). dentre outros.de volume de investimentos necessários para garantir a distribuição do produto (gastos com promoção. Isso devido aos grandes investimentos que se fazem necessário para a empresa entrar no mercado. dessa forma. quando sua superação implicar custos elevados ou mesmo excluir a possibilidade de entrada. exclusividade de uso da rede de distribuidores ou patentes.da existência de mercados para máquinas e equipamentos usados. Os efeitos das economias de escala e escopo interferem sobre as condições de entrada e dependem. As barreiras legais podem representar. As ECONOMIAS DE ESCALA são economias físicas de insumos derivadas do aumento do volume de produção final. e do crescimento do mercado. Os RECURSOS DE PROPRIEDADE EXCLUSIVAS DAS EMPRESAS INSTALADAS podem ser insumos de produção. entre outros: das escalas mínimas eficientes. permissões.CUSTOS IRRECUPERÁVEIS (SUNK COSTS) são custos que não podem ser recuperados quando a empresa decide sair do mercado (funcionam também. na prática. .do grau de especificidade do uso do capital. do aumento nos custos associados a escalas sub-ótimas. tais como as licenças comerciais. alvarás. . As ECONOMIAS DE ESCOPO são economias derivadas da produção conjunta de dois ou mais bens.

(b) a produtividade do trabalho aumenta.entrantes potenciais ou exija que a entrada ocorra em dois mercados ao mesmo tempo. dados os preços dos insumos. como os gastos com . Esses custos médios podem diminuir. AS ECONOMIAS DE ESCALA Como vimos. porque: (a) os custos fixos são uma parcela substantiva dos custos totais. tais como custos de inicialização (start up costs). Para gerar fidelidade a seus produtos. (c) a produtividade do capital aumenta. entre outros fatores. os custos variáveis são aqueles que dependem da quantidade produzida. as ECONOMIAS DE ESCALA são reduções nos custos médios derivadas da expansão da quantidade produzida. Custos fixos são custos que não dependem da quantidade produzida. a níveis inferiores aos vigentes antes da concentração. Por outro lado. A AMEAÇA DE REAÇÃO POR PARTE DAS EMPRESAS INSTALADAS é uma barreira à entrada na medida em que estas empresas sejam capazes de baixar seus preços. a empresa entrante deve realizar gastos em publicidade que se convertem em custos irrecuperáveis do investimento. e mantê-los por no mínimo um ano. e (d) as propriedades físicas do equipamento ou propriedades dos processos produtivos podem gerar economias. A FIDELIDADE DOS CONSUMIDORES A MARCAS ESTABELECIDAS tende a ser maior em mercados em que as estratégias de diferenciação do produto são uma das principais variáveis de competição.

especialização do trabalho etc. quando o aumento da produção numa empresa permitir a especialização de uma linha de produção ou a ocorrência de ECONOMIAS DE APRENDIZAGEM (LEARNING ECONOMIES). Assim. ou seja. As economias de escala estão relacionadas a uma maior produtividade o capital. uma maior quantidade de produção por um menor número de empresas) pode proporcionar importantes reduções nos custos médios da empresa (economias de escala). Entretanto. através de ganhos tecnológicos. diminuirá com o aumento da produção (basta você considerar que o custo fixo unitário será a divisão do custo fixo total – que não muda – pela quantidade produzida. isso acarretará um maior custo variável. ou seja. os custos fixos médios (ou seja. o custo fixo unitário (ou seja. nos referimos pa quantidade de recursos (capital) necessários para que seja alcançado um determinado resultado. Justamente por isso. quando os custos fixos são uma parte significativa dos custos médios. saiba .matérias-primas. a produção gerada. a média dos custos fixos unitários) diminuem. com uma maior quantidade produzida. É importante destacar que as economias de escala podem se dar pela possibilidade de utilização de métodos produtivos mais automatizados ou mais avançados. por exemplo. uma menor quantidade de trabalho será necessária para gerar o mesmo resultado). a uma menor quantidade de capital necessário para atingir determinado volume de produção. Isso devido à utilização de melhores tecnologias produtivas. Quando falamos em produtividade do capital. e fará com que o resultado da divisão seja menor). o denominador da expressão aumentará. Dessa forma. quando aumentamos a quantidade produzida. quando a produção aumenta. A produtividade do trabalho pode aumentar (ou seja. reduzindo os custos médios de produção. o custo fixo necessário para produzir apenas uma unidade). embora não altere os custos fixos. A produtividade do trabalho é a relação entre a quantidade final de produto gerada e a quantidade de trabalho necessária para gerá-la. Por fim. a concentração da produção (ou seja. ou seja. ou seja.

que elas também podem estar relacionadas a propaganda. o conceito de ECONOMIA DE DENSIDADE. Quanto mais afastados estiverem os consumidores uns dos outros. distância média da viagem. trago. dados os preços dos insumos. Economia de densidade é um conceito que espelha a existência de custos decrescentes proporcionais à PROXIMIDADE entre consumidores de um serviço provido por uma indústria de rede. menores serão os custos.. ou qualquer etapa comercial e produtiva. com o aproveitamento. AS ESCALAS DE ESCOPOS Já as ECONOMIAS DE ESCOPO são reduções nos custos médios derivadas da produção conjunta de bens distintos. Já que estudamos os conceitos de Economias de Escala e Economias de Escopo. No caso da aviação civil. muito aplicado no caso das Indústrias de Rede (trataremos desse assunto mais adiante nessa aula). Os custos médios podem diminuir. inversamente. por exemplo. Continuando.. entre outros fatores. financiamento. a economia de densidade existe se custos unitários declinam quando uma empresa aérea adiciona vôos ou assentos nos vôos existentes. (b) recursos de distribuição e comercialização (venda e mercado) são melhor aproveitados por uma só empresa que por várias. marketing. por meio de aviões maiores. e número de aeroportos servidos mantidos fixos. pesquisa e desenvolvimento. maiores serão os custos de incorporação e de provisão de serviços para cada um deles e. . agora. porque: (a) insumos comuns aos distintos bens são melhor aproveitados por uma só empresa do que por várias. quanto mais próximos estiverem. por exemplo.

ela incorrerá em elevados custos (contratação dos melhores programadores.. sem que a firma já estabelecida reaja. tendo em vista que. com uma redução brusca de preços (uma guerra de preços). Se não há tempo de reação. Por fim. Caso o investimento não dê certo. marketing etc). Se uma firma decidir entrar neste mercado a fim de contestar a posição da Microsoft. por exemplo. a saída do mercado representa grandes perdas para a firma que o abandona. se as empresas estabelecidas não tiverem tempo suficiente de reagir à entrada de outra firma. isto também representa uma característica de contestabilidade..Continuando. As barreiras à saída decorrem da existência de custos irrecuperáveis. é possível entrar no mercado e contestar as firmas já estabelecidas. esses custos são ditos irreparáveis/irrecuperáveis. irreversíveis ou irreparáveis (SUNK COSTS). estes custos dificilmente serão recuperados quando da saída dessa firma do mercado. Ou seja. desenvolvimento de tecnologias. Exemplificando: A Microsoft (produtora do Windows) é a empresa que domina o mercado de softwares para computadores. uma firma pode entrar no mercado e iniciar a sua produção. . uma vez incorridos. Por isso. A existência de custos irrecuperáveis funciona como uma barreira à saída.

visando à criação do ambiente mais competitivo possível. As maiores vantagens dos trustes dizem respeito às economias de escala. sob a mesma orientação.1. mas sem perder a autonomia. a produção de grandes volumes e a redução dos custos. ou seja.. das aquisições acionárias e dos eventuais abusos de poder. por prejudicarem os consumidores e/ou diminuírem o bem-estar social. se reúnem com o objetivo de dominar o mercado e suprimir a livre concorrência. mas as firmas dominantes (em sua maioria oligopolistas) entram em conluio para maximizar seus ganhos em detrimento do bem-estar dos consumidores. A Defesa da concorrência pode ser entendida. . competências de cada integrante do Sistema Brasileiro de Desesa da Concorrência etc. Pois bem! Esse cenário requer a articulação entre órgãos reguladores setoriais e entidades de regulação antitruste – como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) – para o adequado acompanhamento e a fiscalização dos acordos de mercado. o que permite vender a preços mais baixos que os praticados pelas pequenas empresas. Noções de Defesa da Concorrência Caro aluno! Tratarei desse assunto de forma geral. como políticas que definem determinados comportamentos das empresas como sendo ilegais.4. portanto. Um TRUSTE designa empresas ou grupos que. Meu objetivo aqui não é abordar todas as teorias antitruste. pois isso não está explicitado no último edital para a ANVISA! Pois bem! A defesa da concorrência se faz necessária em um cenário onde o mercado concorrencial existe (e deve ser buscado). de forma que você possa entendê-lo e situá-lo ao que estamos estudando nessa aula.

à criação de leis antitrustes. que eles são considerados grave lesão ao sistema de livre concorrência. atuando no ramo de produtos alimentícios). . aumentar o preço e ampliar o lucro das empresas participantes. E. a sua existência levou. portanto. Segundo estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). porém não necessariamente da produção. Aproveito para trazer outro conceito importante: o Cartel! Um CARTEL refere-se à formação de acordos explícitos ou implícitos entre concorrentes. que formaram a Brasil Foods. determinação do volume de produção e equiparação dos preços de venda. o termo se refere a sociedades financeiras que investem em indústrias. em muitos países. o controle desde a fabricação das matérias-primas até a fabricação dos produtos acabados). Perceba. uma forma de concentração de capital. passam a comprar ações de empresas de um mesmo ramo de negócio. quando visa controlar de forma sequencial a produção de determinado gênero industrial (por exemplo. eliminar a concorrência. os cartéis têm quatro características: divisão territorial dos mercados. Um truste pode ser VERTICAL. Assim. podemos citar uma fusão entre a Sadia e a Perdigão. dessa forma. no lugar de montar suas próprias indústrias.No entanto. ou HORIZONTAL. a fim de proteger o interesse dos consumidores. controle das matérias-primas. Representam. em um mercado competitivo). pois os cartéis são formados por empresas que produzem mercadorias semelhantes (um exemplo de cartel é a equiparação dos preços da gasolina em postos de combustíveis). por meio da fixação de preços (ou cotas de produção) e da divisão de clientes e de mercados. Trata-se de uma concentração horizontal. tenha sempre em mente que esse agrupamento de empresas pode ser prejudicial à livre concorrência. surgem as HOLDINGS. cujo objetivo é. dominando uma parcela importante das ações e. portanto. Por isso. Em geral. controlando a tomada de decisões. para fecharmos esse tema: Holdings! A partir do momento que grandes empresários. constituído por empresas do mesmo ramo (como exemplo. os cartéis geram um sobrepreço de 10% a 20% (quando comparado ao preço de um produto semelhante.

bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas. Quanto a esse último aspecto.A LEI BRASILEIRA DE DEFESA DA CONCORRÊNCIA (LEI 12.. o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência – SBDC é formado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica . ainda que temporariamente. Conforme a referida lei.529/2011) pode ser enquadrada como uma espécie de legislação antitruste. quando pelo menos uma delas praticar infração à ordem econômica. independentemente de haver outras empresas no mercado (elevando arbitrariamente os preços. de fato ou de direito. Vamos em frente. e aprecia os atos de concentração submetidos à sua aprovação. solidariamente. Saiba. e competências previstas nesta Lei. ainda.. perceba que é possível uma empresa monopolista praticar condutas anticoncorrenciais. que serão solidariamente responsáveis as empresas ou entidades integrantes de grupo econômico. que se constitui em autarquia federal (mas não é uma Agência Reguladora). com ou sem personalidade jurídica. constituídas de fato ou de direito. mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio legal. É ele que decide se houve ou não infração à livre concorrência por parte de empresas ou de seus administradores. Por fim. com sede e foro no Distrito Federal. por exemplo). . vinculada ao Ministério da Justiça.CADE e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. você deve saber que a Lei de Defesa da Concorrência aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. As diversas formas de infração da ordem econômica implicam a responsabilidade da empresa e a responsabilidade individual de seus dirigentes ou administradores. na medida em que combate táticas de conluio entre empresas para dominar o mercado. O CADE é uma entidade judicante com jurisdição em todo o território nacional.

Exercer de forma abusiva posição dominante*. falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. . A lei nº 12.Dominar mercado relevante de bens ou serviços (salvo a conquista de mercado resultante de processo natural fundado na maior eficiência de agente econômico em relação a seus competidores). os atos sob qualquer forma manifestados. Vamos estuda-las? I . ainda que não sejam alcançados: .529/2011.Segundo a lei 12.acordar.529/2011 apresenta ainda algumas condutas que. . *Presume-se posição dominante sempre que uma empresa ou grupo de empresas for capaz de alterar unilateral ou coordenadamente as condições de mercado ou quando controlar 20% (vinte por cento) ou mais do mercado relevante.Aumentar arbitrariamente os lucros. ou seja. independentemente de culpa. manipular ou ajustar com concorrente. caracterizam infração à ordem econômica.Limitar. não exclui a possibilidade de existência de outras condutas (desde que gerem os mesmos efeitos anticoncorrenciais). volume ou frequência restrita ou limitada de serviços. sob qualquer forma: a) os preços de bens ou serviços ofertados individualmente. podendo este percentual ser alterado pelo CADE para setores específicos da economia. . Essa listagem é exemplificativa (e não exaustiva). que tenham por objeto ou possam produzir os seguintes efeitos. b) a produção ou a comercialização de uma quantidade restrita ou limitada de bens ou a prestação de um número. caracterizam infração à ordem econômica. combinar. na medida em que levam aos efeitos acima mencionados. .

mediante. adquirente ou financiador de bens ou serviços. III .recusar a venda de bens ou a prestação de serviços. a produção de bens ou prestação de serviços. equipamentos ou tecnologia. X . margem de lucro ou quaisquer outras condições de comercialização relativos a negócios destes com terceiros. bem como aos canais de distribuição. regiões ou períodos. II . a distribuidores. vantagens ou abstenção em licitação pública. dentro das condições de pagamento normais aos usos e costumes comerciais. d) preços.utilizar meios enganosos para provocar a oscilação de preços de terceiros. estabelecendo acordos para limitar ou controlar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. VII . ou para dificultar investimentos destinados à produção de bens ou serviços ou à sua distribuição.exigir ou conceder exclusividade para divulgação de publicidade nos meios de comunicação de massa.promover. VIII . matérias-primas. V . fornecedores. condições de pagamento.destruir. dentre outros. no comércio de bens ou serviços. IV .impor. obter ou influenciar a adoção de conduta comercial uniforme ou concertada entre concorrentes. inutilizar ou açambarcar matérias-primas. VI . inutilizar ou dificultar a operação de equipamentos destinados a produzi-los.discriminar adquirentes ou fornecedores de bens ou serviços por meio da fixação diferenciada de preços. ou de condições operacionais de venda ou prestação de serviços.limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado. quantidades mínimas ou máximas. distribuí-los ou transportá-los. produtos intermediários ou acabados. a distribuição de clientes. XI .impedir o acesso de concorrente às fontes de insumo. ao funcionamento ou ao desenvolvimento de empresa concorrente ou de fornecedor.regular mercados de bens ou serviços. assim como destruir. XIII . XII .criar dificuldades à constituição. descontos. .c) a divisão de partes ou segmentos de um mercado atual ou potencial de bens ou serviços. IX . varejistas e representantes preços de revenda.dificultar ou romper a continuidade ou desenvolvimento de relações comerciais de prazo indeterminado em razão de recusa da outra parte em submeter-se a cláusulas e condições comerciais injustificáveis ou anticoncorrenciais. condições.

cessar parcial ou totalmente as atividades da empresa sem justa causa comprovada. Levam ao aumento dos preços e à diminuição da oferta do produto. divisão do mercado consumidor. XVII . Em suma. divisão territorial. tecnologia ou marca.açambarcar ou impedir a exploração de direitos de propriedade industrial ou intelectual ou de tecnologia. e XIX . . ou subordinar a prestação de um serviço à utilização de outro ou à aquisição de um bem. são práticas conjuntas entre concorrentes para a fixação de preços. podemos citar: . .XIV .subordinar a venda de um bem à aquisição de outro ou à utilização de um serviço. Dentre as principais condutas anticoncorrenciais. XVI . quantidades produzidas.vender mercadoria ou prestar serviços injustificadamente abaixo do preço de custo. Essa prática também é utilizada com o objetivo de eliminar a concorrência.Venda casada: quando o vendedor impõe a compra de um segundo produto como condição para fornecer o produto desejado pelo comprador.exercer ou explorar abusivamente direitos de propriedade industrial. qualquer prática que prejudique ou vise à redução da concorrência ou que implique perda substancial de bem-estar por parte dos consumidores é considerada infração à ordem econômica. constituindo grave abuso de poder econômico. . XV . exceto para garantir a cobertura dos custos de produção. etc.reter bens de produção ou de consumo.Dumping: venda de um produto importado por um preço mais baixo do que no país de origem sem que isso reflita menores custos. XVIII . intelectual. adoção de postura preestabelecida em licitação pública.Formação de cartel: como vimos.

é uma fusão entre concorrentes.Conglomeração: associação entre empresas que atuam em diferentes setores da economia. na qual houve a fusão dos bancos Itaú e Unibanco. Se for verificado que os atos constituem alguma infração à ordem econômica.Preços de revenda: quando o produtor fixa o preço de revenda para os distribuidores.Concentração horizontal: é a fusão ou incorporação de empresas que fabricam o mesmo produto ou produtos substitutos.Discriminação de preços: quando o vendedor cobra preços diferentes do mesmo produto sem justa causa. por exemplo. pela possibilidade de conterem algum conteúdo anticoncorrencial: . até que consiga eliminar o concorrente. . podem impor alguma perda de bem-estar ao consumidor. quando quer aproveitar da falta de concorrência em um dos mercados. uma empresa fabricante de automóveis que compre uma fábrica produtora de peças automotivas. . . Além destas condutas. Pode-se citar como exemplo a criação do ItauUnibanco. . ou seja. Por exemplo.Concentração vertical: quando há a fusão ou incorporação de empresas em diferentes estágios da cadeia produtiva. Ela arca com o prejuízo temporário com o intuito de aumentar sua parcela de mercado e auferir maiores lucros futuros. embora não constituam violação expressa da lei da concorrência. temos outras que. podendo ser setores com nenhuma complementaridade entre si.Política de preços predatórios: a empresa mantém o preço do bem abaixo do custo de produção por um período.. . . Essas condutas devem ser objeto de análise por autoridades competentes.Exigência de exclusividade: quando o fornecedor ou o comprador impede que a outra parte comercialize produtos de outras marcas.

os indivíduos desfrutam de um nível máximo de bem-estar econômico. além de coibir que as barreiras suprimidas pelo governo sejam recompostas pelos agentes com elevado nível de poder econômico. conforme os limites da lei.impedindo a concorrência no setor em análise. elas podem impor restrições ao ato de concentração ou conglomeração ou até mesmo impedi-los. ou prejudicando o consumidor. impondo restrições à competição nos mercados em que atuam. os atos de concentração. Entretanto. As políticas de defesa da concorrência. A defesa da concorrência não é um fim em si. ou ainda incrementem seu poder de mercado por meio de alianças ou fusões com empresas concorrentes. As concentrações podem. Você deve ter em mente que os atos de concentração entre empresas podem produzir efeitos positivos e negativos sobre o bem-estar econômico. redução da qualidade. assim. mas um meio para se criar uma economia eficiente e preservar o bem-estar econômico da sociedade. que as empresas estabelecidas abusem de suas posições dominantes. Em uma economia eficiente os consumidores dispõem da maior variedade de produtos pelos menores preços possíveis. diminuição da variedade ou redução das inovações). Em tal contexto. Procura-se evitar. facilitar a adoção de condutas anticompetitivas (aumento de preços. cujas normas de competição passam a ser necessárias para garantir a própria existência do mercado. na medida em que proporcionem vantagens competitivas . ao diminuir o número de participantes no mercado. propõe-se a criar uma cultura concorrencial entre produtores e consumidores.

Por um lado. entre outros). Quando for provável o exercício do poder de mercado. o procedimento para a análise das concentrações constará de cinco etapas principais: . PODE REPRESENTAR UM AUMENTO da eficiência econômica no que diz respeito a economias de escala. os eventuais incrementos de produtividade. . dos Ministérios da Fazenda e da Justiça). Isso deverá ser objeto de análise pelas autoridades reguladoras e de defesa da concorrência. Por outro lado. . sendo dispensável a continuação da análise. a concentração receberá parecer favorável.Etapa III: Exame da probabilidade de exercício de poder de mercado. as melhorias na qualidade.Etapa I: Definição de mercado relevante. custos de transação etc. Quando não for provável o exercício do poder de mercado. a maior diversificação de produtos etc. economias de escopo e redução dos custos de transação. . DE 1º DE AGOSTO DE 2001. podem também aumentar o bem-estar econômico.Etapa II: Determinação da parcela de mercado sob controle das empresas requerentes. economias de escopo. Os demais serão objeto de análise nas etapas subseqüentes. Os atos que não gerarem o controle de uma parcela de mercado suficientemente alta obterão parecer favorável. Conforme o “Guia para Análise Econômica de Atos de Concentração Horizontal” (PORTARIA CONJUNTA SEAE/SDE Nº 50. o exercício de poder de mercado PODE REDUZIR o bem-estar econômico.para as empresas participantes (economias de escala. a concentração será objeto de investigação na próxima etapa.

b) Determinação da parcela de mercado sob controle das empresas requerentes Em mercados em que a oferta de cada empresa. pois isso fugiria do nosso objetivo! Vamos lá? a) Definição de mercado relevante. é muito pequena em relação à oferta total da indústria. Aprofundarei um pouco nos conceitos importantes trazidos pelo Guia! Não entrarei em detalhe sobre cada uma dessas etapas. nenhuma empresa ou grupo de empresas tem. ou de um grupo de empresas. será emitido parecer favorável à concentração.. Quando as eficiências forem inferiores aos custos. ou seja. a concentração será proibida ou terá condicionada a sua aprovação à adoção de medidas consideradas necessárias. consumidores e produtores.Etapa IV: Exame das eficiências econômicas gerados pelo ato. Trata-se do processo de identificação do conjunto de agentes econômicos. A definição do mercado relevante é etapa essencial nas análises anticoncorrenciais. que não geram perda de bem-estar econômico). O mercado relevante se determinará em termos dos produtos e/ou serviços que o compõem (dimensão do produto) e da área geográfica para qual a sua venda é economicamente viável (dimensão geográfica). unilateral ou coordenadamente. capacidade . que efetivamente limitam as decisões referentes a preços e quantidades da empresa resultante da operação. Quando as eficiências forem iguais ou superiores aos custos (efeito líquido nãonegativo. . pois é nesse espaço econômico delimitado que se pode verificar a possibilidade da atuação anticompetitiva pelos agentes.Etapa V: Avaliação da relação entre custos e benefícios derivados da concentração e emissão de parecer final.

. variedade ou inovação). dado que as empresas rivais não serão capazes de atender parte substantiva da demanda. exercer o poder de mercado. for suficientemente alta em relação à oferta total no mercado relevante. Barreiras à entrada vi). unilateral ou coordenadamente. Possibilidade de importações como alternativa ii).EMV são o menor nível de vendas anuais que o entrante potencial deve obter para que seu capital seja adequadamente remunerado. Efetividade da rivalidade entre os concorrentes *ESCALAS MÍNIMAS VIÁVEIS . Nesses casos. quando a oferta de uma empresa. Por outro lado. ou seja. Isto ocorre porque os consumidores responderão a tal tentativa desviando a totalidade de suas compras para as empresas rivais. ou de um grupo de empresas. maiores são as EMV necessárias para viabilizar a entrada e menor é a probabilidade de entrada de novas empresas no mercado relevante definido. Oportunidades de vendas dos concorrentes iv). Quanto mais elevadas as barreiras à entrada. a empresa ou o grupo terão parcela suficientemente alta do mercado relevante para exercer poder de mercado. c) Exame da probabilidade de exercício de poder de mercado O fato de uma concentração envolver uma parcela de mercado suficientemente alta não implica necessariamente que a nova empresa formada exercerá de forma unilateral seu poder de mercado. ou que as empresas coordenarão suas decisões.de mudar suas condutas (alterar preços. a capacidade de mudar suas condutas em relação às que prevaleceriam sob condições de concorrência irrestrita. Escalas mínimas viáveis (EMV*) v). Alguns fatores devem ser considerados: i). estas terão. Possibilidade de entrada de novos concorrentes iii). qualidade. quantidades.

A lei de defesa da concorrência estabelece como requisito de aprovação dos atos de concentração que os benefícios decorrentes sejam “distribuídos equitativamente” entre os seus participantes. as autoridades procurarão analisar se os efeitos da operação se revertem em benefício do consumidor em período de tempo razoável. veda o legislador a aprovação do ato caso se verifique a possibilidade de “prejuízo” ao consumidor ou usuário final. . é necessário que o efeito líquido da operação sobre o bem-estar econômico da sociedade seja não-negativo. de escopo. As eficiências específicas à concentração econômica horizontal podem se dar sob a forma de economias de escala. de um lado. e) Avaliação da relação entre custos e benefícios derivados da concentração e emissão de parecer final Para que um ato que implique controle de parcela substancial de mercado (Etapa II) em um mercado em que existam condições de exercício de poder de mercado (Etapa III) seja aprovado com base nas eficiências que gera (Etapa IV). e os consumidores. Nesses casos em particular.d) Exame das eficiências econômicas gerados pelo ato Para avaliar o efeito líquido da concentração sobre a economia é necessário comparar os custos econômicos com as possíveis eficiências econômicas derivadas do ato. Mesmo nos casos em que os órgãos de defesa da concorrência reputarem a operação “necessária por motivo preponderante da economia nacional e do bem comum”. de outro. e que sejam observados os limites estritamente necessários para atingir os objetivos visados. da introdução de uma tecnologia mais produtiva. da apropriação de externalidades positivas ou eliminação de externalidades negativas e da geração de um poder de mercado compensatório.

Leonardo Vizeu. O caso dos Monopólios Naturais Vamos falar um pouco sobre os Monopólios Naturais? Vou iniciar esse assunto com a apresentação do seu conceito. pois irei explicar direitinho cada detalhe. Esse último é titularizado pela União. a exclusividade na produção de determinado bem ou na prestação de determinado serviço acarreta uma maior eficiência econômica. “Monopólio natural é aquele decorrente da impossibilidade física da mesma atividade econômica ser realizada por mais de um agente.4. por razões estratégicas ou fiscais. 4ª Edição. Isso porque determinada atividades envolvem custos de investimento tão altos que não há como se estabelecer competição nas mesmas”. Isso porque. Rio de Janeiro: Editora Forense O MONOPÓLIO NATURAL não deve ser confundido com o MONOPÓLIO ESTATAL. em hipóteses taxativamente previstas na Constituição Federal. uma vez que a maximização de resultados e a plena eficiência alocativa de recursos somente são alcançadas quando a exploração se dá em regime de exclusividade.2. eliminando toda e qualquer forma de monopólio. Mas não se preocupe. Lições de Direito Econômico. que por sinal é um pouco longo. Isso se dá por alguns motivos. em determinados casos. preciso que você entenda uma coisa: não é verdade que o regulador deve buscar a concorrência em todas as situações. FIGUEIREDO. dentre os quais destaco dois: . Antes de mais nada. Tais monopólios serão atividades exclusivas do Estado.

I) Altos investimentos iniciais:
A exploração dos serviços de telecomunicações exemplifica bem o caso de
um monopólio natural. Pense nos elevadíssimos gastos empregados pelas
operadoras de telecomunicações na construção de suas redes de telefonia.
O mesmo racional pode ser usado em serviços de saneamento básico,
telefonia, abastecimento de água etc.
Pois bem! Para definir os valores cobrados, uma empresa leva em
consideração a necessidade de se compensar o investimento inicial que foi
realizado. Assim, como uma empresa em monopólio natural possui
exclusividade no mercado, a sua produção será maior, o que permite que
os valores cobrados sejam inferiores e, ainda assim, seja possível cobrir os
gastos iniciais.
II) Economias crescentes de escala
Já estudamos o conceito de economias de escala, você se recorda? Elas
representam reduções nos custos médios derivadas da expansão da
quantidade produzida. É exatamente o que ocorre no caso de um
monopólio natural: como a quantidade produzida será maior (uma vez que
haverá exclusividade na produção), é possível que os custos médios sejam
reduzidos.

Podemos definir o CUSTO MÉDIO como o razão entre o custo total da
produção e a quantidade produzida. Dessa forma, temos que:

Considerando

as

características

dos

monopólios

naturais

(altos

investimentos iniciais e economias crescentes de escala), o que ocorre é o

seguinte: uma vez incorridos os altos custos das instalações, a expansão
da produção por uma só firma (monopolista) irá reduzir os custos
médios (pois o valor do denominador da expressão aumenta, o que fará com que
o resultado da divisão seja inferior). Consequentemente, A ESTRUTURA DE
CUSTOS MÉDIOS SERÁ DECRESCENTE PARA TODA A FAIXA RELEVANTE DE
PRODUÇÃO. OU SEJA, À MEDIDA QUE SE AUMENTA A PRODUÇÃO, OS
CUSTOS MÉDIOS IRÃO DIMINUIR CADA VEZ MAIS.
Nos casos de monopólio natural, as empresas de fora do mercado sabem
que, via de regra, não atingirão custos médios tão baixos quanto os desfrutados
pelo monopolista, pois, após arcar com elevados custos de entrada, cada uma
teria uma fatia menor do mercado (ou seja, a quantidade produzida será menor,
já que não haverá demanda suficiente para absorver uma produção muito grande
de cada concorrente). Assim, uma empresa que atua sob monopólio natural não
se preocupa tanto com a possibilidade de entrada de novos concorrentes, uma vez
que isso será difícil de acontecer.

De modo geral, os monopólios naturais apresentam CUSTOS
MARGINAIS (custo necessário para produzir uma unidade adicional)
muito baixos, bem próximos ou tendendo a zero.
Exemplificando:
1 - Considere uma empresa de distribuição de água. Para operar em
determinada cidade, essa empresa deve arcar com uma rede de
tubulações, estação de tratamento etc. Uma vez que ela tenha toda esta
estrutura montada, o acréscimo de custo decorrente do aumento do
número de moradores será pequeno (ou seja, o custo marginal decorrente
do aumento de produção é pequeno). Assim, quanto mais essa empresa
expandir a sua produção, menor será o custo médio.

2 – Imagine o caso do transporte metroviário. Após escavados todos os
túneis e montadas todas as estações de metrô (ou seja, um investimento
inicial altíssimo) o aumento do número de passageiros praticamente não
gerará aumentos de custo. Se o metrô transporta uma única pessoa, ou se
transporta mil pessoas, o custo total será praticamente o mesmo. Assim, o
custo marginal será praticamente zero e o custo médio será decrescente.

Podemos dizer que, no caso dos monopólios naturais, é muito melhor para
o mercado ter apenas uma empresa produzindo com exclusividade, uma vez que
serão gerados custos médios mais baixos.
O monopólio natural, portanto, não é algo ruim. Ele é a melhor maneira de
se produzir quando há altos investimentos iniciais e grandes economias de escala
na produção (custos médios decrescentes).
Em virtude disso, nem sempre ele deve ser desfeito pelo regulador. Muito
pelo contrário: cabe ao regulador encontrar a melhor forma de regular um
monopólio natural, ao inves de tentar introduzir a concorrência. Caberá e ele
coibir o abuso do poder de mercado pelo monopolista (isso seria uma falha de
mercado), para que não sejam cobrados preços muito elevados.

“E como deve ser feita essa regulação, professor”?
Antes de te dar a resposta, preciso que você se recorde de uma coisa: a
principal fundamentação para a regulação ocorre em virtude das falhas de
mercado, ou seja, a regulação busca gerar o resultado ótimo da concorrência
perfeita. Já estudamos também que uma das características do mercado de
concorrência perfeita é a cobrança de preços iguais aos custos marginais. Assim,
pareceria razoável supormos que esse racional se aplicaria aos monopólios
naturais. Mas isso não é verdade!

vamos retornar ao assunto “Defesa da Concorrência”. tendendo a zero. a regulação deverá impor que a indústria regulada aproxime o preço cobrado dos CUSTOS MÉDIOS. não há proibição no caso dos Monopólios Naturais (já existem diversas manifestações do CADE nesse sentido). Assim. . como a “dominação de mercado relevante de bens ou serviços”. Todavia. Por fim. os custos marginais do monopolista natural são muito baixos. portanto. Por outro lado. Você já estudou que a Lei nº 12. aumentar arbitrariamente os lucros e exercer de forma abusiva posição dominante.Como vimos.529/2011 define diversas condutas como infratoras à ordem econômica. bem inferior ao custo total. dominar mercado relevante de bens ou serviços. pois não condena a “conquista de mercado resultante de processo natural fundado na maior eficiência do agente econômico em relação a seus competidores”. Traduzindo: essa lei proíbe o monopólio convencional. decorrente de ajustes entre os agentes econômicos com o intuito de prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. se o preço cobrado pelo monopolista for igual ao custo marginal. a sua receita será muito baixa. No caso dos Monopólios Naturais. a mesma lei faz uma ressalva a essa conduta. e não dos custos marginais. Isso fará com que ele acabe abandonando o mercado.

Exemplificando: Pense em uma empresa fabricante de trens. Isso é o que chamamos de indústria de rede. Por exemplo: computadores . Antes de tratarmos desses mecanismos de regulação. e justificam a necessidade de regulação. podemos citar: energia elétrica. I) COMPLEMENTARIEDADE E COMPATIBILIDADE Os produtos de uma indústria de redes devem ser complementares e compatíveis com outros que utilizem a mesma rede.4. Essas indústrias são dependentes da implantação de redes (ou malhas) para o transporte e distribuição de produtos/serviços aos consumidores. como o de energia elétrica e o de telecomunicações. principalmente quando tratamos de setores de infraestrutura. internet. Como exemplos de mercados que operam em rede. transporte ferroviário etc. Por maior que seja o investimento realizado no processo de fabricação (com o uso de tecnologias caríssimas e a contratação de profissionais extremamente capacitados. cujos elos estabelecem – por razões de natureza tecnológica – elevados graus de interdependência. As Indústrias de Rede Uma rede diz respeito a ligações que conectam diferentes pontos no espaço econômico.3. Os setores acima mencionados constituem indústrias de rede em virtude da estrita complementaridade existente entre os segmentos de suas cadeias produtivas. essa empresa não poderá comercializar seus veículos sem que esteja disponível uma rede ferroviária onde eles possam funcionar. por exemplo). aviação civil. telefonia. Isso faz com que diferentes mecanismos de regulação sejam adotados. vamos aprofundar um pouco mais em algumas características das indústrias de rede! Essas características podem levar ao empoderamento de mercado dessas empresas.

nesses casos. De forma semelhante. . ou seja. computadores e softwares) e não como produtos individuais. e ocorre justamente devido às características de complementariedade e compatibilidade que vimos acima. Qual seria o sentido. quem compraria um aparelho telefônico se não existisse outra pessoa com quem pudesse se comunicar? III) APRISIONAMENTO Considere dois fabricantes: o primeiro fabrica computadores e o segundo. na fabricação de um trem sem que houvesse uma ferrovia em que ele possa trafegar? De forma semelhante. os produtos devem ser compatíveis. IV) ECONOMIAS DE ESCALA Já estudamos isso quando tratamos dos monopólios naturais. a utilidade derivada do consumo de um bem ou serviço é influenciada pelo número de outras pessoas utilizando produtos compatíveis. além de complementares. II) EXTERNALIDADES DE CONSUMO Quando falamos em indústrias de rede. Isso funciona como uma externalidade de rede. um alto custo fixo e um baixíssimo custo marginal fazem com que o custo médio decresça com o aumento da quantidade produzida.não são úteis se eles não contarem com os devidos softwares (sistema operacional. pacote de escritório. Imagine só a dificuldade e o custo necessários para que o fabricante de computadores altere o seu “fornecedor” de sistemas operacionais. No entanto. sistemas operacionais. Isso ocorre devido à complementariedade e a compatibilidade existente entre esses dois tipos de produtos. Por complementariedade você pode entender que esses produtos operam por sistemas (por exemplo.) instalados. isso fará com que eles possam funcionar conjuntamente. que foram levadas em consideração durante os seus processos de fabricação. no caso das indústrias de rede. acesso à internet etc. seguirem padrões comuns. Tais custos de troca acabam fazendo com que as indústrias de rede tenham certo poder de mercado sobre os usuários e. por exemplo. dizemos que os eles estão aprisionados.

a dona da rede (a incumbente) negocia elementos específicos de sua rede com as entrantes (perceba que não estou falando de todo o serviço. Neste caso. do autor José Tavares de Araujo Jr (disponível em http://portal2. o serviço de internet)..as estratégias de competição das empresas incumbentes. A dona da rede poderia realizar a desagregação e uma empresa entrante poderia explorar parte desses serviços (por exemplo. imagine uma empresa telefônica que ofereça serviços de telefone.a natureza das tecnologias vigentes. Segundo as normas da ANATEL. além de outros benefícios aos usuários dos serviços prestados.tcu.br/portal/pls/portal/docs/2064724.V) COMPARTILHAMENTO O compartilhamento pode ser entendido como o uso conjunto de uma infra-estrutura. pois aumenta o número de empresas no mercado. Isso ocorre no setor de telecomunicações. Este tipo de política pode ser considerado benéfico (desde que exista uma regulação eficiente). VI) DESAGREGAÇÃO (UNBUNDLING) A desagregação ocorre quando uma parte dos serviços da rede passa a ser prestada por outra indústria. mas sim parte dele). Conforme trabalho “REGULAÇÃO E CONCORRÊNCIA EM SETORES DE INFRAESTRUTURA”.e o estado da regulação nacional. 3 . 2 .PDF). o número de empresas incumbentes.. seus tamanhos relativos e respectivos vetores de produção – depende de quatro fatores básicos: 1 . por exemplo. Por exemplo. a redução de custos operacionais. internet e TV digital. Continuando. .gov. a configuração de cada indústria de rede – isto é.o tamanho do mercado. esse compartilhamento de infra-estrutura deve estimular a otimização de recursos. 4 .

são frequentes as situações em que firmas verticalizadas controlam a oferta de bens e serviços indispensáveis à sobrevivência de outras empresas.O conjunto de tecnologias disponíveis delimita os níveis potenciais de economias de escala. a dimensão do mercado e as estratégias de competição das empresas. A literatura sobre teoria econômica da regulação sugere uma lista de soluções alternativas para coibir práticas verticalizadas que operam em indústrias de rede: anticompetitivas de firmas . ao contrário do que ocorre em outras cadeias produtivas. escopo e densidade a serem exploradas pelas empresas incumbentes. Isso porque. e certos tipos de bens e serviços poderão ser ofertados preponderantemente por EMPRESAS INTEGRADAS VERTICALMENTE (quando diferentes processos de produção passam a ser controlados pela mesma empresa). As autoridades reguladoras devem dispor de instrumentos para lidar com a principal fonte de condutas anticompetitivas em indústrias de rede. que reside nas CONDIÇÕES DE ACESSO AOS RECURSOS ESSENCIAIS do setor. e devem ser objeto de regulação. da interação entre a base tecnológica. Em virtude dos quatro fatores acima apresentados. Os níveis efetivos de tais economias resultarão. certos segmentos da indústria tenderão eventualmente a ser operados por MONOPOLISTAS nacionais ou regionais. em cada caso. compatibilidade e aprisionamento estudadas anteriormente). as empresas que dependem de um recurso essencial numa indústria de rede não dispõem da opção de mudar de fornecedor (não se esqueça das características de complementariedade. Nestas indústrias. Essas situações podem acarretar na prática de condutas abusivas por parte das empresas.

Somente naqueles casos em que a superioridade das firmas verticalizadas for inequívoca. repartir os custos fixos entre todos os consumidores e cobrar mais de quem é menos sensível a variações de preço. . . a autoridade antitruste deve punir de forma expedita qualquer desvio em relação aos padrões de conduta definidos pelo órgão regulador. escopo ou densidade. a solução mais sensata requer uma articulação estreita entre regulação e política de concorrência.Quando a integração vertical não gera economias de escala. o marco regulatório deve conter normas claras sobre as condições de acesso aos recursos essenciais da indústria. trago dois conceitos da literatura: . Isto quer dizer. e serve apenas para sustentar o poder de mercado daquelas firmas.A REGRA DOS PREÇOS DE RAMSEY. mas as empresas não verticalizadas oferecem benefícios adicionais ao consumidor. Por um lado. Por outro. o marco regulatório deverá permitir sua presença exclusiva no mercado. . . que pode ser utilizada para definir a tarifa de acesso: o excesso do preço que está acima do custo marginal deve ser inversamente proporcional à elasticidade preço da demanda. Ainda quanto à regulação de acesso em indústrias de rede. em outras palavras.A existência de BOTTLENECK: isso representa o controle exclusivo do acesso aos usuários finais. por parte da (s) firma (s) incumbente (s). a melhor opção é simplesmente proibir a verticalização.Quando tais economias existem. a fim de assegurar a sobrevivência dos dois tipos de firmas no mercado..

desde que sob supervisão de um regulador. cara e imperfeita. Não podemos esquecer. como a possibilidade de captura do regulador. e tendo em vista o bem-estar do consumidor. estudamos nessa aula que. da existência de falhas regulatórias. haverá alguma perda de escala. Ao regular para competição. em caso de monopólios naturais. se houver) para produzir a um custo mais baixo do que seria possível em um mercado concorrencial. a regulação poderá se tornar uma atividade difícil. é possível aproveitar as economias de escala (e de escopo. ainda. com um mínimo de intervenção. Perceba que a decisão entre a abertura ou não de um mercado para a competição não é tão simples quanto parece. Em um mercado competitivo. Assim. possibilitando incremento em qualidade ou melhorias tecnológicas. A competição também fará com que elas reduzam seus custos ao mínimo e planejem cuidadosamente melhorias de produtividade. da ineficiência de Pareto e de transferência socialmente indesejável de renda por meio de condutas abusivas. e que diferentes condutas abusivas também poderão ocorrer. se levarmos em consideração que o número de atores envolvidos será maior. Pois bem! Defender a concorrência implica evitar o surgimento (e/ou o incremento) de poder de mercado. Além disso. por exemplo. mas sim o meio para mitigar disparidades e estimular a eficiência econômica. e. portanto. Em virtude disso. as empresas revelam mais fatos sobre os seus custos e estrutura produtiva do que jamais poderia ser conseguido por lei ou regulação. regular pressupõe ajustes constantes em função da evolução dos mercados e dos resultados atingidos. introduzindo a concorrência em um mercado que antes era monopolista. entretanto. essa concorrência poderá ser eficaz. . o bem-estar social pode ser maior caso o mercado seja formado em regime de exclusividade. Por outro lado. em regra.5 – Regulação para Competição Caro aluno! A essa altura você já deve ter percebido que a regulação não é um fim.

pois os segmentos de transmissão e distribuição têm sido considerados como monopólios naturais. Espanha. Chile. Para exemplificar esse processo. Competição e Mercados Contestáveis na Indústria de Energia Elétrica do Brasil”. ” Em linhas gerais. em qualquer caso. As reformas da indústria de energia elétrica da Inglaterra. ou seja. Dentre os fatores que vêm contribuindo para essas mudanças destacam-se os avanços tecnológicos ocorridos. Para isso. uma situação em que há conflito de escolha. sobretudo na fonte termelétrica de geração. consiste na passagem de um modelo de monopólio para um modelo cuja eficiência da indústria é determinada (também) pela competição. Austrália. devem ser analisadas as características do mercado que se pretende regular. em linhas gerais. que. os governos vêm criando instrumentos regulatórios que obrigam a desverticalização dessas empresas. perceba que não existe uma solução regulatória perfeita e que. trago um trecho do trabalho “Regulação. Argentina. têm por objetivo a busca da eficiência econômica. Tal mudança tem ocorrido principalmente nos segmentos de geração e comercialização de energia. Noruega. e até mesmo dos Estados Unidos.Isso funciona como um verdadeiro trade-off. bem como os impactos a serem gerados com a regulação (tanto no caso dos monopólios quanto na introdução da concorrência). estimulando um ambiente de competição. . dos autores Élbia Vinhaes e Edvaldo Santana: “A reestruturação da indústria de energia elétrica brasileira vem seguindo a tendência mundial.

para que você possa resolvê-las sozinho! Em seguida. não é verdade? 1º . complementares aos apresentados na parte teórica de nossas aulas! 2º .Quando for revisar o conteúdo. tente resolver as questões ímpares! . junto com você.Pois bem! Encerramos por aqui o conteúdo teórico dessa Aula! A seguir. caro aluno! Tente resolvê-las sozinho! Você pode fazer da seguinte forma: .Trarei questões adicionais. algumas questões. resolva as questões pares! Vamos começar? .Vou resolver. Os comentários virão logo em seguida de cada uma delas! Não deixe de ler os comentários de todas as questões! Muitas vezes trarei conteúdos novos. apresentarei a resolução de todas elas! 3º Lista das Questões Resolvidas! Para você praticar. trago a você uma série de exercícios! Você se lembra da nossa metodologia.Assim que finalizar a nossa aula.

(CESPE – ANTAQ 2015).(CESPE – ANTAQ 2015).6 – Questões Comentadas 1 . Comentários: Vimos que a possibilidade de entrada (e saída) de novos competidores no mercado é um fator que inibe o exercício de poder de mercado. A regulação de preço mínimo visa coibir a prática de preços predatórios por firma regulada em detrimento de concorrentes não regulados. Comentários: Quando estudamos a regulação de preços vimos que. como instrumentos regulatórios que permitem ao regulador controlar a quantidade de firmas na indústria regulada. Estudamos ainda que um mercado contestável é aquele onde há possibilidade de entrada e saída de novas empresas. . na hipótese em que alguma empresa regulada possa praticar preço predatório para prejudicar os demais concorrentes. de forma a inibir o abuso de poder de mercado. quanto para mínimo. e deve assegurar que todas as oportunidades de venda sejam adequadamente exploradas pelos entrantes em potencial. nesse sentido. Assim. no caso de valores limites. a assertiva está correta! 2 . Essa entrada será provável quando for economicamente lucrativa e quando os preços puderem ser assegurados pelo possível entrante. As restrições de entrada e saída são instrumentos regulatórios que permitem ao órgão regulador controlar a quantidade de firmas na indústria regulada. as quais poderão competir em igualdade de condições com as empresas já existentes. As restrições de entrada e saída de concorrentes funcionam. esses preços podem ser estipulados tanto para máximo (evitando preços abusivos).

Assim. b) a uma função de produção homogênea de primeiro grau. Comentários: Como vimos. Esses custos médios podem diminuir. portanto. a assertiva está correta! 3 . Essa situação refere-se a) à existência de deseconomias de escala. o produto cresce numa proporção ainda maior.ção.(ESAF . as economias de escala (ou seja. Considere a situação em que quando aumentamos o emprego de todos os fatores em uma determinada proporção. 2004).Quando um mercado é não contestável. e (d) as propriedades físicas do equipamento ou propriedades dos processos produtivos podem gerar economias. porque: (a) os custos fixos são uma parcela substantiva dos custos totais. (b) a produtividade do trabalho aumenta. c) à existência de rendimentos crescentes de escala. e) a uma função de produção com rendimentos constantes de escala.MPU. temos um motivo que justifica a regulação. entre outros fatores. O gabarito da questão é a letra c)! . (c) a produtividade do capital aumenta. rendimentos crescentes de escala) são reduções nos custos médios derivadas da expansão da quantidade produzida. dados os preços dos insumos. d) a pontos acima da curva de possibilidade de produ.

que reside nas condições de acesso aos recursos essenciais do setor. Essas situações podem acarretar na prática de condutas abusivas por parte das empresas. observa-se o efeito Averch-Johnson quando a concessionária registra excesso de investimentos em atividades cuja taxa de retorno permitida pelo regulador é menor que o custo de capital vigente no mercado.(CESPE – TCU 2011). ao custo de capital vigente (se a taxa de retorno for menor que o custo . compatibilidade e aprisionamento estudadas anteriormente). O resultado disso é que a empresa acabará operando com maior quantidade de capital. haverá tendência à sobrecapitalização. e devem ser objeto de regulação.(CESPE – TCU 2011). No regime de serviço pelo custo. Comentários: Cuidado com as pegadinhas! Se uma empresa está sujeita à regulação por custo de serviço. ou seja. ao contrário do que ocorre em outras cadeias produtivas. Isso porque. Isso ocorre desde que a taxa de retorno permitida seja superior à taxa de juros do mercado.4 . a assertiva está correta! 5 . seus lucros são proporcionais à base de capital. sua taxa de retorno sobre o investimento é fixa e. portanto. as empresas que dependem de um recurso essencial numa indústria de rede não dispõem da opção de mudar de fornecedor (não se esqueça das características de complementariedade. Nestas indústrias. Assim. O livre acesso a infraestruturas essenciais é condição necessária para introduzir a competição em indústrias de rede. ou seja. Comentários: Perfeito! As autoridades reguladoras devem dispor de instrumentos para lidar com a principal fonte de condutas anticompetitivas em indústrias de rede. são frequentes as situações em que firmas verticalizadas controlam a oferta de bens e serviços indispensáveis à sobrevivência de outras empresas.

o seu reajuste não poderá ultrapassar um valor máximo (preço teto). o que faz com que ela seja sensível aos custos e comportamentos de suas congêneres. os custos operacionais eficientes de uma empresa de referência são utilizados no cálculo da taxa de retorno regulatória a ser aplicada à base de remuneração da concessionária. No método de tarifação pelo custo do serviço. Dessa forma.do capital. Esse novo preço será acrescido .(CESPE – TCU 2011). Comentários: Perfeito. Dessa forma. que permitem a comparação entre empresas de um mesmo setor. A remuneração de uma firma é definida comparando-se o seu desempenho ao de outras empresas do setor.(CESPE – TCU 2011). a assertiva está ERRADA! 6 . Comentários: De forma alguma! Isso não se aplica para a tarifação pelo custo de serviço! Um dos mecanismos regulatórios que busca introduzir mecanismos de incentivo para as empresas é o YARDSTICK REGULATION. o órgão regulador pode construir uma fronteira de eficiência utilizando dados de empresas comparáveis com o objetivo de avaliar a adequação dos custos incorridos pelos concessionários. Por esse método. No regime de tarifação por preço teto. Esse é o efeito Averch-Jonhson. também conhecido como REGULAÇÃO DE DESEMPENHO ou REGULAÇÃO POR PARÂMETROS DE COMPARAÇÃO. em conformidade com os padrões estabelecidos. a assertiva está ERRADA! 7 . Definido o valor inicial da tarifa. o regulador estabelece padrões de avaliação de desempenho. não será viável para a indústria regulada entrar no mercado).

regulação por comparação (yardstick regulation). com o objetivo de monitorar o nível de investimentos da concessionária. a assertiva está correta! 8 . a assertiva está ERRADA! 9 . o que configura o incentivo. neste tipo de regulação. Assim. o órgão regulador deve estabelecer padrões de qualidade do serviço. A regra de Ramsey. Assim. ela poderá se apropriar dos lucros sobressalentes. No regime de regulação por incentivo. desde que haja ganhos de produtividade.(CESPE – TCU 2011). Comentários: No regime de regulação por incentivo. regulação por padrão de qualidade (performance standards) ou ainda pelo price cap (preço teto). redução de custos.de um índice de preços do período menos um parâmetro previamente fixado de redução de custos (X). mas sim incentivá-la a ter ganhos de produtividade. Em todos estes regimes. Estes incentivos podem acontecer mediante compartilhamento de lucros (sliding scale plane). que o órgão regulador utilize uma fronteira de eficiência com dados de empresas comparáveis. e é o responsável pelo estímulo à produtividade. etc. Esse parâmetro de redução de custos é fixado anteriormente a partir de comparações internacionais.(CESPE – TCU 2011). para avaliar a adequação dos custos incorridos. o objetivo precípuo não é monitorar a quantidade de estoque de capital ou o nível de investimentos da indústria regulada. implica repartir os custos . o órgão regulador estabelece incentivos para indústria regulada. se a indústria regulada conseguir obter ganhos acima do estipulado pelo regulador. É possível. quando utilizada para definir a tarifa de acesso em indústrias de rede. ainda. Dessa forma.

e não dos custos marginais. sem prejuízo do bem-estar social. Comentários: Mais uma pegadinha! Vimos que na regra dos preços de Ramsey. a regulação deverá impor que a indústria regulada aproxime o preço cobrado dos CUSTOS MÉDIOS. os custos marginais do monopolista natural são muito baixos. Comentários: No caso dos Monopólios Naturais. Isto quer dizer. Isso fará com que ele acabe abandonando o mercado.fixos entre todos os consumidores e cobrar mais de quem é mais sensível a variações de preço. repartir os custos fixos entre todos os consumidores e cobrar mais de quem é menos sensível a variações de preço. se o preço cobrado pelo monopolista for igual ao custo marginal. tendendo a zero. em outras palavras. a sua receita será muito baixa. o excesso do preço que está acima do custo marginal deve ser inversamente proporcional à elasticidade preço da demanda. a assertiva está ERRADA! 10 (CESPE – TCU 2001). a assertiva está ERRADA! 11 . Como vimos. A prescrição regulatória para mercados monopolísticos consiste na equalização entre receita marginal e custo marginal. bem inferior ao custo total. Se o custo de produção de dois produtos por uma única empresa é menor que o custo de produção desses mesmos dois produtos por empresas distintas.(CESPE – TCU 2011). Comentários: . o processo produtivo apresenta economias de escala. que pode ser utilizada para definir a tarifa de acesso. Assim. Dessa forma. Dessa forma.

dados os preços dos insumos. porque: (a) insumos comuns aos distintos bens são melhor aproveitados por uma só empresa do que por várias. as ECONOMIAS DE ESCALA são reduções nos custos médios derivadas da expansão da quantidade produzida. em determinados casos. Isso porque. entre outros fatores. garante também lucros puros para as empresas que operam nesses mercados. a assertiva está ERRADA! 12 . Isso se dá por alguns motivos. Comentários: Não é verdade que o regulador deve buscar a concorrência em todas as situações. a exclusividade na produção de determinado bem ou na prestação de determinado serviço acarreta uma maior eficiência econômica. Já as ECONOMIAS DE ESCOPO são reduções nos custos médios derivadas da produção conjunta de bens distintos. . além de melhorar o bem-estar dos consumidores.(CESPE – TCE/AC 2009). eliminando toda e qualquer forma de monopólio. a expansão da produção por uma só firma (monopolista) irá reduzir os custos médios.Não se deixe enganar! Como vimos. A imposição da regra competitiva de formação de preços nos monopólios naturais como os que prevalecem no setor de utilidades públicas. dentre os quais destaco dois: I) Altos investimentos iniciais: II) Economias crescentes de escala Considerando as características dos monopólios naturais (altos investimentos iniciais e economias crescentes de escala). Os custos médios podem diminuir. o que ocorre é o seguinte: uma vez incorridos os altos custos das instalações. Dessa forma. dados os preços dos insumos. (b) recursos de distribuição e comercialização (venda e mercado) são melhor aproveitados por uma só empresa que por várias.

em determinados casos. a exclusividade (e não a competição) na produção de determinado bem ou na prestação de determinado serviço pode acarretar uma maior eficiência econômica. A presença de economias crescentes de escala em determinada indústria indica a existência de fortes pressões competitivas nesse mercado. a assertiva está ERRADA! 13 – (CESPE – SEGER 2007). dentre os quais destaco dois: I) Altos investimentos iniciais: II) Economias crescentes de escala As economias de escala são reduções nos custos médios derivadas da expansão da quantidade produzida. a assertiva está correta! . em parte. e ocorre justamente devido às características de complementariedade e compatibilidade que vimos acima. a assertiva está ERRADA! 14 – (CESPE – ANATEL 2007). No setor de telecomunicações. a utilidade derivada do consumo de um bem ou serviço é influenciada pelo número de outras pessoas utilizando produtos compatíveis. dados os preços dos insumos. o que confere poder de mercado às incubentes. Quando falamos em indústrias de rede. Isso se dá por alguns motivos. Dessa forma. pois. pela existência de externalidades de rede. Assim. a intervenção do governo justifica-se. Comentários: Uma das características marcantes das Indústrias de Rede é a existência de externalidades.Dessa forma. a sua monopolização. Isso funciona como uma externalidade de rede. Comentários: De forma alguma! Estudamos que. que confere poder de mercado às incumbentes. excluindo.

bem como a regulação por padrão de comparação. As formas de regulação incentivada incluem aquelas que se baseiam no controle das tarifas esquemas regulatórios do tipo sliding scale.Performance standards . A tarifação pelo custo do serviço. Dessa forma. price cap e regulação pela taxa de retorno . Comentários: Perfeito! Pelo método da Tarifação pelo Custo do Serviço. uma vez que não estimulam o aumento de produtividade pelas empresas. Além do mais. não são excluídas as formas de regulação que utilizam regras de qualidade.Price-cap Perceba que a tarifação pela taxa de retorno (tarifação pelo custo do serviço) não funciona como regulação por incentivos.Yardstick regulation . a assertiva está ERRADA! 16 – (CESPE – POLICIA FEDERAL 2004). pois. a receita obtida pela indústria regulada deve cobrir os custos operacionais advindos da prestação dos serviços e ainda permitir uma margem de lucro sobre o capital que foi investido. as que utilizam regras de controle de qualidade. muito menos as que utilizam padrões de comparação. também conhecida como regulação da taxa interna de retorno .Sliding scale .requer que os preços remunerem os custos totais e contenham uma margem que proporcione uma taxa interna de retorno atrativa ao investidor.excluindo.15 – (CESPE – POLICIA FEDERAL 2004).utilizada para a regulação tarifária dos setores de monopólio natural . Comentários: As formas de regulação por incentivos incluem: . .

Na regulação da qualidade. Por fim. além de o agente regulador não precisar conhecer os custos de ofertar um determinado nível de qualidade. a assertiva está correta! 17 – (CESPE – ANATEL 2004). Mecanismos de regulação da qualidade e ajustes do price cap. não mais exigem nenhum tipo de intervenção do agente regulador. o regulador deve impor padrões de qualidade que sejam “possíveis” economicamente à indústria regulada. a assertiva está ERRADA! 18 – (CESPE – ANATEL 2004). uma vez estabelecidos. excluem a possibilidade de colusão entre essas firmas para elevar seus lucros.Assim. o regulador deve conhecer os custos da indústria regulada. os custos de transação. Comentários: . Comentários: O agente regulador não precisa conhecer os custos? Isso não faz sentido! Vimos que no price cap. reduzindo. além de induzirem aumentos de produtividade e redução de custos praticados por outras firmas do setor. Logo. que são exemplos de esquemas de compensação a consumidores. não mais exigem nenhum tipo de intervenção desse agente regulador. Esquemas de regulação pelo desempenho (yardstick competition) — em que o desempenho das firmas reguladas é aferido pela comparação com uma referência média (benchmark) —. uma vez estabelecidos. esses mecanismos. é necessário conhecer os custos de serviço para determinação do fator X. embutem um incentivo automático porque. é incorreto afirmar que esses mecanismos. Dessa forma. assim.

como uma tentativa de estimular a redução de custo através do esforço empresarial. O impacto sobre a qualidade do ar dessa cidade decorrente da emissão de 1 tonelada desse gás é o mesmo. forma modificada da regulação pela taxa de retorno. Para tanto. de acordo com uma meta definida por critérios de proteção à saúde. As críticas quanto ao método tarifário de regulação pela taxa interna de retorno levaram à introdução de inovações tarifárias a partir dos anos 80. uma vez que esse método garante a ela um taxa de retorno predeterminada. Diversas empresas contribuem para um aumento na concentração atmosférica de SO2 em uma cidade. Assim. com consequente aumento da produtividade. A agência ambiental da cidade quer reduzir a concentração desse gás no ar da cidade. a assertiva está ERRADA! 19 – (CESPE – ANATEL 2004). a assertiva está correta! 20 .(ESAF – ANEEL 2004). no intuito de elevar os seus lucros. A regulação de incentivos. cogita-se em políticas alternativas: a introdução de uma taxa por tonelada de SO2 . Isso é o que conhecemos como regulação por incentivos. independentemente de qual seja a empresa emissora. impostos e subsídios e encoraja as firmas reguladas a controlar custos e a adotar tecnologias mais eficientes. Comentários: Um dos problemas da tarifação pelo custo do serviço diz respeito a não haver estímulos ao aumento da eficiência por parte da indústria regulada. envolve esquemas regulatórios que utilizam instrumentos tais como preços. Dessa forma.A definição está correta! O problema é que a regulação por comparação (Yardstick competition) tem a desvantagem de enfrentar o problema da possível colusão entre as firmas. inclusive por meio do investimento em inovações tecnológicas.

Embora possa monitorar com precisão quanto cada empresa emitiu de SO2. d) o sistema de cotas garante que a redução nas emissões seja obtida a um custo mínimo. b) o sistema de cotas é nitidamente inferior ao sistema de cobrança de taxa sobre emissão. pois. embora não seja possível antever se a meta de redução será ou não atingida. mas não garante que isso se faça a um custo mínimo. visto que as empresas pagarão a taxa de modo a ter o direito de continuar emitindo o que já vinham emitindo. c) o sistema de taxa sobre emissões garante que a redução nas emissões seja obtida a um custo mínimo. embora não seja possível antever se a meta de redução será ou não atingida. Comparando os dois instrumentos alternativos que podem ser empregados pela agência (cotas ou taxa sobre emissão). além de gerar um resultado mais incerto sobre os níveis finais de emissão. mas não garante que isso se faça a um custo mínimo. por sua vez permite que a meta de redução nas emissões de poluição seja atingida com 100% de certeza.emitida e o estabelecimento de cotas máximas de emissão do gás para cada empresa. O sistema de taxa sobre emissões. a agência ambiental não conhece os custos nos quais cada empresa deve incorrer para reduzir sua emissão do gás. também implica um custo de redução de poluição superior. por sua vez. é correto afirmar que: a) a introdução de uma taxa sobre emissão de SO2 não levará a uma redução nas concentrações desse gás no ar da cidade. Comentários: . O sistema de cotas. e) todas as empresas devem preferir o sistema de taxas sobre a emissão de poluição ao sistema de cotas de emissão. permite que a meta de redução nas emissões de poluição seja atingida com 100% de certeza.

resolver as questões! Em seguida. e exige apenas que o candidato pense um pouco mais! A primeira das opções . mas não garante que isso se faça a um custo mínimo. Afinal de contas. é possível que uma empresa opte por pagar elevadas taxas ao invés de diminuir a emissão de poluentes. O sistema de cotas. embora não seja possível antever se a meta de redução será ou não atingida. permite que a meta de redução nas emissões de poluição seja atingida com 100% de certeza (pois haverá uma cota máxima de emissão de poluentes).o sistema de taxa sobre emissões . sozinho. tente. O gabarito da questão é a letra c)! A partir de agora. trarei a resolução de cada uma delas! Vamos lá? .garante que a redução nas emissões seja obtida a um custo mínimo (perceba que o regulador não tem nenhum trabalho para implementar esse sistema). uma vez que esse mecanismo terá maiores custos de transação (perceba que esse é um sistema mais difícil de adoção pelos reguladores).Essa questão é bem legal. por sua vez.

24 . se o crescimento exigido em termos de produtividade for muito elevado. a agência reguladora também controla as empresas reguladas existentes. e(ou) para limitar o poder de mercado nos segmentos oligopolistas.(CESPE – ANTAQ 2015). O preço e o número de empresas são variáveis críticas para os reguladores: além de regular a entrada de novas empresas. Dentro da estrutura de mercado oligopolista. A regulação econômica busca restringir as decisões das firmas com base em três variáveis principais: o preço. 25 – (CESPE – FINEP 2009). a regulação é necessária para disciplinar a conduta de monopólios naturais. a formação de cartéis. tem-se. a quantidade e o número de empresas. como ponto desfavorável. o que contraria o regular funcionamento da ordem econômica. 22 .(CESPE – ANTAQ 2015). como é o caso do setor de infraestrutura. A produção de serviços de transporte de massa como o metrô caracteriza-se pelo fato de os custos marginais de produção desses serviços serem superiores aos custos médios. 23 – (CESPE – TCE/AC 2008). caracterizadas pela existência de complementaridade entre os segmentos de suas cadeias produtivas. 26 . os ganhos de produtividade reverterão unicamente em . Com relação à quantidade ofertada.(CESPE – ANATEL 2009). Em indústrias de rede.21 .(CESPE – CAMARA DOS DEPUTADOS 2002) No modelo tarifário do tipo price cap. uma forma de regulação é a obrigatoriedade de atender a toda a demanda ao preço regulado.

Nos sistemas regulatórios do tipo price cap.(CESPE – ANATEL 2004). .(CESPE – ANATEL 2004). implicando.(CESPE – ANATEL 2004). esquemas regulatórios que fixam os preços ao nível do custo marginal provocarão déficits para a firma regulada. os preços fixados podem tornar-se inadequados ao longo do tempo em razão de variações inesperadas na demanda e(ou) nos custos. Na regulação pela taxa de retorno. 28 . embute-se um mecanismo de incentivo que exige que a firma regulada. Em uma indústria caracterizada pela presença de economias crescentes de escala. ao somar-se a taxa de crescimento da produtividade na fixação da tarifa price cap (preço-teto). dessa forma. 31 . Na indústria de telefonia.(CESPE – ANATEL 2004).aumentos da lucratividade e. assim. incentivando as firmas a reduzirem seus custos em detrimento da qualidade do serviço prestado. a empresa regulada deve fixar seus preços ao nível daqueles fixados pela agência reguladora. acompanhe o ritmo de crescimento da produtividade do setor. portanto. 27 . a adoção de estratégias que reduzam custos e aumentem os níveis de eficiência. sob pena de ver seus lucros declinarem.(CESPE – ANATEL 2004). no mínimo. 29 . não serão repassados aos consumidores. desestimulando. a fixação de limites para os lucros da firma regulada incentiva a empresa a baixá-los artificialmente. Um dos problemas associados à regulação price cap é o fato de que. a nulidade de seus lucros. nesse tipo de regulação. 30 .

para elevar os níveis de competição nessa indústria. a regulação justifica-se.32 .(CESPE – PCPA 2006). 37 . Na ausência de contestabilidade dos mercados. contribuem para estimular a competição nesse setor. que definem o padrão tecnológico da produção dos serviços de telecomunicações.(CESPE – ANATEL 2004). uma maior divisibilidade da produção. em razão de as inovações tecnológicas que caracterizam esse setor ampliarem a importância das economias de escala de escopo na determinação de tamanhos mínimos eficientes das empresas que atuam nesse setor. unicamente.(CESPE – ANATEL 2004). assim. 33 . Todo tipo de monopólio natural deve ser coibido pelo regulador a fim de que promova a concorrência por meio da quebra desse monopólio. 34 . pela existência de monopólio natural. ao reduzirem os custos fixos. um problema crucial para essa agência. as economias crescentes de escala. 35 . o que facilita a entrada de novas concessionárias nesse mercado e contribui. As inovações tecnológicas no setor de telecomunicações. No setor de telecomunicações. permitindo.(CESPE – ANATEL 2004). decorrente do fato de as empresas de telecomunicações conhecerem mais suas estruturas de custo que a respecitva agência reguladora. ao utilizar regras de fixação de .(CESPE – ANATEL 2004). O setor de telecomunicações caracterizase pela existência de baixos custos fixos para as redes de comunicação locais. Tendo em vista a assimetria de informação. assim. fazem que a desregulamentação desse mercado conduza a aumentos de eficiência. 36 .(CESPE – ANATEL 2004).

38 . torna as atividades da concessionária imunes aos poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) na defesa da concorrência. conduz também à redução da qualidade dos serviços prestados. Contrariamente à fixação de price-caps. 41 . Segundo a teoria tradicional antitruste. é encontrar incentivos apropriados.(CESPE – ANEEL 2010). 42 . uma etapa dispensável no processo de averiguação de infrações à livre concorrência.(CESPE – ANTAQ 2014). no qual a fixação do preço ao nível do custo marginal assegura a existência de lucros monopolistas positivos.(CESPE – ANTAQ 2006). A empresa que pratica atos com vistas à dominação de mercado relevante de transporte aquaviário comete infração contra a ordem econômica. além de levar à sobrecapitalização das empresas e desestimular a redução de custos. 39 . A regulação do sistema de transporte aquaviário justifica-se pelo fato de que esse mercado se organiza como um monopólio natural. após processo licitatório conduzido pela ANTAQ. que levem as empresas a declararem corretamente seus custos. A concessão de um porto organizado a uma única organização empresarial. a definição do mercado relevante em suas dimensões geográfica e material ou de produto é.preços baseadas nos custos. 40 . independentemente de esses atos serem parte de um processo natural fundado na maior eficiência alcançada pela empresa em relação a seus concorrentes.(CESPE – ANTAQ 2014). a regulação por custo dos serviços. . frequentemente.(CESPE – ANTAQ 2014).

a assertiva está correta! . que buscam evitar o surgimento de práticas abusivas). a agência reguladora também controla as empresas reguladas existentes. Com relação à quantidade ofertada. Perfeito! Vimos que as principais variáveis a serem consideradas no processo de regulação são: o preço.(CESPE – ANTAQ 2015). por exemplo. a quantidade e o número de empresas. A regulação econômica busca restringir as decisões das firmas com base em três variáveis principais: o preço. a quantidade e a qualidade e o número de empresas (por meio da regulação de entrada e saída). a assertiva está correta! 22 . Assim. como a expansão de produtos e serviços à determinada população de baixa renda. vislumbrar fins sociais. Alternativamente. A regulação por quantidade pode estabelecer margens máximas e mínimas para a produção de bens pela firma regulada. pode haver um comando regulatório solicitando o atendimento de toda a demanda para um determinado bem ou serviço (obedecendo os limites de preço impostos).Pois bem.(CESPE – ANTAQ 2015). mas também sobre as empresas existentes (lembre-se das ações relacionadas à defesa da concorrência. ainda. Na fixação de quantidade. uma forma de regulação é a obrigatoriedade de atender a toda a demanda ao preço regulado. o regulador poderá. Essa questão está perfeita! Perceba que os mecanismos de regulação incidem não só sobre a entrada de novas empresas. O preço e o número de empresas são variáveis críticas para os reguladores: além de regular a entrada de novas empresas. Assim. vamos à resolução dessas questões! 21 .

Assim. bem inferior ao custo total. quantidades produzidas. Entre as principais condutas anticoncorrenciais. a assertiva está ERRADA! 24 . A produção de serviços de transporte de massa como o metrô caracteriza-se pelo fato de os custos marginais de produção desses serviços serem superiores aos custos médios. a formação de cartéis. como é o caso do setor de infraestrutura. De modo geral. a regulação é . como ponto desfavorável. os monopólios naturais apresentam custos marginais (custo necessário para produzir uma unidade adicional) muito baixos. tem-se. Isso fará com que ele acabe abandonando o mercado.(CESPE – ANATEL 2009). Dentro da estrutura de mercado oligopolista. Os cartéis têm como consequência o aumento dos preços e a diminuição da oferta do produto. constituindo grave abuso de poder econômico. bem próximos ou tendendo a zero. Em indústrias de rede. De forma alguma.23 – (CESPE – TCE/AC 2008). a sua receita será muito baixa. o que contraria o regular funcionamento da ordem econômica. Assim. Dessa forma. podemos citar a Formação de cartel: práticas conjuntas entre concorrentes para a fixação de preços. adoção de postura preestabelecida em licitação pública. etc. Exatamente! Em suma. a assertiva está correta! 25 – (CESPE – FINEP 2009). divisão territorial. se o preço cobrado pelo monopolista for igual ao custo marginal. divisão do mercado consumidor. caracterizadas pela existência de complementaridade entre os segmentos de suas cadeias produtivas. qualquer prática que prejudique ou vise à redução da concorrência ou que implique perda substancial de bem estar por parte dos consumidores é considerada infração à ordem econômica.

e devem ser objeto de regulação. são frequentes as situações em que firmas verticalizadas controlam a oferta de bens e serviços indispensáveis à sobrevivência de outras empresas. Note que em virtude das características das indústrias de rede (altos investimentos iniciais. que necessitarão de mecanismos regulatórios eficientes. Isso porque. os ganhos de produtividade reverterão unicamente em . crescentes economias de escala. Por fim. é plenamente possível a existência de poder de mercado desses segmentos. a assertiva está correta! 26 . ao contrário do que ocorre em outras cadeias produtivas. Essas situações podem acarretar na prática de condutas abusivas por parte das empresas. e (ou) para limitar o poder de mercado nos segmentos oligopolistas. cujos elos estabelecem – por razões de natureza tecnológica – elevados graus de interdependência.(CESPE – CAMARA DOS DEPUTADOS 2002). Nestas indústrias. necessidade de acesso a infra-estrutura básica). que reside nas condições de acesso aos recursos essenciais do setor. as empresas que dependem de um recurso essencial numa indústria de rede não dispõem da opção de mudar de fornecedor (não se esqueça das características de complementariedade. Isso aí! Estudamos que as indústrias de rede são dependentes da implantação de redes (ou malhas) para o transporte e distribuição de produtos/serviços aos consumidores. Esses setores constituem indústrias de rede em virtude da estrita complementaridade existente entre os segmentos de suas cadeias produtivas. Assim. se o crescimento exigido em termos de produtividade for muito elevado.necessária para disciplinar a conduta de monopólios naturais. No modelo tarifário do tipo price cap. as autoridades reguladoras devem dispor de instrumentos para lidar com a principal fonte de condutas anticompetitivas em indústrias de rede. compatibilidade e aprisionamento estudadas anteriormente).

não serão repassados aos consumidores. ela não precisará repassar esse ganho de produtividade ao consumidor. o que explica uma vantagem deste método: o incentivo à inovação tecnológica. a tarifa poderá ser reajustada em até 7%. ela conseguir um ganho de produtividade que reduza seus custos em 10%. a inflação anual (usada nesse caso como índice de preços) seja 10% e o fator X de aumento de produtividade estabelecido pelo governo seja de 3%. a assertiva está ERRADA! . Se. se a firma conseguir reduzir os custos de produção em mais de 3% (lembre-se de que esse parâmetro é estabelecido pelo governo).00. Assim. a tarifa reajustada valerá (desconsiderando o fator Y da nossa fórmula): Preço Reajustado = Preço Inicial + Índice de Preços – X Preço Reajustado = 1 (100% do preço inicial) + 0. o seu reajuste não poderá ultrapassar um valor máximo (preço teto).1 (10% do índice de preços) – 0. após um ano. Nada disso! Esse meanismo prevê. que os ganhos de produtividade reverterão UNICAMENTE em aumentos de lucratividade! Veja como isso funciona: definido o valor inicial da tarifa. Exemplificando: Suponha que o preço inicial da tarifa seja R$ 1. Dessa forma.03 (3% do fator X) = 1. o repasse de parte dos lucros aos consumidores! Não podemos dizer. ela poderá apropriar esse ganho na forma de lucros (apenas 3% da redução de custos serão repassados para o consumidor). por exemplo. No entanto. sim. portanto.07 Após um ano.aumentos da lucratividade e. Esse novo preço será acrescido de um índice de preços do período menos um parâmetro previamente fixado de redução de custos (X). portanto.

se a estrutura do mercado mudar rapidamente e isto colocar em risco a lucratividade da indústria regulada. Nos sistemas regulatórios do tipo price cap. já que este esforço representaria uma elevação do seu nível de custos. ao induzir a redução de custos através do fator X. implicando. Esse novo preço será acrescido de um índice de preços do período menos um parâmetro previamente fixado de redução de custos (X). O método price-cap. nesse tipo de regulação. não assegura o aprimoramento da qualidade dos serviços. Assim. Definido o valor inicial da tarifa.(CESPE – ANATEL 2004). . a empresa regulada deve fixar seus preços ao nível daqueles fixados pela agência reguladora. Assim.27 . e é o responsável pelo estímulo à produtividade. a assertiva está correta! 28 . Esse parâmetro de redução de custos é fixado anteriormente a partir de comparações internacionais. a sujeição a um preço-teto médio faz com que a firma apresente uma tendência ao subinvestimento para melhoria da qualidade dos serviços. ela preferirá reduzir os custos através da redução da qualidade. Pelo contrário. Dessa forma. Um dos problemas associados à regulação price cap é o fato de que. se os órgãos reguladores adotarem o método do price-cap. dessa forma. a nulidade de seus lucros. que é um meio muito mais fácil de baixar os custos (e não através dos ganhos de eficiência). eles devem definir metas quantitativas e qualitativas para as empresas reguladas. incentivando as firmas a reduzirem seus custos em detrimento da qualidade do serviço prestado. os preços fixados podem tornar-se inadequados ao longo do tempo em razão de variações inesperadas na demanda e (ou) nos custos.(CESPE – ANATEL 2004). o seu reajuste não poderá ultrapassar um valor máximo (preço teto).

X + Y O erro está logo no início. a assertiva está ERRADA! 30 . assim. acompanhe o ritmo de crescimento da produtividade do setor. também. um fator de repasse de custos para os consumidores (Y). Dessa forma. de um preço-teto aos preços cobrados pelas empresas. estímulos à eficiência produtiva a partir da definição. A tarifação pelo Sistema Price-Cap visa estabelecer. Na indústria de telefonia. embute-se um mecanismo de incentivo que exige que a firma regulada. Pelo contrário: diminui-se! Dessa forma. Esse mecanismo pode envolver. Na regulação pela taxa de retorno. pois não se soma a taxa de crescimento da produtividade na fixação da tarifa. a assertiva está ERRADA! 29 . ao somar-se a taxa de crescimento da produtividade na fixação da tarifa price cap (preço-teto). a adoção de estratégias que reduzam custos e aumentem os níveis de eficiência. no mínimo. a fixação de limites para os lucros da firma regulada incentiva a empresa a baixá-los artificialmente. a empresa regulada não deve fixar seus preços exatamente ao nível (mas sim abaixo do nível) daquele fixado pela agência reguladora. desestimulando. fundamentalmente.(CESPE – ANATEL 2004). para um período prefixado de tempo. pelo regulador. Isso mesmo! Um dos problemas da tarifação pelo custo do serviço diz respeito a não haver estímulos ao aumento da eficiência por . corrigido de acordo com a evolução de um índice de preços aos consumidores (IP) e subtraído de um percentual equivalente a um fator de produtividade (X).(CESPE – ANATEL 2004). sob pena de ver seus lucros declinarem.Assim. formando a seguinte equação: IP .

(CESPE – ANATEL 2004). se o preço cobrado pelo monopolista for igual ao custo marginal. a preocupação de estabelecer preços não-discriminatórios fez com que. Assim. durante muito tempo. bem inferior ao custo total. com o objetivo de apropriação de lucros extraordinários. bastante inferior ao custo médio. resultando em ineficiências alocativas. Um exemplo de indústria caracterizada pela presença de economias crescentes de escala é o monopólio natural. uma vez que esse método garante a ela um taxa de retorno predeterminada. na hipótese de a taxa de retorno estar acima do custo de capital a que se submete o setor regulado. a sua receita será muito baixa. esquemas regulatórios que fixam os preços ao nível do custo marginal provocarão déficits para a firma regulada. . isto é: a concessionária registra excesso de investimentos em atividades cuja taxa de retorno permitida pelo regulador é maior que o custo de capital vigente no mercado. pode ocorrer o EFEITO AVERCH E JONHSON (“efeito A-J”). Assim. o regime tarifário pelo custo do serviço não abordasse devidamente as diferenças de custos existentes com relação às diversas categorias de consumidores.parte da indústria regulada. temos que considerar a existência de ASSIMETRIAS DE INFORMAÇÃO entre o regulador e a concessionária. Ademais. Finalmente. Em uma indústria caracterizada pela presença de economias crescentes de escala. Ainda. que apresenta custo marginal muito baixo. a assertiva está correta! 31 . Isso fará com que ele acabe abandonando o mercado. que podem levar à manipulação de dados por parte desta última.

a regulação econômica é motivada por: • Falhas de mercado. No setor de telecomunicações. a assertiva está ERRADA! 33 . assim.No caso dos Monopólios Naturais. Já estudamos que. Dessa forma. para elevar os níveis de competição nessa indústria. apesar de ser considerado uma falha de mercado. O mesmo racional pode ser usado em serviços de saneamento básico. .(CESPE – ANATEL 2004). a regulação deverá impor que a indústria regulada aproxime o preço cobrado dos CUSTOS MÉDIOS. não é o único motivo que leva à necessidade de regulação. a regulação justifica-se. portanto. • Melhoria do grau de eficiência. em razão de as inovações tecnológicas que caracterizam esse setor ampliarem a importância das economias de escala de escopo na determinação de tamanhos mínimos eficientes das empresas que atuam nesse setor. telefonia. pela existência de monopólio natural. e não dos custos marginais. Assim. o monopólio natural. Pelo contrário: há altos custos fixos! A exploração dos serviços de telecomunicações exemplifica bem o caso de um monopólio natural.(CESPE – ANATEL 2004). Dessa forma. • Mercados não contestáveis. unicamente. abastecimento de água etc. O setor de telecomunicações caracterizase pela existência de baixos custos fixos para as redes de comunicação locais. a assertiva está correta! 32 . em regra. Pense nos elevadíssimos gastos empregados pelas operadoras de telecomunicações na construção de suas redes de telefonia. o que facilita a entrada de novas concessionárias nesse mercado e contribui.

portanto. como uma empresa em monopólio natural possui exclusividade no mercado. a assertiva está ERRADA! 34 . Dessa forma. Isso porque. Todo tipo de monopólio natural deve ser coibido pelo regulador a fim de que promova a concorrência por meio da quebra desse monopólio. Assim. a sua produção será maior. eliminando toda e qualquer forma de monopólio. Dessa forma. ainda assim. em determinados casos.Pois bem! Para definir os valores cobrados. a exclusividade na produção de determinado bem ou na prestação de determinado serviço acarreta uma maior eficiência econômica. para aumentar a competitividade. As inovações tecnológicas no setor de telecomunicações. contribuindo. Questão fácil! Não é verdade que o regulador deve buscar a concorrência em todas as situações. a assertiva está ERRADA! .(CESPE – ANATEL 2004). ou seja. uma empresa leva em consideração a necessidade de se compensar o investimento inicial que foi realizado. seja possível cobrir os gastos iniciais. Perfeito! As inovações tecnológicas contribuem para a redução dos custos fixos e isto proporciona menos barreiras à entrada. permitindo. Assim. ao reduzirem os custos fixos. uma maior divisibilidade da produção. contribuem para estimular a competição nesse setor. o que permite que os valores cobrados sejam inferiores e. Estudamos que as economias de escala podem se dar pela possibilidade de utilização de métodos produtivos mais automatizados ou mais avançados. a assertiva está correta! 35 . através de ganhos tecnológicos.(CESPE – PCPA 2006). assim.

Tendo em vista a assimetria de informação. temos um motivo que justifica a regulação. temos que considerar a existência de ASSIMETRIAS DE INFORMAÇÃO entre o regulador e a concessionária. (ii) redução das falhas de mercado. que . que definem o padrão tecnológico da produção dos serviços de telecomunicações. é aquele em que é possível contestar as empresas já existentes. Quando um mercado é não contestável.(CESPE – ANATEL 2004). decorrente do fato de as empresas de telecomunicações conhecerem mais suas estruturas de custo que a respecitva agência reguladora. portanto. como o próprio nome sugere. com o objetivo de apropriação de lucros extraordinários. Na ausência de contestabilidade dos mercados. É aquele em que há possibilidade de entrada e saída de novas empresas. as quais poderão competir em igualdade de condições com as empresas já existentes. as economias crescentes de escala. um problema crucial para essa agência.(CESPE – ANATEL 2004). a assertiva está ERRADA! 37 . Isso mesmo! Ao falarmos da regulação pelo custo do serviço. (iii) melhora do grau de eficiência econômica (ou seja. havendo maior competitividade. fazem que a desregulamentação desse mercado conduza a aumentos de eficiência. ao utilizar regras de fixação de preços baseadas nos custos. que podem levar à manipulação de dados por parte desta última.36 . Quando começamos a tratar de regulação econômica. que levem as empresas a declararem corretamente seus custos. aproximação do resultado de concorrência perfeita) e a prevenção de um eventual abuso de poder econômico decorrente do poder de mercado. estudamos os motivos essenciais pelos quais se justifica a intervenção regulatória: (i) existência de mercados não contestáveis. Podemos dizer que o mercado contestável. Dessa forma. A avaliação adequada do custo exigiria a contratação por parte do órgão regulador de um corpo técnico altamente especializado. é encontrar incentivos apropriados.

(CESPE – ANTAQ 2014). Assim. após processo licitatório conduzido pela . que diz respeito à possibilidade de sobrecapitalização. A questão está correta quanto à primeira parte. no qual a fixação do preço ao nível do custo marginal assegura a existência de lucros monopolistas positivos. a assertiva está ERRADA! 39 . bem como o seu processo produtivo. mas não é a regra geral. acerta ao mencionar o desestímulo à redução de custos. a assertiva está correta! 38 .(CESPE – ANTAQ 2006). Isso poderá até ocorrer. há altos custos de transação para o órgão regulador. Perceba que “diminuição da produtividade” e “diminuição da qualidade” são coisas diferentes! Dessa forma. Além disso. não podemos afirmar que ocorrerá diminuição da qualidade dos serviços prestados. além de levar à sobrecapitalização das empresas e desestimular a redução de custos. Trata-se do EFEITO AVERCH E JONHSON (“efeito A-J”).(CESPE – ANEEL 2010). Já estudamos que a fixação de preços ao nível do custo marginal acarretará prejuízos ao monopolista natural! Dessa forma. uma vez que garante uma taxa de retorno ao produtor. conduz também à redução da qualidade dos serviços prestados. A concessão de um porto organizado a uma única organização empresarial. a regulação por custo dos serviços. Contrariamente à fixação de price-caps. Entretanto.conhecesse a fundo a contabilidade da empresa regulada. Ou seja. a assertiva está ERRADA! 40 . A regulação do sistema de transporte aquaviário justifica-se pelo fato de que esse mercado se organiza como um monopólio natural.

a assertiva está ERRADA! 41 . a definição do mercado relevante em suas dimensões geográfica e material ou de produto é. torna as atividades da concessionária imunes aos poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) na defesa da concorrência. pois é nesse espaço econômico delimitado que se pode verificar a possibilidade da atuação anticompetitiva pelos agentes. Segundo a teoria tradicional antitruste. uma etapa dispensável no processo de averiguação de infrações à livre concorrência. a assertiva está ERRADA! 42 . mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio legal. perceba que é possível uma empresa monopolista praticar condutas anticorrenciais. ainda que temporariamente. consumidores e produtores. independente de haver outras empresas no mercado (elevando arbitrariamente os preços. independentemente de esses atos . Quanto a esse último aspecto. por exemplo). Dessa forma. frequentemente.(CESPE – ANTAQ 2014). Trata-se do processo de identificação do conjunto de agentes econômicos.ANTAQ.(CESPE – ANTAQ 2014). constituídas de fato ou de direito. A empresa que pratica atos com vistas à dominação de mercado relevante de transporte aquaviário comete infração contra a ordem econômica. Vimos que a definição do mercado relevante é etapa essencial nas análises anticoncorrenciais. Dessa forma. que efetivamente limitam as decisões referentes a preços e quantidades da empresa resultante da operação. com ou sem personalidade jurídica. Estudamos que a Lei de Defesa da Concorrência aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas.

. a assertiva está ERRADA! . Dessa forma. falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa.serem parte de um processo natural fundado na maior eficiência alcançada pela empresa em relação a seus concorrentes. .Limitar. caracterizam infração à ordem econômica.Dominar mercado relevante de bens ou serviços (salvo a conquista de mercado resultante de processo natural fundado na maior eficiência de agente econômico em relação a seus competidores).Exercer de forma abusiva posição dominante. os atos sob qualquer forma manifestados. . ainda que não sejam alcançados: . independentemente de culpa.529/2011. que tenham por objeto ou possam produzir os seguintes efeitos. Nada disso! Segundo a lei 12.Aumentar arbitrariamente os lucros.

o produto cresce numa proporção ainda maior. 2004). 5 . 4 .(CESPE – ANTAQ 2015). c) à existência de rendimentos crescentes de escala.(CESPE – TCU 2011).(ESAF . Considere a situação em que quando aumentamos o emprego de todos os fatores em uma determinada proporção.(CESPE – TCU 2011). 2 . b) a uma função de produção homogênea de primeiro grau. e) a uma função de produção com rendimentos constantes de escala.(CESPE – ANTAQ 2015). A regulação de preço mínimo visa coibir a prática de preços predatórios por firma regulada em detrimento de concorrentes não regulados. . Essa situação refere-se a) à existência de deseconomias de escala.7– Lista das Questões Apresentadas em Aula 1 .ção. As restrições de entrada e saída são instrumentos regulatórios que permitem ao órgão regulador controlar a quantidade de firmas na indústria regulada.MPU. observa-se o efeito Averch-Johnson quando a concessionária registra excesso de investimentos em atividades cuja taxa de retorno permitida pelo regulador é menor que o custo de capital vigente no mercado. d) a pontos acima da curva de possibilidade de produ. 3 . O livre acesso a infraestruturas essenciais é condição necessária para introduzir a competição em indústrias de rede. No regime de serviço pelo custo.

(CESPE – TCU 2011). quando utilizada para definir a tarifa de acesso em indústrias de rede. os custos operacionais eficientes de uma empresa de referência são utilizados no cálculo da taxa de retorno regulatória a ser aplicada à base de remuneração da concessionária. 11 . implica repartir os custos fixos entre todos os consumidores e cobrar mais de quem é mais sensível a variações de preço. A regra de Ramsey.6 . . 7 .(CESPE – TCU 2011). 8 . No regime de regulação por incentivo. o órgão regulador pode construir uma fronteira de eficiência utilizando dados de empresas comparáveis com o objetivo de avaliar a adequação dos custos incorridos pelos concessionários. No regime de tarifação por preço teto. o órgão regulador deve estabelecer padrões de qualidade do serviço.(CESPE – TCU 2011). Se o custo de produção de dois produtos por uma única empresa é menor que o custo de produção desses mesmos dois produtos por empresas distintas. No método de tarifação pelo custo do serviço. com o objetivo de monitorar o nível de investimentos da concessionária. A prescrição regulatória para mercados monopolísticos consiste na equalização entre receita marginal e custo marginal. 9 . sem prejuízo do bem-estar social. 10 (CESPE – TCU 2001). o processo produtivo apresenta economias de escala.(CESPE – TCU 2011).(CESPE – TCU 2011).

que confere poder de mercado às incumbentes. pois. 13 – (CESPE – SEGER 2007). price cap e regulação pela taxa de retorno .requer que os preços remunerem os custos totais e contenham uma margem que proporcione uma taxa interna de retorno atrativa ao investidor. A presença de economias crescentes de escala em determinada indústria indica a existência de fortes pressões competitivas nesse mercado. de melhorar o bem-estar dos garante também lucros puros para as empresas que operam nesses mercados. pela existência de externalidades de rede.(CESPE – TCE/AC 2009). em parte. as que utilizam regras de controle de qualidade. pois. 16 – (CESPE – POLICIA FEDERAL 2004). que são exemplos de esquemas de compensação a consumidores. bem como a regulação por padrão de comparação.utilizada para a regulação tarifária dos setores de monopólio natural . 17 – (CESPE – ANATEL 2004). Mecanismos de regulação da qualidade e ajustes do price cap. além consumidores.excluindo. As formas de regulação incentivada incluem aquelas que se baseiam no controle das tarifas esquemas regulatórios do tipo sliding scale. excluindo. também conhecida como regulação da taxa interna de retorno .12 . 15 – (CESPE – POLICIA FEDERAL 2004). embutem um incentivo automático . A tarifação pelo custo do serviço. A imposição da regra competitiva de formação de preços nos monopólios naturais como os que prevalecem no setor de utilidades públicas. 14 – (CESPE – ANATEL 2007). No setor de telecomunicações. a intervenção do governo justifica-se. a sua monopolização.

O impacto sobre a qualidade do ar dessa cidade decorrente da emissão de 1 tonelada desse gás é o mesmo. A agência ambiental da cidade quer reduzir a concentração desse gás no ar da cidade. os custos de transação. Diversas empresas contribuem para um aumento na concentração atmosférica de SO2 em uma cidade. não mais exigem nenhum tipo de intervenção desse agente regulador. independentemente de qual seja a empresa emissora. excluem a possibilidade de colusão entre essas firmas para elevar seus lucros. 18 – (CESPE – ANATEL 2004). além de o agente regulador não precisar conhecer os custos de ofertar um de terminado nível de qualidade. esses mecanismos. Para tanto. envolve esquemas regulatórios que utilizam instrumentos tais como preços. forma modificada da regulação pela taxa de retorno. a agência ambiental não conhece os custos nos quais cada empresa deve incorrer para reduzir sua emissão do gás. além de induzirem aumentos de produtividade e redução de custos praticados por outras firmas do setor. assim. de acordo com uma meta definida por critérios de proteção à saúde. cogita-se em políticas alternativas: a introdução de uma taxa por tonelada de SO2 emitida e o estabelecimento de cotas máximas de emissão do gás para cada empresa. 20 . uma vez estabelecidos. impostos e subsídios e encoraja as firmas reguladas a controlar custos e a adotar tecnologias mais eficientes. reduzindo. .(ESAF – ANEEL 2004). Esquemas de regulação pelo desempenho (yardstick competition) — em que o desempenho das firmas reguladas é aferido pela comparação com uma referência média (benchmark) —. Embora possa monitorar com precisão quanto cada empresa emitiu de SO2. 19 – (CESPE – ANATEL 2004).porque. A regulação de incentivos.

e) todas as empresas devem preferir o sistema de taxas sobre a emissão de poluição ao sistema de cotas de emissão. d) o sistema de cotas garante que a redução nas emissões seja obtida a um custo mínimo. visto que as empresas pagarão a taxa de modo a ter o direito de continuar emitindo o que já vinham emitindo.Comparando os dois instrumentos alternativos que podem ser empregados pela agência (cotas ou taxa sobre emissão). A regulação econômica busca restringir as decisões das firmas com base em três variáveis principais: o preço. embora não seja possível antever se a meta de redução será ou não atingida. 21 . mas não garante que isso se faça a um custo mínimo. mas não garante que isso se faça a um custo mínimo. c) o sistema de taxa sobre emissões garante que a redução nas emissões seja obtida a um custo mínimo. pois. é correto afirmar que: a) a introdução de uma taxa sobre emissão de SO2 não levará a uma redução nas concentrações desse gás no ar da cidade. O sistema de taxa sobre emissões. a quantidade e o número de empresas. por sua vez. permite que a meta de redução nas emissões de poluição seja atingida com 100% de certeza. por sua vez permite que a meta de redução nas emissões de poluição seja atingida com 100% de certeza. b) o sistema de cotas é nitidamente inferior ao sistema de cobrança de taxa sobre emissão.(CESPE – ANTAQ 2015). O sistema de cotas. . Com relação à quantidade ofertada. embora não seja possível antever se a meta de redução será ou não atingida. também implica um custo de redução de poluição superior. além de gerar um resultado mais incerto sobre os níveis finais de emissão.

Dentro da estrutura de mercado oligopolista. O preço e o número de empresas são variáveis críticas para os reguladores: além de regular a entrada de novas empresas.(CESPE – CAMARA DOS DEPUTADOS 2002) No modelo tarifário do tipo price cap. a regulação é necessária para disciplinar a conduta de monopólios naturais. 24 . 22 . tem-se. a agência reguladora também controla as empresas reguladas existentes.uma forma de regulação é a obrigatoriedade de atender a toda a demanda ao preço regulado. portanto.(CESPE – ANTAQ 2015). a formação de cartéis. não serão repassados aos consumidores. Em indústrias de rede. e(ou) para limitar o poder de mercado nos segmentos oligopolistas. . 25 – (CESPE – FINEP 2009). se o crescimento exigido em termos de produtividade for muito elevado.(CESPE – ANATEL 2009). 26 . 23 – (CESPE – TCE/AC 2008). os ganhos de produtividade reverterão unicamente em aumentos da lucratividade e. caracterizadas pela existência de complementaridade entre os segmentos de suas cadeias produtivas. o que contraria o regular funcionamento da ordem econômica. como é o caso do setor de infraestrutura. como ponto desfavorável. A produção de serviços de transporte de massa como o metrô caracteriza-se pelo fato de os custos marginais de produção desses serviços serem superiores aos custos médios.

27 - (CESPE – ANATEL 2004). Um dos problemas associados à regulação
price cap é o fato de que, nesse tipo de regulação, os preços fixados
podem tornar-se inadequados

ao

longo

do

tempo

em

razão

de

variações inesperadas na demanda e(ou) nos custos, incentivando as
firmas a reduzirem seus custos em detrimento da qualidade do serviço
prestado.

28 - (CESPE – ANATEL 2004). Nos sistemas regulatórios do tipo price
cap, a empresa regulada deve fixar seus preços ao nível daqueles fixados
pela agência reguladora, implicando, dessa forma, a nulidade de seus
lucros.

29 - (CESPE – ANATEL 2004). Na indústria de telefonia, ao somar-se a
taxa de crescimento da produtividade na fixação da tarifa price cap
(preço-teto), embute-se um mecanismo de incentivo que exige que a
firma regulada, no mínimo, acompanhe o ritmo de crescimento da
produtividade do setor, sob pena de ver seus lucros declinarem.

30 - (CESPE – ANATEL 2004). Na regulação pela taxa de retorno, a
fixação de limites para os lucros

da

firma

regulada

incentiva

a

empresa a baixá-los artificialmente, desestimulando, assim, a adoção
de estratégias que reduzam custos e aumentem os níveis de eficiência.

31 - (CESPE – ANATEL 2004). Em uma indústria caracterizada pela
presença de economias crescentes de escala, esquemas regulatórios que
fixam os preços ao nível do custo marginal provocarão déficits para a
firma regulada.

32 - (CESPE – ANATEL 2004). No
regulação

setor

de

telecomunicações,

a

justifica-se, unicamente, pela existência de monopólio

natural, em razão de as inovações tecnológicas que caracterizam esse
setor ampliarem a importância das economias de escala de escopo na
determinação de tamanhos mínimos eficientes das empresas que atuam
nesse setor.

33 - (CESPE – ANATEL 2004). O setor de telecomunicações caracterizase pela existência de baixos custos fixos para as redes de comunicação
locais, o que facilita a entrada de novas concessionárias nesse mercado
e contribui, assim, para elevar os níveis de competição nessa indústria.

34 - (CESPE – ANATEL 2004). As inovações tecnológicas no setor de
telecomunicações, ao reduzirem os custos fixos, permitindo, assim,
uma maior divisibilidade da produção, contribuem para estimular a
competição nesse setor.

35 - (CESPE – PCPA 2006). Todo tipo de monopólio natural deve ser
coibido pelo regulador a fim de que promova a concorrência por meio da
quebra desse monopólio.

36 - (CESPE – ANATEL 2004). Na ausência de contestabilidade dos
mercados, as economias crescentes de escala, que definem o padrão
tecnológico da produção dos serviços de telecomunicações, fazem
que a desregulamentação desse mercado conduza a aumentos de
eficiência.

37 - (CESPE – ANATEL 2004). Tendo em vista a assimetria de informação,
decorrente do fato de as empresas de telecomunicações conhecerem

mais suas estruturas de custo que a respecitva agência reguladora, um
problema crucial para essa agência, ao utilizar regras de fixação de
preços baseadas nos custos, é encontrar incentivos apropriados, que
levem as empresas a declararem corretamente seus custos.

38 - (CESPE – ANEEL 2010). Contrariamente à fixação de price-caps, a
regulação por custo dos serviços, além de levar à sobrecapitalização das
empresas e desestimular a redução de custos, conduz também à redução
da qualidade dos serviços prestados.

39 - (CESPE – ANTAQ 2006). A regulação do sistema de transporte
aquaviário justifica-se pelo fato de que esse mercado se organiza como
um monopólio natural, no qual a fixação do preço ao nível do custo
marginal assegura a existência de lucros monopolistas positivos.

40 - (CESPE – ANTAQ 2014). A concessão de um porto organizado a uma
única organização empresarial, após processo licitatório conduzido pela
ANTAQ, torna as atividades da concessionária imunes aos poderes do
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) na defesa da
concorrência.

41 - (CESPE – ANTAQ 2014). Segundo a teoria tradicional antitruste, a
definição do mercado relevante em suas dimensões geográfica e material
ou de produto é, frequentemente, uma etapa dispensável no processo de
averiguação de infrações à livre concorrência.

42 - (CESPE – ANTAQ 2014). A empresa que pratica atos com vistas à
dominação de mercado relevante de transporte aquaviário comete
infração contra a ordem econômica, independentemente de esses atos

.serem parte de um processo natural fundado na maior eficiência alcançada pela empresa em relação a seus concorrentes.

8 – Gabarito das Questões Apresentadas em Aula 1 CERTO 21 CERTO 2 CERTO 22 CERTO 3 ALTERNATIVA C 23 ERRADO 4 CERTO 24 CERTO 5 ERRADO 25 CERTO 6 ERRADO 26 ERRADO 7 CERTO 27 CERTO 8 ERRADO 28 ERRADO 9 ERRADO 29 ERRADO 10 ERRADO 30 CERTO 11 ERRADO 31 CERTO 12 ERRADO 32 ERRADO 13 ERRADO 33 ERRADO 14 CERTO 34 CERTO 15 ERRADO 35 ERRADO 16 CERTO 36 ERRADO 17 ERRADO 37 CERTO 18 ERRADO 38 ERRADO 19 CERTO 39 ERRADO 20 ALTERNATIVA C 40 ERRADO 41 ERRADO 42 ERRADO .