COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS (PORTUGUESE EDITION}

O termo competéncia

surge como resposta 5:18
limitagoes do ensino
tradicional
0 1150 do termo competéncia é uma consequéncia da
necessidade de superar um ensino que, na maioria dos
casos, reduziu-se a uma aprendizagem cujo método consiste
em memorizagéo, isto é, decorar conhecimentos, fato que

acarreta na dificuldade para que os conhecimentos possam
ser aplicados na Vida real.

Por que temos de falar sobre competéncias?
No inicio da década de 1970, e no émbito empresarial,
surge o termo “competéncia” para designar o que

se estendeu de forma generalizada, de modo que,
atualmente, dificilmente iremos encontrar uma proposta
de desenvolvimento e formagéo profissional que n50 esteja
estruturada em torno de competéncias. E dessa forma que
o mundo empresarial fala sobre gestfio por competéncias:
formagfio de competéncias, desenvolvimento profissional
por competéncias, anélise de competéncias, etc.
N50 muito mais tarde, essas ideias comegaram a ser
utilizadas no sistema escolar, inicialmente nos estudos de

POS.174d84035

5%

COX-'11] 4"‘-.-_‘|7E‘-JDE|'=‘. E ENSI"J!’&R l':D‘-.-‘1-'3'ETENC N3 \,PC-|'2"'I_ID._|ESE E HTIO‘JZ

formagao profissional, para que, em seguida, se
estendessem de forma generalizada ao restante das etapas
e dos niveis educacionais: tenta-se identificar as
competéncias bésicas do ensino; avaliagoes com base no
dominio
de
competéncias
sao
realizadas;
nas
universidades sao elaborados estudos corn base em
competéncias, e de forma cada vez mais generalizada, os
curriculos oficiais de muitos paises sao reescritos em
fungao do desenvolvimento de competéncias. Da mesma
forma, a identificagao das competéncias que os alunos
devem adquirir, como nao poderia deixar de ser, sao
associadas as competéncias das quais os professores
devem dispor para poder ensinar.
Essa é a situagao atual, mas quais sao as razoes que as
justificam? Quais 550 05 moves conhecimentos que
originaram o questionamento dos modelos existentes
sobre a forma de descrever os recursos dos quais qualquer
pessoa deve djspor para desempenhar sua fungao de forma
apropriada em um determinado local de trabalho? No
ambito escolar, quais 550 03 argumentos que exigem a
revisao de projetos curriculares, obrigando, com isso, que

se realize uma mudanga de dimensoes extraordinérias em
todo o sistema educacional?

Saber por saber ou saber para saber fazer. Falso
dilema entre teoria e pratica
A formagao inicial e permanente da maioria das profissées
centrou—se e se reduziu a aprendizagem de alguns

COMO fiPRENDER E ENSINAR COP-APETENCMS LPOR'UOJESE EDITION:

conhecimentos, ignorando as habilidades para 0
desenvolvimento da profissao.

Uma analise das caracteristicas da formagao inicial e
permanente da maioria das profissées nos permite
analisar de que forma elas centraram—se na aprendjzagem
de alguns conhecimentos, ignorando as habilidades para o
desenvolvimento da correspondente profissao. Uma
revisao de programas oficiais dos djferentes cursos
universitérios e das disciplinas‘ — com 0 use da palavra
teman’o (disciplina) podemos observar a tendéncia para
organizar os programas por assuntos, quer djzer, por
blocos de conhecimentos — dos concursos para a maioria
dos lugares da administragao pfiblica permite—nos
enxergar como eles estéo organizados ao redor dos
conhecimentos, ou seja, ao redor do dominio do corpo
teorico dos diferentes fimbitos profissionais.
As provas e 05 critérios de avaliagao da maioria das provas e
dos concursos fomentam 0 carater dissociado entre teoria e
pratica, pois os alunos memorizam os assuntos com a
finalidade de desenvolver os conhecimentos adquiridos em
uma prova, e r1510 para poder aplica—los.

Se 05 contefidos das disciplinas sao claramente
conceituais e estao desligados da prética profissional, essa
caracteristica de dissociagao entre teoria e pratica se
incrementa quando analisamos as provas e as critérios de
avaliagfio de grande parte das provas e dos concursos. Uma
simples folheada por esses tipos de provas nos permite ver

PG:- 196 3% L035

Ln

e 115. em um tempo limitado. derarn lugar a uma educagao que priorizou os conhecimentos sobre sua capacidade para serem aplicados na pratica._JESE E HTID‘J: que estao baseadas em uma demonstragao por escrito e. urn meio para reconhecer a capacidade de resposta a problemas ou questoes da profissao em contextos mais ou menos reais. apesar das declaragoes explicitas defendendo urn ensino baseado na formagao integral. e uma concepgao generalizada sobre o valor intrinseco dos saberes teéricos. sendo poucas vezes. e analisarmos as propostas curriculares de grande parte dos paises. Esse modelo provoca uma maior dissociagao entre teoria e prética.-|'2"'I_ID. Se nos detiverrnos no ambito da educagao escolar.-‘|7E‘-JDE|'=‘. do "conhecimento” que se tern sobre um assunto. por urn lado. E ENSI‘JAKIV‘: CTD‘a-PETENC NS LPC‘. pois os alunos se mobilizam para memorizar os assuntos com a finalidade de expor os conhecimentos adquiridos em uma prova. A isso deve ser acrescentada a fragilidade do modelo avaliador ao gerar algurnas estratégias de aprendjzagem djrigidas fundamentalmente a memorizagao de curto prazo. esta entendida como o desenvolvimento de todas as capacidades da pessoa para poder intervir de modo eficaz nos diferentes ambitos da Vida. por outro.CIT-AD n"-.0 para poder apljcé-los as diferentes situagées que a Vida profissional lhes apresentara. poderemos verificar de que forma a pressao dos estudos universitarios.235‘ [IE 4-2335 . Os paises de tradigfio catolica estao condicionados por urn componente filosofico de raiz platonica quando consideram F‘CIE.

pelas demandas da etapa Po. a capacidade aplicativa do conhecimento. a importancia da teoria sobre a prética n50 ocorreu da mesma forma nos paises de tradigéo calvinista. e ainda determina. 2'8 [16 4335 . estao condicionados por um forte componente filosofico de raiz platonjca. com isso. E bem conhecido o menosprezo de muitos membros da “inteligéncia” de nossas sociedades latinas ao suposto “utilitarismo” do saber anglo-saxao. 0 saber escolar a servigo do saber universitério A concepgéo do sistema escolar de carater claramente propedéutico e seletivo fez com que se entenda o ensino como um trajeto de superagao de etapas sucessivas mediadas. cada uma delas. O valor do saber per 51 mesmo determinou. especialmente nos paises de tradigéo catélica que. valorizaram. . ao considerar a preexisténcia de ideias sobre a realidade (o mito da caverna). um pensamento generalizador em favor do saber pelo saber. a capacidade aplicativa do conhecimento. promovendo um pensamento em favor do saber pelo saber. com fundamentagfio filosofica aristotélica. e ainda valorizarn.COMO APRENDER E ENSINAR COP-APETENCMS {PORTUGUESE EDITION: a preexisténcia das ideias sobre a realidade.331. que com uma base filoséfica de raiz aristotélica (matéria e forma séo coisas reais) valorizaram. e ainda valorizam. Em contraposigéio. as caracteristicas dos sistemas educacionais e a preeminéncia da teoria sobre a pratica. e promovem. Os paises de tradiqéo calvinista. herdeiros dos principios da Contrarreforma.

mas sim os necessarios para superar as provas de vestibular. muitos sao rotulados como “fracassados”. de alguns conhecimentos e alguns procedimentos os quais se transformaram em rotineiros. A premissa do saber pelo saber deve-se acrescentar a concepgao do sistema escolar de carater claramente propedéutico e seletz’vo. FL]:. que entendeu o ensino como um percurso de superagao de etapas sucessivas mediadas cada urna delas por demandas da etapa superior. é o instrumento para a superagao das provas de vestibular. forma nas capacidades para poder responder de modo eficaz a algumas provas ou exames consistentes. determina que os contefidos prioritarios do ensino 11510 350 aqueles que deverao desenvolver todas as capacidades do ser humano. essa verdadeira “carreira” sempre é seletiva. tem corno objetivo preparar para o ensino méch'o. ao fim. Desse modo. O resultado é um sistema escolar que. a etapa de educagao infantil é vista como o meio de preparaeao para o ensino fundamental que. portanto. Dessa forma.CITY-1'13 n"-. A escola 5e reduziu a Lima simples “corrente de transmissao” das necessidades do caminho em diregao a universidade._JESE EEHTION: superior.33" L18 4033 . posto que nem todos cidadaos e cidadas de um pais podem ser universitérios e.P|'ZEP-JDER E ENSINN’E {EDP-. finalmente. de forma geral. Essa dinamica educacional. a0 longo do processo. na reprodugao por escrito. e esta. por sua vez.W'ETENCMS LPDI'I'1_JD. de forma mais ou menos literal. baseada na superagao de niveis.

ao mesmo tempo. provocando a depreciagao da pratica sobre a teoria. 2-4231 dE 4-2335 :3 . muitas vezes como simples resultado da tradigao._JESE E HTID‘J: Como consequéncia. e. um ensino centrado em matérias ou disciplinas selecionadas com critérios arbitrarios.CIT-AD n"-. E ENSI‘JM’J: CTD‘a-PETENC NS \. em primeiro lugar.PC-|'2"'I_ID. ainda é possivel encontrar argumentos que. na qual a simples memorizagao de enunciados é insuficiente para sua compreensao. o posterior desenvolvimento de cada disciplina sob critérios da logica da propria matéria. em segundo lugar. de maneira implicita e outras vezes de forma manifesta. Incluiu. quando nao como resultado dos interesses de determinados coletivos profissionais. tenham sido realizadas as estratégias de aprendizagem necessarias para que a transferéncia se produza. Apesar disso. a escola se reduziu a um simples instrumento de transmissao das necessidades que surgem no caminho em direeao a universidade. a partir da concepgao do saber pelo saber. Atualmente. ainda persiste a concepqao de que quem sabe "ja sabe fazer e sabe ser”. sabemos que a aprendizagem da maioria dos contei’idos é uma tarefa ardua.-‘|7E‘-JDE|'=‘. e que a transferéncia e a aplicagao do conhecimento adquirido a outras situagoes djferentes somente é possivel se. Multas vezes. utilizam a concepgao vigente na Idade Média pela qual F‘n. A tudo isso devemos acrescentar a concepgao da qual dispomos de como nos aprendemos e a capacidade que temos para transferir e aplicar esse conhecimento em djferentes contextos.

por exemplo. e fizeram com que para a maioria dos professores a expressao ”conteddos de ensino"se1imitasse apenas aos conhecimentos. pelo proprio escritor e pensador Ramon Llull. 25-. Referindo-se com os vocabulos “saber dizer” a forma de expressar e transmitir. principio de Arquimedes ou fotossintese. morfossintaxe. A presséo do saber teorico académico e as ideias erroneas sobre a aprendizagem e a transferéncia dos saberes determinaram a preponderéncia dos conhecimentos factuais e conceituais. . geometria. mas Sim o saber dizer”. atualmente inaceitavel — considerando o conhecimento cientifico e o préprio senso cornum —. quando expressou de forma contundente que “o importante nao é o saber. tanto é assim que para a maioria dos professores a expressao "contefidos de Pug. alguém jé sabera escrever.COMO fiPRENDER E ENSINAR COP-APETENCMS LPOR'UOJESE EDITION: quem sabe “jé sabe fazer e sabe ser”. é utilizada ainda por urn born nfimero de profissionais do ensino ao considerar que pelo fato de saber. interpretar as relagoes entre os elementos de um corpo de trés dimensoes. A pressao do saber teorico académico e das ideias erroneas sobre a aprendizagem e a transferéncia dos saberes determinaram a preponderancia dos conhecimentos factuais e conceituais. e a capacidade para aplicar o saber no contexto social 9 linguistico apropriado. A concepgéo de que quem sabe “ja sabe fazer e saber ser”. dB 4-335 73. a logical da natagao on 05 critérios para a poda de um arbusto. 11a Idade Média mesmo. Essa forma de outorgar ao conhecimento um valor por si mesmo ja foi questionada.

_JESE EEHTION: ensino” se limita apenas aos conhecimentos. Nesse processo existem diversos pontos de vista sobre a extensao e as caracteristicas das diferentes areas universitarias. as atitudes e aos valores séo outra coisa. Ha sentido na preponderfincia da teoria sobre a prética? Os conhecimentos devem ser a base dos contefidos de aprendizagem na escola? Qual deve set a fungéo do sistema escolar? Crise dos referentes tradjcionais As mudangas na propria universidade.PD|’2'1_JG. a pressfio social sobre a necessaria funcionalidade das aprendizagens e a fungéo social do ensino propiciam falar de um ensino baseado no desenvolvimento de competéncias. tanto no sistema escolar obrigatorio quanto na formagao inicial e permanente das profissoes. quer dizer. ou seja. devemos nos perguntar se a tradigao é aceitavel nesses momentos. no Pug. pelo menos. apesar de ser pouco dada a inovagoes.COR-1'3r"-. as mudangas na propria universidade. as habilidades.0 550 contefidos do ensino.P|'ZEP-JDE|"‘. a partir da necessidade de convergéncia europeia. . portanto. trés fatores: em primeiro lugar. e :53 3-5 7_-. 286 r. Sendo assim. E ENSINH'aR CDMPETENCWS \. as estratégias. A ascensao de um ensino baseado no desenvolvimento de competéncias vem motivada pela crise de. nao séo objetos da educagao e. tanto sua estrutura quanto seus contefidos. 115. ao saber. instituigao que. dando por certo que os procedimentos. esta se replanejando profundamente.

Entretanto. portanto. nao esta sendo objeto de controvérsia o fato de que os contefidos dos distintos cursos universitarios estejam configurados em torno das competéncias. no fundo._|ESE E HTIO‘JZ entanto. Devemos F‘Czi. sejarn cotidianos ou profissionais. E EF‘SI‘Jfi'aF‘: l':D‘-. urna forte corrente de opiniao favorével a urn ensino de competéncias.35 73". Nesses momentos. A tradigao de uma escola como meio de acesso a universidade deve se adaptar as novas demandas. e como consequéncia o sistema escolar nao pode permanecer alheio a essas mudangas. sem dfivida.PC-|'2"'I_ID. o que verdadeiramente agrupa as necessidades da sociedade e. do sistema educacional. para nos. Estamos nos referindo a fungao social do ensino.-_‘|7E‘-JDE|'=‘.COX-'11] 4"‘-. em situagées ou problemas reais. a maior pressao social sobre a """ """ """ """ iaaaaagas aas édfiifié't'éfiéié'sl A ébidétéééJfié ificfifiééifiédé 213553155535. a previsivel insergao das competéncias na universidade jé é um fato. teoricarnente. possuern.-‘1-'3'ETENC N3 \. Posigao. como consequéncia. ou que forarn aprendidos em seu tempo escolar. O questionamento sobre a desconexao entre teoria e pratica provocaram. Em segundo lugar. Anteriormente mencionamos o carater propedéutico e seletivo da escola traditional. esta incidindo na necessidade de revisar o carater dessas aprendizagens. Eidadaos escolarizados para saber utilizar os conhecimentos que. resultado de um ensino pensado. . o terceiro fator é o determinante e. inaceitavel para as sociedades as quais se consideram democraticas. 373 C16 43. para as minorias as quais podjam ingressar na universidade.

a maioria das competéncias aprendidas nao serao fiteis e. Por outro lado. A escola ensina somente as competéncias necessarias para os quais desenvolverao seu futuro em um contexto universitario. o que é pior. assim.EP-JDE|"‘.P|'?. nao irao adquirir as competéncias necessarias para poder se desenvolverem corretarnente nesses ambitos. na finalidade primordial da escola. E ENSINH'aR C‘QPa-ll—‘ETENCH‘IS LPDI'I'1_JG. interpessoal. A formagao integral da pessoa como fungao basica._JESE EDlTION: reconhecer. O ensino deve ser para todos. Um ensino que nao esteja baseado na selegao dos "Inelhores". com a finalidade de poder responder aos problemas que a Vida apresenta. A escola deve formar em todas as competéncias imprescindiveis para o desenvolvimento pessoal. . mas sim que cumpra urna fungfio orientadora que facilite a cada um dos alunos o acesso aos meios para que possam se desenvolver conforme suas possibilidades.COR-1'3 I"-. independentemente de suas possibilidades profissionais. que uma escola com essas caracteristicas fomenta a reprodugao de desigualdades sociais. Formar em todas as capacidades do ser humano. em lugar da fungio propedéutica. se converte. para todos os que optarem por alternativas. social 9 profissional. superando a fungao propedéutica e seletiva do ensino traditional. como a incorporagao ao mercado de trabalho on a formagao profissional. em todas as etapas da Vida. de modo que somente es que se decidem por esse caminho poderao aplicar as “competéncias” aprendidas. como argumenta Perrenoud (1997).

Decroly. foram defendidos por numerosos grupos de professores durante Pug. uma escola que forme em todas as competéncias imprescindiveis para o desenvolvimento pessoal. defendiam esse tipo de 91151110 9 cujas ideias adquiriram status oficial a0 serem compartilhadas. Uma leitura dos textos de Dewey. 3012' r. social e profissional. Jargoes como “preparar para a Vida”.EP-JDE|"‘.P|'?. por todas as instfincias internationais com competéncias em educagao. na atualidade._JESE EEHTION: ou seja. durante o século XX. “a escola produtora de cultura e n50 somente transmissora de cultura”. “que a Vida entre nas escolas”. entre muitos outros. permite-nos atualmente constatar de que forma as novas ideias em torno das competéncias foram expostas e realizadas por numerosos professores em muitas escolas de todo o mundo durante o século XX. E ENSINH'aR C‘QPa-iPETENCMS LPDI'I'1_JG.GEN-AD I"-. “a escola que investiga o meio”. e LEO-E . Claparéde. fazem com que recordemos o famoso aforismo de Montaigne “formar cabegas bem feitas. Freinet. Montessori. e a importancia de uma pratica fortemente sustentada pela teoria. com o nome de “competéncias para a Vida" recuperamos de forma inesperada a velha tradigao da Escola Nova. interpessoal. Seguindo por outros caminhos. nao cabegas bem cheias” entre outros. Ferriére. Necessidades formativas para responder aos problemas da vida Trata—se de recuperar a velha tradigfto de grupos de professores que.

como a GNU. saber ser e saber conviver.R {EDP-._JESE EDITION: todo o século passado. basicamente de carater académico. A conveniéncia da introdugao no ensino do termo “cornpeténcias”. no ano de 1996: La educacio’n encierm um tesoro) ao identificar os quatro pilares fundamentais para este fim: saber conhecer. e a decisao de um ensino orientado a formagao integral das pessoas. a necessidade de formagao profissionalizante. ao menos.fIPETENLVf-S \POR:“1_JC3‘. para que esta seja capaz de responder aos problemas que a Vida propée. saber fazer. as ideias referentes a formagao em competéncias e para a vida podem recolher o melhor dessa tradigao. manifesta-se. cada urn deles com um grau diferente de revisao F‘iii. 3|: I38 4035 .I'=. e que consideram que a fungao da escola deve consistir na formagao integral da pessoa. em trés niveis de exigéncia. Dessa forma.CON-1DI‘m'r—‘F-E'ENDER E ENSIF'J. Competéncias e transformagao do sistema escolar Os niveis de exigéncia que devem ser introduzidos no ensino $510 trés: a conversao para competencias dos contefidos tradicionais. a UNESCO e a OCDE. Ideias que adquiriram um status oficial ao serem compartilhadas pela totalidade das instancias internacionais que tern competéncias no campo da educagao. como resultado da fragilidade de uma formagao inicial na qua] a teoria predominou sobre a pratica. Vale lernbrar o informe Delors (informe elaborado para a UNESCO pela Cornissao Internacional sobre a Educagao para o século XXI.

Nesse caso. nem os proprios de muitas delas. P33.' 7‘ I7 E ‘-J D E P.‘3 | ‘-J .‘TI 13 "J I dos curriculos tradjcionais. O menos transgressor é a conversao para competéncias dos contefidos tradicionais. o que realmente interessa é a capacidade de aplicar o conhecimento a resoluoao de situagées ou problemas reais. nao existem mudangas nos contefidos e o que se propoem é uma aprendizagem desses contefidos a partir de sua vertente funcional. Nao é suficiente saber morfossintaxe ou uma lei da fisica ou um conceito matematico ou historico. Interessa que o aluno saiba utilizar os conhecimentos das matérias convencionais em contextos variados. P. Nesse nivel.5“. exige um tempo maior e uma dinamica de aula muito distanciada do modelo tradicional de ensino de carater transmissivo.3223 {it} 4-2:} 35 C7 .I? U C. a estrutura organizacional da escola. pois.l E S E E 17‘. Nesse caso.7' C [3 ‘a-‘1 D -‘-. E E f\ . a gestao dos horarios e a formagao dos professores nao estao pensadas nem preparadas para um ensino que. os contefidos académicos convencionais nao séo suficientes.. O segundo nivel de aplicagao do termo “competéncias” no ensino é o que provém da necessidade de formagéo profissionalizadora. basicamente de caréter académico. pois nao incluem rnuitos dos conhecimentos teoricos e das habilidades gerais da maioria das profissoes. If 1:) ‘-. as mudangas que as competéncias representam para o ensino séo profundas. As competéncias relacionadas ao saber fazer e ao saber empreender. . como veremos.. apesar da aparente permanéncia dos mesmos contefidos. as quais vale acrescentar todas aquelas relacionadas ao trabalho colaborativo e em equipe.-‘1 7' E T E N C A S L P C.

PC-|'2"'I_ID. urna transformagéo radical da escola. Por filtimo. que. como vimos.COX-'11] 4"‘-.-_‘|7E‘-JDE|'=‘. como veremos ao longo dos diferentes capitulos deste livro. Nesse m’vel de exigéncia. acrescentem-se outros dois: o saber ser e o saber conviver. o que significa que hé a necessidade da formagéio do professor contemporéneo em campos distanciados de seus interesses e conhecimentos. E EF‘SI‘JB'H—ii1‘::13‘-. aos pilares do saber e do saber fazer. Isso implies. Consequentemente. és mudangas relacionadas its estratégias de ensino implicitas na aprendizagem das competéncias. a introdugéo do termo “competéncia” no ensino é o resultado da necessidade de utilizagéo de um conceito que responda és necessidades reais de intervengéo da pessoa em todos os fimbitos da Vida. o nivel majs alto de exigéncia para o sistema escolar corresponde a um ensino que orienta suas finalidades em diregfio £1 formagfio integral das pessoas. devemos acrescentar a introdugéo de alguns contefidos os quajs n50 proveem de disciplinas tradicionais._|ESE E HTIO‘JZ séo fundamentais nesse caso. .-‘l-_:'ETEN‘: N3 \. Fato que exige.

COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION) P08. 342 de 4035 9% .

COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION) P08. 354 de 4035 9% .

No original. temarios. 367 de 4035 10% . as pautas curriculares que orientam a. de T. formagfio universitéria. P08. isto é.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION) ‘N.

indiscutivelmente.. P.5“.‘3 | ‘-J . para que tudo continue igual. ideias por si 56 nao melhoram o ensino e muito menos quando se limitam a forma de ensino daquilo que deve ser tema da educagao. apenas. existem razées consistentes em ambas as diregoes. Se. 0 avango consista somente em mudar os nomes dos objetivos educacionais.I? U C. no mundo educacional. urna vez mais. If 1:) ‘-. Como muitas outras ideias. a0 final. produziu trocas cle opinioes favoraveis ou desfavoraveis em fungéo de critérios associados a seu pertencimento a urn ou a outro paradigma pedagogico. as mudangas aparentes servem. terreno fértil para seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo. Até que ponto urn ensino baseado em competéncias representa urna melhoria dos modelos existentes? Nossa opiniao é que a introdugao do conceito de competéncia de forma generalizada pode ser um meio eficaz para difundir principios pedagogicos que ainda hoje sao utilizados por P33. Assim. E E f\ . como também é habitual.-‘1 7' E T E N C A S L P C. o pensamento de Lampedusa continuara se cumprindo de maneira persistente. 7‘ I7 E ‘-J D E P. encontrou.‘TI 13 "J I Apresentagao 0 conceito de competéncias se djfundiu no ensino de maneira muito acelerada. 53-18 43335 . no qual."' C [3 ‘a-‘1 D -'-. Como todos sabem._| E S E E E‘.

5“. mas nao somente isso. de modo rigoroso.‘TI 13 "J I uma minoria. o recurso a taxonomia de Bloom. compreender. If 1:) ‘-. os curriculos se deslocaram das matérias para o aluno.. veremos que sofreram um processo muito lento de superagao de uma visao centrada em contefidos tematicos para uma Visao centrada nos alunos: os temas. na qual o aluno deveria assumir os contefidos como eram definidos pelas diferentes propostas cientificas. E E f\ .' 7‘ I7 E ‘-J D E P. justo e para toda a Vida.-‘1 7' E T E N C A S L P C. um ensino que se una a uma perspectiva de formagao integral. de alguma forma pode ser urn "recipiente" apropriado para conter. qual é o passo seguinte? f3 suficiente memorizar. O ensino por objetivos visa a analisar os diferentes graus de aprendizagem aos quais o aluno deve adquirir. 03 objetivos por habilidades e.l E S E E E‘.‘3 | ‘-J . as competéncias. . irreversivel. De maneira definitiva. 13-2 Lie 43:35 Li“. aplicar somente para poder ingressar em um curso universitério? Para qué? Qual sentido tem ou P33. mas ainda em fungao dos distintos contefidos disciplinares. Se observarmos o movimento que seguiram as propostas curriculares desenvolvidas.. felizrnente.I? U C. P. No entanto."' C [3 ‘a-‘1 D -‘-. os objetivos mais ou menos operacionais. se trata somente de uma tentativa de elucidar o que os alunos devern conhecer ou dominar para superarem provas de vestibular. Podemos chamar esta escola de transmissora. De forma progressiva e gradual. Uma consistente evolugao na busca de uma alternativa a um modelo embasado na aprendizagem de saberes disciplinares organizados a0 redor de matérias convencionais. mas em um processo. agora. além da superagao dessas provas.

Dessa forma.‘TI 13 "J I deve ter 0 conhecimento adquirido? O que deve ou pode fazer o aluno corn esse conhecimento? Portanto. A introdugao do conceito de competéncias no ensino obrigatorio pode ser uma oportunidade para aprofundar urn processo de mudanga que se forjou no final do Século XIX.5“. 73 de L335- Li“. If 1:) ‘-. . Agora ja nao é suficiente adquirir alguns conhecimentos ou dominar algumas técnicas. em outras uma técnica. Este livro pretende defender um entendimento das P33. se desenvolver com djficuldades nos 60 anos seguintes. enfim."' C [3 ‘a-‘1 D -'-. E necessario que o aluno seja cognitivamente "capaz" e. é necessario que o que se aprende sirva Entendemos que um ensino baseado em competéncias é uma nova e grande oportunidade para que a melhoria sustentavel da educaqao nao seja patrimonio de alguns poucos privilegiados.‘3 | ‘-J .-‘1 7' E T E N C A S L P C. sobretudo. E E f\ . entendernos que a introdugao das competéncias na escola pode representar uma contribuigao substancial para uma melhoria geral do ensino.. P. qual é o papel da escola? Como resposta a essas questoes. apesar de ser de forma compreensiva e funcional. para. partindo dessa visao — e somente dela —. devernos nos deter no seguinte terna: a formaeao para o desenvolvimento de capacidades. nem é suficiente sua compreensao e sua funcionalidade._| E S E E E‘. 7‘ I7 E ‘-J D E P.I? U C. tendo sua efervescéncia nos primeiros 30 anos do Século XX.

existem importantes razoes que nos permitem considerar que as ideias que subjazem ao conceito de competéncia podem incidir de modo transcendental no ensino. No entanto. Quais sao os argumentos que justificam a introdugao do conceito de competéncia na educagao? Qual o tipo de ensino que se pretende superar com sua introdugao em aula? P05. de acordo com nosso critério. assumindo os grandes principios dos movimentos renovadores. devem ser adotadas na educagao sistemética. De modo que. as questoes que sua implantagao no ensino apresenta. pode ter seus dias contados. no decorrer dos diferentes conceitos. 84 de 4035 3% . Respostas a questées relacionadas as competéncias 1. Para isso vamos analisar e responder. o conceito de competéncias se introduz de maneira generalizada assemelhandose. a uma das muitas ideias que periodicamente sao djfundidas no ensino. desde as razoes que as justificam até as caracteristicas que. Como dissemos. como tal. novamente.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION} competéncias.

nem todas as definigoes coincidem. Entretanto. a tradicional. Uma das habituais tendéncias no campo educacional consistiu em estabelecer sucessivos confrontos entre a escola herdada. amparada no saber fazer. geralmente. fundamentada nos saberes. e outras em sua estrutura. o conceito de competéncia pode ser entendido como uma negagio dos contefidos P08. e qualquer proposta de mudanga. No inicio surgiram no mundo do trabalho. 95 de 4035 3% .COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION} 2. para depois. Diferentes 550 as definigoes de competéncia que ao longo das filtimas décadas foram elaboradas a partir de diferentes instancias. estenderemse desde as instancias formativas (e entre elas de forma contundente) até a educagéo sistematica. Qual é o sentido que as competéncias devem ter na escola? Quais sao seus componentes e sua estrutura? 3. Assim. como se essa nova proposta representasse uma rejeigfio ao existente e nao uma tentativa de melhoria. algumas centram-se em sua fungao.

O essencial das competéncias é seu carater funcional diante de qualquer situagao nova ou conhecida. qual deve ser seu alcance? Deve se limitar a uma formagao funcional de alguns conteudos convencionajs sobre assuntos académicos ou deve se ampliar a outros campos do conhecimento humane? P08.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION} tradicionais. quando deslocamos essas ideias para o ensino obrigatério. Todavia. 105 de 4035 3% . Um curricula corn base em competéncias representa a formaqéo em aprendjzagens que tém como caracteristica fundamental a capacidade de serem aplicadas em contextos reais. Até que ponto um ensino com base em competéncias representa a diminuigao de conhecimentos? E possivel ser competente sem dispor de conhecimentos? 4.

117C163 51035 3‘31. os procedimentais e 05 atitudinais. pelo pleno desenvolvimento da pessoa. atividades recreativas.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS (PORTUGUESE EDITION} 5. Atualmente. entre elas a do distinto grau de responsabilidade dos diferentes agentes educacionais: familia. conforme a declaragao universal dos direitos humanos. Todas as instituigées intemacionais quando se manifestam sobre a fungao social que o ensino deve cumprir optam. Os estudos realizados sobre o modo como as pessoas aprendem. . escola. meios de comunicagao. permitem estabelecer um conjunto de principios contrastados de modo satisfatorio. mas como as competéncias séo aprendidas? Principios rigorosos sobre sua aprendjzagem podem ser PGS. os conceituajs. Considerando as limitagoes e as possibilidades da escola. etc. De qualquer forma. essa definigao é completarnente genérica. causando mfiltiplas interpretagoes. independentemente da corrente psicolégica que os sustenta. dispomos de um notével conhecimento sobre corno as pessoas aprendem: existem dados irrefutaveis acerca da maneira nas quajs se aprendem os contefidos factuais. quajs 550 as competéncias que devem ser propostas como objetivos do ensino obrigatorio? 6.

Por isso. quais devem ser esses critérios? P08. e visto que as situagées e 05 contextos podem ser infinitos. O conhecimento do modo em que os diferentes componentes das competéncias sio aprendidos e sua natureza de “procedjmento de procedjmentos” permitem compreender a complexidade de seus processes de aprendizagem. uma das caracteristicas fundamentais das competéncias é a capacidade para agir em contextos e situagées novas. poderiamos chegar a conclusao de que as competéncias nao podem ser ensinadas.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION} precisos? 7. Isso ocorre dessa forma? Critérios confiaveis sobre as caracteristicas que deve ter 0 processo de ensino das competéncias podem ser precisos? Se a resposta é afirmativa. 127 de 4035 4% . Pois hem. podem ser extraidas algumas conclusées sobre as condjgfies que deve ter seu ensino.

Alguns desses componentes sustentarn—se claramente em ciéncias estaveis e bem definidas. A escola deve participar ativamente no desenvolvimento da pessoa nos ambitos social.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION} 8. dispéem de diferente grau de cientificidade. o modelo tradicional de organizar o curricula mediante matérias ou disciplinas convencionais para um ensino focado no desenvolvimento de competéncias para a Vida é adequado? P08. por sua vez. As competéncias necessérias para agir eficientemente em cada um desses ambitos sac numerosas e complexas. em outros o apoio de uma determinada ciéncia é fraco. mas em muitos outros cases 0 procedimento é compartilhado por vérias disciplinas. Cada uma delas é composta de atitudes. interpessoal. Considerando essas caracteristicas. pessoal e profissional. 137 de 31035 4% . habilidades e conhecimentos que. e em alguns outros componentes n50 existe procedimento disciplinar algum.

como poderemos abordar um ensino com base em competéncias que cumpra com seus objetivos e que. uma alternativa deve ser encontrada. A partir dos critérios estabelecidos para o ensino das competéncias podemos revisar as estratégias metodolégicas utilizadas habitualmente. Esta P031116 de 4035 4% . Se as disciplinas 1150 Sac suficientes para desenvolver as competéncias e obter o pleno desenvolvimento da pessoa.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION} 9. as caracteristicas dos modelos existentes para a interpretaqfio da realidade e a organizagfio dos curriculos tradicionais estao fundamentados nas disciplinas. No entanto. ao mesmo tempo. devemos considerar que a estrutura do sistema escolar. possa se sustentar em uma estrutura sélida e resistente como a que oferecem as disciplinas? 10. Sendo assim. a propria formaqao dos professores.

nessas metodologias para que possam se adequar a um ensino de competéncias. e a possibilidade P0315? de 4035 4% . E evidente que a fungao da escola sempre foi idealizada para o futuro. suprimir ou mudar aspectos. Somente podemos considerar que uma atuagao é competente quando se realiza em uma situagao que geralmente é ou pode ser nova. pois o que se avalia. Se de fato é assim. e que sera necessario acrescentar. posto que somente podernos avalia-la como competente quando ela se realiza em situagfies nao escolares. Porérn alérn desses critérios. quando uma sequéncia didatica é apropriada para a aprendjzagem das competéncias? 1 1. existem caracteristicas metodolégicas gerais que determinern. dificilmente poderemos avaliar com precisao se uma competéncia foi adquirida. com maior ou menor grau de profundidade. se realiza sabendo que é um meio para conhecer o grau de aprendizagem adqujrido. de certo modo pontuajs.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION) analise nos permite compreender que nao existe uma metodologia especifica para as competéncias. corn clareza.

Aceitando essa premissa. a avaliagfio das competéncias representa também a busca de meios que permitam prever a capacidade de utilizaI essas competéncias em um momento necessério.COMO APRENDER E ENSINAR COMPETENCIAS [PORTUGUESE EDITION} de ser aplicado em um future majs ou menos distante. a quais meios devem ser utilizados e em quajs mementos deve ser efetuada. a de que forma deve ser realizada. Portanto. as perguntas que devemos fazer estfio relacionadas és caracteristicas da avaliagéio das competéncias e. P0316? de 4035 5% . portanto.