Educação para Cidadania

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a educação para a cidadania se insere num
movimento amplo de luta pelos direitos humanos no mundo inteiro; um movimento pluralista,
polissêmico, vário, polêmico, divergente, mas um movimento histórico concreto, aliás o único
movimento que tenha uma linguagem, uma abrangência, uma articulação, uma organização que
supera as fronteiras estaduais, tanto horizontalmente (as redes) como verticalmente (do bairro às
Nações Unidas).
Ao surgimento desta “sociedade civil” universal, que está em construção, corresponde o processo
de constituição de instituições públicas sempre maiores, onde Estados, Governos, e Organismos
Internacionais tendem a falar a mesma linguagem e a convergirem em ações conjuntas.[6] Isso
faz com que o educador aos direitos humanos se sinta parte de uma comunidade mais ampla, de
um movimento quase planetário, ao qual pode dar a sua parcela de contribuição, mantendo uma
estreita aproximação com as questões da sociedade e participando ativamente das lutas sociais de
transformação. A prática da cidadania constitui um processo participado, individual e coletivo,
que apela à reflexão e à ação sobre os problemas sentidos por cada um e pela sociedade. O
exercício da cidadania implica, por parte de cada indivíduo e daqueles com quem interage, uma
tomada de consciência, cuja evolução acompanha as dinâmicas de intervenção e transformação
social. A cidadania traduz-se numa atitude e num comportamento, num modo de estar em
sociedade que tem como referência os direitos humanos, nomeadamente os valores da igualdade,
da democracia e da justiça social.
Enquanto processo educativo, a educação para a cidadania visa contribuir para a formação de
pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres
em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo.
A escola constitui um importante contexto para a aprendizagem e o exercício da cidadania e nela
se refletem preocupações transversais à sociedade, que envolvem diferentes dimensões da
educação para a cidadania, tais como: educação para os direitos humanos; educação
ambiental/desenvolvimento sustentável; educação rodoviária; educação financeira; educação do
consumidor; educação para o empreendedorismo; educação para a igualdade de género;
educação intercultural; educação para o desenvolvimento; educação para a defesa e a
segurança/educação para a paz; voluntariado; educação para os media; dimensão europeia da
educação; educação para a saúde e a sexualidade. A abordagem curricular da educação para a
cidadania pode assumir formas diversas, consoante as dinâmicas adotadas pelas escolas no
âmbito da sua autonomia, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos e atividades da

a educação para a cidadania pode ser desenvolvida em função das necessidades e problemas específicos da comunidade educativa. Os referenciais e outros documentos orientadores não constituem guias ou programas prescritivos. Porém. é dada às escolas a possibilidade de decidir da sua oferta como disciplina autónoma. em articulação e em resposta a objetivos definidos em cada projeto educativo de agrupamento de escola ou escola não agrupada. Inicialmente o conceito de desenvolvimento econômico conforme Souza (1995) é caracterizado única e exclusivamente pelo indicador de crescimento econômico. A Educação para o Desenvolvimento. no âmbito da autonomia de cada estabelecimento de ensino. onde o conhecimento pode ser considerado o mais importante fator de produção a educação adquire um novo papel no desenvolvimento econômico. no quadro da relação entre a escola e a comunidade. em parceria com as famílias e entidades que intervêm neste âmbito.º e 3.º ciclos do ensino básico. enquadrando as práticas a desenvolver. dessa forma já vêm sendo objeto de estudo de importantes cientistas sociais. em colaboração com outros organismos e instituições públicas e com diversos parceiros da sociedade civil.sua iniciativa. nos 1. mas instrumentos de apoio que. Atendendo à importância que o Ministério da Educação e Ciência reconhece a esta área curricular. num contexto de interdependência e globalização. documentos que se poderão constituir como referenciais na abordagem das diferentes dimensões de cidadania. Deste modo. podem ser utilizados e adaptados em função das opções a definir em cada contexto. com a finalidade de promover o direito e o dever de todas as pessoas e de todos os povos a participarem e contribuírem para um desenvolvimento integral e sustentável.º. que visa a consciencialização e a compreensão das causas dos problemas do desenvolvimento e das desigualdades a nível local e mundial. o que hoje é representado pelo PIB (produto interno bruto). Educação para desenvolvimento económico e social O desenvolvimento socio econômico é um tema bastante complexo e importante. 2. têm vindo a ser produzidos. Não sendo imposta como uma disciplina obrigatória. Dessa forma o país é subdesenvolvido quando não utiliza os fatores de produção de que dispõe e sua economia cresce 2 . que juntos desenvolveram diversas teorias econômicas as quais ainda hoje podem ser consideradas ferramentas utilizadas para o governo de uma nação. nos tempos atuais. A educação historicamente não fazia parte dos estudos econômicos por possuir uma influência indireta.

Os pensadores aliados a esses conceitos de acordo com Souza (1995) seriam tanto de origem neoclássica. de Carmo (2001).Várias são as possibilidades de atuação do Terapeuta Ocupacional nos contextos socio educacionais. como o de Meade. pode também instrumentalizar o aluno e a escola com a utilização de diversos recursos e tecnologia assistiva. e de grande importância nos atendimentos interdisciplinares. dando suporte aos profissionais nas realizações de tarefas com os alunos. orientar e assessorar a equipe educacional. ou pós-keynesiana. 5) Desenvolver um trabalho colaborativo com a comunidade escolar. Segundo a Toyota et al (2007). que abrange desde o atendimento individual do aluno em um contexto clínico. até o acompanhamento desse aluno no meio familiar e na escola. Educação para a pratica ocupacional A educação para a pratica ocupacional se apresenta como um profissional com um grande campo de atuação dentro da Educação inclusiva. a filosofia de “Consultoria Colaborativa” ao atendimento do Terapeuta 3 . 3) Ensinar o correto manuseamento da criança /jovem com alterações neuromotoras durante as rotinas diárias. participar das atividades escolares. Para Bartolotti. aplica-se hoje.abaixo de suas possibilidades. família e comunidade envolvente de forma a facilitar a plena integração dos alunos com deficiência e/ou dificuldade. Tendo em vista o trabalho colaborativo como estratégia poderosa e que se faz bem sucedida. 4) Avaliar a necessidade de tecnologias de apoio facilitadoras da participação e do desempenho e realizar o treino de utilização das mesmas. a ação da pratca ocupacional no contexto escolar é caracterizada principalmente pelos seguintes aspectos: 1) Avaliar e intervir com os alunos que apresentam dificuldades que interferem diretamente na aprendizagem e com as atividades funcionais da Escola. 2) Avaliar e intervir com os alunos que apresentam dificuldades na realização das atividades da vida diária. como os de Harrod e Domar.

Este modelo de Consultoria Colaborativa vem sendo definido por (MENDES. et al) como ajuda ou processo de resolução de problemas. de modo que os futuros problemas poderão ser controlados com mais sensibilidade e habilidade.G. 4 . E. responsável pelo bem estar de uma terceira pessoa e quem ajuda se beneficia da relação.Ocupacional junto a outros profissionais atuantes no Atendimento Educacional Especializado.

assim como do equipamento básico de infraestrutura). na medida em que o “conhecimento” e. portanto. à qualidade das políticas de saúde. constitutiva de nosso propalado período de “milagre” econômico. o processo de desenvolvimento econômico brasileiro nas últimas décadas. A acelerada expansão tecnológica brasileira.CONCLUSÕES. 5 . Da mesma maneira. reforça as consequências da heterogeneidade educacional no país. O progresso tecnológico claramente venceu a corrida contra o sistema educacional. esteve sistematicamente associada a um lento processo de expansão educacional. passa a ser o fator estratégico fundamental para a criação de vantagens competitivas (o qual está vinculado. higiene. a criação negociada desse ambiente institucional e social inovador é decisiva para o desenvolvimento regional e local. Conforme Barros. já que são consubstanciais com a formação de recursos humanos e. por sua vez. por conseguinte. o nível de educação. Henriques e Mendonça (2002). Isto também significa que as políticas sociais não podem ser contempladas unicamente como políticas “assistenciais” ou “redistributivas” cujo objetivo é corrigir os desequilíbrios que gera o funcionamento das economias de mercado. no entanto. um fator no qual se fundamenta a inovação tecnológica e organizativa baseada no conhecimento. educação e capacitação.