Quão confiável é a alta critica

A alta crítica da Bíblia começou a sério durante os séculos 18 e
19. Na última metade do século 19, o crítico da Bíblia alemão
Julius Wellhausen popularizou a teoria de que os primeiros seis
livros da Bíblia, incluindo Josué, foram escritos no quinto século
AEC — cerca de mil anos depois dos acontecimentos descritos. No
entanto, ele disse que contêm matéria escrita anteriormente. Esta
teoria foi apresentada na 11.a edição da Enciclopédia Britânica,
publicada em 1911, que explicava: “Gênesis é uma obra pósexílica, composta de fonte sacerdotal pós-exílica (P) e de
anteriores fontes não-sacerdotais, notadamente diferentes de P
em linguagem, estilo e ponto de vista religioso.”
Para Wellhausen e seus seguidores, toda a história registrada na
primeira parte das Escrituras Hebraicas era, “não história literal,
mas tradições populares do passado”. Os relatos anteriores eram
considerados apenas um reflexo da história posterior de Israel. Por
exemplo, declarou-se que a inimizade entre Jacó e Esaú realmente
não aconteceu, mas refletia a inimizade entre as nações de Israel
e de Edom em tempos posteriores.
Em harmonia com isso, esses críticos achavam que Moisés nunca
recebeu ordem para fazer a arca do pacto, e que o tabernáculo,
centro da adoração israelita no ermo, nunca existiu. Eles
acreditavam também que a autoridade do sacerdócio arônico só
foi plenamente estabelecida poucos anos antes da destruição de
Jerusalém pelos babilônios, a qual os críticos acreditavam ter
acontecido no começo do sexto século AEC.
Que “provas” apresentaram para essas idéias? Os altos críticos
afirmam que conseguem dividir o texto dos primeiros livros da
Bíblia em diversos documentos diferentes. Um princípio básico
que eles usam é presumir que, falando-se de modo geral, todo
versículo da Bíblia que usa a palavra hebraica para Deus (’Elohím)
sozinha foi escrito por um escritor, ao passo que todo versículo
que se refere a Deus pelo nome dEle, YHWH (Javé ou Jeová), deve

Além disso. nas línguas atuais.” A alta crítica bíblica. é especulativa e tentativa. é que “a escola de Wellhausen começou com a pura suposição (que praticamente não se incomodaram de demonstrar) que a religião de Israel era de mera origem humana. Archer. e que devia ser explicada como mero produto da evolução”. mesmo no melhor dos casos. Wellhausen e seus seguidores começaram com a suposição de que a Bíblia era apenas a palavra de homem. O problema. Jr. como qualquer outra. em especial.ter sido escrito por outro — como se um mesmo escritor não pudesse usar ambos os termos. presume-se que toda mudança de estilo significa uma mudança de escritor. e que tem de ser substituído por outra coisa. segundo ele. ou ao tratarem de matéria diferente. até mesmo escritores. sempre que um evento se encontra registrado mais de uma vez num livro. e seus argumentos partiram deste ponto. No entanto. frequentemente escrevem em estilos diferentes. É um exercício intelectual.. em estágios diferentes de sua carreira. embora a antiga literatura semítica apresente outros exemplos similares de repetição. mostra outra falha no raciocínio da alta crítica. Em outras palavras. algo sempre sujeito a ser modificado ou mostrado errado. é “especulativa e tentativa” em extremo. De modo similar. Existe realmente alguma prova que substancie essas teorias? Nenhuma. sujeito a todas as dúvidas e palpites que são inseparáveis de tais exercícios. Gleason L. Lá em 1909. Certo comentador escreveu: “A crítica. toma-se isso como prova de que mais de um escritor o produziu. The Jewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica) mencionou mais duas fraquezas da teoria de Wellhausen: “Os argumentos com os quais Wellhausen cativou quase que inteiramente todo o grupo de críticos contemporâneos da Bíblia .

que o rito fica mais apurado com o desenvolvimento da religião.” Existe um modo de testar a alta crítica.” Em vista da fraqueza da alta crítica. com o passar dos anos. . por que é ela hoje tão popular entre os intelectuais? Porque lhes diz coisas que querem ouvir. A primeira suposição é contrária à evidência das culturas primitivas. ou não? A Enciclopédia Judaica prossegue: “Os conceitos de Wellhausen baseiam-se quase que exclusivamente numa análise literal. e a última não encontra nenhum apoio na evidência de códigos rituais.” Evidentemente. E. as duas teorias têm uma finalidade similar. assim a alta crítica de Wellhausen significaria que não se precisa crer que a Bíblia foi inspirada por Deus. e precisam ser suplementados por um exame feito do ponto de vista da arqueologia institucional.baseiam-se em duas suposições: primeiro. para ver se suas teorias são corretas.” Será que a arqueologia. tendeu a confirmar as teorias de Wellhausen? The New Encyclopædia Britannica (A Nova Enciclopédia Britânica) responde: “A crítica arqueológica tende a substanciar a fidedignidade dos pormenores históricos. que as fontes mais antigas necessariamente tratam dos estágios mais primitivos do desenvolvimento ritual. tais como os da Índia. típicos. porque parece-me que o problema premente da história do Antigo Testamento por fim é solucionado dum modo consoante com o princípio da evolução humana. Assim como a evolução eliminaria a necessidade de se crer num Criador. mesmo dos períodos mais antigos [da história bíblica] e a desconsiderar a teoria de que os relatos do Pentateuco [os registros históricos nos mais antigos livros da Bíblia] sejam meros reflexos de um período muito posterior. pessoalmente. segundo. de fato. a alta crítica concordava com os preconceitos dele qual evolucionista. Certo erudito do século 19 explicou: “Eu. que me vejo forçado a aplicar à história de todas as religiões. aceito mais este livro de Wellhausen do que quase qualquer outro.

lendas ou folclore. parece plausível aos intelectuais. Mas. nosso ambiente relativista propicia que a palavra final da verdade seja dada não mais por um ser que não podemos ver tocar ou cheirar. Vivendo em uma época impar da história. um ser que escapa à verificação de nossas pesquisas cientificas. é muito mais fácil crer que as profecias foram escritas depois do seu cumprimento. a suposição de que a Bíblia não seja a palavra de Deus. Definição de termo: . A alta crítica tem sérias falhas. ele apenas mudou de tática. no inconsciente coletivo da humanidade. Hodiernamente ele trabalha não mais com a fogueira. Seu intento não acabou. Sendo assim. tal ponto de vista é preconceituoso e não oferece nenhuma razão válida para se rejeitar a Bíblia como verdadeira. do que aceitá-las como genuínas. mas aos dados materialista de nosso século XXI.Neste racionalista século 21. é de suma importância defendermos tanto uma como a outra dos ataques do maligno. qualquer coisa que se relacione a este ser é impiedosamente colocada sob suspeita. Para eles. por assim dizer. Preferem invalidar os relatos bíblicos dos milagres por classificá-los de mitos. e seu ataque contra a Bíblia deixou de demonstrar que a Bíblia não é a Palavra de Deus. a considerar a possibilidade de que realmente aconteceram. Deixeme explicar: urge memorar que o diabo sempre tentou desacreditar e até mesmo destruir a palavra de Deus. xxx O que e a critica biblica Ataque direcionado Desde que Moisés escreveu “No principio criou Deus…” a desejada derrocada que se espera dos oráculos divino está posta. Tendo em vista que a herança e as promessas espirituais do cristão encontra seu embrião dentro dessa herança literária primitiva chamada “Antigo Testamento”. mas sim de homem. mas usa métodos refinados com os quais a nossa moderna mente cientifica se apraz em aceitar sem contestação.

sobre o problema da arte e da literatura. julgamento ou apreciação desfavorável. associá-la somente a esta classe. Aristóteles. Ela sem duvida é de alto interesse e valor para qualquer estudante de teologia. buscar as condições que determinaram sua gênese seja no íntimo da personalidade criadora. de censurar. discernimento. devido a certos críticos e suas teorias que procuram desacreditar as escrituras. Crítica Textual ou Baixa Crítica – Dá-se o nome de crítica textual à técnica filológica aplicada à reconstituição dos textos originais das obras literárias. apreciação minuciosa. assim. Esse é o conceito positivo que se ocupa a palavra crítica aplicada ao estudo sistemático da literatura secular ou bíblica. Explicar. com a Poética e a Retórica. Embora o termo com suas implicações modernas tenha tomado um sentido pejorativo. critério. aumentando com isso seu valor e confiabilidade. em particular as de caráter literário ou artístico. do feminino kritikós. todavia. interpretar. Mas a crítica em si.A palavra crítica vem do grego kritiké. remonta aos gregos. ato de criticar. Este último processo que constitui o foco de nosso exame iniciou-se no Renascimento. Há ainda um terceiro que é a arte ou faculdade de examinar e/ou julgar as obras do espírito. seja nos fatores ambientais geográficos. estabeleceu as bases da crítica literária e o modelo do método objetivo. que se desenvolveu. e outro negativo. Denota basicamente dois conceitos um positivo como Juízo crítico. para apreciação do fenômeno literário. Indo mais longe diríamos que é até mesmo necessária à Bíblia. não devemos. chegando a ser sinônimo de ceticismo. condenação. . Platão refletiu. como ato reflexivo. discussão dos fatos históricos. raciais ou sociais. Serve para emitir um julgamento imparcial mediante observações e estudos da historia e o estado atual do texto original das Escrituras. Em sua aplicação ao texto bíblico pode ser dividida em dois grandes grupos: 1. de maneira geral e assistemática. criticar a literatura é. sobretudo a partir do estabelecimento dos textos de clássicos antigos e da Bíblia. e firmou-se no final do século XVIII. indutivo.

O método é sempre o mesmo: Perguntar. como já vimos acima. Alta Crítica – Método literário de interpretação das Sagradas Escrituras. bem antes de Cristo. Por isso ele é chamado de o “Pai da Crítica do Antigo Testamento”. Enquanto a primeira lida com o texto determinando o que o original dizia. onde e por que foi dito. o assunto dos argumentos dos diferentes livros sagrados. um tipo primitivo de Crítica. 2. Pode-se dizer então que a Alta Critica originou-se devido às investigações do . J. autenticidade e credibilidade dos escritos que compõe o Livro Sagrado. Em outras palavras. a última lida com a fonte do texto tentando descobrir quem disse. que havia indícios de varias fontes entrelaçadas por todo o livro. um alemão do século 18 foi o primeiro a aplicá-la ao estudo da Bíblia. contudo. Mas sua aplicação prática foi lançada mesmo por Jean Astruc em seu tratado sobre o Gênesis em 1753. da natureza e conexão do contexto. Na prática sua preocupação principal é restaurar o texto original na base das copias imperfeitas que chegaram até nós provendo a correta leitura e interpretação do texto. G. Ela se ocupa com a nobre tarefa de examinar a integridade. o autor e como ele compôs o livro. Este método verifica também as fontes literárias e a confiabilidade histórica da Bíblia. data e circunstância em que foram compostos os santos livros. Por exemplo. quando. Moisés lançou mão de várias fontes e não somente uma para compor o livro. Breve história da Alta Crítica Bíblica Embora. Eichhorn. ter sido aplicada à investigação literária. das circunstancias conhecidas dos escritores bíblicos. quando alguém pergunta quando. o método. que tem por objetivo determinar a autoria. Ela consiste em extrair dos textos resultados a partir de um enfoque sobre a natureza. Astruc conquanto defendia a autoria mosaica do livro. Tudo isso deveria salutarmente ser aplicado às Escrituras. O Alto Crítico procura saber a origem. Mas em ambas as divisões da crítica o questionamento é a característica predominante.Ocupa-se mais com a natureza verbal e histórica confinada a vocábulos e suas colocações conforme aparece nos textos bíblicos e seus manuscritos. asseverou entretanto. quem e porque o NT foi escrito está fazendo uma alta crítica da Bíblia.

locais. assim como as histórias de Sodoma e Gomorra. Por exemplo. O que são tais documentos? Partindo dos critérios usados na critica literária. ou seja. foram postos sob suspeita.Pentateuco. firmando-se acima de tudo em especulações antes que em fatos históricos reais. Wellhausen. relegando os milagres bíblicos a meras lendas e contos populares.C. Até mesmo muitas passagens. cerca de mil anos depois dos acontecimentos descritos. os críticos liberais alegaram encontrar quatro documentos diferentes dentro do Pentateuco principalmente no livro do Gênesis. Tendo este pano de fundo histórico em mente. Hipótese Documentária – O alemão Julius Wellhausen deu expressão a esta teoria quando propôs que o Pentateuco foi uma compilação de quatro documentos escrito por autores diferentes e independentes durante um período de cerca de 400 anos sendo finalmente redigido em sua forma básica por volta do quinto século a. embora. para mais longe da ortodoxia as conclusões delas resultantes. considerava as histórias bíblicas como tradições populares que funcionavam como um espelho para transmitir eventos históricos posteriores. Por isso em alguns círculos ela é chamada pejorativamente de “Alta Crítica destrutiva” ou “negativa”. personagens e costumes considerados por cristãos e judeus durante séculos como verídicos. podemos então entender onde se firmam as bases do liberalismo teológico. mostrar que tais alegações não procedem. a luta entre Jacó e Esaú nada mais era do que um reflexo da inimizade entre as nações de Israel e Edom. O escopo desta matéria não pretende explicar cada uma das várias e confusas teorias de cada uma delas. o Êxodo e até mesmo o rei Davi. tem surgido várias escolas de Alta Critica. de maneira naturalista e racional. Critica das fontes. levando assim. É de se considerar que desde Astruc até aos dias de hoje. Crítica da forma. com as mais variadas teorias distanciando cada vez mais dos relatos bíblicos. Um elo comum que liga todas essas teorias é a chamada fonte JEDS. Crítica da tradição e Critica da redação. Fora estes temos ainda: Crítica histórica. antes. Concluíram que esses documentos poderiam ser divididos levando-se em conta as .

mas de um jurista. A Verdadeira Causa do Conflito PRESSUPOSTOS Definição: 1. tenção. 3. Documento “S” – representaria o ultimo escritor a trabalhar numa redação do AT. assim como seu objetivo. 4. Sendo assim eles classificaram como JEDS. Desígnio. difere entre si. Ele pertencia à classe sacerdotal e viveu durante o exílio babilônico.XXI) antecedente No contexto de nossa estudo poderíamos afirmar que pressupor seria chegar à conclusão sobre algo antes de se dar inicio às investigações a respeito. Os vários estilos. 4. Partindo deste pressuposto eles descartaram a autoria mosaica do Pentateuco. sendo que: 1. É o mesmo que preconceito. conjetura.variações dentro do texto. Enquanto o documento “J” apresenta uma linguagem florida. Documento “D” – representaria o código deuteronômico que seria uma redação tardia encontrado em 621 a. opinião preconcebida. servem apenas como princípios normativos de . 2. 3. Circunstância ou fato considerado como necessário de outro. 2. Que se pressupõe. (Dicionário Aurélio Séc.C e finalmente. projeto. conclusão previamente fixada etc… É algo negativo o pressuposto? Diríamos que os pressupostos em si não são negativos e nem positivos. Documento “E” – representaria o escritor que usou o nome Elohim em seus documentos. Dizem que o estilo da escrita de cada documento. nomes divinos diferentes e repetições de narrativas confirmariam tal hipótese. o “S” possui a linguagem não de um historiador. Pressuposição. Documento “J” – representaria o escritor que usou o nome Jeová (YHWH) em seus documentos.

Por outro lado. ou melhor. mas se tais pressupostos coincidem com a realidade. o conservador. O sobrenaturalismo Toda crítica bíblica destrutiva está firmada sobre o sobrenaturalismo. Toda pesquisa histórica possui os seus “a prioris”. o problema se encontra em outro patamar. partem de certos pressupostos para desenvolverem suas pesquisas. Por fim tais premissas não só irão determinar grandemente a metodologia [de ambas as partes] que será usada em suas investigações. liberal ou conservador. sobre o anti-sobrenaturalismo de seus críticos. . As proposições apresentadas por tais críticos negativos se baseiam em grande parte no seguinte silogismo: Deus não existe. partem quando intentam levar a cabo suas pesquisas. Se o sobrenatural não é possível. Há evidências factuais o suficiente para mantê-los de pé? Isto nos leva ao estudo de outro quesito que está intrinsecamente ligado a este e que na verdade é a premissa de todos os pressupostos levantados em muitos círculos de crítica bíblica – o sobrenaturalismo. isto é. na verdade. Uma ilustração: O erudito liberal ao efetuar suas pesquisas parte necessariamente do pressuposto de que não existe nada de sobrenatural na Bíblia. Os pressupostos na verdade são quase inevitáveis! Portanto. Tudo que se refere a milagres na Bíblia é relegado à meras histórias míticas. como também suas conclusões serão grandemente influenciadas por elas. parte da idéia de que Deus interveio no espaço-tempo em determinadas épocas para um determinado povo e sendo assim a hipótese sobrenatural não pode ser descartada. ela é necessária para uma correta interpretação do texto. Estas são as duas premissas que ambos os críticos. Se Deus não existe.investigações. conseqüentemente os milagres não existem. não é questão de ter ou não pressupostos. portanto o sobrenatural não é possível. Tanto o crítico radical da Bíblia como o conservador.

coisa nenhuma está de acordo com isso e segue esse conceito. a tendência de muitos críticos bíblicos cuja metodologia está fundamentada em parte em métodos científicos é admitir que não existe a realidade espiritual. a ciência trabalha com coisas materiais e passível de repetição e os milagres transcende a tudo isso. A razão está no fato de que essas abordagens pressupõem certas conclusões que forçosamente determinarão seu conceito filosófico. nada acontece na natureza em transgressão às suas leis universais. A bem da verdade. a criação de Adão e Eva ou a ressurreição. se transgride a. ou está além da . então. Atribuem a ele um sentido totalmente psicológico debaixo de explicações puramente naturalísticas. Um exemplo moderno disto é a chamada parapsicologia. Consequentemente sua cosmovisão será forçosamente afetada. Portanto.Deve-se ressaltar que muitos estudiosos abordam a história partindo de uma noção preconcebida não tanto de caráter factual. Norman Geisler deu uma lista de vários argumentos de pensadores anti-sobrenaturais importantes como. “um milagre. De fato. para […] ela [natureza] permanece firme e imutável”. portanto não existem milagres. Spinoza que expôs seu ponto de vista quanto a impossibilidade de milagres da seguinte maneira: “que. Nunca chegaríamos a um denominador comum. Quando um crítico aborda certos milagres como as pragas do Egito. mas moral. O fenômeno bíblico da glossolalia se presta a um bom exemplo do que queremos dizer. geralmente a reação imediata deles é “Deus não existe” ou “milagres não acontecem” ou ainda “Vivemos em um universo fechado”. religioso ou filosófico. posto que estaríamos abordando o assunto em campos diferentes. Por universo ou sistema fechado entende-se que tudo deve ter uma explicação natural dentro de nosso próprio mundo dispensando quaisquer intervenções dentro deste sistema vindas de fora. por exemplo. não. Os estudiosos desta nova ciência tende a rejeitar as afirmações bíblicas qualificando os milagres bíblicos na categoria alegórica ou meramente cultural. a ciência nunca poderá explicar coisas que estão além dos padrões estabelecidos por ela mesma.

” Josh Mcdowell cita a posição de A. assim como todos os demais. Os milagres são violações das leis naturais. permitindo que a revelação sobrenatural ou imediata se imiscua. que resume bem o que queremos dizer: anti- “Enquanto atribuirmos alguma parte da vida religiosa de Israel diretamente a Deus. os milagres são impossíveis.” Diz ainda Mcdowell que “para um crítico radical. ao menos em uma instância.natureza. serve de razão suficiente para ele rejeitar a ‘credibilidade de suas testemunhas’. 4.” Influências do Evolucionismo É de pressupor que as investigações da “alta Crítica” foram influenciadas pela teoria evolucionista. Spinoza era dogmático quanto à impossibilidade de milagres quando proclamou: “Podemos. não é mais do que um absurdo”. então. acontecimento. Isto explica em parte essa aversão a todos os que crêem literalmente nos relatos Bíblicos . segundo as leis naturais”. Geisler ainda resumiu os argumentos de Spinoza da seguinte maneira: 1. Por conseguinte. um sobrenaturalista. neste caso os milagres] descrito na Escritura passou. 2. pelo menos. por todo esse tempo permanecerá inexata a nossa perspectiva do todo. estar completamente certos de que cada evento [fato. e vernos-emos forçados a fazer violência aqui ou lá. ao firme conteúdo dos relatos históricos. Certo erudito alemão resumiu bem o preconceito filosófico que norteia a metodologia dos críticos: “A apresentação de um curso de história deve ser reputada a priori como inverídica e não-histórica se houver fatores sobrenaturais interposto. As leis naturais são imutáveis. ou. 3. Somente se partimos da posição de um desenvolvimento natural é que levaremos em conta todos os fenômenos. a presença do elemento miraculoso serve de evidência suficiente para ele que ele rejeite a sua historicidade. É impossível para as leis imutáveis serem violadas. Kuenen.

como suas conclusões irão por fim. o monoteísmo…”. Diz Norman Geisler que “A idéia de que o monoteísmo evoluiu recentemente ganhou popularidade após a teoria da evolução biológica de Charles Darwin. em sua obra A origem das espécies. No campo das ciências naturais. Tais indivíduos advogam que as religiões evoluíram do animismo para o politeísmo. e deste para o henoteísmo e. Outro perigo é que quando os críticos permitem que suas teorias sejam influenciadas pelo evolucionismo. Darwin acreditava que “as faculdades mentais humanas […] conduziram o homem à crença em entidades espirituais e. desta. Isto posto podemos resumir as proposições da Alta Critica Destrutiva da seguinte maneira: . de 1859. Pelo contrário. chegando ao monoteísmo. finalmente. o politeísmo e. e isto é inevitável. Darwin escreveu: “Não há nenhuma evidência de que o homem tenha originalmente adotado a crença na existência de um Deus onipotente”. é que elas convergem sempre para o anti-sobrenaturalismo. Já não se pode considerar a Bíblia como a autêntica mensagem de um Deus vivo falando a humanidade. para o fetichismo. O problema disto tudo. mas apenas as conjeturas religiosas de homens falíveis. a influência exercida por Darwin tinha feito da teoria da evolução a hipótese predominante que afetava todas as pesquisas. Quais são as implicações reais de tais deduções ao estudo da Bíblia? O maior perigo está em que quando são postos sob suspeita a estrutura histórica dos livros bíblicos sua mensagem também corre perigo.taxando-os pejorativamente de “fundamentalistas” que “crêem na Bíblia ao pé da letra”. É interessante o que Josh McDoweel registrou sobre este assunto citando Herbert Hahn: “…O conceito genético da história do Antigo Testamento ajustava-se ao princípio evolucionário de interpretação que prevalecia na ciência e na filosofia contemporâneas”. eles não só correm o risco de estar alicerçando essas teorias em uma tese defeituosa e especulativa. por fim. Em outra de suas obras. eliminar a necessidade de crer num Criador e em sua mensagem inspirada.” Como conseqüência deste ótica muitos estudiosos relegam a historia da religião dos hebreus como apenas uma longa jornada religiosa evolucionária até se formar o que é hoje.

4. A Baixa Crítica é uma tentativa de achar a escrita original do texto. Inspiração verbal e plenária da Bíblia. Os livros Bíblicos foram escritos muito tempo depois de sua composição. Existem erros e contradições na Bíblia. são basicamente estes cinco itens acima que solapam diretamente as seguintes verdades bíblicas: 1. 2. Inerrância. Apesar de existirem outros. 2. Autenticidade. Milagres não existem. 3. A Bíblia não passa de um produto da mente humana. 5. xx O que são a Crítica da Redação e Alta Crítica? Pergunta: "O que são a Crítica da Redação e Alta Crítica?" Resposta: A Crítica da Redação e Alta Crítica são apenas algumas das muitas formas de Crítica Bíblica. A maioria desses métodos acaba tentando destruir o texto da Bíblia.1. já que não mais possuímos os manuscritos originais. A Alta crítica lida com a autenticidade do . A Crítica Bíblica pode ser dividida em duas formas principais: Alta Crítica e Baixa Crítica. Credibilidade. 3. Os milagres nada mais são que mitos e lendas dos antigos hebreus. 4. Veracidade e. Seu objetivo é investigar as Escrituras e fazer decisões quanto à autoria. historicidade e data em que certo documento foi escrito. 5.

os críticos poderiam clamar falta de precisão do que foi escrito. A Crítica da Redação é a ideia de que os escritores dos Evangelhos foram nada mais do que simples colecionadores de tradições orais e não os verdadeiros escritores diretos dos Evangelhos. Certas perguntas são feitas. por parte de alguns críticos. de separar o trabalho do Espírito Santo da produção de um documento escrito que seja confiável. para a repreensão. tais como: Quando foi realmente escrito? Quem realmente escreveu o texto? Muitos críticos não acreditam na inspiração das Escrituras e portanto usam essas perguntas para dissipar o trabalho do Espírito Santo nas vidas dos autores das Escrituras. Eles acreditam que o nosso Antigo Testamento é simplesmente uma coleção de tradições orais que não foi escrita até depois de Israel ter sido levada em cativeiro pela Babilônia em 586 A. e com isso refutar a autoridade da Palavra de Deus.C. "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino. Claro que podemos ver nas Escrituras que Moisés escreveu a Lei e os primeiros cinco livros do Antigo Testamento (chamado de Pentateuco). e não até muitos anos depois da nação de Israel ter sido fundada. para a correção. Os críticos da redação afirmam que o propósito do seu estudo é encontrar a "motivação teológica" por trás da seleção do autor e da compilação de tradições ou outros materiais escritos dentro do Cristianismo. Mas isso não é verdade. O Apóstolo Paulo escreveu: "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.texto. Foi Deus quem deu aos homens as palavras que Ele queria que fossem registradas. para a educação na justiça" (2 Timóteo 3:16). Os escritores das Escrituras explicaram como as Escrituras passaram a existir. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum" (2 Pedro 1:20-21). Se esses livros não foram realmente escritos por Moisés. O que podemos ver em todas essas formas de Crítica Bíblica é a tentativa. Aqui Pedro está dizendo que essas .

dirigindo e guiando os homens quanto ao que registrar. o Espírito Santo. Parte dessa controvérsia resultou da má compreensão do termo crítica aplicado às Escrituras. e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (João 14:26). xx Alta critica Teologia do Novo Testamento O desenvolvimento da crítica textual[1] Uma vez reunidos todos os manuscritos e as demais evidências que dão testemunho quanto ao texto das Escrituras. Este capítulo trata do desenvolvimento histórico da ciência da crítica textual. Distinção entre a alta crítica a baixa crítica Levantou-se muita confusão e controvérsia em torno da questão da "alta" crítica (crítica histórica) e da "baixa" crítica (crítica textual) da Bíblia. Em seu . Ele passa a ter à sua disposição grande parte dos documentos que devem ser usados a fim de apurar a verdadeira redação do texto bíblico. mas que o Espírito Santo iria ajudálos a lembrar o que Ele ensinara aqui na terra para que assim pudessem mais tarde registrá-lo. esse vos ensinará todas as coisas. criadas apenas por homens que queriam escrever algo. Aqui Jesus estava dizendo aos seus discípulos que em breve Ele estaria indo embora. Pedro continua: "mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pedro 1:21). "Mas aquele Consolador. Não há necessidade de criticar a autenticidade das Escrituras quando podemos saber que Deus estava por trás de tudo. que o Pai enviará em meu nome. O Espírito Santo disse a eles o que Deus queria que escrevessem. Mais um versículo pode ser interessante quanto ao assunto de autenticidade das Escrituras.Escrituras não foram imaginadas pela mente humana. o estudante da crítica textual torna-se herdeiro de uma tradição grandiosa. Deus estava por trás da autoria e preservação das Escrituras.

sua historicidade e sua autoria. existem dois tipos básicos de crítica. Os resultados dos estudos da alta crítica. e que um Código Eloísta (E) e um Código Javista (J) baseavam-se em duas tradições orais a respeito de Deus ("E" indicava o nome de Eloim e "J" o nome de Jeová [Yahweh]). O resultado é que a alta crítica na verdade não é parte fundamental da matéria Introdução Geral ao Estudo da Bíblia. Os títulos atribuídos a esses dois tipos de crítica nada têm que ver com sua importância. esse julgamento se chama alta crítica ou crítica histórica. O resultado foi que desenvolveram a teoria JEDP sobre o Antigo Testamento. O Antigo Testamento. antes da monarquia. seu estilo literário. A esses foi acrescentado o Código Deuteronômico (D) (documentos atribuídos ao tempo de Josias) e . a qual propõe datar os livros do Antigo Testamento de modo menos sobrenaturalista. sua estrutura. e duas atitudes básicas diante de cada tipo. Julius Wellhausen e seus seguidores desenvolveram a teoria documental. feitos pelos herdeiros da teologia herética dos fins do século XVIII. Tal teoria baseia-se em grande parte no argumento de que Israel não possuía escrita. é usado no sentido de exercício do julgamento da própria Bíblia. Na tentativa de mediar entre o tradicionalismo e o ceticismo. Todavia.sentido gramatical esse termo diz respeito meramente ao exercício do julgamento. não passam de um tipo de fruto altamente destrutivo. conforme ilustra o debate que se segue. A última data atribuída aos documentos do Antigo Testamento induziu alguns estudiosos a atribuir seus elementos sobrenaturais a lendas ou mitos. A alta crítica (histórica) Quando se aplica o julgamento dos estudiosos à autenticidade do texto bíblico. a alta crítica é a própria essência da Introdução Especial. Antes. O assunto desse tipo de julgamento dos especialistas dias respeito à data do texto. Quando se aplica à Bíblia. Isso resultou na negação da historicidade e da autenticidade de grande parte do Antigo Testamento por parte dos estudiosos céticos.

Entre os opositores estavam os proponentes de uma "crítica construtiva". A crítica destrutiva do modernismo induziu à crítica da forma. como William Henry Green. A obra desses homens quanto à alta crítica deve certamente ser considerada crítica construtiva. Essa oposição surgiu só depois de longo tempo. Lightfoot. Esse racionalismo mais recente manifesta-se mais abertamente quando versa sobre certos assuntos como os milagres. 1 e 2Coríntios). H. de modo que o mundo dos estudiosos na maior parte seguiu a teoria de Wellhausen. Wilhelm Moller. aplicada aos evangelhos. desprezada e arquivada. de Wilhelm de Wette e de outros. de W. pelo que se levantou uma onda de oposição. O Novo Testamento. ainda que reivindicasse estar fundamentada na doutrina cristã ortodoxa. A baixa crítica (textual) Quando o julgamento dos estudiosos se aplica à confiabilidade do texto bíblico.o chamado Sacerdotal ("Priestly" em inglês. o estilo e a data dos livros do Novo Testamento. A. Chegou-se à conclusão de que só se poderia reconhecer como autenticamente paulinas as "Quatro Grandes" (Romanos. Essas opiniões não agradaram aos estudiosos ortodoxos. Driver. Franz Delitzch. por orientação de Heinrich Paulus. Esses homens desenvolveram princípios que desafiavam a autoria. à negação da autoria de Paulo da maior parte das cartas a ele atribuídas até então. esta foi considerada insignificante. A aplicação de princípios semelhantes aos escritos do Novo Testamento surgiu na escola de teologia de Tübingen. a estrutura. de onde se origina o "p") do judaísmo pós-exílico. o nascimento virginal de Jesus e sua ressurreição física. Quando. Gálatas. a oposição levantou sua voz contra a "crítica destrutiva". Sayce. Theodor von Zahn e R. Robertson Smith e de Samuel R. Por volta do final do século XIX. Grande parte do trabalho recente feito no campo da alta crítica revelou sua natureza racionalista na teologia. ela é classificada como baixa crítica ou crítica . Eduard Naville e RobertDick Wilson. Dentre esses estudiosos ortodoxos estavam George Salmon. finalmente. James Orr. H. estudiosos ortodoxos competentes começaram a desafiar a crítica destrutiva da escola da alta crítica.

e seu trabalho é basicamente negativo e destrutivo. Não deve ser confundida com a alta crítica. estuda a forma das palavras de um documento. apenas se interessam por encontrar falhas. Ao fazerem isso. ortodoxa. Muitos exemplos de baixa crítica podem ser encontrados na história da transmissão do texto bíblico. ou crítica textual. Metzger e outros. mediante a aplicação de certos critérios ou padrões de qualidade. Bruce M. 2) o período de padronização do texto (325-1500). e sua atitude básica. Os estudiosos que se interessam por obter o original de um texto. não de pressuposições apriorísticas. Alguns desses exemplos foram produzidos por leais defensores do cristianismo ortodoxo. positiva. críticos destrutivos ou críticos apegados à "alta crítica". mas se é sadia. A questão mais importante não é se a crítica é alta ou baixa. Desaprovar a crítica textual meramente por que certos críticos da "alta crítica" empregaram esse método em seu trabalho dificilmente representa uma posição justificável. Os que usam esses critérios para tentar destruir o texto são "descobridores de defeitos". Westcott.textual. mas outros provieram de seus mais veementes opositores. alguns cristãos virtualmente "atiraram o bebê no ralo junto com a água do banho". visto que a baixa crítica. 3) o período de cristalização (1500-1648) e 4) o período de crítica e de revisão (1648 até o . e não seu valor documental. de modo especial com referência ao Novo Testamento: 1) o período de reduplicação (até 325). sir Frederick G. são críticos textuais. O desenvolvimento histórico da crítica textual A história do texto da Bíblia na igreja pode ser dividida em vários períodos básicos. Alguns deles seguem o exemplo de B. o trabalho desses homens é construtivo. Em geral. digna de ser defendida. Kenyon. Trata se de assunto de evidências e de argumentações. numa tentativa de restaurar o texto original. Abaixa crítica aplica-se à forma ou ao texto da Bíblia. Visto que muitos dos que abraçaram a alta crítica investiram muito tempo e energia no estudo da crítica textual. tem havido uma tendência para que se classifiquem todos os críticos textuais com o termo "modernistas". F.

presente). e para todos os propósitos práticos as duas tradições textuais comunicam o conteúdo dos autógrafos. Ainda que não haja muitos estudiosos hoje que defendam seriamente a superioridade do texto recebido. Nesse debate o texto criticado tem ocupado a posição de predominância. visto que as variantes não acarretam implicações doutrinárias. Como a Bíblia Chegou até nós Norman Geisler e Willian Nix . tais estudos "críticos" com freqüência são úteis para interpretar a Bíblia. tem havido uma luta entre os proponentes do "texto recebido" e os que advogam o "texto criticado". As diferenças porventura existentes entre ambos são meramente de ordem técnica e não doutrinária. [1] Introdução Bíblica. ainda que estejam separadamente guarnecidas de pequenas diferenças escribais e técnicas. deve-se observar que não existem diferenças substanciais entre o texto recebido e o texto criticado. Apesar disso. Neste período de crítica e de revisão.