UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS - CEJURS
CURSO DE DIREITO

ASPECTOS JURÍDICOS DA MARCA TRIDIMENSIONAL

ALINE DA COSTA

ITAJAÍ, MAIO/2007

UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS - CEJURS
CURSO DE DIREITO

ASPECTOS JURÍDICOS DA MARCA TRIDIMENSIONAL

ALINE DA COSTA

Monografia submetida à Universidade
do Vale do Itajaí – UNIVALI, como
requisito parcial à obtenção do grau de
Bacharel em Direito.

Orientador: Professor Dr. Álvaro Borges de Oliveira

ITAJAÍ, MAIO/2007

AGRADECIMENTO
Primeiramente agradeço a Deus por tudo.
Agradeço aos meus pais Manoel Dorval da Costa
e Vilma Maria Palm e aos meus irmãos Márcio
Dionei da Costa, Edval Dorval da Costa e Leila
Aparecida da Costa que me deram o apoio e
forças para vencer os obstáculos. Muito Obrigada.
Quero agradecer a minha amiga Rutinéia Bender
em que me incentivou e me apoiou nesses
últimos cinco anos.
Agradeço o meu orientador Álvaro Borges de
Oliveira que me guiou nesta monografia.
Um agradecimento especial aos meus amigos de
faculdade que com a convivência se tornaram
minha segunda família.
Por fim quero agradecer também a todos os meus
familiares e amigos que souberam compreender e
apoiar meu trabalho e a constante falta de tempo
para lhes dar atenção.

.DEDICATÓRIA Gostaria de dedicar essa monografia a minha família e a todos aqueles que torceram para que eu pudesse estar concluindo essa importante etapa. Quero Dedicar também aos meus professores dessa instituição que com seus conhecimentos e experiências me proporcionaram grandes aprendizados e contribuíram para que me tornasse uma pessoa mais capaz e competente.

a coordenação do Curso de Direito. 05 de junho de 2007. para todos os fins de direito. isentando a Universidade do Vale do Itajaí. que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho. Aline da Costa Graduanda . a Banca Examinadora e o Orientador de toda e qualquer responsabilidade acerca do mesmo.TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE Declaro. Itajaí.

Antônio Augusto Lapa (Membro da Banca). Mestre. e aprovada com a nota 9. Adilor Danieli (Membro da Banca) e Mestre. foi submetida em 05 de junho de 2007 à banca examinadora composta pelos seguintes professores: Dr. Álvaro Borges de Oliveira (Presidente da Banca). Itajaí.5 (nove vírgula cinco). Dr. Álvaro Borges de Oliveira Orientador e Presidente da Banca Mestre Antônio Augusto Lapa Coordenação da Monografia .PÁGINA DE APROVAÇÃO A presente monografia de conclusão do Curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. sob o título Aspectos Jurídicos da Marca Tridimensional. 05 de junho de 2007. elaborada pela graduanda Aline da Costa.

ROL DE ABREVIATURAS E SIGLAS CUP Convenção da União de Paris GATT General Agreement on Tariffs and Trade (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial LDA Lei de Direitos Autorais LPI Lei da Propriedade Industrial OMC Organização Mundial do Comércio OMPI PCT Organização Mundial da Propriedade Intelectual (ou na sua versão inglesa WIPO .World Intellectual Property Organization) Patent Cooperation Treaty (Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes) PUC Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro TRIPS Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights (Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio – ADPIC) UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina UNIVALI Universidade do Vale do Itajaí .

tanto de idéias como de conhecimento e sentimentos humanos. os modelos de utilidade.ROL DE CATEGORIAS A exposição ora desenvolvida requer apresentar os conceitos operacionais que fundamentarão o corpo teórico desta monografia. Propriedade Intelectual Propriedade intelectual refere-se a “idéias”. desencadeando ou resultando uma inovação. ser materializado. dar origem a invenções. “construtos”. que são. parágrafo 2º da Convenção da União de Paris) INPI O Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI é uma autarquia federal. p. 2004. as idéias desenvolvem-se em projetos. desafiado geralmente por necessidades ou demandas sociais. podendo.3) Propriedade Industrial Propriedade Industrial é o conjunto de direitos que compreende as patentes de invenção. o nome comercial e as indicações de proveniência ou denominações de origem. essencialmente. p. por fatores endógenos ou exógenos às possibilidades materiais e econômicas do inventor. os desenhos ou modelos industriais. não imaginado. as marcas de serviço. Trata-se de um processo intelectual. ou imaginado anteriormente. geralmente. 2004. (GANDELMAN.43 e 44) Direito autoral Direito autoral é a proteção jurídica das formas de expressão originais e criativas. A partir do espírito especulativo e criativo. ou socialmente aplicável ao conhecimento técnico-científico. econômicas etc. (DEL NERO. (Artigo 1º. as marcas de fábrica ou de comércio. Alvo novo. criações intelectualmente construídas a partir de formas de pensamento que se originam em um contexto lógico. bem como a repressão da concorrência desleal. que possui a incumbência de conceder privilégios e garantias à todos aqueles que . mas que não conseguiu..

192) Marca tridimensional É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. Disponível em: . a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. (LOUREIRO. 2002) Marca Todo nome ou sinal hábil para ser aposto a uma mercadoria ou produto ou para indicar determinada prestação de serviço e estabelecer uma identificação entre o consumidor ou usuário e a mercadoria. distinguindo-o dos demais objetos da mesma espécie existentes no mercado. 1999.br) Nacional da Propriedade Industrial. p. produto ou serviço constitui marca. 15) Desenho industrial O desenho industrial é um efeito de ornamentação que confere a qualquer objeto um caráter novo e específico.efetuem o registro de suas marcas e invenções no âmbito do País. 2005.inpi. (INPI – Instituto www. (SILVEIRA. p. (BOTELHO.gov.

..................... 29 2.......33 2........7 LEI DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL Nº 9..................................... 29 MARCAS ..........................................................26 1.........................................2..........................................1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL ..............11 1........................4....................................................................................................36 2............34 2...4...............4.....3 TIPO DE MARCA ...8 PROIBIÇÕES LEGAIS ...33 2.......................................... XI INTRODUÇÃO .............39 .......................................................................................................................... 3 PROPRIEDADE INTELECTUAL ..........35 2.32 2...................................3 DIREITOS AUTORAIS.....8 1.......................................................5 ASPECTOS DOS DIREITOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL RELACIONADOS AO COMÉRCIO (TRIPS) .................35 2..4 MARCA TRIDIMENSIONAL ...................................SUMÁRIO RESUMO .................2 CLASSIFICAÇÃO DA MARCA ................................................................4 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL-OIMPI 25 1................................................................................................................................2 MARCA MISTA.......................1 MARCA NOMINATIVA ..3 CONVENÇÃO DA UNIÃO DE PARIS PARA A PROTEÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (CUP) ..... 1 CAPÍTULO 1 .............................1 CONCEITOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL ........32 2.................................9 1..............27 CAPÍTULO 2 .......................................34 2..1 MARCA DE PRODUTO OU DE SERVIÇO.......................................3.......17 1...4...........36 2.........................3 MARCA FIGURATIVA ....4.......................2 CONCEITOS DE PROPRIEDADE....................2 FONTES DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL..3...................................................................................27 1........................................................................................21 1...1 MARCA..................4............4...................................1 HISTÓRICO DA PROPRIEDADE INTELECTUAL .............................................2 MARCA DE CERTIFICAÇÃO .................................................................21 1.......5 MARCA DE ALTO RENOME ...................................15 1............................................................279/96.....................................4..................................................4 APRESENTAÇÃO DA MARCA........................................3.........29 2............................3 1...........38 2......................................................................7 PRINCÍPIOS RELATIVOS À MARCA ................................................................4 PROPRIEDADE INDUSTRIAL ................................................................................6 MARCA NOTORIAMENTE CONHECIDA .................. 3 1........4......32 2............................4.................6 PROTEÇÃO DOS DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988 ..3 MARCA DE COLETIVA.............................34 2.....................................4...........................................

.. 82 ANEXO E ................................................................................................9 LEGITIMIDADE PARA REQUERER REGISTRO DE MARCA .......................MARCA FIGURATIVA ...............................3 ASPECTOS DO DIREITO COMPARADO.....................................41 2.................................................................FLUXOGRAMA DO EXAME DE PEDIDOS DE REGISTRO DE MARCA .......................................................................................................16 PERDA DOS DIREITOS ..................................17 DA LICENÇA DE USO E DA CESSÃO DA MARCA .................... 69 REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS ......................12 PROCESSO ADMINISTRATIVO DE NULIDADE............................................4 PROTEÇÃO COMO MARCA TRIDIMENSIONAL E COMO DESENHO INDUSTRIAL ...............................................5 RECONHECIMENTO DA MARCA TRIDIMENSIONAL PELO MERCADO CONSUMIDOR SOB ÓTICA DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA JURÍDICA E DO DESIGN INDUSTRIAL.....40 2............56 CAPÍTULO 3 ..........63 3..... 78 ANEXO A .............. 58 MARCA TRIDIMENSIONAL .....................43 2...........................................59 3...................................CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL ......18 VALOR DE UMA MARCA .........................................................15 DIREITOS E DEVERES DO TITULAR .............................44 2....................................................58 3. 88 ...................................................................MARCA MISTA ....... 58 3.........................................................MARCAS DE CERTIFICAÇÃO ..........10 PROCEDIMENTOS DE REGISTRO .................2...............2 MARCA TRIDIMENSIONAL E O DIREITO POSITIVO BRASILEIRO .............40 2........... 72 APÊNDICE A..............63 3.....................................................MARCA TRIDIMENSIONAL...................1 MARCA TRIDIMENSIONAL ............51 2..........13 MEDIDAS JUDICIAIS PARA PROTEÇÃO DOS DIREITOS DE MARCA.............................14 VIGÊNCIA E PRORROGAÇÃO DA MARCA ............................... 81 ANEXO D .................. 83 ANEXO F ........................67 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................... 79 ANEXO B ........................................................................................ 80 ANEXO C ..................54 2......................................51 2................52 2....................11 PROCESSO ADMINISTRATIVO .......................

tratados e convenções internacionais. No terceiro Capítulo trata-se da Marca Tridimensional e seus aspectos jurídicos. sua classificação. Lei da Propriedade Industrial no Brasil. licenças de uso e da Cessão. procedimentos administrativos e judiciais cabíveis. tipos. conceitos e evolução histórica da propriedade industrial. vigência. propriedade industrial e sua evolução histórica e fontes. O segundo Capítulo é dedicado à conceituação da Marca. conceitos de propriedade. proibições. reconhecimento pelo mercado consumidor. procedimentos de registro. a proteção da marca tridimensional e do desenho industrial. . direitos e deveres. Para encetar este trabalho trata-se no primeiro Capítulo da Propriedade Intelectual: histórico.RESUMO Esta monografia tem por objeto o estudo dos Aspectos Jurídicos da Marca Tridimensional. As Considerações Finais trazem em seu bojo a possibilidade jurídica e a oportunidade de utilização da marca tridimensional pelo mercado consumidor e o seu reconhecimento pelo público submetido à pesquisa. suas formas apresentações. princípios. direitos autorais. perda do direito.

O objetivo institucional é a obtenção do Título de Bacharel em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale de Itajaí . vigência. proibições. conceitos e evolução histórica da propriedade industrial. amparo legislativo. seguidos da estimulação à continuidade dos estudos e das reflexões sobre os Aspectos Jurídicos da Marca Tridimensional. nas quais serão apresentados pontos conclusivos destacados. marca tridimensional e desenho industrial. O presente Relatório de Pesquisa se encerrará com as Considerações Finais. A delimitação do tema proposto nesta dissertação se dá pelo Referente da Pesquisa: Aspectos Jurídicos da Marca Tridimensional. procedimentos administrativos e judiciais cabíveis. segundo capítulo: marcas: conceitos. enquanto que o objetivo geral é o conhecimento das particularidades da introdução da Marca Tridimensional no ordenamento jurídico pátrio. Lei da Propriedade Industrial no Brasil. . direito comparado. reconhecimento pelo mercado consumidor.INTRODUÇÃO A presente Monografia tem como objeto os Aspectos Jurídicos da Marca Tridimensional. perda do direito. capaz de distinguir o produto pela sua forma de apresentação. Os objetivos específicos serão distribuídos por capítulos da seguinte forma: primeiro capítulo: propriedade intelectual: histórico. procedimentos de registro. classificação. A idéia que anima o trabalho é a possibilidade da utilização da marca tridimensional como um elemento diferenciado agregado à marca usualmente utilizada no mercado. como conseqüência da adesão do Brasil à Tratados e Convenções internacionais.UNIVALI. tipos. que será exclusiva ao detentor daquela marca tridimensional. direitos e deveres. princípios. direitos autorais. terceiro capítulo: marca tridimensional: conceito. tratados e convenções internacionais. conceitos de propriedade. propriedade industrial e sua evolução histórica e fontes. licenças. apresentação.

c) Os investimentos na apresentação dos produtos. na Fase de Tratamento de Dados o Método Cartesiano. apresenta-se as considerações finais e as fontes bibliográficas consultadas. Quanto à Metodologia empregada. expresso na presente Monografia. b) No Brasil pode-se registrar como marca o formato visual de um produto? Análise: O desenvolvimento de linhas cada vez mais arrojadas para as embalagens dos produtos os tornam reconhecidos pelo mercado consumidor também pela sua forma de apresentação.2 Para a presente monografia foram levantadas as seguintes hipóteses: a) Em uma economia globalizada onde há equilíbrios nos avanços tecnológicos produtivos a marca agrega algum valor ao produto? Análise: Não só no Brasil. Por fim. as empresas despertam para a importância da marca. registra-se que na Fase de Investigação utilizar-se-á o Método Indutivo. mas em todo o mundo. tornando-os identificáveis somente pela sua forma encontra reconhecimento no mercado consumidor? Análise: Tendo como fundamento o desenvolvimento econômico do país. e o Relatório dos Resultados. a possibilidade de proteção do formato visual do produto somente se sustentará junto ao INPI se trouxer retorno aos investimentos da comunidade empresaria. . é composto na base lógica Indutiva. tendo em vista a propagação do negócio e aumento de receita.

lascando-os com outras pedras. descobriu que poderia dar nova destinação nas matérias encontradas na natureza. 4 BESSONE. Transitam. 19. aprendeu a conhecer melhor a natureza". extraiam os alimentos e demais recursos da natureza. 2ª ed. 2004. à condição de produtores de seus meios de subsistência. Propriedade intelectual: a tutela jurídica da biotecnologia. Patrícia Aurélia. os homens eram meros coletores. 1988. Esse esforço humano para a apropriação de bens de acordo Darcy Bessone4 foi à primeira manifestação do sentimento de propriedade. A propriedade industrial: nova lei de patentes. 1997. São Paulo: Saraiva. p. 34. São Paulo: Revista dos Tribunais. a usar água.” Os homens atuando como coletores. buscando assim a sobrevivência comunitária. aprendeu a observar a natureza.1 HISTÓRICO DA PROPRIEDADE INTELECTUAL A concepção de Propriedade desde os tempos primitivos surgiu a partir do momento que o homem começou a demarcar os espaços para sua sobrevivência. 3 DEL NERO. Para Walter Brasil Mujalli2 "após séculos de evolução. Direitos reais. com o desenvolvimento sociocultural e econômico.3 CAPITULO 1 PROPRIEDADE INTELECTUAL 1. Darcy. o homem. Leme: Direito. Propriedade intelectual: a tutela jurídica da biotecnologia. 2 MUJALLI. Patrícia Aurélia Del Nero3 ensina que “inicialmente. p. Walter Brasil. etc. com isso através das experiências que obtinha veio adquirir conhecimentos é o que leciona Patrícia Aurélia Del Nero1. . Desta forma. 1 DEL NERO. a dominar o fogo. p. Patrícia Aurélia. 34 e 35. fabricar instrumentos.

Em Roma e Grécia. 2006. Disponível em: <http://sisnet.aduaneiras. Em 1623 à propriedade intelectual foi incorporada à agenda internacional.br/lex/doutrinas/arquivos/bio.pdf#search=%22ADRIANA%20CARV ALHO%20PINTO%20VIEIRA%20%22Propriedade%20Intelectual%2C%20biotecnologia%20e% 20prote%C3%A7%C3%A3o%20de%22%22>. Esta distinção passou a ser feita através de nomes.com. Acesso em: 16 set. biotecnologia e proteção de cultivares no âmbito agropecuário. contudo as marcas ainda não tinham o cunho patrimonial.4 Newton Silveira5 acrescenta que muito antes de o homem ter alcançado a possibilidade de planejar a economia e multiplicar os produtos necessários à satisfação de suas necessidades. na antiguidade. 1996. assim leciona Adriana Carvalho Pinto Vieira6.pdf#search=%22ADRIANA%20CARV ALHO%20PINTO%20VIEIRA%20%22Propriedade%20Intelectual%2C%20biotecnologia%20e% 20prote%C3%A7%C3%A3o%20de%22%22>.br/lex/doutrinas/arquivos/bio. figuras ou símbolos. 1 e 2. porém somente a partir da Revolução Francesa é que houve proteção e a incorporação dos sinais distintivos e dos privilégios ao patrimônio pessoal dos produtores individuais e das indústrias e empresas. 7 VIEIRA. Propriedade intelectual. individualizar os seus produtos dos seus semelhantes.com. São Paulo: Saraiva. biotecnologia e proteção de cultivares no âmbito agropecuário. A propriedade intelectual e a nova lei de propriedade industrial. onde surgiram as primeiras discussões internacionais quanto os princípios referentes à matéria. 2006. surgia a necessidade de distinguir. Acesso em: 16 set. . 6 VIEIRA. Adriana Carvalho Pinto. podendo essa atividade ser genericamente designada pelo termo ‘técnica’. ele já vem exercendo intenso diálogo com a natureza e desenvolvendo o aproveitamento desta em seu benefício. passou-se a proteger as marcas. Na Idade Média. devido à expansão do comércio. p. Disponível em: <http://sisnet. Ainda Adriana Carvalho Pinto Vieira7 acrescenta que diante do novo contexto de um mercado competitivo. Adriana Carvalho Pinto. Propriedade intelectual. letras.aduaneiras. surgia à necessidade da sociedade criar normas que abarcassem a proteção dos diferentes processos produtivos. 5 SILVEIRA. Newton.

p. ou mais precisamente. constitui-se como órgão autônomo dentro do sistema das Nações Unidas a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI. a economia passou reconhecer direitos exclusivos sobre a idéia de produção. conforme descreve Denis Borges Barbosa8: A partir de 1967. foi criada a Organização Mundial da Propriedade Intelectual – OMPI. englobando as Uniões de Paris e de Berna. Era preciso individualizar e caracterizar cada empresa diante do conjunto de consumidores e em face dos próprios concorrentes. e a administração de uma série de outros tratados. Rubens. Uma introdução à propriedade intelectual. conforme salienta Rubens Requião10: As empresas. foram levadas à criação e ao desenvolvimento de “sinais” e “marcas” de expressão distinta para seus produtos e para sua própria identificação e seu reconhecimento. além de perfazendo uma articulação com a recente União para a Proteção das Obtenções Vegetais. As empresas por sua vez. assim acrescenta Denis Borges Barbosa9. Denis Borges. 1984. A estes direitos. WIPO). 8 BARBOSA. 9 BARBOSA. 2ª ed. São Paulo: Saraiva. ou. Uma introdução à propriedade intelectual. que a partir do momento em que a tecnologia passou a permitir a reprodução em série de produtos a serem comercializados: além da propriedade sobre o produto. por seu turno. Denis Borges. p. 15. sobre a idéia que permite a reprodução de um produto. 10 REQUIÃO. 2003. A criação de uma categoria de direitos de propriedade tem como origem o Renascimento devido à aceleração do processo informacional e o desenvolvimento da economia industrial. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. na versão inglesa. a fim de fixarem e atingirem sua clientela. . Curso de direito comercial. 1. com a finalidade de atingirem seus clientes procuraram criar e desenvolver “sinais” e “marcas” de expressões distintas para seus produtos. que resultam sempre numa espécie qualquer de exclusividade de reprodução ou emprego de um produto ou de serviço se dá o nome de “Propriedade Intelectual”.5 Em 1967.

Após a Constituição de 1824 foi adotado o princípio de proteção das descobertas dos inventores. ou identidade formal da empresa: sua marca distintiva e passa a significar o elo mais importante de identificação da empresa que é a marca. Em 1882 surgiu uma nova lei sobre patentes. . Patrícia Aurélia. Disponível em: <http://sisnet. em 1830. Propriedade intelectual. reconheceu o direito do inventor à exclusividade sobre as invenções que forem registradas junto a Real Junta do Comércio. Em 1883. Cria-se um "território da União". p. posteriormente em 1887 e 1904 surgiram outras leis referentes a marcas. 2006. biotecnologia e proteção de cultivares no âmbito agropecuário. 42. o acordo teve a intenção de harmonização internacional dos diferentes sistemas jurídicos nacionais. Acesso em: 16 set. somente em 1875 nasce à primeira lei brasileira referente marcas.com. tais princípios são de observância obrigatória pelos países signatários. foi sancionada a lei sobre invenções. Na era tecnológica e.6 A importância da marca para a empresa é enfatizada por Patrícia Aurélia Del Nero11 referenciando os elementos simbólicos que traduzem a representação. de um sinal visualmente perceptível que distingue a empresa através de seus produtos e serviços das demais. referentes à propriedade industrial. Entretanto essas leis foram perdendo a prerrogativa real e passaram a ser concessão privativa do Estado. constituído pelos países 11 DEL NERO. foi realizada a Convenção da União de Paris CUP. sobretudo visual. a marca alcança considerável importância na medida em que representa um dos fatores do “capital intelectual” de uma empresa. Tratase. Desde que se respeitem os princípios fundamentais. Surgiram as primeiras leis de patentes no final do século XVIII. Adriana Carvalho Pinto.br/lex/doutrinas/arquivos/bio. garantindo aos inventores a propriedade de sua criação.aduaneiras. onde deu origem ao Sistema Internacional da Propriedade Industrial. nos Estados Unidos e na França. a partir desse principio é que foi criada a primeira lei sobre patentes. 12 VEIRA. é o que afirma Adriana Carvalho Pinto Vieira12. atendendo a previsão constitucional. Propriedade intelectual: a tutela jurídica da biotecnologia.pdf#search=%22ADRIANA%20CARV ALHO%20PINTO%20VIEIRA%20%22Propriedade%20Intelectual%2C%20biotecnologia%20e% 20prote%C3%A7%C3%A3o%20de%22%22>. normalmente. com o Alvará do dia 28 de abril de 1809. No Brasil o Príncipe Regente.

Patentes. n. p. Em 21 de dezembro de 1971. 19. em que era requerente o advogado e médico José Roberto da Cunha Salles.4. 2006. Revista brasileira de tecnologia.gov.Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A primeira carta patente brasileira. Patentes.TRIPS é o acordo sobre os aspectos dos direitos da Propriedade Intelectual que afetam o comércio internacional. segundo Laerte Rímoli14.htm?tr13 . portanto visa estabelecer patamares mínimos de proteção aos direitos de propriedade intelectual. foi consolidado o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT . em 1889. em 19 de junho de 1970 em Washington. Acesso em: 16 set.91k>.inpi.Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Disponível em: <http://www.Patent Cooperation Treaty). conforme descrito pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI13 . o qual o Agreement on Trade – Related Aspects of Intellectual Property Rights . foi instituído o Código de Propriedade Industrial.279/96. que introduziu no Brasil pelo Decreto nº 1. já era signatário da Convenção da União de Paris. onde se aplicam os princípios gerais de proteção aos Direitos de Propriedade Industrial. .91k ->. 14 RÍMOLI.br/patentes/instituicoes/tratado. Supermercado de idéias. foi concedida pelo imperador D.355 de 30 de dezembro de 1994.inpi. com vistas à facilitação do comércio internacional entre membros da OMC – Organização Mundial do Comércio signatários do acordo. 15 INPI .Lei nº 9. Pedro II. Laerte. Acesso em: 16 set. inventor da fórmula de um preparado que denominou “vinho vivificante”.775. com intuito de desenvolver o sistema de patentes e de transferência de tecnologia. foi revogado em 1996 pela nova Lei da Propriedade Industrial . através da Lei nº 5. considerando o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do 13 INPI .35. Disponível em: <http:// www. desde março de 1883. 2006. v.7 contratantes.br/patentes/instituicoes/tratado.gov. prevendo meio de cooperação entre os países industrializados e os países em desenvolvimento. Rio de Janeiro.htm?tr13 . De acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI15. A concessão dessa carta patente só foi possível porque o Brasil. 36 e 37.

” Pode-se citar ainda Fábio Konder Comparato18 que define a propriedade como "controle jurídico sobre bens econômicos". em sua redação no artigo 1. p. 18 COMPARATO. Rio de Janeiro: Forense. e de reavê-la do poder de quem injustamente a detenha. A palavra controle 16 BARBOSA. ou limitações e modificações.406 de 2002 estabelece que o proprietário tem a faculdade de usar. Vocábulo jurídico. 1976. p. “caput”. que pertence à determinada pessoa. O Brasil aderiu os termos da Convenção da União de Paris. e o direito de revêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Fábio Konder. em face da Convenção da União de Paris. de tirar dela seus frutos. 17 SILVA. Denis Borges. 11. Ainda em relação à propriedade Denis Borges Barbosa16 entende que a propriedade é a soma de todos os direitos possíveis (bens corpóreos). da Lei nº 10. na verdade.228. já eram conhecidas internacionalmente. Na linguagem jurídica em sentido comum para De Plácido e Silva 17 “a propriedade é a condição em que se encontra a coisa. Uma definição analítica seria o direito constituído das faculdades de usar a coisa.a. conforme as leis civis de tradição romanística. em caráter próprio e exclusivo. a qual disciplinou as principais orientações para a proteção industrial nos países signatários. Os direitos reais diferentes da propriedade seriam exercícios autônomos das faculdades integrantes do domínio. O poder de controle nas s. 3/4. De Plácido e. Uma introdução à propriedade intelectual. ao PCT e ao TRIPS. 1. .8 país. v.2 CONCEITOS DE PROPRIEDADE Em relação à propriedade o Novo Código Civil. 18. de parte deles. gozar e dispor da coisa. constituídos em relação a uma coisa. Revista dos Tribunais. Porém as novidades advindas com a nova lei. de dispor dela.

p. bem como em face de seus concorrentes.1 CONCEITOS PROPRIEDADE INTELECTUAL Sobre o assunto Patrícia Aurélia Del Nero19 entende que a propriedade intelectual originou-se com os avanços e as conquistas tecnológicas. Denis Borges Barbosa20 leciona: A Convenção da OMPI define como Propriedade intelectual. notadamente quanto às invenções e fixação de clientela da empresa. nomes. Uma introdução à propriedade intelectual. aos fonogramas e às emissões de radiodifusão. A conceituação e caracterização da Propriedade Intelectual tornam-se possível a partir do desenvolvimento social. a soma dos direitos relativos às obras literárias. artísticas e científicas. imagens. segundo definição da OMPI. à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial. Neste sentido. às descobertas científicas. símbolos. desenhos e modelos utilizados pelo comércio. 1. além da de domínio. literário e artístico. é a segunda significação que cabe ao conceito ora expresso. Denis Borges. em face de seu público consumidor. ou soberania. p. Patrícia Aurélia. 1. . 20 BARBOSA. às interpretações dos artistas intérpretes e às execuções dos artistas executantes.9 tem a acepção de regulamento. acercando ao autor o direito de auferir por um determinado período de tempo um lucro financeiro pela própria criação. aos desenhos e modelos industriais. às marcas industriais.2. científico. comerciais e de serviço. 19 DEL NERO. Pode-se dizer que a propriedade intelectual estimula a produção de idéias novas. obras literárias e artísticas. bem como às firmas comerciais e denominações comerciais. Constituem propriedade intelectual as invenções. às invenções em todos os domínios da atividade humana. 27. que somente foram possíveis em face da expansão do conceito de empresa. Propriedade intelectual: a tutela jurídica da biotecnologia.

invenções. 58. como também. A propriedade Industrial abrange os direitos relacionados às atividades industriais e comerciais. Disponível em: <http://jus2. O conteúdo da matéria é extenso e incluem literatura e trabalhos artísticos. Partindo desta visão pode-se entender que a propriedade intelectual é um ramo do direito. criativo. Cláudia Astolfi. estas provenientes do espírito e fruto da criatividade humana.10 Nesta mesma concepção Cláudia Astolfi Pedro21 refere-se à propriedade intelectual como sendo uma área do direito relativo aos direitos associados ao esforço intelectual. artísticas e científicas. p. 2006. Marcos César. Da propriedade industrial e intelectual. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais.asp?id=3151>. programas de computadores.br/doutrina/texto. das indicações geográficas e a concorrência desleal. . PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A Propriedade industrial: nova lei de patentes. n. artísticas e científicas. Walter Brasil.uol. filmes.com. Dentro deste contexto Marcos César Botelho23 vem confirmar que a propriedade intelectual diz respeito a um direito pessoal. A propriedade intelectual divide-se em dois ramos distintos: Propriedade Industrial e Direito Autoral. e visa a proteção das patentes e modelos de utilidade. Acesso em: 16 set. a proteção das criações intelectuais. voltada às necessidades espirituais do homem. reflexo de sua própria natureza. o qual tem como finalidade tutelar o esforço dispendido pelo ser humano voltado à realização de obras literárias. o qual é absolutamente inerente ao ser humano. 2002. 2. p. Jus Navigandi. estando. 23 BOTELHO. por assim dizer. 238. produto do pensamento e da inteligência humana. ano 6. Já o Direito Autoral visa a 21 PEDRO. Teresina. designs e marcas utilizadas por comerciantes para seus produtos e serviços. ago. dos desenhos industriais. 22 MUJALLI. 1998. das marcas. é o direito autoral. Integrante do campo do Direito Privado visa garantir. haja vista ser afeto à sua própria capacidade pensante. Walter Brasil Mujalli22 conceitua propriedade intelectual como sendo um esforço dispendido pelo ser humano voltado à realização de obras literárias. reputação comercial e fundo de comércio.

não é somente o autor que se investe de suas prerrogativas. Eduardo J. às vezes até guindados à condição de autores. nada obstante. Disponível em: <http://www. Direito que o autor. criador. com a obra coletiva. e com a titularidade que várias legislações reconhecem em favor de produtores cinematográficos. são regulados pela Lei de Direitos Autorais – LDA nº 9. não se limitando. o que acontece até mesmo de maneira originária.buscalegis. 2006.3 DIREITOS AUTORAIS Eduardo Manso25 prefere usar o termo “direito autoral” em vez de “direitos de autor”. como segue: A denominação ‘direito autoral’ é a que melhor se ajusta à disciplina em questão.610 de 19 de fevereiro de 1998. Pode-se dizer que o direito autoral é o direito que o autor que é a pessoa física criadora de uma obra intelectual tem de desfrutar dos benefícios morais e econômicos (patrimoniais) resultantes da reprodução de sua concepção. São Paulo: Brasiliense. Vivianne Mehlan. ou seja. 1987.ufsc. tal como ocorre. Ana Maria. visam à garantia do direito dos criadores de uma obra intelectual poder gozar de todos os benefícios obtidos pela sua criação. artista tem de controlar o uso da sua 24 PEDRO.pdf>. 26 PEREIRA. 12. a referencia a uma única titularidade como se dá com a expressão ‘direito de autor’. O que é direito autoral. Acesso em: 20 set. PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.11 proteção das obras de natureza literária artística e científica é o que afirma Cláudia Astolfi Pedro24 1. Luís Otávio Pimentel. 3. garantindo ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. pesquisador. por exemplo. 1998. Cláudia Astolfi. assim. Direitos Autorais: estudos e considerações. tradutor. Informação e ética. principalmente porque atende melhor aos sujeitos que se ligam nas relações jurídicas que visa regular. Ana Maria Pereira26 observa que os direitos autorais e os que lhe são conexos. serem pessoas jurídicas. 25 MANSO. p. . II Ciberética – Simpósio Internacional de Propriedade Intelectual. na maioria das vezes. Vieira. p.br/arquivos/15-57-c3-1. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais.

A proteção do direito autoral. Conforme estabelecido pela LDA em seu artigo 2227. 2004. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. bem como a referência do seu nome na divulgação da mesma e assegurar a integridade da obra. 29 Lei de Direito Autoral nº 9.12 obra. abreviado ou pelo pseudônimo. 27 Lei de Direito Autoral nº 9. sendo assim. 31 GANDELMAN. Acesso em: 20 set. Publicação é a oferta ao conhecimento do público de qualquer criação intelectual. Direitos Autorais: estudos e considerações. que não é obrigatório. Artigo 22. conforme o artigo 1229 da LDA (Lei nº 9. em sua reputação ou honra. Artigo 12.610/1998.610/98) está determinada pela identificação do autor da obra. completo ou abreviado até por suas iniciais. mesmo pelo registro.610/1998. Informação e ética. e ainda por qualquer outro sinal convencional.pdf>. 2006. os direitos morais asseguram ao criador cobrar a autoria da obra. Henrique. Disponível em: <http://www. pelo nome civil. Rio de Janeiro: Senac Nacional. poderá o criador da obra literária. Luís Otávio Pimentel. Sendo assim. desde que seja dado consentimento expresso ao autor ou de qualquer outro titular de direito autoral.br/arquivos/15-57-c3-1. além dos direitos de modificá-la ou retirá-la de circulação. II Ciberética – Simpósio Internacional de Propriedade Intelectual. O que você precisa saber sobre direitos autorais.buscalegis. 28 PEREIRA. p. Ainda sobre o assunto Ana Maria Pereira28 acrescenta que o objeto do direito autoral é proteger as obras intelectuais por sua originalidade e por sua criatividade.610/1998. artística ou científica usar de seu nome civil.ufsc. uma forma de garantia da proteção dos direitos autorais é a publicação de uma obra. Os direitos morais são inalienáveis e irrenunciáveis. Para se identificar como autor. Ana Maria. Quanto a sua autoria pode ser comprovada por qualquer meio de prova. 26. conforme artigo 1830 da mesma Lei. Artigo 18. Acrescentado que essa publicação pode ser realizada por qualquer processo ou forma. Vivianne Mehlan. . os direitos morais e patrimoniais sobre uma obra pertencem ao seu autor. E quanto aos direitos patrimoniais garantem ao criador o retorno financeiro de todas as relações econômicas que tenham por objeto a sua obra intelectual. podendo ser completo. assim conceitua Henrique Gandelman31. A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro. 30 Lei de Direito Autoral nº 9. de pseudônimo ou qualquer outro sinal convencional.

Henrique. 35 GANDELMAN. O que você precisa saber sobre direitos autorais. tal qual um autor brasileiro. e atual. Convenção de Genebra e a Organização Mundial da Propriedade Industrial – OMPI. os quais garantem a reciprocidade dos direitos de seus titulares. um autor brasileiro goza na França dos mesmos direitos de um autor francês. o autor. 2001. e o objeto desse direito é a proteção legal da própria obra criada e fixada em qualquer suporte físico. Rio de Janeiro: Record. seja de fato. Assim sendo. a título universal singular. obedecidas seguintes limitações. 1967. Do mesmo modo. Henry. e os seguintes tratados internacionais: Convenção de Berna. p. pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais. Mas o autor também pode ser uma pessoa jurídica. ou veículo material. por exemplo. Os direitos de autor poderão ser total parcialmente transferidos a terceiros. um autor francês tem garantidos todos os seus direitos no Brasil. 38. por ele ou por seus sucessores. Rio de Janeiro: Itaipu. incluindo a tecnologia digital. Fontes dos Direitos Autorais: a Constituição Federal e a Lei de Direitos Autorais nº 9. O Brasil aderiu aos tratados internacionais mencionados acima. seja por ficção legal. E isso porque esses dois países assinaram uma Convenção Internacional que prevê tal reciprocidade. ampl. 19. Artigo 49. conforme exemplifica Henrique Gandelman35: É com a adesão aos tratados internacionais que os países garantem a reciprocidade dos direitos autorais de seus titulares. por meio licenciamento. p.” De acordo com o artigo 4934 “caput” da LDA. ou ou de as . Convenção de Roma. 4. 33 JESSEN.610/1998.13 Segundo Henrique Gandelman32 o autor é o sujeito do direito autoral. assim é o que o ilustre jurista Henry Jessen33 afirma “que o sujeito do direito. concessão. Direitos intelectuais. Henrique. Cabe por oportuno destacar a possibilidade das pessoas jurídicas serem titulares de direitos autorais. Convenção Universal.610/1998. Esses tratados são resultado da dinâmica e da dramática explosão tecnológica dos meios de comunicação do 32 GANDELMAN. De Gutemberg à Internet: direitos autorais na era digital. ed. os direitos de autor podem ser cedidos ou transferidos a terceiros. pode ser uma pessoa física ou um grupo de pessoas físicas. 34 Lei de Direito Autoral nº 9. cessão ou por outros meios admitidos em Direito. Obedecidas às limitações estabelecidas na Lei.

Newton Silveira37 nos ensina que a criatividade do homem se exerce ora no campo da técnica. aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas. transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. 5º. Arts. 37 SILVEIRA. sem distinção de qualquer natureza. José. para José de Oliveira Ascensão36 “a palavra “exclusivo” é de pouca precisão técnica e genérica demais. p. I. v. nos termos seguintes: XXVII . A propriedade intelectual e a nova lei de propriedade industrial. Quanto às invenções industriais.” Porém o inciso XXVII do artigo 5º da Lei maior estabelece a fiscalização e a proteção ao conteúdo patrimonial do autor. Desta forma a proteção jurídica ao fruto dessa criatividade 36 CRETELLA JUNIOR. que criou a necessidade de se proteger o direito autoral em todos os territórios do planeta.988. Todos são iguais perante a lei. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida.são assegurados. O direito do autor tem sido amparado desde a primeira Constituição Republicana do Brasil. ora no campo da Estética. 1º a 5º. publicação ou reprodução de suas obras. 394. incisos XXVII e XXVIII alínea “a” e “b”. à segurança e à propriedade. nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas. Newton.14 mundo moderno. inclusive nas atividades desportivas. à liberdade. Comentários à Constituição de 1988. conforme previsto no artigo 5º. que dispõem: Art. 5.aos autores pertence o direito exclusivo de utilização. . LXVII. hoje este amparo esta previsto na atual Constituição da República Federativa do Brasil de 1. à igualdade. XXVIII . b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores. p. inc. No entanto.

4 PROPRIEDADE INDUSTRIAL A propriedade industrial esta inserida entre os direitos reais. p. Propriedade intelectual: propriedade industrial. trazida à indústria para sua exploração ou para proveito econômico de quem as inventou ou as imaginou.15 dividiu-se em duas áreas: a criação estética é objeto do direito de autor e a invenção técnica. 1. já as criações que envolvam um desenvolvimento técnico. efetuando-se mediante a concessão de privilégio de invenção. de modelos de registro. Fran. dos quais o mais abrangente é o direito de propriedade que se exerce sobre bens imateriais. Curso de direito comercial. Newton. Além disso. 1988. cultivares. assim entende Fran Mattins39. garantido o uso exclusivo e reprimindo qualquer violação a esse direito. quando adquirido o privilégio de qualquer um desses elementos. salientando ainda como sendo um dos elementos do fundo do comércio. Rio de Janeiro: Forense. seja protegido pela lei de direitos autorais. software. 2005. a propriedade industrial tem proteção na lei. São Paulo: Manole. de comércio e de serviço. p. direito de autor. A lei assegura a sua propriedade. como também as expressões ou sinais de propaganda. assim é o entendimento 38 SILVEIRA. . da propriedade industrial. 39 MARTINS. todo trabalho intelectual tutelável. 503 e 504. Propriedade industrial é o conjunto de direitos resultantes das concepções da inteligência humana que se manifestam ou produzem na esfera da indústria. são tuteláveis pela lei da propriedade industrial. proporcionando ao seu titular a exclusividade de uso das marcas de indústria. De modo geral. que resulte em obras intelectuais. 3ª Ed. a doutrina caracteriza a propriedade industrial como sendo a soma dos direitos que incidem sobre as concepções ou as produções da inteligência. 87. assim referencia Newton Silveira38.

concessão de registro de marca. este ramo do Direito não se resume às criações industriais propriamente ditas. farinhas. o nome comercial e as indicações de proveniência ou denominações de origem. 41 BARBOSA. 49. 1. A Convenção enfatiza que. conquanto a qualificação "industrial". as marcas de serviço. as marcas de fábrica ou de comércio. por exemplo: vinhos. Denis Borges. II . os desenhos ou modelos industriais. minérios. p. mas também às indústrias agrícolas e extrativas e a todos os produtos manufaturados ou naturais. efetua-se mediante: I . Uma introdução à propriedade intelectual. IV .) o conjunto de direitos que compreende as patentes de invenção. p.16 de Patrícia Aurélia Del Nero40. 2° A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial. Patrícia Aurélia. os modelos de utilidade. cervejas.concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade. II .. e 40 DEL NERO. tabaco em folha. o atual Código da Propriedade Industrial (Lei nº 9. mas entende-se na mais ampla acepção e aplica-se não só à indústria e ao comércio propriamente dito.concessão de registro de desenho industrial. Propriedade intelectual: a tutela jurídica da biotecnologia. animais. 41 BARBOSA. p. Uma introdução à propriedade intelectual. parágrafo 2º. salientando ainda que a propriedade industrial envolve a proteção assegurada pelo Estado às marcas e às patentes. . considerado o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. Denis Borges. frutas. 2. flores. Denis Borges Barbosa41 acrescenta que na definição da Convenção da União de Paris em seu artigo 1º. a Propriedade Industrial é: (. águas minerais.. bem como a repressão da concorrência desleal. Entretanto. cereais.repressão às falsas indicações geográficas.279/96) no seu artigo 2º dispõe o seguinte: Art.

Assim nasceu. Quanto aos sinais distintivos. em 24 de outubro de 1875. p. 1997. um privilégio temporário.4. onde o Príncipe Regente concedeu aos introdutores de alguma nova máquina e invenção nas artes. software. os sinais marcadores dos produtos ou mercadorias poderiam incidir em qualquer denominação. por meio de sinais que se tornassem distintos no mercado consumidor.17 V . Informando ainda. ou melhor. emblemas. relevos e invólucros de toda a espécie. Além disso.229) quanto à proteção das invenções a qual definia que seriam concedidos privilégios à 42 SILVEIRA.04. São Paulo: Revista dos Tribunais. surgiu à segunda lei específica (Lei nº 3. sendo uma espécie de “direitos autorais” no campo da técnica. os direitos da propriedade compreendem: as patentes. 43 SOARES. marcas e direitos conexos. José Carlos Tinoco Soares43 leciona que a proteção dos Direitos de Propriedade Industrial decorreu do alvará de 28. os nomes geográficos (denominações de origem e indicação de proveniência). Propriedade intelectual: propriedade industrial.repressão à concorrência desleal. carimbos. p. 83 e 84. pertencem às empresas. somente em 14 de outubro de 1882. que era reconhecido a qualquer industrial ou comerciante o direito de marcar os produtos se sua manufatura e de seu comércio. e a concorrência desleal. Newton Silveira42 nos ensina que existem duas classes de Direitos: as criações industriais e os sinais distintivos. Lei de patentes. 11 e 12. os desenhos industriais. a primeira lei brasileira a respeito das marcas de fábrica e de comércio. Quanto às criações industriais pertencem originariamente a seus autores. sinetes. que fossem registrados na Real Junta do Comércio. Newton. Considerado o primeiro passo do país em relação à proteção dos privilégios de invenção.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL Em relação à proteção dos Direitos de Propriedade Industrial. José Carlos Tinoco. direito de autor.1. 1. selos. . aos empresários individuais ou sociedades empresárias. cultivares. Conforme acima.809. as marcas.

de desenhos ou modelos industriais de variedade novas de plantas. marcas e direitos conexos.828 de 31 de dezembro de 1887.424 de 10 de janeiro de 1905. Lei de patentes. dos melhoramentos ou aperfeiçoamento de invenção e das marcas de indústria e de comércio. as penas àquele que produzisse no todo ou em parte. de novos meios ou processos de aplicação.507 de 29 de junho de 1934. José Carlos Tinoco. regulamentava esse último. prevendo inclusive. marcas e direitos conexos. 45 SOARES. modelos de utilidade.264 de 19 de dezembro de 1923.346 de 14 de outubro de 1887 estabeleceu as regras básicas para os registros de marcas de fábrica e de comércio. Com relação ao assunto José Carlos Tinoco Soares45 afirma que com o surgimento do Decreto-Lei 7. p. Já a Diretoria-Geral da Propriedade Industrial foi criada pelo Decreto 16. que imitasse ou usasse marca alheia ou falsificada. foi estabelecida pelo Decreto 24. outorgando direitos exclusivos e temporários em ambos os casos.828 foi modificado pelo Decreto 1. e o Decreto 9. p. Acontece que o Decreto 9. 13. distintivos comerciais ou profissionais.903 de 27 de agosto de 1945.236 de 21 de setembro de 1904. é o que José Carlos Tinoco Soares44 aduz sobre o assunto. a concessão de marcas de indústria e de comércio. devidamente registrada. bem como ao melhoramento da invenção já privilegiada pelo próprio ou por terceiros. de nomes comerciais. A proteção dos privilégios de desenhos ou modelos industriais e o registro do nome comercial e do título de estabelecimento. José Carlos Tinoco. uma para a invenção totalmente nova e outra para o seu aperfeiçoamento. mantendo praticamente os mesmos princípios para o registro de marcas de fábrica ou de comércio e sua parte penal. Lei de patentes.18 invenção de novos produtos conhecidos para se obter um produto ou resultado industrial. de títulos de estabelecimentos. . e num só diploma legal consagrava a proteção dos privilégios de invenção de novos produtos industriais. 13 e 14. foram revogados todos os decretos anteriores e consagrando a proteção aos privilégios de invenção. de recompensas 44 SOARES. foi regulamentada pelo Decreto 5. de expressões ou sinais de propagando. marca de fábrica ou de comércio. que até então não eram suscetíveis de proteção legal. havia duas modalidades de privilégio. O Decreto 3. Logo.

1969. de 11. em todo os território nacional. os contra a concorrência desleal e.1970. mantinha praticamente aqueles mesmos princípios. em substituição ao anterior SOARES. os modelos de utilidade. os distintivos e as expressões ou sinais de propaganda.19 industriais. permanecia. de seu âmbito a proteção das recompensas industriais e as insígnias de comércio. em relação ao citado Título IV. estabeleceu os requisitos para o amparo da marca de serviço e a base de segurança para as marcas notoriamente conhecidas. Revogava ainda o Código Penal no que dizia respeito ao aspecto penal e estabelecia em seu Título I. os títulos de estabelecimento. José Carlos Tinoco. O DecretoLei 254 de 28 de fevereiro de 1967 revogou o anterior e exclui a proteção dos privilégios de modelo de utilidade. José Carlos Tinoco Soares . 14 e 15.-Lei 1. destaca: O Dec. Ainda quanto à evolução histórica da proteção da 46 Propriedade Industrial no Brasil. vinculada ao Ministério da 46 Indústria e Comércio. que dava lugar ao imediatamente anterior. capítulos especiais sobre os crimes em matéria de propriedade industrial. marcas e direitos conexos. p. de 21. era adquirida através do arquivamento ou registro dos atos constitutivos perante o Registro do Comércio. por outro lado. sobre a parte processual penal indicando claramente as providências cabíveis a cada espécie. da Lei 5.648.12. os contra as marcas de indústria e comércio. as insígnias e as expressões ou sinais de propaganda. os contra as marcas de indústria e comércio. os contra os privilégios de invenção. contudo. Pela Lei 5. em vigor.005. e a repressão à concorrência desleal. Por outro lado. Excluía. . os títulos de estabelecimento. foi criando o Instituto Nacional de Propriedade Industrial. sendo que para estas últimas possibilitava o requerimento de um novo pedido como marca de serviço. entretanto consignava que a proteção do nome comercial ou de empresa. isto é. ainda dispunha.772 de 21 de dezembro de 1971.10. Lei de patentes. por força do artigo 128. os contra os nomes comerciais. Não obstante esse Decreto-Lei tivesse revogado no tocante a toda proteção acima especificada. Autarquia Federal. os contra os nomes comerciais. os modelos e desenhos industriais.

A partir de então muito se fez em prol do instituto da propriedade industrial. ainda.-Lei 1. afirma que após a edição de vários Atos Normativos que objetivaram adaptar a anterior legislação aos parâmetros mundiais de concorrência de mercado. de 21. a aprovação da Classificação Internacional de Patentes. foi promulgada a Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial. cabendo-lhes. no âmbito nacional. tratados. em substituição ao Diário Oficial da União (Seção III).279 de 14. pronunciarem-se quanto à conveniência da assinatura. Dando cumprimento à sua finalidade. p.07. enviava ao Presidente da República o Anteprojeto de Lei alterava o Dec.1967.. tendo em vista a sua função social. foi então aprovado o texto da atual Lei 9. 1997.1992. convênios e acordos sobre Propriedade Industrial. jurídica e técnica. então Ministro da Indústria e do Comércio.10. Marcus Vinicius Pratini de Moraes.20 Departamento Nacional de Propriedade Industrial e visava dinamizar a Propriedade Industrial no Brasil. que regulava os Contratos de Transferência de Tecnologia e a promulgação do Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT). .1969. Código da Propriedade Industrial.. Sua finalidade essencial era executar. sendo digno de mencionar a edição da Revista da Propriedade Industrial.12. as normas que regulavam a propriedade industrial.) Dec. São Paulo: Revista dos Tribunais. marcas e direitos conexos. ainda José Carlos Tinoco Soares47. Lei de patentes. 47 SOARES. 309/71. converteu-se na Lei 5. que regula os direitos e obrigações relativas à Propriedade Industrial. Com vistas ao desenvolvimento econômico do país o Instituto tomaria medidas. capazes de acelerar e regular à transferência de tecnologia.1971. A inauguração do Banco de Patentes. de 21.772 de 21. 635. econômica. Esse anteprojeto que recebeu o n. o Dr. com o texto da Revisão de Estocolmo de 14.005. José Carlos Tinoco. 16. Finalmente. o estabelecimento do Ato Normativo 015.1996.08. ratificação ou denúncia de convenções. (.05.

Itália. Lista dos participantes da CUP. 8. PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.4. 71. 2006. a doutrina e os princípios gerais do direito. 49 PEDRO. Douglas Gabriel. 50 Organização Mundial da Propriedade Intelectual.21 1. Portugal.wipo. as leis civis. Atualmente conta com 16950 (cento e sessenta e nove) países signatários. 1.int/treaties/es/ShowResults. Acesso em: 03 out. p. Disponível em: <http://www. Surgiu com a necessidade de uma proteção internacional das invenções e dos sinais distintivos. as leis de caráter geral e os tratados e convenções que tenham o Brasil como signatário. Países Baixos. Brasil. Rio de Janeiro: Forense. a jurisprudência. Espanha. Cláudia Astolfi. 48 DOMINGUES. e foi à primeira tentativa de uma harmonização internacional dos diferentes sistemas jurídicos nacionais relativos à propriedade industrial. 1980.2 FONTES DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL Quanto às fontes da propriedade industrial dividem-se em duas principais e subsidiárias. Já as fontes subsidiárias são as leis comerciais. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais.jsp?lang=es&treaty_id=2>.CUP Cláudia Astolfi Pedro49 afirma que tem o nome oficial de "Convenção da União de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial" e é o tratado multilateral mais antigo sobre a propriedade industrial assinado em 20 de março de 1. Sérvia e Suíça.4. . Guatemala. Originalmente os países signatários foram: Bélgica. As fontes principais são a Constituição da República Federativa do Brasil. 1998. França. porque o direito de propriedade é transmissível e comercializado em outros territórios. os costumes mercantis. deu origem ao hoje denominado “Sistema Internacional da Propriedade Industrial”. El Salvador.3 CONVENÇÃO DA UNIÃO DE PARIS PARA A PROTEÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (CUP) Em relação à Convenção da União de Paris . as leis especiais da propriedade industrial. Além disso. assim menciona Douglas Domingues48. p.883. Direito industrial patentes.

O Brasil. 52 SILVEIRA. Bruxelas (1900). cada nova revisão da Convenção visou aprimorar os mecanismos de internacionalização da propriedade da tecnologia e dos mercados de produtos. 2ª ed. . O primeiro princípio básico da Convenção da União de Paris para Denis Borges Barbosa53. 53 BARBOSA. Mantém-se a plena vigência das legislações nacionais e a territorialidade da proteção. aderiu à Revisão de Estocolmo somente em 1992. Uma introdução à propriedade intelectual. Desta forma o ilustre Newton Silveira52 referencia como princípio básico o da assimilação dos cidadãos dos países pertencentes à União. desde que sem prejuízos dos 51 BARBOSA. é o “princípio do tratamento nacional” consagrado no artigo 2º da CUP. Lisboa (1958) e Estocolmo (1967). Denis Borges. A maneira com que a Convenção e as revisões abordaram a matéria possibilitou sua sobrevivência por muito mais de um século. p. Denis Borges. A Convenção foi elaborada para permitir flexibilidade nas legislações nacionais. de modo que o cidadão de um país obtém em outros. direitos de propriedade industrial e os exercita em igualdade de condições com os nacionais daquele. 183. Washington (1911). Haia (1925). 19. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. desde que respeitados alguns princípios fundamentais. Conforme Denis Borges Barbosa51 ensina. Uma introdução à propriedade intelectual. no que concerne à Propriedade Industrial. assim disposto: O princípio básico da Convenção é o da assimilação dos cidadãos dos países pertencentes à União. que deve ser obtida em cada país pela repetição de pedidos de registros e de patentes. 2003. das vantagens que as respectivas Leis concedem atualmente ou vierem posteriormente a conceder aos nacionais.22 A Convenção da União de Paris sofreu várias revisões: Madri (1891). 186. onde cidadãos de cada um dos países contratantes gozarão em todos os outros países membros da União. à proporção em que estes mecanismos iam surgindo naturalmente do intercâmbio entre as nações de economia de mercado do hemisfério Norte. A propriedade intelectual e a nova lei de propriedade industrial. 1996. Newton. p. Em 1980 teve novo processo de revisão em Genebra. São Paulo: Saraiva. Londres (1934). país signatário original. p.

porém dispõe de seis ou doze 54 SILVEIRA. para Cláudia Astolfi Pedro55. reivindicando a prioridade do primeiro pedido. Sendo os prazos de doze meses para as invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos e modelos industriais e marcas de fábrica ou de comércio. Ou melhor. pode-se destacar que os pedidos posteriores serão considerados como tendo sido efetuados à data da apresentação do primeiro pedido. São Paulo: Saraiva. 55 PEDRO. nos países onde não existe tal princípio a legislação internacional da Propriedade Industrial pode dar aos estrangeiros mais vantagens do que aos nacionais. a mesma marca ou o mesmo desenho ou modelo de utilidade.23 direitos previstos pela presente Convenção. podendo ainda o requerente ou seu cessionário solicitar em cada um dos outros países idêntica proteção. reside no fato de que se o requerente deseja obter a proteção em vários países. Ainda. A propriedade intelectual e a nova lei de propriedade industrial. se dá com o primeiro pedido de patente de invenção ou de registro de marca em um dos países da União. 11. p. 1998. que terão prioridade sobre os pedidos que venham ser apresentados. em desfavor do nacional. 1996. Além disso. Salientando ainda que esta prevalência da Convenção sobre a Lei interna. durante o prazo estabelecido. quando a Convenção der mais direitos aos estrangeiros do que os derivados da Lei nacional. não estará obrigado a apresentar ao mesmo tempo todos os depósitos de pedidos. Newton. . Uma das grandes vantagens práticas resultante da prioridade. por causa do Código da Propriedade Industrial que prevê "todos os direitos que os atos internacionais concederem aos estrangeiros. Newton Silveira54 nos ensina que o “princípio da prioridade” estabelecido pela Convenção da União de Paris. Ainda quanto ao princípio da “prioridade”. Sendo que o requerente dispõe de certo prazo para realizar as diligências necessárias a fim de obter a proteção em qualquer um dos outros países da União. podem ser solicitados pelos nacionais". Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. por terceiros para o mesmo invento. Cláudia Astolfi. p. o mesmo modelo de utilidade. PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. prevalece a Convenção. não ocorre no Brasil. 19. nos pontos em que a Convenção vai mais além do Direito interno. no seu artigo 4º.

.) Observa-se que a existência de patentes regionais. Cabe ressaltar ainda.OMPI..) Esse princípio consagrado na Convenção de Paris estabelece que a proteção conferida pelo Estado através da patente ou do registro do desenho industrial tem validade somente nos limites territoriais do país que a concede. consentâneo com o Princípio da Territorialidade.inpi.br/patentes/instituicoes/convencao. como também do ponto de vista da vigência. a patente européia. Patentes.. Newton Silveira57 afirma que os registros e patentes conseguidos em cada país são independentes entre si. em qualquer outro País signatário ou não da Convenção. Disponível <http://www. p. 2006. (. 56 INPI . independentes das patentes concedidas (ou dos pedidos depositados) correspondentes. A convenção da União de Paris é administrada pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual . Tal dispositivo tem caráter absoluto. A independência está relacionada às causas de nulidade e de caducidade. 19. não se constitui uma exceção a tal princípio pois tais patentes resultam de acordos regionais específicos. 57 SILVEIRA. por exemplo.) Esse princípio expresso no Art. como.Instituto Nacional da Propriedade Industrial.. Newton...htm>. nos quais os países membros reconhecem a patente concedida pela instituição regional como se tivesse sido outorgada pelo próprio Estado. conforme mencionados abaixo: Interdependência dos direitos (.gov. Territorialidade (. A propriedade intelectual e a nova lei de propriedade industrial.24 meses para decidir em que países pretendem assegurar a proteção e organizar as diligências necessárias a esse feito. mais dois princípios destacados pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI56 o da “Interdependência dos direitos” e o da “Territorialidade”. em: . as patentes concedidas (ou pedidos depositados) em quaisquer dos países membros da Convenção. estatui serem. 4º bis da Convenção de Paris. Acesso em: 04 out.

2006. também tem como função assegurar a cooperação administrativa entre as Uniões de propriedade intelectual e estabelecer e estimular medidas adequadas para promover a atividade intelectual criadora e facilitar a transmissão de tecnologia relativa à propriedade industrial para os países em desenvolvimento em vista de acelerar o desenvolvimento econômico.4.gov. tem como objetivo zelar pela proteção dos direitos dos criadores e titulares da propriedade intelectual. ou na sua versão inglesa WIPO – World Intellectual Property Organization) foi criada. pela Convenção assinada em Estocolmo. Disponível em: <http://www. é uma organização intergovernamental cuja sede é em Genebra na Suíça. . social e cultural. p.inpi.htm?tr12. Além disso. é responsável pela proteção da propriedade intelectual em todo o mundo. a OMPI. Além disso.>.25 1. PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. bem como contribuir para que se reconheça e recompense o talento dos inventores. Acesso em 04 out. 58 PEDRO. Cláudia Astolfi. conforme destacado pelo INPI. Pode-se mencionar ainda que a mesma incentiva a negociação de novos tratados internacionais e a modernização das legislações nacionais. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. 59 INPI .br/patentes/instituicoes/organicacao_propriedade. em 1967. no âmbito mundial. Patentes. ocupando-se dos aspectos jurídicos e administrativos é o que aduz Cláudia Astolfi Pedro58 A função que a OMPI tem é a de estimular a proteção da propriedade intelectual em todo o mundo através da cooperação entre os Estados. 20. 1998.Instituto Nacional da Propriedade Industrial. autores e artistas.4 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL (OMPI) A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI. é um dos organismos especializados do sistema das Nações Unidas.Instituto Nacional da Propriedade Industrial59.

Patentes. em: . 2006. iniciou-se um processo de globalização da própria economia e dos avanços tecnológicos. Acesso em 04 out. na Rodada do Uruguai de 1994. Patentes.355 de 30 de dezembro de 1994. Os Estados-membros da OMC (Organização Mundial do Comércio) são os destinatários de suas normas.gov. a circulação de mercadoria propiciou a pirataria.htm?tr15>.4.gov. Acesso em 04 out. concebidos e reconhecidos mundialmente com vistas ao acompanhamento do movimento da globalização da economia. 124.26 1.htm?tr15>. 2006.Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Propriedade intelectual: a tutela jurídica da biotecnologia. Como conseqüência.inpi. que a Rodada Uruguai do GATT foi o primeiro passo para que a propriedade intelectual adotasse princípios genéricos. Disponível <http://www. O INPI62 ainda destaca que a produção industrial foi se modificando para setores vinculados à pesquisa e criatividade. onde o sistema de propriedade intelectual era menos desenvolvido ou mesmo inexistente. De acordo com o INPI61 o surgimento do TRIPS se deu pelo fato de que nas últimas décadas do século XX com o destaque dado pela política comercial à proteção da propriedade intelectual como núcleo do desenvolvimento econômico. mas pelo enfoque dado ao tema. Disponível <http://www. quanto ao que se refere à adoção do TRIPS.5 ASPECTOS DOS DIREITOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL RELACIONADOS AO COMÉRCIO (TRIPS) O Acordo TRIPS (Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights) foi incorporado ao direito interno brasileiro pelo Decreto nº 1. aumentando as tensões entre os países industrializados e os emergentes. O Acordo representa uma tentativa de regular e proteger diferentes bens imateriais no mundo.br/patentes/instituicoes/acordo. não apenas pelo seu conteúdo. Patrícia Aurélia.inpi. é complexo.General Agreement on Tariffs and Trade (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio). vinculando-o à vida 60 DEL NERO.Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Patrícia Aurélia Del Nero60 menciona. que resultou de uma elaboração no âmbito do GATT . tornando-as um fator determinante na competição mundial. em: 62 INPI .br/patentes/instituicoes/acordo. 61 INPI . p. é um Acordo sobre os aspectos dos Direitos da Propriedade Intelectual que atinge o comércio internacional.

nos termos seguintes: XXIX . . 5º. p. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. O Acordo possui dois mecanismos básicos contra as infrações à propriedade intelectual: a elevação do nível de proteção em todos os Estados membros e a garantia da observação dos direitos de propriedade intelectual. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. inciso “XXIX” dispõe: Art. 1. que vai regulamentar a regra jurídica constitucional. à segurança e à propriedade. à liberdade. à igualdade. Cláudia Astolfi. 24.27 econômica e comercial. à propriedade das marcas.4.279/96 Todo estatuto de propriedade confere alguma vantagem substancial a sociedade que o adota. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida.6 PROTEÇÃO DOS DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988 Desde os primeiros textos Constitucionais está previsto a proteção aos direitos de propriedade industrial.A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. assim é o que afirma Cláudia Astolfi 63 PEDRO. 1.7 LEI DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL Nº 9. Na Constituição de 1998 o seu artigo 5º. Todos são iguais perante a lei. sem distinção de qualquer natureza. bem como proteção às criações industriais. a qual será assegurada nos termos da Legislação ordinária.4. Cláudia Astolfi Pedro63 entende que o referido artigo da à devida proteção aos direitos de propriedade industrial. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos.

Assim surgiu a Lei nº 9. outras inovações. medicamentos. Em relação à lei atual. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. temos um novo sistema de registro dos desenhos industriais. Cláudia Astolfi. da concorrência desleal e das marcas. se não houver tratado em vigor que beneficie estrangeiro não domiciliado no Brasil. a perspectiva do Estado é que a atividade produtivamente econômica se instale e se expanda com os conseqüentes benefícios: aumento de renda. Cabe ressaltar ainda. Desta forma.279/96 estabelece a proteção das patentes e modelos de utilidade. e seus respectivos processos. a substituição das indicações de procedência por indicações geográficas. a inclusão da patente para as substâncias. antes protegidos como patentes. Cláudia Astolfi.996. a concessão dos direitos previstos na Lei nº 9. p. matérias. que será aplicada. A extensão desses direitos dependerá de expressa disposição de lei ou de ato internacional. a lei prevê a aplicação de suas normas sob a condição de reciprocidade.279/96 aos estrangeiros que não residem no país ocorrerá nos termos da própria lei ordinária ou dos tratados. exclusivamente. geração de empregos e estimulo às novas invenções. farmacêuticos. A Lei da Propriedade Industrial nº 9. p. 65 PEDRO. Ao conceder o monopólio da exploração ao detentor da patente de invenção ou do registro de uma marca ou de desenho industrial. misturas ou produtos alimentícios. conforme disposto no artigo 5º da Lei Maior. das indicações geográficas. . Para atender os objetivos foi necessário adequar nossa legislação aos avanços da propriedade industrial.279 de 14 de maio de 1. aos brasileiros e estrangeiros aqui domiciliados. 64 PEDRO. e a possibilidade de proteção das marcas tridimensionais. os crimes contra a propriedade industrial e concorrência desleal. as marcas coletivas e de certificação.28 Pedro64. que trouxe inovações importantes. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. entretanto. continua Cláudia Astolfi Pedro65. 33. o pipeline. como o certificado de adição para invenção. Desta forma. 31. dos desenhos industriais.

José Carlos Tinoco. traço. São Paulo: Jurídica Brasileira. até hoje. Cláudia Astolfi. 67 Lei da Propriedade Industrial nº 9. A definição de marca esta prevista na Lei da Propriedade Industrial em seu Artigo 12267 que define marca como sendo sinais distintivos visualmente perceptíveis.29 CAPITULO 2 MARCAS 2. figurativo ou de qualquer natureza.279/96 – Artigo 122. p. isolado ou combinado. 68 SOARES. representado de forma gráfica. tornando-se importante para a economia moderna. a sua forma figurativa ou ainda o conjunto das primeiras com esta última. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis. tendo por objeto a letra. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. 2000. tem sido muito utilizada. mas só confere um valor real se registrada no INPI. por fabricantes e comerciantes para diferenciar suas mercadorias. Marca consiste num sinal qualquer. o número ou conjunto de números. que deve ser distintiva. conjunto de palavras. destinado à apresentação do produto e/ou do serviço ao mercado. o risco. conjunto de riscos ou traços. 74. Também em relação à marca José Carlos Tinoco Soares68 enfatiza que é o sinal gráfico. p. . especial e inconfundível. não compreendidos nas proibições legais.1 MARCA Cláudia Astolfi Pedro66 assinala que está presente desde os tempos de Roma para identificar cerâmicas.16. sílaba. palavra. não compreendidos nas proibições legais. 66 PEDRO. Com a Revolução Industrial houve um enorme crescimento no uso de nomes e marcas em publicidade dando assim origem a um moderno comércio. Marcas nome comercial conflitos. Ressaltando ainda que a marca visa distinguir os produtos e serviços de uma empresa em face das demais perante o consumidor.

T. XVII. São Paulo: Revista dos Tribunais. 72 MIRANDA. p. Tavares Paes69 marca é o sinal ou expressão destinado a individualizar os produtos ou serviços de uma empresa. São Paulo: Lejus. Propriedade industrial. Tratado de direito privado. A marca de indústria ou de comércio. São Paulo: Interlex. 71 SANTOS. São Paulo: Saraiva. Desta maneira. Tavares Paes74 ressalta ainda que a marca deve ser revestida por requisitos de registrabilidade os quais são: Distinguibilidade – característica que a torna inconfundível. 11. . 225. é marca que agrega em produtos ou mercadorias para servir de indicação da sua qualidade. Luiz Guilherme de A. V. identificando e diferenciando-os de semelhantes ou idênticos. 15. enquanto se mantém a marca. R. 4ª ed.30 Para P. R. Tavares Paes73. 73 PAES. V. 15. é o que nos ensina Ozéias J. Tavares. Luiz Guilherme de A. P. R. 1997. procura-se assegurar à clientela a qualidade do produto ou mercadoria. p. mas desconhece o fabricante é o que observa P. P. destinando-se distinguir de outros semelhantes. Marcas e patentes. R. p. A lei da propriedade industrial comentada. Tavares. provindo de membros de determinada entidade ou empresa. Entretanto. 7. Loureiro70 entende marca como sendo um sinal visualmente percebível aplicado sobre um produto ou que acompanha o produto ou o serviço. assim conceitua Pontes de Miranda72 afirmando ainda que no regime da livre concorrência. p. Ozéias J. p. p. Pontes de. Propriedade industrial. 1987. Propriedade industrial. 70 LOUREIRO. Conceitua-se marca como sendo o sinal distintivo de percepção visual. que faça distinção ou que evidencie um serviço ou produto. Tavares. ou seja. 15. R. Santos71. P. 1999. propriedade industrial. o consumidor conhece a marca. diferenciando-os de outros similares. 2ª ed. 2001. P. 74 PAES. a marca ao se tornar um produto conhecido pode omitir o seu fabricante. Novidade relativa – não apresentar 69 PAES. R.

geralmente o consumidor. 75 BARBOSA. 1997. ainda deve presidir tanto às marcas quanto às propagandas. conceder o mandado de segurança. Turma DJ data/21/05/1990 pg/04421) Quanto à novidade relativa Denis Borges Barbosa75 vem afirmar que esta tem de se distinguir das outras marcas já apropriadas por terceiros. A respeito da veracidade da marca que é a exigência de que a marca não seja duvidosa podendo causar lesão ou consumidor ou competidor.31 anterioridade que a identifique com o produto. Neste sentido é o que entende a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: MANDADO DE SEGURANÇA . São Paulo: Atlas.MARCA COMERCIAL . Introdução à nova lei da propriedade industrial. . e Licitude – não contrários à lei e à moral. 24-04-1990 1a. a engano. veracidade e licitude. apresentar marcas semelhantes. é a de identificar a origem do produto ou serviço e distingui-lo. p. Thomaz Thedim. novidade relativa. Ministro Liz Vicente Cernicchiaro Decisão: Por unanimidade. cumpre observar a natureza da mercadoria. De outro lado. segundo Thomaz Thedim Lobo76. porque não levam aquele engano. além disso. 75. Denis Borges.o registro de marca deve obedecer aos requisitos de distinguibilidade. evitar repetições ou imitações que levem terceiros. p. 76 LOBO. Veracidade – sem indicações equivocadas ou inverídicas que causem dúvidas/erros ao consumidor. 807. no mercado. de outro produto ou serviço de origem diferente. Uma introdução à propriedade intelectual. (Mandado de segurança 0000328/90-DF J. Buscam. A função principal de uma marca. Produtos diferentes. podem. perfeitamente identificáveis e inconfundíveis.

279/96.3. a partir da adesão da Convenção da União de Paris e com a entrada em vigor da Nova Lei da Propriedade Industrial.3 TIPO DE MARCA Os tipos de marca estão previstos no Artigo 12377. Diante disso. Acesso em: 14 out. a adoção de uma mesma classificação para todos os países signatários conferiu aos cidadãos exercerem com mais facilidade e possibilidade de também obter direitos de propriedade industrial em outros países signatários.br/>.gov.1 MARCA DE PRODUTO OU DE SERVIÇO Marca de Produto ou de Serviço é aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. 2006. material utilizado e metodologia empregada. Harmonizando entre os países signatários a relação entre a marca e o produto ou serviço conferido pela mesma. Para os efeitos desta Lei. Marca.32 2. semelhante ou afim. Marca de certificação. II e III da Lei da Propriedade Industrial. De acordo com a classe que a marca irá proteger ela se distinguirá em Marca de produto ou serviço. conforme anexo F. considera-se: I marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico.2 CLASSIFICAÇÃO DA MARCA O Brasil passou a adotar uma classificação internacional de marcas. 78 INPI . e Marca Coletiva. semelhante ou afim. 2. natureza. notadamente quanto à qualidade. Industrial. II . de origem diversa. e III marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. de origem diversa.marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas.Instituto Nacional da Propriedade <http://www. incisos I. Disponível em: . 77 Lei da Propriedade Industrial nº 9.inpi. deste modo descrito pelo INPI78. Artigo 123. citando como exemplos: LAZAG (Roupas) e EMBRATUR (Turismo). 2.

Selo FUNCOR e Selo PROCEL. Luiz Guilherme de A.3. Denis Borges. marca de produto ou de serviço é aquela que acompanha um produto ou um serviço. Industrial. descrito assim pelo INPI80 tendose como exemplos: Selo ABIC (conforme anexo A).gov. a etiqueta de transporte aéreo. Acesso em: 14 out.Instituto Nacional da Propriedade <http://www. e sim um meio de informar ao público que o objeto distinguido está adequado a normas ou padrões específicos. 805. Marca ROTARY (Entidade assistencial). Marca VIACREDI (Cooperativa de Crédito). 80 INPI – Instituto Nacional da Propriedade <http://www. que serve para distinguir tal produto ou serviços de outros idênticos. 2.inpi. tais como exemplos: Marca COAMO (Cooperativa Agrícola). a Marca Coletiva é aquela que visa identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade.inpi.gov. A lei da propriedade industrial comentada. 79 LOUREIRO. etc. Acesso em: 14 out. Uma introdução à propriedade intelectual. Marca. Industrial. 82 INPI .3. Marca. V. 2. Loureiro79. p.br/>. p. e cita como exemplo o sinal impresso no saco plástico que embala uma roupa que volta da lavanderia.33 Segundo Luiz Guilherme de A. 2006.3 MARCA COLETIVA Para o INPI82. Para Denis Borges Barbosa81 a marca de certificação não é um método de diferenciação entre produtos ou serviços semelhantes. 2006. 81 BARBOSA.br/>. V. 235.2 MARCA DE CERTIFICAÇÃO Marca de Certificação é aquela que atesta a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas notadamente quanto à metodologia empregada. Disponível em: Disponível em: .

4 APRESENTAÇÃO DA MARCA A apresentação da marca além de indicar qual a classe que referida marca irá indicar. Marca. 2006.br/>. Disponível em: Disponível em: .1 MARCA NOMINATIVA O INPI84 destaca que a marca nominativa é aquela formada por uma ou mais palavras no sentido amplo do alfabeto romano. 805. marca IBM e marca 2M.4. 84 INPI . 2.inpi. Acesso em: 14 out. p.gov.34 Denis Borges Barbosa83 ensina que é um dos membros de uma coletividade o empresário titular da atividade originária. e o seu tipo. as combinações de letras. Figurativa.inpi. pode-se citar como exemplos: marca SOYA. os cidadãos deverão requerer o depósito do pedido de registro de marca perante o INPI. Mista. citando como exemplo uma cooperativa. e Tridimensional. 2.Instituto Nacional da Propriedade <http://www. 2. Propriedade Industrial. Carlos Olavo85 acrescenta que as marcas nominativas são aquelas que integram um sinal ou um conjunto de sinais nominativos. Industrial. 85 OLAVO. 1997. em uma das seguintes apresentações: Nominativa. 2006. Coimbra: Almedina. Denis Borges. Acesso em: 14 out.gov. p. Industrial.4. 38. 86 INPI . ou 83 BARBOSA.2 MARCA MISTA Segundo o INPI86 as marcas mistas são aquelas que integram simultaneamente os elementos nominativos e elementos figurativos. Uma introdução à propriedade intelectual. Carlos. Marca.br/>. abrangendo também. abreviaturas e ou números.Instituto Nacional da Propriedade <http://www.

mas não podendo ser enquadrada em nenhuma das duas categorias em separado. emblemas. 2. sendo 87 MIRANDA. Acesso em: 16 out.gov. Direito de empresa perguntas e respostas. 2006. símbolo. Acesso em: 14 out. Industrial. Disponível em: .pdf>. letras ou números em forma fantasiosa.3 MARCA FIGURATIVA Constata-se que a marca figurativa é constituída em forma de desenho ou combinação de figuras.gov. Sobre o assunto o INPI88 destaca que a marca figurativa é composta por desenho. símbolos gráficos.br/>. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número isoladamente. Marca.inpi. cabe ressaltar que foi uma inovação da Lei 9. 2.4.Instituto Nacional da Propriedade <http://www.direitobrasil. Industrial. hipótese esta não prevista nas legislações anteriores.inpi. Com esse entendimento Maria Bernadete Miranda87 expressa que a marca mista tem características da marca nominativa e da figurativa.4.Instituto Nacional da Propriedade <http://www. Disponível em: <http://www.br/pr/quest1. assim exemplificado no anexo C. Assim a marca tridimensional é destacada pelo INPI89 como sendo aquela formada pela forma plástica de produto ou de embalagem. 2006.br/>. conferindo a lei brasileira a sintonia com as previsões legais com os outros países. Maria Bernadete. Disponível em: 89 INPI . conforme verificasse nos exemplos do anexo B.4 MARCA TRIDIMENSIONAL Em relação à marca tridimensional objeto do estudo. Acesso em: 14 out.adv.35 de elementos onde a grafia se apresente de forma estilizada. 2006. mas agora viável. Marca.219/96 em admiti-la. 88 INPI .

. assim previsto no artigo 12590 da Lei da Propriedade Industrial. Do mesmo modo Ozéias J.279/96. propriedade industrial. de divulgação e de comercialização da marca. Marcas e patentes. A anotação do alto renome subsistirá pelo período de 5 anos. p. À marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada proteção especial. Artigo 125.36 que a forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. devendo para tanto. Ozéias J. 2. período este que dispensará. 16. 16. Marcas e patentes. em todos os ramos de atividade. pelo titular. cita-se no anexo D o respectivo exemplo. 2. Santos91 afirma que a marca de alto renome é aquela que é conhecida em todo território nacional e que goza de proteção especial em todos os ramos de atividade. desde que seu titular a requeira. comprovar a amplitude de conhecimento. e assegurará proteção especial em todos os ramos de atividade. a princípio. porém. a realização de novas provas de referida condição. propriedade industrial. 91 SANTOS.6 MARCA NOTORIAMENTE CONHECIDA Para comentar sobre marca notoriamente conhecida. cita-se ainda Ozéias J. 92 SANTOS. Ozéias J. Santos92 que ensina que marca notória é aquela conhecida em seu ramo de atividade. prevista na Convenção da União de Paris. como matéria de defesa (proteção) em oposições a pedidos de registro de marcas de terceiros ou processo administrativo de nulidade de marcas de terceiros. no seu artigo 6º 90 Lei da Propriedade Industrial nº 9.5 MARCA DE ALTO RENOME Marca de alto renome é aquela registrada no Brasil que receberá proteção especial em todos os ramos de atividade. p.

constata-se na jurisprudência do mesmo tribunal decisão que destoa da característica legislativa da marca notoriamente conhecida: 93 Lei da Propriedade Industrial nº 9. Vol. 4. Pedido de anulação do ato administrativo que manteve o indeferimento do pedido de declaração de notoriedade da marca ITAÚ para distinguir cimento e cal.37 bis (I). Tratado da Propriedade Industrial. A notoriedade pressupõe conhecimento de todos. NOTORIEDADE DE MARCA. Juiz Paulo Barata. pela sua aceitação. Sem a aceitação pública e manifesta não existe notoriedade de marca. Rel. 3. Não é NOTÓRIA o que é de conhecimentos de poucos. São Paulo: Resenha Tributária. deu provimento ao recurso. Decisão – a Turma. onde a notoriedade é apurada junto ao público em geral: Ementa – PROPRIEDADE INDUSTRIAL. sem a qual nada significa. temos para nós desde logo que a notoriedade não se adquire através do registro e muito menos por intermédio do preenchimento de determinados requisitos.279/96. nos termos do voto do Relator. sejam ou não consumidores do produto que a marca visa distinguir. posto que esta é um sinal que tem por objetivo reunir a clientela. Processo: 89. goza de proteção especial. 94 SOARES. O grau de notoriedade de uma marca é adquirido pela apreciação do público. independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil. Invertidos os ônus da sucumbência.02. 1. é o consumidor e/ou o usuário que fixa. 6º bis (I). 1988. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. Marca conhecida e prestigiada no círculo dos consumidores do produto não é NOTÓRIA. Data 05/09/2000) Contudo. Merece destaque a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. José Carlos Tinoco.04422-0. . da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial. Recurso provido. I. Convém ainda anotar o que ensina José Carlos Tinoco Soares94 sobre o assunto: Em síntese. p. como também prevista no artigo 12693 da Lei da Propriedade Industrial. por unanimidade. o valor da marca. 5. Um exemplo de marca notoriamente conhecida é a marca Coca-Cola. (Apelação Cível – 5230. Artigo 126. 2. 388 e 389.

não há necessidade de que seja absoluta. Loureiro95 sobre o assunto. tem que existir a anterioridade no mesmo setor comercial daquele produto ou serviço que se pretende registrar a marca. em todas as regiões do país. Data 23/04/1996) Por fim. . o conceito de notoriedade compreenderia meia dúzia de marcas. deve ser considerado novo.38 Ementa – Propriedade Industrial – marca – notoriedade – registro. 2. III) Recurso improvido. independente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil. Processo: 90.20267-9.(Apelação Cível. especialidade e da territorialidade da marca. Quanto ao Princípio da novidade destaca que deve verificar se o sinal é suscetível para ser utilizado como marca. apesar de haver divergências quanto à notoriedade ser apurada ou não junto ao público em geral. entretanto não constitui anterioridade se o sinal é utilizado em outro produto ou serviço diferente. Rel. por todas as categorias sociais. Esse é um índice irreal. onde o INPI poderá indeferir de ofício o pedido de registro de marca que reproduza ou imite marca notoriamente conhecida. Há exceção a esta regra a marca 95 LOUREIRO. que terminaria por anular qualquer interesse em regular a notoriedade. Juiz Castro Aguiar. Em relação ao Princípio da especialidade. II) Exigir 70% de conhecimento da marca é praticamente exigir conhecimento absoluto dela. pode-se dizer que é aquela notoriamente conhecida em seu ramo de atividade. e que ainda não tenha sido registrado. Se assim fosse. sem distinção do nível sócio-econômico dos seus habitantes. p. 233 e 234. ensina que para construir uma anterioridade de maneira que impeça que um sinal seja registrado como marca. Luiz Guilherme de A.7 PRINCÍPIOS RELATIVOS À MARCA Os princípios básicos do sistema marcário é o da novidade. uma vez que não teria sentido preocupar-se o legislador e a lei com oferecimento de garantia excepcional a meia dúzia de casos. A lei de propriedade industrial comentada.02. V.V. I) A verificação de notoriedade. vejamos a seguir o que entende Luiz Guilherme de A. A marca não precisa ser conhecida indistintamente por todos. 231.

V. não podem ser adotados como marcas: as marcas ilícitas. . gustativos e olfativos. p. natureza ou qualidade dos produtos ou serviços. Já no Princípio da territorialidade da marca entende que a tutela da marca tem cunho territorial. 96 LOUREIRO. Em suma. V. 2. ainda para ele se a marca que for registrada apenas num país estrangeiro. é esse o entendimento de Luiz Guilherme de A. mesmo que ainda não tiver sido registrada aqui.39 notória. Luiz Guilherme de A. e ainda os sinais que podem induzir á erro os consumidores no que se refere à origem. desde que não seja uma marca notória. portanto a proteção da marca registrada no Brasil se estende á todo território nacional. os sinais desprovidos de capacidade distintiva e os sinais que violem direitos da personalidade ou outros direitos de propriedade intelectual. limitando-se ao território do país onde foi registrada a marca. o mesmo sinal pode ser depositado no Brasil como marca. a qual merece proteção especial no nosso país. Loureiro96.8 PROIBIÇÕES LEGAIS Os sinais que não são registráveis como marca são os compreendidos no artigo 124 e seus incisos da Lei da Propriedade Industrial. os sinais que podem atentar contra a moral e os bons costumes ou contra a ordem pública. podendo salientar que a referida lei não protege os sinais sonoros. 240. A lei de propriedade industrial comentada. são as consideradas marcas fraudulentas.

o interessado deverá se dirigir à sede do INPI ou em uma das Delegacias ou Representações existentes nos estados brasileiros. Para que se realize a busca ou se efetive o depósito. conforme for o caso. com intenção de constatar se existe marca anteriormente depositada e/ou registrada. da Lei da Propriedade Industrial.40 2. Uma introdução à propriedade intelectual. p. como observa Denis Borges Barbosa98 a pessoa de direito privado só pode requerer registro de marca desde que exerça atividade efetiva e lícita de modo direto ou através de empresas que controle direta ou indiretamente. “caput”. recolhendo a retribuição devida e anexando determinados documentos e apresentando outros para conferência. 97 Lei da Propriedade Industrial nº 9. Podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. Denis Borges. Depois o interessado deve requerer o pedido de registro da marca em formulário próprio. . assim disposto no Artigo 128 “caput”97. 2. Artigo 128. Entretanto.9 LEGITIMIDADE PARA REQUERER REGISTRO DE MARCA O pedido de registro da marca pode ser feito por pessoa física ou jurídica de direito privado ou de direito público.279/96. 98 BARBOSA. na classe que visa assinalar. 854 e 855.10 PROCEDIMENTOS DE REGISTRO É aconselhável antes de efetuar o depósito fazer busca prévia da marca pretendida.

a data será a do depósito. sua tradução simples deverá ser apresentada no ato do depósito ou dentro dos 60 (sessenta) dias subseqüentes. O requerimento e qualquer documento que o acompanhe deverão ser apresentados em língua portuguesa e. Parágrafo único. assim disposto: Art. assim encontra-se previsto nos artigos 155 a 164 da Lei da Propriedade Industrial. conterá: I . por força disso será publicado na Revista da Propriedade Industrial para apresentação de oposição.41 2.11 PROCESSO ADMINISTRATIVO Conforme Fluxograma do Exame de pedidos de registro de marca. se houver a concessão do registro há a expedição do certificado de registro da marca. quando for o caso. 2006. 156. Abrindo o mesmo prazo para a resposta a eventual oposição. O pedido deverá referir-se a um único sinal distintivo e. considerada a data de depósito a da sua apresentação. e ainda deverão ser observadas eventuais exigências. Apresentado o pedido. para impugnação dos interessados. nas condições estabelecidas pelo INPI. Marca. 155. quando houver documento em língua estrangeira. assim disposto pelo INPI99. no prazo de 60 (sessenta dias). 99 INPI . ou seja. sob pena de não ser considerado o documento. e III . no anexo E.requerimento.etiquetas.comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito.br/>.gov. Disponível em: . será protocolizado. sendo aceito.Instituto Nacional da Propriedade <http://www. apresentado o pedido e efetuado o pagamento das custas. Industrial. Seguindo-se do exame da marca e decisão de deferimento ou do indeferimento do pedido de registro. se devidamente instruído. o pedido será submetido a exame formal preliminar.inpi. será ele submetido a exame formal preliminar e. Art. II . Acesso em: 14 out.

se interposta esta. Protocolizado. 158. 126. mas que contiver dados suficientes relativos ao depositante. Concluído o exame. Art. podendo se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. não se comprovar. e sua comprovação. Art. Art. Art. 160. relativas à expedição do certificado de registro e ao primeiro . Art. § 1º Não respondida a exigência. dar-se-á prosseguimento ao exame. 157. Parágrafo único. 162. mediante recibo datado. ou contestada a sua formulação. 161. será proferida decisão. O pagamento das retribuições. sob pena de ser considerado inexistente. em 5 (cinco) dias.42 Art. deferindo ou indeferindo o pedido de registro. que estabelecerá as exigências a serem cumpridas pelo depositante. Decorrido o prazo de oposição ou. ainda que não cumprida. o pedido será publicado apresentação de oposição no prazo de 60 (sessenta) dias. O certificado de registro será concedido depois de deferido o pedido e comprovado o pagamento das retribuições correspondentes. 155. para § 1º O depositante será intimado da oposição. poderá ser entregue. 124 ou no art. fundamentada no inciso XXIII do art. no prazo de 60 (sessenta) dias após a interposição. findo o prazo de manifestação. ao INPI. O pedido que não atender formalmente ao disposto no art. que deverão ser respondidas no prazo de 60 (sessenta) dias. nulidade administrativa ou de ação de nulidade se. o pedido será definitivamente arquivado. 159. § 2º Respondida a exigência. Cumpridas as exigências. o depósito do pedido de registro da marca na forma desta Lei. o depósito será considerado como efetuado na data da apresentação do pedido. § 2º Não se conhecerá da oposição. durante o qual poderão ser formuladas exigências. será feito o exame. sinal marcário e classe.

cultivares. Propriedade intelectual: propriedade industrial. em seu Artigo 168100. 163. direito de autor. a possibilidade de requerer a nulidade do registro administrativamente.inpi. o número e data do registro. está última deverá o requerente depositar o pedido da sua marca. Art. ou ainda fazer o acompanhamento pelo site do INPI na internet: www.gov. Do certificado deverão constar a marca. dentro do prazo de 60 dias. 100 Lei da Propriedade Industrial nº 9.12 PROCESSO ADMINISTRATIVO DE NULIDADE A lei da Propriedade Industrial prevê. sob pena de arquivamento definitivo do pedido.RPI. sob pena de não ser reconhecida a nulidade. .43 decênio de sua vigência.279/96 – Artigo 168. p. Parágrafo único. 164. 46. Art. mediante o pagamento de retribuição específica. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando tiver sido concedida com infringência do disposto nesta Lei. Pode-se acompanhar o andamento dos processos com a publicação oficial do INPI através da Revista da Propriedade Industrial . Reputa-se concedido o certificado de registro na data da publicação do respectivo ato. Newton. as características do registro e a prioridade estrangeira. nome. 2. os produtos ou serviços. independentemente de notificação. deverão ser efetuados no prazo de 60 (sessenta) dias contados do deferimento.br. A retribuição poderá ainda ser paga e comprovada dentro de 30 (trinta) dias após o prazo previsto neste artigo. Quanto à nulidade Newton Silveira101 acrescenta que deve ser baseada em marca solicitada de má-fé ou marca notoriamente conhecida. Que deverá ser requerida no prazo de 180 dias da data da expedição do certificado de registro. nacionalidade e domicílio do titular. 101 SILVEIRA. software.

Medidas Cautelares e Ação Cautelar de Busca e Apreensão. Tratado de Direito Privado. a existência da relação jurídica cabe Ação Declaratória positiva. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. Já nos crimes contra a propriedade industrial a Lei 9. Assim expressa Pontes de Miranda104: Se existe direito formativo gerador. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. podendo ser através de Ações Cíveis ou Ações Penais: Ação Declaratória. ainda que só se possa alegar e provar uso tem o titular a ação declaratória. as partes tenham a oportunidade de apresentar as suas razões ou. LV – aos litigantes. 103 Constituição Federal da República Federativa do Brasil/1988 – Artigo 5º. que existem medidas judiciais para obter a proteção dos direitos intangíveis de marca tridimensional. 99 e 100. Sendo que o princípio do contraditório exige que a cada passo do processo. LV103 como garantia fundamental. Ainda este princípio do contraditório traz em si aspectos da Ampla Defesa. p. por exemplo. Ação de Indenização. .13 MEDIDAS JUDICIAIS PARA PROTEÇÃO DOS DIREITOS DE MARCA Em relação ao assunto Cláudia Astolfi Pedro102 destaca em primeiro lugar o dispositivo constitucional previsto no artigo 5º. é obvio que o titular tem as ações que correspondem a tal direito.” Vale ressaltar ainda. em processo judicial ou administrativo. Ação de Nulidade de Registro. o de propriedade intelectual.44 2. Mandado de Segurança. 215. se for o caso. 104 MIRANDA. Implicando desta forma a denominada igualdade das partes. o qual estabelece os princípios da ampla defesa e do contraditório. se esse direito formativo gerador se irradiou de algum direito. No que se refere ao registro da marca. o prejudicado poderá intentar as ações cíveis que considerar cabíveis na forma do Código de Processo Civil. Pontes de. Cláudia Astolfi. p.279/96 estabelece: “nos termos da lei independentemente da ação criminal. Como já visto uma das medidas judiciais para a proteção das marcas é a Ação declaratória. e cabe ação declaratória negativa quando nega aquela relação. 102 PEDRO. onde cada um possa fazer valer sua inocência quando for injustamente acusado. as suas provas. quando se pretende afirmar a existência da relação.

concede a respectiva titularidade ao requerente. aliás. Cláudia Astolfi Pedro106 menciona que será nulo o registro concedido em desacordo com as disposições legais e que depois do processo administrativo de concessão do registro da marca tridimensional. por revista especializada em esporte. p. 215. bastam presunções ou avaliação do número provável. Sobre o assunto ainda leciona Pontes de Miranda105: O titular do direito de propriedade industrial pode ir contra o produtor dos objetos em que ilicitamente se inseriu o bem industrial. Cláudia Astolfi.45 Outra medida judicial cabível é Ação de Indenização onde a mesma deverá ser determinada pelos benefícios que o prejudicado teria obtido se a violação não tivesse ocorrido. Tratado de Direito Privado. Se o objeto foi alienado. e não a preço que foi pago ou prometido. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais.Edição de pôster. salvo se o preço foi acima do valor real. 105 106 MIRANDA. e ainda que tenha sido gratuita a alienação. 101. se não quer ou não pode ir contra o terceiro. .Direito de imagem Clube esportivo . que não caracteriza o uso . o valor da indenização é o valor do objeto. a outra publicação . noticiando conquista de campeonato. dada sem exclusividade. E ainda a nulidade do registro poderá ser alegada como matéria de defesa em ação penal.Verba não devida .Marca.Uso de marca e símbolo . PEDRO. É a jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo: INDENIZAÇÃO . O juiz poderá suspender os efeitos do registro e o uso da marca quando atendidos os requisitos processuais próprios. A ação deverá ser ajuizada no foro da Justiça Federal e o INPI quando não for o autor intervirá no feito como litisconsórcio necessário. Pontes de.Responsabilidade civil . Prescreve em cinco anos. sendo que o mesmo poderá se impugnado mediante a ação de nulidade.Recurso não provido JTJ 230/99 Quanto a Ação de Nulidade de Registro. proposta por qualquer interresado. Se o autor não pode dar prova do número de objetos alienados. p.Ação improcedente .

Toda pessoa pode intentar Mandado de Segurança para proteger direito líquido e certo. Artigo 175. exceto as de falência.46 contados da data da concessão. Cláudia Astolfi. “caput”. é o que ensina mais uma vez Cláudia Astolfi Pedro110. 105. lesado ou ameaçado de lesão por ato praticado pela Administração Pública (INPI). Denis Borges. São as chamadas prestações infungíveis. inciso I108. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. 1997. p. Cláudia Astolfi. Há obrigação de fazer e não fazer que requer o comportamento pessoal do agente passivo ou seu cumprimento. 896. 109 Lei da Propriedade Industrial nº 9. rés. Artigo 109 . Humberto. que no desempenho de suas funções viole direito líquido e certo. p. A ação de nulidade do registro será ajuizada no foro da justiça federal e o INPI. 20ª Ed. 110 PEDRO. A competência é da Justiça Federal para julgar ações de nulidade. assistentes ou oponentes. p.279/96.Aos juízes federais compete processar e julgar: I . assim é o que afirma Denis Borges Barbosa107. 112 PEDRO. contados do conhecimento oficial do ato. a ação para declarar a nulidade do registro da marca. na posição do agente passivo a fim de efetuar-se a obrigação – como ocorre na obrigação de dar. Uma introdução à propriedade intelectual. Para Cláudia Astolfi Pedro112 é requisito essencial do próprio pedido de condenação à prestação de fato. caso contrário seria inútil o 107 BARBOSA. à luz do artigo 109.as causas em que a União. da Constituição Federal e do artigo 175 “caput”109 da Lei da Propriedade Industrial. De acordo com Humberto Theodoro Júnior111 existem dois meios para realizar a sanção jurídica: sub-rogação e os meios de coação. sob pena de decadência do direito. II. Curso de direito processual civil – Vol. intervirá no feito. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. Rio de Janeiro: Saraiva. quando não for autor. 103. 111 THEODORO JR. as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. 389. a cominação de multa ou pena. em que é impraticável a sub-rogação executiva do Estado. entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras. 108 Constituição da República Federativa do Brasil. Devendo ser impetrado no prazo de 120 dias. O ato suscetível de Mandado de Segurança é toda ação ou omissão do Poder Público ou de seus delegados. p. A ação judicial de nulidade poderá ser instaurada de ofício ou por legítimo interessado dentro do prazo de 5 anos a contar da concessão do registro. .

105 e 106. retardando a prestação jurisdicional de conhecimento ou execução. onde pode o titular de direito. 114 MIRANDA. p. assegurar a eficácia dos outros processos. o que decorre da própria complexidade do processo ou da própria administração da justiça. impossível reparação. 798 CPC. ficando a posse mediata com o juiz. até mesmo. de conhecimento ou de execução. típicas as que estão especificadas no CPC e atípicas ou inominadas que compreendem o poder geral de cautela admitido no art. pedir a busca apreensão ou a exibição. pessoas ou provas. Por conta disso.. sendo que a ação deverá ser proposta no prazo leal. Para comentar sobre Medidas Cautelares cita-se ainda Cláudia Astolfi Pedro113 que observa o seguinte: É fato que ao processo não falta morosidade. Ainda dispõe que a obrigatoriedade do preceito é superada quando o autor formular pedido alternativo de perdas e danos. de função acessória. ainda. ou o seqüestro. Nesse sentido. Uma dessas cautelares é a Ação Cautelar de Busca e Apreensão. afirma que será inepta a exordial que não contém o preceito cominativo. a fim de defender do seu direito de exclusividade.. assim é destacado por Pontes de Miranda114. com o intuito de proceder à exibição da infração dos meios de produção e dos produzidos. Podendo ser. Os pressupostos para obtenção da tutela cautelar são o fummuns boni juris (aparência do direito que o requerente afirma existir) e o periculum in mora perigo da demora. 221. o exercício da jurisdição é requerida para obtenção de uma medida transitória e urgente capaz de resguardar bens. de difícil ou. que serão tratados no processo principal. sendo. o que acarretaria dano grave. Tratado de Direito Privado. Pontes de. Desta forma. Tais medidas podem ser preparatórias ou incidentais ao processo principal. . (.47 pronunciamento jurisdicional dada à inexigibilidade da sentença. 113 PEDRO.) marca tridimensional poderá valer-se das cautelares que recaem sobre o bem. com exceção da exibitória. Qualquer dessas medidas cautelares. da natural morosidade processual). é preparatória. antes de propor a ação por violação do direito de propriedade industrial. p. existe o processo cautelar que visa proteger. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. assim. Cláudia Astolfi.

48 Além disso. podendo ser determinada na esfera cível. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. 189. Comete crime contra registro de marca quem: I – reproduz. os quais dispõem: Art. os crimes contra as marcas. incisos I e II. . para Cláudia Astolfi Pedro115 a busca e apreensão pode garantir a eficácia das ações cíveis ou das ações criminais. Pena – detenção.Medida inominada que não é exclusiva da esfera criminal. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. p. incisos I e II e 190.. 798 do CPC (TJSP) RT 661/76. Assim. Poderá ainda requerer a destruição da marca falsificada. ou multa. nos termos do art.279/96. 107. ou imita-se de modo que possa induzir confusão. no todo ou em parte. sem autorização do titular. da Lei da Propriedade Industrial nº 9.Propositura no juízo cível visando à sustação do uso indevido de denominação social e apreensão dos objetos nos quais concretizada a violação . Quanto busca e apreensão de marca.Busca e apreensão . onde figura como diligência preliminar nos crimes contra a propriedade industrial. estão elencados nos Artigos 189. ainda que fiquem destruídos os envoltórios ou os próprios produtos. o interessado poderá requerer a apreensão da marca falsificada. que necessitam de medidas urgente para preservar as marcas que vieram sofrer violações.ou II – altera marca registrada de outrem já aposta em produto colocado nom mercado. alterada ou imitada onde for preparada ou onde quer que seja encontrada. marca registrada. é o entendimento jurisprudencial do Tribunal de Justiça de São Paulo: MEDIDA CAUTELAR .Contratação de marca . antes de ser utilizada para fins criminosos. Nas Ações penais. Cláudia Astolfi. 115 PEDRO.

Pena – detenção. Pontes de. oferece ou expõe à venda. para assegurar a concorrência leal e também para evitar que o consumidor seja enganado em relação à origem e qualidade das mercadorias. A referida lei assegura esta proteção da seguinte maneira: Por uma definição larga dos atos constitutivos da contrafação. ou multa. exporta. e por regras processuais que permitem a repressão rápida dos atos de contrafação. recipiente ou embalagem que contenha marca legítima de outrem. é preciso que haja marca e seja válido o registro. Luiz Guilherme de A. Tratado de Direito Privado. p. 190. e caracteriza se aquele que importa. Luiz Guilherme de A. podendo assim reprimir o uso ilícito da marca. como a medida liminar de natureza cautelar assegurado o direito de defesa. não admite forma culposa. de outrem. de 1 (um) a 3 (três) meses. 325 e 326. contido em vasilhame. . oculta ou tem em estoque: I – produto assinalado com marca ilicitamente reproduzida ou imitada. Os delitos contra a propriedade industrial só existem de forma dolosa. p. que o titular da marca tem o direito exclusivo de colocar o produto no mercado. A lei de propriedade industrial comentada. V. Cabe ressaltar ainda. Comete crime contra registro de marca quem importa. ou II – produto de sua indústria ou comércio. vende. Porém para punir crimes contra marca de indústria e comércio.49 Art. 116 117 MIRANDA. exporta. 247. LOUREIRO. no todo ou em parte. V. Loureiro117 comenta que a proteção das marcas deve ser rigorosa por parte dos tribunais nacionais contra ação parasitária dos contrafatores com o intuito de proteger a boa reputação do fabricante. Com relação ao assunto Pontes de Miranda116 bem assinala que a propriedade industrial da marca nasce com o registro. Através de ações no âmbito civil e penal. vende.

Cláudia Astolfi. p. Luiz Guilherme de A. nos termos do artigo 921. contido em vasilhame recipiente ou embalagem que contenha marca legítima de outrem. Ainda Cláudia Astolfi Pedro122 assinala que caberá perdas e danos nos casos em que à parte de má fé requerer a diligência de busca e apreensão. vende. 122 PEDRO. marca registrada. 120 PEDRO. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. V. ou ainda produto de sua indústria ou comércio. p. ou imita-a de modo a que possa induzir confusão. 119 PEDRO. 118 LOUREIRO.Artigo 921. Loureiro118. É o que nos ensina Cláudia Astolfi Pedro120. 111. propensos a prejudicar a reputação ou negócios alheios e criar confusão entre produtos no comércio.50 expõe à venda ou tem em estoque o produto que incorpora a marca fraudulenta. bem como o ressarcimento de prejuízos causados por atos de violação de direitos de propriedade industrial e atos de concorrência desleal não previstos na Lei 9. V. oferece ou expõe à venda oculta ou tem em estoque produto assinalado com marca de outrem ilicitamente imitada ou reproduzida no todo ou em parte. ou quem importa. 121 Código de Processo Civil . Sobre o assunto Cláudia Astolfi Pedro119 menciona que nos crimes cometidos contra o registro de marca a lei tipifica que o ofensor esta sujeito à sanção penal estabelecida. Cláudia Astolfi. A lei de propriedade industrial comentada. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais.279/96. assim aduz Luiz Guilherme de A. no todo ou em parte. 112. I do Código de Processo Civil121. ou altera marca registrada de outrem já oposta em produto colocado no mercado. exporta. É lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de: I – condenação em perdas e danos. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. Cláudia Astolfi. Será lícito ao Autor cumular ao pedido possessório o de condenação em perdas e danos. . p. e tem conhecimento do fato. 327. onde comete crime quem sem autorização do titular reproduz. p. 111.

p.15 DIREITOS E DEVERES DO TITULAR A marca registrada garante a propriedade e o uso exclusivo. instruído com o comprovante do pagamento da respectiva retribuição assim disposto no artigo 133. por dez anos. Propriedade intelectual: propriedade industrial. devendo também prorrogá-la de dez em dez anos. contados da data da concessão do registro. devendo o contrato ser averbado no INPI. Partindo dessa idéia Newton Silveira124 afirma que a licença de uso produzirá efeitos com relação a terceiros. o titular da marca deverá mantê-la em uso durante a sua vigência. o titular poderá fazê-lo nos 6 meses subseqüentes. da Lei da Propriedade Industrial. Como bem observa Denis Borges Barbosa123.14 VIGÊNCIA E PRORROGAÇÃO DA MARCA O registro da marca terá vigência pelo prazo de 10 anos. Denis Borges. p. 854. em todo o território nacional. se o pedido de prorrogação não tiver sido efetuado até o termo final da vigência do registro. Além disso. Uma introdução à propriedade intelectual. somente após a publicação de sua averbação perante o INPI. 47. inovação do parágrafo 2º do artigo 133 da Lei da Propriedade Industrial. 123 124 BARBOSA. SILVEIRA. parágrafo 1º.51 2. a qualquer momento. cultivares. 2. . através de pedido de caducidade. sob pena de perder a marca por falta de uso. Newton. software. à exceção de a mesma ter-lhe sido concedida sem referido privilégio. anotando ainda que a averbação não será necessária para fins de prova de uso da marca. direito de autor. mediante o pagamento de retribuição adicional. Poderá o titular ainda ceder ou licenciar o pedido de registro ou o registro de marca a terceiros. prorrogáveis por períodos iguais e sucessivos. A devida prorrogação deverá ser formulada durante o último ano de vigência do registro.

Já o TRIPs determina: Art. de uma marca de fábrica ou de comércio de forma diferente. 227. Também é interessante destacar o que estabelecem a CUP e TRIPs quanto a caducidade: A Convenção da União de Paris preceitua: Art. da forma por que esta foi registrada num dos países da União não implicará a anulação do registro nem diminuirá a proteção que lhe foi concedida. tais como restrições à importação ou outros requisitos oficiais relativos aos bens e serviços protegidos pela marca.) – Se em algum país a utilização de marca for obrigatória. onde registro da marca extingue-se pela expiração do prazo de vigência. o registro não poderá ser anulado senão depois de prazo razoável e se o interessado não justificar as causas da sua inação. extingue-se também pela caducidade. quando a elementos que não alteram o caráter distintivo da marca. que constituam um obstáculo ao uso da mesma. As classificações relativas às matérias dos Títulos I. pelo proprietário. um registro só poderá ser cancelado após transcorrido um prazo ininterrupto de pelo menos três anos de não uso. Se sua manutenção requer o uso da marca. 5º (7ºp. a menos que o titular da marca demonstre motivos válidos. Art. 19.16 PERDA DOS DIREITOS Os casos de perda do direito à marca estão elencados no Artigo 142 e seus incisos da Lei da Propriedade Industrial. . pela renúncia. ou seja. Serão reconhecidos como motivos válidos para o não uso circunstâncias alheias à vontade do titular da marca. C (2) – O uso. falta de uso da marca ou ainda pela inobservância do disposto no artigo 227 da Lei da Propriedade Industrial: Art. abandono voluntário do titular ou pelo representante legal. baseados na existência de obstáculos a esse uso.52 2. II e III desta lei serão estabelecidas pelo INPI. quando não fixadas em tratado ou acordo internacional em vigor no Brasil. 5º.

128 CORREA. 896. 126 BARBOSA. 21. o registro caducará a pedido de qualquer pessoa com legitimo interesse desde que decorridos 5(cinco) anos da sua concessão e na data do pedido o uso da marca não tiver iniciado no Brasil. 892 e 893. 4.53 Art. Quanto à renúncia pode-se dizer que se dá de forma expressa em documento e pelo não uso da marca. 20. Tomo XVII. Também pode ocorrer se no mesmo prazo a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original constante no certificado de registro. reconhecendo a caducidade declarada e requerendo outro pedido de registro. com ou sem a transferência do negócio ao qual a marca pertença. O uso de uma marca por outra pessoa. Denis Borges. p. Pontes de. ed. assim a sanção é evitada. Tratado de Direito Privado – Parte Especial. ainda Denis Borges Barbosa127 observa que. O conceito de uso da marca. 127 BARBOSA. nº 16. Porém. Os Membros poderão determinar as condições para a concessão de licenças de uso e cessão de marcas. ao assumir a inexistência do uso da marca. será reconhecido como uso da marca para fins de manutenção do registro. Denis Borges Barbosa126 afirma que também há “renúncia do próprio direito do titular da marca. 1983. Ed. José Antonio Faria. Uma introdução à propriedade intelectual. é o que afirma José Antonio Faria Correa128. p. 1995. Denis Borges. ou tiver sido interrompido por mais de 5(cinco) anos consecutivos. 15 e16. p. Art.” Já a caducidade definida na Lei da Propriedade Industrial. quando sujeito ao controle de seu titular. assim considerado abandono e com a declaração de caducidade é o que explica Pontes de Miranda125. 125 MIRANDA. 22 e 24.. Revista da ABPI. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar o desuso da marca. Uma introdução à propriedade intelectual. no entendimento de que não serão permitidas licenças compulsórias e que o titular de uma marca registrada terá o direito de ceder a marca. p. Revista dos Tribunais. . São Paulo. se o titular justificar o desuso da marca por razões legitimas.

17 DA LICENÇA DE USO E DA CESSÃO DA MARCA A licença de uso da marca esta prevista no artigo 139 da Lei da Propriedade Industrial. para os mesmos ou similares produtos. V. para os mesmos produtos. Denis Borges. mercadorias ou serviços e bem assim para os pertencentes a gênero de atividade afim. São Paulo: Resenha Tributária. . A licença. 1988. Luiz Guilherme de A. portanto. III. José Carlos Tinoco. segundo Luiz Guilherme de A. p. terá a possibilidade de obter o de sua pretendida marca. Tratado da Propriedade Industrial. 139. 130 BARBOSA. de forma onerosa ou 129 SOARES. V. 131 LOUREIRO. p. 2. que dispõe: Art. natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços. 274. mercadorias ou serviços. A lei de propriedade industrial comentada. 893. Uma introdução à propriedade intelectual. p. O titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca. Em assim procedendo e objetivando a caducidade do registro que lhe é anterior e conflitante. posteriormente requerido sendo de natureza igual ou semelhante. Vol. Este poderá ser alicerçado pelo requerimento de pedido de registro de marca igual ou semelhante. se torna que o interessado ao requerer o pedido de caducidade do registro de uma marca tenha a obrigação de comprovar o seu legítimo interesse. 1179 e 1180. conforme ensina José Carlos Tinoco Soares129: Necessário. De acordo com Denis Borges Barbosa130 o mesmo interesse também poderá ser evidenciado se um registro existente gerar o indeferimento de um pedido de registro de marca.54 Exige-se o interesse processual para o requerimento da caducidade. Loureiro131 é o contrato pelo qual o titular de uma marca atribui a um terceiro o direito de usá-la para designar os seus próprios produtos ou serviços. sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações.

V. 134. de fato. ainda Luiz Guilherme de A. O pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. que a parte da empresa ou do estabelecimento comercial situada nesse país seja transmitida ao cessionário com o direito exclusivo de fabricar ou vender os produtos assinalados com marca cedida. esse contrato é limitado no tempo como também pode ser limitado no território. o qual prevê: Art. . no 132 LOUREIRO.55 gratuita. 6º quater Quando. 278. de acordo com a legislação de um país da União. bastará. No que se refere à cessão da marca. a cessão de uma marca não seja válida sem a transmissão simultânea da empresa ou estabelecimento comercial a que a marca pertence. para que essa validade seja admitida. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. Os Membros poderão determinar as condições para a concessão de licenças de uso e cessão de marcas. de natureza a induzir o público em erro. 21. Deve ser observado ainda o que trata a CUP e TRIPS sobre a matéria: (CUP) Art. Além disso. A lei de propriedade industrial comentada. p. Esta disposição não impõe aos países da União a obrigação de considerarem válida a transmissão de qualquer marca cujo uso pelo cessionário fosse. V. à natureza ou às qualidades substanciais dos produtos a que a marca se aplica. Loureiro132 acrescenta a marca registrada ou depositada pode ser cedida da forma onerosa ou gratuita. A Cessão da marca esta prevista no artigo 134 da Lei da Propriedade Industrial. sendo que o cessionário é sub-rogado em todos os direitos do cedente. particularmente no que se refere à proveniência. (TRIPs) ART. Devendo ser averbada junto ao INPI para que sejam oponíveis contra terceiros. Luiz Guilherme de A.

direitos autorais. etc.18 VALOR DE UMA MARCA Com relação ao assunto. em nome do cedente. podendo até mesmo. ALMEIDA. semelhante ou afim. Ademais deve ser levado em conta. etc. como patentes. não só o percentual que a marca representa no faturamento da empresa. 2007.56 entendimento de que não serão permitidas licenças compulsórias e que o titular de uma marca registrada terá o direito de ceder a marca. de marcas iguais ou semelhantes.mariodealmeida. com ou sem a transferência do negócio ao qual a marca pertença. Acesso em 24 abr. sob pena de arquivamento dos pedidos não cedidos ou cancelamento dos registros.br/bolifart. Mário de Almeida134 leciona que a marca representa um bem valioso de uma empresa.htm>. mas principalmente sua entrada no mercado. á um avanço nos países desenvolvidos a avaliação de uma marca como ativo. devido as constantes fusões de grandes empresas. p. mas como forma de valorização do ativo em caso de uma eventual recuperação judicial. Mário de. Disponível em: <http://www. Deve ser igualmente avaliado a associação e o envolvimento da marca com outros ativos do gênero. bem como a existência de contratos de licenciamento de uso e de franquias. . 133 134 BARBOSA. fusão. Denis Borges. Mencionando ainda que há marcas que já foram penhoradas por banco ou por empresa para garantir suas dívidas. Artigo – Qual é o valor de uma marca?. valer mais do que patrimônio dessas empresas.com. 1057. Enfatizando que a marca pode e deve ser avaliada e declarada no balanço patrimonial como ativo da empresa. certas marcas. se a empresa não honrar a dívida. relativas a produto ou serviço idêntico. 2. o investidor ganha os direitos de aquisição da marca. Uma introdução à propriedade intelectual. não só com a finalidade de melhoria do patrimônio líquido. o investimento em propaganda e marketing. Denis Borges Barbosa133 destaca que a condição para o negócio jurídico é que a cessão abranja todos os registros ou pedidos. Além disso.

57

Também, José Carlos Tinoco Soares135 traz importante lição
de como chegar ao valor de uma marca, sendo necessário observar o que é a
empresa, seus equipamentos, seus funcionários, o que gasta em publicidade, o
público que alcança o reconhecimento que tem uma série enorme de itens que
são estudados, computados e são objeto de enquête. E o valor da marca entra no
ativo da empresa.
Sobre o tema Maurício Souza136 informa que em 2006 a
Coca-Cola liderou a lista das marcas mais valiosas do mundo, com um valor de
US$ 67 bilhões, e que todas as cinco maiores marcas são norte-americanas.
Logo atrás da Coca-Cola apareceu Microsoft, IBM, GE e Intel. Informando ainda,
que nenhuma empresa brasileira integrou a lista das 100 maiores marcas. O valor
das marcas foi calculado como o valor presente líquido do lucro que a marca
gerou e garantiu durante o período de 1º de julho de 2005 a 30 de junho de 2006.
Acrescentando que são avaliadas as marcas cujo valor mínimo é de US$ 2,7
bilhões, que alcançam um terço de seu lucro fora de seu país de origem, cujos
dados de marketing e financeiros estão disponíveis ao público e que têm um
amplo perfil de público fora de sua base de clientes diretos. Enfim, o ranking das
marcas é publicado todos os anos e elaborado pela consultoria de avaliação de
marcas Interbrand em parceria com o grupo de mídia BusinessWeek.
Ante o exposto, pode-se dizer que a marca agrega valor ao
produto, bem como, aumenta o ativo de uma empresa. Além disso, a Lei da
Propriedade Industrial trouxe como inovação a possibilidade de proteção da
marca tridimensional, sendo mais uma forma de apresentação e possibilidade de
valoração de uma marca.

135

Tribuna do Direito. Eunice Nunes - A "volta por cima" do "doutor Tinoco”. Disponível em:
<http://www.tribunadodireito.com.br/2004/novembro/pg_entrevista.htm>. Acesso em 26 abr.
2007.

136

SOUZA, Marcílio. Coca-Cola lidera ranking das 100 marcas mais valiosas do mundo. Estadão.
Disponível em: <http://www.estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2006/jul/31/291.htm>.
Acesso em 26 abr. 2007.

58

CAPITULO 3
MARCA TRIDIMENSIONAL

3.1 MARCA TRIDIMENSIONAL
Segundo Markus Michael Wolff137, desde que entrou em
vigor a atual Lei da Propriedade Industrial, foram depositados aproximadamente
1.400 pedidos de registro de marca tridimensional, sendo que até setembro de
2004 apenas 102 registros foram concedidos. O tempo médio, atualmente, para
concessão de um registro de marca tridimensional é de quatro anos. Podem-se
encontrar protegidos como marca tridimensional tais produtos como: barras de
chocolate, sorvetes, calçados, garrafas de bebida e até chuveiros elétricos.
A

admissibilidade

é

requisito

essencial

da

marca

tridimensional, isto é, que a mesma realmente possua uma forma distinta,
diferente e não funcional dos produtos encontrados no mercado é o que afirma
Douglas Gabriel Domingues138, além disso, menciona que constitui marca
tridimensional a forma particular não funcional e não habitual dada diretamente ao
produto ou seu recipiente no caso dos líquidos e aeriformes.
Também, Marcelo Gazzi Taddei139, tratando sobre a marca
tridimensional afirma que ela é constituída por uma forma especial não funcional e
incomum, dada diretamente ao produto ou ao seu recipiente, objetivando
identificar diretamente o produto.

137

WOLFF, Markus Michael. Desenho industrial e marca tridimensional no brasil. Disponível
em:<http://www.dannemann.com.br/site.cfm?app=show&dsp=dsnews_200409_2&pos=5.98&lng
=pt>. Acesso em 13 mai. 07.

138

DOMINGUES, Douglas Gabriel. Marcas e expressões de propaganda. Rio de Janeiro:
Forense, 1984. p. 202 e 203.

139

TADDEI, Marcelo Gazzi. Marcas & Patentes – os bens industriais no direito brasileiro.
Revista Jurídica Consulex – Ano X – nº 223.- 30 de abril/2006. p. 28.

59

3.2

MARCA TRIDIMENSIONAL E O DIREITO POSITIVO BRASILEIRO
Em 1875 foi instituída a primeira lei de marcas brasileira, em

seu artigo 1º era expressa a semelhança da lei francesa do mesmo ano: entre as
marcas admitidas à registro encontravam-se os invólucros de toda espécie.
Entretanto em 1904, lei posterior, a disposição referida já não era encontrada,
retornando ao direito brasileiro em 1905, pelo Decreto 5.424. Onde além dos
invólucros admitia à registro os recipientes originais usados para conter produtos
e mercadorias, é o que assinala Cláudia Astolfi Pedro140. Acrescentando ainda,
que a lei de 1905 não era mais abrangente porque recipientes são apenas
espécies do gênero invólucro.
É o que entende Carvalho de Mendonça141, quando
conceitua que invólucro é tudo o que serve para envolver, conter, cobrir ou
proteger a mercadoria, desde os simples envoltórios de papel ou outro material,
até as caixas e os frascos.
Em 1923 com a nova lei a matéria ficou omissa e o que
estava disposto na lei era que “as marcas de indústria e de comércio podem
consistir em tudo o que este regulamento não proíba e que faça diferenciar os
objetos ou produtos de outros idênticos ou semelhantes de procedência diversa”.
Portanto, para Cláudia Astolfi Pedro142, não havendo qualquer proibição á
concessão de registros às marcas de forma, referido registro continuava a existir.
Assim expressava Carvalho de Mendonça143:
Os invólucros ou recipientes comumente adotados na indústria ou
no comércio para revestirem ou conterem produtos e mercadorias
não podem servir de elemento constitutivo da marca, pois se
acham no domínio público. Mas se lhes dá forma distinta e
140

PEDRO, Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas
tridimensionais. p. 84 e 85.

141

MENDONÇA, J. X. Carvalho de. Tratado dir. com. bras. – Vol V, Parte I, n. 259. 2ª Ed. Freitas
Bastos, 1934.

142

PEDRO, Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas
tridimensionais. p. 84 e 85.

143

MENDONÇA, J. X. Carvalho de. Tratado dir. com. bras..

apresentando configuração. o formato e o envoltório dos produtos ou mercadorias. podem ser objeto de uso exclusivo e suscetível do registro como marca do produto ou da mercadoria que revestirem ou contiverem. assegurava o registro apenas às cores e quando combinadas em conjunto original. . mas somente como patente de modelo industrial.” A vedação persistiu de acordo com o Código de Propriedade Industrial (Lei 5. 86. estando no feminino. bem como as cores em geral. em seu inciso 7. 209. Marcas e expressões de propaganda. no território brasileiro. p. com a seguinte redação: formato e envoltório de produto e mercadoria não é registrável como marca. Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. assim observado por Cláudia Astolfi Pedro144. p.60 característica. a qual proibia o registro de cor. 210 e 211. no inciso 6º do artigo 76. Douglas Gabriel. A proibição foi mantida no Código de Propriedade Industrial de 1969. passando ser possível. o qual determinava que não podem ser registradas como marca a cor. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. suprimiu-se a vedação. Com o Código de Propriedade Industrial de 1945 à matéria passou a ser regulada de forma inversa. Também em relação à matéria Douglas Gabriel Domingues145 enfatiza: “salvo quando combinadas em conjunto original. Cláudia Astolfi 144 PEDRO. Cláudia Astolfi Pedro146 ainda ressalta que até este momento era impossível proteger a marca tridimensional através de registro. PEDRO. com a atual Lei da Propriedade Industrial (Lei 9. o registro das marcas tridimensionais. 86. formato ou envoltório como marca de indústria e comércio. Cláudia Astolfi. que os distinga daqueles outros. cor e disposição especiais. A relação nova. salvo quando combinadas em conjunto original. p. por não ocorrer à proteção como marca.279 de 1996) em seu artigo 124. refere-se apenas as cores e não ao formato e envoltório. Finalmente. entretanto. 145 146 DOMINGUES. conforme disposto no inciso 6º do artigo 95.772 de 1971). do artigo 65.

61

Pedro147 vem afirmar que o direito nacional ajustou-se a tendência dos países
desenvolvidos que já admitem a proteção para essas marcas, onde cada vez
mais o formato ou embalagem se firmam como forma de assinalar produtos no
mercado, constituindo verdadeiras marcas ou sinal de identificação.
O artigo 124 da LPI prevê os casos que não poderão ser
registrados como marca, à luz desse dispositivo extraímos a previsão legal para a
proteção das marcas tridimensionais:
Art. 124. Não são registráveis como marca:
(...)
XXI - a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de
acondicionamento, ou ainda, aquela que não possa ser
dissociada de efeito técnico;
XXII - objeto que estiver protegido por registro de desenho
industrial de terceiro.

Segundo Cláudia Astolfi Pedro148, acondicionamento é a
embalagem, invólucro ou recipiente usado para embalar objetos ou mercadoria
em pacotes, fardos, caixas, etc., com o objetivo de protegê-los de risco ou facilitar
o seu transporte. O inciso XXI do artigo 124 da LPI, admite a proteção como
marca, a forma característica, particular, distinta, de produto ou de seu
acondicionamento, isto é, da embalagem do produto. Afirmando ainda que a
marca tridimensional, como as demais marcas, deve preencher os requisitos de
validade, ou seja, ser lícita, distintiva e disponível. Somando-se à essas
condições, só será autorizado o registro de marca tridimensional constituída pela
forma do produto, se esta forma não representar um aspecto necessário, comum,
ou vulgar, ou ainda, se puder ser dissociada de efeito técnico.

147

PEDRO, Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas
tridimensionais. p. 86 e 87.

148

PEDRO, Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas
tridimensionais. p. 91, 92.

62

O inciso XXII, do artigo 124 da LPI inviabiliza o registro como
marca, apenas, o objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial
de terceiro. Cláudia Astolfi Pedro149, sobre o assunto, tem o seguinte
entendimento:
É possível registrar como marca o registro de desenho industrial,
se do mesmo titular. Ou seja, prevê a dualidade de proteção
entre marca e desenho industrial do mesmo titular. E, ainda, é
possível o registro como marca de objeto passível de proteção
como desenho industrial, mas que não o tenha sido por terceiros.

No Brasil, Cláudia Astolfi Pedro150 ensina que, não havia nas
legislações anteriores, previsão da possibilidade de proteger a forma plástica
como marca tridimensional, mas apenas como patente ou modelo industrial,
acrescentando ainda que a marca tridimensional não é novidade no direito
brasileiro, mas que por muito tempo houve restrições ao seu registro, ou porque a
lei não autorizava o registro, como marca, às embalagens de produtos e formas
tridimensionais, ou porque era defeso o registro de marcas constitutivas de
elementos passíveis de proteção como modelos ou desenhos industriais.
Entretanto, com a nova Lei da Propriedade Industrial (Lei 9.279/96), percebe-se
que o registro é viável para as formas com características particulares. E ainda,
que é possível registrar como marca o objeto protegido por registro de desenho
industrial que não seja de terceiro. Desta forma, verifica-se que apesar da
existência de previsão ou vedação legal expressa, os institutos se interligam,
sendo este, o recente entendimento que, aliás, favorece a prática profissional.

149

PEDRO, Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas
tridimensionais. p. 92.

150

PEDRO, Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas
tridimensionais. p. 84 e 93.

63

3.3

ASPECTOS DO DIREITO COMPARADO
Como bem observa Cláudia Astolfi Pedro151, há proteção

direta ou indireta da configuração dos produtos, embalagens e como estes se
apresentam no mercado, não só na Europa, mas também nos Estados Unidos e
países da América Latina.
Sobre o assunto, José Carlos Tinoco Soares152, destaca que
países como a Inglaterra, a Bulgária, a Alemanha, a África do Sul, a Argentina, os
Estado Unidos da América, etc., já possuíam de forma direta ou indireta, a forma
do produto ou da configuração de sua embalagem como marca, enfatizando que
nos Estados Unidos da América, foi registrada em 08 de julho de 1916 a marca
Coca-Cola, como tipo de letra característico e a peculiar forma de garrafa. Esta
mesma marca e também a Pepsi-Cola, a Crush, a Tab, etc. foram registradas na
Argentina com suas formas externas, como também no Equador as marcas
Glostora, Johnson & Johnson, e nos Estados Unidos as marcas Life Savers, a
Caran, a Haig & Haig, etc.

3.4

PROTEÇÃO COMO MARCA TRIDIMENSIONAL E COMO DESENHO
INDUSTRIAL
Para o INPI153, o Desenho Industrial é a forma plástica

ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa
ser empregado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original na
sua configuração externa e ainda que possa servir de tipo de fabricação industrial.
O desenho industrial pode ser forma de uma jóia, de uma luminária, de um móvel
de decoração, etc. Ademais o registro do desenho industrial é um título de
propriedade temporária aos autores ou outras pessoas físicas ou jurídicas
151 PEDRO, Cláudia Astolfi. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas
tridimensionais. p. 87.
152

SOARES, José Carlos Tinoco. Marca tridimensional, agora uma realidade. São Paulo,
Revista da ABPI nº 22 – Mai/Jun 1996. p. 46.

153

INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Desenho industrial. Disponível em:
<http://www.inpi.gov.br/>. Acesso em: 25 abr. 2007.

enquanto os desenhos industriais são normalmente protegidos durante um período limitado (geralmente 10 ou 25 anos)... (.wipo.. podem ser considerados como um elemento distintivo do produto em questão.. Como alguns desenhos podem. 2007.int/freepublications/pt/sme/498/wipo_pub_498. tais como: Direito de autor... (. e isso pode representar uma alternativa interessante de registro (. (. O direito de autor prevê geralmente direitos exclusivos em relação às obras literárias e artísticas. o direito de autor pode ser aplicável.) em alguns países. Sendo que sua vigência vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos contados da data do depósito. Disponível em: <http://www. Tal pode ser o caso se a forma do produto ou a sua embalagem forem considerados distintivos. A garrafa de Coca-Cola ou a forma triangular da barra de chocolate Toblerone são exemplos disso. . um logotipo ou uma combinação dos dois) utilizado para distinguir os produtos de uma empresa dos produtos de outras empresas. Acesso em 26 abr.) A proteção das marcas tem a vantagem de ser renovável indefinidamente.64 detentoras de direitos sobre a criação. Há circunstâncias em que a forma. e podem ser protegidos como uma marca tridimensional. Kamil Idris154 acrescenta que em alguns países podem existir maneiras alternativas de proteger desenhos industriais. Marca tridimensional e Concorrência desleal: Conforme a legislação nacional em questão e o tipo de desenho. Beleza Exterior . em alguns países.) Quando é que a legislação sobre as marcas pode proteger um desenho? Uma marca de fábrica ou de comércio é um sinal distintivo (geralmente uma palavra.Uma Introdução aos Desenhos Industriais para as Pequenas e Médias Empresas. uma alternativa para a proteção de desenhos pode ser a legislação sobre direito de autor. a legislação sobre a concorrência desleal pode também proteger os desenhos industriais de uma empresa da possível imitação pelos concorrentes. o desenho ou a embalagem de um determinado produto.. se um desenho industrial funciona como uma marca no mercado. ser considerados obras de arte ou de arte aplicada.) Em outros países. prorrogáveis por mais 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) anos cada até atingir o prazo máximo de 25 (vinte e cinco) anos contados da data do depósito. 154 IDRIS Kamil. ele pode ser protegido como marca tridimensional..pdf>.

estará limitado a fazê-lo dentro do prazo que excepciona as hipóteses do estado da técnica. estendeu a proteção como marca tridimensional à forma do produto ou de seu acondicionamento. Além do mais.htm>. ao mesmo tempo. p. Ainda. Mário de. para obtenção da proteção em primeiro lugar seria melhor requerer a tutela como desenho industrial e. Acrescentando ainda que. o referido doutrinador da um exemplo de marca tridimensional como um vidro de perfume que. Artigo – A marca tridimensional. 113. Disponível em: .279/96 ao definir como marca "todo sinal captado pela visão". os desenhos industriais. desde que não se trate de forma necessária ou vulgar e que não exiba ligação intrínseca entre a forma do objeto e o uso do mesmo. apresentando um formato novo e original em relação aos demais existentes no mercado. se o interessado preferir o caminho inverso. Acesso em 24 abr. ao mesmo tempo. <http://www. poderá ser protegido como desenho industrial.mariodealmeida. tutelado como desenho industrial e como marca tridimensional. ou seja. solicitar o registro como marca tridimensional porque apesar da proteção limitada a certas classes de produtos ela pode ser beneficiada pelas sucessivas prorrogações. ao longo do tempo. 2007. em razão de que. Quanto a esta dupla proteção Mário de Almeida156 entende neste mesmo sentido que a Lei 9.279/96 da Propriedade Industrial. Porém. desta forma este frasco será passível de proteção através de registro de marca tridimensional.br/bolifart.65 Para Cláudia Astolfi Pedro155 a inovação da Lei 9. desde que cumpra os prérequisitos de ser absolutamente novo sob o aspecto estético e tenha aplicação 155 PEDRO. mas não do próprio titular. sendo. Porém. Proteção jurídica dos desenhos industriais e marcas tridimensionais. com isso se conclui que é possível a proteção de um sinal visualmente perceptível tanto como marca tridimensional como também por desenho. primeiro requer a marca tridimensional e depois requerer o registro de desenho industrial no intuito de ampliar seu campo de atuação.com. prescindem do requisito da novidade absoluta. Cláudia Astolfi. possibilitou dupla proteção de um objeto. o mesmo frasco de perfume. não apresente dita forma nenhuma dependência ou vinculação necessária em relação ao uso e utilidade do produto. 156 ALMEIDA. o inciso XXII do Artigo 124 da Lei da Propriedade Industrial veda a concessão de registro de marca a "objeto protegido por registro de desenho de terceiro".

. ao estender a proteção da forma de um objeto como marca tridimensional. Markus Michael Wolff157. (.com. Sendo a primeira e mais tradicionalmente conhecida é a proteção por registro de desenho industrial. a qualquer momento após a concessão.) Outra interessante característica do registro de desenho industrial é a possibilidade de ser requerido um exame de mérito. Acesso em 13 mai. Markus Michael. 07. restará a proteção conferida pelo registro da marca. somente pelo próprio titular... desde que ambos os direitos sejam conferidos ao mesmo titular. atualmente. em função de uma cópia ou imitação 157 WOLFF.cfm?app=show&dsp=dsnews_200409_2&pos=5. Quanto ao desenho industrial é interessante destacar que o referido doutrinador nos ensina: A lei da Propriedade Industrial brasileira prevê duas modalidades de proteção para a forma estética externa de um objeto. Toda forma plástica ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto podem ser protegidos . a lei brasileira prevê um período de graça de 180 dias para divulgações feitas pelo próprio autor ou que tenham acontecido em decorrência de atos praticados por ele. o que reduz o tempo de sua concessão.279/96. Neste contexto.br/site. sendo a primeira através do registro do desenho industrial e a segunda através do registro da marca tridimensional. Desenho industrial e marca tridimensional no brasil.dannemann.desde que apresentem originalidade e novidade em sua configuração externa. O pedido de registro de desenho industrial sofre um exame em que não se avaliam a novidade e a originalidade.98&lng =pt>.66 industrial. Disponível em:<http://www. quando ocorrer a expiração do prazo de validade do registro de desenho industrial. Quanto ao requisito da novidade. para de dois a seis meses após o depósito do pedido. Assim o frasco de perfume em questão poderá ser protegido através de registro de desenho industrial como também ser protegido como marca tridimensional. Contudo. Observando ainda que a Lei 9. Essa possibilidade é de grande valia nos casos em que. o objeto ou o conjunto ornamental aplicado ao objeto não pode ter sido anteriormente divulgado ao público em qualquer parte do mundo. conferiu ao seu titular a proteção eterna já que. vem confirmar que a atual Lei da Propriedade Industrial Brasileira prevê duas modalidades de proteção para a forma estética externa de um objeto.

dannemann. Porém. junto aos alunos e professores dos Cursos de Direito e Desing.5 RECONHECIMENTO DA MARCA TRIDIMENSIONAL PELO MERCADO CONSUMIDOR SOB A ÓTICA DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA JURÍDICA E DO DESIGN Foi realizado uma pesquisa para complementar as informações reunidas neste trabalho de monografia.67 substancial do produto protegido. sendo que de 1997 até o final de 2002 foram concedidos aproximadamente 20 mil registros. 158 WOLFF.br/site. terá a opção de proteger a forma estética externa de um objeto como marca tridimensional. Ainda Markus Michael Wolff158 destaca que quando se pretende ter uma proteção por um período maior do que a do desenho industrial. Enfatizando ainda que a vantagem de obter esta proteção através da marca tridimensional. que tal formato permita distinguir o produto de outros semelhantes ou afins da mesma origem ou de origem diversa. da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI e da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. isto é. Markus Michael. ou quando o requisito de novidade absoluta do produto não é mais atendido. é que ela pode ser prorrogada a cada dez anos.cfm?app=show&dsp=dsnews_200409_2&pos=5. É importante lembrar que a proteção conferida pelo registro de desenho industrial está limitada a um prazo máximo de 25 anos.98&lng =pt>. O exame de mérito é realizado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no prazo de três a quatro meses. Acesso em 13 mai. 07. O curto prazo para a concessão conduziu a uma verdadeira explosão no número de registros de desenho industrial. visando identificar os conceitos e aspectos considerados para o reconhecimento da marca tridimensional. uma ação judicial em face do infrator seja iminente. 3. Disponível em:<http://www.com. frente a apenas quatro mil patentes de modelo ou desenho industrial no período entre 1991 e 1996. Desenho industrial e marca tridimensional no brasil. é necessário que o formato do produto que se deseja proteger nessa natureza possa operar como uma marca. .

inpi. A última pergunta solicitava que descrevesse as marcas apresentadas e 97% dos entrevistados distinguiram de forma correta do produto de acordo com as marcas tridimensionais apresentadas. como também da UDESC em Florianópolis. sendo que a forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. Acesso em: 15 mai. sendo que 20% relacionaram a embalagem. Com base nos resultados desta pesquisa pode-se considerar que a marca tridimensional é facilmente reconhecida pelo mercado consumidor.br/>. o qual se encontra no apêndice A. principalmente na área jurídica. Disponível em: .68 A pesquisa foi realizada no período de 08 de maio de 2007 a 14 de maio de 2007 nos campi de Itajaí e Balneário Camboriú da Univali. 159 INPI . Pode-se verificar que a maioria das respostas relacionadas a forma. Em relação à segunda pergunta “O que caracteriza uma marca tridimensional” os principais aspectos citados foram que 60% das respostas evidenciaram a forma e a imagem do produto. como sendo aquela formada pela forma plástica de produto ou de embalagem. enviado via e-mail. sendo algumas vezes confundido como logomarca. imagem do produto estão coerentes com o conceito de marca tridimensional definidos pelo INPI159. Para realização desta pesquisa foi utilizado como instrumento de coleta de dados um questionário.gov. e os demais 20% não souberam responder.Instituto Nacional da Propriedade <http://www. mas necessita ainda um aprofundamento maior no esclarecimento de seu conceito e aspectos que a caracterizam principalmente na área jurídica. Foram avaliados 30 questionários e no que se refere à primeira pergunta “O que você entende por marca tridimensional?” percebesse que o conceito de marca tridimensional ainda não esta claro. 2007. Industrial. Marca.

No decorrer da Monografia. A compreensão da origem internacional da legislação que cuida da propriedade industrial brasileira. A compreensão do tratamento legislativo internacional à propriedade intelectual foi pressuposto para o conhecimento do conceito e evolução histórica do instituto marcário brasileiro. em vigor. especialmente na área de propriedade industrial. princípios. a compreensão do ordenamento pátrio que cuida do direito marcário. verificou-se que o Direito Internacional na área de propriedade intelectual acompanha as constantes transformações da sociedade e. O primeiro Capítulo dispunha de um objetivo desafiador. tratada no terceiro capítulo: a marca tridimensional foi introduzida com a Nova Lei da Propriedade Industrial. classificação. procedimentos de registro. a marca tridimensional tem características que se assemelham ao . a evolução da legislação pátria frente as transformações nas orientações internacionalmente emanadas. possibilitou o conhecimento dos aspectos jurídicos da marca tridimensional. suas convenções e tratados. como é o caso da marca tridimensional. formas de apresentação.69 CONSIDERAÇÕES FINAIS A presente monografia teve como objeto o estudo dos Aspectos Jurídicos da Marca Tridimensional. possibilidades de ações administrativas e judiciais na discussão de direito marcário brasileiro. que os inserem em uma ordem jurídica internacionalmente seguida pelos países signatários. a evolução histórica da propriedade intelectual internacional. cada qual com seus próprios objetivos. proibições legais. que a adesão do Brasil a tratados e convenções internacionais possibilita que os cidadãos brasileiros compartilhem direitos e deveres. objeto do segundo capítulo. podendo ser requerida e obtida através de procedimento administrativo imposto pelo INPI. com inserção. Para se chegar ao pretendido foi necessária a construção de três capítulos. possibilitando o conhecimento de conceitos de marca. e ainda. na legislação pátria de figuras jurídicas até então vedadas pela ausência legislativa aplicável. tipos de marcas.

a descrição dos capítulos. O terceiro problema: c) Os investimentos na apresentação dos produtos. tendo em vista a propagação do negócio e aumento de receita. Por sua vez o segundo problema foi questionado o seguinte: b) No Brasil pode-se registrar como marca o formato visual de um produto? Como resposta a este problema a nova Lei da Propriedade Industrial em seu artigo 124. porém. posto que possui com fundamento jurídico e características distintas. é instituto aplicável inclusive concomitantemente ao desenho industrial. o que poderá incentivar investimentos e ampliação da quantidade de depósitos e pedidos de registros de marca tridimensional junto ao INPI. a legislação que cuida da . A referida possibilidade não constava nas legislações anteriores sendo conseqüências dos tratados internacionais aderidos pelo Brasil. posto que as marcas despontam como um diferencial que além de ser referencia de origem do produto para os consumidores. O que se verifica é que. Incisos XXI e XXII autorizam o registro do formato visual do produto sob o nome de marca tridimensional. Estas são as considerações que se julgam oportunas a apresentar. mas em todo o mundo. é ativo patrimonial de reconhecido valor para os empresários. Terminado o trabalho proposto. ressaltar alguns itens que correspondem aos problemas e as hipóteses que se formularam na introdução. isto é. entende-se não só por conveniência.70 desenho industrial. mas também pelo prumo metodológico. não só no Brasil. com a inserção da marca tridimensional como uma nova forma de apresentação da marca no Brasil. tornando-os identificáveis somente pela sua forma encontra reconhecimento no mercado consumidor? Que a análise da pesquisa complementar do Apêndice “A” demonstra o reconhecimento do mercado consumidor para as marcas tridimensionais apresentadas. Tinha-se como primeiro problema: a) Em uma economia globalizada onde há equilíbrios nos avanços tecnológicos produtivos a marca agrega algum valor ao produto? Tendo como resposta afirmativa.

. regulando e apresentando novas formas de exploração/divulgação dos produtos ao mercado consumidor brasileiro.71 propriedade industrial está cumprindo com seus fundamentos: promover o crescimento da economia.

Marcos César. Rio de Janeiro: Forense. DEL NERO. 22 e 24. José Antonio Faria. . 11. 34. Jus Navigandi. CRETELLA JUNIOR. 2007. Da propriedade industrial e intelectual. Mário de. 807. p. p. v. 35. 394. O poder de controle nas s. 42. p. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. 1. 892.mariodealmeida. Darcy. 2006. Uma introdução à propriedade intelectual. 2002. Revista dos Tribunais. ano 6. 1988. Patrícia Aurélia. 44.com.br/bolifart. 58. 2ª ed. 2007. Teresina. 71. 27. Direitos reais.htm>. 1995. São Paulo: Revista dos Tribunais. Disponível em: <http://jus2.htm>. Propriedade intelectual: a tutela jurídica da biotecnologia. Qual é o valor de uma marca? Disponível em: <http://www. DOMINGUES.mariodealmeida.uol. São Paulo: Saraiva. 2ª ed. 893. 896 e 1057. 186.a. I.com. ago. 1º a 5º. Direito industrial patentes. COMPARATO. Denis Borges. CORREA. 2004. p.asp?id=3151>. O conceito de uso da marca. Comentários à constituição de 1988. LXVII.br/bolifart. 49 e 124. A marca tridimensional. BARBOSA. 2003. 15. p. inc.72 REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS ALMEIDA.br/doutrina/texto.com. BOTELHO. 854. Acesso em: 16 set. BESSONE. Douglas Gabriel. 183. Revista da ABPI. 18. 855. José. 1980. Acesso em 24 abr. nº 16. 43. Disponível em: <http://www. n. ____________________. 805. p. 1976. Fábio Konder. Acesso em 24 abr. Arts.

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07. Desenho industrial e marca tridimensional no brasil.dannemann.77 WOLFF. Disponível em: <http://www.br/site. Acesso em 13 mai.com. .cfm?app=show&dsp=dsnews_200409_2&pos =5.98&lng=pt>. Markus Michael.

78 APÊNDICE A QUESTIONÁRIO Este questionário tem como objetivo. JURÍDICA ( ) DESIGN ( ) O QUE VOCÊ ENTENDE POR MARCA TRIDIMENSIONAL? ________________________________________________ 2. ____________________ ____________________ ______________________ . Os resultados analisados servirão de base para uma Pesquisa de Monografia do Curso de Direito da UNIVALI – Campus Itajaí. FAVOR DESCREVER QUAL A MARCA IDENTIFICADA POR VOCÊ EM CADA IMAGEM ABAIXO. analisar o conhecimento dos entrevistados sobre o conceito de Marca Tridimensional. ÁREA: 1. O QUE CARACTERIZA UMA MARCA TRIDIMENSIONAL? _________________________________________________ 3.

79 ANEXO A MARCAS DE CERTIFICAÇÃO: Aquelas que se destinam a atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. natureza. (INPI14/10/2006) Exemplo: . notadamente quanto à qualidade. material utilizado e metodologia empregada.

(INPI14/10/2006) Exemplos: . cuja grafia se apresente de forma estilizada.80 ANEXO B MARCA MISTA É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos.

a proteção legal recai sobre o ideograma em si. (INPI. imagem.81 ANEXO C MARCA FIGURATIVA: É constituída por desenho. desde que compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. chinês. hebraico. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. e não sobre a palavra ou termo que ele representa. etc.14/10/2006) Exemplo: : . bem como dos ideogramas de línguas tais como o japonês. Nesta última hipótese. ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. isoladamente. caso em que se interpretará como marca mista.

a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem.82 ANEXO D MARCA TRIDIMENSIONAL: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. (INPI. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico.14/10/2006) Exemplos: .

83 ANEXO E FLUXOGRAMA DO EXAME DE PEDIDOS DE REGISTRO DE MARCA Concessão de Registro Sem Obstáculos Administrativos (fluxograma INPI – 15/11/2006) .

84 Pedido Indeferido (fluxograma INPI – 15/11/2006) .

85 Oposição (fluxograma INPI – 15/11/2006) .

86 Exigência (fluxograma INPI – 15/11/2006) .

Lei 9.279/96 (fluxograma INPI – 15/11/2006) .87 Procedimento para Registro de Marcas .

02 Tintas. substâncias adesivas destinados à indústria. cosméticos. produtos para absorver. molhar e ligar pó. construções transportáveis de metal. lubrificantes. emplastros. cabos e . herbicidas. decoradores. matérias tintoriais. matérias plásticas não processadas. mordentes. 05 Preparações farmacêuticas e veterinárias. substâncias tanantes. polir e decapar. assim como à agricultura. 04 Graxas e óleos industriais. perfumaria. às ciências. materiais para curativos. substâncias dietéticas adaptadas para uso medicinal. substâncias químicas destinadas a conservar alimentos. vernizes. velas e pavios para iluminação. fungicidas. produtos para limpar. adubo. combustíveis (incluindo gasolina para motores) e materiais para iluminação. resinas naturais em estado bruto. loções para os cabelos. dentifrícios. 03 Preparações para branquear e outras substâncias para uso em lavanderia. resinas artificiais nãoprocessadas. preparações para destruição de vermes. impressores e artistas. à horticultura e à silvicultura. óleos essenciais. materiais de metal para construção. lacas. preservativos contra oxidação e contra deterioração da madeira. composições extintoras de fogo. alimentos para bebês. 06 Metais comuns e suas ligas. preparações higiênicas para uso medicinal.88 ANEXO F CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL LISTA DE CLASSES 01 Substâncias químicas destinadas à indústria. metais em folhas e em pó para pintores. cera dentária. sabões. desinfetantes. à fotografia. produtos abrasivos. material para obturações dentárias. materiais de metal para vias férreas. preparações para temperar e soldar.

aparelhos de barbear. náuticos.89 fios de metal comum não elétricos. de medição. acumular. ar ou água. equipamento de processamento de dados e computadores. suporte de registro magnético. refrigeração. 11 Aparelhos para iluminação. geodésicos. transmitir ou reproduzir som ou imagens. 13 Armas de fogo. discos acústicos. 07 Máquinas e ferramentas mecânicas. de pesagem. produção de vapor. de salvamento e de ensino. fornecimento de água e para fins sanitários. pedras preciosas. instrumentos agrícolas não manuais. munições e projéteis. cozinhar. chocadeiras. médicos. transformar. membros. aparelhos para locomoção por terra. de sinalização. odontológicos e veterinários. regular ou controlar eletricidade. fotográficos. caixas registradoras. minérios. máquinas de calcular. e engates de máquinas e componentes de transmissão (exceto para veículos terrestres). motores (exceto para veículos terrestres). interromper. não incluídos em outras classes. secagem. cinematográficos. relojoaria e instrumentos cronométricos. cofres. 09 Aparelhos e instrumentos científicos. artigos ortopédicos. serralharia. aparelhos para registrar. canos e tubos de metal. máquinas distribuidoras automáticas e mecanismos para aparelhos operados com moedas. olhos e dentes artificiais. 10 Aparelhos e instrumentos cirúrgicos. aparelhos extintores de incêndio. . pequenos artigos de ferragem. fogos de artifício. 14 Metais preciosos e suas ligas e produtos nessas matérias ou folheados. bijuteria. jóias. aquecimento. explosivos. aparelhos e instrumentos para conduzir. 15 Instrumentos musicais. ópticos. de controle (inspeção). 08 Ferramentas e instrumentos manuais (propulsão muscular). armas brancas. ventilação. produtos de metal comum não incluídos em outras classes. cutelaria. 12 Veículos. material de sutura.

canos flexíveis. chicotes. produtos em matérias plásticas semiprocessadas. materiais para calafetar. papelão e produtos feitos desses materiais e não incluídos em outras classes. oleados. vidro não trabalhado ou semitrabalhado (exceto para construção). âmbar. escovas (exceto para pintura). madrepérola.90 16 Papel. materiais para artistas. fotografias. . redes. matérias de enchimento (exceto borrachas e plásticos). goma. velas. monumentos não metálicos. cortiça. tartaruga. 18 Couro e imitações de couros. materiais para fabricação de escovas. chifre. espelhos. canos rígidos não metálicos para construção. palha de aço. guta-percha. junco. máquinas de escrever e material de escritório (exceto móveis). adesivos para papelaria ou uso doméstico. 22 Cordas. papelaria. cana. molduras. fios. 23 Fios para uso têxtil. tendas. construções transportáveis não metálicas. sacolas (não incluídos em outras classes). material de instrução e didático (exceto aparelhos). marfim. guarda-sóis e bengalas. osso. porcelana e louça de faiança não incluídos em outras classes. arreios e selaria. amianto. materiais de limpeza. peles de animais. malas e bolsas de viagem. guarda-chuvas. de madeira. artigos de vidro. mica e produtos feitos com estes materiais e não incluídos em outras classes. vedar e isolar. piche e betume. matérias têxteis fibrosas em bruto. 21 Utensílios e recipientes para a casa ou cozinha (não de metal precioso ou folheado). matérias plásticas para embalagem (não incluídas em outras classes). clichês. pincéis. 19 Materiais de construção (não metálicos). concha. asfalto. produtos (não incluídos em outras classes). espuma-do-mar e sucedâneos de todas estas matérias ou de matérias plásticas. sacos. caracteres de imprensa. produtos nessas matérias não incluídos em outras classes. artigos para encadernação. barbatana de baleia. vime. 20 Móveis. 17 Borracha. toldos. pentes e esponjas. material impresso. não metálicos.

malte. sementes. botões. tapioca. óleos e gorduras comestíveis. colchetes e ilhós. mel. 34 Tabaco. águas minerais e gasosas e outras bebidas não alcoólicas. lêvedo. . coberturas de cama e mesa. alimentos para animais. leite e laticínio. 25 Vestuário. 30 Café. sagu. linóleo e outros revestimentos de assoalhos. extratos de carne. especiarias. 33 Bebidas alcoólicas (exceto cervejas). frutas. arroz. cacau. artigos para fumantes. capachos e esteiras. legumes e verduras frescos. xarope de melaço. açúcar. farinhas e preparações feitas de cereais. massas e confeitos. alfinetes e agulhas. colgaduras que não sejam em matérias têxteis. ovos. não incluídos em outras classes. frutas. 27 Carpetes. hortícolas. 29 Carne. sucedâneos de café. vinagre. geléias. peixe. 32 Cervejas. legumes e verduras em conserva. tapetes. mostarda. decorações para árvores de Natal. 31 Produtos agrícolas. calçados e chapelaria. pão. artigos para ginástica e esporte não incluídos em outras classes. sal. gelo. 26 Rendas e bordados. molhos (condimentos). flores artificiais. aves e caça. sorvetes. fitas e laços.91 24 Tecidos e produtos têxteis. animais vivos. chá. plantas e flores naturais. 28 Jogos e brinquedos. xaropes e outras preparações para fabricar bebidas. secos e cozidos. bebidas de frutas e sucos de fruta. fósforos. florestais e grãos não incluídos em outras classes. doces e compotas. fermento em pó.

negócios imobiliários. de horticultura e de silvicultura. . serviços veterinários. provimento de treinamento.92 LISTA DE SERVIÇOS 35 Propaganda. funções de escritório. serviços de análise industrial e pesquisa. negócios monetários. serviços de agricultura. serviços jurídicos. serviços de higiene e beleza para seres humanos ou animais. pesquisa e desenho relacionados a estes. para satisfazer necessidades de indivíduos. reparos. 39 Transporte. 44 Serviços médicos. 42 Serviços científicos e tecnológicos. 40 Tratamento de materiais. concepção. acomodações temporárias. administração de negócios. projeto e desenvolvimento de hardware e software de computador. atividades desportivas e culturais. gestão de negócios. 38 Telecomunicações. 45 Serviços pessoais e sociais prestados por terceiros. 43 Serviços de fornecimento de comida e bebida. negócios financeiros. serviços de segurança para proteção de bens e pessoas. serviços de instalação. organização de viagens. entretenimento. 37 Construção civil. embalagem e armazenagem de produtos. 36 Seguros. 41 Educação.